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Geografia
Geografia

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Sandra Kelly de Araújo

Geografia Instrumentação para o Ensino de Geografi a I Sandra Kelly de Araújo
Geografia Instrumentação para o Ensino de Geografi a I Sandra Kelly de Araújo

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Sandra Kelly de Araújo

Geografia
Geografia

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

2ª Edição

Sandra Kelly de Araújo Geografia Instrumentação para o Ensino de Geografi a I 2ª Edição Natal

Natal – RN, 2011

Governo Federal

Presidenta da República Dilma Vana Rousseff

Vice-Presidente da República Michel Miguel Elias Temer Lulia

Ministro da Educação Fernando Haddad

Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN

Reitora Ângela Maria Paiva Cruz

Vice-Reitora Maria de Fátima Freire Melo Ximenes

Secretaria de Educação a Distância (SEDIS)

Secretária de Educação a Distância Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo

Secretária Adjunta de Educação a Distância Eugênia Maria Dantas

FICHA TÉCNICA

COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Marcos Aurélio Felipe

GESTÃO DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luciana Melo de Lacerda Rosilene Alves de Paiva

PROJETO GRÁFICO

Ivana Lima

REVISÃO DE MATERIAIS Revisão de Estrutura e Linguagem Eugenio Tavares Borges Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Kaline Sampaio de Araújo Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Thalyta Mabel Nobre Barbosa

Revisão de Língua Portuguesa Camila Maria Gomes Cristinara Ferreira dos Santos Emanuelle Pereira de Lima Diniz Flávia Angélica de Amorim Andrade Janaina Tomaz Capistrano Priscila Xavier de Macedo Rhena Raize Peixoto de Lima Samuel Anderson de Oliveira Lima

Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva

EDITORAÇÃO DE MATERIAIS Criação e edição de imagens Adauto Harley Anderson Gomes do Nascimento Carolina Costa de Oliveira Dickson de Oliveira Tavares Heinkel Hugenin Leonardo dos Santos Feitoza Roberto Luiz Batista de Lima Rommel Figueiredo

Diagramação Ana Paula Resende Carolina Aires Mayer Davi Jose di Giacomo Koshiyama Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Rafael Marques Garcia

Módulo matemático Joacy Guilherme de A. F. Filho

IMAGENS UTILIZADAS Acervo da UFRN www.depositphotos.com www.morguefile.com www.sxc.hu Encyclopædia Britannica, Inc.

Catalogação da publicação na fonte. Bibliotecária Verônica Pinheiro da Silva.

Araújo, Sandra Kelly de.

Instrumentação para o Ensino de Geografia I / Sandra Kelly de Araújo. – 2. ed. – Natal: EDUFRN, 2011.

202 p.: il.

ISBN 978-85-7273-879-8

Disciplina ofertada ao curso de Geografia a Distância da UFRN.

1. Geografia – procedimentos de ensino. 2. PCN. 3. Práticas educacionais. I. Título.

CDU 91:37.091.3

A658i

© Copyright 2005. Todos os direitos reservados a Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – EDUFRN.

Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa do Ministério da Educacão – MEC

Sumário

Apresentação Institucional

 

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Aula 1

Com o Mundo nas Mãos

 

7

 

Aula 2

Cartografia escolar I

 

21

 

Aula 3

Redescobrindo o uso de mapas em sala de aula

39

 

Aula 4

Promovendo o ensino do clima I

 

55

   
   

Aula 5

Promovendo o ensino do clima II

 

71

Aula 6

 
 

Promovendo o ensino do clima III

 

89

Aula 7

Ensinando relevo

 

107

 
   

Aula 8

Com a mão na massa

 

123

Aula 9

Promovendo o ensino de solos

 

137

   

Aula 10

 

155

 

De volta ao começo

 

Aula 11

A Terra e o sistema solar

 

169

   

Aula 12

Gaia, mãe Terra

187

Apresentação Institucional

A Secretaria de Educação a Distância – SEDIS da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, desde 2005, vem atuando como fomentadora, no âmbito local, das

Políticas Nacionais de Educação a Distância em parceira com a Secretaria de Educação

a Distância – SEED, o Ministério da Educação – MEC e a Universidade Aberta do Brasil –

UAB/CAPES. Duas linhas de atuação têm caracterizado o esforço em EaD desta instituição: a primeira está voltada para a Formação Continuada de Professores do Ensino Básico, sendo implementados cursos de licenciatura e pós-graduação lato e stricto sensu; a segunda volta-se para a Formação de Gestores Públicos, através da oferta de bacharelados e especializações em Administração Pública e Administração Pública Municipal. Para dar suporte à oferta dos cursos de EaD, a Sedis tem disponibilizado um conjunto de meios didáticos e pedagógicos, dentre os quais se destacam os materiais impressos que são elaborados por disciplinas, utilizando linguagem e projeto gráfico para atender às necessidades de um aluno que aprende a distância. O conteúdo é elaborado por profissionais qualificados e que têm experiência relevante na área, com o apoio de uma equipe multidisciplinar. O material impresso é a referência primária para o aluno, sendo indicadas outras mídias, como videoaulas, livros, textos, filmes, videoconferências, materiais digitais e interativos e webconferências, que possibilitam ampliar os conteúdos e a interação entre os sujeitos do processo de aprendizagem. Assim, a UFRN através da SEDIS se integra o grupo de instituições que assumiram o desafio de contribuir com a formação desse “capital” humano e incorporou a EaD como moda- lidade capaz de superar as barreiras espaciais e políticas que tornaram cada vez mais seleto o acesso à graduação e à pós-graduação no Brasil. No Rio Grande do Norte, a UFRN está presente em polos presenciais de apoio localizados nas mais diferentes regiões, ofertando cursos de graduação, aperfeiçoamento, especialização e mestrado, interiorizando e tornando o Ensino Superior uma realidade que contribui para diminuir as diferenças regionais e o conhecimento uma possibilidade concreta para o desenvolvimento local. Nesse sentido, este material que você recebe é resultado de um investimento intelectual

e econômico assumido por diversas instituições que se comprometeram com a Educação e

com a reversão da seletividade do espaço quanto ao acesso e ao consumo do saber E REFLE- TE O COMPROMISSO DA SEDIS/UFRN COM A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA como modalidade estratégica para a melhoria dos indicadores educacionais no RN e no Brasil.

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA SEDIS/UFRN

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Com o Mundo nas Mãos

Aula

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Apresentação

O bservando com atenção a sua volta, você seguramente compartilhará conosco da afirmação de que estamos vivendo um momento de oportunidade ímpar para o ensino de Geografia. Não temos a pretensão de afirmar que este seja o melhor momento para

educação brasileira tampouco para os profissionais da educação. Mas é o momento em que o local e o global mais se aproximam, oportunizando relações múltiplas sobre os temas de interesse da Geografia e condições inéditas para promoção de seu ensino.

Com o toque de dedos nas teclas de um computador acessamos produções em vídeo, textos e imagens disponíveis na internet. Há canais de televisão especializados em conteúdos educativos, há mais livros nas bibliotecas, há acervos em vídeo e DVD dirigidos especialmente às escolas e, no mundo virtual, professores e alunos publicam suas produções em vários formatos. A distância entre o local e o global está cada vez menor e a natureza dá sinais de movimento em diferentes escalas facilmente verificáveis. Condições metodológicas, conteúdos e instrumentos favoráveis ao ensino são encontrados em toda parte – esse é o principal argumento que iremos desenvolver nas disciplinas Instrumentação para o Ensino de Geografia I e II.

Assim, nessas disciplinas serão apresentadas sugestões de recursos didáticos, metodologias, modelos, simulações, processos e aparatos tecnológicos úteis a promoção do ensino de Geografia. Nesta aula, vamos destacar as oportunidades oferecidas contemporaneamente através das novas tecnologias somadas àquelas próprias do espaço local.

Objetivo

Utilizar instrumentos e metodologias no ensino de temas referentes à geografia a partir das sugestões apontadas nessa disciplina.

à geografia a partir das sugestões apontadas nessa disciplina. Aula 1 Instrumentação para o Ensino de

Aula 1

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Ensinar o quê, como e por quê

É certo que vivemos um momento ímpar em nossa história. O mundo ficou mais rápido,

mais sedutor, mais colorido e, aparentemente, mais acessível. Informações, pessoas, ideias e mercadorias circulam numa velocidade estonteante aproximando países centrais e periféricos.

O local e global se confundem ensejando oportunidades de reflexão e aprendizagem.

As novidades tecnológicas surpreendem a cada instante e o acesso à informação ocupa posição central nos processos decisórios em todos os níveis de organização social. Entretanto, apesar dos traços inéditos da atualidade, não certificamos rupturas com o passado, mas sua continuidade. A sociedade continua padecendo de graves problemas e a natureza dá sinais cada vez mais evidentes de mudanças com consequências diretas sobre as condições da vida humana.

Nesse contexto, a Geografia revisa suas teorias e metodologias de modo a melhor interpretar as múltiplas faces da realidade atual. A geografia está em movimento tal como

a realidade social e a natureza. No âmbito da geografia escolar, nosso desafio particular é transpor tais análises para o campo da promoção do ensino e da formação acadêmica em nível fundamental e médio.

Essa disciplina está, portanto, situada num contexto histórico definido e numa etapa específica de planejamento de ensino – dando suporte ao alcance de dadas competências, objetivos ou finalidades. Isso significa afirmar que o uso de recursos, instrumentos ou metodologias de ensino deve ser definido de acordo com os objetivos, as competências ou habilidades que se deseja alcançar. Deste modo, mesmo que a escola disponha de computadores de última geração, data-show ou laboratórios bem equipados, o uso desses aparatos dessa ou daquela metodologia será adequado a certas finalidades. Seus usos devem ser, portanto, frutos da adequação à intencionalidade do processo educativo.

É da associação ou coerência entre as etapas de planejamento de ensino que os resultados

serão alcançados. Toda ação gera um efeito. Partindo dessa premissa, podemos considerar que a ação docente intencional pode gerar resultados previsíveis ou desejáveis. Obviamente, sem ignorar que há inúmeros fatores que interferem no processo de ensino e aprendizagem que não podem ser controlados pelo professor.

Entre as competências esperadas de nossa atuação profissional está a prática reflexiva ou a consciência daquilo que fundamenta nossas escolhas docentes. Educar é um ato político, já nos alertava Paulo Freire, carregado de intencionalidades. Assim, ao definirmos os objetivos, os conteúdos, as metodologias, os recursos e as formas de avaliação estamos prevendo o que, como e por que estamos ensinando/aprendendo.

Especialmente, nas disciplinas Instrumentalização para o Ensino I e II você conhecerá sugestões didático-pedagógicas que compreendem a indicação de modelos, simulações, aparatos ou instrumentos técnicos, programas e processos que possam ser úteis a promoção da Geografia Física e da Cartografia nos níveis de Ensino Fundamental e Médio. Nossa

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Aula 1

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

expectativa é que tais sugestões gerem atividades participativas, prazerosas e motivadoras da aprendizagem no espaço em sua dimensão física, bem como da linguagem cartográfica.

Consideramos, enfim, que a ação docente está alicerçada em três pilares – a formação teórica, as respostas metodológicas e a ética/assunção profissional. Saber, saber fazer e quer fazer são os aspectos que nortearão nosso trabalho. Esperamos que todos se sintam motivados ao estudo. Vamos lá?!

Sobre planejamento de ensino

O planejamento de ensino consiste na definição prévia de etapas ou fases do processo pedagógico ou da promoção do ensino. Essas etapas ou fases podem ser assim identificadas:

objetivo, conteúdo, metodologia, recurso e avaliação. Elas são estabelecidas de forma articulada de modo a garantir coesão ao processo de ensino.

Na disciplina Didática você já teve oportunidade de aprofundar esse assunto e conhecer diversos níveis de planejamento de ensino e seus desdobramentos. Agora importa saber que o fazer pedagógico se inicia com a definição do objetivo que se pretende alcançar. As demais fases ou etapas serão orientadas para garantir a efetivação desse objetivo.

1ª Etapa ou Fase Definição dos Objetivos: Os objetivos são ações esperadas do aluno, sob certas condições e num certo intervalo de tempo.

2ª Etapa ou Fase Seleção dos Conteúdos: Os conteúdos darão sustentação aos objetivos. Devem ser selecionados de modo a atender o alcance dos objetivos.

3ª Etapa ou Fase Escolha da Metodologia e Recursos: Como os objetivos serão alcançados e quais recursos serão utilizados para isso é a questão que essa fase responde. É também aqui que se concentram as disciplinas Instrumentação para o Ensino de Geografia I e II – articuladas com as demais etapas do planejamento. Nossa expectativa é que a prática reflexiva docente guie a escolha desse ou daquele recurso, dessa ou daquela metodologia.

4ª Etapa ou Fase Avaliação: A avaliação identificará se os objetivos foram alcançados e servirá de referência para o professor e o aluno redimensionar o trabalho, se for pertinente.

Aula 1

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Atividade 1 Assista a uma aula presencial qualquer e identifique as etapas de planejamento executadas
Atividade 1
Assista a uma aula presencial qualquer e identifique as etapas de planejamento
executadas pelo professor ou pela professora e responda a seguinte questão
- Faça uma breve síntese da aula descrevendo seu objetivo, os conteúdos
apresentados, a metodologia e os recursos usados para facilitar o alcance do
objetivo e a avaliação realizada.

A

relação entre os meios

e

os fins na ação educativa

Já afirmamos que há uma relação íntima entre os fins que se desejam alcançar e os meios que utilizamos para tal. Não chegaremos a Lua de navio, a pé ou a cavalo. Uma tarefa tão complexa exigirá meios adequados. Também não precisaremos de um ônibus espacial para ir à feira ou à farmácia da esquina.

Vamos dar alguns exemplos de uso de instrumentos ou meios para atingir certos objetivos na ação educativa seja em espaços formativos, como a escola, ou fora desses:

1) Uma verdade inconveniente (An inconvenient truth, 2006): nesse filme documentário, Al Gore apresenta vários argumentos relativos ao aquecimento global. A estratégia para abordagem do tema nas telas é a mesma utilizada por ele em palestras – o assunto é amplamente ilustrado com imagens, gráficos, dados científicos, exemplos e comentários.

gráficos, dados científicos, exemplos e comentários. Figura 1 – Capa do DVD uma verdade inconveniente (

Figura 1 – Capa do DVD uma verdade inconveniente (An inconvenient truth)

Fonte: <http://www.climatecrisis.net/downloads/images/poster.jpg>. Acesso em: 7 maio 2009.

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Aula 1

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

2)

Quadrinhos: Henfil renovou a história dos quadrinhos brasileiros ao trazer para as tiras dos quadrinhos a crítica irônica, o humor de resistência ao poder estabelecido.

irônica, o humor de resistência ao poder estabelecido. Figura 2 – Quadrinho do Henfi l Fonte:

Figura 2 – Quadrinho do Henfil

Fonte: <http://www.guata.com.br/Galeria/1GALhenfil9.jpg> Acesso em: 1 de maio de 2009.

3) Livros: Não podemos negligenciar o acervo disponível em bibliotecas públicas tampouco o Programa Nacional do Livro Didático (PNDL) que distribui livros didáticos gratuitos para estudantes de escolas públicas brasileiras há anos. Ademais, o livro didático tem sido o maior suporte de trabalho do professor na educação básica [Figura 3].

de trabalho do professor na educação básica [Figura 3]. Figura 3 – Livro didático Aula 1

Figura 3 – Livro didático

Aula 1

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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4)

Pintura – Morro da favela: paisagem urbana brasileira retratada através dos traços fortes e as cores vibrantes de Tarsila do Amaral. Essa tela foi pintada em 1924. Compará-la com imagens atuais é uma boa estratégia para aulas sobre as cidades e seus problemas.

estratégia para aulas sobre as cidades e seus problemas. Figura 4 – Morro da favela de

Figura 4 – Morro da favela de Tarsila do Amaral

Fonte: <http://www.tarsiladoamaral.com.br/obras10.htm#> Acesso em: 27 de abril de 2009.

5) Foto - Lavra de diamantes no rio Jequitinhonha: A Coleção Thereza Christina Maria é composta por 21.742 fotografias reunidas pelo Imperador Pedro II e deixadas por ele à Biblioteca Nacional do Brasil. A coleção abrange uma variedade muito grande de assuntos. Documenta as conquistas do Brasil e do povo Brasileiro no século 19, bem como inclui muitas fotografias de Europa, África e América do Norte. Em 1868, o fotógrafo Augusto Riedel participou de uma expedição para o interior do Brasil, que visitou várias cidades mineiras. Esta fotografia, tirada por Riedel, mostra uma mina sobre o Rio Jequitinhonha, que começa em Serro, Minas Gerais, e flui para o Atlântico.

começa em Serro, Minas Gerais, e flui para o Atlântico. Figura 5 – Foto de Riedel

Figura 5 – Foto de Riedel das lavras de diamantes no rio Jequitinhonha em 1868

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Aula 1

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Fonte: <http://www.wdl.org/pt/item/137>. Acesso em: 7 maio 2009.

6)

Software - Stellarium é um planetário de uso livre para o seu computador. Ele mostra um céu realista em três dimensões igual ao que se vê a olho nu, com binóculos ou telescópio. Ele também tem sido usado em projetores de planetários. Basta ajustar as coordenadas geográficas e começar a observar o Céu. Disponível para download em http://www.stellarium.org/pt/.

7) Mapa Geográfico do Brasil: Este mapa do Brasil foi publicado por Giovanni Battista Albrizzi (1698-1777), um proeminente editor veneziano de livros e mapas. As notas no mapa, em italiano, incluem várias observações especulativas acerca das pessoas e da geografia do interior do Brasil, nessa época, ainda bastante desconhecido dos europeus. Esse e outros mapas históricos estão disponíveis na Biblioteca Digital Mundial – http://www.wdl.org/pt/ item/1195/. [Figura 6]

Mundial – http://www.wdl.org/pt/ item/1195/. [Figura 6] Figura 6 – Mapa Albrizzi sec.XVIII Fonte:

Figura 6 – Mapa Albrizzi sec.XVIII

Fonte: <http://www.wdl.org/pt/item/1195/> Acesso: 7 de maio de 2009.

8) Modelo: os modelos são sempre úteis ao desenvolvimento de metodologias que valorizam a problematização e a simulação. Aqui vemos orrery modelo criado para simular o movimento dos planetas ao redor do Sol [Figura 7].

simular o movimento dos planetas ao redor do Sol [Figura 7]. Figura 7 – Orrery Fonte:

Figura 7 – Orrery

Fonte: <http://www.waveofthesea.com/Orrery/EVMP0256.JPG/> Acesso: 27 de abril de 2009.

Aula 1

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Atividade 2 Pedagogia da Sétima Arte é o título da dissertação apresentada por Marcos Aurélio
Atividade 2
Pedagogia da Sétima Arte é o título da dissertação apresentada por Marcos Aurélio
Felipe, no programa de pós-graduação em educação da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte. Nesse trabalho, entre outras contribuições, o autor
apresenta uma coletânea de sugestões de filmes com temas relativos ao ensino
de História.
Numa analogia entre ensino de geografia e cinema, você pode apontar um filme
que possa ser usado em aulas de Geografia, especialmente sobre temas de
Geografia Física? Faça um resumo do filme (sinopse) e apresente as razões de
sua indicação.

Leituras complementares

BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL. Disponível em: <www.wdl.org>. Acesso em: 8 maio 2009.

Milhares de livros, manuscritos, mapas, filmes e gravações de bibliotecas de todo mundo estão disponíveis para acesso gratuito em sete idiomas, inclusive o português. A biblioteca digital a é uma iniciativa da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

BRASIL. Ministério da Educação. Portal domínio público: biblioteca digital desenvolvida em software livre. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 8 maio 2009.

Domínio Público é um portal do Ministério da Educação que coloca à disposição, de forma livre e gratuita, amplo acervo de obras literárias, artísticas e científicas nos formatos de textos, sons, imagens e vídeos.

BRASIL. Ministério da Educação. Tv escola. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ tvescola/>. Acesso em: 8 maio 2009.

A TV Escola agora pode ser acessada também pela internet nesse endereço. Seus conteúdos fazem parte das sugestões apontadas como suporte para as atividades de geografia física.

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Resumo

Nesta aula, argumentamos a favor da ação pedagógica reflexiva, socialmente contextualizada e do uso de instrumentos e metodologias atrelados aos objetivos, finalidades ou competências que se pretende alcançar. Reafirmamos o caráter político da ação pedagógica e da competência técnica que envolve o planejamento de ensino. Defendemos, portanto, a intencionalidade da prática docente, seus efeitos práticos no ensino e os processos de aprendizagem dele decorrentes. Por fim, apresentamos exemplos do uso de meios em diferentes contextos pedagógicos e algumas sugestões de sítios na internet aos quais podemos recorrer na busca de fontes que auxiliem nossa atividade docente.

Autoavaliação

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Nesta aula, afirmamos que geografia está em movimento tal como a realidade social

e a natureza. Que move a geografia? E no âmbito do ensino, quais são os atuais desafios ao trabalho docente?

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Quais aspectos devem ser levados em conta pelo professor ao escolher as metodologias ou recursos de ensino?

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Como medir a eficiência de um recurso ou metodologia de ensino?

Desafio - Quando os fins incitam os meios.

de ensino? Desafio - Quando os fins incitam os meios. Na década de 60, Paulo Freire

Na década de 60, Paulo Freire revolucionou a educação brasileira com o projeto “de pé no chão também se aprende a ler”. Tal como o nome sugere, esse projeto foi dirigido a populações pobres do nordeste e dispunha de recursos limitados para seu desenvolvimento. Entretanto, marcou a história da alfabetização de adultos no mundo. O que você conhece sobre ele?

Aula 1

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Referências

ARAUJO, Sandra Kelly de. Seridó encantado: promovendo o ensino de geografia numa perspectiva local. In: Dantas, Eugênia e Burti, Iranilson. Metodologia do ensino e da pesquisa:

caminhos de investigação. João Pessoa: Idéia; Campina Grande: EDUFCG, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental: Parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 2001.

FAZENDA, Ivani (Org.). Didática e Interdisciplinaridade. São Paulo: Papirus, 2002.

KIMURA, Shoko. Geografia no ensino básico. São Paulo: Contexto, 2008.

MASSETO, Marcos T. A aula como centro. São Paulo: FTD, 1997.

VESENTINI, José William (Org.). Geografia e ensino: textos críticos. Campinas: Papirus, 1995.

Anotações

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Anotações

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Cartografia escolar I

Aula

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Apresentação

N a aula anterior, argumentamos a favor da ação pedagógica reflexiva, socialmente contextualizada e do uso de instrumentos e metodologias atrelados aos objetivos, às finalidades ou às competências que se pretende alcançar. Reafirmamos o caráter

político da ação pedagógica e da competência técnica que envolve o planejamento de ensino. Defendemos, portanto, a intencionalidade da prática docente, seus efeitos práticos no ensino

e os processos de aprendizagem dele decorrentes. Por fim, apresentamos exemplos do uso

de meios em diferentes contextos pedagógicos e algumas sugestões de sítios na internet aos quais podemos recorrer na busca de fontes que auxiliem nossa atividade docente.

Nesta aula, nos direcionaremos para apresentar sugestões relativas à iniciação à linguagem cartográfica, à promoção do ensino da localização e representação do espaço e

a produção de mapas temáticos. Nosso intuito é auxiliar você na transposição dos assuntos

já abordados na disciplina Leituras cartográficas e interpretações estatísticas ao ensino de geografia, em nível fundamental e médio.

Objetivo

Aplicar as sugestões apresentadas nesta aula no ensino de geografia, especialmente na promoção da iniciação à linguagem cartográfica, à produção, leitura e interpretação de mapas.

ca, à produção, leitura e interpretação de mapas. Aula 2 Instrumentação para o Ensino de Geografia

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Geografia e o ensino O espaço é o objeto da Geografia, como bem sabemos. A

Geografia e o ensino

O espaço é o objeto da Geografia, como bem sabemos. A produção teórica e metodológica

levada a cabo pelos estudiosos da Geografia torna possível a análise de temas decorrentes da ação social sobre o espaço e nos permite melhor compreender a realidade.

A complexa tarefa de interpretar a ação social sobre o espaço em diferentes escalas e em

diferentes contextos históricos rendeu a Geografia a associação a distintas vertentes teóricas e metodológicas: tradicionais, críticas e pós-críticas (ou novas geografias, como alguns preferem denominar). Sem pretensão de analisá-las nesta aula, importa destacar que essas se estendem ao espaço escolar e expressam a melhor oportunidade de legitimação ou transformação social pela via do conhecimento.

Assim, aliada à escolha teórica que fundamenta a prática docente, seus objetivos e expectativas futuras, aos professores e professoras de Geografia se atribui mais um desafio – ensinar o legado científico produzido pela Geografia adequando-o aos diferentes níveis de desenvolvimento dos alunos e a diferentes contextos sociais, culturais e econômicos. Isso nos requisita a capacidade de transpor a formalidade científica na qual são produzidos os conhecimentos geográficos ao nível de vivência dos alunos, aproximando o conhecimento científico do universo empírico do aluno.

Educar é impregnar de sentido a vida cotidiana, afirmam Guttierez e Cruz Prado. É essa perspectiva que fundamenta as sugestões aqui apresentadas. Estamos certos de que o conhecimento geográfico será incorporado ao dia a dia dos seus alunos quando esse referir-se ou tomar como ponto de partida a vida cotidiana, sua lógica e racionalidade, orientando assim nossas intervenções práticas. Afinal, a ação pedagógica consciente deve constituir seus saberes e seus fazeres em uma práxis que transforme o real a partir de sua elucidação, em um processo contínuo de modificação no fundo e na forma entre o sujeito e um objeto que nunca podem ser definidos de uma vez por todas e são transformados constantemente (Castoriadis apud Carvalho, 2004).

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Mapas que calam - Mapas que falam

Até recentemente, a associação entre ensino de Geografia e mapas era inevitável. Hoje, apesar dos avanços tecnológicos na área da cartografia e do sensoriamento remoto, o uso de mapas tem sido cada vez menos frequente em sala de aula, a despeito das orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Ao tratar do ensino de Geografia, os PCN sugerem que desde os primeiros ciclos do Ensino Fundamental sejam ensinadas as primeiras noções de linguagem cartográfica, culminando, nos últimos ciclos, com usos mais especializados da cartografia. E, ainda, nas palavras de Lívia Oliveira (2007, p. 27):

Os mapas sempre fizeram parte dos equipamentos pedagógicos das escolas. Do mesmo modo como o professor em sala de aula emprega o quadro negro e o giz, também recorre aos mapas para ilustrar as suas aulas. Tais recursos pedagógicos geralmente são empregados de maneira empírica e para alcançar objetivos imediatos; esse uso empírico se refere ao mapa como recurso visual, quando o mapa poderia ser usado de maneira racional, como forma de comunicação e expressão. Em outras palavras, é o ensino pelo mapa e não o ensino do mapa (destaque da autora).

pelo mapa e não o ensino do mapa (destaque da autora). Figura 1 – Focos de

Figura 1 – Focos de Queima Acumulado em Setembro de 2008

Fonte: <http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas/foc_mensal/queima0809.gif>. Acesso em: 13 maio 2009.

Acesso em: 13 maio 2009. Queima <http://sigma.cptec.inpe. br/queimadas> -

Queima

<http://sigma.cptec.inpe. br/queimadas> - Este é o endereço do monitoramento

de focos de queimadas do

INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O monitoramento é feito

em tempo quase real. Além disso, o sítio oferece mapas em dados intervalos de tempo (meses ou anos) e diferentes escalas espaciais.

2008

O dia 23 de setembro

marca o início da primavera no hemisfério sul. Com o ar mais seco, focos de fogos crepitam a primavera brasileira.

Entre o passado e o presente, entre o uso e o desuso ou mesmo o mau uso, o ponto que colocamos é – em quais circunstâncias o mapa pode ser útil?

Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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A resposta é simples – sempre que um fato possa ser localizado espacialmente ou

georreferenciado: a localização de uma cidade, de um estado, de uma região, de um país, de uma serra ou de um oceano; a abrangência de certo tipo de vegetação, de um clima,

o comportamento de uma frente fria, a tendência de crescimento espacial de uma cidade, a

evolução da área de abrangência do desmatamento, a espacialização da pobreza, de áreas de

tensão social ou mesmo de violência. As possibilidades são infinitas e ainda podem considerar

a produção de mapas tais como o trajeto de casa para a escola, os serviços oferecidos num

dado bairro, a distribuição espacial do lazer, dos serviços de saúde, dos serviços de transporte

urbana, entre outros.

Nessa perspectiva, muito tem se falado sobre a cartografia escolar – área de interface entre cartografia, educação e Geografia – cujas produções têm contribuído grandemente para

a inserção da cartografia no currículo escolar e para a formação docente.

no currículo escolar e para a formação docente. PCN de Geografia Você pode encontrar os PCN

PCN de Geografia

Você pode encontrar os PCN Geografia Ensino Fundamental no endereço:

<http://portal.mec.gov. br/seb/arquivos/pdf/ geografia.pdf>. Acesso em: 13 maio 2009.

Geografia

Já no endereço <http:// portal.mec.gov.br/ seb/arquivos/pdf/ CienciasHumanas. pdf> você encontrará os PCN+ da área de Ciências Humanas e suas Tecnologias, em que está inserida a proposta de Geografia para o Ensino Médio.

Cartografia na escola

Na atualidade, o uso de computadores, de programas multimídias interativos, imagens de satélites e fotografias aéreas fazem parte da lista de possibilidades que os professores

e professoras dispõem para auxiliá-lo no ensino da Cartografia. Nessa direção, a utilização

da linguagem gráfica para obter informações e representar a espacialidade dos fenômenos geográficos é um dos objetivos que se pretende alcançar ao longo da formação do aluno no Ensino Fundamental, tal como indicado nos PCN de Geografia. Especialmente para o 3º ciclo do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), a expectativa apontada no PCN é que o aluno seja capaz de criar uma linguagem comunicativa, apropriando-se de elementos da linguagem gráfica utilizada nas representações cartográficas. Para isso, os eixos temáticos sugeridos para o alcance desse objetivo são: A cartografia como instrumento na aproximação dos lugares e do mundo; Da alfabetização cartográfica à leitura crítica e mapeamento consciente; Os mapas como possibilidade de compreensão e estudos comparativos das diferentes paisagens e lugares.

Já para o Ensino Médio, os PCN recomendam a representação e comunicação como uma competência a ser desenvolvida pelos alunos em todas as áreas e disciplina. Especialmente em Geografia, as competências esperadas são: Ler, analisar e interpretar os códigos específicos de Geografia (mapas, gráficos, tabelas etc.) considerando-os como elementos de representação de fatos e fenômenos espaciais ou espacializados; Reconhecer e aplicar o uso das escalas cartográfica e geográfica como formas de organizar e conhecer a localização, a distribuição e

a frequência dos fenômenos naturais e humanos.

As indicações oferecidas pelos PCN Ensino Fundamental e Médio serão nossos referenciais iniciais sobre os quais apresentaremos sugestões de recursos e metodologias que possam servir de suporte para o alcance desses objetivos e competências.

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Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Iniciaremos nossa empreitada com a apresentação de sugestões didáticas para o uso de mapas no ensino e Geografia. Estamos convencidos de que os processos sociais ou naturais podem ser capturados num certo lapso de tempo ou em certa dimensão espacial. Podem, portanto, ser qualificados, quantificados, retratados graficamente e representados em linguagem cartográfica.

Com a palavra, os PCN+ ensino médio (2004, p. 61):

Ao trabalhar com o espaço geográfico, a Geografia constata a existência de fenômenos localizados no espaço geográfico ou integrantes a ele como unidade definida. Identifica também fenômenos que, por causa da ação do homem e dos grupos sociais como organizadores/apropriadores do espaço, se espacializam, passando a fazer integrante desse mesmo espaço. Esses registros não são somente espaciais em termos de uma delimitação de ocorrência (princípio geográfico da extensão), mas representam também situações de intensidade e ritmo, que se registram e se analisam mediante procedimentos matemáticos, constituídos por gráficos, tabelas e mapas.

matemáticos, constituídos por gráficos, tabelas e mapas. Figura 2 – Áreas Susceptíveis à Desertificação

Figura 2 – Áreas Susceptíveis à Desertificação

Fonte: <http://www.fapepi.pi.gov.br/novafapepi/sapiencia7/imagens/mapa.jpg>. Acesso em: 13 maio 2009.

Como a figura anterior indica, a representação cartográfica do espaço tem se apresentado cada vez mais especializada graças ao desenvolvimento de tecnologias próprias. Tais tecnologias estão presentes desde a coleta de informações bases até a publicação dos produtos finais, facilitando seu acesso. Apesar disso, o uso de mapas em sala de aula é muito mais um elemento decorativo do que didático, como constatou Nestor A. Kaercher ao realizar pesquisa sobre utopias e obstáculos da geografia crítica na prática docente. Ele acrescenta:

Prática docente

O relatório dessa pesquisa esta disponível na Biblioteca Digital da Universidade de São Paulo <www.teses.usp.br>

com o título: A geografia escolar na prática docente:

a utopia e os obstáculos

epistemológicos

da geografia crítica.

Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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O uso dele [do mapa] no EFM [ensino fundamental e médio] tem sido pouco

problematizado. A conseqüência é visível: o mapa quase desapareceu das aulas do EFM.

E, quando aparece, é trabalhado de forma estanque e/ou muito formal (escala, projeções,

legenda). É usado na sua forma empobrecida: apenas para localizar pontos. O raciocínio espacial usando o mapa como elemento de reflexão e questionamento é muito incomum. Em nosso entendimento o mapa é elemento privilegiado para refletir sobre os espaços tratados em aula. O mapa como um elemento de poder, como algo que pode tanto mostrar o que interessa ao seu autor, como o contrário, escamotear/apagar uma série

de informações. (KAERCHER, 2005, p.112).

Em “O espaço geográfico ensino e representação”, Passini e Almeida (1989), já asseverava que a leitura de representações cartográficas do espaço, como um mapa, envolve etapas metodológicas específicas que só serão apreendidas quando o aprendiz agir sobre esses elementos. Ou seja, os elementos básicos utilizados na linguagem cartográfica, sistema de signos, redução e projeção, serão mais bem compreendidos na medida em que forem utilizados na produção de mapas. Assim, é elaborando mapas que o aluno se tornará um leitor eficaz.

Atividade 1 É possível identificar duas perspectivas acerca do uso do mapa em sala de
Atividade 1
É
possível identificar duas perspectivas acerca do uso do mapa em sala de aula.
A
primeira é relativa ao uso do mapa como ferramenta auxiliar ao ensino de
Geografia. A segunda, menos comum, é relativa ao uso do mapa como objeto de
estudo. Você pode dá exemplos que atendam esses dois grupos?
Sugestão – Explore o endereço <http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas> e
comente acerca dos mapas temáticos gerados nesse endereço e suas aplicações
para o ensino de Geografia.

Cartográfica

Alguns autores denominam Alfabetização Cartográfica o processo de aquisição/manipulação dos elementos da linguagem gráfica.

Apresentaremos a seguir algumas sugestões do uso da Cartografia em sala de aula a partir de duas perspectivas – da alfabetização cartográfica e da produção de mapas temáticos.

1)

Iniciação à linguagem cartográfica:

Aqui apresentaremos algumas atividades para iniciação à linguagem cartográfica, com sugestões relativas a etapas metodológicas próprias dessa linguagem.

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Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Mapa do corpo ou Mapear o eu: As noções cartográficas básicas podem ser exercitadas

a partir do mapeamento do corpo. Nosso argumento é que ao mapear o próprio corpo, o

aluno toma consciência de sua estrutura, da posição de seus membros e dos lados do corpo. Assim, por meio do reconhecimento das partes e lados do corpo, definem-se suas posições

em função dos eixos: em cima-embaixo, frente-atrás, direita-esquerda. Como nos esclarece Almeida (2003), a finalidade do mapa do corpo é fazer com que, por meio da projeção de seu corpo no plano, o aluno obtenha uma representação de si mesmo em tamanho real e com a identificação dos lados.

Além disso, o esquema de referencial corporal proposto no exercício a seguir será

a base para desenvolver outros sistemas de referência, como é o caso do sistema de

localização e orientação geográfica. Ao final dessa aula, você será solicitado a repetir esse exercício na autoavaliação.

solicitado a repetir esse exercício na autoavaliação. Mapear o eu Essa atividade foi adaptada das sugestões

Mapear o eu

Essa atividade foi adaptada das sugestões feitas por Almeida (2003) e Almeida

e Passini (1989).

Corpo

O corpo é gênese

da orientação espacial.

Passo 1. Mapeando o corpo Um colega deita-se sobre um papel e outro desenha sua
Passo 1. Mapeando o corpo
Um colega deita-se sobre um papel e outro desenha sua silhueta.
Figura 3 – Mapeando o corpo
Fonte: Almeida (2003, p. 46).
Passo 2. Construindo referenciais de localização
As posições em cima-embaixo, frente-atrás e direita-esquerda devem ser
identificadas no desenho/projeção de sua silhueta obtido no papel que deverá
ser fixado na parede na posição de pé. A inversão dos referenciais poderá ser
feita através do desenho da silhueta de costas.

Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Figura 4 – Silhueta de frente e costas Fonte: Almeida (2003, p. 47). Passo 3.

Figura 4 Silhueta de frente e costas

Fonte: Almeida (2003, p. 47).

Passo 3. Deslocando referenciais de localização – localização e orientação:

de localização – localização e orientação: Relógio de Sol Visite o sítio da Experimentoteca Ludoteca

Relógio de Sol

Visite o sítio da Experimentoteca Ludoteca do Instituto de Física da Universidade de São Paulo lá você vai encontrar boas idéias para aplicar em suas aulas, com um relógio de sol. O endereço é: <http:// www.ludoteca.if.usp.br>.

Aqui se deve estabelecer a relação entre os resultados da projeção dos eixos do esquema corporal com as direções geográficas. Para Almeida (2003), a criança precisa se ver sobre a superfície da Terra e coordenar seus referenciais corporais com os referenciais terrestres.

Para isso, ela recomenda a construção de um relógio de Sol. O relógio auxiliará a determinar as direções norte-sul e leste-oeste a partir de seu verdadeiro referencial que é o movimento aparente de Sol, como apresentado na figura a seguir. Uma bússola pode ser usada para determinar as direções, sem esquecer que a bússola indica as direções magnéticas e, portanto, é necessário relacioná- las com as direções geográficas.

necessário relacioná- las com as direções geográficas. Figura 5 – Relógio do Sol Fonte: Almeida (2003,

Figura 5 Relógio do Sol

Fonte: Almeida (2003, p. 52).

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Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

2)

Produzindo mapas temáticos:

Sobre um mapa-base pode se representar uma série de informações, escolhidas por interesses ou necessidades das mais diversas ordens: política, econômica, militar, científica, educacional etc. (ALMEIDA, 2003); o produto final da combinação de dados e uma base cartográfica é o mapa temático.

A produção de mapas temáticos leva em conta vários métodos; cada um mais apropriado às características e às formas de manifestação (em pontos, em linhas, em áreas) dos fenômenos considerados em cada tema, como tal bem apresenta Martinelli (2007), no artigo A sistematização da cartografia temática.

Na figura a seguir, temos um exemplo de mapa temático – abastecimento de água de Natal, RN.

de mapa temático – abastecimento de água de Natal, RN. Figura 6 – Mapa do abastecimento

Figura 6 – Mapa do abastecimento de água de Natal

Fonte: < http://www.natal.rn.gov.br/semurb/mapas_fotos/Mapas/PDF/Mapa11.pdf>.

Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Para saber mais:

As bases utilizadas para a produção de mapas temáticos sugeridos nesta aula podem ser encontradas nos endereços listados a seguir. Portanto, vamos considerar que eles estão disponíveis para a realização dos exercícios sugeridos.

Onde encontrar mapas, relativos aos Estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte:

Ceará: O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPESE) disponibiliza mapas de municípios do Ceará no endereço: <http://www.ipece.ce.gov.br/>.

Paraíba: Na Paraíba, mapas podem ser obtidos no sítio do Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba (IDEME) - <http://www.ideme. pb.gov.br/index.php>.

Pernambuco: Já em Pernambuco podemos contar com a Secretaria das Cidades com links para mapas de municípios pernambucanos no endereço <http://www2.

portaltransparencia.pe.gov.br/c/portal/layout?p_l_id=PUB.1020.31>.

Rio Grande do Norte: O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (IDEMA) disponibiliza mapas de municípios do Rio Grande do Norte no endereço: <http://www.idema.rn.gov.br/mapas.asp>.

Por fim, na página eletrônica do IBGE há uma seção dedicada a mapas que pode ser acessada no endereço <http://www.ibge.gov.br/mapas_ibge/>. Lá você encontrará mapas escolares, físicos, temáticos e político-administrativos e, ainda, bases e referenciais.

O exercício apresentado a seguir pode ser aplicado a outros temas e áreas. O requisito

indispensável à realização dessa atividade é dispor de um mapa base, tal como o do Brasil, do seu estado ou de sua cidade.

O trabalho começa com o levantamento de dados sobre um tema qualquer na forma de

um diagnóstico – os dados podem ser obtidos ou coletados diretamente em campo por meio de entrevista ou observação (dados primários) ou já disponíveis documentalmente (secundários). A seguir, eles são agrupados, codificados (através de cores ou de figuras geométricas proporcionais, por exemplo) e localizados espacialmente, como no exemplo a seguir.

Nosso exemplo objetiva mapear a distribuição espacial da “Infraestrutura do Lazer no município de Mombaça, Ceará”.

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Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

1)

Levantamento de Dados:

1) Levantamento de Dados:

Nesse exemplo, os dados foram obtidos numa oficina de diagnóstico participativo Projeto Mapear. Os participantes informaram que apenas oito localidades no município têm lazer e 150 não têm.

2)

Georreferenciar:

Nesta fase, localizamos espacialmente os dados obtidos – localidades que têm lazer e aquelas que não têm.

3)

Codificar:

Participativo

Nesse exemplo, os dados são primários, ou seja, obtidos diretamente da população estudada por meio de diagnóstico.

Associar cores aos grupos de respostas obtidas (tem lazer – não tem lazer) de modo que a visualização das informações expressas no mapa possibilite a compreensão da distribuição ou localização espacial do tema em análise.

ou localização espacial do tema em análise. Figura 7 – Estrutura de Lazer, Mombaça/CE. Aula 2

Figura 7 Estrutura de Lazer, Mombaça/CE.

Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Atividade 2 Tomando por base o mapa político do Brasil ou de seu estado, localize

Atividade 2

Tomando por base o mapa político do Brasil ou de seu estado, localize espacialmente e codifique em cores o resultado do levantamento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) por estado e nível – alto, médio e baixo IDH.

Siga as seguintes etapas:

a) faça o levantamento do IDH por estado;

b) agrupe os índices em três níveis: 1 a 0,9 estados ou municípios com alto índices de desenvolvimento humano, 0,79 a 0,5 estados ou municípios com médio desenvolvimento humano e abaixo de 0,49 estados ou municípios com baixo desenvolvimento humano;

c) associe a cada nível uma dada cor e pinte o estado com a cor correspondente ao índice encontrado.

Observação – O mapa deve conter título, legenda e escala.

Navegar é preciso: Nosso destaque é para a série “Cartografia na Escola” apresentada em 2003
Navegar é preciso:
Nosso destaque é para a série “Cartografia na Escola” apresentada em 2003 no
programa Salto Para o Futuro da TV Escola. O objetivo dessa série é discutir
como os mapas e outras formas de representar o espaço podem ser estudadas
com turmas do Ensino Fundamental e Médio.
Os textos de apoio estão disponíveis no endereço <http://www.tvebrasil.com.
br/SALTO/boletins2003/ce/index.htm>. Além disso, você pode encontrar toda
a série em formato de vídeo na tele sala de sua escola ou no endereço <www.
dominiopublico.gov.br> use os parâmetros de busca a seguir para encontrar os
vídeos da série:
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Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Figura 8 – Portal Domínio Público – Parâmetros de busca Fonte: <www.dominiopublico.org.br>. Acesso em:

Figura 8 Portal Domínio Público – Parâmetros de busca

Fonte: <www.dominiopublico.org.br>. Acesso em: 27 maio 2009.

Para gerar mapas temáticos com informações socioeconômicas e ambientais do Nordeste, um endereço que pode deve ser visitado é o do Grupo de Geoprocessamento do Centro Regional do Nordeste – CRN do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em <http://www.nctn.crn2.inpe.br/index.php>. O grupo lançou em julho de 2007 o Atlas Socio-Econômico-Ambiental do Nordeste, uma ferramenta que permite o acesso gratuito a essas informações. O objetivo é oferecer maior interatividade dos usuários a um banco de dados georreferenciado disponível na internet, o serviço reúne imagens de satélites, mapas temáticos e dados censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de todos os estados da região. No novo serviço, o usuário tem a liberdade de combinar planos de informações e cruzar dados para construir mapas de acordo com seus interesses de pesquisa. Essa iniciativa pretende atender à comunidade de pesquisadores, gestores públicos, representantes de organizações não- governamentais, professores e estudantes universitários de todo o país, em especial da região Nordeste.

O aplicativo utilizado para a análise das informações no Atlas Interativo do Nordeste é o TerraViewWeb, software que possibilita a utilização dos dados espaciais para diversos setores, como segurança pública, gestão urbana, indicadores sociais, saúde pública, geografia e problemas ambientais.

Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Resumo

Nesta aula, abordamos a relação entre geografia e ensino para contextualizar o uso da cartografia em sala de aula. A partir daí apontamos algumas sugestões de atividades para apoiar a promoção de objetivos de ensino relacionados à iniciação a linguagem cartográfica, a representação e ao uso de mapas temáticos. Também argumentamos que o mapa pode se converter em objeto de estudo ao abordar o tema mapas que calam, mapas que falam.

Em linhas gerais, as sugestões apresentadas foram organizadas em dois grupos:

iniciação a cartografia e a produção de mapas temáticos. Com relação à iniciação cartográfica, sugerimos como atividade o mapeamento do próprio corpo enquanto origem da referencia espacial. Já no campo da produção de mapas temáticos, apresentamos alguns procedimentos para seu uso em sala de aula bem como uma lista de fonte de mapas bases em diferentes estados e no Brasil.

Autoavaliação

Nesta aula, estudamos diferentes usos e aplicações da cartografia em sala de aula. Sobre o uso do mapa como objeto de estudo, qual exemplo você pode dar aula. Sobre o uso do mapa como objeto de estudo, qual exemplo você pode dar para ilustrar a afirmação de Lívia Oliveira sobre ensino pelo mapa e não o ensino do mapa?

Desafio

Na próxima primavera há 3 atividades que você pode fazer para praticar os conhecimentos aqui aprendidos:

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Aula 2

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Faça um relógio de Sol: No próximo dia 22/09 (equinócio de primavera) o Sol nascerá

exatamente ao leste. Use as sugestões da ludoteca do Instituto de Física da USP para construir o relógio. O endereço é: <http://www.ludoteca.if.usp.br/experimentos/ ripe/relogio_sol.pdf>

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Dessa data, você também pode fazer uma rosa dos ventos. Com a direção leste definida, você pode encontrar os outros pontos cardeais. Já pensou uma rosa dos ventos bem na frente de sua casa ou mesmo na janela de seu trabalho com as direções estabelecidas corretamente?!Visite o sítio http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas e acompanhe a evolução dos focos de queimadas na região Norte

Visite o sítio http://sigma.cptec.inpe.br/queimadas e acompanhe a evolução dos focos de queimadas na região Norte do Brasil. Lá, a primavera é marcada com grandes incêndios na mata.seu trabalho com as direções estabelecidas corretamente?! Referências ALMEIDA, Rosângela D. (Org.). Cartografia

Referências

ALMEIDA, Rosângela D. (Org.). Cartografia escolar. São Paulo: Contexto, 2007.

ALMEIDA, Rosângela D. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

ALMEIDA, Rosângela D.; PASSINI, Elza Y. O espaço geográfi co : ensino e representação. São Paulo: Contexto, 1989.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 2001.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. PCN+ ensino médio: Ciências humanas e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEF, 2004. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CienciasHumanas.pdf>. Acesso em: 14 maio 2009

CARVALHO, Maria Inez. Fim de século: a educação e a geografia. 2. ed. Ijuí: Unijuí, 2004.

CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia, escola e construção de conhecimentos. São Paulo:

Papirus, 1998.

KAERSCHER, Nestor A. A geografia escolar na prática docente: a utopia e os obstáculos epistemológicos da geografia crítica. 2004. Tese (Doutorado em Geografia Humana) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-01052005- 224221/> Acesso em: 13 maio 2009.

SIMIELLI, Marcelo. A sistematização da cartografia temática. In: SIMIELLI, Marcelo. Cartografia escolar. São Paulo: Contexto, 2007.

Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Anotações

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Aula 2

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Redescobrindo o uso de mapas em sala de aula

Aula

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3

Apresentação

Os mapas estão disponíveis em toda parte: nos livros didáticos, em revistas, jornais, empresas e organizações. Cada vez mais sofisticados e precisos, são inversamente cada vez menos utilizados como recurso didático ou objeto de trabalho do professor em sala de aula, conforme discutimos na aula passada, Cartografia escolar.

Assim, são os usos dos mapas, objeto desta terceira aula da disciplina Instrumentação para o Ensino de Geografia I, a qual dá sequência às atividades relativas à cartografia, iniciadas na aula anterior. Nesse sentido, a base metodológica em que esta aula está organizada é a mesma – as atividades são apresentadas nas seguintes perspectivas indissociáveis: iniciação à cartografia, produção e uso de mapas em sala de aula.

Na aula passada, no item iniciação cartográfica, o ponto de partida foi o próprio corpo. Nesta aula, vamos nos aventurar pelo ambiente escolar e seus arredores com a proposta de construção de uma maquete. Além disso, outros exercícios serão apresentados na expectativa da formação do produtor/leitor de mapas a partir da transposição do espaço tridimensional, representado na maquete, ao bidimensional, representado na elaboração de desenhos desses espaços.

Em síntese, as sugestões aqui apresentadas objetivam ampliar o uso da cartografia em sala de aula ao capacitar o aluno para a leitura da linguagem cartográfica. As atividades apontadas podem ser aplicadas a qualquer tempo sem que constitua uma unidade isolada num dado ano/série do Ensino Fundamental ou Médio.

Objetivo

Aplicar ao ensino de geografia nos níveis fundamental e médio os conteúdos e metodologias relativas à iniciação cartográfica na produção, leitura e interpretação de mapas.

na produção, leitura e interpretação de mapas. Aula 3 Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Iniciação à cartografia – Os mapas

Apesar da sofisticação e precisão presentes da produção de mapas bem como nas formas de sua publicação, como o exemplo da internet, eles estão cada vez mais ausentes em nossas salas de aula, sejam como ferramenta ou objeto de estudo associadas ao ensino de geografia.

Para superar o desuso ou o mau uso, apontamos duas perspectivas para o trabalho com

mapas em sala de aula: como recurso didático e como objeto de estudo. A primeira expressa

o uso mais comum do mapa em sala de aula – uma ferramenta de suporte ao trabalho do

professor. Já a segunda está associada ao mapa como meio de comunicação (usamos na aula passada a expressão “mapas que falam” para demonstrar que o mapa pode ser o assunto

central de uma aula ou seu objeto de estudo). Nesse caso, os mapas expressam idéias sobre

o mundo e sua produção sempre esteve ligada a interesses políticos e militares, influências religiosas e mesmo a questões práticas, como, por exemplo, a navegação (Almeida, 2003).

Mapa enquanto recurso didático

O mapa é o recurso didático comumente relacionado à promoção da Geografia. Seu uso como tal pressupõe o conhecimento da linguagem cartográfica, nem sempre acessível aos nossos alunos. Nessa perspectiva, apontaremos alguns exercícios preparatórios para leitura e interpretação de mapas (da maquete a planta e do desenho ao mapa). Por fim, apresentaremos dois planos de aula em que a linguagem cartográfica será analisada.

de aula em que a linguagem cartográfica será analisada. Visão tridimensional A visão tridimensional considera

Visão tridimensional

A visão tridimensional considera três aspectos: altura, largura e profundidade.

Da maquete ao desenho

Confeccionar a maquete da sala de aula é um bom exercício para apoiar a transferência da visão tridimensional que possuímos do espaço para a bidirecional encontrada nos mapas ou planta, tal como foi amplamente argumentado na disciplina Leituras Cartográficas II.

Para promover a passagem do tridimensional para a representação bidimensional, o professor pode trabalhar com uma maquete da sala de aula, empregando sucata.

Os procedimentos para a construção e exploração da maquete foram adaptados de Rosangela Doin de Almeida (2003) e estão relacionados a seguir.

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Aula 3

Observar a sala de aula para identificar os objetos (carteiras, mesas, armários etc.) e sua localização.

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Escolher os materiais utilizados na representação dos objetos (caixas, tampinhas, botões etc.).

Confeccionar a maquete conservando os mesmos objetos, proporcionalidade entre o real

e a representação e localização.

entre o real e a representação e localização. Figura 1 – Maquete de sala de aula

Figura 1 – Maquete de sala de aula

Fonte: <http://www.redenoarsa.com.br/noticias/noticia. asp?codigo=827>. Acesso em: 25 maio 2009.

A partir da maquete, é possível projetar sua representação em um plano: coloca-se um papel transparente sobre a maquete (celofane, por exemplo) e traça-se com caneta para retroprojetor o contorno dos objetos no papel. Está pronto o esboço de uma planta.

A seguir, cabe ao professor instigar outros desafios aos alunos – por exemplo, indicar

cada um dos elementos da sala de aula representados no papel ou mesmo qual a relação entre a dimensão da sala e o desenho.

qual a relação entre a dimensão da sala e o desenho. Figura 2 – Esboço de

Figura 2 – Esboço de uma planta

Fonte: <http://www.redenoarsa.com.br/noticias/noticia. asp?codigo=827>. Acesso em: 25 maio 2009.

Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Do desenho ao mapa

Como já sabemos, os mapas são representações cartográficas do espaço. Para produzi-los, colocamos em ação uma série de recursos, códigos e técnicas necessárias à tarefa da representação do espaço geográfico. Estudiosos da cartografia escolar (Rosângela Doin de Almeida, Marcelo Martinelli, Lívia de Oliveira, Maria Helena Simielli, entre outros) são unânimes em afirmar que o mapa guarda uma série de códigos que serão melhor desvendados à medida que os alunos possam ser exercitados nas etapas básicas de sua produção, ou seja, a medida que os alunos sejam alfabetizados cartograficamente. Afinal, a leitura e a interpretação de mapas começam com o exercício de sua produção – desenhar hoje para ler mapas amanhã.

O desenho do espaço vivido ou a produção de mapas deve ser uma tarefa iniciada nos primeiros anos/séries do Ensino Fundamental. Se essa condição for assegurada, devemos encontrar o aluno do 6º ano do Ensino Fundamental com condições de ler e interpretar a linguagem cartográfica contida nos mapas.

Os referenciais para o ensino de Geografia no Ensino Fundamental II e Ensino Médio nos solicitam a promoção do estudo de linguagens e códigos próprios da Geografia, como vimos na aula anterior. Conhecer as diferentes linguagens e códigos que podem expressar aspectos do espaço promove o aluno às condições necessárias para a compreensão do espaço. Essa assertiva pode ser confirmada por Simielli (2007): O sucesso do uso do mapa repousa na sua eficiência quanto à transmissão da informação espacial, sendo o ideal dessa transmissão a obtenção, pelo leitor, da totalidade da informação contida no mapa. Isso pode ser feito na medida em que o aluno é solicitado a explicar o melhor caminho para se chegar a um endereço através de um desenho, é uma boa idéia para estimular a linguagem gráfica ao mesmo tempo em que se exercitam as primeiras noções de localização, proporção e até mesmo de simbologia. Ao desenhar, o aluno também expressa seu modo de pensar o espaço, tal como ocorre na produção de mapas por cartógrafos.

Crianças que desenham desenvolvem referência e orientação espacial, requisitos básicos para o futuro estudo da cartografia. Para que isso seja um resultado previsível, alguns aspectos devem ser levados em conta, como argumentam Almeida (2006).

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44
ser levados em conta, como argumentam Almeida (2006). 44 Figura 3 – Mapa de leitura dos

Figura 3 – Mapa de leitura dos arredores

Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/desenhar-hoje-ler-mapas- futuro-426590.shtml>. Acesso em: 25 maio 2009.

AulaAula 33

InstrumentaçãoInstrumentação parapara oo EnsinoEnsino dede GeografiGeografiaa II

Localização

Avalie como os alunos desenham o caminho de casa para a escola, por exemplo. Como posicionam a casa em relação à rua? No mapa, os elementos se relacionam com base nas coordenadas geográficas latitude e longitude.

Utilize o próprio desenho da criança como um instrumento de ensino. Faça perguntas do tipo: o que há à direita ou à esquerda da sua casa? Se ela já tem essas noções, é possível falar dos pontos cardeais norte, sul, leste e oeste.

Peça que a criança observe novamente o local retratado e repita o mesmo desenho, completando as informações que ficaram faltando.

Proporção ou escala

Verifique se existe proporção entre os elementos representados pelo aluno e entre estes

e os reais. Se o desenho for de uma rua, por exemplo, os carros são menores que uma casa? No mapa, apesar de as localidades estarem reduzidas, há proporção entre os elementos.

Para que a criança perceba a proporção de tamanho entre os diferentes elementos que

a cercam, sugira que utilize palmos ou passos como unidade de medida. Qual o tamanho de

um quarteirão ou de um carro? Ao medir ambos com os passos, ela terá noção do tamanho

a ser dado no desenho.

Projeção ou perspectiva

Analise de qual ponto de vista as casas foram desenhadas. De frente? Do alto? No mapa, são usadas projeções cartográficas metodologia que representa a superfície da Terra, sempre de cima.

Faça perguntas ao aluno para estimulá-lo a perceber quais elementos estão mais à frente ou mais longe. No início do Ensino Fundamental a garotada não consegue desenhar em perspectiva.

Simbologia

Avalie se a criança tem habilidade para estabelecer em seus desenhos traços que representam elementos que ela observa à sua volta. No mapa há uma série de convenções para indicar como representar rios, estradas, cidades etc.

Os alunos costumam fazer desenhos parecidos. Por exemplo, casas com um triângulo sobre um retângulo. Induza-os a prestar atenção nas construções da rua onde moram. Com o

tempo eles percebem que elas não são todas iguais. Umas são maiores, outras são menores.

E até que o número de janelas é diferente.

Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Atividade 1 Peça a uma criança que cursa o 6º ano do Ensino Fundamental II
Atividade 1
Peça a uma criança que cursa o 6º ano do Ensino Fundamental II para desenhar
o trajeto entre a casa dele e a escola. A seguir, analise o desenho elaborado a
partir dos itens apresentados anteriormente (localização, proporção ou escala,
projeção ou perspectiva e simbologia).
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Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado
Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado
Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado
Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado
Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado
Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado
Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado
Mapa como objeto de estudo Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado

Mapa como objeto de estudo

Os mapas apresentados a seguir mostram o continente africano representado a partir de duas projeções distintas. Analisar as diferenças, inclusive ideológicas, entre elas é um bom exercício para o uso do mapa como meio de comunicação.

(Adaptado de Oswald Freyer - Eimbeke, p.40)
(Adaptado de Oswald Freyer - Eimbeke, p.40)

Figura 4 – Duas projeções distintas do continente africano

Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Atividade 2 Observe a figura anterior e responda: em que se diferem as representações do
Atividade 2
Observe a figura anterior e responda: em que se diferem as representações do
continente africano?
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Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Para compreender a linguagem cartográfica O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo
Para compreender a linguagem cartográfica O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo
Para compreender a linguagem cartográfica O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo
Para compreender a linguagem cartográfica O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo
Para compreender a linguagem cartográfica O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo
Para compreender a linguagem cartográfica O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo
Para compreender a linguagem cartográfica O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo

Para compreender a linguagem cartográfica

O uso do mapa como objeto de estudo passa pelo conhecimento dos códigos de representação do espaço em linguagem cartográfica. Selecionamos dois planos de aulas apresentados na Revista Nova Escola que você poderá desenvolver para promoção de alguns elementos dessa linguagem: escala, localização, orientação e projeções cartográficas. Atentem que nos dois planos apresentados, o principal recurso a ser usado é o mapa-múndi.

Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Plano 1

Escala, localização e orientação

Objetivos

Correlacionar a leitura de mapas à leitura das paisagens.

Conteúdos

Introduzir o conceito de escala cartográfica.

Escala cartográfica.

Noções de orientação e localização.

Paisagens.

Anos

6º e 7º anos.

Tempo estimado

Uma aula.

Material necessário

Mapa-múndi, lápis e réguas.

Preparação da aula

A turma participará de uma “viagem” pelo mapa. Prepare um roteiro que parta de Brasília e passe por outros pontos do globo. Complete o material com paisagens dos locais escolhidos. Crie uma ficha para os alunos anotarem a distância e a direção (segundo os pontos cardeais ou noções de lateralidade: direita, esquerda, acima, abaixo e diagonais).

Desenvolvimento

1ª Etapa

Reúna a classe em torno do mapa e apresente o roteiro de viagem. A cada trecho, os alunos devem medir, com a régua, a distância entre os pontos de origem e destino. Também devem indicar que direção tomaram. Peça que observem semelhanças e diferenças nas paisagens dos locais, diferenciando centros urbanos de áreas rurais, por exemplo.

2ª Etapa

Oriente os alunos a usar a escala do mapa para converter as medidas. Se a turma ainda não dominar a escala numérica, uma opção é usar a escala gráfica. Explique a importância desse recurso para calcular distâncias.

Avaliação

Verifique o preenchimento das fichas e os cálculos. Peça textos individuais sobre o papel da escala nos mapas.

Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/escala-localizacao-orientacao-427198.shtml>. Acesso em: 25 maio 2009.

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Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Plano 2

Projeções cartográficas

Objetivos

Discutir diferentes maneiras de representar a Terra nas superfícies planas (planisférios).

Compreender aspectos ideológicos dos mapas.

Conteúdo

Projeções cartográficas.

Anos

8º e 9º anos.

Tempo estimado

Uma aula.

Material necessário

Mapa-múndi, lápis e borracha.

Desenvolvimento

1ª Etapa

Pergunte aos alunos quais são as principais características do mapa-múndi que eles conhecem. Anote todas as informações no quadro. Relacione as características levantadas com as que de fato existem no mapa.

2ª Etapa

Com o mapa-múndi em mãos, explique que esse planisfério foi produzido com base em uma superfície cilíndrica de projeção. Para que os alunos visualizem a explicação, você pode enrolar o mapa, formando um cilindro. Explique que há também outros tipos de projeção - por exemplo, a azimutal (como a dos pólos, construída sobre um plano tangente a um ponto qualquer da esfera terrestre).

3ª Etapa

Converse com a classe sobre os motivos das diferentes formas de representar a Terra. Ressalte os aspectos ideológicos, uma vez que os planisférios usados no mundo ocidental são, em sua maioria, eurocêntricos (centrados na Europa). Levante, então, a questão: será que o planisfério usado em países do Oriente, como o Japão, é igual ao que usamos no Brasil? Mostre um mapa japonês e provoque a comparação.

Avaliação

Observe a participação nos debates. Em textos individuais, peça que os alunos analisem os aspectos ideológicos dos planisférios.

Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/projecoes-cartograficas-427288.shtml>. Acesso em: 25 maio 2009.

Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Resumo

Nessa aula apontamos sugestões relativas ao uso da cartografia no ensino de geografia em perspectivas complementares: na exercitação de procedimentos de iniciação cartográfica e no ensino de elementos da linguagem cartográfica – escala, localização, orientação e projeções cartográficas. Nosso propósito foi chamar sua atenção para os usos da cartografia em sala de aula e indicar procedimentos relativos a essa tarefa.

Autoavaliação

1
1

Como foi enfatizado nessa aula e amplamente argumentado nas disciplinas Leituras

Cartográficas I e II, ler mapas exige requisitos de conhecimento da linguagem utilizados em sua produção. Comente quais são os requisitos necessários a leituras de mapas e como podem ser exercitados em sala de aula.

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Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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2

A forma como os mapas são apresentados ou dispostos em sala de aula pode ter implicações em seu entendimento, se fixados na parede ou se colocados no chão. Simule o uso de mapa disposto em uma e outra forma. Comente sua análise.

Referências

ALMEIDA, Rosângela D. (Org.). Cartografia escolar. São Paulo: Contexto, 2007.

ALMEIDA, Rosângela D. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2003.

ALMEIDA, Rosângela D. Desenhar hoje para ler mapas no futuro. Revista Nova Escola, ed. 168,

out. 2006. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/desenhar-

hoje-ler-mapas-futuro-426590.shtml>. Acesso em: 5 jun. 2009.

ALMEIDA, Rosângela D.; PASSINI, Elza Y. O espaço geográfi co : ensino e representação. São Paulo: Contexto, 1989.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental:

Parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 2001.

CARVALHO, Maria Inez. Fim de século: a educação e a geografia. 2. ed. Ijuí: Unijuí, 2004.

CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia, escola e construção de conhecimentos. São Paulo:

Papirus, 1998.

KOZEL, Salete; FILIZOLA, Salete. Didática da Geografia. São Paulo: FTD, 1996.

SIMIELLI, Marcelo. A sistematização da cartografia temática. In: ALMEIDA, Rosângela Doin de (Org.). Cartografia escolar. São Paulo: Contexto, 2007.

Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Anotações

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Aula 3

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Promovendo o ensino do clima I

Aula

4
4

Apresentação

N a aula passada, abordamos a cartografia escolar e, especialmente, o uso de mapas em

duas perspectivas – como ferramenta de apoio ao trabalho do professor e como objeto

de estudo. No primeiro caso, os mapas são utilizados para localizar espacialmente

certos eventos ou processos que são objeto de estudo da Geografia. Já no segundo caso, os mapas são o centro do processo de ensino/aprendizagem – são, portanto, a principal fonte utilizada pelo professor, o objeto de estudo em que se debruçam professores e alunos para estudar Geografia.

Nesta aula, nossa atenção se volta para a promoção do ensino do clima em Geografia. Você deve ter percebido que esse tema é um componente curricular de destaque na explicação de outros temas objeto do ensino da Geografia, como a vegetação e o relevo, por exemplo. Também se destaca na explicação de processos que interferem diretamente na nossa vida cotidiana, tal como o tempo atmosférico ou aquecimento global.

Assim, o tema clima está presente nas aulas de Geografia, ora referente a certo espaço (domínios morfoclimáticos e climas do Brasil, por exemplo) ora apresentado de forma genérica (tal como fundamentos de climatologia) ou mesmo oferecendo condições para compreensão de outros temas com os quais se inter-relacionam. Nesse sentido, nossa expectativa é oferecer sugestões de metodologias e recursos dos quais se pode dispor para alcançar dados objetivos ou competências relativas ao Ensino Fundamental e Médio.

Objetivo

Saber aplicar as metodologias e recursos sugeridos nesta aula na promoção do ensino de clima.

e recursos sugeridos nesta aula na promoção do ensino de clima. Aula 4 Instrumentação para o

Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Ensinando e aprendendo climatologia através da observação D e modo geral, o tema clima é

Ensinando e aprendendo climatologia através da observação

D e modo geral, o tema clima é abordado em sala de aula a partir de pesquisa bibliográfica, notadamente tendo como fonte básica o livro didático. Menos comum é a pesquisa de campo ou em laboratório, quando nos referimos ao Ensino Fundamental e

Médio. Entretanto, apesar do clima ser um objeto essencialmente abstrato e não poder ser integralmente apreendido pelo instrumental sensorial próprio do ser humano, tal como cita Azevedo (2005), é possível extrapolar os textos apresentados nos livros didáticos e utilizar estratégias de observação de indicadores e indícios de processos em sua evolução num dado período de tempo. Nesse sentido, podemos realizar observações usando apenas os sentidos ou usando instrumentos simples, como veremos a seguir, nas sugestões adaptadas do artigo

Técnicas de campo e laboratório em climatologia, propostas por Tarik Rezende de Azevedo.

Ademais, a observação sistemática de um dado fenômeno permite a formulação de teorias sobre o mesmo. Isso tem implicações formidáveis sobre o processo pedagógico, já que as conclusões sobre o assunto são geradas na experimentação, no monitoramento, na observação.

1) Observação usando os sentidos

É possível realizar observações de elementos do clima como o vento e nebulosidade usando simplesmente os sentidos. Os dados gerados dessas observações podem ser registrados, agrupados e monitorados, período a período.

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Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Velocidade do vento

É possível determinar a velocidade do vento observando o efeito do escoamento do ar nos objetos em torno do observador com o apoio da escala apresentada a seguir.

Tabela 1 – Escala de Beaufort

Grau

Designação

km/h

m/s

Efeitos em terra

0

Calmaria

<2

<1

Fumaça sobe verticalmente

1

Bafagem

2 a 6

1

a 2

Fumaça indica direção do vento

2

Aragem

7 a 11

2

a 3

As folhas das árvores movem; Sente-se o vento no rosto

3

Fraco

13

a 19

4

a 5

As folhas agitam-se e as bandeiras desfraldam ao vento

4

Moderado

20

a 30

6

a 8

Poeira e pequenos papéis levantados; movem-se os galhos das árvores

5

Fresco

31

a 39

9 a 11

Movimentação de árvores pequenas; superfície dos lagos ondula

6

Muito Fresco

41

a 50

11

a 14

Movem-se os ramos das árvores; dificuldade em manter um guarda-chuva aberto

7

Forte

52

a 61

14

a 17

Movem-se as árvores grandes; dificuldade em andar contra o vento

8

Muito Forte

63

a 74

17

a 21

Quebram-se galhos de árvores; circulação de pessoas difícil

9

Duro

76

a 87

21

a 24

Danos em árvores; impossível andar contra o vento

10

Muito Duro

89 a 102

25

a 28

Árvores arrancadas; danos na estrutura de construções

11

Tempestade

104 a 117

29

a 32

Estragos abundantes em telhados e árvores

12

Furacão

>119

>33

Grandes estragos

Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_Beaufort>. Acesso em: 3 jun. 2009.

Acesso em : 3 jun. 2009. Seguir Escala desenvolvida pelo meteorologista Francis

Seguir

Escala desenvolvida pelo meteorologista Francis Beaufort, no século XIX. Ela possibilita quantificar a intensidade dos ventos tendo em conta a sua velocidade e os efeitos resultantes das ventanias em terra.

Como afirmamos anteriormente, a regularidade dos dados observados permite a formulação de teorias sobre o mesmo, caracterizando o comportamento do vento num dado local, num dado período.

Atividade 1 Experimente você mesmo a observação da velocidade do vento tendo por base a
Atividade 1
Experimente você mesmo a observação da velocidade do vento tendo por base a
Escala de Beaufort. Faça isso durante 3 dias, durante a manhã, a tarde e a noite.
Analise os resultados e escreva suas conclusões.

Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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2) Observação usando instrumentos simples

A direção do vento pode ser verificada por meio da construção de um biruta. Para
A direção do vento pode ser verificada por meio da construção de um biruta. Para isso, você
vai precisar de um canudo de refrigerante grosso, um pedaço de cartolina, um alfinete, um conta,
um palito de churrasco, massa de modelar, tesoura e cola. A seguir, execute as seguintes etapas.
1º. Recorte um triângulo de cartolina com as seguintes dimensões
(10 × 10 × 6) cm . Depois, corte a ponta do triângulo, cerca de 3 cm da
extremidade, conforme figura abaixo.
10cm
6cm
3cm
Figura 1
2º Faça dois pequenos cortes nas extremidades do canudo e fixe as duas
partes da cartolina, como indica a figura.
Canudo de refresco
Figura 2
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Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

3º Coloque um alfinete no meio do canudo de modo que possa girar livremente, acrescente
3º Coloque um alfinete no meio do canudo de modo que possa girar
livremente, acrescente uma conta, conforme figura e prenda no palito. Fixe
o palito em algum suporte com o auxílio da massa de modelar.
Alfinete
Conta
Palito
Massa de modelar
Figura 3
Fonte: <http://www.cienciamao.if.usp.br/tudo/exibir.php?midia=mar&cod=_instrumentosparaverificaradirecaoevelocidadedovento>.
Acesso em: 3 jun. 2009.
Atividade 2 Tal como na atividade anterior, experimente você mesmo a construção do biruta. Observe
Atividade 2
Tal como na atividade anterior, experimente você mesmo a construção do biruta.
Observe seu funcionamento durante três dias, em horários fixos na manhã, tarde
e noite. Analise os resultados e escreva suas conclusões.

Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência Os planos de aula apresentados neste item

Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência

Os planos de aula apresentados neste item têm como base fontes secundárias, textos, documentos escritos, documentos em vídeo ou mapas. Ambos são relacionados ao clima. Ao desenvolvê-los, estamos chamando sua atenção para as relações que se estabelecem entre o uso dos recursos e das estratégias apontadas e as demais etapas do planejamento.

O primeiro plano trata das mudanças climáticas globais e o segundo dos domínios morfoclimáticos do Brasil.

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Aula 4

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Clima e meio ambiente

Vem de longe o processo de degradação do meio ambiente. Da época das colônias à descoberta do petróleo e à industrialização, as causas das agressões ao meio ambiente são de ordem política, econômica e cultural. A despeito disso, a sociedade ainda não absorveu a importância do meio ambiente para sua sobrevivência, usando os recursos naturais sem atentar para os efeitos, priorizando o lucro em detrimento das questões ambientais. O alto custo a ser pago já é visível nos problemas causados pela poluição do ar e da água e no número de doenças derivadas desses fatores.

É preciso lembrar que o meio ambiente não se refere apenas às áreas de preservação e lugares paradisíacos, mas sim a tudo que nos cerca: água, ar, solo, flora, fauna, homem etc. Cada um desses elementos está sofrendo algum tipo de degradação: fauna e flora em extinção, escassez de água doce, a degradação do solo, indícios de mudanças climáticas.

Nas cidades, é possível verificar que a ocupação desordenada gera consequências bastante conhecidas: enchentes, assoreamento dos cursos de água devido ao desmatamento e ocupação das margens, desaparecimento de áreas verdes, desmoronamento de encostas, comprometimento dos cursos de água que viraram depósitos de lixo e canais de esgoto.

Atualmente, dentre os efeitos da degradação ambiental, aqueles cujos efeitos recaem sobre o clima tem sido o de mais atenção pública, notadamente o chamado aquecimento global.

Deste modo, o primeiro plano de aula proposto trata das mudanças climáticas enfrentadas pelo planeta, tanto as naturais, quanto as resultantes da intervenção humana, bem como as consequências dessas mudanças para a nossa vida.

Essa atividade possibilitará aos alunos o acesso a textos documentais acerca do tema, como os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) e o protocolo de Kyoto. O professor também poderá fazer uso de filmes ou documentários, como, por exemplo, Uma Verdade Inconveniente.

Tais recursos darão apoio a um possível debate sobre as mudanças climáticas globais, identificadas através de fenômenos meteorológicos que, por sua vez, podem resultar em impactos ao planeta, tais como enchentes constantes, áreas em processo de desertificação etc., confrontadas com os interesses internacionais.

Para abordagem desse assunto, o professor poderá utilizar o vídeo Mudanças no clima, mudanças de vida, produzido pela Greenpeace Brasil. O filme trata do aquecimento global e tem duração de 2 minutos e 45 segundos.

Ele pode ser encontrado no endereço: <http://www.youtube.com/watch?v=nQ_Zb9fg-I0>.

Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Plano 1 – Mudanças climáticas globais

Objetivos

1)

Conhecer as diferentes teorias sobre alterações climáticas naturais (eras glacial e interglacial e o efeito estufa natural) e as intervenções humanas nos sistemas naturais.

2)

Compreender como o meio natural foi substituído pelo meio técnico e o meio técnico- científico-informacional.

3)

Reconhecer que as paisagens e os lugares são produtos de ações propositivas dos homens em sociedade.

4)

Reconhecer que a sociedade e a natureza possuem seus princípios e leis e que o espaço geográfico é historicamente definido e resulta da interação entre esses dois fatores.

5)

Relacionar as mudanças climáticas às mudanças e à expansão do padrão de produção e de consumo (evolução do capitalismo e revoluções industriais).

Conteúdo

Clima e Meio Ambiente

Ano

Ensino Médio

Comentários

Por sua abrangência e pela multiplicidade de aspectos que engloba, o tema pode ser ampliado tanto em sua abrangência, bem como em relação ao número de aulas. Pode ser tratado em várias disciplinas e integrar um projeto a ser desenvolvido em várias aulas (por exemplo, aula expositiva, análise de texto, debate, filme ou mesmo a confecção de mural). As estratégias a seguir são sugestões para essas atividades.

Estratégias

1) Ler e comentar os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) – o sítio do IPCC na internet é o <http://www.ipcc.ch/>, relatórios e outros documentos produzidos estão disponíveis em árabe, chinês, francês, inglês, russo e espanhol.

2) Discorrer sobre os encontros internacionais patrocinados pela ONU e as propostas discutidas (de Estocolmo a Johanesburgo, em especial a ECO-92), destacando as convenções assinadas (da biodiversidade, do clima, do desenvolvimento sustentável) e seus desdobramentos (Protocolo de Kyoto).

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Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

3)

Ler os textos sobre aquecimento global e Protocolo de Kyoto. No sítio da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, você encontrará o Protocolo de Kyoto: <http://www. onu-brasil.org.br/doc_quioto.php>.

4)

Assistir a um filme ou documentário que realce a importância desses processos na vida no planeta, por exemplo, o filme Uma verdade inconveniente.

5)

A partir de mapas, localizar as áreas onde as mudanças climáticas já se fazem sentir com maior intensidade, sobretudo por meio de eventos extremos (secas prolongadas, furacões

e

tornados mais intensos ou em novas áreas, ondas de calor, avanços do mar sobre ilhas

e

região costeira).

6) Realizar um debate sobre as mudanças climáticas e as relações internacionais, priorizando posturas antagônicas como a dos EUA, da Europa, Brasil e China. Avaliar os interesses e preocupações das grandes empresas multinacionais – perdas e ganhos – com relação ao Protocolo de Kyoto.

7)

Montar uma exposição com mapas, imagens, textos e frases sobre as consequências da mudança climática em curso.

Plano 2 – Domínios morfoclimáticos

Nesse contexto de mudanças climáticas resultantes da ação da sociedade sobre a natureza, há outro importante tema que demonstra a inter-relação entre fatores do meio físico – domínios morfoclimáticos.

A classificação em domínios morfoclimáticos proposta por Aziz Nacib Ab’Sáber foi criada para possibilitar a divisão de um território em paisagens naturais, identificando áreas ou faixas de terra em que há homogeneidade dos elementos naturais, do tipo de clima, relevo, hidrografia, vegetação e solo.

Dessa forma, o clima é estudado na relação com outros fatores naturais. Temos como exemplo a caatinga e o clima semiárido no sertão nordestino ou a cobertura florestal da porção litorânea do país, desde o nordeste até o sul.

Assim, sugerimos que os alunos sejam envolvidos em uma ampla atividade de pesquisa que privilegia o trabalho em equipe, podendo render a produção de um mural onde estarão expostos os domínios morfoclimáticos do Brasil, destacando características de cada domínio, como relevo, clima, solo, hidrografia, vegetação, bem como os impactos ambientais a ele relacionados.

Conceitos

Paisagem natural, domínios morfoclimáticos, zona de transição.

natural, domínios morfoclimáticos, zona de transição. Aziz Nacib Ab’Sáber Professor emérito da Faculdade de

Aziz Nacib Ab’Sáber

Professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, professor- honorário do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade, considerado importante referência em assuntos relacionados à geografia e ao meio ambiente.

Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Tema Figura 4 – Domínios morfoclimáticos brasileiros Fonte: < http://www.cocemsuacasa.com.br/ebook/pages/227.htm

Tema

Figura 4 – Domínios morfoclimáticos brasileiros

Fonte: < http://www.cocemsuacasa.com.br/ebook/pages/227.htm >. Acesso em: 5 jun. 2009.

Domínios Morfoclimáticos

Objetivos

1)

Conhecer a divisão em domínios morfoclimáticos proposta por Aziz Nacib Ab’Saber e a sua abordagem conceitual.

2)

Compreender a dinâmica do espaço natural a partir da correlação entre clima, relevo, hidrografia, solos etc. e as paisagens resultantes dessa interação.

3)

Conhecer cada um dos domínios, inclusive as faixas de transição e as suas especificidades.

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

4)

Compreender como a ação antrópica interfere nas paisagens, transformando-as e alterando a sua dinâmica natural a partir dos problemas ambientais.

5) Conhecer como as diferentes características naturais podem resultar em diferentes aproveitamentos econômicos (extrativismo do látex, madeira, produção do sal, pau-brasil, transporte hidroviário, hidrelétricas etc.).

Estratégias

1)

Propor a confecção de um mapa com os domínios morfoclimáticos.

2) Apresentar um climograma, os solos, vegetação, hidrografia etc. para cada um dos domínios. A turma poderá ser dividida em grupos, cada um contemplando a pesquisa de um domínio.

3) Associar o relevo ao clima e à latitude (chuvas orográficas, ventos alísios etc.), associar às características do solo e à sua fertilidade (laterização, lixiviação, profundidade e outras características) e associar esses elementos à hidrografia (vazão, drenagem, perenidade etc.); por fim, incluir na análise a vegetação e suas características (higrófila – relacionar com a umidade e a pluviosidade na Amazônia, por exemplo; caducifólia – a existência de uma estação seca no cerrado; acicufoliada – associada à queda de neve no passado ou no presente; a acidez do solo no cerrado e a sua aparência de xerófila ou pseudoxerófila; xerófila – adaptada à falta de umidade etc.).

4)

Pesquisar as formas de relevo e a vegetação, procurando identificar formas características de relevo (Chapadas, coxilhas etc.) e as espécies características da vegetação.

5)

Pesquisar os impactos ambientais mais graves relacionados ao que foi exposto: arenização- desertificação; desflorestamento, erosão, voçorocamento, escorregamento (deslizamento) de terras etc.

Conclusão da atividade

1)

Fazer um mural com o mapa dos domínios morfoclimáticos e, em volta, colocar as fotos, imagens, gráficos e características de cada um. Se possível, colocar uma planta, semente ou fruta dos domínios.

2)

Outra sugestão é montar uma exposição com os produtos do extrativismo (exemplos:

madeira da Amazônia ou da Floresta de Araucárias, sorvete de cupuaçu, artesanato feito com produtos regionais etc.).

Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Leitura complementar

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA – INMET. Disponível em: <www.inmet.gov.br>. Acesso em: 3 jun. 2009.

Previsão do tempo, biblioteca online e cursos são alguns dos serviços oferecidos pelo instituto que este ano completa 100 anos

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Aula 4

Resumo

Nessa aula, pudemos conhecer algumas sugestões metodológicas que podemos utilizar para promover o ensino de clima. Em síntese, essas sugestões foram organizadas em dois grupos: Geração de dados primários e Uso de fontes de referência. No primeiro grupo, a observação sistemática da velocidade e direção do vento permite a geração de dados primários sobre esse elemento do clima. Já no segundo grupo, apresentamos dois planos de aula para contextualizar o uso de fontes secundárias, tais como textos, documentos, relatórios e filmes. Esses planos abordaram as temáticas Mudanças climáticas globais e Domínios morfoclimáticos.

Autoavaliação

globais e Domínios morfoclimáticos. Autoavaliação Comente a adequação das sugestões de estratégias e de

Comente a adequação das sugestões de estratégias e de recursos didáticos apresentados nessa aula ao ensino de geografia nos níveis fundamental e médio, assim caracterizados:

Geração de dados primários:

Usando fontes de referência:

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Referências

AZEVEDO, Tarik Rezende. Técnicas de campo e laboratório em climatologia. In: VENTURI, Antonio B. (Org.). Praticando geografia: técnicas de campo e laboratório. São Paulo: Oficina de Textos, 2005.

CARVALHO, Maria Inez. Fim de século: a escola e a geografia. 2. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2004.

KIMURA, Shoko. Geografia no ensino básico: questões e propostas. São Paulo: Contexto, 2008.

KOBEL, Salete; FILIZOLA, Roberto. Didática da geografia: memória da Terra: o espaço vivido. São Paulo: FTD, 1996.

Anotações

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Anotações

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Aula 4

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Promovendo o ensino do clima II

Aula

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Apresentação

O clima é um dos temas mais abrangentes entre aqueles objetos do ensino da Geografia. Sua relevância pode ser constatada na relação com outros componentes curriculares dessa disciplina, tais como vegetação, relevo ou mesmo economia. Também é um assunto abordado em outras áreas do conhecimento, notadamente com a Física ou mesmo a Química.

Assim sendo, para dar continuidade às sugestões metodológicas e aos recursos didáticos para a promoção de temas relativos à climatologia, iniciados na Aula 4 (Promovendo o ensino do clima I), organizamos está aula em duas partes: a primeira é relativa às sugestões no campo da observação e da geração de dados primários; e a segunda tem por base o material para a promoção do ensino de climatologia, a partir do estudo de textos de referência, documentos, relatórios e outras fontes secundárias. Na primeira parte, nosso pressuposto é que ao observar sistematicamente um dado fenômeno, você tenha condições de formular explicações ou teorias interpretativas sobre o mesmo. Já na segunda, temas mais complexos como desertificação exige o estudo de fontes secundárias para formar a base teórica que nos permitirá sua melhor compreensão.

Objetivo

Aplicar as metodologias e os recursos sugeridos, nesta aula, na promoção do ensino de climatologia.

sugeridos, nesta aula, na promoção do ensino de climatologia. Aula 5 Instrumentação para o Ensino de

Aula 5

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Ensinando e aprendendo

climatologia através da observação II

e aprendendo climatologia através da observação II Observação de fenômenos climáticos As sugestões

Observação

de fenômenos

climáticos

As sugestões apresentadas a seguir foram adaptadas do artigo “Técnicas de campo e laboratório em climatologia” propostas por Tarik Rezende de Azevedo.

INPE

O glossário pode ser acessado em: <http://www. cptec.inpe.br/glossario/>.

C omo argumentamos na Aula 4, quando nos referimos ao ensino de climatologia

nos níveis fundamental e médio, a pesquisa bibliográfica tem sido a maior fonte de

informações e de dados para o desenvolvimento desse tema, sendo o livro didático o

principal, senão o único, recurso utilizado em sala de aula. Assim, de forma geral, é correto afirmar que quase inexistem pesquisas de campo ou em laboratório, nesses níveis de ensino, quando o assunto é clima.

A despeito disso, queremos, nesta aula, reiterar a importância da experiência, da observação sistematizada no processo da formação do aluno-pesquisador. Agindo assim, invertemos o clássico esquema didático em que a teoria precede o problema que a originou. Nosso argumento é que ao observar sistematicamente um dado fenômeno, você tenha condições de formular teorias interpretativas sobre o mesmo, produzindo respostas ou interpretações teóricas.

Nosso intuito é ir além dos conteúdos esquematizados nos livros didáticos de Geografia

e valer-se da observação dos elementos atmosféricos diretamente com os órgãos do sentido,

por exemplo. Para isso, daremos continuidade às sugestões relativas ao uso dos sentidos para

a observação de fenômenos climáticos com apoio de instrumentos simples, como serão apresentadas a seguir.

Observação usando os sentidos

Você já é capaz de determinar a velocidade do vento tomando por base os parâmetros sugeridos na Escala de Beaufort. Nesta aula, vamos tratar da observação e identificação da nebulosidade utilizando como referência as figuras apresentadas na sequência.

Nebulosidade

Segundo o glossário do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto de Pesquisa Espaciais (INPE), nuvens é o conjunto visível de partículas minúsculas de matéria como gotículas d’água e/ou cristais de gelo, no ar. São formadas como resultado da condensação do vapor d’água na atmosfera.

Esse fenômeno atmosférico é monitorado em estações meteorológicas e constitui importante indicador para a previsão do tempo. A Figura 1 mostra seus agrupamentos segundo altitudes. Geralmente, as nuvens se encontram numa faixa de altitudes que varia segundo a posição latitudinal. Nas regiões tropicais, as alturas consideradas são: estágio baixo – com

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Aula 5

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

altitudes que se estendem desde a superfície da Terra até 2 km; estágio médio – de 2 a 8 km; e estágio alto – de 6 a 18 km.

médio – de 2 a 8 km; e estágio alto – de 6 a 18 km.

Figura 1 – Tipos de nuvens

Fonte: <http://www.cptec.inpe.br/glossario/>. Acesso em: 15 maio 2009.

Os tipos de nuvens são indicadores importantes na previsão do tempo. Fique atento às suas observações. Como já afirmamos, a observação regular de um dado elemento, fenômeno ou processo nos permite formular teorias explicativas sobre os mesmos. Visite o glossário do CPTEC para conhecer mais informações sobre as nuvens e suas características. Os dados lá apresentados auxiliarão você e seus alunos a identificar as nuvens e elaborar análises sobre sua relação com o tempo atmosférico. Bom trabalho!

Nuvens

A unidade de medida de cumprimento utilizada nessa figura é pé. Um pé corresponde a 30,48 cm.

Atividade 1 Experimente, você mesmo, a observação da ocorrência de nuvens em sua cidade. Faça
Atividade 1
Experimente, você mesmo, a observação da ocorrência de nuvens em sua cidade.
Faça isso durante três dias, nos períodos da manhã, da tarde e da noite (se
possível). Analise os resultados e escreva suas conclusões. Para auxiliá-lo, você
pode utilizar as informações do CPTEC já citadas ou ainda fazer uma visita ao
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Lá, você vai encontrar um atlas de
nuvens. O endereço eletrônico é: <http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/
sobre_meteorologia/atlas_nuvens/atlas_nuvens.html>.

Aula 5

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Climograma Climogramas são gráficos que representam dois ou mais elementos do clima de uma determinada

Climograma

Climogramas são gráficos que representam dois ou mais elementos do clima de uma determinada região.

Observação usando instrumentos simples

Aqui, propomos o monitoramento da precipitação e da temperatura do ar com vistas à construção de um climograma. A temperatura do ar pode ser facilmente definida com o auxílio de um termômetro. Já a precipitação, poderá ser medida com o auxílio de um pluviômetro, que pode ser adquirido ou confeccionado pelo professor e seus alunos. Para construir um pluviômetro, você vai precisar de um recipiente de vidro de boca larga (como um de doces ou de maionese), uma régua de 30 cm, uma garrafa pet (tipo refrigerante), pedras e uma tesoura.

1)

2)

Montagem:

Meça, com a régua, o diâmetro do fundo do vidro com a Figura 2:

A
A

Figura 2 – Montando um pluviômetro: fase um

Fonte: Mazzini (1982, p. 50).

Marque a garrafa, conforme a Figura 3, de modo que a parte mais larga tenha o mesmo diâmetro do fundo do vidro por dentro. Marque esse ponto e sobre ele corte a garrafa em toda a volta.

A
A

Figura 3 – Montando um pluviômetro: fase dois

Fonte: Mazzini (1982, p. 50).

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

3)

Com a parte de cima da garrafa, você acabou de construir um funil.

de cima da garrafa, você acabou de construir um funil. Figura 4 – Montando um pluviômetro:

Figura 4 – Montando um pluviômetro: fase três

4)

Fonte: Mazzini (1982, p. 50).

Coloque o funil na boca do vidro, conforme a Figura 5.

funil vidro Figura 5 – Montando um pluviômetro: fase quatro
funil
vidro
Figura 5 – Montando um pluviômetro: fase quatro

Seu pluviômetro está pronto!

Fonte: Mazzini (1982, p. 51).

Para coletar chuva com ele, faça o seguinte: quando você perceber que vai chover, coloque-o no quintal ou no pátio da escola, de preferência longe de muros e paredes. Calce-o com as pedras, para que ele não caia, como mostra a Figura 6.

Aula 5

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

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Figura 6 – Montando um pluviômetro: fase cinco Fonte: Mazzini (1982, p. 51). Quando a

Figura 6 – Montando um pluviômetro: fase cinco

Fonte: Mazzini (1982, p. 51).

Quando a chuva passar, recolha o pluviômetro e, em seguida, meça, em milímetros, a altura da coluna de água dentro do vidro.

milímetros, a altura da coluna de água dentro do vidro. Figura 7 – Montando um pluviômetro:

Figura 7 – Montando um pluviômetro: fase seis

Fonte: Mazzini (1982, p. 51).

Se a água da chuva tivesse ficado sobre o chão, sem se infiltrar na terra nem escorrer, toda a região em que choveu teria ficado recoberta por uma camada de água dessa altura.

Os dados de precipitação e de temperatura coletados são elementos representados em nosso climograma. Para sua produção, são colocados no eixo X, as médias mensais da precipitação e no segundo eixo vertical, as médias mensais de temperatura, unindo-se os doze pontos referentes a cada mês, formando um polígono próprio de cada lugar. Veja um exemplo:

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

mm ˚C 425 31 400 30 375 29 350 28 325 27 300 26 275
mm
˚C
425
31
400
30
375
29
350
28
325
27
300
26
275
25
250
24
225
23
200
22
175
21
150
20
125
19
100
18
75
17
50
16
25
15
0
14
J
FMAMJ
J
A
SOND
Figura 8 – Médias mensais de precipitação (mm) e de temperatura (˚C )

Ler gráficos é uma competência esperada pelos alunos de Geografia na educação básica. Construir o histograma é um bom exercício para alcançar tal competência. Experimente!

Atividade 2 Tal como foi demonstrado na Observação usando instrumentos simples, tente, você mesmo, a
Atividade 2
Tal como foi demonstrado na Observação usando instrumentos simples, tente,
você mesmo, a construção de um pluviômetro. Observe seu funcionamento
durante três dias, em horários fixos da manhã, da tarde e da noite. Analise os
resultados e escreva suas conclusões.

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Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano
Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano
Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano
Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano
Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano
Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano
Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano
Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II Desertificação é o tema do plano

Ensinando e aprendendo climatologia usando fontes de referência II

Desertificação é o tema do plano de aula apresentado nesta aula. Tal como na Aula 4, ele será desenvolvido por meio do estudo de fontes secundárias, sejam textos, documentos escritos, documentos em vídeo ou mapas.

textos, documentos escritos, documentos em vídeo ou mapas. Desertificação O uso de mapas para abordagem desse

Desertificação

O uso de mapas para abordagem desse tema é indispensável. O Ministério do Meio Ambiente publicou o Atlas das áreas susceptíveis a deserficação no Brasil, disponível em:

<http://www.mma.

gov.br/estruturas/sedr_

desertif/_arquivos/

129_08122008042625.

pdf>. Acesso em:

2 jun. 2009.

Desertificação

É a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, dentre eles as variações climáticas e as atividades humanas (Agenda 21, capítulo 12). Dada sua abrangência espacial, ocorre em mais de cem países do mundo e é considerada como um problema global.

No Brasil, existem quatro áreas que são chamadas núcleos de desertificação. Elas somam 18,7 mil km 2 e se localizam nas áreas de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte; Irauçuba, no Ceará e Cabrobó, em Pernambuco.

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A t l â n t i c o

O c e a n o

45˚

40˚

35˚

PA

São Luís

Fortaleza Natal RN
Fortaleza
Natal
RN

PE

PB

João

Pessoa

MA Teresina
MA
Teresina

PI

CE

Recife AL Maceió
Recife
AL
Maceió

10˚

João Pessoa MA Teresina PI 5˚ CE Recife AL Maceió 10˚ BA TO Aracaju SE Salvador

BA

TO

Aracaju

SE

Salvador

GO

15˚

MG

Belo

Horizonte

ES

ESPAÇOS SEMI-ÁRIDOS

Áreas Susceptíveis à Desertificação e Núcleos de Desertificação

Capitais Limites Estaduais Limites das ASD

Núcleos de Desertificação - ND

Gilbués

Irauçuba

Seridó

Cabrobó

Áreas Susceptíveis à Desertificação - ASD

Áreas Semi-áridas

Áreas do Entorno

Áreas Subúmidas Secas

0

100

200

Km

W

N

S

E

Figura 9 – Áreas susceptíveis à desertificação no Brasil e núcleos de desertificação

Fonte: Brasil (2007, p. 29).

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Retomando o tema das mudanças climáticas globais, iniciado na Aula 4, nossas sugestões são para a promoção do tema desertificação, um dos mais sérios problemas ambientais da atualidade. Através das estratégias sugeridas a seguir, você terá a possibilidade de realizar um amplo estudo sobre a desertificação, suas causas e consequências, bem como sua relação com as questões sociais, como a pobreza e a fome.

Plano de aula 1 – Desertificação no Brasil

Objetivos

1)

Identificar as causas da desertificação no território brasileiro e quais medidas podem ser tomadas para evitá-la.

2)

Localizar e descrever as áreas brasileiras que já sentem os efeitos da desertificação.

3)

Compreender o que é desertificação e quais as consequências naturais, sociais e econômicas do fenômeno nas áreas onde ocorre.

4)

Saber diferenciar as áreas de desertificação das regiões de arenização, bem como identificar os locais onde ocorrem e suas proporções.

5)

Compreender as relações entre o meio ambiente, a pobreza e a miséria brasileira.

6)

Considerar a fragilidade de alguns ecossistemas de nosso país e perceber a necessidade de combate à degradação do solo, do controle da desertificação e do manejo dos efeitos da seca.

7)

Levar o aluno à compreensão da relação entre meio ambiente (Natureza) e atividades humanas (sociedade). A desertificação é um dos principais problemas ambientais do mundo e a ação do homem é a sua principal causa.

Estratégias

1)

Ler o texto Convenção das Nações Unidas de Combate a Desertificação, que pode ser encontrado no endereço eletrônico:

<http://www.mma.gov.br/estruturas/sedr_desertif/_arquivos/unccd_portugues.pdf>.

2)

Aulas teóricas com exposição de conteúdo, utilizando quadro negro, retroprojetor, fotos (de jornais, de revistas, de livros etc.), filmes (vídeo), além de consultas bibliográficas complementares, leituras e análises de textos selecionados.

3) Ler, debater e discutir sobre problemas ambientais existentes, a partir dos temas apresentados na “Agenda 21 Global”, disponível no sítio do Ministério do Meio Ambiente

<http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=18&idConteu

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Instrumentação para o Ensino de Geografia I

do=575&idMenu=9065>. Promover uma atividade interdisciplinar com apoio e sugestões de professores de outras áreas, uma vez que esse é um assunto multidisciplinar.

4) Discutir sobre a ocorrência da desertificação nos estados brasileiros: áreas de abrangência, localização geográfica, consequências (naturais e sociais) e se há investimento em seu combate e os resultados obtidos.

Sugestão de atividades

1) A escola pode convidar um especialista sobre as ASD (Áreas Suscetíveis à Desertificação), contando inclusive com o envolvimento dos pais, professores, alunos, funcionários, comunidade etc., para falar sobre as causas e consequências da desertificação. Essa atividade pode proporcionar reflexão e transformação de comportamentos prejudiciais ao meio ambiente. Como resultado, a produção de um folder para ser distribuído na comunidade.

2) Com a orientação de um guia de turismo, organizar com a direção e os professores uma visita monitorada a algum ecossistema próximo, a fim de se aprender in loco o funcionamento de um ecossistema e a importância da preservação do meio ambiente.

3) O professor poderá também organizar uma aula de campo que possibilite aos alunos o conhecimento sobre o funcionamento de um ecossistema, que pode estar localizado nas proximidades de sua cidade. Veja estas sugestões:

Em Natal (RN), uma boa dica é visitar o Parque das Dunas, que oferece três opções de trilhas. Você terá acesso à extensão de cada trilha, tempo de percurso e a localização de seu final no endereço eletrônico: <http://www.parquedasdunas. rn.gov.br/trilhas.asp>.

No estado da Paraíba, o destaque é para o município de Bananeiras, que possui diversas trilhas ecológicas que podem ser conferidas e detalhadas no endereço eletrônico: <http://www.bananeiras.pb.gov.br/bananeiras/trilhas.asp>.

O Gerenciamento Costeiro de Pernambuco facilita o planejamento do professor que deseja visitar um dos manguezais do estado, oferecendo várias informações tais como localização, fauna, flora e utilização sustentável. Acesse o endereço eletrônico: <http://www.ib.usp.br/limnologia/manguezal/>.

No estado do Ceará pode ser encontrado o Parque das Trilhas, que oferece trilhas ecológicas com direito a condutor e percursos de, no máximo, 3 km, uma boa oportunidade de conhecer a biodiversidade cearense. Acesse o endereço eletrônico: <http://www.parquedastrilhas.com.br/>.

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Leituras complementares

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA – INMET. Disponível em: <www.inmet.gov.br>. Acesso em: 2 jun. 2009.

Acessando o endereço eletrônico do Instituto Nacional de Meteorologia, você verá que a previsão do tempo, a biblioteca online e os cursos são alguns dos serviços oferecidos pelo instituto, que este ano completa cem anos.

MAZZINI, Maria Augusta do Val. Construa sua própria estação meteorológica. Revista de Ensino de Ciências, n. 6, p. 44 – 56, jul. 1982. Disponível em: <http://www.cienciamao.if.usp. br/dados/rec/_construaasuapropriaestac.arquivo.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2009.

Acessando o endereço eletrônico anterior, você verá um precioso material sobre a construção de um pluviômetro e de uma completa estação meteorológica, que pode ser feita com base nas sugestões contidas no artigo Construa sua própria estação meteorológica.

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Resumo

Nesta aula, conhecemos algumas sugestões metodológicas que podemos recorrer para promover o ensino de clima. Em linhas gerais, essas sugestões podem ser classificadas em dois grupos: o primeiro reúne atividades relativas à geração de dados primários e se baseiam na observação regular de fenômenos atmosféricos, como a velocidade do vento, a nebulosidade, a temperatura do ar

e a pluviosidade. Já no segundo grupo, temos como guia metodológico o uso

de fontes secundárias, como textos, documentos, relatórios e filmes, que foram apresentadas como balizares para o ensino dos temas aquecimento global e desertificação. Também instigamos a construção de uma estação meteorológica e

a elaboração de climogramas. Ambas as estratégias pressupõem o envolvimento

de professores e alunos em projetos cujos resultados são alcançados em médio e longo prazo, condições indispensáveis para quem pensa grande! Bom trabalho!

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Autoavaliação

Como vimos, o climograma é uma forma gráfica de representação do clima, permitindo a comparação entre variáveis, como precipitação e temperatura. Neste exercício, você irá pesquisar informações sobre precipitações e temperaturas médias em sua cidade ou estado, correspondentes ao período de um ano. Construa um climograma representando graficamente essas informações a partir da base sugerida a seguir. Comente as aplicações climograma representando graficamente essas informações a partir da base sugerida a seguir. Comente as aplicações desse exercício no âmbito do ensino de Geografia nos níveis fundamental e médio.

Climograma

Local:

Período:

níveis fundamental e médio. Climograma Local: Período: Climograma Os intervalos sugeridos para as médias de

Climograma

Os intervalos sugeridos para as médias de temperatura e de precipitação podem ser redimensionados de acordo com os valores que serão representados.

Precipitação (mm) Temperatura (°C ) 350 40 325 38 300 36 275 34 250 32
Precipitação (mm)
Temperatura (°C )
350
40
325
38
300
36
275
34
250
32
225
30
200
28
175
26
150
24
125
22
100
20
75
18
50
16
25
14
mm
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
°C

Visite bibliotecas públicas, instituições governamentais e não governamentais (ONG) para realizar um levantamento sobre as fontes disponíveis em seu município sobre o tema desertificação. Comente os resultados de sua pesquisa e as aplicações desse exercício no âmbito do ensino de Geografia nos níveis fundamental e médio.Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez °C Aula 5 Instrumentação

Aula 5

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Referências

ARAUJO, Sandra Kelly de. Seridó encantado: promovendo o ensino de geografia numa perspectiva local. In: DANTAS, Eugênia; BURTI, Iranilson. Metodologia do ensino e da pesquisa: caminhos de investigação. João Pessoa: Idéia; Campina Grande: EDUFCG, 2008.

AZEVEDO, Tarik Rezende. Técnicas de campo e laboratório em climatologia. In: VENTURI, Antonio B. (Org.). Praticando geografia: técnicas de campo e laboratório. São Paulo: Oficina de Textos, 2005.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Atlas das Áreas susceptíveis à desertificação no Brasil. Brasília: MMA, 2007.

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Agenda 21: Conferência das nações unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento. 2. ed. Brasília:

Senado Federal; Subsecretaria de edições técnicas, 1997

MAZZINI, Maria Augusta do Val. Construa sua própria estação meteorológica. Revista de Ensino de Ciências, n. 6, p. 44 – 56, jul. 1982. Disponível em: <http://www.cienciamao.if.usp. br/dados/rec/_construaasuapropriaestac.arquivo.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2009.

Anotações

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Anotações

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Promovendo o ensino do clima III

Aula

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Apresentação

N as Aulas 4 (Promovendo o ensino do clima I) e 5 (Promovendo o ensino do clima

II), pudemos conhecer algumas sugestões metodológicas que podemos utilizar para

promover o ensino de clima. Em linhas gerais, essas sugestões podem ser classificadas

em dois grupos: o primeiro reúne atividades relativas à geração de dados primários e se baseiam na observação regular de fenômenos atmosféricos, como a velocidade do vento, a nebulosidade, a temperatura do ar e a pluviosidade. Já no segundo grupo, temos como guia metodológico o uso de fontes secundárias, como textos, documentos, relatórios e filmes, que foram apresentadas como balizares para o ensino dos temas como aquecimento global e desertificação.

Vale a pena relembrar as orientações dadas na Aula 1 (Com o Mundo nas Mãos): o uso dessa ou daquela metodologia, desse ou daquele recurso deve se adequar ao objetivo que se pretende alcançar, bem como sua disponibilidade. No mais, destacamos as indicações dos sítios na internet que foram sugeridos nas aulas anteriores. Eles reúnem importantes informações que podem apoiar nossa atividade docente.

Agora, nesta terceira aula sobre o clima e ensino de Geografia, argumentaremos em favor da adoção da sabedoria popular como referencial para ensino/estudo do clima. Na segunda parte da aula, nossas sugestões se dirigem às estações meteorológicas/climatológicas – campo para aulas práticas relativas ao estudo do clima.

Objetivos

para aulas práticas relativas ao estudo do clima. Objetivos Utilizar explicações da sabedoria popular na promoção

Utilizar explicações da sabedoria popular na promoção do ensino de clima.para aulas práticas relativas ao estudo do clima. Objetivos Fazer uso de vistas a estações meteorológicas

Fazer uso de vistas a estações meteorológicas como recurso didático ao ensino de clima.da sabedoria popular na promoção do ensino de clima. Aula 6 Instrumentação para o Ensino de

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Lições de sabedoria popular

T udo na natureza é regularidade. Seus ciclos, fenômenos, ritmos têm sido historicamente observados e guiados para a sobrevivência humana na Terra. Entretanto, nessa fase tardia do capitalismo impera nosso afastamento do conhecimento popular, de sua sabedoria.

Em artigo que escrevemos sobre o ensino de Geografia sob bases locais, argumentamos acerca do distanciamento ou ausência de códigos conceituais e metodológicos capazes de interpretar o meio ambiente, na medida em que se consolida a transição da função produtor para consumidor em áreas periféricas do sistema capitalista (ARAÚJO, 2008).

áreas periféricas do sistema capitalista (ARAÚJO, 2008). A natureza me disse Este livro apresenta um conjunto

A natureza me disse

Este livro apresenta um conjunto de conhecimentos sistematizados por Francisco Lucas da Silva, pescador agricultor que mora na comunidade de Areia Branca, margem da lagoa de Piató, Assu/ RN. Você pode reler esses trechos em Almeida e Cencig (2008, p. 34-41).

Curimatã

Prochilodus brevis Steindacheneré o nome científico do curimatã comum, peixe encontrado em nossos açudes, represas e rios.

Assim, a despeito das orientações teóricas que apontam a promoção do lugar como base de resistência aos processos de homogenização cultural, o ensino de Geografia continua preso a generalidades e conceitos vagos com pouca ou nenhuma vinculação com o espaço vivido ou com o cotidiano. Diante disso, propomos nesta aula tomarmos como protagonistas do conhecimento agricultores, pescadores, ribeirinhos, índios para compartilhar suas leituras da natureza, em especial dos temas relativos ao clima. Com isso, queremos responder a esta pergunta: é possível ensinar/estudar clima aliado à sabedoria popular ou a populações tradicionais? Atentem para estes exemplos, do livro A natureza me disse, por Francisco Lucas da Silva, o Chico Lucas:

Catingueira – quando a catingueira está esperando um bom inverno, ela chora uma resina do caule dela mesma.

Juazeiro – no final do ano, se ao meio-dia garoar, é claro e evidente que o inverno está próximo. Quando ele [o juazeiro] está bem enramado, por volta de dezembro,

e a gente chega na sombra dele de doze horas do dia, a gente sente que ele está

garoando. É sinal de bom inverno. Agora, o juazeiro não está mais enramando em dezembro, por quê? Por conta da mudança climática que houve. O lençol freático não está contribuindo para que a raiz dele capture aquela água.

Curimatã - a experiência do pescador, para saber se vai chover, é a curimatã ovar. No ano que é mau, ela só ova, aqui e acolá, uma vez por ano. E só de um lado. No ano que ela está esperando uma enchente grande, então ela ova os dois lados. As duas laterais dela ficam bem ovadinhas. A mesma coisa acontece com

o peixe coró.

Formiga - Ela [formiga] faz uma barragem quando está esperando chuva. É para

a água da chuva não correr para dentro da casa dela. No verão, ela faz a morada dela, mas não faz essa barragem em volta. Na barragem tem até um desnível

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para a água da chuva não entupir a morada dela. É mais inteligente que aquele pessoal da periferia que mora na beira do rio, lá em Natal [RN]. Eles constroem aquelas casas, mas se fossem a formiga, não construíam, pois sabiam que o rio ia e carregava.

não construíam, pois sabiam que o rio ia e carregava. Figura 1 – Lamparina Vento na

Figura 1 – Lamparina

Vento na lamparina – Meu tio tinha uma experiência – a do tamborete. Ele disse que de quatro horas da manhã, ele bota um tamborete lá no fim do terreiro. Aí ele traz um farol – uma lamparina acesa, e bota lá. Aí ele pastora, fica olhando. Se não tiver ventania, ele espera. Só sai de lá quando sair qualquer raia de vento pra açoitar a fumaça. Se a fumaça for do nascente, quer dizer que está ventando no poente. Nesse caso, se espera inverno. Quer dizer, se a fumaça for norte, esperamos inverno; se for sul, nada de inverno.

Dia 20 de março – Por que o nordestino espera o inverno até o dia 20 de março? Porque o sol no dia 20 de março cai na linha do Equador e vai governar seis meses no Polo Norte, que é uma parte do planeta que tem influência justamente no inverno. No dia 20 de setembro, ele está de volta à linha do Equador e vai passar seis meses no Polo Sul, que é para no dia 20 de março estar de volta na linha do Equador.

para no dia 20 de março estar de volta na linha do Equador. Dia 20 de

Dia 20 de março

Dia 21 de março – Equinócio de outono no

Hemisfério Sul.

Dia 20 de setembro

Dia 22 de setembro – Equinócio de primavera no Hemisfério Sul.

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Equinócio de Primavera 22/set Solstício de Solstício de Verão Inverno 22/dez 20/junho Trópico de Câncer
Equinócio de
Primavera
22/set
Solstício de
Solstício de
Verão
Inverno
22/dez
20/junho
Trópico de
Câncer
Trópico de
Capricórnio
Equador
Equinócio de
Outono
20/mar
Figura 2 – Equinócios e Solstícios
Atividade 1 Entreviste pessoas de sua cidade que são portadoras de conhecimento sobre a natureza,
Atividade 1
Entreviste pessoas de sua cidade que são portadoras de conhecimento sobre
a natureza, em especial sobre o clima. Em muitos lugares eles são chamados
“profetas”, observadores atentos aos sinais da natureza que preveem a ocorrência
de chuvas ou seca.
Nosso objetivo é conhecer quais são as evidências que a natureza mostra para
guiá-los em suas previsões. Transcreva as respostas que você obteve e faça
analogias com os conteúdos das disciplinas que você já estudou em seu curso.
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Ao estudar o clima local, sugerimos que essa atividade seja aplicada com seus alunos do Ensino Fundamental e Médio. Promover uma roda de conversa, uma entrevista coletiva, um bate papo, um documentário proporcionará uma boa oportunidade de aproximar pessoas da comunidade da escola, valorizando o conhecimento que é portador.

Visitando uma estação meteorológica

Estação meteorológica é um local onde são realizadas coletas de dados do tempo meteorológico por meio de instrumentos próprios, tais como o heliógrafo, o hidrômetro ou o anemômetro, utilizados para a previsão do tempo.

O Instituto Nacional de Meteorologia é o órgão do Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento responsável por prover informações meteorológicas através do monitoramento, análise e previsão do tempo e clima.

Criado em 1909, o INMET tem uma rede de estações meteorológicas distribuída por todo país. Nossa sugestão é que você e seus alunos visitem uma dessas estações e conheçam o trabalho lá desenvolvido, os instrumentos de coleta de informações meteorológicas, seus usos, sistemática da observação e coleta, integração com as demais estações etc. Certamente, após essa visita, seus alunos terão uma visão mais ampliada sobre esse assunto.

Vejamos as cidades que possuem as estações meteorológicas convencionais do INMET no Nordeste. Certamente, há uma perto de você:

Aula 6

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Alagoas: Água Branca, Maceió, Palmeira dos Índios, Pão de Açúcar e Porto de Pedras.

Bahia: Barra, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Caetite, Canavieiras, Caravelas, Carinhanha, Cipó, Correntina, Cruz das Almas, Feira de Santana, Guaratinga, Irecê, Itaberaba, Itiruçu (Jaguaquara), Ituaçu, Jacobina, Lençois, Monte Santo, Morro do Chapéu, Paulo Afonso, Remanso, Salvador, Senhor do Bonfim, Serrinha, Santa Rita de Cássia e Vitória da Conquista.

Ceará: Acarau, Barbalha, Campos Sales, Crateús, Fortaleza, Guaramiranga, Iguatu, Jaguaruana, Quixaramobim, Sobral e Taua.

Maranhão: Bacabal, Balsas, Barra do Corda, Caxias, Chapadinha, Imperatriz e Zé Doca.

Paraíba: Areia, Camaratuba, Campina Grande, João Pessoa, Monteiro, Patos e São Gonçalo.

Pernambuco: Arco verde, Cabrobó, Garanhuns, Morada Nova, Ouricuri, Petrolina, Recife, Surubim e Triunfo.

Piauí: Bom Jesus do Piauí, Caracol, Floriano, Parnaíba, Paulistana, Picos, Piripiri, São João do Piauí e Teresina.

Rio Grande do Norte: Apodi, Ceará-Mirim, Cruzeta, Florânia, Macau, Natal e Seridó (Estação Ecológica do Seridó, Serra Negra do Norte).

Sergipe: Própria.

do Seridó, Serra Negra do Norte). Sergipe : Própria. Funciona o ambiente Clicando no balão ou

Funciona o ambiente

Clicando no balão ou nas estações da barra de rolagem, você visualiza os dados mais recentes coletados na estação escolhida.

No endereço eletrônico do INMET, na página de Monitoramento das Estações Convencionais, você ainda tem acesso aos dados mais recentes coletados nessas estações, em tempo quase real. Veja como funciona o ambiente:

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Aula 6

Instrumentação para o Ensino de Geografia I

Figura 3 – Rede de estações INMET Fonte: <http://www.inmet.gov.br/sim/sonabra/convencionais.php>. Acesso

Figura 3 – Rede de estações INMET

Fonte: <http://www.inmet.gov.br/sim/sonabra/convencionais.php>. Acesso em: 22 maio 2009.

O que você encontrará numa estação meteorológica

Estes são alguns instrumentos que você encontrará numa estação meteorológica: