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4. - HIDROSTÁTICA

4.1 - Introdução

A hidrostática é uma parte da Hidráulica que estuda os líquidos em equilíbrio. Essa divisão é puramente para efeitos didáticos, já que na maioria das vezes os problemas a serem resolvidos decorrem do movimento dos líquidos, onde os princípios decorrentes da hidrostática são aplicados.

Na Hidrostática, trataremos dos conceitos de pressão e suas unidades, tensão cisalhante, variação da pressão nos líquidos, superfície de nível, escalas de pressão, pressão atmosférica, medidores de pressão, esforços sobre superfícies planas e curvas submersas nos líquidos e casos de aplicação destes conceitos.

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4.2 – Pressão, Tensão Cisalhante e suas Unidades

Neste item serão estudados conceitos importantes que estarão presentes no estudo do escoamento dos líquidos.

4.2.1 – Conceito de pressão

Para introduzir o conceito de pressão, vamos imaginar uma porção definida de fluido, encerrado em um volume V, definido por uma superfície A. Dessa superfície, destaca-se uma pequena porção de área A, sobre a qual atua a força F , resultante de todas as forças de contato exercidas pelo fluido de massa específica ρ sobre A, conforme ilustra a figura seguinte.

r

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas 4.2 – Pressão, Tensão Cisalhante

Fig. 01 – Forças devida ao fluido que atua sobre uma área A, parte da superfície A que define o volume de fluido V.

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Seja

r

F

n

r

a força componente do vetor F

sobre a direção da normal

à área A, cujo módulo (intensidade), denominaremos de

F .

n

De

maneira análoga, seja

r

F

t

r

a componente do vetor F

sobre a direção da

tangente à área A, cujo módulo (intensidade) será denominado de

F .

t

É através das componentes

r

F

n

e

r

F

t

r

que determina-se a força F , o que é

possível caso sejam conhecidas

r

F

n

e

r

F

t

.

Componente Normal:

r

F

n

r

O módulo da componente normal da força F

pode ser relacionado

com a área A. Assim, a pressão sobre a área A é definida como sendo a relação entre a força normal que age sobre a área A e essa área, representada por:

p =

F

n

A

Muitas das vezes a pressão pode variar conforme a área escolhida, o que torna a relação acima a pressão média nessa área. Por isso torna-se necessário melhorar a definição anterior, de forma a definir a pressão em torno de uma área muito pequena ou a pressão em torno de um ponto. Passando à condição limite de se ter essa relação calculada sobre uma área muito pequena, teremos:

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p = lim

A

0

F

n

A

Assim, a pressão sobre uma área é definida como o limite da relação entre a força normal e a área na qual ela age, quando esta área tender para zero. Na prática, este limite pode ser calculado através da derivada de F n em relação a A, resultando em:

p =

dF

n

dA

Então a pressão sobre uma determinada área pode ser calculada como a taxa de variação da força normal em relação à área A. Por outro

lado, o módulo da componente normal da força superfície A pode ser calculada por:

r

F

n

sobre toda a

dF

n

=

p dA

F

n

=

A

p dA

Dessa forma, fica determinado o módulo da componente normal, F n , sabendo-se, ainda, que ela tem a direção da normal à área considerada e sentido voltado para fora do volume V, estando aplicada no centro de gravidade de A.

A determinação da pressão que age sobre uma área é feita através de instrumentos apropriados, tornando relativamente simples a

determinação da componente

r

F

n

.

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4.2.2 – Conceito de Tensão Cisalhante

O conceito de tensão cisalhante ou tensão de cisalhamento nos escoamentos dos fluidos leva em consideração a componente da força sobre os fluidos na direção do escoamento, devida ao atrito existente entre as partículas envolvidas.

Componente Tangencial:

r

F

t

Uma relação interessante que aparece em muitos problemas decorrentes do escoamento dos fluidos é definida pela relação entre a força tangencial que age sobre a área A, denominada de tensão cisalhante e representada por:

=

F t

A

Na verdade, a tensão cisalhante calculada dessa maneira é um valor médio na área A, já que F t pode variar conforme o A escolhido. Então é preciso definir a tensão cisalhante sobre uma área bem menor, que se distribui em torno de um ponto, passando à condição limite de se ter essa relação calculada sobre uma área muito pequena, de forma que:

=

lim

A

0

F t

A

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Assim,

a tensão cisalhante sobre uma área é definida como

o

limite da relação entre a força tangencial e a área na qual ela age,

quando esta área tender para zero. Na prática,

este limite pode ser

calculado através da derivada de F t em relação a A, o que resulta em:

 

=

dF t

 
 

dA

Dize-se,

nesse caso, que

a tensão cisalhante expressa a taxa

de

variação de F t com a área A.

foi

visto anteriormente a lei

de Newton da viscosidade que

estabelece que no caso de um fluido em escoamento, essa tensão

cisalhante poderá ser calculada pela expressão:

 

du

 

=

 

dy

onde µ é a viscosidade do fluido e

du é o gradiente de velocidade para o

dy

escoamento. Desta forma é possível calcular a componente tangencial da força exercida pelo fluido sobre dA, combinando-se estas duas equações. A intensidade da componente tangencial da força F sobre toda a superfície A pode ser calculada por:

dF

t

=
=

dA

F

t

=

A

dA

Conforme viso acima, fica determinado o módulo da componente tangencial F t , sabendo que ela tem a direção da tangente à área e

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sentido contrário ao do movimento do fluido, estando aplicada no centro de gravidade de A.

A tensão cisalhante tem as mesmas unidades de pressão que serão vistas a seguir.

4.2.3 – Unidades de pressão e tensão cisalhante

Em qualquer sistema de unidades, dito coerente, a relação que prevalece entre as grandezas físicas também prevalece entre as suas unidades. Portanto a unidade de pressão será definida por:

U

(

p

) =

U

(

F

n

)

U

(

A

)

Assim, no Sistema Internacional de Unidades, pressão será:

a

unidade de

U

(

p

) =

U

(

F

n

)

N

=

U

(

A

)

2

m

=

pascal

=

Pa

Tal unidade foi denominada de pascal, tendo sido simbolizada por Pa. Como se trata de uma unidade muito pequena, nos problemas que aparece na engenharia, costuma-se medir a pressão em hPa, kPa ou

MPa, onde 1 hPa equivale a 100 Pa, 1 kPa equivale a 1.000 Pa e 1 MPa

equivale a 1.000.000 Pa, respectivamente.

isto

é,

10 2

Pa,

10 3

Pa

e

10 6

Pa,

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No Sistema de Unidades CGS, a unidade de pressão recebeu o nome de bária, tendo sido definida da seguinte maneira:

U

(

p

) =

U

(

F

n

)

dina

=

U

(

A

)

2

cm

= bária

Essa é a unidade preferida dos profissionais que lidam com

quantidades

muito

pequenas,

como

os

químicos ou engenheiros

químicos.

No Sistema Inglês de Unidades, a unidade de pressão é definida

por:

U

(

p

) =

U

(

F

n

)

poundal

pdl

=

=

U

(

A

)

ft

2

ft

2

Tal unidade é muito pouco conhecida, quase não sendo usada na atualidade.

No Sistema Técnico de definida como sendo:

Unidades, a unidade

de pressão

foi

U

(

p

) =

U

(

F

n

)

kgf

=

U

(

A

)

2

m

Esta unidade não recebeu nenhum nome em especial, estando atualmente em desuso. É usual encontrar medidores de pressão que

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apresentam suas escalas graduadas em um múltiplo dessa unidade,

denominada kgf/cm 2 , de forma que:

1

kgf

2

cm

=

10.000

kgf

2

m

No Sistema Inglês Técnico de Unidades, a unidade de pressão é a lbf/ft 2 , sem nenhum nome em especial e definida por:

U

(

p

) =

U

(

F

n

)

lbf

=

U

(

A

)

ft

2

Apesar de todas essas unidades pertencentes a sistemas coerentes de unidades, outras unidades de pressão são utilizadas, ainda nos dias de hoje. Dentre estas, destacamos a lbf/pol 2 ou psi, o Bar, a atmosfera padrão (atp), o mm de mercúrio ou Torricelli (Torr) e o metro de coluna de água (mca).

A unidade de pressão psi (pound per square inch) é o nome dado à lbf/pol 2 , muito utilizada nos paises da América do Norte e em equipamentos usuais de medida de pressão no Brasil. Esse é o caso de se medir a pressão nos pneus dos veículos pelos equipamentos existentes nas oficinas e nos postos de gasolina. Nesses equipamentos existem, em geral, duas escalas de pressão, uma em a lbf/pol 2 e outra em kgf/cml 2 ou Bar. Sabe-se que:

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1

psi =

1

lbf

0,4536 kgf

=

pol

2

2,54

2

2

cm

= 0,070308

kgf

2

cm

ou

1

kgf

2

cm

=

14,2231

lbf

pol

2

=

14,2231

psi

Sabe-se,

também, que

1

Bar

equivale

a

1.000.000 bária ou

100.000 Pa. Mas, para medidas de pressões que não sejam relativamente grandes, é usual encontrar a unidade mBar equivalente a

0,001 Bar ou 100 Pa. Assim, tem-se que:

1 Bar = 1.000 mBar 1 mBar = 0,001 Bar ou 1 mBar = 100 Pa ou que 1 mBar = 1 hPa.

A unidade mm de mercúrio (mm Hg) na verdade não é uma

unidade de pressão e

sim uma unidade de comprimento em um

dispositivo cheio de mercúrio metálico a 0 ºC. Ela representa a pressão

equivalente ao deslocamento da coluna de mercúrio a ºC

correspondente a 1 mm. Mas, por ser muito usada, acabamos dizendo que se trata de uma unidade de pressão. Ao medir a pressão arterial em um paciente, os médicos informam que a pressão é 12 por 8, medida em aparelhos analógicos, quando o paciente está bem. Isso significa, na verdade, que a pressão mais elevada é de 12 cm de mercúrio a 0 ºC e

que a menor pressão é de 8 cm de mercúrio a 0 ºC. Às

vezes os

aparelhos

indicam 120 mm Hg por 80 mm Hg, como é comum nos

equipamentos digitais de medida da pressão arterial. O maior valor diz

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respeito à pressão diastólica (quando o coração está realizando um esforço para bombear o sangue para o resto do corpo) e o menor valor diz respeito à pressão sistólica (quando o coração está admitindo sangue para ser bombeado).

A conversão desta unidade pode ser feita da seguinte maneira:

1 mm Hg 13.595,1 kg.m -3 .9,80665 m.s -2 .0,001 m = 133,3224 Pa ou 1 mm Hg 1,333224 mBar

A unidade metro de coluna de água (mca), também não é exatamente uma unidade de pressão. Na realidade ela expressa uma pressão equivalente à pressão relativa a uma coluna de água a 4 ºC que possui uma altura exata de 1,0 metro. Assim 1 mca equivale a 9.806,65 Pa.

Exemplos:

Pressão atmosférica ao nível do mar nas condições normais de temperatura e pressão: 760 mm Hg equivalentes a 101.325,0 Pa.

Pressão atmosférica em Ouro Preto, no Laboratório de Hidráulica no Campus do Morro do Cruzeiro: 657,3 mm Hg equivalentes a 87.600 Pa.

Pressão

de

vapor

do

mercúrio

a

20

ºC:

0,0013

mm

Hg

equivalentes a 0,17 Pa Pressão no interior do pneu de um carro: 30 psi = 206.846,2 Pa

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4.3 – Empuxo

O empuxo sobre um corpo mergulhado no interior de um fluido é uma força decorrente da ação da pressão do fluido sobre toda a superfície do corpo, visto que essa pressão varia conforme a posição que se considera para a área do corpo. Quando o corpo estiver em equilíbrio, o empuxo devido ao fluido é uma força vertical, de baixo para cima, igual ao peso do volume de fluido deslocado pelo corpo. Isso se deve ao fato de que a força resultante das pressões sobre a superfície

do corpo ter uma resultante vertical e voltada para cima.

Seja o corpo inteiramente mergulhado no interior de um líquido de massa específica ρ, conforme mostra a figura seguinte.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas 4.3 – Empuxo O empuxo

Fig. 02 – Corpo mergulhado no interior de um líquido, sujeito a forças decorrentes da pressão em cada elemento de área.

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Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas Fig. 02 – Empuxo sobre

Fig. 02 – Empuxo sobre um corpo flutuante, totalmente imerso e imerso e no fundo de um recipiente contendo um líquido.

Sobre o corpo, em cada elemento de área, estará agindo uma força devida à pressão do líquido, de intensidade crescente à medida em que a profundidade aumenta e sempre perpendicular à superfície do corpo. As componentes das forças voltadas para baixo são menores que as que estão voltadas para cima. A resultante das componentes verticais resulta em uma força, E, vertical, voltada para cima, denominada de empuxo do fluido sobre o corpo. As componentes horizontais das forças devidas à pressão devem se anular, se o corpo estiver em equilíbrio. Caso contrário, originam forças que tendem a girar o corpo.

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Nesse caso,

é possível demonstrar

que

o empuxo

pode ser

calculado da seguinte forma:.

E =

A

p dA =

gV

ol

= V

ol

No caso do corpo flutuante:

P – E = 0

P = E

P = mg e E = .V i , com V i igual ao volume da parte do corpo que está imerso no fluido. Como P = c .V c , chega-se à relação: c .V c = .V i , V i = c / . V c .

No caso do corpo estar completamente imerso no fluido, porém em equilíbrio no meio da massa fluida, tem-se:

P – E = 0

P = E

Sendo P = mg e E = .V ol , onde V ol é o volume do corpo, pode-se escrever que:

P = c .V ol

c .V ol = .V ol c . = . Conclui-se que o corpo

somente ficará em equilíbrio quando o seu peso específico for igual ao peso específico do líquido.

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No caso do corpo estar em equilíbrio completamente imerso no fluido e no fundo do recipiente, aparecerá uma outra força vertical, N, agindo sobre o corpo. Esta força N recebe o nome de peso aparente, podendo-se escrever:

P – E - N = 0

N = P - E

Sendo P = mg = c .V ol

e E = .V ol , onde V ol é o volume do

corpo, pode-se escrever que o peso aparente será dado por:

N = ( c .- )V ol .

4.4 – Variação da Pressão nos Fluidos

A pressão varia no interior dos fluidos. Nesse item tratar-se-á do estudo da variação da pressão no interior de um fluido de massa específica .

4.4.1 – Princípio de Pascal

Foi visto que a pressão em torno de um ponto é o limite da relação entre a força normal e a área na qual a força age, quando esta área tende para zero em torno do ponto. Princípio de Pascal estabelece que:

Em qualquer

ponto

no

interior

de

um

fluido

em

repouso, a pressão é a mesma em todas as direções.

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Isso significa que num elemento de área dA submerso em um fluido, construído em torno de um ponto, e que possa girar livremente em torno do seu centro, agirá sempre uma força de mesma intensidade, independentemente da orientação da área elementar.

A demonstração desta lei pode ser feita admitindo-se um pequeno corpo em forma de paralelepípedo de seção triangular e lados infinitesimais, dx, dy e ds, de comprimento unitário, imerso no interior de um fluido de massa específica ρ, conforme esquematizado na figura seguinte.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas Isso significa que num elemento

Fig. 03 – Paralelepípedo infinitesimal de fluido e as forças devidas ‘a pressão nas suas faces.

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Da trigonometria pode-se escrever que:

sen

=

dy

ds

e

cos

dx

=

ds

Para

que

o

paralelepípedo

de

fluido esteja em equilíbrio é

necessário que a soma de todas as forças que agem sobre ele seja

nula. Considerando-se, por simplicidade, apenas as duas direções Ox e Ou, pode-se escrever:

F

x

= 0

p

x

.

dy

.1

p

s

.

ds

.1.

sen

= 0

F

y

= 0

p

y

.

dx

.1

p

s

.

ds

.1.cos

.

g dx dy

.

.

/ 2 = 0

Como dy = ds.sen

, da primeira equação resulta

p

x

= p

s

. Da segunda

equação, lembrando que dx = ds.cos e que ao se somarem infinitésimos

podemos desprezar os de ordem superior, obteremos

p

y

= p

s

. Assim,

p

x

= p

y

= p

s

, isto é, a pressão em torno de um ponto é a mesma em

qualquer direção quando o fluido se encontra em repouso. Embora a demonstração tenha considerado apenas duas dimensões, ela poderia ser demonstrada no caso tridimensional, considerando-se um tetraedro de fluido, com um pouco mais de esforço matemático.

4.4.2 – Equação Fundamental da Hidrostática

Para fins de estudo sobre a variação da pressão no interior dos fluidos, vamos considerar um paralelepípedo de fluido, de lados dx, dy e dz, de volume dVol, cheio de um fluido de massa específica ρ, tudo

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referenciado a um referencial cartesiano tri-ortogonal, Oxyz, conforme esquematizado na figura seguinte.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas referenciado a um referencial cartesiano

Fig. 04 – Paralelepípedo de fluido de massa específica ρ.

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O paralelepípedo de fluido mostrado possui lados

dx,

dy

e

dz,

sendo o ponto P de coordenadas x, y e z um dos seus vértices e o ponto

, de coordenadas , e , o outro vértice oposto.

Com isto, P

(x,y,z) e

(x´,y´,z´), com x´ = x + dx, y´ = y + dy e

z´ = z + dz. O volume de fluido no paralelepípedo é: dV = dx.dy.dz. A massa de fluido contida em dV é: dm = ρ.dV = ρ.dx.dy.dz. O peso do fluido contido em dV é: dP = ρ.g.dV.

Suponhamos que no ponto P a pressão seja p e que no ponto a pressão seja , diferente de p. Como pode-se escrever que p´ = p + dp, deseja-se calcular a variação elementar de pressão, dp, ocorrida ao se variar a posição no interior do fluido, de P até , através de um deslocamento infinitesimal. Para simplicidade das equações a serem obtidas, considerar-se-á que a aceleração da gravidade seja um vetor paralelo ao eixo Oz que está voltado para cima.

Para

que

a massa

de fluido dm esteja em equilíbrio, torna-se

necessário que a soma de todas as forças presente seja nula.

Logo,

Ao longo do eixo Ox:

p dy dz

.

.

F

x

=

0

p . dy . dz

p dy dz

.

.

p

x

p +

dx dy dz = 0

.

.

p

x

dx

dy dz

.

= 0

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Então,

p

x

= 0

.

Assim, pressão não varia ao longo de direções paralelas ao eixo Ox, isto é, a pressão p não varia com x.

 

Ao longo do eixo Oy:

F

=

0

Logo,

 

y

Então,

p dx dz

.

.

 

p dx dz

.

.

 

p dx dz

.

.

p

y

p

+

dx dy dz

.

p

y

dy

= 0

.

dx dz

.

= 0

p

y

= 0

Assim, pressão não varia ao longo de direções paralelas ao eixo Oy, isto é, a pressão p não varia com y.

Como

p

x

= 0 e

p

y

= 0

, conclui-se que a pressão não varia ao longo do

plano xOy

ou

de planos

paralelos a xOy.

Como

o

plano

xOy

é

perpendicular a Oz, que é vertical, por hipótese, conclui-se que a pressão não varia ao longo de um plano horizontal de um mesmo fluido

em repouso. Tal conclusão é de suma importância no estudo dos fluidos

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em repouso, pois define a igualdade das pressões o longo de uma superfície de nível.

Ao longo de uma mesma superfície de nível de um mesmo fluido em repouso, a pressão não varia.

Essa conclusão, juntamente com mais algumas observações leva ao princípio dos vasos comunicantes, permite a marcação de pontos em uma mesma horizontal, procedimento conhecido como nivelamento.

Resta, agora, obter a lei de variação da pressão ao longo do eixo Oz. Como

F

z

=

0

p dx dy

.

.

p

+

p

z

dz

dx dy

.

dP

= 0

,

onde dP é a componente do peso do fluido contido no paralelepípedo,

segundo o eixo Oz.

O

sinal

negativo

decorre

do

fato

de

que

a

aceleração da gravidade estar voltada para baixo e o eixo Oz estar voltado para cima. Lembrando que dP = ρ.g.dV e que dV = dx.dy.dz, teremos:

Logo,

p dx dy

.

.

pdx dy

.

p

z

dx dy dz

.

.

.

g dx dy dz

.

.

.

= 0

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p

z

=

g

=

Tal conclusão, diz que a taxa de variação da pressão ao longo do eixo Oz vale menos o peso específico do fluido. Lembrando que p não varia com x e nem com y, portanto somente variando com z, conclui-se que a derivada parcial da pressão com relação ao eixo z é igual à derivada total da mesma pressão com relação ao mesmo eixo z, isto é,

 

p

dp

=

z

dz

Finalmente, pode-se escrever que:

dp

 

=

g =

dz

.

Esta expressão é a equação diferencial fundamental da hidrostática e vale sempre que tivermos o eixo Oz paralelo ao vetor aceleração da gravidade. É através dela que são resolvidos todos os problemas de variação de pressão no interior dos fluidos em repouso, sendo chamada de lei da variação hidrostática da pressão. Mais tarde será visto como equacionar a variação da pressão quando o fluido estiver escoando na presença de gradientes de velocidade.

Partindo da equação fundamental da hidrostática, é possível calcular a diferença de pressão quando o deslocamento no interior do

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fluido deixar de ser infinitesimal, por integração, conforme disposto a seguir.

Como

dp = = . Logo, a variação de pressão entre dois pontos

dz

dp

dz

P e , agora em termos finitos, será calculada por integração:

dp

=

dz

p ´

p

dp

=

z´

z

(

)

dz .

Observar que para resolver a integral do segundo membro é necessário conhecer como varia com z. Mas, de qualquer forma, poderemos escrever que:

p

´

p

=

z ´

z

dz

ou

p
p

p

´ =

z ´

z

dz

Supondo maior que z, dz será positivo, assim como . Logo p será maior que , isto é, a pressão no ponto mais baixo é maior que a pressão no ponto mais elevado. Nesse caso adotaremos, a menos de aviso em contrário, que p – p´ = p, sendo p > 0 quando z < z´ e p < 0 quando z > z´. Finalmente podemos escrever que:

p

=

p
p

p

´ =

z ´

z

dz

Esta expressão representa a equação integral da variação da pressão no interior dos fluidos e será usada sempre que soubermos como realizar a integração presente no segundo membro.

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4.4.3 – Variação da pressão nos gases

No curso de Mecânica dos Fluidos é discutido como a pressão varia nos gases, através da solução da integral acima, em alguns casos conhecidos. Quando se admite que o fluido em repouso é um gás perfeito, a temperatura constante, a Lei de Boyle ensina que:

Logo,

p

p

0

=

= Cte .

0

=

p

p

0

0

,

substituindo esse resultado na equação diferencial da hidrostática, encontraremos:

dp

0

.

g

=

dz

p

p

0

.

A equação acima pode ser integrada de p o

até p e de z o

até

z para

fornecer

a expressão

da variação da

pressão em

um

gás

ideal,

à

temperatura constante:

o

g

(

z

z

o

)

p

=

p

0

.

e

p

o

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Outro caso conhecido de variação da pressão nos gases e que pode ser facilmente resolvido, é quando se admite que a atmosfera se comporte como um gás ideal e que existe um gradiente de temperatura constante, tal que T = T o + .z, onde T é a temperatura absoluta, T o é a temperatura média na superfície da terra, o gradiente de temperatura considerado constante e z a altitude onde se que avaliar a pressão atmosférica. Para a Troposfera (camada da atmosfera entre 0 e 11.019 m de altura) pode-se considerar = -0,0065 ºK/m, desde 288 ºK ao nível do mar (z o = 0) até 216,5 ºK (z = 11,019 m). Lembrar que a pressão atmosférica ao nível do mar, para fins de definição da atmosfera padrão, vale 101.325 Pa. Considerando a validade da equação dos gases ideais, pV = nR o T, onde R o é a constante universal dos gases (no caso R o = 8.313 N.m/kg/ºK) e que n = m/M, onde m é a massa de gás e M a sua massa molecular, teremos que p = RT, sendo = m/V e R = R o /M a constante específica do ar presente na atmosfera. Para o ar atmosférico é usual considerar R = 286,8 N.m/kg/ºK. Com as hipóteses acima, a integração da equação diferencial da hidrostática leva à seguinte equação para o cálculo da pressão atmosférica com a altitude:

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p

=

p

0

  

1+

T

o

z

  

g

R

4.4.4 – Variação da pressão nos líquidos No caso dos líquidos, considerados incompressíveis para a maioria dos propósitos, pode-se admitir que é constante. Assim, nas proximidades da superfície terrestre, considerando a aceleração da gravidade, g, constante, pode-se concluir que seja aproximadamente constante. Nesse caso, para dois pontos onde as pressões são p e e as cotas respectivamente z e , tem-se:

dp

=

Logo,

p

´

p

=

z ´

z

dz

dz p ´
dz
p
´

p ´

p

dp

=

z

z

´

dz

=

z´

z

dz

p

=

(

z

´

z

)

ou

p

p´= (z´ z)

Admitindo que seja maior que z ( o ponto está mais alto que o ponto P) e denominando a diferença de cotas h = z´- z, profundidade do ponto P em relação ao ponto , ter-se-á:

p = p´+

h

ou

p = p´+

gh

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Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas

Esta expressão,

que permite calcular

a pressão

em

um ponto

mais

baixo,

p,

à

partir

da

pressão no ponto

mais

alto,

,

e

de

h,

é

denominada de Lei de Stevin.

De outra forma, poderemos admitir que a diferença de pressão entre um ponto mais baixo e um ponto mais elevado no interior de um líquido será dada pela expressão .h, onde h é a diferença de profundidade entre os pontos. Esta diferença de pressão às vezes é denominada de pressão relativa, pois expressa o quanto a pressão em um ponto é maior que a de um ponto mais elevado dentro do líquido:

p

p´= h = p = p

rel

a) Caso da pressão entre dois pontos situados no interior de um líquido:

Caso de dois pontos no interior de um líquido de massa específica , conforme desenho esquemático na figura seguine.

A

expressão que relaciona a pressão entre os

pontos

1

e

2,

decorre da aplicação direta da Lei de Stevin, com h = z 2 – z 1 :

p

1

= p

2

+ gh = p

2

+ h

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Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas Fig. xxx- Variação da pressão

Fig. xxx- Variação da pressão no interior de um líquido.

A figura xx seguinte ilustra esse princípio de variação da pressão dentro de um líquido.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas Fig. xxx- Variação da pressão

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Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas

Fig. xxx- Variação da pressão entre dois pontos 1 e 2 no interior de um líquido.

b)

Caso

de

líquidos

com

superfície

livre

sujeita

à

pressão

atmosférica

 

Quando um líquido ocupa parcialmente um reservatório, automaticamente se estabelece uma superfície plana horizontal, na sua parte mais elevada, na qual a pressão é constante (superfície de nível). Quando esta superfície está em contato direto com o ar atmosférico (reservatório aberto), diz-se que a superfície é livre e que está sujeito à pressão atmosférica do local onde se encontra o líquido. No caso de reservatórios em que a superfície fica sujeita a uma pressão maior (ou menor) que a pressão atmosférica, diz-se que o reservatório é fechado, não possuindo uma superfície livre.

A atmosfera terrestre é formada por uma camada gasosa com espessura de cerca de 1.500 km, composta de uma mistura gasosa. Sabe-se que o nitrogênio constitui cerca de 78% da atmosfera, seguido pelos 21% do oxigênio e 1% de outros gases, tais como o argônio, dentre outros. Os gases possuem massa e, consequentemente um peso que exerce uma pressão sobre uma superfície com a qual estejam em contato. A relação entre o peso da camada gasosa em contato com a superfície e a área desta superfície é uma pressão denominada de pressão atmosférica. Apenas para efeito de exemplo, ao nível do mar e em condições normais, a pressão atmosférica é igual a 101.325 Pa,

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equivalente a altura de uma coluna de mercúrio metálico a 0 ºC de 760 mm.

Seja um ponto P, no interior de um líquido de massa específica , onde a pressão vale p. Este ponto se encontra a uma cota z em relação a um plano horizontal de referência. A superfície livre do líquido sujeita à pressão atmosférica se encontra a uma cota z atm . É óbvio que a profundidade do ponto P, estabelecida à partir da superfície livre do líquido é h = z atm – z, conforme mostra a figura seguinte.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas equivalente a altura de uma

Fig. xx – Variação da pressão no interior de um líquido cuja superfície está sujeita à

pressão atmosférica.

Pela lei de Stevin, pode-se escrever que:

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p

=

p

atm

+

gh

Como a pressão atmosférica tem um valor para cada ponto na superfície terrestre, a pressão p é dita pressão absoluta, pois considera a pressão devida à coluna gasosa da atmosfera e a pressão relativa à coluna de líquido de massa específica e altura h. Para se ter uma idéia, no Laboratório de Hidráulica do Departamento de Engenharia Civil da Escola de Minas, no Campus Universitário do Morro do Cruzeiro, essa pressão atmosférica vale aproximadamente 87.600 Pa, o que corresponde a exatos 657,3 mm de mercúrio. Se o líquido acima fosse água a 20 ºC, a pressão relativa à coluna de água correspondente a um h = 1,00 m seria de 9.789 Pa. Assim a pressão no ponto P, de uma caixa d´água instalada em Ouro Preto, seria de 97.389 Pa (notar que se trata de uma pressão absoluta). No entanto, a expressão acima pode ser escrita como:

p p = gh = p atm rel
p
p
=
gh = p
atm
rel

À diferença entre a pressão absoluta e a pressão atmosférica dá-se o nome de pressão relativa, pressão manométrica ou pressão efetiva, pois ela simplesmente informa a parcela da pressão que ultrapassa ou que está abaixo da pressão atmosférica. Nota-se, portanto, que a pressão em um ponto pode ser medida de duas maneiras: uma incluindo a pressão atmosférica e outra desconsiderando a pressão atmosférica. Em Hidráulica, assim como na engenharia de uma maneira geral,

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quando se trata de problemas relativos aos líquidos é costume falar apenas na pressão relativa. Quando se trata de problemas envolvendo os gases a pressão a ser considerada é a pressão absoluta.

Vê-se que

p

abs

p

atm

= p

rel

ou que

p = p + p . De agora em diante,

abs

atm

rel

denominaremos a pressão relativa apenas de p (p rel = p) e a pressão absoluta de p abs . Assim, as equações acima doravante serão escritas da seguinte forma:

p

abs

p

atm

=

p

ou que

p

abs

=

p

atm

+

p

, onde

p = p

rel

.

Sempre que for necessário escrever a pressão absoluta, deveremos chamar atenção para esse caso.

c) Escalas de Pressão Relativa e de Pressão Absoluta

A partir destas observações, é possível criar, então, duas escalas para a medida da pressão em um ponto: uma, a escala absoluta, e outra, a escala relativa. Na realidade as pressões poderiam ser expressas em relação a qualquer referência arbitrária. Todavia duas referências são usuais. Uma delas, a escala de pressão absoluta, expressa a diferença entre a pressão e o vácuo total. A outra, a pressão relativa, expressa a diferença entre a pressão e a pressão atmosférica, seja qual valor ela tiver. A figura seguinte ilustra as duas escalas.

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Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas Fig. xx – Desenho esquemático

Fig. xx – Desenho esquemático das escalas de pressão absoluta e de pressão relativa.

Na escala de pressões absoluta, o menor valor é zero. Nessa escala não existe pressão menor que zero. Isso significa que sobre uma dada área, a resultante de todas as forças normais é nula. Assim não é possível ter resultante negativa.

Na escala de pressões relativas, o zero corresponde à pressão atmosfera local, qualquer que seja o seu valor medida na outra escala, sendo as pressões maiores positivas e as menores negativas. Nesta escala pequenas pressões negativas são denominadas de vácuo parcial. Essas pressões ocorrem na tubulação de sucção de algumas instalações de bombeamento, como será visto posteriormente. Ainda

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nesta escala, a maior pressão negativa possível corresponde a –p atm . Esse é o vácuo total. Em Ouro Preto corresponderia a cerca de -87.600 Pa ou – 657,3 mm de Hg. Então, a título de ilustração, querer que uma bomba de vácuo faça um vácuo em um recipiente fechado igual a – 700 mm de Hg, em Ouro Preto, é ignorar tudo o que se considerou acima. Ao nível do mar isso é possível.

A medida da pressão nas escalas absoluta e relativa é análoga à medida da temperatura nas escalas absoluta (Kelvin) e Celcius (relativa). Sabe-se que T (K) = 273,154 + T (C) .

d) Pressão Expressa em Metro de Coluna de Líquido Pressão ainda pode ser expressa em altura de coluna de líquido. É muito usado falar em pressão expressa em metros de coluna de água (mca) ou mesmo milímetro de mercúrio (mm Hg). Na verdade o que se está fornecendo é a altura de uma coluna de água que, na sua base, desenvolveria uma pressão correspondente à pressão que se está medindo. O mesmo acontece com a pressão sendo expressa em milímetros de mercúrio (mm Hg). Como p = gh, temos que a relação

entre a pressão e o peso específico do fluido será:

p

p

=

g

= h. Esse

valor de h é informado como o valor da pressão. Porém, não podemos nos enganar sobre o que está sendo informado na realidade (relação pressão dividida pelo peso específico do fluido). No fundo do

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reservatório mostrado na figura xx, a pressão será p = h , com h sendo a profundidade do fundo do reservatório, medida em relação à superfície livre do líquido.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas reservatório mostrado na figura xx,

Fig. xx – Pressão expressa em altura de coluna de líquido: p / = h, sendo = .g.

e) Pressão com Líquidos Imiscíveis

Quando se tem dois líquidos imiscíveis, de massas específicas diferentes, 1 e 2, a pressão no fundo pode ser calculada diretamente com a lei de Stevin, aplicada aos dois fluidos, conforme figura xx a seguir.

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Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas Fig. xx – Pressão expressa

Fig. xx – Pressão expressa em altura de coluna de líquido para dois líquidos imiscíveis de

massa específica 1 e 2 , sendo

1

>

2 .

Nesse

caso

a

pressão

no fundo

do recipiente será dada

por

p =

1

h 1
h
1

+

2

h

2

.

4.5 – Exemplos de Aplicação:

Muitos são os exemplos de aplicação dos princípios vistos até aqui. Citaremos, a título de ilustração, apenas dois: a prensa hidráulica e os vasos comunicantes.

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4.5.1 – Prensa hidráulica

A prensa hidráulica é um dispositivo hidráulico que permite equilibrar grandes cargas, pela aplicação de pequenas forças sobre um êmbolo que encerra um líquido em um cilindro, conforme ilustra a figura xx a seguir. A força F 1 a ser aplicada em uma área A 1 é inferior à força F 2 aplicada em uma área A 2 , tal que A 2 > A 1 .

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas 4.5.1 – Prensa hidráulica A

Fig. xx – Esquema ilustrativo da prensa hidráulica.

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A ilustração seguinte sugere a possibilidade e se equilibrar um fusca sobre uma prensa hidráulica, com a aplicação de uma pequena força f.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas A ilustração seguinte sugere a

Fig. xx – Esquema do uso de uma prensa hidráulica.

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4.5.2 – Vasos Comunicantes

Uma consequência do teorema de Stevin é o princípio dos vasos comunicantes. Colocando-se um líquido em recipientes de forma e capacidade diferentes, interligados pela base por um conduto, ao se estabelecer o equilíbrio, a altura do líquido é a mesma em todos os recipientes. Isso se deve ao fato de que a pressão exercida por um dado líquido só depende da altura da coluna de líquido. Se as alturas fossem diferentes, as pressões na base seriam diferentes, produzindo um desequilíbrio.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas 4.5.2 – Vasos Comunicantes Uma

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A figura seguinte ilustra o princípio dos vasos comunicantes, visto que os reservatórios de diferentes formas estarem interligados pela base, fazendo com que os níveis do líquido nos diferentes reservatórios seja iguais.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas A figura seguinte ilustra o

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Aplicação interessante é o nivelamento realizado pelos pedreiros nas obras. Os pedreiros para marcar pontos em um mesmo nível utilizam de uma mangueira transparente cheia de água. Para verificar se o equipamento encontra-se funcional, o pedreiro junta as duas pontas para verificar se o nível nos dois ramos são iguais. Após isso, uma ponta fica junto ao nível de referência e a outra segue para um outro ponto. Quando o nível da primeira ponta se igualar ao nível que se quer transferir, sabe-se que o nível da água na outra ponta da mangueira define o nível no novo local. Assim este é marcado rigorosamente dizendo-se eu se transferiu o ponto. A técnica está ilustrada na figura seguinte.

Hidráulica I – Departamento de Engenharia Civil – Escola de Minas Aplicação interessante é o nivelamento

Fig. xx – Esquema da aplicação do princípio dos vasos comunicantes no nivelamento de pontos na construção civil.

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Texto preparado por Prof. Gilberto Queiroz da Silva Departamento de Engenharia Civil

Escola de Minas/UFOP

Agosto de 2011.

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