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A ARTE PARA EDFICIENTES MENTAIS

Arte-educação não serve apenas para inclusão social


Mariana Gallo
“A atividade artística não deve ser vista apenas como objeto de inclusão”, acredita Roberta
Puccetti, diretora da Faculdade de Artes da PUC de Campinas. Segundo ela, a inclusão do
deficiente físico através da arte ajuda não só no ambiente social, mas também no
desenvolvimento físico e psicológico do portador de necessidades especiais.
Ela explica que no trabalho em pintura e a cerâmica há o esforço físico e psicológico para que
o aluno conclua o trabalho. “Para o deficiente mental é um trabalho muito grande para se
chegar ao resultado final de um trabalho; esse esforço já é importante para ele”, explica.
Segundo ela, todo o trabalho de arte deve visar a qualidade, o desenvolvimento e os avanços
alcançados durante sua realização. “É muito ruim quando a pessoa vê o trabalho de um
deficiente e aplaude somente a ele, o que as pessoas tem que aplaudir é a evolução que ele
teve e a perspectiva e a qualidade com que ele fez o trabalho”, afirma.
A busca de conhecimentos para lidar com um deficiente dentro de sala de aula foi outra
questão levantada pela professora. Segundo Amanda Tojal, diretora de arte da Pinacoteca de
São Paulo, muitos profissionais saem das faculdades despreparados para receber um aluno
deficiente e por isso o ensino acaba prejudicado. “Hoje em dia é essencial que um aluno já sai
da faculdade sabendo como vai ensinar um aluno deficiente em sala de aula”, reforça.
Ainda segundo ela é necessário que as escolas busquem orientação para a questão. “É muito
importante que o professor e a escola busquem ajuda e orientação tanto de pais, quanto de
psicólogos e terapeutas para incluir o aluno de maneira que não o prejudique e sim que ele
evolua” explica.
Amanda também ressalta a importância dos educadores não só dentro da escola, mas também
nos espaços públicos de arte como museus e galerias de arte. Ela explica que é muito
importante ter educadores nesses locais, pois o educador é o elo inclusão entre o deficiente e a
arte. Um exemplo dessa inclusão dado pela a professora, é o projeto da Pinacoteca do Estado
de São Paulo que durante a visita dos deficientes, educadores dão aula de arte e reproduzem
obras para que sejam tocadas por deficientes visuais
Deficiente mental começa a ser incluído no trabalho
Karina Costa
A inclusão de pessoas com deficiência mental no mercado de trabalho deixou de ser discutida
apenas pelas entidades assistenciais. O assunto vem se tornado freqüente e, aos poucos,
fazendo parte de discussões de programas de políticas públicas do governo, empresas e
entidades de qualificação profissional.
De acordo com Carla Mauch, diretora do Instituto Paradigma que trabalha com deficientes, o
campo de qualificação profissional já está oferecendo oportunidades para pessoas com
deficiência mental. Exemplo disso, é o Programa 1º Emprego do governo que dá prioridade,
em seus cursos de qualificação profissional para o mercado de trabalho, à pessoas com
deficiências.
“Já existem algumas iniciativas, mas precisamos fazer todo um trabalho de conscientização
porque como ainda há uma visão de que pessoas com deficiência mental são incapazes,
acabamos desvalorizando e deixando de conhecer os saberes delas e, com isso, não há
desenvolvimento”, acredita.
A entidade não oferece programas de qualificação profissional para pessoas com deficiência
mental, mas faz parcerias com empresas e entidades de formação profissional que recebem
esses jovens. O instituto também trabalha num projeto de educação corporativa em empresas
para formação de gestores de recursos humanos. O objetivo é aproximar das empresas,
discutir qualificação profissional e inclusão de tecnologias apropriadas para essas pessoas
trabalharem.
“Além disso, fazemos uma sensibilização pois temos a perspectiva de que a empresa não
tenha um olhar assistencialista ao contratá-los”, conta.
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), em São Paulo, mantém um
programa em parceria com empresas em que estas fornecem demandas de trabalho para que o
público alvo aprenda na prática.
“Fazemos isso porque as pessoas com deficiência mental precisam de coisas mais concretas
para aprender. Existe uma grande dificuldade de elas transporem seus conhecimentos teóricos
para a prática”, conta a coordenadora do programa de capacitação e orientação para o trabalho
da APAE-SP, Elisabeth Teixeira.
O programa da entidade aceita apenas trabalhos que possam agregar conhecimentos a essas
pessoas. ”O material de trabalho deve ser instrumento de capacitação por isso a tarefa deve
trazer benefícios a eles. Os deficientes mentais ainda são os excluídos dos excluídos, portanto
atividades que consigam proporcionar aprendizado nos ajudam a provar que o deficiente
mental pode sim trabalhar e ser incluído”.