ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO.................................................................................4
INTRODUÇÃO.....................................................................................................................7
I — A INSTRUMENTAÇÃO.............................................................................................11
O GRUPO................................................................................................................11
II — AS PESSOAS.............................................................................................................25
1. OS ENCARNADOS............................................................................................25
OS MÉDIUNS.............................................................................................29
O DOUTRINADOR....................................................................................35
OUTROS PARTICIPANTES......................................................................44
OS ASSISTENTES......................................................................................47
RENOVAÇÃO DO GRUPO.......................................................................51
2. OS DESENCARNADOS....................................................................................53
OS ORIENTADORES.................................................................................53
OS MANIFESTANTES...............................................................................59
O OBSESSOR.............................................................................................59
O PERSEGUIDO........................................................................................61
DEFORMAÇÕES........................................................................................65
O DIRIGENTE DAS TREVAS...................................................................70
O PLANEJADOR........................................................................................71
OS JURISTAS.............................................................................................74
O EXECUTOR............................................................................................75
O RELIGIOSO............................................................................................76
O MATERIALISTA....................................................................................82
O INTELECTUAL......................................................................................83
O VINGADOR............................................................................................85
MAGOS E FEITICEIROS...........................................................................88
MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES........................................101
MULHERES..............................................................................................103
2

III — O CAMPO DE TRABALHO.................................................................................109
O PROBLEMA......................................................................................................109
O PODER..............................................................................................................114
VAIDADE E ORGULHO.....................................................................................116
PROCESSOS DE FUGA.......................................................................................118
AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS, HIERARQUIA E
DISCIPLINA.........................................................................................................121
IV — TÉCNICAS E RECURSOS...................................................................................123
O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES. CACOETES. DORES
“FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES..................................................137
LINGUAGEM ENÉRGICA..................................................................................144
A PRECE...............................................................................................................146
O PASSE...............................................................................................................150
RECORDAÇÕES DO PASSADO........................................................................154
A CRISE................................................................................................................162
PERSPECTIVAS...................................................................................................167
O INTERVALO.....................................................................................................168
SONHOS E DESDOBRAMENTOS.....................................................................172
RESUMO E CONCLUSÕES................................................................................176

3

os trabalhos de Hermínio C. “O cinqüentenário de Lady Nona”. no demorado “diálogo com as Sombras”. de Mme. Miranda têm explorado temas de grande importância. foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e evangélica. nessas especialidades.. 5:9 e 10). geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo. na linguagem desataviada que todas entendem. ano após ano. os prefácios. Estamos familiarizados com os escritos do autor. são-lhe objeto de estudos e elucubrações. por exemplo. mais especificamente. A contribuição de Hermínio. do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. E lhe imploravam com insistência que não os mandasse para fora dessa região (Gerasa). gradativamente desenvolvida. no entanto. “A Maldição dos Faraós”. pois acompanhamo-lo em seus estudos. no campo espírita. (Marcos. da Filosofia e das Pesquisas. A ciência de servir é uma arte rara. alguns deles pouco estudados antes. como em “Procés des Spirites” e “Processo dos Espíritas”. mas de abordagem difícil. como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua vocação e não hesitem em seguir os rumos que devem trilhar. introduções e sínteses de obras. elucidativa de todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos vibratórios. Os sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano. Nela. fazem-nos pensar mais detidamente nas profundidades do Desconhecido.DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO “Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. pelas páginas de “Reformador”. metódica. São horas vividas não apenas no círculo das tarefas mediúnicas propriamente ditas. que lhe não hajam merecido a critica serena e construtiva. apresentando o patrimônio provisionado durante pelo menos dez anos ininterruptos de serviço ativa. desinibido e despreconceituoso. no curso de milênios. o nosso Amigo exercita-se há muito tempo. mas 4 . Marina Leymarie. consolidadas graças e esforços incessantes e renovadas perquirições conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato doa enigmas mais sérios e das questões complexas. Miranda: “DIÁLOGO COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”. Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas pretéritas. porque somos muitos”. como sempre. Raros serão os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos. Ao lado de livros e artigos. É mais um extraordinário documentário ou cartilha de orientação. Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. aqui e fora dos próprios limites territoriais das Terras de Santa Cruz. no mundo do Espiritualismo e. etc. “O Médium do Anticristo”. Os artigos referentes a “A Morte Provisória (I e II)”. exigindo dedicação e persistência. no atendimento responsável e cristão da assistência espiritual em desobsessão. Conhecemos-lhe as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão. nas esferas da Religião. não A tarefa fácil. na sua longa e exaustiva elaboração. “Uri Geller”. descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar de elaboração séria. E mais o que se ache por enquanto inédito. Nos últimos anos. permitindo-lhe escrever para os simples e os doutos. Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”. de toda uma gama de assuntos no âmbito do inabitual. de Allan Kardec. “Imitation de I'Évangile selon le Spiritisme”. Responde-lhe: “O meu nome é Legião.

Miranda é dos mais seguros estudiosos. foi este: “E na verdade. que é bem pior do que pensamos”. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. porquanto. A propósito. de aceitar. que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. a pessoa que nos merece a maior credibilidade. não necessita de explicações ou apresentações. de André Luiz: quando os originais foram-nos enviados. No entanto. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade. mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. o Diretor incumbido da análise inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. na tessitura de um livro desta natureza. consegue aglutinar. pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar tem os demais. com proficiência. em 1888 e 1889. uma carta do médium F. As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas. também não admitirão”. pois os leitores. é a da zoantropia. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos.num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. O autor trata detalhadamente desse assunto. *** O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — é tão grave. mas o sentido exatamente esse. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. a rigor. Assim. ou não. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. Ora. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. na vigília e no sono. na verdade. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. ternura. nem de Interpretações. doação! *** O livro. mais comumente citada como licantropia. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas. é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. *** Questão séria. os seus argumentos e conselhos. Acreditamos que Hermínio C. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pode admitir isso. ainda quando não as encampe ou oficialize. O próprio autor justifica cada detalhe. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. C. mediúnica ou não. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. O que importa. É claro que. tudo nele é de meridiana clareza. no 5 . cada ensino ou experiência e suas implicações. recordemos o livro “Libertação”. Hermínio C. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. acima de tudo. Não compete à Federação censurar opiniões. o autor nele coloca as próprias idéias. Mas o comentário particular de Chico Xavier. com maior razão. em Espiritismo. como resposta. à segura argumentação que faz. “o segredo da doutrinação é o amor”. as coisas ainda ficavam bem longe da realidade. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. defensores e propagandistas daqueles princípios. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propôs. em que transmitia e solicitação do autor espiritual. especialmente no que tange a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho. como reconhece o autor. para a qual gostaríamos de pedir atenção. Xavier.

na verdade. o Consolador Prometido por Jesus. convidamos o leitor a conhecer o livro de Hermínio. Estamos certos de que. de Allan Kardec. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. 1979). Rio de Janeiro (RJ). editado pela FEB (33ª edição. Francisco Thiesen Presidente da Federação Espírita Brasileira 6 . de que o Espiritismo é. *** Terminadas estas páginas iniciais. 625º milheiro. os exemplos que encerra causar-lhe-ão a nítida convicção. ao lê-lo. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs. 22 de junho de 1979. dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos.Rio de Janeiro (RJ). mais que as palavras articuladas. pelo médium Frederico Júnior.

É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de irmãos mais experimentados e evoluídos. da ignorância. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. a meu ver. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. mas. um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho seria junto aos companheiros desencarnados. que estejamos à inteira mercê dos Espíritos perturbados e perturbadores. não para nos livrar das nossas dores. do rancor. encontramos Espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. sempre dispostos a nos ajudar. O Céu e o Inferno. de “trabalhos” encomendados. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. nem para cumprir mandados nossos ou atender às 7 . A prática mediúnica não deve ser improvisada. outros com leviandade e indiferença. nos afinamos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. como tantos outros. do lado de lá. no pórtico deste livro. no qual procuremos desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. começa com ele. igualmente. é natural. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. e A Gênese. que. com a sua proteção carinhosa. O importante é que. na literatura espírita. de símbolos. Isto não quer dizer. isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. como aqui. em princípio. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro. O Evangelho segundo o Espiritismo. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores.INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. da revolta. O Livro dos Médiuns. É claro que a lista não termina aí. nada tendo de místico. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. Ali. pode estabelecer contacto com os desencarnados. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. da angústia. ao iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. apoiada num mínimo de informação. não à custa de oferendas. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. a massa imensa daqueles que se acham da media para baixo. isto é: O Livro dos Espíritos. nem livrar-nos das nossas provações. pois não perdoa despreparo e ignorância. não termina com Kardec. com um procedimento reto. mesmo incipientes. de ritos mágicos. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. por conseguinte. evidentemente. estejamos com um mínimo de preparação. obviamente. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. e. Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância. da vingança. e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. consciente ou inconscientemente. como doutrina essencialmente evolutiva. uns com respeito e amor. velam por nós companheiros de elevada categoria. mas sim. outros com espontaneidade. Realmente. estará se expondo a riscos imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. Podemos. serena ou tumultuadamente. Há. voluntária ou involuntariamente. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante. O mundo espiritual é povoado de seres que foram homens e mulheres como nós mesmos. fantástico ou sobrenatural.

modernamente. diria Edgar Cayce. podemos começar. há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. e não naquilo que julgamos o seja. mas também no interesse de cada um. e das complementares. com regularidade e seriedade. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. que a seguir transcrevo. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. Antes. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo é muito importante. confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. ainda no corpo desta conversa inicial. e da sua ajuda desinteressada. e certos trabalhos de origem mediúnica. pois já estava pronta. É preciso. da sua inspiração oportuna. se convencionou chamar de suas motivações. Assim. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco.nossas menores exigências e súplicas. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. entretanto. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. ao comparar a grupo nascente com um filho. por interessar aos objetivos deste livro. suporte indispensável de toda a tarefa programada. a educação dos pais. examinar de perto essa posição e ver a que contém ela de legitimo. 8 . não apenas no interesse da doutrina que todos professamos. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. E começar pelo planejamento. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. como os de André Luiz. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. com o estudo sistemático das obras básicas. o amor é. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. Não foi preciso escrevê-la. * “Encontramos. Léon Denis. ao amor ilimitado. O amor. Gabriel Delanne. Voltaremos às questões que formulamos acima. sem reservas. às vezes. no sentido humano. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. Gustave Geley. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos. pois cada um de nós sabe de si e do que. De fato. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. não é possessivo. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. Se estamos com essas disposições. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. das tarefas a que se propõe. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. naquilo que for realmente proveitoso ao nosso Espírito. para a qual não esteja preparado.

Há sempre. compreensão e caridade no chamado mundo espiritual.O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. os riscos que oferece. ao estudo dela. porém. Mas se não a observarmos em ação. sim. invariavelmente prejudica a alguém mais. entre o mundo espiritual e este. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que ia se sabe sobre a fenômeno. Logo. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. suas grandezas. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. Ao que ainda se prende a superadas teologias. Muitos nos buscam apenas 9 . consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. não apenas o seu Espírito da tormenta do ódio. também. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. a prática mediúnica é. no final de contas. em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. não são mais que um único. Aos que ainda desejam vingar-se de antiqüíssimas ofensas. delas se nutre e delas depende. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro d’água sob a orientação de quem já tenha. muitas vezes já está madura para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. provocadas por antigas mágoas. Será. Nunca o drama de um Espírito é apenas seu. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens. realmente. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. Há riscos. noções satisfatórias. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. Se é incompleto a conhecimento sem a prática mediúnica. que o equacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. ajudamos a compreender a nova realidade que tem diante de si. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. nesta vida ou em algumas das anteriores. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. cada vez mais. A todos os que erraram. Evidentemente. Há uma Humanidade inteira clamando por ajuda. a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnados. não apenas para o médium. em planos diferentes. elos que nos ligam a outros seres e a outras dores. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. a seu desenvolvimento futuro. como indispensável ao futuro da Humanidade. a respeito. ouvimo-los com admiração e proveito. O intercâmbio. Aquele que odeia. esclarecimento. não apenas aconselhável. O Espírito que erra. Os erros que cometemos. Parece claro. em grande parte. De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento.

são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. Por que. pelo menos. apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. num intercâmbio salutar de profundas repercussões. creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente dita. iniludíveis. minorá-la é divino”. sem ostentação. ao mesmo tempo em que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. pois Espiritismo é doutrina. e todos nós. na qual o Espírito fica. temos compromissos a executar. ainda que nem sequer suspeitemos disso. a amarga decepção do suicida. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. no entanto. católicos ou protestantes. tanto na carne como no Espaço. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto a organização dos grupos. “Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humana. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. de que reencarna. a inutilidade das posições humanas. mas flexíveis. de que as leis universais são perfeitas. E bom que o grupo seja pequeno. Aos poucos. Muitas e variadas lições. ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e incompreensões. pois exigem reparação. de preferência familiar. o ônus terrível da vaidade. Hermínio Correa de Miranda. como criaturas encarnadas. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificância dos primeiros resultados. anestesiado nas suas angústias. a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou a seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. * E assim. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. mas é também prática mediúnica. 10 . Crentes ou descrentes. No exercício constante dessa atividade. vemos. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. os trabalhos irão surgindo. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vem.para trazer notícias das suas próprias conclusões. cada vez melhor. Rio de Janeiro (RJ). composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalha sério e contínuo. lá estão à espera de ajuda e. não será tão difícil assim. aprendemos a contemplar e transitoriedade da mal. 1976. de nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. então. demonstrada e seriedade de propósitos. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. que se envenenam a si mesmas e a nós próprias. corresponderá um grupo equivalente de Espíritos. todos nos vem confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. através da lúcida inteligência de Kardec. de que progride e aprende. Lições terríveis ministrados com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei.

que consiste na educação e na instrução dos componentes do grupo que se planeja. 11 . de início. todos são de igual importância. na sua notável Primeira Epistola aos Coríntios. apagar a luz e aguardar as manifestações. de condutor. não obstante. cumprindo-lhe provar. a força tranqüila e segura da sua personalidade. em “Reformador” de fev/74. sob este aspecto. 1 O primeiro passo. o problema da liderança a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os trabalhos não seja aquela que se propõe. não basta juntar alguns amigos e familiares. É até possível que. a leitura do artigo “O Livro dos Médiuns de Paulo. portanto. em grande parte. a natureza dos trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de mediunidade que for possível reunir. guarde consigo mesma. está mais indicado para a função do que ele próprio. O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. nos trabalhos preliminares de organização do grupo. Em segundo lugar. Será recomendável que a pessoa que pretenda fundar um grupo. de proporções modestas e sem grandes ambições. Em primeiro lugar. Liderar é coordenar esforços. por 1 Seria oportuna. exercida por consenso geral. com a seleção das pessoas que deverão participar dos trabalhos. o líder. e. nos leva a outro quesito preliminar: — quem devem ser os componentes? A tarefa começa. O apóstolo Paulo tratou dele. e da qualidade do relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse campo. Num grupo espírita. Os motivos são de fácil entendimento. aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para reconhecer que o outro. muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. pois dela vai depender. disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos às fraquezas dos seus participantes.I — A INSTRUMENTAÇÃO O GRUPO Voltemos às perguntas formuladas na Introdução. o êxito ou fracasso do grupo. para disciplinação e harmonização do grupo. do grau de sensibilidade. conhecimento e evangelização de cada um e de todos. Como todo grupamento humano. tato. O líder natural e espontâneo é aceito também com naturalidade e espontaneidade. Assim. o Apóstolo”. pois. É preciso. ou iniciador. mesmo de âmbito doméstico. Esse motivador. Em primeiro lugar. terá que dispor de certa dose de autoridade. que revelou melhores disposições. Por outro lado. especificamente. capítulos 12. a organizar o grupo. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa tarefa é extremamente delicada e critica. Nestas condições. 13 e 14. surja a sutil faculdade da liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. mas é necessário não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. ou dirigente. não impor condições. no decorrer das gestões preparatórias. o grupo será a soma dos seus componentes. este também deve ter alguém que assuma a posição de coordenador. não poderá fugir de certa posição de liderança. nos versículos 4 a 30 do capítulo 12. Em terceiro lugar. inteligência. sem declarar-se tal. o preparo. que deve dar alguém que pretenda organizar um grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compô-lo. É bom que isto se faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que falaremos mais adiante e quem será incumbido da direção das tarefas.

O papel que lhes cabe é importante. que examine. quanto maiores. bem como os seus defeitos. com toda a imparcialidade possível. mesmo em outros setores do pensamento. alguma coisa séria poderia ser realizada. que os componentes encarnados de um grupo são apenas a sua parte visível. sem paixões e sem preferências. no tempo certo. não interferem negativamente. para não fazermos o convite senão àqueles dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão. Um só membro que desafine dessa atmosfera de harmonia poderá transformar-se em brecha por onde Espíritos desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual desintegração do grupo. por isso.longo tempo. É preciso entender. E essencial que todos se estimem no grupo. Acima 12 . Isto nos leva a uma outra questão. bastará que dois ou mais se refinam em seu nome. mais difícil mantê-los em clima de disciplina e harmonia. mas só isto não basta. mas é certo que. se coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro componente do grupo. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. que pelo menos não dificultem as coisas. infelizmente. as potencialidades de cada um. É claro. pode criar dificuldades ao trabalho. porém. um participante em perspectiva. mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se desenrola do outro lado da vida. que se entregue à prece constante. A franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho. por certo. mesmo assim. É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto à composição humana do grupo. E óbvio que ajudam de maneira decisiva. por outro lado. É claro. O grupo pode funcionar bem até com duas pessoas. entre os desencarnados. as suas intenções. logo de princípio. Até a discordância ideológica acentuada. sem idéias próprias. recusar. e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. a dizer-lhe que. pois. quando se portam com dignidade. desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização no plano físico. do que sermos constrangidos. que deve ser logo decidida: Quantos componentes encarnados devem ter um grupo? A experiência recomenda que os grupos não devem ser muito grandes. tendências e temperamento. Isto não quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho. tem que deixar o grupo. sugere de quatro a oito pessoas. Os componentes encarnados já fazem bastante quando não atrapalham. logo de início. depois. sobre o qual tenhamos algumas dúvidas mais sérias. E melhor. Lá é que se realiza a parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuídas a qualquer grupo mediúnico. mas se não puderem ajudar. para que Ele ai esteja. ou se transformarem em criaturas invertebradas. inclinações. pois. entendimento e entrosamento com os demais. No caso de apenas dois. por exemplo. não perturbam. desde que não alcance os estágios da rudeza que fere. à meditação e ao estudo silencioso e demorado de cada pessoa. Léon Denis. em perfeita harmonia com o grupo. sem personalidade e opinião. mas a homogeneização dos ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que precisa prevalecer durante todo o tempo. segundo a palavra do Cristo. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou incluir Fulano ou Sicrano porque gosto dele ou dela”. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. Podemos amar profundamente uma criatura que não ofereça condições mínimas para um trabalho tão sério como esse. por não se estar adaptando às condições exigidas pelo trabalho. que não é aconselhável incluir aqueles que. em seu livro “No Invisível”. virtudes. embora ofereçam outras condições favoráveis.

de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. no entanto. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. para práticas condenáveis. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. a apresentar um panorama. tem sido tratado em várias obras de confiança. tanto para os que se dedicam. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de Espíritos familiares. E certo. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. O mais certo é que. se alcançada impecável homogeneização. em outras de suas obras. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. fúteis e inconseqüentes. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. que venham trazer pequenas mensagens. para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar-se. porque a equipe se torna mais heterogênea. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa 13 . Não há fórmulas mágicas. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. assim. como de seus orientadores invisíveis. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. logo que tenhamos resolvido. bastante complexo. pois o assunto. e. ainda não saibamos quanto à intenção dos Espíritos que nos são familiares. Em seguida. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de natureza cientifica? Para tarefas mais sérias.dos oito componentes sugeridos por Denis. não apenas do dirigente encarnado do grupo. Essa reunião. quando não claramente mal-intencionados. não só em “No Invisível”. Serão arrolados os médiuns presentes. ao se planejar a instalação de um grupo. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. Isto é válido. em “Mecanismos da Mediunidade”. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. que. já atuantes. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. com seriedade e boas intenções. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. É possível. o pensamento divaga. virão os Espíritos levianos. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. de Allan Kardec. Recomenda-se. porém. pior ainda. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. sim. vai-se tornando mais difícil e tarefa. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. galhofeiros. estes se apresentarão no momento oportuno. E. também. mas. André Luiz. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. e o prejuízo é certo para a tarefa. em definitivo. Por isso. ainda. obviamente não mediúnica. quebra-se com freqüência o esforço de concentração. no silêncio da meditação e da prece. convém convocar uma reunião. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. Léon Denis também oferece contribuição valiosa. tão abrangente quanto possível.

O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. É também uma imprudência forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. pouco a pouco. esse encargo era de caráter iniciático. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido. pelo “O Livro dos Espíritos”. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. difícil e muita importante. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação. tato. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente corrigidos. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo.pessoa que a tenha em potencial. naturalmente. experimentação. até o que já possui conhecimentos mais profundos. Embora não gostemos de admitir. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. nosso conhecimento é menor do que pensamos. não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. pesquisa. voltemos ao assunto em foco. No passado remoto. porém. o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê-lo. e em profundidade. A mediunidade. Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. no entanto. é possível ao médium incipiente desenvolver. Ademais. que exige conhecimento doutrinário. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. Não nos esqueçamos. necessidade de um guru que leve o discípulo. De forma alguma. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. suas faculdades. por estágios sucessivos. seguido de “O Livro dos Médiuns”. O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas específicas senão ao cabo de um aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. vigilância. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”. O mais provável é que o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. salvo casos especiais. hoje. a começar. sistematicamente. a partir do capitulo 14 — “Dos 14 . desde aquele que tem apenas vagas noções. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhecedores da Doutrina dos Espíritos. capacidade de observação. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. vale a pena uma revisão geral. até o ponto ideal. Evidentemente não há.

desde que todos o tenham estudado. tolerância. Já se sabe quais os que o compõem. ocupar boa parte do horário. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. coletivos. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. segundo a programação acordada. durante o período que vai de uma reunião à seguinte. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinação. no segundo. quem navega sem destino não sabe aonde vai. até mesmo. sem atritos ou desgosto. que poderá ser mais longo ou mais curto. Esse período é. para aproveitarem os ensinamentos ministrados. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. dedicação. Tarefas como essas não podem ser impostas. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. No primeiro caso. nem forçadas. 15 . de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. ajustar seus vários componentes. ainda por algum tempo. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. por um processo natural de seleção. sacrificariam todo o conjunto. aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. a boa-vontade e a dedicação de cada um. É então. quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. para obter a integração do grupo. A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. o estudo precederá as manifestações e deverá. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. A essa altura. Não que sejam impuros (por favor!). se necessário. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. dentro da equipe. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. como também os desencarnados que. muito útil para afinar o grupo. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória. têm que se apoiar num impulso interior. como diziam os antigos. mas a definição é importante porque. mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. ainda. que exige. excluir. quais são os médiuns. Nesse caso. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. em outro ponto deste livro). resolvam dedicar-se com maior entusiasmo e firmeza. portanto. Talvez em outra oportunidade. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. certamente. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório. estudo e amor. que poderá ser longo. assiduidade. em prejuízo dos resultados. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. do que insistirem em ficar. estariam prejudicando apenas a si mesmos. em processo de exclusão natural. Por algum tempo. renúncia.Médiuns”. certamente. segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. no desejo de servir. Não que uma coisa exclua a outra. Não é preciso fazer a leitura de cada capitulo no decorrer das reuniões. de apagar-se. Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. mais adiante. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. ainda.

Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas renhidas pelo bem. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. Voltemos à imagem do filho. às visitas. em doloroso estado de desajuste emocional. como verdadeiros inimigos. Resta o compromisso do amor fraterno. em virtude do cansaço. Sem isso. caberá executá-lo. Este livro está mais voltado para esta última opção. Tudo isto aceitamos. o que seria uma tarefa quase de laboratório. reservado. ao qual temos que nos habituar. e é sobre ela que nos fixaremos. que nos recomenda amar os nossos inimigos. porque. ao relaxamento. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. De tudo isto estamos conscientes. Já decidimos que desejamos o trabalho. a deblaterarem em altas vozes. das lutas naturais da vida diária. Nem sempre estaremos fisicamente dispostos a ela. Muitos Espíritos. Não planejamos um grupo para reformar o mundo. de que estamos preparados para ele. Haveremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. muito melhor do que nós. Estamos cientes disso. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. senão a de que estamos tentando despertá-los para realidade extremamente dolorosa. que não pode ser parcial. encarnados. agressivos. aos passeios. obviamente. aos poucos. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. Sem 16 . a meio coração. A responsabilidade é grande. Mesmo assim. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. possibilidades e intenções. estão em condições de avaliar as nossas forças. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. dentro das nossas limitações. da qual se escondem aflitivamente. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. que se renovará em todos os encontros. Também são válidos. Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação cientifica ou mediúnica. desinteressados do aspecto prático. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe. Suponhamos. desejamos o grupo. A nós. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. não podemos destiná-la ao convívio da família. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. Um pouco de humildade nos fará. por exemplo. Vamos nos defrontar com Espíritos desajustados que. um bem enorme. É nessa oportunidade. É um dia de recolhimento intimo. irritados. já nos convencemos. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. aqui. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. segundo os interesses e inclinações de seus componentes. após algum tempo de estudo teórico. voltam-se contra nós. e sabemos disso. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. pois. movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. tem de ser total. pequeninas. com ênfase na fenomenologia. muitas vezes sem razão alguma. pois. para o que. Da mesma forma. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente cientifico. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. é claro. se apresentarão. no desespero em que se precipitaram. diante de nós. bem como as nossas fraquezas. que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. O planejamento é realizado no mundo espiritual. recursos.A natureza do trabalho pode variar bastante. condicionado. Alguns grupos. nem para conquistar todos os grandes Espíritos que se debatem nas sombras. que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão.

a realização de trabalhos de desobsessão poderia agravar as condições. ou nas furnas do mundo espiritual inferior. de servir. pois é evidente que Espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. tanto para os Espíritos trazidos para serem atendidos. com receio da influência negativa dos Espíritos desarmonizados que são atraídos. mais de uma vez por semana. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. Há uma porção de condicionantes. Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais. é o desejo de purificar-se. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. tanto profissional quanto no próprio grupo. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. paixões subalternas e desajustes de toda sorte. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. sim ou não. portanto. Isto é especialmente válido para os médiuns. num lar tumultuado por disputas. Num lar normal. porém. Mas isto acontece. Em tais condições. a segunda-feira. o trabalho deve ser feito aí. como para as pessoas que vivem na casa. Uma boa sugestão seria reservar. de aperfeiçoarse. torna17 . A freqüência às reuniões é usualmente de uma vez por semana. Justifiquemos a escolha da segunda-feira. familiares e até profissionais. para os trabalhos mediúnicos. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. é a prece. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. rivalidades. num centro espírita bem orientado. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observação. os Espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. de preferência um centro. estão todos com as tarefas do dia concluídas. desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. são as boas intenções. pois será difícil aos companheiros desencarnados. A noite é escolhida justamente porque. durante vários anos. com duração máxima de duas horas. Por outro lado. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. a partir de certa hora. disputas internas. É que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. que orientam o grupo. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas. haja ou não haja grupo mediúnico reunião em casa.aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. ciúmes. questões de ordem material ou financeira. ou seja. a partir de 20 horas ou 20h30m. àqueles que deixarem cair suas guardas. Para cobrar nossos compromissos. Se for possível um local apropriado. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. as preliminares. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. à noite. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão.

Deve ser isolado. é o equilíbrio psíquico. Por outro lado. O ideal. há sempre à parte que compete a nós realizar. no lar ou no centro. como uma sala de entrada que de para a rua. ódios e rancores. em todo relacionamento com o mundo espiritual. O trabalho de desobsessão não é fácil. conversas descuidadas. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo cuidado. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. especialmente nos dias de reunião. como no centro espírita. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. Mesmo nos demais dias da semana. já se encontre tumultuado e desequilibrado. Ademais. causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. portanto. com freqüência. e. sob condições perfeitamente normais. das demais dependências do prédio. os Espíritos não a farão por nós. geográfica. por isso. Quando isso for impraticável. interrompendo o curso das atividades. para essa finalidade. para acomodar bem todos os participantes. E preciso evitar ali reuniões sociais. do ponto de vista humano. o preparo de artigos e livros doutrinários. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. para as noites de verão intenso. não perturbar a harmonia do ambiente. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. como a boa leitura. tanto quanto possível. ao se penetrar no cômodo. a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. Precisa ser suficientemente amplo e arejado. uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. visitas inconvenientes. não interferir com os meticulosos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos Espíritos bemintencionados que nos assistem. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles. sendo inadmissível. qualquer que seja o ambiente em que se realize. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. Quando possível. Nada de ilusões. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. o que se nota. emocional. deve ser provido de um condicionador de ar. daqueles que o compõem. não pode ser recomendado para um meio que.se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. uma passagem obrigatória para aqueles que não participem dos trabalhos. de início. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. pois. mas. dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. A qualquer momento. atos reprováveis. Os Espíritos perturbadores poderão encontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio constante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais. Se na vida diária. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. Em ambiente perturbado. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas. 18 . a música erudita. o estudo sério. Essa. promissoras. por exemplo.

esses contactos são preliminares ao trabalho. Essa técnica se desenvolve com o tempo. em retrospecto. Com freqüência. relaxam os músculos. numa conversa descontraída. após o espaço de uma semana. tendo acesso apenas por uma passagem externa. por motivos mais que óbvios. E evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. que se achavam presentes à conversação prévia. Quem não puder manter essas condições mínimas. iniciado no mundo espiritual. toda a sessão. Geralmente. que são verdadeiros desdobramentos. eles fazem uma advertência amiga. que usualmente vai de uma reunião à outra. por exemplo. sobre o último casamento do astro da novela. a essa altura. tranqüilizam-se os corações desligam-se das preocupações do dia. no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador.alguns Espíritos em tratamento ficam ali em repouso. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. por maior que seja o cuidado. No grupo do qual faço parte. quase todos gostam de relatar experiências e acontecimentos. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. Neste caso. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. em conversa neutra. em desdobramento. dessa maneira. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. pelo menos. enquanto não são removidos para instituições apropriadas. em silêncio. Cessaram. no decorrer dos trabalhos. os comentários sobre o crime da semana. especialmente porque. depois. Em lugar desses assuntos. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. Aquietam-se as mentes. * Minutos antes de iniciar a sessão. mais tarde. Freqüentemente. e todos se predispõem ao trabalho. de vez que. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. 19 . e se sentarão em torno da mesa. os médiuns e outros participantes têm sonhos. De modo geral. trazem informações valiosas. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. intuições e “recados” do mundo espiritual. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. ou a derrota do nosso time de futebol. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo. desde o preparo da sala. não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. em sua casa ou no centro. por algumas horas. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. A essa altura. depois de recolhido ao leito. ou têm a relatar contactos mantidos. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. a piada do dia. os “sonhos”. Torna-se. os Espíritos nos demonstram. todos se dirigirão. todas as conversas. ao cômodo destinado aos trabalhos. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres. um dos médiuns viu. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e vantagens. de um dia para o outro. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. que os Espíritos em tratamento posteriormente confirmam.

quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. o dirigente deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. A razão é puramente subjetiva e psicológica. Se opomos. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. a qualquer um de nós. vários lápis apontados e esferográficas. façamos uma revisão geral na sala. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. a água destinada à fluidificação. que parece útil. No caso das sessões mediúnicas. papel. em forma de cruz.Cerca de duas horas antes. canetas esferográficas. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. Depois de todos esses preparativos. Tudo deve ser feito. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. não devem defrontar-se. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. material para eventual psicografia. num gesto brusco. do que se ela estiver exatamente diante de nós. Lá está. pois. sem comentários. a sala está preparada fisicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. que recomenda que duas ou mais pessoas. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. bem como às condições do Espírito que será trazido para tratamento. ou por outro autor da preferência do grupo. serão mentalizados pelos interessados. Se os trabalhos forem mistos. atirar os objetos ao chão. atendendo a características especificas de suas mediunidades. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. os livros que contêm os textos destinados à leitura. que vão debater um assunto. sempre em silêncio. o livro que contém o material de leitura preparatória. de psicografia e incorporação. que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. Outra recomendação. o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. lápis. a esta altura. ou seja. os trabalhadores do mundo espiritual. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. pois um Espírito mais turbulento pode. nada conseguiremos. segundo viu o nosso médium. os nomes das pessoas desencarnadas. à medida que são escritas. Sugere-se a cor vermelha. a nossa. preferentemente de cor. para não exacerbar o antagonismo. Se há trabalhos de psicografia. Antes de prosseguir. igualmente. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. “Fonte Viva”. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. à sua agressividade. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. o caderno de preces. num copo ou outro recipiente apropriado. uma pequena luz indireta. Na hora da prece. A posição frente a frente parece levantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. inspecionam o cômodo. Se há psicografia. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. E mais fácil. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. 20 . Todos devem ocupar os assentos em silêncio. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a facilitar o trabalho. sobre a mesa. “Pão Nosso”. em retrospecto.

bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. ou seja. que o leve a “forçar” uma comunicação. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. certa vez. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. é feita a leitura do texto do dia. o gravador é reservado para a mensagem final. para que. os objetos que se encontrem sobre a mesa. Se emitir luz intensa de algum visor. indireta. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. e até certa ansiedade. que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. que pode. o dirigente encarnado dos trabalhos. microfone já anteriormente testado.A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. Todos se encontram. não conhecemos. tolerância e compreensão. fixando-lhes até o número de Espíritos que deverão atender. Quanto ao gravador de som. pelas razões já apresentadas. um roteiro típico. É feita a prece. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. com 21 . geralmente. em silêncio. a luz mais intensa é apagada. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. a critério de cada grupo. todos ficam recolhidos. num movimento mais violento. Convém retirar. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. mandamentais. em seqüência. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. nem decorada. gravar a data da sessão. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. concentrados. neste momento. não é recomendável o procedimento. bastará dar a partida. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. de preferência em cor suave. ou o mentor espiritual. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. sofrer variações. que também não deve ser longa. Em alguns grupos. Finda a prece. Não convém correr esse risco. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. um para cada sessão. Proporemos. atentos. as pessoas e os objetos. constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. evidentemente. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria. Essas mensagens. ao testá-lo. e devem ser preservadas para referência futura. juntamente com pequenos copos. aqui. Procurarei apresentar as razões. Em seguida. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. assim. nem elaborados. Depois de todos acomodados e em silêncio. este deve ser coberto com um objeto opaco. As sugestões oferecidas a seguir não são. tais comentários não devem ser muito longos. No grupo que freqüentamos. que forneça iluminação discreta. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar. a postos. restando apenas a lâmpada mais fraca. acumuladas ao longo do tempo. obviamente. Por outro lado. não sejam atirados ao chão.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. de preferência ao lado da mesa. No momento oportuno. a colaboração dos amigos espirituais. E conveniente.

os Espíritos atendidos ainda permanecem. nunca encontrei essa dificuldade. para futura referência e estudo. Percebendo que a hora se esgotava. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. no entanto. às vezes barulhentas e indignadas. E bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. seja ultrapassada a hora. convém gravar. procuram demorar-se. usualmente. o planejamento realizado no mundo espiritual. Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. Os Espíritos turbulentos. muito ardilosamente. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. em total dissonância com as palavras 22 . Concluída a mensagem final. sabendo disso. Quando o dirigente lhe disse que precisava partir. mas. que irão atuar ou não. em termos inequívocos. de uma vez. até que chegue a vez de falarem. por determinado médium. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. E que. por desconhecimento.precisão. que deve ser usada para uma pequena prece. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. Na minha experiência pessoal. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações. * Há sempre o que comentar. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras. Em hipótese alguma deve permitir-se que. os trabalhos são encerrados com uma prece. num grupo bem ajustado. e se. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. um dos orientadores recomendou-nos. É hora dos comentários finais. o que acarretará adaptações de última hora. há uma pausa. no recinto. o Espírito manifestante. que. no ambiente. Pelo contrário. Acresce ainda uma observação. após uma sessão mediúnica. A lição é importante. por algum tempo. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. eles têm que se retirar. ou não. E que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. os mentores terão recursos suficientes para contê-los. para que possam ser úteis a todos. que evitássemos a repetição do ocorrido. para provocar distúrbios e levar o pânico ao grupo. o que seria desastroso. quanto menos interferirmos. melhor. e muitas vezes. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. começou a manobrar para ganhar tempo. É preciso. Terminado o atendimento. depois das virias manifestações de companheiros aflitos. Esgotado o prazo. como vimos. composta de obreiros do lado de lá. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite. Terminado o atendimento. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. por iniciativa dos manifestantes. para que ele se desenrole harmoniosamente. designamos outro médium. Certa vez. altera-se a seqüência do trabalho programado.

dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. Os manifestantes. e os componentes do grupo. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. felizes e bem-humorados. oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. de invigilância. envolver-nos com seus artifícios. de maledicência. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. com as suas lutas e canseiras. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. Embora eu não o tenha prometido. E claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos.de amor fraterno que há pouco foram ditas. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. deve ser discreto. embora estejam todos. que eu conhecia. é distribuída a água. o Espírito me cobrou. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. Por isso. Os médiuns videntes sempre tem algo a dizer. Certo Espírito. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquejar. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! 23 . avaliar a sinceridade. Os comentários finais não devem prolongarse por muito tempo. na esperança de nos neutralizar. com o mínimo de interferência. de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. Estejamos. em grande estado de agitação — desencarnação recente. estaremos admitindo. porém. certamente. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. qualquer que seja o local onde nos encontremos. ao terminar a sessão. dizia que os comentários devem ser disciplinados. E preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. de intolerância. assim. tudo fazem para permanecer como estão. Por outro lado. O dirigente deve perguntar pela experiência de cada um. sem gargalhadas estrepitosas. na intimidade do ser. Antes de se retirarem. no desespero inconsciente em que se acham. Todo cuidado é pouco. Desejam testar a boa-vontade. Se percebem que toda aquela atitude de respeito. o comportamento de todos. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. Inúmeras vezes. em ordem e discretamente. pelo dirigente. especialmente os que moram longe. ainda no recinto. recomenda-se uma parada para pensar e uma pequena prece. no estado de confusão mental em que se encontram. Mesmo que a sessão tenha terminado. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. Preparados para uma interpelação. durante os trabalhos. usualmente. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. por mais uma noite de trabalho redentor. recolhimento e carinho é insincera. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. enfim. durante a doutrinação. é tarde da noite. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. sem elevar demasiadamente a voz. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná-los. no próximo encontro. incapazes de errar. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. pois eles o farão. Geralmente. É preciso. no decorrer da semana. Se. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo. precisam retirar-se. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal.

ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. a não ser por motivos muito fortes e justificados. ao voltar. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr. a não ser que a sessão seja de pesquisa. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. Feita a ligação. porém. num caderno. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. evidentemente. Lamentavelmente. Outro me disse. Sugere-se. Quando se trata de tarefa de desobsessão. basta uma referência identificadora. nas vezes subseqüentes. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: — Esta semana eu quase te peguei. como modelo. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares. Anote-se a data e. em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. 24 . não é preciso ir a esses rigores. Descrevase cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. uma ata. Como não ignoram. aqui. Se a comunicação final for gravada. Assim. Guillon Ribeiro. um argumento muito válido. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. mas também. aguardando a próxima oportunidade. para consulta. para cada manifestante. Isto não é. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. aqueles que cuidam desses problemas. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. Se o médium falta. para referência. de preferência. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. o Espírito. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida sem transe mediúnico — durante toda a sessão. hoje. suspenso. esses livros se acham. o número de ordem da sessão. querendo. virá usualmente pelo mesmo médium. esgotados. não apenas na condução dos trabalhos. os mentores espirituais escolhem. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. Essa tarefa deve caber. Ainda te pego! * É oportuno colocar. e não podia. * Ainda uma sugestão.Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado.

especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. procuram. na rua. Lá chegaremos. disfarçado. não obstante. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. a palavra foi franqueada. descobrir os nossos Pontos fracos. numa palestra pública. do que nós. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. e complementadas posteriormente. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. Ao terminar sua exposição. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. e um senhor idoso. pois. que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. declarou seu espanto. à que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. da mesma forma que a gradação espiritual a facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. nos observam. Não quer 25 . durante a noite. impiedosamente. no entanto. E isto. na intimidade do lar. com seus pensamentos. Principalmente com os pensamentos. ao verificar que um espírita esclarecido. Muito do que conseguimos obter. para perguntas e comentários. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. nos restaurantes. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. Por isso. vai levando a vida escondido. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. Cada atitude mental imprime à aura suas características. nos seguem por toda parte. Ainda não estamos. e confrade muito inteligente. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. declarando que tinha medo de morrer. ou na região perispiritual do ser. nos cinemas. mas não apenas por isso. Além do mais. com Espírito critico. em hora e meia ou duas horas de sessão. aos arvoramos em santarrões de fachada.II — AS PESSOAS 1. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. aqui. com o que diz e faz. na carne. colérica. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. por todos os meios. quase sempre. e que. depende de inúmeras tarefas preparatórias. cor e movimento. e. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. durante as duas horas da sessão. da que circunda a pessoa desequilibrada. É claro. Somos aquilo que pensamos. certa vez escandalizou seus ouvintes. ciumenta. Do lado de lá. ainda desarmonizados. sensual. desenvolvidas em desdobramento. Um amigo meu. agressiva. como ele. pelos companheiros invisíveis que. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. ao escrever esta página. o procedimento diário precisa ser correto. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado. O amigo confirmou e justificou: — Ildeu caro confrade: a gente. Eles nos vigiam. em forma. é ocupação que toma vinte e quatro horas por dia. tivesse medo de desencarnar. no escritório. no auditório.

que nos cercam por toda parte. a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos. a ponto de viver rezando pelos cantos. para um trabalho direto. ou. a mulher. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. Por outro lado. porém. inquietações. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. para ensinar e construir. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles. Não é difícil. Viemos num universo inteiramente solidário. voltará a falar. junto ao nosso Espírito. pois. E como!. Isto se dará. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. de viver com o semelhante. se. uma piada grosseira e pesada. Aí de nós. no sentido de que todos trazemos feridas não cicatrizadas. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa maledicente. talvez. E é necessário. este disponha de pernas para caminhar e pode. O que enxerga um pouco mais. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. a defesa e a correção. O mesmo princípio opera. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. a cada momento. no qual uns devem suportar e amparar os outros. de olhos baixos pela rua. com o homem. de aniquilar a nossa arrogância. Nosso trabalho é aqui mesmo. aqui na Terra. Não há como fugir de ninguém e isolar-se em torres de marfim. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece. E nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência. com as mesmas angústias. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. ou a irresponsabilidade de outro. Para 26 . grutas perdidas na solidão. para nos defender dos párias. porém. também imperfeito. ou de inveja. Também somos pecadores. um pensamento de rancor ou de revolta.. Os Espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. um dia. pois. Somos. por exemplo. a leitura de livro pornográfico. seres humanos como nós mesmos. assim. amparar o coxo. ajuda o cego. mazelas e imperfeições.isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. não é lá grande coisa. mas. diante de nós. na rua. somarmos as que recebermos por “contágio espiritual”. no futuro. a assistência a um filme pernicioso. a criança. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. embora a supervisionem cuidadosamente. Quem poderia alcançar estes. o velho. Ninguém precisa chegar. mosteiros inaccessíveis. em vez de cuidarmos. nos fenômenos de efeito físico. certamente. ou o egoísmo de um terceiro. no passado mais distante e no passado recente. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fiquemos apenas com os males que nos afligem intimamente. Não é que tenhamos que nos isolar. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. Como seres imperfeitos. Daí a recomendação da vigilância. temos. como se vê em André Luiz. aliás. com a maior facilidade. de falhas clamorosas. Há milhões de motivos. e a diferença evolutiva entre nós. Toda atenção é pouca. aos extremos do misticismo.. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. pois vivemos num mundo transviado. temendo o “contágio” com os pecadores. se às deficiências que carregamos. Já bastam as nossas mazelas. numa redoma ou numa couraça. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente realizados por Espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. na linguagem evangélica: amar-nos uns aos outros. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera.

que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada?

*

Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. São
essenciais, especialmente se o grupo mediúnico se envolver em tarefas de desobsessão. Os
Espíritos trazidos às reuniões, para tratamento, apresentam-se hostis, agressivos, irônicos.
Que não se cometa, a respeito deles, a ingenuidade de pensar que são ignorantes. Com
freqüência enorme são inteligentes, e mais bem informados do que nós, encarnados.
Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável. Chegam
impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa, para continuar a proceder como acham de
seu direito e até de seu dever. No desespero em que vivem mergulhados, não hesitarão em
promover qualquer medida defensiva, e essa defesa, geralmente, consiste em atacar aqueles
que interferem com seus planos. Cuidado, pois. Se em lugar de vigilância e prece, lhes
oferecemos o flanco desguarnecido, sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e
acabaremos por ser envolvidos.
Dai a advertência de que o trabalho mediúnico, nesse campo especializado, é tarefa
para todas as horas do dia e da noite. As recomendações de comportamento adequado são
particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam.
“No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz — “os
integrantes da equipe precisam, a rigor, cultivar atitude mental digna, desde cedo”. 2
Resguardarem-se todos na prece, na vigilância. Fugiremos ao envolvimento em
discussões e desajustes de variada natureza. Alimentação sóbria, leve.
Não custa muito, pelo menos nesse dia, abster-se de carne; e é necessário prescindir
do álcool e do fumo. Sempre que possível, durante o dia ou nas horas que precedem a
reunião, um pouco de repouso físico e mental, com relaxamento muscular e pacificação
interior.
Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o
comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora, por exemplo. (Muitas vezes,
principalmente no caso dos médiuns, já se trata de aproximação de Espíritos angustiados,
ou coléricos, que transmitem suas vibrações depressivas). É possível que, à hora da saída
para a reunião, chegue uma visita inesperada, ou uma criança se ponha a chorar,
inexplicavelmente agitada ou inquieta. De outras vezes, chove ou faz muito frio, ou calor
excessivo, e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo.
Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos
incidentes como estes, que se vão somando, até neutralizá-los de todo. Nem percebem que
os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos, ou até
mesmo os provocaram, como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da
família. No dia seguinte, ou horas depois, o mal-estar terá passado, como Por encanto, mas
o trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara, pelo menos naquele dia. A
grande vitória começa com as pequenas escaramuças. Cuidado, atenção, serenidade,
firmeza.

*

Quanto aos componentes encarnados do grupo, mais uma vez lembramos: é vital que
os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. O bom entendimento entre todos é
condição indispensável, insubstituível, se o grupo almeja tarefas mais nobres. Não pode
2

“Desobsessão”, Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, capítulo 1, 3ª ed., FEB.

27

haver desconfianças, reservas, restrições mútuas. Qualquer dissonância entre os
componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. Os Espíritos
desarmonizados sabem tirar partido de tais situações, pois esta é a sua especialidade.
Muitos deles não têm feito outra coisa, infelizmente para eles próprios, ao longo dos
séculos, senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras, dividindo para conquistar.
Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. E preciso entendê-los. Eles vivem num
contexto que lhes parece tão natural, justificável e lógico, como o de qualquer outro ser
humano. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem, e, por isso, não se detêm diante de
nenhum escrúpulo ou temor.
Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento, provocarão a
desagregação impiedosamente, porque para eles isto é questão de vital importância, a fim
de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram.
Assim sendo, é melhor que um grupo com dissensões internas encerre suas atividades,
pelo menos por algum tempo, até que se afastem os elementos dissonantes. Não se admite,
num grupo responsável e empenhado em trabalho sério, qualquer desarmonia interna, como
disputa pelos diversos postos: dirigente, médium principal e outras infantilidades. O
dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas
um companheiro, um coordenador, um auxiliar, em suma, dos verdadeiros responsáveis
pela tarefa global, que se acham no mundo espiritual. Qualquer sintoma de rivalidade entre
médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. Ainda falaremos disso, mais
adiante. Por ora, basta dizer, e nunca o diremos com ênfase bastante, que deve predominar
entre os encarnados um clima de liberdade consciente, franqueza sem agressividade,
lealdade sem submissão, autoridade sem prepotência, afeição sem preferências, e perfeita
unidade de propósitos.
No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os
encarnados, o grupo está em processo de desagregação. Isto implica dizer que os elementos
perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. O responsável
pelo grupo, ou quem for para isso, designado, deve procurar os desajustados para
entendimento particular, reservado. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude
construtiva, não resta alternativa senão a afastamento, pois o trabalho das equipes
encarnada e desencarnada deve ser colocado acima das nossas posições pessoais.
A decisão de afastar alguém não é fácil, e nem deve ser tomada precipitadamente e por
ouvir dizer, pois é uma ação de natureza grave. Não apenas o grupo se privará do seu
concurso, qualquer que seja a sua posição, como ele próprio, sentindo-se como que
“expulso”, quase um “excomungado”, poderá cair numa faixa de desânimo, quando não de
revolta, que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. Não se
trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua, de desconfianças e
rivalidades, ou rancores surdos, pois disso também se aproveitariam os irmãos
desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão; mas os objetivos e finalidades
do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. Se, para isso, for necessário afastar um ou
outro companheiro, teremos que fazê-lo. Cumprir o desagradável mandato com amor,
equilíbrio e serenidade, mas também com firmeza. Talvez o companheiro perturbador possa
retornar à tarefa mais adiante, já regenerado, mas entre sacrificá-lo pessoalmente e
sacrificar todo o programa, não há como hesitar.
Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores, porque, embora não
mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico, é uma das grandes e
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freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. Precisamos estar preparados para
ela porque, mais cedo ou mais tarde, haveremos de encontrá-la. Atenção, porém: nada de
processos inquisitoriais, repetimos. O bom senso e a prece serão sempre os melhores
conselheiros, em situações como essa.
Por outro lado, essas e outras decisões, isto é, todas aquelas que dizem respeito, por
assim dizer, à gestão terrena do grupo, cabem aos encarnados. Os benfeitores espirituais,
ligados à tarefa, dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar
aquele. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade
pelos nossos atos. O que esperam de nós é um clima de harmonização, para que possam,
em cada reunião, colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. É preciso que
ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável.

OS MÉDIUNS
O capitulo 32, de “O Livro dos Médiuns”, intitula-se “Vocabulário Espírita”, e sugere
a seguinte definição:
— Médium — (Do latim médium, meio, intermediário). Pessoa que pode servir de
intermediário entre os Espíritos e os homens.
Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre
demonstra, essa definição é um primor de clareza. Vemos, por ela, que o médium é uma
pessoa, isto é, um ser encarnado, sujeito, por conseguinte, às imperfeições e mazelas que
nos afligem a todos e, portanto, tão propenso à queda quanto qualquer um de nós, ou talvez
mais ainda, porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um
grau mais elevado de influenciação.
Sabemos, por outro lado, do aprendizado espírita, que a mediunidade, longe de ser a
marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições.
Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos
assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima
dos vis mortais, como seres de eleição. E, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o
qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir-se mais
uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. O
médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para
apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado
pelo dom divino, mas depositário desse dom, que lhe é concedido em confiança, para uso
adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no
sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos
dessas faculdades.
Quanto mais amplas e variadas as faculdades, mais exposto ficará ao assédio dos
companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo.
De certa forma, isso é válido para todos nós, mas aqueles que dispõem de faculdades
mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e
invisíveis, que podem ser bons e amigos, como também podem ser antigos e ferrenhos
desafetos ou comparsas de crimes hediondos.
Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. O jovem herói, pelo esforço de
um trabalhador social compreensivo, que acreditava na capacidade evolutiva do ser
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nem inferior. porque. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. acrescentando. que o põem em relação com o mundo espiritual. Vale tudo. sem prepotência. sem humilhações. das trevas onde se escondem. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. atento. Não lhe faltarão recursos. como qualquer um de nós. mas não seja temerário. então. envolvimento ou oferta. mal curadas. trabalho mediúnico. bem planejados e. o peso específico que o arrasta para baixo. atormentados seres do mundo das dores. O médium. ele precisa estar vigilante. porém. como um pequeno balão. o cérebro da organização. naturalmente. Procure manter um bom clima mental. viva com simplicidade. acima de tudo. e dedica-se a trabalho humilde. informações e. são associados de outros tempos.humano. como qualquer outro: nem melhor. para o azul infinito da libertação espiritual. às loucuras. por exemplo. assistência. Não tema. compulsando livros doutrinários de confiança. buscam-no incessantemente. sem rancores. encontra o amor na pessoa de uma jovem. e a doce cantilena do êxito material. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. quer ele deseje ou não. que é da essência mesma do seu compromisso. vigie seus sentimentos. Mais do que qualquer um de nós. à irresponsabilidade. o orientador desencarnado. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recursos que conseguiu desenvolver. quase sempre. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. Qualquer ardil serve. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas 30 . e. de baixa remuneração. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. Os primeiros manifestantes são. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. observando suas próprias faculdades. é um ser em liberdade condicional. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. Estude. O ideal seria que os orientadores se revezassem. tentando impedir que ele se escape. como todos nós. com propostas. nem superior. Na hora da tarefa. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. mais do que aqueles que não dispõem da faculdade. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. as cicatrizes. familiares. o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais a sua vontade. Fora o líder de seu grupo. ligado a um bom grupo de trabalho. Cabe a ele provar que já é capaz de fazer bom uso dela. A semelhança com a situação do médium é impressionante. é um simples trabalhador. obteve liberdade condicional. corrigindo. Participe da luta diária. em virtude da prática de assaltos audaciosos. utilizando-se dos demais médiuns. não quer dizer que ele esteja à mercê dos companheiros desvairados das sombras. o assédio. É comum. leia. Estivera alguns anos na prisão. as “tomadas” para o erro. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. humanos. obsessores impiedosos. melhorando. Começa o cerco. sociais. nem pior. Nada de pânico. ameaças. de que nos falava Paulo. o bom combate. Seus ex-companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. Ou. eliminando. aos prazeres. mas honesto. muito rendosos financeiramente. A tarefa não é fácil. Não deixe de estudar suas faculdades. Ao sair da prisão. traz em si o apelo do passado. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. enfrente os problemas da existência: profissionais. que os antigos comparsas o encontram. é claro. qualquer pressão. Seus comparsas não se conformam. E nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. deseja esquecer o passado tenebroso. enfim. modificando. de falhas dolorosas. nos grupos mediúnicos.

Há obras que cuidam do problema. quando possível e necessário. contudo. de euforia. nem desligá-la do grupo. o componente da equipe deve comunicar-se. da formação ou do desenvolvimento do médium. sem interromper os trabalhos em curso. e “O Livro dos Médiuns”. revelar a existência de outros médiuns em potencial. tolerantes e serenos. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofônia. sem perda considerável da eficácia do processo. neste caso. Não cuidaremos. e dificilmente a palavra falada. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer. Não é necessário. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. sentimos com maior facilidade as 31 . amorosos. Os fenômenos começarão espaçados e indecisos: rápidas vidências. colocar a pessoa em quarentena. Que ela se mantenha junto aos companheiros.suscetibilidades e vaidades. no decorrer do tempo. de preferência. E possível. E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. mas são também firmes e rigorosos. com o dirigente. porquanto. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o Espírito responderia por escrito. cada um tem o mérito de suas obras. direta e viva. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. no entanto. trate de se corrigir. de Allan Kardec. depois de encerrada a sessão. segundo “O Livro dos Espíritos”. ou de incorporação. que as tarefas do grupo mediúnico venham. o problema é de cada um. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. impulsos de dizer ou escrever algo. em muitos aspectos. Com ela. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. nesse sentido. fornecendo ocasionais indicações e instruções. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. de excitações. Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. A experiência com os Espíritos ensina-nos que eles são compassivos. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. nas lides iniciais da sua empreitada. ajudando o companheiro. talvez intuições. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. poderia ser substituída. Em casos extremos. questão 123. Num grupo bem orientado. de fantasias. Nada de açodamento. nesse tipo de trabalho. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. ou companheira. Isso está amplamente documentado na Codificação. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende. clariaudiência. quando necessário. assim. a nossa compreensão? Assim. tão logo lhe seja possível. a não ser por motivos imperiosos. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. pacientes. todavia. neste livro. nem de temores. às vezes até com inesperada severidade.

da clariaudiência de outro. * Fixação num só grupo. no seu já citado “Desobsessão”. suas ironias. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. que têm outros. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarece dores ou dos companheiros. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades. sua sinceridade. os médiuns presentes serão. sua personalidade. É aconselhável. que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. em trabalho mediúnico. da mediunidade de efeitos físicos. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. da faculdade. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores. da intuição de um terceiro. porém. ou até mesmo se utilizando. ou seja. linguagem. óculos e jóias. seja pelas impressões de sua presença. ou audiência. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. Nesse caso. Como a psicofônia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. seja pela sua conduta geral.reações que se processam no manifestante. como sejam relógios. enquanto ele se acha doutrinando. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar. alijando. canetas. * As pessoas que lidam com médiuns. de exteriorizarem ectoplasma. Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. André Luiz nos oferece. seu estado de irritação ou de serenidade. às vezes. * Interesse real na melhoria das próprias condições de sentimento e cultura. em trabalhos especiais que ainda discutiremos. como vidência. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. * Defesa permanente contra bajulações e elogios. * Domínio completo sobre si próprio. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuída aos médiuns. seus cacoetes. 32 . suas emoções. pois. * Aceitação dos próprios erros. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. que desempenham. Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas médiuns de incorporação. eflúvios magnéticos. para que se lhes apure a capacidade de transmissão. que trabalham junto deles. operando através da vidência de um. suas vacilações. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite.

para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa.enfim. onde e quando necessário. cuidado e carinho. médium inibido é outra. estaria recebendo “mensagens” diretas de Deus. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas. O dirigente deverá tratar o médium com todo a carinho e atenção. e. a quem de direito. Evidentemente. porém. tanto quanto ao elogio e à bajulação. distingui-lo com nenhum favor especial. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. E que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. Em casos assim. e compreensão entre os seus diversos componentes. Em breve. no fundo. Em decorrência dessa particularidade que. é da própria essência da mediunidade. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. E preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina. no entanto. E. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. mais sensíveis também a critica. O leitor deverá notar. O médium não é nem a “vedete” do grupo. à reprimenda. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. qualquer atividade em paralelo com eles. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. Não vamos. Médium disciplinado é uma coisa. nada mais. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. sem. pois. porque isso exporia. que deixam resíduos vibratórios perturbadores. são mais suscetíveis. É apenas um dos componentes do grupo. seu pontífice máximo. dolorosas. a que se refere André Luiz. à atitude antifraterna. por uma tarefa particularmente difícil.. designe alguém no grupo para fazê-lo. cair no outro extremo. também como as demais. Há manifestações difíceis. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta. que precisa ser preservada. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. exaustiva e bem realizada. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. 33 . a ele e ao grupo. como tal. exclusivo ou extraordinário. atenção especial com os médiuns. que deve ser tratado com atenção. Ou. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. em nome da boa ordem dos trabalhos. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. É precisa. com as dores e as canseiras resultantes. em nome da disciplina e da ordem. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. tanto quanto possível. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que. dificilmente surgirão problemas dessa natureza. Não custa. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. dando-lhe apoio e conselhos. A mediunidade a um mecanismo extremamente delicado e suscetível. naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. este assunto extremamente delicado e complexo. a palavra agressiva.. ao longo deste livro. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. Tentaremos clarificar. e que desaparecem aqui. o médium não deve e não pode ser endeusado.

Muitos são os que se queixam disso. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. como costumo dizer. sem sombra alguma de dúvida. esse relacionamento precisa ser impecável. nas reações preliminares e posteriores do médium. experimentaram tal ou qual sensação: força. leia. Repisaremos aqui um deles. Mantenha-se ligado às cinco obras da Codificação. Pela mesma razão. alguma hostilidade mais declarada. portanto. é demonstrada. ou. às vezes. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. após a desincorporação. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. Quando o relacionamento médiumdoutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. correto. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. pior ainda. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. quando são desagradáveis e agressivos. a fim de que o médium se recomponha. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. Quando. paz. seja entre estes e os desencarnados. o médium desperta. até às lágrimas. este também traz uma carga. comovido. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propicias a manifestações violentas. nossos médiuns declaram que. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito. não consegue fazer tudo quanto desejava. Da mesma forma. do contrário. Além do seu sentido etimológico — incapaz de pecar. ao sentirem a aproximação do Espírito manifestante. ao contrário. dispersá-los por meio de passes. embora transitória. de maneira tão ampla. o Espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. se trata de um Espírito pacificado e bondoso. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. certa “contaminação” mútua. 34 . com quem demonstre ter experiência. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. respeito sem temores e sem reservas íntimas. tristeza. com nova ênfase. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. serenidade. sendo necessário. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. o Espírito agressivo fica algo contido. durante suas manifestações. às vezes pesada e agressiva. faça perguntas. no caso.para reaparecer ali. “em estado de graça”. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. ódio. o Espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. harmonizado. como lamentavelmente acontece com freqüência. havendo. esse adjetivo algo pomposo. são bastante conhecidos. ou seja. feliz. angústia ou amor. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. porque as vibrações afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. Essa contaminação. quase sempre. seja entre os encarnados. os resíduos vibratórios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. Com freqüência. Tentemos explicar o que significa. pois. aos livros de André Luiz que desenvolvem. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. Estima sem servilismo e sem fanatismo. sem mácula ou defeito.

lendo o estudo daqueles que. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos. Ademais. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. de Madame d'Espérance. com quem estabelece o diálogo. ou. iluminam. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina. mundos abaixo. Muitas vezes ele está perfeitamente familiarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita. ou seja. por alguns momentos. a ditar normas de ação e a pregar. de onde recebemos jatos de luz que. o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. do Dr. “Dramas da Obsessão”. através de um pequenino retângulo. “No País das Sombras”. que se coloque na posição de mestre. Em primeiro lugar. no contexto da prática mediúnica. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. não está em condições. observando-a com atenção. ou. tanto quanto todos nós. O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico. somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. antes de nós. A despeito disso. mundos acima. que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. um estágio ideal de moral. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. que toda pessoa incumbida de uma tarefa. porque o Espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. em termos gerais de doutrina. ele nem discute. os ambientes de meia-luz em que vivemos. “Libertação”. simplesmente. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade. e. reconhece até mesmo a existência de Deus. Bezerra de Menezes. E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. ele precisa estar preparado para exercer. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação. no momento oportuno. de Camilo Cândido Botelho. os mecanismos da reencarnação. de tempos em tempos. “Nos Domínios da Mediunidade”. do que o próprio médium. acerca da Doutrina Espírita.não apenas aspectos específicos da mediunidade. ensinar. “Memórias de um Suicida”. que nem ele próprio conseguiu alcançar. e com a qual pretendemos ajudá-lo. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. Por outro lado. não tem muito a ensinar-lhe. “Desobsessão”. Portanto. de receber instruções doutrinárias. presunçosamente. que professamos. de Manoel Philomeno de Miranda. por mais modesta. porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. anotando suas peculiaridades. ainda. “Entre a Terra e o Céu”. deve 35 . A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. nem predisposto ao aprendizado. a autoridade necessária. admite. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. O médium. o companheiro encarnado. “Estudando a Mediunidade”. de Martins Peralva. ante evidências que lhe são mais do que óbvias. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. logo aos primeiros contactos. como ouvinte paciente ante um guru evoluído. “Nos Bastidores da Obsessão”. e com maior respeito e carinho. Sabe que e um Espírito sobrevivente. Ninguém precisa estuda-la mais. “Missionários da Luz”.

sem sustentação na afeição legitima. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. há argumentadores prodigiosamente inteligentes. tanto quanto nós. talvez. como já dissemos. Sua formação doutrinária é de extrema importância. encarnados. é de corações. Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. O confronto aqui não é de inteligências. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vicio de fumar. em que fomos. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às conciliações desenvolvidas no diálogo. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. E nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. freqüentemente. conhecer a doutrina e recitar prontamente qualquer versículo evangélico. Ele nos vigia. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. sumo-sacerdote ou rei. ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. companheiros de antigas encarnações. e não mestre. e. por certo. ou. a fim de obter dele a informação de que necessita. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. nem de culturas. A doutrinação virá no momento oportuno. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. um trabalhador. Entre os Espíritos que lhe são trazidos para entendimento. às vezes. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação. de que. como. analisa-nos e estuda-nos. não estão. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. Não se esquecer. ou um erro mais 36 . em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. sem conhecimento intimo dos postulados da Doutrina Espírita. observa-nos. O Espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas. do que o mero som das palavras que pronunciamos. que nos são trazidos às sessões mediúnicas. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do Espírito. ele é apenas um dos componentes. por serem. ele o saberá também. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. e até mais do que nós. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele.ter. de sentimentos. ainda. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. logo de início. mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. Percebe mais as nossas intenções. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. porém. mas qual de nós. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. A conversa com os Espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico. Se estivermos recitando lindos textos evangélicos. no grupo mediúnico. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros. comparsas de desacertos hediondos. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. mas isso não é tudo. dotados de excelente dialética. de quem os ouça com paciência e tolerância. Sua autoridade moral é importante. Muitas vezes. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. Os Espíritos em estado de perturbação.

Aqueles que já se purificaram a esse ponto. É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. para doutrinar. lógica. dedicam-se a tarefas mais complexas. que ainda não nos perdoaram. é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. a prova das realidades invisíveis. 37 . Façamos uma pausa na exposição. neste. porém. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. Muitos são desafetos antigos. que tanto nos interessa. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belíssimo poema. Tudo serve. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio. Para o Cristo. E aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. Para Ele. o esforço que desenvolvemos é digno. ainda. nossa boa intenção é legítima. afinal alcançado. não pelos resultados que obtemos.grave cometido no passado recente. Ele não pode dar aquilo que não tem. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. tal como a conceituou Kardec: sincera. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. 3 Em Paulo. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus. plenamente suportada pela razão. de maior responsabilidade. O doutrinador é também um ser falível e consciente das suas imperfeições. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. ou pretendemos ser. enquanto estás a caminho com ele. Pela fé. mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. sobre o qual ainda falaremos adiante. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. O doutrinador precisa. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. de que somos julgados e avaliados. no capitulo 11 da Epistola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. Que tipo de fé? A fé espírita. inabalável. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. que nos conheceram em passado tenebroso. convicta. É exatamente porque ainda somos tão imperfeitos quanto ele. Não é preciso ser santo. Deve lembrar-se. ser uma criatura de fé viva. e nos respeitarão por isso. 17:14-20): 3 O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. Por outro lado. ainda. o manifestante acabará por admitir que. vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje. eu não saberia dizer. como em tantos outros contextos. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. É preciso levar em conta. confirmou no coração do homem. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. para um exame da fé. Se tivermos paciência e tolerância. que muitos companheiros espirituais desarvorados. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. positiva.

e ainda mais: que aquela classe de Espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. vai encontrar a resposta ao que implora. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. nós outros. Sem ela. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. Batidos pelo fracasso. provavelmente desacordado. ranger os dentes. era possuído por um Espírito mudo. Ele deve saber que. da 57ª edição da FEB. em beneficio do companheiro que sofre. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda. pode ser crença. Somente assim será inabalável. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir. opinião. (Destaque meu) O comentário de Kardec é de transcendental importância. feita por quem possuía autoridade mais do que suficiente para fazê-la. derrubava-o ao solo. de remover montanhas de terra e pedra. essa fé não procura os meios de vencer. pouco depois resultam a incerteza e a hesitação. A conceituação de fé tornou-se. com relação aos demais atributos necessários à sua função. Os discípulos já haviam tentado. pedem explicações. que não consegue fazer quem duvida de si”. porém. e o deixava rígido. Respondeu-lhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. “nada é impossível”. em todas as épocas. Ele tem de saber que. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. ao levantar-se para dar um passe. com ela. Fora disso. segundo o pai. “Da fé vacilante — diz Kardec. Sem ela. 38 . e nada vos seria impossível”. Dificilmente se poderia dizer melhor. pouco ou nada podemos. confiantemente. Os discípulos nada puderam fazer. O episódio é de grande força e beleza. é certo. conjetura. É uma afirmativa de extraordinário vigor. por mais bem-dotado que seja. depois de curá-lo. páginas 284 a 293. mas não será fé. o doutrinador estará desarmado. E também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão. tem que “encarar a razão” destemidamente. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. expulsar esse demônio?”. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. Não se trata. No contexto. Ao comentar a passagem. ao formular sua prece. parecer. com Kardec. e. Para não transcrevê-lo por inteiro. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. porque não acredita que possa vencer”. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. Precisa ser inabalável. com tão poucas palavras. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. aqui. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais. Resposta: fé.— Os discípulos vieram. então. e ela se transportaria. e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater. despreparado para a sua tarefa. em todas as épocas da Humanidade. ter com Jesus. Jesus cura o infeliz possesso que. que se apoderava dele em qualquer lugar. definitiva. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível. fazia-o espumar. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). sem êxito. em particular. presunção. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema. Pois em verdade vos digo. suspeita. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. sempre.

é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera.. O amor não é invejoso.. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. segundo o Cristo. no trabalho de desobsessão. e. porque é ele o seu porta-voz. indiscriminadamente. no ambiente de trabalho. para os irmãos desorientados. sou como o bronze que soa e o címbalo que retine. que se concentre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos. * Isto não esgota. portanto. terrenos. Se respondermos a sua agressividade com a nossa. da mais violenta revolta. A sustentação do seu teor vibratório. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros. O amor é paciente e serviçal. para isso.Além disso. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. se não tenho amor. do rancor. na psicologia do doutrinador. amor fraterno. incondicional. porque. tanto quanto o amor descaridoso. do ódio. ainda. Outro ingrediente necessário. Impossível seria considerar a caridade sem o amor. usualmente. em nota de rodapé. o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do 39 . traduções modernas do Evangelho substituíram por amor a expressão caridade. mas particularmente se dirigem ao doutrinador. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. do amor passional e egoísta. transformado em compreensão. por assim dizer. na sua vida de encarnado. que se dirige. que aparecia nos textos mais antigos.. é o amor. Do amor que. nem presunçoso. sincero. no campo do amor. não é interesseiro. a esperança e o amor. Se tudo se acabasse. ao se apresentarem diante de nós. Sem nenhuma figura de retórica.. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis. Tem seus parentes. Não e por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. do trabalho. que a expressão do original grego agapê. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador. não se irrita. O amor tudo crê. para distribui-lo assim. restariam a fé. Se não tem fé. E desse amor-doação que precisa o doutrinador. Se não tenho amor. diferente. em favor do próximo. É isto bem verdadeiro. nada me aproveita. a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. portanto. do belíssimo capitulo 13. bem como suas cóleras e suas ameaças. precisa estar ligado aos Planos Superiores. Muitas vezes. principalmente.. pronto na doação. o responsável pela direção dos aspectos. devemos sentir. mas não conta com grandes afeições e dedicações. não é temerário. como força construtiva do bem. tudo espera. não tem orgulho. vive rodeado de conhecidos. — “É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. que o ajudam e assistem a distância. com relação aos nossos próprios inimigos. do mais angustioso desespero. A Bíblia de Jerusalém lembra. O amor não se acaba nunca. deverá vir de Cima. nem precipitado. é preciso ter. tolerância e. É lógico e natural. Por isso. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento.. é ele. Sem amor profundo. tudo suporta. Agapê é o amor-benevolência. o médium doutrinador não se encontra. a capacidade de amar os inimigos. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. legitimo.

doutrinador. Nem pretendemos esgotá-lo aqui, ou afirmar que somente pode investir-se na
função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. Não
estamos ainda nesse estado evolutivo.
Prossigamos, no entanto, ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da
personalidade de um bom doutrinador.
Se não dispuser de um mínimo de aptidões, o candidato a tal função deve procurar
desenvolvê-las, ou assumir outra tarefa, para a qual seus recursos pessoais sejam mais
adequados. Uma dessas virtudes é a paciência. Não pode ele, sem prejuízo sério para o seu
trabalho, atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. Tem que ouvir,
aturar desaforos e impropérios, agressões verbais e impertinências. Tem que aguardar o
momento de falar. Para isso, necessita de outra qualidade pessoal, não particularmente rara,
mas que precisa ser cultivada, quando não despertada: a sensibilidade, que o levará a
sentir pacientemente o terreno estranho, difícil e desconhecido em que pisa, as reações do
Espírito, procurando localizar os pontos em que o manifestante, por sua vez, seja mais
sensível e acessível. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato, segundo a qual,
vamos, pela observação cuidadosa, serena, nos informando de determinada situação ou
acontecimento, até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão
sobre o assunto.
A paciência, a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos, mas
não disparam, por si mesmos, os mecanismos da ação, ou seja, não nos indicam a
providência a tomar, nem nos sustentam no que fizermos. Para isso, se pede outra
disposição que poderíamos chamar de energia, que deve ser controlada e oportuna. Há de
chegar-se a um ponto, na doutrinação, em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude
firme, enérgica, que não pode ser contundente, nem agressiva. É a hora da energia, e o
momento tem que ser o certo. Nem antes, nem depois da oportunidade. Veremos isto,
quando cuidarmos do trabalho propriamente dito.
Há mais ainda.
O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância, na mais ampla acepção
do termo. Vigilância quanto aos seus próprios sentimentos e pensamentos, quanto às suas
suposições e intuições, quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante,
quanto ao que ocorre à sua volta, com os demais componentes do grupo, quanto à sua
própria conduta, não apenas durante o trabalho mediúnico, propriamente dito, mas no seu
proceder diário. Convém repetir: não precisa ser um santo, e não o será mesmo. Vigilância
e boa intenção não são santidade. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento
constante.
Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de
mediunidade ostensiva? Em Espiritismo, não há posições dogmáticas. Minha opinião
pessoal é a de que algumas formas de mediunidade são desejáveis. Colocaria em primeiro
lugar a intuitiva, através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos
espirituais, responsáveis pelo trabalho, e desenvolvê-las junto ao manifestante, com seus
próprios recursos e suas próprias palavras.
Em segundo lugar, poria a vidência, que certamente auxiliará na visão de cenas e
quadros, ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais
companheiros. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência, e, neste caso,
ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual, que fossem de interesse
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para o seu trabalho. Isto, porém, não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra,
soprada desavisadamente, que o leve a falsos caminhos.
Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que
colocasse o dirigente, ou doutrinador, em estado de inconsciência. Ele precisa manter-se
lúcido durante todo o período de trabalho.
Uma confreira, experimentada nas lides espíritas, contou-me que certa vez se
encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. Relutantemente,
concordou em assumir o encargo, pois temia que sua ostensiva mediunidade de
incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. Realmente, foi o que aconteceu.
Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante, começou a sentir-se envolvida,
perdeu o fio da conversação e, sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —, daí a
pouco estava, por sua vez, também incorporada, criando certo pânico na sessão. Depois
dessa experiência, ela passou a recusar, com firmeza, qualquer solicitação para funcionar
como doutrinadora, dedicando-se a outras atividades, tão nobres quanto essa, para as quais
estava perfeitamente preparada, com a abençoada mediunidade de cura. Suponho que, por
isso, a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é, precisamente, a intuição.
Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual, esta via de comunicação bastará ao
seu trabalho. Por ela, seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão, com eficiência
e oportunidade, para a ajuda de que ele não pode prescindir. De uma vez por todas, tiremos
de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos
Espíritos Superiores. Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso, e não
poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. Já
fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade
Maior. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda, eles se afastarão, com
tristeza, é certo, mas com serenidade e sem remorsos, de vez que jamais impõem a sua
presença, nem a sua vontade. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos
Espíritos mais esclarecidos. E, em breve, não haverá nem bom nem mau, porque o
pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos
ardilosos, que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram, por sua vez, em
doutrinadores do doutrinador, pregando estranhas e confusas idéias.
Com isto, chegamos à outra faculdade necessária ao doutrinador a humildade. Ele vai
precisar dela, com freqüência impressionante A princípio, para aceitar as ironias, agressões
e impertinências dos pobres irmãos atormentados. Depois, se e quando conseguir
convencer, o companheiro, de seus enganos e de seus erros, para não assumir a atitude do
vencedor que pisa na garganta do vencido, para mostrar o seu poder e confirmar a sua
vaidade e seu orgulho. É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco
se converte em verdadeiro trapo humano, arrependido e em pranto, que o doutrinador deve
mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia.
Tem, ainda, que ser humilde no aprendizado. Cada manifestação traz a sua lição, a sua
informação, a sua surpresa. Em trabalho mediúnico, estamos sempre aprendendo e nunca
sabemos o suficiente. Se não nos aproximarmos dele com humildade, pouco ou nenhum
progresso conseguiremos realizar.
A humildade é necessária, também, quando não conseguimos convencer o
companheiro infeliz. Precisamos estar preparados para a derrota, em muitos casos. Nada de
pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. Claro que positivo, em
sentido genérico, ele sempre o é. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus
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propósitos, se tivermos tido habilidade e tato teremos realizado, no seu coração, a
sementeira da verdade. Um dia não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe
dissemos e conferi-lo com a realidade. Não contemos, porém, com o êxito total da
conversão imediata e definitiva, ao amor, de todos os Espíritos que nos são trazidos. Muitos
daqueles dramas, que se desenrolam diante de nós, arrastam-se há séculos. Não se ajustam
em minutos de conversa. Humildade, pois, para aceitar esses casos e continuar lutando. Não
somos super-homens, nem semideuses.
Humildade, ainda, quando precisarmos reconhecer o potencia intelectual do irmão
espiritual com o qual nos defrontamos. E isso é muito freqüente. Não quer dizer que nos
devamos curvar servilmente diante dele, rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu
conhecimento; quer dizer que precisamos admitir, às vezes, que não estamos em condições
de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. Nem é essa a técnica recomendada.
Suponhamos que compareça, para conversar conosco, um Espírito de elevada cultura, que
lecionou em Faculdades, ocupou assentos em Academias, recebeu, enfim, as honrarias que
tantos buscam, em vez da paz interior. Não é no terreno dele que nos vamos medir, não é
discutindo Filosofia, com ele, que vamos convencê-lo de seus enganos. Nesse campo, ele
dispõe de mais recursos do que nós. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que
arruinaram sua vida espiritual. Ele precisa de atenção, fraternidade, respeito e sinceridade,
não de debates estéreis, nos quais facilmente nos vencerá, para consolidar a sua vaidade
lamentável. Um pouco de humildade, da nossa parte, o levará a respeitar-nos também,
enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos, e de medíocre cultura
intelectual, só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. Nada, pois,
de aparentar o que ainda não somos. E, mesmo que o fôssemos, a humildade, ainda assim,
seria indicada.
Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. Já disse alhures que, em trabalho
mediúnico, temos que ser destemidos, sem ser temerários. Coragem não é o mesmo que
imprudência.
O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. Fustigados pela
interferência dos grupos mediúnicos em seus tenebrosos afazeres, os Espíritos violentos
comparecerão possuídos de irritação, rancor e ódio, mesmo. Manifestam-se aos berros, dão
murros na mesa, ameaçam céus e terras, procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos
implacavelmente, a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torno de
nossa família, provocar acidentes, doenças, perturbações. O arsenal de ameaças é vasto, e
eles manipulam, com extrema sagacidade, as armas da pressão. Se nos deixarmos
impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem, estaremos realmente perdidos, porque nos
colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. Os benfeitores espirituais sempre nos
advertem, de maneira tranqüila e segura:
— Nada de temores infundados. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos
compromissos espirituais, e não em decorrência do trabalho de desobsessão.
É verdadeiro, isso. Seria injusto, por parte das leis supremas, que, evidentemente,
governam o Universo, se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento
indevido e em punição imerecida. Estariam subvertidos todos os princípios da Justiça
Divina, se assim fosse. É até possível que uma ou outra, das ameaças esbravejadas contra
nós, se cumpra, ou seja, aconteça acidentalmente, como doença inesperada em um de nós,
ou em membro da nossa família. Estejamos certos de que, na sessão seguinte, virá de novo
o irmão infeliz, para se vangloriar:
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nem assim devemos nos desesperar e intimidar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. ou aptidões básicas: * Formação doutrinária muito sólida. difícil. * Vigilância. traçar um perfil ideal e. pois. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. * Sensibilidade. sem dúvida alguma. importantes também. o doutrinador é. os riscos são muitos. Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. * Tato. Isto.— Eu não disse? Não tema. Se. A proteção existe. Por outro lado. mas não para dar cobertura à imprudência. em particular: a prudência. Ao contrário. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. Procuramos. lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. à irresponsabilidade. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. trazidos ao diálogo. quanto mais apagado o seu trabalho. Não custa. As demais são desejáveis. e mais: os recursos socorristas virão. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas. * Humildade. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. É nele que identificam a origem de seus problemas. Ele precisa saber que o trabalho é árduo. como todo ideal. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. siga em frente. * Energia. Ainda voltaremos a este tema fascinante. * Autoridade moral. em geral. 43 . O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. rigorosas e numerosas. aqui. mas não tão críticas: * Paciência. as qualificações são. o organizador ou responsável pelo grupo. o pára-raios predileto do grupo. * Familiaridade com o Evangelho de Jesus. senão impossível de ser atingido. e do doutrinador. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. * Amor. usualmente. não significa que deveremos e poderemos deixar cair as guardas. * Fé. ou com alguém da nossa convivência. usualmente. mais eficaz e produtivo. e nenhuma projeção especial o espera. E ele. Em suma. porém. com ele se entendem e se desentendem. porque os Espíritos atribulados. idealmente. porém.

levitação e outras). a camaradagem e o respeito. antes de prosseguir. nem convívio com os Espíritos redimidos. * Prudência. deve o dirigente comportar-se como simples participante. que fiquem à nossa disposição. cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes. destinadas a abalar o mundo. dirá o leitor. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. pois. nos seus companheiros. fenomenologia espetacular. Precisa despertar. Tais participantes merecem atenção e cuidados. Precisa tratar a todos. OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutrinador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos.. médiuns ou não. sem paternalismos e preferências. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. Como é também o dirigente humano do grupo. exige dedicação. Devem obedecer à mesma disciplina. transportes. nos grupos de desobsessão. paciência. como as de efeitos físicos (materializações. ainda que não manifestamente. Há sempre outros companheiros. respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. a afeição. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. Disciplina não é sinônimo de ditadura. e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido.. sem abandonar a firmeza. Com respeito ao doutrinador. Nada disso. renúncia. cansativo. mas para servir e aprender. continuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. mas não é “o maior”. esforço concentrado. A essa altura. e sentem-se atraídos pelo trabalho. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. Não apresenta. precisa.* Destemor. como quaisquer outros que integrem o grupo. No momento de tomar a decisão. para debater problemas ligados ao trabalho. O trabalho é muito mais humilde. como já dissemos. sem mediunidade ostensiva. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. É. Poderá ser o primeiro entre eles. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. ademais. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. 44 . algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. Estão interessados num trabalho sério. falta ainda abordar um aspecto final. sim. com o mesmo carinho e compreensão. Quando o grupo reunir-se. Não esperemos revelações extraordinárias. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. também trazem ao grupo a sua contribuição. que podem e devem participar. É verdade.

ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade. incertezas. a exigir estudo. este sim. A um desses. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. inacabadas. como obras que o artista não teve suficiente dedicação e tenacidade para concluir. dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. a mediunidade talvez guarde relação semelhante. intimamente. o esforço constante de aprimoramento. através de um médium perfeitamente ajustado. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. as cansativas horas de exercício. em qualquer circunstância. Serão. pode deixar-se envolver pela frustração. e prestam serviços relevantes de apoio. que muitas mediunidades ficam. escrever páginas psicográficas. não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. Ainda que inconscientemente. e ao longo dos anos. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. sejam médiuns. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. dificuldades e desenganos. Além do mais. muitas vezes têm papel importante no grupo. como “dínamo de vibrações amorosas”. e preces. quanta vigilância. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. orientação e renúncias bastante sérias. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. espontânea e fulminante. nem de elogios balofos que o percam. facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. sem que ela tivesse consciência do fato. E é por isso. pronta e afinada. Quando assistimos à manifestação de um Espírito sofredor. ou a companheira. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. lhe é devido. ao contrário. como se o membro do grupo fosse mero espectador. Portanto. Por mais de uma vez. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. de uma hora para outra. Só excepcionalmente isso acontece. ou de fria observação. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. nosso respeito pelo médium. então. manifestemos. sem mediunidade ostensiva. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. de que estava pleno o seu coração. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantêm atitude construtiva. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. quando o companheiro. por assim dizer. muitas vezes penoso. o que é falso. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. nem mesmo desejável. também. Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. até chegar àquele ponto.Por outro lado. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas 45 . questionou a validade da sua presença no grupo. A norma geral é o desabrochar lento. da mesma forma que o Espírito crítico. Nada de ciúmes pelo que ele faz. dedicação. Raramente a mediunidade eclode assim. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter. ou companheira. Não é necessário que todos indistintamente. o companheiro. Sua participação é desejável. por acharem que nada estão fazendo no grupo. mas nosso apreço. quantas dores. se não tem condições de “receber” Espíritos. toscas e primitivas.

venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. não tinha. faculdades para as quais não estamos preparados. sua participação é preciosa. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado.mediunidades. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. Estudem e observem. sob supervisão de alguém mais experimentado. após comunicações particularmente penosas. com sabedoria e bom senso. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. Num grupo bem harmonizado. não pertenço ao corpo”. uma experiência pessoal. Se o pé dissesse: “Como não sou mão. e. Podem ainda contribuir para a fluidificação da água. deixaria de ser parte do corpo. sem açodamento ou excitação. A juízo do dirigente. que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. que eu tivesse captado. no entanto. às vezes. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. uma noite. que então nos procuravam. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. numa rápida vidência. A tudo ouvia. psicografia ou vidência. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. Sentava-me entre os companheiros. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. nem mesmo uma palavra perdida. deixaria de ser parte do corpo. Os resultados eram bons. pelo menos. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. Nenhum fenômeno. Quanto ao mais. Há condições para desenvolvê-la harmoniosamente. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. ainda não estamos preparados. sob este aspecto. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. com o tempo. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. Esse grupo. 46 . O participante. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico. vigie seus pensamentos. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. e por ele orientados. todos são úteis e necessários. senão de muitos. Tenho. nenhuma forma de mediunidade. Não pense. Neste caso. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. não vê ou não ouve Espíritos. que se acham apenas em potencial. permaneça concentrado e em prece nos momentos mais críticos. Sentíamos. darão passes nos médiuns. É possível que. pois. por certo. Conserve-se firme e tranqüilo. porém. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. há tantos séculos: — Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epistola. de ambicionar. porém. só porque não incorpora. ou mesmo desejar. capitulo 12. Mantenham-se em calma. atenção e vigilância interior. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. onde ficaria o olfato? Nada. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. procurava portar-me com respeito. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. sem saber ao certo o que fazia. ao sabor dos acontecimentos. como já ensinava Paulo. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. não pertenço ao corpo”. ou. em período de expectativa e de provas. que é inútil. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. porém. Com o decorrer do tempo.

custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. aquele que souber um pouco. Uns por mera curiosidade. ofertando o pouco de que dispomos: alguém se beneficiou. porém. procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. oferecendo sugestões sem colocar-se na posição de mestre infalível que tudo sabe. outros na expectativa de uma cura. não perdemos o tempo. nos são muito caras. mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual 47 . Não somos julgados pelos resultados. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. e. e a nós. e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. Este episódio é aqui documentado. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. sempre disposto a aprender mais. O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. como me conservaram no posto pela resto do tempo em que o grupo funcionou creio que correspondi à confiança que em mim depositaram. como a obsessão. outros na esperança de se deixarem convencer. a reaprender. seja de desarmonizações espirituais. longe disso. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. inesperadamente. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. por outra. espíritas. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. muitas vezes. colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. Esperemos com paciência. estamos. muitas vezes. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. estimulando-a com interesse. vida e consciência. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. B e é se limitarão às suas respectivas mediunidades. meu Deus! aos irmãos aflitos e desarmonizados? O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. Cada caso é diferente. Não posso dizer se dei boa conta dela. comecei a tarefa que me fora atribuída. a rever pontos de vista. cada manifestação é diferente. O certo. tomamos algumas decisões mais drásticas. E foi assim que. D fará as preces de abertura e encerramento. uma vez que cada um de nós é um ser diferente.antes da reunião. estados de angústia ou de desespero. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. ante a partida de pessoas queridas. no grupo. mais ostensiva. ou. mas. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. Os motivos são muitos. voltando-se para mim. Senti um “frio por dentro”. seja de males orgânicos. E. apenas para enfatizar a circunstância de que. Eu? que diria. assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. certamente relevantes. procurando ajudá-lo. não importa. ainda que timidamente.

não como norma de procedimento. por nome Pedro. julgo. E não é mesmo. em caráter permanente. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsediados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. a presença de pessoas perturbadas. do que se arriscar a pôr em xeque a harmonia e a segurança das tarefas. contudo. isso deve ser formalmente evitado. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. Sob condições normais. se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade. porém. com freqüência. junto ao grupo. sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. para que o trabalho seja feito. Em casos excepcionais. ao contrário. O grupo pode perfeitamente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. E mais adiante. na imensa maioria dos casos. seja a um público reduzido e selecionado. Na minha opinião. grupos que contem com excelente cobertura espiritual poderão admitir essa prática. mas. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação”. ou ausência de Espírito de colaboração.. é um Espírito endividado a redimir-se”. no ambiente em que se realizam as sessões. da 6ª edição da FEB). Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. essa presença pode causar consideráveis transtornos. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. 48 . e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo. precisamos considerar que antes de ser um médium na acepção comum do termo. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. em vários anos de prática. ou seja. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. não havendo necessidade de correr riscos indevidos. Assim. Por esse motivo (compromissos do passado). Mais do que desnecessária. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado será justo tê-lo nessa conta. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem recusa como falta de caridade. É preferível pecar por excesso de rigor. o obsidiado. No livro “Nos Domínios da Mediunidade”. na página seguinte (76. Não é a presença física deles. enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. na condição de médium desgovernado. que poderá trazer sérias complicações. são também médiuns. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. ou possesso. rancorosos e violentos. como regra geral.comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. — “. é bom repetir. seja a qualquer pessoa que se apresente. embora desgovernados. em muitos grupos. apresentam invariavelmente um componente mediúnico. que. nos trabalhos de desobsessão. sabemos que assim não é.. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. (Destaques meus) Assim. que vai facultar ou facilitar a tarefa. Sabemos que esta reserva é quebrada. no ambiente onde se desenrola o trabalho mediúnico. desajustados e ignorantes de suas faculdades e possibilidades.

em seu próprio lar. Evidentemente. até o local onde habitualmente se realiza a sessão. Nestes casos. ou não-iniciado. com relação aos segredos da intimidade alheia. e a solicitar livros. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial. Sem ser espírita. nessa hipótese. porque é da sua essência uma atitude de recato. a sessão exige tais cuidados que. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. mas. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. Pode ser. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. como disse. O trabalho mediúnico. um amigo a quem muito respeito e admiro. quem dela deve participar. é válida. a distância. se todos profetizam4. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. Ou então. de que o grupo não disponha no momento. esotérica e misteriosa. A pergunta. por conseguinte. como. Paulo. Há algum tempo. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. será convencido por todos. encarnadas ou não. Somente em condições muito especiais. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. É certo. versículos 24 e 25 —. como explicou mais adiante. Já naqueles recuados tempos. na Primeira Epístola aos Coríntios. Voltemos. passou a assistir. do grupo. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. adorará a Deus. número maior de médiuns. há sempre razões respeitáveis. antiqüíssimo. julgado por todos. Ao observar que os trabalhos enveredavam. para informar-se do assunto. voluntárias ou involuntárias. não é para ser divulgado. dava-se o fenômeno da indiscrição de Espíritos afoitos. ou um doutrinador especial. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. ainda. como espetáculo público. Isso. e entra um infiel. e o problema. Os segredos de seu coração serão descobertos e. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. me fez uma pergunta perfeitamente válida: — Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. por exemplo. Enfim. começou a observar. que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. no que diz respeito a pessoas perturbadas. em problemas de outras pessoas. de discrição. a formação de um pequeno grupo mediúnico. e ao trato das revelações de caráter intimo. Paulo dá o nome de profeta ao médium de incorporação ou psicofônico. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta. também. hermética. designando. especialmente o de desobsessão. ainda. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. nem exibido. não poderia ser realizada sob as condições normais. 49 .Em suma: a meu ver. obviamente. confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. uma vez mais. realmente. mas. deverá fazê-lo. como acontece com freqüência. com um caso especial. Pode ser. não. capitulo 14. como regra geral. de sigilo. às interferência. algumas sessões. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. prostrado de rosto ao solo. excepcionais mesmo. no seu 4 Ao que se depreende do texto. ou de recursos outros. e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. que não desejem. em dia e hora previamente combinados. interferir no fluxo normal do trabalho.

Não é para ser proclamada. E isto é legitimo e proveitoso. Por outro lado. encarava com simpatia nossa Doutrina. em estado de angústia. que eu aperto mais o laço. no desespero angustioso de me ferir. porque muitos dos que se acham mais fortemente entrincheirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu comodismo ou de sua vaidade. no entanto. por mais clamorosos que sejam. dizia: — Não tente escapar. Num caso. sem dúvida. acerca das fraquezas alheias. tratava-se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. Dizia ele que meu irmão estava presente. não podemos. com poderosos recursos de hipnotizador. que nem sempre é possível corrigir com facilidade e rapidez. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas. sob seu domínio. Dei-lhe razão. divulgada ou comentada. algumas experiências nesse sentido. se há estranhos na sala. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. e aparentemente dirigindo-se a ele. Sim. Sua esposa desencarnara relativamente 50 . talvez. um companheiro. Tive. Embora não espírita. precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. Todos nós estamos em posição vulnerável. com relação a essas impiedosas indiscrições. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa. Quem sabe se do próprio. ou revelação. também. que vai desequilibrá-lo. se o grupo está bem ajustado e integrado. suas angústias. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. o problema se torna bem mais sério. essa informação é recebida com reserva e. ou seja. com redobrado respeito e discrição. mas. de não admitir pessoas estranhas às tarefas. que ele chama de infiel. e partiu arrependido e em pranto. em um grupo mediúnico a regra que havíamos estabelecido. não é? Graças a Deus. Quando. o ardil não produziu os resultados que ele esperava. surge uma denuncia. ou vítima. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. Ou.pragmatismo. com todas as suas fraquezas. Uma ocasião. se verdadeira. ou não-iniciado. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. seus desenganos e seus erros. O companheiro acabou se convencendo. e nem as movia a simples curiosidade. nem o tenha trazido. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. Por duas vezes quebramos. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. no decorrer do trabalho mediúnico. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. todos se estimam e se respeitam. não me deixei impressionar. infelizmente. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajustamento no mundo espiritual. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho. graças a Deus. Por isso. não é a leviandade de um pobre Espírito. o de levar o descrente. via no caso o seu aspecto positivo. que ora mo trazia? Felizmente. De modo que. que desejaríamos continuassem em segredo. A introdução de um estranho causa certo desajuste.

que não conseguimos vencer. porém. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. ou amigo que. Se alguém destoar. de perseguições. como poderão oferecer. é necessário um exame bastante criterioso. ainda que bastante credenciados. e ele estava profundamente abalado. mas são implacavelmente disciplinadas. deseje participar do grupo. A instâncias de um dos nossos companheiros. temporária ou definitivamente. Na verdade. se for o caso. a não ser os componentes regulares da equipe.. para que todos possam trabalhar de Espírito desarmado e tranqüilo. É certo que. deve ser afastado. de espionagem e de regras policiais. franco e leal. o exemplo da solidariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. tomando conhecimento da nossa atividade. Se ainda não alcançamos o número prefixado. Nada. o anverso da medalha. e lá ficou. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. Por mais que nos pese. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. Em qualquer caso. RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. da inquietação. em silêncio e em atitude respeitosa. voltamos à rígida política de não admitir ninguém. Não creio que o assunto esteja esgotado. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. e por mais que relutemos intimamente. Depois dessas duas experiências. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite. Sentou-se em uma cadeira à parte. não podemos cogitar de receber mais companheiros. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. para que a sessão pudesse realizar-se. e parecia pairar no ar certa dissonância. em circunstâncias semelhantes. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. fora do círculo que compunha a mesa. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho. mas eles se arrastaram dificultosamente. Talvez alimentasse ele a esperança de uma notícia acerca da esposa ou. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa.. porém. até uma palavra dela mesma. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe.jovem. a ponto de introduzir um fator de perturbação. é a regra. com as mesmas características. com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. portanto. e isso nem passaria pelas nossas mentes. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. Se os componentes do grupo não se entenderem. 51 . em caráter permanente. da indisciplina. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. A disciplina deve ser consciente. Esse aspecto negativo repetiu-se. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. podemos considerar a possibilidade. Essa. quem sabe?. conscientemente. Há. por parte de nossos benfeitores.

encontrei sempre. critico. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. em grupos responsáveis. e desapaixonadamente. A experiência indica que. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. O candidato não deve impor condições. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. poderá. pois. ou se outro deve deixar o grupo. Certo. também. aniquilar o grupo. com sua influência. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. leal. para ajudar a decisão. as condições de trabalho. tanto quanto possível. e só então. de simbolismos. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. Se nos convencermos de que ele. Os benfeitores espirituais. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. dinamizadora e eficiente. deverão ser expostas a ele. E um grupo sério. preparados para enfrentá-lo. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. está em condições de integrar-se na equipe. de rituais de “batismo”. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. trazendo uma contribuição construtiva. como os demais membros. de início. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo. revitalizando o grupo. Se. pois. apoiado em boa base doutrinária. ou infestado de frustrações. do ponto de vista do candidato. ou se deseja brilhar. Juntar-se a um grupo para tirar partido. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. como noutro. Estejamos. as suas credenciais. Não contemos. e só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. porém. mesmo consultados. às quais ele deverá subordinar-se. o que lhe competirá fazer na equipe. A admissão de um novo componente pode alterar profundamente a estrutura e os métodos de trabalho da equipe. Como se faz isso? É preciso considerar. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. e dar impulso às tarefas. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. Cabe-nos. Nada de processos iniciáticos. são deixadas aos encarnados. está mal preparado. evitando. O problema é nosso. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. nem insistir na sua admissão a qualquer preço.das qualificações e intenções daquele que se oferece. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. em diferentes grupos. dos que estão do lado de cá da vida. 52 . ou seja. Neste caso. digamos terrenos. ou ela. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza. também com franqueza e serenidade. e o que se espera dele. disciplinado? Ou agressivo. examinar com serenidade. agora. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. mal-humorado? que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. Apreciemos o problema. do grupo. para buscar vantagens e privilégios. ou seja. a mesma atitude. tanto num sentido. as deliberações quanto aos negócios. fechado. tranqüilo.

É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente. É possível que a sua sugestão seja acolhida.Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. Deve procurar integrar-se no trabalho. 53 . E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. inabordáveis. e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. Como estudantes que somos. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios. aconselham correções e reajustes no método de ação. Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. mas não deixe de expressar seus pontos de vista. O próprio estudo. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos. Além disso. ao dirigente do grupo. Aja com prudência. aprendemos mais e melhor. se os julgar oportunos e aplicáveis. com a intenção de melhorar o trabalho. Faça-o. inacessíveis. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. ainda que não indesejável. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. não se vanglorie. tão cedo quanto possível. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. por terem caminhado um pouco mais do que nós. como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. aqui e ali. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. e nada mais do que isso. Sua presença não deve ser impingida sob condições. desejamos com todo o Interesse o certificado de conclusão do curso. que é o reino de Deus em cada qual. Não se magoe. para chegarem à paz interior. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. de início. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. mas não herméticos. se o forem. Suponhamos que seja admitido. Mantenha-se discreto e tranqüilo. Enquanto alguns se acham à nossa frente. no mundo espiritual. a fim de sermos. amigos e guias. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. companheiros. OS DESENCARNADOS OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica. observando tudo sem Espírito critico negativo. 2. em particular. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. se não forem acolhidos. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. outros nos seguem um passo ou dois atrás. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. de preferência. para nunca mais esquecer. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. Todos nós temos. Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. com habilidade e na oportunidade adequada.

insubstituível. semi-inconscientes. que se torna. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. imersos em lamentável estado de inércia mental. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas. que tipo de tarefa nos será atribuída. segundo sua natureza. Como estavam. quase sempre. porém. por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. Não sabemos. Em casos como esses é necessário. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento. num esforço considerável de automaterialização”. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humana”. muito bem estudado. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. ao iniciar uma atividade mediúnica. podemos estar certos. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados. recorrer à terapêutica da mediunidade. em muitos casos. é certo que um Espírito amigo se manifeste. a enfrentar. pois. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. Tornara-se. não obstante. porém. Pereira. Para que fossem tocados na intimidade do ser. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. É preciso 54 . a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. o Espírito culpado se aliena. Uns tantos desses. É certo. Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. mais inconsciente do que conscientemente. o isolamento e o manicômio. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. Habituados a tais vibrações mais grosseiras. Sem dúvida alguma. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. urgente despertá-los para a realidade que se recusavam. em contacto com o ser humano encarnado. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade. profunda e inexorável. conduzidos no mundo espiritual. Nessa altura. Em “Reformador” de fevereiro de 1975. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados. como vimos. Os casos estavam distribuídos. é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco.É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. como preliminares a tarefa mediúnica propriamente dita. pois. que eles já dispõem de um plano. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. já estudaram nossas possibilidades e intenções. ou seja. Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. “permaneciam atordoados.

O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. ou um desportista bem treinado. na Espanha e no Brasil. de quando em quando. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. são rígidas. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. (Destaque desta transcrição) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. e as qualificações exigidas.localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados. escorado na Doutrina Espírita. evitam dar ordens. do seu longo período de adestramento. negam-se a impor condições. de estudo. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. um Espírito. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. leais e francos. falam com simplicidade. pois. E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. são examinadas as “fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame”. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente. Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. mas revestem-se de autoridade. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoalmente essa realidade. São modestos e humildes. com nomes desconhecidos. ilusões. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. muitas vezes. dentro do Evangelho do Cristo. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. discorrendo sobre a anatomia do trabalho. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. de repetição e correção. recomendam e põem-se de lado. Corrigem. Certa vez. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. diante do corpo vivo do próprio trabalho. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. Sua presença 55 . a observar. Decide-se por este último e. Aconselham. são tranqüilos. Amorosos. porém. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. em seguida. disposto a amar incondicionalmente. A competência costuma passar despercebida. sugerem. mais tarde. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições. dirigia-se. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos. retificam e estimulam. Preferem ensinar pelo exemplo. a suave facilidade com que se desempenham. particularmente agressivo e desesperado. Apresentam-se. para as tarefas que desempenham junto a nós. Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho”. Lembremo-nos. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. de renúncia. Assim são os companheiros que nos amparam. mas firmes.

Ligados emocionalmente a nós. Merecem todo o nosso respeito e carinho. para o exercício do livre-arbítrio. para estender-nos a mão. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. e isso teria sido. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. não nos faltarão com suas advertências amigas. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. Não desejam. por esses atalhos. para que tenhamos o mérito dos acertos. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. que não está se entrosando? São problemas nossos. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. portanto. Mesmo no trabalho específico do grupo. Poderiam os Espíritos Superiores. de uma óptica essencialmente humana. como preces exclusivas. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apóia-se nos mesmos princípios. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. colocar as questões. Dificilmente nos dizem o que fazer. porém. Guardam. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. sob orientação de seus companheiros desencarnados. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. Voltam sob seus passos. Mesmo com relação à essência do trabalho. para que ele formulasse as perguntas. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutrinário. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro. a fim de que. nossa experiência ensina. os Espíritos não nos tomam pela mão. Não foi assim que fizeram. de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. amorosos e apreensivos. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. mas não impõem a sua vontade. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. não obstante. mesmo erradas. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. de forma alguma. Podem ser bem-intencionados e realizar trabalhos de valor. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. a nosso turno. segundo nosso entendimento e bom senso. ou símbolos místicos e vestimentas características. com êxito. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. que nos tornemos dependentes deles. ante duas ou mais alternativas. talvez. que podem realizar o mesmo 56 . não precisariam trazê-los até nós. de seu próprio ponto de vista. para qualquer passo que tenhamos de dar. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. mas respeitando nossas decisões. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. Haverão de nos seguir a distância. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas humanas. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. Só que. mais fácil. Inspiram-nos através da intuição. Jamais nos recomendam ritos especiais. interferem o mínimo possível. Em suma.é constante. às vezes de antigas experiências reencarnatórias. limitam-se a aconselhar e sugerir. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. e caberia aos homens. ao longo de anos e anos de dedicação.

já adestradas para esse tipo de encargo. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. Ignoram como foram trazidos. O suporte de que os grupos mediúnicos necessitam vem do mundo espiritual superior. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são levados a centros de reeducação e tratamento. com bons modos. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. para trazê-los até nós. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho 57 . para entender. São eles os preparadores das tarefas especificas do grupo. são aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos. autênticas sessões em pleno Espaço. imagens. ou irmãos que. mas com firmeza. já atendidos por nós. Técnicas de magnetização e persuasão. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. ou melhor ainda. de assistência e amparo. juntam-se aos benfeitores. falando através de um médium. enquanto adormecemos no corpo físico. socorrem-nos com seus recursos. e entregues a outras equipes espirituais. que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos. mais do que nunca. ritos ou vestes especiais. em casos mais difíceis. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. símbolos. Nada. ou se dizem convidados. Inúmeros recursos são utilizados para isso. Encerrada a sessão. com eles. muitas vezes. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. de velas. Os benfeitores assistem à sessão. muitas vezes tidas por inexpugnáveis. De outras vezes. realizamos. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. Freqüentemente. Muitas vezes admitem estar constrangidos. nos momentos críticos. pois. com eles. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. é claro. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. incorporam-se em outro médium. ainda que de limitados recursos. depois que o Espírito necessitado é atendido. ainda desconhecidas de nós. no decorrer de muito tempo de trabalho. estejam ou não despertados para a realidade maior. O trabalho que nos trazem obedece a planejamentos cuidadosos. desprendidos. onde qualquer exteriorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. Somente a observação atenta. Os Espíritos desarvorados. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. encarnados e desencarnados. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. seja por que razão for. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. sob controle. a mais delicada e de maior responsabilidade. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. contidos. Não é preciso. parcialmente libertos. até o preparo de uma nova encarnação. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. às profundezas da dor e. mas não sabem de onde vem a força que os contém. Descemos. é feita no mundo espiritual. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço.tipo de trabalho. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. nossos Espíritos. Durante a noite. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. necessitam.

Ao cabo de algum tempo de convivência. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. e sobre a Doutrina. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. Se não estivermos atentos. sem. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cuidados. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. dentro em pouco. é impraticável um trabalho produtivo e positivo. Isto não quer dizer. porque contem. para acolher apenas o que a razão sancionar. em particular. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos. porém. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. usualmente. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. ao contrário. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. E esta a mensagem que. insistimos. Em casos assim. 58 . Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração. sem análise critica. Durante o desenrolar dos trabalhos. fica entregue à sua própria sorte. incentivanos a tudo examinar. e. É preciso. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. A delicadeza do trabalho e seu ponto critico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. em geral. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. com o grupo em vias de desagregação. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante. se possível. nem sentiremos a mudança. em nossos desprendimentos. estaremos inteiramente dominados. que entendem necessários. Se o grupo transvia-se. entretanto. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. O grupo bem orientado. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. às vezes. portam-se com discrição e serenidade. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. deve ser gravada. mas isto não é comum. com seus recursos magnéticos. interferindo o mínimo possível. Fazem isso mais para marcar sua presença. amigos. e uma ou outra recomendação sumária. e sustentado pela prece. Não temam”. quando não desarvorados também. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. Essa vigilância.invisível. para substituir os mais esclarecidos. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. como figuras sempre secundárias. no entanto. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. do qual participamos. cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. formulado o juízo sobre os nossos orientadores. é indispensável. Ao final da sessão. e até obsediados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. no princípio da reunião. se nos mantivermos atentos e vigilantes.

Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. porque. outra coisa. utilizar-se-ão “Essa medida — escreve André Luiz. sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. O OBSESSOR 59 . transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas”. E. estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. então. preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. e objetivamente. de socorro às almas que sofrem dores maiores. trazem também amor no coração. Temem mais o amor do que o ódio. no fundo. para não tomar tempo às tarefas de atendimento. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. abandonado. que. Vimos àqueles que pertencem às equipes socorristas. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. a que dão combate sem tréguas. A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. a renúncia. em planos muito superiores aos nossos. OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. nas lutas redentoras em que se empenham. à soleira da perfeição. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. em relação à que eles nos oferecem. há séculos ou milênios. na condição de condutor do agrupamento. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. Claro que não são. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. precisará dirigir-se ao conjunto. senão serem convencidos de seus erros. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução especifica. e ninguém deve esperar perfeição. sua gritaria. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. nunca chegaríamos a fazê-lo. Não buscam. A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. perante a Vida Maior. mas cingir-se às tarefas especificas do grupo. quase sempre. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. como todos nós. a despeito de tudo quanto digam ou façam. coisa ainda mais estranha. impurezas e imperfeições. Não nos iludamos com os seus rancores. situados. seres redimidos. apenas visíveis a ele. ao amor fraterno. nem se julgam. dedicados ao bem. Ninguém precisa. para retomarem o caminho evolutivo. ao trabalho construtivo. As perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética. O próprio trabalho a que se dedicam. Ainda trazem. porquanto existem situações e problemas. e o amigo espiritual. em “Desobsessão” — é necessária. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. para servir. às vezes.

através de passes. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico. e sempre temporária e intermitente. Quanto maior esta for. tanto maior também será aquela”. ou seja. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar da um encarnado. o obsidiado fica envolto e impregnado de fluidos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluido melhor”. no entanto.Todo o capitulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão. “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão. falece a quem não tenha superioridade moral. menos a ele próprio. (Os destaques são desta transcrição) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima. Nessa linha de raciocínio. por processos magnéticos. A possessão. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral. ao Espírito encarnado. que Kardec considera. enquanto que na possessão. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. escrevi o seguinte: “. artigo “Possessão e exorcismo”. de uso mais antigo”. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais”. Acha. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”. cumpre. No primeiro caso. o Codificador. a fascinação e a subjugação. porém” — adverte Kardec —. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente” “Na subjugação” — diz ainda o artigo —. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples.. A primeira delas é a menos perniciosa porque. por exemplo”. Em artigo para “Reformador” 5. o que certamente o incomoda. “em vez de agir exteriormente. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. seja abandonado pelo seu dono. “Nem sempre. No segundo caso. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito. por isso. o Espírito atuante se substitui. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa. por assim dizer. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. assim como o desejo do bem. com a lucidez que o caracteriza. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. entretanto. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”. obrigando a sua vítima a gestos de dramático e lamentável ridículo”. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. portanto. na obsessão grave. pois que isso só se pode dar pela morte. em “A Gênese”. que se faça que o arrependimento desponte nele. ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima.. que segue. sobretudo. sem que este. toma-lhe o corpo para domicílio. para dizer que a fascinação é bem mais grave. usualmente. “basta esta ação mecânica. 60 . E acrescenta: “Mas. Ao reexaminar o problema. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios. conseguintemente. por meio de instruções habilmente ministradas. Seu engano é evidente a todos. fascinado e servil. por mais fantásticas que sejam. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe 5 “Reformador” de maio de 1974. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. Esse artigo prossegue comentando Kardec.

mas por alguém em seu nome. acerca das técnicas e recursos auferidos para o trabalho. passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. como diz Kardec. um processo de vingança. mesmo sob formas femininas. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas. o porquê da sua revolta. (Destaques desta transcrição) Ninguém poderia descrever melhor. do seu ódio. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. Muitas vezes. Em “Dramas da Obsessão narra o Dr. Voltaremos a cuidar do problema. o sofrimento. vida após vida. no passado mais recente. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu. Deseducado moralmente. que não conhece limites nem barreiras. alucinado pelo ódio. nos liberam. Temos tido. porém. A obsessão é. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces. um caso desses: “Aterrorizado ante as vindítas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa.educação moral. Por mais violento e agressivo que seja. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas 61 . vindo a colher. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito”. assim disfarçado. ou mais remoto. Uma vez identificado o antigo devedor. e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. mesmo que a vítima o tenha perdoado imediatamente. no entanto. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. é invariavelmente um Espírito que sofre. ou obsidiado esteja na carne ou no mundo espiritual. mais adiante. pela mediunidade de Yvonne A. casos semelhantes. um diálogo. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. a vingança como que se despersonaliza. não pudesse ser reconhecido. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. amiúde. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade. pelo resgate. A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente. que. ainda que não autorizado por ele. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. pelo qual procuremos educá-lo moralmente. em tão poucas palavras. que tudo está previsto nas leis divinas. quando tivermos de conversar. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada”. De alguma forma grave. ainda que não o reconheça. aqui e no Espaço. O PERSEGUIDO A vítima da obsessão e sempre uma alma endividada perante a lei. ligando-se a ele por largo tempo. em nossa experiência direta. como conseqüência inexorável. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. Isto se faz buscando com ele um entendimento. esperançado de que. mas sem a arrogância do mestre petulante. Enganou-se. Pereira. Não importa que se lembre ou não da ofensa. Não importa que o perseguido. o núcleo de sua problemática. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. É preciso observar. A falta cometida contra o semelhante expõe seu autor aos azares do resgate. Bezerra de Menezes.

O arrependimento. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. ele não deve 62 . Mas. Seus compromissos eram tantos. impunham-lhe longos períodos de alienação. caminhadas. como se nada tivesse acontecido? Não. quando ainda encarnado. Ao que me disse. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual. jovem ainda na carne. descoordenando-lhe as idéias. tomavam-lhe o corpo. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. com a graça de Deus. e os outros. o que. sob formas monstruosas. Ao que nos foi indicado. as esperanças. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. inúmeras vezes. indispunham-no com a família e descontrolavam-lhe o pensamento. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. dia e noite. crises de mutismo. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. Estava agora mais exposto. os amores. talvez ainda mais encarniçada. sobre ele e sua família. porém. conseguimos aliviar a pressão que se exercia. Devemos. tem que ser construtivo. com equilíbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. em virtude do descondicionamento vibratório. Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono. de certa forma. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. segundo nos explicaram nossos mentores. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. continuamos ligados aos obsessores. porém. Por algum tempo. A perseguição continuou. num cerco implacável. A lembrança constante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. o poder. para as mais tresloucadas atitudes. enceguecidos pelo ódio. ou seja. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. certa vez. com destaque. Começamos a cuidar dele. localizado. certamente. reuniram-se em torno dele. os bens. Ao contrário. um de seus obsessores. então. Em nosso grupo. exerceu. Uma vez. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. que durava as vinte e quatro horas do dia. postavam-se diante de sua visão espiritual. para fugas.cármicas acusavam reincidências lamentáveis. do outro lado da vida. e tão sérios. esquecer de tudo. na esperança de minorar-lhe as dores. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. em tempos da Roma antiga. embora tenhamos alcançado. lhes dá alguma trégua. aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. tratamos dele por muito tempo ainda. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. com os cuidados necessários para não identificá-lo. custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. cada qual mais revoltado e odiento. espetavam-lhe “agulhas” de todos os tamanhos. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. os desencarnados são mais vulneráveis do que os encarnados. mais acessível à abordagem de seus algozes.

São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. ainda e sempre. pois é certo que ninguém sofre por acaso. A questão é tão importante. E preciso orar. isto é. E que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado.. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus. assim como perdoamos os nossos devedores. físico ou espiritual. evita que se 63 . o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. no Evangelho de Jesus. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior. para pregar sermões bonitos. seja com a moeda da dor. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. (João.. ou seja. aquele que foi ferido pelo seu companheiro. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. palavras e pensamentos. — Estás curado diz Ele ao paralítico. ao sermos ofendidos. que. que existe em todos nós. por mais gravemente que o tenha sido. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. Neste ponto. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor.”. no próxima século. mas pensam. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. mas libera o ofendido. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo. a punição. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas”. com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. A dor não é inevitável. da sua falte. Não que tenhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. sem dúvida alguma. buscar reacender a chamazinha do amor. servir. seja com a do amor. não peques mais. mas se não perdoardes aos homens.. O resgate pode ser despersonalizado. o Pai Nosso: — “. do aperfeiçoamento moral. continuamos ligados ao erro. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. senão hoje. deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. digno e sério. para que não te suceda algo ainda pior. 6:12 —. ele pagará. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. tão vital à problemática do Espírito. Da mesma forma. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. Isto não significa que. Sob as luzes da Doutrina Espírita. hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico.. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. 5:14) Dessa forma.paralisar-nos. de policiamento de nossas atitudes. ou no próximo milênio. na intimidade do seu ser. da prece e da vigilância. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. de dedicação ao semelhante que sofre. Jesus é ainda mais explicito: — que se perdoardes aos homens as suas ofensas. desse mesmo capitulo. mais de uma lição encontramos. com o perdão. No versículo 14. o resgate. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele. para que o outro resgate a sua falta. ao do erro.

procura punir o companheiro que o fez sofrer. Não e uma simples teoria. a oportunidade do reajuste. uma experiência inesquecível. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. em lamentável estado de desorientação. ao deixar tombar as guardas que o protegiam. pensando assim cumprir a lei de Deus. Certa noite. deslembrado de que ele próprio criou. mas se esquece. como poderemos negar o perdão ao que nos feriu. pronto para a vingança! “Assim que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar tais condições — “ele”. certa vez. passaram por todas as humilhações.. cansados de prisões tenebrosas. Meu Deus. acima de tudo. de revolta e dor. Um companheiro desencarnado. de outra maneira. mas que tanto temos relutado em experimentar. Julga-se no direito de cobrar. a lei do equilíbrio universal coloca o ofensor ao alcance da punição. quase. exatamente para as dores que resultaram da nossa imprudência em ferir os outros? O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários. E. e uma verdade. pois. ficam presas. pedindo a presença de parentes. que eles julgam justíssimos. por ser este o porta-voz. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. Também neste ponto tivemos. Com freqüência. Outros se afastaram.”. Estava novamente em poder de um Impiedoso hipnotizador. a duras penas. sofreram todos os tormentos. que o Cristo nos ensinou. com a sua incúria. solução imediata para o seu caso. a fim de serem doutrinados. No decorrer do diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca. por sua vez. Pois bem. “iria ver. os perseguidos apresentam-se em nossos grupos. Por isso. e. exigindo. nos primeiros momentos da libertação. Esgotaram todo o cálice de profundas amarguras. ou ignora. especialmente contra o doutrinador. de fato. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. aquele que fala e procura convencê-los a abandonar seus propósitos. cumpriram ordens iníquas. volta. O obsessor. o companheiro que havia sido recolhido. no desespero em que viviam. fugindo de obsessões que lhes parecem terem durado uma eternidade. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. para receber os nossos cuidados. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. de quem já o havíamos subtraído. em suma. se o exigimos para nós. que é. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. como ensina Kardec. o obsessor. pois a vingança não sacia coisa alguma. para que a “justiça” se faça. Quantos dramas. Senhor! Vêm transidos de pavor. onde nem 64 . dizia o nosso Paulo. Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas. que ele também está em dívida perante a lei. multidões enceguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança.reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. sem nenhum desejo de entregar-se à prece e. não estaria sujeito à obsessão. mas nem tudo me convém. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. A Doutrina dos Espíritos veio propor-nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta. as condições para merecer a dor que lhe é infligida. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. em sua penetrante sabedoria: — Tudo me é licito. a qualquer preço. por séculos e séculos. Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. submeteram-se a caprichos e desmandos. Ele próprio confessou o seu drama: recairá na faixa vibratória de seus perseguidores..

Espíritos superiores. escapam à sanha de seus perseguidores. que o obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e. estava cego. Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. no qual vamos descobrir. como num “vídeo tape”. as sensações que vêm de fora. tudo se precipita. até mesmo às profundezas da dor mais horrenda. inatingível. pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados. as nossas experiências. Um terceiro apresenta-se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”. não conseguia articular a palavra. Lembram-se da advertência do Cristo? — Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele. Da mesma forma. Um dia. DEFORMAÇÕES O perispírito é o veiculo das nossas emoções. pois se julga o último dos réprobos. porém. Só nos pôde dizer que foi um sacerdote e que traiu alguém. tornam-se inacessíveis aos seus processos. sem poderem interferir senão com uma prece. além de tudo. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres pago o último centavo. suas complexidades e seus mecanismos de reajuste. A problemática do ser humano. consegue murmurar uma palavra: — Jesus!. meu Deus! Outro. e já redimidos. ao assistir. Não está bem claro? E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura. com suas imagens. evadem-se das masmorras e libertam-se do domínio magnético sob o qual se encontravam. consigo mesmo: — que sacrilégio. de um gesto de boavontade ou de perdão. O Espírito pensa. sons e emoções. espontâneo ou provocado. recebidas através dos sentidos. e o juiz te entregue ao oficial de justiça. impotente. funcionando como molde. a ordenar as substâncias que vão constituir o corpo físico.. É o perispírito que preside à formação do ser. Subitamente. A muito custo. Trazia um peso na cabeça. após um longo período de reclusão. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece. Sente agora o peso de um enorme arrependimento e. pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos amigos maiores pode perceber. Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral evangélica. Passaram-se séculos. É nele que se gravam. e. seguem-nos os passos. são levadas ao Espírito pelos mecanismos perispirituais. a psicologia e a psiquiatria descobrirão o Cristo. também egresso de um calabouço.. 65 . o perispírito transmite o impulso. E fala baixinho.. o momento. quando convidado a orar comigo. o corpo físico executa. e este te ponha no cárcere.. deformações e mutilações. estão inseparavelmente ligados aos conceitos fundamentais da moral. Isto se demonstra no processo de regressão da memória. ainda que somente esboçada.. de um impulso de arrependimento. ou uma vibração amorosa. Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas: cegueira. ao cabo de agonias seculares. Chegado.chorar podia. durante as quais resgataram-se através da dor. ideal. Antes. Em suma: a Lei disse o “Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer. à escapada da vítima. não tem coragem de dirigir-se a Deus. a lembrança de torturas e horrores inconcebíveis. era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da dor. na mente. ou só poesia. fazia entender-se por gestos. Chegou ao fim o processo corretivo e reajustador. do que em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se escreverão.. para que não te arraste ele ao juiz.

alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e “baratas”. acabou falando inteligivelmente. culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia.. mandara mutilá-lo. parece que. portanto. pois um fauno não fala. Um ex-oficial nazista. então. desde pequenos cacoetes. cenas e emoções que pareciam diluídas pelos milênios. linhas atrás. no entanto. ele declarou que. apresentaram-se pobres infelizes.. a cada passo. chegado a sua vez. Encontramos. e humilhou-se. Muitos casos desse tipo tenho presenciado. e os trabalhadores da desobsessão encontram fatos dramáticos dessa natureza. e ele. porque a língua lhes tinha sido extirpada. pela tarefa de lançar discórdias. para que ninguém o ouvisse. A despeito de tudo. nos primeiros estágios evolutivos. como a daquele irmão atormentado que trazia o braço paralítico. Estava de tal maneira preso à sua indução. depois de reconstituída a sua condição. com o registro intacto da vida pregressa. vamos também nos libertando das mazelas que naqueles fluidos se fixavam. entrou numa crise de arrependimento que o salvou. 6 Zoantropia. por métodos implacáveis de hipnose. que. e sim cascos.com todo o seu impacto. a condição de um fauno. que envolvem o nosso perispírito. ao nos desfazermos dos fluidos mais pesados e escuros. Foi-lhe mostrado. a nossa ficha de identidade. porém. à medida que vamos galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva. muito comum naqueles que se acham ainda tateando nas sombras de suas paixões. ordenou a sua mutilação. inúmeros exemplos aflitivos de desequilíbrio perispiritual. em existência anterior àquela. desencarnado. que não se identificou. para pedir-nos. 66 . que não podia falar. Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que havia sido reduzido. porém. enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos enganos. em vez de agradecer a Deus o beneficio que acabava de receber. Tivemos casos de deformações “físicas”. tanto quanto as dores. mostrou-se desesperado de fome. em antiga existência. ou seja. Um antigo sacristão português. com que a princípio se apresentou. declarou que se vingaria daquele que. Havia. Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada condição moral. a nossa folha corrida. Um destes. assim. È ele. depois. como tudo no universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória. Renunciou a toda a arrogância. dissera: — Veja. É. Ele é denso. Não tenho mãos. era recompensado. teria mais um braço para brandir o chicote com que castigava suas vítimas. o nosso prontuário. É nele. pois era um mero escravo. Mas. é uma variedade de monomania em que o doente se julga convertido em animal. Nem assim ele se deu por achado: aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão. na prática mediúnica. um simples pedaço de pão. De outras vezes. Quando me ofereci para curá-lo com um passe. em voz baixa. Fazendo o médium exibir suas mãos. com abundantes “refeições regadas a bom “vinho” de sua terra. ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo que. Segundo o dicionário. para enorme surpresa sua. em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores. que se gravam alegrias e conquistas. 6 Vimos. que não podiam expressar-se senão por gestos. não resistindo à realidade. vamos nos purificando. ou apenas sensações quase físicas. e vaise tornando cada vez mais diáfano. pois. até deformações e mutilações terríveis.

pois na escalada espiritual nada se perde. não a um lobo feroz. Ademais. mesmo porque a lei 67 . Mantive calma inalterada. para que o grupo não entrasse em pânico. foi possível restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. ameaça outro componente do grupo. dobradas. caiu numa crise de choro comovedora e teve um impulso de generosidade. tentando convencê-lo de que era um ser humano. e que nem mais se conscientizavam de terem sido criaturas racionais. Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ectoplasmáticos e. Tivemos. pois ele não sabia quem era. Como ele não tinha condições de falar. que se tornou temporariamente irracional. Dificilmente temos oportunidade de endividar-nos tão gravemente. ainda. um dos benfeitores presentes informounos do seu nome. e tentou. Às vezes. se tornaria sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas palavras. Não que Deus nos castigue. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. Invariavelmente. unhas e não garras. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. ele investe contra mim. como um Pai severo e frio. quando resgatamos. aos poucos. certa ocasião. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. Embora o médium se mantenha sentado. gargalhando. diretamente. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. um doloroso caso de licantropia. aí pelo século XV. como se tentasse abrir-me o peito. por séculos a fio. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação. Não podíamos esquecer. num tenebroso antro. com as suas “garras”. sob a proteção de imunidades incontestáveis. sabe apenas rosnar. Inteiramente animalizado. e deve ter cometido erros espantosos. agredir-me. lamentando não ter condições de volver sobre seus passos. incorporado no médium. para libertá-lo do seu terrível condicionamento. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. Falei-lhe. na Alemanha. em termos de aprendizado. para arrancar-me o coração. que ele não era um animal irracional. pois. por longo tempo. esforçando-se por me morder. Insistia em ferir-me. mas. mas uma criatura humana. Foi um momento que exigiu muita vigilância e enorme cobertura espiritual. com outros seres reduzidos a condições semelhantes à sua. Retomada a sua identidade. não consegui caracterizar. Alcançado esse ponto. continuamente. e não se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. procurando atingir-me com as mãos. que tinha mãos. o Espírito não consegue articular nenhuma palavra. somente podem ter sido assumidas em posições de relevo. de sinistra região das trevas. de vez em quando. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. e da ternura que sentia por ele. Repetia-lhe que era um ser humano e não um animal. falei eu.Estivera mergulhado. onde conviveu. ele tinha crises assustadoras. em estado de vigília. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. com as duas mãos. alucinado. Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. sob as mais abjetas condições subumanas. Lembro-me de vagas cenas de atividades em desdobramento noturno. Sabia que. estava em estado de inconsciência total. por um minuto. que dívidas assim tão grandes e penosas. Fora também um poderoso. mas estava certo de que. um ser vivo que. errando apenas contra nós mesmos. A conversa foi longa e difícil. ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as palavras que eu dizia. no fundo do ser. É certo. e não um animal. Aparentemente. para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas masmorras de onde conseguiram resgatá-lo. a despeito da profunda e dolorosa compaixão. Ao apresentar-se. e não patas. ele preserva os valores imortais do Espírito. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente. mesmo. com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece. como se fossem patas. procurando desimantá-lo.

consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. como se tentasse surpreender algum carrasco. as cortinas. Como continuo a insistir em que ele pode falar. código sagrado que aviltamos. Enquanto fazia isso. Aos poucos. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. mas ainda insistiu em atacar-me. e voltou a conferir tudo na sala. a madeira. Estava ainda apavorado. desesperadamente. nos coloca à mercê da cobrança. Por fim. também pelo tato. e creio que. o estofamento. assinamos uma promissória inexorável. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas 68 . o rosto. pois ele se contorce e grita. a cabeça. o tapete. examinou. em silêncio. Ele começou a perceber os objetos. uma prece comovida e alguns passes. porém. um por um. A certa altura. no qual eu o acompanho. mas. caso contrário. eu ia lhe explicando o que era cada coisa em que ele tocava. numa sala limpa. que ele bebe sofregamente. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. talvez) as sensações do tato e da visão. orei fervorosamente. investigou. Apalpou a mesa que tinha diante de si. por isso. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. ele procurava me reconhecer. esmagado pela emoção. vamos transmitindo a ele uma sensação de segurança e calma. enquanto apanho o jarro. como se estivesse colocando juntas. ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. as suas próprias mãos. pela primeira vez. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. apalpando-me as mãos. realizou-se. mais uma vez. o rosto. Não havia dito ainda uma palavra. por alguns momentos. agora. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. quanto à sua posição na sala. e lhe servimos vários copos. para testar. à medida que se acalmava. o braço. o sofá. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. e não vai mais voltar para a sua prisão. as cadeiras. por tempo que não sei estimar. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. ele apalpou. e que está. Pacientemente. Olhou os móveis. Ao terminar a prece. o chão. e se desprende. que conservamos sobre outro móvel. os entalhes. a sala. percebo que está orando um Pai Nosso. (O médium. agora. pela visão. teremos com que pagar. me abraça. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. queixara-se de uma terrível sensação de medo. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. o corpo. ao cabo de muito tempo. desesperado. De pé. ao lado do médium. O trabalho todo durou uma hora. de vez em quando. começou a reconhecer o ambiente. Olhava para trás. Está calmo. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. emocionado até o fundo do meu ser. e.universal. Tudo que estava ao alcance de sua mão. realmente. o suave milagre do amor. ele começou a aquietar-se. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. A cada falta cometida. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. deixando o médium desorientado. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. sem uma palavra. não resta alternativa senão a dor. pouco antes da incorporação desse Espírito). parece que alguém o chicoteia violentamente. Examinou os componentes do grupo. Insistimos nos passes. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. em muito tempo (séculos.

no entanto. determinando todos os nossos condicionamentos. por tempo imprevisível. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. o capítulo V. esquecer que o passado está em nós. Nessas furnas de dor superlativa. Realiza-se. como se nascêssemos puros. através de contratos. manipulado com perícia. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. os bons e os outros. Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilíbrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. “Operações seletivas”. resgatam crimes tenebrosos. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. por conta própria ou alheia. em que a vítima do passado — esquecida de que foi vítima precisamente porque também errou associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. ou o magnetizador. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea. Por conseguinte.as suas implicações e pormenores. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. 69 . esse é um recurso 7 Leia-se. onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. volume VII da série André Luiz. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. é tão difícil quão doloroso. a angústia mais terrível. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. Entra em cena. à sua vontade. Nessas condições. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. é encaminhado a competentes manipuladores da hipnose e do magnetismo. Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. a fria equipe das trevas. Disso se valem. nos registros indeléveis do perispírito. às vezes. na medida em que erramos. a “solução” da deformação perispiritual. as condições mais abjetas. de forma que o Espírito. ai. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. no seu corpo perispiritual. nossos adversários espirituais. criaturas que. Somente nos expomos ao resgate. com extrema habilidade e competência. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. perde o uso da palavra. pela dor ou pelo amor. acordos. Quem não deve à lei de Deus? 7 É claro que o hipnotizador. de “Libertação”. a vítima acaba por assumir formas grotescas. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. então. ocuparam na Terra elevadas posições. a propósito. digamos. Se o caso comporta. não pode moldar. Não há como fugir a esse esquema. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. uma troca de favores. Não podemos. a alienação mais dolorosa. obviamente. porém. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. Aliás. que entre os homens permaneceram impunes. outros. tantas são as especializações lamentáveis. contra as quais nada têm. o perispírito da sua vítima. pessoalmente. valem-se de organizações poderosas. acaba por aceitar as sugestões e promover. pactos e arranjos de toda sorte. a culpa. imperam o terror. às vezes. iniciando o trabalho no campo fértil do endividamento de cada um. sem faltas e sem passado. A gênese desse processo é. que funciona como agente da vingança.

Eles precisam “lavar a sua honra”. Eles constituem importantes figuras. Comparece para observar. calculista. os recursos são semelhantes. magnetizadores. sem a sustentação dos poderes da Luz. e é preciso começar a reconstrução interior. Chegado. que não conseguirá agora. transtornados de ódio. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. nos braços amorosos. porque eles virão realmente fora de si. arrasado pela dor do resgate. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem traze-los. para reconstruir. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem 70 . Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. o grupo. invertendo-se os sinais da operação.de que se utilizam os trabalhadores do bem. com os escombros de um passado calamitoso. os mecanismos são idênticos. inteligente. com amor. embora ainda com muitos erros a resgatar. Comparecem planejadores. mas mudou a motivação. a fim de poder tomar suas “providências”. Geralmente. às vezes. pelos planejadores. e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. sondar o doutrinador. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. como vimos. Foi geralmente um encarnado poderoso. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. cirurgiões do perispírito. em nome de incontroladas ambições pessoais. doutrinadores. Não dispõe de paciência para o diálogo. que se transviaram muito gravemente. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. doutrinadores. em geral. como os pobres componentes de um é grupo de desobsessão. no tenebroso xadrez das trevas. O conhecimento ficou. recuperar o prestigio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los. trabalhando ao arrepio das leis divinas. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições intimas. numa excursão a essas furnas da dor. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. o que foi destruído com ódio. para a expectativa da libertação. ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. É essa. que precisa estar preparado. pedra por pedra. são aqueles mesmos que. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. que ocupou posições de mando. eles se voltam contra o grupo mediúnico. em épocas remotas. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. são Espíritos de consideráveis cabedais e possibilidades. ainda mais com seres que considera interiores e ignorantes. A promissória maior está paga. como a zoantropia. As forças são as mesmas. Esteja. Os casos mais graves de deformações perispirituais. médiuns. são relativamente raros. porém. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. somente a direção é que muda. frio. para impor angústias e aflições. e o que antes feria. Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. atento e preparado para recebê-los. em particular. médiuns e magnetizadores das trevas. experimentado e violento. o momento do resgate. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. agora quer curar. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. e a licantropia. porém. Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. ao voltar-se para o lado bom da vida. estudar as pessoas. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito. porque os arquivos da alma são permanentes. é arrogante.

intimidar. pois vinha nos afirmando. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. ameaçar. ou seja. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. de murros ou de violências. Nada de gritos. invisível aos nossos olhos. Apresentou-se mansamente. escravos. impessoal. são chefes. O impacto desta revelação. tocando campainhas portáteis. dos registros indeléveis do seu perispírito. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. aparentemente tranqüilo e sem ódios. desta lembrança. por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. ordenar. ou seja. Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. culto. um complicado problema de obsessão. de “elevada” condição. no ódio. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. envolventes. e sim na agressividade. anéis. Maneja muito bem o sofisma. não expede ordens. guardas. limita-se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. informou-me que. nem as executa. Para me dar uma idéia da sua grandeza. quando se deslocava. acólitos. Sorria. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. até. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. às vezes “armados”. enfim. pertencia a outro setor de atividade. incontrolável. Um deles me disse. Mostra-se amável. Comparecem cercados de toda a pompa. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. gostam de deixar bem claro. com horror. na desconfiança. vem exigir. iam à frente dele áulicos. mas de tremendo realismo para ele. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. consciente ou inconscientemente. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. Citarei um. Aliás. assessores. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. inteligente. desde a primeira manifestação. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. envolvidos em imponentes “vestimentas” portando símbolos. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia 71 . O PLANEJADOR Este é frio. deixaram-no em estado de choque e desespero. temem tais revelações. contemplou. a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. estão esquecidos das próprias angústias. mesmo porque. Os planejadores são elementos altamente credenciados e respeitados na comunidade do crime invisível. na tolerância. inescrupulosos. Não são executores. Tivemos vários casos dessa natureza. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. informou. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. certa vez. indicadores. Estão ali somente para colher elementos para suas decisões. na humildade. Estão rodeados de servidores. que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. que emergiu. Era um sacerdote.pedir. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. é excelente dialético.

É preciso compreender bem tais reações. onde não se admite o fracasso. porque é dos poucos. entendendo-se por “baixa”. como queiram: acha-se um cínico. valendo-se de sua brilhante inteligência. que sente enorme satisfação ao recordar que. É preciso prever reações. Toda campanha é estudada. Nessas estruturas rígidas. que procure meus superiores. também desequilibrados. e os executores teleguiados. evidentemente. que domina pelo terror impiedoso. aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. porém. porque já àquele tempo era um hábil articulador. e se apresta a abandonar o caso. da sua “humilde” posição. para as hostes da sombra. A certa altura. agressivo. Com o passar das semanas. pois sempre desprezou. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. destemido. sentem-se sem condições de estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. ali. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. com toda honestidade. segundo os interesses que tenham em comum. soubemos da perda irreparável que representou. Sente-se. e provar aos “cabeças-quentes”. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo.sofrido. Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. simples mortal. acima de tudo. já que sua tarefa é noutra organização. muito abalado nestes é últimos tempos. pois julgavam-no nosso prisioneiro. por achar-se ligado à organização poderosa. que proteja não apenas os interesses de cada um dos componentes. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. para tratamento. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. Pelas reações de irmãos. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. Por isso. Dar-nos-á uma trégua. em elevadas posições hierárquicas. estudar personalidades. Para alcançarem os objetivos que têm em mira. ao impulso. porque os impetuosos e agressivos chefes. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. Tem um momento de honesta candura. propõe um acordo entre dois líderes: ele e eu. Eles sabem muito bem que. ou realismo. ao desligarem-se da organização. mas. É evidente. consultavam a ele. Nada pode ser deixado ao acaso. desde que os fins sejam alcançados. com o qual não pretende envolver-se. Digo-lhe. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. mesmo “em vida”. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. aqueles que. manobrava os grandes. mas também a segurança da organização. Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. dotado de habilidade bastante para demonstrar. por certo. que lhe pediam conselhos e sugestões. O planejador é o poder moderador. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. implacável. o despertamento desse companheiro. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. naturalmente. que hoje estaria ainda dominando os homens. isoladamente. à improvisação. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas. que o interesse coletivo precisa 72 . estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. nas quais tudo vale e tudo é permitido. experimentados e audaciosos. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. o planejador exerce função importantíssima.

planejamento e ação. É preciso prever tais reações. portanto. Daí a importância que os trabalhadores do bem conferem aos planejadores. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. à improvisação. por fios e aparelhagem de transmissão. E o desespero de não tê-lo leva ao desvario. seus instrumentos. ou então. Nada pode ser deixado ao acaso. cabendo. Nada de ações isoladas. então. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. Tinham nossas “fichas” completas. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. atabalhoadas. Tudo se fará no tempo devido. que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. tudo a tempo e hora. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. comprar armamentos e entrar em ação. No interesse de todos. já estão agindo à base do impulso emocional. da ameaça. Não estão lidando mais com dados concretos. Esquecem-se de que. falava um desses lideres das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. ainda mais em situações de crise. dos murros. É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. naqueles redutos. É quando mais precisam de um competente planejador. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. para levá-lo “de qualquer maneira”. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. estudam-nos em grupos de trabalho. e. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do 73 . para os companheiros que permanecem na organização das sombras. com o propósito de se manterem firmes. por mais forte que seja este. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. certos impactos. no decorrer da sessão mediúnica. admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. Como não conseguem admitir isso. que nunca foi bom conselheiro. senão impossível. perseguições. É difícil. por aqueles mesmos dispositivos. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra. conquistas de posições passam a constituir objeto de cogitação coletiva. Sua perda acarreta uma desorientação geral. das ofertas de trégua. minuciosamente levantadas. mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. estudar personalidades. porém. Depois de tudo documentado. Os lideres militares são bons na ação. Andaram gravando nossas reuniões em “vídeo tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. A tarefa é muito mais sutil. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. dos conchavos. Há pouco. aos planejadores elaborar a programação da “campanha”. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. acham-se ligados aos seus redutos. A essa altura. dos gritos.sobrepor-se ao individual. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá. Mesmo enquanto conversam conosco. ao impulso. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. Não basta preparar soldados e equipamentos. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. pois. têm que esperar a vez e a oportunidade. apoiados pelos companheiros que lá ficam. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. E hora. O planejador é. Por isso. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. estudar o terreno. então. como tal. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas.

Depois de uma longa conversa. Afinal. * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda. se o soubesse. para vazar a sua cólera. a dar com as mãos na mesa. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns companheiros encarnados. Está em crise. a essa altura. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. pois não sabia que o grupo era aquele e. tentou recuar e voltar sobre seus passos. segundo informa. para ele. Fora realmente apanhado desprevenido. 74 . Hesita e negaceia. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. a sua frustração e o seu temor. em “Reformador” de fevereiro de 1975 —. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências.. sem falsa modéstia. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. É difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. e parte. que prevê. São os terríveis juristas do Espaço.amor fraterno. Encaixo. um comentário. meramente informativa. Gostaria de voltar a ser um humilde Galileu. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. traiu o Mestre. Não viera especificamente para debater conosco. vai revelando sua história. ao vê-lo.. Aos poucos. não teria vindo. interrogado com prudência paciente. “Estes também — diz o artigo já citado. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. num membro encarnado do grupo. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder. mas já era tarde. em pranto. OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras.) Conhece o nosso mentor e. até mais do que nós. com o que ele parece concordar com o seu silêncio. a seu ver. Identifica. Por fim. (É estranho que ignorasse isto.. admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva. em que ele vai revelando sua história. dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. agarra as nossas mãos. no século passado. uma pessoa que teria conhecido na França. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. Ao incorporar-se no médium. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. portanto. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita. mas sinto nele falta de convicção. Deixo-o falar. orando ao Cristo. É. mas também das inúmeras vezes em que. demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores..

deixou-nos uma das mais comoventes lições. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. como também autos já arquivados. aos seus vícios e às suas deformações. E até as revisões. os autos do processo. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. aliás. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. por fim. Revela sua elevada hierarquia. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. com as luminosas tintas do amor e da emoção. foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. apenas executa ordens. escrita. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. O EXECUTOR Sente-se também totalmente desligado da responsabilidade. medianamente instruído.. deblatera. ridiculariza. para argumentar comigo. em tom áspero e imperioso: — Não é este. sem dramas de consciência. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. quanto as atrocidades que pratica. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. e os apelos. seu mesmo. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. segundo este jurista invisível. os despachos e.autoritários e seguros de si. com vistosas condecorações. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. as perícias. Na sua opinião. sem remorsos.. pobre irmão. pois não é o mandante. Empenhara-se num processo tenebroso e complexo. as audiências. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. Quando pediu ao continuo que lhe passasse os autos. de obsessões violentas. em caso que. eu havia apelado. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. os pareceres. até assassinatos. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. os laudos. a sentença — invariavelmente condenatória. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. Só depois. e depois. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. com as sombrias cores do rancor. Há os que são compensados com prazeres mais vis. os depoimentos. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. sem temores. São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor: se desorientam)”. Não se teria dignado comparecer diante de 75 . com orgulho e frieza. cingem-se aos autos do processo. a princípio. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. invisível a mim. e ele. Um deles me exibia. Abriu sobre a mesa o caderno. Usualmente. Ao manifestar-se. com sentença proferida. qualquer juiz terreno. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. este lhe deu a documentação errada. desses companheiros desarvorados. as que mais se ajustam à sua psicologia. O engano foi. segundo informam ao doutrinador.

no entanto. Têm os seus temas prediletos. inteligentes. Quando. às vezes. porém. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. Passadas algumas semanas. mas que deixava aos nossos cuidados. com todo o nosso afeto e dedicação. orgulhosos. com a qual justificam seus impulsos e sua tática. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. Quando me lembro disso. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. ele que sempre foi destemido homem de ação. no tempo e no espaço. como ele precisava. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. de arrependimento. deliberadamente. necessária e justificável. sofrida. agressivos. O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “religiosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio.. Multidões de ex-prelados debatem-se. Seus “soldados” estão lá fora. quase sempre. em alguma coisa de que necessite. pois costumam trazer os mesmos argumentos. ao longo de muitos anos de prática mediúnica. Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo. a chorar o tempo perdido. Estava de partida para uma nova encarnação. sustentados por luminosos trabalhadores espirituais. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. de fato. a despeito de si mesmos. nas sessões de desobsessão. violentos.. Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. Conhece-me de longa data: sempre fui um herético impenitente. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E. um dia. 76 . no mundo póstumo. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. sem exigir coisa alguma. preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures. às vezes. Apresentam-se. a mesma teologia deformada.. mesmo sem o saber. empenhados na defesa da “sua” Igreja. começamos a conseguir dele alguma reação positiva. que se arrastam. à sua espera. em angústias e rancores inomináveis.. nas várias vezes em que compareceu ao grupo. São argutos. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. que invocam como exemplo de que a violência é. Era. a ausência do filho amado.. a nós. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além. a um Espírito muito querido ao seu coração. pobres irmãos desorientados. nem fica sem explicações. que não lhe era possível nem visitar.. Trazem dores milenares e. estávamos já servindo. Ao cabo de algum tempo de diálogo.. Aquilo era demais para a sua compreensão. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. para o reajuste.. É justamente isso que ele não entende: descobrira que. Assim são eles. um dia. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. incompreensível. embargada. como zelosos trabalhadores do Cristo. pelos séculos. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho. Havia mais. impiedosos e arrogantes. ofereço-me para ajudá-lo. O gesto não é gratuito.nós. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda. metido a reformista. a troco de nada. de amor. esquecendo-se. ainda me parece ouvir sua voz pausada.

no capitulo “Observações e novidades”. era dirigida por um ex-papa. 77 . mediante influência de certo Alexandre. Por aqui.. — “Não mediste. Emmanuel informa. ainda — diz Gúbio. o instrutor —. três pessoas em cada quatro. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. por todas as nações? Entretanto. vida após vida. porque também se revezam na poder. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil. vigilante. posições de mando e destaque. nas organizações religiosas a que se filiaram. à noite. mantendo estreito intercâmbio.. mas estas são ativas. o protetor de Abigai1. sob a égide do Cristo.— Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía. encarnadas e desencarnadas. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente 8. Constituem equipes imensas. ao qual deu o título de “Estranha moral” Ainda comentaremos tais problemas. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. investidos de enorme autoridade. isto é. e do dinheiro. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. não a si mesmos. freqüentes e tenebrosas. suas organizações sinistras e emplacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. conseguiu. Realizam-se reuniões. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. em “Paulo e Estevão”. (Mateus. Estão acostumados a dominar os outros. “incluir-se entre os negociantes privilegiados. ou seja. Kardec tratou dessas questões no capitulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. parente próximo de Anás. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. e. A determinadas horas da noite. por isso. estudo e planejamento. enorme cidade das trevas. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”. é intenso. Comparecem. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas”. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. 10:34). não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante. cuja libertação é o tema central do livro. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. para debate. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. mas a espada. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. pois tudo se permitem. Quase sempre exerceram. guardado na prece e assistido por Espíritos do 8 A organização visitada. que Zacarias. aqui e li. Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. bem escolhidas aos seus propósitos. O intercâmbio. três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. pela influência natural do sono. Aí daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. que se revezam na carne e no mundo espiritual. estavam associados os próprios sacerdotes. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz.

sem que ele o soubesse. encontrarão o espectro temido da dor. para dizer que “quando eu vou lá. participando. têm diversões. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. e do exercício da opressão e da intimidação. para estes irmãos 78 . Encontrava-se muito bem preparada pelos seus instrutores. se eu fosse seu pai. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. o que parece impressionála. Conservam.mais elevado teor vibratório.. precisamente a moça da semana anterior. então sob tratamento em nosso grupo. nos contou. mas ela teme e hesita. gostava da sua tarefa. ela não teria coragem de vir me ver.. sinto-a interiormente ingênua. pois gozava de inteira liberdade. A despeito de seus desvairamentos. Uma jovem desencarnada. Agindo sob hipnose. como alega. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. um plano maquiavélico. sem dúvida. Viera em busca da filha que desaparecera. faço uma prece e ela se sente perdida. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo. na missa. Enquanto estão ali. Vê uma jovem serena e bela que a chama. tal como faziam aqui na Terra. Ao longo de muitos séculos de intriga política. acaba cedendo e parte com ela. dessas orgias. todas se escondem”. com penosa ingenuidade. prazeres. sem saber o que fazer. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é licito. o desespero. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. que se saírem dali. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. na irresponsabilidade da sua inconsciência. à vontade. ela me confessa que veio escondida. nesse caso. desde que atinjam seus fins. suas jóias e todos os símbolos de suas posições. Conta que “ainda ontem. porque exsacerdotes fanatizados e duros ministram-lhes “sacramentos”. esses pobres “ministros de Deus” desenvolveram apurada técnica de trituração. Mas. Não é maldosa. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. por fuga ou fraqueza. digo-lhe. no mundo espiritual. E. ela respondeu que não. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a consciência atormentada. não anda fazendo boas coisas. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. Celebram suas “missas”. “Eles” não podem saber. Ligara-se a um ser encarnado. as lágrimas. seus paramentos. evidentemente. Totalmente teleguiada. Nesse ponto. assim. com o qual ex-”ministros de Deus” conseguem manipular. tagarelando inconseqüentemente. que vivia alegremente. pregam sermões. Tinha forte sotaque Alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado.. Sabem. e ela responde que. é irresponsável e perturbada. aliás. certamente. quase pura. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. prossegue. sentam-se em “tronos”. Aproveito o ensejo para dizerlhe que.. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legitimo. mas nem tudo nos convém. a quem estávamos interessados em ajudar. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. Por fim. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. mantendo um ritual pomposo e meramente exterior. como disse. de quem cuidamos certa vez. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. Poderia ser minha filha.

em não poucas oportunidades. fora traída por uma mulher. com redobrado ardor. cuidadosamente preparada. os ex-inquisidores. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. os obsediados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. Sim. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. em nova encarnação. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. nos contou a seguinte história: numa existência anterior. tramam. procurando. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. alienados. provocando pavorosas desfigurações perispirituais. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. É que. são trânsfugas desprezíveis.religiosos transviados. e os grupos que intentam salvá-las das suas aflições precisam estar realmente bem preparados. seu amigo. atormentava-a livremente. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. mais fanáticos do que nunca. sob o guante de terríveis obsessões. para ser lançada no momento oportuno. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. o movimento espírita moderno. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. certa vez. especialmente no Brasil. planejam e executam. 79 . Muitas vezes. carregando correntes imaginárias. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. Há. no fundo. Um deles me declarou. que existe. porque um sacerdote. tal como no passado. quando se passam para o mundo póstumo. mantém os mesmos processos de tortura e de encarceramento. embora variadas na forma. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas. em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. tuberculosos. Localizando esta agora. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. Quantos companheiros não socorremos. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. com os olhos ou a língua arrancados. pois. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. diante do que sabem. nem têm como negá-la. desmembrados.. Ainda rancorosos. muitos sem condições sequer de chorar. dizem. reconhecem. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita. mortos a fome. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. que cumpre esmagar. sempre as mesmas. arrependidos de seus desatinos passados. Um dia. em medonhas masmorras infectas. com rancor e consciência tranqüila. Para os antigos comparsas. seja licito ou não. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetização. atoleimados. mas conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. no entanto. próprias e alheias. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. Por outro lado. envolvem. entre eles. apavorados. ou seja. É claro. roídos pelos ratos. enceguecidos pelas trevas. por exemplo. A Igreja a admite há muito tempo. é verdadeira a doutrina da reencarnação. ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram. tudo convém. pronta. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. E assim.. Enquanto isso. também. uma nova versão do Evangelho. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. desde que os ajude a alcançar seus objetivos. como eles entendem que seja.

manifestado no Grupo Ismael. beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu Espírito sedento. vol. Quantos me têm interpelado. também. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias. Medito e considero: eu. Certamente que sim. porém. conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. venho entre vós. buscava-me há mais de quatro séculos. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou.. declara. Outro. em virtude do intimo conhecimento dos bastidores políticos da 9 “Trabalhos do Grupo Ismael”. Era. que não mereciam piedade nem consideração. Compilação do Dr. seja com ameaças. A coorte dos que me acompanhavam. desde a visita que vos fiz. juntamente com outros dignitários da sua Igreja. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. o período de perplexidade em que mergulham com a desencarnação. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. “em vida”. criaturas simples. na Terra de Santa Cruz. 80 . Outros se empenham em “recuperar-nos”. é a obra em que colaborais. em grande número. o leitor. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. Estupenda. servidor da Igreja. 137. nem o inferno aterrador. diria mesmo fenomenal. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu Espírito”. “procurara. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. vós outros. homens terrenos. certa vez. mas pelo que deixara de fazer de bom. na propaganda do Espiritismo. 9 Fora daqueles que. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. em sua comunicação. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. algo impressionado.apóstatas que têm de destruir. De outro cardeal desencarnado ouvi. Quando daqui regressei. a todo custo. Extraordinário fenômeno. prejudicial ao Catolicismo”. não pelo combate ao Espiritismo.. pois da última vez em que fomos companheiros. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. e. A esta altura. a lamentosa queixa do arrependimento. graças a Deus. Note-se. heréticos que precisam calar. rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. São eles os serenos párocos de aldeia. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. com surpreendente brevidade. na maioria sem grande preparo intelectual. edição da FEB. 1941. grandiosa. São muitos os que. me disse. dois porcos num só. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. fanático e não mau. Guillon Ribeiro. antes ainda da Reforma Protestante. meus irmãos. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. no mundo espiritual. éramos sacerdotes católicos. com as mais terríveis invectivas! Um deles. agora. nem tampouco o purgatório lendário. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. tanto na Igreja Católica como na Protestante. com muito mais freqüência. pág. quando dispunha de tantos recursos e poderes. julho/1939 a dezembro/1940. Um deles. conhecendo meu passado. ao ver o bravo cardeal render-se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. cabisbaixa e encolhida num recanto.

poderosa. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo. tanto aqui. condicionam se a um esquecimento das antigas circunstâncias. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. as tenebrosas alianças realizam-se. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. impetuoso e arrogante. como prelados católicos. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. No mundo espiritual em que vivem. o exercício da autoridade. sempre disputando posições de relevo. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. se e quando o reconquistarem. repetiram a experiência. Movem-nos ambições desmedidas. nem sempre são ambiciosos. são as pequenas manifestações anônimas. ditatorial. para partilharem do vasto bolo do poder. mas porque o consideram uma odiosa heresia. Para isto. Os ambiciosos desejam o poder. como no mundo espiritual. separadas. ligam-se a outros poderosos do passado. sacerdotes de elevada hierarquia eclesiástica. É certo que. No fundo. de que somente tomamos conhecimento por via indireta. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. como se acuada. como nos tempos idos. entre os desencarnados. É comum encontrarmos. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. no sentido da disputa do domínio político. quando de suas passagens pela carne. com exclusão de todas as demais. que nos tratava com superior condescendência. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. sem oprimir. e voltam a insistir. também. Estão convencidos de que sua forma de pensar é a única certa. Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. quando toda a sua 81 . por exemplo. não tanto porque desejam posições de mando. Não sabem viver sem mandar. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”. Comovente. com todo o seu cortejo de vícios. não essa aí. autoritária. Combatem o Espiritismo. conservaram os modelos medievais. em serviços preciosos. Examinando suas tendências. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. mas ocorrem. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana.Igreja. sem impor sua vontade e suas idéias. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. Às vezes. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. incontestada. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. para esses objetivos. Não importa. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. estudando suas atitudes e pronunciamentos. neles: ambição e fanatismo. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. Querem-na forte. de onde possam manobrar. porém. buscando sempre os núcleos do poder. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões puramente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão. que está sempre recuando e entregando-se. que o servira nos seus dias de glória. Quanto aos fanáticos. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiástica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. como sacerdotes judeus. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar.

o poder. Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da matéria. convicto de que além da matéria nada existe. platônicas. descrentes da vida espiritual. porém. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. Em outros. endurecidos nas suas convicções. sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. na carne. do que 82 . inapelavelmente. roubando. que acabam por se convencer da sua autenticidade. ainda presos aos seus interesses terrenos. Disputaram fortunas a ferro e fogo. indiferentes. Preferem continuar negando. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. vaidade. Às vezes. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. estes são os que o praticam. na aparência. não é o seu. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. não apenas pelo esquecimento de suas misérias íntimas. no trabalho de esclarecimento. Lembram-se das doenças que tiveram. seus desvios. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. suas fraquezas. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam é inteiramente falso. A relutância é. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. intrigando. além da morte. O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. desarvorados intimamente. senão a satisfação de suas ambições. suas hipocrisias. Seria Joana d'Arc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos. Para estes. nada é sagrado. de seus desejos. a princípio. através de um corpo que.. falsificando. são daqueles que. vendo e sentindo. embora. Por isso. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pessoalmente do drama da cruz. não foram intrinsecamente maus. Às vezes. ainda. Viveu.. tais posições foram meramente filosóficas. embora confusos.. de suas vontades. mas se recusam a admitir que “morreram”. Enquanto estão ali. e mais prontamente aceitam a nova realidade. perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. não estão interessados. especificamente. mas porque lhes proporciona os prazeres mais grosseiros a que se habituaram. a enfrentar suas próprias contradições íntimas.atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. No fundo. isto é. Quando incorporados aos médiuns. se preciso fosse. por algum tempo. só há o silêncio e a escuridão do não-ser. apenas desencantados. O esquecimento deliberado e auto-induzido e uma fuga. em todos os sentidos. um esconderijo. Ao contrário dos teóricos do materialismo. Geralmente desejam a volta a carne. evidentemente. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões. São mais acessíveis. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. de que. despertam para a realidade. Outros.. pois somente nela se sentem relativamente felizes. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. matando. nada importa. promovendo negociatas. Outro ajudou a apedrejar Madalena. seguros e tranqüilos. Alguns deles. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte” pois estão pensando e falando. acham-se abrigados da dor.

Encontramolos de todos os feitios. pobres. artistas. vai sendo conduzido a admiti-la. procurando confundir. Se conseguirmos restabelecer o vinculo. estaremos a caminho de ajudá-lo. fazem perguntas bem formuladas. É culto. poetas. sacerdotes. na condição de ex-sacerdotes também. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. inteligente. está relatado um caso desses. continuava a manipular as moedas. na sua imaginação. Temos que compreender que à difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. nem dão murros. em teologia e até mesmo nos textos evangélicos. O Espírito. No binômio cérebro/coração. Há-os descrentes. especialmente. O companheiro apresentou-se irônico. em sacrifício do outro. fascinados pelos seus mecanismos. no artigo “Lendo e Comentando”. ricos. suas doutrinas. ele sobreviveu. Num 83 . tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados. entre cabeça e coração. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram. vivera agarrado aos seus bens e. indiferentes. bom sofista. como exímios criadores de tais sofismas. A escala aromática aqui é ampla e variada. pregaram sermões belíssimos. suaves e tranqüilas. Brilhantes. Parecem. médicos. advogados. às vezes. Em “Reformador” de setembro de 1975. espiritualistas. Aos poucos. demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da própria inteligência. São bons argumentadores e. para ilustrar o que desejo dizer com isso.admitirem. que cita com a maior facilidade e propriedade. a despeito da descrença em si mesmo. é também um esconderijo. nobres. totalmente desligado da nova realidade que vivia. Não se exaltam. São estes que constituem o diálogo mais difícil para o doutrinador. e. que acabaram acreditando nelas. Narrarei um caso prático. no mundo espiritual. Têm respostas prontas e engenhosas para tudo. mesmo. aparentemente muito seguro de si. O INTELECTUAL Nem sempre é materialista. que sempre deverá existir. materialistas. por nome Tom. para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa. versado em filosofia. descobrimos que a intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga. pois se acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias fantasias. seus sofismas e suas auto-justificações. e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me. ao seu ouro. Conversamos longamente. deixaram disparar na frente um dos componentes. Julgam-se geniais — e muitas vezes o são mesmo. Quase sempre se deixaram dominar por invencível vaidade. Ao cabo de algum tempo de observação atenta. Foram escritores. honestamente. Vemo-los. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. e tanto consolidaram suas construções. para desarvorar o interlocutor. do ponto de vista literário. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. quando movidos para objetivos bem definidos. religiosos ou não. Estudaram profundamente os Evangelhos e a teologia ortodoxa. sua engenhosidade e os belos pensamentos que produzem. É preciso conduzi-los com tato e paciência. no qual o homem deve buscar equilíbrio. ante minha pobreza intelectual e cultural. variedades e tendências. Leram os seus filósofos. escreveram tratados. fracassando na provação da inteligência.

há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades na minha cara. revelando-se profundamente irritado. e ele recusa energicamente. (Há sempre um quase. De vez em quando. Ele conclui. ainda irritado.momento de incontida irritação. se isso acontecesse. mas logo se contém. outro médium do grupo avisa-me que ouve bimbalhar de sinos e. deixa escapar suas terríveis ameaças. se eu tivesse visão espiritual.) Ao cabo de longa conversa. macaco! Segundo diz. Deve ser por causa da perda do valoroso companheiro que na semana anterior o advertira. Você vai cair do galho. agressivo. Estão prontos e dispostos a desencadear a luta. ele volta. com o que concordo plenamente. A essa altura. naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. até mesmo nas minhas atividades profissionais. na reunião seguinte. mas recusa-se a reconhecer a situação. atrás dele. obviamente. e insiste em retomar o debate filosófico-religioso. ele começa a apalpar o seu médium: a face. Fala do cerco que me vem fazendo. Declara-se um líder. teme. Ele também ouve. não a palavra desses orgulhosos. como da primeira vez. há tempos. e refere episódios verídicos. que são mãos de um organista (que o médium foi. nervoso: — Eu sei. porque ainda tenho muito do homem velho. re for da vontade do Senhor. para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida particular. que lhe cita trechos evangélicos. 84 . Perdeu a aparente serenidade. Em uma dessas. dizendo que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo. e que. 4:19. Oro por ele durante toda a semana e. chama-me de débil mental e idiota. como se a pedir-lhe que me perdoe por não ter notado isso antes. em seguida. e então. com a graça de Deus. furioso mesmo. Conclui dizendo que. satisfeito consigo mesmo. quando nos empenhamos na tarefa abençoada de servir. em antiga encarnação. irritado. na Alemanha). diz. Primeira aos Coríntios. informa. Diz que transpusemos todas as barreiras e que é preciso um basta final. não consegue mais evitar que a música domine todo o seu ser. algo sonolento. A essa altura. os olhos e o corpo. quase conseguiram derrubar-me. em voz alta. como depois verificamos. mas sinto-o mais desesperado do que rancoroso. conhecerei. é um líder!. — Dessa vez diz ele — não vai ser fácil. Começa sutilmente a crise. diz-me que é cego! E mesmo assim domina. irei logo onde estais. (Está. certamente. na bondade infinita de Deus. despede-se. demorando-se nas mãos. 10 Segundo me diz o outro médium. a alguém invisível. Não está mais tão irônico e seguro de si. sentindo os controles do médium). Mesmo com a voz pausada. quando me chamou de débil mental e que. Pouco depois. ameaçador. ante minha evidente falta de acuidade. dirige-se. As ameaças são terríveis. Sinto por ele uma compaixão infinita e me dirijo a ele com ternura. É a fuga desesperada ante toda e qualquer aproximação da emoção. mas firme nas suas convicções. sons de órgão. Não sabe por que não as diz. que. pois está certo de que. veria que todos os seus companheiros estão ali. com barco e tudo. mas o seu poder”. realmente. ao ser chamado à atenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia. que não seja o frio jogo de palavras a que está habituado e que anestesia espiritualmente. como um bloco. a música prossegue a vibrar dentro dele. impaciente. conseguimos despertar. Pergunto se permite que tentemos curá-lo. Fala 10 “Mas. Enquanto conversamos.

através da sua cólera e da sua frustração. vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e esclarecimento. do invisível. Refere-se. a música sublime de um organista incomparável. O VINGADOR Vingar-se é ir à forra. Ainda veremos isso mais adiante. ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa. Está arrasado e murmura: — Ele é um monstro. suas origens. na realidade. ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar. planeja e espera a ocasião oportuna e o momento favorável. Não se precipita. A crise aprofunda-se e ele ouve agora. suas motivações. antes de tudo. ao organista que. como no mundo espiritual. por certo. Aquele que se dedica a essas tarefas. se é que pretendemos ajudá-lo. Tudo nele é grande. e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e séculos. arrasta-o irresistivelmente. punir alguém por aquilo que fez ao vingador e. bate com os cotovelos na mesa. precisa estudá-la a fundo. Por fim. seus mecanismos e as soluções que lhe estão abertas. mas à comum encontrarmos também o vingador impessoal. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam os mais profundos 85 . o alimenta e o mantém vivo. na terceira fila à direita. fria e apaixonada. começa a chorar. e quando lhe peço perdão pela dor que lhe causamos naquela crise necessária. Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal. cantarola uma canção. Sua lógica é. O vingador observa. daquele tempo.sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. vencido pela emoção que há tanto sufocou em seu coração generoso. e diz a si mesmo: — Reaja. por isso. a emoção daquela música inesquecível domina-o inapelavelmente. ao longo de muitas vidas. pois ele é. enquanto ele parece também reconhecer. Envolvido no seu processo. seu tolo! Em seguida parte. irresistivelmente. interfere. e sempre implacável. ele nem sequer admite o perdão.. Sua maior ilusão é a de que a vingança aplaca o ódio. o seu médium atual.. frouxo! Mas a torrente daquela música divina. Segundo me informam do mundo espiritual. ele retruca. tapa os ouvidos. quando. ainda em pranto e com a visão recuperada. tanto aqui. que andavam divorciados. entre irritado e confuso: — Não peça perdão. Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores frustrados. paciente e violenta. foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para restabelecer o perdido contacto entre coração e mente.. ao mesmo tempo. calculada e impulsiva. Tenta desesperadamente fugir dela. A música que ele amava.. aquele que trabalha para uma organização opressora. na carne. um prisioneiro de si mesmo. Trato-o com infinito carinho e amor fraterno. e compreendia como poucos. toca para ele neste momento. mas não esquece: sempre que pode. graças a Deus. É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta. que ele tem o privilégio de ouvir. Digo-lhe isso. Logo a seguir. traídos ou indiferentes.

os vingadores sempre se esquecem. que chegado o momento do resgate. É o paradoxo do ódio-amor. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. ou ignoram. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. por exemplo. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. segundo ele. compareceu ao grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça divina.sentimentos de revolta. o “Irmão X” narra um episódio desses. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente. em situações como essas. em princípio destinada a preservar-lhe a vida e. Por outro lado. Todo aquele que fere com a espada. ainda mais o exacerbou. inconsciente. e ela estava novamente encarnada. há de ser ferido por ela. Seu drama é que. As simetrias são perfeitas. porque sofreu horrores. que o reajuste virá fatalmente. o mesmo atropelo. veio a ser cobrada pela lei. Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier. Alguém nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta. no passado. Tanto ele. para tê-la totalmente sob seu domínio. duas ou três semanas após. Matou-a e suicidou-se. agora. ao tempo de Marco Aurélio. sem nenhuma intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito. certa vez. como ela. através dos séculos decorridos. à mesma hora. iniqüidades de toda sorte. na Idade Média. Se a odiasse simplesmente. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e aguardamos. um caso de vingança que muito nos marcou. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza. a despeito de tudo. mas persistente. angústia e desajuste. não apenas por causa do assassinato da esposa. Não faltou um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. todas os dias. Fora seu esposo em antiga existência. não importa. que não há sofrimento sem motivo. ou morrendo numa intervenção cirúrgica. são crimes horrendos. como. tiveram outras vidas. a lei não exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir o irmão devedor. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. há quase dezoito séculos. já traiu também. se ele sofreu traição. desde então. na cidade fluminense de Niterói. dolorosa. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. No caso. também. mas isso. De outras vezes. e. através da lei de causa e efeito. por sua vez. tênue. ele abre determinada porta. portanto. reuniram-se no circo de Niterói. para ele. Parece que lhe restou uma esperança de reconquista. 86 . como assassinatos. nesse ínterim. e a história desenrolou-se. No entanto. As mesmas correrias. O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. na tragédia de 17 de dezembro de 1961. Seu desejo. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). em que uma atrocidade praticada no ano 177. em razão do horrendo crime do suicídio. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. desonras. Não sabe. Aqueles que ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon. caindo sobre um instrumento. “Reformador” de março de 1962. é porque. ainda. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. Não confia nela. É certo. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — é a vingança em si mesma. espoliações. Lá sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. a tragédia. difamações. a mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. 11 Tivemos. porém. 11 “Tragédia no Circo”. pois viviam num castelo. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. segundo nos advertiu o Cristo. Sem muita demora.

Na sessão seguinte. mas a vingança não é. às suas angústias. um casal. foi realmente o que os salvou do tenebroso drama. Vá em paz. que não a perseguirei mais. no entanto. o perseguidor.. sabia que encontraria os filhos amados. — Você e um trapo. que se voltará contra ele. Por outro lado. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. Assistimos. está. E adormeceu. não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. Houve um diálogo emocionado. Embora tenham muito em comum. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. sem desencadear obsessões à sua vítima. Não sei se me faço entender. angústias e frustrações. * É extremamente complexo o processo da vingança. alguém ouviu dizer. trouxeram-lhe. à vingança indireta. e acaba. com todo o direito de exercê-la. que ele ternamente dizia que eram dois anjos. continua preso à sua problemática e. e demora-se nas sombras do sofrimento. perante a lei desrespeitada. por isso. à mercê de seu algoz. o ofensor libera-se pela dor. mas. que ele se recusava sempre a transpor. às vezes. Não tem mais ânimo. Realmente tiveram. nem para vingar-se. do qual percebíamos apenas as suas falas. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. por qualquer razão. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. porque ao errar expôs-se ao reajuste. Porque. que atrás da porta seguinte. alhures no tempo e no espaço. necessariamente. caso contrário. Ao vingar-se. duas criaturinhas encantadoras. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. um processo obsessivo. Disse-me. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar. certa vez: 87 . ainda. ao mesmo tempo em que ele se vinga. ele seguirá escravo da sua própria vingança. envolvido em antiqüíssima trama vingativa. atingir a vítima visada. havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. por sua vez. encarnado e desencarnado. temia ele acertadamente. que lhe faculta a decisão de agir. são impiedosamente sacrificadas ao ódio.No caso sob exame. com sua falta contra nós. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. quase sempre dolorosa. de certa forma. ou insiste em cobrar. De certa forma. por situar-se fora de seu alcance. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. Que Deus nos abençoe. mesmo devendo. É que o Espírito. enquanto ele. por desdobramento. — Somos dois trapos. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. de vez que o livre-arbítrio. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. e eu também — diz a ela. responde do mesmo modo. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. novamente à lei. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. manter acesa a chama rubra do ódio que. que sofre um processo vingativo. Sem poderem.. E. ao longo do tempo. portanto. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. em parte. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. o vingador sente-se um instrumento da justiça divina. o Espírito da ex-esposa. De um pobre irmão. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que. Era preciso. Sente-se vazio e cansado. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo.

a época não estava madura para o aprofundamento do problema. não obstante. não fora de sua proteção.— Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. Foram muito sóbrios os Espíritos. O tema não ficou indiferente a Kardec. a literatura doutrinária de confiança existente. colocando-nos. nesses casos. “com o auxilio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. amplo e exato. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. ou a esposa pelo marido. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. Talismãs. por motivos outros. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. Feiticeiros”. expostos à cobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. A despeito da notável economia de palavras. não abandonados por Deus. no mundo espiritual. Ensinaram. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo. Atenção. que um “homem mau” não poderia. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. como a da obsessão. mas estejamos certos de que. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. empenhada em sincero e honesto processo de recuperação. portanto. especialmente porque é escassa. porém. persistem nas suas práticas e rituais. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. Realmente. realmente. Com freqüência. nem os pais pelos filhos. que lhe concede um crédito de confiança. o pensamento contido nesse período é.. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção.. Naquilo que Deus não o permite. Disseram. como podemos verificar do exame das questões números 551 a 557. limitando-se a respostas sumárias que.. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. por exemplo. ou de pessoas que dele se socorrem. à melhora íntima. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. abrimos a eles as 88 . Obviamente. O que acontece. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações. MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a realidade da magia negra. ao serviço ao próximo. Não há sofrimento inocente na justiça divina.. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. ao alcance de dores inomináveis. nesse particular. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. ao mesmo tempo. o suficiente para formular-se um juízo sobre a matéria. é que. sob o titulo “Poder oculto. de “O Livro dos Espíritos”. porque “Deus não o permitiria”. pela santificação. dedicado à prece. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando. porém. fazer mal ao seu próximo”. Extremamente complexo e delicado. por exemplo. mas que também se acham em débito perante a lei. porém. ao cometer nossos desatinos. portanto.

temos o Evangelho. O próprio Cristo advertiu-nos de que. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores. sobretudo. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. esclarecem que todas são mera charlatanaria. fórmulas. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. e o juiz nos mandaria à prisão. como vimos. Kardec. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. em si. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e. até o último centavo. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é traído”. pelo pensamento. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. nenhum sinal cabalístico. os Espíritos foram cautelosos. atrair um Espírito. (Destaques meus) Do que se depreende que o talismã. por efeito mesmo dessa confiança. posturas. no entanto. racional. eles nos levariam ao juiz. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. porém. Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática. a existência planetária é sinônimo de luta. nada vale. nem o nega. em seguida à questão número 555. então. insistiu. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. 89 . em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação”. se maus forem seus próprios Espíritos. Quanto à crença no poder de enfeitiçar. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. Realmente. mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. Sobre a influência dos astros. com a pergunta 554. porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais”. e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. como muito bem observa Kardec. mas. invocações. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo. bem como as inúteis complicações dos ritos. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus” Sobre as fórmulas. mal compreendidos. ingênua ritualística da magia. assim formulada: “Não pode aquele que. para explicá-la em termos de conhecimento cientifico. nem talismã. de que podem fazer mau uso. porque. com ou sem razão. 12 “O Consolador”. declarando que tais fatos são naturais. O Espiritismo não ignora o fenômeno. dentro do contexto das leis naturais. mal observados e. aberto. que tenha qualquer ação sobre os Espíritos. por exemplo. o que atua é o pensamento. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. acima de todas as verdades astrológicas.portas da nossa intimidade. Se as influências astrais não favorecem a determinadas criaturas. questão número 140. confia no que chama a virtude de um talismã. as vezes. em nota de sua autoria. visto que. ensina Emmanuel 12 que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. símbolos.

Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. ou magia elementar. reconhece. segundo suas vibrações. eram aproveitados. o esclarecido mentor. com base na mediunidade consciente ou inconsciente.”. acentuando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal”. nosso esforço deve ser o da libertação espiritual. (Destaques meus) Dentro dessa mesma linha de pensamento. ao fundar o império persa. ao que parece. por vezes. as influências que podem exercer. depois que Ciro os institucionalizou. sem qualquer alicerce na sublimação pessoal”. sem o menor temor de perder o caminho de volta. em que os desencarnados. Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e racionalismo. sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. sendo indispensável lutarmos contra os fetiches. Possivelmente da raça média. — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —. podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. de vez que a raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a palavra “wit”. igualmente inferiores. por via magnética. a funcionar como fio de Ariadne. segundo Lewis Spence (1). — . Diz o autor espiritual que.. técnica ou empírica”. os nomes que recebem. têm a sua história viva e.iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico. especialmente. eram cultores da sabedoria de Zoroastro. de André Luiz. por vezes.achando-se cada homem sob as influências que merece”. empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar. adquiriram enorme prestígio. Realmente. de singulares influências ocultas.. Também os números “possuem a sua mística natural”. para considerar tãosomente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito”. à qual as inteligências superiores opuseram a religião por magia divina. como nos assegura André Luiz. É evidente 90 . de seus antigos possuidores no mundo. os médiuns primitivos nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca. na execução de atividades materialonas. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio século para desdobrar em todas as suas implicações. ainda que sumárias. razão por que parecem tocados. Embora os autores especializados procurem distinguir magia de feitiçaria —— e ainda veremos isto um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para esta última “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio. mormente os de uso pessoal. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. porque a ignorância embotasse ainda a mente humana. Desde essas eras recuadas. porém. os magos. a certo ponto da história evolutiva. ————————————————————————————— “A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhe eram irmãs. E prossegue: — “Apareceu então a goecia ou magia negra. que nos permita transitar pelos seus meandros.. saber. originários. mas. da antiga Pérsia. (Destaques meus) O assunto mereceu também observações. Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se às eras primitivas.

usualmente. que embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — símbolos. São profundas as implicações da magia em alguns cultos religiosos. às vezes. na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem até hoje. no magnetismo. sabemos que ela floresceu amplamente no Egito. A obra consta de 12 volumes. 13 Sir James Frazer14 considera magia e religião uma só coisa. entre os quais cita. sentiu-se enciumado de seus poderes. A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Ciro. MacMillan. enquanto a prática da magia tenta forçá-los à complacência. os guias espirituais de Moisés conferem-lhe poderes ostensivos. mais intensamente. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada. com seus recursos. “The Golden Bough”. a seu ver. 1951. eruditíssimo tratado sobre magia e religião que. muito antes da época citada na sua obra. ante a aturdida expectativa de todo o país.) que. Isto é provavelmente verdadeiro para as primitivas crenças. muito contribuindo. Lewis Spence declara. no capítulo 4. teme aquele que sabe. Os livros mediúnicos de Rochester. é filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas mãos. Embora Spence nos fale da magia na Pérsia. como em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”. é claro. enquanto a magia é. tanto quanto na medicina. Auguste Comte. os professores e os mestres. pois o homem sempre respeita e. o Grande (356-323 a. narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus. em “Reformador”. 91 . fórmulas. mesmo em condensada. pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos rituais e da teoria que 13 14 Ver o artigo “O Tempo. o que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era ministrado por processos iniciáticos. em tempos recentes. ritos. publicado em 1857. tão identificadas se acham entre si. nos primitivos. Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia. “Religião.C. vários deles publicados pela FEB. mas ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre. New York. o preconceito e a humildade”.que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos. proibida e secreta. segundo os métodos e interesses da Ordem. para consolidação das conquistas do rei persa. perderam contacto com os seus aspectos esotéricos. no seu erudito verbete. especialmente por causa da tenaz perseguirão de Dario Histaspes. que. O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos capítulos de números 5 a 13. entrou em desagregação. apresenta-se com 827 páginas de texto. socorriam as mazelas do Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo”. na astrologia. à medida que o discípulo revelava condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente. Já antes disso. agosto/1975. mas não para as religiões mais recentes. por volta do ano 500 antes do Cristo. narram. misticismo e magnetismo são idênticos para alguns ocultistas. o Barão du Potet e o Barão de Guldenstubbé. mas. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do Espírito e em estrita consistência com essas características. com minúcias de extremo realismo. este último autor do livro “La Realité des Esprits”. processos terríveis de magia e ocultismo. Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses constitui prática religiosa. segundo Spence. Distribuíram-se em três graus: os discípulos. encantações —.

New York. poderemos. com os seus estranhos rituais. num resumo como este. atribui à magia origens nitidamente religiosas. 1950. A despeito disso. mas Moisés revela sua impotência em convencer sua gente a seguí-lo.os sustentava. se em vez de queimar os médiuns medievais. a um fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria. fosse em beneficio de alguém ou com a intenção de destruí-lo. não obstante. Moisés faria diante do Faraó e sua corte. a crença na feitiçaria. — Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz pois dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma. e sim nos de mais avançada tecnologia e mais sofisticada cultura. não foram poucos os prelados católicos que. Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os deuses em troca de favores. a França. pudesse ter sido antecipada de um século ou mais. o Espírito disse lhe que a agarrasse pelo pescoço. porque ninguém combate aquilo que não teme. Seria impraticável. As conseqüências dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o entendimento do fenômeno mediúnico. o cajado transformou se numa serpente. no século XIX. desta vez. a Itália. e. Simon and Schuster. por exemplo. ou ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais. — que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová. Entre os ritos destinados a destruir um inimigo. tanto quanto Sir James Frazer. e é bem provável que a noticia que os Espíritos superiores vieram trazer a Kardec. Ao escrevermos este livro. 92 . o mais antigo. o mundo moderno assiste. voltando a serpente a ser um mero cajado. condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente dos homens pela feitiçaria. Mal atirado ao solo. tentar 15 “The Age of Falth”. Essa mesma “mágica”. geralmente em cera. ou encantamento. consiste em modelar uma pequena estátua representativa da vítima. Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática. sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio. — Um cajado. bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”. na Idade Média. no melhor sentido da palavra. com os métodos apropriados. algo perplexo. do Bispo de Exeter. os Estados Unidos. por toda parte e. mantiveram cultos paralelos de magia negra. não nos países menos desenvolvidos. — Atiras ao chão. “O Livro da Penitência”. A Britânica. dramático e conhecido. procurassem estudá-los com respeito e interesse. com um bando de demônios em formas femininas. como do ódio para o amor ou do amor para o ódio. ao mesmo tempo em que combatia as crendices. que mais as autenticavam na imaginação do povo inculto. o que ele fez. parecia atribuir-lhes certa substância. ou primitivos. era praticamente universal. repassar todo o campo da magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita. durante toda a existência. O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo hebreu para fora do Egito. Ante o temor de Moisés. criou-se um clima de terror que. sob a forma de cultos à base de animais sacrificados. Segundo Will Durant15. ou estarem em companhia de tais”. espetá-lo com agulhas e punhais. como a Inglaterra.

mas sobre aquilo que incessantemente a modifica. crescimento da planta e produção de frutos. assim entendidas as que apenas diferem das energias meramente físicas nas suas origens. (O primeiro destaque é meu. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver. e depois à planta e ao fruto. o segundo. situam-se a tal distância da verdadeira magia. revelou igual interesse pela matéria. segundo testemunhos nos quais Papus acredita. Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado Elementar de Magia Prática”. que se poriam em consonância com as energias armazenadas na semente. que não há a temer nenhum acidente sério. a distância. à semente. Philippe Encausse. 16 Tradução de Enediel Shaiah. que. desde que não se esqueça da precaução de deixar as coisas no momento oportuno”. acima citado. alguns momentos aos fenômenos de espiritismo. afinal de contas. praticamente em todas as línguas vivas. e. Dr. do original) Esse plano. 16 Antes de mergulharmos no seu livro. do original francês “Traitê Élémentaire de Magie Prratique”. em relação ao Espiritismo. toda a magia baseia-se na lei da simpatia. Um desses autores é o médico francês. segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veiculo entre a vontade humana e as coisas inanimadas. por certo. também médico. sob o pseudônimo de Papus. 1974. das quais. ou seja. o que a Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material. os magos concebem como sendo as forças da natureza. também lembrado por Sir James Frazer. o plano astral”. facilmente encontráveis no mercado. das energias orgânicas do faquir.oferecer algumas noções colhidas em alentados livros. mas que classe de forças são essas?” Diz ele que são as forças hiperfísicas. à página 11 de seu livro. da qual o Dr. Papus acata o princípio. como os outros. tanto se utilizam os trabalhadores do bem. à sobremesa. que alguns faquires teriam realizado. Na opinião de Sir James Frazer. Seu filho. o Dr. escreveu abundantemente sobre o assunto. produzindo algumas obras sobre o assunto. e que aconselharemos a quantas desejarem divertir-se. contemporâneo de Allan Kardec. Gérard Encausse. tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele. sob o influxo da sua vontade. Nada têm de difíceis e sim muito consoladores. aconteceria apenas uma abundante doação. pois emanam de seres vivos e não de mecanismos inanimados. por estarem secretamente ligadas entre si por laços invisíveis”. “Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza que o mágico deverá por em ação. creio útil transmitir ao leitor espírita uma idéia da posição de Papus em relação ao Espiritismo: “Existe. Buenos Aires. não obstante — escreve ele. ou seja. “as coisas atuam umas sobre as outras. como “Sciences Occultes et Désequilibre Mental”. não sobre a matéria. 5ª edição da Editorial Kier. Ao apreciar alguns aspectos da magia. Encausse é admirador ardoroso. 93 . dedicando. No fenômeno da pronta germinação. uma forma de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes. “Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade.

optou pelo método indireto. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. 3ª — Psiquicamente. se os dirigirmos para o mal. modificando a estrutura de um ser. em condições normais. A mulher. outro de ação direta. Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz17 – extraíam forças de pessoas e coisas da sala. e prosseguiu: 17 “Nos Domínios da Mediunidade”. chama-se vida”. em transe. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. Orientado pela descrição da mulher. pela aplicação exterior de forças físicas. a indústria. “consagrado e perfumado”. atuando diretamente. não à forma exterior. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. arcaremos com a responsabilidade correspondente. A magia seria. em todas as categorias. (Destaques meus) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orientamos para o bem. a planta. que utiliza o trabalho do homem. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: “1ª — Fisicamente. mas aos fluidos que circulam dentro do aludido ser. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza. que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. A Medicina. mas sobre os princípios que os põem em movimento”. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas.em algumas horas. não sobre os fluidos. inclusive da Natureza em derredor. uma ação consciente da vontade sobre a vida. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. embora escreva Espiritismo com letra minúscula) admite a possibilidade de influir sobre os fluidos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório”. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. 2ª — Fisiológica ou astralmente. edição FEB. Para a criação dessas larvas. A agricultura. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado. pura e simplesmente. em Londres. 94 . Exemplifica ambos. que. obteremos resultados positivos. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. A página 91. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. por exemplo. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. é um exemplo desse caso. Num deles. com todas as suas transformações. revelam um despreparo comovedor. resume ele a sua teorização. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “E a aplicação da vontade humana dinamizada à evolução rápida das forças vivas da natureza”. entram neste quadro. A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. e segundo Papus. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. capítulo 28 – “Efeitos Físicos”. em todos os seus ramos. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. portanto.

de sete em sete dias. inteiramente aleatórios. em tempos idos. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. Em seguida.. ou porque resolveu. o processo raramente falha. a não ser para uma vingança justa. aconselho-vos que e melhor imitar a Deus. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. na forma astral. E não há ocasião mais meritória do que a de 95 . merecem respeito e consideração. que deverão ser incensados. Por exemplos como estes. as quatro letras do tetragrama sagrado. sobre uma pequena prancha. igualmente. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta. Mas. Os magos caldeus. se desfez em pedaços”. produzir resultados positivos. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. no entanto. consagrando-os segundo o procedimento habitual. A propósito. com uma ponta de aço comum. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão. Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. ordenando à larva que se dissolva. que. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços. Num ou noutro caso. pois como seres humanos. limitamo-nos a expô-los. com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. na sua falta. podem. E. que perdoa. nos quatro pontos cardeais. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo. e irmãos nossos. porém. A mulher adormecida declarou que os cortes influíram. Segundo o autor. colocar o cabelo. com a espada mágica (ou. O método consiste. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados. molhado em sangue. A seguir. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. Em seguida. pois. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. pelo menos depois de repetido três vezes.“Terminado que foi o desenho. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado. Mesmo assim. com isto. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado.. estaria curada a “obsessão”. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicularizar o procedimento daqueles que os praticam. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. traçar à sua volta um círculo. “sponte sua”. foi manipulada com habilidade e competência. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. Escrever no interior do círculo. e que vos tem perdoado a vós mesmos. Para isto. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas. incontinenti. ela se preservou para os Espíritos desencarnados. abandonar sua vítima.

em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. Aquele que deseja possuir. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta”. para o sábio. Anésia. imaginar é ver. num sentido. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. por várias vezes. 96 . falar é criar. como. ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. A vingança. como. como esta. e solicitações da natureza que nos convida. Mal por mal. Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. a existência do c~u e do inferno. por exemplo: “Assim. do feiticeiro. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. por exemplo. e o adepto. A despeito do apelo ao perdão. a Trindade. ou seja. sob o império da sombra.perdoar”. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. Os golpes. São Paulo. refere-se a ele com respeito e admiração. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. A despeito disso. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. aparentemente sozinhos. isto é. é algo pomposo. também. não o entrega a ninguém”. em sentido contrário. Papus usa uma imagem. temos de revelar uma e desvendar outra. se robusteça e a vença. é indispensável para que a força aplicada. Levi defende a tese de que a resistência. Eliphas Levi também viveu no século XIX e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia”18. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus. “Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. como este. Seus dogmas não são menos surpreendentes. significa o eclipse absoluto da razão. temos de distinguir o mago. O estilo de Levi. Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador. diz ele. E. Par isso. o de Papus. Quanto ao fenômeno das mesas girantes. como nós o provaremos mais tarde. “raps” e os instrumentos que tocam. não deve dar-se. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. do charlatão”. em proveito próprio. “são ilusões produzidas pelas mesmas 18 Editora Pensamento. O Dr. é a alma da magia negra. Embora sem declarar-se católico. em suas obras. não se furta a algumas criticas veementes. “outra coisa não são senão correntes magnéticas que começam a formar-se. dos segredos e forças da natureza. mentirosa e tenebrosa. para o mago. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido. porém. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. aliás. para a salvação da humanidade. Ambos concordam. foi escrita em 1855. que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi. uma magia divina e uma magia infernal. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente. isto é. porque deve ignorá-la ou perecer. encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar.

vos será apresentada a outra metade deste cartão”. no círculo junto a mim. (Destaques meus) Assim foi realizada a evocação que. com este recado: “Amanhã. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. que. é o grande agente mágico. o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. e colocou à disposição dele. realiza-se. me foi impossível articular um som. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. junto a mim. sem substâncias. em magia negra. Desde que fiquei assentado. cai num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio. a cada instante. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. quando ele recebe. um homem estava diante de mim.causas”. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. após os juramentos devidos. Era uma senhora. mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. Então. Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações”. espadas e vestimentas especiais. e. um Espírito manifestou-se. somente uma lembrança confusa e vaga”. então. “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. a não me amedrontar e a obedecer-me. para nossa alma. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. que é. como que um sopro. triste e sem barba. fechando os olhos. Pus. no hotel. arsenal completo. ordenando-lhe mentalmente. quando os abri. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. a mão sobre o signo do pentagrama. a sua forma era magra. mas na própria psicologia humana: “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. que dei dois passos para me assentar. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. envolto inteiramente por uma espécie de lençol. Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios. Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante. 97 . Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. diante da abadia de Westminster. Às vezes. por este signo. e. dentro de um envelope. a vaidade. de que me restou. Quanto à magia negra. sob a influência de uma vontade má. às três horas. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar. e a plantei. em Londres. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. A figura humana reapareceu logo. e dirigi para ele a ponta da espada. círculos. e sem evocação. em incontáveis sessões mediúnicas. então. Ao cabo de complicadíssimo ritual. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. empregado para o mal por uma vontade perversa”. um cartão cortado transversalmente. sem nenhum ritual complicado. no entanto. e quando abri a boca para interrogar o fantasma. se torna. quando voltei a mim. como que o umbigo do seu nascimento pecador. real e positivamente o demônio”. pela ponta.

“O magista — prossegue adiante — deve. Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. desinteressado. Que um Espírito hábil e mau se apodere desta mola. de relance. confiantes. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. para poder impor a sua vontade. o que seria injusto. Não nos impressionemos. Como nos disse um amigo espiritual. pois. Toda aquela serenidade aparente desmorona. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o 98 .para uns. suas palavras misteriosas e secretas. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos. Entrarão em ação imediatamente. e preguiça para outros. nada conseguirão contra nós.. ou seja.. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. ser impassível. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror. certa vez. com os seus rituais. sigamos em frente. vigiando-nos. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições. porém. para enfrentar os companheiros desarmonizados. quando conseguimos convencê-los de seus trágicos enganos. ele tem que aprender a querer. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. percebemos. Em suma. pois este é o momento mais grave. É claro. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses. que assim faz para reconquistar a sua coroa”. mas sobre os seus Espíritos atormentados. como dizia Levi. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. é só questão de tempo e oportunidade. como seres imperfeitos que somos. estudando-nos sob todos os ângulos. mas é claro que. sofreremos. De outras vezes. serenos. seus gestos. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. seus talismãs. não é fácil lidar com os magos desencarnados. embora aparentemente seguros e frios. por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência”. suas evocações. no decorrer do trabalho de desobsessão. destemidos. e. pois. de nossa vida pregressa. mais sério. Estejamos vigilantes. A primeira e mais importante das obras mágicas é chegar a esta rara superioridade”. Estejamos prontos para ajudá-los. e estais perdidos”. A instrumentação é secundária. Estejamos preparados. Estão convictos de que poderão atingir-nos. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos”. sóbrio e casto. Por causa desse e de outros princípios e noções. É preciso crer que se pode. Se o nosso trabalho é de Deus. porém. o egoísmo para o maior número. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas. pensam eles.

excepcionalmente. século após século. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. esmagadora. com os quais se afina bem.. velas. mas muito reais.. os escombros dos antigos sonhos. ou portando “objetos”. de que a magia baseia-se na simpatia. por mais que se debatesse. Não que a magia tenha poderes por si mesma. Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. disse ele. pois ela não encontra ressonância e. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. Outra veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. em toda a sua profundidade. pela vigilância e pela prática da caridade. é valido.próprio coração. selada com sangue. Magos do passado. Um deles trouxe-nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado. retomaram suas experiências. no fundo. poções. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. com humildade e singela compreensão. praticaram a magia e. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz. no serviço ao próximo. signos. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os símbolos de sua preferência. Quer que vire. O conceito de Sir James Frazer. Os Espíritos vivem em grupos. Era um exemplo para nós. os desenganos. incessantemente: — Quer que vire. alguns empenhados em finalidades nobres. tortura. construtivas e reparadoras. diríamos que se trata de sintonia vibratória. Depois de seu ritual. porque senti-la. ligados por interesses comuns. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos. as angústias. ou que. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram. eu viro. reduzido a uma deplorável condição subumana de pavor e deformação perispiritual. eu viro. pelo menos. e partiu. o desespero. 99 . quase sempre. É preciso tratá-los com carinho. de rastros. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho.. os fantasmas que trazem no intimo. acham-se defendidos pela prece. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. declarou que sua vítima “estava amarrada”. para servi-los. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. da manipulação de drogas e fluidos. perseguição. os remorsos. por conseguinte. porque a dor do despertamento é. especificamente. substâncias e até acompanhados de acólitos. e outros envolvidos. E repetia. da hipnose. em tempos idos. revertidos ao mundo espiritual. que continuando no Além seus estudos e praticas. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. Tinha recebido uma solicitação. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. num círculo magnético infernal. pois não gostam de descobrir-se. pois. somente aquele que a experimentou. assistido por companheiros desencarnados. Em Espiritismo. comparecem. Quem a presenciou pode fazer idéia. lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. apoiando-se mutuamente. o mago sempre foi um médium.. a fim de que deixássemos de interferir em sus atividade. num terreiro. Nosso médium viu-o atirar esse pobre Espírito. e revezam-se na carne e no além. cumprido à nossa vista. no interesse de ambos.

Tinha diante de si um prato de sangue. E claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. de pés e mãos atados. Estão perfeitamente conscientes. chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. são pouco acessíveis à doutrinação. Enquanto isso. subjugadas aos seus propósitos. utilizam-se da vontade bem treinada. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. não queríamos que ele virasse. porque não o obedecia. em seu proveito. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas. Um caso marcou época. porém. pela sua extraordinária sofisticação. Atacam para não serem atacados. inteligentes. um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. pronta para o “serviço”. as mentes de quatro seres encarnados. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. Uma para cada um de nós. Os magos desencarnados são.Não. que muito bem conhecem. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. Sabem. tão cuidadosamente planejadas. Não há outro caminho. de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. demoram-se no erro que. segundo relato de um de nossos videntes. ou lanternas. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. não temem represálias. no mesmo grupo. Vendo-se recusado. E quem desceu semeando sofrimentos. conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. que entregaria a ele sua vítima. pois obviamente teria sido muito mais fácil. Acontece. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. em torno dele. através do qual mantinha. Em suma. ao apelo do amor e do perdão. De outra vez. as mais das vezes. para movimentar. por isso. da falta. só pode contar com sofrimentos durante a subida. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. oprimem para não serem oprimidos. espalham a dor para fugirem às suas próprias. de cores diferentes. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. para ele. e oferece riscos realmente sérios. do erro. o mago foi completamente desarmado em suas táticas. as forças da Natureza. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. também antigos magos. profundos conhecedores desses trabalhos. pois vivem disso. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. ou seja. agarrados ainda ao lado escuro da vida. tentando dominar pelo terror. 100 . experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezas humanas. paradoxalmente. nas suas práticas funestas. embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. que. Nosso médium viu apenas que. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. e apresentou-se agora com outro nome. Por isso são implacáveis e. com o que ele ficou muito desapontado. com o qual pretendia alcançar-nos. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. melhor do que ele. pois o mal não é eterno. empenhado em trabalhos redentores. os compromete cada vez mais. no entanto. passou para outro médium. aceitarem a realidade maior. colocaram sete lâmpadas.

nos processos obsessivos. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. para corrigir desvios. isto é. que é a da aceitação pelo “sujet”. Para esta aceitação.. como em quase toda a problemática espiritual. nos recessos da 19 “Memórias de um Suicida”. no seu sentido mais lato —— escreve Bernbeim. “Defino a sugestão. tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu.. em “Hypnotisme et Suggestion”. os arquivos da mente. no Além. competentes e moralizados. moralmente. Psicografia de Yvonne A. que nisto. os métodos são os mesmos.. Para incumbências de importância secundária. um ao outro. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do imã —. em que Espíritos altamente credenciados. Pereira. como todo recurso do conhecimento humano. (Grifos meus) É claro. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. que instaura o processo do domínio. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação.MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado. como para fazer cair aquele que está de pé. 2ª parte. ressurgem. Lá. para aliviar. as recordações. Mas... 19 — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —. “. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que. mas para os procedimentos mais elaborados. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões. Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta. os hipnotizadores do espaço utilizam-se de recursos extremamente sofisticados. nos recessos da afinidade profunda.nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. vemos que há uma condição básica. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele”. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. como por encanto. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. reproduzir e movimentar os pensamentos. páginas 220 e seguintes. que contam. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira. para dominar e punir. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução. movimentam. pois. os métodos da hipnose e do magnetismo. com plena identidade de tendências ou opiniões. por métodos hipnóticos e magnéticos. basta uma indução superficial. capítulo 2º — “Os arquivos da alma”. para ajudar. com enorme respeito e carinho. qual se estivessem jungidos. 101 . como entre os encarnados. pela ação magnética. com que costumamos medir. Em “Memórias de um Suicida”. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer. pois a sugestão é transmitida ao Espírito. em “Mecanismos da Mediunidade” —. dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. e não ao cérebro. este também é neutro. Os desajustados. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica..

tentava induzi-lo a arrastar toda a sua família. evidentemente uma descarga magnética. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador. num intercâmbio vibratório. Algo então aconteceu de estranho e curioso. ou mesmo durante a vigília. Mesmo incorporado ao médium. Às vezes. por meio de passes de dispersão. recaiu sob seu domínio. mesmo que forçada. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. a serem desenvolvidas depois.. hábil magnetizador. inclusive com a outra mão tentando 102 . tudo é válido. ainda encarnada. como diz André Luiz. também.. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe. mas eficaz. os hipnotizadores procuram atuar sabre os membros encarnados do grupo. do lado da luz. foi possível libertá-lo.. pela menos para uma trégua. Parou. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida. Através da minha mão. os companheiros que assistem o grupo. desde que alcancem os resultados que desejam. E assim por diante. e por mais esforço que fizesse. durante o desprendimento do sono. manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bernheim. sem parar. de preces e de contra-sugestões. O Espírito culpado. como ainda. respiração opressa e acelerada. convencido dessa culpabilidade. falando continuamente.. e não eu a dele. Seja qual for.. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana. vingança e morte. cede e entrega-se. exausto. ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava.. algures neste livro.. por causa de sua própria invigilância. Odeio minha mãe. um Espírito atormentado e. Odeio meu irmão.. com o médium coberto de suor. pretendeu usar comigo a sua técnica. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. interferem de maneira sutil. por algum tempo. porém. que o atingiu na altura do plexo cardíaco. que os coloca em condições de ajustarem-se fluidicamente. Com um esforço muito grande. Já lembramos. Nada os detém e. nesse campo. Pediu-me a mão. ele recebeu uma espécie de choque elétrico. e pediu a ajuda de Deus. este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que. Com isto se afinizam com ele (ou ela). Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito.afinidade profunda”. Matar minha mãe. aquele companheiro desencarnado que. com os dedos unidos. a própria lei de causa e efeito. à desencarnação. certamente. Matar meu pai.. Certa vez. em nossa presença. Para isso. ou seja. sugerindo-lhe idéias de ódio.. Odeio meu pai.. para eles. Com freqüência. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. Talvez algo temeroso. Temos presenciado alguns casos dramáticos. lançando as bases de induções preliminares..

E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal. Que papel representam as mulheres. as maravilhas da prece. sentindo-se animal. Uma pergunta poderá ser colocada agora. sobre os quais já falei neste livro. de “O Livro dos Espíritos”. renascendo continuamente como homem ou mulher. da próxima vez que compareceu. (Questões números 200 a 202. mas evidentemente também com respeito. constituem experiência inesquecível para aqueles que. entregamse a essas tarefas redentoras. preferentemente. depois da sessão. Aquele que só 103 . ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros. para o bem. Certa ocasião. em “Libertação” — a gênese dos fenômenos de licantropia. * Antes de prosseguir. que odeiam? Sim. em diferentes existências. como cada posição social. ainda. profundo conhecedor do assunto. Isto o impressionou de tal forma que.. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. tinha atrás de si. mas em número bem mais reduzido que os homens. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. o poder do passe.. acima de tudo. ensejo de ganharem experiência. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. porque não têm sexo. mas nada podia contra eles. A continua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. A certa altura. utilizando-se. percebeu a presença daqueles que nos defendiam. só a muito custo libertou-se do laço magnético. Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. lhes proporciona provações e deveres especiais e. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. segundo nos informou. o desfile trágico de problemas. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo. tomando-se por base. Como que pensando alto. a força irresistível do amor. Lembraste de Nabucodonosor. (Destaques meus) MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam. — “Temos aqui — escreve André Luiz. para a investigação dos médicos encarnados. angústias. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endividados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. com isso. começou a chamar-me. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. ao longo dos anos. cada sexo. cada manifestação suas lições e ensinamentos. por certo. inextricáveis. mas que costuma escolher. dores e ódios. durante sete anos. que estava sendo atendido. que perseguem. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. de técnica superior à dele. Cada sessão traz as suas surpresas.) Ao comentar as respostas. os elementos plásticos do perispírito”. um irmão transviado.desprender seus dedos. um ou outro sexo. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. como casos de zoantropia. de “o homem da mão”. com ironia.

104 . representado pelo Espírito imortal. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. mas. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade. à renúncia. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. Por que isso. o Espírito encarnado como homem. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. a Doutrina nos ensina. daquele que se encarna como mulher. perispírito e corpo físico. realmente. Assim é. alcançando o ponto desejado. pois o corpo físico “é uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. capítulo 6ª. Ao responderem à pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?). De fato. não tendo sexo. mas baseados na concordância dos sentimentos”. os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. Há entre eles amor e simpatia. pois. é natural que este tenha que ir por etapas. ampliar um pouco mais a questão. estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática. 3ª edição. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo” Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz 21 ao declarar que: “Os cromossomos. que sim. mais acessível à emoção e aos sentimentos. possa encetar outras realizações. Dessa forma. capítulo 1 – “Ciências Fundamentais: Biologia”. ainda. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. como Espíritos. em detrimento de outras. até que. ao se reencarnarem. coerente com os postulados doutrinários. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam”. cultivando-as em buquês. Certa vez. no mecanismo das heranças celulares. um dia. de aprofundar mais a questão. ao recato. dado a gestos de coragem física. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: Espírito. 4 ª edição. (Destaques meus) É bastante compreensível. que não era tempo. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” 20. ou melhor. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que estejam particularmente interessados. na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. FEB. 20 21 “O Consolador”. sendo. 50. se. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. que. “Evolução em dois Mundos”. Ao declararem que o sexo depende da organização. por sua vez. as quais. pág. Emmanuel informa. Como a perfeição deverá resultar. conservam características em comum. que são usadas à falta de outras. portanto. O homem é mais agressivo. Tentemos. alhures. pois que os sexos dependem da organização. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. Por outro lado. na sua estrutura psíquica. menos sentimental. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino. esses instrutores.como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens”. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. ao passo que a mulher inclina-se mais a compassividade. não obstante. Certamente que sentiram.

“Inútil é supor — diz um elevado instrutor 22 — que a morte física ofereça solução pacífica aos Espíritos em extremo desequilíbrio. Queriam mesas lautas. profundamente impregnada de materialidade e. capítulo 11 – “Sexo”. Quando a direção da colônia tomou providencias mais enérgicas para coibir os abusos. Assim. 5ª edição. da mesma forma que os problemas alimentares. 105 . será destruída. Despendemos grande quantidade de energias. o que exige longos períodos de reparação”. a alimentação com substâncias concentradas é ainda indispensável. por conseguinte. o carinho e a confiança. entre eles. pela desencarnação. No capitulo 18 dessa mesma obra. bebidas excitantes. reduzida. senão transmudada no estado de sublimação”. É necessário renovar provisões de força”. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. ainda que mais humildes. agindo. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. da grande maioria dos que habitam aquela colônia. Há residências. como sempre. mas os alimentos não foram totalmente abolidos.regressem ao mundo póstumo. com uma pesada carga fluídica. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. a realização transitória”. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiríticos. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. “dilatando velhos vícios terrenos”. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. (Destaques meus) Portanto. Para não alongar demais esta digressão. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. FEB. ainda bastante densa. 22 “No Mundo Maior”. há cerca de um século. simplesmente porque se deu a desencarnação. nas zonas do Ministério do Auxílio. sob o titulo “Problema da alimentação” Informa Lísias que. E. que se entregam a tarefas redentoras. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. A loucura. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo. em “Nosso Lar”. que as dispensam quase por completo. Laura informa que: — “Afinal. Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. utilizavam-se desse lamentável intercâmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. sugiro a releitura do capitulo 9º de “Nosso Lar”. em virtude da condição perispiritual. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade. mas. qualquer que seja sua forma de expressão. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. em que se debatem.

sob a alegação de que. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. desgastadas pelo sofrimento. porém. perseguia-o. segundo o Espírito. obsidiam. ganham “vestimentas”. aquela pobre companheira. até que seja sublimado. nossas perguntas iniciais. estava já programado para mais tarde. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. perseguem. Não haveria culpa alguma. ou durante o desdobramento do sono natural. De outras vezes. chegado à condição de pureza. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. o sexo será. grávida e na vergonha. sorridente. E que. numa antiga encarnação na Escócia. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro. continuam mulheres. vestidos bonitos e prazeres. Vimos. e seviciadas. Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. O caso era apresentado de maneira sutil. um dia. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. e a isentava de culpa. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas. são escravizadas. que o sexo persiste no mundo póstumo. comparece aos nossos 106 . tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. dementadas. Retomando. por Espíritos credenciados. no imenso laboratório da vida. rancorosos e violentos. Alguns são mesmo particularmente agressivos. para o Espírito. em cumprimento a “ordens superiores”. “absolvendo-a”. por isso. A sublimação há de marchar. junto com a sutilização progressiva do Espírito. também. reduzidas à condição mais abjeta. Já lembrei. mancomunados aos seus comparsas das sombras. teleguiada por hábeis indutores. cordial. entre outras. perambulando. Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. como se fosse a coisa mais natural do mundo. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil.(Destaques meus) Não resta dúvida. portanto. “jóias”. tentando destruir um lar. provavelmente no confessionário. Localizando-o como encarnado. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados. Nesse estado. infelizmente. lhe serviu de degrau para a sua escalada. inteligente. levando para o Além as suas frustrações. “sapatos” e 'perfumes”. da responsabilidade. sentindo e agindo como tais. do estudo doutrinário e das observações colhidas. em andrajos imundos. por vales de sombras espessas. recaem. unhas muito polidas. apresentando-se ante seus olhos espirituais. apresentavase bem vestida. Temos tido algumas experiências com Espíritos femininos. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. fatalmente. Prestam serviços tenebrosos junto a companheiros encarnados. que a incentivava. suas ânsias. educada. noutro ponto deste livro. ela também fora traída. poderemos responder que. que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. Seria apenas a antecipação do que. quando aquele a quem amava abandonou-a. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. Finalmente. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. em faixas desarmonizadas. para o reencontro. portanto. seus desvios. em encarnação anterior. pois que. até que. a troco de favores. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. lá na frente. Era “fisicamente” simpática.

felizes e livres para gozar a vida. não obstante. por meio de imagens vivas. Ainda muito condescendente. De vez em quando. e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se postou diante dela subitamente. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas. que não consegue trocar. Nesse ponto. detesta aquele vestido vermelho. Quando lhe formulo questão mais complexa. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. Do mundo espiritual. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês. já dispomos de alguns elementos mais concretos. suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. por certo. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. A despeito do seu preparo. desengonçado e ridículo. se sente prisioneira numa ilha sinistra. está aparentemente segura e continua a rir-se de tudo. Acha-me. para ajudá-la a enfrentar o seu problema. (Queimei todas as pontes por que passei. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. como amiga. perde a calma. e ordena-me autoritariamente que me sente. mas. porque é a favorita. porque eles “deformam o corpo”. a pobre e querida irmã. bem-cuidada.trabalhos mediúnicos. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. o seu futuro. Dirijo a ele algumas palavras. para permanecer junto do médium que a recebe. elegante. Pede um espelho. para me provar que não tenho razão. Ela continua a negacear. Trata-me com condescendência e superioridade. numa emergência como esta. muito segura. provavelmente. Digo-lhe. aconselha-me. dizendo que não adianta mostrar-lhe nada. Ri-se. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. desculpa-se. envolvente e doce. Agora. Agora.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. pára a exposição para rir. principalmente. Ela pressente as dores que a 107 . não inesperadamente. por isso. entre dentes. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. abandona a atitude de inconseqüente e superior condescendência. Tem a voz suave. de que tanto se orgulha. de início. Está igualmente preparada para esse encontro. Esquiva-se habilmente às perguntas. Seu ex-marido incorpora-se em outro médium e atira-lhe impropérios. Na organização em que vive. sem preconceitos. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. para que ela pudesse. que sua beleza física. as suas recordações e. ante o desespero em que ela se precipita. mas ela está bem preparada para o confronto. muito divertida da situação. feio. enquanto revê as cenas. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. Por fim. esguia. chamando-a de assassina. Conta casos. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. como favorita de um poderoso líder das trevas. a fim de obter informações. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. inteligente e tranqüila. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. Diz-se muito bela. em filme. para que todas sejam como ela. é mera criação de sua mente. tentando acalmá-lo. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. Ela me responde em perfeito inglês: — I burned all the bridges behind me. mas se mostra visivelmente transtornada. Não queria filhos. no entanto. e me volto para ela. o que não quero fazer. Diz-lhe que está à sua espera e ri. É um antigo esposo. de prazer insano. sorri.

e continua a ser explorada do lado de lá. mas. Enquanto “ela” estava lá — refere-se. uma jovem pacificada e tranqüila. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. Pergunto se ela confia em mim. tivemos outra manifestação de Espírito feminino. Havia sido incumbida de uma tarefa. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que e tratamos. estando. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. Poucas semanas depois deste caso. diante da sua vítima em perspectiva. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. me ajude! Houve. O companheiro que se incorporou em outro 108 . A uma outra pergunta minha. obviamente. em suas atividades. Ainda se fossem outras conversas..) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. que a salvou. responde corretamente que o Espírito não tem idade. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. De repente. um pós-escrito. Ela protesta. permitindo que fosse. comemorando 56 anos de idade. no entanto. para consolá-la de dores que me havia confiado. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. que eu fosse jovem e belo. depois. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. socorrida. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas. dizendo que a moça que a espera também é deles. precisamente naquela noite. mas um dos emissários da sua tenebrosa organização está presente. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. na carne. Presa aos seus condicionamentos. por sua vez. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas. com outras criaturas infelizes. desprende-se com enorme sofrimento para o médium. Teve pena dela e ficou sem coragem de executar friamente o seu mandato. a serviço dos seus mandantes. por fim. ela se debruça sobre a mesa. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. numa crise emocionante. Vai logo dizendo. que veio recebê-la. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. e ela parte. dolorosa. viu-a em pranto. por certo. neste caso. de início. proponho-me a orar. Diz que sim. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. o que não é verdade. em outros Espíritos endividados. diz. que não venha com as minhas conversas macias. pois o céu é um estado de Espírito e ela é muito feliz. ao chegar junto a essa pobre senhora. ao seu lado. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. Como estou. Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. e tenta confundi-la.esperam. em outro médium. maliciosamente. a chorar as escondidas. não. agora. declara que vive no céu. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. mal me levanto.. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. em pranto. mal pode esconder seu desapontamento. como depois apuramos. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhece-lo pessoalmente. muito sorridente. Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. alegando que eu oro demais e. ao deixar o médium. Vive num verdadeiro campo de concentração. começa nela um fulminante processo de envelhecimento. Peço-lhe que siga a moça. Vê. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. esperava.

por amor. Ela nos afeta. em relação aos Espíritos masculinos e. em “Libertação”. infelizmente. parece não existir em nós. nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. ainda enoveladas. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. da emoção. Um destes casos. a colocarem um ponto final nas suas angústias. às vibrações da nossa afeição. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. ocasionalmente. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. que o esmaga. não sendo. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. O que acontece é que temos em nós todos a 109 . que precisava ser obedecida. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. É oportuno lembrar que emoção. com o que ele concordou. e que se esclarecera. em resgates dolorosos. num sentido ou noutro. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. mas são estatisticamente em número reduzido. e. decididamente. Arrastado pela emoção. às vezes. tão violentas e agressivas como os homens. III — O CAMPO DE TRABALHO O PROBLEMA O ser humano. de maneira paradoxal. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. porém. que se atormentam mutuamente. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. pressionado ou sustentado por ela. esposas. ainda que estejam transitoriamente numa posição de aviltamento. respondendo. e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. porque é comum tocarem-se os extremos. etimologicamente. reagem como seres humanos. encarnado ou desencarnado. o Espírito se desloca. necessário trazê-lo novamente ao grupo. às vezes. confunde-se em nós a realidade ódio/amor. que se transviara lamentavelmente. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. Respondi-lhe que. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. mover. quer dizer ato de deslocar. elas são obsessoras implacáveis. filhas. São velhos e seculares amores: mães. irmãs. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. O mais comum. intensamente dramático. elas próprias. Às vezes. mesmo quando. ou. dizendo que voltaria. portanto. em estágios ainda inferiores da evolução. e nos confundimos nela e com ela. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. está relatado por André Luiz. No decorrer da semana. que o santifica. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos. Matilde desce aos subterrâneos da dor. porém. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. por isso mesmo. nem mesmo esmoreceram. ajudar os irmãos. não. tão irracionais quanto eles. o processo da desobsessão se desencadeia. ou seja. para resgatar o seu amado Gregório. vive no clima da emoção. numa cena inesquecível.médium. ou a culminâncias de devotamento. Freqüentemente. para ameaçá-la. muitas vezes. Comparecem. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. mais cedo ou mais tarde. em trabalhos mediúnicos. que guardaram ternuras profundas. talvez. do respeito à sua condição feminina.

Estejamos certos. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. de elevada posição social. que o dinheiro ou a poder nos sejam arrebatados. que ele odeia porque ainda ama. Fora muito bela. muitas vezes. o ódio é. que traiu ou abandonou. de uma realidade indisputável. sobrevive. porque nos recusa. que agonia e desorienta o Espírito. o rancor contra a amada. achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. está ali. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. luz e sombra. também ao vingador. nos seus esforços. em lugar de ligá-la ao seu médium habitual. Foi muito difícil o diálogo com ela. é preciso ajudá-lo a identificar bem seus sentimentos.. Certa vez. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. O ódio não o exclui. No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. ora encarnado. Reencontrou-se ela. o dinheiro. não pensara noutra coisa. Afinal de contas. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. não acaba nunca. por mais de um século! Promoveram. E por mais de um século. Por mais estranho que pareça. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. ele tentou dialogar com ela. nos desprezou. Nada. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. ou o amado. Um desses foi comovente. na Europa. mas a experiência foi negativa. porque a amamos. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. onde viveram momentos de intensa felicidade e enlevo. De outras vezes. encontros com um filho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. criando uma opressiva atmosfera de penumbra. o amor frustrado. nos traiu. Suponhamos que a esposa nos traia. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. como dizia Paulo aos Coríntios. fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. através do médium. e que mantém acesa a chamazinha da esperança. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. a posição social. desliga-se do objeto de sua dor. O Espírito manifestante era de uma mulher. fixa-o ainda mais. Para desfazer esse clima de crepúsculo. que o filho nos rejeite. os benfeitores espirituais. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. objeto de seus rancores. recolhida ao mundo espiritual. ao contrário. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. o doutrinador.. ligaram-na com o próprio companheiro. Levaram-na a um encontro com ele — desdobrado pelo sono — a um local. Com isto. com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição. como podiam. o esposo. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. com menor dificuldade. ele começa a recuperar-se. para isso. e angustiar-se no doloroso processo de vingar-se. soterrado no rancor e na vingança. Seu antigo companheiro. 110 . a fim de separálos. Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. em crise. retirou-se prontamente. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. renasce. a filho. Ajudavam. inteligente.instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. ele subsiste. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. também. muito chocada. porque em termos de relacionamento homem/mulher. o poder. Mesmo envolvido. penosas vibrações de sofrimento. ainda que pouco percebida: o amor.

ela veio apenas para despedir-se. já em pranto. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. Seu antigo companheiro recebe dela. A mãe acendeu a luz. 111 . Visitava eu a família. Sua revolta e sua angústia como que se personalizam. abriu os olhinhos. e depois. adormeceu novamente. o dinheiro ou o amor. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam. tão verídica e dramática quanto a própria vida. minha querida. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. e a jovem mãe me chamou para ver a criança. ela desligou-se subitamente do médium. pois temia que ela acordasse. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belíssimo sorriso. teve um final emocionante e. Era linda. Agora. Certa noite. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. irredutível. o amor também renascera com ela. Começou o ceder. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. como um anjo que era. Certa vez. mas indelével. com todo o vigor antigo. graças a esse episódio. era a retomada da trilha evolutiva. Nossos erros são cometidos contra a lei divina. encarnado ou desencarnado. mas ela continuou dormindo. expurgado da paixão que fora a sua perda.Esse drama durou meses.. não são os seus próprios enganos.. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste. o culpado de sua queda. Esta história. contemplou-me — seu antigo doutrinador. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição.. O drama e a dor estavam encerrados. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. objetivam-se. em lar feliz e equilibrado. por doce constrangimento. Sem dúvida alguma. Em seguida. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. e dormiu ainda alguns segundos. Logo aos primeiros meses de sua nova existência.. que identificamos como causadora de nossa derrota. Uma bela criança. a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se. Depois. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia íntima. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. revoltada. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô. Ela veio indignada. é aquele que ali está. mas agora purificado. cometeu faltas idênticas contra o próximo. amigo. sob meus protestos. hoje. o poder. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. semana após semana. Sua expressão me dizia. trouxeram-na de volta. Na confusão em que se envolve. na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado. à medida em que o amor reacendia a sua chama. Nossos benfeitores. em passado esquecido. Renasceu. E ela. tive oportunidade de vê-la. de suas é frustrações. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. a princípio timidamente.

Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. em vez de fechá-lo com o perdão. entre muitos. persiste. Esclarece. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. algo desapontado. está reabrindo o ciclo da dor. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele. lamentavelmente. Se os odiamos também. ao meu lado. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter. O rancor que sentem por nós sobrexiste. em nota de rodapé. fica estimulado. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes. quando cuidarmos das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu. ou seja. A Bíblia de Jerusalém esclarece. de onde foi extraída a citação. Se no debate opusermos nossa irritação à deles. ansiosos de que os convençamos de seu erro. repetindo enganos e desenganos. dessa curiosa posição espiritual. porém. tudo o que não pudesse ser considerado amor. O vocabulário da época. nem indiferença e.Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. que a expressão “odiai vosso inimigo” não encontra no texto da lei. o ódio que nos votam sustenta-se. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. por certo — é um ensinamento do mais elevado valor prático. era ódio. o que é verdadeiro. porém jamais reconheceriam isso. 23 Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. no fundo.. Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. segundo nossas próprias reações. talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. insistir e repetir: os Espíritos em estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. em trabalhos de desobsessão. Que me restava dizer a ele. olhou-me e disse. ou se dilui. também de irritação. Convém. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo.. atravessa os séculos e os milênios. por isso. essa pobreza semântica perdura. sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. além de outros que possam estar comprometidos no processo. Como me mantinha sereno e imperturbável. Incorporou-se ao seu médium. mas ainda não convencido. seria inimigo. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. no entanto. 112 . senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? 23 Mateus. pois não consta de Levíticos. nem ódio. por causa da pobreza da língua. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. Isto é uma realidade terrível. que a expressão era forçada. com voz emocionada. 19:18. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. todo aquele que não fosse amigo. Estão. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. que multidões de sofredores ignoram. Você já me ganhou. De certa forma. Lembro-me de um exemplo. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. 5:43-45. ao que se depreende. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei:: — Não precisa armar-se.

ao errarmos.O doutrinador tem que estar. De outro lado. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de rua tragédia. chegou a conclusão de que não vale a pena continuar. Mais adiante. para que ele sofra daquela maneira. enquanto exercia elevada posição de mando. ou obsidiado. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. experimentado nas lides espíritas. quanto para o perseguido. como um rei. consciente ou não. Pode ele. que ao cabo de uma feliz doutrinação. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. muito atento. Neste caso. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. no passado. Digamos que ele tenha sido assassinado. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. Toda a sua cólera. apenas o véu do esquecimento o protege. ainda. Se ele tem oportunidade. porém. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. expomo-nos. colocamo-nos em 113 . à cobrança. por exemplo. envolvido num tenebroso processo de obsessão. É certo que ele ignora. o que. no auge da desarmonização: — Materializa-te. a nosso turno. estudaremos um caso destes. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. ele não pode ignorar o arrependimento. Neste ponto. descobriu que. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. encerrar o processo da vingança. mostrandolhe que o remorso deve ser construtivo. contou-me que um doutrinador desavisado. O erro vem de muito longe. ao longo dos anos. o seu obsessor. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. desesperados. Por outro lado. Um confrade. e deve ser muito grave. Isto vale. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. Como Espírito. Sem arrependimento. Suponhamos. e que acumulou. de lembranças extremamente dolorosas. que estava parado na estrada da evolução. afinal. Imaginemos um Espírito desencarnado. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. século após século. na sua maneira de pensar. aquele severo perseguidor resolva. como a todos nós. pois. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. Além do mais. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. naquela vida ou em outra. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. Ele não quer saber que anteriormente. e entrega-se ao remorso desenfreado. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. berrou-lhe. no mundo das trevas. merece todos os castigos e punições. Está cansado. porque um dos grandes infelizes é ele próprio. remota ou não. de conhecer a razão de sua obsessão. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. para não deixar envolver-se pelo rancor que o Espírito traz em si. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutrinador defronta-se com seu próprio obsessor. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. senão ele. descer a abismos de autocomiseração e dor. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. num diálogo. ou. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. extenso rol de casos curiosos. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal. tanto para o que persegue. em tais circunstâncias. vejamos o perseguido. vai continuar paralisado pelo remorso. mais grave ainda. ou déspota medieval. por alguém. ele sabe também que. portanto. ele não o ignora. ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei.

cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. desde o antigo Egito até à Europa moderna. aliás. pois. utilizando-se de sua impecável didática. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos diga que não há. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explicito: “Entre eles. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. que se eterniza. desde remotíssimos tempos. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. entre vós. Sim. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. pois. segundo Mateus. maior do que João Batista. O remorso é. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. 23:11. Em outra oportunidade. mas não podemos permitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. Entre nós. Porque quem e o maior. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. porque o arrependimento serve duplamente. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado”. confirmava-se como simples servidor. Ainda voltaremos a este tema. pagar como? que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela.posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento. que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”. entre os nascidos de mulher. sim. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. fora grande. muito complexa e delicada. como a que nos demonstrar. equilíbrio e humildade. E uma situação extremamente critica e delicada. têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. Ele mesmo. igual ao que serve. contudo. como para estimular a cobrança. Mas. senão que o maior entre vós seja como o menor. Mas. uma flor belíssima. se não for canalizado para fins construtivos. A situação é. O PODER Muitos dramas. E preciso estudá-lo. que tudo avaliamos segundo a insignificância de nossas 114 . Vemos. tratá-lo com serenidade. de muitos e pontiagudos espinhos. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. mas não assim. tanto para fazê-la sofrer. mas o de servir ao semelhante. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. assim. e o que manda. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. É nisso. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. sutilmente.

sou sempre a mesma”. mesmo que do lado negativo da ética. pois eles nos têm levado. Muitos são. ignorada e até desprezada. aqui.. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. amorosa. a paixão invencível do mando. E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas. que leva uma existência a serviço do próximo. que vivestes nos esplendores do luxo.. VII) — “Vós. por séculos e séculos. encontrou em elevada posição. para o mundo espiritual. como simples anões espirituais. no mundo espiritual. a viver fora desse clima. — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha. de joelhos?” Outra grande dama. acaso. ex-rainha da França. e a infecção instala-se em nós. a criatura evangelizada. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. E muitos de nós. temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível. alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada.. montando e dirigindo terríveis organizações especializadas no crime espiritual. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas.. aqui e lá. (“O Céu e o Inferno”. 115 . Confundimos. Eles se prestam a isso.. no entanto.medidas. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa. São grandes os “príncipes” da Igreja. Contudo. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. mas. Nessa invertida escala de valores. Que se enviem escravas. passa despercebida. cercada de honras... serena. no entanto. e lá se juntam às organizações trevosas.. não sei. os séqüitos. que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito”. que ampliaram os poderes materiais da organização. os que se revezam nos pastos de mando. somente porque dispomos de autoridade incontestada. no passado e no presente. ao longo do tempo.. não temos subido as escadarias do poder? O pior. Mas. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário. que se utilizam deles para oprimir e espalhar a desarmonia por toda parte. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. a cometer tremendos enganos. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. bem como o comando de vastas organizações opressoras. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares.. à que o vírus do poder nos contamina. o exercício do poder com a grandeza. Segunda Parte. pois não aprenderam. quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram. freqüentemente. cap. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. para me servirem!. quantas vezes. eu. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder. os tronos.. ainda. as insígnias.. em condições melhores do que a da infeliz rainha indiana. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém.

116 . seus destacados líderes. Um desses foi enfático. jóias. séqüitos de servidores e acólitos. Enquanto estão ali. Um deles. Mesmo com os chefes menores. que se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção. em seus tenebrosos domínios.Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações. que chega às fronteiras da “divinização”. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. com suas mazelas. os que ostentam condecorações. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas. o trato é difícil. pela reencarnação de resgate? O único jeito. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. Quanto a mim. as expedições. no próprio contexto em que vivem. assessores de confiança. no caso da rainha indiana. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. a única saída possível. por desprendimento). Sempre fora importante. comandou exércitos e povos. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados. em tempos idos. de enfrentarem a si mesmos. despojado de suas próprias “defesas”? Sim. Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por que? Como irão viver sem as pompas. da compaixão. faz uma cena. devo-lhe algo muito sério. poderoso. suas consciências. que o tempo não apagou. Muitos são os que nos visitam. falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. fora seu escravo. guardados por um velho que. Por que trocar a glória. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endividado Espírito. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. e também o do orgulho. ou à inteligência. pelo sofrimento anônimo. e que chicoteou. que se apresentou como líder religioso. Vimos como se entrelaçam. Quando comparece da segunda vez. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. também. É por isso. fingindo ser um pobre enforcado. mantos. as ordens. nas sessões mediúnicas. em tempos passados. Às vezes. — Você me vê? — pergunta-me. as vestimentas. “divino”. em nossa presença. os planejamentos. Ao apresentar-se. E preciso compreendê-los. como prisioneiro. que exercem com a sensibilidade anestesiada. porque sabem muito bem que. VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. em estado de exaltação vaidosa. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. da sentimentalidade. da brandura. Há os que se julgam muito belos (ou belas). pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. está em agarrarem-se tenazmente ao poder. seus remorsos. Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. Tem ali muitos prisioneiros.

a partir do momento em que deixou de ser belo. de fato.. Às vezes são. a parte que lhe toca. se o fizerem. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou. E. Revela-se um dos magistrados do Espaço. e à sua obra sinistra. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos. visita-nos com igual freqüência. suas culpas. perde a paciência. envolvente. o pior lhe acontece. suas angústias pessoais. muito brilhantes e cultos. com elogios e lisonja. ri. numa autopunição inevitável. a insuficiência da vaidade física. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. respondo-lhe. Demonstrada. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma. e enquanto entra em crise. e eles querem ficar lá. lá mesmo. Volta a dizer que é belo. chocado com o tratamento que havíamos dispensado ao seu 117 . Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. a crise começou a precipitar-se nele. Cabelhe fazer com que a lei seja cumprida.necessitado de socorro urgente e de passes restauradores. mas. mas vai aos poucos cedendo. através de suas próprias palavras. encontrarão seus próprios fantasmas. irracionais e tolas. Outro companheiro. indignado. prova que alguém me criou. contanto que Ele não interferisse com seus planos. artificiosos no raciocínio envolvente. inclusive o meu envolvimento. em pedestais. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio. propõe.. que eram grandiosos. com aquilo que faz. Retoma o diálogo irônico. É uma afirmativa desesperada. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado.. Não é ele quem retém seus prisioneiros. ele que é um “deus”. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. dos quais nem pensam em descer. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. Mas. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder.. desapontado. as demais vaidades também entraram em colapso.”. são seus próprios crimes. confessa que seu ódio “perdeu a força”. e eles lhe dão. na formulação de perguntas embaraçosas. Poder versus poder. no mundo espiritual. ou a ambos. porque. também a mim. Não só isso. arrancada do fundo de si mesmo. Nada tinha contra Ele. Fale com meus superiores. muito vivo e inteligente. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos. em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”. por sua vez. A essa altura. inteligente. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. literalmente. por fim.. pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. hábeis manipuladores do método socrático. Tudo ele tenta. quanto ao Cristo. Ouve choro de crianças (tê-las-ia sacrificado?) e. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem. no lado de cá da vida. Que prazer sentem em oprimir e dominar! que orgulho pelas posições que ocupam. fora um fraco. brilhante e poderoso. Não está acostumado a resistências assim.. * Quanto ao orgulho. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições. Depois. a ele próprio. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo. e não deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. ou assaz rancorosos e agressivos. também não tenho autoridade para fazer acordos. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. Coitado! Como é difícil cair do pedestal.

das suas próprias dores. não com nojo. traidores vis. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. guardam todas. anestesiar-se na insensibilidade. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria contemplação da dor é alheia. pois.. Temos de entender que estão em fuga. Vamos a alguns exemplos.. Não são seres desprezíveis. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. dentro delas. e imaginam. as motivações. Em suma: há certas constantes que se repetem. que se cristalizam. Não são monstros irrecuperáveis. Fogem de si mesmos. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. que comparecem tremendamente enfatuados. ao longo dos anos. Parece que as posições são basicamente as mesmas. maltratando. pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. mas não ignorá-las para sempre. PROCESSOS DE FUGA A continua observação desses métodos. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. o que os espera um dia. Não sei como explicar esse jogo. E os antigos “Príncipes” da Igreja. trânsfugas miseráveis. mas. como o Espiritismo? que pompa. num conceito amplo de determinismo difuso. mantendo certa autonomia. No fundo. A couraça de que se revestem à mais frágil do que parece. identifiquei-o pelo nome. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão. envolvidos com uma doutrina maléfica. ambos. ou o que seja.“chefe”. Num “flash” de inspiração. As atitudes agrupam-se e. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. Sabem de suas responsabilidades. a sua individualidade e as suas surpresas. No entanto. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. padrões. Era ele mesmo. atacando. através de outro médium. quando 118 . no campo teológico. entre o inédito e o esperado. as palavras. que espalham a dor. Uma das constantes. manifestou-se irritado. do contrário. como se fossemos os redimidos. e não é impenetrável aos fluidos sutis do amor. descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele. demoníaca. repetem-se os gestos. E preciso entendê-los bem. prosseguem suas tarefas abomináveis. que merecem o santo horror e a condenação eterna. em cada uma delas. é a fuga. para eles também. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. identificadas nesses Espíritos que perseguem. das suas angústias e frustrações. mas que saberão “ser homens”. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. coitados! que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação. Defendem-se da dor. adiar o encontro com a verdade. que constituem modelos. para sempre. não o teríamos tratado daquela forma. a cobrança! Enquanto não chega. agredindo. e eles os réprobos perdidos em seus crimes. que dominam. onde fôramos adversários. os impulsos. quando chegar... cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. com bastante precisão. até mesmo algo assustado. durante a Reforma Protestante. É como se. e cada uma delas. condescendendo em conversar conosco. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. Acabamos.

“caírem” Por isso mesmo é que resistem, enquanto podem, buscando apoio nas
organizações a que pertencem, pois essa e a lei a que se apegam: a lei da solidariedade
incondicional, que os protege mutuamente do dia do despertamento.
Essa é a doutrina da fuga.
Por outro lado, quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. No caso, ocultar-se
de si mesmos. São muitos, esses refúgios. O principal deles talvez seja o esquecimento do
passado. Este recurso é básico, essencial mesmo, para aquele que precisa, é perante sua
própria consciência, justificar, por exemplo, uma vingança impiedosa, que se prolonga no
tempo e vara séculos ou milênios. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens
de sua verdadeira dor, ele sente forças, em si mesmo, para perseguir aquele que o feriu. Se
ele voltar sobre seus passos, ao seu pretérito, irá descobrir que sofreu aquele ferimento
exatamente porque, antes, causou dor semelhante a alguém, faltando, assim, à lei universal
da fraternidade. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e, portanto,
a da vingança. É vítima “inocente” de um crime inominável. Aquele miserável roubou-lhe a
mulher, espezinhou a sua honra, levou-o ao crime, ao suicídio, à miséria, a ele, que sempre
foi bom e correto, que nenhum mal fez a ninguém...
Se um dia ele descobre, por exemplo, que há séculos vêm os dois disputando, à ponta
de punhal, aquela mesma mulher, através de várias encarnações infelizes, sua perplexidade
é enorme, e, muitas vezes, o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de
seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior.
De outras vezes, nem isso basta, pois são muitos os que, através de uma longa e
tenebrosa experiência espiritual, quase sempre no lado errado da vida, conhecem bem o
passado e, mesmo assim, prosseguem na fria execução de seus planos medonhos. Estes
também estão em fuga, mas não buscam os esconderijos habituais, e sim o atordoamento da
ação. Enquanto estão atordoados, organizando planos tenebrosos e os levando a efeito,
vivem a salvo das suas próprias dores. A desesperada atividade mantém-nos, de certa
forma, alheios aos seus dramas e desesperos.
Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. Ocupara, em cada vida, a
posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. Amava a glória e o poder, acima de tudo.
Responsabilidades, claro que tinha muitas. E daí?
Outros dizem que não se importam com o resgate. O que importa é o que fazem no
momento. Isso lhes agrada. É isso que desejam fazer; seja a vingança, seja a disputa de
maiores fatias de poder, sejam as campanhas mais amplas, em que emprestam sua
colaboração à organização a que pertencem, e que, por sua vez, também os protege.
A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. Há os que se prendem
aos conceitos teológicos, depois de desfigurá-los e corrompê-los, para servirem aos seus
propósitos. Isto é particularmente válido para os antigos sacerdotes, que se apóiam em
fantásticas teologias, e em textos escolhidos com extremo cuidado, no próprio Evangelho
do Cristo. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas!
Lembro-me de um, em particular. Montara sua própria organização, nas trevas.
Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. Informa-me que “consentiu em
receber-nos na sua câmara”, porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele
respeita e admira. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. É a segunda
vez, em muitos anos, que concorda em tratar diretamente com alguém, pois tem seus
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auxiliares para contactos e execução dos planos. Quer saber o que desejamos dele, embora
certamente o saiba.
O diálogo prossegue, tranqüilo, enquanto ele permanece escondido na sua mansidão
aparente, mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali, sem
saber do que se trata, pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. Ao fim de longa conversa,
difícil, em que ele se mantém ameaçador, na sua aparente tranqüilidade, nossos benfeitores
revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. Aos poucos, conseguimos
despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar.
Qual teria sido o mecanismo do fenômeno, que se poderia chamar de “inversão de
local”? Como e por que o Espírito, incorporado no médium, no cômodo em que realizamos
os trabalhos mediúnicos, poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos
mentores não nos explicaram o ocorrido, mas creio que não seria fantasioso admitir,
especulativamente, nesse caso, a velha e segura técnica da hipnose. Por mais defendidos
que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados, em suas furnas escuras, não
são invulneráveis à misericórdia divina. Se o fossem, não teriam jamais a oportunidade de
se libertarem de sua condição tão dolorosa. Ao passo que eles não têm condições de peso
específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”, o que
seria inadmissível, os Espíritos iluminados podem descer, sacrificialmente, aos antros da
angústia, e o fazem com freqüência, a fim de tentar o resgate de companheiros que já
ofereçam um mínimo de condições para ser ajudados.
De algum modo, cujo conhecimento ainda nos escapa, aquele irmão deve ter sido
preparado e condicionado de tal forma, pelos trabalhadores do Cristo, que, mesmo
deslocado, em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto, no qual
condescendia generosamente em receber-nos, com as suas pouco veladas ameaças.
É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o
nosso médium tenha realmente sido desdobrado, sob a proteção do Alto, até o “local”, e de
lá transmitida a mensagem que nos possibilitou o diálogo. Freqüentemente, temos
presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns, que, desdobrados do corpo físico,
vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco.
Deixo abertas as opções mencionadas, bem como outras que não me tenham ocorrido.
Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a
mediunidade.

*

São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais, em nome de um
Deus que não amam, de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões
subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém, com as
interpretações que lhes interessam. Não negam a reencarnação, nem a sobrevivência, nem a
comunicabilidade dos Espíritos; mas isto será revelado dizem — quando a Igreja for
restabelecida em toda a sua glória, ou seja, quando voltar a dominar, como instrumento de
suas ambições.
Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. Constroem seus próprios sistemas,
inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada, mas, nem por isso,
frágil e desarticulada; ao contrário, bastante inteligente, pois, sendo eles inteligentes,
precisam de um inteligente mecanismo de fuga.
Enfim, cada um constrói o seu esconderijo, inventa suas defesas, segundo suas
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inclinações, recursos e intenções. A finalidade, porém, é uma só: esconder-se das próprias
angústias. Quando descobrimos suas motivações, estamos a caminho de poder ajudá-los a
libertar-se da dor. Os indícios precisos eles mesmos no-los fornecem. É preciso estarmos
atentos, vigilantes, pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos
atormentados, e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras.

AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA
Muito temos falado, aqui, sobre as organizações do submundo da dor e do desespero.
Tentemos estudá-las mais de perto.
É claro que jamais nos trouxeram, nossos irmãos desarvorados, os esquemas e
organogramas de suas instituições, mas, de tanto ouvi-los falar delas, creio possível montar,
com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”, um quadro inteligível desse tenebroso
painel de desespero e aflição.
Em primeiro lugar, é preciso não cometer o trágico engano de subestimá-las. Elas são
realmente temíveis, Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas,
Espíritos longamente experimentados no mal, no exercício do poder, nos meandros do
sofisma. Isto não significa que, no desempenho de tarefas redentoras do bem, nos deixemos
dominar pelo pavor, no trato com seus representantes, pois é exatamente isso que desejam e
a que se acostumaram. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte, e, se cairmos
nessa faixa, estaremos correndo riscos imprevisíveis. O problema de lidar com elas é, pois,
extremamente complexo. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja
suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos, devotados ao bem e experimentados
nesses trabalhos. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes, eles
saberão dosar o trabalho, segundo seus próprios recursos e possibilidades, e as tarefas de
maior responsabilidade vão sendo trazidas, à medida que conseguimos passar pelas
preliminares, de menor envergadura. As equipes orientadas por esses dedicados
trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas, sempre que se
portarem com prudência e sabedoria. Como esses abnegados companheiros não impõem
condições, mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer, é preciso estarmos atentos às suas
sugestões e observações, para interpretá-las corretamente e pô-las em prática, com
segurança.
Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos
submetidos, em beneficio de nós mesmos, não podemos esquecer-nos de que precisamos
manter nossa própria organização disciplinada, atenta, flexível, ajustada, porque a “do outro
lado” é tão boa ou melhor do que a nossa, em termos de estrutura e disciplina, ainda que
não o seja em objetivos e métodos.
As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder, nas
mãos de alguns líderes, escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. Sua
liderança revelou-se na ação, em postos subalternos, ou confirmou-se através de séculos e
séculos, em que se revezam encarnados e desencarnados. Muitos deles, como signatários de
pactos de vida e morte, sustentam-se aqui e lá, onde estiverem, sejam quais forem as
condições, num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. São fiéis
uns aos outros, não porque se estimem, mas porque precisam uns dos outros, para manterse no poder. Quando se reencarnam, trazem programas muito bem elaborados, e o
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como homens. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. Mesmo assim. mesmo convertidos. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. de sua palavra. Competia-lhe. Ao que tudo indica. E também não é sempre que esses líderes. um desses poderosos companheiros extraviados. mas segura impunidade em que continuam a viver. realizando contactos. que obtêm. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles. até mesmo enquanto na carne. Elas não podem falhar e.compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. Podemos contar. enquanto por aqui se encontram. estava disposto a ajudá-los. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. como ele. dificilmente a instituição é desmantelada. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos é grupos que visitara. hipocrisia. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. sentiu todo o peso de sua responsabilidade. Sua frase final foi de uma beleza transcendental: 122 . agora. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. falta de fraternidade. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. logo. mas precisavam de ser convencidos. com a sua decepcionada hostilidade. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. por isso. e se tenha tornado praticamente insubstituível. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. Assim se explicam os êxitos. Assim. Uma vez convencidos a mudar de rumo. em nosso afeto. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. da parte dos que ficam no mundo espiritual. Verificada. abandonam-nos a sua própria sorte. de sua orientação. e a provisória. Ao que depreendemos da conversa com ele. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. na máquina do poder. doutrinados e despertados. rivalidades. na sessão seguinte passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. com manifestações de indignados e agressivos assessores seus. especialmente quando são figuras importantes. provocados pelo sono. e sua franqueza rude. exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. ou que o arrasam. quando retornam aos seus domínios. a resguardar. a fim de decidir onde levar seus companheiros. Quando conseguimos colher. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva. para que fossem. O primeiro impulso destes é resgatá-los. caem em desgraça ante seus companheiros. durante os desprendimentos parciais. ante aqueles Espíritos que levara ao transviamento. a organização sobrevive naqueles que o substituem. mantêm-se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. em termos humanos. Eles confiavam no seu antigo chefe. no mundo do crime. após a desencarnação. e. Sua sinceridade era evidente. mas muito realista. a impossibilidade de “salvá-los”. pelos seus ex-amigos. Dependiam dele. sem prejuízo para as suas tarefas. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem.

uma vez convertidos. sobrevivem a essas crises.. e dispõem de planos alternativos. Nunca sabemos. ainda que ocasional e temporário. que cada manifestação é diferente. neste livro. elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. produzem o terror e a opressão. porém. porque as mais vastas. qual a razão de sua presença entre nós. * Há pois. exposições. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. porém. pois as estruturas resistem. como as sociedades anônimas da Terra. Além do mais. E quando os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. de vez que nada lhes é sagrado. Em casos excepcionais. tudo é permitido. o deslize. desarticule-se. para um trabalho de saneamento. Conservam registros meticulosos. “armadas” e bem adestradas. aqueles que. desde que os fins a que visam sejam alcançados. quase sempre. quando se trata de organização de menor porte. seus organogramas são tão bem planejados e implementados como os de uma empresa. que 123 . ritos. que problemas nos traz. Nada de ilusões. que podem causar consideráveis transtornos. Promovem reuniões. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso. Muitas vezes. como um microscópio ou um relógio. Promulgam leis. para emergências. é possível admitir que a instituição se desfaça. sermões. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. devem estar bem preparados para enfrentálos. movimentam documentação. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. No primeiro caso.. guardas. a desobediência. porque não lhes seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. ao certo. dispõem de tropas de choque. sem nenhuma cerimônia. Só que. concílios. organizações menores filiam-se às maiores. porém. É preciso enfrentá-los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. Aqueles. Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. quais são suas características. Seus métodos são os do terror pela violência. conferências. seus executores. ainda que seus lideres as abandonem. são os mesmos. a revolta. e tudo se lhes permite. com o fim de produzirem lucro. Não se tolera a falta. Têm seus chefes. porque penetrarão. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. Estão preparadas para isso. rígido. Sejam. Nada os detém. as intenções do Espírito que se aproxima. utilizam-se de aparelhos. grandes ou pequenas. porque os objetivos. ou muito se assemelham os métodos de ação. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. pois. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implacável. punem os indisciplinados. pelas portas das nossas fraquezas. empregando milhares de servidores. e têm delas supervisão e proteção. seus planejadores. se assim o permitirmos. operários. IV — TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. debates. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão.— Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. endurecidos na prática do mal. inflexível.

rasgar livros e cadernos. tudo quanto entender. repetidamente. com certeza. O médium é um ser humano ultra-sensível. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. ou psicofônica. para cedê-lo ao manifestante. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. levantar-se. da sua problemática íntima. da sua capacidade de concentração. temporariamente ocupado ou manipulado por entidade estranha a sua economia. do seu interesse no trabalho. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. E mesmo estes. o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. é preciso considerar. que pode flutuar. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. para que o Espírito manifestante não se exceda. ou. de psicologia complexa. mas não nos esqueçamos de que. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura. Por outro lado. também. julgo inadequada a expressão “mediunidade inconsciente”. derrubar móveis. da sua fé ou ausência dela. interferir. fazendoo gritar. psicografia. dar murros. mas. a qualquer momento e sem limite de tempo. Suas faculdades sofrem influências várias. acompanhando atentamente a manifestação. especialmente. de maneira previsível e controlável. clariaudiência. Se o médium mergulhasse. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. e pode. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. para conter as manifestações mais violentas. obviamente. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. mas o médium não é um possesso. Mas. para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. * 124 . voltemos ao fio da exposição. quando a ele nos referimos. para que eles não cometam desatinos. de uma para outra manifestação. não se manifesta através do corpo material. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado. O possesso é realmente um médium. Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. no estado de inconsciência. Devo abrir um parêntese. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. no dirigente do grupo e. melhor ainda. Ao escrever isso. O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. ou totalmente sem disciplina. do seu estado de saúde. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. como o próprio médium estará presente e consciente. de vidência. e promover distúrbios semelhantes. porque o imobiliza instantaneamente. basta invocar esta. mas de realidade indiscutível para ele. como um telefone ou um rádio. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. no sentido de que o manifestante possa fazer. da sua confiança nos companheiros que o cercam e.funcione. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. segundo suas próprias disposições. dos Espíritos manifestantes. do ambiente. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. em Espírito. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. com ele. e muito livres.

mas. desde que ele venha em nome de Deus. é verdadeiro. de indignação. gemer. os companheiros desencarnados doentes. acabam com o grupo. usando de ardis. usualmente. porque acham. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. saudando-o com atenção. duas ou três vezes. prostração. a fim de tentar ajudá-lo. Geralmente. na tentativa de descobrir suas motivações. aqui. carinho e respeito. Nestes casos. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. antes da sessão. assim.O grupo deve estar. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. que o neutralizando. e até dias inteiros. numa sematologia que o doutrinador. lembrar que. o que. O doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. respirar com maior profundidade. E preciso. quando se trata de um Espírito desarmonizado. assegura-nos suas boas intenções. tenaz. levantar os braços. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa. sensação de angústia indefinível e. Por fim. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. sobre os plexos. não se apavore. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. gritando que acabou a farsa. o Espírito começa logo a falar. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. sobretudo. pressão sobre a nuca. impiedoso. embora a manifestação não se torne ostensiva. até mesmo. em virtude de seu estado de perturbação. começou serenamente. dá-nos conselhos. muitas vezes. embora não dotados de mediunidade ostensiva. dor de cabeça. mas. numa linguagem de pacificação e entendimento. implacável. explode em irritação e “abre o jogo”. Às vezes. cada médium tem seu próprio “estilo”. ou mutilações que não possuem. Não se assuste. certa vez. Elas são imprevisíveis e inesperadas. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutrinador. horas. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. Em certas ocasiões. De outras vezes. tenha ou não mediunidade ostensiva. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. ou preparando ciladas. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. ou seja. como eu lhe pedira. infelizmente. Diz palavras doces. O cerco em torno dele é permanente. como 125 . porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. Um deles. o médium sofre inevitável mal-estar físico. freqüentemente. O médium experimentado e responsável deve estar preparado para isso. ou a esbravejar. mantém-se em silêncio. estado febril. irritabilidade. não tema e. com o que ele se diverte bastante. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. não deixe de comparecer ao trabalho. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. saberá identificar. Há os que fingem dores que não sentem. para que o doutrinador se esgote. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. habituado a trabalhar com ele. afastá-lo do trabalho. com um apelo “aos corações bem formados”.

mistificar. por estranho que pareça. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. Riem-se muito dos nossos enganos. Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. o que. inteligente. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. sua 126 . Aos poucos. a sua história foi se desenrolando. tinha dificuldade em expressar-se. Uma noite. de início. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. que chegara ao fim da sua provação maior. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. com uma dedicação comovedora. que angústias traz no coração. Fora um homem de cor. Era evidente. “não era barbante podre. passou a colaborar em nossas tarefas. particularmente grato ao meu coração. defraudar. Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. Tentarei explicar. o que o deixou bastante impressionado. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. aliás. Qualquer que seja a abertura da comunicação. Pode. revelar clamorosa ignorância. para ele. Foi. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. sumariamente. emocionado até as lágrimas. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem.cegueira ou falta da língua. mesmo no mundo espiritual. Seja quem for que compareça diante de nós. Dentre os muitos casos assim. por mais que reajam à nossa aproximação. ou se apresenta ainda inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. depois. às vezes. na sua linguagem colorida. e vivera em pobreza extrema. como alguns me dizem. pelas ruas do Rio de Janeiro. Propus-me a ajudá-lo. não”. é um Espírito desajustado. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. começou realmente a sentir uma dor real. Num infeliz acidente de trem. ou então. porque o companheiro. podendo caminhar sem elas. que intenções. lembro-me de um. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. que esperanças e recursos. divertindo-se com a minha falta de inspiração. paradoxalmente. ele respondeu que já o experimentara. para nós. com esses artifícios. mas levara um tombo. não obstante. mas. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. e ele começou a rir. Ao apresentar-se. ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. Visam. ainda caminhava de muletas. como ignorante. Suas observações eram sempre judiciosas. o que o salvou e. mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. com paciência. o que fiz com um passe. perdera uma perna e. Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. Alguns bem mais desarmonizados do que outros. e entrar. que possibilidades e conhecimentos. sentíamos nele. ou tem consciência do que se passa com ele? É culto. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. o doutrinador deve esperar. que precisa de socorro. depois de recuperado. Por detrás de sua pobreza verbal.

e muito mais facilmente. Tivera uma longa e penosíssima experiência. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. No entanto.. tão dificilmente conquistada. ao correr dos séculos. etc. haverá alguma razão para isso. e não queria nada conosco. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições interiores. Exemplifico: suponhamos que. Não nos contou ele toda a sua terrível saga. em impulsos tresloucados. também. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. dosada e sustentada pela sua aflorante emotividade. em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. por divergência doutrinária insuperável. sobre a mesa. * Esse caso. no campo político-religioso. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. ele traçava infalivelmente o seu sinal. certa vez. com o que ele muito se alegrou. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá-lo em pequenas tarefas auxiliares. mês após mês. e recair nos velhos processos da vaidade. popular. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. graças a Deus. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. também. Confessou. um homem de grande magnetismo pessoal. Certa noite. temos uma experiência pessoal. enfim. e sua afeição e gratidão por nós.. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. para falar-nos de maneira inusitada. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. e começava a doutrinar-nos. tivera um passado de brilho e destaque. Tivera uma 127 . de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. o que este recusava terminantemente. aqui. orientado pelos ensinamentos de Allan Kardec. Nada de expulsá-los sumariamente.. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. No seu terreiro. envolvera-se em erros lamentáveis. Ele estava muito bem lá. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança. etc. há quatro séculos. e isso o salvou. então. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. devido à ausência de grande número de companheiros. estava curado o querido companheiro. quase sempre. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. no século XVI. reunidos em apartamento de luxo. Suas primeiras manifestações seguem. Éramos uns “cartolas” grã-finos. Provavelmente. uma respeitável bagagem espiritual. e quando. entre nós. Mas. graças a Deus. Só muito mais tarde a história se desvendou.humildade uma constante. mas uma só narrativa bastou. Aqui. mas a afeição por nós lá estava. também se fazia o bem. sem atavios. dizia. simples. desde que. a técnica a que estão acostumados. num grupo estritamente espírita. algo patético. Fora. profundamente contristado. Aguardemos pacientemente. revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. Pelo que depreendemos. também. para saber o que desejam. experiência. que. ao recebê-lo. Ao manifestar-se. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom.

As primeiras palavras são de importância vital. Não esperemos. logo em seguida. não podemos despachá-los. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde. quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. Manteve sua maneira algo rude de falar. a “receita” de um chá caseiro. dava passes no seu médium. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus 128 . e. a seu turno. Muito devemos a esse querido companheiro. num impulso rápido de inspiração. das suas perplexidades. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. Incorporava-se. para curar. nos libertará também. O nosso bom e querido Justino. sem floreios e artifícios de linguagem. como bicho. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias. dando-nos conselhos e passes e. amorosa e tranqüila. indeterminado. alguma antiga experiência na Medicina. mal enunciaram as primeiras palavras. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. a primeira regra do diálogo. vez por outra. é esta: paciência e tolerância. enfim? Além disso. Muita coisa vai depender. é um permanente exercício dessas duas virtudes. Talvez buscasse esconder suas emoções. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a utilização dos recursos da Natureza.existência no Brasil. identifiquei seu Espírito nas lutas dramáticas da Reforma Protestante. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. como escravo negro.. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades. amigos. Se assim fosse. jamais. companheiros de jornada. colegas de serviço. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. no desenrolar do trabalho. Manipulava bem esses fluidos naturais e devia trazer. com os nossos irmãos em crise. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. Em mim mesmo. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. a essa altura. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. curado de antigas mazelas. no Espírito. porque nos trazem lições. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. são. Era quem nos dava um passe final. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo. o que não é verdadeiro. por meio de passes. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. Mas nós. Era levado de um lugar para outro. colocou um “remendo” na coluna. por igual. precisamos deles. Toda conversa.. enquanto falava tranqüilamente. sua gratidão e sua alegria. quando a manifestação era por demais penosa. Certa vez. com seus conhecimentos e seu coração. com eles. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós. Também este integrou-se no nosso grupo. uma expressão inicial sensata e equilibrada. que tanto o infelicitaram. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. feliz em poder servir-nos. pelo reencontro com os velhos companheiros. da sua autohipnose. não somente pelo que fez por nós. decisivas. haviam se distanciado na sua frente. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. segundo ele. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. que. às vezes. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes. dos seus sofismas. da parte daqueles que se acham desarmonizados.

demorem e usem de mil e um artifícios. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. por muito tempo. o núcleo de suas dificuldades maiores. o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. a sua razão de ser. O longo trato com eles nos ensina que têm um hábito peculiar de “pensar alto”. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. desencanto. e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim. ou funcionar como juiz. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. tentando obrigá-lo a mover-se. isto sim. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores. aquilo que o Espírito elabora na sua mente. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. É necessário conhecer a sua história. em palavras e gestos. pois. aflição. pois. que os traz a nós. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. ou perplexidade. num processo legitimamente constituído. Contemos com mistificações e ardis. Insistimos. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento. e não a palavra falada. na língua que ele falou por último. em suma. embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. e aparece um grupo. perplexidade ou aflição. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos. na sua mais recente encarnação. Ao cabo do diálogo. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos. Esperemos. mesmo assim. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. que constituem o centro. que se estendeu por mais de uma sessão. como o nosso.próprios caminhos. seu temperamento. Eles não conseguirão. e no qual. Pretendia transformar o meu lar num hospício. suas desarmonias. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância.. preso à sua problemática. seus problemas. Ele está parado no tempo e no espaço. em que a culpa é tão clara? que petulância! que impertinência! É preciso deixa-los falar. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter. Se pudesse. que o fustigamos. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. o núcleo. com ódio e agressividade. 129 . mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver.. disse ele. É claro que o primeiro impulso de hostilidade. com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. com a inadmissível tentativa de fazê-lo desistir dos seus propósitos. uma eloqüente manifestação de revolta. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. É que o médium lhes capta o pensamento. e depois. e a voz alteia-se ou sussurra. É certo. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. tem de ser contra nós. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. do contrário. precisamente. rancor. Fugia a qualquer referência pessoal. Num caso desses. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo. me destruiria. eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições. suas motivações e suas razões. muito embora seja isto o que mais parecem temer. pois. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. desespero. de um Espírito assim. não poderemos ajudá-los. ironia ou amargor. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. reflete ódio ou desprezo. com falsidades e subterfúgios. pois é isso. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. ou seja. E ainda que relutem. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. somos nós que o agravamos. com ignorância e má-fé. e todo médium precisaria ser xenoglóssico. Se assim não fosse. que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós.

em busca da paz. 130 . porque é justamente esse fingimento. ao qual há referências alhures. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse. e não podemos voltar sobre nossos passos. Para não transformar o tema numa composição literária. não é fingir que ela não existe. essa fuga. É claro que também somos endividados. estamos envergonhados. lutando. e disse: — Eu era um sol. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. Participara. no entanto. Na verdade. tentam fugir de si mesmas. ou de conduzi-lo. neste mesmo livro. É verdade. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: — Veja o que eu ia dizendo. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. Sem essa abertura corajosa. e devemos. Este caso encerra outra lição importante. impossível negá-lo. Sempre fui um soldado. enfrentando os nossos espectros interiores. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar.. Incontáveis multidões. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. Veio para isso mesmo. ignorando seus próprios fantasmas interiores. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endividados. pois o erro já está cometido mesmo. mantém-nos paralisados à beira do caminho. A certa altura do diálogo. de início. mas por que demorar-nos no arrependimento. ou do próprio Templo. mas relutou o quanto lhe foi possível. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido. temerosos e angustiados. pois sabia muito bem que. mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”. a força da sua presença em nós. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo.. O primeiro. agora. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. O que temos de fazer. quanto o perseguidor. as cutiladas do remorso. talvez tanto quanto eles. as censuras da consciência. e temos que reconhecer. ou até mais. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. pois. Era esse o problema que ele mais temia revelar. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. como soldado romano. no entanto. o segundo. Podemos. cruzarmos os braços e esconder-nos. marcando passo. depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. como um caramujo. detidos.. que nos mantém presos. cobrir as razões de sua presença entre nós. ao longo da sua inesquecível via crucis. não dá sequer para começar. mostrar-lhes que estamos fazendo alguma coisa.Em suma. chegados ao cerne do problema. vendo a multidão passar por nós.. da penosa missão de aprisionar o Cristo. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente. é refazer o que não podemos mais desfazer. Precisamos. A culpa existe em nós. No fundo. Em outro caso. ajuda-nos a reconstruir logo o que destruímos. uma ou duas semanas antes. E. desde a sua primeira manifestação. no entanto. deixa cair os véus com os quais tentou. mas que precisava enfrentar. para libertar-se. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. para desfazê-lo.

compreender sua relutância em abrir-se. porém. Estejamos certos. seus erros. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. Dê-me mais tempo. Nela se definem muitas coisas sutis.. Espere com paciência. agora. ajudá-lo a descobri-las. É preciso. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. ou confirmando-o na sua dor. Basta um pouco de ajuda. Mas.. sofrer com ele. neste momento. ou seja. que a verdade virá. estejamos atentos. de que a resistência será grande. talvez. Não importa que ele leve 131 . não temos empatia. que podem decidir o caso. que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo. somos meros espectadores. difícil. seus crimes.. Preciso pensar. mas que o faça com muito tato. À medida que ele se desenrola. Deixe-me. suas mazelas e imperfeições. ou séculos. Claro que você pode continuar a fazer isso. busque com tranqüila perseverança. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. É uma tentativa de entendimento. habilidade.. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reveladores. de uma forma ou de outra. uma disputa. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. Tentar identificálos é sua tarefa. Deus. apreciação emocional dos sentimentos alheios. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra. na memória daquele irmão que sofre. O que interessa. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência. de imposições. a despeito de tudo isso. Junto de um companheiro particularmente agoniado. nos antecipando. no entanto. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. abandonar tudo aquilo. por mais alguns anos. E acrescentamos: muito amor. de pressões.. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo. mas. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria. que tenhamos a faculdade da empatia. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro. não é “ganhar a briga”. libertando o Espírito. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E. há de continuar amparando-o. O doutrinador não o forçou. sentindo-se ainda despreparado. E preciso aprender a vibrar com ele. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. temeroso. tato e paciência.. uma contenda. não uma discussão. Espere um pouco mais. e muitas vezes o Espírito recuará novamente. Limitou-se a dizer. que era a motivação de sua vida.. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos..como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. Veja bem: apreciação emocional. acovardado.. Nada de coações. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. paciência e compreensão.. Ele a dirá. também. aceitar seu temor em descobrir suas feridas. De outra vez. mantenhamo-nos compreensivos e discretos. Neste caso. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação.

a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. nem mais culto.a melhor no debate. quando somente uma grita. muito mais que com simples urbanidade. que cai num vazio. pois veio até a nossa casa. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. como poucos. tolerância. sobre todos nós. O Espírito precisa ser atendido com interesse. De vez em quando. Que a gente somente grita quando não tem razão. que. que sabe ser o mais “perigoso”. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal. de mil formas. paciência. Siga-o na conversa. faça-o compreender. tanto melhor. É o clima que convém aos seus propósitos. que o aturde e o traz à razão. ainda. escritor. ou. mas resista mesmo. teólogo. E muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. orador. não o force. Mas. pois. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. Não altere a voz. por mais bem preparado que seja. adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. ameace e procure intimidar-nos. ao impulso de “responder-lhe à altura”. que não é preciso gritar. As leis morais. precisamente para evitar cair nesse campo. durante esse diálogo difícil em que. Seria. o clima torna-se insustentável e a situação difícil de ser contornada. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. Espere o momento oportuno. por assim dizer. a não ser em condições muito especiais. da parte deles. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. na maioria das vezes. Resista. e difícil. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. pois assim não conseguirá ajudá-lo. argumentou em causas importantes. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. enfrentou grandes debatedores. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. não se deixe irritar. sem aumentar sua irritação. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. Se o tem mesmo. se ele insistir em falar em altos brados. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma. pior ainda. * É certo. que o aliena cada vez mais. o doutrinador 132 . que nos agrida. quando nos deixamos envolver pela sua agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. em voz baixa e tranqüila. o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. que a intuição do doutrinador deverá indicar. Aguarde pacientemente. tantas vezes. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. e ele um réprobo enredado nos seus crimes. Não apenas se encontra na condição de visita. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. Estejamos certos de encontrar sempre. como ele ficará ainda mais irritado. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. se o recebemos com fria e polida cortesia. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. Foi tribuno. compreendê-lo e servi-lo. pensador. a infinita misericórdia de Deus. o cego ao mudo e. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. em pelejas dessa categoria. está contido pelos dispositivos da encarnação e. por ser o único revelador do núcleo interior de sua problemática. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. e reiteradas. do que o doutrinador. ignorante de fatos importantes. Não é importante superá-lo na troca de idéias. sem atritar-se com ele. não reaja da maneira que ele espera. Não se esqueça. Se o doutrinador cai na tolice de gritar-lhe de volta. por outro lado. certo de que o Espírito está negaceando. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que.

porém. se possível por bem. e não como um agressivo guerreiro. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. Mantenhamos o equilíbrio. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. porém. uma lembrança fugaz. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. mas não hesita diante da violência. Está muito bem como está. bravatas. É isso. — Sim. como um temível conquistador. também. covarde. na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. embora projetando-se. tentativas de intimidação. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. na História. surgido dos registros históricos. não sei de onde nem de quando.tem de aceitar o papel de um pobre. na qual insiste. então. Sonha grande. porém. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. mesmo. ele precisa da nossa ajuda. ao contrário. precisamente.. Já no passado cometeu. para que eles passassem. Embora dificilmente admita. também pronunciou sua ameaça. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. tentar a glória? Nem sempre. Fala-me da sua glória. propostas. ou nós teremos que fazê-lo? Outro me informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. mas se isso fosse impraticável. Como pode alguém desejar viver na obscuridade. essas bravatas e ameaças terminam assim. sem me ferir. medroso — haverá mistificações. Não poucos serão os que. Um terceiro. já estamos conversando. me diz. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. o tom de voz. meu Deus! — sinto por ele. como dois velhos amigos que se reencontraram. é verdade — digo-lhe eu —. pois não desejava causar-me dano pessoal. teológicas e psicológicas. ele replicará com toda a veemência. atentos. para realizar os seus sonhos de domínio. vem das telas infinitas desse continuo espaço-tempo em que vivemos. Lembremos-nos de que o perfil que procuramos é importante. mas continuam a estimar-se e 133 . amistosamente. atentos as informações que o Espírito nos fornece. ameaças. que ele não entende. várias vezes. Se o mencionarmos. preferi a obscuridade. que de forma alguma precisa de nós. a não ser que a isto fosse obrigado. se possível. pelo menos.. fantasias e deformações filosóficas. A essa altura. Tudo serve para compor o quadro. mesmo. com um mero doutrinador espírita. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. Confessa. do século XX. Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. esse engano. uma observação aparentemente sem importância. Ao falar das suas grandezas. hipócrita. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão. se pode. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. era para arrebentar tudo a dinamite. infeliz débil mental. porque a pedra tinha que ser afastada. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. ironias. uma inexplicável ternura que.

com emoção e respeito. ferimentos e angústias. ou para o doutrinador. mas a carne é fraca”. por mais fantástico que nos pareça. das ameaças e. e em prece. para engrossar as fileiras dos que estão parados. Isto é válido para todo o grupo. e. Seria profundamente injusta a Lei. o mesmo que. sonha com a paz. no fundo.respeitar-se. pelo menos. que o sufoca. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. — ((Vigiai e orai” — disse o Cristo. uma enorme capacidade de amar. de certa forma. as culpas ainda não cobradas. não podemos colher rosas. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. experiências e qualificações inesperadas. doenças inesperadas. enquanto puderem. ou. a despeito dos espinhos das rosas. temos. a uma observação superficial. pelo menos. sofre a ausência de afetos muito profundos e. mal-entendidos entre familiares. É preciso estarmos. pois o Espírito está pronto. logicamente. os erros ainda não resgatados. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. em nenhuma hipótese. sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções. como nos disse um Espírito amigo. mergulhado no corpo físico. 134 . sem jamais nos ferirmos nos espinhos. mas sem cometer o engano de ridiculariza-la. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. e. No trabalho mediúnico de desobsessão. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado. 14:38) O Espírito deseja a libertação. nos espionam e nós assediam. de um ou outro desengano maior. se assim não fosse. ainda há poucas semanas. Mesmo com toda a vigilância. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos. pois. poderoso. Um deles. É necessário não intimidar-se diante da bravata. como disse um amigo espiritual muito querido. depois de desperto: beijou. no entanto. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo. que contar com contratempos. em si mesmo. sabem disso. mas. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio ou de provocação. muito difícil. mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. Usualmente. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida digna. bem certos de que. (Marcos. não pôde conter sua gratidão. a mão de seu aturdido doutrinador. exatamente. certa vez. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça. sofreremos senão naquilo em que ofendemos a Lei. continuamos vulneráveis. ele daria tudo para destruir. vamos ser punidos porque estamos procurando. quase inabordável. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. teme novas quedas. hão de reter-nos na retaguarda. Há uma diferença considerável em ser intimorato e ser temerário. preciosas. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. agressivo. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. temos que prosseguir o trabalho de resgate. eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. O cerco aperta-se. e não apenas para o médium. o rancor está firme atrás delas. Em primeiro lugar. Então. tão bem ou melhor do que nós. aflições maiores.

quando lhe estendermos a mão. mais do que ninguém. em deixar de atormentar alguém. A um desses respondi que não sabia. ou em liberar outros. como dinheiro.. Concordarão. pois que.. como dominar a minha. deseja e espera que nós consigamos salvá-lo. também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas. A regra. é esta: não ridicularizar a bravata. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. prazeres.. De um Espírito encarnado. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”. E. ele nos será muito grato se o conseguirmos e. Você sabe. posição. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais. por ele mesmo. por exemplo. igualmente. Como dizia há pouco. não responder à ironia com a mofa. bem no fundo de si mesmo. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas. De outras vezes a proposição é mais sutil. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada. aquele que me propunha desfazer um “trabalho”. não se intimidar. dominar mentes. Começam com elogios. há um tempo enorme. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando. ainda. a da resistência inesperada. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados.. de algumas considerações à parte. certa vez. no trato de situações como essa. e foram afastados sumariamente. que eu ficaria estarrecido. à prática do mal. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo.. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões. afinal de contas. De modo que. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram. nas suas organizações. ele não o conseguiu ainda. aqueles que nos acenam com é belíssimas” posições. que mantêm prisioneiros ao mundo espiritual. Se podem comprar nossa desistência. imperturbável: — Sabe. a que particularmente estejamos dedicados. passado o rompante das primeiras agressões. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. 135 . no passado. tão reduzido.. com a peçonha de seu rancor inconsciente. impedir seus passos. Já referi aqui também. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes. A proposta pode ser um simples negócio. portanto. com seus próprios recursos.Mesmo que ele nos fira. na sua instituição.. e esta precisa. E ele. para ajudá-lo a levantar-se. feito contra mim. mas não ser imprudente. nem desafiar a ameaça. ao que tudo indicava. aparentemente tão frágil. Um deles me disse. pouco a pouco.. sim. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará. votadas. Estão acostumados a tais ajustes e transações. por exemplo. deram-se mal. se os espinhos nos ferirem. por si mesmo. no fundo. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem. bem como. aqui e ali. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem. ele. ou pequenas concessões. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta.

depois. ante a resistência inesperada à sua vontade. às vezes. O tom pode ser este. jamais.. métodos semelhantes aos seus. é desumano. para o lado de lá. Em situações como esta. votados à maldade intrínseca. que precisam de ajuda e compreensão. São irmãos doentes. com isso. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. O que ele resolver. desesperados. são simples vermes infestados de culpas. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. Absolutamente. tentarmos “virar a mesa”. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles. São metódicos. evidentemente. Procure um dos nossos companheiros espirituais. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. mas que necessitam de nós. nada impede que desfaçam o trato. ou um bispo valioso. esquecer-nos de que são pobres irmãos desorientados.. o que é estritamente verdadeiro. estava muito feliz. Além do mais. Tenhamos. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. de suposto aliado. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. à primeira vista. então. está bem para mim. Não podemos. que sacrificar uma dama. o que. e nós. por mais inocentes que se representem. Se a uma proposta. Tinha tudo quanto queria. da parte deles. ou fazer. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas. sobre aquele que concordou com o trato e que. e nem a aceito. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. O negócio. ou pelo terror. a qualquer tempo. Não os subestimemos jamais. por mais infantil que seja. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. que as conseqüências serão funestas para nós. qualquer concessão. fora bom para ambos as lados. porém. na prática comercial.nos foi dito que desistíssemos. costumo ter uma resposta padronizada. não podemos permitir-nos utilizar. que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que. seres redimidos. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. alguém que prove ser pela menos um pouco melhor do que a média humana. deixar de ajudar alguém. Às vezes eles insistem. as concessões que nos oferecem têm elevado preço. dispostos a tudo. para dar o xeque ao rei. nas quais têm. porque sentimos que estão fracos e algo perplexos. e. pode ser desastroso. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. Escarnecer de suas propostas. e não de que os confirmemos nas suas práticas. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. Não recuso a proposta. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. A prudência continua a ser a melhor conselheira. diante de nós. Usualmente. é mais do que óbvia. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. imatura e precipitadamente. como tenho observado: 136 . iremos desinfetar. jamais. além do mais. A segunda observação é a de que. nessas duvidosas transações. Além disso. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. passa a vítima inerme de sua própria tolice. aí no mundo de vocês. enfim. mais experimentados do que nós. A cobrança virá. com a qual estão acostumados a lidar. ou seja.

mas pelas suas idéias. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. Não lutava especificamente contra nós. e até mesmo respeitosa. É preciso respeitá-la. Usam da ironia. totalmente dedicado à sua ingrata causa. semana após semana.. E comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. evidenciemos que nossos métodos são melhores. Várias artimanhas 137 . Nesse ínterim. pelo menos. que nada dizem. experimentemos a mesma arma. Voltou. no princípio. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. extremamente desarvorado. Merece nosso respeito. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. DORES “FÍSICAS”. redespertados em seu coração. o diálogo vai se desenvolvendo. A criatura que está diante de nós. no passado —. tentou enganarnos. necessitada de compreensão e de amparo. se não tiverem o grupo. atormentou-nos. Outros são bem mais artificiosos. um grande e generoso coração.. Caso contrário. com ameaças terríveis. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa. não importam os métodos. Tinha. também. encontra-se desatinada. A posição do doutrinador tem que continuar firme. o que acaba acontecendo. Eles não poderão fazer nada. por algum tempo. Muitos o fazem logo de início. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. convenceu-se de seu engano.. Um dia. porém. e arrasado de remorso.— Está bem. pela dor ou pela sedução. paciente. no seu desespero. MUTILAÇÕES. tempos depois. Que ela tente. como tantos outros. e vinha pedir nossas preces. para dizer-nos desses nobres sentimentos. Seria profundamente desumano negacear com ela. para que informe sobre si mesmo. FIXAÇÕES. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e. mas você pode resolver a parte que lhe toca. viu-se em toda a extensão de seus enganos. fogem às perguntas. Estava recolhido a uma instituição socorrista. isso é compreensível. assediou-nos. portanto. como vimos.. Ele visitou-nos novamente. com a graça de Deus. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar-nos ou quebrar o nosso moral. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidas de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. um pobre transviado. pois. é preciso deixar falar. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. para despedir-se. porém. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo. a fim de aos aproximarmos do âmago de seus problemas. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. você sabe. Pouco a pouco. é inadmissível. pela simples razão de que não o somos. DEFORMAÇÕES. CACOETES. Mesmo a estes. em desdobramento. tranqüila. mas que nós. e se você acabar com o grupo. deu murros na mesa. Essa história tem ainda um post scriptum. sem dúvida. desde que os fins sejam alcançados. a partir de uma espécie de monólogo. no mundo espiritual. é necessário deixar o Espírito falar. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. Era profundamente honesto consigo mesmo e. depois. Um pobre irmão desses. e achava. que tanto se esforçava por salvá-lo. O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. incorporada ao médium.

mas. em boa faixa de equilíbrio e concentração. este elo. quando alguém. Sentiu-se fortalecido e disse. Por isso. sem dúvida alguma. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. se o fizerem. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite. após longo tempo de conversa. que ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. pois. os circunstantes encarnados. Tivemos disso um exemplo. era apenas o de estabelecer. os resultados podem se tornar desastrosos. Há. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. mesmo mentalmente. todas as semanas. dizem gracejos. Muita atenção com estes artifícios. embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. todos. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. um vinculo positivo. mesmo que ela fique imanifesta. os Espíritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. Suas palavras singelas. com um senso critico imprudente. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético. Como o companheiro correspondeu a sua abordagem. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. Se um companheiro desavisado responde. certa vez. necessário ao trabalho. freqüentemente. para provocar o riso. nos orientava. pois. O Espírito começou a dirigir-se a ele. costumava sempre dar uma palavra inicial. a ponto de. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. entre nós todos e ele. Os Espíritos manifestantes têm. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. criavam. médiuns ou não. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. quanto ao que se passa. condições de captar-lhes o pensamento e. de raríssimas exceções. não bem afinados afetivamente com o doutrinador. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. de estímulo e encorajamento.são empregadas para esse fim. bem atento aos seus companheiros encarnados. Estes companheiros não devem fechar-se na indiferença. que ficaria falando sozinho. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. certamente tirarão partido da discrepância. que ainda estudaremos com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. E através daquele que atuam os Espíritos orientadores. com finalidades muito diversas. Um companheiro esclarecido e experimentado que. mesmo com um simples sorriso. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. via intuição. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas. e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. Às vezes. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. assim. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. Neste a técnica era obviamente utilizada para o bem. pois isto faz parte da técnica. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. excelentes razões para manter como regra. mesmo. do mundo invisível. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. em nosso grupo. para que se mantenham firmes nas suas posições. a cada um de nós. pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. achou graça num comentário do manifestante. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. com uma palavra mais pessoal. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. afetuosa e cordial. tanto se insiste na importância da 138 . em torno da mesa. O doutrinador tem que estar.

Se não pode ajudar. no tempo e no espaço. neste livro. através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. Dessa forma. Sob condições especiais. se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. ou seja. Talvez já saiba. além do pensamento. imprevisível e traiçoeiro. Enquanto isso se passa. pois. seguindo com extremo cuidado o diálogo. segundo sua intuição ou a instrução dos mentores. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. com alguém presente que. ele falha mesmo. nem mesmo por palavras inarticuladas. ainda que tenha falhado. condições para a sua tarefa. com freqüência. por amá-lo particularmente. o doutrinador. Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. e. mas é melhor excluir-se. Se ele estiver certo. subtrair. pode ajudar a despertá-lo. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. e o doutrinador errado. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. e este não possuir. mesmo assim. como componentes encarnados do grupo. Ainda não dispõe. Pode ser. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. Outra norma subsidiária: os circunstantes. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. para retomá-lo quando julgar necessário. Estamos tentando. a ponto de tornar-se criticamente negativo. que mina o trabalho. Claro que. um gesto de fraternidade mais objetivo. no grupo. numa técnica muito sutil de desmoralização. de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. porque o terreno em que pisamos. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. pelo menos. a conversa prossegue. alguém que nos pediu ajuda.fraternidade. por exemplo. nem que esteja sempre certo e com a razão. o doutrinador julgará. É comum que este procure burlar a norma. deve continuar atento. fazer-lhe um pedido de perdão. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. deve afastar-se do grupo. vigiem bem seus pensamentos. no entanto. claro. É possível. digamos. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. que insistimos em qualificar de excepcionais. ou seja. Não que o doutrinador seja infalível. por exemplo. no trato com esses irmãos desarvorados é difícil. mas não se envolvam nele. apenas pensadas. não acarrete maiores dificuldades. Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. é possível que ocorra a necessidade. Em casos assim. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. descobriu a razão pela qual foi atraído ao grupo. Mantenham-se atentos ao diálogo. Convém a eles a generalização da conversa. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem 139 . perfeito. de sua influencia obsessiva. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. ou a conveniência de alguém mais falar. Lembremos. é ele quem está preparado para ela. que ele esteja certo. ou com um gesto de que se lembre com saudade. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. mesmo. a que veio o Espírito. então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. que. Fora desses casos. que alguém.

procure apaziguá-lo. Veja bem: ajuda-lo a quebrar. no seu ódio irracional. os manifestantes reagem. outras lembranças. falando-lhe de uma passagem evangélica. vingança. à que Deus o permite. arriscando. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. melhor ainda. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem notícias de amigos e parentes daquela época? É claro. da cobertura divina. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los. com problemas suscitados no relacionamento. uma pergunta mais pessoal. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. ele está convencido dos seus direitos e. No entanto. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua motivação. de conotações essencialmente humanas. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. que o Espírito não tem condições. e coisas semelhantes. Ou dão respostas evasivas. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. espoliação. O processo pode alongar-se por muito tempo. até que adquiram confiança em 140 . sequer. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. Terá que fazê-lo. respondem. à volta de sua idéia central. se podem é fazer aquilo. um caso pessoal. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório. Deixe-o falar.o seu núcleo: traição. Ele tem que sair com seu próprio esforço. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. Tem que haver. procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. simplesmente. continue a falar-lhe. Por outro lado. a fixação é. mesmo. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. de vez em quando. fala o que de fato sente. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. pois. com muita sutileza. na sua memória. pelo menos. porém. Aguarde-se. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. uma pergunta diferente. ou. porém. que se aplique particularmente ao seu caso — e sempre haverá uma ou mais. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. tão pronunciada e tão absorvente. pelos outros. Além do mais — dizem —. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. a impossibilidade do perdão. às vezes. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. como um louco varrido. embora isto também seja possível. ele não conseguirá isso por muito tempo. Como. arrancá-lo à força. Por mais voltas que dê o Espírito. Se grita e esbraveja. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. o ódio. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer.. aquilo que lhes compete realizar. até mesmo. o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. em certos casos — seu próprio Espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. de ouvir o doutrinador. quase sempre. Ou. para essas idéias fixas. aqui e ali. Neste caso. Não se esquecer de que. logo nos primeiros contactos.. desamor. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se. se recusam a responder. por mais errado que esteja. outras sentimentos e até mesmo outras angústias. É. não quebrar. Ou. mas não tudo quanto queira. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. senão ficará andando em círculo. Deixemo-lo falar. pois. para exercerem suas vinganças e perseguições. Com freqüência. não obstante. Coloque. em casos extremos de fanatismo apaixonado.

. O objetivo das perguntas não é. Não nos esqueçamos. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. provavelmente. se ele sabia a razão da paralisia de seu braço. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saída daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. Sua “cura”. nestes casos.nós e nas nossas intenções. ainda que temporariamente. Se sabia. Ou. que ele acreditava não fossem seus. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. Quando me propus a curá-lo por meio de passes. de muitas maneiras e sob variadas condições. E. Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. segura pelos 141 . e ele se lembrou da cena de um passado distante. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. na mão direita. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação. e vi logo que ele reagia. Em uma oportunidade. neste livro. tivemos também um caso. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo. Mesmo assim. por meio de passes. levantei-me. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. mas porque não sabe. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. durante a Revolução. Não sei. aparentemente irrelevantes. a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. intensamente dramático. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. se ficasse curado. de que espontaneamente ele não sairá. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. pois achava que ela o havia traído. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta. Só então. porque costuma funcionar. ainda. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. a fim de afastar o pensamento do comunicante. não porque não queira. ao que parece. sob a forma de trejeitos e contrações. ainda. ao certo. devem limitar-se a conduzir a conversação. um mecanismo de defesa. Ele não quis dizer. ou. a esposa e os filhos. que parece construir uma barricada às nossas costas. obviamente.. quando sacrificou. nem saberia conscientemente a razão. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? — e quase inaudível. Exposto o âmago do problema. a punhal. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa. para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. seu drama resolveu-se. porém. ficou bom. sentindo o impacto dos fluidos que o alcançavam. sem precipitação. Outro sentia. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que. porque ela lhe dava uma aparência terrível. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. por isso. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. fornecendo-lhe pontos de apoio. tentava ignorá-la. mutilações e deformações perispirituais. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. realmente. guilhotinado na França. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. sobre os quais ela possa expandir-se. de um pobre sofredor. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito. voltando a movimentar o braço. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança.

Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão. para ajudar na recomposição da forma “física”. O diálogo inicial foi difícil. Subitamente. Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. o que se percebeu. para castigá-lo. porém. as orelhas. ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!.. E conferia. Estava tudo lá. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. Louco de alegria. ele os executava. Reviu até a fila de espera. * Mas o diálogo prossegue. alimentava a esperança de “repô-la” no lugar. a boca. Levo-o cautelosamente para uma introspecção.. pois convicto de que estava sem cabeça. Teoricamente. o quadro que se lhe apresenta.. procurando impregnar-se deles. além dos passes habituais. Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma. além da que há pouco mencionamos. A custo. Não obstante. depois de condenados.. mesmo sem a vidência. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. Isto foi possível fazer. porque ela tem outras aplicações. com a ponta dos dedos. ele pode cobrar. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. como. ele parecia absorver os fluidos avidamente. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos. isso. mesmo decepada. não apenas para recebe-los. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. Enquanto lhe dávamos passes. “Provavelmente”. muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. de cabeça decepada.cabelos. Explico-lhe que vivemos muitas existências. talvez. Ele se lembra. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama. Continua a submetê-lo ao seu próprio juízo. também. porque a idéia de direito implicaria. Enquanto a tivesse ali. Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação. toda a anatomia facial e craniana: os olhos. com a graça de Deus. o nariz. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. agora. 142 . É verdade. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. não acreditava que Deus o tivesse feito. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. a da impunidade. Vivia apavorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. com movimentos aflitivos das mãos. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. que eram infiéis a Jeová e. Quanto ao que lhe acontecera. à mão. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. digo-lhe. por incorporação. ele não tinha condições de falar. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. sim. o fui convencendo de que podia falar através do médium. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. embora as esqueçamos. E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. Oramos e lhe demos passes. “você andou também cortando a cabeça de alguém”. ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. e a invocar o seu direito à cobrança.

imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. afinal. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez. Sacudido pela tormenta das suas paixões. diz ele. ele se inscreve novamente como culpado. vida após vida. no processo que ele próprio criou. na alienação da sua vingança sem objeto. o seu ódio somente se estanca. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. pelo despertamento de seu Espírito. ele arcará com as suas responsabilidades. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. ele já está convencido dessa realidade. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos. com objetividade e sangue-frio. ou seja. no tribunal invisível da sua própria consciência. e somente o libera da sua própria dor. no momento oportuno. com prazer. através de sua própria consciência. sobre as virtudes teológicas do perdão. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. não haveria direito liquido e certo de cobrarmos. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. que ele se recomponha perante a sua vítima. como explicar tudo isso. pela regeneração. por exemplo. e que continua retido. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. mesmo que. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. medite. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. Creio que. pelo esforço que faz em ajustar-se perante as leis divinas. e as sofrerá. uma falta cometida contra mim. Acha ele. nós mesmos. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. ele esteja quite. pelo perdão. não o seu caso. Não obstante. indefinidamente. Dessa forma. procure encarar o processo. pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. que. impunemente. basta uma pergunta bem colocada. em face dos códigos terrenos. respondendo por desatinos cometidos. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da reparação? Em muitos casos. cada vez mais dolorosa e ampla. Por outro lado. ele nem percebe que também sofre. para retomar a sua 143 . a prisão ou a indenização redimem o criminoso. que o rancor não se satisfaz nunca. existe a idéia básica da reparação. A lei divina pede do ser.É claro que não falo aqui no direito humano. Por que manter dois Espíritos amarrados. através de seres que lhe são caros. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. pela vingança. as faltas cometidas contra nós. com mais um século ou dois de rancor. tanto numa. pois que direito é esse. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do Espírito. estaremos começando a ajudá-lo. assim mesmo. Ante a lei humana. Às vezes. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. revezando-se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. Um dia despertará. como noutra. a de que. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. como se estivesse apreciando um caso. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra. a divina. Não importa. porém. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. Ele não se mostrará sensível ao apelo. que o interessa pessoalmente. de forma convincente. Quando chegar a hora da dor. exercendo a vingança por suas próprias mãos. Ele quer cobrar. do qual conhecemos as primeiras letras. Não sabe ele. se Deus me assegurasse o direito de cobrar.

agora? LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. mais paciente. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. de uma palavra mais enérgica. desintegrar-se. se esse dia pode ser hoje. em estado de pânico e aflição indescritíveis. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. de compreensão e de esclarecimento. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. Digo-lhe. A despeito de todo o cuidado. Ele precisa. Este é o momento em que certa dose de energia torna-se de imperiosa necessidade. mas naquilo que dizemos. Dizia que a sala estava cheia de 144 . Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. pois. Nada de precipitações e ansiedades. mas é imprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. se pretendemos minorá-las. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. pelo nosso grupo. Este é o irmão a que já me referi. tato e oportunidade. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. que ele não pediu a Deus. A essa altura. às vezes. Ele foi recolhido. em estado de terrível agitação. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. mas. quando conseguir pegá-lo. Certo Espírito apresentou-se-nos. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. muito jovem. da nossa parte. e do carinho de nossos dedicados irmãos. mais desarvorado do que nunca. também. Não é assim que as coisas funcionam. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. exige uma solução para o seu caso. falou aflitivamente de seu problema. como num passe de mágica. resvala novamente no precipício da desarmonia. porém. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. É hora de falar-lhe com mais firmeza. Por outro lado. de ressentimento ou de condenação. se for necessário dizê-la. em altos brados e com desprezo. ao contar que. o momento de dizê-la tem que ser buscado com extrema sensibilidade. sem pieguice. sem precisar ser melosa.caminhada. E. às suas aflições. diz que sim. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. também não posso lhe tirar a dor. Isto não exclui. seu hipnotizador. A uma palavra minha. ainda e sempre. por certo. diz. mas que isso de nada adiantou. Deseja morrer. Contraditoriamente. a seguir. que Deus não se acha à nossa disposição. reclama. que. apoiada na compreensão e na tolerância. a nossa tranqüilidade. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. em condições dolorosas e trágicas. que se achava presente. Agora. Quando me levanto para ajudá-lo. deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. que o reduzira ao mais extremo desespero. afinal de contas. A energia não está no tom de voz. A voz precisa continuar calma. recaíra em poder de seu perseguidor. em tom afável. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. Caíra em poder de implacável hipnotizador. autoritária ou rude. pois desencarnara. temos que contrapor. que de nada valem meus passes e minhas preces. recomeçou a indução. E por que esperar tantos desenganos. mas tem que reconhecer. certa vez. a necessidade. Se o companheiro é agressivo e violento. o esforço deve ser redobrado. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta. que pediu a Deus. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males.

enganam e mistificam. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. Esse meio-termo. ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. no mínimo. incorporam-se em outros médiuns. Era um líder. Um desses companheiros amados. revelar-se temeroso e intimidado. entre destemor e intrepidez. só podemos contar com a intuição. Se o 145 . limitando-se a transmitir uma pequena informação. para doutrinar o Espírito manifestado. Se pronunciada antes da hora. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se. talvez.. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. habilidade como argumentador. por outro lado. agressividade e arrojo. evasivamente. Muitas vezes envolvem. com extraordinário vigor e habilidade. poder de oratória. e. como este. não nos esqueçamos. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. pensou.. o momento tem que ser oportuno e. quando isto se torna imperioso. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. por certo.. para que o próprio doutrinador a desenvolva. para isso. Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. O problema da palavra enérgica é. como eu deixara passar a ocasião de falar. Ela se manteve firme. sem o menor traço de rancor. que. Percebera. porém. e de ratos que corriam de um lado para outro. pois começa a ficar vaidoso. mentores espirituais. Se este “topar a briga”. de impaciência. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis. incongruente. no entanto. facilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. o episódio ficara esquecido. que se diz líder e mestre. um “professor” de Doutrina Espírita!. Em casos excepcionais. Tomou um pequeno lenço. eles nos orientam e assistem. extremamente delicado. como quem apela para um recurso extremo. sobre a “doutrina” de Kardec. e revelava desespero. nestes casos. Não pode. quando falham os outros. que subiam pelo corpo dela. Algo desconcertado. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos transformam em meros repetidores de suas palavras. Mas. muitas vezes. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. de agressividade. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda. A certo ponto. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. que se achava sobre a mesa. pois os bons mesmo são raríssimos.. certa vez disse um “Basta!”. mais a sério.baratas “astrais”. presentes. pois. um homem assim inteligente e culto. um pequeno incidente. disse-me. falarem com inusitada energia e firmeza. na sessão anterior. com seus recursos. faz uma brincadeira como aquela. e eu também não lhe disse nada. e. com incontestável autoridade. fazem-no com extrema discrição. Mas estava evidentemente desbalanceado. sobre os seus “recursos”. Raramente interferem e. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. sob condições especiais. deixando-o “brincar” um pouco. no momento inoportuno. desviei sua conversação animada. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. Achei. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício chegara. É comum.

de Espíritos aturdidos ante a evidência desses sentimentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. Bem dizia o nosso Paulo. e não repressiva. ele se surpreendia em achá-la tão legitima. Nunca deve ir à agressividade. tão firme. o momento certo. neste livro. e que o mais profundo amor fraterno pode e deve co-existir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. que seja. intimidado. Uma das muitas armas que manipulam. certos de que firmeza não é estupidez. à irritação. A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador. para os seus fins. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes. com extrema sensibilidade. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. de reservas inexauríveis de energia criadora. ao contrário. encorajadora. uma questão de oportunidade. A interferência enérgica é.doutrinador julga-se invulnerável e infalível. de harmonias insuspeitadas. escolhido com seguro tato. estaremos em apuros muito sérios. neste caso. tenha melhor condição. e. Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. ou seja. a palavra enérgica é necessária. seria desastroso recuar. mesmo. 11:1). em freqüentes ocasiões. é incontestavelmente humano. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. Ademais. Quando alguém põe em dúvida um. com extrema habilidade. E acrescentou. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. à cólera. sempre a nos surpreender com o seu infinito potencial. pois. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. tem que ser ainda mais adoçada. e da maneira sugerida pela intuição do momento. O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. depois de uma observação mais enérgica. indispensável. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar. de hipocrisia ou de prepotência. Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. quando começa a perceber que está cedendo. que você não se importa. nem grosseria. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. Nada de gritos e murros na mesa. esse impulso. pois. que “a fé é a garantia do que se espera. É preciso. ilógica ou irracional. Ainda veremos isto mais adiante. quando desafiado. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. é a do ridículo. Em suma. especialista em tais assuntos. mas deve ser dosada. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. embora não tão qualificado intelectualmente. extravagante. e jamais ao desafio. mesmo depois de tudo 146 . É humano. Ainda voltaremos a falar sobre o amor. de comovedora sinceridade. tão viva. e por quê. Baste aqui dizer que a energia. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. esse tema inesgotável. precisa ser decidida a vista da psicologia do próprio Espírito manifestante. E que. tratamos logo de provar que. fonte de belezas eternas. é naquilo que somos bons. dos nossos mais modestos atributos. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. Qualquer um de nós redobra suas energias.

no decorrer do diálogo conosco. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. Numa palavra: deve fazer refletir. Cada palavra deve ter alcance próprio. para qualquer tipo de prece. ou de alienação. despertar uma idéia. O melhor. estão no original. pela expressão da fisionomia. a esperança e o amor. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque.. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. ainda que o recuse. enunciada com emoção e sinceridade. Citando os seus amigos espirituais. antes. dita em voz alta pelo doutrinador. o pensamento é tudo. para os trabalhos de desobsessão. que são meros adornos de lantejoulas. e sim comunicar-lhe que vamos fazê-lo. Kardec escreve. necessariamente. em qualquer oportunidade. pelo som mesmo da voz. é esperar um pouco.. na verdade. puramente exterior. mesmo porque. mais adiante. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós. por em vibração uma fibra da alma. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o companheiro nos tenha revelado. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. Kardec torna isto particularmente claro. Muitas vezes. Basta dizer. Ore. é durante a prece. 147 . notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. não devemos pedir-lhe permissão para orar. um pouco da sua história e da sua motivação. não nos permitir colher. os três.” (Primeira Epistola aos Coríntios. não passa de ruído. devemos fazê-la. 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. No momento propicio — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. Em certas ocasiões é preciso orar ainda no princípio da manifestação. subsistiriam “a fé. Vêem-se lábios a mover-se. sem fraseologia inútil. ao qual se conserva indiferente a alma”. que varia. Lembro que os destaques não são meus. ou por alguém por ele indicado no grupo. em virtude de o estado de agitação. De transcendental importância. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. Entretanto. preciosos. Dificilmente ele recusará. A prece o envolve em vibrações pacificadoras. no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara. quando diz. no entanto. mas. incorporado ao médium. na maioria dos casos. simples e concisa. 13:13) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. pois. do Espírito. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (cap. de um caso para outro. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. nem luxo de epítetos. verifica-se que ali apenas há um ato maquinal. a prece tem seu momento psicológico ótimo. e. de outro modo. em uma ternura que. Estes ensinamentos são.dito e vivido. talvez há muito não experimente.

. Estes ainda riem. Ele ouviu a prece. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta.Como disse. A prece deve ser dita de preferência de pé. como irmãos que éramos. escorada na emoção e no afeto. Alguns informam depois. Se já dispõe de alguma informação sobre ele. Alguns. orar. ou durante a prece. pobres irmãos. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. dificilmente ele se oporá. Dirija a sua prece a Deus. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. juntos. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus. mas como se fosse ele próprio. às vezes por séculos. insistem em continuar falando. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. em silêncio. pedindo ajuda para o companheiro que sofre. da prece — um riso nervoso. por julgarem-se além de toda recuperação. zombando ou ridicularizando. Geralmente ouvem-na em silêncio. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. Medo da emoção que os leva a crise. ao longo dos séculos. sem convicção. que se acham “defendidos”. São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. e entregarse a outra que desconhecem. ainda que nem sempre instantâneo. pura. ou fazer um comentário condescendente: — Pode. e acabou cedendo. a Jesus ou a Maria. surpreendente. muito crítica e importante. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis.. O efeito é “milagroso”. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz. fale especificamente de seu problema. que acreditava muito cômicos. e até milênios. no máximo. no curso dos seus pensamentos habituais. senão respeitoso. Estão com medo. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. com as mãos estendidas para ele. ao lado do companheiro manifestado. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. ou 148 . Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. julgando servi-lo. de se dirigirem a Deus. pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. pelo menos comedido. preferem ficar como estão. Poderá. Em alguns casos. ou interesse. e que se encontra anestesiada. se estivesse em condições de fazê-lo. Certa ocasião. Curioso. Ela os leva a alguns instantes de pausa. tentando reproduzir. que muito raramente eles procuram perturbar a prece. ambos. conseguíssemos retomar.. em gestos. Não têm mais vontade. Entre continuar numa dor que já conhecem. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. Representa uma experiência da qual se desabituaram. Eles se esqueceram. Ou lhes falta coragem. no entanto. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável.. indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. por causa daqueles enganos. para que. singela. no entanto. se quiser. a nossa caminhada. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. por algum tempo. Ambos havíamos sofrido. dar um muxoxo desinteressado. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças.

difere de um caso para outro. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. e preparou-se para orar. mesmo. ou não necessitados. continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. Ele ainda comentou a minha atitude. no fundo. que oram até mesmo com certa veemência. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. para livrá-los da situação em que se encontram. falando com entusiasmo e brilho. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. passem a não crer nela. porque o Cristo sabia de suas necessidades e aspirações. A reação. a vida inteira. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. Não é de admirar. mas. pediram favores insólitos a Deus. Outros. de fato. para exigir favores de uma divindade servil. pois. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. ou. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. desculpam-se desajeitadamente. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. a celebrar suas missas. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. exteriormente. os componentes do grupo. quando convidados a orar de verdade. ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. com muita veemência. Sua prece era um tanto oratória e. Recolheu-se a uma postura correta. com a impropriedade do ambiente. um culto formal e frio. por julgarem-se indignos. os que se comovem. convencidos de que Deus. em respeitoso silêncio. quando pedimos para orar conosco. embora reagindo. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. Alguns deles. Para esses pobres companheiros desarvorados. porque temem seus efeitos. no qual o coração e a fé não se envolveram. virá imediatamente em seu socorro. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. quando propomos que eles orem também. diante de um doutrinador impertinente. Desculpam-se. estava ao abrigo de suas próprias 149 . mas. a quem orava com todo o fervor. mas pedia para nós. algo surpreso. os que ouvem. os que se recusam a dizê-la. mas ainda precisam de tempo. até mesmo a prece. mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. que nos concede aquilo que não merecemos. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium. sentem-se atônitos e temerosos. a uma platéia invisível a nós. ou seja. e os que se acham de tal maneira alienados. dizendo que “ali não há condições”. no atormentado mundo espiritual em que vivem. de intensa e desastrosa sinceridade. Há. cega e injusta. vida após vida.com a qual não se acham familiarizados. transformou-se em mero instrumento de poder. como acima esboçado. que ao cabo de tantos desenganos. por exemplo. às vezes. no seu caso. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. ou o Cristo. porque o fanatismo é. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre conteúdo. recusam-se. por me faltar autoridade para fazê-lo. Enquanto isso. pois. Na profunda intimidade do seu ser. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. a falta dos paramentos e dos livros adequados. Não são poucos os que continuam. pois. Por isso. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo. e nada pedia para eles próprios. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. ou não concede o que julgamos merecer. mas não tentam impedir-nos. aparatoso e vazio. Como se julgam alienados da doce intimidade do Cristo. então. os que a ridicularizam.

porquanto. O PASSE A técnica do passe magnético. para voltar a ferir os pés descalços. do ponto de vista da medicina humana. nas sessões de desobsessão. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. nessa ou naquela contingência. como. em “Mecanismos da Mediunidade”. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. A prece nos liga porque. Tão difundida está hoje. reconhecendo-se. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. de suas responsabilidades maiores. declara. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. ou líder.contradições íntimas. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. pois. nos seres responsáveis. pl. esse mesmo autor espiritual. a fé. novamente ajustada à confiança. no entanto. através da oração. espicaçado pelo remorso. ou diante de nós. ou perispírito. no entanto. informando sobre o passe. descer do pedestal de grande mestre. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. em toda situação e em qualquer tempo. a fim de que o Estado Orgânico. Esclarecemos. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos 150 . pelos caminhos espinhosos da recuperação. dissera ele que: — “Toda queda moral. observa ainda. pelo menos no Brasil. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. Paulo apresentou juntos a fé. porém. É por ela que conseguimos alçar o nosso Espírito. em “Evolução em Dois Mundos”. Pouco antes. a esperança e o amor. que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. mas. que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. aprisionado ainda no erro. merece algumas observações especificas. apoiada na fé. de coração sangrando. a idéia do passe. para que essa vontade. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. Retomando o tema. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. se recomponha para o equilíbrio indispensável”. provocando determinada causa de sofrimento”. opera certa lesão no hemisfério psicossomático. por exemplo. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veiculo carnal. às culminâncias da esperança. Sendo. que. por desajustes complicados do cérebro.

Sua estrutura. porém. o passe é utilizado também para magnetizar. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. em hipótese alguma. deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. portanto. está presente. Nunca é demais lembrar que. provocando. além de ser uma organização consciente extremamente complexa. quando informam que o passe magnético. Os ensinamentos de André Luiz permitemnos concluir assim. segundo experiências de Albert de Rochas. embora mais sutil noutro campo vibratório. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. Mas. mas que. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legitima. Parece. de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. aplicado em seres encarnados. nesse caso. Dessa forma. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. com a técnica adequada e na extensão necessária. ainda que preliminares. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. como para provocar a regressão de memória. Como sabemos. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. no entanto. neste campo de trabalho. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo. precisa ser ministrado no momento certo.misteres da Providência Divina. definições precisas e definitivas não existem ainda. tanto no encarnado como no desencarnado. reiteradas posteriormente por vários pesquisadores. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. aberto aos benefícios que o passe proporciona. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. O perispírito. principalmente na França. No entanto. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. no século passado. A literatura sobre o passe magnético é vasta. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. qual o momento. o Espírito desencarnado. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados. sobre o passe aplicado aos seres desencarnados. O passe. Nesse campo. qual a técnica e qual a extensão. apoiado na prece. pois é ele o modelador da nossa organização material. de falhas e de êxitos. ao que sabemos. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. Poucos estudos existem. Sem dúvida alguma. Na prática da desobsessão. é similar à do corpo físico. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. o desdobramento do perispírito. a experimentação deve 151 . incorporado ao médium. ou seja. mas bastante encorajadoras. é imprevisível. o conhecimento real emerge da experimentação. pelo simples fato de que o ser humano. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. de um ou outro engano.

Se temos necessidade de dialogar. mesmo porque. símbolos. transmitir vibrações de amor ou de ódio. mas é preciso usá-lo com moderação. sua técnica.balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. a fim de que. encarnado ou desencarnado. como nas outras. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. Para isto serão passes de dispersão. e que tenebrosos compromissos acarretarão para o Espírito. e ele continua agitado. curar ou trazer mais dor. Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. nesta fase. devem resultar de cuidadoso planejamento. ou por meio de processos aviltantes. mas por processos abjetos que. em melhores condições de acesso. Não sei se me faço entender. hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. altamente éticos. 152 . armas. Em contraposição a tais processos. para ajudá-lo. enfim. Mas. subjugar ou liberar. A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento. De outras vezes. Ele é realmente o recurso válido e potente. pouca gente tem noção do nível de degradação a que podem levar. vestimentas especiais. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. é necessário mesmo adormecêlo. Ele pode serenar ou excitar. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. estudo metódico e prática bem orientada. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. provocar crises psíquicas e orgânicas. em virtude de permanecerem em segredo. “objetos” imantados. qualquer trabalho mal orientado. como “capacetes” “couraças”. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. o que tinha que ser dito. nas sessões de desobsessão. construir ou destruir. ao ser retirado pelos mentores. O passe provoca reações variadas no ser humano. As faculdades psíquicas. para tratamento mais adequado. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. em si mesmas. em termos de Doutrina Espírita. isso é necessário. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. neutras. não obstante. causar bem-estar ou incômodo. como sabemos. seja recolhido a instituições de repouso. Já debatemos por algum tempo o seu problema. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. no entanto. justamente do que mais precisamos. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto. no trato dos nossos irmãos desencarnados. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe. foi dito. condensar ou dispersar fluidos. para que. ou trazido na sessão seguinte. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. e por qualquer motivo. indiscriminadamente. podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. pelo menos por enquanto. com seriedade e respeito. Com o passe. são. Neste caso. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. ou fazê-las cessar. ao longo dos braços.

começou a chamar pela mãe. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. Seu problema central é a mãe. muito pequeno. especialmente ao fim da conversa. para fins muito bem definidos. Já relatei algumas ao longo destas páginas. em rigorosa concentração. Veremos outros exemplos. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. Numa dessas ocasiões. as ligações foram mantidas e. O Espírito era agressivo. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais. por causa de sua vida miserável. que os desarvorou completamente. Com mais freqüência do que seria de supor-se. porém. nesses mergulhos providenciais no passado. São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. De todos esses aspectos temos tido experiências altamente instrutivas e algumas de intensa dramaticidade. da auto-hipnose. destacouse na vida. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. segundo nos explicou. se “retransmitisse”. isto e. mas nunca pode esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. Ajudados por nossos passes. Creio que ele não conheceu o pai e. 153 . quase sempre reportando-se a vidas anteriores. aos comparsas do Espírito manifestado. Certo Espírito. Ele se tornou sonolento e. às vezes. ao despertamento de Espírito em estado de alienação. a propósito. Desta vez. para que. ainda aceitava a mãe. um invisível prato de sangue. numa época de preconceitos muito severos. que depositou sobre a mesa. Lembro-me. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluidos. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. no devido tempo. ou da própria. de braços estendidos. Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. como no caso daquele que nos trouxe. o fio também foi preservado. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. quando. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. Ao que parece. manda-a de volta ao cais. Com o passe os adormecemos. ligava-se por um fio. as palavras que ele ouvia do doutrinador. de um doloroso e comovente caso. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. somos instruídos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. com voz mansa.O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. a despeito deles mesmos. além de capacete e couraça. ameaça baterlhe e humilha-a de todas as maneiras. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. segundo diz. sofreu humilhações na escola. de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. grita-lhe impropérios terríveis. para sustentá-lo na sua “perigosa” missão junto a nós. O passe ajuda os Espíritos. até à infância. através dele. violento e de dificílima abordagem. tão necessários. ao seu grupo. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. Tem-lhe ódio mortal.

mas. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje. necessário a ambos. enquanto nos apraz o erro.Na semana seguinte. quando estimulamos. Comprimidos numa estreita faixa de presente. escolhido aquela mãe. na sessão anterior. Ademais. indomadas. voltou novamente com todo o ímpeto. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. no campo mediúnico. Se posso sugerir alguma coisa. segundo os impulsos do momento. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. e cultivamos. o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico. por exemplo. entre um futuro que ainda não existe e um passado que 154 . ao contrário. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. quando são. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. com amor e sofrimento. e presas as recordações. simplesmente. e melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele é novamente adormecido e levado. São de incontestável importância estas noções. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. as sementeiras da paz. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paixões. mas. precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema. Num “flash” doloroso. Em assuntos dessa natureza. Ainda muito difícil. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia. com as nossas lágrimas. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. que procuram viver com toda a intensidade possível. em que se apresentará mais receptivo. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. o futuro não importa. Se. Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. às vezes. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina do reajuste. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. no trabalho de desobsessão. paramos no tempo. É preciso saber que cabe a nós — e a ninguém mais — domá-las. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. Por que razão teria ele. Ele sabe que o Espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. precisamente.

a lembrança das existências anteriores. porque a redenção ainda vem longe. que nem sempre ele sabe avaliar. Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. se fossemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. e sim o poder de esquecer. dos desenganos. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento. na trajetória evolutiva do Espírito. mas não se pode negar a sua intuição da verdade. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. no mundo espiritual. distinguir bem uma coisa da outra. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. não obstante. trágica. Trágico e doloroso engano é esse. quanto o são perante a alheia. esquecem-se de que não poderão. veremos como acertar essas contas com o que. na abertura de “O Nazareno”: “Não o poder de recordar. teimamos em chamar de destino. jamais. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. em nova aventura na carne. O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. ao tomarmos novo estágio na carne. naturalmente. A dor dos grandes criminosos é terrível.procuram ignorar. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. dado que. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. Vamos primeiro “gozar” a vida. uma concessão. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. à sua condição de Espírito desencarnado. É seguir em frente. Esperam. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. Do outro lado. para refazer-se. ainda que efêmera. Retornando. por largos séculos ou milênios. intensamente. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. constitui uma das condições necessárias à nossa existência”. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. dominar o semelhante. comovedora. Depois. alegremente. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. para aquele que muito errou. é uma bênção. acumular riquezas materiais. É certo que. Esse momento é crítico. ser tão valentes perante a dor própria. Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. desesperada. que talvez ainda o fascine. dificilmente ele irá à glória imediata. viver. no entanto. açambarcar o poder. irresponsavelmente. depois de uma pausa. na fase da reencarnação. mas. fugir às suas responsabilidades e compromissos. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. Que seria de nós. embora ainda responsável por elas. enfim. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias. ou ao poder. É 155 . por aí. saberão fazê-lo com dignidade e coragem. da renúncia. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. O esquecimento proporcionado ao Espírito. é mais certo que continue o percurso da dor. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo.

embora não fosse novidade. como o médico que ministra um remédio amargo. e o futuro nunca fosse existir. mesmo. no mundo espiritual. congela o coração. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. É como se a vida principiasse novamente. acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. E só. justificado pela expectativa da cura de seu doente.. Dentro dessa lógica atormentada. é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. vários ajudantes de serviço — escreve ele. Como reagem. encerra-se o Espírito endividado num círculo de fogo. Vários recursos são empregados. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. cenas vivas de seu passado. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. a matéria-prima. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente. como temem os fantasmas interiores. em proveito próprio. adstrito à incoerência dos alienados. ainda. Só poderá sair queimando-se. Suas angústias são muitas. Não temos. para eles. ligando-se a tenebrosas organizações. E evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. como relutam. do ponto em que a inocência a deixou. indispensável a essas montagens. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito”. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. de sua própria criação. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico. enquanto permanecer ali. O Espírito. O melhor. ignorá-las. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular. agora. daquele mesmo passado que renega. os encarnados. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. caírem na faixa da recordação. André Luiz deixa-nos entrever tais processos. que também decide pelo esquecimento.. seus remorsos extremamente penosos. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. no capitulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes.aquele que opta por este caminho. o que. — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. é esquecê-las. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. buscar seus comparsas. diante de si. além disso.. Se é verdade. 156 . assim envolvido. pois. pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. está abrigado de si mesmo. pois. sepultá-las. O Espírito vê. que precisa ser dispersado. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. enquanto mutuamente se servirem. incoercívelmente. com respeito e dignidade. passa à condição de não existente. em tais condições? — o passado. em “Missionários da Luz”. embora. porque é justamente disso que ele foge. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo. inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. Quantas vezes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar.. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições. sair em campo. utilize-se. há milênios sem conta. como se o passado não existisse mais em nós.

para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos,
ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros, indispensáveis ao
reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes.” (Destaques desta
transcrição)
O instrutor prossegue, explicando que, com essas formas de energia, recolhida dos
encarnados presentes, podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes
àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne, não obstante já se
acharem desligados dela, às vezes, há muito tempo.
Ante o impacto dessas imagens, que parecem surgir límpidas, vivas e dramáticas, de
um passado que julgavam morto, os irmãos desarvorados parecem saltar o círculo de fogo
que os envolve, e, como se do lado de fora de si mesmos, têm uma pausa para reexame de
suas posições desesperadas. Afinal de contas, o que estão fazendo? Que loucura é aquela
em que mergulhamos? De onde vem tudo isso, no passado, e até onde irá, no futuro?
Um desses companheiros atormentados, anti-semita irredutível, viu os quadros do
êxodo no antigo Egito, onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. Recuando
mais, porém, foi encontrar raízes muito mais profundas, do drama, na antiga Babilônia,
onde, em posição diferente, enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo
hebreu. Pela primeira vez, em muito tempo, perguntou-me, algo perplexo:
— Será que isso não tem fim?
Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim, mas, disse-lhe que
sim, podemos por um ponto final nesses círculos viciosos, que buscam eternizar-se dentro
de nós, por um esforço da nossa vontade, que só é possível depois de compreendermos a
inutilidade do ódio e a força invencível do amor.
Às vezes, o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais
grosseiro, que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma, produzido por
médiuns de efeitos físicos, não apenas para adensar as formas perispirituais de
companheiros desencarnados, que devem tornar-se visíveis, como verificamos no texto de
André Luiz, acima transcrito, como para formar os próprios “quadros”. Num caso
particularmente difícil que tivemos, um dos médiuns começou a expelir ectoplasma,
enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. A certa altura, o ectoplasma formou,
para a sua visão, as letras de um nome de mulher, antigo amor, cuja lembrança ele
procurava recalcar nos porões da memória.
Em outro caso, de vigorosa dramaticidade, o Espírito viu, sobre a mesa, um grosso
livra, encadernado em capa de madeira, sobre a qual estava seu nome, escrito em belos
caracteres de bronze. Era a história de sua própria vida. Ele sabia que precisava abri-lo,
mas não se sentia encorajado. Era, evidentemente, um recurso, para leva-lo ao reexame de
seus atos, ao passado, enfim. Depois de muita relutância, fez o gesto de virar a capa. A
primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco...
Todo o livro estava em branco... A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela
existência tumultuada, durante a qual dominara povos, ao poder da espada impiedosa.
As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movimento, os sons, as cores,
como se um “vídeo tape” as reproduzisse, com toda a sua intensidade e emotividade. Com
muita freqüência, os Espíritos relutam em contemplá-las, e procuram fugir das visões que,
não obstante, tornam se irrecusáveis, e impõem-se, a despeito deles próprios.
157

A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. Cabia lhe assinar o
documento, que ele sabia ser uma sentença de morte. Fizera-o, certamente, no passado, e
agora revia o momento dramático, com uma diferença: alguém contemplava, a curta
distância, fixando nele um par de olhos tranqüilos, cheios de amor fraterno, provavelmente
os de sua vítima. Seu desespero é atroz. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. Que
lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego, para não contemplar mais
aqueles olhos... Diz que matou uma santa, e informa: “uns são canonizados e outros
queimados”.

*

Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães, esposas, filhos,
ou amigos muito chegados ao coração. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre
tais manifestações, estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar, destacadamente.
A pureza do amor materno permanece inalterável, ao longo dos séculos e das vicissitudes,
arrosta as ingratidões, suporta as humilhações, vence o ódio, vence tudo.
Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado,
nas profundezas de seus tenebrosos domínios. Ela alcançara, já há muito, as regiões da
felicidade; mas, e a dor de ter o seu amado preso ainda às paixões do mundo? Vai ao seu
encontro, numa descida sacrifical às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina,
incontestado.
— “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma, que, um dia, te adotou por filho
querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual”.
Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados, que nos velam de lágrimas
os olhos!
Lembro-me de um deles, em particular. O Espírito vinha assediando-nos há tempos,
semana após semana. Manifestou-se, primeiro aparentemente muito calmo e tranqüilo.
Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. Nada queria de especial: iria
apenas observar-nos e, se fosse o caso, tomar suas “providências”. Deixou no ar a ameaça
e partiu. Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava... Por algumas
semanas, observou-nos. Pouco falava nas suas manifestações. Revelou, apenas, que já tinha
sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”,
mas começava a deixar transparecer, também, certa preocupação, porque algum delator, a
seu ver, havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. Na vez seguinte suas
preocupações estavam ampliadas, porque descobriu que, através de processos de regressão
de memória, de nosso conhecimento, estávamos penetrando certos núcleos. Nessa mesma
noite, tem a primeira visão de algo que muito o perturba. Adormece e parte. Na semana
seguinte não consegue mais manter-se calmo, como das vezes anteriores. Está indignado,
furioso. Diz que tudo ruiu em torno dele. Tinha o poder de um semideus, e “fomos mexer
com a sua família!”. Dá murros na mesa, dominado pelo ódio e espicaçado pela
humilhação. Se pudesse, me pegaria, para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto, de
revolta e de impotência.
Em seguida, por outro médium, manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua
dolorosa história. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. Foi, por certo, a sua presença
ali, junto dele, que o perturbou há duas semanas.
— Ele é bom — diz ela —, mas muito vaidoso.
Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. Ela mesma ainda não está bem.
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Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. No passado, enquanto
encarnados, também teve um encontro dramático com ele. Ele a abandonara à sua própria
sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. Quando já se encontrava na sarjeta,
procurou-o e foi repelida. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica.
Os séculos se passaram, e tudo quanto ela esperava, agora, era merecer novamente a
oportunidade de ser mãe, mãe digna. Digo-lhe que as mães são seres humanos e, por isso,
também erram. Ofereço-lhe a nossa ajuda, que ela agradece, dizendo que tem de voltar para
onde está, no momento.
Com este caso, desencadeou-se extenso processo, que se desdobrou em aspectos
inesperados e de profundas implicações. Nunca pudemos, no entanto, esquecer a ajuda
daquela mãe humilde, e ainda mergulhada nas dores do resgate, que nos ajudou, com a sua
presença amiga, a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixões, embalado
pelo amor ao poder.
Em caso semelhante a esse, o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe, ajoelhada
diante dele, a pedir-lhe perdão. Ele reluta e resiste, porque é este, precisamente, o âmago de
sua problemática: foi abandonado, por ela, à roda, e por isso ele repete agora, a si mesmo,
que não tem mãe. Oramos, damos-lhe passes, e, por fim, ele não mais resiste:
— Tenho mãe! — diz ele. — Não sou um desgraçado!
De outra vez, num caso a que já me referi alhures, o Espírito tinha um problema
pessoal comigo. Era questão antiga, de mais de oito séculos! Em conseqüência desse, e de
outros desenganos, vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. O problema era
extremamente difícil, porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se
diretamente sobre um de nós, precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e
esclarecê-lo. Ele se mantinha irredutível, pois minha presença obviamente reanimava nele
as antigas paixões e frustrações, das quais não conseguira desembaraçar-se. Foi num desses
pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava
dizer alguma coisa diretamente a ele. Era sua mãe. Elevei meu pensamento em prece e, com
enorme respeito, ouvi o diálogo através do tempo, entre a mãe amorosa, que não esquecera
e sofria com a ausência do filho, e o filho que recusava obstinadamente o amor, porque
estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança.
Pede-lhe ela, com infinito carinho e humildade, que abandone aquela vida e venha para
junto de seu coração. Todos estão juntos na família; só ele está ausente, Não está
convencido de que ele a recuse. Deseja ouvir dele próprio a negativa. E ele diz que não a
quer mesmo, pois seu caso ali é outro. Que ela não se meta; continue a fazer seus bordados.
Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto, em silêncio,
junto de Deus. Depois lhe diz que vai deixar o médium, pelo qual lhe está falando, para
aconchegá-lo junto ao seu coração. Ora, comovidamente, à Mãe Santíssima, em palavras
simples, expondo o seu problema e as suas dores.
Quando conseguimos, afinal, despertar o amado companheiro, dirijo a ela um
pensamento de infinita ternura e gratidão, porque estou certo de que, sem o seu concurso,
não o teríamos alcançado. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim,
porque fui um dos agentes de sua angústia, mas não teve para mim uma palavra de censura
ou de amargor.
Em outro caso, também muito difícil, o Espírito, autoritário e empolgado pe!as suas
idéias e pelo seu rancor, recebeu, diante de nós, a visita de um menino (teria sido seu filho
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bastante lúcido. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado à hora do reencontro. Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. Informou-me de que. Antes de desligar-se do médium. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias. ajudar a libertar de suas angústias. já sabia. com inesquecível toque de autenticidade. De outras vezes. Servira aos imperadores romanos. de amor. E me diz. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade. Digo lhe que precisa. porém. perdidos num dédalo de sentimentos confusos.ou neto?) que o desarmou com seu carinho. não como a um poderoso. porque não lhe convinha. e cujo olhar não mais esquecera. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. mas como a um Espírito infeliz. não. no entanto. agora. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. conservava-se. Por isso. Eu deveria fazer isso. que “ele” era uma criança grande. Lamenta a perniciosa influência que exerceu sobre os seus soberanos. Em tempos idos. disse-me. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. agora. açulando-lhes paixões aviltantes. e que não iria ser nada fácil. seus apelos. ainda trazia ressaibos de ironia. fácil de conduzir. enquanto ele o fizera para a mal. amigos e parentes acham-se presentes. de ternura. de recordação. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. Poderia perturbá-lo. sua ternura infantil. Basta um momento assim. naquele tempo. que precisa de muita ajuda e compreensão. para o seu colo. Mesmo assim. que sabia dos planos. Eles ainda se julgavam deuses. mas rejeitou-a deliberadamente. com cenários. semcerimônia. só que agora. Ao manifestar-se. muito embora sabendo que era longo a caminho a percorrer. já assentados. desarvorado e sofredor. compreensão e simpatia. pois. mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. dominados pela aflição. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. para o bem. Respeitemos suas razões. movimento. e respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. nesse ínterim de quase dois milênios. tivera outras encarnações. encarar seu antigo amo. mas ele. cores sons. através dos tempos. Nunca sabemos. cercados de sombras. o Espírito viera dar uma ajuda. na antiga Roma.. à minha direita. fazendo mesuras. utilizem-se da projeção fluídica. personagens. consciente e disposto a corrigirse. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. saltando. Estava. ao lado. ainda. utilizando o poder das Césares para promover seus interesses inconfessáveis. Às vezes. emoções. dizia. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. em vista da profundidade a que descera. Numa dessas oportunidades. invisível ao seu antigo chefe. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. Quanto ao Cristianismo. de braços estendidos.. estava ainda preso a eles. animado por 160 . Eram pobres criaturas desequilibradas. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. que era a doutrina melhor.

quer se encontrem endividados ou redimidos perante a lei. mais pela presença de suas vibrações pessoais. ou através de outro médium. como explica André Luiz. bem como a segurança com que executam suas tarefas. É preciso. dão-nos o apoio. Esses quadros exibem figuras humanas. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. por outro lado. não obstante. durante os desprendimentos. que não poderão garantir o resultado. Mesmo o grupo mais bem ajustado. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. aqui mesmo. conversam com eles diretamente. que há sempre. os recursos e a sua presença constante. no entanto. aquilo que nos compete. naturalmente. a inspiração. integrado num trabalho sério e fecundo. muitos deles nossos antigos comparsas. Naturalmente que. de falha. segura. mas continuam sendo projeções. por nós. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. de certa forma. tudo fariam sem nós. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. do contrário. dotados de livre-arbítrio. estejamos tranqüilos: tudo será feito. que pode pôr tudo a perder. Eles sabem. porém. imprevisíveis e. não obstante. Nos casos em que essa presença se faz indispensável. mas 161 . que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. de seres encarnados. do que pelo mero apelo da memória. de que tanto nos falam eles. porém. Sabem eles. pois. Uma vez. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa.meio de recursos retirados. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. tranqüila. mesmo naquilo que lhes cabe fazer. Eles se apresentam aos seus olhos. dos presentes em torno da mesa de trabalho. muito bem dotados intelectualmente. também. que infalível só é a visão divina. ou se tornam semimaterializados. em nós. e que não se deixarão conduzir pela mão. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. um componente de incerteza. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. É certo. muito atentos. Antes que inspirem essa confiança em nós. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. seria arriscado segui-los confiadamente. é claro. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. pois. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. mas cuidando de seres humanos. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. em recentes ou antigas encarnações. assistir a tudo sem Espírito critico e sem a necessária vigilância. muito respeito com o trabalho dos nossos mentores invisíveis. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. ainda que estejam encarnados. Quanto à tarefa que lhes cabe. depois. De outras vezes. para poderem impressionar seus sentidos. num impulso de paixão e ciúme. Não é tudo que eles podem fazer por nós. São eles que nos preparam o trabalho. como crianças tímidas e ingênuas. embora não infalível. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá-los fazer tudo. Já vimos. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. Estejamos. para melhor dominar e impor as suas condições. pois há Espíritos ardilosos. amparam-nos nas horas de incerteza. Eles nos assistem com desvelado carinho. mas não podem fazer. de descuido. às vezes. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. pois. que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade.

dos méritos. ali presentes. também ignoramos. Mesmo irritado. esbravejando. Para isso. Nesses casos. falaremos juntos. através da intuição. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. se o tentarmos. desejando-o intimamente. costumo dizer. murro contra murro. a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. ou inconscientemente. ao contrário. ou não. para autorizar-nos a precipitar qualquer situação. sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. a nossa posição é de ativa expectativa. irritadíssimos. uma vez mais.nosso conhecimento é muito limitado. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. Se os companheiros dele. Não é possível. de reduzir a volume de seu vozerio. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. e argumentação é inútil. ao mesmo tempo. A cólera passa. É preciso ter paciência e esperar. Baste-nos a alegria do dever cumprido. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação. ele nós respeitará e. mas não opor grito contra grito. uma humilhação — mas. que só grita aquele que não tem razão. Se opomos resistência. as sutis instruções que nos ministram. Se a conversa for bem orientada. com passes e sugestões verbais. lutando interiormente consigo mesmo. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. na praia mansa. porque ele só deseja gritar. A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. a nós. aos queridos companheiros desatinados. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. para captar-lhes. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. aos poucos. para ele. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. em altos brados. Se. ou ele não nos ouvirá. Não que ele o reconheça nesses termos. com a voz no tom normal. de início. Não ficar mudo ante a sua cólera. e a batalha verbal poderá ser muito longa. Mas. argumentar com eles. para que ele próprio — doutrinador — possa reformular a sua tática. a doce felicidade de ter. contudo. Enfim. Por este motivo. o doutrinador deve abandonar 162 . E. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. definitivamente. e. não tentemos forçá-la. servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. Antes disso. ameaçador. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. porém. devem ser exibidos à sua visão. a sensibilidade do doutrinador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. não significa que já esteja resolvido o seu problema. proferindo ameaças terríveis. abre-se uma perspectiva de entendimento. é a partir desse ponta que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. pensando apenas no que nos dirá a seguir. por si mesmo. pelo menos. dando murros na mesa. nessa condição. porém. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. ao Espírito manifestado. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. De certo ponto em diante. por exemplo. O fato.

levarão no coração as sementes de um futuro. começou a ceder. porém.. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar-me? Daí por diante. ele disse. aceitável. sobre. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. portanto. Do outro. a meu pedido. advertilo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. Ambos o chamam. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. em explosões de luz. intensa e dolorosa como nunca. Um diálogo um tanto difícil. a perder-se nas trevas do passado. a incógnita do porvir. mas que virão fatalmente a germinar. De qualquer maneira. se. com o brilhante e combativo Espírito de um ex-inquisidor. A partir desse ponto. ou se apenas levam uma disposição para reexaminar suas convicções. com um desses companheiros desarvorados. Argumentava eu. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. Mais do que nunca. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro. a crise. para pensar. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. um sentido novo. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado. a voz desce de tom. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. então. o fio da navalha.sua técnica de contestação e argumentação. contra seus próprios interesses pessoais. estarão mais acessíveis. só que. ambos o atraem. ainda. certa vez. para ele. aceitam um ou outro argumento nosso. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. aos nossos princípios. não sabemos. Não iludi-lo com a paz imediata. Terminada a rogativa ao Alto. É o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade. foi suspenso. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. de certa 163 . Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento. pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados. O momento é oportuno. mas por ele próprio. Sente fugir o terreno em que pisa. Como sempre. quando ele me perguntou. muitas vezes. também. Percebemos que a fase da aceitação chega por pequeninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. uma vez despertado para a realidade. mas a batalha pode durar ainda muito tempo. Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro. ao partirem. certa vez. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: é que só agora os ensinamentos de Jesus começam a ter. que pode ser próximo ou remoto. De um lado. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e tímida afeição ou respeito. Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador.. ilusões desastrosas e erros clamorosos. como diz a expressão inglesa. pode ocorrer. mesmo assim. tentando mostrar-lhe a inutilidade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. como se pensasse em voz alta: — Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. ele a ouviu em silêncio. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. mesmo os mais violentos. Está. obsessor. um dia.

por causa da nossa afeição. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. Ou estavam. Seguirá seu caminho de sempre. promete. também. a punir. Não é. A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido. gritava. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. Quando menos se espera. mas não quero fazer isso. Certa vez. do lado negativo da faixa vibratória da vida. tanto na carne. não exclui o fato de que são Espíritos. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. Ameaçava. a mandar. a todos. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. não lhes reduz o conhecimento. para servir aos seus propósitos e justificar sua filosofia de vida. Não é fácil. a existência de Deus. Claro que interpreta a minha calma como covardia. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. de uma vez. o abriga da terrível realidade. que ridiculariza: à vontade. mesmo nos mais valorosos Espíritos. Na semana seguinte. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade.. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. não lhes tira o valor. 164 . a imortalidade. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. dali em diante. interpondo apenas uma ou outra observação. Em segundo lugar. como já vimos. o apelo de uma voz cariciosa. dava murros. Em primeiro lugar. Estava ameaçando ceder. Acostumara-se ao poder incontestado. a responsabilidade que assumiram perante a lei. até o momento. a sensação de atordoamento é inevitável. com a sua presença. consciente ou inconscientemente. voltou novamente agressivo e irritado. Faz pouco da minha inteligência.. mas que conseguira reagir. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente. Temos que entender. nada mais. recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. às vezes altamente qualificados e experientes. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. mas com firmeza. Deixei-o falar. ou lançar-se. E é precisamente por isso que. quanto no espaço. afinal. no campo puramente filosófico. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. São inteligentes e experimentados. o direito de escolha. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. Qualquer argumento que lhe apresente.forma. através do roteiro luminoso do amor fraterno. de um ponto de vista vantajoso. alegando que quase havia caído. o livre-arbítrio assegura-nos. Afinal. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. a intimidar. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. o conceito da reencarnação. consideram “perigoso”. quanto ao campo sentimental. como vimos nas próximas sessões. para aquele que está convicto da legitimidade de seus caminhos. sim. Não está convencido. mesmo. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. pensar no assunto. A decisão é difícil. ele o “vira” à sua maneira. porque está minado de imprevistos. pois. surge do passado uma lembrança esquecida.

Por fim. de última hora. O Espírito. Ainda reage. a ver cenas do seu passado distante. e procura acalmar-se. como temos visto. somente Deus saberá. É o grande momento da compreensão. do amor fraterno. cesso a conversa e oro. sim. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. irmãos. realmente em pânico. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. Quando tenta reagir “fisicamente”. que deseja que o pecador se salve. E necessário assegurar-lhe. mas que o mantém fortemente contido. desesperado. Não tenho a menor intenção de dominá-lo e. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. enquanto a crise se adensa e aprofunda. da ternura. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. a presença infalível de Deus em nossas vidas. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. nesse momento. nunca falta. tem medo: está vazio e quer dormir. Começa. seus temores. precisa. ao contrário. É evidente que tenta. a presença de antigos e esquecidos amores: mães. Confessa que. em seguida. com muita paciência. esposas. e parte. muito carinho com as suas dificuldades. o amor indubitável do Cristo. Subitamente. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. Dou-lhe prolongados passes. invisível a nós. ainda. Volta a esbravejar. mais do que nunca. Ele está arrasado. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. enquanto fico ao seu lado. de despertar o seu Espírito. Depois de algum tempo. Além do mais. Digo-lhe que. até onde e quando. que se estenderão pelos séculos futuros. para esquecer. mas ainda procura iludir-se. Apresenta-se completamente desarvorado. Começa a crise maior. mas sente um arrastamento incoercível. e informa. em silêncio reverente. cujas perspectivas se abrem diante dele. Ele sabe. e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele. mas acaba calando-se. É preciso ajudá-lo. o que o espera. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. ameaçar. Muito respeito pela sua crise.A certo ponto. ou pressente. Este irmão voltou mais uma vez na semana seguinte. seus desesperos. do qual vai acordar a qualquer momento. reagir. a dar o passo final. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar livremente. pela primeira vez. agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. por mais que se esforce. levá-lo. chora. amigos. em crise. em termos de resgates dolorosos. nessa hora. tentando convencer-se de que está vivendo um pesadelo. que nos ajudam na fase final da doutrinação. o irmão entrou em crise e começou a monologar. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! 165 . ternamente. Num caso desses. de uma palavra de sincera afeição.

ele teme vinganças cruéis. sendo. cegos ou mutilados. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. A essa altura. e diz que precisa recompor-se. o espera no limiar da nova existência. Um típico exemplo desses. confessa a aflição que experimenta. humano. a quem conhecera pessoalmente. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. temor. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. diante da enormidade de suas 166 . ou milênios. mas ele ainda reluta. Ofereça-lhe a sua ajuda. que há tanto tempo o esperam. A um desses pobres irmãos desarvorados. Vem sempre acompanhada de profundas emoções. de elevada condição espiritual. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento. da confiança. ele não os conhece muito bem. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. Trateo com muito carinho. e aqueles que o esperam. não conseguira ainda assimilar. do “trabalho”. do afeto. da coragem otimista. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. quando o Espírito fica sobre a linha. Está arrasado. em corpos deformados. para ajudá-lo. que o doutrinador não pode deixar passar. realista. Estas crises caracterizam-se pela revolta. tenho-a num caso de que tratamos. as perspectivas da paz. Não o force. contemplando as duas perspectivas — passado e presente —. Era extremamente rebelde. Seja simples. fora também um inquisidor. de amor sem limites. revolta ou deslumbramento. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. à pavorosa técnica do “crime religioso”. porém. dedicava-se. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. mas para fazer com ele. senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”. confiante. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. para alcançá-lo através do sentimento. o trabalho de reconstrução que o aguarda. que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. rude. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. por algum tempo. uma mulher. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. acenando-lhe com um paraíso imediato. Não tente engana-lo. sente diante deles uma vergonha mortal. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. em pranto. mas cuja mensagem. Ao despertar para a verdade. Julga-se um abutre sem remissão. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. Não o atemorize com ameaças. amoroso. pela enormidade de seus desvarios. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. por conseguinte. com todo o poder de sua inteligência e de seus conhecimentos. da emotividade. Alguém. ante o inevitável. Chama-me de traidor. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. não carregue nas cores do sofrimento que o espera. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. Lembre a necessidade da prece constante. não para fazer por ele. agressivo e violento. ou então. Além do mais.Ele a repete. que ele sabe não estar ao seu alcance. Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. Há. a oportunidade preciosa. ao contrário. ele não pode mais voltar sobre seus passos.

pela primeira vez em muito. com o mesmo carinho de antigamente. tratados pelo grupo. cerca de um ano antes. A partir do momento em que os companheiros são recolhidos. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos. transcende suas qualificações e possibilidades. É que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. Geralmente. mais tarde. emocionada e belíssima. Acham 167 . para a reencarnação na Terra. durante os desprendimentos do sono. ficariam agora ao abandono. como o de sua mãe. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu.. muito tempo. das quais nem tomamos conhecimento consciente. partiam. de sempre. assim que estejam em condições. às vezes. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados.culpas. necessária. que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. a não ser excepcionalmente. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. Preocupa-se com aqueles que liderava. No momento é o de que mais precisa. além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. por uma ou outra palavra mais enérgica. agora. a três Espíritos que. para uma prédica. Em alguns casos. eles são trazidos para despedirem-se de nós. segundo nos informa. Em raras oportunidades. Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluída nesse ponto. levando-o à força. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. para “prisões” e castigos. com a sua agressividade. e contra a sua vontade. PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. por tanto tempo. tranqüilizemo-nos e demos nossas graças a Deus. que. de início. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. o trabalho bem dividido e especializado. no mundo das sombras. dos quais nem percebia a presença junto de si. O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. mas em tarefas de menor importância. os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. assim despertado.. a seu ver. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. começa o preparo. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. Certa vez. para o despertamento. De modo geral. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. raros. E parte. Ele chora. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. Também eu lhe peço minhas desculpas. pois eles estão em boas mãos.

A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. Mas. mas. Logo. encarnados. desenvolve-se no mundo espiritual. a uma pergunta mais embaraçosa. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor. Num caso desses. podemos imaginar. e trabalho preparatório. embora de menor vulto. ainda que não tenhamos condições de conhece-las. durante a semana. naquilo que ele vai dizendo. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico. no grupo encarnado. a participação — ainda que importante. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. quanto os Espíritos necessitados. Por outro lado. ao manifestar-se. não lhe foi difícil verificar. o médium transmite. se fosse possível conversar com eles. não tão impetuoso e violento. por certo. durante os nossos desprendimentos. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. porque. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar. em certos casos — será mais modesta ou. muito mais amplo. que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. ou seja. ele terá que confessar sua ignorância. porém. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. difícil e constante. Fora vê-lo pessoalmente. ele se reunira com os demais companheiros. o pensamento do companheiro manifestante. com as cautelas que. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual. que dele recebiam. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. e nem desejava voltar sobre seus passos. para reassumir seu posto no mundo das sombras. este reencontro é proporcionado. não deve fingir que sabe de tudo. praticamente tudo quanto formular no pensamento. entre uma sessão e outra. O INTERVALO Muito trabalho. como vimos. como um apelo do ex-comparsa. de outra natureza.que. Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. no entanto. Em casos excepcionais. as tarefas desenvolvidas durante a semana. porém. com extrema atenção. pelo menos. tanto os componentes encarnados do grupo. e talvez mais afeito à organização mediúnica. mas a nós. a um ponto de reunião. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no corpo. pois interpretavam as vibrações de aflição. É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. 168 . verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. que acreditavam prisioneiro nosso. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. os convenceriam a voltar à vida de crimes. após termos conseguido “conquistar” o seu líder. por si mesmo. pelo menos. Nestes casos. São inúmeras. afinal. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. nas horas mortas da noite. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. os mentores levam.

Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures... E contou o caso. às vezes. com enorme dificuldade. ao contrário. a atividade noturna. mas é certo que. como sempre acontece nesses casos. na semana seguinte. Os componentes do grupo. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo. a reuniões de estudo. Estava do lado de dentro de uma caverna. Em casos como esse. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião. aquele “algo”. pois era até esperado. senão que o haviam permitido. A indignação dos guardiões do pobre irmão foi inconcebível. aberta na rocha. Uma ou duas semanas depois. Ficara escondido atrás de uma coluna. segundo apuramos.. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. de trabalho.. Já narrei aqui um caso de zoantropia. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. neste livro. de uma cena fragmentária. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam ferozmente aqueles que se empenhavam na tarefa. que haviam alcançado numa “condução” rústica. certa vez: — Eu sei. Lembra-se ele. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória consciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos. numa incursão de que um de nós. e de que resultaria sua libertação. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. nos braços. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. enquanto os de dentro passaram para eles. no regresso. reduzido à mais abjeta condição humana. Durante a semana. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. Ao que tudo indica. encontravam-se em vasta região desolada. de debates e planejamento. de onde. no entanto. pois. tencionava espionar a nossa reunião. aquele ser. ao manifestarse no grupo mediúnico. “algo” que traziam. 169 . Um desses disse-me. que fazia lembrar um jipe terreno. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno.. introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos. de extremo realismo. que havia sido resgatado. mas. é muito intensa. Em certos grupos de desobsessão.. As imagens eram as de um sonho comum.. nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda.. dirigidos pelos benfeitores espirituais. ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito. Os mentores espirituais levam os encarnados. sombria e agreste. Depois descobriu que. pararam. nos intervalos das sessões. desprendidos pelo sono. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. ao despertar. certo de que ninguém ali sabia da sua presença.Um deles me disse. com extremo cuidado. Perdera a noção da sua identidade pessoal. com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. manifestou-se no grupo: era um ser humano!. não apenas sabiam que ele estava ali. Alguns companheiros ficaram de fora. a observar e ouvir. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. encarnados. A certo ponto. no Espaço. Não sabia o que se passara com ele. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto.

ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. usualmente. Algumas semanas depois. essas incursões são. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. para tratamento. grosso e escuro. Era como se eu levitasse. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. que pingava no chão. conservar a lembrança delas. que tentava agarrar-me. com nossos maiores. o que muito nos serviu depois. a troca de favores. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim.. Estava indignado. É difícil. para retirar de mim certa quantidade de sangue. com extraordinária lucidez. do qual nada me lembro. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. sem hostilidade. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. como se voasse. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. Outro aspecto importante. enquanto eu me afastava. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. às vezes. Às vezes. também. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. uma dessas incursões. a uns poucos metros abaixo. ou de símbolos. porém. contendo já um pouco de sangue. já no final dessa visita. em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. é o da prece. Por outro lado. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. Nem sempre. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. e à outra. comecei a escapar-lhes. mas. sendo perseguido por um grupo belicoso. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. sob a forma de frases soltas. no mundo superior.era figura importante para seus esquemas nefastos. no entanto. e do sangue de nossos companheiros encarnados. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituais. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. por desconhecimento e defesa. nas instituições especializadas do Além.. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos 170 . amorosamente. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. que nos atacavam. pouco acima de suas cabeças. que precisa ser abordado. A meu pedido. também. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. nos lembramos de tais episódios. sim. pelo menos. recordei-me. Nesse momento. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. companheiros competentes e seguros. Há. numa incorporação mediúnica. Vejome. aqueles que já se acham recolhidos. também. Como as sessões se realizam. A prece é o fio que realiza esse milagre. o evidente domínio sobre seus Espíritos. de qualquer maneira. escreveu todo o relato. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. um “branco”. durante os dias em que aguardamos as próximas manifestações. porque eu havia escapado. com grande precisão e detalhamento. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. a seguir. uma vez por semana. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. enquanto ainda bem vivo na memória. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. ou ao trabalho. depois. De outra vez. Na imagem das formigas agressivas. tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. Ele veio disposto a arrebatarnos o sangue. para onde nos levam.

mostrase extremamente “perturbado” pelas nossas preces. Não à difícil. o instrumento daqueles que querem realizálo. em nós. Só a prece pode socorrer-nos. Aquele que não souber amar sem reservas. A tarefa dos seres encarnados. mal-estar. já mencionado. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. oremos por eles. invariavelmente. pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. Diria. antevisões e experiências. parceiros de antigas lutas e até credores nossos. que poderiam passar despercebidos. ou que somente puder amar aqueles que o amam. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e que não podem resolver sozinhos. É hora de por em prática. de tolerância e paciência. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária.. novamente. desmandos de toda sorte. em tais situações. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. certa vez. é pouco mais que 171 . A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece. depressão e desânimo. pronto a emergir. não estava apenas acenando com uma visão quimérica. filhos. quando. Outros se confessam paralisados. O amor é realmente milagroso. que havia interceptado meus “telefonemas”. onde também existe amor. neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. obsessões. irritado: — Você vive rezando. Com freqüência impressionante o são mesmo. com toda a convicção.dificuldades. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. e a prece. que serão sempre. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. em desdobramento. Para resumir e insistir num ponto. É extraordinário o poder da prece. quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. com amor. sensações de angústia indefinível. implorando a Deus que os ajude. que lhes mostre a verdade. num grupo mediúnico de desobsessão. alhures. Um deles me disse. eles assim se consideram. não está preparado para essa tarefa. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. além de irmãos. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. Às vezes. em pensamento e ação. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. mesmo. com muito amor mesmo. a quem muito devemos. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. que lhes ilumine os corações. Oremos por eles. em potencial. miraculoso. imaginemo-los como companheiros muito queridos. Embora não os consideremos como tais. Um deles disse-me. mas com fervor. o irmão atormentado. acompanhamos nossos mentores. A doutrinação é um ato de amor. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. atenta a pequenos detalhes. Mantenhamos uma atitude vigilante. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível.. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nossa pensamento de afeição e carinho. É claro que provocarão. construtiva.

em “O Livro dos Espíritos”. Ao cuidar. com satisfação. ocupam 23 páginas. Na verdade. “No sonambulismo — prosseguem —. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. Bezerra de Menezes. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto. afastar a densa cortina que encobre o futuro. ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). reflete-se nos sonhos. que é um estado de sonambulismo imperfeito”. que o Espírito encarnado aproveita-se. Manoel Philomeno de Miranda e outros. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. é que formam esses conjuntos estranhos e confusos. entremeados de coisas do mundo atual. Resumindo. através de sonhos e desdobramentos. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. por exemplo. sob o título “Da Emancipação da Alma”. ficou documentada uma referência sumária à atividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico. quando o corpo encontra-se em repouso. através de médiuns de absoluta confiança e respeito. mais completo do que no sonho. concluímos ser muito intensa a atividade do Espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provocado. os ensinamentos recebidos. Emmanuel. mas. mais adiante (questão 425). do sonambulismo. de maneira muito especial. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. ficou bem claro. durante as horas de repouso. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. não apenas em termos gerais de Doutrina. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. no capitulo VIII. Os órgãos materiais. sempre que pode. Por esses ensinamentos.isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor. segundo seus interesses e afinidades. e que a atividade desenvolvida. da oportunidade de escapar da prisão corporal. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. em situações especiais. nesses estados de libertação parcial. os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam”. com palavras suas. SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores. os instrutores conceituam-no como “estado de independência do Espírito. Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. que não devem ser ignoradas. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. em Kardec. deixam de receber as 172 . o Espírito está na posse plena de si mesmo. que contém importantes conotações. no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. Nesse estado de liberdade parcial. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. Reunidos depois.

Isto significa. Em diferentes oportunidades. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural. ou a mundos inferiores à Terra. mais ignóbeis. onde os chamam velhas afeições. o segundo. ao despertarmos. Bem sabemos. Para isto. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores.. em que se 173 . ou fundam movimentos paralelos. nessas regiões tenebrosas. a dissensão. implantar. (Destaques meus) Muitos ignoram como isso é autêntico. para que.. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia. hoje. (O primeiro destaque é do original. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. enquanto dormem. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. É lá. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. Vão beber doutrinas ainda mais vis.impressões exteriores. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta. “. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram inequívocos nesse. tal como aqui. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os seus propósitos. Companheiros encarnados. vão. para não deixar dúvidas. para efeitos práticos. enquanto estes repousam. por se encontrar este gozando do repouso indispensável à matéria”. na prece que precede o sono. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. também. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose. entre nós. e até mesmo a sessões mediúnicas. como “reformulações”. recomenda-se que. a princípio. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. portanto. até mesmo declaradamente espíritas. o desentendimento. como em todos os outros pontos de seus ensinamentos.. entre os encarnados. com incorporação e doutrinação. é lá que são programados. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. Na verdade. pelos informes da Doutrina Espírita.. ainda. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. duma trágica e dolorosa autenticidade. desta transcrição) Acrescentam. em tais desdobramentos. tudo muito sutil. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. aqui. quase imperceptivelmente. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita. às incursões no submundo do desespero. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos. nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos. enquanto o Espírito se acha desdobrado pelo sono. durante as horas do sono. em lugar de colaborar. como. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas. com extremo cuidado e competência. mais funestas do que as que professam entre vós”.

serenos. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias”. a fim de que não ponhamos a perder. ou nos de sonambulismo. questão 49 —. (Destaques meus) Atenção. pela própria ociosidade ou intenção maligna.. e. É preciso. lhe visitam o ser..) os resultados de seus próprios excessos. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante. se poderá verificar a comunicação inter vivos. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas. nas horas em que repousa o nosso corpo físico. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. André Luiz adverte-nos. quando. com o material onírico. (Destaques meus) Mas. que precisa ser examinado. quando. o sonho representa a liberdade relativa do Espírito prisioneiro da Terra. em “Evolução em Dois Mundos”. as modestas conquistas que porventura tenhamos conseguido realizar na vigília. com “revelações” sensacionais. Mesmo nos momentos de maior alegria. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade. evoluídos ou não. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças”.. Cuidado. o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia.. equilibrados. em “O Consolador”. contudo. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados. portanto. pois. na Crosta — observa Sertório. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão. E mais: “Numa e noutra condição. obedecendo a fins superiores.. porém. pois. as visões proféticas. mas sóbrios. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. não é só isso: — “Quando encarnados. contudo. todavia. atraídos pelos quadros que se lhe filtram da aura. então.envolvem tantos companheiros promissores. selecionado. por certo. com “missões” importantes. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono. “. quanto possível. com elogios descabidos. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. criticado e aproveitado com prudência. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. porque qualquer empolgamento já é suspeito.. 174 . como nos fenômenos premonitórios. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. em “Missionários da Luz” —. Em determinadas circunstâncias. gratos. é a mente suscetível à influenciação dos desencarnados que. recolhe (. eles se apresentam emocionados. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível”.

temor. porém. longamente sopitados durante a vigília. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência. nossos médiuns contam-nos episódios em que participaram de trabalhos no plano espiritual. ainda mesmo quando ligados a envoltórios inferiores. principalmente as que se adestraram para esse fim. desejo de aprender. Cautela. do que as de vigília. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. atenção com a saúde do corpo físico. (destaques meus) Não faltam. Vejamos. Antes de encerrar estas notas. com real proveito para o nosso trabalho e. em “Nos Domínios da Mediunidade”: — “Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios.esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. o sonho e o desdobramento espiritual. muitas vezes. Habituados à orientação pelo corpo físico. nos domínios psíquicos. já nos parágrafos finais do capitulo: “É imperioso notar. certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. efetuam incursões nos planos do Espírito. dessa obra. porém. a par de recomendações óbvias. à maneira do molusco que se refugia na própria concha. É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. para servir melhor. Em casos de meu conhecimento. profundas meditações e cautelosa aplicação prática. Do ponto de vista do Espírito. também lá. (Destaques meus) Ouçamos agora Aulus. nos quais funcionaram como médiuns. sim. tanto quanto o capitulo 21 — “Desdobramento”. ante qualquer surpresa menos agradável. logicamente. O temor paralisa. não. na ansiosa expectativa. essas horas. verdadeiramente sentida e vivida”. Insistimos. pois. de “Mecanismos da Mediunidade”. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas. André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. pois. 175 . não resta dúvida de que são mais vivas. desdobrados. por falta de educação espiritual. Por outro lado. Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. Com freqüência. cuidado com a alimentação. diante de semelhante gênero de tarefa. que ressaltam dos textos que examinamos aqui. imobiliza os esforços. Infelizmente. uma observação ainda parece oportuna e necessária. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. transformando-se. sempre que para isto se prepararam devidamente. pois as responsabilidades envolvidas são enormes. para o nosso desenvolvimento espiritual. A prece será sempre boa conselheira. seria bom reler todo o capitulo 11 — “Desdobramento em serviço”. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade. que considerável número de pessoas. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. transmitindo mensagens de outros planos. esta observação. na esfera de fenômenos inabituais. que estuda o sono. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica”. não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades. extravasam em todas as direções. a maioria se vale. inconscientemente. (Destaques meus) Aliás. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros”. por exemplo.

Não há nele espaço para meias-verdades. ferramenta de trabalho. e até milenares. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação. André Luiz. ao encontrar-se em plano muito elevado. pela própria natureza das experiências que procura transmitir. O grupo merece e exige cuidados muito especiais. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do paço profundo e escuro. o que o torna uma atividade do coração. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. Aproximemonos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. estudar e repetir à vontade. Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. por exemplo. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria. seculares. 176 . Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. em inglês (rescue work). em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. cujas reações podemos prever. fingimentos “inocentes”. em mais de uma década. das medidas. Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. em “Nosso Lar”. enquanto nosso corpo repousa. perfeitamente. indiferença ou comodismos. capítulo 36 — “O Sonho”. ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. cansados das lutas do dia. Aqui e ali. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. como. depois de já desdobrado do corpo físico. afirmava-se cada vez mais intensa”. dos pesos. muito pessoal. de volta à luz abençoada do Senhor. A riqueza de emoções. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. Eu sabia. por vezes. só é possível em clima de total doação.É possível. pela desencarnação? Não temos o direito de por sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. sob a qual possam contemplar suas imperfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. de profundo e sincero amor fraterno. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados. reta e iluminada? RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. ou separado dele definitivamente. por sua vez. campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. pela razão. não é a que se realiza em torno da mesa. Seu objeto é o ser humano. porém. de que ele é mesmo um depoimento pessoal. um desdobramento. que me parece muito simples e válida. na frieza clássica dos números. O trabalho de doutrinação. de empatia. em “Nosso Lar”. não são quantidades físicas de substâncias químicas. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. em modestas posições de meros aprendizes. ou preferimos a estrada que sobe. chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. dedicação constante. essencialmente humana. participamos de tais atividades. (Destaques meus) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. mas subimos também nós. no dia da sessão.

então. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. Segundo. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. o estudo é uma necessidade imperiosa. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos. a mente divaga. ele é também gente. é precisamente a perseguição indormida. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio. O aprendizado tem que ser constante. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. e lemos trechos substanciais. como as obras complementares. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. fosse tão importante. mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis. para destruí-lo. devem ficar bem definidos. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. na sala de trabalho. revelar-se fecundo e promissor. não são apenas finalidades. Cada sessão é diferente. ângulos insuspeitados. objetivos e métodos.vigilância permanente. Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. Um grupo. pelos companheiros espirituais. Quanto aos encarnados. para subsistir. como costumava fazer. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. por várias razões. na fase de planejamento. sem a participação do consciente. para consultá-lo. em termos espirituais. aparentemente sem importância. Por isso. neste livro. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. Primeiro. Assim. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. Leia você. que não hesitarão diante de nenhum recurso. além de suas finalidades e objetivos. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. em hipótese alguma. ou de “O Livro dos Médiuns”. Citarei um pequeno incidente. nossos companheiros em torno da mesa. absoluta. desde antes mesmo de constituir-se. de forma que. É fácil testar essa verdade. observações que passaram despercebidas. exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. mas suficientemente flexível. porém. porque mesmo durante a leitura. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. Se o trabalho que lhe for cometido. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. para as acomodações necessárias. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. já lidas no passado. como ficou dito e explicado alhures. ele será implacavelmente assediado. porque nossa memória é falha. Encarnada e desencarnada. Muito bem. dos companheiros espirituais. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. leitor. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. infinitamente mais experimentados do que nós. serão remotas suas 177 . nada de ilusões: a medida de seu êxito. O grupo tem que começar de maneira certa. seus métodos de trabalho. É preciso criar para ele uma estrutura robusta.

como um general em campanha. e aquele outro. é uma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação. porém. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. mas condições essenciais ao trabalho. que julgue mais bem qualificados. por melhores que sejam as intenções. para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. no coração de um irmão que sofre. De minha parte.possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. Deus colocou em nós a fagulha do amor. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. a impor ritos e fórmulas mágicas. O amor fraterno. tem que emergir das profundezas do ser. como um movimento irreprimível. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. no livro. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. “amai os vossos inimigos”. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. para declamar aos Espíritos. tem que ser sentido mesmo. não é despotismo. que não há doutrinadores perfeitos. e outras indispensáveis. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. Além dos demais pontos críticos. O impacto do amor sincero. para que possam trabalhar todos em harmonia. lembrei por aí. o amor. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam. Ao criar-nos. Liderança. Por isso. quer o companheiro aceite ou não. e não apenas fingido ou forçado. o único. no trabalho de doutrinação. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. O médium não deve dominar o grupo. a nossa entrega. em clima de segurança e confiança. a fim de que possam dar de si mesmos. Usualmente. O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. sempre o mesmo. Se ele é também o dirigente humano. bem como a maneira de tratá-los e integrá-los no trabalho. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também 178 . creio que se referia especificamente ao amor em nós. dizem os grandes instrutores. dificilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. alguém precisa assumir a liderança. como um todo. São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. Vemo-lo repetir-se a cada instante. não são apenas frases bonitas. Entre estas colocaria. a ditar ordens. de pronto. o preceito evangélico do “amai-vos uns aos outros”. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. no contexto de um grupo humano. nem ser dominado por ele. ele é apenas mais um trabalhador. Para o doutrinador. sem dúvida alguma. pela simples razão de que. no qual nos doamos integralmente.

estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo. Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. quando conseguimos transmutar-nos em amor. somos irresistivelmente atraídos para Ele. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. através do espaço infinito e do tempo imemorial. Assim. por isso. pelas trilhas do amor.infinita e. ante os companheiros que sofrem. por isso. diria apenas uma palavra: — AMOR! 179 .