ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO.................................................................................4
INTRODUÇÃO.....................................................................................................................7
I — A INSTRUMENTAÇÃO.............................................................................................11
O GRUPO................................................................................................................11
II — AS PESSOAS.............................................................................................................25
1. OS ENCARNADOS............................................................................................25
OS MÉDIUNS.............................................................................................29
O DOUTRINADOR....................................................................................35
OUTROS PARTICIPANTES......................................................................44
OS ASSISTENTES......................................................................................47
RENOVAÇÃO DO GRUPO.......................................................................51
2. OS DESENCARNADOS....................................................................................53
OS ORIENTADORES.................................................................................53
OS MANIFESTANTES...............................................................................59
O OBSESSOR.............................................................................................59
O PERSEGUIDO........................................................................................61
DEFORMAÇÕES........................................................................................65
O DIRIGENTE DAS TREVAS...................................................................70
O PLANEJADOR........................................................................................71
OS JURISTAS.............................................................................................74
O EXECUTOR............................................................................................75
O RELIGIOSO............................................................................................76
O MATERIALISTA....................................................................................82
O INTELECTUAL......................................................................................83
O VINGADOR............................................................................................85
MAGOS E FEITICEIROS...........................................................................88
MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES........................................101
MULHERES..............................................................................................103
2

III — O CAMPO DE TRABALHO.................................................................................109
O PROBLEMA......................................................................................................109
O PODER..............................................................................................................114
VAIDADE E ORGULHO.....................................................................................116
PROCESSOS DE FUGA.......................................................................................118
AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS, HIERARQUIA E
DISCIPLINA.........................................................................................................121
IV — TÉCNICAS E RECURSOS...................................................................................123
O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES. CACOETES. DORES
“FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES..................................................137
LINGUAGEM ENÉRGICA..................................................................................144
A PRECE...............................................................................................................146
O PASSE...............................................................................................................150
RECORDAÇÕES DO PASSADO........................................................................154
A CRISE................................................................................................................162
PERSPECTIVAS...................................................................................................167
O INTERVALO.....................................................................................................168
SONHOS E DESDOBRAMENTOS.....................................................................172
RESUMO E CONCLUSÕES................................................................................176

3

“O cinqüentenário de Lady Nona”. Os sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano. consolidadas graças e esforços incessantes e renovadas perquirições conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato doa enigmas mais sérios e das questões complexas. porque somos muitos”.DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO “Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. Miranda: “DIÁLOGO COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”. “Uri Geller”. fazem-nos pensar mais detidamente nas profundidades do Desconhecido. na sua longa e exaustiva elaboração. 5:9 e 10). geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo. Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas pretéritas. mas 4 . Raros serão os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos. exigindo dedicação e persistência.. descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar de elaboração séria. no entanto. Marina Leymarie. (Marcos. no mundo do Espiritualismo e. Conhecemos-lhe as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão. por exemplo. de Allan Kardec. pelas páginas de “Reformador”. Ao lado de livros e artigos. foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e evangélica. não A tarefa fácil. E lhe imploravam com insistência que não os mandasse para fora dessa região (Gerasa). E mais o que se ache por enquanto inédito. pois acompanhamo-lo em seus estudos. nessas especialidades. “O Médium do Anticristo”. Responde-lhe: “O meu nome é Legião. “A Maldição dos Faraós”. desinibido e despreconceituoso. gradativamente desenvolvida. no demorado “diálogo com as Sombras”. são-lhe objeto de estudos e elucubrações. São horas vividas não apenas no círculo das tarefas mediúnicas propriamente ditas. Nos últimos anos. apresentando o patrimônio provisionado durante pelo menos dez anos ininterruptos de serviço ativa. no campo espírita. “Imitation de I'Évangile selon le Spiritisme”. Nela. nas esferas da Religião. introduções e sínteses de obras. A contribuição de Hermínio. do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”. metódica. É mais um extraordinário documentário ou cartilha de orientação. que lhe não hajam merecido a critica serena e construtiva. Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. mais especificamente. como em “Procés des Spirites” e “Processo dos Espíritas”. elucidativa de todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos vibratórios. A ciência de servir é uma arte rara. Miranda têm explorado temas de grande importância. permitindo-lhe escrever para os simples e os doutos. ano após ano. no curso de milênios. de Mme. da Filosofia e das Pesquisas. no atendimento responsável e cristão da assistência espiritual em desobsessão. os prefácios. Os artigos referentes a “A Morte Provisória (I e II)”. alguns deles pouco estudados antes. mas de abordagem difícil. como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua vocação e não hesitem em seguir os rumos que devem trilhar. de toda uma gama de assuntos no âmbito do inabitual. Estamos familiarizados com os escritos do autor. aqui e fora dos próprios limites territoriais das Terras de Santa Cruz. etc. como sempre. os trabalhos de Hermínio C. na linguagem desataviada que todas entendem. o nosso Amigo exercita-se há muito tempo.

tudo nele é de meridiana clareza. é a da zoantropia. mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. na vigília e no sono. para a qual gostaríamos de pedir atenção. com proficiência. Mas o comentário particular de Chico Xavier. a rigor. consegue aglutinar. com maior razão. uma carta do médium F. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita.num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. em Espiritismo. foi este: “E na verdade. doação! *** O livro. é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. especialmente no que tange a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho. acima de tudo. de aceitar. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. O que importa. mediúnica ou não. “o segredo da doutrinação é o amor”. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. no 5 . também não admitirão”. Acreditamos que Hermínio C. Hermínio C. que é bem pior do que pensamos”. à segura argumentação que faz. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar tem os demais. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. o Diretor incumbido da análise inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas. *** O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — é tão grave. pois os leitores. Assim. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere. porquanto. em 1888 e 1889. O autor trata detalhadamente desse assunto. mas o sentido exatamente esse. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propôs. de André Luiz: quando os originais foram-nos enviados. os seus argumentos e conselhos. na tessitura de um livro desta natureza. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. Ora. recordemos o livro “Libertação”. como reconhece o autor. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. o autor nele coloca as próprias idéias. Xavier. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. Miranda é dos mais seguros estudiosos. cada ensino ou experiência e suas implicações. ainda quando não as encampe ou oficialize. defensores e propagandistas daqueles princípios. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade. É claro que. *** Questão séria. nem de Interpretações. ou não. C. na verdade. as coisas ainda ficavam bem longe da realidade. No entanto. a pessoa que nos merece a maior credibilidade. como resposta. O próprio autor justifica cada detalhe. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pode admitir isso. As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas. A propósito. Não compete à Federação censurar opiniões. em que transmitia e solicitação do autor espiritual. ternura. mais comumente citada como licantropia. não necessita de explicações ou apresentações.

convidamos o leitor a conhecer o livro de Hermínio. 1979). Estamos certos de que. os exemplos que encerra causar-lhe-ão a nítida convicção. pelo médium Frederico Júnior. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. mais que as palavras articuladas. 22 de junho de 1979. Rio de Janeiro (RJ). *** Terminadas estas páginas iniciais. Francisco Thiesen Presidente da Federação Espírita Brasileira 6 . dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos. na verdade. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs.Rio de Janeiro (RJ). de que o Espiritismo é. 625º milheiro. editado pela FEB (33ª edição. ao lê-lo. o Consolador Prometido por Jesus. de Allan Kardec.

nem para cumprir mandados nossos ou atender às 7 . evidentemente. com a sua proteção carinhosa. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. que estejamos à inteira mercê dos Espíritos perturbados e perturbadores. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro. da revolta. O Livro dos Médiuns. isto é: O Livro dos Espíritos. encontramos Espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. por conseguinte. como tantos outros. O Evangelho segundo o Espiritismo. pois não perdoa despreparo e ignorância. mas. de “trabalhos” encomendados. ao iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. Há. da vingança. O Céu e o Inferno. um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho seria junto aos companheiros desencarnados. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. como doutrina essencialmente evolutiva. igualmente. na literatura espírita. de símbolos. voluntária ou involuntariamente. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. Podemos. com um procedimento reto. pode estabelecer contacto com os desencarnados. no pórtico deste livro. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. da angústia. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. não termina com Kardec. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. mas sim. consciente ou inconscientemente. estejamos com um mínimo de preparação. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. A prática mediúnica não deve ser improvisada. obviamente. que. O importante é que. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. Isto não quer dizer. do rancor. é natural. mesmo incipientes. começa com ele. e A Gênese. Ali. como aqui. em princípio. apoiada num mínimo de informação. nem livrar-nos das nossas provações. É claro que a lista não termina aí. isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. e. outros com leviandade e indiferença. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. no qual procuremos desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. O mundo espiritual é povoado de seres que foram homens e mulheres como nós mesmos. sempre dispostos a nos ajudar. da ignorância. a meu ver. nos afinamos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante. Realmente. uns com respeito e amor. É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de irmãos mais experimentados e evoluídos. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. a massa imensa daqueles que se acham da media para baixo. nada tendo de místico. não para nos livrar das nossas dores. outros com espontaneidade. não à custa de oferendas. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. velam por nós companheiros de elevada categoria. de ritos mágicos. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. fantástico ou sobrenatural. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. serena ou tumultuadamente. estará se expondo a riscos imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico.INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. do lado de lá. e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores. Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância.

no sentido humano. podemos começar. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. mas também no interesse de cada um. ao amor ilimitado. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. não é possessivo. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. Não foi preciso escrevê-la. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. e não naquilo que julgamos o seja. às vezes. a educação dos pais. pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. * “Encontramos. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. e das complementares. Assim. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. suporte indispensável de toda a tarefa programada. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. e certos trabalhos de origem mediúnica. para a qual não esteja preparado. o amor é. confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. ao comparar a grupo nascente com um filho.nossas menores exigências e súplicas. Léon Denis. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo é muito importante. pois já estava pronta. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. O amor. É preciso. há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. E começar pelo planejamento. ainda no corpo desta conversa inicial. diria Edgar Cayce. entretanto. da sua inspiração oportuna. Gustave Geley. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. De fato. que a seguir transcrevo. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. modernamente. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. com regularidade e seriedade. sem reservas. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. Gabriel Delanne. Antes. Voltaremos às questões que formulamos acima. por interessar aos objetivos deste livro. examinar de perto essa posição e ver a que contém ela de legitimo. com o estudo sistemático das obras básicas. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. e da sua ajuda desinteressada. como os de André Luiz. Se estamos com essas disposições. 8 . das tarefas a que se propõe. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. naquilo que for realmente proveitoso ao nosso Espírito. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. pois cada um de nós sabe de si e do que. se convencionou chamar de suas motivações. não apenas no interesse da doutrina que todos professamos.

Muitos nos buscam apenas 9 . elos que nos ligam a outros seres e a outras dores. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. ao estudo dela. cada vez mais. invariavelmente prejudica a alguém mais. porém. ouvimo-los com admiração e proveito. Aquele que odeia. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. muitas vezes já está madura para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens. Há uma Humanidade inteira clamando por ajuda. Os erros que cometemos. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. O Espírito que erra. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro d’água sob a orientação de quem já tenha. a prática mediúnica é. nesta vida ou em algumas das anteriores. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. a seu desenvolvimento futuro. a respeito. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. Ao que ainda se prende a superadas teologias. Será. não são mais que um único. também. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnados. esclarecimento. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. Evidentemente. não apenas para o médium. Logo. Aos que ainda desejam vingar-se de antiqüíssimas ofensas. Se é incompleto a conhecimento sem a prática mediúnica. Nunca o drama de um Espírito é apenas seu. que o equacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. os riscos que oferece. entre o mundo espiritual e este. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. suas grandezas. De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento. sim. consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. no final de contas. compreensão e caridade no chamado mundo espiritual. Mas se não a observarmos em ação. Parece claro. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. Há sempre. em grande parte. em planos diferentes. não apenas aconselhável. provocadas por antigas mágoas. A todos os que erraram. noções satisfatórias.O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. como indispensável ao futuro da Humanidade. não apenas o seu Espírito da tormenta do ódio. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. Há riscos. O intercâmbio. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. ajudamos a compreender a nova realidade que tem diante de si. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. realmente. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que ia se sabe sobre a fenômeno. delas se nutre e delas depende. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores.

então. Hermínio Correa de Miranda.para trazer notícias das suas próprias conclusões. ao mesmo tempo em que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. lá estão à espera de ajuda e. não será tão difícil assim. Aos poucos. mas é também prática mediúnica. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. aprendemos a contemplar e transitoriedade da mal. de que progride e aprende. de que as leis universais são perfeitas. vemos. 1976. católicos ou protestantes. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. mas flexíveis. Muitas e variadas lições. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. “Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humana. 10 . os trabalhos irão surgindo. tanto na carne como no Espaço. que se envenenam a si mesmas e a nós próprias. de preferência familiar. a amarga decepção do suicida. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. através da lúcida inteligência de Kardec. No exercício constante dessa atividade. pelo menos. pois exigem reparação. Rio de Janeiro (RJ). como criaturas encarnadas. E bom que o grupo seja pequeno. a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou a seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. temos compromissos a executar. todos nos vem confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. corresponderá um grupo equivalente de Espíritos. o ônus terrível da vaidade. sem ostentação. Lições terríveis ministrados com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei. no entanto. * E assim. ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e incompreensões. pois Espiritismo é doutrina. minorá-la é divino”. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. anestesiado nas suas angústias. na qual o Espírito fica. de nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalha sério e contínuo. Por que. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vem. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto a organização dos grupos. e todos nós. a inutilidade das posições humanas. demonstrada e seriedade de propósitos. de que reencarna. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. num intercâmbio salutar de profundas repercussões. Crentes ou descrentes. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. iniludíveis. na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente dita. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificância dos primeiros resultados. ainda que nem sequer suspeitemos disso. cada vez melhor.

em “Reformador” de fev/74. pois. para disciplinação e harmonização do grupo. sem declarar-se tal. Os motivos são de fácil entendimento. que deve dar alguém que pretenda organizar um grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compô-lo. É preciso. que consiste na educação e na instrução dos componentes do grupo que se planeja. Num grupo espírita. É até possível que. 11 . mas é necessário não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. este também deve ter alguém que assuma a posição de coordenador. mesmo de âmbito doméstico. está mais indicado para a função do que ele próprio. ou dirigente. em grande parte. O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. com a seleção das pessoas que deverão participar dos trabalhos. surja a sutil faculdade da liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. Por outro lado. o grupo será a soma dos seus componentes. disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos às fraquezas dos seus participantes. Assim. não obstante. a leitura do artigo “O Livro dos Médiuns de Paulo. de início. 13 e 14. portanto. exercida por consenso geral. aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para reconhecer que o outro. capítulos 12. por 1 Seria oportuna. no decorrer das gestões preparatórias. O líder natural e espontâneo é aceito também com naturalidade e espontaneidade. muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. a força tranqüila e segura da sua personalidade. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa tarefa é extremamente delicada e critica. não basta juntar alguns amigos e familiares. O apóstolo Paulo tratou dele. e da qualidade do relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse campo. Será recomendável que a pessoa que pretenda fundar um grupo. sob este aspecto. Em primeiro lugar. o preparo.I — A INSTRUMENTAÇÃO O GRUPO Voltemos às perguntas formuladas na Introdução. não poderá fugir de certa posição de liderança. Em terceiro lugar. Nestas condições. de condutor. o líder. ou iniciador. na sua notável Primeira Epistola aos Coríntios. de proporções modestas e sem grandes ambições. apagar a luz e aguardar as manifestações. a organizar o grupo. Esse motivador. que revelou melhores disposições. nos trabalhos preliminares de organização do grupo. 1 O primeiro passo. do grau de sensibilidade. conhecimento e evangelização de cada um e de todos. pois dela vai depender. É bom que isto se faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que falaremos mais adiante e quem será incumbido da direção das tarefas. inteligência. Como todo grupamento humano. Em segundo lugar. não impor condições. Em primeiro lugar. e. cumprindo-lhe provar. nos versículos 4 a 30 do capítulo 12. tato. terá que dispor de certa dose de autoridade. a natureza dos trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de mediunidade que for possível reunir. todos são de igual importância. Liderar é coordenar esforços. especificamente. o êxito ou fracasso do grupo. guarde consigo mesma. o Apóstolo”. nos leva a outro quesito preliminar: — quem devem ser os componentes? A tarefa começa. o problema da liderança a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os trabalhos não seja aquela que se propõe.

quando se portam com dignidade. um participante em perspectiva. É preciso entender. quanto maiores. pode criar dificuldades ao trabalho. bastará que dois ou mais se refinam em seu nome. desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização no plano físico. desde que não alcance os estágios da rudeza que fere. sem idéias próprias. sem personalidade e opinião. no tempo certo. por isso. mais difícil mantê-los em clima de disciplina e harmonia. O grupo pode funcionar bem até com duas pessoas. sobre o qual tenhamos algumas dúvidas mais sérias. do que sermos constrangidos. a dizer-lhe que. que examine. as potencialidades de cada um. que os componentes encarnados de um grupo são apenas a sua parte visível. E melhor. à meditação e ao estudo silencioso e demorado de cada pessoa. embora ofereçam outras condições favoráveis. entendimento e entrosamento com os demais. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. pois. mas é certo que. depois. entre os desencarnados. por outro lado. A franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho. virtudes. que não é aconselhável incluir aqueles que. mas se não puderem ajudar. por certo. mas só isto não basta. Isto não quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho. não perturbam. em perfeita harmonia com o grupo. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. sugere de quatro a oito pessoas. Léon Denis. mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se desenrola do outro lado da vida. que deve ser logo decidida: Quantos componentes encarnados devem ter um grupo? A experiência recomenda que os grupos não devem ser muito grandes. segundo a palavra do Cristo. tem que deixar o grupo. Um só membro que desafine dessa atmosfera de harmonia poderá transformar-se em brecha por onde Espíritos desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual desintegração do grupo. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou incluir Fulano ou Sicrano porque gosto dele ou dela”. e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. infelizmente. por exemplo. que pelo menos não dificultem as coisas. mesmo em outros setores do pensamento. que se entregue à prece constante. porém. com toda a imparcialidade possível. É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto à composição humana do grupo. para que Ele ai esteja. logo de início. O papel que lhes cabe é importante. É claro. Até a discordância ideológica acentuada. É claro. se coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro componente do grupo. E essencial que todos se estimem no grupo. mesmo assim. bem como os seus defeitos. Isto nos leva a uma outra questão. tendências e temperamento. Podemos amar profundamente uma criatura que não ofereça condições mínimas para um trabalho tão sério como esse.longo tempo. Os componentes encarnados já fazem bastante quando não atrapalham. em seu livro “No Invisível”. Acima 12 . E óbvio que ajudam de maneira decisiva. recusar. ou se transformarem em criaturas invertebradas. sem paixões e sem preferências. No caso de apenas dois. logo de princípio. alguma coisa séria poderia ser realizada. as suas intenções. por não se estar adaptando às condições exigidas pelo trabalho. não interferem negativamente. mas a homogeneização dos ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que precisa prevalecer durante todo o tempo. Lá é que se realiza a parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuídas a qualquer grupo mediúnico. pois. para não fazermos o convite senão àqueles dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão. inclinações.

em outras de suas obras. O mais certo é que. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. Não há fórmulas mágicas. quando não claramente mal-intencionados. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa 13 . o pensamento divaga. que. como de seus orientadores invisíveis. não só em “No Invisível”. fúteis e inconseqüentes. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. É possível. Isto é válido. no silêncio da meditação e da prece. para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar-se. E. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. Por isso. já atuantes. pois o assunto. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. galhofeiros. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. com seriedade e boas intenções.dos oito componentes sugeridos por Denis. que venham trazer pequenas mensagens. Recomenda-se. mas. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. André Luiz. vai-se tornando mais difícil e tarefa. pior ainda. obviamente não mediúnica. bastante complexo. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. no entanto. assim. para práticas condenáveis. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. não apenas do dirigente encarnado do grupo. ainda não saibamos quanto à intenção dos Espíritos que nos são familiares. tem sido tratado em várias obras de confiança. sim. de Allan Kardec. tanto para os que se dedicam. e. ao se planejar a instalação de um grupo. a apresentar um panorama. e o prejuízo é certo para a tarefa. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. Essa reunião. também. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de Espíritos familiares. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de natureza cientifica? Para tarefas mais sérias. porque a equipe se torna mais heterogênea. ainda. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. Serão arrolados os médiuns presentes. tão abrangente quanto possível. quebra-se com freqüência o esforço de concentração. Em seguida. logo que tenhamos resolvido. convém convocar uma reunião. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. porém. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. em “Mecanismos da Mediunidade”. estes se apresentarão no momento oportuno. Léon Denis também oferece contribuição valiosa. E certo. em definitivo. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. virão os Espíritos levianos. se alcançada impecável homogeneização.

não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. por estágios sucessivos. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. voltemos ao assunto em foco. naturalmente. difícil e muita importante. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. Não nos esqueçamos. no entanto. vigilância. tato. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. até o que já possui conhecimentos mais profundos. nosso conhecimento é menor do que pensamos. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente corrigidos. o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. capacidade de observação. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo. esse encargo era de caráter iniciático. que exige conhecimento doutrinário. que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. pesquisa. É também uma imprudência forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê-lo. salvo casos especiais. e em profundidade. desde aquele que tem apenas vagas noções. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhecedores da Doutrina dos Espíritos. a partir do capitulo 14 — “Dos 14 . O mais provável é que o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente. a começar. suas faculdades. é possível ao médium incipiente desenvolver. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. experimentação. até o ponto ideal. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. vale a pena uma revisão geral. De forma alguma. Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. No passado remoto. Ademais. O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo. Evidentemente não há. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”. sistematicamente. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas específicas senão ao cabo de um aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. porém. pouco a pouco. necessidade de um guru que leve o discípulo. seguido de “O Livro dos Médiuns”. pelo “O Livro dos Espíritos”. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. Embora não gostemos de admitir.pessoa que a tenha em potencial. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. A mediunidade. hoje.

sem atritos ou desgosto. certamente. excluir. segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. Não que uma coisa exclua a outra. que poderá ser longo. ainda.Médiuns”. se necessário. assiduidade. aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. muito útil para afinar o grupo. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. coletivos. ainda. ajustar seus vários componentes. 15 . certamente. no desejo de servir. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. dentro da equipe. em outro ponto deste livro). dedicação. quais são os médiuns. Esse período é. para obter a integração do grupo. o estudo precederá as manifestações e deverá. mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. Talvez em outra oportunidade. Nesse caso. renúncia. que exige. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. nem forçadas. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. como diziam os antigos. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório. em processo de exclusão natural. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. do que insistirem em ficar. A essa altura. mas a definição é importante porque. em prejuízo dos resultados. ainda por algum tempo. É então. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. por um processo natural de seleção. a boa-vontade e a dedicação de cada um. quem navega sem destino não sabe aonde vai. Já se sabe quais os que o compõem. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. ocupar boa parte do horário. tolerância. sacrificariam todo o conjunto. resolvam dedicar-se com maior entusiasmo e firmeza. Não que sejam impuros (por favor!). A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. No primeiro caso. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. estariam prejudicando apenas a si mesmos. Por algum tempo. Tarefas como essas não podem ser impostas. desde que todos o tenham estudado. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. estudo e amor. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. de apagar-se. têm que se apoiar num impulso interior. durante o período que vai de uma reunião à seguinte. Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário. portanto. segundo a programação acordada. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinação. até mesmo. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. no segundo. que poderá ser mais longo ou mais curto. Não é preciso fazer a leitura de cada capitulo no decorrer das reuniões. como também os desencarnados que. mais adiante. para aproveitarem os ensinamentos ministrados. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória.

senão a de que estamos tentando despertá-los para realidade extremamente dolorosa. ao qual temos que nos habituar. condicionado. Sem 16 . pois. A responsabilidade é grande. que nos recomenda amar os nossos inimigos. com ênfase na fenomenologia. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente cientifico. segundo os interesses e inclinações de seus componentes. Haveremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. Muitos Espíritos. tem de ser total. Sem isso. bem como as nossas fraquezas. pois. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. Voltemos à imagem do filho. das lutas naturais da vida diária. muitas vezes sem razão alguma. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. Vamos nos defrontar com Espíritos desajustados que. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. se apresentarão. que se renovará em todos os encontros. Nem sempre estaremos fisicamente dispostos a ela. da qual se escondem aflitivamente. De tudo isto estamos conscientes. agressivos. O planejamento é realizado no mundo espiritual. que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. a meio coração. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. em virtude do cansaço. porque. dentro das nossas limitações. Um pouco de humildade nos fará. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe. A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. reservado. Já decidimos que desejamos o trabalho. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. após algum tempo de estudo teórico. muito melhor do que nós. no desespero em que se precipitaram. voltam-se contra nós. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. Alguns grupos. diante de nós. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. de que estamos preparados para ele. A nós. Este livro está mais voltado para esta última opção. que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. desinteressados do aspecto prático. Também são válidos. aos passeios. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas renhidas pelo bem. movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. desejamos o grupo. nem para conquistar todos os grandes Espíritos que se debatem nas sombras. aqui. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. e sabemos disso. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. Suponhamos. já nos convencemos. por exemplo. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. Não planejamos um grupo para reformar o mundo. Mesmo assim. pequeninas. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. É nessa oportunidade. Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação cientifica ou mediúnica. como verdadeiros inimigos. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. Estamos cientes disso. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. e é sobre ela que nos fixaremos. não podemos destiná-la ao convívio da família. Tudo isto aceitamos. às visitas. Resta o compromisso do amor fraterno. aos poucos. para o que.A natureza do trabalho pode variar bastante. que não pode ser parcial. é claro. um bem enorme. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. irritados. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. possibilidades e intenções. estão em condições de avaliar as nossas forças. a deblaterarem em altas vozes. em doloroso estado de desajuste emocional. obviamente. recursos. o que seria uma tarefa quase de laboratório. É um dia de recolhimento intimo. ao relaxamento. encarnados. caberá executá-lo. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. Da mesma forma.

desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. durante vários anos. àqueles que deixarem cair suas guardas. Há uma porção de condicionantes. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. de aperfeiçoarse. mais de uma vez por semana. Em tais condições. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. rivalidades. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. que orientam o grupo. Isto é especialmente válido para os médiuns.aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. as preliminares. ou nas furnas do mundo espiritual inferior. A noite é escolhida justamente porque. estão todos com as tarefas do dia concluídas. questões de ordem material ou financeira. Justifiquemos a escolha da segunda-feira. com duração máxima de duas horas. A freqüência às reuniões é usualmente de uma vez por semana. sim ou não. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. à noite. é a prece. a realização de trabalhos de desobsessão poderia agravar as condições. Mas isto acontece. haja ou não haja grupo mediúnico reunião em casa. ou seja. a partir de certa hora. de servir. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. Para cobrar nossos compromissos. é o desejo de purificar-se. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. para os trabalhos mediúnicos. de preferência um centro. paixões subalternas e desajustes de toda sorte. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. Num lar normal. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. pois será difícil aos companheiros desencarnados. tanto profissional quanto no próprio grupo. são as boas intenções. familiares e até profissionais. porém. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. disputas internas. num centro espírita bem orientado. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. É que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. o trabalho deve ser feito aí. tanto para os Espíritos trazidos para serem atendidos. torna17 . até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. a partir de 20 horas ou 20h30m. pois é evidente que Espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. com receio da influência negativa dos Espíritos desarmonizados que são atraídos. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. num lar tumultuado por disputas. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas. os Espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. como para as pessoas que vivem na casa. Uma boa sugestão seria reservar. portanto. Se for possível um local apropriado. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observação. a segunda-feira. Por outro lado. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. ciúmes. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais.

emocional. Em ambiente perturbado. Por outro lado. tanto quanto possível. como uma sala de entrada que de para a rua. como a boa leitura. Quando isso for impraticável. é o equilíbrio psíquico. há sempre à parte que compete a nós realizar. portanto. o preparo de artigos e livros doutrinários. do ponto de vista humano. com freqüência. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. sob condições perfeitamente normais. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos Espíritos bemintencionados que nos assistem. das demais dependências do prédio. conversas descuidadas. A qualquer momento. o que se nota. dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. O ideal. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. sendo inadmissível. O trabalho de desobsessão não é fácil. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. Essa. não perturbar a harmonia do ambiente. promissoras. não pode ser recomendado para um meio que. para as noites de verão intenso. atos reprováveis. e. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. o estudo sério. Se na vida diária. em todo relacionamento com o mundo espiritual. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio constante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. mas. causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. pois. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo cuidado.se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. especialmente nos dias de reunião. por exemplo. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. no lar ou no centro. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. uma passagem obrigatória para aqueles que não participem dos trabalhos. os Espíritos não a farão por nós. Nada de ilusões. daqueles que o compõem. Ademais. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. Quando possível. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais. qualquer que seja o ambiente em que se realize. interrompendo o curso das atividades. geográfica. Deve ser isolado. Precisa ser suficientemente amplo e arejado. por isso. Os Espíritos perturbadores poderão encontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. E preciso evitar ali reuniões sociais. visitas inconvenientes. Mesmo nos demais dias da semana. como no centro espírita. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. ao se penetrar no cômodo. a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. a música erudita. já se encontre tumultuado e desequilibrado. ódios e rancores. para acomodar bem todos os participantes. 18 . não interferir com os meticulosos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. deve ser provido de um condicionador de ar. para essa finalidade. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. de início. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas.

enquanto não são removidos para instituições apropriadas. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. no decorrer dos trabalhos. ou a derrota do nosso time de futebol. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. quase todos gostam de relatar experiências e acontecimentos. após o espaço de uma semana. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo. que os Espíritos em tratamento posteriormente confirmam. Cessaram. relaxam os músculos. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e vantagens. esses contactos são preliminares ao trabalho. os médiuns e outros participantes têm sonhos. Geralmente. por motivos mais que óbvios. E evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado. De modo geral. depois de recolhido ao leito. em sua casa ou no centro. iniciado no mundo espiritual. um dos médiuns viu. que se achavam presentes à conversação prévia. por exemplo. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres. No grupo do qual faço parte. 19 . especialmente porque. os Espíritos nos demonstram. em conversa neutra. intuições e “recados” do mundo espiritual. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. sobre o último casamento do astro da novela. em retrospecto. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. em silêncio. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. de um dia para o outro. a piada do dia. Freqüentemente. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. os comentários sobre o crime da semana. por algumas horas. por maior que seja o cuidado. tranqüilizam-se os corações desligam-se das preocupações do dia. ou têm a relatar contactos mantidos. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. ao cômodo destinado aos trabalhos. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. os “sonhos”. Torna-se. em desdobramento.alguns Espíritos em tratamento ficam ali em repouso. pelo menos. numa conversa descontraída. todas as conversas. Quem não puder manter essas condições mínimas. Aquietam-se as mentes. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. depois. mais tarde. e todos se predispõem ao trabalho. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. que usualmente vai de uma reunião à outra. que são verdadeiros desdobramentos. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. Essa técnica se desenvolve com o tempo. desde o preparo da sala. eles fazem uma advertência amiga. toda a sessão. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. a essa altura. A essa altura. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. Neste caso. * Minutos antes de iniciar a sessão. trazem informações valiosas. Com freqüência. todos se dirigirão. e se sentarão em torno da mesa. tendo acesso apenas por uma passagem externa. dessa maneira. de vez que. Em lugar desses assuntos.

atirar os objetos ao chão. material para eventual psicografia. façamos uma revisão geral na sala. sempre em silêncio. à sua agressividade. ou por outro autor da preferência do grupo. sem comentários. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. A razão é puramente subjetiva e psicológica. E mais fácil. o dirigente deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. para não exacerbar o antagonismo. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. a sala está preparada fisicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. ou seja. uma pequena luz indireta. inspecionam o cômodo. canetas esferográficas. que parece útil. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. bem como às condições do Espírito que será trazido para tratamento. quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. igualmente. que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. o caderno de preces. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. Na hora da prece. os nomes das pessoas desencarnadas. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. Outra recomendação. preferentemente de cor. Se há trabalhos de psicografia. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. do que se ela estiver exatamente diante de nós. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. não devem defrontar-se. pois. nada conseguiremos. os livros que contêm os textos destinados à leitura. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a facilitar o trabalho. os trabalhadores do mundo espiritual. Tudo deve ser feito. vários lápis apontados e esferográficas. o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. à medida que são escritas. Antes de prosseguir. a esta altura. No caso das sessões mediúnicas. em retrospecto. de psicografia e incorporação. sobre a mesa. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. a água destinada à fluidificação. Sugere-se a cor vermelha. a qualquer um de nós. segundo viu o nosso médium. papel. A posição frente a frente parece levantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. em forma de cruz. o livro que contém o material de leitura preparatória. serão mentalizados pelos interessados. Se opomos. num copo ou outro recipiente apropriado. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. Depois de todos esses preparativos. num gesto brusco. Todos devem ocupar os assentos em silêncio. Se os trabalhos forem mistos. “Pão Nosso”. a nossa. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. Lá está. 20 . lápis. atendendo a características especificas de suas mediunidades. que recomenda que duas ou mais pessoas.Cerca de duas horas antes. pois um Espírito mais turbulento pode. que vão debater um assunto. “Fonte Viva”. Se há psicografia.

e até certa ansiedade. este deve ser coberto com um objeto opaco. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. Finda a prece. a luz mais intensa é apagada. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. nem elaborados. atentos. tais comentários não devem ser muito longos. Convém retirar. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. Todos se encontram. em silêncio. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. em seqüência. não sejam atirados ao chão. que forneça iluminação discreta. ao testá-lo. Depois de todos acomodados e em silêncio. um para cada sessão.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. que também não deve ser longa. Proporemos. certa vez. mandamentais. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. a postos. as pessoas e os objetos. o gravador é reservado para a mensagem final. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. bastará dar a partida. tolerância e compreensão. evidentemente. Não convém correr esse risco. acumuladas ao longo do tempo. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. de preferência ao lado da mesa. Se emitir luz intensa de algum visor. No momento oportuno. Essas mensagens. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. para que. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria. Em alguns grupos. E conveniente. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. aqui. Por outro lado. As sugestões oferecidas a seguir não são. todos ficam recolhidos. microfone já anteriormente testado. deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. com 21 . os objetos que se encontrem sobre a mesa. Procurarei apresentar as razões. um roteiro típico. não é recomendável o procedimento. Em seguida. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. assim. fixando-lhes até o número de Espíritos que deverão atender. que o leve a “forçar” uma comunicação. constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. gravar a data da sessão. e devem ser preservadas para referência futura. Quanto ao gravador de som. num movimento mais violento. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal.A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. indireta. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. concentrados. nem decorada. ou o mentor espiritual. No grupo que freqüentamos. É feita a prece. o dirigente encarnado dos trabalhos. de preferência em cor suave. sofrer variações. ou seja. bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. que pode. juntamente com pequenos copos. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar. pelas razões já apresentadas. é feita a leitura do texto do dia. restando apenas a lâmpada mais fraca. não conhecemos. obviamente. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. a critério de cada grupo. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. geralmente. neste momento. a colaboração dos amigos espirituais.

como vimos. para que possam ser úteis a todos. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. eles têm que se retirar. Os Espíritos turbulentos. por algum tempo. de uma vez. Concluída a mensagem final. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. Certa vez. Terminado o atendimento. começou a manobrar para ganhar tempo. Pelo contrário. E bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. um dos orientadores recomendou-nos. num grupo bem ajustado. por iniciativa dos manifestantes.precisão. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. para futura referência e estudo. designamos outro médium. Terminado o atendimento. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite. o Espírito manifestante. ou não. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. os trabalhos são encerrados com uma prece. os Espíritos atendidos ainda permanecem. convém gravar. seja ultrapassada a hora. após uma sessão mediúnica. Em hipótese alguma deve permitir-se que. em total dissonância com as palavras 22 . Percebendo que a hora se esgotava. há uma pausa. que. sabendo disso. no recinto. melhor. às vezes barulhentas e indignadas. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. mas. e muitas vezes. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns. E que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. até que chegue a vez de falarem. altera-se a seqüência do trabalho programado. procuram demorar-se. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. no entanto. A lição é importante. Acresce ainda uma observação. Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. que evitássemos a repetição do ocorrido. por determinado médium. que irão atuar ou não. quanto menos interferirmos. muito ardilosamente. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações. em termos inequívocos. o que acarretará adaptações de última hora. nunca encontrei essa dificuldade. É hora dos comentários finais. Quando o dirigente lhe disse que precisava partir. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. Esgotado o prazo. no ambiente. E que. * Há sempre o que comentar. É preciso. composta de obreiros do lado de lá. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. os mentores terão recursos suficientes para contê-los. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. o planejamento realizado no mundo espiritual. depois das virias manifestações de companheiros aflitos. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. para provocar distúrbios e levar o pânico ao grupo. usualmente. que deve ser usada para uma pequena prece. para que ele se desenrole harmoniosamente. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. Na minha experiência pessoal. por desconhecimento. o que seria desastroso. e se. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras.

dizia que os comentários devem ser disciplinados. no desespero inconsciente em que se acham. o Espírito me cobrou. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. Desejam testar a boa-vontade. Por isso. no decorrer da semana. Preparados para uma interpelação. com o mínimo de interferência. assim. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. incapazes de errar. felizes e bem-humorados. dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. certamente. é tarde da noite. de intolerância. durante os trabalhos. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquejar. Os médiuns videntes sempre tem algo a dizer. em grande estado de agitação — desencarnação recente. Se percebem que toda aquela atitude de respeito. embora estejam todos. recomenda-se uma parada para pensar e uma pequena prece. Certo Espírito. enfim. sem elevar demasiadamente a voz. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. no próximo encontro. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. Geralmente. Os comentários finais não devem prolongarse por muito tempo. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. usualmente. É preciso. e os componentes do grupo. Todo cuidado é pouco. de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná-los. oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. durante a doutrinação. no estado de confusão mental em que se encontram. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. na intimidade do ser.de amor fraterno que há pouco foram ditas. pelo dirigente. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal. com as suas lutas e canseiras. em ordem e discretamente. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. estaremos admitindo. Estejamos. Por outro lado. E preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. envolver-nos com seus artifícios. Mesmo que a sessão tenha terminado. o comportamento de todos. deve ser discreto. que eu conhecia. avaliar a sinceridade. tudo fazem para permanecer como estão. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! 23 . de invigilância. Embora eu não o tenha prometido. Antes de se retirarem. sem gargalhadas estrepitosas. pois eles o farão. por mais uma noite de trabalho redentor. E claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos. é distribuída a água. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. ao terminar a sessão. especialmente os que moram longe. O dirigente deve perguntar pela experiência de cada um. porém. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. precisam retirar-se. Os manifestantes. ainda no recinto. Se. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. qualquer que seja o local onde nos encontremos. na esperança de nos neutralizar. Inúmeras vezes. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. recolhimento e carinho é insincera. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. de maledicência.

evidentemente. Guillon Ribeiro. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. Isto não é. porém. e não podia. Feita a ligação. para consulta. hoje. querendo. como modelo. não apenas na condução dos trabalhos. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. basta uma referência identificadora. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. um argumento muito válido. para referência. a não ser por motivos muito fortes e justificados. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. aguardando a próxima oportunidade. uma ata. Se o médium falta. Quando se trata de tarefa de desobsessão. Essa tarefa deve caber. ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. para cada manifestante. Anote-se a data e. Ainda te pego! * É oportuno colocar. mas também. Descrevase cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. não é preciso ir a esses rigores. esgotados. esses livros se acham. aqueles que cuidam desses problemas. de preferência. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida sem transe mediúnico — durante toda a sessão. * Ainda uma sugestão. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares. virá usualmente pelo mesmo médium.Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela. Sugere-se. suspenso. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: — Esta semana eu quase te peguei. Assim. o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado. aqui. 24 . Lamentavelmente. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. o número de ordem da sessão. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. Como não ignoram. num caderno. o Espírito. Outro me disse. em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. os mentores espirituais escolhem. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. ao voltar. Se a comunicação final for gravada. a não ser que a sessão seja de pesquisa. nas vezes subseqüentes.

a palavra foi franqueada. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. Cada atitude mental imprime à aura suas características. ao verificar que um espírita esclarecido. ao escrever esta página. nos restaurantes. nos cinemas. como ele. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. pelos companheiros invisíveis que. depende de inúmeras tarefas preparatórias. disfarçado. desenvolvidas em desdobramento. colérica. ou na região perispiritual do ser. E isto. declarando que tinha medo de morrer. que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. à que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. aos arvoramos em santarrões de fachada. certa vez escandalizou seus ouvintes. descobrir os nossos Pontos fracos. Do lado de lá. ainda desarmonizados. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. o procedimento diário precisa ser correto. nos seguem por toda parte. Lá chegaremos. não obstante. Ainda não estamos. aqui. com o que diz e faz. Não quer 25 . O amigo confirmou e justificou: — Ildeu caro confrade: a gente. do que nós. especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. vai levando a vida escondido. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. é ocupação que toma vinte e quatro horas por dia. OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. nos observam. na carne. com seus pensamentos. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. durante as duas horas da sessão. Principalmente com os pensamentos. durante a noite. Eles nos vigiam. em hora e meia ou duas horas de sessão. por todos os meios. sensual. quase sempre. em forma. mas não apenas por isso. tivesse medo de desencarnar. para perguntas e comentários. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. pois. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. com Espírito critico. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. na intimidade do lar. e. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. Somos aquilo que pensamos. É claro. Muito do que conseguimos obter. procuram. declarou seu espanto. Um amigo meu. ciumenta. Ao terminar sua exposição. e um senhor idoso. cor e movimento. da que circunda a pessoa desequilibrada. no escritório. no auditório. É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. da mesma forma que a gradação espiritual a facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. e confrade muito inteligente. e complementadas posteriormente. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. Além do mais. numa palestra pública. na rua. no entanto.II — AS PESSOAS 1. Por isso. e que. impiedosamente. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. agressiva.

pois. uma piada grosseira e pesada. Não é que tenhamos que nos isolar. de viver com o semelhante. ajuda o cego. a leitura de livro pornográfico. mazelas e imperfeições. Para 26 . a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos. temendo o “contágio” com os pecadores. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa maledicente. Daí a recomendação da vigilância. porém. em vez de cuidarmos. inquietações. pois. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente realizados por Espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. O que enxerga um pouco mais.. para um trabalho direto. somarmos as que recebermos por “contágio espiritual”. amparar o coxo.. Como seres imperfeitos. a criança. aliás. Viemos num universo inteiramente solidário. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. pois vivemos num mundo transviado. porém. temos. diante de nós. Também somos pecadores. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. como se vê em André Luiz. a assistência a um filme pernicioso. se às deficiências que carregamos. de falhas clamorosas. também imperfeito. E nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência. não é lá grande coisa. mas. para nos defender dos párias. um pensamento de rancor ou de revolta. certamente. de aniquilar a nossa arrogância. ou a irresponsabilidade de outro. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. o velho. na rua. Aí de nós. ou. a cada momento. Não é difícil. a ponto de viver rezando pelos cantos. e a diferença evolutiva entre nós. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fiquemos apenas com os males que nos afligem intimamente. seres humanos como nós mesmos. com o homem. que nos cercam por toda parte. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. com a maior facilidade. no qual uns devem suportar e amparar os outros. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. aos extremos do misticismo. O mesmo princípio opera. Ninguém precisa chegar. grutas perdidas na solidão. este disponha de pernas para caminhar e pode. nos fenômenos de efeito físico. E como!. Há milhões de motivos. um dia. mosteiros inaccessíveis. Os Espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. Somos. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. de olhos baixos pela rua. junto ao nosso Espírito. aqui na Terra. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. Nosso trabalho é aqui mesmo. numa redoma ou numa couraça. Já bastam as nossas mazelas. no sentido de que todos trazemos feridas não cicatrizadas.isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. ou o egoísmo de um terceiro. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece. para ensinar e construir. Não há como fugir de ninguém e isolar-se em torres de marfim. Quem poderia alcançar estes. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera. a defesa e a correção. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles. se. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. no futuro. embora a supervisionem cuidadosamente. Por outro lado. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. E é necessário. ou de inveja. Toda atenção é pouca. talvez. por exemplo. a mulher. assim. voltará a falar. no passado mais distante e no passado recente. Isto se dará. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. na linguagem evangélica: amar-nos uns aos outros. com as mesmas angústias.

que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada?

*

Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. São
essenciais, especialmente se o grupo mediúnico se envolver em tarefas de desobsessão. Os
Espíritos trazidos às reuniões, para tratamento, apresentam-se hostis, agressivos, irônicos.
Que não se cometa, a respeito deles, a ingenuidade de pensar que são ignorantes. Com
freqüência enorme são inteligentes, e mais bem informados do que nós, encarnados.
Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável. Chegam
impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa, para continuar a proceder como acham de
seu direito e até de seu dever. No desespero em que vivem mergulhados, não hesitarão em
promover qualquer medida defensiva, e essa defesa, geralmente, consiste em atacar aqueles
que interferem com seus planos. Cuidado, pois. Se em lugar de vigilância e prece, lhes
oferecemos o flanco desguarnecido, sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e
acabaremos por ser envolvidos.
Dai a advertência de que o trabalho mediúnico, nesse campo especializado, é tarefa
para todas as horas do dia e da noite. As recomendações de comportamento adequado são
particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam.
“No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz — “os
integrantes da equipe precisam, a rigor, cultivar atitude mental digna, desde cedo”. 2
Resguardarem-se todos na prece, na vigilância. Fugiremos ao envolvimento em
discussões e desajustes de variada natureza. Alimentação sóbria, leve.
Não custa muito, pelo menos nesse dia, abster-se de carne; e é necessário prescindir
do álcool e do fumo. Sempre que possível, durante o dia ou nas horas que precedem a
reunião, um pouco de repouso físico e mental, com relaxamento muscular e pacificação
interior.
Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o
comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora, por exemplo. (Muitas vezes,
principalmente no caso dos médiuns, já se trata de aproximação de Espíritos angustiados,
ou coléricos, que transmitem suas vibrações depressivas). É possível que, à hora da saída
para a reunião, chegue uma visita inesperada, ou uma criança se ponha a chorar,
inexplicavelmente agitada ou inquieta. De outras vezes, chove ou faz muito frio, ou calor
excessivo, e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo.
Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos
incidentes como estes, que se vão somando, até neutralizá-los de todo. Nem percebem que
os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos, ou até
mesmo os provocaram, como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da
família. No dia seguinte, ou horas depois, o mal-estar terá passado, como Por encanto, mas
o trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara, pelo menos naquele dia. A
grande vitória começa com as pequenas escaramuças. Cuidado, atenção, serenidade,
firmeza.

*

Quanto aos componentes encarnados do grupo, mais uma vez lembramos: é vital que
os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. O bom entendimento entre todos é
condição indispensável, insubstituível, se o grupo almeja tarefas mais nobres. Não pode
2

“Desobsessão”, Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, capítulo 1, 3ª ed., FEB.

27

haver desconfianças, reservas, restrições mútuas. Qualquer dissonância entre os
componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. Os Espíritos
desarmonizados sabem tirar partido de tais situações, pois esta é a sua especialidade.
Muitos deles não têm feito outra coisa, infelizmente para eles próprios, ao longo dos
séculos, senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras, dividindo para conquistar.
Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. E preciso entendê-los. Eles vivem num
contexto que lhes parece tão natural, justificável e lógico, como o de qualquer outro ser
humano. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem, e, por isso, não se detêm diante de
nenhum escrúpulo ou temor.
Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento, provocarão a
desagregação impiedosamente, porque para eles isto é questão de vital importância, a fim
de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram.
Assim sendo, é melhor que um grupo com dissensões internas encerre suas atividades,
pelo menos por algum tempo, até que se afastem os elementos dissonantes. Não se admite,
num grupo responsável e empenhado em trabalho sério, qualquer desarmonia interna, como
disputa pelos diversos postos: dirigente, médium principal e outras infantilidades. O
dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas
um companheiro, um coordenador, um auxiliar, em suma, dos verdadeiros responsáveis
pela tarefa global, que se acham no mundo espiritual. Qualquer sintoma de rivalidade entre
médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. Ainda falaremos disso, mais
adiante. Por ora, basta dizer, e nunca o diremos com ênfase bastante, que deve predominar
entre os encarnados um clima de liberdade consciente, franqueza sem agressividade,
lealdade sem submissão, autoridade sem prepotência, afeição sem preferências, e perfeita
unidade de propósitos.
No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os
encarnados, o grupo está em processo de desagregação. Isto implica dizer que os elementos
perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. O responsável
pelo grupo, ou quem for para isso, designado, deve procurar os desajustados para
entendimento particular, reservado. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude
construtiva, não resta alternativa senão a afastamento, pois o trabalho das equipes
encarnada e desencarnada deve ser colocado acima das nossas posições pessoais.
A decisão de afastar alguém não é fácil, e nem deve ser tomada precipitadamente e por
ouvir dizer, pois é uma ação de natureza grave. Não apenas o grupo se privará do seu
concurso, qualquer que seja a sua posição, como ele próprio, sentindo-se como que
“expulso”, quase um “excomungado”, poderá cair numa faixa de desânimo, quando não de
revolta, que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. Não se
trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua, de desconfianças e
rivalidades, ou rancores surdos, pois disso também se aproveitariam os irmãos
desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão; mas os objetivos e finalidades
do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. Se, para isso, for necessário afastar um ou
outro companheiro, teremos que fazê-lo. Cumprir o desagradável mandato com amor,
equilíbrio e serenidade, mas também com firmeza. Talvez o companheiro perturbador possa
retornar à tarefa mais adiante, já regenerado, mas entre sacrificá-lo pessoalmente e
sacrificar todo o programa, não há como hesitar.
Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores, porque, embora não
mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico, é uma das grandes e
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freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. Precisamos estar preparados para
ela porque, mais cedo ou mais tarde, haveremos de encontrá-la. Atenção, porém: nada de
processos inquisitoriais, repetimos. O bom senso e a prece serão sempre os melhores
conselheiros, em situações como essa.
Por outro lado, essas e outras decisões, isto é, todas aquelas que dizem respeito, por
assim dizer, à gestão terrena do grupo, cabem aos encarnados. Os benfeitores espirituais,
ligados à tarefa, dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar
aquele. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade
pelos nossos atos. O que esperam de nós é um clima de harmonização, para que possam,
em cada reunião, colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. É preciso que
ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável.

OS MÉDIUNS
O capitulo 32, de “O Livro dos Médiuns”, intitula-se “Vocabulário Espírita”, e sugere
a seguinte definição:
— Médium — (Do latim médium, meio, intermediário). Pessoa que pode servir de
intermediário entre os Espíritos e os homens.
Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre
demonstra, essa definição é um primor de clareza. Vemos, por ela, que o médium é uma
pessoa, isto é, um ser encarnado, sujeito, por conseguinte, às imperfeições e mazelas que
nos afligem a todos e, portanto, tão propenso à queda quanto qualquer um de nós, ou talvez
mais ainda, porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um
grau mais elevado de influenciação.
Sabemos, por outro lado, do aprendizado espírita, que a mediunidade, longe de ser a
marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições.
Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos
assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima
dos vis mortais, como seres de eleição. E, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o
qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir-se mais
uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. O
médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para
apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado
pelo dom divino, mas depositário desse dom, que lhe é concedido em confiança, para uso
adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no
sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos
dessas faculdades.
Quanto mais amplas e variadas as faculdades, mais exposto ficará ao assédio dos
companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo.
De certa forma, isso é válido para todos nós, mas aqueles que dispõem de faculdades
mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e
invisíveis, que podem ser bons e amigos, como também podem ser antigos e ferrenhos
desafetos ou comparsas de crimes hediondos.
Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. O jovem herói, pelo esforço de
um trabalhador social compreensivo, que acreditava na capacidade evolutiva do ser
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mais do que aqueles que não dispõem da faculdade. buscam-no incessantemente. Os primeiros manifestantes são.humano. mas não seja temerário. Começa o cerco. obsessores impiedosos. o orientador desencarnado. A tarefa não é fácil. como qualquer outro: nem melhor. o cérebro da organização. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recursos que conseguiu desenvolver. para o azul infinito da libertação espiritual. modificando. Não lhe faltarão recursos. atormentados seres do mundo das dores. porém. é claro. das trevas onde se escondem. acima de tudo. O médium. Seus comparsas não se conformam. como um pequeno balão. e. como todos nós. Nada de pânico. sem rancores. Mais do que qualquer um de nós. vigie seus sentimentos. é um ser em liberdade condicional. como qualquer um de nós. É comum. sem humilhações. nem inferior. O ideal seria que os orientadores se revezassem. melhorando. Estude. encontra o amor na pessoa de uma jovem. assistência. sem prepotência. o bom combate. são associados de outros tempos. então. Ou. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. e dedica-se a trabalho humilde. as cicatrizes. ligado a um bom grupo de trabalho. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. de que nos falava Paulo. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. mas honesto. informações e. Estivera alguns anos na prisão. familiares. que é da essência mesma do seu compromisso. humanos. nos grupos mediúnicos. Vale tudo. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. o assédio. o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais a sua vontade. enfrente os problemas da existência: profissionais. naturalmente. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. Na hora da tarefa. à irresponsabilidade. sociais. observando suas próprias faculdades. leia. com propostas. bem planejados e. às loucuras. traz em si o apelo do passado. atento. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. Seus ex-companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. corrigindo. utilizando-se dos demais médiuns. Procure manter um bom clima mental. enfim. ameaças. E nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. ele precisa estar vigilante. eliminando. obteve liberdade condicional. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. em virtude da prática de assaltos audaciosos. as “tomadas” para o erro. por exemplo. compulsando livros doutrinários de confiança. de falhas dolorosas. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. Não deixe de estudar suas faculdades. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. deseja esquecer o passado tenebroso. envolvimento ou oferta. viva com simplicidade. porque. qualquer pressão. acrescentando. Ao sair da prisão. nem pior. tentando impedir que ele se escape. Fora o líder de seu grupo. Qualquer ardil serve. quase sempre. Não tema. de baixa remuneração. o peso específico que o arrasta para baixo. A semelhança com a situação do médium é impressionante. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas 30 . que o põem em relação com o mundo espiritual. que os antigos comparsas o encontram. mal curadas. muito rendosos financeiramente. e a doce cantilena do êxito material. Participe da luta diária. aos prazeres. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. é um simples trabalhador. quer ele deseje ou não. trabalho mediúnico. não quer dizer que ele esteja à mercê dos companheiros desvairados das sombras. Cabe a ele provar que já é capaz de fazer bom uso dela. nem superior.

clariaudiência. Isso está amplamente documentado na Codificação. sem interromper os trabalhos em curso. às vezes até com inesperada severidade. cada um tem o mérito de suas obras. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. no entanto. de fantasias. mas são também firmes e rigorosos. trate de se corrigir. A experiência com os Espíritos ensina-nos que eles são compassivos. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. ou companheira. nem de temores. talvez intuições. nas lides iniciais da sua empreitada. sentimos com maior facilidade as 31 . E possível. Os fenômenos começarão espaçados e indecisos: rápidas vidências. poderia ser substituída. impulsos de dizer ou escrever algo. que as tarefas do grupo mediúnico venham. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. o componente da equipe deve comunicar-se. direta e viva. assim. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o Espírito responderia por escrito. sem perda considerável da eficácia do processo. Não cuidaremos. de excitações. revelar a existência de outros médiuns em potencial. até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. com o dirigente. a não ser por motivos imperiosos. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. segundo “O Livro dos Espíritos”. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho. porquanto. Em casos extremos. tão logo lhe seja possível.suscetibilidades e vaidades. fornecendo ocasionais indicações e instruções. e dificilmente a palavra falada. depois de encerrada a sessão. E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. ou de incorporação. colocar a pessoa em quarentena. nesse sentido. amorosos. Que ela se mantenha junto aos companheiros. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. Com ela. Num grupo bem orientado. tolerantes e serenos. a nossa compreensão? Assim. questão 123. Não é necessário. da formação ou do desenvolvimento do médium. de Allan Kardec. o problema é de cada um. Nada de açodamento. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. neste caso. Há obras que cuidam do problema. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. nem desligá-la do grupo. contudo. nesse tipo de trabalho. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer. todavia. em muitos aspectos. pacientes. quando necessário. no decorrer do tempo. ajudando o companheiro. quando possível e necessário. e “O Livro dos Médiuns”. de euforia. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofônia. neste livro. de preferência. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende.

seja pela sua conduta geral. * Domínio completo sobre si próprio. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuída aos médiuns. alijando. Nesse caso. como vidência. * As pessoas que lidam com médiuns. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. porém. É aconselhável. eflúvios magnéticos. para que se lhes apure a capacidade de transmissão. às vezes. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. * Defesa permanente contra bajulações e elogios. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. em trabalhos especiais que ainda discutiremos.reações que se processam no manifestante. ou audiência. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio. enquanto ele se acha doutrinando. 32 . suas emoções. como sejam relógios. da clariaudiência de outro. suas vacilações. Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. seus cacoetes. linguagem. conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. sua sinceridade. de exteriorizarem ectoplasma. ou seja. suas ironias. Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas médiuns de incorporação. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores. sua personalidade. que têm outros. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. André Luiz nos oferece. os médiuns presentes serão. que desempenham. em trabalho mediúnico. * Fixação num só grupo. da faculdade. seja pelas impressões de sua presença. pois. óculos e jóias. que trabalham junto deles. operando através da vidência de um. aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. * Interesse real na melhoria das próprias condições de sentimento e cultura. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. da mediunidade de efeitos físicos. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar. canetas. seu estado de irritação ou de serenidade. ou até mesmo se utilizando. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. Como a psicofônia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades. da intuição de um terceiro. * Aceitação dos próprios erros. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. no seu já citado “Desobsessão”. * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarece dores ou dos companheiros.

exclusivo ou extraordinário. E preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina. mais sensíveis também a critica. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que. atenção especial com os médiuns. dificilmente surgirão problemas dessa natureza. a ele e ao grupo. a quem de direito. é da própria essência da mediunidade. Não vamos. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. dando-lhe apoio e conselhos. É precisa. para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa. nada mais. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. Evidentemente. E.enfim. O leitor deverá notar. em nome da disciplina e da ordem. O dirigente deverá tratar o médium com todo a carinho e atenção.. 33 . são mais suscetíveis. É apenas um dos componentes do grupo. a palavra agressiva. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. no entanto. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. ao longo deste livro. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. porém. como tal. Não custa. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. dolorosas. exaustiva e bem realizada. que deixam resíduos vibratórios perturbadores. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. também como as demais. este assunto extremamente delicado e complexo. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. A mediunidade a um mecanismo extremamente delicado e suscetível. e. em nome da boa ordem dos trabalhos. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. estaria recebendo “mensagens” diretas de Deus. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas. cair no outro extremo. Ou. o médium não deve e não pode ser endeusado. naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. porque isso exporia. E que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. a que se refere André Luiz. e que desaparecem aqui. qualquer atividade em paralelo com eles. cuidado e carinho. à reprimenda. que precisa ser preservada. Há manifestações difíceis. médium inibido é outra. seu pontífice máximo. Em breve. Em decorrência dessa particularidade que. sem. distingui-lo com nenhum favor especial. à atitude antifraterna. designe alguém no grupo para fazê-lo. onde e quando necessário. tanto quanto ao elogio e à bajulação. que deve ser tratado com atenção. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. Médium disciplinado é uma coisa. O médium não é nem a “vedete” do grupo. tanto quanto possível. Em casos assim. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. por uma tarefa particularmente difícil. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta.. e compreensão entre os seus diversos componentes. Tentaremos clarificar. com as dores e as canseiras resultantes. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. no fundo. pois.

com quem demonstre ter experiência. nas reações preliminares e posteriores do médium. pior ainda. após a desincorporação. Muitos são os que se queixam disso. leia. Mantenha-se ligado às cinco obras da Codificação. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. Além do seu sentido etimológico — incapaz de pecar. se trata de um Espírito pacificado e bondoso. Pela mesma razão. alguma hostilidade mais declarada. como lamentavelmente acontece com freqüência. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. experimentaram tal ou qual sensação: força. quando são desagradáveis e agressivos. durante suas manifestações. harmonizado. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. ao sentirem a aproximação do Espírito manifestante. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. tristeza. são bastante conhecidos. no caso. portanto. sem mácula ou defeito. serenidade. respeito sem temores e sem reservas íntimas. não consegue fazer tudo quanto desejava. ódio. o Espírito agressivo fica algo contido. ao contrário. Da mesma forma. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. angústia ou amor. sem sombra alguma de dúvida. os resíduos vibratórios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. como costumo dizer. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito. comovido. faça perguntas. Quando. paz. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. Quando o relacionamento médiumdoutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. esse adjetivo algo pomposo. Estima sem servilismo e sem fanatismo. com nova ênfase. às vezes. ou. do contrário. havendo. é demonstrada. a fim de que o médium se recomponha. esse relacionamento precisa ser impecável. embora transitória. 34 . ou seja. Repisaremos aqui um deles. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. Tentemos explicar o que significa. aos livros de André Luiz que desenvolvem. quase sempre. às vezes pesada e agressiva. este também traz uma carga. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. correto. seja entre os encarnados. até às lágrimas. o médium desperta.para reaparecer ali. pois. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. feliz. certa “contaminação” mútua. o Espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. “em estado de graça”. o Espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. porque as vibrações afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. de maneira tão ampla. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. Com freqüência. seja entre estes e os desencarnados. dispersá-los por meio de passes. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. sendo necessário. nossos médiuns declaram que. Essa contaminação. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propicias a manifestações violentas.

por mais modesta. ou seja. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. ele precisa estar preparado para exercer. e com maior respeito e carinho. A despeito disso. “No País das Sombras”. O médium. um estágio ideal de moral. do que o próprio médium. do Dr. ele nem discute. por alguns momentos. de Martins Peralva. Ademais. observando-a com atenção. “Dramas da Obsessão”. ou. que professamos. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. Muitas vezes ele está perfeitamente familiarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita. deve 35 . somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. admite. “Memórias de um Suicida”. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade. a autoridade necessária. tanto quanto todos nós. O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. lendo o estudo daqueles que. mundos abaixo. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina.não apenas aspectos específicos da mediunidade. e com a qual pretendemos ajudá-lo. ensinar. “Desobsessão”. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. a ditar normas de ação e a pregar. em termos gerais de doutrina. “Nos Bastidores da Obsessão”. ante evidências que lhe são mais do que óbvias. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação. de Madame d'Espérance. “Estudando a Mediunidade”. iluminam. E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. e. A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. não tem muito a ensinar-lhe. anotando suas peculiaridades. Ninguém precisa estuda-la mais. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. mundos acima. Bezerra de Menezes. Por outro lado. presunçosamente. porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. não está em condições. o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. de Manoel Philomeno de Miranda. “Missionários da Luz”. Em primeiro lugar. “Nos Domínios da Mediunidade”. o companheiro encarnado. Portanto. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos. ou. Sabe que e um Espírito sobrevivente. de Camilo Cândido Botelho. que nem ele próprio conseguiu alcançar. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. “Libertação”. “Entre a Terra e o Céu”. simplesmente. logo aos primeiros contactos. ainda. com quem estabelece o diálogo. os ambientes de meia-luz em que vivemos. acerca da Doutrina Espírita. de tempos em tempos. nem predisposto ao aprendizado. porque o Espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. os mecanismos da reencarnação. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. como ouvinte paciente ante um guru evoluído. reconhece até mesmo a existência de Deus. de receber instruções doutrinárias. antes de nós. no contexto da prática mediúnica. que toda pessoa incumbida de uma tarefa. de onde recebemos jatos de luz que. que se coloque na posição de mestre. no momento oportuno. através de um pequenino retângulo.

ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. comparsas de desacertos hediondos. nem de culturas. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. porém. O Espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas. encarnados. a fim de obter dele a informação de que necessita. de sentimentos. ou um erro mais 36 . como. Entre os Espíritos que lhe são trazidos para entendimento. talvez. ou. Os Espíritos em estado de perturbação. A doutrinação virá no momento oportuno. Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. Percebe mais as nossas intenções. O confronto aqui não é de inteligências. tanto quanto nós. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele. ele o saberá também. analisa-nos e estuda-nos. Muitas vezes. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. companheiros de antigas encarnações. E nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. ainda. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do Espírito. no grupo mediúnico. Se estivermos recitando lindos textos evangélicos. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às conciliações desenvolvidas no diálogo. logo de início. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. mas isso não é tudo. ele é apenas um dos componentes. Ele nos vigia. Não se esquecer. conhecer a doutrina e recitar prontamente qualquer versículo evangélico. Sua formação doutrinária é de extrema importância. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação. mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. que nos são trazidos às sessões mediúnicas. observa-nos. do que o mero som das palavras que pronunciamos. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. em que fomos. não estão. sem sustentação na afeição legitima. Sua autoridade moral é importante. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. dotados de excelente dialética. freqüentemente. um trabalhador. sem conhecimento intimo dos postulados da Doutrina Espírita. é de corações. sumo-sacerdote ou rei. bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. e. por serem. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. às vezes. de que. em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. mas qual de nós. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. há argumentadores prodigiosamente inteligentes.ter. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros. e não mestre. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. de quem os ouça com paciência e tolerância. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. A conversa com os Espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico. como já dissemos. por certo. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vicio de fumar. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. e até mais do que nós.

É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. É preciso levar em conta. nossa boa intenção é legítima. a prova das realidades invisíveis. que muitos companheiros espirituais desarvorados. neste. ainda. positiva. E aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. não pelos resultados que obtemos. 37 . mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. o esforço que desenvolvemos é digno. Que tipo de fé? A fé espírita. que tanto nos interessa. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio. é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. É exatamente porque ainda somos tão imperfeitos quanto ele. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. como em tantos outros contextos. O doutrinador é também um ser falível e consciente das suas imperfeições. de maior responsabilidade. Se tivermos paciência e tolerância. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. confirmou no coração do homem.grave cometido no passado recente. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. Pela fé. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. enquanto estás a caminho com ele. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. ou pretendemos ser. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus. vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje. que nos conheceram em passado tenebroso. convicta. de que somos julgados e avaliados. eu não saberia dizer. Muitos são desafetos antigos. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. Para Ele. Por outro lado. tal como a conceituou Kardec: sincera. para doutrinar. 17:14-20): 3 O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. lógica. para um exame da fé. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belíssimo poema. no capitulo 11 da Epistola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. Para o Cristo. inabalável. porém. e nos respeitarão por isso. É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. Tudo serve. dedicam-se a tarefas mais complexas. ser uma criatura de fé viva. O doutrinador precisa. que ainda não nos perdoaram. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. sobre o qual ainda falaremos adiante. Façamos uma pausa na exposição. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. Deve lembrar-se. ainda. 3 Em Paulo. afinal alcançado. Ele não pode dar aquilo que não tem. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. plenamente suportada pela razão. Não é preciso ser santo. o manifestante acabará por admitir que. Aqueles que já se purificaram a esse ponto.

Os discípulos já haviam tentado. derrubava-o ao solo. e o deixava rígido. ao levantar-se para dar um passe. é certo. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. “Da fé vacilante — diz Kardec. tem que “encarar a razão” destemidamente. e nada vos seria impossível”. Ele tem de saber que. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. A conceituação de fé tornou-se. com Kardec. Não se trata. Somente assim será inabalável. ao formular sua prece. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir. da 57ª edição da FEB. Dificilmente se poderia dizer melhor. com tão poucas palavras. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. aqui. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. ter com Jesus. Para não transcrevê-lo por inteiro. Sem ela. provavelmente desacordado. Respondeu-lhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. Os discípulos nada puderam fazer. Resposta: fé. em todas as épocas. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda. conjetura. definitiva. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. pode ser crença. 38 . páginas 284 a 293. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema. que não consegue fazer quem duvida de si”. Fora disso. nós outros. pouco ou nada podemos. vai encontrar a resposta ao que implora. sempre. que se apoderava dele em qualquer lugar. pouco depois resultam a incerteza e a hesitação. e. em particular. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. segundo o pai. (Destaque meu) O comentário de Kardec é de transcendental importância. sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível.— Os discípulos vieram. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais. suspeita. de remover montanhas de terra e pedra. mas não será fé. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. porque não acredita que possa vencer”. parecer. “nada é impossível”. O episódio é de grande força e beleza. E também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão. No contexto. Ele deve saber que. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. essa fé não procura os meios de vencer. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater. Pois em verdade vos digo. então. e ainda mais: que aquela classe de Espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. feita por quem possuía autoridade mais do que suficiente para fazê-la. fazia-o espumar. expulsar esse demônio?”. ranger os dentes. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). opinião. por mais bem-dotado que seja. É uma afirmativa de extraordinário vigor. em beneficio do companheiro que sofre. e ela se transportaria. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. pedem explicações. depois de curá-lo. presunção. em todas as épocas da Humanidade. Ao comentar a passagem. com ela. era possuído por um Espírito mudo. despreparado para a sua tarefa. Precisa ser inabalável. sem êxito. Sem ela. Jesus cura o infeliz possesso que. e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. o doutrinador estará desarmado. confiantemente. com relação aos demais atributos necessários à sua função. Batidos pelo fracasso. porém.

é preciso ter. no ambiente de trabalho. como força construtiva do bem. ainda. pronto na doação. mas não conta com grandes afeições e dedicações.. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos. Do amor que. porque é ele o seu porta-voz. do mais angustioso desespero. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. A sustentação do seu teor vibratório. indiscriminadamente. segundo o Cristo. Muitas vezes. o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do 39 . do belíssimo capitulo 13. mas particularmente se dirigem ao doutrinador. se não tenho amor. na psicologia do doutrinador. O amor tudo crê. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera. nada me aproveita.. no trabalho de desobsessão. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. Tem seus parentes. e. A Bíblia de Jerusalém lembra. Não e por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. Outro ingrediente necessário. usualmente. não é temerário. que se concentre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório. tudo espera. é ele. não se irrita. para isso.Além disso. bem como suas cóleras e suas ameaças. que a expressão do original grego agapê. para os irmãos desorientados. nem presunçoso.. Por isso. O amor é paciente e serviçal. traduções modernas do Evangelho substituíram por amor a expressão caridade. ao se apresentarem diante de nós. terrenos. do rancor. do ódio.. O amor não é invejoso. em favor do próximo. É lógico e natural. a esperança e o amor. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros. Se respondermos a sua agressividade com a nossa. a capacidade de amar os inimigos. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento. do amor passional e egoísta. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis.. incondicional. — “É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. o responsável pela direção dos aspectos. * Isto não esgota. Sem amor profundo. não é interesseiro. que se dirige. tudo suporta. a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. da mais violenta revolta. no campo do amor. por assim dizer. Agapê é o amor-benevolência.. que aparecia nos textos mais antigos. Impossível seria considerar a caridade sem o amor. E desse amor-doação que precisa o doutrinador. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. do trabalho. transformado em compreensão. precisa estar ligado aos Planos Superiores. devemos sentir. porque. diferente. tanto quanto o amor descaridoso. portanto. com relação aos nossos próprios inimigos. restariam a fé. vive rodeado de conhecidos. Se não tem fé. O amor não se acaba nunca. nem precipitado. é o amor. Se não tenho amor. sincero. É isto bem verdadeiro. que o ajudam e assistem a distância. não tem orgulho. para distribui-lo assim. o médium doutrinador não se encontra. é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais. amor fraterno. portanto. deverá vir de Cima. Se tudo se acabasse. Sem nenhuma figura de retórica. tolerância e. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador. legitimo. em nota de rodapé. principalmente. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. na sua vida de encarnado. sou como o bronze que soa e o címbalo que retine.

doutrinador. Nem pretendemos esgotá-lo aqui, ou afirmar que somente pode investir-se na
função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. Não
estamos ainda nesse estado evolutivo.
Prossigamos, no entanto, ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da
personalidade de um bom doutrinador.
Se não dispuser de um mínimo de aptidões, o candidato a tal função deve procurar
desenvolvê-las, ou assumir outra tarefa, para a qual seus recursos pessoais sejam mais
adequados. Uma dessas virtudes é a paciência. Não pode ele, sem prejuízo sério para o seu
trabalho, atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. Tem que ouvir,
aturar desaforos e impropérios, agressões verbais e impertinências. Tem que aguardar o
momento de falar. Para isso, necessita de outra qualidade pessoal, não particularmente rara,
mas que precisa ser cultivada, quando não despertada: a sensibilidade, que o levará a
sentir pacientemente o terreno estranho, difícil e desconhecido em que pisa, as reações do
Espírito, procurando localizar os pontos em que o manifestante, por sua vez, seja mais
sensível e acessível. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato, segundo a qual,
vamos, pela observação cuidadosa, serena, nos informando de determinada situação ou
acontecimento, até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão
sobre o assunto.
A paciência, a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos, mas
não disparam, por si mesmos, os mecanismos da ação, ou seja, não nos indicam a
providência a tomar, nem nos sustentam no que fizermos. Para isso, se pede outra
disposição que poderíamos chamar de energia, que deve ser controlada e oportuna. Há de
chegar-se a um ponto, na doutrinação, em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude
firme, enérgica, que não pode ser contundente, nem agressiva. É a hora da energia, e o
momento tem que ser o certo. Nem antes, nem depois da oportunidade. Veremos isto,
quando cuidarmos do trabalho propriamente dito.
Há mais ainda.
O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância, na mais ampla acepção
do termo. Vigilância quanto aos seus próprios sentimentos e pensamentos, quanto às suas
suposições e intuições, quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante,
quanto ao que ocorre à sua volta, com os demais componentes do grupo, quanto à sua
própria conduta, não apenas durante o trabalho mediúnico, propriamente dito, mas no seu
proceder diário. Convém repetir: não precisa ser um santo, e não o será mesmo. Vigilância
e boa intenção não são santidade. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento
constante.
Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de
mediunidade ostensiva? Em Espiritismo, não há posições dogmáticas. Minha opinião
pessoal é a de que algumas formas de mediunidade são desejáveis. Colocaria em primeiro
lugar a intuitiva, através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos
espirituais, responsáveis pelo trabalho, e desenvolvê-las junto ao manifestante, com seus
próprios recursos e suas próprias palavras.
Em segundo lugar, poria a vidência, que certamente auxiliará na visão de cenas e
quadros, ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais
companheiros. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência, e, neste caso,
ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual, que fossem de interesse
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para o seu trabalho. Isto, porém, não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra,
soprada desavisadamente, que o leve a falsos caminhos.
Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que
colocasse o dirigente, ou doutrinador, em estado de inconsciência. Ele precisa manter-se
lúcido durante todo o período de trabalho.
Uma confreira, experimentada nas lides espíritas, contou-me que certa vez se
encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. Relutantemente,
concordou em assumir o encargo, pois temia que sua ostensiva mediunidade de
incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. Realmente, foi o que aconteceu.
Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante, começou a sentir-se envolvida,
perdeu o fio da conversação e, sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —, daí a
pouco estava, por sua vez, também incorporada, criando certo pânico na sessão. Depois
dessa experiência, ela passou a recusar, com firmeza, qualquer solicitação para funcionar
como doutrinadora, dedicando-se a outras atividades, tão nobres quanto essa, para as quais
estava perfeitamente preparada, com a abençoada mediunidade de cura. Suponho que, por
isso, a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é, precisamente, a intuição.
Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual, esta via de comunicação bastará ao
seu trabalho. Por ela, seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão, com eficiência
e oportunidade, para a ajuda de que ele não pode prescindir. De uma vez por todas, tiremos
de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos
Espíritos Superiores. Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso, e não
poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. Já
fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade
Maior. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda, eles se afastarão, com
tristeza, é certo, mas com serenidade e sem remorsos, de vez que jamais impõem a sua
presença, nem a sua vontade. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos
Espíritos mais esclarecidos. E, em breve, não haverá nem bom nem mau, porque o
pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos
ardilosos, que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram, por sua vez, em
doutrinadores do doutrinador, pregando estranhas e confusas idéias.
Com isto, chegamos à outra faculdade necessária ao doutrinador a humildade. Ele vai
precisar dela, com freqüência impressionante A princípio, para aceitar as ironias, agressões
e impertinências dos pobres irmãos atormentados. Depois, se e quando conseguir
convencer, o companheiro, de seus enganos e de seus erros, para não assumir a atitude do
vencedor que pisa na garganta do vencido, para mostrar o seu poder e confirmar a sua
vaidade e seu orgulho. É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco
se converte em verdadeiro trapo humano, arrependido e em pranto, que o doutrinador deve
mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia.
Tem, ainda, que ser humilde no aprendizado. Cada manifestação traz a sua lição, a sua
informação, a sua surpresa. Em trabalho mediúnico, estamos sempre aprendendo e nunca
sabemos o suficiente. Se não nos aproximarmos dele com humildade, pouco ou nenhum
progresso conseguiremos realizar.
A humildade é necessária, também, quando não conseguimos convencer o
companheiro infeliz. Precisamos estar preparados para a derrota, em muitos casos. Nada de
pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. Claro que positivo, em
sentido genérico, ele sempre o é. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus
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propósitos, se tivermos tido habilidade e tato teremos realizado, no seu coração, a
sementeira da verdade. Um dia não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe
dissemos e conferi-lo com a realidade. Não contemos, porém, com o êxito total da
conversão imediata e definitiva, ao amor, de todos os Espíritos que nos são trazidos. Muitos
daqueles dramas, que se desenrolam diante de nós, arrastam-se há séculos. Não se ajustam
em minutos de conversa. Humildade, pois, para aceitar esses casos e continuar lutando. Não
somos super-homens, nem semideuses.
Humildade, ainda, quando precisarmos reconhecer o potencia intelectual do irmão
espiritual com o qual nos defrontamos. E isso é muito freqüente. Não quer dizer que nos
devamos curvar servilmente diante dele, rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu
conhecimento; quer dizer que precisamos admitir, às vezes, que não estamos em condições
de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. Nem é essa a técnica recomendada.
Suponhamos que compareça, para conversar conosco, um Espírito de elevada cultura, que
lecionou em Faculdades, ocupou assentos em Academias, recebeu, enfim, as honrarias que
tantos buscam, em vez da paz interior. Não é no terreno dele que nos vamos medir, não é
discutindo Filosofia, com ele, que vamos convencê-lo de seus enganos. Nesse campo, ele
dispõe de mais recursos do que nós. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que
arruinaram sua vida espiritual. Ele precisa de atenção, fraternidade, respeito e sinceridade,
não de debates estéreis, nos quais facilmente nos vencerá, para consolidar a sua vaidade
lamentável. Um pouco de humildade, da nossa parte, o levará a respeitar-nos também,
enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos, e de medíocre cultura
intelectual, só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. Nada, pois,
de aparentar o que ainda não somos. E, mesmo que o fôssemos, a humildade, ainda assim,
seria indicada.
Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. Já disse alhures que, em trabalho
mediúnico, temos que ser destemidos, sem ser temerários. Coragem não é o mesmo que
imprudência.
O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. Fustigados pela
interferência dos grupos mediúnicos em seus tenebrosos afazeres, os Espíritos violentos
comparecerão possuídos de irritação, rancor e ódio, mesmo. Manifestam-se aos berros, dão
murros na mesa, ameaçam céus e terras, procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos
implacavelmente, a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torno de
nossa família, provocar acidentes, doenças, perturbações. O arsenal de ameaças é vasto, e
eles manipulam, com extrema sagacidade, as armas da pressão. Se nos deixarmos
impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem, estaremos realmente perdidos, porque nos
colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. Os benfeitores espirituais sempre nos
advertem, de maneira tranqüila e segura:
— Nada de temores infundados. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos
compromissos espirituais, e não em decorrência do trabalho de desobsessão.
É verdadeiro, isso. Seria injusto, por parte das leis supremas, que, evidentemente,
governam o Universo, se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento
indevido e em punição imerecida. Estariam subvertidos todos os princípios da Justiça
Divina, se assim fosse. É até possível que uma ou outra, das ameaças esbravejadas contra
nós, se cumpra, ou seja, aconteça acidentalmente, como doença inesperada em um de nós,
ou em membro da nossa família. Estejamos certos de que, na sessão seguinte, virá de novo
o irmão infeliz, para se vangloriar:
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nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. É nele que identificam a origem de seus problemas. difícil. Ainda voltaremos a este tema fascinante. porém. e mais: os recursos socorristas virão. Procuramos. Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. Em suma. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. * Autoridade moral. em particular: a prudência.— Eu não disse? Não tema. não significa que deveremos e poderemos deixar cair as guardas. * Fé. mas não tão críticas: * Paciência. e do doutrinador. E ele. importantes também. as qualificações são. nem assim devemos nos desesperar e intimidar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. em geral. Por outro lado. sem dúvida alguma. quanto mais apagado o seu trabalho. à irresponsabilidade. o organizador ou responsável pelo grupo. O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. * Vigilância. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas. trazidos ao diálogo. porque os Espíritos atribulados. Se. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. e nenhuma projeção especial o espera. senão impossível de ser atingido. aqui. lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. ou aptidões básicas: * Formação doutrinária muito sólida. A proteção existe. como todo ideal. Ao contrário. * Familiaridade com o Evangelho de Jesus. rigorosas e numerosas. * Amor. os riscos são muitos. traçar um perfil ideal e. mais eficaz e produtivo. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. ou com alguém da nossa convivência. pois. As demais são desejáveis. siga em frente. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. usualmente. * Humildade. Ele precisa saber que o trabalho é árduo. o pára-raios predileto do grupo. idealmente. usualmente. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. * Tato. 43 . * Energia. o doutrinador é. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. com ele se entendem e se desentendem. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. Não custa. porém. mas não para dar cobertura à imprudência. * Sensibilidade. Isto.

Devem obedecer à mesma disciplina. com o mesmo carinho e compreensão. Estão interessados num trabalho sério.. levitação e outras). A essa altura. como já dissemos. Com respeito ao doutrinador.. que podem e devem participar. cansativo. OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutrinador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos. No momento de tomar a decisão. que fiquem à nossa disposição. Poderá ser o primeiro entre eles. a afeição. sem abandonar a firmeza. para debater problemas ligados ao trabalho. deve o dirigente comportar-se como simples participante. como as de efeitos físicos (materializações. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. Não esperemos revelações extraordinárias. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. a camaradagem e o respeito. exige dedicação. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. dirá o leitor. cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes. pois. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. nos seus companheiros. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. como quaisquer outros que integrem o grupo. respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. Precisa despertar. Nada disso. nos grupos de desobsessão. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. sem mediunidade ostensiva. Disciplina não é sinônimo de ditadura. esforço concentrado. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. É. ainda que não manifestamente. e sentem-se atraídos pelo trabalho. também trazem ao grupo a sua contribuição. Quando o grupo reunir-se. ademais. 44 . mas não é “o maior”. Como é também o dirigente humano do grupo. mas para servir e aprender. Tais participantes merecem atenção e cuidados. Precisa tratar a todos. falta ainda abordar um aspecto final. sim. sem paternalismos e preferências. antes de prosseguir. continuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. fenomenologia espetacular.* Destemor. Não apresenta. transportes. algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. paciência. e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. precisa. * Prudência. destinadas a abalar o mundo. Há sempre outros companheiros. O trabalho é muito mais humilde. É verdade. médiuns ou não. nem convívio com os Espíritos redimidos. renúncia.

Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. e preces. muitas vezes têm papel importante no grupo. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. sem que ela tivesse consciência do fato. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantêm atitude construtiva. pronta e afinada. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas 45 . não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. também. dedicação. Serão. as cansativas horas de exercício. o companheiro. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. Só excepcionalmente isso acontece. lhe é devido. como se o membro do grupo fosse mero espectador. espontânea e fulminante. nem de elogios balofos que o percam. da mesma forma que o Espírito crítico. como “dínamo de vibrações amorosas”. este sim. e prestam serviços relevantes de apoio. ou de fria observação. então. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. incertezas. se não tem condições de “receber” Espíritos. nem mesmo desejável. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. dificuldades e desenganos. de que estava pleno o seu coração. Além do mais. que muitas mediunidades ficam. ou a companheira. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. ao contrário. muitas vezes penoso. e ao longo dos anos. Portanto. E é por isso. Raramente a mediunidade eclode assim. como obras que o artista não teve suficiente dedicação e tenacidade para concluir. a mediunidade talvez guarde relação semelhante. sem mediunidade ostensiva. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. quantas dores. pode deixar-se envolver pela frustração. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. através de um médium perfeitamente ajustado. Quando assistimos à manifestação de um Espírito sofredor. de uma hora para outra. ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade.Por outro lado. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. A um desses. o esforço constante de aprimoramento. nosso respeito pelo médium. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. a exigir estudo. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. Nada de ciúmes pelo que ele faz. quando o companheiro. orientação e renúncias bastante sérias. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. inacabadas. intimamente. sejam médiuns. escrever páginas psicográficas. toscas e primitivas. mas nosso apreço. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. Ainda que inconscientemente. o que é falso. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento. Sua participação é desejável. ou companheira. manifestemos. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. por acharem que nada estão fazendo no grupo. questionou a validade da sua presença no grupo. até chegar àquele ponto. Por mais de uma vez. Não é necessário que todos indistintamente. Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. por assim dizer. em qualquer circunstância. A norma geral é o desabrochar lento. quanta vigilância.

há tantos séculos: — Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epistola. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado. todos são úteis e necessários. em período de expectativa e de provas. faculdades para as quais não estamos preparados. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. uma experiência pessoal. atenção e vigilância interior. sua participação é preciosa. sem açodamento ou excitação. uma noite. que se acham apenas em potencial. É possível que. ainda não estamos preparados. com o tempo. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. Se o pé dissesse: “Como não sou mão. porém. darão passes nos médiuns. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. deixaria de ser parte do corpo. Há condições para desenvolvê-la harmoniosamente. sob supervisão de alguém mais experimentado. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. Não pense. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. de ambicionar. A juízo do dirigente. Os resultados eram bons. Sentíamos. onde ficaria o olfato? Nada. sem saber ao certo o que fazia. contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. pois. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico. às vezes. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. capitulo 12. não tinha. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. não pertenço ao corpo”. 46 . não vê ou não ouve Espíritos. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. Nenhum fenômeno. ou. A tudo ouvia. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. sob este aspecto. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. que então nos procuravam. Neste caso. senão de muitos. nem mesmo uma palavra perdida. O participante. ao sabor dos acontecimentos.mediunidades. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. como já ensinava Paulo. ou mesmo desejar. que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. vigie seus pensamentos. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. Estudem e observem. Quanto ao mais. Esse grupo. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. procurava portar-me com respeito. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. Mantenham-se em calma. Tenho. com sabedoria e bom senso. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. nenhuma forma de mediunidade. Com o decorrer do tempo. Podem ainda contribuir para a fluidificação da água. só porque não incorpora. que eu tivesse captado. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. permaneça concentrado e em prece nos momentos mais críticos. Num grupo bem harmonizado. numa rápida vidência. e. no entanto. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. Conserve-se firme e tranqüilo. Sentava-me entre os companheiros. e por ele orientados. psicografia ou vidência. deixaria de ser parte do corpo. que é inútil. após comunicações particularmente penosas. porém. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. pelo menos. porém. por certo. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. não pertenço ao corpo”.

longe disso. espíritas. procurando ajudá-lo. comecei a tarefa que me fora atribuída. colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. apenas para enfatizar a circunstância de que. a reaprender. Uns por mera curiosidade. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. estamos. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. ou. como a obsessão. Este episódio é aqui documentado. Não posso dizer se dei boa conta dela. sempre disposto a aprender mais. estimulando-a com interesse. Não somos julgados pelos resultados. outros na expectativa de uma cura. meu Deus! aos irmãos aflitos e desarmonizados? O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. e a nós. E foi assim que. mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual 47 . uma vez que cada um de nós é um ser diferente. nos são muito caras. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. Cada caso é diferente. Esperemos com paciência. não importa. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. mas. seja de desarmonizações espirituais. não perdemos o tempo. a rever pontos de vista. outros na esperança de se deixarem convencer. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. por outra. Senti um “frio por dentro”. seja de males orgânicos. estados de angústia ou de desespero. E. ante a partida de pessoas queridas. O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. cada manifestação é diferente.antes da reunião. como me conservaram no posto pela resto do tempo em que o grupo funcionou creio que correspondi à confiança que em mim depositaram. procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. D fará as preces de abertura e encerramento. vida e consciência. muitas vezes. voltando-se para mim. tomamos algumas decisões mais drásticas. porém. e. Eu? que diria. aquele que souber um pouco. inesperadamente. Os motivos são muitos. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. O certo. OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. no grupo. certamente relevantes. muitas vezes. B e é se limitarão às suas respectivas mediunidades. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. mais ostensiva. ainda que timidamente. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. oferecendo sugestões sem colocar-se na posição de mestre infalível que tudo sabe. ofertando o pouco de que dispomos: alguém se beneficiou.

por nome Pedro. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação”. Sabemos que esta reserva é quebrada. mas. se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo. como regra geral. em muitos grupos.comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. rancorosos e violentos. — “. isso deve ser formalmente evitado. ou possesso. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsediados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. E mais adiante. ao contrário. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado será justo tê-lo nessa conta. no ambiente onde se desenrola o trabalho mediúnico. deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. que vai facultar ou facilitar a tarefa. É preferível pecar por excesso de rigor. Sob condições normais. contudo. porém. com freqüência. para que o trabalho seja feito. enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. não como norma de procedimento. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. apresentam invariavelmente um componente mediúnico. 48 . Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. Em casos excepcionais. o obsidiado. O grupo pode perfeitamente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. sabemos que assim não é. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. embora desgovernados. são também médiuns. não havendo necessidade de correr riscos indevidos. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. julgo. E não é mesmo. nos trabalhos de desobsessão. do que se arriscar a pôr em xeque a harmonia e a segurança das tarefas. seja a qualquer pessoa que se apresente.. é bom repetir. grupos que contem com excelente cobertura espiritual poderão admitir essa prática. que. precisamos considerar que antes de ser um médium na acepção comum do termo. ou seja. que poderá trazer sérias complicações. da 6ª edição da FEB). na condição de médium desgovernado. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. essa presença pode causar consideráveis transtornos. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem recusa como falta de caridade. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. desajustados e ignorantes de suas faculdades e possibilidades. no ambiente em que se realizam as sessões. No livro “Nos Domínios da Mediunidade”. Por esse motivo (compromissos do passado). ou ausência de Espírito de colaboração. Assim. seja a um público reduzido e selecionado. Não é a presença física deles. em caráter permanente. Mais do que desnecessária. (Destaques meus) Assim. na página seguinte (76. junto ao grupo. é um Espírito endividado a redimir-se”. a presença de pessoas perturbadas. em vários anos de prática.. na imensa maioria dos casos. sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. Na minha opinião. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo.

e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. capitulo 14. Ou então. Os segredos de seu coração serão descobertos e. algumas sessões. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta. por exemplo. como disse. 49 . Pode ser. Paulo dá o nome de profeta ao médium de incorporação ou psicofônico. será convencido por todos. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. às interferência. com relação aos segredos da intimidade alheia. mas. dava-se o fenômeno da indiscrição de Espíritos afoitos. excepcionais mesmo. A pergunta. nessa hipótese. Evidentemente. como explicou mais adiante. antiqüíssimo. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. a formação de um pequeno grupo mediúnico. prostrado de rosto ao solo. de discrição. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. em seu próprio lar. há sempre razões respeitáveis. a distância. não poderia ser realizada sob as condições normais. adorará a Deus. julgado por todos. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. Voltemos. e o problema. esotérica e misteriosa. Ao observar que os trabalhos enveredavam. e entra um infiel. voluntárias ou involuntárias. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. Nestes casos. Já naqueles recuados tempos. versículos 24 e 25 —. interferir no fluxo normal do trabalho. com um caso especial. Há algum tempo. ou um doutrinador especial. até o local onde habitualmente se realiza a sessão. de que o grupo não disponha no momento. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. É certo. Paulo. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. Somente em condições muito especiais. confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. Enfim. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. como regra geral. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. ainda. não. passou a assistir. realmente. para informar-se do assunto. e a solicitar livros.Em suma: a meu ver. como acontece com freqüência. em dia e hora previamente combinados. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. Pode ser. em problemas de outras pessoas. O trabalho mediúnico. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. que não desejem. no que diz respeito a pessoas perturbadas. ou não-iniciado. me fez uma pergunta perfeitamente válida: — Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. ainda. a sessão exige tais cuidados que. encarnadas ou não. é válida. por conseguinte. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. uma vez mais. obviamente. especialmente o de desobsessão. se todos profetizam4. nem exibido. ou de recursos outros. porque é da sua essência uma atitude de recato. um amigo a quem muito respeito e admiro. do grupo. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. mas. designando. começou a observar. não é para ser divulgado. que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. Isso. como. deverá fazê-lo. na Primeira Epístola aos Coríntios. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. e ao trato das revelações de caráter intimo. número maior de médiuns. quem dela deve participar. como espetáculo público. de sigilo. Sem ser espírita. no seu 4 Ao que se depreende do texto. hermética. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. também.

talvez. e aparentemente dirigindo-se a ele. mas. desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajustamento no mundo espiritual. graças a Deus. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa. Dizia ele que meu irmão estava presente. Dei-lhe razão. surge uma denuncia. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. o problema se torna bem mais sério. Sim. Todos nós estamos em posição vulnerável. que ora mo trazia? Felizmente. divulgada ou comentada. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. em um grupo mediúnico a regra que havíamos estabelecido. com poderosos recursos de hipnotizador. um companheiro. precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. no desespero angustioso de me ferir. seus desenganos e seus erros. essa informação é recebida com reserva e. Por duas vezes quebramos. não me deixei impressionar. com redobrado respeito e discrição. todos se estimam e se respeitam. Por isso. De modo que. que desejaríamos continuassem em segredo. dizia: — Não tente escapar. o ardil não produziu os resultados que ele esperava. se verdadeira. Quando. com todas as suas fraquezas. Sua esposa desencarnara relativamente 50 . nem o tenha trazido. E isto é legitimo e proveitoso. se o grupo está bem ajustado e integrado. encarava com simpatia nossa Doutrina. Embora não espírita. algumas experiências nesse sentido. que ele chama de infiel. que eu aperto mais o laço. acerca das fraquezas alheias.pragmatismo. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. e partiu arrependido e em pranto. sem dúvida. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. em estado de angústia. no decorrer do trabalho mediúnico. que vai desequilibrá-lo. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. tratava-se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. infelizmente. no entanto. sob seu domínio. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. com relação a essas impiedosas indiscrições. suas angústias. Tive. ou não-iniciado. por mais clamorosos que sejam. Quem sabe se do próprio. ou seja. que nem sempre é possível corrigir com facilidade e rapidez. se há estranhos na sala. Não é para ser proclamada. A introdução de um estranho causa certo desajuste. O companheiro acabou se convencendo. Uma ocasião. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. Por outro lado. Ou. Num caso. ou revelação. não podemos. ou vítima. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. não é a leviandade de um pobre Espírito. e nem as movia a simples curiosidade. via no caso o seu aspecto positivo. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. porque muitos dos que se acham mais fortemente entrincheirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu comodismo ou de sua vaidade. tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. também. de não admitir pessoas estranhas às tarefas. o de levar o descrente. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. não é? Graças a Deus.

e parecia pairar no ar certa dissonância. Em qualquer caso. porém. com as mesmas características. fora do círculo que compunha a mesa. temporária ou definitivamente. ainda que bastante credenciados. A instâncias de um dos nossos companheiros. Esse aspecto negativo repetiu-se. portanto. como poderão oferecer. de perseguições. e ele estava profundamente abalado. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. a não ser os componentes regulares da equipe. mas eles se arrastaram dificultosamente. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. voltamos à rígida política de não admitir ninguém. Se os componentes do grupo não se entenderem. A disciplina deve ser consciente. Se ainda não alcançamos o número prefixado.. É certo que. deseje participar do grupo. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. da indisciplina. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho. Não creio que o assunto esteja esgotado. em silêncio e em atitude respeitosa. para que todos possam trabalhar de Espírito desarmado e tranqüilo. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. o exemplo da solidariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. quem sabe?. franco e leal. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. Depois dessas duas experiências. Na verdade. com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. em circunstâncias semelhantes.jovem. Se alguém destoar. por parte de nossos benfeitores. RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. Por mais que nos pese. em caráter permanente. que não conseguimos vencer. se for o caso. é necessário um exame bastante criterioso. para que a sessão pudesse realizar-se. e isso nem passaria pelas nossas mentes. mas são implacavelmente disciplinadas. deve ser afastado. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. não podemos cogitar de receber mais companheiros. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. tomando conhecimento da nossa atividade. 51 . porém. o anverso da medalha. de espionagem e de regras policiais. conscientemente. Há. a ponto de introduzir um fator de perturbação. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. podemos considerar a possibilidade. é a regra. e por mais que relutemos intimamente. Nada. Sentou-se em uma cadeira à parte. até uma palavra dela mesma. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. e lá ficou. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite. ou amigo que. Talvez alimentasse ele a esperança de uma notícia acerca da esposa ou. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. Essa.. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa. da inquietação.

e dar impulso às tarefas. a mesma atitude. O candidato não deve impor condições. do grupo. Se. A admissão de um novo componente pode alterar profundamente a estrutura e os métodos de trabalho da equipe. ou se deseja brilhar. são deixadas aos encarnados. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza. poderá. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. Os benfeitores espirituais. examinar com serenidade. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. de rituais de “batismo”. trazendo uma contribuição construtiva. Apreciemos o problema. Certo. E um grupo sério. Estejamos. também. e desapaixonadamente. Nada de processos iniciáticos. evitando.das qualificações e intenções daquele que se oferece. ou seja. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. O problema é nosso. as condições de trabalho. nem insistir na sua admissão a qualquer preço. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. apoiado em boa base doutrinária. aniquilar o grupo. o que lhe competirá fazer na equipe. para buscar vantagens e privilégios. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. porém. deverão ser expostas a ele. para ajudar a decisão. dinamizadora e eficiente. tanto quanto possível. pois. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. Neste caso. ou ela. 52 . revitalizando o grupo. pois. de início. Cabe-nos. e só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. está mal preparado. encontrei sempre. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. como os demais membros. digamos terrenos. Se nos convencermos de que ele. critico. Não contemos. mesmo consultados. as suas credenciais. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. as deliberações quanto aos negócios. ou seja. em grupos responsáveis. leal. ou infestado de frustrações. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. fechado. também com franqueza e serenidade. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. do ponto de vista do candidato. com sua influência. como noutro. e só então. Como se faz isso? É preciso considerar. ou se outro deve deixar o grupo. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. tranqüilo. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. de simbolismos. mal-humorado? que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. preparados para enfrentá-lo. Juntar-se a um grupo para tirar partido. agora. às quais ele deverá subordinar-se. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. dos que estão do lado de cá da vida. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis. em diferentes grupos. e o que se espera dele. A experiência indica que. disciplinado? Ou agressivo. está em condições de integrar-se na equipe. tanto num sentido. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo.

mas não deixe de expressar seus pontos de vista. Todos nós temos. como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. observando tudo sem Espírito critico negativo. se o forem. OS DESENCARNADOS OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica. E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. que é o reino de Deus em cada qual. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. não se vanglorie. ao dirigente do grupo. mas não herméticos. e nada mais do que isso. Aja com prudência. com habilidade e na oportunidade adequada. promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera. no mundo espiritual. Mantenha-se discreto e tranqüilo. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. Não se magoe. amigos e guias. desejamos com todo o Interesse o certificado de conclusão do curso. para chegarem à paz interior. 2. Sua presença não deve ser impingida sob condições. aprendemos mais e melhor. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios. tão cedo quanto possível. se não forem acolhidos. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos.Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. por terem caminhado um pouco mais do que nós. para nunca mais esquecer. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. Como estudantes que somos. O próprio estudo. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. aconselham correções e reajustes no método de ação. de início. companheiros. aqui e ali. em particular. É possível que a sua sugestão seja acolhida. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. inabordáveis. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. Deve procurar integrar-se no trabalho. inacessíveis. Suponhamos que seja admitido. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. com a intenção de melhorar o trabalho. Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. de preferência. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. se os julgar oportunos e aplicáveis. Enquanto alguns se acham à nossa frente. ainda que não indesejável. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. outros nos seguem um passo ou dois atrás. Além disso. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. Faça-o. a fim de sermos. 53 . É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente.

É preciso 54 . quase sempre. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. Nessa altura. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. É certo. conduzidos no mundo espiritual. semi-inconscientes. Não sabemos. profunda e inexorável. imersos em lamentável estado de inércia mental. não obstante. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. pois. por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. já estudaram nossas possibilidades e intenções. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade. em muitos casos. “permaneciam atordoados. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. em contacto com o ser humano encarnado. é certo que um Espírito amigo se manifeste. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. Tornara-se. é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco. ou seja. Sem dúvida alguma. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. muito bem estudado. num esforço considerável de automaterialização”.É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. recorrer à terapêutica da mediunidade. a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. que se torna. como vimos. o Espírito culpado se aliena. que eles já dispõem de um plano. o isolamento e o manicômio. que tipo de tarefa nos será atribuída. Como estavam. insubstituível. ao iniciar uma atividade mediúnica. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. segundo sua natureza. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. mais inconsciente do que conscientemente. Habituados a tais vibrações mais grosseiras. Os casos estavam distribuídos. Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. Em “Reformador” de fevereiro de 1975. urgente despertá-los para a realidade que se recusavam. a enfrentar. porém. porém. Pereira. Em casos como esses é necessário. Uns tantos desses. podemos estar certos. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento. pois. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humana”. Para que fossem tocados na intimidade do ser. como preliminares a tarefa mediúnica propriamente dita. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas.

negam-se a impor condições. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. de renúncia. Amorosos. pois. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. para as tarefas que desempenham junto a nós. a observar. Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. na Espanha e no Brasil. de quando em quando. A competência costuma passar despercebida. particularmente agressivo e desesperado. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente. ilusões. disposto a amar incondicionalmente. Decide-se por este último e. E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. Aconselham. com nomes desconhecidos. e as qualificações exigidas. Apresentam-se. Lembremo-nos. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. dirigia-se. O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. porém. Assim são os companheiros que nos amparam. evitam dar ordens. Corrigem. retificam e estimulam. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. do seu longo período de adestramento. de estudo. mais tarde.localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados. Preferem ensinar pelo exemplo. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos. muitas vezes. de repetição e correção. (Destaque desta transcrição) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. Certa vez. são tranqüilos. ou um desportista bem treinado. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. São modestos e humildes. mas revestem-se de autoridade. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho”. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. escorado na Doutrina Espírita. discorrendo sobre a anatomia do trabalho. recomendam e põem-se de lado. dentro do Evangelho do Cristo. um Espírito. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados. diante do corpo vivo do próprio trabalho. sugerem. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. são rígidas. mas firmes. a suave facilidade com que se desempenham. leais e francos. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoalmente essa realidade. em seguida. falam com simplicidade. são examinadas as “fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame”. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições. Sua presença 55 . Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes.

trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. não precisariam trazê-los até nós. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas humanas. Não foi assim que fizeram. de seu próprio ponto de vista. os Espíritos não nos tomam pela mão. segundo nosso entendimento e bom senso. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. para qualquer passo que tenhamos de dar. ou símbolos místicos e vestimentas características. Inspiram-nos através da intuição. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec. a fim de que. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. para que ele formulasse as perguntas. de forma alguma. não obstante. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. e caberia aos homens. Guardam. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. que não está se entrosando? São problemas nossos. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. limitam-se a aconselhar e sugerir. não nos faltarão com suas advertências amigas. Merecem todo o nosso respeito e carinho. Mesmo no trabalho específico do grupo. Haverão de nos seguir a distância. de uma óptica essencialmente humana. às vezes de antigas experiências reencarnatórias. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. mesmo erradas. Ligados emocionalmente a nós. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. como preces exclusivas. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. que podem realizar o mesmo 56 . ao longo de anos e anos de dedicação. Não desejam. amorosos e apreensivos. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. talvez. Dificilmente nos dizem o que fazer.é constante. Podem ser bem-intencionados e realizar trabalhos de valor. nossa experiência ensina. sob orientação de seus companheiros desencarnados. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apóia-se nos mesmos princípios. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. Mesmo com relação à essência do trabalho. mas respeitando nossas decisões. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. por esses atalhos. colocar as questões. para que tenhamos o mérito dos acertos. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. Poderiam os Espíritos Superiores. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. a nosso turno. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. e isso teria sido. portanto. porém. com êxito. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. para estender-nos a mão. que nos tornemos dependentes deles. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. interferem o mínimo possível. ante duas ou mais alternativas. mas não impõem a sua vontade. Voltam sob seus passos. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. Jamais nos recomendam ritos especiais. Em suma. para o exercício do livre-arbítrio. de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. mais fácil. Só que. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutrinário.

Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são levados a centros de reeducação e tratamento. com bons modos. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. ou se dizem convidados. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos. às profundezas da dor e. realizamos. enquanto adormecemos no corpo físico. encarnados e desencarnados. parcialmente libertos. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho 57 . Os Espíritos desarvorados. ritos ou vestes especiais. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. seja por que razão for. Somente a observação atenta. Não é preciso. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. contidos. imagens. para trazê-los até nós. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. nossos Espíritos. em casos mais difíceis. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. Freqüentemente. mais do que nunca. socorrem-nos com seus recursos. a mais delicada e de maior responsabilidade. é feita no mundo espiritual. De outras vezes. de assistência e amparo. desprendidos. para entender. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. muitas vezes tidas por inexpugnáveis. O suporte de que os grupos mediúnicos necessitam vem do mundo espiritual superior. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. ou irmãos que. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. símbolos. autênticas sessões em pleno Espaço. mas com firmeza.tipo de trabalho. ainda que de limitados recursos. muitas vezes. onde qualquer exteriorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. ou melhor ainda. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. Ignoram como foram trazidos. Muitas vezes admitem estar constrangidos. são aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. pois. até o preparo de uma nova encarnação. Descemos. Encerrada a sessão. estejam ou não despertados para a realidade maior. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. já atendidos por nós. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. mas não sabem de onde vem a força que os contém. São eles os preparadores das tarefas especificas do grupo. já adestradas para esse tipo de encargo. Os benfeitores assistem à sessão. falando através de um médium. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. com eles. incorporam-se em outro médium. O trabalho que nos trazem obedece a planejamentos cuidadosos. ainda desconhecidas de nós. necessitam. depois que o Espírito necessitado é atendido. Durante a noite. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. no decorrer de muito tempo de trabalho. Técnicas de magnetização e persuasão. nos momentos críticos. Nada. juntam-se aos benfeitores. Inúmeros recursos são utilizados para isso. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. de velas. com eles. sob controle. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. é claro. e entregues a outras equipes espirituais.

Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante. insistimos. porque contem. fica entregue à sua própria sorte. Fazem isso mais para marcar sua presença. Durante o desenrolar dos trabalhos. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos. É preciso. quando não desarvorados também. e até obsediados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. E esta a mensagem que. Em casos assim. para substituir os mais esclarecidos. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. A delicadeza do trabalho e seu ponto critico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. Não temam”. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. nem sentiremos a mudança. formulado o juízo sobre os nossos orientadores. 58 . O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. interferindo o mínimo possível. ao contrário. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. e sobre a Doutrina. preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. Essa vigilância. portam-se com discrição e serenidade. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. Ao cabo de algum tempo de convivência. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. se nos mantivermos atentos e vigilantes. sem análise critica. às vezes. em nossos desprendimentos. amigos. incentivanos a tudo examinar. no princípio da reunião. Ao final da sessão. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. e. em particular. se possível. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. no entanto. em geral. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. Se não estivermos atentos. dentro em pouco. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cuidados. sem. é indispensável. que entendem necessários. Se o grupo transvia-se. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. e sustentado pela prece. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. deve ser gravada. Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração.invisível. é impraticável um trabalho produtivo e positivo. para acolher apenas o que a razão sancionar. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. estaremos inteiramente dominados. entretanto. com o grupo em vias de desagregação. contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. usualmente. O grupo bem orientado. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. porém. mas isto não é comum. do qual participamos. com seus recursos magnéticos. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. e uma ou outra recomendação sumária. Isto não quer dizer. cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. como figuras sempre secundárias.

OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. no fundo. Não buscam. seres redimidos. precisará dirigir-se ao conjunto. preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. O OBSESSOR 59 . Temem mais o amor do que o ódio. impurezas e imperfeições. a que dão combate sem tréguas. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução especifica. ao trabalho construtivo. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. nem se julgam. A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. sua gritaria. e ninguém deve esperar perfeição. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. apenas visíveis a ele. para servir. para não tomar tempo às tarefas de atendimento. Ainda trazem. Vimos àqueles que pertencem às equipes socorristas. porquanto existem situações e problemas. a renúncia. à soleira da perfeição. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. E. em relação à que eles nos oferecem. outra coisa. nunca chegaríamos a fazê-lo. e objetivamente. situados. perante a Vida Maior.Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. senão serem convencidos de seus erros. As perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética. que. coisa ainda mais estranha. O próprio trabalho a que se dedicam. abandonado. A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. nas lutas redentoras em que se empenham. para retomarem o caminho evolutivo. dedicados ao bem. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. porque. a despeito de tudo quanto digam ou façam. na condição de condutor do agrupamento. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. como todos nós. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. há séculos ou milênios. Ninguém precisa. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. em “Desobsessão” — é necessária. às vezes. Não nos iludamos com os seus rancores. em planos muito superiores aos nossos. de socorro às almas que sofrem dores maiores. sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. mas cingir-se às tarefas especificas do grupo. quase sempre. transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas”. trazem também amor no coração. então. e o amigo espiritual. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. ao amor fraterno. Claro que não são. utilizar-se-ão “Essa medida — escreve André Luiz.

fascinado e servil. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. de uso mais antigo”. toma-lhe o corpo para domicílio. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. 60 . que segue. através de passes. portanto. seja abandonado pelo seu dono. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios. em “A Gênese”. Seu engano é evidente a todos. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente” “Na subjugação” — diz ainda o artigo —. enquanto que na possessão. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito. No segundo caso. na obsessão grave. cumpre. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima. Ao reexaminar o problema. entretanto. sobretudo. por assim dizer. que Kardec considera. o Codificador. por processos magnéticos. porém” — adverte Kardec —. (Os destaques são desta transcrição) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. por meio de instruções habilmente ministradas. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral. assim como o desejo do bem. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples. tanto maior também será aquela”. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar da um encarnado. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. por isso. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa. ou seja. A possessão. “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. E acrescenta: “Mas.. por mais fantásticas que sejam. A primeira delas é a menos perniciosa porque. ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. escrevi o seguinte: “. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico. “em vez de agir exteriormente. que se faça que o arrependimento desponte nele. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. No primeiro caso.. com a lucidez que o caracteriza. “Nem sempre. o Espírito atuante se substitui. Esse artigo prossegue comentando Kardec. no entanto. “basta esta ação mecânica. o que certamente o incomoda. Acha. Nessa linha de raciocínio. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe 5 “Reformador” de maio de 1974. obrigando a sua vítima a gestos de dramático e lamentável ridículo”. falece a quem não tenha superioridade moral. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”. Quanto maior esta for. usualmente. menos a ele próprio. pois que isso só se pode dar pela morte. ao Espírito encarnado. a fascinação e a subjugação.Todo o capitulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão. conseguintemente. para dizer que a fascinação é bem mais grave. por exemplo”. sem que este. artigo “Possessão e exorcismo”. o obsidiado fica envolto e impregnado de fluidos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluido melhor”. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais”. e sempre temporária e intermitente. Em artigo para “Reformador” 5.

Isto se faz buscando com ele um entendimento. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. Não importa que o perseguido. a vingança como que se despersonaliza. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas. o núcleo de sua problemática. um processo de vingança. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. vindo a colher. mas sem a arrogância do mestre petulante. Por mais violento e agressivo que seja. É preciso observar. Temos tido. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito”. aqui e no Espaço. ainda que não autorizado por ele. A obsessão é. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade. O PERSEGUIDO A vítima da obsessão e sempre uma alma endividada perante a lei. do seu ódio. amiúde. que tudo está previsto nas leis divinas. o sofrimento. o porquê da sua revolta. A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente. como conseqüência inexorável.educação moral. mais adiante. um caso desses: “Aterrorizado ante as vindítas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada”. Uma vez identificado o antigo devedor. que não conhece limites nem barreiras. ainda que não o reconheça. ligando-se a ele por largo tempo. como diz Kardec. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. Muitas vezes. Em “Dramas da Obsessão narra o Dr. vida após vida. pelo qual procuremos educá-lo moralmente. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. De alguma forma grave. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. ou mais remoto. alucinado pelo ódio. mas por alguém em seu nome. no entanto. Bezerra de Menezes. que. A falta cometida contra o semelhante expõe seu autor aos azares do resgate. acerca das técnicas e recursos auferidos para o trabalho. quando tivermos de conversar. porém. não pudesse ser reconhecido. Enganou-se. e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. em tão poucas palavras. ou obsidiado esteja na carne ou no mundo espiritual. é invariavelmente um Espírito que sofre. esperançado de que. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. pelo resgate. Não importa que se lembre ou não da ofensa. um diálogo. assim disfarçado. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. Deseducado moralmente. no passado mais recente. nos liberam. pela mediunidade de Yvonne A. em nossa experiência direta. mesmo sob formas femininas. casos semelhantes. mesmo que a vítima o tenha perdoado imediatamente. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas 61 . (Destaques desta transcrição) Ninguém poderia descrever melhor. Voltaremos a cuidar do problema. o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. Pereira.

Ao que me disse. descoordenando-lhe as idéias. tratamos dele por muito tempo ainda. com a graça de Deus. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. os bens. num cerco implacável. jovem ainda na carne. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. Por algum tempo. localizado. inúmeras vezes. Seus compromissos eram tantos. Ao que nos foi indicado. ele não deve 62 . mais acessível à abordagem de seus algozes. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. o poder. como se nada tivesse acontecido? Não. certa vez. Estava agora mais exposto. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. tomavam-lhe o corpo. as esperanças. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. do outro lado da vida. tem que ser construtivo. os amores. cada qual mais revoltado e odiento. Começamos a cuidar dele. exerceu. de certa forma. para as mais tresloucadas atitudes. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. espetavam-lhe “agulhas” de todos os tamanhos. esquecer de tudo. Mas. conseguimos aliviar a pressão que se exercia. caminhadas. e os outros. continuamos ligados aos obsessores. segundo nos explicaram nossos mentores. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. dia e noite. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual. embora tenhamos alcançado. crises de mutismo. com equilíbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. Em nosso grupo. enceguecidos pelo ódio. que durava as vinte e quatro horas do dia. postavam-se diante de sua visão espiritual. e tão sérios. A lembrança constante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. reuniram-se em torno dele. ou seja. Uma vez. sob formas monstruosas. os desencarnados são mais vulneráveis do que os encarnados. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. porém. na esperança de minorar-lhe as dores. com os cuidados necessários para não identificá-lo. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. indispunham-no com a família e descontrolavam-lhe o pensamento. impunham-lhe longos períodos de alienação. o que. então. talvez ainda mais encarniçada. em tempos da Roma antiga. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. lhes dá alguma trégua. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. porém. aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. para fugas. A perseguição continuou. Devemos. custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. O arrependimento. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados. com destaque. Ao contrário. sobre ele e sua família. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. certamente. em virtude do descondicionamento vibratório. quando ainda encarnado. um de seus obsessores.cármicas acusavam reincidências lamentáveis. Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono.

São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. físico ou espiritual. 5:14) Dessa forma. (João. buscar reacender a chamazinha do amor. Não que tenhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior. o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. no Evangelho de Jesus. pois é certo que ninguém sofre por acaso. seja com a do amor. E que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado. mas libera o ofendido. para pregar sermões bonitos. mas se não perdoardes aos homens. Sob as luzes da Doutrina Espírita. assim como perdoamos os nossos devedores. não peques mais. — Estás curado diz Ele ao paralítico. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo. 6:12 —. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. aquele que foi ferido pelo seu companheiro. ele pagará. continuamos ligados ao erro. Isto não significa que... palavras e pensamentos.. tão vital à problemática do Espírito. para que não te suceda algo ainda pior. A questão é tão importante. a punição. da sua falte. hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico. do aperfeiçoamento moral. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. ou no próximo milênio. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. da prece e da vigilância. A dor não é inevitável.paralisar-nos. que. No versículo 14. de dedicação ao semelhante que sofre. E preciso orar. seja com a moeda da dor. Neste ponto. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e. mais de uma lição encontramos. por mais gravemente que o tenha sido. mas pensam. evita que se 63 .. ao sermos ofendidos. isto é. desse mesmo capitulo. O resgate pode ser despersonalizado. com o perdão. ao do erro. Da mesma forma. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. ainda e sempre. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas”. o resgate. servir. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus.”. na intimidade do seu ser. digno e sério. com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. de policiamento de nossas atitudes. o Pai Nosso: — “. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. sem dúvida alguma. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. senão hoje. no próxima século. para que o outro resgate a sua falta. que existe em todos nós. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor. Jesus é ainda mais explicito: — que se perdoardes aos homens as suas ofensas. ou seja.

solução imediata para o seu caso.. quase. “iria ver. Esgotaram todo o cálice de profundas amarguras. passaram por todas as humilhações. certa vez. deslembrado de que ele próprio criou. Ele próprio confessou o seu drama: recairá na faixa vibratória de seus perseguidores. Certa noite. cansados de prisões tenebrosas. como poderemos negar o perdão ao que nos feriu. os perseguidos apresentam-se em nossos grupos. pronto para a vingança! “Assim que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar tais condições — “ele”. procura punir o companheiro que o fez sofrer. exigindo. pois a vingança não sacia coisa alguma. que ele também está em dívida perante a lei. O obsessor. Outros se afastaram. que eles julgam justíssimos. pedindo a presença de parentes. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. sem nenhum desejo de entregar-se à prece e. aquele que fala e procura convencê-los a abandonar seus propósitos. mas se esquece. se o exigimos para nós. fugindo de obsessões que lhes parecem terem durado uma eternidade. por sua vez. uma experiência inesquecível.. pensando assim cumprir a lei de Deus. especialmente contra o doutrinador. as condições para merecer a dor que lhe é infligida. de quem já o havíamos subtraído. cumpriram ordens iníquas. sofreram todos os tormentos. ou ignora. a duras penas. ao deixar tombar as guardas que o protegiam. de fato. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. mas nem tudo me convém. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. acima de tudo. Um companheiro desencarnado. pois. Também neste ponto tivemos. para que a “justiça” se faça. com a sua incúria. Estava novamente em poder de um Impiedoso hipnotizador. de revolta e dor. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. Pois bem. de outra maneira. Quantos dramas. mas que tanto temos relutado em experimentar. submeteram-se a caprichos e desmandos. a qualquer preço. o obsessor. exatamente para as dores que resultaram da nossa imprudência em ferir os outros? O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários. para receber os nossos cuidados. e. a lei do equilíbrio universal coloca o ofensor ao alcance da punição. em lamentável estado de desorientação. Não e uma simples teoria. E. volta. dizia o nosso Paulo. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. Senhor! Vêm transidos de pavor. que é. em suma. multidões enceguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança. por séculos e séculos. Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas. Com freqüência. onde nem 64 . No decorrer do diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca. ficam presas. como ensina Kardec.”. Julga-se no direito de cobrar. não estaria sujeito à obsessão. no desespero em que viviam. Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. nos primeiros momentos da libertação. que o Cristo nos ensinou. em sua penetrante sabedoria: — Tudo me é licito. e uma verdade. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. Meu Deus. o companheiro que havia sido recolhido.reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. A Doutrina dos Espíritos veio propor-nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta. a fim de serem doutrinados. por ser este o porta-voz. Por isso. a oportunidade do reajuste.

com suas imagens. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres pago o último centavo. no qual vamos descobrir. e.chorar podia. após um longo período de reclusão. além de tudo. na mente. sons e emoções. a lembrança de torturas e horrores inconcebíveis.. era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da dor. funcionando como molde. estão inseparavelmente ligados aos conceitos fundamentais da moral. seguem-nos os passos. impotente.. Da mesma forma. o perispírito transmite o impulso. quando convidado a orar comigo. ideal. Um terceiro apresenta-se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”. pois se julga o último dos réprobos. consegue murmurar uma palavra: — Jesus!. consigo mesmo: — que sacrilégio. e já redimidos. Isto se demonstra no processo de regressão da memória. a ordenar as substâncias que vão constituir o corpo físico. deformações e mutilações. Subitamente. Passaram-se séculos. para que não te arraste ele ao juiz. não conseguia articular a palavra. E fala baixinho. não tem coragem de dirigir-se a Deus. escapam à sanha de seus perseguidores. recebidas através dos sentidos.. ou uma vibração amorosa. suas complexidades e seus mecanismos de reajuste. Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas: cegueira. 65 . do que em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se escreverão. a psicologia e a psiquiatria descobrirão o Cristo. DEFORMAÇÕES O perispírito é o veiculo das nossas emoções. É o perispírito que preside à formação do ser. A problemática do ser humano. pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados. e este te ponha no cárcere. ao cabo de agonias seculares. fazia entender-se por gestos. também egresso de um calabouço. o momento. Sente agora o peso de um enorme arrependimento e. Um dia. Antes. Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral evangélica. de um impulso de arrependimento. ainda que somente esboçada. estava cego. de um gesto de boavontade ou de perdão. à escapada da vítima. tornam-se inacessíveis aos seus processos. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece. Lembram-se da advertência do Cristo? — Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele. e o juiz te entregue ao oficial de justiça. Espíritos superiores.. são levadas ao Espírito pelos mecanismos perispirituais. que o obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e. Não está bem claro? E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura. Em suma: a Lei disse o “Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer. É nele que se gravam. ou só poesia. porém. tudo se precipita. pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos amigos maiores pode perceber. como num “vídeo tape”. as sensações que vêm de fora. Chegado. Só nos pôde dizer que foi um sacerdote e que traiu alguém. sem poderem interferir senão com uma prece. até mesmo às profundezas da dor mais horrenda. evadem-se das masmorras e libertam-se do domínio magnético sob o qual se encontravam. Trazia um peso na cabeça.. espontâneo ou provocado. inatingível. o corpo físico executa. meu Deus! Outro.. durante as quais resgataram-se através da dor. as nossas experiências. Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. A muito custo. Chegou ao fim o processo corretivo e reajustador. O Espírito pensa. ao assistir.

como tudo no universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória. em antiga existência. vamos nos purificando. ordenou a sua mutilação. então. portanto. vamos também nos libertando das mazelas que naqueles fluidos se fixavam. ao nos desfazermos dos fluidos mais pesados e escuros. acabou falando inteligivelmente. enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos enganos. é uma variedade de monomania em que o doente se julga convertido em animal. um simples pedaço de pão. Quando me ofereci para curá-lo com um passe. tanto quanto as dores. mandara mutilá-lo. para pedir-nos. não resistindo à realidade. em vez de agradecer a Deus o beneficio que acabava de receber. pois. inúmeros exemplos aflitivos de desequilíbrio perispiritual. Foi-lhe mostrado. e humilhou-se. Fazendo o médium exibir suas mãos. o nosso prontuário. muito comum naqueles que se acham ainda tateando nas sombras de suas paixões. a nossa ficha de identidade. 6 Vimos. pela tarefa de lançar discórdias. alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e “baratas”. pois um fauno não fala. no entanto. desencarnado. depois. desde pequenos cacoetes. a nossa folha corrida. para enorme surpresa sua.. depois de reconstituída a sua condição. em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores. que não podiam expressar-se senão por gestos. e vaise tornando cada vez mais diáfano. chegado a sua vez. Renunciou a toda a arrogância. É. linhas atrás. à medida que vamos galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva. porque a língua lhes tinha sido extirpada. Encontramos. a condição de um fauno. Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada condição moral. A despeito de tudo. culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia. em voz baixa. que. ou seja. ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo que. como a daquele irmão atormentado que trazia o braço paralítico. na prática mediúnica. mostrou-se desesperado de fome. que envolvem o nosso perispírito. era recompensado. entrou numa crise de arrependimento que o salvou. porém. por métodos implacáveis de hipnose. 6 Zoantropia. Mas. porém. que não se identificou. teria mais um braço para brandir o chicote com que castigava suas vítimas. para que ninguém o ouvisse. pois era um mero escravo.. ele declarou que. Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que havia sido reduzido. 66 . Ele é denso. Não tenho mãos. que se gravam alegrias e conquistas. Um destes. declarou que se vingaria daquele que. cenas e emoções que pareciam diluídas pelos milênios. assim. a cada passo. e os trabalhadores da desobsessão encontram fatos dramáticos dessa natureza. È ele. Segundo o dicionário. com o registro intacto da vida pregressa. apresentaram-se pobres infelizes. Tivemos casos de deformações “físicas”. e ele. Havia. Um antigo sacristão português. com abundantes “refeições regadas a bom “vinho” de sua terra. De outras vezes. dissera: — Veja. em existência anterior àquela. até deformações e mutilações terríveis. com que a princípio se apresentou. Estava de tal maneira preso à sua indução. ou apenas sensações quase físicas. Nem assim ele se deu por achado: aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão. Muitos casos desse tipo tenho presenciado. nos primeiros estágios evolutivos. Um ex-oficial nazista. É nele. que não podia falar. e sim cascos. parece que.com todo o seu impacto.

mas. Lembro-me de vagas cenas de atividades em desdobramento noturno. e que nem mais se conscientizavam de terem sido criaturas racionais. caiu numa crise de choro comovedora e teve um impulso de generosidade. Embora o médium se mantenha sentado. estava em estado de inconsciência total. pois. um dos benfeitores presentes informounos do seu nome. mesmo porque a lei 67 . agredir-me. sob a proteção de imunidades incontestáveis. como um Pai severo e frio. que dívidas assim tão grandes e penosas. Dificilmente temos oportunidade de endividar-nos tão gravemente. que se tornou temporariamente irracional. Sabia que. gargalhando. Aparentemente. Falei-lhe. que ele não era um animal irracional. Invariavelmente. procurando desimantá-lo. falei eu. ainda. por longo tempo. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. A conversa foi longa e difícil. para arrancar-me o coração. ele investe contra mim. com outros seres reduzidos a condições semelhantes à sua. como se tentasse abrir-me o peito. um doloroso caso de licantropia. de sinistra região das trevas. em termos de aprendizado. Às vezes. continuamente. procurando atingir-me com as mãos. diretamente. Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ectoplasmáticos e. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação. para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas masmorras de onde conseguiram resgatá-lo. Insistia em ferir-me. com as duas mãos. mesmo. aí pelo século XV. somente podem ter sido assumidas em posições de relevo. Alcançado esse ponto. pois na escalada espiritual nada se perde. a despeito da profunda e dolorosa compaixão. foi possível restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. Mantive calma inalterada.Estivera mergulhado. ameaça outro componente do grupo. Inteiramente animalizado. onde conviveu. errando apenas contra nós mesmos. com as suas “garras”. um ser vivo que. Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. e tentou. mas uma criatura humana. Fora também um poderoso. num tenebroso antro. Ademais. se tornaria sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas palavras. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. como se fossem patas. e deve ter cometido erros espantosos. sob as mais abjetas condições subumanas. Não podíamos esquecer. na Alemanha. unhas e não garras. ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as palavras que eu dizia. alucinado. ele tinha crises assustadoras. por um minuto. esforçando-se por me morder. não a um lobo feroz. Tivemos. não consegui caracterizar. pois ele não sabia quem era. e não patas. certa ocasião. incorporado no médium. quando resgatamos. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. o Espírito não consegue articular nenhuma palavra. Não que Deus nos castigue. Foi um momento que exigiu muita vigilância e enorme cobertura espiritual. ele preserva os valores imortais do Espírito. dobradas. que tinha mãos. e não um animal. aos poucos. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. Como ele não tinha condições de falar. Ao apresentar-se. Retomada a sua identidade. para que o grupo não entrasse em pânico. lamentando não ter condições de volver sobre seus passos. mas estava certo de que. É certo. e da ternura que sentia por ele. em estado de vigília. sabe apenas rosnar. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. para libertá-lo do seu terrível condicionamento. no fundo do ser. de vez em quando. com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece. Repetia-lhe que era um ser humano e não um animal. tentando convencê-lo de que era um ser humano. e não se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. por séculos a fio. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente.

a sala. a madeira. o rosto. Estava ainda apavorado. pois ele se contorce e grita. o chão. à medida que se acalmava. (O médium. as suas próprias mãos. por tempo que não sei estimar. mais uma vez. Está calmo. Apalpou a mesa que tinha diante de si. consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. um por um. Enquanto fazia isso. Ao terminar a prece. agora. De pé. por isso. eu ia lhe explicando o que era cada coisa em que ele tocava. apalpando-me as mãos. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. no qual eu o acompanho. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. os entalhes. numa sala limpa. para testar. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. a cabeça. uma prece comovida e alguns passes. como se estivesse colocando juntas. Como continuo a insistir em que ele pode falar. que conservamos sobre outro móvel. e creio que. A cada falta cometida. agora. pouco antes da incorporação desse Espírito). pela primeira vez.universal. queixara-se de uma terrível sensação de medo. não resta alternativa senão a dor. Ele começou a perceber os objetos. o braço. as cadeiras. O trabalho todo durou uma hora. Por fim. Aos poucos. Tudo que estava ao alcance de sua mão. realmente. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. começou a reconhecer o ambiente. e voltou a conferir tudo na sala. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. realizou-se. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. em silêncio. mas ainda insistiu em atacar-me. investigou. o tapete. assinamos uma promissória inexorável. esmagado pela emoção. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. que ele bebe sofregamente. sem uma palavra. e se desprende. mas. me abraça. o estofamento. em muito tempo (séculos. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. examinou. por alguns momentos. e lhe servimos vários copos. o rosto. Não havia dito ainda uma palavra. de vez em quando. Olhava para trás. o suave milagre do amor. teremos com que pagar. percebo que está orando um Pai Nosso. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. nos coloca à mercê da cobrança. orei fervorosamente. Examinou os componentes do grupo. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. e não vai mais voltar para a sua prisão. ele apalpou. ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. deixando o médium desorientado. emocionado até o fundo do meu ser. ele começou a aquietar-se. e. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas 68 . Insistimos nos passes. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. caso contrário. Olhou os móveis. talvez) as sensações do tato e da visão. como se tentasse surpreender algum carrasco. as cortinas. código sagrado que aviltamos. pela visão. enquanto apanho o jarro. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. ele procurava me reconhecer. quanto à sua posição na sala. desesperadamente. A certa altura. parece que alguém o chicoteia violentamente. porém. o sofá. e que está. o corpo. desesperado. ao cabo de muito tempo. Pacientemente. também pelo tato. ao lado do médium. vamos transmitindo a ele uma sensação de segurança e calma.

Somente nos expomos ao resgate. Aliás. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. às vezes. nossos adversários espirituais. esse é um recurso 7 Leia-se. Nessas furnas de dor superlativa. sem faltas e sem passado. Realiza-se. ai. imperam o terror. não pode moldar. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. a fria equipe das trevas. por tempo imprevisível. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. Por conseguinte. valem-se de organizações poderosas. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. o capítulo V. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. Se o caso comporta. uma troca de favores. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. em que a vítima do passado — esquecida de que foi vítima precisamente porque também errou associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. acordos. manipulado com perícia. contra as quais nada têm. às vezes. os bons e os outros. na medida em que erramos. por conta própria ou alheia. as condições mais abjetas. determinando todos os nossos condicionamentos. nos registros indeléveis do perispírito. de forma que o Espírito. A gênese desse processo é. 69 . A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. “Operações seletivas”. outros. o perispírito da sua vítima. a culpa. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilíbrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. de “Libertação”.as suas implicações e pormenores. que funciona como agente da vingança. pela dor ou pelo amor. onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. pactos e arranjos de toda sorte. porém. Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. esquecer que o passado está em nós. digamos. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. Não há como fugir a esse esquema. no entanto. obviamente. no seu corpo perispiritual. a “solução” da deformação perispiritual. resgatam crimes tenebrosos. ou o magnetizador. a angústia mais terrível. ocuparam na Terra elevadas posições. é tão difícil quão doloroso. à sua vontade. a vítima acaba por assumir formas grotescas. que entre os homens permaneceram impunes. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar. a propósito. Quem não deve à lei de Deus? 7 É claro que o hipnotizador. com extrema habilidade e competência. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. como se nascêssemos puros. acaba por aceitar as sugestões e promover. Nessas condições. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. Disso se valem. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. criaturas que. iniciando o trabalho no campo fértil do endividamento de cada um. perde o uso da palavra. pessoalmente. Entra em cena. tantas são as especializações lamentáveis. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. Não podemos. através de contratos. volume VII da série André Luiz. a alienação mais dolorosa. então. é encaminhado a competentes manipuladores da hipnose e do magnetismo.

ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. Não dispõe de paciência para o diálogo. e a licantropia. sondar o doutrinador. em geral. e é preciso começar a reconstrução interior. ao voltar-se para o lado bom da vida. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. O conhecimento ficou. Eles precisam “lavar a sua honra”. porém. Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. os mecanismos são idênticos. Eles constituem importantes figuras. trabalhando ao arrepio das leis divinas. que ocupou posições de mando. A promissória maior está paga. cirurgiões do perispírito. frio. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. Esteja. Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. atento e preparado para recebê-los. calculista. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. os recursos são semelhantes. em nome de incontroladas ambições pessoais.de que se utilizam os trabalhadores do bem. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. As forças são as mesmas. às vezes. para a expectativa da libertação. que precisa estar preparado. para impor angústias e aflições. como a zoantropia. arrasado pela dor do resgate. somente a direção é que muda. transtornados de ódio. a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. para reconstruir. experimentado e violento. a fim de poder tomar suas “providências”. o grupo. e o que antes feria. Os casos mais graves de deformações perispirituais. no tenebroso xadrez das trevas. é arrogante. porque os arquivos da alma são permanentes. o que foi destruído com ódio. Comparece para observar. pelos planejadores. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições intimas. em épocas remotas. Comparecem planejadores. ainda mais com seres que considera interiores e ignorantes. médiuns e magnetizadores das trevas. É essa. inteligente. e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. invertendo-se os sinais da operação. numa excursão a essas furnas da dor. estudar as pessoas. recuperar o prestigio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. são aqueles mesmos que. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. são Espíritos de consideráveis cabedais e possibilidades. nos braços amorosos. doutrinadores. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem traze-los. com amor. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. embora ainda com muitos erros a resgatar. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem 70 . médiuns. porque eles virão realmente fora de si. que se transviaram muito gravemente. agora quer curar. Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. que não conseguirá agora. Chegado. mas mudou a motivação. Foi geralmente um encarnado poderoso. Geralmente. o momento do resgate. sem a sustentação dos poderes da Luz. como os pobres componentes de um é grupo de desobsessão. em particular. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. como vimos. com os escombros de um passado calamitoso. porém. Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. são relativamente raros. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. eles se voltam contra o grupo mediúnico. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito. doutrinadores. magnetizadores. pedra por pedra.

Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. Não são executores. dos registros indeléveis do seu perispírito. inescrupulosos. por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia 71 . a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. O PLANEJADOR Este é frio. envolventes. culto. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. ordenar. Mostra-se amável. intimidar. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. informou-me que. não expede ordens. iam à frente dele áulicos. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio. impessoal. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. aparentemente tranqüilo e sem ódios.pedir. Citarei um. gostam de deixar bem claro. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. assessores. enfim. um complicado problema de obsessão. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. mas de tremendo realismo para ele. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. contemplou. tocando campainhas portáteis. de murros ou de violências. é excelente dialético. na tolerância. pois vinha nos afirmando. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. incontrolável. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. ou seja. anéis. e sim na agressividade. guardas. com horror. Era um sacerdote. são chefes. que emergiu. indicadores. deixaram-no em estado de choque e desespero. O impacto desta revelação. vem exigir. acólitos. Estão rodeados de servidores. às vezes “armados”. Apresentou-se mansamente. Tivemos vários casos dessa natureza. Comparecem cercados de toda a pompa. inteligente. na desconfiança. informou. de “elevada” condição. na humildade. ameaçar. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. escravos. nem as executa. Sorria. quando se deslocava. que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. Os planejadores são elementos altamente credenciados e respeitados na comunidade do crime invisível. certa vez. pertencia a outro setor de atividade. desta lembrança. no ódio. Para me dar uma idéia da sua grandeza. envolvidos em imponentes “vestimentas” portando símbolos. mesmo porque. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. limita-se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. Maneja muito bem o sofisma. ou seja. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. temem tais revelações. Nada de gritos. Um deles me disse. Estão ali somente para colher elementos para suas decisões. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. invisível aos nossos olhos. estão esquecidos das próprias angústias. até. desde a primeira manifestação. consciente ou inconscientemente. Aliás.

Toda campanha é estudada. por certo. que sente enorme satisfação ao recordar que. consultavam a ele. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. experimentados e audaciosos. onde não se admite o fracasso. também desequilibrados. soubemos da perda irreparável que representou. muito abalado nestes é últimos tempos. à improvisação. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. e os executores teleguiados. estudar personalidades. entendendo-se por “baixa”. que domina pelo terror impiedoso. Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. acima de tudo. Nada pode ser deixado ao acaso. aqueles que. valendo-se de sua brilhante inteligência. por achar-se ligado à organização poderosa. evidentemente. Dar-nos-á uma trégua. Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. dotado de habilidade bastante para demonstrar. porém. Tem um momento de honesta candura. pois julgavam-no nosso prisioneiro. em elevadas posições hierárquicas. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. segundo os interesses que tenham em comum. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. agressivo. É evidente. O planejador é o poder moderador. propõe um acordo entre dois líderes: ele e eu. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. simples mortal. Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo. com toda honestidade. pois sempre desprezou. Nessas estruturas rígidas. que lhe pediam conselhos e sugestões. Para alcançarem os objetivos que têm em mira. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. mas também a segurança da organização. nas quais tudo vale e tudo é permitido. sentem-se sem condições de estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. implacável. já que sua tarefa é noutra organização. que o interesse coletivo precisa 72 . com o qual não pretende envolver-se. Eles sabem muito bem que. e se apresta a abandonar o caso. porque os impetuosos e agressivos chefes. mas. isoladamente. o despertamento desse companheiro. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. Digo-lhe. É preciso prever reações. manobrava os grandes. porque já àquele tempo era um hábil articulador. ao impulso. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. para tratamento. mesmo “em vida”. Sente-se. que proteja não apenas os interesses de cada um dos componentes. destemido. Com o passar das semanas. naturalmente. Pelas reações de irmãos. porque é dos poucos. que procure meus superiores. A certa altura. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. desde que os fins sejam alcançados. Por isso.sofrido. que hoje estaria ainda dominando os homens. e provar aos “cabeças-quentes”. ali. o planejador exerce função importantíssima. como queiram: acha-se um cínico. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. para as hostes da sombra. da sua “humilde” posição. É preciso compreender bem tais reações. ou realismo. aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. ao desligarem-se da organização.

Como não conseguem admitir isso. E hora.sobrepor-se ao individual. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. estudam-nos em grupos de trabalho. Sua perda acarreta uma desorientação geral. pois. à improvisação. seus instrumentos. por aqueles mesmos dispositivos. Por isso. no decorrer da sessão mediúnica. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. então. naqueles redutos. No interesse de todos. da ameaça. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. estudar o terreno. ainda mais em situações de crise. conquistas de posições passam a constituir objeto de cogitação coletiva. comprar armamentos e entrar em ação. Há pouco. certos impactos. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas. Mesmo enquanto conversam conosco. para os companheiros que permanecem na organização das sombras. dos conchavos. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. com o propósito de se manterem firmes. apoiados pelos companheiros que lá ficam. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. dos murros. mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho. têm que esperar a vez e a oportunidade. tudo a tempo e hora. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. ou então. então. ao impulso. portanto. Andaram gravando nossas reuniões em “vídeo tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. porém. A tarefa é muito mais sutil. É quando mais precisam de um competente planejador. para levá-lo “de qualquer maneira”. Nada pode ser deixado ao acaso. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do 73 . É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. que nunca foi bom conselheiro. dos gritos. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. Não estão lidando mais com dados concretos. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. aos planejadores elaborar a programação da “campanha”. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. das ofertas de trégua. O planejador é. É preciso prever tais reações. Depois de tudo documentado. Tinham nossas “fichas” completas. por fios e aparelhagem de transmissão. perseguições. Tudo se fará no tempo devido. como tal. Daí a importância que os trabalhadores do bem conferem aos planejadores. estudar personalidades. falava um desses lideres das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. senão impossível. por mais forte que seja este. que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. Não basta preparar soldados e equipamentos. já estão agindo à base do impulso emocional. Esquecem-se de que. Os lideres militares são bons na ação. A essa altura. e. cabendo. acham-se ligados aos seus redutos. planejamento e ação. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. Nada de ações isoladas. É difícil. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. minuciosamente levantadas. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá. E o desespero de não tê-lo leva ao desvario. atabalhoadas. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra.

Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. Está em crise. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita.. a sua frustração e o seu temor. Depois de uma longa conversa. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. uma pessoa que teria conhecido na França. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. meramente informativa. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais. em “Reformador” de fevereiro de 1975 —. se o soubesse. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo.amor fraterno. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns companheiros encarnados. orando ao Cristo. mas já era tarde. tentou recuar e voltar sobre seus passos. mas também das inúmeras vezes em que. 74 . ao vê-lo. em pranto. no século passado. num membro encarnado do grupo. É. interrogado com prudência paciente.) Conhece o nosso mentor e. Ao incorporar-se no médium. (É estranho que ignorasse isto. Gostaria de voltar a ser um humilde Galileu. em que ele vai revelando sua história. agarra as nossas mãos. Aos poucos. Identifica. portanto. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. até mais do que nós. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. e parte. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. a essa altura.. demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. segundo informa. não teria vindo. Por fim. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. com o que ele parece concordar com o seu silêncio.. mas sinto nele falta de convicção. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores. sem falsa modéstia. Deixo-o falar. OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras. traiu o Mestre. Não viera especificamente para debater conosco. pois não sabia que o grupo era aquele e. Hesita e negaceia. para vazar a sua cólera. “Estes também — diz o artigo já citado. um comentário. São os terríveis juristas do Espaço. Encaixo. * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder. a seu ver. Afinal. admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva. vai revelando sua história. Fora realmente apanhado desprevenido. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. É difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. para ele. a dar com as mãos na mesa.. que prevê.

Empenhara-se num processo tenebroso e complexo. Não se teria dignado comparecer diante de 75 .. com sentença proferida. deixou-nos uma das mais comoventes lições. escrita. seu mesmo. com as luminosas tintas do amor e da emoção. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. quanto as atrocidades que pratica. E até as revisões. com vistosas condecorações. Só depois. sem remorsos. a princípio. aos seus vícios e às suas deformações. os laudos. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. segundo este jurista invisível. segundo informam ao doutrinador. cingem-se aos autos do processo. aliás. até assassinatos. as que mais se ajustam à sua psicologia. Abriu sobre a mesa o caderno. sem temores. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. Na sua opinião. São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. desses companheiros desarvorados. O engano foi. qualquer juiz terreno. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. os depoimentos.autoritários e seguros de si. por fim. Usualmente. como também autos já arquivados. os autos do processo. com as sombrias cores do rancor. pois não é o mandante. Um deles me exibia. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. para argumentar comigo. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. deblatera. de obsessões violentas. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor: se desorientam)”. e os apelos. apenas executa ordens. em tom áspero e imperioso: — Não é este. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. em caso que. com orgulho e frieza. invisível a mim. foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. Revela sua elevada hierarquia. Quando pediu ao continuo que lhe passasse os autos. este lhe deu a documentação errada. e ele. medianamente instruído. os pareceres. sem dramas de consciência. os despachos e. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. Ao manifestar-se. e depois. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. eu havia apelado. O EXECUTOR Sente-se também totalmente desligado da responsabilidade. Há os que são compensados com prazeres mais vis. as audiências. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. as perícias. pobre irmão.. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. ridiculariza. a sentença — invariavelmente condenatória.

Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além. ainda me parece ouvir sua voz pausada. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. embargada. esquecendo-se. de amor. a mesma teologia deformada. de fato. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. no tempo e no espaço. que não lhe era possível nem visitar. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. quase sempre. no entanto. Quando me lembro disso. um dia. O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “religiosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio. Havia mais. Era. 76 . Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. um dia. mesmo sem o saber. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. mas que deixava aos nossos cuidados. Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade. São argutos.. preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. de arrependimento. que invocam como exemplo de que a violência é. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho. como ele precisava. Seus “soldados” estão lá fora. a nós. agressivos.. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo.. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. Assim são eles. com todo o nosso afeto e dedicação. Estava de partida para uma nova encarnação. O gesto não é gratuito. a despeito de si mesmos. Multidões de ex-prelados debatem-se. no mundo póstumo. sofrida. ao longo de muitos anos de prática mediúnica.. ofereço-me para ajudá-lo. às vezes.. sustentados por luminosos trabalhadores espirituais. Quando. sem exigir coisa alguma. às vezes. à sua espera. Trazem dores milenares e. necessária e justificável. Têm os seus temas prediletos. pobres irmãos desorientados.. ele que sempre foi destemido homem de ação. orgulhosos. empenhados na defesa da “sua” Igreja. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures. a ausência do filho amado. em alguma coisa de que necessite. que se arrastam. incompreensível. com a qual justificam seus impulsos e sua tática. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. a um Espírito muito querido ao seu coração. em angústias e rancores inomináveis. nas várias vezes em que compareceu ao grupo.. começamos a conseguir dele alguma reação positiva. pois costumam trazer os mesmos argumentos. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. violentos. deliberadamente. Aquilo era demais para a sua compreensão. como zelosos trabalhadores do Cristo. Ao cabo de algum tempo de diálogo. porém. para o reajuste. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda. Passadas algumas semanas. a chorar o tempo perdido. impiedosos e arrogantes. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. estávamos já servindo. nas sessões de desobsessão. nem fica sem explicações. Conhece-me de longa data: sempre fui um herético impenitente. metido a reformista.nós. pelos séculos. a troco de nada. inteligentes. Apresentam-se.. É justamente isso que ele não entende: descobrira que.

à noite. mediante influência de certo Alexandre. pois tudo se permitem. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. porque também se revezam na poder. não a si mesmos. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz. nas organizações religiosas a que se filiaram. ao qual deu o título de “Estranha moral” Ainda comentaremos tais problemas. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. Constituem equipes imensas. Comparecem.— Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía. bem escolhidas aos seus propósitos. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. mantendo estreito intercâmbio. A determinadas horas da noite. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. e. sob a égide do Cristo. por isso. Por aqui. acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas”. pela influência natural do sono. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil. Quase sempre exerceram. 77 . “incluir-se entre os negociantes privilegiados. que se revezam na carne e no mundo espiritual. enorme cidade das trevas. vida após vida. suas organizações sinistras e emplacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. guardado na prece e assistido por Espíritos do 8 A organização visitada. — “Não mediste. e do dinheiro. vigilante. por todas as nações? Entretanto. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. Kardec tratou dessas questões no capitulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. três pessoas em cada quatro. ainda — diz Gúbio. no capitulo “Observações e novidades”. estavam associados os próprios sacerdotes. cuja libertação é o tema central do livro. em “Paulo e Estevão”. o protetor de Abigai1. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. posições de mando e destaque. Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. O intercâmbio. encarnadas e desencarnadas. investidos de enorme autoridade. não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante.. desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. que Zacarias. 10:34). três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. conseguiu. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente 8. para debate. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. aqui e li. é intenso. (Mateus. parente próximo de Anás. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. isto é. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. Emmanuel informa. mas a espada. ou seja. Estão acostumados a dominar os outros. Realizam-se reuniões. o instrutor —. Aí daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. mas estas são ativas.. freqüentes e tenebrosas. era dirigida por um ex-papa. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. estudo e planejamento. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”.

“Eles” não podem saber. certamente. Por fim. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. um plano maquiavélico. Nesse ponto. acaba cedendo e parte com ela.. com o qual ex-”ministros de Deus” conseguem manipular. gostava da sua tarefa. Poderia ser minha filha. se eu fosse seu pai. evidentemente. que se saírem dali. à vontade. nos contou.mais elevado teor vibratório. mantendo um ritual pomposo e meramente exterior. digo-lhe. Totalmente teleguiada. E. Encontrava-se muito bem preparada pelos seus instrutores. sem dúvida.. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. que vivia alegremente. é irresponsável e perturbada. na irresponsabilidade da sua inconsciência. o desespero. Não é maldosa. encontrarão o espectro temido da dor. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. Conta que “ainda ontem. A despeito de seus desvairamentos. pregam sermões. têm diversões. esses pobres “ministros de Deus” desenvolveram apurada técnica de trituração. Aproveito o ensejo para dizerlhe que. Enquanto estão ali. então sob tratamento em nosso grupo. Conservam. participando. ela respondeu que não. as lágrimas. ela me confessa que veio escondida. no mundo espiritual. Agindo sob hipnose. quase pura. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. tal como faziam aqui na Terra. prazeres. desde que atinjam seus fins. e do exercício da opressão e da intimidação. prossegue. de quem cuidamos certa vez. ela não teria coragem de vir me ver. precisamente a moça da semana anterior. sinto-a interiormente ingênua. Ligara-se a um ser encarnado. para dizer que “quando eu vou lá. e ela responde que. por fuga ou fraqueza. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a consciência atormentada. não anda fazendo boas coisas. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. mas nem tudo nos convém. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legitimo. dessas orgias.. Viera em busca da filha que desaparecera. sentam-se em “tronos”. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. porque exsacerdotes fanatizados e duros ministram-lhes “sacramentos”.. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. faço uma prece e ela se sente perdida. sem saber o que fazer. para estes irmãos 78 . nesse caso. o que parece impressionála. mas ela teme e hesita. pois gozava de inteira liberdade. Vê uma jovem serena e bela que a chama. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo. a quem estávamos interessados em ajudar. seus paramentos. Sabem. como alega. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. Tinha forte sotaque Alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. todas se escondem”. aliás. Mas. com penosa ingenuidade. Celebram suas “missas”. Ao longo de muitos séculos de intriga política. tagarelando inconseqüentemente. assim. suas jóias e todos os símbolos de suas posições. sem que ele o soubesse. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. Uma jovem desencarnada. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é licito. na missa. como disse.

É claro. Localizando esta agora. nos contou a seguinte história: numa existência anterior.religiosos transviados. É que. Muitas vezes. pronta. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas. diante do que sabem.. os obsediados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. são trânsfugas desprezíveis. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. envolvem. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. Para os antigos comparsas. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita. que existe. ou seja. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. Por outro lado. certa vez. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetização. nem têm como negá-la. Um deles me declarou. por exemplo. no entanto. enceguecidos pelas trevas. Sim. tramam. Ainda rancorosos. 79 . mortos a fome. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. seja licito ou não. Há. ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. com os olhos ou a língua arrancados. muitos sem condições sequer de chorar. especialmente no Brasil. procurando. apavorados. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram. carregando correntes imaginárias. alienados. sob o guante de terríveis obsessões. entre eles. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. provocando pavorosas desfigurações perispirituais. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. A Igreja a admite há muito tempo. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. mantém os mesmos processos de tortura e de encarceramento. tudo convém. em medonhas masmorras infectas. em nova encarnação. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. uma nova versão do Evangelho. sempre as mesmas. mas conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. arrependidos de seus desatinos passados. planejam e executam. tal como no passado. com redobrado ardor. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. para ser lançada no momento oportuno. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. dizem. desde que os ajude a alcançar seus objetivos. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. quando se passam para o mundo póstumo. Quantos companheiros não socorremos.. o movimento espírita moderno. em não poucas oportunidades. fora traída por uma mulher. roídos pelos ratos. é verdadeira a doutrina da reencarnação. os ex-inquisidores. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. tuberculosos. embora variadas na forma. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. e os grupos que intentam salvá-las das suas aflições precisam estar realmente bem preparados. que cumpre esmagar. mais fanáticos do que nunca. atoleimados. pois. cuidadosamente preparada. desmembrados. com rancor e consciência tranqüila. atormentava-a livremente. próprias e alheias. seu amigo. porque um sacerdote. no fundo. Um dia. Enquanto isso. E assim. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. reconhecem. como eles entendem que seja. também.

éramos sacerdotes católicos. agora. com muito mais freqüência. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. em grande número. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. na propaganda do Espiritismo. com surpreendente brevidade. Extraordinário fenômeno.apóstatas que têm de destruir. meus irmãos. algo impressionado. quando dispunha de tantos recursos e poderes. De outro cardeal desencarnado ouvi. São eles os serenos párocos de aldeia. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. Outros se empenham em “recuperar-nos”. antes ainda da Reforma Protestante. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. Certamente que sim. Outro. me disse. não pelo combate ao Espiritismo. o período de perplexidade em que mergulham com a desencarnação. manifestado no Grupo Ismael. na maioria sem grande preparo intelectual. nem tampouco o purgatório lendário. seja com ameaças.. buscava-me há mais de quatro séculos. Guillon Ribeiro. conhecendo meu passado. a todo custo. Era. Quantos me têm interpelado. servidor da Igreja. Note-se. 137. Estupenda. conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. também. juntamente com outros dignitários da sua Igreja. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. declara. venho entre vós. é a obra em que colaborais. São muitos os que. 9 Fora daqueles que. julho/1939 a dezembro/1940. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias. rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou. Compilação do Dr. dois porcos num só. diria mesmo fenomenal. vós outros. fanático e não mau. beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu Espírito sedento. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. tanto na Igreja Católica como na Protestante.. desde a visita que vos fiz. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. em virtude do intimo conhecimento dos bastidores políticos da 9 “Trabalhos do Grupo Ismael”. prejudicial ao Catolicismo”. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. vol. “procurara. o leitor. e. Medito e considero: eu. pág. criaturas simples. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. nem o inferno aterrador. certa vez. a lamentosa queixa do arrependimento. grandiosa. A esta altura. ao ver o bravo cardeal render-se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. 1941. Um deles. no mundo espiritual. A coorte dos que me acompanhavam. que não mereciam piedade nem consideração. com as mais terríveis invectivas! Um deles. Quando daqui regressei. pois da última vez em que fomos companheiros. porém. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. homens terrenos. graças a Deus. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu Espírito”. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. cabisbaixa e encolhida num recanto. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. na Terra de Santa Cruz. em sua comunicação. mas pelo que deixara de fazer de bom. edição da FEB. heréticos que precisam calar. 80 . “em vida”.

por exemplo. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. para partilharem do vasto bolo do poder. repetiram a experiência. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana. como se acuada. autoritária. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam.Igreja. Os ambiciosos desejam o poder. incontestada. É comum encontrarmos. no sentido da disputa do domínio político. com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo. No fundo. impetuoso e arrogante. como prelados católicos. para esses objetivos. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. sem oprimir. como no mundo espiritual. se e quando o reconquistarem. buscando sempre os núcleos do poder. também. quando de suas passagens pela carne. não tanto porque desejam posições de mando. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. ligam-se a outros poderosos do passado. Para isto. em serviços preciosos. Querem-na forte. de onde possam manobrar. sacerdotes de elevada hierarquia eclesiástica. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. Às vezes. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. que o servira nos seus dias de glória. como nos tempos idos. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões puramente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão. mas ocorrem. mas porque o consideram uma odiosa heresia. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. poderosa. de que somente tomamos conhecimento por via indireta. Estão convencidos de que sua forma de pensar é a única certa. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. quando toda a sua 81 . sem impor sua vontade e suas idéias. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. separadas. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar. como sacerdotes judeus. Combatem o Espiritismo. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. ditatorial. estudando suas atitudes e pronunciamentos. as tenebrosas alianças realizam-se. Não sabem viver sem mandar. Movem-nos ambições desmedidas. É certo que. que está sempre recuando e entregando-se. neles: ambição e fanatismo. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiástica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. e voltam a insistir. tanto aqui. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”. entre os desencarnados. com exclusão de todas as demais. o exercício da autoridade. Examinando suas tendências. que nos tratava com superior condescendência. Quanto aos fanáticos. condicionam se a um esquecimento das antigas circunstâncias. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo. Não importa. sempre disputando posições de relevo. porém. não essa aí. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. com todo o seu cortejo de vícios. conservaram os modelos medievais. são as pequenas manifestações anônimas. Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. No mundo espiritual em que vivem. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. nem sempre são ambiciosos. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. Comovente.

inapelavelmente. São mais acessíveis. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. mas se recusam a admitir que “morreram”. são daqueles que. senão a satisfação de suas ambições. porém. suas hipocrisias.. No fundo. de suas vontades. O esquecimento deliberado e auto-induzido e uma fuga. Seria Joana d'Arc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos.. não apenas pelo esquecimento de suas misérias íntimas. um esconderijo. Alguns deles. sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. Às vezes. indiferentes. tais posições foram meramente filosóficas. no trabalho de esclarecimento. embora confusos. evidentemente. e mais prontamente aceitam a nova realidade. Enquanto estão ali. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões. especificamente. só há o silêncio e a escuridão do não-ser. Em outros. mas porque lhes proporciona os prazeres mais grosseiros a que se habituaram. não é o seu. Disputaram fortunas a ferro e fogo. A relutância é. roubando. na aparência. promovendo negociatas. despertam para a realidade. o poder. descrentes da vida espiritual. vaidade. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. Preferem continuar negando. Ao contrário dos teóricos do materialismo. Por isso. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. endurecidos nas suas convicções. Para estes. não foram intrinsecamente maus. suas fraquezas.atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. na carne. embora. Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. pois somente nela se sentem relativamente felizes.. Outro ajudou a apedrejar Madalena. Outros. em todos os sentidos. de seus desejos. isto é. desarvorados intimamente. por algum tempo. estes são os que o praticam. falsificando. Quando incorporados aos médiuns. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da matéria. platônicas. perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. seguros e tranqüilos. seus desvios. O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. de que. não estão interessados. Às vezes. nada é sagrado. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pessoalmente do drama da cruz. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. Geralmente desejam a volta a carne. apenas desencantados. Viveu. ainda. a princípio. acham-se abrigados da dor. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam é inteiramente falso. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. além da morte. do que 82 . que acabam por se convencer da sua autenticidade. se preciso fosse. intrigando. através de um corpo que. vendo e sentindo.. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte” pois estão pensando e falando. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. a enfrentar suas próprias contradições íntimas. matando. Lembram-se das doenças que tiveram. convicto de que além da matéria nada existe. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. nada importa. ainda presos aos seus interesses terrenos.

É preciso conduzi-los com tato e paciência. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. ricos. a despeito da descrença em si mesmo. vai sendo conduzido a admiti-la. advogados. Estudaram profundamente os Evangelhos e a teologia ortodoxa. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. descobrimos que a intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga. mesmo. pois se acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias fantasias. para desarvorar o interlocutor. pregaram sermões belíssimos. Parecem. pobres. nem dão murros. Vemo-los. honestamente. indiferentes. ante minha pobreza intelectual e cultural. versado em filosofia. especialmente. para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa. vivera agarrado aos seus bens e. às vezes. está relatado um caso desses. em sacrifício do outro. aparentemente muito seguro de si. é também um esconderijo. seus sofismas e suas auto-justificações. na condição de ex-sacerdotes também. estaremos a caminho de ajudá-lo. Quase sempre se deixaram dominar por invencível vaidade. No binômio cérebro/coração. médicos. espiritualistas. deixaram disparar na frente um dos componentes. Aos poucos. nobres. O companheiro apresentou-se irônico. O INTELECTUAL Nem sempre é materialista. Em “Reformador” de setembro de 1975. Se conseguirmos restabelecer o vinculo.admitirem. bom sofista. fazem perguntas bem formuladas. quando movidos para objetivos bem definidos. como exímios criadores de tais sofismas. sacerdotes. no qual o homem deve buscar equilíbrio. Têm respostas prontas e engenhosas para tudo. poetas. para ilustrar o que desejo dizer com isso. Temos que compreender que à difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. suas doutrinas. variedades e tendências. em teologia e até mesmo nos textos evangélicos. Narrarei um caso prático. Num 83 . suaves e tranqüilas. demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da própria inteligência. no mundo espiritual. ao seu ouro. ele sobreviveu. fracassando na provação da inteligência. totalmente desligado da nova realidade que vivia. e tanto consolidaram suas construções. Brilhantes. procurando confundir. Conversamos longamente. A escala aromática aqui é ampla e variada. artistas. continuava a manipular as moedas. O Espírito. Não se exaltam. fascinados pelos seus mecanismos. religiosos ou não. sua engenhosidade e os belos pensamentos que produzem. e. que cita com a maior facilidade e propriedade. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram. escreveram tratados. É culto. que sempre deverá existir. inteligente. por nome Tom. Julgam-se geniais — e muitas vezes o são mesmo. São estes que constituem o diálogo mais difícil para o doutrinador. do ponto de vista literário. Foram escritores. tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados. Ao cabo de algum tempo de observação atenta. Leram os seus filósofos. Há-os descrentes. São bons argumentadores e. Encontramolos de todos os feitios. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. no artigo “Lendo e Comentando”. na sua imaginação. que acabaram acreditando nelas. materialistas. e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me. entre cabeça e coração.

re for da vontade do Senhor. ante minha evidente falta de acuidade.momento de incontida irritação. É a fuga desesperada ante toda e qualquer aproximação da emoção. Fala do cerco que me vem fazendo. ele volta. como da primeira vez. os olhos e o corpo. De vez em quando. ele começa a apalpar o seu médium: a face. e então. e ele recusa energicamente. dizendo que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo. há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades na minha cara. mas o seu poder”. que não seja o frio jogo de palavras a que está habituado e que anestesia espiritualmente. Pouco depois. mas recusa-se a reconhecer a situação. que. irei logo onde estais. As ameaças são terríveis. Oro por ele durante toda a semana e. a alguém invisível. conseguimos despertar. conhecerei. com o que concordo plenamente. Deve ser por causa da perda do valoroso companheiro que na semana anterior o advertira. até mesmo nas minhas atividades profissionais. Conclui dizendo que. ameaçador. agressivo. e insiste em retomar o debate filosófico-religioso. se eu tivesse visão espiritual. ao ser chamado à atenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia. Pergunto se permite que tentemos curá-lo. a música prossegue a vibrar dentro dele. diz. sentindo os controles do médium). informa. macaco! Segundo diz. se isso acontecesse. despede-se. quase conseguiram derrubar-me. Fala 10 “Mas. Começa sutilmente a crise. sons de órgão. Não está mais tão irônico e seguro de si. como se a pedir-lhe que me perdoe por não ter notado isso antes. satisfeito consigo mesmo. A essa altura. que são mãos de um organista (que o médium foi. naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. mas logo se contém. em voz alta. Declara-se um líder. mas sinto-o mais desesperado do que rancoroso. como depois verificamos. 4:19. Ele conclui. (Está.) Ao cabo de longa conversa. é um líder!. deixa escapar suas terríveis ameaças. em antiga encarnação. e que. Ele também ouve. certamente. Diz que transpusemos todas as barreiras e que é preciso um basta final. atrás dele. como um bloco. Mesmo com a voz pausada. não consegue mais evitar que a música domine todo o seu ser. furioso mesmo. em seguida. Em uma dessas. com barco e tudo. que lhe cita trechos evangélicos. (Há sempre um quase. algo sonolento. nervoso: — Eu sei. teme. demorando-se nas mãos. Perdeu a aparente serenidade. Estão prontos e dispostos a desencadear a luta. — Dessa vez diz ele — não vai ser fácil. na bondade infinita de Deus. realmente. 84 . na reunião seguinte. irritado. obviamente. na Alemanha). impaciente. dirige-se. 10 Segundo me diz o outro médium. Não sabe por que não as diz. não a palavra desses orgulhosos. chama-me de débil mental e idiota. revelando-se profundamente irritado. A essa altura. mas firme nas suas convicções. e refere episódios verídicos. quando me chamou de débil mental e que. veria que todos os seus companheiros estão ali. porque ainda tenho muito do homem velho. ainda irritado. pois está certo de que. Você vai cair do galho. com a graça de Deus. há tempos. Enquanto conversamos. quando nos empenhamos na tarefa abençoada de servir. Primeira aos Coríntios. outro médium do grupo avisa-me que ouve bimbalhar de sinos e. Sinto por ele uma compaixão infinita e me dirijo a ele com ternura. para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida particular. diz-me que é cego! E mesmo assim domina.

como no mundo espiritual. bate com os cotovelos na mesa. Por fim. fria e apaixonada. por isso. e diz a si mesmo: — Reaja. mas não esquece: sempre que pode. ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar. tapa os ouvidos. se é que pretendemos ajudá-lo. punir alguém por aquilo que fez ao vingador e.. precisa estudá-la a fundo. o alimenta e o mantém vivo.. Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores frustrados. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam os mais profundos 85 . e sempre implacável. Trato-o com infinito carinho e amor fraterno. O VINGADOR Vingar-se é ir à forra. Sua maior ilusão é a de que a vingança aplaca o ódio. um prisioneiro de si mesmo. cantarola uma canção. que ele tem o privilégio de ouvir.. e compreendia como poucos. irresistivelmente. seus mecanismos e as soluções que lhe estão abertas. Logo a seguir. tanto aqui. graças a Deus. através da sua cólera e da sua frustração. vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e esclarecimento. na carne. Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal. suas origens.. Ainda veremos isso mais adiante. Está arrasado e murmura: — Ele é um monstro. Sua lógica é. Não se precipita. vencido pela emoção que há tanto sufocou em seu coração generoso. Tudo nele é grande. ele retruca. ainda em pranto e com a visão recuperada. A crise aprofunda-se e ele ouve agora. toca para ele neste momento. por certo. e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e séculos.sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. frouxo! Mas a torrente daquela música divina. e quando lhe peço perdão pela dor que lhe causamos naquela crise necessária. na terceira fila à direita. planeja e espera a ocasião oportuna e o momento favorável. aquele que trabalha para uma organização opressora. ele nem sequer admite o perdão. Envolvido no seu processo. entre irritado e confuso: — Não peça perdão. É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta. traídos ou indiferentes. ao organista que. ao mesmo tempo. na realidade. A música que ele amava. começa a chorar. paciente e violenta. antes de tudo. que andavam divorciados. pois ele é. Tenta desesperadamente fugir dela. daquele tempo. o seu médium atual. Aquele que se dedica a essas tarefas. mas à comum encontrarmos também o vingador impessoal. seu tolo! Em seguida parte. interfere. calculada e impulsiva. suas motivações. ao longo de muitas vidas. foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para restabelecer o perdido contacto entre coração e mente. enquanto ele parece também reconhecer. a emoção daquela música inesquecível domina-o inapelavelmente. Refere-se. a música sublime de um organista incomparável. Digo-lhe isso. O vingador observa. quando. arrasta-o irresistivelmente. do invisível. ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa. Segundo me informam do mundo espiritual.

Se a odiasse simplesmente. todas os dias. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. segundo ele. veio a ser cobrada pela lei. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. É o paradoxo do ódio-amor. são crimes horrendos. na tragédia de 17 de dezembro de 1961. a tragédia. duas ou três semanas após. como. Todo aquele que fere com a espada. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. tiveram outras vidas. e. Matou-a e suicidou-se. Não confia nela. que o reajuste virá fatalmente. “Reformador” de março de 1962. No entanto. iniqüidades de toda sorte. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. é porque. a despeito de tudo. por exemplo. ou ignoram. inconsciente. sem nenhuma intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito. Tanto ele. Aqueles que ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon. a lei não exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir o irmão devedor. e a história desenrolou-se. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. à mesma hora. há quase dezoito séculos.sentimentos de revolta. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — é a vingança em si mesma. No caso. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. em situações como essas. já traiu também. portanto. não importa. que não há sofrimento sem motivo. Por outro lado. os vingadores sempre se esquecem. Não sabe. o mesmo atropelo. para ele. como ela. há de ser ferido por ela. reuniram-se no circo de Niterói. agora. porém. Parece que lhe restou uma esperança de reconquista. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). e ela estava novamente encarnada. por sua vez. em princípio destinada a preservar-lhe a vida e. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. através dos séculos decorridos. Seu desejo. ao tempo de Marco Aurélio. porque sofreu horrores. a mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. 86 . ou morrendo numa intervenção cirúrgica. ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. na cidade fluminense de Niterói. nesse ínterim. Fora seu esposo em antiga existência. ainda mais o exacerbou. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. 11 “Tragédia no Circo”. um caso de vingança que muito nos marcou. angústia e desajuste. também. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente. tênue. difamações. através da lei de causa e efeito. caindo sobre um instrumento. Alguém nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta. ainda. pois viviam num castelo. mas persistente. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza. não apenas por causa do assassinato da esposa. mas isso. O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça divina. As mesmas correrias. se ele sofreu traição. As simetrias são perfeitas. para tê-la totalmente sob seu domínio. Sem muita demora. dolorosa. certa vez. em que uma atrocidade praticada no ano 177. em razão do horrendo crime do suicídio. desonras. Não faltou um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. compareceu ao grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. desde então. ele abre determinada porta. Seu drama é que. o “Irmão X” narra um episódio desses. espoliações. que chegado o momento do resgate. segundo nos advertiu o Cristo. O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. no passado. na Idade Média. Lá sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. É certo. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e aguardamos. Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier. como assassinatos. 11 Tivemos. De outras vezes.

são impiedosamente sacrificadas ao ódio. Vá em paz. * É extremamente complexo o processo da vingança. encarnado e desencarnado. que ele ternamente dizia que eram dois anjos. às vezes. Não tem mais ânimo. É que o Espírito. Não sei se me faço entender. manter acesa a chama rubra do ódio que. novamente à lei. angústias e frustrações. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. por sua vez. que sofre um processo vingativo. e demora-se nas sombras do sofrimento. que atrás da porta seguinte. que lhe faculta a decisão de agir. o perseguidor. atingir a vítima visada. com todo o direito de exercê-la. e acaba. Por outro lado. alhures no tempo e no espaço. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. Houve um diálogo emocionado. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. ele seguirá escravo da sua própria vingança. duas criaturinhas encantadoras. Porque.. portanto. de vez que o livre-arbítrio. de certa forma. continua preso à sua problemática e. Sem poderem. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. De certa forma. — Você e um trapo. Embora tenham muito em comum. por desdobramento. que não a perseguirei mais. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. o Espírito da ex-esposa. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. perante a lei desrespeitada. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. com sua falta contra nós. Sente-se vazio e cansado. em parte. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. quase sempre dolorosa. à mercê de seu algoz. necessariamente. sem desencadear obsessões à sua vítima. um processo obsessivo. Era preciso. Disse-me. um casal. que se voltará contra ele. sabia que encontraria os filhos amados. trouxeram-lhe. mas. mesmo devendo. ao mesmo tempo em que ele se vinga. às suas angústias. não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. — Somos dois trapos. no entanto. havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. certa vez: 87 . e eu também — diz a ela. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que. por isso. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar.. ainda. Ao vingar-se. porque ao errar expôs-se ao reajuste. mas a vingança não é. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. o ofensor libera-se pela dor. nem para vingar-se.No caso sob exame. ao longo do tempo. De um pobre irmão. está. Realmente tiveram. foi realmente o que os salvou do tenebroso drama. responde do mesmo modo. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo. o vingador sente-se um instrumento da justiça divina. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. por situar-se fora de seu alcance. caso contrário. que ele se recusava sempre a transpor. E. envolvido em antiqüíssima trama vingativa. Que Deus nos abençoe. ou insiste em cobrar. temia ele acertadamente. E adormeceu. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. enquanto ele. por qualquer razão. Na sessão seguinte. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. Assistimos. do qual percebíamos apenas as suas falas. à vingança indireta. alguém ouviu dizer.

o pensamento contido nesse período é. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. por motivos outros. MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a realidade da magia negra. limitando-se a respostas sumárias que. porém. Extremamente complexo e delicado. O tema não ficou indiferente a Kardec. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. Disseram. amplo e exato. Talismãs. que lhe concede um crédito de confiança. Com freqüência. que um “homem mau” não poderia. Realmente. no mundo espiritual. não obstante. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. Atenção. ao mesmo tempo. Obviamente. ou de pessoas que dele se socorrem. ou a esposa pelo marido. é que. por exemplo. não fora de sua proteção. Não há sofrimento inocente na justiça divina. por exemplo. Feiticeiros”. fazer mal ao seu próximo”. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. realmente. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. Naquilo que Deus não o permite. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. o suficiente para formular-se um juízo sobre a matéria. sob o titulo “Poder oculto. ao serviço ao próximo.. dedicado à prece. nem os pais pelos filhos. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo.. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. expostos à cobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas. nesse particular. Foram muito sóbrios os Espíritos. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. especialmente porque é escassa. pela santificação. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. à melhora íntima. Ensinaram. A despeito da notável economia de palavras. porque “Deus não o permitiria”.. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção. portanto. porém. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. abrimos a eles as 88 . O que acontece. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. portanto. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. a literatura doutrinária de confiança existente. não abandonados por Deus. nesses casos. “com o auxilio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. de “O Livro dos Espíritos”. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. ao alcance de dores inomináveis. colocando-nos. mas estejamos certos de que.— Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. empenhada em sincero e honesto processo de recuperação.. ao cometer nossos desatinos. porém. persistem nas suas práticas e rituais. mas que também se acham em débito perante a lei. a época não estava madura para o aprofundamento do problema. como a da obsessão. como podemos verificar do exame das questões números 551 a 557.

e o juiz nos mandaria à prisão. acima de todas as verdades astrológicas. Quanto à crença no poder de enfeitiçar. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. se maus forem seus próprios Espíritos. que tenha qualquer ação sobre os Espíritos. dentro do contexto das leis naturais. por efeito mesmo dessa confiança. Kardec. em nota de sua autoria. as vezes. O Espiritismo não ignora o fenômeno. o que atua é o pensamento. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. ensina Emmanuel 12 que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais”. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo. nem o nega. assim formulada: “Não pode aquele que. racional. confia no que chama a virtude de um talismã. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores. em seguida à questão número 555. por exemplo.portas da nossa intimidade. até o último centavo. atrair um Espírito. nenhum sinal cabalístico. O próprio Cristo advertiu-nos de que. em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação”. posturas. os Espíritos foram cautelosos. (Destaques meus) Do que se depreende que o talismã. com ou sem razão. nem talismã. em si. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. com a pergunta 554. mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática. porém. pelo pensamento. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. Sobre a influência dos astros. mas. fórmulas. invocações. 12 “O Consolador”. mal observados e. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. Realmente. aberto. símbolos. como vimos. como muito bem observa Kardec. esclarecem que todas são mera charlatanaria. eles nos levariam ao juiz. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. bem como as inúteis complicações dos ritos. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus” Sobre as fórmulas. Se as influências astrais não favorecem a determinadas criaturas. insistiu. visto que. 89 . para explicá-la em termos de conhecimento cientifico. sobretudo. questão número 140. nada vale. ingênua ritualística da magia. a existência planetária é sinônimo de luta. de que podem fazer mau uso. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é traído”. temos o Evangelho. declarando que tais fatos são naturais. porque. no entanto. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. mal compreendidos. então.

de seus antigos possuidores no mundo. para considerar tãosomente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito”. por vezes. em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio século para desdobrar em todas as suas implicações.. Diz o autor espiritual que. porque a ignorância embotasse ainda a mente humana. o esclarecido mentor. Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se às eras primitivas. a certo ponto da história evolutiva. técnica ou empírica”. E prossegue: — “Apareceu então a goecia ou magia negra. têm a sua história viva e. igualmente inferiores. reconhece. (Destaques meus) Dentro dessa mesma linha de pensamento. ————————————————————————————— “A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhe eram irmãs. com base na mediunidade consciente ou inconsciente. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. ao que parece. da antiga Pérsia. à qual as inteligências superiores opuseram a religião por magia divina. Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e racionalismo. adquiriram enorme prestígio. ainda que sumárias. especialmente. saber. Também os números “possuem a sua mística natural”. de André Luiz. os nomes que recebem. as influências que podem exercer. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. originários. segundo suas vibrações. (Destaques meus) O assunto mereceu também observações. eram aproveitados. depois que Ciro os institucionalizou. segundo Lewis Spence (1). empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar. eram cultores da sabedoria de Zoroastro.iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico. acentuando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal”. por via magnética. nosso esforço deve ser o da libertação espiritual. Embora os autores especializados procurem distinguir magia de feitiçaria —— e ainda veremos isto um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para esta última “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio. sem qualquer alicerce na sublimação pessoal”. Realmente. É evidente 90 . Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. Desde essas eras recuadas.”. mormente os de uso pessoal. ao fundar o império persa. — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —. como nos assegura André Luiz. — . ou magia elementar. razão por que parecem tocados. que nos permita transitar pelos seus meandros. Possivelmente da raça média. de vez que a raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a palavra “wit”.. na execução de atividades materialonas. sendo indispensável lutarmos contra os fetiches. por vezes. porém. os médiuns primitivos nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca. podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. a funcionar como fio de Ariadne. mas. em que os desencarnados.. de singulares influências ocultas. os magos. sem o menor temor de perder o caminho de volta.achando-se cada homem sob as influências que merece”.

à medida que o discípulo revelava condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada. mas. “Religião. com seus recursos. no capítulo 4. narram. pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos rituais e da teoria que 13 14 Ver o artigo “O Tempo. agosto/1975. muito antes da época citada na sua obra. socorriam as mazelas do Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo”. ante a aturdida expectativa de todo o país. A obra consta de 12 volumes. por volta do ano 500 antes do Cristo. especialmente por causa da tenaz perseguirão de Dario Histaspes. enquanto a magia é. processos terríveis de magia e ocultismo. eruditíssimo tratado sobre magia e religião que. este último autor do livro “La Realité des Esprits”. narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus. Isto é provavelmente verdadeiro para as primitivas crenças. Auguste Comte. nos primitivos. mas ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre. Lewis Spence declara. na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem até hoje. é claro. os professores e os mestres. mais intensamente. enquanto a prática da magia tenta forçá-los à complacência. 1951.C. o Grande (356-323 a. New York. sentiu-se enciumado de seus poderes. entrou em desagregação. Distribuíram-se em três graus: os discípulos. muito contribuindo. usualmente. Já antes disso. segundo Spence. tão identificadas se acham entre si. o que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era ministrado por processos iniciáticos.) que. que. ritos. com minúcias de extremo realismo. A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Ciro. no magnetismo. apresenta-se com 827 páginas de texto. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do Espírito e em estrita consistência com essas características. perderam contacto com os seus aspectos esotéricos. mesmo em condensada. na astrologia. é filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas mãos. às vezes. misticismo e magnetismo são idênticos para alguns ocultistas. sabemos que ela floresceu amplamente no Egito. proibida e secreta.que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos. encantações —. em “Reformador”. Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses constitui prática religiosa. São profundas as implicações da magia em alguns cultos religiosos. entre os quais cita. Os livros mediúnicos de Rochester. que embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — símbolos. no seu erudito verbete. publicado em 1857. segundo os métodos e interesses da Ordem. 13 Sir James Frazer14 considera magia e religião uma só coisa. fórmulas. mas não para as religiões mais recentes. tanto quanto na medicina. para consolidação das conquistas do rei persa. O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos capítulos de números 5 a 13. vários deles publicados pela FEB. Embora Spence nos fale da magia na Pérsia. MacMillan. o preconceito e a humildade”. Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia. teme aquele que sabe. os guias espirituais de Moisés conferem-lhe poderes ostensivos. o Barão du Potet e o Barão de Guldenstubbé. 91 . “The Golden Bough”. em tempos recentes. a seu ver. pois o homem sempre respeita e. como em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”.

algo perplexo. como do ódio para o amor ou do amor para o ódio. a França. espetá-lo com agulhas e punhais. ou primitivos. A despeito disso. As conseqüências dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o entendimento do fenômeno mediúnico. Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática. do Bispo de Exeter. procurassem estudá-los com respeito e interesse. condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente dos homens pela feitiçaria. num resumo como este. por toda parte e. o Espírito disse lhe que a agarrasse pelo pescoço. no melhor sentido da palavra. os Estados Unidos. e é bem provável que a noticia que os Espíritos superiores vieram trazer a Kardec. que mais as autenticavam na imaginação do povo inculto. a crença na feitiçaria. repassar todo o campo da magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita. Segundo Will Durant15. Moisés faria diante do Faraó e sua corte. desta vez. Essa mesma “mágica”. por exemplo. mas Moisés revela sua impotência em convencer sua gente a seguí-lo. Mal atirado ao solo. Ante o temor de Moisés. Simon and Schuster. Seria impraticável. com os métodos apropriados. o mundo moderno assiste. geralmente em cera. ou estarem em companhia de tais”. sob a forma de cultos à base de animais sacrificados. no século XIX. voltando a serpente a ser um mero cajado. era praticamente universal. fosse em beneficio de alguém ou com a intenção de destruí-lo. não foram poucos os prelados católicos que. com os seus estranhos rituais. parecia atribuir-lhes certa substância. pudesse ter sido antecipada de um século ou mais. o mais antigo. Ao escrevermos este livro. — que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová. não obstante. o que ele fez. tentar 15 “The Age of Falth”. ou encantamento. — Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz pois dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma. não nos países menos desenvolvidos. Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os deuses em troca de favores. na Idade Média. — Atiras ao chão. bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”. poderemos. e. 92 . como a Inglaterra. 1950. durante toda a existência. e sim nos de mais avançada tecnologia e mais sofisticada cultura. mantiveram cultos paralelos de magia negra. criou-se um clima de terror que. sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio. com um bando de demônios em formas femininas. O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo hebreu para fora do Egito. consiste em modelar uma pequena estátua representativa da vítima. ao mesmo tempo em que combatia as crendices. New York. A Britânica. Entre os ritos destinados a destruir um inimigo. “O Livro da Penitência”. o cajado transformou se numa serpente. a Itália.os sustentava. — Um cajado. dramático e conhecido. atribui à magia origens nitidamente religiosas. tanto quanto Sir James Frazer. se em vez de queimar os médiuns medievais. porque ninguém combate aquilo que não teme. a um fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria. ou ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais.

produzindo algumas obras sobre o assunto. não sobre a matéria. também lembrado por Sir James Frazer. assim entendidas as que apenas diferem das energias meramente físicas nas suas origens. por certo. que. crescimento da planta e produção de frutos. e depois à planta e ao fruto. desde que não se esqueça da precaução de deixar as coisas no momento oportuno”.oferecer algumas noções colhidas em alentados livros. não obstante — escreve ele. 16 Antes de mergulharmos no seu livro. 93 . creio útil transmitir ao leitor espírita uma idéia da posição de Papus em relação ao Espiritismo: “Existe. Papus acata o princípio. da qual o Dr. segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veiculo entre a vontade humana e as coisas inanimadas. escreveu abundantemente sobre o assunto. alguns momentos aos fenômenos de espiritismo. o plano astral”. No fenômeno da pronta germinação. pois emanam de seres vivos e não de mecanismos inanimados. que alguns faquires teriam realizado. à página 11 de seu livro. das quais. Seu filho. 1974. sob o pseudônimo de Papus. que se poriam em consonância com as energias armazenadas na semente. a distância. tanto se utilizam os trabalhadores do bem. Dr. e. Ao apreciar alguns aspectos da magia. à semente. “Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza que o mágico deverá por em ação. dedicando. Philippe Encausse. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver. contemporâneo de Allan Kardec. e que aconselharemos a quantas desejarem divertir-se. “as coisas atuam umas sobre as outras. facilmente encontráveis no mercado. aconteceria apenas uma abundante doação. Um desses autores é o médico francês. mas sobre aquilo que incessantemente a modifica. o segundo. à sobremesa. em relação ao Espiritismo. do original francês “Traitê Élémentaire de Magie Prratique”. 5ª edição da Editorial Kier. do original) Esse plano. Na opinião de Sir James Frazer. tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele. revelou igual interesse pela matéria. os magos concebem como sendo as forças da natureza. o Dr. como “Sciences Occultes et Désequilibre Mental”. das energias orgânicas do faquir. toda a magia baseia-se na lei da simpatia. praticamente em todas as línguas vivas. que não há a temer nenhum acidente sério. Encausse é admirador ardoroso. uma forma de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes. como os outros. Buenos Aires. ou seja. Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado Elementar de Magia Prática”. (O primeiro destaque é meu. “Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade. segundo testemunhos nos quais Papus acredita. mas que classe de forças são essas?” Diz ele que são as forças hiperfísicas. por estarem secretamente ligadas entre si por laços invisíveis”. Gérard Encausse. acima citado. situam-se a tal distância da verdadeira magia. sob o influxo da sua vontade. ou seja. o que a Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material. Nada têm de difíceis e sim muito consoladores. 16 Tradução de Enediel Shaiah. afinal de contas. também médico.

modificando a estrutura de um ser. em todas as categorias. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. se os dirigirmos para o mal. e segundo Papus. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula. por exemplo. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. resume ele a sua teorização. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. (Destaques meus) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orientamos para o bem. com todas as suas transformações. 2ª — Fisiológica ou astralmente. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. Exemplifica ambos. “consagrado e perfumado”. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza. 94 . A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. em condições normais. optou pelo método indireto. Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz17 – extraíam forças de pessoas e coisas da sala. é um exemplo desse caso. portanto. que. arcaremos com a responsabilidade correspondente. embora escreva Espiritismo com letra minúscula) admite a possibilidade de influir sobre os fluidos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens. A Medicina. outro de ação direta. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. a planta. pura e simplesmente. a indústria. A magia seria. e prosseguiu: 17 “Nos Domínios da Mediunidade”. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório”. em transe. em todos os seus ramos. revelam um despreparo comovedor. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. não sobre os fluidos. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. inclusive da Natureza em derredor. chama-se vida”. não à forma exterior. A agricultura. capítulo 28 – “Efeitos Físicos”. que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “E a aplicação da vontade humana dinamizada à evolução rápida das forças vivas da natureza”. obteremos resultados positivos.em algumas horas. que utiliza o trabalho do homem. edição FEB. pela aplicação exterior de forças físicas. A página 91. mas sobre os princípios que os põem em movimento”. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. Orientado pela descrição da mulher. 3ª — Psiquicamente. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado. mas aos fluidos que circulam dentro do aludido ser. A mulher. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. Para a criação dessas larvas. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. uma ação consciente da vontade sobre a vida. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: “1ª — Fisicamente. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. entram neste quadro. em Londres. Num deles. atuando diretamente.

pois como seres humanos. colocar o cabelo.. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta. Num ou noutro caso. molhado em sangue. E não há ocasião mais meritória do que a de 95 . na forma astral. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado. e irmãos nossos. limitamo-nos a expô-los. em tempos idos. e que vos tem perdoado a vós mesmos. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. de sete em sete dias. ela se preservou para os Espíritos desencarnados. traçar à sua volta um círculo. “sponte sua”. inteiramente aleatórios. aconselho-vos que e melhor imitar a Deus. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados.“Terminado que foi o desenho. consagrando-os segundo o procedimento habitual. Escrever no interior do círculo. igualmente. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. Em seguida. foi manipulada com habilidade e competência. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. pelo menos depois de repetido três vezes. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão. que. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. porém. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. produzir resultados positivos. ordenando à larva que se dissolva. sobre uma pequena prancha. na sua falta. Segundo o autor. A propósito. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. Por exemplos como estes. Mas. com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. A mulher adormecida declarou que os cortes influíram. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicularizar o procedimento daqueles que os praticam. A seguir. estaria curada a “obsessão”. O método consiste. pois. incontinenti. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. E.. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. ou porque resolveu. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado. com isto. Para isto. podem. no entanto. a não ser para uma vingança justa. se desfez em pedaços”. abandonar sua vítima. que deverão ser incensados. que perdoa. nos quatro pontos cardeais. Os magos caldeus. Mesmo assim. merecem respeito e consideração. as quatro letras do tetragrama sagrado. Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. Em seguida. com uma ponta de aço comum. com a espada mágica (ou. o processo raramente falha.

A despeito do apelo ao perdão. em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. aparentemente sozinhos. E. porque deve ignorá-la ou perecer. por várias vezes. num sentido. não deve dar-se. a existência do c~u e do inferno. Mal por mal. Quanto ao fenômeno das mesas girantes. Seus dogmas não são menos surpreendentes. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. A vingança. e solicitações da natureza que nos convida. “são ilusões produzidas pelas mesmas 18 Editora Pensamento. mentirosa e tenebrosa. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus. 96 . o de Papus. imaginar é ver. Aquele que deseja possuir. diz ele. Par isso. como este. Levi defende a tese de que a resistência. ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. refere-se a ele com respeito e admiração. a Trindade. A despeito disso. temos de distinguir o mago. em proveito próprio. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. e o adepto. aliás. São Paulo. também. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. falar é criar. em sentido contrário. Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. para a salvação da humanidade. Os golpes. se robusteça e a vença. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. uma magia divina e uma magia infernal. em suas obras. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta”. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. Embora sem declarar-se católico. O Dr. para o sábio. O estilo de Levi. Papus usa uma imagem. “raps” e os instrumentos que tocam. Eliphas Levi também viveu no século XIX e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia”18. temos de revelar uma e desvendar outra. não se furta a algumas criticas veementes. para o mago. isto é. do charlatão”. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador. encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar. por exemplo: “Assim. como nós o provaremos mais tarde. não o entrega a ninguém”. sob o império da sombra. como. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. isto é. é algo pomposo. é a alma da magia negra. por exemplo. Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. “Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. do feiticeiro.perdoar”. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente. A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. foi escrita em 1855. é indispensável para que a força aplicada. Ambos concordam. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. como. como esta. significa o eclipse absoluto da razão. porém. ou seja. Anésia. “outra coisa não são senão correntes magnéticas que começam a formar-se. dos segredos e forças da natureza.

mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. em magia negra. e. Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios. em incontáveis sessões mediúnicas. Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. pela ponta. Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. um cartão cortado transversalmente. como que um sopro. somente uma lembrança confusa e vaga”. sob a influência de uma vontade má. Quanto à magia negra. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. A figura humana reapareceu logo. cai num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos. realiza-se. em Londres. vos será apresentada a outra metade deste cartão”. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar. que é. espadas e vestimentas especiais. a cada instante. a mão sobre o signo do pentagrama. triste e sem barba. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. real e positivamente o demônio”. círculos. de que me restou. e sem evocação. Pus. arsenal completo. a não me amedrontar e a obedecer-me. me foi impossível articular um som. sem nenhum ritual complicado. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. por este signo. no entanto. fechando os olhos. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. a vaidade. e colocou à disposição dele. e a plantei. no círculo junto a mim. após os juramentos devidos. quando voltei a mim. e quando abri a boca para interrogar o fantasma.causas”. sem substâncias. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações”. a sua forma era magra. às três horas. no hotel. Às vezes. como que o umbigo do seu nascimento pecador. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. que. junto a mim. então. se torna. quando ele recebe. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio. (Destaques meus) Assim foi realizada a evocação que. com este recado: “Amanhã. ordenando-lhe mentalmente. que dei dois passos para me assentar. empregado para o mal por uma vontade perversa”. Ao cabo de complicadíssimo ritual. um homem estava diante de mim. “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. quando os abri. diante da abadia de Westminster. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. Então. dentro de um envelope. envolto inteiramente por uma espécie de lençol. um Espírito manifestou-se. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. para nossa alma. e dirigi para ele a ponta da espada. e. Era uma senhora. 97 . Desde que fiquei assentado. então. é o grande agente mágico. mas na própria psicologia humana: “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante.

confiantes. pensam eles. Toda aquela serenidade aparente desmorona. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão. o que seria injusto. e preguiça para outros. certa vez. no decorrer do trabalho de desobsessão. suas palavras misteriosas e secretas. pois. porém. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. destemidos. nada conseguirão contra nós... É claro. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o 98 . ou seja. por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência”. quando conseguimos convencê-los de seus trágicos enganos. Por causa desse e de outros princípios e noções. mas é claro que. A instrumentação é secundária. Estejamos preparados. Se o nosso trabalho é de Deus. e. percebemos. Que um Espírito hábil e mau se apodere desta mola. sofreremos. É preciso crer que se pode. para enfrentar os companheiros desarmonizados. sigamos em frente. estudando-nos sob todos os ângulos. para poder impor a sua vontade. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. Estão convictos de que poderão atingir-nos. suas evocações. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses. Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. seus talismãs. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror. Em suma. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições. pois. embora aparentemente seguros e frios. A primeira e mais importante das obras mágicas é chegar a esta rara superioridade”. o egoísmo para o maior número. De outras vezes. que assim faz para reconquistar a sua coroa”. pois este é o momento mais grave. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos. ele tem que aprender a querer.para uns. como dizia Levi. Como nos disse um amigo espiritual. seus gestos. vigiando-nos. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos”. de relance. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. é só questão de tempo e oportunidade. serenos. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas. e estais perdidos”. desinteressado. como seres imperfeitos que somos. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. Não nos impressionemos. Entrarão em ação imediatamente. não é fácil lidar com os magos desencarnados. de nossa vida pregressa. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo. Estejamos vigilantes. “O magista — prossegue adiante — deve. sóbrio e casto. mas sobre os seus Espíritos atormentados. Estejamos prontos para ajudá-los. mais sério. porém. ser impassível. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. com os seus rituais.

. Os Espíritos vivem em grupos. pois ela não encontra ressonância e. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. substâncias e até acompanhados de acólitos. de que a magia baseia-se na simpatia. cumprido à nossa vista. comparecem. excepcionalmente. alguns empenhados em finalidades nobres. num círculo magnético infernal. de rastros. Em Espiritismo. eu viro. a fim de que deixássemos de interferir em sus atividade. Quer que vire. da manipulação de drogas e fluidos. os remorsos. velas. século após século. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram.. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho. diríamos que se trata de sintonia vibratória. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. para servi-los. declarou que sua vítima “estava amarrada”. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os símbolos de sua preferência. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. pela vigilância e pela prática da caridade. quase sempre. Nosso médium viu-o atirar esse pobre Espírito. É preciso tratá-los com carinho. Depois de seu ritual. Outra veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. disse ele. no interesse de ambos. Quem a presenciou pode fazer idéia. tortura. Era um exemplo para nós. esmagadora. as angústias. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. e partiu. acham-se defendidos pela prece. perseguição. ligados por interesses comuns. poções. os desenganos. os fantasmas que trazem no intimo. assistido por companheiros desencarnados. os escombros dos antigos sonhos.. o desespero. no fundo. no serviço ao próximo. revertidos ao mundo espiritual. Um deles trouxe-nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado. praticaram a magia e. com humildade e singela compreensão. num terreiro. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos. 99 . o mago sempre foi um médium.próprio coração. pelo menos. O conceito de Sir James Frazer. por conseguinte. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. selada com sangue. eu viro. com os quais se afina bem. Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. especificamente. reduzido a uma deplorável condição subumana de pavor e deformação perispiritual. pois. é valido. em tempos idos. porque senti-la. porque a dor do despertamento é. ou que. da hipnose. somente aquele que a experimentou. por mais que se debatesse.. mas muito reais. retomaram suas experiências. em toda a sua profundidade. incessantemente: — Quer que vire. Tinha recebido uma solicitação. que continuando no Além seus estudos e praticas. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. signos. Magos do passado. Não que a magia tenha poderes por si mesma. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. e outros envolvidos. ou portando “objetos”. pois não gostam de descobrir-se. Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. e revezam-se na carne e no além. E repetia. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. apoiando-se mutuamente. construtivas e reparadoras. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz.

Em suma. melhor do que ele. da falta. Estão perfeitamente conscientes. paradoxalmente. no entanto. Uma para cada um de nós. e apresentou-se agora com outro nome. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. em torno dele. através do qual mantinha. pois vivem disso. inteligentes. utilizam-se da vontade bem treinada. as mais das vezes. são pouco acessíveis à doutrinação. porém. Nosso médium viu apenas que. pela sua extraordinária sofisticação. Não há outro caminho. pronta para o “serviço”. que muito bem conhecem. Um caso marcou época. Sabem. colocaram sete lâmpadas. Tinha diante de si um prato de sangue. de cores diferentes. Vendo-se recusado. profundos conhecedores desses trabalhos. no mesmo grupo. as mentes de quatro seres encarnados. empenhado em trabalhos redentores. por isso. embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. com o que ele ficou muito desapontado. Os magos desencarnados são. Enquanto isso. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. e oferece riscos realmente sérios. com o qual pretendia alcançar-nos. Acontece. que entregaria a ele sua vítima. 100 . para ele. não queríamos que ele virasse. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. só pode contar com sofrimentos durante a subida. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. aceitarem a realidade maior. não temem represálias. passou para outro médium. De outra vez. Atacam para não serem atacados. para movimentar. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. tão cuidadosamente planejadas. E claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. E quem desceu semeando sofrimentos. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. tentando dominar pelo terror. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. demoram-se no erro que. porque não o obedecia. ao apelo do amor e do perdão. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”. ou seja. também antigos magos. pois o mal não é eterno. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. subjugadas aos seus propósitos. de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. espalham a dor para fugirem às suas próprias. de pés e mãos atados. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezas humanas. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. segundo relato de um de nossos videntes. Por isso são implacáveis e. em seu proveito. os compromete cada vez mais. as forças da Natureza. o mago foi completamente desarmado em suas táticas. oprimem para não serem oprimidos. um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. ou lanternas. pois obviamente teria sido muito mais fácil. agarrados ainda ao lado escuro da vida. nas suas práticas funestas. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. do erro.Não. chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. que.

tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu. os hipnotizadores do espaço utilizam-se de recursos extremamente sofisticados.. Para incumbências de importância secundária. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do imã —. Para esta aceitação. mas para os procedimentos mais elaborados. (Grifos meus) É claro. capítulo 2º — “Os arquivos da alma”.. com que costumamos medir. por métodos hipnóticos e magnéticos. competentes e moralizados. 19 — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —. Pereira. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução. reproduzir e movimentar os pensamentos. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. isto é. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele”. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. “. Psicografia de Yvonne A. “Defino a sugestão. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer. pela ação magnética. para aliviar. que contam. dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. moralmente. no seu sentido mais lato —— escreve Bernbeim. Lá.. qual se estivessem jungidos. os arquivos da mente. para dominar e punir.. 2ª parte. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. pois a sugestão é transmitida ao Espírito. este também é neutro. para ajudar. 101 . é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica. para corrigir desvios. no Além. os métodos são os mesmos. com plena identidade de tendências ou opiniões. páginas 220 e seguintes.. como todo recurso do conhecimento humano. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira. ressurgem.MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados. como em quase toda a problemática espiritual. Os desajustados. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta.. um ao outro. com enorme respeito e carinho. as recordações. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. basta uma indução superficial. como entre os encarnados. nos recessos da afinidade profunda. Em “Memórias de um Suicida”. e não ao cérebro. nos recessos da 19 “Memórias de um Suicida”. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que. que é a da aceitação pelo “sujet”. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. Mas. como para fazer cair aquele que está de pé. os métodos da hipnose e do magnetismo. que instaura o processo do domínio. em que Espíritos altamente credenciados. vemos que há uma condição básica. como por encanto. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões. pois.nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. em “Mecanismos da Mediunidade” —. movimentam. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação. em “Hypnotisme et Suggestion”. que nisto. nos processos obsessivos. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!.

manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança. sem parar. Com um esforço muito grande. este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que.. nesse campo. Temos presenciado alguns casos dramáticos... Odeio meu pai... recaiu sob seu domínio. respiração opressa e acelerada. com os dedos unidos. Matar minha mãe.. algures neste livro. ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador. para eles. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava. Seja qual for. E assim por diante. os companheiros que assistem o grupo.. mesmo que forçada. os hipnotizadores procuram atuar sabre os membros encarnados do grupo.. Algo então aconteceu de estranho e curioso. Através da minha mão. Para isso. por algum tempo. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito. como ainda.. ainda encarnada. como diz André Luiz. por meio de passes de dispersão. Odeio meu irmão. Matar meu pai. O Espírito culpado. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão. num intercâmbio vibratório. Talvez algo temeroso. ou seja. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida. falando continuamente. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. durante o desprendimento do sono. lançando as bases de induções preliminares. convencido dessa culpabilidade. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bernheim. evidentemente uma descarga magnética. e não eu a dele. porém. inclusive com a outra mão tentando 102 . um Espírito atormentado e.. e por mais esforço que fizesse. que o atingiu na altura do plexo cardíaco. interferem de maneira sutil.. tudo é válido. a serem desenvolvidas depois. do lado da luz.. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador. Com isto se afinizam com ele (ou ela). cede e entrega-se. Pediu-me a mão. a própria lei de causa e efeito. aquele companheiro desencarnado que. Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. mas eficaz. hábil magnetizador. vingança e morte. tentava induzi-lo a arrastar toda a sua família. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. Com freqüência. Nada os detém e. em nossa presença. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe. Mesmo incorporado ao médium. desde que alcancem os resultados que desejam. sugerindo-lhe idéias de ódio. e pediu a ajuda de Deus. foi possível libertá-lo. Odeio minha mãe. exausto. de preces e de contra-sugestões. que os coloca em condições de ajustarem-se fluidicamente. certamente. Já lembramos. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. Parou.afinidade profunda”. ele recebeu uma espécie de choque elétrico. por causa de sua própria invigilância. pretendeu usar comigo a sua técnica. Certa vez. Às vezes. com o médium coberto de suor. à desencarnação. ou mesmo durante a vigília. também. pela menos para uma trégua.

só a muito custo libertou-se do laço magnético. como casos de zoantropia. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. um irmão transviado. para a investigação dos médicos encarnados. E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal.desprender seus dedos. lhes proporciona provações e deveres especiais e. utilizando-se. percebeu a presença daqueles que nos defendiam. Uma pergunta poderá ser colocada agora. porque não têm sexo. de “O Livro dos Espíritos”. o poder do passe. Lembraste de Nabucodonosor. Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. para o bem. angústias. mas em número bem mais reduzido que os homens. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endividados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. Cada sessão traz as suas surpresas. mas nada podia contra eles. de técnica superior à dele. (Questões números 200 a 202. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu. ao longo dos anos. começou a chamar-me. tinha atrás de si. durante sete anos. a força irresistível do amor. acima de tudo. com isso. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. A certa altura. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. inextricáveis. constituem experiência inesquecível para aqueles que. — “Temos aqui — escreve André Luiz.. ensejo de ganharem experiência. Isto o impressionou de tal forma que. em “Libertação” — a gênese dos fenômenos de licantropia. A continua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. com ironia. o desfile trágico de problemas. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. preferentemente. mas que costuma escolher. (Destaques meus) MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. Certa ocasião. sobre os quais já falei neste livro. os elementos plásticos do perispírito”. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam. mas evidentemente também com respeito. ainda. que estava sendo atendido. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros. Como que pensando alto. por certo. de “o homem da mão”. em diferentes existências. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo. um ou outro sexo. da próxima vez que compareceu. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. Que papel representam as mulheres. * Antes de prosseguir. que perseguem. profundo conhecedor do assunto.. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. sentindo-se animal. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. Aquele que só 103 . cada manifestação suas lições e ensinamentos. segundo nos informou.) Ao comentar as respostas. depois da sessão. as maravilhas da prece. dores e ódios. entregamse a essas tarefas redentoras. renascendo continuamente como homem ou mulher. tomando-se por base. como cada posição social. que odeiam? Sim. cada sexo.

portanto. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. 50. representado pelo Espírito imortal. pág. 3ª edição. FEB. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” 20. que são usadas à falta de outras. à renúncia.como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens”. ainda. um dia. Por outro lado. mas. mais acessível à emoção e aos sentimentos. capítulo 1 – “Ciências Fundamentais: Biologia”. Certamente que sentiram. ampliar um pouco mais a questão. 20 21 “O Consolador”. Há entre eles amor e simpatia. possa encetar outras realizações. as quais. pois o corpo físico “é uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. realmente. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo” Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz 21 ao declarar que: “Os cromossomos. pois. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que estejam particularmente interessados. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. mas baseados na concordância dos sentimentos”. O homem é mais agressivo. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. capítulo 6ª. ao passo que a mulher inclina-se mais a compassividade. Ao responderem à pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?). ao se reencarnarem. Como a perfeição deverá resultar. Ao declararem que o sexo depende da organização. o Espírito encarnado como homem. não obstante. de aprofundar mais a questão. a Doutrina nos ensina. Por que isso. na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. alhures. (Destaques meus) É bastante compreensível. De fato. é natural que este tenha que ir por etapas. 4 ª edição. sendo. conservam características em comum. Tentemos. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. se. que. esses instrutores. que sim. dado a gestos de coragem física. menos sentimental. ao recato. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. perispírito e corpo físico. que não era tempo. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade. Assim é. cultivando-as em buquês. daquele que se encarna como mulher. Certa vez. ou melhor. os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. Emmanuel informa. em detrimento de outras. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. pois que os sexos dependem da organização. não tendo sexo. no mecanismo das heranças celulares. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: Espírito. coerente com os postulados doutrinários. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. como Espíritos. alcançando o ponto desejado. Dessa forma. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino. estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática. “Evolução em dois Mundos”. 104 . na sua estrutura psíquica. até que. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam”. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. por sua vez.

Despendemos grande quantidade de energias. será destruída. sob o titulo “Problema da alimentação” Informa Lísias que. A loucura. Quando a direção da colônia tomou providencias mais enérgicas para coibir os abusos. Queriam mesas lautas. como sempre. Para não alongar demais esta digressão. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. simplesmente porque se deu a desencarnação. ainda bastante densa. “dilatando velhos vícios terrenos”.regressem ao mundo póstumo. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que. reduzida. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiríticos. É necessário renovar provisões de força”. Assim. em “Nosso Lar”. nas zonas do Ministério do Auxílio. pela desencarnação. com uma pesada carga fluídica. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos. mas. 5ª edição. agindo. a alimentação com substâncias concentradas é ainda indispensável. (Destaques meus) Portanto. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. da grande maioria dos que habitam aquela colônia. da mesma forma que os problemas alimentares. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. capítulo 11 – “Sexo”. 22 “No Mundo Maior”. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo. No capitulo 18 dessa mesma obra. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. qualquer que seja sua forma de expressão. o carinho e a confiança. o que exige longos períodos de reparação”. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. que se entregam a tarefas redentoras. FEB. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. há cerca de um século. 105 . “Inútil é supor — diz um elevado instrutor 22 — que a morte física ofereça solução pacífica aos Espíritos em extremo desequilíbrio. Laura informa que: — “Afinal. Há residências. em virtude da condição perispiritual. a realização transitória”. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem. Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste. senão transmudada no estado de sublimação”. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física. por conseguinte. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade. E. que as dispensam quase por completo. ainda que mais humildes. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. profundamente impregnada de materialidade e. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. sugiro a releitura do capitulo 9º de “Nosso Lar”. entre eles. bebidas excitantes. em que se debatem. mas os alimentos não foram totalmente abolidos. utilizavam-se desse lamentável intercâmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”.

vestidos bonitos e prazeres. quando aquele a quem amava abandonou-a. a troco de favores. desgastadas pelo sofrimento. mancomunados aos seus comparsas das sombras. nossas perguntas iniciais. numa antiga encarnação na Escócia. e a isentava de culpa. em cumprimento a “ordens superiores”. apresentando-se ante seus olhos espirituais. são escravizadas. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. Finalmente. Temos tido algumas experiências com Espíritos femininos. teleguiada por hábeis indutores. Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. em faixas desarmonizadas. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados. reduzidas à condição mais abjeta. por vales de sombras espessas. para o Espírito. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil. um dia. Localizando-o como encarnado. ou durante o desdobramento do sono natural.(Destaques meus) Não resta dúvida. Já lembrei. do estudo doutrinário e das observações colhidas. obsidiam. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas. até que seja sublimado. lhe serviu de degrau para a sua escalada. “jóias”. em andrajos imundos. portanto. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. suas ânsias. Alguns são mesmo particularmente agressivos. continuam mulheres. e seviciadas. entre outras. apresentavase bem vestida. Vimos. Retomando. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. aquela pobre companheira. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. portanto. como se fosse a coisa mais natural do mundo. em encarnação anterior. tentando destruir um lar. grávida e na vergonha. De outras vezes. que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. o sexo será. ela também fora traída. ganham “vestimentas”. perambulando. segundo o Espírito. para o reencontro. no imenso laboratório da vida. da responsabilidade. cordial. poderemos responder que. perseguia-o. sob a alegação de que. provavelmente no confessionário. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. E que. Nesse estado. fatalmente. dementadas. inteligente. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. Seria apenas a antecipação do que. Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. lá na frente. junto com a sutilização progressiva do Espírito. que o sexo persiste no mundo póstumo. também. rancorosos e violentos. seus desvios. O caso era apresentado de maneira sutil. “absolvendo-a”. até que. Prestam serviços tenebrosos junto a companheiros encarnados. recaem. estava já programado para mais tarde. tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. por Espíritos credenciados. porém. infelizmente. Era “fisicamente” simpática. A sublimação há de marchar. pois que. Não haveria culpa alguma. por isso. sorridente. “sapatos” e 'perfumes”. educada. unhas muito polidas. noutro ponto deste livro. sentindo e agindo como tais. que a incentivava. levando para o Além as suas frustrações. comparece aos nossos 106 . chegado à condição de pureza. perseguem. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro.

as suas recordações e. entre dentes. feio. muito divertida da situação. que não consegue trocar. e me volto para ela. Digo-lhe. e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se postou diante dela subitamente.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. de início. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. chamando-a de assassina. de prazer insano. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. Ri-se. e ordena-me autoritariamente que me sente. desculpa-se. Ainda muito condescendente. suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. a pobre e querida irmã. bem-cuidada. A despeito do seu preparo. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês. muito segura. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. Pede um espelho. Acha-me. o que não quero fazer. mas. está aparentemente segura e continua a rir-se de tudo. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas. se sente prisioneira numa ilha sinistra. Ela continua a negacear. a fim de obter informações. por isso. para que todas sejam como ela. sorri. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. esguia. desengonçado e ridículo. por meio de imagens vivas. sem preconceitos. para me provar que não tenho razão. Agora. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. (Queimei todas as pontes por que passei. mas se mostra visivelmente transtornada. Seu ex-marido incorpora-se em outro médium e atira-lhe impropérios. envolvente e doce. dizendo que não adianta mostrar-lhe nada. enquanto revê as cenas. Tem a voz suave. Ela me responde em perfeito inglês: — I burned all the bridges behind me. inteligente e tranqüila. já dispomos de alguns elementos mais concretos. de que tanto se orgulha. para ajudá-la a enfrentar o seu problema. é mera criação de sua mente. no entanto. porque eles “deformam o corpo”. Nesse ponto.trabalhos mediúnicos. elegante. Ela pressente as dores que a 107 . como favorita de um poderoso líder das trevas. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. por certo. para permanecer junto do médium que a recebe. aconselha-me. Por fim. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. detesta aquele vestido vermelho. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. não obstante. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. tentando acalmá-lo. não inesperadamente. principalmente. abandona a atitude de inconseqüente e superior condescendência. para que ela pudesse. mas ela está bem preparada para o confronto. como amiga. Na organização em que vive. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. em filme. que sua beleza física. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. numa emergência como esta. Diz-lhe que está à sua espera e ri. felizes e livres para gozar a vida. Não queria filhos. pára a exposição para rir. É um antigo esposo. ante o desespero em que ela se precipita. Quando lhe formulo questão mais complexa. o seu futuro. perde a calma. Conta casos. De vez em quando. Trata-me com condescendência e superioridade. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. Agora. Dirijo a ele algumas palavras. Está igualmente preparada para esse encontro. Diz-se muito bela. Do mundo espiritual. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. provavelmente. porque é a favorita. Esquiva-se habilmente às perguntas.

começa nela um fulminante processo de envelhecimento. estando. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. Peço-lhe que siga a moça. a serviço dos seus mandantes. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. Vai logo dizendo. responde corretamente que o Espírito não tem idade. que a salvou. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que e tratamos. esperava.) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. alegando que eu oro demais e. Pergunto se ela confia em mim. Ainda se fossem outras conversas. ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. em pranto. em suas atividades. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas. e ela parte. mas. Enquanto “ela” estava lá — refere-se. ela se debruça sobre a mesa. Como estou. como depois apuramos. Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. um pós-escrito. não. que veio recebê-la. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas.. por certo. A uma outra pergunta minha.. Havia sido incumbida de uma tarefa. dizendo que a moça que a espera também é deles. Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. tivemos outra manifestação de Espírito feminino. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. muito sorridente. diante da sua vítima em perspectiva. que eu fosse jovem e belo. De repente. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. desprende-se com enorme sofrimento para o médium. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. permitindo que fosse. por sua vez. Vive num verdadeiro campo de concentração. no entanto. ao deixar o médium. mal me levanto. por fim. proponho-me a orar. em outro médium. uma jovem pacificada e tranqüila. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. na carne. neste caso. em outros Espíritos endividados. ao seu lado. mas um dos emissários da sua tenebrosa organização está presente. dolorosa. pois o céu é um estado de Espírito e ela é muito feliz. me ajude! Houve. o que não é verdade. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. com outras criaturas infelizes. Poucas semanas depois deste caso. ao chegar junto a essa pobre senhora. de início. a chorar as escondidas. e tenta confundi-la. depois. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhece-lo pessoalmente. declara que vive no céu. para consolá-la de dores que me havia confiado. agora. viu-a em pranto. O companheiro que se incorporou em outro 108 . maliciosamente. comemorando 56 anos de idade. Diz que sim. socorrida. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. Vê. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. diz. obviamente. numa crise emocionante. precisamente naquela noite.esperam. e continua a ser explorada do lado de lá. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. mal pode esconder seu desapontamento. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. Presa aos seus condicionamentos. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. Ela protesta. Teve pena dela e ficou sem coragem de executar friamente o seu mandato. que não venha com as minhas conversas macias.

quer dizer ato de deslocar. ajudar os irmãos. em estágios ainda inferiores da evolução. e nos confundimos nela e com ela. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. às vezes. às vezes. que guardaram ternuras profundas. em resgates dolorosos. parece não existir em nós. está relatado por André Luiz. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. tão violentas e agressivas como os homens. mover. num sentido ou noutro. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. No decorrer da semana. em trabalhos mediúnicos. O mais comum. tão irracionais quanto eles. ou seja. pressionado ou sustentado por ela. filhas. e que se esclarecera. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. com o que ele concordou. Um destes casos. em relação aos Espíritos masculinos e. para ameaçá-la. por amor. Respondi-lhe que. do respeito à sua condição feminina. que se transviara lamentavelmente. que precisava ser obedecida. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. que o santifica. de maneira paradoxal. ocasionalmente. Comparecem. dizendo que voltaria. a colocarem um ponto final nas suas angústias. Freqüentemente. talvez. muitas vezes. não sendo. Às vezes. reagem como seres humanos. Ela nos afeta. numa cena inesquecível. mais cedo ou mais tarde. respondendo. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. Matilde desce aos subterrâneos da dor. irmãs. portanto. III — O CAMPO DE TRABALHO O PROBLEMA O ser humano. porém. É oportuno lembrar que emoção.médium. porque é comum tocarem-se os extremos. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. mesmo quando. esposas. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. etimologicamente. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. em “Libertação”. decididamente. para resgatar o seu amado Gregório. encarnado ou desencarnado. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta. infelizmente. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. confunde-se em nós a realidade ódio/amor. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. São velhos e seculares amores: mães. o Espírito se desloca. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. porém. vive no clima da emoção. ou a culminâncias de devotamento. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. que o esmaga. elas são obsessoras implacáveis. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. intensamente dramático. que se atormentam mutuamente. e. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. ainda enoveladas. elas próprias. ainda que estejam transitoriamente numa posição de aviltamento. não. nem mesmo esmoreceram. necessário trazê-lo novamente ao grupo. por isso mesmo. às vibrações da nossa afeição. ou. O que acontece é que temos em nós todos a 109 . mas são estatisticamente em número reduzido. da emoção. o processo da desobsessão se desencadeia. Arrastado pela emoção.

ou o amado. ele começa a recuperar-se. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. Para desfazer esse clima de crepúsculo. sobrevive. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. Com isto. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. a posição social. e que mantém acesa a chamazinha da esperança. os benfeitores espirituais. 110 . achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. porque a amamos. a filho. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. o esposo. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. a fim de separálos. Um desses foi comovente. por mais de um século! Promoveram. que agonia e desorienta o Espírito. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. nos desprezou... Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. de uma realidade indisputável. é preciso ajudá-lo a identificar bem seus sentimentos. que o filho nos rejeite. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. Afinal de contas. porque em termos de relacionamento homem/mulher.instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. Ajudavam. retirou-se prontamente. que traiu ou abandonou. através do médium. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. o amor frustrado. De outras vezes. mas a experiência foi negativa. desliga-se do objeto de sua dor. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. Estejamos certos. como podiam. criando uma opressiva atmosfera de penumbra. E por mais de um século. inteligente. ele tentou dialogar com ela. nos seus esforços. fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. ao contrário. Certa vez. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. Fora muito bela. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. não acaba nunca. fixa-o ainda mais. em crise. encontros com um filho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. para isso. Nada. que ele odeia porque ainda ama. de elevada posição social. o poder. com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição. Foi muito difícil o diálogo com ela. O ódio não o exclui. muitas vezes. Mesmo envolvido. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. muito chocada. ora encarnado. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. na Europa. Seu antigo companheiro. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. que o dinheiro ou a poder nos sejam arrebatados. objeto de seus rancores. Suponhamos que a esposa nos traia. Reencontrou-se ela. ainda que pouco percebida: o amor. também ao vingador. ligaram-na com o próprio companheiro. também. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. O Espírito manifestante era de uma mulher. o ódio é. como dizia Paulo aos Coríntios. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. ele subsiste. em lugar de ligá-la ao seu médium habitual. recolhida ao mundo espiritual. nos traiu. No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. não pensara noutra coisa. Levaram-na a um encontro com ele — desdobrado pelo sono — a um local. Por mais estranho que pareça. luz e sombra. renasce. soterrado no rancor e na vingança. o dinheiro. com menor dificuldade. onde viveram momentos de intensa felicidade e enlevo. e angustiar-se no doloroso processo de vingar-se. o doutrinador. o rancor contra a amada. penosas vibrações de sofrimento. porque nos recusa. está ali.

que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia íntima. o dinheiro ou o amor. E ela. mas ela continuou dormindo. Uma bela criança. Na confusão em que se envolve. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. Agora. mas indelével. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. Era linda. Nossos benfeitores. pois temia que ela acordasse. revoltada. amigo. por doce constrangimento. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste. com todo o vigor antigo. o culpado de sua queda. sob meus protestos. em lar feliz e equilibrado. é aquele que ali está. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. Sua revolta e sua angústia como que se personalizam.. adormeceu novamente. Ela veio indignada. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. ela desligou-se subitamente do médium. como um anjo que era. semana após semana. Em seguida. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado. 111 . Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam.. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição. o amor também renascera com ela. Nossos erros são cometidos contra a lei divina. em passado esquecido. O drama e a dor estavam encerrados. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. Certa vez. Logo aos primeiros meses de sua nova existência. Visitava eu a família. tive oportunidade de vê-la. Renasceu. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. Seu antigo companheiro recebe dela. já em pranto. Começou o ceder. teve um final emocionante e. de suas é frustrações. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belíssimo sorriso. minha querida.. mas agora purificado. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. à medida em que o amor reacendia a sua chama. Sua expressão me dizia. a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se. contemplou-me — seu antigo doutrinador. não são os seus próprios enganos. Esta história. hoje. Certa noite. cometeu faltas idênticas contra o próximo. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô. Depois. tão verídica e dramática quanto a própria vida. irredutível. trouxeram-na de volta. e dormiu ainda alguns segundos.Esse drama durou meses. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor.. o poder. era a retomada da trilha evolutiva. abriu os olhinhos. A mãe acendeu a luz. Sem dúvida alguma. expurgado da paixão que fora a sua perda. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. e a jovem mãe me chamou para ver a criança. encarnado ou desencarnado. a princípio timidamente. ela veio apenas para despedir-se. graças a esse episódio. e depois. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. que identificamos como causadora de nossa derrota. objetivam-se.

porém jamais reconheceriam isso. 5:43-45. ou se dilui. insistir e repetir: os Espíritos em estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. atravessa os séculos e os milênios. Isto é uma realidade terrível. Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos. que multidões de sofredores ignoram. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu. nem indiferença e. 19:18. Se no debate opusermos nossa irritação à deles. porém. com voz emocionada.. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. todo aquele que não fosse amigo. também de irritação. Incorporou-se ao seu médium. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. De certa forma. repetindo enganos e desenganos. segundo nossas próprias reações. além de outros que possam estar comprometidos no processo. em vez de fechá-lo com o perdão. nem ódio. de onde foi extraída a citação. o que é verdadeiro. Que me restava dizer a ele. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. fica estimulado. tudo o que não pudesse ser considerado amor. dessa curiosa posição espiritual. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. está reabrindo o ciclo da dor. Estão. talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. por isso. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. que a expressão “odiai vosso inimigo” não encontra no texto da lei. ansiosos de que os convençamos de seu erro. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter. Lembro-me de um exemplo. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. olhou-me e disse. Se os odiamos também.. o ódio que nos votam sustenta-se. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei:: — Não precisa armar-se. persiste. Esclarece. Você já me ganhou. em nota de rodapé. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? 23 Mateus. O vocabulário da época. em trabalhos de desobsessão. por causa da pobreza da língua. ou seja. que a expressão era forçada. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo. quando cuidarmos das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos. Convém. ao meu lado. 23 Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. ao que se depreende. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes. no fundo. sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. por certo — é um ensinamento do mais elevado valor prático. entre muitos. era ódio. no entanto. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. Como me mantinha sereno e imperturbável. lamentavelmente. pois não consta de Levíticos. seria inimigo. essa pobreza semântica perdura. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. O rancor que sentem por nós sobrexiste.Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. algo desapontado. A Bíblia de Jerusalém esclarece. 112 . mas ainda não convencido.

no auge da desarmonização: — Materializa-te. ainda. ele não pode ignorar o arrependimento. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. O erro vem de muito longe. Digamos que ele tenha sido assassinado. e entrega-se ao remorso desenfreado. quanto para o perseguido. consciente ou não. século após século. contou-me que um doutrinador desavisado. Isto vale. Ele não quer saber que anteriormente. Toda a sua cólera. Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. Pode ele. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. portanto. o seu obsessor. Se ele tem oportunidade. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. senão ele. extenso rol de casos curiosos. vejamos o perseguido. Além do mais. para não deixar envolver-se pelo rancor que o Espírito traz em si. Mais adiante. em tais circunstâncias. remota ou não. Suponhamos. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. o que. no mundo das trevas. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. tanto para o que persegue. Neste caso. de conhecer a razão de sua obsessão. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal. De outro lado. envolvido num tenebroso processo de obsessão. aquele severo perseguidor resolva. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. Sem arrependimento. apenas o véu do esquecimento o protege. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. encerrar o processo da vingança. à cobrança. para que ele sofra daquela maneira. como a todos nós. ao longo dos anos. e que acumulou. ao errarmos. ele sabe também que. muito atento. Um confrade. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. É certo que ele ignora. Como Espírito. pois. chegou a conclusão de que não vale a pena continuar. vai continuar paralisado pelo remorso. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. expomo-nos. por exemplo. Por outro lado. porém. Neste ponto. enquanto exercia elevada posição de mando. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. mais grave ainda. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. Está cansado. num diálogo. experimentado nas lides espíritas. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. ele não o ignora. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de rua tragédia. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. que ao cabo de uma feliz doutrinação. desesperados. como um rei. de lembranças extremamente dolorosas. ou déspota medieval.O doutrinador tem que estar. colocamo-nos em 113 . berrou-lhe. descer a abismos de autocomiseração e dor. e deve ser muito grave. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. descobriu que. a nosso turno. ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. afinal. estudaremos um caso destes. ou. por alguém. que estava parado na estrada da evolução. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutrinador defronta-se com seu próprio obsessor. naquela vida ou em outra. no passado. na sua maneira de pensar. merece todos os castigos e punições. porque um dos grandes infelizes é ele próprio. mostrandolhe que o remorso deve ser construtivo. ou obsidiado. Imaginemos um Espírito desencarnado.

posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. contudo. desde remotíssimos tempos. muito complexa e delicada. E uma situação extremamente critica e delicada. Ele mesmo. entre vós. se não for canalizado para fins construtivos. uma flor belíssima. entre os nascidos de mulher. fora grande. igual ao que serve. como para estimular a cobrança. porque o arrependimento serve duplamente. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. mas não podemos permitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. O remorso é. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. e o que manda. Sim. sim. de muitos e pontiagudos espinhos. equilíbrio e humildade. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. segundo Mateus. como a que nos demonstrar. E preciso estudá-lo. que tudo avaliamos segundo a insignificância de nossas 114 . sutilmente. A situação é. pagar como? que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela. confirmava-se como simples servidor. Vemos. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. O PODER Muitos dramas. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. É nisso. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado”. desde o antigo Egito até à Europa moderna. assim. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. mas o de servir ao semelhante. Mas. cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. pois. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explicito: “Entre eles. tanto para fazê-la sofrer. Em outra oportunidade. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. 23:11. pois. Entre nós. Porque quem e o maior. tratá-lo com serenidade. aliás. senão que o maior entre vós seja como o menor. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. Ainda voltaremos a este tema. mas não assim. maior do que João Batista. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento. utilizando-se de sua impecável didática. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos diga que não há. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. que se eterniza. Mas.

eu. ignorada e até desprezada.. serena. pois eles nos têm levado. freqüentemente. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível. Nessa invertida escala de valores. e lá se juntam às organizações trevosas. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. Segunda Parte. para me servirem!.. como simples anões espirituais. que se utilizam deles para oprimir e espalhar a desarmonia por toda parte.. mesmo que do lado negativo da ética. de joelhos?” Outra grande dama. — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém. acaso. a criatura evangelizada.. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa. que vivestes nos esplendores do luxo. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. o exercício do poder com a grandeza. somente porque dispomos de autoridade incontestada. E muitos de nós. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares. não temos subido as escadarias do poder? O pior. e a infecção instala-se em nós. ao longo do tempo. no entanto. bem como o comando de vastas organizações opressoras. Mas. os séqüitos. os tronos... montando e dirigindo terríveis organizações especializadas no crime espiritual. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas. a cometer tremendos enganos.. Contudo. amorosa. Eles se prestam a isso. Muitos são.. 115 . quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram. cap. a paixão invencível do mando. no passado e no presente. VII) — “Vós. aqui e lá. cercada de honras. ainda.medidas. (“O Céu e o Inferno”. no mundo espiritual. Confundimos. em condições melhores do que a da infeliz rainha indiana. que leva uma existência a serviço do próximo. por séculos e séculos. sou sempre a mesma”. quantas vezes. não sei.. aqui. a viver fora desse clima.. São grandes os “príncipes” da Igreja. que ampliaram os poderes materiais da organização. E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas. pois não aprenderam. encontrou em elevada posição. Que se enviem escravas. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário. temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes.. passa despercebida. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. à que o vírus do poder nos contamina. as insígnias. no entanto. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder. mas. os que se revezam nos pastos de mando. que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito”. para o mundo espiritual.. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. ex-rainha da França.

porque sabem muito bem que. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. mantos. em tempos idos. VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. devo-lhe algo muito sério. as vestimentas. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. “divino”. Quando comparece da segunda vez. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. que se apresentou como líder religioso. por desprendimento). Tem ali muitos prisioneiros. que chega às fronteiras da “divinização”. Mesmo com os chefes menores. suas consciências. da sentimentalidade. da compaixão. Um desses foi enfático. Muitos são os que nos visitam. ou à inteligência. nas sessões mediúnicas. Um deles. em estado de exaltação vaidosa. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. as ordens. Às vezes. É por isso. também. Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. com suas mazelas. jóias. Ao apresentar-se. está em agarrarem-se tenazmente ao poder. pela reencarnação de resgate? O único jeito. que exercem com a sensibilidade anestesiada. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados. pelo sofrimento anônimo. enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas. séqüitos de servidores e acólitos. e que chicoteou. 116 . Vimos como se entrelaçam. como prisioneiro. Há os que se julgam muito belos (ou belas). Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por que? Como irão viver sem as pompas. Sempre fora importante. no caso da rainha indiana. os planejamentos. o trato é difícil. fingindo ser um pobre enforcado. Por que trocar a glória. as expedições. seus destacados líderes. comandou exércitos e povos. a única saída possível. no próprio contexto em que vivem. Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. faz uma cena. Quanto a mim.Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações. da brandura. fora seu escravo. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. poderoso. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. despojado de suas próprias “defesas”? Sim. Enquanto estão ali. E preciso compreendê-los. e também o do orgulho. — Você me vê? — pergunta-me. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. em nossa presença. seus remorsos. de enfrentarem a si mesmos. pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também. em tempos passados. que o tempo não apagou. assessores de confiança. guardados por um velho que. em seus tenebrosos domínios. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endividado Espírito. os que ostentam condecorações. que se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção.

de fato. inclusive o meu envolvimento. chocado com o tratamento que havíamos dispensado ao seu 117 . a parte que lhe toca. encontrarão seus próprios fantasmas. em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”. Depois. Demonstrada.. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos. Revela-se um dos magistrados do Espaço. É uma afirmativa desesperada. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições. prova que alguém me criou. ri. Coitado! Como é difícil cair do pedestal. são seus próprios crimes. Poder versus poder. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma.. ele que é um “deus”. Não está acostumado a resistências assim. no mundo espiritual. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. e eles querem ficar lá. e enquanto entra em crise. pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. fora um fraco. A essa altura.necessitado de socorro urgente e de passes restauradores.”. Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. Cabelhe fazer com que a lei seja cumprida. com aquilo que faz. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio. muito brilhantes e cultos.. Mas. * Quanto ao orgulho. E. na formulação de perguntas embaraçosas. Ouve choro de crianças (tê-las-ia sacrificado?) e. respondo-lhe.. por fim. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. dos quais nem pensam em descer. o pior lhe acontece. também não tenho autoridade para fazer acordos. Outro companheiro. brilhante e poderoso. Nada tinha contra Ele.. indignado. lá mesmo. Que prazer sentem em oprimir e dominar! que orgulho pelas posições que ocupam. e eles lhe dão. confessa que seu ódio “perdeu a força”. inteligente. em pedestais. mas. muito vivo e inteligente. por sua vez. que eram grandiosos. mas vai aos poucos cedendo. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou. também a mim. suas angústias pessoais. e à sua obra sinistra. contanto que Ele não interferisse com seus planos. no lado de cá da vida. Fale com meus superiores. visita-nos com igual freqüência. e não deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. arrancada do fundo de si mesmo. através de suas próprias palavras. perde a paciência. a insuficiência da vaidade física. porque. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo. envolvente. Volta a dizer que é belo. ou a ambos. Não só isso. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder. Retoma o diálogo irônico. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem. Tudo ele tenta. literalmente. hábeis manipuladores do método socrático. a crise começou a precipitar-se nele. propõe. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. Não é ele quem retém seus prisioneiros. desapontado. com elogios e lisonja. as demais vaidades também entraram em colapso. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado. artificiosos no raciocínio envolvente. ou assaz rancorosos e agressivos. irracionais e tolas. a ele próprio. suas culpas. quanto ao Cristo. Às vezes são. numa autopunição inevitável.. se o fizerem. a partir do momento em que deixou de ser belo.

“chefe”. do contrário. o que os espera um dia. para eles também. que comparecem tremendamente enfatuados. identifiquei-o pelo nome. E os antigos “Príncipes” da Igreja. dentro delas. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. mas que saberão “ser homens”. Temos de entender que estão em fuga. atacando. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. É como se. mas. que merecem o santo horror e a condenação eterna. pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. Num “flash” de inspiração. condescendendo em conversar conosco. PROCESSOS DE FUGA A continua observação desses métodos. ao longo dos anos. agredindo. identificadas nesses Espíritos que perseguem. onde fôramos adversários. Não são seres desprezíveis. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. Não sei como explicar esse jogo. que dominam. adiar o encontro com a verdade. num conceito amplo de determinismo difuso. No fundo. até mesmo algo assustado.. envolvidos com uma doutrina maléfica. ou o que seja. coitados! que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. mantendo certa autonomia. No entanto. demoníaca. a sua individualidade e as suas surpresas. mas não ignorá-las para sempre. não o teríamos tratado daquela forma.. traidores vis. As atitudes agrupam-se e. Fogem de si mesmos.. anestesiar-se na insensibilidade. A couraça de que se revestem à mais frágil do que parece. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. como o Espiritismo? que pompa. guardam todas. entre o inédito e o esperado. quando chegar. não com nojo. Vamos a alguns exemplos. Acabamos. através de outro médium. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. as palavras. manifestou-se irritado. Sabem de suas responsabilidades. no campo teológico. a cobrança! Enquanto não chega. E preciso entendê-los bem. que espalham a dor. como se fossemos os redimidos. Era ele mesmo. durante a Reforma Protestante. Não são monstros irrecuperáveis. os impulsos. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. ambos. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria contemplação da dor é alheia. que constituem modelos. Em suma: há certas constantes que se repetem. trânsfugas miseráveis. cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. para sempre. as motivações. que se cristalizam. Uma das constantes. Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele. maltratando. com bastante precisão. prosseguem suas tarefas abomináveis. das suas próprias dores. das suas angústias e frustrações. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. quando 118 . descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. e imaginam.. padrões. Parece que as posições são basicamente as mesmas. Defendem-se da dor. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão. repetem-se os gestos. em cada uma delas. e eles os réprobos perdidos em seus crimes. e não é impenetrável aos fluidos sutis do amor. pois. e cada uma delas. é a fuga.

“caírem” Por isso mesmo é que resistem, enquanto podem, buscando apoio nas
organizações a que pertencem, pois essa e a lei a que se apegam: a lei da solidariedade
incondicional, que os protege mutuamente do dia do despertamento.
Essa é a doutrina da fuga.
Por outro lado, quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. No caso, ocultar-se
de si mesmos. São muitos, esses refúgios. O principal deles talvez seja o esquecimento do
passado. Este recurso é básico, essencial mesmo, para aquele que precisa, é perante sua
própria consciência, justificar, por exemplo, uma vingança impiedosa, que se prolonga no
tempo e vara séculos ou milênios. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens
de sua verdadeira dor, ele sente forças, em si mesmo, para perseguir aquele que o feriu. Se
ele voltar sobre seus passos, ao seu pretérito, irá descobrir que sofreu aquele ferimento
exatamente porque, antes, causou dor semelhante a alguém, faltando, assim, à lei universal
da fraternidade. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e, portanto,
a da vingança. É vítima “inocente” de um crime inominável. Aquele miserável roubou-lhe a
mulher, espezinhou a sua honra, levou-o ao crime, ao suicídio, à miséria, a ele, que sempre
foi bom e correto, que nenhum mal fez a ninguém...
Se um dia ele descobre, por exemplo, que há séculos vêm os dois disputando, à ponta
de punhal, aquela mesma mulher, através de várias encarnações infelizes, sua perplexidade
é enorme, e, muitas vezes, o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de
seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior.
De outras vezes, nem isso basta, pois são muitos os que, através de uma longa e
tenebrosa experiência espiritual, quase sempre no lado errado da vida, conhecem bem o
passado e, mesmo assim, prosseguem na fria execução de seus planos medonhos. Estes
também estão em fuga, mas não buscam os esconderijos habituais, e sim o atordoamento da
ação. Enquanto estão atordoados, organizando planos tenebrosos e os levando a efeito,
vivem a salvo das suas próprias dores. A desesperada atividade mantém-nos, de certa
forma, alheios aos seus dramas e desesperos.
Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. Ocupara, em cada vida, a
posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. Amava a glória e o poder, acima de tudo.
Responsabilidades, claro que tinha muitas. E daí?
Outros dizem que não se importam com o resgate. O que importa é o que fazem no
momento. Isso lhes agrada. É isso que desejam fazer; seja a vingança, seja a disputa de
maiores fatias de poder, sejam as campanhas mais amplas, em que emprestam sua
colaboração à organização a que pertencem, e que, por sua vez, também os protege.
A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. Há os que se prendem
aos conceitos teológicos, depois de desfigurá-los e corrompê-los, para servirem aos seus
propósitos. Isto é particularmente válido para os antigos sacerdotes, que se apóiam em
fantásticas teologias, e em textos escolhidos com extremo cuidado, no próprio Evangelho
do Cristo. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas!
Lembro-me de um, em particular. Montara sua própria organização, nas trevas.
Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. Informa-me que “consentiu em
receber-nos na sua câmara”, porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele
respeita e admira. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. É a segunda
vez, em muitos anos, que concorda em tratar diretamente com alguém, pois tem seus
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auxiliares para contactos e execução dos planos. Quer saber o que desejamos dele, embora
certamente o saiba.
O diálogo prossegue, tranqüilo, enquanto ele permanece escondido na sua mansidão
aparente, mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali, sem
saber do que se trata, pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. Ao fim de longa conversa,
difícil, em que ele se mantém ameaçador, na sua aparente tranqüilidade, nossos benfeitores
revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. Aos poucos, conseguimos
despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar.
Qual teria sido o mecanismo do fenômeno, que se poderia chamar de “inversão de
local”? Como e por que o Espírito, incorporado no médium, no cômodo em que realizamos
os trabalhos mediúnicos, poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos
mentores não nos explicaram o ocorrido, mas creio que não seria fantasioso admitir,
especulativamente, nesse caso, a velha e segura técnica da hipnose. Por mais defendidos
que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados, em suas furnas escuras, não
são invulneráveis à misericórdia divina. Se o fossem, não teriam jamais a oportunidade de
se libertarem de sua condição tão dolorosa. Ao passo que eles não têm condições de peso
específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”, o que
seria inadmissível, os Espíritos iluminados podem descer, sacrificialmente, aos antros da
angústia, e o fazem com freqüência, a fim de tentar o resgate de companheiros que já
ofereçam um mínimo de condições para ser ajudados.
De algum modo, cujo conhecimento ainda nos escapa, aquele irmão deve ter sido
preparado e condicionado de tal forma, pelos trabalhadores do Cristo, que, mesmo
deslocado, em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto, no qual
condescendia generosamente em receber-nos, com as suas pouco veladas ameaças.
É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o
nosso médium tenha realmente sido desdobrado, sob a proteção do Alto, até o “local”, e de
lá transmitida a mensagem que nos possibilitou o diálogo. Freqüentemente, temos
presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns, que, desdobrados do corpo físico,
vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco.
Deixo abertas as opções mencionadas, bem como outras que não me tenham ocorrido.
Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a
mediunidade.

*

São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais, em nome de um
Deus que não amam, de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões
subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém, com as
interpretações que lhes interessam. Não negam a reencarnação, nem a sobrevivência, nem a
comunicabilidade dos Espíritos; mas isto será revelado dizem — quando a Igreja for
restabelecida em toda a sua glória, ou seja, quando voltar a dominar, como instrumento de
suas ambições.
Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. Constroem seus próprios sistemas,
inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada, mas, nem por isso,
frágil e desarticulada; ao contrário, bastante inteligente, pois, sendo eles inteligentes,
precisam de um inteligente mecanismo de fuga.
Enfim, cada um constrói o seu esconderijo, inventa suas defesas, segundo suas
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inclinações, recursos e intenções. A finalidade, porém, é uma só: esconder-se das próprias
angústias. Quando descobrimos suas motivações, estamos a caminho de poder ajudá-los a
libertar-se da dor. Os indícios precisos eles mesmos no-los fornecem. É preciso estarmos
atentos, vigilantes, pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos
atormentados, e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras.

AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA
Muito temos falado, aqui, sobre as organizações do submundo da dor e do desespero.
Tentemos estudá-las mais de perto.
É claro que jamais nos trouxeram, nossos irmãos desarvorados, os esquemas e
organogramas de suas instituições, mas, de tanto ouvi-los falar delas, creio possível montar,
com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”, um quadro inteligível desse tenebroso
painel de desespero e aflição.
Em primeiro lugar, é preciso não cometer o trágico engano de subestimá-las. Elas são
realmente temíveis, Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas,
Espíritos longamente experimentados no mal, no exercício do poder, nos meandros do
sofisma. Isto não significa que, no desempenho de tarefas redentoras do bem, nos deixemos
dominar pelo pavor, no trato com seus representantes, pois é exatamente isso que desejam e
a que se acostumaram. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte, e, se cairmos
nessa faixa, estaremos correndo riscos imprevisíveis. O problema de lidar com elas é, pois,
extremamente complexo. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja
suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos, devotados ao bem e experimentados
nesses trabalhos. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes, eles
saberão dosar o trabalho, segundo seus próprios recursos e possibilidades, e as tarefas de
maior responsabilidade vão sendo trazidas, à medida que conseguimos passar pelas
preliminares, de menor envergadura. As equipes orientadas por esses dedicados
trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas, sempre que se
portarem com prudência e sabedoria. Como esses abnegados companheiros não impõem
condições, mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer, é preciso estarmos atentos às suas
sugestões e observações, para interpretá-las corretamente e pô-las em prática, com
segurança.
Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos
submetidos, em beneficio de nós mesmos, não podemos esquecer-nos de que precisamos
manter nossa própria organização disciplinada, atenta, flexível, ajustada, porque a “do outro
lado” é tão boa ou melhor do que a nossa, em termos de estrutura e disciplina, ainda que
não o seja em objetivos e métodos.
As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder, nas
mãos de alguns líderes, escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. Sua
liderança revelou-se na ação, em postos subalternos, ou confirmou-se através de séculos e
séculos, em que se revezam encarnados e desencarnados. Muitos deles, como signatários de
pactos de vida e morte, sustentam-se aqui e lá, onde estiverem, sejam quais forem as
condições, num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. São fiéis
uns aos outros, não porque se estimem, mas porque precisam uns dos outros, para manterse no poder. Quando se reencarnam, trazem programas muito bem elaborados, e o
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Podemos contar. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. Sua sinceridade era evidente. hipocrisia. e a provisória. sem prejuízo para as suas tarefas. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. agora. enquanto por aqui se encontram. Dependiam dele. Elas não podem falhar e. mesmo convertidos. Ao que tudo indica.compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. Uma vez convencidos a mudar de rumo. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. como homens. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva. Sua frase final foi de uma beleza transcendental: 122 . um desses poderosos companheiros extraviados. caem em desgraça ante seus companheiros. de sua palavra. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. mas precisavam de ser convencidos. Assim. logo. e sua franqueza rude. a resguardar. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles. Quando conseguimos colher. O primeiro impulso destes é resgatá-los. mas muito realista. ante aqueles Espíritos que levara ao transviamento. a fim de decidir onde levar seus companheiros. sentiu todo o peso de sua responsabilidade. mantêm-se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. Ao que depreendemos da conversa com ele. Assim se explicam os êxitos. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. dificilmente a instituição é desmantelada. Eles confiavam no seu antigo chefe. quando retornam aos seus domínios. em nosso afeto. ou que o arrasam. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos é grupos que visitara. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. após a desencarnação. na sessão seguinte passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. Competia-lhe. abandonam-nos a sua própria sorte. falta de fraternidade. da parte dos que ficam no mundo espiritual. Verificada. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. na máquina do poder. em termos humanos. por isso. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. até mesmo enquanto na carne. a impossibilidade de “salvá-los”. com manifestações de indignados e agressivos assessores seus. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. estava disposto a ajudá-los. rivalidades. pelos seus ex-amigos. doutrinados e despertados. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. durante os desprendimentos parciais. provocados pelo sono. exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem. com a sua decepcionada hostilidade. no mundo do crime. de sua orientação. a organização sobrevive naqueles que o substituem. e se tenha tornado praticamente insubstituível. para que fossem. realizando contactos. como ele. e. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. E também não é sempre que esses líderes. mas segura impunidade em que continuam a viver. que obtêm. Mesmo assim. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. especialmente quando são figuras importantes.

as intenções do Espírito que se aproxima. “armadas” e bem adestradas. tudo é permitido. Estão preparadas para isso. utilizam-se de aparelhos. e dispõem de planos alternativos. elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. qual a razão de sua presença entre nós. empregando milhares de servidores. Só que. Nunca sabemos. seus planejadores. é possível admitir que a instituição se desfaça. Têm seus chefes. seus executores.. exposições. Em casos excepcionais. rígido. ou muito se assemelham os métodos de ação. o deslize. No primeiro caso. neste livro. que 123 . Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. Conservam registros meticulosos. ainda que ocasional e temporário. e tudo se lhes permite. porém.. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implacável. Promulgam leis. Muitas vezes. sobrevivem a essas crises. Promovem reuniões. pois as estruturas resistem. Nada de ilusões. dispõem de tropas de choque. quais são suas características. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão. Além do mais. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso. quase sempre. conferências. como as sociedades anônimas da Terra. que podem causar consideráveis transtornos. endurecidos na prática do mal. IV — TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. operários. punem os indisciplinados. sem nenhuma cerimônia. porém. se assim o permitirmos. pelas portas das nossas fraquezas. porque penetrarão. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. para um trabalho de saneamento. e têm delas supervisão e proteção. porém. movimentam documentação. para emergências.— Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. são os mesmos. a revolta. Não se tolera a falta. grandes ou pequenas. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. organizações menores filiam-se às maiores. E quando os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. que problemas nos traz. como um microscópio ou um relógio. devem estar bem preparados para enfrentálos. com o fim de produzirem lucro. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. que cada manifestação é diferente. produzem o terror e a opressão. porque as mais vastas. porque não lhes seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. É preciso enfrentá-los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. ao certo. de vez que nada lhes é sagrado. debates. porque os objetivos. uma vez convertidos. Nada os detém. pois. concílios. ritos. seus organogramas são tão bem planejados e implementados como os de uma empresa. aqueles que. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. Aqueles. inflexível. sermões. ainda que seus lideres as abandonem. desarticule-se. Sejam. guardas. Seus métodos são os do terror pela violência. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. * Há pois. quando se trata de organização de menor porte. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. desde que os fins a que visam sejam alcançados. a desobediência.

o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. mas o médium não é um possesso. melhor ainda. para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. no dirigente do grupo e. de maneira previsível e controlável. Suas faculdades sofrem influências várias. que pode flutuar. acompanhando atentamente a manifestação. voltemos ao fio da exposição. e pode. especialmente. repetidamente. O possesso é realmente um médium. a qualquer momento e sem limite de tempo. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. basta invocar esta. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. quando a ele nos referimos. Devo abrir um parêntese. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. de psicologia complexa. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. da sua fé ou ausência dela. e muito livres. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. mas de realidade indiscutível para ele. do ambiente.funcione. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. segundo suas próprias disposições. ou totalmente sem disciplina. como um telefone ou um rádio. E mesmo estes. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. tudo quanto entender. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. levantar-se. mas não nos esqueçamos de que. não se manifesta através do corpo material. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. Mas. é preciso considerar. mas. para cedê-lo ao manifestante. ou psicofônica. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. Ao escrever isso. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. em Espírito. O médium é um ser humano ultra-sensível. interferir. dos Espíritos manifestantes. julgo inadequada a expressão “mediunidade inconsciente”. * 124 . O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. Se o médium mergulhasse. no sentido de que o manifestante possa fazer. dar murros. no estado de inconsciência. rasgar livros e cadernos. de vidência. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. obviamente. Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. para que eles não cometam desatinos. e promover distúrbios semelhantes. de uma para outra manifestação. clariaudiência. da sua confiança nos companheiros que o cercam e. Por outro lado. também. do seu interesse no trabalho. porque o imobiliza instantaneamente. ou. fazendoo gritar. com certeza. da sua problemática íntima. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. derrubar móveis. temporariamente ocupado ou manipulado por entidade estranha a sua economia. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. do seu estado de saúde. da sua capacidade de concentração. psicografia. como o próprio médium estará presente e consciente. para conter as manifestações mais violentas. para que o Espírito manifestante não se exceda. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura. com ele.

Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutrinador. Em certas ocasiões. usando de ardis. Não se assuste. o Espírito começa logo a falar. embora não dotados de mediunidade ostensiva. assim. até mesmo. saberá identificar. E preciso. ou a esbravejar. carinho e respeito. ou seja. dor de cabeça. Geralmente. Um deles. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. dá-nos conselhos. com o que ele se diverte bastante. O médium experimentado e responsável deve estar preparado para isso. muitas vezes. Por fim. como eu lhe pedira. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. não tema e. o médium sofre inevitável mal-estar físico. freqüentemente. sobre os plexos. que o neutralizando. habituado a trabalhar com ele. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. embora a manifestação não se torne ostensiva. duas ou três vezes. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. ou mutilações que não possuem. respirar com maior profundidade. implacável. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. estado febril. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. com um apelo “aos corações bem formados”. O doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. mantém-se em silêncio. o que. porque acham. assegura-nos suas boas intenções. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. começou serenamente. de indignação. Há os que fingem dores que não sentem. e até dias inteiros. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. os companheiros desencarnados doentes. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. a fim de tentar ajudá-lo. usualmente. ou preparando ciladas. gemer. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. em virtude de seu estado de perturbação. sobretudo. Nestes casos. acabam com o grupo. pressão sobre a nuca. horas. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. antes da sessão. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. saudando-o com atenção. não deixe de comparecer ao trabalho. Diz palavras doces. Às vezes. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. Elas são imprevisíveis e inesperadas. afastá-lo do trabalho. explode em irritação e “abre o jogo”. O cerco em torno dele é permanente. para que o doutrinador se esgote. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. mas. levantar os braços. lembrar que. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. desde que ele venha em nome de Deus. prostração. certa vez. aqui. infelizmente. na tentativa de descobrir suas motivações. numa sematologia que o doutrinador. tenaz. como 125 . numa linguagem de pacificação e entendimento. gritando que acabou a farsa. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. quando se trata de um Espírito desarmonizado. é verdadeiro. sensação de angústia indefinível e. De outras vezes. mas. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. irritabilidade. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa. não se apavore.O grupo deve estar. impiedoso. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. cada médium tem seu próprio “estilo”. tenha ou não mediunidade ostensiva.

ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. perdera uma perna e. por mais que reajam à nossa aproximação. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. o que fiz com um passe. Tentarei explicar. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. divertindo-se com a minha falta de inspiração. Era evidente. depois. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. Propus-me a ajudá-lo. mas levara um tombo. que esperanças e recursos. inteligente. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. para ele. Num infeliz acidente de trem. com uma dedicação comovedora. o que o deixou bastante impressionado. ainda caminhava de muletas. Pode. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. Riem-se muito dos nossos enganos. não”. Ao apresentar-se. porque o companheiro. lembro-me de um. Suas observações eram sempre judiciosas. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. de início. podendo caminhar sem elas. e entrar. que chegara ao fim da sua provação maior. aliás. Aos poucos. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. sumariamente. que angústias traz no coração. Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. sua 126 . Visam. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. e ele começou a rir. tinha dificuldade em expressar-se. Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. mas. às vezes. como alguns me dizem. o doutrinador deve esperar. mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. o que. particularmente grato ao meu coração. não obstante. com paciência. Por detrás de sua pobreza verbal. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. como ignorante. Uma noite. Alguns bem mais desarmonizados do que outros. depois de recuperado. Dentre os muitos casos assim. a sua história foi se desenrolando. revelar clamorosa ignorância. que precisa de socorro. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. com esses artifícios. ou então. ele respondeu que já o experimentara. mistificar. Foi. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. e vivera em pobreza extrema. Qualquer que seja a abertura da comunicação. por estranho que pareça. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. ou tem consciência do que se passa com ele? É culto. é um Espírito desajustado. que intenções. emocionado até as lágrimas. Fora um homem de cor. o que o salvou e. Seja quem for que compareça diante de nós.cegueira ou falta da língua. para nós. começou realmente a sentir uma dor real. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem. sentíamos nele. que possibilidades e conhecimentos. defraudar. ou se apresenta ainda inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. mesmo no mundo espiritual. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. na sua linguagem colorida. pelas ruas do Rio de Janeiro. passou a colaborar em nossas tarefas. “não era barbante podre. paradoxalmente.

revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. para falar-nos de maneira inusitada. Só muito mais tarde a história se desvendou. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. simples.. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. e sua afeição e gratidão por nós. Confessou. algo patético. ele traçava infalivelmente o seu sinal. graças a Deus. graças a Deus. mês após mês. Não nos contou ele toda a sua terrível saga. No entanto. e isso o salvou. temos uma experiência pessoal. de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. quase sempre. dosada e sustentada pela sua aflorante emotividade. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. ao recebê-lo. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. orientado pelos ensinamentos de Allan Kardec. Ele estava muito bem lá. * Esse caso. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. etc. aqui. para saber o que desejam. tão dificilmente conquistada. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes.humildade uma constante. Exemplifico: suponhamos que. certa vez. que. etc. também. entre nós.. estava curado o querido companheiro. experiência. mas uma só narrativa bastou. popular. Suas primeiras manifestações seguem. desde que. num grupo estritamente espírita. Pelo que depreendemos. enfim. Nada de expulsá-los sumariamente. e muito mais facilmente. em impulsos tresloucados. e começava a doutrinar-nos. o que este recusava terminantemente. devido à ausência de grande número de companheiros. e quando. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. mas a afeição por nós lá estava. Aguardemos pacientemente. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. também se fazia o bem. sobre a mesa. uma respeitável bagagem espiritual. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá-lo em pequenas tarefas auxiliares. Fora. Tivera uma longa e penosíssima experiência. Aqui. Ao manifestar-se. tivera um passado de brilho e destaque. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio. haverá alguma razão para isso. com o que ele muito se alegrou. envolvera-se em erros lamentáveis. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. Mas. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom. Provavelmente. profundamente contristado. a técnica a que estão acostumados. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. Éramos uns “cartolas” grã-finos. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. dizia. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. Certa noite. e recair nos velhos processos da vaidade. no século XVI. e não queria nada conosco. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições interiores. no campo político-religioso.. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. por divergência doutrinária insuperável. há quatro séculos. então. também. também. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. reunidos em apartamento de luxo. ao correr dos séculos. Tivera uma 127 . em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. No seu terreiro. sem atavios. um homem de grande magnetismo pessoal.

a essa altura. Manteve sua maneira algo rude de falar. são. é um permanente exercício dessas duas virtudes. segundo ele. enfim? Além disso. como bicho. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes.. Toda conversa. num impulso rápido de inspiração. Certa vez. Era quem nos dava um passe final. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. feliz em poder servir-nos. por igual. colocou um “remendo” na coluna. colegas de serviço. Muito devemos a esse querido companheiro. Se assim fosse. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a utilização dos recursos da Natureza. no Espírito. Também este integrou-se no nosso grupo. Manipulava bem esses fluidos naturais e devia trazer. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades. que tanto o infelicitaram. porque nos trazem lições. sem floreios e artifícios de linguagem. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. com eles. no desenrolar do trabalho. logo em seguida. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. indeterminado. como escravo negro. uma expressão inicial sensata e equilibrada. sua gratidão e sua alegria. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias. Talvez buscasse esconder suas emoções. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. haviam se distanciado na sua frente. Mas nós. companheiros de jornada. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. das suas perplexidades. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus 128 . amorosa e tranqüila. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. da parte daqueles que se acham desarmonizados. enquanto falava tranqüilamente. às vezes. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. e. pelo reencontro com os velhos companheiros. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. Não esperemos. precisamos deles. curado de antigas mazelas. amigos. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo. dos seus sofismas. decisivas. dando-nos conselhos e passes e. jamais. nos libertará também. a primeira regra do diálogo. a “receita” de um chá caseiro. O nosso bom e querido Justino. com seus conhecimentos e seu coração.existência no Brasil. por meio de passes. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde.. que. Era levado de um lugar para outro. é esta: paciência e tolerância. Incorporava-se. para curar. mal enunciaram as primeiras palavras. não podemos despachá-los. As primeiras palavras são de importância vital. identifiquei seu Espírito nas lutas dramáticas da Reforma Protestante. da sua autohipnose. vez por outra. não somente pelo que fez por nós. dava passes no seu médium. a seu turno. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. Muita coisa vai depender. o que não é verdadeiro. Em mim mesmo. alguma antiga experiência na Medicina. com os nossos irmãos em crise. quando a manifestação era por demais penosa. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós.

o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. Insistimos. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento.próprios caminhos. suas desarmonias. tem de ser contra nós. Num caso desses. em palavras e gestos. que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim. reflete ódio ou desprezo. pois. ou perplexidade. 129 . somos nós que o agravamos. Contemos com mistificações e ardis. com a inadmissível tentativa de fazê-lo desistir dos seus propósitos. me destruiria. num processo legitimamente constituído. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. de um Espírito assim. na língua que ele falou por último. a sua razão de ser. disse ele. e aparece um grupo. e todo médium precisaria ser xenoglóssico. O longo trato com eles nos ensina que têm um hábito peculiar de “pensar alto”.. com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. É necessário conhecer a sua história. rancor. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. isto sim. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. mesmo assim. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. com falsidades e subterfúgios. em suma. na sua mais recente encarnação. preso à sua problemática. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo. É claro que o primeiro impulso de hostilidade. desencanto. Esperemos. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos. seu temperamento. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. Se assim não fosse. que constituem o centro. Pretendia transformar o meu lar num hospício. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. com ódio e agressividade.. do contrário. que os traz a nós. ou seja. É certo. pois é isso. embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. uma eloqüente manifestação de revolta. não poderemos ajudá-los. ironia ou amargor. o núcleo. tentando obrigá-lo a mover-se. e não a palavra falada. Ele está parado no tempo e no espaço. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância. aquilo que o Espírito elabora na sua mente. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. demorem e usem de mil e um artifícios. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver. pois. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos. e depois. precisamente. pois. Eles não conseguirão. que o fustigamos. como o nosso. desespero. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. ou funcionar como juiz. e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada. e a voz alteia-se ou sussurra. perplexidade ou aflição. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. com ignorância e má-fé. por muito tempo. É que o médium lhes capta o pensamento. E ainda que relutem. em que a culpa é tão clara? que petulância! que impertinência! É preciso deixa-los falar. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. o núcleo de suas dificuldades maiores. Se pudesse. eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições. suas motivações e suas razões. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. que se estendeu por mais de uma sessão. e no qual. Ao cabo do diálogo. muito embora seja isto o que mais parecem temer. aflição. seus problemas. Fugia a qualquer referência pessoal.

A certa altura do diálogo. Precisamos. Incontáveis multidões. No fundo. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse. ou do próprio Templo. neste mesmo livro. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. essa fuga. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente. as cutiladas do remorso. que nos mantém presos. Sem essa abertura corajosa. mostrar-lhes que estamos fazendo alguma coisa.. a força da sua presença em nós. marcando passo. pois. no entanto. ignorando seus próprios fantasmas interiores. vendo a multidão passar por nós. pois o erro já está cometido mesmo. no entanto. Era esse o problema que ele mais temia revelar. tentam fugir de si mesmas. Em outro caso. ao qual há referências alhures. ajuda-nos a reconstruir logo o que destruímos. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. impossível negá-lo. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endividados. O que temos de fazer. de início. mas que precisava enfrentar. e não podemos voltar sobre nossos passos.. mas por que demorar-nos no arrependimento. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. e disse: — Eu era um sol. É verdade. Veio para isso mesmo.. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar. não dá sequer para começar. quanto o perseguidor. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. Podemos. uma ou duas semanas antes. desde a sua primeira manifestação. A culpa existe em nós. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. as censuras da consciência. Para não transformar o tema numa composição literária. pois sabia muito bem que. temerosos e angustiados. ou até mais.. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. no entanto. Participara. o segundo. ao longo da sua inesquecível via crucis. chegados ao cerne do problema. como soldado romano. O primeiro. para libertar-se. mas relutou o quanto lhe foi possível. talvez tanto quanto eles. cobrir as razões de sua presença entre nós. e devemos. enfrentando os nossos espectros interiores. lutando. da penosa missão de aprisionar o Cristo. para desfazê-lo. e temos que reconhecer.Em suma. como um caramujo. E. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. não é fingir que ela não existe. Na verdade. 130 . porque é justamente esse fingimento. deixa cair os véus com os quais tentou. É claro que também somos endividados. Este caso encerra outra lição importante. agora. estamos envergonhados. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. em busca da paz. mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”. ou de conduzi-lo. Sempre fui um soldado. mantém-nos paralisados à beira do caminho. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: — Veja o que eu ia dizendo. cruzarmos os braços e esconder-nos. detidos. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo. depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. é refazer o que não podemos mais desfazer.

nos antecipando. Claro que você pode continuar a fazer isso. de que a resistência será grande. e muitas vezes o Espírito recuará novamente. sentindo-se ainda despreparado. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. mantenhamo-nos compreensivos e discretos. Neste caso.. seus erros. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E. de uma forma ou de outra. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante. Preciso pensar. que podem decidir o caso. uma contenda. que a verdade virá. Nela se definem muitas coisas sutis. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. É uma tentativa de entendimento. paciência e compreensão. ou seja. tato e paciência. É preciso. Espere com paciência. libertando o Espírito. De outra vez. a despeito de tudo isso. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação. somos meros espectadores. Limitou-se a dizer. na memória daquele irmão que sofre. não é “ganhar a briga”. estejamos atentos. ajudá-lo a descobri-las. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reveladores. porém.... mas. abandonar tudo aquilo. Deus. Ele a dirá. E acrescentamos: muito amor. Tentar identificálos é sua tarefa. que tenhamos a faculdade da empatia. suas mazelas e imperfeições. que era a motivação de sua vida. Espere um pouco mais. apreciação emocional dos sentimentos alheios. Não importa que ele leve 131 . O doutrinador não o forçou. seus crimes. Junto de um companheiro particularmente agoniado.. Dê-me mais tempo.. mas que o faça com muito tato.como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. não temos empatia. talvez. Nada de coações. há de continuar amparando-o. ou séculos. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo. de imposições. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. sofrer com ele. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. O que interessa. À medida que ele se desenrola. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra.. no entanto. acovardado. habilidade. temeroso. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. aceitar seu temor em descobrir suas feridas. por mais alguns anos. E preciso aprender a vibrar com ele. não uma discussão. Mas. ou confirmando-o na sua dor. também. que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo. agora. compreender sua relutância em abrir-se. Deixe-me. Basta um pouco de ajuda... busque com tranqüila perseverança. difícil. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. Estejamos certos. de pressões. neste momento. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro.. uma disputa. Veja bem: apreciação emocional.

como poucos. o clima torna-se insustentável e a situação difícil de ser contornada. adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. em pelejas dessa categoria. que cai num vazio. Resista. quando nos deixamos envolver pela sua agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. ou. de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. do que o doutrinador. em voz baixa e tranqüila. tantas vezes. tolerância. E muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. se o recebemos com fria e polida cortesia. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. ao impulso de “responder-lhe à altura”. quando somente uma grita. certo de que o Espírito está negaceando. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. Se o doutrinador cai na tolice de gritar-lhe de volta. o cego ao mudo e. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. não se deixe irritar. faça-o compreender. na maioria das vezes. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal. argumentou em causas importantes. e ele um réprobo enredado nos seus crimes. enfrentou grandes debatedores. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. compreendê-lo e servi-lo. paciência.a melhor no debate. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. Que a gente somente grita quando não tem razão. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. por mais bem preparado que seja. teólogo. que não é preciso gritar. Não altere a voz. mas resista mesmo. a infinita misericórdia de Deus. pois. o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que. por outro lado. Se o tem mesmo. Estejamos certos de encontrar sempre. está contido pelos dispositivos da encarnação e. Siga-o na conversa. da parte deles. que nos agrida. não o force. durante esse diálogo difícil em que. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. * É certo. pior ainda. pois assim não conseguirá ajudá-lo. sobre todos nós. não reaja da maneira que ele espera. por assim dizer. As leis morais. se ele insistir em falar em altos brados. escritor. De vez em quando. sem aumentar sua irritação. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. sem atritar-se com ele. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. ignorante de fatos importantes. a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. Não se esqueça. Aguarde pacientemente. precisamente para evitar cair nesse campo. que o aliena cada vez mais. Espere o momento oportuno. que o aturde e o traz à razão. ameace e procure intimidar-nos. como ele ficará ainda mais irritado. muito mais que com simples urbanidade. de mil formas. por ser o único revelador do núcleo interior de sua problemática. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. e difícil. Mas. nem mais culto. O Espírito precisa ser atendido com interesse. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. orador. Foi tribuno. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. pensador. que. e reiteradas. que sabe ser o mais “perigoso”. o doutrinador 132 . que a intuição do doutrinador deverá indicar. ainda. Seria. a não ser em condições muito especiais. Não é importante superá-lo na troca de idéias. tanto melhor. pois veio até a nossa casa. Não apenas se encontra na condição de visita. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. É o clima que convém aos seus propósitos. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma.

propostas. com um mero doutrinador espírita. infeliz débil mental. tentar a glória? Nem sempre. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. pelo menos. é verdade — digo-lhe eu —. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. me diz. ameaças. esse engano. ele precisa da nossa ajuda. Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. se possível por bem. e não como um agressivo guerreiro. uma lembrança fugaz. várias vezes. que ele não entende. na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. Um terceiro. também pronunciou sua ameaça. como dois velhos amigos que se reencontraram. para que eles passassem. Ao falar das suas grandezas. já estamos conversando. então. porém. se pode. amistosamente. porém. na História. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. para realizar os seus sonhos de domínio. É isso. ele replicará com toda a veemência. porque a pedra tinha que ser afastada. Já no passado cometeu. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. A essa altura. ao contrário. o tom de voz. teológicas e psicológicas. mas não hesita diante da violência. covarde. Tudo serve para compor o quadro. Lembremos-nos de que o perfil que procuramos é importante. surgido dos registros históricos. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. atentos. se possível. Sonha grande. bravatas. precisamente. medroso — haverá mistificações.. que de forma alguma precisa de nós. uma inexplicável ternura que. uma observação aparentemente sem importância. Mantenhamos o equilíbrio. essas bravatas e ameaças terminam assim. mesmo. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. hipócrita. pois não desejava causar-me dano pessoal. mas se isso fosse impraticável. atentos as informações que o Espírito nos fornece. também. Está muito bem como está. não sei de onde nem de quando. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. Não poucos serão os que. era para arrebentar tudo a dinamite. Como pode alguém desejar viver na obscuridade. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. porém. vem das telas infinitas desse continuo espaço-tempo em que vivemos.. na qual insiste. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. mesmo. meu Deus! — sinto por ele. Fala-me da sua glória. — Sim. Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. ou nós teremos que fazê-lo? Outro me informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. do século XX. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão. Confessa. a não ser que a isto fosse obrigado. embora projetando-se. sem me ferir. Se o mencionarmos. fantasias e deformações filosóficas. como um temível conquistador. ironias. Embora dificilmente admita.tem de aceitar o papel de um pobre. mas continuam a estimar-se e 133 . tentativas de intimidação. preferi a obscuridade.

os erros ainda não resgatados. muito difícil. É preciso estarmos. das ameaças e. uma enorme capacidade de amar. poderoso. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. (Marcos. Usualmente. O cerco aperta-se. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. — ((Vigiai e orai” — disse o Cristo. eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio ou de provocação. ferimentos e angústias. sofreremos senão naquilo em que ofendemos a Lei. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. temos que prosseguir o trabalho de resgate.respeitar-se. Há uma diferença considerável em ser intimorato e ser temerário. mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. e. como nos disse um Espírito amigo. No trabalho mediúnico de desobsessão. se assim não fosse. Um deles. de certa forma. de um ou outro desengano maior. pois. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. a mão de seu aturdido doutrinador. logicamente. vamos ser punidos porque estamos procurando. e em prece. Seria profundamente injusta a Lei. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos. Isto é válido para todo o grupo. não podemos colher rosas. sofre a ausência de afetos muito profundos e. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. aflições maiores. exatamente. e não apenas para o médium. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. que contar com contratempos. mas a carne é fraca”. as culpas ainda não cobradas. 134 . por mais fantástico que nos pareça. Então. para engrossar as fileiras dos que estão parados. teme novas quedas. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida digna. preciosas. ainda há poucas semanas. em nenhuma hipótese. no entanto. mas sem cometer o engano de ridiculariza-la. 14:38) O Espírito deseja a libertação. agressivo. Em primeiro lugar. nos espionam e nós assediam. doenças inesperadas. temos. no fundo. a despeito dos espinhos das rosas. pois o Espírito está pronto. ou para o doutrinador. depois de desperto: beijou. em si mesmo. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça. bem certos de que. sabem disso. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado. tão bem ou melhor do que nós. É necessário não intimidar-se diante da bravata. sonha com a paz. quase inabordável. sem jamais nos ferirmos nos espinhos. enquanto puderem. com emoção e respeito. experiências e qualificações inesperadas. que o sufoca. ele daria tudo para destruir. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. o mesmo que. pelo menos. e. Mesmo com toda a vigilância. continuamos vulneráveis. mergulhado no corpo físico. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. mal-entendidos entre familiares. mas. Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. pelo menos. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. não pôde conter sua gratidão. certa vez. a uma observação superficial. o rancor está firme atrás delas. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo. ou. como disse um amigo espiritual muito querido. hão de reter-nos na retaguarda. sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções.

não responder à ironia com a mofa. é esta: não ridicularizar a bravata. deseja e espera que nós consigamos salvá-lo.. posição. dominar mentes. não se intimidar.Mesmo que ele nos fira. por exemplo. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta.. A proposta pode ser um simples negócio. há um tempo enorme. votadas. como dinheiro. e foram afastados sumariamente. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões. igualmente. E. Concordarão. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. A um desses respondi que não sabia. Como dizia há pouco. deram-se mal.. Já referi aqui também. por ele mesmo. bem no fundo de si mesmo. passado o rompante das primeiras agressões. que eu ficaria estarrecido. mas não ser imprudente. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais. pouco a pouco. pois que. De um Espírito encarnado. nas suas organizações. por si mesmo. feito contra mim. Estão acostumados a tais ajustes e transações. aqueles que nos acenam com é belíssimas” posições. no trato de situações como essa.. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada. quando lhe estendermos a mão. portanto. A regra. a da resistência inesperada. aparentemente tão frágil. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram. ainda. 135 . afinal de contas. aquele que me propunha desfazer um “trabalho”. prazeres. ou em liberar outros. ele. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. sim. por exemplo. como dominar a minha. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas. ou pequenas concessões. com seus próprios recursos. a que particularmente estejamos dedicados. certa vez. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. em deixar de atormentar alguém. Um deles me disse. Se podem comprar nossa desistência. que mantêm prisioneiros ao mundo espiritual. para ajudá-lo a levantar-se. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas. mais do que ninguém. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. nem desafiar a ameaça.. e esta precisa. aqui e ali. impedir seus passos. Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará.. ao que tudo indicava. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem. no passado. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados. De outras vezes a proposição é mais sutil. bem como.. se os espinhos nos ferirem. na sua instituição. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. com a peçonha de seu rancor inconsciente.. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo. de algumas considerações à parte. tão reduzido. De modo que. no fundo. Você sabe. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando. à prática do mal. E ele. ele nos será muito grato se o conseguirmos e. Começam com elogios. ele não o conseguiu ainda. imperturbável: — Sabe.

é mais do que óbvia. à primeira vista. Em situações como esta. por mais infantil que seja. para o lado de lá. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. métodos semelhantes aos seus. A cobrança virá. alguém que prove ser pela menos um pouco melhor do que a média humana.nos foi dito que desistíssemos. jamais. ou fazer. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. Às vezes eles insistem. deixar de ajudar alguém. Além disso. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. tentarmos “virar a mesa”. sobre aquele que concordou com o trato e que. jamais. Absolutamente. o que é estritamente verdadeiro. desesperados. enfim. aí no mundo de vocês. mais experimentados do que nós. Não recuso a proposta. com isso. depois. estava muito feliz. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. para dar o xeque ao rei. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas. que precisam de ajuda e compreensão. às vezes. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. ou um bispo valioso. e. o que. com a qual estão acostumados a lidar.. então. e não de que os confirmemos nas suas práticas. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles. Usualmente. a qualquer tempo. Procure um dos nossos companheiros espirituais. porém. fora bom para ambos as lados. qualquer concessão. costumo ter uma resposta padronizada. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. porque sentimos que estão fracos e algo perplexos.. as concessões que nos oferecem têm elevado preço. que sacrificar uma dama. Tenhamos. ou pelo terror. O tom pode ser este. imatura e precipitadamente. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e. da parte deles. e nós. além do mais. e nem a aceito. ante a resistência inesperada à sua vontade. O negócio. Não os subestimemos jamais. ou seja. Não podemos. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”. que as conseqüências serão funestas para nós. Se a uma proposta. Escarnecer de suas propostas. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. evidentemente. está bem para mim. é desumano. seres redimidos. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. Tinha tudo quanto queria. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. iremos desinfetar. pode ser desastroso. dispostos a tudo. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. esquecer-nos de que são pobres irmãos desorientados. não podemos permitir-nos utilizar. mas que necessitam de nós. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. são simples vermes infestados de culpas. como tenho observado: 136 . nada impede que desfaçam o trato. que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que. votados à maldade intrínseca. nessas duvidosas transações. diante de nós. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. São irmãos doentes. passa a vítima inerme de sua própria tolice. por mais inocentes que se representem. São metódicos. de suposto aliado. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. A prudência continua a ser a melhor conselheira. na prática comercial. nas quais têm. O que ele resolver. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. A segunda observação é a de que. Além do mais.

porém. fogem às perguntas. no princípio. Voltou. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. e até mesmo respeitosa. Essa história tem ainda um post scriptum. desde que os fins sejam alcançados. depois. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. você sabe. se não tiverem o grupo. DORES “FÍSICAS”. Eles não poderão fazer nada. deu murros na mesa. é preciso deixar falar. não importam os métodos. Várias artimanhas 137 . Um dia. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. um pobre transviado. pela simples razão de que não o somos. Estava recolhido a uma instituição socorrista. semana após semana. a fim de aos aproximarmos do âmago de seus problemas. mas pelas suas idéias. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. isso é compreensível. mas você pode resolver a parte que lhe toca. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e. pela dor ou pela sedução. assediou-nos. Usam da ironia. mas que nós. o diálogo vai se desenvolvendo. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. para dizer-nos desses nobres sentimentos. Era profundamente honesto consigo mesmo e. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar-nos ou quebrar o nosso moral. tranqüila. portanto.— Está bem. no seu desespero. Outros são bem mais artificiosos. e achava. Não lutava especificamente contra nós. e se você acabar com o grupo. em desdobramento. é inadmissível. a partir de uma espécie de monólogo. Tinha. porém. DEFORMAÇÕES. que nada dizem. tempos depois. Um pobre irmão desses. Seria profundamente desumano negacear com ela. o que acaba acontecendo. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. e vinha pedir nossas preces. e arrasado de remorso. E comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. também. redespertados em seu coração. para despedir-se. no passado —. Que ela tente. CACOETES. A criatura que está diante de nós. com a graça de Deus. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidas de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. sem dúvida. totalmente dedicado à sua ingrata causa. para que informe sobre si mesmo. FIXAÇÕES. que tanto se esforçava por salvá-lo. pelo menos. É preciso respeitá-la. viu-se em toda a extensão de seus enganos. experimentemos a mesma arma.. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. MUTILAÇÕES. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. como tantos outros. Caso contrário. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa.. Mesmo a estes. O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. Muitos o fazem logo de início. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. encontra-se desatinada. Nesse ínterim. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo.. extremamente desarvorado. incorporada ao médium. atormentou-nos. pois. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. paciente. tentou enganarnos. necessitada de compreensão e de amparo. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar. A posição do doutrinador tem que continuar firme. Ele visitou-nos novamente. evidenciemos que nossos métodos são melhores. Merece nosso respeito. convenceu-se de seu engano.. no mundo espiritual. é necessário deixar o Espírito falar. Pouco a pouco. por algum tempo. com ameaças terríveis. como vimos. um grande e generoso coração. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo.

para que se mantenham firmes nas suas posições. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. médiuns ou não. Tivemos disso um exemplo. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. mesmo mentalmente. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. Como o companheiro correspondeu a sua abordagem. a ponto de. nos orientava. os resultados podem se tornar desastrosos. em torno da mesa. condições de captar-lhes o pensamento e. era apenas o de estabelecer. todas as semanas. Há. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. após longo tempo de conversa. tanto se insiste na importância da 138 . a cada um de nós. mesmo. pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. Um companheiro esclarecido e experimentado que.são empregadas para esse fim. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. este elo. criavam. com finalidades muito diversas. Às vezes. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite. Neste a técnica era obviamente utilizada para o bem. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. O Espírito começou a dirigir-se a ele. quanto ao que se passa. achou graça num comentário do manifestante. com uma palavra mais pessoal. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. um vinculo positivo. via intuição. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. os Espíritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. Sentiu-se fortalecido e disse. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. em boa faixa de equilíbrio e concentração. do mundo invisível. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. que ainda estudaremos com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. que ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. sem dúvida alguma. com um senso critico imprudente. costumava sempre dar uma palavra inicial. certa vez. pois. não bem afinados afetivamente com o doutrinador. certamente tirarão partido da discrepância. Se um companheiro desavisado responde. os circunstantes encarnados. E através daquele que atuam os Espíritos orientadores. todos. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. dizem gracejos. entre nós todos e ele. excelentes razões para manter como regra. assim. bem atento aos seus companheiros encarnados. de estímulo e encorajamento. quando alguém. se o fizerem. Os Espíritos manifestantes têm. necessário ao trabalho. afetuosa e cordial. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. freqüentemente. Estes companheiros não devem fechar-se na indiferença. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas. mas. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. em nosso grupo. pois isto faz parte da técnica. de raríssimas exceções. mesmo que ela fique imanifesta. pois. mesmo com um simples sorriso. O doutrinador tem que estar. Muita atenção com estes artifícios. Suas palavras singelas. que ficaria falando sozinho. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético. para provocar o riso. Por isso.

é possível que ocorra a necessidade. Talvez já saiba. se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia. o doutrinador. apenas pensadas. mas é melhor excluir-se. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. Não que o doutrinador seja infalível. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. claro. ou a conveniência de alguém mais falar. através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. Fora desses casos. no entanto. imprevisível e traiçoeiro. porque o terreno em que pisamos. e este não possuir. de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. no grupo. com freqüência. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. Mantenham-se atentos ao diálogo. e o doutrinador errado. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. no tempo e no espaço. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. numa técnica muito sutil de desmoralização. e. pois. por amá-lo particularmente. pode ajudar a despertá-lo. ele falha mesmo. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem 139 . Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. como componentes encarnados do grupo. mas não se envolvam nele. que mina o trabalho.fraternidade. mesmo. então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. com alguém presente que. de sua influencia obsessiva. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. além do pensamento. perfeito. Sob condições especiais. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. que ele esteja certo. Estamos tentando. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. é ele quem está preparado para ela. neste livro. pelo menos. Lembremos. não acarrete maiores dificuldades. ou seja. alguém que nos pediu ajuda. o doutrinador julgará. digamos. que alguém. É possível. condições para a sua tarefa. um gesto de fraternidade mais objetivo. subtrair. Dessa forma. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. seguindo com extremo cuidado o diálogo. nem mesmo por palavras inarticuladas. É comum que este procure burlar a norma. Se não pode ajudar. Se ele estiver certo. que insistimos em qualificar de excepcionais. segundo sua intuição ou a instrução dos mentores. que. Convém a eles a generalização da conversa. Claro que. a ponto de tornar-se criticamente negativo. fazer-lhe um pedido de perdão. Outra norma subsidiária: os circunstantes. Ainda não dispõe. a que veio o Espírito. mesmo assim. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto. descobriu a razão pela qual foi atraído ao grupo. ou com um gesto de que se lembre com saudade. ou seja. no trato com esses irmãos desarvorados é difícil. Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. vigiem bem seus pensamentos. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. nem que esteja sempre certo e com a razão. deve continuar atento. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. Pode ser. para retomá-lo quando julgar necessário. a conversa prossegue. Em casos assim. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. deve afastar-se do grupo. por exemplo. Enquanto isso se passa. ainda que tenha falhado. por exemplo.

se recusam a responder. porém. Aguarde-se. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. uma pergunta diferente. pois. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. respondem. simplesmente.. de conotações essencialmente humanas. mesmo. outras lembranças. com problemas suscitados no relacionamento. continue a falar-lhe. não quebrar. ele não conseguirá isso por muito tempo. que se aplique particularmente ao seu caso — e sempre haverá uma ou mais. uma pergunta mais pessoal. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. procure apaziguá-lo. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua motivação. tão pronunciada e tão absorvente. Veja bem: ajuda-lo a quebrar. O processo pode alongar-se por muito tempo. espoliação. aqui e ali. até que adquiram confiança em 140 . em certos casos — seu próprio Espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. Com freqüência. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. Ou dão respostas evasivas. Se grita e esbraveja. Ou. logo nos primeiros contactos. Como. Ele tem que sair com seu próprio esforço. até mesmo. às vezes. o ódio. em casos extremos de fanatismo apaixonado.. procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. se podem é fazer aquilo. Deixemo-lo falar. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer. quase sempre. a impossibilidade do perdão. ele está convencido dos seus direitos e. fala o que de fato sente. desamor. senão ficará andando em círculo. para exercerem suas vinganças e perseguições. melhor ainda. sequer. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los. falando-lhe de uma passagem evangélica. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem notícias de amigos e parentes daquela época? É claro. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. por mais errado que esteja. de vez em quando. Neste caso. na sua memória. pois. não obstante. com muita sutileza. ou.o seu núcleo: traição. os manifestantes reagem. Por outro lado. Ou. Terá que fazê-lo. embora isto também seja possível. Deixe-o falar. Não se esquecer de que. para essas idéias fixas. No entanto. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. arriscando. Coloque. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório. um caso pessoal. no seu ódio irracional. e coisas semelhantes. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. de ouvir o doutrinador. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. Tem que haver. aquilo que lhes compete realizar. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. outras sentimentos e até mesmo outras angústias. da cobertura divina. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele. mas não tudo quanto queira. à volta de sua idéia central. à que Deus o permite. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. a fixação é. porém. pelo menos. É. que o Espírito não tem condições. o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. pelos outros. como um louco varrido. Por mais voltas que dê o Espírito. Além do mais — dizem —. arrancá-lo à força. vingança. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se.

Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. de um pobre sofredor. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. E. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. sob a forma de trejeitos e contrações. de muitas maneiras e sob variadas condições. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. por isso. quando sacrificou. não porque não queira. Quando me propus a curá-lo por meio de passes. a fim de afastar o pensamento do comunicante. a esposa e os filhos. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito. tivemos também um caso. mutilações e deformações perispirituais. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. a punhal. Outro sentia. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. Mesmo assim. Exposto o âmago do problema. ainda. Só então. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. ou. sem precipitação. provavelmente. e ele se lembrou da cena de um passado distante. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. nestes casos. ficou bom. Ele não quis dizer. fornecendo-lhe pontos de apoio. porém. Se sabia. tentava ignorá-la. que ele acreditava não fossem seus. ainda que temporariamente. neste livro. a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. levantei-me. um mecanismo de defesa. por meio de passes. guilhotinado na França. porque ela lhe dava uma aparência terrível. de que espontaneamente ele não sairá. que parece construir uma barricada às nossas costas. Sua “cura”. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote. seu drama resolveu-se. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? — e quase inaudível. ainda. O objetivo das perguntas não é.. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa.nós e nas nossas intenções. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saída daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. segura pelos 141 . se ficasse curado. e vi logo que ele reagia. nem saberia conscientemente a razão. durante a Revolução. voltando a movimentar o braço. sobre os quais ela possa expandir-se. porque costuma funcionar. obviamente. devem limitar-se a conduzir a conversação. Não sei. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. aparentemente irrelevantes. intensamente dramático. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta. Ou. pois achava que ela o havia traído. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. na mão direita. Não nos esqueçamos. mas porque não sabe.. Em uma oportunidade. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. ao certo. ao que parece. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. sentindo o impacto dos fluidos que o alcançavam. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. se ele sabia a razão da paralisia de seu braço. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que. realmente. para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação.

Teoricamente. Estava tudo lá. à mão. como. Isto foi possível fazer. Enquanto lhe dávamos passes. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. de cabeça decepada. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. as orelhas. E conferia. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. além da que há pouco mencionamos. Quanto ao que lhe acontecera. que eram infiéis a Jeová e. porém. Enquanto a tivesse ali. pois convicto de que estava sem cabeça. ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!. também. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. além dos passes habituais.. Vivia apavorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. embora as esqueçamos. agora. porque ela tem outras aplicações. ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. Levo-o cautelosamente para uma introspecção. ele não tinha condições de falar. o fui convencendo de que podia falar através do médium. alimentava a esperança de “repô-la” no lugar. ele parecia absorver os fluidos avidamente. não apenas para recebe-los.. talvez.cabelos. É verdade. Não obstante. por incorporação. não acreditava que Deus o tivesse feito. a boca. e a invocar o seu direito à cobrança. Explico-lhe que vivemos muitas existências. Oramos e lhe demos passes. Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação. O diálogo inicial foi difícil. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. a da impunidade. mesmo sem a vidência. porque a idéia de direito implicaria. sim. * Mas o diálogo prossegue. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. o nariz. Continua a submetê-lo ao seu próprio juízo. Louco de alegria.. isso. o que se percebeu. muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. procurando impregnar-se deles. Subitamente. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. Reviu até a fila de espera. A custo. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. toda a anatomia facial e craniana: os olhos. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma. ele pode cobrar. Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos. digo-lhe. “você andou também cortando a cabeça de alguém”.. E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão. Ele se lembra. o quadro que se lhe apresenta. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. com a ponta dos dedos. ele os executava. Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. “Provavelmente”. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. mesmo decepada. com a graça de Deus. 142 . depois de condenados. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. com movimentos aflitivos das mãos. para ajudar na recomposição da forma “física”. para castigá-lo. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos.

como explicar tudo isso. Creio que. ele arcará com as suas responsabilidades. tanto numa. com objetividade e sangue-frio. do qual conhecemos as primeiras letras. Por que manter dois Espíritos amarrados. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos. pela regeneração. nós mesmos. como noutra. uma falta cometida contra mim. assim mesmo. Ele não se mostrará sensível ao apelo. imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. estaremos começando a ajudá-lo. que ele se recomponha perante a sua vítima. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez.É claro que não falo aqui no direito humano. por exemplo. pois que direito é esse. ele se inscreve novamente como culpado. Ele quer cobrar. com prazer. que o rancor não se satisfaz nunca. Um dia despertará. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. no processo que ele próprio criou. pelo esforço que faz em ajustar-se perante as leis divinas. Às vezes. que o interessa pessoalmente. cada vez mais dolorosa e ampla. a prisão ou a indenização redimem o criminoso. Não importa. Não obstante. através de sua própria consciência. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. A lei divina pede do ser. Sacudido pela tormenta das suas paixões. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. as faltas cometidas contra nós. não haveria direito liquido e certo de cobrarmos. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do Espírito. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. medite. se Deus me assegurasse o direito de cobrar. com mais um século ou dois de rancor. ele nem percebe que também sofre. vida após vida. Não sabe ele. e que continua retido. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. impunemente. indefinidamente. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. exercendo a vingança por suas próprias mãos. ele esteja quite. no momento oportuno. através de seres que lhe são caros. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. mesmo que. basta uma pergunta bem colocada. ele já está convencido dessa realidade. de forma convincente. como se estivesse apreciando um caso. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da reparação? Em muitos casos. existe a idéia básica da reparação. Acha ele. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. em face dos códigos terrenos. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. e somente o libera da sua própria dor. afinal. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. pelo perdão. a de que. pela vingança. procure encarar o processo. Por outro lado. porém. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. que. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. e as sofrerá. a divina. para retomar a sua 143 . pelo despertamento de seu Espírito. sobre as virtudes teológicas do perdão. ou seja. não o seu caso. diz ele. o seu ódio somente se estanca. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. no tribunal invisível da sua própria consciência. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita. respondendo por desatinos cometidos. Quando chegar a hora da dor. Ante a lei humana. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. Dessa forma. revezando-se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. na alienação da sua vingança sem objeto. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra.

É hora de falar-lhe com mais firmeza. recomeçou a indução.caminhada. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. pelo nosso grupo. exige uma solução para o seu caso. temos que contrapor. autoritária ou rude. ainda e sempre. de compreensão e de esclarecimento. E por que esperar tantos desenganos. seu hipnotizador. porém. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males. por certo. Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. Digo-lhe. mais paciente. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. em altos brados e com desprezo. e do carinho de nossos dedicados irmãos. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. tato e oportunidade. A energia não está no tom de voz. Ele foi recolhido. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. mas tem que reconhecer. Deseja morrer. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. reclama. deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. o esforço deve ser redobrado. Este é o momento em que certa dose de energia torna-se de imperiosa necessidade. mas naquilo que dizemos. da nossa parte. Por outro lado. se for necessário dizê-la. resvala novamente no precipício da desarmonia. em estado de terrível agitação. A uma palavra minha. Quando me levanto para ajudá-lo. também. sem precisar ser melosa. diz. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. de uma palavra mais enérgica. a necessidade. recaíra em poder de seu perseguidor. que ele não pediu a Deus. em tom afável. Certo Espírito apresentou-se-nos. que o reduzira ao mais extremo desespero. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. Ele precisa. a seguir. que. mas que isso de nada adiantou. mas. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. Este é o irmão a que já me referi. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. agora? LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta. muito jovem. diz que sim. que Deus não se acha à nossa disposição. falou aflitivamente de seu problema. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. pois desencarnara. que de nada valem meus passes e minhas preces. Isto não exclui. Não é assim que as coisas funcionam. ao contar que. mais desarvorado do que nunca. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. como num passe de mágica. pois. E. desintegrar-se. sem pieguice. A voz precisa continuar calma. também não posso lhe tirar a dor. certa vez. se pretendemos minorá-las. às suas aflições. de ressentimento ou de condenação. Dizia que a sala estava cheia de 144 . quando conseguir pegá-lo. em estado de pânico e aflição indescritíveis. Se o companheiro é agressivo e violento. afinal de contas. o momento de dizê-la tem que ser buscado com extrema sensibilidade. às vezes. Caíra em poder de implacável hipnotizador. mas é imprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. a nossa tranqüilidade. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. Agora. que pediu a Deus. A essa altura. apoiada na compreensão e na tolerância. Nada de precipitações e ansiedades. Contraditoriamente. A despeito de todo o cuidado. em condições dolorosas e trágicas. que se achava presente. se esse dia pode ser hoje.

pois. no entanto. deixando-o “brincar” um pouco. presentes. extremamente delicado. Achei. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício chegara. evasivamente. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. falarem com inusitada energia e firmeza. limitando-se a transmitir uma pequena informação. Raramente interferem e. disse-me. que se achava sobre a mesa. quando isto se torna imperioso. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda. no momento inoportuno. e eu também não lhe disse nada. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. revelar-se temeroso e intimidado. certa vez disse um “Basta!”. desviei sua conversação animada. que subiam pelo corpo dela. O problema da palavra enérgica é. no mínimo. incorporam-se em outros médiuns. de agressividade. como este. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se. pois os bons mesmo são raríssimos. nestes casos. para que o próprio doutrinador a desenvolva. Mas estava evidentemente desbalanceado. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. sob condições especiais. de impaciência. Algo desconcertado. Se o 145 . Um desses companheiros amados. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos transformam em meros repetidores de suas palavras. um pequeno incidente. Muitas vezes envolvem. não nos esqueçamos. pensou. Esse meio-termo. enganam e mistificam. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. Se este “topar a briga”.. Era um líder. poder de oratória. Tomou um pequeno lenço. que. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. por certo. Percebera. e. e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. e revelava desespero. como quem apela para um recurso extremo. para isso. Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. só podemos contar com a intuição. um homem assim inteligente e culto. o momento tem que ser oportuno e. mais a sério. pois começa a ficar vaidoso. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. Mas.. É comum.. ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. Ela se manteve firme. talvez. com extraordinário vigor e habilidade. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis. o episódio ficara esquecido.baratas “astrais”. A certo ponto. Se pronunciada antes da hora. e de ratos que corriam de um lado para outro. facilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. incongruente. sobre os seus “recursos”. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. e. muitas vezes. como eu deixara passar a ocasião de falar. sobre a “doutrina” de Kardec. agressividade e arrojo. habilidade como argumentador. quando falham os outros. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. Não pode. mentores espirituais. eles nos orientam e assistem. Em casos excepcionais. fazem-no com extrema discrição. entre destemor e intrepidez. com seus recursos. porém. um “professor” de Doutrina Espírita!. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era.. faz uma brincadeira como aquela. por outro lado. com incontestável autoridade. na sessão anterior. para doutrinar o Espírito manifestado. sem o menor traço de rancor. que se diz líder e mestre.

e por quê. e. É preciso. E que. quando desafiado. com extrema sensibilidade. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. depois de uma observação mais enérgica. extravagante. à cólera. mesmo depois de tudo 146 . e que o mais profundo amor fraterno pode e deve co-existir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. tem que ser ainda mais adoçada. o momento certo. Bem dizia o nosso Paulo. é naquilo que somos bons. de hipocrisia ou de prepotência. com extrema habilidade. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes. Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. quando começa a perceber que está cedendo. mesmo. tão viva. embora não tão qualificado intelectualmente. Nunca deve ir à agressividade. ilógica ou irracional. Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. pois. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. que “a fé é a garantia do que se espera. escolhido com seguro tato. ao contrário. A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador. indispensável. É humano. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. Em suma. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. fonte de belezas eternas. Quando alguém põe em dúvida um. Ainda voltaremos a falar sobre o amor. e jamais ao desafio. e da maneira sugerida pela intuição do momento. certos de que firmeza não é estupidez. mas deve ser dosada. em freqüentes ocasiões. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar. a palavra enérgica é necessária. A interferência enérgica é. tão firme. encorajadora. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. sempre a nos surpreender com o seu infinito potencial. pois. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. de Espíritos aturdidos ante a evidência desses sentimentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. é incontestavelmente humano. Baste aqui dizer que a energia. ele se surpreendia em achá-la tão legitima. Nada de gritos e murros na mesa. e não repressiva. de harmonias insuspeitadas. esse tema inesgotável. intimidado. ou seja. estaremos em apuros muito sérios. de comovedora sinceridade. tenha melhor condição. Ademais. especialista em tais assuntos. esse impulso. 11:1). que seja. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. de reservas inexauríveis de energia criadora. Qualquer um de nós redobra suas energias. tratamos logo de provar que. que você não se importa. nem grosseria. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. precisa ser decidida a vista da psicologia do próprio Espírito manifestante. à irritação. uma questão de oportunidade. é a do ridículo. dos nossos mais modestos atributos. para os seus fins. E acrescentou. O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. Uma das muitas armas que manipulam. seria desastroso recuar. neste livro. Ainda veremos isto mais adiante.doutrinador julga-se invulnerável e infalível. neste caso.

preciosos. no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara. Ore.dito e vivido. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. Em certas ocasiões é preciso orar ainda no princípio da manifestação. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. Muitas vezes. de outro modo. despertar uma idéia. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. De transcendental importância. no decorrer do diálogo conosco. não nos permitir colher. sem fraseologia inútil. e. é durante a prece. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. ao qual se conserva indiferente a alma”. que são meros adornos de lantejoulas. A prece o envolve em vibrações pacificadoras. Dificilmente ele recusará. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. puramente exterior. por em vibração uma fibra da alma. a prece tem seu momento psicológico ótimo. O melhor. ou por alguém por ele indicado no grupo. de um caso para outro. notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. do Espírito. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (cap. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. antes. simples e concisa. Lembro que os destaques não são meus. Citando os seus amigos espirituais. o pensamento é tudo. verifica-se que ali apenas há um ato maquinal. em uma ternura que. pois. ou de alienação. é esperar um pouco. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. quando diz. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o companheiro nos tenha revelado. na maioria dos casos. dita em voz alta pelo doutrinador. não passa de ruído. ainda que o recuse. subsistiriam “a fé. 147 . que varia. para os trabalhos de desobsessão. necessariamente. em virtude de o estado de agitação. a esperança e o amor.” (Primeira Epistola aos Coríntios. os três. Basta dizer. devemos fazê-la. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. Estes ensinamentos são... Vêem-se lábios a mover-se. Kardec torna isto particularmente claro. talvez há muito não experimente. 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. 13:13) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. estão no original. incorporado ao médium. enunciada com emoção e sinceridade. no entanto. pelo som mesmo da voz. em qualquer oportunidade. No momento propicio — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. mesmo porque. Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. para qualquer tipo de prece. nem luxo de epítetos. Cada palavra deve ter alcance próprio. Entretanto. e sim comunicar-lhe que vamos fazê-lo. Kardec escreve. mais adiante. não devemos pedir-lhe permissão para orar. um pouco da sua história e da sua motivação. mas. Numa palavra: deve fazer refletir. na verdade. pela expressão da fisionomia.

Representa uma experiência da qual se desabituaram. Estes ainda riem. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz. por algum tempo. Se já dispõe de alguma informação sobre ele. em silêncio. por causa daqueles enganos. ambos. fale especificamente de seu problema. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. preferem ficar como estão. Alguns. Geralmente ouvem-na em silêncio. tentando reproduzir. conseguíssemos retomar. que muito raramente eles procuram perturbar a prece. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. com as mãos estendidas para ele. ao lado do companheiro manifestado.Como disse. ou interesse. pelo menos comedido. Ou lhes falta coragem. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. por julgarem-se além de toda recuperação. ou 148 . “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis.. de se dirigirem a Deus. para que. São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. no entanto.. pedindo ajuda para o companheiro que sofre. Estão com medo. Alguns informam depois. Eles se esqueceram. ainda que nem sempre instantâneo. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. mas como se fosse ele próprio. que acreditava muito cômicos. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. Poderá. Em alguns casos. escorada na emoção e no afeto. muito crítica e importante. Curioso. insistem em continuar falando. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. pura. no entanto. pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. às vezes por séculos. surpreendente. dificilmente ele se oporá. e que se encontra anestesiada. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. Dirija a sua prece a Deus. ao longo dos séculos. juntos. Não têm mais vontade. e acabou cedendo.. no curso dos seus pensamentos habituais. O efeito é “milagroso”. da prece — um riso nervoso. Entre continuar numa dor que já conhecem. zombando ou ridicularizando. dar um muxoxo desinteressado. ou durante a prece. como irmãos que éramos. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. senão respeitoso. Certa ocasião. a Jesus ou a Maria. que se acham “defendidos”.. e entregarse a outra que desconhecem. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. se quiser. ou fazer um comentário condescendente: — Pode. em gestos. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. Medo da emoção que os leva a crise. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. se estivesse em condições de fazê-lo. e até milênios. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus. julgando servi-lo. sem convicção. Ele ouviu a prece. no máximo. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta. Ambos havíamos sofrido. pobres irmãos. singela. a nossa caminhada. Ela os leva a alguns instantes de pausa. A prece deve ser dita de preferência de pé. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. orar.

e preparou-se para orar. Como se julgam alienados da doce intimidade do Cristo. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. os que a ridicularizam. os que se recusam a dizê-la. quando convidados a orar de verdade. porque temem seus efeitos. mas. ou não concede o que julgamos merecer. pois. que nos concede aquilo que não merecemos. passem a não crer nela. os componentes do grupo. pois. que oram até mesmo com certa veemência. ou o Cristo. difere de um caso para outro. cega e injusta. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium. de intensa e desastrosa sinceridade. a falta dos paramentos e dos livros adequados. no atormentado mundo espiritual em que vivem. em respeitoso silêncio. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre conteúdo. mas pedia para nós. diante de um doutrinador impertinente. quando pedimos para orar conosco. transformou-se em mero instrumento de poder. porque o fanatismo é. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. então. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. sentem-se atônitos e temerosos. aparatoso e vazio. Para esses pobres companheiros desarvorados. a uma platéia invisível a nós. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. no fundo. exteriormente. por julgarem-se indignos. Enquanto isso. porque o Cristo sabia de suas necessidades e aspirações. mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. um culto formal e frio. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. Na profunda intimidade do seu ser. por me faltar autoridade para fazê-lo. embora reagindo. mesmo. quando propomos que eles orem também. no seu caso. a vida inteira. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. pois. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. algo surpreso. com a impropriedade do ambiente. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. Ele ainda comentou a minha atitude. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. dizendo que “ali não há condições”. ou não necessitados. por exemplo. para livrá-los da situação em que se encontram. que ao cabo de tantos desenganos. para exigir favores de uma divindade servil. e os que se acham de tal maneira alienados. de fato. e nada pedia para eles próprios. os que ouvem. como acima esboçado. vida após vida. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. Alguns deles. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. recusam-se. Desculpam-se. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. Outros. Não é de admirar. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. ou. mas. Não são poucos os que continuam. até mesmo a prece. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo. os que se comovem. desculpam-se desajeitadamente. falando com entusiasmo e brilho. A reação. ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. Há. no qual o coração e a fé não se envolveram. mas não tentam impedir-nos. Recolheu-se a uma postura correta. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. a quem orava com todo o fervor. estava ao abrigo de suas próprias 149 . com muita veemência. virá imediatamente em seu socorro. Sua prece era um tanto oratória e.com a qual não se acham familiarizados. pediram favores insólitos a Deus. a celebrar suas missas. ou seja. às vezes. Por isso. convencidos de que Deus. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. mas ainda precisam de tempo.

Retomando o tema. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. declara. para que essa vontade. ou perispírito. às culminâncias da esperança. através da oração. apoiada na fé.contradições íntimas. Pouco antes. observa ainda. do ponto de vista da medicina humana. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. de coração sangrando. por exemplo. para voltar a ferir os pés descalços. nas sessões de desobsessão. no entanto. magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. Tão difundida está hoje. que. reconhecendo-se. espicaçado pelo remorso. descer do pedestal de grande mestre. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. se recomponha para o equilíbrio indispensável”. O PASSE A técnica do passe magnético. A prece nos liga porque. Sendo. pois. a esperança e o amor. Paulo apresentou juntos a fé. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. merece algumas observações especificas. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veiculo carnal. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. porquanto. pl. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos 150 . o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. mas. pelo menos no Brasil. dissera ele que: — “Toda queda moral. a fé. no entanto. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. É por ela que conseguimos alçar o nosso Espírito. esse mesmo autor espiritual. informando sobre o passe. opera certa lesão no hemisfério psicossomático. em toda situação e em qualquer tempo. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. porém. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. aprisionado ainda no erro. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. a idéia do passe. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. de suas responsabilidades maiores. pelos caminhos espinhosos da recuperação. nos seres responsáveis. ou líder. novamente ajustada à confiança. como. ou diante de nós. a fim de que o Estado Orgânico. Esclarecemos. em “Mecanismos da Mediunidade”. em “Evolução em Dois Mundos”. por desajustes complicados do cérebro. provocando determinada causa de sofrimento”. nessa ou naquela contingência. que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe.

a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. é imprevisível. o desdobramento do perispírito. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. qual o momento. O perispírito. embora mais sutil noutro campo vibratório. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. porém. Os ensinamentos de André Luiz permitemnos concluir assim. o passe é utilizado também para magnetizar. pelo simples fato de que o ser humano. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. no entanto. provocando. mas bastante encorajadoras. Na prática da desobsessão. quando informam que o passe magnético. Mas. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legitima. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. nesse caso. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. ao que sabemos. A literatura sobre o passe magnético é vasta. Como sabemos. de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. tanto no encarnado como no desencarnado. o Espírito desencarnado. No entanto. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. portanto. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. em hipótese alguma.misteres da Providência Divina. é similar à do corpo físico. pois é ele o modelador da nossa organização material. qual a técnica e qual a extensão. Sua estrutura. Nesse campo. Sem dúvida alguma. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. ou seja. o conhecimento real emerge da experimentação. aplicado em seres encarnados. principalmente na França. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. com a técnica adequada e na extensão necessária. ainda que preliminares. Poucos estudos existem. a experimentação deve 151 . deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo. mas que. definições precisas e definitivas não existem ainda. de falhas e de êxitos. Nunca é demais lembrar que. apoiado na prece. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. está presente. no século passado. sobre o passe aplicado aos seres desencarnados. reiteradas posteriormente por vários pesquisadores. de um ou outro engano. incorporado ao médium. Parece. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. Dessa forma. como para provocar a regressão de memória. segundo experiências de Albert de Rochas. precisa ser ministrado no momento certo. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. neste campo de trabalho. aberto aos benefícios que o passe proporciona. O passe. além de ser uma organização consciente extremamente complexa.

Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. como nas outras. no entanto. pouca gente tem noção do nível de degradação a que podem levar. hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. altamente éticos. podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. armas. Se temos necessidade de dialogar. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto.balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. indiscriminadamente. ou trazido na sessão seguinte. Já debatemos por algum tempo o seu problema. devem resultar de cuidadoso planejamento. símbolos. e que tenebrosos compromissos acarretarão para o Espírito. construir ou destruir. são. em melhores condições de acesso. Em contraposição a tais processos. ou fazê-las cessar. foi dito. justamente do que mais precisamos. não obstante. De outras vezes. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. provocar crises psíquicas e orgânicas. transmitir vibrações de amor ou de ódio. em si mesmas. curar ou trazer mais dor. ou por meio de processos aviltantes. seja recolhido a instituições de repouso. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. em virtude de permanecerem em segredo. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. estudo metódico e prática bem orientada. ao longo dos braços. para que. o que tinha que ser dito. e ele continua agitado. com seriedade e respeito. vestimentas especiais. mas é preciso usá-lo com moderação. neutras. “objetos” imantados. enfim. condensar ou dispersar fluidos. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. mas por processos abjetos que. Para isto serão passes de dispersão. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. Mas. como “capacetes” “couraças”. como sabemos. qualquer trabalho mal orientado. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. subjugar ou liberar. Ele é realmente o recurso válido e potente. para tratamento mais adequado. e por qualquer motivo. a fim de que. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. isso é necessário. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. 152 . Com o passe. mesmo porque. encarnado ou desencarnado. Neste caso. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe. causar bem-estar ou incômodo. nas sessões de desobsessão. Ele pode serenar ou excitar. pelo menos por enquanto. A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento. As faculdades psíquicas. sua técnica. ao ser retirado pelos mentores. nesta fase. O passe provoca reações variadas no ser humano. para ajudá-lo. é necessário mesmo adormecêlo. Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. em termos de Doutrina Espírita. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. no trato dos nossos irmãos desencarnados. Não sei se me faço entender.

além de capacete e couraça. numa época de preconceitos muito severos. porém. Seu problema central é a mãe. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. Ele se tornou sonolento e. Ao que parece. De todos esses aspectos temos tido experiências altamente instrutivas e algumas de intensa dramaticidade. São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. no devido tempo. de braços estendidos. sofreu humilhações na escola. Com o passe os adormecemos. Numa dessas ocasiões. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. 153 . dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluidos. quase sempre reportando-se a vidas anteriores. Desta vez. ou da própria. da auto-hipnose. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. ao despertamento de Espírito em estado de alienação. através dele. somos instruídos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. se “retransmitisse”. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. para que. ainda aceitava a mãe. isto e. por causa de sua vida miserável. aos comparsas do Espírito manifestado. Tem-lhe ódio mortal. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. as ligações foram mantidas e. que depositou sobre a mesa. Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. as palavras que ele ouvia do doutrinador. a despeito deles mesmos. Veremos outros exemplos. violento e de dificílima abordagem. como no caso daquele que nos trouxe. de um doloroso e comovente caso. para fins muito bem definidos. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais. o fio também foi preservado. Lembro-me. ligava-se por um fio. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos.O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. com voz mansa. ao seu grupo. de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. O passe ajuda os Espíritos. para sustentá-lo na sua “perigosa” missão junto a nós. segundo nos explicou. até à infância. nesses mergulhos providenciais no passado. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. às vezes. grita-lhe impropérios terríveis. tão necessários. O Espírito era agressivo. a propósito. Certo Espírito. ameaça baterlhe e humilha-a de todas as maneiras. quando. destacouse na vida. Já relatei algumas ao longo destas páginas. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. em rigorosa concentração. mas nunca pode esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. Ajudados por nossos passes. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. Creio que ele não conheceu o pai e. manda-a de volta ao cais. começou a chamar pela mãe. Com mais freqüência do que seria de supor-se. um invisível prato de sangue. especialmente ao fim da conversa. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. segundo diz. que os desarvorou completamente. muito pequeno.

no campo mediúnico. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. precisamente. enquanto nos apraz o erro. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina do reajuste. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. Comprimidos numa estreita faixa de presente. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele é novamente adormecido e levado. indomadas. ao contrário. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. com as nossas lágrimas. quando são. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual.Na semana seguinte. voltou novamente com todo o ímpeto. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. Em assuntos dessa natureza. Ademais. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. escolhido aquela mãe. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema. quando estimulamos. RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. Por que razão teria ele. em que se apresentará mais receptivo. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. Se. Ainda muito difícil. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. e cultivamos. paramos no tempo. todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paixões. que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. São de incontestável importância estas noções. e presas as recordações. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. o futuro não importa. Se posso sugerir alguma coisa. que procuram viver com toda a intensidade possível. às vezes. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. com amor e sofrimento. mas. Ele sabe que o Espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. Num “flash” doloroso. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico. mas. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. entre um futuro que ainda não existe e um passado que 154 . Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. segundo os impulsos do momento. no trabalho de desobsessão. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia. precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. e melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. na sessão anterior. as sementeiras da paz. É preciso saber que cabe a nós — e a ninguém mais — domá-las. simplesmente. por exemplo. necessário a ambos.

porque a redenção ainda vem longe. Retornando. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias. embora ainda responsável por elas. comovedora. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo. ao tomarmos novo estágio na carne. trágica. acumular riquezas materiais. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. e sim o poder de esquecer. Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. dominar o semelhante. É seguir em frente. ainda que efêmera. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. veremos como acertar essas contas com o que. naturalmente. A dor dos grandes criminosos é terrível. se fossemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. O esquecimento proporcionado ao Espírito. Esse momento é crítico. esquecem-se de que não poderão. não obstante. desesperada. à sua condição de Espírito desencarnado. dado que. É 155 . por largos séculos ou milênios. é uma bênção. uma concessão. a lembrança das existências anteriores. Que seria de nós. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. na trajetória evolutiva do Espírito. Esperam. viver. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. para refazer-se. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. alegremente. que nem sempre ele sabe avaliar. como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. ou ao poder. constitui uma das condições necessárias à nossa existência”. irresponsavelmente. dos desenganos. para aquele que muito errou.procuram ignorar. é mais certo que continue o percurso da dor. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. no mundo espiritual. É certo que. teimamos em chamar de destino. saberão fazê-lo com dignidade e coragem. açambarcar o poder. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. Depois. por aí. fugir às suas responsabilidades e compromissos. mas não se pode negar a sua intuição da verdade. dificilmente ele irá à glória imediata. jamais. mas. Do outro lado. depois de uma pausa. intensamente. quanto o são perante a alheia. em nova aventura na carne. na abertura de “O Nazareno”: “Não o poder de recordar. Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. Trágico e doloroso engano é esse. Vamos primeiro “gozar” a vida. no entanto. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. enfim. que talvez ainda o fascine. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. distinguir bem uma coisa da outra. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. na fase da reencarnação. da renúncia. ser tão valentes perante a dor própria. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento.

como o médico que ministra um remédio amargo. os encarnados. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito”. enquanto mutuamente se servirem. indispensável a essas montagens. em tais condições? — o passado. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”. incoercívelmente. está abrigado de si mesmo. como se o passado não existisse mais em nós. justificado pela expectativa da cura de seu doente. do ponto em que a inocência a deixou. a matéria-prima. o que. André Luiz deixa-nos entrever tais processos. sair em campo. ainda. buscar seus comparsas. Suas angústias são muitas. E evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. congela o coração. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular. vários ajudantes de serviço — escreve ele. é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar. passa à condição de não existente. encerra-se o Espírito endividado num círculo de fogo. O melhor. ligando-se a tenebrosas organizações. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. ignorá-las. enquanto permanecer ali.aquele que opta por este caminho. embora não fosse novidade. Dentro dessa lógica atormentada. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. mesmo. diante de si. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições. O Espírito vê.. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. Se é verdade. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. 156 . é esquecê-las. há milênios sem conta. assim envolvido.. pois. com respeito e dignidade. como temem os fantasmas interiores. em “Missionários da Luz”. Só poderá sair queimando-se. sepultá-las. que precisa ser dispersado. daquele mesmo passado que renega. O Espírito. inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. Vários recursos são empregados. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo.. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. adstrito à incoerência dos alienados. pois. porque é justamente disso que ele foge. como relutam. Não temos. Como reagem. acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. e o futuro nunca fosse existir. além disso. seus remorsos extremamente penosos. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. em proveito próprio.. utilize-se. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. agora. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. de sua própria criação. para eles. caírem na faixa da recordação. cenas vivas de seu passado. que também decide pelo esquecimento. E só. É como se a vida principiasse novamente. Quantas vezes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. no capitulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes. — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos. no mundo espiritual. embora. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente.

para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos,
ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros, indispensáveis ao
reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes.” (Destaques desta
transcrição)
O instrutor prossegue, explicando que, com essas formas de energia, recolhida dos
encarnados presentes, podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes
àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne, não obstante já se
acharem desligados dela, às vezes, há muito tempo.
Ante o impacto dessas imagens, que parecem surgir límpidas, vivas e dramáticas, de
um passado que julgavam morto, os irmãos desarvorados parecem saltar o círculo de fogo
que os envolve, e, como se do lado de fora de si mesmos, têm uma pausa para reexame de
suas posições desesperadas. Afinal de contas, o que estão fazendo? Que loucura é aquela
em que mergulhamos? De onde vem tudo isso, no passado, e até onde irá, no futuro?
Um desses companheiros atormentados, anti-semita irredutível, viu os quadros do
êxodo no antigo Egito, onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. Recuando
mais, porém, foi encontrar raízes muito mais profundas, do drama, na antiga Babilônia,
onde, em posição diferente, enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo
hebreu. Pela primeira vez, em muito tempo, perguntou-me, algo perplexo:
— Será que isso não tem fim?
Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim, mas, disse-lhe que
sim, podemos por um ponto final nesses círculos viciosos, que buscam eternizar-se dentro
de nós, por um esforço da nossa vontade, que só é possível depois de compreendermos a
inutilidade do ódio e a força invencível do amor.
Às vezes, o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais
grosseiro, que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma, produzido por
médiuns de efeitos físicos, não apenas para adensar as formas perispirituais de
companheiros desencarnados, que devem tornar-se visíveis, como verificamos no texto de
André Luiz, acima transcrito, como para formar os próprios “quadros”. Num caso
particularmente difícil que tivemos, um dos médiuns começou a expelir ectoplasma,
enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. A certa altura, o ectoplasma formou,
para a sua visão, as letras de um nome de mulher, antigo amor, cuja lembrança ele
procurava recalcar nos porões da memória.
Em outro caso, de vigorosa dramaticidade, o Espírito viu, sobre a mesa, um grosso
livra, encadernado em capa de madeira, sobre a qual estava seu nome, escrito em belos
caracteres de bronze. Era a história de sua própria vida. Ele sabia que precisava abri-lo,
mas não se sentia encorajado. Era, evidentemente, um recurso, para leva-lo ao reexame de
seus atos, ao passado, enfim. Depois de muita relutância, fez o gesto de virar a capa. A
primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco...
Todo o livro estava em branco... A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela
existência tumultuada, durante a qual dominara povos, ao poder da espada impiedosa.
As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movimento, os sons, as cores,
como se um “vídeo tape” as reproduzisse, com toda a sua intensidade e emotividade. Com
muita freqüência, os Espíritos relutam em contemplá-las, e procuram fugir das visões que,
não obstante, tornam se irrecusáveis, e impõem-se, a despeito deles próprios.
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A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. Cabia lhe assinar o
documento, que ele sabia ser uma sentença de morte. Fizera-o, certamente, no passado, e
agora revia o momento dramático, com uma diferença: alguém contemplava, a curta
distância, fixando nele um par de olhos tranqüilos, cheios de amor fraterno, provavelmente
os de sua vítima. Seu desespero é atroz. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. Que
lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego, para não contemplar mais
aqueles olhos... Diz que matou uma santa, e informa: “uns são canonizados e outros
queimados”.

*

Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães, esposas, filhos,
ou amigos muito chegados ao coração. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre
tais manifestações, estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar, destacadamente.
A pureza do amor materno permanece inalterável, ao longo dos séculos e das vicissitudes,
arrosta as ingratidões, suporta as humilhações, vence o ódio, vence tudo.
Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado,
nas profundezas de seus tenebrosos domínios. Ela alcançara, já há muito, as regiões da
felicidade; mas, e a dor de ter o seu amado preso ainda às paixões do mundo? Vai ao seu
encontro, numa descida sacrifical às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina,
incontestado.
— “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma, que, um dia, te adotou por filho
querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual”.
Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados, que nos velam de lágrimas
os olhos!
Lembro-me de um deles, em particular. O Espírito vinha assediando-nos há tempos,
semana após semana. Manifestou-se, primeiro aparentemente muito calmo e tranqüilo.
Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. Nada queria de especial: iria
apenas observar-nos e, se fosse o caso, tomar suas “providências”. Deixou no ar a ameaça
e partiu. Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava... Por algumas
semanas, observou-nos. Pouco falava nas suas manifestações. Revelou, apenas, que já tinha
sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”,
mas começava a deixar transparecer, também, certa preocupação, porque algum delator, a
seu ver, havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. Na vez seguinte suas
preocupações estavam ampliadas, porque descobriu que, através de processos de regressão
de memória, de nosso conhecimento, estávamos penetrando certos núcleos. Nessa mesma
noite, tem a primeira visão de algo que muito o perturba. Adormece e parte. Na semana
seguinte não consegue mais manter-se calmo, como das vezes anteriores. Está indignado,
furioso. Diz que tudo ruiu em torno dele. Tinha o poder de um semideus, e “fomos mexer
com a sua família!”. Dá murros na mesa, dominado pelo ódio e espicaçado pela
humilhação. Se pudesse, me pegaria, para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto, de
revolta e de impotência.
Em seguida, por outro médium, manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua
dolorosa história. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. Foi, por certo, a sua presença
ali, junto dele, que o perturbou há duas semanas.
— Ele é bom — diz ela —, mas muito vaidoso.
Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. Ela mesma ainda não está bem.
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Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. No passado, enquanto
encarnados, também teve um encontro dramático com ele. Ele a abandonara à sua própria
sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. Quando já se encontrava na sarjeta,
procurou-o e foi repelida. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica.
Os séculos se passaram, e tudo quanto ela esperava, agora, era merecer novamente a
oportunidade de ser mãe, mãe digna. Digo-lhe que as mães são seres humanos e, por isso,
também erram. Ofereço-lhe a nossa ajuda, que ela agradece, dizendo que tem de voltar para
onde está, no momento.
Com este caso, desencadeou-se extenso processo, que se desdobrou em aspectos
inesperados e de profundas implicações. Nunca pudemos, no entanto, esquecer a ajuda
daquela mãe humilde, e ainda mergulhada nas dores do resgate, que nos ajudou, com a sua
presença amiga, a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixões, embalado
pelo amor ao poder.
Em caso semelhante a esse, o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe, ajoelhada
diante dele, a pedir-lhe perdão. Ele reluta e resiste, porque é este, precisamente, o âmago de
sua problemática: foi abandonado, por ela, à roda, e por isso ele repete agora, a si mesmo,
que não tem mãe. Oramos, damos-lhe passes, e, por fim, ele não mais resiste:
— Tenho mãe! — diz ele. — Não sou um desgraçado!
De outra vez, num caso a que já me referi alhures, o Espírito tinha um problema
pessoal comigo. Era questão antiga, de mais de oito séculos! Em conseqüência desse, e de
outros desenganos, vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. O problema era
extremamente difícil, porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se
diretamente sobre um de nós, precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e
esclarecê-lo. Ele se mantinha irredutível, pois minha presença obviamente reanimava nele
as antigas paixões e frustrações, das quais não conseguira desembaraçar-se. Foi num desses
pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava
dizer alguma coisa diretamente a ele. Era sua mãe. Elevei meu pensamento em prece e, com
enorme respeito, ouvi o diálogo através do tempo, entre a mãe amorosa, que não esquecera
e sofria com a ausência do filho, e o filho que recusava obstinadamente o amor, porque
estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança.
Pede-lhe ela, com infinito carinho e humildade, que abandone aquela vida e venha para
junto de seu coração. Todos estão juntos na família; só ele está ausente, Não está
convencido de que ele a recuse. Deseja ouvir dele próprio a negativa. E ele diz que não a
quer mesmo, pois seu caso ali é outro. Que ela não se meta; continue a fazer seus bordados.
Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto, em silêncio,
junto de Deus. Depois lhe diz que vai deixar o médium, pelo qual lhe está falando, para
aconchegá-lo junto ao seu coração. Ora, comovidamente, à Mãe Santíssima, em palavras
simples, expondo o seu problema e as suas dores.
Quando conseguimos, afinal, despertar o amado companheiro, dirijo a ela um
pensamento de infinita ternura e gratidão, porque estou certo de que, sem o seu concurso,
não o teríamos alcançado. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim,
porque fui um dos agentes de sua angústia, mas não teve para mim uma palavra de censura
ou de amargor.
Em outro caso, também muito difícil, o Espírito, autoritário e empolgado pe!as suas
idéias e pelo seu rancor, recebeu, diante de nós, a visita de um menino (teria sido seu filho
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porque não lhe convinha. mas como a um Espírito infeliz. mas rejeitou-a deliberadamente. para o seu colo. para o bem. emoções. à minha direita. em vista da profundidade a que descera. semcerimônia. seus apelos. sua ternura infantil. fácil de conduzir. que era a doutrina melhor. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. Digo lhe que precisa. desarvorado e sofredor. Numa dessas oportunidades. dominados pela aflição. encarar seu antigo amo. ajudar a libertar de suas angústias. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. bastante lúcido. mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. ainda trazia ressaibos de ironia. não como a um poderoso. amigos e parentes acham-se presentes. Ao manifestar-se. Basta um momento assim. o Espírito viera dar uma ajuda. Em tempos idos. no entanto. agora. Eles ainda se julgavam deuses. tivera outras encarnações. mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. com cenários. cores sons. invisível ao seu antigo chefe. Antes de desligar-se do médium. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. e respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. Mesmo assim. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. e que não iria ser nada fácil. Respeitemos suas razões. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade.ou neto?) que o desarmou com seu carinho. Lamenta a perniciosa influência que exerceu sobre os seus soberanos. ao lado. Às vezes. pois. fazendo mesuras. estava ainda preso a eles. nesse ínterim de quase dois milênios. Quanto ao Cristianismo. com inesquecível toque de autenticidade. personagens. agora. Estava. não.. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. dizia. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. enquanto ele o fizera para a mal. Nunca sabemos. naquele tempo. e cujo olhar não mais esquecera. Por isso. ainda. açulando-lhes paixões aviltantes. só que agora. mas ele. já sabia. já assentados. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado à hora do reencontro. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. movimento. Informou-me de que. conservava-se. Poderia perturbá-lo. E me diz. compreensão e simpatia. porém.. animado por 160 . de braços estendidos. através dos tempos. utilizem-se da projeção fluídica. de recordação. Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. saltando. utilizando o poder das Césares para promover seus interesses inconfessáveis. Servira aos imperadores romanos. Eu deveria fazer isso. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. que precisa de muita ajuda e compreensão. consciente e disposto a corrigirse. cercados de sombras. disse-me. que “ele” era uma criança grande. muito embora sabendo que era longo a caminho a percorrer. na antiga Roma. de amor. De outras vezes. Eram pobres criaturas desequilibradas. perdidos num dédalo de sentimentos confusos. de ternura. que sabia dos planos.

ainda que estejam encarnados. de falha. e que não se deixarão conduzir pela mão. São eles que nos preparam o trabalho. Quanto à tarefa que lhes cabe. Naturalmente que. que há sempre. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. muito atentos. Estejamos. tranqüila. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. pois. ou através de outro médium. ou se tornam semimaterializados. Esses quadros exibem figuras humanas. dotados de livre-arbítrio. aquilo que nos compete. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. que pode pôr tudo a perder. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa. De outras vezes. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. às vezes. de que tanto nos falam eles. como explica André Luiz. imprevisíveis e. um componente de incerteza. dão-nos o apoio. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. seria arriscado segui-los confiadamente. mas 161 . muito bem dotados intelectualmente. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. muitos deles nossos antigos comparsas. de seres encarnados. que infalível só é a visão divina. Já vimos. conversam com eles diretamente. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. É certo. Nos casos em que essa presença se faz indispensável. estejamos tranqüilos: tudo será feito. É preciso. mais pela presença de suas vibrações pessoais. amparam-nos nas horas de incerteza. naturalmente. pois. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. para melhor dominar e impor as suas condições. do que pelo mero apelo da memória. pois. Sabem eles. Antes que inspirem essa confiança em nós. não obstante. Uma vez. bem como a segurança com que executam suas tarefas. mas continuam sendo projeções. assistir a tudo sem Espírito critico e sem a necessária vigilância. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. é claro. quer se encontrem endividados ou redimidos perante a lei. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá-los fazer tudo. que não poderão garantir o resultado. não obstante. também. do contrário. porém. dos presentes em torno da mesa de trabalho. tudo fariam sem nós. porém. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. segura. os recursos e a sua presença constante. Mesmo o grupo mais bem ajustado. por nós. Eles nos assistem com desvelado carinho. de descuido. depois. muito respeito com o trabalho dos nossos mentores invisíveis.meio de recursos retirados. durante os desprendimentos. a inspiração. integrado num trabalho sério e fecundo. mas não podem fazer. Eles sabem. por outro lado. Eles se apresentam aos seus olhos. mas cuidando de seres humanos. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. para poderem impressionar seus sentidos. como crianças tímidas e ingênuas. em recentes ou antigas encarnações. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. mesmo naquilo que lhes cabe fazer. num impulso de paixão e ciúme. que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade. embora não infalível. pois há Espíritos ardilosos. de certa forma. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. Não é tudo que eles podem fazer por nós. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. no entanto. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. aqui mesmo. em nós.

ou não. porém. uma vez mais. por exemplo. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. Por este motivo. de reduzir a volume de seu vozerio. murro contra murro. devem ser exibidos à sua visão. a doce felicidade de ter. Nesses casos. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação. ao contrário. ameaçador. servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. Mesmo irritado. nessa condição. desejando-o intimamente. Não é possível. a sensibilidade do doutrinador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. proferindo ameaças terríveis. abre-se uma perspectiva de entendimento. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. dos méritos. ou ele não nos ouvirá. dando murros na mesa. é a partir desse ponta que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. de início. Mas. uma humilhação — mas. Se. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. Se a conversa for bem orientada. com passes e sugestões verbais. para autorizar-nos a precipitar qualquer situação. por si mesmo. Se opomos resistência. o doutrinador deve abandonar 162 . também ignoramos. não significa que já esteja resolvido o seu problema. para ele. a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. aos queridos companheiros desatinados. a nossa posição é de ativa expectativa. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. não tentemos forçá-la. ao Espírito manifestado. costumo dizer. falaremos juntos. Não que ele o reconheça nesses termos. pelo menos. contudo. em altos brados. ao mesmo tempo. se o tentarmos. mas não opor grito contra grito. O fato. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. Não ficar mudo ante a sua cólera. pensando apenas no que nos dirá a seguir. e. ali presentes. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. e argumentação é inútil. esbravejando. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. que só grita aquele que não tem razão. Para isso. De certo ponto em diante. É preciso ter paciência e esperar. através da intuição. a nós. lutando interiormente consigo mesmo. Baste-nos a alegria do dever cumprido. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. definitivamente. e a batalha verbal poderá ser muito longa. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. Se os companheiros dele. as sutis instruções que nos ministram. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. porque ele só deseja gritar. porém. argumentar com eles. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. com a voz no tom normal. para captar-lhes. ele nós respeitará e. para que ele próprio — doutrinador — possa reformular a sua tática. A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. ou inconscientemente. na praia mansa. Enfim. irritadíssimos. E. A cólera passa.nosso conhecimento é muito limitado. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. Antes disso. aos poucos.

a crise. sobre. obsessor. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro. Está. O momento é oportuno. Um diálogo um tanto difícil. levarão no coração as sementes de um futuro. ambos o atraem. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. Argumentava eu. Sente fugir o terreno em que pisa. A partir desse ponto.. Não iludi-lo com a paz imediata. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. o fio da navalha. aos nossos princípios. Percebemos que a fase da aceitação chega por pequeninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro.. foi suspenso. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. porém. começou a ceder. advertilo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. mesmo os mais violentos. É o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade. não sabemos. Terminada a rogativa ao Alto. a voz desce de tom. de certa 163 . Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. com um desses companheiros desarvorados. certa vez. De um lado. em explosões de luz. mas a batalha pode durar ainda muito tempo. Como sempre. um sentido novo. a meu pedido. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. aceitam um ou outro argumento nosso. para pensar. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. aceitável. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. ainda. Ambos o chamam. também. ele disse. De qualquer maneira. Mais do que nunca. só que. mesmo assim. intensa e dolorosa como nunca. contra seus próprios interesses pessoais. ele a ouviu em silêncio. então. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e tímida afeição ou respeito. a perder-se nas trevas do passado.sua técnica de contestação e argumentação. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. como diz a expressão inglesa. portanto. quando ele me perguntou. mas por ele próprio. tentando mostrar-lhe a inutilidade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. que pode ser próximo ou remoto. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. pode ocorrer. certa vez. muitas vezes. com o brilhante e combativo Espírito de um ex-inquisidor. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: é que só agora os ensinamentos de Jesus começam a ter. um dia. pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados. a incógnita do porvir. ilusões desastrosas e erros clamorosos. como se pensasse em voz alta: — Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. Do outro. se. para ele. Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento. estarão mais acessíveis. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. uma vez despertado para a realidade. ou se apenas levam uma disposição para reexaminar suas convicções. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar-me? Daí por diante. ao partirem. mas que virão fatalmente a germinar.

de uma vez. do lado negativo da faixa vibratória da vida. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. alegando que quase havia caído. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. o apelo de uma voz cariciosa. sim. Temos que entender. a imortalidade. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram. recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente. quanto no espaço. dali em diante. ou lançar-se. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. dava murros. através do roteiro luminoso do amor fraterno. por causa da nossa afeição. Seguirá seu caminho de sempre. mesmo. Acostumara-se ao poder incontestado. A decisão é difícil. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. não lhes tira o valor. com a sua presença. o livre-arbítrio assegura-nos. Faz pouco da minha inteligência. quanto ao campo sentimental. que ridiculariza: à vontade. 164 . nada mais. Claro que interpreta a minha calma como covardia. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade.forma. mesmo nos mais valorosos Espíritos. promete. o direito de escolha. Não está convencido. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. Em primeiro lugar. para servir aos seus propósitos e justificar sua filosofia de vida. o conceito da reencarnação. como vimos nas próximas sessões.. afinal. Ameaçava. surge do passado uma lembrança esquecida. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. Não é. Não é fácil. tanto na carne. consideram “perigoso”. a existência de Deus. E é precisamente por isso que. Qualquer argumento que lhe apresente. para aquele que está convicto da legitimidade de seus caminhos. também. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos. a todos. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. ele o “vira” à sua maneira. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. pois. Certa vez. Em segundo lugar. mas que conseguira reagir. consciente ou inconscientemente. gritava. Estava ameaçando ceder. não exclui o fato de que são Espíritos. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. no campo puramente filosófico. como já vimos. Deixei-o falar. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. a sensação de atordoamento é inevitável. não lhes reduz o conhecimento.. a responsabilidade que assumiram perante a lei. São inteligentes e experimentados. às vezes altamente qualificados e experientes. até o momento. interpondo apenas uma ou outra observação. Ou estavam. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. o abriga da terrível realidade. mas não quero fazer isso. de um ponto de vista vantajoso. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. pensar no assunto. mas com firmeza. voltou novamente agressivo e irritado. a punir. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. a mandar. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. Na semana seguinte. a intimidar. Quando menos se espera. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. porque está minado de imprevistos. Afinal. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido.

a presença de antigos e esquecidos amores: mães. Num caso desses. em termos de resgates dolorosos. tentando convencer-se de que está vivendo um pesadelo. a presença infalível de Deus em nossas vidas. Digo-lhe que. mas sente um arrastamento incoercível. Dou-lhe prolongados passes. que nos ajudam na fase final da doutrinação. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. É o grande momento da compreensão. de despertar o seu Espírito. mas que o mantém fortemente contido. Quando tenta reagir “fisicamente”. levá-lo. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. de última hora. mas acaba calando-se. Ainda reage. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar livremente. ternamente. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. a ver cenas do seu passado distante. tem medo: está vazio e quer dormir. Começa. em seguida. Depois de algum tempo. Este irmão voltou mais uma vez na semana seguinte. do qual vai acordar a qualquer momento. precisa. com muita paciência. e procura acalmar-se. invisível a nós. E necessário assegurar-lhe. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho. amigos. Começa a crise maior. e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. e parte. ou pressente. Ele está arrasado. de uma palavra de sincera afeição. Não tenho a menor intenção de dominá-lo e. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. sim. Subitamente. Por fim. Ele sabe. a dar o passo final. nessa hora. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. É preciso ajudá-lo. chora. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. irmãos. o amor indubitável do Cristo. ainda. que se estenderão pelos séculos futuros. ao contrário. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. ameaçar. nunca falta. realmente em pânico. nesse momento. esposas. somente Deus saberá. o irmão entrou em crise e começou a monologar. em crise. muito carinho com as suas dificuldades. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. pela primeira vez. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. enquanto fico ao seu lado. seus desesperos. mais do que nunca. agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! 165 . em silêncio reverente. desesperado. reagir. Volta a esbravejar. É evidente que tenta. por mais que se esforce. para esquecer. Apresenta-se completamente desarvorado. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. enquanto a crise se adensa e aprofunda. Confessa que. até onde e quando. do amor fraterno.A certo ponto. O Espírito. da ternura. mas ainda procura iludir-se. que deseja que o pecador se salve. seus temores. cujas perspectivas se abrem diante dele. Além do mais. cesso a conversa e oro. o que o espera. e informa. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. Muito respeito pela sua crise. como temos visto. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele.

ele não os conhece muito bem. Ao despertar para a verdade. contemplando as duas perspectivas — passado e presente —. a oportunidade preciosa. sente diante deles uma vergonha mortal. da emotividade. revolta ou deslumbramento. Julga-se um abutre sem remissão. Há. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. confiante. Trateo com muito carinho. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. dedicava-se. diante da enormidade de suas 166 . senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”. Seja simples. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. e diz que precisa recompor-se. que ele sabe não estar ao seu alcance. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. o trabalho de reconstrução que o aguarda. Era extremamente rebelde. de elevada condição espiritual. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. que há tanto tempo o esperam. Não tente engana-lo. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. ao contrário. para ajudá-lo. que o doutrinador não pode deixar passar. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. porém. cegos ou mutilados. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. à pavorosa técnica do “crime religioso”. Lembre a necessidade da prece constante. Além do mais. Estas crises caracterizam-se pela revolta. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. Ofereça-lhe a sua ajuda. não para fazer por ele. mas ele ainda reluta. e aqueles que o esperam. Um típico exemplo desses. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. pela enormidade de seus desvarios. a quem conhecera pessoalmente. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. com todo o poder de sua inteligência e de seus conhecimentos. Chama-me de traidor. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. agressivo e violento. da confiança. em pranto. ele não pode mais voltar sobre seus passos. Não o force. uma mulher. acenando-lhe com um paraíso imediato. quando o Espírito fica sobre a linha. sendo. do “trabalho”. o espera no limiar da nova existência. humano. Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. ante o inevitável. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento.Ele a repete. mas para fazer com ele. tenho-a num caso de que tratamos. A essa altura. as perspectivas da paz. de amor sem limites. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. ou então. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. não conseguira ainda assimilar. em corpos deformados. por conseguinte. A um desses pobres irmãos desarvorados. mas cuja mensagem. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. Está arrasado. do afeto. Vem sempre acompanhada de profundas emoções. que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. ele teme vinganças cruéis. temor. realista. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. não carregue nas cores do sofrimento que o espera. por algum tempo. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. rude. da coragem otimista. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. fora também um inquisidor. ou milênios. Alguém. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. Não o atemorize com ameaças. para alcançá-lo através do sentimento. confessa a aflição que experimenta. amoroso.

começa o preparo. a não ser excepcionalmente. Ele chora. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. No momento é o de que mais precisa. necessária. O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. para a reencarnação na Terra. Geralmente. A partir do momento em que os companheiros são recolhidos. no mundo das sombras. para uma prédica. mais tarde. eles são trazidos para despedirem-se de nós. como o de sua mãe. Preocupa-se com aqueles que liderava. mas em tarefas de menor importância. PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. Acham 167 . além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. raros. Certa vez. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluída nesse ponto. durante os desprendimentos do sono. De modo geral. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos.. pois eles estão em boas mãos. às vezes. Em raras oportunidades. tratados pelo grupo. e contra a sua vontade. Também eu lhe peço minhas desculpas. a três Espíritos que. para “prisões” e castigos. de início. pela primeira vez em muito. por uma ou outra palavra mais enérgica. emocionada e belíssima. E parte. segundo nos informa. por tanto tempo. Em alguns casos. dos quais nem percebia a presença junto de si. que. ficariam agora ao abandono. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. muito tempo. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. a seu ver. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. transcende suas qualificações e possibilidades.culpas. assim despertado. É que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu. assim que estejam em condições. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. levando-o à força. para o despertamento. tranqüilizemo-nos e demos nossas graças a Deus. com o mesmo carinho de antigamente. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. o trabalho bem dividido e especializado. das quais nem tomamos conhecimento consciente. com a sua agressividade. de sempre. os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados. cerca de um ano antes. agora.. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. partiam.

e trabalho preparatório. a um ponto de reunião. ao manifestar-se. e talvez mais afeito à organização mediúnica. podemos imaginar.que. não tão impetuoso e violento. verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. não lhe foi difícil verificar. para reassumir seu posto no mundo das sombras. porque. como vimos. para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. de outra natureza. que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. este reencontro é proporcionado. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. porém. desenvolve-se no mundo espiritual. Logo. Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. quanto os Espíritos necessitados. Mas. que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico. afinal. o médium transmite. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se. O INTERVALO Muito trabalho. ele terá que confessar sua ignorância. as tarefas desenvolvidas durante a semana. muito mais amplo. por si mesmo. porém. em certos casos — será mais modesta ou. pelo menos. praticamente tudo quanto formular no pensamento. o pensamento do companheiro manifestante. tanto os componentes encarnados do grupo. 168 . naquilo que ele vai dizendo. com as cautelas que. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. a uma pergunta mais embaraçosa. não deve fingir que sabe de tudo. os convenceriam a voltar à vida de crimes. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual. ainda que não tenhamos condições de conhece-las. durante a semana. Por outro lado. Nestes casos. os mentores levam. durante os nossos desprendimentos. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor. encarnados. Em casos excepcionais. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. no entanto. ele se reunira com os demais companheiros. embora de menor vulto. e nem desejava voltar sobre seus passos. no grupo encarnado. ou seja. mas. que dele recebiam. difícil e constante. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). após termos conseguido “conquistar” o seu líder. mas a nós. São inúmeras. se fosse possível conversar com eles. que acreditavam prisioneiro nosso. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar. com extrema atenção. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no corpo. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. pelo menos. entre uma sessão e outra. como um apelo do ex-comparsa. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. nas horas mortas da noite. Num caso desses. pois interpretavam as vibrações de aflição. a participação — ainda que importante. por certo. É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. Fora vê-lo pessoalmente.

Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures. nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. Durante a semana.Um deles me disse. introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos. nos braços. é muito intensa. a atividade noturna. na semana seguinte. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião. A indignação dos guardiões do pobre irmão foi inconcebível. pois. às vezes. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória consciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos. Não sabia o que se passara com ele. nos intervalos das sessões. ao manifestarse no grupo mediúnico. Estava do lado de dentro de uma caverna.. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto. E contou o caso. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. de debates e planejamento. numa incursão de que um de nós. aberta na rocha. que fazia lembrar um jipe terreno. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo. de trabalho. reduzido à mais abjeta condição humana. no Espaço.. aquele “algo”. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. ao contrário. certa vez: — Eu sei. mas. Em certos grupos de desobsessão. As imagens eram as de um sonho comum... sombria e agreste. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno. Perdera a noção da sua identidade pessoal. de extremo realismo. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. Os componentes do grupo. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. que havia sido resgatado. encontravam-se em vasta região desolada. neste livro. Um desses disse-me. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam ferozmente aqueles que se empenhavam na tarefa. como sempre acontece nesses casos. A certo ponto. Em casos como esse. “algo” que traziam.. tencionava espionar a nossa reunião. encarnados. a reuniões de estudo. senão que o haviam permitido. com extremo cuidado. de uma cena fragmentária. no entanto. que haviam alcançado numa “condução” rústica. e de que resultaria sua libertação. segundo apuramos. 169 .. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. Os mentores espirituais levam os encarnados. Alguns companheiros ficaram de fora. de onde. Ao que tudo indica. com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. pararam. Já narrei aqui um caso de zoantropia.. desprendidos pelo sono. ao despertar. com enorme dificuldade. enquanto os de dentro passaram para eles. no regresso. pois era até esperado. Uma ou duas semanas depois. Depois descobriu que. Lembra-se ele. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. aquele ser. certo de que ninguém ali sabia da sua presença. não apenas sabiam que ele estava ali. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito. manifestou-se no grupo: era um ser humano!. Ficara escondido atrás de uma coluna.. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. a observar e ouvir. mas é certo que. dirigidos pelos benfeitores espirituais.

porém. A prece é o fio que realiza esse milagre. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. aqueles que já se acham recolhidos. nos lembramos de tais episódios. Ele veio disposto a arrebatarnos o sangue. como se voasse. no mundo superior. no entanto. durante os dias em que aguardamos as próximas manifestações. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa. a seguir. por desconhecimento e defesa. ou ao trabalho. A meu pedido. depois. essas incursões são. mas. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. É difícil. que nos atacavam. também. sob a forma de frases soltas. a troca de favores. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. recordei-me. porque eu havia escapado. para tratamento. enquanto eu me afastava. companheiros competentes e seguros. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituais. ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. do qual nada me lembro. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. às vezes. usualmente. que pingava no chão. Estava indignado. comecei a escapar-lhes. De outra vez. com nossos maiores.. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. de qualquer maneira. Outro aspecto importante. o evidente domínio sobre seus Espíritos. grosso e escuro. e do sangue de nossos companheiros encarnados. numa incorporação mediúnica. Nem sempre. contendo já um pouco de sangue. Vejome. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. Às vezes. nas instituições especializadas do Além. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. Algumas semanas depois. sem hostilidade. escreveu todo o relato. Como as sessões se realizam. tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. Era como se eu levitasse. e à outra. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim. é o da prece. sim. a uns poucos metros abaixo. pelo menos. uma dessas incursões. amorosamente. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. conservar a lembrança delas. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. já no final dessa visita. Há. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. também. sendo perseguido por um grupo belicoso. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. uma vez por semana. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. um “branco”. para retirar de mim certa quantidade de sangue. Por outro lado. que precisa ser abordado. pouco acima de suas cabeças. o que muito nos serviu depois.era figura importante para seus esquemas nefastos. enquanto ainda bem vivo na memória. com grande precisão e detalhamento.. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. com extraordinária lucidez. que tentava agarrar-me. Na imagem das formigas agressivas. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. também. Nesse momento. ou de símbolos. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos 170 . para onde nos levam.

quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. Com freqüência impressionante o são mesmo. Embora não os consideremos como tais. desmandos de toda sorte. em nós. Um deles me disse. em tais situações. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. A doutrinação é um ato de amor. mal-estar. oremos por eles. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. construtiva. Só a prece pode socorrer-nos. num grupo mediúnico de desobsessão. o instrumento daqueles que querem realizálo. não está preparado para essa tarefa. que lhes mostre a verdade. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. miraculoso. parceiros de antigas lutas e até credores nossos. mesmo. ou que somente puder amar aqueles que o amam.dificuldades. que lhes ilumine os corações. além de irmãos. é pouco mais que 171 . em potencial. antevisões e experiências. Para resumir e insistir num ponto. quando. pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. Outros se confessam paralisados. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece.. em pensamento e ação. É claro que provocarão. que poderiam passar despercebidos. filhos. mas com fervor. sensações de angústia indefinível. o irmão atormentado. Aquele que não souber amar sem reservas. atenta a pequenos detalhes. imaginemo-los como companheiros muito queridos. Mantenhamos uma atitude vigilante. e a prece. pronto a emergir. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. irritado: — Você vive rezando. acompanhamos nossos mentores. com muito amor mesmo. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nossa pensamento de afeição e carinho. Às vezes. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. depressão e desânimo. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. novamente. com toda a convicção. mostrase extremamente “perturbado” pelas nossas preces. obsessões. Diria. Não à difícil. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. O amor é realmente milagroso. não estava apenas acenando com uma visão quimérica. implorando a Deus que os ajude. eles assim se consideram. Um deles disse-me. já mencionado. que havia interceptado meus “telefonemas”. A tarefa dos seres encarnados. a quem muito devemos. que serão sempre. de tolerância e paciência.. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e que não podem resolver sozinhos. Oremos por eles. onde também existe amor. em desdobramento. É hora de por em prática. ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. alhures. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. com amor. É extraordinário o poder da prece. certa vez. invariavelmente.

ficou bem claro. Por esses ensinamentos. no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. Ao cuidar. mas. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. da oportunidade de escapar da prisão corporal. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados. deixam de receber as 172 . Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois.isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor. com palavras suas. reflete-se nos sonhos. Nesse estado de liberdade parcial. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. é que formam esses conjuntos estranhos e confusos. que é um estado de sonambulismo imperfeito”. ficou documentada uma referência sumária à atividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico. de maneira muito especial. Na verdade. através de médiuns de absoluta confiança e respeito. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. Manoel Philomeno de Miranda e outros. do sonambulismo. em “O Livro dos Espíritos”. nesses estados de libertação parcial. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. sob o título “Da Emancipação da Alma”. entremeados de coisas do mundo atual. os ensinamentos recebidos. que não devem ser ignoradas. por exemplo. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. que o Espírito encarnado aproveita-se. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. Os órgãos materiais. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. “No sonambulismo — prosseguem —. mais adiante (questão 425). A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. Bezerra de Menezes. os instrutores conceituam-no como “estado de independência do Espírito. ocupam 23 páginas. em Kardec. o Espírito está na posse plena de si mesmo. concluímos ser muito intensa a atividade do Espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provocado. quando o corpo encontra-se em repouso. através de sonhos e desdobramentos. no capitulo VIII. Resumindo. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho. durante as horas de repouso. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto. com satisfação. como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. Emmanuel. afastar a densa cortina que encobre o futuro. ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. e que a atividade desenvolvida. em situações especiais. que contém importantes conotações. não apenas em termos gerais de Doutrina. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. segundo seus interesses e afinidades. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam”. sempre que pode. O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. mais completo do que no sonho.

(O primeiro destaque é do original. em que se 173 . também. a princípio. enquanto o Espírito se acha desdobrado pelo sono. com extremo cuidado e competência. em lugar de colaborar. o desentendimento. enquanto estes repousam. ou a mundos inferiores à Terra. em tais desdobramentos. para não deixar dúvidas. portanto. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. Bem sabemos. durante as horas do sono. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. aqui. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. tudo muito sutil. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural. entre os encarnados. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. recomenda-se que. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos. às incursões no submundo do desespero. “. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes. ou fundam movimentos paralelos.. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. para efeitos práticos. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram inequívocos nesse. pelos informes da Doutrina Espírita. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. como em todos os outros pontos de seus ensinamentos. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos. até mesmo declaradamente espíritas. nessas regiões tenebrosas. vão.. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. mais ignóbeis. duma trágica e dolorosa autenticidade. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. implantar. ainda. Para isto. com incorporação e doutrinação. mais funestas do que as que professam entre vós”. é lá que são programados. Vão beber doutrinas ainda mais vis. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os seus propósitos. quase imperceptivelmente. e até mesmo a sessões mediúnicas. (Destaques meus) Muitos ignoram como isso é autêntico. desta transcrição) Acrescentam. Na verdade. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas. Isto significa. o segundo. enquanto dormem. entre nós.. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores. como “reformulações”.impressões exteriores. Em diferentes oportunidades. por se encontrar este gozando do repouso indispensável à matéria”. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. Companheiros encarnados. para que. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita. O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual. ao despertarmos. É lá. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose. tal como aqui. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta. hoje. a dissensão. onde os chamam velhas afeições. na prece que precede o sono.. como. procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas.

não é só isso: — “Quando encarnados. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível”. contudo. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. pois. com “missões” importantes. e. que precisa ser examinado. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados.envolvem tantos companheiros promissores.. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas. 174 . ou nos de sonambulismo. E mais: “Numa e noutra condição. com “revelações” sensacionais. selecionado. a fim de que não ponhamos a perder. em “Evolução em Dois Mundos”. por certo. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. mas sóbrios.. quando. pois. gratos. Em determinadas circunstâncias. Cuidado. questão 49 —. André Luiz adverte-nos. portanto.. então. as modestas conquistas que porventura tenhamos conseguido realizar na vigília. obedecendo a fins superiores. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia. como nos fenômenos premonitórios. o sonho representa a liberdade relativa do Espírito prisioneiro da Terra. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel. evoluídos ou não. as visões proféticas. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. (Destaques meus) Mas. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças”.) os resultados de seus próprios excessos. em “O Consolador”. recolhe (.. É preciso. equilibrados. eles se apresentam emocionados. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. em “Missionários da Luz” —. com o material onírico. quando. na Crosta — observa Sertório. com elogios descabidos. serenos. Mesmo nos momentos de maior alegria. porém. “. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade. lhe visitam o ser. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável. o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia. quanto possível. pela própria ociosidade ou intenção maligna. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante. criticado e aproveitado com prudência. porque qualquer empolgamento já é suspeito. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono.. contudo. é a mente suscetível à influenciação dos desencarnados que. todavia. atraídos pelos quadros que se lhe filtram da aura.. se poderá verificar a comunicação inter vivos. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias”. (Destaques meus) Atenção. nas horas em que repousa o nosso corpo físico.

Antes de encerrar estas notas. profundas meditações e cautelosa aplicação prática. (destaques meus) Não faltam. de “Mecanismos da Mediunidade”. não resta dúvida de que são mais vivas. em “Nos Domínios da Mediunidade”: — “Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios.esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. nos domínios psíquicos. A prece será sempre boa conselheira. esta observação. porém. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade. 175 . Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos. para servir melhor. muitas vezes. Do ponto de vista do Espírito. a par de recomendações óbvias. efetuam incursões nos planos do Espírito. essas horas. sim. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência. o sonho e o desdobramento espiritual. que considerável número de pessoas. ante qualquer surpresa menos agradável. transmitindo mensagens de outros planos. também lá. sempre que para isto se prepararam devidamente. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. temor. diante de semelhante gênero de tarefa. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. Infelizmente. que ressaltam dos textos que examinamos aqui. Com freqüência. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. atenção com a saúde do corpo físico. logicamente. desejo de aprender. inconscientemente. na esfera de fenômenos inabituais. cuidado com a alimentação. (Destaques meus) Aliás. transformando-se. porém. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. com real proveito para o nosso trabalho e. tanto quanto o capitulo 21 — “Desdobramento”. nossos médiuns contam-nos episódios em que participaram de trabalhos no plano espiritual. pois. extravasam em todas as direções. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros”. Em casos de meu conhecimento. Insistimos. ainda mesmo quando ligados a envoltórios inferiores. não. verdadeiramente sentida e vivida”. não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades. principalmente as que se adestraram para esse fim. André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. imobiliza os esforços. Habituados à orientação pelo corpo físico. certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. (Destaques meus) Ouçamos agora Aulus. É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. Por outro lado. por falta de educação espiritual. Vejamos. O temor paralisa. por exemplo. na ansiosa expectativa. para o nosso desenvolvimento espiritual. pois as responsabilidades envolvidas são enormes. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica”. longamente sopitados durante a vigília. seria bom reler todo o capitulo 11 — “Desdobramento em serviço”. já nos parágrafos finais do capitulo: “É imperioso notar. a maioria se vale. que estuda o sono. do que as de vigília. dessa obra. pois. desdobrados. nos quais funcionaram como médiuns. uma observação ainda parece oportuna e necessária. Cautela. à maneira do molusco que se refugia na própria concha. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas.

É possível. essencialmente humana. estudar e repetir à vontade. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação. em inglês (rescue work). ou separado dele definitivamente. pela própria natureza das experiências que procura transmitir. de empatia. ou preferimos a estrada que sobe. em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. ao encontrar-se em plano muito elevado. não é a que se realiza em torno da mesa. Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. e até milenares. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria. Seu objeto é o ser humano. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. no dia da sessão. por sua vez. Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. cansados das lutas do dia. seculares. como. por vezes. 176 . ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. perfeitamente. capítulo 36 — “O Sonho”. fingimentos “inocentes”. em “Nosso Lar”. André Luiz. Não há nele espaço para meias-verdades. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. Aqui e ali. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. das medidas. não são quantidades físicas de substâncias químicas. cujas reações podemos prever. Eu sabia. sob a qual possam contemplar suas imperfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. Aproximemonos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. de volta à luz abençoada do Senhor. dedicação constante. porém. pela desencarnação? Não temos o direito de por sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. A riqueza de emoções. O trabalho de doutrinação. depois de já desdobrado do corpo físico. por exemplo. O grupo merece e exige cuidados muito especiais. que me parece muito simples e válida. afirmava-se cada vez mais intensa”. em “Nosso Lar”. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do paço profundo e escuro. indiferença ou comodismos. chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. dos pesos. (Destaques meus) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados. ferramenta de trabalho. campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. de que ele é mesmo um depoimento pessoal. participamos de tais atividades. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. enquanto nosso corpo repousa. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. um desdobramento. só é possível em clima de total doação. de profundo e sincero amor fraterno. em modestas posições de meros aprendizes. pela razão. o que o torna uma atividade do coração. mas subimos também nós. reta e iluminada? RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. na frieza clássica dos números. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. muito pessoal. Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. em mais de uma década.

Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. observações que passaram despercebidas. infinitamente mais experimentados do que nós. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. ele será implacavelmente assediado. O aprendizado tem que ser constante. para as acomodações necessárias. em termos espirituais. e lemos trechos substanciais. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. Muito bem. não são apenas finalidades. Se o trabalho que lhe for cometido. aparentemente sem importância. revelar-se fecundo e promissor. Encarnada e desencarnada. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. já lidas no passado. Segundo. sem a participação do consciente. leitor. nossos companheiros em torno da mesa. porque nossa memória é falha. Primeiro. ângulos insuspeitados. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. que não hesitarão diante de nenhum recurso. para consultá-lo. fosse tão importante. dos companheiros espirituais. pelos companheiros espirituais. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. serão remotas suas 177 . Leia você. exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. o estudo é uma necessidade imperiosa. É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. É preciso criar para ele uma estrutura robusta. na fase de planejamento. para subsistir. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. de forma que. objetivos e métodos. neste livro. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos. Por isso. Cada sessão é diferente. devem ficar bem definidos. além de suas finalidades e objetivos. é precisamente a perseguição indormida. desde antes mesmo de constituir-se. como costumava fazer. Citarei um pequeno incidente.vigilância permanente. como ficou dito e explicado alhures. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis. Quanto aos encarnados. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. em hipótese alguma. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. É fácil testar essa verdade. por várias razões. Assim. porém. a mente divaga. Um grupo. a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. então. para destruí-lo. absoluta. na sala de trabalho. seus métodos de trabalho. porque mesmo durante a leitura. como as obras complementares. O grupo tem que começar de maneira certa. ou de “O Livro dos Médiuns”. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. mas suficientemente flexível. nada de ilusões: a medida de seu êxito. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. ele é também gente. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio.

Deus colocou em nós a fagulha do amor. e outras indispensáveis. tem que ser sentido mesmo. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. a impor ritos e fórmulas mágicas. no qual nos doamos integralmente. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. e aquele outro. que julgue mais bem qualificados. como um general em campanha. alguém precisa assumir a liderança. dizem os grandes instrutores. mas condições essenciais ao trabalho. no trabalho de doutrinação. O impacto do amor sincero. pela simples razão de que. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam. em clima de segurança e confiança. o amor. ele é apenas mais um trabalhador. o preceito evangélico do “amai-vos uns aos outros”. O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. Se ele é também o dirigente humano. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. não são apenas frases bonitas. a nossa entrega. para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. a ditar ordens. no coração de um irmão que sofre. no contexto de um grupo humano. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. e não apenas fingido ou forçado. para que possam trabalhar todos em harmonia. O amor fraterno. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. Usualmente. O médium não deve dominar o grupo. sempre o mesmo. tem que emergir das profundezas do ser. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também 178 . Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. quer o companheiro aceite ou não. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. Por isso. Vemo-lo repetir-se a cada instante. para declamar aos Espíritos. lembrei por aí. não é despotismo. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. Ao criar-nos. Liderança. De minha parte. é uma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação.possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. bem como a maneira de tratá-los e integrá-los no trabalho. dificilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. Para o doutrinador. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. o único. Entre estas colocaria. “amai os vossos inimigos”. como um movimento irreprimível. sem dúvida alguma. como um todo. nem ser dominado por ele. Além dos demais pontos críticos. creio que se referia especificamente ao amor em nós. que não há doutrinadores perfeitos. no livro. porém. de pronto. por melhores que sejam as intenções. a fim de que possam dar de si mesmos.

somos irresistivelmente atraídos para Ele. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. ante os companheiros que sofrem. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento. estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo. Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. através do espaço infinito e do tempo imemorial. pelas trilhas do amor. por isso. diria apenas uma palavra: — AMOR! 179 . por isso.infinita e. quando conseguimos transmutar-nos em amor. Assim.

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