ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO.................................................................................4
INTRODUÇÃO.....................................................................................................................7
I — A INSTRUMENTAÇÃO.............................................................................................11
O GRUPO................................................................................................................11
II — AS PESSOAS.............................................................................................................25
1. OS ENCARNADOS............................................................................................25
OS MÉDIUNS.............................................................................................29
O DOUTRINADOR....................................................................................35
OUTROS PARTICIPANTES......................................................................44
OS ASSISTENTES......................................................................................47
RENOVAÇÃO DO GRUPO.......................................................................51
2. OS DESENCARNADOS....................................................................................53
OS ORIENTADORES.................................................................................53
OS MANIFESTANTES...............................................................................59
O OBSESSOR.............................................................................................59
O PERSEGUIDO........................................................................................61
DEFORMAÇÕES........................................................................................65
O DIRIGENTE DAS TREVAS...................................................................70
O PLANEJADOR........................................................................................71
OS JURISTAS.............................................................................................74
O EXECUTOR............................................................................................75
O RELIGIOSO............................................................................................76
O MATERIALISTA....................................................................................82
O INTELECTUAL......................................................................................83
O VINGADOR............................................................................................85
MAGOS E FEITICEIROS...........................................................................88
MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES........................................101
MULHERES..............................................................................................103
2

III — O CAMPO DE TRABALHO.................................................................................109
O PROBLEMA......................................................................................................109
O PODER..............................................................................................................114
VAIDADE E ORGULHO.....................................................................................116
PROCESSOS DE FUGA.......................................................................................118
AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS, HIERARQUIA E
DISCIPLINA.........................................................................................................121
IV — TÉCNICAS E RECURSOS...................................................................................123
O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES. CACOETES. DORES
“FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES..................................................137
LINGUAGEM ENÉRGICA..................................................................................144
A PRECE...............................................................................................................146
O PASSE...............................................................................................................150
RECORDAÇÕES DO PASSADO........................................................................154
A CRISE................................................................................................................162
PERSPECTIVAS...................................................................................................167
O INTERVALO.....................................................................................................168
SONHOS E DESDOBRAMENTOS.....................................................................172
RESUMO E CONCLUSÕES................................................................................176

3

exigindo dedicação e persistência. Raros serão os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos. “Uri Geller”. Responde-lhe: “O meu nome é Legião. Nela. “O Médium do Anticristo”. da Filosofia e das Pesquisas. mas 4 . descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar de elaboração séria. metódica. de Allan Kardec. porque somos muitos”. consolidadas graças e esforços incessantes e renovadas perquirições conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato doa enigmas mais sérios e das questões complexas. A ciência de servir é uma arte rara. no entanto. Os sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano. apresentando o patrimônio provisionado durante pelo menos dez anos ininterruptos de serviço ativa. Conhecemos-lhe as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão. Os artigos referentes a “A Morte Provisória (I e II)”. não A tarefa fácil. os trabalhos de Hermínio C. pelas páginas de “Reformador”. nessas especialidades. no atendimento responsável e cristão da assistência espiritual em desobsessão. Estamos familiarizados com os escritos do autor. Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas pretéritas. elucidativa de todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos vibratórios. os prefácios. E lhe imploravam com insistência que não os mandasse para fora dessa região (Gerasa). de toda uma gama de assuntos no âmbito do inabitual. o nosso Amigo exercita-se há muito tempo. gradativamente desenvolvida. Miranda: “DIÁLOGO COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”. como em “Procés des Spirites” e “Processo dos Espíritas”. “Imitation de I'Évangile selon le Spiritisme”. permitindo-lhe escrever para os simples e os doutos. foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e evangélica. geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo. de Mme. Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. Nos últimos anos. (Marcos. fazem-nos pensar mais detidamente nas profundidades do Desconhecido. Miranda têm explorado temas de grande importância.. no curso de milênios. como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua vocação e não hesitem em seguir os rumos que devem trilhar. no demorado “diálogo com as Sombras”. no campo espírita.DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO “Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. mais especificamente. na sua longa e exaustiva elaboração. São horas vividas não apenas no círculo das tarefas mediúnicas propriamente ditas. É mais um extraordinário documentário ou cartilha de orientação. “A Maldição dos Faraós”. nas esferas da Religião. que lhe não hajam merecido a critica serena e construtiva. pois acompanhamo-lo em seus estudos. no mundo do Espiritualismo e. “O cinqüentenário de Lady Nona”. introduções e sínteses de obras. alguns deles pouco estudados antes. mas de abordagem difícil. A contribuição de Hermínio. do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”. aqui e fora dos próprios limites territoriais das Terras de Santa Cruz. como sempre. ano após ano. são-lhe objeto de estudos e elucubrações. por exemplo. 5:9 e 10). etc. desinibido e despreconceituoso. Ao lado de livros e artigos. na linguagem desataviada que todas entendem. Marina Leymarie. E mais o que se ache por enquanto inédito.

no 5 . mediúnica ou não. mas o sentido exatamente esse. O que importa. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. acima de tudo. ternura. Assim. na tessitura de um livro desta natureza. nem de Interpretações. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. a pessoa que nos merece a maior credibilidade. foi este: “E na verdade. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. ainda quando não as encampe ou oficialize. *** O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — é tão grave. *** Questão séria. que é bem pior do que pensamos”. mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. Acreditamos que Hermínio C. As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas. ou não. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. uma carta do médium F. cada ensino ou experiência e suas implicações. de André Luiz: quando os originais foram-nos enviados. mais comumente citada como licantropia. para a qual gostaríamos de pedir atenção. tudo nele é de meridiana clareza. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pode admitir isso. é a da zoantropia. é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. Miranda é dos mais seguros estudiosos. consegue aglutinar. especialmente no que tange a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere. recordemos o livro “Libertação”. C. pois os leitores. à segura argumentação que faz. O autor trata detalhadamente desse assunto. não necessita de explicações ou apresentações. como resposta. como reconhece o autor. em que transmitia e solicitação do autor espiritual. em 1888 e 1889. Xavier. o Diretor incumbido da análise inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. Hermínio C. na vigília e no sono. Não compete à Federação censurar opiniões. com proficiência. Mas o comentário particular de Chico Xavier. o autor nele coloca as próprias idéias. de aceitar. com maior razão. em Espiritismo. defensores e propagandistas daqueles princípios. O próprio autor justifica cada detalhe. Ora. É claro que. “o segredo da doutrinação é o amor”. as coisas ainda ficavam bem longe da realidade.num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propôs. na verdade. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. No entanto. a rigor. pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar tem os demais. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos. porquanto. também não admitirão”. doação! *** O livro. A propósito. os seus argumentos e conselhos. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas.

na verdade. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs. Francisco Thiesen Presidente da Federação Espírita Brasileira 6 . Estamos certos de que. ao lê-lo. *** Terminadas estas páginas iniciais. 22 de junho de 1979.Rio de Janeiro (RJ). de que o Espiritismo é. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. mais que as palavras articuladas. de Allan Kardec. 1979). os exemplos que encerra causar-lhe-ão a nítida convicção. editado pela FEB (33ª edição. o Consolador Prometido por Jesus. convidamos o leitor a conhecer o livro de Hermínio. 625º milheiro. pelo médium Frederico Júnior. Rio de Janeiro (RJ). dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos.

do rancor. estará se expondo a riscos imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. da revolta. não termina com Kardec. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. e. serena ou tumultuadamente. nos afinamos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. ao iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. estejamos com um mínimo de preparação. apoiada num mínimo de informação. um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho seria junto aos companheiros desencarnados. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. encontramos Espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. que. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. O Evangelho segundo o Espiritismo. O Livro dos Médiuns. não à custa de oferendas. fantástico ou sobrenatural. e A Gênese. nem para cumprir mandados nossos ou atender às 7 . evidentemente. de “trabalhos” encomendados. como doutrina essencialmente evolutiva. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante. Realmente. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. de ritos mágicos. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. nem livrar-nos das nossas provações. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro. isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. não para nos livrar das nossas dores. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. mesmo incipientes. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. Isto não quer dizer. velam por nós companheiros de elevada categoria. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. na literatura espírita. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores. nada tendo de místico. pode estabelecer contacto com os desencarnados. a meu ver. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. outros com leviandade e indiferença. uns com respeito e amor. a massa imensa daqueles que se acham da media para baixo. É claro que a lista não termina aí. consciente ou inconscientemente. de símbolos. como aqui. da angústia. A prática mediúnica não deve ser improvisada. é natural. pois não perdoa despreparo e ignorância. no pórtico deste livro. mas. É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de irmãos mais experimentados e evoluídos. que estejamos à inteira mercê dos Espíritos perturbados e perturbadores. com a sua proteção carinhosa. isto é: O Livro dos Espíritos. da ignorância.INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. em princípio. O mundo espiritual é povoado de seres que foram homens e mulheres como nós mesmos. com um procedimento reto. por conseguinte. do lado de lá. como tantos outros. sempre dispostos a nos ajudar. outros com espontaneidade. Ali. no qual procuremos desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. da vingança. voluntária ou involuntariamente. mas sim. começa com ele. Há. O importante é que. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. igualmente. obviamente. O Céu e o Inferno. Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância. Podemos.

Antes. diria Edgar Cayce. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. * “Encontramos. sem reservas. Gabriel Delanne. Gustave Geley. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. pois já estava pronta. Assim. o amor é. O amor. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. Léon Denis. suporte indispensável de toda a tarefa programada. e não naquilo que julgamos o seja. E começar pelo planejamento. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos. e certos trabalhos de origem mediúnica. das tarefas a que se propõe. Não foi preciso escrevê-la.nossas menores exigências e súplicas. mas também no interesse de cada um. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. É preciso. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. podemos começar. às vezes. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. De fato. e das complementares. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo é muito importante. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. Se estamos com essas disposições. ao comparar a grupo nascente com um filho. da sua inspiração oportuna. e da sua ajuda desinteressada. confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. com o estudo sistemático das obras básicas. ao amor ilimitado. Voltaremos às questões que formulamos acima. a educação dos pais. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. por interessar aos objetivos deste livro. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. pois cada um de nós sabe de si e do que. se convencionou chamar de suas motivações. ainda no corpo desta conversa inicial. como os de André Luiz. no sentido humano. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. com regularidade e seriedade. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. 8 . modernamente. entretanto. não é possessivo. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. examinar de perto essa posição e ver a que contém ela de legitimo. que a seguir transcrevo. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. não apenas no interesse da doutrina que todos professamos. naquilo que for realmente proveitoso ao nosso Espírito. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco. para a qual não esteja preparado.

noções satisfatórias. a respeito. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnados. Muitos nos buscam apenas 9 . Nunca o drama de um Espírito é apenas seu. no final de contas. invariavelmente prejudica a alguém mais. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que ia se sabe sobre a fenômeno. De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento. porém. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. Mas se não a observarmos em ação. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. não apenas aconselhável. em planos diferentes. muitas vezes já está madura para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. a prática mediúnica é. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. Aquele que odeia. como indispensável ao futuro da Humanidade. os riscos que oferece. Se é incompleto a conhecimento sem a prática mediúnica. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. provocadas por antigas mágoas. Evidentemente. ao estudo dela. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. Aos que ainda desejam vingar-se de antiqüíssimas ofensas. cada vez mais. também. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores. delas se nutre e delas depende. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. Ao que ainda se prende a superadas teologias. não apenas para o médium. consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. em grande parte. que o equacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. Há uma Humanidade inteira clamando por ajuda. entre o mundo espiritual e este. ouvimo-los com admiração e proveito. Há sempre. Os erros que cometemos. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. Há riscos. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. sim. ajudamos a compreender a nova realidade que tem diante de si. Será. compreensão e caridade no chamado mundo espiritual. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. não apenas o seu Espírito da tormenta do ódio. a seu desenvolvimento futuro. Logo. O Espírito que erra. A todos os que erraram. suas grandezas. não são mais que um único. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. elos que nos ligam a outros seres e a outras dores. esclarecimento. O intercâmbio. em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro d’água sob a orientação de quem já tenha. Parece claro. nesta vida ou em algumas das anteriores. realmente.O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens.

iniludíveis. o ônus terrível da vaidade. 1976. Lições terríveis ministrados com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei. creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente dita. apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. pois exigem reparação. * E assim. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. tanto na carne como no Espaço. Por que. de que progride e aprende. No exercício constante dessa atividade. são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. no entanto. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificância dos primeiros resultados. anestesiado nas suas angústias. de preferência familiar. composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalha sério e contínuo. mas é também prática mediúnica. pois Espiritismo é doutrina. os trabalhos irão surgindo. aprendemos a contemplar e transitoriedade da mal. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. Rio de Janeiro (RJ). 10 . ainda que nem sequer suspeitemos disso. E bom que o grupo seja pequeno. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. não será tão difícil assim. a amarga decepção do suicida. pelo menos. a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou a seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. mas flexíveis. sem ostentação. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vem. lá estão à espera de ajuda e. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. a inutilidade das posições humanas.para trazer notícias das suas próprias conclusões. de que as leis universais são perfeitas. ao mesmo tempo em que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. todos nos vem confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. e todos nós. demonstrada e seriedade de propósitos. temos compromissos a executar. “Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humana. minorá-la é divino”. então. Hermínio Correa de Miranda. ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e incompreensões. Crentes ou descrentes. Aos poucos. corresponderá um grupo equivalente de Espíritos. num intercâmbio salutar de profundas repercussões. através da lúcida inteligência de Kardec. católicos ou protestantes. cada vez melhor. como criaturas encarnadas. Muitas e variadas lições. de nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto a organização dos grupos. na qual o Espírito fica. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. vemos. de que reencarna. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. que se envenenam a si mesmas e a nós próprias.

Como todo grupamento humano. a natureza dos trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de mediunidade que for possível reunir. o Apóstolo”. com a seleção das pessoas que deverão participar dos trabalhos. este também deve ter alguém que assuma a posição de coordenador. o preparo. no decorrer das gestões preparatórias. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa tarefa é extremamente delicada e critica. apagar a luz e aguardar as manifestações. não poderá fugir de certa posição de liderança. Em terceiro lugar. Em primeiro lugar. a organizar o grupo. em grande parte. nos trabalhos preliminares de organização do grupo. ou iniciador. cumprindo-lhe provar. muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. Em primeiro lugar. ou dirigente. todos são de igual importância. Em segundo lugar. aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para reconhecer que o outro. e. Num grupo espírita. especificamente.I — A INSTRUMENTAÇÃO O GRUPO Voltemos às perguntas formuladas na Introdução. sob este aspecto. surja a sutil faculdade da liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. de início. exercida por consenso geral. não obstante. o grupo será a soma dos seus componentes. está mais indicado para a função do que ele próprio. Esse motivador. não basta juntar alguns amigos e familiares. 1 O primeiro passo. que consiste na educação e na instrução dos componentes do grupo que se planeja. disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos às fraquezas dos seus participantes. Por outro lado. de condutor. Liderar é coordenar esforços. e da qualidade do relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse campo. a leitura do artigo “O Livro dos Médiuns de Paulo. Assim. nos leva a outro quesito preliminar: — quem devem ser os componentes? A tarefa começa. É bom que isto se faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que falaremos mais adiante e quem será incumbido da direção das tarefas. tato. É até possível que. mas é necessário não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. terá que dispor de certa dose de autoridade. na sua notável Primeira Epistola aos Coríntios. É preciso. que revelou melhores disposições. de proporções modestas e sem grandes ambições. Os motivos são de fácil entendimento. nos versículos 4 a 30 do capítulo 12. a força tranqüila e segura da sua personalidade. do grau de sensibilidade. Nestas condições. Será recomendável que a pessoa que pretenda fundar um grupo. 11 . por 1 Seria oportuna. para disciplinação e harmonização do grupo. guarde consigo mesma. sem declarar-se tal. O líder natural e espontâneo é aceito também com naturalidade e espontaneidade. pois dela vai depender. conhecimento e evangelização de cada um e de todos. mesmo de âmbito doméstico. portanto. o êxito ou fracasso do grupo. O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. pois. o líder. o problema da liderança a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os trabalhos não seja aquela que se propõe. que deve dar alguém que pretenda organizar um grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compô-lo. 13 e 14. O apóstolo Paulo tratou dele. em “Reformador” de fev/74. inteligência. capítulos 12. não impor condições.

por certo. mas é certo que. desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização no plano físico. para não fazermos o convite senão àqueles dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão. Léon Denis. no tempo certo. E essencial que todos se estimem no grupo. por exemplo. entre os desencarnados. Podemos amar profundamente uma criatura que não ofereça condições mínimas para um trabalho tão sério como esse. sem personalidade e opinião. entendimento e entrosamento com os demais. as suas intenções. E óbvio que ajudam de maneira decisiva. ou se transformarem em criaturas invertebradas. Até a discordância ideológica acentuada. em seu livro “No Invisível”. não perturbam. O grupo pode funcionar bem até com duas pessoas.longo tempo. sem idéias próprias. pois. mas a homogeneização dos ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que precisa prevalecer durante todo o tempo. para que Ele ai esteja. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou incluir Fulano ou Sicrano porque gosto dele ou dela”. e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. a dizer-lhe que. inclinações. Lá é que se realiza a parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuídas a qualquer grupo mediúnico. um participante em perspectiva. mas se não puderem ajudar. sobre o qual tenhamos algumas dúvidas mais sérias. em perfeita harmonia com o grupo. alguma coisa séria poderia ser realizada. O papel que lhes cabe é importante. que examine. pode criar dificuldades ao trabalho. por não se estar adaptando às condições exigidas pelo trabalho. pois. que pelo menos não dificultem as coisas. bastará que dois ou mais se refinam em seu nome. se coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro componente do grupo. Isto nos leva a uma outra questão. No caso de apenas dois. mesmo assim. por isso. porém. mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se desenrola do outro lado da vida. logo de início. tendências e temperamento. recusar. A franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho. depois. E melhor. É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto à composição humana do grupo. bem como os seus defeitos. do que sermos constrangidos. por outro lado. à meditação e ao estudo silencioso e demorado de cada pessoa. não interferem negativamente. mesmo em outros setores do pensamento. quanto maiores. É claro. com toda a imparcialidade possível. as potencialidades de cada um. que deve ser logo decidida: Quantos componentes encarnados devem ter um grupo? A experiência recomenda que os grupos não devem ser muito grandes. sem paixões e sem preferências. mais difícil mantê-los em clima de disciplina e harmonia. virtudes. Acima 12 . desde que não alcance os estágios da rudeza que fere. que os componentes encarnados de um grupo são apenas a sua parte visível. segundo a palavra do Cristo. mas só isto não basta. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. quando se portam com dignidade. Um só membro que desafine dessa atmosfera de harmonia poderá transformar-se em brecha por onde Espíritos desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual desintegração do grupo. infelizmente. embora ofereçam outras condições favoráveis. sugere de quatro a oito pessoas. tem que deixar o grupo. É preciso entender. Isto não quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho. que não é aconselhável incluir aqueles que. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. Os componentes encarnados já fazem bastante quando não atrapalham. logo de princípio. É claro. que se entregue à prece constante.

sim. no silêncio da meditação e da prece. a apresentar um panorama. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. tanto para os que se dedicam. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de natureza cientifica? Para tarefas mais sérias. fúteis e inconseqüentes. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. não apenas do dirigente encarnado do grupo. Não há fórmulas mágicas. estes se apresentarão no momento oportuno. quando não claramente mal-intencionados. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de Espíritos familiares. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. Isto é válido. mas. pois o assunto. Por isso. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. ainda não saibamos quanto à intenção dos Espíritos que nos são familiares. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. para práticas condenáveis. logo que tenhamos resolvido.dos oito componentes sugeridos por Denis. galhofeiros. em definitivo. pior ainda. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa 13 . para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar-se. virão os Espíritos levianos. É possível. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. que. E. E certo. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. vai-se tornando mais difícil e tarefa. Recomenda-se. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou. porém. no entanto. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. não só em “No Invisível”. Léon Denis também oferece contribuição valiosa. e. de Allan Kardec. já atuantes. tão abrangente quanto possível. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. ainda. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. ao se planejar a instalação de um grupo. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. porque a equipe se torna mais heterogênea. bastante complexo. em outras de suas obras. como de seus orientadores invisíveis. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. com seriedade e boas intenções. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. se alcançada impecável homogeneização. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. o pensamento divaga. André Luiz. tem sido tratado em várias obras de confiança. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. em “Mecanismos da Mediunidade”. assim. O mais certo é que. que venham trazer pequenas mensagens. quebra-se com freqüência o esforço de concentração. Em seguida. convém convocar uma reunião. também. Serão arrolados os médiuns presentes. de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. e o prejuízo é certo para a tarefa. Essa reunião. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. obviamente não mediúnica.

o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. experimentação. vigilância. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. vale a pena uma revisão geral. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições. porém.pessoa que a tenha em potencial. pouco a pouco. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. Não nos esqueçamos. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente. até o que já possui conhecimentos mais profundos. esse encargo era de caráter iniciático. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação. no entanto. por estágios sucessivos. a partir do capitulo 14 — “Dos 14 . O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. naturalmente. Embora não gostemos de admitir. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas específicas senão ao cabo de um aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. e em profundidade. A mediunidade. voltemos ao assunto em foco. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”. hoje. salvo casos especiais. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo. suas faculdades. O mais provável é que o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. Ademais. necessidade de um guru que leve o discípulo. seguido de “O Livro dos Médiuns”. que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. pelo “O Livro dos Espíritos”. não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. sistematicamente. a começar. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. capacidade de observação. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. que exige conhecimento doutrinário. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê-lo. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhecedores da Doutrina dos Espíritos. pesquisa. nosso conhecimento é menor do que pensamos. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente corrigidos. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. difícil e muita importante. De forma alguma. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. é possível ao médium incipiente desenvolver. É também uma imprudência forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. No passado remoto. Evidentemente não há. tato. até o ponto ideal. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo. desde aquele que tem apenas vagas noções.

até mesmo. se necessário. muito útil para afinar o grupo. no segundo. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinação. Talvez em outra oportunidade. por um processo natural de seleção. no desejo de servir. ajustar seus vários componentes. o estudo precederá as manifestações e deverá. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório. Já se sabe quais os que o compõem. em processo de exclusão natural. Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário. Nesse caso. resolvam dedicar-se com maior entusiasmo e firmeza.Médiuns”. ainda. quais são os médiuns. segundo a programação acordada. para aproveitarem os ensinamentos ministrados. A essa altura. de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. em prejuízo dos resultados. portanto. sacrificariam todo o conjunto. a boa-vontade e a dedicação de cada um. excluir. Não que uma coisa exclua a outra. em outro ponto deste livro). Não é preciso fazer a leitura de cada capitulo no decorrer das reuniões. assiduidade. estariam prejudicando apenas a si mesmos. mais adiante. É então. certamente. do que insistirem em ficar. Por algum tempo. que exige. quem navega sem destino não sabe aonde vai. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. dentro da equipe. durante o período que vai de uma reunião à seguinte. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. ocupar boa parte do horário. como também os desencarnados que. coletivos. tolerância. renúncia. ainda. têm que se apoiar num impulso interior. Tarefas como essas não podem ser impostas. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. sem atritos ou desgosto. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. 15 . segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. como diziam os antigos. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória. ainda por algum tempo. dedicação. estudo e amor. Não que sejam impuros (por favor!). que poderá ser longo. de apagar-se. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. para obter a integração do grupo. nem forçadas. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. certamente. desde que todos o tenham estudado. aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. Esse período é. que poderá ser mais longo ou mais curto. No primeiro caso. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. mas a definição é importante porque. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade.

e é sobre ela que nos fixaremos. Mesmo assim. Vamos nos defrontar com Espíritos desajustados que. que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão. pois. É nessa oportunidade. Um pouco de humildade nos fará. para o que. Da mesma forma. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. que nos recomenda amar os nossos inimigos. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. que se renovará em todos os encontros. dentro das nossas limitações. De tudo isto estamos conscientes. possibilidades e intenções. Já decidimos que desejamos o trabalho. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. após algum tempo de estudo teórico. A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. da qual se escondem aflitivamente. porque. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. ao relaxamento. encarnados. recursos. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. O planejamento é realizado no mundo espiritual. estão em condições de avaliar as nossas forças. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. bem como as nossas fraquezas. Este livro está mais voltado para esta última opção. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. voltam-se contra nós. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação cientifica ou mediúnica. reservado. pois. aos poucos. muito melhor do que nós. Muitos Espíritos. obviamente. que não pode ser parcial. Nem sempre estaremos fisicamente dispostos a ela. com ênfase na fenomenologia. a meio coração. Sem isso. que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. Também são válidos. aqui. como verdadeiros inimigos. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. Alguns grupos. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. A responsabilidade é grande. em virtude do cansaço. pequeninas. é claro. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. às visitas.A natureza do trabalho pode variar bastante. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. tem de ser total. movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. o que seria uma tarefa quase de laboratório. muitas vezes sem razão alguma. Não planejamos um grupo para reformar o mundo. desejamos o grupo. senão a de que estamos tentando despertá-los para realidade extremamente dolorosa. e sabemos disso. condicionado. A nós. aos passeios. Sem 16 . de que estamos preparados para ele. segundo os interesses e inclinações de seus componentes. por exemplo. ao qual temos que nos habituar. já nos convencemos. caberá executá-lo. a deblaterarem em altas vozes. não podemos destiná-la ao convívio da família. Resta o compromisso do amor fraterno. Estamos cientes disso. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. desinteressados do aspecto prático. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. Haveremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. no desespero em que se precipitaram. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas renhidas pelo bem. Suponhamos. um bem enorme. se apresentarão. Tudo isto aceitamos. nem para conquistar todos os grandes Espíritos que se debatem nas sombras. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente cientifico. das lutas naturais da vida diária. irritados. Voltemos à imagem do filho. É um dia de recolhimento intimo. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe. agressivos. em doloroso estado de desajuste emocional. diante de nós.

A freqüência às reuniões é usualmente de uma vez por semana. desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. É que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. é a prece. paixões subalternas e desajustes de toda sorte. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. Uma boa sugestão seria reservar. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observação. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. disputas internas. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. de aperfeiçoarse. ou seja. para os trabalhos mediúnicos. a segunda-feira. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. são as boas intenções. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. Se for possível um local apropriado. pois é evidente que Espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. estão todos com as tarefas do dia concluídas. com duração máxima de duas horas.aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. como para as pessoas que vivem na casa. num lar tumultuado por disputas. a partir de certa hora. àqueles que deixarem cair suas guardas. até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. torna17 . Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais. rivalidades. porém. Num lar normal. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. à noite. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. mais de uma vez por semana. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. Em tais condições. os Espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. tanto profissional quanto no próprio grupo. durante vários anos. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. é o desejo de purificar-se. de preferência um centro. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. o trabalho deve ser feito aí. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. de servir. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. que orientam o grupo. questões de ordem material ou financeira. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. Isto é especialmente válido para os médiuns. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. Para cobrar nossos compromissos. A noite é escolhida justamente porque. num centro espírita bem orientado. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. familiares e até profissionais. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. pois será difícil aos companheiros desencarnados. ciúmes. Há uma porção de condicionantes. a realização de trabalhos de desobsessão poderia agravar as condições. Mas isto acontece. Justifiquemos a escolha da segunda-feira. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. com receio da influência negativa dos Espíritos desarmonizados que são atraídos. Por outro lado. a partir de 20 horas ou 20h30m. haja ou não haja grupo mediúnico reunião em casa. sim ou não. tanto para os Espíritos trazidos para serem atendidos. ou nas furnas do mundo espiritual inferior. portanto. as preliminares.

uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. para essa finalidade. promissoras. os Espíritos não a farão por nós. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. o preparo de artigos e livros doutrinários. como a boa leitura. sob condições perfeitamente normais. O trabalho de desobsessão não é fácil. o que se nota. Precisa ser suficientemente amplo e arejado. de início. a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. tanto quanto possível. e. Os Espíritos perturbadores poderão encontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. como uma sala de entrada que de para a rua. pois. causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. interrompendo o curso das atividades. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. ao se penetrar no cômodo. não pode ser recomendado para um meio que. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. Ademais. especialmente nos dias de reunião. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. para acomodar bem todos os participantes. A qualquer momento. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. emocional. é o equilíbrio psíquico. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles. mas. para as noites de verão intenso. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. daqueles que o compõem. portanto. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. do ponto de vista humano. por exemplo. Nada de ilusões. Em ambiente perturbado. com freqüência. Por outro lado. qualquer que seja o ambiente em que se realize. por isso. Se na vida diária. Essa. Deve ser isolado. Mesmo nos demais dias da semana. ódios e rancores. já se encontre tumultuado e desequilibrado. em todo relacionamento com o mundo espiritual. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos Espíritos bemintencionados que nos assistem. o estudo sério. atos reprováveis. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo cuidado. 18 .se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. visitas inconvenientes. Quando isso for impraticável. Quando possível. das demais dependências do prédio. O ideal. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. há sempre à parte que compete a nós realizar. a música erudita. dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. sendo inadmissível. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. no lar ou no centro. uma passagem obrigatória para aqueles que não participem dos trabalhos. conversas descuidadas. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio constante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. E preciso evitar ali reuniões sociais. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais. geográfica. deve ser provido de um condicionador de ar. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. não perturbar a harmonia do ambiente. como no centro espírita. não interferir com os meticulosos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas.

em silêncio. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. Com freqüência. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e vantagens. por algumas horas. um dos médiuns viu. tendo acesso apenas por uma passagem externa. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. em sua casa ou no centro. Geralmente. os Espíritos nos demonstram. esses contactos são preliminares ao trabalho. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. iniciado no mundo espiritual. quase todos gostam de relatar experiências e acontecimentos. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. toda a sessão. enquanto não são removidos para instituições apropriadas. de vez que. em desdobramento. que são verdadeiros desdobramentos. intuições e “recados” do mundo espiritual. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. e todos se predispõem ao trabalho. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo. de um dia para o outro. tranqüilizam-se os corações desligam-se das preocupações do dia. mais tarde. trazem informações valiosas. Cessaram. ou a derrota do nosso time de futebol. relaxam os músculos. os “sonhos”. que se achavam presentes à conversação prévia. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. Quem não puder manter essas condições mínimas. e se sentarão em torno da mesa. E evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado. especialmente porque. por exemplo. todos se dirigirão. todas as conversas. 19 . sobre o último casamento do astro da novela. não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. A essa altura. em retrospecto. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. depois. ao cômodo destinado aos trabalhos. dessa maneira. No grupo do qual faço parte. Em lugar desses assuntos. * Minutos antes de iniciar a sessão. Essa técnica se desenvolve com o tempo. a essa altura. que usualmente vai de uma reunião à outra. após o espaço de uma semana. De modo geral. por maior que seja o cuidado. a piada do dia. os comentários sobre o crime da semana. os médiuns e outros participantes têm sonhos. Torna-se. numa conversa descontraída. em conversa neutra. pelo menos. depois de recolhido ao leito. por motivos mais que óbvios. ou têm a relatar contactos mantidos. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. Neste caso. desde o preparo da sala. Aquietam-se as mentes. eles fazem uma advertência amiga. no decorrer dos trabalhos. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. Freqüentemente.alguns Espíritos em tratamento ficam ali em repouso. que os Espíritos em tratamento posteriormente confirmam. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres.

atendendo a características especificas de suas mediunidades. à medida que são escritas. “Pão Nosso”. nada conseguiremos. em forma de cruz. quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. segundo viu o nosso médium. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. material para eventual psicografia.Cerca de duas horas antes. Se há trabalhos de psicografia. canetas esferográficas. lápis. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. A posição frente a frente parece levantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. Lá está. os nomes das pessoas desencarnadas. sempre em silêncio. que parece útil. a nossa. uma pequena luz indireta. No caso das sessões mediúnicas. Antes de prosseguir. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. sobre a mesa. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. Se opomos. num copo ou outro recipiente apropriado. Tudo deve ser feito. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. do que se ela estiver exatamente diante de nós. os livros que contêm os textos destinados à leitura. Na hora da prece. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. pois um Espírito mais turbulento pode. a sala está preparada fisicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. ou por outro autor da preferência do grupo. a qualquer um de nós. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. façamos uma revisão geral na sala. A razão é puramente subjetiva e psicológica. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. Se há psicografia. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. o dirigente deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. a esta altura. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. atirar os objetos ao chão. a água destinada à fluidificação. ou seja. bem como às condições do Espírito que será trazido para tratamento. 20 . à sua agressividade. em retrospecto. de psicografia e incorporação. vários lápis apontados e esferográficas. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. sem comentários. o livro que contém o material de leitura preparatória. os trabalhadores do mundo espiritual. num gesto brusco. igualmente. serão mentalizados pelos interessados. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. que vão debater um assunto. Depois de todos esses preparativos. pois. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. para não exacerbar o antagonismo. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a facilitar o trabalho. Sugere-se a cor vermelha. inspecionam o cômodo. preferentemente de cor. Se os trabalhos forem mistos. “Fonte Viva”. Outra recomendação. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. E mais fácil. não devem defrontar-se. que recomenda que duas ou mais pessoas. papel. Todos devem ocupar os assentos em silêncio. o caderno de preces.

obviamente. o dirigente encarnado dos trabalhos. Quanto ao gravador de som. e até certa ansiedade. a postos. com 21 . Em alguns grupos. Procurarei apresentar as razões. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. a luz mais intensa é apagada. geralmente. Convém retirar. em seqüência. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. Em seguida. não sejam atirados ao chão. de preferência ao lado da mesa. juntamente com pequenos copos. sofrer variações. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. É feita a prece. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. em silêncio. Não convém correr esse risco. pelas razões já apresentadas. para que. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. é feita a leitura do texto do dia. No momento oportuno. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. nem decorada. assim. Todos se encontram. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. Essas mensagens. mandamentais. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. ou o mentor espiritual. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. e devem ser preservadas para referência futura. tais comentários não devem ser muito longos. as pessoas e os objetos. concentrados.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria. tolerância e compreensão. evidentemente. As sugestões oferecidas a seguir não são. este deve ser coberto com um objeto opaco. que também não deve ser longa. certa vez. Por outro lado. um roteiro típico. acumuladas ao longo do tempo. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar. a critério de cada grupo. que o leve a “forçar” uma comunicação. num movimento mais violento. ao testá-lo. os objetos que se encontrem sobre a mesa. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. aqui. um para cada sessão. Depois de todos acomodados e em silêncio. Se emitir luz intensa de algum visor. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. de preferência em cor suave. bastará dar a partida. neste momento. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. não conhecemos. atentos.A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. todos ficam recolhidos. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. No grupo que freqüentamos. gravar a data da sessão. que forneça iluminação discreta. ou seja. a colaboração dos amigos espirituais. Finda a prece. que pode. microfone já anteriormente testado. o gravador é reservado para a mensagem final. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. não é recomendável o procedimento. indireta. bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. nem elaborados. Proporemos. fixando-lhes até o número de Espíritos que deverão atender. E conveniente. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. restando apenas a lâmpada mais fraca. que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização.

composta de obreiros do lado de lá. os mentores terão recursos suficientes para contê-los. Acresce ainda uma observação. de uma vez. Pelo contrário. que deve ser usada para uma pequena prece. sabendo disso. altera-se a seqüência do trabalho programado. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. Na minha experiência pessoal. Percebendo que a hora se esgotava. no ambiente. Certa vez. muito ardilosamente. depois das virias manifestações de companheiros aflitos. por determinado médium. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. no entanto. que irão atuar ou não. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. e se. por algum tempo. A lição é importante. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras. que. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. um dos orientadores recomendou-nos.precisão. eles têm que se retirar. o que acarretará adaptações de última hora. após uma sessão mediúnica. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. melhor. É preciso. Os Espíritos turbulentos. convém gravar. quanto menos interferirmos. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. E que. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. E bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. Quando o dirigente lhe disse que precisava partir. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. o planejamento realizado no mundo espiritual. É hora dos comentários finais. Terminado o atendimento. o Espírito manifestante. às vezes barulhentas e indignadas. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns. o que seria desastroso. E que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. usualmente. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações. nunca encontrei essa dificuldade. os Espíritos atendidos ainda permanecem. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. designamos outro médium. e muitas vezes. os trabalhos são encerrados com uma prece. em total dissonância com as palavras 22 . seja ultrapassada a hora. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. no recinto. para futura referência e estudo. Terminado o atendimento. por desconhecimento. para que possam ser úteis a todos. num grupo bem ajustado. Esgotado o prazo. * Há sempre o que comentar. para provocar distúrbios e levar o pânico ao grupo. ou não. começou a manobrar para ganhar tempo. Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. há uma pausa. mas. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. que evitássemos a repetição do ocorrido. como vimos. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. em termos inequívocos. até que chegue a vez de falarem. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite. por iniciativa dos manifestantes. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. Concluída a mensagem final. para que ele se desenrole harmoniosamente. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. procuram demorar-se. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. Em hipótese alguma deve permitir-se que.

E claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos. é tarde da noite. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. felizes e bem-humorados. recomenda-se uma parada para pensar e uma pequena prece. pelo dirigente. qualquer que seja o local onde nos encontremos. oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. no desespero inconsciente em que se acham. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo. Embora eu não o tenha prometido. recolhimento e carinho é insincera. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. por mais uma noite de trabalho redentor. o comportamento de todos. especialmente os que moram longe. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquejar. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! 23 . de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. É preciso. no estado de confusão mental em que se encontram. durante a doutrinação. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná-los. Desejam testar a boa-vontade. Os médiuns videntes sempre tem algo a dizer. ao terminar a sessão. em grande estado de agitação — desencarnação recente. ainda no recinto. Todo cuidado é pouco. na esperança de nos neutralizar. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. durante os trabalhos. usualmente. Antes de se retirarem. sem elevar demasiadamente a voz. Por isso. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. dizia que os comentários devem ser disciplinados. tudo fazem para permanecer como estão. Geralmente. envolver-nos com seus artifícios. Inúmeras vezes. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. O dirigente deve perguntar pela experiência de cada um. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. Se percebem que toda aquela atitude de respeito. estaremos admitindo. precisam retirar-se.de amor fraterno que há pouco foram ditas. Se. de maledicência. Mesmo que a sessão tenha terminado. no decorrer da semana. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. sem gargalhadas estrepitosas. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. assim. em ordem e discretamente. e os componentes do grupo. o Espírito me cobrou. incapazes de errar. que eu conhecia. com as suas lutas e canseiras. de invigilância. com o mínimo de interferência. certamente. embora estejam todos. pois eles o farão. enfim. porém. na intimidade do ser. Estejamos. E preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. deve ser discreto. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. Os comentários finais não devem prolongarse por muito tempo. avaliar a sinceridade. é distribuída a água. Os manifestantes. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. Por outro lado. Certo Espírito. de intolerância. no próximo encontro. Preparados para uma interpelação.

Descrevase cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. para referência. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. Lamentavelmente. o Espírito. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. Se o médium falta. Sugere-se. evidentemente. Ainda te pego! * É oportuno colocar. os mentores espirituais escolhem. suspenso. 24 . o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado. para cada manifestante. em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. uma ata. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr. Outro me disse. aguardando a próxima oportunidade. porém. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. Como não ignoram. nas vezes subseqüentes. esses livros se acham. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. a não ser que a sessão seja de pesquisa. * Ainda uma sugestão. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. Guillon Ribeiro. esgotados. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. basta uma referência identificadora. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: — Esta semana eu quase te peguei. num caderno. de preferência. não apenas na condução dos trabalhos. a não ser por motivos muito fortes e justificados. Se a comunicação final for gravada. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. um argumento muito válido. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. Feita a ligação. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. Essa tarefa deve caber. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. para consulta. aqui.Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela. querendo. ao voltar. como modelo. virá usualmente pelo mesmo médium. aqueles que cuidam desses problemas. mas também. Anote-se a data e. Isto não é. o número de ordem da sessão. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida sem transe mediúnico — durante toda a sessão. não é preciso ir a esses rigores. hoje. e não podia. Quando se trata de tarefa de desobsessão. Assim.

não obstante. ainda desarmonizados. ao verificar que um espírita esclarecido. na intimidade do lar. mas não apenas por isso. Não quer 25 . com Espírito critico. vai levando a vida escondido. descobrir os nossos Pontos fracos. no escritório. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado. Ao terminar sua exposição. no auditório. tivesse medo de desencarnar. Lá chegaremos. declarou seu espanto. aos arvoramos em santarrões de fachada. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. impiedosamente. como ele. e complementadas posteriormente. nos seguem por toda parte. agressiva. e. que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. O amigo confirmou e justificou: — Ildeu caro confrade: a gente. É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. à que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. nos observam. com seus pensamentos. quase sempre. Ainda não estamos. Além do mais. Eles nos vigiam. da que circunda a pessoa desequilibrada. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. ao escrever esta página. Muito do que conseguimos obter. nos cinemas. declarando que tinha medo de morrer. o procedimento diário precisa ser correto. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. certa vez escandalizou seus ouvintes. É claro. pelos companheiros invisíveis que. disfarçado. sensual. durante as duas horas da sessão. Principalmente com os pensamentos. ciumenta. aqui. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. procuram. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. durante a noite. Um amigo meu. nos restaurantes. em hora e meia ou duas horas de sessão.II — AS PESSOAS 1. do que nós. Por isso. no entanto. é ocupação que toma vinte e quatro horas por dia. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. na rua. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. da mesma forma que a gradação espiritual a facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. E isto. desenvolvidas em desdobramento. colérica. pois. cor e movimento. especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. ou na região perispiritual do ser. OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. e um senhor idoso. Cada atitude mental imprime à aura suas características. em forma. por todos os meios. na carne. numa palestra pública. Do lado de lá. Somos aquilo que pensamos. a palavra foi franqueada. e confrade muito inteligente. para perguntas e comentários. com o que diz e faz. depende de inúmeras tarefas preparatórias. e que.

Nosso trabalho é aqui mesmo. com a maior facilidade. Também somos pecadores. temendo o “contágio” com os pecadores. Há milhões de motivos. para um trabalho direto. voltará a falar. Aí de nós. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa maledicente. um dia. no futuro. de olhos baixos pela rua. pois vivemos num mundo transviado. aos extremos do misticismo. inquietações. a criança. seres humanos como nós mesmos. pois. que nos cercam por toda parte. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. também imperfeito.. Ninguém precisa chegar. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles. e a diferença evolutiva entre nós. não é lá grande coisa. Não há como fugir de ninguém e isolar-se em torres de marfim. assim. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. com as mesmas angústias.isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. aqui na Terra. ajuda o cego. em vez de cuidarmos. se.. por exemplo. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. mosteiros inaccessíveis. diante de nós. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fiquemos apenas com os males que nos afligem intimamente. certamente. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera. Isto se dará. se às deficiências que carregamos. pois. E nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência. na rua. ou a irresponsabilidade de outro. de aniquilar a nossa arrogância. a ponto de viver rezando pelos cantos. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. para ensinar e construir. para nos defender dos párias. Como seres imperfeitos. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. Toda atenção é pouca. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. mas. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. aliás. nos fenômenos de efeito físico. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece. um pensamento de rancor ou de revolta. Para 26 . Não é difícil. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. ou o egoísmo de um terceiro. Por outro lado. a cada momento. talvez. Somos. Viemos num universo inteiramente solidário. mazelas e imperfeições. somarmos as que recebermos por “contágio espiritual”. a leitura de livro pornográfico. E é necessário. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente realizados por Espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. com o homem. numa redoma ou numa couraça. amparar o coxo. O que enxerga um pouco mais. no sentido de que todos trazemos feridas não cicatrizadas. como se vê em André Luiz. O mesmo princípio opera. junto ao nosso Espírito. ou de inveja. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. a mulher. na linguagem evangélica: amar-nos uns aos outros. a defesa e a correção. Quem poderia alcançar estes. este disponha de pernas para caminhar e pode. de viver com o semelhante. de falhas clamorosas. a assistência a um filme pernicioso. ou. uma piada grosseira e pesada. grutas perdidas na solidão. Daí a recomendação da vigilância. porém. no passado mais distante e no passado recente. no qual uns devem suportar e amparar os outros. porém. Já bastam as nossas mazelas. E como!. embora a supervisionem cuidadosamente. o velho. Os Espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. Não é que tenhamos que nos isolar. a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos. temos.

que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada?

*

Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. São
essenciais, especialmente se o grupo mediúnico se envolver em tarefas de desobsessão. Os
Espíritos trazidos às reuniões, para tratamento, apresentam-se hostis, agressivos, irônicos.
Que não se cometa, a respeito deles, a ingenuidade de pensar que são ignorantes. Com
freqüência enorme são inteligentes, e mais bem informados do que nós, encarnados.
Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável. Chegam
impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa, para continuar a proceder como acham de
seu direito e até de seu dever. No desespero em que vivem mergulhados, não hesitarão em
promover qualquer medida defensiva, e essa defesa, geralmente, consiste em atacar aqueles
que interferem com seus planos. Cuidado, pois. Se em lugar de vigilância e prece, lhes
oferecemos o flanco desguarnecido, sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e
acabaremos por ser envolvidos.
Dai a advertência de que o trabalho mediúnico, nesse campo especializado, é tarefa
para todas as horas do dia e da noite. As recomendações de comportamento adequado são
particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam.
“No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz — “os
integrantes da equipe precisam, a rigor, cultivar atitude mental digna, desde cedo”. 2
Resguardarem-se todos na prece, na vigilância. Fugiremos ao envolvimento em
discussões e desajustes de variada natureza. Alimentação sóbria, leve.
Não custa muito, pelo menos nesse dia, abster-se de carne; e é necessário prescindir
do álcool e do fumo. Sempre que possível, durante o dia ou nas horas que precedem a
reunião, um pouco de repouso físico e mental, com relaxamento muscular e pacificação
interior.
Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o
comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora, por exemplo. (Muitas vezes,
principalmente no caso dos médiuns, já se trata de aproximação de Espíritos angustiados,
ou coléricos, que transmitem suas vibrações depressivas). É possível que, à hora da saída
para a reunião, chegue uma visita inesperada, ou uma criança se ponha a chorar,
inexplicavelmente agitada ou inquieta. De outras vezes, chove ou faz muito frio, ou calor
excessivo, e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo.
Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos
incidentes como estes, que se vão somando, até neutralizá-los de todo. Nem percebem que
os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos, ou até
mesmo os provocaram, como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da
família. No dia seguinte, ou horas depois, o mal-estar terá passado, como Por encanto, mas
o trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara, pelo menos naquele dia. A
grande vitória começa com as pequenas escaramuças. Cuidado, atenção, serenidade,
firmeza.

*

Quanto aos componentes encarnados do grupo, mais uma vez lembramos: é vital que
os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. O bom entendimento entre todos é
condição indispensável, insubstituível, se o grupo almeja tarefas mais nobres. Não pode
2

“Desobsessão”, Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, capítulo 1, 3ª ed., FEB.

27

haver desconfianças, reservas, restrições mútuas. Qualquer dissonância entre os
componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. Os Espíritos
desarmonizados sabem tirar partido de tais situações, pois esta é a sua especialidade.
Muitos deles não têm feito outra coisa, infelizmente para eles próprios, ao longo dos
séculos, senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras, dividindo para conquistar.
Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. E preciso entendê-los. Eles vivem num
contexto que lhes parece tão natural, justificável e lógico, como o de qualquer outro ser
humano. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem, e, por isso, não se detêm diante de
nenhum escrúpulo ou temor.
Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento, provocarão a
desagregação impiedosamente, porque para eles isto é questão de vital importância, a fim
de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram.
Assim sendo, é melhor que um grupo com dissensões internas encerre suas atividades,
pelo menos por algum tempo, até que se afastem os elementos dissonantes. Não se admite,
num grupo responsável e empenhado em trabalho sério, qualquer desarmonia interna, como
disputa pelos diversos postos: dirigente, médium principal e outras infantilidades. O
dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas
um companheiro, um coordenador, um auxiliar, em suma, dos verdadeiros responsáveis
pela tarefa global, que se acham no mundo espiritual. Qualquer sintoma de rivalidade entre
médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. Ainda falaremos disso, mais
adiante. Por ora, basta dizer, e nunca o diremos com ênfase bastante, que deve predominar
entre os encarnados um clima de liberdade consciente, franqueza sem agressividade,
lealdade sem submissão, autoridade sem prepotência, afeição sem preferências, e perfeita
unidade de propósitos.
No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os
encarnados, o grupo está em processo de desagregação. Isto implica dizer que os elementos
perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. O responsável
pelo grupo, ou quem for para isso, designado, deve procurar os desajustados para
entendimento particular, reservado. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude
construtiva, não resta alternativa senão a afastamento, pois o trabalho das equipes
encarnada e desencarnada deve ser colocado acima das nossas posições pessoais.
A decisão de afastar alguém não é fácil, e nem deve ser tomada precipitadamente e por
ouvir dizer, pois é uma ação de natureza grave. Não apenas o grupo se privará do seu
concurso, qualquer que seja a sua posição, como ele próprio, sentindo-se como que
“expulso”, quase um “excomungado”, poderá cair numa faixa de desânimo, quando não de
revolta, que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. Não se
trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua, de desconfianças e
rivalidades, ou rancores surdos, pois disso também se aproveitariam os irmãos
desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão; mas os objetivos e finalidades
do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. Se, para isso, for necessário afastar um ou
outro companheiro, teremos que fazê-lo. Cumprir o desagradável mandato com amor,
equilíbrio e serenidade, mas também com firmeza. Talvez o companheiro perturbador possa
retornar à tarefa mais adiante, já regenerado, mas entre sacrificá-lo pessoalmente e
sacrificar todo o programa, não há como hesitar.
Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores, porque, embora não
mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico, é uma das grandes e
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freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. Precisamos estar preparados para
ela porque, mais cedo ou mais tarde, haveremos de encontrá-la. Atenção, porém: nada de
processos inquisitoriais, repetimos. O bom senso e a prece serão sempre os melhores
conselheiros, em situações como essa.
Por outro lado, essas e outras decisões, isto é, todas aquelas que dizem respeito, por
assim dizer, à gestão terrena do grupo, cabem aos encarnados. Os benfeitores espirituais,
ligados à tarefa, dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar
aquele. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade
pelos nossos atos. O que esperam de nós é um clima de harmonização, para que possam,
em cada reunião, colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. É preciso que
ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável.

OS MÉDIUNS
O capitulo 32, de “O Livro dos Médiuns”, intitula-se “Vocabulário Espírita”, e sugere
a seguinte definição:
— Médium — (Do latim médium, meio, intermediário). Pessoa que pode servir de
intermediário entre os Espíritos e os homens.
Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre
demonstra, essa definição é um primor de clareza. Vemos, por ela, que o médium é uma
pessoa, isto é, um ser encarnado, sujeito, por conseguinte, às imperfeições e mazelas que
nos afligem a todos e, portanto, tão propenso à queda quanto qualquer um de nós, ou talvez
mais ainda, porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um
grau mais elevado de influenciação.
Sabemos, por outro lado, do aprendizado espírita, que a mediunidade, longe de ser a
marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições.
Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos
assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima
dos vis mortais, como seres de eleição. E, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o
qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir-se mais
uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. O
médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para
apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado
pelo dom divino, mas depositário desse dom, que lhe é concedido em confiança, para uso
adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no
sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos
dessas faculdades.
Quanto mais amplas e variadas as faculdades, mais exposto ficará ao assédio dos
companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo.
De certa forma, isso é válido para todos nós, mas aqueles que dispõem de faculdades
mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e
invisíveis, que podem ser bons e amigos, como também podem ser antigos e ferrenhos
desafetos ou comparsas de crimes hediondos.
Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. O jovem herói, pelo esforço de
um trabalhador social compreensivo, que acreditava na capacidade evolutiva do ser
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Não deixe de estudar suas faculdades. aos prazeres. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. eliminando. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. Qualquer ardil serve. é claro. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. de baixa remuneração. acrescentando. é um simples trabalhador. mais do que aqueles que não dispõem da faculdade. traz em si o apelo do passado. o peso específico que o arrasta para baixo. A semelhança com a situação do médium é impressionante. que é da essência mesma do seu compromisso. leia. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas 30 . o bom combate. Nada de pânico. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. acima de tudo. atento. O ideal seria que os orientadores se revezassem. atormentados seres do mundo das dores. quase sempre. obteve liberdade condicional. trabalho mediúnico. por exemplo. e dedica-se a trabalho humilde. das trevas onde se escondem. de falhas dolorosas. como um pequeno balão. Começa o cerco. com propostas. Ou. ameaças. envolvimento ou oferta. mal curadas. como qualquer outro: nem melhor. mas não seja temerário. humanos. naturalmente. bem planejados e. sem humilhações. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. corrigindo. e. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recursos que conseguiu desenvolver. Estude. o assédio. que o põem em relação com o mundo espiritual. Mais do que qualquer um de nós. observando suas próprias faculdades. nem pior. Seus ex-companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. nem inferior. ligado a um bom grupo de trabalho. A tarefa não é fácil.humano. compulsando livros doutrinários de confiança. o cérebro da organização. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. mas honesto. Participe da luta diária. de que nos falava Paulo. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. informações e. assistência. ele precisa estar vigilante. Ao sair da prisão. as “tomadas” para o erro. sociais. Procure manter um bom clima mental. quer ele deseje ou não. à irresponsabilidade. Não tema. E nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. enfrente os problemas da existência: profissionais. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. É comum. tentando impedir que ele se escape. utilizando-se dos demais médiuns. Os primeiros manifestantes são. sem rancores. Estivera alguns anos na prisão. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. encontra o amor na pessoa de uma jovem. são associados de outros tempos. obsessores impiedosos. para o azul infinito da libertação espiritual. O médium. e a doce cantilena do êxito material. familiares. modificando. nem superior. como qualquer um de nós. Cabe a ele provar que já é capaz de fazer bom uso dela. melhorando. não quer dizer que ele esteja à mercê dos companheiros desvairados das sombras. enfim. o orientador desencarnado. o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais a sua vontade. buscam-no incessantemente. Na hora da tarefa. Seus comparsas não se conformam. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. que os antigos comparsas o encontram. porém. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. muito rendosos financeiramente. em virtude da prática de assaltos audaciosos. é um ser em liberdade condicional. sem prepotência. Não lhe faltarão recursos. nos grupos mediúnicos. vigie seus sentimentos. então. porque. às loucuras. como todos nós. Fora o líder de seu grupo. viva com simplicidade. qualquer pressão. Vale tudo. as cicatrizes. deseja esquecer o passado tenebroso.

Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofônia. todavia. Num grupo bem orientado. no entanto. a nossa compreensão? Assim. Com ela. clariaudiência. colocar a pessoa em quarentena. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. fornecendo ocasionais indicações e instruções. sentimos com maior facilidade as 31 . a não ser por motivos imperiosos. revelar a existência de outros médiuns em potencial. nesse tipo de trabalho. de preferência. questão 123. Isso está amplamente documentado na Codificação. quando necessário. cada um tem o mérito de suas obras. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o Espírito responderia por escrito. trate de se corrigir. de euforia. nas lides iniciais da sua empreitada.suscetibilidades e vaidades. e “O Livro dos Médiuns”. Os fenômenos começarão espaçados e indecisos: rápidas vidências. segundo “O Livro dos Espíritos”. no decorrer do tempo. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. Não é necessário. E possível. ajudando o companheiro. poderia ser substituída. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. Que ela se mantenha junto aos companheiros. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer. ou de incorporação. com o dirigente. direta e viva. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. sem interromper os trabalhos em curso. o componente da equipe deve comunicar-se. quando possível e necessário. mas são também firmes e rigorosos. nesse sentido. Nada de açodamento. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. tão logo lhe seja possível. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. Há obras que cuidam do problema. o problema é de cada um. ou companheira. nem de temores. de excitações. neste livro. em muitos aspectos. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho. às vezes até com inesperada severidade. de fantasias. depois de encerrada a sessão. Não cuidaremos. nem desligá-la do grupo. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. contudo. pacientes. talvez intuições. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. de Allan Kardec. impulsos de dizer ou escrever algo. da formação ou do desenvolvimento do médium. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. tolerantes e serenos. amorosos. que as tarefas do grupo mediúnico venham. porquanto. Em casos extremos. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. sem perda considerável da eficácia do processo. neste caso. e dificilmente a palavra falada. até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. assim. A experiência com os Espíritos ensina-nos que eles são compassivos. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa.

É aconselhável. suas emoções. 32 . Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas médiuns de incorporação. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite. seja pela sua conduta geral. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar.reações que se processam no manifestante. enquanto ele se acha doutrinando. Nesse caso. seja pelas impressões de sua presença. * Domínio completo sobre si próprio. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. canetas. suas ironias. de exteriorizarem ectoplasma. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. da intuição de um terceiro. no seu já citado “Desobsessão”. porém. que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. sua sinceridade. * Interesse real na melhoria das próprias condições de sentimento e cultura. André Luiz nos oferece. para que se lhes apure a capacidade de transmissão. conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. como sejam relógios. que têm outros. ou audiência. sua personalidade. ou seja. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores. * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarece dores ou dos companheiros. Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio. em trabalhos especiais que ainda discutiremos. * Defesa permanente contra bajulações e elogios. * Aceitação dos próprios erros. em trabalho mediúnico. operando através da vidência de um. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades. os médiuns presentes serão. * Fixação num só grupo. da mediunidade de efeitos físicos. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. suas vacilações. óculos e jóias. da faculdade. como vidência. seu estado de irritação ou de serenidade. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. Como a psicofônia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. seus cacoetes. que desempenham. linguagem. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. eflúvios magnéticos. da clariaudiência de outro. pois. alijando. que trabalham junto deles. às vezes. * As pessoas que lidam com médiuns. ou até mesmo se utilizando. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuída aos médiuns. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto.

à atitude antifraterna. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. Tentaremos clarificar. que precisa ser preservada. é da própria essência da mediunidade. cuidado e carinho. 33 . que deixam resíduos vibratórios perturbadores. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. o médium não deve e não pode ser endeusado. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. E que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. porque isso exporia. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. dando-lhe apoio e conselhos. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas. Em decorrência dessa particularidade que.enfim. nada mais. Em casos assim. como tal. atenção especial com os médiuns. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. e compreensão entre os seus diversos componentes. pois. também como as demais. Não vamos. mais sensíveis também a critica. exaustiva e bem realizada. É precisa. este assunto extremamente delicado e complexo. Há manifestações difíceis. são mais suscetíveis. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. designe alguém no grupo para fazê-lo. qualquer atividade em paralelo com eles. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. E preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina. a palavra agressiva. tanto quanto ao elogio e à bajulação. dolorosas. tanto quanto possível. exclusivo ou extraordinário. sem. cair no outro extremo. ao longo deste livro. Ou. a quem de direito. Evidentemente. a ele e ao grupo. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. onde e quando necessário. no entanto. por uma tarefa particularmente difícil. a que se refere André Luiz. para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa.. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. seu pontífice máximo. E. no fundo. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. estaria recebendo “mensagens” diretas de Deus. Não custa. distingui-lo com nenhum favor especial.. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. e. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta. à reprimenda. em nome da disciplina e da ordem. O médium não é nem a “vedete” do grupo. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. É apenas um dos componentes do grupo. O dirigente deverá tratar o médium com todo a carinho e atenção. A mediunidade a um mecanismo extremamente delicado e suscetível. Médium disciplinado é uma coisa. com as dores e as canseiras resultantes. porém. e que desaparecem aqui. dificilmente surgirão problemas dessa natureza. médium inibido é outra. em nome da boa ordem dos trabalhos. Em breve. O leitor deverá notar. que deve ser tratado com atenção.

a fim de que o médium se recomponha. durante suas manifestações. paz. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. ódio. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. Da mesma forma. este também traz uma carga. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. havendo. Pela mesma razão. o Espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. com quem demonstre ter experiência. seja entre os encarnados. angústia ou amor. experimentaram tal ou qual sensação: força. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. Mantenha-se ligado às cinco obras da Codificação. Além do seu sentido etimológico — incapaz de pecar. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. feliz. ou seja. do contrário. sendo necessário. sem sombra alguma de dúvida. Estima sem servilismo e sem fanatismo.para reaparecer ali. esse relacionamento precisa ser impecável. Com freqüência. o Espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. Repisaremos aqui um deles. respeito sem temores e sem reservas íntimas. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. às vezes. se trata de um Espírito pacificado e bondoso. Muitos são os que se queixam disso. ou. não consegue fazer tudo quanto desejava. Tentemos explicar o que significa. o Espírito agressivo fica algo contido. 34 . serenidade. quase sempre. “em estado de graça”. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. correto. pois. nas reações preliminares e posteriores do médium. comovido. Essa contaminação. certa “contaminação” mútua. são bastante conhecidos. aos livros de André Luiz que desenvolvem. porque as vibrações afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. ao contrário. sem mácula ou defeito. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. até às lágrimas. o médium desperta. de maneira tão ampla. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. às vezes pesada e agressiva. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito. Quando o relacionamento médiumdoutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. Quando. é demonstrada. seja entre estes e os desencarnados. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. pior ainda. faça perguntas. esse adjetivo algo pomposo. no caso. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. leia. tristeza. harmonizado. ao sentirem a aproximação do Espírito manifestante. como lamentavelmente acontece com freqüência. com nova ênfase. alguma hostilidade mais declarada. nossos médiuns declaram que. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. embora transitória. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propicias a manifestações violentas. como costumo dizer. os resíduos vibratórios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. portanto. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. quando são desagradáveis e agressivos. após a desincorporação. dispersá-los por meio de passes.

no momento oportuno. não tem muito a ensinar-lhe. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. lendo o estudo daqueles que. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. O médium. em termos gerais de doutrina. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos. ou. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. de tempos em tempos. ensinar. Muitas vezes ele está perfeitamente familiarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita. “Nos Domínios da Mediunidade”. deve 35 . por alguns momentos. reconhece até mesmo a existência de Deus. “Entre a Terra e o Céu”. de Martins Peralva. que professamos. Portanto. porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. “Desobsessão”. somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. de Camilo Cândido Botelho. ele nem discute. “Missionários da Luz”.não apenas aspectos específicos da mediunidade. Ademais. Ninguém precisa estuda-la mais. do Dr. ou. Por outro lado. antes de nós. E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. ainda. “Dramas da Obsessão”. o companheiro encarnado. e com maior respeito e carinho. Em primeiro lugar. “Estudando a Mediunidade”. de receber instruções doutrinárias. A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. porque o Espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. por mais modesta. “Memórias de um Suicida”. acerca da Doutrina Espírita. que toda pessoa incumbida de uma tarefa. O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina. mundos acima. como ouvinte paciente ante um guru evoluído. nem predisposto ao aprendizado. A despeito disso. e. ou seja. que se coloque na posição de mestre. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. não está em condições. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade. “Nos Bastidores da Obsessão”. ele precisa estar preparado para exercer. tanto quanto todos nós. de onde recebemos jatos de luz que. e com a qual pretendemos ajudá-lo. Bezerra de Menezes. observando-a com atenção. que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. de Madame d'Espérance. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. iluminam. os ambientes de meia-luz em que vivemos. logo aos primeiros contactos. “No País das Sombras”. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. no contexto da prática mediúnica. de Manoel Philomeno de Miranda. Sabe que e um Espírito sobrevivente. presunçosamente. simplesmente. com quem estabelece o diálogo. a ditar normas de ação e a pregar. do que o próprio médium. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. mundos abaixo. através de um pequenino retângulo. “Libertação”. ante evidências que lhe são mais do que óbvias. os mecanismos da reencarnação. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. admite. a autoridade necessária. que nem ele próprio conseguiu alcançar. anotando suas peculiaridades. um estágio ideal de moral. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação.

conhecer a doutrina e recitar prontamente qualquer versículo evangélico. Se estivermos recitando lindos textos evangélicos. O Espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. O confronto aqui não é de inteligências. sumo-sacerdote ou rei. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. Entre os Espíritos que lhe são trazidos para entendimento. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. ele é apenas um dos componentes. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vicio de fumar. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. de que. nem de culturas. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. observa-nos. e até mais do que nós. não estão. ou. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação. em que fomos. e não mestre. intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às conciliações desenvolvidas no diálogo. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. é de corações. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. como. ele o saberá também. Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. Ele nos vigia. do que o mero som das palavras que pronunciamos. Não se esquecer. há argumentadores prodigiosamente inteligentes. de sentimentos. por certo. sem sustentação na afeição legitima. a fim de obter dele a informação de que necessita. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele. em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. dotados de excelente dialética. E nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do Espírito. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. Sua autoridade moral é importante. Os Espíritos em estado de perturbação. de quem os ouça com paciência e tolerância. mas qual de nós. Sua formação doutrinária é de extrema importância. A doutrinação virá no momento oportuno.ter. talvez. um trabalhador. O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. como já dissemos. ainda. mas isso não é tudo. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. tanto quanto nós. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. porém. bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. por serem. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros. ou um erro mais 36 . companheiros de antigas encarnações. às vezes. Percebe mais as nossas intenções. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. e. mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. no grupo mediúnico. comparsas de desacertos hediondos. encarnados. logo de início. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. A conversa com os Espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico. Muitas vezes. sem conhecimento intimo dos postulados da Doutrina Espírita. freqüentemente. analisa-nos e estuda-nos. que nos são trazidos às sessões mediúnicas.

que muitos companheiros espirituais desarvorados. ou pretendemos ser. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. convicta. nossa boa intenção é legítima. Muitos são desafetos antigos. enquanto estás a caminho com ele. Para Ele. no capitulo 11 da Epistola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. Por outro lado. neste. que tanto nos interessa. que ainda não nos perdoaram. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus. Aqueles que já se purificaram a esse ponto. 17:14-20): 3 O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. 3 Em Paulo. 37 . não pelos resultados que obtemos. sobre o qual ainda falaremos adiante. O doutrinador é também um ser falível e consciente das suas imperfeições. Ele não pode dar aquilo que não tem. de que somos julgados e avaliados. É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. Para o Cristo. Que tipo de fé? A fé espírita. eu não saberia dizer. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. dedicam-se a tarefas mais complexas. plenamente suportada pela razão. Deve lembrar-se. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. ainda. positiva. tal como a conceituou Kardec: sincera. Façamos uma pausa na exposição. o manifestante acabará por admitir que. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. O doutrinador precisa. como em tantos outros contextos. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. É preciso levar em conta. confirmou no coração do homem. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. inabalável. para um exame da fé.grave cometido no passado recente. a prova das realidades invisíveis. Se tivermos paciência e tolerância. para doutrinar. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. ainda. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio. lógica. E aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. que nos conheceram em passado tenebroso. o esforço que desenvolvemos é digno. mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. É exatamente porque ainda somos tão imperfeitos quanto ele. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. Não é preciso ser santo. é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. Tudo serve. porém. e nos respeitarão por isso. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belíssimo poema. ser uma criatura de fé viva. de maior responsabilidade. É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. afinal alcançado. Pela fé. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje.

Respondeu-lhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. “Da fé vacilante — diz Kardec. vai encontrar a resposta ao que implora. pode ser crença. Os discípulos nada puderam fazer. Sem ela. em beneficio do companheiro que sofre. em particular. sempre. tem que “encarar a razão” destemidamente. sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível. Jesus cura o infeliz possesso que. Ao comentar a passagem. pedem explicações. que se apoderava dele em qualquer lugar. Resposta: fé. Precisa ser inabalável. em todas as épocas. Sem ela. e. que não consegue fazer quem duvida de si”. pouco depois resultam a incerteza e a hesitação. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. depois de curá-lo. presunção. segundo o pai. porque não acredita que possa vencer”. mas não será fé. com Kardec. É uma afirmativa de extraordinário vigor. por mais bem-dotado que seja. parecer. O episódio é de grande força e beleza. e ainda mais: que aquela classe de Espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. ranger os dentes. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater. (Destaque meu) O comentário de Kardec é de transcendental importância. nós outros. Os discípulos já haviam tentado. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. E também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão. sem êxito. com relação aos demais atributos necessários à sua função. com ela. e o deixava rígido. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. o doutrinador estará desarmado. Ele tem de saber que. Não se trata. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais.— Os discípulos vieram. suspeita. expulsar esse demônio?”. Para não transcrevê-lo por inteiro. Pois em verdade vos digo. ter com Jesus. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). Somente assim será inabalável. Fora disso. feita por quem possuía autoridade mais do que suficiente para fazê-la. em todas as épocas da Humanidade. confiantemente. definitiva. provavelmente desacordado. No contexto. com tão poucas palavras. 38 . Batidos pelo fracasso. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. despreparado para a sua tarefa. é certo. A conceituação de fé tornou-se. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir. “nada é impossível”. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. páginas 284 a 293. então. conjetura. ao formular sua prece. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema. fazia-o espumar. e nada vos seria impossível”. Dificilmente se poderia dizer melhor. ao levantar-se para dar um passe. opinião. de remover montanhas de terra e pedra. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. era possuído por um Espírito mudo. da 57ª edição da FEB. e ela se transportaria. pouco ou nada podemos. Ele deve saber que. porém. essa fé não procura os meios de vencer. derrubava-o ao solo. aqui.

.Além disso. traduções modernas do Evangelho substituíram por amor a expressão caridade. no ambiente de trabalho. sou como o bronze que soa e o címbalo que retine. Outro ingrediente necessário. vive rodeado de conhecidos. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador. incondicional. como força construtiva do bem. ainda. transformado em compreensão. — “É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. sincero. com relação aos nossos próprios inimigos. O amor não se acaba nunca. por assim dizer. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento.. É isto bem verdadeiro. ao se apresentarem diante de nós. no trabalho de desobsessão. A sustentação do seu teor vibratório. Do amor que. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. Tem seus parentes. portanto. Não e por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. Impossível seria considerar a caridade sem o amor. que se concentre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento. diferente. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. portanto. * Isto não esgota. principalmente. é ele. legitimo. que a expressão do original grego agapê. porque. é o amor. tanto quanto o amor descaridoso. em favor do próximo. A Bíblia de Jerusalém lembra. a esperança e o amor. O amor é paciente e serviçal. tudo espera. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. pronto na doação. precisa estar ligado aos Planos Superiores. na sua vida de encarnado. não se irrita. restariam a fé. mas particularmente se dirigem ao doutrinador. O amor não é invejoso.. O amor tudo crê. Se tudo se acabasse. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera. do belíssimo capitulo 13. do ódio. segundo o Cristo. não é interesseiro. Sem nenhuma figura de retórica. da mais violenta revolta. terrenos. nem precipitado. E desse amor-doação que precisa o doutrinador. usualmente. Se não tenho amor. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros. a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. do rancor. que aparecia nos textos mais antigos. tudo suporta. nada me aproveita. deverá vir de Cima. Por isso. o médium doutrinador não se encontra. para distribui-lo assim. que o ajudam e assistem a distância. se não tenho amor. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos. em nota de rodapé. do mais angustioso desespero. É lógico e natural. mas não conta com grandes afeições e dedicações.. do trabalho. nem presunçoso. amor fraterno. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. indiscriminadamente. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório. devemos sentir. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. é preciso ter. não é temerário. porque é ele o seu porta-voz. para isso. Se não tem fé. a capacidade de amar os inimigos.. bem como suas cóleras e suas ameaças. Agapê é o amor-benevolência. Muitas vezes. é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais.. tolerância e. do amor passional e egoísta. na psicologia do doutrinador. o responsável pela direção dos aspectos. e. o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do 39 . no campo do amor. Sem amor profundo. não tem orgulho. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis. Se respondermos a sua agressividade com a nossa. para os irmãos desorientados. que se dirige.

doutrinador. Nem pretendemos esgotá-lo aqui, ou afirmar que somente pode investir-se na
função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. Não
estamos ainda nesse estado evolutivo.
Prossigamos, no entanto, ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da
personalidade de um bom doutrinador.
Se não dispuser de um mínimo de aptidões, o candidato a tal função deve procurar
desenvolvê-las, ou assumir outra tarefa, para a qual seus recursos pessoais sejam mais
adequados. Uma dessas virtudes é a paciência. Não pode ele, sem prejuízo sério para o seu
trabalho, atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. Tem que ouvir,
aturar desaforos e impropérios, agressões verbais e impertinências. Tem que aguardar o
momento de falar. Para isso, necessita de outra qualidade pessoal, não particularmente rara,
mas que precisa ser cultivada, quando não despertada: a sensibilidade, que o levará a
sentir pacientemente o terreno estranho, difícil e desconhecido em que pisa, as reações do
Espírito, procurando localizar os pontos em que o manifestante, por sua vez, seja mais
sensível e acessível. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato, segundo a qual,
vamos, pela observação cuidadosa, serena, nos informando de determinada situação ou
acontecimento, até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão
sobre o assunto.
A paciência, a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos, mas
não disparam, por si mesmos, os mecanismos da ação, ou seja, não nos indicam a
providência a tomar, nem nos sustentam no que fizermos. Para isso, se pede outra
disposição que poderíamos chamar de energia, que deve ser controlada e oportuna. Há de
chegar-se a um ponto, na doutrinação, em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude
firme, enérgica, que não pode ser contundente, nem agressiva. É a hora da energia, e o
momento tem que ser o certo. Nem antes, nem depois da oportunidade. Veremos isto,
quando cuidarmos do trabalho propriamente dito.
Há mais ainda.
O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância, na mais ampla acepção
do termo. Vigilância quanto aos seus próprios sentimentos e pensamentos, quanto às suas
suposições e intuições, quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante,
quanto ao que ocorre à sua volta, com os demais componentes do grupo, quanto à sua
própria conduta, não apenas durante o trabalho mediúnico, propriamente dito, mas no seu
proceder diário. Convém repetir: não precisa ser um santo, e não o será mesmo. Vigilância
e boa intenção não são santidade. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento
constante.
Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de
mediunidade ostensiva? Em Espiritismo, não há posições dogmáticas. Minha opinião
pessoal é a de que algumas formas de mediunidade são desejáveis. Colocaria em primeiro
lugar a intuitiva, através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos
espirituais, responsáveis pelo trabalho, e desenvolvê-las junto ao manifestante, com seus
próprios recursos e suas próprias palavras.
Em segundo lugar, poria a vidência, que certamente auxiliará na visão de cenas e
quadros, ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais
companheiros. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência, e, neste caso,
ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual, que fossem de interesse
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para o seu trabalho. Isto, porém, não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra,
soprada desavisadamente, que o leve a falsos caminhos.
Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que
colocasse o dirigente, ou doutrinador, em estado de inconsciência. Ele precisa manter-se
lúcido durante todo o período de trabalho.
Uma confreira, experimentada nas lides espíritas, contou-me que certa vez se
encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. Relutantemente,
concordou em assumir o encargo, pois temia que sua ostensiva mediunidade de
incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. Realmente, foi o que aconteceu.
Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante, começou a sentir-se envolvida,
perdeu o fio da conversação e, sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —, daí a
pouco estava, por sua vez, também incorporada, criando certo pânico na sessão. Depois
dessa experiência, ela passou a recusar, com firmeza, qualquer solicitação para funcionar
como doutrinadora, dedicando-se a outras atividades, tão nobres quanto essa, para as quais
estava perfeitamente preparada, com a abençoada mediunidade de cura. Suponho que, por
isso, a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é, precisamente, a intuição.
Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual, esta via de comunicação bastará ao
seu trabalho. Por ela, seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão, com eficiência
e oportunidade, para a ajuda de que ele não pode prescindir. De uma vez por todas, tiremos
de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos
Espíritos Superiores. Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso, e não
poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. Já
fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade
Maior. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda, eles se afastarão, com
tristeza, é certo, mas com serenidade e sem remorsos, de vez que jamais impõem a sua
presença, nem a sua vontade. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos
Espíritos mais esclarecidos. E, em breve, não haverá nem bom nem mau, porque o
pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos
ardilosos, que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram, por sua vez, em
doutrinadores do doutrinador, pregando estranhas e confusas idéias.
Com isto, chegamos à outra faculdade necessária ao doutrinador a humildade. Ele vai
precisar dela, com freqüência impressionante A princípio, para aceitar as ironias, agressões
e impertinências dos pobres irmãos atormentados. Depois, se e quando conseguir
convencer, o companheiro, de seus enganos e de seus erros, para não assumir a atitude do
vencedor que pisa na garganta do vencido, para mostrar o seu poder e confirmar a sua
vaidade e seu orgulho. É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco
se converte em verdadeiro trapo humano, arrependido e em pranto, que o doutrinador deve
mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia.
Tem, ainda, que ser humilde no aprendizado. Cada manifestação traz a sua lição, a sua
informação, a sua surpresa. Em trabalho mediúnico, estamos sempre aprendendo e nunca
sabemos o suficiente. Se não nos aproximarmos dele com humildade, pouco ou nenhum
progresso conseguiremos realizar.
A humildade é necessária, também, quando não conseguimos convencer o
companheiro infeliz. Precisamos estar preparados para a derrota, em muitos casos. Nada de
pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. Claro que positivo, em
sentido genérico, ele sempre o é. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus
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propósitos, se tivermos tido habilidade e tato teremos realizado, no seu coração, a
sementeira da verdade. Um dia não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe
dissemos e conferi-lo com a realidade. Não contemos, porém, com o êxito total da
conversão imediata e definitiva, ao amor, de todos os Espíritos que nos são trazidos. Muitos
daqueles dramas, que se desenrolam diante de nós, arrastam-se há séculos. Não se ajustam
em minutos de conversa. Humildade, pois, para aceitar esses casos e continuar lutando. Não
somos super-homens, nem semideuses.
Humildade, ainda, quando precisarmos reconhecer o potencia intelectual do irmão
espiritual com o qual nos defrontamos. E isso é muito freqüente. Não quer dizer que nos
devamos curvar servilmente diante dele, rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu
conhecimento; quer dizer que precisamos admitir, às vezes, que não estamos em condições
de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. Nem é essa a técnica recomendada.
Suponhamos que compareça, para conversar conosco, um Espírito de elevada cultura, que
lecionou em Faculdades, ocupou assentos em Academias, recebeu, enfim, as honrarias que
tantos buscam, em vez da paz interior. Não é no terreno dele que nos vamos medir, não é
discutindo Filosofia, com ele, que vamos convencê-lo de seus enganos. Nesse campo, ele
dispõe de mais recursos do que nós. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que
arruinaram sua vida espiritual. Ele precisa de atenção, fraternidade, respeito e sinceridade,
não de debates estéreis, nos quais facilmente nos vencerá, para consolidar a sua vaidade
lamentável. Um pouco de humildade, da nossa parte, o levará a respeitar-nos também,
enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos, e de medíocre cultura
intelectual, só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. Nada, pois,
de aparentar o que ainda não somos. E, mesmo que o fôssemos, a humildade, ainda assim,
seria indicada.
Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. Já disse alhures que, em trabalho
mediúnico, temos que ser destemidos, sem ser temerários. Coragem não é o mesmo que
imprudência.
O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. Fustigados pela
interferência dos grupos mediúnicos em seus tenebrosos afazeres, os Espíritos violentos
comparecerão possuídos de irritação, rancor e ódio, mesmo. Manifestam-se aos berros, dão
murros na mesa, ameaçam céus e terras, procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos
implacavelmente, a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torno de
nossa família, provocar acidentes, doenças, perturbações. O arsenal de ameaças é vasto, e
eles manipulam, com extrema sagacidade, as armas da pressão. Se nos deixarmos
impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem, estaremos realmente perdidos, porque nos
colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. Os benfeitores espirituais sempre nos
advertem, de maneira tranqüila e segura:
— Nada de temores infundados. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos
compromissos espirituais, e não em decorrência do trabalho de desobsessão.
É verdadeiro, isso. Seria injusto, por parte das leis supremas, que, evidentemente,
governam o Universo, se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento
indevido e em punição imerecida. Estariam subvertidos todos os princípios da Justiça
Divina, se assim fosse. É até possível que uma ou outra, das ameaças esbravejadas contra
nós, se cumpra, ou seja, aconteça acidentalmente, como doença inesperada em um de nós,
ou em membro da nossa família. Estejamos certos de que, na sessão seguinte, virá de novo
o irmão infeliz, para se vangloriar:
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porém. e nenhuma projeção especial o espera. o organizador ou responsável pelo grupo. porém. importantes também. com ele se entendem e se desentendem. e do doutrinador. pois. Em suma. mas não para dar cobertura à imprudência. Por outro lado. 43 . lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. à irresponsabilidade.— Eu não disse? Não tema. em particular: a prudência. idealmente. siga em frente. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. * Amor. rigorosas e numerosas. nem assim devemos nos desesperar e intimidar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. usualmente. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. não significa que deveremos e poderemos deixar cair as guardas. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. quanto mais apagado o seu trabalho. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. usualmente. A proteção existe. em geral. porque os Espíritos atribulados. * Fé. sem dúvida alguma. senão impossível de ser atingido. o doutrinador é. e mais: os recursos socorristas virão. * Vigilância. * Familiaridade com o Evangelho de Jesus. * Energia. difícil. o pára-raios predileto do grupo. os riscos são muitos. Não custa. Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. Se. como todo ideal. * Autoridade moral. Isto. E ele. * Sensibilidade. ou com alguém da nossa convivência. Ao contrário. Ele precisa saber que o trabalho é árduo. É nele que identificam a origem de seus problemas. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. * Tato. Ainda voltaremos a este tema fascinante. mais eficaz e produtivo. aqui. trazidos ao diálogo. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. traçar um perfil ideal e. mas não tão críticas: * Paciência. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. Procuramos. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. as qualificações são. ou aptidões básicas: * Formação doutrinária muito sólida. * Humildade. As demais são desejáveis. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas.

destinadas a abalar o mundo. paciência. a camaradagem e o respeito. ademais. como as de efeitos físicos (materializações. precisa. e sentem-se atraídos pelo trabalho. cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes. Precisa despertar. mas para servir e aprender. sem mediunidade ostensiva. dirá o leitor. antes de prosseguir. Com respeito ao doutrinador. respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. para debater problemas ligados ao trabalho. sim. também trazem ao grupo a sua contribuição. Devem obedecer à mesma disciplina. Poderá ser o primeiro entre eles. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato.. nem convívio com os Espíritos redimidos. É. Não esperemos revelações extraordinárias. renúncia. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. mas não é “o maior”. levitação e outras). sem paternalismos e preferências. que fiquem à nossa disposição. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. Estão interessados num trabalho sério. com o mesmo carinho e compreensão. a afeição. É verdade. A essa altura. Não apresenta. como já dissemos. médiuns ou não. 44 . nos seus companheiros.. nos grupos de desobsessão. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. Precisa tratar a todos. cansativo. algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. No momento de tomar a decisão. Disciplina não é sinônimo de ditadura. ainda que não manifestamente. e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido. Tais participantes merecem atenção e cuidados. Como é também o dirigente humano do grupo. deve o dirigente comportar-se como simples participante. exige dedicação. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. pois. Há sempre outros companheiros. como quaisquer outros que integrem o grupo. esforço concentrado.* Destemor. fenomenologia espetacular. que podem e devem participar. transportes. OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutrinador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos. sem abandonar a firmeza. O trabalho é muito mais humilde. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. falta ainda abordar um aspecto final. * Prudência. continuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. Nada disso. Quando o grupo reunir-se.

Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. este sim. dificuldades e desenganos. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas 45 . facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. A norma geral é o desabrochar lento. como se o membro do grupo fosse mero espectador. o que é falso. escrever páginas psicográficas. dedicação. o companheiro. ou companheira. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. A um desses. Além do mais. de que estava pleno o seu coração. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. lhe é devido. a exigir estudo. Serão. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantêm atitude construtiva. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. da mesma forma que o Espírito crítico. também. Só excepcionalmente isso acontece. nem mesmo desejável. Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter. orientação e renúncias bastante sérias. ou de fria observação. nosso respeito pelo médium. dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. Sua participação é desejável. intimamente. quantas dores. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. como obras que o artista não teve suficiente dedicação e tenacidade para concluir. E é por isso. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. por assim dizer. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. questionou a validade da sua presença no grupo. o esforço constante de aprimoramento. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. como “dínamo de vibrações amorosas”. toscas e primitivas. até chegar àquele ponto. em qualquer circunstância. as cansativas horas de exercício. Nada de ciúmes pelo que ele faz.Por outro lado. e preces. ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. por acharem que nada estão fazendo no grupo. pode deixar-se envolver pela frustração. que muitas mediunidades ficam. inacabadas. espontânea e fulminante. a mediunidade talvez guarde relação semelhante. sem que ela tivesse consciência do fato. através de um médium perfeitamente ajustado. então. mas nosso apreço. ou a companheira. muitas vezes têm papel importante no grupo. Não é necessário que todos indistintamente. nem de elogios balofos que o percam. sejam médiuns. sem mediunidade ostensiva. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. incertezas. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. e prestam serviços relevantes de apoio. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. de uma hora para outra. Raramente a mediunidade eclode assim. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. Por mais de uma vez. quanta vigilância. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. muitas vezes penoso. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. se não tem condições de “receber” Espíritos. manifestemos. quando o companheiro. pronta e afinada. não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. ao contrário. Ainda que inconscientemente. e ao longo dos anos. Portanto. Quando assistimos à manifestação de um Espírito sofredor.

com sabedoria e bom senso. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. e por ele orientados. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado. uma experiência pessoal. pois. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico. não vê ou não ouve Espíritos. Há condições para desenvolvê-la harmoniosamente. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. Podem ainda contribuir para a fluidificação da água. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. em período de expectativa e de provas. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. darão passes nos médiuns. Sentíamos. ou. capitulo 12. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. com o tempo. não tinha. senão de muitos. numa rápida vidência. Tenho. por certo. que é inútil. procurava portar-me com respeito. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. no entanto. ainda não estamos preparados. Num grupo bem harmonizado. contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. 46 . e. psicografia ou vidência. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. Mantenham-se em calma. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. porém. Esse grupo. onde ficaria o olfato? Nada. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. sob este aspecto. Conserve-se firme e tranqüilo. Se o pé dissesse: “Como não sou mão. pelo menos. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. atenção e vigilância interior. sua participação é preciosa. venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. sem saber ao certo o que fazia. todos são úteis e necessários. não pertenço ao corpo”. deixaria de ser parte do corpo. ao sabor dos acontecimentos. nem mesmo uma palavra perdida. porém. Neste caso. permaneça concentrado e em prece nos momentos mais críticos. nenhuma forma de mediunidade. Os resultados eram bons. Quanto ao mais. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. que se acham apenas em potencial. ou mesmo desejar.mediunidades. deixaria de ser parte do corpo. que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. há tantos séculos: — Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epistola. de ambicionar. Sentava-me entre os companheiros. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. sem açodamento ou excitação. Nenhum fenômeno. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. Estudem e observem. A tudo ouvia. não pertenço ao corpo”. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. A juízo do dirigente. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. como já ensinava Paulo. faculdades para as quais não estamos preparados. porém. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. uma noite. Não pense. às vezes. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. É possível que. sob supervisão de alguém mais experimentado. só porque não incorpora. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. que eu tivesse captado. que então nos procuravam. após comunicações particularmente penosas. Com o decorrer do tempo. O participante. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. vigie seus pensamentos.

tomamos algumas decisões mais drásticas. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. procurando ajudá-lo. muitas vezes. estamos. não perdemos o tempo. Senti um “frio por dentro”. oferecendo sugestões sem colocar-se na posição de mestre infalível que tudo sabe. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. ofertando o pouco de que dispomos: alguém se beneficiou. a rever pontos de vista. outros na expectativa de uma cura. assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. Eu? que diria. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. e a nós. estimulando-a com interesse. Esperemos com paciência. aquele que souber um pouco. sempre disposto a aprender mais. ainda que timidamente. procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. meu Deus! aos irmãos aflitos e desarmonizados? O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. B e é se limitarão às suas respectivas mediunidades. custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. no grupo. voltando-se para mim. vida e consciência. e. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual 47 . mais ostensiva. D fará as preces de abertura e encerramento. ante a partida de pessoas queridas. O certo.antes da reunião. Os motivos são muitos. longe disso. outros na esperança de se deixarem convencer. O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. a reaprender. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. mas. Uns por mera curiosidade. E foi assim que. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. espíritas. Não posso dizer se dei boa conta dela. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. certamente relevantes. nos são muito caras. não importa. seja de desarmonizações espirituais. inesperadamente. comecei a tarefa que me fora atribuída. apenas para enfatizar a circunstância de que. e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. estados de angústia ou de desespero. E. OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. Este episódio é aqui documentado. Não somos julgados pelos resultados. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. por outra. Cada caso é diferente. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. cada manifestação é diferente. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. seja de males orgânicos. uma vez que cada um de nós é um ser diferente. como a obsessão. porém. muitas vezes. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. ou. como me conservaram no posto pela resto do tempo em que o grupo funcionou creio que correspondi à confiança que em mim depositaram.

Por esse motivo (compromissos do passado). enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. que vai facultar ou facilitar a tarefa. na condição de médium desgovernado. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. ou ausência de Espírito de colaboração. do que se arriscar a pôr em xeque a harmonia e a segurança das tarefas. não havendo necessidade de correr riscos indevidos. para que o trabalho seja feito. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. rancorosos e violentos. Na minha opinião. — “.. E não é mesmo. em vários anos de prática. precisamos considerar que antes de ser um médium na acepção comum do termo. mas. julgo. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. No livro “Nos Domínios da Mediunidade”. apresentam invariavelmente um componente mediúnico. 48 . Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. desajustados e ignorantes de suas faculdades e possibilidades. Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. seja a qualquer pessoa que se apresente. da 6ª edição da FEB). grupos que contem com excelente cobertura espiritual poderão admitir essa prática. (Destaques meus) Assim. é um Espírito endividado a redimir-se”. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. em caráter permanente. na imensa maioria dos casos. não como norma de procedimento. É preferível pecar por excesso de rigor. E mais adiante. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem recusa como falta de caridade. isso deve ser formalmente evitado. O grupo pode perfeitamente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. ou possesso. por nome Pedro. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsediados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. Em casos excepcionais. nos trabalhos de desobsessão. que. Sabemos que esta reserva é quebrada.comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado será justo tê-lo nessa conta. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. no ambiente onde se desenrola o trabalho mediúnico.. a presença de pessoas perturbadas. no ambiente em que se realizam as sessões. com freqüência. como regra geral. sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação”. Mais do que desnecessária. são também médiuns. porém. é bom repetir. seja a um público reduzido e selecionado. essa presença pode causar consideráveis transtornos. e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo. em muitos grupos. na página seguinte (76. junto ao grupo. Sob condições normais. se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade. que poderá trazer sérias complicações. ou seja. Assim. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo. sabemos que assim não é. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. ao contrário. deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. embora desgovernados. Não é a presença física deles. contudo. o obsidiado.

para informar-se do assunto. hermética. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. como acontece com freqüência. começou a observar. em seu próprio lar. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. ainda. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta. interferir no fluxo normal do trabalho. julgado por todos. Paulo dá o nome de profeta ao médium de incorporação ou psicofônico. também. algumas sessões. porque é da sua essência uma atitude de recato. É certo. designando. Os segredos de seu coração serão descobertos e. e o problema. no que diz respeito a pessoas perturbadas. Evidentemente. mas. encarnadas ou não. às interferência. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. número maior de médiuns. Isso. confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. nem exibido. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. Há algum tempo. como regra geral. Enfim. como explicou mais adiante. passou a assistir. com um caso especial. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. 49 . Ou então. na Primeira Epístola aos Coríntios. como espetáculo público. por conseguinte. a distância. que não desejem. a sessão exige tais cuidados que. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial.Em suma: a meu ver. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. por exemplo. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. em problemas de outras pessoas. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. ou de recursos outros. prostrado de rosto ao solo. voluntárias ou involuntárias. capitulo 14. me fez uma pergunta perfeitamente válida: — Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. mas. especialmente o de desobsessão. um amigo a quem muito respeito e admiro. Voltemos. não é para ser divulgado. Pode ser. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. a formação de um pequeno grupo mediúnico. com relação aos segredos da intimidade alheia. no seu 4 Ao que se depreende do texto. esotérica e misteriosa. do grupo. é válida. de discrição. quem dela deve participar. e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. Pode ser. Já naqueles recuados tempos. nessa hipótese. obviamente. como. A pergunta. ou um doutrinador especial. uma vez mais. realmente. e ao trato das revelações de caráter intimo. Nestes casos. ainda. e entra um infiel. Somente em condições muito especiais. Ao observar que os trabalhos enveredavam. deverá fazê-lo. ou não-iniciado. não poderia ser realizada sob as condições normais. Paulo. versículos 24 e 25 —. que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. será convencido por todos. até o local onde habitualmente se realiza a sessão. dava-se o fenômeno da indiscrição de Espíritos afoitos. adorará a Deus. como disse. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. há sempre razões respeitáveis. de que o grupo não disponha no momento. excepcionais mesmo. e a solicitar livros. em dia e hora previamente combinados. O trabalho mediúnico. não. antiqüíssimo. Sem ser espírita. de sigilo. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. se todos profetizam4.

porque muitos dos que se acham mais fortemente entrincheirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu comodismo ou de sua vaidade. no desespero angustioso de me ferir. precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. sob seu domínio. encarava com simpatia nossa Doutrina. ou não-iniciado. ou seja. Por outro lado. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. se o grupo está bem ajustado e integrado. sem dúvida. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajustamento no mundo espiritual. Embora não espírita. nem o tenha trazido. suas angústias. ou revelação. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa. com relação a essas impiedosas indiscrições. também. não podemos. Não é para ser proclamada. Uma ocasião. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. que nem sempre é possível corrigir com facilidade e rapidez. Ou. via no caso o seu aspecto positivo. que desejaríamos continuassem em segredo. que vai desequilibrá-lo. com todas as suas fraquezas. mas. não me deixei impressionar. um companheiro. que eu aperto mais o laço. por mais clamorosos que sejam. Num caso. e nem as movia a simples curiosidade. talvez. seus desenganos e seus erros. de não admitir pessoas estranhas às tarefas. e partiu arrependido e em pranto. infelizmente. se há estranhos na sala. Quando. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. se verdadeira. A introdução de um estranho causa certo desajuste. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. que ele chama de infiel.pragmatismo. o problema se torna bem mais sério. que ora mo trazia? Felizmente. tratava-se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho. acerca das fraquezas alheias. graças a Deus. surge uma denuncia. O companheiro acabou se convencendo. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. Por isso. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. Sim. com redobrado respeito e discrição. E isto é legitimo e proveitoso. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. e aparentemente dirigindo-se a ele. dizia: — Não tente escapar. ou vítima. o de levar o descrente. divulgada ou comentada. em um grupo mediúnico a regra que havíamos estabelecido. essa informação é recebida com reserva e. em estado de angústia. Sua esposa desencarnara relativamente 50 . De modo que. Todos nós estamos em posição vulnerável. algumas experiências nesse sentido. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. com poderosos recursos de hipnotizador. todos se estimam e se respeitam. Por duas vezes quebramos. o ardil não produziu os resultados que ele esperava. não é? Graças a Deus. Dizia ele que meu irmão estava presente. não é a leviandade de um pobre Espírito. Quem sabe se do próprio. tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. no decorrer do trabalho mediúnico. Dei-lhe razão. no entanto. Tive. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas.

com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. fora do círculo que compunha a mesa. conscientemente. ainda que bastante credenciados. Por mais que nos pese. Se ainda não alcançamos o número prefixado. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. da indisciplina. porém. de espionagem e de regras policiais. que não conseguimos vencer. e parecia pairar no ar certa dissonância. Na verdade. e por mais que relutemos intimamente. em circunstâncias semelhantes. Em qualquer caso. é a regra. A disciplina deve ser consciente. o exemplo da solidariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite. Essa. é necessário um exame bastante criterioso. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. portanto. porém. e isso nem passaria pelas nossas mentes. mas são implacavelmente disciplinadas. Depois dessas duas experiências.. voltamos à rígida política de não admitir ninguém. É certo que. ou amigo que. 51 . para que a sessão pudesse realizar-se. Se alguém destoar. Não creio que o assunto esteja esgotado. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa. em caráter permanente. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. Nada. deve ser afastado. como poderão oferecer. e ele estava profundamente abalado. não podemos cogitar de receber mais companheiros. temporária ou definitivamente. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe. Se os componentes do grupo não se entenderem. mas eles se arrastaram dificultosamente. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. podemos considerar a possibilidade. e lá ficou. de perseguições. Esse aspecto negativo repetiu-se.jovem. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. Sentou-se em uma cadeira à parte. tomando conhecimento da nossa atividade. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. deseje participar do grupo. até uma palavra dela mesma. quem sabe?. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. da inquietação. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. a não ser os componentes regulares da equipe. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. A instâncias de um dos nossos companheiros. Há. em silêncio e em atitude respeitosa. Talvez alimentasse ele a esperança de uma notícia acerca da esposa ou. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. para que todos possam trabalhar de Espírito desarmado e tranqüilo. com as mesmas características.. se for o caso. franco e leal. a ponto de introduzir um fator de perturbação. o anverso da medalha. RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. por parte de nossos benfeitores.

deverão ser expostas a ele. para buscar vantagens e privilégios. as deliberações quanto aos negócios. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. em diferentes grupos. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. como os demais membros. ou se deseja brilhar. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. 52 . revitalizando o grupo. Cabe-nos.das qualificações e intenções daquele que se oferece. ou seja. também com franqueza e serenidade. ou infestado de frustrações. de simbolismos. digamos terrenos. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. Neste caso. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. às quais ele deverá subordinar-se. mesmo consultados. leal. Como se faz isso? É preciso considerar. e dar impulso às tarefas. pois. Nada de processos iniciáticos. examinar com serenidade. pois. as suas credenciais. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. e desapaixonadamente. Certo. também. tanto quanto possível. aniquilar o grupo. as condições de trabalho. e só então. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. A experiência indica que. Estejamos. Se nos convencermos de que ele. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. do grupo. em grupos responsáveis. O candidato não deve impor condições. e só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. trazendo uma contribuição construtiva. está mal preparado. disciplinado? Ou agressivo. com sua influência. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. critico. Os benfeitores espirituais. preparados para enfrentá-lo. Se. E um grupo sério. a mesma atitude. Apreciemos o problema. tanto num sentido. para ajudar a decisão. Juntar-se a um grupo para tirar partido. agora. ou ela. ou se outro deve deixar o grupo. poderá. mal-humorado? que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. o que lhe competirá fazer na equipe. fechado. porém. está em condições de integrar-se na equipe. Não contemos. dinamizadora e eficiente. A admissão de um novo componente pode alterar profundamente a estrutura e os métodos de trabalho da equipe. do ponto de vista do candidato. ou seja. de rituais de “batismo”. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. dos que estão do lado de cá da vida. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. como noutro. de início. evitando. e o que se espera dele. O problema é nosso. nem insistir na sua admissão a qualquer preço. são deixadas aos encarnados. encontrei sempre. apoiado em boa base doutrinária. tranqüilo.

O próprio estudo. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos. se não forem acolhidos. por terem caminhado um pouco mais do que nós. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. OS DESENCARNADOS OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. se os julgar oportunos e aplicáveis. aqui e ali. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. inacessíveis. de início. Aja com prudência. Deve procurar integrar-se no trabalho. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. mas não herméticos. para nunca mais esquecer. e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. não se vanglorie. e nada mais do que isso. que é o reino de Deus em cada qual. outros nos seguem um passo ou dois atrás. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. Não se magoe. com a intenção de melhorar o trabalho. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. ainda que não indesejável. mas não deixe de expressar seus pontos de vista. Faça-o. como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera. inabordáveis. para chegarem à paz interior. Todos nós temos. se o forem. Suponhamos que seja admitido. com habilidade e na oportunidade adequada. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios. observando tudo sem Espírito critico negativo. E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. Como estudantes que somos. ao dirigente do grupo. É possível que a sua sugestão seja acolhida. Enquanto alguns se acham à nossa frente. a fim de sermos. amigos e guias. É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. tão cedo quanto possível. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. em particular. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. Sua presença não deve ser impingida sob condições.Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. Mantenha-se discreto e tranqüilo. Além disso. aprendemos mais e melhor. de preferência. no mundo espiritual. desejamos com todo o Interesse o certificado de conclusão do curso. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. 2. companheiros. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. aconselham correções e reajustes no método de ação. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. 53 .

muito bem estudado. insubstituível. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. Nessa altura. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. já estudaram nossas possibilidades e intenções. Para que fossem tocados na intimidade do ser. Em casos como esses é necessário. Habituados a tais vibrações mais grosseiras. “permaneciam atordoados. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. É certo. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados. o isolamento e o manicômio. ou seja. Pereira. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. Sem dúvida alguma. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. Não sabemos. que se torna. conduzidos no mundo espiritual. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. que eles já dispõem de um plano. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas. urgente despertá-los para a realidade que se recusavam. ao iniciar uma atividade mediúnica. Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. podemos estar certos. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. que tipo de tarefa nos será atribuída. o Espírito culpado se aliena. como vimos. recorrer à terapêutica da mediunidade. Os casos estavam distribuídos. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. É preciso 54 . quase sempre. por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humana”.É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. porém. pois. mais inconsciente do que conscientemente. segundo sua natureza. num esforço considerável de automaterialização”. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. Tornara-se. como preliminares a tarefa mediúnica propriamente dita. não obstante. Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. profunda e inexorável. Como estavam. É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados. é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco. em muitos casos. em contacto com o ser humano encarnado. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. pois. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. é certo que um Espírito amigo se manifeste. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento. a enfrentar. porém. imersos em lamentável estado de inércia mental. Uns tantos desses. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. semi-inconscientes. Em “Reformador” de fevereiro de 1975.

Decide-se por este último e. dentro do Evangelho do Cristo. ilusões. em seguida. de estudo. retificam e estimulam. recomendam e põem-se de lado. dirigia-se. porém. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. (Destaque desta transcrição) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. Aconselham. São modestos e humildes. discorrendo sobre a anatomia do trabalho. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. pois. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. mas revestem-se de autoridade. Lembremo-nos. Certa vez. de quando em quando. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho”. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente. Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes. diante do corpo vivo do próprio trabalho. muitas vezes. mais tarde. Preferem ensinar pelo exemplo. evitam dar ordens. a observar. escorado na Doutrina Espírita. um Espírito. com nomes desconhecidos. Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. são rígidas. são examinadas as “fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame”. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. de renúncia. a suave facilidade com que se desempenham. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. e as qualificações exigidas. do seu longo período de adestramento. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. Assim são os companheiros que nos amparam. de repetição e correção. negam-se a impor condições. A competência costuma passar despercebida. para as tarefas que desempenham junto a nós. sugerem. Corrigem. ou um desportista bem treinado. na Espanha e no Brasil. O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. são tranqüilos. leais e francos. particularmente agressivo e desesperado. Amorosos. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. falam com simplicidade. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoalmente essa realidade. Apresentam-se. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados. mas firmes. E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. Sua presença 55 .localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados. disposto a amar incondicionalmente. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos.

mas respeitando nossas decisões. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. não obstante. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apóia-se nos mesmos princípios. para que ele formulasse as perguntas. Dificilmente nos dizem o que fazer. Voltam sob seus passos. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. e isso teria sido. interferem o mínimo possível. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. a nosso turno. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. não precisariam trazê-los até nós. amorosos e apreensivos. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. de forma alguma. que nos tornemos dependentes deles. para estender-nos a mão. ou símbolos místicos e vestimentas características. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. Guardam. segundo nosso entendimento e bom senso. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas humanas. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec. Em suma. nossa experiência ensina. Mesmo com relação à essência do trabalho. de seu próprio ponto de vista. ao longo de anos e anos de dedicação. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. Mesmo no trabalho específico do grupo. porém. para que tenhamos o mérito dos acertos. Merecem todo o nosso respeito e carinho. limitam-se a aconselhar e sugerir. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. de uma óptica essencialmente humana. mais fácil. colocar as questões. e caberia aos homens. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. Poderiam os Espíritos Superiores. como preces exclusivas. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. Jamais nos recomendam ritos especiais. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. Inspiram-nos através da intuição. mas não impõem a sua vontade. Ligados emocionalmente a nós. para qualquer passo que tenhamos de dar. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutrinário. Só que. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana.é constante. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. talvez. não nos faltarão com suas advertências amigas. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro. por esses atalhos. para o exercício do livre-arbítrio. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. Haverão de nos seguir a distância. os Espíritos não nos tomam pela mão. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. com êxito. a fim de que. que podem realizar o mesmo 56 . que não está se entrosando? São problemas nossos. Não desejam. mesmo erradas. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. sob orientação de seus companheiros desencarnados. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. Podem ser bem-intencionados e realizar trabalhos de valor. Não foi assim que fizeram. às vezes de antigas experiências reencarnatórias. portanto. ante duas ou mais alternativas.

Inúmeros recursos são utilizados para isso. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. enquanto adormecemos no corpo físico. Não é preciso. juntam-se aos benfeitores. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. Freqüentemente. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. De outras vezes. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são levados a centros de reeducação e tratamento. O suporte de que os grupos mediúnicos necessitam vem do mundo espiritual superior. símbolos. em casos mais difíceis. Encerrada a sessão. ou irmãos que. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço. Os benfeitores assistem à sessão. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos. a mais delicada e de maior responsabilidade. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. Os Espíritos desarvorados. no decorrer de muito tempo de trabalho. para trazê-los até nós. necessitam. contidos. ou se dizem convidados. falando através de um médium. até o preparo de uma nova encarnação. desprendidos. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. são aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho 57 . imagens. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos.tipo de trabalho. pois. parcialmente libertos. nos momentos críticos. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. sob controle. de assistência e amparo. estejam ou não despertados para a realidade maior. nossos Espíritos. O trabalho que nos trazem obedece a planejamentos cuidadosos. muitas vezes tidas por inexpugnáveis. com bons modos. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. autênticas sessões em pleno Espaço. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. encarnados e desencarnados. já atendidos por nós. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. já adestradas para esse tipo de encargo. onde qualquer exteriorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. Somente a observação atenta. Técnicas de magnetização e persuasão. Descemos. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. depois que o Espírito necessitado é atendido. para entender. ou melhor ainda. São eles os preparadores das tarefas especificas do grupo. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. de velas. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. é feita no mundo espiritual. Durante a noite. Ignoram como foram trazidos. mas não sabem de onde vem a força que os contém. é claro. seja por que razão for. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. socorrem-nos com seus recursos. com eles. mais do que nunca. Muitas vezes admitem estar constrangidos. com eles. mas com firmeza. ritos ou vestes especiais. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. e entregues a outras equipes espirituais. Nada. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. realizamos. incorporam-se em outro médium. ainda que de limitados recursos. muitas vezes. ainda desconhecidas de nós. às profundezas da dor e.

cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. é indispensável. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante. usualmente. se nos mantivermos atentos e vigilantes. é impraticável um trabalho produtivo e positivo. que entendem necessários. e sobre a Doutrina. no princípio da reunião. preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. quando não desarvorados também. 58 . Durante o desenrolar dos trabalhos. às vezes. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. portam-se com discrição e serenidade. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. É preciso. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. para acolher apenas o que a razão sancionar. contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. se possível. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. interferindo o mínimo possível. Essa vigilância. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. sem análise critica. deve ser gravada. em nossos desprendimentos. para substituir os mais esclarecidos. entretanto. Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração. Ao final da sessão. e sustentado pela prece. Em casos assim. em particular. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. E esta a mensagem que. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. em geral. Fazem isso mais para marcar sua presença. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. Ao cabo de algum tempo de convivência. ao contrário. dentro em pouco. e até obsediados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. com o grupo em vias de desagregação. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. mas isto não é comum. no entanto. e uma ou outra recomendação sumária. amigos. do qual participamos. e. Não temam”. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. Isto não quer dizer. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. porém. incentivanos a tudo examinar. Se não estivermos atentos. como figuras sempre secundárias. formulado o juízo sobre os nossos orientadores.invisível. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cuidados. O grupo bem orientado. nem sentiremos a mudança. A delicadeza do trabalho e seu ponto critico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. insistimos. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. porque contem. estaremos inteiramente dominados. fica entregue à sua própria sorte. Se o grupo transvia-se. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. com seus recursos magnéticos. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. sem.

trazem também amor no coração. situados. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. Não buscam. nunca chegaríamos a fazê-lo. e o amigo espiritual. outra coisa. nas lutas redentoras em que se empenham. abandonado. O próprio trabalho a que se dedicam. senão serem convencidos de seus erros. e objetivamente. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução especifica. utilizar-se-ão “Essa medida — escreve André Luiz. coisa ainda mais estranha. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. mas cingir-se às tarefas especificas do grupo. à soleira da perfeição. como todos nós. O OBSESSOR 59 . a despeito de tudo quanto digam ou façam. nem se julgam. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. perante a Vida Maior. precisará dirigir-se ao conjunto. então. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. ao trabalho construtivo. apenas visíveis a ele. em relação à que eles nos oferecem. no fundo. em “Desobsessão” — é necessária. transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas”. porquanto existem situações e problemas. Ainda trazem. Não nos iludamos com os seus rancores. OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. sua gritaria. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. em planos muito superiores aos nossos. Temem mais o amor do que o ódio. As perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética. há séculos ou milênios. Ninguém precisa. A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. dedicados ao bem.Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. Vimos àqueles que pertencem às equipes socorristas. estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. porque. preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. para não tomar tempo às tarefas de atendimento. na condição de condutor do agrupamento. a que dão combate sem tréguas. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. impurezas e imperfeições. ao amor fraterno. para retomarem o caminho evolutivo. sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. que. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. quase sempre. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. às vezes. a renúncia. seres redimidos. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. Claro que não são. E. e ninguém deve esperar perfeição. de socorro às almas que sofrem dores maiores. para servir.

ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima. toma-lhe o corpo para domicílio. pois que isso só se pode dar pela morte. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples. que segue. o Codificador. “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão. portanto. “em vez de agir exteriormente. tanto maior também será aquela”. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe 5 “Reformador” de maio de 1974. (Os destaques são desta transcrição) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. Quanto maior esta for. através de passes. assim como o desejo do bem. A primeira delas é a menos perniciosa porque. conseguintemente. seja abandonado pelo seu dono. o que certamente o incomoda. por exemplo”. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”. menos a ele próprio. Em artigo para “Reformador” 5. entretanto. E acrescenta: “Mas. por mais fantásticas que sejam. obrigando a sua vítima a gestos de dramático e lamentável ridículo”. Acha. usualmente.. sobretudo. “Nem sempre. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais”. “basta esta ação mecânica. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. 60 . na obsessão grave. fascinado e servil. Nessa linha de raciocínio. enquanto que na possessão. escrevi o seguinte: “. a fascinação e a subjugação. A possessão. que Kardec considera. porém” — adverte Kardec —. falece a quem não tenha superioridade moral. no entanto. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. que se faça que o arrependimento desponte nele. em “A Gênese”. e sempre temporária e intermitente. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico. ou seja. por processos magnéticos. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar da um encarnado. artigo “Possessão e exorcismo”. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios. o Espírito atuante se substitui. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral.Todo o capitulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão. Esse artigo prossegue comentando Kardec. ao Espírito encarnado. o obsidiado fica envolto e impregnado de fluidos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluido melhor”. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”. Seu engano é evidente a todos. No segundo caso. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente” “Na subjugação” — diz ainda o artigo —. com a lucidez que o caracteriza. por assim dizer. para dizer que a fascinação é bem mais grave. por meio de instruções habilmente ministradas.. por isso. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. Ao reexaminar o problema. No primeiro caso. de uso mais antigo”. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. sem que este. cumpre.

em tão poucas palavras. Não importa que o perseguido. assim disfarçado. o porquê da sua revolta. mais adiante. ligando-se a ele por largo tempo. que tudo está previsto nas leis divinas. mas por alguém em seu nome. como conseqüência inexorável. tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. ou obsidiado esteja na carne ou no mundo espiritual. não pudesse ser reconhecido. o núcleo de sua problemática. A obsessão é. o sofrimento. amiúde. é invariavelmente um Espírito que sofre. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito”. mesmo que a vítima o tenha perdoado imediatamente. como diz Kardec. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. que. Muitas vezes. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. casos semelhantes. A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente. Pereira. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada”. no passado mais recente. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. quando tivermos de conversar. alucinado pelo ódio. Não importa que se lembre ou não da ofensa. acerca das técnicas e recursos auferidos para o trabalho. vindo a colher. ainda que não autorizado por ele. do seu ódio. Em “Dramas da Obsessão narra o Dr. Bezerra de Menezes. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu. A falta cometida contra o semelhante expõe seu autor aos azares do resgate. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas 61 . Deseducado moralmente. um caso desses: “Aterrorizado ante as vindítas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade. pelo resgate. Por mais violento e agressivo que seja. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. no entanto. Voltaremos a cuidar do problema. vida após vida. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. que não conhece limites nem barreiras. pelo qual procuremos educá-lo moralmente. Temos tido. pela mediunidade de Yvonne A. passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. Enganou-se. mesmo sob formas femininas. mas sem a arrogância do mestre petulante. nos liberam. De alguma forma grave. e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. esperançado de que. Isto se faz buscando com ele um entendimento. um processo de vingança. ou mais remoto. (Destaques desta transcrição) Ninguém poderia descrever melhor. em nossa experiência direta. Uma vez identificado o antigo devedor. o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. porém. aqui e no Espaço. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces. um diálogo.educação moral. ainda que não o reconheça. a vingança como que se despersonaliza. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. É preciso observar. O PERSEGUIDO A vítima da obsessão e sempre uma alma endividada perante a lei.

aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. Começamos a cuidar dele. Em nosso grupo. sobre ele e sua família. localizado. A perseguição continuou. Ao que nos foi indicado. cada qual mais revoltado e odiento. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. os amores. A lembrança constante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. tratamos dele por muito tempo ainda. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. para fugas. porém. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual. na esperança de minorar-lhe as dores. certa vez. Seus compromissos eram tantos. Ao contrário. embora tenhamos alcançado. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. Por algum tempo. espetavam-lhe “agulhas” de todos os tamanhos. jovem ainda na carne. indispunham-no com a família e descontrolavam-lhe o pensamento. o que. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. com equilíbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. inúmeras vezes. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados. as esperanças. tomavam-lhe o corpo. Mas. tem que ser construtivo. um de seus obsessores. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. para as mais tresloucadas atitudes. enceguecidos pelo ódio. de certa forma. dia e noite. esquecer de tudo. sob formas monstruosas. do outro lado da vida. mais acessível à abordagem de seus algozes. com destaque. reuniram-se em torno dele. Estava agora mais exposto. conseguimos aliviar a pressão que se exercia. porém. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. continuamos ligados aos obsessores. crises de mutismo. exerceu. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. com os cuidados necessários para não identificá-lo. O arrependimento. Uma vez. certamente. então. postavam-se diante de sua visão espiritual. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. segundo nos explicaram nossos mentores. ou seja. em virtude do descondicionamento vibratório. Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono. impunham-lhe longos períodos de alienação. talvez ainda mais encarniçada. e os outros. descoordenando-lhe as idéias. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. o poder. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. em tempos da Roma antiga. num cerco implacável. que durava as vinte e quatro horas do dia. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. Ao que me disse.cármicas acusavam reincidências lamentáveis. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. os bens. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. caminhadas. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. lhes dá alguma trégua. os desencarnados são mais vulneráveis do que os encarnados. e tão sérios. ele não deve 62 . Devemos. com a graça de Deus. quando ainda encarnado. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. como se nada tivesse acontecido? Não.

o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. para que não te suceda algo ainda pior. da sua falte. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele.. do aperfeiçoamento moral. de dedicação ao semelhante que sofre. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. 6:12 —. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. com o perdão. 5:14) Dessa forma. A questão é tão importante. São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. da prece e da vigilância. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. assim como perdoamos os nossos devedores. tão vital à problemática do Espírito. no Evangelho de Jesus. na intimidade do seu ser. evita que se 63 . que. Não que tenhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. — Estás curado diz Ele ao paralítico. mas pensam. Da mesma forma. buscar reacender a chamazinha do amor. para que o outro resgate a sua falta. pois é certo que ninguém sofre por acaso. ele pagará. servir. O resgate pode ser despersonalizado. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas”. ou seja. E preciso orar. desse mesmo capitulo. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior.. Sob as luzes da Doutrina Espírita. ainda e sempre. no próxima século. por mais gravemente que o tenha sido. hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus. No versículo 14. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. sem dúvida alguma. palavras e pensamentos. isto é. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. ao sermos ofendidos.. digno e sério. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. A dor não é inevitável. ou no próximo milênio. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. (João. aquele que foi ferido pelo seu companheiro. Isto não significa que. mas libera o ofendido. a punição. seja com a moeda da dor. físico ou espiritual. o resgate. E que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado. o Pai Nosso: — “. Jesus é ainda mais explicito: — que se perdoardes aos homens as suas ofensas. para pregar sermões bonitos. mas se não perdoardes aos homens.. continuamos ligados ao erro. ao do erro.”. senão hoje. com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. que existe em todos nós.paralisar-nos. de policiamento de nossas atitudes. seja com a do amor. Neste ponto. mais de uma lição encontramos. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. não peques mais. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e.

que o Cristo nos ensinou. Esgotaram todo o cálice de profundas amarguras. Pois bem. mas nem tudo me convém. nos primeiros momentos da libertação. Um companheiro desencarnado. sem nenhum desejo de entregar-se à prece e. em lamentável estado de desorientação. acima de tudo. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. exigindo. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. No decorrer do diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca. E. pensando assim cumprir a lei de Deus.. Meu Deus. quase. Estava novamente em poder de um Impiedoso hipnotizador. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. pois a vingança não sacia coisa alguma. Por isso. Quantos dramas. a qualquer preço. ou ignora.”. fugindo de obsessões que lhes parecem terem durado uma eternidade. Julga-se no direito de cobrar. a duras penas. os perseguidos apresentam-se em nossos grupos. submeteram-se a caprichos e desmandos. sofreram todos os tormentos. certa vez. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. cumpriram ordens iníquas. Com freqüência. e uma verdade. cansados de prisões tenebrosas. em sua penetrante sabedoria: — Tudo me é licito. mas que tanto temos relutado em experimentar. pois. em suma. não estaria sujeito à obsessão. uma experiência inesquecível. mas se esquece. Outros se afastaram. que é. o companheiro que havia sido recolhido. deslembrado de que ele próprio criou. para que a “justiça” se faça. a lei do equilíbrio universal coloca o ofensor ao alcance da punição. de revolta e dor. que eles julgam justíssimos. volta. como poderemos negar o perdão ao que nos feriu. por séculos e séculos. ficam presas. Certa noite. “iria ver. procura punir o companheiro que o fez sofrer. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. Não e uma simples teoria. para receber os nossos cuidados. com a sua incúria. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. aquele que fala e procura convencê-los a abandonar seus propósitos. Também neste ponto tivemos. ao deixar tombar as guardas que o protegiam. no desespero em que viviam. a oportunidade do reajuste. dizia o nosso Paulo. por ser este o porta-voz. que ele também está em dívida perante a lei. solução imediata para o seu caso. de fato. e. de outra maneira. Ele próprio confessou o seu drama: recairá na faixa vibratória de seus perseguidores.reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. especialmente contra o doutrinador. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. se o exigimos para nós. por sua vez. a fim de serem doutrinados. Senhor! Vêm transidos de pavor. A Doutrina dos Espíritos veio propor-nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta. O obsessor. como ensina Kardec. as condições para merecer a dor que lhe é infligida. Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas. passaram por todas as humilhações. multidões enceguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança.. exatamente para as dores que resultaram da nossa imprudência em ferir os outros? O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários. onde nem 64 . o obsessor. pedindo a presença de parentes. pronto para a vingança! “Assim que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar tais condições — “ele”. de quem já o havíamos subtraído.

após um longo período de reclusão. e já redimidos. Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral evangélica. Não está bem claro? E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura. pois se julga o último dos réprobos. impotente. até mesmo às profundezas da dor mais horrenda. Chegado. Espíritos superiores. Lembram-se da advertência do Cristo? — Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele. na mente. ideal. E fala baixinho. as sensações que vêm de fora. pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos amigos maiores pode perceber. suas complexidades e seus mecanismos de reajuste. 65 . no qual vamos descobrir. do que em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se escreverão.. com suas imagens. a ordenar as substâncias que vão constituir o corpo físico. as nossas experiências. o corpo físico executa. Da mesma forma. o perispírito transmite o impulso. A problemática do ser humano. Sente agora o peso de um enorme arrependimento e.. são levadas ao Espírito pelos mecanismos perispirituais. consegue murmurar uma palavra: — Jesus!. além de tudo. estão inseparavelmente ligados aos conceitos fundamentais da moral. O Espírito pensa. Um dia. sem poderem interferir senão com uma prece. Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. para que não te arraste ele ao juiz.. A muito custo.. sons e emoções. a psicologia e a psiquiatria descobrirão o Cristo. Isto se demonstra no processo de regressão da memória. escapam à sanha de seus perseguidores. deformações e mutilações. e este te ponha no cárcere. ou uma vibração amorosa. evadem-se das masmorras e libertam-se do domínio magnético sob o qual se encontravam. que o obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e. Trazia um peso na cabeça. e o juiz te entregue ao oficial de justiça. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres pago o último centavo. É nele que se gravam. ou só poesia. ainda que somente esboçada. recebidas através dos sentidos. DEFORMAÇÕES O perispírito é o veiculo das nossas emoções. É o perispírito que preside à formação do ser. não tem coragem de dirigir-se a Deus. funcionando como molde.. a lembrança de torturas e horrores inconcebíveis. Em suma: a Lei disse o “Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer. pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados. era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da dor. porém. de um impulso de arrependimento. seguem-nos os passos. tornam-se inacessíveis aos seus processos.. o momento. Subitamente. Passaram-se séculos. fazia entender-se por gestos. ao assistir. inatingível. Antes. ao cabo de agonias seculares.chorar podia. durante as quais resgataram-se através da dor. de um gesto de boavontade ou de perdão. não conseguia articular a palavra. consigo mesmo: — que sacrilégio. tudo se precipita. também egresso de um calabouço. Um terceiro apresenta-se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”. Só nos pôde dizer que foi um sacerdote e que traiu alguém. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece. estava cego. à escapada da vítima. Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas: cegueira. e. quando convidado a orar comigo. meu Deus! Outro. como num “vídeo tape”. Chegou ao fim o processo corretivo e reajustador. espontâneo ou provocado.

que se gravam alegrias e conquistas. o nosso prontuário. mostrou-se desesperado de fome. É nele. Havia. vamos também nos libertando das mazelas que naqueles fluidos se fixavam. ou apenas sensações quase físicas. que não podiam expressar-se senão por gestos. para enorme surpresa sua. Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que havia sido reduzido. porém. no entanto. De outras vezes. 6 Vimos. à medida que vamos galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva. e humilhou-se. tanto quanto as dores. assim. Não tenho mãos. É. nos primeiros estágios evolutivos. Muitos casos desse tipo tenho presenciado. parece que. para que ninguém o ouvisse.. Um antigo sacristão português. Um destes. portanto. A despeito de tudo. por métodos implacáveis de hipnose. a condição de um fauno. entrou numa crise de arrependimento que o salvou. e os trabalhadores da desobsessão encontram fatos dramáticos dessa natureza. linhas atrás. então. com o registro intacto da vida pregressa. como a daquele irmão atormentado que trazia o braço paralítico. ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo que. em voz baixa. alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e “baratas”. Tivemos casos de deformações “físicas”. teria mais um braço para brandir o chicote com que castigava suas vítimas. Fazendo o médium exibir suas mãos. Renunciou a toda a arrogância. pois um fauno não fala. Encontramos. não resistindo à realidade. que não podia falar. chegado a sua vez. um simples pedaço de pão. e vaise tornando cada vez mais diáfano. acabou falando inteligivelmente. com que a princípio se apresentou. Foi-lhe mostrado. desencarnado. e sim cascos. muito comum naqueles que se acham ainda tateando nas sombras de suas paixões. declarou que se vingaria daquele que. na prática mediúnica. ou seja. culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia. depois. como tudo no universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória. que. a cada passo. em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores. porém. pois. pois era um mero escravo. Quando me ofereci para curá-lo com um passe. até deformações e mutilações terríveis. a nossa folha corrida. mandara mutilá-lo. desde pequenos cacoetes. vamos nos purificando. porque a língua lhes tinha sido extirpada. em antiga existência. ao nos desfazermos dos fluidos mais pesados e escuros. em existência anterior àquela. em vez de agradecer a Deus o beneficio que acabava de receber. que envolvem o nosso perispírito. ele declarou que.com todo o seu impacto. 66 . apresentaram-se pobres infelizes. Nem assim ele se deu por achado: aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão. Segundo o dicionário. cenas e emoções que pareciam diluídas pelos milênios.. Estava de tal maneira preso à sua indução. e ele. inúmeros exemplos aflitivos de desequilíbrio perispiritual. 6 Zoantropia. Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada condição moral. dissera: — Veja. Mas. pela tarefa de lançar discórdias. È ele. ordenou a sua mutilação. para pedir-nos. depois de reconstituída a sua condição. com abundantes “refeições regadas a bom “vinho” de sua terra. Um ex-oficial nazista. Ele é denso. enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos enganos. é uma variedade de monomania em que o doente se julga convertido em animal. que não se identificou. a nossa ficha de identidade. era recompensado.

e da ternura que sentia por ele. foi possível restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. Inteiramente animalizado. aos poucos. Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ectoplasmáticos e. sabe apenas rosnar. continuamente. o Espírito não consegue articular nenhuma palavra. procurando desimantá-lo. como se tentasse abrir-me o peito. em termos de aprendizado. a despeito da profunda e dolorosa compaixão. como se fossem patas. gargalhando. dobradas. procurando atingir-me com as mãos. Não que Deus nos castigue. onde conviveu. Mantive calma inalterada. pois. ameaça outro componente do grupo. incorporado no médium. É certo. e deve ter cometido erros espantosos. aí pelo século XV. ele preserva os valores imortais do Espírito. diretamente. Embora o médium se mantenha sentado. se tornaria sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas palavras. e não se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. e não patas. não a um lobo feroz. Sabia que. tentando convencê-lo de que era um ser humano. Retomada a sua identidade. Fora também um poderoso. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. Tivemos. de vez em quando. Às vezes. na Alemanha. A conversa foi longa e difícil. falei eu. ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as palavras que eu dizia. sob a proteção de imunidades incontestáveis. ele investe contra mim. Ademais.Estivera mergulhado. lamentando não ter condições de volver sobre seus passos. certa ocasião. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente. um dos benfeitores presentes informounos do seu nome. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação. um ser vivo que. não consegui caracterizar. mesmo. unhas e não garras. de sinistra região das trevas. Alcançado esse ponto. Falei-lhe. alucinado. Invariavelmente. um doloroso caso de licantropia. ele tinha crises assustadoras. mesmo porque a lei 67 . no fundo do ser. e que nem mais se conscientizavam de terem sido criaturas racionais. pois ele não sabia quem era. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. Ao apresentar-se. em estado de vigília. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. que dívidas assim tão grandes e penosas. com outros seres reduzidos a condições semelhantes à sua. Repetia-lhe que era um ser humano e não um animal. esforçando-se por me morder. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece. por um minuto. para arrancar-me o coração. num tenebroso antro. que se tornou temporariamente irracional. Lembro-me de vagas cenas de atividades em desdobramento noturno. Dificilmente temos oportunidade de endividar-nos tão gravemente. Aparentemente. pois na escalada espiritual nada se perde. sob as mais abjetas condições subumanas. Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. mas uma criatura humana. mas. ainda. Insistia em ferir-me. com as duas mãos. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. por séculos a fio. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. estava em estado de inconsciência total. quando resgatamos. como um Pai severo e frio. Como ele não tinha condições de falar. por longo tempo. errando apenas contra nós mesmos. com as suas “garras”. Não podíamos esquecer. somente podem ter sido assumidas em posições de relevo. caiu numa crise de choro comovedora e teve um impulso de generosidade. para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas masmorras de onde conseguiram resgatá-lo. para libertá-lo do seu terrível condicionamento. e tentou. e não um animal. agredir-me. que ele não era um animal irracional. que tinha mãos. Foi um momento que exigiu muita vigilância e enorme cobertura espiritual. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. para que o grupo não entrasse em pânico. mas estava certo de que.

emocionado até o fundo do meu ser. pois ele se contorce e grita. por alguns momentos. A certa altura. ele começou a aquietar-se. Está calmo. mas. Tudo que estava ao alcance de sua mão. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. Olhou os móveis. me abraça. quanto à sua posição na sala. consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. a sala. o tapete. ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. parece que alguém o chicoteia violentamente. o corpo. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas 68 . mas ainda insistiu em atacar-me. uma prece comovida e alguns passes. Insistimos nos passes. as cortinas. desesperadamente. Não havia dito ainda uma palavra. código sagrado que aviltamos. investigou. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. assinamos uma promissória inexorável. agora. a madeira. enquanto apanho o jarro. o rosto. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. porém. ao lado do médium. realizou-se. e não vai mais voltar para a sua prisão. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. mais uma vez. como se estivesse colocando juntas. pouco antes da incorporação desse Espírito). em muito tempo (séculos. teremos com que pagar. e se desprende. não resta alternativa senão a dor. como se tentasse surpreender algum carrasco. o chão. orei fervorosamente. Pacientemente. ele procurava me reconhecer. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. Examinou os componentes do grupo. o braço. por tempo que não sei estimar. no qual eu o acompanho. Estava ainda apavorado. Enquanto fazia isso. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. talvez) as sensações do tato e da visão. desesperado. numa sala limpa. que ele bebe sofregamente. começou a reconhecer o ambiente. esmagado pela emoção. por isso. agora. um por um. e que está. nos coloca à mercê da cobrança. percebo que está orando um Pai Nosso. os entalhes. o rosto. a cabeça. ao cabo de muito tempo.universal. caso contrário. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. (O médium. Como continuo a insistir em que ele pode falar. apalpando-me as mãos. eu ia lhe explicando o que era cada coisa em que ele tocava. e creio que. O trabalho todo durou uma hora. ele apalpou. deixando o médium desorientado. e voltou a conferir tudo na sala. e lhe servimos vários copos. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. pela visão. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. De pé. as cadeiras. queixara-se de uma terrível sensação de medo. em silêncio. Ele começou a perceber os objetos. sem uma palavra. Apalpou a mesa que tinha diante de si. e. que conservamos sobre outro móvel. examinou. A cada falta cometida. à medida que se acalmava. também pelo tato. o sofá. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. para testar. o suave milagre do amor. realmente. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. pela primeira vez. vamos transmitindo a ele uma sensação de segurança e calma. as suas próprias mãos. de vez em quando. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. Ao terminar a prece. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. o estofamento. Aos poucos. Por fim. Olhava para trás.

à sua vontade. é encaminhado a competentes manipuladores da hipnose e do magnetismo. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. pela dor ou pelo amor. que entre os homens permaneceram impunes. 69 . onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. de forma que o Espírito. Se o caso comporta. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. ocuparam na Terra elevadas posições. os bons e os outros. no entanto. uma troca de favores. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar. a culpa. criaturas que. obviamente. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. iniciando o trabalho no campo fértil do endividamento de cada um. ou o magnetizador. manipulado com perícia. Não há como fugir a esse esquema. contra as quais nada têm. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilíbrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. às vezes. que funciona como agente da vingança. a alienação mais dolorosa. pactos e arranjos de toda sorte. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. por conta própria ou alheia. em que a vítima do passado — esquecida de que foi vítima precisamente porque também errou associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea.as suas implicações e pormenores. perde o uso da palavra. no seu corpo perispiritual. por tempo imprevisível. esse é um recurso 7 Leia-se. a fria equipe das trevas. de “Libertação”. A gênese desse processo é. a angústia mais terrível. Aliás. nossos adversários espirituais. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. as condições mais abjetas. Entra em cena. porém. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. Disso se valem. a “solução” da deformação perispiritual. resgatam crimes tenebrosos. pessoalmente. valem-se de organizações poderosas. acaba por aceitar as sugestões e promover. a propósito. tantas são as especializações lamentáveis. Nessas condições. Nessas furnas de dor superlativa. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. esquecer que o passado está em nós. às vezes. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. Realiza-se. Quem não deve à lei de Deus? 7 É claro que o hipnotizador. é tão difícil quão doloroso. a vítima acaba por assumir formas grotescas. Por conseguinte. como se nascêssemos puros. na medida em que erramos. através de contratos. outros. ai. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. com extrema habilidade e competência. determinando todos os nossos condicionamentos. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. Somente nos expomos ao resgate. o capítulo V. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. imperam o terror. Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. acordos. não pode moldar. nos registros indeléveis do perispírito. então. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. Não podemos. o perispírito da sua vítima. volume VII da série André Luiz. sem faltas e sem passado. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. digamos. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. “Operações seletivas”.

Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. os mecanismos são idênticos. Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. sem a sustentação dos poderes da Luz. para a expectativa da libertação. que precisa estar preparado. É essa. para impor angústias e aflições. agora quer curar. que ocupou posições de mando. em épocas remotas. com amor. Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. doutrinadores. o momento do resgate. são relativamente raros. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem traze-los. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. embora ainda com muitos erros a resgatar. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. porque eles virão realmente fora de si. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem 70 . a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. trabalhando ao arrepio das leis divinas. Não dispõe de paciência para o diálogo. é arrogante. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. recuperar o prestigio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los. em nome de incontroladas ambições pessoais. que se transviaram muito gravemente. Os casos mais graves de deformações perispirituais. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. em geral. As forças são as mesmas. que não conseguirá agora. arrasado pela dor do resgate. e a licantropia. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito.de que se utilizam os trabalhadores do bem. porque os arquivos da alma são permanentes. calculista. numa excursão a essas furnas da dor. transtornados de ódio. a fim de poder tomar suas “providências”. médiuns e magnetizadores das trevas. Chegado. como a zoantropia. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. no tenebroso xadrez das trevas. pedra por pedra. doutrinadores. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. são aqueles mesmos que. O conhecimento ficou. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. magnetizadores. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. os recursos são semelhantes. como vimos. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. porém. são Espíritos de consideráveis cabedais e possibilidades. estudar as pessoas. ainda mais com seres que considera interiores e ignorantes. como os pobres componentes de um é grupo de desobsessão. eles se voltam contra o grupo mediúnico. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. às vezes. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. porém. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições intimas. Foi geralmente um encarnado poderoso. A promissória maior está paga. Eles constituem importantes figuras. em particular. atento e preparado para recebê-los. para reconstruir. cirurgiões do perispírito. Eles precisam “lavar a sua honra”. frio. inteligente. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. invertendo-se os sinais da operação. e é preciso começar a reconstrução interior. nos braços amorosos. sondar o doutrinador. pelos planejadores. experimentado e violento. Comparece para observar. o que foi destruído com ódio. Esteja. Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. ao voltar-se para o lado bom da vida. Geralmente. médiuns. mas mudou a motivação. e o que antes feria. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. Comparecem planejadores. e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. com os escombros de um passado calamitoso. o grupo. somente a direção é que muda.

de murros ou de violências. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. e sim na agressividade. Era um sacerdote. O PLANEJADOR Este é frio. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. Comparecem cercados de toda a pompa. limita-se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. na tolerância. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. estão esquecidos das próprias angústias. de “elevada” condição. envolventes. ameaçar. escravos. que emergiu. Não são executores. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. O impacto desta revelação. Maneja muito bem o sofisma. mas de tremendo realismo para ele. impessoal. Estão ali somente para colher elementos para suas decisões. desde a primeira manifestação. tocando campainhas portáteis. deixaram-no em estado de choque e desespero. Tivemos vários casos dessa natureza. são chefes. dos registros indeléveis do seu perispírito. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. envolvidos em imponentes “vestimentas” portando símbolos. incontrolável. Sorria. a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. até. culto. invisível aos nossos olhos. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. pois vinha nos afirmando. aparentemente tranqüilo e sem ódios. inteligente. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia 71 . consciente ou inconscientemente. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. indicadores. guardas. assessores. mesmo porque. acólitos. na humildade. ordenar. Mostra-se amável. Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. inescrupulosos. às vezes “armados”. não expede ordens. com horror. vem exigir. gostam de deixar bem claro. Estão rodeados de servidores. por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. contemplou. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. quando se deslocava. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. ou seja. na desconfiança. no ódio. é excelente dialético. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. desta lembrança. informou. iam à frente dele áulicos. Apresentou-se mansamente. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. Um deles me disse. certa vez. enfim. Nada de gritos. Citarei um. anéis. temem tais revelações. Para me dar uma idéia da sua grandeza. nem as executa. ou seja. pertencia a outro setor de atividade. intimidar. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. um complicado problema de obsessão. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. Aliás. informou-me que. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio.pedir. Os planejadores são elementos altamente credenciados e respeitados na comunidade do crime invisível.

Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. que procure meus superiores. valendo-se de sua brilhante inteligência. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. nas quais tudo vale e tudo é permitido. É evidente. estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. que sente enorme satisfação ao recordar que. O planejador é o poder moderador. segundo os interesses que tenham em comum. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. Pelas reações de irmãos. em elevadas posições hierárquicas. por achar-se ligado à organização poderosa. ou realismo. com o qual não pretende envolver-se. naturalmente. que o interesse coletivo precisa 72 . É preciso compreender bem tais reações. consultavam a ele. Para alcançarem os objetivos que têm em mira. A certa altura. experimentados e audaciosos.sofrido. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas. ali. isoladamente. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. simples mortal. mas também a segurança da organização. É preciso prever reações. e se apresta a abandonar o caso. soubemos da perda irreparável que representou. e provar aos “cabeças-quentes”. ao impulso. que domina pelo terror impiedoso. Por isso. Nada pode ser deixado ao acaso. manobrava os grandes. ao desligarem-se da organização. com toda honestidade. para as hostes da sombra. sentem-se sem condições de estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. Eles sabem muito bem que. acima de tudo. já que sua tarefa é noutra organização. Sente-se. pois sempre desprezou. propõe um acordo entre dois líderes: ele e eu. o planejador exerce função importantíssima. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. Dar-nos-á uma trégua. porque já àquele tempo era um hábil articulador. Tem um momento de honesta candura. dotado de habilidade bastante para demonstrar. evidentemente. estudar personalidades. aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. que lhe pediam conselhos e sugestões. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. muito abalado nestes é últimos tempos. Digo-lhe. Toda campanha é estudada. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. e os executores teleguiados. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. porque os impetuosos e agressivos chefes. aqueles que. por certo. que proteja não apenas os interesses de cada um dos componentes. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. que hoje estaria ainda dominando os homens. onde não se admite o fracasso. destemido. pois julgavam-no nosso prisioneiro. da sua “humilde” posição. implacável. desde que os fins sejam alcançados. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. mesmo “em vida”. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. Nessas estruturas rígidas. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. como queiram: acha-se um cínico. à improvisação. porque é dos poucos. Com o passar das semanas. o despertamento desse companheiro. agressivo. para tratamento. entendendo-se por “baixa”. mas. também desequilibrados. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. porém.

A tarefa é muito mais sutil. tudo a tempo e hora. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. Depois de tudo documentado. dos gritos. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. É difícil. Andaram gravando nossas reuniões em “vídeo tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. É preciso prever tais reações. Nada pode ser deixado ao acaso. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. então. que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. E hora. No interesse de todos. Não estão lidando mais com dados concretos. mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho. dos conchavos. Não basta preparar soldados e equipamentos. conquistas de posições passam a constituir objeto de cogitação coletiva. certos impactos.sobrepor-se ao individual. e. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. estudam-nos em grupos de trabalho. ao impulso. como tal. porém. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. estudar o terreno. falava um desses lideres das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. portanto. Esquecem-se de que. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. Mesmo enquanto conversam conosco. Os lideres militares são bons na ação. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do 73 . por aqueles mesmos dispositivos. pois. que nunca foi bom conselheiro. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. à improvisação. planejamento e ação. ainda mais em situações de crise. no decorrer da sessão mediúnica. perseguições. Tudo se fará no tempo devido. acham-se ligados aos seus redutos. Nada de ações isoladas. Há pouco. apoiados pelos companheiros que lá ficam. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá. ou então. É quando mais precisam de um competente planejador. Como não conseguem admitir isso. por mais forte que seja este. comprar armamentos e entrar em ação. para levá-lo “de qualquer maneira”. admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. Sua perda acarreta uma desorientação geral. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas. minuciosamente levantadas. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. da ameaça. A essa altura. atabalhoadas. Por isso. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. com o propósito de se manterem firmes. por fios e aparelhagem de transmissão. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. Daí a importância que os trabalhadores do bem conferem aos planejadores. E o desespero de não tê-lo leva ao desvario. senão impossível. Tinham nossas “fichas” completas. É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. então. dos murros. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas. estudar personalidades. naqueles redutos. têm que esperar a vez e a oportunidade. já estão agindo à base do impulso emocional. O planejador é. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra. das ofertas de trégua. cabendo. seus instrumentos. para os companheiros que permanecem na organização das sombras. aos planejadores elaborar a programação da “campanha”.

orando ao Cristo. segundo informa.amor fraterno. até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. no século passado. em pranto. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores. um comentário. para ele. tentou recuar e voltar sobre seus passos. ao vê-lo. interrogado com prudência paciente. pois não sabia que o grupo era aquele e. até mais do que nós. Não viera especificamente para debater conosco. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. sem falsa modéstia. a dar com as mãos na mesa. portanto. 74 . OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras. em que ele vai revelando sua história. uma pessoa que teria conhecido na França. admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva. que prevê. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. mas também das inúmeras vezes em que. (É estranho que ignorasse isto. num membro encarnado do grupo. Aos poucos. Hesita e negaceia. Gostaria de voltar a ser um humilde Galileu. para vazar a sua cólera. Afinal. Ao incorporar-se no médium. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. É.. demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. É difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. São os terríveis juristas do Espaço. Fora realmente apanhado desprevenido.. em “Reformador” de fevereiro de 1975 —. Por fim. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. mas já era tarde. se o soubesse. meramente informativa. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns companheiros encarnados. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita. não teria vindo. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. Identifica. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais. mas sinto nele falta de convicção. “Estes também — diz o artigo já citado. vai revelando sua história. com o que ele parece concordar com o seu silêncio. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. a essa altura. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. a seu ver.) Conhece o nosso mentor e.. e parte. Depois de uma longa conversa. Encaixo. agarra as nossas mãos. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. Está em crise. * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda. traiu o Mestre.. Deixo-o falar. a sua frustração e o seu temor.

qualquer juiz terreno. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. Há os que são compensados com prazeres mais vis. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. segundo este jurista invisível. e os apelos. O engano foi. eu havia apelado. invisível a mim. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. pois não é o mandante. as perícias. pobre irmão. os laudos. Quando pediu ao continuo que lhe passasse os autos.autoritários e seguros de si. quanto as atrocidades que pratica. Usualmente. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. e ele. escrita. os depoimentos. São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. para argumentar comigo. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. aliás. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. medianamente instruído. apenas executa ordens. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor: se desorientam)”. Empenhara-se num processo tenebroso e complexo. sem temores. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. com as luminosas tintas do amor e da emoção. aos seus vícios e às suas deformações. Não se teria dignado comparecer diante de 75 . Abriu sobre a mesa o caderno. em tom áspero e imperioso: — Não é este. ridiculariza. em caso que. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. sem dramas de consciência. com vistosas condecorações. O EXECUTOR Sente-se também totalmente desligado da responsabilidade. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. com orgulho e frieza. E até as revisões. até assassinatos. por fim. os autos do processo. a sentença — invariavelmente condenatória. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. Um deles me exibia. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. as que mais se ajustam à sua psicologia. deixou-nos uma das mais comoventes lições. este lhe deu a documentação errada. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. as audiências. deblatera. a princípio. como também autos já arquivados. foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. os pareceres. Ao manifestar-se. desses companheiros desarvorados. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. com sentença proferida. os despachos e. e depois. Só depois. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. de obsessões violentas.. com as sombrias cores do rancor.. sem remorsos. seu mesmo. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. cingem-se aos autos do processo. Na sua opinião. Revela sua elevada hierarquia. segundo informam ao doutrinador.

O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “religiosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio. em alguma coisa de que necessite. como ele precisava. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. no tempo e no espaço. Era. pobres irmãos desorientados. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. Têm os seus temas prediletos. metido a reformista. sofrida. com a qual justificam seus impulsos e sua tática. pois costumam trazer os mesmos argumentos.. porém. empenhados na defesa da “sua” Igreja. com todo o nosso afeto e dedicação. deliberadamente. Passadas algumas semanas. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E.. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. ao longo de muitos anos de prática mediúnica. esquecendo-se. quase sempre. São argutos. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além. embargada. mesmo sem o saber. mas que deixava aos nossos cuidados. Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade. impiedosos e arrogantes. estávamos já servindo. ele que sempre foi destemido homem de ação.. sem exigir coisa alguma. Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. necessária e justificável. Ao cabo de algum tempo de diálogo. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. nas sessões de desobsessão. violentos. um dia. um dia.. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. Seus “soldados” estão lá fora. Multidões de ex-prelados debatem-se. Quando. Havia mais. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. ofereço-me para ajudá-lo. que não lhe era possível nem visitar. incompreensível. inteligentes. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. às vezes. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. nas várias vezes em que compareceu ao grupo. às vezes. Trazem dores milenares e. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho. preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. em angústias e rancores inomináveis. Conhece-me de longa data: sempre fui um herético impenitente. Aquilo era demais para a sua compreensão.. à sua espera. como zelosos trabalhadores do Cristo.nós. que se arrastam. orgulhosos.. nem fica sem explicações. a troco de nada. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda. de fato. a nós. pelos séculos.. Quando me lembro disso. 76 . agressivos. O gesto não é gratuito. no entanto. a despeito de si mesmos. É justamente isso que ele não entende: descobrira que. a mesma teologia deformada. a ausência do filho amado. a um Espírito muito querido ao seu coração. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo. a chorar o tempo perdido. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. sustentados por luminosos trabalhadores espirituais. de amor. começamos a conseguir dele alguma reação positiva. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. ainda me parece ouvir sua voz pausada. Estava de partida para uma nova encarnação.. Assim são eles. no mundo póstumo. que invocam como exemplo de que a violência é. Apresentam-se. de arrependimento. para o reajuste.

mas estas são ativas. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente 8. mediante influência de certo Alexandre. por todas as nações? Entretanto. nas organizações religiosas a que se filiaram. mantendo estreito intercâmbio. vida após vida.. conseguiu.. guardado na prece e assistido por Espíritos do 8 A organização visitada. não a si mesmos. pois tudo se permitem. no capitulo “Observações e novidades”. desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. à noite. pela influência natural do sono. Emmanuel informa. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. aqui e li. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. estavam associados os próprios sacerdotes. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil. ou seja. para debate.— Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía. por isso. porque também se revezam na poder. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz. 77 . três pessoas em cada quatro. isto é. o protetor de Abigai1. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. e do dinheiro. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. investidos de enorme autoridade. O intercâmbio. ainda — diz Gúbio. — “Não mediste. Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. o instrutor —. Kardec tratou dessas questões no capitulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. enorme cidade das trevas. mas a espada. Constituem equipes imensas. ao qual deu o título de “Estranha moral” Ainda comentaremos tais problemas. freqüentes e tenebrosas. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. Estão acostumados a dominar os outros. bem escolhidas aos seus propósitos. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. Realizam-se reuniões. Aí daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. parente próximo de Anás. acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas”. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. vigilante. Comparecem. A determinadas horas da noite. Quase sempre exerceram. que Zacarias. e. cuja libertação é o tema central do livro. sob a égide do Cristo. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”. posições de mando e destaque. 10:34). em “Paulo e Estevão”. (Mateus. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. que se revezam na carne e no mundo espiritual. suas organizações sinistras e emplacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. estudo e planejamento. Por aqui. encarnadas e desencarnadas. era dirigida por um ex-papa. é intenso. “incluir-se entre os negociantes privilegiados.

Mas. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. Enquanto estão ali. assim.. Uma jovem desencarnada. na irresponsabilidade da sua inconsciência. gostava da sua tarefa. à vontade. não anda fazendo boas coisas. o desespero. sem dúvida. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é licito. pregam sermões.. Poderia ser minha filha. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. têm diversões. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a consciência atormentada. Ao longo de muitos séculos de intriga política. no mundo espiritual. Conservam. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. Conta que “ainda ontem. faço uma prece e ela se sente perdida. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. digo-lhe.. acaba cedendo e parte com ela. Aproveito o ensejo para dizerlhe que. tal como faziam aqui na Terra. para estes irmãos 78 . dessas orgias. um plano maquiavélico. como disse. todas se escondem”. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legitimo. de quem cuidamos certa vez. Não é maldosa. para dizer que “quando eu vou lá. certamente. sentam-se em “tronos”. e ela responde que. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo. ela me confessa que veio escondida. como alega. mas nem tudo nos convém. ela não teria coragem de vir me ver. as lágrimas. Nesse ponto. porque exsacerdotes fanatizados e duros ministram-lhes “sacramentos”. então sob tratamento em nosso grupo. se eu fosse seu pai.. “Eles” não podem saber. seus paramentos. tagarelando inconseqüentemente. Vê uma jovem serena e bela que a chama. Celebram suas “missas”. Viera em busca da filha que desaparecera. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. sem que ele o soubesse. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. que se saírem dali. aliás. ela respondeu que não. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. suas jóias e todos os símbolos de suas posições. Tinha forte sotaque Alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado. precisamente a moça da semana anterior. nos contou. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. o que parece impressionála. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. que vivia alegremente. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. mantendo um ritual pomposo e meramente exterior. com o qual ex-”ministros de Deus” conseguem manipular. Sabem. A despeito de seus desvairamentos. sinto-a interiormente ingênua. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. encontrarão o espectro temido da dor. na missa. Ligara-se a um ser encarnado. é irresponsável e perturbada. desde que atinjam seus fins. evidentemente. prossegue. pois gozava de inteira liberdade. nesse caso. prazeres. a quem estávamos interessados em ajudar. Por fim. com penosa ingenuidade. por fuga ou fraqueza. E. quase pura. Encontrava-se muito bem preparada pelos seus instrutores. Agindo sob hipnose. mas ela teme e hesita. e do exercício da opressão e da intimidação. participando.mais elevado teor vibratório. esses pobres “ministros de Deus” desenvolveram apurada técnica de trituração. Totalmente teleguiada. sem saber o que fazer.

também. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. É claro. no fundo. Para os antigos comparsas. fora traída por uma mulher. em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. reconhecem. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. Há. carregando correntes imaginárias. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. diante do que sabem. Quantos companheiros não socorremos. como eles entendem que seja. especialmente no Brasil. para ser lançada no momento oportuno. embora variadas na forma. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. ou seja. cuidadosamente preparada. Um dia. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. procurando. tramam. arrependidos de seus desatinos passados. tuberculosos. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. Um deles me declarou. desde que os ajude a alcançar seus objetivos. desmembrados. dizem. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. com os olhos ou a língua arrancados. roídos pelos ratos. em não poucas oportunidades. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetização. nos contou a seguinte história: numa existência anterior.. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. Muitas vezes. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. alienados. com redobrado ardor. sempre as mesmas. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. apavorados. 79 . mais fanáticos do que nunca. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. mortos a fome. E assim. com rancor e consciência tranqüila. são trânsfugas desprezíveis. seja licito ou não. em nova encarnação. É que. mas conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. tudo convém. nem têm como negá-la. atoleimados. Por outro lado. muitos sem condições sequer de chorar. os ex-inquisidores. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. A Igreja a admite há muito tempo. uma nova versão do Evangelho. pois. que existe. é verdadeira a doutrina da reencarnação. Localizando esta agora.religiosos transviados. mantém os mesmos processos de tortura e de encarceramento. quando se passam para o mundo póstumo. Ainda rancorosos. atormentava-a livremente. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. no entanto. que cumpre esmagar. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. porque um sacerdote. sob o guante de terríveis obsessões. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. enceguecidos pelas trevas. seu amigo. Sim. entre eles. envolvem. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. em medonhas masmorras infectas. provocando pavorosas desfigurações perispirituais. os obsediados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas. o movimento espírita moderno. Enquanto isso.. por exemplo. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. tal como no passado. próprias e alheias. e os grupos que intentam salvá-las das suas aflições precisam estar realmente bem preparados. planejam e executam. certa vez. pronta. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram.

cabisbaixa e encolhida num recanto. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu Espírito”. nem o inferno aterrador. São muitos os que. servidor da Igreja. Quantos me têm interpelado. “em vida”. me disse. juntamente com outros dignitários da sua Igreja. no mundo espiritual. Compilação do Dr. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. em sua comunicação. homens terrenos.. o leitor. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. 1941.apóstatas que têm de destruir. rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. Quando daqui regressei. Extraordinário fenômeno. a lamentosa queixa do arrependimento. em grande número. com surpreendente brevidade. o período de perplexidade em que mergulham com a desencarnação. desde a visita que vos fiz. declara. seja com ameaças. graças a Deus. 9 Fora daqueles que. “procurara. Era. na maioria sem grande preparo intelectual. vol. também. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. De outro cardeal desencarnado ouvi. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. grandiosa. certa vez. fanático e não mau. nem tampouco o purgatório lendário. A esta altura. pág. com muito mais freqüência. tanto na Igreja Católica como na Protestante. diria mesmo fenomenal. antes ainda da Reforma Protestante. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. criaturas simples. na Terra de Santa Cruz. que não mereciam piedade nem consideração. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. Medito e considero: eu. éramos sacerdotes católicos. 80 . a todo custo. Certamente que sim. buscava-me há mais de quatro séculos. dois porcos num só. prejudicial ao Catolicismo”. não pelo combate ao Espiritismo. mas pelo que deixara de fazer de bom. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. em virtude do intimo conhecimento dos bastidores políticos da 9 “Trabalhos do Grupo Ismael”. agora. Guillon Ribeiro. é a obra em que colaborais. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. Estupenda. Outro. conhecendo meu passado. 137. venho entre vós. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. meus irmãos. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. São eles os serenos párocos de aldeia. ao ver o bravo cardeal render-se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu Espírito sedento. conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. quando dispunha de tantos recursos e poderes. manifestado no Grupo Ismael. pois da última vez em que fomos companheiros. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. na propaganda do Espiritismo. e. Um deles. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. Outros se empenham em “recuperar-nos”. Note-se. com as mais terríveis invectivas! Um deles. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. A coorte dos que me acompanhavam. algo impressionado. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias.. edição da FEB. julho/1939 a dezembro/1940. porém. heréticos que precisam calar. vós outros. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou.

Combatem o Espiritismo. no sentido da disputa do domínio político. são as pequenas manifestações anônimas. tanto aqui. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”. Querem-na forte. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. como se acuada. separadas. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. com todo o seu cortejo de vícios. também. Não sabem viver sem mandar. Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. É certo que. Comovente. mas porque o consideram uma odiosa heresia. No fundo. não essa aí. as tenebrosas alianças realizam-se. ligam-se a outros poderosos do passado. poderosa. para esses objetivos. repetiram a experiência. condicionam se a um esquecimento das antigas circunstâncias. buscando sempre os núcleos do poder. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. Às vezes. de onde possam manobrar. entre os desencarnados. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. nem sempre são ambiciosos. com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo. o exercício da autoridade. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. com exclusão de todas as demais. que o servira nos seus dias de glória. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. Examinando suas tendências. que está sempre recuando e entregando-se. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. de que somente tomamos conhecimento por via indireta. neles: ambição e fanatismo.Igreja. No mundo espiritual em que vivem. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. sacerdotes de elevada hierarquia eclesiástica. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar. Os ambiciosos desejam o poder. por exemplo. Para isto. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiástica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. incontestada. não tanto porque desejam posições de mando. conservaram os modelos medievais. mas ocorrem. que nos tratava com superior condescendência. Não importa. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana. Movem-nos ambições desmedidas. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam. ditatorial. Quanto aos fanáticos. sem impor sua vontade e suas idéias. estudando suas atitudes e pronunciamentos. Estão convencidos de que sua forma de pensar é a única certa. É comum encontrarmos. se e quando o reconquistarem. sem oprimir. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. autoritária. como no mundo espiritual. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. como sacerdotes judeus. para partilharem do vasto bolo do poder. como prelados católicos. porém. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. em serviços preciosos. como nos tempos idos. quando de suas passagens pela carne. e voltam a insistir. impetuoso e arrogante. sempre disputando posições de relevo. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões puramente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão. quando toda a sua 81 .

Quando incorporados aos médiuns. mas se recusam a admitir que “morreram”. acham-se abrigados da dor. não apenas pelo esquecimento de suas misérias íntimas. o poder. ainda. Viveu. despertam para a realidade.. em todos os sentidos. Às vezes. matando. estes são os que o praticam. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. pois somente nela se sentem relativamente felizes. de que. a princípio. e mais prontamente aceitam a nova realidade. só há o silêncio e a escuridão do não-ser. roubando. na carne. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. falsificando. por algum tempo. suas hipocrisias. Outros. Preferem continuar negando. No fundo. não é o seu. através de um corpo que. um esconderijo.. mas porque lhes proporciona os prazeres mais grosseiros a que se habituaram. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. nada é sagrado. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam é inteiramente falso. A relutância é. especificamente. no trabalho de esclarecimento. Lembram-se das doenças que tiveram. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão.. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pessoalmente do drama da cruz.atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. Disputaram fortunas a ferro e fogo. evidentemente. convicto de que além da matéria nada existe. O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. indiferentes. além da morte.. não foram intrinsecamente maus. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. São mais acessíveis. apenas desencantados. porém. suas fraquezas. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte” pois estão pensando e falando. Seria Joana d'Arc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos. Em outros. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões. senão a satisfação de suas ambições. do que 82 . são daqueles que. seus desvios. isto é. desarvorados intimamente. de suas vontades. de seus desejos. endurecidos nas suas convicções. tais posições foram meramente filosóficas. perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. vaidade. Para estes. platônicas. intrigando. Enquanto estão ali. sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da matéria. Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. promovendo negociatas. ainda presos aos seus interesses terrenos. Outro ajudou a apedrejar Madalena. a enfrentar suas próprias contradições íntimas. inapelavelmente. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. Às vezes. embora. que acabam por se convencer da sua autenticidade. seguros e tranqüilos. nada importa. descrentes da vida espiritual. não estão interessados. embora confusos. Alguns deles. Por isso. vendo e sentindo. O esquecimento deliberado e auto-induzido e uma fuga. Ao contrário dos teóricos do materialismo. se preciso fosse. Geralmente desejam a volta a carne. na aparência.

honestamente. ele sobreviveu. bom sofista. Quase sempre se deixaram dominar por invencível vaidade. e tanto consolidaram suas construções. para desarvorar o interlocutor. às vezes. estaremos a caminho de ajudá-lo. São bons argumentadores e. totalmente desligado da nova realidade que vivia. sacerdotes. fracassando na provação da inteligência. ricos. demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da própria inteligência. O INTELECTUAL Nem sempre é materialista. e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me. Brilhantes. na sua imaginação. deixaram disparar na frente um dos componentes. indiferentes. que sempre deverá existir. inteligente. Foram escritores. entre cabeça e coração. A escala aromática aqui é ampla e variada. É preciso conduzi-los com tato e paciência. no qual o homem deve buscar equilíbrio. por nome Tom. nobres. artistas. como exímios criadores de tais sofismas. pregaram sermões belíssimos. do ponto de vista literário. suaves e tranqüilas. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. médicos. para ilustrar o que desejo dizer com isso. Ao cabo de algum tempo de observação atenta. Num 83 . Estudaram profundamente os Evangelhos e a teologia ortodoxa. está relatado um caso desses. Vemo-los. Há-os descrentes. Leram os seus filósofos. especialmente. vai sendo conduzido a admiti-la. no mundo espiritual. continuava a manipular as moedas. variedades e tendências. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram. Conversamos longamente. é também um esconderijo. em sacrifício do outro. e. O Espírito. procurando confundir. descobrimos que a intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga. suas doutrinas. Encontramolos de todos os feitios. que cita com a maior facilidade e propriedade. escreveram tratados. São estes que constituem o diálogo mais difícil para o doutrinador. Não se exaltam. No binômio cérebro/coração. Parecem. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. Têm respostas prontas e engenhosas para tudo. seus sofismas e suas auto-justificações. pobres. aparentemente muito seguro de si. materialistas. versado em filosofia. fascinados pelos seus mecanismos. poetas. O companheiro apresentou-se irônico. Temos que compreender que à difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. fazem perguntas bem formuladas. ante minha pobreza intelectual e cultural. Aos poucos. a despeito da descrença em si mesmo. tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. advogados. Narrarei um caso prático. para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa. É culto. Julgam-se geniais — e muitas vezes o são mesmo.admitirem. pois se acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias fantasias. quando movidos para objetivos bem definidos. ao seu ouro. na condição de ex-sacerdotes também. religiosos ou não. sua engenhosidade e os belos pensamentos que produzem. espiritualistas. nem dão murros. que acabaram acreditando nelas. Em “Reformador” de setembro de 1975. no artigo “Lendo e Comentando”. mesmo. em teologia e até mesmo nos textos evangélicos. vivera agarrado aos seus bens e. Se conseguirmos restabelecer o vinculo.

impaciente. na reunião seguinte. sons de órgão. mas sinto-o mais desesperado do que rancoroso. Pergunto se permite que tentemos curá-lo. Não está mais tão irônico e seguro de si. Primeira aos Coríntios. 4:19. mas o seu poder”. diz. ainda irritado. deixa escapar suas terríveis ameaças. As ameaças são terríveis. A essa altura. ameaçador. e refere episódios verídicos. que lhe cita trechos evangélicos. não consegue mais evitar que a música domine todo o seu ser. na Alemanha). conhecerei. atrás dele. e que. na bondade infinita de Deus. Ele conclui. irei logo onde estais. chama-me de débil mental e idiota. e então. ante minha evidente falta de acuidade. mas firme nas suas convicções. Sinto por ele uma compaixão infinita e me dirijo a ele com ternura. Diz que transpusemos todas as barreiras e que é preciso um basta final. realmente. quando nos empenhamos na tarefa abençoada de servir. algo sonolento. como um bloco. Começa sutilmente a crise. (Há sempre um quase. despede-se. certamente. há tempos. 84 . obviamente. Ele também ouve. irritado. ele começa a apalpar o seu médium: a face. Pouco depois. outro médium do grupo avisa-me que ouve bimbalhar de sinos e.momento de incontida irritação. a música prossegue a vibrar dentro dele. ao ser chamado à atenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia. 10 Segundo me diz o outro médium. com barco e tudo. A essa altura. e insiste em retomar o debate filosófico-religioso. furioso mesmo. e ele recusa energicamente. se isso acontecesse. conseguimos despertar. dirige-se. Em uma dessas. com o que concordo plenamente. ele volta. demorando-se nas mãos. pois está certo de que. informa. Mesmo com a voz pausada. Fala 10 “Mas. re for da vontade do Senhor. há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades na minha cara. Enquanto conversamos. até mesmo nas minhas atividades profissionais. Declara-se um líder. a alguém invisível. se eu tivesse visão espiritual. que não seja o frio jogo de palavras a que está habituado e que anestesia espiritualmente. nervoso: — Eu sei. não a palavra desses orgulhosos. Fala do cerco que me vem fazendo. Deve ser por causa da perda do valoroso companheiro que na semana anterior o advertira. em antiga encarnação. veria que todos os seus companheiros estão ali. como depois verificamos. De vez em quando. como da primeira vez. porque ainda tenho muito do homem velho. que.) Ao cabo de longa conversa. — Dessa vez diz ele — não vai ser fácil. em voz alta. Conclui dizendo que. naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. É a fuga desesperada ante toda e qualquer aproximação da emoção. quase conseguiram derrubar-me. para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida particular. mas logo se contém. teme. sentindo os controles do médium). revelando-se profundamente irritado. Perdeu a aparente serenidade. Oro por ele durante toda a semana e. diz-me que é cego! E mesmo assim domina. mas recusa-se a reconhecer a situação. com a graça de Deus. quando me chamou de débil mental e que. que são mãos de um organista (que o médium foi. é um líder!. dizendo que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo. macaco! Segundo diz. agressivo. os olhos e o corpo. satisfeito consigo mesmo. em seguida. Não sabe por que não as diz. Estão prontos e dispostos a desencadear a luta. como se a pedir-lhe que me perdoe por não ter notado isso antes. Você vai cair do galho. (Está.

como no mundo espiritual. Envolvido no seu processo. e compreendia como poucos. ao mesmo tempo. a música sublime de um organista incomparável. do invisível. bate com os cotovelos na mesa. através da sua cólera e da sua frustração. precisa estudá-la a fundo. tapa os ouvidos. um prisioneiro de si mesmo. Segundo me informam do mundo espiritual. arrasta-o irresistivelmente. por certo.sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. toca para ele neste momento. e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e séculos. que ele tem o privilégio de ouvir. antes de tudo. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam os mais profundos 85 . O vingador observa. foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para restabelecer o perdido contacto entre coração e mente. Sua maior ilusão é a de que a vingança aplaca o ódio. planeja e espera a ocasião oportuna e o momento favorável. graças a Deus. traídos ou indiferentes. A crise aprofunda-se e ele ouve agora. começa a chorar. Aquele que se dedica a essas tarefas. ao organista que. vencido pela emoção que há tanto sufocou em seu coração generoso. seus mecanismos e as soluções que lhe estão abertas. ao longo de muitas vidas. e quando lhe peço perdão pela dor que lhe causamos naquela crise necessária. paciente e violenta. calculada e impulsiva. Tenta desesperadamente fugir dela. se é que pretendemos ajudá-lo. a emoção daquela música inesquecível domina-o inapelavelmente. Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores frustrados. e sempre implacável. A música que ele amava.. Sua lógica é. mas à comum encontrarmos também o vingador impessoal. Não se precipita. Refere-se. ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa. que andavam divorciados. punir alguém por aquilo que fez ao vingador e. por isso. suas origens. irresistivelmente. ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar. na terceira fila à direita. Está arrasado e murmura: — Ele é um monstro. Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal.. na realidade. tanto aqui. Ainda veremos isso mais adiante. fria e apaixonada. cantarola uma canção. Tudo nele é grande. vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e esclarecimento. o alimenta e o mantém vivo. enquanto ele parece também reconhecer. interfere. suas motivações. ele retruca. Por fim.. mas não esquece: sempre que pode. daquele tempo. ele nem sequer admite o perdão. Trato-o com infinito carinho e amor fraterno. quando. ainda em pranto e com a visão recuperada. O VINGADOR Vingar-se é ir à forra. seu tolo! Em seguida parte. entre irritado e confuso: — Não peça perdão. Logo a seguir.. É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta. pois ele é. na carne. aquele que trabalha para uma organização opressora. o seu médium atual. e diz a si mesmo: — Reaja. frouxo! Mas a torrente daquela música divina. Digo-lhe isso.

desde então. um caso de vingança que muito nos marcou. 86 . dolorosa. todas os dias. na Idade Média. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. por exemplo. As mesmas correrias. segundo nos advertiu o Cristo. os vingadores sempre se esquecem. no passado. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. por sua vez. a tragédia. 11 “Tragédia no Circo”. Não faltou um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. difamações.sentimentos de revolta. Tanto ele. Seu drama é que. se ele sofreu traição. para tê-la totalmente sob seu domínio. desonras. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. mas persistente. ao tempo de Marco Aurélio. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. “Reformador” de março de 1962. nesse ínterim. mas isso. como assassinatos. Fora seu esposo em antiga existência. É certo. através da lei de causa e efeito. não importa. a lei não exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir o irmão devedor. tênue. Por outro lado. que chegado o momento do resgate. não apenas por causa do assassinato da esposa. o “Irmão X” narra um episódio desses. que o reajuste virá fatalmente. através dos séculos decorridos. reuniram-se no circo de Niterói. e ela estava novamente encarnada. É o paradoxo do ódio-amor. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça divina. Alguém nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta. Sem muita demora. sem nenhuma intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito. porque sofreu horrores. De outras vezes. na tragédia de 17 de dezembro de 1961. ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. é porque. como ela. O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. Se a odiasse simplesmente. ainda. o mesmo atropelo. a mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. espoliações. ele abre determinada porta. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). ainda mais o exacerbou. segundo ele. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. para ele. na cidade fluminense de Niterói. em que uma atrocidade praticada no ano 177. Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier. caindo sobre um instrumento. agora. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — é a vingança em si mesma. há de ser ferido por ela. Lá sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. em princípio destinada a preservar-lhe a vida e. iniqüidades de toda sorte. veio a ser cobrada pela lei. há quase dezoito séculos. Todo aquele que fere com a espada. em situações como essas. porém. são crimes horrendos. a despeito de tudo. Não sabe. Seu desejo. em razão do horrendo crime do suicídio. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e aguardamos. Parece que lhe restou uma esperança de reconquista. 11 Tivemos. como. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. à mesma hora. e. que não há sofrimento sem motivo. No entanto. Aqueles que ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon. angústia e desajuste. pois viviam num castelo. As simetrias são perfeitas. certa vez. Matou-a e suicidou-se. tiveram outras vidas. inconsciente. compareceu ao grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. também. Não confia nela. e a história desenrolou-se. portanto. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente. duas ou três semanas após. No caso. já traiu também. ou ignoram. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. ou morrendo numa intervenção cirúrgica. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza.

que atrás da porta seguinte. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. encarnado e desencarnado. que ele se recusava sempre a transpor. por qualquer razão. Era preciso. não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. E adormeceu. mas. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. à mercê de seu algoz. ainda. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. necessariamente. perante a lei desrespeitada. Não tem mais ânimo. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo. responde do mesmo modo. Que Deus nos abençoe. que se voltará contra ele. de certa forma. foi realmente o que os salvou do tenebroso drama. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. Na sessão seguinte. e eu também — diz a ela. que lhe faculta a decisão de agir. o Espírito da ex-esposa. e demora-se nas sombras do sofrimento. por situar-se fora de seu alcance. o ofensor libera-se pela dor. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. de vez que o livre-arbítrio. E. em parte. Disse-me. que não a perseguirei mais. nem para vingar-se. continua preso à sua problemática e. Porque. portanto. às vezes. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar. envolvido em antiqüíssima trama vingativa. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. Houve um diálogo emocionado. Realmente tiveram. por sua vez. o perseguidor. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. Sente-se vazio e cansado. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. Embora tenham muito em comum. Não sei se me faço entender. são impiedosamente sacrificadas ao ódio. por desdobramento. atingir a vítima visada. ele seguirá escravo da sua própria vingança. à vingança indireta. De um pobre irmão. certa vez: 87 . porque ao errar expôs-se ao reajuste. * É extremamente complexo o processo da vingança. quase sempre dolorosa. enquanto ele. havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. alguém ouviu dizer. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que. e acaba. ao mesmo tempo em que ele se vinga. Ao vingar-se. mesmo devendo. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. um casal. — Somos dois trapos. novamente à lei. que sofre um processo vingativo. trouxeram-lhe. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. sem desencadear obsessões à sua vítima. sabia que encontraria os filhos amados. manter acesa a chama rubra do ódio que..No caso sob exame. às suas angústias. que ele ternamente dizia que eram dois anjos. o vingador sente-se um instrumento da justiça divina. ou insiste em cobrar. Vá em paz. duas criaturinhas encantadoras. do qual percebíamos apenas as suas falas. caso contrário. Assistimos. Por outro lado. Sem poderem.. É que o Espírito. por isso. — Você e um trapo. temia ele acertadamente. com todo o direito de exercê-la. está. ao longo do tempo. mas a vingança não é. angústias e frustrações. com sua falta contra nós. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. alhures no tempo e no espaço. no entanto. De certa forma. um processo obsessivo.

Naquilo que Deus não o permite. fazer mal ao seu próximo”. Extremamente complexo e delicado. como podemos verificar do exame das questões números 551 a 557. como a da obsessão. “com o auxilio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. o suficiente para formular-se um juízo sobre a matéria. abrimos a eles as 88 . é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção. portanto. expostos à cobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas.. Atenção. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. persistem nas suas práticas e rituais. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. Disseram. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. pela santificação. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações. amplo e exato. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. ou a esposa pelo marido. mas que também se acham em débito perante a lei. a época não estava madura para o aprofundamento do problema. limitando-se a respostas sumárias que. Realmente. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. dedicado à prece. que um “homem mau” não poderia. Talismãs. Obviamente. sob o titulo “Poder oculto. realmente. porque “Deus não o permitiria”. nem os pais pelos filhos. à melhora íntima. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. nesses casos. não fora de sua proteção. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. é que. o pensamento contido nesse período é. nesse particular. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. Ensinaram. Com freqüência. O que acontece. porém. porém. portanto. que lhe concede um crédito de confiança.— Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. por motivos outros. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. a literatura doutrinária de confiança existente. especialmente porque é escassa. empenhada em sincero e honesto processo de recuperação. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo. ao serviço ao próximo. porém. de “O Livro dos Espíritos”. colocando-nos. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando.. ao mesmo tempo. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. O tema não ficou indiferente a Kardec. ao alcance de dores inomináveis. no mundo espiritual. Foram muito sóbrios os Espíritos. não abandonados por Deus. Não há sofrimento inocente na justiça divina.. ao cometer nossos desatinos. ou de pessoas que dele se socorrem. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. Feiticeiros”.. MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a realidade da magia negra. por exemplo. mas estejamos certos de que. por exemplo. A despeito da notável economia de palavras. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. não obstante.

e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. O próprio Cristo advertiu-nos de que. como vimos. O Espiritismo não ignora o fenômeno. a existência planetária é sinônimo de luta. que tenha qualquer ação sobre os Espíritos. dentro do contexto das leis naturais. assim formulada: “Não pode aquele que. ensina Emmanuel 12 que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação”. por efeito mesmo dessa confiança. insistiu. em seguida à questão número 555. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. com ou sem razão. mal observados e. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo. nem talismã. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. os Espíritos foram cautelosos. posturas. então. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus” Sobre as fórmulas. Sobre a influência dos astros. por exemplo. 12 “O Consolador”. questão número 140. Kardec. para explicá-la em termos de conhecimento cientifico. porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais”. confia no que chama a virtude de um talismã. Quanto à crença no poder de enfeitiçar. acima de todas as verdades astrológicas. porém. visto que. em si. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. se maus forem seus próprios Espíritos. pelo pensamento. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. e o juiz nos mandaria à prisão. 89 . racional. como muito bem observa Kardec. nada vale. aberto. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. Realmente. invocações. nenhum sinal cabalístico. em nota de sua autoria. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. as vezes. esclarecem que todas são mera charlatanaria. mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática. símbolos. sobretudo. ingênua ritualística da magia. eles nos levariam ao juiz. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é traído”. temos o Evangelho. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. bem como as inúteis complicações dos ritos. porque. atrair um Espírito. Se as influências astrais não favorecem a determinadas criaturas. declarando que tais fatos são naturais. nem o nega. (Destaques meus) Do que se depreende que o talismã. até o último centavo. no entanto. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. o que atua é o pensamento. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. com a pergunta 554. de que podem fazer mau uso. mas. mal compreendidos. fórmulas.portas da nossa intimidade.

É evidente 90 . segundo suas vibrações. saber. Desde essas eras recuadas. empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar. em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio século para desdobrar em todas as suas implicações. Também os números “possuem a sua mística natural”. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. Embora os autores especializados procurem distinguir magia de feitiçaria —— e ainda veremos isto um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para esta última “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio.. podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. (Destaques meus) Dentro dessa mesma linha de pensamento. técnica ou empírica”. originários. segundo Lewis Spence (1). especialmente.. o esclarecido mentor. por vezes.. Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se às eras primitivas. as influências que podem exercer. que nos permita transitar pelos seus meandros. (Destaques meus) O assunto mereceu também observações. a funcionar como fio de Ariadne. de seus antigos possuidores no mundo. Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. Diz o autor espiritual que. ————————————————————————————— “A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhe eram irmãs. Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e racionalismo. — . razão por que parecem tocados. em que os desencarnados.”. sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. depois que Ciro os institucionalizou. nosso esforço deve ser o da libertação espiritual. por vezes. na execução de atividades materialonas. de singulares influências ocultas. sendo indispensável lutarmos contra os fetiches. por via magnética. ao fundar o império persa. os magos. acentuando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal”. Realmente. E prossegue: — “Apareceu então a goecia ou magia negra. os médiuns primitivos nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca. sem qualquer alicerce na sublimação pessoal”. têm a sua história viva e. de vez que a raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a palavra “wit”. porém. ao que parece. Possivelmente da raça média.iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico. igualmente inferiores. mas. para considerar tãosomente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito”.achando-se cada homem sob as influências que merece”. os nomes que recebem. eram cultores da sabedoria de Zoroastro. a certo ponto da história evolutiva. de André Luiz. sem o menor temor de perder o caminho de volta. da antiga Pérsia. eram aproveitados. ou magia elementar. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. reconhece. ainda que sumárias. porque a ignorância embotasse ainda a mente humana. com base na mediunidade consciente ou inconsciente. adquiriram enorme prestígio. mormente os de uso pessoal. à qual as inteligências superiores opuseram a religião por magia divina. como nos assegura André Luiz. — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —.

às vezes. muito antes da época citada na sua obra. narram. com seus recursos. O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos capítulos de números 5 a 13. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada. o Grande (356-323 a. mas não para as religiões mais recentes. é filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas mãos. mais intensamente. tanto quanto na medicina. mas ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre. proibida e secreta. vários deles publicados pela FEB. 13 Sir James Frazer14 considera magia e religião uma só coisa. São profundas as implicações da magia em alguns cultos religiosos.) que. ritos. a seu ver. tão identificadas se acham entre si. é claro. à medida que o discípulo revelava condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente. sabemos que ela floresceu amplamente no Egito.C. Já antes disso. Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia. usualmente. Isto é provavelmente verdadeiro para as primitivas crenças. no capítulo 4. pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos rituais e da teoria que 13 14 Ver o artigo “O Tempo. no magnetismo. New York. em tempos recentes. agosto/1975. “Religião. A obra consta de 12 volumes. 1951. na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem até hoje. Distribuíram-se em três graus: os discípulos. como em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”. os guias espirituais de Moisés conferem-lhe poderes ostensivos. apresenta-se com 827 páginas de texto. socorriam as mazelas do Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo”. 91 . Os livros mediúnicos de Rochester. enquanto a prática da magia tenta forçá-los à complacência. para consolidação das conquistas do rei persa. sentiu-se enciumado de seus poderes. na astrologia. Embora Spence nos fale da magia na Pérsia. o Barão du Potet e o Barão de Guldenstubbé. com minúcias de extremo realismo. segundo os métodos e interesses da Ordem. misticismo e magnetismo são idênticos para alguns ocultistas. entre os quais cita. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do Espírito e em estrita consistência com essas características. Lewis Spence declara. Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses constitui prática religiosa. nos primitivos. ante a aturdida expectativa de todo o país. o que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era ministrado por processos iniciáticos. que. muito contribuindo. este último autor do livro “La Realité des Esprits”. que embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — símbolos. narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus. entrou em desagregação. eruditíssimo tratado sobre magia e religião que. Auguste Comte. perderam contacto com os seus aspectos esotéricos. por volta do ano 500 antes do Cristo. especialmente por causa da tenaz perseguirão de Dario Histaspes. mesmo em condensada. no seu erudito verbete.que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos. processos terríveis de magia e ocultismo. publicado em 1857. “The Golden Bough”. fórmulas. segundo Spence. os professores e os mestres. A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Ciro. enquanto a magia é. em “Reformador”. MacMillan. teme aquele que sabe. encantações —. mas. o preconceito e a humildade”. pois o homem sempre respeita e.

repassar todo o campo da magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita. tentar 15 “The Age of Falth”. Ao escrevermos este livro. sob a forma de cultos à base de animais sacrificados. do Bispo de Exeter. durante toda a existência. 92 . pudesse ter sido antecipada de um século ou mais. Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os deuses em troca de favores. algo perplexo. — Atiras ao chão. ou encantamento. 1950. sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio. que mais as autenticavam na imaginação do povo inculto. por exemplo. ou estarem em companhia de tais”. no melhor sentido da palavra. o que ele fez. condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente dos homens pela feitiçaria. Essa mesma “mágica”. a França. As conseqüências dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o entendimento do fenômeno mediúnico. mas Moisés revela sua impotência em convencer sua gente a seguí-lo. — que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová. espetá-lo com agulhas e punhais. não obstante. Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática. Moisés faria diante do Faraó e sua corte. se em vez de queimar os médiuns medievais. O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo hebreu para fora do Egito. desta vez. a um fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria. ou primitivos. Segundo Will Durant15. Simon and Schuster. no século XIX. Seria impraticável. Entre os ritos destinados a destruir um inimigo. não foram poucos os prelados católicos que. “O Livro da Penitência”. e é bem provável que a noticia que os Espíritos superiores vieram trazer a Kardec. New York. criou-se um clima de terror que. num resumo como este. com os seus estranhos rituais. dramático e conhecido. porque ninguém combate aquilo que não teme. poderemos. bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”. geralmente em cera. era praticamente universal. como do ódio para o amor ou do amor para o ódio. consiste em modelar uma pequena estátua representativa da vítima. — Um cajado. ou ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais. o mundo moderno assiste. parecia atribuir-lhes certa substância. procurassem estudá-los com respeito e interesse. ao mesmo tempo em que combatia as crendices. — Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz pois dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma. com os métodos apropriados. na Idade Média. a crença na feitiçaria. e. atribui à magia origens nitidamente religiosas. Mal atirado ao solo. com um bando de demônios em formas femininas. o cajado transformou se numa serpente. o Espírito disse lhe que a agarrasse pelo pescoço. Ante o temor de Moisés. o mais antigo. não nos países menos desenvolvidos. como a Inglaterra. os Estados Unidos. e sim nos de mais avançada tecnologia e mais sofisticada cultura. A despeito disso. tanto quanto Sir James Frazer.os sustentava. por toda parte e. fosse em beneficio de alguém ou com a intenção de destruí-lo. mantiveram cultos paralelos de magia negra. A Britânica. voltando a serpente a ser um mero cajado. a Itália.

o segundo. crescimento da planta e produção de frutos. que não há a temer nenhum acidente sério. 5ª edição da Editorial Kier. tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele. e depois à planta e ao fruto. acima citado. que. também médico. revelou igual interesse pela matéria. Na opinião de Sir James Frazer. Um desses autores é o médico francês. por certo. sob o pseudônimo de Papus. Gérard Encausse. à página 11 de seu livro. aconteceria apenas uma abundante doação. das quais. à semente. ou seja. contemporâneo de Allan Kardec. o plano astral”. como os outros. Nada têm de difíceis e sim muito consoladores. dedicando. o que a Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material. do original francês “Traitê Élémentaire de Magie Prratique”. Encausse é admirador ardoroso. situam-se a tal distância da verdadeira magia. No fenômeno da pronta germinação.oferecer algumas noções colhidas em alentados livros. e que aconselharemos a quantas desejarem divertir-se. como “Sciences Occultes et Désequilibre Mental”. a distância. das energias orgânicas do faquir. também lembrado por Sir James Frazer. sob o influxo da sua vontade. mas que classe de forças são essas?” Diz ele que são as forças hiperfísicas. os magos concebem como sendo as forças da natureza. creio útil transmitir ao leitor espírita uma idéia da posição de Papus em relação ao Espiritismo: “Existe. escreveu abundantemente sobre o assunto. toda a magia baseia-se na lei da simpatia. 16 Antes de mergulharmos no seu livro. não sobre a matéria. à sobremesa. “as coisas atuam umas sobre as outras. assim entendidas as que apenas diferem das energias meramente físicas nas suas origens. produzindo algumas obras sobre o assunto. por estarem secretamente ligadas entre si por laços invisíveis”. da qual o Dr. que alguns faquires teriam realizado. praticamente em todas as línguas vivas. (O primeiro destaque é meu. “Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza que o mágico deverá por em ação. Papus acata o princípio. segundo testemunhos nos quais Papus acredita. que se poriam em consonância com as energias armazenadas na semente. Ao apreciar alguns aspectos da magia. Dr. o Dr. Seu filho. Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado Elementar de Magia Prática”. ou seja. “Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade. tanto se utilizam os trabalhadores do bem. em relação ao Espiritismo. facilmente encontráveis no mercado. mas sobre aquilo que incessantemente a modifica. 1974. do original) Esse plano. não obstante — escreve ele. afinal de contas. desde que não se esqueça da precaução de deixar as coisas no momento oportuno”. 93 . Buenos Aires. pois emanam de seres vivos e não de mecanismos inanimados. e. 16 Tradução de Enediel Shaiah. Philippe Encausse. uma forma de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes. segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veiculo entre a vontade humana e as coisas inanimadas. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver. alguns momentos aos fenômenos de espiritismo.

resume ele a sua teorização. A página 91. optou pelo método indireto. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. em todos os seus ramos. em Londres. não à forma exterior. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: “1ª — Fisicamente. mas sobre os princípios que os põem em movimento”. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz17 – extraíam forças de pessoas e coisas da sala. Exemplifica ambos. A magia seria. por exemplo. em todas as categorias. (Destaques meus) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orientamos para o bem. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. atuando diretamente. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas. em transe. que. que utiliza o trabalho do homem. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. chama-se vida”. edição FEB. com todas as suas transformações. A mulher. pura e simplesmente. Orientado pela descrição da mulher. e segundo Papus. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório”. inclusive da Natureza em derredor. arcaremos com a responsabilidade correspondente. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. mas aos fluidos que circulam dentro do aludido ser. modificando a estrutura de um ser. outro de ação direta. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “E a aplicação da vontade humana dinamizada à evolução rápida das forças vivas da natureza”. 2ª — Fisiológica ou astralmente. a planta. entram neste quadro. capítulo 28 – “Efeitos Físicos”. A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”. Num deles. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. em condições normais. Para a criação dessas larvas. pela aplicação exterior de forças físicas. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. 3ª — Psiquicamente. obteremos resultados positivos. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula. se os dirigirmos para o mal. “consagrado e perfumado”. A agricultura. não sobre os fluidos. A Medicina. é um exemplo desse caso. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado.em algumas horas. uma ação consciente da vontade sobre a vida. a indústria. 94 . revelam um despreparo comovedor. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza. embora escreva Espiritismo com letra minúscula) admite a possibilidade de influir sobre os fluidos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens. portanto. e prosseguiu: 17 “Nos Domínios da Mediunidade”.

em tempos idos. com isto. sobre uma pequena prancha. Os magos caldeus. abandonar sua vítima. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta. pelo menos depois de repetido três vezes. traçar à sua volta um círculo. limitamo-nos a expô-los. Por exemplos como estes. E não há ocasião mais meritória do que a de 95 . com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. Para isto. nos quatro pontos cardeais.. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que. O método consiste. com a espada mágica (ou. e irmãos nossos.. Escrever no interior do círculo. Mas. A propósito. porém. de sete em sete dias. Mesmo assim. Num ou noutro caso. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”. se desfez em pedaços”. aconselho-vos que e melhor imitar a Deus. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas. molhado em sangue. colocar o cabelo. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. A mulher adormecida declarou que os cortes influíram. o processo raramente falha. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. Em seguida. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. pois como seres humanos. incontinenti. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. Segundo o autor. ordenando à larva que se dissolva. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. pois. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. A seguir.“Terminado que foi o desenho. e que vos tem perdoado a vós mesmos. A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicularizar o procedimento daqueles que os praticam. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo. “sponte sua”. que deverão ser incensados. consagrando-os segundo o procedimento habitual. igualmente. que perdoa. estaria curada a “obsessão”. ou porque resolveu. ela se preservou para os Espíritos desencarnados. Em seguida. podem. merecem respeito e consideração. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado. com uma ponta de aço comum. na sua falta. a não ser para uma vingança justa. E. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. produzir resultados positivos. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços. no entanto. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados. que. inteiramente aleatórios. as quatro letras do tetragrama sagrado. foi manipulada com habilidade e competência. na forma astral. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão.

como este. Anésia. falar é criar. não se furta a algumas criticas veementes. como esta. mentirosa e tenebrosa. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. Levi defende a tese de que a resistência. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. porque deve ignorá-la ou perecer. do feiticeiro. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. E. num sentido. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. isto é. é a alma da magia negra. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. refere-se a ele com respeito e admiração. por exemplo. A vingança. a Trindade. 96 . ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. em sentido contrário. e o adepto. Aquele que deseja possuir. se robusteça e a vença. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador. significa o eclipse absoluto da razão. aliás. O Dr. “Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente. Os golpes. em suas obras. para o sábio. Seus dogmas não são menos surpreendentes. Embora sem declarar-se católico. temos de revelar uma e desvendar outra. em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. porém. também. Eliphas Levi também viveu no século XIX e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia”18. é indispensável para que a força aplicada. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus. imaginar é ver. Quanto ao fenômeno das mesas girantes. Papus usa uma imagem. Par isso. Mal por mal. não deve dar-se. do charlatão”. que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi.perdoar”. como. foi escrita em 1855. A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. para o mago. Ambos concordam. São Paulo. diz ele. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. dos segredos e forças da natureza. por várias vezes. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta”. Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. A despeito disso. e solicitações da natureza que nos convida. O estilo de Levi. temos de distinguir o mago. encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar. aparentemente sozinhos. isto é. o de Papus. Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. uma magia divina e uma magia infernal. “raps” e os instrumentos que tocam. é algo pomposo. não o entrega a ninguém”. como. A despeito do apelo ao perdão. por exemplo: “Assim. para a salvação da humanidade. “são ilusões produzidas pelas mesmas 18 Editora Pensamento. “outra coisa não são senão correntes magnéticas que começam a formar-se. em proveito próprio. sob o império da sombra. como nós o provaremos mais tarde. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido. a existência do c~u e do inferno. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. ou seja.

o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. Pus. envolto inteiramente por uma espécie de lençol. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar. que. e sem evocação. a cada instante. como que um sopro. realiza-se. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. quando os abri. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. e a plantei. sem substâncias. Quanto à magia negra. triste e sem barba. em Londres. então. e colocou à disposição dele. “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. para nossa alma. com este recado: “Amanhã. a não me amedrontar e a obedecer-me. diante da abadia de Westminster. me foi impossível articular um som. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações”. sem nenhum ritual complicado. pela ponta. A figura humana reapareceu logo. a sua forma era magra. no entanto. Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. Às vezes. então. espadas e vestimentas especiais. cai num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos. dentro de um envelope. sob a influência de uma vontade má. círculos. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. e. às três horas. Ao cabo de complicadíssimo ritual. a mão sobre o signo do pentagrama. Então. fechando os olhos. arsenal completo. junto a mim. Desde que fiquei assentado. em magia negra. (Destaques meus) Assim foi realizada a evocação que. um homem estava diante de mim. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. vos será apresentada a outra metade deste cartão”. como que o umbigo do seu nascimento pecador. ordenando-lhe mentalmente.causas”. é o grande agente mágico. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. em incontáveis sessões mediúnicas. Era uma senhora. por este signo. a vaidade. quando ele recebe. no círculo junto a mim. que dei dois passos para me assentar. somente uma lembrança confusa e vaga”. um Espírito manifestou-se. após os juramentos devidos. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio. empregado para o mal por uma vontade perversa”. no hotel. quando voltei a mim. mas na própria psicologia humana: “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. e. 97 . de que me restou. e dirigi para ele a ponta da espada. Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante. real e positivamente o demônio”. Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. se torna. que é. e quando abri a boca para interrogar o fantasma. um cartão cortado transversalmente.

Toda aquela serenidade aparente desmorona. A primeira e mais importante das obras mágicas é chegar a esta rara superioridade”. ele tem que aprender a querer. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo. Que um Espírito hábil e mau se apodere desta mola. mas sobre os seus Espíritos atormentados. mas é claro que. de relance. de nossa vida pregressa. vigiando-nos. ser impassível. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses. por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência”. não é fácil lidar com os magos desencarnados. pensam eles. embora aparentemente seguros e frios. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas. Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. Como nos disse um amigo espiritual. percebemos. confiantes. como dizia Levi. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão. seus gestos. sigamos em frente. É preciso crer que se pode. sofreremos. A instrumentação é secundária. com os seus rituais. Estejamos prontos para ajudá-los. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. e preguiça para outros. Estejamos vigilantes. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror. no decorrer do trabalho de desobsessão. que assim faz para reconquistar a sua coroa”.para uns. pois. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. serenos. Estejamos preparados.. Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos. ou seja. pois. para enfrentar os companheiros desarmonizados. o egoísmo para o maior número. pois este é o momento mais grave. certa vez. o que seria injusto. é só questão de tempo e oportunidade. Estão convictos de que poderão atingir-nos. estudando-nos sob todos os ângulos. De outras vezes. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos”. porém. suas palavras misteriosas e secretas. nada conseguirão contra nós. seus talismãs. sóbrio e casto. Se o nosso trabalho é de Deus. suas evocações. para poder impor a sua vontade. destemidos. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. como seres imperfeitos que somos. quando conseguimos convencê-los de seus trágicos enganos. É claro. mais sério. Por causa desse e de outros princípios e noções. “O magista — prossegue adiante — deve. Em suma. porém. Entrarão em ação imediatamente. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o 98 .. e. Não nos impressionemos. desinteressado. e estais perdidos”.

em toda a sua profundidade. assistido por companheiros desencarnados. para servi-los. e revezam-se na carne e no além. retomaram suas experiências. porque a dor do despertamento é. cumprido à nossa vista. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho. ou que.. por conseguinte. num terreiro. apoiando-se mutuamente. substâncias e até acompanhados de acólitos. Quer que vire. É preciso tratá-los com carinho. excepcionalmente. Nosso médium viu-o atirar esse pobre Espírito. revertidos ao mundo espiritual. século após século. quase sempre. no interesse de ambos. Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram. da manipulação de drogas e fluidos. Um deles trouxe-nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado. velas. Tinha recebido uma solicitação.. os remorsos. pela vigilância e pela prática da caridade. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. por mais que se debatesse. ligados por interesses comuns. Depois de seu ritual. lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. os desenganos. pelo menos. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. acham-se defendidos pela prece. o desespero. eu viro. Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. eu viro. porque senti-la. signos. de rastros. com humildade e singela compreensão. em tempos idos. incessantemente: — Quer que vire. Outra veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. Em Espiritismo. as angústias. perseguição. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os símbolos de sua preferência. Era um exemplo para nós. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. poções. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. reduzido a uma deplorável condição subumana de pavor e deformação perispiritual. somente aquele que a experimentou. diríamos que se trata de sintonia vibratória.próprio coração. 99 . de que a magia baseia-se na simpatia. Os Espíritos vivem em grupos. construtivas e reparadoras. alguns empenhados em finalidades nobres. praticaram a magia e. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. o mago sempre foi um médium. especificamente. pois ela não encontra ressonância e. no serviço ao próximo. Quem a presenciou pode fazer idéia. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. disse ele. com os quais se afina bem. ou portando “objetos”. O conceito de Sir James Frazer. os fantasmas que trazem no intimo. a fim de que deixássemos de interferir em sus atividade. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos.. é valido. mas muito reais. pois não gostam de descobrir-se. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz. da hipnose. que continuando no Além seus estudos e praticas. e outros envolvidos. os escombros dos antigos sonhos. Não que a magia tenha poderes por si mesma. no fundo.. esmagadora. comparecem. selada com sangue. E repetia. Magos do passado. declarou que sua vítima “estava amarrada”. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. pois. num círculo magnético infernal. tortura. e partiu.

demoram-se no erro que. do erro. aceitarem a realidade maior. só pode contar com sofrimentos durante a subida. que. também antigos magos. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. E claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. da falta. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. de pés e mãos atados. Vendo-se recusado. embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. por isso. oprimem para não serem oprimidos. através do qual mantinha. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. e apresentou-se agora com outro nome. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. Em suma. não queríamos que ele virasse. um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. os compromete cada vez mais. 100 . inteligentes. ou lanternas. Enquanto isso. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. passou para outro médium. Por isso são implacáveis e. melhor do que ele. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”. tentando dominar pelo terror. não temem represálias. as mentes de quatro seres encarnados. experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezas humanas. de cores diferentes. profundos conhecedores desses trabalhos. utilizam-se da vontade bem treinada. porém. Os magos desencarnados são. as forças da Natureza. empenhado em trabalhos redentores. subjugadas aos seus propósitos. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. ou seja. com o que ele ficou muito desapontado. pronta para o “serviço”. porque não o obedecia. paradoxalmente. Uma para cada um de nós. colocaram sete lâmpadas. espalham a dor para fugirem às suas próprias. nas suas práticas funestas. em seu proveito. com o qual pretendia alcançar-nos. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. as mais das vezes. Atacam para não serem atacados. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. ao apelo do amor e do perdão. pois vivem disso. são pouco acessíveis à doutrinação. Estão perfeitamente conscientes. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. para ele. Tinha diante de si um prato de sangue. E quem desceu semeando sofrimentos. em torno dele. pois obviamente teria sido muito mais fácil. chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. no entanto. pela sua extraordinária sofisticação. e oferece riscos realmente sérios. Nosso médium viu apenas que. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. pois o mal não é eterno. agarrados ainda ao lado escuro da vida. De outra vez. que muito bem conhecem. tão cuidadosamente planejadas. para movimentar. no mesmo grupo. Um caso marcou época. de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. Sabem. Acontece. conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava.Não. Não há outro caminho. o mago foi completamente desarmado em suas táticas. que entregaria a ele sua vítima. segundo relato de um de nossos videntes.

é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica. “Defino a sugestão. isto é. Psicografia de Yvonne A. que nisto. para ajudar. nos recessos da 19 “Memórias de um Suicida”. capítulo 2º — “Os arquivos da alma”. este também é neutro. páginas 220 e seguintes. Pereira.nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. mas para os procedimentos mais elaborados. como por encanto. pela ação magnética. tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. “. movimentam. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. que é a da aceitação pelo “sujet”. e não ao cérebro. nos processos obsessivos. (Grifos meus) É claro.. como para fazer cair aquele que está de pé. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução. que instaura o processo do domínio. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que. para corrigir desvios. como em quase toda a problemática espiritual. pois.. com enorme respeito e carinho. os hipnotizadores do espaço utilizam-se de recursos extremamente sofisticados. Em “Memórias de um Suicida”. por métodos hipnóticos e magnéticos. um ao outro. no Além. moralmente. que contam. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. as recordações. como todo recurso do conhecimento humano. Para esta aceitação. como entre os encarnados.. qual se estivessem jungidos. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. ressurgem. vemos que há uma condição básica. Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta. os métodos da hipnose e do magnetismo. com plena identidade de tendências ou opiniões. com que costumamos medir.MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação. Para incumbências de importância secundária. para dominar e punir.. os arquivos da mente. Mas. competentes e moralizados. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. reproduzir e movimentar os pensamentos. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer. no seu sentido mais lato —— escreve Bernbeim. pois a sugestão é transmitida ao Espírito.. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do imã —. 101 . 2ª parte. em que Espíritos altamente credenciados. dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado. Lá. em “Hypnotisme et Suggestion”. em “Mecanismos da Mediunidade” —. para aliviar. nos recessos da afinidade profunda. os métodos são os mesmos.. Os desajustados. basta uma indução superficial. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. 19 — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele”.

Para isso. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. inclusive com a outra mão tentando 102 .. como ainda. respiração opressa e acelerada. do lado da luz. certamente. durante o desprendimento do sono. Às vezes.. que o atingiu na altura do plexo cardíaco.. ou seja. ou mesmo durante a vigília. por causa de sua própria invigilância. recaiu sob seu domínio. Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. em nossa presença. e pediu a ajuda de Deus. pretendeu usar comigo a sua técnica. a própria lei de causa e efeito. Com um esforço muito grande. exausto. evidentemente uma descarga magnética. e não eu a dele. desde que alcancem os resultados que desejam. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito. e por mais esforço que fizesse. Algo então aconteceu de estranho e curioso. sugerindo-lhe idéias de ódio. vingança e morte. tentava induzi-lo a arrastar toda a sua família.. à desencarnação. a serem desenvolvidas depois. um Espírito atormentado e. Temos presenciado alguns casos dramáticos. O Espírito culpado. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. Seja qual for. interferem de maneira sutil.. ainda encarnada. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava. aquele companheiro desencarnado que. para eles. também.. ele recebeu uma espécie de choque elétrico. como diz André Luiz. Odeio minha mãe. porém. Parou. Com isto se afinizam com ele (ou ela). Nada os detém e. os companheiros que assistem o grupo. os hipnotizadores procuram atuar sabre os membros encarnados do grupo. de preces e de contra-sugestões. Odeio meu irmão. que os coloca em condições de ajustarem-se fluidicamente. Matar minha mãe. E assim por diante. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana.afinidade profunda”. Já lembramos. ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador. sem parar. foi possível libertá-lo. lançando as bases de induções preliminares. Odeio meu pai. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. pela menos para uma trégua. algures neste livro. este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que. Certa vez. mesmo que forçada. por algum tempo. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bernheim. num intercâmbio vibratório. Com freqüência. por meio de passes de dispersão. tudo é válido. com os dedos unidos. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe. Talvez algo temeroso. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão. falando continuamente. cede e entrega-se.. Pediu-me a mão. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador. Matar meu pai.. convencido dessa culpabilidade.. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida. manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança.. Através da minha mão. hábil magnetizador... Mesmo incorporado ao médium. mas eficaz. nesse campo. com o médium coberto de suor.

as maravilhas da prece. de “o homem da mão”.. (Destaques meus) MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. cada sexo. para o bem.. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. ao longo dos anos. com isso. lhes proporciona provações e deveres especiais e. só a muito custo libertou-se do laço magnético. E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal. de “O Livro dos Espíritos”. por certo. Que papel representam as mulheres. ainda. um ou outro sexo. Lembraste de Nabucodonosor. mas nada podia contra eles. da próxima vez que compareceu. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros. como cada posição social. que odeiam? Sim. mas evidentemente também com respeito. inextricáveis. A continua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. cada manifestação suas lições e ensinamentos. Cada sessão traz as suas surpresas. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. que perseguem. A certa altura. Certa ocasião. em “Libertação” — a gênese dos fenômenos de licantropia. o desfile trágico de problemas. Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. que estava sendo atendido. renascendo continuamente como homem ou mulher. dores e ódios. Uma pergunta poderá ser colocada agora. porque não têm sexo. durante sete anos. mas que costuma escolher. em diferentes existências. — “Temos aqui — escreve André Luiz. percebeu a presença daqueles que nos defendiam. como casos de zoantropia. mas em número bem mais reduzido que os homens. Isto o impressionou de tal forma que. ensejo de ganharem experiência. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. tinha atrás de si. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. angústias. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo. (Questões números 200 a 202. sobre os quais já falei neste livro. de técnica superior à dele. segundo nos informou. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam.desprender seus dedos. depois da sessão. a força irresistível do amor. ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. os elementos plásticos do perispírito”. começou a chamar-me. Aquele que só 103 . profundo conhecedor do assunto. para a investigação dos médicos encarnados. sentindo-se animal. tomando-se por base. um irmão transviado. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endividados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. Como que pensando alto. * Antes de prosseguir. constituem experiência inesquecível para aqueles que. acima de tudo. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. com ironia. entregamse a essas tarefas redentoras. utilizando-se. preferentemente.) Ao comentar as respostas. o poder do passe.

(Destaques meus) É bastante compreensível. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam”. mais acessível à emoção e aos sentimentos. 50. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática. que são usadas à falta de outras. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. perispírito e corpo físico. capítulo 1 – “Ciências Fundamentais: Biologia”. mas baseados na concordância dos sentimentos”. na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. Como a perfeição deverá resultar. ao passo que a mulher inclina-se mais a compassividade. O homem é mais agressivo. dado a gestos de coragem física. não tendo sexo. até que. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” 20. à renúncia. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. “Evolução em dois Mundos”. alcançando o ponto desejado. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: Espírito. Emmanuel informa. daquele que se encarna como mulher.como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens”. realmente. Tentemos. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. Ao responderem à pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?). os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. menos sentimental. de aprofundar mais a questão. mas. se. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. alhures. 4 ª edição. cultivando-as em buquês. por sua vez. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. é natural que este tenha que ir por etapas. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo” Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz 21 ao declarar que: “Os cromossomos. Por outro lado. ainda. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que estejam particularmente interessados. esses instrutores. ao se reencarnarem. como Espíritos. que sim. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. 3ª edição. ou melhor. pág. o Espírito encarnado como homem. ao recato. capítulo 6ª. Dessa forma. pois o corpo físico “é uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. representado pelo Espírito imortal. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino. no mecanismo das heranças celulares. em detrimento de outras. que não era tempo. Certamente que sentiram. um dia. 104 . na sua estrutura psíquica. possa encetar outras realizações. pois. Por que isso. Há entre eles amor e simpatia. 20 21 “O Consolador”. a Doutrina nos ensina. coerente com os postulados doutrinários. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. Certa vez. De fato. Ao declararem que o sexo depende da organização. ampliar um pouco mais a questão. sendo. portanto. não obstante. Assim é. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade. FEB. as quais. pois que os sexos dependem da organização. que. conservam características em comum.

há cerca de um século. bebidas excitantes. Assim. mas. 105 . a realização transitória”. 22 “No Mundo Maior”. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. sugiro a releitura do capitulo 9º de “Nosso Lar”. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. FEB. sob o titulo “Problema da alimentação” Informa Lísias que. ainda que mais humildes. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiríticos. a alimentação com substâncias concentradas é ainda indispensável. Quando a direção da colônia tomou providencias mais enérgicas para coibir os abusos. “dilatando velhos vícios terrenos”. “Inútil é supor — diz um elevado instrutor 22 — que a morte física ofereça solução pacífica aos Espíritos em extremo desequilíbrio. ainda bastante densa. o que exige longos períodos de reparação”. agindo. 5ª edição. pela desencarnação. reduzida. A loucura. nas zonas do Ministério do Auxílio. da mesma forma que os problemas alimentares. em que se debatem. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. o carinho e a confiança. Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste. (Destaques meus) Portanto. da grande maioria dos que habitam aquela colônia. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. É necessário renovar provisões de força”. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. com uma pesada carga fluídica. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. utilizavam-se desse lamentável intercâmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”. será destruída. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. capítulo 11 – “Sexo”. senão transmudada no estado de sublimação”. entre eles. No capitulo 18 dessa mesma obra. mas os alimentos não foram totalmente abolidos. que se entregam a tarefas redentoras. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo. em “Nosso Lar”. E. simplesmente porque se deu a desencarnação.regressem ao mundo póstumo. Laura informa que: — “Afinal. por conseguinte. como sempre. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos. que as dispensam quase por completo. profundamente impregnada de materialidade e. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem. qualquer que seja sua forma de expressão. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. em virtude da condição perispiritual. Para não alongar demais esta digressão. Há residências. Queriam mesas lautas. Despendemos grande quantidade de energias.

que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. Temos tido algumas experiências com Espíritos femininos. portanto. O caso era apresentado de maneira sutil. até que seja sublimado. o sexo será. tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. que a incentivava. Era “fisicamente” simpática. para o Espírito. inteligente. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. pois que. infelizmente. Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. por Espíritos credenciados. recaem. Seria apenas a antecipação do que. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas. nossas perguntas iniciais. reduzidas à condição mais abjeta. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. Finalmente. perambulando. por vales de sombras espessas. ou durante o desdobramento do sono natural. Vimos. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro. em encarnação anterior. em andrajos imundos. provavelmente no confessionário. em faixas desarmonizadas. como se fosse a coisa mais natural do mundo. De outras vezes. perseguem. unhas muito polidas. lá na frente. sentindo e agindo como tais. continuam mulheres. porém. e seviciadas. numa antiga encarnação na Escócia. teleguiada por hábeis indutores. ela também fora traída. noutro ponto deste livro. Nesse estado. junto com a sutilização progressiva do Espírito. A sublimação há de marchar. levando para o Além as suas frustrações. e a isentava de culpa. cordial. E que. tentando destruir um lar. do estudo doutrinário e das observações colhidas. vestidos bonitos e prazeres. estava já programado para mais tarde. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. sob a alegação de que. apresentavase bem vestida. obsidiam. chegado à condição de pureza. portanto. quando aquele a quem amava abandonou-a. grávida e na vergonha. apresentando-se ante seus olhos espirituais. a troco de favores. que o sexo persiste no mundo póstumo. aquela pobre companheira. educada.(Destaques meus) Não resta dúvida. entre outras. Retomando. Prestam serviços tenebrosos junto a companheiros encarnados. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. Já lembrei. “jóias”. Localizando-o como encarnado. mancomunados aos seus comparsas das sombras. um dia. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados. até que. da responsabilidade. Alguns são mesmo particularmente agressivos. comparece aos nossos 106 . Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. por isso. rancorosos e violentos. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. suas ânsias. ganham “vestimentas”. Não haveria culpa alguma. segundo o Espírito. no imenso laboratório da vida. dementadas. poderemos responder que. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. sorridente. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil. seus desvios. lhe serviu de degrau para a sua escalada. em cumprimento a “ordens superiores”. são escravizadas. fatalmente. também. “absolvendo-a”. para o reencontro. desgastadas pelo sofrimento. perseguia-o. “sapatos” e 'perfumes”.

tentando acalmá-lo. para que ela pudesse. como favorita de um poderoso líder das trevas. desculpa-se. principalmente. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. Do mundo espiritual. A despeito do seu preparo. provavelmente. Conta casos. Seu ex-marido incorpora-se em outro médium e atira-lhe impropérios. envolvente e doce. É um antigo esposo. Na organização em que vive. Por fim. se sente prisioneira numa ilha sinistra. Diz-se muito bela. o seu futuro.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. Ainda muito condescendente. sorri. dizendo que não adianta mostrar-lhe nada. para me provar que não tenho razão. para ajudá-la a enfrentar o seu problema. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. Está igualmente preparada para esse encontro. para que todas sejam como ela. o que não quero fazer. porque eles “deformam o corpo”. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. Quando lhe formulo questão mais complexa. que não consegue trocar. felizes e livres para gozar a vida. de prazer insano. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. e ordena-me autoritariamente que me sente. Não queria filhos. detesta aquele vestido vermelho. em filme. como amiga. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. Ela me responde em perfeito inglês: — I burned all the bridges behind me. de início. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. por isso. para permanecer junto do médium que a recebe. mas se mostra visivelmente transtornada. desengonçado e ridículo. inteligente e tranqüila. pára a exposição para rir. mas. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. Ri-se. não inesperadamente. entre dentes. Tem a voz suave. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. já dispomos de alguns elementos mais concretos. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. está aparentemente segura e continua a rir-se de tudo. não obstante. elegante. Acha-me. Dirijo a ele algumas palavras. por meio de imagens vivas. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. chamando-a de assassina. que sua beleza física. bem-cuidada. Agora. abandona a atitude de inconseqüente e superior condescendência. sem preconceitos. Ela continua a negacear. aconselha-me. Agora. e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se postou diante dela subitamente. muito divertida da situação. numa emergência como esta. Esquiva-se habilmente às perguntas. de que tanto se orgulha. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas. De vez em quando. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. as suas recordações e. é mera criação de sua mente. Pede um espelho. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. muito segura. esguia. por certo. porque é a favorita. Trata-me com condescendência e superioridade. perde a calma. e me volto para ela. a fim de obter informações. Diz-lhe que está à sua espera e ri. a pobre e querida irmã. mas ela está bem preparada para o confronto. feio. no entanto. (Queimei todas as pontes por que passei. enquanto revê as cenas. Nesse ponto. Ela pressente as dores que a 107 . ante o desespero em que ela se precipita. suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. Digo-lhe.trabalhos mediúnicos. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês.

que a salvou. viu-a em pranto. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. permitindo que fosse. pois o céu é um estado de Espírito e ela é muito feliz. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. estando. em pranto. comemorando 56 anos de idade. para consolá-la de dores que me havia confiado. Vive num verdadeiro campo de concentração. tivemos outra manifestação de Espírito feminino. Ela protesta. Pergunto se ela confia em mim. e tenta confundi-la. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas. começa nela um fulminante processo de envelhecimento. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. Como estou. precisamente naquela noite. ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. neste caso. diz. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. responde corretamente que o Espírito não tem idade. esperava. o que não é verdade. um pós-escrito. De repente. me ajude! Houve. socorrida. A uma outra pergunta minha. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. Teve pena dela e ficou sem coragem de executar friamente o seu mandato. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. no entanto.. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que e tratamos. Presa aos seus condicionamentos. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. por fim. maliciosamente.) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhece-lo pessoalmente. uma jovem pacificada e tranqüila. em outro médium. desprende-se com enorme sofrimento para o médium. ao chegar junto a essa pobre senhora. por certo. O companheiro que se incorporou em outro 108 . depois.. mal me levanto. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. ao seu lado. Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. não. em outros Espíritos endividados. Poucas semanas depois deste caso. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. Ainda se fossem outras conversas. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender.esperam. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. a chorar as escondidas. dolorosa. que veio recebê-la. declara que vive no céu. numa crise emocionante. Vê. alegando que eu oro demais e. proponho-me a orar. em suas atividades. na carne. e ela parte. a serviço dos seus mandantes. mal pode esconder seu desapontamento. diante da sua vítima em perspectiva. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. agora. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. muito sorridente. como depois apuramos. e continua a ser explorada do lado de lá. Havia sido incumbida de uma tarefa. por sua vez. mas. mas um dos emissários da sua tenebrosa organização está presente. Peço-lhe que siga a moça. ela se debruça sobre a mesa. dizendo que a moça que a espera também é deles. que eu fosse jovem e belo. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas. com outras criaturas infelizes. Vai logo dizendo. ao deixar o médium. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. de início. Diz que sim. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. Enquanto “ela” estava lá — refere-se. obviamente. que não venha com as minhas conversas macias.

está relatado por André Luiz. parece não existir em nós. que se atormentam mutuamente. em relação aos Espíritos masculinos e. O mais comum. portanto. numa cena inesquecível. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. ou a culminâncias de devotamento. em “Libertação”. vive no clima da emoção. Às vezes. dizendo que voltaria. pressionado ou sustentado por ela. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos. mais cedo ou mais tarde. nem mesmo esmoreceram. ou. que o esmaga. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. quer dizer ato de deslocar. encarnado ou desencarnado. do respeito à sua condição feminina. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. que o santifica. necessário trazê-lo novamente ao grupo. Respondi-lhe que. em estágios ainda inferiores da evolução. e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. e que se esclarecera. O que acontece é que temos em nós todos a 109 . No decorrer da semana. tão violentas e agressivas como os homens. por isso mesmo. às vibrações da nossa afeição. para ameaçá-la. a colocarem um ponto final nas suas angústias. por amor. porém. o Espírito se desloca. ainda que estejam transitoriamente numa posição de aviltamento. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. Matilde desce aos subterrâneos da dor. não. e. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta. o processo da desobsessão se desencadeia. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. talvez. para resgatar o seu amado Gregório. às vezes. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. Comparecem. muitas vezes. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. em trabalhos mediúnicos. irmãs. III — O CAMPO DE TRABALHO O PROBLEMA O ser humano. com o que ele concordou. ocasionalmente. elas próprias. infelizmente. às vezes. reagem como seres humanos. que se transviara lamentavelmente. porque é comum tocarem-se os extremos. tão irracionais quanto eles. decididamente. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. que guardaram ternuras profundas. mover. num sentido ou noutro. em resgates dolorosos. de maneira paradoxal. ou seja. não sendo. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. respondendo. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. mesmo quando. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. filhas. da emoção. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. confunde-se em nós a realidade ódio/amor. ajudar os irmãos. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. Ela nos afeta. que precisava ser obedecida. São velhos e seculares amores: mães. porém. intensamente dramático. etimologicamente. Arrastado pela emoção. mas são estatisticamente em número reduzido. esposas.médium. Um destes casos. elas são obsessoras implacáveis. ainda enoveladas. e nos confundimos nela e com ela. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. É oportuno lembrar que emoção. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. Freqüentemente.

com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição.instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. com menor dificuldade. muitas vezes. em crise. ele subsiste. Ajudavam. penosas vibrações de sofrimento. nos desprezou. inteligente. o poder. que o dinheiro ou a poder nos sejam arrebatados. luz e sombra. na Europa. 110 . objeto de seus rancores. como dizia Paulo aos Coríntios. ligaram-na com o próprio companheiro. nos traiu. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. e que mantém acesa a chamazinha da esperança. ainda que pouco percebida: o amor. a filho. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. ora encarnado. desliga-se do objeto de sua dor. ele tentou dialogar com ela. o doutrinador. Um desses foi comovente. recolhida ao mundo espiritual. o rancor contra a amada. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. que ele odeia porque ainda ama. porque nos recusa. de elevada posição social. Mesmo envolvido. que agonia e desorienta o Espírito. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. Por mais estranho que pareça. por mais de um século! Promoveram. No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. ou o amado. muito chocada. o esposo. fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. que traiu ou abandonou. também. Estejamos certos. e angustiar-se no doloroso processo de vingar-se. também ao vingador. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. porque em termos de relacionamento homem/mulher. não acaba nunca. fixa-o ainda mais.. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. renasce. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. a fim de separálos. como podiam. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. está ali. porque a amamos. em lugar de ligá-la ao seu médium habitual. sobrevive. achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. ele começa a recuperar-se. Afinal de contas. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. nos seus esforços.. os benfeitores espirituais. o amor frustrado. Seu antigo companheiro. retirou-se prontamente. soterrado no rancor e na vingança. Foi muito difícil o diálogo com ela. Com isto. onde viveram momentos de intensa felicidade e enlevo. O ódio não o exclui. Para desfazer esse clima de crepúsculo. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. O Espírito manifestante era de uma mulher. E por mais de um século. é preciso ajudá-lo a identificar bem seus sentimentos. mas a experiência foi negativa. de uma realidade indisputável. Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. através do médium. encontros com um filho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. o ódio é. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. a posição social. ao contrário. Nada. Suponhamos que a esposa nos traia. Reencontrou-se ela. criando uma opressiva atmosfera de penumbra. não pensara noutra coisa. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. que o filho nos rejeite. De outras vezes. para isso. o dinheiro. Fora muito bela. Levaram-na a um encontro com ele — desdobrado pelo sono — a um local. Certa vez.

Na confusão em que se envolve. Sua revolta e sua angústia como que se personalizam. hoje. em passado esquecido. Visitava eu a família. ela veio apenas para despedir-se. amigo. abriu os olhinhos. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. a princípio timidamente. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. e depois. de suas é frustrações. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste. é aquele que ali está. não são os seus próprios enganos. 111 . a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se. o culpado de sua queda. encarnado ou desencarnado. o amor também renascera com ela. adormeceu novamente. por doce constrangimento. Ela veio indignada. Nossos erros são cometidos contra a lei divina.Esse drama durou meses. mas ela continuou dormindo. na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. teve um final emocionante e. Seu antigo companheiro recebe dela. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. sob meus protestos. Nossos benfeitores. Certa noite. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. já em pranto. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belíssimo sorriso. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. Uma bela criança. Agora. Depois. Sua expressão me dizia. ela desligou-se subitamente do médium. Renasceu. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô. que identificamos como causadora de nossa derrota. pois temia que ela acordasse. em lar feliz e equilibrado. expurgado da paixão que fora a sua perda. A mãe acendeu a luz. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. Certa vez. revoltada. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. semana após semana. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam.. era a retomada da trilha evolutiva. irredutível. Começou o ceder. mas indelével. minha querida. Em seguida. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. Era linda. tive oportunidade de vê-la. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. Esta história. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. mas agora purificado.. o poder. e a jovem mãe me chamou para ver a criança. Logo aos primeiros meses de sua nova existência. contemplou-me — seu antigo doutrinador. o dinheiro ou o amor. tão verídica e dramática quanto a própria vida. e dormiu ainda alguns segundos. trouxeram-na de volta. como um anjo que era. E ela. à medida em que o amor reacendia a sua chama. O drama e a dor estavam encerrados. cometeu faltas idênticas contra o próximo. com todo o vigor antigo. graças a esse episódio. Sem dúvida alguma.. objetivam-se. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado.. que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia íntima.

5:43-45.Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. O rancor que sentem por nós sobrexiste. porém. O vocabulário da época. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei:: — Não precisa armar-se. mas ainda não convencido. Convém.. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. Incorporou-se ao seu médium. também de irritação. pois não consta de Levíticos. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. dessa curiosa posição espiritual. fica estimulado. seria inimigo. no fundo. todo aquele que não fosse amigo. porém jamais reconheceriam isso. Que me restava dizer a ele. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. era ódio. de onde foi extraída a citação. em trabalhos de desobsessão. De certa forma. por certo — é um ensinamento do mais elevado valor prático. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. Estão.. Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos. Como me mantinha sereno e imperturbável. Isto é uma realidade terrível. 112 . Lembro-me de um exemplo. ao meu lado. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. 19:18. quando cuidarmos das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes. algo desapontado. persiste. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. Você já me ganhou. que a expressão “odiai vosso inimigo” não encontra no texto da lei. com voz emocionada. além de outros que possam estar comprometidos no processo. está reabrindo o ciclo da dor. entre muitos. ansiosos de que os convençamos de seu erro. por causa da pobreza da língua. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter. nem ódio. Se no debate opusermos nossa irritação à deles. o que é verdadeiro. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. A Bíblia de Jerusalém esclarece. lamentavelmente. o ódio que nos votam sustenta-se. tudo o que não pudesse ser considerado amor. repetindo enganos e desenganos. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. no entanto. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. olhou-me e disse. talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu. ao que se depreende. Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. insistir e repetir: os Espíritos em estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. Se os odiamos também. ou seja. 23 Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. nem indiferença e. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos. que a expressão era forçada. por isso. senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? 23 Mateus. em vez de fechá-lo com o perdão. essa pobreza semântica perdura. atravessa os séculos e os milênios. segundo nossas próprias reações. em nota de rodapé. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo. ou se dilui. que multidões de sofredores ignoram. Esclarece.

porque um dos grandes infelizes é ele próprio. ou déspota medieval. experimentado nas lides espíritas. que ao cabo de uma feliz doutrinação. desesperados. extenso rol de casos curiosos. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. De outro lado.O doutrinador tem que estar. merece todos os castigos e punições. Toda a sua cólera. a nosso turno. Se ele tem oportunidade. tanto para o que persegue. portanto. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de rua tragédia. É certo que ele ignora. que estava parado na estrada da evolução. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. Isto vale. quanto para o perseguido. no mundo das trevas. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. Além do mais. berrou-lhe. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. encerrar o processo da vingança. Como Espírito. expomo-nos. ainda. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. o seu obsessor. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. aquele severo perseguidor resolva. por alguém. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. remota ou não. Suponhamos. ao longo dos anos. ele sabe também que. pois. descobriu que. no passado. ele não o ignora. envolvido num tenebroso processo de obsessão. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. Pode ele. Digamos que ele tenha sido assassinado. de lembranças extremamente dolorosas. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. apenas o véu do esquecimento o protege. Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. chegou a conclusão de que não vale a pena continuar. Neste ponto. Ele não quer saber que anteriormente. ele não pode ignorar o arrependimento. como um rei. para não deixar envolver-se pelo rancor que o Espírito traz em si. Imaginemos um Espírito desencarnado. e deve ser muito grave. muito atento. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. num diálogo. como a todos nós. afinal. vai continuar paralisado pelo remorso. Mais adiante. Sem arrependimento. Neste caso. para que ele sofra daquela maneira. colocamo-nos em 113 . ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei. na sua maneira de pensar. ou. contou-me que um doutrinador desavisado. século após século. vejamos o perseguido. o que. senão ele. estudaremos um caso destes. O erro vem de muito longe. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. mostrandolhe que o remorso deve ser construtivo. porém. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. Um confrade. ao errarmos. Por outro lado. por exemplo. no auge da desarmonização: — Materializa-te. à cobrança. ou obsidiado. e que acumulou. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutrinador defronta-se com seu próprio obsessor. Está cansado. enquanto exercia elevada posição de mando. de conhecer a razão de sua obsessão. e entrega-se ao remorso desenfreado. descer a abismos de autocomiseração e dor. mais grave ainda. em tais circunstâncias. naquela vida ou em outra. consciente ou não.

muito complexa e delicada. assim. pagar como? que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela. como a que nos demonstrar. O PODER Muitos dramas. maior do que João Batista. entre vós. entre os nascidos de mulher. e o que manda. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. aliás. cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. utilizando-se de sua impecável didática. sim. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. Em outra oportunidade. têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. Sim. Mas. que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. contudo. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. É nisso. A situação é. Ele mesmo. de muitos e pontiagudos espinhos. fora grande. mas o de servir ao semelhante. confirmava-se como simples servidor. uma flor belíssima. mas não podemos permitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. desde o antigo Egito até à Europa moderna. pois. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. segundo Mateus. tanto para fazê-la sofrer. Vemos. E preciso estudá-lo. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado”. que se eterniza. mas não assim. Mas. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. Ainda voltaremos a este tema. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos diga que não há. se não for canalizado para fins construtivos. 23:11. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. desde remotíssimos tempos. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. Porque quem e o maior. tratá-lo com serenidade. Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explicito: “Entre eles. pois. que tudo avaliamos segundo a insignificância de nossas 114 . O remorso é. sutilmente. porque o arrependimento serve duplamente. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. senão que o maior entre vós seja como o menor. como para estimular a cobrança.posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. Entre nós. equilíbrio e humildade. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. E uma situação extremamente critica e delicada. igual ao que serve.

alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada. acaso. não sei. quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram. não temos subido as escadarias do poder? O pior. e lá se juntam às organizações trevosas. pois eles nos têm levado. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. mas. mesmo que do lado negativo da ética. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares. as insígnias. ainda. os tronos. em condições melhores do que a da infeliz rainha indiana. E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário.. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém. sou sempre a mesma”. aqui e lá. montando e dirigindo terríveis organizações especializadas no crime espiritual. para me servirem!. Nessa invertida escala de valores. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder.medidas. Muitos são. de joelhos?” Outra grande dama. somente porque dispomos de autoridade incontestada. quantas vezes. por séculos e séculos. a viver fora desse clima. Eles se prestam a isso.. ignorada e até desprezada.. (“O Céu e o Inferno”. no mundo espiritual. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa. Confundimos. cercada de honras. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível... Segunda Parte.. como simples anões espirituais. Contudo. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. Que se enviem escravas. a cometer tremendos enganos. eu. aqui. que vivestes nos esplendores do luxo. que leva uma existência a serviço do próximo. serena. passa despercebida. ex-rainha da França. E muitos de nós. o exercício do poder com a grandeza. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas. — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha. encontrou em elevada posição. que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito”. que ampliaram os poderes materiais da organização.. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. São grandes os “príncipes” da Igreja. Mas. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. no passado e no presente. VII) — “Vós. amorosa. a criatura evangelizada.. para o mundo espiritual. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. cap. pois não aprenderam. a paixão invencível do mando.. os que se revezam nos pastos de mando. bem como o comando de vastas organizações opressoras. à que o vírus do poder nos contamina.. que se utilizam deles para oprimir e espalhar a desarmonia por toda parte.. no entanto. no entanto. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. freqüentemente. 115 . os séqüitos. temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes.. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. ao longo do tempo. e a infecção instala-se em nós.

jóias. por desprendimento). Enquanto estão ali. porque sabem muito bem que. em seus tenebrosos domínios. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. assessores de confiança. Sempre fora importante. em tempos idos. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. da compaixão. Um desses foi enfático. Mesmo com os chefes menores. séqüitos de servidores e acólitos. da sentimentalidade. Quando comparece da segunda vez. suas consciências. e também o do orgulho. que o tempo não apagou. “divino”. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endividado Espírito. em nossa presença. Muitos são os que nos visitam. em estado de exaltação vaidosa. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. o trato é difícil. que se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção. Por que trocar a glória. E preciso compreendê-los. com suas mazelas. poderoso. Há os que se julgam muito belos (ou belas). Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. guardados por um velho que. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. mantos. está em agarrarem-se tenazmente ao poder. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados. os que ostentam condecorações. as vestimentas. seus remorsos. os planejamentos. as ordens. Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. também. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. e que chicoteou. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. de enfrentarem a si mesmos. no próprio contexto em que vivem. da brandura. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. Ao apresentar-se. VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. Um deles. que exercem com a sensibilidade anestesiada. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. em tempos passados. É por isso. as expedições. seus destacados líderes. — Você me vê? — pergunta-me. pela reencarnação de resgate? O único jeito. como prisioneiro. ou à inteligência. que chega às fronteiras da “divinização”. fora seu escravo. pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também. pelo sofrimento anônimo. 116 . enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas. fingindo ser um pobre enforcado. a única saída possível. Vimos como se entrelaçam. devo-lhe algo muito sério. Às vezes. que se apresentou como líder religioso.Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações. Quanto a mim. despojado de suas próprias “defesas”? Sim. Tem ali muitos prisioneiros. nas sessões mediúnicas. faz uma cena. comandou exércitos e povos. no caso da rainha indiana. Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por que? Como irão viver sem as pompas.

a parte que lhe toca. ou assaz rancorosos e agressivos. suas culpas.necessitado de socorro urgente e de passes restauradores. por fim. brilhante e poderoso. Demonstrada. mas. Nada tinha contra Ele. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. chocado com o tratamento que havíamos dispensado ao seu 117 . pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. na formulação de perguntas embaraçosas. a partir do momento em que deixou de ser belo. são seus próprios crimes. suas angústias pessoais. com elogios e lisonja. confessa que seu ódio “perdeu a força”. e não deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. as demais vaidades também entraram em colapso. porque. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado. Cabelhe fazer com que a lei seja cumprida. visita-nos com igual freqüência. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos. propõe. ri. Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. encontrarão seus próprios fantasmas. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem. respondo-lhe. em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”.. Que prazer sentem em oprimir e dominar! que orgulho pelas posições que ocupam. através de suas próprias palavras. A essa altura. Fale com meus superiores.. e enquanto entra em crise. Não é ele quem retém seus prisioneiros. de fato. no lado de cá da vida. com aquilo que faz. contanto que Ele não interferisse com seus planos. Poder versus poder. fora um fraco. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma. Não está acostumado a resistências assim.. que eram grandiosos. por sua vez. Revela-se um dos magistrados do Espaço. quanto ao Cristo. Ouve choro de crianças (tê-las-ia sacrificado?) e. inteligente. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos. Coitado! Como é difícil cair do pedestal. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio. perde a paciência. ou a ambos. hábeis manipuladores do método socrático. prova que alguém me criou. arrancada do fundo de si mesmo. Outro companheiro. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder. e à sua obra sinistra. o pior lhe acontece. Às vezes são. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo. Volta a dizer que é belo. ele que é um “deus”. Retoma o diálogo irônico. a ele próprio. e eles querem ficar lá. artificiosos no raciocínio envolvente. Não só isso. desapontado. dos quais nem pensam em descer. em pedestais. numa autopunição inevitável. indignado. É uma afirmativa desesperada. Tudo ele tenta. irracionais e tolas. e eles lhe dão. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições.. inclusive o meu envolvimento. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. Mas. no mundo espiritual. a crise começou a precipitar-se nele. a insuficiência da vaidade física. também não tenho autoridade para fazer acordos.. se o fizerem. mas vai aos poucos cedendo.”. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou. envolvente. E. Depois. lá mesmo. muito vivo e inteligente. também a mim. muito brilhantes e cultos.. * Quanto ao orgulho. literalmente.

Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele. É como se. As atitudes agrupam-se e. Era ele mesmo. maltratando. pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. ao longo dos anos. em cada uma delas. Parece que as posições são basicamente as mesmas. mas.“chefe”. num conceito amplo de determinismo difuso.. Não são seres desprezíveis. e imaginam. quando 118 . Não são monstros irrecuperáveis. que constituem modelos. não com nojo.. não o teríamos tratado daquela forma. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. é a fuga. que comparecem tremendamente enfatuados. E os antigos “Príncipes” da Igreja. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. entre o inédito e o esperado. cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. as palavras. que merecem o santo horror e a condenação eterna. prosseguem suas tarefas abomináveis. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. como o Espiritismo? que pompa. dentro delas. coitados! que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação. Defendem-se da dor. e eles os réprobos perdidos em seus crimes. Uma das constantes. e cada uma delas. como se fossemos os redimidos. mas que saberão “ser homens”. quando chegar. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria contemplação da dor é alheia. Temos de entender que estão em fuga... demoníaca. Acabamos. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. mantendo certa autonomia. manifestou-se irritado. os impulsos. atacando. a sua individualidade e as suas surpresas. ambos. o que os espera um dia. Vamos a alguns exemplos. guardam todas. A couraça de que se revestem à mais frágil do que parece. até mesmo algo assustado. repetem-se os gestos. que se cristalizam. Fogem de si mesmos. Sabem de suas responsabilidades. e não é impenetrável aos fluidos sutis do amor. no campo teológico. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. anestesiar-se na insensibilidade. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. das suas angústias e frustrações. descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. do contrário. trânsfugas miseráveis. Não sei como explicar esse jogo. condescendendo em conversar conosco. adiar o encontro com a verdade. No fundo. a cobrança! Enquanto não chega. identificadas nesses Espíritos que perseguem. as motivações. envolvidos com uma doutrina maléfica. para sempre. onde fôramos adversários. que dominam. mas não ignorá-las para sempre. com bastante precisão. traidores vis. padrões. identifiquei-o pelo nome. das suas próprias dores. No entanto. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. para eles também. PROCESSOS DE FUGA A continua observação desses métodos. que espalham a dor. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. pois. Num “flash” de inspiração. agredindo. Em suma: há certas constantes que se repetem. E preciso entendê-los bem. durante a Reforma Protestante. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. ou o que seja. através de outro médium.

“caírem” Por isso mesmo é que resistem, enquanto podem, buscando apoio nas
organizações a que pertencem, pois essa e a lei a que se apegam: a lei da solidariedade
incondicional, que os protege mutuamente do dia do despertamento.
Essa é a doutrina da fuga.
Por outro lado, quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. No caso, ocultar-se
de si mesmos. São muitos, esses refúgios. O principal deles talvez seja o esquecimento do
passado. Este recurso é básico, essencial mesmo, para aquele que precisa, é perante sua
própria consciência, justificar, por exemplo, uma vingança impiedosa, que se prolonga no
tempo e vara séculos ou milênios. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens
de sua verdadeira dor, ele sente forças, em si mesmo, para perseguir aquele que o feriu. Se
ele voltar sobre seus passos, ao seu pretérito, irá descobrir que sofreu aquele ferimento
exatamente porque, antes, causou dor semelhante a alguém, faltando, assim, à lei universal
da fraternidade. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e, portanto,
a da vingança. É vítima “inocente” de um crime inominável. Aquele miserável roubou-lhe a
mulher, espezinhou a sua honra, levou-o ao crime, ao suicídio, à miséria, a ele, que sempre
foi bom e correto, que nenhum mal fez a ninguém...
Se um dia ele descobre, por exemplo, que há séculos vêm os dois disputando, à ponta
de punhal, aquela mesma mulher, através de várias encarnações infelizes, sua perplexidade
é enorme, e, muitas vezes, o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de
seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior.
De outras vezes, nem isso basta, pois são muitos os que, através de uma longa e
tenebrosa experiência espiritual, quase sempre no lado errado da vida, conhecem bem o
passado e, mesmo assim, prosseguem na fria execução de seus planos medonhos. Estes
também estão em fuga, mas não buscam os esconderijos habituais, e sim o atordoamento da
ação. Enquanto estão atordoados, organizando planos tenebrosos e os levando a efeito,
vivem a salvo das suas próprias dores. A desesperada atividade mantém-nos, de certa
forma, alheios aos seus dramas e desesperos.
Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. Ocupara, em cada vida, a
posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. Amava a glória e o poder, acima de tudo.
Responsabilidades, claro que tinha muitas. E daí?
Outros dizem que não se importam com o resgate. O que importa é o que fazem no
momento. Isso lhes agrada. É isso que desejam fazer; seja a vingança, seja a disputa de
maiores fatias de poder, sejam as campanhas mais amplas, em que emprestam sua
colaboração à organização a que pertencem, e que, por sua vez, também os protege.
A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. Há os que se prendem
aos conceitos teológicos, depois de desfigurá-los e corrompê-los, para servirem aos seus
propósitos. Isto é particularmente válido para os antigos sacerdotes, que se apóiam em
fantásticas teologias, e em textos escolhidos com extremo cuidado, no próprio Evangelho
do Cristo. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas!
Lembro-me de um, em particular. Montara sua própria organização, nas trevas.
Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. Informa-me que “consentiu em
receber-nos na sua câmara”, porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele
respeita e admira. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. É a segunda
vez, em muitos anos, que concorda em tratar diretamente com alguém, pois tem seus
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auxiliares para contactos e execução dos planos. Quer saber o que desejamos dele, embora
certamente o saiba.
O diálogo prossegue, tranqüilo, enquanto ele permanece escondido na sua mansidão
aparente, mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali, sem
saber do que se trata, pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. Ao fim de longa conversa,
difícil, em que ele se mantém ameaçador, na sua aparente tranqüilidade, nossos benfeitores
revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. Aos poucos, conseguimos
despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar.
Qual teria sido o mecanismo do fenômeno, que se poderia chamar de “inversão de
local”? Como e por que o Espírito, incorporado no médium, no cômodo em que realizamos
os trabalhos mediúnicos, poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos
mentores não nos explicaram o ocorrido, mas creio que não seria fantasioso admitir,
especulativamente, nesse caso, a velha e segura técnica da hipnose. Por mais defendidos
que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados, em suas furnas escuras, não
são invulneráveis à misericórdia divina. Se o fossem, não teriam jamais a oportunidade de
se libertarem de sua condição tão dolorosa. Ao passo que eles não têm condições de peso
específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”, o que
seria inadmissível, os Espíritos iluminados podem descer, sacrificialmente, aos antros da
angústia, e o fazem com freqüência, a fim de tentar o resgate de companheiros que já
ofereçam um mínimo de condições para ser ajudados.
De algum modo, cujo conhecimento ainda nos escapa, aquele irmão deve ter sido
preparado e condicionado de tal forma, pelos trabalhadores do Cristo, que, mesmo
deslocado, em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto, no qual
condescendia generosamente em receber-nos, com as suas pouco veladas ameaças.
É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o
nosso médium tenha realmente sido desdobrado, sob a proteção do Alto, até o “local”, e de
lá transmitida a mensagem que nos possibilitou o diálogo. Freqüentemente, temos
presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns, que, desdobrados do corpo físico,
vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco.
Deixo abertas as opções mencionadas, bem como outras que não me tenham ocorrido.
Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a
mediunidade.

*

São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais, em nome de um
Deus que não amam, de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões
subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém, com as
interpretações que lhes interessam. Não negam a reencarnação, nem a sobrevivência, nem a
comunicabilidade dos Espíritos; mas isto será revelado dizem — quando a Igreja for
restabelecida em toda a sua glória, ou seja, quando voltar a dominar, como instrumento de
suas ambições.
Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. Constroem seus próprios sistemas,
inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada, mas, nem por isso,
frágil e desarticulada; ao contrário, bastante inteligente, pois, sendo eles inteligentes,
precisam de um inteligente mecanismo de fuga.
Enfim, cada um constrói o seu esconderijo, inventa suas defesas, segundo suas
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inclinações, recursos e intenções. A finalidade, porém, é uma só: esconder-se das próprias
angústias. Quando descobrimos suas motivações, estamos a caminho de poder ajudá-los a
libertar-se da dor. Os indícios precisos eles mesmos no-los fornecem. É preciso estarmos
atentos, vigilantes, pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos
atormentados, e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras.

AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA
Muito temos falado, aqui, sobre as organizações do submundo da dor e do desespero.
Tentemos estudá-las mais de perto.
É claro que jamais nos trouxeram, nossos irmãos desarvorados, os esquemas e
organogramas de suas instituições, mas, de tanto ouvi-los falar delas, creio possível montar,
com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”, um quadro inteligível desse tenebroso
painel de desespero e aflição.
Em primeiro lugar, é preciso não cometer o trágico engano de subestimá-las. Elas são
realmente temíveis, Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas,
Espíritos longamente experimentados no mal, no exercício do poder, nos meandros do
sofisma. Isto não significa que, no desempenho de tarefas redentoras do bem, nos deixemos
dominar pelo pavor, no trato com seus representantes, pois é exatamente isso que desejam e
a que se acostumaram. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte, e, se cairmos
nessa faixa, estaremos correndo riscos imprevisíveis. O problema de lidar com elas é, pois,
extremamente complexo. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja
suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos, devotados ao bem e experimentados
nesses trabalhos. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes, eles
saberão dosar o trabalho, segundo seus próprios recursos e possibilidades, e as tarefas de
maior responsabilidade vão sendo trazidas, à medida que conseguimos passar pelas
preliminares, de menor envergadura. As equipes orientadas por esses dedicados
trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas, sempre que se
portarem com prudência e sabedoria. Como esses abnegados companheiros não impõem
condições, mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer, é preciso estarmos atentos às suas
sugestões e observações, para interpretá-las corretamente e pô-las em prática, com
segurança.
Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos
submetidos, em beneficio de nós mesmos, não podemos esquecer-nos de que precisamos
manter nossa própria organização disciplinada, atenta, flexível, ajustada, porque a “do outro
lado” é tão boa ou melhor do que a nossa, em termos de estrutura e disciplina, ainda que
não o seja em objetivos e métodos.
As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder, nas
mãos de alguns líderes, escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. Sua
liderança revelou-se na ação, em postos subalternos, ou confirmou-se através de séculos e
séculos, em que se revezam encarnados e desencarnados. Muitos deles, como signatários de
pactos de vida e morte, sustentam-se aqui e lá, onde estiverem, sejam quais forem as
condições, num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. São fiéis
uns aos outros, não porque se estimem, mas porque precisam uns dos outros, para manterse no poder. Quando se reencarnam, trazem programas muito bem elaborados, e o
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exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos é grupos que visitara. com a sua decepcionada hostilidade. da parte dos que ficam no mundo espiritual. para que fossem. no mundo do crime. E também não é sempre que esses líderes. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. ou que o arrasam. de sua palavra. falta de fraternidade. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. enquanto por aqui se encontram. sentiu todo o peso de sua responsabilidade. Competia-lhe. Uma vez convencidos a mudar de rumo. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. que obtêm. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. mas precisavam de ser convencidos. e se tenha tornado praticamente insubstituível. especialmente quando são figuras importantes. logo. pelos seus ex-amigos. até mesmo enquanto na carne. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva. na máquina do poder. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem. como homens. durante os desprendimentos parciais. Dependiam dele. de sua orientação. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. a resguardar. a fim de decidir onde levar seus companheiros. Quando conseguimos colher. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento. Verificada. estava disposto a ajudá-los. mesmo convertidos. agora. ante aqueles Espíritos que levara ao transviamento. Ao que depreendemos da conversa com ele. caem em desgraça ante seus companheiros. em termos humanos. realizando contactos. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. O primeiro impulso destes é resgatá-los. rivalidades. provocados pelo sono. a organização sobrevive naqueles que o substituem. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. a impossibilidade de “salvá-los”. Sua frase final foi de uma beleza transcendental: 122 . em nosso afeto. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. abandonam-nos a sua própria sorte. com manifestações de indignados e agressivos assessores seus. após a desencarnação. e a provisória. e. mantêm-se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. Assim se explicam os êxitos. Ao que tudo indica. um desses poderosos companheiros extraviados.compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. Sua sinceridade era evidente. quando retornam aos seus domínios. Podemos contar. Eles confiavam no seu antigo chefe. e sua franqueza rude. hipocrisia. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. como ele. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles. mas segura impunidade em que continuam a viver. Assim. Elas não podem falhar e. na sessão seguinte passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. Mesmo assim. dificilmente a instituição é desmantelada. doutrinados e despertados. por isso. mas muito realista. sem prejuízo para as suas tarefas.

Têm seus chefes. guardas. Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implacável. E quando os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. desarticule-se. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. uma vez convertidos. seus planejadores. tudo é permitido. qual a razão de sua presença entre nós. para emergências. para um trabalho de saneamento. conferências. o deslize. Muitas vezes. Seus métodos são os do terror pela violência. ou muito se assemelham os métodos de ação. com o fim de produzirem lucro. movimentam documentação. pois. debates. produzem o terror e a opressão. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. rígido. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. e tudo se lhes permite. de vez que nada lhes é sagrado. as intenções do Espírito que se aproxima. sermões. devem estar bem preparados para enfrentálos. Conservam registros meticulosos. são os mesmos. porque os objetivos. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. * Há pois. Aqueles. que cada manifestação é diferente. IV — TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. desde que os fins a que visam sejam alcançados. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. porque não lhes seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. se assim o permitirmos. seus executores. porque as mais vastas. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso. Nada os detém. Além do mais. seus organogramas são tão bem planejados e implementados como os de uma empresa. pelas portas das nossas fraquezas. Promulgam leis. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. grandes ou pequenas. inflexível. ritos. sobrevivem a essas crises.. quase sempre. porém. utilizam-se de aparelhos. Em casos excepcionais. ainda que seus lideres as abandonem. aqueles que. punem os indisciplinados. organizações menores filiam-se às maiores. Promovem reuniões. a desobediência. sem nenhuma cerimônia. empregando milhares de servidores.— Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. pois as estruturas resistem. endurecidos na prática do mal. e dispõem de planos alternativos. Só que. e têm delas supervisão e proteção. No primeiro caso. Nada de ilusões. porém. é possível admitir que a instituição se desfaça. a revolta. quando se trata de organização de menor porte. “armadas” e bem adestradas. Nunca sabemos. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. É preciso enfrentá-los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. que 123 . ao certo. quais são suas características. concílios. Sejam. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão. porque penetrarão. como um microscópio ou um relógio. exposições.. dispõem de tropas de choque. Estão preparadas para isso. como as sociedades anônimas da Terra. que podem causar consideráveis transtornos. Não se tolera a falta. ainda que ocasional e temporário. operários. que problemas nos traz. porém. elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. neste livro.

segundo suas próprias disposições. ou psicofônica. * 124 . Por outro lado. interferir. do ambiente. Ao escrever isso. que pode flutuar. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura. em Espírito. com ele. mas não nos esqueçamos de que. e promover distúrbios semelhantes. basta invocar esta. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. tudo quanto entender. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. da sua confiança nos companheiros que o cercam e. do seu estado de saúde. Mas. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. clariaudiência. de uma para outra manifestação. Devo abrir um parêntese. ou. a qualquer momento e sem limite de tempo.funcione. da sua capacidade de concentração. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. como o próprio médium estará presente e consciente. temporariamente ocupado ou manipulado por entidade estranha a sua economia. quando a ele nos referimos. melhor ainda. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. repetidamente. levantar-se. no sentido de que o manifestante possa fazer. mas de realidade indiscutível para ele. O possesso é realmente um médium. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. não se manifesta através do corpo material. E mesmo estes. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. ou totalmente sem disciplina. fazendoo gritar. especialmente. voltemos ao fio da exposição. mas. Suas faculdades sofrem influências várias. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. da sua fé ou ausência dela. é preciso considerar. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. para cedê-lo ao manifestante. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. julgo inadequada a expressão “mediunidade inconsciente”. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. no estado de inconsciência. como um telefone ou um rádio. acompanhando atentamente a manifestação. mas o médium não é um possesso. e muito livres. dar murros. o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse. obviamente. para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. para que o Espírito manifestante não se exceda. rasgar livros e cadernos. para que eles não cometam desatinos. de vidência. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. também. porque o imobiliza instantaneamente. no dirigente do grupo e. derrubar móveis. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. de maneira previsível e controlável. psicografia. com certeza. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. para conter as manifestações mais violentas. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. Se o médium mergulhasse. O médium é um ser humano ultra-sensível. da sua problemática íntima. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. dos Espíritos manifestantes. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. e pode. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. de psicologia complexa. do seu interesse no trabalho.

na tentativa de descobrir suas motivações. sobre os plexos.O grupo deve estar. muitas vezes. usualmente. E preciso. certa vez. porque acham. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. sensação de angústia indefinível e. para que o doutrinador se esgote. Em certas ocasiões. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. O cerco em torno dele é permanente. implacável. levantar os braços. ou mutilações que não possuem. dá-nos conselhos. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. e até dias inteiros. usando de ardis. De outras vezes. infelizmente. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. com o que ele se diverte bastante. assim. cada médium tem seu próprio “estilo”. de indignação. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa. gemer. ou seja. em virtude de seu estado de perturbação. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. O doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutrinador. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. assegura-nos suas boas intenções. afastá-lo do trabalho. respirar com maior profundidade. não se apavore. Há os que fingem dores que não sentem. irritabilidade. Nestes casos. começou serenamente. é verdadeiro. numa linguagem de pacificação e entendimento. Um deles. não tema e. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. saudando-o com atenção. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. mas. porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. como eu lhe pedira. O médium experimentado e responsável deve estar preparado para isso. acabam com o grupo. Por fim. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. que o neutralizando. Diz palavras doces. tenha ou não mediunidade ostensiva. estado febril. ou a esbravejar. carinho e respeito. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. os companheiros desencarnados doentes. aqui. mas. ou preparando ciladas. até mesmo. sobretudo. quando se trata de um Espírito desarmonizado. Geralmente. embora a manifestação não se torne ostensiva. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. com um apelo “aos corações bem formados”. tenaz. gritando que acabou a farsa. não deixe de comparecer ao trabalho. numa sematologia que o doutrinador. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. lembrar que. pressão sobre a nuca. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. freqüentemente. saberá identificar. desde que ele venha em nome de Deus. horas. o que. habituado a trabalhar com ele. como 125 . duas ou três vezes. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. o Espírito começa logo a falar. a fim de tentar ajudá-lo. Não se assuste. impiedoso. o médium sofre inevitável mal-estar físico. explode em irritação e “abre o jogo”. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. Às vezes. dor de cabeça. prostração. Elas são imprevisíveis e inesperadas. antes da sessão. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. mantém-se em silêncio. embora não dotados de mediunidade ostensiva.

Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. às vezes. Qualquer que seja a abertura da comunicação. ou tem consciência do que se passa com ele? É culto. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. e entrar. podendo caminhar sem elas. particularmente grato ao meu coração. Dentre os muitos casos assim. mas. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. como alguns me dizem. Alguns bem mais desarmonizados do que outros. como ignorante. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. não”. que angústias traz no coração. inteligente. Pode. que intenções. lembro-me de um. perdera uma perna e. Visam. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. sumariamente. Tentarei explicar. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. “não era barbante podre. ele respondeu que já o experimentara. passou a colaborar em nossas tarefas. Riem-se muito dos nossos enganos.cegueira ou falta da língua. que possibilidades e conhecimentos. com paciência. aliás. divertindo-se com a minha falta de inspiração. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. e ele começou a rir. para ele. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. com esses artifícios. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem. sua 126 . sentíamos nele. ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. ainda caminhava de muletas. na sua linguagem colorida. que precisa de socorro. Seja quem for que compareça diante de nós. e vivera em pobreza extrema. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. o que. não obstante. mesmo no mundo espiritual. para nós. Aos poucos. Era evidente. Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. a sua história foi se desenrolando. depois. Foi. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. com uma dedicação comovedora. o que o salvou e. começou realmente a sentir uma dor real. que esperanças e recursos. ou então. paradoxalmente. Por detrás de sua pobreza verbal. ou se apresenta ainda inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. que chegara ao fim da sua provação maior. mistificar. Propus-me a ajudá-lo. mas levara um tombo. o que fiz com um passe. depois de recuperado. o que o deixou bastante impressionado. revelar clamorosa ignorância. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. Uma noite. é um Espírito desajustado. defraudar. mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. de início. Num infeliz acidente de trem. o doutrinador deve esperar. porque o companheiro. por estranho que pareça. Ao apresentar-se. tinha dificuldade em expressar-se. emocionado até as lágrimas. por mais que reajam à nossa aproximação. Suas observações eram sempre judiciosas. Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. pelas ruas do Rio de Janeiro. Fora um homem de cor.

também se fazia o bem. mas a afeição por nós lá estava. ele traçava infalivelmente o seu sinal.. * Esse caso. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom. desde que. envolvera-se em erros lamentáveis. também. quase sempre. Pelo que depreendemos. Tivera uma longa e penosíssima experiência.. Nada de expulsá-los sumariamente. temos uma experiência pessoal. Não nos contou ele toda a sua terrível saga. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições interiores. Só muito mais tarde a história se desvendou. Aqui. mês após mês. Ao manifestar-se. graças a Deus. então. uma respeitável bagagem espiritual. com o que ele muito se alegrou. revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. um homem de grande magnetismo pessoal. também. ao correr dos séculos. de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. Exemplifico: suponhamos que. em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. e começava a doutrinar-nos. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes. devido à ausência de grande número de companheiros. mas uma só narrativa bastou. haverá alguma razão para isso. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. etc. entre nós. popular. tão dificilmente conquistada. experiência. sem atavios. Éramos uns “cartolas” grã-finos. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. etc. para saber o que desejam. no campo político-religioso. a técnica a que estão acostumados. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. em impulsos tresloucados. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. Mas. Suas primeiras manifestações seguem. Ele estava muito bem lá. dosada e sustentada pela sua aflorante emotividade. sobre a mesa. e não queria nada conosco. simples. há quatro séculos. enfim. orientado pelos ensinamentos de Allan Kardec. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. Aguardemos pacientemente. No seu terreiro. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. e quando.humildade uma constante. estava curado o querido companheiro. reunidos em apartamento de luxo. algo patético. e muito mais facilmente. e isso o salvou. Certa noite.. Tivera uma 127 . aqui. e recair nos velhos processos da vaidade. graças a Deus. que. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. para falar-nos de maneira inusitada. tivera um passado de brilho e destaque. num grupo estritamente espírita. dizia. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio. certa vez. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá-lo em pequenas tarefas auxiliares. No entanto. ao recebê-lo. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. Provavelmente. e sua afeição e gratidão por nós. Confessou. no século XVI. o que este recusava terminantemente. profundamente contristado. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. por divergência doutrinária insuperável. não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança. Fora. também.

alguma antiga experiência na Medicina. feliz em poder servir-nos. As primeiras palavras são de importância vital. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde. com os nossos irmãos em crise. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a utilização dos recursos da Natureza. Muita coisa vai depender. Certa vez. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. segundo ele. Incorporava-se. vez por outra. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. jamais. sem floreios e artifícios de linguagem. por igual. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. a essa altura. por meio de passes. é um permanente exercício dessas duas virtudes. no Espírito. haviam se distanciado na sua frente. com eles. indeterminado. decisivas. mal enunciaram as primeiras palavras. às vezes. colocou um “remendo” na coluna. Toda conversa. são. pelo reencontro com os velhos companheiros. dando-nos conselhos e passes e.existência no Brasil. como escravo negro. Era levado de um lugar para outro. no desenrolar do trabalho. o que não é verdadeiro. amigos. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. dava passes no seu médium. a “receita” de um chá caseiro.. Em mim mesmo. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. que. enfim? Além disso. quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. é esta: paciência e tolerância. Era quem nos dava um passe final. logo em seguida. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. porque nos trazem lições. sua gratidão e sua alegria. curado de antigas mazelas. a primeira regra do diálogo. das suas perplexidades. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus 128 . para curar. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. uma expressão inicial sensata e equilibrada. não podemos despachá-los. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós. Talvez buscasse esconder suas emoções. da parte daqueles que se acham desarmonizados. que tanto o infelicitaram. quando a manifestação era por demais penosa. precisamos deles. e. colegas de serviço. Mas nós. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades.. com seus conhecimentos e seu coração. Se assim fosse. dos seus sofismas. Manteve sua maneira algo rude de falar. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. nos libertará também. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. num impulso rápido de inspiração. identifiquei seu Espírito nas lutas dramáticas da Reforma Protestante. enquanto falava tranqüilamente. Não esperemos. como bicho. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. Também este integrou-se no nosso grupo. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. a seu turno. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. companheiros de jornada. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo. da sua autohipnose. Manipulava bem esses fluidos naturais e devia trazer. O nosso bom e querido Justino. não somente pelo que fez por nós. amorosa e tranqüila. Muito devemos a esse querido companheiro.

que se estendeu por mais de uma sessão. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. suas motivações e suas razões. pois é isso. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. e a voz alteia-se ou sussurra. com ignorância e má-fé. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos. suas desarmonias. mesmo assim. a sua razão de ser. com falsidades e subterfúgios. com ódio e agressividade. do contrário. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo. em que a culpa é tão clara? que petulância! que impertinência! É preciso deixa-los falar. Ele está parado no tempo e no espaço. embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. demorem e usem de mil e um artifícios. o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos. o núcleo.. o núcleo de suas dificuldades maiores. de um Espírito assim. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. e no qual. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. e não a palavra falada. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. ou funcionar como juiz. Esperemos. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento. em palavras e gestos. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. e todo médium precisaria ser xenoglóssico. com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. e depois. Se assim não fosse. uma eloqüente manifestação de revolta. tem de ser contra nós. pois. Se pudesse. perplexidade ou aflição. reflete ódio ou desprezo. por muito tempo. Insistimos. somos nós que o agravamos. pois. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim. E ainda que relutem. Contemos com mistificações e ardis. ou perplexidade. precisamente. na sua mais recente encarnação. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. em suma. É necessário conhecer a sua história.próprios caminhos. seus problemas. que os traz a nós. ou seja. que constituem o centro. É claro que o primeiro impulso de hostilidade. Ao cabo do diálogo. tentando obrigá-lo a mover-se. com a inadmissível tentativa de fazê-lo desistir dos seus propósitos. me destruiria. disse ele. aflição. Num caso desses. 129 . e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada. pois. Eles não conseguirão. É que o médium lhes capta o pensamento. na língua que ele falou por último. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. num processo legitimamente constituído. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter.. mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver. Fugia a qualquer referência pessoal. ironia ou amargor. rancor. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. que o fustigamos. isto sim. É certo. muito embora seja isto o que mais parecem temer. O longo trato com eles nos ensina que têm um hábito peculiar de “pensar alto”. eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições. não poderemos ajudá-los. desespero. seu temperamento. Pretendia transformar o meu lar num hospício. aquilo que o Espírito elabora na sua mente. como o nosso. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. desencanto. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. e aparece um grupo. preso à sua problemática. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores.

a força da sua presença em nós. é refazer o que não podemos mais desfazer. O que temos de fazer. ajuda-nos a reconstruir logo o que destruímos. Em outro caso. A certa altura do diálogo. talvez tanto quanto eles. e não podemos voltar sobre nossos passos. no entanto. o segundo. Incontáveis multidões. É verdade. estamos envergonhados. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente.. pois o erro já está cometido mesmo. ou do próprio Templo. as censuras da consciência. e disse: — Eu era um sol. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo. como um caramujo. mas relutou o quanto lhe foi possível. Participara.Em suma. ou de conduzi-lo. uma ou duas semanas antes. chegados ao cerne do problema. não é fingir que ela não existe. pois. agora. quanto o perseguidor. de início. depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. pois sabia muito bem que. tentam fugir de si mesmas. neste mesmo livro. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse. para desfazê-lo. Era esse o problema que ele mais temia revelar. Na verdade. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. Sempre fui um soldado. Para não transformar o tema numa composição literária. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. impossível negá-lo. temerosos e angustiados. mas por que demorar-nos no arrependimento. 130 . lutando. cruzarmos os braços e esconder-nos. as cutiladas do remorso. que nos mantém presos. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. como soldado romano. e devemos. mantém-nos paralisados à beira do caminho. Este caso encerra outra lição importante. detidos. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. no entanto. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endividados. A culpa existe em nós. Veio para isso mesmo. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: — Veja o que eu ia dizendo. Sem essa abertura corajosa. e temos que reconhecer. ignorando seus próprios fantasmas interiores. porque é justamente esse fingimento. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. enfrentando os nossos espectros interiores. Precisamos. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido.. mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”.. no entanto. essa fuga. mas que precisava enfrentar. da penosa missão de aprisionar o Cristo. em busca da paz. O primeiro.. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar. É claro que também somos endividados. ou até mais. deixa cair os véus com os quais tentou. No fundo. marcando passo. cobrir as razões de sua presença entre nós. mostrar-lhes que estamos fazendo alguma coisa. vendo a multidão passar por nós. Podemos. para libertar-se. E. ao qual há referências alhures. não dá sequer para começar. desde a sua primeira manifestação. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. ao longo da sua inesquecível via crucis.

há de continuar amparando-o. ou confirmando-o na sua dor. busque com tranqüila perseverança. difícil. somos meros espectadores. uma disputa. O que interessa. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. a despeito de tudo isso. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos. neste momento. À medida que ele se desenrola. seus erros.. na memória daquele irmão que sofre. seus crimes. uma contenda.. Espere um pouco mais. aceitar seu temor em descobrir suas feridas. Nela se definem muitas coisas sutis. temeroso. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. Limitou-se a dizer. que a verdade virá. acovardado. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência. Tentar identificálos é sua tarefa. Mas. habilidade. sofrer com ele.. não é “ganhar a briga”. ou séculos. estejamos atentos. compreender sua relutância em abrir-se. Não importa que ele leve 131 . de que a resistência será grande. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. e muitas vezes o Espírito recuará novamente. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante. De outra vez. sentindo-se ainda despreparado. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. que era a motivação de sua vida. agora. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. É uma tentativa de entendimento. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro. mas que o faça com muito tato. Veja bem: apreciação emocional. paciência e compreensão. Ele a dirá. Neste caso. ou seja. porém. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. libertando o Espírito. Nada de coações. talvez. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo. no entanto. suas mazelas e imperfeições. O doutrinador não o forçou. Preciso pensar. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reveladores. por mais alguns anos. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E. de imposições. Claro que você pode continuar a fazer isso. Deus.. abandonar tudo aquilo. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. apreciação emocional dos sentimentos alheios. mantenhamo-nos compreensivos e discretos. mas. que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo.. Dê-me mais tempo. não uma discussão.. E acrescentamos: muito amor.como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra.. que tenhamos a faculdade da empatia. Estejamos certos. Basta um pouco de ajuda. de uma forma ou de outra. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria. nos antecipando. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. Deixe-me. E preciso aprender a vibrar com ele. É preciso. não temos empatia. que podem decidir o caso. Junto de um companheiro particularmente agoniado.. Espere com paciência.. tato e paciência. ajudá-lo a descobri-las. também.. de pressões.

por assim dizer. como poucos. Não altere a voz. que o aturde e o traz à razão. sem aumentar sua irritação. quando somente uma grita. não reaja da maneira que ele espera. que. o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. ameace e procure intimidar-nos. e reiteradas. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. Se o doutrinador cai na tolice de gritar-lhe de volta. na maioria das vezes. pois assim não conseguirá ajudá-lo. É o clima que convém aos seus propósitos. tantas vezes. em pelejas dessa categoria. precisamente para evitar cair nesse campo. Resista. pois veio até a nossa casa. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. Aguarde pacientemente. Seria. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. pois. muito mais que com simples urbanidade. Não é importante superá-lo na troca de idéias. se ele insistir em falar em altos brados. o doutrinador 132 . ao impulso de “responder-lhe à altura”. argumentou em causas importantes. O Espírito precisa ser atendido com interesse. e ele um réprobo enredado nos seus crimes. nem mais culto. tanto melhor. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. compreendê-lo e servi-lo. sobre todos nós. ainda. Foi tribuno. em voz baixa e tranqüila. teólogo. de mil formas. Estejamos certos de encontrar sempre. ignorante de fatos importantes. Espere o momento oportuno. e difícil. por outro lado. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. Mas. De vez em quando. faça-o compreender. que nos agrida. ou. de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. que não é preciso gritar. As leis morais. orador. tolerância. a infinita misericórdia de Deus. que o aliena cada vez mais. Não apenas se encontra na condição de visita. durante esse diálogo difícil em que. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. pensador. o clima torna-se insustentável e a situação difícil de ser contornada. * É certo. quando nos deixamos envolver pela sua agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. escritor. que cai num vazio. da parte deles. por ser o único revelador do núcleo interior de sua problemática. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. está contido pelos dispositivos da encarnação e. por mais bem preparado que seja. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. pior ainda. não o force. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma. Se o tem mesmo. Não se esqueça. certo de que o Espírito está negaceando. a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. mas resista mesmo. sem atritar-se com ele. o cego ao mudo e. se o recebemos com fria e polida cortesia. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. Que a gente somente grita quando não tem razão. do que o doutrinador. enfrentou grandes debatedores. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que. como ele ficará ainda mais irritado. não se deixe irritar. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. a não ser em condições muito especiais. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. Siga-o na conversa. paciência. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. E muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. que a intuição do doutrinador deverá indicar.a melhor no debate. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal. que sabe ser o mais “perigoso”.

Fala-me da sua glória. mas continuam a estimar-se e 133 . vem das telas infinitas desse continuo espaço-tempo em que vivemos. Sonha grande. Um terceiro. Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. hipócrita. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. Se o mencionarmos. medroso — haverá mistificações. Ao falar das suas grandezas. mas não hesita diante da violência. ele precisa da nossa ajuda. Não poucos serão os que. Tudo serve para compor o quadro. pois não desejava causar-me dano pessoal. uma inexplicável ternura que. amistosamente. é verdade — digo-lhe eu —. a não ser que a isto fosse obrigado. na História. esse engano. que ele não entende. me diz. como um temível conquistador. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. várias vezes. meu Deus! — sinto por ele. mesmo. com um mero doutrinador espírita. embora projetando-se. covarde. É isso. Já no passado cometeu. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. como dois velhos amigos que se reencontraram.tem de aceitar o papel de um pobre. Lembremos-nos de que o perfil que procuramos é importante. preferi a obscuridade. tentar a glória? Nem sempre. A essa altura. ironias. atentos. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. ou nós teremos que fazê-lo? Outro me informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. não sei de onde nem de quando. se possível. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. porém. pelo menos. que de forma alguma precisa de nós. uma observação aparentemente sem importância. uma lembrança fugaz. atentos as informações que o Espírito nos fornece. Confessa. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. propostas. Como pode alguém desejar viver na obscuridade.. sem me ferir. — Sim. se pode. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão. para que eles passassem. então. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. o tom de voz. surgido dos registros históricos. já estamos conversando. bravatas. precisamente. essas bravatas e ameaças terminam assim. também. Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. teológicas e psicológicas. para realizar os seus sonhos de domínio. infeliz débil mental. ameaças. na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. porque a pedra tinha que ser afastada. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. na qual insiste. tentativas de intimidação. se possível por bem. era para arrebentar tudo a dinamite. ao contrário. Embora dificilmente admita.. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. porém. porém. também pronunciou sua ameaça. mas se isso fosse impraticável. Está muito bem como está. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. do século XX. mesmo. Mantenhamos o equilíbrio. e não como um agressivo guerreiro. fantasias e deformações filosóficas. ele replicará com toda a veemência.

pois. Então. mas a carne é fraca”. mergulhado no corpo físico. o mesmo que. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. sem jamais nos ferirmos nos espinhos. mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. não podemos colher rosas. sabem disso. as culpas ainda não cobradas. 134 . agressivo. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. hão de reter-nos na retaguarda. doenças inesperadas. das ameaças e. sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções. sonha com a paz. se assim não fosse. Em primeiro lugar. aflições maiores. mal-entendidos entre familiares. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. pois o Espírito está pronto. e. o rancor está firme atrás delas. ferimentos e angústias. e. Usualmente. depois de desperto: beijou.respeitar-se. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. e não apenas para o médium. a despeito dos espinhos das rosas. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. pelo menos. não pôde conter sua gratidão. ou. nos espionam e nós assediam. (Marcos. Isto é válido para todo o grupo. a uma observação superficial. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça. Um deles. mas sem cometer o engano de ridiculariza-la. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. preciosas. temos que prosseguir o trabalho de resgate. muito difícil. enquanto puderem. vamos ser punidos porque estamos procurando. ele daria tudo para destruir. eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. sofre a ausência de afetos muito profundos e. no entanto. exatamente. por mais fantástico que nos pareça. uma enorme capacidade de amar. logicamente. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. experiências e qualificações inesperadas. teme novas quedas. a mão de seu aturdido doutrinador. mas. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado. bem certos de que. 14:38) O Espírito deseja a libertação. ou para o doutrinador. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. É necessário não intimidar-se diante da bravata. como nos disse um Espírito amigo. temos. para engrossar as fileiras dos que estão parados. sofreremos senão naquilo em que ofendemos a Lei. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida digna. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo. quase inabordável. com emoção e respeito. Mesmo com toda a vigilância. Seria profundamente injusta a Lei. No trabalho mediúnico de desobsessão. no fundo. em nenhuma hipótese. É preciso estarmos. O cerco aperta-se. de certa forma. — ((Vigiai e orai” — disse o Cristo. certa vez. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos. que o sufoca. e em prece. em si mesmo. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio ou de provocação. que contar com contratempos. poderoso. os erros ainda não resgatados. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. Há uma diferença considerável em ser intimorato e ser temerário. de um ou outro desengano maior. tão bem ou melhor do que nós. continuamos vulneráveis. ainda há poucas semanas. pelo menos. como disse um amigo espiritual muito querido.

há um tempo enorme. Como dizia há pouco. imperturbável: — Sabe.. E ele. bem no fundo de si mesmo. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada. para ajudá-lo a levantar-se. Se podem comprar nossa desistência. A um desses respondi que não sabia. aparentemente tão frágil. Já referi aqui também. nas suas organizações. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. ele. no passado. em deixar de atormentar alguém. tão reduzido. E. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais. por exemplo. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. De um Espírito encarnado. aquele que me propunha desfazer um “trabalho”. que eu ficaria estarrecido. afinal de contas. aqueles que nos acenam com é belíssimas” posições. na sua instituição. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. Concordarão. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta. Estão acostumados a tais ajustes e transações. A proposta pode ser um simples negócio. votadas. feito contra mim.. portanto. ainda. ao que tudo indicava. Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. à prática do mal. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados. pois que. no trato de situações como essa. De modo que. ou em liberar outros. aqui e ali. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando. com seus próprios recursos. certa vez. Começam com elogios. é esta: não ridicularizar a bravata. não responder à ironia com a mofa. que mantêm prisioneiros ao mundo espiritual. ele não o conseguiu ainda. posição. a que particularmente estejamos dedicados. como dominar a minha. pouco a pouco. se os espinhos nos ferirem. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem. por si mesmo.. dominar mentes. deram-se mal. ou pequenas concessões. ele nos será muito grato se o conseguirmos e.. sim. e esta precisa. quando lhe estendermos a mão. De outras vezes a proposição é mais sutil. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. bem como. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. mais do que ninguém. no fundo. igualmente. Você sabe. também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas. mas não ser imprudente. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”. nem desafiar a ameaça. não se intimidar. passado o rompante das primeiras agressões. e foram afastados sumariamente. por ele mesmo. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas. impedir seus passos.Mesmo que ele nos fira. com a peçonha de seu rancor inconsciente. por exemplo. a da resistência inesperada. Um deles me disse.. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram. como dinheiro. de algumas considerações à parte. prazeres. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo.. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões.. A regra. deseja e espera que nós consigamos salvá-lo. 135 ..

alguém que prove ser pela menos um pouco melhor do que a média humana. que precisam de ajuda e compreensão. iremos desinfetar. métodos semelhantes aos seus. mas que necessitam de nós. Se a uma proposta. Tenhamos. ou fazer. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”. ante a resistência inesperada à sua vontade. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. na prática comercial. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. desesperados. depois. por mais inocentes que se representem. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. e nem a aceito. que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que.. fora bom para ambos as lados. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. mais experimentados do que nós. como tenho observado: 136 . São metódicos. por mais infantil que seja. diante de nós. A segunda observação é a de que. evidentemente. é mais do que óbvia. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. são simples vermes infestados de culpas. Tinha tudo quanto queria. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. além do mais. então. sobre aquele que concordou com o trato e que. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. Usualmente. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. é desumano. Além disso. e não de que os confirmemos nas suas práticas. nessas duvidosas transações. ou pelo terror. as concessões que nos oferecem têm elevado preço. com isso. enfim. O negócio. O tom pode ser este. nada impede que desfaçam o trato. o que. estava muito feliz. jamais. aí no mundo de vocês. jamais. pode ser desastroso. Procure um dos nossos companheiros espirituais. imatura e precipitadamente. porém. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. o que é estritamente verdadeiro. não podemos permitir-nos utilizar. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles.nos foi dito que desistíssemos. Além do mais. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. tentarmos “virar a mesa”. deixar de ajudar alguém. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. e. para dar o xeque ao rei. que sacrificar uma dama.. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. para o lado de lá. A cobrança virá. de suposto aliado. Não podemos. nas quais têm. São irmãos doentes. passa a vítima inerme de sua própria tolice. à primeira vista. ou um bispo valioso. Às vezes eles insistem. e nós. Não recuso a proposta. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. Não os subestimemos jamais. votados à maldade intrínseca. porque sentimos que estão fracos e algo perplexos. a qualquer tempo. O que ele resolver. Em situações como esta. Absolutamente. ou seja. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e. da parte deles. às vezes. costumo ter uma resposta padronizada. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. está bem para mim. esquecer-nos de que são pobres irmãos desorientados. que as conseqüências serão funestas para nós. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. qualquer concessão. dispostos a tudo. A prudência continua a ser a melhor conselheira. seres redimidos. Escarnecer de suas propostas. com a qual estão acostumados a lidar.

e achava. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidas de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. Tinha. um pobre transviado. como vimos.. paciente. o que acaba acontecendo. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo. Ele visitou-nos novamente. no passado —. Nesse ínterim. Merece nosso respeito. que nada dizem. Mesmo a estes. para dizer-nos desses nobres sentimentos. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. pois. porém. viu-se em toda a extensão de seus enganos. encontra-se desatinada. Usam da ironia. depois. Eles não poderão fazer nada. experimentemos a mesma arma. mas você pode resolver a parte que lhe toca. para despedir-se.. é inadmissível. um grande e generoso coração. e arrasado de remorso. a partir de uma espécie de monólogo. Muitos o fazem logo de início. Seria profundamente desumano negacear com ela. Que ela tente.. no mundo espiritual. por algum tempo. sem dúvida. necessitada de compreensão e de amparo. como tantos outros. tempos depois. DEFORMAÇÕES. convenceu-se de seu engano. A criatura que está diante de nós.— Está bem. com a graça de Deus. pela simples razão de que não o somos. se não tiverem o grupo. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. tranqüila. mas pelas suas idéias. porém. o diálogo vai se desenvolvendo. A posição do doutrinador tem que continuar firme. totalmente dedicado à sua ingrata causa. Estava recolhido a uma instituição socorrista. e se você acabar com o grupo. e vinha pedir nossas preces. para que informe sobre si mesmo. assediou-nos. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. não importam os métodos. Não lutava especificamente contra nós. incorporada ao médium. extremamente desarvorado. FIXAÇÕES. O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo. mas que nós. É preciso respeitá-la. evidenciemos que nossos métodos são melhores. é preciso deixar falar. portanto. no seu desespero. Várias artimanhas 137 . desde que os fins sejam alcançados. Voltou. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa. DORES “FÍSICAS”. Pouco a pouco. também. em desdobramento. deu murros na mesa. Essa história tem ainda um post scriptum. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar-nos ou quebrar o nosso moral. semana após semana. redespertados em seu coração. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar.. atormentou-nos. Outros são bem mais artificiosos. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. Um dia. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. você sabe. tentou enganarnos. pelo menos. E comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. Caso contrário. pela dor ou pela sedução. é necessário deixar o Espírito falar. fogem às perguntas. e até mesmo respeitosa. Um pobre irmão desses. a fim de aos aproximarmos do âmago de seus problemas. MUTILAÇÕES. isso é compreensível. que tanto se esforçava por salvá-lo. Era profundamente honesto consigo mesmo e. no princípio. CACOETES. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. com ameaças terríveis.

com um senso critico imprudente. com finalidades muito diversas. para que se mantenham firmes nas suas posições. os circunstantes encarnados. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. era apenas o de estabelecer. mesmo com um simples sorriso. em torno da mesa. um vinculo positivo. mesmo mentalmente. a ponto de.são empregadas para esse fim. certa vez. Tivemos disso um exemplo. para provocar o riso. pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. Neste a técnica era obviamente utilizada para o bem. e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. todos. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. Como o companheiro correspondeu a sua abordagem. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. costumava sempre dar uma palavra inicial. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. mesmo. necessário ao trabalho. os resultados podem se tornar desastrosos. afetuosa e cordial. Muita atenção com estes artifícios. médiuns ou não. certamente tirarão partido da discrepância. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. sem dúvida alguma. criavam. via intuição. do mundo invisível. em nosso grupo. O doutrinador tem que estar. condições de captar-lhes o pensamento e. que ainda estudaremos com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. Há. Sentiu-se fortalecido e disse. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. Suas palavras singelas. Os Espíritos manifestantes têm. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético. pois. os Espíritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. freqüentemente. Por isso. Se um companheiro desavisado responde. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas. assim. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. pois. de raríssimas exceções. dizem gracejos. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. mas. de estímulo e encorajamento. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. bem atento aos seus companheiros encarnados. quando alguém. nos orientava. que ficaria falando sozinho. este elo. excelentes razões para manter como regra. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. O Espírito começou a dirigir-se a ele. pois isto faz parte da técnica. com uma palavra mais pessoal. E através daquele que atuam os Espíritos orientadores. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite. tanto se insiste na importância da 138 . se o fizerem. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. Às vezes. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. achou graça num comentário do manifestante. Um companheiro esclarecido e experimentado que. quanto ao que se passa. não bem afinados afetivamente com o doutrinador. em boa faixa de equilíbrio e concentração. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. que ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. a cada um de nós. Estes companheiros não devem fechar-se na indiferença. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. após longo tempo de conversa. embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. entre nós todos e ele. todas as semanas. mesmo que ela fique imanifesta.

se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia. deve afastar-se do grupo. e. mesmo assim. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. Talvez já saiba. Se não pode ajudar. a que veio o Espírito. nem que esteja sempre certo e com a razão. é possível que ocorra a necessidade. no grupo. mas é melhor excluir-se. É comum que este procure burlar a norma. o doutrinador julgará. deve continuar atento. É possível. claro. segundo sua intuição ou a instrução dos mentores. Sob condições especiais. numa técnica muito sutil de desmoralização. ou com um gesto de que se lembre com saudade. por exemplo. pois. no tempo e no espaço. um gesto de fraternidade mais objetivo. não acarrete maiores dificuldades. alguém que nos pediu ajuda. que. Dessa forma. além do pensamento. condições para a sua tarefa. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. que insistimos em qualificar de excepcionais. imprevisível e traiçoeiro. Lembremos. apenas pensadas. e este não possuir. e o doutrinador errado. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. Enquanto isso se passa. como componentes encarnados do grupo. no entanto. ainda que tenha falhado. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. seguindo com extremo cuidado o diálogo. mas não se envolvam nele. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. com alguém presente que. de sua influencia obsessiva. vigiem bem seus pensamentos. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. descobriu a razão pela qual foi atraído ao grupo. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto. Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. mesmo. ou seja. digamos. Mantenham-se atentos ao diálogo. Ainda não dispõe. ou seja. Não que o doutrinador seja infalível. pode ajudar a despertá-lo. o doutrinador. Claro que. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. porque o terreno em que pisamos. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. para retomá-lo quando julgar necessário. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. Outra norma subsidiária: os circunstantes. Convém a eles a generalização da conversa. é ele quem está preparado para ela. então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. ele falha mesmo. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. neste livro. no trato com esses irmãos desarvorados é difícil. a ponto de tornar-se criticamente negativo. fazer-lhe um pedido de perdão. perfeito. Pode ser. a conversa prossegue. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. pelo menos. Fora desses casos. que alguém. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. com freqüência. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. que mina o trabalho. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem 139 . de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. que ele esteja certo. Estamos tentando.fraternidade. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. por exemplo. ou a conveniência de alguém mais falar. por amá-lo particularmente. subtrair. nem mesmo por palavras inarticuladas. Em casos assim. Se ele estiver certo.

Coloque. e coisas semelhantes. continue a falar-lhe. Deixemo-lo falar. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se. Deixe-o falar. Se grita e esbraveja. ele não conseguirá isso por muito tempo. às vezes. senão ficará andando em círculo. porém. tão pronunciada e tão absorvente.o seu núcleo: traição. ou. aqui e ali. a fixação é. embora isto também seja possível. Além do mais — dizem —. ele está convencido dos seus direitos e. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua motivação. procure apaziguá-lo.. arrancá-lo à força. Aguarde-se. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. um caso pessoal. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. Ele tem que sair com seu próprio esforço. com problemas suscitados no relacionamento. Por outro lado. se recusam a responder. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. em casos extremos de fanatismo apaixonado. aquilo que lhes compete realizar.. que se aplique particularmente ao seu caso — e sempre haverá uma ou mais. O processo pode alongar-se por muito tempo. não obstante. Por mais voltas que dê o Espírito. uma pergunta diferente. da cobertura divina. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem notícias de amigos e parentes daquela época? É claro. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório. os manifestantes reagem. à volta de sua idéia central. com muita sutileza. a impossibilidade do perdão. No entanto. de vez em quando. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. quase sempre. Ou. na sua memória. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los. Com freqüência. até mesmo. mesmo. pelos outros. para exercerem suas vinganças e perseguições. não quebrar. para essas idéias fixas. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. uma pergunta mais pessoal. Ou dão respostas evasivas. outras lembranças. porém. se podem é fazer aquilo. de ouvir o doutrinador. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. Neste caso. outras sentimentos e até mesmo outras angústias. Ou. o ódio. fala o que de fato sente. à que Deus o permite. o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. por mais errado que esteja. É. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. como um louco varrido. melhor ainda. que o Espírito não tem condições. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. espoliação. desamor. mas não tudo quanto queira. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. simplesmente. em certos casos — seu próprio Espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. sequer. Veja bem: ajuda-lo a quebrar. logo nos primeiros contactos. até que adquiram confiança em 140 . arriscando. procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. falando-lhe de uma passagem evangélica. pois. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer. respondem. vingança. pelo menos. Como. Não se esquecer de que. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. pois. no seu ódio irracional. de conotações essencialmente humanas. Terá que fazê-lo. Tem que haver.

a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. ainda que temporariamente. Não sei. na mão direita. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. tivemos também um caso. porque ela lhe dava uma aparência terrível. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. ou. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saída daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. se ficasse curado.nós e nas nossas intenções. sobre os quais ela possa expandir-se. ficou bom. e vi logo que ele reagia. porque costuma funcionar. Não nos esqueçamos. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. Outro sentia. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. Só então.. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. Ou. por isso. sentindo o impacto dos fluidos que o alcançavam. porém. seu drama resolveu-se. e ele se lembrou da cena de um passado distante. tentava ignorá-la. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. aparentemente irrelevantes. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. Ele não quis dizer. devem limitar-se a conduzir a conversação. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. Sua “cura”. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. quando sacrificou. Mesmo assim. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito. pois achava que ela o havia traído. sem precipitação. ao certo. a fim de afastar o pensamento do comunicante. a esposa e os filhos. durante a Revolução. de que espontaneamente ele não sairá. mutilações e deformações perispirituais. provavelmente. levantei-me. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. voltando a movimentar o braço. ainda. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação. Quando me propus a curá-lo por meio de passes. não porque não queira. realmente. mas porque não sabe. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. Em uma oportunidade. sob a forma de trejeitos e contrações. Se sabia. fornecendo-lhe pontos de apoio. que parece construir uma barricada às nossas costas. Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. a punhal. neste livro. Exposto o âmago do problema.. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? — e quase inaudível. O objetivo das perguntas não é. de muitas maneiras e sob variadas condições. para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. de um pobre sofredor. que ele acreditava não fossem seus. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta. E. intensamente dramático. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa. nestes casos. obviamente. por meio de passes. ainda. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança. um mecanismo de defesa. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. ao que parece. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. guilhotinado na França. nem saberia conscientemente a razão. segura pelos 141 . se ele sabia a razão da paralisia de seu braço.

para castigá-lo. porque ela tem outras aplicações. Enquanto lhe dávamos passes. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. não apenas para recebe-los. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. o nariz. Oramos e lhe demos passes. com movimentos aflitivos das mãos.. “Provavelmente”. Quanto ao que lhe acontecera. pois convicto de que estava sem cabeça. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. Continua a submetê-lo ao seu próprio juízo. as orelhas. mesmo decepada. digo-lhe. ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. procurando impregnar-se deles. Teoricamente. Estava tudo lá. E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. embora as esqueçamos. Explico-lhe que vivemos muitas existências. com a graça de Deus. Ele se lembra. que eram infiéis a Jeová e. também. Subitamente. É verdade. toda a anatomia facial e craniana: os olhos. talvez. ele pode cobrar. Levo-o cautelosamente para uma introspecção. Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. Isto foi possível fazer. o que se percebeu. com a ponta dos dedos. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. o quadro que se lhe apresenta. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. E conferia. isso. não acreditava que Deus o tivesse feito. Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. O diálogo inicial foi difícil. Louco de alegria. a da impunidade. Reviu até a fila de espera. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. mesmo sem a vidência. Enquanto a tivesse ali. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. de cabeça decepada. ele os executava. * Mas o diálogo prossegue. depois de condenados. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. além da que há pouco mencionamos. Não obstante. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. e a invocar o seu direito à cobrança. alimentava a esperança de “repô-la” no lugar.. além dos passes habituais. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. por incorporação. como. ele não tinha condições de falar. Vivia apavorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos. para ajudar na recomposição da forma “física”. a boca. 142 . muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. sim. porque a idéia de direito implicaria. porém. A custo. ele parecia absorver os fluidos avidamente... “você andou também cortando a cabeça de alguém”. agora. ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. à mão. Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos.cabelos. o fui convencendo de que podia falar através do médium. Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão.

afinal. que ele se recomponha perante a sua vítima. tanto numa. as faltas cometidas contra nós. Ante a lei humana. com prazer. basta uma pergunta bem colocada. indefinidamente. do qual conhecemos as primeiras letras. imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. em face dos códigos terrenos. o seu ódio somente se estanca. no tribunal invisível da sua própria consciência. a prisão ou a indenização redimem o criminoso. através de seres que lhe são caros. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos. ele esteja quite. com objetividade e sangue-frio. como se estivesse apreciando um caso. e que continua retido. porém. através de sua própria consciência. e somente o libera da sua própria dor. Não sabe ele. procure encarar o processo. pela regeneração. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. ele arcará com as suas responsabilidades. não o seu caso. que o rancor não se satisfaz nunca. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. a de que. para retomar a sua 143 .É claro que não falo aqui no direito humano. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. Ele quer cobrar. no momento oportuno. Por outro lado. no processo que ele próprio criou. medite. existe a idéia básica da reparação. Não obstante. a divina. não haveria direito liquido e certo de cobrarmos. Quando chegar a hora da dor. ele se inscreve novamente como culpado. nós mesmos. pelo esforço que faz em ajustar-se perante as leis divinas. e as sofrerá. Por que manter dois Espíritos amarrados. por exemplo. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita. revezando-se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. A lei divina pede do ser. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. Não importa. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. Ele não se mostrará sensível ao apelo. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. mesmo que. que o interessa pessoalmente. estaremos começando a ajudá-lo. que. Às vezes. Sacudido pela tormenta das suas paixões. impunemente. com mais um século ou dois de rancor. como explicar tudo isso. pelo despertamento de seu Espírito. Um dia despertará. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. vida após vida. exercendo a vingança por suas próprias mãos. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. ele nem percebe que também sofre. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra. diz ele. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. Acha ele. se Deus me assegurasse o direito de cobrar. na alienação da sua vingança sem objeto. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. respondendo por desatinos cometidos. Creio que. pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. de forma convincente. uma falta cometida contra mim. assim mesmo. ele já está convencido dessa realidade. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do Espírito. pois que direito é esse. Dessa forma. sobre as virtudes teológicas do perdão. pela vingança. pelo perdão. cada vez mais dolorosa e ampla. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da reparação? Em muitos casos. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. ou seja. como noutra.

mas tem que reconhecer. pelo nosso grupo. autoritária ou rude. de uma palavra mais enérgica. pois. Ele precisa. ainda e sempre. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. que se achava presente. às vezes. que de nada valem meus passes e minhas preces. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. diz. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. de ressentimento ou de condenação. como num passe de mágica. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta. de compreensão e de esclarecimento. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. e do carinho de nossos dedicados irmãos. Nada de precipitações e ansiedades. Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. Dizia que a sala estava cheia de 144 . mais desarvorado do que nunca. É hora de falar-lhe com mais firmeza. por certo. da nossa parte. mais paciente. Este é o irmão a que já me referi. recomeçou a indução. se for necessário dizê-la. ao contar que. Agora. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. o momento de dizê-la tem que ser buscado com extrema sensibilidade. em estado de terrível agitação. às suas aflições. também não posso lhe tirar a dor. A uma palavra minha. que. o esforço deve ser redobrado. tato e oportunidade. sem pieguice. em tom afável. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. também. em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. muito jovem. diz que sim. Quando me levanto para ajudá-lo. Isto não exclui. se pretendemos minorá-las. desintegrar-se.caminhada. porém. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. Deseja morrer. seu hipnotizador. que o reduzira ao mais extremo desespero. mas que isso de nada adiantou. Caíra em poder de implacável hipnotizador. quando conseguir pegá-lo. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. Não é assim que as coisas funcionam. que Deus não se acha à nossa disposição. apoiada na compreensão e na tolerância. agora? LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. a necessidade. em estado de pânico e aflição indescritíveis. em condições dolorosas e trágicas. Ele foi recolhido. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males. Este é o momento em que certa dose de energia torna-se de imperiosa necessidade. a seguir. a nossa tranqüilidade. A essa altura. exige uma solução para o seu caso. em altos brados e com desprezo. A voz precisa continuar calma. Se o companheiro é agressivo e violento. mas é imprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. Por outro lado. certa vez. falou aflitivamente de seu problema. sem precisar ser melosa. mas naquilo que dizemos. E por que esperar tantos desenganos. Digo-lhe. afinal de contas. temos que contrapor. A energia não está no tom de voz. se esse dia pode ser hoje. que ele não pediu a Deus. E. A despeito de todo o cuidado. Contraditoriamente. recaíra em poder de seu perseguidor. Certo Espírito apresentou-se-nos. resvala novamente no precipício da desarmonia. que pediu a Deus. mas. pois desencarnara. deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. reclama.

e eu também não lhe disse nada. pois. no mínimo. incongruente. desviei sua conversação animada. ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. como quem apela para um recurso extremo.. sobre os seus “recursos”. e de ratos que corriam de um lado para outro. muitas vezes. e. certa vez disse um “Basta!”. porém. Mas. de agressividade. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. Muitas vezes envolvem. só podemos contar com a intuição. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. por certo. um pequeno incidente. sem o menor traço de rancor. O problema da palavra enérgica é. A certo ponto. com seus recursos. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. Era um líder. que. Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. fazem-no com extrema discrição. Percebera. para doutrinar o Espírito manifestado. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. nestes casos. habilidade como argumentador. disse-me. Mas estava evidentemente desbalanceado. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. Ela se manteve firme. agressividade e arrojo. eles nos orientam e assistem. faz uma brincadeira como aquela. com incontestável autoridade. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda. pensou. evasivamente. Não pode. talvez. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. deixando-o “brincar” um pouco. enganam e mistificam. Achei. o momento tem que ser oportuno e.. não nos esqueçamos. Se pronunciada antes da hora. por outro lado. no momento inoportuno. e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. É comum. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. que se achava sobre a mesa. pois começa a ficar vaidoso. Se o 145 . sob condições especiais. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos transformam em meros repetidores de suas palavras.baratas “astrais”. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. facilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. como eu deixara passar a ocasião de falar. quando isto se torna imperioso. para isso. sobre a “doutrina” de Kardec. o episódio ficara esquecido. mentores espirituais. e revelava desespero. falarem com inusitada energia e firmeza. mais a sério. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. de impaciência. incorporam-se em outros médiuns. entre destemor e intrepidez. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis.. Algo desconcertado. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício chegara. presentes. Se este “topar a briga”. revelar-se temeroso e intimidado. que se diz líder e mestre. pois os bons mesmo são raríssimos. como este.. um homem assim inteligente e culto. Um desses companheiros amados. na sessão anterior. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. quando falham os outros. que subiam pelo corpo dela. limitando-se a transmitir uma pequena informação. Tomou um pequeno lenço. com extraordinário vigor e habilidade. extremamente delicado. poder de oratória. no entanto. e. um “professor” de Doutrina Espírita!. Esse meio-termo. Raramente interferem e. Em casos excepcionais. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se. para que o próprio doutrinador a desenvolva.

e. E que. mesmo. E acrescentou. neste livro. que seja. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes. especialista em tais assuntos. nem grosseria. indispensável. é incontestavelmente humano.doutrinador julga-se invulnerável e infalível. e da maneira sugerida pela intuição do momento. e jamais ao desafio. tratamos logo de provar que. Quando alguém põe em dúvida um. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. Bem dizia o nosso Paulo. de Espíritos aturdidos ante a evidência desses sentimentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. tem que ser ainda mais adoçada. pois. e por quê. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. é a do ridículo. certos de que firmeza não é estupidez. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. É humano. tão firme. É preciso. depois de uma observação mais enérgica. para os seus fins. embora não tão qualificado intelectualmente. e não repressiva. extravagante. Qualquer um de nós redobra suas energias. A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador. a palavra enérgica é necessária. Nunca deve ir à agressividade. Em suma. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar. seria desastroso recuar. intimidado. estaremos em apuros muito sérios. Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. ele se surpreendia em achá-la tão legitima. ou seja. quando desafiado. o momento certo. quando começa a perceber que está cedendo. mesmo depois de tudo 146 . com extrema sensibilidade. é naquilo que somos bons. Ademais. Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. que “a fé é a garantia do que se espera. tão viva. neste caso. escolhido com seguro tato. sempre a nos surpreender com o seu infinito potencial. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. tenha melhor condição. que você não se importa. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. encorajadora. esse impulso. fonte de belezas eternas. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. à irritação. e que o mais profundo amor fraterno pode e deve co-existir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. de harmonias insuspeitadas. Ainda voltaremos a falar sobre o amor. de reservas inexauríveis de energia criadora. A interferência enérgica é. Uma das muitas armas que manipulam. Ainda veremos isto mais adiante. 11:1). uma questão de oportunidade. ilógica ou irracional. Nada de gritos e murros na mesa. de comovedora sinceridade. esse tema inesgotável. dos nossos mais modestos atributos. ao contrário. de hipocrisia ou de prepotência. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. Baste aqui dizer que a energia. em freqüentes ocasiões. pois. com extrema habilidade. precisa ser decidida a vista da psicologia do próprio Espírito manifestante. mas deve ser dosada. à cólera.

puramente exterior. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (cap. ou por alguém por ele indicado no grupo. quando diz. estão no original. preciosos. mesmo porque. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós. incorporado ao médium. Estes ensinamentos são. O melhor. Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o companheiro nos tenha revelado. Basta dizer. pois. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. em qualquer oportunidade. e sim comunicar-lhe que vamos fazê-lo. Cada palavra deve ter alcance próprio. sem fraseologia inútil. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara. em virtude de o estado de agitação. Entretanto.. para qualquer tipo de prece. A prece o envolve em vibrações pacificadoras. De transcendental importância. necessariamente. mais adiante. Citando os seus amigos espirituais. Em certas ocasiões é preciso orar ainda no princípio da manifestação. é durante a prece. do Espírito. que são meros adornos de lantejoulas.” (Primeira Epistola aos Coríntios. a esperança e o amor. Dificilmente ele recusará. que varia. no decorrer do diálogo conosco. notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. Ore. 13:13) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. devemos fazê-la. na maioria dos casos. pelo som mesmo da voz. Muitas vezes. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. de outro modo. subsistiriam “a fé. a prece tem seu momento psicológico ótimo. talvez há muito não experimente. dita em voz alta pelo doutrinador. não devemos pedir-lhe permissão para orar. um pouco da sua história e da sua motivação. ao qual se conserva indiferente a alma”. enunciada com emoção e sinceridade. o pensamento é tudo. simples e concisa. no entanto. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. e. Numa palavra: deve fazer refletir. ou de alienação. não nos permitir colher. mas. Kardec torna isto particularmente claro. os três. de um caso para outro. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. não passa de ruído. 147 . por em vibração uma fibra da alma. pela expressão da fisionomia. Vêem-se lábios a mover-se. No momento propicio — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. antes.dito e vivido. Lembro que os destaques não são meus. ainda que o recuse.. despertar uma idéia. nem luxo de epítetos. em uma ternura que. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. para os trabalhos de desobsessão. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. na verdade. Kardec escreve. verifica-se que ali apenas há um ato maquinal. é esperar um pouco.

Se já dispõe de alguma informação sobre ele. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. dificilmente ele se oporá. muito crítica e importante. e até milênios. Medo da emoção que os leva a crise. tentando reproduzir... São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. em gestos. para que. a nossa caminhada. e que se encontra anestesiada. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. Ou lhes falta coragem. Estão com medo. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. senão respeitoso. se quiser. Alguns. Ambos havíamos sofrido. no máximo. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. Poderá. pelo menos comedido. Curioso. ou durante a prece. de se dirigirem a Deus. Eles se esqueceram. pura.. Entre continuar numa dor que já conhecem. por algum tempo. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus. da prece — um riso nervoso.Como disse. O efeito é “milagroso”. e acabou cedendo. como irmãos que éramos. que se acham “defendidos”. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. ou interesse. conseguíssemos retomar. ou 148 . em silêncio. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. juntos. orar. no curso dos seus pensamentos habituais.. pedindo ajuda para o companheiro que sofre. “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis. dar um muxoxo desinteressado. no entanto. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. julgando servi-lo. Estes ainda riem. Não têm mais vontade. ambos. por causa daqueles enganos. A prece deve ser dita de preferência de pé. com as mãos estendidas para ele. que acreditava muito cômicos. insistem em continuar falando. e entregarse a outra que desconhecem. Representa uma experiência da qual se desabituaram. Em alguns casos. Alguns informam depois. que muito raramente eles procuram perturbar a prece. por julgarem-se além de toda recuperação. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. Certa ocasião. ao lado do companheiro manifestado. escorada na emoção e no afeto. singela. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta. Geralmente ouvem-na em silêncio. sem convicção. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças. ainda que nem sempre instantâneo. Ele ouviu a prece. Dirija a sua prece a Deus. no entanto. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz. preferem ficar como estão. ao longo dos séculos. às vezes por séculos. mas como se fosse ele próprio. pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. pobres irmãos. surpreendente. zombando ou ridicularizando. a Jesus ou a Maria. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. fale especificamente de seu problema. Ela os leva a alguns instantes de pausa. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. se estivesse em condições de fazê-lo. ou fazer um comentário condescendente: — Pode.

virá imediatamente em seu socorro.com a qual não se acham familiarizados. ou não concede o que julgamos merecer. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. a uma platéia invisível a nós. no seu caso. porque o fanatismo é. pois. os componentes do grupo. os que se comovem. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. pediram favores insólitos a Deus. um culto formal e frio. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. Há. por me faltar autoridade para fazê-lo. que ao cabo de tantos desenganos. mesmo. porque o Cristo sabia de suas necessidades e aspirações. Na profunda intimidade do seu ser. ou seja. mas. a falta dos paramentos e dos livros adequados. exteriormente. desculpam-se desajeitadamente. às vezes. com muita veemência. então. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. de fato. mas não tentam impedir-nos. dizendo que “ali não há condições”. aparatoso e vazio. Outros. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. quando propomos que eles orem também. sentem-se atônitos e temerosos. no qual o coração e a fé não se envolveram. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. para exigir favores de uma divindade servil. estava ao abrigo de suas próprias 149 . continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. vida após vida. por exemplo. difere de um caso para outro. que oram até mesmo com certa veemência. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. a quem orava com todo o fervor. a celebrar suas missas. quando pedimos para orar conosco. e os que se acham de tal maneira alienados. mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. Recolheu-se a uma postura correta. de intensa e desastrosa sinceridade. Sua prece era um tanto oratória e. transformou-se em mero instrumento de poder. mas. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. em respeitoso silêncio. falando com entusiasmo e brilho. Não são poucos os que continuam. ou o Cristo. Enquanto isso. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium. mas ainda precisam de tempo. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. mas pedia para nós. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. diante de um doutrinador impertinente. Não é de admirar. convencidos de que Deus. como acima esboçado. no atormentado mundo espiritual em que vivem. com a impropriedade do ambiente. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre conteúdo. ou. e nada pedia para eles próprios. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. pois. recusam-se. a vida inteira. até mesmo a prece. pois. Desculpam-se. ou não necessitados. que nos concede aquilo que não merecemos. A reação. Para esses pobres companheiros desarvorados. os que ouvem. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. Ele ainda comentou a minha atitude. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. quando convidados a orar de verdade. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. Por isso. os que se recusam a dizê-la. Alguns deles. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. porque temem seus efeitos. e preparou-se para orar. os que a ridicularizam. no fundo. por julgarem-se indignos. para livrá-los da situação em que se encontram. algo surpreso. cega e injusta. embora reagindo. Como se julgam alienados da doce intimidade do Cristo. passem a não crer nela.

A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. a idéia do passe. novamente ajustada à confiança. através da oração. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos 150 . que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. espicaçado pelo remorso. merece algumas observações especificas. a esperança e o amor. magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. Retomando o tema. descer do pedestal de grande mestre. no entanto. de coração sangrando. para que essa vontade. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. em “Mecanismos da Mediunidade”. O PASSE A técnica do passe magnético. Tão difundida está hoje. A prece nos liga porque. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. de suas responsabilidades maiores. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. porém. dissera ele que: — “Toda queda moral. como. Paulo apresentou juntos a fé. ou diante de nós. a fim de que o Estado Orgânico. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. em toda situação e em qualquer tempo. pl. às culminâncias da esperança. se recomponha para o equilíbrio indispensável”. opera certa lesão no hemisfério psicossomático. pelos caminhos espinhosos da recuperação. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. ou perispírito. esse mesmo autor espiritual. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. observa ainda. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. pelo menos no Brasil. do ponto de vista da medicina humana. que. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. ou líder. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. provocando determinada causa de sofrimento”. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. mas. nos seres responsáveis. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. apoiada na fé. nessa ou naquela contingência. informando sobre o passe. para voltar a ferir os pés descalços. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. Sendo. Pouco antes. que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. aprisionado ainda no erro.contradições íntimas. o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. Esclarecemos. reconhecendo-se. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veiculo carnal. em “Evolução em Dois Mundos”. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. porquanto. declara. no entanto. nas sessões de desobsessão. por desajustes complicados do cérebro. a fé. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. pois. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. É por ela que conseguimos alçar o nosso Espírito. por exemplo. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós.

tanto no encarnado como no desencarnado. neste campo de trabalho. deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. com a técnica adequada e na extensão necessária. no entanto. Os ensinamentos de André Luiz permitemnos concluir assim. quando informam que o passe magnético. Parece. constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. O passe. apoiado na prece. a experimentação deve 151 . portanto. Sem dúvida alguma. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. No entanto. Nunca é demais lembrar que. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. está presente. mas bastante encorajadoras. Como sabemos. reiteradas posteriormente por vários pesquisadores. A literatura sobre o passe magnético é vasta. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. é imprevisível. no século passado. Na prática da desobsessão. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. o passe é utilizado também para magnetizar. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. além de ser uma organização consciente extremamente complexa. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. qual a técnica e qual a extensão. mas que. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. provocando. o desdobramento do perispírito. ou seja. como para provocar a regressão de memória. o Espírito desencarnado. ao que sabemos. de falhas e de êxitos. pois é ele o modelador da nossa organização material. Mas. segundo experiências de Albert de Rochas. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. o conhecimento real emerge da experimentação. precisa ser ministrado no momento certo. porém. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. Sua estrutura. embora mais sutil noutro campo vibratório.misteres da Providência Divina. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. ainda que preliminares. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo. aberto aos benefícios que o passe proporciona. aplicado em seres encarnados. incorporado ao médium. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legitima. a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. em hipótese alguma. O perispírito. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. pelo simples fato de que o ser humano. Dessa forma. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados. qual o momento. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. de um ou outro engano. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. Nesse campo. é similar à do corpo físico. definições precisas e definitivas não existem ainda. Poucos estudos existem. sobre o passe aplicado aos seres desencarnados. principalmente na França. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. nesse caso.

Já debatemos por algum tempo o seu problema. seja recolhido a instituições de repouso. A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento.balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. é necessário mesmo adormecêlo. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. mas é preciso usá-lo com moderação. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. e que tenebrosos compromissos acarretarão para o Espírito. Para isto serão passes de dispersão. Ele pode serenar ou excitar. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. ao ser retirado pelos mentores. foi dito. mas por processos abjetos que. como nas outras. para ajudá-lo. sua técnica. isso é necessário. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe. estudo metódico e prática bem orientada. ou fazê-las cessar. indiscriminadamente. podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. são. condensar ou dispersar fluidos. curar ou trazer mais dor. subjugar ou liberar. nas sessões de desobsessão. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. como sabemos. construir ou destruir. O passe provoca reações variadas no ser humano. enfim. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto. Neste caso. para tratamento mais adequado. vestimentas especiais. devem resultar de cuidadoso planejamento. o que tinha que ser dito. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. ou trazido na sessão seguinte. “objetos” imantados. justamente do que mais precisamos. para que. transmitir vibrações de amor ou de ódio. e por qualquer motivo. Mas. causar bem-estar ou incômodo. pelo menos por enquanto. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. no entanto. armas. a fim de que. altamente éticos. símbolos. mesmo porque. encarnado ou desencarnado. não obstante. 152 . pouca gente tem noção do nível de degradação a que podem levar. em si mesmas. ou por meio de processos aviltantes. neutras. Em contraposição a tais processos. em melhores condições de acesso. no trato dos nossos irmãos desencarnados. As faculdades psíquicas. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. e ele continua agitado. hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. qualquer trabalho mal orientado. em termos de Doutrina Espírita. Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. Não sei se me faço entender. ao longo dos braços. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. com seriedade e respeito. em virtude de permanecerem em segredo. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. De outras vezes. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. Com o passe. nesta fase. provocar crises psíquicas e orgânicas. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. Ele é realmente o recurso válido e potente. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. Se temos necessidade de dialogar. como “capacetes” “couraças”.

a propósito. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. por causa de sua vida miserável. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. Numa dessas ocasiões. tão necessários. violento e de dificílima abordagem. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. grita-lhe impropérios terríveis. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. um invisível prato de sangue. as palavras que ele ouvia do doutrinador. para sustentá-lo na sua “perigosa” missão junto a nós. da auto-hipnose. Com mais freqüência do que seria de supor-se. em rigorosa concentração. até à infância. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluidos. às vezes. além de capacete e couraça. quase sempre reportando-se a vidas anteriores. Com o passe os adormecemos. somos instruídos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. porém. Certo Espírito. a despeito deles mesmos. para fins muito bem definidos. como no caso daquele que nos trouxe. ligava-se por um fio. o fio também foi preservado. de braços estendidos. ao seu grupo. mas nunca pode esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. as ligações foram mantidas e. segundo diz. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. com voz mansa. Ao que parece. Seu problema central é a mãe. ameaça baterlhe e humilha-a de todas as maneiras. O passe ajuda os Espíritos. Tem-lhe ódio mortal. 153 . que os desarvorou completamente. aos comparsas do Espírito manifestado. ao despertamento de Espírito em estado de alienação. de um doloroso e comovente caso. Já relatei algumas ao longo destas páginas. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais. De todos esses aspectos temos tido experiências altamente instrutivas e algumas de intensa dramaticidade. ainda aceitava a mãe. O Espírito era agressivo. Ajudados por nossos passes. que depositou sobre a mesa. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. Ele se tornou sonolento e. começou a chamar pela mãe. para que. através dele. manda-a de volta ao cais. Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. ou da própria. isto e. numa época de preconceitos muito severos. de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. especialmente ao fim da conversa. no devido tempo. quando. se “retransmitisse”. Desta vez.O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. sofreu humilhações na escola. nesses mergulhos providenciais no passado. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. Creio que ele não conheceu o pai e. segundo nos explicou. destacouse na vida. São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. muito pequeno. Veremos outros exemplos. Lembro-me.

no campo mediúnico. que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paixões. escolhido aquela mãe. RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. indomadas. voltou novamente com todo o ímpeto. com as nossas lágrimas. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia. paramos no tempo. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. Comprimidos numa estreita faixa de presente. Em assuntos dessa natureza. segundo os impulsos do momento. e presas as recordações. com amor e sofrimento. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. Num “flash” doloroso. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. mas. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. Se posso sugerir alguma coisa. Se. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. ao contrário. precisamente. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje.Na semana seguinte. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião. em que se apresentará mais receptivo. mas. na sessão anterior. no trabalho de desobsessão. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. quando estimulamos. o futuro não importa. e melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. Ele sabe que o Espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. por exemplo. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema. Ademais. necessário a ambos. as sementeiras da paz. simplesmente. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina do reajuste. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele é novamente adormecido e levado. o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico. É preciso saber que cabe a nós — e a ninguém mais — domá-las. Ainda muito difícil. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. entre um futuro que ainda não existe e um passado que 154 . São de incontestável importância estas noções. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. e cultivamos. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. Por que razão teria ele. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. às vezes. que procuram viver com toda a intensidade possível. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. quando são. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. enquanto nos apraz o erro.

saberão fazê-lo com dignidade e coragem. por aí. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. irresponsavelmente. uma concessão. distinguir bem uma coisa da outra. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. em nova aventura na carne. naturalmente. O esquecimento proporcionado ao Espírito. Que seria de nós. depois de uma pausa. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. jamais. que talvez ainda o fascine. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. para refazer-se. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. quanto o são perante a alheia.procuram ignorar. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. teimamos em chamar de destino. se fossemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. que nem sempre ele sabe avaliar. no mundo espiritual. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento. Esperam. esquecem-se de que não poderão. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. mas. veremos como acertar essas contas com o que. na abertura de “O Nazareno”: “Não o poder de recordar. mas não se pode negar a sua intuição da verdade. no entanto. trágica. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. da renúncia. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. fugir às suas responsabilidades e compromissos. ser tão valentes perante a dor própria. ou ao poder. dos desenganos. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. não obstante. na trajetória evolutiva do Espírito. ainda que efêmera. dificilmente ele irá à glória imediata. é mais certo que continue o percurso da dor. ao tomarmos novo estágio na carne. intensamente. por largos séculos ou milênios. dado que. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias. para aquele que muito errou. Depois. comovedora. constitui uma das condições necessárias à nossa existência”. à sua condição de Espírito desencarnado. Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. Vamos primeiro “gozar” a vida. açambarcar o poder. viver. Esse momento é crítico. É seguir em frente. Do outro lado. na fase da reencarnação. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. É 155 . Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. desesperada. e sim o poder de esquecer. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo. porque a redenção ainda vem longe. alegremente. dominar o semelhante. Trágico e doloroso engano é esse. É certo que. A dor dos grandes criminosos é terrível. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. enfim. como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. acumular riquezas materiais. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. Retornando. a lembrança das existências anteriores. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. é uma bênção. embora ainda responsável por elas.

aquele que opta por este caminho. pois. em proveito próprio. E evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. Vários recursos são empregados. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições. no mundo espiritual. justificado pela expectativa da cura de seu doente. como se o passado não existisse mais em nós. para eles. além disso. embora. que precisa ser dispersado. O Espírito. como relutam.. sair em campo. inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. porque é justamente disso que ele foge. Quantas vezes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. enquanto permanecer ali. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. ainda. vários ajudantes de serviço — escreve ele. Dentro dessa lógica atormentada. Suas angústias são muitas. daquele mesmo passado que renega. E só. caírem na faixa da recordação. Só poderá sair queimando-se. como o médico que ministra um remédio amargo. mesmo.. cenas vivas de seu passado. É como se a vida principiasse novamente. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. encerra-se o Espírito endividado num círculo de fogo. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. André Luiz deixa-nos entrever tais processos. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. ignorá-las. utilize-se. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. Não temos. do ponto em que a inocência a deixou. está abrigado de si mesmo. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. de sua própria criação. incoercívelmente. agora. diante de si. 156 . indispensável a essas montagens. com respeito e dignidade. ligando-se a tenebrosas organizações. seus remorsos extremamente penosos. no capitulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes. em tais condições? — o passado. o que.. e o futuro nunca fosse existir. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. O Espírito vê. — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos.. é esquecê-las. embora não fosse novidade. buscar seus comparsas. Como reagem. pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito”. os encarnados. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. sepultá-las. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo. em “Missionários da Luz”. adstrito à incoerência dos alienados. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar. congela o coração. passa à condição de não existente. a matéria-prima. como temem os fantasmas interiores. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico. que também decide pelo esquecimento. Se é verdade. O melhor. enquanto mutuamente se servirem. é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. pois. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente. assim envolvido. há milênios sem conta.

para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos,
ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros, indispensáveis ao
reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes.” (Destaques desta
transcrição)
O instrutor prossegue, explicando que, com essas formas de energia, recolhida dos
encarnados presentes, podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes
àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne, não obstante já se
acharem desligados dela, às vezes, há muito tempo.
Ante o impacto dessas imagens, que parecem surgir límpidas, vivas e dramáticas, de
um passado que julgavam morto, os irmãos desarvorados parecem saltar o círculo de fogo
que os envolve, e, como se do lado de fora de si mesmos, têm uma pausa para reexame de
suas posições desesperadas. Afinal de contas, o que estão fazendo? Que loucura é aquela
em que mergulhamos? De onde vem tudo isso, no passado, e até onde irá, no futuro?
Um desses companheiros atormentados, anti-semita irredutível, viu os quadros do
êxodo no antigo Egito, onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. Recuando
mais, porém, foi encontrar raízes muito mais profundas, do drama, na antiga Babilônia,
onde, em posição diferente, enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo
hebreu. Pela primeira vez, em muito tempo, perguntou-me, algo perplexo:
— Será que isso não tem fim?
Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim, mas, disse-lhe que
sim, podemos por um ponto final nesses círculos viciosos, que buscam eternizar-se dentro
de nós, por um esforço da nossa vontade, que só é possível depois de compreendermos a
inutilidade do ódio e a força invencível do amor.
Às vezes, o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais
grosseiro, que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma, produzido por
médiuns de efeitos físicos, não apenas para adensar as formas perispirituais de
companheiros desencarnados, que devem tornar-se visíveis, como verificamos no texto de
André Luiz, acima transcrito, como para formar os próprios “quadros”. Num caso
particularmente difícil que tivemos, um dos médiuns começou a expelir ectoplasma,
enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. A certa altura, o ectoplasma formou,
para a sua visão, as letras de um nome de mulher, antigo amor, cuja lembrança ele
procurava recalcar nos porões da memória.
Em outro caso, de vigorosa dramaticidade, o Espírito viu, sobre a mesa, um grosso
livra, encadernado em capa de madeira, sobre a qual estava seu nome, escrito em belos
caracteres de bronze. Era a história de sua própria vida. Ele sabia que precisava abri-lo,
mas não se sentia encorajado. Era, evidentemente, um recurso, para leva-lo ao reexame de
seus atos, ao passado, enfim. Depois de muita relutância, fez o gesto de virar a capa. A
primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco...
Todo o livro estava em branco... A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela
existência tumultuada, durante a qual dominara povos, ao poder da espada impiedosa.
As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movimento, os sons, as cores,
como se um “vídeo tape” as reproduzisse, com toda a sua intensidade e emotividade. Com
muita freqüência, os Espíritos relutam em contemplá-las, e procuram fugir das visões que,
não obstante, tornam se irrecusáveis, e impõem-se, a despeito deles próprios.
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A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. Cabia lhe assinar o
documento, que ele sabia ser uma sentença de morte. Fizera-o, certamente, no passado, e
agora revia o momento dramático, com uma diferença: alguém contemplava, a curta
distância, fixando nele um par de olhos tranqüilos, cheios de amor fraterno, provavelmente
os de sua vítima. Seu desespero é atroz. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. Que
lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego, para não contemplar mais
aqueles olhos... Diz que matou uma santa, e informa: “uns são canonizados e outros
queimados”.

*

Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães, esposas, filhos,
ou amigos muito chegados ao coração. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre
tais manifestações, estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar, destacadamente.
A pureza do amor materno permanece inalterável, ao longo dos séculos e das vicissitudes,
arrosta as ingratidões, suporta as humilhações, vence o ódio, vence tudo.
Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado,
nas profundezas de seus tenebrosos domínios. Ela alcançara, já há muito, as regiões da
felicidade; mas, e a dor de ter o seu amado preso ainda às paixões do mundo? Vai ao seu
encontro, numa descida sacrifical às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina,
incontestado.
— “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma, que, um dia, te adotou por filho
querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual”.
Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados, que nos velam de lágrimas
os olhos!
Lembro-me de um deles, em particular. O Espírito vinha assediando-nos há tempos,
semana após semana. Manifestou-se, primeiro aparentemente muito calmo e tranqüilo.
Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. Nada queria de especial: iria
apenas observar-nos e, se fosse o caso, tomar suas “providências”. Deixou no ar a ameaça
e partiu. Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava... Por algumas
semanas, observou-nos. Pouco falava nas suas manifestações. Revelou, apenas, que já tinha
sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”,
mas começava a deixar transparecer, também, certa preocupação, porque algum delator, a
seu ver, havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. Na vez seguinte suas
preocupações estavam ampliadas, porque descobriu que, através de processos de regressão
de memória, de nosso conhecimento, estávamos penetrando certos núcleos. Nessa mesma
noite, tem a primeira visão de algo que muito o perturba. Adormece e parte. Na semana
seguinte não consegue mais manter-se calmo, como das vezes anteriores. Está indignado,
furioso. Diz que tudo ruiu em torno dele. Tinha o poder de um semideus, e “fomos mexer
com a sua família!”. Dá murros na mesa, dominado pelo ódio e espicaçado pela
humilhação. Se pudesse, me pegaria, para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto, de
revolta e de impotência.
Em seguida, por outro médium, manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua
dolorosa história. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. Foi, por certo, a sua presença
ali, junto dele, que o perturbou há duas semanas.
— Ele é bom — diz ela —, mas muito vaidoso.
Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. Ela mesma ainda não está bem.
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Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. No passado, enquanto
encarnados, também teve um encontro dramático com ele. Ele a abandonara à sua própria
sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. Quando já se encontrava na sarjeta,
procurou-o e foi repelida. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica.
Os séculos se passaram, e tudo quanto ela esperava, agora, era merecer novamente a
oportunidade de ser mãe, mãe digna. Digo-lhe que as mães são seres humanos e, por isso,
também erram. Ofereço-lhe a nossa ajuda, que ela agradece, dizendo que tem de voltar para
onde está, no momento.
Com este caso, desencadeou-se extenso processo, que se desdobrou em aspectos
inesperados e de profundas implicações. Nunca pudemos, no entanto, esquecer a ajuda
daquela mãe humilde, e ainda mergulhada nas dores do resgate, que nos ajudou, com a sua
presença amiga, a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixões, embalado
pelo amor ao poder.
Em caso semelhante a esse, o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe, ajoelhada
diante dele, a pedir-lhe perdão. Ele reluta e resiste, porque é este, precisamente, o âmago de
sua problemática: foi abandonado, por ela, à roda, e por isso ele repete agora, a si mesmo,
que não tem mãe. Oramos, damos-lhe passes, e, por fim, ele não mais resiste:
— Tenho mãe! — diz ele. — Não sou um desgraçado!
De outra vez, num caso a que já me referi alhures, o Espírito tinha um problema
pessoal comigo. Era questão antiga, de mais de oito séculos! Em conseqüência desse, e de
outros desenganos, vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. O problema era
extremamente difícil, porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se
diretamente sobre um de nós, precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e
esclarecê-lo. Ele se mantinha irredutível, pois minha presença obviamente reanimava nele
as antigas paixões e frustrações, das quais não conseguira desembaraçar-se. Foi num desses
pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava
dizer alguma coisa diretamente a ele. Era sua mãe. Elevei meu pensamento em prece e, com
enorme respeito, ouvi o diálogo através do tempo, entre a mãe amorosa, que não esquecera
e sofria com a ausência do filho, e o filho que recusava obstinadamente o amor, porque
estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança.
Pede-lhe ela, com infinito carinho e humildade, que abandone aquela vida e venha para
junto de seu coração. Todos estão juntos na família; só ele está ausente, Não está
convencido de que ele a recuse. Deseja ouvir dele próprio a negativa. E ele diz que não a
quer mesmo, pois seu caso ali é outro. Que ela não se meta; continue a fazer seus bordados.
Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto, em silêncio,
junto de Deus. Depois lhe diz que vai deixar o médium, pelo qual lhe está falando, para
aconchegá-lo junto ao seu coração. Ora, comovidamente, à Mãe Santíssima, em palavras
simples, expondo o seu problema e as suas dores.
Quando conseguimos, afinal, despertar o amado companheiro, dirijo a ela um
pensamento de infinita ternura e gratidão, porque estou certo de que, sem o seu concurso,
não o teríamos alcançado. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim,
porque fui um dos agentes de sua angústia, mas não teve para mim uma palavra de censura
ou de amargor.
Em outro caso, também muito difícil, o Espírito, autoritário e empolgado pe!as suas
idéias e pelo seu rancor, recebeu, diante de nós, a visita de um menino (teria sido seu filho
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consciente e disposto a corrigirse. enquanto ele o fizera para a mal. Antes de desligar-se do médium. no entanto.. movimento. Ao manifestar-se. mas ele. conservava-se. Por isso. personagens. Mesmo assim. semcerimônia. de amor. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado à hora do reencontro.ou neto?) que o desarmou com seu carinho. açulando-lhes paixões aviltantes. só que agora. e cujo olhar não mais esquecera. de ternura. de braços estendidos. e respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. Poderia perturbá-lo. Estava. Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. E me diz. que sabia dos planos. porém. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. já assentados. sua ternura infantil. à minha direita. não como a um poderoso. cores sons. Servira aos imperadores romanos. de recordação. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. não. porque não lhe convinha. Eram pobres criaturas desequilibradas. nesse ínterim de quase dois milênios. Em tempos idos. encarar seu antigo amo. estava ainda preso a eles. agora. mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. De outras vezes. dominados pela aflição. tivera outras encarnações. invisível ao seu antigo chefe. desarvorado e sofredor. compreensão e simpatia. animado por 160 . utilizem-se da projeção fluídica. bastante lúcido. disse-me. mas como a um Espírito infeliz. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. Numa dessas oportunidades. saltando. Basta um momento assim. que “ele” era uma criança grande. para o seu colo. Respeitemos suas razões. cercados de sombras. Eles ainda se julgavam deuses. amigos e parentes acham-se presentes. na antiga Roma. emoções. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. e que não iria ser nada fácil. fazendo mesuras. perdidos num dédalo de sentimentos confusos. Informou-me de que. em vista da profundidade a que descera. mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. com inesquecível toque de autenticidade. o Espírito viera dar uma ajuda. com cenários. muito embora sabendo que era longo a caminho a percorrer. que era a doutrina melhor. ainda trazia ressaibos de ironia. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. Eu deveria fazer isso. utilizando o poder das Césares para promover seus interesses inconfessáveis. fácil de conduzir. que precisa de muita ajuda e compreensão. agora.. pois. Nunca sabemos. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. ajudar a libertar de suas angústias. através dos tempos. Digo lhe que precisa. seus apelos. ao lado. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. já sabia. ainda. Quanto ao Cristianismo. Às vezes. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. dizia. para o bem. naquele tempo. mas rejeitou-a deliberadamente. Lamenta a perniciosa influência que exerceu sobre os seus soberanos. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias.

a inspiração. Antes que inspirem essa confiança em nós.meio de recursos retirados. pois. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. do contrário. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. ainda que estejam encarnados. de descuido. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. durante os desprendimentos. Sabem eles. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. quer se encontrem endividados ou redimidos perante a lei. muito respeito com o trabalho dos nossos mentores invisíveis. Não é tudo que eles podem fazer por nós. um componente de incerteza. Estejamos. mas continuam sendo projeções. É certo. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. mas 161 . Nos casos em que essa presença se faz indispensável. pois. Eles sabem. que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade. que infalível só é a visão divina. Eles se apresentam aos seus olhos. não obstante. integrado num trabalho sério e fecundo. que não poderão garantir o resultado. que há sempre. aquilo que nos compete. Eles nos assistem com desvelado carinho. segura. é claro. É preciso. São eles que nos preparam o trabalho. que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. muito atentos. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. e que não se deixarão conduzir pela mão. tudo fariam sem nós. aqui mesmo. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. assistir a tudo sem Espírito critico e sem a necessária vigilância. conversam com eles diretamente. bem como a segurança com que executam suas tarefas. de falha. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. imprevisíveis e. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. muitos deles nossos antigos comparsas. como explica André Luiz. os recursos e a sua presença constante. Mesmo o grupo mais bem ajustado. de certa forma. dão-nos o apoio. como crianças tímidas e ingênuas. estejamos tranqüilos: tudo será feito. Uma vez. Já vimos. depois. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá-los fazer tudo. porém. às vezes. dos presentes em torno da mesa de trabalho. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. mas cuidando de seres humanos. ou através de outro médium. num impulso de paixão e ciúme. por nós. Esses quadros exibem figuras humanas. não obstante. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. Quanto à tarefa que lhes cabe. amparam-nos nas horas de incerteza. por outro lado. porém. para melhor dominar e impor as suas condições. mesmo naquilo que lhes cabe fazer. para poderem impressionar seus sentidos. ou se tornam semimaterializados. pois há Espíritos ardilosos. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. naturalmente. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. em nós. mais pela presença de suas vibrações pessoais. de que tanto nos falam eles. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. do que pelo mero apelo da memória. mas não podem fazer. Naturalmente que. de seres encarnados. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. pois. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. em recentes ou antigas encarnações. que pode pôr tudo a perder. muito bem dotados intelectualmente. no entanto. De outras vezes. embora não infalível. seria arriscado segui-los confiadamente. dotados de livre-arbítrio. tranqüila. também.

e argumentação é inútil. falaremos juntos. sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. Nesses casos. E. Baste-nos a alegria do dever cumprido. Para isso. desejando-o intimamente. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. aos poucos. se o tentarmos. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. mas não opor grito contra grito. Por este motivo. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. Se os companheiros dele. porém. A cólera passa. ameaçador. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. abre-se uma perspectiva de entendimento. Não ficar mudo ante a sua cólera. contudo. A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. a nós. proferindo ameaças terríveis. e a batalha verbal poderá ser muito longa. ali presentes. Se. de início. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. ou ele não nos ouvirá. uma humilhação — mas. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação. a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. dando murros na mesa. pelo menos. com passes e sugestões verbais. a sensibilidade do doutrinador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. por si mesmo. para que ele próprio — doutrinador — possa reformular a sua tática. Mesmo irritado. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. ou inconscientemente. lutando interiormente consigo mesmo. a doce felicidade de ter. em altos brados. a nossa posição é de ativa expectativa. pensando apenas no que nos dirá a seguir. também ignoramos.nosso conhecimento é muito limitado. Mas. ao mesmo tempo. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. ele nós respeitará e. murro contra murro. O fato. Enfim. Antes disso. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. uma vez mais. é a partir desse ponta que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. que só grita aquele que não tem razão. Não é possível. não tentemos forçá-la. Se opomos resistência. irritadíssimos. É preciso ter paciência e esperar. dos méritos. para ele. o doutrinador deve abandonar 162 . para captar-lhes. De certo ponto em diante. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. ao contrário. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. as sutis instruções que nos ministram. por exemplo. porque ele só deseja gritar. na praia mansa. de reduzir a volume de seu vozerio. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. argumentar com eles. Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. através da intuição. e. definitivamente. Não que ele o reconheça nesses termos. ao Espírito manifestado. com a voz no tom normal. para autorizar-nos a precipitar qualquer situação. costumo dizer. porém. esbravejando. nessa condição. devem ser exibidos à sua visão. Se a conversa for bem orientada. aos queridos companheiros desatinados. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. ou não. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. não significa que já esteja resolvido o seu problema.

ao partirem. Não iludi-lo com a paz imediata. aos nossos princípios. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar-me? Daí por diante. porém. A partir desse ponto. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. um sentido novo. um dia. De qualquer maneira.sua técnica de contestação e argumentação.. a perder-se nas trevas do passado. estarão mais acessíveis. a voz desce de tom. ainda. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que. Está. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. intensa e dolorosa como nunca. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. muitas vezes. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado. em explosões de luz. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. mesmo os mais violentos. aceitável. ele disse. Ambos o chamam. começou a ceder. para ele. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. com um desses companheiros desarvorados. contra seus próprios interesses pessoais. Argumentava eu. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento. certa vez. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e tímida afeição ou respeito. que pode ser próximo ou remoto. a meu pedido. ou se apenas levam uma disposição para reexaminar suas convicções. também. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. levarão no coração as sementes de um futuro. O momento é oportuno. Mais do que nunca. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. ambos o atraem. a crise. mas que virão fatalmente a germinar. se. como diz a expressão inglesa. Sente fugir o terreno em que pisa. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro.. mesmo assim. É o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade. só que. ilusões desastrosas e erros clamorosos. Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. advertilo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados. a incógnita do porvir. de certa 163 . mas por ele próprio. Do outro. portanto. com o brilhante e combativo Espírito de um ex-inquisidor. Um diálogo um tanto difícil. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: é que só agora os ensinamentos de Jesus começam a ter. certa vez. como se pensasse em voz alta: — Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. mas a batalha pode durar ainda muito tempo. o fio da navalha. quando ele me perguntou. aceitam um ou outro argumento nosso. Como sempre. Terminada a rogativa ao Alto. Percebemos que a fase da aceitação chega por pequeninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador. uma vez despertado para a realidade. sobre. obsessor. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. ele a ouviu em silêncio. foi suspenso. para pensar. então. De um lado. pode ocorrer. tentando mostrar-lhe a inutilidade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. não sabemos.

às vezes altamente qualificados e experientes. pensar no assunto. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. não lhes tira o valor. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. como vimos nas próximas sessões. Acostumara-se ao poder incontestado. a existência de Deus. não lhes reduz o conhecimento. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. mas não quero fazer isso. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido. consciente ou inconscientemente.. voltou novamente agressivo e irritado. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. tanto na carne. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram. o direito de escolha. para servir aos seus propósitos e justificar sua filosofia de vida. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. Certa vez. através do roteiro luminoso do amor fraterno. surge do passado uma lembrança esquecida. interpondo apenas uma ou outra observação. a intimidar. do lado negativo da faixa vibratória da vida. o abriga da terrível realidade. até o momento. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. Não é fácil. porque está minado de imprevistos. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. a punir. o livre-arbítrio assegura-nos. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade. promete. Não está convencido. dali em diante. com a sua presença. consideram “perigoso”. o conceito da reencarnação.forma. gritava. A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. como já vimos. Faz pouco da minha inteligência. Ameaçava. Em primeiro lugar. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. Quando menos se espera. não exclui o fato de que são Espíritos. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. que ridiculariza: à vontade. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. Qualquer argumento que lhe apresente. Na semana seguinte. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente. no campo puramente filosófico. Seguirá seu caminho de sempre. alegando que quase havia caído. São inteligentes e experimentados.. a todos. mas que conseguira reagir. Deixei-o falar. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. Claro que interpreta a minha calma como covardia. de um ponto de vista vantajoso. a mandar. sim. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. quanto no espaço. por causa da nossa afeição. Afinal. E é precisamente por isso que. quanto ao campo sentimental. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. Estava ameaçando ceder. dava murros. o apelo de uma voz cariciosa. ele o “vira” à sua maneira. recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. Ou estavam. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. de uma vez. pois. a responsabilidade que assumiram perante a lei. mesmo nos mais valorosos Espíritos. 164 . Temos que entender. mesmo. afinal. também. para aquele que está convicto da legitimidade de seus caminhos. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. a sensação de atordoamento é inevitável. a imortalidade. ou lançar-se. nada mais. mas com firmeza. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. Não é. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. A decisão é difícil. Em segundo lugar.

seus desesperos. Além do mais. de uma palavra de sincera afeição. tentando convencer-se de que está vivendo um pesadelo. o que o espera. É preciso ajudá-lo. ou pressente. em silêncio reverente. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. mas ainda procura iludir-se. agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. até onde e quando. nessa hora. do amor fraterno. seus temores.A certo ponto. realmente em pânico. da ternura. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele. e procura acalmar-se. esposas. a presença de antigos e esquecidos amores: mães. irmãos. que se estenderão pelos séculos futuros. E necessário assegurar-lhe. em seguida. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. chora. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. o amor indubitável do Cristo. nunca falta. e informa. Não tenho a menor intenção de dominá-lo e. enquanto a crise se adensa e aprofunda. enquanto fico ao seu lado. muito carinho com as suas dificuldades. mas que o mantém fortemente contido. ternamente. Muito respeito pela sua crise. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! 165 . amigos. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. Ainda reage. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho. desesperado. mais do que nunca. com muita paciência. invisível a nós. ao contrário. e parte. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. em crise. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. Começa. Depois de algum tempo. cujas perspectivas se abrem diante dele. Ele está arrasado. O Espírito. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. Dou-lhe prolongados passes. Digo-lhe que. pela primeira vez. Quando tenta reagir “fisicamente”. É evidente que tenta. somente Deus saberá. Ele sabe. tem medo: está vazio e quer dormir. a presença infalível de Deus em nossas vidas. que nos ajudam na fase final da doutrinação. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. reagir. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. que deseja que o pecador se salve. Subitamente. levá-lo. Por fim. sim. Este irmão voltou mais uma vez na semana seguinte. Começa a crise maior. o irmão entrou em crise e começou a monologar. mas sente um arrastamento incoercível. É o grande momento da compreensão. Num caso desses. de despertar o seu Espírito. nesse momento. cesso a conversa e oro. Apresenta-se completamente desarvorado. a dar o passo final. precisa. do qual vai acordar a qualquer momento. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar livremente. para esquecer. Confessa que. Volta a esbravejar. como temos visto. de última hora. ainda. ameaçar. por mais que se esforce. em termos de resgates dolorosos. mas acaba calando-se. a ver cenas do seu passado distante.

para alcançá-lo através do sentimento. porém. as perspectivas da paz. contemplando as duas perspectivas — passado e presente —. não conseguira ainda assimilar. Não o force. e aqueles que o esperam. com todo o poder de sua inteligência e de seus conhecimentos. mas para fazer com ele. ou então. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. de amor sem limites. de elevada condição espiritual. Vem sempre acompanhada de profundas emoções. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. por algum tempo. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento. uma mulher. confiante. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. ao contrário. por conseguinte. temor. que o doutrinador não pode deixar passar. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. em corpos deformados.Ele a repete. da coragem otimista. Há. do afeto. ante o inevitável. acenando-lhe com um paraíso imediato. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. Ao despertar para a verdade. senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”. revolta ou deslumbramento. à pavorosa técnica do “crime religioso”. realista. da emotividade. mas ele ainda reluta. fora também um inquisidor. Trateo com muito carinho. A um desses pobres irmãos desarvorados. Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. Estas crises caracterizam-se pela revolta. Não tente engana-lo. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. mas cuja mensagem. Além do mais. a quem conhecera pessoalmente. que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. Lembre a necessidade da prece constante. diante da enormidade de suas 166 . rude. ele não os conhece muito bem. Julga-se um abutre sem remissão. Não o atemorize com ameaças. tenho-a num caso de que tratamos. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. Alguém. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. Um típico exemplo desses. da confiança. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. ele teme vinganças cruéis. Chama-me de traidor. Ofereça-lhe a sua ajuda. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. amoroso. do “trabalho”. A essa altura. confessa a aflição que experimenta. não para fazer por ele. o espera no limiar da nova existência. em pranto. Está arrasado. que ele sabe não estar ao seu alcance. não carregue nas cores do sofrimento que o espera. e diz que precisa recompor-se. o trabalho de reconstrução que o aguarda. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. que há tanto tempo o esperam. cegos ou mutilados. quando o Espírito fica sobre a linha. sente diante deles uma vergonha mortal. humano. sendo. ou milênios. ele não pode mais voltar sobre seus passos. Seja simples. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. para ajudá-lo. Era extremamente rebelde. agressivo e violento. dedicava-se. pela enormidade de seus desvarios. a oportunidade preciosa.

De modo geral. o trabalho bem dividido e especializado. às vezes. levando-o à força. cerca de um ano antes. os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. no mundo das sombras. A partir do momento em que os companheiros são recolhidos.culpas.. necessária. para o despertamento. segundo nos informa. pois eles estão em boas mãos. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. para a reencarnação na Terra. para uma prédica. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. durante os desprendimentos do sono. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. mas em tarefas de menor importância. muito tempo. com o mesmo carinho de antigamente. começa o preparo. assim que estejam em condições. Geralmente. Ele chora. Certa vez.. e contra a sua vontade. para “prisões” e castigos. Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. tranqüilizemo-nos e demos nossas graças a Deus. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. a três Espíritos que. No momento é o de que mais precisa. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados. que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. Em alguns casos. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu. agora. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. transcende suas qualificações e possibilidades. além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. assim despertado. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. Em raras oportunidades. Acham 167 . E parte. dos quais nem percebia a presença junto de si. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. pela primeira vez em muito. a seu ver. de início. partiam. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos. Preocupa-se com aqueles que liderava. a não ser excepcionalmente. O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. como o de sua mãe. que. ficariam agora ao abandono. raros. eles são trazidos para despedirem-se de nós. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. Também eu lhe peço minhas desculpas. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. de sempre. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. emocionada e belíssima. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. por tanto tempo. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. por uma ou outra palavra mais enérgica. É que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. com a sua agressividade. das quais nem tomamos conhecimento consciente. Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluída nesse ponto. mais tarde. tratados pelo grupo.

muito mais amplo. nas horas mortas da noite. ele se reunira com os demais companheiros. com extrema atenção. É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. com as cautelas que. e talvez mais afeito à organização mediúnica. naquilo que ele vai dizendo. durante a semana. Mas. a uma pergunta mais embaraçosa. que dele recebiam. no grupo encarnado. O INTERVALO Muito trabalho. este reencontro é proporcionado. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. não lhe foi difícil verificar. se fosse possível conversar com eles. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se. Logo. encarnados. afinal. pelo menos. por si mesmo. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. difícil e constante. as tarefas desenvolvidas durante a semana. por certo. São inúmeras. Num caso desses. pois interpretavam as vibrações de aflição. no entanto. embora de menor vulto. porque. Em casos excepcionais. desenvolve-se no mundo espiritual. verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. durante os nossos desprendimentos. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no corpo. para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. porém. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. mas. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. não deve fingir que sabe de tudo. de outra natureza. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. a um ponto de reunião. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. em certos casos — será mais modesta ou. Nestes casos. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual. praticamente tudo quanto formular no pensamento. pelo menos. o médium transmite. após termos conseguido “conquistar” o seu líder. ou seja. entre uma sessão e outra. tanto os componentes encarnados do grupo. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. como vimos. quanto os Espíritos necessitados. Por outro lado.que. ele terá que confessar sua ignorância. e trabalho preparatório. para reassumir seu posto no mundo das sombras. não tão impetuoso e violento. ainda que não tenhamos condições de conhece-las. 168 . os convenceriam a voltar à vida de crimes. mas a nós. a participação — ainda que importante. e nem desejava voltar sobre seus passos. A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. como um apelo do ex-comparsa. podemos imaginar. que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. Fora vê-lo pessoalmente. Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. porém. o pensamento do companheiro manifestante. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar. ao manifestar-se. os mentores levam. que acreditavam prisioneiro nosso.

às vezes. com enorme dificuldade. que haviam alcançado numa “condução” rústica. Durante a semana. Não sabia o que se passara com ele. Alguns companheiros ficaram de fora.. E contou o caso. desprendidos pelo sono. no entanto. e de que resultaria sua libertação. “algo” que traziam. como sempre acontece nesses casos. Estava do lado de dentro de uma caverna. sombria e agreste. numa incursão de que um de nós. no Espaço. neste livro. Ficara escondido atrás de uma coluna. Depois descobriu que. A certo ponto. pararam.. de extremo realismo. com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. certo de que ninguém ali sabia da sua presença. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. pois era até esperado.. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. Uma ou duas semanas depois. pois. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião.. no regresso. aquele “algo”. enquanto os de dentro passaram para eles. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. A indignação dos guardiões do pobre irmão foi inconcebível.. de onde. dirigidos pelos benfeitores espirituais. nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda. Ao que tudo indica. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. segundo apuramos. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo.Um deles me disse. não apenas sabiam que ele estava ali. a reuniões de estudo. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto. 169 . manifestou-se no grupo: era um ser humano!.. As imagens eram as de um sonho comum. Em certos grupos de desobsessão. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. tencionava espionar a nossa reunião. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória consciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos.. encarnados. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. na semana seguinte.. Já narrei aqui um caso de zoantropia. que havia sido resgatado. Os mentores espirituais levam os encarnados. Perdera a noção da sua identidade pessoal. Lembra-se ele. a observar e ouvir. Um desses disse-me. que fazia lembrar um jipe terreno. nos intervalos das sessões. reduzido à mais abjeta condição humana. certa vez: — Eu sei. a atividade noturna. aberta na rocha. ao contrário. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam ferozmente aqueles que se empenhavam na tarefa. mas é certo que. com extremo cuidado. nos braços. Em casos como esse. de debates e planejamento. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. ao despertar. Os componentes do grupo. aquele ser. Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures. de uma cena fragmentária. é muito intensa. encontravam-se em vasta região desolada. ao manifestarse no grupo mediúnico. de trabalho. mas. senão que o haviam permitido. ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito.

Algumas semanas depois. Por outro lado. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. nas instituições especializadas do Além. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. nos lembramos de tais episódios. também. sob a forma de frases soltas. sim. ou de símbolos. de qualquer maneira. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. grosso e escuro. sem hostilidade. conservar a lembrança delas. sendo perseguido por um grupo belicoso. por desconhecimento e defesa. o que muito nos serviu depois. o evidente domínio sobre seus Espíritos. É difícil. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. como se voasse. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. já no final dessa visita. De outra vez. A prece é o fio que realiza esse milagre. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. Às vezes. A meu pedido. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim. para tratamento. com nossos maiores. contendo já um pouco de sangue. pelo menos. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. Há. a troca de favores. Como as sessões se realizam. para retirar de mim certa quantidade de sangue. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. e do sangue de nossos companheiros encarnados. porque eu havia escapado. Estava indignado. essas incursões são. também. uma vez por semana. no entanto. Na imagem das formigas agressivas. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. escreveu todo o relato. numa incorporação mediúnica.. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. um “branco”. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. amorosamente. Ele veio disposto a arrebatarnos o sangue. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. Nem sempre. a uns poucos metros abaixo. Era como se eu levitasse. depois. enquanto ainda bem vivo na memória. a seguir. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos 170 . que pingava no chão. e à outra. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. às vezes. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. porém. comecei a escapar-lhes. mas. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. também. durante os dias em que aguardamos as próximas manifestações. Outro aspecto importante. com extraordinária lucidez. pouco acima de suas cabeças. para onde nos levam. que nos atacavam. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa. tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. Nesse momento. do qual nada me lembro. com grande precisão e detalhamento.. aqueles que já se acham recolhidos. Vejome. em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. no mundo superior. uma dessas incursões.era figura importante para seus esquemas nefastos. que precisa ser abordado. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituais. é o da prece. ou ao trabalho. enquanto eu me afastava. companheiros competentes e seguros. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. que tentava agarrar-me. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. usualmente. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. recordei-me.

ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. Embora não os consideremos como tais. depressão e desânimo. A doutrinação é um ato de amor. que poderiam passar despercebidos. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. eles assim se consideram. que serão sempre. sensações de angústia indefinível. em pensamento e ação. pronto a emergir. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. o instrumento daqueles que querem realizálo. num grupo mediúnico de desobsessão. Às vezes. miraculoso. Aquele que não souber amar sem reservas. A tarefa dos seres encarnados. invariavelmente. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária. Para resumir e insistir num ponto. ou que somente puder amar aqueles que o amam. que lhes mostre a verdade. não está preparado para essa tarefa. com toda a convicção. Não à difícil. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. construtiva. já mencionado. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. de tolerância e paciência. que lhes ilumine os corações. É hora de por em prática. antevisões e experiências. certa vez. que havia interceptado meus “telefonemas”. acompanhamos nossos mentores. em tais situações. obsessões. especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. Oremos por eles. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. Um deles disse-me. Com freqüência impressionante o são mesmo. parceiros de antigas lutas e até credores nossos. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e que não podem resolver sozinhos. Diria. É claro que provocarão. em nós. mostrase extremamente “perturbado” pelas nossas preces. Só a prece pode socorrer-nos. em potencial. Mantenhamos uma atitude vigilante. alhures. o irmão atormentado. em desdobramento. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. não estava apenas acenando com uma visão quimérica. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. atenta a pequenos detalhes. onde também existe amor. pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. mesmo. quando.. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. com amor. é pouco mais que 171 . oremos por eles. implorando a Deus que os ajude. irritado: — Você vive rezando. com muito amor mesmo. e a prece. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece.dificuldades. a quem muito devemos.. novamente. mas com fervor. filhos. Outros se confessam paralisados. O amor é realmente milagroso. mal-estar. neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. É extraordinário o poder da prece. desmandos de toda sorte. imaginemo-los como companheiros muito queridos. Um deles me disse. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nossa pensamento de afeição e carinho. além de irmãos. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos.

em situações especiais. com satisfação. o Espírito está na posse plena de si mesmo. “No sonambulismo — prosseguem —. Na verdade. não apenas em termos gerais de Doutrina. que é um estado de sonambulismo imperfeito”. Por esses ensinamentos. segundo seus interesses e afinidades. que não devem ser ignoradas. entremeados de coisas do mundo atual. como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. ficou documentada uma referência sumária à atividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico. Nesse estado de liberdade parcial. ocupam 23 páginas. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. deixam de receber as 172 . afastar a densa cortina que encobre o futuro. Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto. Bezerra de Menezes. mas. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. sob o título “Da Emancipação da Alma”. através de sonhos e desdobramentos. Ao cuidar. Os órgãos materiais. Reunidos depois. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. com palavras suas. por exemplo. de maneira muito especial. através de médiuns de absoluta confiança e respeito. nesses estados de libertação parcial.isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor. e que a atividade desenvolvida. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. que contém importantes conotações. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. é que formam esses conjuntos estranhos e confusos. ficou bem claro. da oportunidade de escapar da prisão corporal. mais completo do que no sonho. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. mais adiante (questão 425). em Kardec. do sonambulismo. reflete-se nos sonhos. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. quando o corpo encontra-se em repouso. Manoel Philomeno de Miranda e outros. os ensinamentos recebidos. no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. em “O Livro dos Espíritos”. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. durante as horas de repouso. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores. no capitulo VIII. ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. os instrutores conceituam-no como “estado de independência do Espírito. Resumindo. os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam”. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. sempre que pode. que o Espírito encarnado aproveita-se. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho. estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. concluímos ser muito intensa a atividade do Espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provocado. Emmanuel.

hoje. também. enquanto dormem. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os seus propósitos.. recomenda-se que. Companheiros encarnados. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia. ou fundam movimentos paralelos. durante as horas do sono. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita. como em todos os outros pontos de seus ensinamentos. e até mesmo a sessões mediúnicas. mais funestas do que as que professam entre vós”. entre os encarnados. tal como aqui. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. pelos informes da Doutrina Espírita.. aqui. desta transcrição) Acrescentam. duma trágica e dolorosa autenticidade. Em diferentes oportunidades. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural. às incursões no submundo do desespero. como. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. por se encontrar este gozando do repouso indispensável à matéria”. a princípio. para que. Para isto. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. mais ignóbeis. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. em lugar de colaborar. nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos. em tais desdobramentos. como “reformulações”. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. é lá que são programados.. vão.impressões exteriores. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual. (Destaques meus) Muitos ignoram como isso é autêntico. ou a mundos inferiores à Terra. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. Bem sabemos. ainda. É lá. ao despertarmos. quase imperceptivelmente. com incorporação e doutrinação. o segundo. Isto significa. o desentendimento. Vão beber doutrinas ainda mais vis. enquanto o Espírito se acha desdobrado pelo sono. até mesmo declaradamente espíritas. com extremo cuidado e competência. tudo muito sutil.. nessas regiões tenebrosas. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas. para efeitos práticos. onde os chamam velhas afeições. “. procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas. a dissensão. implantar. portanto. Na verdade. entre nós. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram inequívocos nesse. enquanto estes repousam. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos. para não deixar dúvidas. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores. (O primeiro destaque é do original. na prece que precede o sono. em que se 173 .

então. Cuidado.. o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono. quando. na Crosta — observa Sertório. com elogios descabidos. com o material onírico. as modestas conquistas que porventura tenhamos conseguido realizar na vigília. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. com “missões” importantes. a fim de que não ponhamos a perder. e. Mesmo nos momentos de maior alegria. quando. em “O Consolador”. criticado e aproveitado com prudência. se poderá verificar a comunicação inter vivos. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. selecionado. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão. em “Evolução em Dois Mundos”. pois.. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável.) os resultados de seus próprios excessos. porque qualquer empolgamento já é suspeito. por certo. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. recolhe (. E mais: “Numa e noutra condição. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias”. não é só isso: — “Quando encarnados.envolvem tantos companheiros promissores. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. André Luiz adverte-nos. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. nas horas em que repousa o nosso corpo físico. gratos. questão 49 —. todavia. (Destaques meus) Mas. com “revelações” sensacionais. É preciso. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças”. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. que precisa ser examinado. pois. porém. atraídos pelos quadros que se lhe filtram da aura. é a mente suscetível à influenciação dos desencarnados que. evoluídos ou não. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados.. ou nos de sonambulismo. eles se apresentam emocionados. Em determinadas circunstâncias. em “Missionários da Luz” —. “. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. o sonho representa a liberdade relativa do Espírito prisioneiro da Terra. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade. obedecendo a fins superiores. lhe visitam o ser. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas. serenos. as visões proféticas.. mas sóbrios. contudo.. portanto. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível”. quanto possível. (Destaques meus) Atenção. como nos fenômenos premonitórios. equilibrados. 174 .. contudo. pela própria ociosidade ou intenção maligna. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante.

transmitindo mensagens de outros planos. que considerável número de pessoas. nossos médiuns contam-nos episódios em que participaram de trabalhos no plano espiritual. extravasam em todas as direções. Insistimos. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. pois. Cautela. desejo de aprender. Com freqüência. esta observação. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. Por outro lado. que estuda o sono. sempre que para isto se prepararam devidamente. atenção com a saúde do corpo físico. pois. efetuam incursões nos planos do Espírito. com real proveito para o nosso trabalho e. nos domínios psíquicos. É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. porém. A prece será sempre boa conselheira. por falta de educação espiritual. o sonho e o desdobramento espiritual. Antes de encerrar estas notas. uma observação ainda parece oportuna e necessária. Habituados à orientação pelo corpo físico. 175 . André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. (destaques meus) Não faltam. (Destaques meus) Aliás. Em casos de meu conhecimento. logicamente. diante de semelhante gênero de tarefa. muitas vezes. que ressaltam dos textos que examinamos aqui. a par de recomendações óbvias. na ansiosa expectativa. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. para o nosso desenvolvimento espiritual. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros”. sim. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica”. longamente sopitados durante a vigília. pois as responsabilidades envolvidas são enormes. por exemplo. (Destaques meus) Ouçamos agora Aulus. O temor paralisa. temor. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. nos quais funcionaram como médiuns. transformando-se. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência. tanto quanto o capitulo 21 — “Desdobramento”. também lá. seria bom reler todo o capitulo 11 — “Desdobramento em serviço”. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade. em “Nos Domínios da Mediunidade”: — “Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. à maneira do molusco que se refugia na própria concha. não resta dúvida de que são mais vivas. Do ponto de vista do Espírito. Vejamos. verdadeiramente sentida e vivida”. ainda mesmo quando ligados a envoltórios inferiores. não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades. Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos.esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. imobiliza os esforços. inconscientemente. Infelizmente. ante qualquer surpresa menos agradável. desdobrados. porém. essas horas. na esfera de fenômenos inabituais. a maioria se vale. dessa obra. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. para servir melhor. cuidado com a alimentação. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. profundas meditações e cautelosa aplicação prática. não. já nos parágrafos finais do capitulo: “É imperioso notar. do que as de vigília. principalmente as que se adestraram para esse fim. de “Mecanismos da Mediunidade”.

de volta à luz abençoada do Senhor. enquanto nosso corpo repousa. Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. de profundo e sincero amor fraterno. indiferença ou comodismos. Aproximemonos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. dedicação constante. em “Nosso Lar”. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados.É possível. Aqui e ali. em “Nosso Lar”. cansados das lutas do dia. 176 . Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. dos pesos. das medidas. chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. em modestas posições de meros aprendizes. afirmava-se cada vez mais intensa”. depois de já desdobrado do corpo físico. como. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. pela razão. em mais de uma década. por vezes. não é a que se realiza em torno da mesa. perfeitamente. em inglês (rescue work). campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. de empatia. porém. cujas reações podemos prever. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. fingimentos “inocentes”. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. Eu sabia. ferramenta de trabalho. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. só é possível em clima de total doação. sob a qual possam contemplar suas imperfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. capítulo 36 — “O Sonho”. não são quantidades físicas de substâncias químicas. ou separado dele definitivamente. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. muito pessoal. participamos de tais atividades. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação. ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. reta e iluminada? RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. O trabalho de doutrinação. ao encontrar-se em plano muito elevado. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. essencialmente humana. de que ele é mesmo um depoimento pessoal. um desdobramento. estudar e repetir à vontade. pela própria natureza das experiências que procura transmitir. por sua vez. no dia da sessão. e até milenares. ou preferimos a estrada que sobe. por exemplo. pela desencarnação? Não temos o direito de por sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. que me parece muito simples e válida. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. o que o torna uma atividade do coração. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do paço profundo e escuro. Seu objeto é o ser humano. Não há nele espaço para meias-verdades. (Destaques meus) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. O grupo merece e exige cuidados muito especiais. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria. seculares. na frieza clássica dos números. mas subimos também nós. André Luiz. A riqueza de emoções.

revelar-se fecundo e promissor. infinitamente mais experimentados do que nós. fosse tão importante. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. em termos espirituais. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. seus métodos de trabalho. como costumava fazer. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. então. Muito bem. Se o trabalho que lhe for cometido. como ficou dito e explicado alhures. Segundo. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. Encarnada e desencarnada. ou de “O Livro dos Médiuns”. porque mesmo durante a leitura. serão remotas suas 177 . É preciso criar para ele uma estrutura robusta. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. em hipótese alguma. ângulos insuspeitados. desde antes mesmo de constituir-se. a mente divaga. Citarei um pequeno incidente. Por isso. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. objetivos e métodos. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. além de suas finalidades e objetivos. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio. já lidas no passado. aparentemente sem importância. sem a participação do consciente. Assim. para destruí-lo. O aprendizado tem que ser constante. é precisamente a perseguição indormida. É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. para consultá-lo. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. porém. devem ficar bem definidos. leitor. na sala de trabalho. para subsistir. Leia você. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. Um grupo. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. na fase de planejamento. pelos companheiros espirituais. observações que passaram despercebidas. porque nossa memória é falha.vigilância permanente. que não hesitarão diante de nenhum recurso. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. ele é também gente. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. nossos companheiros em torno da mesa. neste livro. É fácil testar essa verdade. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. Quanto aos encarnados. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos. e lemos trechos substanciais. mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. de forma que. O grupo tem que começar de maneira certa. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. para as acomodações necessárias. Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. dos companheiros espirituais. não são apenas finalidades. Cada sessão é diferente. nada de ilusões: a medida de seu êxito. por várias razões. o estudo é uma necessidade imperiosa. Primeiro. ele será implacavelmente assediado. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. como as obras complementares. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. mas suficientemente flexível. exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. absoluta.

Se ele é também o dirigente humano. lembrei por aí. sem dúvida alguma. De minha parte. não é despotismo. para declamar aos Espíritos. no contexto de um grupo humano. de pronto. não são apenas frases bonitas. O médium não deve dominar o grupo. Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. como um todo. O impacto do amor sincero. como um movimento irreprimível. “amai os vossos inimigos”. sempre o mesmo. para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. por melhores que sejam as intenções. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. no coração de um irmão que sofre. alguém precisa assumir a liderança.possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. Usualmente. a impor ritos e fórmulas mágicas. que julgue mais bem qualificados. O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. ele é apenas mais um trabalhador. porém. O amor fraterno. o único. a fim de que possam dar de si mesmos. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. Por isso. no qual nos doamos integralmente. o amor. em clima de segurança e confiança. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. Para o doutrinador. para que possam trabalhar todos em harmonia. Entre estas colocaria. Liderança. Ao criar-nos. a ditar ordens. tem que emergir das profundezas do ser. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. no trabalho de doutrinação. Deus colocou em nós a fagulha do amor. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. dificilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. quer o companheiro aceite ou não. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. como um general em campanha. no livro. e não apenas fingido ou forçado. a nossa entrega. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. Além dos demais pontos críticos. o preceito evangélico do “amai-vos uns aos outros”. tem que ser sentido mesmo. pela simples razão de que. e outras indispensáveis. nem ser dominado por ele. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. Vemo-lo repetir-se a cada instante. e aquele outro. mas condições essenciais ao trabalho. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também 178 . dizem os grandes instrutores. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. creio que se referia especificamente ao amor em nós. bem como a maneira de tratá-los e integrá-los no trabalho. é uma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. que não há doutrinadores perfeitos.

Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. ante os companheiros que sofrem. diria apenas uma palavra: — AMOR! 179 . quando conseguimos transmutar-nos em amor. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. por isso. por isso. somos irresistivelmente atraídos para Ele. pelas trilhas do amor.infinita e. através do espaço infinito e do tempo imemorial. Assim. estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento.