ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO.................................................................................4
INTRODUÇÃO.....................................................................................................................7
I — A INSTRUMENTAÇÃO.............................................................................................11
O GRUPO................................................................................................................11
II — AS PESSOAS.............................................................................................................25
1. OS ENCARNADOS............................................................................................25
OS MÉDIUNS.............................................................................................29
O DOUTRINADOR....................................................................................35
OUTROS PARTICIPANTES......................................................................44
OS ASSISTENTES......................................................................................47
RENOVAÇÃO DO GRUPO.......................................................................51
2. OS DESENCARNADOS....................................................................................53
OS ORIENTADORES.................................................................................53
OS MANIFESTANTES...............................................................................59
O OBSESSOR.............................................................................................59
O PERSEGUIDO........................................................................................61
DEFORMAÇÕES........................................................................................65
O DIRIGENTE DAS TREVAS...................................................................70
O PLANEJADOR........................................................................................71
OS JURISTAS.............................................................................................74
O EXECUTOR............................................................................................75
O RELIGIOSO............................................................................................76
O MATERIALISTA....................................................................................82
O INTELECTUAL......................................................................................83
O VINGADOR............................................................................................85
MAGOS E FEITICEIROS...........................................................................88
MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES........................................101
MULHERES..............................................................................................103
2

III — O CAMPO DE TRABALHO.................................................................................109
O PROBLEMA......................................................................................................109
O PODER..............................................................................................................114
VAIDADE E ORGULHO.....................................................................................116
PROCESSOS DE FUGA.......................................................................................118
AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS, HIERARQUIA E
DISCIPLINA.........................................................................................................121
IV — TÉCNICAS E RECURSOS...................................................................................123
O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES. CACOETES. DORES
“FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES..................................................137
LINGUAGEM ENÉRGICA..................................................................................144
A PRECE...............................................................................................................146
O PASSE...............................................................................................................150
RECORDAÇÕES DO PASSADO........................................................................154
A CRISE................................................................................................................162
PERSPECTIVAS...................................................................................................167
O INTERVALO.....................................................................................................168
SONHOS E DESDOBRAMENTOS.....................................................................172
RESUMO E CONCLUSÕES................................................................................176

3

nessas especialidades. “O cinqüentenário de Lady Nona”. Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas pretéritas. A contribuição de Hermínio. no curso de milênios. de Mme. Miranda: “DIÁLOGO COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”. E lhe imploravam com insistência que não os mandasse para fora dessa região (Gerasa). mas 4 . introduções e sínteses de obras. Conhecemos-lhe as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão. etc. descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar de elaboração séria. Miranda têm explorado temas de grande importância. geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo. os prefácios. como sempre. Os sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano. Raros serão os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos. da Filosofia e das Pesquisas. como em “Procés des Spirites” e “Processo dos Espíritas”. É mais um extraordinário documentário ou cartilha de orientação. Nela. Nos últimos anos. (Marcos. como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua vocação e não hesitem em seguir os rumos que devem trilhar. “Imitation de I'Évangile selon le Spiritisme”. metódica. porque somos muitos”. fazem-nos pensar mais detidamente nas profundidades do Desconhecido. no mundo do Espiritualismo e. por exemplo. 5:9 e 10). Ao lado de livros e artigos. Marina Leymarie. gradativamente desenvolvida. desinibido e despreconceituoso. A ciência de servir é uma arte rara. E mais o que se ache por enquanto inédito. os trabalhos de Hermínio C. na sua longa e exaustiva elaboração. o nosso Amigo exercita-se há muito tempo. Responde-lhe: “O meu nome é Legião.DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO “Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. pois acompanhamo-lo em seus estudos. apresentando o patrimônio provisionado durante pelo menos dez anos ininterruptos de serviço ativa. do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. mais especificamente. Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”. no entanto. “A Maldição dos Faraós”. no demorado “diálogo com as Sombras”. na linguagem desataviada que todas entendem. exigindo dedicação e persistência. “O Médium do Anticristo”. consolidadas graças e esforços incessantes e renovadas perquirições conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato doa enigmas mais sérios e das questões complexas. não A tarefa fácil. permitindo-lhe escrever para os simples e os doutos. ano após ano. que lhe não hajam merecido a critica serena e construtiva. aqui e fora dos próprios limites territoriais das Terras de Santa Cruz. de toda uma gama de assuntos no âmbito do inabitual. mas de abordagem difícil. nas esferas da Religião. elucidativa de todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos vibratórios. São horas vividas não apenas no círculo das tarefas mediúnicas propriamente ditas. no campo espírita. pelas páginas de “Reformador”. alguns deles pouco estudados antes. de Allan Kardec. Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. Estamos familiarizados com os escritos do autor. foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e evangélica. no atendimento responsável e cristão da assistência espiritual em desobsessão. Os artigos referentes a “A Morte Provisória (I e II)”. são-lhe objeto de estudos e elucubrações. “Uri Geller”..

*** Questão séria. ainda quando não as encampe ou oficialize. uma carta do médium F. É claro que. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pode admitir isso. Acreditamos que Hermínio C. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas. na vigília e no sono. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. No entanto. é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. no 5 . as coisas ainda ficavam bem longe da realidade. consegue aglutinar. o Diretor incumbido da análise inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. de André Luiz: quando os originais foram-nos enviados. que é bem pior do que pensamos”. As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas. foi este: “E na verdade. nem de Interpretações. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. como reconhece o autor. O autor trata detalhadamente desse assunto. Assim. Hermínio C. a pessoa que nos merece a maior credibilidade. especialmente no que tange a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho.num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. pois os leitores. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos. C. em Espiritismo. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propôs. em que transmitia e solicitação do autor espiritual. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. ternura. A propósito. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. porquanto. na tessitura de um livro desta natureza. Xavier. em 1888 e 1889. O que importa. doação! *** O livro. “o segredo da doutrinação é o amor”. ou não. Não compete à Federação censurar opiniões. como resposta. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. a rigor. pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar tem os demais. Ora. é a da zoantropia. defensores e propagandistas daqueles princípios. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. não necessita de explicações ou apresentações. mediúnica ou não. *** O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — é tão grave. mas o sentido exatamente esse. para a qual gostaríamos de pedir atenção. também não admitirão”. cada ensino ou experiência e suas implicações. de aceitar. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade. acima de tudo. com maior razão. mais comumente citada como licantropia. à segura argumentação que faz. Mas o comentário particular de Chico Xavier. com proficiência. O próprio autor justifica cada detalhe. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. os seus argumentos e conselhos. o autor nele coloca as próprias idéias. que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. na verdade. Miranda é dos mais seguros estudiosos. tudo nele é de meridiana clareza. recordemos o livro “Libertação”. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere.

1979). ao lê-lo. *** Terminadas estas páginas iniciais. de Allan Kardec. o Consolador Prometido por Jesus. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs. 625º milheiro. Rio de Janeiro (RJ).Rio de Janeiro (RJ). pelo médium Frederico Júnior. de que o Espiritismo é. Estamos certos de que. convidamos o leitor a conhecer o livro de Hermínio. na verdade. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. 22 de junho de 1979. mais que as palavras articuladas. editado pela FEB (33ª edição. dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos. Francisco Thiesen Presidente da Federação Espírita Brasileira 6 . os exemplos que encerra causar-lhe-ão a nítida convicção.

no pórtico deste livro. e A Gênese. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. começa com ele. mesmo incipientes. pois não perdoa despreparo e ignorância. a meu ver. e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro. fantástico ou sobrenatural. de símbolos. nem livrar-nos das nossas provações. Realmente. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. com a sua proteção carinhosa. estejamos com um mínimo de preparação. sempre dispostos a nos ajudar. do lado de lá. e. de ritos mágicos. da angústia. um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho seria junto aos companheiros desencarnados. como doutrina essencialmente evolutiva.INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. com um procedimento reto. nada tendo de místico. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. O Livro dos Médiuns. ao iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. O Céu e o Inferno. não para nos livrar das nossas dores. É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de irmãos mais experimentados e evoluídos. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. nos afinamos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. Isto não quer dizer. da vingança. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. estará se expondo a riscos imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. voluntária ou involuntariamente. outros com espontaneidade. O mundo espiritual é povoado de seres que foram homens e mulheres como nós mesmos. apoiada num mínimo de informação. isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. do rancor. que estejamos à inteira mercê dos Espíritos perturbados e perturbadores. não termina com Kardec. Ali. pode estabelecer contacto com os desencarnados. da ignorância. Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. consciente ou inconscientemente. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. outros com leviandade e indiferença. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. mas sim. que. A prática mediúnica não deve ser improvisada. evidentemente. como aqui. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante. nem para cumprir mandados nossos ou atender às 7 . como tantos outros. O Evangelho segundo o Espiritismo. Podemos. É claro que a lista não termina aí. por conseguinte. velam por nós companheiros de elevada categoria. uns com respeito e amor. de “trabalhos” encomendados. O importante é que. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores. serena ou tumultuadamente. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. é natural. na literatura espírita. a massa imensa daqueles que se acham da media para baixo. em princípio. isto é: O Livro dos Espíritos. mas. no qual procuremos desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. encontramos Espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. Há. da revolta. não à custa de oferendas. igualmente. obviamente.

confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. pois já estava pronta. É preciso. se convencionou chamar de suas motivações. naquilo que for realmente proveitoso ao nosso Espírito. Se estamos com essas disposições. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. com regularidade e seriedade. com o estudo sistemático das obras básicas. e certos trabalhos de origem mediúnica. examinar de perto essa posição e ver a que contém ela de legitimo. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. para a qual não esteja preparado. há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. não apenas no interesse da doutrina que todos professamos. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. às vezes. ainda no corpo desta conversa inicial. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. não é possessivo.nossas menores exigências e súplicas. que a seguir transcrevo. Gustave Geley. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. e das complementares. pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. O amor. da sua inspiração oportuna. De fato. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. pois cada um de nós sabe de si e do que. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. Antes. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. e não naquilo que julgamos o seja. modernamente. ao amor ilimitado. diria Edgar Cayce. suporte indispensável de toda a tarefa programada. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. Léon Denis. E começar pelo planejamento. a educação dos pais. e da sua ajuda desinteressada. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos. * “Encontramos. o amor é. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco. por interessar aos objetivos deste livro. no sentido humano. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. podemos começar. Gabriel Delanne. Voltaremos às questões que formulamos acima. Não foi preciso escrevê-la. sem reservas. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. Assim. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. mas também no interesse de cada um. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. ao comparar a grupo nascente com um filho. 8 . como os de André Luiz. entretanto. das tarefas a que se propõe. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo é muito importante.

De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento. no final de contas. também. Parece claro. a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. suas grandezas. não apenas aconselhável. muitas vezes já está madura para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro d’água sob a orientação de quem já tenha. como indispensável ao futuro da Humanidade. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. Será. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. não apenas o seu Espírito da tormenta do ódio. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. delas se nutre e delas depende. a seu desenvolvimento futuro. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que ia se sabe sobre a fenômeno. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. realmente. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. Há uma Humanidade inteira clamando por ajuda. Logo. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnados. compreensão e caridade no chamado mundo espiritual. cada vez mais. ao estudo dela. sim. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. noções satisfatórias. em planos diferentes. ajudamos a compreender a nova realidade que tem diante de si. A todos os que erraram. em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. entre o mundo espiritual e este. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. esclarecimento. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. Evidentemente. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. os riscos que oferece. não são mais que um único. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. Ao que ainda se prende a superadas teologias. ouvimo-los com admiração e proveito. Há sempre. invariavelmente prejudica a alguém mais. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. que o equacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. Há riscos. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. Aquele que odeia. provocadas por antigas mágoas. Se é incompleto a conhecimento sem a prática mediúnica. Aos que ainda desejam vingar-se de antiqüíssimas ofensas. O intercâmbio. a respeito. consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. Nunca o drama de um Espírito é apenas seu.O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. a prática mediúnica é. elos que nos ligam a outros seres e a outras dores. O Espírito que erra. não apenas para o médium. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. porém. em grande parte. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. Muitos nos buscam apenas 9 . nesta vida ou em algumas das anteriores. Os erros que cometemos. Mas se não a observarmos em ação.

Crentes ou descrentes. ao mesmo tempo em que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. Aos poucos. pelo menos. de nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou a seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. “Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humana. Por que. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. mas é também prática mediúnica. ainda que nem sequer suspeitemos disso. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. lá estão à espera de ajuda e. então. ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e incompreensões. creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente dita. tanto na carne como no Espaço. pois exigem reparação. o ônus terrível da vaidade. No exercício constante dessa atividade. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. demonstrada e seriedade de propósitos. minorá-la é divino”. temos compromissos a executar. de que reencarna. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. anestesiado nas suas angústias. cada vez melhor. no entanto. composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalha sério e contínuo. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificância dos primeiros resultados. 1976. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vem. de que progride e aprende. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. num intercâmbio salutar de profundas repercussões.para trazer notícias das suas próprias conclusões. católicos ou protestantes. na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. Rio de Janeiro (RJ). iniludíveis. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto a organização dos grupos. 10 . A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. Muitas e variadas lições. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. a inutilidade das posições humanas. de preferência familiar. vemos. todos nos vem confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. mas flexíveis. apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. de que as leis universais são perfeitas. são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. Lições terríveis ministrados com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei. que se envenenam a si mesmas e a nós próprias. sem ostentação. corresponderá um grupo equivalente de Espíritos. * E assim. Hermínio Correa de Miranda. e todos nós. os trabalhos irão surgindo. como criaturas encarnadas. a amarga decepção do suicida. E bom que o grupo seja pequeno. pois Espiritismo é doutrina. aprendemos a contemplar e transitoriedade da mal. através da lúcida inteligência de Kardec. não será tão difícil assim. na qual o Espírito fica.

a força tranqüila e segura da sua personalidade. que deve dar alguém que pretenda organizar um grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compô-lo. conhecimento e evangelização de cada um e de todos. de condutor. surja a sutil faculdade da liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. Em primeiro lugar. Liderar é coordenar esforços. nos trabalhos preliminares de organização do grupo. a organizar o grupo. Como todo grupamento humano. sem declarar-se tal. com a seleção das pessoas que deverão participar dos trabalhos. especificamente. terá que dispor de certa dose de autoridade. do grau de sensibilidade. o problema da liderança a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os trabalhos não seja aquela que se propõe. na sua notável Primeira Epistola aos Coríntios. a natureza dos trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de mediunidade que for possível reunir. apagar a luz e aguardar as manifestações. muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. 11 . disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos às fraquezas dos seus participantes. não impor condições. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa tarefa é extremamente delicada e critica. 13 e 14. portanto. todos são de igual importância. não obstante. pois dela vai depender. o grupo será a soma dos seus componentes. e. para disciplinação e harmonização do grupo. em “Reformador” de fev/74. ou dirigente. mesmo de âmbito doméstico. está mais indicado para a função do que ele próprio. O líder natural e espontâneo é aceito também com naturalidade e espontaneidade. Num grupo espírita. Esse motivador. de início. 1 O primeiro passo. capítulos 12. inteligência. sob este aspecto. o Apóstolo”. É até possível que. Em segundo lugar. cumprindo-lhe provar. o êxito ou fracasso do grupo. O apóstolo Paulo tratou dele. este também deve ter alguém que assuma a posição de coordenador. em grande parte. o preparo. ou iniciador. É bom que isto se faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que falaremos mais adiante e quem será incumbido da direção das tarefas.I — A INSTRUMENTAÇÃO O GRUPO Voltemos às perguntas formuladas na Introdução. Assim. por 1 Seria oportuna. tato. não poderá fugir de certa posição de liderança. exercida por consenso geral. Por outro lado. o líder. a leitura do artigo “O Livro dos Médiuns de Paulo. aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para reconhecer que o outro. de proporções modestas e sem grandes ambições. Os motivos são de fácil entendimento. não basta juntar alguns amigos e familiares. pois. O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. e da qualidade do relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse campo. Nestas condições. que consiste na educação e na instrução dos componentes do grupo que se planeja. Será recomendável que a pessoa que pretenda fundar um grupo. que revelou melhores disposições. no decorrer das gestões preparatórias. guarde consigo mesma. Em terceiro lugar. Em primeiro lugar. nos versículos 4 a 30 do capítulo 12. É preciso. mas é necessário não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. nos leva a outro quesito preliminar: — quem devem ser os componentes? A tarefa começa.

ou se transformarem em criaturas invertebradas. que examine. bastará que dois ou mais se refinam em seu nome. logo de início. tendências e temperamento. por não se estar adaptando às condições exigidas pelo trabalho. pois. sugere de quatro a oito pessoas. É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto à composição humana do grupo. mesmo em outros setores do pensamento. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. sem paixões e sem preferências. se coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro componente do grupo. para que Ele ai esteja. que deve ser logo decidida: Quantos componentes encarnados devem ter um grupo? A experiência recomenda que os grupos não devem ser muito grandes. do que sermos constrangidos. E essencial que todos se estimem no grupo. quanto maiores.longo tempo. mas é certo que. entendimento e entrosamento com os demais. É claro. sobre o qual tenhamos algumas dúvidas mais sérias. por outro lado. segundo a palavra do Cristo. Acima 12 . sem personalidade e opinião. infelizmente. para não fazermos o convite senão àqueles dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou incluir Fulano ou Sicrano porque gosto dele ou dela”. à meditação e ao estudo silencioso e demorado de cada pessoa. mesmo assim. alguma coisa séria poderia ser realizada. mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se desenrola do outro lado da vida. E melhor. virtudes. sem idéias próprias. mas se não puderem ajudar. mais difícil mantê-los em clima de disciplina e harmonia. e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. que não é aconselhável incluir aqueles que. em seu livro “No Invisível”. por exemplo. porém. No caso de apenas dois. quando se portam com dignidade. logo de princípio. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. um participante em perspectiva. Até a discordância ideológica acentuada. A franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho. bem como os seus defeitos. pode criar dificuldades ao trabalho. mas só isto não basta. É claro. em perfeita harmonia com o grupo. Um só membro que desafine dessa atmosfera de harmonia poderá transformar-se em brecha por onde Espíritos desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual desintegração do grupo. no tempo certo. que se entregue à prece constante. Isto nos leva a uma outra questão. Os componentes encarnados já fazem bastante quando não atrapalham. mas a homogeneização dos ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que precisa prevalecer durante todo o tempo. não interferem negativamente. Podemos amar profundamente uma criatura que não ofereça condições mínimas para um trabalho tão sério como esse. por certo. desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização no plano físico. as potencialidades de cada um. desde que não alcance os estágios da rudeza que fere. Isto não quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho. por isso. que os componentes encarnados de um grupo são apenas a sua parte visível. recusar. a dizer-lhe que. É preciso entender. que pelo menos não dificultem as coisas. depois. inclinações. O grupo pode funcionar bem até com duas pessoas. com toda a imparcialidade possível. as suas intenções. Lá é que se realiza a parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuídas a qualquer grupo mediúnico. Léon Denis. tem que deixar o grupo. pois. embora ofereçam outras condições favoráveis. O papel que lhes cabe é importante. não perturbam. E óbvio que ajudam de maneira decisiva. entre os desencarnados.

estes se apresentarão no momento oportuno. É possível. com seriedade e boas intenções. o pensamento divaga. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. tão abrangente quanto possível. Em seguida. O mais certo é que. André Luiz. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa 13 . galhofeiros. pior ainda. também. em outras de suas obras. já atuantes. sim. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de Espíritos familiares. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou.dos oito componentes sugeridos por Denis. de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. no silêncio da meditação e da prece. e. não só em “No Invisível”. como de seus orientadores invisíveis. que venham trazer pequenas mensagens. se alcançada impecável homogeneização. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. Por isso. Essa reunião. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. ainda. em “Mecanismos da Mediunidade”. no entanto. que. pois o assunto. obviamente não mediúnica. fúteis e inconseqüentes. Não há fórmulas mágicas. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. ao se planejar a instalação de um grupo. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. tem sido tratado em várias obras de confiança. e o prejuízo é certo para a tarefa. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. a apresentar um panorama. Serão arrolados os médiuns presentes. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. tanto para os que se dedicam. para práticas condenáveis. assim. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de natureza cientifica? Para tarefas mais sérias. vai-se tornando mais difícil e tarefa. Recomenda-se. ainda não saibamos quanto à intenção dos Espíritos que nos são familiares. bastante complexo. virão os Espíritos levianos. E. para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar-se. em definitivo. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. Isto é válido. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. E certo. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. logo que tenhamos resolvido. porém. convém convocar uma reunião. porque a equipe se torna mais heterogênea. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. quando não claramente mal-intencionados. de Allan Kardec. quebra-se com freqüência o esforço de concentração. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. não apenas do dirigente encarnado do grupo. mas. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. Léon Denis também oferece contribuição valiosa.

pouco a pouco. tato. A mediunidade. necessidade de um guru que leve o discípulo. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. voltemos ao assunto em foco. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. no entanto. até o que já possui conhecimentos mais profundos. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. Ademais. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente. por estágios sucessivos. é possível ao médium incipiente desenvolver. que exige conhecimento doutrinário. É também uma imprudência forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. a começar. Evidentemente não há. desde aquele que tem apenas vagas noções. sistematicamente. vigilância. hoje. porém. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo. suas faculdades. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. naturalmente. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação.pessoa que a tenha em potencial. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente corrigidos. a partir do capitulo 14 — “Dos 14 . que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. esse encargo era de caráter iniciático. experimentação. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido. Embora não gostemos de admitir. até o ponto ideal. não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. salvo casos especiais. e em profundidade. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. Não nos esqueçamos. o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhecedores da Doutrina dos Espíritos. De forma alguma. pelo “O Livro dos Espíritos”. O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo. O mais provável é que o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê-lo. nosso conhecimento é menor do que pensamos. No passado remoto. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas específicas senão ao cabo de um aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. seguido de “O Livro dos Médiuns”. vale a pena uma revisão geral. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. pesquisa. capacidade de observação. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. difícil e muita importante. Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”.

quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. que poderá ser mais longo ou mais curto. por um processo natural de seleção. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. segundo a programação acordada. certamente. Por algum tempo. no segundo. mas a definição é importante porque. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório. Já se sabe quais os que o compõem. ajustar seus vários componentes. até mesmo. segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. No primeiro caso. mais adiante. Não é preciso fazer a leitura de cada capitulo no decorrer das reuniões. que poderá ser longo. estariam prejudicando apenas a si mesmos. 15 . dentro da equipe. certamente. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. o estudo precederá as manifestações e deverá. desde que todos o tenham estudado. para aproveitarem os ensinamentos ministrados. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. Tarefas como essas não podem ser impostas. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. resolvam dedicar-se com maior entusiasmo e firmeza. excluir. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. ainda por algum tempo. em processo de exclusão natural. A essa altura. assiduidade. para obter a integração do grupo. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória. de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. em outro ponto deste livro). É então. Não que uma coisa exclua a outra.Médiuns”. no desejo de servir. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. tolerância. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. quem navega sem destino não sabe aonde vai. têm que se apoiar num impulso interior. aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. dedicação. estudo e amor. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. em prejuízo dos resultados. se necessário. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. de apagar-se. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade. Esse período é. como também os desencarnados que. Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário. a boa-vontade e a dedicação de cada um. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. muito útil para afinar o grupo. coletivos. do que insistirem em ficar. Talvez em outra oportunidade. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinação. ainda. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. quais são os médiuns. durante o período que vai de uma reunião à seguinte. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. como diziam os antigos. que exige. Não que sejam impuros (por favor!). Nesse caso. nem forçadas. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. renúncia. ainda. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. sacrificariam todo o conjunto. portanto. ocupar boa parte do horário. sem atritos ou desgosto.

após algum tempo de estudo teórico. pois. que nos recomenda amar os nossos inimigos. É nessa oportunidade. Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação cientifica ou mediúnica. É um dia de recolhimento intimo. como verdadeiros inimigos. por exemplo. não podemos destiná-la ao convívio da família. agressivos. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. nem para conquistar todos os grandes Espíritos que se debatem nas sombras. aqui. Também são válidos. pequeninas. Haveremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. Já decidimos que desejamos o trabalho. ao qual temos que nos habituar. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. ao relaxamento. e é sobre ela que nos fixaremos. movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. caberá executá-lo. se apresentarão. possibilidades e intenções. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. que não pode ser parcial.A natureza do trabalho pode variar bastante. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. já nos convencemos. é claro. bem como as nossas fraquezas. o que seria uma tarefa quase de laboratório. reservado. recursos. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. estão em condições de avaliar as nossas forças. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. Sem isso. Estamos cientes disso. Resta o compromisso do amor fraterno. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. O planejamento é realizado no mundo espiritual. dentro das nossas limitações. Tudo isto aceitamos. senão a de que estamos tentando despertá-los para realidade extremamente dolorosa. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. e sabemos disso. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. Da mesma forma. diante de nós. no desespero em que se precipitaram. Suponhamos. voltam-se contra nós. Alguns grupos. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. das lutas naturais da vida diária. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas renhidas pelo bem. Muitos Espíritos. muitas vezes sem razão alguma. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente cientifico. A nós. Nem sempre estaremos fisicamente dispostos a ela. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. desinteressados do aspecto prático. que se renovará em todos os encontros. De tudo isto estamos conscientes. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. obviamente. desejamos o grupo. Não planejamos um grupo para reformar o mundo. em doloroso estado de desajuste emocional. Este livro está mais voltado para esta última opção. um bem enorme. em virtude do cansaço. Vamos nos defrontar com Espíritos desajustados que. porque. irritados. A responsabilidade é grande. Voltemos à imagem do filho. tem de ser total. aos passeios. muito melhor do que nós. A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. pois. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. aos poucos. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. encarnados. para o que. que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. às visitas. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. de que estamos preparados para ele. segundo os interesses e inclinações de seus componentes. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe. com ênfase na fenomenologia. da qual se escondem aflitivamente. Um pouco de humildade nos fará. a deblaterarem em altas vozes. Sem 16 . Mesmo assim. a meio coração. condicionado.

àqueles que deixarem cair suas guardas. Justifiquemos a escolha da segunda-feira. Se for possível um local apropriado. É que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. torna17 . disputas internas. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. paixões subalternas e desajustes de toda sorte. haja ou não haja grupo mediúnico reunião em casa. para os trabalhos mediúnicos. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. questões de ordem material ou financeira. sim ou não. portanto. tanto profissional quanto no próprio grupo. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. Num lar normal. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. Para cobrar nossos compromissos. a partir de certa hora. Uma boa sugestão seria reservar. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. ciúmes. é a prece. como para as pessoas que vivem na casa. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. Mas isto acontece. Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais. pois será difícil aos companheiros desencarnados. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. familiares e até profissionais. são as boas intenções. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. de aperfeiçoarse. pois é evidente que Espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observação. durante vários anos. de servir. até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. Por outro lado. a realização de trabalhos de desobsessão poderia agravar as condições. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. o trabalho deve ser feito aí. rivalidades. ou nas furnas do mundo espiritual inferior. que orientam o grupo. os Espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. estão todos com as tarefas do dia concluídas. tanto para os Espíritos trazidos para serem atendidos. a segunda-feira. Há uma porção de condicionantes. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente.aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. com duração máxima de duas horas. porém. mais de uma vez por semana. é o desejo de purificar-se. num centro espírita bem orientado. num lar tumultuado por disputas. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas. à noite. a partir de 20 horas ou 20h30m. ou seja. de preferência um centro. as preliminares. A freqüência às reuniões é usualmente de uma vez por semana. com receio da influência negativa dos Espíritos desarmonizados que são atraídos. A noite é escolhida justamente porque. Em tais condições. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. Isto é especialmente válido para os médiuns.

promissoras. emocional. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais. Os Espíritos perturbadores poderão encontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. Quando isso for impraticável. especialmente nos dias de reunião. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. Deve ser isolado. Ademais. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. das demais dependências do prédio. causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. tanto quanto possível. há sempre à parte que compete a nós realizar. por isso. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio constante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. é o equilíbrio psíquico. em todo relacionamento com o mundo espiritual. Precisa ser suficientemente amplo e arejado. e. Mesmo nos demais dias da semana. como uma sala de entrada que de para a rua. ao se penetrar no cômodo. Por outro lado. uma passagem obrigatória para aqueles que não participem dos trabalhos. geográfica. pois. com freqüência. portanto. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. atos reprováveis. para acomodar bem todos os participantes. Nada de ilusões. Quando possível. para as noites de verão intenso. 18 . dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. sob condições perfeitamente normais. como no centro espírita. não interferir com os meticulosos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. conversas descuidadas. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas.se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. de início. interrompendo o curso das atividades. visitas inconvenientes. a música erudita. mas. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. E preciso evitar ali reuniões sociais. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. por exemplo. o que se nota. para essa finalidade. não pode ser recomendado para um meio que. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. do ponto de vista humano. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. os Espíritos não a farão por nós. sendo inadmissível. ódios e rancores. não perturbar a harmonia do ambiente. no lar ou no centro. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. já se encontre tumultuado e desequilibrado. daqueles que o compõem. o estudo sério. qualquer que seja o ambiente em que se realize. Se na vida diária. deve ser provido de um condicionador de ar. como a boa leitura. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. O ideal. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos Espíritos bemintencionados que nos assistem. Em ambiente perturbado. o preparo de artigos e livros doutrinários. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. A qualquer momento. O trabalho de desobsessão não é fácil. Essa. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo cuidado. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles.

A essa altura. Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. todos se dirigirão. E evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado.alguns Espíritos em tratamento ficam ali em repouso. numa conversa descontraída. depois de recolhido ao leito. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. ou a derrota do nosso time de futebol. que usualmente vai de uma reunião à outra. os médiuns e outros participantes têm sonhos. tendo acesso apenas por uma passagem externa. que são verdadeiros desdobramentos. em conversa neutra. iniciado no mundo espiritual. por maior que seja o cuidado. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. mais tarde. No grupo do qual faço parte. que os Espíritos em tratamento posteriormente confirmam. eles fazem uma advertência amiga. especialmente porque. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo. em desdobramento. quase todos gostam de relatar experiências e acontecimentos. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. por exemplo. todas as conversas. pelo menos. dessa maneira. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. tranqüilizam-se os corações desligam-se das preocupações do dia. não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. em sua casa ou no centro. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. após o espaço de uma semana. por motivos mais que óbvios. no decorrer dos trabalhos. ou têm a relatar contactos mantidos. Geralmente. a essa altura. toda a sessão. De modo geral. a piada do dia. Quem não puder manter essas condições mínimas. Aquietam-se as mentes. e todos se predispõem ao trabalho. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. os Espíritos nos demonstram. * Minutos antes de iniciar a sessão. sobre o último casamento do astro da novela. Freqüentemente. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres. Em lugar desses assuntos. os “sonhos”. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. enquanto não são removidos para instituições apropriadas. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. Com freqüência. Neste caso. Torna-se. ao cômodo destinado aos trabalhos. Essa técnica se desenvolve com o tempo. Cessaram. e se sentarão em torno da mesa. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. por algumas horas. trazem informações valiosas. intuições e “recados” do mundo espiritual. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. de vez que. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e vantagens. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. depois. de um dia para o outro. em retrospecto. desde o preparo da sala. que se achavam presentes à conversação prévia. um dos médiuns viu. relaxam os músculos. 19 . no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. os comentários sobre o crime da semana. em silêncio. esses contactos são preliminares ao trabalho.

Na hora da prece. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. num copo ou outro recipiente apropriado. sem comentários. os trabalhadores do mundo espiritual. lápis. Tudo deve ser feito. inspecionam o cômodo. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. canetas esferográficas. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. A posição frente a frente parece levantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. num gesto brusco. Depois de todos esses preparativos.Cerca de duas horas antes. bem como às condições do Espírito que será trazido para tratamento. Sugere-se a cor vermelha. uma pequena luz indireta. a sala está preparada fisicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. os nomes das pessoas desencarnadas. não devem defrontar-se. em forma de cruz. Se opomos. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. Outra recomendação. atendendo a características especificas de suas mediunidades. pois um Espírito mais turbulento pode. à medida que são escritas. a esta altura. “Pão Nosso”. ou seja. Lá está. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. a nossa. E mais fácil. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. pois. quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. o caderno de preces. que parece útil. nada conseguiremos. o livro que contém o material de leitura preparatória. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. serão mentalizados pelos interessados. de psicografia e incorporação. papel. No caso das sessões mediúnicas. Se há psicografia. sobre a mesa. Se há trabalhos de psicografia. Todos devem ocupar os assentos em silêncio. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a facilitar o trabalho. 20 . O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. preferentemente de cor. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. façamos uma revisão geral na sala. atirar os objetos ao chão. do que se ela estiver exatamente diante de nós. sempre em silêncio. que recomenda que duas ou mais pessoas. Antes de prosseguir. a água destinada à fluidificação. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. a qualquer um de nós. em retrospecto. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. vários lápis apontados e esferográficas. segundo viu o nosso médium. para não exacerbar o antagonismo. à sua agressividade. “Fonte Viva”. que vão debater um assunto. o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. ou por outro autor da preferência do grupo. o dirigente deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. material para eventual psicografia. igualmente. os livros que contêm os textos destinados à leitura. A razão é puramente subjetiva e psicológica. Se os trabalhos forem mistos.

Depois de todos acomodados e em silêncio. É feita a prece. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. e até certa ansiedade. certa vez.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. nem decorada. fixando-lhes até o número de Espíritos que deverão atender. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. Todos se encontram. assim. tolerância e compreensão. num movimento mais violento. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. acumuladas ao longo do tempo. neste momento. gravar a data da sessão. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. Proporemos. bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. Por outro lado. microfone já anteriormente testado. tais comentários não devem ser muito longos. Se emitir luz intensa de algum visor. restando apenas a lâmpada mais fraca. a luz mais intensa é apagada. deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. as pessoas e os objetos. os objetos que se encontrem sobre a mesa. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. com 21 . evidentemente. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. Essas mensagens. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. o dirigente encarnado dos trabalhos. Quanto ao gravador de som. um roteiro típico. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. Convém retirar. este deve ser coberto com um objeto opaco. de preferência ao lado da mesa. Em seguida. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria.A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. de preferência em cor suave. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. todos ficam recolhidos. Em alguns grupos. atentos. a critério de cada grupo. ou seja. mandamentais. não sejam atirados ao chão. que o leve a “forçar” uma comunicação. sofrer variações. um para cada sessão. que forneça iluminação discreta. a postos. aqui. a colaboração dos amigos espirituais. Finda a prece. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. As sugestões oferecidas a seguir não são. obviamente. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. No momento oportuno. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. e devem ser preservadas para referência futura. Não convém correr esse risco. para que. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. não conhecemos. o gravador é reservado para a mensagem final. juntamente com pequenos copos. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. que pode. nem elaborados. em silêncio. não é recomendável o procedimento. constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. ou o mentor espiritual. que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. ao testá-lo. pelas razões já apresentadas. que também não deve ser longa. indireta. concentrados. é feita a leitura do texto do dia. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. geralmente. Procurarei apresentar as razões. bastará dar a partida. E conveniente. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. em seqüência. No grupo que freqüentamos.

ou não. depois das virias manifestações de companheiros aflitos. muito ardilosamente. para provocar distúrbios e levar o pânico ao grupo. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. e muitas vezes. em termos inequívocos. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. composta de obreiros do lado de lá. Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. para que ele se desenrole harmoniosamente. os mentores terão recursos suficientes para contê-los.precisão. quanto menos interferirmos. o planejamento realizado no mundo espiritual. E que. às vezes barulhentas e indignadas. Na minha experiência pessoal. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. Pelo contrário. E bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. A lição é importante. no ambiente. que irão atuar ou não. Em hipótese alguma deve permitir-se que. por desconhecimento. procuram demorar-se. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras. em total dissonância com as palavras 22 . o que acarretará adaptações de última hora. Acresce ainda uma observação. os trabalhos são encerrados com uma prece. mas. por iniciativa dos manifestantes. Quando o dirigente lhe disse que precisava partir. até que chegue a vez de falarem. e se. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. Concluída a mensagem final. como vimos. É hora dos comentários finais. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. Terminado o atendimento. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. Os Espíritos turbulentos. usualmente. convém gravar. * Há sempre o que comentar. eles têm que se retirar. Certa vez. há uma pausa. melhor. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. por algum tempo. no entanto. para futura referência e estudo. no recinto. por determinado médium. que deve ser usada para uma pequena prece. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. o que seria desastroso. que. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. após uma sessão mediúnica. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. o Espírito manifestante. sabendo disso. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações. É preciso. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. E que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. seja ultrapassada a hora. para que possam ser úteis a todos. Terminado o atendimento. num grupo bem ajustado. Esgotado o prazo. altera-se a seqüência do trabalho programado. Percebendo que a hora se esgotava. começou a manobrar para ganhar tempo. designamos outro médium. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. nunca encontrei essa dificuldade. que evitássemos a repetição do ocorrido. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. um dos orientadores recomendou-nos. os Espíritos atendidos ainda permanecem. de uma vez. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns.

precisam retirar-se. Inúmeras vezes. Preparados para uma interpelação. é distribuída a água. com o mínimo de interferência. qualquer que seja o local onde nos encontremos. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. em grande estado de agitação — desencarnação recente. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná-los. na intimidade do ser. dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. Os manifestantes. enfim. Antes de se retirarem. Todo cuidado é pouco. embora estejam todos. durante os trabalhos. de intolerância. ainda no recinto. sem elevar demasiadamente a voz. pelo dirigente. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. na esperança de nos neutralizar. estaremos admitindo. incapazes de errar. no desespero inconsciente em que se acham. pois eles o farão. dizia que os comentários devem ser disciplinados. O dirigente deve perguntar pela experiência de cada um. Por outro lado. Mesmo que a sessão tenha terminado. o Espírito me cobrou. especialmente os que moram longe. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. que eu conhecia. e os componentes do grupo. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! 23 . oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. por mais uma noite de trabalho redentor. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. envolver-nos com seus artifícios. durante a doutrinação. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. de maledicência. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquejar. Geralmente. Estejamos. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. no próximo encontro. felizes e bem-humorados. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. usualmente. sem gargalhadas estrepitosas. E claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos. em ordem e discretamente. Os médiuns videntes sempre tem algo a dizer. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. de invigilância. Se. no decorrer da semana. tudo fazem para permanecer como estão. Embora eu não o tenha prometido. o comportamento de todos. é tarde da noite. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal. no estado de confusão mental em que se encontram. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. Por isso. É preciso. E preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. porém. de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. certamente. com as suas lutas e canseiras. ao terminar a sessão. recolhimento e carinho é insincera. Desejam testar a boa-vontade. assim.de amor fraterno que há pouco foram ditas. deve ser discreto. Certo Espírito. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. avaliar a sinceridade. Os comentários finais não devem prolongarse por muito tempo. recomenda-se uma parada para pensar e uma pequena prece. Se percebem que toda aquela atitude de respeito.

Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela. um argumento muito válido. Sugere-se. Ainda te pego! * É oportuno colocar. esgotados. * Ainda uma sugestão. basta uma referência identificadora. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. a não ser por motivos muito fortes e justificados. em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. Isto não é. Se a comunicação final for gravada. para cada manifestante. suspenso. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: — Esta semana eu quase te peguei. uma ata. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. porém. o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado. Assim. Essa tarefa deve caber. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. os mentores espirituais escolhem. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. Guillon Ribeiro. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr. a não ser que a sessão seja de pesquisa. Quando se trata de tarefa de desobsessão. Anote-se a data e. não é preciso ir a esses rigores. para referência. evidentemente. ao voltar. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. aqueles que cuidam desses problemas. o número de ordem da sessão. virá usualmente pelo mesmo médium. Lamentavelmente. e não podia. aqui. num caderno. nas vezes subseqüentes. como modelo. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida sem transe mediúnico — durante toda a sessão. para consulta. hoje. querendo. 24 . aguardando a próxima oportunidade. não apenas na condução dos trabalhos. de preferência. o Espírito. ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. Descrevase cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. mas também. Outro me disse. esses livros se acham. Se o médium falta. Como não ignoram. Feita a ligação.

em forma. OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. no escritório. procuram. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. e. Do lado de lá. quase sempre. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. Por isso. depende de inúmeras tarefas preparatórias. O amigo confirmou e justificou: — Ildeu caro confrade: a gente. Ao terminar sua exposição. cor e movimento. Não quer 25 . como ele. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. pois. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. descobrir os nossos Pontos fracos. aos arvoramos em santarrões de fachada. Ainda não estamos. disfarçado. é ocupação que toma vinte e quatro horas por dia. especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. na carne. certa vez escandalizou seus ouvintes. impiedosamente. e um senhor idoso. sensual. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. Muito do que conseguimos obter. nos restaurantes. colérica. e que. com Espírito critico. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. Eles nos vigiam. e complementadas posteriormente. que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. aqui. declarou seu espanto. durante as duas horas da sessão. agressiva. não obstante. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. Somos aquilo que pensamos. pelos companheiros invisíveis que. desenvolvidas em desdobramento. em hora e meia ou duas horas de sessão. Cada atitude mental imprime à aura suas características. a palavra foi franqueada. ao escrever esta página. com o que diz e faz. numa palestra pública.II — AS PESSOAS 1. na rua. ao verificar que um espírita esclarecido. da mesma forma que a gradação espiritual a facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. E isto. no auditório. para perguntas e comentários. no entanto. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. Além do mais. Principalmente com os pensamentos. nos seguem por toda parte. da que circunda a pessoa desequilibrada. É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. por todos os meios. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. Lá chegaremos. e confrade muito inteligente. ainda desarmonizados. durante a noite. nos observam. declarando que tinha medo de morrer. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. à que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. com seus pensamentos. do que nós. o procedimento diário precisa ser correto. vai levando a vida escondido. mas não apenas por isso. tivesse medo de desencarnar. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. ciumenta. É claro. Um amigo meu. nos cinemas. ou na região perispiritual do ser. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. na intimidade do lar. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado.

de aniquilar a nossa arrogância. ou a irresponsabilidade de outro. E é necessário. temendo o “contágio” com os pecadores. a criança. Daí a recomendação da vigilância. a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos. para nos defender dos párias. ou de inveja. O que enxerga um pouco mais. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. pois. no futuro. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa maledicente. voltará a falar. também imperfeito. uma piada grosseira e pesada. porém. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles. a cada momento. Para 26 . talvez. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. para ensinar e construir. numa redoma ou numa couraça. nos fenômenos de efeito físico. certamente. ou o egoísmo de um terceiro. Os Espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. Não é que tenhamos que nos isolar. a assistência a um filme pernicioso. temos. mosteiros inaccessíveis. pois vivemos num mundo transviado. Também somos pecadores. seres humanos como nós mesmos. diante de nós. se às deficiências que carregamos. no passado mais distante e no passado recente. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente realizados por Espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. a ponto de viver rezando pelos cantos. Não é difícil. Ninguém precisa chegar. não é lá grande coisa. de viver com o semelhante. E como!. ou. com o homem. a defesa e a correção. em vez de cuidarmos. no sentido de que todos trazemos feridas não cicatrizadas. embora a supervisionem cuidadosamente.. Não há como fugir de ninguém e isolar-se em torres de marfim. a leitura de livro pornográfico. um pensamento de rancor ou de revolta. aliás. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. E nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência. Por outro lado. Isto se dará. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. mazelas e imperfeições. por exemplo. ajuda o cego. que nos cercam por toda parte. como se vê em André Luiz. aos extremos do misticismo.isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. com as mesmas angústias. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. um dia. Nosso trabalho é aqui mesmo. somarmos as que recebermos por “contágio espiritual”. Quem poderia alcançar estes. de falhas clamorosas. mas. junto ao nosso Espírito. pois. de olhos baixos pela rua. Toda atenção é pouca. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. grutas perdidas na solidão. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. Viemos num universo inteiramente solidário. o velho. se. aqui na Terra. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. assim. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece.. na linguagem evangélica: amar-nos uns aos outros. amparar o coxo. a mulher. inquietações. para um trabalho direto. Aí de nós. Há milhões de motivos. O mesmo princípio opera. com a maior facilidade. Como seres imperfeitos. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fiquemos apenas com os males que nos afligem intimamente. no qual uns devem suportar e amparar os outros. e a diferença evolutiva entre nós. porém. na rua. este disponha de pernas para caminhar e pode. Já bastam as nossas mazelas. Somos.

que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada?

*

Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. São
essenciais, especialmente se o grupo mediúnico se envolver em tarefas de desobsessão. Os
Espíritos trazidos às reuniões, para tratamento, apresentam-se hostis, agressivos, irônicos.
Que não se cometa, a respeito deles, a ingenuidade de pensar que são ignorantes. Com
freqüência enorme são inteligentes, e mais bem informados do que nós, encarnados.
Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável. Chegam
impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa, para continuar a proceder como acham de
seu direito e até de seu dever. No desespero em que vivem mergulhados, não hesitarão em
promover qualquer medida defensiva, e essa defesa, geralmente, consiste em atacar aqueles
que interferem com seus planos. Cuidado, pois. Se em lugar de vigilância e prece, lhes
oferecemos o flanco desguarnecido, sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e
acabaremos por ser envolvidos.
Dai a advertência de que o trabalho mediúnico, nesse campo especializado, é tarefa
para todas as horas do dia e da noite. As recomendações de comportamento adequado são
particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam.
“No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz — “os
integrantes da equipe precisam, a rigor, cultivar atitude mental digna, desde cedo”. 2
Resguardarem-se todos na prece, na vigilância. Fugiremos ao envolvimento em
discussões e desajustes de variada natureza. Alimentação sóbria, leve.
Não custa muito, pelo menos nesse dia, abster-se de carne; e é necessário prescindir
do álcool e do fumo. Sempre que possível, durante o dia ou nas horas que precedem a
reunião, um pouco de repouso físico e mental, com relaxamento muscular e pacificação
interior.
Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o
comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora, por exemplo. (Muitas vezes,
principalmente no caso dos médiuns, já se trata de aproximação de Espíritos angustiados,
ou coléricos, que transmitem suas vibrações depressivas). É possível que, à hora da saída
para a reunião, chegue uma visita inesperada, ou uma criança se ponha a chorar,
inexplicavelmente agitada ou inquieta. De outras vezes, chove ou faz muito frio, ou calor
excessivo, e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo.
Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos
incidentes como estes, que se vão somando, até neutralizá-los de todo. Nem percebem que
os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos, ou até
mesmo os provocaram, como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da
família. No dia seguinte, ou horas depois, o mal-estar terá passado, como Por encanto, mas
o trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara, pelo menos naquele dia. A
grande vitória começa com as pequenas escaramuças. Cuidado, atenção, serenidade,
firmeza.

*

Quanto aos componentes encarnados do grupo, mais uma vez lembramos: é vital que
os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. O bom entendimento entre todos é
condição indispensável, insubstituível, se o grupo almeja tarefas mais nobres. Não pode
2

“Desobsessão”, Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, capítulo 1, 3ª ed., FEB.

27

haver desconfianças, reservas, restrições mútuas. Qualquer dissonância entre os
componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. Os Espíritos
desarmonizados sabem tirar partido de tais situações, pois esta é a sua especialidade.
Muitos deles não têm feito outra coisa, infelizmente para eles próprios, ao longo dos
séculos, senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras, dividindo para conquistar.
Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. E preciso entendê-los. Eles vivem num
contexto que lhes parece tão natural, justificável e lógico, como o de qualquer outro ser
humano. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem, e, por isso, não se detêm diante de
nenhum escrúpulo ou temor.
Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento, provocarão a
desagregação impiedosamente, porque para eles isto é questão de vital importância, a fim
de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram.
Assim sendo, é melhor que um grupo com dissensões internas encerre suas atividades,
pelo menos por algum tempo, até que se afastem os elementos dissonantes. Não se admite,
num grupo responsável e empenhado em trabalho sério, qualquer desarmonia interna, como
disputa pelos diversos postos: dirigente, médium principal e outras infantilidades. O
dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas
um companheiro, um coordenador, um auxiliar, em suma, dos verdadeiros responsáveis
pela tarefa global, que se acham no mundo espiritual. Qualquer sintoma de rivalidade entre
médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. Ainda falaremos disso, mais
adiante. Por ora, basta dizer, e nunca o diremos com ênfase bastante, que deve predominar
entre os encarnados um clima de liberdade consciente, franqueza sem agressividade,
lealdade sem submissão, autoridade sem prepotência, afeição sem preferências, e perfeita
unidade de propósitos.
No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os
encarnados, o grupo está em processo de desagregação. Isto implica dizer que os elementos
perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. O responsável
pelo grupo, ou quem for para isso, designado, deve procurar os desajustados para
entendimento particular, reservado. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude
construtiva, não resta alternativa senão a afastamento, pois o trabalho das equipes
encarnada e desencarnada deve ser colocado acima das nossas posições pessoais.
A decisão de afastar alguém não é fácil, e nem deve ser tomada precipitadamente e por
ouvir dizer, pois é uma ação de natureza grave. Não apenas o grupo se privará do seu
concurso, qualquer que seja a sua posição, como ele próprio, sentindo-se como que
“expulso”, quase um “excomungado”, poderá cair numa faixa de desânimo, quando não de
revolta, que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. Não se
trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua, de desconfianças e
rivalidades, ou rancores surdos, pois disso também se aproveitariam os irmãos
desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão; mas os objetivos e finalidades
do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. Se, para isso, for necessário afastar um ou
outro companheiro, teremos que fazê-lo. Cumprir o desagradável mandato com amor,
equilíbrio e serenidade, mas também com firmeza. Talvez o companheiro perturbador possa
retornar à tarefa mais adiante, já regenerado, mas entre sacrificá-lo pessoalmente e
sacrificar todo o programa, não há como hesitar.
Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores, porque, embora não
mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico, é uma das grandes e
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freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. Precisamos estar preparados para
ela porque, mais cedo ou mais tarde, haveremos de encontrá-la. Atenção, porém: nada de
processos inquisitoriais, repetimos. O bom senso e a prece serão sempre os melhores
conselheiros, em situações como essa.
Por outro lado, essas e outras decisões, isto é, todas aquelas que dizem respeito, por
assim dizer, à gestão terrena do grupo, cabem aos encarnados. Os benfeitores espirituais,
ligados à tarefa, dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar
aquele. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade
pelos nossos atos. O que esperam de nós é um clima de harmonização, para que possam,
em cada reunião, colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. É preciso que
ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável.

OS MÉDIUNS
O capitulo 32, de “O Livro dos Médiuns”, intitula-se “Vocabulário Espírita”, e sugere
a seguinte definição:
— Médium — (Do latim médium, meio, intermediário). Pessoa que pode servir de
intermediário entre os Espíritos e os homens.
Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre
demonstra, essa definição é um primor de clareza. Vemos, por ela, que o médium é uma
pessoa, isto é, um ser encarnado, sujeito, por conseguinte, às imperfeições e mazelas que
nos afligem a todos e, portanto, tão propenso à queda quanto qualquer um de nós, ou talvez
mais ainda, porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um
grau mais elevado de influenciação.
Sabemos, por outro lado, do aprendizado espírita, que a mediunidade, longe de ser a
marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições.
Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos
assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima
dos vis mortais, como seres de eleição. E, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o
qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir-se mais
uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. O
médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para
apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado
pelo dom divino, mas depositário desse dom, que lhe é concedido em confiança, para uso
adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no
sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos
dessas faculdades.
Quanto mais amplas e variadas as faculdades, mais exposto ficará ao assédio dos
companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo.
De certa forma, isso é válido para todos nós, mas aqueles que dispõem de faculdades
mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e
invisíveis, que podem ser bons e amigos, como também podem ser antigos e ferrenhos
desafetos ou comparsas de crimes hediondos.
Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. O jovem herói, pelo esforço de
um trabalhador social compreensivo, que acreditava na capacidade evolutiva do ser
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A tarefa não é fácil. Cabe a ele provar que já é capaz de fazer bom uso dela. enfrente os problemas da existência: profissionais. tentando impedir que ele se escape. o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais a sua vontade. Seus ex-companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. melhorando. em virtude da prática de assaltos audaciosos. sem rancores. mais do que aqueles que não dispõem da faculdade. nem superior. buscam-no incessantemente. nem pior. muito rendosos financeiramente. Estude. Qualquer ardil serve. que o põem em relação com o mundo espiritual. Estivera alguns anos na prisão. deseja esquecer o passado tenebroso. o bom combate. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. leia. bem planejados e. encontra o amor na pessoa de uma jovem. são associados de outros tempos. sociais. Mais do que qualquer um de nós. É comum. sem humilhações. o cérebro da organização. por exemplo. como qualquer um de nós. mas não seja temerário. o assédio. O ideal seria que os orientadores se revezassem. envolvimento ou oferta. como um pequeno balão. enfim. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. vigie seus sentimentos. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. de baixa remuneração. e a doce cantilena do êxito material. informações e. é claro. Começa o cerco. corrigindo. acima de tudo. é um simples trabalhador. Participe da luta diária. naturalmente. Seus comparsas não se conformam. de falhas dolorosas. traz em si o apelo do passado. Não lhe faltarão recursos.humano. atento. O médium. para o azul infinito da libertação espiritual. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. Procure manter um bom clima mental. como qualquer outro: nem melhor. Nada de pânico. ameaças. obteve liberdade condicional. à irresponsabilidade. Vale tudo. nem inferior. E nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. então. viva com simplicidade. aos prazeres. Os primeiros manifestantes são. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. atormentados seres do mundo das dores. Ou. assistência. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. mas honesto. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. das trevas onde se escondem. Não deixe de estudar suas faculdades. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recursos que conseguiu desenvolver. eliminando. Ao sair da prisão. modificando. as cicatrizes. mal curadas. como todos nós. com propostas. obsessores impiedosos. utilizando-se dos demais médiuns. Não tema. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. e dedica-se a trabalho humilde. acrescentando. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. e. quase sempre. compulsando livros doutrinários de confiança. qualquer pressão. que os antigos comparsas o encontram. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. sem prepotência. porque. de que nos falava Paulo. Fora o líder de seu grupo. ligado a um bom grupo de trabalho. nos grupos mediúnicos. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. observando suas próprias faculdades. as “tomadas” para o erro. não quer dizer que ele esteja à mercê dos companheiros desvairados das sombras. ele precisa estar vigilante. às loucuras. Na hora da tarefa. é um ser em liberdade condicional. porém. humanos. quer ele deseje ou não. que é da essência mesma do seu compromisso. o orientador desencarnado. A semelhança com a situação do médium é impressionante. o peso específico que o arrasta para baixo. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas 30 . trabalho mediúnico. familiares.

tolerantes e serenos. Há obras que cuidam do problema. ajudando o companheiro. de Allan Kardec. trate de se corrigir. de fantasias. tão logo lhe seja possível. Os fenômenos começarão espaçados e indecisos: rápidas vidências. até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. de preferência. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. clariaudiência. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer. Não cuidaremos. Não é necessário. que as tarefas do grupo mediúnico venham. poderia ser substituída. sem interromper os trabalhos em curso. da formação ou do desenvolvimento do médium. cada um tem o mérito de suas obras. todavia. revelar a existência de outros médiuns em potencial. a nossa compreensão? Assim. fornecendo ocasionais indicações e instruções. amorosos. ou companheira. pacientes. e dificilmente a palavra falada. em muitos aspectos. E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. ou de incorporação. nas lides iniciais da sua empreitada. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. Que ela se mantenha junto aos companheiros.suscetibilidades e vaidades. às vezes até com inesperada severidade. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. com o dirigente. neste livro. colocar a pessoa em quarentena. Com ela. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho. assim. o componente da equipe deve comunicar-se. e “O Livro dos Médiuns”. nesse sentido. quando possível e necessário. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. nem desligá-la do grupo. talvez intuições. Isso está amplamente documentado na Codificação. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofônia. Num grupo bem orientado. segundo “O Livro dos Espíritos”. de excitações. questão 123. E possível. impulsos de dizer ou escrever algo. o problema é de cada um. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. Nada de açodamento. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. contudo. sem perda considerável da eficácia do processo. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa. no decorrer do tempo. direta e viva. nesse tipo de trabalho. de euforia. a não ser por motivos imperiosos. depois de encerrada a sessão. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende. sentimos com maior facilidade as 31 . quando necessário. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. porquanto. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. mas são também firmes e rigorosos. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. no entanto. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o Espírito responderia por escrito. Em casos extremos. A experiência com os Espíritos ensina-nos que eles são compassivos. neste caso. nem de temores.

aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. como sejam relógios. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. Como a psicofônia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. óculos e jóias. da mediunidade de efeitos físicos. de exteriorizarem ectoplasma. operando através da vidência de um. que trabalham junto deles. seu estado de irritação ou de serenidade. ou seja. Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. os médiuns presentes serão. * As pessoas que lidam com médiuns. * Fixação num só grupo. ou audiência. no seu já citado “Desobsessão”. suas emoções. enquanto ele se acha doutrinando. Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas médiuns de incorporação. para que se lhes apure a capacidade de transmissão. * Interesse real na melhoria das próprias condições de sentimento e cultura. canetas. Nesse caso. 32 . em trabalhos especiais que ainda discutiremos. que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. alijando. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite. É aconselhável. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores. eflúvios magnéticos. porém. * Defesa permanente contra bajulações e elogios. sua personalidade. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. seja pelas impressões de sua presença. pois. como vidência. André Luiz nos oferece. * Domínio completo sobre si próprio. linguagem. em trabalho mediúnico. suas ironias. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. sua sinceridade. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades.reações que se processam no manifestante. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuída aos médiuns. da intuição de um terceiro. da clariaudiência de outro. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio. suas vacilações. que desempenham. da faculdade. seus cacoetes. conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. seja pela sua conduta geral. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. que têm outros. * Aceitação dos próprios erros. * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarece dores ou dos companheiros. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. ou até mesmo se utilizando. às vezes.

são mais suscetíveis. onde e quando necessário. por uma tarefa particularmente difícil. 33 . este assunto extremamente delicado e complexo. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. também como as demais. designe alguém no grupo para fazê-lo. em nome da boa ordem dos trabalhos. Em casos assim.. com as dores e as canseiras resultantes. a palavra agressiva. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas. O leitor deverá notar. E que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. sem. médium inibido é outra. E. É apenas um dos componentes do grupo. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. Em decorrência dessa particularidade que. que deixam resíduos vibratórios perturbadores. à atitude antifraterna. A mediunidade a um mecanismo extremamente delicado e suscetível. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta. tanto quanto ao elogio e à bajulação. ao longo deste livro. cuidado e carinho. cair no outro extremo. exclusivo ou extraordinário. Em breve. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. pois. dolorosas. a quem de direito. no fundo. tanto quanto possível. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. a ele e ao grupo. Médium disciplinado é uma coisa. Ou. e compreensão entre os seus diversos componentes. E preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina.enfim. O médium não é nem a “vedete” do grupo. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. Não vamos. em nome da disciplina e da ordem. para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. Tentaremos clarificar. é da própria essência da mediunidade. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. distingui-lo com nenhum favor especial. a que se refere André Luiz. atenção especial com os médiuns. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. e. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. É precisa. O dirigente deverá tratar o médium com todo a carinho e atenção. à reprimenda. seu pontífice máximo. naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. Não custa. Evidentemente. porque isso exporia. nada mais. mais sensíveis também a critica. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. que deve ser tratado com atenção. estaria recebendo “mensagens” diretas de Deus. que precisa ser preservada. dificilmente surgirão problemas dessa natureza. exaustiva e bem realizada. como tal. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que.. no entanto. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. o médium não deve e não pode ser endeusado. Há manifestações difíceis. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. porém. qualquer atividade em paralelo com eles. dando-lhe apoio e conselhos. e que desaparecem aqui.

este também traz uma carga. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propicias a manifestações violentas. o Espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. se trata de um Espírito pacificado e bondoso. respeito sem temores e sem reservas íntimas. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. até às lágrimas. Da mesma forma. pior ainda. Quando o relacionamento médiumdoutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. Mantenha-se ligado às cinco obras da Codificação. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. durante suas manifestações. sendo necessário. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. ao contrário. “em estado de graça”. quando são desagradáveis e agressivos. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito. de maneira tão ampla. experimentaram tal ou qual sensação: força. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. como lamentavelmente acontece com freqüência. pois. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. paz. Além do seu sentido etimológico — incapaz de pecar. ao sentirem a aproximação do Espírito manifestante. Com freqüência. Essa contaminação. sem mácula ou defeito. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. Estima sem servilismo e sem fanatismo. nossos médiuns declaram que. o médium desperta. feliz. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. Quando. tristeza. Pela mesma razão. ódio. seja entre os encarnados. não consegue fazer tudo quanto desejava. alguma hostilidade mais declarada. dispersá-los por meio de passes. embora transitória. faça perguntas. às vezes. é demonstrada. aos livros de André Luiz que desenvolvem. porque as vibrações afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. sem sombra alguma de dúvida. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. seja entre estes e os desencarnados. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. do contrário. a fim de que o médium se recomponha. ou seja. às vezes pesada e agressiva. o Espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. serenidade. no caso. havendo. como costumo dizer. leia. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. os resíduos vibratórios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. quase sempre. 34 . Tentemos explicar o que significa. nas reações preliminares e posteriores do médium. correto. esse relacionamento precisa ser impecável. angústia ou amor. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. com nova ênfase.para reaparecer ali. após a desincorporação. certa “contaminação” mútua. o Espírito agressivo fica algo contido. ou. esse adjetivo algo pomposo. Muitos são os que se queixam disso. comovido. são bastante conhecidos. portanto. Repisaremos aqui um deles. com quem demonstre ter experiência. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. harmonizado.

como ouvinte paciente ante um guru evoluído. mundos acima. logo aos primeiros contactos. “Missionários da Luz”. Portanto. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade. anotando suas peculiaridades. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. porque o Espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. “Libertação”. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. no momento oportuno. a autoridade necessária. “Dramas da Obsessão”. por alguns momentos. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. ou. iluminam. de receber instruções doutrinárias. através de um pequenino retângulo. Ninguém precisa estuda-la mais. antes de nós. com quem estabelece o diálogo. porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. Em primeiro lugar. a ditar normas de ação e a pregar. ou. Muitas vezes ele está perfeitamente familiarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita.não apenas aspectos específicos da mediunidade. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. de Camilo Cândido Botelho. os ambientes de meia-luz em que vivemos. e com maior respeito e carinho. A despeito disso. Bezerra de Menezes. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. do que o próprio médium. que se coloque na posição de mestre. E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. observando-a com atenção. O médium. “Desobsessão”. presunçosamente. “Nos Bastidores da Obsessão”. e com a qual pretendemos ajudá-lo. de onde recebemos jatos de luz que. que nem ele próprio conseguiu alcançar. de tempos em tempos. Ademais. os mecanismos da reencarnação. O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico. reconhece até mesmo a existência de Deus. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina. Sabe que e um Espírito sobrevivente. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação. não está em condições. em termos gerais de doutrina. de Martins Peralva. “Entre a Terra e o Céu”. que toda pessoa incumbida de uma tarefa. “No País das Sombras”. o companheiro encarnado. Por outro lado. deve 35 . “Nos Domínios da Mediunidade”. ou seja. ensinar. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. nem predisposto ao aprendizado. ele nem discute. do Dr. de Madame d'Espérance. ainda. lendo o estudo daqueles que. que professamos. e. que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. admite. de Manoel Philomeno de Miranda. por mais modesta. ele precisa estar preparado para exercer. não tem muito a ensinar-lhe. acerca da Doutrina Espírita. “Estudando a Mediunidade”. no contexto da prática mediúnica. simplesmente. um estágio ideal de moral. “Memórias de um Suicida”. tanto quanto todos nós. mundos abaixo. ante evidências que lhe são mais do que óbvias.

observa-nos. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. Sua formação doutrinária é de extrema importância. de que. ainda. sumo-sacerdote ou rei. companheiros de antigas encarnações. ou um erro mais 36 . mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. Entre os Espíritos que lhe são trazidos para entendimento. há argumentadores prodigiosamente inteligentes. Os Espíritos em estado de perturbação. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. sem sustentação na afeição legitima. O confronto aqui não é de inteligências. intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às conciliações desenvolvidas no diálogo. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do Espírito. e não mestre. talvez. bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. Muitas vezes. nem de culturas. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros. logo de início. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele. Sua autoridade moral é importante. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. Se estivermos recitando lindos textos evangélicos. encarnados. é de corações. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vicio de fumar. mas qual de nós. ele o saberá também. a fim de obter dele a informação de que necessita. que nos são trazidos às sessões mediúnicas. não estão. analisa-nos e estuda-nos. como já dissemos. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. conhecer a doutrina e recitar prontamente qualquer versículo evangélico. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. tanto quanto nós. como. mas isso não é tudo. sem conhecimento intimo dos postulados da Doutrina Espírita. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. em que fomos. do que o mero som das palavras que pronunciamos. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. Não se esquecer. Ele nos vigia. ou. dotados de excelente dialética. e. comparsas de desacertos hediondos. e até mais do que nós. de quem os ouça com paciência e tolerância. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. E nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. Percebe mais as nossas intenções. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. às vezes. de sentimentos. ele é apenas um dos componentes. porém. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. O Espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas. por certo.ter. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. A doutrinação virá no momento oportuno. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. um trabalhador. por serem. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. no grupo mediúnico. freqüentemente. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. A conversa com os Espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico.

É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. 37 . vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje. Façamos uma pausa na exposição. afinal alcançado. Se tivermos paciência e tolerância. que muitos companheiros espirituais desarvorados. que ainda não nos perdoaram. enquanto estás a caminho com ele. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. E aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. de maior responsabilidade. Para o Cristo. nossa boa intenção é legítima. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. plenamente suportada pela razão. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. Aqueles que já se purificaram a esse ponto. O doutrinador precisa. ou pretendemos ser. Para Ele. no capitulo 11 da Epistola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. como em tantos outros contextos. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. É exatamente porque ainda somos tão imperfeitos quanto ele. Não é preciso ser santo. neste. para doutrinar. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. de que somos julgados e avaliados. Muitos são desafetos antigos. o manifestante acabará por admitir que. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. Deve lembrar-se. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. o esforço que desenvolvemos é digno. ainda. Ele não pode dar aquilo que não tem. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio. O doutrinador é também um ser falível e consciente das suas imperfeições. e nos respeitarão por isso. lógica. porém. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belíssimo poema. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. ser uma criatura de fé viva. inabalável. eu não saberia dizer. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus. Que tipo de fé? A fé espírita. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. não pelos resultados que obtemos. 3 Em Paulo. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. que tanto nos interessa. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. Tudo serve. sobre o qual ainda falaremos adiante. Pela fé. dedicam-se a tarefas mais complexas. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. para um exame da fé. é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. 17:14-20): 3 O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. a prova das realidades invisíveis. positiva. confirmou no coração do homem. ainda. convicta. tal como a conceituou Kardec: sincera. É preciso levar em conta. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. Por outro lado. que nos conheceram em passado tenebroso.grave cometido no passado recente.

que não consegue fazer quem duvida de si”. e ela se transportaria. o doutrinador estará desarmado. Não se trata. ter com Jesus. mas não será fé. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Precisa ser inabalável. então. Sem ela. opinião. com ela. ao levantar-se para dar um passe. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. Ao comentar a passagem. fazia-o espumar. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. É uma afirmativa de extraordinário vigor. 38 . em beneficio do companheiro que sofre. “Da fé vacilante — diz Kardec. Batidos pelo fracasso. conjetura. No contexto. porque não acredita que possa vencer”. Ele deve saber que. segundo o pai. Jesus cura o infeliz possesso que. com tão poucas palavras. e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. derrubava-o ao solo. com relação aos demais atributos necessários à sua função. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. pouco ou nada podemos. pode ser crença. da 57ª edição da FEB. em todas as épocas. pouco depois resultam a incerteza e a hesitação. ranger os dentes. Somente assim será inabalável. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema. ao formular sua prece. Resposta: fé. A conceituação de fé tornou-se. O episódio é de grande força e beleza. definitiva. e ainda mais: que aquela classe de Espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. Para não transcrevê-lo por inteiro. que se apoderava dele em qualquer lugar. presunção. “nada é impossível”. nós outros. em todas as épocas da Humanidade. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater. páginas 284 a 293. porém. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda. sem êxito. sempre. E também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão. é certo. suspeita. Os discípulos já haviam tentado. confiantemente. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. era possuído por um Espírito mudo. feita por quem possuía autoridade mais do que suficiente para fazê-la. expulsar esse demônio?”. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. e nada vos seria impossível”. com Kardec. em particular. e. provavelmente desacordado. Pois em verdade vos digo. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. de remover montanhas de terra e pedra. e o deixava rígido. pedem explicações. Dificilmente se poderia dizer melhor. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. tem que “encarar a razão” destemidamente. Ele tem de saber que.— Os discípulos vieram. depois de curá-lo. vai encontrar a resposta ao que implora. Sem ela. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. por mais bem-dotado que seja. essa fé não procura os meios de vencer. Os discípulos nada puderam fazer. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. despreparado para a sua tarefa. Fora disso. parecer. Respondeu-lhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. (Destaque meu) O comentário de Kardec é de transcendental importância. aqui.

Se não tem fé. A Bíblia de Jerusalém lembra. que a expressão do original grego agapê. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. É isto bem verdadeiro. nada me aproveita. na sua vida de encarnado. tolerância e. para isso. que se dirige. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos. Sem amor profundo. O amor não se acaba nunca. Muitas vezes. que se concentre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento. Se não tenho amor.. Tem seus parentes. do trabalho. tudo espera. amor fraterno. portanto. tudo suporta. do ódio. com relação aos nossos próprios inimigos. precisa estar ligado aos Planos Superiores. do amor passional e egoísta. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório. a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. ao se apresentarem diante de nós. traduções modernas do Evangelho substituíram por amor a expressão caridade.. o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do 39 . da mais violenta revolta. do rancor. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. a esperança e o amor. a capacidade de amar os inimigos. * Isto não esgota. em nota de rodapé.. Agapê é o amor-benevolência. Por isso. no campo do amor. para os irmãos desorientados. terrenos. não se irrita. ainda. O amor tudo crê. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera. o responsável pela direção dos aspectos. que o ajudam e assistem a distância. devemos sentir.Além disso. por assim dizer. é ele. não é interesseiro. Impossível seria considerar a caridade sem o amor.. incondicional. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento. é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais. para distribui-lo assim. diferente. principalmente. Se tudo se acabasse. o médium doutrinador não se encontra. como força construtiva do bem. O amor é paciente e serviçal.. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. indiscriminadamente. porque é ele o seu porta-voz. é preciso ter. se não tenho amor. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros.. em favor do próximo. usualmente. A sustentação do seu teor vibratório. e. transformado em compreensão. Sem nenhuma figura de retórica. segundo o Cristo. restariam a fé. que aparecia nos textos mais antigos. portanto. na psicologia do doutrinador. deverá vir de Cima. Não e por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. O amor não é invejoso. — “É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. é o amor. vive rodeado de conhecidos. bem como suas cóleras e suas ameaças. tanto quanto o amor descaridoso. E desse amor-doação que precisa o doutrinador. mas particularmente se dirigem ao doutrinador. mas não conta com grandes afeições e dedicações. no ambiente de trabalho. É lógico e natural. legitimo. sincero. nem presunçoso. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. Outro ingrediente necessário. não tem orgulho. nem precipitado. Do amor que. porque. sou como o bronze que soa e o címbalo que retine. do belíssimo capitulo 13. Se respondermos a sua agressividade com a nossa. do mais angustioso desespero. pronto na doação. no trabalho de desobsessão. não é temerário.

doutrinador. Nem pretendemos esgotá-lo aqui, ou afirmar que somente pode investir-se na
função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. Não
estamos ainda nesse estado evolutivo.
Prossigamos, no entanto, ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da
personalidade de um bom doutrinador.
Se não dispuser de um mínimo de aptidões, o candidato a tal função deve procurar
desenvolvê-las, ou assumir outra tarefa, para a qual seus recursos pessoais sejam mais
adequados. Uma dessas virtudes é a paciência. Não pode ele, sem prejuízo sério para o seu
trabalho, atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. Tem que ouvir,
aturar desaforos e impropérios, agressões verbais e impertinências. Tem que aguardar o
momento de falar. Para isso, necessita de outra qualidade pessoal, não particularmente rara,
mas que precisa ser cultivada, quando não despertada: a sensibilidade, que o levará a
sentir pacientemente o terreno estranho, difícil e desconhecido em que pisa, as reações do
Espírito, procurando localizar os pontos em que o manifestante, por sua vez, seja mais
sensível e acessível. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato, segundo a qual,
vamos, pela observação cuidadosa, serena, nos informando de determinada situação ou
acontecimento, até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão
sobre o assunto.
A paciência, a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos, mas
não disparam, por si mesmos, os mecanismos da ação, ou seja, não nos indicam a
providência a tomar, nem nos sustentam no que fizermos. Para isso, se pede outra
disposição que poderíamos chamar de energia, que deve ser controlada e oportuna. Há de
chegar-se a um ponto, na doutrinação, em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude
firme, enérgica, que não pode ser contundente, nem agressiva. É a hora da energia, e o
momento tem que ser o certo. Nem antes, nem depois da oportunidade. Veremos isto,
quando cuidarmos do trabalho propriamente dito.
Há mais ainda.
O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância, na mais ampla acepção
do termo. Vigilância quanto aos seus próprios sentimentos e pensamentos, quanto às suas
suposições e intuições, quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante,
quanto ao que ocorre à sua volta, com os demais componentes do grupo, quanto à sua
própria conduta, não apenas durante o trabalho mediúnico, propriamente dito, mas no seu
proceder diário. Convém repetir: não precisa ser um santo, e não o será mesmo. Vigilância
e boa intenção não são santidade. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento
constante.
Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de
mediunidade ostensiva? Em Espiritismo, não há posições dogmáticas. Minha opinião
pessoal é a de que algumas formas de mediunidade são desejáveis. Colocaria em primeiro
lugar a intuitiva, através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos
espirituais, responsáveis pelo trabalho, e desenvolvê-las junto ao manifestante, com seus
próprios recursos e suas próprias palavras.
Em segundo lugar, poria a vidência, que certamente auxiliará na visão de cenas e
quadros, ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais
companheiros. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência, e, neste caso,
ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual, que fossem de interesse
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para o seu trabalho. Isto, porém, não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra,
soprada desavisadamente, que o leve a falsos caminhos.
Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que
colocasse o dirigente, ou doutrinador, em estado de inconsciência. Ele precisa manter-se
lúcido durante todo o período de trabalho.
Uma confreira, experimentada nas lides espíritas, contou-me que certa vez se
encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. Relutantemente,
concordou em assumir o encargo, pois temia que sua ostensiva mediunidade de
incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. Realmente, foi o que aconteceu.
Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante, começou a sentir-se envolvida,
perdeu o fio da conversação e, sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —, daí a
pouco estava, por sua vez, também incorporada, criando certo pânico na sessão. Depois
dessa experiência, ela passou a recusar, com firmeza, qualquer solicitação para funcionar
como doutrinadora, dedicando-se a outras atividades, tão nobres quanto essa, para as quais
estava perfeitamente preparada, com a abençoada mediunidade de cura. Suponho que, por
isso, a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é, precisamente, a intuição.
Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual, esta via de comunicação bastará ao
seu trabalho. Por ela, seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão, com eficiência
e oportunidade, para a ajuda de que ele não pode prescindir. De uma vez por todas, tiremos
de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos
Espíritos Superiores. Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso, e não
poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. Já
fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade
Maior. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda, eles se afastarão, com
tristeza, é certo, mas com serenidade e sem remorsos, de vez que jamais impõem a sua
presença, nem a sua vontade. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos
Espíritos mais esclarecidos. E, em breve, não haverá nem bom nem mau, porque o
pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos
ardilosos, que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram, por sua vez, em
doutrinadores do doutrinador, pregando estranhas e confusas idéias.
Com isto, chegamos à outra faculdade necessária ao doutrinador a humildade. Ele vai
precisar dela, com freqüência impressionante A princípio, para aceitar as ironias, agressões
e impertinências dos pobres irmãos atormentados. Depois, se e quando conseguir
convencer, o companheiro, de seus enganos e de seus erros, para não assumir a atitude do
vencedor que pisa na garganta do vencido, para mostrar o seu poder e confirmar a sua
vaidade e seu orgulho. É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco
se converte em verdadeiro trapo humano, arrependido e em pranto, que o doutrinador deve
mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia.
Tem, ainda, que ser humilde no aprendizado. Cada manifestação traz a sua lição, a sua
informação, a sua surpresa. Em trabalho mediúnico, estamos sempre aprendendo e nunca
sabemos o suficiente. Se não nos aproximarmos dele com humildade, pouco ou nenhum
progresso conseguiremos realizar.
A humildade é necessária, também, quando não conseguimos convencer o
companheiro infeliz. Precisamos estar preparados para a derrota, em muitos casos. Nada de
pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. Claro que positivo, em
sentido genérico, ele sempre o é. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus
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propósitos, se tivermos tido habilidade e tato teremos realizado, no seu coração, a
sementeira da verdade. Um dia não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe
dissemos e conferi-lo com a realidade. Não contemos, porém, com o êxito total da
conversão imediata e definitiva, ao amor, de todos os Espíritos que nos são trazidos. Muitos
daqueles dramas, que se desenrolam diante de nós, arrastam-se há séculos. Não se ajustam
em minutos de conversa. Humildade, pois, para aceitar esses casos e continuar lutando. Não
somos super-homens, nem semideuses.
Humildade, ainda, quando precisarmos reconhecer o potencia intelectual do irmão
espiritual com o qual nos defrontamos. E isso é muito freqüente. Não quer dizer que nos
devamos curvar servilmente diante dele, rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu
conhecimento; quer dizer que precisamos admitir, às vezes, que não estamos em condições
de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. Nem é essa a técnica recomendada.
Suponhamos que compareça, para conversar conosco, um Espírito de elevada cultura, que
lecionou em Faculdades, ocupou assentos em Academias, recebeu, enfim, as honrarias que
tantos buscam, em vez da paz interior. Não é no terreno dele que nos vamos medir, não é
discutindo Filosofia, com ele, que vamos convencê-lo de seus enganos. Nesse campo, ele
dispõe de mais recursos do que nós. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que
arruinaram sua vida espiritual. Ele precisa de atenção, fraternidade, respeito e sinceridade,
não de debates estéreis, nos quais facilmente nos vencerá, para consolidar a sua vaidade
lamentável. Um pouco de humildade, da nossa parte, o levará a respeitar-nos também,
enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos, e de medíocre cultura
intelectual, só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. Nada, pois,
de aparentar o que ainda não somos. E, mesmo que o fôssemos, a humildade, ainda assim,
seria indicada.
Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. Já disse alhures que, em trabalho
mediúnico, temos que ser destemidos, sem ser temerários. Coragem não é o mesmo que
imprudência.
O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. Fustigados pela
interferência dos grupos mediúnicos em seus tenebrosos afazeres, os Espíritos violentos
comparecerão possuídos de irritação, rancor e ódio, mesmo. Manifestam-se aos berros, dão
murros na mesa, ameaçam céus e terras, procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos
implacavelmente, a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torno de
nossa família, provocar acidentes, doenças, perturbações. O arsenal de ameaças é vasto, e
eles manipulam, com extrema sagacidade, as armas da pressão. Se nos deixarmos
impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem, estaremos realmente perdidos, porque nos
colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. Os benfeitores espirituais sempre nos
advertem, de maneira tranqüila e segura:
— Nada de temores infundados. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos
compromissos espirituais, e não em decorrência do trabalho de desobsessão.
É verdadeiro, isso. Seria injusto, por parte das leis supremas, que, evidentemente,
governam o Universo, se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento
indevido e em punição imerecida. Estariam subvertidos todos os princípios da Justiça
Divina, se assim fosse. É até possível que uma ou outra, das ameaças esbravejadas contra
nós, se cumpra, ou seja, aconteça acidentalmente, como doença inesperada em um de nós,
ou em membro da nossa família. Estejamos certos de que, na sessão seguinte, virá de novo
o irmão infeliz, para se vangloriar:
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A proteção existe.— Eu não disse? Não tema. usualmente. as qualificações são. Procuramos. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas. siga em frente. o doutrinador é. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. Por outro lado. 43 . * Autoridade moral. mas não para dar cobertura à imprudência. É nele que identificam a origem de seus problemas. difícil. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. porque os Espíritos atribulados. o pára-raios predileto do grupo. mais eficaz e produtivo. traçar um perfil ideal e. como todo ideal. usualmente. aqui. importantes também. E ele. em geral. Em suma. pois. não significa que deveremos e poderemos deixar cair as guardas. As demais são desejáveis. ou com alguém da nossa convivência. nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. * Vigilância. Ao contrário. * Sensibilidade. * Amor. sem dúvida alguma. Se. rigorosas e numerosas. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. os riscos são muitos. mas não tão críticas: * Paciência. à irresponsabilidade. idealmente. * Fé. ou aptidões básicas: * Formação doutrinária muito sólida. nem assim devemos nos desesperar e intimidar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. porém. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. com ele se entendem e se desentendem. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. o organizador ou responsável pelo grupo. lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. quanto mais apagado o seu trabalho. * Humildade. em particular: a prudência. e do doutrinador. e mais: os recursos socorristas virão. * Energia. Ele precisa saber que o trabalho é árduo. Ainda voltaremos a este tema fascinante. senão impossível de ser atingido. trazidos ao diálogo. porém. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. Não custa. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. * Familiaridade com o Evangelho de Jesus. * Tato. Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. Isto. e nenhuma projeção especial o espera.

nem convívio com os Espíritos redimidos. e sentem-se atraídos pelo trabalho. nos seus companheiros. No momento de tomar a decisão. OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutrinador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos. algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. Precisa despertar. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. como quaisquer outros que integrem o grupo. Nada disso. respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. falta ainda abordar um aspecto final. que podem e devem participar. paciência. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. fenomenologia espetacular. para debater problemas ligados ao trabalho. * Prudência. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. com o mesmo carinho e compreensão. Devem obedecer à mesma disciplina. cansativo. exige dedicação. Poderá ser o primeiro entre eles. antes de prosseguir. mas para servir e aprender. Com respeito ao doutrinador. Estão interessados num trabalho sério. nos grupos de desobsessão. Não esperemos revelações extraordinárias. continuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. É. a camaradagem e o respeito. que fiquem à nossa disposição. mas não é “o maior”. Não apresenta. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. sem abandonar a firmeza. ademais. médiuns ou não. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. pois. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. deve o dirigente comportar-se como simples participante. esforço concentrado. como já dissemos. sem mediunidade ostensiva. renúncia. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato. dirá o leitor. Precisa tratar a todos. Disciplina não é sinônimo de ditadura. transportes. O trabalho é muito mais humilde. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes. e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido. Tais participantes merecem atenção e cuidados. Como é também o dirigente humano do grupo. Quando o grupo reunir-se. sim. 44 . Há sempre outros companheiros. destinadas a abalar o mundo. precisa.. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. levitação e outras).. A essa altura. a afeição. também trazem ao grupo a sua contribuição. É verdade. ainda que não manifestamente.* Destemor. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. sem paternalismos e preferências. como as de efeitos físicos (materializações.

a mediunidade talvez guarde relação semelhante. o companheiro. Sua participação é desejável. Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. ou companheira. então. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantêm atitude construtiva. ou a companheira. Quando assistimos à manifestação de um Espírito sofredor.Por outro lado. Por mais de uma vez. o que é falso. ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade. as cansativas horas de exercício. também. por acharem que nada estão fazendo no grupo. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. ao contrário. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. o esforço constante de aprimoramento. incertezas. Raramente a mediunidade eclode assim. Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. quanta vigilância. como obras que o artista não teve suficiente dedicação e tenacidade para concluir. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. mas nosso apreço. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento. a exigir estudo. nem mesmo desejável. Nada de ciúmes pelo que ele faz. dedicação. sem que ela tivesse consciência do fato. toscas e primitivas. sem mediunidade ostensiva. ou de fria observação. manifestemos. pode deixar-se envolver pela frustração. E é por isso. escrever páginas psicográficas. Não é necessário que todos indistintamente. A norma geral é o desabrochar lento. pronta e afinada. Só excepcionalmente isso acontece. muitas vezes têm papel importante no grupo. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. Além do mais. e preces. como se o membro do grupo fosse mero espectador. intimamente. em qualquer circunstância. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. Ainda que inconscientemente. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. de que estava pleno o seu coração. inacabadas. se não tem condições de “receber” Espíritos. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. Portanto. espontânea e fulminante. orientação e renúncias bastante sérias. da mesma forma que o Espírito crítico. quando o companheiro. dificuldades e desenganos. este sim. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. nosso respeito pelo médium. através de um médium perfeitamente ajustado. sejam médiuns. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. lhe é devido. e prestam serviços relevantes de apoio. de uma hora para outra. como “dínamo de vibrações amorosas”. que muitas mediunidades ficam. e ao longo dos anos. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas 45 . questionou a validade da sua presença no grupo. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. quantas dores. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. Serão. por assim dizer. A um desses. muitas vezes penoso. dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. nem de elogios balofos que o percam. até chegar àquele ponto.

contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. não pertenço ao corpo”. onde ficaria o olfato? Nada. Sentíamos. que então nos procuravam. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. deixaria de ser parte do corpo. Tenho. sem açodamento ou excitação. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. que se acham apenas em potencial. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. uma noite. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. capitulo 12. de ambicionar. Esse grupo. A juízo do dirigente. Os resultados eram bons. que é inútil. em período de expectativa e de provas. Num grupo bem harmonizado. após comunicações particularmente penosas. no entanto. e por ele orientados. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. com sabedoria e bom senso. Sentava-me entre os companheiros. pois. deixaria de ser parte do corpo. vigie seus pensamentos. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. Conserve-se firme e tranqüilo. não pertenço ao corpo”. sem saber ao certo o que fazia. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. psicografia ou vidência. Há condições para desenvolvê-la harmoniosamente. Estudem e observem. com o tempo. 46 . Quanto ao mais. não tinha. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. só porque não incorpora. O participante. por certo. faculdades para as quais não estamos preparados. e. nenhuma forma de mediunidade. procurava portar-me com respeito. Neste caso. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. sob este aspecto. numa rápida vidência. atenção e vigilância interior. que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. porém. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. darão passes nos médiuns. como já ensinava Paulo. às vezes. ainda não estamos preparados. ou. porém. há tantos séculos: — Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epistola. Não pense. Nenhum fenômeno. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. senão de muitos. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. permaneça concentrado e em prece nos momentos mais críticos. ou mesmo desejar. que eu tivesse captado. Se o pé dissesse: “Como não sou mão.mediunidades. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. uma experiência pessoal. não vê ou não ouve Espíritos. A tudo ouvia. sob supervisão de alguém mais experimentado. Com o decorrer do tempo. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. ao sabor dos acontecimentos. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. porém. pelo menos. Mantenham-se em calma. sua participação é preciosa. É possível que. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. todos são úteis e necessários. nem mesmo uma palavra perdida. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. Podem ainda contribuir para a fluidificação da água. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico.

outros na esperança de se deixarem convencer.antes da reunião. seja de males orgânicos. vida e consciência. Não somos julgados pelos resultados. certamente relevantes. não importa. colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. tomamos algumas decisões mais drásticas. O certo. E foi assim que. cada manifestação é diferente. e a nós. muitas vezes. Esperemos com paciência. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. estamos. e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. oferecendo sugestões sem colocar-se na posição de mestre infalível que tudo sabe. mais ostensiva. Não posso dizer se dei boa conta dela. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. e. por outra. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. espíritas. voltando-se para mim. uma vez que cada um de nós é um ser diferente. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual 47 . inesperadamente. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. sempre disposto a aprender mais. estados de angústia ou de desespero. O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. B e é se limitarão às suas respectivas mediunidades. ofertando o pouco de que dispomos: alguém se beneficiou. muitas vezes. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. no grupo. porém. Uns por mera curiosidade. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. Os motivos são muitos. meu Deus! aos irmãos aflitos e desarmonizados? O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. Cada caso é diferente. Senti um “frio por dentro”. mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. E. longe disso. ainda que timidamente. comecei a tarefa que me fora atribuída. Este episódio é aqui documentado. nos são muito caras. seja de desarmonizações espirituais. a reaprender. procurando ajudá-lo. aquele que souber um pouco. D fará as preces de abertura e encerramento. mas. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. apenas para enfatizar a circunstância de que. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. outros na expectativa de uma cura. não perdemos o tempo. assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. ou. estimulando-a com interesse. OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. como a obsessão. como me conservaram no posto pela resto do tempo em que o grupo funcionou creio que correspondi à confiança que em mim depositaram. ante a partida de pessoas queridas. Eu? que diria. a rever pontos de vista.

na imensa maioria dos casos. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação”. com freqüência. em muitos grupos. junto ao grupo.. essa presença pode causar consideráveis transtornos. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. julgo. ao contrário. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado será justo tê-lo nessa conta. são também médiuns. Na minha opinião. por nome Pedro. ou possesso. E mais adiante. Assim. no ambiente onde se desenrola o trabalho mediúnico. que. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsediados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. É preferível pecar por excesso de rigor.. a presença de pessoas perturbadas. deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. em vários anos de prática. para que o trabalho seja feito. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. no ambiente em que se realizam as sessões. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. como regra geral. é bom repetir. E não é mesmo. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. seja a qualquer pessoa que se apresente. 48 . é um Espírito endividado a redimir-se”.comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. da 6ª edição da FEB). sabemos que assim não é. isso deve ser formalmente evitado. e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo. ou ausência de Espírito de colaboração. — “. apresentam invariavelmente um componente mediúnico. rancorosos e violentos. desajustados e ignorantes de suas faculdades e possibilidades. nos trabalhos de desobsessão. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. embora desgovernados. do que se arriscar a pôr em xeque a harmonia e a segurança das tarefas. No livro “Nos Domínios da Mediunidade”. o obsidiado. seja a um público reduzido e selecionado. mas. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. não havendo necessidade de correr riscos indevidos. em caráter permanente. Sabemos que esta reserva é quebrada. Não é a presença física deles. que poderá trazer sérias complicações. O grupo pode perfeitamente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. Sob condições normais. ou seja. na página seguinte (76. enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. Mais do que desnecessária. na condição de médium desgovernado. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem recusa como falta de caridade. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. (Destaques meus) Assim. porém. precisamos considerar que antes de ser um médium na acepção comum do termo. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. grupos que contem com excelente cobertura espiritual poderão admitir essa prática. não como norma de procedimento. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. que vai facultar ou facilitar a tarefa. Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. Em casos excepcionais. Por esse motivo (compromissos do passado). contudo.

de sigilo. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. Somente em condições muito especiais. será convencido por todos. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. a distância. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. como acontece com freqüência. interferir no fluxo normal do trabalho. algumas sessões. Paulo dá o nome de profeta ao médium de incorporação ou psicofônico. como regra geral. de que o grupo não disponha no momento. Sem ser espírita. a sessão exige tais cuidados que. que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. às interferência. e a solicitar livros. se todos profetizam4. capitulo 14. ainda. me fez uma pergunta perfeitamente válida: — Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. voluntárias ou involuntárias. nessa hipótese. e ao trato das revelações de caráter intimo. de discrição. especialmente o de desobsessão. no seu 4 Ao que se depreende do texto. designando. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. começou a observar. em dia e hora previamente combinados. e entra um infiel. não. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. A pergunta. prostrado de rosto ao solo. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. hermética. na Primeira Epístola aos Coríntios. do grupo. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. que não desejem. com relação aos segredos da intimidade alheia. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. deverá fazê-lo. Voltemos. uma vez mais. Enfim. Pode ser. Já naqueles recuados tempos. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. ainda. a formação de um pequeno grupo mediúnico. no que diz respeito a pessoas perturbadas. Evidentemente. Nestes casos.Em suma: a meu ver. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. não é para ser divulgado. ou de recursos outros. Há algum tempo. passou a assistir. até o local onde habitualmente se realiza a sessão. Ou então. por conseguinte. também. porque é da sua essência uma atitude de recato. número maior de médiuns. antiqüíssimo. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. é válida. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial. excepcionais mesmo. como. Pode ser. por exemplo. em seu próprio lar. como explicou mais adiante. mas. ou um doutrinador especial. obviamente. confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. com um caso especial. Paulo. não poderia ser realizada sob as condições normais. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. É certo. em problemas de outras pessoas. quem dela deve participar. Ao observar que os trabalhos enveredavam. como disse. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. Isso. para informar-se do assunto. ou não-iniciado. mas. um amigo a quem muito respeito e admiro. adorará a Deus. esotérica e misteriosa. O trabalho mediúnico. encarnadas ou não. nem exibido. versículos 24 e 25 —. como espetáculo público. dava-se o fenômeno da indiscrição de Espíritos afoitos. Os segredos de seu coração serão descobertos e. e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. 49 . e o problema. realmente. julgado por todos. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta. há sempre razões respeitáveis.

encarava com simpatia nossa Doutrina. em um grupo mediúnico a regra que havíamos estabelecido. divulgada ou comentada. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. E isto é legitimo e proveitoso. com relação a essas impiedosas indiscrições. se há estranhos na sala. também. no entanto. Ou. por mais clamorosos que sejam. Todos nós estamos em posição vulnerável. que eu aperto mais o laço. O companheiro acabou se convencendo. e aparentemente dirigindo-se a ele. de não admitir pessoas estranhas às tarefas. o de levar o descrente. mas. não me deixei impressionar. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. Por duas vezes quebramos. que ora mo trazia? Felizmente. Tive. com redobrado respeito e discrição. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. acerca das fraquezas alheias. e partiu arrependido e em pranto. ou vítima. graças a Deus. em estado de angústia. Num caso. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. com poderosos recursos de hipnotizador. com todas as suas fraquezas. ou não-iniciado. tratava-se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajustamento no mundo espiritual. que vai desequilibrá-lo. Sim. Uma ocasião. todos se estimam e se respeitam. precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. o ardil não produziu os resultados que ele esperava. surge uma denuncia. suas angústias. infelizmente. tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. e nem as movia a simples curiosidade. Embora não espírita. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. algumas experiências nesse sentido. Dizia ele que meu irmão estava presente. A introdução de um estranho causa certo desajuste. Por outro lado. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. dizia: — Não tente escapar. sob seu domínio. à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. ou seja. talvez. se o grupo está bem ajustado e integrado. seus desenganos e seus erros. Por isso. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa. porque muitos dos que se acham mais fortemente entrincheirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu comodismo ou de sua vaidade. que desejaríamos continuassem em segredo. se verdadeira. via no caso o seu aspecto positivo. essa informação é recebida com reserva e. no desespero angustioso de me ferir. Não é para ser proclamada. nem o tenha trazido. De modo que. ou revelação. Sua esposa desencarnara relativamente 50 . Dei-lhe razão. um companheiro. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho.pragmatismo. que ele chama de infiel. Quando. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. não é a leviandade de um pobre Espírito. não podemos. sem dúvida. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. no decorrer do trabalho mediúnico. que nem sempre é possível corrigir com facilidade e rapidez. o problema se torna bem mais sério. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas. Quem sabe se do próprio. não é? Graças a Deus.

Sentou-se em uma cadeira à parte. portanto. da indisciplina. Nada. tomando conhecimento da nossa atividade. Se ainda não alcançamos o número prefixado. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. até uma palavra dela mesma. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite.. para que todos possam trabalhar de Espírito desarmado e tranqüilo. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. como poderão oferecer. 51 . de perseguições. ou amigo que. e ele estava profundamente abalado. Em qualquer caso. deve ser afastado. é a regra. conscientemente. de espionagem e de regras policiais. porém. quem sabe?. em circunstâncias semelhantes. em silêncio e em atitude respeitosa. deseje participar do grupo. se for o caso. em caráter permanente. a não ser os componentes regulares da equipe. com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. Se alguém destoar. RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. podemos considerar a possibilidade. Se os componentes do grupo não se entenderem. franco e leal. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. e parecia pairar no ar certa dissonância. e isso nem passaria pelas nossas mentes. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. A disciplina deve ser consciente. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa. e por mais que relutemos intimamente. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. por parte de nossos benfeitores. Esse aspecto negativo repetiu-se. é necessário um exame bastante criterioso. Na verdade. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. voltamos à rígida política de não admitir ninguém. porém. da inquietação.jovem. Há. que não conseguimos vencer. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. ainda que bastante credenciados. o exemplo da solidariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. Talvez alimentasse ele a esperança de uma notícia acerca da esposa ou. É certo que. temporária ou definitivamente. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. para que a sessão pudesse realizar-se. com as mesmas características. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe. e lá ficou. fora do círculo que compunha a mesa. não podemos cogitar de receber mais companheiros. Não creio que o assunto esteja esgotado. mas são implacavelmente disciplinadas. Essa. Por mais que nos pese. mas eles se arrastaram dificultosamente. a ponto de introduzir um fator de perturbação. o anverso da medalha. A instâncias de um dos nossos companheiros. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. Depois dessas duas experiências.. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho.

Se nos convencermos de que ele. revitalizando o grupo. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. Neste caso. ou infestado de frustrações. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. porém. também com franqueza e serenidade. O problema é nosso. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. pois. para ajudar a decisão. o que lhe competirá fazer na equipe. e só então. ou se deseja brilhar. de rituais de “batismo”. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo. Não contemos. ou seja. critico. ou ela. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. e dar impulso às tarefas. está mal preparado. as deliberações quanto aos negócios. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. para buscar vantagens e privilégios. as condições de trabalho. apoiado em boa base doutrinária. Se.das qualificações e intenções daquele que se oferece. preparados para enfrentá-lo. deverão ser expostas a ele. agora. trazendo uma contribuição construtiva. poderá. e desapaixonadamente. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. Estejamos. de simbolismos. Apreciemos o problema. A experiência indica que. com sua influência. tanto num sentido. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. Certo. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. mesmo consultados. as suas credenciais. A admissão de um novo componente pode alterar profundamente a estrutura e os métodos de trabalho da equipe. e o que se espera dele. pois. está em condições de integrar-se na equipe. como os demais membros. dos que estão do lado de cá da vida. ou se outro deve deixar o grupo. Os benfeitores espirituais. ou seja. tranqüilo. e só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. como noutro. do ponto de vista do candidato. em diferentes grupos. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. Cabe-nos. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. fechado. tanto quanto possível. digamos terrenos. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. Como se faz isso? É preciso considerar. examinar com serenidade. E um grupo sério. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza. a mesma atitude. de início. às quais ele deverá subordinar-se. do grupo. disciplinado? Ou agressivo. também. mal-humorado? que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. dinamizadora e eficiente. leal. em grupos responsáveis. Juntar-se a um grupo para tirar partido. são deixadas aos encarnados. 52 . Nada de processos iniciáticos. O candidato não deve impor condições. aniquilar o grupo. encontrei sempre. evitando. nem insistir na sua admissão a qualquer preço.

promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. Sua presença não deve ser impingida sob condições. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. tão cedo quanto possível. Além disso. Mantenha-se discreto e tranqüilo. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. ainda que não indesejável. Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. no mundo espiritual. de início. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. Suponhamos que seja admitido. É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente. aconselham correções e reajustes no método de ação. e nada mais do que isso. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. Deve procurar integrar-se no trabalho. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. 2. amigos e guias. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. Não se magoe. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. se o forem. inabordáveis. O próprio estudo. mas não deixe de expressar seus pontos de vista. de preferência. mas não herméticos. se os julgar oportunos e aplicáveis. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. ao dirigente do grupo. É possível que a sua sugestão seja acolhida. Como estudantes que somos. inacessíveis. Enquanto alguns se acham à nossa frente. por terem caminhado um pouco mais do que nós. não se vanglorie. a fim de sermos. desejamos com todo o Interesse o certificado de conclusão do curso. Todos nós temos. em particular. outros nos seguem um passo ou dois atrás. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. Faça-o. Aja com prudência.Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. para chegarem à paz interior. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. aprendemos mais e melhor. observando tudo sem Espírito critico negativo. 53 . com a intenção de melhorar o trabalho. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. que é o reino de Deus em cada qual. com habilidade e na oportunidade adequada. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. para nunca mais esquecer. companheiros. se não forem acolhidos. aqui e ali. Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. OS DESENCARNADOS OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica.

Uns tantos desses. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. recorrer à terapêutica da mediunidade. porém. É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados. semi-inconscientes. porém. que se torna. como vimos. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. Habituados a tais vibrações mais grosseiras. conduzidos no mundo espiritual. Em casos como esses é necessário. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. pois. é certo que um Espírito amigo se manifeste. não obstante. como preliminares a tarefa mediúnica propriamente dita. ao iniciar uma atividade mediúnica. o Espírito culpado se aliena. Nessa altura. Para que fossem tocados na intimidade do ser. quase sempre. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento. em contacto com o ser humano encarnado. podemos estar certos. Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. mais inconsciente do que conscientemente. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. muito bem estudado. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. que tipo de tarefa nos será atribuída. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humana”. segundo sua natureza. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas. “permaneciam atordoados. profunda e inexorável. ou seja. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade. Sem dúvida alguma. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. Pereira. urgente despertá-los para a realidade que se recusavam. o isolamento e o manicômio. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. num esforço considerável de automaterialização”. já estudaram nossas possibilidades e intenções. que eles já dispõem de um plano. Não sabemos. Tornara-se. É preciso 54 . pois. insubstituível. a enfrentar. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. Como estavam. imersos em lamentável estado de inércia mental. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados. Em “Reformador” de fevereiro de 1975.É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. Os casos estavam distribuídos. É certo. a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. em muitos casos.

a observar. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. na Espanha e no Brasil. em seguida. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. A competência costuma passar despercebida. são examinadas as “fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame”. mas revestem-se de autoridade. Decide-se por este último e. de repetição e correção. pois. recomendam e põem-se de lado. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. de estudo. leais e francos. particularmente agressivo e desesperado. (Destaque desta transcrição) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. retificam e estimulam. de renúncia. e as qualificações exigidas. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. muitas vezes. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. Aconselham. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente. para as tarefas que desempenham junto a nós. discorrendo sobre a anatomia do trabalho. mais tarde. do seu longo período de adestramento. porém. sugerem. evitam dar ordens. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho”. negam-se a impor condições. E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. Amorosos. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. são tranqüilos. diante do corpo vivo do próprio trabalho. um Espírito. Lembremo-nos. dirigia-se. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoalmente essa realidade. de quando em quando. Apresentam-se. Preferem ensinar pelo exemplo. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. com nomes desconhecidos. escorado na Doutrina Espírita. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. dentro do Evangelho do Cristo. são rígidas. Corrigem.localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados. Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes. O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados. falam com simplicidade. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. Assim são os companheiros que nos amparam. disposto a amar incondicionalmente. Sua presença 55 . a suave facilidade com que se desempenham. São modestos e humildes. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. ilusões. ou um desportista bem treinado. mas firmes. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições. Certa vez. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos.

limitam-se a aconselhar e sugerir. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. portanto. para que ele formulasse as perguntas. de forma alguma. ao longo de anos e anos de dedicação. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. mais fácil. ou símbolos místicos e vestimentas características. a fim de que. para o exercício do livre-arbítrio. sob orientação de seus companheiros desencarnados. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. para qualquer passo que tenhamos de dar. para estender-nos a mão. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. Voltam sob seus passos. às vezes de antigas experiências reencarnatórias. Haverão de nos seguir a distância.é constante. Mesmo no trabalho específico do grupo. porém. ante duas ou mais alternativas. Podem ser bem-intencionados e realizar trabalhos de valor. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. mas não impõem a sua vontade. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. Em suma. Guardam. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutrinário. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apóia-se nos mesmos princípios. e isso teria sido. os Espíritos não nos tomam pela mão. não nos faltarão com suas advertências amigas. por esses atalhos. Só que. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. interferem o mínimo possível. Ligados emocionalmente a nós. trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. mas respeitando nossas decisões. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas humanas. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. para que tenhamos o mérito dos acertos. a nosso turno. colocar as questões. Não foi assim que fizeram. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. que podem realizar o mesmo 56 . Inspiram-nos através da intuição. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. de uma óptica essencialmente humana. Dificilmente nos dizem o que fazer. nossa experiência ensina. Mesmo com relação à essência do trabalho. não obstante. que não está se entrosando? São problemas nossos. Poderiam os Espíritos Superiores. não precisariam trazê-los até nós. de seu próprio ponto de vista. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. como preces exclusivas. Não desejam. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. e caberia aos homens. mesmo erradas. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. Jamais nos recomendam ritos especiais. amorosos e apreensivos. com êxito. talvez. que nos tornemos dependentes deles. Merecem todo o nosso respeito e carinho. de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. segundo nosso entendimento e bom senso. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec.

pois. desprendidos. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. com bons modos. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho 57 . ainda desconhecidas de nós. Descemos. seja por que razão for. depois que o Espírito necessitado é atendido. São eles os preparadores das tarefas especificas do grupo. no decorrer de muito tempo de trabalho. ou melhor ainda.tipo de trabalho. é feita no mundo espiritual. de velas. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. ritos ou vestes especiais. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos. autênticas sessões em pleno Espaço. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. Muitas vezes admitem estar constrangidos. ou se dizem convidados. até o preparo de uma nova encarnação. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. em casos mais difíceis. é claro. para trazê-los até nós. e entregues a outras equipes espirituais. enquanto adormecemos no corpo físico. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. de assistência e amparo. encarnados e desencarnados. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. O suporte de que os grupos mediúnicos necessitam vem do mundo espiritual superior. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. ou irmãos que. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço. contidos. imagens. muitas vezes tidas por inexpugnáveis. Durante a noite. nos momentos críticos. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. mas com firmeza. Nada. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. Não é preciso. ainda que de limitados recursos. já adestradas para esse tipo de encargo. De outras vezes. Inúmeros recursos são utilizados para isso. símbolos. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. às profundezas da dor e. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são levados a centros de reeducação e tratamento. mas não sabem de onde vem a força que os contém. muitas vezes. a mais delicada e de maior responsabilidade. O trabalho que nos trazem obedece a planejamentos cuidadosos. socorrem-nos com seus recursos. para entender. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. sob controle. mais do que nunca. Freqüentemente. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. nossos Espíritos. são aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. já atendidos por nós. com eles. incorporam-se em outro médium. Os Espíritos desarvorados. realizamos. com eles. parcialmente libertos. onde qualquer exteriorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. Técnicas de magnetização e persuasão. juntam-se aos benfeitores. estejam ou não despertados para a realidade maior. Somente a observação atenta. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. Encerrada a sessão. Ignoram como foram trazidos. necessitam. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. Os benfeitores assistem à sessão. falando através de um médium.

e até obsediados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração. entretanto. fica entregue à sua própria sorte. incentivanos a tudo examinar. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. com seus recursos magnéticos. e sustentado pela prece. às vezes. cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. amigos. e sobre a Doutrina. estaremos inteiramente dominados. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. portam-se com discrição e serenidade. Se não estivermos atentos. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. para acolher apenas o que a razão sancionar. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante.invisível. mas isto não é comum. contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. Não temam”. se nos mantivermos atentos e vigilantes. O grupo bem orientado. que entendem necessários. Isto não quer dizer. ao contrário. Essa vigilância. nem sentiremos a mudança. Durante o desenrolar dos trabalhos. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. porque contem. 58 . quando não desarvorados também. e. deve ser gravada. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. sem análise critica. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. para substituir os mais esclarecidos. Ao cabo de algum tempo de convivência. Se o grupo transvia-se. com o grupo em vias de desagregação. insistimos. em particular. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. é indispensável. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. como figuras sempre secundárias. em nossos desprendimentos. se possível. Ao final da sessão. É preciso. Em casos assim. Fazem isso mais para marcar sua presença. é impraticável um trabalho produtivo e positivo. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. sem. no entanto. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cuidados. A delicadeza do trabalho e seu ponto critico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. no princípio da reunião. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. do qual participamos. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. usualmente. formulado o juízo sobre os nossos orientadores. dentro em pouco. interferindo o mínimo possível. E esta a mensagem que. em geral. porém. e uma ou outra recomendação sumária. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos.

quase sempre. e ninguém deve esperar perfeição. trazem também amor no coração. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. ao trabalho construtivo. preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. e o amigo espiritual. Vimos àqueles que pertencem às equipes socorristas. em planos muito superiores aos nossos. OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. porque. utilizar-se-ão “Essa medida — escreve André Luiz. então.Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. a que dão combate sem tréguas. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. a despeito de tudo quanto digam ou façam. e objetivamente. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. nas lutas redentoras em que se empenham. à soleira da perfeição. estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução especifica. que. transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas”. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. em relação à que eles nos oferecem. como todos nós. perante a Vida Maior. impurezas e imperfeições. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. ao amor fraterno. nem se julgam. no fundo. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. outra coisa. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. para não tomar tempo às tarefas de atendimento. A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. situados. apenas visíveis a ele. dedicados ao bem. O próprio trabalho a que se dedicam. O OBSESSOR 59 . Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. mas cingir-se às tarefas especificas do grupo. porquanto existem situações e problemas. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. As perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética. Não buscam. Não nos iludamos com os seus rancores. na condição de condutor do agrupamento. coisa ainda mais estranha. precisará dirigir-se ao conjunto. seres redimidos. há séculos ou milênios. Ainda trazem. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. às vezes. abandonado. de socorro às almas que sofrem dores maiores. senão serem convencidos de seus erros. para retomarem o caminho evolutivo. para servir. a renúncia. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. Claro que não são. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. nunca chegaríamos a fazê-lo. Ninguém precisa. sua gritaria. em “Desobsessão” — é necessária. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. Temem mais o amor do que o ódio. E.

seja abandonado pelo seu dono. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais”. pois que isso só se pode dar pela morte. por processos magnéticos. na obsessão grave. sobretudo. de uso mais antigo”. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”. “Nem sempre. ao Espírito encarnado. porém” — adverte Kardec —. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. sem que este. Acha. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples. no entanto. No primeiro caso. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico. entretanto. que se faça que o arrependimento desponte nele. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente” “Na subjugação” — diz ainda o artigo —. Nessa linha de raciocínio. através de passes. ou seja. com a lucidez que o caracteriza. Em artigo para “Reformador” 5. por assim dizer. Esse artigo prossegue comentando Kardec. o Espírito atuante se substitui. portanto. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe 5 “Reformador” de maio de 1974. obrigando a sua vítima a gestos de dramático e lamentável ridículo”. Ao reexaminar o problema. No segundo caso. (Os destaques são desta transcrição) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. o Codificador. assim como o desejo do bem. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito. e sempre temporária e intermitente.. fascinado e servil. A possessão. por exemplo”. ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios. 60 . “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. “em vez de agir exteriormente. por meio de instruções habilmente ministradas. artigo “Possessão e exorcismo”. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa.Todo o capitulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão. menos a ele próprio. enquanto que na possessão. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. E acrescenta: “Mas.. tanto maior também será aquela”. escrevi o seguinte: “. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. toma-lhe o corpo para domicílio. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima. por isso. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar da um encarnado. em “A Gênese”. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. Seu engano é evidente a todos. usualmente. conseguintemente. que segue. que Kardec considera. Quanto maior esta for. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. para dizer que a fascinação é bem mais grave. “basta esta ação mecânica. cumpre. a fascinação e a subjugação. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”. A primeira delas é a menos perniciosa porque. por mais fantásticas que sejam. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. o que certamente o incomoda. o obsidiado fica envolto e impregnado de fluidos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluido melhor”. falece a quem não tenha superioridade moral.

Não importa que o perseguido. Temos tido. no entanto. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade. Por mais violento e agressivo que seja. o porquê da sua revolta. (Destaques desta transcrição) Ninguém poderia descrever melhor. alucinado pelo ódio. Não importa que se lembre ou não da ofensa. não pudesse ser reconhecido. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. O PERSEGUIDO A vítima da obsessão e sempre uma alma endividada perante a lei. e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. ainda que não o reconheça. o núcleo de sua problemática. tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. como conseqüência inexorável. Bezerra de Menezes. ligando-se a ele por largo tempo. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. casos semelhantes. mas por alguém em seu nome. A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente. ainda que não autorizado por ele. um diálogo. passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. mesmo que a vítima o tenha perdoado imediatamente. mais adiante. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces. um processo de vingança. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. como diz Kardec. assim disfarçado. pela mediunidade de Yvonne A. pelo resgate. vida após vida. A obsessão é. aqui e no Espaço. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas. pelo qual procuremos educá-lo moralmente. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu. Enganou-se. porém. no passado mais recente. ou mais remoto. Em “Dramas da Obsessão narra o Dr. o sofrimento. em nossa experiência direta. amiúde. Isto se faz buscando com ele um entendimento. É preciso observar. De alguma forma grave. mas sem a arrogância do mestre petulante. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. Muitas vezes. a vingança como que se despersonaliza. nos liberam. que. Deseducado moralmente. que tudo está previsto nas leis divinas. Pereira. do seu ódio. Voltaremos a cuidar do problema. é invariavelmente um Espírito que sofre. acerca das técnicas e recursos auferidos para o trabalho. Uma vez identificado o antigo devedor. vindo a colher. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas 61 . um caso desses: “Aterrorizado ante as vindítas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa.educação moral. ou obsidiado esteja na carne ou no mundo espiritual. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito”. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada”. em tão poucas palavras. que não conhece limites nem barreiras. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. mesmo sob formas femininas. esperançado de que. o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. A falta cometida contra o semelhante expõe seu autor aos azares do resgate. quando tivermos de conversar.

ele não deve 62 . sob formas monstruosas. Mas. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. Começamos a cuidar dele. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. em virtude do descondicionamento vibratório. impunham-lhe longos períodos de alienação. postavam-se diante de sua visão espiritual. localizado. continuamos ligados aos obsessores. tem que ser construtivo. esquecer de tudo. os bens. os desencarnados são mais vulneráveis do que os encarnados. na esperança de minorar-lhe as dores. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. dia e noite. talvez ainda mais encarniçada. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados. Ao que me disse. custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. sobre ele e sua família. certamente.cármicas acusavam reincidências lamentáveis. A lembrança constante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. inúmeras vezes. então. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. caminhadas. O arrependimento. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. Seus compromissos eram tantos. que durava as vinte e quatro horas do dia. cada qual mais revoltado e odiento. crises de mutismo. Devemos. espetavam-lhe “agulhas” de todos os tamanhos. mais acessível à abordagem de seus algozes. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. para as mais tresloucadas atitudes. do outro lado da vida. indispunham-no com a família e descontrolavam-lhe o pensamento. conseguimos aliviar a pressão que se exercia. reuniram-se em torno dele. certa vez. Estava agora mais exposto. com a graça de Deus. com destaque. o que. lhes dá alguma trégua. segundo nos explicaram nossos mentores. Ao que nos foi indicado. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. e os outros. num cerco implacável. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. em tempos da Roma antiga. Em nosso grupo. o poder. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. e tão sérios. exerceu. aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. Ao contrário. para fugas. tratamos dele por muito tempo ainda. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. embora tenhamos alcançado. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. com equilíbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. tomavam-lhe o corpo. Uma vez. porém. Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. Por algum tempo. descoordenando-lhe as idéias. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual. com os cuidados necessários para não identificá-lo. um de seus obsessores. os amores. A perseguição continuou. porém. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. enceguecidos pelo ódio. de certa forma. quando ainda encarnado. como se nada tivesse acontecido? Não. as esperanças. ou seja. jovem ainda na carne.

buscar reacender a chamazinha do amor. para que não te suceda algo ainda pior. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. do aperfeiçoamento moral. ou no próximo milênio. mais de uma lição encontramos. com o perdão. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele. No versículo 14. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor. que existe em todos nós. na intimidade do seu ser. São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. Isto não significa que. A questão é tão importante. E preciso orar. servir.. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior. ao sermos ofendidos. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo. Não que tenhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. mas libera o ofendido. A dor não é inevitável. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. sem dúvida alguma.paralisar-nos. da sua falte. tão vital à problemática do Espírito. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. 5:14) Dessa forma. ou seja. não peques mais. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas”. com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. (João. no Evangelho de Jesus. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. — Estás curado diz Ele ao paralítico. E que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado. aquele que foi ferido pelo seu companheiro. que.. no próxima século. assim como perdoamos os nossos devedores. ele pagará. palavras e pensamentos. mas pensam. ao do erro. digno e sério. o resgate. por mais gravemente que o tenha sido.. isto é. O resgate pode ser despersonalizado.”. senão hoje. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico. evita que se 63 . seja com a do amor. da prece e da vigilância. a punição. mas se não perdoardes aos homens. seja com a moeda da dor. Sob as luzes da Doutrina Espírita. Neste ponto. físico ou espiritual. continuamos ligados ao erro. ainda e sempre. Da mesma forma. desse mesmo capitulo. 6:12 —. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus. Jesus é ainda mais explicito: — que se perdoardes aos homens as suas ofensas. para que o outro resgate a sua falta. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. de dedicação ao semelhante que sofre. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e. deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. o Pai Nosso: — “. de policiamento de nossas atitudes.. para pregar sermões bonitos. pois é certo que ninguém sofre por acaso.

a fim de serem doutrinados. exigindo. Julga-se no direito de cobrar. de revolta e dor. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. que eles julgam justíssimos. em sua penetrante sabedoria: — Tudo me é licito. “iria ver. no desespero em que viviam. uma experiência inesquecível. Senhor! Vêm transidos de pavor. Quantos dramas. ou ignora. de outra maneira. em lamentável estado de desorientação. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. em suma. exatamente para as dores que resultaram da nossa imprudência em ferir os outros? O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários. as condições para merecer a dor que lhe é infligida. No decorrer do diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca. e. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. submeteram-se a caprichos e desmandos.”. pensando assim cumprir a lei de Deus. a duras penas. com a sua incúria. e uma verdade. Um companheiro desencarnado.. pronto para a vingança! “Assim que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar tais condições — “ele”. volta. Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. a lei do equilíbrio universal coloca o ofensor ao alcance da punição. fugindo de obsessões que lhes parecem terem durado uma eternidade. Não e uma simples teoria. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. cansados de prisões tenebrosas. nos primeiros momentos da libertação. o obsessor.. que o Cristo nos ensinou.reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. quase. deslembrado de que ele próprio criou. pedindo a presença de parentes. sofreram todos os tormentos. Também neste ponto tivemos. A Doutrina dos Espíritos veio propor-nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. se o exigimos para nós. pois a vingança não sacia coisa alguma. como ensina Kardec. Pois bem. para receber os nossos cuidados. ficam presas. passaram por todas as humilhações. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. pois. onde nem 64 . sem nenhum desejo de entregar-se à prece e. solução imediata para o seu caso. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. de fato. para que a “justiça” se faça. por ser este o porta-voz. de quem já o havíamos subtraído. procura punir o companheiro que o fez sofrer. por séculos e séculos. dizia o nosso Paulo. aquele que fala e procura convencê-los a abandonar seus propósitos. o companheiro que havia sido recolhido. Outros se afastaram. como poderemos negar o perdão ao que nos feriu. cumpriram ordens iníquas. não estaria sujeito à obsessão. especialmente contra o doutrinador. ao deixar tombar as guardas que o protegiam. os perseguidos apresentam-se em nossos grupos. Com freqüência. mas que tanto temos relutado em experimentar. Esgotaram todo o cálice de profundas amarguras. a qualquer preço. multidões enceguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança. que ele também está em dívida perante a lei. acima de tudo. por sua vez. O obsessor. Certa noite. que é. Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas. mas nem tudo me convém. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. a oportunidade do reajuste. Por isso. mas se esquece. Ele próprio confessou o seu drama: recairá na faixa vibratória de seus perseguidores. Meu Deus. E. certa vez. Estava novamente em poder de um Impiedoso hipnotizador.

a lembrança de torturas e horrores inconcebíveis. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece. Sente agora o peso de um enorme arrependimento e. tudo se precipita. ao assistir. É o perispírito que preside à formação do ser. inatingível. após um longo período de reclusão. e. consigo mesmo: — que sacrilégio. quando convidado a orar comigo. tornam-se inacessíveis aos seus processos. porém. durante as quais resgataram-se através da dor. o perispírito transmite o impulso. Subitamente.. Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral evangélica. como num “vídeo tape”. Isto se demonstra no processo de regressão da memória. Chegado. deformações e mutilações.. Em suma: a Lei disse o “Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer.. Espíritos superiores. e já redimidos. sem poderem interferir senão com uma prece. A problemática do ser humano. ou só poesia. 65 . e o juiz te entregue ao oficial de justiça. as sensações que vêm de fora. Só nos pôde dizer que foi um sacerdote e que traiu alguém. Lembram-se da advertência do Cristo? — Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele. a psicologia e a psiquiatria descobrirão o Cristo. de um impulso de arrependimento. ou uma vibração amorosa. para que não te arraste ele ao juiz. ideal.. impotente. evadem-se das masmorras e libertam-se do domínio magnético sob o qual se encontravam. não tem coragem de dirigir-se a Deus. Chegou ao fim o processo corretivo e reajustador. sons e emoções. não conseguia articular a palavra. Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas: cegueira. Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. Um dia. espontâneo ou provocado. que o obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e. Um terceiro apresenta-se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”. até mesmo às profundezas da dor mais horrenda.. pois se julga o último dos réprobos. Não está bem claro? E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura. Da mesma forma. são levadas ao Espírito pelos mecanismos perispirituais. ao cabo de agonias seculares. do que em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se escreverão. A muito custo. consegue murmurar uma palavra: — Jesus!. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres pago o último centavo. era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da dor. Passaram-se séculos. à escapada da vítima. ainda que somente esboçada. recebidas através dos sentidos.chorar podia. seguem-nos os passos. escapam à sanha de seus perseguidores. E fala baixinho. suas complexidades e seus mecanismos de reajuste. o momento. funcionando como molde. também egresso de um calabouço. estava cego. além de tudo. as nossas experiências. fazia entender-se por gestos.. o corpo físico executa. de um gesto de boavontade ou de perdão. Antes. pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados. no qual vamos descobrir. DEFORMAÇÕES O perispírito é o veiculo das nossas emoções. com suas imagens. É nele que se gravam. meu Deus! Outro. Trazia um peso na cabeça. pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos amigos maiores pode perceber. O Espírito pensa. estão inseparavelmente ligados aos conceitos fundamentais da moral. na mente. a ordenar as substâncias que vão constituir o corpo físico. e este te ponha no cárcere.

Um antigo sacristão português. com que a princípio se apresentou. não resistindo à realidade. Um destes. a cada passo. acabou falando inteligivelmente. entrou numa crise de arrependimento que o salvou. ao nos desfazermos dos fluidos mais pesados e escuros. ele declarou que. ordenou a sua mutilação. para pedir-nos. com abundantes “refeições regadas a bom “vinho” de sua terra. É. vamos também nos libertando das mazelas que naqueles fluidos se fixavam. 6 Vimos. ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo que. Tivemos casos de deformações “físicas”. porém. em antiga existência. 6 Zoantropia. parece que. De outras vezes. pela tarefa de lançar discórdias. portanto. em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores. desencarnado. depois de reconstituída a sua condição. que não podia falar. teria mais um braço para brandir o chicote com que castigava suas vítimas. Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que havia sido reduzido. a condição de um fauno. e os trabalhadores da desobsessão encontram fatos dramáticos dessa natureza. que se gravam alegrias e conquistas. para que ninguém o ouvisse. ou seja. que não se identificou. ou apenas sensações quase físicas.. Renunciou a toda a arrogância. até deformações e mutilações terríveis. Estava de tal maneira preso à sua indução. Mas. como tudo no universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória. que não podiam expressar-se senão por gestos. então. como a daquele irmão atormentado que trazia o braço paralítico. É nele. para enorme surpresa sua. assim. muito comum naqueles que se acham ainda tateando nas sombras de suas paixões. 66 . porém. na prática mediúnica. dissera: — Veja. alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e “baratas”. È ele. é uma variedade de monomania em que o doente se julga convertido em animal. Havia. e humilhou-se. era recompensado. a nossa folha corrida. em vez de agradecer a Deus o beneficio que acabava de receber. e ele. Ele é denso. pois. Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada condição moral. no entanto. vamos nos purificando. Foi-lhe mostrado. a nossa ficha de identidade. nos primeiros estágios evolutivos. Fazendo o médium exibir suas mãos. em voz baixa. que. o nosso prontuário. apresentaram-se pobres infelizes. Encontramos. chegado a sua vez. inúmeros exemplos aflitivos de desequilíbrio perispiritual. e sim cascos. depois. Um ex-oficial nazista. que envolvem o nosso perispírito. A despeito de tudo. Segundo o dicionário. Quando me ofereci para curá-lo com um passe. declarou que se vingaria daquele que. e vaise tornando cada vez mais diáfano. Nem assim ele se deu por achado: aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão. desde pequenos cacoetes. por métodos implacáveis de hipnose. enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos enganos. em existência anterior àquela. mandara mutilá-lo. linhas atrás. mostrou-se desesperado de fome. Muitos casos desse tipo tenho presenciado.. com o registro intacto da vida pregressa. culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia. tanto quanto as dores. cenas e emoções que pareciam diluídas pelos milênios. pois era um mero escravo. pois um fauno não fala. porque a língua lhes tinha sido extirpada. um simples pedaço de pão. à medida que vamos galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva.com todo o seu impacto. Não tenho mãos.

Dificilmente temos oportunidade de endividar-nos tão gravemente. Como ele não tinha condições de falar. no fundo do ser. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente. pois ele não sabia quem era. Não que Deus nos castigue. a despeito da profunda e dolorosa compaixão. Ao apresentar-se. para que o grupo não entrasse em pânico. onde conviveu. por um minuto. Aparentemente. que tinha mãos. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. e não se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. não consegui caracterizar. de sinistra região das trevas. como se tentasse abrir-me o peito. e não patas. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. mas. Embora o médium se mantenha sentado. pois na escalada espiritual nada se perde. Fora também um poderoso. não a um lobo feroz. com as duas mãos. Às vezes. Invariavelmente. Insistia em ferir-me. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. de vez em quando. aí pelo século XV. procurando desimantá-lo. e tentou. por séculos a fio. ameaça outro componente do grupo. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação.Estivera mergulhado. que dívidas assim tão grandes e penosas. Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. esforçando-se por me morder. por longo tempo. Inteiramente animalizado. Ademais. ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as palavras que eu dizia. em estado de vigília. e que nem mais se conscientizavam de terem sido criaturas racionais. ele tinha crises assustadoras. certa ocasião. errando apenas contra nós mesmos. alucinado. gargalhando. Retomada a sua identidade. dobradas. procurando atingir-me com as mãos. ele preserva os valores imortais do Espírito. aos poucos. É certo. Foi um momento que exigiu muita vigilância e enorme cobertura espiritual. e deve ter cometido erros espantosos. quando resgatamos. estava em estado de inconsciência total. para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas masmorras de onde conseguiram resgatá-lo. mas uma criatura humana. mesmo. unhas e não garras. Alcançado esse ponto. o Espírito não consegue articular nenhuma palavra. um dos benfeitores presentes informounos do seu nome. incorporado no médium. e não um animal. Repetia-lhe que era um ser humano e não um animal. A conversa foi longa e difícil. ainda. sob a proteção de imunidades incontestáveis. Tivemos. que ele não era um animal irracional. diretamente. e da ternura que sentia por ele. foi possível restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. com outros seres reduzidos a condições semelhantes à sua. para arrancar-me o coração. sabe apenas rosnar. caiu numa crise de choro comovedora e teve um impulso de generosidade. Falei-lhe. como um Pai severo e frio. Lembro-me de vagas cenas de atividades em desdobramento noturno. num tenebroso antro. que se tornou temporariamente irracional. pois. tentando convencê-lo de que era um ser humano. Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ectoplasmáticos e. somente podem ter sido assumidas em posições de relevo. mesmo porque a lei 67 . em termos de aprendizado. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. Sabia que. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. ele investe contra mim. um ser vivo que. se tornaria sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas palavras. mas estava certo de que. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. como se fossem patas. Mantive calma inalterada. lamentando não ter condições de volver sobre seus passos. um doloroso caso de licantropia. para libertá-lo do seu terrível condicionamento. com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece. falei eu. com as suas “garras”. Não podíamos esquecer. continuamente. sob as mais abjetas condições subumanas. na Alemanha. agredir-me.

por isso. Olhava para trás. ao lado do médium. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. agora. e se desprende. Como continuo a insistir em que ele pode falar. ele procurava me reconhecer. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. me abraça. o rosto. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. um por um. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. as cadeiras. realmente. por alguns momentos. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. eu ia lhe explicando o que era cada coisa em que ele tocava. à medida que se acalmava. caso contrário. Não havia dito ainda uma palavra. numa sala limpa. que conservamos sobre outro móvel. A cada falta cometida. as suas próprias mãos. o tapete. uma prece comovida e alguns passes. começou a reconhecer o ambiente. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. e lhe servimos vários copos. Por fim. emocionado até o fundo do meu ser. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. Insistimos nos passes. realizou-se. o suave milagre do amor. Ao terminar a prece. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. esmagado pela emoção. pela visão. A certa altura. enquanto apanho o jarro. como se tentasse surpreender algum carrasco. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. código sagrado que aviltamos. o sofá. Tudo que estava ao alcance de sua mão. em silêncio. porém. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. pouco antes da incorporação desse Espírito). nos coloca à mercê da cobrança. mas. como se estivesse colocando juntas. Aos poucos. Apalpou a mesa que tinha diante de si. e não vai mais voltar para a sua prisão. quanto à sua posição na sala. e creio que. o estofamento. e. talvez) as sensações do tato e da visão. Está calmo. investigou. no qual eu o acompanho. teremos com que pagar. sem uma palavra. ele apalpou. desesperado. pois ele se contorce e grita. ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. O trabalho todo durou uma hora. Ele começou a perceber os objetos. Olhou os móveis. percebo que está orando um Pai Nosso.universal. mais uma vez. o rosto. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. De pé. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. orei fervorosamente. que ele bebe sofregamente. pela primeira vez. assinamos uma promissória inexorável. mas ainda insistiu em atacar-me. Enquanto fazia isso. queixara-se de uma terrível sensação de medo. deixando o médium desorientado. por tempo que não sei estimar. as cortinas. agora. o braço. Examinou os componentes do grupo. consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. de vez em quando. ele começou a aquietar-se. para testar. Pacientemente. não resta alternativa senão a dor. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. também pelo tato. em muito tempo (séculos. Estava ainda apavorado. apalpando-me as mãos. os entalhes. a cabeça. a sala. examinou. (O médium. e voltou a conferir tudo na sala. ao cabo de muito tempo. desesperadamente. o chão. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas 68 . a madeira. o corpo. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. parece que alguém o chicoteia violentamente. e que está. vamos transmitindo a ele uma sensação de segurança e calma.

como se nascêssemos puros. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. com extrema habilidade e competência. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. volume VII da série André Luiz. Aliás. Não há como fugir a esse esquema. é tão difícil quão doloroso. perde o uso da palavra. ai. Nessas condições. às vezes. onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. não pode moldar. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. pessoalmente. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. pela dor ou pelo amor. esquecer que o passado está em nós. resgatam crimes tenebrosos. tantas são as especializações lamentáveis. digamos. porém. Quem não deve à lei de Deus? 7 É claro que o hipnotizador. a “solução” da deformação perispiritual. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. por tempo imprevisível. nos registros indeléveis do perispírito. ou o magnetizador. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea. esse é um recurso 7 Leia-se. que funciona como agente da vingança. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. contra as quais nada têm. em que a vítima do passado — esquecida de que foi vítima precisamente porque também errou associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. criaturas que. é encaminhado a competentes manipuladores da hipnose e do magnetismo. a fria equipe das trevas. à sua vontade. iniciando o trabalho no campo fértil do endividamento de cada um.as suas implicações e pormenores. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. Nessas furnas de dor superlativa. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. na medida em que erramos. a alienação mais dolorosa. valem-se de organizações poderosas. acaba por aceitar as sugestões e promover. a culpa. outros. acordos. obviamente. Não podemos. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. a vítima acaba por assumir formas grotescas. manipulado com perícia. Realiza-se. imperam o terror. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. de “Libertação”. que entre os homens permaneceram impunes. Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. o capítulo V. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. Disso se valem. pactos e arranjos de toda sorte. de forma que o Espírito. “Operações seletivas”. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. às vezes. A gênese desse processo é. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. as condições mais abjetas. Entra em cena. 69 . o perispírito da sua vítima. nossos adversários espirituais. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilíbrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. Se o caso comporta. ocuparam na Terra elevadas posições. por conta própria ou alheia. a propósito. no seu corpo perispiritual. a angústia mais terrível. determinando todos os nossos condicionamentos. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. Por conseguinte. uma troca de favores. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. Somente nos expomos ao resgate. os bons e os outros. sem faltas e sem passado. através de contratos. no entanto. então. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar.

e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. a fim de poder tomar suas “providências”. como vimos. a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. são relativamente raros. para reconstruir. ao voltar-se para o lado bom da vida. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. com os escombros de um passado calamitoso. trabalhando ao arrepio das leis divinas. doutrinadores. os recursos são semelhantes. pedra por pedra. para impor angústias e aflições. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. A promissória maior está paga. porque os arquivos da alma são permanentes. sem a sustentação dos poderes da Luz. são aqueles mesmos que. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. e a licantropia. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. com amor. nos braços amorosos. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. Comparecem planejadores. o que foi destruído com ódio. Eles precisam “lavar a sua honra”. experimentado e violento. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem 70 . Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. às vezes. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito. numa excursão a essas furnas da dor. em épocas remotas. recuperar o prestigio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los.de que se utilizam os trabalhadores do bem. que não conseguirá agora. É essa. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições intimas. eles se voltam contra o grupo mediúnico. Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. como a zoantropia. que ocupou posições de mando. Esteja. o momento do resgate. no tenebroso xadrez das trevas. pelos planejadores. que se transviaram muito gravemente. ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. em geral. As forças são as mesmas. transtornados de ódio. ainda mais com seres que considera interiores e ignorantes. agora quer curar. médiuns. Não dispõe de paciência para o diálogo. que precisa estar preparado. porém. inteligente. em particular. mas mudou a motivação. Foi geralmente um encarnado poderoso. os mecanismos são idênticos. magnetizadores. frio. é arrogante. médiuns e magnetizadores das trevas. e é preciso começar a reconstrução interior. porque eles virão realmente fora de si. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. Geralmente. são Espíritos de consideráveis cabedais e possibilidades. arrasado pela dor do resgate. somente a direção é que muda. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. como os pobres componentes de um é grupo de desobsessão. em nome de incontroladas ambições pessoais. doutrinadores. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. Chegado. Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. atento e preparado para recebê-los. embora ainda com muitos erros a resgatar. porém. e o que antes feria. o grupo. para a expectativa da libertação. Os casos mais graves de deformações perispirituais. estudar as pessoas. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. cirurgiões do perispírito. Eles constituem importantes figuras. O conhecimento ficou. calculista. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem traze-los. invertendo-se os sinais da operação. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. Comparece para observar. sondar o doutrinador.

Estão rodeados de servidores. culto. na tolerância. Sorria. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia 71 . que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. anéis. Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio. tocando campainhas portáteis. Maneja muito bem o sofisma. Comparecem cercados de toda a pompa. Mostra-se amável. desta lembrança. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. Um deles me disse. dos registros indeléveis do seu perispírito. inteligente. são chefes. quando se deslocava. um complicado problema de obsessão. vem exigir. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. desde a primeira manifestação. guardas. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. de murros ou de violências. acólitos. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. às vezes “armados”. é excelente dialético. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. Estão ali somente para colher elementos para suas decisões. enfim. O impacto desta revelação. com horror. informou. aparentemente tranqüilo e sem ódios. consciente ou inconscientemente.pedir. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. indicadores. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. ordenar. Aliás. na desconfiança. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. e sim na agressividade. Os planejadores são elementos altamente credenciados e respeitados na comunidade do crime invisível. deixaram-no em estado de choque e desespero. gostam de deixar bem claro. escravos. mas de tremendo realismo para ele. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. ameaçar. impessoal. iam à frente dele áulicos. incontrolável. de “elevada” condição. Para me dar uma idéia da sua grandeza. envolventes. mesmo porque. Não são executores. na humildade. que emergiu. até. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. estão esquecidos das próprias angústias. não expede ordens. inescrupulosos. informou-me que. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. no ódio. pertencia a outro setor de atividade. assessores. Apresentou-se mansamente. Tivemos vários casos dessa natureza. nem as executa. invisível aos nossos olhos. envolvidos em imponentes “vestimentas” portando símbolos. pois vinha nos afirmando. contemplou. temem tais revelações. Nada de gritos. limita-se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. ou seja. certa vez. intimidar. Citarei um. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. ou seja. Era um sacerdote. O PLANEJADOR Este é frio.

porque os impetuosos e agressivos chefes. estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. naturalmente. que hoje estaria ainda dominando os homens. pois sempre desprezou. Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. o planejador exerce função importantíssima. aqueles que. por certo. A certa altura. com o qual não pretende envolver-se. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. que sente enorme satisfação ao recordar que. Nada pode ser deixado ao acaso. ao impulso. da sua “humilde” posição. porém. soubemos da perda irreparável que representou. propõe um acordo entre dois líderes: ele e eu. e provar aos “cabeças-quentes”. ou realismo. como queiram: acha-se um cínico. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas. Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. agressivo. à improvisação. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. com toda honestidade. Toda campanha é estudada. já que sua tarefa é noutra organização. entendendo-se por “baixa”. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. desde que os fins sejam alcançados. e os executores teleguiados. ao desligarem-se da organização. também desequilibrados. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. nas quais tudo vale e tudo é permitido. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. para tratamento. Sente-se. É preciso compreender bem tais reações. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo. destemido. segundo os interesses que tenham em comum. aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. Digo-lhe. em elevadas posições hierárquicas. que o interesse coletivo precisa 72 . muito abalado nestes é últimos tempos. mas também a segurança da organização. porque já àquele tempo era um hábil articulador. mas. acima de tudo. É preciso prever reações. porque é dos poucos. simples mortal. o despertamento desse companheiro. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. Pelas reações de irmãos. que procure meus superiores. evidentemente. consultavam a ele. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. por achar-se ligado à organização poderosa. dotado de habilidade bastante para demonstrar. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. experimentados e audaciosos. Com o passar das semanas. estudar personalidades. que proteja não apenas os interesses de cada um dos componentes. e se apresta a abandonar o caso. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. implacável. O planejador é o poder moderador. pois julgavam-no nosso prisioneiro. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. mesmo “em vida”. para as hostes da sombra. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. manobrava os grandes. sentem-se sem condições de estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. isoladamente. Por isso. Dar-nos-á uma trégua. Nessas estruturas rígidas. que domina pelo terror impiedoso. É evidente. Eles sabem muito bem que. Tem um momento de honesta candura. que lhe pediam conselhos e sugestões. valendo-se de sua brilhante inteligência. onde não se admite o fracasso. ali.sofrido. Para alcançarem os objetivos que têm em mira.

que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. porém. conquistas de posições passam a constituir objeto de cogitação coletiva. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. Daí a importância que os trabalhadores do bem conferem aos planejadores. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. perseguições. Nada pode ser deixado ao acaso. atabalhoadas. comprar armamentos e entrar em ação. por mais forte que seja este. estudam-nos em grupos de trabalho. Os lideres militares são bons na ação. Depois de tudo documentado. A tarefa é muito mais sutil. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. ou então. Tinham nossas “fichas” completas. falava um desses lideres das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. por fios e aparelhagem de transmissão. estudar o terreno. É difícil. acham-se ligados aos seus redutos. para levá-lo “de qualquer maneira”. minuciosamente levantadas. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. aos planejadores elaborar a programação da “campanha”. já estão agindo à base do impulso emocional. então. ao impulso. certos impactos. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. então. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico.sobrepor-se ao individual. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. no decorrer da sessão mediúnica. dos gritos. E hora. apoiados pelos companheiros que lá ficam. para os companheiros que permanecem na organização das sombras. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. É preciso prever tais reações. que nunca foi bom conselheiro. E o desespero de não tê-lo leva ao desvario. das ofertas de trégua. Mesmo enquanto conversam conosco. cabendo. Não basta preparar soldados e equipamentos. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. à improvisação. por aqueles mesmos dispositivos. estudar personalidades. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. Por isso. Sua perda acarreta uma desorientação geral. dos conchavos. da ameaça. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas. como tal. pois. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. tudo a tempo e hora. É quando mais precisam de um competente planejador. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra. Tudo se fará no tempo devido. dos murros. naqueles redutos. A essa altura. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. seus instrumentos. Não estão lidando mais com dados concretos. com o propósito de se manterem firmes. portanto. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do 73 . No interesse de todos. senão impossível. Como não conseguem admitir isso. Nada de ações isoladas. Andaram gravando nossas reuniões em “vídeo tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. O planejador é. admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. Esquecem-se de que. e. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. ainda mais em situações de crise. Há pouco. mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar friamente um plano de trabalho. têm que esperar a vez e a oportunidade. planejamento e ação.

Afinal. Gostaria de voltar a ser um humilde Galileu. Hesita e negaceia. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais. a dar com as mãos na mesa. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. sem falsa modéstia. se o soubesse. Está em crise. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. num membro encarnado do grupo. * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda. a seu ver.amor fraterno. Ao incorporar-se no médium. para vazar a sua cólera. um comentário. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores. orando ao Cristo. traiu o Mestre.. Por fim. interrogado com prudência paciente. até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. (É estranho que ignorasse isto. que prevê. segundo informa. ao vê-lo. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. Encaixo. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns companheiros encarnados. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. a essa altura. demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. Deixo-o falar. em que ele vai revelando sua história. pois não sabia que o grupo era aquele e. mas também das inúmeras vezes em que.. É difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. com o que ele parece concordar com o seu silêncio. É. no século passado. mas já era tarde. uma pessoa que teria conhecido na França. e parte. São os terríveis juristas do Espaço. 74 . em pranto. admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva. Identifica. OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras. “Estes também — diz o artigo já citado. dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. a sua frustração e o seu temor.. em “Reformador” de fevereiro de 1975 —.. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder. vai revelando sua história. mas sinto nele falta de convicção. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. Aos poucos. até mais do que nós. não teria vindo. meramente informativa. tentou recuar e voltar sobre seus passos. agarra as nossas mãos. Fora realmente apanhado desprevenido. portanto. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. Depois de uma longa conversa. Não viera especificamente para debater conosco. para ele.) Conhece o nosso mentor e.

apenas executa ordens. sem remorsos. aos seus vícios e às suas deformações. São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. sem temores. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. ridiculariza. E até as revisões. Há os que são compensados com prazeres mais vis. O engano foi. pobre irmão. com as luminosas tintas do amor e da emoção. em tom áspero e imperioso: — Não é este. Quando pediu ao continuo que lhe passasse os autos. foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. quanto as atrocidades que pratica. em caso que. e ele. Usualmente. pois não é o mandante. seu mesmo. este lhe deu a documentação errada. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. O EXECUTOR Sente-se também totalmente desligado da responsabilidade. deblatera. sem dramas de consciência. as que mais se ajustam à sua psicologia. as perícias. Um deles me exibia. de obsessões violentas.. aliás. até assassinatos. desses companheiros desarvorados. Abriu sobre a mesa o caderno. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. os despachos e. os depoimentos. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. cingem-se aos autos do processo.. os autos do processo. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. como também autos já arquivados. deixou-nos uma das mais comoventes lições. segundo informam ao doutrinador. os pareceres. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. medianamente instruído. Ao manifestar-se. Não se teria dignado comparecer diante de 75 . escrita. as audiências. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. com vistosas condecorações. e os apelos. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. a princípio. e depois. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor: se desorientam)”. invisível a mim. Só depois. com orgulho e frieza. Revela sua elevada hierarquia.autoritários e seguros de si. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. os laudos. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. segundo este jurista invisível. eu havia apelado. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. qualquer juiz terreno. Empenhara-se num processo tenebroso e complexo. a sentença — invariavelmente condenatória. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. Na sua opinião. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. para argumentar comigo. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. com as sombrias cores do rancor. com sentença proferida. por fim.

nas sessões de desobsessão. violentos. metido a reformista. a despeito de si mesmos. a chorar o tempo perdido. Passadas algumas semanas. ainda me parece ouvir sua voz pausada. Apresentam-se. de fato. de arrependimento. a mesma teologia deformada. Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade. sem exigir coisa alguma. estávamos já servindo. O gesto não é gratuito.nós. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho.. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures. Seus “soldados” estão lá fora. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta.. no tempo e no espaço. quase sempre. deliberadamente. preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. necessária e justificável. Quando me lembro disso. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além. pelos séculos.. orgulhosos. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. para o reajuste. Aquilo era demais para a sua compreensão. pobres irmãos desorientados. embargada. É justamente isso que ele não entende: descobrira que. a um Espírito muito querido ao seu coração. inteligentes. Trazem dores milenares e. Têm os seus temas prediletos.. São argutos. a nós. ele que sempre foi destemido homem de ação. mas que deixava aos nossos cuidados. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. às vezes.. Quando. sustentados por luminosos trabalhadores espirituais. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. 76 . começamos a conseguir dele alguma reação positiva. empenhados na defesa da “sua” Igreja. em alguma coisa de que necessite. que se arrastam. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda. à sua espera. incompreensível. no mundo póstumo. nem fica sem explicações. um dia. a troco de nada. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo. Havia mais. sofrida. às vezes.. pois costumam trazer os mesmos argumentos. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. no entanto. porém. impiedosos e arrogantes.. Era. em angústias e rancores inomináveis. que invocam como exemplo de que a violência é. com a qual justificam seus impulsos e sua tática.. O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “religiosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. um dia. Multidões de ex-prelados debatem-se. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. esquecendo-se. com todo o nosso afeto e dedicação. Estava de partida para uma nova encarnação. de amor. a ausência do filho amado. nas várias vezes em que compareceu ao grupo. Assim são eles. Conhece-me de longa data: sempre fui um herético impenitente. ofereço-me para ajudá-lo. como zelosos trabalhadores do Cristo. mesmo sem o saber. Ao cabo de algum tempo de diálogo. como ele precisava. que não lhe era possível nem visitar. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. agressivos. ao longo de muitos anos de prática mediúnica.

Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. isto é. Comparecem. Constituem equipes imensas. — “Não mediste. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. aqui e li. pois tudo se permitem. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente 8. o protetor de Abigai1. que se revezam na carne e no mundo espiritual. Aí daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. nas organizações religiosas a que se filiaram. é intenso. ainda — diz Gúbio. suas organizações sinistras e emplacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. cuja libertação é o tema central do livro. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. Estão acostumados a dominar os outros. O intercâmbio. encarnadas e desencarnadas. investidos de enorme autoridade. Quase sempre exerceram. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. 77 . mantendo estreito intercâmbio. (Mateus. freqüentes e tenebrosas. pela influência natural do sono.. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”. desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. por todas as nações? Entretanto. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. 10:34). Kardec tratou dessas questões no capitulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. três pessoas em cada quatro. parente próximo de Anás. enorme cidade das trevas. Por aqui. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. ao qual deu o título de “Estranha moral” Ainda comentaremos tais problemas. que Zacarias. e. em “Paulo e Estevão”. vida após vida. para debate. “incluir-se entre os negociantes privilegiados. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. sob a égide do Cristo. Emmanuel informa. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. não a si mesmos. não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante. estavam associados os próprios sacerdotes. ou seja. mas a espada.. bem escolhidas aos seus propósitos. mas estas são ativas. era dirigida por um ex-papa. e do dinheiro. guardado na prece e assistido por Espíritos do 8 A organização visitada. A determinadas horas da noite. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. o instrutor —. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. Realizam-se reuniões. à noite. acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas”. conseguiu. vigilante. por isso. mediante influência de certo Alexandre. posições de mando e destaque. porque também se revezam na poder. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz. estudo e planejamento. no capitulo “Observações e novidades”.— Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía.

Nesse ponto. Celebram suas “missas”. Conta que “ainda ontem. participando. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é licito. acaba cedendo e parte com ela. Enquanto estão ali. E. esses pobres “ministros de Deus” desenvolveram apurada técnica de trituração. pois gozava de inteira liberdade. Poderia ser minha filha. Mas. a quem estávamos interessados em ajudar. como disse. mantendo um ritual pomposo e meramente exterior. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. e do exercício da opressão e da intimidação. prazeres. “Eles” não podem saber.. Totalmente teleguiada. prossegue. na irresponsabilidade da sua inconsciência. têm diversões. na missa. o desespero. aliás.. porque exsacerdotes fanatizados e duros ministram-lhes “sacramentos”. assim. para dizer que “quando eu vou lá. sem que ele o soubesse. com o qual ex-”ministros de Deus” conseguem manipular. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. suas jóias e todos os símbolos de suas posições. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. o que parece impressionála. mas ela teme e hesita. não anda fazendo boas coisas. então sob tratamento em nosso grupo. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. Sabem. Não é maldosa. Ligara-se a um ser encarnado. desde que atinjam seus fins. sem dúvida. no mundo espiritual. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. faço uma prece e ela se sente perdida. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legitimo. sem saber o que fazer. nos contou. como alega. ela não teria coragem de vir me ver.. de quem cuidamos certa vez. para estes irmãos 78 . encontrarão o espectro temido da dor. Uma jovem desencarnada. todas se escondem”. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. ela me confessa que veio escondida. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. dessas orgias. evidentemente. Aproveito o ensejo para dizerlhe que. quase pura. à vontade. que vivia alegremente. gostava da sua tarefa. Agindo sob hipnose. certamente. Viera em busca da filha que desaparecera. as lágrimas. sentam-se em “tronos”. é irresponsável e perturbada. um plano maquiavélico. com penosa ingenuidade. A despeito de seus desvairamentos. Vê uma jovem serena e bela que a chama. Por fim. Encontrava-se muito bem preparada pelos seus instrutores. Conservam. e ela responde que. nesse caso. mas nem tudo nos convém. precisamente a moça da semana anterior. por fuga ou fraqueza. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a consciência atormentada. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. pregam sermões. Tinha forte sotaque Alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado. tal como faziam aqui na Terra. se eu fosse seu pai. tagarelando inconseqüentemente. digo-lhe. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. sinto-a interiormente ingênua. que se saírem dali. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. ela respondeu que não. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo.mais elevado teor vibratório. seus paramentos. Ao longo de muitos séculos de intriga política..

que cumpre esmagar. quando se passam para o mundo póstumo. tuberculosos. em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. seja licito ou não. fora traída por uma mulher. uma nova versão do Evangelho. nos contou a seguinte história: numa existência anterior. com os olhos ou a língua arrancados. mas conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. em não poucas oportunidades. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetização.. os obsediados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. tramam.religiosos transviados. enceguecidos pelas trevas. Um deles me declarou. procurando. ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. porque um sacerdote. muitos sem condições sequer de chorar. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. cuidadosamente preparada. Sim. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. mantém os mesmos processos de tortura e de encarceramento. pronta. provocando pavorosas desfigurações perispirituais. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. em medonhas masmorras infectas. no entanto. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita.. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. Enquanto isso. Ainda rancorosos. no fundo. diante do que sabem. com rancor e consciência tranqüila. Localizando esta agora. envolvem. atoleimados. É que. por exemplo. tal como no passado. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. dizem. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. em nova encarnação. desmembrados. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. planejam e executam. Quantos companheiros não socorremos. como eles entendem que seja. roídos pelos ratos. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. sob o guante de terríveis obsessões. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. entre eles. reconhecem. são trânsfugas desprezíveis. ou seja. Por outro lado. seu amigo. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. Para os antigos comparsas. desde que os ajude a alcançar seus objetivos. embora variadas na forma. 79 . E assim. mortos a fome. sempre as mesmas. os ex-inquisidores. arrependidos de seus desatinos passados. e os grupos que intentam salvá-las das suas aflições precisam estar realmente bem preparados. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. apavorados. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. especialmente no Brasil. mais fanáticos do que nunca. com redobrado ardor. Muitas vezes. também. para ser lançada no momento oportuno. que existe. A Igreja a admite há muito tempo. certa vez. carregando correntes imaginárias. Um dia. atormentava-a livremente. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. É claro. alienados. pois. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. nem têm como negá-la. tudo convém. é verdadeira a doutrina da reencarnação. Há. o movimento espírita moderno. próprias e alheias.

cabisbaixa e encolhida num recanto. com surpreendente brevidade. a lamentosa queixa do arrependimento. homens terrenos. é a obra em que colaborais. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou. rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. grandiosa. 137. com muito mais freqüência. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. Note-se. pág. a todo custo. na maioria sem grande preparo intelectual. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. De outro cardeal desencarnado ouvi. em grande número. Quantos me têm interpelado. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. nem o inferno aterrador. Guillon Ribeiro. São eles os serenos párocos de aldeia. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias. Quando daqui regressei. éramos sacerdotes católicos. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. “procurara. julho/1939 a dezembro/1940. dois porcos num só. fanático e não mau. e. meus irmãos. diria mesmo fenomenal. na propaganda do Espiritismo. o período de perplexidade em que mergulham com a desencarnação. 9 Fora daqueles que. Estupenda.. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. Era. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. A esta altura. graças a Deus. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. manifestado no Grupo Ismael. porém. Extraordinário fenômeno. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. antes ainda da Reforma Protestante. São muitos os que. que não mereciam piedade nem consideração. Medito e considero: eu.apóstatas que têm de destruir. me disse. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu Espírito sedento. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. em sua comunicação. com as mais terríveis invectivas! Um deles. nem tampouco o purgatório lendário. criaturas simples. na Terra de Santa Cruz. declara. algo impressionado. quando dispunha de tantos recursos e poderes. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. vós outros. não pelo combate ao Espiritismo. desde a visita que vos fiz. ao ver o bravo cardeal render-se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. buscava-me há mais de quatro séculos. agora. conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. Outros se empenham em “recuperar-nos”. heréticos que precisam calar. mas pelo que deixara de fazer de bom. pois da última vez em que fomos companheiros. servidor da Igreja. edição da FEB. no mundo espiritual. conhecendo meu passado. Um deles. Certamente que sim. certa vez. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. também. em virtude do intimo conhecimento dos bastidores políticos da 9 “Trabalhos do Grupo Ismael”. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu Espírito”. o leitor. vol. 1941. venho entre vós.. A coorte dos que me acompanhavam. 80 . “em vida”. seja com ameaças. prejudicial ao Catolicismo”. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. juntamente com outros dignitários da sua Igreja. Outro. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. Compilação do Dr. tanto na Igreja Católica como na Protestante.

repetiram a experiência. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. tanto aqui. Comovente. nem sempre são ambiciosos. que está sempre recuando e entregando-se. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. Para isto. no sentido da disputa do domínio político. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. o exercício da autoridade. que nos tratava com superior condescendência. como prelados católicos. também. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. conservaram os modelos medievais. Quanto aos fanáticos. as tenebrosas alianças realizam-se. como sacerdotes judeus. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiástica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. No fundo. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. Os ambiciosos desejam o poder. Não sabem viver sem mandar. Não importa. quando de suas passagens pela carne. estudando suas atitudes e pronunciamentos. incontestada. se e quando o reconquistarem. É certo que. de que somente tomamos conhecimento por via indireta. como nos tempos idos. para esses objetivos. Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. quando toda a sua 81 . não essa aí. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. como no mundo espiritual. sempre disputando posições de relevo. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. ditatorial. separadas. para partilharem do vasto bolo do poder. Combatem o Espiritismo. sem oprimir. Querem-na forte. buscando sempre os núcleos do poder. com todo o seu cortejo de vícios. mas porque o consideram uma odiosa heresia. de onde possam manobrar. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana. que o servira nos seus dias de glória. Movem-nos ambições desmedidas. em serviços preciosos. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões puramente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão. autoritária. neles: ambição e fanatismo. poderosa. Examinando suas tendências. como se acuada. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. Estão convencidos de que sua forma de pensar é a única certa. por exemplo. ligam-se a outros poderosos do passado. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. condicionam se a um esquecimento das antigas circunstâncias. sem impor sua vontade e suas idéias. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. entre os desencarnados. É comum encontrarmos. No mundo espiritual em que vivem. Às vezes. e voltam a insistir. mas ocorrem. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar. com exclusão de todas as demais. porém. não tanto porque desejam posições de mando. sacerdotes de elevada hierarquia eclesiástica. com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo.Igreja. são as pequenas manifestações anônimas. impetuoso e arrogante. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo.

Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. suas hipocrisias. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. acham-se abrigados da dor. especificamente. Preferem continuar negando. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. roubando. O esquecimento deliberado e auto-induzido e uma fuga. despertam para a realidade. apenas desencantados. Viveu. promovendo negociatas. Às vezes. seus desvios. Em outros. no trabalho de esclarecimento.. que acabam por se convencer da sua autenticidade. de que. pois somente nela se sentem relativamente felizes. isto é. seguros e tranqüilos. indiferentes. em todos os sentidos. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. mas porque lhes proporciona os prazeres mais grosseiros a que se habituaram. Seria Joana d'Arc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos. não foram intrinsecamente maus. não é o seu. de seus desejos.. ainda. vaidade. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. inapelavelmente. O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. a princípio. são daqueles que. descrentes da vida espiritual. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte” pois estão pensando e falando. vendo e sentindo. Ao contrário dos teóricos do materialismo. Lembram-se das doenças que tiveram. convicto de que além da matéria nada existe. Outro ajudou a apedrejar Madalena. um esconderijo. suas fraquezas. porém. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. nada é sagrado. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. não apenas pelo esquecimento de suas misérias íntimas. através de um corpo que. tais posições foram meramente filosóficas. embora. Geralmente desejam a volta a carne. estes são os que o praticam. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pessoalmente do drama da cruz. mas se recusam a admitir que “morreram”. e mais prontamente aceitam a nova realidade. a enfrentar suas próprias contradições íntimas. Enquanto estão ali. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam é inteiramente falso. evidentemente. só há o silêncio e a escuridão do não-ser.atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. de suas vontades. Disputaram fortunas a ferro e fogo. por algum tempo. Às vezes. ainda presos aos seus interesses terrenos. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da matéria. perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. além da morte. Outros. senão a satisfação de suas ambições. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões. do que 82 .. Por isso. na aparência. se preciso fosse. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. Quando incorporados aos médiuns. intrigando. falsificando. sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. matando. o poder. Alguns deles.. na carne. platônicas. nada importa. No fundo. A relutância é. São mais acessíveis. embora confusos. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. desarvorados intimamente. endurecidos nas suas convicções. Para estes. não estão interessados.

ao seu ouro. ele sobreviveu.admitirem. São estes que constituem o diálogo mais difícil para o doutrinador. É preciso conduzi-los com tato e paciência. pobres. Estudaram profundamente os Evangelhos e a teologia ortodoxa. Parecem. Encontramolos de todos os feitios. materialistas. Não se exaltam. É culto. e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me. No binômio cérebro/coração. O companheiro apresentou-se irônico. que sempre deverá existir. vai sendo conduzido a admiti-la. indiferentes. vivera agarrado aos seus bens e. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. médicos. Foram escritores. Narrarei um caso prático. nem dão murros. versado em filosofia. às vezes. Quase sempre se deixaram dominar por invencível vaidade. Têm respostas prontas e engenhosas para tudo. Em “Reformador” de setembro de 1975. poetas. Temos que compreender que à difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. São bons argumentadores e. Julgam-se geniais — e muitas vezes o são mesmo. Há-os descrentes. bom sofista. totalmente desligado da nova realidade que vivia. seus sofismas e suas auto-justificações. Conversamos longamente. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. do ponto de vista literário. mesmo. variedades e tendências. para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa. Se conseguirmos restabelecer o vinculo. ricos. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram. para desarvorar o interlocutor. espiritualistas. A escala aromática aqui é ampla e variada. está relatado um caso desses. Leram os seus filósofos. quando movidos para objetivos bem definidos. por nome Tom. nobres. O Espírito. Aos poucos. no mundo espiritual. Brilhantes. a despeito da descrença em si mesmo. entre cabeça e coração. na sua imaginação. em teologia e até mesmo nos textos evangélicos. O INTELECTUAL Nem sempre é materialista. pois se acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias fantasias. deixaram disparar na frente um dos componentes. no artigo “Lendo e Comentando”. é também um esconderijo. procurando confundir. advogados. suas doutrinas. aparentemente muito seguro de si. fracassando na provação da inteligência. religiosos ou não. que cita com a maior facilidade e propriedade. artistas. fascinados pelos seus mecanismos. que acabaram acreditando nelas. sacerdotes. descobrimos que a intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga. tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados. Vemo-los. e tanto consolidaram suas construções. e. demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da própria inteligência. pregaram sermões belíssimos. fazem perguntas bem formuladas. ante minha pobreza intelectual e cultural. honestamente. para ilustrar o que desejo dizer com isso. na condição de ex-sacerdotes também. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. suaves e tranqüilas. estaremos a caminho de ajudá-lo. Num 83 . como exímios criadores de tais sofismas. especialmente. no qual o homem deve buscar equilíbrio. escreveram tratados. sua engenhosidade e os belos pensamentos que produzem. inteligente. Ao cabo de algum tempo de observação atenta. continuava a manipular as moedas. em sacrifício do outro.

há tempos. Conclui dizendo que. Estão prontos e dispostos a desencadear a luta. nervoso: — Eu sei. e que. conseguimos despertar. Não está mais tão irônico e seguro de si. não consegue mais evitar que a música domine todo o seu ser. se isso acontecesse. quando me chamou de débil mental e que. diz. revelando-se profundamente irritado. naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. ele volta. Em uma dessas. Mesmo com a voz pausada. De vez em quando. atrás dele. como um bloco. mas recusa-se a reconhecer a situação. ainda irritado. e refere episódios verídicos. É a fuga desesperada ante toda e qualquer aproximação da emoção. As ameaças são terríveis. Você vai cair do galho. em seguida. em voz alta. há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades na minha cara. sons de órgão. ele começa a apalpar o seu médium: a face. que não seja o frio jogo de palavras a que está habituado e que anestesia espiritualmente. ante minha evidente falta de acuidade. a música prossegue a vibrar dentro dele. Sinto por ele uma compaixão infinita e me dirijo a ele com ternura.momento de incontida irritação. mas firme nas suas convicções. os olhos e o corpo. que são mãos de um organista (que o médium foi. ao ser chamado à atenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia. agressivo. furioso mesmo. conhecerei. e insiste em retomar o debate filosófico-religioso. A essa altura. irei logo onde estais. deixa escapar suas terríveis ameaças. que lhe cita trechos evangélicos. Começa sutilmente a crise. quando nos empenhamos na tarefa abençoada de servir. é um líder!. ameaçador. na bondade infinita de Deus. chama-me de débil mental e idiota. Deve ser por causa da perda do valoroso companheiro que na semana anterior o advertira. se eu tivesse visão espiritual. Fala do cerco que me vem fazendo. mas sinto-o mais desesperado do que rancoroso. macaco! Segundo diz. irritado. Oro por ele durante toda a semana e. a alguém invisível. obviamente. teme. outro médium do grupo avisa-me que ouve bimbalhar de sinos e. com o que concordo plenamente. Pergunto se permite que tentemos curá-lo. e ele recusa energicamente. como se a pedir-lhe que me perdoe por não ter notado isso antes. Declara-se um líder.) Ao cabo de longa conversa. despede-se. com barco e tudo. mas o seu poder”. na Alemanha). pois está certo de que. Ele também ouve. Enquanto conversamos. algo sonolento. porque ainda tenho muito do homem velho. Perdeu a aparente serenidade. 84 . até mesmo nas minhas atividades profissionais. Fala 10 “Mas. para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida particular. veria que todos os seus companheiros estão ali. Primeira aos Coríntios. A essa altura. que. Ele conclui. informa. 4:19. em antiga encarnação. quase conseguiram derrubar-me. não a palavra desses orgulhosos. — Dessa vez diz ele — não vai ser fácil. (Há sempre um quase. diz-me que é cego! E mesmo assim domina. Não sabe por que não as diz. na reunião seguinte. com a graça de Deus. certamente. mas logo se contém. sentindo os controles do médium). re for da vontade do Senhor. impaciente. dirige-se. e então. Diz que transpusemos todas as barreiras e que é preciso um basta final. 10 Segundo me diz o outro médium. como da primeira vez. (Está. realmente. dizendo que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo. demorando-se nas mãos. como depois verificamos. Pouco depois. satisfeito consigo mesmo.

e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e séculos. Refere-se. A crise aprofunda-se e ele ouve agora. fria e apaixonada. mas à comum encontrarmos também o vingador impessoal. ao organista que. Não se precipita. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam os mais profundos 85 . o seu médium atual. por certo.. Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores frustrados. daquele tempo. ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa. e sempre implacável. calculada e impulsiva. Trato-o com infinito carinho e amor fraterno. traídos ou indiferentes. O vingador observa. paciente e violenta. mas não esquece: sempre que pode. e diz a si mesmo: — Reaja. que andavam divorciados. Segundo me informam do mundo espiritual. frouxo! Mas a torrente daquela música divina. antes de tudo. pois ele é. Ainda veremos isso mais adiante. A música que ele amava. ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar. Envolvido no seu processo. ele retruca. arrasta-o irresistivelmente. seus mecanismos e as soluções que lhe estão abertas.sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. Tenta desesperadamente fugir dela. planeja e espera a ocasião oportuna e o momento favorável. seu tolo! Em seguida parte. cantarola uma canção. tanto aqui. O VINGADOR Vingar-se é ir à forra. Logo a seguir. aquele que trabalha para uma organização opressora. ele nem sequer admite o perdão. toca para ele neste momento.. e compreendia como poucos. por isso. ainda em pranto e com a visão recuperada. foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para restabelecer o perdido contacto entre coração e mente. tapa os ouvidos. um prisioneiro de si mesmo. Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal. quando. graças a Deus. Sua lógica é. se é que pretendemos ajudá-lo. do invisível.. vencido pela emoção que há tanto sufocou em seu coração generoso. Aquele que se dedica a essas tarefas. ao longo de muitas vidas. irresistivelmente. Por fim. que ele tem o privilégio de ouvir. Digo-lhe isso.. através da sua cólera e da sua frustração. o alimenta e o mantém vivo. interfere. na realidade. suas motivações. bate com os cotovelos na mesa. Está arrasado e murmura: — Ele é um monstro. a música sublime de um organista incomparável. punir alguém por aquilo que fez ao vingador e. como no mundo espiritual. na carne. a emoção daquela música inesquecível domina-o inapelavelmente. Sua maior ilusão é a de que a vingança aplaca o ódio. enquanto ele parece também reconhecer. na terceira fila à direita. precisa estudá-la a fundo. É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta. e quando lhe peço perdão pela dor que lhe causamos naquela crise necessária. Tudo nele é grande. entre irritado e confuso: — Não peça perdão. vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e esclarecimento. começa a chorar. suas origens. ao mesmo tempo.

O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. que não há sofrimento sem motivo. As simetrias são perfeitas. “Reformador” de março de 1962.sentimentos de revolta. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. já traiu também. Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier. Tanto ele. segundo ele. Não confia nela. na Idade Média. por sua vez. em situações como essas. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza. em que uma atrocidade praticada no ano 177. certa vez. portanto. porém. em princípio destinada a preservar-lhe a vida e. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. desonras. mas persistente. Alguém nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta. ou morrendo numa intervenção cirúrgica. são crimes horrendos. compareceu ao grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. pois viviam num castelo. na tragédia de 17 de dezembro de 1961. como. desde então. caindo sobre um instrumento. os vingadores sempre se esquecem. angústia e desajuste. a mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. No caso. é porque. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). ele abre determinada porta. e. ao tempo de Marco Aurélio. no passado. Não faltou um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. É o paradoxo do ódio-amor. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — é a vingança em si mesma. a tragédia. Seu drama é que. difamações. Matou-a e suicidou-se. o “Irmão X” narra um episódio desses. se ele sofreu traição. não importa. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. agora. ainda. à mesma hora. veio a ser cobrada pela lei. espoliações. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e aguardamos. ainda mais o exacerbou. a lei não exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir o irmão devedor. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. Por outro lado. As mesmas correrias. 11 “Tragédia no Circo”. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. e ela estava novamente encarnada. e a história desenrolou-se. nesse ínterim. o mesmo atropelo. ou ignoram. dolorosa. a despeito de tudo. De outras vezes. Se a odiasse simplesmente. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. segundo nos advertiu o Cristo. para ele. iniqüidades de toda sorte. 11 Tivemos. No entanto. também. que o reajuste virá fatalmente. todas os dias. para tê-la totalmente sob seu domínio. Parece que lhe restou uma esperança de reconquista. mas isso. duas ou três semanas após. O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça divina. Sem muita demora. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. sem nenhuma intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito. tiveram outras vidas. tênue. inconsciente. que chegado o momento do resgate. ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. É certo. como assassinatos. há de ser ferido por ela. há quase dezoito séculos. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente. um caso de vingança que muito nos marcou. como ela. Fora seu esposo em antiga existência. 86 . através da lei de causa e efeito. Todo aquele que fere com a espada. Aqueles que ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. não apenas por causa do assassinato da esposa. Seu desejo. na cidade fluminense de Niterói. Lá sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. através dos séculos decorridos. reuniram-se no circo de Niterói. por exemplo. em razão do horrendo crime do suicídio. porque sofreu horrores. Não sabe.

que lhe faculta a decisão de agir. de certa forma. um processo obsessivo. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. Porque. Por outro lado. Não sei se me faço entender. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. envolvido em antiqüíssima trama vingativa. — Somos dois trapos. nem para vingar-se. porque ao errar expôs-se ao reajuste. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. ou insiste em cobrar. * É extremamente complexo o processo da vingança. Embora tenham muito em comum.No caso sob exame. que atrás da porta seguinte. manter acesa a chama rubra do ódio que. com todo o direito de exercê-la. o Espírito da ex-esposa. Houve um diálogo emocionado. e eu também — diz a ela. ao mesmo tempo em que ele se vinga. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que.. sabia que encontraria os filhos amados. ainda. alguém ouviu dizer. certa vez: 87 . havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. alhures no tempo e no espaço. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar. responde do mesmo modo. Sente-se vazio e cansado. e demora-se nas sombras do sofrimento. à mercê de seu algoz. É que o Espírito. Realmente tiveram. o perseguidor. por isso. está. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. às vezes. portanto. Disse-me. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. Que Deus nos abençoe. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. E. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. necessariamente. ele seguirá escravo da sua própria vingança. atingir a vítima visada. enquanto ele. não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. por sua vez. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. angústias e frustrações. por situar-se fora de seu alcance. perante a lei desrespeitada. novamente à lei. Na sessão seguinte. Sem poderem. sem desencadear obsessões à sua vítima. Não tem mais ânimo. o ofensor libera-se pela dor. encarnado e desencarnado. E adormeceu. trouxeram-lhe. no entanto. — Você e um trapo. por desdobramento. por qualquer razão. do qual percebíamos apenas as suas falas. caso contrário. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. ao longo do tempo. em parte. foi realmente o que os salvou do tenebroso drama. mas a vingança não é. mas. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. um casal. que ele ternamente dizia que eram dois anjos. De um pobre irmão. Era preciso. Assistimos. Vá em paz. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. o vingador sente-se um instrumento da justiça divina. que se voltará contra ele. duas criaturinhas encantadoras. continua preso à sua problemática e. são impiedosamente sacrificadas ao ódio. De certa forma. que não a perseguirei mais. quase sempre dolorosa. mesmo devendo. à vingança indireta. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. que ele se recusava sempre a transpor.. com sua falta contra nós. e acaba. às suas angústias. de vez que o livre-arbítrio. Ao vingar-se. que sofre um processo vingativo. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo. temia ele acertadamente.

. por exemplo. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. mas estejamos certos de que. porém. limitando-se a respostas sumárias que. realmente. por exemplo. expostos à cobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas. MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a realidade da magia negra. que lhe concede um crédito de confiança.— Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. ao serviço ao próximo. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações. O que acontece. porém. ao cometer nossos desatinos. o pensamento contido nesse período é. como podemos verificar do exame das questões números 551 a 557. porém.. ou a esposa pelo marido. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. Ensinaram. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. Realmente. nesses casos. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. não abandonados por Deus. é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. Não há sofrimento inocente na justiça divina. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. persistem nas suas práticas e rituais. “com o auxilio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. a literatura doutrinária de confiança existente. o suficiente para formular-se um juízo sobre a matéria. nem os pais pelos filhos. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. que um “homem mau” não poderia. Atenção. mas que também se acham em débito perante a lei. portanto. sob o titulo “Poder oculto.. Obviamente. não obstante. ao mesmo tempo. portanto.. não fora de sua proteção. de “O Livro dos Espíritos”. Naquilo que Deus não o permite. Extremamente complexo e delicado. Talismãs. à melhora íntima. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. amplo e exato. A despeito da notável economia de palavras. dedicado à prece. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. colocando-nos. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. Com freqüência. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção. O tema não ficou indiferente a Kardec. abrimos a eles as 88 . no mundo espiritual. fazer mal ao seu próximo”. ou de pessoas que dele se socorrem. pela santificação. Disseram. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. especialmente porque é escassa. ao alcance de dores inomináveis. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. Feiticeiros”. nesse particular. Foram muito sóbrios os Espíritos. como a da obsessão. a época não estava madura para o aprofundamento do problema. por motivos outros. porque “Deus não o permitiria”. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo. empenhada em sincero e honesto processo de recuperação. é que.

insistiu. até o último centavo. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. mas. nada vale. por efeito mesmo dessa confiança. visto que. nenhum sinal cabalístico. O próprio Cristo advertiu-nos de que. porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais”. Se as influências astrais não favorecem a determinadas criaturas. declarando que tais fatos são naturais. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é traído”. Sobre a influência dos astros. atrair um Espírito. 89 . com ou sem razão. como muito bem observa Kardec. 12 “O Consolador”. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. em si. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática. mal observados e. bem como as inúteis complicações dos ritos. para explicá-la em termos de conhecimento cientifico. (Destaques meus) Do que se depreende que o talismã. então. pelo pensamento. nem talismã. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. se maus forem seus próprios Espíritos. que tenha qualquer ação sobre os Espíritos. questão número 140. mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. nem o nega. ensina Emmanuel 12 que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser.portas da nossa intimidade. acima de todas as verdades astrológicas. o que atua é o pensamento. de que podem fazer mau uso. as vezes. temos o Evangelho. Kardec. em nota de sua autoria. símbolos. em seguida à questão número 555. confia no que chama a virtude de um talismã. em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação”. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo. os Espíritos foram cautelosos. dentro do contexto das leis naturais. sobretudo. eles nos levariam ao juiz. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. esclarecem que todas são mera charlatanaria. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. e o juiz nos mandaria à prisão. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. ingênua ritualística da magia. como vimos. e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. no entanto. racional. fórmulas. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus” Sobre as fórmulas. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e. aberto. porque. posturas. invocações. Quanto à crença no poder de enfeitiçar. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores. com a pergunta 554. O Espiritismo não ignora o fenômeno. Realmente. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. a existência planetária é sinônimo de luta. mal compreendidos. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. assim formulada: “Não pode aquele que. por exemplo. porém.

de seus antigos possuidores no mundo. os nomes que recebem. da antiga Pérsia. eram cultores da sabedoria de Zoroastro. igualmente inferiores. Diz o autor espiritual que. na execução de atividades materialonas. segundo suas vibrações. ————————————————————————————— “A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhe eram irmãs. especialmente. ou magia elementar. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. ao fundar o império persa. de André Luiz. Possivelmente da raça média.. de vez que a raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a palavra “wit”. originários. saber. mormente os de uso pessoal. (Destaques meus) Dentro dessa mesma linha de pensamento. de singulares influências ocultas. empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar.”. E prossegue: — “Apareceu então a goecia ou magia negra. reconhece.achando-se cada homem sob as influências que merece”. porque a ignorância embotasse ainda a mente humana. técnica ou empírica”. porém. Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. à qual as inteligências superiores opuseram a religião por magia divina. nosso esforço deve ser o da libertação espiritual. É evidente 90 . segundo Lewis Spence (1). sem qualquer alicerce na sublimação pessoal”. por vezes. Realmente. a funcionar como fio de Ariadne. como nos assegura André Luiz. — . podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. acentuando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal”. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. por vezes. razão por que parecem tocados. os médiuns primitivos nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca. adquiriram enorme prestígio. sendo indispensável lutarmos contra os fetiches. Desde essas eras recuadas. depois que Ciro os institucionalizou. ainda que sumárias.iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico. as influências que podem exercer. ao que parece. em que os desencarnados. têm a sua história viva e. Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se às eras primitivas. Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e racionalismo.. mas. sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. eram aproveitados. que nos permita transitar pelos seus meandros. (Destaques meus) O assunto mereceu também observações. Embora os autores especializados procurem distinguir magia de feitiçaria —— e ainda veremos isto um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para esta última “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio. em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio século para desdobrar em todas as suas implicações. o esclarecido mentor. Também os números “possuem a sua mística natural”.. por via magnética. sem o menor temor de perder o caminho de volta. os magos. para considerar tãosomente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito”. a certo ponto da história evolutiva. com base na mediunidade consciente ou inconsciente. — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —.

que. proibida e secreta. tão identificadas se acham entre si. em “Reformador”. mas não para as religiões mais recentes. enquanto a magia é. encantações —. na astrologia. segundo os métodos e interesses da Ordem. eruditíssimo tratado sobre magia e religião que. os professores e os mestres. sentiu-se enciumado de seus poderes. MacMillan. muito contribuindo. usualmente. Embora Spence nos fale da magia na Pérsia. Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses constitui prática religiosa. no seu erudito verbete. no capítulo 4. no magnetismo. “Religião. o Barão du Potet e o Barão de Guldenstubbé. 13 Sir James Frazer14 considera magia e religião uma só coisa. na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem até hoje. processos terríveis de magia e ocultismo. New York. 91 . com seus recursos. sabemos que ela floresceu amplamente no Egito. agosto/1975. este último autor do livro “La Realité des Esprits”. é filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas mãos. mesmo em condensada. mas ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre. entrou em desagregação.que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos. tanto quanto na medicina. mais intensamente.) que. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada. os guias espirituais de Moisés conferem-lhe poderes ostensivos. Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia. Lewis Spence declara. entre os quais cita. por volta do ano 500 antes do Cristo. Isto é provavelmente verdadeiro para as primitivas crenças. o Grande (356-323 a. especialmente por causa da tenaz perseguirão de Dario Histaspes. Os livros mediúnicos de Rochester.C. Auguste Comte. misticismo e magnetismo são idênticos para alguns ocultistas. vários deles publicados pela FEB. segundo Spence. A obra consta de 12 volumes. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do Espírito e em estrita consistência com essas características. enquanto a prática da magia tenta forçá-los à complacência. A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Ciro. apresenta-se com 827 páginas de texto. Distribuíram-se em três graus: os discípulos. em tempos recentes. O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos capítulos de números 5 a 13. nos primitivos. o que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era ministrado por processos iniciáticos. ritos. publicado em 1857. “The Golden Bough”. mas. teme aquele que sabe. com minúcias de extremo realismo. é claro. muito antes da época citada na sua obra. ante a aturdida expectativa de todo o país. pois o homem sempre respeita e. narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus. narram. Já antes disso. às vezes. a seu ver. que embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — símbolos. 1951. pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos rituais e da teoria que 13 14 Ver o artigo “O Tempo. para consolidação das conquistas do rei persa. o preconceito e a humildade”. como em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”. à medida que o discípulo revelava condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente. perderam contacto com os seus aspectos esotéricos. socorriam as mazelas do Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo”. São profundas as implicações da magia em alguns cultos religiosos. fórmulas.

Mal atirado ao solo. fosse em beneficio de alguém ou com a intenção de destruí-lo. 92 . não obstante. o mais antigo. Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática. a Itália. ou estarem em companhia de tais”. no século XIX. condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente dos homens pela feitiçaria. com os seus estranhos rituais. A despeito disso. Ao escrevermos este livro. voltando a serpente a ser um mero cajado. que mais as autenticavam na imaginação do povo inculto.os sustentava. — Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz pois dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma. pudesse ter sido antecipada de um século ou mais. num resumo como este. se em vez de queimar os médiuns medievais. Simon and Schuster. Seria impraticável. — que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová. do Bispo de Exeter. a um fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria. poderemos. e é bem provável que a noticia que os Espíritos superiores vieram trazer a Kardec. na Idade Média. Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os deuses em troca de favores. porque ninguém combate aquilo que não teme. As conseqüências dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o entendimento do fenômeno mediúnico. atribui à magia origens nitidamente religiosas. o que ele fez. algo perplexo. ao mesmo tempo em que combatia as crendices. ou primitivos. o mundo moderno assiste. Ante o temor de Moisés. “O Livro da Penitência”. dramático e conhecido. geralmente em cera. — Um cajado. tanto quanto Sir James Frazer. parecia atribuir-lhes certa substância. com os métodos apropriados. sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio. mas Moisés revela sua impotência em convencer sua gente a seguí-lo. Entre os ritos destinados a destruir um inimigo. Moisés faria diante do Faraó e sua corte. 1950. o cajado transformou se numa serpente. ou ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais. New York. durante toda a existência. como a Inglaterra. não foram poucos os prelados católicos que. Essa mesma “mágica”. era praticamente universal. e. no melhor sentido da palavra. O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo hebreu para fora do Egito. ou encantamento. os Estados Unidos. com um bando de demônios em formas femininas. a crença na feitiçaria. A Britânica. como do ódio para o amor ou do amor para o ódio. bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”. — Atiras ao chão. por toda parte e. não nos países menos desenvolvidos. desta vez. procurassem estudá-los com respeito e interesse. a França. repassar todo o campo da magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita. sob a forma de cultos à base de animais sacrificados. por exemplo. criou-se um clima de terror que. Segundo Will Durant15. tentar 15 “The Age of Falth”. e sim nos de mais avançada tecnologia e mais sofisticada cultura. espetá-lo com agulhas e punhais. mantiveram cultos paralelos de magia negra. o Espírito disse lhe que a agarrasse pelo pescoço. consiste em modelar uma pequena estátua representativa da vítima.

escreveu abundantemente sobre o assunto. Dr. 16 Antes de mergulharmos no seu livro. toda a magia baseia-se na lei da simpatia. Papus acata o princípio. em relação ao Espiritismo. da qual o Dr. “as coisas atuam umas sobre as outras. Seu filho. do original francês “Traitê Élémentaire de Magie Prratique”. o que a Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material. que alguns faquires teriam realizado. o plano astral”. Encausse é admirador ardoroso. como “Sciences Occultes et Désequilibre Mental”. afinal de contas. ou seja. acima citado. Um desses autores é o médico francês. No fenômeno da pronta germinação. dedicando. revelou igual interesse pela matéria. tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele. Philippe Encausse. que não há a temer nenhum acidente sério. praticamente em todas as línguas vivas. produzindo algumas obras sobre o assunto. mas que classe de forças são essas?” Diz ele que são as forças hiperfísicas. ou seja. não obstante — escreve ele. também lembrado por Sir James Frazer. crescimento da planta e produção de frutos. Nada têm de difíceis e sim muito consoladores.oferecer algumas noções colhidas em alentados livros. Na opinião de Sir James Frazer. (O primeiro destaque é meu. 5ª edição da Editorial Kier. Gérard Encausse. alguns momentos aos fenômenos de espiritismo. à sobremesa. pois emanam de seres vivos e não de mecanismos inanimados. os magos concebem como sendo as forças da natureza. por estarem secretamente ligadas entre si por laços invisíveis”. das energias orgânicas do faquir. a distância. que se poriam em consonância com as energias armazenadas na semente. também médico. à semente. e que aconselharemos a quantas desejarem divertir-se. “Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza que o mágico deverá por em ação. uma forma de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes. e depois à planta e ao fruto. segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veiculo entre a vontade humana e as coisas inanimadas. mas sobre aquilo que incessantemente a modifica. das quais. desde que não se esqueça da precaução de deixar as coisas no momento oportuno”. o segundo. o Dr. aconteceria apenas uma abundante doação. Buenos Aires. situam-se a tal distância da verdadeira magia. contemporâneo de Allan Kardec. sob o influxo da sua vontade. do original) Esse plano. 1974. tanto se utilizam os trabalhadores do bem. 93 . “Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade. Ao apreciar alguns aspectos da magia. que. assim entendidas as que apenas diferem das energias meramente físicas nas suas origens. à página 11 de seu livro. sob o pseudônimo de Papus. Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado Elementar de Magia Prática”. facilmente encontráveis no mercado. e. por certo. 16 Tradução de Enediel Shaiah. como os outros. creio útil transmitir ao leitor espírita uma idéia da posição de Papus em relação ao Espiritismo: “Existe. segundo testemunhos nos quais Papus acredita. não sobre a matéria. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver.

mas aos fluidos que circulam dentro do aludido ser. optou pelo método indireto. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”.em algumas horas. 2ª — Fisiológica ou astralmente. não sobre os fluidos. edição FEB. em condições normais. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula. A Medicina. que utiliza o trabalho do homem. e segundo Papus. Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz17 – extraíam forças de pessoas e coisas da sala. (Destaques meus) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orientamos para o bem. resume ele a sua teorização. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. Para a criação dessas larvas. em transe. embora escreva Espiritismo com letra minúscula) admite a possibilidade de influir sobre os fluidos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens. em Londres. a planta. A magia seria. entram neste quadro. capítulo 28 – “Efeitos Físicos”. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. arcaremos com a responsabilidade correspondente. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. A agricultura. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. portanto. por exemplo. atuando diretamente. inclusive da Natureza em derredor. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. uma ação consciente da vontade sobre a vida. pela aplicação exterior de forças físicas. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado. “consagrado e perfumado”. A mulher. chama-se vida”. em todas as categorias. modificando a estrutura de um ser. se os dirigirmos para o mal. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “E a aplicação da vontade humana dinamizada à evolução rápida das forças vivas da natureza”. obteremos resultados positivos. 3ª — Psiquicamente. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. Exemplifica ambos. pura e simplesmente. e prosseguiu: 17 “Nos Domínios da Mediunidade”. outro de ação direta. em todos os seus ramos. Orientado pela descrição da mulher. 94 . não à forma exterior. mas sobre os princípios que os põem em movimento”. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: “1ª — Fisicamente. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório”. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza. é um exemplo desse caso. que. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. com todas as suas transformações. A página 91. revelam um despreparo comovedor. Num deles. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. a indústria.

colocar o cabelo. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. Escrever no interior do círculo. aconselho-vos que e melhor imitar a Deus. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas. abandonar sua vítima. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. com uma ponta de aço comum. no entanto. a não ser para uma vingança justa.. Os magos caldeus. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. que perdoa.“Terminado que foi o desenho. produzir resultados positivos. nos quatro pontos cardeais. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”. em tempos idos. “sponte sua”. A propósito. podem. foi manipulada com habilidade e competência. Para isto. na sua falta. com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. pois como seres humanos. que. limitamo-nos a expô-los. E. traçar à sua volta um círculo. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. Num ou noutro caso. o processo raramente falha. inteiramente aleatórios. A seguir. incontinenti. Por exemplos como estes. A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicularizar o procedimento daqueles que os praticam. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão. igualmente. Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. Mas. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços. merecem respeito e consideração. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta. E não há ocasião mais meritória do que a de 95 . pois. A mulher adormecida declarou que os cortes influíram. estaria curada a “obsessão”. O método consiste. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. na forma astral. Segundo o autor. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. as quatro letras do tetragrama sagrado. de sete em sete dias. se desfez em pedaços”. sobre uma pequena prancha. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. ordenando à larva que se dissolva. com isto. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. ou porque resolveu. Mesmo assim. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo.. Em seguida. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. e irmãos nossos. e que vos tem perdoado a vós mesmos. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. consagrando-os segundo o procedimento habitual. que deverão ser incensados. ela se preservou para os Espíritos desencarnados. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que. Em seguida. pelo menos depois de repetido três vezes. porém. com a espada mágica (ou. molhado em sangue.

Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. a Trindade. é indispensável para que a força aplicada. dos segredos e forças da natureza. São Paulo. E. Aquele que deseja possuir. para a salvação da humanidade. “Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi. 96 . por exemplo: “Assim. e solicitações da natureza que nos convida. falar é criar.perdoar”. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus. “outra coisa não são senão correntes magnéticas que começam a formar-se. “raps” e os instrumentos que tocam. ou seja. significa o eclipse absoluto da razão. uma magia divina e uma magia infernal. A vingança. imaginar é ver. é algo pomposo. do feiticeiro. refere-se a ele com respeito e admiração. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. por exemplo. é a alma da magia negra. aparentemente sozinhos. Seus dogmas não são menos surpreendentes. foi escrita em 1855. para o sábio. num sentido. Ambos concordam. Mal por mal. não se furta a algumas criticas veementes. e o adepto. como. porque deve ignorá-la ou perecer. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. para o mago. isto é. como esta. em proveito próprio. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. Os golpes. como nós o provaremos mais tarde. Papus usa uma imagem. por várias vezes. Levi defende a tese de que a resistência. temos de revelar uma e desvendar outra. temos de distinguir o mago. isto é. mentirosa e tenebrosa. em sentido contrário. A despeito disso. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta”. não o entrega a ninguém”. A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. O Dr. em suas obras. a existência do c~u e do inferno. “são ilusões produzidas pelas mesmas 18 Editora Pensamento. O estilo de Levi. diz ele. porém. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido. Eliphas Levi também viveu no século XIX e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia”18. como. Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. também. aliás. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador. não deve dar-se. Quanto ao fenômeno das mesas girantes. se robusteça e a vença. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. como este. Embora sem declarar-se católico. Anésia. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar. ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. A despeito do apelo ao perdão. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. o de Papus. sob o império da sombra. Par isso. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. do charlatão”.

após os juramentos devidos. por este signo. dentro de um envelope. a cada instante. Ao cabo de complicadíssimo ritual. sem substâncias. é o grande agente mágico. somente uma lembrança confusa e vaga”. e quando abri a boca para interrogar o fantasma. no círculo junto a mim. Pus. real e positivamente o demônio”. empregado para o mal por uma vontade perversa”. cai num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos. Era uma senhora. fechando os olhos. em magia negra. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações”. Quanto à magia negra. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. no entanto. a não me amedrontar e a obedecer-me. junto a mim. Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. círculos. A figura humana reapareceu logo. no hotel. mas na própria psicologia humana: “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. e colocou à disposição dele. e. como que o umbigo do seu nascimento pecador. em Londres. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. (Destaques meus) Assim foi realizada a evocação que. um homem estava diante de mim. e sem evocação. um Espírito manifestou-se. às três horas. de que me restou. pela ponta. com este recado: “Amanhã. como que um sopro. se torna. Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. que. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. e a plantei. a vaidade. mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar. que é. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. realiza-se. Então. e dirigi para ele a ponta da espada. para nossa alma. 97 . Às vezes. vos será apresentada a outra metade deste cartão”. o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. quando ele recebe. diante da abadia de Westminster. me foi impossível articular um som. Desde que fiquei assentado. então. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. envolto inteiramente por uma espécie de lençol.causas”. em incontáveis sessões mediúnicas. um cartão cortado transversalmente. quando voltei a mim. sem nenhum ritual complicado. então. triste e sem barba. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. a sua forma era magra. e. Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios. Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio. espadas e vestimentas especiais. ordenando-lhe mentalmente. arsenal completo. sob a influência de uma vontade má. que dei dois passos para me assentar. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. quando os abri. a mão sobre o signo do pentagrama.

por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência”. embora aparentemente seguros e frios. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições. para enfrentar os companheiros desarmonizados. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror. não é fácil lidar com os magos desencarnados. Entrarão em ação imediatamente. ele tem que aprender a querer. que assim faz para reconquistar a sua coroa”. de relance. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos. nada conseguirão contra nós. Estão convictos de que poderão atingir-nos. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. e preguiça para outros. Não nos impressionemos. sigamos em frente. pois. ou seja. pois este é o momento mais grave. mas sobre os seus Espíritos atormentados. Que um Espírito hábil e mau se apodere desta mola. Como nos disse um amigo espiritual. A primeira e mais importante das obras mágicas é chegar a esta rara superioridade”. o egoísmo para o maior número. Estejamos preparados. estudando-nos sob todos os ângulos.para uns. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. suas evocações. é só questão de tempo e oportunidade. De outras vezes. desinteressado. de nossa vida pregressa. serenos. seus gestos. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. confiantes. com os seus rituais. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas. porém. percebemos. vigiando-nos. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses. Em suma. sofreremos. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. mas é claro que. Se o nosso trabalho é de Deus. seus talismãs. Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão.. Toda aquela serenidade aparente desmorona. “O magista — prossegue adiante — deve. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. no decorrer do trabalho de desobsessão. como seres imperfeitos que somos. mais sério. para poder impor a sua vontade. o que seria injusto. destemidos. e estais perdidos”. Estejamos vigilantes. sóbrio e casto. e. A instrumentação é secundária. porém. Por causa desse e de outros princípios e noções. pois. ser impassível. pensam eles. É preciso crer que se pode. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos”. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o 98 . suas palavras misteriosas e secretas. certa vez. É claro. como dizia Levi. Estejamos prontos para ajudá-los.. quando conseguimos convencê-los de seus trágicos enganos.

ou portando “objetos”. incessantemente: — Quer que vire. para servi-los. da hipnose. com os quais se afina bem. especificamente. de que a magia baseia-se na simpatia.. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. tortura. os remorsos. signos. no serviço ao próximo. 99 . Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. cumprido à nossa vista. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os símbolos de sua preferência. Em Espiritismo. e revezam-se na carne e no além. É preciso tratá-los com carinho. O conceito de Sir James Frazer. no fundo. velas. pois ela não encontra ressonância e. por conseguinte. que continuando no Além seus estudos e praticas.. reduzido a uma deplorável condição subumana de pavor e deformação perispiritual. e partiu. perseguição.. declarou que sua vítima “estava amarrada”. em toda a sua profundidade. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz. os fantasmas que trazem no intimo. pois. é valido. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. o mago sempre foi um médium. construtivas e reparadoras. da manipulação de drogas e fluidos. em tempos idos. de rastros. mas muito reais. excepcionalmente. retomaram suas experiências. os escombros dos antigos sonhos. as angústias. Quem a presenciou pode fazer idéia. somente aquele que a experimentou. revertidos ao mundo espiritual. comparecem. alguns empenhados em finalidades nobres. por mais que se debatesse. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. no interesse de ambos. praticaram a magia e. e outros envolvidos. Magos do passado. num terreiro. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos. pois não gostam de descobrir-se. ligados por interesses comuns. Quer que vire. Depois de seu ritual. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. poções. disse ele. Era um exemplo para nós. substâncias e até acompanhados de acólitos. o desespero. pela vigilância e pela prática da caridade. acham-se defendidos pela prece. lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. porque a dor do despertamento é. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. século após século. eu viro. Um deles trouxe-nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado.. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. diríamos que se trata de sintonia vibratória.próprio coração. Os Espíritos vivem em grupos. ou que. Outra veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. esmagadora. assistido por companheiros desencarnados. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho. Não que a magia tenha poderes por si mesma. Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. porque senti-la. pelo menos. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. quase sempre. Nosso médium viu-o atirar esse pobre Espírito. Tinha recebido uma solicitação. eu viro. a fim de que deixássemos de interferir em sus atividade. num círculo magnético infernal. os desenganos. apoiando-se mutuamente. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. selada com sangue. E repetia. com humildade e singela compreensão.

no entanto. do erro. um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. através do qual mantinha. Enquanto isso. com o que ele ficou muito desapontado. Um caso marcou época. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. Atacam para não serem atacados. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas. Vendo-se recusado. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. não queríamos que ele virasse. inteligentes. Sabem. que entregaria a ele sua vítima. de pés e mãos atados. que. empenhado em trabalhos redentores. as mais das vezes. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. também antigos magos. pronta para o “serviço”. Estão perfeitamente conscientes. ou seja. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. pois o mal não é eterno. espalham a dor para fugirem às suas próprias. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. Uma para cada um de nós. que muito bem conhecem. pela sua extraordinária sofisticação. melhor do que ele. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. paradoxalmente. e oferece riscos realmente sérios. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. nas suas práticas funestas. De outra vez. Nosso médium viu apenas que. Por isso são implacáveis e. com o qual pretendia alcançar-nos. Não há outro caminho. utilizam-se da vontade bem treinada. as mentes de quatro seres encarnados. as forças da Natureza. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. ou lanternas. são pouco acessíveis à doutrinação. Os magos desencarnados são. Acontece. em seu proveito. subjugadas aos seus propósitos. conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezas humanas. segundo relato de um de nossos videntes. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. colocaram sete lâmpadas. Em suma. para movimentar. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. da falta. por isso. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. profundos conhecedores desses trabalhos. de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. ao apelo do amor e do perdão. tão cuidadosamente planejadas. 100 . embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. oprimem para não serem oprimidos. e apresentou-se agora com outro nome. pois vivem disso. não temem represálias. chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. agarrados ainda ao lado escuro da vida. só pode contar com sofrimentos durante a subida. E quem desceu semeando sofrimentos. porque não o obedecia. demoram-se no erro que. Tinha diante de si um prato de sangue. o mago foi completamente desarmado em suas táticas. E claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. pois obviamente teria sido muito mais fácil. aceitarem a realidade maior. em torno dele. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”. para ele. tentando dominar pelo terror. no mesmo grupo. passou para outro médium. os compromete cada vez mais. porém.Não. de cores diferentes.

(Grifos meus) É claro. com que costumamos medir. para corrigir desvios. isto é. que nisto. como entre os encarnados. qual se estivessem jungidos. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do imã —. “Defino a sugestão. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação. como em quase toda a problemática espiritual. com enorme respeito e carinho.. Para esta aceitação. dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. 2ª parte. com plena identidade de tendências ou opiniões. este também é neutro. Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta. e não ao cérebro. os hipnotizadores do espaço utilizam-se de recursos extremamente sofisticados. Mas.nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. em “Mecanismos da Mediunidade” —. como para fazer cair aquele que está de pé. os arquivos da mente. que contam.. reproduzir e movimentar os pensamentos. nos processos obsessivos. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que. um ao outro. Lá.MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados. capítulo 2º — “Os arquivos da alma”. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. Os desajustados. Psicografia de Yvonne A. moralmente.. para aliviar. mas para os procedimentos mais elaborados. Para incumbências de importância secundária. nos recessos da 19 “Memórias de um Suicida”. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. pela ação magnética. Em “Memórias de um Suicida”. movimentam. páginas 220 e seguintes. no Além. como todo recurso do conhecimento humano. competentes e moralizados. Pereira. as recordações.. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!. pois a sugestão é transmitida ao Espírito. para dominar e punir. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. nos recessos da afinidade profunda. ressurgem. basta uma indução superficial. como por encanto. em que Espíritos altamente credenciados. 19 — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —.. vemos que há uma condição básica. para ajudar. 101 . “. que instaura o processo do domínio. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele”. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução. os métodos da hipnose e do magnetismo. no seu sentido mais lato —— escreve Bernbeim.. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira. pois. em “Hypnotisme et Suggestion”. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer. os métodos são os mesmos. por métodos hipnóticos e magnéticos. que é a da aceitação pelo “sujet”. é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica.

Já lembramos. os hipnotizadores procuram atuar sabre os membros encarnados do grupo. exausto. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe. como ainda. Temos presenciado alguns casos dramáticos.afinidade profunda”. por meio de passes de dispersão.. falando continuamente. Através da minha mão.. do lado da luz. ou seja.. hábil magnetizador.. interferem de maneira sutil. à desencarnação.. manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança. que os coloca em condições de ajustarem-se fluidicamente. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bernheim. ainda encarnada. Certa vez. num intercâmbio vibratório. respiração opressa e acelerada.. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. algures neste livro. Odeio meu irmão.. Pediu-me a mão. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. e pediu a ajuda de Deus. por causa de sua própria invigilância. desde que alcancem os resultados que desejam. vingança e morte. com o médium coberto de suor. Às vezes. aquele companheiro desencarnado que. e não eu a dele. nesse campo.. que o atingiu na altura do plexo cardíaco.. de preces e de contra-sugestões. sem parar. por algum tempo. com os dedos unidos. Nada os detém e. O Espírito culpado. como diz André Luiz. porém. ele recebeu uma espécie de choque elétrico. um Espírito atormentado e. tentava induzi-lo a arrastar toda a sua família. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador. sugerindo-lhe idéias de ódio. Matar meu pai. mesmo que forçada. foi possível libertá-lo.. E assim por diante. pretendeu usar comigo a sua técnica. pela menos para uma trégua. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida.. para eles. este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que. certamente. também. Com um esforço muito grande. inclusive com a outra mão tentando 102 . evidentemente uma descarga magnética. Para isso. Odeio minha mãe. Mesmo incorporado ao médium. Com freqüência. Com isto se afinizam com ele (ou ela). a serem desenvolvidas depois. Odeio meu pai. lançando as bases de induções preliminares. convencido dessa culpabilidade. em nossa presença. a própria lei de causa e efeito. Parou. Algo então aconteceu de estranho e curioso. e por mais esforço que fizesse. durante o desprendimento do sono. tudo é válido. mas eficaz. ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador. Matar minha mãe. recaiu sob seu domínio. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava. Seja qual for. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana. ou mesmo durante a vigília. os companheiros que assistem o grupo. Talvez algo temeroso. Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. cede e entrega-se..

para a investigação dos médicos encarnados. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu. segundo nos informou. lhes proporciona provações e deveres especiais e. Isto o impressionou de tal forma que. ensejo de ganharem experiência. durante sete anos. renascendo continuamente como homem ou mulher. cada sexo. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endividados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. dores e ódios. Aquele que só 103 . a força irresistível do amor. as maravilhas da prece. como cada posição social. como casos de zoantropia. E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal. (Questões números 200 a 202. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. utilizando-se. de técnica superior à dele. com isso. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. depois da sessão. Como que pensando alto. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam. os elementos plásticos do perispírito”. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. acima de tudo.) Ao comentar as respostas. por certo. mas que costuma escolher.desprender seus dedos. inextricáveis. Que papel representam as mulheres. tomando-se por base. ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. só a muito custo libertou-se do laço magnético. da próxima vez que compareceu. preferentemente. porque não têm sexo. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo. Cada sessão traz as suas surpresas. um irmão transviado. percebeu a presença daqueles que nos defendiam. mas nada podia contra eles. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. com ironia. um ou outro sexo. entregamse a essas tarefas redentoras. que odeiam? Sim. sentindo-se animal. começou a chamar-me. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. para o bem. de “o homem da mão”. em “Libertação” — a gênese dos fenômenos de licantropia. Certa ocasião. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. angústias. (Destaques meus) MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. o poder do passe.. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros. constituem experiência inesquecível para aqueles que. Lembraste de Nabucodonosor. que estava sendo atendido. A continua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. tinha atrás de si.. * Antes de prosseguir. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. em diferentes existências. Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. A certa altura. cada manifestação suas lições e ensinamentos. de “O Livro dos Espíritos”. ainda. mas evidentemente também com respeito. o desfile trágico de problemas. profundo conhecedor do assunto. — “Temos aqui — escreve André Luiz. ao longo dos anos. mas em número bem mais reduzido que os homens. Uma pergunta poderá ser colocada agora. sobre os quais já falei neste livro. que perseguem.

alcançando o ponto desejado. mas baseados na concordância dos sentimentos”. não obstante. Há entre eles amor e simpatia. 104 . esses instrutores. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: Espírito. (Destaques meus) É bastante compreensível.como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens”. na sua estrutura psíquica. 20 21 “O Consolador”. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que estejam particularmente interessados. Dessa forma. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. coerente com os postulados doutrinários. que. ainda. no mecanismo das heranças celulares. ao se reencarnarem. se. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade. realmente. em detrimento de outras. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. um dia. ao recato. mas. portanto. pág. cultivando-as em buquês. 3ª edição. mais acessível à emoção e aos sentimentos. os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. Por outro lado. como Espíritos. ou melhor. conservam características em comum. ampliar um pouco mais a questão. Como a perfeição deverá resultar. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” 20. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. daquele que se encarna como mulher. alhures. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. capítulo 6ª. de aprofundar mais a questão. Assim é. a Doutrina nos ensina. perispírito e corpo físico. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. Ao responderem à pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?). De fato. que sim. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. até que. Emmanuel informa. capítulo 1 – “Ciências Fundamentais: Biologia”. é natural que este tenha que ir por etapas. Por que isso. na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. O homem é mais agressivo. Tentemos. possa encetar outras realizações. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. FEB. dado a gestos de coragem física. representado pelo Espírito imortal. por sua vez. 4 ª edição. à renúncia. menos sentimental. Certa vez. estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática. que não era tempo. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino. que são usadas à falta de outras. pois o corpo físico “é uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. não tendo sexo. pois que os sexos dependem da organização. Certamente que sentiram. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. as quais. ao passo que a mulher inclina-se mais a compassividade. “Evolução em dois Mundos”. Ao declararem que o sexo depende da organização. o Espírito encarnado como homem. 50. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo” Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz 21 ao declarar que: “Os cromossomos. pois. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam”. sendo.

Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste.regressem ao mundo póstumo. mas. da grande maioria dos que habitam aquela colônia. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. a alimentação com substâncias concentradas é ainda indispensável. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Queriam mesas lautas. E. capítulo 11 – “Sexo”. A loucura. em que se debatem. em “Nosso Lar”. profundamente impregnada de materialidade e. entre eles. há cerca de um século. sob o titulo “Problema da alimentação” Informa Lísias que. Quando a direção da colônia tomou providencias mais enérgicas para coibir os abusos. (Destaques meus) Portanto. ainda que mais humildes. Assim. “Inútil é supor — diz um elevado instrutor 22 — que a morte física ofereça solução pacífica aos Espíritos em extremo desequilíbrio. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. pela desencarnação. nas zonas do Ministério do Auxílio. reduzida. sugiro a releitura do capitulo 9º de “Nosso Lar”. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo. No capitulo 18 dessa mesma obra. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que. da mesma forma que os problemas alimentares. FEB. a realização transitória”. É necessário renovar provisões de força”. bebidas excitantes. senão transmudada no estado de sublimação”. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem. o que exige longos períodos de reparação”. será destruída. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física. em virtude da condição perispiritual. Há residências. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. Laura informa que: — “Afinal. simplesmente porque se deu a desencarnação. “dilatando velhos vícios terrenos”. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. que se entregam a tarefas redentoras. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade. Para não alongar demais esta digressão. qualquer que seja sua forma de expressão. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. com uma pesada carga fluídica. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiríticos. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. ainda bastante densa. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. por conseguinte. utilizavam-se desse lamentável intercâmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”. o carinho e a confiança. 5ª edição. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. mas os alimentos não foram totalmente abolidos. 22 “No Mundo Maior”. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. como sempre. que as dispensam quase por completo. Despendemos grande quantidade de energias. agindo. 105 .

cordial. tentando destruir um lar. comparece aos nossos 106 . e a isentava de culpa. chegado à condição de pureza. por vales de sombras espessas. lhe serviu de degrau para a sua escalada. do estudo doutrinário e das observações colhidas. Localizando-o como encarnado. teleguiada por hábeis indutores. perambulando. segundo o Espírito. E que. quando aquele a quem amava abandonou-a. levando para o Além as suas frustrações. em cumprimento a “ordens superiores”. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. A sublimação há de marchar. um dia. também. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. reduzidas à condição mais abjeta. para o reencontro. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados. em andrajos imundos. Seria apenas a antecipação do que. até que. perseguem. até que seja sublimado. unhas muito polidas. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. sob a alegação de que. no imenso laboratório da vida. vestidos bonitos e prazeres. aquela pobre companheira. seus desvios. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil. e seviciadas. apresentando-se ante seus olhos espirituais. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. em encarnação anterior. noutro ponto deste livro. por isso. em faixas desarmonizadas. Já lembrei. Alguns são mesmo particularmente agressivos. Nesse estado. sorridente. Temos tido algumas experiências com Espíritos femininos. provavelmente no confessionário. são escravizadas. obsidiam. inteligente. Prestam serviços tenebrosos junto a companheiros encarnados. portanto. Vimos. Não haveria culpa alguma. a troco de favores.(Destaques meus) Não resta dúvida. O caso era apresentado de maneira sutil. fatalmente. portanto. apresentavase bem vestida. que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. continuam mulheres. sentindo e agindo como tais. infelizmente. “sapatos” e 'perfumes”. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. rancorosos e violentos. De outras vezes. Era “fisicamente” simpática. Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. estava já programado para mais tarde. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas. dementadas. entre outras. ela também fora traída. suas ânsias. Finalmente. recaem. perseguia-o. nossas perguntas iniciais. mancomunados aos seus comparsas das sombras. que o sexo persiste no mundo póstumo. lá na frente. junto com a sutilização progressiva do Espírito. que a incentivava. como se fosse a coisa mais natural do mundo. desgastadas pelo sofrimento. Retomando. grávida e na vergonha. o sexo será. da responsabilidade. poderemos responder que. ganham “vestimentas”. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro. ou durante o desdobramento do sono natural. porém. por Espíritos credenciados. “jóias”. pois que. educada. “absolvendo-a”. para o Espírito. numa antiga encarnação na Escócia.

sorri. Por fim. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. porque é a favorita. porque eles “deformam o corpo”. muito segura. Diz-se muito bela. Agora. De vez em quando. tentando acalmá-lo. Quando lhe formulo questão mais complexa. como amiga. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. para que ela pudesse. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. por certo. Conta casos. o que não quero fazer. como favorita de um poderoso líder das trevas. Seu ex-marido incorpora-se em outro médium e atira-lhe impropérios. para permanecer junto do médium que a recebe. Tem a voz suave. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. Pede um espelho. por isso. mas. É um antigo esposo. de início. e ordena-me autoritariamente que me sente. Está igualmente preparada para esse encontro. e me volto para ela. Ainda muito condescendente. Do mundo espiritual. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. o seu futuro.trabalhos mediúnicos. perde a calma. Ri-se. a fim de obter informações. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. para me provar que não tenho razão. Digo-lhe. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. Esquiva-se habilmente às perguntas. Dirijo a ele algumas palavras. Diz-lhe que está à sua espera e ri. inteligente e tranqüila. que não consegue trocar. as suas recordações e. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. no entanto. Nesse ponto. desculpa-se. já dispomos de alguns elementos mais concretos. é mera criação de sua mente. que sua beleza física. de prazer insano. está aparentemente segura e continua a rir-se de tudo. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. A despeito do seu preparo. numa emergência como esta. esguia.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. bem-cuidada. chamando-a de assassina. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. para que todas sejam como ela. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. (Queimei todas as pontes por que passei. envolvente e doce. Trata-me com condescendência e superioridade. abandona a atitude de inconseqüente e superior condescendência. a pobre e querida irmã. detesta aquele vestido vermelho. por meio de imagens vivas. não inesperadamente. pára a exposição para rir. provavelmente. suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. não obstante. mas ela está bem preparada para o confronto. ante o desespero em que ela se precipita. felizes e livres para gozar a vida. muito divertida da situação. Ela continua a negacear. e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se postou diante dela subitamente. elegante. dizendo que não adianta mostrar-lhe nada. Agora. de que tanto se orgulha. Na organização em que vive. aconselha-me. Ela pressente as dores que a 107 . entre dentes. em filme. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. feio. mas se mostra visivelmente transtornada. principalmente. enquanto revê as cenas. Não queria filhos. se sente prisioneira numa ilha sinistra. Acha-me. para ajudá-la a enfrentar o seu problema. sem preconceitos. Ela me responde em perfeito inglês: — I burned all the bridges behind me. desengonçado e ridículo. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas.

Enquanto “ela” estava lá — refere-se. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante. De repente. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. não. que a salvou. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. mal me levanto. Peço-lhe que siga a moça. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. Diz que sim. Pergunto se ela confia em mim. desprende-se com enorme sofrimento para o médium.) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. mas. ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. maliciosamente. Ela protesta. comemorando 56 anos de idade. obviamente. ao chegar junto a essa pobre senhora. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que e tratamos. dolorosa. em suas atividades. ela se debruça sobre a mesa. no entanto. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. por sua vez. e ela parte. precisamente naquela noite. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. Como estou. A uma outra pergunta minha. começa nela um fulminante processo de envelhecimento. Vive num verdadeiro campo de concentração. e continua a ser explorada do lado de lá. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. me ajude! Houve. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. em pranto. e tenta confundi-la. em outro médium. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhece-lo pessoalmente. neste caso. Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. viu-a em pranto. a chorar as escondidas. dizendo que a moça que a espera também é deles. Vai logo dizendo. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. Ainda se fossem outras conversas. declara que vive no céu. O companheiro que se incorporou em outro 108 . Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. muito sorridente. diz. que eu fosse jovem e belo. em outros Espíritos endividados. de início. socorrida. a serviço dos seus mandantes. permitindo que fosse. estando. diante da sua vítima em perspectiva. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender. numa crise emocionante. pois o céu é um estado de Espírito e ela é muito feliz. para consolá-la de dores que me havia confiado.. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. por certo. por fim. agora. na carne. uma jovem pacificada e tranqüila.. como depois apuramos. Poucas semanas depois deste caso. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. que não venha com as minhas conversas macias. Presa aos seus condicionamentos. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. responde corretamente que o Espírito não tem idade. proponho-me a orar. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. com outras criaturas infelizes. mas um dos emissários da sua tenebrosa organização está presente. o que não é verdade.esperam. tivemos outra manifestação de Espírito feminino. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. que veio recebê-la. mal pode esconder seu desapontamento. esperava. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. ao deixar o médium. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. alegando que eu oro demais e. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. depois. Havia sido incumbida de uma tarefa. ao seu lado. um pós-escrito. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. Vê. Teve pena dela e ficou sem coragem de executar friamente o seu mandato.

e que se esclarecera. ainda que estejam transitoriamente numa posição de aviltamento. em resgates dolorosos. do respeito à sua condição feminina. mover. Arrastado pela emoção. Freqüentemente. mesmo quando. Ela nos afeta. No decorrer da semana. por isso mesmo. mais cedo ou mais tarde. às vezes. que guardaram ternuras profundas. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. ocasionalmente. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. Comparecem. nem mesmo esmoreceram. às vezes. Respondi-lhe que. por amor. O que acontece é que temos em nós todos a 109 . nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. elas próprias. encarnado ou desencarnado. que se atormentam mutuamente. irmãs. e nos confundimos nela e com ela. ou. decididamente. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. quer dizer ato de deslocar. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. ajudar os irmãos. O mais comum. porém. da emoção. com o que ele concordou. reagem como seres humanos. em trabalhos mediúnicos. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. III — O CAMPO DE TRABALHO O PROBLEMA O ser humano. e. respondendo. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta. que precisava ser obedecida. Um destes casos. está relatado por André Luiz. confunde-se em nós a realidade ódio/amor. às vibrações da nossa afeição. esposas. vive no clima da emoção. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. necessário trazê-lo novamente ao grupo. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos. o Espírito se desloca. porém. num sentido ou noutro. para ameaçá-la. muitas vezes. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. intensamente dramático. tão violentas e agressivas como os homens. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. mas são estatisticamente em número reduzido. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. porque é comum tocarem-se os extremos. que o esmaga. ainda enoveladas. Matilde desce aos subterrâneos da dor. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. numa cena inesquecível. em relação aos Espíritos masculinos e. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. talvez. não sendo. ou a culminâncias de devotamento. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. Às vezes. pressionado ou sustentado por ela. para resgatar o seu amado Gregório. o processo da desobsessão se desencadeia. É oportuno lembrar que emoção. etimologicamente. dizendo que voltaria. infelizmente. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. em “Libertação”. elas são obsessoras implacáveis. São velhos e seculares amores: mães. que o santifica.médium. a colocarem um ponto final nas suas angústias. tão irracionais quanto eles. parece não existir em nós. de maneira paradoxal. em estágios ainda inferiores da evolução. que se transviara lamentavelmente. filhas. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. portanto. ou seja. não.

como podiam. mas a experiência foi negativa. ele começa a recuperar-se. com menor dificuldade. o esposo. Por mais estranho que pareça. E por mais de um século. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. criando uma opressiva atmosfera de penumbra. Levaram-na a um encontro com ele — desdobrado pelo sono — a um local. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. ainda que pouco percebida: o amor. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. penosas vibrações de sofrimento.instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. Para desfazer esse clima de crepúsculo. não pensara noutra coisa.. com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição. e angustiar-se no doloroso processo de vingar-se. nos seus esforços. o dinheiro. que o dinheiro ou a poder nos sejam arrebatados. sobrevive. muitas vezes. ao contrário. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. ligaram-na com o próprio companheiro. os benfeitores espirituais. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. a posição social. e que mantém acesa a chamazinha da esperança. Com isto. nos traiu. o ódio é. o amor frustrado. também. porque em termos de relacionamento homem/mulher. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. não acaba nunca. De outras vezes. o poder. O ódio não o exclui. Um desses foi comovente. Seu antigo companheiro. inteligente. o doutrinador. objeto de seus rancores. fixa-o ainda mais. Nada. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. o rancor contra a amada. Certa vez. No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. muito chocada. na Europa. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. retirou-se prontamente. achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. Fora muito bela. através do médium. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. que agonia e desorienta o Espírito. a filho. em lugar de ligá-la ao seu médium habitual. Reencontrou-se ela. ou o amado. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. luz e sombra. onde viveram momentos de intensa felicidade e enlevo. a fim de separálos. nos desprezou. é preciso ajudá-lo a identificar bem seus sentimentos. que traiu ou abandonou. Ajudavam. porque a amamos. renasce. soterrado no rancor e na vingança. porque nos recusa. em crise. ele subsiste. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. também ao vingador.. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. 110 . Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. ora encarnado. de uma realidade indisputável. desliga-se do objeto de sua dor. Suponhamos que a esposa nos traia. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. está ali. por mais de um século! Promoveram. ele tentou dialogar com ela. que ele odeia porque ainda ama. que o filho nos rejeite. para isso. de elevada posição social. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. encontros com um filho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. Estejamos certos. Foi muito difícil o diálogo com ela. fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. Afinal de contas. O Espírito manifestante era de uma mulher. Mesmo envolvido. como dizia Paulo aos Coríntios. recolhida ao mundo espiritual.

e depois. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô. Nossos erros são cometidos contra a lei divina. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. por doce constrangimento. minha querida. mas indelével. Em seguida. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. como um anjo que era. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. Começou o ceder. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste.. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. Certa noite. Sua expressão me dizia. Agora. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. mas ela continuou dormindo. é aquele que ali está. já em pranto. hoje. em lar feliz e equilibrado. o culpado de sua queda. Nossos benfeitores. 111 . encarnado ou desencarnado. objetivam-se. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. ela veio apenas para despedir-se.. tive oportunidade de vê-la. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado. mas agora purificado. e a jovem mãe me chamou para ver a criança. à medida em que o amor reacendia a sua chama. o dinheiro ou o amor. amigo.. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. a princípio timidamente.. Seu antigo companheiro recebe dela. com todo o vigor antigo. trouxeram-na de volta. era a retomada da trilha evolutiva. cometeu faltas idênticas contra o próximo. semana após semana. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição. Visitava eu a família. Logo aos primeiros meses de sua nova existência. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belíssimo sorriso. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. Ela veio indignada. teve um final emocionante e. abriu os olhinhos. Esta história. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. Sua revolta e sua angústia como que se personalizam. sob meus protestos.Esse drama durou meses. que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia íntima. tão verídica e dramática quanto a própria vida. O drama e a dor estavam encerrados. E ela. pois temia que ela acordasse. e dormiu ainda alguns segundos. expurgado da paixão que fora a sua perda. o amor também renascera com ela. na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. de suas é frustrações. ela desligou-se subitamente do médium. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam. graças a esse episódio. Renasceu. o poder. Era linda. A mãe acendeu a luz. Uma bela criança. contemplou-me — seu antigo doutrinador. Na confusão em que se envolve. revoltada. em passado esquecido. não são os seus próprios enganos. Depois. adormeceu novamente. irredutível. que identificamos como causadora de nossa derrota. Certa vez. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. Sem dúvida alguma. a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se.

Se os odiamos também. está reabrindo o ciclo da dor. o ódio que nos votam sustenta-se. A Bíblia de Jerusalém esclarece. por isso. O vocabulário da época. ou se dilui. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. repetindo enganos e desenganos. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. era ódio. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. ou seja. em trabalhos de desobsessão. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. Convém. Você já me ganhou. em vez de fechá-lo com o perdão. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele. que a expressão era forçada. em nota de rodapé. pois não consta de Levíticos. Esclarece.. Estão. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo. talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. lamentavelmente. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. algo desapontado. no entanto. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. que a expressão “odiai vosso inimigo” não encontra no texto da lei. fica estimulado. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei:: — Não precisa armar-se. senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? 23 Mateus. também de irritação. persiste. Como me mantinha sereno e imperturbável. insistir e repetir: os Espíritos em estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. Que me restava dizer a ele. O rancor que sentem por nós sobrexiste. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos. entre muitos. ao meu lado.Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. tudo o que não pudesse ser considerado amor. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. segundo nossas próprias reações. De certa forma. ao que se depreende. por causa da pobreza da língua. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter.. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes. Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos. Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. dessa curiosa posição espiritual. ansiosos de que os convençamos de seu erro. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. atravessa os séculos e os milênios. essa pobreza semântica perdura. Isto é uma realidade terrível. 112 . por certo — é um ensinamento do mais elevado valor prático. 23 Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. no fundo. porém jamais reconheceriam isso. Incorporou-se ao seu médium. de onde foi extraída a citação. com voz emocionada. Lembro-me de um exemplo. sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores. 5:43-45. todo aquele que não fosse amigo. 19:18. quando cuidarmos das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. porém. mas ainda não convencido. nem ódio. olhou-me e disse. além de outros que possam estar comprometidos no processo. o que é verdadeiro. que multidões de sofredores ignoram. nem indiferença e. seria inimigo. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu. Se no debate opusermos nossa irritação à deles.

colocamo-nos em 113 . num diálogo. tanto para o que persegue. Sem arrependimento. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. Por outro lado. ainda. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal. Além do mais. É certo que ele ignora. extenso rol de casos curiosos. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de rua tragédia. experimentado nas lides espíritas. quanto para o perseguido. encerrar o processo da vingança. e deve ser muito grave. para não deixar envolver-se pelo rancor que o Espírito traz em si. ou. e entrega-se ao remorso desenfreado. Neste caso. consciente ou não. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. ele sabe também que. vai continuar paralisado pelo remorso. na sua maneira de pensar. porém. Digamos que ele tenha sido assassinado. Está cansado. no auge da desarmonização: — Materializa-te. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. pois. contou-me que um doutrinador desavisado. mostrandolhe que o remorso deve ser construtivo. como a todos nós. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. ao longo dos anos. expomo-nos. Isto vale. descobriu que. ao errarmos. Se ele tem oportunidade. remota ou não. berrou-lhe. afinal. por alguém. ele não o ignora. Pode ele. mais grave ainda. no passado. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. porque um dos grandes infelizes é ele próprio. século após século. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutrinador defronta-se com seu próprio obsessor. senão ele. por exemplo. desesperados. vejamos o perseguido. como um rei. Toda a sua cólera. descer a abismos de autocomiseração e dor. chegou a conclusão de que não vale a pena continuar. naquela vida ou em outra. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. estudaremos um caso destes. muito atento. De outro lado. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. Imaginemos um Espírito desencarnado. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. O erro vem de muito longe.O doutrinador tem que estar. portanto. o seu obsessor. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. Suponhamos. o que. de conhecer a razão de sua obsessão. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. aquele severo perseguidor resolva. Um confrade. no mundo das trevas. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. e que acumulou. Mais adiante. em tais circunstâncias. ou déspota medieval. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. a nosso turno. ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. de lembranças extremamente dolorosas. Ele não quer saber que anteriormente. Neste ponto. para que ele sofra daquela maneira. envolvido num tenebroso processo de obsessão. à cobrança. Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. que estava parado na estrada da evolução. ou obsidiado. Como Espírito. merece todos os castigos e punições. enquanto exercia elevada posição de mando. que ao cabo de uma feliz doutrinação. ele não pode ignorar o arrependimento. apenas o véu do esquecimento o protege.

que tudo avaliamos segundo a insignificância de nossas 114 . A situação é. pagar como? que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela. tanto para fazê-la sofrer.posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. equilíbrio e humildade. Ele mesmo. Sim. sim. cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. como para estimular a cobrança. igual ao que serve. confirmava-se como simples servidor. uma flor belíssima. têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. utilizando-se de sua impecável didática. maior do que João Batista. E uma situação extremamente critica e delicada. mas não podemos permitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. aliás. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. sutilmente. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento. Porque quem e o maior. muito complexa e delicada. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. pois. É nisso. Mas. pois. senão que o maior entre vós seja como o menor. Em outra oportunidade. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado”. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. que se eterniza. mas não assim. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. porque o arrependimento serve duplamente. desde remotíssimos tempos. e o que manda. Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explicito: “Entre eles. Mas. fora grande. mas o de servir ao semelhante. como a que nos demonstrar. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. Vemos. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. contudo. Entre nós. de muitos e pontiagudos espinhos. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos diga que não há. se não for canalizado para fins construtivos. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. entre os nascidos de mulher. que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. E preciso estudá-lo. 23:11. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. O PODER Muitos dramas. tratá-lo com serenidade. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. Ainda voltaremos a este tema. assim. entre vós. O remorso é. segundo Mateus. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. desde o antigo Egito até à Europa moderna.

em condições melhores do que a da infeliz rainha indiana. para me servirem!.. as insígnias. (“O Céu e o Inferno”. a viver fora desse clima. Contudo. o exercício do poder com a grandeza. passa despercebida. que se utilizam deles para oprimir e espalhar a desarmonia por toda parte. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. cap. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. São grandes os “príncipes” da Igreja. somente porque dispomos de autoridade incontestada. os séqüitos. eu. que ampliaram os poderes materiais da organização. bem como o comando de vastas organizações opressoras.. pois não aprenderam. E muitos de nós. como simples anões espirituais.medidas. a criatura evangelizada. Eles se prestam a isso. quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram.. aqui e lá.. freqüentemente. E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas. não sei. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. ao longo do tempo. no entanto.. Mas. montando e dirigindo terríveis organizações especializadas no crime espiritual. — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha. Muitos são. 115 . que leva uma existência a serviço do próximo. alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada. no mundo espiritual. à que o vírus do poder nos contamina. e a infecção instala-se em nós. aqui. a cometer tremendos enganos. a paixão invencível do mando. no entanto. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder. ex-rainha da França.. Confundimos. encontrou em elevada posição.. e lá se juntam às organizações trevosas. para o mundo espiritual. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. quantas vezes. amorosa.. pois eles nos têm levado. no passado e no presente. de joelhos?” Outra grande dama. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém. Segunda Parte. cercada de honras. que vivestes nos esplendores do luxo. mas. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário. ainda.. não temos subido as escadarias do poder? O pior. sou sempre a mesma”. VII) — “Vós... Nessa invertida escala de valores. por séculos e séculos. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas. temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa. os tronos. acaso. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito”. Que se enviem escravas. serena. ignorada e até desprezada. os que se revezam nos pastos de mando. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível.. mesmo que do lado negativo da ética.

falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. Tem ali muitos prisioneiros. Mesmo com os chefes menores. enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas. nas sessões mediúnicas. pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também.Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações. em nossa presença. que o tempo não apagou. a única saída possível. Um deles. as ordens. mantos. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. que chega às fronteiras da “divinização”. Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. E preciso compreendê-los. Às vezes. despojado de suas próprias “defesas”? Sim. porque sabem muito bem que. VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. Quanto a mim. Muitos são os que nos visitam. os que ostentam condecorações. comandou exércitos e povos. em estado de exaltação vaidosa. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. Vimos como se entrelaçam. de enfrentarem a si mesmos. e também o do orgulho. 116 . Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por que? Como irão viver sem as pompas. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endividado Espírito. “divino”. da sentimentalidade. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. suas consciências. Ao apresentar-se. jóias. séqüitos de servidores e acólitos. por desprendimento). no caso da rainha indiana. Enquanto estão ali. pela reencarnação de resgate? O único jeito. seus destacados líderes. Quando comparece da segunda vez. o trato é difícil. Um desses foi enfático. da brandura. assessores de confiança. devo-lhe algo muito sério. Sempre fora importante. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. em tempos passados. com suas mazelas. faz uma cena. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. que se apresentou como líder religioso. poderoso. Há os que se julgam muito belos (ou belas). seus remorsos. fora seu escravo. Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. as vestimentas. — Você me vê? — pergunta-me. É por isso. guardados por um velho que. fingindo ser um pobre enforcado. também. como prisioneiro. da compaixão. que exercem com a sensibilidade anestesiada. está em agarrarem-se tenazmente ao poder. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. pelo sofrimento anônimo. em tempos idos. no próprio contexto em que vivem. Por que trocar a glória. e que chicoteou. as expedições. em seus tenebrosos domínios. que se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. ou à inteligência. os planejamentos.

. Retoma o diálogo irônico. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem. o pior lhe acontece. desapontado. em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado. perde a paciência. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos. Demonstrada. e eles lhe dão. Depois. a ele próprio. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. Não está acostumado a resistências assim. porque. e enquanto entra em crise. com aquilo que faz. Nada tinha contra Ele. quanto ao Cristo. * Quanto ao orgulho. Que prazer sentem em oprimir e dominar! que orgulho pelas posições que ocupam. e eles querem ficar lá.”. a insuficiência da vaidade física. se o fizerem... Poder versus poder. visita-nos com igual freqüência. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos. e à sua obra sinistra. são seus próprios crimes. no lado de cá da vida. respondo-lhe. Fale com meus superiores. suas culpas. brilhante e poderoso. É uma afirmativa desesperada. Mas. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou. indignado. inclusive o meu envolvimento. com elogios e lisonja. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. Outro companheiro. E. muito brilhantes e cultos. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder. confessa que seu ódio “perdeu a força”. Não só isso. Cabelhe fazer com que a lei seja cumprida. a crise começou a precipitar-se nele.. por fim.. propõe. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. a parte que lhe toca. de fato. lá mesmo. no mundo espiritual. muito vivo e inteligente. numa autopunição inevitável. fora um fraco. inteligente. encontrarão seus próprios fantasmas. artificiosos no raciocínio envolvente. ri. arrancada do fundo de si mesmo. Volta a dizer que é belo.necessitado de socorro urgente e de passes restauradores. as demais vaidades também entraram em colapso. Às vezes são. Revela-se um dos magistrados do Espaço. ele que é um “deus”. dos quais nem pensam em descer. mas. na formulação de perguntas embaraçosas. também a mim. hábeis manipuladores do método socrático. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições. que eram grandiosos. chocado com o tratamento que havíamos dispensado ao seu 117 . Não é ele quem retém seus prisioneiros. ou a ambos. a partir do momento em que deixou de ser belo. suas angústias pessoais. por sua vez. em pedestais. envolvente. e não deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. contanto que Ele não interferisse com seus planos. A essa altura. Ouve choro de crianças (tê-las-ia sacrificado?) e. pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. através de suas próprias palavras. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma. irracionais e tolas. Tudo ele tenta. prova que alguém me criou. Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. também não tenho autoridade para fazer acordos. mas vai aos poucos cedendo. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio. literalmente. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo.. Coitado! Como é difícil cair do pedestal. ou assaz rancorosos e agressivos.

é a fuga. É como se. Sabem de suas responsabilidades. Num “flash” de inspiração. as motivações. e cada uma delas. as palavras. que espalham a dor. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão.. dentro delas. o que os espera um dia. e imaginam. A couraça de que se revestem à mais frágil do que parece. que dominam. descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. até mesmo algo assustado. condescendendo em conversar conosco. a sua individualidade e as suas surpresas.. coitados! que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. manifestou-se irritado. atacando. Temos de entender que estão em fuga. guardam todas. identifiquei-o pelo nome. mas não ignorá-las para sempre. agredindo. do contrário. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. através de outro médium. Parece que as posições são basicamente as mesmas. Acabamos. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. no campo teológico. Defendem-se da dor. para eles também. num conceito amplo de determinismo difuso. e não é impenetrável aos fluidos sutis do amor. mantendo certa autonomia. os impulsos. padrões.. durante a Reforma Protestante. maltratando. PROCESSOS DE FUGA A continua observação desses métodos. ou o que seja. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. Fogem de si mesmos.“chefe”. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. mas.. como o Espiritismo? que pompa. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. a cobrança! Enquanto não chega. que merecem o santo horror e a condenação eterna. e eles os réprobos perdidos em seus crimes. em cada uma delas. E os antigos “Príncipes” da Igreja. demoníaca. As atitudes agrupam-se e. com bastante precisão. ambos. cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. das suas próprias dores. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. que comparecem tremendamente enfatuados. pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. E preciso entendê-los bem. entre o inédito e o esperado. pois. envolvidos com uma doutrina maléfica. Era ele mesmo. anestesiar-se na insensibilidade. identificadas nesses Espíritos que perseguem. Vamos a alguns exemplos. trânsfugas miseráveis. não o teríamos tratado daquela forma. Uma das constantes. Não sei como explicar esse jogo. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. Não são monstros irrecuperáveis. Em suma: há certas constantes que se repetem. adiar o encontro com a verdade. que se cristalizam. das suas angústias e frustrações. quando 118 . No fundo. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. que constituem modelos. traidores vis. mas que saberão “ser homens”. prosseguem suas tarefas abomináveis. No entanto. ao longo dos anos. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria contemplação da dor é alheia. quando chegar. repetem-se os gestos. não com nojo. Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele. onde fôramos adversários. para sempre. como se fossemos os redimidos. Não são seres desprezíveis.

“caírem” Por isso mesmo é que resistem, enquanto podem, buscando apoio nas
organizações a que pertencem, pois essa e a lei a que se apegam: a lei da solidariedade
incondicional, que os protege mutuamente do dia do despertamento.
Essa é a doutrina da fuga.
Por outro lado, quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. No caso, ocultar-se
de si mesmos. São muitos, esses refúgios. O principal deles talvez seja o esquecimento do
passado. Este recurso é básico, essencial mesmo, para aquele que precisa, é perante sua
própria consciência, justificar, por exemplo, uma vingança impiedosa, que se prolonga no
tempo e vara séculos ou milênios. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens
de sua verdadeira dor, ele sente forças, em si mesmo, para perseguir aquele que o feriu. Se
ele voltar sobre seus passos, ao seu pretérito, irá descobrir que sofreu aquele ferimento
exatamente porque, antes, causou dor semelhante a alguém, faltando, assim, à lei universal
da fraternidade. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e, portanto,
a da vingança. É vítima “inocente” de um crime inominável. Aquele miserável roubou-lhe a
mulher, espezinhou a sua honra, levou-o ao crime, ao suicídio, à miséria, a ele, que sempre
foi bom e correto, que nenhum mal fez a ninguém...
Se um dia ele descobre, por exemplo, que há séculos vêm os dois disputando, à ponta
de punhal, aquela mesma mulher, através de várias encarnações infelizes, sua perplexidade
é enorme, e, muitas vezes, o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de
seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior.
De outras vezes, nem isso basta, pois são muitos os que, através de uma longa e
tenebrosa experiência espiritual, quase sempre no lado errado da vida, conhecem bem o
passado e, mesmo assim, prosseguem na fria execução de seus planos medonhos. Estes
também estão em fuga, mas não buscam os esconderijos habituais, e sim o atordoamento da
ação. Enquanto estão atordoados, organizando planos tenebrosos e os levando a efeito,
vivem a salvo das suas próprias dores. A desesperada atividade mantém-nos, de certa
forma, alheios aos seus dramas e desesperos.
Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. Ocupara, em cada vida, a
posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. Amava a glória e o poder, acima de tudo.
Responsabilidades, claro que tinha muitas. E daí?
Outros dizem que não se importam com o resgate. O que importa é o que fazem no
momento. Isso lhes agrada. É isso que desejam fazer; seja a vingança, seja a disputa de
maiores fatias de poder, sejam as campanhas mais amplas, em que emprestam sua
colaboração à organização a que pertencem, e que, por sua vez, também os protege.
A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. Há os que se prendem
aos conceitos teológicos, depois de desfigurá-los e corrompê-los, para servirem aos seus
propósitos. Isto é particularmente válido para os antigos sacerdotes, que se apóiam em
fantásticas teologias, e em textos escolhidos com extremo cuidado, no próprio Evangelho
do Cristo. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas!
Lembro-me de um, em particular. Montara sua própria organização, nas trevas.
Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. Informa-me que “consentiu em
receber-nos na sua câmara”, porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele
respeita e admira. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. É a segunda
vez, em muitos anos, que concorda em tratar diretamente com alguém, pois tem seus
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auxiliares para contactos e execução dos planos. Quer saber o que desejamos dele, embora
certamente o saiba.
O diálogo prossegue, tranqüilo, enquanto ele permanece escondido na sua mansidão
aparente, mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali, sem
saber do que se trata, pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. Ao fim de longa conversa,
difícil, em que ele se mantém ameaçador, na sua aparente tranqüilidade, nossos benfeitores
revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. Aos poucos, conseguimos
despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar.
Qual teria sido o mecanismo do fenômeno, que se poderia chamar de “inversão de
local”? Como e por que o Espírito, incorporado no médium, no cômodo em que realizamos
os trabalhos mediúnicos, poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos
mentores não nos explicaram o ocorrido, mas creio que não seria fantasioso admitir,
especulativamente, nesse caso, a velha e segura técnica da hipnose. Por mais defendidos
que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados, em suas furnas escuras, não
são invulneráveis à misericórdia divina. Se o fossem, não teriam jamais a oportunidade de
se libertarem de sua condição tão dolorosa. Ao passo que eles não têm condições de peso
específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”, o que
seria inadmissível, os Espíritos iluminados podem descer, sacrificialmente, aos antros da
angústia, e o fazem com freqüência, a fim de tentar o resgate de companheiros que já
ofereçam um mínimo de condições para ser ajudados.
De algum modo, cujo conhecimento ainda nos escapa, aquele irmão deve ter sido
preparado e condicionado de tal forma, pelos trabalhadores do Cristo, que, mesmo
deslocado, em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto, no qual
condescendia generosamente em receber-nos, com as suas pouco veladas ameaças.
É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o
nosso médium tenha realmente sido desdobrado, sob a proteção do Alto, até o “local”, e de
lá transmitida a mensagem que nos possibilitou o diálogo. Freqüentemente, temos
presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns, que, desdobrados do corpo físico,
vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco.
Deixo abertas as opções mencionadas, bem como outras que não me tenham ocorrido.
Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a
mediunidade.

*

São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais, em nome de um
Deus que não amam, de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões
subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém, com as
interpretações que lhes interessam. Não negam a reencarnação, nem a sobrevivência, nem a
comunicabilidade dos Espíritos; mas isto será revelado dizem — quando a Igreja for
restabelecida em toda a sua glória, ou seja, quando voltar a dominar, como instrumento de
suas ambições.
Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. Constroem seus próprios sistemas,
inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada, mas, nem por isso,
frágil e desarticulada; ao contrário, bastante inteligente, pois, sendo eles inteligentes,
precisam de um inteligente mecanismo de fuga.
Enfim, cada um constrói o seu esconderijo, inventa suas defesas, segundo suas
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inclinações, recursos e intenções. A finalidade, porém, é uma só: esconder-se das próprias
angústias. Quando descobrimos suas motivações, estamos a caminho de poder ajudá-los a
libertar-se da dor. Os indícios precisos eles mesmos no-los fornecem. É preciso estarmos
atentos, vigilantes, pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos
atormentados, e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras.

AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA
Muito temos falado, aqui, sobre as organizações do submundo da dor e do desespero.
Tentemos estudá-las mais de perto.
É claro que jamais nos trouxeram, nossos irmãos desarvorados, os esquemas e
organogramas de suas instituições, mas, de tanto ouvi-los falar delas, creio possível montar,
com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”, um quadro inteligível desse tenebroso
painel de desespero e aflição.
Em primeiro lugar, é preciso não cometer o trágico engano de subestimá-las. Elas são
realmente temíveis, Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas,
Espíritos longamente experimentados no mal, no exercício do poder, nos meandros do
sofisma. Isto não significa que, no desempenho de tarefas redentoras do bem, nos deixemos
dominar pelo pavor, no trato com seus representantes, pois é exatamente isso que desejam e
a que se acostumaram. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte, e, se cairmos
nessa faixa, estaremos correndo riscos imprevisíveis. O problema de lidar com elas é, pois,
extremamente complexo. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja
suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos, devotados ao bem e experimentados
nesses trabalhos. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes, eles
saberão dosar o trabalho, segundo seus próprios recursos e possibilidades, e as tarefas de
maior responsabilidade vão sendo trazidas, à medida que conseguimos passar pelas
preliminares, de menor envergadura. As equipes orientadas por esses dedicados
trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas, sempre que se
portarem com prudência e sabedoria. Como esses abnegados companheiros não impõem
condições, mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer, é preciso estarmos atentos às suas
sugestões e observações, para interpretá-las corretamente e pô-las em prática, com
segurança.
Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos
submetidos, em beneficio de nós mesmos, não podemos esquecer-nos de que precisamos
manter nossa própria organização disciplinada, atenta, flexível, ajustada, porque a “do outro
lado” é tão boa ou melhor do que a nossa, em termos de estrutura e disciplina, ainda que
não o seja em objetivos e métodos.
As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder, nas
mãos de alguns líderes, escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. Sua
liderança revelou-se na ação, em postos subalternos, ou confirmou-se através de séculos e
séculos, em que se revezam encarnados e desencarnados. Muitos deles, como signatários de
pactos de vida e morte, sustentam-se aqui e lá, onde estiverem, sejam quais forem as
condições, num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. São fiéis
uns aos outros, não porque se estimem, mas porque precisam uns dos outros, para manterse no poder. Quando se reencarnam, trazem programas muito bem elaborados, e o
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para que fossem. a fim de decidir onde levar seus companheiros. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. e. Assim. mas muito realista. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos é grupos que visitara. O primeiro impulso destes é resgatá-los. com manifestações de indignados e agressivos assessores seus. sem prejuízo para as suas tarefas. Podemos contar. enquanto por aqui se encontram. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. e se tenha tornado praticamente insubstituível. Eles confiavam no seu antigo chefe. em nosso afeto. e a provisória. abandonam-nos a sua própria sorte. Sua frase final foi de uma beleza transcendental: 122 . como ele. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. dificilmente a instituição é desmantelada. Elas não podem falhar e. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. da parte dos que ficam no mundo espiritual. pelos seus ex-amigos. na sessão seguinte passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. um desses poderosos companheiros extraviados. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. especialmente quando são figuras importantes. Ao que tudo indica. provocados pelo sono. como homens. caem em desgraça ante seus companheiros. realizando contactos. Sua sinceridade era evidente. agora. com a sua decepcionada hostilidade. e sua franqueza rude. em termos humanos. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. mesmo convertidos. a impossibilidade de “salvá-los”. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. quando retornam aos seus domínios. no mundo do crime. durante os desprendimentos parciais. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. rivalidades. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. de sua orientação. Competia-lhe. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. ante aqueles Espíritos que levara ao transviamento.compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. mas segura impunidade em que continuam a viver. de sua palavra. até mesmo enquanto na carne. doutrinados e despertados. Assim se explicam os êxitos. Dependiam dele. exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. E também não é sempre que esses líderes. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento. mantêm-se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. a organização sobrevive naqueles que o substituem. na máquina do poder. logo. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. falta de fraternidade. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles. por isso. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem. hipocrisia. sentiu todo o peso de sua responsabilidade. mas precisavam de ser convencidos. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva. Ao que depreendemos da conversa com ele. estava disposto a ajudá-los. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. Uma vez convencidos a mudar de rumo. Mesmo assim. após a desencarnação. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. ou que o arrasam. que obtêm. Quando conseguimos colher. a resguardar. Verificada.

que podem causar consideráveis transtornos. porque penetrarão.. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. uma vez convertidos. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. grandes ou pequenas. como as sociedades anônimas da Terra.— Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. No primeiro caso. seus executores. porque não lhes seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. pois as estruturas resistem. seus planejadores. ao certo. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. que problemas nos traz. porque os objetivos. ritos. Nada de ilusões. movimentam documentação. elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. guardas. Nunca sabemos. seus organogramas são tão bem planejados e implementados como os de uma empresa. Muitas vezes. como um microscópio ou um relógio.. desde que os fins a que visam sejam alcançados. a desobediência. quais são suas características. “armadas” e bem adestradas. ou muito se assemelham os métodos de ação. para um trabalho de saneamento. neste livro. conferências. para emergências. e têm delas supervisão e proteção. utilizam-se de aparelhos. qual a razão de sua presença entre nós. que cada manifestação é diferente. Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. pois. debates. endurecidos na prática do mal. E quando os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. com o fim de produzirem lucro. e tudo se lhes permite. É preciso enfrentá-los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. sobrevivem a essas crises. sem nenhuma cerimônia. a revolta. o deslize. inflexível. de vez que nada lhes é sagrado. tudo é permitido. porque as mais vastas. porém. concílios. organizações menores filiam-se às maiores. que 123 . e dispõem de planos alternativos. IV — TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. Sejam. sermões. Nada os detém. se assim o permitirmos. Só que. Promovem reuniões. ainda que seus lideres as abandonem. Aqueles. pelas portas das nossas fraquezas. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão. é possível admitir que a instituição se desfaça. operários. Estão preparadas para isso. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. * Há pois. Não se tolera a falta. dispõem de tropas de choque. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implacável. exposições. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. punem os indisciplinados. devem estar bem preparados para enfrentálos. Conservam registros meticulosos. ainda que ocasional e temporário. rígido. quase sempre. Promulgam leis. aqueles que. produzem o terror e a opressão. desarticule-se. as intenções do Espírito que se aproxima. quando se trata de organização de menor porte. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. Têm seus chefes. empregando milhares de servidores. Em casos excepcionais. são os mesmos. Além do mais. porém. porém. Seus métodos são os do terror pela violência. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso.

de vidência. de psicologia complexa. julgo inadequada a expressão “mediunidade inconsciente”. Suas faculdades sofrem influências várias. voltemos ao fio da exposição. repetidamente. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. mas de realidade indiscutível para ele. do ambiente. basta invocar esta. da sua problemática íntima. como o próprio médium estará presente e consciente. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado. dar murros. com ele. de maneira previsível e controlável. psicografia. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura. o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse.funcione. a qualquer momento e sem limite de tempo. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. quando a ele nos referimos. no estado de inconsciência. mas. obviamente. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. E mesmo estes. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. no dirigente do grupo e. para que o Espírito manifestante não se exceda. para que eles não cometam desatinos. especialmente. e muito livres. Mas. Ao escrever isso. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. segundo suas próprias disposições. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. interferir. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. da sua confiança nos companheiros que o cercam e. ou. para cedê-lo ao manifestante. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. acompanhando atentamente a manifestação. é preciso considerar. porque o imobiliza instantaneamente. O médium é um ser humano ultra-sensível. Por outro lado. mas o médium não é um possesso. Se o médium mergulhasse. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. Devo abrir um parêntese. em Espírito. com certeza. não se manifesta através do corpo material. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. do seu interesse no trabalho. como um telefone ou um rádio. dos Espíritos manifestantes. temporariamente ocupado ou manipulado por entidade estranha a sua economia. clariaudiência. fazendoo gritar. rasgar livros e cadernos. derrubar móveis. tudo quanto entender. O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. do seu estado de saúde. melhor ainda. O possesso é realmente um médium. ou psicofônica. de uma para outra manifestação. * 124 . da sua fé ou ausência dela. da sua capacidade de concentração. no sentido de que o manifestante possa fazer. mas não nos esqueçamos de que. Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. e pode. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. que pode flutuar. e promover distúrbios semelhantes. levantar-se. para conter as manifestações mais violentas. também. ou totalmente sem disciplina.

desde que ele venha em nome de Deus. prostração. lembrar que. porque acham. O doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. mantém-se em silêncio. Nestes casos. dor de cabeça. Em certas ocasiões. gemer. não se apavore. estado febril. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. muitas vezes. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. embora não dotados de mediunidade ostensiva. o que. que o neutralizando. numa linguagem de pacificação e entendimento. o médium sofre inevitável mal-estar físico. sobre os plexos. aqui. De outras vezes. O médium experimentado e responsável deve estar preparado para isso. antes da sessão. O cerco em torno dele é permanente. quando se trata de um Espírito desarmonizado. infelizmente. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. Não se assuste. com um apelo “aos corações bem formados”. ou preparando ciladas. sobretudo. Geralmente. o Espírito começa logo a falar. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. Um deles. tenha ou não mediunidade ostensiva. a fim de tentar ajudá-lo. impiedoso. ou seja. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. assim. numa sematologia que o doutrinador. ou a esbravejar. como eu lhe pedira. implacável. dá-nos conselhos. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutrinador. começou serenamente. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. com o que ele se diverte bastante. sensação de angústia indefinível e. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. usualmente. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. e até dias inteiros. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. para que o doutrinador se esgote. ou mutilações que não possuem. levantar os braços. respirar com maior profundidade. Elas são imprevisíveis e inesperadas. não deixe de comparecer ao trabalho. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. irritabilidade. tenaz. E preciso. explode em irritação e “abre o jogo”. assegura-nos suas boas intenções. habituado a trabalhar com ele. embora a manifestação não se torne ostensiva. certa vez. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. de indignação. na tentativa de descobrir suas motivações. mas. saberá identificar. porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. Há os que fingem dores que não sentem. duas ou três vezes. gritando que acabou a farsa. cada médium tem seu próprio “estilo”. carinho e respeito. como 125 . Por fim. é verdadeiro. afastá-lo do trabalho. não tema e. pressão sobre a nuca. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa.O grupo deve estar. mas. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. acabam com o grupo. os companheiros desencarnados doentes. em virtude de seu estado de perturbação. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. até mesmo. Às vezes. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. horas. saudando-o com atenção. freqüentemente. Diz palavras doces. usando de ardis.

mas levara um tombo. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. que angústias traz no coração. podendo caminhar sem elas. Fora um homem de cor. Suas observações eram sempre judiciosas. sentíamos nele. Qualquer que seja a abertura da comunicação. o que o salvou e. sumariamente. Aos poucos. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. perdera uma perna e. como ignorante. Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. e entrar. o doutrinador deve esperar. Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. revelar clamorosa ignorância. com uma dedicação comovedora. não”. para nós. e ele começou a rir. começou realmente a sentir uma dor real. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. Num infeliz acidente de trem. Uma noite. lembro-me de um. o que fiz com um passe. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. Riem-se muito dos nossos enganos. passou a colaborar em nossas tarefas. às vezes. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem. porque o companheiro. para ele. Seja quem for que compareça diante de nós. defraudar. ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. que chegara ao fim da sua provação maior. por estranho que pareça. mesmo no mundo espiritual. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. que intenções. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. Propus-me a ajudá-lo. depois. ou se apresenta ainda inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. ou tem consciência do que se passa com ele? É culto. o que. Visam. particularmente grato ao meu coração. por mais que reajam à nossa aproximação. não obstante. de início. aliás. Ao apresentar-se. paradoxalmente. na sua linguagem colorida. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. com esses artifícios. tinha dificuldade em expressar-se. com paciência. emocionado até as lágrimas. depois de recuperado. Pode. divertindo-se com a minha falta de inspiração. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. que possibilidades e conhecimentos. pelas ruas do Rio de Janeiro. mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. como alguns me dizem. Tentarei explicar. “não era barbante podre. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. inteligente. o que o deixou bastante impressionado. mistificar. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. ou então. mas. e vivera em pobreza extrema. ainda caminhava de muletas. ele respondeu que já o experimentara. sua 126 . que precisa de socorro. Alguns bem mais desarmonizados do que outros. Por detrás de sua pobreza verbal. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. que esperanças e recursos. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. Era evidente. é um Espírito desajustado. a sua história foi se desenrolando.cegueira ou falta da língua. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. Foi. Dentre os muitos casos assim.

revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. e começava a doutrinar-nos. Confessou. haverá alguma razão para isso. uma respeitável bagagem espiritual. Suas primeiras manifestações seguem. Não nos contou ele toda a sua terrível saga. Éramos uns “cartolas” grã-finos. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. com o que ele muito se alegrou. Provavelmente. reunidos em apartamento de luxo. e isso o salvou. também. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. também. etc. Exemplifico: suponhamos que.. aqui. e recair nos velhos processos da vaidade. desde que. Certa noite. ele traçava infalivelmente o seu sinal. Pelo que depreendemos. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. ao recebê-lo. não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. Tivera uma longa e penosíssima experiência. Aguardemos pacientemente. de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. popular. tivera um passado de brilho e destaque. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. e quando. e não queria nada conosco. Aqui. temos uma experiência pessoal. algo patético. e muito mais facilmente. Mas. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições interiores. Nada de expulsá-los sumariamente. graças a Deus. tão dificilmente conquistada. profundamente contristado. ao correr dos séculos. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá-lo em pequenas tarefas auxiliares. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. que. para saber o que desejam. no século XVI.humildade uma constante. sobre a mesa. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. há quatro séculos. mas uma só narrativa bastou. envolvera-se em erros lamentáveis. no campo político-religioso. por divergência doutrinária insuperável. sem atavios. o que este recusava terminantemente.. enfim. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio.. experiência. devido à ausência de grande número de companheiros. também se fazia o bem. e sua afeição e gratidão por nós. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. No entanto. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. simples. orientado pelos ensinamentos de Allan Kardec. Fora. * Esse caso. dizia. Só muito mais tarde a história se desvendou. então. Ao manifestar-se. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. No seu terreiro. a técnica a que estão acostumados. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom. mas a afeição por nós lá estava. certa vez. dosada e sustentada pela sua aflorante emotividade. estava curado o querido companheiro. um homem de grande magnetismo pessoal. mês após mês. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes. também. Tivera uma 127 . entre nós. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. em impulsos tresloucados. num grupo estritamente espírita. etc. graças a Deus. para falar-nos de maneira inusitada. quase sempre. Ele estava muito bem lá.

Toda conversa. Muita coisa vai depender. mal enunciaram as primeiras palavras. dos seus sofismas. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. para curar. num impulso rápido de inspiração. colegas de serviço. Era quem nos dava um passe final. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo. com eles. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde. dava passes no seu médium. precisamos deles. segundo ele. nos libertará também. às vezes. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós. é um permanente exercício dessas duas virtudes. enquanto falava tranqüilamente. não somente pelo que fez por nós. com seus conhecimentos e seu coração. a “receita” de um chá caseiro. por meio de passes. como escravo negro. que. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. decisivas. curado de antigas mazelas. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. e. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. não podemos despachá-los. indeterminado. Manteve sua maneira algo rude de falar. quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. companheiros de jornada.. colocou um “remendo” na coluna. com os nossos irmãos em crise. Manipulava bem esses fluidos naturais e devia trazer. é esta: paciência e tolerância. que tanto o infelicitaram. Muito devemos a esse querido companheiro. jamais. Era levado de um lugar para outro.. o que não é verdadeiro. uma expressão inicial sensata e equilibrada. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a utilização dos recursos da Natureza. no desenrolar do trabalho. alguma antiga experiência na Medicina. vez por outra. por igual. sua gratidão e sua alegria. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. amigos. a primeira regra do diálogo. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus 128 . identifiquei seu Espírito nas lutas dramáticas da Reforma Protestante. enfim? Além disso. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias. dando-nos conselhos e passes e. Talvez buscasse esconder suas emoções. quando a manifestação era por demais penosa. sem floreios e artifícios de linguagem. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. Mas nós. feliz em poder servir-nos. porque nos trazem lições. As primeiras palavras são de importância vital. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. das suas perplexidades. Certa vez. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes. haviam se distanciado na sua frente. pelo reencontro com os velhos companheiros. a seu turno. são. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. Em mim mesmo. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades. Se assim fosse. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. amorosa e tranqüila. a essa altura. da sua autohipnose. O nosso bom e querido Justino. Não esperemos. Também este integrou-se no nosso grupo. no Espírito. Incorporava-se. da parte daqueles que se acham desarmonizados. logo em seguida.existência no Brasil. como bicho.

129 . tem de ser contra nós. precisamente. do contrário. pois. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. na sua mais recente encarnação. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. a sua razão de ser. e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada. ou funcionar como juiz. É claro que o primeiro impulso de hostilidade. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter. de um Espírito assim. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento. e todo médium precisaria ser xenoglóssico. com a inadmissível tentativa de fazê-lo desistir dos seus propósitos. desencanto. pois. o núcleo de suas dificuldades maiores. e aparece um grupo. que os traz a nós. aquilo que o Espírito elabora na sua mente. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância. e não a palavra falada. Eles não conseguirão. tentando obrigá-lo a mover-se. com ignorância e má-fé. com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. aflição. É certo. ou perplexidade. como o nosso. Se assim não fosse. em palavras e gestos. que o fustigamos. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. ironia ou amargor. pois. mesmo assim. suas desarmonias. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. seus problemas. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos. Pretendia transformar o meu lar num hospício. num processo legitimamente constituído. Insistimos. com falsidades e subterfúgios. e no qual. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. preso à sua problemática. mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver. seu temperamento. me destruiria. É que o médium lhes capta o pensamento. Ao cabo do diálogo. isto sim. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores. Ele está parado no tempo e no espaço. em suma. E ainda que relutem.próprios caminhos. embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. O longo trato com eles nos ensina que têm um hábito peculiar de “pensar alto”. Num caso desses. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos. e depois. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo.. rancor. perplexidade ou aflição. não poderemos ajudá-los. uma eloqüente manifestação de revolta. e a voz alteia-se ou sussurra. Esperemos. o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. em que a culpa é tão clara? que petulância! que impertinência! É preciso deixa-los falar. Contemos com mistificações e ardis. É necessário conhecer a sua história. Se pudesse. reflete ódio ou desprezo. com ódio e agressividade. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. o núcleo. suas motivações e suas razões. que constituem o centro. Fugia a qualquer referência pessoal. que se estendeu por mais de uma sessão. muito embora seja isto o que mais parecem temer. desespero. na língua que ele falou por último. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença.. por muito tempo. somos nós que o agravamos. pois é isso. ou seja. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. demorem e usem de mil e um artifícios. disse ele.

impossível negá-lo. o segundo. É claro que também somos endividados. quanto o perseguidor. as cutiladas do remorso. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. vendo a multidão passar por nós. O primeiro. Sem essa abertura corajosa. estamos envergonhados. mas relutou o quanto lhe foi possível. marcando passo. A culpa existe em nós. ao qual há referências alhures. a força da sua presença em nós. ou de conduzi-lo. Em outro caso. e disse: — Eu era um sol. mantém-nos paralisados à beira do caminho. enfrentando os nossos espectros interiores. ou até mais. Era esse o problema que ele mais temia revelar.Em suma. O que temos de fazer. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. como soldado romano. é refazer o que não podemos mais desfazer. lutando. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente. No fundo. uma ou duas semanas antes. neste mesmo livro. da penosa missão de aprisionar o Cristo. no entanto. no entanto. porque é justamente esse fingimento. essa fuga. não dá sequer para começar. mostrar-lhes que estamos fazendo alguma coisa. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. E. Este caso encerra outra lição importante. e não podemos voltar sobre nossos passos. Para não transformar o tema numa composição literária. para libertar-se. que nos mantém presos. como um caramujo. no entanto. 130 . tentam fugir de si mesmas. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. ou do próprio Templo. desde a sua primeira manifestação. e temos que reconhecer. Participara. talvez tanto quanto eles. em busca da paz. ao longo da sua inesquecível via crucis. Veio para isso mesmo. Precisamos. pois. temerosos e angustiados. A certa altura do diálogo. pois sabia muito bem que. É verdade. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: — Veja o que eu ia dizendo. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. Na verdade. para desfazê-lo.. agora. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido.. mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”. cruzarmos os braços e esconder-nos. chegados ao cerne do problema. as censuras da consciência. mas por que demorar-nos no arrependimento. depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. cobrir as razões de sua presença entre nós. Incontáveis multidões. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo. Podemos. Sempre fui um soldado. pois o erro já está cometido mesmo. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse. mas que precisava enfrentar. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. ajuda-nos a reconstruir logo o que destruímos.. de início. e devemos. não é fingir que ela não existe. detidos. deixa cair os véus com os quais tentou.. ignorando seus próprios fantasmas interiores. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endividados.

mas.. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E.. habilidade. Claro que você pode continuar a fazer isso. apreciação emocional dos sentimentos alheios. À medida que ele se desenrola. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos. Junto de um companheiro particularmente agoniado. de pressões. Veja bem: apreciação emocional. Nela se definem muitas coisas sutis. que podem decidir o caso. O doutrinador não o forçou. estejamos atentos. libertando o Espírito. É preciso. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reveladores. Ele a dirá. E preciso aprender a vibrar com ele.. Nada de coações. e muitas vezes o Espírito recuará novamente. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. Espere com paciência. Tentar identificálos é sua tarefa. também. busque com tranqüila perseverança. ou seja. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência.. de imposições. somos meros espectadores. Não importa que ele leve 131 . que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. Preciso pensar. Deus. ou séculos. não uma discussão. acovardado. talvez.. Deixe-me. uma disputa. tato e paciência. a despeito de tudo isso. na memória daquele irmão que sofre. não é “ganhar a briga”. porém. compreender sua relutância em abrir-se.. Basta um pouco de ajuda. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante. ajudá-lo a descobri-las. Estejamos certos. abandonar tudo aquilo. sentindo-se ainda despreparado. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra. agora. Mas. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. De outra vez. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria. há de continuar amparando-o. suas mazelas e imperfeições. Limitou-se a dizer. uma contenda. por mais alguns anos. Espere um pouco mais. difícil. mas que o faça com muito tato. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação. que a verdade virá.. mantenhamo-nos compreensivos e discretos. paciência e compreensão. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. temeroso. sofrer com ele. Neste caso. que tenhamos a faculdade da empatia. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. de que a resistência será grande. Dê-me mais tempo. nos antecipando. O que interessa.. não temos empatia. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo.. ou confirmando-o na sua dor. E acrescentamos: muito amor. aceitar seu temor em descobrir suas feridas. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro.como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. seus crimes. que era a motivação de sua vida. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. de uma forma ou de outra.. no entanto. seus erros. neste momento. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. É uma tentativa de entendimento.

em voz baixa e tranqüila. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. quando somente uma grita. tolerância. escritor. da parte deles. a infinita misericórdia de Deus. não o force. Que a gente somente grita quando não tem razão. a não ser em condições muito especiais. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma. a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. É o clima que convém aos seus propósitos. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. argumentou em causas importantes. ignorante de fatos importantes. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. sobre todos nós. Siga-o na conversa. precisamente para evitar cair nesse campo. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. de mil formas. compreendê-lo e servi-lo. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. quando nos deixamos envolver pela sua agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. As leis morais. por ser o único revelador do núcleo interior de sua problemática. que o aliena cada vez mais. não se deixe irritar. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. ameace e procure intimidar-nos. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. sem atritar-se com ele. ou. O Espírito precisa ser atendido com interesse. e reiteradas. e ele um réprobo enredado nos seus crimes. muito mais que com simples urbanidade. Resista. pois veio até a nossa casa. mas resista mesmo. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que. paciência. se o recebemos com fria e polida cortesia. Não apenas se encontra na condição de visita. Espere o momento oportuno. tanto melhor. pois assim não conseguirá ajudá-lo. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal.a melhor no debate. o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. do que o doutrinador. que sabe ser o mais “perigoso”. enfrentou grandes debatedores. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. que nos agrida. se ele insistir em falar em altos brados. Se o tem mesmo. nem mais culto. * É certo. Se o doutrinador cai na tolice de gritar-lhe de volta. por assim dizer. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. faça-o compreender. Foi tribuno. tantas vezes. como ele ficará ainda mais irritado. está contido pelos dispositivos da encarnação e. o doutrinador 132 . ainda. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. em pelejas dessa categoria. adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. que não é preciso gritar. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. durante esse diálogo difícil em que. que cai num vazio. que o aturde e o traz à razão. que a intuição do doutrinador deverá indicar. Mas. Estejamos certos de encontrar sempre. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. por mais bem preparado que seja. sem aumentar sua irritação. e difícil. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. pensador. E muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. orador. Não altere a voz. ao impulso de “responder-lhe à altura”. teólogo. Não é importante superá-lo na troca de idéias. Aguarde pacientemente. De vez em quando. certo de que o Espírito está negaceando. na maioria das vezes. Seria. Não se esqueça. pois. como poucos. não reaja da maneira que ele espera. pior ainda. que. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. o clima torna-se insustentável e a situação difícil de ser contornada. o cego ao mudo e. por outro lado.

Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. então. uma observação aparentemente sem importância. atentos as informações que o Espírito nos fornece. como dois velhos amigos que se reencontraram. já estamos conversando. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. mesmo. a não ser que a isto fosse obrigado. É isso.. porém. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. para realizar os seus sonhos de domínio. Lembremos-nos de que o perfil que procuramos é importante. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. também pronunciou sua ameaça. mas continuam a estimar-se e 133 . Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. fantasias e deformações filosóficas. covarde. com um mero doutrinador espírita. porém. do século XX. não sei de onde nem de quando. propostas. teológicas e psicológicas. como um temível conquistador.. porque a pedra tinha que ser afastada. Confessa. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. preferi a obscuridade. Se o mencionarmos. se pode. atentos. para que eles passassem.tem de aceitar o papel de um pobre. mas se isso fosse impraticável. Já no passado cometeu. se possível. me diz. ao contrário. ele replicará com toda a veemência. Um terceiro. pois não desejava causar-me dano pessoal. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão. sem me ferir. surgido dos registros históricos. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. ou nós teremos que fazê-lo? Outro me informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. meu Deus! — sinto por ele. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. amistosamente. o tom de voz. e não como um agressivo guerreiro. várias vezes. mas não hesita diante da violência. infeliz débil mental. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. uma inexplicável ternura que. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. — Sim. tentativas de intimidação. pelo menos. mesmo. vem das telas infinitas desse continuo espaço-tempo em que vivemos. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. Sonha grande. uma lembrança fugaz. se possível por bem. A essa altura. Não poucos serão os que. Fala-me da sua glória. tentar a glória? Nem sempre. que ele não entende. precisamente. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. essas bravatas e ameaças terminam assim. esse engano. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. bravatas. também. embora projetando-se. ironias. é verdade — digo-lhe eu —. ele precisa da nossa ajuda. Está muito bem como está. Mantenhamos o equilíbrio. que de forma alguma precisa de nós. na História. Ao falar das suas grandezas. ameaças. hipócrita. na qual insiste. Embora dificilmente admita. medroso — haverá mistificações. Tudo serve para compor o quadro. Como pode alguém desejar viver na obscuridade. era para arrebentar tudo a dinamite. porém.

pois. Seria profundamente injusta a Lei. enquanto puderem.respeitar-se. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado. temos que prosseguir o trabalho de resgate. É necessário não intimidar-se diante da bravata. ou. no fundo. Mesmo com toda a vigilância. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. tão bem ou melhor do que nós. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. mas a carne é fraca”. de um ou outro desengano maior. em nenhuma hipótese. mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. não pôde conter sua gratidão. poderoso. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida digna. em si mesmo. o rancor está firme atrás delas. como disse um amigo espiritual muito querido. É preciso estarmos. mas sem cometer o engano de ridiculariza-la. os erros ainda não resgatados. ainda há poucas semanas. No trabalho mediúnico de desobsessão. a uma observação superficial. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. Usualmente. e. pois o Espírito está pronto. sonha com a paz. Isto é válido para todo o grupo. se assim não fosse. 134 . ele daria tudo para destruir. (Marcos. quase inabordável. sofreremos senão naquilo em que ofendemos a Lei. o mesmo que. no entanto. nos espionam e nós assediam. ou para o doutrinador. aflições maiores. 14:38) O Espírito deseja a libertação. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. teme novas quedas. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. mas. que o sufoca. pelo menos. preciosas. Há uma diferença considerável em ser intimorato e ser temerário. bem certos de que. ferimentos e angústias. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio ou de provocação. experiências e qualificações inesperadas. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça. — ((Vigiai e orai” — disse o Cristo. como nos disse um Espírito amigo. Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. mergulhado no corpo físico. logicamente. agressivo. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. temos. de certa forma. por mais fantástico que nos pareça. continuamos vulneráveis. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. e. vamos ser punidos porque estamos procurando. doenças inesperadas. O cerco aperta-se. eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo. Então. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. das ameaças e. sofre a ausência de afetos muito profundos e. uma enorme capacidade de amar. sabem disso. hão de reter-nos na retaguarda. exatamente. e em prece. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. depois de desperto: beijou. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. para engrossar as fileiras dos que estão parados. e não apenas para o médium. a despeito dos espinhos das rosas. mal-entendidos entre familiares. não podemos colher rosas. as culpas ainda não cobradas. pelo menos. com emoção e respeito. certa vez. Em primeiro lugar. que contar com contratempos. sem jamais nos ferirmos nos espinhos. sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções. muito difícil. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos. Um deles. a mão de seu aturdido doutrinador.

no passado. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. pouco a pouco. dominar mentes. para ajudá-lo a levantar-se. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. mas não ser imprudente. também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas.. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. que eu ficaria estarrecido. nem desafiar a ameaça. nas suas organizações. aquele que me propunha desfazer um “trabalho”. é esta: não ridicularizar a bravata. que mantêm prisioneiros ao mundo espiritual. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”. A um desses respondi que não sabia. posição. no trato de situações como essa. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. por si mesmo. aparentemente tão frágil. com a peçonha de seu rancor inconsciente. A proposta pode ser um simples negócio. ou pequenas concessões. E. Se podem comprar nossa desistência. certa vez. à prática do mal. tão reduzido. Concordarão. aqueles que nos acenam com é belíssimas” posições.. e foram afastados sumariamente. A regra. De modo que. feito contra mim.. impedir seus passos. se os espinhos nos ferirem. de algumas considerações à parte. por exemplo. sim. portanto. votadas. como dinheiro. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo. ele nos será muito grato se o conseguirmos e. De um Espírito encarnado. com seus próprios recursos. por ele mesmo. a que particularmente estejamos dedicados.. deram-se mal. bem no fundo de si mesmo. quando lhe estendermos a mão. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada. não responder à ironia com a mofa. bem como. ainda. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. imperturbável: — Sabe. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais... não se intimidar. 135 . Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará. Um deles me disse. E ele. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram.. no fundo. aqui e ali. por exemplo. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes. em deixar de atormentar alguém. pois que. ou em liberar outros. afinal de contas. Já referi aqui também. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem. e esta precisa. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas. Estão acostumados a tais ajustes e transações. a da resistência inesperada. ao que tudo indicava. Você sabe. prazeres. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta. ele. há um tempo enorme. igualmente. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. Começam com elogios.Mesmo que ele nos fira. passado o rompante das primeiras agressões. deseja e espera que nós consigamos salvá-lo. De outras vezes a proposição é mais sutil. como dominar a minha. mais do que ninguém.. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. ele não o conseguiu ainda. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados. Como dizia há pouco. na sua instituição.

tentarmos “virar a mesa”. está bem para mim. que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que. que precisam de ajuda e compreensão. depois. à primeira vista. estava muito feliz. na prática comercial. não podemos permitir-nos utilizar. Tinha tudo quanto queria. aí no mundo de vocês. a qualquer tempo. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas. A prudência continua a ser a melhor conselheira. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. jamais. e nem a aceito. por mais infantil que seja. porém. além do mais. ou seja. O negócio. que sacrificar uma dama. diante de nós. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. são simples vermes infestados de culpas. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. as concessões que nos oferecem têm elevado preço.nos foi dito que desistíssemos. Absolutamente. ou fazer. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. e. Em situações como esta. O tom pode ser este. costumo ter uma resposta padronizada. porque sentimos que estão fracos e algo perplexos. Não recuso a proposta. seres redimidos. como tenho observado: 136 . qualquer concessão. com isso. às vezes. é mais do que óbvia. o que é estritamente verdadeiro. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. e nós. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. Além do mais. e não de que os confirmemos nas suas práticas. São metódicos. votados à maldade intrínseca. com a qual estão acostumados a lidar. Tenhamos. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. sobre aquele que concordou com o trato e que. nas quais têm. A segunda observação é a de que. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. por mais inocentes que se representem. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles. deixar de ajudar alguém. Escarnecer de suas propostas. então. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. que as conseqüências serão funestas para nós. Não os subestimemos jamais. Procure um dos nossos companheiros espirituais. Às vezes eles insistem. Além disso.. iremos desinfetar. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. evidentemente. fora bom para ambos as lados. enfim. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. nada impede que desfaçam o trato. pode ser desastroso. métodos semelhantes aos seus. A cobrança virá. Se a uma proposta. o que. ante a resistência inesperada à sua vontade. é desumano. Não podemos. para o lado de lá. mais experimentados do que nós. Usualmente. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. ou pelo terror. para dar o xeque ao rei. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. O que ele resolver. alguém que prove ser pela menos um pouco melhor do que a média humana. nessas duvidosas transações. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. passa a vítima inerme de sua própria tolice. dispostos a tudo. São irmãos doentes. jamais. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. desesperados. de suposto aliado. da parte deles. imatura e precipitadamente. esquecer-nos de que são pobres irmãos desorientados. mas que necessitam de nós. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. ou um bispo valioso.. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e.

DEFORMAÇÕES. viu-se em toda a extensão de seus enganos. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. é necessário deixar o Espírito falar. Outros são bem mais artificiosos. como tantos outros. Que ela tente. Nesse ínterim. O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo. portanto. redespertados em seu coração. convenceu-se de seu engano. deu murros na mesa. atormentou-nos. no seu desespero. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. Um pobre irmão desses. sem dúvida. em desdobramento. Mesmo a estes. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. com a graça de Deus. e achava. DORES “FÍSICAS”. também. e até mesmo respeitosa. CACOETES. depois. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. para que informe sobre si mesmo. é preciso deixar falar. Ele visitou-nos novamente. mas pelas suas idéias. o que acaba acontecendo. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidas de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo. no mundo espiritual. Um dia. É preciso respeitá-la. Estava recolhido a uma instituição socorrista. como vimos. isso é compreensível. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. Eles não poderão fazer nada. mas que nós.. evidenciemos que nossos métodos são melhores. totalmente dedicado à sua ingrata causa. Voltou. é inadmissível. a partir de uma espécie de monólogo. Era profundamente honesto consigo mesmo e. com ameaças terríveis.. no princípio. Tinha. Pouco a pouco. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. E comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. não importam os métodos. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa. um grande e generoso coração. e arrasado de remorso. que nada dizem. que tanto se esforçava por salvá-lo. e se você acabar com o grupo. assediou-nos. Caso contrário. tempos depois. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar-nos ou quebrar o nosso moral. incorporada ao médium. pois. pelo menos. FIXAÇÕES. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. Usam da ironia. A criatura que está diante de nós. Seria profundamente desumano negacear com ela. Não lutava especificamente contra nós. pela simples razão de que não o somos. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar. pela dor ou pela sedução. encontra-se desatinada. Essa história tem ainda um post scriptum. porém. fogem às perguntas. A posição do doutrinador tem que continuar firme. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. um pobre transviado. e vinha pedir nossas preces. para despedir-se. porém. extremamente desarvorado. Muitos o fazem logo de início. você sabe. mas você pode resolver a parte que lhe toca. tranqüila. se não tiverem o grupo.. necessitada de compreensão e de amparo. tentou enganarnos.. Merece nosso respeito. desde que os fins sejam alcançados. Várias artimanhas 137 . para dizer-nos desses nobres sentimentos.— Está bem. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. paciente. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e. semana após semana. no passado —. a fim de aos aproximarmos do âmago de seus problemas. por algum tempo. o diálogo vai se desenvolvendo. experimentemos a mesma arma. MUTILAÇÕES.

para que se mantenham firmes nas suas posições. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. Sentiu-se fortalecido e disse. pois. não bem afinados afetivamente com o doutrinador. mesmo com um simples sorriso. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. dizem gracejos. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. a ponto de. para provocar o riso. afetuosa e cordial. pois isto faz parte da técnica. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. bem atento aos seus companheiros encarnados. achou graça num comentário do manifestante. um vinculo positivo. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. freqüentemente. os resultados podem se tornar desastrosos. a cada um de nós. O Espírito começou a dirigir-se a ele. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. todos. E através daquele que atuam os Espíritos orientadores. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. que ficaria falando sozinho. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. que ainda estudaremos com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. de raríssimas exceções. com finalidades muito diversas. mas. costumava sempre dar uma palavra inicial. entre nós todos e ele. do mundo invisível. sem dúvida alguma. necessário ao trabalho. com uma palavra mais pessoal. pois. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. Os Espíritos manifestantes têm. com um senso critico imprudente. Suas palavras singelas. que ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. em torno da mesa. após longo tempo de conversa. Um companheiro esclarecido e experimentado que. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. médiuns ou não. Por isso. se o fizerem. este elo. era apenas o de estabelecer. criavam. condições de captar-lhes o pensamento e. em boa faixa de equilíbrio e concentração. Há. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. mesmo mentalmente. quando alguém. certamente tirarão partido da discrepância. de estímulo e encorajamento. os circunstantes encarnados. via intuição. O doutrinador tem que estar. mesmo. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. em nosso grupo. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. mesmo que ela fique imanifesta. excelentes razões para manter como regra. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas.são empregadas para esse fim. todas as semanas. Às vezes. Tivemos disso um exemplo. e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. nos orientava. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. Neste a técnica era obviamente utilizada para o bem. Como o companheiro correspondeu a sua abordagem. assim. quanto ao que se passa. Se um companheiro desavisado responde. Muita atenção com estes artifícios. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. os Espíritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. certa vez. embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. Estes companheiros não devem fechar-se na indiferença. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. tanto se insiste na importância da 138 .

ainda que tenha falhado. um gesto de fraternidade mais objetivo. seguindo com extremo cuidado o diálogo. que. como componentes encarnados do grupo. no grupo. Não que o doutrinador seja infalível. alguém que nos pediu ajuda. Dessa forma. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. deve afastar-se do grupo. condições para a sua tarefa. descobriu a razão pela qual foi atraído ao grupo. perfeito. Pode ser. Se não pode ajudar. É possível. segundo sua intuição ou a instrução dos mentores. Se ele estiver certo. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem 139 . e o doutrinador errado. com freqüência. no trato com esses irmãos desarvorados é difícil. vigiem bem seus pensamentos. a que veio o Espírito. Em casos assim. mas não se envolvam nele. porque o terreno em que pisamos. de sua influencia obsessiva. Talvez já saiba. no entanto. Estamos tentando. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. neste livro. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. que mina o trabalho. nem mesmo por palavras inarticuladas. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. Ainda não dispõe. e. com alguém presente que. que insistimos em qualificar de excepcionais. mesmo. que ele esteja certo. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. imprevisível e traiçoeiro. além do pensamento. mas é melhor excluir-se. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. fazer-lhe um pedido de perdão. através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. pelo menos. apenas pensadas. Mantenham-se atentos ao diálogo. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. Lembremos. e este não possuir. subtrair. mesmo assim. É comum que este procure burlar a norma. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. Sob condições especiais. claro. Claro que. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. a ponto de tornar-se criticamente negativo. a conversa prossegue. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. por amá-lo particularmente. nem que esteja sempre certo e com a razão. no tempo e no espaço. é possível que ocorra a necessidade. Outra norma subsidiária: os circunstantes. ou seja. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. pois. numa técnica muito sutil de desmoralização. por exemplo. ou a conveniência de alguém mais falar. digamos. Fora desses casos. Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. Convém a eles a generalização da conversa. ou com um gesto de que se lembre com saudade. de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. que alguém. ele falha mesmo. para retomá-lo quando julgar necessário. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. é ele quem está preparado para ela. o doutrinador julgará. o doutrinador. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto.fraternidade. por exemplo. não acarrete maiores dificuldades. Enquanto isso se passa. pode ajudar a despertá-lo. se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia. ou seja. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. deve continuar atento.

respondem. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. de conotações essencialmente humanas. tão pronunciada e tão absorvente. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele. um caso pessoal. Ou. continue a falar-lhe. É. No entanto. Ou dão respostas evasivas.. outras sentimentos e até mesmo outras angústias. da cobertura divina. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. à que Deus o permite. até que adquiram confiança em 140 . pois. o ódio. Além do mais — dizem —. no seu ódio irracional. para exercerem suas vinganças e perseguições. procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. de ouvir o doutrinador. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se. os manifestantes reagem. ele está convencido dos seus direitos e. não obstante. Ele tem que sair com seu próprio esforço. não quebrar. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem notícias de amigos e parentes daquela época? É claro. espoliação. mesmo. arrancá-lo à força. às vezes. até mesmo. Ou. Por outro lado. porém. procure apaziguá-lo. vingança. como um louco varrido. quase sempre. desamor. simplesmente. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. Com freqüência. falando-lhe de uma passagem evangélica. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. fala o que de fato sente. de vez em quando. Deixe-o falar. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. Como. Tem que haver. Coloque. arriscando. ou. e coisas semelhantes. uma pergunta mais pessoal. se podem é fazer aquilo. melhor ainda. em casos extremos de fanatismo apaixonado. pois. na sua memória. à volta de sua idéia central. ele não conseguirá isso por muito tempo. que o Espírito não tem condições. a fixação é. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. logo nos primeiros contactos. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua motivação. O processo pode alongar-se por muito tempo. que se aplique particularmente ao seu caso — e sempre haverá uma ou mais. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. Deixemo-lo falar. com problemas suscitados no relacionamento. mas não tudo quanto queira. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. Aguarde-se. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório. senão ficará andando em círculo. Se grita e esbraveja. pelo menos. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. outras lembranças. a impossibilidade do perdão. aqui e ali.. para essas idéias fixas.o seu núcleo: traição. aquilo que lhes compete realizar. Terá que fazê-lo. Por mais voltas que dê o Espírito. Neste caso. se recusam a responder. com muita sutileza. em certos casos — seu próprio Espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. porém. Não se esquecer de que. embora isto também seja possível. pelos outros. Veja bem: ajuda-lo a quebrar. por mais errado que esteja. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. uma pergunta diferente. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. sequer.

levantei-me. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. de muitas maneiras e sob variadas condições. de que espontaneamente ele não sairá. que parece construir uma barricada às nossas costas. quando sacrificou. não porque não queira. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa. devem limitar-se a conduzir a conversação. ao certo. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. pois achava que ela o havia traído. e vi logo que ele reagia. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote. porque costuma funcionar. mutilações e deformações perispirituais. ao que parece. Ele não quis dizer. neste livro. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. durante a Revolução. a fim de afastar o pensamento do comunicante. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. porque ela lhe dava uma aparência terrível. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta. a punhal. Outro sentia. Mesmo assim.. que ele acreditava não fossem seus. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo. porém. fornecendo-lhe pontos de apoio. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. Exposto o âmago do problema. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança. sem precipitação. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito. mas porque não sabe. Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. Sua “cura”. nem saberia conscientemente a razão. Não sei. de um pobre sofredor. tivemos também um caso. por isso. a esposa e os filhos. nestes casos. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? — e quase inaudível. seu drama resolveu-se. por meio de passes. O objetivo das perguntas não é. Em uma oportunidade. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. ainda que temporariamente. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. voltando a movimentar o braço.nós e nas nossas intenções. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. e ele se lembrou da cena de um passado distante. sob a forma de trejeitos e contrações. sentindo o impacto dos fluidos que o alcançavam. ou. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. guilhotinado na França. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. aparentemente irrelevantes.. na mão direita. ainda. Ou. Não nos esqueçamos. ainda. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saída daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. se ficasse curado. intensamente dramático. segura pelos 141 . um mecanismo de defesa. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. sobre os quais ela possa expandir-se. ficou bom. tentava ignorá-la. se ele sabia a razão da paralisia de seu braço. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. Se sabia. provavelmente. obviamente. E. Quando me propus a curá-lo por meio de passes. Só então. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. realmente.

a boca. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma.cabelos. Oramos e lhe demos passes. não apenas para recebe-los. Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão. toda a anatomia facial e craniana: os olhos. Subitamente. Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. além da que há pouco mencionamos. ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. além dos passes habituais. como. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. porém. para castigá-lo. E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. também. 142 . ele parecia absorver os fluidos avidamente. com a ponta dos dedos. porque a idéia de direito implicaria. o nariz. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. Enquanto lhe dávamos passes. procurando impregnar-se deles. Louco de alegria. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos. O diálogo inicial foi difícil. para ajudar na recomposição da forma “física”. depois de condenados. mesmo decepada. Teoricamente. Estava tudo lá. * Mas o diálogo prossegue. Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos... Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. Explico-lhe que vivemos muitas existências. isso. por incorporação. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. É verdade. Não obstante.. alimentava a esperança de “repô-la” no lugar. a da impunidade. Reviu até a fila de espera.. ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. mesmo sem a vidência. digo-lhe. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. talvez. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. Ele se lembra. E conferia. o que se percebeu. com movimentos aflitivos das mãos. sim. Quanto ao que lhe acontecera. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama. Levo-o cautelosamente para uma introspecção. com a graça de Deus. embora as esqueçamos. “Provavelmente”. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. Enquanto a tivesse ali. e a invocar o seu direito à cobrança. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. as orelhas. ele não tinha condições de falar. ele os executava. ele pode cobrar. porque ela tem outras aplicações. Continua a submetê-lo ao seu próprio juízo. Isto foi possível fazer. o fui convencendo de que podia falar através do médium. A custo. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. à mão. Vivia apavorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. pois convicto de que estava sem cabeça. “você andou também cortando a cabeça de alguém”. não acreditava que Deus o tivesse feito. de cabeça decepada. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. agora. que eram infiéis a Jeová e. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. o quadro que se lhe apresenta.

porém. e as sofrerá. cada vez mais dolorosa e ampla. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. Ante a lei humana. com prazer. como noutra. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. exercendo a vingança por suas próprias mãos. as faltas cometidas contra nós. a prisão ou a indenização redimem o criminoso. e que continua retido. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. existe a idéia básica da reparação. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. e somente o libera da sua própria dor. ou seja. vida após vida. para retomar a sua 143 . se Deus me assegurasse o direito de cobrar. revezando-se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. Por que manter dois Espíritos amarrados. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. Por outro lado. ele se inscreve novamente como culpado. não o seu caso. Não obstante. Ele não se mostrará sensível ao apelo. ele nem percebe que também sofre. que o interessa pessoalmente. como explicar tudo isso. Um dia despertará. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. impunemente. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. que ele se recomponha perante a sua vítima.É claro que não falo aqui no direito humano. no momento oportuno. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da reparação? Em muitos casos. através de sua própria consciência. ele arcará com as suas responsabilidades. pelo perdão. do qual conhecemos as primeiras letras. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. o seu ódio somente se estanca. através de seres que lhe são caros. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra. medite. pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. Dessa forma. Sacudido pela tormenta das suas paixões. com mais um século ou dois de rancor. procure encarar o processo. Às vezes. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez. pela vingança. Quando chegar a hora da dor. nós mesmos. por exemplo. diz ele. uma falta cometida contra mim. Ele quer cobrar. ele esteja quite. no tribunal invisível da sua própria consciência. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. indefinidamente. pela regeneração. na alienação da sua vingança sem objeto. ele já está convencido dessa realidade. A lei divina pede do ser. imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. sobre as virtudes teológicas do perdão. respondendo por desatinos cometidos. pelo despertamento de seu Espírito. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do Espírito. com objetividade e sangue-frio. não haveria direito liquido e certo de cobrarmos. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. basta uma pergunta bem colocada. Creio que. como se estivesse apreciando um caso. a de que. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita. que o rancor não se satisfaz nunca. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. afinal. Acha ele. assim mesmo. Não sabe ele. pelo esforço que faz em ajustar-se perante as leis divinas. a divina. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. mesmo que. de forma convincente. tanto numa. Não importa. no processo que ele próprio criou. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. estaremos começando a ajudá-lo. pois que direito é esse. em face dos códigos terrenos. que.

de ressentimento ou de condenação. em condições dolorosas e trágicas. mas que isso de nada adiantou. em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. pelo nosso grupo. reclama. Quando me levanto para ajudá-lo. como num passe de mágica. a necessidade. quando conseguir pegá-lo. Agora. mais desarvorado do que nunca. tato e oportunidade. mas. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. também não posso lhe tirar a dor. mas naquilo que dizemos. mais paciente. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. A uma palavra minha. recaíra em poder de seu perseguidor. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. temos que contrapor. a nossa tranqüilidade. agora? LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. falou aflitivamente de seu problema. que o reduzira ao mais extremo desespero. em estado de terrível agitação. ao contar que. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. se pretendemos minorá-las. que de nada valem meus passes e minhas preces. E por que esperar tantos desenganos. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. que Deus não se acha à nossa disposição. se for necessário dizê-la. às suas aflições. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta. Caíra em poder de implacável hipnotizador. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. o esforço deve ser redobrado. A despeito de todo o cuidado. da nossa parte. mas é imprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. exige uma solução para o seu caso. pois desencarnara. Nada de precipitações e ansiedades. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males. que se achava presente. Dizia que a sala estava cheia de 144 . Ele precisa. Não é assim que as coisas funcionam. A voz precisa continuar calma. em tom afável. em altos brados e com desprezo. mas tem que reconhecer. sem precisar ser melosa. seu hipnotizador. apoiada na compreensão e na tolerância. afinal de contas. se esse dia pode ser hoje. certa vez. Este é o irmão a que já me referi. Se o companheiro é agressivo e violento. E. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. autoritária ou rude. também. resvala novamente no precipício da desarmonia. Isto não exclui. Digo-lhe. Ele foi recolhido. desintegrar-se. de uma palavra mais enérgica. que ele não pediu a Deus. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. pois. o momento de dizê-la tem que ser buscado com extrema sensibilidade. Por outro lado.caminhada. diz. ainda e sempre. sem pieguice. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. É hora de falar-lhe com mais firmeza. muito jovem. Certo Espírito apresentou-se-nos. porém. que. Contraditoriamente. que pediu a Deus. a seguir. de compreensão e de esclarecimento. Este é o momento em que certa dose de energia torna-se de imperiosa necessidade. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. por certo. diz que sim. Deseja morrer. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. A energia não está no tom de voz. deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. em estado de pânico e aflição indescritíveis. às vezes. A essa altura. e do carinho de nossos dedicados irmãos. recomeçou a indução.

extremamente delicado. quando isto se torna imperioso. e eu também não lhe disse nada. como quem apela para um recurso extremo. Em casos excepcionais. pois. quando falham os outros. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. no entanto. e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. Achei. para que o próprio doutrinador a desenvolva. que se diz líder e mestre. A certo ponto. revelar-se temeroso e intimidado. Era um líder. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. sobre a “doutrina” de Kardec. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. mentores espirituais. talvez. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. só podemos contar com a intuição. fazem-no com extrema discrição. que se achava sobre a mesa. e de ratos que corriam de um lado para outro. incongruente. nestes casos. Se o 145 . limitando-se a transmitir uma pequena informação. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. pois começa a ficar vaidoso. de impaciência. no mínimo. Raramente interferem e. presentes. certa vez disse um “Basta!”. Mas. desviei sua conversação animada. por certo. e. É comum. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se. com incontestável autoridade. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis. Não pode. como eu deixara passar a ocasião de falar. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. e revelava desespero. que subiam pelo corpo dela.. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos transformam em meros repetidores de suas palavras. habilidade como argumentador. como este. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era. que. disse-me. porém. no momento inoportuno. facilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. Muitas vezes envolvem. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício chegara. por outro lado. Algo desconcertado. Se este “topar a briga”.. sem o menor traço de rancor.baratas “astrais”. ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. um pequeno incidente. Esse meio-termo. incorporam-se em outros médiuns. Se pronunciada antes da hora. deixando-o “brincar” um pouco. com seus recursos. O problema da palavra enérgica é.. Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. para isso. de agressividade. um “professor” de Doutrina Espírita!. pois os bons mesmo são raríssimos. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. pensou. e. não nos esqueçamos.. entre destemor e intrepidez. Percebera. sob condições especiais. evasivamente. um homem assim inteligente e culto. Ela se manteve firme. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. Tomou um pequeno lenço. agressividade e arrojo. muitas vezes. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. Mas estava evidentemente desbalanceado. eles nos orientam e assistem. mais a sério. sobre os seus “recursos”. o momento tem que ser oportuno e. falarem com inusitada energia e firmeza. Um desses companheiros amados. o episódio ficara esquecido. na sessão anterior. para doutrinar o Espírito manifestado. enganam e mistificam. faz uma brincadeira como aquela. poder de oratória. com extraordinário vigor e habilidade. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda.

de hipocrisia ou de prepotência. tão firme. 11:1). de harmonias insuspeitadas. de Espíritos aturdidos ante a evidência desses sentimentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. sempre a nos surpreender com o seu infinito potencial. que “a fé é a garantia do que se espera. escolhido com seguro tato. Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. à irritação. É preciso. para os seus fins. Ainda voltaremos a falar sobre o amor. fonte de belezas eternas. A interferência enérgica é. tratamos logo de provar que. Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. a palavra enérgica é necessária. de comovedora sinceridade. esse tema inesgotável. uma questão de oportunidade. é a do ridículo. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. mesmo depois de tudo 146 . depois de uma observação mais enérgica. é naquilo que somos bons. e. Em suma. quando começa a perceber que está cedendo. ou seja. tenha melhor condição. precisa ser decidida a vista da psicologia do próprio Espírito manifestante. nem grosseria. mas deve ser dosada. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar.doutrinador julga-se invulnerável e infalível. Qualquer um de nós redobra suas energias. embora não tão qualificado intelectualmente. Ademais. Quando alguém põe em dúvida um. Nunca deve ir à agressividade. Nada de gritos e murros na mesa. É humano. E acrescentou. o momento certo. pois. estaremos em apuros muito sérios. que seja. E que. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. Baste aqui dizer que a energia. e que o mais profundo amor fraterno pode e deve co-existir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. intimidado. tem que ser ainda mais adoçada. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes. de reservas inexauríveis de energia criadora. ele se surpreendia em achá-la tão legitima. extravagante. neste caso. encorajadora. seria desastroso recuar. dos nossos mais modestos atributos. e jamais ao desafio. pois. O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. à cólera. com extrema sensibilidade. e por quê. quando desafiado. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. especialista em tais assuntos. neste livro. certos de que firmeza não é estupidez. ilógica ou irracional. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. e da maneira sugerida pela intuição do momento. e não repressiva. que você não se importa. Uma das muitas armas que manipulam. indispensável. Bem dizia o nosso Paulo. esse impulso. A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador. Ainda veremos isto mais adiante. com extrema habilidade. tão viva. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. é incontestavelmente humano. ao contrário. em freqüentes ocasiões. mesmo.

que varia. mas. não nos permitir colher. para os trabalhos de desobsessão. No momento propicio — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. em qualquer oportunidade. não passa de ruído. 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. a prece tem seu momento psicológico ótimo. Numa palavra: deve fazer refletir. necessariamente. no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara.dito e vivido. Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. talvez há muito não experimente. Vêem-se lábios a mover-se. subsistiriam “a fé. de um caso para outro. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (cap. é esperar um pouco. dita em voz alta pelo doutrinador. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o companheiro nos tenha revelado. enunciada com emoção e sinceridade. que são meros adornos de lantejoulas. sem fraseologia inútil. e. de outro modo. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. Em certas ocasiões é preciso orar ainda no princípio da manifestação. e sim comunicar-lhe que vamos fazê-lo. Muitas vezes. no decorrer do diálogo conosco. Entretanto. mais adiante. 13:13) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. em virtude de o estado de agitação. quando diz.. pelo som mesmo da voz. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós. simples e concisa. ou por alguém por ele indicado no grupo. Citando os seus amigos espirituais. A prece o envolve em vibrações pacificadoras. Dificilmente ele recusará. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. Cada palavra deve ter alcance próprio. para qualquer tipo de prece. mesmo porque. Ore. devemos fazê-la. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. puramente exterior. despertar uma idéia. Basta dizer. é durante a prece. estão no original. Estes ensinamentos são. na maioria dos casos. Kardec escreve. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. ao qual se conserva indiferente a alma”. a esperança e o amor. em uma ternura que. ainda que o recuse. Kardec torna isto particularmente claro. pela expressão da fisionomia. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. o pensamento é tudo. Lembro que os destaques não são meus. 147 .. por em vibração uma fibra da alma. do Espírito. antes. preciosos. verifica-se que ali apenas há um ato maquinal. não devemos pedir-lhe permissão para orar.” (Primeira Epistola aos Coríntios. nem luxo de epítetos. notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. O melhor. ou de alienação. os três. na verdade. no entanto. incorporado ao médium. pois. De transcendental importância. um pouco da sua história e da sua motivação.

indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. O efeito é “milagroso”. a nossa caminhada. Geralmente ouvem-na em silêncio. Em alguns casos. Entre continuar numa dor que já conhecem. ou 148 . Curioso. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. por causa daqueles enganos. senão respeitoso. A prece deve ser dita de preferência de pé. ambos. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. zombando ou ridicularizando. surpreendente. ou fazer um comentário condescendente: — Pode. muito crítica e importante. Ou lhes falta coragem. tentando reproduzir. às vezes por séculos. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. que se acham “defendidos”. Certa ocasião. pedindo ajuda para o companheiro que sofre. insistem em continuar falando. e que se encontra anestesiada. ou durante a prece. orar. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. Dirija a sua prece a Deus. da prece — um riso nervoso. e entregarse a outra que desconhecem. e até milênios. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. no entanto. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. Representa uma experiência da qual se desabituaram. conseguíssemos retomar. se estivesse em condições de fazê-lo. Medo da emoção que os leva a crise. e acabou cedendo. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. escorada na emoção e no afeto. singela. São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. julgando servi-lo. Ela os leva a alguns instantes de pausa. pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. como irmãos que éramos. se quiser.Como disse. pobres irmãos. que muito raramente eles procuram perturbar a prece.. no entanto. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. Eles se esqueceram. Ele ouviu a prece. a Jesus ou a Maria. ou interesse. ainda que nem sempre instantâneo. Estão com medo. ao longo dos séculos. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta. preferem ficar como estão. de se dirigirem a Deus. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz. dar um muxoxo desinteressado. Alguns informam depois. para que. que acreditava muito cômicos. sem convicção. pelo menos comedido. Estes ainda riem. em silêncio. dificilmente ele se oporá. pura. juntos. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus.. por algum tempo. Não têm mais vontade. ao lado do companheiro manifestado. Ambos havíamos sofrido.. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. com as mãos estendidas para ele. no curso dos seus pensamentos habituais. Poderá. fale especificamente de seu problema. Se já dispõe de alguma informação sobre ele. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. por julgarem-se além de toda recuperação. em gestos. Alguns. no máximo.. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. mas como se fosse ele próprio.

os que ouvem. mas. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. porque o fanatismo é. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. falando com entusiasmo e brilho. embora reagindo. Na profunda intimidade do seu ser. até mesmo a prece. algo surpreso. Há. às vezes. ou. Não é de admirar. que ao cabo de tantos desenganos. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo. passem a não crer nela. a uma platéia invisível a nós. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. os que se recusam a dizê-la. porque o Cristo sabia de suas necessidades e aspirações. um culto formal e frio. exteriormente. aparatoso e vazio. os que se comovem. Outros. diante de um doutrinador impertinente. dizendo que “ali não há condições”. no seu caso. por exemplo. Enquanto isso. Recolheu-se a uma postura correta. ou não concede o que julgamos merecer. por me faltar autoridade para fazê-lo. para livrá-los da situação em que se encontram. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. desculpam-se desajeitadamente. Para esses pobres companheiros desarvorados. em respeitoso silêncio. no atormentado mundo espiritual em que vivem. os que a ridicularizam. transformou-se em mero instrumento de poder. com muita veemência. ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. sentem-se atônitos e temerosos. mas não tentam impedir-nos. mas pedia para nós. para exigir favores de uma divindade servil. mesmo. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. mas. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. de intensa e desastrosa sinceridade. a vida inteira. que oram até mesmo com certa veemência. no qual o coração e a fé não se envolveram. pediram favores insólitos a Deus. difere de um caso para outro. então. Desculpam-se. quando pedimos para orar conosco. cega e injusta. de fato. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium.com a qual não se acham familiarizados. ou seja. que nos concede aquilo que não merecemos. a falta dos paramentos e dos livros adequados. e nada pedia para eles próprios. ou não necessitados. vida após vida. Por isso. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. a celebrar suas missas. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. Ele ainda comentou a minha atitude. no fundo. convencidos de que Deus. pois. a quem orava com todo o fervor. pois. e preparou-se para orar. estava ao abrigo de suas próprias 149 . mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. Alguns deles. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. A reação. continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre conteúdo. os componentes do grupo. Como se julgam alienados da doce intimidade do Cristo. quando propomos que eles orem também. recusam-se. mas ainda precisam de tempo. quando convidados a orar de verdade. porque temem seus efeitos. com a impropriedade do ambiente. como acima esboçado. e os que se acham de tal maneira alienados. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. ou o Cristo. Não são poucos os que continuam. pois. virá imediatamente em seu socorro. Sua prece era um tanto oratória e. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. por julgarem-se indignos.

o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. É por ela que conseguimos alçar o nosso Espírito. apoiada na fé. porquanto. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. pl. no entanto. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. espicaçado pelo remorso. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veiculo carnal. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. a esperança e o amor. de coração sangrando. a fé. Retomando o tema. ou perispírito. O PASSE A técnica do passe magnético. esse mesmo autor espiritual. novamente ajustada à confiança. como. dissera ele que: — “Toda queda moral. A prece nos liga porque. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. se recomponha para o equilíbrio indispensável”. ou diante de nós. nas sessões de desobsessão. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos 150 . que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. Pouco antes. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. Esclarecemos. pois. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. para que essa vontade. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. em “Mecanismos da Mediunidade”. opera certa lesão no hemisfério psicossomático. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. informando sobre o passe. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. de suas responsabilidades maiores. a fim de que o Estado Orgânico. para voltar a ferir os pés descalços. nessa ou naquela contingência. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. mas. pelos caminhos espinhosos da recuperação. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. Tão difundida está hoje. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. merece algumas observações especificas. porém. através da oração. observa ainda. em “Evolução em Dois Mundos”. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. que. no entanto. às culminâncias da esperança. pelo menos no Brasil.contradições íntimas. Paulo apresentou juntos a fé. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. Sendo. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós. nos seres responsáveis. por desajustes complicados do cérebro. descer do pedestal de grande mestre. a idéia do passe. reconhecendo-se. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. aprisionado ainda no erro. declara. por exemplo. provocando determinada causa de sofrimento”. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. em toda situação e em qualquer tempo. ou líder. do ponto de vista da medicina humana.

em hipótese alguma. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. provocando. ou seja. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. apoiado na prece. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. embora mais sutil noutro campo vibratório. Mas. qual a técnica e qual a extensão. Poucos estudos existem. de falhas e de êxitos. o Espírito desencarnado. de um ou outro engano. neste campo de trabalho. sobre o passe aplicado aos seres desencarnados. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. nesse caso. qual o momento. o conhecimento real emerge da experimentação. está presente. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. principalmente na França. porém. ainda que preliminares. com a técnica adequada e na extensão necessária. no século passado. O passe. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legitima. além de ser uma organização consciente extremamente complexa. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo. segundo experiências de Albert de Rochas. Parece. o passe é utilizado também para magnetizar.misteres da Providência Divina. No entanto. Dessa forma. precisa ser ministrado no momento certo. quando informam que o passe magnético. Nunca é demais lembrar que. como para provocar a regressão de memória. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. aplicado em seres encarnados. portanto. Como sabemos. tanto no encarnado como no desencarnado. definições precisas e definitivas não existem ainda. O perispírito. Sem dúvida alguma. mas que. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. a experimentação deve 151 . o desdobramento do perispírito. Os ensinamentos de André Luiz permitemnos concluir assim. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. Na prática da desobsessão. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. é imprevisível. Nesse campo. aberto aos benefícios que o passe proporciona. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. Sua estrutura. de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. pelo simples fato de que o ser humano. pois é ele o modelador da nossa organização material. reiteradas posteriormente por vários pesquisadores. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados. no entanto. mas bastante encorajadoras. incorporado ao médium. é similar à do corpo físico. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. A literatura sobre o passe magnético é vasta. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. ao que sabemos.

hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. mesmo porque. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. vestimentas especiais. em melhores condições de acesso. símbolos.balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. nesta fase. foi dito. qualquer trabalho mal orientado. mas é preciso usá-lo com moderação. como sabemos. Se temos necessidade de dialogar. e que tenebrosos compromissos acarretarão para o Espírito. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. transmitir vibrações de amor ou de ódio. a fim de que. neutras. o que tinha que ser dito. podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. As faculdades psíquicas. “objetos” imantados. nas sessões de desobsessão. armas. altamente éticos. encarnado ou desencarnado. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. ou por meio de processos aviltantes. são. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. O passe provoca reações variadas no ser humano. em virtude de permanecerem em segredo. para tratamento mais adequado. ou fazê-las cessar. Neste caso. provocar crises psíquicas e orgânicas. subjugar ou liberar. Para isto serão passes de dispersão. indiscriminadamente. pouca gente tem noção do nível de degradação a que podem levar. Ele é realmente o recurso válido e potente. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. ao ser retirado pelos mentores. seja recolhido a instituições de repouso. justamente do que mais precisamos. em si mesmas. Ele pode serenar ou excitar. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe. como nas outras. pelo menos por enquanto. como “capacetes” “couraças”. ao longo dos braços. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. Mas. 152 . De outras vezes. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. para ajudá-lo. no entanto. para que. Já debatemos por algum tempo o seu problema. causar bem-estar ou incômodo. não obstante. Não sei se me faço entender. curar ou trazer mais dor. Com o passe. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. isso é necessário. condensar ou dispersar fluidos. devem resultar de cuidadoso planejamento. e ele continua agitado. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. no trato dos nossos irmãos desencarnados. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. ou trazido na sessão seguinte. A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento. sua técnica. em termos de Doutrina Espírita. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. mas por processos abjetos que. é necessário mesmo adormecêlo. com seriedade e respeito. Em contraposição a tais processos. e por qualquer motivo. enfim. construir ou destruir. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. estudo metódico e prática bem orientada.

o fio também foi preservado. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. que depositou sobre a mesa. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. Lembro-me. quase sempre reportando-se a vidas anteriores. São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. manda-a de volta ao cais. O passe ajuda os Espíritos. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. numa época de preconceitos muito severos. destacouse na vida. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. ou da própria. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. Já relatei algumas ao longo destas páginas.O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. Numa dessas ocasiões. 153 . Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. ameaça baterlhe e humilha-a de todas as maneiras. mas nunca pode esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. para sustentá-lo na sua “perigosa” missão junto a nós. da auto-hipnose. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos. somos instruídos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. a despeito deles mesmos. grita-lhe impropérios terríveis. Veremos outros exemplos. ao seu grupo. ao despertamento de Espírito em estado de alienação. a propósito. no devido tempo. Desta vez. Ele se tornou sonolento e. Ajudados por nossos passes. além de capacete e couraça. muito pequeno. por causa de sua vida miserável. isto e. para fins muito bem definidos. aos comparsas do Espírito manifestado. O Espírito era agressivo. Com o passe os adormecemos. as ligações foram mantidas e. especialmente ao fim da conversa. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. até à infância. Tem-lhe ódio mortal. quando. às vezes. de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. Com mais freqüência do que seria de supor-se. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. de braços estendidos. dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluidos. Certo Espírito. Seu problema central é a mãe. para que. se “retransmitisse”. violento e de dificílima abordagem. começou a chamar pela mãe. com voz mansa. as palavras que ele ouvia do doutrinador. segundo nos explicou. Ao que parece. sofreu humilhações na escola. um invisível prato de sangue. tão necessários. ligava-se por um fio. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. Creio que ele não conheceu o pai e. em rigorosa concentração. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. segundo diz. que os desarvorou completamente. De todos esses aspectos temos tido experiências altamente instrutivas e algumas de intensa dramaticidade. de um doloroso e comovente caso. ainda aceitava a mãe. nesses mergulhos providenciais no passado. porém. como no caso daquele que nos trouxe. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. através dele. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais.

Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. paramos no tempo. por exemplo. Por que razão teria ele. precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião. indomadas. e cultivamos. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. Se. São de incontestável importância estas noções. e melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. quando são. com as nossas lágrimas. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. quando estimulamos. que procuram viver com toda a intensidade possível. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia.Na semana seguinte. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. ao contrário. precisamente. necessário a ambos. as sementeiras da paz. simplesmente. RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. Num “flash” doloroso. e presas as recordações. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina do reajuste. mas. às vezes. no campo mediúnico. em que se apresentará mais receptivo. enquanto nos apraz o erro. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele é novamente adormecido e levado. escolhido aquela mãe. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. com amor e sofrimento. mas. todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paixões. que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. É preciso saber que cabe a nós — e a ninguém mais — domá-las. no trabalho de desobsessão. Em assuntos dessa natureza. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema. o futuro não importa. na sessão anterior. Comprimidos numa estreita faixa de presente. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. Ainda muito difícil. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. Se posso sugerir alguma coisa. voltou novamente com todo o ímpeto. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. Ele sabe que o Espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. segundo os impulsos do momento. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje. Ademais. entre um futuro que ainda não existe e um passado que 154 . o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente.

na trajetória evolutiva do Espírito. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. desesperada. mas não se pode negar a sua intuição da verdade. em nova aventura na carne. ser tão valentes perante a dor própria. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. dominar o semelhante. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. viver. ou ao poder. Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. enfim. que talvez ainda o fascine. mas. naturalmente. quanto o são perante a alheia. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. irresponsavelmente. Vamos primeiro “gozar” a vida. O esquecimento proporcionado ao Espírito. depois de uma pausa. como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. uma concessão. O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. não obstante. na abertura de “O Nazareno”: “Não o poder de recordar. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. por largos séculos ou milênios. Que seria de nós. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo. para refazer-se. comovedora. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. alegremente. Depois. teimamos em chamar de destino. A dor dos grandes criminosos é terrível. na fase da reencarnação. trágica. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. dos desenganos. Esse momento é crítico. É 155 . intensamente. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. porque a redenção ainda vem longe. jamais. para aquele que muito errou. Retornando. fugir às suas responsabilidades e compromissos. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento. saberão fazê-lo com dignidade e coragem. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. se fossemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. constitui uma das condições necessárias à nossa existência”. dado que. É certo que. que nem sempre ele sabe avaliar. acumular riquezas materiais. ao tomarmos novo estágio na carne. é mais certo que continue o percurso da dor.procuram ignorar. a lembrança das existências anteriores. Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. Esperam. à sua condição de Espírito desencarnado. embora ainda responsável por elas. Do outro lado. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. ainda que efêmera. no entanto. por aí. distinguir bem uma coisa da outra. é uma bênção. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias. dificilmente ele irá à glória imediata. esquecem-se de que não poderão. e sim o poder de esquecer. É seguir em frente. no mundo espiritual. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. açambarcar o poder. da renúncia. Trágico e doloroso engano é esse. veremos como acertar essas contas com o que.

inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. André Luiz deixa-nos entrever tais processos. — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos. O melhor. encerra-se o Espírito endividado num círculo de fogo. O Espírito. Suas angústias são muitas. Como reagem. está abrigado de si mesmo. o que. que precisa ser dispersado.. em “Missionários da Luz”.aquele que opta por este caminho. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular. de sua própria criação. Quantas vezes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. embora não fosse novidade. pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. sepultá-las. agora. passa à condição de não existente. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições.. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente. como se o passado não existisse mais em nós. utilize-se. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. como o médico que ministra um remédio amargo. E só. cenas vivas de seu passado.. mesmo. Se é verdade. do ponto em que a inocência a deixou. há milênios sem conta. O Espírito vê. que também decide pelo esquecimento. daquele mesmo passado que renega. com respeito e dignidade. enquanto mutuamente se servirem. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico.. diante de si. indispensável a essas montagens. justificado pela expectativa da cura de seu doente. pois. a matéria-prima. ignorá-las. vários ajudantes de serviço — escreve ele. sair em campo. seus remorsos extremamente penosos. adstrito à incoerência dos alienados. para eles. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. congela o coração. enquanto permanecer ali. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”. em proveito próprio. no capitulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes. além disso. como relutam. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito”. ligando-se a tenebrosas organizações. É como se a vida principiasse novamente. E evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. no mundo espiritual. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. assim envolvido. caírem na faixa da recordação. é esquecê-las. ainda. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. Vários recursos são empregados. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. em tais condições? — o passado. os encarnados. porque é justamente disso que ele foge. Dentro dessa lógica atormentada. Só poderá sair queimando-se. Não temos. 156 . é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. pois. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar. embora. e o futuro nunca fosse existir. incoercívelmente. como temem os fantasmas interiores. buscar seus comparsas.

para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos,
ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros, indispensáveis ao
reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes.” (Destaques desta
transcrição)
O instrutor prossegue, explicando que, com essas formas de energia, recolhida dos
encarnados presentes, podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes
àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne, não obstante já se
acharem desligados dela, às vezes, há muito tempo.
Ante o impacto dessas imagens, que parecem surgir límpidas, vivas e dramáticas, de
um passado que julgavam morto, os irmãos desarvorados parecem saltar o círculo de fogo
que os envolve, e, como se do lado de fora de si mesmos, têm uma pausa para reexame de
suas posições desesperadas. Afinal de contas, o que estão fazendo? Que loucura é aquela
em que mergulhamos? De onde vem tudo isso, no passado, e até onde irá, no futuro?
Um desses companheiros atormentados, anti-semita irredutível, viu os quadros do
êxodo no antigo Egito, onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. Recuando
mais, porém, foi encontrar raízes muito mais profundas, do drama, na antiga Babilônia,
onde, em posição diferente, enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo
hebreu. Pela primeira vez, em muito tempo, perguntou-me, algo perplexo:
— Será que isso não tem fim?
Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim, mas, disse-lhe que
sim, podemos por um ponto final nesses círculos viciosos, que buscam eternizar-se dentro
de nós, por um esforço da nossa vontade, que só é possível depois de compreendermos a
inutilidade do ódio e a força invencível do amor.
Às vezes, o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais
grosseiro, que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma, produzido por
médiuns de efeitos físicos, não apenas para adensar as formas perispirituais de
companheiros desencarnados, que devem tornar-se visíveis, como verificamos no texto de
André Luiz, acima transcrito, como para formar os próprios “quadros”. Num caso
particularmente difícil que tivemos, um dos médiuns começou a expelir ectoplasma,
enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. A certa altura, o ectoplasma formou,
para a sua visão, as letras de um nome de mulher, antigo amor, cuja lembrança ele
procurava recalcar nos porões da memória.
Em outro caso, de vigorosa dramaticidade, o Espírito viu, sobre a mesa, um grosso
livra, encadernado em capa de madeira, sobre a qual estava seu nome, escrito em belos
caracteres de bronze. Era a história de sua própria vida. Ele sabia que precisava abri-lo,
mas não se sentia encorajado. Era, evidentemente, um recurso, para leva-lo ao reexame de
seus atos, ao passado, enfim. Depois de muita relutância, fez o gesto de virar a capa. A
primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco...
Todo o livro estava em branco... A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela
existência tumultuada, durante a qual dominara povos, ao poder da espada impiedosa.
As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movimento, os sons, as cores,
como se um “vídeo tape” as reproduzisse, com toda a sua intensidade e emotividade. Com
muita freqüência, os Espíritos relutam em contemplá-las, e procuram fugir das visões que,
não obstante, tornam se irrecusáveis, e impõem-se, a despeito deles próprios.
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A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. Cabia lhe assinar o
documento, que ele sabia ser uma sentença de morte. Fizera-o, certamente, no passado, e
agora revia o momento dramático, com uma diferença: alguém contemplava, a curta
distância, fixando nele um par de olhos tranqüilos, cheios de amor fraterno, provavelmente
os de sua vítima. Seu desespero é atroz. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. Que
lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego, para não contemplar mais
aqueles olhos... Diz que matou uma santa, e informa: “uns são canonizados e outros
queimados”.

*

Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães, esposas, filhos,
ou amigos muito chegados ao coração. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre
tais manifestações, estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar, destacadamente.
A pureza do amor materno permanece inalterável, ao longo dos séculos e das vicissitudes,
arrosta as ingratidões, suporta as humilhações, vence o ódio, vence tudo.
Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado,
nas profundezas de seus tenebrosos domínios. Ela alcançara, já há muito, as regiões da
felicidade; mas, e a dor de ter o seu amado preso ainda às paixões do mundo? Vai ao seu
encontro, numa descida sacrifical às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina,
incontestado.
— “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma, que, um dia, te adotou por filho
querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual”.
Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados, que nos velam de lágrimas
os olhos!
Lembro-me de um deles, em particular. O Espírito vinha assediando-nos há tempos,
semana após semana. Manifestou-se, primeiro aparentemente muito calmo e tranqüilo.
Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. Nada queria de especial: iria
apenas observar-nos e, se fosse o caso, tomar suas “providências”. Deixou no ar a ameaça
e partiu. Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava... Por algumas
semanas, observou-nos. Pouco falava nas suas manifestações. Revelou, apenas, que já tinha
sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”,
mas começava a deixar transparecer, também, certa preocupação, porque algum delator, a
seu ver, havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. Na vez seguinte suas
preocupações estavam ampliadas, porque descobriu que, através de processos de regressão
de memória, de nosso conhecimento, estávamos penetrando certos núcleos. Nessa mesma
noite, tem a primeira visão de algo que muito o perturba. Adormece e parte. Na semana
seguinte não consegue mais manter-se calmo, como das vezes anteriores. Está indignado,
furioso. Diz que tudo ruiu em torno dele. Tinha o poder de um semideus, e “fomos mexer
com a sua família!”. Dá murros na mesa, dominado pelo ódio e espicaçado pela
humilhação. Se pudesse, me pegaria, para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto, de
revolta e de impotência.
Em seguida, por outro médium, manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua
dolorosa história. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. Foi, por certo, a sua presença
ali, junto dele, que o perturbou há duas semanas.
— Ele é bom — diz ela —, mas muito vaidoso.
Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. Ela mesma ainda não está bem.
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Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. No passado, enquanto
encarnados, também teve um encontro dramático com ele. Ele a abandonara à sua própria
sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. Quando já se encontrava na sarjeta,
procurou-o e foi repelida. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica.
Os séculos se passaram, e tudo quanto ela esperava, agora, era merecer novamente a
oportunidade de ser mãe, mãe digna. Digo-lhe que as mães são seres humanos e, por isso,
também erram. Ofereço-lhe a nossa ajuda, que ela agradece, dizendo que tem de voltar para
onde está, no momento.
Com este caso, desencadeou-se extenso processo, que se desdobrou em aspectos
inesperados e de profundas implicações. Nunca pudemos, no entanto, esquecer a ajuda
daquela mãe humilde, e ainda mergulhada nas dores do resgate, que nos ajudou, com a sua
presença amiga, a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixões, embalado
pelo amor ao poder.
Em caso semelhante a esse, o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe, ajoelhada
diante dele, a pedir-lhe perdão. Ele reluta e resiste, porque é este, precisamente, o âmago de
sua problemática: foi abandonado, por ela, à roda, e por isso ele repete agora, a si mesmo,
que não tem mãe. Oramos, damos-lhe passes, e, por fim, ele não mais resiste:
— Tenho mãe! — diz ele. — Não sou um desgraçado!
De outra vez, num caso a que já me referi alhures, o Espírito tinha um problema
pessoal comigo. Era questão antiga, de mais de oito séculos! Em conseqüência desse, e de
outros desenganos, vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. O problema era
extremamente difícil, porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se
diretamente sobre um de nós, precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e
esclarecê-lo. Ele se mantinha irredutível, pois minha presença obviamente reanimava nele
as antigas paixões e frustrações, das quais não conseguira desembaraçar-se. Foi num desses
pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava
dizer alguma coisa diretamente a ele. Era sua mãe. Elevei meu pensamento em prece e, com
enorme respeito, ouvi o diálogo através do tempo, entre a mãe amorosa, que não esquecera
e sofria com a ausência do filho, e o filho que recusava obstinadamente o amor, porque
estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança.
Pede-lhe ela, com infinito carinho e humildade, que abandone aquela vida e venha para
junto de seu coração. Todos estão juntos na família; só ele está ausente, Não está
convencido de que ele a recuse. Deseja ouvir dele próprio a negativa. E ele diz que não a
quer mesmo, pois seu caso ali é outro. Que ela não se meta; continue a fazer seus bordados.
Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto, em silêncio,
junto de Deus. Depois lhe diz que vai deixar o médium, pelo qual lhe está falando, para
aconchegá-lo junto ao seu coração. Ora, comovidamente, à Mãe Santíssima, em palavras
simples, expondo o seu problema e as suas dores.
Quando conseguimos, afinal, despertar o amado companheiro, dirijo a ela um
pensamento de infinita ternura e gratidão, porque estou certo de que, sem o seu concurso,
não o teríamos alcançado. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim,
porque fui um dos agentes de sua angústia, mas não teve para mim uma palavra de censura
ou de amargor.
Em outro caso, também muito difícil, o Espírito, autoritário e empolgado pe!as suas
idéias e pelo seu rancor, recebeu, diante de nós, a visita de um menino (teria sido seu filho
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mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. Digo lhe que precisa. dominados pela aflição. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. muito embora sabendo que era longo a caminho a percorrer. de ternura. de amor. fácil de conduzir. ainda trazia ressaibos de ironia. Estava. através dos tempos. utilizem-se da projeção fluídica. E me diz. disse-me. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. movimento. tivera outras encarnações. mas rejeitou-a deliberadamente. fazendo mesuras. pois. Nunca sabemos. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. Quanto ao Cristianismo. encarar seu antigo amo. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. não. o Espírito viera dar uma ajuda. de braços estendidos. em vista da profundidade a que descera. Lamenta a perniciosa influência que exerceu sobre os seus soberanos. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. não como a um poderoso. conservava-se. de recordação.ou neto?) que o desarmou com seu carinho. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. Eram pobres criaturas desequilibradas.. ajudar a libertar de suas angústias. semcerimônia. seus apelos. já sabia. perdidos num dédalo de sentimentos confusos. consciente e disposto a corrigirse. com inesquecível toque de autenticidade. emoções. estava ainda preso a eles. e que não iria ser nada fácil. compreensão e simpatia. para o bem. Informou-me de que. mas como a um Espírito infeliz. que precisa de muita ajuda e compreensão. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. e cujo olhar não mais esquecera. Poderia perturbá-lo. porque não lhe convinha. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. invisível ao seu antigo chefe. Numa dessas oportunidades. cores sons. saltando. utilizando o poder das Césares para promover seus interesses inconfessáveis. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade. Por isso. Mesmo assim. Antes de desligar-se do médium. Eu deveria fazer isso. porém. naquele tempo. sua ternura infantil. cercados de sombras. Servira aos imperadores romanos. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. que sabia dos planos. Eles ainda se julgavam deuses. dizia. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. que era a doutrina melhor. e respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. agora. no entanto. Ao manifestar-se. nesse ínterim de quase dois milênios. De outras vezes. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado à hora do reencontro. com cenários. personagens. na antiga Roma. mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. açulando-lhes paixões aviltantes. ainda. Basta um momento assim.. bastante lúcido. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias. Respeitemos suas razões. só que agora. animado por 160 . enquanto ele o fizera para a mal. já assentados. Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. desarvorado e sofredor. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. à minha direita. Às vezes. que “ele” era uma criança grande. amigos e parentes acham-se presentes. agora. ao lado. para o seu colo. Em tempos idos. mas ele.

é claro. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa. De outras vezes. que pode pôr tudo a perder. para poderem impressionar seus sentidos. Eles sabem. Esses quadros exibem figuras humanas. Sabem eles. em nós. São eles que nos preparam o trabalho. ou se tornam semimaterializados. também. dão-nos o apoio. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. pois. quer se encontrem endividados ou redimidos perante a lei. Já vimos. É certo. às vezes. para melhor dominar e impor as suas condições. Quanto à tarefa que lhes cabe. mais pela presença de suas vibrações pessoais. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. Antes que inspirem essa confiança em nós. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. estejamos tranqüilos: tudo será feito. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. de que tanto nos falam eles. do contrário. durante os desprendimentos. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. como crianças tímidas e ingênuas. mas cuidando de seres humanos. bem como a segurança com que executam suas tarefas. Mesmo o grupo mais bem ajustado. Estejamos. conversam com eles diretamente. assistir a tudo sem Espírito critico e sem a necessária vigilância. num impulso de paixão e ciúme. depois. mas 161 . naturalmente. dotados de livre-arbítrio. que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. Uma vez. muito respeito com o trabalho dos nossos mentores invisíveis. que infalível só é a visão divina. que há sempre. embora não infalível. É preciso. no entanto. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. de falha. de seres encarnados. Não é tudo que eles podem fazer por nós. que não poderão garantir o resultado. ou através de outro médium. Naturalmente que. muito atentos. tudo fariam sem nós. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. aquilo que nos compete. mas continuam sendo projeções. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá-los fazer tudo. segura. por outro lado. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. mesmo naquilo que lhes cabe fazer. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. do que pelo mero apelo da memória. integrado num trabalho sério e fecundo. como explica André Luiz. de certa forma. pois. por nós. imprevisíveis e. Eles nos assistem com desvelado carinho. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade. amparam-nos nas horas de incerteza. porém. em recentes ou antigas encarnações. ainda que estejam encarnados. e que não se deixarão conduzir pela mão. seria arriscado segui-los confiadamente. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. tranqüila. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. muitos deles nossos antigos comparsas.meio de recursos retirados. dos presentes em torno da mesa de trabalho. Eles se apresentam aos seus olhos. um componente de incerteza. aqui mesmo. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. não obstante. de descuido. mas não podem fazer. muito bem dotados intelectualmente. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. pois. não obstante. porém. pois há Espíritos ardilosos. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. Nos casos em que essa presença se faz indispensável. a inspiração. os recursos e a sua presença constante.

Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. dos méritos. O fato. ao contrário. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. para captar-lhes. com passes e sugestões verbais. servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. mas não opor grito contra grito. uma humilhação — mas. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. o doutrinador deve abandonar 162 . ameaçador. Antes disso. abre-se uma perspectiva de entendimento. a sensibilidade do doutrinador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. de reduzir a volume de seu vozerio. ali presentes. lutando interiormente consigo mesmo. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. Não é possível. costumo dizer. se o tentarmos. ou não. por exemplo. para autorizar-nos a precipitar qualquer situação.nosso conhecimento é muito limitado. porém. Por este motivo. Mesmo irritado. também ignoramos. contudo. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. Se. ou ele não nos ouvirá. com a voz no tom normal. Se opomos resistência. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. a doce felicidade de ter. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. pensando apenas no que nos dirá a seguir. De certo ponto em diante. que só grita aquele que não tem razão. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. desejando-o intimamente. proferindo ameaças terríveis. por si mesmo. esbravejando. sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. argumentar com eles. de início. não significa que já esteja resolvido o seu problema. é a partir desse ponta que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. definitivamente. Nesses casos. aos queridos companheiros desatinados. para que ele próprio — doutrinador — possa reformular a sua tática. aos poucos. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. porém. porque ele só deseja gritar. É preciso ter paciência e esperar. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. e. pelo menos. na praia mansa. falaremos juntos. A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. e a batalha verbal poderá ser muito longa. devem ser exibidos à sua visão. Mas. as sutis instruções que nos ministram. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. E. ele nós respeitará e. ou inconscientemente. a nossa posição é de ativa expectativa. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. ao mesmo tempo. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. através da intuição. Se os companheiros dele. A cólera passa. Não que ele o reconheça nesses termos. em altos brados. nessa condição. dando murros na mesa. murro contra murro. ao Espírito manifestado. irritadíssimos. uma vez mais. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. Se a conversa for bem orientada. Baste-nos a alegria do dever cumprido. para ele. a nós. Para isso. Não ficar mudo ante a sua cólera. não tentemos forçá-la. e argumentação é inútil. Enfim.

como se pensasse em voz alta: — Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro. foi suspenso. porém. a incógnita do porvir. pode ocorrer. pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. tentando mostrar-lhe a inutilidade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. advertilo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. em explosões de luz. aceitável. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e tímida afeição ou respeito. que pode ser próximo ou remoto. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. a voz desce de tom. a meu pedido. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro. com o brilhante e combativo Espírito de um ex-inquisidor. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. aceitam um ou outro argumento nosso. De um lado. obsessor. se. a perder-se nas trevas do passado. também. Percebemos que a fase da aceitação chega por pequeninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. Está. contra seus próprios interesses pessoais. levarão no coração as sementes de um futuro. mas a batalha pode durar ainda muito tempo. começou a ceder. para ele. um dia. Como sempre. certa vez. Não iludi-lo com a paz imediata. mesmo assim. não sabemos. Ambos o chamam. O momento é oportuno. Um diálogo um tanto difícil. mesmo os mais violentos. intensa e dolorosa como nunca. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. um sentido novo. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que. ainda. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. mas por ele próprio. portanto. certa vez. Argumentava eu.sua técnica de contestação e argumentação.. de certa 163 . muitas vezes. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. só que. ao partirem. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. então. De qualquer maneira. o fio da navalha. ambos o atraem. Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador. Terminada a rogativa ao Alto. ilusões desastrosas e erros clamorosos. É o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade.. Mais do que nunca. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: é que só agora os ensinamentos de Jesus começam a ter. A partir desse ponto. com um desses companheiros desarvorados. como diz a expressão inglesa. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. estarão mais acessíveis. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. mas que virão fatalmente a germinar. Do outro. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar-me? Daí por diante. quando ele me perguntou. Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento. sobre. Sente fugir o terreno em que pisa. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. uma vez despertado para a realidade. para pensar. ele a ouviu em silêncio. aos nossos princípios. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. a crise. ou se apenas levam uma disposição para reexaminar suas convicções. ele disse.

com a sua presença. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. Estava ameaçando ceder. ou lançar-se. consciente ou inconscientemente. São inteligentes e experimentados. a intimidar. Deixei-o falar. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. a punir. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. mas que conseguira reagir. Certa vez.. Em segundo lugar. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. Ou estavam. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. ele o “vira” à sua maneira. porque está minado de imprevistos. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. Em primeiro lugar. Afinal. gritava. surge do passado uma lembrança esquecida. promete. pois. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. sim.. E é precisamente por isso que. através do roteiro luminoso do amor fraterno. quanto ao campo sentimental. Não é. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade.forma. Não está convencido. não exclui o fato de que são Espíritos. também. quanto no espaço. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. que ridiculariza: à vontade. recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. dali em diante. até o momento. Não é fácil. o conceito da reencarnação. consideram “perigoso”. 164 . afinal. voltou novamente agressivo e irritado. Quando menos se espera. mesmo nos mais valorosos Espíritos. de uma vez. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. a sensação de atordoamento é inevitável. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. não lhes reduz o conhecimento. nada mais. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido. o abriga da terrível realidade. no campo puramente filosófico. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. mas com firmeza. o direito de escolha. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. A decisão é difícil. Qualquer argumento que lhe apresente. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. como vimos nas próximas sessões. o apelo de uma voz cariciosa. a todos. para aquele que está convicto da legitimidade de seus caminhos. mas não quero fazer isso. alegando que quase havia caído. interpondo apenas uma ou outra observação. a imortalidade. mesmo. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos. dava murros. Ameaçava. do lado negativo da faixa vibratória da vida. Claro que interpreta a minha calma como covardia. às vezes altamente qualificados e experientes. a mandar. pensar no assunto. a responsabilidade que assumiram perante a lei. a existência de Deus. o livre-arbítrio assegura-nos. Acostumara-se ao poder incontestado. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. de um ponto de vista vantajoso. por causa da nossa afeição. como já vimos. não lhes tira o valor. Seguirá seu caminho de sempre. Temos que entender. Faz pouco da minha inteligência. tanto na carne. para servir aos seus propósitos e justificar sua filosofia de vida. Na semana seguinte.

da ternura. chora. seus temores. e procura acalmar-se. Quando tenta reagir “fisicamente”. Este irmão voltou mais uma vez na semana seguinte. o irmão entrou em crise e começou a monologar. mas ainda procura iludir-se. cesso a conversa e oro. nesse momento. Além do mais. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. com muita paciência. Confessa que. Volta a esbravejar. mas sente um arrastamento incoercível. É evidente que tenta. e parte. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar livremente. levá-lo. tentando convencer-se de que está vivendo um pesadelo. mas acaba calando-se. Por fim. seus desesperos. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. Ele está arrasado. como temos visto. invisível a nós. nessa hora. esposas. mais do que nunca. É o grande momento da compreensão. a dar o passo final. É preciso ajudá-lo.A certo ponto. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. em seguida. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. em silêncio reverente. agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. mas que o mantém fortemente contido. Muito respeito pela sua crise. nunca falta. Num caso desses. o amor indubitável do Cristo. Ainda reage. tem medo: está vazio e quer dormir. que se estenderão pelos séculos futuros. Digo-lhe que. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele. ameaçar. até onde e quando. a ver cenas do seu passado distante. que nos ajudam na fase final da doutrinação. para esquecer. realmente em pânico. ainda. precisa. Apresenta-se completamente desarvorado. E necessário assegurar-lhe. o que o espera. pela primeira vez. Ele sabe. em termos de resgates dolorosos. cujas perspectivas se abrem diante dele. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. Subitamente. muito carinho com as suas dificuldades. Começa. de despertar o seu Espírito. e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. O Espírito. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. ou pressente. ao contrário. que deseja que o pecador se salve. Dou-lhe prolongados passes. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho. enquanto a crise se adensa e aprofunda. a presença de antigos e esquecidos amores: mães. por mais que se esforce. de última hora. irmãos. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. ternamente. Depois de algum tempo. Começa a crise maior. somente Deus saberá. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. de uma palavra de sincera afeição. amigos. do amor fraterno. desesperado. do qual vai acordar a qualquer momento. Não tenho a menor intenção de dominá-lo e. sim. reagir. enquanto fico ao seu lado. em crise. e informa. a presença infalível de Deus em nossas vidas. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! 165 .

as perspectivas da paz. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento. Está arrasado. e aqueles que o esperam. Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. não carregue nas cores do sofrimento que o espera. diante da enormidade de suas 166 . à pavorosa técnica do “crime religioso”. contemplando as duas perspectivas — passado e presente —. ou milênios. para ajudá-lo. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. não conseguira ainda assimilar. a oportunidade preciosa. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. mas cuja mensagem. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. a quem conhecera pessoalmente. Ofereça-lhe a sua ajuda. dedicava-se. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. da coragem otimista. temor. Ao despertar para a verdade. acenando-lhe com um paraíso imediato. tenho-a num caso de que tratamos. Chama-me de traidor. porém. sente diante deles uma vergonha mortal. ele não os conhece muito bem. por algum tempo. Há. ao contrário. em corpos deformados. do afeto. para alcançá-lo através do sentimento. o trabalho de reconstrução que o aguarda. do “trabalho”. agressivo e violento. mas ele ainda reluta. revolta ou deslumbramento. Além do mais. cegos ou mutilados. Trateo com muito carinho. humano. Não tente engana-lo. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. que ele sabe não estar ao seu alcance. confessa a aflição que experimenta. da emotividade. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. uma mulher. ou então. Alguém. ele teme vinganças cruéis. Julga-se um abutre sem remissão. o espera no limiar da nova existência. Era extremamente rebelde. ante o inevitável. em pranto. por conseguinte. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. amoroso. fora também um inquisidor. rude. que o doutrinador não pode deixar passar. sendo. A essa altura. com todo o poder de sua inteligência e de seus conhecimentos. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. pela enormidade de seus desvarios. Não o atemorize com ameaças. Não o force. mas para fazer com ele. realista. que há tanto tempo o esperam. Lembre a necessidade da prece constante. de amor sem limites. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. Seja simples. confiante. Um típico exemplo desses. e diz que precisa recompor-se. que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. A um desses pobres irmãos desarvorados. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. Estas crises caracterizam-se pela revolta. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. não para fazer por ele. ele não pode mais voltar sobre seus passos. da confiança. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. Vem sempre acompanhada de profundas emoções.Ele a repete. quando o Espírito fica sobre a linha. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. de elevada condição espiritual. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”.

para uma prédica. por tanto tempo. além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. de sempre.culpas. assim despertado. eles são trazidos para despedirem-se de nós. PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. E parte. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. É que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. às vezes. das quais nem tomamos conhecimento consciente. que.. a três Espíritos que. de início. durante os desprendimentos do sono. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. partiam. mais tarde. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. Também eu lhe peço minhas desculpas. com o mesmo carinho de antigamente. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. a não ser excepcionalmente. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. tratados pelo grupo. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. levando-o à força. muito tempo. cerca de um ano antes. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. para o despertamento. segundo nos informa. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. Em alguns casos. e contra a sua vontade. Ele chora. ficariam agora ao abandono. com a sua agressividade. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados. Acham 167 . Certa vez. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. agora. por uma ou outra palavra mais enérgica. Em raras oportunidades. pois eles estão em boas mãos. os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. emocionada e belíssima. A partir do momento em que os companheiros são recolhidos. necessária. Geralmente. De modo geral. tranqüilizemo-nos e demos nossas graças a Deus. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos. que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. mas em tarefas de menor importância. assim que estejam em condições. Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluída nesse ponto. transcende suas qualificações e possibilidades.. no mundo das sombras. pela primeira vez em muito. a seu ver. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. raros. começa o preparo. dos quais nem percebia a presença junto de si. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. Preocupa-se com aqueles que liderava. como o de sua mãe. o trabalho bem dividido e especializado. para a reencarnação na Terra. para “prisões” e castigos. No momento é o de que mais precisa.

Fora vê-lo pessoalmente. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. mas. por certo. ele se reunira com os demais companheiros. Logo. de outra natureza. para reassumir seu posto no mundo das sombras. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. porque. podemos imaginar. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. muito mais amplo. Em casos excepcionais. ou seja. os mentores levam. no entanto. A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. pelo menos. a participação — ainda que importante. como vimos. Num caso desses. nas horas mortas da noite. a um ponto de reunião. e nem desejava voltar sobre seus passos. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor. Nestes casos. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. no grupo encarnado. que dele recebiam. quanto os Espíritos necessitados. e talvez mais afeito à organização mediúnica. em certos casos — será mais modesta ou. O INTERVALO Muito trabalho. difícil e constante. porém. É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual. ele terá que confessar sua ignorância. ao manifestar-se. se fosse possível conversar com eles. durante a semana. com extrema atenção. os convenceriam a voltar à vida de crimes. pelo menos. mas a nós. pois interpretavam as vibrações de aflição. que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico.que. que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. durante os nossos desprendimentos. ainda que não tenhamos condições de conhece-las. não lhe foi difícil verificar. não deve fingir que sabe de tudo. o pensamento do companheiro manifestante. praticamente tudo quanto formular no pensamento. entre uma sessão e outra. e trabalho preparatório. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. como um apelo do ex-comparsa. que acreditavam prisioneiro nosso. Mas. este reencontro é proporcionado. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no corpo. São inúmeras. para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. tanto os componentes encarnados do grupo. após termos conseguido “conquistar” o seu líder. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. as tarefas desenvolvidas durante a semana. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. Por outro lado. afinal. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. 168 . Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. por si mesmo. verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. com as cautelas que. porém. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). não tão impetuoso e violento. encarnados. embora de menor vulto. desenvolve-se no mundo espiritual. a uma pergunta mais embaraçosa. naquilo que ele vai dizendo. o médium transmite.

ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito. aquele “algo”. que fazia lembrar um jipe terreno. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. Lembra-se ele. Estava do lado de dentro de uma caverna. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. tencionava espionar a nossa reunião.Um deles me disse. mas. Ao que tudo indica. de debates e planejamento. aberta na rocha. é muito intensa. pois. a atividade noturna. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. certo de que ninguém ali sabia da sua presença. de uma cena fragmentária. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória consciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos. no entanto. no regresso. Depois descobriu que... nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda. a observar e ouvir. “algo” que traziam. com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. desprendidos pelo sono. Perdera a noção da sua identidade pessoal. Em casos como esse. e de que resultaria sua libertação. nos intervalos das sessões. na semana seguinte. no Espaço... pois era até esperado. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. Ficara escondido atrás de uma coluna. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo. manifestou-se no grupo: era um ser humano!. Um desses disse-me. encarnados. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. como sempre acontece nesses casos. às vezes. Uma ou duas semanas depois. Os mentores espirituais levam os encarnados. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam ferozmente aqueles que se empenhavam na tarefa... E contou o caso. nos braços. Os componentes do grupo. Já narrei aqui um caso de zoantropia. Alguns companheiros ficaram de fora. ao contrário. não apenas sabiam que ele estava ali. dirigidos pelos benfeitores espirituais. ao manifestarse no grupo mediúnico. As imagens eram as de um sonho comum. reduzido à mais abjeta condição humana. que havia sido resgatado. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. neste livro. Não sabia o que se passara com ele. que haviam alcançado numa “condução” rústica. sombria e agreste. Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures. mas é certo que. com extremo cuidado. enquanto os de dentro passaram para eles. segundo apuramos.. encontravam-se em vasta região desolada. certa vez: — Eu sei. de trabalho. 169 . aquele ser. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. de extremo realismo. Durante a semana. A indignação dos guardiões do pobre irmão foi inconcebível. ao despertar. a reuniões de estudo. de onde. com enorme dificuldade. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião.. Em certos grupos de desobsessão. numa incursão de que um de nós. pararam. senão que o haviam permitido. introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos. A certo ponto.

contendo já um pouco de sangue. já no final dessa visita. nos lembramos de tais episódios. sim. para tratamento. uma dessas incursões. também. para retirar de mim certa quantidade de sangue. amorosamente. e do sangue de nossos companheiros encarnados. sendo perseguido por um grupo belicoso. também. porque eu havia escapado. Estava indignado. a seguir. no mundo superior. durante os dias em que aguardamos as próximas manifestações. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. com nossos maiores. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. Outro aspecto importante. com grande precisão e detalhamento. porém. Na imagem das formigas agressivas. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. comecei a escapar-lhes. que pingava no chão. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa.. Nesse momento. conservar a lembrança delas. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. Vejome. Como as sessões se realizam. às vezes. ou ao trabalho. A meu pedido. no entanto. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos 170 . tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. do qual nada me lembro. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. a uns poucos metros abaixo. grosso e escuro. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. uma vez por semana. escreveu todo o relato. enquanto eu me afastava. também. É difícil. e à outra. Há. mas. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. o que muito nos serviu depois. aqueles que já se acham recolhidos. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. companheiros competentes e seguros. De outra vez. o evidente domínio sobre seus Espíritos. é o da prece. pelo menos. essas incursões são. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. Ele veio disposto a arrebatarnos o sangue. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. enquanto ainda bem vivo na memória. numa incorporação mediúnica. por desconhecimento e defesa. de qualquer maneira. que precisa ser abordado.era figura importante para seus esquemas nefastos. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. que tentava agarrar-me. ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. Às vezes. em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. pouco acima de suas cabeças. Nem sempre. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. com extraordinária lucidez. que nos atacavam. sem hostilidade. Algumas semanas depois.. a troca de favores. sob a forma de frases soltas. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim. um “branco”. para onde nos levam. Por outro lado. Era como se eu levitasse. ou de símbolos. nas instituições especializadas do Além. usualmente. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. A prece é o fio que realiza esse milagre. depois. recordei-me. como se voasse. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituais.

especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. obsessões.. Um deles me disse. sensações de angústia indefinível. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. em nós. É hora de por em prática. invariavelmente. que havia interceptado meus “telefonemas”. alhures. acompanhamos nossos mentores. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. oremos por eles. Aquele que não souber amar sem reservas.dificuldades. com muito amor mesmo. é pouco mais que 171 . e a prece. que poderiam passar despercebidos. Embora não os consideremos como tais. de tolerância e paciência. É claro que provocarão. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. desmandos de toda sorte. Diria. mas com fervor. Para resumir e insistir num ponto. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. construtiva. com toda a convicção. É extraordinário o poder da prece. quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. que lhes ilumine os corações.. onde também existe amor. A tarefa dos seres encarnados. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. com amor. novamente. Mantenhamos uma atitude vigilante. implorando a Deus que os ajude. Às vezes. mal-estar. em desdobramento. Com freqüência impressionante o são mesmo. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e que não podem resolver sozinhos. em potencial. antevisões e experiências. a quem muito devemos. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. Não à difícil. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. Oremos por eles. pronto a emergir. mesmo. O amor é realmente milagroso. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária. ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. certa vez. num grupo mediúnico de desobsessão. já mencionado. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. Outros se confessam paralisados. além de irmãos. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece. o instrumento daqueles que querem realizálo. pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. miraculoso. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nossa pensamento de afeição e carinho. irritado: — Você vive rezando. Um deles disse-me. parceiros de antigas lutas e até credores nossos. atenta a pequenos detalhes. não está preparado para essa tarefa. neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. ou que somente puder amar aqueles que o amam. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. que serão sempre. mostrase extremamente “perturbado” pelas nossas preces. depressão e desânimo. em tais situações. Só a prece pode socorrer-nos. eles assim se consideram. que lhes mostre a verdade. quando. A doutrinação é um ato de amor. filhos. em pensamento e ação. imaginemo-los como companheiros muito queridos. não estava apenas acenando com uma visão quimérica. o irmão atormentado.

ocupam 23 páginas. que o Espírito encarnado aproveita-se. por exemplo. concluímos ser muito intensa a atividade do Espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provocado. O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. afastar a densa cortina que encobre o futuro. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. segundo seus interesses e afinidades. quando o corpo encontra-se em repouso. em Kardec. em situações especiais. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. de maneira muito especial. através de sonhos e desdobramentos. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. os ensinamentos recebidos. Reunidos depois. Bezerra de Menezes. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Resumindo. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. mais adiante (questão 425). como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. Nesse estado de liberdade parcial. ficou documentada uma referência sumária à atividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico. com palavras suas. sob o título “Da Emancipação da Alma”. que contém importantes conotações. estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. Ao cuidar. os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam”. que não devem ser ignoradas. SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. mas. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. é que formam esses conjuntos estranhos e confusos.isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor. mais completo do que no sonho. Por esses ensinamentos. nesses estados de libertação parcial. “No sonambulismo — prosseguem —. que é um estado de sonambulismo imperfeito”. ficou bem claro. os instrutores conceituam-no como “estado de independência do Espírito. entremeados de coisas do mundo atual. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. Os órgãos materiais. Emmanuel. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). não apenas em termos gerais de Doutrina. com satisfação. da oportunidade de escapar da prisão corporal. reflete-se nos sonhos. durante as horas de repouso. através de médiuns de absoluta confiança e respeito. do sonambulismo. em “O Livro dos Espíritos”. deixam de receber as 172 . sempre que pode. Na verdade. o Espírito está na posse plena de si mesmo. Manoel Philomeno de Miranda e outros. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores. e que a atividade desenvolvida. no capitulo VIII. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto.

(Destaques meus) Muitos ignoram como isso é autêntico. em lugar de colaborar. às incursões no submundo do desespero. portanto. O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. pelos informes da Doutrina Espírita. ao despertarmos. (O primeiro destaque é do original.impressões exteriores. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. como em todos os outros pontos de seus ensinamentos. com extremo cuidado e competência. nessas regiões tenebrosas. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. desta transcrição) Acrescentam. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os seus propósitos.. é lá que são programados. Para isto. por se encontrar este gozando do repouso indispensável à matéria”. vão. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta. Bem sabemos. “. para que. e até mesmo a sessões mediúnicas. também. até mesmo declaradamente espíritas. a princípio. a dissensão. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. mais ignóbeis. Em diferentes oportunidades. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. como “reformulações”. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. mais funestas do que as que professam entre vós”. Isto significa. ainda. enquanto dormem. enquanto estes repousam. para não deixar dúvidas. como. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. em que se 173 . procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. ou fundam movimentos paralelos. na prece que precede o sono.. nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos. aqui. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes.. em tais desdobramentos. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores. tudo muito sutil. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas. quase imperceptivelmente. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram inequívocos nesse. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. enquanto o Espírito se acha desdobrado pelo sono. Na verdade. implantar. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. onde os chamam velhas afeições. recomenda-se que. tal como aqui. entre nós. É lá. Vão beber doutrinas ainda mais vis. durante as horas do sono. para efeitos práticos. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural. Companheiros encarnados. o desentendimento. o segundo. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia.. duma trágica e dolorosa autenticidade. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos. com incorporação e doutrinação. hoje. entre os encarnados. ou a mundos inferiores à Terra.

todavia. em “O Consolador”. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível”.) os resultados de seus próprios excessos.. recolhe (. quando. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. pois.. porque qualquer empolgamento já é suspeito.. a fim de que não ponhamos a perder. contudo. porém. E mais: “Numa e noutra condição. obedecendo a fins superiores. Mesmo nos momentos de maior alegria. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. com “missões” importantes.. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças”. eles se apresentam emocionados. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel. o sonho representa a liberdade relativa do Espírito prisioneiro da Terra. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade. então. como nos fenômenos premonitórios. serenos. atraídos pelos quadros que se lhe filtram da aura. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável. não é só isso: — “Quando encarnados. 174 . com o material onírico. criticado e aproveitado com prudência. as modestas conquistas que porventura tenhamos conseguido realizar na vigília. portanto. em “Evolução em Dois Mundos”. na Crosta — observa Sertório. André Luiz adverte-nos. questão 49 —. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias”.. com elogios descabidos. quanto possível. pela própria ociosidade ou intenção maligna. equilibrados. quando. selecionado. Em determinadas circunstâncias. pois.. é a mente suscetível à influenciação dos desencarnados que. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão. “. que precisa ser examinado. lhe visitam o ser. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados. e. gratos. (Destaques meus) Atenção. É preciso. ou nos de sonambulismo. as visões proféticas. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. nas horas em que repousa o nosso corpo físico. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. se poderá verificar a comunicação inter vivos. mas sóbrios. contudo. Cuidado. em “Missionários da Luz” —. (Destaques meus) Mas. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas.envolvem tantos companheiros promissores. com “revelações” sensacionais. o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia. por certo. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono. evoluídos ou não.

não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. imobiliza os esforços. pois as responsabilidades envolvidas são enormes. desejo de aprender. porém. que estuda o sono. o sonho e o desdobramento espiritual. uma observação ainda parece oportuna e necessária. que ressaltam dos textos que examinamos aqui. (destaques meus) Não faltam. longamente sopitados durante a vigília. do que as de vigília. transmitindo mensagens de outros planos. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas. dessa obra.esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. ante qualquer surpresa menos agradável. diante de semelhante gênero de tarefa. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos. temor. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência. efetuam incursões nos planos do Espírito. profundas meditações e cautelosa aplicação prática. A prece será sempre boa conselheira. ainda mesmo quando ligados a envoltórios inferiores. na ansiosa expectativa. para o nosso desenvolvimento espiritual. extravasam em todas as direções. com real proveito para o nosso trabalho e. pois. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. nos quais funcionaram como médiuns. nossos médiuns contam-nos episódios em que participaram de trabalhos no plano espiritual. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade. em “Nos Domínios da Mediunidade”: — “Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros”. esta observação. porém. por exemplo. à maneira do molusco que se refugia na própria concha. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. Em casos de meu conhecimento. (Destaques meus) Aliás. pois. desdobrados. nos domínios psíquicos. Vejamos. 175 . seria bom reler todo o capitulo 11 — “Desdobramento em serviço”. não. André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. a par de recomendações óbvias. atenção com a saúde do corpo físico. Cautela. Insistimos. principalmente as que se adestraram para esse fim. que considerável número de pessoas. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. já nos parágrafos finais do capitulo: “É imperioso notar. Do ponto de vista do Espírito. por falta de educação espiritual. na esfera de fenômenos inabituais. inconscientemente. sim. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. de “Mecanismos da Mediunidade”. Habituados à orientação pelo corpo físico. (Destaques meus) Ouçamos agora Aulus. a maioria se vale. não resta dúvida de que são mais vivas. muitas vezes. verdadeiramente sentida e vivida”. É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. também lá. Por outro lado. cuidado com a alimentação. Infelizmente. Com freqüência. transformando-se. tanto quanto o capitulo 21 — “Desdobramento”. Antes de encerrar estas notas. O temor paralisa. sempre que para isto se prepararam devidamente. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica”. essas horas. certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. para servir melhor. logicamente.

muito pessoal. de volta à luz abençoada do Senhor. pela própria natureza das experiências que procura transmitir. fingimentos “inocentes”. chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. perfeitamente. porém. depois de já desdobrado do corpo físico. por exemplo. e até milenares. A riqueza de emoções. dos pesos. de que ele é mesmo um depoimento pessoal. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. mas subimos também nós. O grupo merece e exige cuidados muito especiais. em inglês (rescue work). essencialmente humana. em modestas posições de meros aprendizes. ao encontrar-se em plano muito elevado. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação. ou separado dele definitivamente. cujas reações podemos prever. afirmava-se cada vez mais intensa”. um desdobramento. seculares. O trabalho de doutrinação.É possível. pela razão. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. Não há nele espaço para meias-verdades. estudar e repetir à vontade. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria. Aqui e ali. enquanto nosso corpo repousa. o que o torna uma atividade do coração. ferramenta de trabalho. sob a qual possam contemplar suas imperfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. dedicação constante. 176 . em “Nosso Lar”. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. de profundo e sincero amor fraterno. por vezes. das medidas. cansados das lutas do dia. Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. por sua vez. só é possível em clima de total doação. reta e iluminada? RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. na frieza clássica dos números. em “Nosso Lar”. participamos de tais atividades. pela desencarnação? Não temos o direito de por sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. (Destaques meus) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. André Luiz. como. em mais de uma década. não é a que se realiza em torno da mesa. Eu sabia. não são quantidades físicas de substâncias químicas. indiferença ou comodismos. capítulo 36 — “O Sonho”. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. Seu objeto é o ser humano. Aproximemonos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do paço profundo e escuro. em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. que me parece muito simples e válida. no dia da sessão. Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. de empatia. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. ou preferimos a estrada que sobe. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados.

a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. como as obras complementares. ele é também gente. devem ficar bem definidos. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. ou de “O Livro dos Médiuns”. neste livro. Leia você. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. O aprendizado tem que ser constante. Citarei um pequeno incidente. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. infinitamente mais experimentados do que nós. Encarnada e desencarnada. Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. observações que passaram despercebidas. como costumava fazer. absoluta. na sala de trabalho. em termos espirituais. Cada sessão é diferente. Muito bem. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos. dos companheiros espirituais. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. mas suficientemente flexível. como ficou dito e explicado alhures. que não hesitarão diante de nenhum recurso. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. de forma que. por várias razões. para consultá-lo. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. em hipótese alguma. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. É fácil testar essa verdade. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. porque nossa memória é falha. nada de ilusões: a medida de seu êxito. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. porque mesmo durante a leitura. pelos companheiros espirituais. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. não são apenas finalidades. O grupo tem que começar de maneira certa. para subsistir. serão remotas suas 177 . já lidas no passado. além de suas finalidades e objetivos. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. é precisamente a perseguição indormida. fosse tão importante. a mente divaga. ele será implacavelmente assediado. para as acomodações necessárias. para destruí-lo. objetivos e métodos. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio. porém. Quanto aos encarnados. revelar-se fecundo e promissor. É preciso criar para ele uma estrutura robusta. Assim. Por isso. leitor. Um grupo. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. ângulos insuspeitados. Se o trabalho que lhe for cometido. e lemos trechos substanciais. Segundo. o estudo é uma necessidade imperiosa. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. desde antes mesmo de constituir-se. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. seus métodos de trabalho. Primeiro.vigilância permanente. sem a participação do consciente. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. na fase de planejamento. então. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. aparentemente sem importância. nossos companheiros em torno da mesa. É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis.

por melhores que sejam as intenções. o único. no trabalho de doutrinação. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. a impor ritos e fórmulas mágicas. lembrei por aí. “amai os vossos inimigos”. Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. Usualmente. sempre o mesmo. a fim de que possam dar de si mesmos. Entre estas colocaria. para que possam trabalhar todos em harmonia. de pronto. creio que se referia especificamente ao amor em nós. Vemo-lo repetir-se a cada instante. Por isso. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. Para o doutrinador. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. a ditar ordens. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. O impacto do amor sincero. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também 178 . alguém precisa assumir a liderança. mas condições essenciais ao trabalho. no contexto de um grupo humano. em clima de segurança e confiança. como um general em campanha. O amor fraterno. para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. no coração de um irmão que sofre. e outras indispensáveis. O médium não deve dominar o grupo. tem que emergir das profundezas do ser. não são apenas frases bonitas. no qual nos doamos integralmente. para declamar aos Espíritos. pela simples razão de que. Liderança. e aquele outro. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. que não há doutrinadores perfeitos. O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. dizem os grandes instrutores. quer o companheiro aceite ou não.possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. porém. não é despotismo. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. como um movimento irreprimível. é uma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação. bem como a maneira de tratá-los e integrá-los no trabalho. Deus colocou em nós a fagulha do amor. o amor. nem ser dominado por ele. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. Ao criar-nos. sem dúvida alguma. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. a nossa entrega. ele é apenas mais um trabalhador. De minha parte. dificilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. o preceito evangélico do “amai-vos uns aos outros”. que julgue mais bem qualificados. como um todo. Se ele é também o dirigente humano. no livro. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. e não apenas fingido ou forçado. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. tem que ser sentido mesmo. Além dos demais pontos críticos.

por isso. somos irresistivelmente atraídos para Ele. Assim. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento. através do espaço infinito e do tempo imemorial. pelas trilhas do amor. quando conseguimos transmutar-nos em amor. ante os companheiros que sofrem. diria apenas uma palavra: — AMOR! 179 . Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. por isso. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo.infinita e.

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