Você está na página 1de 36

THOMAS EDUARD STOCKMEIER

AVALIAÇÃO DO CONTROLE DE DEFICIENTES FÍSICOS NO

AMBIENTE DE TRABALHO: O FENÔMENO DA SUB-SEGREGAÇÃO

DE DEFICIENTES FÍSICOS

Dissertação apresentada a American World


University como parte dos requisitos para
a obtenção do título de Doutor (Doctor of
Philosophy – PhD) em Administração de
Cuidados de Saúde (Health Care
Administration) com especialização (major)
em Medicina Ocupacional (Occupational
Medicine).

American World University

Julho de 2003
Dedicatória

Dedico esta tese para meus mestres em várias pós-graduações latu-sensu


e stricto-sensu que já realizei, sem os quais não teria esta bagagem de
conhecimentos que hoje possuo e que norteou-me no processo de
confecção deste material.

Dedico também as empresas que atuei e atuo, pois como médico do


trabalho foi nelas que forjei meu conhecimento de campo tanto de ordem
legal quanto técnica, conhecimento este que enriqueceu meu acervo Ad
Hoc.

Dedico aos colegas Médicos do Trabalho e Engenheiros de Segurança


que tanto me ajudaram no desenvolvimento profissional e prático.

Dedico finalmente aos trabalhadores, sem os quais não há razão de ser


para a existência de minha profissão e que são o objeto de estudo e
trabalhos de campo desta tese

Muito obrigado a tudo e todos

PhD Thomas Eduard Stockmeier

Médico do Trabalho
Higienista Ocupacional
Ergonomista
Perito Judicial
à minha família

Dedico finalmente a minha esposa, Cléria, e a meus filhos, Edward,


Bárbara e Victor, pela compreensão e apoio, tanto nos momentos bons
quanto ruins, nos fracassos e sucessos, nas alegrias e tristezas, que
compõem este colorido de nossa vida e conhecimento.

Muito obrigado a tudo e todos

PhD Thomas Eduard Stockmeier

Médico do Trabalho
Higienista Ocupacional
Ergonomista
Perito Judicial
Agradecimentos

• A CAMTER & BTE, minhas atuais empresas

• Aos Profs.: Hudson do Araújo Couto, Clayrton, Cincurá e Cláudio Silva;

• A MSS – Mineração da Serra do Sossego, empresa principal do grupo


da CVRD, para a qual minhas empresas prestam serviços;

• Aos colegas dos SESMTs – Serviço de Engenharia de Segurança e


Medicina do Trabalho, respectivamente da CAMTER & BTE.

• Aos Trabalhadores da CAMTER, BTE, MSS e empreiteiras


terceirizadas;

• A minha família, que próxima ou distante, me incentivou nessa jornada.

Muito obrigado a todos

PhD Thomas Eduard Stockmeier

Médico do Trabalho
Higienista Ocupacional
Ergonomista
Perito Judicial
RESUMO

Esta tese foi desenvolvida através de minha observação através de 16 anos de

prática quase que exclusiva as Medicinas ditas populacionais (Escolar, Militar, do

Trabalho), de que a o número de deficientes físicos presentes no ambiente de trabalho

é quase sempre o suficiente para atender a legislação, devido o grande número de

deficientes existentes na população, e essencialmente, os deficientes auditivos, que

acabam tomando o lugar de outros deficientes físicos que também necessitam ter “seu

lugar ao sol”, isto é, sua oportunidade de emprego.

Mesmo sabendo-se que existem leis que obrigam as empresas contratarem um

número variável de deficientes físicos, visando obviamente desmarginalizar o deficiente

físico e inseri-lo como peça produtiva no ambiente de trabalho, transformando-o de

“Tax user “ em “Tax payer”, isto é, ao invés de consumir impostos, gerar impostos, as

empresas quase sempre optam por contratar deficientes “menos deficientes”, isto é,

pririzam a contratação de deficientes auditivos e com pequenas amputações, em

detrimento dos deficientes mentais, visuais, físicos com grandes amputações ou

paralisias, além dos deficientes múltiplos, além dos muito velhos.

E estes trabalhadores mais deficientes acabam sofrendo uma sub-segregação, e

tendo dificuldades em inserir-se no mercado de trabalho devido uma falha na

legislação que não prevê oportunidade de trabalho para grupos específicos de

deficientes físicos, e sim refere-se apenas de uma maneira muito geral.

O estudo da população de deficientes de duas grandes empresas e suas

subempreiteiras mostra como a lei 8213/91 é falha neste aspecto, e necessita ser

urgentemente revista pelos políticos do país.


ABSTRACT

This thesis was developed through my observation through 16 years of almost

exclusive practice of the so-called Populations Medicines (Military Medicine, School

Medicine, Occupational Medicine), that the number of workers with disabilities in the

working environment almost always is enough to attend to legislation, due the big

number of workers with disabilities existing in the population, and essentially, the

hearing deficient, which finish also taking the place of other workers with disabilities who

need have “his place in the sun”, that are, his employment opportunity.

Even knowing how to that there are laws which oblige the companies contract a

variable number of workers with disabilities, aiming obviously not segregate the workers

with disabilities and inserted him as productive person in the working environment,

transforming him from “Tax user “ to “Tax payer”, that are, instead of to consuming

taxes, generate taxes, the companies almost always opt for hiring workers with

disabilities with “less deficient”, that is, prioritizing the contract of workers with hearing

disabilities and with small amputations, in detriment of the mental deficient, visual,

physical with great amputations or paralysis’s, multiple deficient, and very aged people.

And these more deficient workers with disabilities finish suffering a sub-

segregation, and having difficulties inserting themselves in the labor market, due a

failure in the legislation that do not foresee working opportunity for specific groups of

deficient physicists, and it yes just refers to of a very general manner.


The study of the population of workers with disabilities of two big companies and

his contracted companies shows how the law 8213/91 have failure in this aspect, and it

needs to be urgently covers by the political of the country.


INTRODUÇÃO.........................................................................................1
1.1 MOTIVAÇÃO........................................................................................................1
1.2 OBJETIVOS DO TRABALHO..............................................................................2
1.3 DESCRIÇÃO DO TRABALHO.............................................................................3
1.4 HISTÓRICO..........................................................................................................4
CARACTERÍSTICAS DO PROGRAMA DE CONTROLE DE
DEFICIENTES FÍSICOS NO TRABALHO.............................................12

CLASSIFICAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS.................................18


1.5 CLASSIFICAÇÃO DA NBR9050........................................................................18
O CÍRCULO VIRTUOSO DA INCLUSÃO DAS PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA.........................................................................................24

MINERAÇÃO DE DADOS......................................................................25
6.1 INTRODUÇÃO..................................................................................................25
6.2 LISTAS DE FUNCIONÁRIOS DEFICIENTES...................................................25
6.3 DISTRIBUIÇÃO DE FUNCIONÁRIOS DEFICIENTES POR EMPRESAS........26
CAPÍTULO 7..........................................................................................26

CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS.........................................27


CONCLUSÕES.......................................................................................................27
TRABALHOS FUTUROS........................................................................................27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................28
BIBLIOGRAFIA.....................................................................................................28

- III -
-1-

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

1.1 MOTIVAÇÃO

Esta ocorrendo nos últimos anos um verdadeiro resgate da questão da

aproveitabilidade ou reaproveitabilidade do deficiente físico no ambiente de trabalho,

seja este deficiente físico devido doenças ou acidentes não ocupacionais, seja ele

deficiente devido motivos ocupacionais (doenças ocupacionais, doenças do trabalho

e acidentes do trabalho).

Seja por motivos de ordem psicológica, dando ao deficiente a importante

sensação de que não é um fardo inútil, e sim um indivíduo produtivo; seja por

motivos de ordem diretamente econômica, ao gerar um gerador de impostos (tax

payer) e não um consumidor de impostos (tax user); ou seja por motivos de ordem

indiretamente econômica, ao gerar um consumidor em potencial, esta inserção ou

reinserção do deficiente físico no mercado de trabalho torna-se um fenômeno

crescente em vários países.

Além do mais, a presença obrigatória ou não aumenta o contingente de

indivíduos no chamado por Marx de “Exército Industrial de Reserva”, reduzindo de

maneira significativa os custos de mão de obra, pois aumenta de maneira radical o

número de desempregados ou empregados em potencial.

Os motivos acima mostram de maneira bem clara que seja por motivos

securitários, econômicos, humanitários e outros mais, que o deficiente tem

incentivos crescentes por parte de empresários que descobrem que estes


-2-

deficientes são curiosamente tão ou mais produtivos que os normais, como iremos

abordar nesta tese.

1.2 OBJETIVOS DO TRABALHO

Os objetivos principais deste trabalho são determinar de maneira comparativa a

produtividade dos deficientes físicos em relação a uma população normal.

Estimativas da OMS (Organização Mundial de Saúde) calculam em cerca de 610

milhões o número de pessoas com deficiência no mundo, das quais 386 milhões

fazem parte da população economicamente ativa. Avalia-se que 80% do total vivam

nos países em desenvolvimento.

No Brasil, segundo o Censo realizado em 2000 pelo IBGE – Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística e divulgado em 2002, existem 24,5 milhões de brasileiros

portadores de algum tipo de deficiência. O critério, utilizado pela primeira vez nesse

levantamento, foi o da CIF -Classificação Internacional de Funcionalidade,

Incapacidade e Saúde, recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Conforme esse conceito, 14,5% da população brasileira apresenta alguma

deficiência física, mental, ou dificuldade para enxergar, ouvir ou locomover-se.

Os dados do Censo mostram também que, no total de casos declarados de

portadores das deficiências, 8,3% possuem deficiência mental, 4,1% deficiência

física, 22,9% deficiência motora, 48,1% visual e 16,7% auditiva. Entre 16,5 milhões

de pessoas com deficiência visual, 159.824 são incapazes de enxergar, e, entre os

5,7 milhões de brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 não ouvem.


-3-

Trata-se de um universo expressivo de pessoas. Vários fatores fazem com que esse

número seja elevado, incluindo o fato de que estamos entre os países com maiores

índices de acidentes de trabalho e de violência urbana, o que contribui para o

aumento do número de jovens com deficiência.

O Censo mostra que, da totalidade de casos declarados como


portadores de alguma deficiência, estão assim divididos:

- 8,3% possuem deficiência mental;

- 4,1% deficiência física;

- 22,9% deficiência motora;

- 48,1% visual, e;

- 16,7% auditiva.

Entre 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual, 159.824 são


incapazes de enxergar, e entre os 5,7 milhões de brasileiros com deficiência
auditiva, 176.067 não ouvem. Trata-se de um universo expressivo de pessoas. Este
número elevado se deve ao fato de que estamos entre os países com maiores
índices de acidentes de trabalho e de violência urbana, o que contribui,
sobremaneira para o aumento do índice de jovens com deficiência.

1.3 DESCRIÇÃO DO TRABALHO

Esta pesquisa foi elaborada nas seguintes etapas: levantamento do total de

deficientes físicos a partir dos arquivos médicos da empresa, a posterior

classificação dos mesmos em seus respectivos sub-grupos de deficiência (auditiva,

física, visual, etc.), e a observação do resultado, além da implementação do PCDT –

Programa de Controle de Deficientes Físicos no Trabalho.


-4-

1.4 HISTÓRICO

ANTIGUIDADE

Os povos da antiguidade possuíam uma visão mística acerca da deficiência,

entendida como uma culpa por algum pecado cometido ou resultante da ação do

sobrenatural, inspirava o medo, a repugnância, e as pessoas com deficiência eram

exorcizadas.

Por outro lado, muitas deficiências podiam ser adquiridas, sendo comum nessa

época a prática da mutilação como forma de punição a não-obediência às regras

sociais ou mesmo como castigo aos guerreiros que perdiam uma batalha.

Na Grécia antiga, cultivou-se a visão espartana do homem forte e perfeito, e assim,

crianças que nasciam com deformidades podiam ser abandonadas em lugares

sagrados ou nas florestas. Por outro lado, os soldados mutilados em função de seus

atos heróicos nas guerras recebiam um tratamento mais digno, beneficiados com

práticas terapêuticas de cura e alívio como recompensa.

Na antiguidade remota e entre os povos primitivos, o tratamento destinado aos

portadores de deficiência assumiu dois aspectos básicos: alguns os exterminavam,

por considerá-los grave empecilho à sobrevivência do grupo e, outros, os protegiam

e sustentavam para buscar a simpatia dos Deuses, ou como gratidão pelos esforços

dos que se mutilaram na guerra.

Exemplo dos povos avessos aos deficientes são os Sirionos (antigos habitantes

das selvas da Bolívia), que por suas características de povo seminômade não se

podiam dar "o luxo" de transportar doentes e deficientes, abandonando-os à própria

sorte e os Balis nativos da Indonésia, que eram impedidos de manter contatos

amorosos com pessoas muito diferentes do normal. Os astecas também


-5-

segregavam, em campos semelhantes a jardins zoológicos, os deficientes, por

ordem de Montezuma, para que fossem ridicularizados. Os hebreus viam na

deficiência física, ou sensorial, uma espécie de punição de Deus e impediam

qualquer portador de deficiência de ter acesso à direção dos serviços religiosos.

Devemos considerar ainda que a Lei das XII Tábuas, na Roma antiga, autorizava

os patriarcas a matar seus filhos defeituosos, o mesmo ocorrendo em Esparta, onde

os recém-nascidos, frágeis ou deficientes, eram lançados do alto do Taigeto (abismo

de mais de 2.400 metros de altitude, próximo de Esparta).

Há, no entanto, exemplos opostos, de povos que sempre cuidaram de seus

deficientes, ou outros que evoluindo moral e socialmente, mudaram de conduta.

Os hindus, ao contrário dos hebreus, sempre consideraram os cegos, pessoas

de sensibilidade interior mais aguçada, justamente pela falta da visão, e

estimulavam o ingresso dos deficientes visuais nas funções religiosas.

Os atenienses, por influência de Aristóteles, protegiam seus doentes e os

deficientes, sustentando-os, até mesmo por meio de sistema semelhante à

Previdência Social, em que todos contribuíam para a manutenção dos heróis de

guerra e de suas famílias. Assim também agiam os romanos do tempo do Império,

quiçá, por influência ateniense. Discutiam, estes dois povos, se a conduta adequada

seria a assistencial, ou a readaptação destes deficientes para o trabalho que lhes

fosse apropriado.

Um exemplo mitológico da concepção antiassistencialista e profissionalizante é a

figura de Hefesto, que na obra "Ilíadas" de Homero, se apresentava como detentor


-6-

de grande habilidade em metalurgia e em artes marciais, a despeito de sua

deficiência nos membros inferiores.

IDADE MÉDIA

Com a chegada do Cristianismo pregando valores de amor ao próximo, o

tratamento aos doentes e deficientes é marcado por uma postura de caridade e de

tolerância. As diferenças e desigualdades entre os homens são agora aceitas com

resignação e fatalidade, conduzindo à prática do assistencialismo, surgindo nesse

momento o atendimento dessas pessoas nos hospitais e asilos mantidos pela igreja.

Por exemplo, na Idade Média a pessoa com hanseníase (doença contagiosa

conhecida popularmente como lepra) era banida da cidade e com alguma sorte

podia ser recolhida pelos 'leprozários'.

Amparados por essa ideologia cristã, presente desde a época do Feudalismo,

podemos identificar ainda hoje, em muitas instituições de atendimento à pessoa com

deficiência, um modelo paternalista e segregacionista.

Durante a Idade Média, já sob a influência do cristianismo, os senhores feudais

amparavam os deficientes e os doentes, em casas de assistência por eles mantidos;

por influência meramente religiosa, com a concepção de deficiência ora como

noções teológicas de possessão pelo demônio, ora como desígnios divinos.

Progressivamente, no entanto, com a perda de influência do feudalismo, veio à

tona a idéia de que os portadores de deficiência deveriam ser engajados no sistema

de produção, ou assistidos pela sociedade, que contribuía compulsoriamente para

tanto.
-7-

Na Europa, a França instituiu em 1547, através de Henrique II, assistência social

obrigatória para amparar deficientes, por meio de coletas de taxas e, em 1723, na

Inglaterra, fundou-se a Work House, que se destinava a proporcionar trabalho aos

deficientes, contudo foi ocupada pelos pobres que alijaram aqueles os quais seriam

protegidos, os portadores de deficiência.

Renascimento

Somente com o renascimento foi possível uma mudança significativa na posição da

sociedade frente à pessoa com deficiência, abrindo-se caminho para a ciência,

afastando-se da visão mística.

O avanço do conhecimento humano permite o desenvolvimento de técnicas de

reabilitação da pessoa com deficiência na área da educação e da medicina.

A ortopedia transforma-se em uma grande especialidade médica, desenvolvendo

próteses e aparelhos de apoio e correção de deformidades.

E foi com o Renascimento que a visão assistencialista cedeu lugar,

definitivamente, à postura profissionalizante e integrativa das pessoas portadoras de

deficiência. A maneira científica da percepção da realidade daquela época derrubou

o piegas estigma social que influenciava o tratamento para com as pessoas

portadoras de deficiência e a busca racional da sua integração se fez por várias leis

que passaram a serem promulgadas.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

No século XIX surgem escolas especializadas para cegos na Europa e EUA e é

desenvolvido o método Braille. A capacidade de trabalho das pessoas com

deficiência começa a ser valorizada e estas começam a aprender algum ofício.

Nessa época merece destaque Hellen Keller, cega e surda de nascença que,
-8-

educada por Ane Sullivan, passa a dedicar toda a sua existência ao trabalho para as

pessoas com deficiência.

A partir da Revolução Industrial aguçou-se o despertar da atenção para a

questão da habilitação e da reabilitação do portador de deficiência para o trabalho,

quando as guerras, epidemias e anomalias genéticas, deixaram de ser as causas

únicas das deficiências e o trabalho em condições precárias passou a ocasionar os

acidentes mutiladores e as doenças profissionais, sendo necessária à própria

criação do Direito do Trabalho e um sistema eficiente de Seguridade Social, com

atividades assistenciais, previdenciárias e de atendimento da saúde, bem como a

reabilitação dos acidentados.

Na Idade Moderna (a partir de 1789), vários inventos se forjaram com intuito de

propiciar meios de trabalho e locomoção aos portadores de deficiência, tais como a

cadeira de rodas, bengalas, bastões, muletas, coletes, próteses, macas, veículos

adaptados, camas móveis e etc.

No ano de 1827, foi criado pelo francês Louis Braile, o Código Braile, quando

tinha 18 anos, após ter perdido a visão aos 3 anos de idade e propiciou a perfeita

integração dos deficientes visuais ao mundo da linguagem escrita. Em 1852 o

Método Braille foi oficialmente adotado na Europa e na América.

Fundaram-se organismos nacionais de apoio a portadores de deficiência, nos

séculos XIX e XX, entre os quais o Relief of Ruptured and Criplled, atual Hospital de

Manhattam, Society and Home for Cripples, na Dinamarca.

Vale ressaltar ainda o papel relevante de portadores de deficiência ao longo da

história recente, apesar de seus limites físicos ou sensoriais, justamente superando-


-9-

os e demonstrando a adaptabilidade humana às adversidades, desde que se

viabilizem meios para tanto. O compositor Ludwig Van Beethoven, que tinha

impedimentos no sistema auditivo, o escritor português cego, Antonio Feliciano de

Castilho, o escultor brasileiro, Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), Lord Byron,

grande poeta e herói da guerra de libertação da Grécia e Helen Keller, nos Estados

Unidos, são exemplos notáveis.

Século XX

Sob a tutela do Estado, os "loucos", "incapazes" e "deficientes", até então

reclusos nas casas de internação, iniciam sua participação nas relações sociais e de

trabalho. Passam a exercer sua cidadania no rastro das mudanças sociais,

alavancadas pela revolução industrial que veio determinar maior necessidade de

mão-de-obra. Os programas de reabilitação contemplam o treinamento profissional

da pessoa portadora de deficiência visando o desenvolvimento de suas capacidades

e potencialidades.

Porém, o grande momento da reabilitação ocorre mesmo no século XX, com o

avanço tecnológico, o progresso das ciências e uma postura filosófica mais

engajada com o bem-estar do ser humano.

Pelo mundo inteiro são criadas instituições especializadas no atendimento das

deficiências e implantados programas de reabilitação. Organizações

intergovernamentais como a ONU (Organização das Nações Unidas), OMS

(Organização Mundial da Saúde) e UNESCO (Organização das Nações Unidas para

a Educação, a Ciência e a Cultura) passam a dar apoio, criando um intercâmbio de

conhecimentos a respeito da pessoa com deficiência, que também passa a se

organizar e lutar pelos seus direitos.


- 10 -

Estamos próximos do fim de um longo período de exclusão social.

As últimas décadas

Em 1971 a assembléia geral da ONU proclamou a "Declaração dos Direitos das

Pessoas com Retardo Mental", e em 1975 aprovou a "Declaração dos Direitos das

Pessoas Deficientes".

Esses documentos internacionais enfatizam a não-discriminação, o respeito à

dignidade, aos direitos civis e políticos do deficiente e ao direito aos tratamentos que

asseguram o desenvolvimento máximo de suas potencialidades, atendendo às suas

necessidades especiais.

Algumas pessoas podem se lembrar que 1981 foi eleito pela ONU como "Ano

Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência" e as nações discutiram o princípio

da "participação e igualdade plenas".

A equiparação de oportunidades e acessibilidade aos bens e serviços da sociedade

vai se concretizando nessa década com a aprovação do PAM - Plano de Ação

Mundial para a Pessoa Portadora de Deficiência (1982).

Na área do trabalho teve grande importância a Convenção 159 da OIT (Organização

Internacional do Trabalho), realizada em Genebra em 1983, que provocou nos

países membros a tomada de medidas para a formação profissional, colocação e

emprego de pessoas com deficiência.

Nessa década o termo integração, até então muito utilizado, foi cedendo lugar ao

conceito de "inclusão", que traz definitivamente uma mudança quanto ao lugar da

deficiência nas relações sociais.


- 11 -

Começou-se a falar de sociedade inclusiva, empresa inclusiva, termos que

ganharam mais força na década de 90.

O documento da UNESCO intitulado "Declaração de Salamanca" (1994) representa

um grande passo na construção de uma "sociedade para todos". Ao tratar da

democratização da educação esse documento recomenda as práticas educacionais

inclusivas, que respeitam as diferenças entre os alunos, garantindo dessa forma o

alicerce de uma sociedade mais justa e solidária, visto que é na educação que o

processo de mudança social tem início.


- 12 -

CAPÍTULO 2

CARACTERÍSTICAS DO PROGRAMA DE CONTROLE DE


DEFICIENTES FÍSICOS NO TRABALHO

A empresa que contrata deve ter um programa estruturado de recrutamento,

seleção, contratação e desenvolvimento de pessoas com deficiência, e não apenas

contratar formalmente para cumprir a lei. Embora a implementação de um programa

abrangente possa parecer mais complicada, ele garante que os esforços

despendidos na contratação não sejam desperdiçados. Se o profissional portador de

deficiência tiver atribuições claras e definidas, e receber treinamento adequado para

desenvolvê-las, ele terá responsabilidades e será produtivo como os outros

funcionários.

O programa de controle de deficientes físicos no trabalho – PCDT, tem como

objetivos fundamentais:

• Manter o rígido controle do número mínimo de deficientes que a

legislação determina como funcionários efetivos da empresa;

• Classificar os deficientes por grupos (visuais, auditivos, mentais, físicos,

velhos, etc...);

• Enumera-los em listas.

• Cuidar para que as tarefas previstas em suas funções sejam compatíveis

com suas deficiências;

• Treinar os colegas normais para que saibam abordar os vários tipos de

colegas deficientes físicos existentes no ambiente de trabalho;

• Treinar os deficientes físicos de modo a poderem executar com

segurança as suas funções;


- 13 -

• Conscientizar a gerência da empresa para que não ocorram nenhuma

forma de segregaçãop ou isolacionismo dos deficientes físicos no

ambiente de trabalho;

• Conscientizar o SESMT – Serviço de Engenharia de Segurança e

Medicina do Trabalho da necessidade de ter deficientes físicos no

ambiente de trabalho e a conseqüente readaptação dos critérios

admissionais médicos para o mínimo compatível para o exercício da

função.
- 14 -

CAPÍTULO 3

DEFINIÇÃO DE DEFICIÊNCIA

Deficiência (impairment) - diz respeito a uma anomalia de estrutura ou uma anomalia

de aparência do corpo humano e do funcionamento de um órgão ou sistema,

independentemente de sua causa, tratando-se em princípio de uma perturbação de

tipo orgânico.

Incapacidade (disability) - reflete as conseqüências de uma deficiência no âmbito

funcional e da atividade do indivíduo, representando desse modo uma perturbação

no plano pessoal.

Desvantagem (handicap) - refere-se às limitações experimentadas pelo indivíduo em

virtude da deficiência e da incapacidade, refletindo-se, portanto, nas relações do

indivíduo com o meio, bem como em sua adaptação ao mesmo.

(Secretaria Nacional de Reabilitação - Organização Mundial de Saúde, 1989).

O que é deficiência: definição legal

Quem são as pessoas com deficiência? Qualquer nível de limitação ou prejuízo

físico, sensorial ou mental, um problema de saúde crônico ou permanente que afete

o bem-estar de uma pessoa pode ser considerada uma deficiência?

Muitas pessoas são portadoras desses problemas e acreditam que sim,

considerando-se como pessoas com deficiência.

Na realidade existem critérios legais que definem o que é uma deficiência e quem

são as pessoas. Essa legislação difere entre os países; enquanto para alguns uma

pessoa com problemas cardíacos é considerada deficiente, a legislação brasileira

não inclui esse tipo de limitação de saúde como tal.


- 15 -

Em nossa experiência verificamos uma situação que pode até parecer socialmente

injusta, como o exemplo de uma pessoa que se apresentou como deficiente porque

sofreu um transplante renal: por possuir restrições permanentes de saúde, sentiu

claramente a discriminação do mercado de trabalho, e ao candidatar-se a uma vaga

reservada para pessoas com deficiência infelizmente não se enquadrou na

legislação referente.

Acreditamos na necessidade de uma discussão sobre essas questões, mas no

momento trataremos apenas do que está vigente na Lei.

No Brasil, o Decreto n° 3.298, de 20 de dezembro de 1999, regulamenta a Lei n°

7.853, de 24 de outubro de 1989, e dispõe sobre a Política Nacional para a

Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.

Em seu art. 3º para efeito deste Decreto considera-se:

I - deficiência - toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica,

fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade,

dentro do padrão considerado normal para o ser humano:

II - deficiência permanente - aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um

período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter a probabilidade de

que se altere, apesar de novos tratamentos.

III - Incapacidade - uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração

social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais

para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações

necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a

ser exercida.
- 16 -

Art. 4º - É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas

seguintes categorias:

I - Deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do

corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se

sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia,

tetraparesia, tripesia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de

membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida.

II - Deficiência auditiva - perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras,

variando de graus e níveis na seguinte forma:

a) de 25 a 40 db - surdez leve;

b) de 41 a 55 db - surdez moderada;

c) de 56 a 70 db - surdez acentuada;

d) de 71 a 90 db - surdez severa;

e) acima de 91 db - surdez profunda;

f) anacusia.

III- Deficiência visual - acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho,

após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen), ou

ocorrência simultânea de ambas as situações;

IV - Deficiência mental - funcionamento intelectual significativamente inferior à

média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou

mais áreas de habilidade adaptativa, tais como:

a) comunicação

b) cuidado pessoal

c) habilidades sociais
- 17 -

d) utilização da comunidade

e) saúde e segurança

f) habilidades acadêmicas

g) lazer

h) trabalho

V - Deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências.

Podemos observar que a definição legal brasileira está apoiada essencialmente em

termos médicos, o que requer uma solicitação de laudos de especialistas no caso de

maiores esclarecimentos quanto à comprovação da deficiência.

Essa definição é determinante no momento de contratar pessoas com deficiência.

Todavia, em nossa prática observamos ser uma questão ainda complexa. No plano

jurídico nem sempre confirmamos a presença da deficiência que o candidato alega e

o laudo médico descreve, pois não se "encaixaria" em nenhuma categoria descrita.

Na realidade, tais categorias reduzem o leque de possibilidades, havendo em muitos

casos a condição clara de uma anormalidade na estrutura ou função que a priori

coloca o candidato na condição de deficiente. Dúvidas dessa natureza indicam a

necessidade de ampliarmos a discussão sobre quem é de fato a pessoa com

deficiência, e também em relação à própria lei de reserva de vagas que contempla

somente esse segmento de pessoas.


- 18 -

CAPÍTULO 4

CLASSIFICAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS

A Classificação dos deficientes físicos uitilizada neste trabalho é a adotada pela

norma NBR9050 de setembro/1995 – ADEQUAÇÃO DAS EDIFICAÇÕES E DO

MOBILIÁRIO URBANO À PESSOA DEFICIENTE, embora existam muitas outras

formas de classificação.

1.5 CLASSIFICAÇÃO DA NBR9050

• Deficiência física (deficiência ambulatórial total)

Deficiência que, independentemente de causas ou manifestações, confinam o

indivíduo à cadeira de rodas.

• Deficiência física (deficiência semi-ambulatória)

Deficiência que faz indivíduos amputados, artríticos, espasmódicos e aqueles com

males cardíacos e pulmonares, andar com dificuldades ou insegurança, usando ou

não aparelhos ortopédicos.

• Deficiência visual

Cegueira total ou danos afetando a visão até o ponto em que o indivíduo, andando

em áreas públicas, fique inseguro ou exposto ao perigo.

• Deficiência auditiva e de expressão


- 19 -

Deficiência que faz o indivíduo inseguro em áreas públicas, por sua incapacidade de

comunicar-se ou ouvir os sinais de advertência.

• Deficiência de coordenação motora (paralíticos cerebrais)

Deficiência que ocasiona falta de coordenação motora, decorrente de perturbações

cerebrais (desde leves até paralisia cerebral, traumática ou neurológico-periféricas.

• Deficiências reumáticas

Deficiências que ocasionam mobilidade restrita, decorrente de febre reumática,

reumatismo articular, paralisia da espinha dorsal, artrose, e outras dores de coluna,

vertebrais e/ou Reumáticas musculares.

• Velhice

Deficiência que reduz efetivamente a mobilidade, flexibilidade, coordenação motora

e percepção, em indivíduos em idade avançada e que não se enquadram nos casos

anteriores.

• Pessoas deficientes

Pessoas portadoras de limitações de suas capacidades físicas e/ou mentais.

OUTRAS CLASSIFICAÇÕES

As pessoas portadoras de deficiência, como a própria expressão já

explica, são aquelas que têm uma:

• deficiência de locomoção,

• física,
- 20 -

• sensorial ou

• mental

a qual dificulta o convívio com a sociedade do jeito que ela está, ou

seja, sem que se processe nenhuma adaptação. Estas pessoas necessitam de

cuidados especiais e de certas adequações da estrutura física e arquitetônica das

cidades, além de uma sociedade consciente, é claro, da importância da valorização

da dignidade da pessoa humana para que possam exercitar todos os seus direitos

com igualdade de oportunidades. Todavia, durante o desenvolvimento das

sociedades, desde a Antigüidade, pode-se perceber que muitas delas não

acolheram as pessoas que portavam deficiências.

CONVENÇÃO N° 159 DA OIT

A Convenção da OIT nº 159, de 1983, ratificada pelo Brasil através do

Decreto Legislativo nº 51, de 28 de agosto de 1989 conceitua o portador de

deficiência no art. 11, da seguinte forma:

“Para efeitos da presente Convenção, entende-se por 'pessoa deficiente' todo

indivíduo cujas possibilidades de obter e conservar um emprego adequado e de

progredir no mesmo fiquem substancialmente reduzidas devido a uma deficiência de

caráter físico ou mental devidamente reconhecida“.

DECRETO N. 3.298, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1999

O termo deficiência significa falta, lacuna, imperfeição ou


insuficiência. Do ponto de vista médico, deficiência refere-se à
incapacidade de uma ou mais funções da pessoa; sob o aspecto
- 21 -

econômico, deficiência exprime dificuldade a ser vencida para melhor


produzir, e sob a perspectiva jurídica, a deficiência é fixada pela lei1.

O Decreto n. 3.298, de 20 de dezembro de 1999, em seu art. 3º,


inciso I, considera deficiência , como a “perda ou anormalidade de uma
estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere
incapacidade para o desempenho da atividade, dentro do padrão
considerado normal para ser humano.”

Os artigos 3º e 4º do Decreto n. 3.298, de 20 de dezembro de


19992 definem deficiência, enquadrando as pessoas portadoras de
deficiência em categorias, quer sejam a deficiência física, a auditiva,
visual, mental e deficiência múltipla.

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DOS DEFICIENTES

A Declaração dos Direitos dos Deficientes, adotada pela


Assembléia Geral do ONU, por intermédio da Resolução n. 3.477, de 09
de dezembro de 1975, em seu artigo 1º conceituou o portador de
deficiência como “toda pessoa em estado de incapacidade de prover por
si mesma, no todo ou em parte, as necessidades de uma vida pessoal ou
social normal, em conseqüência de uma deficiência congênita ou não de
suas faculdades físicas ou mentais.”

ORDEM DE SERVIÇO CONJUNTA MPAS/INSS N.90

A Ordem de Serviço conjunta MPAS/INSS n.90, de 27.10.98, em


termos genéricos, estabeleceu no item 3.2. que “pessoa portadora de
deficiência é aquela que apresenta em caráter permanente, perdas ou
anormalidades de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou

1
Na Espanha, o termo utilizado é minusválidos ou inválidos; na Itália, disabili; em
Portugal, diminuídos ou pessoas deficientes; na França, handicapés; na Alemanha,
behinderunge; Nos Estados Unidos da América do Norte, persons with disabilities ou
handicapped persons; na Argentina, discapacitados.
2
O Decreto n. 3.298, de 20 de dezembro de 1999 regulamenta a Lei n. 7.853, de 24
de outubro de 1989.
- 22 -

anatômica, que gerem incapacidade para o desempenho de atividade,


dentro do padrão considerado normal para um ser humano”.

RECOMENDAÇÃO N° 99, DE 1955, DA OIT

No plano internacional, a Recomendação n° 99, de 1955, da


Organização Internacional do Trabalho, refere-se à adaptação e à
readaptação profissional dos “inválidos” designando como deficiente, toda
pessoa cujas possibilidades de obter e conservar emprego adequado
fiquem realmente reduzidas, devido a uma diminuição de sua capacidade
física ou mental.
- 23 -

CAPÍTULO 5

BASES LEGAIS

A Lei nº 8.213/91 fixa os seguintes percentuais: "A empresa com 100 (cem) ou

mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por

cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de

deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:

até 200 empregados 2%

de 201 a 500 empregados 3%

de 501 a 1.000 4%

de 1001 em diante 5%

A Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, neste diapasão, impõe que a União

reserve, em seus concursos, até 20% das vagas a portadores de deficiências,

havendo iniciativas semelhantes nos Estatutos Estaduais e Municipais, para o

regime dos servidores públicos.


- 24 -

O CÍRCULO VIRTUOSO DA INCLUSÃO DAS PESSOAS COM


DEFICIÊNCIA

A empregabilidade da
pessoa com deficiência é
posicionada como prioridade
do negócio

A empresa seleciona e
A empresa inclusiva contrata pessoas com
alcança benefícios deficiência segundo seu
comerciais e de potencial para o trabalho
imagem Institucional.

A empresa estimula a Os empregados portadores de


inclusão entre deficiência participam de
empregados, clientes, programas de formação e
fornecedores. Consumidores qualificação.
e acionistas.

O mercado atrai mais pessoas


com deficiência e premia seus Amplia-se a capacidade para
esforços por qualificação e sua o desenvolvimento de novos
contribuição. produtos e processos na
empresa e nos negócios.

As pessoas com deficiência


melhoram sua remuneração
e ocupam mais postos
estratégicos

*dados do Instituto Ethos


- 25 -

CAPÍTULO 6

MINERAÇÃO DE DADOS

6.1 INTRODUÇÃO

Os dados desta pesquisa foram obtidos utilizando-se do levantamento de

dados nos prontuários médicos de duas grandes empresas e suas respectivas

empresas contratadas, quando foram listados os funcionários deficientes e

classificados segundo os critérios de classificação nos grupos aos quais deveriam

pertencer, no caso somente encontramos deficientes auditivos e deficientes físicos

com pequenas amputações.

...

6.2 LISTAS DE FUNCIONÁRIOS DEFICIENTES

Foi realizada a listagem de funcionários deficientes em relação a população

total de trabalhadores, e foram encontrados os seguintes valores:

• 254 Funcionários portadores de deficiência do tipo auditiva;

• 14 Funcionários portadores de deficiência do tipo física.

O o total de trabalhadores é de 2293 funcionários ( BTE & Subcontratadas) e de 600

da CAMTER, totalizando 2893 funcionários.

O total de deficientes físicos é de 268, o que resulta numa percentagem de 9,26%,

do total de funcionários, o que atende plenamente a legislação de deficientes físicos

do Brasil que em sua Lei 8213/91 determina um mínimo de 5% de deficientes físicos

para empresas acima de 1000 funcionários.


- 26 -

O problema é que há uma grande ausência de deficientes visuais, grandes

deficientes físicos (com dificuldades de locomoção), e deficientes mentais.

Os principais motivos pela não contratação de funcionários assim seriam:

• A dificuldade em adaptá-los ao ambiente de trabalho;

• Dificuldades em adaptar os outros trabalhadores, de nível cultural muito

baixo, a respeitarem os deficientes físicos;

• E a pior de todas, é que com o número legal de funcionários deficientes já

contratado (quase o dobro do necessário), não há o mínimo interesse por

contratar-se os outros tipos de deficientes físicos, o que define-se como o

fenômeno de sub-segregação dos deficientes físicos.

6.3 DISTRIBUIÇÃO DE FUNCIONÁRIOS DEFICIENTES POR

EMPRESAS

EMPRESA DEFICIÊNCIA Nº DEFICIENTES Nº FUNCIONÁRIOS


BTE AUDITIVA 168 2293
FÍSICA 11
CAMTER AUDITIVA 86 600
FÍSICA 3
TOTAL 268 (9,26%) 2893

Pode-se observar pela tabela acima que mesmo os deficientes físicos com

pequenas amputações também sofrem segregação, o que novamente demonstra e

confirma a tese de que a lei 8213/91 necessita correção.

CAPÍTULO 7
- 27 -

CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS

CONCLUSÕES

A contratação pelas empresas e a adaptação dos deficientes físicos ao

ambiente de trabalho das próprias trata-se de um grande desafio para a gerência da

empresa, o serviço de medicina do trabalho e o departamento de Recursos

Humanos, pois isto obriga a realização de uma constelação de adaptações, desde a

implantação de ferramentas e móveis adaptados aos deficientes físicos, e

culminando com a observação da adaptação dos mesmos no ambiente de trabalho;

por isto mesmo, as empresas tem preferência absoluta em contratar os deficientes

auditivos, apesar de todo estigma que estes criaram no passado através

essencialmente de processos trabalhistas que moviam contra as empresas alegando

e comprovando dano físico e moral pelo surgimento e ou agravação de perda

auditiva induzida pelo ruído ocupacional ( PAIRO).

TRABALHOS FUTUROS

A meu ver, a principal ação que deve ser tomada de imediata é uma correção

na legislação que obriga a contratação de deficientes físicos, através da obrigação

de contratação detalhada, isto é, através dos subgrupos da classificação de

deficientes físicos, e não genérica como a atual legislação permite.


- 28 -

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BIBLIOGRAFIA

FIGUEIREDO, Guilherme José Purvin de. A pessoa portadora de deficiência e o


princípio da igualdade de oportunidades no Direito do Trabalho, in Direitos da
pessoa portadora de deficiência. São Paulo: Max Limond; 1997

MAZZILI, Hugo Nigro. O deficiente e o Ministério Público. Revista Jurídica, v.50, n.


141, 1988.

OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Proteção Jurídica ao Trabalho dos portadores de


deficiência, in Discriminação (coord. Márcio Túlio Vianna e Luiz Otávio Linhares
Renault). São Paulo: LTr; 2000

PASTORE José. Oportunidade de trabalho para portadores de deficiência. São


Paulo: LTr; 2000.

SANSEVERINO, Luisa Riva. Curso de Direito do Trabalho. Trad. Elson Gottschalk.


São Paulo: LTR; 1976

VILLATORE, Marco Antônio César. O Decreto n. 3.298, de 20.12.99 – A pessoa


portadora de deficiência no Direito do Trabalho brasileiro e o tema no direito do
Trabalho comparado. Revista LTr 64-05/619.

CONSTITUIÇÃO Federal – Código Civil – Código de Processo Civil. Organizador


Yussef Said Cahali. 4. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2002.

CONSTITUIÇÃO Federal – Consolidação das Leis do Trabalho – Legislação


Previdenciária Organizador Nelson Mannrich. 3. ed. rev., atual. e ampl. São
Paulo: RT, 2002.

CENSO 2000. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 27 ago. 2002.


- 29 -

REDE Saci (Organização Não Governamental – Solidariedade, Apoio,


Comunicação e Informação). Disponível em: <http://www.saci.org.br>. Acesso
em: 24 ago. 2002.

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Eficácia das normas constitucionais sobre
justiça social. Revista de Direito Público, n. 57/58, p. 236-237, jan./jul. 1981.

MINIDICIONÁRIO Houaiss da Língua Portuguesa / Antônio Houaiss e Mauro de


Salles Villar, elaborado no Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de
Dados da Língua Portuguesa S/C Ltda. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

PASTORE, José. O trabalho dos portadores de deficiência. Disponível em:


<http.//www.josepastore.com.Br>. Acesso em 24 ago. 2002.

PASTORE, José. Oportunidade de trabalho para deficientes. São Paulo: LTR, 2000.

FONSECA, Ricardo Tadeu Marques da. A inserção do deficiente no mercado de


trabalho. Disponível em: <http.//www.ambitojuridico.com.br>. Acesso em 25 ago.
2002.

Pessoa com deficiência, trabalhador eficiente. Manual da inclusão do deficiente no


mercado de trabalho. Disponível em: <http.//www.pgt.mpt.gov.Br>. Acesso em
24 ago. 2002.

MANUAL O que as empresas podem fazer pela inclusão das pessoas com
deficiência. Disponível em: ttp.//www.ethos.org.Br>. Acesso em 26 ago. 2002.

DIAS, Luiz Claúdio Portinho. O panorama atual da pessoa portadora de deficiência


física no mercado de trabalho. Disponível em:
<http.//www.ibap.org/ppd/artppd/artppd_lcpd01.htm>. Acesso em 31 ago. 2002.