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Organização, Amor e Conhecimento

Como mudar o mundo?

Organização, Amor e Conhecimento

João Felipe Chiarelli Bourscheid

Livre de direitos autorais

Como mudar o mundo? Organização, Amor e Conhecimento João Felipe Chiarelli Bourscheid Livre de direitos autorais

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Como mudar o mundo? Organização, Amor e Conhecimento João Felipe Chiarelli Bourscheid Livre de direitos autorais

Organização, Amor e Conhecimento

Coautores

Abaixo cito as principais pessoas que me ajudaram a chegar às experiências e conclusões abordadas nesse livro, portanto, os coautores dessa brochura.

Marlon Sigales, Marcelo Coelho, Lusia Vilela,

Kauane Azambuja, Egner Aires, Ísis Boff, Otávio Abraão, Lucas Pereira, Vivi Chiarelli, Vinicius Aquino, Genaro Ceppo, Níkolas Correa, Lucas Sosa, Eddie Herrera, Pedro Ruan, Cristiano Porto, Jake, Luiz Veiga, Carol Alexandre, Demétrius Da Rosa, Vivian Campos, Ana Flávia Fagundes, Ethiane Zimermann, Helena Wessely, Matheus Rodeghiero, Letícia Covaltesky, Matheus Midon, Nícolas Ávila, Rodrigo Gottinari, Rafael Costa, Alison Orcelli, Gustavo Fernandes, Júlia Moraes, Lucas Moraes, Heron Santos,

Mateus, Gabi, Alexandre, Rob, Sujeira, Bruno Azambuja, Michel Rodrigues, Jean Carpe, Íris Vitória, Larissa Lima, Mariana Leal, Oscar Kremer, Caterine Ribeiro, Maxwell Oliveira, Arthur Lima, Bruna Villar, Victor Iturriet, Jander Tessmer, Guilherme de Freitas, Claus Tessman, Frederico Blank, Ítalo Nolasko, Renan Grim, Guilherme Fang, Rodrigo Lima, Humberto Lima, Franscielle Decker, Jéssica Ferreira, Rodrigo Ulguim, Nicolas Pires, Felipe Maeski, Leonardo Knuth, Jardel Vaz.

Lima, Franscielle Decker, Jéssica Ferreira, Rodrigo Ulguim, Nicolas Pires, Felipe Maeski, Leonardo Knuth, Jardel Vaz. 3

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Lima, Franscielle Decker, Jéssica Ferreira, Rodrigo Ulguim, Nicolas Pires, Felipe Maeski, Leonardo Knuth, Jardel Vaz. 3

Organização, Amor e Conhecimento

Introdução

Esse livro é uma compilação de idéias desenvolvidas por mim a partir de estudo de algumas literaturas afins, mas principalmente vindas da prática que eu tentei realizar para uma transformação no Mundo, entre meus 12 e 19 anos. Ele também vem responder a necessidade da carência de obras que indiquem ao invés de porque deveríamos mudar o Mundo ou para que tipo de Mundo deveríamos mudar precisamente como devemos fazer uma mudança. É claro, não dá para desmerecer os dois primeiros pontos, mas esses ficarão fora do escopo desse livro. Vou apenas assumir para ficar mais claros algumas partes doravante que o Mundo ideal para esse autor (eu) é um Mundo com menos instituições ou mais precisamente: sem instituições.

Sucintamente minha história se resume a ter nascido numa família de classe média cujos meus pais tiveram grande influência sobre mim com ideias a respeito do Comunismo; acabei participando do partido do meu pai (PCML Partido Comunista Marxista Leninista) o que me influenciou a participar do movimento estudantil durante meu ensino fundamental (Escola Estadual Monsenhor Queiroz Pelotas/RS); quando ingressei numa escola técnica (Centro de Educação Tecnológica Federal, atual Instituto Federal Sul-rio-grandense campus Pelotas) durante meu ensino médio já dedicava quase toda minha vida para a causa do Comunismo em geral, e para o PCML em particular; nessa época começou minhas desavenças e acabei saindo do partido; experimentei formas de organizar minha turma e mais tarde acabei fundando o movimento Legião Organizada, que teve grande influência de meus colegas principalmente os que na época eram repetentes que me levaram a andar/sair na rua; durante todo o ensino médio fiz várias experiências de como organizar tal grupo, fazendo críticas às

na rua; durante todo o ensino médio fiz várias experiências de como organizar tal grupo, fazendo

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na rua; durante todo o ensino médio fiz várias experiências de como organizar tal grupo, fazendo

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maneiras anteriores sempre tentando melhorar; o grupo cresceu consideravelmente e fui conhecendo muita gente que teve grande influência sobre mim; acabei abandonando a LO e fundei a 02LO com o objetivo de dar autonomia e ver até que ponto as pessoas iriam continuar a se organizar; apesar de não ter funcionado muito bem serviu de grande experiência para verificar várias falhas; acabei brigando feio com uma dessas pessoas que me influenciaram bastante sem que fosse minha intenção, servindo isso também de experiência; também serviram de experiência os momentos que as pessoas entraram em estado de depressão, desanimando e não indo mais às atividade; sem terminar o curso técnico, servi ao quartel (9º Batalhão de Infantaria Motorizada) e cursei o primeiro semestre do curso de teatro (Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Pelotas); também saí da casa de meus pais e atualmente moro na sede do movimento Legião Organizada, que também foi uma experiência importante.

Atualmente pretendo ir para Porto Alegre levar adiante essa ideia de fazer um movimento para mudar o Mundo.

importante. Atualmente pretendo ir para Porto Alegre levar adiante essa ideia de fazer um movimento para

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importante. Atualmente pretendo ir para Porto Alegre levar adiante essa ideia de fazer um movimento para

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Livro de Aventuras

Esse livro será organizado com base na ideia do Livro de Aventuras. Para isso, sugiro que você compre um caderno ou ache um que não esteja usando, enfeite da maneira que quiser e coloque o título de Livro de Aventuras.

Esse livro terá a seguinte divisão: capa; regras do aventureiro; e aventuras. A capa fica a seu critério. As regras do aventureiro são as seguintes:

1. Divirta-se.

2. Se você está lendo esse livro, sugiro que você consiga um caderno para começar a

escrever seu próprio livro de aventuras.

3. Nesse livro estão presentes algumas das aventuras mais interessantes de seu autor.

4. Quando completar as páginas desse caderno, passe adiante para torná-lo um

livro.

5. Esse livro é composto por três partes: capa; regras do aventureiro; e aventuras.

Copie / modifique a vontade.

6. Cada aventura será composta de três partes: título, introdução e desafios.

7. Os desafios devem ser apresentados em ordem progressiva de dificuldade, de

forma que todos eles mantenham uma relação entre si isto é, sejam realmente a

progressão da dificuldade, repetindo o assunto.

8. O desafio deve ocupar um parágrafo e deve começar com um algarismo entre 0 e

9, expressando seu nível de dificuldade. Não necessariamente deve começar com

nível 0 e nem precisa ir até o nível 9.

9. Cuide bem desse livro.

10. Escreva simples e complete com desenhos.

No final desse livro, está em anexo o meu livro de aventuras. Esse livro, então, parte do pressuposto que qualquer desafio se resolve com organização, amor e conhecimento.

Esse livro, então, parte do pressuposto que qualquer desafio se resolve com organização, amor e conhecimento.

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Esse livro, então, parte do pressuposto que qualquer desafio se resolve com organização, amor e conhecimento.

Organização

You! Yes you! Stand still laddy!

When we grew up and went to school There were certain teachers Who would hurt the children any way they could By pouring their derision upon anything we did Exposing every weakness However carefully hidden by the kids (Maniacal laugh)

But in the town it was well known When they got home at night Their fat and psychopathic wives would thrash them Within inches of their lives

(The Happiest Days Of Ours Lifes Pink Floyd)

1. Pré-História da Organização Humana

Organização é o conjunto de recursos humanos e naturais que existem para cumprir determinada função. São exemplo de organizações: a família, a escola, a boate e etc.

A história da organização humana é remota e se confunde com o surgimento do ser humano quando esse caçava, pescava e colhia. Em função das condições que o meio propiciava, algumas populações foram crescendo. Nessa época não havia país, Estado, família nem tribo. Eram apenas organizações gentílicas.

Nessa época o homem começou a conhecer problemas oferecidos por seus pares quando, por exemplo, o interesse entre seres humanos divergia. E, como um ser pensante e inteligente, começou a entender que poderia impor sua vontade ao outro se tivesse mais aliados do que seu inimigo. Pense duas gens: ambas ainda são nômades e devido à escassez de alimentos, as duas brigam pela mesma localidade.

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Isso acaba gerando uma nova funcionalidade a organização gentílica: a guerra. Seus recursos, portanto, devem atender as novas necessidades, tantos os humanos quanto os naturais. No que se trata dos recursos humanos, temos a necessidade de centralização: todos os integrantes agir com o mesmo objetivo para que a força militar seja maior. Essa centralização faz com que surja a autoridade.

Porém, quando o número de elementos de uma gen não é suficiente para derrotar o inimigo, a vitória só se torna possível quando essa se alia com outras. Mesmo assim, ainda há necessidade de uma centralização das autoridades de cada gen, criando um ente superior:

uma autoridade entre as autoridades. A isso se dá o nome de hierarquia.

Mesmo depois de conquistado o objetivo militar, a estrutura criada de hierarquia e a disciplina a essa hierarquia possibilita a organização ter mais força para a atividade que fazia anteriormente, isto é a sua economia. Agora vários indivíduos de várias gens diferentes estão trabalhando para um mesmo fim (muitas vezes mais do que gostariam de trabalhar), tendo assim uma elevada produção. Isso vai tornar viável a sedentarização e em pouco tempo, a civilização vai crescer muito rápido, crescendo também a população e por sua vez os graus hierárquicos.

Esses poucos anos de história vão levar o homem a se organizar da mesma forma que se organiza até os dias de hoje: o jeito institucional de se organizar. O que de fato caracteriza uma instituição é a existência de hierarquia que se dá sempre em três níveis: massa, autoridade e fiscalização. Precisa sempre de, no mínimo, três pessoas para ter uma instituição. Na prática, geralmente temos bem mais. Mesmo assim, ainda conseguimos agrupá-los nessas categorias, mesmo quando temos vários graus de fiscalização.

mais. Mesmo assim, ainda conseguimos agrupá-los nessas categorias, mesmo quando temos vários graus de fiscalização. 8

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mais. Mesmo assim, ainda conseguimos agrupá-los nessas categorias, mesmo quando temos vários graus de fiscalização. 8

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A necessidade da instituição ter esses três entes é que ela pode cumprir dois quesitos: a) impor a autoridade perante a massa; e b) impedir que a autoridade mude, tendo em vista que ela está aos cuidados do seu fiscal, mas o seu fiscal não tem contato direto com a massa (invulnerabilidade do código genético). Apenas como ilustração, para não fugir ao escopo, quero colocar que: para as pessoas que estão na massa, vão se sentir muitas vezes contrariadas e obrigadas a fazer o que não querem; para as pessoas que são autoridades, se obrigarão a fazer valer a vontade do fiscal sobre os demais e sobre si próprio, mesmo quando não concordem; para o fiscal, ele nunca terá real noção do que seus regulamentos fazem na prática, uma vez estando invulnerável a isso, podendo sofrer com suas próprias regras num momento futuro.

Instituição Militar

Local:

Com:

Trnp:

Recursos Superiores

Humanos

Naturais

Momento

(exorganizados)

Controle

(endorganizados)

Momento

(fortuna)

Controle

(propriedade)

Recursos Subalternos

Recursos Subordinados

Controle (endorganizados) Momento (fortuna) Controle (propriedade) Recursos Subalternos Recursos Subordinados 9

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Controle (endorganizados) Momento (fortuna) Controle (propriedade) Recursos Subalternos Recursos Subordinados 9

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Em suma, uma instituição é uma organização instituída que não muda suas características essenciais sendo, portanto, desumana por natureza. E ainda: impõem uma autoridade sobre outras pessoas, muitas vezes contra sua vontade. Esse tipo de organização tem algumas vantagens é verdade, como por exemplo, perpetuar funções dentro da organização humana, bem como fazer com que toda ela atue em uníssono. Como prejuízo, torna as pessoas dependentes do centro, não faz uso da capacidade criativa da maioria dos recursos humanos e se torna obsela por não conseguir se adaptar.

2. Organizações não-institucionais

Usaremos a terminologia grupo para diferenciar da instituição. Um grupo também será uma organização, mas que não carrega consigo

a hierarquia. Quanto a autoridade, diremos que o grupo pode ser semi-

autoritário, no sentido de puxar as pessoas, liderá-las apenas no início,

porém, somente quando as pessoas forem voluntárias.

A partir de agora definiremos que um grupo existe se existir três elementos: a) um local; b) meios de comunicação; e c) meios de transporte. Esses elementos devem ser entendidos de maneira mais

ampla possível: um local pode ser um local nômade (isso é, que mude a cada encontro); os meios de comunicação podem ser a própria fala; e os meios de transporte os próprios pés. É claro, tendo um local como sede

e meios de comunicação e de transporte diversos, o grupo terá uma gama muito maior de possibilidades de cumprir seus objetivos.

Um grupo também conta com recursos. Esses recursos são obtidos a partir de seus elementos ou de outros recursos já obtidos anteriormente combinados ou não com seus elementos. Por isso, podemos entender que a liberdade de expressão e a liberdade de ir e vir

ou não com seus elementos. Por isso, podemos entender que a liberdade de expressão e a

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ou não com seus elementos. Por isso, podemos entender que a liberdade de expressão e a

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(a prisão), se tiradas de um grupo, tiram sua capacidade de desenvolvimento, sendo assim elementos essenciais.

Quanto aos seus recursos, eles podem ser humanos ou naturais. Entenda-se humanos como os recursos dotados de inteligência, em oposição aos naturais que não tem essa faculdade. Os integrantes do grupo, por exemplo, formarão seus recursos humanos, mas esse não se limita somente a eles.

Representação escrita de um grupo num dado instante de tempo.

 

Grupo Capitães da Areia

 

Local:

 

Com:

 

Trnp:

 
 

Recursos

 
 

Humanos

Naturais

Momento

Controle

Momento

Controle

(exorganizados)

(endorganizados)

(fortuna)

(propriedade)

Cada um dos recursos ainda é dividido em momento ou controle. Esses conceitos serão abordados mais adiante na parte do Conhecimento, mas para tentar exemplificar darei os exemplos a seguir:

momento humano é todos aqueles que estão fora da organização (como

tentar exemplificar darei os exemplos a seguir: momento humano é todos aqueles que estão fora da

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tentar exemplificar darei os exemplos a seguir: momento humano é todos aqueles que estão fora da

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a sociedade vê o grupo, como os outros grupos se relacionam, como o público em geral se relaciona); controle humano é todos aqueles que estão dentro da organização (membros do grupo e de outras entidades dentro do grupo); momento natural, é todos os meios naturais que podemos usar a nosso favor, mesmo não sendo do grupo (como o clima, o roubo e a troca/compra/venda); e controle natural, é tudo aquilo que faz parte da propriedade coletiva do grupo.

3. História da Organização Humana

É importante discriminar o momento do controle pelo seguinte motivo. Para conquistar determinado objetivo, podemos fazê-lo basicamente de três formas: a) por meio de um planejamento sequencial tendo em vista o que podemos buscar por nós mesmos e aos poucos ir se aproximando; b) por meio de um planejamento condicional, aproveitando o que temos de vantagem, mesmo que passageira; e c) numa combinação dos dois. No primeiro caso, temos a vantagem de uma grande autonomia, porém geralmente temos que enfrentar uma dura jornada; no segundo caso temos a vantagem de dar saltos, ou não, depende do momento; e no terceiro caso podemos ter uma grande autonomia e dar saltos quando for possível, se configurando como uma enorme vantagem.

Bom, esse raciocínio parece ser brilhante, mas na prática o universo de pessoas que consegue trabalhar com ambos raciocínios é muito pequeno. Na prática, temos uma dominação de um raciocínio sobre o outro.

O interessante é analisar como isso influencia as instituições. Vamos voltar a nosso estudo histórico. Desde que o homem começou a se organizar em instituições, observou-se que era igualmente benéfico

histórico. Desde que o homem começou a se organizar em instituições, observou-se que era igualmente benéfico

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histórico. Desde que o homem começou a se organizar em instituições, observou-se que era igualmente benéfico

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que houvesse uma especialização. Essa especialização possibilitava, por um lado maior dedicação para um determinado tipo de problema, e por outro uma interdependência fazendo com que as pessoas sentissem necessidade de se submeter a centralização institucional. A instituição que existia anteriormente que servia para guerra, em tempo de guerra, e para produzir, em tempo de paz, se tornou uma super-instituição e permitiu que outras instituições existissem sobre sua proteção. Esse mecanismo que conhecemos hoje como justiça é a idéia central da super-instituição.

Essa justiça definia o que era legal e ilegal. Assim, sob regras definidas, as demais instituições eram criadas sem ter perigo de se tornarem não-instituições (pois as regras proibiam). Várias instituições surgiam daí: o governo, a família, o comércio, a igreja e a cultura.

Mas, se eu disse antes que é extremamente difícil que uma pessoa consiga pensar das duas maneiras (momento e controle) e existe uma pessoa (ou um tribunal) que fiscalizava a justiça e essa por sua vez fiscalizava todo o resto. Todas as pessoas pertecentes a uma superinstituição só eram permitidas pensar ou só sobre o momento ou só sobre o controle. Dessa forma, só era possível que pessoas tivessem modos de pensar diferentes em países diferentes, tendo em vista que os meios de comunicação e de transporte eram muito precários.

Então existiram basicamente dois modelos de super-instituição:

a escravista (controle) e a servil (momento). Durante grande parte da história, o ocidente foi escravista e o oriente foi servil.

Havia, porém, um país, em que, devido a sua posição geográfica favorecida (ficava entre o oriente e o ocidente) e acidentada (um elevado número de rios e montanhas que dificultavam a formação de

entre o oriente e o ocidente) e acidentada (um elevado número de rios e montanhas que

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entre o oriente e o ocidente) e acidentada (um elevado número de rios e montanhas que

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um sistema centralizado) conseguiu conviver com as duas formas de pensar concomitantemente. Essa região, chamamos de Grécia, e por este motivo tiveram tantos avanços sobre o conhecimento, e até hoje muito da forma de organização que temos faz citações ao modo de viver dessa península.

Hoje, porém, não vivemos nem de uma forma servil e nem escravista. Devido ao avanço que tivemos nas tecnologias de meios de comunicação e de transporte (que trouxeram enormes recursos), temos uma constante influência de justiças que dizem que o pensamento de controle é ilegal e defendem o pensamento de momento; mas também temos o contrário, em que o pensamento de momento é ilegal e é benéfico o de controle. É claro, há uma grande fusão já nas próprias justiças, mas de um modo bem grotesco temos do lado do momento EUA e Japão e do lado de controle a Europa.

Por isso, hoje temos um sistema de instituições com tanta habilidade de usar sua autoridade sobre as pessoas, de fiscalizar essas autoridades e mesmo assim as pessoas tem uma enorme dificuldade de destruí-lo. Simplesmente porque ele é complexo. Veremos que tudo isso ainda se torna muito pior na parte sobre o Conhecimento, que mostraremos que as instituições mudam apesar de isso contrariar a ideia de instituição para continuar da mesma forma, fazendo as pessoas viver uma eterna mentira que sempre vai se alterando e alternado a medida que as pessoas vão percebendo seus truques. O sistema nunca sai de moda.

Só como dado histórico, a Grécia conseguiu se adiantar no mínimo uns 1500 anos na História, só sendo destruída pelos romanos porque as mesmas condições que possibilitaram a ela ser o que ela foi, faziam dela vulnerável.

pelos romanos porque as mesmas condições que possibilitaram a ela ser o que ela foi, faziam

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pelos romanos porque as mesmas condições que possibilitaram a ela ser o que ela foi, faziam

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4. Recursos Humanos dentro do Grupo

Outra informação importante é que por mais que possam coexistir pessoas com pensamentos diferentes (controle e momento), esses pensamentos não podem conviver na mesma cabeça de uma mesma pessoa dentro de uma instituição. Se isso acontecesse, a pessoa teria um grande entendimento (não seria enganada por aquele que sabe a outra verdade), podendo ser uma ameaça para a instituição, principalmente se ocupa posição de agente fiscalizador.

Isso dá uma grande vantagem ao grupo: por mais que esteja nadando contra a corrente, para ele é possível que seus integrantes pensem simultaneamente das duas formas, obtendo assim uma grande vantagem.

Essa capacidade deve ser utilizada para obter recursos para conseguir destruir o sistema de instituições, ou pelo menos abalá-lo. No que se refere aos recursos humanos, é extremamente necessário que consigamos utilizá-los a medida que forem crescendo. Isto é, conseguir distribuir as tarefas. De outra forma, teremos muito trabalho e um resultado relativamente pequeno.

Porém, recursos humanos não é somente o número de pessoas, senão a capacidade individual que cada uma tem. Não tem como dar atividades complexas para pessoas com menos experiências. Também não dá para obrigar que todo mundo seja experiente. Porém, temos que ter cuidado que essa experiência não seja uma forma de subjulgar o menos experiente ao mais experiente.

Para fazer isso, eu formulei um sistema de competências com as seguintes categorias:

experiente ao mais experiente. Para fazer isso, eu formulei um sistema de competências com as seguintes

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experiente ao mais experiente. Para fazer isso, eu formulei um sistema de competências com as seguintes

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alien (alienação),Organização, Amor e Conhecimento marujo (manipulação: o que eu faço?), guiado (semi-manipulação: quem sou eu?),

marujo (manipulação: o que eu faço?),Organização, Amor e Conhecimento alien (alienação), guiado (semi-manipulação: quem sou eu?), tripulante

guiado (semi-manipulação: quem sou eu?),(alienação), marujo (manipulação: o que eu faço?), tripulante (conscientização: porque eu sou/faço?) e

tripulante (conscientização: porque eu sou/faço?) eo que eu faço?), guiado (semi-manipulação: quem sou eu?), capitão(consciente). É claro que isso é bastante

capitão(consciente).eu?), tripulante (conscientização: porque eu sou/faço?) e É claro que isso é bastante relativo e deve

É claro que isso é bastante relativo e deve ser utilizado com cautela, mas serve apenas para ilustrar.

Dentro do grupo, portanto, podem ser estruturados entes que realizarão funções dentro de sua complexidade. Porém, as próprias pessoas devem se posicionar onde acham que devem estar. Por exemplo, se alguém quiser entrar no grupo e exercer funções de capitão, não deve ser impedida pelo grupo. É claro, dizer que não deve ser impedida seria uma regra de um regulamento. As pessoas poderão exercer suas intenções como pessoas: se alguém não gostar de outro e achar que seu ingresso seja prejudicial então provavelmente haverá conflito de interesses.

Os entes que eu penso são os seguintes:

flanco (se relaciona com o público sob a orientação de guiados),de interesses. Os entes que eu penso são os seguintes: missão (reúne os marujos sob a

missão (reúne os marujos sob a orientação de um tripulante),(se relaciona com o público sob a orientação de guiados), bando (reúne os guiados sob a

bando (reúne os guiados sob a orientação de um capitão),(reúne os marujos sob a orientação de um tripulante), pré-grupo (reúne os tripulantes sob orientação de

pré-grupo (reúne os tripulantes sob orientação de um capitão) ebando (reúne os guiados sob a orientação de um capitão), grupo (reúne capitães sobre a orientação

grupo (reúne capitães sobre a orientação da puta que pariu).(reúne os tripulantes sob orientação de um capitão) e Lembrando que na ausência de uma categoria,

Lembrando que na ausência de uma categoria, pode ser exercida por alguém de uma categoria posterior.

puta que pariu). Lembrando que na ausência de uma categoria, pode ser exercida por alguém de

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puta que pariu). Lembrando que na ausência de uma categoria, pode ser exercida por alguém de

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Deve-se ter muito cuidado com isso para que isso não vire uma instituição. O primeiro cuidado, volto a ratificar, é que qualquer um pode ocupar a categoria que quiser, segundo o que ele pensa de si mesmo. Ninguém pode ser proibido de exercer uma atividade por não ser capaz: se alguém acha que pode mais do que realmente pode, isso é ótimo. Outro cuidado é compreender que existe uma semi-autoridade quando temos um grupo sendo orientado. Apenas é no grupo propriamente dito que não existirá nenhuma autoridade, nem semi- autoridade. Mesmo nos outros entes, temos que ter em mente que o máximo que podemos chegar é na semi-autoridade, isto é, não devemos obrigar ninguém a fazer o que não quer. Não porque é feio, mas simplesmente porque não adianta destruir uma instituição para construir outra. Aparentemente e se não tivermos cuidado, vai se configurar existem um hierarquia capitão-tripulante-marujo, já que existe o pré- grupo que orienta os tripulantes e as missões que orienta os marujos. Porém, o capitão não deve decidir sobre as atividades das missões, essas devem ser propostas e alteradas ao gosto de cada tripulante. A função do capitão nesse caso é fazer com que os tripulantes se tornem capitães também, os que quiserem. Além disso, desenvolver as atividades próprias do pré-grupo.

Um ser que consiga definir que é, o que faz e porque é ou porque faz é a base para quebrar com a instituição, uma vez que, em uma instituição que sabe o por quê, não sabe o que é, nem o que faz; e que sabe o que é e o que faz, não sabe por quê ou pelo menos é assim que deve ser. É com base nisso que o curso que forma o médico não é o mesmo que forma o técnico em enfermagem. Alias, nem o médico nunca foi técnico nem o técnico nunca foi médico. Outra coisa importante é que o capitão não é superior em relação ao outra categoria,

técnico nunca foi médico. Outra coisa importante é que o capitão não é superior em relação

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técnico nunca foi médico. Outra coisa importante é que o capitão não é superior em relação

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isto é, também deve fazer as atividades dos outros. Ao contrário ele deve estar capacitado para fazer tudo.

Vou aprofundar mais sobre que tipo de atividades devem ser desenvolvidas em cada ente na parte sobre Conhecimento. O importante a saber nesse momento é como deverão ser feitas as atividades para estimular o desenvolvimento e o crescimento dos recursos humanos. O tempo necessário médio para avançarmos um degrau nesse desenvolvimento vamos chamar de período. Durante esse período, cada ente cumprirá uma função. Essa função terá componentes que poderão ser de três tipos: ação (que tem efeitos úteis por si mesmos), desenvolvimento(que promove o desenvolvimento de um degrau durante o transcorrer do período) e recursividade (que abriga pessoas com um nível de competência menor).

Assim, teremos a seguinte configuração.

flancoO

O

o

Ação: buscar vantagens momentâneas e criar condições para que elas tenham maior probabilidade de ocorrer

o

Desenvolvimento: convidar mais pessoas para participar de algum dos entes do grupo

missãoA

A

o

Ação: apoiar as atividades desenvolvidas pelo pré-grupo

o

Desenvolvimento: proporcionar experiências para que as pessoas busquem o autoconhecimento

bandoO

O

o Ação: fazer escolhas independentes (quem sou eu?)

para que as pessoas busquem o autoconhecimento bando O o Ação: fazer escolhas independentes (quem sou

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para que as pessoas busquem o autoconhecimento bando O o Ação: fazer escolhas independentes (quem sou

Organização, Amor e Conhecimento

o

Desenvolvimento: proporcionar experiências para que as pessoas busquem uma forma de se relacionar com o Mundo

o

Recursividade: organizar os flancos

pré-grupoO

O

o

Ação: fazer escolhas independentes (quem sou eu?) e exercer atividades de forma autônoma (o que eu faço?)

o

Desenvolvimento: proporcionar experiências para aprofundar o conhecimento

o

Recursividade: organizar as missões (preparar suas atividades)

grupoO

O

o

Ação: fazer escolhas independentes (quem sou eu?), exercer atividades de forma autônoma (o que eu faço?) e refletir e aprender (por quê?)

o

Recursividade: organizar o bando e o pré-grupo

Como é que tudo isso acontece de forma integrada dentro de um período? É fato que as atividades não podem ocorrer concomitantemente, pois no momento que o grupo estiver num encontro, não poderão estar acontecendo nem o pré-grupo e nem o bando. Quando o pré-grupo estiver acontecendo, não poderá a missão. Quando o bando estiver acontecendo, não poderá o flanco. Bom os entes poderão se encontrar uma vez por mês ou por quinzena de forma ordinária. Porém, também podem ser exploradas as atividades extraordinárias, feitas em momentos aleatórios ou favoráveis.

Assim, termino a definição de ideia de organização que eu penso. Muita coisa aqui está resumida, mas a ideia é apenas sugerir algo

definição de ideia de organização que eu penso. Muita coisa aqui está resumida, mas a ideia

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definição de ideia de organização que eu penso. Muita coisa aqui está resumida, mas a ideia

Organização, Amor e Conhecimento

para você pensar. Não se prenda a esses modelos: tente entendê-los e faça os seus próprios.

Amor e Conhecimento para você pensar. Não se prenda a esses modelos: tente entendê-los e faça

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Amor e Conhecimento para você pensar. Não se prenda a esses modelos: tente entendê-los e faça

Amor

Love, love, love Love, love, love Love, love, love

There's nothing you can do that can't be done Nothing you can sing that can't be sung Nothing you can say, but you can learn how the play the game It's easy

There's nothing you can make that can't be made No one you can save that can't be saved Nothing you can do, but you can learn how to be you in time It's easy

All you need is love All you need is love All you need is love, love Love is all you need

(All You Need Is Love The Beatles)

1. O que Move as Organizações?

A ideia de organização defendida na parte anterior, por si só, nunca vai ter um desenvolvimento duradouro somente pelo que está escrito nela. É importante entender qual é a real ideia de grupo anteriormente defendida: um grupo vai servir como um almoxarifado onde temos recursos a nossa disposição. O grupo por si só não funciona, assim como um almoxarifado não supri as necessidades sozinho.

As instituições também são grandes almoxarifados. Porém, esses almoxarifados funcionam por meio da autoridade e da fiscalização. Então não podemos dizer que as coisas têm vida própria, senão que elas são obrigadas a se mover. Se pararmos para analisar: alguém oprime alguém que oprime outros que vão oprimir aquele primeiro que oprimiu.

Organização, Amor e Conhecimento

Quando pensamos num grupo sem essa força de opressão, o grupo se torna insustentável e as coisas param de se mexer. Por isso, apenas dentro da teoria organizacional não tem como fazer um grupo funcionar na prática. Isso porque apenas o interesse pela causa não é suficiente para as atividades continuarem por um período largo, pois se a autoestima diminuir ao longo do tempo, a pessoa poderá se interessar, mas se sentirá incapaz de agir. Essa autoestima não é necessária numa instituição, pois você não está lá porque quer muitas vezes, mas sim porque você tem que estar (por causa do diploma ou do salário, por exemplo), e por tanto, mesmo que você não se ache tão bom, ainda depende daquilo.

Porém, seres humanos são muito mais do seres que ficam nas prateleiras. Nós temos uma capacidade que gera laços de afeto entre duas pessoas numa relação. Esses laços de afeto quando diretamente relacionados com o pensamento de que: eu sou maior com você, chamamos de amor.

2. O Amor Institucionalizado

Acontece que atualmente as instituições conseguem transformar qualquer relação afetiva em vínculo institucional. As pessoas são levadas a acreditar que ninguém é realmente necessário, você apenas precisa do sistema. Isso não tem a ver com relacionamentos duradouros ou instantâneos: apenas tem a ver com ter consciência de que você é maior quando está com determinada pessoa; e essa pessoa também ter essa consciência.

O que geralmente ocorre é que o amor não se expressa como uma forma de admiração, ou nem sempre é baseado nisso. Muitas vezes ele se baseia na chantagem: se você não me admirar, eu não vou

ou nem sempre é baseado nisso. Muitas vezes ele se baseia na chantagem: se você não

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ou nem sempre é baseado nisso. Muitas vezes ele se baseia na chantagem: se você não

Organização, Amor e Conhecimento

admirar você (chantagem) e se você admirar outro (ou um inimigo), vou deixar de admirar você (possessão/dicotomia).

Dizer eu te amo é fácil. Ainda mais se você dizer depois: se você não me chupar, eu vou procurar outra pessoa que me chupe. Ou talvez:

o meu lugar é na rua o seu lugar é no fogão. Amar não é impor papéis, condições e penalidades (isso é instituir). Amar é admirar alguém e ser admirado, e por causa disso é que ambos se ajudam. Mas, principalmente contemplar o resultado do trabalho em conjunto.

É possível admirar alguém e não ser admirado. Isso é uma triste

situação. Realmente triste. Mas, essa não admiração quando for por

falta de estímulo ao amor tem remédio, e esse é o caso que mais acontece. Então, como se ensina a amar?

O jeito mais simples de ensinar a amar, sem levar em conta suas

limitações, é por meio de encontrar um grupo para competir. Eles se uniram, vamos ter que nos unir também. E o segundo grupo se unindo, fará com que o primeiro se uma ainda mais. E nesse processo realimentado teremos uma relação de amor entre elementos do mesmo grupo (logo em seguida, quando a quantidade de pessoas for tantas que não se pode se relacionar individualmente, essa forma obrigará a autoridade e não tão tarde a hierarquia e teremos o surgimento das instituições, no caso, da superinstituição).

Particularmente, pode-se observar isso nos movimentos facho (fascistas), antifa (anti-fascistas), e anti-antifa (anti-anti-fascistas). Por existir um inimigo em comum, fica mais fácil de forçar a unificação. Isso também funciona quando ocorrem protestos entre policiais e manifestantes.

mais fácil de forçar a unificação. Isso também funciona quando ocorrem protestos entre policiais e manifestantes.

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mais fácil de forçar a unificação. Isso também funciona quando ocorrem protestos entre policiais e manifestantes.

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Porém, essa forma de amor, além de induzir o sectarismo e o revanchismo, que é muito bem utilizada por certas instituições (eleição e olimpíadas) para que a massa fique dividida (dividir para conquistar), não identifica o amor como uma forma de admiração real, mas admiração necessária.

Quando esse tipo de admiração forçada é usada, as pessoas não desenvolvem uma consciência de que é maior junto com a outra, mas sim que não pode viver sem a outra, ou sem outra qualquer. Nesse sentido, cessa a individualidade da pessoa e ela passa a exercer ou sofrer certo tipo de autoridade. Isso chamamos de institucionalização do amor.

3. O Grupo é Muito Mais que uma Organização

Portanto, gostar de alguém significa muito mais do que ter alguém para compartilhar problemas, significa ter alguém que realmente vai ser maior contigo, e não o contrário.

É no dia-a-dia (ao longo do tempo ou em um determinado momento) que vamos conhecendo as pessoas e dessa forma é que vamos começar a ter admiração por elas. Além disso, também percebemos como essas pessoas nos enxergam, se nos admiram ou se omitem essa admiração.

Essa admiração, porém, tem consequências psicológicas. Uma pessoa que admire outra pode tomá-la como exemplo e tentar melhorar para ser, um dia, como ela. Porém, dependendo das dificuldades (que geralmente são grandes, pois tentam fazer coisas mais ousadas de primeira tentativa, ao contrário da pessoa que elas admiram, que passaram por desafios progressivos) que encontrar, pode se achar

ao contrário da pessoa que elas admiram, que passaram por desafios progressivos) que encontrar, pode se

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ao contrário da pessoa que elas admiram, que passaram por desafios progressivos) que encontrar, pode se

Organização, Amor e Conhecimento

inferior àquela pessoa e julgar que não tem capacidade de ser como ela. Isso induzirá um estado de depressão e provocará um conseqüente afastamento, não por raiva, mas por se sentir incapaz.

Então, o amor não é apenas uma vantagem que pode deixar as pessoas mais unidas para funcionar um grupo. O amor também é uma forma de permitir que haja espaço para mais de uma pessoa no grupo. E isso deve ser feito por meio:

da admiração,de uma pessoa no grupo. E isso deve ser feito por meio: de ser juntos algo

de ser juntos algo maior e juntos algo maior e

de reverenciar isso (o juntos serem maior).feito por meio: da admiração, de ser juntos algo maior e É por isso que a

É por isso que a turma é uma estrutura muito utilizada pelas instituições: devido à competitividade (pela nota, por exemplo, ou mesmo pela atenção do instrutor, ou inclusive pela fama), não se estabelece relações de amor dentro da turma (a menos que as pessoas abram mão de competir), fazendo com que os que conseguem maior desempenho acabem humilhando os demais. Dessa forma, já estamos criando uma estratificação social, de forma que o sistema oferece as melhores condições para os melhores, fazendo-os cumprir a função de fiscais.

Se o amor crescer, isso vai proporcionar o funcionamento do grupo de forma que nem todas as pessoas tenham relações amáveis diretas, mas estarão conectadas indiretamente. Eis o nascimento (organização e amor) de uma organização humana sem instituições capaz de destruir ou pelo menos concorrer para enfraquecer o sistema de instituições.

humana sem instituições capaz de destruir ou pelo menos concorrer para enfraquecer o sistema de instituições.

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humana sem instituições capaz de destruir ou pelo menos concorrer para enfraquecer o sistema de instituições.

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Ao estudarmos a admiração, teremos a necessidade de classificar o quanto admiramos as pessoas. Para mim, eu pensei a seguinte estrutura:

conhecido (verbal, aceno com a cabeça)as pessoas. Para mim, eu pensei a seguinte estrutura: amigo (aperto de mão) irmão (abraço, contato)

amigo (aperto de mão)seguinte estrutura: conhecido (verbal, aceno com a cabeça) irmão (abraço, contato) colorido (beijo, preliminares)

irmão (abraço, contato)(verbal, aceno com a cabeça) amigo (aperto de mão) colorido (beijo, preliminares) primo (sexo) segundo

colorido (beijo, preliminares)a cabeça) amigo (aperto de mão) irmão (abraço, contato) primo (sexo) segundo (putaria) Uma vez feita

primo (sexo)irmão (abraço, contato) colorido (beijo, preliminares) segundo (putaria) Uma vez feita essa classificação,

segundo (putaria)contato) colorido (beijo, preliminares) primo (sexo) Uma vez feita essa classificação, perceberemos que existe

Uma vez feita essa classificação, perceberemos que existe uma grande crítica à monogamia e ao heterossexualismo (quer dizer que eu vou ter que comer meu companheiro de movimento? Quer dizer que eu vou ter que trair o namorado de minha companheira? Quer dizer que você quer me comer? Relaxa, apenas isso fará sentido se um dia você tiver essa vontade. Apenas digo isso para que você não se boicote quando um dia isso passar por sua cabeça). Sim, para mim, esses valores são apenas produtos da instituição moral e impedem que as pessoas tenham uma relação amorosa por admiração, atribuindo os elementos de maior peso amável àqueles membros da instituição família, ou correlatas.

Outra coisa importante é saber que a admiração pode ser momentânea, controlada ou combinada. No meu caso, penso que ela seja combinada: assim como essa relação pode se acalorando de forma progressiva, ela também pode ser por saltos que durem enquanto devem durar. Já é extremamente complicado pensar sobre essas duas óticas, imagina quando elas estão relacionadas à questão amorosa.

extremamente complicado pensar sobre essas duas óticas, imagina quando elas estão relacionadas à questão amorosa. 26

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extremamente complicado pensar sobre essas duas óticas, imagina quando elas estão relacionadas à questão amorosa. 26

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Mantendo o foco no conceito de admiração, vamos ter sempre três indicadores: a) o que eu penso de você; b) o que você pensa de mim; e c) o que acontece de fato. Geralmente o que acontece de fato é o menor amor entre o que eu penso de você e você pensa de mim, mas nem sempre. Por vários motivos, as pessoas podem não demonstrar suas reais admiração, seja por vergonha, seja por medo, seja por achar que não seria correspondido, seja por achar que é cedo de mais e etc.

Aqui entra um conceito muito importante que se refere a ter a atitude em relação a sua admiração. Essa atitude englobará as relações de afeto supracitadas, mas não só isso. Na verdade, aquela classificação só serve para se ter uma ideia do que cada palavra representa. O que realmente deverá se configurar é uma atitude que englobe todas as maneiras de você expressar isso, seja dizendo, seja com afeto, seja com a arte/literatura ou de outra forma.

É possível demonstrar atitude e tomar conhecimento que a admiração não é recíproca. Isso pode acontecer porque realmente a pessoa não te admira ou porque ela nunca foi estimulada a desenvolver suas relações amorosas. Nesse segundo caso, você poderá demonstrar sua atitude de uma forma progressiva ir conquistando a pessoa e momentânea aproveitar as situações. É claro, tudo isso deve ser feito, independente de ser um estímulo a quem não foi estimulado ou a quem já foi, não apenas caráter admirativo, mas também deve conter a ideia de ser maior juntos.

Desenvolver algo junto com alguém pode ser bastante difícil. Inclusive, pode parecer mais fácil resolver um problema sozinho do que ficar dependendo das outras pessoas. Porém, o raciocínio deve estar vinculado em: quem gostaria de me ajudar a fazer isso? Ou ainda: o que eu posso ajudar alguém a fazer? Por fim: o que eu posso fazer que vai

de me ajudar a fazer isso? Ou ainda: o que eu posso ajudar alguém a fazer?

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de me ajudar a fazer isso? Ou ainda: o que eu posso ajudar alguém a fazer?

Organização, Amor e Conhecimento

me interessar e também vai interessar a outro? Tudo isso, baseado na admiração que você tem pelas pessoas, que as pessoas tem por você e que realmente acontece entre vocês. Como já dito anteriormente, isso também será eficiente para que as pessoas melhorem sua própria auto- estima se sentido mais capazes e não se abalem por ver outras pessoas conseguindo e elas mesmo não; bem como você vai se sentir mais capaz também.

E se a pessoa dizer que não? Não quero/posso te ajudar. Não preciso de ajuda (obrigado). (Acho que) não temos nada em comum. Não quero/posso mais te ver. Não tem problema. Assim como não podemos ter o controle sobre tudo, nem sempre o momento nos favorece. Cabe a nós fazer o que está ao nosso alcance e esperar termos oportunidades melhores.

O importante é não deixar de admirar alguém por não ser admirado e não deixar de tentar. É tentar entender a situação e planejar o futuro. E principalmente: não deixar de tentar por medo de um Não.

Porém, há um número de casos maior em que você obterá êxito, ainda mais se for legítima a admiração. Nesse caso, no mínimo você tem que comemorar. E é aí que entra a terceira parte: reverenciar isso. É quando temos consciência da importância do amor que ele começa a crescer ainda mais. Isso pode ser feito por meio dos dizeres, das reflexões. Sim, e deve. Mas existe uma coisa ainda eficaz: as festas.

4. Reverenciar o Ser Maior Juntos

Uma festa é um momento em que as pessoas cultivam a Liberdade, o Entretenimento, o Prazer, o Afeto e o Conforto (LEPAC). A não ser por motivo de entretenimento, não há barreiras e

o Entretenimento, o Prazer, o Afeto e o Conforto (LEPAC). A não ser por motivo de

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o Entretenimento, o Prazer, o Afeto e o Conforto (LEPAC). A não ser por motivo de

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impedimentos. Todos nos tornamos superpoderosos (e para os outros, somos superdominados) numa festa. Seja individualmente ou coletivamente, podemos fazer tudo. Pelo menos, esse é o máximo a ser atingido, isto é, no mínimo, temos mais poderes numa festa.

Existem as formas mais variáveis de festas, seja pelo número de participantes, pela relação amorosa com esses, por serem grandiosas ou freqüentes, premeditadas ou de improviso.

Fazer uma festa é uma arte. Não espere que as primeiras sejam extremamente boas. Ao contrário, somente se fará uma boa festa se todos a fizerem, demonstrando assim a sincronia amorosa. E quando se faz uma festa onde todo mundo faz a festa (dentro da sua capacidade), é algo que ultrapassa os limites do imaginável. Seja com várias, seja com duas pessoas.

Apenas uma ressalva importante é que, na minha opinião, as drogas podem ser descartadas de uma festa. O estado de êxtase pretendido pode ser alcançado de outras formas. Inclusive pode-se estimular as outras pessoas a chegarem nesse estado. Apesar de não ter preconceito com quem usa, na minha opinião as drogas também representam uma instituição (alguém produz elas, alguém comercializa elas, alguém vende junto com ela uma ideia), assim como a proibição da droga também representa. Não deveria ser proibida, nem estimulada. Porém, outras maneiras de chegar no estado de êxtase deveriam ser abordadas.

As festas também devem estar relacionadas com o mundo exterior. Apesar de ser um momento sem impedimentos, deve ter em mente que esse momento não é real. Isso é, não somos superheróis de verdade, estamos sujeitos a um mundo governado por instituições. A

não é real. Isso é, não somos superheróis de verdade, estamos sujeitos a um mundo governado

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não é real. Isso é, não somos superheróis de verdade, estamos sujeitos a um mundo governado

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qualquer momento, se quiséssemos viver a festa como a realidade, poderia chegar alguém e acabar com ela. É necessário, portanto, continuar a conviver com os problemas, aprender a solucioná-los e colocar essas soluções em prática. Deixar com que a festa tome conta de você é uma maneira de se alienar, pois, quando você tiver um problema de verdade, você não estará mais numa festa.

É importante diferenciar aqui as atividades de caráter organizacional e de caráter amoroso. A primeira é baseada, de forma geral, no interesse (as pessoas se unirem por interesses comuns ou complementares); num caso restrito, com exceção do ente grupo, se baseia na relação entre líder e voluntários, em que a atividade é sugerida, proposta ou orientada pelo primeiro. A segunda é baseada na relação entre admiradores, de forma que ambos combinam o que será feito. A primeira tem especial valor quando está em vista a ideia de estimular, propor coisas novas, ensinar, lembrando que nesse caso se configura como uma semi-autoridade. A segunda tem especial valor na realização a partir da consciência de ser maior juntos. De fato o grupo (ente grupo) é o único que consegue ao mesmo tempo ser uma atividade organizacional (as pessoas se reúnem pelo mesmo interesse) e amorosa (as pessoas se reúnem pela mútua admiração).

Por último queria falar sobre um elemento presente na relação amorosa: a saudade. A ideia é que as pessoas se aproximem mais quanto mais se admirem. Porém, no caso específico dos segundos (ultima classificação de admiração) a ideia é que as pessoas se afastem. Isso além de trazer o elemento da saudade, que será recompensado quando as pessoas se visitarem ou se encontrarem, traz a possibilidade de o amor se expandir para outras pessoas, em busca de novas relações amorosas. Relacionando com a ideia de grupo, cada vez que duas

para outras pessoas, em busca de novas relações amorosas. Relacionando com a ideia de grupo, cada

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para outras pessoas, em busca de novas relações amorosas. Relacionando com a ideia de grupo, cada

Organização, Amor e Conhecimento

pessoas se admirarem na proporção de segundos, uma delas deveria fundar um novo grupo. Isso também propiciará os grupos crescerem, não só em número de elementos, mas em quantidade de grupos diferentes.

Somados o ciclo grupal com o ciclo amoroso, teremos uma estrutura orgânica realmente eficiente. Porém aqui temos que diferenciar bem o que é organização e o que é amor. Organização é quando buscamos, cada um de nós, fazer o nosso melhor para cumprir a função. Amor é quando buscamos que cada um de nós represente proporcionalmente a mesma fatia de uma ação (independente de qual seja). Se ambas abordagens ocorrer simultaneamente teremos a estrutura mais poderosa possível, não sendo esse poder centralizado. Novamente, isso tudo exposto nessa parte é apenas uma sugestão. Você é livre para aprimorar, discordar e propor as suas próprias.

tudo exposto nessa parte é apenas uma sugestão. Você é livre para aprimorar, discordar e propor

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tudo exposto nessa parte é apenas uma sugestão. Você é livre para aprimorar, discordar e propor

Conhecimento

Oh! Oh! Oh! Oh! Tente! Levante sua mão sedenta E recomece a andar Não pense Que a cabeça aguenta Se você parar Não! Não! Não! Não! Não! Não! Queira! (Queira!) Basta ser sincero E desejar profundo

Você será capaz De sacudir o mundo Vai! Tente outra vez! Humrum!

Tente! (Tente!) E não diga Que a vitória está perdida Se é de batalhas Que se vive a vida Han! Tente outra vez! (Tente Outra Vez Raul Seixas)

1. As Áreas e Métodos de Conhecimento

O conhecimento pode ser estimulado por meio da organização e do amor. Mas, a princípio, o conhecimento é uma reflexão individual a respeito do mundo. Assim com o amor é diferente da organização enquanto o primeiro está na relação entre as pessoas e o segundo está no conjunto das pessoas.

Sendo o conhecimento algo individual, teremos muitas vezes as diferenças entre o pensamento de uma pessoa e o pensamento de outra. Em contraste a isso, temos todas as pessoas vivendo a mesma realidade sobre as mesmas leis, por exemplo, da gravitação universal (gravidade). Mesmo para todos os povos sofrendo ação dessa lei, inclusive com a mesma ou quase a mesma aceleração gravitacional, atribui-se a Isaac Newton seu estudo mais minucioso. Isso fez com que diversas outras leis formuladas por esse físico/filósofo fossem difundidas muito rapidamente como sendo a Verdade. Um tempo depois, Albert Einstein propôs ou talvez apenas tenha defendido que algumas dessas leis

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não se aplicavam para corpos que viajassem próximo a velocidade da luz (300 000 km/s).

Portanto, a diversidade de pensamentos não só é uma realidade, como também é algo importante para contra por outras ideias, caso elas não estejam certas. O debate é uma forma de essas ideias se confrontarem, mas dependendo de como ele se procede pode se tornar bastante autoritário, principalmente em dois casos: a) quando ele toma o que é certo como sendo aquilo que um número maior de pessoas acredita; e b) quando ele força uma pessoa a aceitar uma ideia não pelo convencimento, mas pela incapacidade de contrapor. Portanto, para um debate não ser autoritário, todos devem querer debater, bem como desistir do debate a qualquer momento.

Portanto, assim como as outras partes desse livro, nessa parte vou apenas expor uma ideia, que você pode concordar ou não, ou concordar com certas partes. Além disso, não estou a salvo de estar errado, e mesmo que tivesse super poderes que me permitissem saber toda a Verdade, ainda sim não forçaria a ninguém ter a mesma verdade que eu, apesar de já ter intentado muito nisso nessa vida e hoje me arrependo.

A primeira coisa que gostaria de apresentar são os tipos de

métodos que eu conheço para abordar o conhecimento, que podem ser:

objetivos (quando vivem entre as informações e o mundo real) ou subjetivos (quando vivem no mundo das informações), quanto a sua proximidade em relação ao mundo real (o objeto).que eu conheço para abordar o conhecimento, que podem ser: momento (fazer uma limonada porque se

momento (fazer uma limonada porque se tem um limão) oude

de

de

controle (fazer de tudo para se ter uma limonada), quanto a

sua relação com o mundo real.

limão) ou de de controle (fazer de tudo para se ter uma limonada), quanto a sua

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limão) ou de de controle (fazer de tudo para se ter uma limonada), quanto a sua

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Para ficar um pouco melhor ilustrado, se pegarmos os cursos superiores que geralmente são os primeiros a serem implantados num país teremos o seguinte:

Superior

 

Momento

Controle

Objetivo

Artes

Medicina

(improviso)

(aperfeiçoamento)

Subjetivo

Direito

Engenharia

(modelagem)

(projeção)

Na escola temos algo bem semelhante:

 

Escolar

Momento

Controle

Objetivo

Língua Materna

Ciências

Subjetivo

Estudos Sociais

Matemática

A diferença é que nas escolas raramente temos as disciplinas sendo desenvolvidas dentro do método que elas deveriam trabalhar. Isto é, todas as disciplinas são trabalhadas na forma de conteúdo passado no quadro e de uma prova para ver quanto a informação foi absorvida, o que acaba se tornando um estudo morto.

foi absorvida, o que acaba se tornando um estudo morto. Brevemente: A língua materna deveria ser

Brevemente:

A língua materna deveria ser ensinada incentivando a expressão. Seja na forma de poemas, prosa ou roteiros. As pessoas teriam que basicamente ser incentivadas a se expressar, ora com tema livre, ora com tema definido. É a partir dessa situação de expressão que poderia se complementar com o estudo da

livre, ora com tema definido. É a partir dessa situação de expressão que poderia se complementar

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livre, ora com tema definido. É a partir dessa situação de expressão que poderia se complementar

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Literatura, Gramática e Ortografia. Além disso, deveria abranger

 

Artes também, e, portanto, a expressão artística também deveria ser a situação-base.

as

As ciências deveriam ser ensinadas com acesso a experimentos.

As

ciências deveriam ser ensinadas com acesso a experimentos.

Experimentar diversas coisas, conhecer fenômenos, espécies, substâncias. Poder controlar condições para controlar as situações. Depois de vários experimentos é que deveria ensinar as teorias existentes.

A matemática teria que estar relacionada com o desenho

A

matemática teria que estar relacionada com o desenho

(geometria) e a relação entre os elementos (álgebra/aritmética) e a sucessão (funções/algoritmos) de atividades para chegar numa atividade fim. É a partir dessa noção de projetar/planejar coisas, que as teorias deveriam ser ensinadas.

Os estudos sociais, por sua vez, deveriam se basear na capacidade de imaginar quais são

Os estudos sociais, por sua vez, deveriam se basear na capacidade de imaginar quais são as causas de determinadas situações (história, se no tempo; ou geografia se no espaço), tentando fazer assim previsões.

Essa relação do método com a ciência pode parecer inconsistente se analisarmos que essas ciências supracitadas utilizam métodos de outras algumas vezes, como por exemplo, quando um Matemático trabalha com a probabilidade. De fato, isso ocorre porque muitos problemas estão relacionados, mas inclusive isso faz com que as ciências se seccionem em áreas distintas, no caso, dando início a Estatística.

Alguns cursos surgem com a união de métodos, como é o caso da Arquitetura que contempla ao mesmo tempo o método do improviso (sentir o momento artístico-literário e como isso influência o movimento arquitetônico) e do projeto (organizar como o espaço será

artístico-literário e como isso influência o movimento arquitetônico) e do projeto (organizar como o espaço será

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artístico-literário e como isso influência o movimento arquitetônico) e do projeto (organizar como o espaço será

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disposto). Outros surgem com a especialização da área de abrangência, como é o caso da Agronomia, que é uma Medicina de plantas e animais. Tem outros que surgem como a mudança de método de uma área de conhecimento, como por exemplo a Enfermagem ser uma Medicina improvisada (entenda improvisada no sentido do texto e não como algo pejorativo), pois o enfermeiro tem que adaptar o tratamento médico a situação do paciente e tratar com situações (principalmente a proliferação de doenças) das quais não se tem certeza (será que isso está contaminado?).

2. Quanto a Relação: Momento x Controle

Se olharmos para as sociedades mais primitivas vamos observar que muitas vezes as organizações mais simples tinham dois tipos de líderes, chamados nas tribos indígenas brasileiras de cacique (líder político) e pajé (líder religioso).

Quando essas organizações passavam a conter uma hierarquia, muitas vezes o comando dado pelos de maior hierarquia sofriam contraposição ora do cacique ora do pajé. Tendo em vista sua função fiscalizadora, o comando podia censurar um ou outro. Na verdade, quem chegava a função de comandante era um cacique ou um pajé, e, portanto, sabia pensar de uma forma de pensamento, mas não de outra. Como a estrutura de comando (aquele que manda junto com o líder) surgiu a partir da guerra, admitimos a existência de povos com interesses opostos. Se um comandante sabia pensar da primeira maneira, o outro comandante deveria se aperfeiçoar da segunda maneira para levar vantagem. E com esse processo realimentado, cada um dos povos se tornava mais político e o outro mais religioso. E devido o baixo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, haviam verdadeiras fronteiras entre um pensamento e outro.

desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, haviam verdadeiras fronteiras entre um pensamento e outro. 36

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desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, haviam verdadeiras fronteiras entre um pensamento e outro. 36

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Na Grécia, porém, isso não ocorreu dessa forma porque não imperava essa relação de comando. Cada cidade-estado desenvolveu seu culto a um deus diferente (politeísmo). Em especial temos Apolo (deus da razão), Dionísio (deus do vinho) e Atena (deusa do amor/sabedoria).

Na

maioria

dos

impérios

do

ocidente,

se

desenvolveu

o

escravismo e, no ocidente, a servidão, durante a antiguidade.

Poderíamos analisar vários momentos históricos e caracterizar duas personalidades que Friedrich Nietzsche chamou de dionisíacas (momento) e apolíneas (controle), mas não foram elementos históricos que me convenceram da existência de duas formas de pensar. Poderíamos, igualmente, analisar os estudos mais recentes da neurologia que tenta estudar as reações do cérebro esquerdo (controle) e cérebro direito (momento), mas não foram essas conclusões que me despertaram sobre esse modo de ver.

Quando eu tinha 18 anos, eu decidi que a pessoa do sexo feminino que eu mais admirava, minha irmã, grande companheira, precisava saber que eu gostava dela. Só que nessa época, ela tinha namorado. Mesmo assim, aquilo já estava a tanto tempo pulsando no meu coração, que de uma maneira ou outra, eu precisava saber. Acontece que a maneira como eu fiz isso não foi muito boa porque acabou caindo no ouvido de outras pessoas que a fizeram contar para o namorado que eu amava-a.

Então, eu pensava comigo: tenho que manter firme na posição, dizer a verdade sempre, mesmo que doa ou nos afaste agora; mas será melhor no futuro. Isso fez com que nós dois brigássemos terrivelmente e acabei afastando-a para sempre.

mas será melhor no futuro. Isso fez com que nós dois brigássemos terrivelmente e acabei afastando-a

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mas será melhor no futuro. Isso fez com que nós dois brigássemos terrivelmente e acabei afastando-a

Organização, Amor e Conhecimento

Durante toda minha vida, me acostumei a resolver os problemas pensando em soluções a longo prazo; fazer o certo, pois se todos fizessem certo, tudo estaria certo; procurar uma Verdade universal. Mas, e se houverem soluções a curto prazo importantes? E se os outros não fizerem o certo? E se dá para trabalhar com pessoas que pensam diferente?

Eu não entendia porque tinha dado errado meus planos. Porque

ela se afastou de mim se eu pensei em longo prazo, fazendo o certo, buscando chegar numa Verdade? E com muito raciocínio eu cheguei a conclusão que havia algo que eu não tinha levado em consideração. Impor uma Verdade a alguém, quando essa pessoa não quer, foge da ideia inicial de debate; fazer o certo quando as outras pessoas fazem o errado, pode acabar se tornando algo errado; pensar a longo prazo pode te deixar sem recursos para agir agora.

A maior perda da minha vida implicou, por um lado, em

aprendizagem, por outro em muito sofrimento. Espero que um dia ainda possa voltar a falar com ela, voltarmos a ser amigos, talvez. Mas, mesmo assim, vou continuar tentando viver essa vida de lutar contra a maré. O erro, apesar de suas consequências, faz parte do aprendizado. Vou continuar errando, é verdade, mas isso não é motivo para mim não tentar.

Bom, o que eu consegui aprender é que existe a capacidade de resolver um problema tentando controlar a situação ou tentando se aproveitar do momento. Se eu soubesse aproveitar o momento e saber que isso existia talvez teria aproveitado melhor os momentos que tive oportunidade com ela, ao invés de ficar pensando no futuro. É preciso amar/ as pessoas como se não houvesse amanhã/ porque se você parar/ p’ra pensar/ na verdade não há.

É preciso amar/ as pessoas como se não houvesse amanhã/ porque se você parar/ p’ra pensar/

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É preciso amar/ as pessoas como se não houvesse amanhã/ porque se você parar/ p’ra pensar/

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Eu lembro quando um antigo professor meu do curso de Eletrônica dizia que o bom técnico deveria ter feeling (isto é, saber sentir o defeito). Eu achava isso a maior bobagem. Pensava que o feeling era charlatanice e com a razão tudo poderia ser alcançado. Na verdade, o feeling existe sim e é tão eficiente e complexo quanto a razão, sendo que cada um tem seu uso em cada situação. Esse feeling pode ser, por exemplo, levantar uma teoria que não tenha comprovação. “É o processador.” “Como tu sabe?” “Apenas, intuição.” Pode ser, pode não ser. Mas, pode acontecer que muitas vezes se torna impraticável ou impossível ter todas as circunstâncias para determinar o problema. Com o tempo, a experiência também acaba ajudando a formar um feeling melhor.

Eu lembro que nunca consegui lidar muito bem com o azar. Sempre preferia coisas que fossem certas do que incertas, mesmo que as segundas pudessem se tornar mais vantajosas. Porém, aproveitar o momento também significa saber contar com a sorte.

3. Quanto a Proximidade: Objetivo x Subjetivo

Talvez uma das contribuições mais importantes do surgimento das instituições foi a construção do conhecimento objetivo e do subjetivo. Com o desenvolvimento da hierarquia, a tarefa de comando passou a ter uma característica diferente da de autoridade. Para dar a ordem, o comandante tinha tempo para pensar. Para executar, no meio do fogo cruzado, a autoridade tinha que ser rápida.

É sobre essa divisão de tático/estratégico que surge o conceito de objetivo e subjetivo. Objetivo é aquilo que não é fundamentado em uma teoria extensa. Subjetivo é o contrário.

de objetivo e subjetivo. Objetivo é aquilo que não é fundamentado em uma teoria extensa. Subjetivo

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de objetivo e subjetivo. Objetivo é aquilo que não é fundamentado em uma teoria extensa. Subjetivo

Organização, Amor e Conhecimento

Vamos

imaginar

agora

uma

batalha

entre

um

Exército

de

Controle contra um Exército de Momento.

Controle

 

Momento

Comando

Autoridade

Fogo

Autoridade

Comando

O comando do momento vai elaborar todas as possíveis situações que podem ocorrer e fazer um planejamento condicionado. O comando do controle vai fazer um planejamento seqüencial de como irá conquistando o inimigo. Ambos comandos apresentarão seus planos para suas autoridades que comandarão seus respectivos grupamentos. A partir do planejamento de seu comando, a autoridade de controle atacará os pontos mais importantes, independente da dificuldade. Já a outra autoridade, tentará buscar os elementos que estão mais a seu favor.

Isso, porém, trouxe um problema. O conhecimento objetivo havia suas particularidades que não eram mais fiscalizadas pois os fiscais acabavam só entendendo de conhecimento subjetivo. Inclusive, isso poderia permitir que o conhecimento objetivo pudesse explorar o momento de um comando de controle e vice versa. Também aconteceu que as tarefas de comando se tornaram tão complexas que era necessário de pessoas subordinadas para “processar as informações”.

Um novo momento então era criado:

que era necessário de pessoas subordinadas para “processar as informações”. Um novo momento então era criado:

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que era necessário de pessoas subordinadas para “processar as informações”. Um novo momento então era criado:

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Controle

     

Momento

 

Estratégia

Tática

Fogo

 

Tática

Estratégia

Apoio

Base

Base

 

Apoio

Subjetivo

Objetivo

Objetivo

Subjetivo

Comando

Autoridade

Comando

Autoridade

 

Autoridade

Comando

Autoridade

Comando

Isso ajuda a explicar uma coisa que sempre foi curiosidade minha: por que os oficiais de alto escalão também vão para o campo de batalha? Vale lembrar que muitas vezes os oficiais são velhos não tendo mais condições físicas e nem fisiológicas de agir em combate. Porém, aí temos envolvidas algumas coisas: a) se o comandante foge da batalha, baixa a moral dos soldados; b) mesmo que o comandante seja velho, ele poderá dizer para outro mais jovem fazer ou deixar de fazer algo; e c) fiscalizar não é somente dizer se é certo ou errado, mas reagir caso algo errado seja feito.

Mas, porque simplesmente o fiscal não atribui a função de reagir a uma autoridade e acione ela quando for necessário? Se isso realmente fosse feito assim, em todas as escalas em todos os lugares, seria muito fácil de destruir o sistema. Pois, uma pessoa só se subordina a outra se ela for mais fraca (pelo menos em algum quesito) que quem tenta subordinar. Ora se isso for verdade, ou o agente deverá ser mais fraco que o fiscal, então não seria muito eficiente. E se isso não fosse verdade, o agente iria se rebelar e dominar o fiscal.

A criação de dois comandos, porém, é por si só um problema. Se há dois comandos, não há centralização. De fato, por sua natureza, o

porém, é por si só um problema. Se há dois comandos, não há centralização. De fato,

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porém, é por si só um problema. Se há dois comandos, não há centralização. De fato,

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apoio é, em geral, mais centralizado que a base. Por isso, ocorre uma subordinação do comando básico pelo comando apoiador, pois pode um único comando apoiador apoiar vários comandos básicos. Chamaremos esse comando apoiador máximo de comando geral.

No Exército Brasileiro, apenas para se ter uma noção disso, uma unidade convencional é dividida em 3 companhias de fuzileiros e uma companhia de comando e apoio. Cada companhia de fuzileiros é divida em 3 pelotões de fuzileiros e um pelotão de apoio. Cada pelotão de fuzileiros é dividido em 3 grupos de combates e um grupo de apoio. E cada grupo de combate é dividido em 2 esquadras (cada uma delas tendo um cabo e três soldados), mas isso é uma outra história. Só para não ficar sem explicação, uma esquadra faz a função de defesa (segurança) e a outra de ataque (assalto).

Porém, mesmo que o processo institucional propiciou o desenvolvimento objetivo-subjetivo, agora vou tentar mostrar que isso poderia acontecer de uma outra forma. Mais que isso: ele realmente aconteceu dessa outra forma e também da primeira, as duas aconteceram.

Quando falamos sobre organização, falamos que o que possibilita o desenvolvimento dos recursos são os elementos, a saber, o local, os meios de comunicação e os meios de transporte. Uma boa prova disso é que quando prendemos uma pessoa (tiramos sua liberdade de expressão/comunicação e locomoção), impedimo-la de continuar fazendo o que fazia antes.

Outra coisa que é interessante de analisar, e essa foi meu caminho inicial, foi pensar sobre a relação entre linguagem e pensamento. Será que a linguagem é produto do pensamento ou será

foi pensar sobre a relação entre linguagem e pensamento. Será que a linguagem é produto do

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foi pensar sobre a relação entre linguagem e pensamento. Será que a linguagem é produto do

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que o pensamento é produto da linguagem? Cheguei a conclusão que não existe pensamento sem uma linguagem.

Concorrente a isso, podemos pensar de forma análoga: será que é a diversidade que permite a inovação ou será que a inovação é o que permite a diversidade? Também cheguei a conclusão que não existe inovação sem diversidade.

Para se ter linguagem, tem que ter comunicação, e esta será tão mais profunda quanto mais desenvolvidos forem os meios de comunicação. Para ter diversidade, tem que ter transporte, e esta será tão mais profunda quanto mais desenvolvidos forem os meios de transporte.

Se analisarmos o corpo humano, veremos que nada mais é que um conjunto de sistemas interligados por um sistema de transporte (circulatório) e de comunicação (nervoso/endócrino). A maior parte dos seres evoluídos tem essa característica.

A comunicação é a principal função do comando. O transporte é a principal função da autoridade, pois, ou ela se transporta ou depende de coisas transportadas. É por isso, que a instituição possibilita que surjam essas especializações, mas ela não é a única possibilidade. O desenvolvimento da comunicação e dos transportes também, por si só, estabeleceu uma relação de divisão entre o que era objetivo e o que era subjetivo. Por exemplo, o conhecimento médico sem os remédios, os bisturis e o medidores se torna vago; ao contrário, um engenheiro não precisa de quase nada para projetar, desde que tenham chegado até eles os melhores livros de engenharia. Um artista não pode fazer muito sem ter os meios para se expressar, mas tendo os melhores tratados de direitos, um advogado consegue desempenhar bem sua função.

meios para se expressar, mas tendo os melhores tratados de direitos, um advogado consegue desempenhar bem

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meios para se expressar, mas tendo os melhores tratados de direitos, um advogado consegue desempenhar bem

Organização, Amor e Conhecimento

Mesmo assim, o conceito anterior é importante para mostrar que

a relação de subjetivismo não é pertencente única e exclusivamente ao comando e vice-versa.

Tendo tudo isso explanado, eu gostaria de expor algo que eu tive

bastante dificuldade de explicar para mim mesmo: se o médico é um fiscal, quem são as autoridades que ele fiscaliza? E quem é a massa? Bom, tirando os grupos sanitaristas que impõem as pessoas o que elas devem fazer baseado no argumento da saúde, o médico parece ser tão bonzinho, não é mesmo? Bom, pegamos por exemplo, a estrutura de uma organização militar: temos um tenente que é um fiscal, temos o sargento que é um agente e temos o soldado que faz parte da massa. Assim como o tenente pode prender o sargento caso ele não faça o que

é previsto, o médico pode baixar ou negar um tratamento para quem

faça o mesmo. Então, é como se o médico não fiscalizasse apenas seus agentes de saúde, mas sim as pessoas comuns.

Isso pode parecer bobagem, mas, o médico de Hitler poderia ter evitado talvez o nazismo, por exemplo. Além disso, muitos médicos fazem determinados procedimentos apenas se a pessoa pode pagar, ou seja, é um jeito de dizer que os ricos devem ter mais chances de viver.

Então, entenderemos um fiscal como sendo uma pessoa de grande competência que fiscaliza outros fiscais de menor competência ou agentes, fazendo com que esses últimos exerçam sobre a massa o seu interesse, impedindo-os quando saírem da linha.

4. O Ciclo

O processo de fiscalização ocorre, na sociedade, basicamente de duas formas: a) hierárquico (sempre alguém de um nível superior

ocorre, na sociedade, basicamente de duas formas: a) hierárquico ( sempre alguém de um nível superior

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ocorre, na sociedade, basicamente de duas formas: a) hierárquico ( sempre alguém de um nível superior

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fiscalizando alguém de um nível inferior); e b) horizontal (pessoas do mesmo nível se fiscalizam). Poderíamos dizer, então, que existe um grupo de pessoas que são os pica-das-galaxias, que dão a última palavra. Eu não faço a mínima ideia de quantas sãos essas pessoas, tampouco quem são.

Destruir o sistema, em última análise, é tão simples quanto ser mais forte que essas pessoas mais todas as pessoas subordinas a elas (que obrigatoriamente são mais fracas do que elas). Sim, é bastante, mas não é tanto. Sem falar que em nenhuma delas há verdadeiro conhecimento (elas não sabem de controle e momento, pelo menos a mesma pessoa), não há verdadeiro amor (porque poderia desinstitucionalizar), e a organização é do tipo institucional.

E mais uma coisa: o único motivo para que você possa estar lendo esse texto é porque existem mais pessoas que ameaçam a existência do sistema e tentar matá-las (no caso me matar ou te matar) pode ser extremamente prejudicial por encorajar outras. Na verdade, nenhuma ditadura consegue ser mais eterna.

o

seguinte:

Proclamação da República (1889) governo centralizado (oligarquias café-com-leite) e fez investidas contra movimentos que não pagavam impostos (ex: canudos). Sanitarismo. A principal influência literária é o simbolismo, movimento que vai se opor ao realismo (que tinha uma visão pessimista e imediatista da sociedade e das pessoas), trazendo uma visão mais romântica (otimista) e mitológica que vão servir de inspiração, também, para o tenentismo. Controle-objetivo.

Tenentismo (1920) oficiais do exército (de baixo escalão, entre eles o capitão Luiz Carlos Prestes), apoiados pela sociedade, fazem pressão para que hajam direitos sociais. Surge o pré-modernismo que vai trazer uma visão bem menos otimista e retomar alguns valores do realismo. Ainda sim, os conflitos brasileiros, por exemplo,

Se

pegarmos

a

história

mais

recente

do

Brasil

teremos

do realismo. Ainda sim, os conflitos brasileiros, por exemplo, Se pegarmos a história mais recente do

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do realismo. Ainda sim, os conflitos brasileiros, por exemplo, Se pegarmos a história mais recente do

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são narrados dando um certo entendimento de um futuro melhor. subjetivo.

Era Vargas (1930), apesar de Getúlio Vargas ter sido um ditador, ele acabou com o monopólio econômico por parte da agricultura e desenvolveu a indústria no Brasil. E mesmo ele tendo feito uma centralização e grande censura, nesse período a supremacia racial foi sendo substituída por uma identidade nacional. Apesar de seu autoritarismo, ele combateu os comunistas e os integralistas e criou a OAB (que foi responsável por fazer grandes críticas ao Estado). Ele era considerado como pai dos pobres e mãe dos ricos, evidenciando assim que ele sabia se utilizar do momento. Devido ao nazismo e a aliança do Brasil com os EUA, a população demonstrou grande crítica aos regimes totalitários. É também quando chega o rádio no Brasil. Começa o modernismo com a Semana de Arte Moderna, e o realismo se torna bastante expressivo. A dura realidade é colocada e seu final não tão feliz constantemente aparece, abrindo assim portas para o novo período. Momento- subjetivo.

Controle-

Populismo (1945), como o nome já diz, a troca de favores por votos era feito abertamente e era considerado correto o governo dar o máximo para o povo. Além disso, todo o tipo de ideologia era mal vista, quanto mais autoritárias fossem, devido aos estragos feitos pelo Nazismo. Mesmo assim, setores populares começaram a ganhar força (devido aos sindicatos) e com isso movimentos comunistas começaram a se tornar uma possível ameaça. A terceira geração do modernismo é definida nessa época quando, ao acabar a segunda guerra mundial, fica muito evidente o pensamento filosófico: o que é ético, o que estamos fazendo aqui, abrindo espaço para um novo momento. Mesmo assim, a ética é coloca acima da subjetivação das ações. Momento-objetivo.

Ditadura Militar (1964) volta a ter censura e autoritarismo. Ao contrário da Era Vargas, houve repressão de movimentos e de massas com uma grande freqüência. Auge da televisão (rede globo, inclusive) e do automóvel. A fotografia se tornam muito presente nesse momento, com o fotojornalismo: pois o momento poderia ser perpetuado. O ufanismo é muito realçado, colocando o Brasil acima de tudo. Controle-objetivo.

Ascensão dos Movimentos contra a Ditadura (1975), aumenta a insatisfação contra

o governo. Torna-se freqüente os projetos de uma sociedade livre brasileira. É

comum falar em organizar movimentos. A literatura saí dos livros, dos jornais. Agora ela começa a se expressar principalmente no teatro e na música (MPB e Rock).

O momento se torna mais importante que sua perpetuação. Protestos e ocupações se

tornam a grande marca desse momento. Controle-subjetivo.

importante que sua perpetuação. Protestos e ocupações se tornam a grande marca desse momento. Controle-subjetivo. 46

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importante que sua perpetuação. Protestos e ocupações se tornam a grande marca desse momento. Controle-subjetivo. 46

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Nova República (1985) chegam no Brasil os diskman, o vídeo cassete e a emissora MTV que passava vídeo clips. É eleito o presidente mais jovem do Brasil (Fernando Collor) e é implantado o neoliberalismo. É deposto também o presidente, pela primeira vez, pelo apoio popular (impeachment). Grandes estatais são passadas a iniciativa privada e é estimulada a concorrência. O consumo de informação se torna individualizado e a Literatura passa a se expressar basicamente por coisas gravadas reproduzidas no momento certo. Se populariza as tribos urbanas, dando início a cultura popular (em oposição a cultura folclórica). Surgem também os vídeo games, que permitem grande interatividade. São muitas as reflexões subjetivas e individualistas, proporcionadas pelo MPB e pelo Rock nacional. Momento-subjetivo.

Novo Populismo (2002) chegam ao auge no Brasil a Internet e as Redes Sociais. O consumo é a principal marca desse período, apoiado inclusive por medidas do governo que promovem empréstimos e auxílios. A corrupção toma os espaços midiáticos e apesar de crítica, ela se mantém, ano após ano. É marcado principalmente pela interatividade e pelo culto ao ao vivo e ao improviso. O consumo de informação, ainda, se mantém bastante individualizado, porém, compartilham-se impressões sobre essas informações. Momento-objetivo.

Como se pode ver, num período de mais ou menos 15 anos, a sociedade muda seu estado e mais ou menos a cada 60 anos, os períodos voltam a se repetir. Para compreender melhor essa oscilação, partiremos do princípio que pode ser provado que uma oscilação é uma interação entre duas grandezas que se realimentam da seguinte forma:

a) cada uma das grandezas se realimenta positivamente; b) uma grande realimenta a outra positivamente e a outra realimenta a primeira negativamente.

A primeira pergunta é: quais são essas grandezas? Bom, como estamos falando como o pensamento geral da sociedade vê o mundo, estamos falando de conhecimento. Esse conhecimento, como analisamos até agora, tem 4 métodos distintos: controle-objetivo (Medicina, por exemplo), controle-subjetivo (Engenharia), momento- subjetivo (Direito) e momento-objetivo (Artes). Cada um desses

por exemplo), controle-subjetivo (Engenharia), momento- subjetivo (Direito) e momento-objetivo (Artes). Cada um desses 47

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por exemplo), controle-subjetivo (Engenharia), momento- subjetivo (Direito) e momento-objetivo (Artes). Cada um desses 47

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métodos parte de premissas que são incompatíveis com outros métodos, e cada um deles é útil para determinado tipo de problema.

Uma pessoa pode ser enganada por outra desde ela use o mesmo método que a pessoa enganada acredita, desde que a prejudicada não conheça os outros métodos para contrapor. Uma pessoa é vencida, porém, quando alguém utiliza métodos diferentes dos seus.

Nesse sentido, é quase que uma brincadeira de pedra, papel e tesoura. O controle-objetivo perde para o controle-subjetivo, que por sua vez perde para o momento-subjetivo, que por sua vez perde para o momento-objetivo. Por seleção natural, e por indução das instituições, esse ciclo vai ocorrendo, fazendo predominar um tipo de pensamento por vez.

Antes dessa fusão entre as super-instituições devido ao desenvolvimento dos transportes e das comunicações, as super- instituições de controle era predominantemente subjetivas e as de momento, objetivas, por causa da regra de pedra, papel e tesoura.

5. Profundidade do Conhecimento

Além dos seus diversos métodos de estudo, o conhecimento também pode ser classificado quanto a sua complexidade. Já foi enumerado que quanto ao seu nível de competência/conhecimento, uma pessoa pode ser:

AlienJá foi enumerado que quanto ao seu nível de competência/conhecimento, uma pessoa pode ser: Marujo Guiado

MarujoJá foi enumerado que quanto ao seu nível de competência/conhecimento, uma pessoa pode ser: Alien Guiado

GuiadoJá foi enumerado que quanto ao seu nível de competência/conhecimento, uma pessoa pode ser: Alien Marujo

TripulanteJá foi enumerado que quanto ao seu nível de competência/conhecimento, uma pessoa pode ser: Alien Marujo

enumerado que quanto ao seu nível de competência/conhecimento, uma pessoa pode ser: Alien Marujo Guiado Tripulante

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enumerado que quanto ao seu nível de competência/conhecimento, uma pessoa pode ser: Alien Marujo Guiado Tripulante

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Organização, Amor e Conhecimento Capitão Vamos agora tentar especificar melhor o que é cada um desses.

Capitão Vamos agora tentar especificar melhor o que é cada um desses. Para ficar claro, cada categoria de competência define uma habilidade adquirida e também quem busca a habilidade seguinte.

Alien é quem não tem e não busca nada devido a forte ação do sistema em tentar aliená-lo com êxito. Marujo é quem está em busca de conhecer coisas que possa fazer. Guiado é quem já conhece algumas das possibilidades que pode se aventurar, mas está em busca de montar conceitos gerais para poder conhecer todas as possibilidades. Tripulante conhece todas as possibilidades, porque conhece as leis gerais, mas está em busca de compreender cada possibilidade em particular para saber suas relações de causa e conseqüência, para saber qual possibilidade(s), escolher (e como escolher, em que ordem, em que arranjo, em que dispositivo). Capitão é um cara safo.

Bom, isso pode ser muito estranho, por exemplo, a definição de tripulante de conhecer todas as possibilidades. Ok, isso não é garantido, porque suas generalizações podem estar erradas. Além disso, alguém pode conhecer todas as Leis da Física, mas ser ignorante sobre Música.

Mas, o que eu quero dizer é que se um tripulante conseguiu fazer suas próprias generalizações, então, se elas um dia se mostrarem erradas para um problema que ele está tentando resolver, ele saberá a manha de buscar consertá-las. Se alguém conseguiu deduzir todas as Leis da Física, se precisar, conseguirá deduzir as Leis da Música.

Então, o nível de conhecimento de uma pessoa não é somente de conhecer algo perfeito (no sentido de pronto), mas sim de ter capacidade de aprender muito rápido algo novo, de saber adaptar o que já sabe.

(no sentido de pronto), mas sim de ter capacidade de aprender muito rápido algo novo, de

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(no sentido de pronto), mas sim de ter capacidade de aprender muito rápido algo novo, de

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Esse muito rápido também é relativo. Uma vida toda pode ser muito rápido, se estamos nos referindo a algo realmente difícil. Apenas, se fosse uma pessoa com menos conhecimento, ela demoraria mais (isto é, não conseguiria, porque ninguém vive mais que uma vida).

Outra coisa importante de se constatar é que o conhecimento mais aprofundado não quer dizer mais subjetivo. Por exemplo, um chefe da divisão anti-desastre de uma usina nuclear precisar ser alguém com conhecimento muito aprofundado, mas tem que saber responder ao problema imediatamente. Não significa que ele não tenha refletido a vida toda dele sobre o que ele faria se acontecesse um acidente, mas se ele ficar refletindo no momento do acidente, ele, toda sua equipe e o resto da cidade vão para a vala. Mais que isso, um bom profissional desse tipo não se prepara apenas com hipóteses, senão, fazendo simulações e conhecendo suas ferramentas.

Também vale ressaltar que o tripulante é uma fase bem difícil. É mais ou menos como a metáfora dos relógios: se você tem um relógio, ele pode te mostrar a hora certa ou a hora errada (ele pode estar adiantado ou atrasado), mas você pelo menos saberá as horas (mesmo que elas estejam erradas); se você tem dois relógios e eles estão em horários diferentes (porque um deles ou ambos está com desregulado), você nunca saberá qual deles está certo e qual deles está errado, e portanto, não saberá que horas são. Com o tripulante, acontece algo parecido. Ele descobriu várias possibilidades, e agora, qual delas é a melhor para usar? Por outro lado, ele tem uma vantagem em relação ao guiado, por ter sempre o benefício da dúvida, de não se atirar logo de cara, de confrontar as tradições.

Por último, temos que investigar como é que podemos aprofundar nosso conhecimento. Será que existe um método? Bom, eu

último, temos que investigar como é que podemos aprofundar nosso conhecimento. Será que existe um método?

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último, temos que investigar como é que podemos aprofundar nosso conhecimento. Será que existe um método?

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acho que um ser nascendo como tabula rasa (e não recebendo nenhum tipo de influências sociais) não conseguirá encontrar por si só métodos que impulsionem seu desenvolvimento. Porém, uma pessoa que já tenha adquirido determinado nível de conhecimento poderá auxiliar outra a chegar ao seu nível mais rapidamente.

Por isso, o processo de liderança é necessário, para formar pessoas capacitadas mais rapidamente (bem mais rapidamente), mas deve-se ter muita cautela com esse processo para que a liderança não seja de forma compulsiva e nem eterna. Ao contrário, quanto antes você conseguir deixar de liderar alguém, melhor.

Outra coisa é a importância do amor nessa relação. Elevar a

auto-estima do outro é imprescindível para que o interesse não seja

apenas interesse seria tão legal fazer isso

conseguir. Então, a primeira ideia é desenvolver atividades e convidar pessoas para te ajudar, atribuindo a elas desafios nem tão fáceis e nem tão difíceis em relação a sua competência.

Mas, eu não vou

Porém, além do amor, ela tem que ser organizacional. Seja para amigos de círculos diferentes se conhecerem, seja para que haja uma consciência de nosso (meu, teu e amigos de amigos). O amor é o reflexo da admiração mutua, enquanto que a organização é reflexo do interesse comum ou complementar. Pessoas podem se conhecer por se admirar ou por ter interesses coincidentes, ou ainda por ambos. A organização carrega sempre consigo o bônus da impessoalidade, enquanto que o amor da pessoalidade. Ambos são importantes.

No meu caso, eu demorei tanto para compreender o amor porque meu conhecimento foi estimulado sempre por organizações mesmo que institucionais , como o partido de meu pai, a escola e a família.

sempre por organizações – mesmo que institucionais – , como o partido de meu pai, a

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sempre por organizações – mesmo que institucionais – , como o partido de meu pai, a

Organização, Amor e Conhecimento

Sempre fui mais estimulado por adultos do que por adolescentes um pouco mais velhos que eu, com exceção dos meus primos que via uma ou duas vezes por ano. E adultos, a maioria deles, já entraram para o sistema e, portanto, não sabem amar.

De forma geral, a melhor maneira de aperfeiçoar seu conhecimento e auto-estima é fazer aventuras. Toda aventura é composta de vários desafios que tem uma coesão entre si, e quando nos aventuramos escolhemos um desses desafios para nos divertir. Porém, há uma progressiva dificuldade entre esses desafios e cada vez que optarmos por algo mais difícil estaremos nos colocando à prova, exigindo mais de nós mesmo, descobrindo coisas novas. Porém, temos que saber que a dificuldade deve ser sempre proporcional a nossa competência, caso o contrário será fácil de mais ou difícil de mais.

Para encerrar, gostaria de relembrar que tudo isso que foi escrito nesse livro é apenas uma sugestão. Acredite no que você quiser e descarte o que você não concordar. Se quiser, escreva suas próprias ideias e publique. Se quiser copiar algo ou modificar, fique a vontade. E vá se fuder se quiser colocar de onde você tirou, a menos, toda via, se for para me criticar ^.^. O que eu escrevo é reflexo do que eu penso sobre a realidade, mas não faço isso para ser promovido, senão pelo conhecimento em si: para mim, minhas palavras são mais importantes que meu nome.

isso para ser promovido, senão pelo conhecimento em si: para mim, minhas palavras são mais importantes

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isso para ser promovido, senão pelo conhecimento em si: para mim, minhas palavras são mais importantes

Organização, Amor e Conhecimento

E o Livro de Aventuras?

O sistema é mau, mas minha turma é legal Viver é foda, morrer é difícil Te ver é uma necessidade Vamos fazer um filme E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."? E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?

Sem essa de que: "Estou sozinho." Somos muito mais que isso Somos pingüim, somos golfinho Homem, sereia e beija-flor Leão, leoa e leão-marinho Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito Chega de opressão:

Quero viver a minha vida em paz Quero um milhão de amigos Quero irmãos e irmãs

(Vamos Fazer um Filme Legião Urbana)

Quando comecei a escrever esse livro, nunca imaginei que ele

teria se tornado tão grande. Nesse exato momento, nessa exata linha, o processador de texto já computa 12 493 palavras distribuídas em 54

páginas. E nem comecei a escrever meu livro de aventuras publicarei nesse livro.

E não o

Mudar o mundo nada mais é do que viver várias aventuras. E toda aventura é, no seu interior, um desafio. Todo desafio tem uma dificuldade, mas a aventura pode explorar vários desafios correlatos de dificuldades maiores ou menores.

tem uma dificuldade, mas a aventura pode explorar vários desafios correlatos de dificuldades maiores ou menores.

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tem uma dificuldade, mas a aventura pode explorar vários desafios correlatos de dificuldades maiores ou menores.

Organização, Amor e Conhecimento

Mas, qualquer que seja o desafio, você conseguirá solucioná-lo com organização, amor e conhecimento. Ou talvez apenas algum desses, quando o desafio não for muito difícil. Ou não. Isto é, tudo o que está escrito nesse livro nunca foi colocado inteiramente na prática. Como já disse, já fiz várias teorias organizacionais e coloquei-as na prática. Quando dava errado, procurava entender os erros e fazia outra.

Essa na verdade, é uma nova proposta que tentarei implementar no ano de 2014, meu último ano na cidade de Pelotas. Se não funcionar, será trágico porque seria muito bom ter o apoio de Pelotas. Mas, não irei desistir, novas teorias vão vir e talvez um dia eu acerte.

Vou escrever meu livro de aventuras, escreva você também o

seu.

novas teorias vão vir e talvez um dia eu acerte. Vou escrever meu livro de aventuras,

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novas teorias vão vir e talvez um dia eu acerte. Vou escrever meu livro de aventuras,

A proposta geral do livro é abordar uma possível sugestão para confrontar o sistema [de instituições] tendo em vista sempre as atitudes que devemos tomar para que isso seja possível.

Sendo um livro inovador no sentido de não se prender muito a revisões do pensamento clássico, moderno ou contemporâneo, traz uma linguagem simples e sem burocracias, pois permeia principalmente as experiências do autor. Porém, busca encontrar explicações para essas percepções baseadas em argumentos mais ou menos bem fundamentados, sem perder sua simplicidade.

Apesar de não ser o primeiro livro do autor, essa é sua primeira obra consagrada, seja pela sua profundidade, seja pela sua seriedade, seja pelo número de cópias. Tudo isso sendo produto do desenvolvimento desse trabalho em particular bem como outros livros e inúmeros textos publicados em jornais que fazem crer ao leitor que o autor de dezenove anos seja muito mais velho.