Você está na página 1de 66
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS FACULDADE DE VETERINÁRIA DISCIPLINA DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO ÁREA: DEFESA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

FACULDADE DE VETERINÁRIA

DISCIPLINA DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO

ÁREA: DEFESA SANITÁRIA ANIMAL E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO

Aline Lima Valle da Costa

Brasil, Pelotas, RS

2013

Relatório apresentado à disciplina de Estágio Curricular Supervisionado do Curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial da obtenção do título de Médico Veterinário.

Orientador Acadêmico: Helenice Gonzalez de Lima

Acadêmica: Aline Lima Valle da Costa

Orientadores de estágio: Mário Pizarro Schuster e Mirela Scattolin Anselmo

Locais de Estágio: Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) junto ao SIF 190 Cooperativa Sul-rio-grandense de Laticínios LTDA.

Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil.

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a meus pais, por me concederem a oportunidade de ter realização pessoal e profissional, me dando apoio para que perseguisse insistentemente meus sonhos. A meus orientadores de estágio e professores, pelos ensinamentos, pelas oportunidades, pela amizade, pelo tempo e paciência dedicados a mim e meus colegas. As minhas amigas e colegas que me proporcionaram bons momentos de convivência e aprendizado, muito obrigada, vocês foram essenciais. Agradeço a Deus pela vida, pela saúde, saúde de meus pais e amigos e pela oportunidade de ser feliz.

SUMÁRIO

RESUMO

9

1. INTRODUÇÃO

8

2. ATIVIDADES REALIZADAS

9

2.1

Atividades na área de Defesa Sanitária Animal

9

2.1.1 Educação Sanitária em Defesa Agropecuária

10

2.1.2 Georreferenciamento de propriedades rurais

11

2.1.3 Inquérito soro-epidemiológico da Anemia Infecciosa Equina

12

2.1.4 Concessão de trânsito animal Emissão de GTA

15

2.1.5 Feira e exposição de animais

16

2.1.5.1

Admissão de bovinos

18

2.1.5.6

Admissão de equídeos

18

2.1.5.7

Admissão de ovinos

18

2.2

Atividades de Inspeção de Produtos de Origem Animal

19

2.2.1 Inspeção permanente de matadouro-frigorífico de suínos

19

2.2.2 Vistorias de supervisão técnica

26

2.2.3 Fiscalização de abate clandestino e interdição de comércio ilegal de produtos de

 

origem animal

27

2.2.4

Curso de atualização para médicos veterinários oficiais da CISPOA

29

2.3

Atividades junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

31

2.3.1

Atuação do Serviço de Inspeção Federal

31

2.3.1.1 Fiscalização dos programas de autocontrole

32

2.3.1.2 Ação fiscal

33

2.3.1.3 Programa de manutenção das instalações e equipamentos industriais

34

2.3.1.4 Programa de água de abastecimento e águas residuais

35

2.3.1.5 Programa de controle integrado de pragas

37

2.3.1.6 Programa de higienização

38

2.3.2

Controle de qualidade interno

40

2.3.3

Programas de monitoramento do MAPA

42

2.3.3.1

Solicitação de amostras para análise oficiais

42

2.3.3.1.1 Frequência da coleta de amostras para análises de rotina

43

2.3.3.1.2 Ações fiscais em caso de violações de análises oficiais

43

2.3.3.2 Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes

45

2.3.3.3 Programa de Combate a Fraude

47

2.3.4

Beneficiamento do leite

48

2.3.4.1

Coleta a granel e recepção do leite cru

48

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

49

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

49

ANEXOS

54

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AIE: Anemia Infecciosa Equina

APPCC: Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle

BPF: Boas Práticas de Fabricação

CBT: Contagem Bacteriana Total

CCS: Contagem de Células Somáticas

CIP: “Cleaning in Place” (Limpeza Local)

CISPOA: Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal

CMP: Caseinomacropeptídeo

CORSAN: Companhia Rio-grandense de Saneamento

CQ: Controle de Qualidade

DDA: Departamento de Defesa Agropecuária

DILEI: Divisão de Inspeção de Leite e derivados

DIPOA: Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal

DSA: Defesa Sanitária Animal

EMEF: Escola Municipal de Ensino Fundamental

ETA: Estação de Tratamento de Água

ETE: Estação de Tratamento de Efluentes

FQ: Físico-Químicas

GPS: Global Positioning System (Geo Posicionamento por Satélite)

GTA: Guia de Transito Animal

IDA: Inspetoria de Defesa Animal

IDGA: Imuno Difusão em Gel de Ágar

IVZ: Inspetoria Veterinária e Zootécnica

IN: Instrução Normativa

MAPA: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

MB: Microbiológicas

MP: Ministério Público

MS: Ministério da Saúde

OIE: Organização Mundial de Saúde Animal

NF: Nota Fiscal

PCF: Programa de Combate a Fraude

PCC: Ponto Crítico de Controle

PNCR: Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes

PPHO: Procedimento Padrão de Higiene Operacional

RIISPOA: Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal

RP: Registro de Proprietário

RTIQ: Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade

RNC: Relatório de Não Conformidade

ROA: Requisição Oficial de Análise

RS: Rio Grande do Sul

SDA: Secretaria do Desenvolvimento Agrário

SEAPA: Secretaria da Agricultura Pecuária e Agronegócio

SIPA: Secretaria de Inspeção de Produto Animal

SIPAG: Serviço de Inspeção de Produtos Agropecuários

SFA: Superintendência Federal Agropecuária

SS: Solicitação de Serviço

SIE: Serviço de Inspeção Estadual

SIF: Serviço de Inspeção Federal

SIM: Serviço de Inspeção Municipal

SIPAG: Serviço de Inspeção de Produtos Agropecuários

SISBI: Sistema Brasileiro de Inspeção

SISRES: Sistema de controle de Resíduos e contaminantes

SOA: Solicitação Oficial de Analise

UPF: Unidade Padrão Fiscal

UHT: Ultra High Temperature (Temperatura Ultra Alta)

RESUMO

DA COSTA, Aline Lima Valle. Defesa Sanitária Animal, Inspeção de Produtos de Origem Animal, 2013. Relatório de Estágio Curricular Supervisionado, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal de Pelotas.

O Estágio curricular foi dividido em duas etapas. A primeira parte foi realizada na Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA) junto a Inspetoria de Defesa Animal (IDA) e a Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (CISPOA), durante o período de 09 de setembro a 18 de outubro de 2013, totalizando 240 horas. A segunda parte foi realizada no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) durante o período de 21 de outubro a 13 de dezembro de 2013, totalizando 234 horas. Na primeira etapa as atividades acompanhadas foram a atuação dos veterinários da Inspetoria de Defesa Animal (IDA) na Defesa Sanitária Animal (DSA), desenvolvendo atividades de controle, fiscalização e vigilância sanitária em animais de interesse econômico ao estado do Rio Grande do Sul e, as atividades de promoção e manutenção da saúde pública desenvolvidas pelos veterinários da Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (CISPOA) através da Inspeção de Produtos de Origem Animal. A primeira parte do estágio foi orientada pelo médico veterinário Mário Sérgio Pizarro Schuster, supervisor da SEAPA de Pelotas. Na segunda parte, as atividades acompanhadas junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF), se deram através da inspeção permanente de um estabelecimento produtor de leite e derivados registrado no MAPA e foram orientadas pela médica veterinária fiscal federal agropecuária, Mirela Scattolin Anselmo.

Palavras-chave: Defesa Sanitária Animal, Inspeção de Produtos de Origem Animal, Saúde Pública, Veterinária Preventiva.

8

1. INTRODUÇÃO

O estágio foi realizado de 09 de setembro a 18 de outubro de 2013, na

Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA) junto ao Departamento de Defesa Agropecuária (DDA), área técnica que disponibiliza, entre

outros, serviço público de médicos veterinários destinados à promoção e a manutenção da saúde de animais de produção e da saúde pública, e, após, no período de 21 de outubro a 13 de dezembro de 2013, no SIF com atividades voltadas à inspeção de laticínios registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para promover a manutenção da saúde pública através da garantia de produção de alimentos inócuos à população. A carga horária total de atividades acompanhadas durante o estágio final foi de 474 horas.

O DDA é o maior departamento da SEAPA, sendo responsável por garantir a

sanidade animal dos rebanhos e por assegurar a sanidade dos vegetais aptos à comercialização, por meio de ações de combate, controle e erradicação de doenças

e pragas que possam causar prejuízos na agropecuária do estado do Rio Grande do

Sul. O DDA é formado por departamentos de serviço médico veterinário, agronômico

e técnico agropecuário. As divisões que competem ao serviço médico veterinário são a Inspeção de Produtos de Origem Animal; a Defesa Sanitária Animal e a Gestão, Análise e Controle. Além dessas Divisões, o DDA é composto pelas Supervisões Regionais, das quais fazem parte os Postos Fixos de Fiscalização Agropecuária e as Inspetorias de Defesa Agropecuária. (SEAPA, 2013a).

O MAPA visa à garantia da segurança alimentar da população brasileira e a

produção de excedentes para exportação, fortalecendo o setor produtivo nacional e favorecendo a inserção do Brasil no mercado internacional. Para tanto, conta com as Superintendências Federais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento nos Estados e

com os Serviços de Inspeção Federal (SIF) atuando junto a quase 4.000 estabelecimentos cadastrados no Departamento de Inspeção de Produtos de origem animal (DIPOA). As atividades dos médicos veterinários do SIF garantem a inocuidade dos produtos de origem animal e o cumprimento das legislações nacional

e estrangeiras para a produção, industrialização e comercialização destes produtos (MAPA, 2013).

9

2. ATIVIDADES REALIZADAS

As atividades realizadas foram o acompanhamento de ações de defesa sanitária animal e de inspeção sanitária de produtos de origem animal. Na área de defesa sanitária animal foram acompanhadas atividades relacionadas ao controle, erradicação e vigilância epidemiológica de doenças de impacto econômico e de interesse ao estado do Rio Grande do Sul, bem como a conscientização desta importância pela população que desempenha atividades ligadas a área rural. As atividades dos veterinários do Serviço de Inspeção Estadual da SEAPA e do Serviço de Inspeção Federal do MAPA se destinam a promoção e manutenção da saúde pública e estão envolvidas com atividades de inspeção permanente de estabelecimentos que produzem alimentos de origem animal visando assegurar a produção de alimentos inócuos. As atividades acompanhadas junto a CISPOA foram visitas de supervisão técnica a estabelecimentos registrados neste órgão, fiscalização e combate a abatedouros clandestinos, curso de atualização em inspeção para veterinários da CISPOA e consultorias para frigoríficos abatedouros. As atividades do SIF foram voltadas à inspeção de um laticínio registrado no MAPA, ao controle e monitoramento da qualidade e segurança da matéria prima utilizada no estabelecimento e monitoramento do controle da qualidade dos produtos finais através de programas específicos do MAPA.

2.1 Atividades na área de Defesa Sanitária Animal

A Defesa Sanitária Animal (DSA) tem como objetivo a prevenção, controle e erradicação de doenças de impacto econômico e de importância zoonótica, através de ações de vigilância epidemiológica e saúde animal, planejadas, coordenadas e executadas pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO), bem como, com a participação da comunidade, visando à valorização do patrimônio pecuário nacional e da saúde pública (RIO GRANDE DO SUL, 2013).

10

2.1.1 Educação Sanitária em Defesa Agropecuária

A educação sanitária é um dos processos básicos da Defesa Agropecuária e

está regulamentada no Decreto 5.741/2006 da Lei de Defesa Agropecuária (Lei 9.712/1998) e foi instituída através da Instrução Normativa (IN) 28/2008 do MAPA

(BRASIL, 2008). A educação Sanitária em Defesa Agropecuária tem como objetivo

geral, promover por via educativa, a sanidade, inocuidade e qualidade dos produtos agropecuários brasileiros e de seus derivados.

A regional de Pelotas iniciou em 2009 a execução do projeto de Educação

Sanitária no meio rural, que veicula informações sobre doenças de interesse econômico para o estado, zoonoses e importância do consumo de produtos de origem animal inspecionados. O projeto é desenvolvido em escolas públicas rurais, e atinge escolares de todas as séries, pais de alunos, professores e diretores, através de palestras direcionadas de acordo com o público alvo. As escolas são selecionadas por sorteio pela coordenadora do projeto e recebem as palestrantes uma vez por mês, em dias pré-agendados. A parte do projeto acompanhada foi durante a semana de 09 a 13 de setembro de 2013, em três escolas municipais situadas na zona rural de Pelotas:

Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Wilson Muller, situada na Colônia Triunfo, 4° Distrito; EMEF Professora Eulália Medeiros dos Anjos, situada no 9° Distrito e a EMEF Garibaldi, situada no 8° Distrito.

A execução do projeto nestas escolas possibilitou acompanhar a forma de

elucidação de temas relevantes em defesa sanitária animal e saúde pública à cerca de 200 alunos da EMEF Garibaldi e, 100 e 80 alunos da EMEF Wilson Muller e da EMEF Professora Eulália Medeiro dos Anjos, respectivamente. Estes escolares do ensino fundamental situam-se na faixa etária entre 06 a 15 anos, aproximadamente. Os temas das palestras ministradas na referida semana foram sobre carrapatos e piolhos. As palestras sobre carrapatos elucidaram sobre os tipos e o ciclo de vida dos mesmos, os prejuízos causados pelo parasita, os agentes infecciosos veiculados e a doença transmitida aos animais de produção, bem como a forma de identificação da doença e as formas de controle dos parasitas. As palestras sobre piolhos foram ministradas para atender a uma forte demanda de atenção à saúde pública dos escolares, a pedido de professores e diretoras das escolas, visto que a infestação por piolhos, além de outras

11

consequências, causa diminuição do rendimento e do aprendizado dos estudantes. Foram abordados temas que visavam tratar o assunto com naturalidade e controlar

a infestação. Ao final das palestras os estudantes faziam diversos questionamentos

e contavam casos particulares. A execução do projeto nesta semana também foi destinada às mães de cerca de 30 alunos do 8° ano da EMEF Garibaldi, onde foram explanadas doenças como a toxoplasmose e a leptospirose e formas de controle e prevenção das mesmas. Para atrair a atenção dos escolares as palestrantes utilizaram recursos audiovisuais, material didático específico e fantasias temáticas, enfatizando os temas abordados. Como método de avaliação da eficiência do projeto, alunos, pais e professores responderam a questionários elaborados pelas palestrantes sobre os temas abordados antes e após assistirem as palestras. As respostas foram avaliadas posteriormente pela coordenadora do projeto e as notas de cada escola registradas. Ao final de cada ano é feita a avaliação dos resultados obtidos. Os conteúdos que fazem parte do projeto na integra contemplam assuntos sobre febre aftosa, raiva herbívora, tuberculose, brucelose, hidatidose, cisticercose, sanidade avícola e suídea, inspeção e fiscalização de produtos de origem animal, toxoplasmose e leptospirose, e estão sendo implantados desde 2012 na grade curricular das escolas sorteadas. Os professores, além de assistirem às palestras, são assessorados pela equipe de educação sanitária da SEAPA através de CDs, DVDs, vídeos e folders.

2.1.2 Georreferenciamento de propriedades rurais

Todas as atividades executadas à campo pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO) da SEAPA são planejadas e organizadas para se obter maior agilidade e eficiência nas tomadas de decisões de ações de defesa sanitária animal, quando em suspeita de enfermidades relevantes ao estado. Para isso, o quadro técnico que compõe o Departamento de Defesa Sanitária Animal da SEAPA necessita de dados de informações, qualitativos e quantitativos de propriedades rurais, como por exemplo, a caracterização da atividade rural desenvolvida, o número de animais cadastrados, a localização da propriedade, as vias de acesso e a distância de outros pontos de referência.

12

Durante a rotina de trabalho a campo foram coletados pontos de referência de latitude e longitude através de um aparelho de GPS (Global Posiotion System ou Geo Posicionamento por Satélite) em frente às porteiras da sede das propriedades rurais que, ao final do expediente, foram transferidos para o software do sistema de informação GeoSDA desenvolvido para o Sistema de Defesa Agropecuária (SDA) da SEAPA. O georreferenciamento e o geoposicionamento das propriedades rurais no sistema SDA propicia agilidade e eficiência nas ações de defesa sanitária animal através da disponibilidade de dados para a quantificação do número de propriedades e de animais em que se devem realizar fiscalizações e investigações epidemiológicas.

2.1.3 Inquérito soro-epidemiológico da Anemia Infecciosa Equina

A Anemia Infecciosa Equina (AIE) é uma doença que compromete irreversivelmente o desempenho dos equinos. É caracterizada por uma infecção persistente, que resulta em episódios periódicos de anemia, hemorragias, trombocitopenia e leucopenia culminando com a supressão transitória da resposta imunológica. Os principais sinais clínicos de AIE, de uma forma geral, são quadros febris recorrentes, pequenas hemorragias de mucosas (petéquias), palidez de mucosa (anemia), perda de peso, hipertermia, depressão, desorientação e andar em círculos. Na forma aguda os principais sinais são febre, anemia, hemorragias petequiais, edema nos membros, fraqueza, falta de apetite e a morte pode ocorrer em 2-3 dias. A forma crônica caracteriza-se por febre recorrente, fraqueza, falta de apetite e baixo rendimento esportivo. Já a forma inaparente é caracterizada pela ausência de sinais clínicos, e justamente por isso, é considerada a forma mais preocupante, pois é responsável por manter os animais portadores aparentemente sadios no rebanho, disseminando a doença (GONÇALVES et. al., 2005). O agente etiológico é um retrovírus que causa anemia hemolítica do tipo autoimune. Além dos equinos, os muares e asininos de qualquer raça, idade e sexo são suscetíveis. A transmissão pode ser do tipo vertical ou intrauterina e do tipo horizontal por meio de utensílios contaminados (agulhas, freios, esporas), leite materno, sêmen ou insetos hematófagos. Entretanto, a transmissão do vírus é geralmente relacionada com a transferência de sangue de um cavalo infectado a um

13

receptor sadio. Geralmente, proprietários e manejadores em geral, são considerados os principais fatores da transmissão do vírus, em função do manejo inadequado dos animais. Os insetos hematófagos, particularmente os tabanídeos (mutucas ou moscas de estábulo), também desempenham um papel importante na cadeia natural da doença, atuando como vetores. O risco de transmissão de AIE entre animais aumenta com a prevalência da doença na propriedade, presença de vetores e a proximidade entre animais. Não existem métodos práticos e eficazes de controle dos tabanídeos, assim, o risco de transmissão mecânica por vetores pode apenas ser minimizado, separando-se os animais positivos dos negativos (GONÇALVES et al.,

2005).

Considerando a necessidade de estimar a prevalência de casos da AIE no rebanho equídeo do estado do RS, o DDA da SEAPA convocou médicos veterinários e técnicos agrícolas para que trabalhassem em conjunto realizando pela primeira vez no estado, um inquérito soro epidemiológico da AIE em equídeos situados na zona rural das cidades do RS. O inquérito iniciou no mês de setembro de 2013, em todas as regionais do estado. Para tal evento, foram sorteadas por método estatístico, propriedades rurais cadastradas na regional de Pelotas que possuíssem equídeos. Essas propriedades estavam situadas na cidade de Pelotas e nos municípios de Capão do Leão, Pinheiro Machado, Herval e Arroio do Padre. As coletas foram previamente agendadas e os proprietários de equídeos informados sobre a caracterização da pesquisa, que servirá somente para avaliar a prevalência e a distribuição da doença no estado sem a intervenção do SVO, a partir da detecção de casos positivos. Os proprietários eram alertados também de que deveriam estar presentes para responder ao questionário com as perguntas pertinentes ao levantamento de dados que auxiliará na investigação epidemiológica. O inquérito da AIE se baseou na coleta de cerca de 10 ml de sangue, com o uso de tubos do tipo vacutainer sem anticoagulante, da veia jugular dos equídeos das propriedades sorteadas. As amostras foram etiquetadas e acondicionadas em caixas isotérmicas com gelo. A coleta de sangue foi seguida por coleta de material da cavidade nasal dos equinos, realizada com um swab. Além da investigação de casos de AIE, aproveitando a mesma amostragem, a sorologia avaliará a prevalência de outras enfermidades como arterite viral, influenza eqüina, rinopeumonite eqüina, vírus vaccinia e adenite eqüina. O ponto de localização da propriedade era registrado no aparelho de GPS e repassado ao sistema GeoSDA para fins de

14

georreferenciamento. Ao final de cada dia de coleta, as amostras eram centrifugadas para uma melhor retração de coágulo e separação do soro, e alíquotas de 1,5ml eram pipetadas e transferidas para tubos do tipo eppendorf em duplicata, identificadas de acordo com o registro do equídeo correspondente e acondicionadas em congelador. Ao final da etapa de coleta das propriedades sorteadas, os soros das amostradas coletadas foram encaminhadas para o laboratório oficial do MAPA (LANAGRO) para a realização do teste diagnóstico oficial com o método sorológico de Imuno Difusão em Gel de Ágar (IDGA), juntamente com os questionários respondidos pelos proprietários. As perguntas que integravam o questionário eram relacionadas ao manejo dos animais e a utilização de fômites que pudessem veicular o agente como (agulhas de uso comunitário entre os animais, esporas, bridão) e quanto a presença de tabanídeos na propriedade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a Anemia Infecciosa Equina (AIE) é uma doença de notificação obrigatória, para a qual não existe tratamento ou vacina. Formas de controle se dão através da exigência de exames negativos para AIE no ingresso de novos animais em propriedades, participação do equino somente em eventos em que se exige exame negativo de AIE para a entrada de animais, e em casos de foco, sacrifício de animais comprovadamente positivos e interdição da propriedade conforme estipula a IN 45/2004 do MAPA (BRASIL, 2004). A investigação de casos de AIE por regiões do RS subsidiará o estudo de prevalência e distribuição da doença no estado. Além de visar o levantamento de dados epidemiológicos, o inquérito servirá como base para avaliação do prazo de validade do exame que atesta a negatividade para AIE no estado e, consequentemente, servirá como fundamento para justificativa da necessidade ou não, da realização de exame de AIE para a emissão de GTA para trânsito intraestadual de equinos, questão alvo de debates, atualmente. Os profissionais do SVO da SEAPA acreditam que os resultados sejam otimistas e que a validade do exame de AIE poderá aumentar de 60 para 180 dias, assim como é valido no estado vizinho Santa Catarina, onde as propriedades são controladas. Em uma visão mais pessimista o inquérito servirá como base para estratégia do programa nacional de controle e erradicação da AIE no estado.

15

2.1.4 Concessão de trânsito animal Emissão de GTA

A fiscalização do trânsito em todo território nacional de animais vivos, ovos férteis e outros materiais de multiplicação animal tem a finalidade de atuar no controle e monitoramento da defesa sanitária animal e está prevista no Decreto 5.741 de 30/03/2006 do MAPA (BRASIL, 2006a). Seja qual for a via de trânsito, a apresentação de documentação oficial é obrigatória à fiscalização. O documento oficial para transporte de animal no Brasil é a Guia de Trânsito Animal (GTA), que contém as informações do proprietário como nome e cadastro de pessoa física (CPF) ou jurídica (CNPJ), nome e código da propriedade cadastrada no SDA, cidade, e Unidade Federativa, informações sobre a origem e o destino dos animais, condições sanitárias do animal (vacinações e exames), bem como a finalidade do transporte animal (abate, engorda, reprodução, exposição, leilão, esporte). Cada espécie animal possui uma norma específica estabelecida por lei para a concessão do trânsito. Os produtores interessados em transportar animais devem estar regularizados quanto ao cadastro na IDA, saldo positivo na respectiva faixa etária e sexo de animais envolvidos no trânsito e portando a documentação sanitária exigida pela legislação. A GTA emitida geralmente tem validade para o período necessário para realização do trânsito (normalmente 03 dias). Para o trânsito intraestadual e interestadual de bovinos as exigências são a vacinação para febre aftosa e para a brucelose. A vacinação deve ser comprovada na IDA, no mínimo uma vez por semestre, por meio de atestado emitido por médico veterinário cadastrado ou oficial. É levado em consideração o prazo mínimo de carência de 15 dias para emissão da GTA, contados a partir da data da vacinação em casos de bovídeos primovacinados para aftosa. No caso de revacinação, o prazo de carência para movimentação é de sete dias, contados a partir da data da última vacinação. Para a movimentação de animais destinados ao abate imediato, a validade da vacinação é prorrogada em até 60 dias, contados a partir da data do término da última campanha. Para o trânsito interestadual de bovinos bem como participação em exposições, feiras, leilões e rodeios o proprietário deve possuir atestado negativo de brucelose a partir dos 24 meses de idade para fêmeas vacinadas e, para machos reprodutores e fêmeas não vacinadas, atestado de negatividade a partir dos 08 meses de idade, além de atestado negativo de tuberculose para ambos os sexos e

16

todas as categorias etárias. A exceção da exigência de atestado de negatividade é para animais destinados ao abate, fêmeas de até 24 meses vacinadas para brucelose entre 03 e 08 meses de idade, machos castrados e animais procedentes de estabelecimentos de criação livres de brucelose. Para o trânsito nacional (intraestadual e interestadual) de equinos é exigido exame negativo de AIE para animais acima de seis meses de idade. Animais com menos de seis meses podem estar acompanhados pela mãe com exame negativo ou não, quando o destino for abate. Quando o equino for destinado a evento de aglomeração de animais ou quando tiver como destino outros estados, também deve

possuir atestado da não ocorrência de Influenza Equina, emitido por médico veterinário ou, atestado de vacinação para influenza equina dentro da validade. Quando o destino for para estados onde houve a ocorrência de mormo é necessário exame negativo para esta enfermidade. A GTA tem validade para o período necessário para realização do trânsito (normalmente três dias), o exame de AIE, tem atualmente, validade de 60 dias no RS e o atestado de vacinação para Influenza é válido por um ano. A exigência da GTA para equídeos é uma determinação federal, e em maio do ano de 2013, com a regulamentação da Lei através do Decreto Estadual 50.072/2013 (RIO GRANDE DO SUL, 2013), passou a prever multa para o trânsito dos animais sem GTA, gerando um aumento súbito na declaração do número de animais dos proprietários no estado e uma grande movimentação na IDA, principalmente no período próximo à realização do evento da semana farroupilha. Logo após, com a suspensão da multa decretada por Lei pelo governador do estado, em setembro de 2013, suspendendo a cobrança da GTA até o final deste mesmo ano, a declaração da movimentação de equinos estagnou na IDA de Pelotas, levando o SVO a crer que, consequentemente, as vacinações para Influenza equina

e exame de AIE também deixaram de ser realizadas.

2.1.5 Feira e exposição de animais

O agendamento de eventos agropecuários de destaque no estado, organização do calendário oficial das exposições e feiras, o recebimento e

conferencia da documentação dos animais participantes dos eventos agropecuários,

a fiscalização dos animais durante os eventos em todas as suas etapas (admissão,

17

julgamento, comercialização e emissão de Guia de Trânsito Animal) e a geração de histórico de informações durante e ao final das feiras e exposições são atividades regulamentadas por lei (RIO GRANDE DO SUL, 2010), estando previstas no Decreto de Defesa Sanitária Animal N° 50.072 de 2013 (RIO GRANDE DO SUL, 2013). As normas sanitárias para eventos com aglomeração de animais no estado seguem as mesmas normas do evento oficial do estado, a Expointer. Estas normas estão regulamentadas em Portarias próprias da Coordenadoria de Defesa Sanitária Animal do Departamento de Produção Animal da SEAPA e na Portaria 48/2010 da SEAPA (RIO GRANDE DO SUL, 2011; SEAPA 2013c; SEAPA, 2013d). Para a participação da 87° Expofeira de Pelotas os criadores de animais interessados no evento, solicitaram a IDA de Pelotas que um médico veterinário do Departamento de Produção Animal (DPA) realizasse uma vistoria prévia nos animais inscritos à participação do evento. Aproveitando a oportunidade, foram sanadas dúvidas quanto à exigência de documentações, no intuito de não ser barrado na entrada da feira. Durante o evento, os profissionais do Departamento de Defesa Agropecuária (DDA) da SEAPA executaram atividades referentes à admissão dos animais ao parque de exposições e feiras. Um posto de atendimento do SVO foi montado próximo à plataforma de recepção dos animais onde foi realizado o registro do histórico de movimentação dos mesmos e a emissão da GTA para retorno ao final do evento. As espécies que participaram da 87ª Expofeira de Pelotas foram a bovina, ovina e a equídea. Na chegada de cada veículo transportador, foi exigido ao responsável que apresentasse o documento oficial de transporte animal (GTA). Durante o desembarque, conferiu-se a quantidade e o sexo dos animais para a comparação com o informado pela GTA e avaliou-se a documentação sanitária exigida para cada espécie. No exame de inspeção visual externa avaliou-se o estado de saúde geral dos animais, bem como se inspecionou quanto à presença de micoses, papilomas e parasitas externos, condições que não são admitidas em nenhuma espécie para a participação do evento.

18

2.1.5.1 Admissão de bovinos

Os documentos exigidos para a admissão de bovinos se constituem no certificado de vacinação contra a Febre Aftosa e Brucelose e o atestado de negatividade para Tuberculose. Para efeito de comprovação, conferia-se o número do registro de identificação do produtor (RP) e o número individual do animal que deve constar no brinco ou tatuagem do animal (animais da raça Jersey), estes devem ser os mesmos contidos na GTA e nas outras documentações (RIO GRANDE DO SUL, 2011; SEAPA 2013c; SEAPA, 2013d). O atestado de negatividade para a reação à tuberculinização intradérmica é exigido para bovinos com idade a partir de seis semanas de vida. Este exame diagnóstico tem validade de 60 dias e não pode ter seu prazo de validade expirado durante o período do evento. Também se exige atestado de negatividade para brucelose para fêmeas acima de 24 meses de idade e fêmeas entre oito e 24 meses de idade não vacinadas (provenientes de propriedades certificadas como livre de brucelose e tuberculose) e para machos não castrados a partir de oito meses de idade. Para fêmeas com até 24 meses de idade, vacinadas contra a Brucelose entre três e oito meses de idade, é exigida a apresentação do Atestado de Vacinação contra a enfermidade.

2.1.5.6 Admissão de equídeos

Além da conferencia do número e sexo dos animais em conformidade com a GTA, se observava a resenha de identificação individual dos equinos, atestado de sanidade, validade do exame comprovando negatividade para Anemia Infecciosa Equina (60 dias) e da vacinação contra influenza equina (um ano), bem como inspeção visual da aparência geral e da pele (SEAPA 2013c).

2.1.5.7 Admissão de ovinos

Realizavam-se os mesmo procedimentos de conferencia de GTA das outras espécies. Os exames específicos exigidos para esta espécie são o atestado negativo de Sarna e Piolheira dos ovinos, com exames efetuados no máximo 07 dias antes da data de ingresso no evento e o atestado negativo para Brucella ovis

19

através do teste de imunodifusão em gel Agar (IDGA), dos machos reprodutores, com exames efetuados no máximo 60 dias antes da data de ingresso no evento, conforme estipula o Regulamento de Feiras Oficiais (SEAPA 2013c; SEAPA

2013d).

2.2 Atividades de Inspeção de Produtos de Origem Animal

O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) da SEAPA é o setor responsável pela fiscalização dos estabelecimentos que elaboram alimentos de origem animal com a finalidade de garantir a inocuidade e o cumprimento da legislação sanitária pertinente. A Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (CISPOA) é o órgão do DIPOA responsável pelo gerenciamento, coordenação, supervisão e fiscalização das ações de inspeção de produtos de origem animal que são comercializados dentro do estado (SEAPA,

2013b).

Neste departamento foram realizadas atividades de acompanhamento de inspeção em matadouros-frigoríficos de bovinos e bubalinos, matadouros-frigoríficos de suínos, vistorias de supervisão em matadouros-frigoríficos de carne, micro usina de leite, entreposto de pescado, fiscalização de estabelecimentos de comércio ilegal de produtos de origem animal e ainda, a participação no curso de capacitação de veterinários oficiais do CISPOA.

2.2.1 Inspeção permanente de matadouro-frigorífico de suínos

As atividades de inspeção higiênico-sanitária de estabelecimentos registrados na CISPOA estão regulamentadas pelo Decreto Estadual 39.688 de 30/08/1999 e pelo Decreto Federal 30.691 de 29/03/1952 (RIISPOA) e suas alterações (RIO GRANDE DO SUL, 1999, p. 25-26). As atividades acompanhadas no local de estágio estavam ligadas ao ato da inspeção permanente do estabelecimento, referindo-se à liberação do abate, à liberação da manipulação de produtos nos setores, ao acompanhamento da linha de inspeção de vísceras, a relatoria de não conformidades do estabelecimento, as ações fiscais tomadas e as consequências de infrações e penalidades. Foram

20

acompanhadas todas as etapas do fluxograma de abate (Figura 1), desde a recepção dos animais até a expedição das carcaças.

a recepção dos animais até a expedição das carcaças. Figura 1: fluxograma do abate de suínos.

Figura 1: fluxograma do abate de suínos.

As atividades ligadas à liberação do abate iniciam fora do estabelecimento, acompanhando a chegada dos animais. Na recepção inspeciona-se se estão sendo respeitados os procedimentos de descarregamento dos lotes de acordo com legislação de bem-estar animal (BRASIL, 2000; BRASIL, 2013). Observou-se que este era realizado de acordo com as normas, sendo feito em grupos pequenos, sem gerar estresse aos animais, com uso de picanas elétricas somente em casos extremamente necessários (quando se observava recusa da movimentação de animais) e em local adequado (abaixo dos jarretes) e por tempo curto (máximo por 02 seg.). Concomitantemente, conferia-se o número de animais descarregados por lote com o informado na GTA, a nota fiscal do produtor e a presença de documentos que comprovavam a sanidade dos animais (boletim sanitário). Na próxima etapa se inspecionam os seguintes itens: condições do ambiente externo quanto à conservação da estrutura e limpeza do local; lotação das pocilgas

21

e presença de água suficiente e limpa nos bebedouros. Avalia-se o estado geral aparente dos animais para realizar a separação dos que se encontrem fraturados, prolapsados (figura 2 - A), aparentemente debilitados ou mortos e tomar as devidas providências (abate imediato, abate sanitário ou condenação). Animais com prolapsos retais ou uterinos são desviados para um curral anexo para serem examinados quanto ao seu comprometimento sistêmico. Quando se apresentam sem alterações sistêmicas são abatidos no início da linha (abate imediato), para a prevenção de agravo do quadro e consequente perda da carcaça por condenação, e os comprometidos sistemicamente são abatidos no final da linha de abate (abate sanitário) para evitar a contaminação da linha, sendo posteriormente destinados a graxaria (condenados). Observa-se a limpeza do corredor de acesso ao Box de insensibilização e do próprio Box (figura 2 - B), e se os animais permanecem por 3 minutos no mínimo em banho de aspersão (figura 2 - C) para assegurar uma esfola higiênica.

(figura 2 - C) para assegurar uma esfola higiênica. Figura 2: (A) Prolapso retal; (B) Box

Figura 2: (A) Prolapso retal; (B) Box de insensibilização; (C) Banho de aspersão. Fonte: arquivo pessoal.

Após a inspeção local do ambiente externo se acessa o interior do estabelecimento, através da barreira sanitária. No ato da lavagem das botas e mãos, observa-se a preservação e eficiência das barreiras sanitárias, como por exemplo, preservação das cerdas das escovas da máquina lavadora de botas, quantidade de espuma e disponibilidade de sabonete líquido, papel toalha e álcool gel para assepsia das mãos. Os setores de vestiários e barreiras sanitárias também são registrados quanto a sua conformidade ou não na planilha de verificação local.

22

Dentro do estabelecimento inicia-se a inspeção por setores. Com a planilha de PPHO (Anexo III planilha 01) em mãos, todos os setores são inspecionados quanto à presença de resíduos de água e/ou resíduos de abate ou processamento do dia anterior no chão, paredes, teto/forro, aberturas, mesas, facas, bandejas e todos os equipamentos e utensílios que entrem em contato com o produto. Caso resíduos sejam encontrados, marca-se na planilha o resultado de não conformidade no local bem como a ação fiscal que deve ser tomada, que, neste caso, é a correção imediata (nova limpeza ou remoção de sujidade do setor, parte do setor ou equipamento específico). O procedimento de verificação do PPHO é realizado conforme o estipulado no Ofício Circular 175/2005 do MAPA (BRASIL, 2005). A temperatura da água dos esterilizadores de facas, chairas, ganchos e serras e a cloração dos pontos de abastecimento interno também fazem parte da verificação de PPHO e são inspecionadas quanto aos padrões exigidos na legislação. A temperatura verificada deve ser de 82,2°C (BRASIL, 1995) e o cloro residual livre na faixa entre 0,5 a 1 ppm (BRASIL, 1952). A temperatura da água dos esterilizadores é verificada através da inserção de um termômetro digital frigorífico e a cloração da água através da análise por método colorimétrico com o reagente orto- tolidina de amostras coletadas dos pontos de abastecimento interno. A temperatura das salas frigoríficas também é verificada no PPHO em cada setor. Deve estar abaixo 16°C nas salas de desossa, fatiamento/presuntaria, salsicharia (sala de elaboração) e de embalagem por sistema a vácuo. Na câmara de resfriamento de carcaças de carnes provenientes da desossa destinadas a utilização em linha industrial e na câmara de expedição de carcaça, a temperatura inspecionada deve se encontrar em torno de -2°C a 0°C e a velocidade de fluxo de ar entre 2 a 3 metros por segundo. Na câmara de salga e nas câmaras para cura de presunto e "bacon" e/ou copa, que tenham como finalidade a cura em salmoura ou a seco, a temperatura deve ser mantida entre 5°C a 8°C (BRASIL, 1952). A inspeção de PPHO é diária e pré-requisito para a liberação do abate e início das operações no interior da indústria. Com os setores em conformidade com o previsto, o abate é liberado e a próxima etapa é a inspeção do procedimento de insensibilização dos animais, que deve ser realizado em conformidade com os procedimentos de abate humanitário (BRASIL, 2000; BRASIL, 2013). Avalia-se a eficiência da insensibilização por eletronarcose (Figura 3 - A) conferindo se a leitura do insensibilizador está de acordo com as especificações do

23

fabricante e dentro do aceitável pela legislação vigente (BRASIL, 2013). Na maior parte do tempo foi observado conformidade: a voltagem elétrica lida no aparelho em 300 volts, a intensidade da corrente em 1,2 âmperes e a frequência 60 hertz. O insensibilizador adequadamente posicionado nas fossas temporais, abaixo das orelhas, e o tempo de aplicação conforme o estipulado, entre 01 e 06 segundos. Estas observações são registradas semanalmente na planilha de abate humanitário (Anexo III planilha 02). Após a inspeção da insensibilização inspeciona-se o tempo entre a insensibilização e a sangria, que deve ficar na faixa de tempo de 15 segundos (BRASIL, 2013), limite considerado seguro pelo fato de o animal encontrar-se inconsciente. Nesta ocasião, observa-se se a insensibilização está adequada, conferindo, logo da queda do animal se a respiração é arrítmica, se há ausência de reflexo corneal e vocalização, se há contração muscular inicial (fase tônica) e em seguida (após 10 seg.) movimento de pedaleio involuntário (fase clônica) sem menção a tentativa de levantar-se. Esta avaliação do abate humanitário e do bem- estar animal deve ser realizada diariamente pelo responsável técnico do setor e semanalmente pela fiscalização oficial (BRASIL, 2000). O acúmulo de não conformidades em relação a estes eventos de insensibilização geram auto de infração ao estabelecimento. A inspeção da linha de abate começa pela sangria, que inicia na posição horizontal e termina com o içamento da carcaça na posição horizontal (figura 3 - B). A faca é inserida na linha média do pescoço na depressão do osso do peito (osso externo) e a abertura obtida é em torno de 05 cm. Confere-se o tempo de sangria, que não deve ser inferior a 3 minutos, para que, além de conferir a morte por hipovolemia, não fique sangue residual na carcaça evitando-se assim um meio para a proliferação de microrganismos contaminantes. Após a sangria a carcaça içada passa pelo primeiro chuveiro de aspersão para eliminar as sujidades e o sangue aderido na superfície da pele e depois segue via trilhagem aérea para o tanque de escaldagem (figura 3 - C), onde fica durante 3 minutos a 72°C ou durante o máximo de 5 minutos a 58°C, para prover o afrouxamento dos pelos.

24

24 Figura 3: (A) insensibilização por eletronarcose; (B) sangria; (C) escaldagem. Fonte: Arquivo pessoal. Ao final

Figura 3: (A) insensibilização por eletronarcose; (B) sangria; (C) escaldagem. Fonte: Arquivo pessoal.

Ao final do tempo de escaldagem, a carcaça segue para a remoção mecânica dos cascos e dos pelos passando por duas depiladeiras durante 15 segundos, e após, por chamuscamento (Figura 4 - A) para a toalete (queima) dos pelos restantes. A limpeza da pele é concluída com a lavagem no segundo chuveiro de aspersão com água fria, de onde prossegue para a área limpa do abate. A primeira etapa realizada na área limpa consiste na oclusão do reto para evitar a contaminação das vísceras e carcaças pelo conteúdo intestinal. A oclusão é operacionalizada por equipamento na plataforma alta. O mesmo operário retira as patas traseiras da carcaça. Após a descida da carcaça para a plataforma baixa um segundo operário abre a papada (Figura 4 - B), retira o ouvido médio, patas dianteiras e abre a cavidade abdominal através de um corte ventral na linha média.

abdominal através de um corte ventral na linha média. Figura 4: (A) toalete de pelos; (B)

Figura 4: (A) toalete de pelos; (B) abertura da papada; (C) abertura da cavidade abdominal e evisceração. Fonte: arquivo pessoal.

25

Na sequencia realiza-se a evisceração (Figura 4 - A), inspeção da cabeça e das vísceras vermelhas (coração, pulmão, fígado, rins e baço). Na semana de estágio no local, foram observadas poucas lesões nas vísceras, geralmente encontrava-se aspiração de sangue pelos pulmões, enfisema pulmonar, congestão hepática, cistos urinários, infarto e isquemia renal. As lesões observadas eram registradas, para relacionar os lotes e as vísceras acometidas, que posteriormente eram condenadas. Na inspeção da cabeça são acessados os músculos mastigatórios da face, os linfonódos regionais, língua e as amígdalas em busca de lesões de cisticercose e tuberculose, lesões que não foram visualizadas durante a semana de estágio. Na sequencia da linha procede-se a retirada do unto, divisão da carcaça (figura 5 - A), toalete final (retirada da medula, resíduos de sangria, restos da traqueia e gordura cavitária), lavagem no terceiro chuveiro (jatos com pressão de 03 atm, concentração de cloro de 2ppm e temperatura de 38°C), carimbagem (Figura 5 - B) e resfriamento (Figura 5 - C). O resfriamento adotado é do tipo convencional com temperaturas entre -1° a 1 °C durante 24h. As carcaças atingem a temperatura de 1 a 7°C no seu interior até a expedição.

temperatura de 1 a 7°C no seu interior até a expedição. Figura 5: (A) Serra da

Figura 5: (A) Serra da carcaça; (B) Carimbagem; (C) Resfriamento.

A inspeção da manutenção e conservação das instalações, equipamentos e ambientes procede-se com a planilha de verificação local (Anexo III planilha 03). Esta inspeção é realizada mensalmente. Ao percorrer os setores, observa-se a conservação dos pisos, paredes, teto/forro, aberturas, equipamentos, ventilação, iluminação e organização dos setores. Descreve-se na planilha a conformidade ou

26

não de um local e a ação fiscal a ser tomada. Neste caso, a ação fiscal é a solicitação de reforma ou manutenção da estrutura ou equipamento que não esteja em conformidade para o departamento técnico responsável pelo estabelecimento. Avalia-se, concomitantemente, se as não conformidades registradas anteriormente foram reparadas dentro do prazo solicitado pelo estabelecimento para a realização do serviço. No final das atividades de inspeção do local é realizado o registro do relatório de não conformidades em arquivos que ficam de posse do fiscal oficial permanente do local.

2.2.2 Vistorias de supervisão técnica

As vistorias de supervisão técnica acompanhadas durante o estágio foram em frigoríficos-abatedouros de bovinos em Pelotas, em uma microusina de beneficiamento e industrialização de leite e em um entreposto de pesca no município de São Lourenço do Sul, com o objetivo de verificar o comprimento das Normas Técnicas do CISPOA (RIO GRANDE DO SUL, 2000). As vistorias são solicitadas pela central do DIPOA de Porto Alegre. Essa atividade tem por objetivo fiscalizar os estabelecimentos quanto à adequação e manutenção da sua estrutura, bem como a verificação da implantação dos programas de autocontrole e avaliar a atuação do serviço oficial de inspeção. Todas as vistorias geram um relatório conformidades e não conformidades o qual são remetidos à supervisão central do DIPOA. O frigorífico de bovinos vistoriado em Pelotas estava passando por reformas para a adequação do local para o abate de bovinos e ovinos e, a sujeição às normas técnicas que visam à adequação das condições estruturais, quanto a conservação do estabelecimento, ao controle dos processos e a inocuidade dos produtos finais, conforme estipulado em anexos da Resolução 001 de 17/08/2000 da SEAPA (RIO

GRANDE DO SUL, 2000).

A vistoria de supervisão técnica a microusina de leite teve a finalidade de orientar para que fossem realizadas adequações estruturais no estabelecimento conforme preconizado na resolução 001 de 17/08/2000 da SEAPA (RIO GRANDE DO SUL, 2000) e solicitar a conclusão do manual de Boas Práticas de Fabricação (BPF) do local conforme preconizado pela Portaria 211/2009 da SEAPA (RIO

27

GRANDE DO SUL, 2009). As BPFs são um conjunto de normas de procedimentos destinados a garantir a elaboração de produtos seguros e que tenham sido preparados, embalados e armazenados em condições sanitárias. O manual indica o que se deve fazer com o propósito de minimizar os riscos de contaminação dos alimentos, razão pela qual um programa adequado de BPF incluirá os procedimentos de autocontrole, descrição da monitoração e da frequência do monitoramento dos programas de autocontrole e ações corretivas a serem tomadas em casos de não conformidade com o descrito no manual. A elaboração do Manual de BPF deve ser específica para cada empresa e deve permanecer à disposição dos órgãos fiscalizadores e dos manipuladores caso haja a necessidade de consulta

(RIO GRANDE DO SUL, 2009).

A visita técnica de rotina ao frigorífico de São Lourenço do Sul teve a finalidade de solicitar via ofício a apresentação do Manual de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e acompanhar a inspeção local para a liberação do abate. A visita técnica a Cooperativa de Pescadores Profissionais Artesanais (COOPESCA) de São Lourenço do Sul, teve a finalidade de fazer o reconhecimento do local, da estruturação da planta e implantar o Serviço de Inspeção Estadual no local através do CISPOA, originalmente o estabelecimento era fiscalizado pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM).

2.2.3 Fiscalização de abate clandestino e interdição de comércio ilegal de produtos de origem animal

Frente a denúncias de abigeato, abate clandestino, comércio de produtos cárneos sem especificação de procedência e locais sem alvará municipal para comércio em Arroio Grande/RS, uma ação conjunta da vigilância sanitária do município, CISPOA regional de Pelotas e brigada militar local a proceder às investigações. As denúncias sobre o comércio ilegal foram feitas por consumidores e supostos proprietários de animais que sofreram abigeatos à vigilância sanitária municipal e foram especuladas primeiramente pelo serviço de inteligência da brigada militar de Arroio Grande. Feitas as denuncias e investigações prévias pela polícia, o supervisor da CISPOA de Pelotas tomou frente à fiscalização dos locais denunciados para comprovação da ilegalidade em conjunto com a vigilância sanitária municipal e a brigada militar.

28

A inspeção dos locais suspeitos iniciaram pelo pátio e áreas anexas à procura

de evidencias de que o local realizasse abate clandestino, resquícios de carcaças ou

outras provas do crime. Foram encontrados nos fundos dos estabelecimentos investigados um gancho pendurado em uma árvore (Figura 6 - A), serra (Figura 6 - B) e equipamentos de processamento e uma caminhonete dentro do galpão. Ao

entrar no local, foram inspecionados os freezers e congeladores, onde foram encontrados diversos cortes e produtos cárneos embutidos (Figura 6 - C),

embalados em sacos plásticos, sem rótulo e registro em órgão de fiscalização oficial

e sem o acompanhamento de nota fiscal. Os produtos foram pesados e a

quantidade encontrada foi em torno de 200kg de produtos cárneos ilegais em cada local. Os proprietários também não possuíam alvará sanitário para comércio de alimentos.

possuíam alvará sanitário para comércio de alimentos. Figura 6: (A) gancho; (B) serra; (C) produtos sem

Figura 6: (A) gancho; (B) serra; (C) produtos sem rótulo e especificação de procedência. Fonte: Arquivo pessoal.

Não necessitando de mais provas periciais foi prontamente caracterizada a clandestinidade do abate, configurando um crime contra a saúde pública no que se refere a um crime de infração de medida sanitária preventiva, descrito no art.268 do Código Penal Brasileiro, pois o abate clandestino e a venda de produtos de origem animal sem inspeção infringe determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa, colocando em risco a saúde da população. Para Nucci (2003, p. 752) é possível o enquadramento no artigo 268 do Código Penal Brasileiro se o agente praticar abate clandestino de gado, com o objetivo de destinar a mercadoria para consumo da população, representando um perigo para um número indeterminado de pessoas, sendo, portanto, modalidade de

29

crime de perigo abstrato. Segue abaixo transcrita a decisão tribunal (jurisprudência) de um julgado:

Pratica crime aquele que abate gado, destinado a consumo público, em seu quintal ou qualquer local que não matadouros, em zona urbana, desrespeitando resoluções municipais ou estaduais”.

Os produtos encontrados nos freezers e congeladores foram apreendidos e encaminhados às dependências de um frigorífico da mesma cidade para serem inutilizados com creolina e posteriormente recolhidos pela empresa de tratamentos e transformação de resíduos de origem animal.

Os donos dos estabelecimentos foram autuados, encaminhados a Delegacia de Policia de Arroio Grande/RS para enquadramento e sansão de pena ou multa conforme artigo art. 7º, inciso IX, da Lei Federal nº 8.137/90 e art. 16, § 6º da Lei Federal nº 8.078/90 (BRASIL, 1990b; BRASIL, 1990a). A operação do CISPOA e da vigilância sanitária municipal teve o resguardo da Brigada Militar para proceder ao ato da fiscalização, autuação, apreensão e condenação dos produtos, aplicação de multa, interdição do local e encaminhamento dos infratores para a delegacia de polícia.

2.2.4 Curso de atualização para médicos veterinários oficiais da CISPOA

O Curso foi promovido pela coordenadoria do Departamento de Inspeção

Sanitária de Produtos de Origem Animal (DIPOA) da Regional de Porto Alegre e

teve a finalidade de realizar uma reciclagem e atualização de conhecimentos dos médicos veterinários que atuam no serviço oficial de inspeção estadual. Essa atualização visava obter uma padronização das atividades de inspeção em frigoríficos registrados na CISPOA. Essa padronização de procedimentos de inspeção visa um controle higiênico sanitário mais eficiente dos estabelecimentos, bem como uma atualização de normas a serem utilizadas naqueles frigoríficos que se interessem em aderir ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Animal (SISBI-POA/SUASA).

O curso teve duração de uma semana e foi composto por aulas teóricas e

expositivas pelos técnicos do DIPOA seguidas por práticas nos frigoríficos de

30

Pelotas (Famile, Castro, Roloff e Estado Sul). Como método de avaliação foram

realizados testes com aplicação de questionários com perguntas técnicas da área, antes e após termino do curso (método SOMA).

O curso abordou aspectos como instalações, equipamentos e ambiente;

procedimento padrão de higiene operacional, abate humanitário, inspeção de

bovinos e suínos na linha de abate e regulamento técnico de identidade e qualidade de produtos cárneos.

A capacitação dos veterinários quanto à fiscalização das instalações,

equipamentos e ambiente abordou a inspeção da manutenção da conservação e da limpeza de pisos, paredes, teto/forro, aberturas, equipamentos, ventilação, iluminação e organização dos setores dos estabelecimentos. Na prática adotou-se o uso de planilhas (Anexo III), para registro de conformidade ou não com o descrito no manual de boas práticas dos estabelecimentos bem como a ação fiscal a ser adotada quando necessário. Quanto à capacitação à fiscalização dos Procedimentos Padrão de Higiene Operacional (PPHO) adotados pelos estabelecimentos foram abordados itens de conformidade e não conformidade relacionados a presença de resíduos, qualidade da água de abastecimento e temperatura nos setores. Frisou-se que os fiscais passem a utilizar as planilhas de verificação local diariamente. Utilizar a planilha de PPHO (anexo III, pl. 1) é uma forma de se ter o registro de que a fiscalização das atividades de limpeza e manutenção das condições adequadas ao abate por parte do estabelecimento é realizado (BRASIL, 2005). Nesta planilha se registra a monitoração e o controle, pelo serviço de inspeção oficial do local, da presença de resíduos nos setores, adequação da temperatura da água dos esterilizadores e faixa limite de cloro na água dos pontos de abastecimento. As questões abordadas sobre abate humanitário envolveram tópicos relacionados ao bem estar animal como, por exemplo, no desembarque de animais, na lotação dos currais ou pocilgas, na adequação de estruturas, manuseio dos animais, aspectos referentes à insensibilização (local, tempo, voltagem do insensibilizador e pressão da pistola, eficiência do processo, presença de pistola de emergência), tempo considerado seguro entre a insensibilização até a sangria, tempo de sangria, treino do uso da planilha de verificação local do bem estar animal e do abate humanitário (anexo III, pl. 2).

31

Na capacitação à fiscalização das operações de abate de bovinos e suínos foram abordados temas como a importância da observação dos documentos obrigatórios para a recepção dos animais, importância da inspeção ante-morten, abate sanitário, sinais de insensibilização eficiente em bovinos e suínos, importância da coleta dos materiais de risco específico para encefalopatia espongiforme bovina, inspeção na linha de abate e julgamento na inspeção post-mortem de carcaças. Na fiscalização da qualidade dos produtos cárneos acabados, foram mencionados aspectos de relevância nas análises oficiais de amostras de produtos em relação às características especificadas nos respectivos RTIQ, como, teor de umidade, carboidratos, gorduras, proteínas, cálcio em base seca e aditivos conservantes (nitrato e nitrito).

2.3 Atividades junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

As atividades acompanhadas são referentes à inspeção pelo SIF de um laticínio cadastrado no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e aos programas de monitoramento deste órgão para assegurar a garantia da qualidade e de inocuidade da matéria prima e dos produtos prontos.

2.3.1 Atuação do Serviço de Inspeção Federal

Os estabelecimentos registrados no Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) são responsáveis pelo controle dos seus procedimentos operacionais e pela qualidade e segurança dos produtos finais oferecidos aos consumidores. Para isso desenvolvem, implantam e mantêm Programas de Auto Controle dos seus processos operacionais. Estes programas são descritos em manuais técnicos (manual de Boas Práticas de Fabricação) e passam pela aprovação dos fiscais federais locais. Estes manuais ficam a disposição do SIF para planejamento da monitoração do local. Os manuais descrevem os procedimentos que a empresa adota visando

garantir a qualidade higiênico-sanitária e nutricional dos alimentos produzidos, desde

o recebimento da matéria-prima, passando por todas as etapas de beneficiamento e

processamento até chegar à obtenção do produto final. O manual também descreve

a estrutura do local tal como foi aprovada no ato do registro bem como os cuidados

32

com a manutenção das suas instalações e equipamentos. Esta descrição de técnicas operacionais, bem como a sua implantação na rotina operacional, tem a finalidade principal de relatar como a empresa monitora a qualidade de sua produção e garante a inocuidade de seus produtos e subprodutos aos fiscais do MAPA e consequentemente, aos consumidores finais.

2.3.1.1 Fiscalização dos programas de autocontrole

A inspeção diária do cumprimento das obrigações por parte dos funcionários

da empresa, quanto às atividades descritas nos programas de autocontrole, são necessárias para que o SIF possa dar a garantia ao consumidor de que o controle de qualidade da empresa é atuante e eficaz e está garantindo que a matéria-prima, os produtos e subprodutos elaborados por ela são monitorados para que sejam seguros, inócuos e possuam a qualidade nutricional descrita no rótulo dos produtos. O atestado de qualidade e segurança do produto é visualizado pelos consumidores através do símbolo do SIF impresso no rótulo dos produtos. O SIF fiscaliza rotineiramente a execução das atividades por parte de todos os funcionários do estabelecimento em que está lotado, bem como faz esta fiscalização em outros estabelecimentos em que não atua permanentemente e em auditorias nos estabelecimentos exportadores. Os Programas de Autocontrole submetidos à inspeção do SIF são verificados sistematicamente obedecendo-se a procedimentos de verificação conforme o estabelecido no Oficio Circular N°07 de 11/09/2009 pelo Departamento de Inspeção de Leite (DILEI) do MAPA (BRASIL, 2009). Os programas que o laticínio acompanhado contempla são os seguintes:

Manutenção das instalações e equipamentos industriais;

Vestiários, sanitários e barreiras sanitárias;

Iluminação e Ventilação;

Água de abastecimento e Águas residuais;

Controle integrado de pragas;

Limpeza e sanitização (PPHO);

Higiene, hábitos higiênicos e saúde dos operários;

Procedimentos Sanitários das Operações;

Controle da matéria-prima, ingredientes e material de embalagem;

33

Controle de temperaturas; Calibração e aferição de instrumentos de controle de processo; Avaliação do Programa de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle; Controles laboratoriais e testes microbiológicos.

Foram acompanhadas as atividades de inspeção de alguns dos programas que atualmente estão implantados no local de estágio. Os elementos de inspeção ou, a verificação oficial da implantação e manutenção dos Programas de autocontrole, fundamenta-se na inspeção do processo, na revisão dos registros de monitoramento dos programas da indústria e da comparação dos resultados encontrados. Para a verificação de cada programa de autocontrole existe uma planilha específica de registro de monitoramento local. Os resultados dessa verificação são repassados para um formulário de verificação in loco (Anexo IV Planilha do SIF). Neste formulário consta por setores do estabelecimento, os elementos de inspeção analisados na verificação local (“in loco), os resultados quanto a sua conformidade e os resultados dos registros do estabelecimento. Se na verificação dos elementos de inspeção não houver equivalência entre o observado na verificação local em relação ao que está descrito no manual da empresa com os registros de monitoramento do estabelecimento, uma relatoria de não conformidade é registrada, bem como, a ação fiscal tomada.

2.3.1.2 Ação fiscal

A ação fiscal é a atuação do fiscal gerada para corrigir um erro que esteja ocorrendo. A ação fiscal, de acordo com a gravidade da não conformidade, pode levar a geração de um auto de infração. Esta ação fiscal não necessariamente precisará ser feita caso a não conformidade observada seja corrigida imediatamente pelo encarregado do setor. A infração à legislação referente ao produto de origem animal acarretará isolada ou cumulativamente em sanções como advertência; multa; apreensão ou condenação; suspensão de atividade; interdição do local (BRASIL, 1989). Uma multa não pode ser aplicada sem que previamente seja lavrado o auto de infração, detalhando a falta cometida, o artigo do RIISPOA infringido, a natureza

34

do estabelecimento com a respectiva localização e a firma responsável. O auto de infração deve ser assinado pelo proprietário do estabelecimento ou representantes da firma e por duas testemunhas. A autoridade que lavrar o auto de infração deve extraí-lo em três vias, sendo que a primeira será entregue ao infrator, a segunda remetida ao Inspetor chefe do Serviço de Inspeção de Produto Animal (SIPA) de Brasília/DF, e a terceira constituirá o próprio talão de infrações. O parâmetro de atualização monetária para a conversão de multas e penalidades é a Unidade Fiscal de Referência UFIR (BRASIL, 1952).

2.3.1.3 Programa de manutenção das instalações e equipamentos industriais

Os setores de manutenção e de responsabilidade técnica da empresa são responsáveis pelo gerenciamento do programa de autocontrole de manutenção das condições adequadas de funcionamento da empresa. Os encarregados do setor de manutenção revisam rotineiramente, a cada 02 dias, as instalações da fabrica por setores, em busca de ajustes, manutenções, reformas e concertos que precisam ser feitos nas instalações e nos equipamentos, os descrevem em planilhas, repassam ao setor de responsabilidade técnica, onde acordam um prazo para a realização dos ajustes que precisam ser feitos. A inspeção federal recebe, semanalmente, a planilha gerada pelo setor de manutenção e responsabilidade técnica, para fins de fiscalização de que o programa está sendo monitorado pelos encarregados e que os ajustes solicitados já foram solucionados ou serão executados dentro de um prazo pré-determinado. Foram percorridos todos os setores do estabelecimento industrial juntamente com os agentes de inspeção a fim de inspecionar se os encarregados pelos setores estão monitorando e controlando a manutenção das condições e dos equipamentos. Inspecionou-se quanto à existência de Não Conformidades (NC) nas instalações e nos equipamentos em cada setor da indústria, diariamente. Cada NC foi registrada na planilha de verificação local de Manutenção das Condições e Equipamentos do SIF (Anexo IV Planilha 01). As NC novas encontradas pelo SIF foram enviadas via oficio interno para o setor de responsabilidade técnica da empresa para que a Engenheira de Alimentos, Responsável Técnica (RT), tomasse ciência do encontrado e respondesse ao SIF com detalhamentos da ocorrência dos fatos, soluções adequadas e medidas preventivas á novas NC. Para isto, a

35

responsável técnica (RT) avalia todas as NC encontradas pelo monitoramento do controle de qualidade e pelo SIF e as gerencia, contatando subordinados capazes de solucionar e prevenir novas não NC. As NC encontradas na verificação da manutenção das condições e equipamentos são repassadas ao setor especializado de manutenção da empresa pela RT. Este setor retorna solicitando um prazo para a realização da correção, a RT avalia o prazo e repassa ao SIF. O prazo solicitado é avaliado pela fiscal do SIF e se aceito é repassado a uma planilha de controle para posterior verificação do cumprimento da solicitação no prazo estipulado. Quando o SIF verifica que a solicitação de serviço (SS) não foi realizada pela empresa dentro do vencimento do prazo, é feito o registro da ocorrência na planilha de Relatório de Não Conformidades (RNC). Quando não é possível o atendimento do solicitado pelo SIF dentro do prazo acordado com o responsável pelo setor de manutenção, a empresa solicita, através de um ofício e justificando o motivo, uma prorrogação de prazo ao SIF. Caso este procedimento não seja feito e a NC não seja solucionada é lavrado um auto de infração ao estabelecimento.

2.3.1.4 Programa de água de abastecimento e águas residuais

A Estação de Tratamento de Água (ETA) é responsável pela potabilidade da água de abastecimento interno. O sistema de abastecimento é próprio e provem de um açude próximo às instalações da fábrica. A água é puxada do açude, que fica localizado na frente da fábrica, de onde sobe para ser tratada em tanques de floculação, homogeneização, decantação e filtros de areia e pedra. São adicionadas substancias específicas para o tratamento da água como coagulantes, polímeros de agregação e cloro antes da passagem pelos tanques e após, é adicionada nova dosagem de cloro (0,5 a 1 mg/L de água) no reservatório de abastecimento superior. O flotador é higienizado anualmente e a caixa d’água semestralmente. De acordo com o RIISPOA a cloração da água de abastecimento interno pode variar de 0,5% a 1% (0,05 ppm a 1 ppm). Quando a cloração da água não se encontra conforme a legislação determina, a ação fiscal tomada é a paralisação da produção até que se resolva a situação. Frente a esta não conformidade é gerado um relatório de não conformidade (RNC) que é repassado a responsável pelo setor

36

de controle de qualidade. A resposta a não conformidade vem escrita em um oficio para o SIF relatando o porquê da ocorrência e o que será feito para a correção e prevenção do erro. O SIF avalia e registra a informação em relatórios de monitoramento e segue fazendo novas análises diárias. Caso uma nova análise seja feita e o mesmo erro seja repetido, a fiscal determina novamente a paralisação da produção do local onde foi identificada a não conformidade, avalia a situação frente à explicação do responsável pelo setor e lavra um auto de infração se julgar necessário. A produção só é reestabelecida após nova análise de água e identificação de conformidade com os parâmetros. Como forma de prevenção de uma baixa cloração na água de abastecimento do prédio de secagem de leite em pó, que por ser o prédio mais alto e mais longe da caixa d´água de abastecimento central era suscetível a uma cloragem insuficiente, os responsáveis pelo controle de qualidade determinaram que a adição de cloro fosse feita na caixa d´água do prédio. Esta ação se integrou como parte do programa de autocontrole da água e é mantida diariamente. Foram realizadas análises físico-químicas e microbiológicas em acompanhamento das atividades diárias dos operadores da Estação de Tratamento da Água (ETA) e em acompanhamento das atividades das analistas do laboratório de controle de qualidade interno, para monitorar a potabilidade da água do estabelecimento. As análises físico-químicas da água de abastecimento são feitas localmente na ETA avaliando o pH e a cloração para que o responsável pelo setor tenha controle e registros de que o tratamento está sendo eficiente. Os resultados das análises são monitorados pelo setor de controle de qualidade. Foram coletadas amostras de pontos alternados de abastecimento interno e analisadas no laboratório de Controle de Qualidade (CQ). As análises físico- químicas realizadas foram o teor de dureza, alcalinidade parcial, alcalinidade total, alcalinidade hidróxida, teor de cloretos, de fosfatos, sulfitos, pH e a condutividade. As análises microbiológicas realizadas foram a contagem de coliformes totais, termotolerantes e microrganismos mesófilos. Estas análises avaliam e monitoram a eficiência do setor de tratamento e são formas de portar registros da potabilidade da água. Os registros são anotados em planilhas que ficam a disposição do SIF para fins de monitoramento e comprovação de que a água de abastecimento atende a legislação do Ministério da Saúde para água potável (BRASIL, 2011).

37

Para a fins de monitoramento e comprovação, o SIF coleta amostras de água diariamente de pontos aleatórios de abastecimento, faz análises de pH e cloração e, remete amostras para o laboratório oficial do MAPA para avaliação da qualidade microbiológica bimestralmente e, semestralmente para avaliação da qualidade físico- química da água. Inspecionou-se no interior da indústria o acúmulo residual de água. As observações forma satisfatórias. O sistema de escoamento das águas residuais é eficiente, a água originada do processo de limpeza do interior da indústria não permanece no piso, seguindo diretamente para o ralo de drenagem. O sistema de

tubulação instalado no interior da indústria é sifonado e evita o refluxo de águas e gases para o interior da indústria.

A Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) é um setor responsável pelo

tratamento água residual do estabelecimento. A água residual da fábrica é transferida via tubulação para este setor de onde parte tratada para o Arroio Fragata. Análises físico-químicas feitas no local avaliam o tratamento da água residual através do monitoramento do pH, concentração de oxigênio, acidez volátil, temperatura, e concentração de cloretos. Os resultados das análises são

repassadas para o setor de responsabilidade técnica para fins de monitoramento. Amostras também são enviadas para o Instituto de Qualidade Ambiental em são Leopoldo para fins de monitoramento da responsabilidade ambiental da empresa.

2.3.1.5 Programa de controle integrado de pragas

O controle de pragas é realizado por uma empresa dedetizadora terceirizada.

É uma atividade importante para garantir a inocuidade dos alimentos e a idoneidade

da empresa, visto que pragas veiculam agentes contaminantes ás superfícies de

equipamentos e utensílios que entram em contato com o produto. Para a efetividade deste programa os funcionários da indústria colaboram com a organização de todos os setores, para inviabilizar o esconderijo de pragas e monitoram seus setores quanto à presença de pragas como insetos e roedores e repassam os achados para

o responsável pelo setor solicitar a atuação da empresa terceirizada.

O plano de ação da dedetizadora foi desenvolvido especificamente para a

indústria, levando em consideração os produtos fabricados, a planta do

38

estabelecimento, os insetos, roedores e outros seres oportunistas encontrados no

local, as especificações do RIISPOA, épocas do ano e especificações da indústria.

O sistema de armadilhas e iscas de jardim contendo veneno é usado para

uma primeira contenção. O objetivo é evitar que os invasores acessem os depósitos e os prédios de produção. Dentro da área de produção e depósitos é permitida a utilização de armadilhas luminosas e de cola, estrategicamente instaladas, não sendo permitida a utilização de iscas para que não exista a atração das pragas do pátio para a área de produção e estoque. Todas as armadilhas são verificadas e renovadas a cada dez dias pela dedetizadora terceirizada. Foram percorridas as dependências externas e os setores de produção da indústria fiscalizando quanto à presença de pragas e roedores. Quando encontrados, uma NC é registrada e repassada ao setor de responsabilidade técnica da empresa. A RT responde ao SIF informando que a empresa terceirizada será informada e solucionará o problema. Quando a empresa terceirizada realiza suas atividades gera um relatório detalhado onde registram o que foi observado. Esse relatório serve para controle e indica se as ações estão sendo eficientes e em que pontos devem ser intensificadas ou alteradas. O relatório é emitido mensalmente e é anexado ao programa de autocontrole de pragas e roedores.

2.3.1.6 Programa de higienização

O sistema de higienização utilizado é o método de circuito fechado ou Cleaning In Place” (CIP). Este sistema trabalha automaticamente com a mínima remoção de peças e componentes de equipamentos e tubulações para a sua realização. O processo de higienização consiste em diversos ciclos de lavagem que são circulados e recirculados através das tubulações, equipamentos de processamento, tanques, máquinas de envase, silos, pasteurizadores e equipamentos fechados em geral, utilizando como sanitizantes apenas soda caustica e ácido peracético ou dióxido de cloro, intercalados pela circulação de água. A limpeza é realizada após o término das operações e a sanitização antes do inicio de uma nova operação.

O sistema de higienização faz ajustes contínuos automatizados garantindo

alto desempenho e o mínimo de risco de erro humano. O processo utiliza a circulação de soda à 85°C durante quarenta minutos e após enxague com água,

39

circulação de ácido à 65°C durante quarenta minutos e novo enxágue. A

concentração de soda e ácido é ajustada automaticamente pelo equipamento dosador do sistema CIP. O enxague é sempre realizado com água quente.

O procedimento de verificação do programa de higienização contempla a

inspeção dos procedimentos de limpeza e sanitização que são executados antes do

inicio das operações (pré-operacionais) e durante as mesmas (operacionais). Foram acompanhados o monitoramento deste programa de higienização pelo controle de qualidade e pelo SIF. Um encarregado do controle de qualidade faz o monitoramento da limpeza dos setores passando antes do inicio das atividades,

durante a produção (de meia em hora) e após o término das atividades em todos os setores verificando se estão limpos, organizados e se a limpeza CIP está sendo executada. A conformidade ou não é anotada em uma planilha de monitoramento.

O SIF monitora através da inspeção local realizada pelos agentes de

inspeção e pela verificação da planilha de monitoramento do controle de qualidade se o programa de higienização está sendo executado adequadamente. Raramente se observa não conformidade neste programa. Quando se identifica uma não conformidade, o local é temporariamente paralisado até que os erros encontrados sejam corrigidos e a RNC gerada é enviada ao departamento técnico do controle de qualidade para que tomem ciência e respondam ao erro com justificativas, correções e prevenções a novas falhas.

2.3.1.7 Programa de qualidade da matéria-prima, ingredientes e embalagens

Acompanhou-se a execução deste programa pelo setor responsável, o Controle de Qualidade (CQ) da empresa e a fiscalização pelo SIF. O CQ avalia desde a etapa de recepção da matéria prima e de tudo que entra em contato com o produto final. Foram avaliados os laudos de recebimento da matéria prima, dos ingredientes e das embalagens e posteriormente amostras representativas foram analisadas para fins de confirmação dos laudos. Foram avaliadas as condições de acondicionamento da matéria-prima, dos ingredientes e das embalagens e registrados em relatórios de monitoramento. O SIF inspeciona o laudo de recepção da matéria-prima e os resultados das análises do controle de qualidade, inspeciona o armazenamento e acondicionamento da matéria prima, ingredientes e embalagens.

40

Para monitoramento da qualidade da matéria prima o SIF coleta amostras aleatórias diretamente da propriedade rural fornecedora e remete ao laboratório de referência do MAPA, estando esta atividade contemplada em um programa específico de monitoramento do MAPA.

2.3.2 Controle de qualidade interno

É o setor que faz avaliações, monitoramento e controle de praticamente tudo que está envolvido com a produção visando à obtenção de um produto final de qualidade padronizada. É o responsável pelo controle da qualidade da matéria prima, dos ingredientes, das embalagens e também dos produtos finais. Este setor é composto por quatro laboratórios na planta de tratamento e beneficiamento do leite, sendo um destinado às análises físico-químicas (FQ), dois à análises microbiológicas (MB) e um para análises sensoriais dos produtos finais. Na planta de secagem de leite para a produção de leite em pó existe outro laboratório que faz análises físico-químicas e microbiológicas no leite em pó, leite condensado e na farinha láctea. O CQ faz a verificação bem como a comprovação dos laudos das análises que acompanham a matéria prima e demais ingredientes necessários à produção, conferindo se estão dentro dos padrões descritos nas respectivas fichas de recebimento, bem como avalia a qualidade das embalagens. A água de abastecimento interno passa por avaliações físico-químicas (FQ) e microbiológicas (MB) para avaliação de sua potabilidade, conforme determinações do Ministério da Saúde (MS) e do MAPA (BRASIL, 2011; BRASIL, 2003). As análises físico-químicas realizadas são a determinação de pH, dureza, cloretos e turbidez e as microbiológicas são a contagem de coliformes totais, termotolerantes e microrganismos mesófilos. A matéria prima passa por análises FQ para a determinação da sua composição percentual de proteínas, gordura, umidade, cinzas, carboidratos, além da determinação de acidez, pH, cloretos, índice crioscópico, estabilidade ao álcool 72% e 74% e pesquisa de resíduos de antibióticos. As análises MB avaliam o grau de contaminação da matéria prima, dos produtos prontos e da água de abastecimento interno através da contagem de microrganismos indicadores de condições higiênico-sanitárias (Coliformes Totais e

41

Coliformes Fecais), indicadores de deterioração (bolores e leveduras) e da contagem ou pesquisa de microrganismos patogênicos (Bacillus cereus, Staphilococccus coagulase positiva, Salmonela spp. e Listeria monocytogenes). As análises microbiológicas são realizadas em amostras representativas antes da liberação de cada lote de produto. Os procedimentos para a liberação dos produtos prontos para a expedição se

dão através da avaliação dos resultados de análises físico-químicas, microbiológicas

e sensoriais dos mesmos que devem estar de acordo com os padrões adotados pelo

regulamento técnico de identidade e qualidade (RTIQ) do MAPA para cada produto. As análises FQ, MB e sensoriais são realizadas também durante a produção,

a cada meia hora, com a finalidade de poder monitorar a qualidade do produto. Durante a produção os funcionários do CQ realizam diversas aferições de temperaturas, de conformidade da embalagem, ingredientes, funcionamento de equipamentos, peso dos produtos fracionados, entre outros. Essa atuação é fundamental para a manutenção do padrão de qualidade. Ao fim do processo também são encarregados das análises sensoriais dos produtos. Para monitoração da higiene e hábitos higiênicos dos operadores são coletados swabs aleatoriamente de diversos pontos da fábrica e das mãos dos operadores, para a contagem de coliformes. Caso a contaminação esteja alta, são efetuadas ações corretivas como o treinamento dos colaboradores baseados no manual de Boas Práticas de Fabricação do estabelecimento. Ao final das análises do controle de qualidade os resultados registrados nas planilhas de controle são verificados pelos agentes de inspeção e repassadas ás planilhas de liberação de produto. Caso os resultados não estejam conformes, os resultados são anotados em planilhas de monitoramento e novas análises confirmatórias são realisadas. Caso haja a confirmação de uma não conformidade, uma ação fiscal é tomada. O SIF fiscaliza o controle de qualidade da empresa enviando amostras dos

produtos para laboratórios oficial e credenciado ao MAPA para monitorar resultados

e assim verificar se as análises do controle de qualidade estão sendo eficientes. As análises são requeridas pelo DIPOA e são remetidas ao laboratório com a frequência variando de acordo com os resultados das últimas análises e teor de perecibilidade do produto.

42

2.3.3 Programas de monitoramento do MAPA

Foram analisadas as instruções normativas e ofícios circulares do MAPA enviados ao SIF local bem como obtidas informações dos procedimentos realizados pelo SIF, a fim de tomar-se conhecimento de como é realizado o processo de monitoramento e controle pelo MAPA para que este assegure a garantia da qualidade da matéria prima e dos produtos prontos dos estabelecimentos neste órgão registrado.

2.3.3.1 Solicitação de amostras para análise oficiais

Visando averiguar o monitoramento, por parte do SIF local, do processo de controle de qualidade interno dos estabelecimentos, a DIPOA solicita, rotineiramente, para o SIF, que envie amostras de produtos para laboratórios credenciados ou oficiais, para que estes sofram análises microbiológicas e físico- químicas e se comprove a eficácia e a eficiência do processo de monitoramento local ou se confronte resultados. Os resultados das análises oficiais devem estar dentro dos parâmetros fixados pelo MAPA para cada tipo de alimento. Estes parâmetros constam no Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de cada produto (RTIQ). Para as análises físico-químicas as amostras solicitadas são coletadas em triplicata, sendo destinadas 02 amostras para o laboratório oficial (uma delas para análise imediata e outra para contraprova do laboratório) e 01 amostra que fica retida para poder ser utilizada como contraprova da empresa caso seja necessário. Os laboratórios credenciados (UNIVATES, ALAC) solicitam uma única amostra para análise físico-química, ficando as 02 amostras da coleta em triplicata, retidas, uma em poder do SIF e a outra em poder da empresa. Para as análises microbiológicas, é coletada uma única amostra indicativa (uma amostra do lote), não sendo possível a retenção de amostras para serem usadas como contraprovas, visto que o produto permite a multiplicação microbiana. O resultado de uma análise microbiológica, portanto, é válido somente para o momento da amostragem. Os produtos solicitados são coletados pelos agentes de inspeção local,

43

envolvidos em saco plásticos, lacrados, aderidos de etiqueta de identificação da solicitação oficial, acondicionados em caixas térmicas de isopor, juntamente com cópias do documento de solicitação, que são posteriormente lacradas, identificadas e remetidas ao laboratório oficial requisitado.

2.3.3.1.1 Frequência da coleta de amostras para análises de rotina

A Inspeção Federal realiza, rotineiramente, coleta de amostras de produtos,

para a realização de Análises Microbiológicas e Físico-Química oficias, feitas em

laboratório oficial (LANAGRO) ou credenciado (ALAC ou UNIVATES).

A frequência da coleta das amostras dos produtos varia conforme o tipo de

produto e os resultados das últimas análises oficiais, e é gerenciada a partir dos registros que são anotados em tabelas, contendo os resultados anteriores dessas

análises. Os produtos com resultados dentro dos conformes nas três últimas análises físico-químicas e microbiológicas sofrem as próximas coletas com o intervalo de tempo máximo variando conforme cada tipo de produto. Os produtos com resultados não conformes nas análises anteriores sofrem coletas com a

frequência mínima de tempo, até que seja obtida três análises consecutivas dentro dos padrões estabelecidos.

O SIF controla, de acordo com o tipo de produto produzido, as frequências

mínimas e máximas para cada tipo de análise. A frequência para análises físico- química pode ser máxima (semestralmente) para qualquer produto, ou mínima (trimestral, bimestral ou mensalmente) de acordo o tipo de produto. E a frequência das análises microbiológicas poderá ser máxima (semestralmente ou trimestralmente) ou mínima (mensal, bimestral ou trimestralmente) dependendo do produto.

2.3.3.1.2 Ações fiscais em caso de violações de análises oficiais

Estes procedimentos são tomados pela fiscal do estabelecimento caso ocorra violação dos parâmetros estabelecidos para o resultado das análises oficiais MB e FQ de rotina de produtos registrados no SIF.

a. Violação de Contagem de coliformes totais, coliformes termotolerantes,

44

Staphylococccus coagulase positiva e Pesquisa de Salmonella spp.

É interditada a linha de produção. O lote condenado é apreendido e

descartado ou destinado à outra empresa para a produção farinha animal ou ração; É emitido auto de infração pela FFA responsável pelo estabelecimento ou região após o recebimento do laudo assinado. O retorno da produção somente é concedido após resultado favorável em análises com amostra representativa. É intensificada a frequência de coleta de amostras para análise oficial. É enviada documentação ao Serviço de Inspeção de Produtos Agropecuários (SIPAG) para execução do procedimento administrativo (registro dos autos).

b. Violação de contagem de mesófilos ou bolores e leveduras

É feita uma notificação ao estabelecimento bem como a apreensão e

destinação do lote coletado. É emitido auto de infração pela FFA responsável pelo estabelecimento e frequência de coleta de amostras é intensificada. É registrada a ocorrência por envio da documentação ao SIPAG/RS.

c. Violação do resultado da análise físico-química da água

É feita a notificação da empresa, para que revise o Programa de autocontrole da água de abastecimento e adote medidas imediatas para correção do problema. É coletada nova amostra após adoção dos procedimentos pela empresa para análise oficial. No caso de problemas graves ou repetitivos, a empresa é autuada pela FFA responsável pelo estabelecimento (lavra Auto de Infração).

d. Violação do resultado da análise físico-química de produtos com RTIQ

É feita a notificação da empresa para que a mesma se manifeste quanto à realização da análise de contraprova. É realizado o encaminhamento do laudo laboratorial, da notificação e da solicitação da empresa assinadas por fax ou e-mail para o SIPAG/RS, para que entre em contato com o laboratório para agendamento da análise pericial. Caso a contraprova comprove a violação, deve ser emitido auto

45

de infração pela FFA responsável pelo estabelecimento ou região.

e. Violação de Resultado da análise físico-química de produtos sem RTIQ

Após a verificação da não conformidade de acordo com o registro do produto (rotulagem), a empresa é notificada para a correção imediata dos padrões. É feita a coleta de nova amostra após adoção dos procedimentos pela empresa para análise oficial. No caso de problemas graves ou repetitivos a empresa é autuada pela FFA responsável pelo estabelecimento.

f. Recolhimento (recall) de produtos

Considerando ainda a necessidade de se retirar do comércio produtos em desacordo com a legislação, o SIPOA determina que a empresa providencie de imediato o recolhimento (recall) do lote do produto implicado, e que a destinação destes produtos seja acompanhada pelo SIF local. Deverá ser coletado pela IF amostras de outros lotes que estejam em estoque para análises no LANAGRO/RS (amostra indicativa). O plano de medida de controle e monitoramento da qualidade e conformidade, bem como os resultados das análises laboratoriais são avaliados pelo departamento técnico responsável do MAPA.

2.3.3.2 Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes

Visando à inocuidade e segurança alimentar o MAPA instituiu ações para controlar resíduos e contaminantes (PNCRC) no leite destinado ao processamento industrial. O DIPOA solicita ao SIF das unidades beneficiadoras de leite que, encaminhem, periodicamente, amostras de leite cru provenientes das unidades produtoras, para laboratórios oficiais objetivando a realização de análises qualitativas de resíduos e contaminantes (BRASIL, 1999). Esta análise oficial tem a finalidade de monitorar e controlar a presença de resíduos a partir dos limites máximos permitidos para cada substância antimicrobiana e antiparasitária. Dentro dos limites estipulados pelo Codex Alimentarius, os resíduos de antimicrobianos e antiparasitários não são detectáveis na análise qualitativa oficial adotada pelo laboratório oficial do MAPA. Os limites são

46

taxas máximas permitidas consideradas seguras a saúde dos consumidores em razão de não causarem danos como, por exemplo, resistência por microrganismos frente à antimicrobianos, capacidade de causar reação alérgica e toxicidade por contaminantes. A solicitação oficial é enviada a empresa através de um documento on-line, denominado de ROA (Requisição Oficial de Análise). A Inspeção Federal acessa diariamente via internet o site do Ministério da Agricultura o qual sitia o Sistema SISRES (Sistema de Controle de Resíduos e Contaminantes) para se atualizar quanto a requisições de amostras. O sistema faz o sorteio do dia de coleta, qual análise será solicitada (presença de resíduos de antiparasitários, antimicrobianos, carbamatos, organofosforados, compostos clorados, piretróides, presença de micotoxinas), e para qual laboratório, oficial (LANAGRO) ou credenciado (SFDK, PLANTEC) será enviada a amostra, a qual é estipulada em 01 L de leite congelado por requisição oficial. Após o sorteio da data prevista para remessa da amostra, o sistema local de inspeção pode planejar a data mais conveniente para realizar a coleta, de acordo com o laboratório de destino e meio de transporte que a empresa disponibilizar, de forma que a amostra chegue dentro do prazo e em condições de análise. A propriedade rural que será coletada é sorteada ao acaso pela fiscal a partir da lista de produtores cadastrada no MAPA. Algumas análises são custeadas pelo MAPA (análises realizadas pelo LANAGRO) e outras o custo é de responsabilidade da empresa (enviadas para laboratórios credenciados). Quando o resultado de uma análise é positivo para resíduos e contaminantes a propriedade fica interditada. As coletas da propriedade rural sorteada podem ser realizadas somente pela fiscal, que também assume a responsabilidade de enviar a amostra para o laboratório sorteado. O leite é transportado em caixa de isopor da propriedade até o SIF 190, onde, ao chegar, é congelado, e no outro dia a amostra é enviada para o laboratório oficial requisitado. A tramitação e os resultados das análises são acompanhados através do acesso online ao sistema SISRES. Neste ano de 2013, foram requisitadas até o momento (28/11/2013), a remessa de 5 amostras pelo SIF 190, com requisição de análises de presença de antiparasitários, antimicrobianos e micotoxinas para os laboratório LANAGRO/RS, SFDK e PLANTEC, nenhuma análise foi considerada positiva para a presença de resíduos e contaminantes.

47

2.3.3.3 Programa de Combate a Fraude

O Programa de Combate a Fraude (PCF) é uma programa do DIPOA que fiscaliza e monitora o leite produzido pelos estabelecimentos contra fraudes através de análises físico-químicas realizadas em laboratório oficial ou credenciado ao MAPA. O DIPOA solicita aos estabelecimentos nele registrados, o envio de amostras de leite para pesquisa de adição de reagentes estabilizantes, reconstituintes de densidade, conservantes e outras substâncias que servem de fraude para o leite. Participam desta análise oficial o leite cru, o leite pasteurizado, o leite UHT e o leite em pó, integrais, semidesnatados e desnatados, prontos para o consumo. As análises físico-químicas buscam por substancias como formaldeído, álcool etílico, água oxigenada, cloretos, neutralizantes de acidez, dentre várias outras substâncias que caracterizam fraude do leite. O programa está em vigor desde 2003. Uma das análises importante do programa contra a fraude é a avaliação do índice de Caseínomacropeptídeos (CMP), para verificação de adição de soro de leite ao leite na tentativa de aumentar o seu “rendimento”. As amostras coletadas, de 500g no mínimo, de leite UHT, leite pasteurizado e leite em pó (integrais) prontos para consumo, são analisadas no LANAGRO. Taxas dentro da faixa limite de até 30 mg por litro de leite são aceitáveis e o leite dentro desse limite pode ser destinado ao abastecimento direto dos consumidores. Quando o leite é considerado fraudado o estabelecimento tem sua produção interditada e é feito o sequestro da produção ou o recolhimento (recall) se o produto já estiver no mercado. O leite fraudado poderá ser aproveitado condicionalmente pelo estabelecimento para a produção de derivados lácteos quando o índice de CMP estiver entre 30mg/L e 75mg/L, e se estiver acima de 75mg/L poderá ser destinado a alimentação animal, à industria química em geral ou a outro destino a ser avaliado tecnicamente pelo DIPOA (BRASIL, 2006). São coletadas 03 amostras de cada produto, 02 delas são remetidas para o laboratório oficial e a outra fica no estabelecimento para servir como contraprova, caso necessário. Quando são obtidos resultados fora dos padrões é feita a reanálise da contraprova retida no laboratório oficial e solicitada a contraprova que fica retida na empresa acompanhada por uma nova solicitação oficial de análise (SOA). A frequência de análises para um produto inicia-se, obrigatoriamente, sendo mensal e

48

passa a ser trimestral só quando se é obtido 03 análises conformes, subsequentes.

A coleta dos produtos, preenchimento da Solicitação Oficial de Análise (SOA), lacre

da coleta, armazenamento e envio ao laboratório são realizados pelos agentes de inspeção e pela secretária do SIF, supervisionados pela fiscal.

2.3.4 Beneficiamento do leite

2.3.4.1 Coleta a granel e recepção do leite cru

Com a finalidade de se obter uma matéria prima com uma melhor qualidade, os produtores recebem orientação do departamento de responsabilidade técnica da empresa, quanto à forma de higienização dos equipamentos de ordenha, dos tanques resfriadores e quanto à temperatura de armazenamento do leite na propriedade. Essas orientações são repassadas da mesma forma aos transportadores do leite, por serem estes, corresponsáveis pela qualidade do leite que chegará a indústria. Os transportadores fazem sempre uma mesma rota, coletam leite diariamente, das mesmas propriedades, em horas e trajetos consecutivos. Esta rota

é pré-determinada pelo próprio transportador, para que o itinerário lhe favoreça

chegar à indústria com o menor tempo decorrido da primeira coleta. O transportador verifica a temperatura do leite armazenado na propriedade, lendo diretamente no tanque de resfriamento; realiza o teste do alizarol com álcool 76% e coletada uma amostra do tanque que será enviada ao laboratório da indústria para servir como prova à resultado de análise de fraudes. Para análise de CCS e CBT são coletadas mensalmente 02 amostras em frascos de 10 mL e enviadas ao laboratório da RBQL. Se o leite estiver com temperatura de até 7°C e for estável ao teste do alizarol, é transferido para um dos compartimentos do carro tanque através das mangueiras coletoras do caminhão que são acopladas a um equipamento bombeador em uma extremidade e na outra, acoplado ao tanque de armazenamento da propriedade. As amostras individuais de cada produtor são identificadas e guardadas em uma caixa isotérmica com gelo e ao final da coleta, as mangueiras coletoras do caminhão são higienizadas bem como as mangueiras do equipamento bombeador. O transportador segue para uma nova propriedade, realizando o mesmo

49

procedimento. Antes de chegar à indústria, o transportador para em um posto de

lavagem, próximo a indústria, para a lavagem externa do carro tanque. Após a

descarga do leite na indústria é realizada a higienização dos tanques por método

CIP, operado por um funcionário treinado, na plataforma contígua a de recepção,

conforme descrito no programa de PPHO da empresa.

Para realizar a descarga, o operário da plataforma de recebimento sobe em

cima do tanque, homogeiniza o leite, coleta uma amostra de cada compartimento do

carro tanque, identifica, coloca o termômetro em cada amostra, anota esta

temperatura em uma planilha, e a repassa com as amostras para o laboratório de

análises físico-químicas e microbiológicas do controle de qualidade da indústria para

que sejam realizadas as análises conforme a IN 68 de 2006 do MAPA (BRASIL,

2006-a) preconiza. Após o resultado das análises, o leite que se encontra dentro dos

parâmetros exigidos pela IN 62 de 2011 do MAPA (BRASIL, 2011) é liberado para

ser transferido para os silos de recepção de leite cru.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio curricular supervisionado possibilitou-me adquirir mais

conhecimentos na área de defesa sanitária animal e na área de inspeção de

produtos de origem animal através da vivência das atividades acompanhadas. O

período de estágio foi relativamente curto, em comparação à grandeza de

conhecimentos necessários à execução das atividades de defesa sanitária animal e

inspeção de produtos de origem animal, mas suficiente para tornar-me mais

preparada para aprofundamentos, pois obtive uma boa base de conhecimentos bem

como da forma correta para constantemente buscá-los.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Regulamento de inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal RIISPOA. Decreto nº 30.691, de 29 de março de 1952. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 1952.

BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Defesa Agropecuária. Dispõe sobre a inspeção sanitária e industrial dos produtos de origem animal. Lei nº 7.889 de 23 de novembro de 1989. Diário Oficial da União da

50

República Federativa do Brasil. Brasília, 24 nov. de 1989.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Legislação Federal e Marginalia. Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 12 set. 1990 a.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. Legislação Federal e Marginalia. Lei n° 8.37, de 27 de dezembro de 1990. Define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, e dá outras providências. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 28 dez 1990 b.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Defesa Agropecuária. Normas Técnicas de Instalações e Equipamentos para Abate e Industrialização de Suínos. Portaria n° 711, de 1º de novembro de 1995. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 03 nov. 1995.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Regulamento técnico sobre as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de elaboração para estabelecimentos elaboradores/industrializadores de alimentos. Portaria n° 368 de 04/09/1997. Diário Oficial da união da República Federativa do Brasil. Brasília. 08 set. 1997.

BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Defesa Agropecuária. Altera a Lei n° 8.171, de 17 de janeiro de 1991, acrescentando-lhe

dispositivos referentes à defesa agropecuária. Lei nº 9.712 de 23 de novembro de 1998. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília. 24 nov.

1998.

BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Plano Nacional de Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal PNCR. Instrução Normativa nº42 de 12 de dezembro de 1999. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 20 dez. 1999.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Regulamento Técnico de Métodos de Insensibilização para o Abate Humanitário de Animais de Açougue. Instrução Normativa n° 3, de 17 de janeiro de 2000. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 17 jan. de 2000.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC n°12 de 02 de janeiro de 2001 ANVISA. Aprova o Regulamento Técnico sobre Padrões Microbiológicos para Alimentos. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 02 de jan. de 2001.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Oficializa os Métodos Analíticos Oficiais para Análises Microbiológicas para controle de Produtos de origem Animal e Água. Instrução Normativa n°62, de 26 de agosto de 2003. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 18, set. de 2003.

51

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Aprova as Normas para a Prevenção e o Controle da Anemia Infecciosa Equina AIE. Instrução Normativa nº 45, de 15 de junho de 2004. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, jun. 2004.

BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Procedimentos de Verificação dos Programas de Autocontrole, Circular nº 175/2005/CPGE/DIPOA. Brasília 16 mai 2005.

BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Regulamenta os artigos 27-A, 28-A e 29-A da Lei n o 8.171, de 17 de janeiro de 1991, organiza o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, e dá outras providências. Decreto nº 5.741, de 30 de março de 2006. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 2006 a.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Oficializa os Métodos Analíticos Oficiais Físico-Químicos para controle de Leite e Produtos Lácteos. Instrução Normativa n°68, de 12 de dezembro de 2006. Brasília, 14, dez. de 2006 b.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Institui critério de avaliação da qualidade do leite in natura, concentrado e em pó, reconstituídos, com base no método analítico oficial físico-químico denominado “Índice CMP”, de que trata a Instrução Normativa. Instrução Normativa nº 69 de 13/12/2006. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 15 de dez. de 2006 c.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Instituir o Programa Nacional de Educação Sanitária em Defesa Agropecuária nos termos desta Instrução Normativa. Instrução Normativa Nº 28, de 15 de maio de 2008. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 19 mai. 2008.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Procedimentos de Verificação dos Programas de Autocontrole em estabelecimentos processadores de leite e derivados, mel e produtos apícolas. Ofício Circular nº 07 DILEI/CGI/DIPOA. Brasília, 11 set. de 2009.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Aprovar o Regulamento Técnico de Produção, Identidade e Qualidade do Leite tipo A, o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Leite Cru Refrigerado, o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Leite Pasteurizado e o Regulamento Técnico da Coleta de Leite Cru Refrigerado e seu Transporte a Granel, em conformidade com os Anexos desta Instrução Normativa. Instrução Normativa nº 62 de 29 de dezembro de 2011. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 29 dez. de 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Portaria 2.914 de 12/12/2011. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 12 dez. de 2012.

52

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Regulamento técnico de Manejo pré-abate e abate humanitário. Portaria Nº 47, de 19 de Março de 2013. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 21 mar. de 2013.

GONÇALVES, C. M., et al. Anemia Infecciosa Equina: Revisão de Literatura.

Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária 4 ed. Janeiro de 2005. Disponível em:

http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/2FGhftzmpNsOW2y_2

21/09/2013

013-5-20-10-40-2.pdf

Acessado

em:

MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. http://www.agricultura.gov.br/ministerio Acessado

Disponível

em:

em:

16 dez. 2013

NUCCI, G. S. Código Penal Comentado. 3ª ed. São Paulo: RT, 2003, p. 752. Artigo

268,

Código

Penal

Brasileiro.

Disponível

em:

http://www.conamp.org.br/Lists/artigos/DispForm.aspx?ID=165 Acessado

em:

21/09/2013.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Regulamenta a Lei n° 10.691, de 09 de janeiro de 1996, que dispõe sobre a Inspeção e Fiscalização dos produtos de origem animal no Estado do Rio Grande do Sul. Decreto 39.688 de 30 de agosto de 1999. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 30 ago. de 1999.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Institui as

Normas Técnicas de Instalações e Equipamentos para as Diferentes Indústrias Registradas na CISPOA. Resolução Nº 01, de 17 de agosto de 2000. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 17 ago. de 2000.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Estabelece as normas para implantação das Boas Práticas de Fabricação em todos os estabelecimentos registrados na Cispoa, substituindo a Portaria 267 de 06 de novembro de 2007. Portaria 211 de 04 de novembro de 2009. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 05 nov. de 2009.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Dispõe sobre a adoção de medidas de defesa sanitária animal no âmbito de Estado e dá outras providências. Lei 13.476 de 15 de junho de 2010. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 16 jun. 2010 a.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Feira de Terneiros. Portaria 048 de 05/04/2010. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 26 out. 2011.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Regulamenta a Lei nº 13.467, de 15 de junho de 2010, que dispõe sobre a adoção de medidas de defesa sanitária animal no âmbito de Estado do Rio Grande do Sul. Decreto 50.072 de 18 de fevereiro de 2013. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 19 fev. de 2013.

SEAPA. Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Disponível em:

53

http://www.dda.agricultura.rs.gov.br/conteudo/986/?Departamento_de_Defesa_Agro

pecu%C3%A1ria. Acesso em: 16 nov. 2013 a.

SEAPA. Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Disponível em:

http://www.dda.agricultura.rs.gov.br/conteudo/999/?Dipoa_-

_Inspe%C3%A7%C3%A3o_de_Produtos_de_Origem_Animal. Acesso em: 16 nov. 2013 b.

SEAPA. Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Disponível em:

http://www.dda.agricultura.rs.gov.br/lista/907/Se%C3%A7%C3%A3o_de_Inspe%C3

%A7%C3%A3o_Sanit%C3%A1ria_em_Eventos_Agropecu%C3%A1rios. Acesso em: 21 out. 2013 c.

SEAPA. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. Regulamento de feiras

oficiais - Exigências sanitárias. Disponível

http://www2.agricultura.rs.gov.br/servicos.php?cod=40 Acessado em: 21/10/2013 d.

em:

54

ANEXOS

ANEXO I - Relatório Parcial

Período de 16/09/13 à 18/10/13

Acadêmico: Aline Lima Valle da Costa Orientador Acadêmico: Helenice Gonzalez Orientadore(s) de Estágio: Mário Schuster, Valmor Lansini, Jaqueline Fadrique

1. Educação sanitária em escolas públicas: Foram sorteadas escolas públicas situadas nos distritos pertencentes ao município de Pelotas para participar do projeto de educação sanitária desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA). Nestas escolas acompanhei, durante uma semana, as palestras ministradas pela Médica Veterinária da SEAPA, Dra. Jaqueline Fadrique, que tinham como princípio a promoção da defesa sanitária animal e da saúde pública no ambiente rural, com o objetivo de atingir crianças em formação, pais e mestres.

2. Vistoria de supervisão técnica ao frigorífico Estado Sul: Fizemos a vistoria com o objetivo de verificar o comprimento de Instrução Normativa do CISPOA para tornar o local próprio ao abate de ovinos e bovinos. As normas técnicas visavam à adequação das condições estruturais, a conservação do estabelecimento, o controle dos processos e a inocuidade dos produtos finais.

3. Supervisão da Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (CISPOA) a um laticínio: A supervisão técnica do CISPOA fez a visita com a finalidade de orientar para que fossem realizadas adequações no estabelecimento e solicitar a conclusão do Manual de Boas Práticas de Fabricação conforme instituído pela portaria 1428 (de 04/09/97) do Ministério da Saúde (MS), Portaria 368 (de 06/11/93) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), Resolução 10 do MAPA e “Codex Alimentarius Food Hygiene”.

4. Visita técnica de rotina ao frigorífico Coqueiro de São Lourenço do sul/ RS e solicitação via ofício da apresentação do Manual de Boas Práticas de Fabricação. Acompanhei a realização das inspeções de rotina pré-operacional e operacional, de cada elemento de inspeção (piso, parede, teto, equipamentos, iluminação, água de abastecimento, temperatura das salas, etc.) para a liberação de abate. O Manual de Boas Práticas é item que deve constar obrigatoriamente nos estabelecimentos que produzem alimentos, conforme instituído pela Portaria 1428 (de 06/11/93) do Ministério da Saúde, Portaria 368 (de 04/09/97) do MAPA, para garantir que os processos sejam padronizados conforme descrito neste manual visando a obtenção de produtos inócuos e saudáveis.

5. Visita a Cooperativa de Pescadores Profissionais Artesanais (COOPESCA) de São Lourenço do Sul/RS, originalmente fiscalizado pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), com a finalidade de implantar o Serviço de Inspeção Estadual através da CISPOA.

6. Operação conjunta da SEAPA e da Brigada Militar de Arroio Grande/RS na fiscalização de denúncias de estabelecimentos em comércio ilegal de

produtos de origem animal. Foram interditados 2 estabelecimentos de abate, industrialização e comercialização sem registro em órgão oficial de inspeção higiênico sanitária. Foi aplicada multa, os proprietários foram encaminhados ao Departamento de Polícia de Arroio Grande e os Produtos de Origem Animal encaminhados às dependências de um frigorífico para serem inutilizados (com creolina) e posteriormente recolhidos pela empresa de tratamentos e transformação de resíduos de origem animal (CELGON AGROINDUSTRIAL LTDA).

7. Participação do curso de Capacitação de Médicos veterinários pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA). O Curso foi promovido pela Coordenadoria de Inspeção Sanitária de Produtos de Origem Animal da Regional de Porto Alegre (CISPOA) com a finalidade de realizar treinamento e reciclagem de médicos veterinários do serviço oficial de inspeção estadual para obter uma padronização nas atividades de inspeção de frigoríficos. O curso, teórico- prático, teve duração de 01 semana.

8. Emissão de GTAS. A GTA contém especificações sobre a origem e o destino

dos animais bem como as condições sanitárias e a finalidade do transporte. Os interessados em transportar seus animais iam a Inspetoria Veterinária e Zootécnica (IVZ) para solicitar a GTA e eram então orientados a apresentar documentação comprovando situação regularizada no referente a declaração do número de animais da propriedade, vacinações compulsórias (Aftosa, Brucelose, Influenza equina) e a documentação exigida pela legislação (Nota fiscal, exames de brucelose, tuberculose, Anemia Infecciosa equina e Influenza equina).

9. Acompanhamento da admissão de animais na 87° Expofeira de Pelotas.

Acompanhei a chegada dos animais ao parque, conferindo a GTA para bovinos, ovinos e equídeos, número do registro de identificação do produtor (RP) comprovação de vacinação para brucelose, atestado de negativo para tuberculose, exame visual de pele em busca de papilomas ou micoses. Resenha de identificação individual dos equinos, atestado de sanidade, exames comprovando negatividade para Anemia Infecciosa Equina (AIE) e vacinação contra influenza equina bem como exame visual externo de pele como nos bovinos. Conferidas estas especificações e certificações, admitia-se ou rejeitava-se a entrada dos animais na feira.

10. Inquérito soroepidemiólogico para AIE em equinos. Foram sorteadas

propriedades rurais cadastradas na Regional de Pelotas, para coleta de sangue de equídeos e encaminhamento do soro para laboratório oficial visando um levantamento de casos de AIE por regiões do Estado. A pesquisa subsidiará um

estudo de prevalência e distribuição de casos da anemia infecciosa equina no estado.

ANEXO II Registro de atividades

Data

Atividades realizadas

09/09/2013

Apresentação ao local de estágio e ao funcionamento da SEAPA

10/09/2013

Palestra sobre educação sanitária em escola pública

11/09/2013

Palestra sobre educação sanitária em escola pública

12/09/2012

Palestra sobre educação sanitária em escola pública

13/09/2013

Inquérito soro epidemiológico AIE

16/09/2013

Inquérito soro epidemiológico AIE

17/09/2013

Vistoria de supervisão em matadouro-frigorífico de bovinos em Pelotas/RS, visita em laticínio de São Lourenço do Sul/RS e visita em cooperativa de pescadores de São Lourenço do Sul/RS

18/09/2013

Ação de fiscalização e interdição de dois estabelecimentos por abates clandestinos em Arroio Grande/RS.

19/09/2013

Vistoria de supervisão em matadouro-frigorífico de bovinos em Pelotas/RS.

20/09/2013

Feriado.

23/09/2013

Vistoria de supervisão em dois matadouros-frigoríficos de bovinos e suínos em Pelotas/RS e audiência pública sobre abigeatos em Arroio Grande/RS.

24/09/2013

Expediente interno.

25/09/2013

Vistoria de supervisão em matadouro-frigorífico de bovinos em Pelotas/RS e reunião com EMATER de Canguçu/RS.

26/09/2013

Visita à matadouro-frigorífico de aves em Morro Redondo/RS.

27/09/2013

Reunião com a promotoria de Canguçu/RS.

30/09/2013

Treinamento teórico do novo manual de inspeção da CISPOA.

01/10/2013

Treinamento teórico do novo manual de inspeção da CISPOA.

02/10/2013

Treinamento prático do novo manual de inspeção da CISPOA.

03/10/2013

Treinamento prático do novo manual de inspeção da CISPOA.

04/10/2013

Encerramento do treinamento com teste.

07/10/2013

Admissão de animais na 87ª Expofeira de Pelotas/RS.

08/10/2013

Admissão de animais na 87ª Expofeira de Pelotas/RS.

09/10/2013

Admissão de animais na 87ª Expofeira de Pelotas/RS.

10/10/2013

Admissão de animais na 87ª Expofeira de Pelotas/RS.

11/10/2013

Admissão de animais na 87ª Expofeira de Pelotas/RS.

14/10/2013

Expediente interno.

15/10/2013

Visita à matadouro-frigorífico de bovinos em São Lourenço do Sul/RS.

16/10/2013

Expediente interno.

17/10/2013

Expediente interno.

18/10/2013

Reunião com DDA de Porto Alegre/RS

Li e confirmo as informações contidas nesse anexo.

Mário Sérgio Pizarro Schuster

Orientador de estágio

21/10/2013

Conhecimento das atividades do SIF

22/10/2013

Conhecimento das atividades do SIF

23/10/2013

Atividades de inspeção

24/10/2013

Atividades de inspeção

25/10/2013

Atividades de inspeção

28/10/2013

Conhecimento de atividades do SIF

29/10/2013

Atividades de inspeção

30/10/2013

Atividades de inspeção

31/10/2013

Conhecimento de atividades do SIF

01/11/2013

Atividades de inspeção

04/11/2013

Atividades de inspeção

05/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

06/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

07/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

08/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

11/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

12/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

13/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

14/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

18/11/2013

Acompanhamento de produção e atividades de inspeção

19/11/2013

Acompanhamento de atividades do SIF/MAPA

20/11/2013

Acompanhamento de atividades do SIF/MAPA

21/11/2013

Acompanhamento de atividades do SIF/MAPA

22/11/2013

Acompanhamento de atividades do SIF/MAPA

25/11/2013

Acompanhamento de atividades do SIF/MAPA

26/11/2013

Acompanhamento de atividades do SIF/MAPA

27/11/2013

Acompanhamento da produção e Atividades de inspeção

28/11/2013

Acompanhamento da produção e Atividades de inspeção

29/11/2013

Acompanhamento da produção e Atividades de inspeção

02/12/2013

Acompanhamento da produção e Atividades de inspeção

03/12/2013

Acompanhamento da produção e Atividades de inspeção

04/12/2013

Acompanhamento da produção e Atividades de inspeção

05/12/2013

Acompanhamento da produção e Atividades de inspeção

09/12/2013

Escrita de relatório

10/12/2013

Escrita de relatório

11/12/2013

Escrita de relatório

12/12/2013

Escrita de relatório

13/12/2013

Escrita de relatório

Mirela Escattolin Anselmo

Orientadora de estágio

ANEXO III Planilhas da CISPOA

Planilha 1 - PPHO

ANEXO III – Planilhas da CISPOA Planilha 1 - PPHO

Planilha 2 Abate Humanitário e Bem Estar

Planilha 2 – Abate Humanitário e Bem Estar

Planilha 3 Manutenção das Instalações, Equipamentos e ambiente

Planilha 3 – Manutenção das Instalações, Equipamentos e ambiente

Anexo IV Planilha do SIF

Planilha 1 Formulário de verificação local 1

Anexo IV – Planilha do SIF Planilha 1 – Formulário de verificação local 1