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ADMINISRAÇÃO RURAL

Prof. Leucivaldo Carneiro Morais

Alunos (a)

UEG- Universidade Estadual de Goiás


End. Via Protestato Joaquim Bueno 945- Perímetro Urbano
Santa Helena de Goiás; Fones (64) 3641-3053 / 4714
2

SANTA HELENA DE GOIÁS – fevereiro / 2008

APRESENTAÇÃO

É importante que o aluno leitor entenda tanto o objetivo como a enfoque do conteúdo
destas notas de aula.
Esta apostila não esgota o assunto sobre Economia Rural e Agronegócios, é um roteiro
para estimular a busca do conhecimento em outras obras. Entretanto, o objetivo maior está no
fato de que o assunto da disciplina Economia Rural, para os cursos de Engenharia Agrícola, é
muito abrangente e permite o aluno a desenvolver o senso crítico, sobre a importância do
setor agropecuário, no contexto do Agronegócio na economia nacional. Portanto, esta apostila
propõe-se harmonizar as anotações e orientar nas leituras e exposição gráfica e algébrica com
fundamentos em teorias micro e macroeconômicas, estatística e econometria.
Para entender melhor o conteúdo, de Economia Aplicada na Agricultura e no
Agronegócio, é necessário esclarecer que o enfoque deste curso é a Teoria Econômica com
seus fundamentos aplicados nas diferentes atividades agrícolas, com efeitos nas relações para
frente e para trás na cadeia do Agronegócio Brasileiro.
Este material de orientação ao aluno está estruturado da seguinte forma: as Unidades I
e II tratam-se mais de características agronômicas, necessárias para entender as partes econô-
micas; as Unidades III, VI e V referem-se a princípios de Teoria Econômica e a estrutura do
Sistema Econômico, fundamentados em micro economia, sempre dando ênfase à empresa
rural; na Unidade VI analisa a estrutura de mercado considerando os fundamentos da
macroeconomia e por fim a UD VII foca os Fundamentos do Agronegócio destacando os
modelos teóricos da relação entre o setor agrícola e a agroindústria.

Com o processo de gerenciamento e industrialização do campo não é mais


possível considerar o rural como algo isolado em si mesmo, à parte de um mundo
urbano.
A noção de agricultura como UP não é mais suficiente. Estas unidades hoje estão
articuladas com vários setores da economia e com infra-estrutura urbana e industrial e
de serviços complexas.
As mudanças no ambiente da agricultura estão expressas nos fluxos de
conhecimento/informação e pela presença de novas instituições responsáveis pela
intermediação dos fluxos de informação e o relacionamento entre os agricultores e as
fontes, geradoras de tecnologias. O agricultor cada vez mais necessita de contatos que
lhe garantam informações e insumos necessários para produzir.

As contribuições produzidas pelos saber agronômico quando somadas ao


conhecimento da economia rural, não perde o foco no conjunto da cadeia produtiva.

Assim sendo, acredita-se que o aluno terá noção de como o setor agrícola é
influenciado tanto pelos fatores sócio-econômicos como pelos agro-ecológicos.
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DISCIPLINA ECONOMIA RURAL

Professor: Leucivaldo Carneiro Morais


EMENTA

Economia como ciência social. Teoria de Preços.Teoria da Firma. Mercado, comercialização e abastecimento
agrícola. Agricultura. Preços Agrícolas. Agricultura e desenvolvimento econômico no Brasil.

OBJETIVOS – Apresentar noções básicas da aplicação da Teoria Econômica à Agropecuária e suas relações
sócio-econômicas, que proporcionam o fornecimento de matérias-primas e alimentos para os outros setores da
economia. Um segundo objetivo é a utilização de técnicas de micro e macroeconomia, estatística e econometria
para proporcionar ao aluno a identificar a importância do setor agrícola na formação industrial do país. O
Terceiro objetivo é aguçar o senso crítico do aluno sobre o papel do setor agrícola no contexto do
desenvolvimento sócio-econômico.
Programa de Disciplina – Sumário CD 03 e CH 45
UD I ECONOMIA AGRICOLA E RURAL
1 Conceitos de Economia Agrícola e Agricultura .............................................................. 5
1.1 Conceito de Sistema de Produção Agrícola ...................................................................... 5
UD II CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO RURAL
2.1 Conceito, Composição e Medidas Agrárias ...................................................................... 11
2.2 Determinantes da Produção Rural .................................................................................... 16
2.3 Sazonalidade do Fluxo de Produção ................................................................................. 17
2.4 Duração do Ciclo Produtivo ............................................................................................. 18
2.5 Perecibilidade dos Produtos .............................................................................................. 19
2.6 Especificidade Biotecnológica .......................................................................................... 19
2.7 Riscos Bioclimáticos ........................................................................................................ 20
UD III INTRODUÇÃO GERAL AO ESTUDO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
3.1 Conceitos Básicos de Economia ........................................................................................ 21
3.2 As Razões do Crescente Interesse pelas Ciências Econômicas ......................................... 24
3.3 As Leis e Objetos da Economia ......................................................................................... 26
3.4 A Economia e seus Compartimentos e Desdobramentos .................................................. 27
UD IV O SISTEMA ECONÔMICO
4.1 Estrutura do Sistema Econômico ....................................................................................... 30
4.2 Classificação dos Bens Econômicos .................................................................................. 32
4.3.1 Tipos de Bens Econômicos ................................................................................................ 33
4.4 O Processo Produtivo ......................................................................................................... 34
UD V FUNDAMENTOS DA ANÁLISE DA PROCURA E DA OFERTA ARÍCOLA
5.1 A Lei da Procura ................................................................................................................ 37
5.1.1 Os Fatores que Afetam a Demanda ................................................................................... 42
5.1.2 A Função Demanda e as Curvas de Demanda ................................................................... 46
5.2 A Lei da Oferta .................................................................................................................. 49
5.2.1 A Função Oferta e as Curvas de Oferta ............................................................................. 53
5.3 A Interação da Oferta e da Procura: formação de preços .................................................. 56
5.4 Elasticidade ........................................................................................................................ 59
5.5 Teoria da Produção: a função de produção e os fatores de produção .............................. 59
5.6 Análise Econômica da Pesquisa e da Experimentação Agrícola ....................................... 84
UD VI MERCADO, COMERCIALIZAÇÃO E ABASTECIMENTO AGRÍCOLA
6.1 Estruturas de Mercados Agrícolas .................................................................................... 90
6.2 Relações Contratuais texto ............................................................................................... 90
6.3 Crédito Rural: financiamentos agropecuários .................................................................. 90
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UD VII COMPLEXO AGROINDUSTRIAL


7.1 Conceito e Importâncias do Agronegócio: agribusiness ................................................... 93
7.2 Tendências do Agronegócio Brasileiro ........................................................................ 96
7.3 Estado e Desenvolvimento Econômico no Brasil ........................................................ 96

BIBLIOGRAFIA

ALBUQUERQUE, Marcos Cintra & NICOL, Robert.Economia Agrícola, o Setor Primário e a Evolução da
Economia Brasileira. S.Ed. São Paulo, McGraw-Hill, 1987. 335p.

ARAUJO, MASSILON.J. Fundamentos do Agronegócio. São Paulo: Atlas, 2003. 147 p.

ARAUJO, José Geraldo de. Extensão Rural - Origem, princípios e Filosofia. Viçosa-MG. 1977. 25p.
(Apostila. Nota de Aula).

BARROS, G.S. de C. & AMARAL, C.M. Introdução à Economia Agrária.Piracicaba/SP. USP-ESALQ. 1984.
56p. (Apostila).

BRANSON, W.H. & LITIVAC, J.M. Macroeconomia, São Paulo, Sd., HARBRA. 432p.

CARVALHO, Luiz Carlos P. de. Agricultura e Desenvolvimento Econômico. In: MANUAL DE ECONOMIA.
São Paulo: Saraiva. 1988. p.437-43.

CHIANG, Alfa C.M. Matemática para Economistas. São Paulo. MacGRaw - Hill do Brasil, Ed.
Universitária de Paulo, 1982. 684p.

FERGUSON, C.E. Teoria Microeconômica, Rio de Janeiro, Forense Universitária, 199610p.

GARÓFALO, G. de L. & CARVALHO, L.C.P. de.Análise MicroecômicaSão Paulo, Atlas, 1980. 415p.

MELLOR, John W. O Planejanento do Desenvolvimento Agrícola. S.Ed. Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1986.
190p.

MENDES, J. Tadeu, Grassi. Economia Agrícola: Princípios Básicos. Curitiba PR. Scientia et Labor. 1989.
399p

PAIVA, Ruy Miller. A Agricultura no Desenvolvimento Econômco: Suas Limitações como Fator Dinâmico.
IPEA/INPES, 1979.

REIS, Ricardo Pereira. Introdução a Teoria Econômica. Lavras / MG. ESAL/FAEPE. 1992. 86p.

ROSSETTI, J. Phascoal. Introdução à Análise Econômica. 14.ed. São Paulo, Atlas.1978. 812p.

SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia. São Paulo, Best Seler. 1989.

SANTOS, Benedito Rosa do E. Os Caminhos da Agricultura Brasileira. São Paulo: Evoluir, 2003.
5

UD I - ECONOMIA AGRÍCOLA E ECONOMIA RURAL

1 Conceito de Economia Agrícola e Agricultura

Economia Agrícola é uma parte da Economia que se dedica à aplicação do


conhecimento das teorias econômicas ao estudo dos problemas econômicos e
financeiros da agricultura. Portanto, Economia Agrícola preocupa com os problemas
da escassez de bens agrícolas, sua distribuição e utilização com seus princípios e
teorias, propõe normas para combinação da escassez de recursos agrícolas e sua
distribuição entre fins competitivos, visando a minimização do esforço humano e
maximização dos retornos.
È essencial distinguir os conceitos de Economia Agrícola da Economia Rural,
para este curso e nesta apostila. Economia Agrícola, aqui tratada, refere-se aos
bens e serviços rurais transformados, comercializados e consumidos pelo homem.
Enquanto, a Economia Rural trata-se destes e daqueles recursos naturais que não
foram transformados e não consumidos pela sociedade.
Entende-se por Agricultura à atividade agrícola, que pode ser considerada
como uma linha de produção de certo produto(s) do setor agropecuário (arroz, feijão,
milho soja bovino, aves)
Portanto a Agricultura é uma atividade, que ao lado da indústria e dos
serviços é um dos setores econômicos, que tem importância fundamental para a
vida e a economia humana. É a grande compradora de insumos, para a produção, e
fornecedora de alimentos e matérias-primas para a população mundial. É, portanto,
a intervenção do homem sobre o processo produtivo natural, transformando,
manejando ou mesmo criando fatores de produção, que caracterizam a agricultura.

1.1 Conceito de Sistema de Produção Agrícola

As referências da EMBRAPA, 1982, citam que, a idéia de Sistema é tão


antiga quanto o homem, pois é inerente a natureza. Com isto, o setor primário não
foge a esta regra. Portanto, o conceito de sistema está no conjunto de elementos e
de suas relações.
6

O setor agrícola é composto por vários sistemas de produção, que por sua
vês constituem o Sistema Agrícola. Para a compreensão do funcionamento deste
setor é fundamental entender a estrutura de um Sistemas de Produção Agrícola.
O conceito de sistema consiste na aplicação conjunta de conhecimentos
inter-relacionados, para a obtenção de um determinado produto. Em outras palavras,
diz que é um arranjo de componentes físicos, um conjunto ou coleções de coisas,
unidas ou relacionadas de tal maneira que formam ou atuam como uma entidade ou
um todo, para um determinado produto. De forma mais resumida, SPA é o conjunto
de elementos agrícolas que interligam para um propósito comum, que é a produção
agrícola.

DIAGRAMA 1

FATORES SÓCIO-ECONÔMICOS

Internos Externos
Metas do produtor MERCADO INSTITUIÇÕES
Alimentos, renda, risco Preço Pesquisa POLÍTICA
Restrição de Recursos ⇐ Insumos Extensão ⇐
Terra, Capital e Trabalho Crédito AGRICOLA

SISTEMA
DE
PRODUÇÃO

CLIMÁTICOS BIOLÓGICOS EDAFICOS


Chuvas Pragas Topográficas
Geadas Doenças Fertilidade

FATORES AGRO-ECOLÓGICOS
FONTE: EMBRAPA, 1992 e adaptado pelo autor.
Portanto, Sistema Agrícola é o conjunto de Sistemas de Produção
7

AGUIAR, 1986, esclarece que a agricultura constitui num processo de


produção de bens e serviços gerenciados pelo produtor e delimitado pelas
condições e disponibilidades dos recursos naturais (solo, clima e água) que
determinam às atividades (lavoura e criação) e as práticas de cultivos e criação.
Através do gerenciamento os agricultores combinam os recursos, às atividades e às
práticas necessárias à produção, contemplando um elenco de fatores e ações
integradas entre si, que passam a constituir o Sistemas de Produção Agrícola1,
vistos nos Diagramas 1 e 2.

DIAGRAMA 2 - Etapas do Processo Produtivo em um Sistema de Produção agrícola.

Tecnologias Modernas

Máquinas Defensivos
Equipamentos Calagem Máquinas Sementes Adubos Herbicidas Maquinas Veículos
Instrumentos Equipamentos melhoradas Equipamento Colhedeiras Máquinas
manuais

Limpeza do Correção do Prepara do Plantio Adubação Tratos Colheita Pós-colheita


terreno solo solo culturais

Etapas do sistema produtivo


Classificação das tecnologias agrícolas:
i. tecnologia mecânica -
ii. tecnologia biológica -
iii. tecnologia química -
iv. tecnologia agronômica -
v. tecnologia da informação -

1
A ciência nos dias atuais procura entender a estrutura e o funcionamento das partes, pela compreensão de como funciona o todo (ARAÚJO,
s.d.).
8

O Diagrama 1 representa uma “constelação” de variáveis que influencia a produção


do setor agrícola. São estas variáveis que determinam o que produzir, o quanto
produzir e para quem produzir. De acordo com esta trilogia é que surgem as
decisões de planejamento e é possível calcular o risco agrícola.
Observa-se que no centro do processo de produção agrícola tem-se o
Sistema de Produção, para o qual convergem todas as variáveis diretas e,ou
indiretas. Estas podem ser variáveis físicas, sociais, econômicas, biológicas,
agronômicas e outras que serão estudadas a frente.
Para melhor compreender o Setor Agrícola colocou-se o Sistema de
Produção entre (no centro) dois macros fatores: são os Fatores Sócio-econômicos e
os Fatores Agro-ecológiocos. No primeiro, as decisões do produtor dependem de
decisões próprias (internas) e do próprio mercado (externa), que ambas estão
fortemente correlacionadas com a Política Agrícola Nacional. Para o segundo fator
existe um elenco de variáveis, que causam, também, uma série de riscos e
incertezas ao processo de produção.
Após a análise do Diagrama 1 é necessário compreender o Sistema de Produção
Agrícola expresso no Diagrama 2. Este sistema é composto por um conjunto de
atividades que processam a produção, através do uso de insumos, matérias-primas
e tecnologias específicas. Observa-se que cada fase do sistema existe uma ou
várias tecnologias modernas que definem a etapa, cada etapa se relaciona para
frente e para trás através das tecnologias químicas, agronômicas, mecânicas,
orgânicas, biológicas e outras. Assim sendo, a utilização dos insumos e matérias-
primas, no sistema através das tecnologias e inovações tem-se o produto agrícola.
Como exemplo, cita-se o uso da terra, mão de obra, adubo, máquinas, sementes de
trigo, etc e tem-se no final o produto (grão) trigo, como produção.
O Sistema de Produção Agrícola é considerado, no desenvolver deste curso,
como a “alma da agricultura”, é nele que se inicia e termina todo processo de
produção de um determinado produto na fazenda. Haja vista, que não há nenhuma
produção agrícola de interesse comercial e em qualquer parte do mundo sem o uso
do referido sistema. Alguns podem ser primitivos ou modernos, conforme a atividade
agrícola ou região e o interesse comercial do produtor, principalmente ao nível do
desenvolvimento econômico do país.
A visão sistêmica implica a noção de que há diferentes fatores
relacionados à produção agropecuária e que a unidade agrícola está ligada a
9

instituições e atores sociais que afetam diretamente, tornando mais complexo


discutir as questões referentes ao desenvolvimento rural.
Ressalta-se que, os principais sistemas de produção agrícolas predominantes
na região de Rio Verde/Goiás são tidos como modernos. Por vários motivos de
interesse do produtor, sendo o primeiro deles o fato de ser cultura de alta
rentabilidade e do tipo exportação e de consumo imediato pela indústria, e apresenta
elasticidade renda média, outro fato é de exploração em grandes áreas, tipo
monocultura. As quais “exigem” tecnologias avançadas que favorecem as vantagens
competitivas. Outros fatores, não menos importante é a cultura (grau de instrução)
dos produtores local e os incentivos obtidos no passado ressente. Para estes casos
tem-se cultivado na região a soja, o milho, o algodão, o girassol, o sorgo, a cana e
outros, na pecuária tem a produção de leite e produção de boi.
Observa-se pelos Diagramas 1 e 2 que há uma série de fatores influenciando
a renda e e o lucro dos agricultores. Estes fatores devem ser estudados com muita
cautela. Pois o objetivo de qualquer produtor é maximizar a sua renda. ANDRADE,
1980, afirma que a renda exerce grande influência na capacidade de decisão por
parte do agricultor.
Não são somente os fatores produtivos básicos (Terra, Capital e Trabalho)
que estão envolvidos na produção agrícola, existem outros que influenciam a
rentabilidade agrícola, como o preço, o crédito rural, variações climáticas,
tecnologias, políticas agrícolas são alguns exemplos de outros fatores que
influenciam.
Em uma economia globalizada, a disponibilidade somente de recursos não é
suficiente é necessária a exploração racional em toda a sua extensão, com foco em
competitividade, para renderem o que são capazes.
O autor infra ressalta que propriedades rurais com condições de clima, solo,
mercado e localização em regiões próximas e que tenham as mesmas atividades e
as mesmas produção podem ter rendas diferentes. Devido à ação de outros fatores
como: tecnologia adotada, produtividade e criações, aproveitamento de mão de
obra, utilização de máquinas e equipamentos e etc.
Pelo visto, o feixe de variáveis (fatores) exercem pressão sobre a renda dos
produtores rurais. Portanto, os técnicos, os Economistas, Agrônomos, Zootecnistas e
outros, precisam trabalhar com planejamento, principalmente, com gestão e
10

consultoria rural, que conheçam estes fatores, para análises, que podem
proporcionar mais renda.
Pelo Diagrama 1 e as descrições anteriores e para uma análise prática e
didática os fatores de produção podem ser classificados em fatores internos e
externos.

Os fatores internos2 são aqueles controláveis pelos produtores, como


exemplo: o que plantar, o que criar, o volume de produção e negócios, gestão da
força de trabalho, investimentos em inovação de produtos, marketing, estratégias de
empresas, Recursos Humanos e etc.
Para ACCARINI, 1987 e ARAUJO, 1980, afirmam que o produtor combinando
adequadamente os fatores básicos com os demais fatores, terá provavelmente uma
renda rural maior do que aqueles produtores com menor capacidade de gestão.

Os fatores externos3 são aqueles que o produtor rural não tem controle direto.
Estes fatores, citados anteriormente, sejam internos e externos, são aqueles que
exercem influência direta e,ou indiretamente no lucro econômico dos produtores
rurais. Sejam os preços, o tamanho do negócio agrícola, escala de produção,
mercado, grau de abertura comercial, legislação de propriedade industrial, mudança
na legislação tributária, mudança no hábito do consumidor, transporte, vantagens
comparativas e competitivas, créditos, condições edafo-climáticas, informação e uso
da mão de obra.

2
ou variáveis endógenas: são aquelas que explicam o modelo.
3
ou variáveis exógenas: é dada como fixa na análise.
11

UD II - CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO RURAL

2.1 Conceito, Composição e Medidas Agrárias

No sentido econômico, produzir consiste em transformar bens e serviços


intermediários, genericamente chamados de fatores de produção ou insumos, em
outros bens e serviços, denominados produtos finais.
Quando o homem se dedica à produção animal e vegetal juntas, integram à
produção rural. Que por outro lado tem-se:

Composição Agropecuária (Agrícola)

i - Produção Animal - compreende-se de (bovinos, bubalinos, abelhas, aves, suínos ...)


ii - Produção Vegetal - compreende em 3 segmentos básicos:

Extrativismo Vegetal - Caju, castanha, babaçu, carnaúba, cacau ...

Silvicultura (madeira) - Pinheiro, eucalipto, madeiras de lei, quiri ...

Agricultura - No Brasil é o segmento economicamente mais importante,


representa mais do dobro do valor da produção animal e vegetal
extrativa juntas.

Agricultura in lavouras - pode ser temporárias: arroz, feijão, milho, girassol ...
Agricultura in lavouras - pode ser permanentes: café, citros, bananas...

A agricultura é a grande fornecedora - direta ou indiretamente de alimentos e


matérias-primas para os grandes centros e indústrias (Tabelas 1, 2, 2.1 e 2.2 e
Gráfico 1). O setor agrícola por natureza é diferente dos outros setores da economia.
Todo o processo produtivo depende de um único caráter maior, que é o biológico.
Algumas fases da produção dependem diretamente de fatores naturais e na hora
certa. Cuja intervenção do homem não altera o desenvolvimento, como exemplo é o
caso vegetativo da planta. Embora, o homem tem desenvolvido algumas técnicas
para alterar o processo produtivo, adequando o sistema de produção à
modernidade, como a cultura agrícola mais resistente a doenças, menos exigentes
em água e a redução do ciclo vegetativo, para atender as exigências do mercado.
O setor agrícola possui suas características peculiares com seus produtos
específicos, que são produzidos ao meio ambiente, o que faz uma grande diferença,
quando comparado com a produção industrial, que por sua vez produz em ambiente
controlado.
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TABELA 1 - Participação de alguns setores no PIBcf, %, Brasil.


Agropecuária Indústria Instituições Administrações Outros
Ano Financeiras Públicas Servicos
1947 20.7 25.2 3.2 6.1 44.8
1948 20.8 24.2 3.3 6.3 43.5
1949 23.6 24.7 3.2 6.5 42.0
1950 24.3 24.1 3.6 6.6 41.4
1951 23.8 25.1 3.3 6.3 41.5
1952 25.0 24.2 3.3 6.2 41.3
1953 23.6 25.4 3.3 6.6 41.1
1954 24.1 25.8 3.5 5.4 41.2
1955 23.5 25.6 3.4 6.1 41.4
1956 21.1 27.3 3.3 7.5 40.8
1957 20.4 27.8 3.6 7.2 41.0
1958 18.4 31.1 3.0 6.8 40.7
1959 17.2 33.0 2.8 6.6 40.5
1960 17.8 32.2 2.7 6.3 41.0
1961 17.0 32.5 2.7 7.1 40.7
1962 17.5 32.5 2.9 7.3 39.9
1963 15.9 33.1 3.0 8.0 40.0
1964 16.3 32.5 3.0 7.9 40.3
1965 15.9 32.0 3.4 8.0 40.8
1966 14.1 32.8 3.7 8.2 41.2
1967 13.7 32.0 3.8 8.9 41.2
1968 11.8 34.8 4.1 8.6 41.6
1969 11.4 35.2 4.4 8.5 40.7
1970 11.6 35.8 6.0 9.2 40.5
1971 12.2 36.2 6.1 9.1 37.4
1972 12.3 37.0 6.0 8.7 36.4
1973 11.9 39.6 5.4 7.6 36.1
1974 11.4 40.5 5.8 7.0 35.5
1975 10.7 40.4 6.5 7.5 35.3
1976 10.9 39.9 7.3 7.5 34.9
1977 12.6 38.6 7.5 6.9 34.4
1978 10.3 39.5 8.6 7.2 34.4
1979 9.9 40.1 8.4 7.2 34.4
1980 10.9 44.2 8.3 6.9 34.4
1981 11.0 43.4 10.9 7.2 29.7
1982 9.5 44.7 10.9 8.0 26.9
1983 11.9 42.4 13.1 7.6 25.0
1984 12.9 43.4 12.4 6.5 24.8
1985 11.8 45.2 12.4 7.6 23.0
1986 11.5 45.0 8.0 8.2 27.3
1987 10.3 45.7 15.4 8.6 20.0
1988 10.5 43.7 15.4 8.7 21.7
1989 8.9 42.7 24.1 10.6 13.7
1990 10.5 38.6 12.3 11.9 26.7
1991 7.8 36.2 8.1 9.9 56.0
1992 7.7 38.2 9,0 10,2 53.5
1993 7.6 41,6 - - 50.8
1994 8.5 40,0 - - 50.1
1995 8.6 36.7 - - 54.3
1996 8.1 34,7 - - 57.0
1997 7.6 35,2 - - 56.8
1998 7.9 34,6 - - 57.2
1999 8.3 35,6 - - 56.1
2000 8.4 37,5 - - 54.5
2001 8.4 37.7 - - 53.9
2002 8.6 38.3 - - 52.9
2003 8.9 38.7 - - 51.1
2004 8.6 - -
2005 8.3 - -
FONTE: Estatística Histórica do Brasil, IBGE - 1990, para os anos 1947 a 1979; Anuário estatístico do Brasil 1992, para os
anos 1980 a 1989; e Anuário Estatístico do Brasil - 1993, para os anos 1990 a 1992.
Obs. A partir de 96 o IBGE não disponibiliza os dados de outros serviços desagregados em Instit. Financeira e
Adm Publicas.
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TABELA 2 - Taxa real de crescimento do PIB real, do Brasil.


ANO AGRICULTURA INDÚSTRIA SERVIÇOS TOTAL
1970 1.0 10.4 10.5 10.4
1971 10.2 11.8 11.4 11.4
1972 4.0 14.2 12.5 11.9
1973 0.1 17.0 15.6 13.9
1974 1.3 8.5 10.9 8.3
1975 6.6 4.9 4.9 5.1
1976 2.2 11.7 11.4 10.2
1977 12.1 3.1 5.0 4.9
1978 -2.8 6.4 6.1 4.9
1979 4.8 6.8 7.7 6.8
1980 9.6 9.3 9.2 9.3
1981 8.0 -8.8 -2.5 -4.3
1982 -0.2 0.0 2.1 0.8
1983 -0.5 -5.9 -0.5 -2.9
1984 2.6 6.3 5.4 5.4
1985 9.6 8.3 6.9 7.8
1986 -8.0 11.7 8.1 7.5
1987 15.0 1.0 3.1 3.5
1988 0.8 -2.6 2.3 -0.1
1989 2.8 2.9 3.5 3.2
1990 -1.7 -8.2 -0.8 -4.3
1991 2.8 -1.8 1.6 0.3
1992 5.4 -3.8 0.0 -0.8
1993 -1.0 6.9 3.5 4.2
1994 9.3 7.0 4.2 6.0
1995 5.1 2.0 6.0 4.2
1996 3,1 3,3 2,7 2,7
1997 -0,8 4,6 2,6 3,3
1998 1,3 -1,0 0,9 0,1
1999 8,3 -2,2 2,0 0,8
2000 2,1 4,8 3,8 4,4
2001 5,8 -0,5 1,8 1,3
2002 5,5 2,6 1,6 1,9
2003 4,5 -0,01 0,6 0,5
2004 5,3 6,2 3,3 4,9
2005 0,8 2,5 2,0 2,3
FONTE: IBGE

TABELA 2.1 – Taxa de participação no PIB, %. Goiás.


Ano Agropecuária Indústria Serviços Total
1990 20,5 14,5 65,0 100,0
1991 17,2 10,8 72,0 100,0
1992 17,5 11,5 71,0 100,0
1993 18,2 7,6 74,2 100,0
1994 27,6 10,0 62,4 100,0
1995 28,2 12,0 59,8 100,0
1996 27,5 12,6 59,9 100,0
1997 27,8 12,8 59,4 100,0
1998 16,3 28,7 54,9 100,0
1999 16.6 29.6 54,3 100,0
2000 17.2 32.5 50.3 100,0
2001 17.5 35.0 47.4 100,0
2002 22.5 32.6 44.9 100,0
2003 21.9 35.6 42.9 100,0
FONTE: SEPLAN

TABELA 2..2 – Taxa real de crescimento , %. Goiás.


Ano Agropecuária Indústria Serviços Total
1990 -13,53 -8,40 1,73 -2,03
1991 17,18 -0,23 1,23 3,70
1992 -17,08 -2,19 2,49 -1,30
1993 15,52 3,71 1,117 3,85
1994 10,93 2,94 12,89 11,35
1995 7,13 0,02 6,40 5,72
1996 6,48 3,87 4,74 4,90
1997 5,19 3,86 6,36 5,88
1998 6,97 0,97 2,50 2,19
1999 4,53 3,18 2,76 3,17
2000 7,27 6,89 3,50 5,11
2001 7,37 2,39 4,52 4,32
2002 7,82 3,26 4,53 4,90
2003 11,3 4,53 2,21 5,06
FONTE: SEPLAN
14

PESOS E MEDIDAS
Deve-se considerar as diferentes Medidas Agrárias, que são formas de mensurar a produção rural,
através de quantidades físicas (tonelada, arroba, saca, litro, hectare, libra, peso, bushel e outras)
MEDIDAS LINEARES
Uma légua sesmaria (2.400 braças) .................................................................................................................... 5.280 m
Uma légua marítima (3.000 braças) ................................................................................................................... 55.555.,55 m
Uma braça .......................................................................................................................................................... 2,2 m
Uma braça marítima ........................................................................................................................................... 1,83 m
Um côvado ......................................................................................................................................................... 0,66 m
Uma jarda ........................................................................................................................................................... 0,9144 m
Uma milha - brasileira ........................................................................................................................................ 2.200 m
- marítima ......................................................................................................................................... 1.852 m
- sueca ............................................................................................................................................... 10.000 m
- terrestre (Inglesa) ............................................................................................................................ 1.609 m

Um pé Inglês = 12’’ ............................................................................................................................................ 0,3048 m


Uma polegada ..................................................................................................................................................... 2,54 cm
Uma toesa ............................................................................................................................................................ 1,95 m
Uma vara ............................................................................................................................................................. 1,1 ou 2,2 m
Um ponto ............................................................................................................................................................. 0,2 mm
Uma linha = 12 pontos ........................................................................................................................................ 2,4 mm
Um palmo ............................................................................................................................................................ 22 cm

MEDIDAS DE PESOS
Uma arroba .......................................................................................................................................................... 15 kg
Um quintal ........................................................................................................................................................... 58,328 kg
Um grão ............................................................................................................................................................... 49 mg
0,051 g
Um quilate ........................................................................................................................................................... 0,206 g
Uma libra-peso .................................................................................................................................................... 453,6 g
Uma onça 28,363 g
.............................................................................................................................................................
Uma onça troy ..................................................................................................................................................... 31,104 g
Um buschel - milho ............................................................................................................................................. 25,4 kg
- soja ................................................................................................................................................ 27,2 kg
- trigo ............................................................................................................................................... 27,2 kg

MEDIDA DE CAPACIDADE
Um galão - inglês ................................................................................................................................................ 4,544 l
- americano .......................................................................................................................................... 3,785 l
Um buschel .......................................................................................................................................................... 35,238 l
Um moio .............................................................................................................................................................. 828 l
Uma pinta ............................................................................................................................................................ 0,568 l
Um alqueire ......................................................................................................................................................... 13,8 l
Uma pipa antiga .................................................................................................................................................. 423 l
Uma pipa inglesa ................................................................................................................................................. 163,55 l
Uma pipa moderna .............................................................................................................................................. 500 l
Um pote ............................................................................................................................................................... 12 l
Um quartilho ....................................................................................................................................................... 0,5 l
Um tonel .............................................................................................................................................................. 840 l
Um barril (barrel - USA) ..................................................................................................................................... 158,98 l
Um almude .......................................................................................................................................................... 16,95 l
Um atilho ............................................................................................................................................................. 4 esp
Um baláio ............................................................................................................................................................ 120 esp
Uma mão-de-milho ............................................................................................................................................. 60 esp
Um carro de milho .............................................................................................................................................. 40 ou 700 Bal/kg
Um carro de milho por alqueire Paulista ............................................................................................................. 300 Kg/ha

MEDIDAS DE SUPERFÍCIES
Um acre (Inglês e Americano) ............................................................................................................................ 4,447 m2
Um are ................................................................................................................................................................. 4.046,8 m2
Uma braça quadrada ........................................................................................................................................... 4,823 m2
Um hectare .......................................................................................................................................................... 10.000 m2
Um alqueire – mineiro ou geométrico (100 x 100 braças) .. ............................................................................. 48.400 m2
- paulista (100 x 50 braças) ............................................................................................................ 24.200 m2
- RJ e Estados Centrais ................................................................................................................... 48.400 m2
- Estados do Norte ........................................................................................................................... 27.225 m2
Um litro (25 x 5 braças) ..................................................................................................................................... 605 m2
Uma tarefa ( 12,5 x 12,5 braças) = 756 m2 ........................................................................................................ 43,56 a
FONTE: Dados trabalhados pelo autor
As medidas agrárias podem ser usadas conforme a sua finalidade, para medir o
volume do negócio agrícola.
As medidas supra são usadas para padronizar os dados, seja na avaliação de
número de animal, seja no número de unidades de animal UA, ou área de culturas da
propriedade.

Tabela – Coeficientes técnicos


Discriminação UA
Bovinos com mais de 2 anos ........................................................... 1.0
Bovinos com 1 a 2 anos ................................................................... 0,70
Bovinos com 0,5 a 1 anos ................................................................ 0,50
Bovinos até 6 meses ....................................................................... 0,25
Cavalo ............................................................................................. 1,00
Suínos adultos ................................................................................. 0,20
Galinhas ........................................................................................... 0,01
D/h ................................................................................................... Dias homem (mede a eficiência da M Obra)
TD .................................................................................................... Taxa de desfrute
L/leite/a ............................................................................................ Litro de leite por ano
Carga animal UA/ha
....................................................................................
Conversão alimentar ........................................................................ -
Kg/ha ............................................................................................... Rendimento por hectare
Fonte: Autor, 2003

Diferenças entre produção e produtividade.

Produção é aumentada quando se consegue um volume produzido maior,


decorrente do acréscimo de Unidades Produtivas. Ex. Terra, UA.
Quando uma mesma Unidade de Produção, conseguir uma maior produção (ou
volume), ele está com maior produtividade, no caso inverso a produtividade terá
diminuída. Dado o emprego de tecnologia.

Ex. 10.000 sc de soja em 400 ha. Produção de 10.000 sc, com rendimento de 25 sc/ha.
No Ano seguinte. 15.000 sc de soja em 400 ha. Com rendimento de 37,5 sc. Houve um
aumento de produção e conseqüentemente de produtividade.
Quando tem por objetivo analisar economicamente o setor rural e seu todo,
uniformiza-se essas quantidades (medidas) heterogêneas numa medida comum,
multiplicando-as por seus respectivos preços. Somando os resultados têm-se o valor
global da produção (numa única moeda).
16

2.2 - Determinantes da Produção Rural

A produção agrícola moderna, seja de grãos e,ou de animais, está fortemente


relacionada com o processo de adoção de tecnologias a nível de cada propriedade.
Existem fatores específicos que interferem e limitam a produção agrícola, que ao mesmo
tempo podem favorecer o processo de adoção de tecnologias.
Pela Figura 1 observa-se que existem variáveis que limitam ou favorecem a adoção
de tecnologias, em outras palavras inovação tecnológicas. E as consequências destas
inovações podem ser observadas em termos de qualidade de vida tanto do produtor
como da sociedade através do grau de instrução, alimentação, habitação, serviços de
saúde, grau de integração, bens domésticos, disponibilidade de lazer e outros. Outra
consequência está na melhoria da renda, da produção, da produtividade e meio ambiente
etc.
Salienta-se que a mudança tecnológica na agricultura pode provocar impactos de
carater macroeconômicos significativos sobre a distribuição de renda e do emprego tanto
no meio rural como nas cidades, na balança comercial e etc. Salienta-se que ao mesmo
tempo é a solução de um problema tecnológico.
“Todo melhoramento tecnológico deve, no curto prazo, aumentar os benefícios (ou
diminuir as perdas) da firma, uma vez que ela nunca adotaria uma inovação se o produto
não aumentasse para um dado nível de insumos, ou inversamente, diminuísse os insumos
para um dado nível de produção”, Heady, 1982, citado pela EMBRAPA, 1984.

A terra além de ser o local onde os bens e serviços são produzidos, é também fator
de produção. Vejam que lavouras, pastagens e outros cultivos dependem do solo, ao
contrário não as existiam. Muito embora a produção rural além de depender de ar, água e
solo, depende, também de outros fatores; tecnologias, atividades do homem e outros agentes.
Para EMBRAPA, 1982, os insumos necessários à produção agrícola são:

i. matéria-orgânica, água, ar,


ii. macro e micro-nutrientes(N, P, K, Ca e Mg, Bo, Cl, Fe e Zn),
iii. solo: é uma combinação complexa que dá a sustentação a planta e lhe fornece nutrientes,
iv. clima: é o conjunto de elementos meteorológicos: temperatura, umidade relativa do ar, vento,
chuva, neve. O conjunto destes elementos são influenciados pela latitude, longitude e
altitude.
17

FIGURA 1 – Causas e Efeitos da Inovação Tecnológica

Qualidade de Vida
Variáveis
do Produtor
físicas

INOVAÇÃO Renda do Produtor


Variáveis
Econômicas TECNOLÓGICA
Produção e
Produtividade

Variáveis
Sociais Meio Ambiente
Fontes: Embrapa e dados do autor.

2.3 - Sazonalidade do Fluxo de Produção

Uma característica da produção rural é a sua descontinuidades e, também,


chamada de SAZONALIDADE OU ESTACIONALIDADE.
Produtos hortículas e pecuária (criação) são menos marcantes. A sazonalidade é
decorrente das diferentes fases das plantas cumprirem o seu ciclo produtivo em
épocas ou estações que ofereçam condições climáticas propícias ao seu desenvolvimento
e, estas condições não se repetem dentro do mesmo ano agrícola.
Sendo, impossível plantar com igual sucesso todos os meses, a produção e as
atividades rurais tornam-se descontínuas e concentradas em épocas específicas (Gráfico 2).
Isto acarreta problemas adicionais: produtores precisam ao mesmo tempo:
sementes e outros fatores de produção e controlar trabalhadores, assim preços e salários
aumentam custos “crescem" (obrigando no momento certo, o uso de recursos financeiros
adequados, oriundos de safras passadas, de economias próprias ou de crédito).
Por outro lado, a descontinuidade do fluxo de produção leva a ociosidade
temporária de terras, armazéns, tratores, colheitadeiras, mão-de-obra e etc, cuja aquisição
exige somas de recursos.
Considere que a demanda de bens e matérias-primas de origem rural é geralmente
inelástica: ao preço; o aumento da oferta na época da safra, diminui o preço recebido e a
renda do produtor. Quando ele não dispõe de armazém é obrigado a vendê-los para
saldar compromissos.
GRÁFICO 2 - Sazonalidade de Preços e Produção Agrícola
18

2.4 - Duração do Ciclo Produtivo

Diferente de outros setores produtivos a produção rural tem caráter biológico


(durante o ciclo é bastante rígido), ficando o produtor em função e a sua organização a
este. Este ciclo pode ser relativo, dentro de limites muito estreito (empregando variedades
precoces ou tardias, uso de fertilizantes específicos, etc) jamais interrompido e reiniciado
posteriormente.
A característica biológica - de não inter-rompimento -, dificulta ou impede o rápido
ajustamento da oferta às alterações de mercado, com consequências econômicas sérias à
atividades do produtor. De um lado quanto mais longa a espera produtiva, maior é o custo
dos recursos empregados na produção.
No setor agrícola pode-se considerar duas situações:

Situações de riscos4 - que será tanto maior quanto a escolha de culturas perenes,
pois estas exigem elevados investimentos e produzem vários anos. Uma vez posta em
prática, a decisão do plantio terá reflexos a longo prazo podendo tornar economicamente
inviável alterá-lo, mesmo que as condições de mercado indiquem maior vantagem na
exploração de outras culturas. Portanto, existem inúmeros riscos inerentes às atividades
agrícolas, como: risco de quebra de safra, risco de falta de financiamento, risco de preço
final de produto, risco de extravio de mercadorias, de transportes, de pragas, de doenças,
político, conjuntural e etc.

4
Ver a relação entre Aversão a Risco e Função Utilidade. In: Varian, pág 240.
19

Pode-se dizer que risco é o conhecimento da probabilidade de acontecer um


resultado ou fenômeno {é a Pr (0 ≤ 1) = n / N – n° de casos favoráveis / n° de casos
possíveis} e;

Situações de incertezas - que será a probabilidade de ocorrer um resultado, uma


vez conhecido este resultado.

2.5 - Perecibilidade dos Produtos

Devido suas características, os produtos de origem rural necessitam que a colheita


e o transporte sejam realizadas com técnicas apropriadas, no momento certo - às vezes
com rapidez para evitar a perda de qualidade.
Ex.: hortaliças (que faz parte dos cinturões verdes).
Geralmente a produção é concentrada em curto espaço de tempo e o consumo é
distribuído relativamente uniforme ao longo do ano, há necessidade de armazenar
produtos por vários meses. Quanto maior o período de armazenamento, maior o risco de
deterioração e maior a necessidade de empregar as técnicas de secagem, aeração e
outros cuidados especiais para esperar até a época de comercialização.
Por estas características os produtos de origem rural implicam maior custos de
transportes, armazenamento e conservação. Implica grandes reflexos nas receitas, pois
para evitar sua deterioração e se tornem invendáveis, o produtor precisa vendê-los
rapidamente, enfrentando a situação vulnerável diante do intermediário e de outros
agentes que ficam em posição privilegiada, devido os preços reduzidos.

2.6 - Especificidade Biotecnológica

Este é um traço singular e importante do setor rural: se uma variedade (ou


tecnologia biológica) existir ou for criada, por mais produtiva e adaptada a certas
condições climáticas, a tecnologia biológica nela incorporada (através da pesquisa
científica), somente poderá ser transferida para outras regiões, onde tais condições sejam
semelhantes.
20

2.7 - Riscos Bioclimáticos

São técnicas ou práticas e atividades que representam conquistas que permitem explorar
o espaço rural de forma mais eficiente. Nestes termos tem-se a AGRICULTURA CIENTÍFICA:

i. Tecnologias modernas de irrigação,


ii. Emprego de produtos fitossanitários,
iii. Modificações nas características da planta (mais resistente a baixo índice pluviométrico) e
mais resistente a pragas e doenças.

Estes avanços podem eliminar ou reduzir os pequenos riscos, que venham afetar os
resultados da exploração agrícola. Mas não conseguem neutralizar os grandes riscos, como:
i. estiagem prolongada, v. ventos e,
ii. geadas, vi. ataque inesperados de pagas e doenças.
iii. chuvas excessivas,
iv. temperaturas quentes,

Estes e outros fenômenos aleatórios fogem ao controle do homem, podendo comprometer,


de forma irreversível, o esforço produtivo, os custos e os investimentos.
Trata-se, portanto, de riscos associados a agentes biológicos e climáticos que podem
atingir a agricultura de forma, às vezes dramática, desdobrando em insegurança ao agricultor,
causando desestímulos.
21

UD III - INTRODUÇÃO GERAL AO ESTUDO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

A economia não é um sistema mecânico. As forças econômicas não operam como as da


natureza. Por isto elas devem ser consideradas a partir de uma matriz sócio-cultural.
G. Meier e R. Baldwin

3.1 Conceitos Básicos de Economia

Etimologia da palavra – A palavra Economia vem do Grego = oiko nomia


Lei
Casa

- na Grécia antiga economia significava administração da


casa, do patrimônio particular.

Princípios do funcionamento da economia:

BENS

PRODUTORES CONSUMIDORES

FATORES

Logo, pode-se conceituar economia de três maneiras:

1. Economia é o estudo de como a humanidade realiza a tarefa de organizar suas


atividades de consumo e produção.

2. Economia é o estudo de como os homens e a sociedade decidem, com ou sem


utilização do dinheiro, empregar recursos, produtivos escassos, que poderiam ter
aplicações alternativas, para produzir diversas mercadorias ao longo do tempo e
distribuí-las para consumo. Agora e no futuro, entre diversas pessoas e grupos da
sociedade (SAMUELSON, 1971).

3. Economia é a ciência que estuda a atividade produtiva, focaliza os problemas


referentes e ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de
bens, estuda a variação e combinação na alocação dos fatores de produção (RN, K, W
22

e Tecnologia), na distribuição da renda, na oferta e procura e nos preços dos bens e


serviços.

Diante destes conceitos é necessário evidenciar que a economia faz fronteira com
qualquer outra disciplina acadêmica: que seja Sociologia, Psicologia, Agronomia,
Engenharia, Ciência Política, Zootecnia etc. Com este conhecimento pode-se estudar e
aplicar Economia em qualquer área de atuação profissional.

Uma ressalva interessante, é que os estudos de ciências agrárias, principalmente


agronomia e zootecnia, faz uma relação perfeita ou uma complementariedade com as
ciências econômicas, isto devido às estruturas de mercados das duas primeiras serem de
concorrência perfeita. Isto pode ser confirmado na literatura de Ciências Econômicas,
quando a maior parte dos estudos sobre economia tem-se como suporte as produções
agrícolas e os insumos por elas consumidos. E mais, tanto o setor agrícola como a
pecuária em si, são por natureza a base de todo um sistema econômico.

No sistema econômico, o problema está associado à escassez de bens. As pessoas e a


sociedade têm necessidades, mas como os recursos são escassos, é preciso alocá-los
convenientemente, para disponibilizá-los para todos os indivíduos. Portanto, pode-se dizer
que os principais elementos da atividade econômica são as necessidades humanas,
os fatores de produção e a tecnologia disponível.
Sobre as necessidades humanas, estas possuem duas características importantes: são
diversificadas e insaciáveis. Não se pretende com isso dizer que o desejo de um indivíduo
em consumir um determinado tipo de bem é ilimitado, mas que, no agregado, suas
necessidades não têm limitações. Isso decorre tanto do volume disponível de bens quanto
da capacidade humana em desenvolver necessidades.
Tal insaciabilidade torna-se mais evidente se considerar por base outros fatores como
cultura, status ou ambiente social. Às necessidades se associam à satisfação de
exigências orgânicas que, além de múltiplas, diferenciam-se de acordo com as
preferências individuais. Em seguida às necessidades biológicas encontram-se aquelas
relacionadas às atividades desenvolvidas pelo indivíduo, suas exigências psíquicas etc...
É necessário lembrar que a sociedade, também, possui necessidades coletivas, como as
de transporte, educação, ordem pública, etc...
23

É importante referir-se à relação existente entre a capacidade de satisfação das


necessidades e nível de vida, entendidos, no contexto social, como sinônimos. A
interpretação de nível (ou padrão) de vida é abstrato, e está estreitamente relacionado
com o contexto histórico pelo qual passa uma sociedade; assim, o que pode ser
considerado um padrão de vida satisfatório em uma determinada época, pode não sê-lo
em um período posterior. Da mesma forma, esta definição varia entre as comunidades,
sendo que o que é considerado ‘bom’ para uma estrutura social, pode ser ‘ruim’ para uma
mais desenvolvida. Lembra-se, que a capacidade produtiva da economia amplia o padrão
considerado satisfatório para uma sociedade se eleva, deslocando-se para cima. Para
LEFTWITCH (1979) a insaciabilidade das necessidades humanas, junto com os aumentos
seculares da capacidade produtiva, conduz à contínua mudança no conceito do que
constitui um nível de vida satisfatório.

No box está a síntese dos tipos de Necessidades Humana como: a sensação de


carência de algo aliada ao desejo de satisfazê-la.
Segundo o requerente:
Necessidades do indivíduo:
- natural: comer ou dormir.
- social: convívio social.
Necessidades da sociedade:
- Coletivas: transporte, educação.
- Públicas: ordem pública ou defesa nacional.
Segundo a natureza:
Necessidades vitais ou primárias: conservação da vida.
Necessidades civilizadas/secundárias: aumentam o bem-estar do indivíduo.

A necessidade de satisfazer às exigências materiais (sobrevivência e bem-estar) faz com


que a sociedade engendre seus membros de tal forma que seja possível a produção do
que é necessário. Nesse processo são detectados dois segmentos básicos: produção e
consumo. Na produção a empresa deve decidir quais insumos utilizar (recursos
produtivos ou fatores de produção), quanto produzir (o que se sujeita à disponibilidade) e
o que produzir, bem como os mecanismos pelos quais se dará a alocação de tais
24

recursos (padrão tecnológico vigente). Na órbita do consumo, empresas e famílias


decidem como alocar os recursos de que dispõem a fim de satisfazer suas necessidades

Portanto, o estudo da economia trata da maneira como se administram os recursos


escassos, com o objetivo de produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo,
entre os membros da sociedade.

3.2 As Razões do Crescente Interesse pelas Ciências Econômicas

Analisando a história da moeda e formação dos sistemas de trocas, observa-se a


evolução do Sistema Econômico, no qual os homens (como agentes econômicos) sempre
estiveram relacionados.

No princípio do Sistema Monetário ocorreu-se o processo de ESCAMBO (foi um período


em que o comércio era na base das trocas in naturas, neste período tudo que era
necessário para a sobrevivência não encontrava com facilidades, e isto forçou a auto-
suficiência e não-liberdade de escolhas entre os agentes daquela economia). Na fase
seguinte, que foi uma evolução decorrente das duas condições verificadas, ocorreu o
início da estruturação do sistema monetário. Neste surgem as primeiras moedas, só que
na forma de mercadorias, cita-se o sal, o boi, o arroz o feijão e outras. Na terceira fase,
que é uma outra evolução, surgem os metais preciosos predominados pelo ouro e pela
prata. Assim surge o padrão-ouro, o qual torna-se o lastro do sistema monetário vigente
na época. Esta fase da economia mundial coincide com os períodos das grandes
descobertas marítimas, na qual o ouro e a prata tinham aceitação universal. Estes metais
em forma de moedas eram cunhadas, para a sua própria circulação e garantias gerais.
Com tanta evolução e por forças das necessidades de cada economia, principalmente,
daquelas que tornavam-se mais complexas. Contudo, surge a casa de custódia para
administrar com segurança aquela nova mercadoria que estava em consolidação. Por
decorrência forma-se o Sistema Bancário, cuja moeda predominante era denominada de
Moeda-Papel. A quarta fase da constituição do sistema monetário mundial é uma fase
bem superior, e é denominada de Papel-Moeda (são moedas com características bem
definidas: são cunhadas e seu monopólio é exclusivo do Estado e, o seu curso é forçado.
25

Porém a moeda torna-se em poder do público e, são depositadas à vista nos bancos. Esta
fase suprema do sistema monetário confere algumas funções exclusivas da moeda, que
são:

i. intermediária de trocas;
ii. medida de valor;
iii. reserva de valor;
iv. unidade de conta e;
v. função libertária.

Com a evolução do homem e suas próprias relações decorreram as grandes descobertas


técnico-científicas, criando novas tecnologias que por sua vez alterou profundamente o
comportamento de todos os sistemas produtivos, tanto de suas respectivas épocas, como
das nações em si. Devido esta nova importância a economia tornou-se uma ciência, a
partir do século XVIII.

Com o desenvolvimento e adoção de novas tecnologias surge a revolução industrial, no


século XVII, e com os rápidos progressos tecnológicos do século XIX que, por sua vez
implicaram em dependências e independências comerciais e financeiras entre os agentes
econômicos. Com estas relações já bem definidas em suas respectivas épocas fez com
que as Ciências Econômicas tomassem impulsos e despertando os interesses aos
cidadãos.

Os três marcos interessantes no século XX provocou um grande interesse pelos estudos


de Economia. Com as Grandes Guerras (de 1914-18 e de 1939-45) e com a Grande
Depressão (1930), as nações envolvidas procuraram estudar profundamente a
organização de seus Sistemas Produtivos, direcionando-os para o processo de
industrialização. É bom lembrar que a partir desta lógica o setor agrícola começa a perder
a sua importância relativa. Em outras palavras, quem comanda o sistema econômico é o
setor secundário.

Foi com as Grandes Guerras e a Grande Depressão, que os estudiosos em economia


desenvolveram instrumentos de análises econômicas e aperfeiçoaram, com vistas ao
equilíbrio econômico, para o restabelecimento das normalidades de Estabilidade. Não só
as Grandes Guerras e a Grande Depressão, mas sobretudo, o desenvolvimento
26

econômico que tornaram-se as causas do crescente interesse pela economia. No pós-


gerra os povos subdesenvolvidos se despertaram para o progresso, motivados pela
facilitação das comunicações internacionais e de suas influências (principalmente nas
décadas de 40, 50 e 60).

3.3 Leis e Objetos da Economia

As Leis Econômicas podem ser entendidas a partir da distinção das Ciências Sociais e
das Ciências Experimentais. A princípio, as Leis, as Teorias e os Modelos Econômicos
devem ser entendidos dentro dos limites circunstanciais das Ciências Sociais (ROSSETTI,
1978).

As Leis Econômicas são resultantes de comprovação a nível de confrontação com a


realidade. O seu grau de certeza e exatidão pode ser comparado com as Ciências
Experimentais. Esta última, por sua vez, para verificação de suas Leis, podem isolar,
através de laboratórios (portanto a experimentação pode ser perfeitamente controlada).

As Leis Econômicas são menos imperativas que as Leis das Ciências Experimentais.
Seus agentes (ou os tratamentos) são homens - seres racionais - capazes de influir
voluntariamente nos fatos de que participam. As condições modificam-se constantemente,
provocando ações e reações inesperadas.

As Leis Econômicas talvez na sua maior parte, são mutáveis no tempo e no espaço e não
atingem um rigoroso grau de precisão. Elas não são observadas em tubo de ensaios. O
laboratório da Economia é a própria sociedade humana - pelos fatos observados não há
como condicionar ou controlar.

As Leis Econômicas são resultantes da ação combinada de variáveis, tendências e


decisões individuais independentes, cuja exata quantificação nem sempre é possível.
Razão fundamental pela qual as Leis da Economia são menos precisas que as Leis que
lidam com a natureza.
27

Para as condições sociais, para dentro das quais as Leis da Economia foram criadas e
validadas, podem modificar-se profundamente com o passar do tempo. As uniformidades
que deram origem a elas estão sempre sujeitas a oscilações.

As Leis Econômicas são probabilidades e não relações exatas. São “Leis Hipotéticas e
Estatísticas”.

Objetos da Economia

Recursos Bens/Serviços Necessidades Humanas

Desenvolvimento Repartição

Escassez de recursos e necessidades ilimitadas

O desenvolvimento está ligado ao aproveitamento ótimo dos recursos escassos


disponíveis, e a eficiência da repartição mostra-se relacionada com a exatidão dos
resultados do desenvolvimento às diversas camadas sociais.

3.4 A Economia e seus Compartimentos e Desdobramentos

Após os fatos econômicos serem reconhecidos (descritos e classificados), torna-se


possível a interpretação científica da realidade da economia. Daí passa-se para a
teorização e desta para as aplicações possíveis da ciência elaborada.

Para a compreensão desta passagem tem-se a divisão fundamental:

i. Economia Descritiva Reconhecimento

A economia por ser Ciência Social, tem em seus princípios a preocupação central com o
comportamento dos consumidores, dos produtores, das instituições governamentais e dos
agentes que estão relacionados economicamente. Portanto a Economia tem como objetivo
28

o uso racional ao empregar os recursos disponíveis na sociedade, para atende às


necessidades de bens e serviços ao homem.

ii. Teoria Econômica - é o compartimento central da economia

A Teoria Econômica tem por função dar ordenamento lógico aos levantamentos
sistemáticos fornecidos pela economia DESCRITIVA.

Ao transportar os fatos observados em generalizações lógicas e úteis constitui a


passagem da economia Descritiva parta a TEORIA ECONÔMICA. O instante dessa
passagem implica a TEORIZAÇÃO DA REALIDADE.

iii. Política Econômica - é servida pela Teoria Econômica

É na política econômica que são utilizados os princípios, as teorias, as leis e os modelos


explicativos da realidade, para conduzir adequadamente a ação econômica.

Portanto, a política econômica tem por finalidades condicionar, balizar e conduzir o


sistema econômico, com respaldo da TEORIA ECONÔMICA.

As Ciências Econômicas pode ser desdobrada em dois grandes ramos que são as
Teorias Microeconômicas e as Teorias Macroeconômicas.

a) As Teorias Microeconômicas podem ser entendidas como Análise Econômica – Esta


teoria cuida especificamente das questões individuais, como o comportamento dos
consumidores e dos produtores, com vistas a compreensão do funcionamento geral do
sistema econômico.

A análise microeconômica só é entendida com relativa facilidade a partir de seus


desdobramentos, como estão relacionados a seguir:
29

a1 Teoria do Consumidor;
a2 Teoria da Produção;
a3 Teoria da Repartição e;
a4 Teoria da Empresa;

As quatro teorias têm por finalidades mostrar a viabilidade da organização econômica


liberal. Ma deve considerar que isto só ocorre se o sistema de preços, dentro do sistema,
operar livremente.

b) As Teorias Macroeconômicas ou Análises Macroeconômicas são as teorias que tem


por objetivo cuidar dos estudos das atividades econômicas, operando-se em
magnitudes globais, com vistas ao crescimento e equilíbrio da economia como um
todo.

Estas Teorias levam em consideração os agregados econômicos, cujas análises cuidam


do desempenho da economia, através do PNB = Produto Nacional Bruto, PIB = Produto
Interno Bruto, RN = Renda Nacional, Inflação, Desemprego, bem como da Teoria Geral do
Equilíbrio e do Crescimento, dos estudos da moeda, finanças públicas, relações
internacionais e o desenvolvimento.
Contudo, como os conceitos são díspares, portanto ambas tratam do mesmo objeto: o
sistema econômico, sendo:

A Microeconomia trata do comportamento das unidades econômicas, enquanto a


Macroeconomia trata do conjunto da economia, para tanto, sempre são feitas
abstrações.
30

UD IV – O SISTEMA ECONÔMICO

É uma forma organizada em que a estrutura econômica é assumida pela sociedade. Esta
estrutura engloba o tipo de propriedade, a gestão da economia, os processos de
circulação das mercadorias, o consumo e os níveis de desenvolvimento tecnológico e de
divisão do trabalho (SANDRONI, 1989).

4.1 Estrutura do Sistema Econômico

A sociedade tem uma base econômica que, acionada pelo trabalho humano, engendra
uma série de bens cujo destino é o consumo de seus membros. Os variados elementos
que participam da economia da nação. Assim como suas conexões e dependências,
somam-se em um todo determinado.

Pelo Sistema Econômico a abordagem da economia como um sistema contrapõe-se a


uma outra abordagem que parte da análise de microentidades (o consumidor e a
empresa). Na abordagem da economia como um sistema, tais entidades também tem seu
lugar, mas somente após ter-se colocado claramente o esqueleto geral e estabelecido os
fatores e relações que condicionam sua realidade.

a. Elementos Básicos do Sistema Econômico

a1. Fatores de Produção - RN, K, W

b. Processo de geração - Um sistema moderno utiliza seu potencial produtivo para geração de bens e
serviços.

RN, K, W ARTICULADOS NAS UNIDADES


PRODUTIVAS
31

1. Pela Figura, o conjunto de fatores, sob a orientação dos organizadores da produção, e dentro dos limites
da tecnologia são distribuídos em conjunto denominados UNIDADES PRODUTIVAS (o universo das
unidades produtivas constituem o Aparelho Produtivo).
2. Do Aparelho Produtivo fluem, simultaneamente uma corrente de pagamentos por serviços prestados
(chamado por Fluxo Nominal); e outra de bens e serviços produzidos (chamadados por Fluxo Real).
3. Os Pagamentos (Renda da Comunidade) e os bens e serviços (Produto realizados pela Comunidade)
são levados ao mercado por consumidores, respectivamente.

A sequência das Figuras a seguir darão idéias reais e teóricas dos Sistema Econômico.

FLUXO REAL

UNIDADES UNIDADES
PRODUTIVAS FAMILIARES
(EMP DE B/S) (CONSUMIDORES)

FLUXO NOMINAL

O sistema econômico tem-se como base organizacional interdependentes os: estoques de


recursos, as unidades de produção e as instituições sociais, jurídicas, políticas e
econômicas.

Do ponto de vista da produção existe uma quantidade ótima de moeda necessária ao


funcionamento do sistema econômico. Se o equilíbrio entre a oferta e demanda ocorrer em
nível inferior a este montante ótimo, a economia perde eficiência produtiva, o setor
financeiro infla, gerando pressão sobre o nível geral dos preços.

Portanto é na inter-relação dos dois agentes que dará origem à produção real de bens e
serviços, que circulam na economia de um país.
É importante lembrar que, à medida que desenvolve o fluxo real é que gera
simultaneamente o fluxo monetário, quando isto ocorre simultameamente, o sistema se
equilibra naturalmente.
32

Remuneração dos fatores


de produção empregados

UP UF

Pagamentos pelos bens e serviços adquiridos

Mercados que Fundamentam a Organização Econômica

Mercado de
Rec Prod
(RN,K,W)

Salários, juros,
aluguéis, lucros
e dividendos
UP UF

Transf monetárias através


dos preços pagos pelos
bens/seriçosa adquiridos

Mercado
de Bens e
Serviços

As operações nos sistemas de produção são possibilitadas pela utilização da moeda e


orientada pelo sistema de preços. Portanto, é através da moeda que se torna possível o
sistema de trocas e a determinação de valores dos bens e serviços.

4.2 Classificação dos Bens Econômicos

Os bens são tudo aquilo que tem utilidades, que satisfaça a necessidade ou que supre
uma carência. Pois, bens econômicos são relativamente escassos, ou que demandam
trabalhos humanos. Assim, o ar é um bem livre, mas o minério de ferro é um bem
econômico.
33

4.3 Tipos de bens econômicos

i. Bens de consumo - são aqueles que fazem uso de imediato para o homem. Ex. TV, sapato, alimento, ...
ii. Bens de consumo duráveis - são aqueles que prestam serviços durante um período de tempo
relativamente longo (TV, sapato, máquinas, automóvel ...). Estes diferem dos bens de consumo não-
duráveis, como alimentos, que são usados de uma única vez. Outra diferença dos duráveis e não
duráveis está na comercialização sempre sujeita a oscilações de mercado, é o caso do modismo,
situação econômica geral e outras influências; e
iii. Bens de capital ou bens de produção - É o conjunto de bens materiais criados ou transformados pelo
homem, com o propósito de servir à produção de outros bens, principalmente para bens de consumo.
Consideram como bens de capitais as máquinas, equipamentos, materiais de transportes, instalações de
indústrias, imóvel e etc.

Os bens de capitais podem ser divididos em duas classes:

1. Bens de capital fixo - são aqueles que prestam serviços à a produção por mais de um ciclo produtivo, sem
alterar seu estrutura técnica. Ex. Benfeitorias, máquinas, animais de produção, animais de trabalhos e
etc.
2. Bens de capital circulante - são aqueles que ao serem empregados no processo produtivo, altera sua
estrutura técnica. Ex. Fertilizantes, corretivos, sementes, ração, combustível, recursos monetários e etc.
iv. Bens livres - são bens que satisfazem necessidades, mas são tão abundantes na natureza que não
podem ser monopolizados e nem exigem trabalho para serem produzidos, não tendo portanto , preço. Ex.
Luz do sol, ar ...

Para explorar a natureza e extrair dela os bens de que necessitam, todas as sociedades
sempre se defrontam com a limitação de seus recursos produtivos - humanos e
patrimoniais - o suprimento destes recursos sempre foi limitado.

A tecnologia e a capacidade científica para fins produtivos sempre revelaram certa


limitação. Milhões de arados e tratores e milhões de pavilhões dotados da mais avançada
tecnologia podem significar razoável suprimento de recursos patrimoniais, mas jamais
significam suprimento infinito, mesmo porque a medida que os recuros produtivos se
expandem e se aperfeiçoam, os desejos e as necessidades humanas crescem mais que
proporcionalmente.
Na economia um tipo de atividade que não gera bens físicos: os serviços. Atualmente,
este segmento tem crescido e agrega às atividades produtivas da economia, envolvendo
grande parcela de trabalhadores.
34

4.4 O Processo Produtivo

Sem os fatores de produção não há proceso produtivo, estes podem ser definidos como
os fatores ou elementos básicos utilizados na produção de bens e/ou serviços. Possuem
três características essenciais: são limitados na quantidade, são versáteis e podem ser
combinados em proporções variáveis.

Os recursos são escassos em relação ao desejo ilimitado pelos bens que eles podem
produzir, ou seja, no sentido de que necessitam ser alocados convenientemente para
atender a uma exigência social, de forma que é esta escassez que torna necessária a
avaliação cuidadosa de quais necessidades devem ser satisfeitas, em que dimensão e em
que ordenação.
A versatilidade dos recursos refere-se à possibilidade de seu aproveitamento nos mais
variados usos. Como exemplo, o fator trabalho; ele pode ser empregado em todos os tipos
de produção. Entretanto, quanto mais especializado for, maiores serão as restrições ao
seu uso. Em outras palavras quanto maior a especificidade de um fator de produção maior
será sua limitação de utilização.

Lembra-se que é possível produzir um mesmo bem combinando de formas diferentes os


fatores de produção. Poucos são os bens que exigem uma combinação a proporções fixas
de insumos. Esta terceira característica está relacionada à anterior a versatilidade.

Classificam-se os fatores produtivos em três grandes segmentos:


Terra
Capital
Trabalho

O fator terra deve ser entendido no sentido amplo, uma vez que os recursos oriundos da
natureza estão na base de todos os bens produzidos em um sistema econômico. O
recurso capital (Box 2), indica a participação de instrumentos de transformação dos
recursos primários de produção, e envolvem toda a gama de máquinas e equipamentos
destinados a tal finalidade - não deve , portanto, ser confundido com o capital financeiro.
35

Box 2 – Tipos de capital


Capital físico ou real
Capital fixo: engloba os elementos utilizados na produção e dura vários ciclos produtivos;
Capital circulante: consiste em bens em processo de preparação para o consumo –
matéria-prima e estoques disponíveis;

Capital humano: envolve tudo o que diz respeito à elevação da capacidade produtiva dos
seres humanos.

O fator trabalho (Box 3) relaciona-se com a capacidade produtiva dos trabalhadores,


presente direta ou indiretamente, na produção de todo tipo de bens. Mesmo aqueles que
aparentemente não o envolvem, por terem uma produção mecanizada, têm na sua origem
o trabalho intelectual humano como fonte de elaboração.

Box 3 – Fator Trabalho


Fator trabalho: parte da população que desenvolve tarefas produtivas.

População ativa: intervém no processo produtivo;


População inativa: parcela da população que apenas consome: aposentados, estudantes,
incapacitados ao trabalho etc.

Os fatores de produção descritos, tendo por característica a possibilidade de combinação


múltipla, são associados das mais diversas maneiras a fim de proporcionarem a satisfação
das exigências humanas em uma sociedade, em um determinado tempo.

4.2.1 Produção – é um processo pelo qual os bens incorporam às características que irão apresentar para
uso final
4.2.2 O processo de produção pressupõe a utilização de matérias-primas e insumos em geral e envolve o
uso de determinadas formas de RN, K, W e Tecnologias.

4.2.3 Cada combinação de fatores constitui uma unidade produtiva e é realimentada pelo resto do sistema.
4.2.4 Ao longo do processo produtivo, cada setor deve efetuar compras de matérias-primas, bem como
remunerar os proprietários de fatores que utiliza.

Um exemplo, do que acontece em cada setor.


36

a. Imediatamente a utilização de sementes, adubos, serviços e etc. Cujo valor totaliza 25 unidades
monetárias e, o emprego dos fatores (RN, K, W). É obtido um montante de mercadorias - VALOR BRUTO
DA PRODUÇÃO DO SETOR -, igual a 100 U. M.
b. assim o valor inicial (25 Unidades Monetárias) foi aumentado pela alocação dos serviços dos fatores (RN,
K, W). A diferença (75 U M) é o produto efetivo ou valor agregado pelas atividades agrícolas (do setor).
c. Observa-se no exemplo que este mesmo valor corresponde a soma dos pagamentos feitos aos
proprietários dos fatores utilizados. Assim pode-se dizer que tal valor corresponde, também, a RENDA
gerada pelo setor.

Em síntese,
Agricultura (setor primário)
Compras de Insumos ................................................ ................... 25
Sementes ........................................................... 5
Adubos ............................................................... 10
Serviços ............................................................. 10
Valor Agregado ......................................................... .................... 75
Salários 40
Juros 5
Aluguel da Terra 15
Lucros 15
Valor Bruto da Produção Agrícola 100 U. M.
Indústria (setor secundário)
Compra de Insumos .................................................. .................... 80
Matérias-Primas ................................................. 30
Insumos industriais 40
Serviços 10
Valor Agregado ......................................................... .................... 70
Salários 40
Juros 5
Aluguéis 5
Lucros 20
Valor Bruto da Produção Industrial .......................... .................... 150 U. M.
Serviços (Setor Terciário)
Compras de Insumos ................................................ .................... 10
Insumos Industriais 5
Serviços 5
Valor Agregado ......................................................... ................... 130
Salários 75
Juros 10
Aluguéis 5
Lucros 40
Valor Bruto da Produção Terciária ............................ .................... 140 U. M.
Valor Global (Agregado) da Economia ...................... .................... 380 U. M.
37

UD V – FUNDAMENTOS DA ANÁLISE DA DEMANDA E OFERTA AGRÍCOLA

Na agricultura envolve-se além dos conhecimentos das leis e princípios que regem o
crescimento das plantas e animais; há, também, aplicados alguns princípios econômicos
básicos que ajudam o agricultor e profissionais da área a decidirem sobre os melhores
processos alternativos de produção, as combinações mais eficientes de fatores ou os
produtos mais adequados às condições de mercados e comercialização.

Dentre os aspectos da Teoria Econômica associados à técnica de Economia Rural, serão


estudadas nesta unidade a Teoria do Consumidor, através das Leis da Procura e da
Oferta e a Formação de Preços e Quantidades de Equilíbrio).

5.1 A Lei da Procura

A curva da demanda ou procura é uma invenção da teoria econômica, e que mais tem
encontrado emprego em economia aplicada. Em sua forma tradicional ela relaciona as
diferentes quantidades de um bem que o consumidor ou consumidores adquirirão aos
vários preços alternativos possíveis, Gráficos 3 e 4 que mostram o quanto será
demandado a qualquer preço possível.

A demanda

A demanda por um bem pode ser entendida como as várias quantidades deste, que os
consumidores retirarão do mercado, a todos os possíveis preços alternativos, tudo o mais
permanecendo constante. É, portanto, um conceito de máximo.
A demanda pode ser influenciada por vários fatores, contudo, a quantidade que o
indivíduo demandará de um bem (dada uma renda disponível) depende, basicamente, do
preço da mercadoria. São fatores que influenciam a procura:
1. Preço;
2. Gostos dos consumidores;
3. Número de consumidores considerado;
4. Renda dos consumidores;
5. Preços dos bens relacionados;
6. Variedade dos bens disponíveis.
38

Para compreender o conceito de demanda, faz-se necessário mostrar a origem das curvas
de demanda (ou procura) cuja derivação se baseia na Teoria do comportamento do
consumidor individual. Para tanto, dispõe-se de duas aproximações: a primeira delas é a
teoria de utilidade, e a segunda é a das curvas de indiferença. Ambas as alternativas
chegam ao mesmo resultado, normalmente as curvas de procura são negativamente
inclinadas.
No estudo da teoria do consumidor, algumas características são levadas em
consideração:
1. Desconsiderando-se a poupança, os consumidores gastam todos os recursos
disponíveis no consumo de bens e serviços;
2. Eles não gastam toda a sua renda em somente um bem;
3. Não adquirem a satisfação plena (saturação) do consumo de um bem;
4. Eles procuram maximizar a satisfação total, sujeita a uma restrição (limite) de renda e
dos preços dos bens disponíveis.

A Utilidade Marginal Decrescente

Utilidade é a satisfação psicológica resultante do consumo de uma ou mais unidades de


um determinado produto ou serviço.

Uma das características importante dessa abordagem está na lei da UTILIDADE


MARGINAL DECRESCENTE, segundo a qual, quando um indivíduo consome unidades
adicionais de um produto, mantido constante o consumo de outros produtos e serviços, a
quantidade de satisfação, obtida a cada unidade adicional daquele produto, decresce
(marginal = adicional). Ex. Sedento no deserto.
39

Gráfico 3 - Curvas de utilidade total e marginal


UT

Curva de Utilidade Total


X
Umg

Uma das explicações da inclinação para baixo da curva de demanda do consumidor


individual, origina-se na utilidade decrescente que ele obtém de cada unidade adicional
consumida.

GRÁFICO 4 – Construção Teórica da Curva de Demanda


Px

D F
E

P0 Do

P1 D1
D’
F’

E’

O Q0 Q1 Qx

No ponto D0 (Gráfico 4) sobre a curva de demanda DD’ com o preço OP0 o consumidor
deseja comprar OQ0 unidades do bem.
Para entender o real significado de uma curva de demanda é necessário evidenciar
algumas características da curva de demanda sobre o gráfico ortogonal:
40

i. Preço no eixo vertical e quantidade no eixo horizontal;


ii. A quantidade demandada é tratada como variável dependente e o preço independente e;
iii. O Gráfico 4 descreve uma situação em um único ponto no tempo. Ex. 12 h do dia 5 de setembro. É
importante referir o tempo porque os sentimentos mudam em relação ao bem. Em outras palavras, a
demanda por si mesma é temporária.
iv. A curva da procura é o locus das partes que as quantidades máximas procuradas a todos os possíveis
preços alternativos, ceteris paribus, isto é, mantidas as demais condições constantes. Com isto pode ser
afirmado que a curva da demanda é, apenas, uma linha limite. Abaixo da curva todas as posições são
possíveis e acima dela nenhuma posição é possível, dadas as condições de procura. Pode-se afirmar,
também, que a curva de procura é um limite de condições. Faz sentido lembrar que a curva da procura
encerra um conceito de máximo, ou seja, representa o limite máximo das quantidades que,por unidade
de tempo, os consumidores estarão dispostos a pagar preços vigentes do mercado. Logicamente os
consumidores estarão dispostos a pagar preços menores do que os indicados pela curva da procura, e
nunca maiores (Gráfico 4).

GRÁFICO 5 – Áreas de possibilidades de transação


Px

Pc C

Pe E

A
Pa B

D’
O Qa Qc Qb Qx

Observe-se que a área ODD’ representa transações possíveis

O ponto A, por exemplo, identifica uma transação não conveniente, embora possível. Pelo
Pa o consumidor pode adquirir Qb maior que Qa, se orientasse pela curva DD’.

O ponto C representa uma transação impraticável, pois situa-se além dos limites de
procura. Assim, a quantidade Qa seria adquirida, no máximo, pelo preço Pe e nunca pelo
preço Pc. Dessa maneira, a curva de procura deve também ser interpretada como
41

identificadora dos preços máximos que os consumidores estarão dispostos a pagar por
diferentes quantidades dos bens.

v. A curva da procura tem uma inclinação negativa, pois inclina-se para baixo e para direita.

Portanto, após analisada todas estas características, a Lei da Procura já pode ser enunciada
como: A procura é a quantidade que se deseja comprar, por unidade de tempo, será
muito maior quanto menor for o preço, ceteris paribus.

Mesmo com esta definição bem delineada, é possível observar na realidade a existência
de quatro exceções as quais serão citadas a seguir:

Primeira exceção refere-se com os bens que conferem prestígios a seu consumidor. Tem-
se como exemplo as jóias, que podem ser comprados simplesmente porque seus preços
são elevados e, uma queda em seus preços pode reduzir o caráter esnobe do consumidor,
provocando, em consequência, uma redução no seu consumo. Ex. os vestidos da princesa
Dyana.

Segunda exceção refere-se quando os consumidores julgam a quantidade pelo seu preço.
Quando os consumidores não têm habilidades para julgar, diretamente, a qualidade de um
bem e utilizam o preço como indicador de qualidade, e então, uma redução no preço do
bem pode reduzir o consumo. Ex. Calça da Zump

Terceira exceção está nos efeitos dinâmicos de expectativas. Exemplos nestes casos são
os preços de mercadoria quando cai, a quantidade procurada também, cai. Ex. Bolsa de
Valores.

A Quarta exceção pode ser observada pelo Paradoxo de Giffen, o qual usa o exemplo do
pão, mostrando que um aumento no preço do pão (considerando uma dada renda
monetária) torna a carne inacessível à família de classe trabalhadora, isto porque ocorre
uma grande drenagem de recursos financeiros, de forma que tem que comer mais e não
menos pão.
42

5.1.1 Os Fatores que Afetam a Demanda

A mais forte característica da demanda é que, por si mesma, ela é temporária. Em outras
palavras, é que sua posição e sua forma podem mudar com o passar do tempo. No
Gráfico 4 a curva DD’ é a curva relevante, mas em outro instante, a curva pode ter a forma
EE’ . Tal mudança é descrita como um deslocamento na curva da demanda.

O deslocamento em uma curva de demanda é explicada por uma mudança no valor de


algumas das variáveis que afetam a demanda. Por exemplo, um aumento na renda do
consumidor pode provocar um deslocamento, para cima, da curva de demanda, diga-se de DD’
para FF’ (Gráfico 4).

Para os bens normais, cita-se a carne, um aumento na renda do consumidor implica em


que a curva da procura se desloca para a direita, enquanto que uma diminuição na renda,
a curva de procura se desloca para a esquerda (Gráficos 6).

GRÁFICOS 6 – Deslocamento Teórico das Curvas de Demanda

Px D D1 Px D D1

Qx Qx

Isto significa, que se a renda de um indivíduo é aumentada, ele demandará, a preços


constantes, maiores quantidades por unidade de tempo do que demandaria se sua renda
não tivesse variado. O inverso também é válido.

Para os bens inferiores um aumento na renda causará um deslocamento da curva de


procura para a esquerda, e uma diminuição na renda fará com que a curva se desloque
para a direita. Este é um exemplo típico da margarina vegetal, A queda na renda de um
43

indivíduo prossivelmente o levaria a usar mais margarina, a preços constantes, em


substituição à manteiga, que é mais cara.

Além da renda existem outros fatores que influenciam a procura por um bem ou serviços,
dentre os quais destacam-se:

i. O preço do bem ou serviço considerado,


ii. As necessidades, preferências e gosto do consumidores,
iii. A renda dos consumidores,
iv. Os preços dos bens ou serviços relacionados ao bem ou serviço em questão,
v. O número de consumidores no mercado e,
vi. A variedade de bens disponíveis para os consumidores.

Esta relação inversa de preços e quantidades estabelece a forma da curva da procura,


para um dado mercado (Tabela 2 e Gráfico 7).

TABELA 3 - Preço e quantidade consumida de carne bovina no mercado de Rio Verde


Preços (R$/kg) Quantidade (kg/semana)
2,00 600
2,50 500
3,00 400
3,50 300
4,00 200
FONTE: dados trabalhados pelo autor

O estudo da demanda agora se concentra nos dados da Tabela 3. Portanto, a procura por
um determinado bem ou serviços é definida, em termos econômicos, como as várias
quantidades desse bem ou serviço que os consumidores estão dispostos a adquirir, aos
diversos níveis de preços do mercado, tudo mais permanecendo constante.

Verifica-se na realidade que, ao adquirir os bens de que necessita, o consumidor tende a


comprar maiores quantidades quando os preços são mais baixos, restringindo as mesmas
à medida que os preços vão aumentando.
44

Esta relação inversa de preços e quantidades estabelece a forma da curva da procura,


que pode ser confirmada pelos dados da Tabela 1.

O recurso Gráfico 7 tem por finalidade ajudar a construir a curva da procura por carne
bovina no mercado de Rio Verde e, as quantidades consumida que os consumidores
estariam dispostos adquirir, por semana, a cada nível de preço.

Os dados da Tabela 3 podem ser representados através de uma curva, e esta é a


representação gráfica e é construída sobre os eixos ortogonais, em cuja abscissa
representa-se as quantidades consumidas por unidade de tempo, e na ordenada os
diversos níveis de preços que o produto pode atingir no mercado (Gráfico 7).

GRÁFICO 7 – Curva de Demanda do Consumidor de Carne Bovina em


Rio Verde
Px
4,0

3,5

3,0

2,5

3,0

0 Kg/ semana
100 200 300 400 500 600

Observa-se que as quantidades da Tabela 3 só tem significado para a unidade de tempo,


que pode ser semana, mês, dia e ano. Nada significa dizer que ao preço de R$5,00/kg , os
consumidores estão dispostos a adquirir 600 kg de carne sem a referência ao tempo.

No Gráfico 7 observa-se que um acréscimo no preço da carne, de R$4,00/kg para R$5,00,


faz com que os consumidores restrinjam seu consumo, de 400 para 200 kg semanais. Já
que eles precisam de dinheiro para comprar outros bens. Esta mudança processa-se ao
longo da mesma curva e caracteriza, portanto, uma mudança na procura.
45

É possível, porém, que ocorram transformações nas demais condições que afetam a
procura, fazendo com que os consumidores, a um mesmo nível de preços, passem a
consumir maiores ou menores quantidades de um determinado bem, provocando o
deslocamento da curva da procura para a direita ou para a esquerda (Gráfico 8).

GRÁFICO 8 – Deslocamento das Curvas de Demanda de Carne Bovina, Rio Verde

Px
4,0
P2 P P1
3,5

3,0

2,5

2,0

0 Kg/ semana
100 200 300 400 500 600

Um aumento na renda dos consumidores pode fazer com que eles passem a consumir
maiores quantidades de carne bovina, aos mesmos níveis de preços, deslocando a curva
da procura para a direita (de P para P1).

O surgimento de um produto substituto de carne bovina no mercado, sendo a carne de


porco, pode reduzir o consumo de carne bovina neste mercado, mesmo que os preços
deste produto não se alterem, provocando o deslocamento de sua curva de procura para a
esquerda (de P para P2), caracterizando mudança na curva da procura.

As alterações nos preços dos bens relacionados com o bem considerado também
provocam deslocamento da curva de procura deste bem, sendo que a direção do
deslocamento depende da relação existente entre os bens.

Se os bens são substitutos (roupas de algodão e roupas de tergal), um aumento no preço


do algodão provoca o aumento no consumo das roupas de tergal, deslocando a curva de
procura deste bem para a direita.
46

No caso de bens complementares (café e açúcar), um aumento no preço do açúcar pode


provocar uma redução no consumo de café, deslocando a curva de procura para a
esquerda.

5.1.2 A Função Demanda e as Curvas de Demanda

A relação que descreve a interconecção de todas as variáveis é chamada de função


demanda. Em contraste, a curva de demanda diz respeito somente duas destas variáveis
(preços e quantidades) e ignora as outras. Com efeito, a distinção entre um movimento ao
longo da curva de demanda pode ser descrita em termos das variáveis envolvidas.
Qualquer mudança na quantidade demandada, o qual resulta somente de uma variação
no preço, é um movimento ao longo da curva, ao passo que a demanda no valor de
qualquer outra variável na função demanda implica numa mudança da curva de demanda.

Pode-se representar a função demanda, matematicamente, da seguinte forma:


_ _ _ _
Qdx = ƒ ( Px; Py; ... Pz; R; G) Onde,

Qdx = Quantidade procurada da mercadora X, por unidade de tempo;


Px = Preço da mercadoria X
Py; ... Pz = Preço de outra mercadoria;
R = Renda do Consumidor;
G = Gosto do consumidor;
Qdx = ƒ ( Px ) ceteris paribus (função geral)

A partir da Tabela 2 obtem-se a seguinte expressão:

Qdx = 8 – Px ceteris paribus

Esta é uma relação funcional específica que relaciona precisamente como Qdx depende de
Px. Isto significa que ao substituir vários preços da mercadoria carne nesta função
demanda específica, obtém-se as quantidades particulares da mercadoria carne,
procurada pelo indivíduo, em dado intervalo de tempo. Assim, tem-se a função de
demanda individual, consequentemente a curva de demanda (Tabela 3 e Gráfico 9).
47

Tabela 4
Px 8 7 6 5 4 3 2 1 0
Qdx 0 1 2 3 4 5 6 7 8
FONTE: dados hipotéticos

GRÁFICO 9 – Curva de Demanda de Carne Bovina, derivada da função demanda.


Rio Verde

Px
D
8
7
6
5
4
3
2
1 D
Qx
0 1 2 3 4 5 6 7 8

Até agora falou-se sobre a demanda do consumidor individual, sem referir-se à demanda
de mercado. Portanto, a demanda de mercado depende de todos os fatores que
determinam a demanda individual.
Desta maneira, a curva de demanda de mercado é obtida pelo somatório horizontal de
todas as curvas de demandas individuais desta mercadoria.

Suponha a existência de dois indivíduos idênticos (1 e 2) no mercado, um deles com a


demanda do bem X dada por Qdx = 8 – Px. A demanda do mercado Qdx é obtida do
seguinte modo (Tabela 5 e Gráfico 8).

TABELA5– Preços e quantidades demandada no mercado de carne bovina


Px Qdx1 Qdx2 Qdx
8 0 0 0
4 4 4 8
0 8 8 16
FONTE: Dados trabalhados pelo autor
48

GRÁFICO 10 – Demanda de Mercado de dois Indivíduos Idênticos.

Px + Px = Px

8 8 8

4 4 4

0 4 8 Qdx1 0 4 8Qdx2 0 8 16 QDx

Pode-se ampliar o raciocínio para 1000 indivíduos idênticos no mercado, para os quais a
demanda do bem X é dada por Qdx = 8 – Px, o quadro do mercado e nova curva de
demanda do mercado para a mercadoria X são obtidos como:

Qdx = 8 - Px (demanda individual)


QDx = 1000 (Qdx) (demanda de mercado)
QDx = 8000 – 1000 Px

TABELA 6 – Resuldados da QDx = 8000 – 1000Px


Px 8 7 6 5 4 3 2 1 0
Qdx 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000

GRÁFICO 11 – Curva de 1000 consumidores no mercado X


49

A curva de demanda do mercado para para o bem X se elaborará quando as curvas de


demanda dos indivíduos se deslocarem e mudará ao longo do tempo, à medida que o
número de consumidores da mercadoria X variar.
Pode-se finalmente, elaborar um conceito mais ampliado de procura de um bem de
consumo, como sendo as várias quantidades deste que os consumidores estão
dispostos a retirar do mercado, a todos os possíveis preços alternativos, em todo o
período de tempo, ceteris paribus.

5.2 A Lei da Oferta

A Oferta
A oferta de um bem depende de vários fatores, dentre eles:
- da tecnologia;
- do preço dos fatores produtivos;
- do preço do bem que se deseja oferecer.

A curva de oferta de mercado é a relação entre a quantidade de um bem oferecido por


todos os produtores a seu preço, mantendo constantes os outros fatores (tecnologia,
preço de fatores, etc.)

Curva de Oferta Individual: a relação numérica entre preço e quantidade fornece a base
para a construção da curva de oferta individual;
Curva de Oferta de Mercado: é a relação entre quantidade de um bem oferecida por
todos os produtores e seus preços, mantendo constantes os outros fatores (tecnologia,
preço dos insumos ...)

Gráfico 12

Preço de x

Quantidade de x
50

Gráfico 13 - Equilíbrio de Mercado: Preço e quantidade de equilíbrio


P

P1 Excedente
Equilíbrio

P2
Escassez

Quantidade de X/ut
X2 X1 X X1’ X2’

Ao preço P1, os ofertantes estão dispostos a ofertar X1’, mas o consumidores demandarão
apenas X1, indicando que haverá um excesso de oferta , que, por sua vez fará com que o
preço se reduza e exista uma volta ao equilíbrio. Já ao preço P2, os consumidores
estariam dispostos a consumir X2’, contudo, a este preço, os produtores estariam somente
ofertariam X2, o que ocasionaria um excesso de demanda sobre a oferta, o que elevaria os
preços, retornando-os ao ponto de equilíbrio.

A Teoria da Oferta de Bens de Consumo está diretamente relacionada à teoria dos custos
de produção, mas este é um assunto que deve ser visto em outro tópico desta matéria.

A princípio a oferta de bens pode ser definida como as diferentes quantidades desse
bem que os vendedores estão dispostos a colocar no mercado, a diversos níveis de
preços, Coeteris Paribus.
No conceito geométrico diz-se que a oferta é o lugar geométrico dos pontos que indicam
as quantidades máximas ofertadas no mercado, em um dado período de tempo. É uma
linha limite, acima da qual todas as posições são possíveis e abaixo da qual nenhuma
posição é possível. Portanto, a curva da oferta é positivamente inclinada. Do ponto de
vista das quantidades ofertadas a curva mostra os preços mínimos necessários para
induzir os ofertadores a colocar as várias quantidades do bem no mercado. Eles aceitaram
um pouco mais alto por dada quantidade, mas não oferecerão esta quantidade por um
preço mais baixo que o indicado na curva de oferta.
51

Na realidade, verifica-se que, ao contrário do que ocorre com os consumidores em relação


à procura, os vendedores tendem a colocar no mercado maiores quantidades de produtos
quando os preços são mais elevados, restringindo as quantidades ofertadas, à medida
que os preços diminuem. A oferta representa, assim, uma relação direta entre preços e
quantidades (Tabela 5 e Gráfico 12).

TABELA 7 - Relação entre preços e as quantidades vendidas de carne bovina no mercado de Rio Verde.
Preço (R$/kg) Quantidade (kg/semana)
2,00 200
2,50 300
3,00 400
3,50 500
4,00 600
FONTE: dados trabalhados pelo autor

As mudanças na oferta são aquelas que ocorrem ao longo da curva e representam as


variações nas quantidades ofertadas de um bem, em decorrência das variações de preço
deste bem, com todas as demais condições mantidas constantes (Gráfico 14).

GRÁFICO 14 - Relação entre preços e quantidades vendidas de carne no merca


Do de Rio Verde.

Px/kg s

4,0

3,5

3,0

2,5
S
2,0
0 100 200 300 400 500 600 Kg/sem

Pode-se afirmar que as mudanças na curva da oferta são os deslocamentos da curva


para a direita ou para a esquerda, em função de modificações provocadas por mudanças
em outros fatores, independente de variações nos preços (Gráfico 15).
52

Existem inúmeros fatores que afetam a oferta de bens de consumo. Neste grau de
compreensão da teoria da oferta, serão vistos somente quatro fatores que afetam a oferta de bens
de consumo.

O primeiro diz respeito a tecnologia, a qual pode ser entendida como uma inovação
tecnológica, de tal forma que os custos de produção decrescem com o seu uso. Com o
uso da tecnologia acurva de oferta se desloca para baixo (Gráfico 15), deslocando a
curva S para S1, e este deslocamento implica num acréscimo de oferta. Significando que
pelo mesmo preço Opo, o produtor está disposto a ofertar mais quantidades de
mercadorias (OQ1 antes que OQo), em um determinado período t.

Transportando este raciocínio para a melhoria no nível de tecnologia de um produtor rural


pode-se fazer com que ele aumente sua produção, e consequentemente suas ofertas de
produtos agrícolas, mesmo que os preços dos produtos não tenham aumentado
(acréscimo de produção sem maiores custos). Neste caso a curva de oferta se desloca
para a direita (de S para S1). Se, pelo contrário, ocorre uma frustração de safra, a oferta é
restringida, mesmo que os preços sejam suficientemente altos para induzir o produtor a
colocar maiores quantidades de produtos no mercado. A curva de oferta, neste caso, se
desloca para a esquerda de S para S2, Gráfico 15)

GRÁFICO 15 – Deslocamento da Curva de Oferta do Produtor


Px
S2 S S1

OPo

. Qsx
O OQ-1 Qo Q1

Segundo refere-se ao suprimento dos insumos necessários à produção da mercadoria , o


que é geralmente, considerado como um dado fixo.
53

O terceiro refere-se aos impostos e subsídios que são elementos importantes, que devem
ser mantidos constantes

Por fim, o quarto elemento refere-se as condições climáticas, quando considera as


mercadorias agrícolas, pois também considera constantes.
Assim, mantendo todos os fatores constantes, e fazendo-se variar somente o preço da
mercadoria, chega-se a função de oferta e a curva de um produtor individual para
mercadoria.

5.2.1 A função Oferta e as Curvas de Oferta

Distingue-se os deslocamentos da curva e ao longo da curva, quando todos os fatores


constantes da oferta variam-se, e pode-se ter o deslocamento da curva para a direita ou
para a esquerda, mas se ocorre variações somente nas quantidades ofertadas tem-se o
deslocamento ao longo da curva.

Pode-se apresentar a função oferta, matematicamnte:

Qsx = ƒ (Px; F; T; I; N) onde,

Qsx = oferta da mercadoria X em t;


F = oferta de insumos
T = tecnologias
I = impostos
N = características da natureza

Com estes dados tem-se a função Qsx = ƒ (Px) ceteris paribus, pois é uma função geral
indicando que Qsx é uma função de Px.

Dos dados da Tabela 8, tem-se a função Qsx = -40 + 20 Px ceteris paribus. Caracteriza uma
função específica de oferta individual, que pode ser ilustrada pela Tabela 6 e Gráfico 14.
54

TABELA 8 – Derivado da Qsx = -40 +20 Px


Px 6 5 4 3 2
Qsx 80 60 40 20 0
Fonte: dados trabalhados pelo autor.

GRÁFICO 16 – Curva de Oferta de bem de consumo

Observa-se que quanto menor o preço do bem X, menor é a quantidade ofertada deste
bem, e vice-verso. Pois, esta relação direta entre preço e quantidade ofertada reflete a
curva crescente. Acurva de oferta desenvolve-se em todas as direções (Gráfico 17).

O Gráfico 15, ilustra que a curva de oferta desenvolve em todas as direções.

Px S4 S1

P S2

S3
Qsx

A Curva S1 representa acurva de oferta normal.


A curva S2 representa a curva de oferta de longo prazo para a indústria que opera com os custo
constantes
A curva S4 representa a curva de oferta a longo prazo para a indústria que oferece a custos
decrescentes.
A curva S3 é curva de oferta do tipo Bockword – Bending, ou curva de oferta para trás.
55

Foi estudadas as curvas de oferta individual. A curva de oferta de mercado ou curva de


oferta agregada, dadas as várias quantidades de mercadorias ofertadas em t, aos preços
alternativos por todos os produtos destas mercadorias que operam no mercado.

Um exemplo é possível de elucidar a oferta de mercado de 100 produtores idênticos no


mercado, cada um com uma fração de oferta de mercadoria X, que será dada por:

Qsx = - 40 + 20 Px, esta é a oferta individual, e a oferta de mercado Qsx é obtida da


seguinte forma.
Qsx = 100 (Qsx) oferta de mercado
Qsx = - 4000 + 2000 Px. A qual pode ser observada pela Tabela 9 e Gráfico 18.

TABELA 9 - derivada da Qsx = - 4000 + 2000 Px


Px 6 5 4 3 2
QSX 8000 6000 4000 2000 0
Fonte: dados trabalhados pelo autor

GRÁFICO 18 – Oferta de mercado de uma mercadoria X

Px

5
4
3
2
1

0 2000 4000 6000 8000 Qx

A curva de oferta do mercado se desloca, quando as curvas de oferta dos produtores


individuais se deslocarem e quando, através do tempo, novos produtores entrarem no
mercado ou os atuais deixarem o mercado.
56

5.3 Interação da Oferta e da Procura: formação de preços

Conhecendo as duas leis do mercado, é correto agora juntar os dois lados, o lado da
oferta e o lado da procura e, observar as forças que determinam o preço e a quantidade
que tranquilizam o mercado, ou seja, de equilíbrio. Esta análise pode ser feita sob duas
óticas diferentes. Sendo uma pelo lado do preço – que é um legado de Léon Walras e,
outra pelas quantidades atribuídas a Alfred Marshall.

O equilíbrio de mercado se refere às condições do mercado, as quais uma vez atingida,


tendem a persistir. Em economia isto ocorre quando a quantidade demandada de um dado
bem no mercado, em um período t, iguala-se à quantidade ofertada do bem no mercado,
em t.
Geometricamente, o equilíbrio ocorre na intersecção das curvas de oferta e de demanda
do mercado. Assim, o preço de equilíbrio é aquele que uma vez atingido tende a se
manter. O mesmo é válido para a quantidade de equilíbrio.

O Gráfico 19 ilustra o preço e a quantidade de equilíbrio. Pois, qualquer distúrbio,


normalmente, cria-se um processo de ajustamento no mercado. Suponha que o preço real
P1, seja maior que o preço de equilíbrio Pc. Neste caso, o ajustamento consiste em
redução dos lances do consumidor e de uma redução do preço por parte dos produtores.
As condições de estabilidade são obtidas a partir de suposições sobre o comportamento
de compradores e vendedores, admitindo que estes agem independentes uns dos outros.

GRÁFICO 19 – Condições de equilíbrio no mercado


Px
P1 D S
Excedente

Pe

P2 S Excassez D

Qx
O Q2 Qe Q1
57

Em P1 a quantidade ofertada é maior que a quantidade procurada, ocorrendo um


excedente de produto no mercado. Deste modo os vendedores desejarão baixar o preço,
a fim de livrarem-se do excesso, e o preço cairá até Pe, preço de equilíbrio. Por outro lado,
se o preço cair até P2, a quantidade procurada será maior que a quantidade ofertada,
provocando escassez do produto no mercado , o que elevaria o preço, pelo aumento dos
lances dos consumidores, a posição Pe.
Supõe-se que a quantidade seja Q1. Em Q1 o preço de oferta será maior que o preço de
procura. E com isto menos comércio ocorrerá, então, porque os consumidores não
desejarão pagar os altos preços que os vendedores tentam obter, de modo que a
quantidade cairá até Qe. De modo análogo, se a quantidade tivesse caído para Q2, o preço
de procura seria maior que o preço de oferta, o que levaria a uma intensificação do
comércio, e a quantidade aumentaria até Qe.

Nota-se que qualquer movimento de afastamento de equilíbrio coloca-se em ação as


forças reguladoras que causam um movimento de retorno ao equilíbrio. Para ser mais
específico, porém, deve-se definir este equilíbrio estável, porque qualquer movimento de
afastamento provoca a atuação de forças contrárias que causam o retorno ao equilíbrio.

O preço de mercado, para um determinado bem, é determinado pela interação das forças
de oferta e da procura no mercado. Considerando-se que a curva de oferta mostra as
quantidades que os vendedores estão dispostos vender, e as curvas de procura mostra as
quantidades que os consumidores estão dispostos a comprar, a diversos preços
alternativos no mercado; para que haja a transação é necessário que existe um ponto de
equilíbrio entre a oferta e a procura, que é determinado pelo nível de preço no qual as
quantidades que os consumidores estão dispostos a comprar coincidem com as
quantidades que os vendedores estão querendo vender.

Comparando as Tabelas 3 e 7 verifica-se que a um nível de preço de R$3,00 em que as


quantidades desejadas pelos consumidores (400 kg/sem) coincidem com as quantidades
ofertadas pelos vendedores. Este ponto é o preço de equilíbrio do mercado e somente a
este preço será possível a transação, Gráfico 20.
58

GRÁFICO 20 – Preço de Equilíbrio da Carne Bovina


Px
D S
4,0 Excedente

3,0

2,0
S Excassez D
1,0 Kg/
sem
O 100 200 300 400 500 600

A um preço de R$2,00 os consumidores estariam dispostos a adquirir 500 kg de carne,


enquanto que, a este preço, os vendedores colocariam no mercado somente 300 kg. Isto
geraria uma demanda insatisfeita, que forçaria o preço para cima, até atingir o equilíbrio.

Por outro lado, a um preço de R$4,00 o kg, os vendedores estariam dispostos a colocar no
mercado os 500 kg de carne, porém os consumidores só poderiam comprar 300 kg
gerando um excedente de oferta que obrigaria os vendedores a baixar seu preço até ao
preço de equilíbrio.

Os preços agrícolas são constantemente afetados por fatores de ordem conjuntural e


estrutral, cujos efeitos aparecem a curto e a médio prazo (com inflação, pressão sobre a
renda dos consumidores e emprego). Outros fatores de ordem estrutural também
influenciam os preços agrícolas, como a revolução tecnológica na produção agropecuária.
Pois isto cria expectativas mais otimistas.

Execício

Sabe-se que, em equilíbrio Qdx = Qsx, então pode-se determinar o preço e a quantidade de
equilíbrios, matematicamente.

Supõe-se que existem 10.000 indivíduos idênticos no mercado de Rio Verde, para a
mercadoria X. Cada um dos quais com a função de demanda Qdx = 12 –2 Px e, considera,
59

também, 1000 produtores idênticos para a mercadoria X, cada um dos quais com a função
oferta Qsx = 20 Px.

Pede-se,
a) determinar a função de demanda do mercado e a função oferta de mercado para a
mercadoria X.
b) determinar a tabela de demanda o mercado e a tabela de oferta de mercado para a
mercadoria X e a partir daí encontrar o preço e as quantidades de equilíbrio.
c) Traçar o gráfico com as curvas de oferta e demanda X e mostrar o equilíbrio.
d) Obter o preço e a quantidade de equilíbrio matematicamente.

5.4 Elasticidade

5.5 Teoria da Produção: função de produção e os fatores de produção

Os agentes econômicos têm a necessidade de optar pela produção a ser realizada, como
deve ser elaborada e em que quantidade. Essas três questões fazem parte constante do
processo de tomada de decisão dos agentes e, por conseguinte são úteis nesse processo
decisório, conhecimentos acerca da Função de Produção, Lei dos Rendimentos Marginais
Decrescentes, Estágios de Produção e Marginalidade.
Para este tipo de análise a Teoria da Produção ou da Firma se assemelha à Teoria do
Consumidor. A unidade econômica analisada é a firma, ao invés do indivíduo, e enquanto
o consumidor procura maximizar a sua satisfação respeitando a restrição orçamentária, a
empresa tenta maximizar os seus lucros tendo por restrições o custo dos fatores de
produção, o preço do produto e a fronteira tecnológica de produção.
Assim como na teoria da procura, existem diferentes formas de analisar a teoria da
produção. A primeira delas, mais tradicional, desenvolve-se paralela à teoria neoclássica
da utilidade. A segunda é o tratamento isoproduto-isocusto, que é similar à abordagem
das curvas de indiferença. A análise tradicional inicia pela avaliação da função de
produção, segui a lei dos rendimentos decrescentes e analisa, posteriormente a curva de
fator – produto e, finalmente define a escolha que minimiza os custos da firma.
60

ABORDAGEM TRADICIONAL (FATOR-PRODUTO)

A função de produção

A função de produção descreve uma relação física entre os recursos de uma determinada
firma e a quantidade de produto produzida por ela, por unidade de tempo, sem considerar
os preços. Matematicamente é expressa como:
Y = f (X1/X2,X3...)
Em que a quantidade de produto Y é produzida a partir da combinação dos recursos
X1,X2,X3..., sendo que a barra após o primeiro fator indica que somente ele poderá ter sua
quantidade variada ao longo do tempo. No caso exposto, se a firma deseja aumentar ou
reduzir o volume produzido deve variar apenas o fator X1, mantendo constante todos os
demais recursos utilizados. O montante de produto depende, além dos recursos
empregados, da tecnologia em uso.
A função de produção neoclássica considera apenas um fator variável podendo ser
expressa como:
Y = f (X1)
Supondo uma relação entre ganho de preso de aves e quantidade de ração utilizada,
descrita como uma função de produção (Tabela 10) podendo esboçar o gráfico de uma
função de produção simples como sendo:

Gráfico 21
Y

PFT

X1/u.t
61

Tabela 10 - Resposta do ganho de peso do frango com diferentes quantidades de ração


Fator X1: Consumo de ração kg Y: Ganho de peso do frango kg
0 -
1 0.156
2 0.560
3 1.116
4 1.728
5 2.300
6 2.736
7 2.940
Fonte: Dias, P.C., 2005.

A função de produção que expressa matematicamente os dados apresentados na Tabela 8:


Y = 0,172 X12 – 0,016 X13 (1)
Em que Y é o peso total do frango em kg e X 1 é a quantidade de ração consumida em kg.
A equação estimada possui algumas vantagens em relação à função apresentada na
forma tabular, uma vez que permite a análise de forma contínua, e não discreta como no
caso apresentado na forma de tabela. Portanto tendo a função de produção em sua forma
matemática, é possível calcular o ganho de peso considerando quantidades de ração não
constantes na tabela. Imagine-se, uma quantidade de ração igual a 3,5 kg; a quantidade
equivalente de ganho de peso seria:
0,172 (3,5)2 – 0,016 (3,5)3 = 2,10 – 0,69 = 1,41 kg de frango.
Utilizando os dados da Tabela 8 é também possível calcular essa mesma informação
através da interpolação de valores conhecidos. Assim, se 3 kg de ração produzem 1,100
kg de frango, e 4kg de ração produzem 1,700 kg de frango, 3,5 kg de ração irão produzir
(1,100 + 1,700)/2 = 1,400 kg de frango. Deve-se reparar no fato de que os valores obtidos
através da interpolação não são necessariamente os mesmos obtidos através da equação (1).
Na Tabela 9 está a função de produção (equação 1) com os de ganhos de peso de frango.
Nota-se que os retornos obtidos são primeiro crescentes, posteriormente a constantes e
depois decrescentes. Isso ocorre e devido a Lei dos Rendimentos Marginais
Decrescentes, segundo as unidades adicionais de um fator variável , mantidos todos os
demais constantes, geram primeiro ganhos de produtividade, passa por um ponto de
retorno constante para, posteriormente decrescer.
Assim, a relação entre a quantidade de insumo variável e a quantidade de produto
produzida pode assumir três formas gerais, como já citado:
62

1. Os retornos constantes ocorrem quando cada unidade adicional do fator variável, aplicada aos fatores
fixos, aumenta a produção em iguais quantidades;
2. Os retornos decrescentes ocorrem quando cada unidade adicional do fator variável aumenta a
produção total menos do que a unidade de fator variável anterior;
3. Os retornos crescentes acontecem quando o acréscimo na produção, resultante da adição do fator
variável, é maior do que o provocado pelo emprego da unidade anterior.

Produtividade dos fatores

Do produto físico total (PFT), que é a produção (Y), duas relações podem ser derivadas, o
Produto Físico Médio (PFMe) e o Produto Físico Marginal (PFMg). O PFMe é o PFT
dividido pela quantidade empregada de insumo variável, ou seja:

PFMeX1 = PFT/X1 = Y/X1

Tabela 11 - Ganho de peso de frango (kg), consumo de ração (kg) e os retornos


proporcionados à produção pelo fator variável.
X1 Y (PFT) Retorno
Consumo de ração (kg) Ganho de peso de frango (kg) (kg)
0,00 0,000 -
0,50 0,041 (0,041-0,00)/(0,50-0,00) = 0,082
1,00 0,156 (0,156-0,041)/(1,00-0,50) = 0,230
1,50 0,333 0,354
2,00 0,560 0,454
2,50 0,825 0,530
3,00 1,116 0,582
3,50 1,421 0,610
4,00 1,728 0,614
4,50 2,025 0,594
5,00 2,300 0,550
5,50 2,541 0,482
6,00 2,736 0,390
6,50 2,873 0,274
7,00 2,940 0,134
7,50 2,925 -0,030
Fonte: Dias, P.C., 2005.
63

O PFMg é a variação no produto físico total, decorrente da variação de uma unidade na


quantidade empregada do insumo variável, sendo matematicamente representado por:

PFMgX1 = ∆PFT/∆X1 = ∆Y/∆X1 ou, para valores infinitesimais, = dY/dX1

Aplicando as fórmulas de PFMeX1 e PFMgX1 na equação (1) tem-se:

Y = 0,172 X12 – 0,016 X13 (1)

PFMeX1 = (0,172 X12 – 0,016 X13)/X1 = 0,172 X1 – 0,016 X12 (2)

PFMgX1 = 0,344X1 – 0,048X12 (3)

O PFMeX1 apresentado na Tabela 12 foi estimado a partir dos dados discretos X1 e Y, que
se encontram nas duas primeiras colunas desta mesma tabela. A produtividade média
pode ser obtida para cada nível de ração consumida pelas aves. No exemplo tabulado o

Tabela 12 - Ganho de peso de frango, consumo de ração, produto físico médio e produto
físico marginal.
X1 Y (PFT)
Consumo de ração (kg) Ganho de peso de PFMeX1 PFMgX1
frango (kg) Y/X1 dY/dX1
0,00 0,000 - -
0,50 0,041 0.082 0.160
1,00 0,156 0.156 0.296
1,50 0,333 0.222 0.408
2,00 0,560 0.280 0.496
2,50 0,825 0.330 0.560
3,00 1,116 0.372 0.600
3,50 1,421 0.406 0.616
4,00 1,728 0.432 0.608
4,50 2,025 0.450 0.576
5,00 2,300 0.460 0.520
5,50 2,541 0.462 0.440
6,00 2,736 0.456 0.336
6,50 2,873 0.442 0.208
7,00 2,940 0.420 0.056
7,50 2,925 0.390 -0.120
Fonte: Dias, P.C., 2005.
64

produto físico médio cresce, atinge um ponto máximo e decresce, não atingindo, contudo,
valores negativos.
O produto físico marginal é obtido aplicando-se a fórmula na equação (3), substituindo X1
pelos valores fornecidos pela Tabela 12. O comportamento do produto físico marginal:
cresce, tem um ponto de máximo e, decresce, até a zero e passando a ser negativo.
Caso se deseje saber a quantidade de insumo variável que proporciona incremento nulo,
ou seja o ponto exato onde o acréscimo de X1 gera um PFMg = 0, proceda da seguinte
maneira:
PFMgX1 = 0,344X1 – 0,048X12 = 0
Ou seja:
X1 (0,344 – 0,048 X1) = 0
X1 = 0,344/0,048 = 7,166

Conclui-se que quando são utilizados 7,166 kg de ração o PFMgX1 = 0.

Pelo Gráfico 22, as curvas de produto físico total, produto físico médio e produto físico
marginal assumem as formas:
Gráfico 22 – Produto Físico Total

I II III PFT

Gráfico 23 – Produto Físico Médio e Produto Físico Marginal

PFMe

PFMg
65

No Gráfico 22 está a função de produção neoclássica e demonstra a Lei dos


Rendimentos Marginais Decrescentes. Essa lei estabelece que, ao empregar mais
quantidades de insumo variável, enquanto a quantidade dos demais insumos permanece
constante, a produção total aumenta, a taxas crescentes, a taxas decrescentes, atinge um
máximo e, finalmente, decresce.
A Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes pode também ser descrita em termos do
produto físico marginal, dado que esse é a taxa de crescimento do PFT. O PFMg cresce,
atinge um máximo, posteriormente decresce, anula-se e, por fim, torna-se negativo.
Em termos práticos, a Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes pode ser visualizada
por meio da análise da resposta do ganho de peso do frango em comparação a níveis de
consumo de ração. Cada unidade de ração consumida aumenta o peso do frango,
inicialmente, a taxas crescentes, depois, o faz de forma menos que proporcional, atinge
um máximo e, finalmente, decresce.
Pela análise conjunta dos Gráficos 22 e 23 considera-se que as curvas de PFT, PFMe e
PFMg. A construção geométrica da curva de PFMg ocorre pela união dos sucessivos
pontos de tangência sobre a curva PFT, sendo que é possível perceber que o PFMg é
máximo no ponto de inflexão da curva PFT, e o PFMg é nulo quando o PFT é máximo. A
curva de PFMe, por sua vez, representa a sucessão dos ângulos formados por uma reta
(suposta) que parte da origem e toca sucessivamente os pontos que forma a curva PFT; a
curva apresenta primeiro um crescimento, atinge um máximo e decresce, não sendo,
contudo nula em nenhuma circunstância.
Observa que é possível fazer comparações entre as curvas de PFMe e PFMg. O ponto de
máximo do PFMg é anterior ao ponto máximo do PFMe e, onde o PFMe é máximo, ele se
iguala ao PFMg.

Estágios de produção

Os três estágios de produção podem ser definidos a partir das relações entre o PFT,
PFMe e PFMg (Gráficos 22 e 23).
O primeiro estágio de produção corresponde àquele em que o PFMe é sempre crescente.
Nesse estágio o PFMg é sempre maior do que o PFMe, e ambos são positivos; o PFT
também é crescente. Esse estágio é considerado um estágio irracional de produção,
66

porque os insumos são alocados ineficientemente. Um produtor irracional jamais operaria


nesse estágio de produção porque ele estaria limitando o uso do insumo variável, dado
que maior produtividade média poderia ser atingida pelo maior uso desse insumo. O limite
entre o primeiro e o segundo estágio de produção ocorre no ponto em que o PFMe é
máximo, ou no ponto do PFMe = PFMg.
O terceiro estágio é caracterizado, principalmente, por apresentar um produto físico total
decrescente, PFMg negativo e PFMe decrescente. Esse estágio também é considerado
irracional da produção, visto que o emprego de unidades adicionais do insumo variável
resultaria na redução do produto físico total, ou seja, tais acréscimos contribuem para o
crescimento do custo e redução da receita.
No segundo estágio de produção o PFMe é decrescente, assim como o produto físico
marginal, mas ambos são positivos. Nesse estágio o PFMe é sempre superior ao PFMg e
esse é considerado o estágio racional de produção. O limite entre o segundo e o terceiro
estágios ocorre no ponto onde o PFT é máximo, ou quando o PFMg é nulo. Sendo esse o
único estágio racional, e sendo os seus limites o ponto onde o PFMe é máximo e o ponto
onde o PFMg é nulo, deduz-se que o ponto ótimo de produção estará sempre à esquerda
ou, no limite, coincidirá com o ponto de máxima produção física.
Pela tem-se que o limite entre os dois primeiros estágios encontra-se entre 5,000 e 5,500
kg de ração. O limite entre o segundo e o terceiro estágios está entre 7,000 e 7,500 kg de
ração. Os valores exatos podem ser obtidos fazendo a primeira derivada do PFT (que é o
PFMg) e a primeira derivada do PFMe iguais a zero. Assim, o limite entre o primeiro e o
segundo estágio será, exatamente:

PFMeX1 = (0,172 X12 – 0,016 X13)/X1 = 0,172 X1 – 0,016 X12


d PFMeX1/d X1 = 0,172 – 0,032 X1 = 0

Logo, X1 = 5,375 (ponto de consumo de X1 que proporciona o PFMe máximo)

Fazendo PFMgX1 = 0 tem-se o limite entre o 2º e o 3º estágios:

PFMgX1 = 0,344X1 – 0,048X12 = 0


Ou seja:
67

X1 (0,344 – 0,048 X1) = 0


X1 = 7,166 (ponto de consumo de X1 que proporciona o PFT máximo, ou PFMg nulo).

Nível ótimo de uso do insumo

A premissa que norteia o comportamento do empresário é o de que ele busca a


maximização dos lucros da empresa L, ou da sua receita líquida. Na determinação do
nível de insumo variável que maximiza o lucro, o uso da análise marginal é o mais
apropriado. Essa análise é utilizada para comparar o custo do insumo variável com a
receita do produto.
Um insumo variável deve ser adicionado ao processo produtivo até o ponto onde a
mudança na renda, devido ao uso da última unidade de insumo, for maior ou igual à
mudança no custo resultante da última unidade empregada desse fator. Se a última
unidade do insumo variável empregada aumentar mais a receita do que o custo, mais
desse fator deve ser utilizado. Contudo, se a última unidade de insumo aumentar mais os
custos do que a receita, menor quantidade desse fator deve ser empregada.
Em síntese, um fator variável deve ser empregado até o ponto onde o valor adicional do
produto for maior ou igual ao total adicional do custo do insumo, isso é, o ponto onde o
PFMg do insumo, multiplicado pelo preço do produto for maior ou igual ao preço do
insumo: PFMgX1 . PY ≥ PX1. De outra forma, desde que o valor do produto marginal
(VPFMg = PFMaX1 . PY) do insumo for maior ou igual ao preço do insumo: VPFMg ≥ PX1.
A derivação matemática dessa regra de ‘tomada de decisão’ é apresentada a seguir:

Lmáx. = RT – CT (4)

O lucro é dado pela diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT). Na
determinação do lucro é necessário, portanto, conhecer a receita e os custos. Os preços
dos insumos de produção e a tecnologia constituem-se os determinantes básicos do
custo. Uma vez estabelecida a tecnologia, o total de cada insumo necessário para produzir
qualquer nível de produto pode ser determinado.
O custo total é dado pela soma dos insumos variável e fixo:
68

CT = X1. PX1 + K (5)

Em que X1 é a quantidade de insumo variável utilizada e PX1 é o seu preço; e onde K é o


custo dos insumos fixos.
A receita total é obtida pelo produto da quantidade total vendida e preço de venda.

RT = Y.PY (6)

Em que Y é a quantidade total do produto produzido e PY é o preço de venda do mesmo.


Assim, para maximizar o lucro tem-se que diferenciar a função L com relação ao insumo
variável X1, assumindo-se que os preços do produto e do insumo sejam constantes.

L = RT – CT
L = Y. PY – X1.PX1 – K
ϕπ/ϕX1 = (ϕPY/ϕX1). Y + (ϕY/ϕX1). PY – (ϕPX1/ϕX1).X1 - (ϕX1/ϕX1).PX1 - ϕK/ϕX1 = 0
ϕπ/ϕX1 = 0 + (ϕY/ϕX1). PY + 0 - (ϕX1/ϕX1).PX1 + 0 = 0
ϕπ/ϕX1 = (ϕY/ϕX1). PY - (ϕX1/ϕX1).PX1 = 0

Logo, tem-se:

(ϕY/ϕX1). PY - PX1 = 0
VPFMgX1 – PX1 = 0
VPFMgX1 = Px1

Pela Tabela 12, é possível determinar o peso ótimo de abate do frango. Para tanto, é
preciso introduzir o preço do frango (kg) e o preço da ração (kg). Supondo que o kg de
ração custe R$ 0,30 e o kg do frango custe R$ 0, 60 o peso ótimo de abate do frango seria
de 2,3845 kg e a quantidade ótima de utilização do insumo seria de 5,140 kg de ração.
Esses dados são obtidos da seguinte forma:

Definindo a quantidade ótima de insumo


69

PY.PFMgX1 = PX1
0,60 . PFMgX1 = 0,30
0,60. (0,344 X1 – 0,048 X12) = 0,30
0,2064 X1 – 0,0288 X12 – 0,30 = 0
∆ = (0,2064)2 – 4(-0,0288. –0,30)
∆ = 0,04260096 – 0,03456 = 0,00804096
Logo:
X1 = [-(0,2064) ± (0,00804096)1/2]/ 2 (-0,0288)
X1 = -0,2064 ± 0,089667/ -0,0576
X1 = 5,140 Kg de ração

Definindo o peso ótimo do frango

Y = 0,172 X12 – 0,016 X13


Y = 0,172 (26,4196) – 0,016 ( 135, 796)
Y = 4,557312 – 2,17274
Y = 2,385 Kg de frango

Utilizando as equações de PFT e PFMg anteriormente definidas é possível, definir o nível


de ração que maximiza a produção (e não o lucro). Para tanto, como já dito, basta igualar
a equação do PFMg a zero. Assim, tem-se:

PFMgX1 = 0,344X1 – 0,048X12 = 0


Ou seja:
X1 (0,344 – 0,048 X1) = 0
X1 = 7,166 Kg de ração(ponto de consumo de X1 que proporciona o PFT máximo, ou PFMg nulo).

O Gráfico 23 ilustra a evolução do ganho de peso do frango vezes às diversas


quantidades utilizadas de ração. Ilustra o comportamento dos produtos físicos médio e
marginal. Os dados são originados da Tabela 12.
70

ABORDADEM FATOR - FATOR

A abordagem fator-fator constitui uma alternativa à fator-produto. Possui algumas


similaridades com a abordagem das curvas de indiferença estudadas na Teoria do
Consumidor. Entretanto, são considerados dois insumos X1 e X2, dentre os quais o
produtor opta por diferentes tipos de combinações a fim de produzir um determinado nível
de produto. Lembre-se que na Teoria do Consumidor, o agente escolhia entre diferentes
combinações de produtos que lhe proporcionava um mesmo nível de satisfação.
De forma similar à abordagem das curvas de indiferença, tem-se que, enquanto o
indivíduo maximizava sua satisfação optando por diferentes cestas de bens sujeitas a um
determinado orçamento, o produtor opta por combinar insumo considerando a
disponibilidade de recursos e os custos dos fatores.
Enquanto na Teoria do Consumidor a curva de indiferença representava o locus dos
pontos representantes das diferentes combinações de bens que proporcionavam a mesma
utilidade, na Teoria da Firma, a curva que mostra os diferentes pontos de combinação de
insumos que geram um mesmo nível de produção é denominada isocusto. A linha que
limita os gastos possíveis, denominada de reta orçamentaria na T.C., é denominada de
linha de isocusto. O produtor, segundo essa abordagem, maximiza o seu lucro no ponto
onde a tangente da mais alta isoquanta se sobrepõe à linha de isocusto. Em outras
palavras, quanto às duas curvas são tangentes. Graficamente, tem-se:

Gráfico 24 - Maximização do lucro do produtor pelo modelo fator-fator

X2
Isoquanta

Isocusto

X1
71

CUSTOS

Existem diferentes tipos de custos, e vários significados são atribuídos à expressão custo
de produção. Portanto, o termo ‘custo’ tem pouco significado para os propósitos aqui
desenvolvidos.
O termo custo significa, para os fins da análise econômica, a compensação que os donos
que os detentores dos fatores de produção, utilizados por uma firma para produzir
determinado bem, devem receber para que eles continuem fornecendo esses fatores à
empresa. O termo compensação é aqui utilizado – e não pagamento – porque existem
casos de ‘remuneração’ não acontece de modo formal. Segundo HOFFMANN et al (1987)
existe a possibilidade de alguns donos dos fatores de produção fornecerem seu fatores
que pouco ou nada ganhem com isso. Segundo esses autores “os proprietários de um
negócio que não esteja fornecendo um rendimento normal sobre o investimento
continuarão, muitas vezes, a operá-los por vários anos, porque eles não podem,
rapidamente, retirar o seu capital investido em bens de produção especializados, com
duração de vários anos. Contudo, uma vez desgastados os bens de capital, o capital-
dinheiro não será reinvestido nesse negócio”.

Curto prazo e longo prazo

O curto e o longo prazos são conceitos temporais (envolvem tempo), mas eles não são
definidos como períodos fixos no calendário. Sendo assim, pode-se entender o curto prazo
como sendo aquele período de tempo no qual pelo menos um insumo é fixo, enquanto que
no longo prazo, todos os fatores utilizados são variáveis. Em consequência, no curto prazo
existem custos variáveis e custos fixos (existem fatores fixos e variáveis), porém, no longo
prazo, existem só custos variáveis, só custos que dependem do volume de produção.
Custos fixos são os custos dos fatores fixos da empresa, portanto, no curto prazo,
independem do nível de produção. Os custos variáveis, ao contrário, dependem da
quantidade empregada dos fatores variáveis e, portanto, varia de acordo com o volume da
produção. Os custos totais da empresa são representados pela soma dos custos fixos
com os custos variáveis.
Como exemplo, tem-se uma empresa têxtil que produz camisas. Os custos fixos são os
custos do edifício, da maquinaria e da iluminação; eles independem do volume de camisas
72

produzido e somente podem ser evitados se a fábrica deixa de funcionar. Mesmo assim,
muitas vezes o proprietário continua tendo custos com a manutenção das máquinas (ou
com sua depreciação) e com as demais instalações. Os custos variáveis dessa empresa
podem ser representados, basicamente, pelo trabalho – número de empregados – e
matéria-prima envolvidos na produção, e irão variar de acordo com o volume produzido,
aumentando com um acréscimo na produção e reduzindo, caso a produção seja
diminuída.

Tipos de custos

Custos explícitos, contábeis ou diretos

Para um economista, o conceito relevante de mercado pode ser captado pelas alternativas
de mercado. Muitos fatores de produção são comprados no mercado e utilizados
imediatamente na produção da empresa. Uma vez que estes insumos são oferecidos para
venda em um mercado aberto, o custo alternativo (custo de oportunidade), para qualquer
uso específico será igual ao seu preço de mercado. Por exemplo, suponha que uma
empresa rural compre milho, soja, vitaminas, minerais e outros insumos para a
alimentação do seu rebanho. Esses insumos, comprados em um mercado aberto, têm
preços específicos. Esses preços, multiplicados pela quantidade, podem então ser
utilizados no cômputo do custo de produção daquela atividade específica. Esses custos
dos insumos que são diretamente determinados pelo produto final, são denominados
custos explícitos.

Custos implícitos, indiretos ou econômicos

Os custos implícitos constam dos custos dos fatores que a empresa já possui, quase
sempre não registrados pela contabilidade, por não constituírem despesas pagas, em
dinheiro, durante o processo produtivo (por exemplo, aluguel não recebido por uma
propriedade possuída e utilizada pela firma). Nessa abordagem dos custos, os fatores
pertencentes à empresa e utilizados no processo produtivo têm custo associado, medido
pelo seu preço em uso alternativo, ou seja, preço relativo ao que o empresário está
deixando de receber ao alocar os recursos produtivos em sua empresa. Vale salientar a
necessidade de se verificar a existência de oportunidade relacionada aos recursos, pois,
nem sempre os recursos próprios devem ter custos implícitos.
73

Custos fixos

Os custos fixos são aqueles que permanecem inalteráveis durante um período de tempo
(curto prazo) e independentes do nível de produção. Esses custos ocorrem, mesmo que o
recurso não seja utilizado. No longo prazo, como todos os insumos podem Ter suas
quantidades variadas, os custos fixos são inexistentes.
Outra característica dos custos fixos é que eles não estão sob o controle do administrador
no curto prazo; eles existem no mesmo nível, independente de quanto do recurso é
utilizado. Outra maneira de conceituar os custos fixos, e que facilita o seu entendimento é
apresentado por REIS e GUIMARÃES (1986), que os consideram como sendo aqueles
correspondentes aos recursos que:
a) têm duração superior ao curto prazo, portanto sua renovação só acontece no longo prazo;
b) não se incorporam totalmente no produto no curto prazo, fazendo-o em tantos ciclos
quanto permitir a sua vida útil;
c) não são facilmente alteráveis no curto prazo, e o seu conjunto determina a capacidade
de produção da atividade, ou seja, sua escala de produção;

O custo fixo total (CFT) é simplesmente a soma dos vários tipos de custos fixos e inclui,
usualmente os componentes: depreciação, seguros, impostos e juros.
O custo fixo médio (CFMe) , que expressa o custo fixo por unidade de produto (Y) é
determinado pela equação:
CFMe = CFT / Y
Em que o produto é medido em unidades físicas. Uma vez que, por definição, o custo fixo
total é um valor fixo ou constante, independente do nível de produção, o CFMe irá
decrescer continuamente, com o aumento da produção. A Tabela 13 apresenta os custos
fixos e os custos fixos médios de uma firma hipotética.

Custos Variáveis

Os custos variáveis são aqueles sobre os quais o administrador exerce controle no curto
prazo. Eles podem ser aumentados ou diminuídos pala ação direta do administrador e irão
variar no mesmo sentido das mudanças na produção. Itens como semente, fertilizantes,
produtos químicos, gastos com sanidade de rebanho, com serviços de máquinas e com
74

mão-de-obra, em geral, são exemplos de custos variáveis. Se nenhum produto for


produzido, o custo variável pode ser evitado.
De acordo com REIS e GUIMARÃES (1986), os custos variáveis são os custos com
recursos que apresentam as seguintes características:
a) têm duração inferior ou igual ao curto prazo, sendo, portanto, sua recomposição feita a cada ciclo do
processo produtivo;
b) incorporam-se totalmente ao produto no curto prazo, não sendo aproveitados (pelo menos não
claramente) para outro ciclo;
c) são alteráveis no curto prazo e estas provocam variações na quantidade e na qualidade do produto
dentro do ciclo. Essas variações se verificam em certos níveis permitidos pelo conjunto dos recursos
fixos e pelas técnicas de produção.

O custo variável total (CVT) pode ser encontrado pela soma de cada custo variável
individual, que é igual à quantidade do recurso comprada, multiplicada pelo preço. O
custos variável médio (CVMe) é o custo variável total dividido pelo produto, e é calculado
pela equação:
CVMe = CVT / Y
Os custos variáveis existem tanto no curto, quanto no longo prazo, neste último, todos os
recursos são considerados variáveis. A distinção entre custos fixos e variáveis também
depende do exato ponto no tempo, no qual a próxima decisão será tomada. Gastos com
fertilizantes são, geralmente, considerados custos variáveis. No entanto, uma vez que ele
tenha sido comprado e aplicado, o administrador não tem mais controle sobre esse gasto.
Esse custo deve ser considerado como fixo para o restante do ciclo de produção desse
produto e futuras decisões devem considerar esse fato. O custo com trabalho e o custo de
arrendamento da terra são exemplos similares. Após a contratação da mão de obra e o
contrato de arrendamento Ter sido assinado o administrador não pode alterar o valor e
seus custos devem ser considerados como fixos durante o contrato. Os custos variáveis
totais e os variáveis médios hipotéticos para um empresa fictícia, estão na Tabela 13.

Custo total

O custo total é a soma do custo fixo total e do custo variável total (CT = CVT + CFT). No
curto prazo, ele irá aumentar somente com o aumento do CVT, uma vez que o CFT é um
75

valor constante. O custo total médio (CTMe) para um determinado nível de produto é igual
à soma do CVMe e CFMe ou, igual a:
CTMe = CT / Y
O custo total médio é tipicamente decrescente, em baixos níveis de produção, uma vez
que o CFMe decresce rapidamente, e o CVMe pode também ser decrescente. A elevados
níveis de produção, o CFMe irá decrescer menos rapidamente e o CVMe irá aumentar e
será maior mais rapidamente do que a taxa de decréscimo do CFMe. Essa combinação
faz com que o CTMe aumente. Constam na Tabela 13 os custos totais e os totais médios
hipotéticos.

Custo marginal

O custo marginal (CMg) é definido como a variação no custo total dividido pela
variação do produto:
CMg = ∆ CT / ∆ Y, ou ainda como CFT não varia CMg = ∆ CVT/ ∆ Y , Tabela 13.

Custo operacional

Defini-se como o custo de todos os recursos de produção que exigem desembolso por
parte da empresa para sua recomposição. O custo operacional compõe-se de todos os
itens de custos considerados variáveis adicionado de uma parcela dos custos fixos, e pela

Tabela 13 - CFT, CVT, CT, CMa, CTMe, CVMe e CFMe para uma empresa hipotética.
Produto (Y) CFT CVT CT CMg CTMe CVMe CFMe
(a) (b) ( c) (d) (e) (f) (g) (h)
$ $ $ $ (d/a) (c/a) (b/a)
0 10,00 0,00 10,00
1 10,00 4,00 14,00 4,00 14,00 4,00 10,00
2 10,00 7,50 17,50 3,50 8,75 3,75 5,00
3 10,00 10,75 20,75 3,25 6,92 3,58 3,33
4 10,00 13,80 23,80 3,05 5,95 3,45 2,50
5 10,00 16,70 26,70 2,90 5,34 3,34 2,00
6 10,00 19,50 29,50 2,80 4,92 3,25 1,67
7 10,00 22,25 32,25 2,75 4,61 3,18 1,43
8 10,00 25,10 35,10 2,85 4,39 3,14 1,25
9 10,00 28,30 38,30 3,20 4,26 3,14 1,11
10 10,00 32,30 42,30 4,00 4,23 3,23 1,00
11 10,00 38,30 48,30 6,00 4,39 3,48 0,91
12 10,00 47,30 57,30 9,00 4,78 3,94 0,83
13 10,00 60,30 70,30 13,00 5,41 4,64 0,77
14 10,00 78,30 88,30 18,00 6,31 5,59 0,71
15 10,00 102,30 112,30 24,00 7,49 6,82 0,67
76

parcela da mão de obra familiar que, embora não remunerada, realiza serviços básicos
imprescindíveis ao desenvolvimento da atividade.
A finalidade do uso desse custo é mostrar, caso a empresa não tenha remuneração igual
ou superior ao custo alternativo, se e quanto ela tem de resíduo que remunera em parte o
capital, o tempo, a administração e recursos auto-renováveis.

Forma das curvas de custo

O Gráfico 25 - Forma das curvas de custo total convencionais (CT, CVT e CF).

$ CT

CVT

CFT

Quantde. ofertada

A curva de custo fixo total é paralela ao eixo das quantidades, uma vez que independe do
nível de produção. Situa-se acima do eixo das quantidades por sua distância equivalente
aos custos fixos. Por sua vez, o custo variável total, que depende do nível da produção,
cresce à medida em que maior quantidade de produto é produzida, isto é, maior
quantidade de insumo variável está sendo utilizada. Inicialmente, a curva de custo variável
total cresce a uma taxa decrescente e depois a uma taxa crescente. A curva de custo total
é paralela à curva de custo variável total, e são separadas por uma distância equivalente
ao custo fixo total.
A curva de custo fixo médio inclina-se para baixo e para a direita em toda a sua
extensão não interceptando o eixo horizontal ou o vertical. É uma hipérbole retangular.
A curva de custo variável médio, geralmente tem a forma de “U”. Inicialmente, apresenta
uma inclinação descendente e depois passa a ter uma inclinação ascendente. O mesmo
77

formato é observado nas curvas de custo total médio e, tal forma depende da eficiência
com que ambos os recursos, fixos e variáveis, são utilizados.
Geralmente, a curva de custo marginal também apresenta uma forma “U”, consequência
do formato da curva de custo total.

O Gráfico 26 - Curvas de custo fixo médio, custo variável médio, custo total médio e custo marginal.
CMe
$ CMg

CVMe

CFMe

As formas das curvas de custo marginal e custo variável médio estão relacionadas com a
função de produção. A inter-relação das curvas de custo marginal e produto físico
marginal, custo variável médio e produto físico médio é plotoda no Gráfico 26.

As relações matemáticas entre as curvas do Gráfico são:

CVMeX1 = CVT/Y = X1. PX1/Y = 1/ PFMeX1 . PX1

CMgX1 = ∆CT/∆Y = ∆X1/∆Y. PX1 = 1/PMgX1. Px1

Oberva que o Produto Físico Médio se eleva a um máximo e depois diminui, e que o custo
variável médio reduz a um mínimo e depois se eleva; o produto marginal eleva-se para um
máximo, e continua a decrescer, enquanto o custo marginal baixa atinge um mínimo,
depois sobe, interceptando o custo variável médio em seu ponto de mínimo, continuando a
crescer.
78

Gráfico 27 - Relação entre as curvas PFMe e CVMe, e PFMg e Cma.

PFMe
PFMg

PFMe

PFMg X1

CMg
CVMe CMg
CVMe

Equilíbrio da firma em um mercado de competição perfeita

Em competição perfeita, a firma estará em equilíbrio quando o custo marginal do insumo


utilizado na produção igualar-se-á receita marginal auferida com a venda da mercadoria,
que deve ser igual ao preço de mercado do bem, portanto:

CMg = RMg = Py

Lucro Normal e Supernormal

O Gráfico 28 ilustra situações de lucro normal, supernormal, prejuízo e ponto de


fechamento da firma no curto prazo.
79

$
CMe

CMg CVMe

Lucro supernormal

Lucro normal

Ponto de Fechamento
Prejuízo – a firma não atua

Y
Gráfico 29 Analisando individualmente cada um dos casos, tem-se:
$
CMe

CMa CVMe

B C
A

O
E
Em que
AOEC = Receita total
BOED = Custo total
AOEC – BOED = ABDC = Lucro positivo

Gráfico 30
$
CMe

CMg CVMe

A
B

O
C
80

Em que
ABCO = Receita total
ABCO = Custo total
ABCO – ABCO = ABCO = Lucro nulo ou normal (A firma oferta)

Gráfico 31
$
CMe

CMg CVMe

A
Prejuízo B
D

O
E

Em que
DOEC = Receita total
AOEB = Custo total
DOEC – AOEB = ABCD = Prejuízo (Cobre CVMe e parte do CFMe)
A firma ainda produz

Gráfico 32

$
CMe

CMg CVMe

A
Prejuízo B

O
E
Em que
DOEC = Receita total
AOEB = Custo total
DOEC – AOEB = ABCD = Prejuízo (Cobre só CFMe)
81

A firma ainda produz, mas deixará de fazê-lo a partir deste ponto, uma vez que será
incapaz de cobrir até mesmo os custos fixos médios. Esse é o ponto de fechamento da
firma.

O nível ótimo de produção da firma

“O nível de produção em que o custo médio a curto prazo é o mínimo é aquele em que o
tamanho da firma é o mais eficiente. Aqui, o valor dos investimentos nos recursos, por
unidade de produto, é mínimo. Esta quantidade de produto é chamado nível ótimo de
produção. O termo ótimo significa “mais eficiente”. Qualquer que seja o tamanho da
empresa, a produção de custo médio mínimo é o nível ótimo de produção para aquele
tamanho de firma (LEFTWITCH, 1991:192)

O nível ótimo para dado tamanho de firma não é, necessariamente, aquele em que a firma
obtém o maior lucro. A existência de lucro e a sua magnitude depende tanto da receita
quanto do custo.

Curvas de custo no longo prazo (LP)

No longo prazo, em virtude da inexistência de custos fixos, todos os ajustamento de


escala (tamanho) são passíveis de serem realizados. A análise é feita considerando o LP
como uma sucessão de situações de curto prazo.

Gráfico 33 - Curvas de custo médio de longo prazo.

$/unid. CmeL1
x
CmeL2
CmeL3

X
Y Y’ Y1 Y3

Imagine-se que os possíveis tamanhos de firma são infinitos. Para cada tamanho
imaginado haverá um imediatamente um pouco maior ou um pouco menor. Como a curva
de custo médio no LP é formada por pequenos segmentos de curvas de custo médio no
82

CP, a CMeL pode ser construída como sendo a linha tangente a todas as possíveis curvas
de CMeCP, que representam os possíveis tamanhos da firma. Matematicamente, é
chamada de “curva envelope” das curvas de CP.

Gráfico 34 - Representação da curva envelope, economias e deseconomias de escala

$/Y

CMeLP

Economias de escala Y* Deseconomias de escala Y/ut

Economias e deseconomias de escala de escala

Normalmente, a curva de custo médio de longo prazo tem forma de “U”. Isso ocorre,
segundo LEFTWITCH (1991), se a firma tornar-se sucessivamente mais eficiente até um
determinado ponto (um tamanho limite) e, a partir de então, tornar-se sucessivamente
menos efidiente.
Eficiência crescente associada a tamanhos cada vez maiores de planta reflete-se por
curvas de custo médio de curto prazo situadas sucessivamente em níveis mais baixos e
mais à direita. A eficiência decrescente é demonstrada pelo movimento inverso, resultando
em uma curva CMeLP também em formato de “U”.
“As forças que levam a curva CMeLP a decrescer em maiores níveis de produção e
dimensões da empresa são chamadas “economias de escala”. Duas importantes
economias, nesse sentido são:
a) Crescente possibilidade de divisão e especialização da produção;
b) Crescentes possibilidades de uso e desenvolvimento tecnológico avançado e,
ou, equipamentos maiores.
83

[...] Mesmo considerando tais questões, existem limitações à eficiência em administrar e


controlar (coordenar) uma só firma com grandes proporções. Estas limitações são
denominadas “deseconomias de escala” LEFTWITCH (1991:195-6).

Tamanho ótimo da firma

O tamanho ótimo da firma refere-se à planta mais eficiente de todas as que a firma pode
estabelecer. Em outras palavras, o tamanho ótimo da firma é aquele que faz com que a
curva de custo médio de curto prazo atinja o ponto mínimo no mesmo nível de produ’~ao
que o custo médio de longo prazo.

Gráfico 35 - Tamanho ótimo da firma.

$/Y

CMeLP

Y* Y/ut
84

5.6 – Análise Econômica na Pesquisa e Experimentação Agrícola

O conceito de Pesquisa Agrícola nas referências da EMBRAPA é considerado


como: um instrumento de suporte da política de modernização da agropecuária, que cria
novos conhecimentos aplicáveis à geração de conhecimentos destinados a modernizar às
atividades rurais e, reduzir os seus custos de produção. Permite acumular conhecimentos
que possibilita compreender e dominar as forças da natureza.

pesquisa
Portanto, a passagem da agricultura empírica agricultura científica:
proporcionou considerável crescimento à produção rural.

Logo, Pesquisa Agrícola, é a busca da verdade, procura desvendar e solucionar os


problemas do meio rural.

⎡ Básica ou Científica - busca tão-somente a criação de um novo conheci


mento afim de formular hipóteses, teorias e leis,
sem ter em vista nenhum uso ou aplicação
imediata de seu resultado.
PESQUISA − ambas buscam
novos
conhecimentos

⎣ Aplicada ou Tecnológica - busca atingir fins práticos, de modo de obter-se


um produto de acordo com as exigências do
sistema produtivo

Experimentação Agrícola - Permite testar essas inovações (em estações experimentais),


visando obter informações a cerca de seu desempenho em diferentes condições, que
colocada a disposição dos produtores para usá-las.
Para tanto: A modernização agrícola pode ser entendida:
i. aumento da produtividade da mão-de-obra, com uso de tecnologias mecânicas e
o aumento da produtividade da terra;
ii. modos de produção e,
iii. melhores máquinas.
85

Existem tecnologias que não se materializam em insumos vendidos no mercado,


mas apenas num conjunto de técnicas que visam combinar esses e outros fatores de
produção mais eficiente.
Ex.: criação de novos métodos zootécnicos, preparo do solo e plantio; práticas
culturais mais aprimoradas; determinação de espaçamento; entre outros.
Tempo e custo para execução de pesquisa:

i. investimentos elevados;
ii. prazo para conclusão: quase sempre longo;
iii. resultados: arriscados e incertos e,
iv. patente: podem ser copiados, multiplicados ...

Por estas características há o afastamento da iniciativa privada e marca a presença


do Governo. Portanto, Pesquisa e Experimentação podem ser entendida como sendo o
instrumento indispensável ao processo de modernização para a promoção da agricultura,
ou o que dá no mesmo a inserção das atividades rurais no modelo de desenvolvimento
capitalista.

Modelo de Pesquisa Agropecuária no Brasil

EMBRAPA (órgão cental) ESTATAIS / Universidades/Centros


Nacionais/Institutos de Pesquisas
| |

associação orgânica

centralização por produto

Conceito de PACOTE TECNOLÓGICO - ou sistema de produção por produto

É o conjunto de técnicas, práticas e procedimentos agronômicos que articulam


entre si e que são empregados indivisivelmente numa lavoura ou criação, segundo
padrões estabelecidos pela pesquisa (é uma linha de montagem).
O conceito de Pacote Tecnológico passa pelo paradigma de agricultura sustentável,
iniciado pela Revolução Verde implantada nos anos 60, em países como o México,
Estados Unidos e Filipinas. O Termo caracteriza a renovação genética da agricultura com
o surgimento de grande número de variedades com alta sensibilidade positiva a
fertilizantes e condições específicas. Cientistas americanos conseguiram, por hibridação,
86

variedades mais produtivas de cereais, que exigem a combinação de mecanização, bons


solos, irrigação, adubos e defensivos por meio de pacotes tecnológicos com insumos,
procedimentos e técnicas específicas (Duarte, 2005, p:142).
Para o autor, mesmo eventuais falhas, a mudança tecnológica foi assimilada por
empresários mais capitalizados, tornando possível a expansão da agricultura e o aumento
da produtividade, com importante contribuição para a economia do país. Entre 1970 a
1985, o progresso tecnológico da agricultura brasileira e o conjunto de políticas públicas
que incluíram crédito, subsídios, introdução de tecnologias pela modernização e pelo uso
das técnicas difusionistas criaram as bases para um setor agrícola moderno e importante.

(ver estrutura básica do pacote tecnológico, Diagramas 1 e 2)

- Estratégia do Pacote Tecnológico: é associar a utilização dos meios de produção. O


Pacote Tecnológico não constitui uma mercadoria; ele indica o modo de emprego dos
insumos de origem industrial. Ao Capital, portanto, interessa o Pacote Tecnológico.

NECESSIDADES DA PESQUISA AGRÍCOLA

Cabe a pesquisa definir as formas e usos adequados dos meios de produção


(insumos).
Nos ramos industriais: as fábricas e os processos produtivos são suscetíveis de
transformação direta de uma região para outra, de um país para outro, guardando apenas
os aspec-tos de mercado, economicidade da produção e disponibilidade de mão-de-obra.
Assim uma fábrica de liquidificador pode transferir-se de uma cidade A para B, mantendo
as mesmas características produtivas (processos, linhas de montagens, etc.)
Na agricultura, esse processo não se dá da mesma maneira, embora há tendência
de homogeneização dos processos e das técnicas de produção. O aumento da
produtividade do trabalho mediante o uso de meios de produção (máquinas, fertilizantes,
defensivos) implica na necessidade de testes e experimentação desses insumos, em
quantidades e dosagens convenientes às condições específicas do meio físico (solo,
clima, chuva, etc.).
Portanto, a necessidade da Pesquisa Agrícola, do ponto de vista capitalista é
adaptar experimentalmente o emprego dos insumos modernos e máquinas, de tal modo
que obtenha um produto final.
87

Para PINAZZA, 1993, no futuro tornar-se-á cada vez mais necessário dar prioridade
ao desenvolvimento de sistemas de produção adaptados a diferentes condições
ecológicas, reduzindo-se, assim, riscos para a produção e para o meio ambiente.
Continua o autor, a redução dos investimentos em pesquisas e tecnologia em
muitos dos países em desenvolvimento aumenta a insegurança alimentar (custo maior
para a atual geração) e, degradam os recursos naturais (custo maior para a geração
futura).
O aumento da produção via expansão de áreas está sendo substituído por ganhos
de produtividade. É preciso, portanto, que se acelerem os investimentos em pesquisa e
tecno-logia para aumentar os ganhos verticais na produção agropecuária.
O desenvolvimento e a adoção de tecnologias apropriadas para a produção
reduzem a insegurança alimentar.

O Uso e a Importância da Análise Econômica na Pesquisa


A ái

É sabido que agricultores assimilam uma tecnologia com bases em critérios como
lucro, disponibilidades de recursos e riscos. Por isto, que a Análise Econômica é uma
atividade da economia importante na pesquisa.
Como foi visto um resultado de experimentação agrícola não se deve conter apenas
avaliação agronômica e/ou zootécnica, pois, é necessário conter Avaliações Econômicas.
Portanto, a análise econômica permite a transformação dos resultados (da
experimentação) em termos monetários, para conhecer a viabilidade. Uma Análise
Econômica é capaz de levantar um problema e apontar às possíveis soluções.
De um modo geral a Análise Econômica de experimento(s), seja de um produto ou
de um sistema de produção; sempre preocupa com a distribuição e uso (combinação)
racional dos meios de produção que são escassos, com custos e preços.
A importância da Análise Econômica está relacionada com a verificação e
adequação de novas tecnologias e permite, também, inferir as condições necessárias para
torná-las viáveis.
É importante ressaltar que a Análise Econômica está perfeitamente relacionada com
estatística, por isto, o Economista Agrícola deve estar sempre preparado com instrumentos
estatísticos.
88

A Análise Econômica transforma valores físicos (produto - insumo) em valores


monetários (benefício - custo), a partir daí realiza as comparações. Nos estudos
econômicos há duas fases definidas: na primeira - são estabelecidas as relações entre
produto e insumo; na segunda - recebem o tratamento econômico (os preços), quando são
derivadas as melhores combinações. Esta segunda fase está relacionada à utilização de
métodos quantitativos - matemática e estatística.

Pode-se definir Análise Econômica pela Equação:

ANÁLISE ECONÔMICA = Método Quantitativo + Preços x Quantidade

É arriscado realizar Análise Econômica sem qualquer tratamento quantitativo dos dados.
Para quantificar certos fenômenos econômicos e agrícolas, a economia vale-se dos
métodos quantitativos, para explicar a(s) relação(es) existente(s) entre a(s) variável(s).
Geralmente os Economistas preferem o uso de modelos com muitas variáveis, que
permitem estudos mais amplos dos vários fatores que influenciam cada resposta.

As formas de analisar resultados de experimentos ou sistemas de produção


agrícolas são baseadas em três variáveis que não fogem à regra:

PRODUTO - FATORES DE PRODUÇÃO - MERCADO (INSUMOS)

Os métodos mais usados para investigar tanto a(s) variável(s) explicativa(s) como a(s)
explicada(s) são:
i. relação produto - produto,
ii. Relação insumo-produto,
iii. relação fator - fator,
iv. superfície de respostas,
v. Regressão linear e/ou não-linear,
vi. Programação linear,
vii. Relação custo/benefício,
viii. Análise marginal e, dentre outras.

A função do Economista na Pesquisa Agrícola e/ou nas atividades da agropecuária,


pode ser a partir da natureza das Ciências Econômicas em se interagir com todos os
ramos do conhecimento, permite, então, ao Economista tanto em Pesquisa como na
89

Economia da Produção Agrícola, inferir Análises Econômicas de resultados físicos, fator-


produto, bem como a validação agro-socioeconômicas do meio rural para detectar
problemas, eficiências e tendências econômicas.
90

UD VI - MERCADO, COMERCILAIZAÇÃO E ABASTECIMENTO AGRÍCOLA

6.1Estruturas de Mercados Agrícolas

O mercado agrícola é determinado pelas forças que regem a oferta e a demanda, atuando
conjuntamente, que determinam o preço de mercado e, portanto, a quantidade de um
produto a ser negociado.
O preço é formado a partir do resultado direto das condições de oferta e demanda
(MENDES, 1989).

Por isto é necessário conhecer o comportamento do preço, pois é ele que proporcionará
os elementos básicos para as negociações agrícolas.
Pode-se dizer que nenhuma variável é mais importante no mercado do que o preço.

Conceito de Mercado

i. É o local onde se encontram os compradores e os vendedores.


ii. Geograficamente é o local onde compradores e vendedores realizam a
transferência de propriedades de bens e serviços (MENDES, 1989).

Há três tipos de mercados:


1. Mercado Geográfico - é aquele que incorpora a utilidade de lugar (ex. Mercado de Rio Verde), que pode
ser local, regional e nacional ou internacional.
2. Mercado de um produto que incorpora utilidade de forma (ex. Mercado de soja).
3. Mercado Temporal - aquele que incorpora a utilidade de tempo (ex. Mercado de milho em março).

Principais características de um mercado.


O grau de interdependência de compradores e vendedores é sempre visto pelo tempo,
pela forma e pelo espaço, e isto é medido pela sensibilidade do Preço.

Sistemas de Mercados Agrícolas

Existe o mercado livre que é aquele que opera livremente, no qual não há forças externas
que influenciam ou estabelecem condições de mercado artificiais, às quais uma firma
ajusta-se.
91

Algumas forças externas de mercado podem influenciá-lo, cita-se algumas:

i. Tarifas
ii. Preços mínimos
iii. Tabelamento de Preços
iv. Controle de Preços
v. Preços Administrados etc.

Estas formas resultam em alocação ineficiente de recursos, se comparadas com uma


economia livre de todas estas restrições.

Estruturas de Mercados

Este termo conduz o entendimento das características organizacionais de um mercado, os


quais determinam as relações:

i. entre vendedores no mercado,


ii. entre compradores no mercado,
iii. entre compradores e vendedores e,
iv. entre vendedores estabelecidos e novos vendedores.

Os tipos de concorrências e formação de preços, constituem características da Estrutura de Mercado.


Por outro lado a classificação do mercado ocorre conforme o número de firmas e a
diferenciação do produto (Tabela 14):

i. competitivos - aqueles com concorrência pura, monopolística e monopsônica,


ii. pouco competitivo - oligopólio e oligopsônio e,
iii. sem competição - monopólio e monopsônio.

A agricultura pela sua própria naturesa é perfeitamente competitiva, uma vez que qualquer
produto agrícola, além de ser homogênio, é produzido por grande número de produtores
(em 1995 haviam no Brasil 6 milhões de propriedades rurais, com uma área de 380
milhões de hectares, IBGE, 1996). Contudo, os agricultores ao se relacionarem com o
setor não-agrícola enfrentam situações de oligopólios e oligopsônios e até de monopólios
e monopsônios.
92

Quando os agricultores vão adquirir insumos e máquinas para sua produção de uma
determinada mercadoria, eles encontram poucas firmas vendendo os insumos e máquinas
(oligopólio), mas quando eles vão vender seus produtos agrícolas normalmente surgem
poucos compradores (oligopsônio). No mercado que atuam o monopólio e o monopsônio,
os agricultores recebem menos pelos seus produtos e pagam mais pelos insumos e
máquinas, relativamente a uma situação de competição.

TABELA 14 - Classificação do mercado


Número de Tipo de produto Atividade da firma
Firmas Venda Compra
Muitas Homogênio Competição pura Competição Pura
Muitas Diferenciado Compet. Monopolística Comp.
Monopolística
Poucas Homogênio ou não Oligopólio Oligopsônio
Uma Único Monopsônio Monopsônio

FONTE: MENDES, 1989.

Para esclarecimento e entendimento o esquema abaixo evidencia como se relacionam os


três principais mercado de insumos, máquinas e produtos agrícolas.

Agricultura

Fornecedora de alimentos e
de matérias-primas

Indústria de máquinas e Agroindústria


insumos p/ agricultura

6.2 Relações Contratuais (texto)

6.3 Crédito Rural: financiamentos agropecuários


93

UD VII - Complexos Agroindustriais

7.1 Conceitos e Importâncias do Agronegócio: agribusiness

Na literatura pode-se encontrar diferentes conceitos de agronegócio ou agribusiness. Para


esta disciplina de Economia Agrícola apóia-se no mais elementar dos conceitos, como
ponto de partida para entender este fenômeno fundamental para qualquer país. O conceito
de Agronegócio pode ser entendido como uma seqüência de segmentos ou elos de
produção ou de serviços que respondem, no final das atividades, um produto interessante
ao consumidor final. A Figura abaixo ilustra esta idéia.

Empresas
distribuidor
Indústrias as ou
ILUSTRAÇÃO processador comércio

INDÚSTRIA SETOR AGRO – MERCADO


DE INSUMOS CONSUMIDOR
AGRÍCOLA INDÚSTRIA
( D1 )

Insumos 1° processamento 2°processamento NOVOS


MERCADOS

. pré processamento
MERCADO DE TECNOLOGIA . processamento
. logística de distribuição OPORTUNIDA-
DES E MEAÇAS
. armazenamento
DEMANDA
OERTA . Transporte
. mercado – físico
NOVOS CENTRO - futuro
T,P,S P&d - crédito
- financiamento

Portanto, Agronegócio significa o conjunto das empresas produtoras de insumos,


propriedades rurais, indústrias de processamento, de distribuição e comércio nacional e
internacional de produtos agropecuários in natura ou processados.
Como pode ser observado na Figura acima, o Setor Agrícola é o mais estratégico, por
estar no centro da cadeia produtiva e por ser o fornecedor de matéria prima e alimentos.
Embora este setor sempre passou por pressões históricas para atender a demanda de
alimentos dos centros urbanos. Na atualidade continua sofrendo pressões, mas com
bases mais técnicas e modernas. Agora surgem novos tipos de pressões, como da
94

globalização, das regras do comercio internacional e dos surtos de desenvolvimento


tecnológico no mundo.
Neste contexto, os agricultores passam a ter o papel mais ativo na adoção de novas
tecnologias, devendo ter capacidade de identificar necessidades, localizar fontes de
informação, compreende-las e adapta-las às suas circustâncias.
De outro lado, o surgimento de mercado agrícola forte fez reforçar as estratégias
das empresas interessadas na agricultura como negócio.
O Agronegócio responde por 1/3 do PIB, de tudo que é produzido no Brasil, e 37,1 % da
mão de obra economicamente ativa empregada, sendo que 62,7 % está na agropecuária,
32,2 % na agroindústria e serviços. É uma cadeia de atividades produtivas e econômicas,
sobretudo, muito extensa, por isto, está cheia de gargalos, desafios e oportunidades que
precisam ser explorados, principalmente depois da porteira da fazenda até ao consumidor
final.
Para que o setor do Agronegócio seja mais significativo no contexto do PIB brasileiro é
necessário que ele se adapte às novas exigências do mercado. Para o setor de alimentos
BATALHA, 2001, cita que, os alimentos devem ser produzidos, industrializados e
distribuídos dentro dos padrões competitivos, o que permite o acesso da população a
produtos de qualidade desejada, sem gerar desperdícios e ao menor custo possível.
Para o autor ser competitivo implica, atuar sobre toda a cadeia produtiva, mediante
redução de custos e aumento da eficiência em todas as etapas da produção.
Ser competitivo significa ter capacidade de “sobreviver” e de crescer em mercados
correntes ou novos mercados. A competitividade tornou-se uma medida de desempenho e
depende de fatores internos e externos.

Figura acima revela uma estrutura simples do Agronegócio, no qual o D1 corresponde as


empresas que fornecem insumos, serviços, matérias prima e tecnologias para o Setor
Agrícola, as empresas mais comuns são, as produtoras de fertilizantes, sementes,
inseticidas, herbicidas, combustíveis e etc.

É necessário se ater para os elos que se formam na cadeia do Agronegócio, na qual cada
segmento responde a um estímulo e uma parte afeta o todo e o todo afeta a parte.
95

No segmento do consumidor é que se localiza a grande preocupação atual. Pois é o


consumidor que “irriga”, através de sua renda, todo o sistema. Este consumidor tornou-se
mais exigente seja com a garantia do produto, seja com a segurança e com a origem dos
alimentos. Neste caso, a certificação do produto tornou-se importante no que se refere ao
atestado de conformidade, atestado histórico, atestado de procedência, atestado de modo
de produção, de manejo sanitário do alimento.
Com a produção mais adensada, nos diferentes segmentos do Agronegócio, para a
redução dos custos de produção, ocorre uma exposição crescente do setor produtivo á
concorrência externa e o volume intenso de informações sobre as pessoas, estão
moldando um novo tipo de consumidor, mais consciente, mais informado, preocupado com
o preço, com a qualidade e segurança dos alimentos que consomem.

Modelo ideal é de um Agronegócio regional e faz com que a indústria tenha retornos
crescentes, decorrentes da eficiência econômica. Faz parte da lógica industrial a seleção
do que interessa para ela, o que torna excludente, porque o produtor que não enquadrar
está fora.
É oportuno apontar alguns desafios crescentes para aqueles que têm o Agronegócio como
atividade principal:
i. abertura de mercado,
ii. aumento das exigências dos consumidores tanto nacional como internacional, no que
se refere a alimentos,
iii. necessidades de profissionais capacitados para atuar nas relações entre empresas,
equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir modificações, atuar
prercursivamente, gerir e transferir conhecimento tendo visão ampla de toda a cadeia
de produção.

Os profissionais do agronegócio podem trabalhar em organizações como: industrias,


comércio, prestação de serviços, órgãos públicos, órgãos privados, cooperativas, sistema
financeiro, ensinos, pesquisa, extensão e propriedades rurais.

Cadeias Produtivas

As atividades agropecuárias, no passado eram executadas exclusivamente pelos


agricultores rurais. Era o produtor com suas condições próprias e do mercado que atendia
que definia o que deveria plantar ou criar e quanto plantar. Cabia a ele providenciar os
96

insumos e recursos humanos e financeiros para o seu sistema produtivo, posteriormente a


sua produção era vendida no mercado quando fosse mais conveniente.
Com os processos de mudanças provocados pelo desenvolvimento urbano e das
melhorias dos sistemas de transportes, das inovações tecnológicas, das exigências de um
mercado competitivo, mais amplo e complexo e das integrações das atividades rurais
produtivas com as outras atividades econômicas. O que anteriormente era executado
única e exclusivamente pelos produtores passou a ser realizado por uma série de agentes
econômicos especializados e orientados para segmentos específicos do processo como
um todo.
Na atualidade ocorrem atividades pré-produção, sejam industriais ou somente de
processamento, como a produção de máquinas, equipamentos e implementos, ração,
adubos, transportes, produtos veterinários, serviços, pesquisas e assistência técnica, que
são realizadas fora do campo. Tem-se, também, atividades pós-colheita que envolvem
armazenamento, transporte, distribuição e comercialização do produto oriundo da
agricultura. Parte da produção não consumida na forma in natura é industrializada ou
processada fora do campo.
O complexo formado por este conjunto de atividades é o Agronegócio. Decorrente desta
evolução não é possível conhecer a dinâmica da agricultura sem conhecer este complexo,
devido a grande inter-relação de dependências dos agentes econômicos envolvidos.
Por diversos motivos os setores que estão fora do campo são mais organizados e
modernos, pois possuem mais recursos disponíveis, do que os produtores agrícolas. As
atividades fora do campo têm menores riscos e incertezas e conseguem preservar melhor
suas margens de lucros.
Atualmente, os produtores precisam ter mais acessos a tecnologias e informações das
diferentes cadeias produtivas. Por cadeia produtiva entende-se como um conjunto de
segmentos do agronegócio que está relacionado com um determinado produto agrícola.
FIGURA.

7.2 Tendências do Agronegócio Brasileiro

7.3 Estado e Desenvolvimento Econômico no Brasil