O PAPEL DO REVISOR NA ATUALIDADE

Ezequiel Schukes Quister. RESUMO A pluralidade de gêneros, formas e tipos textuais têm requerido um leitor mais capacitado, judicioso e consciente das diversas facetas que as o ras atuais demandam. S!o muitos os t"tulos, muitos os segmentos e tam #m muita confus!o envolvida na padroniza$!o de o ras, o que acarreta preju"zo ao leitor. A mir"ade de possi ilidades que se descortinaram com os meios eletr%nicos de comunica$!o, exige do leitor uma compreens!o for$ada, e porque n!o, o tusa. A evolu$!o dos meios de comunica$!o traz, necessariamente, uma velocidade ora incompreens"vel & mente humana, a qual se limita apenas a interagir com este novo cen'rio. Assim, o papel do revisor n!o # s( o de consertar um texto, mas torn')lo intelig"vel. PALAVRA-CHAVE: revis!o* estrutura textual* padroniza$!o* o jetividade. INTRODUÇÃO A produ$!o liter'ria rasileira # muito rica. +emos autores ilustres como

,achado de Assis, e outros que & esteira dele fazem da nossa literatura algo conhecido mundo afora. A riqueza est' na formula$!o de textos e na sua significa$!o, no uso da l"ngua e principalmente nas formas, coloquiais ou n!o, de se dizer algo. As literaturas ou mesmo os textos tecnicos, atualmente requerem do leitor uma capacidade maior de s"ntese e entendimento. A interpreta$!o # e continua sendo algo fundamental na intera$!o texto)leitor. As formas de interpreta$!o requeridas e o perfil do leitor foram detectados j' nos anos -. /0EA1234* ,E251A, 6789:. 4u seja, a evolu$!o mostra que o leitor # ao mesmo tempo o jeto da an'lise e co)participante do processo de significa$!o.

o papel do revisor.: /D4>E. =..A:. sendo sua interpreta$!o fruto de um contexto esta elecido pelo autor. A diagrama$!o. atualmente.7. As vivências. mas mant#m suas caracter"sticas 'sicas quando se d' o advento da revolu$!o eletr%nica. ele que. . s!o alvo constantes das m"dias. n!o # s( o de estruturar um texto & norma culta. 4 entendimento # que. em grande parte. um leitor filho da revolu$!o industrial e do aparecimento dos grandes centros ur anos.A0+A. como ha itualmente s!o chamados os que gostam de ler algo cujo ve"culo # o papel.9: Santaella argumenta que as mudan$as tecnol(gicas s!o e ser!o influências diretas para o leitor. determinado texto pode ter ou n!o um valor intr"nseco* os o jetos de discurso a que o texto faz referência s!o apresentados. que uscam meios de cativ')los. permanecendo muita coisa impl"cita /. como se dizia h' algum tempo.:. na ausência de sentido. . din<mico. ou os meios ao texto. su entende)se que para cada um deles.. For isso o profissional da revis!o # aquele que pode e deve dar significado e clareza ao texto.. por si.. 0ogo. mundo h" rido. >laro que os diversos suportes dispon"veis para a leitura orientam e segmentam os p? licos. n!o tem significa$!o & priori. Esse leitor.. inser$!o de imagens. por#m.. era do apogeu da televis!o /SA1+AE00A. para eles que o texto se ajusta aos meios. =. de forma incompleta. o leitor do mundo em movimento. mesmo aqueles leitores contemplativos. logo. o principal eixo # a intera$!o textual. realizar muito copidesque /. =.. vai cerzir as frases e torn')lo consum"vel. p'g. mas. de misturas s"gnicas. infogr'ficos e recursos estil"sticos facilitam a interpreta$!o do leitor /S>A0@4. que requer do leitor uma demanda de significa$Bes e interpreta$Bes muito mais restrita ao seu repert(rio. experiências e mazelas da vida moldar!o os tipos de leitores. . o registro de cada pessoa que torna a leitura algo estritamente pessoal. =. Doch argumenta que o texto. uma orienta$!o. visando um direcionamento. o homem na multid!o. atravessa n!o s( a era industrial. 86:. que nasce com a explos!o do jornal e com o universo reprodutivo da fotografia e cinema. DESENVOLVIMENTO Em que o revisor pode ajudar nessa tarefa de significa$!oC ..

simultaneamente. deve conter todas as nuances que o autor tentou transmitir. /. 2eve ter uma linguagem clara e concisa. . >onsiderar ainda que os autores tam #m fazem de sua o ra uma express!o de seus repert(rios. em si. revela mais do que um modo ou meio de se dizer algo. 6777. 1este caso. reparar uma senten$a incoerente ou mesmo realizar acertos de ordem hist(rica. de que o repert(rio do leitor vai definir oa parte da significa$!o do texto. Foder"amos o jetar esse argumento considerando tra alhos de tradu$!o realizados nas o ras de EenrL >harles MukoNski. 3ecentemente um estudo americano deixou muito claro que o texto.. # aquele que vai conter todo o emaranhado de id#ias. em infind'veis explica$Bes de texto.. 4 fen%meno de interpreta$!o # um olhar diferenciado do autor. mesmo em releituras. ao significado. na tradu$!o de M#rard..alta. Gm texto para ser om. cujas o ras s!o singularmente reconhecidas pelo teor picante e pelos contextos geogr'ficos que as acompanhavam.6=:. a tipos de discurso em distintosI a 4diss#ia como texto primeiro # repetido. o limiar entre um autor ou revisor pode ser tênue. Qoucault argumenta que o primeiro texto. seus tra alhos chegaram at# n(s sem que se considerassem cr"ticas ou preju"zos em rela$!o & tradu$!o. por exemplo. sen!o todo ele. no GlLsses de JoLce /Q4G>AG0+. a riqueza de conceitos a partir do qual se pode reatualizar informa$Bes. na mesma #poca. cultural e t#cnica* # como ser um co)autor. Am os os exemplos refor$am o que anteriormente foi citado por Doch. ou texto principal. 4 estudo feito pelo pesquisador americano Alex Hatson so re o ras de 1elson 3odrigues demonstrou que este autor n!o tem penetra$!o no mercado estadunidense devido & impossi ilidade de se traduzir conceitos e expressBes regionalistas. como j' disse +om Holfe. 2eve remeter o leitor para dentro do texto. #)lhe requerido o papel de autor ao melhorar um trecho o scuro. &s vezes. Hatson afirma que a dificuldade principal na tradu$!o recai so re o contexto local utilizado nas o ras de 1elson 3odriguesI o 3io de Janeiro dos anos K. 2eve ser intelig"vel em seus aspectos culturais mais "mpares. notoriamente conhecido como um dos Opoetas malditosP. visto que em sua fun$!o. p'g.Fara . cujas caracter"sticas fazem de suas o ras algo singular.: uma ?nica o ra liter'ria pode dar lugar.

For isso um revisor deve n!o somente participar do processo corretivo de um texto. A complexidade dessas rela$Bes a range teorias semi(ticas. >ada leitor usca em uma o ra aquilo que lhe # mais peculiar. s( a t#cnica n!o asta /. K7:. que culmina com o leitor. com textos. . lingR"sticas e psicol(gicas. a gama de conceitos . 6777. o material humano ainda # essencial para esta elecer o foco. talvez. 6776. 1essa mesma linha Gm erto Eco fundamenta muito em o que foi dito anteriormente com rela$!o ao sentido do material criado ap(s um resignifica$!o. o revisor. ou reatualiza$!o. ao confrontar o signo que interpreta. seus n(s de coerência. es o$a alguns dos gêneros textuais jornal"sticas cujas f(rmulas d!o ao leitor uma vis!o segmentada dos tipos textuais que podemos encontrar e com os quais. Seja como for. que hoje se mostram cada vez mais ?teis. 0er # um requisito 'sico para aquele que se dispBes a exercer a profiss!o de revisor.A0+A. p'g. fica evidente outra caracter"stica importante so re a responsa ilidade de um revisor)tradutor no papel da translitera$!o. A possi ilidade de se fazer textos lineares para am as as pu lica$Bes as tornariam o jeto de desprezo. por#m. Apesar dos recursos de corre$!o dispon"veis nos programas de computador. a diversidade pode requerer tam #m uma padroniza$!o. Aquilo que facilmente lhe toca o sentido e lhe significa algo. Fara isso. 6A:. maioria das pessoas se identifica.4 que vem depois passa a ser mera situa$!o opinativa* coment'rios. 0eitores da Fiau" n!o se deparam com textos semelhantes aos da Seja. por exemplo. . p'g. surge para atenuar os pro lemas de um texto ou mesmo para reformul')lo. mas tra alh')lo para que fique o jetivo. deve ser uma pessoa muito em informada. seus conte?dos e a capacidade de significa$!o de cada uma # fruto das experiências de seus leitores. =8:. conforme exemplifica Qoucault. n!o como mero corretor ortogr'fico. natural que se usque a equaliza$!o de id#ias com textos & altura da capacidade interpretativa do leitor. por#m. sua inser$!o no real /Q4G>AG0+. seu tra alho de articula$!o o define. uma gama de considera$Bes # criada pelo autor. seus limites /E>4. na confec$!o de uma o ra escrita at# a sua consuma$!o. p'g. quando diz que n!o h' interpretante que. n!o modifique. o autor # aquele que d' & inquietante linguagem da fic$!o suas unidades. Ent!o. pois a maneira de produ$!o textual aplicada em cada uma faz o seu diferencial. mesmo que s( um pouco. nesse contexto que um revisor. 1!o que hoje em dia isso j' n!o seja um realidade no universo das pu lica$Bes dispon"veis. Fedro >elso >ampos. assim como qualquer profissional que lida com a informa$!o. evoluindo para corre$!o de sintaxe e sentido. Assim. sempre uscando sua pr(pria satisfa$!o ou a do seu p? lico.

t"tulos so re o tema tratado neste tra alho. em suma. . >omo dito anteriormente. >a e aqui frisar que um programa pode ajudar o revisor. CONCLUSÃO Segundo palavras de 0uiz 3o erto .alta escreveu isso em =. A maioria das o ras pu licadas na ?ltima d#cada aponta um caminho mais did'tico. essas ferramentas s!o de grande aux"lio. em 9. mas n!o # parte essencial de seu tra alho. anos foram pu licados menos de 6. Fu lica$Bes com padroniza$!o de textos e formas tam #m s!o em)vindos. antes de tudo # preciso um profissional que entendo um texto como arte. mas.anual do 3evisor.a stratos e liter'rios que fogem do padr!o tecnicista de um corretor. enfatizando o aspecto tecnicista que est' diretamente ligado & profiss!o de revisor. quando da pu lica$!o de seu livro . talvez. 4s poucos autores que se dedicaram a extrair ou explicar conceitos textuais de forma mais liter'ria. como os manuais de reda$!o jornal"stica da Qolha de S!o Faulo. falta de padr!o para uma 'rea que ainda se pensa de forma tecnicista. A falta de o ras de referência pode denotar falta de interesse cient"fico no assunto ou. 4s corretores ortogr'ficos jamais podem su stituir o tra alho humano neste campo. autores de livros e jornalistas que se enveredaram pelos caminhos da literatura. menos acadêmica. Eoje # prov'vel que essa marca j' tenha sido alcan$ada e superada.alta.. .. por exemplo. s!o..

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