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TCEMG|jan.|fev.|mar. 2012| COMENTANDO A JURISPRUDÊNCIARevista

A aplicação do princípio da verdade material nas decisões do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais

Resumo: É notável a importância dos princípios para reger a atuação da Administração Pública. A Constituição da República consagrou em seu texto diversos desses princípios, e outros podem ser extraídos implicitamente do ordenamento jurídico. Entre estes destaca-se o da verdade material como instrumento de busca de uma efetiva proteção do interesse público.

Palavras-chave: Administração Pública. Princípios. Verdade material.

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Marina Martins da Costa Brina

Especialista em Direito Internacional pelas Faculdades Milton Campos. Graduada em Direito pela UFMG e em Relações Internacionais pela PUCMinas. Técnica do TCEMG

Abstract: It is remarkable that the principles have a great importance to rule the acts of the Government. The Constitution has enshrined in its text many of these principles, and others can be implicitly extracted from the legal system. Among these we find the principle of the material truth as an effective tool to protect the public interest.

Administration. Principles.

Material truth.

Keywords:

Public

A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NAS DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

1 INTRODUÇÃO
1
INTRODUÇÃO

A administração pública, em sua atuação, rege-se por normas, aí incluídos regras e princípios. Com

a Constituição da República de 1988 os princípios adquiriram maior importância, como se extrai

da leitura do § 2º do art. 5º 1 e também do art. 37, que traz explícitos alguns princípios a serem observados por toda a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade

e eficiência.

É de se notar que no Direito Administrativo, ramo jurídico não codificado, os princípios ganham

grande relevância auxiliando na compreensão e consolidação de seus institutos.

Os processos administrativos constituem um desses institutos do Direito Administrativo e, como tais, são regidos por princípios próprios. Alguns desses postulados encontram-se consagrados na Constituição da República, outros nas leis processuais e outros encontram-se implícitos no sistema normativo.

O presente trabalho tem por objetivo abordar especificamente um desses princípios: o da verdade

material. Trata-se de princípio de suma importância para a consagração do interesse público e da justiça social na medida em que reflete o comprometimento da administração na busca da verdade irrefutável. O princípio da verdade material, ao ampliar a capacidade investigatória da administração, impede que ela tenha uma atitude de expectadora. Ao invés de apenas observar o

que se encontra nos autos, ela pode determinar a produção das provas necessárias para esclarecer

o que realmente ocorreu.

Especificamente no âmbito dos processos dos tribunais de contas, o princípio da verdade material adquire uma peculiar importância ao traduzir o dever das cortes de contas para com uma fiscalização efetiva e verdadeira. Elas podem e devem, por todos os meios legais, conhecer a gestão da coisa pública. Afinal, sendo a proteção do interesse público o objetivo do Tribunal e, sendo o interesse público indisponível, não se admite que o órgão fiscalizador contente-se com a verdade trazida nos autos.

No presente trabalho, inicialmente será abordado de forma generalizada o processo administrativo

e, em seguida, será estudado o princípio da verdade material. Serão apresentadas decisões de

diversos tribunais pátrios aplicando esse princípio e, por fim, decisões da Corte de Contas mineira em busca da verdade material.

2 O PROCESSO ADMINISTRATIVO

Conforme apregoa o art. 37 da Constituição Federal, a administração pública tem sua atuação pautada pelo princípio da legalidade. Para atuar nos termos da lei e assegurar o interesse público, regras e ritos predeterminados devem ser seguidos, o que ocorre mediante processo administrativo. 2

A ideia de processo administrativo é relativamente nova na doutrina e jurisprudência. Por muito

tempo predominou a noção de que o processo era apenas o judicial, sendo posterior a inclusão do

1 Art. 5º, § 2º, da CR/88: “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.”

2 Nesse sentido, leciona Marcelo Harger (2008, p. 71): “Com a ampliação da área de atuação da Administração Pública, surgiu a necessidade de uma maior observância dos aspectos procedimentais para garantir o controle dos atos administrativos, e isso acabou por alçar o tema do processo administrativo a um novo patamar.”

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processo administrativo na categoria geral de processo. 3 Essa inclusão representou uma mudança de paradigma: perdeu importância o ato administrativo e ganhou espaço o processo administrativo para orientar o relacionamento da Administração com o particular.

O processo administrativo atua como meio de controle do autoritarismo e de uma maior legitimação

do poder. 4 Ao buscar uma maior participação do cidadão nas decisões públicas, o processo traduz uma atuação mais democrática e uma consolidação do Estado de Direito. 5

Na doutrina brasileira, os autores conceituam o processo administrativo enfatizando o fato de ele abranger uma série de atos. José dos Santos Carvalho Filho (2009, p. 24) define o processo administrativo como o “instrumento formal que, vinculando juridicamente os sujeitos que dele participam, através da sucessão ordenada de atos e atividades, tem por fim alcançar determinado objetivo, previamente identificado pela Administração Pública”. Celso Antônio Bandeira de Mello (2007, p. 472) afirma que “processo administrativo é uma sucessão itinerária e encadeada de atos administrativos que tendem, todos, a um resultado final e conclusivo”.

A legislação pátria também consagra o processo administrativo. A Constituição de 1988 incluiu em

seu texto os princípios processuais mais relevantes e definiu novos parâmetros a serem seguidos pela Administração Pública, principalmente com a inclusão, no rol de direitos fundamentais, da processualidade (CR/88, art 5º, incisos LIV e LV) (GUEDES, 2007, p. 45).

No âmbito federal, a Lei n. 9.784/99 regulou o processo administrativo de forma sistemática, genérica e codificada. Seu art. 1º traz explícito como objetivo da lei a proteção aos direitos dos administrados. O art. 2º, por sua vez, elenca princípios informadores da conduta administrativa:

legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

No Estado de Minas Gerais, a Lei n. 14.184/02 dispõe sobre o processo administrativo no âmbito da administração pública estadual. Em seu art. 2º elenca como princípios da administração: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, finalidade, motivação, razoabilidade, eficiência, ampla defesa, contraditório e transparência.

Vê-se que tanto a lei do processo administrativo federal como a do Estado de Minas Gerais elencam importantes princípios. Entretanto, além desses princípios expressos, outros podem ser identificados, implicitamente ou espalhados por outros dispositivos legais. Entre os princípios implícitos destaca-se o da verdade material, que assume maior importância na medida em que a administração amplia sua atuação em busca de uma efetiva proteção do interesse público.

A partir da década de 50, processualistas e

administrativistas foram convergindo para a ideia de processo ligado ao exercício do poder estatal.” (MEDAUAR, 2007, p. 160).

4 A respeito da função do processo administrativo, discorre Demian Guedes (2007, p. 48): “Após a extinção do contencioso administrativo no país, a doutrina brasileira passou a observar a dupla função do processo administrativo, apontando também a evolução do instituto: a princípio, verifica-se uma preocupação com a racionalização e a eficiência da atividade estatal para, gradativamente, observar-se um reconhecimento do papel democrático e participativo a ser desempenhado pelo processo administrativo, já visto como instrumento de controle da Administração”.

3 “Durante muito tempo o termo ‘processo’ vinha associado à função jurisdicional. [

]

5 É este o entendimento de Vitor Rhein Schirato (2010, p. 9): “Sobretudo a partir da consolidação da democracia como um dos vetores do Estado contemporâneo, o ato administrativo — dantes ocupante de lugar de honra na estruturação sistemática do estudo de direito administrativo — passa a perder espaço para o processo administrativo, do qual o ato administrativo é parte.”

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A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NAS DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS 3 O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL

3 O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL

O princípio da verdade material traduz a ideia de que, na apuração dos fatos, deve ser sempre buscado o máximo de aproximação com a certeza. Sua aplicação ao processo administrativo justifica-se na medida em que a Administração, na busca constante pela satisfação do interesse público, não deve conformar-se com a verdade meramente processual. Pode e deve estender sua atividade investigatória, valendo-se de elementos diversos daqueles trazidos aos autos pelos interessados, desde que os julgue necessários para a solução do caso.

Celso Antônio Bandeira de Mello (2007, p. 489) compreende o princípio da seguinte forma: “a

Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado

e provado [

Odete Medauar (2007, p.170) afirma que o princípio da verdade material

]”.

exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos suscitados pelos sujeitos.

Hely Lopes Meireles (2011, p. 739-740) explica que “o princípio da verdade material, também denominado da liberdade na prova, autoriza a Administração a valer-se de qualquer prova lícita de que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo”.

José dos Santos Carvalho Filho (2005, p. 891) aduz que o princípio da verdade material “autoriza

o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que

a constituíram”.

Em todos os conceitos apresentados é possível verificar um núcleo comum: a ampla capacidade investigatória da Administração.

Diferente da aplicação do princípio da verdade material aos processos administrativos é a sua aplicação aos processos judiciais. E, ainda, faz-se necessário distinguir os processos penais dos processos cíveis. Na seara processual penal, é pacífica a aplicação do princípio da verdade material. Tanto a doutrina como a jurisprudência o consagram. Diferentemente, no processo civil tradicionalmente imperava o princípio da verdade formal. Apenas recentemente tem-se admitido, excepcionalmente, a aplicação do princípio da verdade material quando a causa versar sobre relações jurídicas de interesse público (BRAGA, 2010, p. 210).

Voltando à aplicabilidade do princípio no âmbito do processo administrativo, faz-se necessário analisar o fundamento de sua aplicação. Não se tratando de princípio explícito em grande parte da legislação pátria, os diferentes autores buscam para ele fundamentos diversos.

Há quem afirme que seu fundamento é o princípio da oficialidade. Vejamos:

O fundamento constitucional desse princípio é o mesmo que o do princípio da oficialidade, ou seja, pode-se dizer que é decorrência do princípio da legalidade. É que o interesse público é indisponível, e isso implica que a Administração tenha o dever de verificar os

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pressupostos de fato ensejadores do exercício de sua competência (HARGER, 2008, p. 158). 6

a verdade material

atua na proteção do princípio da legitimidade, que implica, em matéria de controle do Poder

Público, uma atuação mais ‘substancialista’ [

A aplicação do princípio da verdade material nos processos administrativos encontra fundamento

também quando se considera o controle como direito fundamental, conforme defende Jorge Ulisses Jacoby Fernandes (2003).

Embora os diferentes autores apontem fundamentos diversos para o princípio da verdade material, a aplicação de seu conteúdo é pacífica.

Cabe ainda lembrar que, apesar de não ter previsão expressa na Lei do Processo Administrativo Federal (Lei n. 9784/99), o princípio da verdade material pode ser extraído de alguns de seus artigos. É o que se verifica pela leitura dos arts. 29, 36-37, que atribuem à Administração a condução principal da instrução probatória. A Administração pode iniciar de ofício o processo e o impulsionar determinando diligências para esclarecer fatos duvidosos. Os interessados participam de forma complementar, apresentando documentos e requerendo diligências, depoimentos e perícias para subsidiar a decisão da autoridade.

Há ainda quem afirme que o fundamento é o princípio da legitimidade: “[

],

].”

(GUEDES, 2007, p. 118).

Destaca-se que o art. 37 da Lei n. 9.784/99 determina que a Administração, de ofício, buscará documentos que registrem fatos e dados declarados pelo interessado. Trata-se de disposição que nitidamente reflete a busca da verdade material. 7

Cumpre ainda lembrar que o princípio da verdade material não pode ser visto como um fim em

si mesmo (BRAGA, 2010, p. 203). Sua aplicação deve levar em conta os demais princípios do

ordenamento. Assim, não se pode admitir a obtenção de provas por meios ilícitos. 8

4

PáTRIOS

APLICAÇÃO

DO

PRINCÍPIO

DA

VERDADE

MATERIAL

EM

TRIBUNAIS

Em diversos tribunais pátrios, a jurisprudência é pacífica pela aplicação do princípio da verdade material nos processos administrativos.

4.1 Superior Tribunal de Justiça

O Superior Tribunal de Justiça admite a utilização de provas emprestadas nos processos

administrativos, com base no princípio da verdade material. Vejamos:

É que “[

material, não há razão para dificultar o uso de prova emprestada, desde que, de qualquer maneira, se abra possibilidade ao interessado para questioná-la, pois, em princípio, a parte tem o direito de acompanhar a produção da prova.” (Sérgio Ferraz e Adilson Abreu Dallari,

no processo administrativo, que se orienta sobretudo no sentido da verdade

]

6 Odete Medauar também fundamenta o princípio da verdade real no princípio da verdade material (2007, p. 170)

7 Nesse sentido: “O presente artigo [art. 37], [

traduz o princípio da eficiência [

uma vez que não consulta ao interesse público que o interessado deixe de ter provido seu pleito por ausência de documento que demonstre seu direito, documento esse que se encontra na posse da própria Administração” (FORTINI, 2008, p. 144).

além de refletir a busca da verdade material,

],

],

8 No âmbito federal, a Lei n. 9.784 traz expressa em seu art. 30 a proibição da utilização de provas ilícitas.

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A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NAS DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

in
in

Processo Administrativo — 2ª edição — Editora Malheiros — página 172) Sob esse

Conquanto o sigilo externo, no procedimento

para a decretação da perda do cargo de magistrado (art. 27, LC n. 35/79), seja resguardado

enfoque assentou o Tribunal a quo: “[

]

em atenção não somente à intimidade do agente político, mas também à credibilidade

da

Instituição (art. 40, LC n. 35/79) — releva considerar que tal aspecto não inviabiliza a

utilização dos elementos cognitivos no mesmo produzidos, a título de prova emprestada, em processos administrativo-disciplinares outros, referentes ao exercício de quaisquer outras funções públicas, a exemplo do munus público da advocacia, a teor do art. 133 do Texto Básico, o que não impede a OAB, portanto, de se utilizar destas provas na aferição da idoneidade moral daquele que postula inscrição em seus quadros, desde que, por óbvio, colhida em observância ao contraditório. (Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário n. 328.138/MG. Relator: Min. Sepúlveda Pertence. DJ, de 17 out. 2003) (Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n. 930.596/ES. Relator: Min. Luiz Fux. Data do Julgamento: 17 dez. 2009) (grifo nosso).

4.2 Tribunal de Justiça de Minas Gerais

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais possui decisões aplicando o princípio da verdade material

em ação anulatória de processo administrativo. 9

A

presente ação anulatória do processo administrativo e da decisão nele proferida

se

encontra embasada em supostas ilegalidades que teriam lesado direitos do acusado

ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, princípio da inocência, ampla instrução, legalidade, moralidade, razoabilidade, proporcionalidade e busca da verdade material. (TJMG. Processo n. 1.0151.07.022282-4/001(1). Relatora: Des. Heloisa Combat. Data do julgamento: 10 nov. 2009). (grifo nosso).

Verifica-se que a aplicação do princípio da verdade material em processos judiciais representa um posicionamento moderno. Da leitura da seguinte ementa percebe-se que o TJMG tem julgados adotando esse entendimento para ampliar a capacidade investigatória dos magistrados na busca da verdade real.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO. PROVA DA CAUSA MORTIS. ATESTADO DE ÓBITO. INSUFICIÊNCIA. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. BUSCA DA VERDADE REAL.- O processo moderno procura solucionar os litígios à luz da verdade real. E é na prova produzida nos autos que o Magistrado localiza esta verdade.- Não há como o Juiz formar sua convicção a respeito da causa da morte do segurado apenas com base no que consta no atestado de óbito, pois este é passível de erro. Para o Magistrado formar sua convicção, é essencial parecer de profissional especializado ou até de outras provas. (TJMG. Processo n. 1.0687.05.038000-9/001(1). Relator: Des. Pedro Bernardes. Data do julgamento: 19 fev. 2008) (grifo nosso).

4.3 Tribunal de Contas da União

O Tribunal de Contas da União possui diversas decisões aplicando o princípio da verdade material

na busca por uma justiça social eficaz. 10 A justificativa apresentada para a aplicação do princípio é que, sendo o interesse maior do TCU conhecer a realidade sobre os atos de gestão da coisa pública, o Tribunal não pode contentar-se com a verdade formal. Alega-se que o ministro relator não precisa

9 No mesmo sentido: Processo n. 1.0000.00.275006-5/000(1) (rel. Des. José Domingues Ferreira Esteves, data do julgamento:

03/02/2003) e Processo n. 1.0596.07.042788-2/001(1) (rel. Des. Edilson Fernandes, 28/10/2008). 10 Nesse sentido: Acórdão n. 547/2006 do Plenário e Acórdãos n. 1.014/2003, 2.188/2006 e 1.838/2008, da Primeira Câmara.

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ater-se às provas apresentadas pelas partes, podendo produzir provas pertinentes e relevantes para formar sua convicção. Além disso, permite-se aos jurisdicionados a juntada de documentos em várias etapas da tramitação do processo, desde que deferida pelo ministro relator.

Destaca-se que, no Regimento Interno do TCU — Resolução TCU n. 246, de 30 de novembro de 2011 —, há dispositivo consagrando expressamente o princípio da verdade material:

Art. 145. As partes podem praticar os atos processuais diretamente ou por intermédio de procurador regularmente constituído, ainda que não seja advogado.

§ 1º Constatado vício na representação da parte, o relator fixará prazo de dez dias para que o responsável ou interessado promova a regularização, sob pena de serem tidos como inexistentes os atos praticados pelo procurador.

§ 2º Não se aplica o disposto no final do parágrafo anterior ao caso de juntada de

documentos que efetivamente contribuam na busca da verdade material. (grifo nosso).

No seguinte trecho de decisão, percebe-se que o TCU relativiza a aplicação da coisa julgada em prol da verdade material.

Outrossim, conforme estabelecido no Sumário do Acórdão n. 2.843/2008-Plenário,

na busca da verdade material, julgamentos pretéritos não têm o condão de fazer coisa julgada e não impedem que diante de novas situações se apontem falhas anteriormente

não identificadas por quaisquer motivos’. Ou seja, adaptando o raciocínio à pergunta ora analisada, a inclusão de itens não previstos no AC-325/2007-PL em contratos assinados anteriormente à sua prolação, embora se admita legítima, não impede que eventuais abusos de preços, por conta de um BDI acima dos valores de mercado, sejam coibidos e

(TCU. Acórdão n.

corrigidos, mesmo quando identificados em épocas posteriores. [

2.545/2011. Relator: Min. Marcos Bemquerer Costa. Data do julgamento: 21 set. 2011. (grifo nosso).

] [

].

No seguinte acórdão, o TCU enfatiza que o tribunal não fica vinculado aos pedidos formulados por autores de representações, podendo e devendo apurar qualquer indício de irregularidade.

Por fim, cumpre refutar a afirmação da empresa de suposta atuação desta Unidade Técnica

de forma incompatível com suas atribuições por ocasião da instrução inicial destes autos

Nesse ponto, cabe destacar que o processo administrativo de controle, no âmbito

dos Tribunais de Contas, possui liturgia peculiar, segundo a qual prevalecem os princípios da verdade material e do formalismo moderado. Difere-se, assim, do rito convencional estabelecido pelas leis processuais de âmbito civil ou mesmo penal, as quais aplicam-se apenas subsidiariamente aos processos autuados no TCU, conforme dispõe o art. 298 de seu Regimento Interno.

]. [

Portanto, não há que se falar, nos processos que tramitam neste Tribunal, em vinculação de sua atuação aos pedidos formulados por autores de representações. No mister de zelar pela coisa pública, o TCU tem o dever de apurar todos os indícios de irregularidades envolvendo a aplicação de recursos da União de que tome conhecimento, estejam ou não tais indícios contemplados expressamente em eventuais provocações das pessoas legitimadas a representar junto ao Tribunal.

Conforme se infere de diversas disposições normativas, a exemplo dos artigos 86, inciso II, da Lei n. 8.443/1992 e 237, incisos III e VI, do Regimento Interno/TCU, os próprios servidores e unidades técnicas do Tribunal podem e devem representar ao tomarem conhecimento de quaisquer irregularidades no trato da coisa coletiva. Não cabe, pois, o entendimento de que o corpo técnico, ao analisar representação formulada por terceiro estranho ao Tribunal, deva ater-se unicamente aos aspectos eventualmente levantados pelo representante (TCU. Acórdão n. 5.161/2011. Relator: Min. José Jorge. Data do julgamento:

19 jul. 2011). (grifo nosso).

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A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NAS DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS Do seguinte trecho é possível constatar

Do seguinte trecho é possível constatar que o TCU, na aplicação de pena ao gestor por irregularidade nas contas, privilegia a verdade material.

Por último, antes de adentrar na análise dos documentos obtidos na inspeção, vale mencionar que esse exame teve como escopo a verificação da participação efetiva dos candidatos contratados nos processos seletivos, e se a participação desses na seleção ocorreu de forma isonômica e de acordo com os normativos internos do Sebrae/DF. Cabe dizer, ainda, que, por ocasião da realização da inspeção, a equipe entendeu ser oportuno buscar mais informações acerca da questão referente às compras diretas de materiais de limpeza e de expediente realizadas no exercício de 2005. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material, esta equipe de inspeção solicitou à Entidade documentos complementares, a fim de encorpar as informações a respeito dessas compras para fazer uma análise mais circunstanciada. Essa questão está detalhada no item 36 desta instrução.

] [

No decorrer desta inspeção, esta equipe, ao tomar conhecimento da proposta de encaminhamento da instrução precedente, referente às compras, com possível fracionamento de despesa, entendeu que seria oportuno buscar mais informações acerca dessa questão. Sabe-se que em se tratando da atividade de controle externo, a incerteza advinda acerca de atos de gestão de administradores públicos pode vir a adquirir matéria de ordem pública, mesmo ausente o interesse de particulares, permanecendo assim a possibilidade de atuação desta Corte de Contas para buscar a verdade material dos fatos. Nesse sentido, apesar dessa questão não ser objeto desta inspeção, entendeu-se razoável solicitar à Entidade a disponibilização de alguns processos de compras (fls. 356-457, anexo 4) do exercício de 2005 para a realização de uma análise pormenorizada.

] [

47. Assim, considerando que esta Corte de Contas privilegia a aplicação da verdade material em suas decisões, especialmente quando se trata da aplicação de pena ao gestor por irregularidade nas contas; e considerando, também, que os valores envolvidos no fracionamento de despesa são de baixa materialidade; compreende-se que, diante da análise dos fatos novos trazidos aos autos, seria rigoroso rejeitar as razões de justificativas apresentadas pelos responsáveis e julgar irregulares as contas, com a consequente aplicação de multa. (TCU, Acórdão n. 5.341/2011. Relator: Min. Ubiratan Aguiar. Data de julgamento: 05 jul. 2011). 11

4.4 Outros tribunais de contas estaduais

Também é possível encontrar decisões de outros tribunais de contas pátrios aplicando o princípio da verdade material.

Vejamos o seguinte trecho de decisão do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso:

Com fundamento no art. 140, § 1º, da Resolução n. 14/2007, em considerar revel o Sr.

Geraldo Martins da Silva, Prefeito Municipal de Vale de São Domingos, no exercício de

2010.

Após, considerando que o trâmite do feito deve ter o seu prosseguimento normal, determino que os autos sejam encaminhados à Secex para, em sintonia com o Princípio da Verdade Material, verificar o mérito da representação que está pendente de apreciação com base nos documentos que instruem os autos (TCEMT. Processo n. 22.508-8/2010. Data do julgamento: 4 mar. 2011).

11 Também aplicando o princípio em tela: Acórdão n. 2.099/2011 (rel. Min. Marcos Bemquerer Costa, data do julgamento:

10/08/2011) e Acórdão n. 1.455/2011 (rel. Min. Raimundo Carreiro, data de julgamento: 01/06/2011).

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Destaca-se a seguinte notícia encontrada também no site do TCEMT, sobre decisão proferida pelo Conselheiro Alencar Soares, durante Sessão do dia 19/08/08:

O denunciante, em sua peça exordial, delatou sobre eventual impertinência do critério de

julgamento “técnica e preço” para licitação de contratação de serviços na área de limpeza pública, bem como supostas imprecisões e contradições presentes no Edital. Ao analisar

o edital de Concorrência n. 02/2008, bem como a minuta do contrato, a equipe técnica constatou que os fatos delatados não possuem procedência.

Contudo, em consonância às atribuições constitucionais de fiscalização conferidas aos Tribunais de Contas, o exercício do controle externo não deve se restringir somente aos fatos denunciados, mas também ser desempenhado em toda a sua amplitude apurando outras possíveis irregularidades, sob o aspecto da legalidade, legitimidade, economicidade, moralidade, eficácia, eficiência e efetividade.

A atividade processual do denunciante é meramente subsidiária em virtude dos direitos

envolvidos no processo administrativo ser matéria de ordem pública. Na busca da verdade material, o Tribunal de Contas promove a produção de outras provas por impulso oficial, respeitando sempre o direito ao contraditório e à ampla defesa do denunciado.

Nesse diapasão, a equipe técnica deste Tribunal concluiu, após a análise da defesa, pela existência de fatos comprobatórios de duas irregularidades no procedimento da Concorrência Pública n. 02/2008, [

12

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo também aplica o princípio:

A Egrégia Câmara conheceu do recurso ordinário, bem como das razões complementares

juntadas aos autos, por terem ingressado dentro do prazo regimental e tendo em vista

a prevalência do interesse publico na satisfação da justiça administrativa e, ainda, os princípios da verdade material e do formalismo moderado que regem os processos administrativos (Processo n. 380/009/97. DOE, 17 mar. 1999).

No mesmo sentido encontra-se a seguinte decisão do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco:

EMENTA: Recurso acolhido por ter sido interposto em tempo hábil. No mérito, não provido. Anuladas as Decisões T.C. n.s 0512/98 e 0019/00.

ACORDAM, à unanimidade, os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, nos termos do voto do Relator, que integra a presente decisão,

[

]

] [

CONSIDERANDO que o controle externo autônomo, exercido pelos Tribunais de Contas, exige a busca da verdade material, forcejando-se, inclusive, reabertura de procedimentos quando alguns aspectos escapam de seus controles;

] [

Em CONHECER o presente recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento por não encontrar sustentáculo na legislação vigente. E, desde que fato novo ocorreu não contemplado em

julgamento por este Tribunal, não se permitindo a Reformatio in Pejus, e, também, na busca da verdade material, bem como visando ao cumprimento do princípio do contraditório e

da ampla defesa, a decisão vergastada deve ser anulada em toda sua extensão, [

TC n. 1799/01. Relator: Cons. Roldão Joaquim. Sessão de 24/10/01). (grifo nosso).

] (Acórdão

12 Disponível em: <http://www.tce.mt.gov.br/conteudo/show/sid/73/cid/5037/t/Den%FAncia+contra+Prefeitura+de+Cuiab%E1+ %E9+julgada+improcedente>. Acesso em 25 jan. 12.

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A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NAS DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS 5 APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE

5 APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NOS PROCESSOS DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Antes de analisar decisões do TCEMG, faz-se importante mencionar que o princípio da verdade material é mais do que uma norma implícita. O Regimento Interno do Tribunal (Resolução n. 12/2008) possui disposição expressa sobre a aplicação do princípio em estudo: “Art. 104. No âmbito do Tribunal, além dos princípios gerais que regem o processo civil e administrativo, deverão ser observados os princípios da oficialidade e da verdade material.”

Em consonância com o dispositivo acima, as decisões proferidas pela Corte de Contas mineira refletem a busca pela verdade material.

Na sessão da Segunda Câmara do dia 11/02/10, o Auditor Hamilton Coelho, relator do Processo Administrativo n. 675.983, aplicou o princípio da verdade material para conhecer de razões de defesa e asseverar que a emissão de parecer prévio não impede que o Tribunal continue com sua capacidade investigatória. Vejamos um trecho da proposta de voto:

Finalmente, convém não olvidar que o estudo das contas ofertadas compreende a gestão como um todo, e não o exame individual de cada ato praticado pelo administrador no período. Dessa forma, a emissão de parecer prévio nestes autos não impede que se proceda a nova análise, em razão de irregularidades verificadas em inspeção ou denunciadas, tendo em vista os princípios da verdade material e da prevalência e indisponibilidade do interesse público, e diante da indeclinável competência da Corte de Contas na busca da máxima efetividade no cumprimento das normas constitucionais aplicáveis à espécie (Segunda Câmara. Prestação de Contas Municipal n. 749.536. Relator:

Auditor Hamilton Coelho. Sessão de 10/06/10). (grifo nosso).

Mais uma decisão da Segunda Câmara que tem como relator o Auditor Hamilton Coelho e aplica

o princípio da verdade material é a da Prestação de Contas Municipal n. 781.887. Essa decisão foi publicada no Informativo de Jurisprudência do TCEMG n. 29 (26 jul./8 ago./2010) e na Revista do TCE. 13

No mesmo sentido, encontra-se a decisão proferida no Processo Administrativo n. 675.166 (relator Auditor Hamilton Coelho, Sessão da Segunda Câmara de 27/05/2010). O Conselheiro Eduardo Carone Costa possui decisão que transcreve trecho desse processo administrativo mencionado, trecho este que traz explícita a aplicação do princípio da verdade material (Tribunal Pleno. Recurso de Revisão n. 684.782. Relator: Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão de 29/09/10).

A Primeira Câmara do TCEMG possui decisão em que o Tribunal lida com direitos indisponíveis e

se pauta pelo princípio da verdade material, como exposto pelo Auditor Licurgo Mourão:

] [

ou mais particulares levada à apreciação do juízo civil ou trabalhista. Aqui, não há “parte interessada” ou Parquet a quem caiba promover o andamento do processo, e a atividade de controle externo não constitui direito, mas poder-dever, de fundo constitucional, atribuído às Cortes de Contas. Da já mencionada compilação de estudos do TCU, extrai-se, muito a propósito, ponderação acerca do formalismo moderado que deve guiar o processo de

O processo de contas, entretanto, tem compleição muito diversa da lide entre dois

13 Minas Gerais. Tribunal de Contas do Estado. Segunda Câmara. Prestação de Contas Municipal n. 781.887. Rel. Auditor Hamilton Coelho, sessão de 05/08/2010. Aplicação do princípio da verdade material possibilita emissão de parecer pela aprovação das contas do município — Prestação de contas municipal n. 781.887. Rel. Auditor Hamilton Coelho. Belo Horizonte, voto de 05/08/10. Revista do Tribunal de Contas de Minas Gerais. Belo Horizonte, v. 77, n. 4, p. 246-250, out./dez. 2010.

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TCEMG|jan.|fev.|mar. 2012| COMENTANDO A JURISPRUDÊNCIARevista

contas, visto que lida com direitos indisponíveis e se pauta pelo princípio da verdade

material: [

Licurgo Mourão. Sessão de 01/06/10).

(Primeira Câmara. Processo Administrativo n. 603.450. Relator: Auditor

].

O Conselheiro substituto Gilberto Diniz aplica expressamente o princípio para determinar a remessa ao Tribunal de determinados documentos:

Preliminarmente, considerando que as divergências entre os sistemas SIACE/PCA

x SIACE/LRF permanecem, que a teor do despacho a fls. 24 o pedido de substituição

de dados formulado pelo Sr. Aécio Silva Jardim, atual Prefeito Municipal de Araçuaí,

visando sanar tais divergências seria analisado depois de transcorrido o prazo de vista ao prestador, juntamente com as razões de defesa, que ainda não houve retorno desta Casa ao pedido de substituição e que a mídia (CD a fls. 121) encaminhada pelo prestador quando do atendimento à abertura de vista não continha dados, embora não altere o exame da prestação de contas, pois se trata de diferenças de R$8,88 no Total da Receita Arrecadada

e da Receita Corrente Líquida, de R$328,89 nas Operações de Crédito e de R$0,05 e

R$145,33 nas contas Caixa e Bancos Conta Movimento/Aplicação Financeira, determino, em homenagem ao princípio da verdade material, cuja observância está insculpida no art. 103 da Resolução TC 12/08 (RITCEMG), deve o atual gestor encaminhar a esta Corte de Contas mídia contendo a PCA substituta para atualização do banco de dados do Tribunal e saneamento das sobreditas divergências. (Primeira Câmara, Prestação de Contas Municipal n. 782.511. Relator: Conselheiro em exercício Gilberto Diniz. Sessão de 18/05/10). (grifo nosso).

Em processo administrativo, o Conselheiro Antônio Carlos Andrada posicionou-se pela análise da defesa apresentada tendo em vista a busca da verdade material:

Pela análise dos autos, restaram configurados os seguintes apontamentos, os quais passo

a

examinar:

[

]

2)

Contratações realizadas mediante procedimentos licitatórios irregularmente praticados.

Apontamentos em desacordo com a Lei n. 8.666/93:

a) Não consta do processo a minuta do contrato, art. 40, § 2º, III;

b) Ausência de parecer jurídico aprovando as minutas, art. 38, parágrafo único;

c) Ausência de parecer jurídico sobre o certame, art. 38, VI.

Defesa: O Sr. Ariosvaldo Figueiredo Santos Filho apresentou documentos e alegações quanto aos apontamentos apurados. Desse modo visando à verdade material, passo a análise da defesa apresentada.

O Sr. Ariosvaldo Figueiredo Santos Filho alegou, quanto ao item “a”, que o pregão é regido

pela Lei n. 10.520/02, sendo a Lei n. 8.666/93 subsidiária. Sustenta que é ato discricionário da Administração fazer constar ou não a minuta contratual, ponderando que o responsável

pelo setor assinou o contrato, proporcionando tutela jurídica ao processo.

Quanto ao item “b”, disse não haver necessidade do parecer jurídico, já que o processo foi acompanhado por um advogado responsável.

Quanto ao item “c”, alegou que o responsável jurídico homologou o certame.

Análise: Não procedem as alegações. (Primeira Câmara. Processo Administrativo n. 743.539. Relator: Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão de 24/08/10). (grifo nosso).

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A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NAS DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

DECISÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS Percebe-se que, em consonância com o

Percebe-se que, em consonância com o art. 104 do RITCEMG, é amplamente aplicado o princípio

da verdade material nos processos da Corte de Contas.

Afinal, se o Tribunal de Contas tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, ele somente poderá fazê-lo buscando a verdade incontestável, sem se satisfazer com a verdade formal. Apenas por meio da verdade material as cortes de contas podem atingir o interesse público substantivo.

6 CONCLUSÃO

O presente estudo demonstrou que o princípio da verdade material encontra ampla aplicação

na doutrina e na jurisprudência pátria. Em especial, as decisões proferidas pela Corte de Contas mineira refletem a utilização do princípio da verdade material na busca da efetiva fiscalização da gestão da verba pública. O TCEMG, tendo em vista a indisponibilidade do interesse público, tem ampliado a sua competência investigatória. Trata-se de uma atuação que, longe de violar a segurança jurídica, assegura que suas decisões reflitam uma maior aproximação com a realidade.

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