LEI Nº 8.027, DE 12 DE ABRIL DE 1990.

LEI Nº 8.027, DE 12 DE ABRIL DE 1990. Conversão da Medida Provisória nº 159/90 Dispõe sobre normas de conduta dos servidores públicos civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º Para os efeitos desta lei, servidor público é a pessoa legalmente investida em cargo ou em emprego público na administração direta, nas autarquias ou nas fundações públicas. O artigo 1º traz o conceito de funcionários públicos para os fins desta lei. Art. 2º São deveres dos servidores públicos civis: Tomam-se como base os ensinamentos de Lima1 a respeito destes deveres, aliados a comentários pessoais: I - exercer com zelo e dedicação as atribuições legais e regulamentares inerentes ao cargo ou função; Zelo quer dizer cuidado, cautela, para que as atividades sempre sejam desempenhadas do melhor modo. Eficácia remete ao dever de fazer com que suas atividades atinjam o fim para o qual foram praticadas, isto é, que não sejam abandonadas pela metade. II - ser leal às instituições a que servir; Significa desempenhar suas funções com transparência, de forma honesta e responsável, sendo leal à instituição. Lealdade não significa acobertar ilegalidades. O funcionário deve se portar de forma digna, exteriorizando virtudes em suas ações. III - observar as normas legais e regulamentares; O Direito é uma das facetas mais relevantes da Ética porque exterioriza o valor do justo e o seu cumprimento é essencial para que a gestão ética seja efetiva. IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; Dentro do serviço público há uma hierarquia, que deve ser obedecida para a boa execução das atividades. Seria uma desordem se todos mandassem e se cada qual decidisse que função iria desempenhar. Por isso, cabe o respeito ao que o superior determina, executando as funções da melhor forma possível. V - atender com presteza: a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas pelo sigilo; b) à expedição de certidões requeridas para a defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal; “Este dever foi insculpido na lei para que o servidor público trabalhe diuturnamente no sentido de desfazer a imagem desagradável que o mesmo possui perante a sociedade. Exige-se que atue com presteza no atendimento a informações solicitadas pela Fazenda Pública. Esta engloba o fisco federal, estadual, municipal e 1 LIMA, Fábio Lucas de Albuquerque. O regime disciplinar dos servidores federais. Disponível em: <http:// www.sato.adm.br/artigos/o_regime_disciplinar_dos_servidores_federais.htm>. Acesso em: 11 ago. 2013. Didatismo e Conhecimento
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distrital. O servidor público tem que ser expedito, diligente, laborioso. Não há mais lugar para o burocrata que se afasta do administrado, dificultando a vida de quem necessita de atendimento rápido e escorreito. Entretanto, há um longo caminho a ser percorrido até que se atinja um mínimo ideal de atendimento e de funcionamento dos órgãos públicos, o que deve necessariamente passar por critérios de valorização dos servidores bons e de treinamento e qualificação permanente dos quadros de pessoal”. VI - zelar pela economia do material e pela conservação do patrimônio público; “Esse deve é basilar. Se o agente não zelar pela economia e pela conservação dos bens públicos presta um desserviço à nação que lhe remunera. E como se verá adiante poderá ser causa inclusive de demissão, se não cumprir o presente dever, quando por descumprimento dele a gravidade do fato implicar a infração a normas mais graves”. VII - guardar sigilo sobre assuntos da repartição, desde que envolvam questões relativas à segurança pública e da sociedade; “O agente público deve guardar sigilo sobre o que se passa na repartição, principalmente quanto aos assuntos oficiais. Pela Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, hoje está regulamentado o acesso às informações. Porém, o servidor deve ter cuidado, pois até mesmo o fornecimento ou divulgação das informações exigem um procedimento. Maior cuidado há que se ter, quando a informação possa expor a intimidade da pessoa humana. As informações pessoais dos administrados em geral devem ser tratadas forma transparente e com respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais, segundo o artigo 31, da Lei nº 21.527, 2011. A exceção para o sigilo existe, pois, não devemos tratar a questão em termos de cláusula jurídica de caráter absoluto, podendo ter autorizada a divulgação ou o acesso por terceiros quando haja previsão legal. Outra exceção é quando há o consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem. No caso de cumprimento de ordem judicial, para a defesa de direitos humanos, e quando a proteção do interesse público e geral preponderante o exigir, também devem ser fornecidas as informações. Portanto, o servidor há que ter reserva no seu comportamento e fala, esquivando-se de revelar o conteúdo do que se passa no seu trabalho. Se o assunto pululante é uma irregularidade absurda, deve então reduzir a escrito e representar para que se apure o caso. Deveriam diminuir as conversas de corredor e se efetivar a apuração dos fatos através do processo administrativo disciplinar. Os assuntos objeto do serviço merecem reserva. Devem ficar circunscritos aos servidores designados para o respectivo trabalho interno, não devendo sair da seção ou setor de trabalho, sem o trâmite hierárquico do chefe imediato. Se o assunto ou o trabalho, enfim, merecer divulgação mais ampla, deve ser contatado o órgão de assessoria de comunicação social, que saberá proceder de forma oficial, obedecendo ao bom senso e às leis vigentes”. VIII - manter conduta compatível com a moralidade pública; “O ato administrativo não se satisfaz somente com o ser legal. Para ser válido o ato administrativo tem que ser compatível com a moralidade administrativa. O agente deve se comportar em seus atos de maneira proba, escorreita, séria, não atuando com intenções escusas e desvirtuadas.

emprego ou pensão de Estado estrangeiro.opor resistência ao andamento de documento. merece reprimenda de advertência. XI . por escrito. Violação do dever de assiduidade. “No mundo moderno. mas.praticar comércio de compra e venda de bens ou serviços no recinto da repartição. emprego ou função que ocupa. atribuição que seja de sua competência e responsabilidade ou de seus subordinados. Se o agente viola o dever de agir com comportamento incompatível com a moralidade administrativa.retirar. sim.aceitar comissão.manter sob a sua chefia imediata cônjuge.atribuir a outro servidor público funções ou atividades estranhas às do cargo. Parágrafo único. Seu ato ímprobo ou imoral configura o chamado desvio de poder. na base de cinquenta por cento da remuneração do servidor. III . 4º São faltas administrativas. seja por impontualidade. ação de ressarcimento ao erário e ação civil pública se o ato violar direito coletivo ou transindividual”. por exemplo. O oposto do assíduo é o ausente. Art. o trato tem que ser o mais urbano possível. porém parecidos. cumulada. companheiro ou parente até o segundo grau civil. IV . DE 12 DE ABRIL DE 1990.representar contra ilegalidade.atuar como procurador ou intermediário junto a repartições públicas. que é totalmente abominável no Direito Administrativo e poderá ser anulado interna corporis ou judicialmente através da ação popular. revestindo-lhes da autoridade e confiança que seu cargo possui. Seu poder-dever não pode ser utilizado. poderá estar sujeito a sanção disciplinar. Quando houver conveniência para o serviço. aqui o dever violado. e máxime em nossa civilização ocidental. cordato e que não possa criar embaraços aos usuários dos serviços públicos”. puníveis com a pena de advertência por escrito: I . ficando este obrigado a permanecer em serviço. X . ainda que fora do horário normal de expediente. “Dois conceitos diferentes. sem prévia autorização. a penalidade de suspensão poderá ser convertida em multa. da autoridade competente. puníveis com a pena de suspensão por até 90 (noventa) dias.027. civilizado. Embora sejam conceitos diferentes. não quer dizer citadino ou oriundo da urbe (cidade). der. 3º São faltas administrativas. para satisfação de interesses menores. sem prévia autorização do superior imediato. processo ou à execução de serviço.tratar com urbanidade os demais servidores públicos e o público em geral.ser assíduo e pontual ao serviço. IX . Ser assíduo significa ser presente dentro do horário do expediente. II . VI . II . com fins educativos e de correção do servidor”. omissão ou abuso de poV . Urbano. seja por inassiduidade (que ainda não aquela inassiduidade habitual de 60 dias ensejadora de demissão). É o que comparece no horário para as reuniões de trabalho e demais atividades relacionadas com o exercício do cargo que ocupa. VII .ausentar-se do serviço durante o expediente. Pontual é aquele servidor que não atrasa seus compromissos.delegar a pessoa estranha à repartição. exceto nos casos previstos em lei. qualquer documento ou objeto da repartição. como realizar a prática de determinado ato para beneficiar uma amante ou um parente.LEI Nº 8. educado. nessa acepção. Didatismo e Conhecimento . se couber. sem licença do Presidente da República. ANOTAÇÕES ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— ————————————————————————— 2 Art. exceto em situação de emergência e transitoriedade. Violação do dever de transparência. o faltoso. É dever do servidor público conferir fé aos documentos públicos.recusar fé a documentos públicos. com a destituição do cargo em comissão: I . III .

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