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ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO 6 2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS PEIXES 7 2.1 ANATOMIA DOS PEIXES 7

ÍNDICE

1

INTRODUÇÃO

6

2

CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS PEIXES

7

2.1

ANATOMIA DOS PEIXES

7

2.1.1 Morfologia externa

8

2.1.2 Morfologia interna

9

2.2

CADEIA ALIMENTAR DOS PEIXES

14

2.2.1 Planctívoros ou planctófagos

15

2.2.2 Herbívoros

15

2.2.3 Carnívoros

16

2.2.4 Onívoros

16

2.2.5 Detritívoros

16

2.2.6 Iliófagos

17

2.3

ATIVIDADE

17

2.3.1 Descrição do problema

17

2.3.2 Questionamento

18

2.4

LEITURA COMPLEMENTAR

19

3

AMBIENTE AQUÁTICO - PROPRIEDADES FÍSICO-QUIMICAS DA ÁGUA

20

3.1

TEMPERATURA

20

3.2

TRANSPARÊNCIA

22

3.3

CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS

23

3.4

POTENCIAL HIDROGENIÔNICO (PH)

23

3.5

OXIGÊNIO DISSOLVIDO (O 2 D)

25

3.5.1 Difusão direta

25

3.5.2 Processo de fotossíntese

25

3.6 DIÓXIDO DE CARBONO (CO 2 )

25

3.7 ALCALINIDADE

26

3.8 SÓLIDOS SUSPENSOS

26

3.9 NITROGÊNIO

27

3.10 CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS

27

3.11 ATIVIDADE

28

3.11.1 Descrição do problema

28

3.11.2 Questionamento

29

3.12

LEITURA COMPLEMENTAR

29

4

SISTEMAS DE PRODUÇÃO

30

4.1

CLASSIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO QUANTO A SUA FINALIDADE

30

4.1.1 Cria ou produção de alevinos

30

4.1.2 Recria, engorda ou produção de pescado

30

4.1.3 Exploração mista de cria e recria

30

4.1.4 Outros tipos de exploração

30

4.2

CLASSIFICAÇÃO DA PISCICULTURA QUANTO AO SISTEMA DE CRIAÇÃO

30

4.2.1 Piscicultura extensiva

30

4.2.2 Piscicultura semi-intensiva

31

4.2.3 Piscicultura intensiva

31

4.3

QUANTIDADE DE ÁGUA X SISTEMA DE PRODUÇÃO

31

4.3.1 Semi-intensivo

31

4.3.2 Intensivo

31

4.4 ATIVIDADE 32 4.4.1 Descrição do problema 32 4.4.2 Questionamento 32 4.5 LEITURA

4.4

ATIVIDADE

32

4.4.1 Descrição do problema

32

4.4.2 Questionamento

32

4.5

LEITURA COMPLEMENTAR

32

5

CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS

33

5.1

FATORES DETERMINANTES PARA LOCALIZAÇÃO DE VIVEIROS

33

5.1.1 Escolha do local

33

5.1.2 Água

33

5.1.3 Medidas de vazão

34

5.1.4 Solos e seleção de equipamentos - granulometria

35

5.1.5 Permeabilidade

35

5.1.6 Topografia

36

5.2 TIPOS DE VIVEIROS

36

5.3 PARA CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS

37

 

5.3.1

Recomendações para tamanhos e profundidade de viveiros

37

5.4

TIPOS DE VIVEIROS

38

5.4.1 Viveiros de terra (escavados)

38

5.4.2 Viveiros de alvenaria

38

5.4.3 Outros

38

5.5 FORMA E DIMENSÕES DE VIVEIROS

39

5.6 OUTRAS CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES NA CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS

39

5.6.1 Saída de Água e Canal de Deságüe

39

5.6.2 Estruturas

39

5.7

PLANEJAMENTO DE UMA CRIAÇÃO

42

5.7.1

Cronograma de produção e utilização dos tanques

43

5.8

PROJETO PADRÃO PARA A PISCICULTURA EM VIVEIROS DE TERRA (PARA

15.000 M 2 - L,5HA)

44

 

5.8.1

Engorda

45

5.9

ATIVIDADE

47

5.9.1 Descrição do problema

47

5.9.2 Questionamento

48

5.10

LEITURA COMPLEMENTAR

49

6

CALAGEM E ADUBAÇÃO DE VIVEIROS

50

6.1

PREPARO DOS VIVEIROS

50

6.2

ESVAZIAMENTO

50

6.3

DESINFECÇÃO

50

6.3.1 Desinfecção com cal virgem (CaO) ou cal hidratada (Ca(OH)2)

50

6.3.2 Desinfecção de áreas escuras e com cheiro de enxofre

50

6.4 APLICAÇÃO DE CALCÁRIO

50

6.5 OXIDAÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA

51

6.6 FERTILIZAÇÃO

52

 

6.6.1 Fertilizantes químicos (N - P K)

52

6.6.2 Fertilização antes do povoamento

53

6.6.3 Fertilização após o povoamento

53

6.6.4 Recomendações

54

6.1

ATIVIDADE

54

6.1.1 Descrição do problema

54

6.1.2 Questionamento

54

6.2

LEITURA COMPLEMENTAR

54

7

ESPÉCIES CULTIVADAS NO BRASIL

55

7.1 NATIVAS 55 7.1.1 Pacu (Piaractus mesopotamicus) 55 7.1.2 Piau, Piauçu, Piapara (Leporinus sp) 55

7.1

NATIVAS

55

7.1.1 Pacu (Piaractus mesopotamicus)

55

7.1.2 Piau, Piauçu, Piapara (Leporinus sp)

55

7.1.3 Curimatã ou curimba (Prochilodus scrofa)

56

7.1.4 Matrinchã, Piraputanga (Brycon sp)

56

7.1.5 Pintado, Surubim (Pseudoplatystoma coruscan)

57

7.1.6 Jundiá (Rhamdia quelen)

57

7.1.7 Traíra (Hoplias malabaricus)

58

7.2

EXÓTICAS

59

7.2.1 Carpa cabeça grande (Aristichthys nobilis)

59

7.2.2 Carpa capim (Ctenopharyngodon idella)

59

7.2.3 Carpa prateada (Hypophthalmichthys molitrix)

60

7.2.4 Tilápia (Oreochromis niloticus)

61

7.3

ATIVIDADE

61

7.3.1 Descrição do problema

61

7.3.2 Questionamento

62

7.4

LEITURA COMPLEMENTAR

62

8

REPRODUÇÃO NATURAL E ARTIFICIAL DOS PEIXES

63

8.1

REPRODUÇÃO COMO UM EVENTO CÍCLICO

64

8.1.1

O ciclo anual

64

8.2 MECANISMOS ENDÓCRINOS DA REPRODUÇÃO

64

8.3 REPRODUÇÃO NATURAL

65

8.3.1 Obtendo reprodutores

65

8.3.2 Indução da ovulação e/ ou desova

65

8.3.3 Indução da desova sem tratamento hormonal

65

8.3.4 Indução da desova em superfície artificial tipo kakabans

66

8.3.5 Viveiros de desova com as características acima citadas

66

8.4 REPRODUÇÃO INDUZIDA

66

8.5 ORIGEM E CUIDADOS COM O PLANTEL DE REPRODUTORES

67

8.6 IDADE PARA REPRODUÇÃO

68

8.7 ÉPOCA DE REPRODUÇÃO

68

8.8 SELEÇÃO E TRANSPORTE E ACONDICIONAMENTO DE REPRODUTORES

69

 

8.8.1

Tamanho dos reprodutores

69

8.9 RECONHECIMENTO DO SEXO E SELEÇÃO

70

8.10 TRANSPORTE E ACONDICIONAMENTO

71

8.11 INDUÇÃO HORMONAL ATRAVÉS DA HIPOFISAÇÃO

72

8.12 OUTROS HORMÔNIOS

72

8.13 PREPARAÇÃO E INJEÇÃO DA DOSE HORMONAL

72

8.14 HORAS-GRAU

73

8.15 EXTRUSÃO E FECUNDAÇÃO

73

 

8.15.1

Material necessário

73

8.16 COLETA E PRESERVAÇÃO DE GLÂNDULAS PITUITÁRIAS

75

8.17 VANTAGENS E DESVANTAGENS DE UMA DESOVA INDUZIDA

75

8.17.1 Vantagens

75

8.17.2 Desvantagens

75

8.18 OVOS DE PEIXES FERTILIZADOS

76

8.19 FERTILIZAÇÃO ARTIFICIAL DOS OVOS DE PEIXES

76

8.20 FERTILIZAÇÃO DOS OVOS PEGAJOSOS

76

8.21 FERTILIZAÇÃO DE OVOS NÃO PEGAJOSOS

77

8.22 DESENVOLVIMENTO DE OVOS E LARVAS E INCUBAÇÃO

77

8.23 ATIVIDADE

79

 

8.23.1

Questionamento

79

8.24

LEITURA COMPLEMENTAR

80

9 CULTIVO, NUTRIÇÃO E MANEJO ALIMENTAR 81 9.1 CONSÓRCIO PEIXES/SUÍNO 82 9.2 CONSÓRCIO PEIXES/AVES

9

CULTIVO, NUTRIÇÃO E MANEJO ALIMENTAR

81

9.1

CONSÓRCIO PEIXES/SUÍNO

82

9.2

CONSÓRCIO PEIXES/AVES

82

9.3

POLICUTIVO PARA CLIMA TEMPERADO

83

9.3.1 Espécies propostas

83

9.3.2 Proporção das espécies

84

9.3.3 Cronograma do cultivo

86

9.4

MANEJO ALIMENTAR DOS PEIXES EM POLICULTIVO

87

9.4.1 Alimentos

87

9.4.2 Freqüência de alimentação

88

9.4.3 Manejo alimentar

88

9.4.4 Resultado Esperados

88

9.5

NUTRIÇÃO DE PEIXES

90

9.5.1 Exigências nutricionais dos peixes

90

9.5.2 Exigência protéica

90

9.5.3 Exigência energética

92

9.5.4 Exigências vitamínico-minerais

94

9.5.5 Qualidade dos ingredientes empregados para alimentação dos peixes

96

9.5.6 Qualidade das rações

97

9.6

ATIVIDADE

98

9.6.1 Descrição do problema

98

9.6.2 Questionamento

98

9.7

LEITURA COMPLEMENTAR

99

10

DOENÇAS COMUNS NA PISCICULTURA

100

10.1

ICTIOFTIRÍASE

100

10.1.1

Tratamento

100

10.2

VERME DE BRÂNQUIAS (COSTIA)

100

10.2.1

Tratamento

100

10.3

SAPROLEGNOSE

100

10.3.1

Tratamento

100

10.4

ARGULOSE

101

10.4.1

Tratamento

101

10.5

ATIVIDADE

101

10.5.1 Descrição do problema

101

10.5.2 Questionamento

101

10.6

LEITURA COMPLEMENTAR

102

11

PROCESSAMENTO DE PESCADO E COMERCIALIZAÇÃO

103

11.1

EVISCERAÇÃO E FILETAGEM

103

11.1.1 Retirada das escamas

103

11.1.2 Retirada da cabeça

103

11.1.3 Evisceração

103

11.1.4 Fileteamento

104

11.2

MÉTODOS SIMPLES DE CONSERVAÇÃO DO PESCADO

104

11.2.1 Resfriamento

104

11.2.2 Qualidade do gelo

105

11.2.3 Tipo do gelo

105

11.2.4 Quantidade de gelo

105

11.2.5 Empilhamento

105

11.2.6 Armazenagem

105

11.2.7 Congelamento

106

 

11.2.8 Salga

106

11.2.9 Diferentes métodos de salga

107

11.2.10 Secagem natural 108 11.2.11 Secagem artificial 109 11.3 ATIVIDADE 109 11.3.1

11.2.10 Secagem natural

108

11.2.11 Secagem artificial

109

11.3

ATIVIDADE

109

11.3.1

Questionamento

109

11.4

LEITURA COMPLEMENTAR

109

12

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

110

12.1

INTRODUÇÃO

110

12.2

LEGISLAÇÃO FEDERAL

111

12.3

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

111

12.3.1

Licenciamento ambiental

112

12.4

LEGISLAÇÃO BÁSICA SOBRE PESCA E MEIO AMBIENTE

114

12.5

LEITURA COMPLEMENTAR

115

13

LITERATURA CONSULTADA

117

1 INTRODUÇÃO A piscicultura é um tipo de exploração animal que vem se tornando cada

1

INTRODUÇÃO

A piscicultura é um tipo de exploração animal que vem se tornando cada vez mais

importante como fonte de proteína para o consumo humano, principalmente pela redução dos estoques pesqueiros que, em 1991 (produção de 16.574.497 ton.), aumentou sua produção em 8,3% em relação a 1990 e, 100% nos últimos oito anos. Outros fatores que estão favorecendo o desenvolvimento atual da piscicultura são as modificações drásticas do hábitat, tais como poluição, desmatamento e represamentos. A mudança no hábito alimentar das pessoas, o aparecimento de novos produtos mais práticos para o consumo e a utilização para lazer e esporte, também favoreceram o desenvolvimento da atividade.

A explosão demográfica e a conseqüente necessidade de se produzir alimentos de

alta qualidade, em especial aqueles oriundos da exploração animal, se constitui no fator básico do extraordinário desenvolvimento verificado na criação de peixes nos últimos anos.

O Brasil desponta como uma potência de primeiro mundo em criação de peixes

devido ao seu extenso território, com diferentes tipos de clima, bem como suas bacias hidrográficas e represas, as quais acumulam grande quantidade de águas interiores, havendo assim, em sua ictiofauna, uma grande diversificação de espécies apresentando grande possibilidade de utilização na produção de pescado.

O desenvolvimento da piscicultura com espécies autóctocnes tem sido uma preocupação constante nos países tropicais. Por isso, pesquisadores têm-se preocupado em identificar espécies que disponham de condições que possibilitem sua exploração em cultivos semi-intensivo e intensivo. A crescente demanda de proteína de origem animal obriga-nos a buscar o aprimoramento das técnicas de produção de alimento, visando à exploração econômica e racional das espécies. Dentro da realidade brasileira, a piscicultura é sem dúvida reconhecida como uma atividade capaz de produzir proteína de origem animal de alto valor biológico, rica em vitaminas e minerais, a um custo relativamente inferior as demais criações, devido à pequena utilização de insumos e a possibilidade do aproveitamento de resíduos agropecuários não utilizados para o consumo humano.

O objetivo deste manual é dar uma informação básica para quem pretende iniciar na

atividade de criação de peixes. Esta atividade é uma alternativa para o produtor diversificar o potencial de sua propriedade, produzindo uma fonte de proteína animal a baixo custo e, conseqüentemente, aumentar a renda da família rural.

2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS PEIXES Estes animais pertencem à classe dos OSTEICHTHYES (peixes ósseos), ao

2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS PEIXES

Estes animais pertencem à classe dos OSTEICHTHYES (peixes ósseos), ao Filo CHORDATA e ao SUBFILO VERTEBRATA.

2.1 ANATOMIA DOS PEIXES

Corpo achatado lateralmente e dividido em cabeça, tronco e calda

Nadadeiras pares e impares

Boca de localização terminal

Corpo revestido por escamas ganóide, ciclóide e ctenóide

Algumas espécies não apresentam escamas, tendo o corpo revestido por pele

Apresentam grande quantidade de glândulas mucóides

Aparelho digestivo completo

Dentes Homodontes, Polifiodontes e Acrodontes

Terminação anal separada da urogenital

Abertura urogenital independente da anal

Ausência de válvula espiral

Aparelho respiratório do tipo branquial e pulmonar

Quatro pares de arcos branquiais de localização lateral nas paredes faríngeas

Brânquias protegidas por um par de placas ósseas (opérculos)

Sistema esquelético de natureza óssea

Vértebras do tipo anficélicas

Sistema circulatório do tipo fechado simples e venoso

Nadadeira caudal homocerca e dificerca

Coração com um sinus, uma aurícula, um ventrículo e um bulbo

Sangue: hemácias elípticas e nucleadas

Sistema nervoso com 10 pares de nervos cranianos

Sistema sensorial bem diferenciado com linhas laterais, órgãos visuais, olfativos, táteis e elétricos

Presença de cavidade peritonial e pericárdica

Presença de bexiga natatória com função hidrostática, auditiva, respiratória e de emissão de ruídos

Sistema reprodutor desenvolvido e duplo

São dióicos e raramente apresentam dimorfismo sexual

Geralmente ovíparos com fecundação externa, raramente ovovivíparos ou vivíparos

Sistema excretor formado por dois rins (mesonéfrons)

2.1.1 Morfologia externa  Apresentam corpo de forma fusiforme, achatada transversalmente e fusiforme nas extremidades

2.1.1 Morfologia externa

Apresentam corpo de forma fusiforme, achatada transversalmente e fusiforme nas extremidades

O corpo é dividido em três porções: cabeça, tronco (sem limites nítidos) e cauda

A boca de localização terminal com aspecto de uma fenda transversal.

As duas fossas nasais não têm comunicação com a boca e estão localizadas diante dos olhos

Duas narinas dispostas uma de cada lado da cabeça

Dois opérculos laminados recobrindo as brânquias e dispostos atrás dos olhos com a borda posterior livre

Nos bordos da boca podem se observar duas pequenas barbas com função tátil

O tronco limita-se anteriormente com a cabeça pela borda posterior dos opérculos e com a cauda na altura das aberturas urogenital e anal

No tronco encontra-se duas nadadeiras torácicas, duas pélvicas ventrais e a dorsal formada por uma única peça

Na cauda existem duas nadadeiras impares: a caudal e anal, esta última disposta atrás do ânus

A nadadeira caudal é do tipo homocerca por apresentar dois lobos iguais separados pela terminação da coluna vertebral

Corpo apresenta-se revestido externamente por um dos três tipos de escamas: ganóides, ciclóides ou ctenóides

Duas linhas laterais percorrem longitudinalmente o tronco e cauda ao longo da porção média do corpo, formando os órgãos sensoriais.

Figura 1: Anatomia externa de peixes teleósteos. Fonte: LOPES, P. 2.1.2 Morfologia interna 2.1.2.1 Sistema

Figura 1: Anatomia externa de peixes teleósteos.

Fonte: LOPES, P.

2.1.2 Morfologia interna

2.1.2.1 Sistema Tegumentar A pele é constituída por duas partes: a epiderme e a derme

Epiderme

Constituída por numerosas camadas de células epiteliais de revestimento. Possui uma camada basal geradora chamada de Camada de Malpighi, responsável pela elaboração das células da epiderme. Nesta camada são encontradas as glândulas de muco elaboradas nas camadas mais profundas (Camada de Malpighi), rompendo-se na superfície corpórea e eliminado uma substância mucilaginosa responsável pela lubrificação corpórea (diminuindo o atrito na água e permitindo um maior deslizamento).

Os pigmentos existentes logo abaixo da epiderme são responsáveis pela coloração dos peixes. O tipo de pigmento varia em natureza e aspecto.

Derme

Constituída por um tecido conjuntivo de preenchimento formado por células, fibras conjuntivas, vasos sanguíneos e nervos. Entre e derme a epiderme existe uma condensação de tecido conjuntivo, que forma a membrana basal. Os cromatóforos são células especiais localizadas na camada mais externa da derme e estão relacionados com a absorção de luz. No interior dos cromatóforos são encontrados grânulos de melanina. As cores são fornecidas por pigmentos como: lipóforos

ou xantóforos (pigmento amarelo) e leucóforos ou iridicitos (pigmento branco, prateado ou metálico). As escamas

ou xantóforos (pigmento amarelo) e leucóforos ou iridicitos (pigmento branco, prateado ou metálico). As escamas recobrem o corpo dos peixes e são de natureza dérmica, apresentando- se de dois tipos:

Escamas ganóides - desenvolvem-se inteiramente na derme possuindo forma rômbica (pontuda) e articuladas uma nas outras. São de ocorrência em peixes antigos sendo raros nos peixes atuais.

Escamas ciclóides - são as mais comuns e predominantes nos peixes atuais. De origem dérmica, recobrem integralmente o corpo dos teleósteos. Apresentam borda livre e arredondada. Possui uma camada de dentina e não ocorre em tecido ósseo.

2.1.2.2 Sistema Muscular

Constituído por musculatura esquelética estriada com forma de ―W‖ aberto para trás. Esta musculatura se estende pelo corpo e cauda. É dividida por segmentos com bandas de tecido conjuntivo. Os músculos da cabeça e nadadeiras são menores e rudimentares.

2.1.2.3 Sistema Esquelético É ossificado e dividido em três porções: axial, zonal e apendicular.

Esqueleto Axial Constituído por cabeça, coluna vertebral, costelas e esterno.

Esqueleto zonal

septos

intermusculares.

Esqueleto apendicular

É constituído pelas nadadeiras pares torácicas e pélvicas com tamanhos, forma e localização variáveis. As nadadeiras impares, dorsal, ventral e caudal também são amplamente variáveis. As nadadeiras caudais possuem dois tipos morfológicos fundamentais: homocerca e dificerca. As nadadeiras homocercas caracterizam-se por apresentar dois lobos, um superior e outro inferior, simétricos entre eles esta a terminação da coluna vertebral. As nadadeiras dificercas apresentam um só lobo com a coluna vertebral no seu interior ou dois simétricos externos, com a terminação da coluna vertebral.

Constituído

pelas

costelas

ou

por

ossos

isolados

depositados

nos

2.1.2.4 Sistema Digestório

Constituído pela boca (com dentes e glândulas anexas), faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e ânus.

Boca

Situada na extremidade anterior da cabeça, do tipo terminal. Apresenta dentes do tipo acrodonte, homodonte e polifodonte. Os dentes participam do mecanismo de apreensão dos alimentos. A língua é de forma alongada, pouco móvel e localizada no assoalho da boca. Esta participa também da apreensão dos alimentos empurrando-os para o interior da faringe.

Faringe

É a continuação direta da boca. Não apresenta limites precisos constituindo uma ampla bolsa em

É a continuação direta da boca. Não apresenta limites precisos constituindo uma

ampla bolsa em cujas paredes laterais se encontram as brânquias.

Esôfago Apresenta a forma de um tubo curto que se abre diretamente no estômago.

Estômago

É uma dilatação do tubo digestivo com aspecto de uma bolsa. Esta bolsa fornece um esboço de uma pequena e grande curvatura.

Intestino

É um tubo relativamente longo com várias alças terminando no ânus, na confluência do corpo com a cauda. Entre o estômago e o intestino, existe uma válvula denominada pilórica, responsável pela regulagem da passagem dos alimentos. Entre o estômago e o intestino ocorre numerosos cecos pilóricos.

2.1.2.5 Sistema Respiratório

É completo do tipo braquial, constituído por quatro pares de brânquias pectinada

(filamentosas). As brânquias situam-se bilateralmente nas paredes laterais da faringe. São sustentadas pelos 30 ao 60 par de arcos viscerais. As brânquias protegidas por uma lâmina óssea denominada opérculo. Os opérculos são constituídos por um conjunto de ossos. O processo respiratório ocorre quando a água através de uma corrente contínua entra pela boca, banha as brânquias, enquanto a tampa opercular se mantém colada ao tronco. Em seguida a boca se fecha, abrindo as fendas operculares, propiciando a passagem de água para o meio exterior. A permanência da água no interior da faringe e em contato com as brânquias possibilita as trocas gasosas entre o oxigênio dissolvido na água e o gás carbônico (hematose).

Estrutura branquial

De aspecto pectinado com duas fileiras de brânquias em cada arco branquial. O corpo da brânquia é constituído de uma estrutura esquelética (raios branquiais) de natureza óssea ou cartilaginosa. Interiormente as brânquias são percorridas por uma abundante rede capilar responsável pelo processo de hematose. Os capilares penetram nas brânquias através de dois ramos aferentes procedentes do tronco principal da artéria aorta ventral que transporta o sangue venoso do corpo para as brânquias. Após as trocas gasosas, o sangue sai das brânquias através de dois ramos eferentes que lançam o sangue arterial no interior do corpo da artéria aorta dorsal no sentido ventro-dorsal.

Bexiga natatória

É um saco grande de paredes finas, ligadas á faringe por um ducto pneumático.

Preenchida pelos gases (N, O, CO2) Localiza-se na porção dorsal da cavidade do corpo.

Seu revestimento interno pode ser liso, alveolado ou septado, mas sempre simulando aspecto de um pulmão. O canal de comunicação entre s bexiga natatória e o esôfago ou faringe denomina-se Ducto Pneumático. Funções da bexiga natatória:

Hidrostática:

Sua função é de regular a descida ou ascensão dos peixes em relação á superfície da água. Para tanto os peixes absorvem gases existentes no interior da bexiga através da

corrente sanguínea com eliminação conseqüente pelas brânquias. Desta forma os peixes conseguem atingir grandes

corrente sanguínea com eliminação conseqüente pelas brânquias. Desta forma os peixes conseguem atingir grandes profundidades, assim como no mecanismo inverso, onde ocorre a subida em direção a superfície.

Acústica:

Alguns peixes possuem divertículos oriundos da bexiga natatória em direção ao interior da cabeça até atingir o ouvido interno. Aí, ocorre uma série de 3 a 4 pequenos ossos denominados ossículos de Weber. Estes, por sua vez, procedem de vértebras modificadas, que se ligam ao nervo auditivo. Através de mecanismos complexos, onde o nervo auditivo é estimulado, observa-se a propagação para os ossículos de Weber e daí para a bexiga natatória, permitindo a variação de pressão gasosa no seu interior. A vibração destes ossículos aumenta a capacidade auditiva destes peixes.

Emissão de ruídos Algumas bexigas possuem diversas câmaras separadas umas das outras por septos. Desta forma conseguem produzir ruídos pela contração rápida de sua musculatura, forçando a passagem dos gases pelas diversas câmaras, pondo em vibração os septos existentes.

Respiratória Sua função é uma das mais importantes, exclusiva dos peixes fisóstomos (pulmonados). Devido à permeabilidade do ducto pneumático ocorre a passagem do ar do ambiente, fornecendo um tipo de respiração semelhante a dos tetraplóides. Este fenômeno ocorre com o Pirambóia (peixe da Amazônia) que chega a superfície da água, provocando uma longa respiração de ar, mergulhando em seguida. No período de seca, estes animais podem permanecer durante longo tempo no lodo. Para tal constroem uma cápsula de gelatina que envolve seu organismo e retirando o oxigênio diretamente da atmosfera. Esse processo estende-se até o retorno do período das chuvas.

2.1.2.6 Sistema Circulatório

É constituído pelo sistema sanguíneo (sangue, coração, artérias, veias e capilares) e pelo sistema linfático (linfa, vasos linfáticos e gânglios linfáticos).

Coração

É constituído por um tubo musculoso envolvido por uma camada pericárdica. O coração localiza-se abaixo da bolsa faríngea ou região branquial. Possui três camadas de tecidos, endocárdio, miocárdio e epicárdio.

Principais artérias

1 artéria aorta ventral (canaliza o sangue do corpo para o coração)

2 artérias aortas dorsais (transporta o sangue do coração para as brânquias e destas para todo o corpo).

2.1.2.7 Sistema Nervoso

Apresenta duas substâncias nervosas concêntricas, a branca externa e a cinzenta interna. A massa branca representa os tratos nervosos constituído por conjunto de axônios orientados craniocaudalmente e ricos em mielina. A massa cinzenta é indicativa de estruturas celulares nervosas e de axônios sem mielina envolvente. Envolvendo o conjunto do sistema nervoso central (cérebro, cerebelo e bulbo) ocorre uma estrutura espessa, mais ou menos rígida, denominada meninge responsável pela proteção das estruturas nervosas.

2.1.2.8 Sistema Sensorial Compreende um conjunto de estruturas especializadas para as sensibilidades: gustativas,

2.1.2.8 Sistema Sensorial

Compreende um conjunto de estruturas especializadas para as sensibilidades:

gustativas, olfativas, auditivas, táctil-dolorosa-térmica, e pressorreceptoras.

Sensibilidade gustativa

É muito rudimentar devido ao tipo de deglutição ser muito rápida

Existem células epiteliais especializadas entre as criptas da língua

Terminações nervosas sensitivas do glossofaríngeo estão presentes na faringe, também, relacionadas com a degustação.

Sensibilidade olfativa

Muito desenvolvida nos peixes

Através dos dois sacos olfativos o cheiro é captado do meio, estes sacos estão protegidos pelos ossos do crânio

Recebem estímulos químicos

Não possui ligações com a boca, apenas um poro aberto na superfície do corpo junto aos cantos da boca

A água a cada instante é mudada permitindo o animal à sensibilidade odorífera de certas moléculas

Das células epiteliais partem filamentos nervosos para o interior do crânio, formando o nervo olfativo e este atinge os lobos olfativos

Sensibilidade auditiva

Apresentam canais semicirculares cujas paredes são revestidas por células sensitivas relacionadas com o mecanismo de equilíbrio

No interior dos canais semicirculares aparecem dois pequenos grânulos, os otólitos, constituídos por carbonato de cálcio em suspensão na endolinfa

Os otólitos participam no mecanismo reflexo de equilíbrio do ser

Sensibilidade visual

É pouco desenvolvida

Possuem dois globos oculares bem diferenciados

O globo ocular apresenta a forma de um esferóide com nítido achatamento antero- posterior

Este formato de olho condiciona, desta maneira, a formação da imagem atrás da retina o que possibilita à visão a longa distância em detrimento de objetos colocados próximos dos olhos

Não apresentam glândulas lacrimais

Esclerótica - camada mais externa, parenta em seu interior placas cartilaginosas destinadas a dar maior proteção ao globo ocular, principalmente nas grandes profundidades onde a pressão é muito grande

Coróide - é a segunda capa formada pela camada vascular, responsável pela alimentação sanguínea das estruturas do olho

Sensibilidade tátil

 Muito desenvolvida e especializada  Ocorrem terminações sensitivas em todo corpo do animal localizadas

Muito desenvolvida e especializada

Ocorrem terminações sensitivas em todo corpo do animal localizadas nas porções superficiais da camada dérmica, com função de percepção dos diferentes tipos de estímulos

Linha lateral - é formada por dois canículos situados logo abaixo da epiderme e abertos na superfície corpórea por inúmeros poros que permitem a passagem e circulação de água do meio ambiente. As paredes internas destes canículos possuem células especiais Neuromastos - que atuam como estruturas pressorreceptoras (pressão da água). Na cabeça a linha lateral encontra-se modificada (ampola de lorenzini) no sentido de responder aos estímulos das variações térmicas da água.

2.1.2.9 Sistema Excretor

Apresenta-se disposto bilateralmente ao longo do tronco, diante da coluna vertebral

Os rins em número de dois são do tipo mesonefros. Possuem coloração vermelha vinho;

De cada rim parte um canal excretor que se estende até o orifício urogenital

2.1.2.10 Sistema Reprodutor

Apresentam sexos separados

Apresentam gônadas pares situadas no interior da cavidade celomática

Os machos apresentam dois testículos. Destes partem dois canais deferentes que se abrem no interior do poro genital, comum ao aparelho urinário

As fêmeas apresentam dois ovários. Destes partem dois ovidutos que por sua vez, também se abrem no poro genital.

2.2 CADEIA ALIMENTAR DOS PEIXES

Todas as larvas de peixe, qualquer que seja a espécie, após a absorção do saco vitelino, alimentam-se do plâncton, sendo que algumas espécies dão preferência ao fito e outras ao zooplâncton. A tilápia, peixe de regime alimentar preferencialmente planctófagos, após a absorção das reservas contidas no saco vitelino, passa a alimentar-se de algas, enquanto que a traíra e o dourado, espécies carnívoras, preferem o zooplâncton. A alimentação dos peixes pelo plâncton pode-se dar direta ou indiretamente. Alguns deles podem ingerir diretamente os organismos planctônicos, entretanto, para muitos outros o fitoplâncton constitui apenas um elo inicial da cadeia alimentar, pois que ele serve de alimento a protozoários e estes a rotíferos, microcrustáceos, larvas de insetos, vermes e outros animais que por sua vez constituem o alimento dos peixes. Mesmo os peixes carnívoros, comem outros peixes que se alimentam dos organismos planctônicos. Atingida a fase de alevino o regime alimentar do peixe defini-se, porém, existem certas espécies que permanecem fitoplanctófagas durante toda a vida.

De

acordo

com

a

diversidade

dos

alimentos,

os

peixes

são

divididos

em:

eurifágicos, quando consomem vários itens alimentares; estenofágicos, quando consomem

pouca diversidade de itens; e monofágicos quando existe o domínio de um item.

De acordo com a natureza do alimento, as espécies são classificadas em: herbívoras, carnívoras, onívoras

De acordo com a natureza do alimento, as espécies são classificadas em: herbívoras, carnívoras, onívoras e detriófagas (incluindo plâncton), mas também são reconhecidas as espécies iliófagas e algumas que poderiam ser chamadas de especialistas, embora todas as outras citadas também sejam especialidades.

2.2.1 Planctívoros ou planctófagos

São

plâncton.

assim

denominados

Classificam-se em:

os

peixes

que

se

alimentam

predominantemente

de

Seletores: selecionam suas presas individualmente;

Filtradores passivos: abrem à boca e nadam, deixando que os rastros concentrem as partículas;

Filtradores ativos ou bombeadores: o peixe fica parado ou ligeiramente em movimento fazendo bombear água com movimentos ativos da cavidade boca-branquial.

2.2.1.1 Tilápia Durante seu primeiro estágio de crescimento, que vai do nascimento até atingir 3,5cm de comprimento, a Tilapia rendalli alimenta-se exclusivamente de microorganismos pertencentes ao fitoplâncton e neste estágio, mesmo que haja na água onde elas se encontram abundância de organismos animais, estes não são encontrados em seu estômago. No segundo estágio de crescimento, de 3,5 até 10 cm de comprimento, dá-se uma transição alimentar de algas para vegetais superiores e finalmente no terceiro estágio, de 10 cm em diante, a alimentação é feita exclusivamente na base de vegetais superiores. Entretanto, outras espécies do gênero Tilapia, como T. galillaea e T. esculenta, são exclusivamente fitoplanctófagas, alimentado-se de algas durante toda sua vida.

2.2.2 Herbívoros

São peixes que selecionam alimento vegetal vivo: vegetais superiores, macro e microalgas bentônicas e fitoplâncton. Embora o peixe que se alimenta de fitoplâncton possa ser denominado herbívoro, essa expressão é mais apropriada para os que se alimentam principalmente de vegetais multicelulares, devido às adaptações anatômicas necessárias para utilizar esses vegetais e às implicações ecológicas de tal atividade. Os mecanismos digestivos usados para destruir a celulose da célula vegetal, os herbívoros marinhos são classificados em quatro grupos:

Os que digerem o alimento em estômagos com alta acidez;

Os que trituram o alimento por meio de dentes faringeanos;

Os que trituram o alimento por meio de um estômago muscular;

Os que mantêm microorganismos que fermentam o alimento em uma porção da parte

posterior do intestino. Na revisão sobre peixes herbívoros de água doce, cita experimentos nos quais peixes perdiam peso quando alimentados somente com plantas e que o recuperavam quando a dieta era completamente com proteína animal. Isso permite deduzir que, na natureza, peixes herbívoros precisam complementar suas dietas com proteína animal; comenta também sobre a ação negativa dos taninos na digestibilidade das plantas. Observou que, no

Rio Negro (Amazônia), os peixes herbívoros preferem frutas e sementes, ingerindo poucas folhas. Hyporhamphus melanochir

Rio Negro (Amazônia), os peixes herbívoros preferem frutas e sementes, ingerindo poucas folhas.

Hyporhamphus melanochir é herbívoro de dia e carnívoro de noite.

2.2.3 Carnívoros

São peixes que selecionam alimento animal vivo, incluindo zooplâncton. Quando o alimento é constituído principalmente por peixe é chamado de piscívoro ou ectiófago; quando os crustáceos, carcinófago, quando por moluscos, malacófago, quando por cefalópodos, teutófago, quando por insetos, insetívoro etc. Nos rios e pequenos lagos, os insetos têm uma importante participação na dieta do peixe, os quais, geralmente, estão presentes o ano inteiro, embora estejam mais disponíveis na época das cheias. Os insetos adultos podem flutuar ou afundar, ao caírem na água ou ser carregados pela chuva, podendo também ser capturados por peixes especializados quando pousam perto da superfície da água. Entre as formas larvais, as de vida aquática são mais usadas como alimento, mas também são aproveitadas larvas terrestres. O canibalismo tem importantes implicações na auto-ecologia das espécies, porque geralmente funciona como uma forma de autocontrole populacional, acentuando-se quando as condições de alimentação são inadequadas ou por conveniência de adultos, como ocorre em algumas espécies de Hoplias, Cichla, Salminus, etc. Atribui aos desenhos e ao colorido de Cichla ocellaris, que aparecem em exemplares a partir de determinado tamanho, a função de alertar os exemplares maiores da própria espécies para evitar o canibalismo.

2.2.4 Onívoros

São peixes que utilizam de alimento animal e vegetal vivo, em partes bastante equilibradas. Quando há certo domínio de algum dos itens. Referem-se às espécies como:

onívoras com tendência a carnívoras, ou onívoras com tendência a herbívoras. Em relação à ecologia trófica, usa o termo onívoro para referir-se às espécies que se utiliza de alimentos pertencentes a dois ou mais níveis tróficos. O peixe carnívoro combina ingestão de alimento animal, que é de alto valor energético, porém requer certo esforço para obtê-lo, com ingestão de alimento vegetal, que é de baixo teor energético, porém pode ser obtido com menor esforço, com a condição de ter capacidade para digeri-lo, conforme observado em Lagodon rhomboides.

2.2.5 Detritívoros

São peixes que se alimentam de matéria orgânica de origem animal em putrefação e/ou matéria vegetal em fermentação. É difícil reconhecer um detritívoro na natureza através do exame de conteúdo estomacal, porque um animal já morto pode ter as mesmas características de um animal morto pelo predador, assim como fica difícil reconhecer o detrito vegetal do semi-digerido. Alguns detritívoros, talvez todos, têm suas dietas complementadas com algas e bactérias, como Mugil cephalus, Tilapia mossambica e Hutilus rutilus.

2.2.6 Iliófagos São peixes que ingerem substrato formado por lodo ou areia, que por si

2.2.6 Iliófagos

São peixes que ingerem substrato formado por lodo ou areia, que por si só não representa um tipo de alimento. O substrato é ingerido porque nele são encontrados os alimentos procurados (animal, vegetal ou detrito) sendo que esses peixes contam com um aparelho digestivo adaptado para selecioná-lo. Conseqüentemente seria mais apropriado denominar o hábito de ingerir substrato, junto com o tipo de alimento usado, como:

iliófago-detritívoro, para diferenciá-lo do detritívoro que não ingere lodo etc. O estudo alimentar de um iliófago deve incluir a correta separação do substrato inerte. Os principais alimentos incluídos no lodo são:

Organismos microscópicos de superfície;

Detrito planctônico sedimentado;

Detrito de macroflora;

Detrito de fauna nectônica e bentônica;

Matéria coprogênica;

Detrito orgânico;

Detrito inorgânico.

Ex.: Curimbatá (Prochilodus scrofa)

O curimbatá é o peixe mais comum dos nossos rios, principalmente em São Paulo,

onde ocorre na proporção de 70% do total dos vários peixes. É uma espécie de dentição atrofiada, que se alimenta de algas contidas no lodo. Estes peixes possuem um estômago musculoso, semelhante à moela das aves, adaptado, portanto, a digerir a carapaça silicosa das diatomáceas. Estas constituem seu principal alimento, o que foi constatado através de estudos do conteúdo estomacal desses peixes.

Ex.: Saguirú (curimatus sp) Peixe destituído de dentição, de tamanho pequeno e muito comum em nossas águas, quer paradas, quer correntes. Alimenta-se o saguirú da matéria orgânica contida no lodo, especialmente das algas. Ex.: Cascudo (Plecostomus sp)

O regime alimentar dos cascudos é muito especializado, pois os mesmos alimentam-

se exclusivamente de algas, dando preferência aos locais pedregosos onde estas se acumulam. Nunca se conseguiu criar uma só larva desse peixe com microcrustáceos. A preferência dos cascudos pelas algas é de tal ordem que quando presos em aquários durante algum tempo, aderem aos vidros, limpando-os das algas que aí costumam acumular-se, daí serem chamados de "limpa-vidros".

2.3

ATIVIDADE

2.3.1

Descrição do problema

―Um tanque de criação de peixes, apesar de total ou parcialmente controlado, constitui um sistema ecológico complexo que deve ser conhecido e estudado, pois todos os

seus aspectos (qualidade da água, temperatura, oxigênio dissovido, etc.) sofrem ação do meio ambiente. Assim,

seus aspectos (qualidade da água, temperatura, oxigênio dissovido, etc.) sofrem ação do meio ambiente. Assim, sendo um tanque de piscicultura um ecossitema, ainda que artificial, deve-se conhecer os organismos que o compõe bem como a cadeia alimentar em que eles estão inseridos para saber as perdas de energia entre organismos produtores até os decompositores‖. Texto intitulado ―Piscicultura‖, retirado do site http://www.criareplantar.com.br/aquicultura/piscicultura/zootecnia.php?tipoConteudo=text

2.3.2

Questionamento

Sobre a criação de peixes em tanques e o ecossistema presente nestes, conceitue:

a) Aquicultura

b) Piscicultura

c) Plâncton

d) Bentos

e) Macrófitas aquáticas

Resposta:

a) Aqüicultura é o processo de produção em cativeiro de organismos com hábitat predominantemente aquático, em qualquer estágio de desenvolvimento, ou seja: ovos, larvas, pós-larvas, juvenis ou adultos.

b) A piscicultura é um dos ramos da aqüicultura, que se preocupa com o cultivo de peixes.

c) São organimos microscópicos que possuem pequena capacidade de movimentação e portanto flutuam livremente nas águas. Podem ser de origem animal (zooplâncton) ou vegeteal (fitoplâmcton) e constituem a base da cadeia alimentar. O zooplâncton é representado, no tocante a piscicultura, pelos protozoários, rotíferos e microcrustáceos . Já o fitoplâncon é composto por organismos autotróficos (produtores) respresentados por alguns tipos de bactérias e algas de diferentes classes.

d) Organismos que habitam o fundo (sendimento) dos tanques, representados, entre outros, por larvas de insetos, algas, moluscos, algumas bactérias e fugos. De modo geral estes são os responsáveis pela decomposição e reciclagem dos nutrientes.

e) Vegetais superiores que permanecem ou não enraizados, no fundo dos

tanques. Podem ou não estar totalmente submersas e algumas flutuam sobre a superfície da água e permancem com as raízes submersas. Geralmente estão relacionadas com a presença de matéria orgânica na água. Objetivo da atividade: Discutir alguns conceitos que serão abordados no decorrer do conteúdo desta apostila.

2.4 LEITURA COMPLEMENTAR BARCELLOS, J.G. Policultivo de Jundiás, Tilápias e carpas – Uma alternativa de

2.4 LEITURA COMPLEMENTAR

BARCELLOS, J.G. Policultivo de Jundiás, Tilápias e carpas Uma alternativa de produção para a piscicultura rio-grandense. Editora UPF. 2006, 127p. MOREIRA, H.L.M. et al. Fundamentos da Moderna Aqüicultura. Editora Ulbra-RS, 2001, 199 p.

3 AMBIENTE AQUÁTICO - PROPRIEDADES FÍSICO-QUIMICAS DA ÁGUA A água é o composto considerado como

3 AMBIENTE AQUÁTICO - PROPRIEDADES FÍSICO-QUIMICAS DA ÁGUA

A água é o composto considerado como a essência da Terra e domina por completo

a composição química de todos os organismos, além de ser o meio onde vivem os peixes. Sendo assim especificamente, as suas características regulam eficazmente o metabolismo do ecossistema a variações climáticas e geográficas. Essas variações são decorrentes da interação.

Calor Específico - quantidade de calor necessário para elevar em um grau centígrado, um grama de água -por definição corresponde a uma caloria (1,0 cal), este valor é considerado alto; Calor de vaporização - a água possui um alto valor para esta característica, sendo que a 10 °C é de 540 cal/g. Viscosidade - capacidade de oferecer resistência ao movimento - com 30 °C a água tem a metade da viscosidade que à cinco graus centígrados. Portanto a viscosidade diminui com a temperatura;

com as condições do

Densidade -a água apresenta densidade variável, de acordo meio, a maior densidade da água é atingida a zero grau centígrado

A água, por suas peculiares características líquido-sólidas, tornam-na um ambiente

estratificável que influencia sobremaneira as dinâmicas químicas e biológicas dos corpos

d'água (no nosso caso viveiros). Entretanto comparando-a com o meio aéreo, apresenta-se como um meio temperado, onde as flutuações extremas de suas características e temperatura se encontram mais amortizadas que no meio aéreo.

A seguir passaremos a tratar especificamente de cada um dos principais fatores

abióticos que geram efeito sobre a vida aquática, bem como das principais interações que

ocorrem entre eles, e também sobre a qualidade de água para piscicultura.

3.1

TEMPERATURA

Através da condução, a radiação incidente na água é transformada em energia calorífica e nela se propaga, de molécula para molécula. Este processo de absorção de energia térmica é mais intenso quanto mais se aproxima da superfície da água, principalmente até um metro de profundidade, dessa forma, na ausência de fatores que provoquem a movimentação (turbulência) da água (através do vento do funcionamento de aeradores, infusores de ar, motores, etc) ocorre estratificação da coluna d'água, tornando-a, teoricamente, como mostra a Figura 2.

RADIAÇÃO
RADIAÇÃO

Figura 2: Esquema de estratificação térmica de um ambiente aquático.

Fonte: MOREIRA et al. (2001).

Essas diferenças térmicas observadas nestas camadas fazem com que hajam diferentes valores de densidade em cada uma delas, o que impede que ocorra a mistura d'água em toda a coluna, dessa forma, na ausência de fatores que provoquem turbulência na água, não haverá distribuição uniforme de calor. Quando o ambiente aquático apresenta-se estratificado teoricamente, normalmente apresenta-se estratificado para quase todos os outros fatores físicos e químicos, com efeitos sobre as condições biológicas do ambiente, devido à grande inter-relação entre todos estes fatores. Este fenômeno é muito mais freqüente e com maiores conseqüências em regiões tropicais, devido às maiores temperaturas observadas, pois os limites entre as camadas tornam-se, como já ditos barreiras físicas, o que pode influenciar na qualidade da água nas diferentes camadas, um exemplo é quanto a distribuição espacial dos gases e nutrientes no ambiente aquático. Em um ambiente aquático estratificado, a concentração de gases e sais, como O2, CO2, PO3 apresenta comportamento diferenciado em cada camada, e pode ser ilustrada na

Figura3.

RADIAÇÃO

em cada camada, e pode ser ilustrada na Figura3. RADIAÇÃO Figura 3: Demonstração exemplificando a estratificação
em cada camada, e pode ser ilustrada na Figura3. RADIAÇÃO Figura 3: Demonstração exemplificando a estratificação

Figura 3: Demonstração exemplificando a estratificação dos gases e sais no meio aquático.

Fonte: MOREIRA et al., 2001.

Este exemplo mostra que nesse tipo de ambiente, o extrato superior é rico em O

Este exemplo mostra que nesse tipo de ambiente, o extrato superior é rico em O 2 , favorecendo a permanência de peixes. Entretanto, quanto a produtividade primária (fitoplâncton) não apresenta-se favorável devido às baixas concentrações de CO 2 e PO 3 , trazendo conseqüências na produção de zooplâncton na coluna de água, devido a que seu substrato (fitoplâncton) encontra melhores condições no estrato inferior do viveiro, a qual não possui concentração satisfatória de O 2 , vital para a sobrevivência. De maneira geral a distribuição e disponibilidade de gases e sais na coluna d'água afeta diretamente a distribuição e a sobrevivência dos organismos aquáticos. Desta forma é valido pensar que a estratificação térmica em viveiros de piscicultura não é uma característica desejável, visto que suas implicações biológicas, principalmente quanto ao aspecto da distribuição de O 2 na coluna d'água que em situações de alta demanda biológica, pode tornar-se limitante para o bom desenvolvimento, ou até para a sobrevivência dos peixes. Daí a importância do uso, quando necessário, de aeradores, que além de atuarem como oxigenadores, ainda desempenham papel importante na desestratificação dos ambientes aquáticos.

A temperatura interfere diretamente na solubilidade de gases, velocidade de reações

químicas, circulação de água, metabolismo dos peixes, etc. A faixa ideal das espécies tropicais está entre 20 a 30ºC, sendo o nível ótimo para a maioria entre 25 e 28ºC. Temperaturas inferiores a 20ºC normalmente afetam o metabolismo dos peixes tropicais, acarretando diminuição de apetite e das taxas de crescimento. A temperatura letal muito variável entre espécies, sendo de 5ºC para as carpas, 10ºC para as tilápias e 15ºC para tambaqui e pacu. O controle de temperatura pode ser feitos por meios artificiais com o uso de aquecedores, mas é inviável economicamente. A temperatura que convém considerar não é a da água de alimentação do viveiro, mas sim a água dos viveiros onde os peixes vivem. Por isso, ao se construir um viveiro, deve-se escolher um local bem exposto ao sol e ao vento, onde possa tirar o maior rendimento de ambos.

3.2

TRANSPARÊNCIA

A

transparência está relacionada com o material em suspensão, tanto mineral como

orgânico. Quanto mais plâncton, menor a transparência.

O disco de Secchi é o equipamento usado para medir esse parâmetro. Uma transparência ideal da água de um viveiro medida pelo disco de Secchi está em torno de 30 e 40 cm, indicando uma boa produção biológica nos viveiros. As águas de cor esverdeada ou azulada são geralmente boas. As amareladas ou acastanhadas, provenientes de pântanos, são ácidas e impróprias para culturas de peixes.

A figura abaixo (Figura 4) ilustra a medição da transparência através do uso do

disco de Secchi.

Figura 4: Disco de Secchi. Fonte: SOSINSKI & CAMARGO (1996). 3.3 CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS Toda água

Figura 4: Disco de Secchi.

Fonte: SOSINSKI & CAMARGO (1996).

3.3 CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS

Toda água na natureza deriva da precipitação atmosférica, produto da condensação do vapor de água no ar (chuva), e contêm vários compostos nitrogenados, sulfatos, cloretos, etc., cuja quantidade varia não somente com o local, como com as estações do ano. Em todo o trajeto, a água dissolve numerosas substâncias do solo, que a tornam uma solução mais ou menos diluída de sais minerais e 12 compostos orgânicos. Além dessas substâncias dissolvidas, a água arrasta no seu caminho partículas não-solúveis, colóides e partículas maiores, tornando-se uma suspensão mineral ou orgânica. A água é o solvente universal encontrado na natureza. Ela dissolve os gases como O 2 , N 2 , CO 2 , CH 4 , H 2 S, entre outros; os sais minerais e substâncias orgânicas, etc. Todos esses gases são de fundamental importância para a piscicultura. O valor piscícola de uma água depende essencialmente da natureza do terreno com o qual a água está em contato.

3.4 POTENCIAL HIDROGENIÔNICO (pH)

O processo de dissociação da molécula de água liberando ao meio certa quantidade de íons H + sem quebrar o equilíbrio (H 2 O = H + + OH). Quando a quantidade de íons H+ é igual à de íons OH- em uma solução, ela é dita como neutra. Já quando há uma ―vantagem‖ para os íons H + a solução é dita como ácida, quando o contrario é alcalina ou básica. O pH, que é definido como logaritmo negativo da concentração molar de íons hidrogênio é a medida que expressa a acidez ou alcalinidade de uma solução e, além de ser influenciado pela quantidade de íons H + e OH, ainda é afetado fortemente por sais, ácidos e bases que ocorram no meio. Os valores de pH variam de 1,0 a 14,0 sendo que abaixo de 4,0 é fatal à maioria dos peixes, entre 5,0 e 6,0 causa queda no desenvolvimento, entre 6,5 a 9,5 permite um desenvolvimento satisfatório, entre 7,0 a 8,5 é a faixa ideal ao desenvolvimento dos peixes e, acima de 11,0 é letal.

Em viveiros de piscicultura o pH é influenciado pela concentração de íons H+ originados da

Em viveiros de piscicultura o pH é influenciado pela concentração de íons H+ originados da dissociação do ácido carbônico (H 2 CO 3 <=>2 H + CO 3 -2), pelas reações de íons carbomato e bicarbonato (CO 3 -2 + H 2 O< >HCO 3 + OH; H 2 O < > H 2 CO 3 +OH), pelo processo de fotossíntese da respiração (CO 3 -2+ H 2 O c/ luz < > s/ luz CH 2 O + O 2 ), por causas do manejo como adubação e calagem, ou mesmo pela poluição. Ainda é importante salientar que aliterações no pH da água podem causar mortalidade nos peixes. Essas alterações em diferentes proporções, dependendo da capacidade de adaptação da espécie, através da maior ou menor dificuldade de estabelecer o equilíbrio osmótico em nível de brânquias, podem determinar grandes dificuldades respiratórias nas espécies ou indivíduos menos versáteis ou resistentes, levando-os à morte. O comportamento do pH no período de 24 horas de um dia, segue de maneira diretamente proporcional o do O 2 D (oxigênio dissolvido) e, inversamente o do CO 2 (Figura 5). Portanto intensos "blooms" de algas, em viveiros com baixas taxas de renovação de água, dependendo da densidade de estocagem, poderão apresentar altas taxas de mortalidade de peixes, principalmente durante a noite e na madrugada devido às altas concentrações de CO 2 no meio oriundo do processo de respiração. Este gás quando esta livre no meio aquático, reage com a água promovendo a liberação de íons CO 2 + H 2 O < > H 2 CO 3 + H + < > CO 3 -2 + H + , consequentemente baixando o pH e, devido ao conjunto destes processos, a concentração de O 2 poderá chegar a zero.

a concentração de O 2 poderá chegar a zero. Figura 5: Comportamento do pH, O 2

Figura 5: Comportamento do pH, O 2 dissolvido e CO 2 livre para um ciclo diário de 24 horas em um ambiente aquático.

Fonte: MOREIRA et al. (2001).

3.5 OXIGÊNIO DISSOLVIDO (O 2 D) O oxigênio é o gás mais importante para os

3.5 OXIGÊNIO DISSOLVIDO (O 2 D)

O oxigênio é o gás mais importante para os peixes, por isso, em termos de piscicultura é a ele que devemos dar maior importância. As fontes de O 2 são: a atmosfera e a fotossíntese. Sem o oxigênio dissolvido na água, os peixes de cultivo e todos os outros organismos aquáticos não podem sobreviver. Existem duas fontes naturais de obtenção de oxigênio:

3.5.1 Difusão direta

Através do contato e penetração direta do ar atmosférico na água. O O 2 da atmosfera entra na água principalmente por mistura mecânica, provocada pela ação dos ventos, por correntes naturais de massas híbridas e agitações causadas pela topografia do terreno. A concentração do oxigênio na água varia com a sua temperatura (relação concentração/temperatura está intimamente ligada), bem como a solubilidade desse gás depende ainda da pressão atmosférica. A solubilidade do oxigênio na água diminui à medida que a temperatura aumenta. Em temperatura alta, os peixes logo utilizam o O 2 D da água, podendo ocorrer mortalidade por asfixia. A solubilidade de O 2 D diminui com a redução da pressão atmosférica. A solubilidade do O 2 D na água baixa com o aumento da solubilidade.

3.5.2 Processo de fotossíntese

A liberação de oxigênio na água, mediante processo fotossintético pelo fitoplâncton

(algas, em especial), é a principal fonte de obtenção do O 2 D em um sistema de cultivo de peixes. Durante o processo fotossintético pelos órgãos clorofilados dos vegetais, o gás carbônico (CO 2 ) é desdobrado sob a ação dos raios solares. Enquanto o carbono (C) é utilizado para a síntese de hidratos de carbono e carbonatos, o oxigênio é expelido, contribuindo e muito para a oxigenação da água. Sem a luz solar, importantíssima para esse processo, o oxigênio é expelido durante as horas do dia em que ela é suficiente para essa função fisiológica e até onde possa penetrar em quantidade suficiente. À noite, há consumo

de O 2 D e não produção. Em águas turvas e com baixa transparência, a produção fotossintética pode diminuir ou até mesmo parar. Pode-se notar, portanto, que o processo fotossintético dos organismos clorofilados está limitado às camadas superficiais de água, onde a maior parte da luz é absorvida.

3.6 DIÓXIDO DE CARBONO (CO 2 )

É um gás que apresenta uma grande importância no meio aquático, como visto

anteriormente o (O 2 dissolvido em pH). Esse gás pode causar problemas para a piscicultura,

no entanto, seus efeitos patogênicos são geralmente causados pela asfixia que pode provocar. Nem sempre o CO 2 é tóxico para os peixes; a maior parte das espécies podem sobreviver por vários dias em água contendo mais que 60 mg/l, desde que esta água apresente um aporte substancial de O 2 para o peixe e, como já foi visto, normalmente as

altas concentrações de CO 2 na água estão sempre acompanhadas de baixas concentrações de O

altas concentrações de CO 2 na água estão sempre acompanhadas de baixas concentrações

de O 2 , por terem estes comportamentos inversamente proporcionais.

Considerando-se os processos naturais no ambiente, particularmente altas concentrações de CO 2 ocorrem em viveiros após grande mortalidade de fitoplâncton, após a desestratificação térmica e quando o clima apresenta-se nublado.

É de difícil constatação, tendo em vista que ele se transforma em carbonatos e bicarbonatos, mas é sabido que é capaz de acidificar a água quando esta apresenta baixa alcalinidade. Há estudos que indicam que em águas com concentrações de CO 2 superiores a 20mg/litro, tem-se constatado a existência de lesões calcificadas, isto pode se agravar em águas com baixas concentrações de magnésio (águas moles), nesta condição, 30 mg de CO 2

na água pode levar o pH da mesma a 4,8.

3.7 ALCALINIDADE

É a capacidade da água em neutralizar ácidos. Refere-se à concentração total de sais na água, sendo expressa em miligrama por litro, em equivalente de carbonato de cálcio (CaCO 3 ), bicarbonato (HCO 3 ), carbonato (CO 3 ), amônia (NH 3 ), hidroxila (OH), fosfato (PO4-2), sílica (SiO 4 ) e alguns ácidos orgânicos podem reagir para neutralizar íons hidrogênio (H+). Para viveiros de piscicultura são desejáveis valores de alcalinidade acima de 20mg/l, sendo que valores entre 200-300mg/l são os mais indicados. Um resumo do significado da alcalinidade no viveiro está descrito abaixo:

Zero: Água extremamente ácida, deve-se corrigir com compostos calcários;

5-20mg/l: Alcalinidade muita baixa, pH varia muito e a água não é muito produtiva;

25-100mg/l: O pH pode continuar variando mas a produtividade aumenta consideravelmente;

100-200mg/l: Níveis ótimos de produtividade.

3.8 SÓLIDOS SUSPENSOS

Os sólidos suspensos correspondem a partículas de alimento não consumidos, fezes ou matéria inorgânica em suspensão na coluna d'água. A água suja prejudica o peixe de duas formas:

Direta - pelos ferimentos ou acúmulos nas brânquias, comprometendo a respiração dos animais;

Indireta - pela diminuição da penetração de luz na água, reduzindo a produtividade natural do viveiro. Teores de 10 g/l são suportados por espécies tropicais, sendo o nível ideal de 2 g/l.

O

Filtro mecânico simples pode diminuir os mesmos, sendo que um filtro de 0,35 m de

camada filtrante (cascalho de 7 mm), 0,30m de altura, 1,20 m de comprimento e 0,90 m de largura filtra um canal de alimentação com descarga de 36 l/s.

3.9 NITROGÊNIO O nitrogênio apresenta-se presente no meio aquático de diferentes formas: N 2 (não

3.9 NITROGÊNIO

O nitrogênio apresenta-se presente no meio aquático de diferentes formas: N 2 (não utilizável), como constituinte de compostos orgânicos dissolvidos (purinas, aminas, aminoácidos, proteínas etc), na forma de compostos particulados (plâncton e detritos), na forma de nitratos e nitritos (NO 3 e NO 2 , respectivamente) e na forma de nitrogênio amonical (NH 3 /NH 4 +). De modo geral o ciclo do nitrogênio está mais interligado ás ações biológicas. O nitrogênio origina-se de aportes fluviais e lençóis freáticos, da decomposição da matéria orgânica e da fixação biológica. Os nitratos e o amônio são as principais formas assimiláveis pelos produtores, os nitritos ocorrem em baixas concentrações (predomina em um meio anaeróbio), pode também ser assimilável e é tóxico aos organismos aquáticos em elevadas concentrações. O nitrito após absorvido pelos peixes, reage com a hemoglobina para formar a meta-hemoglobina, esta não é efetiva no transporte de O 2 . Portanto uma continuada absorção do nitrito pode levar os peixes à morte por hipóxia e cianose. O nível de nitrito no meio não deve exceder a 0,15 mg/l.

3.10 CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS

Um viveiro de criação de peixes, apesar de ser um ambiente total ou parcialmente controlado, não deixa de constituir um sistema ecológico que deve ser estudado, pois todas as outras modalidades sofrem influência das condições biológicas do meio (Figura 6), além das condições citadas nos tópicos anteriores. É de fundamental importância o monitoramento do plâncton (Figura 7). Plâncton são todos os organismos aquáticos incapazes de vencerem correntes. Sua locomoção por conta própria é muito pequena, algumas espécies locomovem-se na vertical. Classificação:

- Fitoplâncton: fração vegetal composta de algas microscópicas, como, por exemplo, as algas verdes, os dinoflagelados, etc.

- Zooplâncton: fração animal composta por microcrustáceos, copépodos, rotíferos,

etc.

Figura 6: Distribuição dos organismos no meio aquático. Fonte: LOPES, P. Figura 7: Exemplos de

Figura 6: Distribuição dos organismos no meio aquático.

Fonte: LOPES, P.

dos organismos no meio aquático. Fonte: LOPES, P. Figura 7: Exemplos de alguns organismos do fito

Figura 7: Exemplos de alguns organismos do fito e zooplânctons.

Fonte: LOPES, P.

3.11

ATIVIDADE

3.11.1

Descrição do problema

―A água é um dos recursos mais importantes do planeta. Vários autores têm discutido a respeito das limitações desse recurso e traçado estimativas preocupantes quanto à disponibilidade de água para a população crescente. Em regiões que apresentam uma

abundância da rede hídrica, como o Brasil, é esperada uma maior dificuldade para percepção da

abundância da rede hídrica, como o Brasil, é esperada uma maior dificuldade para percepção da fragilidade e das limitações desse recurso, porém, para os países desenvolvidos ou em desenvolvimento localizados em regiões áridas ou semi-áridas, as limitações de água não se tratam de uma previsão alarmista, pois os recursos já se encontram sob forte estresse. O desenvolvimento da piscicultura está possibilitando ampliar a produção mundial de pescado, estabilizada a alguns anos pelos limites da produção pesqueira. Por outro lado, de acordo com Bastian (1991), é uma atividade causadora de potencial degradação ambiental. No Brasil, já começam a surgir alguns casos isolados para os quais a implantação de unidades de piscicultura encontra dificuldades junto aos órgãos ambientais, inclusive com a proibição de sua instalação, devido à qualidade do efluente produzido pelo cultivo. Caracterização e tratamento do efluente das estações de piscicultura” Revista UNIMAR 19(2):537-548, 1997

3.11.2 Questionamento

A partir da leitura do artigo citado acima, escreva um resumo (com no máximo duas páginas) sobre o tratamento de efluentes de estações de piscicultura. Objetivo da atividade: Desenvolver a leitura e escrita técnica dos alunos. É importante que esta atividade seja individual, de forma que todos treinem a escrita.

3.12 LEITURA COMPLEMENTAR

BOYD, C. Manejo do solo e da qualidade da água em viveiros para aqüicultura. Departament of Fisheries and Allied Aquacultures. Editora Mogiana Alimentos S.A. 1997,

55p.

POLI, C.R. et al. Aqüicultura: experiências brasileiras. Florionópolis: Editora Multitarefa, 2003, 455 p.

4 SISTEMAS DE PRODUÇÃO 4.1 CLASSIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO QUANTO A SUA FINALIDADE 4.1.1 Cria ou

4 SISTEMAS DE PRODUÇÃO

4.1

CLASSIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO QUANTO A SUA FINALIDADE

4.1.1

Cria ou produção de alevinos

Exploração em que peixes são passados a terceiros para serem recriados ou usados em povoamentos e repovoamentos de águas públicas ou particulares. É considerada a fase mais lucrativa; entretanto, exige demanda favorável por alevinos na região, maior dedicação por parte do produtor, maior ocupação de mão-de-obra especializada e instalações de equipamentos mais complexos.

4.1.2 Recria, engorda ou produção de pescado

Explora-se a capacidade de ganho de peso e crescimento dos animais, englobando a fase de alevinagem até o abate.·É menos lucrativa que a fase de cria, entretanto, caracteriza-se por exigir menor dedicação do piscicultor, necessitar de menor ocupação de mão-de-obra, sendo essa menos qualificada, necessitar de instalações e equipamentos menos complexos, podendo ser realizada em represas rurais, arrozais inundados, represas ou viveiros com ou sem integração com outras explorações agropecuárias e por ser dependente da oferta de alevinos, demanda e preço de pescado na região.

4.1.3 Exploração mista de cria e recria

Produz alevinos para uso próprio ou para terceiros.

4.1.4 Outros tipos de exploração

Para fins de lazer (povoamento de represa e pesque-pague). Para fins sanitários (controlar a proliferação de insetos ou animais vetores de doenças).

4.2 CLASSIFICAÇÃO DA PISCICULTURA QUANTO AO SISTEMA DE

CRIAÇÃO

O peixe, ao contrário dos outros animais terrestres, pode ser criado de várias maneiras diferentes, dependendo das condições da propriedade, tipo de alimento, espécie considerada e aceitação de mercado. É possível dividir didaticamente o sistema de criação em extensivo, semi-extensivo e intensivo.

4.2.1 Piscicultura extensiva

Exploração em que o homem interfere o mínimo possível nos fatores de produtividade (apenas realiza o povoamento inicial do corpo d'água). Caracteriza-se pela impossibilidade de esvaziamento total do criadouro, impossibilidade de despesca, ausência de controle da reprodução dos animais estocados, presença de peixes e aves predadoras, ausência de práticas de adubação, calagem e alimentação, alimentação apenas da produtividade natural e, pela produtividade baixa, dificilmente ultrapassa 400 kg/ha/ano.

4.2.2 Piscicultura semi-intensiva Sistema de exploração em que o homem interfere em alguns fatores de

4.2.2 Piscicultura semi-intensiva

Sistema de exploração em que o homem interfere em alguns fatores de produtividade. Caracteriza-se pela possibilidade de esvaziamento total do criadouro, possibilidade de despesca, controle da reprodução dos animais estocados, ausência ou controle de predadores, presença de prática de adubação, calagem e, opcionalmente, uma alimentação artificial à base de subprodutos regionais, manutenção de uma densidade populacional correta durante o período de cultivo, produtividade que pode chegar a 10ton./ha/ano, sistema racional e econômico de produção recomendado para criação de peixes tropicais e por abranger ainda consorciações com suínos, aves, arroz, etc.

4.2.3 Piscicultura intensiva

Sistema de exploração em que os fatores de produção são controlados pelo homem. Caracteriza-se por apresentar densidade populacional elevada de peixes por volume d'água, alimentação artificial exclusivamente à base de rações balanceadas, necessidade de alto fluxo de água ou uma recirculação forçada devido a alta densidade populacional, produtividade elevada, podendo ultrapassar 90 kg/m 3 /ano, sistema racional de custo elevado, com mão-de-obra especializada e alto nível de mecanização.

4.3 QUANTIDADE DE ÁGUA X SISTEMA DE PRODUÇÃO

A quantidade mínima de água que se deve dispor depende de vários fatores. Deve ser no mínimo suficiente para repor as perdas por evaporação e por infiltração e, satisfazer, em parte, as necessidades de oxigênio dos peixes.

4.3.1 Semi-intensivo

A renovação de água pode variar de 5 a 30% por dia;

A vazão pode variar de 10 a 50 litros/s/há (estimada no período seco);

O nível de oxigenação deve ser maior ou igual a 5 mg/l;

A estocagem pode ser de 1 kg de peixe/m 2 . Quantidades maiores podem causar problemas na produção e saúde dos peixes.

4.3.2 Intensivo

Renovação de água varia entre 100 a 200% por dia (Ex.: truta);

Vazão de 200 a 500 l/s/ha;

Nível de oxigênio entre 5 e 10 mg/l (dependendo da espécie);

Densidade de 50 a 600/m 3 é permitida (Ex: tilápias em gaiola podem produzir de 50 a 300 kg/m 3 /safra).

4.4 ATIVIDADE 4.4.1 Descrição do problema ―Desde meados de 1970, estudos envolvendo ―estresse‖ têm sido

4.4

ATIVIDADE

4.4.1

Descrição do problema

―Desde meados de 1970, estudos envolvendo ―estresse‖ têm sido freqüentemente realizados no campo da fisiologia de peixes. No ambiente, a resposta ao estresse pode ser vista como a capacidade dos peixes mobilizarem as reservas de energia de forma a evitar ou vencer imediatamente situações de ameaça. Em piscicultura intensiva, a situação de estresse está constantemente presente, e pode afetar o desempenho produtivo dos peixes, prejudicando o estado de saúde e aumentado a suscetibilidade a doenças‖. Texto retirado do artigo de revisão Estresse dos peixes em piscicultura intensiva(http://www.pisciculturapaulista.com.br/pdf/estresse_peixes.pdf).

4.4.2 Questionamento

A partir da leitura deste texto, responda as seguintes perguntas:

a) Quais os fatores que afetam a sobrevivência dos peixes após o estresse de captura, confinamento, pesagem, carregamento, transporte e descarregamento?

b) Cite práticas de manejo que auxiliam na prevenção do estresse?

Resposta:

a) Espécie, qualidade da água nos tanques de produção (temperatura, CO2, oxigênio dissolvido, amônia), estado nutricional dos peixes, existência de alguma doença, estratégia de despesca e transporte e intensidade e duração do estresse.

b) Dentre os fatores que auxiliam na prevenção do estresse, destaca-se a

depuração dos peixes, pois a produção de amônia e o consumo de oxigênio aumentam consideravelmente após a alimentação. Recomenda-se um jejum de 48 horas antes do transporte, pois os peixes se recuperam mais rapidamente do estresse. Além disso, os peixes bem depurados entram nos tanques de transporte com trato digestivo praticamente vazio, reduzindo impacto do material fecal na água de transporte. O uso de anestésicos, por exemplo, também auxilia na diminuição do estresse, à medida que reduzem a atividade e o metabolismo dos peixes, reduzindo injúrias físicas, consumo de oxigênio, excreção de metabólicos tóxicos e grande economia de oxigênio. Porém o uso deve ser moderado, pois algumas espécies são mais sensíveis, podendo não tolerar alguns anestésicos nas doses recomendadas. Objetivo da atividade: Discutir práticas de manejo visando a redução do estresse em sistemas intensivos, bem como abordar os mecanismos de ação do estresse sobre a produção.

4.5 LEITURA COMPLEMENTAR

POLI, C.R. et al. Aqüicultura: experiências brasileiras. Florionópolis: Editora Multitarefa, 2003, 455 p.

5 CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS 5.1 FATORES DETERMINANTES PARA LOCALIZAÇÃO DE VIVEIROS 5.1.1 Escolha do local

5 CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS

5.1

FATORES DETERMINANTES PARA LOCALIZAÇÃO DE VIVEIROS

5.1.1

Escolha do local

A

escolha do local para construção de viveiros para aqüicultura deve satisfazer

algumas condições, a fim de otimizar a ocupação do terreno, minimizar custos de implantação, e de que as futuras instalações possam oferecer condições para um bom manejo. Para isto devem ser analisados, prioritariamente, os seguintes itens: água, solo e

relevo.

5.1.2 Água

A água deve existir em qualidade e quantidade suficientes para viabilizar a

implantação de um projeto de piscicultura. É de suma importância o conhecimento da origem desta água, vazão, propriedades físico-químicas e biológicas que propiciem condições ótimas para o crescimento dos organismos aquáticos.

Aspectos qualitativos

Propriedades físicas: temperatura, cor, odor, turbidez, transparência, sólidos suspensos, etc.

Propriedades químicas: pH, oxigênio dissolvido, alcalinidade, dureza, amônia, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), dióxido de carbono, etc.

Propriedades biológicas: qualidade e densidade do plâncton, espécies e quantidades de

parasitas, etc. Aspectos quantitativos A quantidade necessária de água para a aqüicultura depende de vários fatores como clima, solo, sistema de cultivo adotado, intensidade, práticas de manejo, etc. Dependendo do sistema adotado, se extensivo, semi-intensivo ou intensivo, a quantidade de água utilizada varia, desde algumas renovações por ano até várias renovações por hora. As fontes de água mais utilizadas são nascentes ou pequenos riachos. Quando da utilização direta de água de nascentes, recomenda-se a construção de um açude reservatório possibilitando o abastecimento dos viveiros por gravidade, através da derivação de um canal alimentador, garantindo desta forma volume de água necessário para o enchimento dos mesmos e, renovações, quando necessário. A nascente deve ficar pelo menos a 30 centímetros acima do nível máximo do reservatório e, de preferência protegê-la, pois a mesma água poderá servir para outras finalidades além da piscicultura. Quando da utilização de água proveniente de outras fontes como pequenos córregos e rios, deve-se derivar a água necessária, por meio de um canal alimentador, por gravidade. Cuidados especiais neste caso devem ser tomados, como: utilização de filtros, monitoramento periódico de qualidade de água e controle através de pequenas comportas, para que haja controle total do abastecimento. Para o sistema de cultivo semi-intensivo, baseado em fertilização orgânica e baixa densidade de estocagem (2.500 - 4.500 peixes/ha). Este sistema requer uma pequena vazão, sendo suficiente para repor perdas por infiltração e evaporação, que podem chegar a valores

significativos, principalmente no verão. Para calcular o requerimento de água pode-se usar a seguinte fórmula,

significativos, principalmente no verão. Para calcular o requerimento de água pode-se usar a seguinte fórmula, segundo FAO, 1984:

Q= V + Vr + Pe + P, + Pc - C

onde:

Qr = vazão necessária

V = A x h volume total do viveiro (m3)

A= área superficial do viveiro (m2) h = profundidade média (m)

(mV1) 86400 x T

Vr

= Nr x V volume de água renovada (m3)

Nr

= n de renovações durante o período de cultivo

Pe

= A x E perda de água por evaporação (m3)

E

= evaporação média no período (m)

P,

= A x T x l perda de água por infiltração (m3)

l = infiltração (m/dia)

Pc = Ac x 1.2 x E perda de água no canal de alimentação (m3)

Ac = Área superficial molhada do canal (m2)

C = At x Pr contribuição da água de chuvas (m3)

At= Área total do viveiro incluindo os diques (m3)

Pr = precipitação no período (m)

T = tempo de duração do período de cultivo

Exemplo:

Qual a vazão necessária para um policultivo com fertilização orgânica considerando um viveiro de 1,0ha, com profundidade média de 1,0m, período de cultivo de 300 dias, três renovações, dadas evaporação média de 120mm/mês e uma infiltração de 0,5cm/dia ?

Q = 10.000,0 + 30.000,0 + 12.000,0 + 15000,0 = 2,6 l/s

300 x 86400

Neste exemplo não foram considerados: canal de alimentação e contribuição de água de chuvas. Para viveiros de concreto desprezar a infiltração.

O tempo requerido para abastecimento dos viveiros determinará a maior vazão

necessária. Para um bom manejo, o tempo necessário para enchimento dos viveiros varia de 15 a 30 dias. Necessitando, neste momento, vazões em torno de 5 a 10l/s, 1 por hectare de área alagada.

5.1.3 Medidas de vazão

É de suma importância o conhecimento das vazões das fontes de água a serem

utilizadas, para que se possa planejar a atividade com segurança. Deve-se medir a vazão

pelos menos em duas épocas distintas do ano, inverno e verão.

Método direto

É o método mais simples e seguro. Consiste na coleta de toda a água, através de

uma tubulação, em um recipiente de volume conhecido. Determinando-se o tempo necessário para encher o recipiente têm-se a vazão, em L s-1. Esta medida deve ser feita por

várias vezes, no mínimo três, calculando-se então a média. Para medir até 3L s-1 utilizar

várias vezes, no mínimo três, calculando-se então a média. Para medir até 3L s-1 utilizar balde de 15 litros e cronômetro, e até 10 L s'1 viveiro de 80 a 100 litros e cronômetro. O tempo de medição deve ser no mínimo de 5 segundos (CHIOSSI. N. J., 1975).

Por vertedouro

Para vazões maiores, e medidas em córregos, pode-se utilizar vertedouros retangulares, de vazão calculada pela fórmula Q = 1,85 . W . H3/2 , onde W é a largura da soleira do vertedor e H altura da lâmina da água sobre a soleira. Vertedouros são passagens, aberturas ou entalhes, feitos na parte superior de uma parede através das quais o líquido escoa livremente. Sua principal utilização é na medição da vazão de canalizações abertas. Podem ser de diversas formas retangulares, triangulares, trapezoidais, etc. Trataremos aqui dos vertedouros retangulares.

5.1.4 Solos e seleção de equipamentos - granulometria

Os solos empregados na construção de viveiros devem, de preferência, em sua análise granulométrica, possuir a maior porcentagem do peso total da amostra, partículas do tamanho de argila e silte, contendo pelo menos 35% de argila e, no máximo, 20 a 30% de areia. Suas principais características, que interessam na construção de viveiros, são:

impermeabilidade, plasticidade e coesão. Plasticidade é a capacidade que possuem as argilas de se deixarem moldar em diferentes formas sem variação de volume, dependendo do teor de umidade do solo. Como método prático pode-se comprimir com a mão uma porção de solo até formar uma bola compacta. Se for possível manipulá-la sem que desagregue, e ao ser arremessada a uma altura de 50 centímetros ela se mantiver coesa, provavelmente contém um teor de argila adequado à construção de um viveiro. Se esfarelar, o solo contém muita areia.

de um viveiro. Se esfarelar, o solo contém muita areia. Figura 8: Teste de plasticidade do

Figura 8: Teste de plasticidade do solo (SILVEIRA, F.S., 1999).

Fonte: POLI et al. (2003).

Outro método consiste em fazer um rolinho com uma amostra umedecida do solo do local que se pretende utilizar. Em seguida juntar as duas pontas, fazendo uma "rosquinha", isso indica que o solo tem uma boa quantidade de argila (Figura 8). Caso contrário, procurar outro local para empréstimo (SILVEIRA, 1999).

5.1.5

Permeabilidade

É a propriedade que o solo apresenta de permitir o escoamento da água ou ar através dele, sendo o seu grau expresso numericamente pelo coeficiente de permeabilidade (K), que varia para os diferentes solos e, para um mesmo solo, dependendo essencialmente da

temperatura e índice de vazios. E medida em função da velocidade do fluxo de água

temperatura e índice de vazios. E medida em função da velocidade do fluxo de água durante determinado período de tempo. Para estabilização da uma barragem com núcleo de argila a permeabilidade deve ser na ordem de IO'6 a IO8 cm s-1.

5.1.6

Topografia

A

topografia determina aspectos tanto técnicos quanto econômicos do investimento,

sobre o que se refere aos trabalhos de escavação e transporte de argila, à área alagada que

se deseja, aos tamanhos e números de viveiros, etc. Alguns cuidados, como inclinações não maiores que 3%, devem ser tomados. Áreas acidentadas exigirão maior volume de movimentação de material, onerando o custo do projeto. Terrenos ligeiramente acidentados, que possuem uma declividade mais ou menos constante sugerem alternativas para o bom aproveitamento da área a ser alagada como, por exemplo, construir viveiros em desníveis, minimizando desta forma os trabalhos de escavação e transporte.

A forma e o tamanho da área são importantes. Áreas com formas regulares e com

tamanho suficiente para futura expansão da atividade são características positivas para se instalar um projeto.

A escolha de vales para construção de açudes para servirem de reservatórios, devem

permitir o desvio total das águas das chuvas, pois tanto o excesso de água quanto as argilas aportadas em épocas de chuva, diminuem a produtividade do cultivo. Para construção de

viveiros, o desnível ao longo do eixo longitudinal deve ser tal que possibilite a escavação da futura bacia de acumulação de água, aproveitando este material para a construção das barragens de contorno. Este tipo de terreno possui um perfil misto (corte e aterro), possibilitando a construção a custos mais reduzidos.

o

abastecimento de água e a drenagem por gravidade.

Outro

aspecto

de

suma

importância

é

escolher

um

local

que

possibilite

5.2 TIPOS DE VIVEIROS

Há dois tipos básicos de viveiros construídos: o açude e o viveiro de derivação. O açude é uma barragem locada aproveitando a conformação em vale do terreno e que é abastecido principalmente por nascentes. Possui várias desvantagens, como: forma irregular, não permite um controle adequado no abastecimento de água, difícil acesso às margens e, em muitos casos, na expectativa de se aproveitar ao máximo o terreno, constroem-se viveiros muito grandes para as condições de manejo na propriedade. E importante salientar que jamais se deve interceptar riachos. Há perigo de transbordamento em épocas de chuva e está-se infringindo a legislação ambiental. Em propriedade cujas águas a serem utilizadas na piscicultura são provenientes de vertentes, este tipo de construção é recomendada como reservatório para abastecimento de viveiros de derivação. Um segundo tipo de viveiro é o de derivação. Este é construído com barragens de contorno e a água de abastecimento é conduzida, por canalização ou valos a céu aberto, de reservatórios situados em uma cota superior, ou de riachos. A grande vantagem do viveiro de derivação é a possibilidade que se tem de controlar a quantidade de água de abastecimento, já que cada viveiro possui abastecimento individualizado, forma definida (geralmente retangular) e tamanhos padronizados. Isso possibilita manejo mais adequado e obtenção de produtividades maiores (Figura 9).

Figura 9: Corte transversal de um viveiro de derivação. Fonte: POLI et al. (2003). 5.3

Figura 9: Corte transversal de um viveiro de derivação.

Fonte: POLI et al. (2003).

5.3 PARA CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS

Procede-se ao levantamento planialtimétrico, primeiramente fechando o perímetro da área em estudo. A seguir, levantam-se as cotas de 5 em 5, ou 10 em 10 metros. Desenham-se as curvas de níveis de metro em metro, em escala apropriada, locando-se elementos notáveis existentes no local, tais como postes, divisas, riachos, etc.

O arranjo e dimensionamento dos viveiros são ditados, principalmente, pelo relevo.

Normalmente fazem parte de uma propriedade rural viveiro reservatório, viveiros para engorda e um ou mais viveiros para recria, dependendo da área disponível e projeções de produção. O canal de alimentação deve ser dimensionado de tal maneira que permita o enchimento dos viveiros no tempo requerido, e deve ser projetado de maneira que a tomada da água fique a 0,3 metros acima do nível máximo de água no viveiro. Cada viveiro deverá ter uma tomada de água e drenagem individuais.

O canal de drenagem deve se locado a pelo menos 0,5 metros abaixo do fundo do

viveiro para permitir a drenagem total do mesmo. As drenagens dos viveiros devem ser planejadas com antecedência para que se possa dimensionar o canal, adequadamente. Com o auxílio da planta baixa realizam-se cortes transversais e longitudinais aos viveiros à distâncias que variam conforme o relevo do terreno, geralmente, de 5 em 5, ou 10 em 10 metros. As seções devem mostrar o detalhamento do projeto como canais de

alimentação e drenagem, inclinações dos taludes e fundo, caixa de despesca, caixa de nível

e tubulação de drenagem. A partir do cálculo das áreas de cortes e aterros de cada seção, calculam-se os volumes de terra a serem escavados e/ou aterrados entre seções consecutivas, somando-os têm-se a necessidade de movimentação total de terra.

5.3.1 Recomendações para tamanhos e profundidade de viveiros

Para viveiros de alevinagem recomendam-se áreas de 400 a 1000 m2. Para viveiros

de engorda de 0,1 a 1,0 hectares, a profundidade de 1,00 metros a 1,50 metros na parte mais profunda, e 0,8 metros na parte mais rasa. A declividade recomendável do fundo é de 0,5%

a 2,0%, de modo que não fiquem poças isoladas de água, quando da drenagem para a

despesca. As profundidades necessárias devem levar em consideração, principalmente, as espécies a serem cultivadas e

despesca. As profundidades necessárias devem levar em consideração, principalmente, as espécies a serem cultivadas e condições de clima (Quadro 1). Os viveiros são geralmente de forma retangular com larguras que possibilitem um manejo adequado na despesca e a fertilização ou arraçoamento dos peixes. Recomenda-se a largura máxima de 30 metros, onde é possível utilizar uma rede de captura de no máximo 50 metros facilitando a despesca manual.

Quadro 1: Características práticas e ecológicas em relação a profundidade do viveiro.

Profundidade (m)

Vantagens

Desvantagens

 

0,5 a 0,8

Despesca facilitada

Turbidez inorgânica alta

Água esquenta rapidamente

Menos

água

para

Menor custo de construção

produção biológica

1,0 a 1,5

Despesca facilitada

Vento ressuspende

 

Menor turbidez inorgânica

Sedimentos (1,2 m)

Estratificação diária

 

Fertilização interna

> 1,5

Turbidez inorgânica baixa

Risco de estratificação permanente no verão

Maior custo de construção

Grande volume de água para a produção biológica

Necessidade de mais água

Fonte: Adaptado de KNUD-HANSEN, C.F.

5.4

TIPOS DE VIVEIROS

5.4.1

Viveiros de terra (escavados)

Os viveiros feitos de terra apresentam condições próximas às naturais dos peixes. São construções menos onerosas, mas necessitam de manutenção e reparos constantes. Suas paredes devem apresentar inclinação máxima de 45º graus e ter suas bordas gramadas para evitar desmoronamentos.

5.4.2 Viveiros de alvenaria

Os viveiros de alvenaria possuem paredes revestidas de tijolos com fundo de terra, exigindo menos reparos, mas são caros.

5.4.3 Outros

Podem ser construídos de concreto, cimento-amianto, fibra de vidro, lona plástica,

etc.

5.5 FORMA E DIMENSÕES DE VIVEIROS A forma e dimensões do viveiro variam de acordo

5.5 FORMA E DIMENSÕES DE VIVEIROS

A forma e dimensões do viveiro variam de acordo com a espécie criada, topografia

do terreno, disponibilidade de água, tipo de exploração e criação. Os viveiros retangulares são os que apresentam melhor forma, tanto para o manejo como para o bem-estar dos

peixes. Viveiro muito pequeno (menor que 400 m2) aumentam os custos e viveiros muito grandes (acima de 10000 m2) inviabilizam um bom manejo de criação. A profundidade nos viveiros pode variar de 0,80 a 1,50 metros.

5.6

OUTRAS CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES NA CONSTRUÇÃO

DE VIVEIROS

O

local escolhido para a construção deve ser totalmente limpo, retirando-se toda a

matéria orgânica, pedras, etc, para tornar o terreno mais estável e evitar problemas de infiltração. Os viveiros devem ser construídos, de preferência, escavados ou com levantamento de diques aproveitando o máximo da topografia existente. A compactação de fundo e das paredes é prática obrigatória para evitar desmoronamentos, erosão e infiltração (se necessário construir núcleos de argila nas paredes para maior segurança e durabilidade); o fundo deve ter uma inclinação de 1,5% em direção ao sistema de escoamento.

5.6.1 Saída de Água e Canal de Deságüe

Um dos fatores importantes no cultivo de peixes é poder esgotar parcial ou totalmente um açude ou viveiro, visando a despescas, manutenção, adubação, etc. Para isso, existem algumas alternativas para se alterar, quando for necessário, o nível da água de um viveiro ou açude. Quaisquer que sejam as estruturas de saída de água implantadas, essas deverão estar localizadas na parte mais baixa do viveiro, para que o mesmo possa ser totalmente drenado.

5.6.2 Estruturas

O "Cotovelo ou Joelho‖

É a estrutura mais barata, sendo muito utilizada atualmente para viveiros ou açudes

com menos de 1 ha . Essas estruturas são de PVC rígido (canos) e fixadas em uma base de concreto ou alvenaria, variando de tamanho conforme as dimensões do viveiro. Existem dois tipos: os fixos ou móveis:

Fixo

A estrutura de PVC rígido é fixada em um muro de concreto ou cimento, e os níveis

da água são alterados retirando-se os diferentes tampões (também em PVC) existentes. Na parte superior do tubo que é aberta, coloca-se uma tela de malha condizente com o tamanho dos peixes em cultivo, para se evitar a fuga dos mesmos (Figura 10).

Figura 10: "Cotovelo" ou "joelho" fixo.  Móvel Análogo à estrutura anterior quanto à sua

Figura 10: "Cotovelo" ou "joelho" fixo.

Móvel

Análogo à estrutura anterior quanto à sua implantação. A diferença é que essa estrutura não apresenta tampões e o nível da água é alterado, baixando-se a estrutura (cano de PVC) para um lado ou para o outro. Das existentes, é a mais barata e mais adotada atualmente em todo o Brasil (Figura 11).

e mais adotada atualmente em todo o Brasil (Figura 11). Figura 11: "Cotovelo" ou "joelho" móvel.

Figura 11: "Cotovelo" ou "joelho" móvel.

Fonte: BARCELLOS et al. (2006).

Estrutura: Monge

É a melhor estrutura desenvolvida para a saída de água de um viveiro, e por ser considerada de primeira qualidade, também é a mais cara e mais complexa, podendo ser utilizada para qualquer dimensão de viveiro ou açude. O monge é uma estrutura feita de

concreto armado, por meio de um molde em madeira e que tem a forma de

concreto armado, por meio de um molde em madeira e que tem a forma de letra "U". Essa estrutura é construída na saída de água do viveiro, na sua parte mais baixa (Figuras12a e

12b).

Na sua porção interna, pode apresentar de duas a três ranhuras, onde serão inseridas pequenas tábuas ou tabiques, serragem e telas de proteção, que irão impedir a fuga dos peixes de cultivo.

proteção, que irão impedir a fuga dos peixes de cultivo. Figura 12a: Estrutura de um monge.

Figura 12a: Estrutura de um monge.

Fonte: VALENTI (1998).

Figura 12a: Estrutura de um monge. Fonte: VALENTI (1998). Figura 12b: Corte lateral de um monge

Figura 12b: Corte lateral de um monge aberto, com 3 paredes fixas e tábuas como reguladores do nível de água.

Fonte: BARCELOS et al. (2006).

5.7 PLANEJAMENTO DE UMA CRIAÇÃO Para o planejamento de uma criação de peixes, alguns pontos

5.7 PLANEJAMENTO DE UMA CRIAÇÃO

Para o planejamento de uma criação de peixes, alguns pontos básicos devem ser levantados anteriormente à concepção do projeto, no entanto, assim poder dimensionar adequadamente a criação com um aproveitamento racional das instalações a serem construídas para esse fim, os principais itens a serem levantados são:

Vazão de água e área disponíveis;

Período de crescimento e engorda da espécie escolhida (ciclo de produção);

Ciclo de vendas e período de limpeza;

Intervalo de safra por tanque (período de comercialização);

Densidade de estocagem.

Após o cálculo da vazão de água disponível e sabendo-se da disponibilidade de área, pode-se então partir-se para o planejamento da criação. O próximo passo é conhecer o ciclo de produção da espécie a ser escolhida, este irá depender do tipo maneio a ser utilizado na criação pelo produtor, pois para tilápias nilóticas, no verão com um bom manejo é possível obter-se bons resultados de desempenho com um ciclo de produção (crescimento e engorda) de quatro meses, portanto, hoje em dia pode-se dizer que um ciclo de produção de seis meses para esta espécie é bastante aceitável, sendo considerado um bom resultado (considerando-se um peso médio final de 0,370 a 0.430 kg), períodos maiores indicam deficiências genéticas dos peixes, deficiência no manejo e ou persistência de temperaturas baixas (invernos longos e frios). Ciclos de produção acima de sete meses para tilápias nilóticas, nessa faixa de peso não são resultados aceitáveis. Toma-se como regra geral que, caso os peixes após sete meses de cultivo não apresentarem peso médio acima de 0,200 kg e, se houver indícios de reprodução no tanque de engorda, o indicado é reiniciar-se um novo ciclo de criação, pois algum erro de manejo ocorreu. Então para o nosso exemplo, optamos por um ciclo de produção de seis meses. Para saber-se o número de tanques (ou grupo de tanques) necessários para que se elabore o planejamento da criação, além de conhecer-se o ciclo de produção deve-se estabelecer-se o período de comercialização de cada lote, para então obter-se o número de tanques necessários para que as instalações sejam utilizadas da melhor forma possível. Admitindo-se que o nosso ciclo de vendas é de 30 dias, o número de tanques (grupos) é calculado como se segue:

Número de tanques = ciclo de produção (dias) + um ciclo de vendas (dias)

Para o nosso exemplo:

Número de tanques (grupos) = 180 + 30 = 7 tanques

A área de cada grupo de tanques é dependente da área e vazão disponíveis, e do

número de tanques (grupos), então:

Área de cada grupo = área disponível = 15.000m 2 = 2.142.85m 2

Número de grupos = 7.

O número de peixes em cada tanque depende da densidade de estocagem, que por

sua vez é dependente do tipo de manejo a ser utilizado e, da área de cada grupo. Sem aeradores com esta vazão (10 a 15 litros/ha/s), recomenda-se 1 a 2 peixes por metro

quadrado de lâmina d'água. Com aeradores e com esta vazão é possível estocar-se de 6

quadrado de lâmina d'água. Com aeradores e com esta vazão é possível estocar-se de 6 a 8 peixes por metro quadrado de lâmina d'água. Então, para o nosso exemplo:

Número de peixes por grupo = (área de cada grupo x densidade de estocagem) +10 % de mortalidade esperada. Sem aerador, o número de peixes = (2.142,85 x 1,5) + 10 % = 3.536 peixes. Com aerador, o número de peixes = (2.142,85 x 6,0) + 10 % = 14.143 peixes.

A produção esperada por grupo é calculada grupo/safra (no nosso exemplo, com

ciclo de seis meses, espera-se então duas safras por grupo, por ano), ou seja:

Produção/grupo/safra = número de peixes/grupo (-10%) x peso individual médio esperado.

Então:

Sem aeradores: produção/grupo/safra = 3.214 x 0,390 kg = 1.253,07kg. Com aeradores: produção/grupo/safra = 12.857 x 0,390 kg = 5.014,27kg. Para calcularmos o consumo de ração utilizando-se rações comerciais de boa procedência e com um manejo alimentar eficiente, espera-se que para cada kg de peixe produzido, gastaríamos 1,5 a 2 kg de ração.

5.7.1 Cronograma de produção e utilização dos tanques

Para o nosso exemplo mostraremos agora como se elabora um cronograma de produção. Como já foi dito optamos para uma criação de tilápias nilóticas, com ciclo de produção de seis meses, com despescas mensais, ou seja, a cada 30 dias. Portanto para esta situação, como já foi visto, necessitaremos de sete grupos de tanques.

A elaboração do cronograma de utilização dos tanques é uma ferramenta para a

conferência dos cálculos das instalações e para que o produtor possa fazer a programação de sua criação em todos os aspectos. Para o nosso exemplo, tomaremos por base o ano de 1998, iniciando-se uma criação de tilápias nilóticas no dia 01 de janeiro do mesmo (Tabela

1).

Tabela 1: Cronograma de entrada e saída de peixes para 180 dias de cultivo para

Tabela 1: Cronograma de entrada e saída de peixes para 180 dias de cultivo para tilápia do nilo em cada tanque (grupo).

de cultivo para tilápia do nilo em cada tanque (grupo). 5.8 PROJETO PADRÃO PARA A PISCICULTURA

5.8 PROJETO PADRÃO PARA A PISCICULTURA EM VIVEIROS DE

TERRA (PARA 15.000 m 2 - l,5ha)

Para que a piscicultura torne-se uma atividade rentável e viável, há a necessidade de que sejam tomadas medidas para que se possa fazer uma programação de produção e que esta criação proporcione uma renda mensal ao produtor. Essas medidas são basicamente o que se segue:

Escolha de uma espécie de peixe que tenha capacidade de ser produzida o ano todo (tilápia, por exemplo);

Construção de um número de tanques os quais permitam a periodicidade na produção (para produção mensal, pelo menos sete tanques) de tilápias, por exemplo;

Utilização de arraçoamento adequado, tal como, ração de engorda com 26 % de proteína bruta na base de 5% da biomassa total do tanque por dia (como média para todo o ciclo de criação);

Manejo adequado;

Quantidades adequadas de água (10 l/ha/seg.).

A seguir apresenta-se um projeto de materiais e custos para o exemplo dado (1,5 ha de área alagável), com ciclo de produção para tilápia nilótica de seis meses de engorda. O presente projeto pode servir de parâmetro básico para a implantação de uma piscigranja,

desde que se efetue os arranjos necessários em termos de proporção, de acordo com as

desde que se efetue os arranjos necessários em termos de proporção, de acordo com as condições de cada produtor e da área a ser utilizada.

5.8.1

Engorda

Área do módulo = 15.000m 2 Área útil individual de cada grupo de tanque = 2.142,85m 2 Número de grupos de tanques = 7 tanques Vazão total (aproximada) = 18,6 l/s Vazão por tanque = 2,66 l/s ou 9.566 l/h ou 9,57 m 3 /h Profundidade média dos tanques = 1m Espécie a ser criada = Tilápia-do-nilo (O. niloticus) Quantidade de peixes por tanque por ciclo:

Sem aerador = 3.536 alevinos Com aerador = 14.143 alevinos Período de engorda (aproximado) = 180 dias Produção esperada (por mês):

Sem aerador = 1.241kg de peixe Com aerador = 4.964kg de peixe Número de horas máquina (em condições normais, sujeito a alteração para mais ou menos, dependendo do operador e das condições da área):

Retro-escavadeira = 40h Pá-carregadeira = 200h Esteira = 150h OBS.: Usar uma máquina ou outra.

5.8.1.1 Estimativa dos materiais a serem utilizados na construção dos tanques de engorda

Tijolos para os monges= 900 unidades Areia lavada= 52 latas Pedra britada= 15 latas Cal hidratada= 17 sacas Cimento=20 sacas Horas de pedreiro= 80 horas Cano de concreto (200 mm) = 200 m Cano de PVC (100 mm) = 7 barras Terminais PVC (100 mm) =35 unidades OBS: Caso haja o interesse, o canal de escoamento poderá ser feito pelo sistema cachimbo, o qual é mais barato, porém menos resistente.

5.8.1.2 Construção do canal de abastecimento

Tijolos = l.700 unidades

Areia lavada = 40 latas Pedra britada cal hidratada = 20 latas Cal hidratada =

Areia lavada = 40 latas Pedra britada cal hidratada = 20 latas Cal hidratada = 30 sacas Cimento = 30 sacas Pedreiro = 20 dias

5.8.1.3 Estimativas de custos totais com a implantação da piscicultura

COM AERADORES = R$ 16.500,00 SEM AERADORES = R$ 2.500,00

5.8.1.4 Estimativas dos custos mensais fixos (sem arraçoamento)

COM AERADOR:

14.140 alevinos/mês = R$ 424,00 16,67kg de superfosfato simples = R$ 2,48 l00 kg de calcário = R$ 1,99 120h de mão-de-obra = R$ 30,03 Manutenção dos tanques = R$ 25,00 Total = R$ 483,00. SEM AERADOR:

3.536 alevinos por mês = R$106,08 16,67kg de superfosfato simples = R$ 2,48 100kg de calcário = R$ 1,99 120 horas de mão-de-obra = R$ 30,03 Manutenção dos tanques = R$ 25,00 Total = R$ 165,58.

5.8.1.5 Receita mensal estimada

COM AERADOR:

Estimativa de produção por mês = 4.964kg de peixes Venda do peixe inteiro (R$ 1,00/kg) = R$ 4.964,00 Venda do filé (R$ 4,00/kg) = R$6.949,60 SEM AERADOR:

Estimativa de produção por mês = l.241kg de peixes Venda do peixe inteiro (R$ 1,00/kg) = R$ 1.241,00 Venda do filé (R$ 4,00/kg) = R$ l.737,40

5.8.1.6 Balanço financeiro mensal da criação

Os cálculos apresentados referem-se quando a criação estiver estabilizada, sem considerar o custo da ração, que poderá variar em função da opção do produtor. COM AERADOR:

Custo mensal fixo = R$ 483,70 Renda mensal (filé) = R$ 949,60 Receita líquida =

Custo mensal fixo = R$ 483,70 Renda mensal (filé) = R$ 949,60 Receita líquida = R$ 6.465,90 SEM AERADOR:

Custo mensal fixo = R$ 165,68 Renda mensal (filé) = R$ l.737,40 Receita líquida = R$ 1.571.72

5.8.1.7 Receita bruta no primeiro ano de criação

Os cálculos apresentados consideram que não haverá produção nos primeiros seis meses de criação. Produção mensal x 6 meses Com aerador = R$ 41.697,60 (filé) = R$ 29.784,00 (peixe inteiro) Sem aerador = R$ 10.424,40 (filé) = R$ 7.446,00 (peixe inteiro) Fertilizantes:

Superfosfato simples = 200kg Calcário = 1.200kg. Mão-de-obra fixa:

4 horas por dia (para l ha) = 120h/mês.

5.9

ATIVIDADE

5.9.1

Descrição do problema

A tecnologia de piscicultura em tanques-rede tem se revelado uma técnica promissora por conciliar o uso sustentável do meio ambiente com alta produtividade oriunda da utilização de altas taxas de estocagem e vem sendo amplamente difundida no Brasil.

Os juvenis de espécies nativas, normalmente disponíveis no mercado, são de tamanho inferior ao mínimo necessário (1012 cm) para povoamento de tanque-rede de engorda. Portanto, para que a criação de peixes em tanques-rede cresça no Brasil, é necessário desenvolver um pacote de produção direcionado para recria, que é a fase de engorda de um juvenil de 25 cm até atingir 1012 cm. No desenvolvimento de um pacote de produção para uma espécie de peixe, o primeiro passo é a determinação da densidade de estocagem ideal, a qual visa determinar os níveis ótimos de produtividade por área. A densidade de estocagem tem efeito na sobrevivência e no crescimento, sendo uma possível causa do fracasso na produção final de peixes. Normalmente, peixes criados em baixas densidades de estocagem apresentam boa taxa de crescimento e alta porcentagem de sobrevivência, porém a produção por área é baixa, caracterizando baixo aproveitamento da área disponível. Por sua vez, peixes mantidos em altas densidades normalmente têm menor crescimento, ficam estressados e estão sujeitos ao aparecimento de interações sociais que levam à produção de um lote de peixes com tamanho heterogêneo‖. Texto adaptado do artigo Densidade de estocagem de

juvenis de tambaqui durante a recria em tanques-rede ‖ , Brasileira, Pesquisa Agropecuária (

juvenis de tambaqui durante a recria em tanques-rede,

Brasileira,

Pesquisa Agropecuária

v.39,

n.

4,

p.

357-362,

2004

5.9.2

Questionamento

O objetivo do trabalho citado foi determinar a densidade de estocagem adequada para a fase de recria de tambaqui em tanque-rede. Baseado neste estudo responda as seguintes perguntas:

a) A Tabela 2 (abaixo) foi retirada deste artigo. Descreva quais os resultados encontrados, interpretando a tabela:

quais os resultados encontrados, interpretando a tabela: b) Qual a densidade de estocagem ideal, baseado nos

b) Qual a densidade de estocagem ideal, baseado nos resultados deste estudo?

Resultado:

a) Para as variáveis coeficiente de variação de crescimento (CV) e taxa de crescimento específico não houve diferença entre as densidades. Quanto ao comprimento e massa, a densidade de 200 peixes/m 3 obteve resultados superiores à densidade de 500 peixes/m 3 .

b) A produção por área foi significativamente mais alta nas densidades de 400 e 500 peixes/m 3 quando comparada às densidades de 200 e 300 peixes/m 3 . A densidade de

400 peixes/m 3 foi a ideal neste estudo, pois além de apresentar a maior produção por área, não diferiu da densidade de 200 peixes/m 3 quanto ao comprimento e massa.

Objetivo da atividade: Estimular a leitura de artigos técnicos, bem como demonstrar a forma de

Objetivo

da

atividade:

Estimular

a

leitura

de

artigos

técnicos,

bem

como

demonstrar a forma de interpretação de resultados em artigos científicos.

5.10 LEITURA COMPLEMENTAR

MOREIRA, H.L.M. et al. Fundamentos da Moderna Aqüicultura. Editora Ulbra-RS, 2001, 199 p. POLI, C.R. et al. Aqüicultura: experiências brasileiras. Florionópolis, SC. Editora Multitarefa, 2003, 455 p. VALENTI, W.C. Carcinicultura de água doce. Apoio IBAMA FAPESP. 1998, 383p.

6 CALAGEM E ADUBAÇÃO DE VIVEIROS 6.1 PREPARO DOS VIVEIROS O objetivo maior do bom

6 CALAGEM E ADUBAÇÃO DE VIVEIROS

6.1

PREPARO DOS VIVEIROS

O

objetivo maior do bom preparo dos viveiros é oferecer condições ambientais que

propiciem uma boa qualidade de água. A preparação de viveiros novos segue os seguintes procedimentos: esvaziamento e secagem dos viveiros, desinfecção, aplicação de calcário, oxidação da matéria orgânica e fertilização.

6.2 ESVAZIAMENTO

Após cada cultivo os viveiros devem ser esvaziados e secos ao sol. Essa prática, importante para oxidar e remineralizar o excesso de matéria orgânica, segue a seguinte seqüência: decomposição, liberação dos nutrientes e reaproveitamento pelo plâncton.

A prática do esvaziamento também propicia a oxigenação do solo e elimina ovos de

peixes e outros invasores. O tempo ideal em que o viveiro deve permanecer seco é até que seque o seu fundo a ponto de se poder caminhar nele sem afundar.

6.3 DESINFECÇÃO

A desinfecção tem como objetivo principal evitar que resíduos tóxicos ou microorganismos indesejáveis permaneçam no viveiro e permitir a oxidação da matéria orgânica. O melhor e mais barato desinfetante é o sol, cujo efeito é ideal quando o solo apresenta rachaduras. Em caso de muita chuva ou problemas de drenagem, deve-se fazer a desinfecção química.

6.3.1 Desinfecção com cal virgem (CaO) ou cal hidratada (Ca(OH)2)

A cal virgem aumenta muito a temperatura e o pH da água, causando a morte dos

organismos aquáticos; a cal hidratada não provoca aumento de temperatura, matando só pelo pH muito elevado. Como regra geral, a quantidade a ser utilizada é de l 500 kg/ha de cal hidratada ou 500 kg/ha de cal virgem.

6.3.2 Desinfecção de áreas escuras e com cheiro de enxofre

Nestes casos deve-se usar água sanitária ou cloro de piscina em solução de Cl concentrada - 100 ppm, 0,1 g de Cl/1 de água. Coloca-se um litro por metro quadrado da área, revira-se o solo e reaplica-se; depois, deixa-se de dois a três dias de exposição ao sol.

6.4

APLICAÇÃO DE CALCÁRIO

O

calcário neutraliza a acidez do solo e da água. Os produtos a serem utilizados são:

calcário calcítico (CaCO 3 ), mais em viveiros cheios, e calcário dolomítico [(CaMg(CO 3 ) 2 )]. Cal virgem (CaO) e cal hidratada [(Ca(OH) 2 )], ainda que corrijam o pH, são mais recomendadas em viveiros vazios para desinfecção do ambiente.

Os objetivos da calagem são permitir ou melhorar a sobrevivência dos peixes, permitir a reprodução

Os objetivos da calagem são permitir ou melhorar a sobrevivência dos peixes, permitir a reprodução e crescimento dos peixes e dar condições de sucesso para a fertilização. A aplicação de calcário é importante para elevar o pH do solo, melhorando a produtividade natural; diminuir a retenção de P no fundo dos viveiros, disponibilizando-o

para o fitoplâncton; aumentar a quantidade de CO 2 disponível para a fotossíntese; diminuir

a turbidez da água e a quantidade de material em suspensão e aumentar a alcalinidade da água.

Aplica-se o calcário quando a alcalinidade for inferior a 30 mg/l de CaCO 3 ; quando

o pH do solo for inferior a 6,0-6,5; quando, mesmo com fertilizações periódicas, não se consegue crescimento planctônico e em solos muito ricos em alumínio. Define-se a quantidade de calcário de acordo com o pH e o tipo do solo, conforme a Tabela 2.

Tabela 1: Quantidades recomendadas de CaCO3/ha de viveiro conforme pH e tipo de solo.

pH solo

Kg de CaCO 3 / ha em solo

 

Argiloso

Areno-argiloso

Arenoso

< 4,0

14320

7160

4475

4,0-4,5

10780

5370

4475

4,6-5,0

8950

4470

3580

5,1-5,5

7370

3580

1790

5,6-6,0

3580

1790

896

6,1-6,5

1790

1790

0

> 6,5

0

0

0

Em viveiros vazios deve-se espalhar sobre o fundo e, se possível, incorporá-lo; em viveiros cheios, aplica-se a lanço sobre a superfície da água, ou em sacos submersos.

6.5 OXIDAÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA

A presença de oxigênio permite a decomposição do excesso de matéria orgânica através da oxidação. Além das técnicas já descritas, podem-se aplicar fertilizantes com N junto com o calcário. Essa prática promove crescimento das bactérias que decompõem a matéria orgânica. Necessita de calcário, porque essas bactérias preferem pH neutro. A quantidade recomendada é de 10 kg de N/ha.

6.6 FERTILIZAÇÃO O papel da fertilização é desenvolver seres vivos aquáticos macroscópicos e

6.6

FERTILIZAÇÃO

O

papel da fertilização é desenvolver seres vivos aquáticos macroscópicos e

microscópicos que participam de uma cadeia alimentar a favor do melhor crescimento dos peixes. Esses seres vivos trazem benefícios à piscicultura pelo alto teor de proteínas, vitaminas e minerais e servem de alimento para grande número de espécies e para todas as pós-larvas de peixes. Dividem-se em:

fitoplâncton: nos quais se encontram todas as espécies de algas;

zooplâncton: correspondem aos rotíferos, cladóceras e copépodes;

bentos: entre os quais se encontram vermes, moluscos, larvas de insetos e outros.

O ciclo desencadeado pela fertilização é o seguinte: em condições adequadas de luz e temperatura, colocam-se os fertilizantes na água, onde são dissolvidos ou decompostos pelas bactérias, liberando, assim, os nutrientes, que são assimilados diretamente pelo fitoplâncton, proporcionando em poucos dias uma grande população no viveiro. O plâncton se reproduz e morre rapidamente, liberando novamente nutrientes, que são reaproveitados e, consequentemente, produzem mais plâncton. Como as algas são as base da cadeia alimentar, proporcionam alimentos para as outras camadas e, consequentemente, aumentam a população de zooplâncton e bentos.

6.6.1 Fertilizantes químicos (N - P K)

A necessidade mais freqüente é de uma proporção 20 - 20 - 05, ou seja, uma

proporção de 20 de P2O5, 20 de N e 5 de K20.

O fósforo é mais importante que o nitrogênio para o fitoplâncton, mas os dois

elementos juntos proporcionam sempre melhores resultados. Quase sempre o potássio é

dispensável. A quantidade depende mais de observações do que de regras fixas. Geralmente, usam-se 2 a 9 kg de P205/ha; 2-9 kg de N/ha. Sugere-se, via de regra, 1N:3P2O5 (três vezes mais P2O5 do que N).

Os fertilizantes podem ser aplicados de três maneiras:

Dissolvidos em água antes da aplicação;

Seco, em plataformas colocadas 30 cm sobre a lâmina d'água;

Seco, em sacos porosos dentro do viveiro.

Em algumas regiões criam-se peixes exclusivamente com esterco. Os fertilizantes orgânicos possuem uma quantidade muito menor de nutrientes, conseqüentemente, a quantidade aplicada deve ser muito maior. A liberação dos nutrientes do fertilizante orgânico ocorre por ação bacteriana com consumo de oxigênio. A quantidade de fertilizantes orgânicos a ser colocada por hectare de viveiro é expressa na Tabela 3.

Tabela 2: Fertilizante orgânico por ha de viveiro/semana, conforme espécie animal.

ESTERCO

Kg/ha/sem

Bovino

1000

Frango

600-800

Pato 600-800 Ovelha 1000 Cavalo 1000 Suíno 600-800 Em viveiros sem aeração, não se deve

Pato

600-800

Ovelha

1000

Cavalo

1000

Suíno

600-800

Em viveiros sem aeração, não se deve usar mais do que 50-75 kg de esterco seco/ha/dia. A avaliação do efeito é feita pelo disco de Secchi.

6.6.2 Fertilização antes do povoamento

Quando a fertilização for orgânica, espalha-se o esterco no fundo seco do viveiro e, após, coloca-se água até atingir 40-50 cm de profundidade. Em torno de seis a oito dias ocorre o desenvolvimento do plâncton. Após esse período, completa-se o volume e aguardam-se dois a quatro dias para aumentar a quantidade de alimento natural; então o viveiro estará pronto para receber os alevinos. Quando utilizada a fertilização química, o viveiro deve ter 40-50 cm de água e o fertilizante deve ser dissolvido antes de aplicar.

6.6.3 Fertilização após o povoamento

A fertilização da água dos viveiros, após o seu povoamento, deve ser feita com base na análise da quantidade de plâncton através da transparência medida pelo disco de Secchi. Se o valor de transparência estiver acima de 40 cm, fertilizar.

Tabela 3: Comparação entre fertilizantes químicos e orgânicos.

 

Químicos

Dejetos

Quantidade de nutrientes

Grande

Pequena

Quantidade á ser usada

Pequena

Grande

Preço do produto

Alto

Baixo

Preço do transporte

Baixo

Alto

Composição química

Conhecida

Desconhecida

Armazenamento

Longo tempo

Pouco tempo

Liberação dos nutrientes

Imediata

Lenta

Consome O 2 D?

Não

Sim

Serve de alimento?

Não

Sim

Fonte: Adaptado de OSTRENSKI & BOEGER (1998).

6.6.4 Recomendações  Analisar a água antes de fertilizar;  Não usar mais adubo que

6.6.4 Recomendações

Analisar a água antes de fertilizar;

Não usar mais adubo que o necessário;

Diminuir a renovação de água quando fertilizar;

Combater a erosão dos taludes (transparência);

Evitar captação de águas barrentas;

Monitorar a transparência (excesso de plâncton é ruim e valores de transparência abaixo de 30cm também são prejudiciais).

6.1

ATIVIDADE

6.1.1

Descrição do problema

―Historicamente as terras de várzeas da zona Sul do estado do RS, são utilizadas para o cultivo de arroz irrigado no padrão tecnológico da agricultura convencional com a intensiva utilização de insumos externos (outputs) e elevada mecanização. A rizipiscicultura, baseada nos princípios da agroecologia, combina o cultivo de arroz irrigado e a criação de peixes, sem o uso de agrotóxico. Apresenta dois calendários, o simultâneo, que cultiva arroz e cria peixes juntos e o alternado, que os intercala‖. Texto retirado do site

6.1.2 Questionamento

Sobre um dos temas abaixo, descreva as vantagens, desvantagens e peculiaridades do sistema de produção integrada:

Rizipiscicultura

Produção integrada de animais e piscicultura

Objetivo da atividade: Os alunos deverão pesquisar sobre os temas propostos na literatura da área e internet. Pode ser sugerida a visitação de sistemas de produção nestes moldes, quando possível. A turma deverá ser dividida em grupos com no máximo 4 pessoas, sendo que metade dos grupos pesquisará sobre rizipiscicultura, enquanto os outros grupos pesquisarão sobre produção integrada de animais e piscicultura. Após, os achados deverão ser discutidos em aula.

6.2 LEITURA COMPLEMENTAR

MOREIRA, H.L.M. et al. Fundamentos da Moderna Aqüicultura. Editora Ulbra-RS, 2001, 199 p.

7 ESPÉCIES CULTIVADAS NO BRASIL Existem no Brasil centenas de espécies de peixes de água

7 ESPÉCIES CULTIVADAS NO BRASIL

Existem no Brasil centenas de espécies de peixes de água doce que poderiam ser tranqüilamente trabalhadas. Mas isso não ocorre, principalmente porque há aos poucos estudos sobre a propagação natural ou artificial de muitas espécies, isto é, faltam ainda conhecimentos sobre biologia de inúmeras de nossas espécies. Hoje, no País, cultivam-se espécies nativas e exóticas.

7.1

NATIVAS

7.1.1

Pacu (Piaractus mesopotamicus)

Origem: Brasil, Bacia do Paraná. Hábito alimentar: Onívoro. Limite de temperatura: 20 a 30ºC. pH ideal da água: 6 a 8. Oxigênio dissolvido mínimo: 1,5 mg/l. Sistema de cultivo: Monocultivo e policultivo. Densidade de estocagem: 1 a 1,5 peixes/ m3 (viveiro convencional).

de estocagem: 1 a 1,5 peixes/ m3 (viveiro convencional). Figura: Pacu ( Piaractus mesopotamicus ) Fonte:

Figura: Pacu (Piaractus mesopotamicus)

7.1.2 Piau, Piauçu, Piapara (Leporinus sp)

Origem: Brasil. Hábito alimentar: Onívoro. Limite de temperatura: 18 a 30ºC. pH ideal da água: 6 a 8. Oxigênio dissolvido mínimo: 2 mg/l.

Sistema de cultivo: Monocultivo e policultivo. Densidade de estocagem: 1 peixe/ m3 (viveiro convencional). Figura

Sistema de cultivo: Monocultivo e policultivo. Densidade de estocagem: 1 peixe/ m3 (viveiro convencional).

Densidade de estocagem: 1 peixe/ m3 (viveiro convencional). Figura 13: Piau três-pintas ( Leporinus freiderici )

Figura 13: Piau três-pintas (Leporinus freiderici)

7.1.3 Curimatã ou curimba (Prochilodus scrofa)

Origem: Brasil.

Hábito alimentar: Iliófaga.

Limite de temperatura: 20 a 30ºC.

pH ideal da água: 6 a 8.

Oxigênio dissolvido mínimo: 1,0 mg/l.

Sistema de cultivo: Policultivo.

Densidade de estocagem: 1 peixe/ m3 (viveiro convencional).

7.1.4 Matrinchã, Piraputanga (Brycon sp)

Origem: Brasil, Bacia Amazônica, São Francisco e Paraíba.

Hábito alimentar: Onívoro.

Limite de temperatura: 18 a 30ºC.

pH ideal da água: 6 a 8.

Oxigênio dissolvido mínimo: 2 mg/l.

Sistema de cultivo: Monocultivo e policultivo.

Densidade de estocagem: 0,8 a 1 peixe/ m3 (viveiro convencional).

Figura 14: Matrinchã Fonte: http://www.revistapescaelazer.com.br/imagens/matrinxa.jpg . Acessado em 02/2009. 7.1.5

Figura 14: Matrinchã

7.1.5 Pintado, Surubim (Pseudoplatystoma coruscan)

Origem: Brasil.

Hábito alimentar: Carnívoro.

Limite de temperatura: >22ºC.

pH ideal da água: 6 a 8.

Oxigênio dissolvido mínimo: >3,5 mg/l.

Sistema de cultivo: Monocultivo.

Densidade de estocagem: 1 peixe/ m3 (viveiro convencional).

Densidade de estocagem: 1 peixe/ m3 (viveiro convencional). Figura 15: Pintado Fonte:

Figura 15: Pintado

7.1.6 Jundiá (Rhamdia quelen)

Origem: Brasil.

Hábito alimentar: Onívoro.

 Limite de temperatura: >22ºC.  pH ideal da água: 7,5 a 8,5.  Oxigênio

Limite de temperatura: >22ºC.

pH ideal da água: 7,5 a 8,5.

Oxigênio dissolvido mínimo: >5 mg/l.

Sistema de cultivo: Monocultivo e policultivo.

Densidade de estocagem: 1 peixe/ m2 (viveiro convencional e viveiro-rede).

1 peixe/ m2 (viveiro convencional e viveiro-rede). Figura 16: Jundiá Fonte:

Figura 16: Jundiá

7.1.7 Traíra (Hoplias malabaricus)

Origem: Brasil.

Hábito alimentar: Carnívoro.

Limite de temperatura: >22ºC.

pH ideal da água: 7,0 a 8,5.

Oxigênio dissolvido mínimo: > 3 mg/l.

Sistema de cultivo: Policultivo (Com espécies forrageiras como lambari).

Policultivo (Com espécies forrageiras como lambari). Figura 17: Traíra Fonte:

Figura 17: Traíra

7.2 EXÓTICAS 7.2.1 Carpa cabeça grande (Aristichthys nobilis)  Origem: China.  Hábito alimentar:

7.2

EXÓTICAS

7.2.1

Carpa cabeça grande (Aristichthys nobilis)

Origem: China.

Hábito alimentar: Zooplanctófaga.

Limite de temperatura: 16 a 30ºC.

pH ideal da água: 6 a 8.

Oxigênio dissolvido mínimo: >4,0 mg/l.

Sistema de cultivo: Policultivo.

Densidade de estocagem: 0,8 a 1 peixe/ m3 (viveiro convencional).

de estocagem: 0,8 a 1 peixe/ m3 (viveiro convencional). Figura 18: Carpa cabeça grande Fonte:

Figura 18: Carpa cabeça grande

7.2.2 Carpa capim (Ctenopharyngodon idella)

Origem: China e sudeste da Ásia.

Hábito alimentar: Herbívora.

Limite de temperatura: 16 a 30ºC.

pH ideal da água: 6 a 8.

Oxigênio dissolvido mínimo: > 4,0 mg/l.

Sistema de cultivo: Policultivo.

Densidade de estocagem: 0,8 a 1 peixe/ m3 (viveiro convencional).

Figura 19: Carpa capim Fonte: http://www.ulbra.br/ceulbra/imagens/carpa-capim.jpg . Acessado em 02/2009 7.2.3 Carpa

Figura 19: Carpa capim

7.2.3 Carpa prateada (Hypophthalmichthys molitrix)

Origem: China.

Hábito alimentar: Fitoplanctófaga.

Limite de temperatura: 16 a 30ºC.

pH ideal da água: 6 a 8.

Oxigênio dissolvido mínimo: >4,0 mg/l.

Sistema de cultivo: Policultivo.

Densidade de estocagem: 0,8 a 1 peixe/ m3 (viveiro convencional).

de estocagem: 0,8 a 1 peixe/ m3 (viveiro convencional). Figura 20: Carpa prateada Fonte:

Figura 20: Carpa prateada

7.2.4 Tilápia (Oreochromis niloticus)  Origem: África, Bacia do Nilo.  Hábito alimentar: Onívoro. 

7.2.4 Tilápia (Oreochromis niloticus)

Origem: África, Bacia do Nilo.

Hábito alimentar: Onívoro.

Limite de temperatura: 26 a 28ºC.

pH ideal da água: 6 a 8.

Oxigênio dissolvido mínimo: >1,0 mg/l.

Sistema de cultivo: Monocultivo e policultivo.

Densidade de estocagem: 2 peixes/ m3 (semi-intensivo).

3 peixes/m3 (intensivo).

150 peixes/m3 (viveiro-rede).

3 peixes/m3 (intensivo).  150 peixes/m3 (viveiro-rede). Figura 21: Tilápia Fonte:

Figura 21: Tilápia

7.3

ATIVIDADE

7.3.1