Você está na página 1de 2

(*) UZIEL SANTANA

Projeto de Lei 122/2006: homofobia ou heterofobia? (III)

“Trata-se de um delito semântico atestar que toda e qualquer manifestação contrária


às práticas homossexuais significa homofobia, isto é, violência ou incitação à mesma.
Uma coisa é o respeito à opção e predileções que cada um tem; outra, muito diferente,
é a imposição dessas opções e predileções a quem assim não consente.”

Neste terceiro artigo da série sobre a análise do Projeto 122/2006 que tramita no Senado
Federal, sob a relatoria da senadora Fátima Cleide (PT-RO), e que visa a alterar o
Código Penal, a Lei nº 7.716/89 e a CLT, estabelecendo a criminalização de toda e
qualquer conduta contrária ao homossexualismo e às suas várias formas de expressão,
procederemos à análise dos dispositivos legais constantes desta proposta legislativa.

No ensaio anterior, vimos que a CF estabelece, categoricamente, no art. 5º, como


direitos e garantias fundamentais, que “é livre a manifestação do pensamento” (IV), que
“é inviolável a liberdade de consciência e crença”(VI), que “ninguém será privado de
direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (VIII), e
que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença” (IX), dispositivos esses da Constituição que
já denotam para nós a irremediável inconstitucionalidade do comentado projeto de lei.

Vejamos o que preceitua alguns dos dispositivos da proposição legislativa:

Art. 2º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou


preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação
sexual e identidade de gênero. Comentário: o projeto já começa com uma falácia
escondida atrás de um discurso politicamente correto e de promoção de direitos
humanos fundamentais. Lendo o texto do artigo, de imediato, nós pensamos se tratar
mesmo de algo necessário para a sociedade, qual seja: combater, criminalizando
condutas, qualquer tipo de discriminação ou preconceito. Mas percebamos bem: na
realidade, pertencer a uma raça, a uma cor, a uma etnia, a uma religião, a uma
nacionalidade, ser do sexo masculino ou do sexo feminino, são condições (com exceção
da religião que é adquirida culturalmente) naturais do ser humano. E, em assim sendo,
merecem a proteção do Estado contra qualquer tipo de discriminação. Agora, introduzir
nesse contexto, através de uma etiquetagem (i)moral, qual seja, “orientação sexual”, ou
mesmo “identidade de gênero”, como se fossem categorias naturais do ser humano,
nada mais é do que apologia, promoção do homossexualismo. Tanto é assim que os
demais dispositivos em vez de se limitar a proteger – como acontece com o atual texto
da Lei 7.716/89 – na verdade, promovem descadaradamente o homossexualismo e suas
práticas. Se não, vejamos.

Art. 5º Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer


sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional.
Pena: reclusão de 3 a 5 anos. Comentário: vejamos se isso é proteção ou promoção do
homossexualismo. O dispositivo fala que “em qualquer sistema de seleção educacional”
não se pode recusar, negar, impedir (e etc.) o acesso de homossexuais. É um verdadeiro
totalitarismo gay. Imagine que você pai ou mãe não queira de modo algum que na
escola dos seus filhos adolescentes se promova o homossexualismo. O diretor da escola
pensa o mesmo. Mas aí algum jovem homossexual se candidata para a seleção lá. Na
entrevista, revela a sua condição social. O diretor diz que por princípios a Escola não
aceita homossexuais. Em reunião dos pais, todos concordam com isso, dizendo que
existem outras escolas que o admitem, mas essa não. Conclusão: todos, o diretor e os
pais, incorreram em crime e podem passar de 3 a 5 anos num dos presídios do nosso
Estado. É razoável isso? E mais: imagine que a escola é um seminário teológico de
formação de pastores, ou de padres ou de monges. Todos, também, do mesmo modo
podem ser apenados. Isso é homofobia ou eles estão sofrendo heterofobia? O projeto
visa a proteger ou promover o homossexualismo?

Art. 7º (Art. 8º-A) Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em


locais públicos ou privados abertos ao público (...). Pena: reclusão de 2 a 5 anos.
Comentário: locais privados abertos ao público, exemplo: as igrejas. Imagine que um
padre, pastor ou monge queira repreender um casal de lésbicas que esteja se beijando
dentro do santuário ou capela. O que aconteceria com eles? Poderiam ir para a prisão
também, como no caso anterior (2 a 5 anos de cadeia!). Se fosse um casal de
heterossexuais, os eclesiásticos poderiam exortar, repreender, chamar a atenção, mas
como é um casal de homossexuais, não podem. Voltamos a indagar: isso é homofobia
ou heterofobia? Intolerância religiosa ou totalitarismo gay?

Num caso como esse e o do seminário que citamos anteriormente, vejam as agravantes
que o projeto traz: Art. 8º Constituem efeito da condenação: VI – suspensão do
funcionamento dos estabelecimentos por prazo não superior a 3(três) meses. Ou seja: se
for igreja, fecha-se. Se for seminário teológico, fecha-se também. Isso é proteção ou
promoção do homossexualismo? Homofobia ou heterofobia?

Na verdade, caros(as) leitores(as), o que está por trás disso, não é a simples promoção
da proteção dos homossexuais. Mais que isso, há toda uma orquestração, com apoio
incondicional do Governo Federal (veja-se: http://www.mj.gov.br/sedh/documentos/004_1_3.pdf), no
sentido de se promover e disseminar as práticas homossexuais. O próximo passo, não
nos enganemos, é a modificação da Constituição Federal e, principalmente, o Estatuto
da Criança e do Adolescente a fim de que os pais não tenham mais o poder familiar de
educar os seus filhos como heterossexuais. A idéia que começa a se disseminar nos
movimentos de gays, lésbicas, bissexuais e travestis é que as crianças e adolescentes
têm o livre arbítrio (o direito constitucional de livre orientação sexual, dirão daqui a
pouco!!) e, portanto, os pais não podem exortá-los e discipliná-los contra as práticas
homossexuais. Se assim o for, estaremos diante de homofobia, heterofobia e/ou
pedofilia?

Em verdade, razão assiste ao Promotor de Justiça (Guaporé-RS) Cláudio da Silva Leiria


quando conclui que: “os homossexuais usam e abusam do termo ‘preconceito’, com que
rotulam qualquer opinião que recrimine sua conduta sexual. No entanto, a simples
expressão de condenação moral, filosófica ou religiosa ao homossexualismo não se
constitui em discriminação, mas exercício da liberdade de consciência e opinião. Os
gays não têm qualquer direito de exigir que sua conduta sexual seja mais digna de
respeito e consideração que as crenças alheias a respeito da homossexualidade”.

(*) Advogado
Mestre em Direito – UFPE.
Professor da UFS – (ussant@ufs.br).