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SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA

Conhecimentos sobre Sexualidade em Blumenau

Adriano Baumannª Andreisi Brignoliª Ariane Simas Felisbertoª Fabrine Zan Vieiraª Heidi Vollesª Júlio Cesar Schlemperª Prof.ª Juliana Leal Rocha b

RESUMO

As doenças sexualmente transmissíveis são assunto muitas vezes fora do conhecimento dos adolescentes e de despreocupação dos mesmos. Por meio deste trabalho, foram apresentados dados sobre a sexualidade e DST entre os adolescentes da cidade de Blumenau, devidamente matriculados no ensino médio de colégios públicos, analisando os principais pontos deficientes do conhecimento que estes possuem sobre os mais diversos assuntos ligados a sexualidade. Foram aplicados questionários entre adolescentes com faixa etária de 14 a 22 anos. Os dados obtidos revelam que os adolescentes pesquisados em maioria conhecem as doenças sexualmente transmissíveis, mas que muitos não sabem identificá-las, e dentre os com vida sexual ativa, uma parcela preocupante não utilizou métodos contraceptivos durante as relações sexuais. Com a obtenção desses dados, pode-se abrangê-los em programas de conscientização sobre a sexualidade, visando maior preocupação sobre os dados que mais apresentaram deficiências, garantindo o aperfeiçoamento do conhecimento dos adolescentes.

Palavras-chave: Sexualidade. Anticoncepcionais. Educação.

1 INTRODUÇÃO

A educação sexual foi sempre vista como um assunto proibido e vedado para a criança. Na entrada da adolescência, iniciam-se descobertas quanto ao corpo, e dúvidas vão surgindo.

A mídia revela que cada vez mais temos o alastramento de doenças sexualmente transmissíveis (DST), e muitos dos jovens sequer conhecem DST ou se conhecem, não sabem os sintomas, e por medo, não procuram profissionais da saúde para auxiliá-los. A falta de conhecimento, o início prematuro das atividades sexuais dos jovens e a falta de instrução em relação aos métodos para prevenção de DST e também de gravidez leva a uma preocupação por parte dos órgãos ligados a saúde.

Este trabalho visa trazer dados sobre o conhecimento dos jovens sobre educação sexual, incluindo as DST, apresentando resultados referentes à instrução atual dos jovens da cidade de

ªAcadêmicos do 1ª semestre de Biomedicina. Faculdade Metropolitana de Blumenau FAMEBLU, Grupo UNIASSELVI. b Professora e coordenadora Juliana Leal Rocha, Prática Orientada.

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Blumenau, e identificando possíveis fatores de risco as DST na adolescência, visando maior conhecimento dentro das áreas deficientes e implementação de programas de conscientização utilizando tais resultados.

2 MATERIAL E MÉTODOS

Para obtenção dos resultados contidos nesse trabalho, foram entrevistados cerca de 80 adolescentes, com faixa etária de 14 a 22 anos, sendo todos alunos devidamente matriculados em colégios estaduais, cursando ensino médio.

O instrumento utilizado para obtenção dos dados foi um questionário com 20 questões objetivas (Anexo 1). O qual foi aplicado em sala de aula, individualmente e preservando o anonimato do respondente. Com aplicação média de cerca de 20 minutos para conclusão.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Um dos pontos observados foi a renda familiar (gráfico 1), cerca de 40% dos jovens possuem renda familiar acima de 3 salários mínimos, e apenas 1% dos entrevistados apresentaram renda igual ou abaixo de 1 salário mínimo, mas cerca de 30% dos adolescentes não tinham conhecimento quanto a sua renda familiar. Considerando a maioria, as condições financeiras desses entrevistados de certa forma influenciam no resultado final das questões avaliadas referentes à sexualidade dos mesmos.

Outro aspecto significativo é a escolaridade, enquanto em ambiente escolar, o adolescente se mantém atualizado com as informações básicas sobre temas diversos ligados as doenças e temas ligados a sexualidade (VILLELA, 2006. p. 3).

A baixa renda familiar, atrelado a regiões com altos índices de violência e baixa qualidade em serviços públicos como educação, saneamento, saúde e demais reflete diretamente no aumento de relações sexuais e de doenças sexualmente transmissíveis entre os jovens de grandes cidades, pela falta de educação ou programas de incentivo sobre DST e sexualidade aos jovens dessas regiões (SANTOS, 2010. p. 3).

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Gráfico 1 Renda familiar

Renda Familiar

40% 30% 28% 1% 40% 30% 20% 10% 0% % de Adolescentes Não Sei 1 1
40%
30%
28%
1%
40%
30%
20%
10%
0%
% de Adolescentes
Não Sei
1 1 a 3
>3

Muitos dos principais casos de gravidez na adolescência, começo da vida sexual e elevada taxa de índices relacionados às doenças sexualmente transmissíveis são observadas em regiões mais pobres, com renda familiar abaixo de 2 salários mínimos (FRANÇOSO et al, 2001, p. 12).

Como observado em geral nos questionários avaliados, a média do conhecimento dos jovens da região de Blumenau é elevada, mesmo sendo baixa em alguns aspectos, as melhores condições financeiras das famílias dos jovens entrevistados revela uma maior conscientização dentro dos assuntos sobre esse tema. Comparado a outras regiões do Brasil, as melhores condições financeiras demonstradas na pesquisa revelam uma maior taxa de conhecimento e entendimento sobre o assunto, simplesmente pela conscientização vinda da família ou mesmo da estruturação familiar do jovem, como analisado nas questões 3, 4, 5, 8 e 9 do questionário (Anexo 1).

Dentre os entrevistados, pode-se obter resultados satisfatórios sobre o conhecimento dos adolescentes em relação ao que é uma doença sexualmente transmissível, sendo que 96% dos entrevistados afirmaram que sabiam o que era DST (Gráfico 3).

Outro ponto de importância foi observar que a maioria dos entrevistados eram indivíduos do sexo feminino, e as que mais apresentaram a vida sexual ativa em relação aos indivíduos do sexo masculino (Gráfico 2). Outro aspecto foi à idade dos entrevistados, que para a média nacional, pode-se considerar que os jovens da região de Blumenau levam mais tempo para desenvolver uma vida sexual ativa, iniciando em média aos 15 anos de idade (Gráfico 9).

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O desenvolvimento de uma vida sexual ativa nas favelas das grandes cidades brasileiras revela que a faixa etária média é de cerca de 13 anos, chegando a 11 anos em determinadas comunidades carentes dessas regiões (VILLELA et al, 2006. p. 4).

Gráfico 2 Sexo dos Jovens.

Sexo dos Entrevistados

39% 61% 80% 60% 40% 20% 0% % de Adolescentes Masculino Femenino
39%
61%
80%
60%
40%
20%
0%
% de Adolescentes
Masculino
Femenino

Gráfico 3 Doenças Sexualmente Transmissíveis

Conhecimento sobre DST

4% 96% 100% 50% 0% % de Adolescentes Não Sim
4%
96%
100%
50%
0%
% de Adolescentes
Não
Sim

A grande maioria dos adolescentes conhecem inúmeras DST, mas não apresentam preocupação referente a elas, pois se sentem invulneráveis e não se preocupam em conhecer possíveis sintomas pelo pensamento de que nunca lhes irá acontecer (TAQUETTE et al, 2003. p. 4).

Quando questionados sobre quais DST conheciam, todos os entrevistados afirmaram conhecer a Aids, muito provavelmente pela repercussão que esta tem na mídia e que adquiriu ao fim do século XX. Mas os dados referentes às outras questões revelam que a maioria das doenças sexualmente transmissíveis não são de conhecimento dos jovens, como o Condiloma, que apenas 24% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento sobre ele (Gráfico 4).

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Gráfico 4 Doenças sexualmente transmissíveis conhecidas

DST conhecidas pelos Jovens

Sifílis % de Adolescentes 0% 20% 40% 60% 80% 100% Outras Nenhuma Candilíase Hepatite B
Sifílis
% de Adolescentes
0%
20%
40%
60%
80%
100%
Outras
Nenhuma
Candilíase
Hepatite B
Herpes Genital
100%
Condiloma (HPV)
Gonorréia
Aids
0%
0%
63%
35%
24%
59%
58%
53%

Gráfico 5 Modos de Transmissão

Modos de Transmissão Conhecidos

Sexo vaginal 30% 20% 10% 0% Não Sei Transfusão de Sangue Transmissão de Mãe para
Sexo vaginal
30%
20%
10%
0%
Não Sei
Transfusão de Sangue
Transmissão de Mãe para
Filho
Injetando Drogas com
Seringa
40%
Sexo Oral
Sexo anal
Beijo
Abraço
Contato com Ferida
Roupas íntimas
% de Adolescentes
59%
50%
60%
70%
80%
90%
5%
5%
0%
41%
83%
18%
39%
53%
50%
56%

Dados revelam que o conhecimento dos adolescentes em relação às formas de transmissão também é preocupante, pois uma parcela considerável não sabe as formas de contágio corretas (Gráfico 5).

Mesmo a sexualidade e todo o assunto sobre este sendo encarado durante anos como algo proibido dentro da constituição da família, o desenvolvimento da sociedade moderna mostrou que a forma de pensar mudou, como se pode observar no gráfico 6, cerca de 63% dos entrevistados obtém

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informações referentes ao sexo, doenças e demais áreas com os pais, seguida de 51% que obtém informações nas consultas com os médicos, visando um maior aprofundamento do seu conhecimento na área e garantir sua própria saúde.

O desenvolvimento das tecnologias, a formação de uma vida social ativa e até mesmo os princípios que regem a sociedade do século XXI levam ao desenvolvimento da forma de pensar dos adolescentes e não somente deles, a mudança de pensar e agir dos pais e responsáveis com o surgimento de tantas informações levam a uma maior preocupação de ambos os lados, inclusive uma maior preocupação com a saúde, visando os reflexos que atos negligentes hoje causaram no futuro (CANO et al, 2000. P. 2).

Pela pesquisa, os médicos e pais têm maior confiança dos adolescentes para eventuais dúvidas sobre estes temas e os menos cotados de confiança para esse fim foram à televisão e revistas. Mas que levanta certa preocupação, pois alguns ainda levam a depositar confiança no conhecimento muitas vezes leigo de amigos e pelas fontes muitas vezes duvidosas provenientes da internet.

O conhecimento proveniente da família é um aspecto muito importante, pois por meio dela, o jovem é confrontado com problemas que uma gravidez pode trazer para sua vida. Dentro do âmbito familiar, os pais mostram que o desenvolvimento de uma criança deve ser planejado e deve vir dentro de um relacionamento estável, juntamente com problemas relacionados às doenças (ALTMANN, 2003. p. 4).

Gráfico 6 Informações sobre DST/Aids

Busca por Informações

TV % de Adolescentes 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Professor Revistas 15%
TV
% de Adolescentes
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Professor
Revistas
15%
Internet
Médicos
Amigos
Pais
43%
63%
33%
20%
51%
15%

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Mesmo com o conhecimento e atenção, algo que traz a tona a falta de investimento na educação sexual para os jovens é a de como identificar alguns dos sintomas das DST mais comuns. Cerca de 74% dos entrevistados não sabem como identificar sintomas e outros apenas deduziram sintomas que não estão diretamente relacionados as DST, e também um índice preocupante de jovens que caso contraíssem DST, não revelaria a seu parceiro (Gráfico 8). Conseqüentemente, haveria mais pessoas infectadas por tal ação (Gráfico 7 e 8).

Gráfico 7 Principais sintomas conhecidos

Sintomas Identificados

30% % de Adolescentes Feridas Emagrecimento Sangramentos Secreções Corrimento, Verrugas Não Sabem Mucosas Formação de Bolhas
30%
% de Adolescentes
Feridas
Emagrecimento
Sangramentos
Secreções
Corrimento, Verrugas
Não Sabem
Mucosas
Formação de Bolhas
Vermelhidão nos Órgãos Genitais
0%
10%
20%
1%
40%
50%
60%
70%
80%
1%
1%
1%
1%
5%
74%
9%
6%

Gráfico 8 Sinceridade em caso de Contágio

Sinceridade entre Parceiros

10% 90% 100% 80% 60% 40% 20% 0% % de Adolescentes Não Sim
10%
90%
100%
80%
60%
40%
20%
0%
% de Adolescentes
Não
Sim

Entre os alunos entrevistados, observou-se que praticamente todos os entrevistados conhecem algum tipo de método anticoncepcional, o mais popular é o preservativo masculino, a

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camisinha vulgarmente conhecida. Cerca de 98% dos entrevistados afirmaram conhecer este método, por ser um método constantemente utilizado em programas de saúde e também extremamente mostrado na mídia como forma de evitar gravidez indesejada e DST, juntamente com a pílula anticoncepcional, até o coito interrompido, o menos conhecido entre o público alvo da pesquisa (Gráfico 9).

Os jovens mesmo conhecendo os principais métodos anticoncepcionais, e mesmo os tendo de forma acessível e discreta para obtenção, no momento do ato sexual, simplesmente não a utilizam, por esquecimento ou por não trazer o mesmo prazer, segundo eles. Inclusive, quase todos conhecem a importância de sua utilização na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, mas mesmo assim, não a utilizam (BRANDÃO et al, 2000. P. 4).

Gráfico 9 Anticonceptivos conhecidos

Métodos Anticoncepcionais Conhecidos

40% Pílula Coito Interrompido DIU Camisinha Injeção Tabelinha Preservativo Femenino % de Adolescentes 0% 20% 16%
40%
Pílula
Coito Interrompido
DIU
Camisinha
Injeção
Tabelinha
Preservativo Femenino
% de Adolescentes
0%
20%
16%
60%
80%
100%
86%
40%
98%
36%
38%
29%

Quando perguntados sobre a 1º relação sexual que tiveram 70% responderam que não tiveram nenhuma relação sexual na vida, enquanto 30% relataram já terem se relacionado alguma vez. A pesquisa revela que a vida sexual da maioria dos adolescentes entrevistados não começou, mostrando um índice tardio comparados a outras regiões brasileiras.

Comparados a pesquisas semelhantes, como o Rio de Janeiro, leva a uma observação de índices extremamente altos de relações sexuais dos jovens com esta mesma faixa etária( a maioria inicia sua vida sexual aos 13 anos), considerando que a pesquisa do Rio de Janeiro foi realizada em regiões com uma concentração de pobreza elevada e violência em altos índices (BRANDÃO et al, 2001. p. 3).

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Dentre os 30% entrevistados sexualmente ativos, cerca de 14% iniciaram com 15 anos e 8% com 16 anos, e 1% mostrando o inicio com 9 anos de idade (Gráfico 10 ).

O início da vida sexual dos jovens da região de Blumenau inicia-se em média com 15 anos, comparados aos dados de outras regiões do Brasil, onde a média do início da vida sexual ativa fica em torno dos 13 anos de idade ( SANTOS et al, 2010. p. 3).

Gráfico 10 Início da vida sexual (24 entrevistados)

1ª Relação Sexual

70% % de Adolescentes 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1% 80% 3% 8% 14%
70%
% de Adolescentes
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
1%
80%
3%
8%
14%
70%
3%
1%
1%
9 anos 12 14 15 16 17 18 Ainda anos anos anos anos anos anos Não
9 anos
12
14
15
16
17
18
Ainda
anos
anos
anos
anos
anos
anos
Não
Gráfico 11 –Faixa Etária dos Indivíduos avaliados
Faixa Etária dos Entrevistados
36%
40%
30%
35%
30%
25%
15%
20%
10%
15%
5%
10%
1%
1%
1%
5%
0%
14
15
16
17
18
19
21
22
anos
anos
anos
anos
anos
anos
anos
anos
% de Adolescentes

Os parceiros da 1º relação dos entrevistados com vida sexual ativa mostrou que a quase totalidade dos entrevistados se relacionaram com namorado(a), 17% com “ficantes” e 4%

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apresentaram terem tido relações sexuais com outro tipo de parceiro. Os dados revelam que em média os entrevistados se relacionaram com pessoas conhecidas e com algum vínculo amoroso (Gráfico 12 e 13).

Para o adolescente, a 1ª relação é algo único, e garante a sua entrada para a maturidade no seu ponto de vista, o que acelera o inicio da vida sexual dos jovens (DIAS et al, 1999. p. 7).

Gráfico 12 - Parceiros

Parceiros da 1ª Relação

4% 17% 79% 0% 80% 60% 40% 20% % de Adolescentes Namorado Ficante Outros
4%
17%
79%
0%
80%
60%
40%
20%
% de Adolescentes
Namorado
Ficante
Outros

Gráfico 13 Relações nos últimos 12 meses

Parceiros dos Últimos 12 meses

17% 83% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% % de Adolescentes
17%
83%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
% de Adolescentes

Sim, com a mesma pessoa

Sim, com pessoas diferentes

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Dentre os indivíduos que apresentam vida sexual ativa, um dos dados revela que a preocupação com a proteção nas relações sexuais não é muito grande, já que apenas 54% dos entrevistados utilizaram algum método anticonceptivo durante as relações, dentre os quais 29% não utilizaram todas às vezes e 17% não utilizaram durante suas relações (Gráfico 16).

A confiança no parceiro que na maioria das vezes é com o mesmo parceiro dos adolescentes levam estes a terem uma falsa sensação de segurança, e por tal, se sentem seguros em se relacionar sem nenhum tipo de proteção contra gravidez ou doenças. (ALTMANN, 2003. p. 17).

Muitos adolescentes escolhem o parceiro por amor, e por isso, na maioria dos casos, ocorre com pessoas próximas a ela, como o namorado (a), visto como alguém extremamente importante, e na maioria dos casos, as relações entre indivíduos com tal afeto ocorre mais de uma vez (VIDAL et al, 2008. p. 8).

Dentro da escolha do parceiro, observa-se que 92% dos indivíduos sexualmente ativos apresentam parceiros do sexo oposto nas práticas sexuais, e índices extremamente baixos dentro das relações sexuais homossexuais, no qual 4% com pessoas do mesmo sexo e 4% com ambos os sexos (Gráfico 14).

Jovens utilizam cautela e desconfiança quando são questionados sobre sua sexualidade, o medo, a rejeição pela família e amigos e o preconceito exercido pela sociedade leva muitos a ficarem amedrontados sobre falar sobre sua opção sexual (BARROS et al, 2002. p. 3).

Gráfico 14 Parceiros de sexos variados

Parceiros do Sexo

4% 4% 92% 100% 80% 60% 40% 20% 0% % de Adolescentes Ambos Sexo Oposto Mesmo
4%
4%
92%
100%
80%
60%
40%
20%
0%
% de Adolescentes
Ambos
Sexo Oposto
Mesmo Sexo

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Em muitas regiões, ainda existem muitas objeções as práticas hoje chamadas de homofóbicas em relação às relações sexuais entre indivíduos do mesmo sexo, mas pela análise dos gráficos, observa-se que 74% dos entrevistados possuem amigos homossexuais, mostrando que o preconceito dentro dos colégios na região de Blumenau é ameno e o desenvolvimento do conhecimento e evolução da forma de pensar da sociedade levaram ao novo patamar de igualdade, mas que ainda traz insegurança por parte dos adolescentes (Gráfico 15).

Gráfico 15 Amizade com homossexuais

Amigo Homossexual

26% 74% 80% 60% 40% 20% 0% % de Adolescentes Não Sim
26%
74%
80%
60%
40%
20%
0%
% de Adolescentes
Não
Sim

Gráfico 16 Proteção durante as relações sexuais

Utilização de Métodos Contraceptivos (12 meses)

29% 17% 54% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% % de Adolescentes Sim, em algumas
29%
17%
54%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
% de Adolescentes
Sim, em algumas
Sim, em todas
Não

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Mas analisando a utilização desses métodos em geral, observa-se que o uso da camisinha ainda é o mais utilizado dentre os jovens nas suas relações, mesmo não os tendo utilizado nos últimos 12 meses, ainda sim é um método de prevenção muito conhecido e utilizado (Gráfico 17).

No Brasil, campanhas de conscientização por parte do Ministério da Saúde e investimento em programas sobre métodos anticoncepcionais, atrelado a distribuição gratuita de preservativos nos postos de saúde ou mesmo o fácil acesso para compra em farmácias leva a camisinha a ser um dos métodos mais conhecidos pelos jovens. (VITELLA et al, 2006. p. 5).

A pílula mostrou-se como um método utilizado pelas adolescentes para evitar gravidez indesejada, mas traz preocupações, pois tal método não previne as doenças sexualmente transmissíveis e cerca de 6 adolescentes com vida sexual ativa utilizam tal método anticoncepcional (Gráfico 17).

Gráfico 17 Métodos mais utilizados, média geral

Métodos Contraceptivos Utilizados

4% 13% 63% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% % de Adolescentes Pílula Camisinha
4%
13%
63%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
% de Adolescentes
Pílula
Camisinha
Injeção

Anticoncepcional

As mulheres entrevistadas, sendo a maioria (61% dos entrevistados), quando questionadas sobre os métodos contraceptivos utilizados freqüentemente, 63% responderam que o método mais cômodo e de fácil uso é a da pílula anticoncepcional, seguida da camisinha, com apenas 13% das entrevistadas que utilizam esse método como proteção, mesmo sendo o mais seguro contra DST (Gráfico 18).

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Gráfico 18 Métodos utilizadas pelos indivíduos femininos

Métodos de Prevenção Utilizados (Indivíduos Femeninos)

4% 13% 63% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% % de Adolescentes Pílula Camisinha
4%
13%
63%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
% de Adolescentes
Pílula
Camisinha
Injeção

A pílula anticoncepcional é considerada uma boa proteção para evitar a gravidez, mas não protege de nenhuma forma às doenças sexualmente transmissíveis, mas pela liberdade durante o ato sexual, as pessoas simplesmente não reconhecem essa importância, pois acham outros métodos incômodos, e mesmo sabendo de sua importância, não a utilizam (CANO, 2000. p. 5).

Outro ponto importante é que apenas 1% dos entrevistados foi abusado sexualmente ou obrigado a ter relações sexuais, isso auxilia no desenvolvimento sadio e coloca a importância da educação sobre sexualidade nas escolas, e dessa forma, sem nenhum tipo de violência, esses jovens podem ter um desenvolvimento físico e mental de forma a se tornar adultos responsáveis, que poderão transmitir seus conhecimentos e desenvolver uma educação sexual para as próximas gerações (Gráfico 20).

Ainda

sim,

observa-se

que

houve

um

caso

de

relação

forçada,

o

que

traz

certas

preocupações, e mostra que mesmo em uma região com certa estabilidade dentro dos temas

avaliados, é necessário haver cuidado e maior atenção sobre os jovens.

A violência sofrida pelos jovens, quando continua, leva ao desenvolvimento de um adulto traumatizado, desequilibrado e que possivelmente agirá de forma similar com seus filhos e demais pessoas, fazendo um ciclo de violência e medo (BARROS et al, 2002. p. 18).

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Tabela 19 Gravidez no grupo entrevistado

 

Você já engravidou alguma Vez?

Total

Sim

0

Não

100%

Gráfico 20 Relações forçadas

Relações Sexuais Forçadas

99% 1% 100% 80% 60% 40% 20% 0% % de Adolescetes Não Sim
99%
1%
100%
80%
60%
40%
20%
0%
% de Adolescetes
Não
Sim

Das jovens com vida sexual ativa, nenhuma engravidou, isso mostra que a preocupação desses jovens atrelado a uma educação consideravelmente superior leva a preocupação dos adolescentes com esses fato junto a utilização de algum método anticonceptivo evitando assim, a gravidez (Tabela 19).

4 CONCLUSÃO

A pesquisa em si leva a uma análise mais detalhada sobre a situação do tema sexualidade dos adolescentes de Blumenau. O conhecimento dos jovens dessa região é amplo, e mesmo apresentando alguns dados que são considerados ruins, como o conhecimento leigo destes com a identificação de alguns sintomas simples para confirmação de DST, e a falta de preocupação em alguns casos para a utilização de métodos contraceptivos, sem preocupação com os problemas que tais irresponsabilidades podem ocasionar a longo prazo.

Mesmo com pontos positivos, é extremamente necessário um investimento de qualidade e com profissionais preparados para repassar conhecimentos aos jovens, sempre lembrando que a

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escola não é apenas para esse fim, mas que não se pode deixar mais de lado, doenças estão cada vez mais comuns, e seu contágio depende única e exclusivamente do conhecimento e proteção dos jovens, e se eles se protegerem e forem prudentes, é certo a extinção das doenças sexualmente transmissíveis.

REFERÊNCIAS

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CANO, Maria Aparecida Tedeschi; FERRIANI, Maria das Graças Carvalho; GOMES, Romeu. Sexualidade na Adolescência: Um estudo Bibliográfico. Ribeirão Preto, 2000. 7 f. Rev. latino-am. Enfermagem.

BRANDÃO, Elaine Reis. Desafios da contracepção juvenil: interseções entre gênero, sexualidade e saúde. Rio de Janeiro, 2000. 9 f. Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina (UFRG).

BRANDÃO, Elaine Reis; Heiborn, Maria Luiza. Sexualidade e gravidez na adolescência entre jovens de camadas médias do Rio de Janeiro, Brasil. Rio de Janeiro, 2001. 10 f. Instituto de Medicina Social, Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (UFRG).

NOLETO, Dario; NUNES, Myllene Priscila Müller; SOUSA, Telma Tavares Richa. Sexualidades e Saúde Reprodutiva. Brasília, 2010. 14 f. Secretária de Vigilância e Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatite Virais, Ministério da Saúde.

VIDAL, Elaine Italiano; RIBEIRO, Paulo Rennes Marçal. Algumas reflexões sobre relacionamentos e relações sexuais na adolescência. São Paulo, 2008. 14 f. Núcleo de Estudos da Sexualidade, Universidade Estadual Paulista (UNESP).

SANTOS, Elder Cerqueira; PALUDO, Simone dos Santos; SCHIRÒ, Eva Diniz Bensaja dei; KOLLER, Sílvia Helena. Gravidez na Adolescência: Análise Contextual de Risco e Proteção. Maringá, 2010. 14 f. Psicologia em Estudo, Universidade Federal de Rio Grande do Sul.

17

VILLELA, Wilza Vieira; DORETO, Danislla Tesh. Sobre a experiência sexual dos jovens. São Paulo, 2006. 6 f. Departamento de Medicina Preventiva, Universidade Federal de São Paulo.

TAQUETTE, Stella R; VILHENA; Marília Mello de; PAULA, Mariana Campos de. Doenças sexualmente transmissíveis na adolescência: estudo de fatores de risco. Rio de Janeiro, 2003. 5 f. Núcleo Estudo da Saúde dos Adolescentes, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

ALTMANN, Helena. Educação Sexual em uma escola: da Reprodução a Prevenção. Rio de Janeiro, 2003. 26 f. Núcleo de adolescentes Multiplicadores, Universidade Estadual de Campinas.

BARROS, Mônica Maria Vianna de; SANTOS, Ursula Pérsia Paulo dos; VILHENA, Marília M; TAQUETTE, Stella R. Relatos de Experiência homossexual em adolescentes masculinos. Rio de Janeiro, 2002. 9 f. Núcleo de estudos da saúde do adolescente, Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

DIAS, Ana Cristina Garcia; GOMES, William B. Conversas sobre sexualidade na família e gravidez na adolescência: a percepção dos pais. Porto Alegre, 1999. 28 f. Estudos de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

ANEXO 1

Anexo 1: Questionário:

Idade:

  • 1. anos

  • 2. Sexo: ( ) Feminino

( ) Masculino

  • 3. Qual é sua renda familiar (em salários mínimos)?

(

) até 1

(

) 1 a 3

(

) > 3

(

) Não sei

  • 4. Você sabe o que é doença sexualmente transmissível(DST)?

(

) Sim

(

) Não

  • 5. Quais DST você conhece?

(

) Aids

( ) Gonorréia

( ) Condiloma/ HPV

(

) Sífilis

(

) Herpes genital

(

) Hepatite B

(

) Candidíase ( ) Nenhuma

( ) Outras: ______________

6. Como você pode contrair DST/Aids?

(

) Sexo vaginal

(

) Sexo oral

(

) Sexo anal

(

) Beijo

(

) Abraço

( ) Contato com ferida

( ) Roupas íntimas

( ) Transmissão mãe para filho

( ) Transfusão sanguínea

(

) Injetando droga com seringa de outro

(

) Não sei

7. Você sabe identificar os sintomas de alguma(s) DST? ( ) Sim Quais sintomas? __________________________

(

) Não

8.

Se você contraísse alguma DST, contaria para seu parceiro?

(

) Sim

(

) Não

9. Com quem ou onde você busca informações sobre gravidez, métodos anticoncepcionais e doenças sexualmente transmissí-

18

veis (DST/AIDS)?

(

) Pais

(

) Amigos

( ) Médico/outro profissional da saúde

(

) Internet

(

) TV

(

) Revistas

( ) Professor

 

10.

Quais métodos anticoncepcionais você conhece?

( ) Camisinha

 

(

) DIU

( ) Coito interrompido

(

) Pílula

(

) Preservativo feminino

(

) Injeção

( ) Tabelinha

11. Você já teve relação sexual?

( )SimCom quantos anos você teve sua 1ª relação sexual? anos

(

) Não Vá para a questão 19

 

12.

Com quem aconteceu sua 1ª relação sexual?

 

(

) Ficante

( ) Namorado(a)

( ) Marido/Esposa

( ) Profissional do sexo

 

( ) Outros: ___________________

 

13.

Utilizou algum método de prevenção contra gravidez e DST?

(

) Não

( ) Sim Qual? ______________________

14.

Você se relaciona sexualmente com parceiros do:

( ) Sexo oposto

 

(

) Mesmo sexo

(

) Ambos

 

15.

Você teve relação sexual nos últimos 12 meses?

(

) Sim, com a mesma pessoa

( ) Sim, com pessoas diferentes

(

) Não

16.

Nessas relações, você utilizou preservativo feminino ou

masculino?

 

(

) Não

(

) Sim, em todas

( ) Sim, em algumas delas

17.

Você utiliza algum método contraceptivo?

 

(

) Não

( ) Sim Qual? ______________________

18.

Você engravidou alguma vez?

 

(

) Não

( ) Sim Quantas vezes?

vezes

19.

Você tem ou teria como amigo(a) uma pessoa homossexual?

(

) Não

(

) Sim

20.

Você já foi obrigado(a) a ter relações sexuais porque sofreu

ameaças ou porque foi agredido(a) fisicamente ?

(

) Não

(

) Sim