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Missões Transculturais no Centro de São Paulo: Quem são e como levar o evangelho aos milhares de bolivianos que vivem em São Paulo.
João Paulo Thomaz de Aquino

Resumo: O presente artigo faz uma análise antropológica introdutória dos imigrantes bolivianos que residem na região metropolitana da cidade São Paulo. O objetivo do mesmo é conhecer melhor as características e vida desses imigrantes e, com base nessas informações, propor algumas estratégias para a pregação do evangelho a esta comunidade.

Sumário

Introdução: Presença Boliviana em São Paulo ........................................................................................ 2 1 Razões da Imigração Boliviana ............................................................................................................. 3 2 Elementos da Cosmovisão Boliviana: uma introdução ........................................................................ 4 Quem é o Imigrante Boliviano?............................................................................................................... 8 Dificuldades Enfrentadas pelo Imigrante Boliviano .............................................................................. 10 Condições de Trabalho .......................................................................................................................... 12 Como pregar o evangelho aos bolivianos? Pensamentos Introdutórios. ............................................. 14 Referências ............................................................................................................................................ 16

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Introdução: Presença Boliviana em São Paulo

Quantos bolivianos há em São Paulo? Essa, definitivamente, não é uma pergunta fácil de ser respondida. O censo brasileiro de 2000, afirmava que havia 7.722 bolivianos na grande São Paulo (SOUCHAUD e FUSCO, 2008, p. 270). O consulado da Bolívia calcula que há 50 mil bolivianos não documentados (CYMBALISTA e XAVIER, 2007, p. 123) e a jornalista Luciana Garmin, em 2006, afirmou que os bolivianos já atingiam a casa dos 60 mil na grande São Paulo. A pastoral do imigrante afirma que os bolivianos já chegam a 70 mil na cidade de São Paulo, sendo 35 mil somente no bairro do Brás (CYMBALISTA e XAVIER, 2007, p. 123). O Ministério Público, por sua vez, calcula que o número de bolivianos em São Paulo já chega à 200 mil (CYMBALISTA e XAVIER, 2007, p. 123). O fato é que o número de bolivianos na cidade de São Paulo é bastante grande e aumenta cada vez mais. Luciana Garmin (2006), em matéria jornalística, cita o delegado executivo de Polícia Federal de Foz do Iguaçu, Sr. Geraldo Eustáquio, que afirma que entram clandestinamente centenas e até milhares de bolivianos no Brasil. Outra matéria (Agência Estado, 2011) afirma que os bolivianos são o segundo grupo imigrante que mais se regulariza no Brasil, perdendo apenas para os portugueses. Houve 35.092 cidadãos bolivianos que regularizaram a sua situação no país em 2010 e 50.640 em 2011. Souchaud e Fusco (2008, p. 266) falam sobre um processo de visibilidade de caracterizou a imigração boliviana na cidade de São Paulo nos anos 90 e início do século 21. Este processo deu-se por causa da atividade comercial de alguns desses imigrantes (camelôs e vendedores ambulantes), de sua localização (regiões centrais da cidade de São Paulo) e de sua aparência física característica. Cymbalista e Xavier (2007, p. 122) também desenvolvem o mesmo assunto, afirmando que a dimensão da comunidade boliviana em São Paulo vem crescendo de tal forma que está passando da quase invisibilidade para tornar-se um problema para a cidade.

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Assim, o que temos é uma população imigrante que passou da invisibilidade para a visibilidade e, agora, tem-se tornado cada vez mais um problema público, estudado e debatido por acadêmicos, imprensa e autoridades públicas. Como toda imigração em massa, o êxodo boliviano para São Paulo, em busca do sonho da ascensão financeira e social, acarreta diversos problemas sociais para os imigrantes, bem como para a cidade que os recebe. Alguns desses problemas podem ser: exploração de mãos de obra em condições de escravidão, ilegalidade, impacto negativo na geração de empregos formais, condições insalubres de vivência etc. A imigração boliviana para a cidade de São Paulo é um fato consumado e irreversível. O objetivo desse artigo introdutório é estudar o homem boliviano, analisar as causas e consequências da imigração boliviana para São Paulo e propor uma linha de atuação para as igrejas evangélicas ajudarem a minimizar os problemas advindos desse processo imigratório.

1 Razões da Imigração Boliviana

A República Plurinacional de Bolívia tem enfrentado guerras civis e instabilidade social desde seu início (CAMARGO, 2006). Em no final do século XX e neste início do séc. XXI a situação não mudou muito. Assim, a situação econômica da Bolívia é certamente o principal motivo da imigração boliviana para o Brasil. Em 2005, 35% da população boliviana recebia menos do que US$ 1,00 por dia (DUNKERLEY, 2007, p. 134). Em livro publicado em 2006 a situação relatada é ainda mais alarmante, apontando para 91% da população rural vivendo abaixo da linha da pobreza e 80% da população total vivendo com menos de US$ 2,00 por dia (CAMARGO, 2006, p. 252). Gutierrez e Lorini (2007, p. 50), falando sobre as razões que levaram o presidente Evo Morales ao poder, definem a Bolívia antes dele como sendo “uma sociedade subdesenvolvida com alto grau de pobreza e exclusão onipresente”. Assim, o que os imigrantes bolivianos vêm buscar no Brasil é a possibilidade de ascensão econômica e social que lhes era impossível na Bolívia, ou, nas palavras de Silva, “o sonho de uma vida melhor, que a sua pátria não podia lhes oferecer” (2006, p. 157). Ajuda na definição do destino o fato de que o Brasil frequenta o imaginário de muitas pessoas na

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América Latina como sendo um país com dinheiro fácil, moradia acessível e prazeres à disposição (SILVA, 2006, p. 157). Há nos jornais bolivianos anúncios de empregos no Brasil. Também na Internet é possível encontrar diversos sítios oferecendo trabalho no Brasil. Há também a atuação de agências e coiotes que oferecem emprego, moradia e renda certos no Brasil. Em pesquisa feita por Cymbalista e Xavier (2007, p. 124), com um grupo de 50 indivíduos, 86% deles afirmaram trabalhar no ramo de confecção e a grande maioria já veio ao Brasil com o trabalho acertado. Outra forma de propagação desse ideário favorável à imigração são os próprios familiares que já estão no Brasil. De fato, como são explorados, há bastantes empregos para os bolivianos na cadeia produtora de roupas. Assim, é comum que o familiar que conseguiu uma situação melhor do que a aquela que enfrentava na Bolívia queira trazer parentes e amigos e conte a respeito de suas conquistas. A opção da imigração para o Brasil é viabilizada também pela estabilidade econômica que o Brasil desfruta desde a década de 1990 (ao contrário da Argentina, antigo destino preferido dos bolivianos) e pela facilidade de entrar pelas fronteira, já que o Brasil é uma nação receptiva e as fronteiras compartilhadas entre Brasil e Bolívia atingem 3.400 quilômetros. Assim, o boliviano, em seu projeto de mobilidade econômica a qualquer preço. (SILVA, 2006, p. 159), vê o Brasil como uma ótima opção para dar uma guinada na vida.

2 Cosmovisão e Religião: uma introdução

Para entender o imigrante boliviano, faz-se necessário compreender o homem boliviano. Quais são as suas crenças básicas? Qual é a cosmovisão deste povo? Estudar a cosmovisão de qualquer povo é tarefa árdua, demorada e necessariamente injusta, pois há que se fazerem generalizações e não reconhecer certas especificidades de subgrupos específicos. Com isso em mente, reconhecemos aqui o caráter introdutório de

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nossa abordagem, que visa apenas dar os primeiros passos no sentido de levantar o que é a visão de mundo do boliviano. A Bolívia é tão consciente de suas diferentes matrizes e culturas que mesmo no nome do país tal fato pode ser constatado: República Plurinacional de Bolivia. Tais matrizes podem ser generalizadamente reduzidas à indígena (aymara-inca) e espanhola (católica). A primeira dessas, nos últimos tempos, tem-se destacado como movimento popular e intelectual (CALESTANI, 2009, p. 145; GORDON, 2006, p. 15-20; DUNKERLEY, 2007, p. 133-166). Aliás, é exatamente como fruto de tal ressurgência que o presidente Evo Morales foi alçado ao poder em 22 de janeiro de 2006 (DEHEZA, 2007, p. 43-57). Um dos conceitos importantes na cultura tradicional boliviana é o viver bem, ou, como chamam os próprios bolivianos Suma Jakaña e Suma Qamaña (CALESTANI, 2009). Etse conceito tornou-se tão fundamental nessa ressurgência indígena boliviana, que o conceito é base do Plan Nacional de Desarrollo do governo do presidente Evo Morales Ayma (BOLIVIA, 2007), cujo subtítulo acrescenta: Bolivia Digna, Soberana, Productiva y Democrática para Vivir Bien. Apesar de se ruma citação grande, creio ser propício aqui transcrever o conceito de viver bem expresso no documento oficial há pouco citado:

La nueva propuesta de desarrollo se basa en la concepción del Vivir Bien, propia de las culturas originarias e indígenas de Bolivia. A partir de los elementos comunitários enraizados en pueblos indígenas, comunidades agrarias, nómadas y urbanas de las tierras bajas y altas, el Vivir Bien postula una visión cosmocéntrica2 que supera los contenidos etnocéntricos tradicionales del desarrollo. El Vivir Bien expresa el encuentro entre pueblos y comunidades, respeta la diversidad e identidad cultural. Significa “Vivir Bien entre nosotros”, es una convivencia comunitária con interculturalidad y sin asimetrías de poder, “no se puede Vivir Bien si los demás viven mal”. Se trata de vivir como parte de la comunidad, con protección de ella, en armonía com la naturaleza, “vivir en equilibrio con lo que nos rodea”. También significa “Vivir Bien contigo y conmigo”, que es diferente del “vivir mejor” occidental, que es individual, separado de los demás e inclusive a expensas de los demás y separado de la naturaleza. El Vivir Bien es la expresión cultural que condensa la forma de entender la satisfacción compartida de las necesidades humanas, más allá del ámbito de lo material y económico. A diferencia del concepto occidental de “bienestar”, que está limitado al acceso y a la acumulación de bienes materiales, incluye la afectividad, el reconocimiento y prestigiosocial. También es una práctica relacionada con la dignidad, la independencia y la singularidad, con las lenguas nativas y el bilingüismo, y con dimensiones inmateriales y subjetivas, como el aprecio y reconocimiento comunitario, el afecto y el ocio traducido en la fiesta.

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El Vivir Bien es la demanda de humanización del desarrollo donde la diversidad cultural segura la responsabilidad y obligación social en el desempeño de la gestión pública. De esta manera, el desarrollo se convierte en un proceso colectivo de decisión y acción de la sociedad como sujeto activo y no como receptora de directivas verticales. De este modo, el Vivir Bien es el acceso y disfrute de los bienes materiales y de la realización efectiva, subjetiva, intelectual y espiritual, en armonía con la naturaleza y en comunidad con los seres humanos. (BOLIVIA, 2007, p. 7-8)

Este suma jakaña, diz respeito à vida em comunidade, abordando o trabalho como um meio de alegrar-se e respeitando todo o cosmos. Vinculados ao conceito estão o descansar e festejar e uma mudança no paradigma de riqueza, que passa a ser o suprimento das necessidades comunitárias em vez de acúmulo individual de bens materiais (Vasquez). Seja este conceito um conceito indígena tradicional, seja um construto dos intelectuais indígenas contemporâneos (VASQUEZ), o suma jakaña já faz parte da propaganda estatal e, consequentemente, é parte importante da cosmovisão boliviana. Na cosmovisão boliviana, o comunitário tem precedência sobre o individual. Calestani (2009, p. 145) constatou que houve entre a população entrevistada por ela uma confusão entre aquilo que é individual e aquilo que pertence à família nuclear. Uma das definições populares de viver bem é estar bem com o cônjuge e com aqueles que compõem a família nuclear (CALESTANI, 2009, p. 146). Neste afã, é esperado que os membros de uma família vivam para o bem de toda a família, mesmo se isto implicar em sacrifícios próprios. Outros elementos da comsivisão boliviana são a ética, a busca por uma vida melhor e o valor da família. A ética desempenha um papel fundamental na autoconsciência boliviana e é fundamental para alcançar o viver bem (CALESTANI, 2009, p. 146). Visando a busca por uma vida melhor é muito comum encontrar o boliviano em trânsito dentro da Bolívia (CALESTANI, 2009, p. 144) e para fora do país (SILVA, 2006, p. 157). Quanto aos papéis familiares, vejamos uma citação de Calestani (2009, p. 147):

Gerações mais novas devem aspirar em geral a mobilidade social e uma qualidade de vida melhor do que a de seus pais. Os irmãos mais velhos devem ser exemplo para os mais jovens e para suas irmãs; cada membro tem um papel específico e bem definido. O sacrifício individual para a família parece ser fundamental a fim de alcançar hamornia e é parte do dever moral de ir adiante (‘sacar la família, los padres, el parentesco adelante’).

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A religião tradicional boliviana é animista. Crê-se que todos os elementos são dotados de vida, espírito e personalidade (CALESTANI, 2009, p. 144). Uma das principais deidades da religião indígena boliviana é Pachamamma, a mãe terra. Crê-se que ela precisa ser alimentada continuamente de tal forma que possa fornecer alimentação para os homens. Há grande respeito pelo ciclo de vida imposto por Pachamamma e muitas celebrações são feitas tanto para demarcar as mudanças neste ciclo quanto para comemorar as épocas de colheita. Mesmo os casamentos devem contar com a ajuda de um adivinho (yatiri) que por meio de sortes deve verificar antes de o casal é compatível (CALESTANI, 2009, p. 146). Outra influência fundamental formadora da cosmovisão boliviana é o catolicismo. O catolicismo boliviano tem sua origem parecida com o catolicismo brasileiro. Missionários católicos vieram juntamente com os colonizadores e tiveram como meta a catequização dos índios. A maior diferença entre esses dois catolicismos é que, enquanto o brasileiro, por causa da escravidão, tornou-se mais sincrético com as religiões africanas, o catolicismo boliviano é um híbrido de catolicismo do velho continente com crenças indígenas (FRANCOVICH, 2006, p. 7 e SÖDERBORG, 2007, p. 10). Nesta mistura de religiões, Pachamama foi equalizada à Virgem Maria (SÖDERBORG, 2007, p. 10). Outra manifestação clara desse sincretismo é o Dia de los ñatitas (dia das caveiras), uma celebração baseada em um ritual andino na qual os bolivianos enfeitam e saem com os crânios de seus antepassados mortos e os levam para a igreja católica a fim de que os mesmos sejam abençoados (JUÁREZ, 2010). É evidente que este catolicismo mais sincrético é o catolicismo mais popular, nem sempre recomendado pelos brancos e mestizos. Há um catolicismo mais tradicional no país, representado pelo clero e pela Universidad Mayor Real y Pontificia San Francisco Xavier de Chuquisaca, fundada e 1624, sendo, portanto, uma das mais antigas da América do Sul. Com a nova política de valorização da cultura indígena, mesmo este catolicismo mais tradicional coloca em seu discurso a necessidade de se respeitar e valorizar a cultura tradicional indígena do país (CEB, 2011).

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É evidente que este pequeno texto tem um caráter apenas introdutório e tanto estas quanto outras influências formativas da cultura boliviana devem ser tratadas de maneira mais profunda no sentido de analisar a cosmovisão boliviana. Deve-se analisar a história e o pensamento espanhol, inca, quechua, aymara, do Alto Peru, do metodismo boliviano, entre outras possíveis influências.

Quem é o Imigrante Boliviano?

A imigração boliviana para a cidade de São Paulo começou na década de 1950 com um convênio cultural firmado entre Brasil e Bolívia. Os estudantes desse primeiro ciclo de imigração eram estudantes e muitos optaram por estabelecer-se no Brasil, considerando a grande oferta de emprego que havia na época (SILVA, 2006, p. 157, 159). A partir da década de 1970, a perfil do imigrante boliviano mudou: começaram a vir os primeiro trabalhadores para a indústria têxtil da cidade de São Paulo. Essa imigração tornou-se mais constante e numerosa a partir da década de 1990, quando o Brasil conseguiu alcançar estabilidade econômica (CYMBALISTA e XAVIER, 2007, p. 123). Desde a década de 1990, portanto, tem havido um constante aumento no fluxo de imigração de bolivianos para a cidade de São Paulo, e atualmente vivemos bem em meio a este processo, sem saber se já atingimos o pico, ou se ainda veremos uma afluência ainda maior. Segundo Silva (2006, p. 160) e Cymbalista e Xavier (2007, p. 123-124), o perfil desses imigrantes é composto de maioria jovem, solteira, de ambos os sexos e escolaridade média. Após o estabelecimento na cidade é comum que eles comecem a trazer outros parentes e também é comum que se casem aqui no Brasil com alguém da mesma nacionalidade e tenham filhos. Garbin (2006) relata que os trabalhadores bolivianos são aliciados em seu país, por coiotes ou agenciadores, homens que atuam na facilitação da imigração ilegal. Entre as ações de tais homens Garbin comenta o aliciamento de bolivianos com promessas de anistia, o pagamento a policiais, travessia a pé, moto de ou de carro, estrutura de hospedagem e o transporte desses bolivianos até São Paulo em ônibus.

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Cymbalista e Xavier (2007) propõem que a imigração boliviana para São Paulo não se adéqua a nenhum padrão de imigração dos que têm sido reconhecidos pela literatura acadêmica internacional. Os modelos referidos no artigo e descartados como inadequados para explicar a imigração boliviana em São Paulo são o gueto, o banlieue, o enclave étnico e os contingentes de desalojados por causa de perseguição ou guerra. Cymbalista e Xavier (2007, p. 124) também dizem que os bolivianos de São Paulo não são receptivos a participarem de pesquisas e que, no formulário preenchido por eles, a maioria dos indivíduos disse que recebe de salário aquilo que esperava receber quando saiu da Bolívia. Assim, eles dizem, a ideia do imigrante enganado pode ser questionada como um dos elementos de vitimização do grupo. É vantajoso trabalhar com o grupo dos bolivianos em detrimento dos brasileiros, pois aqueles são mais disciplinados, possuem qualificação baixa e não representam uma ameaça de processos trabalhistas. Madi, Cassanti e Silveira (2009) ao analisar a condição de saúde de sete gestantes bolivianas , afirmam que seis eram católicas e a que não se declarou assim afirmou acreditar em Deus. O nível de alfabetização dessas mulheres variava em torno do grau médio (completo ou incompleto). A união civil de todas eram endogâmicas, ou seja, com um parceiro da mesma nacionalidade, ainda que os tenham encontrado no Brasil. Não houve relator de maus tratos no ambiente de trabalho ou familiar. Cinco delas eram originárias e La Paz. Todas afirmam ter vindo em busca de trabalho, e não para acompanhar seus parceiros. Tais mulheres têm poucos parceiros durante suas vidas. Todas essas mulheres afirmaram trabalhar no setor de costura, seja na confecção, seja na cozinha preparando os alimentos, e todas disseram gostar do que fazem. Todas essas mulheres afirmaram querer ter um parto normal, pois em sua concepção o parto cesárea tem a consequência de uma recuperação mais demorada, dolorosa e consequências mais duradouras para a vida da mulher. Assim, suas razões para preferirem o parto normal têm como causa a volta mais rápida ao trabalho e sua condição de continuar produzindo bastante. Normalmente apenas a primeira gravidez dessas mulheres é desejada, sendo as demais, principalmente, consequência de não planejamento ou de desconhecimento de métodos contraceptivos. Em consonância com o lema de seu país, “La unión es la fuerza”, os imigrantes bolivianos têm se organizado em diversas associações aqui na cidade de São Paulo, como ,

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por exemplo, Associação dos Residentes Bolivianos e o Círculo Boliviano, Associação Interligas (times de futebol), Fraternidades Folclóricas, Associação Bolívia/Brasil, (interesses dos oficinistas), Associação Gastronômica Praça Kantuta.

Dificuldades Enfrentadas pelo Imigrante Boliviano

As dificuldades enfrentadas pelo imigrante boliviano podem começar bem cedo. Silva (2006, p. 158) apresenta o caso de Davi, que serve como exemplo de um fenômeno comum. Ainda em seu país, um compatriota seu fez-lhe promessas de emprego fácil, moradia e vida cheia de diversões no Brasil e cobrou-lhe a quantia de US$ 400,00 para viabilizar a viagem. A realidade, entretanto, foi bem distinta, Davi e seus amigos tinham que trabalhar na oficina de costura de outro boliviano, das 6h da manhã até à meia noite, alimentavam-se mal, eram aterrorizados no sentido de que não podiam sair às ruas pois a polícia federal poderia prendê-los por imigração ilegal e seria condenados à 15 anos de prisão. Davi trabalhou por cinco meses e não recebeu nada por aquele trabalho até finalmente encontrar outra oficina de costura de outro boliviano. Silva (2006, p. 157) afirma que a situação dos bolivianos em São Paulo é caracterizada por um “contexto adverso, marcado tanto pela indocumentação quanto pela discriminação racial e social”. Ávila afirma que (2007, p. 123) o Brasil é um país de caráter receptivo – e não refratário – de estrangeiros interessados em prosperar pelo seu próprio esforço. Ao propor esta análise, Avila está analisando a imigração em todo o território nacional, considerando indivíduos de todas as nacionalidades e olhando do aspecto Brasil como nação. Um dos exemplos que Avila (2007, p. 124) cita é o fato de que, usualmente, o Brasil concede anistia a possibilidade de naturalização a cada dez anos. Ainda que o país possa de alguma forma ser qualificado como receptivo, ser uma grande comunidade estrangeira aglutinada em uma cidade como São Paulo causa reações adversas. Trabalhando no bairro da luz constatei diversas vezes entre crianças e adolescentes brincadeiras que caracterizam preconceito e discriminação contra os

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bolivianos. Há também o processo comum de re-identificação pelo qual o imigrante passa. Antes, em seu país, sendo caracterizado pela pluri-etnicidade, multiculturalismo e regiões geográficas, o imigrante passa a identificado apenas como mais um boliviano (Vanini, 2008, 336). Madi, Cassanti e Silveira (2009), focam outro aspecto das dificuldades enfrentadas pelos imigrantes bolivianos, focando as gestantes bolivianas que residem na região central de São Paulo. Os autores comentam sobre as dificuldades que tais mulheres têm no acesso ao serviço de saúde pública. Entre tais dificuldades estão a barreira linguística, o difícil acesso do agente de saúde as casas de condições precárias e que são as mesmo tempo o próprio local de trabalho, as concepções culturais diferentes quanto à gravidez, o fato de que tais mulheres recebem seu salário por produção e, principalmente, o medo de que o acesso ao serviço de saúde exponha a sua situação de ilegalidade. Magalhães e Schilling (2012, p. 43-64) expõem outro problema enfrentado pelos imigrantes bolivianos no que concerne à escola. Embora o acesso escolar seja garantido no Estado de São Paulo (contra o Estatuto do Estrangeiro, datado de 1980, e que exige documentação regularizada), é muito comum que, pela falta de informação, as secretarias das escolas exijam documentos que os estrangeiros não tem e, por isso, dificultem o acesso deles à escola. Outro problema apontado pelas estudiosas citadas com relação ao acesso à escola diz respeito à dificuldade com a língua. Embora o Neste sentido há problemas relacionados ao acesso à escola, que embora garantido legalmente, na prática enfrenta entraves burocráticos Vanini (2008, p. 334) apresenta um bom resumo da situação de exploração vivida pelos bolivianos, bem como da maneira que eles enfrentam esta situação:
Porém, o que parece ser uma boa oportunidade se transforma em frustração e humilhação, pois o trabalho (em geral nas confecções) é exaustivo, demonstrando explicitamente a não observância e não seguridade dos direitos humanos desses migrantes, a jornada pode ultrapassar doze horas, o salário é gasto quase todo com alimentação e aluguel, as condições de moradia são precárias e não se pode sair de casa, pois há sempre o medo de ser detido pela polícia federal (já que praticamente todos os imigrantes estão em situação irregular no país). Mesmo assim, essa exploração se dá com a conivência do imigrante; pois, este a considera uma fase transitória na qual ele sonha trocar de papel, ou seja, montar sua própria oficina de costura e contratar trabalhadores.

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Vanini (2008, p. 339) mostra que a exclusão boliviana dá-se pela diferença étnica, mas também pela pobreza que os caracteriza e mostra ainda que a reação é a mobilização por meio de uma nova imagem de si mesmos.

Condições de Trabalho

Aqui chegamos ao foco do problema da imigração boliviana para o Brasil: a rede de trabalho ilegal em que estão envolvidos. Este assunto é tão sério que em 2005, a câmara municipal de São Paulo instalou uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) para tratar do problema. Essa CPI prestou relatório de suas atividades em fevereiro de 2006. Este relatório conclui que o trabalhador boliviano na cidade de São Paulo trabalha em condições análogas a da escravidão: o local de trabalho é o mesmo onde se vive, se relaciona com os demais adultos e onde as crianças crescem. Considerando que o ganho por peça é bem pequeno, há muitos casos de trabalhadores que trabalham bem mais do que as 8 horas de trabalho diário, enveredando, inclusive, pela madrugada (São Paulo, 2006, p. 9). Cymbalista e Xavier (2007, p. 124) dizem que na década de 1990 os bolivianos eram empregados por imigrantes coreanos. A partir dessa época, entretanto, estes quiseram concentrar-se nas áreas mais produtivas da cadeia (por exemplo, lojas) e venderam as suas confecções para os empregados bolivianos, que pagam em vários anos por meio de peças entregues aos coreanos. Há também diversas confecções familiares, em que diversos membros de uma família trabalham, sem que haja uma distinção clara entre empregador e empregado. As condições de trabalho são bastante precárias. Trabalha-se mais de 8 horas por dia, de segunda a sábado. As oficinas são normalmente cheias, com pouca ventilação e pouca luz. O local de trabalho é também a moradia dos empregados. Recebe-se de 0,15 a 0,30 centavos por peça produzida e o salário total nessas condições varia de R$ 200,00 a R$ 600,00 por mês. A taxa de desemprego entre o grupo dos bolivianos é bastante baixa (CYMBALISTA e XAVIER, 2007, p. 124).

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A ordem dessa escravidão contemporânea é assim: coiotes, gatos ou agenciadores ligados ou não aos donos das oficinas de costura no Brasil fazem anúncios nos meios de comunicação bolivianos a respeito das diversas oportunidades de trabalho no Brasil. A massificação desses anúncios e a perene divulgação do Brasil como país paradisíaco com lindas mulheres e diversão constante fizeram com que hoje, inclusive, a vinda para o Brasil se tornasse parte do imaginário boliviano. Aliciados pelos atravessadores e às vezes por familiares, com promessas de emprego, moradia e salário certos no Brasil, o imigrante boliviano, que não tem condições de custear sua viagem, precisa de um primeiro empréstimo que será pago em prestações assim que começar a trabalhar em São Paulo. Assim que chega no Brasil este trabalhador é levado à uma oficina de costura, onde receberá pouquíssimo por roupa e terá que pegar pelo lugar de dormir e pela comida, adquirindo assim, ainda mais dívidas Assim se expressa o relatório da CPI sobre o assunto:

Essa é uma configuração clássica dos casos de escravidão moderna, tanto rural quanto urbana: aliciado com base em falsas ofertas e acordos mentirosos, o trabalhador é “aprisionado” por dívidas. Como as despesas com a subsistência são altas (apesar da baixa qualidade da moradia e alimentação oferecidas aos trabalhadores) e a remuneração é baixa, constitui-se uma relação de dependência da qual o trabalhador não consegue escapar (São Paulo, 2006, p. 24).

Essas informações são de quando em quando exploradas pela mídia quando existe alguma denúncia de trabalho escravo, ou quando a polícia de fato encontra trabalhadores estrangeiros nessas condições. Apenas para exemplificar com um caso recente e de repercussão internacional, em maio de 2011, o Ministério Público do Trabalho encontrou 3 oficinas que trabalhavam para a marca espanhola Zara. Uma das oficinas ficava na cidade paulista de Americana e empregava 51 pessoa, dentre os quais 46 bolivianos. As outras oficinas ficavam na cidade de São Paulo e empregavam ao todo 16 trabalhadores bolivianos. Esses trabalhadores recebiam R$ 0,20 por peça de roupa produzida e trabalhavam até 14 horas por dia, em condições análogas a da escravidão.

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Algo que às vezes não é bem compreendido pelos brasileiros, é que os bolivianos em muitos casos não se vêm como pessoas exploradas e menos ainda como escravos. Considerando a sua situação econômica bem pior na Bolívia, a incontestável melhora de qualidade de vida aqui no Brasil, seus compatriotas que, de fato, conseguiram ascender economicamente no Brasil, que em muitos casos eles trabalham para compatriotas e familiares e considerando, ainda, que as cosmovisão boliviana propicia uma melhor adequação as condições de trabalho impostas, os bolivianos, em geral, estão satisfeitos com a oportunidade de trabalhar e viver no Brasil.

Como pregar o evangelho aos bolivianos? Pensamentos Introdutórios.

David Hesselgrave (2009, p. 425-429) fala sobre a dificuldade de comunicar o evangelho para uma nova cultura e aborda a necessidade do missionário ouvir e estudar antes que possa falar e ensinar. Todo estudo que antecede este ponto do presente artigo tem este objetivo. Evidentemente, como o próprio texto deixou claro, há muito mais para aprender e ouvir do que o que abordamos aqui. Além disso, nosso foco é um povo não em seu contexto natural, mas em um contexto de imigração, o que torna certos aspectos ainda mais específicos. Assim, o que queremos responder, apenas de maneira introdutória com pensamentos iniciais é: como podemos pregar o evangelho aos imigrantes bolivianos que residem na cidade de São Paulo? Como vimos, o senso de comunidade do boliviano é uma das marcas mais fundamentais de sua identidade e práxis. Os imigrantes bolivianos, via de regra, são unidos em torno de seus familiares e demais compatriotas. Há um forte senso de amizade e fraternidade que se apresenta de forma prática em trabalho em conjunto, ajuda mútua e convivência pacífica. Mesmo em condições adversas (para a concepção brasileira), do ponto de vista social o boliviano consegue viver bem. Assim, para que a igreja consiga ser ouvida, ela precisa ser uma comunidade realmente unida e servir os bolivianos, de forma que estes vejam na igreja uma comunidade de apoio.

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O outro lado desse elemento comunitário da cultura boliviana é que quando os bolivianos enfrentam problemas familiares, tornam-se muito mais receptivos ao evangelho, como é o caso de R e M. R, um homem na casa dos 30 anos, depois de ter vindo para o Brasil tem enfrentado problemas com bebida e algumas vezes chegou a bater em sua esposa. Não mais aguentando tal situação, M, com apoio de outras famílias, mandou R para fora de casa, mesmo tendo que cuidar sozinha dos filhos do casal. Agora, R passa por profunda instabilidade emocional e deseja muito voltar para sua família. M só aceitará R de volta de ele mudar (cambiar) de comportamento. Vivendo esta situação de instabilidade familiar e sabendo que necessita de ajuda para deixar a bebida, R veio procurar a Igreja Presbiteriana Estação Luz, mesmo dizendo claramente não crer em Jesus Cristo. R tem-se aconselhado com o pastor daquela igreja. Como existe um desejo de inserção maior na cultura e sociedade brasileiras, a igreja que quiser ter uma voz mais ativa entre os bolivianos deve ser uma igreja que fala a língua deles e ensina-lhes a nossa língua. O ensino do português como segunda língua pode se provar uma estratégia bastante eficaz de aproximação e reunião dos bolivianos. A igreja deve se preparar para oferecer em condições acessíveis um serviço diferenciado que saiba a diferença entre ensinar o Português para alguém já alfabetizado em espanhol e para pessoas ainda não alfabetizadas em sua própria língua. Ao trazer os bolivianos para perto da igreja a fim de aprenderem o Português, deve haver por parte desta uma recepção calorosa daqueles, realmente importando-se com suas dificuldades de imigrantes e, todos da igreja devem-se resguardar de transmitir uma sensação de superioridade tão característica no tratamento com imigrantes nas condições dos bolivianos de São Paulo. Outra maneira de servir a comunidade imigrante é por meio de bazares de roupas. A Igreja Presbiteriana Estação Luz, no centro de São Paulo, encontrou neste a maneira mais efetiva de aproximar-se dos bolivianos residentes no bairro. Vendendo roupas usadas em bom estado por R$ 1,00, atraiu muitos bolivianos, mas não obteve sucesso em trazê-los para seus cultos, mesmo fazendo programações em espanhol. Considerando que muitos bolivianos encontram-se em situação de imigrantes ilegais, a igreja poderia ajuda-los

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também com consultoria jurídica, o que certamente seria bastante desejável para eles. Serviços médicos e odontológicos também seriam muito bem recebidos. Da mesma forma que o brasileiro, o boliviano é apaixonado por futebol. Assim, usar este esporte como meio de aproximação e evangelização também pode ter resultados bastante positivos. O meio mais efetivo para proclamação do evangelho a este grupo não é através de programações e eventos na igreja, mas através de contato pessoal, focando especialmente nos homens, que são respeitados na cultura boliviana como os responsáveis pela família. Em contatos com alguns bolivianos residentes na luz percebi serem arredios por um lado, mas desejosos de contato com brasileiros, por outro. A simpatia e receptividade no contato pessoal, visando estabelecer relacionamentos de amizade provavelmente se provarão úteis na obra de pregação da palavra. Deve-se ainda ter sensibilidade quanto aos horários de contato e de oferta de serviços sociais, tendo em vista que a jornada de trabalho dos bolivianos normalmente é maior do que a dos brasileiros, como visto anteriormente. Quanto ao conteúdo da pregação, deve-se apresentar Cristo Jesus como o único caminho para ter comunhão com Deus em oposição a vários ídolos comuns entre o os imigrantes. O ídolo da ascensão financeira é um dos maiores entre essas pessoas que transpuseram barreiras a fim de “ganhar a vida” no estrangeiro. Essa idolatria deve ser exposta como pecado e o remédio espiritual deve ser ministrado. O mesmo pode-se dizer da devoção a imagens e entidades provenientes do catolicismo, entidades provenientes das religiões andinas e certa veneração dos ancestrais. Tudo isso deve ser analisado à luz da Bíblia e Jesus Cristo apresentado como o único que pode nos ligar a Deus.

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Referências

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