Universidade Federal do Ceará Instituto de Cultura e Artes – ICA Programa de Pós-graduação em Comunicação – PPGCOM/UFC Fotografia Contemporânea

Prof. Silas de Paula

COMO FAZER COISAS COM PALAVRAS. TRÊS APONTAMENTOS SOBRE CURADORIA (EM PORTUGAL) José Manuel Bártolo 1. Atravessamentos Como fazer coisas com palavras (How to Do Things With Words) é a obra mais influente do filósofo positivista britânico J. L. Austin. Porque neste texto se vão tratar, numa reflexão sobre formas de pensar e exercer a curadoria, de discursos e de relações entre falar e fazer evocamo-lo no nosso título. Sem voltar a Austin, avançamos. Se compararmos a programação das três cidades portuguesas que, nos últimos 20 anos, foram Capital Europeia da Cultura - Lisboa (1994), Porto (2001) e Guimarães (2012) – ressalta a relevância que a curadoria, como tema de reflexão, assume em Guimarães 2012 com a criação do Laboratório de Curadoria e o investimento feito para que o seu funcionamento alimentasse e catalisasse conteúdos programáticos para o evento.1 Este auto-centramento de ambiciosos projetos curatoriais sobre si mesmos ou, mais alargadamente, sobre as práticas possíveis da curadoria, ganha um maior interesse na medida em que, mais recentemente, também na Trienal de Arquitetura de Lisboa (2013) e na ExperimentaDesign (2013) esta orientação autorreflexiva (assumida na conferência e exposição Identity da Experimenta) e autorreferencial foi seguida. Embora longe da orientação radical dada por Marten Spangberg aos Capitals – Encontros Acarte 2003 (Fundação Calouste Gulbenkian) os eventos anteriormente citados parecem partilhar do interesse comum em “gerar modelos de discussão como prática, encarando o domínio do discursivo como plataforma”.2 As razões para este interesse são diversas: a) A redução dos orçamentos para programação, resultante de um contexto recessivo, conduziu a: uma passagem do único ao múltiplo (uma forma de programar mais processual e diversificada que permite uma diferente gestão de tempo e recursos – materiais e humanos – e um mais ágil acompanhamento da recepção, determinante também para decisões futuras: Prolonga-se? Itinera-se? Alterna-se? Edita-se? Regista1

“Do debate dos modos de curadoria e edição, da revelação de processos artísticos e de experimentação, ao evento sonoro e instalativo, à performance e teatralidade dos corpos em ação, da projeção de imagem em movimento à simples conversa informal, do registo da aula ao workshop, seria demasiado exaustivo enumerar os vários formatos que fizeram parte da programação do laboratório.” Gabriela Vaz-Pinheiro, “Impressões de Curadoria em Diálogo: Espaço, Discurso, Audiência”, in AAVV, Laboratório de Curadoria, p.2 2 Gabriela Vaz-Pinheiro, Op. Cit., p 2.

os curadores. A ausência de distância entre autor e curador ou entre programador e crítico não deixam de colocar em causa a legitimidade do se diz ou faz. Chicago University Press. uma passagem do material ao imaterial (o investimento no tratamento do espaço curatorial. no streaming. novas relações entre autoria. e são o processo e as trocas colaborativas que vão gerando o projeto em sintonia com o paradigma do laboratório a que Claire Bishop4 fez referência há cerca de uma década. de Colapso da Distância. os autores. espaço e hierarquias culturais. abre-se ao público. simultaneamente acentuaram registos de produção imaterial. generalizada ao campo da arquitetura e do design. A expansão do espaço do atelier3 enquanto lugar de produção artística ou projetual tem contribuído para esta redistribuição de papéis e protagonismos entre quem concebe. na itinerância física foram substituídos ou temperados com o investimento na situação. O fim da terrae incognitae – o tempo em que uma conferência sobre arquitetura ou uma exposição de design eram notícia pela sua raridade – e a passagem para um contexto de difusa e disseminada sobreprodução alterou os modelos tradicionais de definição do tempo. O colapso das distâncias foi. 2010. certamente.). na exposição. intensificado pelas formas de comunicação – livestreaming. Fall 2004. partilha em rede – que tornam as relações 3 Sobre este tema leia-se o interessante The Studio Reader. típicas de contextos de conflitualidade política. o work in progress – entre o estável e o instável. atualmente. Michelle Grabner & Mary Jane Jacob (Ed. quem produz e quem recebe.51-79. b) A redescoberta da vocação do artista-curador. October. Antagonism and Relational Aesthetics. arquivo e mercado que modificam as práticas culturais se as compararmos com o seu contexto do final do século XX. à recepção e à crítica da arte. assentes em possibilidades discursivas e legitimaram um modelo de programação onde os programadores. à mediação. uma passagem do formal ao informal (numa tendência de formalização do informal e de informalização do formal. 110. c) A persistência do interesse pelo relacional. redefinida mas não afastada. o espectador participante – entre obra e processo – a obra aberta.se?). o espaço do atelier expande-se para o espaço público (politiza-se no sentido mais literal do termo). d) O Colapso da Distância gera. recepção. na documentação. através de um esbatimento da diferença clara entre emissão e recepção . na conversa. . produção. como a escola ou o bairro suburbano. gerou uma tendência para o artista assumir como parte integrante do projeto aspectos ligados à produção. Chicago. finalmente. entretanto. os críticos e os públicos pertencem a um mesmo universo e reversivelmente assumem perfis distintos: a mesma pessoa pode ser autor da obra. Por um lado. a partir de Bourriaud. A este fenómeno podemos chamar. seu curador e escrever uma recensão crítica à exposição por si curada a partir da obra por si produzida.o receptor ativo. 4 Claite Bishop. o atelier desloca-se para espaços heterotópicos. no que chamaremos adiante de “condição pós-ocupacional”. pp. Por outro lado. em moldes próximos da ocorrida nos anos 70. o perene e o efémero). na instalação e na edição low-budget) e. Tendência. pelo ressurgimento do interesse pelo participativo e pelo colaborativo.

Porém.45 -49. Éttiene. de acordo com Rachel Weiss. O esbatimento de sentido ou a perda de nitidez de distinções hierárquicas ou de assunções de papéis a desempenhar. De modo semelhante. patrocínios e sponsors e menos com um modelo curatorial que explore a especificidade dos locais. Tal não impede. In The Exhibitionist. nº6. Lisboa. 2. Shangai e Dakar. logo potencialmente reversíveis. e) Este Colapso da Distância gera um efeito de atravessamento. da identidade visual do evento. a necessidade de alocar apoios. Veja-se o caso da Bienal de São Paulo. tornou “de tendência” uma programação que explora a hibridez de conteúdos. que por definição tem lugar de dois em dois anos apresentando ao público uma determinada oferta cultural integrada numa programação a três meses. O biennial boom nas últimas duas décadas expandiu o panorama cultural de Veneza e Kassel. à catalogação. ao arquivo. é indissociável do “biennial boom” das últimas três décadas. a afirmação local do evento prende-se mais com a gestão financeira do projecto. Genericamente. A organização de uma conferência internacional muito significativa como parte da edição de 1989 da Bienal de Havana representou. à documentação. Tendencialmente. de parceiros media e aos media. Veja-se o caso de uma Bienal. quotidianos e imaginários. que esta hibridez é utilitária enquanto resposta a exigências do que Hou Hanru classifica de atual “condição para a concepção e produção de arte contemporânea” 5 e que. para Havana e Instambul. ressalve-se. ou o investimento de receitas geradas pela Bienal de Gwangju no desenvolvimento de comunidades locais. June 2012. o encerramento do evento resulta em formas de curadoria e edição associadas ao pós-evento. aquilo que é cada vez mais recorrente é a dilatação temporal. Glocalizações Os grandes eventos culturais internacionais tendem a assumir uma curiosa (in)definição espaço-temporal. Sidney e Gwangju. 5 Hou Hanru. ou a importância da Bienal de Shangai no exercício de influência desencadeador de mudanças políticas. os seus públicos. Certamente.entre produção e recepção imediatas. antecipação estendida por encontros. pp. que dentro desta glocalização de conteúdos se consigam construir estratégias específicas adequadas ao contexto social do território que acolhe o evento. . St. ao balanço. Também do ponto de vista espacial se opera algo de semelhante. workshops. sendo o evento antecipado por um warm up. trata-se de adaptar modelos curatoriais globais e oferece-los a um público internacional sediando-os numa cidade. marcadamente relacionais. “Reinventing the Social”. a sua identidade. think tanks e múltiplos momentos de apresentação – de patrocinadores e aos patrocinadores. Todas estas cidades tem em comum serem um ponto geográfico dentro de uma cultura bienal relevante na caracterização da produção cultural contemporânea. cuja oferta é de acesso gratuito e na qual o serviço educativo desenvolve um papel determinante na orientação curatorial. ou ainda o modelo descentrado da Bienal Brasileira de Design. para este autor.

pontualmente. Ministério da Cultura e Coordenação Científica) que iriam constituir a mostra da segunda edição do LIS – Lisbon International Show. através de eventos como a Europália 91. a Lisboa‟94 e a Expo‟98. “A certain Place and a Certain Time: The third Bienal de La Habana and the origins of the Global Exhibition”. permitiu testar o funcionamento de um mercado cultural. a afirmação de um evento bienal surge em 1999 com a primeira edição da ExperimentaDesign. que acontecendo fora de portas possibilitou todavia uma invulgar mobilização de programadores. então. conversação e trabalho colaborativo: trabalho de pesquisa (1000 Plateaux). quando a 20 de Agosto de 1981 um incêndio destruiu por completo a Galeria Nacional de Arte Moderna e as mais de 1000 obras internacionais (para além do acervo da Coleção de Arte Moderna Portuguesa do. De algum modo. espaços instalativos) e uma produção discursiva (conferências. ano em que as Conferências de Lisboa passam a ser uma oferta destacada do programa da Bienal.6 No contexto português. fazer ressurgir o turismo cultural e mobilizar públicos. como interagia com eventos extraprogramação (os Tangenciais) e como. sedutor também na forma como ocupava espaços da cidade. mesmo em contextos mais recessivos. presidida por Vítor Constâncio.“um passo decisivo em relação a concepção de bienais como ambientes discursivos. a ambição de afirmar uma bienal em Lisboa havia ficado reduzida a cinzas. realizada em 1999. A integração europeia. festas (Super Panorama). debates (Open Talks) para além de pontuais experiências de itinerância ou deslocação (Voyager). curadores e artistas. de edição em edição. os empreendimentos seguintes. no campo cultural. contaminava o espaço público. . foram as filas à porta do Museu Nacional de Arte Antiga para visitar a exposição de Bosch e o mar de gente. junto ao Tejo. polémicas orçamentais. A imagem gráfica da Bienal. Anteriormente. “Experimentáveis ou Experimentais?”) e a energia trendy dos eventos (algo que em Portugal só a ModaLisboa havia conseguido gerar em continuidade) tornaram-se. 6 Rachel Weiss. p. eventos sociais). cancelamento de eventos) números convincentes – cerca de 800 eventos e meio milhão de espectadores. num modelo curatorial próprio. workshops e master classes. 14. possibilitou apresentar (não obstante adiamentos. A Lisboa-94 Capital da Cultura. a dimensão de workstation torna-se determinante. a cargo de Mário Feliciano. procurava afirmar uma ideia de criatividade que descolando-se da definição tradicional da história da arte propunha um conceito mais amplo. apostando-se de forma assumida na discursividade e sociabilidade da Bienal através da criação de espaços de pensamento. em que a exposição real de obras de arte é parte de um projeto mais amplo de pesquisa e produção de conhecimento”. Afterall Books. A primeira edição da ExperimentaDesign. A partir de 2003. intervenções (Lounging Space). a transferência de fundos comunitários para investimento público e a tendência global. para assistir ao Aquamatrix na Expo‟98 que evidenciado existência de público possibilitam. London. in Making Art Global (Part 1): The Third Havana Biennial 1989. o de Cultura do Projeto. os títulos aditivos dos eventos (“O Futuro É Um Estado De Alma”. capaz de integrar uma produção cultural material (exposições. para uma centralidade das periferias.

Manuel Henriques e Diogo Seixas Lopes levaram para a prática curatorial essa orientação pós-crítica (“relaxed” ou “Projective”). 8 Inês Moreira. associado ao que podemos designar. Pós-Trienal 2013(Relações Instáveis entre Eventos.69. inscreve-se por isso num discurso cultural complexo que se expressa também em múltiplos géneros desde o discurso científico à novela.. central na teoria da arquitetura do início do séc. auto-produção.. Adrian Forty. 8. apropriação e imaterialidade assumem-se como palavras-chave que podem enquadrar a sua síntese programática na valorização das práticas discursivas e na convicção da operatividade da polifonia. a expressão (exprimir-se) supõe uma situação de troca – “utterance” ou elocução – enquanto unidade base do significado. de apresentação do Laboratório de Curadoria de Guimarães é elucidativo em relação a esta abordagem curatorial: “A partir de Bakhtin. acentuada pelo desenho curatorial proposto por Beatrice Galilee. produzida por uma Associação com Direção Executiva de José Mateus a quem sucede.. The Exhibitionist. por Condição Pós-Ocupacional. http://www. confrontacional e polifónico. formato privilegiado do Laboratório de Curadoria. Mike Figgis. Op. .. da própria obra de arte à sua crítica (. Arquitecturas e Cidades)..7 Como bem sintetiza Inês Moreira 8 .artecapital. discursive práxis responsive to community site.) A dimensão discursiva no Laboratório de Curadoria é encarada como potencializadora. das culturas e do seu contexto social e político. Manuel Henriques anterior produtor na Associação Experimenta. Não estão em causa frases descontextualizadas mas uma relação com a alteridade que se inscreve na história das palavras. a Trienal de 2013 apostou “no carácter efémero dos espaços relacionais. escrever e pensar envolve-nos – ativa e imediatamente – num público (. Cit. A oralidade. O texto de Gabriela Vaz-Pinheiro. dos momentos. XXI. envolvendo o público em ações/workshops/eventos. dir-se-ia pós-crítico. p. e abrindo vários open calls para integrar no programa. Fiona Raby. Nuno Portas e José Bragança de Miranda.A Trienal de Arquitectura de Lisboa. in ArteCapital. favorecendo instalações efémeras em espaços a ser apropriados. retomando algumas estratégias e interesses já trabalhados por si na Bienal de Design de Gwangju. 6.)”. seguindo Tara McDowell. June 2012. arranca em 2007. de vários âmbitos do discurso enquanto prática. a partir de 2011.” 9 Convicto. de que “Falar. este modelo curatorial promove a produção narrativa – que. ENDNOTE. está associada a um processo 7 By post-occupational I mean the increasing reluctance to compartmentalize oneself in what used to be clearly delimited roles – artist. e prémios a projetos autopropostos” trazendo “formatos e modalidades „não expositivas‟ e mais „experienciais‟.net/arq_des-102-ines-moreira-pos-trienal-2013-relacoes-instaveisentre-eventos-arquitecturas-e-cidades9 Gabriela Vaz-Pinheiro. p. como Michael Warner. concebido por Diogo Seixas Lopes (com colaboração de Alexandra Cruz) capaz de reunir no mesmo programa nomes como Arjun Appadurai. Henriques deixara já vincada a sua identidade enquanto Coordenador da área de Arquitetura e Design da DGArtes e produtor de eventos para Experimenta onde se destacam os 1000 Plateaux um evento.” Tara McDowell. or circumstances. curator – in favor of a situational. por isso. colaboração. como dizia Benjamin.” Participação.

pela definição de papéis. no início deste século o Lisboa. capital do nada (Marvila. enquanto prática crítica. esta reflexão posiciona-se do lado da reivindicação dessa localização. o Alternativa – Festival Internacional de Arte Viva nos anos 80. e os eventos que procuram afirmar-se como alternativas aos anteriores. “o objecto da ciência da literatura não é a 10 11 J. Courtés. Eles estão simplesmente interessados em utilizar ferramentas que estejam à sua disposição e lhes permitam pensar e intervir sobre o mundo. há possibilidades alternativas. não estão preocupados em pensar se o que fazem pode ser rotulado de arte. Introdução à semiótica narrativa e discursiva. 3. com exercício como processo de confronto e transformação. curado por Ernesto de Sousa e Albuquerque Mendes. crítica ou curadoria. estando hoje globalmente implementada. 52. ou da arquitetura) se concretizem. Reconhecendo inegáveis méritos na orientação programática de Guimarães e da última Trienal não podemos deixar de reconhecer. Como escrevia Jakobson. 2011) da revista The Exhibitionist. o sentido e a eficácia da produção cultural contemporânea. desequilíbrios que decorrem. A curadoria é um exercício de mediação mas deve. Em grande medida. Termo proposto no nº4 (June. como escreve J. a propósito da literatura. de intervir na vida social? Há possibilidades alternativas de concretizar modalidades de relação política. tensão e transgressão? A curadoria tornou-se.001º Aniversário da Arte (1974). têm estimulado uma reflexão crítica sobre a natureza. . o ressurgir de um interesse crítico pela localização. 1979.”10 Esta tendência paracuratorial 11 .artesanal de comunicação – fazendo apelo a uma gramática (= forma) e a um dicionário (= substância semântica) susceptíveis. Coimbra. algumas propostas integradas nos Encontros Internacionais de Arte dirigidos por Egídio Álvaro. em grande medida. Reivindicações Para Nato Thompson. igualmente. à curadoria cabe constituir condições de possibilidade para que as funções possíveis da arte (ou do design. Para que não se gere ambiguidade. o Festival Atlântico produzido pela ZDB nos anos 90 e. O fato desta tendência pós-ocupacional ter gerado uma sobreprodução nem sempre legitimada vem desencadeando. p. da própria filosofia curatorial.000. muitos dos artistas e curadores atualmente influentes. igualmente. ser entendida. Livraria Almedina. na última década numa “ciência da cultura”. pela responsabilização e legitimação da ação individual dentro do processo de produção cultural. aquelas já concretizadas. Courtés. permanece esparsa no contexto português sendo necessárias várias décadas para elencarmos propostas como o 1. cultural. 2001) e o Capitals – Encontros Acarte (Gulbenkian. Ainda é possível pensar a curadoria como prática crítica? Por outras palavras. design. “de dar conta de um determinado universo de significação. social. Os grandes eventos culturais. económica? Há ainda possibilidades da curadoria exercer uma mediação ativa gerando novas formas de confronto. 2003). os micro-eventos que gravitam em torno deles. reactivamente.

alternativas ao atual esgotamento retórico.literatura mas a literalidade”. seja numa perspectiva regional. Há ainda razões para fundamentar a necessidade de que essas alternativas surjam. mas no interior da prática curatorial surgirão. sobre os discursos sobre a produção discursiva cultural. Nos tempos próximos.Escola Superior de Artes e Design . seja numa perspectiva ideológica. Há razões para acreditar que algumas alternativas válidas surgirão já a partir dali. José Manuel Bártolo Presidente da Comissão Científica ESAD . geracional ou outra. E há razões de sobra para reivindicar essas alternativas e poder entender o exercício da curadoria como lugar onde essa reivindicação se concretiza. em 2016. rapidamente. seja numa perspectiva disciplinar. de modo análogo a curadoria deixou de ter como objecto os artefatos culturais para passar a privilegiar uma atenção sobre os discursos sobre a produção de artefatos culturais e. certamente. continuar-se-ão a fazer coisas com palavras e a questionar que coisas se podem fazer com palavras. O curatorial tornou-se retórico no seu afã de ser pragmático. André Tavares e Diogo Seixas Lopes foram já anunciados como curadores da 4ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa.