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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, EDUCAÇÃO E ZOOTECNIA CURSO DE LICENCIATURA EM

UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, EDUCAÇÃO E ZOOTECNIA CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

ANANDA FERNANDES PEREIRA FERNANDA DE SOUZA AMARAL

AS METODOLOGIAS DE INCLUSÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA, SEGUNDO A LITERATURA CIENTÍFICA DA ÁREA

Parintins-AM

2012

ANANDA FERNANDES PEREIRA

FERNANDA DE SOUZA AMARAL

AS METODOLOGIAS DE INCLUSÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA NAS

AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA, SEGUNDO A LITERATURA CIENTÍFICA DA

ÁREA

Trabalho de Conclusão de Curso de Licenciatura em Educação Física apresentado à Universidade Federal do Amazonas UFAM, como requisito parcial para obtenção do título de licenciado em Educação Física. Orientador: Profº. Dr. Renato Izidoro da Silva

Parintins-AM

2012

ANANDA FERNANDES PEREIRA FERNANDA DE SOUZA AMARAL

AS METODOLOGIAS DE INCLUSÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA, SEGUNDO A LITERATURA CIENTÍFICA DA ÁREA

Esta monografia

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Renato Izidoro da Silva. (Orientador) UFAM

Prof. Msc. Raimundo Inácio da Costa Pinto UFAM

Prof. Msc. Marcelo Rocha Radicchi UFAM

Parintins,

de

de 2012.

DEDICATÓRIA

Dedicamos a todas as pessoas que nos ajudaram na realização desta obra, em especial as nossas famílias, ao namorado Hudson da Silva Vieira pelo apoio nos momentos mais difíceis dessa caminhada, a tia Tarcy Lúcia Pinto Pereira pela ajuda e paciência no decorrer dos anos, aos amigos e professores do curso de Licenciatura em Educação Física.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos em primeiro lugar a Deus que nos iluminou o caminho, dando força e coragem. Aos professores do curso de Educação Física pelo ensinamento durante os anos de estudo. E em especial ao nosso orientador professor Dr. Renato Izidoro da Silva, que sempre nos orientou com muita sabedoria neste trabalho. Aos colegas de nossa turma de Educação Física, por tudo que passamos juntos durante a graduação, pelos momentos de alegrias e tristezas que jamais esqueceremos, pois ficarão marcados para sempre em nossas memórias. Ao meu namorado Hudson da Silva Vieira que nos momentos difíceis sempre esteve ao meu lado, me incentivando a nunca desistir, me ajudando no necessário. Agradeço a meu pai Fernando Janary de Souza Amaral, a minha mãe Georgina Henriques de Souza e a minha irmã Gilmara de Sousa Amaral pelo apoio constante em todas as decisões que precisei tomar. A minha tia Tarcy Lúcia Pinto Pereira e ao meu pai Amarildo Pinto Pereira e ao professor Dr. João Luiz da Costa Barros por terem nos incentivado a alcançar o nosso objetivo.

Temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Boaventura de Souza Santos

AMARAL, F. S.; PEREIRA, A. F. As metodologias de inclusão do aluno com deficiência nas aulas de Educação Física, segundo a literatura científica da área. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Educação Física) Universidade Federal do Amazonas UFAM, 2012.

RESUMO

Este trabalho apresenta as metodologias de inclusão do aluno com deficiência nas aulas de Educação Física, em quatro importantes periódicos especializados da área que são: Revista Movimento, Motriz, Motrivivência e RBCE. Com objetivo de realizar um levantamento sistemático das metodologias de ensino para trabalhar a inclusão desses alunos nas aulas de Educação Física. Na busca de informações, utilizou-se o método empírico-analítico para obter o conhecimento e chegar ao objetivo desejado. Os procedimentos utilizados para a coleta e organização dos dados foram uma pré-leitura para ter uma visão geral do assunto, uma busca por palavras-chaves e seleção dos artigos que mais se aproximassem ao tema, foi realizado um pequeno resumo baseado na leitura seletiva e sistematizado com anotações referentes ao artigo para entender cada um deles. Encontrou-se o número exato de trinta artigos em que foram categorizados e analisados segundo suas propostas de inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física. Desses artigos apenas três abordavam as metodologias de inclusão, treze citavam a metodologia utilizada na produção do artigo e quatorze, somente mencionavam sobre as metodologias. Concluiu-se que ainda existe uma carência de artigos voltados para a inclusão desses alunos, é necessário que existam autores interessados em criar possíveis meios para que haja a inclusão desse público.

Palavras-chave: Educação Inclusiva - Metodologia - Alunos com deficiência Deficiência - Inclusão

ABSTRACT

This work presents the methodologies of the student's inclusion with deficiency in the classes of Physical education, in four important specialized newspapers of the area that are: Magazine Movimento, Motriz, Motrivivência and RBCE. With objective of accomplishing a systematic rising of the teaching methodologies to work those students' inclusion in the classes of Physical education. In the search of information, the empiric-analytical method was used to obtain the knowledge and to arrive to the wanted objective. The procedures used for the collection and organization of the data went a pré-reading to have a general vision of the subject, a search for word-keys and selection of the goods that more if they approximated to the theme, a small summary was accomplished based on the selective reading and systematized with annotations regarding the article to understand each one of them. He/she was the exact number of thirty goods in that you/they were classified and analyzed their second proposals of students' inclusion with deficiency in the classes of Physical education. You gave goods only three approached the inclusion methodologies, thirteen mentioned the methodology used in the production of the article and fourteen, they only mentioned on the methodologies. It was ended that still a lack of goods exists returned for those students' inclusion, it is necessary that interested authors exist in creating possible means so that there is that public's inclusion.

Keywords: Inclusive education Methodology Students with deficiency Deficiency - Inclusion

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

10

1.

REFERENCIAL CONCEITUAL

14

1.1 CONCEITUANDO A DEFICIÊNCIA

14

1.2 TIPOS DE DEFICIÊNCIA

14

1.2.1 Deficiência Visual

14

1.2.2 Deficiência Auditiva

15

1.2.3 Deficiência Física

15

1.2.4 Deficiência Mental

15

1.2.5 Deficiência Múltipla

16

1.3 CONCEITUANDO A METODOLOGIA

16

1.4 CONCEITUANDO A INCLUSÃO

17

1.5 AS DIFICULDADES DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA

18

1.6 ELABORAÇÃO NO PROJETO PEDAGÓGICO

18

1.7 DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS NA EDUCAÇÃO

19

1.7.1 A Constituição Federal do Brasil de 1988

20

1.7.2 A Declaração de Salamanca de 1994

20

1.7.3 A Lei de Diretrizes e Bases de 1996

20

2.

METODOLOGIA

21

2.1

TABELA SOBRE AS METODOLOGIAS

25

CONSIDERAÇÕES FINAIS

38

REFERÊNCIAS

39

APÊNDICE

42

10

INTRODUÇÃO

Esta monografia tem como tema a Educação Inclusiva, especificamente as suas metodologias aplicadas na área da Educação Física. A intenção é contribuir com a construção de uma visão geral e sistematizada das produções científicas dessa área, vindo a oferecer à comunidade acadêmica e de educadores uma apresentação organizada das propostas metodológicas até então construídas e publicadas, e possivelmente pouco exploradas na prática, bem como apresentar suas relações com os principais problemas enfrentados na prática docente e na pesquisa referente à temática. Desse modo, a literatura vem apontando que as reflexões metodológicas colocam o professor de Educação Física como mediador entre o conhecimento e o aluno, dando um espaço para uma reflexão que envolva adaptações das atividades tradicionais, permitindo aos alunos com deficiência, possibilidades de participação nas aulas de Educação Física. O

professor deve refletir sobre sua prática e direcioná-la a realidade que atua, voltando-se aos interesses e às necessidades dos alunos, buscando novos caminhos para tornar o aprendizado

um desafio instigante para cada um. De acordo com Freire (1996, p.43): “[

criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática”. Para a autora Mantoan (2002, p.79-93), por meio da reflexão é que se obtém ajuda dos conhecimentos aprofundados sobre o assunto da inclusão na escola, contribuindo com uma prática pedagógica, onde todos os alunos possam ser beneficiados com o ensino. Neste sentido, as reflexões e pesquisas científicas ajudam o professor a repensar e analisar sobre o seu papel profissional e suas práticas pedagógicas inclusivas presentes na escola. Atender as necessidades de uma educação inclusiva favorecendo um ensino de qualidade, constitui um motivo para que a escola se atualize, rompa com o preconceito e ultrapasse obstáculos físicos, biológicos, sociais e culturais. As principais dificuldades da inclusão dos alunos com deficiência podem derivar da falta de conhecimento e de propostas metodológicas sistematizadas, de aplicação por parte dos professores acerca do assunto. Para receber um aluno com deficiência nas aulas de Educação Física são necessários conhecimentos teóricos, saberes acerca das metodologias capazes de promover um ambiente pedagógico e adequado para uma comunicação efetiva entre professor e aluno, de maneira que o estudo e a vivência do movimento humano ocorram de modo a gerar aprendizagens teóricas e técnicas significativas com compromisso e responsabilidade por parte dos professores, juntamente com o auxílio da família, de forma a atender as necessidades dos

alunos com deficiência.

pensando

]

11

Para se chegar à inclusão dos alunos com deficiência, o processo pedagógico deve ter a reflexão metodológica para o entendimento do tema no sentido de sua produção teórica e empírica, possibilitando um ensino de qualidade para todos os alunos. Com isso, pretendemos facilitar o trabalho daqueles que se interessam pelo assunto, não apenas para os profissionais de Educação Física, mas também qualquer profissional que queira trabalhar com a Educação Inclusiva, em especial junto aos alunos com deficiência, contribuindo assim de maneira positiva. Mediante isso, oferecemos como recorte o estudo das publicações científicas de quatro periódicos acadêmicos da referida área e suas contribuições acerca das metodologias de inclusão, que são os seguintes: Revista Brasileira de Ciências do Esporte 1 , Motrivivência 2 , Movimento 3 e Motriz 4 . Na busca pelos artigos, conseguimos atingir uma extensão razoável de publicações relacionadas ao nosso tema, atingindo o número exato de trinta trabalhos. A escolha dos periódicos mencionados se pautou no ranking de classificação do sistema WebQualis na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) 5 , que tem a intenção de especializar um maior número de pessoas com qualificação, promovendo a expansão e consolidação dos cursos de pós-graduação, de mestrados e doutorado em todo o país. Permite a abertura de novos cursos de pós-graduação, e avalia os cursos e suas publicações em funcionamento periodicamente. Para uma maior compreensão, o sistema WebQualis é um conjunto de procedimentos utilizados pela CAPES para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. Atende as necessidades específicas do sistema de avaliação, a classificação dos periódicos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade: A1; A2; B1; B2; B3; B4; B5 e C. A1 corresponde ao indicativo mais elevado e C ao peso zero. Diante disso, os quatro periódicos estudados tem indicativos de qualidades diferentes: a Revista Brasileira de

1 A Revista Brasileira de Ciências do Esporte, do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, localizado ao site http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE.

2 A Revista de Educação Física, Esporte e Lazer Motrivivência, da Universidade Federal de Santa Catarina, endereço eletrônico: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia.

3 A Revista Movimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o site corresponde ao seguinte código:

web

5 CAPES- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, http://www.capes.gov.br.

4

A

Revista

de

Educação

Física

Motriz,

da

Universidade

Estadual

de

São

Paulo,

página

na

12

Ciências do Esporte tem o indicativo de B1, a Revista Motrivivência B4, a Revista Movimento A2 e Revista Motriz A2. A abrangência da seleção das revistas teve o sentido de abarcar três pontos particulares de um panorama mais geral dos periódicos da Educação Física. O primeiro ponto para a nossa seleção das revistas foi o extremo de melhor qualificado com a nota A2, o segundo ponto foi uma revista intermediária com a nota B1 e o outro extremo uma com nota mais baixa B4. E vale ressaltar que no ano de 2011 cada uma dessas revistas estavam classificadas com uma nota abaixo da atual. Isso significa dizer que indiretamente as estratificações abrangem pontos ainda mais extremos do panorama geral da qualificação das revistas, verificando, no caso de nosso trabalho, um panorama que vai da nota B5 à A2. Os estudos dos periódicos de Educação Física ajudaram-nos a entender e revelar a realidade sobre a temática abordada. Pesquisas referentes à área de Educação Física, que utilizam como objeto de estudo os textos científicos, estão publicados em diversos meios de comunicação, disponíveis em alguns dos mais importantes periódicos da área, como é o caso dos artigos utilizados em nosso projeto. Diante disso, segundo o autor Bermond (2007, p.21) as pesquisas da Educação Física ao longo de sua História aborda os periódicos que se configuram como uma das possibilidades para a compreensão do campo educacional; de modo que a utilização desses periódicos como objetos de pesquisa vem crescendo nos últimos anos.

As revistas e os artigos hoje publicados direcionam as pesquisas no País, referentes a temas, objetos, problemas e metodologia. Para o autor Schneider (2002, p.1-2), por exemplo, ao estudar as antigas publicações da revista Educação Physica, que datam desde 1932, teve uma visão de como a revista, segundo sua autoridade científica, delineou ao longo dos anos um perfil desejável do docente de Educação Física, apontando os momentos sociais de um periódico. Paiva et al. (1998, p.72) explica que o estudo dos periódicos, em especial os que utilizou em seu trabalho, traçou um perfil bibliográfico da Revista Brasileira de Ciências do Esporte, e foi possível encontrar alguns registros sobre a trajetória da Educação Física acerca daqueles que vem sendo dados e outros que possivelmente virão, indicando uma melhor compreensão científica da Educação Física. Estudos como esses devem considerar que por trás das publicações textuais existem seres humanos que protegem e movimentam os mais diferentes desejos. Com isso, esta monografia pretendeu participar desse movimento epistemológico de revisão permanente da Educação Física e seus temas de interesse por meio da análise de suas próprias produções.

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Souza (2011, p.248) estudou as produções científicas de um Programa de Pós- graduação em Educação Física, onde visualizou tendências, perspectivas, temáticas mais tratadas e abordagens teórico-metodológicas, identificando valores e interesses ao lado das perspectivas críticas. O autor Oliveira et al. (2009, p.1-2) realizou um estudo sobre dissertações e teses publicadas com o tema autismo entre os anos de 1990 e 2007, organizou os dados em termos de assuntos mais abordados, objetivos priorizados pelos autores e propostas de intervenção pedagógica, oferecendo a área da Educação Física uma visão das pesquisas com interesse e conhecimento dos profissionais a respeito do assunto. Para Nóbrega (2003, p.173-174), as publicações em anais do Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, que ocorreram na década de noventa do século passado, demonstram os pertencimentos epistemológicos e os conhecimentos das publicações. Diante disso, devemos lembrar que a presente monografia tem como problema a seguinte questão: Quais são as metodologias de inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física apresentadas pela literatura científica da área em quatro importantes periódicos especializados? Com objetivo de realizar um levantamento sistemático das metodologias de inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física publicadas na literatura científica da área em quatro importantes periódicos especializados. Procuramos obter conhecimento sobre as metodologias de ensino aplicadas à pessoa com deficiência, onde fomos impulsionadas a querer conhecer mais o assunto e construímos caminhos para chegar ao nosso objetivo. No referencial teórico conceituamos a deficiência, alguns tipos de deficiências, as metodologias, a inclusão; tratamos ainda das principais dificuldades teóricas e práticas, elaboração do Projeto Pedagógico e sobre as leis que garantem o direito à educação e ao acesso a escola. Com essa pesquisa observamos que nos quatros periódicos da área estudados, há uma carência de literaturas voltadas para as metodologias de inclusão de alunos com deficiência. Nos trinta artigos encontrados, treze falaram sobre os métodos e as metodologias utilizadas na construção do artigo, não mencionando a metodologia de ensino para se trabalhar com os alunos que possuem a deficiência; quatorze artigos citaram sobre o assunto e não especificaram, e somente três artigos falaram e especificam as metodologias de inclusão para os alunos de acordo com a especificidade de suas deficiências. Conclui-se assim, que a maioria dos autores não dão a importância devida para a metodologia de inclusão dos alunos com algum tipo de deficiência. Portanto, é preciso que sejam produzidos pesquisas e artigos voltados para esse público, e que os autores possam apontar possíveis metodologias especializadas para que todos os alunos possam ser incluídos nas aulas de Educação Física.

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1 REFERENCIAL CONCEITUAL

Todas as pessoas têm o direito a uma educação de qualidade e o local mais indicado para ter o acesso a essa educação é a escola, onde deve proporcionar a todas as pessoas, independente das suas diferenças, o conhecimento, pois sabe-se, que ninguém é igual ao outro, temos diferenças biológicas, físicas, psicológicas e culturais. Na escola, o professor vai se deparar com alunos deficientes e ditos “normais”, mas, o que interessa é que todos tenham a oportunidade de participar das atividades desenvolvidas na escola, não descartar nenhum aluno nas aulas, ensinando a todos e compartilhando os saberes (MEIRIEU, 2005, p.44). Diante do exposto, este referencial conceitual vem tratar da Educação Inclusiva, em especial as metodologias de inclusão do aluno com deficiência nas aulas de Educação Física, segundo a literatura científica nos quatro importantes periódicos da área.

1.1 Conceituando a Deficiência:

De acordo com Amaral (1995), a Deficiência é toda alteração do corpo ou aparência física, de um órgão ou de uma função, qualquer que seja sua causa, em princípios significando perturbações no nível do órgão. A deficiência é qualquer perda ou anormalidade de uma estrutura, psicológica, fisiológica ou anatômica causando incapacidade em desempenhar atividades, dentro do padrão considerado normal do ser humano (BRASIL, 1999). Podemos dizer que uma pessoa é deficiente quando possui um dano na estrutura do corpo, pode ser no intelectual, de caráter hereditário ou devido a acidentes (domésticos, trabalho, trânsito entre outros), podendo ser provisório ou inalterável tornando a pessoa incapaz de realizar movimentos do cotidiano. Em Houaiss (2004, p. 212), a Deficiência é a perda de quantidade ou qualidade; falta, carência, insuficiência de uma função psíquica ou intelectua l, ausência de funcionamento de um órgão. Existem vários tipos de deficiência que podem ser classificadas como: visual, auditiva, física, mental, deficiência múltipla e outras. Para uma maior compreensão conceituamos as seguintes deficiências citadas abaixo.

1.2 Tipos de Deficiência:

1.2.1 Deficiência Visual: A pessoa é considerada deficiente visual quando não possui a visão,

pode ser com perda total ou parcial.

15

A deficiência visual é a perda ou redução de capacidade visual em ambos os olhos em caráter definitivo, que não possa ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes, tratamento clínico ou cirúrgico. Existem também pessoas com visão sub- normal, cujos limites variam com outros fatores, tais com: fusão, visão cromática, adaptação ao claro e escuro, sensibilidades a contrastes, etc. (COSTANT, 2005).

De acordo com Bobath (1978), a visão é o sentido que mais nos oferece informações, sendo um fator determinante em nossas reações motoras. A pessoa com deficiência visual restringe suas experiências, pois o mundo lhe é repleto de barreiras e limitações.

1.2.2 Deficiência Auditiva: Pode-se dizer que um indivíduo possui deficiência auditiva,

quando este perde a audição ou diminui sua capacidade de ouvir sons.

Denomina-se deficiência auditiva a diminuição da capacidade de percepção normal dos sons, sendo considerado surdo o indivíduo cuja audição não é funcional na vida comum, e parcialmente surdo, aquele cuja audição, ainda que deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva. (BRASIL, 1997).

1.2.3 Deficiência Física: Uma pessoa é considerada deficiente físico, quando tem um

comprometimento em sua função física, não possui algum de seus membros por deformidades congênitas ou perda em acidentes domésticos, de trabalho e na maioria das vezes em acidentes de trânsito. A Constituição de 20 de dezembro de 1999, no Decreto nº 3298, conceitua a Deficiência Física como:

a) Deficiência Física: alteração completa ou parcial de um mais segmento do corpo

humano, acarretando o compromisso da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (BRASIL, 1999).

1.2.4 Deficiência Mental: Pode-se dizer que uma pessoa possui a deficiência mental quando esta tem o seu funcionamento intelectual expressamente abaixo da média. De acordo com o Decreto de nº 3298, da Constituição de 20 de dezembro de 1999 conceitua a Deficiência Mental como:

d) Deficiência mental - o funcionamento intelectual significativamente inferior à

média, com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, como: a) comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização dos recursos da comunidade; e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer e h) trabalho (BRASIL, 1999).

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1.2.5 Deficiência Múltipla: O indivíduo é considerado com deficiência múltipla quando possui duas ou mais deficiências agregadas. No Decreto de nº 3298, da Constituição de 20 de dezembro de 1999 conceitua a Deficiência Múltipla no artigo IV como:

e) Deficiência Múltipla é a união de duas ou mais deficiências, que podem ser de procedência mental, visual, auditiva e/ou física. Essas unificações comprometem o

desenvolvimento global da pessoa e a sua capacidade adaptativa [

(BRASIL,

]

1999).

1.3 Conceituando a Metodologia:

A história da Educação Física escolar brasileira teve início no século XIX na época

imperial, começou a ser implantada nas escolas. A partir disso, foram realizadas as primeiras

abordagens no campo da metodologia.

O novo perfil delineado para a educação física escolar contemporânea não

permite mais que se adote determinados roteiros de aula, constituídos de “partes” e transformados em rotina de trabalho. Essas formulações estáticas fragmentam a aula,

dividindo-a em comportamentos estanques e desviando o professor da sua tarefa educativa. A neurótica tentativa de seguir tais modelos dogmatiza o comportamento do professor, despreocupando-o em relação ao mais importante: os valores, os objetivos e a metodologia (OLIVEIRA, 1985, p.63-64).

A metodologia deve estar presente em todas as pesquisas, pois antes de iniciarmos

uma investigação, necessita-se primeiramente de uma metodologia. A palavra “Metodologia vem do grego meta, que significa ao largo; odos, que é caminho e logos, que está relacionado ao estudo. Logo, metodologia é a ciência dos caminhos” (GAIO, 2008, p.154).

A metodologia é, pois o estudo da melhor maneira de abordar determinados

problemas no estado atual de nossos conhecimentos. A metodologia não procura soluções, mas escolhe as maneiras de encontrá-las, integrando os conhecimentos a respeito dos métodos e vigor nas diferentes disciplinas científicas ou filosóficas (BARROS & LEHFELD, 2000, p. 2).

Sabe-se que a ciência deseja aproximar-se da verdade, por meio de métodos, técnicas, instrumentos, procedimentos e regras para uma sistematização. E para fazer ciências precisa- se de empenho para buscar explicações e soluções para atingir os objetivos, enfrentando a sociedade, com olhar crítico e reflexivo sobre as realidades sociais (GAIO, 2008). A metodologia serve para fundamentar o estudo na elaboração de um trabalho, conduzindo à pesquisa, é o caminho para atingir um objetivo chegando ao conhecimento, analisando métodos, estratégias, maneiras, instrumentos, procedimentos e regras, é algo

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particular, não existe somente uma metodologia, cada pessoa elabora a sua, pois, é pessoal, se embasa em uma intenção ampla. Em Houaiss, (2004, p.494), é um conjunto de métodos, princípios e regras empregados por uma atividade ou disciplina.

Uma parte mais restrita da epistemologia, pois, como a palavra sugere, ela investiga fundamentalmente os métodos, ou seja, os procedimentos que a ciência deve seguir para alcançar com êxito seu ideal, que é a produção do saber (CARVALHO, 1995, p.63).

1.4 Conceituando Inclusão:

A palavra inclusão hoje está em evidência nas escolas, pois, através desta, há uma

grande possibilidade de igualdade social, oferecendo, assim, condições necessárias para uma educação de qualidade com a participação de todos os alunos, com ou sem deficiência, contribuindo para o desenvolvimento: físico, psicólogo e social. Rodrigues (2006, p.198) afirma que:

A inclusão também se legitima porque a escola para muitos alunos é o único espaço de acesso aos conhecimentos. É o lugar que vai lhe proporcionar condições de se desenvolver e se tornar cidadãos com identidade social e cultural. A escola é o espaço que lhes confere oportunidades de ser e viver dignamente.

Segundo a autora Mantoan (2003, p.45) enfatiza que:

A inclusão escolar não prevê a utilização de práticas de ensino escolar específicas para esta ou aquela deficiência, mas sim recursos, ferramentas, linguagens, tecnologias que concorram para diminuir/eliminar as barreiras que se entre põem aos processos de ensino e de aprendizagem.

Fazer a inclusão de um aluno com deficiência na escola não significa transferi-lo de uma escola especial para uma sala de aula regular, a inclusão será feita quando todos os alunos são tratados de forma igualitária, aprendendo a lidar com suas diversidades, sem preconceito, respeitando as diferenças e oportunizando o desenvolvimento de cada um.

O aluno com deficiência necessita de um tempo diferente para entender o que o

professor fala. Portanto, elas devem ser vistas como pessoas com possibilidades amplas de socialização e interação no ambiente que convivem. Rodrigues (2006, p.199) enfatiza:

“Incluir é necessário, primordialmente, a fim de melhorar as condições da escola de modo que nela possa formar gerações mais preparadas para viver a vida em plenitude, livremente, sem preconceitos sem barreiras”.

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Quando falamos em inclusão, não estamos prevendo uma utilização de práticas específicas na escola para cada deficiência, mas sim, estamos falando de recursos, linguagens, tecnologias que ajudem a diminuir, eliminar as barreiras que se interpõem aos processos de ensino e de aprendizagem entre os estudantes segundo suas diversidades físicas, cognitivas, culturais, étnicas etc.

1.5 As dificuldades de alunos com deficiência na escola:

A história de vida de cada pessoa é diferente, algumas passam por maiores dificuldades que as outras, tanto no cotidiano, quanto no ambiente escolar. Sabe-se que a vida de uma pessoa com deficiência é muito mais difícil que a de uma pessoa dito “normal”, pois sofrem com diversos tipos de preconceitos. E a maior dificuldade é a de incluí-las na escola, pois, a escola tem a perspectiva de trabalhar somente com alunos sem deficiência, colocam dificuldades em trabalhar com alunos com ritmos de aprendizagem diferentes. Na maioria das vezes, é devido o despreparo dos seus professores para lidar com essas crianças; existem também quem não acredite nos benefícios que esses alunos poderão tirar da nova situação, especialmente os casos mais graves, pois não teriam condições de acompanhar os avanços dos demais colegas e seriam ainda mais discriminados do que nas classes e escolas especiais. Antigamente a escola não atendia alunos com deficiência, mas, hoje observamos que a Educação no Brasil vem desenvolvendo iniciativas de inclusão para esses alunos. Segundo Strapasson e Carniel (2007), a Educação Inclusiva passa por sérias resistências por parte de muitos professores, apesar de buscar resgatar valores sociais fundamentais, combinados com igualdade de direitos e oportunidades para todos. Essas práticas devem ser respeitadas com os alunos deficientes, respeitando suas limitações para que superem assim seus próprios limites. Rodrigues (2006, p.13) enfatiza que:

A Educação Inclusiva não é uma cosmética da educação tradicional nem uma simples estratégia de melhoria da escola: constitui a promoção da formulação da educação em novas bases que rejeitem a exclusão e promovam uma educação diversa e de qualidade para todos os alunos.

1.6 Elaboração no Projeto Pedagógico:

O professor de Educação Física na elaboração do Projeto Pedagógico, nos planos de ensino e planos de aula deve prever o desenvolvimento motor e físico do aluno com

19

deficiência no sentido de adquirir habilidades motoras, identificando as necessidades e as capacidades de cada um, de acordo com o nível dos alunos. A literatura explica, por vezes, que o professor deve usar sua criatividade, utilizar métodos para aumentar a atenção dos alunos à informação. Segundo Rodrigues (2003):

A Educação Física poderá contribuir para educação inclusiva, utilizando-se de propostas metodológicas, com criatividade, usando o corpo, o movimento, o jogo, a expressão e o desporto para celebrarem as diferenças e proporcionar aos alunos experiências que realcem a cooperação e a solidariedade.

Diante disso, levando em conta os elementos conceituais apresentados as metodologias a serem estudadas serão sistematizadas conforme aplicações no planejamento, em atividades e avaliações adequadas à compreensão de todos, usando estratégias e recursos que levem ao interesse e a motivação, incentivando a expressão e a criatividade. Reúne questões que o educador deve analisar no seu trabalho, auxiliar discussões, planejamentos e também avaliações da prática de Educação Física nas escolas. Para que haja a inclusão, o professor deve ter condições favoráveis para atender alunos com deficiência, rever suas práticas, buscar meios para beneficiar a participação e a aprendizagem desses alunos, adequar metodologicamente às práticas corporais no contexto do ensino, atendendo às características dos alunos, respeitando as diferenças individuais de cada um, estudando atividades para fazer adaptações permitindo assim, a participação das pessoas com diferentes capacidades em um mesmo ambiente social. Mas, para isso é necessário que a escola construa um Projeto Político Pedagógico coletivo junto à comunidade que a constituí. É desejável e adequado que as intervenções do professor sejam direcionadas para desequilibrar, apresentar desafios e apoiar o aluno nas suas descobertas, sem lhe retirar a condução do seu próprio processo educativo. Os alunos aprendem até o limite em que conseguem chegar, se o ensino for de qualidade, isto é, se o professor considerar as possibilidades de desenvolvimento de cada aluno e explorar sua capacidade de aprender.

1.7 Direitos humanos fundamentais na Educação:

Todas as pessoas têm direito a uma educação de qualidade e isso é garantido pela legislação. Ter um atendimento educacional especializado é uma forma de garantir que o aluno com deficiência seja reconhecido e atendido as suas particularidades.

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1.7.1 A Constituição Federal do Brasil de 1988 Segundo Fávero et al. (2007) essa Constituição garante a todos o direito à igualdade, a educação e o acesso à escola (art. 5º), no artigo 205 visa o desenvolvimento da pessoa, preparando para a cidadania e sua qualificação para o trabalho, elege como fundamentos da República a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inc. II e III), e como um dos objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, não excluindo nenhuma pessoa (art. 3º, inc. IV). Além disso, elege como um dos princípios para o ensino, a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” (art. 206, inc. I). E no art. 208, inc. III é dever do Estado com a educação ser efetivado mediante o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

1.7.2 A Declaração de Salamanca de 1994 Em junho de 1994, em Salamanca, na Espanha,

ocorreu a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade. Nessa conferência foi aprovada a Declaração de Salamanca, com a necessidade de mudanças na proposta de educação para pessoas com deficiência, surge a Educação Inclusiva, essa nova visão surgiu com o manifesto realizado a partir dessa declaração que protege o

princípio da escola inclusiva, onde todas as pessoas devem aprender juntas, não interessa as dificuldades de aprendizagem ou diferenças das pessoas, o atendimento às necessidades não é

só dos deficientes, mas de todos os cidadãos. A escola regular deve adotar uma nova postura,

no projeto político-pedagógico, no currículo, na metodologia de ensino, na avaliação e nas

estratégias de ensino, ações que favoreçam a inclusão social e as práticas educativas diferenciadas, a diversidade é valorizada em detrimento da homogeneidade, oferecendo a todos os alunos oportunidades para a aprendizagem (BRASIL, 1994).

1.7.3 A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 - A LDB nº 9.394/96, nos artigos 58, 59 e 60 do

capítulo V, não substitui o direito à educação oferecida em turmas de escolas comuns da rede de ensino, fala sobre a educação para alunos com deficiência, com orientação para que seja realizada em escolas regulares de ensino e que tenha apoio especializado na escola atendendo

o aluno com deficiência adequadamente, o sistema educacional deve estar centrado nos

alunos, independente de suas características, de acordo com o inciso 1º do art. 60. No art. 58 protege a Educação Especial como modalidade do ensino escolar, oferecido na rede regular

para os portadores de necessidades especiais. A LDB não diz que a escolarização poderá ser oferecida em ambiente escolar à parte (BRASIL, 1996).

21

2 METODOLOGIA

A escolha de uma metodologia é imprescindível para realização de uma pesquisa, pois

através dela, seguiremos um determinado caminho para se chegar ao nosso objetivo. Para tanto, fizemos uma investigação sobre a referida área, para obter as devidas informações, por

meio da rede mundial de computadores, revistas, livros e artigos científicos da área, com propósito de responder o problema levantado, usando o método empírico-analítico que tem como característica utilizar as categorias e analisar os dados da pesquisa.

A metodologia científica é um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados

pela ciência para estabelecer e resolver problema de aquisição objetiva do conhecimento. Como afirma Gil (2008, p.8):

A ciência tem como objetivo fundamental chegar à veracidade dos fatos.

Nesse sentido não se distingui de outras formas de conhecimento. O que toma, porém, o conhecimento científico distinto dos demais é que tem como característica fundamental a sua verificabilidade.

Sabe-se que para realizar um trabalho precisa-se de técnicas que embasem de forma a ajudar na compreensão de todo o trabalho. Neste sentido, utilizamos o estudo bibliográfico para aprofundar no assunto direcionado ao tema, obtendo um maior conhecimento no assunto a ser estudado. Andrade (2009, p.130) explica que:

O levantamento bibliográfico é uma etapa fundamental da pesquisa de

campo. Além de proporcionar uma revisão sobre a literatura referente ao assunto, a pesquisa bibliográfica vai possibilitar a determinação dos objetivos, a construção das

hipóteses e oferecer elementos para fundamentar a justificativa da escolha do tema.

Dado o exposto, o levantamento bibliográfico é base de todo trabalho científico, visto que, são necessários estudiosos que já abordaram o assunto a se pesquisar, e por meio desses autores, possivelmente será realizada a compreensão relativa à área do conhecimento. Como citam (SILVA e SCHAPPO, 2002, p.54):

É o primeiro passo de todo trabalho científico. Este tipo de pesquisa tem por finalidade especialmente quando se trata de pesquisa bibliográfica, oferecer maiores informações sobre determinado assunto, facilitar a delimitação de uma temática de estudo, definir os objetos ou formular as hipóteses de uma pesquisa ou, ainda, descobrir um novo enfoque para o estudo que se pretende realizar.

Extraindo do próprio material bibliográfico do objeto proposto, e como esse método não propõem categorias prévias, destacamos as categorias eleitas a partir do contato empírico

22

com a literatura da área: “métodos”, “técnicas”, “formas”, “estratégias”, “didática”, “modos”, “maneiras”. Todos esses termos foram encontrados como sendo análogos ao núcleo de nosso objeto de estudo: a metodologia de inclusão. Durante a leitura dos artigos percebemos que o termo metodologia não daria conta da abrangência das variações da realidade, por isso ampliamos para essas categorias. Nesse método, nada está definido, tudo está em transformação o tempo todo; partindo de um determinado ponto para buscar respostas fundamentais, investigando sempre novos resultados. Como, inicialmente, tínhamos apenas o tema e nenhum conhecimento sobre o assunto, partimos somente deste, buscando questões até chegarmos aproximadamente a um determinado fim. Entende-se que o empírico - analítico não é uma ciência exata, uma ciência pronta, e sim um método inacabado diferente dos demais métodos que pré-determinam suas categorias e conclusões. Segundo Gamboa (1989), o método empírico-analítico utiliza técnicas para coletar e analisar os dados usando categorias em forma de tabela para apresentação das informações de maneira objetiva, sistematizando e controlando os dados empíricos, privilegiando assim, a análise estatística como base da expressão das qualidades. Essa ciência é resultado da produção humana, envolvida entre o sujeito e o objeto, onde o sujeito se centra no objeto fazendo sua análise. Realizamos uma revisão de literatura dos principais periódicos da área: um levantamento sistemático das metodologias de inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física existentes na literatura científica, buscando resultados significativos no campo educacional, no sentido de oportunizar uma visão mais ampla no cotidiano escolar, ou seja, contribuindo com o conhecimento da realidade estudada. Na realização deste trabalho utilizamos uma pesquisa de revisão de literatura de cunho exploratório, como principal finalidade categorizar, classificar, identificar as metodologias de inclusão no campo da Educação inclusiva para alunos com deficiência apresentadas pela literatura científica da área, para conhecermos o mundo dessas pessoas e vir a construir bases para o exercício da interpretação dos dados conforme esta monografia, bem como o desenvolvimento de estudos futuros. A pesquisa de revisão de literatura possibilita a composição de uma análise sobre o modo como vem sendo cientificamente abordado o objeto a ser investigado pela comunidade científica mais ampla, além de expandir as informações referentes ao tema estudado. Para este estudo, delimitamos como banco de dados quatro importantes revistas científicas da área da Educação Física. As Revistas estudadas foram: A Revista Movimento,

23

da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cujo site responde pelo seguinte código:

http://seer.ufrgs.br/Movimento; A Revista de Educação Física Motriz, da Universidade

Estadual

http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz; A Revista de Educação Física, Esporte e Lazer Motrivivência, da Universidade Federal de Santa Catarina, endereço eletrônico: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia e A Revista Brasileira de Ciências do Esporte, do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, banco de dados localizado ao site http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE. Os procedimentos que utilizamos na coleta e organização dos dados em nosso trabalho foram os seguintes: a) leitura exploratória e de mapeamento, onde exploramos os quatro periódicos acadêmicos avaliados pela CAPES, dados cientificamente seguros, mapeamos organizadamente a literatura objetiva, nessa etapa de exploração realizamos os seguintes procedimentos, lemos os títulos, subtítulos, resumos e palavras-chave dos artigos, com intuito de identificarmos as ideias que mais se aproximassem ao nosso tema; b) pré leitura para ter uma visão geral do assunto por meio de títulos e palavras-chave, para obter informações relacionadas à nossa temática; c) em seguida realizamos uma leitura seletiva para identificamos as especificidades de cada artigo pautadas nos resumos e em algumas páginas esparsas dos artigos. Para tanto, sistematizamos anotações referentes ao artigo para entender cada um. Essa etapa da pesquisa foi marcada pela exploração, mapeamento e seleção sistemáticos, organizando os quatros periódicos da Educação Física. Como já expresso na introdução, escolhemos por delimitar como campo empírico de nosso objeto as revistas científicas da área da Educação Física. Exploramos o sistema WebQualis para identificarmos os periódicos pertencentes à Educação Física, bem como suas classificações por nota. Em seguida, acessamos os sites de cada uma das revistas, cujas páginas oferecem um sistema de busca por assunto, mediante o qual encontramos as publicações relacionadas ao tema das metodologias de inclusão e suas palavras análogas: Doravante, baixamos os artigos que tinham relação com a temática. Tratando cada um dos documentos, utilizamos como recurso de busca interna dos arquivos em PDF utilizando palavras-chave como: “métodos, formas, maneiras, modos, técnicas, estratégias, didática, metodologia e inclusão”. Para adquirir as informações conseguimos reunir para a nossa pesquisa, trinta artigos. Devemos ainda lembrar que o presente estudo teve início com a proposta específica de analisar as metodologias de inclusão de alunos com Surdez e Síndrome de Down consideradas

nas aulas de Educação Física segundo a literatura da área. Todavia, deparamo-nos com várias

web

de

São

Paulo,

página

na

24

dificuldades que nos obrigaram realizar alguns desvios relativos à primeira versão do projeto. Uma dessas dificuldades foi à falta de artigos específicos a respeito dos assuntos, marcando a falta de publicação especializada nos quatro periódicos considerados parte do objeto de nosso estudo. Encontramos somente um artigo na Revista Movimento sobre Surdez e nenhum artigo sobre Síndrome de Down. Com efeito, resolvemos mudar nossa pesquisa para um tema mais geral que o anterior, acerca das metodologias de inclusão de alunos com deficiência sem especificações prévias das deficiências nas aulas de Educação Física segundo a literatura especializada publicada em quatro periódicos da área. Diante dessa primeira característica das publicações notada por nossa pesquisa decidimos sistematizar a pesquisa segundo três grupos de publicações: a) dos artigos que têm como objeto a Educação Física e as pessoas com deficiência, mas que não tratam de questões metodológicas acerca da inclusão de tais pessoas no âmbito educacional escolar. Tal grupo está nomeado da seguinte forma: NÃO FALAM; b) dos artigos que além de terem como objeto a questão da inclusão da pessoa com deficiência na Educação Física escolar, abordam o tema das metodologias, contudo, sem especificarem os procedimentos e as deficiências. Esse grupo foi nomeado da seguinte maneira: FALAM E NÃO ESPECIFICAM; c) Por último, o grupo de artigos que cumprem três critérios básicos, já que além de tratarem da temática acerca da Educação Física e a inclusão da pessoa com deficiência nas aulas no âmbito escolar, também consideram as questões metodológicas, bem como especificam os procedimentos relativos à especificidade da deficiência. Esse grupo se chama FALAM E ESPECIFICAM. Cada uma das colunas da tabela abaixo, correspondentes, respectivamente aos grupos acima citados, apresenta uma numeração de 1 a 30, que é relativa à quantidade de artigos encontrados, cujas referências estão na íntegra e relacionados com a numeração no APÊNDICE desta monografia. Diante de cada um dos números podemos encontrar o título da revista ao qual ele corresponde ou um espaço em branco. Nesse sentido, nos agrupamentos NÃO FALAM e FALAM E NÃO ESPECIFICAM, os artigos de número 10, 16 e 20 aparecem em branco, porque esses artigos se enquadram no agrupamento FALAM E ESPECIFICAM, diante do qual se encontra o título da revista a qual pertence. Estando a tabela toda preenchida, é possível notar por contraste qual a coluna mais preenchida e, portanto, a tendência mais significativa as publicações no que concerne ao tema da inclusão da pessoa com deficiência relacionado ao problema das metodologias de inclusão nas aulas de Educação Física. Nesse sentido, podemos adiantar que o primeiro agrupamento apresenta maior ocorrência de artigos, sendo o segundo agrupamento aquele que apresenta a segunda maior ocorrência, vindo o terceiro por último. Tal panorama demonstra o quão generalista são

25

as publicações se comparadas à diversidade de deficiências que existem no âmbito escolar.

Não obstante, quando se fala de metodologia de inclusão, como no segundo grupo, não há

qualquer especificação acerca da deficiência, desconsiderando que cada uma dessas

necessitam de procedimentos diferenciados, não havendo, por conseguinte, métodos

universais para todos os deficientes.

Após a tabela, apresentamos uma síntese de cada artigo relacionada ao tema das

metodologias de inclusão. Nessas sínteses podemos encontrar detalhes das características dos

artigos, de modo a justificar seu enquadramento no grupo, sendo que a partir daí construímos

as considerações finais.

2.1 Tabela sobre as Metodologias

 

NÃO FALAM

 

FALAM E NÃO ESPECIFICAM

 

FALAM E ESPECIFICAM

01.

01.

RBCE

01.

02.

Movimento

02.

02.

03.

Movimento

03.

03.

04.

04.

Movimento

04.

05.

05.

RBCE

05.

06.

Motriz

06.

06.

07.

07.

RBCE

07.

08.

Movimento

08.

08.

09.

09.

Movimento

09.

10.

10.

10.

RBCE

11.

11.

Motrivivência

11.

12.

12.

RBCE

12.

13.

13.

Motrivivência

13.

14.

Movimento

14.

14.

15.

Movimento

15.

15.

16.

16.

16.

RBCE

17.

Movimento

17.

17.

18.

18.

RBCE

18.

19.

Movimento

19.

19.

20.

20.

20.

RBCE

21.

Motriz

21.

21.

22.

22.

RBCE

22.

23.

Movimento

23.

23.

24.

24.

RBCE

24.

25.

25.

Motrivivência

25.

26.

26.

RBCE

26.

27.

RBCE

27.

27.

28.

Movimento

28.

28.

29.

Motriz

29.

29.

30.

30.

Motriz

30.

26

1. No primeiro artigo da tabela, a revista RBCE aborda a reabilitação de pessoas com

deficiência através do desporto adaptado, desse modo, o desporto é visto como um importante meio na reabilitação psicológica, física e social dessas pessoas. A realização de atividade com modificações e adaptações, permitirá a participação de todas as pessoas com deficiências nas modalidades esportivas. Através de estudos e observação na área, detectou-se os benefícios e as contribuições dessa prática desportiva. Fazendo a análise desse artigo, podemos observar que este fala somente a respeito da metodologia que foi utilizada na elaboração do trabalho, não explica, porém sobre as metodologias de inclusão de pessoas com deficiências através do desporto, embora enfatize que o desporto é importante para a vida do deficiente, sem, todavia, detalhar os princípios e os procedimentos cabíveis para transformar o desporto em metodologia de inclusão.

2. No segundo artigo da tabela, a revista Movimento discute sobre a Educação Física,

orientação e mobilidade de deficiência visual, cita o processo de aprendizagem para as pessoas com deficiência visual, enfatiza que, por meio desse procedimento forma a autonomia do deficiente adquirindo uma boa aptidão física. Mas, analisando esse artigo, observamos que em nenhum momento o autor comentou sobre a utilização de metodologias para promover a

inclusão desses alunos com deficiência visual nas aulas de Educação Física, só é explicito a metodologia que foi utilizada para escrever o artigo.

3. O terceiro artigo na revista Movimento Educação Física: a experiência na Escola

Azul. Trata sobre uma pesquisa de dissertação de mestrado em uma escola de Ensino Fundamental no município de Vitória-ES, a pesquisa é feita com dois alunos deficientes, um com baixa visão e outro com Síndrome de Down, alunos estes, de turma regular do 6º ano. Segundo a análise deste artigo, observamos que o autor faz referências apenas à metodologia utilizada em seu trabalho de campo, realizando um estudo de caso com finalidade de compreender os movimentos no contexto dessa escola para promover a inclusão dos alunos com deficiência, não oferece elementos, metodologias para que os professores possam fazer a inclusão.

4. No quarto artigo da revista Movimento discute a Inclusão e Exclusão no Contexto da

Educação Física Escolar, o professor tratava todos os alunos da mesma forma no processo de ensino-aprendizagem, usava os métodos ginásticos e exercícios repetidos, todos tinham que executar as atividades, independentes de suas capacidades. Sabe-se que para incluir um aluno

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deficiente nas aulas de Educação Física, não é somente fazer uma adaptação para que este participe da aula, mas sim, adotar uma forma educativa, contendo objetivos, conteúdos e métodos que valorizem a diversidade humana, superando assim a exclusão. Analisando esse artigo, podemos observar que fala sobre ter uma metodologia para seguir, mas não explica de que forma trabalhar e nem como essa poderá ser feita, não deixando claro sua linha de ação, ou seja, a sua metodologia.

5. No quinto artigo da revista RBCE aborda a Educação Física e Esporte Adaptado:

História, avanços e retrocessos em relação aos princípios da integração/inclusão e perspectivas para o século XXI. O ponto de vista da Educação Física e do esporte adaptado relacionando aos princípios da integração e inclusão, aponta ainda os avanços e os retrocessos. A ideia de corpo perfeito veio em decorrência das primeiras décadas do século XX, quando o sistema educacional brasileiro sofreu influência dos métodos ginásticos e da instituição militar. Com os progressos do campo adaptado, surgiu à Educação Física Adaptada atendendo os deficientes. Analisando este artigo, observamos que fala da metodologia, que a Educação Física encontrou um caminho para atender o deficiente, caminho esse a Educação Física Adaptada, mas, não especifica de que forma esta pode ser desenvolvida.

6. No sexto artigo da revista Motriz trata da inclusão Escolar na educação física:

reflexões acerca da formação docente em uma pesquisa de mestrado com deficientes visuais no ensino regular, utilizando a metodologia qualitativa, para investigar, descrever, analisar e

interpretar as informações sobre o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação. Essa pesquisa refletiu negativamente nas investigações desse transtorno e no desenvolvimento dos métodos de intervenção. Os procedimentos seguidos foram de examinar o grupo e destacar: a dificuldade em executar as ações motoras cotidianas, dificuldade em tarefas de encaixe, agarrar uma bola e outras. Na análise desse artigo podemos perceber que não fica entendido, qual o tipo de metodologia para fazer a inclusão e trabalhar com esses alunos que possuem deficiência, só explica a metodologia que foi utilizada na elaboração do artigo.

7. No sétimo artigo da revista RBCE aborda o Impacto da organização do ambiente de

aulas de Educação Física no desempenho motor de uma pessoa portadora de paralisia cerebral. A pesquisa foi realizada com um aluno com deficiência mental e paralisia cerebral,

este executou teste de andar sobre obstáculos em duas situações. Os resultados indicaram o modo como se organizou o ambiente para realização da tarefa produziu impacto objetivo no

28

desempenho do aluno. Verificou o contexto de uma escola especial, o impacto da organização do ambiente no desempenho de um aluno que apresenta paralisia cerebral na realização de uma tarefa motora relacionada ao padrão do movimento andar. Segundo o artigo analisado, observamos que este, aborda sobre a metodologia do relacionamento entre a pessoa que apresenta deficiência, o seu ambiente físico-social e as restrições impostas pelas tarefas que lhe são propostas, não pode ser ignorado na avaliação das possibilidades de intervenção junto a esses indivíduos.

8. O oitavo artigo da revista Movimento discute sobre as Crianças com dificuldades

motoras: questões para conceituação do transtorno do desenvolvimento da coordenação. A averiguação de crianças com dificuldades motoras conhecidas na identificação do Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC). Pouco se tem conhecimento sobre esse transtorno, o problema pode está na definição do que se entende por TDC ou na seleção de amostras em estudos que não distinguem o uso de critérios de pesquisa. Nesse artigo observamos que não cita nada sobre a metodologia de ensino, ficando um pouco vago para o entendimento dos leitores que buscam por metodologias para inclusão dessas crianças em sala de aula.

9. O nono artigo da revista Movimento aborda a inclusão de crianças com necessidades

especiais nas aulas de Educação Física na educação infantil. A pesquisa foi realizada com professores de Educação Física da rede regular de ensino e com crianças com necessidades especiais nas aulas da educação infantil. Nesse trabalho, foram realizadas observações e entrevistas obtendo informações devidas sobre o assunto. Os resultados foram categorizados na compreensão da inclusão na prática da Educação Física; nas experiências do professor com as crianças com necessidades especiais; na perspectiva de qualificação profissional e no suporte pedagógico para o processo de inclusão. Na análise desse artigo, observamos os modos e a metodologia de inclusão, aponta que a escola investigada, mas, não oferece atenção especializada ao problema de metodologia, levando o próprio pesquisador a não dar mais detalhes sobre o tema, fala somente da metodologia de corte qualitativo que foi utilizado na elaboração desse trabalho.

10. No décimo artigo da revista RBCE aborda a Didática da Educação Física e Inclusão

nas aulas da rede regular de ensino, utilizou-se um estudo com cinco crianças através de brincadeiras, o processo didático favoreceu a interação do professor de Educação Física e as

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crianças, melhorando a convivência entre as crianças e o aprendizado, promoveu novos recursos didáticos, uma prática pedagógica diferente com intervenção em suas aulas voltadas para a inclusão. Com a experiência dos professores ajudou na organização das atividades oportunizando diferentes estratégias e implicações pedagógicas para o aprendizado. A aula conteve três momentos: O ritual de entrada, diálogo com os alunos preparando para a atividade, o desenvolvimento do brincar e o ritual de saída. Sabe-se que a educação requer ambiente novo e criativo, oferecendo espaço para a criança tomar suas próprias decisões, com

organização de novas formas especiais de aprendizado respeitando as características especiais.

O professor deve ajudar as crianças em suas capacidades, trazer novos materiais que

provocam os jogos, ocasionar brincadeiras com os colegas mediando as suas relações iniciais, fazer mudanças para motivar e estimular novas idéias de brincar, incentivar e transmitir a linguagem de brincar junto, ou seja, sem esperar a vez para brincar com um objeto, mas dividi-lo compartilhando da mesma atividade. Analisando o artigo, observamos que fala sobre

metodologia, enfatiza que a escola tem de encontrar maneiras de educar com êxito todas as crianças, inclusive aquelas com deficiências severas, especifica que a metodologia do estudo

da prática pedagógica foi favorecida a partir do desenvolvimento do estudo de caso de cinco

crianças escolhidas para um acompanhamento mais consistente a partir das repercussões

didáticas e a estrutura da aula era organizada em três momentos bem distintos.

11. No artigo décimo primeiro da revista Motrivivência faz uma reflexão sobre a pessoa

portadora de deficiência visual e a dança, neste são realizadas experiências com pessoas portadoras de deficiência visual praticando a dança, nos mostra que com dança, o indivíduo

pode conseguir ultrapassar os seus próprios obstáculos, conhecendo mais o seu corpo, através

da expressão corporal, buscando o caráter próprio por meio dela. Analisando o artigo, nos

mostra que a dança tem um grande valor para as pessoas portadoras de deficiência visual, cita

os benefícios que o praticante da dança pode adquirir, mas, não da o caminho para trabalha-la.

12. No artigo décimo segundo da revista RBCE debate as relações do jogo e o

desenvolvimento motor na pessoa com deficiência visual, relaciona com o processo de maturação motora da criança, no entanto as influencias que ocorrem nas crianças que apresentam deficiência visual, em consequência da carência de experiências, falta de estímulos sensoriais. Nesta pesquisa foi utilizados livros sobre essa deficiência e investigações para conhecer a área a ser estudada e chegar aos resultados desejados, foi elaborado uma síntese dessa pesquisa, para analisar, avaliar e descrever essa literatura e vir a

30

ser publicada. Segundo o artigo analisado, o autor fala sobre metodologia, o processo de estimulações sistematizadas em ambientes preparados para a intervenção pedagógica, encontrando no jogo o ambiente propício para a exploração do meio, mas, não especifica de que forma esta pode ser desenvolvida.

13. No artigo décimo terceiro da revista Motrivivência aborda A dança e os indivíduos

Portadores de lesão medular, a inclusão desses indivíduos no universo artístico da dança, sua importância para o desenvolvimento do ser humano. Hoje nos deparamos com as diversas tendências de estilos e técnicas que refletem a dança da atualidade, tornando difícil, segundo o

autor, definir, categorizar ou enquadrar a dança para os portadores de lesão medular em uma técnica específica. Segundo o artigo analisado, o autor fala sobre metodologia, a variedade de formas de representação e, consequentemente, de criação, aliada a presença de diferentes corpos dançantes e aqui ressaltamos a presença do indivíduo portador de lesão medular, nos faz crer no enriquecimento da dança enquanto manifestação artística, no momento em que contempla uma nova estética, o respeito pelas diferentes formas de manifestação dos interpretes, mas, não especifica a forma para desenvolver.

14. O artigo décimo quatro da revista Movimento analisa Percepções dos Professores

Quanto á Inclusão de Alunos com Deficiência em Aulas de Educação Física. Nessa pesquisa noventa professores de Educação Física escolar responderam um questionário com dezoito questões. Observou-se que a percepção geral dos professores que participaram da pesquisa foi

negativa para a inclusão. Uns professores que tinham mais tempo de profissão, justificaram que não se sentirem preparados para lidar com alunos deficientes, no entanto, os outros professores com menor tempo de experiência, mostraram visões mais positivas com relação à inclusão desses alunos nas aulas de Educação Física beneficiando a todos os alunos. Os resultados indicaram que os estilos de ensino e as formas de promover a inclusão dos alunos variavam bastante, porém todos profissionais afirmaram que sentem um pouco de culpa, por não conseguirem realizar um trabalho de qualidade com as crianças que possuem deficiência. Nessa pesquisa ainda dar a ideia de que deve ser estabelecido um procedimento para o desenvolvimento desses profissionais, inovando assim, a sua prática pedagógica, possibilitando o trabalho com todos os alunos. Analisando esse artigo, observamos que não é especificada a metodologia de ensino para a inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de Educação Física, e nem como essa metodologia poderá ser aplicada a esses alunos.

31

15. O artigo décimo quinto da revista Movimento, Itinerários da Inclusão de pessoas com

histórico de deficiência: um estudo sobre uma menina surda em aulas regulares de Educação Física, foi realizada com Alice, uma menina surda no ensino regular de Educação Física, resultados obtidos, indicaram certa oscilação na comunicação, estudo realizado no primeiro semestre de 2001, buscando então a tensão interna do diálogo entre particularidade e universalidade. Observou-se, participantes em dezoito aulas de Educação Física realizadas no mesmo semestre, analisou os documentos relativos à saúde e escolarização da aluna, foi realizada entrevistas semi-estruturadas com as professoras regentes, atual e anterior e com o professor de Educação Física anterior da mesma. Analisando este artigo, observou-se que não cita nenhum método ou metodologia de inclusão, para trabalhar com a menina surda e demais crianças que possam ter deficiência.

16. No artigo décimo sexto da revista RBCE analisa o Desempenho psicomotor em

portadores de deficiência mental: Avaliação e Intervenção. Através do teste salto monopedal com indivíduos portadores de deficiência mental, resultando em uma avaliação e intervenção que se utilizou uma prática sequencial. Foi constituída por nove pessoas com idades entre seis e onze anos. Utilizou-se o teste de coordenação corporal KTK-tarefa monopedal- e um Programa de Educação Física orientado. O teste apontou diferenças, nos sujeitos portadores de deficiência metal uma melhora ou progresso na coordenação corporal. Teste Salto Monopedal com objetivo de coordenar os membros inferiores; energia dinâmica/força. Analisou através deste teste, o progresso de indivíduos portadores de deficiência mental resultante de uma avaliação e intervenção em que se utilizou uma prática sequencial. O indivíduo, não conseguindo passar essa altura saltando numa perna, começa a avaliação com nível zero. A partir de seis anos, os dois exercícios-ensaio para a perna direita e esquerda são feitos com um bloco de espuma de 5 cm de altura. O indivíduo, não conseguindo passar, começa como antes, com 0 cm de altura; se ele conseguir, inicia-se a avaliação na altura recomendada para sua idade. Se na passagem válida na altura recomendada o indivíduo cometer erros, esta tentativa é anulada. O indivíduo reinicia a primeira passagem com 5 cm num bloco. Alturas recomendadas para o início do teste por faixa de idade: 5 a 6 anos nenhum bloco de espuma; 6 a 7 anos 5 cm (1 bloco de espuma); 7 a 8 anos 15 cm (3 blocos de espuma); 9 a 10 anos 25 cm (5 blocos de espuma); 11 a 14 anos 35 cm (7 blocos de espuma); Para saltar os blocos de espuma, o indivíduo precisa de uma distância de mais ou menos 1,50 m para impulsão, que também deverá ser passada em saltos na mesma perna. O

avaliador deverá apertar visivelmente os blocos para baixo, ao iniciar a tarefa, a fim de

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demonstrar ao indivíduo que não há perigo caso este venha a ter impacto com o material. Após ultrapassar o bloco, o indivíduo precisa dar pelo menos mais dois saltos com a mesma. Avaliação da tarefa: para cada altura, as passagens são avaliadas da seguinte forma: Na primeira tentativa válida 3 pontos. Na segunda tentativa válida 2 pontos. Na terceira tentativa válida 1 ponto, essa avaliação foi importante, pois ajudou a detectar algumas necessidades que puderam ser corrigidas antes do término da 23ª sessão, possibilitando assim um trabalho mais criterioso e com mais confiabilidade. Após o intrateste continuamos com mais dez sessões de intervenção, quando então realizamos o pós-teste, cujos resultados serão enunciados adiante. O artigo analisado mostrou que aborda a metodologia, faz análises, levam à conclusão de que o assunto avaliação e intervenção é relevante, devendo ser estimulado na educação especial, pois certamente haveria benefícios às pessoas com deficiência mental e ao próprio profissional no desenvolvimento de seus planejamentos.

17. O artigo décimo sete da revista Movimento investiga a Percepção de pais e

professores da influência de um programa motor inclusivo no comportamento social de crianças portadoras e não - portadoras de necessidades especiais, a partir de uma entrevista semi-estruturada, da qual participaram os pais e professores, verificaram mudanças positivas quanto as seguintes características: interação social, autonomia, confiança, responsabilidade, e também a diminuição da agressividade. Em relação ao processo inclusivo, o convívio e aceitação da diferença permitiram a superação de dificuldades motoras e sociais de algumas das crianças. Sabe-se que conviver e respeitar as diferenças do outro é fundamental para a socialização do indivíduo, independentemente do seu talento, da deficiência, da origem socioeconômica ou cultural. Na análise desse artigo, observamos que não indicam meios e não se tem uma metodologia para ser trabalhada com crianças portadoras de necessidades especiais.

18. No artigo décimo oitavo da revista RBCE, é analisado a pessoa portadora de

deficiência física e o lazer. Nessa pesquisa coletaram onze depoimentos, averiguando-se as limitações dos conhecimentos referentes ao lazer de pessoas portadoras de deficiência física, dificultando sua inclusão social e seu desenvolvimento. Foram analisados dez depoimentos de pessoas portadoras de deficiência física, com poliomielite ou paralisia cerebral, a fim de se compreender como conceituam e avaliam o lazer. O procedimento da entrevista foi semi- estruturada, com fonte oral de análise, onde davam seu valor informativo. Analisando esse

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artigo, podemos observar que aborda o lazer para pessoas portadoras de deficiência física, mas, não especifica de que forma pode ser desenvolvido este.

19. No artigo décimo nono da revista Movimento discute o diverso, o diferente e o

idêntico no contexto escolar: o que dizem os discursos oficiais das políticas públicas de inclusão? As argumentações nos discursos oficiais das políticas públicas de inclusão, instauradas nas escolas públicas brasileiras, para alunos especiais. Propõem novas disposições pedagógicas, a prática de integração na escola regular, quando concebida com as dificuldades econômicas e as incertezas da política nacional de educação, muito mais devido aos problemas de natureza sócio-política do que as questões. Na analise desse artigo, observamos que citam as estratégias a serem realizadas no contexto escolar, mas não entram em detalhes sobre o assunto e de que maneira deveram ser feitas essas mudanças.

20. No vigésimo artigo da revista RBCE fala sobre a Iniciação à aprendizagem da

natação e a coordenação corporal de uma criança deficiente visual: algumas contribuições. Foram aplicados procedimentos planejados para a iniciação ao nado crawl, compostos por atividades lúdicas e técnicas que objetivaram desenvolver os seguintes comportamentos:

adaptação ao meio líquido; propulsão de pernas; propulsão de braços coordenados com as pernas; respiração lateral; coordenação braços, pernas, respiração lateral. A mudança de um fundamento para outro ocorria quando a criança atingia o critério mínimo estabelecido de 50% do comportamento motor, respeitando também o ritmo de desenvolvimento da criança. Na 4ª sessão de intervenção, ocasião em que foram inseridas as primeiras estratégias de ensino com o objetivo de desenvolver esse fundamento, a criança alcançou 6% de desempenho e continuou evoluindo nas sessões seguintes, alcançando 100% na 23ª sessão, isto é, realizou todos os comportamentos com domínio motor completo. Na intervenção, objetivando desenvolver esse fundamento, as estratégias de ensino foram iniciadas na 8ª sessão. As estratégias de ensino visando desenvolver o fundamento respiração lateral foram introduzidas na 13ª sessão de intervenção. As estratégias de ensino objetivando desenvolvê-lo foram introduzidas na 18ª sessão de intervenção. Quando a criança já estava dentro da piscina, a professora agia diante da seguinte forma: descrevia verbalmente a área em que estavam; perguntava-lhe o que ela gostaria de fazer; ficava à sua frente e pedia-lhe que fosse até ela, enquanto batia palmas ou a mão na água ou a chamava pelo nome para orientar a direção de seu deslocamento: chamava-a até as laterais da piscina, perguntava-lhe se gostaria de fazer

algo que ainda não tinha experimentado; andava com a criança próxima às laterais e

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solicitava-lhe que tocasse as bordas e localizasse algumas pistas, como grampo em que se prendia a raia, entrada de água, escada; questionava se ela sabia outras formas de movimentar-se na água; perguntava se queria sair pela escada ou pelas laterais da piscina. Utilizaram-se os seguintes materiais: pranchas em EVA, “espaguete” de espuma comprimida, bastão de madeira e bola de borracha. Avaliação inicial e final Antes das sessões de linha de base e, nas mesmas condições, após o período de intervenção, aplicou-se o teste de coordenação corporal. O teste é composto por quatro tarefas, das quais foram utilizadas duas:

a) tarefa 1 equilíbrio dinâmico na trave, cujo objetivo é avaliar a estabilidade do equilíbrio em marcha para trás sobre a trave; b) tarefa 3 salto lateral, que tem por objetivo avaliar a velocidade em saltos alternados. As outras tarefas (salto monopedal e transferência sobre a plataforma) não foram utilizadas por não atenderem aos objetivos específicos da pesquisa, além de não serem adequadas para aplicação em crianças cegas, pois exigem o controle visual em sua execução. Para o reconhecimento e a adaptação ao material, conforme preconiza o teste, a pesquisadora colocou a criança em contato com os materiais, a fim de que ela os explorasse pelo tato. Neste artigo fala a metodologia e especifica de maneira clara, explicando todos os passos a se seguir.

21. O artigo vigésimo primeiro da revista Motriz: Educação Física e o contexto inclusivo:

o que pensam os educandos sem deficiência? Essa pesquisa foi realizada em uma escola de Bauru com uma aluna com deficiência, estudante em uma turma regular da 2ª série, entrevistaram dezoito alunos de ambos os sexos, que responderam ao questionário para análise da opinião da população. Verificou-se, que a aluna com deficiência sempre participou das aulas, nunca atrapalhou a turma, nem comprometeu o andamento das atividades e dos conteúdos ministrados nas aulas. Os colegas sempre a ajudavam, pois sabem que a inclusão é para todos. Entende-se que os alunos estão reagindo positivamente à inclusão, todos declararam que gostam de participar das aulas de Educação Física e colaboram com a colega deficiente. Analisando este artigo, ficamos em partes felizes, pelo fato de ter uma aluna deficiente contribuindo para o conhecimento dos demais colegas da turma, mas suje uma preocupação pelo fato de falarem em incluir essa aluna, visto que, não dão maneira, ou o direcionamento de como deve ser feita a inclusão desta, só dizem que os demais docentes se dão bem com a mesma.

22. No vigésimo segundo artigo da revista RBCE investiga Acessibilidade e inclusão de

uma aluna com deficiência visual na escola e na Educação Física. O processo de inclusão e

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de acessibilidade reflete na aprendizagem e no desenvolvimento da aluna. O problema de investigação compreende como a escola e as aulas de Educação Física apresentam condições de acessibilidade e de inclusão a essa aluna na escola comum. Entende-se que a inclusão dessa aluna na escola contribuiu para um aprendizado mútuo entre os alunos. A acessibilidade deve ser garantida a todos os ambientes da escola, com a sinalização, com letras em Braille e também com símbolos para facilitar a compreensão de todos, devendo ainda haver uma estrutura adequada para facilitar o acesso. As entrevistas com as professoras levantaram informações sobre formação, capacitação e experiência do professor ao lidar com alunos com deficiência. Analisando esse artigo, notamos que o mesmo fala a respeito da metodologia, mas, não a especifica, deixando sem compreensão a forma de ensinar alunos com deficiência.

23. O artigo vigésimo terceiro da revista Movimento: A prática dos professores de

Educação Física das escolas públicas de Porto Alegre. Nessa pesquisa ouviram vinte participantes das escolas públicas de Porto Alegre sobre a prática docente dos professores. Nessa prática, os professores constroem estratégias e conhecimentos que lhes caracterizam como práticos reflexivos. Analisando este artigo, observou-se que não fala nada sobre método ou sobre a metodologia para que exista a inclusão, somente falou sobre a prática desses

professores das escolas públicas de Porto Alegre.

24. No vigésimo quarto artigo da revista RBCE: Inclusão Educacional: intenções do

projeto em curso. As experiências de inclusão de alunos com deficiências em salas e escolas regulares nestes países já permitem uma maior compreensão aos princípios necessários às possibilidades inclusivas, uma vez que, sem experiência, a inclusão por decreto pode constituir-se de um discurso vazio. Analisando este artigo, observamos que este, fala sobre a metodologia, mas não especifica que metodologia é essa, e de que forma pode ser trabalhada para que haja a inclusão.

25. No vigésimo quinto artigo da revista Motrivivência, investigou a Participação em

local de lazer de indivíduos com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica. Foi realizado um questionário, onde demonstraram que os indivíduos com mobilidade reduzida pouco frequentam locais de lazer e quando esta prática ocorre os locais mais visitados são aqueles que oferecem diversão gratuita. Concluiu-se que os ambientes de lazer avaliados na Cidade de Salvador, apresentam oportunidades de melhoria na maioria dos itens avaliados

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com relação à ABNT. Neste artigo analisamos que este fala sobre metodologia, mas, não especifica.

26. No vigésimo sexto artigo da revista RBCE aborda A formação acadêmica refletindo

na expansão do desporto adaptado: uma abordagem brasileira. Os cursos de graduação oferecem uma formação eminentemente técnica em que o aprender a fazer predomina sobre o conhecer as propostas de elaboração de um novo currículo já vinham sendo desenvolvidas através de vários encontros que tinham como tema central a reestruturação curricular dos cursos de graduação em Educação Física, inclusive com reflexões e discussões sobre estratégias de ação para essa área com o desporto e o lazer das pessoas portadoras de deficiência. Neste artigo analisamos que este fala sobre metodologia, mas não especifica as formas de se trabalhar.

27. No vigésimo sétimo artigo da revista RBCE aborda as demarcações sociais e as

relações diádicas na escola: considerações acerca da inclusão. A questão da inclusão social discutida em diversos segmentos da sociedade no âmbito educacional em função da inclusão de pessoas com necessidades especiais na escola regular. A autoridade do professor pode ser

usada a fim de criar as condições para os alunos tratarem a diferença não como o desenvolvimento de discursos iguais fundamentados em experiências distintas, mas como construções contingentes e relacionais que produzem formas e identidades sociais que devem ser tornadas problemáticas e sujeitas a análises históricas e contextuais. Analisando este artigo, observamos que não fala nada a respeito da metodologia.

28. No artigo vigésimo oitavo da revista Movimento: Por professores e alunos especiais:

espaço da individualização. Aborda a individualização no processo de ensino no espaço da Educação Física para portadores de necessidades educacionais especiais, aponta uma prevalência no grupo pesquisado, entendendo as deficiências e as dificuldades dos alunos. Analisamos este artigo e observamos que o mesmo, não deixa claro sobre a metodologia de ensino.

29. No vigésimo nono artigo da revista Motriz aborda Os professores de Educação Física

Adaptada e os saberes docentes. Neste artigo verificou-se o conhecimento, o planejamento e

aplicação desses conhecimentos aos alunos com necessidades educacionais especiais. Apontaram os saberes disciplinares, experienciais e pedagógicos como constitutivos da

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Educação Física e da Educação Física Adaptada, no planejamento, elaboração e aplicação de conhecimentos. Buscou-se conhecer melhor o profissional de Educação Física Adaptada, em seu dia-a-dia, planejando, elaborando e aplicando seus conhecimentos e saberes, junto aos alunos com necessidades educacionais especiais. Analisamos que este artigo não cita nada a respeito de metodologia.

30. No artigo trigésimo da revista Motriz: Integrando a Educação Física ao Projeto

Político Pedagógico: perspectiva para uma educação inclusiva. Discute a importância da Educação Física integrada ao Projeto Político Pedagógico da escola visando assim à inclusão de alunos com necessidades educativas especiais na prática da cultura corporal. Implica uma nova postura da escola regular que deve propor no projeto político-pedagógico, no currículo, na metodologia, na avaliação e nas estratégias de ensino, ações que favoreçam a inclusão social e práticas educativas diferenciadas que atendam a todos os alunos. Nas escolas ainda é comum nos depararmos com situações de discriminação e exclusão dos alunos especiais à luz de diversos fatores, que vão desde a falta de materiais, equipamentos e espaços adequados até a falta de preparo por parte dos profissionais para dar conta do trabalho com esses alunos. Analisando esse artigo, observamos que não define que metodologia deve ser usada para

melhorar a formação dos professores.

38

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho revisou estudos nos quatros principais periódicos da área, nos quais observamos que ainda há uma carência muito grande de literaturas voltadas para a inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de Educação Física. Observamos que nos trinta artigos analisados, treze não falam a respeito de métodos e metodologias de inclusão de aluno com deficiência em suas aulas, no entanto, quatorze falam sem especificar os procedimentos e as deficiências, e somente três artigos abordam e especificam as metodologias de ensino utilizadas para se trabalhar com esse público. Sendo assim, constatamos que a maioria dos autores, pouco dão importância para a metodologia de inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de Educação Física. Pois, sabemos que é importante uma metodologia adequada para se trabalhar com qualquer tipo de aluno, com ou sem deficiência, com base em sua especificidade. Uma vez que as dificuldades maiores são os alunos com deficiência, pois já sofrem com preconceito, discriminação, uma metodologia de ensino especializada poderá ajudar no desenvolvimento desse aluno, interligando a educação com sua vida social. O professor refletirá sua metodologia de ensino para se trabalhar com aluno com deficiência durante as aulas de Educação Física. É preciso que pesquisadores e editores dos periódicos busquem direcionamentos mais especializados sobre o assunto, e que possam apontar possíveis meios para que todos esses alunos sejam incluídos nas aulas de Educação Física, com um ensino de qualidade, que é fundamental na vida de qualquer pessoa, independente de suas limitações. Do contrário, os textos de tais publicações acabaram por contar com a expectativa de seus efeitos retóricos sobre os leitores no sentido da mudança de atitude diante da relação entre docência e aluno com deficiência nas aulas de Educação Física. Além das retóricas de

convencimento em torno da necessidade e da importância em torno da inclusão, torna-se urgente o desenvolvimento de metodologias de ensino enquanto subsídios para a efetivação da inclusão para além do discurso político e teórico. Isso não é tarefa fácil, justamente porque

o conceito de pessoa com deficiência implica uma variedade e diversidade significativa, o que exige estudos voltados a cada uma delas, de tal modo que incluir um sujeito autista não designa o mesmo desafio de se incluir um cadeirante. O que significa a impossibilidade de tratar da deficiência em linhas gerais, tal como o fazem a maior parte das publicações estudadas, comprometendo sua efetividade enquanto produção científica que deve transformar

a prática docente.

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