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8 Terça-feira 17 de dezembro de 2013

Jornal do Comércio - Porto Alegre

Economia

dezembro de 2013 Jornal do Comércio - Porto Alegre Economia Affonso Ritter Observador aritter20@gmail.com Resistências

Affonso Ritter

Observador

aritter20@gmail.com

Resistências ao chip do boi

O desempenho da agropecuária gaúcha foi excepcional neste

ano e promete ser também no próximo. Mas ficou uma certa frus- tração no secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, de não ter conseguido implantar até agora a rastreabilidade na pecuária, ou o chip do boi. Primeiro era o preço, depois o governo estadual decidiu bancar sua implantação. O setor se dividiu, a favor e con- tra. Na verdade, os contras acabam sendo contra os seus interesses, porque a rastreabilidade aumenta em muito os preços da carne e dá acesso à Cota Hilton (carne para restaurantes europeus). O Uruguai implantou a rastreabilidade em todo o rebanho, por isso vende sua carne a peso de ouro na Europa, enquanto os gaúchos vendem sua carne para abastecer o Uruguai a preços mais baixos, segundo o secretário.

Abates clandestinos

O governo estadual bancaria parte da rastreabilidade com o au-

mento da arrecadação do ICMS, hoje sonegado com os abates clan- destinos, que ainda atingem 20% do total e, mesmo com a alíquota baixa da carne, alcançaria R$ 60 milhões, segundo o secretário Luiz Fenando Mainardi.

Aulinha de trânsito

Secretário Luiz Fernando Mainardi já frequentou cinco turnos de quatro horas de aulinhas de trânsito (falta uma) para recuperar sua carteira de habilitação. Ela foi retida por 50 pontos, não provo- cados por ele, mas por motoristas de sua Kombi durante campanha eleitoral, fato que passou despercebido por ele na época.

Aplicativo na saúde

O Fátima Saúde de Caxias do Sul acaba de lançar um aplicativo

que permite ao usuário consultar médicos, especialidades, clínicas e hospitais disponibilizados pelo plano. Além disso, é possível con- tatar centrais de atendimento e consultórios dos profissionais cre- denciados via click-to-call (ligação direta do app).

Tendências e estratégias

Câmara Americana de Comércio (Amcham) promove, a partir das 7h30m de hoje, no Bourbon Country de Porto Alegre, o CEO Fórum Amcham, e com palestrantes de peso, como o professor de Harvard Ram Charam, André Gerdau, o consultor e filósofo Eugenio Mussak e o CEO da IBM Brasil, Rodrigo Kede. Em pauta, as tendên- cias e melhores estratégias para o mercado para os próximos anos.

Mais eletroeletrônicos estrangeiros

O Brasil continua importando muito mais aparelhos eletroele-

trônicos do que exportando. Segundo a entidade empresarial do setor, a Abinee, sua balança comercial deste ano deverá atingir um déficit de US$ 36 bilhões, 11% superior ao registrado no ano passado. No caso dos bens finais, os importados participam com 22,9% do consumo interno; nos equipamentos industriais, 29,3%; no material elétrico de instalação, 19,2%; e na geração, transmissão e distribui- ção de energia elétrica, 22,1%. Com tudo isso, o setor deverá faturar, neste ano, R$ 156,6 bilhões, expansão nominal de 8% e real de 5%. Mas sua produção física, conforme dados do IBGE, cresceu apenas 2% sobre 2012 e recuou 7% sobre 2011.

ANUNCIE NO JC.

LIGUE 3213.1333.

e recuou 7% sobre 2011. ANUNCIE NO JC. LIGUE 3213.1333 . AGRONEGÓCIOS Área de trigo crescerá

AGRONEGÓCIOS

Área de trigo crescerá 10% embalada por safra recorde

Plantio em terras tradicionalmente ocupadas por culturas de verão poderia ampliar em mais de 70% o cultivo do cereal no Estado

Patrícia Comunello

patriciacomunello@jornaldocomercio.com.br

A área de cultivo do trigo no Estado, maior produtor nacional

do cereal, com quase 60% da oferta nacional, deve crescer 10% em 2014, elevando de pouco mais

de 1 milhão de hectares neste ano

para 1,24 milhão de hectares. Desde

2004, a cultura não ultrapassava a marca de 1 milhão de hectares, se- gundo a Emater-RS. A expansão é efeito do desempenho da cultura

na safra em andamento, que deve

confirmar um recorde histórico e preços de comercialização em alta, que chegam a 27,4% acima da mé-

dia histórica. A safra deve chegar a 2,9 milhões de toneladas, alta de 56,13% frente à colheita de 2012, que somou 1,86 milhão de tonela- das. O resultado supera em 6,1% o volume de 2011 (2,7 milhões de toneladas), que havia sido o maior

da cultura nos campos gaúchos.

Diante da evolução do cereal, dirigentes da Emater-RS e da Em- brapa Trigo, com sede em Passo Fundo, destacaram ontem, ao ana-

lisar as condições da lavoura e os avanços em produtividade e me- lhoramento das variedades, que o potencial de expansão do trigo é ainda maior no Rio Grande do Sul.

O chefe-geral da Embrapa Trigo,

Sergio Roberto Dotto, calculou em 74%, que representaria cerca de 760 mil a mais com o grão, somen-

te com o aproveitamento de áreas

ocupadas pelas culturas de verão

(soja e milho). Dotto avaliou o que poderia ser cultivado em parte das lavouras que receberão a soja (um terço da área total de 4,3 milhões

de hectares) e em outra cota da sa-

frinha de milho, que não tem gran-

DANILO UCHA/JN/ESPECIAL/JC
DANILO UCHA/JN/ESPECIAL/JC

Colheita gaúcha vai chegar próxima a 3 milhões de toneladas

de cultivo local. Hoje, o grão que gera o principal insumo de pães, biscoitos e outros derivados ocupa quase 90% das terras cultivadas por culturas de inverno. Outra vantagem, destacada pelo diretor técnico da Emater-RS, Gervásio Paulus, é que os produto- res podem aproveitar equipamen- tos e insumos usados na produção de soja e milho para a área que poderá receber mais trigo. Hoje, a maior fatia de cultivo está na região Celeiro (Norte do Estado), onde se

encontram as maiores produtivi- dades. Com eventual expansão, a política de preços ao produtor tam- bém será decisiva. Recentemente,

a autorização para importar mais trigo rebaixou cotações. A média por tonelada em dezembro é de R$ 589,00, segundo a Emater-RS, mas chegou a valer R$ 800,00. “O ideal é ficar entre R$ 600,00 e R$ 650,00”, avaliou Dotto. Os dirigentes das duas estatais

defenderam que o setor precisa de uma política pública para incentivo

à ampliação do plantio e garantia

de mercado. Segundo o chefe-geral

da Embrapa Trigo, a principal me- dida seria reduzir a importação, que hoje vem principalmente dos

países do Mercosul - puxada pela Argentina -, beneficiados pela tarifa externa comum, que é zerada para trigo. No começo de dezembro, a Casa Civil do governo federal se reuniu com Embrapa, os ministé- rios do Desenvolvimento Agrário e de Agricultura, Pecuária e Abaste- cimento e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pediu a ela- boração de um plano para elevar

a produção do setor. O Brasil hoje

não é autossuficiente no cereal, ten- do de importar para suprir deman- das de moinhos. Os produtores locais devem colher 5,4 milhões de toneladas do grão neste ano, mas

a demanda interna é estimada em

quase 11 milhões de toneladas.

Governo inclui Santa Catarina na redução do ICMS

Por meio de novo decreto pu- blicado neste mês, o governo do Estado incluiu Santa Catarina na diminuição do ICMS de 12% para 8% para a compra do trigo gaúcho. O baixo valor no mercado interna- cional, principalmente nos portos do Norte da África, e a alíquota zero do imposto no comércio entre países do Mercosul, também im- pulsionam a comercialização den-

tomar algumas medidas para es- coar a produção. Numa operação conjunta, Es- tado e União disponibilizaram a cooperativas e cerealistas R$ 200 milhões do Banrisul e mais R$ 200 milhões do Banco do Brasil para armazenar o produto até que os preços subam. Além disso, a Se- cretaria da Agricultura colocou à disposição a capacidade de esto-

pelo governador Tarso Genro. De acordo com o coordena- dor da Câmara Setorial do Trigo do Estado, Aureo Mesquita, o Rio Grande do Sul passará pela ex- periência de vender grande parte da produção no mercado nacio- nal. “A tendência é de que ocorra uma comercialização lenta para o mercado interno, inclusive para o Nordeste, o que é uma novidade.

tro

do Brasil. Conforme estimativa

que público da Cesa. Em novem-

Aproximadamente, 500 mil tone-

da

Conab, a safra 2013/2014 deve

bro, Paraná, Rio de Janeiro, São

ladas por mês, a um preço superior

chegar a 3 milhões de toneladas. O

Paulo e Minas Gerais já haviam

ao atual, devem deixar o Estado”,

recorde na produção, no entanto, fez com que o Estado tivesse que

sido contemplados com a redução através de outro decreto assinado

projeta. A medida é válida até o fi- nal de janeiro de 2014.