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programa praxis xxi disqual DISQUAL optimização da qualidade e redução de custos na cadeia de

programapraxis xxi disqual DISQUAL optimização da qualidade e redução de custos na cadeia de distribuição

praxis

xxi

disqual

programa praxis xxi disqual DISQUAL optimização da qualidade e redução de custos na cadeia de distribuição

DISQUAL

optimização da qualidade e redução de custos na cadeia de distribuição de produtos hortofrutícolas frescos

Manual de Boas Práticas

qualidade e redução de custos na cadeia de distribuição de produtos hortofrutícolas frescos Manual de Boas

Instituições do consórcio

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Instituições do consórcio
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MANUAL

DE

BOAS

CARACTERIZAÇÃO

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS CARACTERIZAÇÃO PRÁTICAS - CENOURA Aspectos Gerais A cenoura pertence à família

CENOURA

Aspectos Gerais

A cenoura pertence à família Umbelifere e o seu nome científico é

Daucus carota L.

A origem da cenoura parece estar localizada na Ásia, na área do

Afeganistão, onde é possível encontrar cenouras em estado espontâneo. Cultivada desde há mais de 2 mil anos, foi muito apreciada por determi- nadas classes sociais da Grécia antiga. As primeiras cenouras eram de cor branca, amarela e púrpura e não cor–de-laranja. As variedades actuais provêm de modificações destas variedades, iniciadas no século XVII, pelos holandeses.

A cenoura é rica em vitaminas A, B, C e em caroteno, precursor de vita-

A

cenoura é rica em vitaminas A, B,

C

e em caroteno, precursor de vita-

mina A. Cem gramas de cenoura correspondem a 42 calorias (Aubert S., 1981).

O consumo regular de cenoura é bastante eficaz no combate a doenças

como as anemias e as avitaminoses. O caroteno confere protecção contra

alguns cancros e tem efeitos muito benéficos na saúde da pele e da visão.

As cenouras parecem, também, oferecer alguma protecção contra a acção

dos raios ultra-violeta, ajudando a pele a proteger-se contra agressões climáticas e aparecimento de rugas. É diurética e excelente reguladora dos mecanismos cardiovasculares e do trânsito intestinal devido à pre- sença de compostos celuloso-pécticos e de fibras longas lenhificadas pouco digeríveis.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA A cenoura é a hortaliça mais utilizada

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CENOURA

A cenoura é a hortaliça mais utilizada na preparação de alimentos para

crianças após o desmame, sendo um alimento recomendado em caso de diarreias ou outros distúrbios do tubo digestivo. Isto faz com que a cenoura seja considerada um produto dietético por excelência e seja objecto de uma vigilância atenta.

Características Morfológicas

A cenoura é uma planta bianual, embora seja cultivada como anual, de

raiz fusiforme, grossa e carnuda de cor normalmente alaranjada e de sabor adocicado. No primeiro ano, em condições normais, desenvolve primeiro uma roseta de folhas e armazena posteriormente as suas reser- vas na raiz, hipertrofiando-a.

A cor laranja intensa da cenoura é devida ao seu elevado teor em caroteno

e elevada taxa de β/α caroteno, representando um índice interessante da

qualidade e um importante factor de marketing.

Cultivares

A cenoura apresenta uma grande diversidade a nível da forma, do com-

primento e da cor. Podemos distinguir vários tipos entre os quais: Nantes, Chantenay, Parisiense, Amsterdam, Flakkee e Imperador.

O mercado em fresco está dominado pela cenoura tipo Nantes que corres-

ponde a uma raiz cilíndrica lisa, bem arredondada na extremidade, com colorido intenso e isenta de colo verde ou violeta. Quanto aos outros tipos são utilizados principalmente na indústria de transformação, como por exemplo: para sumos, alimentos para bebé e dietética (Chantenay); para congelação inteiras (Parisiense, mais curtas e redondas e Amsterdam, mais compridas e finas) e a Flakkee para congelação cortadas (macedónia).

Tendo em atenção o comprimento das raízes (curto, semicomprido ou comprido) e o seu período de produção (precoce, tardio), poder-se-ão agrupar algumas variedades do seguinte modo:

- Raízes curtas e precoces com início de produção em Abril/Maio:

Banghor, Guérande, S.Mamede, Redonda Parisiense;

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA - Raízes semi - compridas com início de

CENOURA

- Raízes semi - compridas com início de produção em Junho/Julho:

Nantes, Touchon, Chantenay, Americana; - Raízes compridas com início de produção em Agosto/Outubro (produção tardia): S.Nicolau, Australiana, Flakkee, Berlicum.

As cultivares de cenoura semi - compridas são actualmente as mais difun- didas nas principais regiões produtoras.

O ciclo cultural das cultivares precoces de raiz curta e semi-comprida dura aproximadamente 3 a 4 meses quando a cultura se realiza na Primavera/Verão e 5 a 7 meses nos cultivos invernais.

Zonas de Produção

Em Portugal as zonas de produção mais significativa localizam-se na região do Ribatejo-Oeste (Óbidos, Bombarral, Peniche, Montijo, Alcochete

e Salvaterra de Magos), Aveiro (Vagos, Ílhavo, Oliveira do Bairro) e Entre- Douro e Minho (Póvoa de Varzim e Esposende).

Época de Colheita

Cultiva-se ao longo de todo o ano, sendo durante os meses de Junho a Novembro o período de maior produção.

Época de Comercialização

A cenoura é comercializada durante todo o ano.

Caracterização da Cadeia

A cadeia de distribuição da cenoura mais comum é apresentada esque-

maticamente na Figura 1. Contudo podem existir cadeias mais curtas (entrega directa) onde não acontecem algumas destas fases.

Perdas Associadas à Cadeia

Em Portugal não são conhecidas estimativas fiáveis das perdas que ocor- rem na cadeia dos frutos frescos. Só através da identificação e quantifi-

cação das perdas que ocorrem nas diferentes fases da cadeia será possível

a optimização da qualidade e redução de custos na cadeia de distribuição.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Quando as condições pós–colheita não são apropriadas,

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CENOURA

Quando as condições pós–colheita não são apropriadas, poderão surgir alterações na cenoura que vão comprometer a sua comercialização:

murchidão e perda de peso, emissão de folhas e raízes, doenças para- sitárias, aquisição de sabor amargo, alterações de cor, perda de brilho, danos de refrigeração e alterações da composição.

Segundo indicação de uma empresa de distribuição nacional, em 1998 e 1999, os principais motivos de rejeição à entrada nos entrepostos, são o aparecimento de podridões, alterações epidérmicas e exemplares par- tidos. À entrada nas lojas os acidentes na central e a presença de man- chas castanhas são os motivos de rejeição mais comuns.

Figura 1:

Cadeia de distribuição típica da cenoura

CAMPO

INSTALAÇÕES DE CALIBRAÇÃO EMBALAGEM E CONSERVAÇÃO

DISTRIBUIÇÃO E VENDA

PRODUÇÃO

COLHEITA

TRANSPORTE

PRÉ-ARREFECIMENTO

PREPARAÇÃO

EMBALAGEM

CONSERVAÇÃO

TRANSPORTE

TRANSPORTE

ENTREPOSTO

TRANSPORTE

LOJA

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PRODUÇÃO

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DISQUAL - PRODUÇÃO MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Condições Edafoclimáticas Clima A cenoura é uma

CENOURA

Condições Edafoclimáticas Clima

A cenoura é uma planta de regiões temperadas sendo o clima tempera-

do marítimo bastante favorável à sua produção. É exigente relativamente

à humidade e, em caso de seca, a raiz adquire um aspecto menos cilín-

drico, formando-se no seu interior um reticulado fibroso que deprecia o

valor comercial.

As condições climáticas anteriores à colheita têm muita importância na capacidade de conservação e duração do tempo de vida das cenouras. A chuva e a humidade relativa nas duas semanas que precedem a colheita são bastante desfavoráveis.

 

Efeitos

Acção preventiva

Estado hídrico do soloTemperatura

• Falta de água:

√ Regas

- Dificuldade de penetração da raiz no solo

• Excesso de água:

√ Drenagem

- Modificações na forma

- Aparecimento de “manchas de água”

- Maior mortalidade das raízes

- Aparecimento de fungos

 

• Temperaturas baixas:

Cobertura do solo (“paillage”) com

- Floração precoce

túneis, manta térmica, etc

- Raízes mais curtas

- Coloração fraca

- Lenhificação do coração

• Temperatura execessivamente alta:

- Coloração mais clara das raízes

 

- Tamanho mais reduzido

- Forma esférica

Tabela 1:

Efeito dos factores climáticos e

respectivas medidas preventivas na cultura da cenoura

Na Tabela 2 estão indicadas algumas das temperaturas óptimas ao longo do crescimento da cenoura.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS T abela 2: T emperaturas óptimas no desenvolvimento da

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Tabela 2:

Temperaturas óptimas

no desenvolvimento

da cenoura

FASE

TEMPERARTURA ÓPTIMA (ºC)

Germinação das sementes

16

– 18

Fixação do caroteno

15

- 20

Desenvolvimento da raiz

T ar - 13 - 18 T solo - 23 - 28

-

CENOURA

Solo

A planta prefere terrenos arenosos ou areno-limosos, profundos, bem

drenados, com pH entre 6 e 6,5 e ricos em matéria orgânica (M.O.). A cenoura não resiste em absoluto à acidez do terreno e é geralmente con- siderada como uma cultura hortícola sensível à salinidade.

O crescimento da raiz faz-se em função de factores como a intensidade

de compactação, a textura, a porosidade, a estrutura e a estabilidade estrutural e ainda a humidade do solo.

Operações Culturais

O êxito da cultura da cenoura depende, para além dos factores edafo-

climáticos, de factores como: a preparação do terreno e as diversas intervenções realizadas pelos agricultores, a rega, tratamentos fitossanitários e adubações e da sementeira propriamente dita - semeador e sementes - qualidade do lote, calibre, etc.

Preparação do Terreno

A preparação do terreno tanto à superfície como em profundidade é

importante para a implantação da cultura, para o desenvolvimento da raiz e qualidade à colheita. A manutenção qualitativa da estrutura do solo

e da sua porosidade deve prever o arejamento, a facilidade de penetração

das raízes, a actividade radicular, os riscos fitossanitários (fungos no solo),

a actividade de microorganismos e a evolução da temperatura.

Além de melhorar a estrutura do solo, a lavoura permite enterrar os detri- tos vegetais da cultura anterior e incorporar os estrumes e adubações de

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA fundo. A lavoura deve realizar-se quando o solo

CENOURA

fundo. A lavoura deve realizar-se quando o solo apresenta boas condições de humidade e não deve ser muito profunda (normalmente 25-30 cm) pois corre-se o risco de trazer à superfície a terra menos fértil.

Após a incorporação de matéria orgânica deverá realizar-se uma gradagem para uniformizar a superfície do terreno, que fica pronto para a desin- fecção. Nos solos arenosos, a manutenção da fertilidade depende, em boa medida, da aplicação de quantidades abundantes de matéria orgânica.

O nível de matéria orgânica no solo é muito importante já que actua a vários níveis:

- propriedades físicas do solo,

- crescimento da planta,

- capacidade de troca de catiões,

- retenção da água,

- actividade biológica do solo,

- migração dos elementos nutritivos.

Ao estrumar, deverão ser tomadas algumas precauções:

- Não usar estrume demasiado fresco, já que a aplicação de um estrume mal decomposto, antes da cultura da cenoura, conduz a um aumento de raízes bifurcadas.

- Não usar estrume com muita palha, já que podem ser criadas hetero- geneidades no solo e aumentar o número de raízes bifurcadas.

Muitas vezes as técnicas culturais contribuem para a alteração da con- formação geológica conduzindo a uma diminuição da estabilidade estru-

tural o que leva à má nutrição da planta e à redução da taxa de matéria orgânica. As práticas a seguir referidas estão na origem destas alterações, devendo ser evitadas:

- As passagens das alfaias em solos demasiado húmidos que induzem a formação de calos e zonas de compactação, originando deformações radiculares;

- O aprofundamento excessivo das lavouras que promove a degradação da matéria orgânica;

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA - O planeamento incorrecto das regas que

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CENOURA

- O planeamento incorrecto das regas que pode comprometer a taxa de mineralização da matéria orgânica;

- As rotações de culturas com fracas restituições, como o milho, batata, alho porro, entre outras.

Desinfecção

A desinfecção do solo pode ser feita com metame sódio. O produto é apli-

cado no terreno na forma pura, com um tractor onde se instalou uma

barra perfurada ligada ao reservatório do desinfectante. Após ser apli- cado ao solo, deverá ser imediatamente incorporado com uma fresa ou similar. Como parte do produto se volatiliza, após a sua incorporação, deve-se regar para obstruir os poros da superfície, impedindo assim que

o gás se escape para a atmosfera.

Armação dos Camalhões

A armação dos camalhões serve para impedir, durante a cultura, a acu-

mulação de água no perfil do solo onde se desenvolvem as raízes, facili- tando o seu desenvolvimento, a operação de arranque das raízes bem como outras operações culturais como a aplicação de herbicidas, adubações de cobertura e regas. Estes camalhões têm normalmente 4-5 linhas, 1,10-1,20 m de largura e 20 a 25 cm de altura.

Sementeira

Outro dos factores que condiciona o sucesso da cultura é a qualidade das sementes. Uma semente de boa qualidade deve estar em bom estado, apta a germinar e ter a garantia da cultivar.

A preparação da cama para a semente consiste na criação de uma

camada de terra suficientemente fina para assegurar um bom contacto com a semente e favorecer a acção dos herbicidas de superfície. A

rolagem favorece a subida de água por capilaridade e a humidificação da semente. Uma boa cama para a semente deverá incluir:

- camada de 4 cm de terra fina a fim de facilitar a germinação,

- zona suficientemente porosa e com estrutura homogénea com cerca de 20-25 cm de profundidade.

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA A profundidade da sementeira e a densidade (número

CENOURA

A

profundidade da sementeira e a densidade (número de cenouras por

m

2 ou ha) devem permitir o desenvolvimento homogéneo das cenouras

com o mínimo de concorrência. Com os semeadores actuais em linhas ou em faixas, este problema é facilmente ultrapassado desde que cor- rectamente calibrados.

Rega

A manutenção de um teor constante de humidade permite à cenoura um

aumento no rendimento e melhoria da qualidade. As cenouras bem regadas mostram-se mais lisas do que as que tiveram falta de água. Esta característica é geralmente tomada como um critério de qualidade.

Uma boa gestão da rega é condicionada pela escolha adequada dos equipa- mentos e pela sua condução que deve ser feita em função do clima, da natureza dos solos, do estado da cultura e do sistema cultural. Ao manter um bom nível hídrico, através da prática de regas ligeiras ou utilização de cobertura com agro-textil, evita-se uma lexiviação significativa dos nutrientes e a secagem da superfície.

Apesar da rega por aspersão ser actualmente o sistema mais comum, são muitas vezes criadas, junto às plantas, condições de humidade que favore- cem o desenvolvimento de doenças.

A rega excessiva pode provocar ainda alterações vulgarmente denomi-

nadas por “manchas de água” que correspondem a pequenas fendas de bordos irregulares nas cenouras.

Fertilização

A fertilização tem de ser vista em conjunto já que integra numerosas

interacções, particularmente entre a preparação do solo, as adubações e

a rega. No conceito actual de produção orientada para a qualidade e a pro- tecção do ambiente contra a poluição é exigida prudência no que respeita

a esta operação.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA U ma boa gestão da nutrição mineral

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PRÁTICAS

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CENOURA

Uma boa gestão da nutrição mineral passa por:

- conhecer as extracções da cultura da cenoura,

- conhecer o suporte da cultura que passa forçosamente por uma análise de solo,

- preparar bem o solo (circulação livre da água, do ar e das raízes no solo, para que a cenoura possa absorver facilmente os elementos minerais),

- usar um plano de adubação racional.

Tabela 3:

Exportações da cultura de cenoura (kg/ha) (Fonte: Ctifl,1992b))

Rendimento

         

ton/ha

N

P

2 O 5

K

2 O

CaO

MgO

40

120 - 200

30 - 70

200 - 400

70 - 150

15 - 20

É necessário notar que a parte aérea das plantas na altura da colheita fica na parcela: desta maneira restitui-se ao solo uma parte dos elementos extraídos.

Azoto

A falta de azoto manifesta-se por um crescimento deficiente e clorótico,

enquanto que as adubações excessivas e inadequadas às necessidades, prejudicam e criam as reacções seguintes:

- Redução da taxa de emergência;

- Sensibilidade ao “cavity spot”;

- Aumento do teor em nitratos nas raízes;

- Redução do rendimento comercial.

O azoto pode ser fornecido pelo nitrato de potássio, nitrato de amónio ou por um adubo nitroamoniacal ou amoniacal.

Sendo um nutriente facilmente lexiviado, a sua aplicação ao solo de uma forma fraccionada parece ser a mais prudente. O fraccionamento em três aplicações com 1/5 à sementeira e duas aplicações de 2/5 em cobertura, tem-se revelado o mais apropriado em relação a outras alternativas que preconizam uma adubação mais reforçada à sementeira. Isto acontece porque as necessidades da planta são efectivamente mais baixas nas primeiras 6 ou 7 semanas do seu ciclo vegetativo.

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Nitratos A forma nitrato é a mais corrente

CENOURA

Nitratos

A forma nitrato é a mais corrente e a mais importante no solo. A cenoura

absorve preferencialmente esta forma. A quantidade de nitratos presente

no solo e disponível para a planta é fortemente dependente da fertiliza- ção e da mineralização do azoto.

A ingestão elevada de nitratos pode causar hipertensão arterial,

hipotiroidismo e baixa actividade cerebral. No entanto, o principal problema está ligado à possibilidade de certas enzimas do tubo digestivo transformarem os nitratos em nitritos. Os nitritos assim formados têm a

faculdade de tornar não funcional a hemoglobina dos glóbulos ver- melhos, provocando principalmente nos bebés, problemas de oxigenação

do sangue. Por sua vez, os nitritos podem combinar-se no aparelho diges-

tivo com compostos azotados e formar as nitrosaminas que são poderosos agentes cancerígenos.

A concentração dos nitritos em cenouras aumenta com o tempo de

armazenagem, com a elevação da temperatura e quando há microor- ganismos presentes.

Fósforo

Este elemento intervém como transportador de energia, tanto na fotossín- tese como na respiração. Tem uma acção benéfica no desenvolvimento das raízes sendo factor importante na qualidade e no rendimento da cultura.

Potássio

Este elemento possui uma grande mobilidade no interior da planta e tem

uma função reguladora nas trocas intercelulares e no transporte dos pro- dutos de síntese. Favorece a síntese dos glúcidos e a migração destas substâncias nos órgãos de reserva. O seu papel é importante em caso

de fraca luminosidade.

A adubação potássica exige o conhecimento dos teores relativos de

potássio e magnésio do solo e o fraccionamento das aplicações (sulfato

de potássio em fundo, nitrato de potássio à sementeira e de cobertura).

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA As carências em potássio provocam um enrolamento

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CENOURA

As carências em potássio provocam um enrolamento das folhas que, nas mais velhas, conduzem a queimaduras marginais.

Magnésio

Este elemento constituinte da clorofila é indispensável à actividade fotossintética. É necessário ainda à síntese de numerosos elementos e à sua reserva. Por isso, a concentração de magnésio deve ser equilibrada:

uma carência em magnésio provoca sobre as folhas jovens uma clorose ligeira, bastante mais marcada sobre as folhas mais velhas que podem começar a secar.

O magnésio deve ser fornecido antes de mais ao solo. Será no entanto

necessário prevenir o antagonismo que existe com o potássio. Para recu- peração da cultura pode-se efectuar pulverizações foliares de sulfato de magnésio.

Cálcio

Este elemento é um dos constituintes da parede celular contribuindo para a resistência dos tecidos vegetais. A cenoura tem um nível de exigência médio deste elemento.

Boro

Em caso de secura, a carência de boro parece ser mais frequente. As reacções da planta são múltiplas:

- crescimento reduzido das folhas que tomam uma cor alaranjada, - alteração das raízes que nos casos mais graves ficam com cor castanha, - aparecimento de manchas de cor cinzento escuro à superfície da cenoura pouco tempo após a lavagem (cerca de 1 hora).

A carência do boro pode ser colmatada fornecendo ao solo 1 a 3 kg de

Borax/ha ou por pulverizações de Solubor. Note-se que esta pulverização terá algum efeito na luta contra a podridão cinzenta que aparece no decurso da armazenagem.

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Controlo de Infestantes Cerca de três dias após

CENOURA

Controlo de Infestantes

Cerca de três dias após a sementeira deve ser aplicado um herbicida de pré-emergência. Quando a parte aérea da cenoura apresentar uma altura de 4-5 cm, poderá ser feita uma segunda aplicação de herbicida. As ervas que sobreviverem a estes tratamentos deverão depois ser mondadas manualmente.

Pragas e Doenças

Embora não seja totalmente eficaz, a rotação de culturas constitui uma importante prevenção na luta contra pragas e doenças do solo ao per- mitir uma redução significativa das populações de certos patogénicos.

A protecção da cultura de cenoura, realizada no cumprimento da regula-

mentação ambiental nacional e europeia, necessita da parte do produtor de uma atenção acrescida. Com efeito, a protecção da cultura contra as doenças e pragas, que pode ser de ordem profilática, genética e química, deve inscrever-se num programa conjunto de condução da cultura.

A primeira forma de combate consiste em prevenir os ataques antes que

eles ocorram. Assim, deve-se:

- escolher as variedades melhor adaptadas às condições climáticas da região e ao ciclo cultural,

- escolher as variedades mais resistentes e tolerantes às doenças e pragas,

- semear em terreno são, bem drenado e evitar excessos de fertilização, sobretudo azotada,

- utilizar sementes sãs,

- praticar uma rotação de culturas suficientemente longa e evitar culturas precedentes que possam fomentar a doença,

- evitar deixar cenouras na parcela, após a colheita.

A protecção química é o método mais simples, o mais rápido e o mais

eficaz, pelo menos a curto prazo. Estas características, sobretudo a sua fácil utilização, tendem a conduzir a abusos que se saldam por alguns problemas no terreno, em especial os resíduos de pesticidas em quantidades muito importantes e o aparecimento de raças resistentes de inimigos das

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA culturas. Os pesticidas utilizados têm frequentemente um

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CENOURA

culturas. Os pesticidas utilizados têm frequentemente um efeito perverso acrescido: actuam não apenas sobre o alvo para o qual são homologados, mas também sobre o conjunto do ecossistema.

Embora as doenças da cenoura mais preocupantes sejam aquelas que atacam directamente a raiz, alguns fungos que afectam a parte aérea, ao enfraquecerem a planta, têm uma repercussão negativa importante sobre a produção e qualidade da raiz. De entre os fungos que afectam mais fre- quentemente a folhagem da cenoura, estão o míldio, a alternaria e o oídio.

Tabela 4:

Condições favoráveis ao aparecimento de pragas e acções preventivas

Pragas

Sintomas

Condições favoráveis

Meios de luta / Acções preventivas

Mosca da cenoura

Redes de galerias

Repetição de culturas

Eliminar infestantes

(Psila rosae)

na raiz

no mesmo solo

Utilizar insecticidas

Perda de vigor

Presença de

Promover a luta biológica

Amarelecimento das

umbeliferas durante

folhas da base

todo o ano

Avermelhamento

da folhagem

Nemátodos

Perturbação do

Repetição de culturas

Rotação de culturas (>5 anos)

(Heterodera carotae)

crescimento normal em

no mesmo solo

Evitar o transporte de terra de

(Pratylenchus spp)

comprimento (cenouras

zonas infectadas para zonas sãs

(Melodoigyne spp)

curtas e deformadas,

Desinfectar os solos

frequentemente

Utilizar nematodicidas

bifurcadas)

Semear nas parcelas infectadas

Aparecimento de

espécies com acção nematodicida

galhas na raiz principal

e nas secundárias

AAffííddeeooss ((ppiioollhhooss))

Deformações e

Temperaturas

Tratar a flora exterior (arbustos e

(Cavariella

encrespamento das

adequadas ao

flores)

aegopodii)

folhas

desenvolvimento

Eliminar infestantes

Enfraquecimento das

da praga

Promover a luta biológica

plantas

Presença de

hospedeiros

(flora local)

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PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Doenças Sintomas Condições favoráveis Meios de luta /

CENOURA

Doenças

Sintomas

Condições favoráveis

Meios de luta / Acções preventivas

Mídio

Manchas amarelas na parte superior das folhas e na parte inferior “algodão” branco e denso Pequenas manchas acastanhadas com auréola amarelada nas folhas mais velhas Aspecto queimado característico

Densidade elevada de plantação HR elevada (90%) Condensação sobre as plantas Temperatura (10- 25°C) Nível de azoto elevado

Evitar regar ao fim do dia Evitar períodos húmidos demasiado prolongados Usar tratamentos preventivos com fungicidas específicos Utilizar cultivares resistentes Usar fertilizações azotadas equilibradas

(Plasmopara nivea)

AAlltteerrnnaarriioossee

(mancha negra)

(Alternaria dauci)

Oídio

Manchas castanhas esbranquiçadas pulverulentas inicialmente arredondadas que acabem por cobrir todo o folíolo

HR (50%-70%)

Usar tratamentos químicos específicos

(Erysiphe heraclei

Temperatura (20-

ou Erysiphe

25°C)

 

umbelliferarum e

Desenvolve-se preferencialmente em período estival quente e seco Nível de azoto elevado

Leveillula taurica)

PPooddrriiddããoo iinnvveerrnnaall

Manchas vítreas formando um anel castanho transversal à raiz

Falta de rotações Restos da cultura infectada Presença da água na forma livre na base das raízes Excesso de água Nível de azoto elevado

Rotações de mais de 5 anos Eliminar os restos da cultura Realizar drenagens Usar fertilizações azotadas equilibradas

(Phytophthora

megosperma)

DDooeennççaa ddaass mmaanncchhaass sseeccaass oouu CCaavviittyy ssppoott(Pythium violae e P. sulcatum)

Formação de uma ou mais manchas elípticas translúcidas, com contornos bem limitados que provocam concavidades secas

Solos infectados (Falta de rotação das culturas) Stress ambiental e nutricional Excesso de água Solos pesados

Desinfectar os solos Efectuar rotação de culturas Usar tratamentos preventivos com fungicidas específicos Drenar os solos Efectuar calagens Usar fertilizações azotadas equilibradas

SScclleerroottiinniiaa oouu bboolloorr bbrraannccoo

Sintomas ao nível do colo e da base dos pecíolos sob a forma de podridão mole que fica coberta de um “algodão” branco

Clima húmido e temperatura amena

Efectuar rotação de culturas Utilizar densidades que permi- tam bom arejamento Proceder a fertilizações equilibradas Eliminar do campo as plantas doentes

(15°C)

(Sclerotinia Esclerotiorum)

Densidades elevadas Excesso de azoto

RRiizzooccttoonniiaa

Pequenos aglomerados miceliares com pequenas pontuações negras, que mais tarde tomam um aspecto de “algodão” azulado a violeta característico

Falta de rotação Presença de infestantes contaminados Excesso de água

Fazer rotações longas Eliminar as plantas doentes Drenar o solo Utilizar na rotação plantas desfavoráveis ou resistentes ao fungo

(Rizoctonia violacea)

PPooddrriiddããoo nneeggrraa

Focos de bolor superficial que mais tarde se tornam cinzentos escuros

Falta de rotação Presença de infestantes contaminadas Restos da cultura com inóculo Cultivo em solos infectados aliado a condições de conservação quentes e húmidas

Fazer rotações longas Eliminar as plantas doentes drenar o solo

(Thielaviopsis

basicola e

Chalaropsis

 

thielavioides)

 

Colher e manusear com cuidado Refrigerar adequadamente

Tabela 5:

Condições favoráveis ao aparecimento de doenças e acções preventivas

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Ao nível da produção, a podridão negra

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

-

CENOURA

Ao nível da produção, a podridão negra da cenoura é apontada como uma importante doença de conservação que conduz a importantes perdas pós–colheita, essencialmente no Verão.

- Míldio (Plasmopara nivea) e Alternariose (Alternaria dauci)

Durante o período vegetativo, devem ser realizados tratamentos preventivos com Captana, Mancozebe ou Oxicloreto de Cobre+Zinebe (substâncias activas aconselhadas em protecção integrada) se estiverem reunidas as condições climáticas para o desenvolvimento destes fungos.

- Oídio (Erysiphe heraclei ou Erysiphe umbelliferarum)

A luta química é habitualmente realizada em simultâneo com a praticada contra a Alternaria, embora os produtos indicados para cada doença sejam distintos.

- Doença das manchas secas ou ‘Cavity spot’ (Pythium violae e P.

sulcatum) As manchas secas podem ser acompanhadas por microfendilhamentos longitudinais que, à medida que a raiz engrossa também evoluem, podendo transformar-se em fendas que podem ser confundidos com o acidente fisiológico provocado por desequilíbrios hídricos.

- Sclerotinia ou bolor branco (Sclerotinia sclerotiorum)

Pode-se manifestar tanto no campo como durante a conservação, sendo no segundo caso uma das doenças mais importantes na diminuição da qualidade pós-colheita. Embora noutros países se usem alguns pesticidas (à base de Benomil, Vinclozolina, Iprodiona, Diclofluanida, Procimidona,

etc.) para combater esta doença, em Portugal ainda não se encontra nenhuma substância activa homologada para a cultura.

- Podridão negra (Thielaviopsis basicola e Chalaropsis thielavioides)

Esta doença é tipicamente de conservação. Os danos aparecem como con- sequência de más condições de conservação: sacos de embalagem insu- ficientemente perfurados, temperatura demasiado elevada e, não menos importante, uma deficiente qualidade das cenouras colhidas.

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DE

BOAS

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Se o solo ou a câmara de conservação

CENOURA

Se o solo ou a câmara de conservação estiverem contaminados, é muito difícil controlar estes fungos devido à sua grande tolerância aos fungicidas.

Acidentes Fisiológicos

Como factores depreciativos da qualidade e do rendimento da cultura aparecem ainda os acidentes fisiológicos dependentes principalmente das condições climáticas e pedológicas. Na Tabela 6 estão indicados os aci- dentes fisiológicos mais frequentes.

Acidentes

Sintomas

Condições favoráveis

Meios de luta / Acções preventivas

Colo verde

Aparecimento de colo verde

Formação de fendas de retracção no solo

Praticar amontoa ligeira Semear em bandas (6-8 cm)

CCeennoouurraass bbiiffuurrccaaddaas

Desenvolvimento de raízes secundárias que tuberizam

Certos nemátodos e fungos Excesso de água no solo Solo mal mobilizado Estrumações abundantes antes da sementeira

Desinfecção de solos Drenagem dos solos Fertilizações equilibradas Mobilização do solo

CCeennoouurraass ffeennddiiddaass

Rachamento

Desequilíbrios hídricos Fraca densidade de sementeira Golpes sofridos nas operações pós-colheita

Boa drenagem

longitudinal

Manuseamento cuidado

EEppiiddeerrmmee

Formação de película

Atmosfera com fraca humidade relativa Perda de água após a colheita Ferimentos sofridos após a colheita Lavagem

Conservar em condições de temperatura e humidade adequadas Não armazenar por períodos superiores a 1 mês

eessbbrraannqquuiiççaaddaa oouu

ppaarrddaa

de tecidos mortos que vão descamando

SSaabboorr aammaarrggoo

 

- Exposição ao etileno

Bom controlo ambiental dentro

Aumento de temperaturas e humidade baixa durante a conservação

das câmaras

   

- Períodos prolongados

Bom controlo ambiental dentro

AAppaarreecciimmeennttoo ddee nnoovvaass ffoollhhaass ee rraaíízzeess

de armazenagem em condições desfavoráveis

das câmaras

Tabela 6:

Condições favoráveis ao aparecimento de acidentes fisiológicos, sintomas e prevenção

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Cenouras Fendidas O rachamento longitudinal das cenouras

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BOAS

PRÁTICAS

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CENOURA

Cenouras Fendidas

O rachamento longitudinal das cenouras pode dever-se a ataques para- sitários (Pythium, por exemplo). No entanto, é mais frequentemente rela- cionado com acidentes fisiológicos que podem produzir-se antes ou depois da colheita.

Sabor Amargo

As lesões que a cenoura sofre durante a colheita, sobretudo mecânica, e nas operações de transporte, lavagem, calibragem e embalagem que se seguem, provocam um aumento da síntese de certas substâncias, as isocumarinas, que estão directamente ligadas ao gosto amargo das cenouras.

Figura 2:

Defeitos depreciativos

da qualidade:

1. Falta de firmeza (murchas); 2. Sujidade; 3. Bifurcações;

4. Fendas cicatrizadas;

5. Coloração verde no colo;

6. Forma não regular;

7. Excesso de calibre; 8. Fendas devidas à lavagem.

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COLHEITA

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PRÁTICAS

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DISQUAL - COLHEITA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Depois de alcançado o desenvolvimento óptimo, as

CENOURA

Depois de alcançado o desenvolvimento óptimo, as cenouras podem manter-se por algumas semanas no solo. Porém, apesar das cenouras ganharem em peso, a qualidade diminui: as folhas amarelecem, a raiz lenhifica no centro, perde sabor, pode rachar e tomar uma cor verde na zona do colo.

sabor, pode rachar e tomar uma cor verde na zona do colo. Figura 3: Campo de

Figura 3:

Campo de cenouras

Critérios de Definição da Data de Colheita

A data da colheita depende do estado de desenvolvimento, da abertura de fendas no terreno e do aspecto da cenoura (diâmetro, aspecto liso da epiderme, arredondamento da extremidade apical da cenoura). Embora não exista nenhum parâmetro físico-químico objectivo que defina com precisão a data de colheita, o índice refractométrico e a firmeza são actualmente os parâmetros mais considerados. Com base no conhecimento do tempo de duração normal do ciclo cultural, é habitual o arranque de algumas plantas para verificar o estado de desenvolvimento da raiz.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Figura 4: Colheita de cenoura Técnicas de

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DE

BOAS

PRÁTICAS

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CENOURA

Figura 4:

Colheita de cenoura

DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Figura 4: Colheita de cenoura Técnicas de Colheita As operações de

Técnicas de Colheita

As operações de colheita incluem o arranque, a limpeza, a eliminação da folhagem, se necessário, e a recolha para recipientes.

Figura 5:

Recipientes de recolha de cenoura no campo

da f olhagem, se necessário, e a recolha para recipientes. Figura 5: Recipientes de recolha de

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DE

BOAS

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA A colheita pode ser manual, semi-mecânica ou mecânica.

CENOURA

A colheita pode ser manual, semi-mecânica ou mecânica. Actualmente a

colheita mecânica está muito desenvolvida devido, sobretudo, às con- sideráveis vantagens na redução dos custos de produção relacionados com a mão-de-obra e à existência de cultivares que, pela sua folhagem erecta e resistência à tracção, estão bem adaptadas a este tipo de colheita.

Boas Práticas na Colheita da Cenoura

Após a colheita, a cenoura degrada-se rapidamente devido ao seu elevado metabolismo. A epiderme começa a descamar e os tecidos em redor dos cortes começam a perder a cor, afectando o aspecto exterior da raiz. A atenuação dos efeitos de degradação passa por:

- Garantir um bom estado sanitário à colheita;

- Colher de manhã bem cedo, de forma a evitar os períodos de mais calor;

- Reduzir ao mínimo o tempo entre a colheita e o acondicionamento;

- Colocar os palox ou caixas ao abrigo do sol, para evitar o aumento da temperatura.

PREPARAÇÃO

Descarga

A descarga deve ser cautelosa de forma a que sejam evitados danos

mecânicos no produto.

Lavagem

A lavagem das cenouras permite a cicatrização mais rápida das feridas e

reduz o aparecimento de podridões, resultado da eliminação de esporos

e outras formas de propagação de doenças.

A eficácia desta operação inclui a adição à água de lavagem de fungicidas

ou desinfectantes de forma a controlar a propagação de doenças.

Após a lavagem, a superfície das cenouras fica húmida e em certas zonas existe água livre. É por isso aconselhável a manutenção do produto a

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA baixas temperaturas (0 - 1 0 C)

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DE

BOAS

PRÁTICAS

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CENOURA

baixas temperaturas (0 - 1 0 C) de forma a minimizar a propagação de microorganismos.

Cuidados a ter na Lavagem

- controlar o tempo de exposição,

- usar água de qualidade,

- regular a temperatura da água,

- eliminar a água em excesso.

Triagem

A selecção deve ser extremamente rigorosa de modo a evitar a conser-

vação de produto que não irá ser comercializado. Devem ser rejeitadas

as cenouras secundárias, partidas e podres. Desta forma os custos de con-

servação são reduzidos e no caso de podridões evita-se a contaminação de cenouras sãs. O produto que foi rejeitado, deve ser recolhido para con- tentor próprio e descartado logo que possível.

Pré-Arrefecimento

O arrefecimento é feito por aspersão com água fria (“hidrocooling”), nor- malmente a 0 0 C e com adição de 2 % de hipoclorito de sódio. Com o choque térmico pretende-se cortar os efeitos da acção bacteriana.

Separação em Categorias

Existem três categorias que diferenciam a qualidade da cenoura: Extra, I e II. Na categoria Extra apenas deve ser encontrado produto de quali- dade superior, com isenção completa de defeitos e com as características da variedade. Na categoria I é incluído produto de boa qualidade e com as características da variedade, sendo permitidos ligeiros defeitos de forma, desenvolvimento e coloração. Na categoria II a cenoura pode apresentar alguns defeitos de forma, de desenvolvimento e de coloração

um pouco mais pronunciados do que na categoria I. No anexo I encon- tram-se especificadas as características de cada categoria de acordo com

as normas em vigor.

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DE

BOAS

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Calibragem A separação por calibres é feita com

CENOURA

Calibragem

A separação por calibres é feita com base no diâmetro máximo ou no

peso da raiz (sem rama). Na Tabela 7 é apresentada a relação entre o peso e o calibre.

Disposições

Categoria Extra

Categoria I

Categoria II

Cenouras primor* e cultivares de raízes pequenas

Calibragem facultativa, sendo obrigatório respeitar:

CCaalliibbrree mmiinníímmoo - 10 mm ou 8g CCaalliibbrree mmááxxiimmoo - 40 mm ou 150g

 

Cenouras de

 

Calibragem facultativa, contudo o calibre minímo deve ser respeitado

conservação e

 

Calibragem obrigatória

variedades grandes

 

CCaalliibbrree mmíínniimmoo

20

mm ou 50g

20 mm ou 50g

20 mm ou 50g

CCaalliibbrree mmááxxiimmoo

45 mm ou 200g

-

-

HHoommooggeenneeiiddaaddee ddee ccaalliibbrree (diferença máxima de calibre entre cenouras da mesma embalagem)

20

mm ou 150g

30 mm ou 200g

-

* Raízes que não sofreram qualquer paragem de crescimento

Tabela 7:

Calibragem e

homogeneidade

de calibre

Apresentação

A cenoura pode ser comercializada em molhos ou cortada rente ao colo.

Quando em molhos, a rama deve ser fresca verde e sã. As raízes de um mesmo molho devem ter um calibre uniforme. Quando a raiz é cortada rente ao colo, a rama deve ser aparada sem danificar a raiz.

Cuidados a ter na Preparação

Nas instalações:

- Limpar regularmente o pavilhão (tectos, paredes, chão, área circun- dante); - Limpar regularmente os equipamentos envolvidos na triagem de produto não conforme (cilindros e alvéolos) e a linha de calibragem;

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA - Limpar regularmente as embalagens usadas para

DISQUAL

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MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

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CENOURA

- Limpar regularmente as embalagens usadas para a colheita e comer- cialização;

- Iluminar convenientemente as instalações;

- Formar o pessoal para as operações específicas.

Com o produto:

- Arrefecer as cenouras imediatamente após a colheita;

- Manipular a cenoura na linha de calibragem durante a selecção, com o maior cuidado;

- Evitar a condensação ao nível da epiderme de forma a controlar o desen- volvimento de microrganismos.

EMBALAGEM

As cenouras podem ser acondicionadas em sacos plásticos de polietileno perfurado com capacidade de 1 kg de produto. O uso de perfurações per- mite o arejamento do produto e evita a acumulação de água devida a trans- piração. Os sacos de plástico são por sua vez acondicionados em sacos de rede com capacidade para 20 kg de produto. Estes sacos devem ser cor- rectamente paletizados e o peso máximo não deve exceder os 1000 kg. A cenoura é também comercializada a granel.

Se comercializadas num curto período de tempo, não são necessárias per- furações nos sacos plásticos das cenouras, no entanto, para períodos con- siderados longos, convém que os sacos sejam perfurados. Embora as cenouras embaladas em sacos de malha permitam um melhor arejamento minimizando o desenvolvimento de patogénicos, a protecção contra a desidratação é menor.

Cuidados a ter no Embalamento

– O conteúdo de cada embalagem deve ser homogéneo no que respeita à origem, variedade, qualidade e calibre; – Numa mesma embalagem os molhos devem ter um peso praticamente uniforme e estar regularmente alinhados numa ou várias camadas;

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DE

BOAS

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA – A parte visível da embalagem deve ser

CENOURA

– A parte visível da embalagem deve ser representativa do conjunto;

– O acondicionamento deve permitir durante a manutenção e transporte uma protecção adequada ao produto;

– Os materiais utilizados no interior da embalagem devem ser novos, limpos e tais que não provoquem ao produto quaisquer alterações externas ou internas;

– As embalagens ou lotes destinados a expedições a granel devem estar isentas de corpos estranhos;

– As caixas reutilizáveis devem estar igualmente limpas e tais que não provoquem qualquer dano ao produto.

CONSERVAÇÃO

Período de Conservação

A cenoura pode ser conservada por períodos longos, que podem chegar

aos 3 meses.

A aplicação de ozono nas últimas etapas de uma conservação prolongada

pode ajudar a diminuir os ataques fúngicos.

Temperatura

Humidade relativa

0

0 C

95-98%

Tabela 8:

Condições óptimas para a conservação de cenoura

Resposta ao Etileno

A exposição ao etileno induz o desenvolvimento de sabor amargo. O

armazenamento e transporte com hortofrutícolas produtores de etileno, como tomate, melão ou maçã deve por isso ser evitado.

Resposta à Atmosfera Controlada (AC)

O uso de AC em cenouras não promove o aumento da vida útil em relação

ao ar normal. Concentrações de CO 2 acima dos 5 % promovem a podridão

e baixas concentrações de O 2 não são bem toleradas resultando geral-

mente no aumento da acção bacteriana.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Cuidados a ter na Conservação – Limpar

DISQUAL

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MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

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CENOURA

Cuidados a ter na Conservação

– Limpar regularmente as câmaras;

– Evitar misturas com produtos produtores de etileno;

– Não exceder a capacidade das câmaras;

– Manter corredores entre paletes de forma a permitir uma correcta cir- culação do ar;

– Identificar adequadamente os contentores (palox);

– Evitar variações bruscas de temperatura;

– Abastecer o ponto de venda à medida das necessidades.

DISTRIBUIÇÃO

Expedição

A distância entre o local de produção e o de consumo é por vezes muito

grande sendo necessário transporte refrigerado. O transporte com tem- peratura controlada tem custos muito superiores aos do transporte à tem- peratura ambiente e por isso a optimização dos veículos é ainda mais importante.

O carregamento para o transporte deve ser feito em condições de tem-

peratura e humidade relativa óptimas, referidas anteriormente, sendo

necessário o mesmo cuidado e precauções referidos para as etapas anteriores.

Apesar de normalmente serem usados veículos refrigerados entre o entre- posto e a loja, nas outras fases da cadeia de distribuição, a cadeia de frio

é muitas vezes interrompida. Acresce o facto dos veículos transportarem

cargas mistas com diferentes exigências ao nível da temperatura e humi-

dade relativa. Actualmente já existem carros com divisórias móveis que admitem duas ou três temperaturas diferentes permitindo assim o trans- porte simultâneo de produtos congelados e frescos. Por exemplo, na ausência deste tipo de transporte podem ser usados pequenos con- tentores com refrigeração autónoma.

DISQUAL

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MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Cuidados a Ter Durante o Carregamento Os problemas

CENOURA

Cuidados a Ter Durante o Carregamento

Os problemas mais comuns na expedição são devidos a variações de tem-

peratura. Para que estes problemas sejam evitados devem ser tomadas as seguintes precauções antes de carregar o veículo:

- Arrefecer previamente a galera frigorífica à temperatura recomendada

e testar o sistema de circulação de ar;

- Colocar o produto no veículo de transporte à temperatura pretendida, uma vez que no transporte refrigerado apenas se mantém a temperatura do produto (sem o arrefecer);

- Estacionar o veículo de transporte o mais próximo possível da câmara frigorífica onde se encontra armazenado o produto e sempre que pos- sível ligar estes dois por um túnel. Uma alternativa interessante passa

pela existência de um cais refrigerado para expedição permitindo que

o carregamento se faça directamente para o veículo. O cais deve estar

isolado do exterior por portas de bandas de borracha que se ajustam ao perfil do veículo;

- Uma vez iniciado efectuar o carregamento sem demora;

- Se o processo de carga for interrompido por qualquer motivo, fechar as portas e ligar o aparelho de frio até que sejam retomadas as operações;

- Fechar a porta do veículo e pôr os ventiladores em funcionamento assim que as paletes estejam na galera;

- Garantir que durante o transporte o produto não sofre oscilações impor- tantes de temperatura;

- Não carregar lotes onde tenham sido detectadas temperaturas anormais;

- Limitar a altura máxima de carregamento, para garantir uma boa repar- tição de ar sobre todo o compartimento do veículo, prevendo um espaço livre de 10 a 20 cm abaixo do tecto;

- Assegurar a limpeza, externa e interna, do veículo e garantir a ausência de qualquer cheiro e/ou humidade no interior da caixa.

É frequente o carregamento deste tipo de produtos em veículos de trans- porte secundário sem pré refrigeração, obrigando-se o sistema de frio do veículo a fazer o arrefecimento. Esta prática deve ser evitada porque como o sistema de frio está dimensionado apenas para manter a tem- peratura, o arrefecimento é lento.

DISQUAL VENDA - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA Manipulação no Ponto de Venda No

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VENDA

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MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

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CENOURA

Manipulação no Ponto de Venda

No ponto de venda é também necessário que sejam tomadas algumas pre- cauções de modo a não comprometer todo o processo anterior:

- Proteger da luz;

- Evitar variações bruscas de temperatura;

- Conservar em câmara frigorífica a temperaturas entre 5 e 10 0 C;

- Abastecer o ponto e venda à medida das necessidades.

Exposição no Ponto de Venda

O sucesso da venda dos produtos passa também pela forma como os pro-

dutos são apresentados ao consumidor, deve-se assim:

- Rotular de forma visível e precisa;

- Expor em quantidade suficiente;

- Iluminar e arranjar bem o produto;

- Cuidar diariamente da apresentação e limpeza do espaço destinado à venda dos produtos;

- Colocar na banca/expositor apenas embalagens limpas;

- Manter as etiquetas sempre limpas;

- Não colocar os produtos em contacto com o pavimento.

Como Comprar Cenoura de Qualidade

A cenoura é dos legumes mais resistentes, sendo possível conservar

durante vários dias no frigorífico e manter as suas qualidades iniciais. No entanto, para que isso seja possível, devem escolher-se raízes bem colo- ridas, firmes, não engelhadas, não rachadas, estaladiças e de pele viçosa.

Como Conservar Correctamente a Cenoura

Quando guardada na parte inferior do frigorífico e cenoura tem um tempo de vida útil de 5 a 6 dias.

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BIBLIOGRAFIA

BOAS

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BIBLIOGRAFIA BOAS PRÁTICAS - CENOURA A UBERT, S. 1981 - La carrot

CENOURA

AUBERT, S. 1981 - La carrot (Daucus Carota L.) Reviue de quelques fac- teurs d´intérêt diététique. Cah. Nutr.Diét., 16:173-188. BENJAMIM L.R. 1987 - Variation in plant size and the timing of carrot pro- duction. Acta Horticulturae, 198, 297-304. BOHEC, J.; PELLETIER, J. 1978 - La carotte. Techniques modernes de pro- duction. Invuflec, Paris. 124 pp. BRADLEY G.A.; SMITTLE, D.A.; KATTAN, A.A.; SISTRUNK, W.A. 1967 - Planting date, irrigation, harvest sequence and varietal effects on car- rot yields and quality. Procedings of the Americam Society of Horticultural Science, 90, 223-234. CTIFL, 1992 a - La carotte. Guide pratique, Tome 1, Paris. CTIFL, 1992 b - La carotte. État des connaissances, Tome 2, Paris. FRITZ, D.; HABBEN, J. 1974 - Determination of ripeness of carrots. Acta Hortic., 52: 231-238. GARDE, A.; GARDE, N. 1988 - Culturas hortícolas. Clássica Editora, Lisboa, 469 pp. GOUNY P. E CORNILLON P. 1973 - La salinité: aspects théoriques et prac- tiques - modes de contrôle. P.H.M.-Revue Horticole, 142:3-7. GPPAA, 2000 - Anuário Hortofrutícola. INVUFLEC, 1977 - La carotte: maladies et ennemis. Invuflec, Paris. 76 pp. LIEW, C.L.; PRANGE, R.K. 1994 - Effect of ozone and storage temperature on postharvest diseases and physiology of carrots (Daucus carota L.). J. Amer. Soc. Hort. Sci., 119(3): 563-567. MADRP, 1999 - Normas de Qualidade – Produtos Hortofrutícolas Frescos.Lisboa. MADRP, [s.d.] - Qualidade e Apresentação de Frutas e Legumes – Guia Prático para o Pequeno Retalhista. [MADRP]. Lisboa MADRP, 1999 - Secretaria de Estado da Modernização Agrícola da Qualidade Alimentar – Normalização das Frutas e Legumes. Garantia da Qualidade – Guia Prático para o Consumidor. [MADRP]. Lisboa. MAROTO, J.V. 1989 - Horticultura herbácea especial. Mundi-Prensa. Madrid. 3ªed. 566 pp.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA NAMESNY, A. 1996 - Post-recoleccion de hortalizas,

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

-

CENOURA

NAMESNY, A. 1996 - Post-recoleccion de hortalizas, vol.II. Ediciones de Horticultura, Reus. 294 pp. RIAMBAU, R. 1998 b - Origen y composición nutritiva. La protagonista:

Quién es y qué nos ofrece? Horticultura, 128: 76-77.

DISQUAL

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MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

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DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA ANEXO I Normas oficiais de qualidade para a

CENOURA

ANEXO I

Normas oficiais de qualidade para a cenoura

(Regulamento CE nº 730/99, de 7 de Abril)

1. Definição do Produto

A presente norma diz respeito às cenouras das variedades (cultivares) de

Daucus carota L. que se destinem a ser apresentadas ao consumidor no esta- do fresco, com exclusão das cenouras destinadas à transformação industrial.

2. Disposições Relativas à Qualidade

O objectivo da norma é definir as características de qualidade que as cenouras devem apresentar depois de acondicionadas e embaladas.

2.1. Características Mínimas

Em todas as categorias, tendo em conta as disposições previstas para cada categoria e as tolerâncias admitidas, as cenouras devem apresentar-se:

- inteiras,

- sãs; são excluídos os produtos que apresentem podridões ou outras alterações que as tornem impróprias para consumo,

- limpas, isto é:

- para as raízes lavadas, praticamente isentas de matérias estranhas visíveis,

- para as outras raízes, incluindo as raízes lavadas envolvidas em turfa pura, praticamente isentas de quaisquer impurezas grosseiras,

- firmes,

- praticamente isentas de parasitas,

- praticamente isentas de ataques de parasitas,

- não lenhosas,

- não espigadas,

- não bifurcadas e desprovidas de raízes secundárias,

- isentas de humidades exteriores anormais, isto é, suficientemente enxutas após a lavagem eventual,

- isentas de odores e/ou sabores estranhos.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA O desenvolvimento e o estado das cenouras

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

-

CENOURA

O desenvolvimento e o estado das cenouras devem permitir-lhes:

- suportar o transporte e as outras movimentações a que são sujeitas,

- chegar ao lugar de destino em condições satisfatórias.

2.2. Classificação

As cenouras são classificadas em três categorias a seguir definidas:

a) Categoria “extra”

As cenouras classificadas nesta categoria devem ser de qualidade supe- rior obrigatoriamente lavadas e devem apresentar as características da variedade ou do tipo varietal.

Não devem apresentar defeitos, com excepção de alterações muito ligeiras

e superficiais, desde que estas não prejudiquem o aspecto geral do pro- duto, nem a sua qualidade, conservação ou apresentação na embalagem.

As raízes devem:

- ser lisas,

- ter aspecto fresco,

- ter forma regular,

- não estar gretadas,

- apresentar-se isentas de contusões e fendas,

- apresentar-se isentas de danos causados pelo gelo.

Ficam excluídas as cenouras que apresentem uma coloração verde ou violácea/púrpura no colo.

b) Categoria I

As cenouras classificadas nesta categoria devem ser de boa qualidade e devem apresentar as características da variedade ou do tipo varietal.

As raízes devem:

- ter aspecto fresco.

Podem, no entanto, apresentar ligeiros defeitos a seguir indicados, desde

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

-

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA que estes não prejudiquem o aspecto geral do

CENOURA

que estes não prejudiquem o aspecto geral do produto, nem a sua quali- dade, conservação e apresentação:

- ligeiros defeitos de forma,

- ligeiros defeitos de coloração,

- pequenas fendas cicatrizadas,

- pequenas fendas ou gretas devidas à manutenção ou à lavagem.

Para as raízes cujo comprimento não exceda 10 centímetros, é admitida uma coloração verde ou voilácea/púrpura no colo, até ao limite de 1 cen- tímetro; para as outras raízes, o limite é de 2 centímetros.

c) Categoria II Esta categoria abrange as cenouras que não podem ser classificadas nas categorias superiores, mas respeitam as características mínimas acima definidas.

Podem apresentar os defeitos a seguir indicados, desde que mantenham

as características essenciais de qualidade, conservação e apresentação:

- defeitos de forma e coloração,

- fendas cicatrizadas que não atinjam o coração,

- fendas ou gretas devidas à manutenção ou à lavagem.

Para as raízes cujo comprimento não exceda 10 centímetros, é admitida uma coloração verde ou violácea/púrpura no colo, até ao limite de 2 cen- tímetros; para as outras raízes, o limite é de 3 centímetros.

3. Disposições Relativas à Calibragem

O calibre é determinado pelo diâmetro máximo ou pelo peso da raiz (sem rama).

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA a) Cenouras primores (raízes que não sofreram

DISQUAL

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MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

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CENOURA

a) Cenouras primores (raízes que não sofreram qualquer paragem

de crescimento) e variedades pequenas

O calibre mínimo é fixado em 10 milímetros de diâmetro ou 8 gramas de peso.

O calibre máximo é fixado em 40 milímetros de diâmetro ou 150 gramas de peso.

b) Cenouras de Conservação e Variedades Grandes

O calibre mínimo é fixado em 20 milímetros de diâmetro ou 50 gramas de peso.

Para as cenouras da categoria “Extra“, o calibre máximo não pode exceder 45 milímetros de diâmetro ou 200 gramas de peso e a diferença de diâmetro ou a diferença de peso entre a raiz mais pequena e a maior contidas na mesma embalagem não deve exceder 20 milímetros ou 150 gramas.

Para as cenouras da categoria I, a diferença de diâmetro ou a diferença de peso entre a raiz mais pequena e a maior contidas na mesma embalagem não deve exceder 30 milímetros ou 200 gramas.

As cenouras classificadas na categoria II devem apenas satisfazer as dis- posições relativas ao calibre mínimo.

4. Disposições Relativas às Tolerâncias

Em cada embalagem ou lote, no caso de cenouras expedidas a granel, são admitidas tolerâncias de qualidade e de calibre no que respeita a produtos que não satisfazem os requisitos da categoria indicada.

4.1. Tolerâncias de Qualidade

a) Categoria “extra”

- 5 % em peso de raízes que não correspondam às características da cate-

goria, mas que estejam em conformidade com as da categoria I ou sejam

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

-

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA excepcionalmente admitidos nas tolerâncias desta categoria; - 5

CENOURA

excepcionalmente admitidos nas tolerâncias desta categoria;

- 5 % em peso, de raízes com um ligeiro vestígio de coloração verde ou violácea/púrpura no colo.

b) Categoria I

-

10

% em peso de raízes que não correspondam às características da cate-

goria, mas que estejam em conformidade com as da categoria II ou sejam excepcionalmente admitidos nas tolerâncias desta categoria. Ficam, no entanto, excluídas desta tolerância as cenouras partidas e/ou desprovidas da sua extremidade;

-

10 %, em peso, de cenouras partidas e/ou desprovidas da sua extremidade.

c) Categoria II

-

10

%, em peso, de raízes que não correspondam às características da

categoria nem às características mínimas, com exclusão dos produtos afectados por podridão ou qualquer outra alteração que os tornem impróprios para consumo;

-

Além disso, para as cenouras partidas são admitidas até ao limite de

25 %, em peso.

4.2. Tolerâncias de Calibre

Para todas as categorias, 10% em peso de raízes que não correspondam

às disposições relativas aos requisitos de calibragem.

5. Disposições Relativas à Apresentação

5.1. Homogeneidade

O conteúdo de cada embalagem ou lote, no caso de expedição a granel,

deve ser homogéneo e consistir apenas em cenouras da mesma origem,

variedade ou tipo varietal, qualidade e calibre (desde que, no que respeita

a este último critério, a calibragem seja obrigatória).

A parte visível do conteúdo da embalagem ou do lote, no caso de produtos

a granel, deve ser representativa do conjunto.

DISQUAL - MANUAL DE BOAS PRÁTICAS - CENOURA 5.2. Apresentação As raízes podem ser apresentadas

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

-

CENOURA

5.2. Apresentação

As raízes podem ser apresentadas em diferentes formas:

a) Em molhos

As raízes são apresentadas com a rama que deve ser fresca, verde e sã.

As raízes de um mesmo molho devem ter um calibre sensivelmente uni- forme.

Numa mesma embalagem, os molhos devem ter um peso sensivelmente uniforme e estar regularmente alinhados numa ou várias camadas.

b) Cortadas Rente ao Colo

A rama deve ser aparada ou cortada junto ao colo, sem danificar a raiz.

As raízes podem ser apresentadas:

- em pequenas embalagens,

- dispostas em várias camadas ou não acamadas na embalagem,

- a granel (carregamento directo num meio ou num compartimento de um meio de transporte) para a categoria II.

5.3. Acondicionamento

As cenouras devem ser acondicionadas de modo a assegurar uma pro- tecção conveniente do produto.

Os materiais utilizados no interior da embalagem devem ser novos, limpos

e tais que não possam causar aos produtos alterações externas ou internas.

É autorizado o emprego de materiais e nomeadamente, de papéis ou selos que contenham indicações comerciais, desde que a impressão ou a rotulagem sejam efectuadas com uma tinta ou uma cola não tóxicas. As embalagens, ou lotes, no caso da expedição a granel, devem estar isentas de corpos estranhos.

No caso de cenouras lavadas envolvidas em turfa pura, a turfa utilizada não é considerada um corpo estranho.

DISQUAL

-

MANUAL

DE

BOAS

PRÁTICAS

-

6. Disposições Relativas à Marcação

DE BOAS PRÁTICAS - 6. Disposições Relativas à Marcação CENOURA Cada embalagem deve trazer, em caracteres

CENOURA

Cada embalagem deve trazer, em caracteres agrupados do mesmo lado, legíveis, indeléveis e visíveis do exterior, as seguintes indicações:

6.1. Identificação

Embalador e/ou expedidor – nome e endereço ou identificação simbólica emitida ou reconhecida por um serviço oficial. Contudo sempre que seja utilizado um código (identificação simbólica), a indicação “embalador e/ou expedidor” (ou uma abreviatura equivalente) deve figurar na proximidade desse código (identificação simbólica).

6.2. Natureza do Produto

- se o conteúdo não for visível do exterior:

- “cenouras em molhos” ou “cenouras”,

- “cenouras primores” ou “cenouras de conservação”.

- se for caso disso “ cenouras envolvidas em turfa”, mesmo se o conteúdo

for visível do exterior,

- nome da variedade ou do tipo varietal, para a categoria “Extra”.

6.3. Origem do Produto

País de origem e, eventualmente, zona de produção ou designação nacional, regional ou local.

6.4. Características Comerciais

- categoria,

- calibre, expresso pelos diâmetros ou pelos pesos mínimos e máximos (facultativo),

- número de molhos para as cenouras apresentadas em molhos.

6.5. Marca Oficial de Controlo (facultativa)

Para as cenouras expedidas a granel (carregamento directo num meio ou num compartimento de um meio de transporte), as indicações acima referidas devem constar de um documento que acompanha a mercadoria ou de uma ficha colocada de forma visível no interior do veículo de transporte.