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CÓDIGO BRASILEIRO DISCIPLINAR

DO FUTEBOL - CBDF

LIVRO PRIMEIRO DA JUSTIÇA DESPORTIVA


Título I
DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO PROCESSO DISCIPLINAR
Capítulo I
DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA
(*) Art. 1º - A organização da Justiça e o Processo Disciplinar no âmbito do Desporto, exceto o
Futebol, regulam-se por este código, a que ficam submetidas, em todo o Território Nacional, as
Confederações, Federações, Ligas, Associações Desportivas e pessoas físicas que lhes forem
direta ou indiretamente subordinadas ou vinculadas, mediante remuneração ou sem
remuneração.
(*) Com nova redação dada pela Portaria nº 877, de 23 de dezembro de 1986 do Ministério da
Educação.
Art. 2ª - São Órgãos da Justiça Desportiva:
I - os Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD);
II - os Tribunais Especiais (TE);
III - os Tribunais de Justiça Desportiva (TJD)
IV - as Comissões Disciplinares Temporárias (CDT);
V - as Juntas de Justiça Desportiva (JJD).
§ Único - Os Órgãos enumerados neste artigo, exceto as Comissões Disciplinares Temporárias,
são dirigidos por um Presidente e um Vice-Presidente eleitos por um ano, mediante voto
Secreto, pelos auditores efetivos que os constituem, permitida apenas uma reeleição.
Art. 3º - Cada Tribunal Superior de Justiça Desportiva (TSJD), com jurisdição em todo o
território nacional, será constituído de 7 (sete) auditores efetivos e 5 (cinco) substitutos.
Art. 4º - Cada Tribunal Especial (TE), igualmente com jurisdição em todo o território nacional,
será constituído de 5 (cinco) auditores efetivos e 2 (dois) substitutos.
Art. 5º - Os Tribunais de Justiça Desportiva (TJD) com jurisdição no território de cada
Federação, serão constituído de 7 (sete) auditores efetivos e 5 (cinco) substitutos.
Art. 6º - As Comissões Disciplinares Temporárias (CDT) serão constituídas de 3 (três) a 5
(cinco) membros, mais um Procurador e 1 (um) Secretário, designados, na forma dos
respectivos regulamentos, para processar e julgar infrações praticadas nos campeonatos ou
torneios brasileiros de curta duração, realizados em uma só localidade.
§ 1º - Os prazos previstos neste Código, para os efeitos deste artigo, poderão ser reduzidos, a
crédito da Comissão.
§ 2º - Dentre os membros da comissão, um será designado para presidi-la.
§ 3º - Das decisões das Comissões Disciplinares Temporárias (CDT) cabe recurso, sem efeito
suspensivo, para o TSJD da respectiva Confederação.
Art. 7º - As Juntas de Justiça Desportiva (JJD), com jurisdição no território de cada Liga, serão
constituídas de 5 (cinco) auditores efetivos e 2 (dois) substitutos.
Art. 8º - Os Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD) e os Tribunais Especiais (TE)
são poderes autônomos das Confederações; os Tribunais de Justiça Desportivas (TJD) são
poderes autônomos das Federações e as Juntas de Justiças Desportiva (JJD) são poderes
autônomos das Ligas.
Art. 9º - Os Tribunais e as Juntas só poderão deliberar e julgar com a maioria dos seus
membros.
Art. 10º - Os auditores dos Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD) e dos Tribunais
Especiais (TE), com mandatos coincidentes com o do Presidente da Confederação, serão eleitos
ou nomeados, e empossados, na conformidade do que dispuser o estatuto da entidade.
Art. 11º - Os auditores dos Tribunais de Justiça Desportiva (TJD) e das Juntas de Justiça
Desportiva (JJD), serão eleitos ou nomeados, e empossados, na conformidade do que dispuser o
estatuto da entidade.
Art. 12 - A antigüidade dos auditores conta-se da data de posse; quando a posse houver ocorrido
na mesma data, considera-se mais antigo o auditor que tiver maior número de mandatos; se
persistir o empate, considera-se mais antigo o auditor mais idoso.
Art. 13 - Ocorre vacância do cargo de auditor:
I - pela morte ou renúncia;
II - pela aceitação de cargo ou função incompatível com o exercício da judicatura desportiva,
nos termos do art. 15;
III - pela condenação passada em julgado, na Justiça Desportiva, ou pela condenação passada
em julgado, na Justiça Comum, por crime ou contravenção que importe incapacidade moral do
agente, a critério do Tribunal ou Junta;
IV - pelo não comparecimento a 3 (três) sessões consecutivas ou a 5 (cinco) Intercaladas, salvo
justo motivo, assim considerado pelo Tribunal ou Junta;
V - por declaração de incompatibilidade, decidida por dois terços (2/3) do Tribunal ou Junta.
Art. 14 - Aberta a vaga de auditor, o Presidente do Tribunal ou Junta nomeará como efetivo um
dos substitutos e lhe dará posse.
§ Único - Empossado o auditor nomeado na forma deste artigo, o Presidente do Tribunal ou
Junta comunicará o fato ao Presidente da entidade.
Art. 15 - O cargo de auditor, inclusive o de substituto, é incompatível com quaisquer cargos,
funções de direção ou empregos no Conselho Nacional de Desportos (CND), Conselhos
Regionais de Desportos (CRD) e em entidades ou associações desportivas, ressalvados os
cargos previstos em lei.
Art. 16 - Não podem integrar o mesmo Tribunal ou Junta auditores que tenham parentesco na
linha ascendente ou descendente, nem auditor que seja cônjuge, irmão, cunhado durante o
cunhadio, tio, sobrinho, sogro, padrasto ou enteado de outro auditor.
Art. 17 - O auditor que fica impedido de intervir no processo;
I - quando, em relação à parte, ocorrerem os vínculos de parentesco e afinidades mencionadas
no artigo 16; II - quando for credor, devedor, avalista, fiador, patrão ou empregado de qualquer
das partes ou quando tenha com qualquer desses, interesses de natureza comercial;
III - quando, por qualquer forma, se houver manifestado, antes da sessão ou audiência de
julgamento, sobre causa que estiver em processamento no Tribunal ou Junta.
§ 1º - Os impedimentos a que se refere este artigo devem ser declarados pelo próprio auditor,
tão logo lhe seja distribuído o processo; se o auditor não o fizer, podem as partes e a
Procuradoria argüi-los, na primeira oportunidade em que tiverem de falar no processo.
§ 2º - Argüido o impedimento, decidirá o Tribunal ou Junta em caráter irrecorrível.
Art. 18 - Junto a cada Tribunal Superior de Justiça Desportiva (TSJD) funcionarão até 3 (três)
procuradores; junto a cada Tribunal Especial (TE) a cada Tribunal de Justiça Desportiva (TJD)
e a cada Junta de Justiça Desportiva (JJD) funcionará 1 (um) procurador e 1 (um) substituto,
nomeados na conformidade do estatuto da entidade. § Único - Se o estatuto da entidade nada
dispuser sobre a forma de nomeação dos procuradores a que se refere artigo, as nomeações
serão feitas pelo Presidente da entidade.
Art. 19 - Aplicam-se aos procuradores, no que couber, as incompatibilidade e impedimentos
impostos aos auditores.
Art. 20 - Cada Tribunal ou Junta terá 1 (um) Secretário para superintender os serviços
administrativos de sua Secretaria.
Art. 21 - Compete aos Tribunais e Juntas conceder licença aos auditores, procuradores,
secretários e demais auxiliares das Secretarias.
§ Único - As licenças aos auditores, sob pena de perda de mandato, não poderão ser superiores a
noventa (90) dias, salvo motivo de doença devidamente comprovada.
CAPÍTULO II
DOS PRESIDENTES E VICE PRESIDENTES DOS TRIBUNAIS E JUNTAS
Art. 22 - Cabe aos Presidentes de Tribunais e Juntas, além das atribuições que lhe forem
conferidos por Lei ou Regimento:
I - velar pelo perfeito funcionamento da Justiça Desportiva e fazer cumprir suas decisões;
II - ordenar a restauração de processos;
III - dar imediata ciência, por escrito, das decisões e das vagas verificadas no Tribunal ou Junta
ao Presidente da entidade;
IV - determinar sindicâncias e propor a aplicação de penalidades de advertência e suspensão aos
funcionários da Secretaria;
V - sortear os relatores dos processos, ou designá-los a seu critério, quando houver motivo de
caráter especial; VI - apresentar ao Presidente da entidade, até o dia 10 de janeiro, relatório das
atividades do Órgão no ano anterior;
VII - representar o Tribunal ou Junta nas solenidades e atos oficiais, podendo delegar essa
função a qualquer dos seus auditores;
VIII - designar dia e hora para as sessões ordinárias e extraordinárias e dirigir os trabalhos;
IX - dar posse ao Secretário do Tribunal.
Art. 23 - Compete aos Vice Presidentes dos Tribunais e Juntas:
I - Substituir os Presidentes nos seus impedimentos eventuais;
II - exercer as funções de corregedor, na forma do que dispuser o Regimento Interno do
Tribunal ou Junta.
Capítulo III
DOS AUDITORES E DOS SUBSTITUTOS
Art. 24 - São deveres dos auditores e dos substitutos, além dos que lhe forem conferidos pelo
Regimento:
I - comparecer obrigatoriamente às sessões e audiências, com a antecedência mínima de quinze
minutos, quando regularmente convocados;
II - empenhar-se no sentido da estrita observância das leis e do maior prestígio das instituições
desportivas; III - manifestar-se nos prazos processuais;
IV - declarar-se impedido, quando for o caso;
V - representar a quem de direito contra qualquer irregularidade ou infração disciplinar de que
tenha conhecimento;
VI - apreciar, livremente, a prova dos autos tendo em vista, sobretudo, o interesse do desporto,
fundamentando, obrigatoriamente, a sua decisão;
VII - devolver a secretaria, até quarenta e oito (48) horas antes da sessão de julgamento,
qualquer processo que tenha em seu poder e que esteja incluído em pauta.
§ único - É vedado aos auditores manifestar-se sobre processo pendentes de julgamento.
Capítulo IV
DA PROCURADORIA DA JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 25 - A Procuradoria da Justiça Desportiva é exercida pelos Procuradores.
Art. 26 - Compete aos Procuradores:
I - oferecer denúncias;
II - dar parecer nos processos de competência dos Superiores Tribunais de Justiça Desportiva
(STJD), dos Tribunais Especiais (TE), dos Tribunais de Justiça Desportiva (TJD) e das Juntas
de Justiça Desportiva (JJD); III - exercer as atribuições que lhes forem conferidas pela
legislação desportiva;
IV - interpor recursos.
Capítulo V
DOS SECRETÁRIOS
Art. 27 - As atribuições dos Secretários são as previstas neste Código e nos Regimentos dos
Tribunais e Juntas.

Título II
DA JURISDIÇÃO E DA COMPETÊNCIA
Capítulo I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 28 - Os Órgãos de Justiça Desportiva, nos limites da jurisdição territorial de cada entidade,
têm competência, observadas as disposições especiais deste Código, para processar e julgar as
infrações disciplinares praticadas por pessoas físicas ou jurídicas direta ou indiretamente
subordinadas ou vinculadas à Confederação ou a serviço de qualquer entidade e para processar e
julgar os litígios entre associações e atletas, entre entidades dirigentes e atletas, entre
associações, entre entidades dirigentes e entre estas e associações.
§ 1º - As pessoas físicas ou jurídicas mencionadas neste artigo, quanto a atos praticados fora da
jurisdição da entidade a que estiverem subordinadas ou vinculadas, serão processadas e
julgadas, ou somente julgadas, quando for o caso, pelo Tribunal Especiais (TE).
§ 2º - A competência para o processo e o julgamento de infrações conexas ou continuadas será
do Tribunal de maior hierarquia jurisdicional.
Art. 29 - Serão processadas e julgadas, ou somente julgadas, quando for o caso, pelo Tribunal
Especial: I - as infrações praticadas em partidas interestaduais, ressalvada a competência das
Comissões Disciplinares Temporárias;
II - as infrações praticadas em partidas internacionais amistosas;
III - quando diversas as jurisdições;
a - os litígios entre associações;
b - os litígios entre associações e entidades dirigentes;
c - os litígios entre atletas e associações ou entidade dirigente.
Capítulo II
DOS TRIBUNAIS SUPERIORES DE JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 30 - Compete aos Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD):
I - Processar e julgar originariamente:
a - os seus auditores e procuradores;
b - os litígios entre Federações;
c - os membros de poderes e órgãos da Confederações;
d - as infrações praticadas contra o Conselho Nacional de Desportos, seu Presidente e seus
membros;
e - os mandatos de garantia contra atos dos poderes da Confederação e das Federações;
f - as revisões de suas próprias decisões;
g - os pedidos de reabilitação.
II - Julgar:
a - os Presidentes das Federações;
b - os recursos das decisões dos Tribunais de Justiça e das Comissões Disciplinares temporárias;
c - os recursos das decisões do Tribunal Especial, exceto os enumerados no art. 31, II;
d - os recursos das decisões do Presidente ou da Diretoria da Confederação não sujeitas a
julgamento de outro poder;
e - os conflitos de competência entre os poderes da Confederação, salvo disposição em contrário
de norma emanada do poder público;
f - os conflitos de competência entre Tribunais de Justiça Desportiva (TJD);
g - os impedimentos opostos a seus auditores e procuradores;
h - os recursos de atos e despachos do Presidente do Tribunal.
III - declarar a incompatibilidade de auditor;
IV - eleger seu Presidente e seu Vice-Presidente;
V - observar as normas baixadas pelo Ministério da Educação e pelo Conselho Nacional de
Desportos (CND);
VI - instaurar inquéritos;
VII - requisitar ou solicitar informações para esclarecimento de matéria submetida a sua
apreciação;
VIII - expedir instruções aos Tribunais de Justiça Desportiva (TJD);
IX - solicitar à Confederação a intervenção em entidade ou associação, para assegurar a
execução de decisão da Justiça Desportiva;
X - elaborar e aprovar o seu Regimento Interno;
XI - deliberar sobre casos omissos;
XII - conceder efeito suspensivo a qualquer recurso, em decisão fundamentada, quando a
simples devolução da matéria possa causar prejuízo irreparável ao recorrente.
Capítulo III
DOS TRIBUNAIS ESPECIAIS
Art. 31 - Compete aos Tribunais Especiais (TE):
I - Processar e julgar:
a - as ocorrências em partida internacionais amistosas, em partidas interestaduais e em partidas
dos campeonatos ou torneios promovidos, organizados ou autorizados por Confederação;
b - quando diversas as jurisdições, os litígios entre entidade dirigente e associação, entre
associações ou entre atleta e associação ou entidade dirigente;
c - as infrações praticadas por pessoas físicas e jurídicas fora da jurisdição da entidade a que
estiverem subordinadas ou vinculadas;
d - os seus auditores e procuradores.
II - Julgar:
a - em última instância, os recursos das decisões relacionadas no art. 142 § 2º, quando
proferidas por maioria; b - os recursos dos atos e despachos do Presidente do Tribunal.
Capítulo IV
DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 32 - Compete aos Tribunais de Justiça Desportiva (TJD):
I - Processar e julgar:
a - os seus auditores e procuradores;
b - os membros de poderes da Federação e os Presidentes das respectivas associações;
c - os mandatos de garantia contra atos de poderes das Ligas;
d - as revisões de suas próprias decisões;
e - as pessoas físicas ou jurídicas, direta ou indiretamente subordinadas ou vinculadas à
Federação, a seu serviço ou de associação filiada, ressalvada a competência de outro órgão;
f - as infrações praticadas contra o Conselho Regional de Desportos, seu Presidente e seus
membros.
II - Julgar:
a - os membros dos poderes e órgãos das Ligas e os Presidentes das respectivas associações;
b - os recursos das decisões das Juntas de Justiça Desportiva (JJD);
c - os recursos de atos e decisões do Presidente ou da Diretoria da Federação, bem como os
recursos de atos e decisões do Presidente do Tribunal, desde que não sujeitos a julgamento de
outro poder ou entidade superior;
d - os recursos de atos dos Presidentes de Ligas, não sujeitos a julgamento de outro poder ou
entidade superior:
e - os conflitos de competência entre Juntas de Justiça Desportiva (JJD):
f - Os impedimentos opostos aos seu auditores e procuradores.
III - Processar:
a - recursos interpostos para os Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD);
b - o Presidente da Federação.
IV - declarar a incompatibilidade de auditor;
V - solicitar ao Tribunal Superior de Justiça Desportiva (TSJD) a intervenção na federação,
Liga ou associação, para assegurar a execução de decisões da Justiça Desportiva;
VI - conhecer e decidir dos litígios entre associações, entre entidade dirigente e associação,
entre atleta e associação ou entre atleta e entidade dirigentes;
VII - eleger seu Presidente e seu Vice-Presidente;
VIII - instaurar inquéritos;
IX - requisitar ou solicitar informações para esclarecimentos de matéria submetida a sua
apreciação;
X - expedir instruções às Juntas de Justiça Desportiva (JJD);
XI - elaborar e aprovar seu Regimento Interno.
Capítulo V
DAS JUNTAS DE JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 33 - Compete às Juntas de Justiça Desportiva (JJD);
I - processar e julgar:,
a - os seus auditores e procuradores;
b - as pessoas físicas ou jurídicas, direta ou indiretamente subordinadas ou vinculadas a Liga,
reservada a competência de outro órgão;
c - os seus auxiliares;
d - os impedimentos opostos a seus auditores e procuradores;
e - a incompatibilidade de auditor;
f - as revisões de suas próprias decisões.
II - processar os recursos para o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD);
III - solicitar ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) providência para a intervenção na
respectiva Liga ou em associação filiada, para assegurar a execução de decisão da Justiça
Desportiva;
IV - elaborar seu Regimento Interno.
Capítulo VI
DOS DEFENSORES
Art. 34 - Qualquer pessoa, maior de vinte e um (21) anos, poderá funcionar como defensor.
Art. 35 - A simples declaração, feita pela parte, habilita o defensor a intervir no processo em
qualquer grau de jurisdição.
Art. 36 - É facultado às associações e entidades dirigentes, por intermédio de representantes
credenciados, atuar como defensor de dirigentes, atletas e outras pessoas que lhes forem
subordinadas ou vinculadas, salvo quando colidentes os seus interesses.
§ Único - Ainda que não colidentes os interesses, é lícito a qualquer das pessoas mencionadas
neste artigo a nomeação de outro defensor, para atuação isolada ou em conjunto com a
associação ou entidade dirigente.
Art. 37 - Não podem ser defensores na Justiça Desportiva os membros do Conselho Nacional de
Desportos, dos Conselhos Regionais de Desportos e de órgãos da Justiça Desportiva.
Art. 38 - O menor de vinte e um (21) anos, que não tiver defensor, será defendido por pessoa
designada pelo Presidente do Tribunal ou Junta.
Art. 39 - Os Presidentes do Tribunais e Juntas poderão nomear, sem remuneração, pessoas
maiores de vinte e um (21) anos, para o exercício da função de Defensor dativo.
Título III
DO PROCESSO DISCIPLINAR
Capítulo I
DO PROCESSO ORDINÁRIO
Art. 40 - O processo ordinário reger-se-á pelas disposições que se seguem:
I - a súmula ou relatório da competição e, quando houver, as comunicações dos representantes,
serão entregues ao Departamento competente da entidade;
II - a entrega dos documentos referidos no inciso anterior será feita no primeiro dia útil após a
realização da competição;
III - o departamento da entidade, quando verificar que a súmula relata infração disciplinar,
remeterá toda a documentação, no prazo de dois (2) dias, ao Tribunal ou Junta competente, por
intermédio do Presidente da entidade;
IV - autuados os documentos, deles se dará vista à procuradoria, por dois (2) dias para oferecer
denúncia, emitir parecer, requerer diligências ou instauração de inquéritos;
V - nada existindo nos documentos que justifique a intervenção da Procuradoria, serão eles
devolvidos ao órgão competente após despacho do arquivamento do Presidente do Tribunal ou
Junta.
Art. 41 - Recebida a denúncia ou a queixa pelo Presidente do Tribunal ou Junta, sorteado ou
designado o relator e marcado dia para o julgamento, será feita a citação.
§ Único - A citação a que se refere este artigo, nos casos de queixa, será precedida de vista à
Procuradoria, que poderá aditá-la ou opinar pela sua rejeição.
Art. 42 - Se a Procuradoria, ao invés de oferecer denúncia, requerer o arquivamento do
processo, o Presidente do Tribunal ou Junta, caso considere improcedentes as razões invocadas,
designará um Procurador substituto, o qual poderá oferecer denúncia, ou ratificar o pedido de
arquivamento.
Capítulo II
DO INQUÉRITO
Art. 43 - O inquérito tem por fim apurar a existência de infrações disciplinares e as respectivas
responsabilidades.
Art. 44 - O pedido de abertura de inquérito, dirigido ao Presidente do Tribunal ou Junta poderá
ser feito pela Procuradoria ou pela parte interessada.
§ Único - No caso do pedido ser da parte interessada, será ouvida, obrigatoriamente, a
Procuradoria.
Art. 45 - Deferido o pedido, o Presidente do Tribunal ou Junta, no mesmo despacho, sorteará ou
designará o auditor processante.
Art. 46 - A Procuradoria e as partes poderão requerer diligência e arrolar testemunhas, no prazo
de três (3) dias, a partir da ciência do sorteio ou da designação do auditor processante.
Art. 47 - As testemunhas que residam fora da jurisdição do Tribunal ou Junta poderão ser
ouvidas por precatória, fixando-se prazo para a devolução.
§ Único - Não devolvida a precatória ou prazo fixado, o inquérito continuará, sem prejuízo de
sua juntada até a data do julgamento.
Art. 48 - O inquérito deverá ser concluído no prazo de quinze (15) dias, salvo motivo justificado
no relatório, que será apresentado dentro de dois (2) dias, contados do despacho de
encerramento.
Art. 49 - Relatado o inquérito, será ele encaminhado à Procuradoria, que terá o prazo de cinco
(5) dias para dar parecer ou oferecer denuncia, se for o caso.
Art. 50 - Recebida a denúncia, sorteado ou designado o Relator e marcado dia o julgamento,
será feita a citação. Art. 51 - Verificada a incompetência do Tribunal ou Junta, o inquérito será
remetido ao órgão judicante competente.
Capítulo III
DOS PRAZOS
Art. 52 - Os prazos para as partes começam a correr do primeiro dia útil depois da citação ou
intimação.
§ Único - Os prazos não estabelecidos neste Código serão sempre de cinco (5) dias.
Art. 53 - Na contagem dos prazos fixados em dias exclui-se o dia do começo, incluindo-se o do
vencimento.
§ Único - Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil imediato se o vencimento cair
em sábado, domingo ou feriado, ou em outro dia em que não haja expediente na entidade.
Art. 54 - Os prazos para os auditores correrão da data da conclusão e para os procuradores da
data da vista.
Art. 55 - Os auditores proferirão os seus despachos e decisões dentro de três (3) dias do termo
de conclusão, salvo se outro prazo estiver expressamente estabelecido.
§ Único - Os Procuradores e Secretários têm o mesmo prazo fixado neste artigo, com a ressalva
nele estabelecida, para a prática dos atos que lhes são atribuídos.
Art. 56 - O prazo para a apresentação de acórdão será de dez (10) dias.
Capítulo IV
DAS PROVAS
Art. 57 - Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não
especificados neste Código, são hábeis para provar os fatos alegados no processo disciplinar.
Art. 58 - Relativamente aos fatos ocorridos antes, durante e depois da competição, o julgador
levará em conta, principalmente, a palavra do árbitro no que se refere ao que foi por ele
observado, decidido e descrito na súmula ou relatório.
§ Único - Não se aplicará o disposto neste artigo quando se tratar de infração praticada pelo
árbitro ou seus auxiliares.
Capítulo V
DAS TESTEMUNHAS
Art. 59 - Toda pessoa pode servir como testemunha, exceto os incapazes, impedidos e suspeitos,
assim consideradas pelo artigo 405, do Código do Processo Civil.
§ 1º - Quando o interesse do desporto o exigir, o Tribunal ou Junta ouvirá testemunhas
incapazes, impedidas ou suspeitas, mas não lhes deferirá compromisso e dará aos seus
depoimentos o valor que possam merecer.
§ 2º - Aos ofendidos também não se deferirá compromisso.
Art. 60 - Nenhuma das partes, nem a Procuradoria, poderá arrolar mais de três (3) testemunhas.
Art. 61 - No processo com mais de três (3) interessados, o número de testemunhas não poderá
exceder de nove (9).
Art. 62 - As testemunhas poderão ser indicadas e apresentadas até a hora do julgamento.
Art. 63 - A testemunha assumirá o compromisso de bem servir ao desporto, de dizer a verdade
sobre o que souber e lhe for perguntado, devendo ser qualificada e declarar se tem parentesco ou
amizade com as partes.
§ Único - O depoimento das testemunhas será reduzido a termo nas sindicâncias, nos inquéritos,
nos processos de suborno, nos litígios entre atleta e associação, nos casos em que seja prevista
pena de eliminação ou quando houver determinação do Presidente do Tribunal ou Junta.
Art. 64 - É vedada à testemunha trazer o depoimento por escrito, ou fazer apreciações pessoais
sobre os fatos testemunhados, salvo quando inseparáveis da respectiva narração.
Art. 65 - Os auditores diretamente, e a Procuradoria e as partes por intermédio do Presidente,
poderão reinquirir as testemunhas.
Art. 66 - O Relator ouvirá as testemunhas separada e sucessivamente, primeiro as da
Procuradoria e, em seguida, as das partes, providenciando para que uma ouça os depoimentos
das demais.
Art. 67 - A testemunha residente fora da jurisdição do Tribunal ou Junta poderá ser ouvida pelo
Presidente do Tribunal ou Junta de sua Jurisdição ou por auditor por ele designado.
Art. 68 - A testemunha impossibilitada de locomover-se, mas com capacidade para depor,
poderá ser ouvida no lugar em que estiver.
Capítulo VI
DOS DOCUMENTOS, FILMES E GRAVAÇÕES
Art. 69 - As provas fotográfica, fonográfica e cinematográfica serão apreciadas com as cautelas
que a sua natureza exige, cabendo à parte que as quiser produzir o pagamento das despesas com
as providências que o Tribunal ou Junta determinar.
Art. 70 - Os documentos, fotografias e outros elementos materiais de prova devem ser anexados
ao processo, por determinação do Presidente do Tribunal ou Junta ou do Relator, até o dia
marcado para a sessão julgamento.
§ Único - As provas fonográficas e cinematográficas, para que possam ser admitidas, deverão
ser indicadas até o dia anterior ao da sessão de julgamento, que não poderá ser adiado pela falta
de apresentação.
Art. 71 - Os documentos originais, os filmes e as gravações, quando não houver motivo que
justifique a sua conservação no processo, poderão ser restituídos, mediante requerimento da
parte que os produziu, depois de ouvida a Procuradoria.
Art. 72 - Os documentos, escritos e impressos, terão reconhecidas a letra e a firma de quem os
subscreveu, se assim o determinar o Tribunal ou Junta, e os que estiverem redigidos em idioma
estrangeiro serão previamente traduzidos por pessoa legalmente habilitada.
Capítulo VII
DOS EXAMES
Art. 73 - Os Tribunais e as Juntas, quando a infração deixar vestígio, poderão determinar a
realização de exames periciais.
Art. 74 - A associação e a entidade, quando se tratar de exame de livro ou documento em seu
poder, serão notificadas a exibi-los no prazo e lugar determinados.
Art. 75 - A atuação do perito, cuja nomeação compete ao Presidente do Tribunal ou Junta será
precedida do compromisso de bem desempenhar o encargo e de descrever minuciosamente o
que examinar.
Art. 76 - Aceita a nomeação, o laudo será apresentado dentro de 5 (cinco) dias, prorrogáveis a
critério da autoridade que determina o exame.
Art. 77 - o perito poderá comparecer ao Tribunal ou à Junta, quando convocado, para prestar
esclarecimentos.
Capítulo VIII
DAS CITAÇÕES E INTIMAÇÕES
Art. 78 - A citação, necessária para o início do procedimento, far-se-á por edital afixado na
Secretaria ou por ofício ou telegrama do Secretário.
§ 1º - Far-se-á por edital afixado na Secretaria quando a parte a ser citada pertencer a associação
ou entidade dirigente que tenha sede na mesma cidade em que estiver sediado o Tribunal ou a
Junta;
§ 2º - Far-se-á por ofício ou telegrama quando a parte a ser citada pertencer a associação ou
entidade dirigente que tenha sede fora da cidade em que estiver localizada o Tribunal ou a
Junta;
§ 3º - O ofício ou telegrama endereçado à associação ou entidade dirigente, indicará,
obrigatoriamente, o nome da parte a ser citada, o dia, a hora e o local do comparecimento e o
motivo da citação;
§ 4º - O edital conterá os requisitos do § 3º, será afixado na Secretaria e publicado no Boletim
Oficial da entidade dirigente, quando ouver.
Art. 79 - Feita a citação, por qualquer das formas estabelecidas no art. 78, o processo
prosseguirá em todos os seus termos, independentemente do comparecimento do citado.
Capítulo IX
DA SUSPENSÃO PREVENTIVA
Art. 80 - O comparecimento da parte supre a falta ou a irregularidade da citação; se a parte, ao
comparecer, alegar que o faz para argüi-las e a argüição for acolhida, considerar-se-á feita a
citação na data do comparecimento, adiando-se o julgamento, para a sessão imediata.
Art. 81 - Os membros de poderes de entidades dirigentes, inclusive da Justiça Desportiva, serão
citados mediante ofício pessoal; os árbitros mediante ofício ou telegrama ao departamento a que
pertencerem.
Art. 82 - De todas as ocorrências relativas à citação, que se realizará dentro de dois (2) dias,
contados do despacho que a determinar, passará o Secretário certidão circunstanciada, que se
presumirá verdadeira até prova em contrário.
Art. 83 - Quando a parte estiver na sede do Tribunal ou da Junta, poderá ser citada pessoalmente
pelo Secretário, que certificará no processo.
Art. 84 - O ofício a que se refere o § 2º do arte 78 poderá ser entregue, mediante recibo, a
representante que a associação mantenha na entidade.
Art. 85 - As intimações serão feitas, no que couber, pela mesma forma prevista para as citações,
podendo o Secretário, no entanto, utilizar-se de outros meios, inclusive nota no jornal
previamente escolhido para órgão oficial, fazendo de tudo menção do processo.
Art. 86 - Quando a decisão não puder ser proferida desde logo, mas houver indícios veementes
contra denunciado por infração de natureza grave, o Tribunal poderá suspendê-lo,
preventivamente, por prazo não superior a 30 (trinta) dias.
Art. 87 - O prazo da suspensão preventiva, quando for o caso, será compensado na suspensão
definitiva.
Capítulo X
DA INTERVENÇÃO DE TERCEIRO
Art. 88 - Nos processos da Justiça Desportiva admitir-se-á a intervenção de terceiros, quando
houver legítimo interesse.
Art. 89 - O pedido de Intervenção, que deverá ser acompanhado da prova de legitimidade do
interesse, só será admitido, em qualquer grau de jurisdição, até a véspera da sessão de
julgamento.
Art. 90 - Não se admitirá a intervenção de terceiros para auxiliar a Procuradoria.
Capítulo XI
DAS NULIDADES
Art. 91 - São causas determinantes de nulidade:
I - a incompetência, a suspeição e o suborno do julgador;
II - a falta ou a irregularidade de citação;
III - a falta de intimação da parte ou de seu defensor para a sessão de julgamento;
IV - o cerceamento de defesa;
V - a preterição de formalidade essencial;
VI - o julgamento de parte incapaz sem a necessária assistência ou representação.
§ 1º - Somente a parte poder argüir a nulidade e o fará antes de transitar em julgado a decisão,
sob pena de considerar-se suprida para todos os efeitos;
§ 2º - A nulidade por preterição de formalidade essencial só será pronunciada se não for
possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato;
§ 3º - A incompetência do Tribunal ou da Junta só anula os atos decisórios.
Art. 92 - A nulidade não será pronunciada em favor de quem lhe houver dado causa, como não
o será, também, quando o processo, no mérito, puder ser resolvido a favor da parte a quem
aproveitaria.
Capítulo XII
DA SESSÃO DE JULGAMENTO
Art. 93 - O Presidente do Tribunal ou da Junta, havendo número legal, dará início a sessão.
§ Único - As sessões de julgamento serão públicas podendo o Presidente do Tribunal ou da
Junta, por motivo de ordem ou segurança, determinar que a sessão seja secreta, garantida,
porém, a presença das partes e de defensores.
Art. 94 - Nas sessões de julgamento será observada a pauta previamente organizada pela
Secretaria, de acordo com a ordem numérica dos processos, ressalvados os pedidos de
preferência das partes que estiverem presentes, com prioridade para as que residirem fora da
sede do Tribunal ou Junta.
Art. 95 - Em cada processo, antes de dar início ao julgamento, o Presidente indagará das partes
se tem provas a produzir, inclusive testemunhal, mandando, em seguida, que sobre elas se
pronuncie o relator.
§ 1º - Deferida pelo Tribunal ou Junta a produção das provas, serão ouvidas as testemunhas e,
em seguida, feito o relatório.
§ 2º - Se houver prova fonográfica ou cinematográfica, será tomada antes do relatório.
§ 3º - Feito o relatório, será dado o prazo de 10 (dez) minutos, sucessivamente, à Procuradoria e
a cada uma das partes, para sustentação oral.
§ 4º - Quando duas ou mais partes forem representadas pelo mesmo defensor o prazo será de 20
(vinte) minutos.
§ 5º - Em casos especiais poderão ser prorrogados os prazos concedidos pelos §§ 3º e 4º.
Art. 96 - O Presidente, encerrados os debates, indagará dos auditores se estão em condições de
votar e, no caso afirmativo, dará a palavra ao relator, para proferir o seu voto.
§ 1º - O Relator, findo o relatório, prestará aos demais editores os esclarecimentos que
solicitarem.
§ 2º - As diligências propostas por qualquer editor e deferidas pelo Tribunal, quando puderem
ser cumpridas desde logo, adiarão o julgamento para a sessão seguinte.
Art. 97 - Após os votos do Relator e do Vice-Presidente, votarão, por ordem de antiguidade, os
auditores e, em seguida, quando for o caso, os auditores substitutos, também por ordem de
antiguidade, votando por último o Presidente.
Art. 98 - Qualquer auditor, após o voto do relator, pode pedir vista do processo e, quando mais
de um o fizer, a vista será comum, obedecido prazo previsto no artigo 24, nº VII.
§ Único - O pedido de vista não poderá impedir o reinicio do Julgamento na sessão seguinte.
Art. 99 - Qualquer auditor, sem ser interrompido, pode usar da palavra 2 (duas) vezes sobre a
matéria em julgamento, inclusive para modificação de voto.
Art. 100 - Os auditores presentes à sessão e que hajam assistido ao relatório serão obrigados a
votar.
Art. 101 - Nos casos de empate na votação, ao Presidente é atribuído o voto de qualidade, salvo
quando se tratar de imposição de pena disciplinar, caso em que prevalecerão os votos mais
favoráveis ao denunciado, considerando-se a pena de multa mais branda que a suspensão.
Art. 102 - Quando, na votação para aplicação da pena, não se verificar maioria, em virtude da
diversidade de votos, considerar-se-á o auditor que houver votado por pena maior como tendo
votado pela pena em concreto imediatamente inferior.
Art. 103 - Quando se reiniciar julgamento adiado, serão computados os votos que já tiverem
sido proferidos, ainda que ausentes os seus prolatores, colhendo-se a seguir, os votos dos
auditores presentes à sessão, que tenham ouvido o relatório.
§ 1º - Após a tomada de votos, na forma da parte final deste artigo, caso não haja "quorum" para
a decisão, o Presidente do Tribunal ou Junta poderá determinar a repetição do relatório,
colhendo, a seguir, os votos dos demais auditores.
§ 2º - Nenhum julgamento será reiniciado sem a presença do relator.
Art. 104 - Proclamado o resultado do julgamento, a decisão passa a produzir efeitos, intimadas
imediatamente as partes, na forma do art. 85.
Art. 105 - A lavratura de acórdão dependerá de determinação do Presidente, de ofício ou a
requerimento da parte.
Art. 106 - Se até 30 (trinta) minutos após a hora marcada para o início da sessão não houver
auditores em número legal, a Secretaria fornecerá ressalva às partes que a solicitarem, o que
impedira a apreciação do processo na sessão que vier realizar-se no mesmo dia.
Art. 107 - Cabe ao Presidente da entidade dirigente conhecer das decisões da Justiça Desportiva,
dando-lhes imediato cumprimento, sob as penas do art. 239, aplicáveis pelo Presidente do
Tribunal, independentemente de novo procedimento.
Título IV
DOS PROCESSOS ESPECIAIS
Capítulo I
DA IMPUGNAÇÃO DE COMPETIÇÃO
Art. 108 - O pedido de impugnação de competição, do seu resultado, dirigido diretamente ao
Presidente da entidade, em duas vias, só poderá ser assinado pelo Presidente da associação ou
entidade dirigente ou por procurador com poderes especiais e expressos.
§ 1º - São partes legítimas para promovê-la as associações ou entidades dirigentes que
disputaram a competição e as que tenham imediato e comprovado interesse no seu resultado.
§ 2º - A petição inicial será liminarmente indeferida pelo Presidente do Tribunal ou Junta se
manifestamente inepta, se manifesta a ilegitimidade da parte; se faltar condição exigida pelo
Código para a iniciativa da impugnação ou se vier desacompanhada do pagamento da taxa a que
se refere o art. 113.
§ 3º - O Presidente do Tribunal ou Junta, ao determinar a audiência da Procuradoria, dará
imediato conhecimento da instauração do processo ao Presidente da entidade, para os efeitos do
disposto na parte final do parágrafo único do art. 178.
Art. 109 - A impugnação deverá ser apresentada até 2 (dois) dias depois da entrada da súmula
na entidade, observando o disposto no parágrafo único do art. 178.
Art. 110 - Recebida a impugnação, dar-se-á vista à parte contrária, pelo prazo de 2 (dois) dias,
para pronunciar-se, indo o processo, em seguida, à Procuradoria, por igual prazo, para qualquer
das providências mencionadas no art. 40 nº IV.
Art. 111 - Oferecido denúncia, o Presidente do Tribunal ou Junta procederá na forma do art. 41
Art. 112 - O processo será Julgado na primeira sessão ordinária que se seguir a designação ou
sorteio do relator, ou, se necessário, em sessão extraordinária.
Art. 113 - A impugnação de competição fica sujeita ao pagamento de taxa estabelecida pelos
regulamentos das entidades.
Capítulo II
DAS INFRAÇÕES PUNIDAS COM ELIMINAÇÃO
Art. 114 - Nos casos de denúncia ou queixa por infração punida com eliminação, o denunciado
será citado para apresentar, no prazo de 3 (três) dias, defesa escrita, e requerer diligências,
inclusive a audiência das testemunhas que arrolar.
Art. 115 - O Presidente do Tribunal ou da Junta, ao receber a denúncia ou a queixa, poderá
decretar a suspensão preventiva do denunciado, pelo prazo máximo de 30 (trinta) dias, devendo
decidir, no despacho em que receber a defesa, sobre as diligências requeridas.
§ Único - Na hipótese de indeferimento de qualquer diligência o despacho será fundamentado.
Art. 116 - Concluídas as diligências, o Presidente do Tribunal ou da Junta marcará dia para a
sessão de julgamento, distribuirá o processo e determinará a intimação do denunciado.
Capítulo III
DAS INTERPELAÇÕES
Art. 117 - As pessoas mencionadas no art. 1º, que se julgarem ofendidas por alusões, referências
ou frases, por fatos ligados do desporto, poderão pedir explicações na Justiça Desportiva.
Art. 118 - O pedido de explicações, dirigido ao Presidente do Tribunal ou da Junta, indicará o
nome e o endereço de quem as deva e será acompanhado da prova material da ofensa.
Art. 119 - Recebido o requerimento, o Presidente determinará a intimação do requerido, para
que se pronuncie por escrito no prazo de 5 (cindo) dias,
Art. 120 - Decorrido o prazo do artigo anterior, o Presidente mandará dar vista do processo ao
requerente, para que se denuncie no prazo de 2 (dois) dias.
Art. 121 - Se o requerido prestar explicações satisfatórias, a juízo do interpelante, o processo
será arquivado, após o decurso do prazo previsto no artigo anterior; se não prestar explicações,
ou se as prestadas não forem satisfatórias, o processo será entregue ao requerente, independente
de traslato.
Capítulo IV
DOS LITÍGIOS ENTRE ATLETA E ASSOCIAÇÃO
Art. 122 - O pedido de atleta, nos casos de litígio com associação, será dirigido ao Presidente do
Tribunal, que, imediatamente, mandará citar à parte contrária, para oferecer contestação e
especificar provas que tiver, no prazo de 5 (cinco) dias.
§ 1º - Esgotado o prazo a que se refere este artigo, o pedido será distribuído a um Relator, que
determinara, no prazo de 2 (dois) dias, a realização das diligências que entender necessárias e
marcará dia, hora e local para a audiência das testemunhas arroladas.
§ 2º - Encerradas as diligências, o pedido será encaminhado à Procuradoria, para emitir parecer
no prazo de 5 (cinco) dias;
§ 3º - O pedido, em seguida, será concluso ao Presidente, que marcará dia para o julgamento;
§ 4º - Se a associação ou entidade dirigente não contestar o pedido, reputar-se-ão verdadeiros os
fatos afirmados na inicial, caso o Tribunal conhecerá diretamente do pedido.
Art. 123 - Na sessão de julgamento não será permitida a produção de novas provas e as partes
terão o prazo de 10 (dez) minutos para sustentação oral.
Art. 124 - O processo, salvo motivo excepcional, deverá encerrar-se, em primeira instância, no
prazo improrrogável de 30 (trinta) dias.
Capítulo V
DOS LITÍGIOS ENTRE ASSOCIAÇÕES, ASSOCIAÇÕES E ENTIDADES OU ENTRE
ENTIDADES
Art. 125 - O processo relativo aos litígios entre associações, entre associações e entidades ou
entre entidades, com as adaptações que couberem, será regido pelas disposições dos artigos 122
a 124 do Capítulo anterior.
Art. 126 - Passada em Julgado a decisão que condenar a pagamento em dinheiro, o devedor será
intimado a efetuá-lo no prazo de 10 (dez) dias.
Art. 127 - Quando impossível, desde logo, determinar o valor da obrigação, o Presidente do
Tribunal ou da Junta nomeará Perito de sua confiança para determiná-lo, fixando-lhe prazo para
concluir a liquidação.
§ 1º - No mesmo despacho arbitrará os honorários do perito, que deverão ser depositados pelo
devedor no prazo de 5 (cinco) dias, sob pena de aplicação das sanções do artigo 239.
§ 2º - Concluída a liquidação, terão o credor e o devedor, sucessivamente, o prazo de 5 (cinco)
dias para manifestar-se, falando em seguida, por igual prazo, a Procuradoria.
§ 3º - Decorridos esses prazos o processo será concluso ao Presidente do Tribunal ou Junta, que
decidirá no prazo de 5 (cinco) dias.
Capítulo VI
DA REABILITAÇÃO
Art. 128 - O desportista que houver sofrido de eliminação poderá pedir reabilitação ao Tribunal
Superior de Justiça Desportiva, se decorridos mais de 4 (quatro) anos da imposição da pena,
instruindo o pedido com a documentação que julgar conveniente e, obrigatoriamente, com a
prova do exercício de profissão ou de atividade escolar e com o rol de 3 (três) testemunhas, no
mínimo.
Art. 129 - Recebido o pedido, será dada vista à Procuradoria, pelo prazo de 8 (oito) dias, para
emitir parecer, sendo o processo, em seguida, distribuído a um relator e incluído em pauta de
julgamento.
§ Único - No julgamento observar-se-á o que dispõe o Capítulo XII, do Título III.
Capítulo VII
DO MANDADO DE GARANTIA
Art. 130 - Conceder-se-á mandato de garantia sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
alguém sofrer violação em direito líquido e certo, ou tenho justo receio de sofre-la, por parte de
qualquer autoridade desportiva de direito privado.
Art. 131 - Não se dará mandato de garantia:
I - contra ato de que caiba recurso com feito de suspensivo;
II - contra ato ou decisão da Justiça Desportiva quando haja recurso previsto neste Código;
III - contra pena disciplinar.
Art. 132 - A petição inicial, dirigida ao Presidente do Tribunal, será apresentada em 2 (duas)
vias, devendo os documentos que instituíram uma das vias ser reproduzidas na outra.
§ Único - Após a apresentação da petição inicial não poderão ser juntados novos documentos
nem aduzidas novas razões.
Art. 133 - Ao despachar a inicial, o Presidente do Tribunal ordenará que se notifique a
autoridade coatora, à qual será enviada uma das vias do pedido, com a cópia dos documentos, a
fim de que, no prazo de 5 (cinco) dias, preste informações.
Art. 134 - Em caso de urgência, será permitido, observados os requisitos deste Capítulo,
impetrar mandado de garantia por telegrama, radiograma ou telex, podendo o Presidente do
Tribunal, pela mesma forma, determinar a notificação da autoridade coatora.
Art. 135 - Quando for relevante o fundamento do pedido e a demora possa tornar ineficaz a
medida, o Presidente do Tribunal, ao despachar a inicial, poderá conceder medida liminar, com
validade máxima até 30 (trinta) dias. § Único - Não caberá liminar sempre que se tratar de
medida que venha, de qualquer modo, alterar tabelas ou a realização de campeonatos oficiais.
Art. 136 - A inicial será desde logo indeferida quando não for caso de mandado de garantia ou
quando lhe faltar algum dos requisitos previstos neste Código.
§ Único - Do despacho de indeferimento do Presidente caberá recursos para o Tribunal.
Art. 137 - Findo o prazo do art. 133, o Presidente do Tribunal, depois de sortear ou designar o
relator, mandará dar vista do processo à Procuradoria, que terá 2 (dois) dias para pronunciar-se.
§ 1º - Restituído o processo pela Procuradoria, será marcado dia para o julgamento, tenham sido
prestados, ou não, as informações pedidas à autoridade coatora.
§ 2º - O Presidente do Tribunal, para o julgamento do pedido, poderá convocar, se necessário,
sessão extraordinária, que não poderá realizar-se, entretanto, antes de decorridas 2 (dois) dias da
restituição do processo pela Procuradoria.
Art. 138 - Da decisão que julgar o mérito do mandado de garantia caberá recurso voluntário
para a instância imediatamente superior.
Art. 139 - Os processos de madado de garantia têm prioridade sobre os demais.
Art. 140 - O pedido de mandado de garantia poderá ser renovado se a decisão denegatória não
lhe houver apreciado o mérito.
Art. 141 - O direito de requerer mandado de garantia extinguir-se-á decorridos 20 (vinte) dias,
contados de ciência do ato impugnado.
Título V
DOS RECURSOS
Capítulo I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 142 - Das decisões e despachos da Justiça Desportiva cabem os seguidores recursos:
I - ordinário;
II - revisão.
§ 1º - As decisões dos Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD) são irrecorríveis.
§ 2º - São igualmente irrecorríveis, quando proferidas por unanimidade:
I - as decisões dos Tribunais de Justiça que impuserem:
a - a associação, multa até 03 VRRs;
b - o árbitro ou auxiliar de arbitragem, suspensão até 20 (vinte) dias;
c - a atleta amador, suspensão até 2 (duas) partidas ou até 30 (trinta) dias;
d - a outros jurisdicionados multa até 03 (três) VRRs ou suspensão até 60 (sessenta) dias.
II - as decisões do Tribunal Especial (TE), nos casos do parágrafo anterior, quando no uso de
sua competência originaria.
§ 3º - Das decisões dos Tribunais de Justiça Desportiva, nos casos do § 2º, nº I, quando
proferidas por maioria, cabe recurso voluntário para o Tribunal Especial (TE).
Art. 143 - Os recursos poderão ser interpostos pelo punido, pela parte vencida, por terceiro
interessado e pela Procuradoria.
§ Único - A Procuradoria não poderá desistir do recurso que interpor.
Art. 144 - Os recursos ordinários são:
I - necessário, interposto na própria decisão;
II - voluntário, interposto no prazo de 5 (cinco) dias, contados da proclamação do resultado do
julgamento.
§ 1º - Nos casos em que houver acórdão, contar-se-á o prazo da data em que parte for intimada
da sua apresentação.
§ 2º - O recurso será interposto para a instância imediatamente superior e desde logo
acompanhado da prova do pagamento da taxa devida.
§ 3º - Recebido o recurso, terá o recorrente o prazo de 5 (cinco) dias, contados da data do
recebimento, para oferecer razões.
§ 4º - A parte contrária e o terceiro interessado, se houver, têm o prazo comum de 5 (cinco)
dias, que correrá na Secretaria, para impugnar o recurso, a partir do despacho que lhe abrir vista
do processo.
§ 5º - A procuradoria, após a impugnação do recurso, terá 5 (cinco) dias, contados da abertura
da vista, para dar parecer.
Art. 145 - O recurso poderá ser interposto por telegrama, radiograma ou telex, com as cautelas
devidas, devendo os documentos pertinentes ser acostados ao processo no prazo do inciso II, do
artigo 144.
Art. 146 - No recurso voluntário, salvo se interposto pela Procuradoria, a penalidade não poderá
ser agravada.
Art. 147 - Ultimada a instrução do recurso, o Secretário, no prazo de 2 (dois) dias, remeterá o
processo à instancia superior; em igual prazo será o processo devolvido ao juízo de origem,
depois de passada em julgado a nova decisão.
Art. 148 - O recurso devolve à instância superior o conhecimento de toda a matéria discutida no
processo, salvo quando só tiver por objeto parte da decisão.
Art. 149 - O conhecimento do recurso não será prejudicado pela falta de apresentação de razões
ou fundamentos.
Capítulo II
DO RECURSO NECESSÁRIO
Art. 150 - Cabe recurso necessário da decisão:
I - que comine pena de eliminação;
II - que julgue processo de corrupção, concussão ou prevaricação; de agressão a árbitro ou
auxiliares de arbitragem ou de agressão por estes praticada;
III - que julgue processo contra membro de poder de entidade dirigente ou Presidente de
associação;
IV - que julgue processo relativo a infrações praticadas contra o Conselho Nacional de
Desportos, contra os Conselhos Regionais de Desportos ou contra seus Presidentes e seus
membros.
Art. 151 - O recurso necessário, independentemente de outras formalidades, subirá no prazo de
5 (cinco) dias à instância superior, salvo quando houver sido interposto recurso voluntário.
Capítulo III
DO RECURSO VOLUNTÁRIO
Art. 152 - Ressalvados os casos previstos neste Código, cabe recurso voluntário de qualquer
decisão ou despacho dos órgãos da Justiça Desportiva ou, quando for o caso, de ato ou decisão
de poder administrativo que não esteja sujeito a pronunciamento de outro órgão, na forma
estatutária.
Capítulo IV
DA REVISÃO
Art. 153 - A revisão dos processos findos será admitida:
I - quando a decisão houver resultado de manifesto erro de fato ou de falsa prova;
II - quando a decisão tiver sido proferida contra literal disposição de lei ou contra a evidência da
prova;
III - quando, após a decisão, se descobrirem provas do punido.
Art. 154 - A revisão é admissível até 2 (dois) anos após o transito em julgado da decisão
condenatória, mas não admite reiteração ou renovação salvo se fundada em novas provas.
Art. 155 - Não cabe revisão das decisões que houverem imposto pena de perda de pontos, de
classificação ou de renda.
Art. 156 - A revisão só pode ser pedida pelo punido, que deverá formulá-la em petição escrita,
desde logo instruída com as provas em que a fundamenta, nos termos do art. 153.
Art. 157 - O Tribunal ou Junta, se julgar procedente o pedido de revisão, poderá alterar a
classificação da infração, absolver o requerente, modificar a pena ou anular o processo.
Art. 158 - Em nenhum caso poderá ser agravada a pena imposta na decisão revista.
Art. 159 - É obrigatória, nos pedidos de revisão, a intervenção da Procuradoria.
Capítulo V
DOS EFEITOS RECURSOS
Art. 160 - O recurso não terá efeito suspensivo salvo quando concedido por Tribunal Superior
de Justiça Desportiva (TSJD).
Art. 161 - Nos casos de impugnação de competição, se concedido efeito suspensivo, o
campeonato ou torneio não será paralisado.
Capítulo VI
DO JULGAMENTO DE RECURSOS
Art. 162 - Os recursos serão julgados pela instância superior, de acordo com a competência
fixada neste Código.
Art. 163 - Protocolizado e paga a taxa devida na entidade de origem, será o recurso remetido ao
Tribunal competente para julgá-lo, cabendo ao respectivo Presidente sortear ou designar o
relator e encaminhar o processo, em seguida, à Procuradoria, para dar parecer no prazo de 5
(cinco) dias.
§ Único - Será considerado deserto o recurso que tiver entrada no Tribunal competente sem a
prova do pagamento da taxa devida.
Art. 164 - Em grau de recurso não será admitida a produção de novas provas.
Art. 165 - A Secretaria dará ciência aos interessados ou a seus defensores, bem como a
Procuradoria, com a antecedência mínima de 2 (dois) dias da inclusão do processo na Pauta de
julgamento.
Art. 166 - A sessão de julgamento será realizada de acordo com o disposto no Capítulo XII do
Título III.
Titulo VI
CAPÍTULO ÚNICO
DA REPRESENTAÇÃO
Art. 167 - Das decisões dos Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD), que violarem
lei, decreto ou norma emanada do poder público, caberá representação para o Conselho
Nacional de Desportos (CND), no prazo de 15 (quinze) dias, contados da ciência da decisão.
Art. 168 - A representação, limitada aos que tiverem sido partes no processo, deverá ter entrada
no Tribunal Superior de Justiça Desportiva (TSJD), que a remeterá, devidamente Informada, no
prazo de 10 (dez) dias, ao Conselho Nacional de Desportos.
Art. 169 - A representação, no Conselho Nacional de Desportos, será processada e julgada de
acordo com as disposições do seu Regimento Interno.
LIVRO SEGUNDO - DAS MEDIDAS DISCIPLINARES
Título I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Capítulo I
DA APLICAÇÃO DAS MEDIDAS DISCIPLINARES
Art. 170 - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixe de considerar infração
disciplinar, cessando em virtude dela a execução e os efeitos da punição.
§ Único - A lei posterior, que de outro modo favoreça o infrator, aplica-se ao fato não
definitivamente julgado e, quando comine pena menos rigorosa, aplica-se também ao fato
julgado por decisão irrecorrível.
Art. 171 - Diz-se a infração:
I - consumada, quando nela se reunem todos os elementos de sua definição;
II - tentada quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstância alheias à vontade do
agente.
§ Único - Pune-se a tentativa, salvo disposição em contrário, com a pena da infração
consumada, reduzida da metade.
Art. 172 - Não se pune a tentativa quando é impossível consumar-se a infração, por ineficácia
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto.
Art. 173 - A ignorância e a errada compreensão da lei não eximem de pena.
Art. 174 - Se a infração é cometida em obediência a ordem não manifestamente ilegal de
superior hierárquico só é punível o autor da ordem.
Art. 175 - Não há infração quando as circunstâncias que incidem sobre o fato são de tal ordem
que impeçam que do agente se possa exigir conduta diversa.
Capítulo II
DA AÇÃO DISCIPLINAR DESPORTIVA
Art. 176 - A Ação disciplinar será iniciada mediante denúncia da Procuradoria, ressalvados os
casos de queixa previstos neste Código.
Art. 177. A denúncia e a queixa conterão a descrição sumária da infração, o nome do infrator e
da associação ou entidade a que pertencer, a disposição infrigida, as agravantes e atenuantes e o
rol de testemunhas, se houver.
§ Único - A queixa poderá ser assinada por Procurador com poderes especiais.
Art. 178 - A denúncia ou a queixa serão rejeitadas:
I - se o fato narrado não constituir infração prevista em lei desportiva;
II - se estiver extinta a punibilidade;
III - se manifestar a ilegitimidade da parte ou faltar condição exigida por lei para a iniciativa da
ação;
IV - se a competição estiver definitivamente aprovada pelo órgão competente, quando se tratar
de impugnação à sua validade.
§ Único - A competição não poderá ser aprovada antes de decorridos 2 (dois) dias, contados da
entrada da súmula na entidade, nem enquanto estiver pendente processo de impugnação.
Art. 179 - Na ação disciplinar mediante queixa, ressalvados os atos de ofício, toda a iniciativa
caberá à parte autora, que não poderá deixar paralisado o processo por mais de 5 (cinco) dias
(art. 203)
Capítulo III
DAS PENAS E DA SUA APLICAÇÃO
Art. 180 - Às infrações disciplinares previstas neste Código correspondem as seguintes penas:
I - advertências;
II - multa;
III - suspensão por partida;
IV - suspensão por prazo;
V - suspensão automática;
VI - perda de pontos;
VII - perda de renda;
VIII - perda de mando de campo;
IX - interdição de praça de desportos;
X - indenização;
XI - exclusão de campeonato ou torneio;
XII - perda de mandato;
XIII - perda de filiação;
XVI - eliminação.
Art. 181 - A multa obriga o punido a recolher a importância devida no prazo de 10 (dez) dias.
§ Único - O não recolhimento implica em pena acessória de suspensão automática, até que o
faça, independentemente de novo procedimento.
Art. 182 - O Tribunal ou a Junta, na fixação da pena de multa, atenderá, principalmente, à
situação econômica do infrator, podendo, inclusive, reduzi-la até 2/3 (dois terços).
§ Único - A multa poderá ser aumentada até o triplo do máximo fixado, se o Tribunal ou Junta
verificar, pela situação econômica do infrator, que será ineficaz, ainda que fixada no máximo
previsto para a infração de que se trata.
Art. 183 - As multas estabelecidas neste Código terão por base o respectivo Valor de Referência
Regional (VRR), vigente ao tempo da infração, revertendo o seu produto em favor da entidade
promotora da competição.
§ Único - Salvo disposição em contrário deste Código, a perda de renda privará o punido de
recebê-las pagas as despesas, no entanto, pela entidade, à conta da associação até o valor da
renda perdida.
Art. 184 - A suspensão por competição será cumprida no campeonato ou torneio em que se
verificou a infração. § 1º - Quando a suspensão não puder ser cumprida no campeonato ou
torneio, o Tribunal, atendendo à gravidade da infração, determinará o seu cumprimento em
outro campeonato ou torneio.
§ 2º - Quando resultante de infração praticada em competição amistosa, a suspensão será
cumprida em competição da mesma espécie, a menos que se trata de infração de natureza grave,
caso em que o Tribunal determinará o cumprimento da pena outra competição em curso ou a
iniciar-se na sua jurisdição.
§ 3º - Quando o atleta, punido com suspensão por competição, pretender transferir-se para outra
associação, o Presidente do Tribunal convertê-la em suspensão por prazo.
§ 4º - Na conversão da pena, quando cabível, cada competição corresponderá a 5 (cinco) dias.
Art. 185 - A suspensão por prazo priva o punido de participar de quaisquer competições, de ter
acesso a recintos reservados de praças de desportos sedes de entidades desportivas e suas
dependências, excluída a associação a que pertencer, e de exercer qualquer cargo em poderes de
associações ou entidades ou funções na Justiça Desportiva.
Art. 186 - A suspensão por prazo, imposta a associação, inabilita sua praça de desportos, salvo
em caso de requisição; importa perda de campo, impedindo-a, além disso, de participar de
competições amistosas, no país ou no estrangeiro, e de exercer qualquer direito previsto em lei,
estatuto ou regulamento.
Art. 187 - A interdição de praça de desportos impede que nesta se realize qualquer competição,
oficial ou amistosa, até que sejam cumpridas, quando for o caso, as exigências impostas pela
decisão do Tribunal ou Junta.
Art. 188 - A associação ou entidade punida com a perda de mando de campo fica obrigada a
disputar as competições oficiais em que deva intervir em local designado pela entidade
promotora da competição, inclusive fora de sua sede, quando se tratar de competição
interestadual.
Art. 189 - A obrigação de indenizar, ou de efetuar qualquer pagamento em dinheiro, deve ser
cumprida no prazo marcado pela decisão, quando não houver outro previamente estipulado, sob
pena acessória de suspensão automática, até seu integral e efetivo cumprimento,
independentemente de novo procedimento.
Art. 190 - A pena de eliminação priva o punido de qualquer atividade desportiva, inclusive na
associação a que pertencer, e de todos os direitos, conferidos pelas leis do desporto e pelos
estatutos e regimentos das entidades.
Art. 191 - A pena acessória de suspensão automática até o cumprimento de decisão terá o limite
máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias findos os quais a associação será desfiliada.
Art. 192 - Quando, no mesmo dispositivo, forem cominadas, alternativamente, penas de
suspensão e multa, o Tribunal ou Junta optará pela aplicação de uma delas, levando em conta a
natureza da infração e os antecedentes do infrator.
Art. 193 - Quando houver concurso de infrações as penas serão aplicadas cumulativamente.
§ Único - Se uma das penas consistir em multa, aplica-se a regra do § 1º do Art. 184, quanto o
punido for desportista amador.
Art. 194 - O Tribunal ou Junta, na fixação das penas estabelecidas entre limites mínimos e
máximos, levará em conta a gravidade da infração, a maior ou menor extensão do dano, os
meios empregados, os motivos determinantes, os antecedentes desportivos a as circunstâncias
agravantes e atenuantes.
Art. 195 - São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam a
infração: I - ter sido praticada com o concurso de outrem;
II - ter sido praticada como uso de arma;
III - ter o infrator, de qualquer modo, concorrido para a prática de infração mais grave;
IV - ter causado prejuízo financeiro;
V - ser o infrator membro ou auxiliar da Justiça Desportiva ou dirigente de associação ou
entidade;
VI - ser o infrator reincidente.
§ Único - Verifica-se a reincidência quando o infrator comete nova infração depois de passar em
julgado a decisão que o haja punido anteriormente, salvo se entre as duas infrações houver
decorrido prazo superior à 2 (dois) anos.
Art. 196 - São circunstâncias que atenuam a pena:
I - ter sido a infração cometida em desafronta a grave ofensa moral;
II - ter sido a infração cometida em revide imediato;
III - ter o infrator prestado relevante serviço ao desporto;
IV - ter sido o infrator agraciado com prêmio conferido na forma das leis do desporto;
V - não ter o infrator sofrido qualquer pena nos 2 (dois) anos imediatamente anteriores à data do
julgamento; VI - ter o infrator confessado infração atribuída à outrem;
VII - ser o infrator menor de 18 (dezoito) anos na data da infração.
Art. 197 - No concurso de agravantes e atenuantes a pena deve aproximar-se do limite indicado
pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultem dos motivos
determinantes, da personalidade do infrator e da reincidência.
§ Único - Se houver equivalência entre agravantes e atenuantes, o Tribunal não considerará
nenhuma delas.
Art. 198 - Ressalvada a hipótese do art. 182, § Único, a pena jamais poderá ultrapassar o
máximo previsto para a infração praticada.
Capítulo IV
DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Art. 199 - Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do infrator;
II - pela prescrição, decadência ou perempção;
III - pela retratação, quando aceita, nos casos dos artigos 208/ 211;
IV - pela relevação ou comutação da pena;
V - pelo cumprimento da pena;
VI - pelo cumprimento da obrigação;
VII - pela anistia;
VIII - pela reabilitação.
Art. 200 - Prescreve a ação em 1 (um) ano, contado da data do fato.
§ único - Nos casos de falsidade, ideológica ou material, e nas infrações permanentes ou
continuadas, conta-se o prazo da data em que a falsidade se tornou conhecida ou da data em que
cessaram a permanência ou a continuação.
Art. 201 - Prescreve a condenação em 1 (um) ano, quando não executada, a contar da data em
que transitou em julgado a decisão.
Art. 202 - Ocorre a decadência quando a parte não exerce o direito de queixa no prazo de 30
(trinta) dias, contados na forma do disposto no art. 205.
§ Único - Quando a verificação da infração depender o exame de documento que deva ser
encaminhado a entidade, o prazo de 30 (trinta) dias iniciar-se-á na data em que for
protocolizado o documento.
Art. 203 - Ocorre a perempção quando o queixoso deixa o processo paralisado por mais de 5
(cinco) dias.
Art. 204 - Interrompe-se a prescrição:
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
II - pela instauração de inquérito;
III - pela decisão condenatória.
Art. 205 - Contar-se-á o prazo de decadência:
I - do trânsito em julgado da decisão de arquivamento da queixa ou pedido de inquérito;
II - da data da conclusão do inquérito;
III - do despacho, regularmente publicado, que ordenar a devolução do processo de
interpelação.
Art. 206 - A anistia, a relevação e a comutação de penas competem exclusivamente, ao
Conselho Nacional de Desportos.
§ Único - A relevação e a comutação não poderão ser concedidas se se tratar:
I - de perda de pontos, anulação de competição, perda de classificação ou de renda;
II - de indenização por prejuízos causados;
III - de punição por corrupção, concussão e prevaricação;
IV - de punição por "doping".
Título II
DAS INFRAÇÕES CONTRA PESSOAS
Capítulo I
DAS OFENSAS FÍSICAS
Art. 207 - Praticar vias de fato:
I - contra pessoa subordinada ou vinculada a entidade ou a associação, por fato ligado ao
desporto.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias;
II - contra membro do Conselho Nacional de Desportos, dos CRDs, de entidade e da Justiça
Desportiva, por fato ligado ao desporto.
PENA: suspensão de 1 (um) a 2 (dois) anos e, eliminação na reincidência;
Capítulo II
DAS OFENSAS MORAIS
Art. 208 - Ofender moralmente pessoa subordinada ou vinculada a associação ou entidade, por
fato ligado ao desporto.
PENA: suspensão de 10 (dez) e 90 (noventa) dias.
Art. 209 - Manifestar-se de forma desrespeitosa ou ofensiva contra membros e dirigentes do
Conselho Nacional de Desportos (CND), do Conselho Regional de Desportos (CRD), dos
poderes nas entidades de direção e da Justiça Desportiva, ou ameaça-los de mal injusto e grave.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias.
§ Único - Quando a manifestação for feita por meio da imprensa, rádio ou televisão, a pena será
de 60 (sessenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
Art. 210 - Atribuir fato inverídico a membros ou dirigentes do Conselho Nacional de Desportos
(CND), do Conselho Regional de Desportos (CRD), das entidades de direção e da Justiça
Desportiva.
PENA: suspensão de 60 (sessenta) a 180 (cento e oitenta) dias.
Art. 211 - Manifestar-se de forma desrespeitosa ou ofensiva contra associações ou contra
membros dos seus poderes.
PENA: suspensão de 30 (trinta) e 120 (cento e vinte) dias.
Título III
DAS INFRAÇÕES CONTRA A ORGANIZADORA E A ADMINISTRAÇÃO DOS
DESPORTOS
Capítulo I
DAS INFRAÇÕES CONTRA ENTIDADES DIRIGENTES E ÓRGÃOS PÚBLICOS
Art. 212 - Manifestar-se de forma desrespeitosa ou ofensiva contra ato ou decisão do Conselho
Nacional de Desportos (CND), do Conselho Regional de Desportos (CRD), das entidades de
direção e da Justiça Desportiva. PENA: suspensão de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias.
§ Único - Quando a manifestação for feita por meio de imprensa, rádio ou televisão a pena será
de 60 (sessenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
Art. 213 - Deixar de cumprir portaria ministerial, deliberação, resolução, determinação ou
requisição do Conselho Nacional de Desportos (CND) ou de qualquer entidade.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias e obrigação de cumprimento quando
for o caso, no prazo que for fixado, sob pena acessória de suspensão automática, até que o
façam, independentemente de novo procedimento.
§ 1º - Nas mesmas penas incorrerá a atleta, que deixar de atender a convocação de entidade de
direção, para participar de competição oficial.
§ 2º - Equiparam-se a competições oficiais as mencionadas no § único do art. 226.
Art. 214 - Deixar de enviar ao Conselho Nacional de Desportos (CND), ao Conselho Regional
de Desportos (CRD), a Confederação, a Federação ou Liga documentos exigidos por lei.
PENA: multa de 1/6 (sexto) a 1 (uma) VRRs e obrigação de cumprimento, no prazo fixado, sob
pena acessória de suspensão automática, até que o faça, independentemente de novo
procedimento.
Art. 215 - Alterar e usar, sem prévio consentimento da entidade dirigente, sua denominação,
pavilhão ou uniforme.
PENA: multa de ¼ (quarto) a 1,5 (um e meio) VRRs e suspensão até que anule ou regularize a
alteração.
§ Único - Incorrerá na pena de novo de 15 (quinze) a 150 (cento e cinqüenta) VRRs a
associação que usar em seu uniforme propaganda proibida, ou em desacordo com as permissões
existentes, sem prejuízo da pena de suspensão, até 30 (trinta) dias, no caso de reincidência.
Art. 216 - Deixar de comunicar a entidade de direção hierarquicamente superior, no prazo de 10
(dez) dias, a eleição de membro de seus poderes, qualquer alteração neles verificada, reforma
introduzida no seu estatuto ou mudança de sua sede ou praça de desportos.
PENA: multa ½ (meio) a 1,5 (um e meio) VRRs.
Art. 217 - Deixar de cumprir ato ou decisão de órgão ou poder da entidade de direção a que
estiver subordinada, ou vinculada; dificultar o seu cumprimento ou deixar de colaborar com as
autoridades do desporto na apuração de irregularidades ou infrações disciplinares ocorridas em
sua praça de desportos, sede ou dependências. PENA: multa de 3 (três) a 20 (vinte) VRRs e
obrigação de cumprimento, quando for o caso, no prazo que for fixado, sob a pena acessória de
suspensão automática, até que o faça, independentemente de novo procedimento.
Art. 218 - Deixar de comparecer à entidade de direção, quando legalmente convocado.
PENA: suspensão de 15 (quinze) a 30 (trinta) dias.
Art. 219 - Deixar de tomar providências para o comparecimento à entidade de direção, quando
convocadas por seu intermédio, de pessoas que lhe sejam subordinadas ou vinculadas.
PENA: multa de 6 (seis) a 9 (nove) VRRs.
Art. 220 - Recusar, sem justa causa, sua praça de desportos, quando legalmente requisitada.
PENA: multa de 60 (sessenta) a 240 (duzentos e quarenta) VRRs.
Art. 221 - Recusar ingresso em sua praça de desportos aos membros do Conselho Nacional de
Desportos (CND), do Conselho Regional de Desportos (CRD) e de poderes da Confederação a
que estiver direta ou indiretamente subordinada ou vinculada.
PENA: multa de 3 (três) a 6 (seis) VRRs.
Art. 222 - Não assegurar aos representantes de entidade de direção localização adequada ao
desempenho de suas funções.
PENA: MULTA DE 1,5 (um e meio) a 3 (três) VRRs.
Art. 223 - Abandonar, sem justa causa, a disputa de campeonato ou torneio, após o seu início.
PENA: multa de 30 (trinta) a 60 (sessenta) VRRs e exclusão do campeonato ou torneio
seguinte, sem prejuízo de outras penas em que haja incorrido.
§ 1º - Considera-se abandono, para os efeitos deste artigo, a falta de comparecimento, sem justa
causa, a qualquer competição do campeonato ou torneio.
§ 2º - Reconhecido o abandono por sentença, ficam sem nenhum efeito todos os resultados
obtidos pela associação punida, nas competições que já houver disputado.
Art. 224 - Impedir a realização de competição marcada para sua praça de desportos.
PENA: multa de 60 (sessenta) a 240 (duzentos e quarenta) VRRs e indenização, quando for o
caso.
Art. 225 - Atrasar a realização de competição marcada para sua praça de desportos.
Art. 226 - Ordenar o atleta, convocada por entidade superior para competição oficial ou
amistosa, que não atenda à convocação; que não cumpra as normas por ela estabelecidas ou
ordenar que se omita, de qualquer modo, na disputa da competição.
PENA: suspensão de 120 (cento e vinte) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
§ Único - Equipara-se a competição oficial, para os efeitos desta artigo, a programada como
preparatória de seleção nacional, estadual ou municipal.
Art. 227 - Não restituir em perfeito estado de conservação prêmio de posse temporária ou
qualquer material desportivo sob sua guarda.
PENA: multa de 3 (três) a 6 (seis) VRRs sem prejuízo da indenização pelo dano causado.
Art. 228 - Tomar atitudes, assumir compromissos ou adotar providências, quando na chefia de
delegação a congressos ou competições internacionais, capazes de comprometer a moralidade
ou a reputação dos poderes públicos ou das entidades desportivas de grau superior, nacionais ou
estrangeiros.
PENA: suspensão de 120 (cento e vinte) a 360 (trezentos e sessenta) dias e eliminação na
reincidência.
Art. 229 - Deixar de apresentar relatório das atividades de delegações em competições
internacionais no exterior, no prazo de 30 (trinta) dias, se outro não estiver fixado, contado da
data de chegada da delegação ao país.
PENA: suspensão, até que apresente o relatório.
Art. 230 - Deixar de consignar no relatório as infrações disciplinares e outros atos contrários à
reputação do desporto brasileiro, praticados por membros de delegações e congressos ou
competições internacionais, ainda que essas infrações e esses atos já tenham sido apreciados
pelo órgão competente da delegação.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
Capítulo II
DAS INFRAÇÕES CONTRA ASSOCIAÇÕES
Art. 231 - Requerer inscrições por duas ou mais associações.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
§ Único - Incorre na mesma pena o atleta que pedir transferência para duas ou mais associações.
Art. 232 - Participar, sem a autorização de sua associação, de competição amistosa ou de
treinamento de outra associação.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 90 (noventa) dias.
§ Único - A ação disciplinar dependerá de queixa da associação a que estiver vinculado o atleta.
Art. 233 - Danificar praça de desportos, sede ou dependência da associação ou entidade.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias e indenização dos danos.
Capítulo III
DAS INFRAÇÕES CONTRA A JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 234 - Deixar o auditor, o órgão da Procuradoria e o Secretário de Tribunal ou Junta de
observar os prazos legais.
PENA: advertência. No caso de inobservância.
Art. 235 - Deixar a autoridade que tomou conhecimento da falsidade documental de encaminhar
os elementos da infração ao Tribunal competente de Justiça Desportiva.
PENA: perda do mandato, cargo ou função.
Art. 236 - Deixar o Presidente do Tribunal, que conhecer de falsidade de documentos, de
encaminhar os elementos da infração, após transitar em julgado a decisão que a reconheceu, ao
órgão do Ministério Público. PENA: perda de mandato.
Art. 237 - Oferecer queixa ou representação evidentemente infundadas ou dar causa, por erro
grosseiro ou sentimento pessoal, à instauração de inquérito ou processo na Justiça Desportiva.
PENA: suspensão de 90 (noventa) ou 360 (trezentos e sessenta) dias ou tratando-se de
associação ou entidade, multa de 3 (três) a 30 (trinta) VRRs.
Art. 238 - Prestar depoimento falso perante a Justiça Desportiva.
PENA: suspensão de 90 (noventa) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
§ Único - O fato deixa de ser punível se o agente, antes do julgamento, se retrata e declara a
verdade.
Art. 239 - Deixar de cumprir ou retardar o cumprimento de decisão da Justiça Desportiva.
PENA: multa de 3 (três) a 30 (trinta) VRRs e suspensão até o cumprimento da decisão, quando
for o caso. § Único - Quando o infrator for pessoa física, a pena será de suspensão de 90
(noventa) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
Art. 240 - Deixar de comparecer a Órgão da Justiça Desportiva, quando regularmente intimado.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
Art. 241 - Deixar a associação ou entidade de direção de tomar providência para o
comparecimento a órgão da Justiça Desportiva, quando intimada por seu intermédio, de
qualquer pessoa que lhe seja subordinada ou vinculada.
PENA: multa de 9 (nove) a 18 (dezoito) VRRs.
Art. 242 - Não assegurar aos membros da Justiça Desportiva localização adequada ao
desempenho da função. PENA: multa de 9 (nove) a 27 (vinte e sete) VRRs.
Art. 243 - Admitir ao exercício de cargo ou função, remuneradas ou não, quem estiver
eliminado ou em cumprimento de pena disciplinar.
PENA: multa de 18 (dezoito) a 27 (vinte sete) VRRs e exclusão do admitido.
Art. 244 - Exercer função, atividade, direito ou autoridade, de que foi suspenso por decisão da
Justiça Desportiva. PENA: suspensão de 90 (noventa) a 180 (cento e oitenta) dias, sem prejuízo
do cumprimento da pena anteriormente imposta.
Art. 245 - Dar, prometer ou oferecer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito,
tradutor, intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia,
tradução e interpretação, ainda que a oferta não seja aceita.
PENA: suspensão de 1 (um) a 2 (dois) anos e eliminação na reincidência.
Art. 246 - Autorizar as partes a retirarem processos da Secretaria ou consentir que os retirem.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
Capítulo IV
DAS INFRAÇÕES PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO
Art. 247 - Pleitear na Justiça do Estado, antes de esgotadas todas as instâncias da Justiça
Desportiva, sobre matéria disciplinada pelas leis, regulamentos e demais normas do desporto.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias e desfiliado ou eliminado na reincidência.
Art. 248 - Deixar de cumprir obrigação assumida em qualquer documento relativo a atividades
do desporto amador.
PENA: multa de 6 (seis) a 30 (trinta) VRRs e cumprimento da obrigação no prazo que for
fixado, além da indenização pelos prejuízos causados, quando requeridos.
Título IV
DAS INFRAÇÕES CONTRA A MORAL DESPORTIVA
Capítulo I
DAS FALSIDADES
Art. 249 - Efetuar a atleta amador pagamento vedado pelas normas desportivas nacionais e
internacionais. PENA: multa de 9 (nove) a 27 (vinte e sete) VRRs.
§ 1º - Perde a condição de amador o atleta que houve recebido o pagamento.
§ 2º - Não se considera pagamento, quando diretamente efetuado por confederação, federação,
liga, associação ou organismos estatais.
I - o auxilio financeiro, concedido para a formação escolar, universitária ou profissional do
atleta;
II - das despesas de alimentação e hospedagem feitas com o atleta durante o período das
competições;
III - os uniformes e equipamentos desportivos adquirido para o atleta;
IV - as reposições de salários perdidos durante as competições ou nos períodos de preparação
para as mesmas.
Art. 250 - Falsificar, no todo ou em partes, documento público ou particular, omitir declaração
que nele deveria constar, inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser
escrita, para o fim de usá-lo perante a Justiça Desportiva ou entidade dirigente.
PENA: suspensão de 180 (cento e oitenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias e eliminação na
reincidência.
§ 1º - Nas mesmas penas incorrerá quem fizer uso do documento falsificado, conhecendo-lhe a
falsidade.
§ 2º - No caso de falsidade de documento, após o trânsito em julgado da decisão que a
reconhecer, o Presidente do Tribunal encaminhará ao órgão do Ministério Público os elementos
necessários à apuração da responsabilidades criminal.
§ 3º - Equipara-se a documento, para os efeitos deste artigo, o disco fonográfico, o filme
cinematográfico e a fita ou fio de aparelho eletromagnético.
Art. 251 - Atestar ou certificar falsamente, em razão da função, fato ou circunstância que
habilite atleta a obter registro, inscrição, transferencia ou qualquer vantagem indevida.
PENA: suspensão de 180 (cento e oitenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias e eliminação na
reincidência.
Art. 252 - Usar como própria carteira de atleta ou qualquer documento de identidade de outrem
ou ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, próprio ou de terceiro.
PENA: suspensão de 60 (sessenta) a 180 (cento e oitenta) dias.
Capítulo II
DA CORRUPÇÃO, DA CONCUSSÃO E DA PREVARICAÇÃO
Art. 253 - Dar ou prometer vantagem indevida a quem exerça cargo ou função, remunerados ou
não, em qualquer entidade dirigente ou associação, para que pratique, omita ou retarde ato do
ofício ou função, ou ainda, para que o pratique contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: suspensão de 1 (um) a 2 (dois) anos e eliminação na reincidência.
Art. 254 - Receber ou solicitar, para si ou para outrem, vantagem indevida, em razão de cargo
ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade dirigente ou associação, para praticar,
omitir ou retardar ato de ofício ou, ainda, para praticá-lo contra expressa disposição de norma
desportiva.
PENA: suspensão de 1 (um) a 2 (dois) anos e eliminação na reincidência.
Art. 255 - Deixar de praticar ato de ofício, por interesse pessoal ou para favorecer ou prejudicar
pessoas, associações ou entidades; praticá-lo, para os mesmos fins, com abuso do poder ou
excesso de autoridade.
PENA: suspensão de 120 (cento e vinte) a 360 (trezentos e sessenta) dias e eliminação na
reincidência.
Art. 256 - Aliciar atleta pertencente a qualquer associação.
PENA: suspensão de 60 (sessenta) a 180 (cento e oitenta) dias.
§ Único - Provocado o comprometimento da associação no aliciamento, será ela punida com a
pena de multa de 24 (vinte e quatro) a 120 (cento e vinte) VRRs.
Art. 257 - Dar ou prometer qualquer vantagem a árbitro ou auxiliar de arbitragem, para que
influa no resultado da competição.
PENA: eliminação
§ Único - Na mesma pena incorrerá o intermediário
Art. 258 - Dar ou prometer qualquer vantagem a associação, dirigente, técnico ou atleta, para
que ganhe ponto em competição, a fim de favorecer ou prejudicar terceiro.
PENA: suspensão de 90 (noventa) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
§ Único - Na mesma pena incorrerá intermediário.
Art. 259 - Atuar, deliberadamente, de modo prejudicial a equipe que defende.
PENA: suspensão de 60 (sessenta) a 180 (cento e oitenta) dias.
§ 1º - Se o atleta cometer a infração mediante pagamento ou promessa de qualquer vantagem, a
pena será de suspensão de (um) a 2 (dias) anos e eliminação na reincidência.
§ 2º - O autor da promessa ou vantagem será punido com a pena de eliminação.
Título V
DAS INFRAÇÕES RELATIVAS À COMPETIÇÃO
Capítulo I
DAS INFRAÇÕES DE ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES
Art. 260 - Deixar de manter sua praça de desportos em condições de assegurar plena garantia
para árbitro, auxiliares de arbitragem, representantes, delegados, atletas e representações de
associações ou entidade dirigente.
PENA: multa de 6 (seis) a 12 (doze) VRRs e interdição da praça de desportos até a satisfação
das exigências que constem da decisão.
Art. 261 - Não apresentar, quando da realização de competição oficial de que participe, o local
de jogo regularmente marcado ou não oferecer ao árbitro o material desportivo necessário,
inclusive sobressalente, dando causa ao retardamento do início ou reinício da competição ou
impossibilitando a sua realização.
PENA: multa correspondente a ¼ (quarto) VRRs por minuto de atraso; se a partida não se
realizar, além da multa, a infratora perderá a sua parte na renda e sua adversária será
considerada vencedora da competição.
Art. 262 - Impedir o prosseguimento ou dar causa à suspensão de competição de campeonato ou
torneio em que esteja inscrita.
PENA: multa de 3 (três) a 30 (trinta) VRRs perda de mando de campo de uma a três
competições e perda de sua parte na renda.
§ Único - A associação fica sujeita às penas deste artigo se a suspensão da competição tiver sido
comprovadamente causada ou provocada por sua "torcida".
Art. 263 - Deixar de tomar providências capazes de prevenir ou reprimir desordens em sua
praça de desportos, inclusive deixando de prevenir ou reprimir o lançamento de objetos no
campo, quando partidos do recinto reservado ao quadro social.
PENA: multa de 3 (três) a 12 (doze) VRRs e perda de mando de campo de 1 (uma) a 3 (três)
competições, quando participante da competição, se oficial.
Art. 264 - Incluir em sua equipe, atleta que não tenha condição de jogo.
PENA: multa de 1,5 (um e meio) VRRs por atleta e perda de pontos em favor do adversário.
§ 1º - A inscrição e a condição de jogo, dados pela entidade promotora da competição, podem
eximir a associação de pena, mas a competição será anulada se a infratora houver ganho um ou
mais pontos;
§ 2º - A pena será de 12 (doze) a 60 (sessenta) VRRs se a inclusão tiver sido realizada com o
fim deliberado de favorecer ou prejudicar o adversário ou terceiro, cumulada com a anulação da
competição, se o favorecimento ou o prejuízo se verificarem;
§ 3º - Se a competição for amistosa somente será aplicada a pena de multa.
Capítulo II
DAS INFRAÇÕES DOS ATLETAS
Art. 265 - Proceder desleal ou inconvenientemente durante a competição.
PENA: advertência, suspensão de 1 (uma) a 2 (duas) competições.
Art. 266 - Reclamar, por gestos ou palavras, contra as decisões de arbitragem.
PENA: advertência. Suspensão de 1 (uma) a 3 (três) competições.
Art. 267 - Desrespeitar, por gestos ou palavras, o árbitro ou seus auxiliares.
PENA: suspensão de 1 (uma) a 4 (quatro) competições.
Art. 268 - Praticar vias de fato contra o árbitro ou seus auxiliares.
PENA: suspensão de 60 (sessenta) a 360 (trezentos e sessenta) ou 720 (setecentos e vinte) dias
ou eliminação.
§ Único - Para os efeitos do disposto neste artigo, o árbitro e seus auxiliares são considerados
em função desde a escalação até o término do prazo fixado para a entrega dos documentos da
competição na entidade.
Art. 269 - Ofender moralmente o árbitro e seus auxiliares.
PENA: suspensão de 2 (duas) a 5 (cinco) competições ou de 20 (vinte) a 60 (sessenta) dias.
§ Único - Aplica-se o disposto no parágrafo único do art. 268.
Art. 270 - Praticar jogada violenta.
PENA: suspensão de 1 (um) a 2 (duas) competições.
§ Único - Se da jogada resultar lesão ao adversário, que o impossibilite de prosseguir na
competição, a pena será de suspensão de 2 (duas) a 6 (seis) competições.
Art. 271 - Praticar ato de hostilidade contra o adversário.
PENA: suspensão de 1 (uma) a 3 (três) competições.
Art. 272 - Praticar vias de fato contra companheiro de equipe ou componente de equipe
adversária.
PENA: suspensão de 2 (duas) a 4 (quatro) competições.
§ Único - Se da infração resultar lesão corporal grave a pena será de suspensão de 30 (trinta) a
90 (noventa) dias.
Art. 273 - Desistir de disputar competição, depois de iniciada, por abandono, simulação de
contusão, ou desinteresse nas jogadas, ou tentar impedir, por qualquer meio, o seu
prosseguimento.
PENA: suspensão de 120 (cento e vinte) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
§ Único - Se a infração for praticada em virtude de ordem de dirigentes da associação a que
pertencer o atleta, ficará o autor da ordem sujeita à pena de eliminação, ficando a associação,
por sua vez, sujeita à pena de suspensão até 360 (trezentos e sessenta) dias, sem prejuízo da
perda de sua parte na renda e exclusão do campeonato.
Art. 274 - Participar de rixa, conflito ou tumulto, durante a competição.
PENA: suspensão de 2 (duas) a 4 (quatro) competições.
§ Único - As associações cujos atletas participarem da rixa, conflito ou tumulto, perderão os
pontos e sua parte na renda.
Art. 275 - Assumir atitude contrária à disciplina ou à moral desportiva, em relação a
componente de sua representação, representação adversária, ou de expectador.
PENA: suspensão de 1 (uma) a 4 (quatro) competições.
Capítulo III
DAS INFRAÇÕES DOS ÁRBITROS E AUXILIARES
Art. 276 - Deixar de observar as regras do jogo.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 120 (cento e vinte) dias.
§ Único - A competição poderá ser anulada se ocorrer erro de direito que beneficie equipe que
ganhe um ou mais pontos.
Art. 277 - Omitir-se no dever de prevenir ou de coibir violência ou animosidade entre os atletas,
no curso da competição.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 120 (cento e vinte) dias.
Art. 278 - Praticar vias de fato contra atletas, auxiliar de arbitragem, substituídos inscritos,
representantes, diretores de associação e demais autoridades e profissionais em função.
PENA: suspensão de 90 (noventa) a 360 (trezentos e sessenta) dias, observado o disposto no
parágrafo único do art. 268.
Art. 279 - Ofender moralmente qualquer das pessoas mencionadas no art. 278.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias, observado o disposto no parágrafo único do
art. 268.
Art. 280 - Não se apresentar devidamente uniformizado ou apresentar-se sem o material
necessário ao desempenho das suas atribuições.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 90 (noventa) dias.
Art. 281 - Deixar de apresentar-se ao local da competição, no mínimo 10 (dez) minutos antes da
hora marcada para o seu início.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
§ 1º - Se até 5 (cinco) minutos depois da hora marcada para o início da competição o árbitro não
se apresentar para iniciá-la, proceder-se-á a sua substituição, na forma que dispuser o
regulamento da competição, sem prejuízo da suspensão de 10 (dez) a 30 (trinta) dias;
§ 2º - O árbitro ou auxiliar que se apresentar em campo após a hora marcada para o reinício da
competição, até o limite de 5 (cinco) minutos, quando, então, será substituído pela forma que
dispuser o regulamento da competição, ficaria sujeito a suspensão de 30 (trinta) a 60 (sessenta)
dias.
Art. 282 - Deixar de comunicar à autoridade competente, em tempo oportuno, que não se
encontra em condições de exercer suas atribuições.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 90 (noventa) dias.
Art. 283 - Não conferir, quando exigido por lei ou regulamento, as fichas de identidade dos
atletas.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 60 (sessenta) dias.
§ Único - Quando da infração resultar a anulação da partida, a pena será de suspensão de 30
(trinta) a 90 (noventa) dias.
Art. 284 - Deixar de entregar ao órgão competente, no prazo legal, os documentos da
competição, regularmente preenchidos.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 90 (noventa) dias.
§ Único - Incorrerá na pena de suspensão de 30 (trinta) a 120 (cento e vinte) dias o árbitro que
deixar de relatar as ocorrências disciplinares da competição ou que as relatar de modo a
impossibilitar ou dificultar a punição de infratores.
Art. 285 - Deixar de solicitar às autoridades competentes as garantias necessárias à segurança
individual de atletas e auxiliares ou deixar de interromper a competição, caso venham a faltar
esses garantias.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 120 (cento e vinte) dias.
Art. 286 - Permitir a presença, no campo ou no recinto de jogo, de qualquer pessoa que não as
previstas nas leis do jogo, nos regulamentos e normas da competição.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
§ Único - Quando da infração resultarem ocorrências graves, a pena será de suspensão de 60
(sessenta) a 180 (cento e oitenta ) dias.
Art. 287 - Abandonar a competição antes do seu término ou recusar-se a iniciá-la.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias.
Art. 288 - Quebrar sigilo de documento.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
Art. 289 - Publicar matéria relativa a arbitragem, ou autorizar a sua publicação, ressalvadas as
publicações de natureza exclusivamente técnica.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 60 (sessenta) dias.
Art. 290 - Criticar, publicamente, a atuação de árbitros ou auxiliares.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
Art. 291 - Assumir, em praças desportivas, antes, durante ou depois da competição, atitude
contrária à disciplina ou à moral desportiva.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias.
Capítulo IV
DAS INFRAÇÕES DOS REPRESENTANTES E DELEGADOS
Art. 292 - Deixar de comparecer ao local da competição para a qual foi designado.
PENA: advertência ou suspensão de 10 (dez) a 60 (sessenta) dias.
Art. 293 - Chegar ao local da competição, para a qual foi designado, após o seu início.
PENA: advertência ou suspensão de 10 (dez) a 30 (trinta) dias.
Art. 294 - Criticar, publicamente, a atuação do árbitro ou auxiliares.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 90 (noventa) dias.
Art. 295 - Omitir no seu relatório fato relevante ocorrido durante a competição, descreve-lo de
forma incompleta ou dele fazer constar fato que não tenha presenciado.
PENA: suspensão de 10 (dez) a 90 (noventa) dias.
§ Único - Se a infração for cometido com a finalidade de favorecer ou prejudicar competidores
ou terceiros, a pena será de suspensão de 90 (noventa) a 360 (trezentos e sessenta) dias, ou
eliminação, se cometida mediante vantagem ou promessa de recompensa.
Art. 296 - Assumir, em praça desportiva, antes, durante ou depois da competição, atitude
contrária à disciplina ou à moral do desporto, inclusive em relação aos assistentes.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 120 (cento e vinte) dias.
Capítulo V
DAS INFRAÇÕES EM GERAL
Art. 297 - Invadir local destinado ao árbitro ou auxiliares, ou penetrar no campo de jogo,
inclusive nos intervalos regulamentares, sem a necessária autorização.
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 120 (cento e vinte) dias.
Art. 298 - Proceder de forma atentatória à dignidade do desporto, com o fim de alterar o
resultado da competição.
PENA: suspensão de 180 (cento e oitenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias.
§ Único - Se do procedimento resultar a alteração pretendida, o Tribunal ou Junta poderá anular
a competição ou decretar perda de pontos, sem prejuízos, quando couber, da reversão da renda
líquida em favor da entidade patrocinadora da competição.
Art. 299 - Dar ou transmitir, durante a competição, instruções a atletas, dentro do campo ou nas
linhas limítrofes, quando houver proibições pelas leis do jogo.
PENA: multa de ½ (meia) a 1,5 (um e meio) VRRs.
Art. 300 - Assumir nas praças de desportos, atitude inconveniente ou contrária à moral
desportiva. PENA: suspensão de 10 (dez) a 90 (noventa) dias.
Título VI
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS
Capítulo I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 301 - As Diretorias das Confederações e as Diretorias das federações e ligas assumem
automaticamente caráter judicante, com todos os poderes conferidos por este Código e por
outras Leis aos Tribunais Superiores de Justiça Desportiva (TSJD), aos Tribunais Especiais aos
Tribunais de Justiça Desportiva (TJD) e às Juntas de Justiça Desportiva (JJD), respectivamente,
quando, havendo processos a julgar, deixar qualquer desses órgãos de funcionar.
§ Único - Não cabe a função judicante atribuída por este artigo quando o poder competente,
nomeados os auditores, não lhes assegurar local e meios adequados para as reuniões ou quando
provocar perturbações ao seu regular funcionamento.
Art. 302 - Em qualquer entidade, quando se verificar a hipótese do artigo anterior, a ocorrência
será comunicada à entidade de grau superior, ou ao Conselho Nacional de Desportos (CND),
para que adotem as previdências necessárias ao regular funcionamento do órgão judicante.
Art. 303 - O Presidente da Junta de Justiça Desportiva (JJD) é obrigado a cientificar o
Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), por ofício ou telegrama, da investidura de
auditor e do prazo de seu mandato; o Presidente de Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), é
obrigado à igual providência, quando a seus auditores, junto ao Presidente do Tribunal Superior
de Justiça Desportiva (TSJD), que, por sua vez, é obrigado a igual procedimento junto ao
Conselho Nacional de Desportos.
§ 1º - Para todos os efeitos, é nula a instalação de Junta ou Tribunal, e a investidura neles de
Presidente ou de qualquer auditor, das quais não se tenha feito a comunicação, na mesma data
em que ocorrerem às autoridades mencionadas neste artigo;
§ 2º - As Secretarias de Tribunal e Juntas manterão fichários, rigorosamente em dia, do quadro
de auditores em exercício, assim como substitutos.
Art. 304 - Aos Presidentes de Tribunais e Juntas, por intermédio de suas Secretarias, cabe
receber e remeter, diretamente, qualquer expediente.
Art. 305 - Os casos omissos e as lacunas deste Código serão resolvidos de acordo com os
princípios gerais de direito, vedadas, porém, para definir e qualificar infrações, as decisões por
analogia.
Art. 306 - A interpretação das normas deste Código, regida pelas regras gerais de hermenêutica,
será feita visando a defesa da disciplina e da moralidade do desporto.
Capítulo II
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS E FINAIS
Art. 307 - Os processos em curso, ao entrar em vigor este Código, serão julgados pela forma
nele indicada, adotadas, porém, as penalidades mais brandas.
Art. 308 - As disposições deste Código não se aplicam aos atletas da categoria infantil e aos
menores de 14 anos.
Art. 309 - O Conselho Nacional de Desportos (CND), quando necessário, baixará resoluções
para incluir neste Código, sob a forma de anexos, tábuas de infrações e penalidades peculiares a
cada ramo desportivo.(*)
Art. 310 - As disposições deste Código aplicam-se ao Pugilismo, ao Golfe, ao Automobilismo e
ao Motociclismo, enquanto esses ramos do Desporto não tiverem Códigos próprios, na forma do
Art. 64 do Decreto nº 80.228, de 25.08.77, mas não se aplica ao Futebol, que continuará regido
pelo Código Brasileiro Disciplinar do Futebol (CBDF), promulgado pela Portaria nº 702, de
17.02.81, com as alterações introduzidas pela Portaria nº 25, de 24.01.84.
(*) Com nova redação dada pela Portaria nº 877, de 23 de dezembro de 1986 do Ministro da
Educação.