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ESCATOLOGIA
Espiritualidade na vida e no consultório faz bem à saúde - 8/1/2004 AD
ANA PAULA DE OLIVEIRA
Folha de São Paulo

EQUILIBRIO
Estudos científicos apontam os benefícios da fé para os
pacientes, e médicos defendem que religião deve ser assunto da
consulta
A fé pode curar um paciente? Quem frequenta a igreja fica menos
doente ou até vive mais? E aquele doente que vai para a cirurgia
com a medalha da santa na mão tem chances de se recuperar
melhor do que o paciente cético? Médicos de diferentes áreas em
todo o mundo -independentemente de credo- buscam
comprovação científica para a relação entre espiritualidade e
saúde. Nos EUA, a maioria dos cursos de medicina possui, na grade
curricular, disciplinas que discutem doença, fé, cura e
espiritualidade com os futuros médicos e como abordar o
assunto com seus pacientes. Por aqui, a discussão começa a
despontar.
Muitos dos inumeráveis estudos científicos são realizados por
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importantes universidades estrangeiras e publicados em
revistas especializadas em medicina.
Em parte, diz o psiquiatra Harold Koenig, diretor do Centro
para Estudos da Religião, Espiritualidade e Saúde da
Universidade Duke (EUA), esse "reencontro entre Deus e medicina"
partiu dos pacientes, que estão exigindo maior humanização no
atendimento, e de constatações científicas de que a crença
religiosa pode influir -para o bem ou para o mal- na saúde do
homem.
Os cientistas descobriram que a religião dá aos pacientes mais
tranquilidade para expor seus problemas e serenidade para se
entregarem a procedimentos cirúrgicos, diz o cardiologista
Roque Marcos Savioli, um dos pioneiros no Brasil a levar Deus
para o consultório, ou melhor, a introduzir o assunto durante
a consulta. Ele até sugere ao paciente mais religioso que reze
junto com ele durante o exame clínico. "Isso é um calmante", diz o
médico, autor de "Milagres que a Medicina Não Contou" e
"Depressão - Onde Está Deus?" (ed. Ágape).
Koenig, o papa dos estudos sobre espiritualidade e medicina,
afirma que, entre as 24 pesquisas que já realizou em 20 anos, a que
mais o surpreendeu foi a que abordou o efeito da fé sobre o
sistema imunológico.
Entre 1986 e 1992, foram colhidas 4.000 amostras sanguíneas de
pessoas com mais de 65 anos que frequentavam regularmente a
igreja ou não tinham hábitos religiosos. O objeto de estudo foi a
interleucina-6, proteína do sangue que indica o estado do
sistema imunológico. O nível da proteína foi maior entre os fiéis,
"o que quer dizer melhor sistema imunológico" (leia sobre
outras pesquisas nas págs. 6 e 8).
Para aproximar médicos da vida espiritual de seus pacientes, o
American College of Physicians, maior sociedade americana de
especialidades médicas, sugere aos profissionais que, durante a
anamnese, sejam feitas quatro questões. São elas: se a crença do
paciente traz conforto ou estresse -assim é possível saber como
ele lida com a doença- , se a religião poderia interferir no
tratamento médico, se considera que sua saúde mental tem
relação com a espiritualidade e se gostaria de falar a respeito
de religião com o médico. Sobre este último tópico, uma pesquisa
americana apontou que 77% dos pacientes gostariam que o
médico falasse sobre religião, mas só 10% deles falam em Deus com
seus pacientes, diz Savioli.
No entanto abordar o assunto pede cautela. "O paciente pode
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pensar que está morrendo e que só um milagre divino pode salvá-
lo", brinca Koenig.
"Algumas crenças não dão esses benefícios que estão sendo
descobertos pela ciência, pois não acreditam em um Deus
pacífico, misericordioso, mas em um que pune e é severo. Se não
acreditam no perdão, os fiéis se sentem culpados e ficam mais
deprimidos, aumentando o nível de cortisol, reduzindo o sistema
imunológico e, consequentemente, piorando o quadro clínico",
diz Koenig.
E é nisso que se apóiam os críticos mais fervorosos da idéia de
estreitar as relações entre medicina e religião. "Muitos
pacientes atribuem a doença à punição divina e simplesmente
ignoram qualquer tratamento médico, já que "Deus quis assim".
Pelo excesso de fé, fiéis podem literalmente entregar nas mãos
de Deus uma doença grave, negando qualquer tratamento
médico", diz o professor de psiquiatria Richard Sloan, da
Universidade de Colúmbia (EUA). Além disso, para ele, as
metodologias dessas pesquisas não se sustentam, referindo-se a
um dos estudos de maior repercussão: o poder da reza a
distância.
Publicado na revista científica "American Heart Journal" em
2001, o estudo da Universidade Duke dividiu, em dois grupos, 120
pacientes cardíacos submetidos à angioplastia. Para um grupo
de pós-operados, sem que soubessem, foram feitas orações por
rabinos, pastores, padres, budistas, entre outros, durante um
ano. Resultado: eles tiveram de 25% a 30% de redução dos efeitos
colaterais -como morte, insuficiência cardíaca e ataque
cardíaco- em relação aos demais. Essa foi a primeira fase do
estudo chamado de Mantra (Monitoring and Actualization of
Noetic Trainings). A segunda etapa, com 700 pacientes, acaba de
ser concluída. E, surpresa, não houve alteração entre o grupo
que recebeu as preces e o outro. Para Sloan, "isso é ciência
"junkie", é perda de tempo. É difícil estabelecer um controle
sobre o grupo, pois muitas pessoas já rezam para o doente". Para
o psiquiatra Fabio Herrmann, da Sociedade Brasileira de
Psicanálise de São Paulo, pesquisas não fundamentadas podem
provar qualquer coisa que se queira. "Mas não se pode negar o
fato de que a igreja funcione como substituta da terapia.
Aproxima as pessoas", diz ele, autor de "Psicanálise da Crença"
(ed. Artmed).
Cruzada religiosa
O Instituto de Saúde dos Estados Unidos pretende aplicar US$ 3,5
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milhões nos próximos anos em medicina do corpo e da mente,
segundo reportagem de novembro da revista "Newsweek".
Persistente na premissa de que os princípios da evolução e a idéia
de Deus como criador são compatíveis, o magnata americano
John Templeton, 92, aplica US$ 40 milhões por ano em pesquisas
que tentam se aproximar de sua convicção.
"É por isso que, no Brasil, não há estudos como lá fora. Não existe
investimento financeiro nesse campo de pesquisa", diz Alexander
Moreira de Almeida, psiquiatra e coordenador do Neper (Núcleo
de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos). Para Koenig,
nesse aspecto o Brasil hoje está como os Estados Unidos estavam
dez anos atrás.
A passos curtos, começa-se a fomentar por aqui essa discussão
nos meios médicos. No mês passado, rabino, espírita, padre,
pastor, estudiosa de filosofia oriental e um ateu foram
chamados para encerrar a 1ª Jornada de Religião e Prática
Médica, curso de três meses realizado no Hospital das Clínicas de
São Paulo.
É importante lembrar que humanização ou qualidades como
espiritualidade e religiosidade não se limitam a quem segue
práticas como frequentar um templo e orar. "É estreitar a
relação com o paciente, começando com pequenos detalhes, como
um consultório mais simpático e acolhedor", afirma o dentista
Dalton Luiz de Paula Ramos, professor de bioética da USP,
membro da Pontifícia Academia Pro Vita, do Vaticano, e
coordenador do Núcleo Fé e Cultura, da PUC.
"A espiritualidade faz parte da formação do caráter. A cultura
influencia profundamente o desenvolvimento do caráter. Se faz
parte da cultura, a religião faz parte do caráter", reflete
Almeida.
Em um ponto, médicos céticos ou não concordam: o paciente deve
ser tratado como um ser completo. "Não é um coração que vai ao
consultório, é um ser humano", diz o dentista e médico do
Vaticano.

'Jesus histórico' já era Deus, diz Papa BENTO XVI
No livro "Jesus de Nazaré", Bento XVI diz que Cristo afirmou
claramente sua divindade. Para historiadores e teólogos, a
interpretação força demais o sentido dos Evangelhos.
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REINALDO JOSÉ LOPES Do G1, em São Paulo

Cristo no deserto: para O Papa, episódio é início da revelação de
Jesus como divino (Reprodução)
O novo livro do Papa Bento XVI, "Jesus de Nazaré", coloca o líder
da Igreja Católica no centro de um debate acadêmico dos mais
complicados: o que a história pode dizer de seguro sobre a vida
terrena de Jesus. A conclusão de Bento XVI é que os Evangelhos
trazem um retrato mais claro e convincente de Cristo do que
qualquer obra histórica moderna, revelando que Jesus sempre
esteve consciente de sua natureza divina. No entanto, para os
especialistas que estudam o chamado "Jesus histórico", a
interpretação papal não faz jus à maneira complexa como a
figura de Cristo foi emergindo. Para eles, igualar Jesus a Deus
foi um processo lento, e a idéia provavelmente não aparecia nem
na pregação original do próprio Cristo.

Verdade seja dita, "Jesus de Nazaré" está longe de ser apenas um
livro sobre o Jesus histórico. "Apesar do título, trata-se de um
texto marcadamente teológico", avalia André Chevitarese,
historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na
maior parte do tempo, Bento XVI está preocupado em mostrar
como a trajetória de Jesus e sua personalidade são relevantes
para o cristão de hoje. Ao mesmo tempo, ele quer deixar claro
qual a maneira teologicamente correta de enxergar a pessoa de
Jesus, diante do que vê como deturpações nas quais ele aparece
como um homem como qualquer outro.
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"Não é mais lógico, até do ponto de vista histórico, que
a grandeza se coloque no início e que a figura de Jesus tenha
gerado, na prática, uma superação de todas as categorias
disponíveis, podendo ser compreendida somente a partir do
mistério de Deus?", questiona o Papa. Em outras palavras, a
preocupação central de Ratzinger é com a cristologia - o termo
usado pelos teólogos para o estudo da figura e da pessoa de
Jesus.

"Com certeza esse é um dos elementos centrais no pontificado
dele", declarou ao G1 o vaticanista americano John Allen Jr.,
autor de duas biografias sobre Bento XVI. "Por exemplo, as
pessoas interpretaram uma advertência recente feita ao
teólogo Jon Sobrino [seguidor da chamada teologia da
libertação, de orientação esquerdista] como uma nova
tentativa de enquadrar a teologia da libertação. Mas essa
advertência não teve nada a ver com a teologia da libertação e
tudo a ver com o que o papa considera uma cristologia errada",
diz Allen Jr. E isso porque Sobrino, em seus escritos, dá ênfase à
natureza humana de Jesus - para o Papa, uma visão errônea.

Evangelho de João
No centro da argumentação de Bento XVI está o Evangelho de
João, a quarta narrativa sobre a vida de Jesus na Bíblia cristã.
Nele, Cristo é apresentado como o Verbo (ou Palavra, tradução
do grego Lôgos), uma entidade divina existente antes da criação
do mundo. Em outras passagens do mesmo texto, Jesus se
apresenta como igual ou equivalente ao "Pai" (Deus). Como o
Evangelho de João também afirma derivar do testemunho de
alguém que presenciou a vida de Jesus, Ratzinger conclui que as
afirmações de Jesus sobre sua intimidade com o próprio
Deus foram realmente ditas por ele durante sua pregação na
Palestina. O Papa defende que a testemunha ocular por trás do
texto seria João, filho de Zebedeu, um dos doze apóstolos.

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Reprodução
Fragmento de papiro do ano 125 é mais antiga cópia do Evangelho
de João. (Foto: Reprodução)
"Sempre acontece esse problema quando um teólogo dogmático
vai analisar os textos do Evangelho. Ele vai optar por dizer que
não há ruptura entre os vários textos, que todos eles dizem
sempre a mesma coisa", diz Luiz Felipe Coimbra Ribeiro, professor
de literatura bíblica da Faculdade Evangélica de Brasília. No
entanto, a análise do próprio Evangelho de João mostra que ele
pode ser o resultado de um processo gradual de pensamento
teológico, que foi progressivamente dando a Jesus essa feição
divina.

"Um exemplo disso é que a imagem de Jesus como o Verbo de Deus só
aparece no prólogo do Evangelho, sumindo do resto do texto.
Por isso, é possível defender que ele seja uma interpolação
[inserção] posterior, assim como outros capítulos de João",
explica André Chevitarese. Mais importantes ainda são as
diferenças profundas de linguagem e temática entre João e os
demais evangelistas (Mateus, Marcos e Lucas).

"É praticamente consenso hoje que o apóstolo João não pode ter
sido o autor. Para um Evangelho escrito por testemunhas
oculares, chama a atenção que o tema do Reino de Deus, elemento
central no anúncio de Jesus, praticamente não apareça. A mesma
coisa pode-se dizer das parábolas", explica Emilio Voigt, doutor
em Novo Testamento e coordenador de ensino à distância da
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Escola Superior de Teologia de São Leopoldo (RS).

Os pesquisadores também interpretam uma série de referências à
expulsão dos seguidores de Jesus das sinagogas judaicas como um
sinal de que esse Evangelho foi escrito numa época em que
cristãos e judeus tinham sofrido uma separação religiosa total
- provavelmente no ano 90 da nossa era, ou cerca de 60 anos após a
morte de Cristo.

Se a hipótese for verdadeira, isso significa que o Evangelho de
João foi o último a ser concluído. O interessante, afirma
Chevitarese, é que os outros textos do Novo Testamento
parecem mostrar a convivência de várias visões sobre como e
quando os cristãos consideravam que Jesus teria assumido seu
status de Cristo, ou seja, de "ungido" (escolhido) e filho de Deus.
"Para Paulo [autor dos textos provavelmente mais antigos do
Novo Testamento, datados por volta do ano 50], Jesus é o Cristo
porque ressuscitou. O Evangelho de Marcos traz esse papel já
para o batismo de Jesus feito por João Batista. Os Evangelhos de
Mateus e Lucas recuam isso para o nascimento dele, enquanto
João vê Cristo como preexistente ao próprio mundo. São quatro
cristologias diferentes convivendo num espaço de 50, 60 anos",
avalia ele.

Verdadeira face
Num ponto, porém, o pesquisador da UFRJ diz que o Papa tem
razão em criticar certas reconstruções históricas sobre Jesus.
Alguns especialistas influentes, como o irlandês John Dominic
Crossan, traçaram recentemente uma imagem de Jesus que se
assemelha mais a de um filósofo influenciado pelos gregos, um
reformador social ou revolucionário que não dava importância
ao lado místico da religião. Bento XVI diz que essas
reconstruções são mais um reflexo da ideologia de seus autores
do que do próprio Jesus.

"De fato, acho que isso equivale a esvaziar Jesus", afirma
Chevitarese. "Não se pode tirá-lo do seu contexto judaico nem
eliminar seu lado apocalíptico e escatológico [o de um profeta
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que espera o final dos tempos e a consumação da história
humana]", diz o historiador da UFRJ.

Por outro lado, talvez Bento XVI cometa o exagero oposto ao
retratar um Jesus que vê a sua missão apenas como a
transformação interior das pessoas, sem a busca por justiça e
paz que também caracterizava os profetas judeus. "A própria
escatologia judaica também tem um substrato político", lembra
Luiz Felipe Ribeiro. Ele cita um exemplo cristão, o Apocalipse,
que pode ser lido tanto como uma previsão do fim do mundo
quanto um ataque contra a opressão romana que afetava os
cristãos.

Ribeiro avalia que, como judeu, seria impensável para Jesus se
colocar publicamente como igual a Deus. "Agora, isso não quer
dizer que não houvesse uma autocompreensão de Jesus na qual
ele se via como mais do que humano, uma autocompreensão
messiânica, digamos." Seria essa uma das possíveis explicações da
misteriosa expressão "Filho do Homem", aparentemente
empregada por Jesus para designar a si mesmo. Esse personagem
aparece em vários escritos apocalípticos judaicos, muitos dos
quais surgidos pouco antes do nascimento de Cristo. "Mas nem
mesmo ali o Filho do Homem é igual a Deus - ele é mais um vice-
regente, um segundo em comando", afirma Ribeiro.

Consistente com a fé
Descontado o consenso entre os estudiosos do Jesus histórico,
seria possível argumentar que o papa não teria muita escolha se
não reforçar a imagem divina de Jesus, já que o dogma católico
afirma que Cristo era ao mesmo tempo homem e Deus. No entanto,
o teólogo irlandês Joseph O'Leary, da Universidade Sophia, no
Japão, afirma que é possível conciliar as descobertas sobre o
Jesus de carne e osso com o que a fé católica ensina.

"Nós não somos obrigados a achar que Jesus estava ciente de sua
divindade [de forma explícita]: essa falta de conhecimento
claro pode ser atribuída à natureza humana dele, que está unida
mas não misturada à sua natureza divina", diz O'Leary. A julgar
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pelos textos cristãos mais antigos, argumenta ele, teria sido a
Ressurreição de Jesus o evento responsável por fazer os
primeiros cristãos começar a compreender a verdadeira face de
Cristo. Assim, não seria necessário dizer que, enquanto vivo, ele
tivesse se declarado divino.


·
ª


"Bastaria mostrar que Jesus tinha a percepção de uma união
íntima e única com o Pai. Isso traria uma base respeitável para a
continuidade com a experiência da Ressurreição. Talvez isso não
possa ser 'provado' também, mas se encaixaria bastante bem com
as probabilidades históricas", conclui O'Leary.


http://g1.globo.com/Noticias/PapanoBrasil/0,,MUL33217-8524,00-
JESUS+HISTORICO+JA+ERA+DEUS+DIZ+PAPA.html

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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2.008 AD

O MESSIAS FILHO DE JOSÉ: A “Revelação de Gabriel” e o
nascimento de um novo modelo messiânico

Autoria: Israel Knohl
Fonte: Biblical Archaeology Review
http://bib-
arch.org/bar/article.asp?PubID=BSBA&Volume=34&
Issue=5&ArticleID=14
Traduzido por Charles Coffer Jr.

Uma nova inscrição, recentemente publicada no Biblical Archaeology Review
pela primeira vez em inglês, pode ser a chave para desvendar uma nova
compreensão de alguns fatos da história do messianismo judaico e cristão.

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Escrito em uma pedra de 3 metros de altura, o novo texto tem muitas
características dos fragmentados Manuscritos do Mar Morto, incluindo o fato
de ser mal conservado. Com base na posição e forma das letras, o ilustre
decifradores da inscrição (Ada Yardeni e Binyamin Elizur) datam-la no fim
do primeiro século a.C. ou no início primeiro século d.C.

Yardeni descreve o texto como “uma composição literária semelhante à
profecias bíblicas” A partir de uma palavra ou uma frase aqui e ali, ela
observa que o texto é apocalíptico em caráter e vem de um grupo que
acredita em um Messias Davídico. Ela chama o texto “Revelação de
Gabriel”, ou Hazon Gabriel no idioma hebraico ou hebreu semita.

Os Rolos do Mar Morto têm, em geral, revelado que muitos dos mesmos
conceitos e crenças religiosas encontrados no cristianismo também são
encontrados nos rolos, muitas vezes aparecendo primeiro nos rolos e,
posteriormente, transparecendo no cristianismo antigo. Creio que isto
também seja válido em relação ao messianismo da “Revelação de Gabriel”.

Como veremos, “Revelação de Gabriel” [Hazon Gabriel] tem muita coisa a
nos falar sobre um tipo diferente de um messias - o Messias filho de José,
que é diferente do conceito bíblico [Tradição] de um Messias Davídico.

A tradição do “Messias filho de José” e sua morte aparece pela primeira vez
no Talmude Babilónico (Sukkah 52a).
Os rabinos (mestres) ensinaram: O Messias ben David, que (como esperamos)
vai aparecer em um futuro próximo, o Santo, bendito seja Ele, irá dizer-lhe:
Peça-me e dar-te-ei, como está escrito [Salmos 2:7-8]: “Vou anunciar o
decreto... Peça-me, e darei”, etc. Mas como o Messias ben David terá visto que
o Messias ben Joseph, que o precedeu foi morto, ele vai dizer diante do Senhor:
“Senhor do Universo, nada peço a Ti, senão a vida”. E o Senhor irá responder:
“Isso já foi profetizado pelo teu pai David a ti, [Salmos 21:5]: „A vida que ele
pediu a ti, tu deste a ele‟”.

De acordo com o texto apocalíptico do sétimo século conhecido como Sefer
Zerubabel, o “Messias filho de José”, foi morto pelo ímpio “Armilus” e foi
posteriormente ressuscitado pelo Messias filho de David e pelo profeta
Elijah. [1]
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Essas tradições são claramente pós-cristãs, e
muitos estudiosos consideram esta tradição
judaica como um impacto do cristianismo
sobre o Judaísmo. Algumas evidências, no entanto, indicam que
a figura do "Messias filho de José" é muito mais antiga. Em alguns textos da
virada das eras para a era cristã, deparamo-nos com José como um filho de
Deus que expia os pecados dos outros com o seu sofrimento. Por exemplo,
em José e Aseneth, escrito entre 100 a.C. e 115 AD, José é
descrito como “filho de D‟us” (6:3, 5, 13:13). José também é
chamado de “filho primogênito de D‟us” (18:11, 21:4,
23:10).

Em outro livro do período do Segundo Templo, O Testamento dos Doze
Patriarcas, o testamento de Benjamin liga José a figura do Servo Sofredor
de Isaías 52-53. Neste testamento, Jacob disse a José:
“„Em Ti será cumprida a profecia celestial, que afirma que o Imaculado será
violado por homens sem lei e O sem pecado morrerá por causa dos homens
ímpios‟” [2] (ênfase acrescentada).

Essas citações sugerem que a designação do Messias sofredor como “filho
de José” remonta ao período do Segundo Templo. [3]

Em outro Midrash posterior, Pesikta Rabbati, o Messias Efraim
(um filho de José) é criado. Quanto a ele, os pecados dos outros "serão
dobrados diante de seu jugo de ferro." O Santo, bendito seja
ele, lhe pergunta se ele está disposto a tolerar este sofrimento. O
Messias Efraim, filho de José, pergunta quanto tempo durará seu
sofrimento. Sete anos, o Santo responde. Depois de mais diálogo, o Messias
Efraim diz: “Mestre do Universo, com alegria em minha alma e
alegria no meu coração eu tomo este sofrimento sobre mim mesmo, desde
que nenhuma pessoa em Israel pereça; que não só aqueles que
estão vivos sejam salvos nos meus dias, mas
também aqueles que estão já mortos [...]”. [4]

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Nesse trecho da Pesikta Rabbati, o filho de Joseph (aqui Efraim) também
aparece como o Messias identificado como o Servo Sofredor de Isaías.

Diversos estudiosos têm argumentado que essas passagens posteriores
devem ser rastreadas a círculos cristãos. [5] Um erudito líder rabínico, Saul
Lieberman, tem defendido a visão oposta. [6] Estou de acordo com
Lieberman. [7] Penso que a “Revelação de Gabriel”, agora publicado na
Biblical Archaeology Review, apóia a idéia de que a tradição do Messias filho
de José que é morto remonta ao final do primeiro século a.C. ou dos
primeiros primeiro século d.C. Embora grande parte do texto da “Revelação
de Gabriel” não foi preservado ou é difícil de ler, existe o suficiente para
fazer esses apontamentos. [Atenção a estas informações que partilhamos.]

Como Yardeni friza em seu artigo para a Biblical Archaeology Review,
apesar da dificuldade na leitura do texto, o mesmo envolve “grupos
messiânicos”. As personagens mencionadas são “claramente figuras
apocalípticas”. Entre elas, duas que já foram citadas neste artigo: Davi e
Efraim. Em “Revelação de Gabriel”, o Senhor fala com Davi, pedindo a ele
que solicite a Efraim que coloque um sinal: "Meu servo Davi, peça a Efraim
[que ele col]oque o sinal...” (linha 16-17 ). Infelizmente, a natureza do sinal
não é especificado, mas parece ser o sinal de salvação. No entanto, o fato
de que David é enviado por Deus para Efraim pedindo para colocar o sinal
pode atestar que Efraim está em uma posição superior. Ele, e não Davi, é a
pessoa-chave que é convidada a colocar o sinal; Davi é apenas o
mensageiro!

A expressão “Meu servo David”, obviamente aparece muitas vezes na Bíblia
como uma expressão de um líder escatológico (ver Ezequiel 34:23, 24,
37:24, 25). E, como temos observado, na Bíblia, Efraim é filho de Joseph.
Os nomes “meu servo David” e “Efraim” mencionados em “Revelação de
Gabriel” aparentemente são paralelos, respectivamente, aos títulos “Messias
filho de David” e “Messias filho de José” no Talmude, que já chamamos
atenção. E “Efraim” é o nome do Messias em Pesikta Rabbati, quando se diz
que está prestes a sofrer a fim de expiar Israel. Assim, neste novo texto
escrito sobre pedra, temos a mais antiga referência a figura messiânica de
Efraim (embora em Jeremias 31:20, o Senhor diz Efraim: “Deveras, Efraim
é um filho querido para mim” [ver também Oséias 11: 1-8]).

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Também é interessante que este novo texto parece estar a predizer que em
três dias o mal será derrotado pelos virtuosos. Eles têm a seguinte redação:
“Em três dias você deve saber que, assim disse o Senhor dos exércitos, o
Deus de Israel, o mal foi quebrado pela justiça” (Linhas 19-21).

Mas há mais: A linha 80 começa com a frase “Em três dias”. Isso é seguido
por outra palavra que os editores não puderam ler. Em seguida vem a frase
“Eu, Gabriel”. Acredito que esta palavra “ilegível” é realmente legível. É a
palavra ḥayeh, “viva” (היאח). O arcanjo Gabriel está dando ordens para que
alguém “viva”: “Em três dias, você deve viver”. Em outras palavras, em três
dias, você deve retornar à vida (ser ressuscitado).

Existe ainda duas palavras adicionais que também são difíceis de ler. As
letras não são fáceis de se entender, mas creio que a primeira palavra
começa com um ג (Gimel) e um ו (vav). A próxima palavra é igualmente
difícil. A letra ל (Lamed) é perfeitamente legível, e a letra anterior a ela
parece ser uma ע („Ayin). Creio que a frase pode ser reconstruída da
seguinte forma: “Em três dias, viva, eu, Gabriel, ordeno-te”. (Leshloshet
Yamin ḥayeh, ani Gavriel, gozer alekha.) Ada Yardeni têm desde então
concordado com essa leitura da ḥayeh e com o tradução “Em três dias, viva,
eu, Gabriel [...]”. [Apelo mais uma vez para a vossa máxima atenção.]

O Arcanjo é alguém que ordena a ressurreição dos mortos em três dias.

Gabriel é naturalmente bem conhecido a partir do livro de Daniel, assim
como do Evangelho de Lucas. Para Daniel, Gabriel aparece ao Profeta em
uma visão apocalíptica (Daniel 8:13-19). Na famosa cena em Anunciação do
Evangelho de Lucas, o anjo Gabriel diz a Maria que ela terá um filho que
será chamado Filho do Altíssimo:
“E eis que você vai conceber em seu ventre um filho, e deverá chamar seu
nome de Jesus. Ele será grande e será chamado o Filho do Altíssimo, e o
Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David, e ele reinará sobre a casa de
Jacob eternamente, e seu reino não terá fim” (Lucas 1:31-33).

De acordo com as listas genealógicas em Mateus 1:1-16 e Lucas 3:23-38,
Jesus é um descendente de David. Fala-se explicitamente que José, o pai de
Jesus, era “da casa e da linhagem de David” (Lucas 2:4; ver também 1:27,
32, Mateus 1:20 TEB NBCAP ABV NTLA TNIB TNM NTJ BEG OOESJC).
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Jesus também é referido como o “Filho de David” várias vezes em outra
parte no Evangelho (Mc 10:46, 11:10, Mateus 9:27, 12:23, 15:22, 20:30,
21:9; Luke 18:38) e, posteriormente, noutras partes do Novo Testamento
(Romanos 1:3; 2 Timóteo 2:8, Apocalipse 5:5, 22:16). E toda história da
Natividade (Mateus 2:1-18; Lucas 2:1-29) é projectada para enfatizar Jesus
como um “Filho de David”. De acordo com os relatos da Natividade, Jesus,
como o Rei David, nasceu em Belém. No entanto, o próprio
Jesus nunca se refere ao Messias como “Filho
de David”, e ele não menciona ter qualquer
vínculo com uma linhagem Davídica.

Em “Revelação de Gabriel”, veremos que outro messias - Efraim, ou o
“Messias filho de José” - já era conhecido no final do primeiro século a.C. O
“Efraim” da “Revelação de Gabriel” foi provavelmente baseado nos
versículos bíblicos alusivos ao seu sofrimento como Filho de Deus (cf.
Jeremias 31:17-20; Oséias 11:1-8). E o conteúdo de “Revelação de Gabriel”
reflete elementos de morte e derramamento de sangue.

A figura messiânica de Davi é tradicionalmente representada como
envolvendo bravura, habilidade militar e triunfo. A figura de Efraim, ou
Messias filho de José, simboliza uma nova espécie de messianismo bastante
diferente. Efraim é um messias do sofrimento e da morte.

Isso pode trazer uma nova luz sobre aquilo que tem sido uma enigmática
tradição evangélica. Em passagens paralelas dos evangelhos sinópticos [b]
(Marcos 12:35-37, Mateus 22:41-46; Lucas 20:41-44), Jesus está
ensinando no Templo. Surpreendentemente, ele rejeita a idéia de que o
Messias seja filho de David: “Como podem os escribas afirmarem:” indaga
Jesus, “que o Cristo é o filho de Davi?” (Marcos 12:35).

Para demonstrar que o Messias não é o filho de David, Jesus cita o Salmo
110, atribuído no Bíblia Hebraica ao próprio David. Como o texto de Marcos
(12:36) recita, David fala no salmo: “O próprio David, inspirada pelo
Espírito Santo, declarou...” Jesus, em seguida, recita uma passagem do
salmo:
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“Disse o Senhor [ADONAI / YHWH / JAH] ao meu Senhor [YESHUA / KYRIOS],
Senta-te ao meu lado direito, até que eu ponha os teus inimigos sob teu pé”.
Jesus, então usa essa passagem para provar o seu ponto de vista: “Se Davi
chama ele [o Messias] de „Senhor‟, como pode ser ele seu filho?” Ou seja,
David fala do Messias como “meu Senhor”, e não como “meu filho”. O
Messias, portanto, não pode ser um filho de David. Usando o Salmo 110
como prova de seu texto, Jesus refuta o ponto de vista dos escribas de que
Cristo, o Messias, deveria ser um filho ou descendente de David.

Isso parece estranho, tendo em conta o fato de que, como já foi observado
anteriormente, tanto em Mateus como em Lucas, a linhagem de Jesus está
especificamente ligada a David. Estou inclinado a considerar a passagem
em que Jesus cita Salmo 110 como uma passagem historicamente fiável em
que Jesus rejeita a idéia de que o Messias será um descendente de David.
Não só versões deste incidente aparecem em todos os três evangelhos
sinópticos, mas o próprio fato de que ela contraria a genealogias de Jesus
sugere que esta versão contraditória deve ser autêntica. Caso contrário, os
autores dos Evangelhos não teriam incluído uma coisa tão gritante que
colide com as suas frequentes referências a Jesus como o Filho de David.
[8]

Alguns estudiosos têm sugerido que Jesus pretendia alegar que o Messias
não é apenas um filho de David, mas que também um status superior -
possivelmente de Filho de Deus. No entanto, se tal fosse o caso,
esperaríamos que Jesus tivesse ancorado sua afirmação em Salmos 2:7,
“Tu és meu filho, eu hoje te gerei”, mais do que no primeiro versículo do
Salmo 110, que não faz explícita referência ao Messias como o Filho de
Deus.

Ao citar Salmo 110, Jesus pode muito bem estar a tentar dissipar as
prevalentes expectativas de um messias triunfal, o tradicional “filho de
David”.

Seu modelo ideal messiânico é diferente. Tal como acontece com o Messias
Efraim, filho de José, o Messias Jesus envolve sofrimento e morte.

A nova inscrição descoberta, a “Revelação de Gabriel”, sugere que este tipo
diferente de Messias foi evoluindo na virada da era - diferente do Messias
MASSIACH 1
18
filho de David. Em vez de um militante Messias, prevê um Messias
[MASSIACH] que sofre, morre e ressuscita. = YESHUA também entende o
Messias [UNGIDO / CRISTO] como sendo um filho de José.

Como na “Revelação de Gabriel”, também no dizer de YESHUA, David é
secundário para o outro Messias. Em Nazaré, Jesus era conhecido como
“filho de José” (Lucas 4:22, João 6:42). Assim, é perfeitamente possível que
Jesus tenha se identificado como o Messias “Efraim”, o filho de José, que é
mencionado na “Revelação de Gabriel”. [9]
Charles Coffer Jr
Quem sou eu


Formando em História pela Universidade Estadual do Maranhão -
UEMA/CESI, Brasil. Kopher é um cristão progressista Católico,
Panteísta, ex-evangélico (protestante) e um ex-apologeta da fé
cristã. Acredita que o pseudo-intelectualismo da apologia cristã
moderna mais prejudica a fé do que a defende, sendo que os
apologetas cristãos frequentemente usam de informações
equivocadas para corroborar as suas idéias, além de cultivar a
ignorância na ala protestante do Cristianismo.
Crítica ao livro Um Judeu Marginal
Charles Coffer Jr., graduando em História

Possuo tanto críticas positivas quanto críticas negativas ao
livro Um Judeu Marginal. Na verdade, é uma série de livros.

1) O livro parte do pressuposto de que nem tudo o que está
escrito nos evangelhos canónicos bíblicos remota a Jesus,
incluindo relatos de seus feitos e suas falas. Os cristãos
poderão inquirir: "Prove que a bíblia inventou essas coisas
sobre Jesus!", mas essa pergunta não tem relevância nos
estudos históricos, o qual trata todos os textos antigos, eu
disse TODOS, SEM EXCEPÇÃO, como documentos
históricos.
MASSIACH 1
19

Se os evangelhos foram escritos a partir dos anos 70, ou
seja, 40 anos após os eventos que narram, existe um alto
grau de certeza de que os relatos e ditos de Jesus tenham
sido:

• Criados espontaneamente • Sofrer metamorfoses e transformações;

• Sofrer mudanças e alterações brandas ou profundas;

• Ser expandidos e/ou exagerados;

• Ser retidos • Ser corrigidos;

• Ser desenvolvidos e mais elaborados;

• Crescer;

• Evoluir • Ser ampliado por acréscimos;

• Ser embelezados;

• Ser adequados e adaptados a novas situações, necessidades e exigências;

• Ser distorcidos e deturpados;

• Ser subtraídos, ao ponto de diminuir ou mesmo desaparecer;

• Ser assimilados ou sofrer assimilação por outra tradição;

• Ser combinados a outros elementos originalmente não presentes na tradição;

• Ser simplificados; • Ser fatiados, fragmentados e selecionados;

• Sofrer cortes e ser excluído parcial ou totalmente;

• Desaparecer parcial ou completamente, temporariamente ou para sempre. Etc.
MASSIACH 1
20
Meier (1992) afirma que:"Como estes [quatro
Evangelhos Canónicos] estão impregnados da fé
pascal da Igreja primitiva e foram escritos entre 40 a
70 anos após os eventos narrados, fica a pergunta:
Como podemos distinguir o que vem de Jesus
(Estágio I, aproximadamente de 28 a 30 A.D.) do que
foi criado pela tradição oral da Igreja primitiva
(Estágio II, aproximadamente de 30 a 70 A.D.) e o
que foi produzido pelo trabalho de montagem
(redacção) dos evangelistas (Estágio III,
aproximadamente de 70 a 100 A.D)?"

Concordo plenamente com esse pressuposto, e que o
mesmo não precisa necessariamente ser provado. É óbvio,
natural e comum que o material tradicional seja alterado.

Nesse sentido, Meier não prova que o material foi alterado
em momento algum. Apenas parte desse pressuposto para
realizar uma pesquisa histórica. Acho isso muito salutar e
proveitoso. Para evidências da alteração do material
original de Jesus, ver o livro As Várias Faces de Jesus, de
Geza Vermes.
De fato, esse problema é há muito tempo conhecido no
campo da pesquisa histórica e neotestamentária:

Mark Goodacre no postado Why is the Historical Jesus
Quest so difficult? Escrevendo em seu NT Gateway Weblog,
este especialista em Novo Testamento da Universidade
Duke, USA, diz que, na sua opinião, o estudo do Jesus
Histórico é bastante difícil por 7 razões:

• Faltam dados, ou seja, existe pouca coisa sobre
Jesus antes do ano 30;
• Os dados existentes são prejudicados pelo viés
cristão;

MASSIACH 1
21
• As fontes são controvertidas, com diferentes
avaliações dos especialistas;
• As fontes são, às vezes, contraditórias, dificultando
a sua interpretação;
• Nossa distância dos dados é tão grande que
projetamos nos textos nossos preconceitos;

• Há uma enorme literatura moderna sobre o
assunto, dificultando ainda mais o estudo;

• Jesus é um personagem fundamental para muita
gente e tudo o que se fala dele tende a se tornar
objeto de controvérsia.
CRÍTICA NEGATIVA
Uma crítica negativa que faço sobre os seus critérios
metodológicos que ele usa ao longo de todos os seus
volumes para determinar o que vem e o que não vem de
Jesus.

Seus principais critérios são três, os quais são:

1) O Critério do Constrangimento.
O Critério do Constrangimento possui como pressuposto a
seguinte idéia: "[...] a igreja em seus primórdios
dificilmente teria se afastado de sua linha para criar
material que pudesse constranger seu criador ou
enfraquecer sua posição nas discussões com
adversários" (MEIER, 1992, p. 170).
Exemplo: No caso do batismo de Jesus por João, Méier
(1992, 170) afirma que sua historicidade foi estabelecida
mediante o Critério do Constrangimento, sendo que
dificilmente a igreja inventaria um relato que implique a
inferioridade de Jesus a João, ou que trouxesse dificuldades
teológicas posteriores. De modo que “é bastante
improvável” que a igreja tivesse intentado os relatos de
MASSIACH 1
22
João Batista (MEIER, 1992, p. 171).

2) O Critério da Multipla-atestação.
Esse critério alega que um material oriundo de tradições
multiplas (ex.: Paulo, Marcos, Evangelho Q, João, Flavio
Josefo, Tácito (esses dois últimos a grosso modo), e em
diferentes estilos redaccionais (parábola, frase, etc.), é bem
mais provável ser histórico. (MEIER, 1992, p. 181).

Por exemplo:
A mensagem do REINO DE DEUS; os milagres e exorcismos
de Jesus, etc.
3) O Critério da Continuidade.
Esse critério alega que os ditos e feitos de Jesus que se
adequam em outros ditos e feitos já corroborados, tem
mais chances de ser históricos do que ser ficcionais. (op.
cit.).

Esses critérios foram especialmente criados para
compensarmos a TOTAL AUSÊNCIA de evidências sobre o
desenvolvimento das tradições cristãs antigas que
culminaram nos evangelhos bíblicos.
Se tivessemos algumas evidências, com certeza não
usariamos tais critérios. Fazem parte dos estudos
chamados "Crítica das Tradições" e são razoáveis na
pesquisa histórica.

No entanto, tais critérios são falhos.

Crossan afirma que:
“[...] esses critérios já existem há algum tempo e seu
emprego não criou consenso a respeito de nada”.
(2004, p. 188).
De fato, no que se refere ao critério do Constrangimento, o
próprio Meier admite que possui “limitações”, de modo que
MASSIACH 1
23
“não deve ser empregado de forma descuidada e
isoladamente” (p. 173).
Meier admite que o que para nós é entendido como
"constrangimento" para os cristãos antigos havia um
motivo. Ele cita o caso do Lamento na Cruz de Jesus, o qual
para os cristãos antigos não seria compatível com a figura
do messias para os cristãos posteriores e que por isso deve
remontar ao Jesus Histórico. No entanto, o lamento na cruz
foi feito a luz das passagens do Servo Sofredor dos salmos
e Isaias, de modo que há chance do material ter sido criado
pela igreja.
No caso de José de Arimatéia, Raymond Brown, usando
esse critério, afirma que é “improvável” que José de
Arimatéia seja uma invencionice cristã, desde que é “quase
inexplicável” por que os cristãos inventariam uma história
sobre um Sanhedrista judeu que faz o que é certo por
Jesus.

No entanto, Brown se esquece dos motivos internos para
Marcos criar tal personagem: O professor André
Chevitarese, da UFRJ, afirma que:
"Camponeses como os seguidores de Jesus não
teriam como se dirigir a Pilatos para exigir o corpo.
Assim, os evangelistas [e primeiramente o de
Marcos] têm o problema de explicar o sepultamento
de Jesus e usam a figura de José de Arimatéia, que
praticamente cai de pára-quedas na narrativa - sua
única função na história é essa."

Crossan (1995. p. 202) ratifica esse argumento, ao afirmar
que:

"Considero José de Arimatéia como uma total criação
de Marcos em nome, lugar e função. O problema de
Marcos é claro: aqueles com poder estavam contra
Jesus; aqueles que estavam com ele não tinham
poder. Nenhum. Nem para fazer, para pedir, para
MASSIACH 1
24
implorar, nem mesmo para subornar. O que é
necessário é um personagem intermediário, alguém
de alguma forma ao lado do poder e de alguma
maneira ao lado de Jesus. O que é necessário, de
fato, é uma pessoa que nunca existiu".

De fato, a julgar o evangelho de Marcos como aquilo que
ele realmente é, isto é, uma obra literária que, tal como
nas demais obras literárias, o autor se debruça e se fadiga
diante de problemas de coerência na narrativa que escreve,
é mais do que provável que José de Arimatéia seja um
personagem fictício criado por Marcos para cumprir um
determinado papel, sem o qual haveria problemas muito
maiores do que o argumento do Constrangimento foi capaz
de perceber.
Desse modo, fica claro que o Critério do Constrangimento
desmorona como critério para estabelecimento de
historicidade quando analisado isoladamente, ou seja, sem
o conhecimento de certos detalhes que motivariam o autor
a narrar uma estória fictícia mesmo que a mesma
trouxesse problemas para a igreja em geral.

Ou seja, ainda que um relato trouxesse constrangimentos
para a igreja (somando a tudo isso, não se pode
estabelecer o grau de constrangimento, o que também
pode influenciar a permanência, a criação ou a omissão de
certas narrativas!), se o autor achasse que tal relato fosse
necessário para estabelecer o seu programa teológico, o
mesmo não seria omitido, mas acrescentado e até mesmo
ampliado.

Mais do que isso, um fato vem depor contra esse critério:

DIFICILMENTE A IGREJA PRIMITIVA INVENTARIA UM
MATERIAL FICCIONAL QUE VIESSE A CONSTRANGER A ELA
MESMO POSTERIORMENTE. Por isso, varios materiais que
passam pelo Critério do Constrangimento podem, ainda
assim, serem meras criações da Igreja.
MASSIACH 1
25

O Critério da Multipla-atestação.
O Critério da Multipla-atestação é um dos melhores, no
entanto, ele cai diante de várias dificuldades:

1) Não dispomos de muitas fontes;

2) Não há concenso de que João seja independente de
Marcos;

3) Várias fontes independentes podem muito bem usar uma
criação fictícia antiga em seu conteudo; Existem vários
outros problemas, além do fato de que uma mentira pode
muito bem ser atestada por inumeras fontes.

Há também a "ilusão das multiplas fontes", como no caso
do relato do Túmulo Vazio. Os estudiosos contemporaneos
chegaram a conclusão de que o Túmulo Vazio seja uma
criação marcana, e que os demais evangelistas (inclusive
João) apenas usaram e modificaram da fonte marcana esse
relato. Por isso, fica dificil estabeler o que realmente é uma
"Multipla-atestação", sendo que não temos testemunhos
suficientes no que se refere aos relatos evangelisticos,
muito menos testemunhos de qualidade.

O Critério da Continuidade.
Só tenho uma palavra contra o Critério da Continuidade.
Além das críticas que Crossan faz em O Nascimento do
Cristianismo, como se pode saber que a igreja primitiva não
inventaria um relato e/ou um dito de Jesus fosse de acordo
com seus principais e corroborados ensinamentos?

Ademais, Jesus inovou em muitas coisas, trazendo novas
concepções à tradição judaica. Na mesma medida, ele
seguia muitas coisas da tradição judaica. Por isso, fica dificil
usar esse critério como fonte para se determinar o que é
histórico e o que não é.
MASSIACH 1
26
O pior é que Meier usa esses critérios em todos os seus
livros. Apesar da seriedade e rigor científico de Meier, creio
que muitas conclusões serão equivocadas.

Prefiro o método do Crossan, especialmente o que se trata
de Crítica Literária. Acredito que se voce determina as
intenções do autor e seus motivos por trás das narrativas,
comparando com outras fontes, temos mais chances de
determinar o que é mito e o que não é.

É isso o que implicitamente faz Geza Vermes em As Várias
Faces de Jesus.
É claro que esse método também tem lá as suas limitações.
No entanto, o correto é se usar uma boa gama de metodos
consideraveis dentro da pesquisa. É por isso que ainda
prefiro Crossan e Vermes a Meier, o qual, por outro lado,
não fica atrás de nenhum outro estudioso do Jesus
Histórico. Tenho mais elogios e críticas a obra Um Judeu
Marginal, mas por enquanto ficarei somente nessas aqui.

Uma última consideração sobre a obra de Meier. Meier
frequentemente critica livros contemporaneos de Jesus por
afirmaram que "Jesus fez isso" e "Jesus disse aquilo" com
base apenas no texto evangelico.

Ele afirma que essa atitude acrítica prejudica muito a
pesquisa histórica. Devemos, por outro lado, analisar e
determinar se o texto realmente vem de Jesus antes de
afirmar que Jesus disse ou fez isso e aquilo.

Fico pensando naqueles livros esdroxulos que saem nas
livrarias, tai como "Jesus, O Maior Psicologo que já
existiu", ou "O Modelo de Liderança de Jesus", ou
"Jesus, a maior pessoa que já existiu", etc.

Esses livros, sem sombra de dúvidas, baseiam suas
conclusões (e seus títulos do livro!) não no que Jesus
realmente disse ou fez, mas nas criações tanto da igreja
MASSIACH 1
27
primitiva, incorporadas à tradição, como na pena teológica
dos evangelistas, que tinham motivos de sobra para
retratar Jesus de acordo com suas pressunções - o que
realmente fizeram.
Por isso, é essencial - como Meier muito salienta - que para
se determinar com mais acuidade algo sobre o Jesus
Histórico, se deva primeiramente fazer um levantamento
sobre quais fontes e/ou quais conteudos dessa fonte
realmente remontam ao Jesus Histórico, e quais são meras
criações da igreja primitiva e dos evangelistas.
A função política das aparições do Jesus ressurrecto no cristianismo
primitivo
Autoria de Charles Coffer Jr.

Ao alto desenvolvimento teológico nos escritos de Paulo,
acompanhado pela quase total ausência das tradições de
Jesus presentes no evangelho de Marcos, nos faz pensar o
quanto o paulinismo cristão, a forma de cristianismo
escrituristicamente mais primitiva que conhecemos, já se
distanciara da mensagem original de Jesus.
Dentro desse contexto, somos levados a pensar que a
forma de cristianismo que Paulo defendia era apenas uma
entre tantas outras.
Pagels apresenta um quadro geral e político dos primeiros
anos do movimento cristão:

"As autoridades políticas e religiosas se
desenvolveram de modo mais surpreendente. [...]
diversas formas de cristianismo floresceram nos
primeiros anos do movimento cristão. Centenas de
pregadores rivais reivindicavam, todos, pregar a
“verdadeira doutrina do Cristo” e denunciavam uns
aos outros como impostores. Os cristãos dispersos
em igrejas da Ásia Menor à Grécia, Jerusalém e Roma
dividiam-se em facções, disputando a liderança da
igreja. Todos pleiteavam representar “a autêntica
tradição”".
MASSIACH 1
28

E Vermes (2006, p. 83) também apresenta a situação
politicamente conturbada das igrejas fundadas por Paulo:

"A igreja de Corinto, fundada por [Paulo]
rapidamente cindiu-se em facções rivais. [...]. Havia
luta interna, ciúme e rivalidade também na igreja de
Filipos, em que os oponentes de Paulo, que ele
chamava de cães e de maus operários, pregavam
para exasperá-lo (Fl 1:15-17;3:2)".

Paulo era apenas um representante dessas facções, e
certamente daquela que “venceu” entre todas as demais.
Paulo, um dos grandes líderes cristãos dos primórdios,
também nos fala de pelo menos outros três grandes
“líderes” na igreja primitiva: Pedro, Tiago e João (Gl 2:9).
De acordo com a tradição, estes três grandes líderes na
igreja primitiva, ao contrário de Paulo, haviam sido
discípulos diretos de Jesus, juntamente com o grupo
denominado “Os Doze” e outros discípulos.
No entanto, existe algo que tanto Paulo como esses outros
líderes cristãos e discípulos de Jesus tinham em comum:
todos haviam visto Jesus Cristo ressuscitado, ou alegavam
tê-lo visto (1Co 15:3-7).

Paulo, ao disputar autoridade com diversos outros “líderes”
das comunidades cristãs primitivas, chega a afirmar: “Não
sou apóstolo? Não vi Jesus nosso Senhor?” (1Co 9:1). De
fato, a autoridade de Paulo não vinha de qualquer contato
com o Jesus terreno:

"[Paulo] não teve contato com o Jesus terreno; não
ouviu o seu ensinamento ou experimentou a sua
presença e influencia espirituais. Inteligente como
era, ele passou ao largo do terreno escorregadio e
imaginou uma abordagem nova, não histórica, do
Senhor Jesus Cristo, que não apresentasse
desvantagens óbvias para ele. [...] De fato, o seu
MASSIACH 1
29
evangelho não se parece em nada com o relato dos
ensinamentos e da vida de Jesus que evoluiu nas
décadas subseqüentes, cristalizando-se nas
narrativas sinópticas. A sua pregação não se baseava
no que Paulo tinha ouvido dos seus predecessores;
fiava-se em comunicações e visões celestiais"
(VERMES, 2006, pp 85,87).

Paulo havia sido o último a receber a visão do “nosso
Senhor ressuscitado”. De acordo com Vermes (2006, p. 80)
“o calcanhar-de-aquiles de Paulo era a natureza
questionável do seu status como apóstolo. Ele estava
convencido de que era um „apóstolo de Jesus Cristo‟”.
Vermes (2006, p. 82) também afirma que “como resultado
[da visão de Jesus ressuscitado] Paulo sentiu-se
plenamente autorizado por Jesus, sem precisar de
nomeação [...]”. De fato, um vínculo entre “autoridade
apostólica” e “visão de Jesus ressuscitado” começa a se
tornar explicita dentro desse contexto, não apenas para
Paulo, mas de modo geral:

"[...] ao examinarmos o efeito prático, paradoxal, no
movimento cristão, podemos ver como a doutrina da
ressurreição do corpo também serve a uma função
política essencial: legitima a autoridade de certos
homens que reivindicam o exercício da liderança
sobre as igrejas como sucessores do apóstolo Pedro.
Desde o século II, a doutrina serviu para validar a
sucessão apostólica dos bispos; base, até hoje, da
autoridade papal". (PAGELS, 2006, p. 5).


De fato, o melhor modo dos cristãos primitivos resolverem
as diversas disputas teológicas, estabelecerem a ortodoxia
dos ensinamentos sobre os “heréticos” e firmarem sua
autoridade era através das aparições em que o Jesus
ressuscitado, aquele que foi a “única autoridade
reconhecida por todos”, delegava o poder (PAGELS, 2006,
MASSIACH 1
30
p. 6).
Pagels apresenta um quadro historicamente plausível (isto
é, sem as lendas posteriores sobre a descoberta do Túmulo
Vazio) do que realmente aconteceu após a morte de Jesus,
onde ela aponta para o fato de que as supostas aparições
de Cristo ressuscitado possuem mais implicações políticas
do que verídicas (ao contrário do que os apologetas cristãos
querem sustentar), e que se os cristãos alegavam que
Jesus realmente havia ressuscitado é porque eles possuíam
motivos bastantes políticos para isso:

"Após a execução de Jesus, seus seguidores se
dispersaram, perturbados pela dor e temendo por
suas próprias vidas. A maioria assumiu que seus
inimigos estavam certos – o movimento morrera com
seu mestre. De repente, notícias surpreendentes
eletrizaram o grupo. Lucas diz terem ouvido que “O
Senhor ressuscitou, de fato, e apareceu a Simão
[Pedro]!” (Lc 24:34). O que ele disse a Pedro? O
relato de Lucas sugere aos cristãos das gerações
posteriores que ele nomeou Pedro seu sucessor,
outorgando-lhe a liderança. Mateus diz que, durante
a vida, Jesus já havia decidido que Pedro, a “pedra”,
seria o fundador de sua futura instituição. Apenas
João sustenta que o Cristo ressuscitado teria dito a
Pedro que ele deveria tomar o lugar de Jesus como
“pastor” do seu rebanho".

E acrescenta:

"Qualquer que seja a verdade sobre essa declaração,
não é possível verificá-la nem refutá-la apenas com
argumentos históricos. Possuímos apenas
testemunhos indiretos de fiéis que afirmam e céticos
que negam. Contudo, o que temos como fato
histórico é que determinados discípulos – Pedro, em
especial – sustentaram que a ressurreição aconteceu.
E, mais importante, sabemos o resultado: logo após a
MASSIACH 1
31
morte de Jesus, Pedro assumiu o grupo como líder e
porta-voz. Segundo João, ele recebera autoridade da
única fonte reconhecida pelo grupo – do próprio
Jesus, falando agora além do túmulo". (PAGELS, 2006,
p. 6-7).

Pagels faz um outro comentário interessante:

"O estudioso alemão Hans von Vampenhausen diz
que como “Pedro fora o primeiro para quem Jesus
aparecera após a ressurreição”, tornara-se o primeiro
líder da comunidade cristã. [...] as igrejas ortodoxas
que buscam sua origem em Pedro desenvolveram a
tradição – sustentada até hoje pelas igrejas católicas
e algumas igrejas protestantes – de que foi Pedro “a
primeira testemunha da ressurreição”, e por isso o
líder de direito da igreja".

E acrescenta outro comentário mais interessante ainda:

"É possível contradizer a afirmação de
Vampenhausen com base em evidências do Novo
Testamento: os evangelhos de Marcos e de João
nomeiam ambos Maria Madalena, e não Pedro, como
a primeira testemunha da ressurreição".

Na verdade, o evangelho de Marcos só coloca Maria
Madalena como aquela que, junto com duas outras
“testemunhas” do sexo feminino, descobriram o “Túmulo
Vazio”. A aparição do Jesus ressurreto às mulheres é um
acréscimo posterior. Em todo o caso, o que vemos em
Marcos (e que foi copiado em João) é uma aversão do autor
as tradições das aparições do Jesus ressuscitado, talvez
exatamente porque o autor do evangelho de Marcos já
havia notado as implicações políticas que a mesma já tinha.
De fato, o que deduzimos da criação redacional do Túmulo
Vazio é uma tentativa de obscurecer a tradição das
Aparições do Jesus ressuscitado.
MASSIACH 1
32
Méier (1998, p. 199) faz o seguinte inventário:

"[No que se refere a menção as três mulheres em Mc
16,1 e Lc 24,10] Hengel [...] vê na lista de três
testemunhas femininas um fenômeno também
observado na lista de Pedro, Tiago e João como
núcleo dos Doze nos sinópticos e na de Tiago, Cefas
[Pedro] e João como os três pilares da comunidade
de Jerusalém em Gl 2,9. Nesse sentido, Hengel
sugere que a lista de três mulheres, sempre
encabeçada por Maria Madalena, talvez indique
autoridade ou prestígio na primitiva comunidade
cristã".


Da mesma forma que a “tradição” do Túmulo Vazio não
pode ser desvinculada das três mulheres que foram as
primeiras a descobrirem os indícios da ressurreição de
Jesus, a tradição das Aparições do Jesus ressuscitado não
pode ser desvinculada dos três grandes líderes do
cristianismo primitivo.

Desse modo, não apenas Paulo contesta a autoridade dos
“Três Pilares”, alegando a alegação de sua “aparição” do
Jesus ressuscitado para si mesmo, mas também Marcos,
antecedendo e ao também antagonizando as aparições de
Jesus ao usar as três mulheres no relato da ressurreição.
Como se vê, isso se coaduna perfeitamente com os
objetivos literários de Marcos.
A busca por uma suavização, ou mesmo uma destituição
total da autoridade apostólica dada pela ressurreição, de
forma parcial, específica ou geral, não parou em Marcos, e
muito menos teve inicio em Paulo. De acordo com Pagels
(2006, p. 7):

"No início do século II, os cristãos compreenderam
as possíveis conseqüências políticas de terem “visto
o Senhor ressuscitado”: em Jerusalém, quando Tiago,
MASSIACH 1
33
irmão de Jesus, disputou, com êxito, a autoridade
com Pedro, uma tradição manteve que Tiago, e não
Pedro (e com certeza tampouco Maria Madalena),
fora a “primeira testemunha da ressurreição”".

De fato, enquanto Pedro se firmava como autoridade na
igreja primitiva por causa da primazia na ressurreição,
Tiago tentava enfatizar a sua importância por causa de sua
revelação e de seu laço de sangue com Jesus, e Paulo
corria atrás da mesma autoridade ao afirmar que o
“Senhor” havia aparecido a ele também. Marcos, por sua
vez, crítico ferrenho de Pedro, João e Tiago (incorporado,
em seu evangelho, como filho de Zebedeu e não como o
“Irmão do Senhor”), tenta minar essa autoridade
destacando mulheres no sepulcro e omitindo por completo
as aparições .
Crossan (1995. p. 236) faz a seguinte declaração:

"O que ressalto deste texto (de 1 Co 15,3b-11) [...]
são as suas profundas implicações políticas. Eles não
estão primariamente interessados em transe, êxtase,
aparição ou revelação, mas em autoridade, poder,
liderança e prioridade".

Paulo, em 1Co 15 versículo 10 alega que trabalhou “muito
mais do que todos eles”, ou seja, do que todos a quem o
Jesus ressurreto havia aparecido. Por essas razões, Paulo
se considerava apóstolo tal ou até mais do que Pedro, Tiago
e os demais. Paulo enfatiza tais aparições não para
ressaltar o aspecto sobrenatural da religião cristã, mas para
se designar como alguém chamado e escolhido por Deus e
por Jesus para tomar um papel de liderança na igreja
primitiva. De fato, Paulo se mostrou muito interessado em
igualar a sua experiência do Jesus ressuscitado com
aquelas de todos os outros antes dele.

Crossan (1995, p. 237) afirma que “não pode haver
dúvidas de que a própria experiência de Paulo
MASSIACH 1
34
envolveu o transe, aquele estado alterado da
consciência bem conhecido em todas as religiões do
mundo”, de modo que “Paulo precisa, em 1 Coríntios
15,1-11, igualar a sua própria experiência com
aquela dos apóstolos precedentes – igualar, bem
entendido, a sua validade e legitimidade, mas não
necessariamente o seu modo ou maneira”.

Paulo não apenas contestou a autoridade de Pedro e Tiago
(que a baseavam em supostas aparições do Jesus
ressuscitado) enfatizando sua própria experiência, mas
também usa um número bastante ampliado (“mais de
quinhentos”) de pessoas que também viram Jesus
ressuscitado. De fato, este era um excelente argumento a
favor Paulo para tornar a situação política mais favorável
para si mesmo.

Pagels também faz outra afirmação interessante para os
propósitos aqui:

"Essa teoria – de que toda autoridade precede da
experiência do Cristo ressuscitado por determinados
apóstolos, uma experiência agora para sempre
concluída – possui grande implicações para a
estrutura política da comunidade. Primeiro, como
aponta o estudioso alemão Karl Holl, restringe o
círculo de liderança a um pequeno grupo de pessoas
cujos membros estão em posição de autoridade
incontestável. Segundo, sugere que apenas os
apóstolos têm direito a ordenar futuros líderes como
sucessores".

Se os itens listados acima se aplicam para a comunidade
cristã nos seus mais antigos primórdios (como a autora
prova), podemos deduzir que as alegadas aparições do
Jesus ressuscitado, apesar de serem provenientes de
tradição antiga, como atesta 1Co 15, não são tão antigas a
ponto de remontarem aos dias posteriores a morte de
MASSIACH 1
35
Jesus. Como tais aparições possuíam fortes implicações
para a estrutura política das comunidades, é lógico que se
pode deduzir que as mesmas (ou grande parte, e mesmo a
maior parte delas) tiveram origem muito tempo depois da
morte de Jesus, ou seja, quando as comunidades cristãs já
estavam formadas e quando já possuíam um considerável
número de membros.

De fato, 1Co 15:5-9 não deixa implícito que tais aparições
tenham ocorrido nos dias posteriores a alegada
ressurreição de Jesus.

Da mesma forma que em Paulo, muitas das aparições
descritas nos evangelhos não se limitam a apenas enfatizar
o caráter sobrenatural de Jesus e do início do movimento
cristão, mas também para mostrar a determinada
comunidade de cristãos que certo apóstolo possuía mais
proeminência e autoridade que o outro.
De acordo com Crossan (1995, p. 242):

"As aparições em ascensão nos evangelhos nada têm
a ver, absoltamente, com as experiências em êxtase
ou revelações em transe. São encontradas em todas
as religiões do mundo, e pode muito bem ter havido
muitas delas na cristandade inicial. Contudo, não é
isto que está sendo descrito naqueles últimos
capítulos dos evangelhos. São questões de
autoridade que estão sob discussão, ali. Há um grupo
de liderança dentro da comunidade? Deverá haver
alguém encarregado da comunidade e do grupo? Que
tipo de pessoa deve ser? Quem deverá ser? As
respostas vêm do que o Jesus ascendido diz e,
especialmente, para quem o Jesus ascendido fala".

Lucas 24:12 narra que Pedro correu até o túmulo de Jesus
e, olhando para dentro, o viu vazio, apenas com os lençóis.
E depois “voltou pra casa, admirado do que acontecera”.
Lucas 24:33-35 nos diz que “O Senhor ressuscitou de
MASSIACH 1
36
verdade e apareceu a Simão [Pedro]”. Note que Lucas,
apesar de não narrar essa aparição, mas somente a alude
de forma vaga na boca dos discípulos, coloca Pedro como o
primeiro a ver o “Senhor”.

Crossan (1995, p. 240) faz um comentário interessante:

"[...] suponha que você pertencesse a uma outra
comunidade ou tradição cristã, que conhecesse muito
bem aquela ênfase na liderança de Pedro, mas que
desejasse a ela opor-se em favor do seu próprio líder
específico. Como fazer isto? Aqui está como João o
faz, em favor, como seria de esperar, do não
nomeado Discípulo Amado, depois que Maria
Madalena relata sobre o túmulo vazio: Pedro e o
outro discípulo partiram em direção ao túmulo. Os
dois corriam juntos, mas o outro discípulo passou à
frente de Pedro e chegou ao túmulo primeiro. Ele
curvou-se para olhar lá dentro e viu os lençóis de
linho sozinhos, mas não entrou. Então, Simão Pedro
veio, seguindo-o, e entrou no túmulo. Ele viu os
lençóis de linho abandonados e o pano que cobria a
cabeça de Jesus, não junto com os lençóis, mas
enrolado num local em separado. Então o outro
discípulo, que chegara ao túmulo primeiro, também
entrou, e vendo, acreditou." (João 20,3-8, grifos de
Crossan).

Logo mais Crossan (op. cit.) ressalta que “a corrida para
o túmulo tornou-se um duelo de autoridade”. O autor
do Evangelho de João faz Pedro entrar primeiro, conforme
Lucas 24:12 exige. Mas diz que o Discípulo Amado acredita.
Ele não diz que Pedro acredita ou não acredita, mas
enfatiza que o Discípulo Amado o fez.

De fato, “como poderiam aqueles que preferiam a
liderança de Pedro reagir contra essa narrativa?” (op.
cit.). O que aconteceu foi que, tal como fizeram com
MASSIACH 1
37
Marcos, cristãos posteriores acrescentaram no evangelho
de João, que terminada no capítulo 20, mais um capítulo. O
capítulo inteiro é sobre a aparição do Jesus ressurreto no
mar de Tiberiades. Pedro é o personagem principal desse
capítulo. De fato, Pedro é colocado acima do Discípulo
Amado.

Da mesma forma como Pedro nega Jesus três vezes em
João 18:15-18,25-27, aqui, no capitulo 21, versículos 9,15-
17 do evangelho de João, mais uma vez diante de uma
“fogueira”, ele reafirma Jesus três vezes. Pedro, então, é
encarregado de “apascentar” os cordeiros e as ovelhas de
Jesus, isto é, a comunidade geral e o grupo de liderança da
igreja. De fato, podemos perceber disputas políticas
influenciando até mesmo na confecção dos evangelhos! E o
mais interessante é que a mesma disputa que Paulo já
praticava nos anos 50, é a mesma que aparece nos anos
80-90 (Lucas), em João (100-110) e nos séculos seguintes
(Capítulo 21 de João)
Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
Resposta a um cristão: sobre a historicidade de
Moisés
Postado por Charles Coffer Jr
“Fomos curados da antiga ilusão de que a
confiabilidade de tradições históricas pode ser
facilmente demonstrada pela pá do arqueólogo.” - A.
Momigliano.

O seguinte artigo se consiste em uma refutação de uma
pretensa resposta a um ateu que pediu ao cristão uma
razão do porquê ele ter certeza de que Moisés realmente
existiu.

O texto que pretendo usar nesse artigo se encontra no blog
Soli Deo Gloriae, no seguinte link:
http://eliel777.blogspot.com/2007/09/resposta-um-ateu-
historicidade-de-moiss.html
MASSIACH 1
38

Gostaria de começar meus comentários citando o último
comentário dessa pretensa resposta apologética:

“Portanto, é mais lógico e mais racional acreditar que
Moisés existiu”.

Uma coisa é acreditar em um acontecimento
potencialmente histórico, ou não, de acordo com a lógica e
a racionalidade. Outra, é acreditar de acordo com
conclusões oriundas de pesquisas históricas. A história
utiliza de hipóteses, argumentos lógicos e racionalidade.
Mas somente quando os fatos estão obscuros demais para
a visão do pesquisador. De fato, a história possui certos
critérios que, quando aplicados, nos proporcionam um grau
de certeza quanto à historicidade de determinado fato.

“Primeiramente devo dizer que vou usar a Bíblia sim.
Me pedir para provar que Moisés existiu sem usar o
único livro que cita ele [...]".
Esse é o primeiro problema de historicidade do personagem
bíblico Moisés. É critério histórico (e na minha opinião, o
critério mais importante) usar mais de uma fonte para se
determinar a historicidade de um fato. Mais que isso, a
fonte deve ser independente.
.
Existe muito mais probabilidade de um fato registrado por
duas fontes independentes ser histórico do que se for
cidado apenas por uma fonte apenas. O mesmo vale para
personagens duvidosamente históricos. Como a Bíblia é o
único livro que cita este personagem, é mais que razoável
criticar a existencia de Moisés. O mesmo pode ser dito
acerca de demais personagens pretenciosamente históricos
da Antiguidade até a Idade Contemporânea.
"Me pedir para provar que Moisés existiu sem usar o
único livro que cita ele, seria o mesmo que pedir para
MASSIACH 1
39
eu provar que Augusto César viveu existiu sem usar
nenhum livro de História Romana”.

Considero esse comentário uma prestidigitação retórica. O
autor, ao comparar Moisés com Augusto César [sic] e a
Bíblia com um livro de História Romana já começa
pressupondo, ou dando a entender, que a Bíblia é um livro
de História. No entanto, as coisas não são tão simples
assim.

Existe uma diferença básica entre a Bíblia e um livro de
História. Livros de História selecionam dados transmitidos
por testemunhas que, direta ou indiretamente, possuem
conhecimento do evento. A História começa com certa
definição das fontes. De fato, se ao se escrever um livro de
História, não se atentar para a definição das fontes, estarás
escrevendo ficção apenas.

A Bíblia, por outro lado, é em sua maior parte uma
compilação de literatura cujas fontes são anônimas,
antigas, tradicionais e criativas.

“Para começar vamos compreender o contexto
histórico dos acontecimentos: A força imperial da
época era o Egito e, de acordo com a Torah, Moises
liderou a libertação da nação de Israel da escravidão
do Egito”.

Esse é um dos principais problemas da argumentação desse
apologista. Ele pretende definir o contexto histórico dos
acontecimentos a partir do próprio texto que está pedindo
para ser provado historicamente. É como tentar definir o
contexto histórico das origens de Roma a partir dos relatos
registrados na Eneida de Virgilio.

A História demonstrou que o suposto contexto histórico
registrado nos relatos da Eneida não são histórico, mas
refletem apenas tradições recebidas e deturpadas, ou seja,
MASSIACH 1
40
um emaranhado de lendas antigas e que, de acordo com as
evidencias arqueológicas, não possuem veracidade
histórica.

Guardem bem essa última sentença, pois a análise crítico-
histórica da Eneida nos sugere que as respostas para as
nossas perguntas e dúvidas sobre a historicidade e
contexto histórico do suposto Êxodo bíblico só podem ser
respondidos, no atual estágio do desenvolvimento da
pesquisa em ciências sociais, a partir da arqueologia. Logo
mais, apresentaremos a visão da recente arqueologia
acerca dessa questão.

“A primeira pergunta que vem é a seguinte: Em que
seria interessante para um egípcio escrever sobre
esse triunfo de Moises? Ou nas nações vizinhas, para
que alguém escreveria um relato mentiroso que
expunha ao ridículo o Todo-Poderoso Egito?”

Essa é uma oportunidade para colocarmos algumas coisas
em questão. A pesquisa histórica utiliza o critério da
Múltipla Atestação como a determinação de prováveis fatos
históricos. Isso significa que fatos relatados por diferentes
fontes independentes uma da outra possui mais chances de
serem considerados fatos históricos.

Sobre o triunfo de Moisés temos apenas uma fonte que nos
relata tal fato. Sendo que a questão da escassez das fontes
ainda não foi levantada, seria interessante levantar a
seguinte questão: o fato dos egípcios não ter relatado o
suposto triunfo de Moisés não abre a possibilidade para a
não-ocorrência histórica desse evento? Como o foco desse
artigo é a historicidade, essa questão é bastante pertinente
e deve ser levantada.

Primeiramente, deve-se frisar que o autor do texto é
reducionista no que se refere a sua visão geral dos
Egípcios. Não é uma questão de ser “interessante” a fulano
MASSIACH 1
41
ou a sicrano, mas sobre a possibilidade de um egípcio
escrever sobre o suposto triunfo de Moisés.

A possibilidade existe, sim. As estelas de Kamose,
encontradas no templo de Karnak, no Egito, nos anos 30 do
século XX, por H. Chevier corrobora essa possibilidade.
Nessas estelas, as vitórias e conquistas do povo asiático
chamado “Hicsos” são descritas de forma bastante
significativa nos relatos dessa estela. A estela revela o
estado caótico em que o Egito passava na época da XIV
dinastia. Algo mais surpreendente é que a estela revela que
o próprio rei Kamose, de Tebas, não foi capaz de realizar o
desejo de expulsar os Hicsos do Egito. Para um rei, isso era
uma grande derrota. Ainda assim foi relatada. Desse modo,
o argumento de que os egípcios não poderiam registrar os
triunfos de outros povos em seus escritos cai por terra.

"Suponha que um babilônico inventasse toda uma
história como essa e escreve tudo em um
pergaminho. Rapidamente esse pergaminho seria
destruído pelos egípcios antes que os escravos
começassem a ter delírios de grandeza".

O interessante é que os relatos da estela de Kamose
haviam sido escritos em uma tabinha achada em Tebas no
ano de 1910, e tais informações contidas nesses relatos
foram transmitidos por um período de mais de mil até
serem escritas, novamente, pelo historiador egípcio
Maneton, no século III a.C.. O argumento de que
“rapidamente esse pergaminho [relatos] seria destruído
pelos egípcios” não passa de uma suposição infundada.
Transferindo o significado da expressão “anti-judaismo”
para os egípcios, podemos dizer que a frase do autor acima
demonstra um espírito “anti-egiptismo” ao conceder aos
egípcios tamanha obstinação em esconder fatos
desfavoráveis.

“A história de Moisés foi escrita pelo povo que a
MASSIACH 1
42
viveu, os hebreus. Por que não considerar a versão
deles? Seria ela tendenciosa e não verdadeira?”

A versão judaica do relato do Êxodo pode e deve ser
considerada, no entanto, na presença de outras versões
independentes. De fato, não possuímos a versão egípcia do
Êxodo bíblico. Segundo o autor acima, isso se deve porque
os egípcios não quiseram escrever tal coisa, pois o Êxodo
foi “traumático demais” para eles.

O fato é que essa questão demanda uma resposta muito
mais séria e complexa do que se pensa. Em um encontro
de História Antiga e Medieval, um dos maiores especialistas
na história do Egito, Julio Gralha Ph.D, ao ser perguntado
se existem indícios e evidencias de que o povo israelita
estiveram no Egito, a resposta dele foi incisiva: “Não
existem quaisquer indícios que os israelitas
estiveram no Egito”. É interessante os egípcios se
calarem quanto aos israelitas enquanto aludem em demasia
os Hicsos, os quais lhes afligiram derrotas piores a do
Êxodo por centenas de anos.

"[...] se a vida de Moises fosse uma farsa [...] logo
que tivesse sido contada, fontes internas e externas a
Israel a teriam negado e, na Historia, percebemos o
inverso".

O autor realmente desconhece a história de Israel. Sua
perspectiva ainda está profundamente influenciada pelos
relatos bíblicos. Esse argumento é uma velha estratégia
apologética cristã para falsear a historicidade dos relatos
bíblicos. Tipo “se Elias não tivesse subido em uma
carruagem de fogo para o céu, alguém certamente teria
aparecido e desmentido toda a estória”, “se o corpo de
Jesus ainda estivesse no sepulcro, os judeus poderiam a
qualquer momento aparecer com o corpo e desmentir os
apóstolos” e “se Pedro não tivesse curado um coxo com sua
sombra, alguém teria aparecido e desmentido a estória”.
MASSIACH 1
43
Esse argumento é errôneo, a medida em que presume a
existência de um elemento acusador como condição
necessária para a existência de mitos na tradição bíblica.
Na ausência desse acusador, segue-se que o relato é
verdadeiro e histórico. Esse argumento equivale a dizer que
se os relatos da Eneida não fossem históricos, certamente
teria aparecido alguém para desmentir suas mentiras
épicas sobre a fundação de Roma.

É bastante significativo que historiadores antigos, como Tito
Lívio, contam que Rômulo foi o fundador e primeiro rei de
Roma, se, de acordo com Grimal (1992), “a fundação de
Roma está rodeada de lendas”. Onde estão os sabinos
para desmentirem a lenda do Rapto das Sabinas? Onde
estão os estruscos, os latinos, os samnitas, etc. para
refutarem as falsas alegações históricas dos romanos.

É sabidos que possuímos inúmeras fontes independentes,
ainda que lendárias, sobre a origem de Roma. Sobre o
Êxodo israelita, o suposto acontecimento que deu origem
ao povo israelita como um povo livre, só possuímos uma
única fonte.

É interessante como o autor quer que os judeus que
viveram nos anos posteriores ao Êxodo fossem tão
conscienciosos acerca da história de seu povo. As
evidencias arqueológicas demonstram que até o século VII
a.C., as tradições que compõem as Escrituras judaicas
ainda não haviam sido escritas e que a condição do povo
israelita era bastante inferior e rudimentar para que
compusessem um povo letrado e criterioso.

Tal como em toda a história judaica, apenas um pequeno
grupo de pessoas, a elite, era letrada e erudita o suficiente
para transmitir a tradição ao populacho humilde e rural. De
acordo com o arqueólogo Philip R. Davies, a literatura
bíblica é o produto de uma classe profissional, ou seja, de
escribas empregados pelo Templo. Nas sociedades agrárias
MASSIACH 1
44
não mais de 5% da população é letrada e “nunca
devemos assumir, como tem sido freqüentemente
feito pelos estudiosos bíblicos, que „tradições‟
populares orais naturalmente se transformam em
literatura. „Literatura popular‟ na Bíblia se parece
mais com a „música popular‟ nas obras de Bartok,
Janacek ou Vaughan Williams”. Desse modo, afirmar
que existia uma tradição oral bastante popularizada do
Êxodo de Moisés na época citada pelo autor do texto é uma
suposição sem fundamento.

Os leitores devem ser também profissionalmente letrados.
“A literatura não é para o conjunto da sociedade,
como pressuposto por muitos estudiosos bíblicos.
Escreve-se, em boa parte, para o próprio consumo”.
Bibliotecas e arquivos estavam associados a templos e
cortes, como se vê em Ugarit, Ebla, Mari, Assíria ou Tell el-
Amarna (Egito). Alguma evidência de tais arquivos ou
bibliotecas em Judá? É possível, se nós pensarmos nas
evidências exibidas por Josefo e fontes rabínicas sobre
escritos guardados no Templo.

De fato, temos que analisar o que a arqueologia tem a nos
dizer sobre a História de Israel.

Primeiramente, temos que esclarecer os objetivos da
arqueologia. Segundo o arqueólogo Philip R. Davies:

“Nós não podemos transferir automaticamente
nenhuma das características do „Israel‟ bíblico para
as páginas da história da Palestina [...] Nós temos
que extrair nossa definição do povo da Palestina de
suas próprias relíquias. [...] o historiador precisa
investigar a história real independentemente do
conceito bíblico”

A velha impressão do inicio do século XX de que a
arqueologia provava a veracidade dos relatos foi uma ilusão
MASSIACH 1
45
oriunda do ato de se interpretar a arqueologia de acordo
com a visão já predeterminada da Bíblia.

De fato, primeiramente, só para começar, a arqueologia
“purificada” do preconceito bíblico nos tem provado que
“não há referências extra-bíblicas ao „império‟ bíblico de
Davi e Salomão”. Para Philip Davies, não podemos
identificar automaticamente a população da Palestina na
Idade do Ferro (a partir de 1200 a.C.) e de certo modo
também a do período persa, com o “Israel” bíblico. Nós não
podemos transferir automaticamente nenhuma das
características do “Israel” bíblico para as páginas da
história da Palestina.
.
Trabalhando com as definições de „Israel‟, „Cananeus‟,
„Exílio‟ e „Período Persa‟, o autor conclui que é
simplesmente impossível pretender que a literatura bíblica
ofereça um retrato suficientemente claro do que é o seu
„Israel‟, de modo a justificar uma interpretação e aplicação
históricas. E reafirma: o historiador precisa investigar a
história real independentemente do conceito bíblico.

Essa situação piora quando retornamos ao período em que
o suposto Êxodo bíblico ocorreu.
.
A Bíblia relata que, cerca de 400 anos antes de Moisés, os
ancestrais do povo de Israel, liderados pelo patriarca Jacó,
deixaram seu lar na Palestina e se estabeleceram no norte
do Egito, junto à parte leste da foz do rio Nilo. Os egípcios
teriam permitido esse assentamento porque, na época, o
mais importante funcionário do faraó era José, filho de
Jacó. Décadas mais tarde, um novo faraó teria ficado
insatisfeito com o crescimento populacional dos
descendentes do patriarca e os transformado em escravos.

Por algum tempo, arqueólogos e historiadores acharam que
haviam identificado evidências em favor dos elementos
MASSIACH 1
46
básicos dessa trama. No entanto, não achou-se nenhuma
menção aos israelitas ou a José e sua família em
documentos egípcios ou de outros reinos do Oriente Médio
em toda a alegada época em que os israelitas estiveram no
Egito. Pior ainda, até hoje não foi encontrado nenhum sítio
arqueológico no Sinai que pudesse ser associado aos 40
anos que os israelitas teriam passado no deserto depois de
deixar o Egito.

Ora, pode-se argumentar que os textos existentes são
bastante escassos e que os textos que provavelmente
citavam os israelitas na Bíblica se perderam ou foram
destruídos pelos egípcios e por isso não há referencias
egípcias sobre os relatos bíblicos do Êxodo.

Finkelstein e Silberman confirmam que as migrações de
Canaã para o Egito são bem documentadas pela
arqueologia e por textos da época. O fato é que os
arqueólogos já possuem muitos escritos e documentos
pertencentes a esse período, de modo que não citar o
Israel bíblico seria o mesmo que escritores romanos do
século I e II deixarem de citar a existência de cristãos no
império. A ausência dessa citação é bastante significativa e
na maior parte das vezes proporciona evidência negativa a
supostos fatos históricos.

De acordo com Milton Schwantes, professor da Faculdade
de Filosofia e Ciências da Religião da Universidade
Metodista de São Paulo, se combinassemos o relato do
Êxodo com o que se sabe sobre o contexto histórico dos
egípcios da época da Idade do Ferro, o que teríamos não
seria a grandiosa cena bíblica, mas sim “uma cena de
pequeno porte -- estamos falando de grupos
minoritários, de 150 pessoas fugindo pelo deserto.
Em vez do exército egípcio inteiro perseguindo essa
meia dúzia de pobres e sendo engolido pelo mar, o
que houve foram uns três cavalos afundando na
lama”.
MASSIACH 1
47
Estamos citando as contradições geográficas e históricas da
narrativa do Êxodo apenas de passagem. Citá-las por
completo demandaria um tópico inteiro.

Israel Finkelstein, arqueólogo da Universidade de Tel-Aviv,
em Israel, conta que uma série de novos assentamentos
associados às antigas cidades israelitas aparecem na
Palestina por volta da mesma época em que a estela de
Merneptah foi erigida. Acontece que a cultura material -- o
tipo de construções, utensílios de cerâmica etc. -- desses
"israelitas" é idêntica à que já existia em Canaã antes de
esses assentamentos surgirem. Tudo indica, portanto, que
eles seriam colonos nativos da região, e não vindos de fora.

Para Finkelstein, isso significa que a história do Êxodo foi
redigida bem mais tarde, por volta do século 7 a.C. O
confronto com o Egito teria sido usado como forma de
marcar a independência dos israelitas em relação aos
vizinhos, que estavam tentando restabelecer seu domínio
na Palestina. A figura de Moisés, talvez um herói quase
mítico já nessa época (talvez associado a legislação
israelita antes mesmo de ter sido associado ao Êxodo
bíblico), teria sido incorporada a essa versão da origem da
nação.

De acordo com Davies, a arqueologia tem nos mostrado
que “a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve
ser tratada como história” assim como “o resto da
estória bíblica, de Saul ou Davi em diante”, mas sim
como “obviamente literária”. Ele comenta que “Baseado
em dados bíblicos e não-bíblicos, as condições sociais
apropriadas para a emergência do Israel bíblico
parecem poder ser encontradas no Yehud [Judá] da
época persa”.

Davies argumenta, baseado em pesquisas feitas por E. A.
Knauf, que o hebraico bíblico não corresponde a nenhuma
das línguas israelitas, tais como estão nas inscrições.
MASSIACH 1
48
“Knauf conclui que o hebraico bíblico é a língua de
um corpus literário que apareceu, segundo seu ponto
de vista, nos períodos exílico e pós-exílico". De modo
que não há argumentos lingüísticos para datar a literatura
bíblica no período pré-exílico.
.
Assim, Davies também comenta que “foi durante os
Períodos Persa e Helenístico que a literatura bíblica
deve ter sido composta, e é na sociedade desta época
que nós devemos agora procurar pelas pré-condições
que permitiram e motivaram a geração deste
construto ideológico que é o Israel bíblico”.

O argumento de que “se o Êxodo fosse mentira logo
teria sido desacreditado” baseia-se no desconhecimento
das reais circunstancias históricas que culminaram na
criação desse relato. Davies enfatiza que a sociedade de
Israel tem seu verdadeiro inicio no século VII a.C. e que a
história literária do Êxodo deu-se aproximadamente da
seguinte forma: “[...] a classe dos escribas desta nova
sociedade cria uma identidade e uma herança para si
mesma na Palestina, uma identidade expressa em um
corpus literário vigoroso e marcante. A esta
identidade é dado o nome „Israel‟ (que agora existe
ao lado de Judá). A própria sociedade, ou mais
propriamente partes desta sociedade, transformar-
se-á naquele Israel que ela mesma criou, na medida
em que ela aceita a presumida história deste Israel
como a sua própria história, aceita sua constituição,
crenças e hábitos como seus, e começa a encarnar
aquela identidade. Este é, como eu o vejo, um
processo chave na transformação de uma sociedade
histórica em um „Israel‟ autoconsciente com uma
longa e impressionante história”.

Resumindo, as evidencias arqueológicas nos apresentam as
seguintes conclusões:
MASSIACH 1
49

1. Não há vestígio algum de hebreus no deserto do Egito a
Israel. Para o mesmo período, há apenas aldeias rurais da
Idade do Bronze, de poucas centenas de habitantes,
sempre na região de Israel. Nada significante fora de lá. A
formação deste povo, segundo os achados arqueológicos,
foi pela junção e crescimento de tais assentamentos.

2. Não há indícios de escravidão hebraica no Egito. Os
egípcios sequer escravizavam como relata os detalhes da
Bíblia, eles tinham outros tratamentos. Além disso, eles
relatavam - e adoravam isso - sobre os escravos de
guerra... e não há hebreus no meio.

Julio Gralha também afirma que “a forma de servidão
mostrada nos textos bíblicos em nada se parece com
os indícios históricos e arqueológicos. Ou seja, é mais
uma questão de fé”.

3. Dizer que os egípcios não relatavam suas derrotas é uma
invenção cristã. Eles relatavam suas derrotas, empates e
vitórias e, em todos os casos, romanceavam o heroísmo do
exército e a divindade do faraó. E não há nenhum exército
destruído por um mar que se abre.

4. As migrações de Canaã para o Egito e vice-versa são
bem documentadas pela arqueologia e por textos da época.
A ausência da citação do Israel bíblico é bastante
significativa, e sugere que Israel jamais esteve no Egito.

Fienkelstein afirma que “existe indicação abundante de
textos egípcios da Idade do Bronze posterior (1550-
1150 a.C.) sobre assuntos em Canaã, na forma de
cartas diplomáticas, listas de cidades conquistadas,
cenas de cercos gravados nas paredes dos templos
do Egito, anais dos reis egipcios, obras literárias e
hinos”. Ainda assim, não há nem sequer uma pequena
indicação de que Israel esteve no Egito.
MASSIACH 1
50

5. Não há relatos de nenhuma das pragas, por mais que os
crentes adorem compará-las com eventos da natureza. Os
relatos do Papiro de Ipuur (Papiro de Ipuwer) foram
escritos aproximadamente durante o primeiro e o segundo
periodo intermediário de Egito, de cerca do ano 1850 a
1600 a.C., de modo que não possuem relação nenhuma
com o Êxodo bíblico.

6. Não há relatos de mortes em série de primogênitos,
ainda mais o do faraó. E as mortes da família do faraó são
registradas fartamente.

7. Nenhum posto ou cidade egípcia, assim como nenhum
outro povo do deserto relatam a fuga e a passagem dos
hebreus. E haviam milhares no caminho. Até na Bíblia há
relatos de confrontos.

8. Não há registros de Moisés, Josué, Abraão.

9. Os achados da suposta época de Salomão, após o
Êxodo, mostram aldeias centenas de vezes mais atrasadas
e menores que o povo que fugiu do Egito.

10. Afirmar que “alguém” poderia desmentir os relatos do
Êxodo se fossem falsos, é ignorar o contexto sócio-histórico
da época, em que a lenda ainda estava em pleno
desenvolvimento.

"Um fato interessante é que a seqüência dos
acontecimentos narrados faz com que Moisés tenha
realmente existido. Veja, alguns fatos históricos
sobre Israel: 538 a.C. - O Rei Ciro, dos Persas, assina
o edito que liberta o povo de judeu do Egito. Esse
acontecimento envolve uma outra nação além de
Israel, a Pérsia). Se essa referência ao edito do Rei
Ciro, encontrada na Bíblia, não fosse verdadeira, os
pérsas já teriam exposto provas de que não o é e o
MASSIACH 1
51
Antigo Testamento não teria credibilidade há muito
tempo. E outro aspecto interessante que comprova
que esse edito é real: Se Esdras (que cita essa
passagem) escrevesse algo para enganar o povo, de
forma nenhuma ele citaria outras nações ou outros
reis, pois se estivesse mentindo, sua farsa seria
revelada com mais facilidade".

É fato reconhecido pela História que praticamente todas as
nações da terra inventavam lendas e ficções relacionando
elas mesmas com as demais. Nem por isso, houve um
processo de refutação universal de mentiras forjadas por
essas nações em toda a história. Grande parte dessas
estórias não eram feitas para serem lidas pelo povo ou
pelas nações vizinhas. Apenas uma elite tinha acesso a
esse conhecimento, e por isso esses relatos poderiam
ganhar prestigio na medida em que se tornavam mais
antigos.

"Se Saul existiu e foi rei, logo a história dos Juízes é
verdadeira. Imagine se o Presidente Lula saísse
falando que ele foi o primeiro presidente da história
do Brasil, alguém acreditaria? Não! Pois todos
sabemos que ele não o é. Portanto se tivesse existido
outros reis antes de Saul e algum desocupado
inventasse uma história de que Saul teria sido o
primeiro rei, ninguém acreditaria e o boato logo
desapareceria. Saul, portanto foi o primeiro rei de
Israel e antes dele, a nação era governada pelos
juízes".

Como já foi enfatizado, a conclusão dos arqueólogos é que
tais relatos foram criados centenas de anos após o periodo
em que supostamente ocorreram. São criações tradicionais
e literárias cujo objetivo eram sustentar ideologias
nacionais. Da mesma forma, se a lenda de Rômulo sobre
ter sido o fundador de Roma fosse mentira, ninguém teria
acreditado. Mesmo assim os romanos acreditaram nessa
MASSIACH 1
52
lenda que, por sua vez, provou-se, pela arqueologia, ser
fictícia. De fato, a simplificação grosseira que o autor faz
acima, como se pudesse deduzir a realidade social e
cultural daquela época a partir dos próprios preconceitos
atuais, não possui fundamento algum.

Daqui em diante, o autor cria uma falsa relação de causa e
efeito de forma bastante imaginativa com os relatos
bíblicos seguintes, do tipo “se x aconteceu, y também
aconteceu; se y aconteceu, logo z também aconteceu”.

Um ponto interessante é quando o autor faz a seguinte
afirmação:

“Se a tomada de Jericó aconteceu, logo Moisés
existiu”.

De acordo com Finkelstein, “descobertas que
revolucionaram o estudo do Israel primitivo lançaram
sérias dúvidas sobre as bases históricas das tão
famosas estórias bíblicas como as peregrinações dos
patriarcas, o Êxodo do Egito, a conquista de Canaã e
o glorioso império de Davi e Salomão”.

Finkelstein faz uma afirmação ainda mais interessante: “Os
locais mencionados na narrativa do êxodo são reais.
Alguns eram bem conhecidos e aparentemente
estavam ocupados em épocas mais antigas e em
épocas mais recentes - após o estabelecimento do
reino de Judá, quando a narrativa bíblica foi pela
primeira vez escrita. Infelizmente, para os
defensores da historicidade do êxodo, estes locais
estavam desocupados exatamente na época em que
aparentemente eles exerceram algum papel nas
andanças dos israelitas pelo deserto”.

É interessante que na época da suposta queda de Jericó
havia um forte governo de Ramsés II presente em Canaã,
MASSIACH 1
53
como se pode ver na fortaleza egípcia de Bet-Shean e em
Meguido, de modo que os egípcios em Canaã não ficariam
indiferentes a uma destruição tal como a de Josué.

A chamada “arqueologia da conquista”, da primeira metade
do século XX, em que arqueólogos cristãos tentaram
defender a versão de Josué mediante as escavações de
Albright em Tell Beit Mirsim/Debir (1926-1932), dos
britânicos em Tell ed-Duweir/Lakish (1930ss) e do
israelense Yigael Yadin em Tell el-Waqqas/Hasor (1956)
entrou em crise exatamente após serem realizadas novas
pesquisas em Jericó, Ai, Gabaon, concluindo que muitas
dessas cidades nem sequer existiam no século XIII AEC,
fazendo cair o consenso sobre a conquista de Canaã.

Finkelstein afirma que “os príncipes das cidades de
Canaã (descritos no livro de Josué como poderosos
inimigos) eram, na verdade, pateticamente fracos.
Escavações mostraram que [...] não existiam muros
em torno das cidades. As formidáveis cidades
canaanitas descritas nas narrativas de conquista não
eram protegidas por fortificações!”

E continua: “Jericó estava entre as [cidades] mais
importantes. Como já observamos, as cidades de
Canaã não eram fortificadas, e não existiam muralhas
que pudessem desmoronar. No caso de Jericó, não
havia traços de nenhum povoamento no século XIII
a.C., e o antigo povoado, da Idade do Bronze
anterior, datando do século XIV a.C., era pequeno e
modesto, quase insignificante, e não fortificado.
Também não havia nenhum sinal de destruição.
Assim, famosa cena das forças israelitas marchando
ao redor da cidade murada com a Arca da Aliança,
provocando o desmoronamento das poderosas
muralhas pelo clangor estarrecedor de suas
trombetas de guerra, era, para simplificar, uma
miragem romântica”.
MASSIACH 1
54

De fato, podemos dizer que, seguindo a linha de raciocínio
do autor do texto, se a tomada de Jericó NÃO aconteceu,
logo Moisés NÃO existiu.

“Portanto, se Moisés não existiu, Josué não o
substituiu; Se Josué não o substituiu, Jericó não foi
tomada; Se Jericó não foi tomada, o período dos
juízes não aconteceu; Se o período dos Juízes não
aconteceu é impossível Saul ter sido o primeiro rei de
Israel; Obviamente, Davi não foi perseguido por um
rei chamado Saul e não assumiu o trono após ele; Se
Davi não foi Rei, o reino não dividiu em duas partes;
Se o reino não se dividiu em duas partes... e assim
por diante”.

Pela primeira vez em todo o texto, o autor está correto e
em plena harmonia com as descobertas da arqueologia
contemporânea.

“Portanto, se Moisés não existiu, toda a história de
Israel foi inventada. E aí você entra em uma sinuca
de bico”.

O problema de se tirar conclusões lógicas sem um profundo
conhecimento histórico é esse. As generalizações não
param por aí...

"Se Moisés não existiu, 28 escritores (que pouco, ou
nunca, se comunicaram) em um período de 800 anos
aproximadamente, escreveram mentiras que se
tornaram as Histórias do povo de Israel. E o pior, tem
que aceitar que o povo aceitou essas mentiras como
verdade sabendo que são mentiras!"

Esse é mais um dos clássicos argumentos apologetas
cristãos, que se destacam de duas formas: 1) pressupõe
que algo, que foi amplamente acreditado por muito tempo
MASSIACH 1
55
e muitas pessoas, não pode ser mentira 2) dar a impressão
de que praticamente seria necessário um “milagre
grandioso” para que o povo acreditasse numa mentira.

Esse mesmo argumento é usado no caso da ressurreição de
Cristo, em que os apologetas acreditam que somente
somente algo absolutamente sobrenatural seria capaz de
explicar a intensa fé cristã na ressurreição e que é
praticamente impossível que tal fé pudesse ter sido forjada.

"Tudo que citei foi no campo histórico".

O interessante é que o autor não cita sequer uma fonte
para apoiar suas idéias. Apenas usa de seu “raciocínio
lógico” – coisa que funciona muito bem em construções
imaginárias, mas que, na pesquisa histórica, deve vir,
incondicionalmente, acompanhado de fatos.

"Todos em Israel acreditam que esses preceitos lhes
foram dados por um tal de Moisés. Basta fazer o
processo acima e ir voltando a fita. Se Moisés não
existiu, alguém os entregou isso e conseguiu com
que acreditassem que foi um tal de Moisés".

A questão de se todos os judeus acreditam nisso ou não é
outra questão. Ainda que acreditem intensamente e até
mesmo morram por isso, isso não torna os relatos
verdadeiros. A fé de um povo em algo não o torna
verdadeiro. Ademais, é interessante frisar que o próprio
Finkelstein é um judeu, e que possivelmente os cristãos
dão mais crédito a esses relatos bíblicos do que os próprios
judeus da atualidade dão.

"Por que essas leis e rituais tiveram aceitação do
povo?"

Acredito que uma análise paralela aos povos pagãos
ajudaria a responder a essa questão: porque as leis de
MASSIACH 1
56
Licurgo (um personagem fictício) e rituais de mistério
tiveram aceitação do povo pagão? Pelo fato de serem
pagãos? Não há nada no mundo capaz de impedir um
determinado povo a acreditar em uma lenda se os mesmos
estiverem propensos a acreditar. E isso é verdade
principalmente para os povos da Antiguidade, que
acreditavam em coisas que deixariam os contos-da-
carrouchina de boca aberta.

"Exatamente porque a pessoa que os entregou tinha
credibilidade entre o povo".

Aqui o autor reconstrói um episódio que julga ser histórico
de uma forma imaginária. O fato é que não se tem
conhecimento de que a situação tenha sido exatamente
essa, e que os indícios e evidencias arqueológicas nos
levam para um contexto totalmente diferente daqueles
oriundos pela imaginação criativa e “lógica” do autor.

"Se fosse um Zé Ninguém que tivesse saído no meio
dos arraiais com um novo código de regras ninguém
ia aceitar, muito menos levar o nome de um tal de
Moisés (que ninguém viu) por vários séculos".

Como frisamos, a real situação histórica não pode e nem é
tão simplista como o autor quer que seja.

"Portanto, é mais lógico e mais racional acreditar que
Moisés existiu".

Da mesma forma que é mais sensato e honestamente
aceitável acreditar, seguindo as recentes descobertas
arqueológicas e históricas – as quais são as únicas
disciplinas que de fato podem nos ajudar a resolver essa
questão -, que o Moisés bíblico nunca tenha existido.
Fica-se, portanto, provado mais uma vez que os apologetas
cristãos deturpam, distorcem, omitem e acrescentam coisas
MASSIACH 1
57
de forma desesperada, em um intuito cego e fanático de
provar sua fé.
.
Esperamos que em um futuro próximo o fanatismo e a
ignorancia possam deixar de reinar no seio da cristandade e
que a mesma possa desfrutar de uma visão mais
abrangente da realidade.
.
Charles Coffer Jr.
às 18:02
Postado por Charles Coffer Jr.
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008
O QUE ACONTECEU E O QUE NÃO ACONTECEU
JESUS:
O QUE ACONTECEU E O QUE NÃO ACONTECEU
VERDADE E MITO
O inventário a seguir apresenta aproximadamente 130
"fatos" sobre a vida e a pessoa de Jesus apresentados nos
evangelhos, selecionando entre eles os quais aconteceram
sem margem de dúvidas e entre os que indubitavelmente
não aconteceram.
Entre esses dois pólos, há os requisitos " O que
provavelmente aconteceu", "O que pode ter acontecido" e "
que provavelmente não aconteceu".
O inventário a seguir foi baseado numa compilação das
conclusões de diversos estudiosos contemporâneos, tanto
conservadores quanto progressistas.
Obs.: O virtual posicionamento dos milagres de Jesus
categorias 04 e 05 não se basearam nos pressupostos
MASSIACH 1
58
naturalistas anti-sobrenaturalistas dos liberais, mas
somente na análise de historicidade baseada em dois
estudiosos nada liberais: J. P. Meier e Raymond Brown
(ambos católicos romanos) e entre outros estudiosos
protestantes e luteranos. Usou-se também os recursos de
Geza Vermes, J. D. Crossan, J. P. Sanders, entre outros. A
bibliografia ainda é a mesma dos demais artigos, e consta
no final desse inventário.
1. O que de fato aconteceu sem margem de dúvidas:
 Jesus realmente viveu como Judeu na Palestina
 João Batista pregando no deserto o batismo do
arrependimento para remissão de pecados, no rio Jordão
 Jesus é batizado por João Batista
 A prisão de João Batista
 A existência dos discípulos de João
 Jesus proclamou o Reino de Deus
 Jesus morreu crucificado
 Jesus ensinou em parábolas
 Na época de Jesus acreditava-se que ele praticava
exorcismos
 Jesus orou usando "Abba" etc.
2. O que provavelmente aconteceu:
 Jesus escolheu e treinou os discípulos
 A purificação do templo
 Os discípulos acreditaram que haviam visto Jesus
ressuscitado depois de sua morte
 A oração “Pai-Nosso” de Jesus
 Jesus perante Pilatos
 Fuga geral dos discípulos
 A prisão de Jesus
 A traição de Judas
 A residência em Nazaré
3. O que pode ter acontecido:
MASSIACH 1
59
 João envia mensageiros a Jesus
 Jesus fala sobre o divorcio
 O exorcismo do endemoniado geraseno
 A cura do menino lunático
 Jesus perante o Sanhedrin
 Nascimento em uma manjedoura
 A apresentação de Jesus no templo
 Os parentes de Jesus diziam que ele estava louco
 A Última Ceia
 Diálogo de Jesus sobre a questão do tributo
 A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
4. O que provavelmente não aconteceu:
 Jesus transformou água em vinho
 Jesus venerado por homens sábios
 Pedro corta a orelha do guarda do sacerdote
 O Nascimento de Jesus em Belém
 João Batista confessa a superioridade de Jesus e sua
inferioridade em relação a ele
 A tentação de Jesus no deserto por quarenta dias
 A fala de Jesus sobre “dar a própria vida em resgate de
muitos”
 As curas de Jesus efetuadas no templo após a purificação
do mesmo
 O exorcismo do endemoninhado de Cafarnaum
 Diálogo entre Jesus e o demônio do geraseno
 A cura do homem da mão ressequida
 O discurso de Jesus sobre o Sábado no episodio do homem
da mão ressequida
 A cura do paralítico de Cafarnaum
 A cura de um paralítico em João 5
 A cura da mulher enferma de Lucas 13.10-17
 A cura de um cego em Betsaida
 A cura do cego de nascença em João 9
 A cura do leproso
MASSIACH 1
60
 A cura dos dez leprosos
 A cura de um surdo e gago
 A cura do criado do centurião
 A cura do filho de um oficial do rei em João 4.46-54
 A ressurreição da filha de Jairo
 A ressurreição de Lázaro
 João Batista confessa a superioridade de Jesus e sua
inferioridade em relação a ele
 As curas de Jesus efetuadas no templo após a purificação
do mesmo
 O beijo da traição de Judas
 A descrição da Morte de Judas
 Profecia de Jesus sobre a traição de Judas
 Agonia no Getsêmani
 A oração de Jesus no Getsêmani
 Oração de Jesus no Monte das Oliveiras
 Profecia de Jesus sobre a fuga dos discípulos
 O episódio da mulher do vaso de alabastro
 O episódio da pesca milagrosa pós-ressurreição em João
21
 A notícia do anjo Gabriel
 Concepção virginal
 A voz que saiu do céu e a descida da “pomba”
 A repreensão de Jesus aos escribas no episodio do
paralítico de Cafarnaum
 João envia mensageiros a Jesus
 O testemunho de Jesus sobre João
 A cura dos dois cegos em Mateus 9.27-31
 Os samaritanos não recebem Jesus em Lucas 9. 51-56
 Os samaritanos crêem em Jesus em João 4.39-42
 A missão dos setenta
 A visita de Nicodemos a Jesus
 O relato da mulher de Samaria em João 4
 Alguns gregos desejam ver Jesus
 O episodio da pecadora que ungiu os pés de Jesus
MASSIACH 1
61
 O episódio dos guardas mandados para prender Jesus em
João 7.25-36;45-53
 A instrução de Jesus aos Doze para pregarem
 A insistência de Jesus de não fazerem publicidade de seus
feitos milagrosos (o “segredo messiânico”)
 A escolha dos Doze apóstolos
 A confissão de Pedro
 A predição de Jesus sobre sua morte e ressurreição (três
vezes)
 A transfiguração
 A cura do cego em Jericó
 Debate de Jesus e os saduceus sobre a ressurreição dos
mortos
 O sermão profético
 Debates entre Jesus e os fariseus na Galiléia
5. O que de fato não aconteceu além de qualquer
dúvida:
 Massacre das crianças por Herodes Magno
 O relato do diálogo entre o bom ladrão e Jesus na cruz
 O relato da morte de João Batista a pedido de Salomé e
suas causas
 O episodio do da moeda achada na boca do peixe
 O pedido da mãe de Tiago e João para que os filhos se
assentem ao lado de Jesus no reino
 O censo realizado nos dias de Herodes
 A sabedoria precoce do menino Jesus
 O episódio da figueira sem frutos
 A cura do mudo endemoninhado em Mateus 9.32-34
 O episódio da mulher siro-fenícia
 A cura da sogra de Pedro
 A cura da mulher hemorrágica
 A cura de um hidrópico em Lucas 14.1-6
 Pedro corta a orelha do guarda do sacerdote
 A ressurreição do filho da viúva de Naim em Lucas 7.11-17
 O episódio da pesca milagrosa em Lucas
MASSIACH 1
62
 Jesus caminha sobre as águas
 Jesus acalma a tempestade
 O relato das bodas de Caná
 A primeira multiplicação de pães e peixes
 A segunda multiplicação de pães e peixes
 A visita dos magos do Oriente
 O cântico de Simeão
 A estrela no oriente
 O episódio de Zacarias e Isabel em Lucas 1.5-80
 Jesus expele os demónios para os porcos
 Relato da prisão de Jesus (pela “Multidão” em Marcos /
pelas “tropas romanas” em João)
 Participação de Sumos-Sacerdotes, oficiais do templo e
anciãos na prisão de Jesus no Getsêmani
 Soldados romanos caindo por terra quando Jesus lhes
dirige a palavra
 Relato do julgamento de Jesus
 As acusações a Jesus no julgamento
 A negação de Pedro
 A acusação do crime em Jo 11.45-53
 Amnistia de Barrabás
 Julgamento herodiano em Lc 23.6-12
 Encontro de Jesus com Anás em João 18-12-24
 Relato da ofensa a Jesus no açoitamento
 Relato do cuspe e perfuração
 Jesus entre dois ladrões
 Dialogo entre Jesus e o “bom ladrão”
 O ato de não quebrar as pernas de Jesus
 Tirando a sorte pelas vestes de Jesus
 Fel e vinagre para beber
 Declaração dos romanos sobre a inocência de Jesus
 Relato da exigência dos judeus em prol da crucificação
 Relato do sepultamento de Jesus por parte de seus amigos
(José de Arimatéia)
 Relato das especiarias trazidas ao túmulo
 Guardas no sepulcro de Jesus
MASSIACH 1
63
 Mulheres no sepulcro
 Relatos do sepultamento
 O episódio dos dois discípulos no caminho de Emaús
 O relato da morte de João Batista a pedido de Salomé e
suas causas
 A fuga para o Egipto
 O relato da mulher adultera de João 8.
Bibiografia consultada
CROSSAN, John Dominic. O Jesus histórico: a vida de um
camponês judeu mediterrâneo. Trad. André Cardoso. 2ª ed.
Rio de Janeiro: Imago, 1994.
CROSSAN, John Dominic. O nascimento do cristianismo: o
que aconteceu nos anos que se seguiram à execução de
Jesus. (or.ing. 1998). São Paulo: Paulinas, 2004.
CROSSAN, John Dominic. Quem matou Jesus?: as raízes do
anti-semitismo na história evangélica da morte de Jesus.
Tradução: Nádia Lamas. Rio de Janeiro: Imago ed., 1995.
DURÃES, Aline. Jesus: Entre o mito e a história. In: Jornal
da UFRJ. Ano 3, N°. 29. Universidade Federal do Rio de
Janeiro: Novembro de 2007.
EHRMAN, Bart. O que Jesus disse? O que Jesus não disse?:
quem mudou a Bíblia e por quê? Rio de Janeiro: Prestígio,
2006.
GINZBURG, Carlo. Olhos de madeira: Nove reflexões sobre
a distância. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.
HANSON, John S.; HORSLEY, Richard A. Bandidos, profetas
e messias: movimentos populares no tempo de Jesus. São
Paulo: Paulus, 1995.
MASSIACH 1
64
HORSLEY, Richard A. Jesus e o império: o reino de Deus e a
nova desordem mundial. Tradução de Euclides Luiz Calloni.
São Paulo: Paulus, 2004.
KOESTER, Helmut. Introdução ao Novo Testamento:
História e literatura do cristianismo primitivo. São Paulo:
Paulus, 2005. Vol. II.
MACK, Burton L. O evangelho perdido: O livro de Q & as
origens cristãs. Tradução de Sérgio Alcides. Rio de Janeiro:
Imago Ed., 1994.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: as raízes do problema e da pessoa. 3ª ed. Rio de
Janeiro: Imago, 1993. Vol. I.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Mentor. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Vol. II,
livro I.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Mensagem. Rio de Janeiro: Imago, 1997. Vol. II,
livro II.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Milagres. Rio de Janeiro: Imago, 1998. Vol. II,
livro III.

SALDARINI, A. J. Pharisees, Scribes and Sadducees in
Palestinian society: a sociological approach. Cambridge:
William Eerdmans, 2001.

VERMES, Geza. As várias Faces de Jesus. Rio de Janeiro:
Record, 2006.
às 09:17
Postado por Charles Coffer Jr.
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MASSIACH 1
65
Domingo, 6 de Abril de 2008
O QUE OS ESTUDIOSOS PENSAM DA BÍBLIA
O QUE OS ESTUDIOSOS PENSAM DA BÍBLIA
Coleção de aforismos
by: Charles Coffer Jr.

Já que os cristãos fundamentalistas adoram usar citações
de não-especialistas, escritores defasados e leigos em
Bíblia para "provarem" que ela é realmente fidedigna do
ponto de vista histórico, aqui vão alguns especialistas que
esses mesmos cristãos não conhecem ou nunca leram -
exatamente porque perdem muito tempo lendo apenas a
literatura que a igreja determina que leiam. Lá vai:

“Quase tudo que pode ser sabido a respeito de
Yeshuá procede do Novo Testamento, e de escritos
afins ou heréticos. Tais escritos são tendenciosos:
seu intento em relação a nós, leitores ou ouvintes, é
evidente e catequizador. [...] O Novo Testamento é
mito e fé; não se trata de relato factual. [...] Jesus
carece tanto de história quanto de biografia, e não
temos como saber quais dos seus ditos são
autênticos”. – Harold Bloom, professor e crítico literário
estadunidense, considerado o maior crítico literário do
mundo.


“A primeira compreensão proporcionada pelo ponto
de vista do formgeschichte é que [os evangelhos]
nunca foi um testemunho “puramente” histórico de
Jesus. Seja qual forem os ditos, palavras e os atos de
Jesus, eles sempre foram um testemunho de fé,
formulados pela pregação e exortação a fim de
converter os incrédulos e confirmar os fiéis”. - Martin
Dibelius, teólogo alemão e professor de Novo Testamento
MASSIACH 1
66
na Universidade de Heidelberg.


“[...] a análise cuidadosa das narrativas da infância
[de Jesus apresentadas nos evangelhos] torna
improvável que qualquer um dos relatos seja
histórico. [...] “Por causa da discordância entre as
duas narrativas da infância, da falta de confirmação
de seu material em qualquer outra passagem do
Novo Testamento, da ausência de confirmação
extrabíblica de acontecimentos altamente públicos
nas narrativas, de aparentes incorreções (o
recenseamento que afetou os galileus durante o
governo de Quirino, no tempo de Herodes) e da total
incerteza sobre as fontes dos evangelistas para o que
é narrado, fiz um julgamento cuidadoso negando que
os dois relatos possam ser completamente históricos
e achando improvável que qualquer um deles seja
completamente históricos”. - Raymond Brown,
conhecido como “o decano dos especialistas do NT”, é
atualmente internacionalmente reconhecido como um dos
maiores estudiosos bíblicos que já existiu, foi o único
americano a ser escolhido duas vezes por dois papas para
integrar a Pontíficia Comissão Bíblia.


“Todo leitor é alguém que seleciona. Ao ler um livro,
escolhe as partes com as quais mais se identifica. Os
evangelistas também são assim, tanto que
escreveram três evangelhos chamados sinóticos, ou
seja, com a mesma perspectiva, mas completamente
distintos. Ainda que semelhantes e que dêem a
impressão de veicularem a mesma história, se
observarmos com um olhar mais apurado, veremos
que cada um dos textos [dos três evangelhos
chamados sinóticos] propõe uma interpretação de
Jesus diferente. Ou seja, os evangelistas deformaram
Jesus”. - Paulo Nogueira, teólogo da Universidade
MASSIACH 1
67
Metodista de São Paulo – Umesp:


“A palavra “verdadeiro” tem muitos significados.
Pode-se distinguir entre “verdadeiro” segundo a fé e
“verdadeiro” segundo a história. Podem-se distinguir
diversos níveis de verdade histórica. Que Jesus
historicamente tenha existido, é difícil afirmar,
porque sua vida e sobretudo sua morte chegaram até
nós envolvidas e obscurecidas pela vontade de
demonstrar que ele de fato fora o messias anunciado
pelos profetas”. Carlo Gizburg, um dos maiores
historiadores da atualidade.


“Inúmeras lendas também foram inseridas na
tradição sinótica. “lenda” é uma história que narra
um evento particular com detalhes admiráveis ou
prodigiosos. A tradição sinótica encerra uma única
lenda cultural, a da instituição da Ceia do Senhor.
Todas as outras são lendas biográficas (as narrativas
do nascimento e da infância, as histórias sobre João
Batista, a tentação de Jesus, a entrada em
Jerusalém). A maioria dessas lendas segue o modelo
das narrativas da bíblia de Israel. Isso está
especialmente evidente no relato da paixão, todo ele
baseado nos motivos bíblicos da história do justo
sofredor do Dêutero-Isaias e de vários Salmos. Típico
dessas lendas é adotarem floreios descritivos com
moderação e realçarem um único evento”. - Helmut
Koester, estudioso do Novo Testamento, é um dos mais
renomados pesquisadores da História do cristianismo
primitivo”.


“Os evangelhos não fornecem informações facilmente
para a compreensão histórica [...]. Eles normalmente
projetam sobre a vida de Jesus controvérsias
MASSIACH 1
68
posteriores entre as comunidades cristãs e judaicas e
podem simplesmente refletir uma falta de
entendimento de um autor tardio das tradições à sua
disposição e da sociedade palestina”. - A. J Saldarini,
estudioso da história e do Novo Testamento.


“Não há confirmação irrefutável de que o homem
Jesus tenha vivido. Existem argumentos propondo
que Jesus é a somatória de várias personagens, ou
que sua pessoa possa ter sido inflada até chegar à
condição de mito. De fato é preciso se entregar a uma
formidável devoção ao fundamentalismo para se
acreditar piamente no que a Bíblia contém sobre o
assunto. As Escrituras são contraditórias e
incompletas. Na verdade, mais simbólicas do que
documentais”. - Robert Funk, teólogo da Universidade
de Montana e um dos bravos acadêmicos do Seminário de
Jesus.


“As narrativas da Paixão não são história relembrada,
mas profecia historicizada. [...]A verossimilitude
sugere que os escritores que viveram no primeiro
século A.D. não descreveriam um cenário totalmente
implausível sem uma razão teológica. [...] as
profundezas da teologia quase sempre sobrepujam a
superfície da história. [...] em termos dos seus
próprios interesses, algo como a plausibilidade
histórica relativa, ou verossimilitude, era tudo o que
os sinóticos exigiam. E essa exigência foi
frequentemente deixada de lado por preocupações de
ordem teológica, apologética, polêmica ou quanto à
pura narrativa. [...] todos os escritores dos
evangelhos, precisamente como tal, permitiram que
forças teológicas, apologéticas, polêmicas ou
referentes à narrativa pura prevalecessem sobre a
plausibilidade histórica superficial, em graus
MASSIACH 1
69
variados. ”. - John Dominic Crossan, teólogo e figura
importante no campo da arqueologia bíblica, antropologia,
Novo Testamento e Alta Crítica.


“[Entre os] documentos cristãos mais antigos, os
evangelhos [...] não podem ser usados para focalizar
dados históricos objetivos do período (da vida de
Jesus). Os evangelistas já estão impregnados pela
reflexão teológico-cristológica da comunidade cristã
tardia, de maneira que passam uma versão já
metamorfoseada da comunidade primeva [...] [Por
isso] não se deve perder de vista que a redação final
dos evangelhos não foi feita sem antes ter passado
por um complexo período oral, havendo, portanto,
uma seleção natural dos relatos que estavam sendo
redigidos. Esse processo, longo e gradual, influenciou
o rumo teológico que estava em formação nas
comunidades cristãs”. - Donizete Scardelai, teológico e
estudioso do Novo Testamento.


“Os quatro evangelhos são realmente fontes difíceis;
o fato de serem os primeiros escolhidos da rede não
significa a garantia de que eles reproduzem as
palavras e os atos históricos de Jesus. Impregnados
da fé pascal da Igreja Primitiva, altamente seletivos
e ordenados segundo diversos programas teológicos,
os Evangelhos canônicos exigem uma seleção
minuciosa para deles se retirar informações
confiáveis à pesquisa. [...] Décadas de adaptação
litúrgica, expansão homilética e atividade criativa por
parte dos profetas cristãos deixaram sua influencia
nas palavras de Jesus nos Quatro Evangelhos". - John
P. Meier, especialista em Novo Testamento, e padre
católico. Editor da The Catholic Biblical Quarterly e
presidente do Catholic Biblical Association. É autor da série
“Um Judeu Marginal”.
MASSIACH 1
70


“[...] hoje não sabemos quase nada com relação à
vida e à personalidade de Jesus, já que as primeiras
fontes cristãs não revelam interesse em qualquer dos
dois aspectos, além de serem fragmentárias e, no
mais das vezes, baseadas em lendas....” - Rudolf
Bultmann, foi docente na área de Bíblia e Novo
Testamento em Marburg. Ocupou-se com muitos temas da
teologia, filologia e arqueologia.


“[...] a natureza da tradição sinóptica é tal que o
ônus da prova recairá sobre a alegação de
autenticidade”. - Norman Perrin, Norman Perrin foi
Professor de Novo Testamento na Divinity School, da
Universidade de Chicago.


“Jamais li algo tão tendencioso quanto os
Evangelhos”.– Harold Bloom, professor e crítico literário
estadunidense, considerado o maior crítico literário do
mundo. Autor de “Jesus e Javé” e “O Livro de J”.


“Considero a maior parte dos Evangelhos leitura
sumamente desagradável. [...] Pergunto-me por
quanto tempo, e até onde, é possível se esquivar ou
resistir à sugestão de que a estruturação editorial
das Escrituras é, fundamentalmente, um processo
desonesto”. Northrop Frye, um dos mais célebres
críticos literários do século XX. Autor de “Anatomia da
crítica” e de “O código dos códigos”.


“O consenso arqueológico, pelo menos até o ano de
1990, era de que a Bíblia poderia ser lida
basicamente como um documento histórico confiável.
MASSIACH 1
71
[...] Agora, é evidente que muitos eventos da história
bíblica não aconteceram numa determinada era ou da
maneira como foram escritos. Alguns eventos
famosos da Bíblia jamais aconteceram inteiramente”.
- Israel Finkelstein, ex-Diretor do Instituto de
Arqueologia Sonia e Marco Nadler da Universidade de Tel
Aviv, Israel, de 1996 a 2002. Em 2005 tornou-se o titular
da Cátedra Jacob M. Alkow de Arqueologia de Israel nas
Idades do Bronze e do Ferro da mesma Universidade, e
ganhou, com Graeme Barker, o prêmio Dan David, de 1
milhão de dólares.


“As recentes descobertas da arqueologia têm
revolucionado o estudo do antigo Israel e jogaram
sérias dúvidas sobre as bases históricas de muitas
narrativas bíblicas, como as peregrinações dos
patriarcas, o êxodo do Egito e a conquista de Canaã,
e o glorioso império de Davi e Salomão”. - Israel
Finkelstein, atualmente considerado o maior arqueológico
bíblico que existe.


“[A Bíblia é] uma saga épica, composta por uma
surpreendente coleção de escritos históricos,
memórias e lendas, contos folclóricos e historietas,
propaganda real, profecia e poesia antiga. [...] É uma
coleção de lendas, leis, poesia, profecias, filosofia e
história”. - Israel Finkelstein, autor do livro “E a Bíblia
não tinha razão”.


“São inúmeras as contradições entre os achados
arqueológicos e as narrativas bíblicas para propor
que a Bíblia ofereça uma descrição precisa do que
ocorrera de fato”. - Israel Finkelstein, historiador e
arqueólogo.

MASSIACH 1
72

“As escrituras não são infalíveis; não são a „palavra
de Deus‟; o que lemos hoje é às vezes apenas uma
versão textual entre alternativas anteriores; seu
relato pode ser demonstravelmente falso (como as
conquistas de Josué ou a Natividade de Jesus); pode
atribuir a determinadas pessoas palavras que nunca
pronunciaram. [...] Os acontecimentos e os relatos
são muitas vezes inverídicos por serem
contraditórios ou por não corresponderem a fatos
que conhecemos de outras fontes”.– Robin Lane Fox,
acadêmico inglês historiador, professor em Oxford, e
especialista em História Antiga.
“O mundo dos relatos das Sagradas Escrituras não se
contenta com a pretensão de ser uma realidade
histórica verdadeira – pretende ser o único
verdadeiro, destinado ao domínio exclusivo. Qualquer
outro cenário, quaisquer outros desfechos ou ordens
não tem direito algum a se apresentar
independentemente dele, e está escrito que todos
eles, a história de toda a humanidade, se integrarão e
se subordinarão aos seus quadros. Os relatos das
Sagradas Escrituras não procuram o nosso favor [...],
não nos lisonjeiam para nos agradar e encantar – o
que querem é nos domina, e se nos negarmos a isso,
então somos rebeldes”. - Erich Auerbach, filólogo
alemão e estudioso de literatura comparada assim como
crítico de literatura.
"Na década de 1960 havia um grande debate acerca
da veracidade do relato bíblico a respeito dos
patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. O famoso arqueólogo
William Allbright defendeu a historicidade dos
patriarcas. Hoje, este debate está superado. Nenhum
arqueólogo ou historiador atualmente considera o
Gênesis como uma descrição de eventos históricos
daquela época. Neste ponto, é impossível retroceder.
Estamos vivendo um processo de liberação da
MASSIACH 1
73
arqueologia de uma leitura muito conservadora e
ingênua do texto bíblico. Isto não poderá ser
interrompido ou dramaticamente revertido". - Israel
Finkelstein, atualmente considerado o maior arqueológico
bíblico que existe.
"Infelizmente, o conhecimento que dele [do
movimento de Jesus no início] temos é limitado e
distorcido pela inabilidade da parte inicial dos Atos
dos Apóstolos. Lucas, imaginando-se que ele tenha
escrito esse documento, não se encontrava em
Jerusalém na época. Não era uma testemunha ocular.
Era membro da missão aos gentios e produto do
movimento da diáspora. Não nutria simpatia cultural
nem, na verdade, doutrinal para com os apóstolos
pentecostais; nesse contexto, não só era um
forasteiro como estava mal-informado". - Paul
Johnson, historiador e autor de "História do Cristianismo".
"Os últimos dias da vida de Jesus não ocorreram da
maneira relatada nos Evangelhos. Nem quem os
escreveu sabia o que aconteceu. Fica muito claro pela
narrativa bíblica que os evangelistas fogem, eles não
estão lá. Jesus fica sozinho em seus últimos dias. Não
tenho a menor dúvida em afirmar que os detalhes da
narrativa são ficcionais, são uma invenção". -
Gabriele Cornelli, professor de filosofia e teologia, da
Universidade Metodista de São Paulo.
"[...] os quatro Evangelhos Canônicos certamente
apresentam semelhanças com as biografias greco-
romanas (juntamente com outros tipos de literatura
da época, como o “romance”, ou novela). [...] o que
consideramos o principal indicio de um romance
histórico – a criação do diálogo ou a utilização de
personagens não-históricos – era admissível nos
antigos textos históricos. Assim, as linhas divisórias
entre o que se poderia considerar história e romance
MASSIACH 1
74
histórico já não eram muito nítidas na literatura
antiga". - J. P. Meier, em "Um Judeu Marginal.
“Os esforços de se reconstituir a tradição literária
[dos Evangelhos bíblicos] por meio de uma análise
das formas literárias (Crítica da Forma) levou muitos
eruditos à conclusão de que a formulação e
preservação da tradição acerca de Jesus foi
estimulada não por interesses históricos, mas por
interesses intrinsecamente relacionados á fé”. -- W.
G. Kürnmel, especialista alemão em Novo Testamento.
“Os Evangelhos são propaganda religiosa projetada
para converter o leitor. Sejamos honestos e
admitamos que os Evangelhos são parciais a favor de
Jesus”. - Joel Stephen Williams. Este autor é um cristão
fundamentalista que, não conseguindo mais se segurar,
enfim confessou a tendenciosidade dos evangelhos.
"[...] seria difícil tirar outra conclusão senão esta:
que a credibilidade dessas narrativas é nula. [...] Os
evangelistas, cada um de seu modo, cuidam de
harmonizar esses prelúdios a sua concepção
teológica. São narrativas com teor querigmático, não
relatos históricos”. - Rochus Zuurmond, professor de
teologia bíblica da Universidade Livre de Amsterdã, na
Holanda.
"O processo de falsificação e modelagem sobre o
homem Jesus, suas palavras e ações, começaram
bem mais cedo no cristianismo e já estava numa fase
bastante avançada quando aparece no Novo
Testamento". - Gerd Ludemann, professor de História
do Cristianismo Primitivo, na Alemanha.
às 13:04
Postado por Charles Coffer Jr.
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008
O Jesus Histórico - Matéria da Superinteressante
Capítulo Final
De Jesus a Cristo. Imagine Nova York como o centro
espiritual do mundo muçulmano. Ou mesmo a Basílica de
São Pedro, no Vaticano, transformada numa mesquita
dedicada ao profeta Maomé. Improvável, não? "Foi algo
dessas proporções que aconteceu com a expansão do
cristianismo", diz André Chevitarese. "Em cerca de três
séculos, a crença de uns poucos seguidores se tornou a
religião oficial do Império Romano, o mesmo império que
havia ordenado a sua morte."Como isso ocorreu?
Para os cristãos, a resposta é simples: Jesus ressuscitou.
Essa seria a evidência de que o homem crucificado não era,
afinal, apenas um homem e sim Cristo, o messias esperado
pelo povo judeu. Mas como entender o evento da
ressurreição? "Nenhum outro tipo de milagre se choca mais
com a mentalidade cética da moderna cultura ocidental",
diz o padre John P. Meier. Para ele, ficar especulando sobre
o que aconteceu com o corpo de Jesus é, do ponto de vista
da história, uma tarefa inútil. "A essência da crença na
ressurreição é que, ao morrer, Jesus ascendeu em sua
humanidade à presença de Deus", diz Meier. "Descobrir
qual a ligação dessa humanidade com o seu corpo físico
não é matéria dos historiadores."
Mas se a ressurreição é uma questão de fé e não de
história, os estudiosos estão pelo menos conseguindo
esclarecer detalhes sobre o terrível momento que a teria
antecedido: a crucificação. Tudo começou em 1968, quando
foi descoberto na região de Giv'at há-Mivtar, no nordeste
de Jerusalém, o único esqueleto de um crucificado
conhecido pela ciência. Depois que os ossos foram
analisados pelos pesquisadores do Departamento de
Antiguidades de Israel e da Escola de Medicina Hadassah,
da Universidade Hebraica de Jerusalém, conclui-se que os
braços não foram pregados, mas amarrados na travessa da
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cruz. Já as pernas do condenado foram colocadas em
ambos os lados da base vertical de madeira, com pregos
segurando o calcanhar em cada lado. Não havia evidências
de que suas pernas haviam sido quebradas depois da
crucificação para apressar a sua morte. "O curioso é que
uma revelação surpreendente sobre a morte na cruz não
surgiu da descoberta de esqueletos, mas da falta deles", diz
Pedro Lima Vasconcellos, da PUC de São Paulo. "Afinal, se
centenas e até milhares de pessoas foram crucificadas na
época, por que apenas um esqueleto foi encontrado?"
O historiador John Dominic Crossan diz que há uma razão
terrível para isso: "As três penas romanas supremas eram
morrer na cruz, no fogo e entregue às feras", diz Crossan.
"O que as tornava supremas não era a sua crueldade
desumana ou sua desonra pública, mas o fato de que não
podia restar nada para ser enterrado no final." Apesar de
ser fácil de entender por que não sobraria nada de um
cadáver consumido pelo fogo ou devorado por leões, ele diz
que a maioria das pessoas esquece que, no caso da
crucificação, o corpo era exposto aos abutres e aos cães
comedores de carniça. Como um ato de terrorismo de
Estado, a extinção do cadáver também tinha como
vantagem para as autoridades evitar que o túmulo do
condenado se tornasse local de culto e resistência.
Mesmo que ninguém saiba o que ocorreu após a morte de
Jesus (alguns historiadores acham razoável que a família e
os amigos pudessem ter reivindicado o seu corpo), o fato é
que seus seguidores passaram a relatar suas aparições.
"Não se deve subestimar o poder dessas experiências em
nome do racionalismo", diz Paulo Nogueira, professor da
Universidade Metodista de São Paulo. "Afinal, as pessoas
tinham visões, entravam em transe. É uma simplificação,
por exemplo, ficar tentando encontrar razões sociológicas
para explicar a experiência mística responsável pela
conversão de Paulo."Nascido na cidade de Tarso, na atual
Turquia, Paulo (São Paulo, para os católicos) talvez seja o
homem que, sozinho, fez mais pela expansão do
MASSIACH 1
77
cristianismo que qualquer outro dos seguidores de Jesus. O
curioso é que, antes de se converter, ele era uma espécie
de agente policial encarregado de perseguir os cristãos.
"Sua conversão foi tão surpreendente na época como seria
hoje ver um embaixador israelense se converter à causa
palestina", diz Monica Selvatici, doutoranda em História da
Unicamp e especialista em Paulo. "Suas idéias terminaram
afastando o cristianismo do judaísmo da época."
Ela explica que, depois da morte de Jesus, não havia uma
distinção clara entre judeus e cristãos. "Os seguidores de
Jesus eram apenas judeus que defendiam a tese de que ele
era o messias, ao contrário daqueles que não o
reconheciam como tal", diz Mônica. "Eram uma ala do
judaísmo, assim como o PT tem alas que não representam
as idéias predominantes do partido." Como falava grego
muito bem e foi um dos cristãos que mais viajaram, ele
discordava dos judeus-cristãos que defendiam a tese de
que os gentios convertidos precisavam seguir
rigorosamente a lei judaica, incluindo aí a necessidade da
circuncisão - não vista com bons olhos pelos estrangeiros.
Em suas cartas (epístolas), são famosas as polêmicas
travadas com Tiago (São Tiago, para os católicos), suposto
irmão de Jesus, que teria sido um defensor de um
cristianismo mais fiel ao judaísmo.
Mas a idéia central de Paulo, resumida na frase de que "o
verdadeiro cristão se justifica pela fé e não pelos trabalhos
da lei", prevaleceu. Os gentios podiam agora se converter
sem tantos empecilhos e o cristianismo ganhou novas
fronteiras. "Paulo ajudou a tirar de Jesus a imagem de um
messias para o povo hebreu, transformando-o num
salvador de todos os povos", diz Mônica. "Jesus deixou de
ser um fenômeno regional para ganhar um caráter
universal."A influência de Paulo é tão grande, que há
historiadores que chegam a dizer que o cristianismo como o
conhecemos é, na verdade, um "paulismo". "Isso é um
exagero", diz Paula Fredriksen, professora de estudos
religiosos da Universidade de Boston e autora do livro From
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78
Jesus To Christ ("De Jesus a Cristo", inédito no Brasil).
"Com ou sem Paulo, já havia um movimento forte entre os
judeus cristãos de que os gentios não precisavam seguir
estritamente as leis para serem salvos", diz Paula.Mas o
que levaria um cidadão romano a trocar os seus deuses
para cultuar um judeu da Galiléia? (Lembrando que, na
época da morte de Jesus, um cidadão romano sabia tão
pouco sobre as várias correntes do judaísmo como um
ocidental hoje sabe sobre as linhas do Islã.) "O cristianismo
trouxe uma idéia de salvação da alma que não existia na
religião romana", diz Pedro Paulo Funari, professor de
história e arqueologia da Unicamp. "A religião romana tinha
um aspecto formal, público, pouco ligado às inquietações
da vida depois da morte". Mas Funari explica que, apesar
do formalismo das crenças romanas, a idéia de salvação da
alma já estava difundida na população pela influência de
algumas religiões orientais, como o culto a Íris e Osíris, do
Egito. "Isso deve ter facilitado ainda mais a expansão do
cristianismo em Roma", diz Funari.
O ápice dessa expansão se deu quando o imperador
romano Constantino converteu-se ao cristianismo, no
século 4. Ninguém sabe ao certo se ele foi motivado mais
por dilemas espirituais do que razões políticas (afinal, ao se
converter, ele pôde contar com o apoio dos cristãos e com
a estrutura de um Igreja já bem organizada.) O certo é que
alguns séculos depois, a cruz, imagem brutal da sua
crucificação, foi usada para invocar a guerra e a paz entre
os povos. E Yeshua, o judeu pobre que morreu
praticamente despercebido durante a Páscoa em Jerusalém,
já era conhecido por boa parte do mundo como o Cristo. O
mesmo Cristo cujo nascimento passou a ser celebrado
todos os anos, no mês de dezembro, no dia de Natal.
às 20:32
Postado por Charles Coffer Jr.
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DEZ MOTIVOS PARA DUVIDAR DA VERACIDADE
HISTÓRICA DOS EVANGELHOS BÍBLICOS
Autoria: Charles Coffer Jr.

1. Folclore tradicional. Desde a época dos
acontecimentos históricos (30 d.C) até a redação (70 d.C.),
a lembrança dos fatos ocorridos só sobreviveu de forma
coletiva através da Tradição Oral, a qual, por sua própria
natureza fluída e maleável, permite constantes
reformulações, se transformando de acordo com o
imaginário popular, se fragmentando ou mesmo se
perdendo, ao ponto de se adaptar ou mesmo cada vez mais
se aperfeiçoar, cumprindo com as exigências e
necessidades do contexto social e das circunstancias.

2. Concepções anacrônicas da igreja primitiva
refletivas na tradição oral recebida. Os relatos
evangelísticos estão impregnados das concepções
anacrônicas da igreja primitiva, as quais, na maior parte
das vezes, não correspondem aos fatos históricos
relembrados e muito menos possuindo qualquer núcleo
histórico. De fato, a maior parte do conteúdo das tradições
orais foi formulada a partir do kerigma da morte de Jesus –
acontecimento que deu origem a um oceano de reflexões e
uma revolução no pensamento cristão e na concepção
sobre Jesus. A morte de Jesus redirecionou a atenção dos
primeiros discípulos da mensagem e da vida de Jesus para
o significado de sua morte e suposta ressurreição –
transformando uma religião que tinha como foco a
mensagem do advento do Reino de Deus para uma religião
que cultua a personalidade transcendental de um ser
deificado.

3. Criações redacionais. Os relatos evangelísticos estão
impregnados das concepções anacrônicas adquiridas na
fase redacional, de modo que mais refletem as concepções
teológicas de seus autores, ficando evidente que os
MASSIACH 1
80
mesmos cuidaram de lapidar a tradição recebida (já
alterada) para que as mesmas se adequassem aos seus
fins, chegando até mesmo a criar relatos fictícios e/ou
idéias sobre Jesus que acordo com suas próprias
concepções.

4. Concepções anacrônicas da igreja primitiva
refletivas na redação. Os próprios redatores dos
evangelhos cuidaram de embutir em seus relatos as
concepções contemporâneas da(s) comunidade(s) da(s)
qual(s) o mesmo fazia parte, e assim muitas vezes
colocando na boca de Jesus palavras criadas
posteriormente pela igreja, e acrescentando detalhes da
vida de Jesus que se adequavam a concepção que tinham
dele – sendo estes muitas vezes detalhes inéditos. Todo o
Novo Testamento reflete a concepção da igreja mais do que
as próprias concepções de Jesus de Nazaré.

5. Multiplicidade e divergências teológicas. O Novo
Testamento, se analisado não como uma unidade orgânica,
mas como uma coletânea de documentos únicos e
autônomos – tendo cada um o seu próprio contexto social,
político e teológico distintos – apresenta uma série de
concepções teológicas divergentes e irreconciliáveis, cada
uma correspondendo às respectivas idiossincrasias de cada
autor.


6. Evolução progressiva do imaginário teológico. Ao
detectar blocos/textos que contenham elementos anteriores
aos demais e ao analisarmos comparando-os com aqueles
que contem elementos posteriores (que correspondem a
um período mais avançado), percebe-se grandes saltos
progressivos, cada um maior que o outro, nas concepções
imaginárias e teológicas característica de cada bloco/texto.
O que sugere uma evolução e um desenvolvimento cada
vez mais acentuado para o rumo de uma complexidade
maior e mais avançado sobre a idéia de Cristo e na teologia
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81
em si.

7. Contradições históricas e geográficas. Os relatos
evangélicos contradizem na maior parte das vezes dados
históricos e/ou geográficos já conhecidos, deixando
transparecer assim o escasso e incompleto conhecimento
de um autor posterior acerca da narrativa que apresenta.

8. Contradições internas. Os relatos evangélicos se
contradizem mutua e consistentemente, cada um
acrescentando, modificando ou omitindo o que bem
entende por diversos motivos – principalmente de ordem
teológica.

9. Manipulação sinóptica. Sendo que os evangelhos de
Lucas e de Mateus (de também o de João) tinham e usaram
o evangelho de Marcos na composição de suas narrativas, o
fizeram ao mesmo tempo em que distorciam, omitiam,
lapidavam e embelezavam os relatos de sua fonte – por
motivos que vão desde constrangimentos até divergências
de opiniões teológicas e cristológicas.

10. Núcleo histórico comprometido. O núcleo histórico,
ainda que existente nas partes mais profundas da tradição
oral recebida pelos evangelistas, se encontra fragmentado
e bastante desgastado, sendo esta a principal dificuldade
na busca do Jesus Histórico.
Fontes:

AMARAL, Amadeu. Tradições populares. 3 ed. São Paulo:
Hucitec, 1982.
BELSSELAAR, José Van De. Introdução aos estudos
históricos. 3 ed. rev. e ampl. São Paulo: EPU, 1973.
MASSIACH 1
82
CROSSAN, John Dominic. O Jesus histórico: a vida de um
camponês judeu mediterrâneo. Trad. André Cardoso. 2ª ed.
Rio de Janeiro: Imago, 1994.
CROSSAN, John Dominic. O nascimento do cristianismo:
o que aconteceu nos anos que se seguiram à execução de
Jesus. (or.ing. 1998). São Paulo: Paulinas, 2004.
CROSSAN, John Dominic. Quem matou Jesus?: as raízes
do anti-semitismo na história evangélica da morte de Jesus.
Tradução: Nádia Lamas. Rio de Janeiro: Imago ed., 1995.
DURÃES, Aline. Jesus: Entre o mito e a história. In:
Jornal da UFRJ. Ano 3, N°. 29. Universidade Federal do Rio
de Janeiro: Novembro de 2007.
FULLER, Reginald. The Formation of the Resurrection
Narratives. Fortress. 1971.
GINZBURG, Carlo. Olhos de madeira: Nove reflexões
sobre a distância. Tradução de Eduardo Brandão. São
Paulo: Companhia das Letras, 2001.
HANSON, John S.; HORSLEY, Richard A. Bandidos,
profetas e messias: movimentos populares no tempo de
Jesus. São Paulo: Paulus, 1995.
JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro:
Imago, 2001.
KOESTER, Helmut. Introdução ao Novo Testamento:
História e literatura do cristianismo primitivo. São Paulo:
Paulus, 2005. Vol. II.
LUDEMANN, Gerd. O que realmente aconteceu?: A
ascensão do Cristianismo Primitivo, 30-70 EC. Free Inquiry,
Abril/Maio de 2007. http://www.secularhumanism.org/ .
(Tradução minha).
MASSIACH 1
83
MACK, Burton L. O evangelho perdido: O livro de Q & as
origens cristãs. Tradução de Sérgio Alcides. Rio de Janeiro:
Imago Ed., 1994.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: as raízes do problema e da pessoa. 3ª ed. Rio de
Janeiro: Imago, 1993. Vol. I.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Companheiros. Rio de Janeiro: Imago, 2003. Vol.
III, livro I.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Competidores. Rio de Janeiro: Imago, 2004. Vol.
III, livro II.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Mentor. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Vol. II,
livro I.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Mensagem. Rio de Janeiro: Imago, 1997. Vol. II,
livro II.
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Milagres. Rio de Janeiro: Imago, 1998. Vol. II,
livro III.
SALDARINI, A. J. Pharisees, Scribes and Sadducees in
Palestinian society: a sociological approach. Cambridge:
William Eerdmans, 2001.
SCARDELAI, Donizete. Movimentos messiânicos no
tempo de Jesus: Jesus e outros messias. São Paulo:
Paulus, 1998.
VERMES, Geza. As várias Faces de Jesus. Rio de Janeiro:
Record, 2006.

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84
Sharon "castigado" por Deus: dos danos políticos do
fundamentalismo bíblico
Está na Folha Online - 05/01/2006 - 22h13: Pregador dos EUA
sugere que derrame de Sharon foi "castigo divino"
O evangelista americano Pat Robertson causou polêmica nesta
quinta-feira ao sugerir que o derrame cerebral sofrido pelo
primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, 77, foi um "castigo
divino" por "dividir a terra sagrada de Israel." "Deus é inimigo
daqueles que dividem sua terra. Deus considera que esta terra
[Israel] é sua", afirmou o pregador ultraconservador em seu
programa de TV 700 Club. "A qualquer primeiro-ministro de Israel
que decida dividi-la, Deus dirá: 'Não, é minha'", acrescentou
Robertson. "Agora ele está à beira da morte", disse o ainda
pregador, referindo-se ao líder israelense. "E estava dividindo a
terra de Deus" (continua...)

A notícia está em centenas de jornais... veja, por exemplo, The
New York Times - January 6, 2006: Robertson Suggests Stroke Is
Divine Rebuke
Norfolk, Va., Jan. 5 (AP) - The Protestant broadcaster Pat
Robertson suggested Thursday that Ariel Sharon's stroke was divine
punishment for "dividing God's land." "God considers this land to be
his," Mr. Robertson said on "The 700 Club," his television program.
"You read the Bible and he says, 'This is my land,' and for any
prime minister of Israel who decides he is going to carve it up and
give it away, God says, 'No, this is mine.' "Mr. Robertson said he
had prayed about a year ago with Mr. Sharon, whom he called "a
very tenderhearted man and a good friend." He said he was sad to
see Mr. Sharon in his current medical condition. But he also said
that in the Bible, the prophet Joel "makes it very clear that God
has enmity against those who 'divide my land.' " Mr. Sharon "was
dividing God's land, and I would say woe unto any prime minister of
Israel who takes a similar course to appease" the European Union,
the United Nations or the United States, Mr. Robertson said.


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85
Esta outra "maldição divina" foi noticiada pelo Jerusalem Post e
colocada por Jim Davila no seu blog PaleoJudaica.com:
Extremists boast they cursed Sharon - By Yaakov Katz (Jerusalem
Post)
Far-right activists took credit Thursday for the severe deterioration
in Ariel Sharon's health, claiming that a pulsa denura - Aramaic for
"lashes of fire" - death curse they instigated against the prime
minister in July was the real catalyst behind his current state of
health (continua...)
 Todo o fundamentalista é o fariseu típico da crítica
neotestamentária. Cinge-se na interpretação literalista,
contrariamente ao que o próprio apóstolo Paulo sempre
pregou em suas epístolas.

Como adverte a considerada 2a. epístola petrina, as
Escrituras (Torá, Profetas e Salmos), inclusas as cartas
paulinas, são deturpadas pelos ignorantes e instáveis.

Decerto que o evangelista Pat Robertson (não é o mesmo
que reivindicou a execução do presidente Hugo Chaves?)
deveria reivindicar a extensão do costume da circuncisão
judaica aos que se crêem cristãos. Paulo revogou o
costume exterior, mas reivindicava sua firme determinação
na circuncisão interior, que é irrevogável e é fundamento
do evangelho. Foi incompreendido por muitos em sua
época.

Os fundamentalistas acolhem as interpretações que lhes
abençoam o ego deturpado. Adoram assumir o papel do
fariseu naquela parábola do "fariseu e o publicano",
considerando-se justos, desprezando aos demais.

Os movimentos religiosos em todo o mundo, especialmente
aqueles derivados da tradição semítica (judaísmo,
cristianismo e islamismo), padecem, em sua grande
maioria, de uma aguda ignorância fundamentalista.
Por Flávio Santos, 07/01/2.006AD
MASSIACH 1
86
A Ressurreição de Jesus como fato histórico: existe essa
posibilidade?
Autoria de Charles Coffer Jr., graduando em História

Nos destituindo de todos os nossos sentimentos e emoções
religiosas, apologéticas, céticas e crítica, gostaria de
questionar: Será se há como estabelecer a ressurreição de
Jesus como um acontecimento histórico?

Essa questão possui bastante relevancia para a História. No
entanto, possui fortes implicações na fé. Cito-a porque está
sendo objeto de disputa, especialmente entre Crossan (que
defende que a ressurreição de Jesus é uma metafora que
depois foi transformada em lenda e mito) e N. T. Wrigth
(que defende que a ressurreição é um acontecimento
histórico).

http://www.airtonjo.com/blog/2006/02/crossan-e-wright-
conversam-sobre.html

N. T. Wright, um estudioso britânico eminente, conclui,
“como um historiador, eu não posso explicar a
ascensão do Cristianismo primitivo a menos que
Jesus ressuscitasse e deixasse uma tumba vazia
atrás dele”.

Já Crossan afirma que: "O movimento do reino não era
o movimento de Jesus, e removê-lo não era remover
o Reino. Quando ele foi executado, aqueles que o
acompanhavam perderam a coragem e fugiram. Não
perderam a fé e o abandonaram. [...] A fé na Páscoa
[...] não começou no domingo de Páscoa. Iniciou-se
entre aqueles primeiros seguidores de Jesus na Baixa
Galiléia, muito antes da sua morte e [...] poderia
sobreviver e, de fato, negar a execução do próprio
Jesus. É absolutamente insultante para aqueles
primeiros cristãos imaginar que a fé começou no
MASSIACH 1
87
domingo de Páscoa através de aparições ou que,
tendo sido temporariamente perdida, foi restaurada
[...] naquele mesmo domingo".

Gerd Ludemann (no qual estou realizando uma tradução de
um artigo muito importante sobre a Ascensão do
Cristianismo Primitivo), Professor de Cristianismo Primitivo
em Gottigen, Alemanha (e que foi proibido de lecionar Novo
Testamento, por causa de suas "idéias radicais", afirma
que:

"Para os discípulos de Jesus, a sua morte foi um
choque tão grave que exigiu um processo de
reconceitualização- que começou na Galiléia e foi
marcada por experiências visionárias. Pouco tempo
depois da Sexta-Feira Santa, Pedro tinha uma
experiência visual e auditiva da presença de Jesus
que deu início a uma extraordinária reação em
cadeia. [...] Aparições post-mortem de Jesus - tanto a
Pedro, que havia repudiado Jesus e depois desertado
e para os outros discípulos que tinham fugido
anteriormente - foram certamente tomadas com o
significado de perdão, e naturalmente o conteúdo
dessas experiências foi transmitido aos outros. Sem
dúvida, os relatos enfatizam que, longe de abandonar
a Jesus, Deus lhe tinha levado para o céu".

O interessante, só para acirrar este debate, é que
Ludemann faz essa declaração baseado no pressuposto de
que NARRATIVAS DO TÚMULO VAZIO NÃO EXISTIAM NA
ÉPOCA DE PAULO. Ou seja, que os relatos dos evangelhos
sobre a descoberta do túmulo vazio são criações dos
evangelistas.

De fato, há um consenso entre os estudiosos que o
TÚMULO VAZIO é criação recente, e não pertence as
TRADIÇÕES CRISTÃS ANTIGAS.

MASSIACH 1
88
“... O túmulo vazio é uma lenda recente, introduzida
pela primeira vez por Marcos na narrativa” (Fuller,
1971, p. 52).FULLER, Reginald. The Formation of the
Resurrection Narratives, Fortress. 1971

“... critérios internos apóiam a hipótese de que a
história do túmulo e a narrativa da Paixão no início
não constituíam uma unidade orgânica” (Alsup, 1975,
p. 96).ALSUP. John E. The Post-Resurrection Appearance
Stories of the Gospel-Tradition Stuttgart: Calwer Verlag,
1975.

“... a narrativa do sepultamento em Marcos pertence
à tradição da Paixão e é antiga. A visita ao túmulo é
lendária” (Mann, 1986, p. 660). MANN, C.S. Mark. New
York, NY: Doubleday, 1986.

“Eu posso assegurar que a história do túmulo vazio,
com todos seus detalhes circunvizinhos, inclusive o
cenário de Jerusalém, nada mais é que um recente
acréscimo lendário à história da fé” (Spong, 1994, p.
180). SPONG, John Shelby. Resurrection: Myth or Reality?
San Francisco: Harper Collins, 1994.

“Há um consenso de opinião entre estudiosos
contemporâneos que as narrativas do túmulo vazio
são acréscimos recentes às narrativas do evangelho e
estão separadas dos relatos da paixão” (Thompson,
2006, p. 36).

Martin Hengel e outros afirmam que Paulo, em 1Co 15:4,
com a expressão "ressuscitou ao terceiro dia" conhecia o
Túmulo Vazio.

Já Crossan e Vermes:

"A tradição transmitida por Paulo ignora o túmulo
vazio" (Vermes, 2006, p. 208).
MASSIACH 1
89

"[...] Paulo não enfatiza um túmulo vazio. Pelo
contrário, ele baseia sua confiança na ressurreição de
Jesus, nas aparições de Jesus aos seus seguidores e,
em última instância, no que ele próprio, Paulo,
entende como visões."(Borg e Crossan, 2007, p. 253).

Ou seja, a declaração de Ludemann sobre as aparições do
Senhor ressuscitado fazem referencia apenas ao
testemunhos de visões em 1Co 15. Na minha opinião,
descartando a "tradição" do Túmulo Vazio fica mais facil
tormarmos um partido nessa questão. No entanto...

John P. Meier, no livro "Um judeu marginal: Repensando o
Jesus Histórico: Mentor" (Rio de Janeiro: Imago, 1996. Vol.
II, livro I.) faz a seguinte afirmação:

"“Deus fez um milagre nesta cura em particular” é na
verdade um julgamento teológico e não histórico. Um
historiador pode examinar alegações quanto a
milagres, rejeitar aquelas que têm explicações
naturais óbvias e registrar casos em que não há
explicação natural. Um julgamento puramente
histórico não pode seguir além disso". (MEIER, 1996,
p. 25).

e:

"[...] na Busca pelo Jesus Histórico, as “regras do
jogo” não admitem apelo ao que é sabido ou
sustentado pela fé; [...] a fé não pode ser usada
como prova ou argumento nos limites extremamente
restritos da pesquisa sobe o Jesus da história.
(MEIER, 1996, p. 153).

Acho que Meier tem certa razão em tudo isso. Mas, porém,
apelar para qualquer explicações externa ao relato sobre a
ressurreição (como Ludemann faz ao afirmar que foram
MASSIACH 1
90
alucinações), já sai do âmbito da história para especulação
filosófica. O que a tradição cristã antiga alega, do ponto de
vista histórico, é que os discipulos simplesmente
acreditaram ter visto uma aparição de seu Senhor
ressuscitado. Notem as palavras "alegarram" e
"acreditaram".

O julgamento histórico precisa ser maduro e crítico:

1) "Alegaram" porque o testemunho é de segunda-mão.
Não possuímos fontes directas para saber se os discípulos
realmente disseram ter tido tais visões;

2) "Acreditaram" porque nem sempre o pensamos termos
visto é o que é: Como no caso das aparições dos Boto
Encantados em Parintins, no Amazonas, Brasil - todos
dizem ser o Boto, mas será que Boto se transforma em
gente mesmo? Por isso, creio ser difícil tomar um
julgamento nessa questão.

No entanto, também acredito que qualquer tentativa de se
estabelecer a ressurreição como um FATO HISTÓRICO está
fadada ao fracasso, como Willian Lane Craig e N. T. Wright
querem tanto que seja. A questão ainda está em aberto.

Willian Lane Craig, que debateu com John Dominic Crossan
em 1998 sobre a ressurreição de Jesus, coloca quatro
"fatos" que indicam, HISTORICAMENTE, que Jesus,
REALMENTE, ressuscitou dos mortos:

1) O Sepultamento de Jesus por José de Arimatéia;

2) O túmulo foi encontrado vazio por mulheres;

3) Desde muito cedo, os cristãos afirmaram terem
experienciado aparições de Jesus ressuscitado;

4) Os discípulos vieram acreditar de repente e
MASSIACH 1
91
sinceramente que o Jesus foi ressuscitado dos mortos
apesar do ter todo predisposição para o contrário.

Contra o fato 1, Crossan (1995. p. 202) afirma que:

"Considero José de Arimatéia como uma total criação
de Marcos em nome, lugar e função".

André Chevitarese, professor da UFRJ, afirma que, para a
maioria dos estudiosos, a figura de José de Arimatéia, é
uma criação literária dos Evangelhos, sendo que o papel de
José compreende os objetivos literários do escritor do
evangelho de Marcos:

"Camponeses como os seguidores de Jesus não
teriam como se dirigir a Pilatos para exigir o corpo.
Assim, os evangelistas [e primeiramente o de
Marcos] têm o problema de explicar o sepultamento
de Jesus e usam a figura de José de Arimatéia, que
praticamente cai de pára-quedas na narrativa - sua
única função na história é essa".

Por isso, o sepultamento por José carece de historicidade.

No que se refere ao fato 2, Crossan (1995. p. 212-214)
afirma que o relato das mulheres no túmulo não possui
historicidade, não passando de uma criação marcana.
Crossan (1995. p. 214-217) afirma que o relato do túmulo
vazio é fictício, criado por Marcos, e carece de historicidade.
Sendo que Marcos é severa e consistentemente crítico dos
três principais discípulos nomeados, Pedro, Tiago e João, e
que seu tema principal é: aqueles mais próximos de Jesus
lhe faltam mais profundamente, para Marcos todos os
seguidores de Jesus, masculinos e femininos, são
importantes como modelos de falha. Marcos sempre os
relata como falhando em relação a Jesus e esse seu tema é
peculiar seu – não sendo encontrado nos demais
evangelhos – e Marcos, dessa forma, distorce ou mesmo
MASSIACH 1
92
cria relatos para que suas intenções literárias sejam
corroboradas em suas narrativas.

O relato do túmulo vazio é um modelo desse tipo de falha
dos discípulos – agora, dos do sexo feminino. Sendo que
Jesus tinha dito aos discípulos três vezes, e muito
claramente, que seria executado em Jerusalém e que se
levantaria depois de três dias, se alguém acreditasse
nessas profecias, o fato das mulheres terem vindo com
ungüentos não foi um ato de fé, mas uma falha de crença.

A mulher do vaso de alabastro (Mc 14,3-9) acredita em
Jesus e sabe que, se ela não untá-lo para enterro agora,
nunca será capaz de fazê-lo depois. O centurião embaixo
da cruz em 14,39b: “Verdadeiramente, este homem era
Filho de Deus!”. Todos esses pessoas anônimas, mas os
discípulos, para Marcos, nunca realizaram tais coisas.

Para Crossan, tudo isso é composição literária de Marcos e
essa densidade teológica explica por que as mulheres que
pretendiam untar o corpo são tão importantes para Marcos
e por que a história do túmulo vazio é tão peculiarmente
sua, própria.

Os demais evangelistas, ao copiarem para seus evangelhos
a narrativa do túmulo vazio, seguiram Marcos apenas no
relato, mas não no objetivo literário.
Desse modo, os fatos 1 e 2 podem ser descartados para a
pesquisa histórica sobre a ressurreição, por serem
acrescimos posteriores, correspondentes aos anos 70 d.C.
em diante.

Eu pessoalmente, só considero os fatos 3 e 4 como
pertinentes a pesquisa histórica sobre a ressurreição de
Jesus e sobre o cristianismo pós-pascal.

Sendo que existe testemunho antigo ALEGANDO que os
cristãos bem cedo ACREDITARAM ter tido visões de Jesus
MASSIACH 1
93
ressuscitado, a única conclusão realmente histórica que
podemos chegar é:

Existe testemunho antigo ALEGANDO que os cristãos bem
cedo ACREDITARAM ter tido visões de Jesus ressuscitado.
Só isso.

No que se refere ao fato 4, não creio que uma ressurreição
real deva ser invocada como ÚNICA EXPLICAÇÃO para um
bando de discipulos desapontados possam ter levado o
cristianismo aos quatro cantos do mundo, morrendo pela
fé, como N. T. Wrigth afirma.

Notem que essa definição de Wrigth e Craig é errônea e
limitada.

Exemplos existem na história de grupos que continuaram
mesmo após o líder ter sido brutalmente assassinado.
Scardelai (1998, p. 263), afirma que:

"A princípio, o fato de um herói popular, ou pretenso
salvador, ser capturado e morto sem haver concluído
sua missão, muitas vezes significava que seus
propósitos, mais do que nunca, deveriam ser
imediatamente retomados por sucessor fiel. [...] No
caso de Jesus as evidências apontam para essa
possibilidade".

Por isso, agora, acredito que o único "fato" histórico que
conhecemos sobre a alegada ressurreição de Jesus seja o
fato 3, ou seja, as aparições citadas em 1 Coríntios 15 por
Paulo. Alegou-se que os discípulos acreditaram ter tido uma
visão de Jesus ressuscitado. Essa é a única coisa que temos
e a única que sabemos, do ponto de vista histórico, sobre a
ressurreição de nosso Senhor.

Resumindo a minha opinião:Os cristãos realmente podem
ter 1) visto Jesus ressuscitado (Wrigth e Craig), ou podem
MASSIACH 1
94
ter tido 2) alucinações extáticas (Ludermann e Crossan) ou
3) poderiam estar mentindo. A história não pode fazer o
julgamento sobre qual dessas três opções é a correta.
De fato, a única questão sobre a ressurreição de Jesus que
importa é: Qual a natureza das visões dos discipulos de
Jesus? No entanto, essa questão já foge o âmbito da
pesquisa histórica. Assim como determinar o número de
folhas que cairam de uma certa árvore da cidade no ano
passado, determinar a natureza das visões que os
discipulos tiveram é uma tarefa complicada. Afirmar serem
alucinações, como Crossan e Ludemann fazem é oferecer
apenas uma possibilidade, e mais nada. Da mesma forma,
afirmar que ele realmente ressuscitou dos mortos é uma
atitude acrítica e bastante problemática, sendo que não
existem evidencias suficientes para se adotar essa posição.


FONTES:
MEIER, John P. Um judeu marginal: Repensando o Jesus
Histórico: Mentor. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Vol. II,
livro I.

SLATER, Candade. A festa do boto: transformações e
desencanto na imaginação amazônica. Tradução: Astrid
Figueiredo. Rio de Janeiro: Funarte, 2001.

VERMES, Geza. As várias Faces de Jesus. Rio de Janeiro:
Record, 2006.

SCARDELAI, Donizete. Movimentos messiânicos no tempo
de Jesus: Jesus e outros messias. São Paulo: Paulus, 1998.

CROSSAN, John Dominic. Quem matou Jesus?: as raízes do
anti-semitismo na história evangélica da morte de Jesus.
Tradução: Nádia Lamas. Rio de Janeiro: Imago ed., 1995.

LOPES, Reinaldo José. Jesus é 'invisível' no registro
MASSIACH 1
95
arqueológico. Disponível em:
http://g1.globo.com/Noticias/0,,PIO7819-5603,00.html .
Acesso em 14 de março de 2008.

http://www.airtonjo.com/blog/2006/02/crossan-e-wright-
conversam-sobre.html

LUDEMANN, Gerd. O QUE REALMENTE ACONTECEU? A
ascensão do Cristianismo Primitivo, 30-70 EC. Free Inquiry,
Abril/Maio de 2007. http://www.secularhumanism.org/ .
(Tradução minha).

BORG, M. J.; CROSSAN, J. D. Última Semana: um relato
detalhado dos dias finais de Jesus. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2007.

Há evidências históricas da ressurreição de Cristo? (Debate
W. L. Craig vs. Bart Ehrman). Disponivel na internet.
Outras fontes da internet retiradas de forma avulsa.



VIDA
MASSIACH 1
96

Vida
Paulo Coelho

A vida é como uma corrida de bicicleta, cuja meta é cumprir a
Lenda Pessoal. Na largada, estamos todos juntos,
compartilhando camaradagem e entusiasmo.
Mas, á medida que a corrida se desenvolve, a alegria inicial cede
lugar aos verdadeiros desafios: o cansaço, a monotonia, as
dúvidas quanto à própria capacidade.
Reparamos que alguns amigos desistiram do desafio, ainda estão
correndo, mas apenas porque não podem parar no meio da
estrada. Eles são numerosos, pedalam ao lado do carro de apoio,
conversam entre si, e cumprem a sua obrigação.
MASSIACH 1
97
Terminamos por nos distanciar deles; e então somos obrigados a
enfrentar a solidão, as surpresas com as curvas desconhecidas,
os problemas com a bicicleta.
Perguntamo-nos finalmente se vale a pena tanto esforço.
Sim, vale...É só não desistir.

Alegoria da Caverna
Platão, República, Livro VII, 514a-517c
Depois disto – prossegui eu – imagina a nossa natureza, relativamente à
educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos
uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma
entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta.
Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal
maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são
incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação
um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a
fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se
construiu um pequeno muro, no género dos tapumes que os homens dos
"robertos" colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por
cima deles.
– Estou a ver – disse ele.
– Visiona também ao longo deste muro, homens que transportam toda a
espécie de objectos, que o ultrapassam: estatuetas de homens e de animais,
de pedra e de madeira, de toda a espécie de lavor; como é natural, dos que os
transportam, uns falam, outros seguem calados.
– Estranho quadro e estranhos prisioneiros são esses de que tu falas –
observou ele.
– Semelhantes a nós – continuei -. Em primeiro lugar, pensas que, nestas
condições, eles tenham visto, de si mesmo e dos outros, algo mais que as
sombras projectadas pelo fogo na parede oposta da caverna?
MASSIACH 1
98

– Como não – respondeu ele –, se são forçados a manter a cabeça imóvel toda
a vida?
– E os objectos transportados? Não se passa o mesmo com eles ?
– Sem dúvida.
– Então, se eles fossem capazes de conversar uns com os outros, não te
parece que eles julgariam estar a nomear objectos reais, quando designavam o
que viam?
– É forçoso.
– E se a prisão tivesse também um eco na parede do fundo? Quando algum
dos transeuntes falasse, não te parece que eles não julgariam outra coisa,
senão que era a voz da sombra que passava?
– Por Zeus, que sim!
– De qualquer modo – afirmei – pessoas nessas condições não pensavam que
a realidade fosse senão a sombra dos objectos.
– É absolutamente forçoso – disse ele.
– Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das
cadeias e curados da sua ignorância, a ver se, regressados à sua natureza, as
coisas se passavam deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o
forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a
luz, ao fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os
objectos cujas sombras via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe
afirmasse que até então ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava
mais perto da realidade e via de verdade, voltado para objectos mais reais? E
MASSIACH 1
99
se ainda, mostrando-lhe cada um desses objectos que passavam, o forçassem
com perguntas a dizer o que era? Não te parece que ele se veria em
dificuldades e suporia que os objectos vistos outrora eram mais reais do que os
que agora lhe mostravam?

– Muito mais – afirmou.
– Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os
olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia
olhar, e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que os que
lhe mostravam?
– Seria assim – disse ele.
– E se o arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e
íngreme, e não o deixassem fugir antes de o arrastarem até à luz do Sol, não
seria natural que ele se doesse e agastasse, por ser assim arrastado, e, depois
de chegar à luz, com os olhos deslumbrados, nem sequer pudesse ver nada
daquilo que agora dizemos serem os verdadeiros objectos?


MASSIACH 1
100

– Não poderia, de facto, pelo menos de repente.
– Precisava de se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em
primeiro lugar, olharia mais facilmente para as sombras, depois disso, para as
imagens dos homens e dos outros objectos, reflectidas na água, e, por último,
para os próprios objectos. A partir de então, seria capaz de contemplar o que
há no céu, e o próprio céu, durante a noite, olhando para a luz das estrelas e
da Lua, mais facilmente do que se fosse o Sol e o seu brilho de dia.
– Pois não!
– Finalmente, julgo eu, seria capaz de olhar para o Sol e de o contemplar, não
já a sua imagem na água ou em qualquer sítio, mas a ele mesmo, no seu lugar.
– Necessariamente.
– Depois já compreenderia, acerca do Sol, que é ele que causa as estações e
os anos e que tudo dirige no mundo visível, e que é o responsável por tudo
aquilo de que eles viam um arremedo.
– É evidente que depois chegaria a essas conclusões.
– E então? Quando ele se lembrasse da sua primitiva habitação, e do saber
que lá possuía, dos seus companheiros de prisão desse tempo, não crês que
ele se regozijaria com a mudança e deploraria os outros?
– Com certeza.
– E as honras e elogios, se alguns tinham então entre si, ou prémios para o
MASSIACH 1
101
que distinguisse com mais agudeza os objectos que passavam e se lembrasse
melhor quais os que costumavam passar em primeiro lugar e quais em último,
ou os que seguiam juntos, e àquele que dentre eles fosse mais hábil em
predizer o que ia acontecer – parece-te que ele teria saudades ou inveja das
honrarias e poder que havia entre eles, ou que experimentaria os mesmos
sentimentos que em Homero, e seria seu intenso desejo "servir junto de um
homem pobre, como servo da gleba", e antes sofrer tudo do que regressar
àquelas ilusões e viver daquele modo? (FIM DA PARTE 1)




Sexo: Quem Ama, Espera!



Autoria: Pr. Cleverson de Abreu Faria
Igreja Baptista Salém - Pinhais - Curitiba – PR (Brasil)
cabfaria@yahoo.com.br



Vivemos actualmente numa cultura obcecada pelo
sexo. As empresas de publicidade aproveitam esta
força para atrair o público e vender os seus produtos.
Este interesse universal está sendo hoje explorado
em detrimento da cultura e da sociedade. Vemos a
decadência na perda da virtude e no endurecimento
da sensibilidade moral dos jovens. Todo o pecado
começa na mente. Os nossos pensamentos provocam
acções. Os pensamentos estimulam as emoções e
estas debilitam a vontade. A vontade responde às
insinuações dos pensamentos e das emoções.


A Bíblia está cheia de ensinamentos sobre sexo. Por
que tantas pessoas caem em pecados sexuais?
Temos muitas e muitas razões para poder dar uma
resposta a esta pergunta, no entanto, dentre tantas,
as razões ou motivos que são mais encontrados
entre os jovens hoje em dia são:
MASSIACH 1
102


1) Covardia: diante da “pressão da turma”, alguns
jovens caem neste pecado. Os “amigos” lhes dizem:
“tu não és homem”; “toda a gente faz”; “para que se
guardar”; “somente tu ainda não fizeste”. E por
covardia, medo, pressão da turma ele acaba fazendo
sexo logo para acabar com essas gozações para
consigo.


2) Avançar demais nas carícias: começam
inocentemente tocando aqui e ali e quando menos se
percebe os toques já são mais ousados e em lugares
que antes eles sequer se atreveriam a tocar. Ao
começar a avançar demais nas carícias ele percebe
que não consegue mais parar e se envolve em
sensações que não saberá mais como refrear e acaba
por praticar o acto sexual.


3) Sentem-se apaixonados: alguns jovens praticam o
acto sexual simplesmente pelo facto de que estão
apaixonados por uma determinada pessoa e
consideram isso um bom motivo para terem sexo.
Afirmam que logo irão se casar mesmo, então por
que adiar isso. Um tremendo erro, pois paixão nunca
deve ser colocada como uma boa razão. Paixões
passam. E paixões desenfreadas são como uma
criança rebelde que precisa de disciplina e correcção
e não que a sua vontade seja satisfeita.


4) Por ser excitante: quando o jovem entra em acção
com as facetas desta misteriosa força criada por
MASSIACH 1
103
Deus, ele acaba se esquecendo de toda restrição
moral por se sentir completamente envolvido num
“torvelinho” de emoções surpreendentes e
perturbadoras, e essas emoções o arrastam para o
inevitável ato sexual. O corpo corresponde ao
excitamento e isto lhe vem como extremamente
agradável e prazeroso. Logo mais tarde, descobre
que tais emoções podem ser desastrosamente
artificiais.


5) Ignorância: em muito dos sentidos, esta é a causa
básica de muito dos tropeços e dos fracassos de
nossa juventude. Porém, em se tratando de sexo,
aparentemente todos acabam aprendendo de um
jeito ou de outro. A ignorância aqui é que após se
envolverem não conseguem mais parar. Acham que
podem refrear este instinto quando quiserem, porém,
na hora, percebem que não é bem assim.


6) Rebeldia: muitos adolescentes e jovens por serem
extremamente rebeldes descaradamente ou
abertamente resolvem praticar o acto sexual. Não se
preocupam com o que outros pensam, querem
apenas satisfazer o desejo da sua carne.


Muitos perguntam: É ou não é permitido ter relações
sexuais antes do casamento? A existência clara de
um desejo não justifica a sua satisfação ilimitada. O
sexo foi feito para ser expresso e experimentado. As
relações sexuais são lógicas mas o sexo deverá ser
usado com responsabilidade.

MASSIACH 1
104
Amigo leitor! A única coisa que você aprenderá
através da prática do sexo antes do casamento é que
os resultados da rebelião contra a vontade de Deus
são muitas vezes amargos. A única e desagradável
lembrança que permanecerá gravada no seu
subconsciente será a sordidez do seu egoísmo. Você
terá mesquinhamente usado o corpo de outro ser
humano para satisfazer o seu ego enfermo e irá
arrepender-se disso até ao túmulo (2Tm 2.22).


“Se alguém não tenta enquanto é solteiro, não
fracassará ao casar-se? Como um jovem pode saber
se é capaz de ser um esposo(a) se não pratica
antes?” Perguntas como estas e semelhantes a estas
são feitas ao milhares e muitos a fazem com certa
sinceridade, outros apenas para darem uma desculpa
para a prática da relação sexual antes do casamento.
Veja como Satanás é por demais astuto (2Co
11.14,15). Deus nos criou e nos moldou de tal
maneira que o jovem e a jovem poderão desfrutar
deste dom maravilhoso de Deus, o sexo, no
matrimônio. E os comprometidos? E aqueles que já
são noivos? Por meio de várias das pesquisas
realizadas, a grande maioria dos compromissos que
são desfeitos se rompem precisamente porque uma
das partes está com sentimentos de culpa por terem
cometido o acto sexual. As suas consciências foram
contaminadas por meio das levianas e frívolas
atitudes sexuais de um para com o outro. Essa
consciência e essas atitudes provocam o rompimento
do compromisso. O facto de se estar noivo não é
motivo para ter relações sexuais entre si (Gl 5.21;
Hb 13.4).

MASSIACH 1
105

A pureza é bela! Um dos maiores presentes que se
pode levar para um casamento! A beleza da
santidade de um jovem deve ser se guardar para seu
cônjuge e praticarem o ato sexual apenas na noite de
núpcias.


O jovem ambiciona ter um casamento feliz e sonha
com um bom noivado e um casamento melhor
possível. O rapaz sonha com uma moça de boa
educação, bonita, de convicções firmes. Acima de
tudo, a noiva dos seus sonhos é pura. Já a moça,
sonha com um rapaz maduro, que seja um bom líder
espiritual, puro e que tenha um bom caráter. Quem
ama, espera!


Graças a Deus por tais sonhos e lembre-se: quem
ama, espera (1Co 7.1-5).





Música secular edifica?

MASSIACH 1
106
A dúvida é antiga e gera debate entre os membros
das igrejas, principalmente entre os jovens.

Um assunto que sempre é questão pendente na vida
de todo cristão é saber se ouvir música secular
edifica. A dúvida vem de longa data e é motivo de
debate entre os membros das igrejas,
principalmente entre os jovens, pais e líderes. Até
hoje o assunto gera divisão de opiniões entre os
jovens, que são os que mais sofrem influência do
meio musical secular. Primeiramente vejamos qual o
significado da palavra edificar: construir; induzir à
virtude; comunicar/incutir sentimentos morais e
religiosos.

A música, seja qual for o estilo, tem muita influência
na vida das pessoas, por isso, como filhos de Deus -
no mundo para transmitir Sua palavra -, devemos
ter muita sabedoria na hora de ouvir as músicas
seculares que estão fazendo sucesso. Como cristãos,
devemos ser mais seletivos. Não podemos escutar
qualquer música porque simplesmente todos estão
ouvindo. Temos que observar o que diz a letra de
cada canção que escutamos.

Partindo do princípio de que edificar significa
comunicar sentimentos morais e religiosos, então as
músicas seculares que fazem apologia às drogas,
falam de sexo antes do casamento e aceitam a
traição, por exemplo, estão fora dos padrões bíblicos
seguidos pelos fundamentalistas. Mas pede-se
prudência aos crentes liberais da ABM (Aliança
Baptista Mundial). Essas canções certamente não
trazem edificação à vida de quem quer que seja,
nenhuma vantagem para a vida pessoal e muito
menos espiritual, pois estará saturando a mente de
valores opostos /ou que exigem prudência por parte
do ouvinte. Devemos olhar também as traduções
das músicas americanas, já que algumas de suas
letras trazem mensagens completamente
MASSIACH 1
107
distorcidas. É importante conhecer e entender o
contexto do que está sendo cantado também nas
músicas estrangeiras. Não é porque não
compreendemos a mensagem que isso não vai
influenciá-lo.

Qualificar o gosto pela música secular como sendo
pecado, como preferem alguns, talvez seja radical
demais. Existem muitas músicas não evangélicas
que possuem letras muito bonitas, inspiradoras.
Prestar atenção à letra e analisá-la de forma que o
ouvinte cristão fundamentalista ou liberal se proteja
contra possíveis más influências talvez seja a atitude
mais correcta.
MASSIACH 1
108





A idéia da campanha surgiu nos Estados Unidos em abril de
1993. Implantada no Brasil pela Juventude Batista Brasileira
em 1995, a campanha busca despertar na juventude
(fundamentalista e liberal) a pureza sexual.
Alvos do QAE
NO CORPO – Edificação
FORA DO CORPO – Missões





MASSIACH 1
109


Objectivos
1. Transmitir o valor espiritual, emocional e físico de permanecer puro
até o casamento.
2. Desafiar as famílias cristãs a assumirem os padrões
bíblicos de comportamento sexual.
3. Oferecer às igrejas uma forma de apoiar a família cujos
filhos assumirem o compromisso de pureza sexual para o casamento.
4. Transmitir ao mundo de crentes liberais [e igualmente aos fundamentalistas] uma
melhor abordagem e uma alternativa viável para responder às
campanhas pelo “sexo livre”.
Motivação à pureza sexual
1. Amor a Deus
2. Amor ao(à) seu(sua) namorado(a)
3. Amor ao seu futuro cônjuge
4. Amor ao seu futuro filho
5. Amor a si mesmo
6. [PROMESSA: PORQUE…
PO ACREDITO QUE O AMOR VERDADEIRO ESPERA, ASSUMO UM COPROMISSO COM DEUS, COMIGO MESMO (MESMA), COM A MINHA FAMÍLIA, COM A MINHA (O MEU) NAMORADA (DO), COM O MEU (A MINHA) FUTURO (A) CÔNJUGE E COMEUS COM
M OS MEUS FUTUROS FILHOS DE ME MANTER SEXUALMENTE PURO (PURA) ATÉ AO DIA DO MEU CASAMENTO. [NOTA BENE:→ TAMBÉM PARA OS CRISTÃOS +→©C→e LIBERAIS E ECUMÉNICOS DOS DIAS HODIERNOS (HOJE)]

TEOLOGIA
LIBERAL PARTE 1 COMEÇA JÁ A SEGUIR:
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110

VI COMENTÁRIOS DE BAPTISTAS FUNDAMENTALISTAS SOBRE:
A Aliança Baptista Mundial; ela foi criada em 1905 por iniciativa da Convenção do
Sul dos Estados Unidos. Um dos homens envolvidos com a criação dessa
instituição foi justamente A. T. Robertson (1863 – 1934), professor do Southern
Baptist Theological Seminary, em Louisville – KY. Segundo W. A. Criswell, o Dr.
John Clifford, Pastor em Londres e Presidente da União Baptista Britânica, foi o
primeiro presidente da Aliança Baptista Mundial. Esse apóstata foi o mesmo que
teve a ousadia tenebrosa de censurar Spurgeon [vide no ficheiro “Arquivo” o
verbete “Spurgeon”] em 1888. Esse Dr. Clifford, que abraçou a alta crítica e foi o
instrumento de apostasia entre os Baptistas ingleses, foi o primeiro presidente da
Aliança Batista Mundial. Que início amaldiçoado...

Devido a esses ecuménicos, a intenção era a de criar uma instituição que
pudesse servir de parlamento e de união dos baptistas em todo o mundo.

Hoje, a ABM (ou “BWA - Baptist World Alliance” em inglês) abrange 202
denominações baptistas, que a sustentam com dezenas de milhares de dólares
mensais/orações. Isso inclui, obviamente, as apóstatas Convenção Baptista
Brasileira e a Igreja Baptista Pentecostal de Braga, Portugal, que juntamente
com os outros grupos, estão presentes em mais de 140 países. Esses números
impressionantes significariam, automaticamente, bênçãos e aprovação divina?
Vejamos:

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111

2. Palestrantes, encontros e eventos envolvendo a Baptist
World Alliance:

Hoje, a BWA é um ajuntamento de apóstatas e ecuménicos que negam todas as
posições separatistas que sempre identificaram os verdadeiros baptistas.
Seguindo essa orientação "inclusivista", a BWA apoia grupos que trabalham
passo a passo com governos comunistas, agendas da ONU e do Vaticano.

Os ecuménicos Nilson Fanini e Denton Lotz com o
Papa João Paulo II no Vaticano em 1996.
O que é que um verdadeiro baptista vai fazer da sede
da Mãe das Prostituições, embriagada
com o sangue dos mártires?
Na liderança estão incluídos palestrantes do totalmente blasfemo Conselho
Mundial de Igrejas e Conselho Nacional de Igrejas estadunidenses. Vejamos
exemplos de incrédulos que assumiram a posição de palestrantes em reuniões
na BWA, ou reuniões nas quais a BWA participou, factos que desmoralizam
totalmente essa instituição, que deve ser completamente repudiada por qualquer
verdadeiro baptista.

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2.1. Em 1988: Arcebispo Anglicano Desmond Tutu !

Em Outubro de 1980, o apóstata disse: "Algumas pessoas pensam que existe
algo diferente acerca do nascimento de Jesus... Pode ser que Jesus era um
filho ilegítimo" (Desmond Tutu, Cape Times, 24 de Outubro, 1980).

Em 1978, ele disse: “O Espírito Santo não está limitado à Igreja Cristã. Por
exemplo, Mahatma Gandhi, que é um Hindú... O Espírito Santo brilha através
dele" (Desmond Tutu, St. Alban's Cathedral, Pretoria, South Africa, 23 de
Novembro, 1978).

Em Fevereiro de 1996, esse herético clamou pela ordenação de
homossexuais.

Em 1998, esse herético palestrou no encontro da Aliança Batista
Mundial para 500 líderes baptistas e foi louvado pelo Presidente da
Aliança Batista Mundial, Nilson Fanini!


2.2 Em novembro de 1996 :
O Presidente da BWA, Nilson Fanini e o Secretário Geral Denton Lotz se
reuniram com o Secretariado para a Promoção da União Cristã em Roma. Foi
dito que Fanini declarou que a situação mundial trouxe um novo clima e que
mais conversas poderiam ser iniciadas. Ambos líderes se encontraram com o
papa João Paulo II.

2.3 Em 1999: Denton Lotz, Secretário-Geral da Aliança Baptista Mundial:

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Conclamou os Baptistas a aceitar o Movimento Carismático.

2.4 Em 8 de Julho 2000: Com o brutal ditador Marxista Fidel Castro!

Acima, um feliz e animado grupo. Da esquerda para a direita: O liberal e
ecuménico Denton Lotz, o ex-Presidente da Aliança Batista Mundial, Nilson
Fanini, todos a olhar atentamente Fidel Castro, o insano e brutal ditador do
Caribe. À extrema-direita, o recém eleito Presidente da Aliança Baptista
Mundial, Billy Kim da Coréia do Sul, abraçado por Fidel.

Ele foi palestrante num encontro na Aliança Baptista Mundial em 8 de Julho
de 2000 em Havana, Cuba.

2.5 Em 2001: Denton Lotz, Secretário-Geral da Aliança Batista Mundial:

Praticou culto e reunião ecuménica com Bispos Católicos em Buenos Aires,
Argentina, atribuindo ao Papa, (de acordo com a matéria da própria Aliança
Baptista Mundial) o título blasfemo de Santo Padre. Não só isso ficou
registado. Na mesma matéria escreve-se que a reunião foi “fraternal”
buscando meios de um “testemunho comum para nossa fé em Jesus
Cristo” e ainda dizendo que houve "...uma celebração daquelas áreas que
nos atrai como seguidores de Cristo”
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2.6 Em 2002: Denton Lotz, Secretário-Geral da Aliança Baptista Mundial:

Juntou as suas mãos com o Papa João Paulo II, o falso profeta da mãe das
prostituições, e outros 200 líderes de 11 religiões pagãs na Itália! Dentre
essas religiões lá estavam desde adoradores de serpentes a budistas, de
hindús (com seus 300 milhões de "deuses") a até mesmo macumbeiros
(adoradores de demônios)! (Pasmem!)



“Eu participei do Dia de
Oração pela Paz em Assis em
24 de Janeiro. O Papa João
Paulo II chamou os líderes
religiosos para se unirem para
orar pela paz, mas no
ambiente deles. Foi apropriado
que os Cristãos se juntassem
na basílica. Eu fiquei feliz em
participar da liturgia cristã pela
paz!” (Denton Lotz, na BWA
News - fevereiro de 2.002 AD)

(Note que Lotz está chamando os
idólatras e todo o tipo de blasfemos de
"cristãos", bem como a liturgia
conduzida pelos papistas)

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Macumbeira oferencendo cachaça e outras oferendas às
"entidades" (demónios) no Dia Mundial de Oração em Assis (2.002
AD)




Sikhs (seita hindú) orando aos deuses (dentre os 330 milhões) no
Dia Mundial de Oração em Assis (2.002 AD)




2.6 Mais dados; estes referentes ao mês de Abril de 2.005 AD:
Pasmem com esta blasfémia de Billy Kim e Denton Lotz, qualificando um dos
maiores idólatras mundiais de devotado a Cristo!

Na matéria "Papa Louvado por Líderes Baptistas", ("Pope Praised by Baptists
Leaders"), na homepage da Aliança Baptista Mundial, o seu Presidente, Billy Kim
e o Secretário-Geral da Aliança Baptista Mundial, Denton Lotz, mandam as
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116
seguintes mensagens pela morte de João Paulo II:

"Pope John Paul was “devoted to Christ,” Lotz said..."

Tradução:
"O Papa João Paulo era “devotado a Cristo,” disse Lotz"

Note agora o absurdo total abaixo, na medida em que esses traidores do
evangelho, líderes da BWA (Aliança Baptista Mundial) revelam quem realmente
são intercedendo pelos cardeais enquanto eles escolhem o novo Papa!

"...“Billy Kim, President of the BWA, joins us and the BWA leadership in sending
condolences and our prayers for the Catholic cardinals as they choose a new
Pope, Lotz wrote.” [Segue-se a respectiva tradução fiel:]

"...“Billy Kim, Presidente da BWA, junta-se a nós e à liderança da BWA
mandando condolências e nossas orações pelos Cardeais católicos enquanto
eles escolhem um novo Papa, escreveu Lotz.”..."









INDIANÁPOLIS, Estados Unidos (Reuters) - A Convenção
Baptista do Sul, a maior corrente protestante dos Estados
Unidos, decidiu romper os seus laços com a Aliança Baptista
Mundial, argumentando que o grupo é liberal demais em
questões como a dos direitos dos homossexuais e a
ordenação de mulheres.
Leia abaixo o texto. Comentários fundamentalistas seguem entre
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colchetes (da autoria do Professor Josias Baraúna Jr.), entre “()”
pertencem a este vosso Servo e principalmente Servo de D’us.
Líderes da Convenção Batista do Sul, que congrega 16 milhões de
fiéis, decidiram por uma maioria de dois terços, na reunião anual do
grupo, se separar da comunidade mundial, o que representa o auge
de uma década de crescentes diferenças teológicas [Decisão
Bíblica, embora não tenha sido tomada de forma absoluta, à
luz da Doutrina Bíblica da Separação, e somente de forma
relativa, separando-se somente do inclusivismo
homossexual e da ordenação antibíblica de mulheres, o que
é pouco].
Algumas denominações baptistas dentro da Aliança apóiam a
ordenação de mulheres e a inclusão de homossexuais de ambos os
sexos, posições a que a conservadora Convenção Baptista do Sul se
opõe veementemente.
Paige Patterson, membro do comitê executivo dos Baptistas do Sul,
citou "uma contínua tendência à esquerda" na Aliança Mundial como
motivo do rompimento. O grupo norte-americano ajudou a fundar a
Aliança em 1905, em Londres, e hoje a entidade global dos
baptistas diz reunir mais de 100 milhões de membros.
Segundo Patterson, um sinal da corrupção da Aliança é sua ligação
com outro grupo dos EUA, a Convenção Baptista Americana, que
defende a presença de homossexuais na Igreja [A referência é
feita às "Igrejas Baptistas Americanas nos EUA", também
conhecidas como "Convenção Baptista do Norte", que são
totalmente arminianas (em Portugal, na cidade de Braga,
existe uma Igreja Baptista liderada pelo Pastor Vítor
Oliveira: www.vitoroliveiray@hotmail.com; e com a
participação deste vosso amigo e humilde “servo”:
www.magcal68@hotmail.com, e que é calvinista, i.e.,
adepta da Santa Predestinação; sendo liberal noutros temas
fracturantes), liberais teológica e moralmente, ecuménicas,
sendo, desde 1950, associadas ao Conselho Nacional de
Igrejas, satélite do Conselho Mundial de Igrejas. E além de
tudo isso, membro da Aliança Baptista Mundial, em
comunhão com a Convenção Baptista do Sul (até um certo
momento da História Universal; a CBS já não faz parte das
ABM e CMI) e com a Convenção Batista Brasileira (com
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118
quem também entrou em cisão)].
"Não podemos mais tolerar, neste dia em que a pressão pelo
casamento gay está aí, ficar em aliança com estas denominações
que apóiam qualquer forma de casamento gay", disse Patterson,
que dirige um seminário no Texas.
Larry Walker, que representava a Primeira Igreja Baptista de Dallas,
desafiou o rompimento na reunião, lembrando a histórica ligação
entre os Baptistas do Sul e a Aliança Mundial [De fato, é um
desafio pois, para ter efeito prático, TODAS AS
ASSEMBLÉIAS DAS IGREJAS BAPTISTAS precisavam
APROVAR essa decisão da Convenção Baptista do Sul - É
LANDMARK BAPTISTA A AUTONOMIA DA IGREJA LOCAL E
NADA SE SOBREPÕE A ELA. A autoridade da SBC (Southern
Baptist Convention) é apenas orientar. Segue-se que a
Assembléia que não a aprovar, deveria ser EXPULSA DA
SBC. MAS SERÁ QUE TERÁ FORÇA PARA FAZÊ-LO? ].
Importantes baptistas do sul dos EUA, inclusive o célebre pregador
Billy Graham [Papa-hóstia inveterado, em cujo corpo pesa a
Mão de Deus - ele está com Mal de Parkinson], costumam
participar com destaque nos eventos da Aliança Baptista Mundial [
O que não poderia ser diferente, como ecuménico que ele
é]. Walker disse que a Convenção Baptista do Sul deveria ser uma
voz de liderança dentro da Aliança, não um crítico externo [E
agora? Isso deveria ter sido feito nas décadas de 10 e 20 do
século passado! Agora não há mais como purgar a
incredulidade! A ORDEM BÍBLICA É "SAI DELA, POVO MEU,
PARA QUE NÃO SEJAS PARTICIPANTE DOS SEUS PECADOS,
E PARA QUE NÃO INCORRAS NAS SUAS PRAGAS"
(Apocalipse 18.4)! A Teoria da Inflitração do Ockenga
sempre foi e continua sendo antibíblica!].
Mas os participantes da reunião, ocorrida no Estado de Indiana,
acabaram aprovando o rompimento. A Convenção Baptista do Sul
reduziu a sua contribuição anual à Aliança Mundial de 425 para 300
mil dólares, verba que agora foi definitivamente cortada.
Denton Lotz, secretário-geral da Aliança, disse que o grupo já
encontrou outro patrocinador e por isso não terá problemas
financeiros. "Os baptistas historicamente são comprometidos com a
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119
missão cristã ao redor do mundo. Somos pessoas dedicadas a
difundir o amor de Cristo, e a fazer isso na unidade", afirmou Lotz,
da denominação Baptista Americana.
"A decisão rompe com isso. Ela nos divide, o que é lamentável,
porque deveríamos estar juntos no nosso amor a Cristo." [Blá-blá-
blá dos Neo-Evangélicos!]
Os fundamentalistas congregam na Confraternidade
Batista Mundial - uma organização de Baptistas
fundamentalistas separatistas. O nome Confraternidade
Baptista Mundial tem a sua alma na pessoa de John
Franklyn [J. Frank] Norris (1877-1952) de Texas, um líder
zeloso de fundamentalismo no sul dos EUA na primeira
metade do 20º século. Mesmo que o liberalismo entre
baptistas existia antes no 19º século, a oposição
fundamentalista do liberalismo destacou-se cedo nos
1900s, especialmente com a publicação de Os
Fundamentos: Um Testemunho para a Verdade entre 1910
e 1915. Os Fundamentos consistiam de uma série de doze
artigos que defendem os „fundamentos‟ da fé, como a
inerrância da Bíblia, o nascimento virginal de Cristo e o
retorno literal de Cristo. Em 1920, Curtis Lee Laws, editor
Baptista de O Atalaia - Examinador cunhou o termo
'fundamentalista' e definiu um fundamentalista como
alguém "pronto a batalhar pelos Fundamentos da fé". J.
Frank Norris tornou-se um combatente na controvérsia de
fundamentalismo/modernismo. Ele editou um jornal
intitulado O Fundamentalista. A Convenção Baptista do
Sul e a Convenção Baptista Geral de Texas excluiram
Norris por causa do comportamento polémico dele. Norris,
C. P. Staley e outros formaram a Confraternidade dos
Baptistas Missionários Pré-milenaristas em 1933 em Fort
Worth, Texas. Em 1938, o nome foi mudado ao
Confraternidade Mundial Missionária Baptista para
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Confraternidade Baptista Mundial (CBM) depois do cisma
que criou o Confraternidade Baptista Bíblica Internacional
em 1950. O CBM sofreu uma segunda divisão em 1984,
quando um grupo conduzido por Raymond W. Barber
estabeleceu o Confraternidade Baptista Independente
Internacional e o Instituto Norris Bíblico Baptista.
O CBM se considera uma agência de missões. Seu
trabalho missionário é encabeçado pelo Comitê da Missão
cujos sócios são nomeados pelo comité existente e são
aprovados pela Assembléia Geral em reunião anual. Em
2003, o CBM tem 85 missionários aprovados, com
Tommy Raley o Director da Missão. As reuniões da
Confraternidade Nacional acontecem duas vezes por ano.
A Faculdade Baptista em Arlington, uma instituição de
quatro anos reconhecida pelo governo, é o seu braço
educacional. Sua sede está em Arlington, Texas. A
Confraternidade Baptista Mundial teve 945 igrejas em
1995, com sua maior força no Texas, Flórida e Ohio. Mais
que metade destas Igrejas também participam em outras
confraternidades de Baptistas fundamentalistas.
Obtido na:
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Confraternidade_Baptista_
Mundial"

BRASILEIRA DA CPLP (Comunidade dos Países
de Língua Oficial Portuguesa) É ELEITA
PRESIDENTE DA JUVENTUDE BAPTISTA
MUNDIAL (JBM, organização católica
[universal] da Aliança Baptista Mundial)

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Pela primeira vez na história da Aliança Baptista
Mundial uma mulher assume a presidência do
Departamento de Juventude da ABM. Ela é a
brasileira Denise de Vasconcelos Araújo,
coordenadora dos Voluntários Sem Fronteiras
(Projecto Radical) da Junta de Missões Mundiais da
Convenção Baptista Brasileira. Denise já foi redactora
da revista JUVENTUDE e também coordenadora do
TEEN BRASIL. Durante muitos anos cooperou como
voluntária para o Ministério da JUMOC.
A escolha aconteceu no dia 3 de Agosto de 2.008 AD
durante a sessão plenária do Congresso Mundial da
Juventude Baptista (Baptist Youth Word Conference),
realizado na cidade de Leipzing, na Alemanha.
Denise foi a oradora da noite de sexta-feira no
congresso, onde falou sobre o desafio da obra de
missões no mundo através da juventude, com muitos
jovens atendendo ao apelo missionário. Ela foi eleita
para um mandato de cinco anos e substitui o
japonês Eiji Osato.
(PARTE 2 DO TEXTO SOBRE A “PRESENÇA” NA
“ALEGORIA DA CAVERNA”):
– Suponho que seria assim – respondeu – que ele sofreria tudo, de preferência
a viver daquela maneira.
– Imagina ainda o seguinte – prossegui eu -. Se um homem nessas condições
descesse de novo para o seu antigo posto, não teria os olhos cheios de trevas,
ao regressar subitamente da luz do Sol?
– Com certeza.
– E se lhe fosse necessário julgar daquelas sombras em competição com os
que tinham estado sempre prisioneiros, no período em que ainda estava
ofuscado, antes de adaptar a vista – e o tempo de se habituar não seria pouco
– acaso não causaria o riso, e não diriam dele que, por ter subido ao mundo
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superior, estragara a vista, e que não valia a pena tentar a ascensão? E a
quem tentasse soltá-los e conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-
lo, não o matariam?
– Matariam, sem dúvida – confirmou ele.
– Meu caro Gláucon, este quadro – prossegui eu – deve agora aplicar-se a
tudo quanto dissemos anteriormente, comparando o mundo visível através dos
olhos à caverna da prisão, e a luz da fogueira que lá existia à força do Sol.
Quanto à subida ao mundo superior e à visão do que lá se encontra, se a
tomares como a ascensão da alma ao mundo inteligível, não iludirás a minha
expectativa, já que é teu desejo conhecê-la. O Deus sabe se ela é verdadeira.
Pois, segundo entendo, no limite do cognoscível é que se avista, a custo, a
ideia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a
causa de quanto há de justo e belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a
luz, da qual é senhora; e que, no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade
e da inteligência, e que é preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e
pública.»



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Vinícius de Morais

Ai, quem me dera terminasse a espera
Retornasse o canto simples e sem fim
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai, quem me dera ver morrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor.
Ai, quem me dera uma manhã feliz.
Ai, quem me dera uma estação de amor

Ah, se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais

Ai, quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim

Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E, finda a espera, ouvir na primavera
Alguém chamar por mim.
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YAHU'SHUAH
The original Hebrew or Jewish Name of the professing Jewish Messiah, who
was accepted as such by a certain section (some 3000 souls) of Israel, at and
after His Appearance in Israel, some 2000 years ago. To them He was known
as YAHU'SHUAH (abbreviated: Y'SHUAH, also pronounced
YEHOSHUA or YESHUA). In time, over the first few centuries after
Messiah, His Name was gradually changed to "Je-Zeus Khristos" by the
pagan masses who converted and joined the originally Jewish Messianic Sect.
Out of this, Christianity was born, which was a mixture of originally pure
Judaism, and gradually, progressive influences of pagan customs and
traditions, together with a growing tide of an anti-Semitic spirit. This was
greatly due to the instigation of influential leaders like Constantine the Great,
who was a Zeus worshipper, and who purportedly converted to Christianity.
It was also a natural process as a result of the infiltration of followers of the
sun god, Zeus, into the Christian ranks. Even the name of their pagan idol
'Zeus' was applied to their new-found Jewish Messiah - and Y'Shuah (the
abbreviated transliteration of YAHU'SHUAH), became "Y'Zeus" or Je-Zeus -
which became 'Jesus' in English (NOTE - the middle 's' is pronounced as a
'z'). In other languages, it took on various other forms.
A similar pagan influenced name-shift has been retained to this day in the
KJV translation of Luke 4:27, where it refers to the prophet "Eliseus' and an
event recorded in 2 Kings 5:14 (according even to the KJV reference
version). This prophet's Hebrew name, however, was 'Eli'Shuah', which
means "God is my Salvation" (as Y'SHUAH means "YAH is Salvation" or
"YAH the Saviour"). Exactly the same as the pagan influence changed
Y'SHUAH to "Y'Zeus" - ('Jesus' - phonetically 'Jezus'), so also Luk 4:27
reflects the change of "Eli'Shuah" to "Eli'Zeus' ("My God is Zeus")! Youngs
Bible Concordance in its reference to the name 'Eliseus', states: "The form in
which the name of Elisha appears in the common version of the New
Testament and the Apocrypha in Luke 4:27".
The Hebrew form of the Name YAHU'SHUAH (or Y'SHUAH) is often used
in the Tanach (Old Testament) as well as in the official Jewish daily and
festival Prayer Books, where it is generally translated as "Salvation".

The recent much acclaimed computer generated research into repeating
patterns or 'secret revealing codes' purportedly contained in the original
Hebrew text of the Tanach (Hebrew Bible), revealed hidden codes of the
Name Y'SHUAH in all the prophetic sections concerning the promised
Messiah.

The 6th Book of the Bible uses the identical Hebrew form, and is translated
"Joshua". The most probable authentic form is YAHOSHUA or
YAHU'SHUA .
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FORMAS DE DIZER YAHSHÚA/JESUS:
[Jeshua, Yeshua, Yeshuah, Yehshua, Yehshuah, Yeshouah, Y'shua, Y'shuah,
Jeshu, Yeshu, Yehoshua, Yehoshuah, YHVHShua, YHVHShuah, Yhvhshua,
Yhwhshua, YHWHShua, YHWHShuah, Yhvhshuah, Yhwhshuah, Yahvehshua,
Yahwehshua, Yahvehshuah, Yahwehshuah, Yawhushua,Yahawshua, Jahshua,
Jahshuah, Jahshuwah, Jahoshua, Jahoshuah, Jashua, Jashuah, Jehoshua,
Jehoshuah, Yashua, Yashuah, Yahshua, Yahshuah, Yahushua, Yahushuah,
Yahuahshua, Yahuahshuah, Yahoshua, Yahoshuah, Yaohushua, Yaohushuah,
Yauhushua, Iahoshua, Iahoshuah, Iahushua, Iahushuah, YAHO-hoshu-WAH]

FORMAS DE DIZER D’US:
[YHVH YHWH Yahweh Yahveh Yaveh Yaweh Jehova Jehovah Jahova Jahovah
Yahova Yahovah Yahowah Jahowa Jahowah Yahavah Jahavah Yahowe
Yahoweh Jahaveh Jahaweh Yahaveh Yahaweh Jahuweh Yahuweh Jahuwah
Yahuwah Yahuah Yah Jah Yahu Yahoo Yaohu Jahu Yahvah Jahvah Jahve
Jahveh Yahve Yahwe Yauhu Yawhu Iahu Iahou Iahoo Iahueh]








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INTERPRETAÇÃO 1:O Pecado de Cam·
Cam, era um ancião com mais de 600 anos de idade, e não um jovem imaturo, que caiu
em pecado e vergonha. O texto hebraico sugere que Noé se descobriu deliberadamente
de maneira vergonhosa; intemperança e impureza andam juntas. Alguns desculpam
Noé, sugerindo que as novas condições climáticas da terra pós-diluviana facilitaram a
fermentação de vinho, e que Noé não sabia o que estava fazendo. Mas a Bíblia não
desculpa pecados. Este foi o terceiro fracasso por parte da humanidade. O ser humano
tinha desobedecido no Éden, resultando em sua expulsão do jardim; havia corrompido a
Terra, resultando no dilúvio; e agora, o cabeça da nova humanidade se havia
embebedado de forma despudorada! Para piorar as coisas: Cam “vendo a nudez do pai,
fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos” (Gn 9:22).
Afinal, em que consistiu o pecado de Cam para que seu filho, Canaã, recebesse
maldição tão severa? Vejamos algumas explicações.
(1) Em algumas partes do Pentateuco, desonrar o próprio pai significa dormir com a
mulher do pai (Lv 18:7; 20:11; Dt 27:20). Assim, foi sugerido que Cam era culpado de
incesto, e que Canaã era resultado desse relacionamento. Mas as ações de Sem e Jafé
em Gênesis 9:23, e o fato de Canaã já existir quando o episódio ocorreu, torna essa
sugestão improvável.
(2) Levítico 20:17 usa a expressão “descobrir a nudez” como eufemismo para relações
sexuais incestuosas. Isso tem levado alguns a sugerir que o pecado de Cam consistiu em
algum tipo de atividade homossexual com seu pai. Porém, esse ponto de vista é
improvável, devido a significativas diferenças de linguagem entre o texto de Gênesis 9 e
Levítico 18.
(3) Com base no texto bíblico de Génesis 9:22, “ver a nudez” indica uma atitude de
contemplação desrespeitosa de Cam, ao ver que seu pai estava nu. Notemos que não foi
Cam quem descobriu seu pai, mas foi o próprio Noé quem se descobriu (o verbo está na
voz reflexiva). Assim, o pecado de Cam provavelmente consistiu em zombar de seu pai,
convidando outros para olharem para aquele insólito espetáculo. Tal zombaria estava
em clara oposição ao mandamento de honrar pai e mãe. Tal atitude foi demonstração de
imaturidade e irresponsabilidade. Em vez de sentir tristeza pela conduta imprópria do
pai, Cam sentiu prazer em espalhar a notícia.
Ao recobrar-se da embriaguez e tomar conhecimento do que seu filho Cam fizera, Noé
proferiu uma maldição sobre Canaã, filho de Cam. Os eruditos explicam isto da
seguinte maneira:
(1) É provável que Canaã estivesse envolvido no incidente junto com o pai. Orígenes
menciona a tradição de que foi Canaã que primeiro viu a nudez de Noé e foi chamar
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140
Cam.
(2) A maldição de Noé não é uma expressão de ressentimento, mas uma profecia do que
aconteceria aos descendentes de Canaã. Como esclareceu a adventista Ellen White, “a
profecia de Noé não foi uma manifestação arbitrária de ira ou uma declaração de favor.
Ela não fixou o caráter e destino de seus filhos. Mas mostrou qual seria o resultado da
conduta de vida que cada um havia escolhido, e o caráter que tinham desenvolvido. Era
uma expressão do propósito de Deus para com eles e sua posteridade, em vista de seu
próprio caráter e conduta. Em regra, os filhos herdam as disposições e tendências dos
pais, e imitam-lhes o exemplo, de modo que os pecados dos pais são praticados pelos
filhos de geração em geração. Assim, a vileza e irreverência de Cam foram reproduzidas
em sua posteridade, acarretando-lhe maldição por muitas gerações” – Patriarcas e
Profetas, pág. 118).
Para finalizar esta seção, notemos que o relato sobre a maldição de Canaã tem sido
arbitrariamente aplicado à África negra, e assim, utilizado como instrumento para
justificar a escravidão e os preconceitos raciais. Alguns escravagistas chegaram ao
absurdo de sugerir que Deus ordenou a escravidão da raça negra. Em relação a isso,
observemos que foi Canaã, não Cam, que foi amaldiçoado (Gn 9:25). Assim, estender
essa maldição a todos os descendentes de Cam viola o sentido explícito do relato
bíblico. Torna-se evidente que essa maldição não se aplica à raça negra mas, sim, aos
futuros inimigos de Israel, os canaaneus, notáveis por sua corrupção sexual. Levítico
18:2-23, por exemplo, identifica várias práticas sexuais ilícitas com os pecados dos
cananeus. Assim, a maldição sobre Canaã não se pronuncia como punição por causa do
pecado de Cam, seu pai. Antes, consititui-se em oráculo profético contra um futuro
inimigo do povo de Deus, algo plenamente atestado pela história posterior dos
canaaneus. Nota-se que a maldição sobre Canaã, não possui contornos raciais. Os
cananeus recebem a maldição profética, não por serem uma raça diferente, mas por
causa de sua depravação moral e dos deuses a quem adoravam. Não nos esqueçamos de
Raabe, a mulher cananéia, que foi integrada ao povo de Deus.
Portanto, a maldição de Canaã deve ser interpretada dentro do contexto do Antigo
Testamento e identificada como a vitória dos israelitas sobre os cananeus, habitantes da
terra prometida. É totalmente errado aplicar esta maldição à África negra, a africanos ou
afro-descendentes.
SECÇÃO/CAPÍTULO 24®·: (http://www.liberdadebrasileira.hpg.in.com.br/tora.html)

SELECÇÃO NA “A TORAH”: Cam: O filho maldito e negro (preto) de Noaj (Noé):

Você já pensou sobre a origem, identidade e papel do negro no início da história
bíblica e do mundo antigo? As Escrituras, a Ciência, e a História secular atestam sobre o
fato de que os povos de pele negra eram política, cultural e numericamente dominantes
no mundo antigo e foram os pais da sociedade civilizada que conhecemos hoje. Por
mundo antigo eu quero dizer o período da história desde o tempo de Noé depois do
dilúvio (4.000 A.C.), até à conquista da maior parte do mundo conhecido pelos gregos
no tempo de Alexandre o Grande (321 A.C.). Entretanto, um dos segredos mais bem
guardados em toda a história é a identidade, o papel e a proeminência do negro no
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141
mundo antigo. O propósito desse capítulo é identificar o negro nas Escrituras e acentuar
a sua contribuição com o mundo bíblico e antigo.

A Afiliação Bíblica de Cam (a extraordinária viagem pela “História” fundamentalista):

A Bíblia claramente ensina que toda a humanidade deriva de Noé e dos seus filhos
(Atos 17:26; Génesis 9:18-19). Noé teve três filhos denominados Cam, Sem e Jafé. O
nome Cam significa escuro ou negro, Sem significa pardo ou cor de oliva, e Jafé
significa claro ou loiro. Os estudiosos da Bíblia, e pelo menos um proeminente
antropólogo, consideram Cam como o pai ancestral dos negros, mongóis e índios; Sem
é considerado o pai ancestral dos Semitas ( árabes e judeus); e Jafé é considerado o pai
ancestral dos caucasianos. Os estudiosos estão corretos? Baseado na etimologia dos
nomes dos três filhos, nas nações associadas com os seus nomes em Gênesis 10, na
pesquisa histórica e na autoridade bíblica, eu estou inclinado a concordar com os
estudiosos: os três filhos de Noé foram os progenitores das três raças básicas da
humanidade. A Bíblia diz: Estes três foram os filhos de Noé; e destes se povoou toda a
terra”(Génesis 9:19 BJTEBBEGBPGBPNBCBV). Apesar de ter reconhecido que as três
compleições básicas das três raças da humanidade estão implícitas nos nomes dos filhos
de Noé, eu ficava perplexo em como um Noé monógamo podia produzir três filhos de
três compleições diferentes e, consequentemente, identidades étnicas. Isso parecia
biologicamente impossível para mim.
De acordo com Burnett Hanson, M.D., é possível para um homem ser o pai de três
filhos com três compleições diferentes - um preto ou escuro, outro pardo”ou cor de
oliva, e o terceiro claro ou loiro - com a mesma mulher. O Dr. Hanson acrescenta ainda,
a fim disso acontecer, o homem ou sua mulher tem de ser de compleição escura ou
ambos poderiam ter sido escuros. As pessoas de pele escura podem e frequentemente
produzem uma prole de compleição clara; entretanto, é geneticamente impossível para
as pessoas de compleição clara produzirem filhos de pele escura. Baseado nessa análise,
o Dr. Hanson conclui que, a fim de Noé ter sido o pai de três filhos da mesma mulher,
todos os três filhos tendo compleições distintas variando de escuro a claro, Noé ou sua
esposa tinha de ser negro ou de pele escura.
Arthur C. Custance, Ph.D. (Antropologia) parece concordar com o Dr. Hanson no seu
livro, Noah’s Three Sons (Os Três Filhos de Noé), publicado pela Zondervan Press:
Sem estar envolvido na tecnicalidade da genética, é possível que Cam possa ter sido
um mulato. Na verdade, o seu nome significa escuro e talvez se refere à cor de sua
pele. Essa condição pode ter sido derivada da sua mãe, a esposa de Noé, e se supormos
que o próprio Cam tivesse se casado com uma mulher mulata, é possível explicar a
preservação do estoque negróide no desastre do dilúvio.
O Dr. Custance sugere que a cor escura de Cam era derivada da sua mãe. Se assim foi,
de onde veio a cor escura da sua mãe? É possível que a cor escura dela tivesse vindo de
Adão? Afinal, Adão é o pai de toda a “ação escura” (que os meus irmãos negros me
desculpem!). Novamente, baseado em autoridade bíblica, eu sustento que Adão era
semita, que significa que a sua compleição pode ter variado desde escura a parda e
possivelmente clara.

A Afiliação Étnica de Noaj (Noé), que achou graça nos olhos do Eterno:

Se todos, ou qualquer um dos pontos que tenho tentado explicar nas três perspectivas
MASSIACH 1
142
mencionadas anteriormente, a respeito da afiliação étnica de Adão e de Noé, forem
verdade, certamente isso explica como Noaj (Noé) e a sra. Noé”eram pardos ou
escuros e passaram aquela característica para Cam. Entretanto, eu discordo do Dr.
Custance no fato de que a cor escura de Cam poderia ter vindo de seu pai. Talvez seja
como H.G. Wells, um importante historiador, afirmou: possivelmente as raças mais
antigas dos homens eram todas pardas ou negras, e a alvura seja nova.
Não obstante o que o mundo secular conclui a respeito da afiliação étnica de Adão ou
Noé, é uma conclusão inescapável para aqueles de nós que crêem na autoridade e
confiabilidade das Escrituras: Adão e Eva e Noé e a sra. Noé”possuiam a estrutura
genética que produziram as três básicas raças da humanidade. Eu concordo com Santo
Agostinho:
Toda a raça humana, que viria a ser a posteridade de Adão através da primeira mulher,
estava presente no primeiro homem...qualquer um que seja racional e mortal,
independente da cor, a forma, o som ou voz, é certamente estoque de Adão.
De acordo com as Escrituras, Noé é o pai de toda a humanidade; assim sendo, ele
inevitavelmente tinha de ser o pai da raça negra. A minha crença, que é sustentada pelas
Escrituras, por teólogos, pela história, pela antropologia e pela ciência, é que isso foi
feito através do filho de Noé, Cam, que é estudado no capítulo seguinte.

SEGUE-SE LITERALMENTE O CAPÍTULO 3 (CONTINUEM A DIVERTIR-SE):
Os filhos malditos e depravados de Cam (ver Canaan no meu livro na secção sobre os
negros):
O filho negro de Noé, Cam, é o pai da raça negra. Cam não era um negro amaldiçoado,
ele nasceu escuro, o que era um sinal de honra para ele e para o seu povo. O propósito
deste capítulo que já começou a dar os seus primeiros passos, e que me dá imenso
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143
prazer escrever, é identificar os filhos de Noaj (Noé) geograficamente e documentar a
sua afiliação genética. Por isso coloquem toda a atenção no que se segue:
Quem foram os filhos de Cam? De acordo com Génesis 10:6, Cam tinha quatro filhos
denominados Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. Os camitas referidos na Bíblia eram
pessoas que seriam classificadas como negras ou negróides no mundo ocidental de hoje.

Cuxe (Cush) (Etiópia) [Livro do Génesis / Bereshit, capítulo 10, 6-20 BJTEBBEG]:
Cuxe foi o progenitor do povo etíope. As palavras Etiópia”(Génesis 2:13) e Cuxe”
(Génesis 10:6) são usadas alternadamente nas Escrituras. A palavra Cuxe”é uma
palavra hebráica significando preto. Etiópia é uma palavra grega significando um
homem com uma face queimada (sol) ou preta. Uma inscrição descoberta na Etiópia
em 1914 tem a palavra Qevs ou Kesh”na mesma. Disso, alguns estudiosos concluem
que a palavra “Kuxe” ou “Cuxe” se originou da Etiópia e não do Egito ou de Israel. A
palavra grega para queimado era “ethios” e a palavra para face era “ops”, assim
“ethios”  mais  “ops”se tornou o que reconhecemos como   “Etiópia”.
Etiópia foi um dos primeiros países mencionados nas Escrituras (Gênesis 2:13) antes e
depois do dilúvio. De acordo com Henry M. Morris, Ph.D., no seu livro, The Genesis
Record, publicado pela Baker Book House, Etiópia foi um nome originalmente anti -
diluviano (antes do dilúvio) e foi lembrado pelos sobreviventes do dilúvio e então dado
a pessoas e lugares do mundo pós-diluvianos (depois do dilúvio), em memória ao nome
inicial do qual eles se lembraram mais tarde. Diodorus Siculus disse: Os etíopes se
consideram a nação mais antiga do que qualquer outra nação. Herodotus, o pai da
história, mantém que os etíopes eram o povo que mais viveu. “Os mais altos e belos
homens do mundo. A sra. negra na corte de Salomão descreveu a si mesma como negra
e linda (Cantares de Salomão 1:5). Moisés se casou com uma mulher etíope (Números
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12:1). O Dr. Du Bois relata que os abissínios (etíopes) são geralmente pretos, o que eles
muito apreciam. As Escrituras descrevem os etíopes como escuros e
altos (Jeremias 13:23; Isaías 45:14). Como um poder do mundo, o profeta Isaías
descreveu os militares enviados da Etiópia para o rei Zedequias, para assegurar a Israel
da ajuda deles, como pessoas de um povo de elevada estatura e de pele lisa um povo
terrível desde o seu princípio e uma nação forte e esmagadora. (Isaías 18:1,2,7).
Aparentemente, em algum ponto na história, as fronteiras da Etiópia se estenderam bem
além do país moderno da Etiópia. De acordo com Homero e Herodotus, os habitantes
dos seguintes territórios eram etíopes: Sudão, Egito, Arábia, Palestina, Ásia Ocidental, e
India. A única diferença física nesses habitantes era a textura dos cabelos. O Dr. Du
Bois afirma que o Egito era uma colônia dos etíopes. Há pirâmides na Etiópia que se
rivalizam com as pirâmides do Egito. John G. Jackson relata que a Etiópia foi o
primeiro país estabelecido da terra. Os cusitas (etíopes) foram os fundadores da
civilização da Mesopotâmia. A história etíope e egípcia
registadas começa cerca de 3.500 A.C., o que leva a uma “discussão”, muito
interessante e curiosa, do segundo e intrigante filho de Cam, Mizraim (Egito).

Vamos, pois, debruçarmo-nos na pessoa denominada por Mizraim (Egito):

A palavra Misraim é traduzida na Revised Standard Version da Bíblia (RSV) como
Egito. De acordo com o Bible Dictionary (Dicionário bíblico) de Fausset, publicado pela
Zondervan Press, a palavra “Mizraim”significa filhos do sol. Fausset também mostra
que os egípcios eram de uma origem negrito. Os egípcios não se chamavam de
“egípcios”; esse nome foi dado a eles mais tarde pelos gregos. Citações dos seguintes
autores sumarizam as minhas descobertas a respeito da etimologia de Egipto e a
afiliação étnica dos primeiros a ser chamados pelo termo de origem grega: “egípcios”:
John G. Jackson, uma reconhecida autoridade da história da África, escreveu:
Os antigos habitantes dessa terra africana chamavam o país de Khem, ou Kam, ou
Ham, que significa literalmente a terra negra; e eles se auto denominam Khemi ou
Kamitas, ou Camitas, → significando literalmente “”o povo negro (“preto”)””.
Keil-Delitzsch, um estudioso do Velho Testamento, universalmente respeitado,
registou:
O velho nome Egipcio é Kemi (Copt, Chemi, Keme), que Plutarco diz ser derivado da
cor cinza do solo coberto pelo limo do Nilo, mas que é mais correto traçar a Cam, e a
reconhecer como uma indicação literal dos seus primeiros habitantes serem
descendentes directos de aquele que conhecemos como Cam / cã (“camita”).
Herodotus visitou o Egipto cerca de 500 A.C. e relatou:
“É certo que os nativos dos países são negros com calor... eles são de pele negra e têm
cabelo lanuginoso”. Temos também as palavras sábias dum experto:
Lerone Bennet, Jr., um historiador negro contemporâneo, anotou:
“Nas suas pinturas, os antigos egípcios se retrataram em três cores: negra, castanho
avermelhado e amarelo”. Isto entende-se, que são dados empiricos, e muito
interessantes.
Aparentemente, os antigos egípcios tinham a mesma classificação de aparência física
que os negros contemporâneos e hodiernos (atuais, dos dias de hoje).
Mark Hyman, um jornalista e historiador negro, revela, com propriedade, documentação
científica referente a este contexto, i.e., à afiliação étnica dos egípcios:
“Foi feito um teste de melanina da pele de uma múmia egípcia... a melanina provou
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145
que os “nossos” amigos e irmãos egípcios eram → negros (“pretos”)”.
No que me concerne, a principal voz de autoridade concernente à afiliação étnica dos
egípcios é encontrada nas Escrituras. Os Salmos se referem ao Egipto como a terra de
Cam (Salmos 78:51; 105:23, 26-27; 106: 21-22). O nome Camӎ derivado do nome
egípcio “Kam””que é a palavra mais significativa para → negro ou negridão.
Muitos estudiosos logo admitem que os antigos egípcios eram negros, mas afirmam que
os reis hyksos que governavam o Egipto durante a parte desse período de história
bíblica (1700 A.C.-1550 A.C.) eram semitas da Ásia. Entretanto, dois eminentes
estudiosos negros se opõem à posição de que os hyksos eram semitas ocidentais:
O Dr. Charles Finch tinha a dizer o seguinte a respeito da origem e identidade dos reis
hyksos:
“No pensamento hebraico, Noé não poderia ter amaldiçoado a Cam sem amaldiçoar a sí
próprio.” Quando e como a maldição foi cumprida? A maioria dos estudiosos crê que a
maldição foi cumprida quando os cananitas foram conquistados por Israel e se tornaram
subservientes aos israelitas. É interessante notar que dos quatro filhos de Cam (Etiópia,
Egito, Líbia e Canaã), Canaã é o único que não existe hoje como nação.
A maldição de Cam está sobre o negro de hoje? De acordo com o Dr. J Vernon
McGhee, um distinto professor da Bíblia, branco e conservador:
Certamente não. Pensar de outra maneira é absolutamente um absurdo. As Escrituras
não ensinam isso...Esse ensino tem sido uma das coisas mais tristes ditas acerca do
homem negro. Não é justo para com o homem negro e não é justo para com Deus -
porque Ele não disse isso. Além do mais, as primeiras duas grandes civilizações eram
camitas - tanto a civilização babilônica quanto a egípcia eram camitas.
Eu creio que a maldição de Canaã foi cumprida durante uma ou todas as seguintes
experiências: 1) Quando certas tribos cananitas foram derrotadas por Abraão em
Génesis 14:1-16. (2) Nos dias de Josué, quando os cananitas foram derrotados pelos
israelitas, que pertenciam à família de Sem (Josué 9:23; I Reis 9:20, 21); (3) Quando os
descendentes de Canaã se tornaram os servos de Jafé, quando Cartago, que tinha sido
estabelecida pelos cananitas (fenícios), foi conquistada por Roma. De nenhum modo, a
raça negra foi amaldiçoada - somente os cananitas. As Escrituras também registam
outros grupos étnicos e indivíduos amaldiçoados (anátema, o termo bíblico).
Geograficamente, os cananitas foram os habitantes originais da terra de Israel (I
Crónicas 4:40). Essa é a raíz do problema moderno entre os palestinos e os israelitas.
PAUSA “KIT KAT”:
Un informe recomienda cuatro porciones de carne para evitar cambio climático
2008-09-30
La población británica debería limitar el consumo de carne a
cuatro modestas porciones a la semana por persona y el de
leche a un litro a fin de ayudar a combatir el cambio climático,
según un informe de la Universidad de Surrey. El estudio,
elaborado por la Red de Investigación sobre Alimentos y Clima
de esa universidad del sur de Inglaterra, afirma además que
debería reducirse el consumo total de alimentos, especialmente de los que tienen
pocos nutrientes, como los dulces. Los expertos de la citada casa de estudios
recomiendan el retorno a hábitos de alimentación seguidos por madres y abuelas,
como la compra de productos propios de cada estación, y caminar hasta el mercado
/supermercado. También proponen el uso de microondas o la compra por internet,
agrega el texto, del que informa hoy el periódico británico "The Guardian".
El informe hace estas recomendaciones debido a la preocupación cada vez mayor
sobre la relación entre la industria ganadera y los gases que contaminan el

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146
medioambiente.

El análisis fue elaborado tras una investigación que ha durado cuatro años sobre el
impacto de los alimentos en el cambio climático y se considera que es el estudio
más exhaustivo sobre este asunto.
La autora del informe, Tara Garnett, señaló que la comida es importante por muchas
razones, entre ellas culturales, pero resaltó que las campañas para animar a la
gente a cambiar los hábitos alimenticios no darán resultado y solicita al Gobierno
que recurra a otras opciones, como establecer límites sobre emisiones de gases
contaminantes. Agência EFE.




A ESTIGMATIZAÇÃO DO NEGRO (OUTRA INTERPRETAÇÃO
POSSÍVEL, COM ALGUNS TRAÇOS DE IGNORÂNCIA, NÃO
DEIXAR DE VOLTAR ATRÁS PARA MANTER A CONSISTÊNCIA
“CIENTIFICA”):
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O simples fato de a raça negra ter sido escrava não é explicação suficiente para o tratamento
discriminativo que lhe deteve a marcha rumo à espiral de ascensão sócio-cultural e sócio-
econômica. As condições em que o negro foi escravizado é que tornaram a escravidão um
estigma de difícil remoção.
O comércio escravista e a exploração do trabalho escravo eram atividades incompatíveis com
uma consciência cristã. Ora, os traficantes de escravos e os escravocratas eram, na sua
maioria, cristãos confessos. A concepção de cristianismo era antagónica à noção do negro
como ser humano. Admitir a natureza humana do negro seria negar a formação cristã dos que
queriam explorá-lo. Tem surgimento então uma das maiores chagas que o homem já abriu no
seio de uma sociedade, com a conivência da Igreja, da Ciência e do Estado: a negação da
natureza humana do negro, que justificou toda espécie de crueldade da parte do branco contra
o negro escravo.
A estigmatização do negro pode ser de natureza religiosa, científica ou filosófica. O regime
escravocrata receberá daquelas fontes o apoio necessário para se consolidar.
Já nos EUA havia um clima tenso derivado aos conflitos de consciência, que urgia neutralizar.
O sul do País era um universo agrícola. Precisava desenvolver-se e o braço escravo era uma
solução, uma resposta para a demanda de mão-de-obra. Então o Sul entregou-se arduamente
à busca de um endosso bíblico para a escravidão do negro e a aceitação social dessa prática.
Pesquisaram e encontraram subsídios para a prática escravista, no Antigo Encontro das
Sagradas Escrituras: a maldição que Noaj (Noé) lançou sobre a descendência de Cam. Reza a
tradição bíblica:

"...E (Noé) bebeu do vinho e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cã, o
pai de Canaã, a nudez de seu pai, e fê-lo saber a ambos os seus irmãos fora. (...) E despertou
Noé do seu vinho, e soube o que o seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã,
servo dos servos seja dos seus irmãos. E disse: Bendito seja o Senhor Deus de Sem; e seja-
lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por
servo (Gên. 9:21 – 27)."

Sabe-se que Canaã não tinha pele negra (?!), nem seus descendentes, que se fixaram na terra
que se tornou conhecida como Palestina. Os cananeus, com o tempo, foram realmente
subjugados pelos israelitas, descendentes de Jafé. Esta subjugação cumpriu a maldição
bíblica, sobre Canaã, mas nada teve a ver com a raça negra. A raça negra proveio dos outros
filhos de Cã, Cus e, provavelmente, também Pute, cujos descendentes se fixaram na África.
Já nos tempos modernos, John Fletcher, de Lousiana, EUA, ensinava que o pecado que
motivou a maldição de Noé sobre Canaã, fora o casamento inter-racial. Canaã ter-se-ia casado
com descendentes da raça maldita de caim.
Em 1.902 AD, a Casa da Bíblia, em Saint Luís, Missouri, EUA, publicou um livro que foi muito
difundido, The Negro, a Beast (O Negro, um Animal). Havia um capítulo intitulado: “Evidência
Bíblica e Científica Convincente de que o Negro Não É Parte da Família Humana”. Também no
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Judaísmo a “Enciclopédia Judaica” dizia que os negros eram assim devido ao fato de Noé ter
tido relações sexuais na arca.
O conceito católico sobre a maldição do negro ainda existia no ano de 1.873 AD, quando o
Papa Pio IX solicitou uma oração em favor dos desgraçados etíopes da África Central, no
sentido de que Deus removesse-lhes do coração a maldição de Cã.
A “Enciclopédia Britânica”, 9ª edição, 1884, diz: “Nenhum homem de puro sangue negro
jamais se distinguiu como cientista, poeta ou artista; e a igualdade fundamental pretendida para
ele por filantropos ignorantes é contraditada por toda a história da raça, durante todo o período
histórico.
A criança negra, via de regra, é tão inteligente quanto às outras variedades humanas; no
entanto, os negros (pretos) sofrem uma ossificação prematura do crânio, que impede todo o
desenvolvimento posterior.”
A Enciclopédia Chamber, edição de 1882, diz que “o negro forma um elo de ligação entre a
ordem mais elevada de macacos e o restante da humanidade”; e o Professor Carleton S. Coon,
ex-Presidente da Associação Americana de Antropólogos Físicos afirma que a raça negra está
atrasada em 200.000 anos em relação a raça branca, na escala da evolução.
Naqueles tempos, e ainda hoje, não era gratificante ouvir as opiniões que contrariavam a teoria
da superioridade racial. REALIDADE: A World Book Enciclopaedia regista que “reinos negros,
altamente desenvolvidos, já existiam em várias partes da África, há centenas de anos. Alguns
dos reis negros e seus nobres viviam em grande opulência e esplendor. Suas capitais, às
vezes, tornavam-se centros de cultura e comércio. Entre 100 e 1600, floresceu uma
universidade em Tombuctu, na África Ocidental, e tornou-se famosa por toda a Espanha, África
do Norte e Oriente Médio.” Tenho dito.

 1.
Rihanna - Disturbia
 2.
Jonas Brothers - Burnin up
 3.
Metallica - The day that never comes
 4.
Linkin Park - Leave out all the rest
 5.
4 Taste - Diz-me que sim
 6.
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X-Wife - On the radio
 7.
Paramore - That's what you get
 8.
Miley Cyrus - 7 Things
 9.
Madonna feat. Pharrell Williams - Give it to me
 10.
Katy Perry - I Kissed a girl
 11.
Pussycat Dolls - When I grow up
 12.
Blasted Mechanism - Destiny ? Play & See
 13.
Jason Mraz - I'm Yours
 14.
Klepht - Antes e Depois
 15.
Dama Bete - Cala-te
 16.
Moonspell - Night Eternal
 17.
Shwayze - Buzzin
 18.
Alicia Keys - Superwoman
 19.
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Sam the Kid - A partir de agora
 20.
Coldplay - Viva la vida
VIDE TAMBÉM O US TOP 20/CADENA 100 DESTE DIA: 03-10-08AD (MUITA BOA MÚSICA
NEGRA)






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“Me l l amo Dari a y me encanta Radi o Pl aneta (del i cast), soy de
Fuengi rol a (Espanha/Spai n) y si empre os estoy escuchando
desde mi casa, el coche y demás... segui d poni endo esos
temazos; xao besos“ (Segue-se 2 fotos de Mari ah Careh):

M

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MA

MAM


/main.php8&g2_imageViewsIndex=1
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O Surgimento do Liberalismo Teológico Parte 2

O Dicionário Aurélio define Evangélico como "Relativo ou pertencente
a certos grupos religiosos, não ligados ao protestantismo histórico,
que afirmam seguir os Evangelhos com especial rigor e fidelidade."
De acordo com esta definição, qualquer grupo, que, originalmente,
não faça parte do protestantismo histórico é considerado evangélico,
porque são seguidores do Evangelho Fundamentalista Tradicional.

Nos séculos XVII e XVIII a Igreja Evangélica [Protestante e não-
Protestante] foi “infectada” por várias formas de incredulidade. O
deísmo inglês, o naturalismo francês, e o racionalismo alemão
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começaram a invadir gradualmente a Igreja, particularmente os seus
Institutos de Ensino. Durante o papado de Pio X muitos Professores
foram expulsos das Universidades Católicas porque rejeitavam a
autoridade da Escritura e da Igreja Católica. O papa Pio X passou a
chamá-los de "Modernistas". O Liberalismo Moderno atravessou o
Atlântico, “infectando” Colégios e Seminários Teológicos vinculados a
igrejas, nos Estados Unidos da América.

A partir daí, os Protestantes passaram também a empregar o termo
Modernistas àqueles que rejeitavam a Bíblia e a autoridade da
Escritura e defendiam a supremacia da razão humana sobre a
revelação bíblica. A Teologia Liberal dos Modernistas mudou a
autoridade da Bíblia para a experiência humana (razão e opinião) e
para os sentimentos humanos. Passaram a defender a imanência
divina em detrimento de sua transcendência divina para ensinar que
Deus habita dentro do mundo e não à parte ou acima do mundo,
levando à uma noção de panteísmo e à paternidade universal de
Deus, com um conceito de fraternidade universal entre os homens e
um universalismo teológico, valorizando, assim, as religiões pagãs.

O liberalismo teológico, por defender a existência inata de uma
bondade humana, trouxe um optimismo humanístico, servindo de
base ao progresso social, ao estado ético da perfeição humana,
dando apoio filosófico à teoria da evolução e apoio político ao
socialismo marxista.

PALAVRAS DE BENTO XVI À DELEGAÇÃO DA ALIANÇA BATISTA MUNDIAL

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos as
palavras que Bento XVI dirigiu nesta quinta-feira, ao receber em audiência uma delegação da
Aliança Batista Mundial.
* * *
Queridos amigos:
Dou-vos minhas cordiais boas-vindas, membros da comissão internacional
patrocinada pela Aliança Mundial Batista e pelo Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos. Agrada-me que tenhais escolhido como
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lugar para vosso encontro esta cidade de Roma, onde os apóstolos Pedro e
Paulo proclamaram o Evangelho e coroaram seu testemunho do Senhor
ressuscitado derramando seu sangue. Espero que vossas conversas tragam
abundantes frutos para o progresso do diálogo e o crescimento do
entendimento e da cooperação entre católicos e batistas.
O tema que haveis escolhido para esta fase de contatos, «A Palavra de
Deus na vida da Igreja: Escritura, Tradição e Koinonia», oferece um
contexto promissor para examinar estas questões historicamente
controvertidas, como a relação entre Escritura e Tradição, a compreensão
do Batismo e dos sacramentos, o lugar de Maria na comunhão da Igreja e a
natureza do primado na estrutura ministerial da Igreja.
Para conseguir nossa esperança de reconciliação e uma maior fraternidade
entre batistas e católicos, é necessário enfrentar juntos temas como estes,
com um espírito de abertura, respeito recíproco e fidelidade à verdade
libertadora e ao poder salvador do Evangelho de Jesus Cristo.
Como crentes em Cristo, nós o reconhecemos como o único mediador entre
Deus e a humanidade (1 Timóteo 2, 5), nosso Salvador, nosso Redentor.
Ele é a pedra angular (Efésios 2, 21; 1 Pedro 2:4-8); e a cabeça do corpo,
que é a Igreja (Colossenses 1, 18). Neste período do Advento, atendemos
sua vinda em espera e oração. Hoje o mundo precisa mais que nunca de
nosso testemunho comum de Cristo e da esperança trazida pelo Evangelho.
A obediência à vontade do Senhor nos estimula constantemente a alcançar
essa unidade tão emotivamente expressa em sua oração sacerdotal: «Que
todos sejam um... para que o mundo creia» (João 17, 21). A falta de
unidade entre os cristãos «contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é
escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da
pregação do Evangelho a toda a criatura» (Unitatis Redintegratio, 1).
Queridos amigos, eu vos transmito meus melhores desejos e vos asseguro
minhas orações para a importante obra que empreendestes. Invoco os dons
do Espírito Santo de sabedoria, entendimento, força e paz sobre vossas
conversas, sobre cada um de vós e sobre vossos entes queridos.
Traduzido por Élison Santos

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Mundo Evangélico
Aliança Baptista Mundial comemora centenário em Birmingham
03/08/2005
Cerca de 12 mil baptistas de 130 países reuniram-se, em Birmingham (Grã-
Bretanha), para participar do Congresso do Centenário da Aliança Baptista Mundial
(ABM). Ao final do evento, foi emitido um documento, denominado “Mensagem de
Birmingham”, para reafirmar os princípios baptistas.

A primeira sessão do evento foi marcada por um espectáculo artístico com as
temáticas africana e asiática. A apresentação foi organizada para homenagear o
actual presidente da Aliança Batista Mundial, o britânico David Coffey, e o ex-
presidente, o coreano-norte-americano Billy Kim. O jornalista espanhol Manuel
López, que participou do congresso, afirmou que Coffey pode retornar ao Ocidente
na liderança de alguma igreja baptista.

A ABM representa 160 uniões nacionais, totalizando 34 milhões de baptistas.
Estima-se que este número chega a influenciar 80 milhões de pessoas em todo o
mundo. No último verão, a Convenção Baptista do Sul dos Estados Unidos anunciou
sua retirada da ABM, mas, segundo os organizadores, isto não desanimou o
encontro.

O centenário baptista é consequência do trabalho de unificação realizado por
William Carey, em 1810. Conhecido como o “pai” das missões modernas, ele
incentivou os cristãos a se encontrarem ecumenicamente.
A Propósito do Recente Diálogo entre Batistas e Católicos Romanos
17 DEZEMBRO 2007
COMENTÁRIO FUNDAMENTALISTA
A Aliança Batista Mundial teve início em 1905, e desde o
evento organizador ela recebeu o apoio de batistas no Brasil.
Líderes batistas brasileiros já têm ocupado a sua presidência e
tomado assento nos comitês diretivos, e grandes eventos e
celebrações têm sido promovidos no Brasil.
John Clifford (1836-1923), pastor em Londres e presidente da
União Batista Britânica, foi o primeiro presidente (1905-1911)
da Aliança Batista Mundial. A intenção era a de criar uma instituição que pudesse servir de
fraternidade entre os batistas em todo o mundo.
Hoje, a ABM (BWA - Baptist World Alliance) engloba 214 agremiações batistas, e a organização
estima que tais agremiações compõem-se de “36 milhões de crentes batizados e uma
comunidade de 105 milhões”. É notícia alardeada a de que, na chamada Cristandade, "católicos
romanos e batistas formam os dois maiores grupos”. No Brasil, integram a Aliança Batista
Mundial a Convenção Batista Brasileira e a Convenção Batista Nacional. São estas as duas
maiores agremiações batistas no Brasil. A segunda, organizada em 1967, resultou de uma
dissidência doutrinal na primeira, e é definidamente carismática. A primeira, organizada em
1907, ainda é formada por boa parte dos evangélicos batistas conservadores, embora abrigue
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um leque bem diversificado, que vai desde pentecostais em diversos estágios até pessoas com
aproximações em níveis diferenciados com o liberalismo teológico.
É desnecessário dizer que hoje a Aliança Batista Mundial engloba grupos bastante heterodoxos,
e sem qualquer compromisso com a histórica identidade confessional dos batistas. Se alguns
são chamados de “batistas” isto se deve a razões reduzidamente pontuais, ou por algum
casuísmo, ou por mera herança ou identificação histórica – em alguns casos por alguma nada
feliz “ironia da história”. Não há como ignorar o fato de que alguns são definidamente apóstatas
ou inimigos declarados da fé reformada. Ao longo dos anos, especialmente nas últimas décadas,
alguns fatos vêm conduzindo a ABM a um contexto de crescente desmoralização. Aqui e ali se
multiplicam os críticos, embora a sobriedade das críticas também expresse igual variação.
UM APERTO DE MÃO
Em tempos mais recentes, o “diálogo” entre a Aliança Batista Mundial e o Vaticano vem se
intensificando. Em novembro de 1996, o pastor brasileiro Nilson do Amaral Fanini, presidente da
ABM à ocasião, e o Secretário Geral Denton Lotz, se reuniram com o Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos (PCPCU - Pontifical Council for Promoting Christian Unity) em
Roma. Fanini teria declarado “que a situação mundial trouxe um novo clima e que mais
conversas poderiam ser iniciadas”. Ambos os líderes se encontraram com o papa João Paulo II,
pontífice romano entre outubro de 1978 e abril de 2005.
Em dezembro de 2001, treze líderes batistas e nove líderes católicos romanos se reuniram no
Seminário Teológico Batista Internacional, em Buenos Aires, Argentina, num encontro
promovido pelo PCPCU em Roma e pela Aliança Batista Mundial. Participaram do encontro os
líderes batistas brasileiros Fausto Aguiar de Vasconcelos, à ocasião pastor da Primeira Igreja
Batista do Rio de Janeiro e presidente da UBLA (União Batista Latino-Americana) e da
Convenção Batista Brasileira, e Nilson do Amaral Fanini, à ocasião pastor da Primeira Igreja
Batista de Niterói (RJ). Na plataforma do encontro entre batistas e católicos, concluiu-se pela
“necessidade de um testemunho comum para nossa fé em Jesus Cristo”.
O início das conversações antecedeu, contudo, aos eventos acima. Na reunião da Aliança Batista
Mundial em Porto Rico, em 1981, o pastor batista brasileiro, Dr. Ebenézer Soares Ferreira, teria
se oposto à proposição de diálogo entre a ABM e a ICAR. Sua voz não teve acolhimento,
contudo. Um relatório, cobrindo as conversações no período 1984/1988, foi publicado em 1990
com o título “Summons to Witness to Christ in Today's World”. Notícia veiculada pela ABM dava
conta de que os dois corpos estavam "convencidos de que os contatos e discussões entre as
duas comunidades são de imenso valor" e que deveriam continuar. E de fato os encontros
prosseguiram e também se intensificaram.
Na Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, que era o principal membro e um dos
proeminentes fundadores da ABM, os diálogos com o Catolicismo Romano já obtinham algum
lugar. Há, inclusive, um documento de 1989, da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados
Unidos, sobre seus pontos de acordo com scholars da Convenção Batista do Sul: Agreed
Statement of Southern Baptist-Roman Catholic Scholars. Em junho de 2004, entretanto, no
curso desta nova orientação conservadora que vem assumindo, a Convenção do Sul decidiu por
afastar-se da Aliança Batista Mundial, fato amplamente noticiado pela imprensa secular,
inclusive no Brasil. Desta maneira a ABM perdeu o seu maior e um dos mais engajados
membros, que lhe provia cerca de 35% da planilha orçamentária.
Na última década, o movimento Evangelicals and Catholics Together (Evangélicos e Católicos
Juntos) teve ampla repercussão, inclusive por contar com a assistência de conceituados líderes
no mundo evangélico, e mesmo reformados. As publicações se multiplicaram (Cf. o e-book
Catholics and Evangelicals, de Thomas P. Rausch, 2000, 192p).
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Voltando à Aliança Batista Mundial: Em julho de 2005, cerca de nove mil batistas, oriundos de
130 países, reuniram-se em Birmingham, Inglaterra, no centro desportivo da cidade, para
participar do Congresso do Centenário da ABM. Se o congresso de fundação, realizado em 1905,
em Londres, contou com a participação de 2,5 mil delegados, dos quais somente 750 eram de
fora da Grã-Bretanha, no congresso do centenário, dentre os cerca de nove mil participantes de
diversas nacionalidades, 3,2 mil eram britânicos. Ainda sob o impacto do afastamento da
Convenção do Sul, o congresso emitiu uma declaração final, denominada "Mensagem de
Birmingham", um texto de trinta e sete pontos trabalhados pelo Comitê de Resoluções da ABM.
O secretário geral do organismo, Denton Lotz, definiu a declaração como "uma afirmação dos
princípios batistas". A declaração proclamou o ecumenismo como "arrependimento por não ter
orado e trabalhado duro o bastante pelo cumprimento da oração de Cristo pela unidade da
Igreja". E conclamou a comunidade batista mundial a orar e trabalhar na promoção da unidade
dos cristãos. Alguns meses antes, mais especificamente no início de abril, no sepultamento de
João Paulo II (Karol Wojtyla) em Roma, os representantes da ABM, conduzidos por Lotz,
reconheciam o papa como "um cristão sincero", "homem devotado a Cristo" e "comprometido
com o seu evangelho", e reiteravam sua expectativa de novas conversações teológicas.
No que concerne aos diálogos entre a Aliança Batista Mundial e o Vaticano (PCPCU- Pontifical
Council for Promoting Christian Unity), as duas recentes rodadas têm chamado a atenção de
diversos líderes batistas ao redor do mundo. A primeira rodada aconteceu nos Estados Unidos,
na Beeson Divinity School em Birmingham, Alabama, em dezembro de 2006. O grupo batista foi
conduzido por Denton Lotz, Secretário Geral da ABM, e por Paul Fiddes, do Regent's Park
College da Universidade de Oxford, relator da comissão da ABM que tinha a gestão específica do
diálogo (Commission on Doctrine and Inter-Church Cooperation). Antes, porém, consultas e
encontros preparatórios foram realizados, inclusive em Curitiba, no Brasil, em abril daquele ano.
À ocasião do evento no Alabama, Lotz salientou aos presentes a sua satisfação em que “Fausto
Vasconcelos, anteriormente presidente dos batistas brasileiros e o novo diretor da Divisão de
Estudo e Pesquisa da ABM, seria o liaison officer da ABM para estas conversações”. Além do trio
Lotz, Fiddes e Vasconcelos, outros líderes batistas de renome integravam a comitiva batista;
entre eles, Neville Callam, pastor jamaicano eleito para suceder Lotz na Secretaria Geral da
ABM, e Dr. Timothy George, conhecido teólogo reformado da anfitriã Beeson Divinity School,
Samford University, Birmingham, Alabama. Dr. George teria apresentado no evento um paper
cujo tema foi “Scripture and Tradition: An Evangelical Baptist Perspective” (Escritura e Tradição:
Uma Perspectiva Evangélica Batista). O órgão do Vaticano (PCPCU) foi representado por Arthur
Serratelli, bispo Católico Romano da Diocese de Paterson, New Jersey, e mais oito
representantes católicos. No encontro foi agendada a segunda rodada de conversações para
este ano de 2007, e os diálogos foram previstos para serem concluídos em dezembro de 2010.
Após um processo que tivera início em dezembro de 2006, em 06 de julho de 2007 o líder
religioso caribenho e dirigente da União Batista da Jamaica, Neville Callam, foi eleito para
suceder Denton Lotz na secretaria geral da ABM (Lotz, que tem ocupado a secretaria geral da
ABM desde 1988, está aposentando-se neste mês de dezembro). Callam é "o primeiro
secretário-geral não procedente dos Estados Unidos nem da Europa anglo-saxã na história da
ABM. Ele é afrodescendente, teólogo formado em Harvard, e batista ecumênico. Tem sido um
dos teólogos de referência no Concílio Mundial de Igrejas (CMI)". Na Comissão Plenária de Fé e
Ordem (Faith and Order Plenary Comission), reunida em Kuala Lumpur, Malásia, em 2004,
Callam apresentou uma conferência sobre o tema de estudo no qual é tido como uma
autoridade no mundo ecumênico: “o reconhecimento mútuo do batismo”. A celebração da
chamada Convenção do Novo Pacto Batista, que vem alardeada com o apoio, entre outros, dos
ex-presidentes dos Estados Unidos Jimmy Carter e Bill Clinton, anunciada para o próximo mês
de janeiro, será o primeiro cenário no qual Callam terá de comparecer depois de receber a
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166
tarefa das mãos de Lotz.
Bento XVI, o novo pontífice romano, impulsionou grandemente a segunda rodada desta
segunda série de diálogos entre o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos
e a Aliança Batista Mundial. Essa aconteceu em Roma, dias atrás, a saber, de 2 a 8 de
dezembro. O tema desta fase de contatos é “A Palavra de Deus na vida da Igreja: Escritura,
Tradição e Koinonia”. Para “avançar na reconciliação e na fraternidade entre batistas e
católicos”, o Papa considerou que “é necessário enfrentar juntos temas como estes, com um
espírito de abertura, com respeito recíproco e fidelidade à vida libertadora e ao poder salvador
do Evangelho de Jesus Cristo”. E arrematou: “Hoje o mundo precisa, mais do que nunca, de
nosso testemunho comum de Cristo e da esperança trazida pelo Evangelho”.
A comitiva batista no Vaticano foi conduzida por Fausto Aguiar de Vasconcelos,
Diretor da Divisão de Estudos e Pesquisas da ABM (Study and Research - S&R
Division), e incluiu a liderança maior do organismo representativo batista. O
teólogo Timothy George continuava a integrar o comitê na condição de membro
permanente.
O documento oficial do Vaticano, que explicita os propósitos da ICAR para o
diálogo com os batistas, encontra-se publicado em inglês no portal do Vaticano
na internet: ”Catholic-Baptist Relations”. O documento vem assinado pelo
Monsenhor John A. Radano, do PCPCU. Nele, o processo de conversações é
historiado. O Vaticano expressa sua “crescente confiança no diálogo”, e reitera a
“crescente influência do movimento ecumênico em geral”.
Aqui no Brasil, a notícia desta segunda rodada de conversações tem produzido
algum impacto entre setores do evangelicalismo (notadamente alguns líderes
pentecostais), alguns dos quais, inclusive autonomeados “apóstolos”, acusam os
batistas em geral de apóstatas.
SOB O BÁCULO DO PONTÍFICE ROMANO
Alguns leitores batistas, ou evangélicos em geral, poderão reagir confusos
diante do quadro que vem se configurando. E com razão. Por um lado, o Papa
Bento XVI discursa que a ICAR é a Igreja verdadeira e que católicos romanos
não devem ter comunhão formal com protestantes. Por outro lado, tem-se
notícias deste tipo de diálogo. Incoerência?
Uma leitura cuidadosa de todo o processo ecumênico gerido pelo Vaticano há de
constatar, não obstante, que se há incoerência, essa não parece estar do lado
de Roma. Apesar da avançada idade, o pontífice romano não parece acometido
de senilidade. Em rigor, para a visão católica oficial (o que inclui a do ex-cardeal
Joseph Ratzinger, atual Bento XVI) os protestantes são sectários, uma espécie
de ovelhas desgarradas do rebanho, insubmissas ao bordão apostólico,
representado pelo trono de São Pedro. Enfim, o ecumenismo romano, neste
sentido, não tem pretendido qualquer tipo de concessão no seu latino sistema
papal, sacramental e mariolátrico, isto para nos determos apenas nestes três
aspectos de sua espinha dorsal. Cabe lembrar, a esta altura, que em Roma é a
autoridade da Igreja que está sobre o rebanho, e não a autoridade da Escritura.
Enquanto os protestantes insistem que o instrumental para a Cabeça viabilizar o
governo é a Escritura, os católicos romanos, apelando para a idéia de uma
ininterrupta sucessão apostólica na história, dizem que o instrumental é a
própria Igreja, da qual a Escritura se deriva. "A mãe da Escritura é a Igreja", é
lema de teólogos romanos, e “o bispo de Roma o herdeiro direto do apostolado
cristão”. Dentro do sistema católico-romano, Pedro é considerado mais do que
MASSIACH 1
167
apóstolo e servo de Jesus Cristo; ele é designado como “representante de Cristo
na terra, fundamento da sua Igreja... O pastor universal de todos em nome de
Cristo”, o primeiro na linhagem dos papas da ICAR.
Se o leitor se dispuser a fazer uma pesquisa histórica do "diálogo entre católicos
e evangélicos", provavelmente há de constatar que a Igreja Romana, em geral,
tem sido consistente. Procure o leitor por algum documento oficial da Igreja
Romana, em que ela, como resultado dos tais diálogos, faz concessões
formais aos chamados Solas da Reforma Protestante. Se o leitor não encontrar,
talvez será levado a constatar que a ICAR não tem essa intenção, e, a bem da
verdade, nunca disse que tivesse. O mesmo não se pode dizer
dos grupos convocados para o diálogo... Se por um lado é verdade que Roma
não se aproximou deles, dá-se o contrário quase que invariavelmente.
Agora, no Vaticano, estão os batistas da ABM praticando esses ideais
ecumênicos, e buscando “atenuar essa imagem dos batistas como ´fechados`
ou ´sectários`.” De fato, no século XVII os batistas britânicos sustentaram uma
posição bastante diferente, conforme a Segunda Confissão de Fé Batista
Londrina, 1677/1689, que veio endossada ao longo dos anos por batistas ao
redor do mundo:
O papa de Roma não pode, em qualquer sentido, ser o cabeça da Igreja; ele é o
anticristo, o homem da iniqüidade e filho da perdição, o qual se opõe e se
levanta contra Cristo e contra tudo que se chama Deus, a ponto de assentar-se
no santuário de Deus, como se fosse o próprio Deus. O Senhor Jesus o matará
com o sopro de sua boca.
Aqueles antigos batistas estavam cientes de que a perspectiva romana era
diametralmente diferente. No Concílio Ecumênico de Florença (1438-1445), a
Igreja Romana publicara o seu dogma, ratificado ao longo da história:
A cátedra apostólica e o pontífice romano mantêm supremacia sobre o mundo
todo; o pontífice romano é o sucessor de Pedro, o príncipe dos apóstolos,
verdadeiro vigário de Cristo, e cabeça da igreja; ele é o pai e mestre de todos
os cristãos; e, em Pedro, lhe é outorgado poder integral, por nosso Senhor
Jesus Cristo, para nutrir, dirigir e governar a igreja universal, em conformidade
com o que se acha contido nos atos dos concílios gerais e nos santos cânones
(Cf. Sessão VI, de 6 de julho de 1439).
Como foi dito, esta posição tem sido ratificada ao longo dos anos, como no
Concilio Vaticano I, de 1870, onde se declara que “se alguém disser que Pedro
recebeu de Jesus Cristo somente uma supremacia de honra e não de jurisdição
real e verdadeira, seja anátema”. A despeito do pretendido aggiornamento da
Igreja, a partir do pontificado de João XXIII (1958-1963), o Concílio Ecumênico
Vaticano II pôs em destaque a autoridade pontifícia, e nele a unidade dos
cristãos é defendida sob o báculo do pontífice romano. O decreto Unitatis
Redintegratio, evocado por Bento XVI em sua palavra de saudação à comitiva
batista no início do mês, é datado de 21 de novembro de 1964, e emanou do
Concílio Vaticano II. Este documento simplesmente reedita as orientações do
papa Pacelli (Pio XII), quando, na alínea 24, lembra o objetivo primacial do
ecumenismo romano, qual seja, o de “conciliar todos os cristãos na unidade de
uma só e única Igreja de Cristo”. E, conforme a Constituição Dogmática Lumen
Gentium, aprovada, decretada e estatuída naquele mesmo dia de 1964, pelo
Vaticano II, “esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma
MASSIACH 1
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sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos
Bispos em comunhão com ele” (§ 8). E acrescenta:
...embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de
santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de
Cristo, impelem para a unidade católica (Cf. texto em português, no portal do
Vaticano na Internet: Lumen Gentium).
Ainda no mesmo Unitatis Redintegratio, citado na bênção papal à comitiva da
ABM, documento específico sobre as normas adotadas na ação ecumenista, os
bispos do Vaticano II salientam na alínea 3:
Contudo, os irmãos separados, quer os indivíduos quer as suas Comunidades e
Igrejas, não gozam daquela unidade que Jesus quis prodigalizar a todos os que
regenerou e convivificou num só corpo e numa vida nova e que a Sagrada
Escritura e a venerável Tradição da Igreja professam. Porque só pela Igreja
católica de Cristo, que é o meio geral de salvação, pode ser atingida toda a
plenitude dos meios salutares. Cremos também que o Senhor confiou todos os
bens da nova Aliança ao único colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, com o
fim de constituir na terra um só corpo de Cristo. É necessário que a ele se
incorporem plenamente todos os que de alguma forma pertencem ao Povo de
Deus (Cf. texto em português, no portal do Vaticano na Internet: Unitatis
Redintegratio).
E delimitam o escopo ecumenista por parte dos católicos romanos, na já
mencionada alínea 24:
Este sagrado Concílio exorta os fiéis a absterem-se de qualquer zelo superficial
ou imprudente que possa prejudicar o verdadeiro progresso da unidade. Com
efeito, a sua ação ecumênica não pode ser senão plena e sinceramente católica,
isto é, fiel à verdade que recebemos dos Apóstolos e dos Padres, e conforme à
fé que a Igreja católica sempre professou (Unitatis Redintegratio).
Hoje, se alguma dúvida pairar sobre a posição oficial de Roma acerca deste
ponto, o documento "Respostas a questões relativas a alguns aspectos da
Doutrina sobre a Igreja", datado de 29 de junho deste ano, e divulgado pela
mídia em 10 de julho, é suficiente para dirimi-la. Nele, os documentos do
Vaticano II citados acima, e outros posteriores, são ratificados ou recebem
interpretação explícita e detalhada:
Enquanto, segundo a doutrina católica, é correto afirmar que, nas Igrejas e nas
comunidades eclesiais ainda não em plena comunhão com a Igreja católica, a
Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e
de verdade nelas existentes, já a palavra "subsiste" só pode ser atribuída
exclusivamente à única Igreja católica, uma vez que precisamente se refere à
nota da unidade professada nos símbolos da fé (Creio… na Igreja "una"),
subsistindo esta Igreja "una" na Igreja católica...
Como porém a comunhão com a Igreja católica, cuja Cabeça visível é o Bispo de
Roma e Sucessor de Pedro, não é um complemento extrínseco qualquer da
Igreja particular, mas um dos seus princípios constitutivos internos, a condição
de Igreja particular, de que gozam essas venerandas Comunidades cristãs, é de
certo modo lacunosa.
Por outro lado, a plenitude da catolicidade própria da Igreja, governada pelo
Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, encontra na divisão
dos cristãos um obstáculo à sua realização plena na história...
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Quinta questão: Por que razão os textos do Concílio e do subseqüente
Magistério não atribuem o título de "Igreja" às comunidades cristãs nascidas da
Reforma do século XVI?
Resposta: Porque, segundo a doutrina católica, tais comunidades não têm a
sucessão apostólica no sacramento da Ordem e, por isso, estão privadas de um
elemento essencial constitutivo da Igreja. Ditas comunidades eclesiais que,
sobretudo pela falta do sacerdócio sacramental, não conservam a genuína e
íntegra substância do Mistério eucarístico, não podem, segundo a doutrina
católica, ser chamadas "Igrejas" em sentido próprio (Cf. texto em português, no
portal do Vaticano na Internet: Respostas...).
Não é nova a tentativa da ICAR de trazer de volta ao seu seio os “herejes” ou,
na linguagem ecumênica atual, “os irmãos separados” e suas "venerandas
Comunidades cristãs". Já no Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, no
qual foram ratificados os dogmas católicos da igreja contra-reformada, quis o
papado a participação dos reformadores no conclave. Antes de Lutero, Roma
não dialogava com os cristãos dissidentes, mas fazia prevalecer a sua
autoridade férrea. John Wycliffe (1320-1384) e Jan Huss (1369-1415) são
testemunhos deste fato. E mesmo depois do Concílio Tridentino, milhares de
outros testemunhos, vestidos de sangue, têm se erguido, inclusive em nosso
país, conforme a saga de nossos pais na batalha da fé. Como dissemos, da
parte do Vaticano nenhum passo consistente tem sido dado na direção da fé
evangélica, desde a Reforma. Pelo contrário, novas doutrinas e práticas,
igualmente antibíblicas, foram adicionadas ao credo católico-romano:
incorporação dos livros apócrifos ao Cânon (1546), chamados pela ICAR de
Deutero-canônicos; dogma da Imaculada Conceição de Maria (1854); a doutrina
da infalibilidade papal (1870); o dogma da assunção de Maria (1950), etc. E o
que dizer da idolatria mais vil e grosseira? No que diz respeito à sua espinha
dorsal, Roma vem mantendo alguma consistência. Ela não mudou. O mesmo já
não pode ser dito de algumas igrejas do mundo evangélico-protestante.
O EXERCÍCIO PASTORAL E APOLOGÉTICO
É preciso assumir, a bem da honestidade, que o movimento ecumênico no seio
do evangelicalismo/protestantismo tem um leque diversificado, e esta questão
pode não ser tão simples quanto talvez pareça a alguns. As bases da plataforma
ecumênica da ABM, especificamente, podem ser encontradas nos textos
publicados em seu portal na internet, e o leitor interessado poderá debruçar-se
sobre eles de forma mais analítica. Ainda assim, uma breve palavra pode ser
dada acerca do leito principal do movimento.
O atual movimento ecumênico utiliza o Credo Niceno-Constantinopolitano e o
Credo Apostólico como a base para sua proposta de "Fé e Ordem". Verifique o
"Documento de Estudo da Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de
Igrejas", publicado no Brasil pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs).
O título em português é "A Confissão da Fé Apostólica".[6] Desde 1888, na
Terceira Conferência de Lambeth, o movimento ecumênico vem assumindo “o
Credo Apostólico, enquanto símbolo batismal, e o Credo Niceno, na qualidade de
declaração suficiente da fé cristã". Assim, o movimento ecumênico remete-se à
Igreja no período patrístico.
De princípio, a tarefa de estudar os Pais da Igreja, numa confrontação com o
Catolicismo Romano, em seus desenvolvimentos (1) medievais; (2) tridentinos;
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(3) ultramontanos; e (4) contemporâneos (após João XXIII e o Concílio Vaticano
II) é algo que não deve ser desencorajado. Atente, porém, o leitor para o fato
de que a grande maioria das obras no período dos Pais da Igreja, inclusive os
chamados Credos Ecumênicos, é material apologético. Em outras palavras, a
unidade ou "ecumenicidade" que eles almejavam, certamente, não podia
prescindir de uma sólida fundamentação na verdade. Eles aspiravam por ambas
as coisas, por isso seus escritos são apologéticos, e foram coligidos para livrar a
igreja do erro, claramente visando eliminá-lo de seu seio. A sua apologética,
portanto, não está em posição diametral à sua ecumenicidade; ao contrário,
coordena-se com ela e explica-se por ela.
Outro aspecto que deve ser considerado é que os cristãos primitivos, em
particular os líderes cristãos patrísticos, não negligenciaram o seu lugar naquela
geração. Isto é importante, pois se há uma lição que podemos aprender com
eles é sermos perceptivos quanto aos desafios de nossa geração. Neste aspecto,
a forma como autores como Tertuliano e Cipriano lidaram com alguns
problemas é bem diferente da forma como lidaram Agostinho e Crisóstomo. E
isto não apenas por uma questão de ênfase, mas pela necessidade de se estar
atento ao contexto. Por exemplo: para cristãos do tempo de Cipriano, a cidade
de Roma é a "Babilônia" e para cristãos do tempo de Jerônimo a cidade de
Roma é a "Jerusalém". Enfim, não se deve considerar os Pais da Igreja sem
atentar diligentemente para esta dinâmica interna e histórica.
Nesta perspectiva, repito, "a tarefa de estudar os Pais da Igreja numa
confrontação com o catolicismo romano, em seus desenvolvimentos (1)
medievais; (2) tridentinos; (3) ultramontanos; e (4) contemporâneos (após
João XXIII e o Concílio Vaticano II) é algo que não deve ser
desencorajado". Deixar de fazê-lo é simplesmente negar um princípio básico
que foi-nos legado pela Patrística, e, de fato, desde o Novo Testamento. Se por
um lado o desafio de esforçar-se por uma Igreja Una deve ser considerado, por
outro isto não está em contraposição a um exercício apologético contemporâneo
e contextual. Se aqueles não fecharam os olhos para o que a história antes
deles havia estragado, e mesmo para os ataques e investidas em sua própria
geração, porque deveríamos nós fazê-lo? Em nosso caso, haveria como apagar
mil e quinhentos anos de história? Certamente que não. Enfim, creio que todos
podemos aprender da Patrística, realmente, inclusive a Igreja Romana. Mas isto
não diz respeito apenas ao conteúdo da exegese e confessionalidade patrística,
mas também ao seu exercício pastoral e apologético. Ser pastor significa
conduzir o rebanho, esforçando-se por prover-lhe o alimento e por oferecer-lhe
a proteção contra os perigos. Nosso Senhor Jesus Cristo utilizou esta palavra em
João 10.11,14 para descrever sua própria obra, sendo sempre Ele mesmo, o
sumo Pastor (Hb 13.20; 1Pe 2.25; 5.4), sob quem os homens são chamados a
pastorear "o rebanho de Deus" (1Pe 5.2; Jo 21.15; At 20.28). Aos presbíteros
compete, individual e coletivamente, vigiar diligentemente pelo rebanho
entregue aos seus cuidados, de tal forma que nem a corrupção da doutrina nem
a da moral penetre na igreja. É preciso apascentar as ovelhas, apartar os bodes,
afugentar os lobos, e postar-se alerta em relação ao salteador e ao mercenário.
Há, portanto, uma lição, insisto: A apologética cristã na patrística não está em
contraposição à sua ecumenicidade. Se a igreja cristã, durante a Patrística,
esforçava-se para manter a unidade, não o fez ao custo de sua vocação
profética e pastoral, e não declinou da apologética. Também, na leitura do
MASSIACH 1
171
patrístico, não convém forçar a realidade, pois já vinham se acentuando as
diferenças entre os lados grego e latino, processo que alcançará seu ápice na
Idade Média. Um exemplo específico pode ser percebido nas três escolas de
hermenêutica, a saber, a alexandrina, a antioquiana, e a ocidental. Outros
exemplos poderiam ser dados. Enfim, o ideal de uma igreja una, "ecumênica"
(no sentido afirmativo da palavra), manifestou-se claramente na apologética,
em prol de uma unidade ortodoxa - naquele contexto, particularmente uma
ortodoxia trinitária e cristológica.
Portanto, quando o movimento ecumênico, orbitando ao redor do Conselho
Mundial de Igrejas, nos conclama a aprendermos da igreja patrística, convém
considerarmos que, desde os dias apostólicos, uma Igreja ortodoxa não será
viável sem que seja, igualmente, uma Igreja apologética. Uma apologética
que leve em consideração os desafios de sua geração, e não negligencie seu
lugar na história. "O pequeno problema de ontem já não é mais um pequeno
problema hoje". Por isto, além de Nicéia, houve também Calcedônia, Éfeso, etc.
Esta é uma questão que merece a consideração atenta dos evangélicos
reformados, particularmente dos batistas. Os evangélicos britânicos C. H.
Spurgeon (1834-1892) e Martin Lloyd-Jones (1899-1981) lidaram com esta
questão, em seus respectivos contextos, e há lições que podemos aprender com
ambos. O livro “O Spurgeon que foi esquecido” pode ser útil à atual geração
batista. Entre os muitos fatos envolvendo o desligamento de Spurgeon da União
Batista, há o ocorrido em 13 de janeiro de 1888, quando ele recebeu no
Tabernáculo Metropolitano uma delegação da União. Entre os quatro membros
da comissão estava o presidente eleito, John Clifford, que viria a ser o principal
idealizador da futura ABM, e seu primeiro presidente. Os quatro homens
pediram a Spurgeon que reconsiderasse sua saída da União, conforme se
processava desde outubro do ano anterior. Spurgeon propôs que a União
adotasse uma declaração de fé evangélica. A delegação recusou a proposta.
Cinco dias mais tarde, todo o Conselho da União Batista se reuniu. Nesta
ocasião votaram a aceitação da saída de Spurgeon. Também votaram censurá-
lo editando uma resolução que condenava as ações dele. Para uma visão
histórica do conceito de “Fé e Ordem” para a identidade e unidade batista,
acesse também o material aqui em Ex Corde, Fé e Ordem; Identidade e Unidade
na história batista (1) (PDF 32 páginas).
Sobre Lloyd-Jones, recomendo a leitura de uma postagem anterior aqui em Ex
Corde: Vinte e Cinco Anos desde o falecimento de D. Martyn Lloyd-Jones (1899-
1981); Lloyd-Jones e a Base da Unidade Cristã. Quanto ao mais, tenho crido
que a Aliança de Evangélicos Confessionais, ao propor a plataforma dos Cinco
Solas, colocou algumas bases seguras para o cenário contemporâneo. As
conclusões daqueles teólogos têm ainda algumas tensões por
serem consideradas, mas eles ofereceram balizas muito importantes. Leia a
seguinte postagem anterior: Os Cinco Solas e o Âmago da Identidade
Evangélica.
Geoffrey Thomas, conhecido escritor e conferencista, e pastor batista no País de
Gales, publicou em junho de 1994 um interessante artigo no periódico britânico
Evangelical Times, tratando do incipiente movimento Evangelicals and Catholics
Together (Evangélicos e Católicos Reunidos). Destaco abaixo uma parte do
artigo:
MASSIACH 1
172
Afirme-se aqui que este documento não seria necessário para confirmar o fato
de que Evangélicos e Católicos Romanos podem conviver em paz e em harmonia
(...). Porém, os nossos entendimentos do evangelho de Cristo e do caminho da
salvação se diferem extremamente.
Um exemplo destas diferenças é a instituição do papado. O presente documento
possui duas singelas referências ao papa: 1) “ Conversas mutuamente
respeitosas entre mulçumanos e Cristãos devem ser encorajadas na esperança
de que, assim, o mundo irá, conforme as reiteradas palavras do Papa João Paulo
II, „abrir as portas à Cristo‟”. E, ainda, 2) “ Nós nos regozijamos juntos pelo fato
de a Igreja Católica Romana ser fortemente comprometida com a liberdade
religiosa – conforme afirmado no Segundo Concílio Vaticano e fortemente
exemplificado no ministério de João Paulo II”.
Cumpre dizer, no entanto, que Roma, sem o papado é como uma roda sem seu
eixo. Imagine a seguinte situação: um polonês, idoso e solteirão, passa a
freqüentar a sua igreja batista. Você então fica sabendo que o nome dele é Sr.
Wjotyla. Ele tem um semblante sereno e nobre. E ele lhe diz que Jesus Cristo é
seu Salvador e que é o Filho de Deus. O mesmo senhor lhe afirma ainda ser
contrário à prática do aborto, e ademais, ser contra o controle de natalidade.
Tampouco aceita o sacerdócio de mulheres. Depois de algum tempo, o Sr.
Wjotyla faz formalmente o seu pedido de ingresso à membresia. Os presbíteros
estão todos muito impressionados com este homem culto, gentil e que ama o
Senhor Jesus. “Há mais alguma coisa que você queira nos dizer?”, você
pergunta. “Bem, há uma coisa”, ele responde, “eu sou a cabeça da Igreja e o
representante especial de Cristo e seu porta-voz para o mundo. Existem
ocasiões em que eu falo de Sua parte – embora não seja com muita freqüência
– e, neste caso, você terá que, forçosamente, crer no que eu falo, pois a
mensagem vem diretamente de Jesus.”
Você então sorri com um certo embaraço por conta deste gracejo de mau
gosto. Ele, contudo, não. Você então pergunta o que ele quis dizer com sua
afirmação e constata que ele quis dizer exatamente aquilo disse. O ancião
polonês pensa que ele é, de fato, a cabeça da igreja universal e crê que esta
autoridade lhe foi conferida diretamente por Cristo e, no calor de sua convicção,
ele pronuncia um anátema sobre qualquer dos presbíteros que ouse discordar.
Ele acrescenta: “Qualquer um que diga que o Pontífice de Roma tem apenas o
ofício de inspeção ou direção, mas não detém o absoluto e supremo poder de
jurisdição sob toda a igreja, não somente em questões relativas à fé e moral,
mas também em questões relativas à disciplina e governo da Igreja de todo o
mundo; ou se alguém disser que ele tem somente a mais importante parte, mas
não possui o completo, absoluto e supremo poder; ou, ainda, se alguém afirma
que esse poder não é algo ordinário ou imediato sobre cada um e sobre todos
os fiéis, pastores ou membros, seja anátema.”
Ainda assim, você pacientemente tenta mais uma vez: “Você diz que confia nos
méritos da misericórdia de Cristo. Como esses méritos então alcançam os
pecadores?” O ancião responde: “Eu creio que a igreja comunica os méritos de
Cristo aos pecadores através da missa e dos sacramentos, e por todas as
orações e boas obras dos fiéis. É a igreja que reconcilia os pecadores com Deus.
Os sacramentos são necessários para a salvação.”
MASSIACH 1
173
Você então lhe indaga: “Se você vem a nossa Ceia do Senhor, como você a
entende? Você crê na obra consumada de Cristo?” Ele então cita com
proficiência as palavras do Catecismo do Concílio de Trento: “O santo sacrifício
da missa não é somente um sacrifício de louvor e de ações da graças, ou uma
mera celebração do sacrifício da cruz, mas é também um verdadeiro sacrifício
propiciatório, através do qual Deus é pacificado e torna-se propício a nós.”
Você contempla com horror a sua convicção tão inflamada à medida que ele
repete aquelas palavras; você sabe que não há maneira alguma de que ele,
defendendo tais ilusões, possa tornar-se membro de sua igreja ou de juntar-se
à Mesa do Senhor. Ele está terrivelmente confuso; poderá ser que esteja em
desvario; e se ele buscar persuadir outros cristãos a crerem nessas coisas a seu
respeito precisará receber oposição. Você teme pela condição espiritual dele,
afinal. O que significaria para qualquer cristão acordar de manhã com a seguinte
percepção: “Eu sou o representante especial de Jesus Cristo no mundo e falo
em seu nome?” Você o colocaria sob disciplina eclesiástica e o proibiria de
compartilhar suas noções a respeito de si mesmo com qualquer que seja, dentro
ou fora de igreja. Este seria o fim da união entre vocês e o Sr. Wjotyla. E de
quem é a culpa?
Sobre este documento de união, o Evangélicos e Católicos Reunidos, o líder
carismático e pré-candidato à presidência dos EUA, Pat Robertson, disse:
“Chegou o tempo em que devemos por de lado nossos pequenos pontos de
divergências doutrinárias, para focar na centralidade de nossa fé no Senhor
Jesus Cristo.” “Pequenos pontos de divergências doutrinárias”? Nós
selecionamos apenas algumas poucas doutrinas – sobre quem é a cabeça da
igreja e sobre a obra consumada de Cristo. Há, porém, muitas outras. Estes
evangélicos, alguns dos quais temos em altíssima estima, estão banalizando a
própria Palavra que Deus nos revelou para levarmos a esse mundo; mensagem
esta que tem sido radicalmente distorcida pela Igreja Romana. Esse documento
não será, absolutamente, de ajuda alguma para nós. Certamente não para os
evangélicos, e nem tampouco para os nossos amigos católicos.
Se alguma pitada de humor tiver lugar no final deste artigo, chama-nos a
atenção uma afirmação que é feita nesse documento Evangelicals and Catholics
Together. A declaração é a seguinte: “Evangélicos e Católicos são irmãos e
irmãs em Cristo. Não nos escolhemos uns aos outros, bem como não
escolhemos a Cristo”. Como observou um bem-humorado colega, chega a ser
irônico que, no final das contas, ao abraçar o católico romano, o "evangélico"
converta-se num calvinista de carteira. E que até o católico diga: “Amém!”


Estatísticas apresentadas no portal da Convenção Batista Nacional
informam que, em 2006, o organismo contava com 1509 igrejas
cooperantes, além de congregações e frentes. Quanto à Convenção
Batista Brasileira, estatísticas do IBGE referentes ao ano de 2006
informam que o organismo agremiava cerca de 6000 igrejas, além de
congregações e outras frentes de trabalho.
MASSIACH 1
174
Estabelecido por João XXIII, em junho de 1960, como Secretariado do
Vaticano para Promoção da Unidade Cristã, em junho de 1988 o
organismo foi transformado por João Paulo II no Conselho Pontifício para
a Promoção da Unidade dos Cristãos, designação que começou a vigorar
em março de 1989.
John Francis Noll & Lester J. Fallon, Father Smith Instructs Jackson, St.
Louis, 1949, pp. 48-49.
[] Confissão Batista de 1689 ou Confissão Batista de Filadélfia, 26.4b.
[] A Confissão da Fé Apostólica; Documento de Estudo da Comissão de
Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas. Trad. Jaci Maraschin. São
Bernardo, São Paulo: Instituto Ecumênico de Pós-Gradução em Ciências
da Religião; Porto Alegre, RS: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs
(CONIC), 1993, 173p. O documento pretende ser uma “Explicação
Ecumênica da Fé Apostólica segundo o Credo Niceno-Constantinopolitano
(381)”.
[] Iain Murray, O Spurgeon que Foi Esquecido. São Paulo: Publicações
Evangélicas Selecionadas., 2004, 299p.

MAIS TEOLOGIA LIBERAL:
MASSIACH 1
175

MASSIACH 1
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Robert H. Schuller Announcement
Edited By Robert H. Schuller
11/02/08 AD

In staff devotions the other day, I shared some thoughts on the seasons of
life. God has created the seasons: summer, winter, spring and fall. Life has its
seasons of poverty and plenty. Arvella and I grew up in the season of poverty.
We never had Christmas gifts or birthday presents. We knew poverty: no
running water, only corncobs to heat the house in the winter. I suppose I was
being prepared later on to give witness to this line, "Tough times never last
but tough people do!"
This ministry has likewise experienced different seasons. I remember the time I
received a prayer and a blessing from Norman Vincent Peale and I was asked by
my denomination to start a new church here in Southern California.
We are affiliated in the Reformed Church in America. The oldest protestant
denomination with a continuous ministry in United States of America. It
MASSIACH 1
177
started in 1628 when our ancestors, the Dutch, bought what today is called
Manhattan Island. We are accountable to a great old, but very tiny
denomination but we have had our distinguished members and pastors in our
relatively short history. One of the four President's carved in stone in South
Dakota is a member of our denomination, Teddy Roosevelt. One of the greatest
ministers in our denomination and in the history of the United States was
Norman Vincent Peale. In addition, this ministry has impacted the shape and
the face of Protestant and even Catholic ministry through the power of the
Holy Spirit.
We've had seasons in our ministry. In the early seasons I was called to start a
mission, not a church. There is a difference, quite a difference. The church is a
gathering of people who share a faith, ritual, creeds, etc. I have utmost
respect for the church as an institution. But a mission is a place where you do
not try to preach and convert people to an institution.
A mission is a place where you ask non-believers to come and find hope and feel
love! I will probably never preach a sermon on some of the creeds of our
denomination because we are a mission first, we're a church second. And that's
what made this church from the very beginning a church unlike any existing
church at the time in the United States.
This spirit is the underlining principle that we have taught to over 50,000
pastors who over the years attended the Institute for Successful Church
Leadership. These pastors returned home and built upon it and even surpassed
what they learned from me. Bill Hybels, Rick Warren, and many other pastors
of most of the biggest churches today are a result of applying that principle.
When we started as a television church, the first and still the longest
running television church in history, we were committed to continue to be a
church with a mission, not just to those who sit in the cathedral, but to
millions who sit in their homes, hospitals, and hotels.
In the process, we became, unintentionally, the television church of America
and beyond for almost 4 years. No televised church service in the world is like
ours; none has aired so long.
As a result we're beginning to believe that the televised church service from
the Crystal Cathedral will be continue to go out to the world for decades,
even centuries to come. And for this, one face or one name will not do. No one
person can carry on a legacy that long. So, after much prayer we got a new
vision and it is this: We're going to invite great preachers in America that
have never been on television to be guest preachers here. In fact, the greatest
sermons ever preached from the Crystal Cathedral here in Garden Grove will
be by guest pastors.
It'll no longer just be the face and voice of this guy or some other minister in
this church. We've grown beyond that. And we have to prove to the world
that the church of Jesus Christ can be ecumenical! We're not just one
denomination. We are a representation of the beloved Christians, whether
they are Pentecostals, whether they are Orthodox, whether they're
Presbyterian, Methodist, Baptist, or whatever.
In the process you will hear from some great voices whom you've never heard
from because they are tied to a church building where they're never exposed
MASSIACH 1
178
to the world. We want to make them known and honor them, and honor the
multitude of churches, which are preaching great messages of Jesus Christ. I
want to leave a ministry that gives expression to the world that there are a
lot of different churches out there, even denominations, but we are united in
Christ. We love Him. And the real name we honor is Jesus, not Schuller.
We want to focus on the positive and give the non-believing world in China or
Russia or America or South America, etc., to see that Christians are united. We
have been accepted as America's television church and are extending this
global ministry like it has ever happened in the history of Christianity. We
will feature the great preachers from the world, starting with names of men
who went to our Institute within the last 40 years. You'll hear, of course,
from Bill Hybels, one of the greatest ministers in the world.
The pulpit of our ministry has been graced by such historical preachers as
Billy Graham. Also, Bishop Fulton Sheen of the Roman Catholic church for
several Sundays. In the process we became a positive witness to the Roman
Catholic Church, which at its best is still the mother church of Christianity.
Norman Vincent Peale, the greatest positive thinking preacher from a
mainline denomination in history preached here often. Corrie ten Boom-do
you remember her? This was the church that gave her the platform to
millions. Henry Nouwen, also a Roman Catholic, and a renowned theologian
preached from this pulpit. Eva Burrows, president of the Salvation Army was
a guest preacher as was Max Lucado, the great author and churchman. Kirby
Jon Caldwell, our dear, dear friend and powerhouse of a preacher has also
preached from the pulpit of the Crystal Catedral.
This vision to share the pulpit with the greatest preachers in the World is an
expansion beyond one name, one face, one voice--Schuller. There are some
people who want to hear the same preacher week after week after week,
year after year after year, and most preachers that normally come to
churches expect and want to be the preacher Sunday after Sunday after
Sunday. But we're not like a typical church. We are still a mission station
letting the world know that the church is not bound by denominational
lines. Whatever denomination, whoever is the face and voice preaching here
week after week, the message to unbelievers will be the same: Welcome to our
church! Christ is alive.
This is our mission! This is our focus! If you want to belong to a church that's
a mission first and a church second, this is where you belong. We're a
different church. But this is not my church. I cringe when people say "your
church, Schuller." It's not my church. 53 years ago, as a young pastor, I
realized it's not my church. I'm not the head of it. I fell on my knees, closed my
eyes and I heard the words of Jesus in my mind, "I-will-build-My-church! And
the gates of hell shall not prevail against it."
So what is our response today? St. Paul in prison writes these words to
Timothy and these are my words to you, today, from the Bible: "Be ready in
season and out of season...Preach the word, endure affliction, do the work of
an evangelist, fulfill your ministry" (2 Timothy 4:2a, 5b). That's Christ speaking
to you, here today.
Don't fulfill Schuller's ministry, fulfill your ministry. What is your
ministry? People say they don't go to the church because they don't like the
minister. They're making a big mistake. The church is a place where the
MASSIACH 1
179
ministers of Christ come together. You are the ministry, yes you are. And if
you're not getting enough out of this ministry, maybe you're not giving
enough of yourself to begin with. I find myself as a minister when I touch
someone who's sick. You, too, can be a minister where you are if Christ is your
living Lord.
So I challenge you today simply to give yourself to Christ, hallelujah, Amen.
http://www.crystalcathedral.org/hour_of_power/interviews/detail.php?contentid=33
93
http://endrtimes.blogspot.com/2008/03/robert-schuller-33rd-degree-freemason.html
EndrTimes
AND THE THIRD ANGEL FOLLOWED THEM, SAYING WITH A LOUD
VOICE, IF ANY MAN WORSHIP THE BEAST AND HIS IMAGE, AND
RECEIVE HIS MARK IN HIS FOREHEAD, OR IN HIS HAND. ***
REVELATION 14:9
Sunday, March 09, 2008
ROBERT SCHULLER 33rd DEGREE FREEMASON
Robert Schuller 33rd Degree Freemason
Robert Schuller, good friends with many
33rd Degree Freemasons such as Billy
Graham, Norman Vincent Peale, John
Wayne, W.Clement Stone and also.Rich
DeVos the founder and chairman of
Amway Corporation. He also names John
Wimber of the Vineyard-Toronto churches
as one of.the top ten ministers on the planet. Schuller was
helped into ministry by Masonic brother Billy Graham.
..

Robert Schuller, involved with Freemasonry
and the Illuminati
by Fritz Springmeier
MASSIACH 1
180

There are a number of important "powerful" (in their own eyes) Christian
clergymen, who are Freemasons. These men collaborate with each other. Once
one
of them is established in a famous ministry they use their established
ministry to birth (to launch) someone else into prominence. This is an
overview on Robert Schuller and his ties to this group.

I originally concluded that Robert Schuller was a Freemason based on:
a.Testimony/claims of individuals
b.How he worked within this pack of Masonic clergymen
c.The fact that certain photographs showed him doing Masonic handshakes with
other Masons. I used to have one. I suggest that a person examine past photos
of him with the "right" people, and you may well also find a Masonic
handshake. I concluded he is a Freemason.

This was a conclusion I came to in 1991. It seems that years later, I saw a
Masonic reference to his membership, but since I had already concluded he was
a Mason, I didn't take the effort to keep track of this reference. I also felt
that his own anti-Biblical teachings (which are openly taught) should scare
Christians away from the man.

Although it is significant that he is a Freemason, what is more significant is
that he promotes Masonic doctrine. (I said the same about Charles T. Russell,
but the response back to me by individuals was that I was wrong, they
contended that the membership is more important than what the man does.
How
people can think this way boggles my mind. I am much more concerned with
what
a man does, rather than the labels he puts on himself.)
In material that is authorized by Robert Schuller I's ministry, it is stated
that Norman Vincent Peale was his mentor and "close friend". For
documentation
on this see Nason, Michael and Donna Nason. Robert Schuller: The Inside Story
(Waco: Word Books, 1983, p. 61) Schuller often praised Norman Vincent Peale,
MASSIACH 1
181
for instance, in his Hour of Prophecy Show of April 2, '89, which had a clip
of Peale. Less than a month after Peale died, Schuller did a show on Jan. 16,
'94, where Schuller talked with tears about how Peale had been his mentor and
his inspiration. Peale was more than that. Peale helped his ministry over the
years.

Who was Norman Vincent Peale? I have the Scottish Rite Magazine that shows
Peale's picture in the Scottish Rite's House of the Temple in the Scottish
Rite's Hall of Honor. Norman Vincent Peale's 33 degree membership was not
kept
secret. He was also a Shriner (Imperial Grand Chaplain of the Shrine). Billy
Graham's Christianity Today gave Peale positive publicity. In Billy Graham's
New York Crusade the larger number of people who came forward (373) were
sent
to Peale's Marble Collegiate Church. The second largest group of new converts
(135) were sent to the Rockefeller's Riverside Church, whose pastor was an
infidel. Peale's gospel was the gospel of Positive Thinking, and he taught
visualization and other techniques that are important for people to function
under the Illuminati's trauma-based total mind-control programming. In other
words, he was enhancing their mind-control of their victims in the general
population. Peale promoted a number of different religions and methods from
other religions such as TM and witchcraft, and he consistently criticized
traditional Christianity. Peale was very close to the Unity School in Kansas
City, and so was Schuller. I knew a man who had taught at the Unity School
before he became a Christian. He told me that he had personally witnessed
Robert Schuller perform a Luciferian initiation ceremony at the Unity School,
and that Robert Schuller knew what he was doing. I also happened to bump into
two men in Kansas one day (this was in the '80's, before I was exposing all
this stuff) and as we talked they wanted to talk about something very
frightening that they had experienced. They had bumped into Satanic Rituals
going on at night near the Unity School, and were chased by these Satanists
and barely escaped. Norman Vincent Peale was also part of the Pilgrim Society
(which is an Illuminati front) reserved for higher up Illuminati members.
Peale and Billy Graham are close friends.

Armand Hammer (whose father Julius named his first name after the
MASSIACH 1
182
Communists
arm and hammer symbol) was Jewish and the top man for the Communists
under
Lenin and Stalin in the United States. I spent several days as the guest of a
woman who had been programmed with Illuminati mind-control to be a sexual
slave for Armand Hammer. This convinced me that it was no accident that
Armand
Hammer was great friends of the European Rothschilds, and many other
prominent
Illuminati members. It clearly showed me what seemed obvious anyway, the
man
was Illuminati. It helps explain why J. Edgar Hoover, Richard Nixon, and many
other supposedly anti-Communists were friendly with Hammer. William Casey
(once head of the CIA) while he was head of the Export-Import Bank was in
favor of Hammer activities in Russia, and in 1974 loaned Russia $216 million
dollars on unprofitable ventures that Hammer wanted to carry out in Russia. In
1966, when the Arabs found out that Hammer was Jewish, he nominally joined
a
Unitarian church so that he could claim he wasn't Jewish. This man, Armand
Hammer, was the man who got Robert Schuller into Russia and regularly onto
Russian T.V.

Robert Schuller taught a Masonic gospel. Schuller told Moslems
that if he,
Schuller, came back in 100 years and found his descendants to be
Moslems it
wouldn't bother him. The Record (Spring, 1997) reports that 80
homosexual
pastors and lay leaders from the Metropolitan Community
Churches participated
in Schuller's 1997 Robert Schuller Institute for Successful
Church
Leadership.

Masons within the Masonic lodges know that Kenneth Copeland, Billy Graham
and
MASSIACH 1
183
others are Freemasons. They have been reported saying so to other Masons, and
to Christians. For instance, some friends of mine went to a Masonic open house
where they were trying to impress new comers (probably hoping for new
recruits) and one of the Masons boasted that Billy Graham was a Freemason.
My
friends were very impressed because it confirmed what they had read in my
material.

Prominent Masonic Clergymen who hide their Masonic membership would
include:
Kenneth Copeland, Billy Graham, and Oral Roberts.

Kenneth Copeland has shaken hands with Masons with Masonic handshakes,
and
placed the Masonic Square & Compass on his tapes and books. His daughter has
her picture on the cover of "Shout" (Copeland's magazine for kids) wearing an
upside down star, which represents both Baphomet (Lucifer/Satan) and the
Masonic Women's Eastern Star. Kenneth Copeland started his ministry under
Oral
Roberts. Oral Roberts was, in turn, started out by Billy Graham. (Oral Roberts
admits that Graham got him started in one of his books, Miracle of Seed Faith,
p. 9). I have spent time with victims of Illuminati mind-control who were
Satanic Ritual Abuse victims in ceremonies led by Oral Roberts. I would say
about half a dozen people who could give personal details of how Oral Roberts
is a Satanist have talked (confided) with me. They also would talk about his
Masonic membership. There is a large number of hurting people who are SRA
and
DID. These people live in different parts of the country, and have never seen
each other, but have personal accounts that collaborate each other.

Where these 3 Masonic Clergymen expose themselves is what they have said
that is
heretical, what they have said that is obviously mind-control triggers for
Illuminati mind-control, and the infidels and heretics that they embrace who
are best of friends with them. The financing for these men shows that men like
Armand Hammer, William Randolph Hearst, the Rockefellers and numerous
MASSIACH 1
184
others
of similar ilk are willing to support them with large donations/and or help.
Part of the proof of who Robert Schuller, Billy Graham, and Oral Roberts is
seen when one assembles the pieces of the puzzle as to what they are doing. An
accumulation of evidence then piles up that is so vast, that it is clear that
these men are dirty. Robert Schuller is on the public record as denying all
the beliefs of Christianity. He is only a "Christian" if one redefines
Christian to be just the opposite of what it used to mean. For anyone who
wants to comprehend that Schuller does not teach Christian doctrine, I suggest
they simply compare his teachings to the Bible. Billy Graham, Oral Roberts,
and Kenneth Copeland are usually more subtle, (but not always). Billy Graham
openly said we should embrace the New World Order. Copeland openly said
that
the Romans had anal sex with Christ. Roberts openly said his fantastic vision,
that brought him so much ridicule. The man who "saved" Roberts was not a
Christian. The man who Graham says initially told him to become a Christian
minister was the head of the Jesuits, Malachi Martin, who I know to be an
Illuminati mind-control programmer. There are plenty of off color things about
these men, if one has the clear thinking to see the blatant off color facts.
But most people think that the world's establishment news will tell them the
truth. When Billy Graham is rated the most popular respected man in America
for several years, the herd instinct of the sheeple is to idolize the man.
Then when this idol of a man tells us Oral Roberts is a great man of God, the
sheeple swallow that one too. It all works together, and all these men work
together.

I do not think most Christians can think clearly and with critical thinking.
I say this because Billy Graham has openly supported Norman Vincent Peale
and
Robert Schuller. Both of these men preach a gospel of positive thinking, and
openly defy the doctrines of the Bible. All three of these men preach
ecumenicalism and participate in Ecumenical meetings and ecumenical groups.
They are also in favor of a One-World-Religion, which does not teach Christ as
the only way of salvation. Because I am centering on Robert Schuller, this
article will not go into the fullness of what these other men have done. In
light of what I know these men are doing, their reported 33 degree memberships
MASSIACH 1
185
in the Scottish Rite of Freemasonry seem trivial. Peale, Schuller, and Roberts
are Illuminati. Graham is used by the Illuminati, and has participated in
Luciferian rituals. It is hard to conceive that they would use him so much,
(and he knows they use him by the way), if he were not also a member. Since
there is a small possibility he is primarily just blackmailed, without being a
member, I might entertain a small doubt about whether he is actually a
member.
Copeland participates in the Illuminati's mind-control over people, and is
also I suspect one of their members. These men don't want to taint their
Madison avenue images by revealing their Scottish Rite memberships, but they
have much darker secrets than their Scottish Rite memberships.





MASSIACH 1
186



MASSIACH 1
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MASSIACH 1
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The Double Headed Eagle of the Scottish
Rite, 33rd Degree Of Freemasonry

MASSIACH 1
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(Above) Here we have the symbol for the 33rd Degree of
Freemasonry

The picture above, being a statue of the 33rd Degree of
Freemasonry's Double Headed Eagle, was actually released by
Robert Schuller's own ministry. It was sent to people who pledged
$600 or more to his program 'Churches Uniting in Global Mission'
and was shown in the Hour of Power News Extra edition. It claimed
this program included churches of all denominations and referred to
the program as "this networking".


QUOTATIONS BY ROBERT SCHULLER
Compiled by Jim Fox 07-13-92

Note: This file is still being worked on, the Biblical refutations
to
Robert Schuller's statements are still in the process of being
worked on.
I would urge any of you who read this file in this preliminary
stage to
search the Scriptures as the Bereans in Acts 17:11 did.
MASSIACH 1
190


1. Explains Philippians 2:7,8

"Jesus knew his worth, his success fed his self-esteem.... He
suffered
the cross to sanctify his self-esteem. And he bore the cross to
sanctify your self-esteem. And the cross will sanctify the ego
trip!"
(Living Positively One Day at a Time, p.201)

2. "A person is in hell when he has lost his self-esteem."
(Self-Esteem, The New Reformation, pp.14-15)

3. Obviously he does not accept 1 Timothy 1:15, Luke 5:32

"I don't think anything has been done in the name of Christ that
and
under the banner of Christianity that has proven more
destructive to
human personality and, hence, counterproductive to the
evangelism
enterprise than the often crude, uncouth, and unchristian
strategy of
attempting to make people aware of their lost and sinful
condition."
(Time, March 18, 1985)

4. "I discovered the reality of that dynamic dimension in prayer
that
comes through visualizing..... Don't try to understand it. Just
start
to enjoy it! It's true. It works. I tried it." (The Fourth Dimension,
Foreword)

5. "Now-Believe and You Will Achieve" (Tough Times Never Last, But
MASSIACH 1
191
Tough
People DO, p. 161)

6. "You don't know what power you have within you!... You make
the world
into anything you choose. Yes, you can make your world into
whatever
you want it to be." (Possibility Thinking: Goals, Amway
Corporation
cassette tape)

7. "A variety of approaches to meditation...is employed by many
different
religions as well as by various non-religious mind- control
systems. In
all forms... TM, Zen Buddhism, or Yoga or... mediation... of
Judaeo-Christian tradition... the meditator endeavors to
overcome the
distractions of the conscious mind...."

"It is important to remember that meditation in any form is the
harnessing, by human means, of God's divine laws.... We are
endowed
with a great many powers and forces that we do not yet fully
understand."

"The most effective mantras employ the "M" sound. You can get
the feel
of it by repeating the words, "I am, I am," many times over....
Transendental Meditation or TM... is not a religion nor is it
necessarily anti-Christian." (Peace of Mind Through Possibility
Thinking, pp. 131-32)

8. Robert Schuller was addressing a group of Unity ministers and
ministers
in training, at the Unity School of Christianity (a Mind-science
MASSIACH 1
192
cult).

Schuller was asked, "Dr. Schuller, we hear a lot of talk these
days
about the New Age, the Age of Aquarius, the type of New Age
thinking
that we are involved in with Holistic healing and various other
things
that are part of what is called the New Age. Will you describe
the
role of what you might consider the New Age minister in the '80s
and
beyond?"

Schuller replied, "Well, I think it depends upon where you're
working.
I believe that the responsibility in this Age is to "positivize"
religion. Now this probably doesn't have much bearing to you
people,
being Unity people, you're positive. But I talk a great deal to
groups
that are not positive... even to what we would call
Fundamentalists who
deal constantly with words like sin, salvation, repentance,
guilt, that
sort of thing."

"So when I'm dealing with these people... what we have to do is
positivize the words that have classically only had a negative
interpretation." (from an address at Unity Village, Unity tape)

9. Schuller declares that this new reformation requires that a
new
interpretation of the cross is needed.

"The classical interpretation of this teaching of Christ on
MASSIACH 1
193
'bearing
our cross' desperately needs reformation...."

"The cross Christ calls us to bear will be offered as a dream... an
inspiring idea that would incarnate itself in a form of ministry
that
helps the self-esteem-impoverished persons to discover their
self-worth
through salvation and subsequent social service in our Savior's
name..."

"So the proclamation of possibility thinking is the positive
proclamation of the cross!..."

"Christ was the world's greatest possibility thinker. Do we dare
follow
him?" (Self-Esteem, pp. 22, 117-19)

10. "If the gospel of Jesus Christ can be proclaimed as a theology
of
self-esteem, imagine the health this could generate in society!"
(Self-Esteem, p. 47)

11. "Are we aware that theology has failed to accommodate and
apply proven
insights in human behavior as revealed by twentieth- century
psychologists?" (Self-Esteem, p. 27)

12. "Self-love is a crowning sense of self-worth. It is an ennobling
emotion of self-respect... an abiding faith in yourself. It is
sincere
belief in yourself."

"It comes through self-discovery, self-discipline, self-
forgiveness
and self-acceptance. It produces self-reliance, self- confidence
MASSIACH 1
194
and
an inner security, calm as the night." (Self-Love, The Dynamic
Force
of Success, p. 32)

13. Schuller describes a basic defect in modern Christianity.

"What is that basic flaw? I believe is it the failure to proclaim
the
gospel in a way that can satisfy every person's deepest need -
one's
spiritual hunger for glory. Rather than glorify God's highest
creation
- the human being - Christian liturgies,, hymns, prayers, and
scriptural interpretations have often insensitively and
destructively
offended the dignity of the person..." (Self-Esteem, p. 31)

14. "Where the sixteenth-century Reformation returned our
focus to sacred
Scriptures as the only infallible rule for faith and practice, the
new
reformation will return our focus to the sacred right of every
person
to self-esteem!" (Self-Esteem, p. 38)

15. "Real self-esteem is real humility. Healthy pride and honest
humility
are the same human qualities - just different sides of the same
coin.
We all welcome affirmation and resent being insulted." (Self-
Esteem,
p. 174)

16. Schuller has decided that pride is this great thing that we
all need
MASSIACH 1
195
to strive for. However God lead Israel through the wilderness
in order
to humble them and break them of their pride (Deut 8:2).

"A neurotic fear of pride has motivated the church too long.... In
my
lecture to thousands of ordained clergy of the widest cross
section of
historic Christianity, I have found it necessary to tell my
colleagues:"

"Dare to be a possibility thinker! Do not fear pride; the easiest
job
God has is to humble us. God's almost impossible task is to keep us
believing every hour of the day how great we are as his sons and
daughters on planet earth."

"Don't worry about humility. The easiest job God has to do is to
keep
you an me humble. God's biggest job is to get us to believe that we
are somebody and that we really can do something...."

"Remember, 'If your pride is rooted in your divine call, your
humility
is assured. The Cross will sanctify your ego trip.'... For the Cross
protected our Lord's perfect self-esteem from turning into
sinful
pride." (Self-Esteem, p. 57, 74)

17. "Are we to believe that self-denial means the denial of
personal
pleasure, desire, fulfillment, prosperity? For too long religious
leaders have suggested this with tragic results...."

"Such attitudes are dangerous distortions and destructive mis-
interpretations of scattered Bible verses grossly misread by
MASSIACH 1
196
negative-thinking Bible readers who project their own negative
self-image onto the pages of Holy Scripture...."

"By self-denial Christ does not mean the rejection of that
positive
emotion we call self-esteem - the joy of experiencing my
self-worth...." (Self-Esteem, p.113-15)

18. Since self-esteem is of all importance with Schuller, he tries
to draw
the conclusion that an object is worth what the price with
which it
was bought, in our case since Christ died for us on the cross, we
now
are of infinite value.


"I must be of infinite value in God's sight" (Self-Esteem, p. 74)

"In his crucifixion, Christ has placed unlimited value on the
human
soul." (Self-Esteem, p. 102)

19. We now have a new definition of the atonement!

"If the deepest curse of sin is what it does to our self-esteem,
then
the atoning power of the Cross is what it does to redeem our
discarded
self-worth." (Self-Esteem, p. 101)

20. "I may not deserve it [salvation] but I am worth it so don't say
that
I am unworthy." (Self-Esteem, p. 74)

21. No one is an unworthy sinner according to Schuller, see Luke
MASSIACH 1
197
15:21 and
Romans 3:23 to see if this is true.

"The most serious sin is the one that causes me to say, 'I am
unworthy. I may have no claim to divine sonship if you examine
me at
my worst.'"

"For once a person believes he is an 'unworthy sinner,' it is
doubtful
if he can really honestly accept the saving grace God offers in
Jesus
Christ." (Self-Esteem, p. 98)

Source:
http://www.geocities.com/endtimedeception/robert.htm
POSTED: BY ARSENI O A. LEMBERT J R.

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