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A atualidade brutal de Hannah Arendt

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A atualidade brutal de Hannah Arendt

POR LADISLAU DOWBOR – ON 05/09/2013

CATEGORIAS: DESIGUALDADES, MUNDO, POSTS

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Adolf Eichmann, criminoso nazista. Mas, também, um burocrata preocupado apenas em cumprir ordens…

Adolf Eichmann, criminoso nazista. Mas, também, um burocrata preocupado apenas em cumprir ordens…

Filme de Margarethe von Trotta sugere que totalitarismo pode assumir faces “normais” e

parece indispensável num cenário de democracia esvaziada e guerra iminente

Por Ladislau Dowbor

O filme causa impacto. Trata-se, tema central do pensamento de Hannah Arendt, de refletir

sobre a natureza do mal. O pano de fundo é o nazismo, e o julgamento de um dos grandes

mal-feitores da época, Adolf Eichmann. Hannah acompanhou o julgamento para o jornal

New Yorker, esperando ver o monstro, a besta assassina. O que viu, e só ela viu, foi a

banalidade do mal. Viu um burocrata preocupado em cumprir as ordens, para quem as

ordens substituíam a reflexão, qualquer pensamento que não fosse o de bem cumprir as

ordens. Pensamento técnico, descasado da ética, banalidade que tanto facilita a vida, a

facilidade de cumprir ordens. A análise do julgamento, publicada pelo New Yorker, causou

escândalo, em particular entre a comunidade judaica, como se ela estivesse absolvendo o

réu, desculpando a monstruosidade.

A banalidade do mal, no entanto, é central. O meu pai foi torturado durante a II Guerra

Mundial, no sul da França. Não era judeu. Aliás, de tanto falar em judeus no Holocausto,

tragédia cuja dimensão trágica ninguém vai negar, esquece-se que esta guerra vitimou 60

milhões de pessoas, entre os quais 6 milhões de judeus. A perseguição atingiu as

esquerdas em geral, sindicalistas ou ativistas de qualquer nacionalidade, além de ciganos,

homossexuais e tudo que cheirasse a algo diferente. O fato é que a questão da tortura, da

violência extrema contra outro ser humano, me marcou desde a infância, sem saber que eu

mesmo a viria a sofrer. Eram monstros os que torturaram o meu pai? Poderia até haver um

torturador particularmente pervertido, tirando prazer do sofrimento, mas no geral, eram

homens como os outros, colocados em condições de violência generalizada, de

banalização do sofrimento, dentro de um processo que abriu espaço para o pior que há em

muitos de nós.

Por que é tão importante isto, e por que a mensagem do filme é autêntica e importante?

Porque a monstruosidade não está na pessoa, está no sistema. Há sistemas que

banalizam o mal. O que implica que as soluções realmente significativas, as que nos

protegem do totalitarismo, do direito de um grupo no poder dispor da vida e do sofrimento

dos outros, estão na construção de processos legais, de instituições e de uma cultura

democrática que nos permita viver em paz. O perigo e o mal maior não estão na existência

de doentes mentais que gozam com o sofrimento de outros – por exemplo uns skinheads

que queimam um pobre que dorme na rua, gratuitamente, pela diversão – mas na violência

sistemática que é exercida por pessoas banais.

Entre os que me interrogaram no DOPS de São Paulo encontrei um delegado que tinha

estudado no Colégio Loyola de Belo Horizonte, onde eu tinha estudado nos anos 1950.

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Cidades Rebeldes

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Por R$ 10,00

A atualidade brutal de Hannah Arendt

Colégio de orientação jesuíta, onde se ensinava a nos amar uns aos outros. Encontrei um

homem normal, que me explicava que arrancando mais informações seria promovido, me

explicou os graus de promoções possíveis na época. Aparentemente queria progredir na

vida. Outro que conheci, violento ex-jagunço do Nordeste, claramente considerava a

tortura como coisa banal, coisa com a qual seguramente conviveu nas fazendas desde a

sua infância. Monstros? Praticaram coisas monstruosas, mas o monstruoso mesmo era a

naturalidade com a qual a violência se pratica.

mesmo era a naturalidade com a qual a violência se pratica. Um torturador na OBAN me

Um torturador na OBAN me passou uma grande pasta A-Z onde estavam cópias dos

depoimentos dos meus companheiros que tinham sido torturados antes. O pedido foi

simples: por não querer se dar a demasiado trabalho, pediu que eu visse os depoimentos

dos outros, e fizesse o meu confirmando a verdades, bobagens ou mentiras que estavam

lá escritas. Explicou que eu escrevendo um depoimento que repetia o que já sabiam,

deixaria satisfeitos os coronéis que ficavam lendo depoimentos no andar de cima (os

coronéis evitavam sujar as mãos), pois veriam que tudo se confirmava, ainda que fossem

histórias absurdas. Segundo ele, se houvesse discrepâncias, teriam de chamar os presos

que já estavam no Tiradentes, voltar a interrogá-los, até que tudo batesse. Queria

economizar trabalho. Não era alemão. Burocracia do sistema. Nos campos de

concentração, era a IBM que fazia a gestão da triagem e classificação dos presos, na

época com máquinas de cartões perfurados. No documentário A Corporação, a IBM

esclarece que apenas prestava assistência técnica.

O mal não está nos torturadores, e sim nos homens de mãos limpas que geram um sistema

que permite que homens banais façam coisas como a tortura, numa pirâmide que vai

desde o homem que suja as mãos com sangue até um Rumsfeld que dirige uma nota aos

exército americano no Iraque, exigindo que os interrogatórios sejam harsher, ou seja, mais

violentos. Hannah Arendt não estava desculpando torturadores, estava apontando a

dimensão real do problema, muito mais grave.

Adolf Eichmann em seu julgamento em Jerusalém, (Julho 17, 1961), por Ronald Searle

Adolf Eichmann em seu julgamento em Jerusalém, (Julho 17, 1961), por Ronald Searle

A compreensão da dimensão sistêmica das deformações não tem nada a ver com passar a

mão na cabeça dos criminosos que aceitaram fazer ou ordenar monstruosidades. Hannah

Arendt aprovou plenamente e declaradamente o posterior enforcamento de Eichmann. Eu

estou convencido de que os que ordenaram, organizaram, administraram e praticaram a

tortura devem ser julgados e condenados.

O segundo argumento poderoso que surge no filme, vem das reações histéricas de judeus

pelo fato de ela não considerar Eichmann um monstro. Aqui, a coisa é tão grave quanto a

primeira. Ela estava privando as massas do imenso prazer compensador do ódio

acumulado, da imensa catarse de ver o culpado enforcado. As pessoas tinham, e têm hoje,

direito a este ódio. Não se trata aqui de deslegitimar a reação ao sofrimento imposto. Mas

o fato é que ao tirar do algoz a característica de monstro, Hannah estava-se tirando o

gosto do ódio, perturbando a dimensão de equilíbrio e de contrapeso que o ódio

representa para quem sofreu. O sentimento é compreensível, mas perigoso. Inclusive,

amplamente utilizado na política, com os piores resultados. O ódio, conforme os objetivos,

pode representar um campo fértil para quem quer manipulá-lo.

Quando exilado na Argélia, durante a ditadura militar, conheci Ali Zamoum, um dos

importantes combatentes pela independência do país. Torturado, condenado à morte pelos

franceses, foi salvo pela independência. Amigos da segurança do novo regime localizaram

um torturador seu, numa fazendo do interior. Levaram Ali até a fazenda, onde encontrou um

idiota banal, apavorado num canto. Que iria ele fazer? Torturar um torturador? Largou ele

ali para ser trancado e julgado. Decepção geral. Perguntei um dia ao Ali como enfrentavam

os distúrbios mentais das vítimas de tortura. Na opinião dele, os que se equilibravam

melhor, eram os que, depois da independência, continuaram a luta, já não contra os

franceses mas pela reconstrução do país, pois a continuidade da luta não apagava, mas

dava sentido e razão ao que tinham sofrido.

No 1984 do Orwell, os funcionários eram regularmente reunidos para uma sessão de ódio

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A atualidade brutal de Hannah Arendt

coletivo. Aparecia na tela a figura do homem a odiar, e todos se sentiam fisicamente transportados e transtornados pela figura do Goldstein. Catarse geral. E odiar coletivamente pega. Seremos cegos se não vermos o uso hoje dos mesmos procedimentos, em espetáculos midiáticos.

O texto de Hannah, apontando

um mal pior, que são os sistemas que geram atividades monstruosas a partir de homens banais, simplesmente não foi entendido. Que homens cultos e inteligentes não consigam entender o argumento é em si muito significativo, e socialmente poderoso. Como diz Jonathan Haidt, para justificar atitudes irracionais, inventam-se argumentos racionais, ou

racionalizadores. 1 No caso,

Hannah seria contra os judeus, teria traído o seu povo, tinha namorado um professor que se tornou nazista. Os argumentos não faltaram, conquanto o ódio fosse preservado, e com o ódio o sentimento agradável da sua legitimidade.

Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica (1906-1975)

Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica

(1906-1975)

Este ponto precisa ser reforçado. Em vez de detestar e combater o sistema, o que exige uma compreensão racional, é emocionalmente muito mais satisfatório equilibrar a fragilização emocional que resulta do sofrimento, concentrando toda a carga emocional no ódio personalizado. E nas reações histéricas e na deformação flagrante, por parte de gente inteligente, do que Hannah escreveu, encontramos a busca do equilíbrio emocional. Não mexam no nosso ódio. Os grandes grupos econômicos que abriram caminho para Hitler, como a Krupp, ou empresas que fizeram a automação da gestão dos campos de concentração, como a IBM, agradecem.

O filme é um espelho que nos obriga a ver o presente pelo prisma do passado. Os

americanos se sentem plenamente justificados em manter um amplo sistema de tortura – sempre fora do território americano pois geraria certos incômodos jurídicos -, Israel criou

através do Mossad o centro mais sofisticado de tortura da atualidade, estão sendo pesquisados instrumentos eletrônicos de tortura que superam em dor infligida tudo o que se inventou até agora, o NSA criou um sistema de penetração em todos os computadores, mensagens pessoais e conteúdo de comunicações telefônicas do planeta. Jovens americanos no Iraque filmaram a tortura que praticavam nos seus celulares em Abu Ghraib, são jovens, moças e rapazes, saudáveis, bem formados nas escolas, que até acham divertido o que fazem. Nas entrevistas posteriores, a bem da verdade, numerosos foram os jovens que denunciaram a barbárie, ou até que se recusaram a praticá-la. Mas foram

minoria.

2

O terceiro argumento do filme, e central na visão de Hannah, é a desumanização do objeto

de violência. Torturar um semelhante choca os valores herdados, ou aprendidos. Portanto,

é essencial que não se trate mais de um semelhante, pessoa que pensa, chora, ama,

sofre. É um judeu, um comunista, ou ainda, no jargão moderno da polícia, um “elemento”. Na visão da KuKluxKlan, um negro. No plano internacional de hoje, o terrorista. Nos programas de televisão, um marginal. Até nos divertimos, vendo as perseguições. São seres humanos? O essencial, é que deixe de ser um ser humano, um indivíduo, uma pessoa, e se torne uma categoria. Sufocaram 111 presos nas celas? Ora, era preciso

restabelecer a ordem.

Um belíssimo documentário, aliás, Repare Bem, que ganhou o prêmio internacional no festival de Gramado, e relata o que viveu Denise Crispim na ditadura, traz com toda força o paralelo entre o passado relatado no Hannah Arendt e o nosso cenário brasileiro. Outras escalas, outras realidades, mas a mesma persistente tragédia da violência e da covardia legalizadas e banalizadas.

Sebastian Haffner, estudante de direito na Alemanha em 1930, escreveu na época um livro

Defying Hitler: a memoir – manuscrito abandonado, resgatado recentemente por seu

filho que o publicou com este título. 3 O livro mostra como um estudante de família simples vai aderindo ao partido nazista, simplesmente por influência dos amigos, da mídia, do contexto, repetindo com as massas as mensagens. Na resenha do livro que fiz em 2002, escrevi que o que deve assustar no totalitarismo, no fanatismo ideológico, não é o torturador doentio, é como pessoas normais são puxadas para dentro de uma dinâmica social patológica, vendo-a como um caminho normal. Na Alemanha da época, 50% dos médicos aderiram ao partido nazista.

O próximo fanatismo político não usará bigode nem bota, nem gritará Heil como os idiotas

dos “skinheads”. Usará terno, gravata e multimídia. E seguramente procurará impor o

totalitarismo, mas em nome da democracia, ou até dos direitos humanos.

1 Jonathan Haidt, The Righteous Mind (A Mente Moralista), http://dowbor.org/2013/06

http://outraspalavras.net/posts/a-atualidade-brutal-de-hannah-arendt/

A atualidade brutal de Hannah Arendt

/jonathan-haidt-the-righteous-mind-why-good-people-are-divided-by-politics-and-religion-

a-mente-moralista-por-que-boas-pessoas-sao-divididas-pela-politica-e-pela-religiao.html/

2 Melhor do que qualquer comentário, é ver o filme O Fantasma de Abu Ghraib, disponível

no Youtube em http://www.youtube.com/watch?v=_TpWQj0MjvI&

feature=youtube_gdata_player ; ver também a pesquisa da BBC http://guardian.co.uk

/world/2013/mar/06/pentagon-iraq-torure-centres-link ; sobre Guantanamo, ver o artigo do

New York Times de 15/04/2013

3 Sebastian Haffner – Defying Hitler – http://dowbor.org/2003/08/defying-hitler-

a-memoir.html/

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Ladislau Dowbor Ladislau Dowbor é professor de economia nas pós-graduações em economia e em administração

Ladislau Dowbor

Ladislau Dowbor é professor de economia nas pós-graduações em

economia e em administração da Pontifícia Universidade Católica

de São Paulo (PUC-SP), e consultor de várias agências das

Nações Unidas. Seus artigos estão disponíveis online em

http://dowbor.org

TAGS: ditadura, Estado, guerra mundial, hannah arendt, Israel, judeu, nazismo, repressão, totalitarismo, violência

15 Comments

Adriano Roberto Ferreira

Adriano Roberto Ferreira

Posted setembro 9, 2013 at 12:51 PM

Infelizmente nunca veremos a análise de Hannah Arendt para as atrocidades

cometidas por Israel pós segunda guerra até os dias atuais para manter seu poder

bélico e econômico.

JOSÉ CARLOS ABRÃO

JOSÉ CARLOS ABRÃO

Posted setembro 9, 2013 at 3:47 PM

EM TORNO DO ARTIGO DE LADISLAU DOWBOR

As análises do Prof. Ladislau se concentram basicamente em contrapor a visão

teórica de Arendt sobre liberdade às manifestações de ódios particularizados em

seres humanos. Em princípio trata-se de uma posição teórica e ideologicamente

respeitável. Mas ela é restrita, pois observando-se mais detidamente ela não vai além

de uma posição ideologicamente idealista de liberdade, resvalando ao

neo-liberalismo. O que podemos perguntar é: qual seria a posição dela, se estivesse

viva em outubro de 2008, do “mea culpa” do ex-presidente do Banco Central norte-

americano , Greenspan, perante o Congresso Norte-americano? Ele, a exemplo de S.

Agostinho, assumiu (perante o mundo globalizado) um solene “Confiteor”. Se

Agostinho estava confessando perante uma divindade cristã, Greenspan emitiu um

solene “Confesso que eu errei”, como se estivesse jogando as batatas podres

colhidas, depois de quase quatro décadas, perante a sociedade capitalista

representada pelos congressistas ali presentes. Indiretamente ele convidou-os a

http://outraspalavras.net/posts/a-atualidade-brutal-de-hannah-arendt/

A atualidade brutal de Hannah Arendt

repensar o capitalismo neoliberal globalizado. Enquanto Arendt esteve vive na década de 70, os seus olhares em nenhum momento, s.m.j., voltaram-se para a política econômica do então Presidente do Banco Central norte-americano. A partir de 2008, ao invés de milhões jogados às câmeras de gás, são milhões, só nos Estados Unidos, jogados nas ruas. Não precisamos chegar a Marx e Engels, que continuam atuais; fiquemos com Nietzsche: “Para além do bem e do mal”…

Paciente de Frente Posted setembro 11, 2013 at 9:01 PM À primeira vista, parece muito

Paciente de Frente

Posted setembro 11, 2013 at 9:01 PM

À primeira vista, parece muito nobre todo este sentimento de “humanidade”, contido

nas entrelinhas de memórias vívidas. Porém, esta não é a realidade dos pacientes, ou “doentes mentais”, como o Sr. utiliza este termo. E o curioso é que trata-se exatamente do mesmo termo utilizado por médicos doutores no regime nazista, para selecionar e exterminar 250 mil pacientes internados em hospitais, isto muito antes de

judeus serem exterminados, como o Sr. menciona no texto. Entretanto, até estes médicos eram mais atentos que o Sr, pois se respaldavam em questionários. Sim, questionários. Qual autonomia têm o Sr. para classificar um outro cidadão como o Sr. de “doente mental” ou “idiota”? O fato de que estes foram considerados “criminosos”? Então, se for esta a lógica, podemos concluir que o Sr. também é um, pois sabemos muito bem que discurso de ódio é um crime. Porém, o Sr., na sua função de professor, é protegido pelo mesmo código penal que facilita os crimes de agentes do Estado como policiais e médicos, os quais o Sr. culpa, mesmo não intencionalmente, neste mesmo artigo! É esta educação, ou melhor, é esta a desinformação que o Sr. transmite aos seus alunos?

A tortura institucionalizada e patrocinada pelo Estado é uma arma do complexo

industrial médico-militar para “manter o código social sob controle da norma

dominante”, notadamente por organizações mafiosas como a Organização Médica Mundial e a Cruz Vermelha. Os mesmos médicos que torturaram durante o regime

nazista são hoje os maiores instigadores da tortura e assassinato de pacientes no mundo todo. O médico é a maior causa de morte. Isto já foi denunciado pelo Coletivo Socialista de Pacientes, pela Anti-psiquiatria, assim como por filósofos como por exemplo Jean-Paul Sartre e Michael Foucault, há décadas atrás. Porque o Sr. ignora

a tortura institucionalizada neste artigo, e se atém somente aos crimes que constam

na ficção? Para atingir um público específico e ganhar notoriedade e prestígio nos seus ciclos acadêmicos? E quanto às famílias das milhões de vítimas de coerção, extorsão, privação de liberdade, sequestro, assassinato, trabalho forçado, e tantos outros crimes que acontecem dentro de hospitais e outras instituições? Nos seus ciclos acadêmicos não se discutem isso? Ah sim, a miséria humana é fora da sua “área de atuação” acadêmica, então joga-se tudo debaixo dos tapetes. Ou melhor, o que o Sr. pratica está perfeitamente alinhado ao que pode ser chamado de “auto- administração” da miséria, que é vinculada dentro de instituições imponentes como provavelmente a instituição que o Sr. trabalha, enquanto a miséria está logo ali, fora dos muros da universidade.

E mais grave ainda, o Sr. ainda “se diverte com isso.” Não, nós não nos divertimos

com isso, Sr. Ladislau. Pelo contrário, muitas pessoas, calcadas neste sentimento de abandono profundo por parte desta sociedade, reproduzem este espetáculo grotesco da morte, e tiram as suas próprias vidas. Este mesmo espetáculo, que diverte o Sr. e muitos outros que já entregaram o resto de humanidade nas mãos desta violência potencializada pela mídia. Uma pesquisa sobre os coletivos e filósofos mencionados lhe indicará que esta sociedade é baseada na guerra química, na guerra psicológica, na tortura, no assassinato e no suicídio forçado. Isto é engraçado pro Sr.? Talvez o Sr. deveria escrever um outro artigo para esclarecer esta diversão à custa da dignidade da vida alheia.

Não é de se surpreender com a desinformação vinculada através destas “críticas”, ou “agendas políticas” disfarçadas, uma vez que as conexões e o consequente favorecimento, são sempre mantidas em sigilo para preservar o “bem estar” entre as instituições envolvidas. É isto que todo tipo de publicação imperialista, seja de direita ou de esquerda, vêm fazendo há muitos anos, e muitas vezes me parece que estas instigações são mascaradas através de críticas literárias ou cinematográficas.

Thales

Posted setembro 13, 2013 at 7:23 AM

Thales Posted setembro 13, 2013 at 7:23 AM

http://outraspalavras.net/posts/a-atualidade-brutal-de-hannah-arendt/

A atualidade brutal de Hannah Arendt

Você e o prof. Ladislau falaram a mesma coisa.

Paciente de Frente Posted setembro 20, 2013 at 10:33 AM Engraçado, pois me parece que

Paciente de Frente

Posted setembro 20, 2013 at 10:33 AM

Engraçado, pois me parece que a única passagem em que o Sr. Ladislau dá nome aos bois é: “… é como pessoas normais são puxadas para dentro de uma dinâmica social patológica, vendo-a como um caminho normal. Na Alemanha da época, 50% dos médicos aderiram ao partido nazista. …” É mesmo Sr. Ladislau? O Sr. já ouviu falar em um conceito chamado de “consciência de classes”? Pois é, médicos não são pessoas comuns como você e eu, Sr. Ladislau. Eles pertencem a uma classe que no inicio do século passado já estavam engajados em tendências maliciosas como a “eugenia”, inclusive ganhando prêmios Nobel por estes “achados” que atrasam a humanidade em séculos, apenas para citar um exemplo. Médicos-padres no Egito há séculos atrás já torturavam as pessoas em nome da ciência, também os maias, incas, etc etc etc. Ademais, sequer o Sr. Ladislau toca também na tortura do sistema prisional que se dá hoje em dia através de métodos como o confinamento em solitária. Ninguém quer mais distração mais do que já nos é bombardeado diariamente através da propaganda. Percebam que toda distração tem por característica encerrar-se em si mesma. Daqui há algum tempo o Sr. Ladislau muito provavelmente virá com outra agenda, totalmente desconexa, para distrair aqueles que ainda estão tentando se identificar com um artigo escrito há meses atrás.

R. Almeida Posted setembro 18, 2013 at 11:45 AM por outro lado, a democracia é

R. Almeida

Posted setembro 18, 2013 at 11:45 AM

por outro lado, a democracia é alargada fazendo democracia, pois ela é o próprio caminho. Ainda não surgiu um bom antiviral contra aqueles que deturpam a democracia, parasitando-a. Aqueles que usam a democracia contra a democracia prestam um desserviço à democratização. E o fanatismo político que vemos hoje é o neopopulismo, que ainda mantém velhas práticas assistencialistas e desrespeitam os princípios democráticos.

Didice Godinho Delgado Posted outubro 1, 2013 at 10:05 AM Excelente filme, excelente artigo!

Didice Godinho Delgado

Posted outubro 1, 2013 at 10:05 AM

Excelente filme, excelente artigo!

via Posted outubro 15, 2013 at 5:49 AM O conceito é importante e eficaz para

via

Posted outubro 15, 2013 at 5:49 AM

O conceito é importante e eficaz para descrever e explicar o mais inquietante de

certas ideologias onde a noção de mal como remédio necessário para atingir um bem maior é usado como justificação das acções sem nunca ser assumido por nenhum

dos membros que o levam à prática.

Paulo VC Posted outubro 15, 2013 at 11:10 PM M E A C U L

Paulo VC

Posted outubro 15, 2013 at 11:10 PM

M E A C U L P A !

Usando como pressuposto a frase do texto “O mal não está nos torturadores, e sim nos homens de mãos limpas que geram um sistema que permite que homens banais façam coisas como a tortura”…, admitindo como verdadeiro o facto de no filme Adolf Eichmann ter um , ou mais, tradutores, então, no limite quem consideram que deveria ser o tradutor de DEUS nesse mesmo julgamento. “Mãos mais limpas” que as d’ELE não conheço… Quem, Arendt? O próprio Eichmann? Quem, digam-me, POR FAVOR !

Vi o filme, gostei da abordagem, mas aconselho que não se perca a lucidez perante

um documentário, que tem tiques de argumento de romance…

Quando saí do cinema lembro-me de ter comentado com um dos meus

acompanhantes, “fomos todos julgados, quem deveria estar ali sentado éramos todos

nós!

Entretanto, gostava de deixar claro que coloquei ( por outro canal ) esta mesma

http://outraspalavras.net/posts/a-atualidade-brutal-de-hannah-arendt/

A atualidade brutal de Hannah Arendt

questão ao Prof. Ladislau que prontamente me respondeu.

A todos o meu muito obrigado,

Paulo Vieira de Castro

MariaC Posted outubro 16, 2013 at 1:52 PM “O próximo fanatismo político não usará bigode

MariaC

Posted outubro 16, 2013 at 1:52 PM

“O próximo fanatismo político não usará bigode nem bota, nem gritará Heil como os idiotas dos “skinheads”. Usará terno, gravata e multimídia. E seguramente procurará impor o totalitarismo, mas em nome da democracia, ou até dos direitos humanos.”

Parágrafo muito atual. Não só no Brasil.

MariaC Posted outubro 16, 2013 at 2:03 PM Obs. Não sei se skinheads são ou

MariaC

Posted outubro 16, 2013 at 2:03 PM

Obs. Não sei se skinheads são ou eram idiotas e o que isso significa no contexto. Acho que a falta de direitos básicos no Brasil já está muito grave e ninguém ainda se importa devidamente. Ao contrário, todos se calam, repetem o circo na mídia, porque as vítimas são em geral pobres. O Estado já é oficialmente matador. O que é isso senão totalitarismo? A desgraça de um não ajuda ou diminui a desgraça de outro, nunca. Provavelmente aumenta.

Ghassan El-Kadri Posted outubro 16, 2013 at 9:08 PM Do belo artigo de Ladislau Dowbor,

Ghassan El-Kadri

Posted outubro 16, 2013 at 9:08 PM

Do belo artigo de Ladislau Dowbor, duas frases, em minha opinião, devem ser GUARDADAS: “O que [Hannah Arendt] viu, e só ela viu, foi A BANALIDADE DO MAL (maiúsculas minhas)” / “(…) a monstruosidade não está na pessoa. está no sistema. Há sistemas que banalizam o mal.” Ladislau Dowbor é economista , e dos bons; deu-nos, porém uma grande aula de “psicanálise política” (por falta de melhor expressão). Dois acréscimos – 1o. Lamentavelmente equivocado o texto do que se apresenta como Paciente de Frente.2o. Se Hannah Arendt tivesse conhecido Gideon Levy, do israelense Haaretz, teria, por esse jornalista, leão de coragem, imensa admiração.

Rubens Roliveira Posted outubro 28, 2013 at 7:08 PM nenhum nem outro o próprio livre

Rubens Roliveira

Posted outubro 28, 2013 at 7:08 PM

nenhum nem outro o próprio livre arbítrio dos homens mostram quão maldosos podemos nos tornar seguindo o sistema que defendemos ou representamos…

Melissa de Miranda Posted novembro 12, 2013 at 1:21 PM Excelente artigo! Já conhecia o

Melissa de Miranda

Posted novembro 12, 2013 at 1:21 PM

Excelente artigo! Já conhecia o trabalho de Arendt e gostei de como a colocaram no filme, também. Para mim, a perspectiva dela sobre a banalidade do mal é mais assustadora do que qualquer pessoa monstruosa que possa vir a existir, a ser “de fato” má. Estes são poucos, não é mesmo? Pois a mediocridade existe aos montes – não como condição intencional ou inerente à natureza humana, mas como fruto de um sistema de injustiças e falhas. Quantas vidas são vividas sem reflexão, sem empatia, focadas ou forçadas ao trabalho, em autopromoção, à ilusão, ao individualismo, que seja! A dimensão que o uso da mediocridade para o mal, para a violência poderia tomar (e já tomou) é o que realmente me apavora. Recomendo o artigo e o filme como porta de entrada para o trabalho de Arendt!

Paulo Posted novembro 13, 2013 at 11:27 AM Interessante! Tem gente que só consegue interpretar

Paulo

Posted novembro 13, 2013 at 11:27 AM

Interessante! Tem gente que só consegue interpretar um artigo de acordo com o seu viés ideológico! Tem gente que criticou sem falar nada com nada! A única coisa que percebi nesse texto foi que seu autor foi bastante imparcial e focou apenas na condição humana! Somos humanos, independente de cor, raça, credo etc.

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