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1.

Conceito:
Responsabilidade do Estado é a obrigação atribuída ao Poder Público para ressarcir os danos causados à
terceiros pelos seus agentes, quando no exercício de suas atribuições. Ex: O policial que não estava em serviço,
mas atira para impedir um assalto e acaba atingindo um terceiro, agiu na qualidade de agente público.

“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa” (art. 37, §6º da CF).

2. Agente público:
Só será indenizável o dano causado pelo agente público. Agente público é uma expressão bem ampla que
abrange os agentes políticos, os servidores públicos e os particulares em colaboração com o Estado.

• Agentes políticos: São os agentes públicos que não mantém com o Estado um vínculo de
natureza profissional embora exerçam função de governabilidade. Não titularizam cargos, empregos ou
funções, isto é, exercem mandato. Ex: Senadores; Deputados, Presidente e etc.

• Servidores públicos: São os agentes públicos que mantém com o Estado vínculo de natureza
profissional.

 Funcionário público: É o servidor que titulariza cargo público. Ingressa via concurso, é
nomeado em caráter efetivo (permanente) e está sujeito ao regime estatutário.

 Empregado público: É o servidor que titulariza emprego púbico. Ingressa via concurso e
sujeita-se ao regime celetista (não é o mesmo da iniciativa privada).

Nas empresas públicas e sociedades de economia mista que exerçam atividade econômica o regime
é o celetista.

 Contratado temporário: É o servidor que não titulariza cargo nem emprego, mas exerce
função por tempo determinado, para atender situação de excepcional interesse publico. Não
ingressa por concurso, pois não há tempo hábil. Ex: Funcionário para combater epidemia de
dengue.

“A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público” (art. 37, IX da CF).

• Particulares em colaboração com o Estado: Também não tem vínculo de natureza profissional
com o Estado.

 Por delegação: São os concessionários e Permissionários.

 Por nomeação: Aqueles que prestam serviço militar obrigatório; os jurados; os mesários
em eleição. – São chamados de agentes honoríficos, pois se considera uma honra a sua
colaboração com o Estado.

Juízes e Promotores têm aspectos semelhantes com os funcionários públicos (titularizam cargo) e com os
agentes políticos (exercem funções de governabilidade. Ex: Ministério Público pode fiscalizar outros poderes).
Assim, são agentes políticos que titularizam cargos públicos exercendo funções de governabilidade. – Para Hely
Lopes Meirelles são agentes políticos.

3. Características do dano indenizável:


O dano indenizável tem que ser certo, especial e anormal.

 Dano certo: É aquele real, concreto, já configurado. - Não é possível acionar o Estado por danos
virtuais (aqueles que estão para acontecer).

 Dano especial: É aquele individualizado, que se diferencia do dano geral. Não é possível acionar o
Estado por falta de segurança, por falta de condições mínimas de saúde.

 Dano anormal: É aquele que ultrapassa os limites, parâmetros, as dificuldades da vida em


sociedade.

A responsabilidade do Estado frente a CF 1988:


A responsabilidade é das pessoas jurídicas de direito público e de direito privado prestadoras de serviço público
pelos danos que seus agentes nesta qualidade causarem a terceiro, assegurado o direito de regresso contra o
responsável no caso de dolo ou culpa.
• Trouxe a expressão pessoas jurídicas de direito público e de direito privado prestadores de serviço
público:

 Incluiu as empresas públicas e sociedades de economia mista desde que prestadoras de serviço
público. As que prestam atividade econômica continuam de fora, se submetendo quanto às obrigações
civis ao regime das empresas privadas (art. 173, §1º, II da CF).

 Trouxe os particulares que executem serviços públicos, como os concessionários e


permissionários.

• Trouxe a expressão agente, que é muito mais ampla.

• Trouxe a ação regressiva: Cabe ação regressiva do Estado contra o agente desde que o Estado
tenha sido condenado em ação proposta contra ele pelo particular e fique caracterizada a culpa ou dolo do
agente.

• Trouxe a responsabilidade objetiva, mas não trouxe a modalidade de risco: Segundo a doutrina e
jurisprudência a responsabilidade do Estado é objetiva na modalidade risco administrativo. Para Hely
Lopes Meirelles, a responsabilidade do Estado é sempre objetiva. Para Celso Antonio Bandeira de Melo, é
objetiva quando resultante de atos comissivos e subjetiva quando decorrente de atos omissivos
(geralmente caso de culpa anônima).

O Estado responde por prejuízos causados a terceiros decorrentes de decisões judiciais. Ex: O Estado
indenizará o indivíduo quando ficar preso além do tempo fixado na sentença ou por erro judicial (art. 5º,
LXXV da CF).

O Estado responde pelos prejuízos causados a terceiros decorrente de leis inconstitucionais, desde que
esta inconstitucionalidade já tenha sido reconhecida pelo Poder Judiciário. Ex: Uma pessoa foi multada
várias vezes por não ter o kit primeiros socorros. Depois a lei foi declarada inconstitucional pelo Poder
Judiciário. O Estado é responsável pelos prejuízos causados.

O Estado responde no caso de dano nuclear (“A responsabilidade civil por danos nucleares independe da
existência de culpa” art. 21, XXIII da CF), ambiental (art. 225 da CF) e atentado terrorista.Para os
administrativistas, majoritariamente, o risco é administrativo, salvo em relação ao atentado terrorista, em
que o risco é integral. Há autores que sustentam que nos três casos o risco é integral.

4.1. Aspectos processuais:

• Numa 1a fase de concurso: É melhor afirmar que a ação deve ser promovida contra o Estado e
não contra o agente, e que cabe a denunciação da lide.

• Em outras fases: É melhor demonstrar as várias posições existentes sobre a possibilidade de


acionar diretamente o causador do dano:

 Para Hely Lopes Meirelles: Não é possível a propositura de ação diretamente contra o
agente. Deve-se propor contra o Estado e este se for condenado entra com ação regressiva
contra o funcionário.

 Celso Antonio Bandeira de Mello: É possível a propositura de ação contra o Estado e/ou
contra o agente de acordo com a vontade de quem experimentou prejuízos. Mas não
podemos esquecer que a responsabilidade do agente é subjetiva e a do Estado é objetiva.
Se a vítima perder contra o agente, pode propor contra o Estado, pois a causa de pedir é
diferente.

A vantagem de propor ação contra o Estado é ter a certeza de que receberá, pois não se
pode alegar insolvência do Estado. Já a de propor contra o agente é que a execução é mais
rápida.

• Em outras fases: É melhor demonstrar as várias posições existentes sobre a possibilidade de o


Estado fazer denunciação da lide ao causador do dano, já que tem direito de regresso decorrente de
lei:

 Para Hely Lopes Meirelles e Celso Antonio Bandeira de Mello: Não cabe denunciação da
lide, pois o Estado responde de forma objetiva e o agente de forma subjetiva. Tendo em vista
que os fundamentos são diferentes, não é possível que Estado e agente ocuparem o pólo
passivo da ação.

 Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro: Será possível a denunciação da lide quando o
Estado e o agente puderem ser responsabilizados pelo mesmo fundamento, ou seja, pela
culpa.- Quando a ação for fundada em culpa anônima não poderá ocorrer a denunciação da
lide.
 Entendimento majoritário nos Tribunais em São Paulo: Não cabe a denunciação da lide,
se ela introduzir no processo um fundamento fático novo (interpretação restritiva do art. 70, III
do CPC).

O Tribunal alega que se a Fazenda Pública fizesse a denunciação da lide, estaria introduzindo
um fundamento fático que não esta sendo discutido até então (a culpa do funcionário) e aquele
processo que teria uma solução rápida demoraria, pois haveria produção de provas da culpa,
prejudicando assim a vítima. - Outro argumento que utilizam é que a Fazenda Pública participa
de duas ações, numa tendo que alegar que não houve culpa ou houve caso fortuito ou força
maior e na outra culpa do funcionário. Assim, tudo que a Fazenda Pública provar em seu favor
na ação principal estará provando contra na denunciação da lei.

 STJ (maioria): Admite a denunciação por economia processual, afirmam que a lei não faz
qualquer restrição e pelo princípio da eventualidade o Estado pode assumir posições
antagônicas (pode apresentar mais de uma defesa na eventualidade da primeira não ser
acolhida).

No caso de culpa concorrente entre a vitima e Estado cada um responderá por sua parte. A
praxe é o Juiz reduzir pela ½ a indenização pleiteada pela vitima, mas pode reconhecer mais
para um do que para o outro, conforme o caso concreto.