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Pilares

3

1. INTRODUÇÃO

Pilares são elementos estruturais lineares, em geral verticais, cuja função é receber as ações atuantes nos diversos níveis e conduzi-las até a fundação (figura 1). Junto com as estruturas de fundação, os pilares constituem-se nos principais elementos estruturais de uma construção, pois a ruína de um deles pode provocar danos globais, podendo acarretar até mesmo o famigerado colapso progressivo.

provocar danos globais, podendo acarretar até mesmo o famigerado colapso progressivo. Figura 1 – Pilar (GIONGO,
provocar danos globais, podendo acarretar até mesmo o famigerado colapso progressivo. Figura 1 – Pilar (GIONGO,

Figura 1 – Pilar (GIONGO, 2002)

Pilares

4

Nos pilares de edifícios, em geral, o esforço predominante é a força normal de compressão. Nas construções térreas sem paredes internas, como por exemplo os barracões industriais, as forças verticais nos pilares são de pequena intensidade, predominando as forças horizontais devidas ao vento. Nesses casos, o esforço principal é o momento fletor, com os pilares funcionando como contrafortes.

Junto com as vigas, os pilares formam os pórticos, que resistem às ações verticais e horizontais e garantem a estabilidade global da estrutura. As ações verticais são transferidas aos pórticos pelas estruturas dos pavimentos e as ações horizontais decorrentes do vento são levadas aos pórticos pelas paredes externas.

do vento são levadas aos pórticos pelas paredes externas. Figura 2 – Pórtico formado por vigas

Figura 2 – Pórtico formado por vigas e pilares (GIONGO, 2002)

Outros elementos de contraventamento podem ser associados aos pórticos para dar maior rigidez à estrutura. Os principais são os pórticos entreliçados, as paredes estruturais e os núcleos, estes, em geral, situados no contorno da abertura para os elevadores, como mostra a Figura 3. As lajes, com rigidez praticamente infinita no plano horizontal, dão travamento ao conjunto, promovendo a distribuição dos esforços entre os elementos de contraventamento.

As

estruturas

dos

edifícios

podem

ser

classificadas,

contraventadas e não-contraventadas.

segundo

sua

rigidez,

em

As estruturas contraventadas são as que dispõem de uma subestrutura de contraventamento suficientemente rígida para absorver praticamente todas as ações horizontais. Os nós dessas estruturas em geral apresentam pequenos deslocamentos, podendo-se, assim,

Pilares

5

dispensar a consideração dos efeitos globais de segunda ordem, constituídos pelos esforços

adicionais advindos desses deslocamentos. Neste caso, a estrutura é dita indeslocável ou de nós

fixos. Os pilares abordados neste trabalho são admitidos de nós indeslocáveis.

As estruturas não-contraventadas, ao contrário, não possuem capacidade de resistir às

ações horizontais sem que os nós apresentem deslocamentos significativos. Portanto, os efeitos

globais de segunda ordem, sendo bastante expressivos, precisam ser levados em consideração no

dimensionamento das peças. As estruturas não-contraventadas são também conhecidas como

estruturas deslocáveis ou de nós móveis. A verificação da estabilidade da estrutura e a

consideração dos efeitos de segunda ordem serão apresentados oportunamente.

Pórtico

entreliçado

Núcleo Parede estrutural
Núcleo
Parede
estrutural

Figura 3 - Elementos de contraventamento (FUSCO, 1986)

Pilares

6

Os esforços solicitantes nos pórticos podem ser determinados pelos processos conhecidos da Estática das Estruturas, inclusive utilizando programas para computador.

2. CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS

2.1. COMPRIMENTO DE FLAMBAGEM

Denomina-se comprimento de flambagem

a distância entre os pontos de inflexão da

e

deformada do pilar, cujas posições dependem das condições de apoio. Os casos mais usuais estão indicados na Figura 4.

N N N N e e Pontos de Inflexão Ponto de 0,25 Inflexão e =
N
N
N
N
e
e
Pontos de
Inflexão
Ponto de
0,25
Inflexão
e = 2
e =
e=
0,7
0,5
e =

Figura 4 - Comprimento de flambagem (SCADELAI, 2004)

Segundo SCADELAI (2004), o comprimento equivalente de flambagem do pilar ( e ), suposto vinculado em ambas extremidades, é o menor dos seguintes valores:

e

0 h

o é a distância entre as faces internas dos elementos estruturais, supostos horizontais, que vinculam o pilar (Figura 5 5); h é a altura da seção transversal do pilar, medida no plano da estrutura;

é a distância entre os eixos dos elementos estruturais aos quais o pilar está vinculado.

Pilares

7

Pilares 7 h/2 h 0 0 + h h/2 Figura 5 - Distâncias o e (SCADELAI,
h/2 h 0 0 + h h/2
h/2
h
0
0 + h
h/2

Figura 5 - Distâncias o e (SCADELAI, 2004)

No caso de pilar engastado na base e livre no topo, e = 2 .

2.2. RAIO DE GIRAÇÃO

Sendo I o momento de inércia e A a área da seção transversal, o raio de giração é dado pela

expressão:

i

I A
I
A

Para seções retangulares e circulares, que são as mais comuns, tem-se, respectivamente:

3

I b

ret

h

12

I

cir

D

4

64

;

;

A

A

ret

cir

b

h

D

2

4

resultando nos raios de giração:

i ret

h

12
12

;

i cir

D

4

Pilares

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2.3. ÍNDICE DE ESBELTEZ

O índice de esbeltez de um pilar não cintado é dado por:

e

i

.

Pode-se dizer que, quanto maior a esbeltez, maior a possibilidade do elemento comprimido

flambar.A convenção adotada para a determinação do índice de esbeltez, neste trabalho, está

mostrada na figura 6, onde é apresentado um exemplo para a determinação do índice de esbeltez

x é a esbeltez relacionada à

possibilidade do pilar flambar e se deslocar na direção x. Resumindo: o índice x representa a

de uma seção retangular com relação à direção x. Sendo assim,

direção na qual o pilar vai se deslocar em decorrência da flambagem.

qual o pilar vai se deslocar em decorrência da flambagem. Figura 6 – Convenção adotada para
qual o pilar vai se deslocar em decorrência da flambagem. Figura 6 – Convenção adotada para

Figura 6 – Convenção adotada para o cálculo do índice de esbeltez

Com base na figura 6, tem-se que:

Analogamente, tem-se que:

i y

3 hy . hx 12 2 hx hx i x hy . hx 12 12
3
hy . hx
12
2
hx
hx
i
x
hy . hx
12
12
e
e
e
.
12
x
i
hx
12
hx
x
hy
e
e
.
12
y
12
e
i
y hy

Portanto, com os valores dos raios de giração dados no item anterior, os índices de esbeltez

para seções retangulares e circulares são dados, respectivamente, por:

Pilares

9

ret

e 12 h
e
12
h

;

cir

4

e

D

onde h é dimensão da seção transversal paralela à direção em que o pilar vai se deslocar

pelo efeito da flambagem”.

2.4. DIMENSÕES MÍNIMAS

Este item foi inteiramente adaptado do trabalho de SCADELAI (2004)

Com o objetivo de evitar um desempenho inadequado e propiciar boas condições de

execução, a NBR 6118:2003, no seu item 13.2.3, estabelece que a seção transversal dos pilares,

qualquer que seja a sua forma, não deve apresentar dimensão menor que 19 cm. Em casos

especiais, permite-se a consideração de dimensões entre 19 cm e 12 cm, desde que no

dimensionamento se multipliquem as ações por um coeficiente adicional n , indicado na

Tabela 1, onde:

n

1,95 0,05 h

x

,

sendo h x a menor dimensão da seção transversal do pilar, em cm (figura 7).

Tabela 1. Valores do coeficiente adicional n em função de h x (NBR 6118:2003)

hx (cm)

19

18

17

16

15

14

13

12

n

1,00

1,05

1,10

1,15

1,20

1,25

1,30

1,35

Portanto, o coeficiente n deve majorar os

esforços solicitantes finais de cálculo nos pilares,

quando de seu dimensionamento.

Todas as recomendações referentes aos pilares

são válidas nos casos em que a maior dimensão da

seção transversal não exceda cinco vezes a menor

dimensão (h y 5h x ). Quando esta condição não for

satisfeita, o pilar deve ser tratado como pilar-parede.

for satisfeita, o pilar deve ser tratado como pilar-parede. Figura 7 – Notação adotada Em qualquer

Figura 7 – Notação adotada

Em qualquer caso, não se permite pilar com seção transversal de área inferior a 360 cm².

Pilares

10

3. CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES

Os pilares podem ser classificados conforme as solicitações iniciais e com relação à esbeltez .

3.1. CLASSIFICAÇÃO CONFORME AS SOLICITAÇÕES INICIAIS

Os pilares podem ser classificados de acordo com a solicitação inicial a que estão submetidos.

Serão considerados pilares internos (ou interiores) aqueles submetidos a compressão simples, ou seja, que não apresentam excentricidades iniciais. Estes pilares localizam-se no interior do edifício, de modo que as lajes e as vigas que neles se apoiam têm continuidade nas duas direções. Admite-se que as reações sobre os pilares sejam centradas e que os momentos fletores a eles transmitidos sejam desprezíveis (figura 8).

fletores a eles transmitidos sejam desprezíveis (figura 8). Figura 8 – Pilar interno (BASTOS, 2005) Nos
fletores a eles transmitidos sejam desprezíveis (figura 8). Figura 8 – Pilar interno (BASTOS, 2005) Nos

Figura 8 – Pilar interno (BASTOS, 2005)

Nos pilares de borda (ou de extremidade), as solicitações iniciais são constituídas por uma força normal de compressão e um momento fletor atuando no plano perpendicular à borda, caracterizando uma flexão composta normal (Figura 9). Portanto, há uma excentricidade inicial na direção perpendicular à borda. Este fato ocorre porque as lajes e a viga perpendiculares a esta borda são interrompidas no pilar.

Pilares

11

Pilares 11 Figura 9 – Pilar de borda ou de extremidade (BASTOS, 2005)) Pilares de canto
Pilares 11 Figura 9 – Pilar de borda ou de extremidade (BASTOS, 2005)) Pilares de canto

Figura 9 – Pilar de borda ou de extremidade (BASTOS, 2005))

Pilares de canto são submetidos a flexão composta oblíqua. As excentricidades iniciais ocorrem nas direções das bordas. As vigas e a laje são interrompidas no pilar nas duas direções, nas quais são gerados momentos fletores, além da força normal de compressão, conduzindo a uma situação inicial de flexão composta oblíqua (Figura 10). As excentricidades iniciais, portanto, ocorrem nas direções das bordas.

iniciais, portanto, ocorrem nas direções das bordas. Figura 10 – Pilar de canto (BASTOS, 2005) 3.2.
iniciais, portanto, ocorrem nas direções das bordas. Figura 10 – Pilar de canto (BASTOS, 2005) 3.2.

Figura 10 – Pilar de canto (BASTOS, 2005)

3.2. CLASSIFICAÇÃO CONFORME A ESBELTEZ

De acordo com o índice de esbeltez ( ), os pilares podem ser classificados em:

Pilares

12

pilares robustos ou pouco esbeltos

1

 

pilares de esbeltez média

1 90

pilares esbeltos ou muito esbeltos

90

140

pilares excessivamente esbeltos

140

200

Segundo a NBR 6118:2003, os pilares devem ter índice de esbeltez menor ou igual a 200 ( 200). Apenas no caso de postes com força normal menor que 0,1 f cd A c , o índice pode ser

maior que 200.

Segundo a NBR 6118:2003, item 15.8.2, os esforços locais de 2 a ordem em elementos isolados podem ser desprezados quando o índice de esbeltez for menor que o valor limite 1 .

O modo como se obtém o valor de 1 será mostrado nos próximos itens.

4. EXCENTRICIDADES DE 1ª. ORDEM

4.1. EXCENTRICIDADE INICIAL

As excentricidades iniciais são provenientes da transmissão de momentos das vigas aos pilares, uma vez que a ligação desses elementos estruturais é monolítica. Nos casos usuais, admite-se que as excentricidades iniciais surgem nos pilares de extremidade e de canto, em função da falta de continuidade das vigas (figura 11).

Com os diagramas de esforços de Força Normal e de Momento Fletor em cada tramo do pilar, calculam-se as excentricidades iniciais no topo e na base, dividindo-se o valor do momento fletor (M) pelo valor da força normal (N), conforme mostrado na figura 12:

e

i,topo

M topo

N

e

e

i,base

M base

N

Para o estudo das cargas verticais, a NBR 6118:2003 permite o uso do modelo clássico de viga contínua, simplesmente apoiada nos pilares.

O cálculo do momento atuante no topo e na base do pilar é realizado segundo esquema estático apresentado na Figura 13.

Pilares

13

Pilares 13 a)Carregamento b) Diagrama de momento fletor c) Estrutura deformada Figura 11 – Esquema da
Pilares 13 a)Carregamento b) Diagrama de momento fletor c) Estrutura deformada Figura 11 – Esquema da

a)Carregamento

b) Diagrama de momento fletor

Pilares 13 a)Carregamento b) Diagrama de momento fletor c) Estrutura deformada Figura 11 – Esquema da

c) Estrutura deformada Figura 11 – Esquema da transmissão de momentos das vigas aos pilares

N M
N
M

e = M / N

N

Figura 12 - Excentricidades iniciais no topo e na base do pilar (SILVA & PINHEIRO, 2002)

Pilares

14

Pilar de Extremidade ou de Canto

Pilares 14 Pilar de Extremidade ou de Canto vig sup 2 inf 2 Figura 13 -
Pilares 14 Pilar de Extremidade ou de Canto vig sup 2 inf 2 Figura 13 -
Pilares 14 Pilar de Extremidade ou de Canto vig sup 2 inf 2 Figura 13 -

vig

sup

2

Pilares 14 Pilar de Extremidade ou de Canto vig sup 2 inf 2 Figura 13 -

inf

2

Figura 13 - Esquema estático

O valor do vão efetivo da viga (

viga

o

a

1

a

2

,

onde

viga

) é dado pela seguinte expressão (figura 14):

a

1

o

a

2

distância entre faces int ernas dos apoios

t

1

/ 2

0,3 h

t

2

/ 2

0,3 h

Pilares

15

Pilares 15 a) Apoio de vão extremo b) Apoio de vão intermediário Figura 14 – Vão

a) Apoio de vão extremo

b) Apoio de vão intermediário

Figura 14 – Vão efetivo

Quando não for realizado o cálculo exato da influência da solidariedade dos pilares com a viga, deve ser considerado, nos apoios extremos, momento fletor igual ao momento de engastamento perfeito multiplicado pelos coeficientes estabelecidos na NBR 6118:2003 pelas seguintes relações:

na viga:

no tramo superior do pilar::

no tramo inferior do pilar:

r

inf

r

sup

r

vig

r

inf

r

sup

r

sup

r

vig

r

inf

r

inf

r

sup

r

vig

r

inf

r

sup

(1)

(2)

(3)

sendo r i a rigidez do elemento i no nó considerado, avaliada conforme indicado na Figura 13, dada por:

r i

I i

i

Segundo SCADELAI (2004), deve-se atentar para o fato de que as eq. (1), (2) e (3), dados pela NBR 6118:2003, não são válidos para o esquema estático apresentado na Figura 13, presente na norma. Apesar de estar a favor da segurança, os coeficientes são os mesmos utilizados pela NBR 6118:1978, quando os apoios extremos dos pilares eram considerados como engaste e utilizava-se no cálculo todo o comprimento do pilar. Portanto, com essas alterações, os coeficientes corretos seriam:

Pilares

16

na viga:

no tramo superior do pilar::

no tramo inferior do pilar:

3r

inf

3r

sup

4r

vig

3r

inf

3r

sup

3r

sup

4r

vig

3r

inf

3r

inf

3r

sup

4r

vig

3r

inf

3r

sup

Nestas notas de aula,

embora o alerta feito por SCADELAI (2004), serão adotadas as

expressões (1), (2) e (3), por estarem presentes na norma.

Resumindo, tem-se que:

a) Calcular

o

momento

de

engastamento

perfeito

(figura 15).

(M eng )

supondo

a

viga

bi-engastada

(figura 15). (M e n g ) supondo a viga bi-engastada Figura 15 – Cálculo do

Figura 15 – Cálculo do Momento de engastamento perfeito da viga

Pilares

17

b) Distribuir o valor do M eng para a viga e para os pilares superior e inferior (Figura 16).

a viga e para os pilares superior e inferior (Figura 16). r inf M M pilar
r inf M M pilar inf eng r r r vig inf sup r sup
r inf
M
M
pilar inf
eng
r
r
r
vig
inf
sup
r sup
M
M
pilar sup
eng
r
r
r
vig
inf
sup
r
r
inf
inf
M
M
viga
eng
r
r
r
vig
inf
sup

Figura 16 – Cálculo dos momentos transferidos para o pilar (trechos superior e inferior)

Observação: quando a extremidade oposta do pilar for engastada (fundações), o momento fletor nessa extremidade será suposto igual ao valor calculado por uma das fórmulas anteriores dividido por (2). As limitações relacionadas à aplicação deste modelo de cálculo encontram-se no item 14.6.7. da NBR 6118:2003.

que atuam nas extremidades de um tramo do pilar

Os momentos

M

topo

e

M

base

correspondem, respectivamente, ao

M

pilar inf .

do nó do topo e ao

M

pilar sup .

do nó da base do

Pilares

18

Pilares 18 Figura 17 - Excentricidades iniciais no topo e na base do pilar Entre as

Figura 17 - Excentricidades iniciais no topo e na base do pilar

Entre as excentricidades

e

i,topo

e

e

i,base

, a maior delas é denominada

e

iA

e é suposta

sempre positiva. A menor é denominada

(Figura 18). A excentricidade inicial na seção central (ou intermediária) do pilar

altura do tramo, é obtida por meio da seguinte expressão:

e iB

e é negativa se elas forem de sentidos contrários

, à meia

e iC

e

iC

0,6

e

0,4 e

iA

iA

0,4

e

iB

Pilares

19

Pilares 19 Figura 18 – Excentricidade inicial no meio do vão 4.2. EXCENTRICIDADE ACIDENTAL Segundo a

Figura 18 – Excentricidade inicial no meio do vão

4.2. EXCENTRICIDADE ACIDENTAL

Segundo a NBR 6118:2003, na verificação do estado limite último das estruturas reticuladas, devem ser consideradas as imperfeições do eixo dos elementos da estrutura descarregada. Essas imperfeições podem ser divididas em dois grupos: imperfeições globais e imperfeições locais.

4.2.1. Imperfeições globais (item 11.3.3.4.1 da NBR 6118:2003)

Na análise global das estruturas reticuladas, sejam elas contraventadas ou não, deve ser considerado um desaprumo dos elementos verticais, conforme Figura 19.

1 1 100 H 1 1 n a 1 2 H é a altura total
1
1
100
H
1
1
n
a
1
2
H
é
a altura total da estrutura em

metros;

n é o número total de elementos

verticais contínuos;

de elementos v e r t i c a i s c o n t í

Figura 19 - Imperfeições geométricas globais

Pilares

20

1min = 1/400 para estruturas de nós fixos ou 1/300 para estruturas de nós móveis e imperfeições locais. 1max = 1/200

Esse desaprumo não precisa ser superposto ao carregamento de vento. Entre os dois, vento e desaprumo, pode ser considerado apenas o mais desfavorável (que provoca o maior momento total na base de construção).

4.2.2. Imperfeições locais (item 11.3.3.4.2 da NBR 6118:2003)

Na análise local de elementos dessas estruturas reticuladas, devem também ser levados em conta efeitos de imperfeições geométricas locais. Para a verificação de um lance de pilar deve ser considerado o efeito do desaprumo ou da falta de retilinidade do eixo do pilar (figura 20). Admite-se que, nos casos usuais, a consideração da falta de retilinidade seja suficiente.

a consideração da falta de retilinidade seja suficiente. Figura 20 – Imperfeições geométricas locais Assim, as

Figura 20 – Imperfeições geométricas locais

Assim, as excentricidades acidentais (e a ) podem ser obtidas pelas expressões:

e a

e a

1 2 1
1
2
1

(falta de retilinidade, na região central do pilar)

(4a)

(desaprumo, no topo do pilar)

(4b)

Pilares

21

A norma admite que, nos casos usuais, a consideração da falta de retilinidade é suficiente.

Conforme colocado por Puel e Banki (2004), a NBR 6118:2003 não utiliza a denominação "excentricidade acidental", mas, como o meio técnico está habituado a essa abordagem, pode-se facilmente definir e a como conseqüência das imperfeições geométricas locais calculadas de

acordo a expressão (4), conforme o item 11.3.3.4.2 da norma.

4.3. MOMENTO MÍNIMO (excentricidade mínima)

Em estruturas reticulares, a NBR 6118:2003 permite que o efeito das imperfeições geométricas locais nos pilares seja substituído pela consideração de um momento mínimo de 1ª ordem, conforme o item 11.3.3.4.3:

M

1d,min

N

d

0,015

0,03h

,

onde:

(5)

h = altura total da seção transversal na direção considerada, em metros.

Segundo PUEL & BANKI (2004), ainda não há consenso total sobre a consideração do

momento mínimo de 1ª ordem em estruturas reticulares, cabendo ao projetista interpretar as prescrições da NBR 6118:2003.

A esse momento mínimo devem ser acrescidos os momentos de 2 a ordem.

5. ESBELTEZ LIMITE ( 1 )

esbeltez limite corresponde ao valor da esbeltez a partir do qual os efeitos de 2 a ordem

provocam uma redução da capacidade resistente do pilar no estado limite último, quando comparada com a capacidade resistente obtida de acordo com a teoria de 1 a ordem. Essa redução é definida arbitrariamente, não devendo ser superior a 10%, segundo a NBR 6118:2003. Os principais fatores que influenciam essa redução da capacidade resistente são:

A

a vinculação dos extremos do pilar isolado;

a excentricidade relativa de 1 a ordem (e 1 /h);

a magnitude e a forma do diagrama de momentos de 1 a ordem.

Pilares

22

O valor da esbeltez limite é dado pela expressão:

com a restrição:

35

1

90

,

onde:

1

25

12,5e

1

/ h

b

e

1

/ h

é a excentricidade relativa de 1 ordem (não inclui a excentricidade acidental);

(6)

b é um coeficiente que depende da distribuição de momentos no pilar.

A NBR 6118:2003 não deixa claro como se obtém o valor de e 1 , utilizado no cálculo

de 1 .

Com base no trabalho desenvolvido pelo engenheiro Leonardo Araújo dos Santos, o valor de e 1 , utilizado no cálculo de 1 , deve ser tomado como sendo igual a e ic .

Já segundo o eng. Murilo Scadelai, na dúvida, pode-se admitir o valor de e 1 , utilizado no cálculo de 1 , como sendo igual ao menor valor da excentricidade de 1 a ordem no trecho considerado.

Neste trabalho, será adotada a recomendação do eng. Leonardo Araújo dos Santos.

O valor de b deve ser obtido de acordo com as seguintes situações:

a) Para pilares biapoiados ou em balanço com momentos menores (ou iguais) que o momento

mínimo, estabelecido pela expressão (5):

b

1,0

(7)

b) Para pilares biapoiados sem cargas transversais, com pelo menos um dos momentos que

atuam nas extremidades do pilar sendo maior que o momento mínimo:

b

0,60

0,40

M

B

M

A

0,40

,

onde:

(8)

Pilares

23

M A e M B são os momentos solicitantes de 1 ordem nas extremidades do pilar, gerados a partir

das excentricidades iniciais. Adota-se para M A o maior valor absoluto entre os dois momentos de extremidade. Adota-se o sinal positivo para M B , se este tracionar a mesma face que M A (curvatura simples), e negativo em caso contrário (curvatura dupla), conforme mostrado na figura 21.

M M B B M M A A M M B B = positivo =
M
M B
B
M
M
A
A
M
M
B
B
= positivo
= negativo
M
M
A
A

Figura 21: Curvaturas simples e dupla dos pilares – cálculo de b

c) Para pilares biapoiados com cargas transversais significativas ao longo da altura:

d) Para pilares em balanço:

b

0,80

0,20

M

C

M

A

0,85

b

1,0

(8)

(9)

onde M A é o momento de 1 ordem no engaste e M C é o momento de 1 ordem no meio do pilar em balanço.

6. EXCENTRICIDADE DE 2ª. ORDEM

Nos pilares considerados isoladamente (consideração válida para estruturas de nós fixos),

a excentricidade de 2 a ordem varia ao longo da reta que liga os seus extremos, nestes se

anulando. A Figura 22 mostra a variação desta excentricidade para os pilares com curvatura única e reversa.

Pilares

24

e1a e1a Nd e2 e2 Nd Nd e1b e1b
e1a
e1a
Nd
e2
e2
Nd
Nd
e1b
e1b

Nd

Figura 22 - Pilar com efeito de 2 a ordem

em curvatura única (

e

ib

e

ia

0

)

e reversa (

e

ib

e

ia

0

)

A NBR 6118:2003, em seu item 15.8.3.3 afirma que “a determinação dos efeitos locais de 2ª ordem pode ser feita por métodos aproximados, como o do pilar padrão e do pilar padrão melhorado”. Para tal, explicita dois processos:

Método do pilar padrão com curvatura aproximada (15.8.3.3.2)

Método do pilar padrão com rigidez

aproximada (15.8.3.3.3)

Conforme colocado por BANKI (2004), ambos são válidos dentro dos mesmos limites, mas o método da rigidez aproximada pressupõe seção retangular constante, o que o torna válido em uma faixa mais restrita que o método da curvatura aproximada.

Por outro lado, no item 15.8.3.3.5 da NBR 6118:2003, (que trata da flexão composta oblíqua), a norma afirma que “quando a esbeltez de um pilar de seção retangular submetido à flexão composta oblíqua for menor que 90 nas duas direções principais, permite-se aplicar o processo aproximado descrito em 15.8.3.3.3 simultaneamente em cada uma das duas direções”. Assim, na situação geral de flexão composta oblíqua, à qual estão submetidos, em maior ou

Pilares

25

menor grau, todos os pilares de uma edificação, o processo a utilizar deve ser o da rigidez aproximada.

6.1. MÉTODO DO PILAR PADRÃO COM CURVATURA APROXIMADA

Pode ser empregado no dimensionamento de pilares com 90, com seção constante e armadura simétrica e constante ao longo do seu eixo. Este método aplica-se somente ao caso de flexão composta normal.

A não-linearidade geométrica é considerada de forma aproximada, supondo-se que a

deformada da barra possa ser representada por uma curva senoidal. A não-linearidade física é considerada por uma expressão aproximada da curvatura na seção crítica.

O momento total máximo no pilar, ou seja, a soma dos momentos de 1 ordem com os

momentos de 2 ordem, deve ser calculado pela expressão:

M

d,tot

M

b

1d,A

N

com

1

0,005

 

0,005

r

h

0,5

h

d

;

2

e

1

10 r

M

1d,A

N

d

A

c

f

cd

;

M

1d,A

M

1d,min

onde b é o mesmo coeficiente definido no item 5;

M 1d,A

é o valor de cálculo do momento de 1 ordem M A , definido no item 5;

(11)

h é a altura da seção do pilar na direção analisada; é a força normal adimensional; f cd é a resistência a compressão de cálculo do concreto;

M 1d,min

possui o mesmo significado da expressão (5).

Pilares

26

6.2. MÉTODO DO PILAR PADRÃO COM RIGIDEZ ( ) APROXIMADA

Pode ser empregado no dimensionamento de pilares com 90, com seção

RETANGULAR constante e armadura simétrica e constante ao longo do seu eixo. Este método

pode ser aplicado em pilares submetidos à flexão composta oblíqua, analisando-se cada uma das

duas direções principais, simultaneamente.

A não-linearidade geométrica é considerada de forma aproximada, supondo-se que a

deformada da barra seja senoidal. A não-linearidade física é considerada por uma expressão

aproximada da rigidez.

O valor de cálculo do momento total máximo no pilar (soma do momento de 1 ordem

com o momento de 2 ordem) deve ser calculado pela expressão:

M

d,tot

M b d1,A 2 1 120
M
b
d1,A
2
1
120

M

d1,A

M 1d,min

sendo:

M d1,A o valor de cálculo do momento M A

(12)

a rigidez adimensional, calculada aproximadamente por:

32

1

5

M

d,tot

h.N

d

(13)

As demais variáveis possuem o mesmo significado do método anterior. Usualmente, 2 ou 3

iterações são suficientes quando se optar por um processo iterativo.

Para evitar o processo iterativo, o

formulação mostrada a seguir.

eng. Leonardo de Araújo dos Santos apresenta a

A equação que fornece o valor do momento total é:

M a . M 2 b . c 0 d,tot d,tot
M
a . M
2
b .
c
0
d,tot
d,tot

, onde:

Pilares

27

a = 5 h, onde h é a altura da seção do pilar na direção
a = 5 h,
onde h é a altura da seção do pilar na direção analisada;
2
N
.
2
d
e
b
h
. N
5 . h
. M
d
c
320
onde
M c = momento a ser amplificado pelo
efeito de 2ª. ordem =
. M
(
M
)
b
A
d1,min
2
c N
. h
. M
d
c

Resolvendo a equação do segundo grau, tem-se, como raiz positiva, o seguinte valor:

M d,tot

2 b b 4 . a . c 2 . a
2
b
b
4 . a . c
2 . a

M

M

A

1d,min

6.3. SITUAÇÕES DE CÁLCULO

Neste item, serão mostradas as situações que devem ser consideradas no dimensionamento da

seção transversal do pilar.

6.3.1 Considerando Momentos Mínimos

a) Direção x:

 

b) Direção y:

 
 

M

M

1d min x

 

M

0

Se

x

1x

então

M

x

y

0

Se

y

1y

então

M

x

y

M

1d min y

 

M

x

M

dx,total

 

M

x

0

Se

x

1x

então

M

y

0

Se

y

1y

então

M

y

M

dy,total

(1ª situação de cálculo)

 

(2ª situação de cálculo)

 

Obs.: neste item, M d,total é calculado em função de M 1dmin

 

Pilares

28

6.3.2 Considerando as Solicitações Iniciais

a) Compressão Simples dimensionar usando momentos mínimos.

b) Flexão Composta Normal

Se

Se

M

M

A

A

M

M

1d min

1d min

então dim ensionar usando Momentos Mínimos

então

Se

Se

1 então dim ensionar pelo M

A

(3

a situação de cálculo)

1 então dim ensionar pelo M

d, total

(3

a situação de cálculo)

c) Flexão Composta Oblíqua

Se

Se

x

x1

e

y

y1

então analisar 3 situações :

M

M

M

M

x

y

dx, topo

dy, topo

Seção de topo

M

M

M

M

dx,base

dy,base

Seção de base

Seção

x

y

M

M

int ermediária (central)

(3

a

(4

a

x

y

x

x1

ou

y

y1

então

M

M

x

y

situação de cálculo)

situação de cálculo)

M

M

dx,int

dy,int

M

M

dx, total

dy, total

N

N

d

d

. e

. e

ic, x

ic, y

(5

a sit. de cálc.)

(3

a situação de cálculo)

Pilares

29

7. EXCENTRICIDADE CAUSADA PELA FLUÊNCIA (e c )

A excentricidade causada pela fluência do concreto e c deve ser considerada em pilares com > 90. Esta excentricidade deve ser somada à excentricidade de 1 ordem. Os efeitos da fluência podem ser desprezados em pilares com índices de esbeltez menores que 90.

8. EXCENTRICIDADE DE LOCAÇÃO (OU DE FORMA)

Muitas vezes, para adequar a posição dos elementos estruturais em função do projeto arquitetônico, os projetistas estruturais são obrigados a coincidir as faces internas ou externas das vigas com as faces dos pilares que as apóiam. Quando tal procedimento é adotado, os eixos das vigas não passam pelo centro de gravidade da seção do pilar (figura 23), surgindo assim excentricidades denominadas excentricidades de

assim excentricidades denominadas excentricidades de Figura 23: Excentricidades de forma em pilares – AGUIAR

Figura 23: Excentricidades de forma em pilares – AGUIAR (2000).

locação (ou excentricidades de forma). As excentricidades de forma, de maneira geral, não são consideradas no dimensionamento dos pilares. O momento fletor produzido pelas excentricidades no nível de cada andar é equilibrado por um binário, produzindo, em cada piso, pares de forças de sentidos contrários e de mesma ordem de grandeza, que tendem a se anular (figura 24). Ao nível da fundação, a não consideração da excentricidade de forma se justifica pelas elevadas forças normais

atuantes, cujos acréscimos de excentricidades são pequenos, não alterando os resultados do dimensionamento. No nível da cobertura, os pilares são poucos solicitados e dispõem de uma armadura mínima capaz de absorver o acréscimo de esforços causados pelas excentricidades de forma, não sendo necessário portanto considerá-la.

de forma, não sendo necessário portanto considerá-la. a) b) Figura 24 - Excentricidades de forma e

a)

b)

Figura 24 - Excentricidades de forma e binários correspondentes

Pilares

30

9. DETALHAMENTO DE PILARES DE CONCRETO ARMADO

9.1 DIMENSÕES MÍNIMAS DOS PILARES

Conforme já visto no item 2.4, a menor dimensão da seção transversal do pilar não deve ser inferior a 19 cm. Esta recomendação visa evitar um comportamento inaceitável para os elementos estruturais e propiciar condições adequadas de execução. Em casos especiais, permite-se que a menor dimensão do pilar esteja compreendida entre 19 cm e 12 cm. Neste casos, deve-se multiplicar os esforços finais de cálculo empregados no dimensionamento dos pilares por um coeficiente adicional n , de acordo com a tabela 1, já mostrada no item 2.4.

9.2 COBRIMENTO DA ARMADURA

A Norma recomenda que as armaduras tenham um determinado cobrimento nominal, obtido por meio de um cobrimento mínimo (c min ) acrescido de uma tolerância de execução ( c). Assim, as dimensões das armaduras e os espaçadores devem respeitar os cobrimentos nominais, estabelecidos na Tabela 2, para c = 10 mm.

c

nom

c

min

c

Tabela 2 -. Valores de c nom em pilares de concreto armado para c = 10 mm. (NBR 6118:2003)

Classe de agressividade

I

II

III

IV

c nom ( mm)

25

30

40

50

As classes de agressividade, que segundo a NBR 6118:2003 estão relacionadas às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independentemente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica e outras previstas no dimensionamento das estruturas de concreto podem ser avaliadas segundo a Tabela 3.

Pilares

31

Tabela 3 - Classes de agressividade ambiental (NBR 6118:2003)

Classe de agressividade ambiental

Agressividade

Classificação geral do tipo de ambiente para efeito de projeto

Risco de deterioração da estrutura

I

Fraca

Rural

Submersa

Insignificante

II

Moderada

Urbana

III

Forte

Marinha

Industrial

IV

Muito forte

Industrial Respingos de maré

Pequeno

Grande

Elevado

Quando houver um adequado controle de qualidade e rígidos limites de tolerância da variabilidade das medidas durante a execução, pode ser adotado o valor c = 5 mm, mas a exigência de controle rigoroso deve ser explicitada nos desenhos de projeto. Permite-se, então, redução de 5 mm dos cobrimentos nominais prescritos na Tabela 2.

Os cobrimentos são sempre referidos à superfície da armadura externa, em geral à face externa do estribo.

O cobrimento nominal deve ser maior que o diâmetro da barra.

A dimensão máxima característica do agregado graúdo utilizado não pode superar em 20% o cobrimento nominal, ou seja:

d

max

1,2 c

nom

9.3 ARMADURAS LONGITUDINAIS

As armaduras longitudinais colaboram para resistir à compressão, diminuindo a seção do pilar, e também resistem às tensões de tração. Além disso, têm a função de diminuir as deformações do pilar, especialmente as decorrentes da retração e da fluência.

Pilares

32

9.3.1 Taxa geométrica mínima e máxima

Inicialmente, define-se taxa geométrica de armadura longitudinal do pilar pela seguinte

relação:

A

s

A c

,

onde A s é a soma das áreas das seções transversais das barras

longitudinais e A c é a área da seção transversal do pilar.

Segundo o item 17.3.5.3 da NBR 6118:2003, a taxa de armadura longitudinal mínima

deve ser igual a

min

0,15

f

cd

f

yd

0,4%

,

com

N

d

A

c

f

cd

A tabela 4 fornece os valores para min , no caso de aço CA-50 e coeficientes de

ponderação da resistência

c

1,4

e

s

1,15

.

Tabela 4: Valores de min em pilares (%)

Valores de f ck

20

25

 

30

35

40

45

50

Valores de

 

0,1

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,2

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,3

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,4

0,400

0,400

0,400

0,400

0,400

0,444

0,493

0,5

0,400

0,400

0,400

0,431

0,493

0,554

0,616

0,6

0,400

0,400

0,444

0,518

0,591

0,665

0,739

0,7

0,400

0,431

0,518

 

0,604

0,690

0,776

0,863

0,8

0,400

0,493

0,591

 

0,690

0,789

0,887

0,986

 

Aço CA-50;

c

1,4

e

s

1,15

A taxa máxima de armadura em pilares, considerando-se inclusive a sobreposição de

8% min 4% min
8%
min
4%
min

armadura em trechos de emenda, deve ser de 8%. Assim, tem-se que:

Para regiões fora da região dos trechos das emendas:

Pilares

33

9.3.2 Diâmetro mínimo das barras

O diâmetro das barras longitudinais não deve ser inferior a 10 mm e nem superior a 1/8

da menor dimensão da transversal (item 18.4.2.1 da NBR 6118:2003):

10 mm

h

x

8

9.3.3 Quantidade mínima de barras

A NBR 6118:2003, no item 18.4.2.2, estabelece que as armaduras longitudinais devem

ser dispostas de forma a garantir a adequada resistência do elemento estrutural. Em seções poligonais, deve existir pelo menos uma barra em cada vértice dos estribos; em seções circulares, no mínimo seis barras distribuídas ao longo do perímetro. A figura 25 apresenta o número mínimo de barras para alguns tipos de seção.

o número mínimo de barras para alguns tipos de seção. Figura 25 - Número mínimo de

Figura 25 - Número mínimo de barras

9.3.4 Espaçamento das barras longitudinais

Para garantir boa concretagem, é necessário que o concreto tenha um mínimo de espaço para passar entre as armaduras longitudinais. Por esse motivo impõem-se limitações ao espaçamento livre entre as barras da armadura longitudinal (a), o qual deve ser igual ou superior ao maior dos seguintes valores:

Pilares

34

a

20 mm

1,2 d

max

(diâmetro máximo do agregado)

Esses valores se aplicam também às regiões de emenda por traspasse (figura 26).

Ø

a

a

b
b
a a Ø
a
a
Ø

Sem emendas

por traspasse

Com emendas

por traspasse

Figura 26 - Espaçamento entre as barras da armadura longitudinal

Quando estiver previsto no plano de execução da concretagem o adensamento através de

abertura lateral na face da fôrma, o espaçamento das armaduras deve ser suficiente para permitir

a passagem do vibrador.

O espaçamento máximo s entre os eixos das barras deve ser menor ou igual a duas vezes

a menor dimensão da seção no trecho considerado, sem exceder 40 cm, ou seja:

s

2h

40 cm

x

Para LEONHARDT & MÖNNIG (1978) esse espaçamento máximo não deve ser maior do que 30 cm. Entretanto, para pilares com dimensões até 40 cm, basta que existam as barras longitudinais nos cantos.

Pilares

35

9.4 ARMADURAS TRANSVERSAIS

A armadura transversal de pilares geralmente é constituída por estribos e deve ser

colocada em toda a altura do pilar, sendo obrigatória sua colocação na região de cruzamento com vigas e lajes (item 18.4.3 da NBR 6118:2003).

Os estribos devem ser fechados, geralmente em torno das barras de canto, ancorados com

ganchos que se transpassam, colocados em posições alternadas.

Os estribos têm as seguintes funções:

a) garantir o posicionamento e impedir a flambagem das barras longitudinais;

b) garantir a costura das emendas de barras longitudinais;

c) confinar o concreto e obter uma peça mais resistente ou dúctil.

9.4.1 Diâmetro dos estribos

De acordo com a NBR 6118:2003, o diâmetro dos estribos em pilares não deve ser inferior a 5 mm nem a 1/4 do diâmetro da barra isolada ou do diâmetro equivalente do feixe que constitui a armadura longitudinal, ou seja:

t

5 mm

4

ou

n

4

, desde que as armaduras sejam

constituídas do mesmo tipo de aço e o espaçamento longitudinal entre estribos, medido na direção do eixo do pilar, seja igual ou inferior a:

Permite-se adotar o diâmetro dos estribos

t

ou inferior a: Permite-se adotar o diâmetro dos estribos t 4 s max 90.000 2 t

4

s

max

90.000

2

t

1

f yk

, com f yk em MPa

9.4.2 Espaçamento longitudinal entre estribos

O espaçamento longitudinal entre estribos, medido na direção do eixo do pilar, deve ser igual ou inferior ao menor dos seguintes valores:

Pilares

36

s t

20 cm

menor dimensão da seção

12

25

para CA

para CA

50

25

Em pilares com momentos nas extremidades (portanto, nos pilares em geral), e nos pré- moldados, LEONHARDT & MÖNNIG (1978) recomendam que se disponham, nas suas extremidades, 2 a 3 estribos com espaçamento igual a s t /2 e s t /4 (Figura 27).

espaçamento igual a s t /2 e s t /4 (Figura 27). Figura 27 - Estribos
espaçamento igual a s t /2 e s t /4 (Figura 27). Figura 27 - Estribos

Figura 27 - Estribos adicionais nos extremos e ganchos alternados (LEONHARDT & MÖNNIG, 1978)

9.4.3 Proteção contra a flambagem das barras longitudinais

Sempre que houver possibilidade de flambagem das barras da armadura, situadas junto à superfície, devem ser tomadas precauções para evitá-la. A NBR 6118:2003 (item 18.2.4) considera que os estribos poligonais garantem contra flambagem as barras longitudinais situadas em seus cantos e as por eles abrangidas, situadas no máximo à distância de 20 t do canto, se

nesse trecho de comprimento 20 t não houver mais de duas barras, não contando a do canto (Figura 28).

Pilares

37

Pilares 37 t t t t t t Figura 28 - Proteção contra a flambagem das
t t t t t t Figura 28 - Proteção contra a flambagem das barras
t
t
t
t
t
t
Figura 28 - Proteção contra a flambagem das barras longitudinais
(LEONHARDT & MÖNNIG, 1978)

Quando houver mais de duas barras no trecho de comprimento 20 t ou barras fora dele, deve haver estribos suplementares, conforme figura 29. Se o estribo suplementar for constituído por uma barra reta, terminada em ganchos, ele deve atravessar a seção do pilar e os seus ganchos devem envolver a barra longitudinal.

(doisestribospoligonais) (um estribo poligonal e uma barra comganchos)
(doisestribospoligonais) (um estribo poligonal e uma barra comganchos)

(doisestribospoligonais)

(doisestribospoligonais) (um estribo poligonal e uma barra comganchos)
(doisestribospoligonais) (um estribo poligonal e uma barra comganchos)

(um estribo poligonal e uma barra comganchos)

Figura 29 - Estribos suplementares para proteção contra flambagem das barras longitudinais

Se houver mais de uma barra longitudinal a ser protegida junto à extremidade do estribo suplementar, seu gancho deve envolver um estribo principal em um ponto junto a uma das barras, o que deve ser indicado no projeto de modo bem destacado (Figura 30). Essa amarra garantirá contra a flambagem essa barra encostada e mais duas no máximo para cada lado, não distantes dela mais de 20 t . No caso da utilização dessas amarras, para que o cobrimento seja respeitado, é necessário prever uma distância maior entre a superfície do estribo e a face do pilar.

Pilares

38

t t t t
t
t
t
t

20

t

20 20 t t
20
20
t
t

Gancho envolvendo a barra longitudinal

Gancho envolvendo um estribo principal

Figura 30 - Formas de proteger barras intermediárias contra a flambagem

Na Figura 31 são mostrados alguns exemplos de arranjos de estribos que podem ser feitos para satisfazer as exigências da Norma.

de estribos que podem ser feitos para satisfazer as exigências da Norma. Figura 31 - Exemplos

Figura 31 - Exemplos de arranjos dos estribos

Pilares

39

É oportuno comentar que a presença de estribos suplementares pode dificultar a

concretagem. Uma alternativa seria concentrar as barras nos cantos, para evitar os estribos suplementares.

A NBR 6118:2003 comenta ainda que, no caso de estribos curvilíneos cuja concavidade

esteja voltada para o interior do concreto, não há necessidade de estribos suplementares. Se as seções das barras longitudinais se situarem em uma curva de concavidade voltada para fora do concreto, cada barra longitudinal deve ser ancorada pelo gancho de um estribo reto ou pelo canto de um estribo poligonal.

9.5 EMENDA DAS BARRAS LONGITUDINAIS DO PILAR

A emenda por traspasse é largamente empregada por seu menor custo, além da facilidade

de execução. Entretanto, o projeto de revisão da NBR 6118:2003 recomenda que a emenda por

traspasse seja evitada para diâmetros de barras maiores que 32 mm, e também para elementos estruturais com seção transversal totalmente tracionada, como os tirantes.

O comprimento de traspasse nas barras longitudinais comprimidas é determinado pela

seguinte expressão:

oc

b,nec

oc,min

onde

b,nec

é o comprimento de ancoragem necessário;

oc,min

é o maior valor entre

0,6 , 15 e 200mm;

b

b é o comprimento de ancoragem básico.

A figura 32 contém um exemplo de emenda por traspasse em pilares de seção constante,

onde as barras longitudinais do pilar inferior devem ser interrompidas a uma altura acima do piso

igual ao comprimento de traspasse.

Pilares

40

A A Seção A-A traspasse oc
A
A
Seção A-A
traspasse
oc

Figura 32 - Emendas por traspasse das barras longitudinais dos pilares

Pilares

41

RESUMO - SITUAÇÕES DE CÁLCULO

66 33 11

CCoonnssiiddeerraannddoo MMoommeennttooss MMíínniimmooss

a) Direção x:

 

b) Direção y:

 
 

M

M

1d min x

 

M

0

Se

x

1x

então

M

x

y

0

Se

y

1y

então

M

x

y

M

1d min y

 

M

x

M

dx,total

 

M

x

0

Se

x

1x

então

M

y

0

Se

y

1y

então

M

y

M

dy,total

(1ª situação de cálculo)

 

(2ª situação de cálculo)

 

Obs.: neste item, M d,total é calculado em função de M 1dmin

 

66 33 22

a) Compressão Simples dimensionar usando momentos mínimos.

CCoonnssiiddeerraannddoo aass SSoolliicciittaaççõõeess IInniicciiaaiiss

b) Flexão Composta Normal

Se

Se

M

M

A então dim ensionar usando Momentos Mínimos

M

1d min

A

M

1d min

então

Se

Se

1 então dim ensionar pelo M

A

(3

a situação de cálculo)

1 então dim ensionar pelo M

d,total

(3

a situação de cálculo)

c) Flexão Composta Oblíqua

Se

Se

x

x1

e

y

y1

então

analisar 3 situações :

M

M

M

M

dx, topo

dy, topo

Seção de topo

Seção de base

Seção

x

y

M

M

M

M

x

y

dx,base

dy,base

M

M

int ermediária (central)

(3

a situação de cálculo)

(4

a situação de cálculo)

dx,int

y dy,int

x

M

M

N

N

d

d

. e

. e

ic, x

ic, y

(5

a

sit. de cálc.)

x

x1

ou

y

y1

então

M

M

M

x (3

y

M

dy,total

dx, total

a situação de cálculo)