Formação dos Estados Nacionais e Tributação

A história da humanidade,no período de formação das nações ,pode ser explicada pela mediação da tributação. Sabemos(Perry Anderson por exemplo)que a formação dos estados nacionais se deu pela extorsão das classes baixas,as quais financiaram com seu trabalho, a montagem da administração pública e militar garantidora da unidade territorial deste ou daquele povo.A burguesia participou evidentemente,como explicam os grandes historiadores

econômicos,Dobb,Hobsbawn,mas o modo como se dá a relação entre esta nova classe e os reis e o estado centralizado é naturalmente diferente do que aconteceu na relação do poder central com as ditas classes baixas. Na Europa do norte,por influxo da revolução protestante, a relação foi menos de extorsão do que de contribuição para este projeto ,o que amainou,diferentemente do que ocorreu em outros lugares,o caráter repressivo da formação do Estado Nacional moderno e nós podemos citar que neste último caso está a maioria dos países continentais,como Portugal,Espanha e Prússia e no primeiro caso Holanda,Suécia,Bélgica e Inglaterra. Alguns poderiam contestar a inclusão da Inglaterra,porque desde Henrique VIII houve conflitos e violência,mas se compararmos com outros lugares,como a Espanha,veremos que não há paralelo. Todo o processo de tortura dos reis católicos,através de Torquemada,contra,principalmente,os judeus endinheirados,serviu a este propósito,mas isto ocorreu não só porque a burguesia era fraca neste período,mas igualmente,porque havia povos diferentes na península.Houve sim extorsão,uma hipertributação,ou roubo,puro e simples,sob tortura.

Na Inglaterra o processo começou mais cedo e com violência,mas desbastado o caminho a relação entre o absolutismo e a burguesia se tornou mais próxima,somente mudando na época em que a classe burguesa intentou tomar o poder definitivamente,como nas guerras civis de 1640 e 1688,esta última,sem os elementos de brutalidade que vemos em outras revoluções. De modo que existe uma gaita de foles na história ,dicotomias flutuantes de um lado para o outro e de cima para baixo,em várias mediações,mas para o que nos interessa aqui de cima para baixo.No inicio a tributação era uma imposição de cima para baixo e muitos estados que estão aí até hoje confirmam em suas respectivas histórias esta afirmação,mas hoje ,no objetivo de buscar soluções sociais para os problemas nos vemos diante da necessidade de respeitar(o que não ocorre sempre)a soberania popular,o que gera um problema de arrecadação pois em grande parte os povos,empobrecidos ,não têm condições de sustentar o desenvolvimento que lhes traria a riqueza tão esperada. É neste sentido que coloco o problema dos estados nacionais e da tributação,relacionados, procurando uma saída moderna e democrática para resolver o problema social dentro destas duas mediações. Através de uma tributação justa da maioria da população é possível constituir estados democráticos,inclusive divididos em classes e pelo menos,acabar com a miséria. Mas o fundamento do fim da miséria é a reforma estrutural que começa com a resolução do problema da tributação e distribuição dos recursos de forma democrática.Sabemos dos problemas que atrapalham esta distribuição,mas o fato é que não há outra saída democrática e pacífica se não investirmos de vez nos processos estruturais que mantêm uma nação. O problema da tributação deve partir dos de baixo para os de baixo,diferentemente do que aconteceu no passado,mas não há,a meu ver,nenhuma outra saída para o nosso mundo se não

analisarmos esta questão desta maneira,no âmbito nacional,levando em conta a população e os recursos de que dispõe o estado.Na minha opinião a questão da população é aideológica e decisiva para a humanidade porque só se deve crescer especificamente tendo consciência d e poder alimentar os que nascem.São estes os elementos novos para construir dentro de um certo pragmatismo uma sociedade sem miseráveis.

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