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e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

Escola Técnica Aberta do Brasil

Vigilância em Saúde

Sistema de Limpeza Urbana

Sheila Cristina Martins Pereira

Aberta do Brasil Vigilância em Saúde Sistema de Limpeza Urbana Sheila Cristina Martins Pereira Ministério da
Aberta do Brasil Vigilância em Saúde Sistema de Limpeza Urbana Sheila Cristina Martins Pereira Ministério da
Aberta do Brasil Vigilância em Saúde Sistema de Limpeza Urbana Sheila Cristina Martins Pereira Ministério da
Aberta do Brasil Vigilância em Saúde Sistema de Limpeza Urbana Sheila Cristina Martins Pereira Ministério da

Ministério da

Educação

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

Escola Técnica Aberta do Brasil

Vigilância em Saúde

Sistema de Limpeza Urbana

Sheila Cristina Martins Pereira

Aberta do Brasil Vigilância em Saúde Sistema de Limpeza Urbana Sheila Cristina Martins Pereira Montes Claros

Montes Claros - MG

2011

Presidência da República Federativa do Brasil Ministério da Educação Secretaria de Educação a Distância

Ministro da Educação Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância Carlos Eduardo Bielschowsky

Coordenadora Geral do e-Tec Brasil Iracy de Almeida Gallo Ritzmann

Governador do Estado de Minas Gerais Antônio Augusto Junho Anastasia

Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia

e Ensino Superior

Alberto Duque Portugal

Tecnologia e Ensino Superior Alberto Duque Portugal Reitor João dos Reis Canela Vice-Reitora Maria Ivete

Reitor João dos Reis Canela

Vice-Reitora Maria Ivete Soares de Almeida

Pró-Reitora de Ensino Anete Marília Pereira

Diretor de Documentação e Informações Huagner Cardoso da Silva

Coordenador do Ensino Profissionalizante Edson Crisóstomo dos Santos

Diretor do Centro de Educação Profissonal e Tecnólogica - CEPT Juventino Ruas de Abreu Júnior

Diretor do Centro de Educação à Distância

- CEAD

Jânio Marques Dias

Coordenador do e-Tec Brasil/Unimontes Rita Tavares de Mello

Coordenadora Adjunta do e-Tec Brasil/ CEMF/Unimontes Eliana Soares Barbosa Santos

Coordenadores de Cursos:

Coordenador do Curso Técnico em Agronegócio Augusto Guilherme Dias

Coordenador do Curso Técnico em Comércio Carlos Alberto Meira

Coordenador do Curso Técnico em Meio Ambiente Edna Helenice Almeida

Coordenador do Curso Técnico em Informática Frederico Bida de Oliveira

Coordenador do Curso Técnico em Vigilância em Saúde Simária de Jesus Soares

Coordenador do Curso Técnico em Gestão em Saúde Zaida Ângela Marinho de Paiva Crispim

SISTEMA DE LIMPEZA URBANA e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

Elaboração Sheila Cristina Martins Pereira

Projeto Gráfico

e-Tec/MEC

Supervisão Wendell Brito Mineiro

Diagramação Hugo Daniel Duarte Silva Marcos Aurélio de Almeda e Maia

Impressão Gráfica RB Digital

Designer Instrucional Angélica de Souza Coimbra Franco Kátia Vanelli Leonardo Guedes Oliveira

Revisão Maria Ieda Almeida Muniz Patrícia Goulart Tondineli Rita de Cássia Silva Dionísio

Leonardo Guedes Oliveira Revisão Maria Ieda Almeida Muniz Patrícia Goulart Tondineli Rita de Cássia Silva Dionísio

AULA 1

Alfabetização Digital

Apresentação e-Tec Brasil/Unimontes

Prezado estudante,

Bem-vindo ao e-Tec Brasil/Unimontes!

Você faz parte de uma rede nacional pública de ensino, a Escola Técnica Aberta do Brasil, instituída pelo Decreto nº 6.301, de 12 de dezembro 2007, com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino técnico público, na modalidade a distância. O programa é resultado de uma parceria entre

o Ministério da Educação, por meio das Secretarias de Educação a Distancia

(SEED) e de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), as universidades e

escola técnicas estaduais e federais.

A educação a distância no nosso país, de dimensões continentais e

grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pes-

soas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimen- to da formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente ou economicamente, dos grandes centros.

O e-Tec Brasil/Unimontes leva os cursos técnicos a locais distantes

das instituições de ensino e para a periferia das grandes cidades, incenti- vando os jovens a concluir o ensino médio. Os cursos são ofertados pelas

instituições públicas de ensino e o atendimento ao estudante é realizado em escolas-polo integrantes das redes públicas municipais e estaduais.

O Ministério da Educação, as instituições públicas de ensino técnico,

seus servidores técnicos e professores acreditam que uma educação profis- sional qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica, – não só

é capaz de promover o cidadão com capacidades para produzir, mas também

com autonomia diante das diferentes dimensões da realidade: cultural, so-

cial, familiar, esportiva, política e ética.

Nós acreditamos em você!

Desejamos sucesso na sua formação profissional!

Ministério da Educação Janeiro de 2010

AULA 1

Alfabetização Digital

Indicação de ícones

Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual.

Atenção: indica pontos de maior relevância no texto.

Atenção: indica pontos de maior relevância no texto.

Saiba mais: oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas

Saiba mais: oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado.

Glossário: indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada no texto.

Glossário: indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada no texto.

Mídias integradas: possibilita que os estudantes desenvolvam atividades empregando diferentes mídias: vídeos, filmes,

Mídias integradas: possibilita que os estudantes desenvolvam atividades empregando diferentes mídias: vídeos, filmes, jornais, ambiente AVEA e outras.

Atividades de aprendizagem: apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa

Atividades de aprendizagem: apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu domínio do tema estudado.

AULA 1

Alfabetização Digital

Sumário

Palavra do professor conteudista

9

Projeto instrucional

11

Aula 1 - Saneamento ambiental

13

1.1

Denifição de saneamento

13

1.2

Poluição do meio ambiente

13

1.3

Lixo e saúde pública

14

1.4

Saúde ambiental

16

Resumo

16

Atividades de aprendizagem

16

Aula 2 - O “lixo” e seus impactos

19

2.1

A problemática dos resíduos sólidos

19

Resumo

24

Atividades de aprendizagem

25

Aula 3 - Gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos

27

3.1

Definições e classificação

27

Resumo

33

Atividades de aprendizagem

33

Aula 4 - Gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos

35

4.1

Gerenciamento de resíduos sólidos urbanos

35

Resumo

41

Atividades de aprendizagem

41

Aula 5 - Gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos

43

5.1

Gerenciamento de resíduos sólidos urbanos

43

Resumo

47

Atividades de aprendizagem

48

Aula 6 – Limpeza dos logradouros públicos

49

6.1

Limpeza dos logradouros públicos

49

Resumo

54

Atividades de aprendizagem

55

Aula 7 – Legislação ambiental aplicada aos resíduos sólidos urbanos

57

7.1 Introdução

57

7.2 Legislação aplicada

58

Resumo

63

Atividades de aprendizagem

63

Aula 8 – Licenciamento Ambiental

65

8.1

Definições

65

8.2

Principais impactos ambientais relacionados aos resíduos sólidos

68

Resumo

70

Atividades de aprendizagem

70

Aula 9 – Educação ambiental e os resíduos sólidos

71

9.1 Introdução

71

9.2 A importância da educação ambiental para o Sistema de

Limpeza Urbana

71

9.3 A educação ambiental e os resíduos sólidos

72

9.4 Aproveitamento dos materiais

73

9.5 Comentários finais

74

Resumo

74

Atividades de aprendizagem

75

Referências

76

Currículo do professor conteudista

80

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

8

Vigilância em Saúde

AULA 1

Alfabetização Digital

Palavra do professor conteudista

Caro estudante,

Seja bem-vindo à disciplina de Sistema de Limpeza Urbana. Nesta

etapa do curso, serão apresentados os principais problemas ocasionados pela geração do “lixo” nas cidades.

A partir desta problemática, você aprenderá sobre a gestão e o

gerenciamento integrado dos resíduos sólidos urbanos, que faz parte do Sis- tema de Limpeza Urbana de uma cidade. Para se manter uma cidade limpa, faz-se necessário estudar a legis- lação pertinente ao assunto, bem como apresentar temas associados como:

ambiente antrópico, saneamento, saúde pública, entre outros. No Brasil, a maioria dos municípios ainda não possui a gestão ade- quada dos resíduos e os Sistemas de Limpeza Urbana se encontram deses- truturados. Em agosto de 2010 foi sancionada a Lei nº 12.031 que trata da

Política Nacional de Resíduos Sólidos. Todavia, esta lei pode ser considerada um marco regulatório para a gestão dos resíduos no país.

A partir de agora, os municípios têm prazos para adequarem a ges-

tão dos resíduos. Não poderá mais existir lixões e tal prática torna-se crime ambiental. Para tanto, há perspectivas do aumento de profissionais capaci- tados para atuarem na área da gestão de resíduos. Com a implantação da nova lei, as cidades se tornarão mais lim- pas, e o meio ambiente preservado. Haverá com certeza a minimização dos impactos ambientais, sociais e de saúde pública ocasionados pela gestão inadequada dos resíduos sólidos. No decorrer desta apostila serão apresentados alguns sites para a complementação do estudo de cada aula. Ao lerem cada assunto, tentem re- lacionar o tema ao ambiente em que vocês vivem e interpretar os principais problemas e soluções a respeito do Sistema de Limpeza Urbana.

Bons estudos,

Sheila Cristina Martins Pereira

AULA 1

Alfabetização Digital

Projeto instrucional

Disciplina: Sistema de Limpeza Urbana (carga horária: 63 h).

Ementa: Legislação sanitária; princípios de gerenciamento de re- síduos sólidos; ambiente antrópico, equilíbrio ecológico, poluição, ocupação do espaço urbano, rural e edificações, noções sobre EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e RIMA (Relatório de Impacto Ambiental); fundamentos de sa- neamento básico e do meio ambiente; saúde ambiental; gestão ambiental; saúde pública.

   

OBJETIVOS DE

 

CARGA

 

AULA

APRENDIZAGEM

MATERIAIS

HORÁRIA

 

Conceituar saneamen- to e as relações com o meio ambiente e a saúde pública.

Caderno didático da

 

Aula 1.

disciplina

Saneamento

Sites relacionados ao tema

5h

Ambiental

 

Artigos

Aula 2. O “lixo” e seus impac- tos

Apresentar os principais impactos relacionados

Caderno didático da disciplina

 

gestão inadequada

à

dos resíduos sólidos e definições.

Sites relacionados ao tema

6h

 

Artigos

 

Apresentar os principais

   

conceitos sobre o geren- ciamento adequado dos

resíduos sólidos urbanos

Caderno didático da disciplina

Sites relacionados ao

3.

mento dos

Gerencia-

6h

Resíduos Sóli-

dos Urbanos

e

mostrar o caminho

tema

para a solução do proble- ma do “lixo”.

Artigos

4.

Gerencia-

Dar continuidade aos principais conceitos

sobre o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos urbanos e mos- trar o caminho para a solução do problema do “lixo”.

Caderno didático da disciplina

Sites relacionados ao tema

• Artigos

 

mento dos

6h

Resíduos Sóli-

dos Urbanos

 

Apresentar algumas formas de tratamento e disposição final dos resíduos sólidos. Mostrar as vantagens e desvan- tagens da utilização do aterro sanitário.

• Caderno didático da

 

5.

mento dos

Resíduos Sóli-

dos Urbanos

Gerencia-

disciplina

Sites relacionados ao tema

6h

Artigos

 

Apresentar outros serviços que compõem as etapas do Sistema de Limpeza Urbana.

Caderno didático da

 

6.

Limpeza

disciplina

dos logradou-

ros públicos

Sites relacionados ao tema

6h

 

• Artigos

7.

Legislação

Apresentar a legislação brasileira vigente aplica- da aos resíduos sólidos e mostrar a importância da fiscalização e o cumpri- mento das leis.

• Caderno didático da

 

ambiental

disciplina

aplicada aos

Sites relacionados ao tema

6h

resíduos sóli-

dos urbanos

• Artigos

 

Apresentar os principais conceitos referentes ao licenciamento ambiental, mostrando a importância para a proteção ao meio ambiente.

• Caderno didático da

 

8.

Licen-

disciplina

ciamento

Sites relacionados ao tema

6h

ambiental

• Artigos

 

Apresentar a importân- cia da educação am- biental bem como a sua aplicação no Sistema de Limpeza Urbana.

• Caderno didático da

 

9.

ambiental e

os resíduos

Educação

sólidos

disciplina

Sites relacionados ao tema

6h

Artigos

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

12

Vigilância em Saúde

AULA 1

Alfabetização Digital

Aula 1 - Saneamento ambiental

Objetivos

Conceituar saneamento e as relações com o meio ambiente e a saúde pública.

1.1 Denifição de saneamento

As diversas atividades realizadas pelo homem nas cidades, seja no comércio, em suas casas ou na indústria, geram esgoto e lixo, e devido à falta de controle ambiental, há poluição do solo, dos rios e do ar. Sendo assim, conforme a definição de saneamento, o seu objetivo é proteger a saúde pública e o meio ambiente das ações realizadas pelo ho- mem no seu dia a dia. Modernamente, saneamento não é somente os sistemas de infraes- trutura física (obras de saneamento) como as canalizações de abastecimento de água ou as canalizações de coleta de esgotos sanitários. Trata-se também das leis e normas técnicas relacionadas, acrescentando a educação ambien- tal.

Veja os tópicos que abrangem o saneamento (modificado de HELLER et al., 1995):

abrangem o saneamento (modificado de HELLER et al., 1995): Saneamento é o controle de todos os

Saneamento é o controle de todos os fatores do meio físico do homem, que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre seu bem estar físico, mental e social, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Abastecimento de água e tratamento de água;

coleta e transporte de esgotos sanitários e tratamento;

drenagem urbana: coleta de águas da chuva e obras para con- tenção das inundações;

sistema de limpeza urbana: gerenciamento de resíduos sólidos urbanos;

controle de vetores (insetos, roedores) de doenças.

Nesta apostila, estudaremos uma parte do saneamento que trata do sistema de limpeza urbana, ou seja, as questões relacionadas ao “lixo” urbano.

1.2 Poluição do meio ambiente

O termo poluição vem do verbo latino polluere, que significa sujar; um conceito moderno e mais abrangente sobre poluição se refere a tudo que ocorre com o meio e que altera suas características originais (VON SPERLING, E. & MÖLLER, 1995).

A poluição está ligada à limpeza urbana quando não há controle

da gestão do “lixo”, ou seja, lançamento de lixo nas ruas, no solo, nos rios, havendo modificações do meio. Para o controle da poluição, existem algumas leis e normas que estabelecem alguns padrões a serem obedecidos pela indústria e pelo muni- cípio, sobre o lançamento de poluentes na natureza. Quando esses padrões estabelecidos na legislação são ultrapassados, são dadas penalidades a quem poluiu o meio ambiente.

1.3 Lixo e saúde pública

A saúde pública objetiva o estudo e o levantamento dos problemas

que levam aos agravos da saúde e da qualidade de vida da população, con- siderando os sistemas socioeconômico, cultural e ambiental (PHILIPPI JR. & MALHEIROS, 2005).

O Brasil é um país onde a saúde da população é agravada pelas do-

enças transmitidas ao homem pela falta de saneamento: água imprópria para

o consumo humano devido à contaminação por esgotos sanitários ou lixo.

A população, ao beber esta água contaminada, adquire algumas

doenças. Logo, a falta de saneamento afeta a saúde do homem. Segundo a Agenda 21 “aproximadamente 5,2 milhões – incluindo 4

milhões de crianças – morrem por ano de doenças relacionadas com o lixo

Globalmente, o volume do lixo municipal produzido deve dobrar até o

final do século XX e dobrar novamente antes do ano de 2025” (RIBEIRO & MORELLI, 2009, p. 5). Muitos microrganismos patogênicos (que causam doença) utilizam

o lixo como abrigo e se alimentam e reproduzem nesses locais e quando o

homem tem contato com o lixo contaminado ou água contaminada pelo lixo, pode adquirir algumas doenças citadas na Tabela 1. Na Tabela 1, nota-se que alguns animais que vivem ou passam pelo lixo, quando em contato com o homem ou pela contaminação da água, pro- vocam as doenças relacionadas na tabela. Essas doenças ocorrem principal- mente nas regiões mais pobres. Uma das doenças mais conhecidas pela falta de saneamento é a diarréia, que é provocada pela ingestão de água e alimentos contaminados. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), “a cada 20 segundos uma criança morre vítima de doenças diarréicas. O que resulta, anualmente, na morte de 1,8 milhões de crianças com menos de cinco anos” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).

] [

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

14

Vigilância em Saúde

Tabela 1: Doenças relacionadas aos vetores que vivem no lixo

Animal

Forma de transmissão

Principais doenças

Ratos

Mordida, urina e fezes

Leptospirose; Peste bubônica

Moscas

Fezes e saliva

Cólera; amebíase; giardíase;

Mosquitos

Fezes; Picada da fêmea

Febre; dengue; malária; leishmaniose

Baratas

Através das asas, patas e corpo

Giardíase; Febre tifóide

Porcos

Ingestão de carne conta- minada

Teníase; Cisticercose

Fonte: disponível em <http://www2.portoalegre.rs.gov.br/cgea/default.php?p_secao=45>. Acesso em 24 fev. 2011.

A Figura 1 apresenta um local onde há lixo jogado na rua levando tam-

bém à poluição visual da área. O lixo depositado em locais impróprios ocasiona

a geração de roedores, baratas e moscas, como relatado anteriormente.

de roedores, baratas e moscas, como relatado anteriormente. Figura 1: Lixo jogado na rua. Fonte:

Figura 1: Lixo jogado na rua.

Fonte: <http://oglobo.globo.com/fotos/2010/03/25/25_MHG_lixo_angelicabarbosa2.jpg>. Acesso em 24 fev. 2011.

O impedimento da transmissão dessas doenças pode acontecer com

o planejamento de um saneamento adequado para as cidades:

A população receber água tratada em suas casas em quantida- des suficientes para a higiene pessoal, limpeza do ambiente e para lavar e cozinhar os alimentos;

O esgoto ser coletado das casas e ser encaminhados para Esta- ções de Tratamento de Esgotos (ETE);

O lixo ser coletado das casas e receber o tratamento adequado.

Atenção: Para cada R$ 1,00 investido em saneamento se economiza R$ 4,00 em internações hospitalares.

Atenção: Para cada R$ 1,00 investido em saneamento se economiza R$ 4,00 em internações hospitalares.

se economiza R$ 4,00 em internações hospitalares. A sustentabilidade foi consolidada durante a Eco-92 –

A sustentabilidade foi consolidada durante a Eco-92 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro. Durante este evento, o mundo se uniu no Brasil para discussão e decisões sobre temas relacionados ao meio ambiente e foi criado um documento chamado de Agenda 21. A Agenda 21 é um documento onde se estabeleceu o comprometimento de cada país de forma global e local, em que os governos, empresas teriam o comprometimento de realizar ações e solucionar os problemas ambientais.

Para a proteção da saúde pública, é necessário que as cidades te-

nham projetos executados na área do saneamento. E para isso, a carência de investimentos do governo interfere na existência dessas doenças.

O investimento em saúde no Brasil tem sido da ordem de U$ 60,00

por habitante por ano, enquanto que o mínimo necessário pela OMS é de U$ 500,00 (HELLER & MÖLLER, 1995).

1.4 Saúde ambiental

A saúde ambiental está relacionada à área da saúde pública no que

se refere às políticas públicas e às interações entre a saúde humana e o meio ambiente natural e antrópico que a determinam, condicionam e influenciam com vistas à melhoria da qualidade de vida e sob o ponto de vista da susten- tabilidade (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007).

A sustentabilidade é a capacidade de se “sustentar” sem a neces-

sidade de buscar por novas matérias primas, ou seja, a produção de um consumo sustentável. “A saúde ambiental também se refere à teoria e prática de avaliar, prevenir, corrigir e os riscos do ambiente que potencialmente podem pre- judicar a saúde individual das gerações atuais e futuras” (OLIVEIRA, 2011).

Resumo

Nesta aula, vimos o conceito de saneamento ambiental e a identi- ficação das diversas áreas que abrangem o sistema, tal como o sistema de limpeza urbana.

A falta de saneamento básico nas cidades provoca agravos para a

saúde pública aumentando as internações hospitalares e a diarréia é o prin- cipal indicador da carência no setor.

Atividades de aprendizagem

1) Defina saneamento.

2) Por que o saneamento está relacionado à saúde pública?

3) Pesquise outras doenças relacionadas à falta de saneamento e relate as suas causas.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

16

Vigilância em Saúde

4) Defina saúde pública.

5) Defina meio ambiente.

6) Relacione meio ambiente à saúde pública.

7) O que é poluição?

8) Como o lixo pode se tornar poluição?

9) Procure saber se na sua cidade há Estação de Tratamento de Água e Es- tação de Tratamento de Esgoto. Qual a importância desses sistemas para a sua cidade?

10) Reflita e responda: o que as pessoas podem fazer para reduzir a poluição de uma cidade?

AULA 1

Alfabetização Digital

Aula 2 - O “lixo” e seus impactos

Objetivos

Apresentar os principais impactos relacionados à gestão inadequa- da dos resíduos sólidos e conceituar os termos importantes para o entendi- mento do tema.

2.1 A problemática dos resíduos sólidos

2.1.1 Impactos ambientais

A partir da década de 90, o Brasil acompanhou o surgimento de novas tecnologias, juntamente com a popularização da internet, o aumento do consumo de produtos e consequente aumento de lançamento no. f meio ambiente do PET (Polietileno Tereftalato) – material geralmente utilizado como embalagem de refrigerantes; embalagem Longa Vida (caixinha de lei- te); sacolas plásticas de supermercados, etc.

O que fazer com o PET? É um material que pode ser reaproveitado e como
O que fazer com o PET?
É um material que pode ser reaproveitado e como exemplo temos:
aquecedor solar de garrafa PET; vassouras com tiras de PET; porta lápis; por-
ta guardanapo; entre outros. É um material que pode também ser reciclado,
ou seja, é matéria prima para um processo de fabricação de novos produtos,
como se pode notar na Figura 2.
Figura 2: Utilização da garrafa PET para fabricação de bolsas retornáveis.
Fonte: Disponível em <http://meumundosustentavel.com/eco-glossario/reciclagem-de-garrafas-
pet/>. Acesso em 10 fev. 2010.

Segundo o Cempre (2011) as embalagens Longa Vida também são chamadas de cartonadas ou multicamadas. São compostas por várias cama- das de papel, polietileno de baixa densidade e alumínio. São eficientes na conservação dos alimentos e após o consumo devem ser encaminhadas para a reciclagem. Em 2008 26% das embalagens foram recicladas no Brasil, o que corresponde a 52 mil toneladas.

Os materiais citados no parágrafo anterior se tornam lixo e geral- mente são dispostos de forma inadequada no meio ambiente, contaminando fontes de água, o solo e o ar. Atualmente, alguns supermercados adotam medidas ambientais para a redução desses resíduos, contribuindo para o Sistema de Limpeza Urbana do município. Como exemplo para tal medida, cita-se a substituição da sacola plástica dos supermercados por caixas de pa- pelão ou sacolas retornáveis, para que as pessoas possam levar os produtos comprados para casa. Mas estas ações ainda não atingem o necessário para que as cidades tenham um gerenciamento adequado dos resíduos sólidos e se mantenham limpas. Você sabia que em 2008, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), 50,8% do lixo no Brasil foram colocados em lixões? Uma ilustração de um lixão está apresentada na Figura 3.

Uma ilustração de um lixão está apresentada na Figura 3. Figura 3: Exemplo de um lixão.

Figura 3: Exemplo de um lixão.

Fonte: Arquivo pessoal da Autora.

Observe a foto na Figura 3. O que você consegue identificar nesta

imagem?

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

20

Vigilância em Saúde

Você pode notar pela Figura 3 que em um lixão, além de muito lixo, há a presença de catadores, de animais, urubus e muitos roedores causado- res de doenças. Caro estudante, você concorda que o lixo é tudo que se joga fora? Será que pode ser aproveitada alguma coisa do lixo? Pense bem! Pensou? Qual a sua conclusão? Vamos modificar esta palavra “lixo” que possui um significado pejo-

rativo? A partir de agora você trocará a palavra “lixo” por “resíduos sólidos”. Veja o significado deste termo e a diferença! Em muitos lixões brasileiros ainda acontece a queima de resíduos de serviços de saúde (RSS). É PROIBIDA A QUEIMA DE QUALQUER RESÍDUO! Tal prática não é permitida conforme a legislação vigente, e é considerada crime ambiental.

A Figura 4 apresenta os resíduos de serviços de saúde sendo quei-

mados em um lixão de uma cidade de médio porte (com população em torno de 100.000 habitantes).

porte (com população em torno de 100.000 habitantes). Figura 4: Queima de RSS em um lixão.

Figura 4: Queima de RSS em um lixão.

Fonte: Arquivo pessoal da Autora.

A disposição inadequada dos resíduos na natureza além de causar

impactos ambientais, provoca impactos sociais e de saúde pública.

A Figura 5 mostra a poluição de um rio pelo depósito de lixo, ma-

tando os peixes e toda a vida aquática.

de lixo, ma- tando os peixes e toda a vida aquática. Lixão se refere ao local

Lixão se refere ao local onde em muitas cidades brasileiras o lixo é depositado, a céu aberto e sem controle ambiental. Pode-se dizer que o lixão vem do termo lixo. A palavra lixo no Dicionário Aurélio (2008) p.520 significa:

“o que se varre de casa, da rua e se joga fora; entulho. Coisa imprestável”.

Resíduos sólidos é uma massa heterogênea, resultante das atividades humanas, os quais podem ser reciclados, e

parcialmente utilizados, gerando, entre outros benefícios, proteção

à saúde pública,

economia de energia

e de recursos naturais

(PEREIRA NETO, 1996).

Resíduos de serviços de saúde são os resíduos gerados em

estabelecimentos

que tratam da saúde

humana ou animal.

Ex: Hospitais, clínicas

odontológicas,

farmácias, clínicas

veterinárias, etc.

odontológicas, farmácias, clínicas veterinárias, etc. Você sabia que o plástico e o metal demoram mais de

Você sabia que o plástico e o metal demoram mais de 100 anos para se

decompor na natureza?

O chiclete 5 anos e o

vidro 1 milhão de anos? (Disponível em <http:// www.lixo.com.br>. Acesso em 07 fev. 2011.

Figura 5: Rio contaminado por resíduos. Fonte: Disponível em

Figura 5: Rio contaminado por resíduos.

Fonte: Disponível em <http://whynotsee.com/wp-content/uploads/2010/02/Rio-Citarum.jpg>. Acesso em 07 fev. 2011.

Acesso em 07 fev. 2011. Segundo a pesquisa do Fórum Nacional Lixo & Cidadania

Segundo a pesquisa do Fórum Nacional Lixo & Cidadania (1999), cerca de 45 mil crianças vivem e trabalham nos lixões do Brasil. Na Região Nordeste, encontram-se 49% das crianças que trabalham no lixo (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2006).

2.1.2 Impactos sociais e de saúde pública

Os impactos sociais e de saúde pública, ocasionados pela disposição inadequada dos resíduos em lixões, estão relacionados principalmente às pessoas que ficam em contato com o “lixo”, como os catadores de materiais potencialmente recicláveis (papel, papelão, plástico, latinha de alumínio, entre outros). Essas pessoas muitas vezes veem no “lixo” a única fonte de renda, porém no país a maioria das cooperativas de catadores não são organizadas e não têm o apoio necessário das prefeituras. Dessa forma, trabalham em locais impróprios (lixões), não utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), tais como luvas, botas e máscaras, arriscando suas vidas pela possibi- lidade da ocorrência de acidentes de trabalhos, pois no lixo existem cacos de vidros e seringas. Além de várias doenças que podem ser adquiridas.

2.1.3 “Lixo” - tem solução?

Caro estudante, até o presente momento, vimos que os resíduos sólidos, quando gerenciados de forma inadequada (dispostos em lixões; jo- gados na rua), causam muitos impactos ao meio ambiente e à saúde pública. Porém, será que existem soluções para resolver os problemas ocasionados pelo “lixo”? O que você acha? No “lixo”, encontramos vários materiais que ainda podem ser rea- proveitados ou ser encaminhados para a reciclagem. Esses materiais voltam para o processo produtivo como matéria prima e com isso é reduzida a busca

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

22

Vigilância em Saúde

por recursos naturais, é gerada a economia de energia, aumento da vida útil dos aterros sanitários, entre outros benefícios.

A

Figura 6 apresenta crianças de uma escola fazendo o papel

reciclado.

crianças de uma escola fazendo o papel reciclado. Figura 6: Produção de papel reciclado em uma

Figura 6: Produção de papel reciclado em uma escola.

Fonte: Disponível em <http://www.apoema.com.br/peca_e_oficina_reciclagem%20032.jpg>. Acesso em 24 fev. 2011.

Além do processo de reciclagem e reaproveitamento dos materiais contidos no lixo, este também pode ser aproveitado para a produção de

energia. O processo de decomposição do lixo, que acontece em um aterro sanitário, gera principalmente o metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2); esses gases são tóxicos e, ao serem lançados no meio ambiente, reduzindo a camada de ozônio da terra e aumentando o efeito estufa, que é responsável pelo aquecimento global.

O gás metano produzido na decomposição anaeróbia do lixo é vinte

e uma vezes mais prejudicial do que o dióxido de carbono quando lançado na atmosfera. No entanto, o metano apresenta um potencial de geração de energia elevado e dessa forma pode ser aproveitado para a produção de

energia, através da sua queima. O gás é coletado em um aterro sanitário por meio de tubulações e encaminhados para a sua transformação em energia.

A Figura 7 mostra uma usina de reaproveitamento do lixo para pro-

dução de energia.

de reaproveitamento do lixo para pro- dução de energia. O papel para poder ser reciclado não

O papel para poder

ser reciclado não pode estar sujo e não pode estar amassado. Portanto, ao jogar o papel fora, coloque-o em um recipiente separado, longe de umidade e rasgue-o para diminuir o volume ao invés de amassá-lo.

e rasgue-o para diminuir o volume ao invés de amassá-lo. Reciclagem: é o processo de transformação

Reciclagem: é

o processo de

transformação dos materiais para a utilização novamente como matéria prima na indústria.

Decomposição biológica do lixo: é um processo de remoção da matéria orgânica contida nele por meio de microrganismos, geralmente bactérias, contidas no próprio lixo. É o processo de tratamento que pode ser aeróbio ou anaeróbio, dependendo da disponibilidade de oxigênio. Processo aeróbio: É um processo de tratamento do “lixo” realizado por microrganismos aeróbios. Há disponibilidade de oxigênio no meio e esses microrganismos decompõem a matéria orgânica presente no lixo e a transformam em CO2 e água. É a respiração aeróbia. Processo anaeróbio:

É um processo de

tratamento do “lixo” realizado por microrganismos anaeróbios. Ocorre na ausência de oxigênio. Os principais gases gerados da decomposição anaerobia são o CH4 e o CO2.

Figura 7: Usina de aproveitamento do lixo para a produção de energia. Fonte: Disponível em

Figura 7: Usina de aproveitamento do lixo para a produção de energia.

Fonte: Disponível em <http://www.correiodearaguari.com/correio/images/stories/ano_2011/02_ fevereiro/edicao_243/energia_do_lixo.jpg>. Acesso em 24 fev. 2011.

Na próxima aula, veremos como deve ser o gerenciamento adequa- do dos resíduos sólidos bem como algumas soluções para a resolução dos problemas estudados nesta aula.

Resumo

A geração de resíduos sólidos provoca impactos sociais, para o meio

ambiente e saúde pública. Na maioria das cidades, ainda há a presença dos

lixões, que são vazadouros a céu aberto sem controle ambiental.

O “lixo” quando lançado a céu aberto polui o solo, as águas e o ar.

Provoca também agravos para a saúde pública, pois no lixo há vetores trans-

missores de doenças. Uma forma de minimizar os impactos provocados pela geração do lixo é o seu reaproveitamento ou o seu encaminhamento para os processos de reciclagem.

O “lixo” também pode virar energia, pois no processo de decompo-

sição do material há geração de metano que é um gás bastante energético.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

24

Vigilância em Saúde

Atividades de aprendizagem

1) O que é “lixo” para você?

2) O que é um lixão?

3) Identifique os principais problemas ocasionados pela geração de resíduos sólidos (“lixo”) na sua cidade.

4) O que são resíduos sólidos?

5) Na sua casa, quais os tipos de resíduos que são gerados?

6) Você acha que os resíduos podem ser reaproveitados e/ou reciclados? Dê três exemplos de materiais que estão no lixo e podem ser reciclados.

7) O que são resíduos de serviços de saúde?

8) Liste e explique alguns impactos ambientais provocados pelo descarte inadequado do “lixo”.

9) Explique o impacto social e o impacto para a saúde pública relacionado ao descarte inadequado do lixo.

10) Para resolver o problema do “lixo” há solução? Qual seria?

AULA 1

Aula 3 - Gerenciamento dos resíduos

Alfabetização Digital

sólidos urbanos

Objetivos

Apresentar os principais conceitos sobre o gerenciamento adequa- do dos resíduos sólidos urbanos e mostrar o caminho para a solução do pro- blema do “lixo”.

3.1 Definições e classificação

3.1.1 Resíduos sólidos urbanos

Vimos na aula anterior que resíduos sólidos são materiais que atual- mente são descartados como lixo, mas podem ser reaproveitados e reciclados. São vários os tipos de resíduos que podem ser gerados no meio

urbano:

Resíduos domiciliares ou domésticos: São todos os resíduos ge- rados nas moradias. A maioria dos resíduos das cidades é composta pelos resíduos sólidos domiciliares. Exemplos: matéria orgânica (resto de alimentos, cascas de frutas); papel/papelão; plástico; metal (latas); vidro; papel higiênico; pilhas. Resíduos comerciais: São todos os resíduos gerados no comércio.

O tipo de resíduo gerado dependerá do tipo de comércio. Veja os exemplos:

Padaria: guardanapo; restos de alimentos; papel; plástico (garra- fas PET); metal (latas de alumínio), etc.

Restaurante: restos de alimentos; papel; plástico (garrafas PET); metal (latas de alumínio), etc.

Papelaria: papel; papelão; plástico, principalmente.

Enfim, é todo o tipo resíduo gerado no comércio. Resíduos da construção civil: Durante uma construção civil, há sobras de materiais. Estes se tornam resíduos. Logo, Resíduos da Construção Civil (RCC) são todos aqueles gerados em obras de engenharia.

Exemplos: tijolo quebrado; restos de argamassa; restos de tinta e verniz; telha quebrada; madeira; vidro quebrado, etc. Resíduos de Serviços de Saúde: São os resíduos gerados em estabe-

lecimentos que tratam da saúde humana ou animal. Os estabelecimentos são:

hospitais; clínicas odontológicas; clínicas veterinárias; farmácias, entre outros. Exemplos de resíduos gerados nesses estabelecimentos:

Seringas e agulhas (material perfurocortante);

Medicamentos vencidos;

Peças anatômicas.

• Medicamentos vencidos; • Peças anatômicas. Resíduos sólidos urbanos são todos aqueles gerados no

Resíduos sólidos urbanos são todos aqueles gerados no meio urbano, nas cidades.

são todos aqueles gerados no meio urbano, nas cidades. A legislação pertinente aos Resíduos da Construção

A legislação pertinente aos Resíduos da Construção Civil é a Resolução CONAMA nº 307 de 2002.

Construção Civil é a Resolução CONAMA nº 307 de 2002. Argamassa é uma mistura feita de

Argamassa é uma mistura feita de cimento, areia e água para a utilização em assentamento de pisos, de alvenaria.

Para o gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde, é necessário obedecer a Resolução CONAMA

Para o gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde, é necessário obedecer a Resolução CONAMA nº 358 de 2005 e a RDC ANVISA nº 306 de 2004.

CONAMA nº 358 de 2005 e a RDC ANVISA nº 306 de 2004. Um resíduo perigoso

Um resíduo perigoso em contato com um resíduo não perigoso contamina o meio tornando todos como perigosos também.

contamina o meio tornando todos como perigosos também. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária para o desenvolvimento tecnológico (ABNT, 2011). Ou seja, muitos projetos precisam seguir estas normas técnicas para poderem ser aprovados.

Resíduos de poda e capina: resíduos gerados das atividades de poda de árvores e capina realizada nas ruas da cidade. Os resíduos industriais são aqueles gerados nas indústrias, e não são considerados resíduos sólidos urbanos. E a indústria é responsável pelo seu resíduo que gera.

3.1.2 Classificação dos resíduos

No item anterior, vimos que existem vários tipos de resíduos: domi-

ciliares; comerciais; provenientes de estabelecimentos de saúde e de cons- trução civil. Destes, alguns são perigosos, por serem tóxicos ou patogênicos, e outros apesar de poluírem o meio ambiente, não são considerados perigosos.

É importante fazer a classificação dos resíduos, pois dessa forma

será mais fácil separar cada tipo de material. Classificar um resíduo é identificá-lo conforme as suas característi- cas. A classificação pode ser feita segundo algumas formas:

• Segundo a NBR 10.004 da ABNT (2004):

A NBR 10004 classifica dos resíduos em perigosos e não perigosos:

- Classe I – Resíduos perigosos - São aqueles que possuem algumas

das características: Inflamabilidade; toxicidade; patogenicidade; corrosivi- dade e/ou reatividade. Exemplos: Pilhas e baterias (resíduo tóxico – possui metais pesados). Resíduos contendo material biológico (meios de cultura de labora- tório) – pode conter microrganismos patogênicos, ou seja, que causam doen- ças às pessoas.

- Classe II – Resíduos não perigosos - Se dividem em:

Classe IIA – Não inertes – resíduos que apresentarem uma das ca- racterísticas: biodegradabilidade, combustibilidade, solubilidade em água. Exemplos: a matéria orgânica (restos alimentares) é um material biodegradável, ou seja, é rapidamente putrescível. Classe IIB – Inerte Material inerte é aquele que não é biodegradável, ou demora mui- tos anos para entrar em decomposição. Ex: vidro, Madeira.

• Segundo as características físicas: Secos e molhados

Separar o lixo seco do lixo molhado, ou seja, separar o resíduo or-

gânico dos outros resíduos.

• Segundo a origem: domiciliar; comercial; resíduos da construção

civil; resíduos industriais; resíduos de serviços de saúde; resíduos de feiras livres; resíduos de poda e capina.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

28

Vigilância em Saúde

3.1.3 Gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos

Para resolver o problema do “lixo” ou minimizar os impactos pro- vocados por ele, precisamos entender o que é gerenciamento de resíduos sólidos urbanos. Gerenciamento de resíduos nada mais é do que a condução de to- das as etapas envolvidas. Faz parte do sistema de limpeza urbana a limpeza dos logradouros públicos e as etapas do gerenciamento dos resíduos sólidos que acontece conforme mostra a Figura 8.

resíduos sólidos que acontece conforme mostra a Figura 8. O gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, conforme
resíduos sólidos que acontece conforme mostra a Figura 8. O gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, conforme

O gerenciamento

dos resíduos sólidos urbanos, conforme

o IBAM (2001),

está relacionado às ações normativas,

operacionais,

financeiras e de planejamento das atividades relacionadas ao sistema de limpeza urbana.

Figura 8: Esquema das etapas do gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

O problema do “lixo” inicia na geração de resíduos. Segundo dados do IBGE (2000), entre 1991 a 2000 a população cresceu 16%, enquanto que nos anos entre 1989 a 2000, a geração de resíduos aumentou 49%. Ou seja, a quantidade de “lixo” nas cidades aumenta mais do que o crescimento da população.

3.1.3.1 Geração de resíduos

Um dos maiores problemas enfrentados atualmente pela sociedade é a destinação dos resíduos gerados pela população, devido a vários fato- res, tais como o aumento do consumo, o surgimento de novas tecnologias e ainda um relevante descaso em relação às questões ambientais, a geração crescente e diversificada de resíduos sólidos e a necessidade de disposição final. O “lixo” tornou-se um dos mais sérios problemas ambientais enfrenta- dos indistintamente por países ricos e industrializados e pelas sociedades em desenvolvimento.

Lixo eletrônico são todos os produtos eletrônicos que deixaram de ter utilidade, como computadores, DVDs,

Lixo eletrônico são todos os produtos eletrônicos que deixaram de ter utilidade, como computadores, DVDs, celulares, entre outros.

utilidade, como computadores, DVDs, celulares, entre outros. Estima-se que a população mundial, com mais de 6,6

Estima-se que a população mundial, com mais de 6,6 bilhões de habitantes, esteja gerando entre 2 e 3 bilhões de toneladas de lixo por ano. Como é esse lixo e o que acontece com ele? (CEMPRE, 2008)

Como é esse lixo e o que acontece com ele? (CEMPRE, 2008) Estima-se que no mundo

Estima-se que no mundo 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são gerados por ano. Grande parte certamente ocorre nos

países ricos. Entretanto, segundo estudo realizado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil é também o país emergente que gera o maior volume de lixo eletrônico per capita

a

cada ano (ESTADÃO,

2011).

eletrônico per capita a cada ano (ESTADÃO, 2011). O acondicionamento, segundo a Fundação Oswaldo Cruz

O acondicionamento, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ, 2011), é a fase do gerenciamento de resíduos que se destina

a embalar os resíduos conforme a sua classificação, facilitando assim o seu manuseio.

Atualmente, além dos resíduos comuns que descartamos (restos de

alimentos, papel, plástico, vidro) temos o problema do descarte do lixo ele- trônico. Geralmente, os países mais ricos enviam esse tipo de lixo para os países mais pobres. Os aterros e os lixões são os principais destinos dos resíduos gera- dos. Entretanto, quando se trata da eficiência do gerenciamento adequado dos resíduos, a redução dos resíduos na fonte de geração e sua separação é, sem dúvidas, a iniciativa mais indicada.

A Figura 9 apresenta o descarte inadequado de lixo eletrônico.

9 apresenta o descarte inadequado de lixo eletrônico. Figura 9: Descarte de lixo eletrônico no meio

Figura 9: Descarte de lixo eletrônico no meio ambiente.

Fonte: <http://www.portalva.com.br/articles/view/category/eco-dicas/page/1/id/lixo- eletronico/>. Acesso em 27 fev. 2011.

3.1.3.2 Acondicionamento

O acondicionamento dos resíduos consiste em prepará-los para a

coleta de forma adequada, colocá-lo em recipientes adequados, de forma compatível com o tipo e a quantidade de resíduos. A primeira etapa do processo de remoção dos resíduos sólidos corresponde à atividade de acon- dicionamento do lixo. Segundo Cunha (2002), podem ser utilizados diversos tipos de va- silhames, como: vasilhas domiciliares, tambores, sacos plásticos, sacos de papel, contêineres comuns, contêineres basculantes, entre outros. No Bra- sil, percebe-se grande utilização de sacolas plásticas de supermercado para

acondicionar o lixo. O resíduo mal acondicionado significa poluição ambiental e risco à segurança da população, pois pode levar ao aparecimento de doen- ças. O resíduo bem acondicionado facilita o processo de coleta.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

30

Vigilância em Saúde

É de vital importância o acondicionamento adequado, pois a quali-

dade na etapa de coleta e transporte dependem do acondicionamento e da população colocar o lixo para coleta em local adequado, nos dias e horários estabelecidos pelo órgão de limpeza urbana da sua cidade. Portanto, a po- pulação tem participação decisiva para o sucesso dessa etapa, no gerencia- mento dos resíduos sólidos urbanos. Entretanto, quando o depósito é feito em um recipiente único, há a mistura de todos os componentes, reduzindo assim significativamente o po- tencial de aproveitamento dos resíduos na reciclagem. Todavia, pensando-se

em reciclagem, a alternativa de maior viabilidade é a separação na fonte, ou seja, fazer a disposição dos resíduos em recipientes separados no momento de sua produção.

A Figura 10 mostra as lixeiras para a coleta seletiva e as pessoas,

dessa forma, podem colocar em cada lixeira o material específico identifi-

cado nelas.

cada lixeira o material específico identifi - cado nelas. Figura 10: Lixeiras para a coleta seletiva

Figura 10: Lixeiras para a coleta seletiva de resíduos.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

3.1.3.3 Coleta e transporte

O objetivo principal da remoção regular é remover de forma rápida

e segura o lixo, encaminhando-o para tratamento e/ou destinação final, evi- tando assim problemas estéticos, ambientais e de saúde pública.

A participação da população é essencial para uma coleta bem suce-

dida. É fundamental que os dias e horários de coleta do lixo sejam definidos

e mantidos sempre regulares. E lugares com baixa densidade populacional ou que a geração de lixo por pessoa seja baixa, a coleta pode acontecer em dias alternados (CEMPRE, 2008).

Os tipos de veículos coletores utilizados para fazer a coleta e levar o lixo ao destino final são os mais diversos. Uma primeira grande classifica- ção seria dividi-los em motorizados e não-motorizados (os que utilizam a tra- ção animal para coletar o lixo - carroça). Os motorizados podem ser divididos em compactadores, que, segundo Roth et al. (1999), podem reduzir a 1/3 o volume inicial dos resíduos, e comuns (tratores, coletor de caçamba aberta e coletor com carrocerias tipo prefeitura). Figura 11 e 12 mostram um caminhão compactador e um caminhão caçamba aberta.

um caminhão compactador e um caminhão caçamba aberta. Figura 11: Caminhão compactador. Fonte: Arquivo pessoal da

Figura 11: Caminhão compactador.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

Nota-se na Figura 12 que o caminhão caçamba não está adequado, pois os resíduos não podem estar expostos para que não haja espalhamento pelas ruas. Nesse caso deveria existir uma lona na caçamba do caminhão para cobrir os resíduos.

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32

Vigilância em Saúde

Figura 12: Caminhão caçamba de coleta dos resíduos. Fonte: Arquivo pessoal da autora. Resumo Nesta

Figura 12: Caminhão caçamba de coleta dos resíduos.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

Resumo

Nesta aula, foram passados os principais conceitos tais como resí- duos sólidos urbanos e gerenciamento. Também foram apresentadas algu-

mas formas de classificação dos resíduos, quanto às características físicas e químicas e também a NBR 10004/2004 que classifica em perigosos e não perigosos. O gerenciamento dos resíduos sólidos é dividido em etapas:

Geração

Acondicionamento

Coleta e transporte

Tratamento

• Destinação final

A próxima aula será a continuidade do gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos.

Atividades de aprendizagem

1) Defina resíduos sólidos urbanos.

2) Defina gerenciamento de resíduos sólidos urbanos.

3) Quais são as etapas do gerenciamento de resíduos sólidos?

4) Qual a importância de classificar os resíduos?

5) Dê exemplos de resíduos considerados secos e de resíduos considerados molhados.

6) Classifique os resíduos, segundo a NBR 10004/2004.

7) Explique a geração dos resíduos.

8) Explique a etapa de coleta e transporte de resíduos.

9) Na sua cidade, quais os tipos de caminhões que existem para a coleta dos resíduos?

10) O que são resíduos perigosos?

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34

Vigilância em Saúde

AULA 1

Aula 4 - Gerenciamento dos resíduos

Alfabetização Digital

sólidos urbanos

Objetivos

Dar continuidade aos principais conceitos sobre o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos urbanos e mostrar o caminho para a solução do problema do “lixo”.

4.1 Gerenciamento de resíduos sólidos urbanos

4.1.1 Coleta e transporte de resíduos (Continuação)

Existem alguns tipos de coleta de resíduos. Vamos, nesta aula, di- vidir a coleta em dois tipos:

Coleta convencional

Coleta seletiva

4.1.1.1 Coleta convencional

A Prefeitura Municipal é responsável por coletar os resíduos sólidos urbanos gerados em um município. A coleta convencional é aquela que o caminhão compactador ou caçamba recolhe os resíduos urbanos gerados em um município.

4.1.1.2 Coleta seletiva

Para que aconteça a coleta seletiva em uma cidade, é de primordial importância a participação da população, pois é ela que separa os resíduos para a posterior coleta. Para a implantação da coleta seletiva, é necessária a existência de lixeiras com as cores e identificação específica para cada tipo de material. A Figura 13 mostra as cores da coleta seletiva de acordo com a Resolução CONAMA nº 275 de 2001.

seletiva de acordo com a Resolução CONAMA nº 275 de 2001. A coleta seletiva consiste num

A coleta seletiva

consiste num sistema de recolhimento diferenciado, onde se deve separar previamente, os

resíduos recicláveis dos resíduos orgânicos, na própria residência e é feito o recolhimento dos resíduos separados

e encaminhados para

as unidades onde os catadores farão uma nova separação desses materiais, e o destinarão para venda.

separação desses materiais, e o destinarão para venda. A Resolução CONAMA nº 275 de 2001 estabelece

A Resolução CONAMA nº

275 de 2001 estabelece padroniza as cores das lixeiras para a coleta seletiva. Cada tipo de resíduo tem a sua lixeira específica.

Figura 13: Cores da coleta seletiva. Fonte: Pereira (2007). A implantação da coleta seletiva em

Figura 13: Cores da coleta seletiva.

Fonte: Pereira (2007).

A implantação da coleta seletiva em uma cidade traz alguns bene-

da coleta seletiva em uma cidade traz alguns bene- Coleta porta a porta é o tipo

Coleta porta a porta é o tipo de coleta seletiva em que os moradores separam os resíduos em papel/papelão, plástico, lata de alumínio, vidro e um caminhão específico passa na porta das residências para a coleta desses resíduos separadamente.

Pontos de Entrega Voluntária (PEV) ou Locais de Entrega Voluntária (LEV) são pontos localizados em algumas regiões da cidade onde há lixeiras da coleta seletiva e a população encaminha os resíduos para estas lixeiras.

fícios:

Cidade mais limpa;

Aumento da renda dos catadores;

Economia de recursos naturais;

Economia de energia;

Aumenta a vida útil dos aterros sanitários;

Diminui os gastos com a limpeza urbana.

A coleta seletiva é um fator de muita importância para o sistema

de gestão de resíduos urbanos, pois além de representar economia de espaço nos aterros sanitários, aumenta a vida útil de operação. Além de ser uma operação, e é, também, uma ferramenta fundamental para a economia na utilização de novos recursos naturais.

A coleta seletiva não é uma atividade lucrativa do ponto de vista

de retorno imediato, pois a receita obtida com a venda do material após a reciclagem não cobrirá todas as despesas do programa de coleta. Segun- do Orth (2004) apud Pereira (2007), os custos da coleta seletiva chegam a R$ 324,00/t, enquanto os custos com a coleta convencional chegam a R$

54,00/t.

Entretanto, é fundamental considerar benefícios ambientais e so- ciais, que são bastante elevados. A coleta seletiva é parte integrante de um projeto de reciclagem e quando bem gerenciada, contribui decisivamente no aumento da eficiência das operações relacionadas ao gerenciamento in- tegrado de resíduos sólidos urbanos. As quatro principais modalidade de coleta seletiva são: porta a por- ta (ou domiciliar), em pontos de entrega voluntária, em postos de troca e coleta efetuada por catadores (CEMPRE, 2008).

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

36

Vigilância em Saúde

Os materiais separados para a coleta seletiva são muitas vezes cole- tados por catadores e encaminhados para cooperativas desses catadores ou para uma Unidade de Triagem e Compostagem. Nesses locais, os materiais passam por uma segunda triagem e são encaminhados para a reciclagem. Devemos observar que nem todos os materiais encontrados no “lixo” podem ser reciclados. A Tabela 2 apresenta alguns tipos de resíduos que podem ou não ser encaminhados para a reciclagem.

Tabela 2: Identificação do que é e não é reciclável

Quantidade

 

Reciclável

Não Reciclável

1 tonelada de papel reci- clado evita o corte de 15 a 20 árvores, economiza 50% de energia elétrica e 10 mil m³ de água

• Jornais e revistas

• Etiquetas adesivas

 

Papelão

Fita crepe

• Papel de fax

• Guardanapos

• Papel limpo

• Papéis plastificados

• Papéis metalizados (em- balagem de salgadinhos)

 

Papel sujo

1 tonelada de alumínio reciclado evita a extra- ção de 5 toneladas de minério, 100 toneladas de aço, poupam 27 KWh de energia elétrica

• Tampinhas de gar- rafas

 

• Clips

 

Grampos

Latas de óleo

 

• Pregos

• Latas de refrigerante

 

• Embalagens metáli- cas de congelados

100 toneladas de plás- tico reciclado evitam a extração de 1 tonelada de petróleo

Tubos e canos

• Cabos de panela

 

Sacolas

 

• Tomada

• Embalagem PET • CDs

 
 

• Embalagens plásticas em geral

1 tonelada de vidro reciclado evita a extra- ção de 1,3 toneladas de areia

• Garrafas e copos de vidro

 

Espelhos

• Embalagens em geral

 

Fonte: Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (2001).

Participar da segregação dos resíduos para encaminhar à coleta se- letiva é uma questão de cidadania, de proteger o meio ambiente. Devemos cobrar do poder público ações que promovam a melhoria do setor de limpeza urbana e dessa forma teremos nossa cidade mais limpa.

4.1.2 Tratamento e destinação final dos resíduos

Entretanto, o mais eficaz tratamento é prestado pela própria po- pulação quando há um empenho em reduzir a quantidade de lixo, evitando o desperdício (IBAM, 2001). Além desses procedimentos, existem diferentes formas de tratamento e disposição dos resíduos sólidos urbanos, que visam destinação final adequada. Como é o caso da reciclagem.

destinação final adequada. Como é o caso da reciclagem. Unidades de Triagem e Compostagem são locais

Unidades de Triagem

e Compostagem são

locais onde os catadores separam os materiais tais como plástico; papel; papelão; lata de alumínio; vidro e esses são encaminhados para

a reciclagem. A matéria

orgânica é destinada para a compostagem para o tratamento e o

rejeito para o aterro

sanitário.

Reciclagem é o processo de transformação

dos materiais para a

utilização novamente como matéria prima na

indústria.

a utilização novamente como matéria prima na indústria. O tratamento de resíduos sólidos é definido como

O tratamento de

resíduos sólidos é

definido como uma

série de procedimentos destinados a reduzir

a quantidade ou o

potencial poluidor dele, seja impedindo

o descarte de resíduos

em ambiente ou local inadequado, seja transformando-o em material inerte ou biologicamente estável (ABES, 2006).

A Figura 14 mostra um catador de material reciclável fazendo o

recolhimento de garrafas PET para a reciclagem.

fazendo o recolhimento de garrafas PET para a reciclagem. Figura 14: Coleta de PET para encaminhar

Figura 14: Coleta de PET para encaminhar à reciclagem.

Fonte: Disponível em <http://radames.manosso.nom.br/ambiental/files/pets-para-reciclagem. jpg>. Acesso em 04 mar. 2011.

A garrafa PET pode ser reaproveitada para a confecção de vários

objetos, como um porta lápis (Figura 15).

de vários objetos, como um porta lápis (Figura 15). Figura 15: Porta lápis feito com garrafa

Figura 15: Porta lápis feito com garrafa PET.

Fonte: Disponível em <http://www.portalgoias.net/goiano/wp-content/uploads/2010/10/ra2.jpg>. Acesso em 04 mar. 2011.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

38

Vigilância em Saúde

A reciclagem é uma forma de tratamento dos materiais que podem ser reciclados, como o PET, outros plásticos, o papel, o papelão, o vidro, entre outros. Todavia, uma grande parcela do “lixo”, cerca de 60% do total, encontramos a matéria orgânica, que também pode e deve receber um tra- tamento adequado e não ser enviada diretamente para os aterros sanitários.

4.1.2.1 Compostagem

Em nossa casa muitas vezes vai para o “lixo” o resto de comida, cascas de fruta e estes compõem a matéria orgânica presente no lixo e que causam grandes problemas ao meio ambiente, pois é um material rapida- mente putrescível, causando mau cheiro, proliferação de moscas e roedores. Uma forma de minimizar os impactos relacionados à geração de matéria orgânica é a redução do desperdício. A segunda forma é o tratamen- to dessa matéria, e podemos citar o processo da compostagem. Alguns microrganismos, como algumas bactérias, se alimentam da matéria orgânica para se reproduzirem. Logo, na compostagem, essas bacté- rias agem a favor do meio ambiente e degradam (transformam) essa matéria em um composto orgânico (humus), rico em nutrientes e pode ser utilizado na agricultura como fertilizante orgânico, fornecendo nutrientes às plantas. Ao final de uma feira livre nas cidades, há grande geração de restos de verduras legumes e frutas, como mostra a Figura 16.

de verduras legumes e frutas, como mostra a Figura 16. Compostagem é um processo natural, biológico

Compostagem

é um processo

natural, biológico aeróbio, controlado de tratamento e estabilização de resíduos orgânicos para a produção de humus; e o processo

é desenvolvido por

uma população diversa de microrganismos (PEREIRA NETO, 2007).

população diversa de microrganismos (PEREIRA NETO, 2007). Figura 16: Restos de alimentos ao final de uma

Figura 16: Restos de alimentos ao final de uma feira livre.

Fonte: Disponível em <http://caideboca.files.wordpress.com/2007/10/foto-chao. jpg?w=400&h=300>. Acesso em 04 mar. 2011.

Os restos desses alimentos de feira ao invés de irem para o lixo, podem receber tratamento por meio do processo de compostagem. A Figura 17 apresenta um pátio onde os resíduos foram preparados para acontecer a compostagem.

Figura 17: Compostagem de resíduos orgânicos. Fonte: Arquivo pessoal da autora. O processo tem que

Figura 17: Compostagem de resíduos orgânicos.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

O processo tem que ser controlado e dura em torno de 90 dias. Após esse período, são feitas as ultimas análises em laboratório para verificar se não há contaminantes e se o composto poderá ser utilizado na agricultura. A Figura 18 mostra a utilização do composto.

agricultura. A Figura 18 mostra a utilização do composto. Figura 18: Utilização do composto na agricultura.

Figura 18: Utilização do composto na agricultura.

Fonte: Disponível em <http://www.valelar.com.br/wp-content/uploads/2011/01/compostagem- site.jpg>. Acesso em 04 mar. 2011.

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40

Vigilância em Saúde

Resumo

Nesta aula, vimos sobre a coleta e o transporte de resíduos. Na coleta convencional, os resíduos são coletados pela Prefeitura Municipal, ge- ralmente em caminhões compactadores para reduzir o volume do “lixo” a ser encaminhado ao aterro sanitário. A coleta deve ser preferencialmente seletiva, onde os materiais que podem ser reciclados como papel, papelão, plástico são separados nas moradias e um caminhão coleta esses resíduos e os encaminha geralmente para uma cooperativa de catadores ou para uma Unidade de Triagem e Com- postagem. Outro assunto abordado nesta aula, foi sobre o tratamento de resí- duos. Uma das formas de tratar o resíduo orgânico é por meio da composta- gem, que é um processo onde os microrganismos aeróbios degradam a ma- téria orgânica e o produto final é um composto orgânico rico em nutrientes para as plantas, por isso pode ser utilizado como fertilizante na agricultura.

Atividades de aprendizagem

1) Como é feita a coleta e o transporte de resíduos sólidos em sua cidade? Que tipo de caminhão é utilizado? Quantos trabalhadores são designados para cada caminhão?

2) O que é coleta seletiva? Qual é a legislação que diz respeito às cores da coleta seletiva?

3) Cite as cores da coleta seletiva e os materiais que devem ser identificados para cada cor.

4) Quais as vantagens da implantação de um programa de coleta seletiva em uma cidade?

5) O que é reciclagem?

6) Identifique os resíduos orgânicos gerados em sua casa.

7) Defina compostagem.

8) Pesquise o que significa um processo aeróbio de tratamento de resíduos.

9) Como é um processo anaeróbio de tratamento de resíduos?

10) Pesquise sobre a reciclagem e descreva alguns materiais que podem ser reaproveitados ou reciclados. (Por exemplo, uma garrafa pet pode ser trans- formada em um porta lápis).

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Vigilância em Saúde

AULA 1

Aula 5 - Gerenciamento dos resíduos

Alfabetização Digital

sólidos urbanos

Objetivos

Apresentar algumas formas de tratamento e disposição final dos re- síduos sólidos. Mostrar as vantagens e desvantagens da utilização do aterro sanitário.

5.1 Gerenciamento de resíduos sólidos urbanos

5.1.1 Tratamento e disposição final de resíduos

5.1.1.1 Incineração

Na aula anterior, vimos que alguns materiais como plástico, papel, papelão, vidro podem ser encaminhados para a reciclagem e dessa forma os resíduos voltam para a cadeia produtiva, reduzindo a quantidade de “lixo” que seria encaminhado para os aterros sanitários. Com relação à matéria orgânica, vimos o processo de composta- gem. Entretanto, existem outras formas de tratamento de resíduos muito eficientes, porém que ocorre maior gasto de energia elétrica, como a incine- ração. A Figura 19 apresenta um incinerador de resíduos.

ração. A Figura 19 apresenta um incinerador de resíduos. Incineração é uma técnica de eliminação de
ração. A Figura 19 apresenta um incinerador de resíduos. Incineração é uma técnica de eliminação de

Incineração é uma técnica de eliminação de resíduos e uma prática que existe há aproximadamente cem anos, que surgiu na Inglaterra. Trata-se da combustão dos resíduos com a utilização do oxigênio. Alguns fornos operam a uma temperatura entre 815 ºC a 1650 ºC (TENÓRIO & ESPINOSA, 2004).

Figura 19: Incinerador de resíduos.

Fonte: Disponível em <http://www.tslambiental.com.br/fotos/soli_inci_Incinerador-e-Resfriador-_ Lavador-de-Gases.jpg>. Acesso em 01 mar. 2011.

A incineração de resíduos é bastante eficiente na redução de seu volume, pois após a queima a altas temperaturas, os resíduos são transfor- mados em cinzas, enquanto que em um aterro sanitário os resíduos ocupam muito espaço. Esta é uma das vantagens da utilização da incineração. Po- rém, há geração de gases tóxicos ao meio ambiente, por isso deve haver um controle rigoroso com a utilização de filtros para impedir que esses gases possam ir para a atmosfera. Geralmente, a incineração é utilizada para o tratamento de resídu- os perigosos, provenientes de algumas indústrias e os resíduos de serviços de saúde (hospitais, farmácias, clínicas veterinárias, etc).

(hospitais, farmácias, clínicas veterinárias, etc). Aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos consiste em

Aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos consiste em uma técnica de disposição final de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais, método este que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi- los ao menor volume permissível, cobrindo- os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho (ABNT

8419/1992).

5.1.1.2 Aterro Sanitário

Em se tratando das alternativas de disposição final do resíduo, o aterro sanitário é o que reúne as maiores vantagens, considerando a redução dos impactos ocasionados pelo descarte dos resíduos sólidos urbanos, em aterros controlados ou em lixões. Já vimos na aula sobre “O lixo e seus impactos” que os lixões são locais onde os resíduos são colocados acima do solo e ficam expostos a céu aberto, gerando proliferação de vetores, poluição do solo, do ar e das águas. Os lixões constituem uma forma inadequada de descarte final dos resíduos sólidos urbanos. Problemas e inconvenientes, como depreciação da paisagem, presença de vetores de doenças, formação de gás metano e de- gradação social de pessoas, são fatores comuns a todos os lixões (CEMPRE,

2008).

Outro método de disposição final dos resíduos é o aterro controla- do. Segundo Roth et al. (1999), é menos prejudicial que os lixões pelo fato de os resíduos dispostos no solo serem posteriormente recobertos com terra, o que acaba por reduzir a poluição local. Porém, trata-se de solução com efi- cácia bem inferior à possibilitada pelos aterros sanitários, pois, ao contrário destes, não ocorre inertização do lixo em processo de decomposição. Aterro controlado trata-se de uma melhoria com relação ao lixão, uma situação intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Porém, não é permitido mais segundo a legislação vigente. Os municípios têm que destinar seus resíduos a aterros sanitários. No aterro sanitário, após a compactação do solo que deve ser im- permeável, há a colocação de uma manta de proteção para não haver infil- tração do chorume no solo e atingir o lençol freático, e canalizações para a coleta de água pluvial, do chorume e de gases. (Figura 20).

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44

Vigilância em Saúde

Figura 20: Desenho de um aterro sanitário. Fonte: Disponível em

Figura 20: Desenho de um aterro sanitário.

Fonte: Disponível em <http://www.rc.unesp.br/igce/aplicada/ead/imagens/residuos/aterro.gif>. Acesso em 24 fev. 2011.

A Figura 20 mostra um desenho de um aterro sanitário e pode-se notar que os resíduos estão na superfície do aterro e após serem cobertos por solo são compactados para reduzir o volume de resíduos no aterro. Há drenagem de gases (CH4 e CO2 principalmente). O fogo saindo da canali- zação na figura é a queima do metano, pois este não pode ser exposto à atmosfera por ser um gás extremamente tóxico. A figura também mostra o sistema de drenagem de chorume, cuja configuração é na forma de “espinha de um peixe”, sendo uma tubulação que coleta de outras interligadas. A água existente no lixo e a adquirida através das chuvas, em contato com os materiais aterrados adquirem características químicas e biológicas e há a geração do chorume, que deve ser coletado e encaminhado para tratamento específico localizado na própria área do aterro. A Figura 21 apresenta o chorume, note a cor negra. Este líquido é bem mais poluidor do que o esgoto sanitário. Em contato com o solo ou com a água superficial ou subterrânea contamina-os, e por isso é necessária a im- permeabilização no fundo do aterro para impedir a passagem desse líquido e impedir o seu tratamento.

a passagem desse líquido e impedir o seu tratamento. Chorume é um líquido de cor negra

Chorume é um líquido de cor negra gerado pela decomposição dos resíduos ou a partir da compactação destes. A água ao passar pelo lixo adquire características contidas no lixo, como alteração do pH, temperatura, metais pesados, etc.

Figura 21: Chorume lançado em um rio. Fonte: Disponível em

Figura 21: Chorume lançado em um rio.

Fonte: Disponível em <http://www.mafiadolixo.com/wp-content/uploads/2009/06/chorume-no- rio-iguacu.jpg>. Acesso em 24 fev. 2011.

Tenório & Espinosa (2004) expõem as vantagens e desvantagens da utilização do aterro sanitário como forma de tratamento e disposição final:

Vantagens:

Baixo custo comparado com outros métodos de tratamento;

Utilização de equipamentos de baixo custo e de fácil operação;

Evitam proliferação de insetos e animais que transmitem doen- ças;

Não estão sujeitos a interrupções no funcionamento por alguma falha como é o caso dos incineradores.

Desvantagens:

Perda de matérias primas e da energia contida nos resíduos;

Transporte de resíduos a longas distâncias;

Desvalorização da região ao redor do aterro, pois a terra onde estão os resíduos já está comprometida;

Riscos de contaminação do lençol freático.

Podemos citar uma das desvantagens mencionadas com relação à utilização do aterro sanitário como disposição final para os resíduos sólidos urbanos. Uma delas é a desvalorização do terreno. Pois é utilizada uma gran- de área para dispor os resíduos e após o fechamento do aterro, ou seja, o término da utilização, a área se encontrará degradada e não mais poderá ser utilizada para a construção de casas por exemplo. Além do mais, as pessoas não gostariam de morar próximo a uma área em que existe ou já existiu um aterro sanitário.

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Vigilância em Saúde

Outra desvantagem importante é que na maioria das grandes cida-

des brasileiras faltam áreas para a construção de novos aterros sanitários. Infelizmente, não há como impedir a geração do “lixo” que vem aumentando ao longo dos anos. E essas grandes cidades já procuram outros municípios próximos para encaminhar os resíduos gerados. Por isso, é importante adotar programas de gerenciamento que priorizem a minimização da geração de resíduos, a coleta seletiva e a educação ambiental.

A Figura 22 mostra um aterro sanitário, nota-se que não há a presença

de catadores, pessoas não autorizadas a permanecer no local, de animais como

cachorros e de urubus, pois os resíduos são sempre cobertos com terra.

de urubus, pois os resíduos são sempre cobertos com terra. Figura 22: Aterro sanitário. Fonte: Arquivo

Figura 22: Aterro sanitário.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

Resumo

A etapa do tratamento dos resíduos muitas vezes não ocorre, au-

mentando a quantidade de resíduos a ser colocada nos aterros sanitários e diminuindo o seu tempo de vida útil.

A incineração de resíduos é muito utilizada para os resíduos perigo-

sos, e a vantagem da sua utilização como forma de tratamento dos resíduos sólidos urbanos em detrimento da adoção do aterro sanitário seria a redução do volume dos resíduos que são transformados em cinzas e não mais aterra- dos no solo. O aterro sanitário é uma forma de tratamento de disposição final para os resíduos sólidos mais barata do que a incineração, porém precisa-se de áreas para a sua construção e os resíduos são aterrados no solo, tornando a área degradada e impossibilitada para vários usos após o encerramento das atividades no aterro, como é o caso da construção.

Atividades de aprendizagem

1) O que é o tratamento de resíduos sólidos?

2) Defina incineração.

3) O que é aterro controlado?

4) Defina aterro sanitário.

5) Quais as vantagens de um aterro sanitário?

6) Quais as desvantagens de um aterro sanitário?

7) Qual a diferença entre lixão e aterro sanitário?

8) O que é chorume?

9) A geração do lixo aumenta a cada dia e este deve ser disposto em aterros sanitários. No entanto, nas grandes cidades já não há espaço para a constru- ção de novos aterros sanitários. Quais medidas você adotaria para reduzir a quantidade de lixo que é encaminhado para os aterros sanitários?

10) O aterro sanitário é a solução para o lixo? Explique.

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48

Vigilância em Saúde

AULA 1

Alfabetização Digital

Aula 6 – Limpeza dos logradouros públicos

Objetivos

Apresentar outros serviços que compõem as etapas do Sistema de Limpeza Urbana.

6.1 Limpeza dos logradouros públicos

O serviço de limpeza de logradouros públicos tem por objetivo evitar problemas sanitários para a comunidade; interferências perigosas no trânsito de veículos; riscos de acidentes para pedestres; prejuízos ao turis- mo e inundações das ruas pelo entupimento dos ralos (WEB RESOL, 2011). O sistema de limpeza urbana também é responsável pelo serviço de limpeza de logradouros; das sarjetas e ralos; feiras; capina; praças e praias.

6.1.1 Varrição

A varrição consiste na limpeza e remoção de resíduos sólidos, tais

como areia, folhas carregadas pelo vento, e qualquer outro resíduo deposi-

tado na rua ou em logradouros públicos. A varrição pode ser feita de forma manual ou mecânica.

A varrição pode ser feita de forma manual ou mecânica. Segundo a Lei n° 9.503, de

Segundo a Lei n° 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui

o Código de Trânsito Brasileiro (CTB),

logradouro público é o espaço livre destinado pela municipalidade

à circulação, parada

ou estacionamento de veículos, ou a circulação de pedestres, tais como calçada, parques, áreas de lazer, calçadões.

A coleta do lixo das ruas tem como objetivo (CEMPRE, 2008):

Minimizar riscos à saúde pública;

Manter a cidade limpa;

Prevenir enchentes e assoreamento dos rios.

Para o planejamento da varrição, é necessário conhecer o traçado

das ruas e segundo o CEMPRE (2008) deve ser executado um plano de varri- ção, contendo:

Setores da cidade e suas respectivas frequências de varrição;

Roteiros e número necessário de servidores e equipamentos;

Produtividade esperada.

A Figura 23 apresenta a varrição manual em uma cidade.

A Figura 23 apresenta a varrição manual em uma cidade. Figura 23: Varrição de resíduos em

Figura 23: Varrição de resíduos em uma cidade.

Fonte: Disponível em <http://www.treslagoas.ms.gov.br/noticias/fotos/capa/1490.jpg>. Acesso em 01 mar. 2011.

Acesso em 01 mar. 2011. Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, a cidade foi

Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, a cidade foi dividida em cinco áreas e cinco empresas atuam no serviço de varrição. São cerca de 3.500 varredores de ruas, conhecidos também como “garis”, trabalhando para deixar a cidade limpa. São varridos 6.900 quilômetros de vias públicas diariamente. O volume de resíduo de varrição é de aproximadamente 266 toneladas diariamente (PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO, 2011).

Conforme dados do IBAM (2001), no Brasil a geração de resíduos provenientes da varrição e limpeza de entulhos é cerca de 0,3 kg/hab.dia. Algumas cidades ainda possuem um número mais elevado como é o caso de Curitiba, gerando 1,3 kg/hab.dia desse resíduo. Na maioria das cidades, os serviços de limpeza dos logradouros pú-

blicos são precários, principalmente nas regiões menos favorecidas economi- camente. Não há nesses locais uma frequência para a realização da varrição

e da poda e capina.

A limpeza das ruas não depende somente da eficiência da Prefei- tura Municipal, mas da educação da população em manter as ruas limpas. Infelizmente ainda encontramos pessoas que jogam lixo no chão e vandalis- mo ainda acontecem como, por exemplo, a queima das lixeiras públicas. A educação da população é fator preponderante para manter as ruas limpas. Quando há participação da comunidade, o efetivo de trabalhadores do setor de limpeza urbana pode ser diminuído e consequentemente há re- dução dos custos com o setor de limpeza urbana. Como já foi abordado, existe a varrição manual ou mecânica. Geral- mente é feita a varrição manual em relação ao sistema mecanizado. Seguem algumas informações necessárias quanto ao mapeamento da área conforme

o CEMPRE (2008):

Delimitação da área;

Tipo de pavimentação: asfalto ou não asfaltada;

Uso do solo;

Extensão das vias;

Circulação de pedestres;

Localização das lixeiras;

Outras informações como: localização de feiras; parques; para- das de ônibus.

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50

Vigilância em Saúde

As vantagens e desvantagens da varrição manual, segundo Borges (1999):

Vantagens:

Capacidade de contornar obstáculos;

Varrição em qualquer tipo de pavimentação;

Dispensa manutenção de alto custo inicial.

Desvantagens:

Necessidade de grande quantidade de pessoal operacional e ad- ministrativo;

Baixa produtividade;

Probabilidade de ocorrência de acidentes: atropelamentos.

Como forma de aproveitamento dos materiais, as vassouras podem ser feitas de garrafa PET, como mostra a Figura 24.

podem ser feitas de garrafa PET, como mostra a Figura 24. Figura 24: Vassouras feitas com

Figura 24: Vassouras feitas com aproveitamento das garrafas PET.

Fonte: Disponível em <http://www.vassourapet.com.br/img/modelos_vassouras.jpg>. Acesso em 10 mar. 2011.

A varrição também pode ser feita de forma mecânica com a utiliza- ção de varredeiras. A Figura 25 apresenta uma varredeira:

ção de varredeiras. A Figura 25 apresenta uma varredeira: Figura 25: Varredeira mecânica. Fonte: Disponível em

Figura 25: Varredeira mecânica.

Fonte: Disponível em <http://www.demlurb.pjf.mg.gov.br/img/varredeira06.jpg>. Acesso em 10 mar. 2011.

As varredeiras podem ser mecânicas (recolhem os detritos com uma escova que varre os resíduos para dentro da máquina – Figura 25), ou aspiradoras (aspiram os resíduos diretamente para dentro da máquina); essas varredeiras são indicadas para aeroportos e pistas de trânsito rápido (CEM- PRE, 2008).

6.1.2 Poda e capina

A capinação é uma atividade de grande relevância a ser executada pelos serviços de limpeza pública, com o objetivo de deixar a cidade mais limpa, e não somente em ruas e passeios sem asfalto, mas também nas margens de rios e canais; quando as características da cidade exigirem uma atuação mais efetiva da limpeza urbana através da operação de capina, é necessário a manutenção de uma equipe especial para efetuar esse tipo de serviço (WEB RESOL, 2011). A capinação geralmente é feita por mobilizações coletivas (mutirão) de forma a atingir melhor eficiência no serviço. Segundo o CEMPRE (2008), a capinação pode ser manual ou por tratamento químico com a utilização de herbicidas, e deve ser feita, em média, a cada três meses. Na capina manual, algumas cidades adotam para o dimensionamen- to da equipe uma área de 150 m²/dia. servidor (CEMPRE, 2008). A Figura 26 mostra o serviço de poda e capina manual em uma cidade.

26 mostra o serviço de poda e capina manual em uma cidade. Figura 26: Serviço de

Figura 26: Serviço de poda e capina em uma cidade.

Fonte: Disponível em <http://www.montesclaros.mg.gov.br/agencia_noticias/2011/imagens/ DSC08154.JPG>. Acesso em 01 mar. 2011.

O tratamento químico é mais eficaz, sendo que uma pessoa pode pulverizar uma área de 10 mil m²/dia, porém esse serviço pode afetar ani- mais, plantas, população próxima e o próprio operador, e não é indicado em períodos chuvosos (CEMPRE, 2008).

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52

Vigilância em Saúde

6.1.3

Limpeza de feiras livres

Após o final da feira livre, percebe-se grande sujeira nas ruas com legumes, frutas e outros. Esses resíduos são rapidamente putrescíveis, e por isso há proliferação de moscas, roedores e mau cheiro, caso os resíduos não sejam coletados. Para que a limpeza seja eficiente, após o término de uma feira, rapidamente tem que haver a limpeza de toda a área por meio da varrição e coleta dos resíduos.

6.1.4 Pintura de guias

A pintura de guias geralmente é feita pelo pessoal da limpeza

urbana completando o serviço de varrição, poda e capina. A pintura das guias além de embelezar a cidade tem utilidade na orientação do tráfego (Figura 27).

tem utilidade na orientação do tráfego (Figura 27). Figura 27: Pintura de guias com cal e

Figura 27: Pintura de guias com cal e látex.

Fonte: Disponível em <http://3.bp.blogspot.com/_1VB921PUyWk/TMclNDgwAUI/AAAAAAAAA1k/ reBsOU3TXGs/s1600/DSCF3095.JPG>. Acesso em 10 mar. 2011.

6.1.5 Remoção de animais mortos

A remoção de animais de grande porte mortos pode ser feita utili-

zando-se caminhões dotados de carrocerias fechadas ou não, munidas com guincho; é necessário que se tenha uma forma de contato com a Prefeitura

para que esse serviço seja executado de forma pontual (CEMPRE, 2008).

A ABNT define boca de lobo como a abertura localizada na sarjeta ou sob o

A ABNT define boca de lobo como a abertura localizada na sarjeta ou sob o meio-fio ou calçada, que tem a finalidade de captar as águas da chuva que escoarem pelas sarjetas para em seguida conduzi-las ao sistema de drenagem.

6.1.6 Limpeza de bocas de lobo

A limpeza das bocas de lobo (bueiro) é uma atividade que precisa

ser feita constantemente para evitar o seu entupimento e consequentemen- te as enchentes. A limpeza é feita geralmente de forma manual, como se observa na Figura 28.

geralmente de forma manual, como se observa na Figura 28. Figura 28: Limpeza de uma boca

Figura 28: Limpeza de uma boca de lobo.

Fonte: Disponível em <http://www.ohoje.com.br/cidades/12-01-2010-bocas-de-lobo-recebem-oito- toneladas-de-lixo/>. Acesso em 01 mar. 2011.

A população faz parte do processo para manter a cidade limpa,

tendo ações corretas quanto ao descarte de seus resíduos. O ideal é que o

lixo seja depositado em até uma hora antes da coleta na porta das moradias. Pois quando o lixo se encontra nas ruas e acontece uma chuva forte, este poderá ser carregado pelas enchentes e cairá nas bocas de lobo, provocando o seu entupimento. Algumas ações são importantes por parte da população:

Deixar o lixo para a coleta em até uma hora antes do horário estabelecido pela Prefeitura;

Não jogar lixo nas ruas;

Não jogar lixo nas bocas de lobo;

Não jogar óleo de cozinha usado e borra de café no ralo da pia.

Resumo

Para o sistema de limpeza urbana é necessário mão de obra quando se prefere pelo processo manual para a varrição, poda e capina dos logra- douros públicos. A quantidade de servidores pode ser reduzida com a parti- cipação da comunidade em mantê-la limpa. Faz parte do sistema de limpeza urbana, a varrição; poda e capina dos logradouros públicos; limpeza das bocas de lobo; remoção de animais mortos; pintura de guias e limpeza de praias.

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54

Vigilância em Saúde

Atividades de aprendizagem

1) Explique o Sistema de Limpeza Urbana de uma cidade.

2) O que é varrição?

3) A varrição pode ser manual ou mecânica. Quais as vantagens e desvanta- gens da varrição manual?

4) Defina logradouro público.

5) O que é boca de lobo? Qual o motivo de se fazer a limpeza das bocas de lobo?

6) Como é feito o serviço de poda e capina da sua cidade?

7) Qual o motivo de se fazer a pintura das guias?

8) Em feiras livres, que tipo de resíduo há maior geração? Qual o problema desse resíduo demorar para ser coletado?

9) O que a população pode fazer para ajudar a manter a cidade limpa?

10) Se você fosse responsável pelo sistema de limpeza urbana da sua cidade, quais seriam suas propostas para a melhoria do sistema?

AULA 1

Aula 7 – Legislação ambiental aplicada

aos resíduos sólidos urbanos

Alfabetização Digital

Objetivos

Apresentar a legislação brasileira vigente aplicada aos resíduos só- lidos e mostrar a importância da fiscalização e o cumprimento das leis.

7.1 Introdução

A legislação brasileira vem passando por consideráveis avanços nas

últimas décadas e atualmente, no cenário nacional, existe um amplo aparato

normativo que demonstra que as leis brasileiras no quesito ambiental são muito bem estruturadas (CEMPRE, 2008). Porém, há muitas vezes o desco- nhecimento das por parte dos gestores e o descumprimento por falta de fiscalização ambiental. Já vimos que o gerenciamento inadequado dos resíduos provoca a poluição do meio ambiente e leva a agravos à saúde pública. O objetivo da

legislação ambiental é proteger o meio ambiente e promover a saúde am- biental das populações. Segundo Philippi Jr. & Malheiros (2005), a proteção ambiental deve ter como intuito manter, controlar e recuperar padrões de qualidade dos ecossistemas, de modo a promover a saúde pública e a quali- dade de vida e ambiental.

A Constituição Federal de 1988 instituiu em seu artigo 225 que:.

todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente

equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletivi-

] [

dade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Esse direito passou a ser reconhecido na medida em que as pessoas passaram a sentir necessidade de se proteger de suas próprias ameaças ao meio ambiente alterando o bem estar das gerações presentes e futuras (PHI- LIPPI JR. & MALHEIROS, 2005). Observem que o artigo da Constituição Federativa Brasileira é apli- cado ao sistema de limpeza urbana e que, não é somente do poder público a obrigação em proteger o meio ambiente, mas a comunidade também tem que protegê-lo e não poluir. Até pouco tempo, no Brasil não existia um aparato legal que go- vernasse toda a questão dos resíduos sólidos de forma nacional contendo as diretrizes necessárias para que as cidades pudessem ter a gestão e o geren- ciamento adequado dos resíduos. Em 2 de agosto de 2010, foi sancionada a

Política Nacional de Resíduos Sólidos, e agora, com a Lei 12.305 de 2010, os municípios terão que se adequar em um prazo de quatro anos a partir da publicação desta lei.

7.2 Legislação aplicada

A legislação brasileira aplicada aos resíduos sólidos urbanos pode

ser dividida em:

Leis municipais;

Leis estaduais;

Leis federais:

- Política Nacional de Resíduos Sólidos;

- Resoluções Conama;

- Resolução Anvisa – resíduos de serviços de saúde.

Normas da ABNT.

No âmbito federal, antes da publicação da Lei nº 12.305, as diretri- zes para os resíduos sólidos estavam contidas na Política Nacional de Sanea- mento Básico, a Lei nº 11.445 de 2007.

7.2.1 Lei 6938 de 1981 - Política Nacional do Meio Am- biente

A Lei nº 6938/1981 que institui a Política Nacional do Meio Ambiente

6938/1981 que institui a Política Nacional do Meio Ambiente A Política Nacional do Meio Ambiente define

A Política Nacional do Meio Ambiente define meio ambiente como o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.

tem por objetivo:

[…] a preservação, melhoria e recuperação da qualidade am- biental propícia à vida, visando assegurar no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses de segu- rança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:

• Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambien- tais;

Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orien- tadas para o uso nacional e a proteção dos recursos am- bientais;

Acompanhamento do estado da qualidade ambiental;

Educação ambiental para todos os níveis de ensino, in- clusive a educação da comunidade, objetivando capaci- tá-la para participação ativa na defesa do meio ambien- te (BRASIL, 1981).

A Política Nacional do Meio Ambiente diz em seu artigo 2º sobre

a proteção ao uso dos recursos naturais. Assim, gerenciar adequadamente os resíduos sólidos, empregando o planejamento, a coleta seletiva e a re- ciclagem dos materiais, promove a redução da busca por recursos naturais, atendendo ao que emprega esta Lei.

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58

Vigilância em Saúde

7.2.2 Lei 9795 de 1999 – Política Nacional de Educação

Ambiental

A Política Nacional de Educação Ambiental emprega que a educação

ambiental é parte integrante da educação nacional e deve estar presente em todos os níveis do processo educativo, de modo formal ou não. Para tanto, nas escolas não deve ser criada uma disciplina abordando o tema educação ambiental, e sim o tema deve estar inserido no contexto das disciplinas. Uma etapa importante a ser inserida nos planos de gerenciamento de resíduos são os “Programas de Educação Ambiental”. A participação da comunidade em algumas etapas do gerenciamento é de primordial impor- tância para o sistema de limpeza urbana “funcionar” corretamente. Pois a

população é a geradora dos resíduos e é o participante no seu acondiciona- mento para a posterior coleta por um órgão responsável.

A educação ambiental deve ser empregada nas escolas, já na idade

infantil, pois as crianças são excelentes educadores em casa mostrando e ensinando aos pais o que aprenderam na escola. E os filhos se tornam edu- cadores para seus pais.

escola. E os filhos se tornam edu - cadores para seus pais. Educação ambiental “são os

Educação ambiental “são os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (BRASIL, 1999).

7.2.3 Lei nº 11.445 de 2007 – Política Nacional de Sa-

neamento Básico

A Lei nº 11.445 estabelece diretrizes para o saneamento básico, que

é definido como:

Abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento pú-

blico de água potável, desde a captação até as ligações prediais

e respectivos instrumentos de medição;

esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infraestrutu- ras e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e

disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente; limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo do- méstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros

e vias públicas;

drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drena- gem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou re- tenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas;

controle social: conjunto de mecanismos e procedimentos que garantem à sociedade informações, representações técnicas e participações nos processos de formulação de políticas, de pla- nejamento e de avaliação relacionados aos serviços públicos de saneamento básico.

""Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e

""Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados

à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei” (BRASIL, 2010).

“Logística reversa:

instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada” (BRASIL,

2010).

final ambientalmente adequada” (BRASIL, 2010). A lei 12.305 de 2010 encontra-se no site

A lei 12.305 de 2010

encontra-se no site <http://www.planalto.

gov.br/ccivil_03/_

ato2007-2010/2010/lei/

l12305.htm>.

A referida lei estabelece diretrizes para o saneamento básico no

Brasil e nela está incluído o tratamento dos resíduos. A lei também consi- dera como parte do serviço de limpeza urbana a reciclagem e reconhece os catadores como agentes desse processo (CEMPRE, 2008). Contudo, esta lei não fornece as diretrizes necessárias aos municí- pios para a gestão e gerenciamento de seus resíduos.

7.2.4 Lei 12.305 de 2010 – Política Nacional de Resídu- os Sólidos

Desde 1991, o Projeto de Lei que instituía a Política Nacional de Resíduos Sólidos esteve em trâmite no Congresso Nacional. Imaginem que este projeto, até virar lei, foi discutido durante dezenove anos e enquanto

isto o Brasil carecia de uma lei nacional que governasse toda a questão dos resíduos sólidos.

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos estabelece a responsabil-

dade compartilhada e inclui alguns pontos importantes como: a logística

reversa, a coleta seletiva e o reaproveitamento dos resíduos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos traz um conjunto de prin-

cípios, objetivos e metas estabelecidas pelo governo federal com vistas ao

gerenciamento adequado dos resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Na aula sobre gerenciamento de resíduos, vimos que o gerencia- mento se dá em etapas e segundo a Lei 12.305 (2010), essas etapas devem estar segundo a prioridade: não geração; redução; reutilização; reciclagem; tratamento de resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Um fator importante estabelecido pela nova lei é a responsabili- dade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, abrangendo os fabri- cantes, importadores, comerciantes e consumidores. Como por exemplo, a destinação das pilhas e baterias usadas. Após o fim de sua vida útil, você sabe o que fazer com elas?

A Lei reforça o que já era instituído pela Resolução Conama nº 401

de 2008, o consumidor deve encaminhar a pilha usada a algum local que comercializa aquele tipo de pilha e o comerciante deve encaminhá-la ao fa-

bricante para este dar o tratamento e a destinação adequada a este produto. Esse processo é a chamada logística reversa. Outros materiais que devem seguir a essa logística são:

Pneus;

• Óleos lubrificantes de postos de gasolina e oficinas mecânicas.

• Lâmpadas fluorescentes;

Aparelhos eletrônicos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos é um marco regulatório no Bra-

sil no que se refere ao gerenciamento dos resíduos e, a partir da publicação da

Lei, os municípios têm obrigações a cumprir, e o não cumprimento poderá acar- retar em penalidades, pois poluir o meio ambiente é crime ambiental.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

60

Vigilância em Saúde

7.2.5 Resoluções Conama

Segue a relação de algumas das Resoluções Conama aplicadas aos resíduos sólidos urbanos:

Resolução Conama nº 275, abril de 2001 – Estabelece o códi- go de cores para os diferentes tipos de resíduos a ser adotado na identificação dos coletores e transportadores, bem como em campanhas informativas para a coleta seletiva;

Resolução Conama, nº 307, julho de 2002 – Estabelece diretri- zes, critérios e procedimentos para a gestão de resíduos sólidos da construção civil;

Resolução Conama, nº 358, julho de 2005 – Define o tratamento e a disposição final dos resíduos de serviços de saúde e dá outras providências;

Resolução Conama nº 362, julho de 2005 – Dispõe sobre o reco- lhimento, coleta e disposição final de óleo lubrificante usado ou contaminado;

Resolução Conama nº 401, novembro de 2008 – Estabelece limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias comercializadas, no território nacional e os critérios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado, e dá outras providências;

Resolução Conama nº 416, setembro de 2009 – Dispõe sobre a prevenção à degradação ambiental causada por pneus inserví- veis e sua destinação ambientalmente adequada, e dá outras providências.

ambientalmente adequada, e dá outras providências. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é o órgão

O Conselho Nacional

do Meio Ambiente

(CONAMA) é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), foi instituído pela Lei 6.938/81, que dispõe sobre

a Política Nacional

do Meio Ambiente, regulamentada pelo Decreto 99.274/90 (MMA, 2010).

Ambiente, regulamentada pelo Decreto 99.274/90 (MMA, 2010). As resoluções Conama se encontram no site do Ministério

As resoluções Conama se encontram no site do Ministério do Meio Ambiente <http:// www.mma.gov.br/port/ conama/>.

As Resoluções mencionadas anteriormente são importantes à pro- teção ambiental e, além de fornecer diretrizes ao gerador dos resíduos, es- tabelece obrigações. Esses resíduos também poluem o meio ambiente se não for estabelecido o gerenciamento adequado para eles. Os pneus, quando abandonados em um terreno baldio, além de se tornar uma poluição visual, em épocas de chuvas armazenam água tornando- -se então locais propícios ao surgimento de focos de mosquitos, tal como o da dengue. Veja a Figura 29 que mostra a disposição inadequada de pneus próxima ao lixão de uma cidade de aproximadamente 100.000 habitantes. Neste local, os catadores mencionaram estarem preocupados com a presen- ça do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

É proibida a queima ou a colocação de pneus em locais a céu aberto. Segundo

É proibida a queima ou a colocação de pneus em locais a céu aberto. Segundo a Resolução Conama nº 416 de 2009, os estabelecimentos que comercializam a troca de pneus são obrigados no ato da troca a receber e armazenar temporariamente os pneus usados entregues pelo consumidor e encaminhar para o tratamento e destinação final adequada.

encaminhar para o tratamento e destinação final adequada. Figura 29: Pneus expostos a céu aberto em

Figura 29: Pneus expostos a céu aberto em área próxima a um lixão.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

7.2.6 Resolução Anvisa

Os resíduos de serviços de saúde merecem uma atenção especial em seu gerenciamento devido a uma parcela destes serem perigosos, pois apresentam uma das características definidas pela NBR 10004/2004 – toxici- dade, patogenicidade, reatividade, inflamabilidade, corrosividade. Todos os geradores desses resíduos são responsáveis pelo seu ge- renciamento, inclusive os custos. Um hospital, por exemplo, precisa ter um Plano de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde. Neste Plano deve conter como deverá ser feito o manejo adequado dos resíduos. Para tanto, o gerenciamento interno ao estabelecimento deve ser baseado na RDC nº 306 da Anvisa de 2004. E o gerenciamento externo (tratamento e destinação final) será conforme a Resolução Conama nº 358 de 2005.

7.2.7 Normas ABNT

A ABNT é uma associação composta por normas que recebem a denominação de Normas Brasileiras Registradas (NBR); é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desen- volvimento tecnológico brasileiro (CEMPRE, 2008). Pereira (2007) fez um levantamento das principais normas da ABNT relacionadas aos resíduos sólidos:

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

62

Vigilância em Saúde

• NBR 12235 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos;

• NBR 8419 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos;

• NBR 12980 – Coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos urbanos: terminologia;

• NBR 9191 – Sacos plásticos para acondicionamento do lixo: requi- sitos e métodos de ensaio;

• NBR 13221 – Transporte terrestre de resíduos;

• NBR 7500 – Identificação para transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos;

• NBR 10004 – Resíduos sólidos: classificação.

A norma da ABNT mais conhecida e mais utilizada é a NBR 10004,

que trata da classificação dos resíduos. Em um processo de gerenciamento, entre os primeiros passos consta a classificação dos resíduos conforme esta norma. Por meio desta classificação conhece-se os resíduos como perigosos

e não perigosos.

conhece-se os resíduos como perigosos e não perigosos. Para melhor compreender as normas da ABNT e

Para melhor compreender as normas da ABNT e atualização confiram o site <http:// www.abnt.org.br/>.

Resumo

Vimos nesta aula a apresentação da legislação brasileira vigente relacionada aos resíduos sólidos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305 de 2010) esteve em tramitação no Congresso Nacional durante deze- nove anos e é um marco nacional para a questão que envolve os resíduos. A partir da publicação desta lei, os municípios terão prazos para adequarem o gerenciamento de seus resíduos. Um fator importante abordado nesta lei é a responsabilidade com- partilhada para a destinação dos produtos (logística reversa), em que o re- síduo retorna ao fabricante e este dá o tratamento, recuperação e destino final adequados. Além da Lei nacional, as Resoluções Conama devem ser consultadas

e os critérios técnicos estão expostos nas Normas da ABNT.

A legislação brasileira é muito bem elaborada, no entanto, falta o

cumprimento e a fiscalização.

Atividades de aprendizagem

1) No seu entendimento, para que servem as leis?

2) Fale sobre a importância da Política Nacional dos Resíduos Sólidos para os municípios.

3) Defina limpeza urbana.

4) O que é logística reversa?

5) Ainda sobre a logística reversa, qual seria o procedimento para o pneu usado? Consulte a Resolução Conama específica.

6) Qual o procedimento adequado para o descarte das pilhas e baterias. Con- sulte a Resolução Conama específica?

7) Para que servem as normas da ABNT?

8) Cite qual é a norma mais conhecida da ABNT e explique para que serve esta norma.

9) A Lei 14.445 aborda o quê?

10) Pesquise sobre o lixo eletrônico. Dê exemplos desse tipo de “lixo” e como seria a logística reversa para este material.

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64

Vigilância em Saúde

AULA 1

Alfabetização Digital

Aula 8 – Licenciamento Ambiental

Objetivos

Apresentar os principais conceitos referentes ao licenciamento am- biental, mostrando a importância para a proteção ao meio ambiente.

8.1 Definições

8.1.1 Impacto ambiental

No sentido comum, o impacto ambiental é frequentemente asso- ciado pela imprensa como sendo algum dano à natureza, como mortalidade da fauna após o vazamento de petróleo do mar, desmatamento de florestas, despejo de esgoto sanitário nos rios, disposição de resíduos em locais impró- prios como lixões, entre outros. Um exemplo de impacto ambiental enfrentado atualmente pelos grandes centros industriais são as chuvas ácidas. A formação das chuvas áci- das acontece por meio das emissões gasosas, pelas atividades industriais. Onde há a queima do carvão e de combustíveis fósseis são lançados poluen- tes industriais como o dióxido de enxofre (SO2) e de nitrogênio (NO2) na at- mosfera. Quando esses gases combinam-se com o hidrogênio gasoso presente na atmosfera sob a forma de vapor d’água, o resultado são as chuvas ácidas (USP, 2000). As águas de chuva, assim como a geada, neve e neblina ficam carregadas de ácido sulfúrico e/ou ácido nítrico e ao caírem na superfície, alteram a composição química do solo e das águas, atingem as cadeias ali- mentares, destroem florestas e lavouras, atacam estruturas metálicas, mo- numentos e edificações. Três exemplos de ecossistemas brasileiros nos quais se têm detectado os efeitos da chuva ácida são o Parque Florestal do Rio Doce, a Floresta da Tijuca e a parte da Mata Atlântica próxima à Grande São Paulo (USP, 2000). Nota-se a transformação da paisagem devido à ação da chuva ácida na Figura 30.

da paisagem devido à ação da chuva ácida na Figura 30. Segundo a norma NBR ISO

Segundo a norma NBR ISO 14.001 de 2004, impacto ambiental é qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização.

Ainda conforme a Resolução n° 01/1986 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), impacto ambiental pode ser definido como “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas. A biota e a qualidade dos recursos ambientais”.

Figura 30: Comparação das imagens antes da poluição e após o surgimento da chuva ácida.

Figura 30: Comparação das imagens antes da poluição e após o surgimento da chuva ácida.

Fonte: Disponível em <http://cdcc.sc.usp.br/quimica/ciencia/chuva.html>. Acesso em 10 mar. 2011.

No entanto, impacto ambiental não acontece somente no sentido negativo, há também os impactos ambientais positivos. Um exemplo corri- queiro de impacto positivo, inclusive muito encontrado em estudos de im- pacto ambiental, é descrito como “criação de empregos”. Trata-se de um impacto social e econômico, contudo, há também impactos positivos sobre componentes físicos e bióticos do meio. Como exemplo é possível citar um projeto que envolva a coleta e o tratamento de esgotos, onde resultará a melhoria da qualidade da águas, em recuperação do habitat aquático e em efeitos benéficos sobre a saúde pública (SÁNCHEZ, 2008).

efeitos benéficos sobre a saúde pública (SÁNCHEZ, 2008). Entende-se por medidas mitigadoras as que se destinam

Entende-se por medidas mitigadoras as que se destinam a prevenir eventuais impactos negativos ou a redução da sua magnitude.

8.1.2 Medidas mitigadoras

Sánchez (2008) ressalta que as medidas mitigadoras são ações pro- postas com a finalidade de reduzir a proporção ou a importância dos impac- tos ambientais adversos ou atenuá-los. Medidas típicas incluem sistemas de redução da emissão de poluentes, como o tratamento de efluentes líquido e de resíduos sólidos, mas os tipos de medidas mitigadoras possíveis abrangem uma gama ampla desde medidas muito simples, como a instalação de bacias de decantação de águas pluviais para reter partículas sólidas e evitar seu transporte para os cursos d’água durante a etapa de construção, até o em- prego de técnicas sofisticadas de redução de emissões atmosféricas.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

66

Vigilância em Saúde

8.1.3 Licenciamento ambiental

Sánchez (2008) relata que o licenciamento ambiental começou no Brasil em alguns Estados em meados da década de 1970, e foi incorporado à legislação federal como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Entretanto, a necessidade de autorização governamental para exercer atividades que interfiram no meio ambiente tem um longo histórico, antes do surgimento do licenciamento ambiental nos moldes atuais. Mas por que licenciar? As atividades industriais ou a construção de um empreendimento provoca modificações no meio ambiente. O homem co- meçou a se preocupar com a degradação ambiental e para prevenir tal fato, todo empreendimento para conseguir entrar em funcionamento precisa ter a licença ambiental: documento que autoriza o empreendimento a funcionar. Logo, o empreendedor é obrigado a contratar profissional capaci- tado e habilitado para realizar o processo de licenciamento, onde, após o levantamento de todos os impactos possíveis de acontecer, seja na fase de construção ou operação, a empresa deverá fornecer medidas mitigadoras para conter o impacto gerado. Veja que o processo de licenciamento visa à proteção ao meio am- biente. Todavia, para obter a licença, há uma série de critérios a ser obe- decidos e um deles é conhecer o potencial poluidor do empreendimento. Dependendo do potencial, será necessário realizar um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) junto com o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA); ou um Relatório de Controle Ambiental (RCA) junto com o Plano de Controle Am- biental (PCA). O EIA/RIMA é exigido para empreendimentos impactantes que apresentem grande capacidade transformadora do meio ambiente, confor- me Artigo 2° da Resolução CONAMA 01/86. Por sua vez, o RCA/PCA é exigido para os de menor capacidade impactante.

8.1.3.1 Licença ambiental

A licença ambiental é concedida por um órgão ambiental. Há três tipos de licença:

Licença Prévia (LP): é a fase do empreendimento onde se avalia

a concepção do projeto e a localização. Nessa etapa, são ana-

lisados o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de

Impacto Ambiental (RIMA) ou, o Relatório de Controle Ambiental (RCA).

Licença de Instalação (LI): é a fase do processo que autoriza

a implantação do empreendimento. Nessa etapa, é analisado o

Plano de Controle Ambiental (PCA).

Licença de Operação (LO): é a fase em que autoriza o funciona- mento do empreendimento após a verificação do cumprimento das medidas determinadas nas fases de LP e LI

cumprimento das medidas determinadas nas fases de LP e LI A Resolução CONAMA nº 237, de

A Resolução CONAMA nº

237, de 19 de dezembro de 1997 define licenciamento ambiental como o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a

localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividade utilizados de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais

e regulamentares e

as normas técnicas aplicáveis ao caso.

e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. O estudo de impacto ambiental (EIA) é

O estudo de impacto

ambiental (EIA) é o documento de um processo de avaliação

de impacto ambiental.

É com base nesse

documento que serão

tomadas decisões

quanto à viabilidade ambiental de um projeto, quanto à necessidade de medidas mitigadoras ou compensatórias (SÁNCHES, 2008).

O Relatório de Impacto

Ambiental (RIMA) é um documento baseado no EIA. A linguagem nele expressa deve ser acessível ao público geral, de modo que se possam entender

claramente as possíveis

consequências

ambientais do projeto

e de suas alternativas,

comparando

as vantagens e desvantagens de cada uma delas (SILVA, 2007).

8.2 Principais impactos ambientais relacionados aos resíduos sólidos

8.2.1 Impactos ambientais negativos pela disposição

de resíduos sólidos em lixões

Vimos nas aulas anteriores que o lixão é um local onde os resíduos

são destinados de forma inadequada no solo e o lixo fica exposto a céu aber- to. Já foi comentado que este tipo de destino para os resíduos gera vários impactos ambientais. Segue detalhado alguns desses impactos:

Contaminação do solo;

• Contaminação da água subterrânea e superficial;

Contaminação do ar;

Poluição visual.

Sabemos que no “lixo” encontramos várias substâncias que muitas

vezes podem ser tóxicas ao homem e aos animais. Essas substâncias conta- minam o solo, a água superficial (rios, lagos) e a água subterrânea (infiltração do chorume através do solo até chegar ao lençol freático). Ademais, contami- nam também o ar, devido aos gases gerados. No lixão, o odor é muito desagradável e há atração de moscas que pousam no lixo e depois voam podendo pousar em algum alimento, e o ho- mem se alimenta podendo ser contaminado. Outros impactos são gerados no lixão estão relacionados aos aspe- tos sociais e de saúde pública:

Acidentes de “trabalho”;

Atração de vetores transmissíveis de doenças;

Aparecimento de doenças principalmente para as pessoas que trabalham com o “lixo” ou vivem próximas ao lixão;

Presença de catadores no lixão;

Presença de animais no lixão.

Medidas mitigadoras Para minimizar os impactos relacionados ao lixão, a medida mi- tigadora adotada é a inativação desse lixão e a substituição por um aterro sanitário. Outra medida seria a retirada dos catadores do lixão e fornecer assistência a esses catadores e a seus familiares em cooperativas de catado- res, por exemplo, de forma que seja preservada a renda para essas famílias.

8.2.2 Impactos ambientais negativos na fase de im-

plantação de um aterro sanitário

A construção de um aterro sanitário é uma possibilidade para a destinação adequada dos resíduos sólidos. No entanto, é uma atividade que também gera impactos ao meio ambiente. Podemos dividir estes impactos em: durante a construção e durante a operação do aterro.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

68

Vigilância em Saúde

Durante a construção do aterro, citam-se alguns impactos ambien- tais (adaptado do CEMPRE, 2010):

Geração de poeira;

Alteração da paisagem;

Remoção da cobertura vegetal;

Mortes e incômodos à fauna;

Erosão pela água;

Degradação de áreas de empréstimo de terra para a construção do aterro;

Geração de resíduos;

Geração de ruídos.

Para a construção do aterro sanitário, haverá movimentação de terra, o que causa a geração de material particulado (poeira). Pode haver necessidade de adquirir mais terra e para tanto, a terra é retirada de outro local e encaminhada para a área da construção. Isto provoca impactos na área da retirada da terra. Para preparar a área a ser construída, há remoção da cobertura vegetal, alterando dessa forma a paisagem e matando os animais presentes ali ou provocando incômodos a estes. Por fim, toda atividade de construção gera resíduos e, claro, é um impacto importante.

8.2.3 Impactos ambientais negativos na fase de opera- ção de um aterro sanitário

Durante a fase de operação, ou seja, quando o aterro já estiver em funcionamento recebendo os resíduos de uma cidade, poderá haver os impactos relacionados (adaptado do CEMPRE, 2010):

Geração de gases, material particulado e ruído;

• Intensificação do trânsito nas vias de acesso;

Poluição do solo com óleos e graxas;

Espalhamento do lixo ao longo das vias até chegar ao aterro;

Geração de odor (decomposição do lixo);

Proliferação de vetores;

Alteração da percepção da paisagem;

Poluição da água subterrânea;

Degradação da área.

A área onde é implantado um aterro sanitário se torna degradada

devido às modificações que acontecem no local. Um aterro sanitário requer monitoramento constante para que não haja ou sejam minimizados os impac- tos relacionados nos tópicos anteriores. Como medida mitigadora aos impactos relatados, seria o monitora- mento adequado do aterro com:

Realização da cobertura diária do lixo com terra, pois esta ação impede a geração de vetores e urubus;

• Verificação da qualidade da água subterrânea para comprovar a não contaminação desta água e que não está ocorrendo a infil- tração do chorume através do solo;

Monitoramento do sistema de tratamento do chorume;

Cercamento da área do aterro;

Impedimento da entrada de animais e pessoas não autorizadas.

São inúmeros os impactos relatados tanto na fase de implantação quanto na fase de operação. Aqui foram relatados alguns desses impactos. Para a proteção ao meio ambiente, é necessário que se tomem as medidas mitigado- ras e que se tenha sempre a fiscalização do órgão ambiental responsável.

Resumo

A construção e operação de um empreendimento geram vários im- pactos ambientais e por isso é importante a aquisição da licença ambiental para a permissão de sua construção e funcionamento.

Atividades de aprendizagem

1) O que é impacto ambiental?

2) Defina medidas mitigadoras.

3) Quais os tipos de licença ambiental existentes? Explique cada uma.

4) Defina EIA/RIMA.

5) Quais os impactos ambientais gerados pela disposição de resíduos sólidos em lixões?

6) Cite os impactos ambientais relacionados à implantação de um aterro sanitário.

7) Cite os impactos ambientais relacionados à operação de um aterro sanitário.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

70

Vigilância em Saúde

AULA 1

Aula 9 – Educação ambiental e os resí-

duos sólidos

Alfabetização Digital

Objetivos

Apresentar a importância da educação ambiental bem como a sua aplicação no Sistema de Limpeza Urbana.

9.1 Introdução

A educação ambiental vem sendo discutida há poucas décadas no Brasil e a cada ano vem assumindo novas dimensões, principalmente pela urgência de reversão do quadro de deterioração ambiental em que vivemos (TAVARES et al., 1995). Nesse contexto, a educação ambiental e a sustentabilidade enfren- tam a difícil tarefa de construção do conhecimento acadêmico baseado em teorias e métodos de diferentes perspectivas e origens, sem perder o sentido da construção de conhecimentos dentro da realidade brasileira (PHILIPPI JR. & PELICIONI, 2005). Fazendo um breve histórico sobre a educação ambiental, o primeiro encontro realizado em 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, na cidade de Estocolmo; o segundo encontro realizado em 1975, na cidade de Belgrado e onde foi criado o Programa Internacional de Educação Ambiental e em 1975, a terceira Conferência Intergovernamen- tal de Educação Ambiental, conhecida também como Conferência de Tbilisi (VASCONCELOS, 2006). Como já mencionamos na aula sobre legislação ambiental, a educa- ção ambiental deve estar inserida nas disciplinas escolares e não como uma disciplina específica, conforme a Política Nacional de Educação Ambiental. Caro estudante, após apresentar os conceitos sobre educação am- biental, qual a importância de abordar o tema para a disciplina de Sistema de Limpeza Urbana? Veremos nesta aula como poderá ser aplicada a educa- ção ambiental aos resíduos sólidos urbanos.

9.2 A importância da educação ambiental para

o Sistema de Limpeza Urbana

Nesta apostila, foram abordados os diversos impactos relacionados aos resíduos sólidos e a gestão adequada para o manejo dos mesmos. No en- tanto, resolver o problema do lixo é muito mais complicado do que quando abordamos a água e o esgoto sanitário.

do que quando abordamos a água e o esgoto sanitário. É possível definir Educação Ambiental (EA)

É possível definir Educação Ambiental (EA) como um processo de aprendizagem em que o indivíduo se conscientiza da importância do meio ambiente para sua

existência, aprendendo

a respeitar e viver

em harmonia com a natureza, sendo parte integrante dela e

contribuindo para seu equilíbrio, retirando

o que realmente

é necessário para

sua sobrevivência sem comprometer as futuras gerações (VASCONCELOS, 2006).

sem comprometer as futuras gerações (VASCONCELOS, 2006). O dia 05 de julho foi consagrado como Dia

O dia 05 de julho foi

consagrado como Dia Mundial do Meio Ambiente. Foi o dia da abertura do primeiro grande encontro oficial da comunidade internacional sobre a questão ambiental, a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano.

Relacionado ao saneamento, o primeiro problema a ser tratado no Brasil foi sobre a água (abastecimento e tratamento). As pessoas precisam de água, o que não é uma necessidade maior quanto ao esgotamento sanitário e à questão do lixo. Todavia, elaborar um projeto de abastecimento de água ou de esgotamento sanitário e executá-lo é uma tarefa bem mais “fácil” do que quando tratamos dos resíduos sólidos. Pois, com as canalizações de água e esgoto e as instalações de tratamento, o sistema funciona. Ou seja, a popu- lação recebe água tratada e o seu esgoto é coletado e encaminhado para a destinação correta. Porém, executar um programa de resíduos é muito mais complica- do, pois depende da participação da comunidade, pois é ela que gera o lixo, que o acondiciona para a coleta. Além do mais, a população é a principal en- volvida em um programa de coleta seletiva. Daí a importância da realização de Programas de Educação Ambiental, pois é parte principal para o Sistema de Limpeza Urbana.

9.3 A educação ambiental e os resíduos sólidos

Com relação aos resíduos sólidos, a educação ambiental vem edu- car as pessoas quanto às ações corretas para a condução das etapas do ge- renciamento de resíduos sólidos:

Minimizar a geração de resíduos;

Separar os resíduos para a coleta seletiva;

• Acondicionar corretamente os resíduos – separando aqueles que irão para a coleta convencional daqueles que podem ser recicla- dos e serão encaminhados para a coleta seletiva;

Informar sobre o Programa de Coleta Seletiva existente na cidade;

Informar como é feito o transporte de resíduos: horários e frequ- ência de coleta para que a população saiba o momento correto de acondicionar o lixo na porta de suas casas para a coleta;

Informar sobre a forma de tratamento dos resíduos existentes;

• Informar sobre a disposição final dos resíduos: aterro sanitário.

É importante que a educação ambiental esteja sempre presente nas escolas, educando crianças e jovens formadores de opinião. A Figura 31 apresenta um dia de atividades sobre resíduos sólidos em uma escola loca- lizada na cidade de Viçosa-MG. Os adolescentes estudaram o tema resíduos sólidos e, ao final do semestre, elaboraram redações, desenhos e trabalhos manuais com o reaproveitamento de resíduos, a produção de sabão com a utilização do óleo de cozinha usado.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

72

Vigilância em Saúde

Figura 31: Educação ambiental em uma escola. Fonte: Pereira (2007). Os Programas de Educação Ambiental

Figura 31: Educação ambiental em uma escola.

Fonte: Pereira (2007).

Os Programas de Educação Ambiental podem ser divididos em três

etapas:

Planejamento;

Execução;

Monitoramento.

É importante que os Programas tenham inauguração com eventos

criativos, despertando a curiosidade e atenção de todos e que não seja so-

mente um evento, um acontecimento. Que tenha monitoramento constante

e que seja adaptado à realidade local.

9.4 Aproveitamento dos materiais

Já foi comentado que alguns materiais podem ser reaproveitados ao

invés de irem para o lixo. Um exemplo de reaproveitamento é a utilização de óleo de cozinha usado para a fabricação de sabão.

A Figura 32 mostra o aproveitamento de latinhas de alumínio para

a confecção de brinquedos.

de latinhas de alumínio para a confecção de brinquedos. Óleo de cozinha usado não pode ser

Óleo de cozinha usado não pode ser jogado na pia, pois entope as canalizações, polui

os rios, dificulta os sistemas de tratamento de afluentes por possuir

a gordura de difícil

degradação. Um litro de óleo contamina um milhão de litros de água.

Há várias receitas para

a fabricação do sabão

a partir do óleo de

cozinha usado. Uma das receitas pode ser encontrada no site <http://panohippie.

blogspot.com/2009/04/

como-fazer-sabao-com-

oleo-de-cozinha.html>.

Figura 32: Aproveitamento de latinhas de alumínio para a confecção de brinquedos em Cuba. Fonte:

Figura 32: Aproveitamento de latinhas de alumínio para a confecção de brinquedos em Cuba.

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

9.5 Comentários finais

O sistema de limpeza urbana, para funcionar adequadamente, pre-

cisa da vontade política e da participação da comunidade. A responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos é de todos e não somente da gestão pública. Um dos principais problemas enfrentados pela administração públi- ca atualmente é a questão do lixo. O que fazer? A partir de agosto de 2010, o Brasil possui uma lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Agora é lei, os municípios terão que se adequar, caso contrário, haverá pe- nalidades. Os programas de educação ambiental estão agregados aos projetos de resíduos sólidos. Cuidar do meio ambiente é questão de cidadania e res- ponsabilidade social. Nós fazemos parte desta causa.

Resumo

A educação ambiental é parte integrante dos programas de geren-

ciamento de resíduos sólidos, como o Sistema de Limpeza Urbana e a im- plantação da coleta seletiva. Deve ser inserida nos conteúdos programáticos das disciplinas escolares, pois as crianças e os adolescentes são atores sociais

formadores de opinião.

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Atividades de aprendizagem

1) Defina Educação Ambiental.

2) Qual a importância da educação ambiental para os programas relaciona- dos aos resíduos sólidos?

Referências

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8419: Apresen- tação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos – proce- dimentos. Rio de Janeiro, 1992.

NBR 12235: Armazenamento de resíduos perigosos. Rio de Janeiro,

1992.

NBR 12980: Coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos urbanos. Rio de Janeiro, 1992.

NBR 9191: Sacos plásticos para o acondicionamento do lixo – requi- sitos e métodos de ensaio. Rio de Janeiro, 2002.

NBR 13221: Transporte terrestre de resíduos. Rio de Janeiro, 2003.

NBR 7500: Identificação para transporte terrestre, manuseio, movi- mentação, armazenamento de produtos. Rio de Janeiro, 2004.

NBR 10004: Resíduos Sólidos – classificação. Rio de Janeiro, 2004.

NBR 10007: Amostragem de resíduos. Rio de Janeiro, 2004.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR ISO 14.001: Sistema de

gestão ambiental: especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT,

2004.

BORGES, M. E. Gerenciamento de limpeza urbana. Viçosa: CPT, 1999. Vídeo Curso, CD-ROM.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.

BRASIL. Lei nº 6938 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá ou- tras providências. Brasília: Diário Oficial da União, 1981.

Lei nº 9503 de setembro de 1997. Institui o Código de Trânsito bra- sileiro. Brasília: Diário Oficial da União, 1997.

Lei nº 9795 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União, 1999.

Lei nº 11445 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei no 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União, 2007.

Lei nº 12305 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Re- síduos Sólidos, altera a lei 9605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União, 2010.

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