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INTRODUÇÃO

O objetivo básico deste trabalho é um convite pleno de possibilidades, irrecusável,

justamente porque é direcionado a todos àqueles que dedicam amor e amizade à

sabedoria, à Filosofia. Um chamado que visa oferecer aos estudantes, educadores e

pesquisadores, os instrumentos necessários ao aprimoramento de seus trabalhos nas

diversas áreas.

Com a convicção de que o estudo do pensamento, da lógica, da razão, da ética, da

estética, da política e da metafísica constitui um instrumento essencial à formação integral

do cidadão. È dever de todos os educadores contribuir para estudantes adquiram não

apenas a consciência critica necessária à aquisição da cidadania plena, mas também o

entendimento de seu valor como seres humanos dotados de talentos e competências.

Futuros homens e mulheres aptos a inspirar e propagar autoconfiança, idealismo e

capacidade de realização.

Nesse sentido, consideremos o estudo da Filosofia indispensável, porque lança

luzes sobre a essência do ser e todas as suas potencialidades. Por meio dela,

compreendemos mais sobre o tempo, sobre a história evolutiva do pensamento humano,

sobre a necessidade de ir além.

Por tudo isso, este trabalho pretende oferecer subsídios capazes de ampliar os

conhecimentos de todos os que se dedicam à propagação de saberes relacionados à

Filosofia – uma disciplina tão rica quanto desafiadora.

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PLATÃO

Platão nasceu em Atenas, em 428 ou 427 a.C., de pais aristocráticos e abastados,

de antiga e nobre prosápia. Temperamento artístico e dialético – manifestação

característica e suma do gênio grego – deram, na mocidade, livre curso ao seu talento

poético, que o acompanhou durante a vida toda, manifestando-se na expressão estética

de seus escritos; entretanto isto prejudicou sem dúvida a precisão e a ordem do seu

pensamento, tanto assim que várias partes de suas obras não têm verdadeira importância

e valor filosófico. Suas obras foram em torno de 36 trabalhos, a mais importante delas,

que se destacou, foi sem dúvida nenhuma a República (nela Platão expõe suas idéias

políticas, filosóficas, estéticas, éticas e jurídicas). Também ficou marcante foi à fundação

da Academia, primeira escola filosófica do mundo.

Aos vinte anos, Platão travou relação com Sócrates- mais velho do que ele quarenta anos

– e gozou por oito anos do ensinamento e da amizade do mestre. Quando discípulo de

Sócrates e ainda depois, Platão retirou-se com outros socráticos para junto de Euclides,

em Mégara.

Daí deu início a suas viagens, e fez um vasto giro pelo mundo para se instruir (390-

388). Visitou o Egito, de que admirou a veneranda antiguidade e estabilidade política; a

Itália meridional, onde teve ocasião de travar relações com os pitagóricos (tal contato será

fecundo para o desenvolvimento do seu pensamento); a Sicília, onde conheceu Dionísio o

Antigo, tirano de Siracusa e travou amizade profunda com Dion, cunhado daquele. Caído,

porém, na desgraça do tirano pela sua fraqueza, foi vendido como escravo. Libertado

graças a um amigo, voltou a Atenas.

Em Atenas, pelo ano de 387, Platão fundava a sua célebre escola, que, dos jardins

de Academo, onde surgiu, tomou o nome famoso de Academia (descrito 1º parágrafo).

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Adquiriu, perto de Colona, povoado da Ática, uma herdade, onde levantou um templo às

Musas, que se tornou propriedade coletiva da escola e foi por ela conservada durante

quase um milênio, até o tempo do imperador Justiniano (529 d.C.).

Platão, ao contrário de Sócrates, interessou-se vivamente pela política e pela

filosofia política. Foi assim que o filósofo, após a morte de Dionísio o Antigo, voltou duas

vezes – em 366 e em 361 – a Dion, esperando poder experimentar o seu ideal político e

realizar a sua política utopista. Estas duas viagens políticas a Siracusa, porém, não tivera

melhor êxito do que a precedente: a primeira viagem terminou com desterro de Dion; na

segunda, Platão foi preso por Dionísio, e foi libertado por Arquitas e pelos seus amigos,

estando, então, Arquistas no governo do poderoso estado de Tarento.

Voltando para Atenas, Platão dedicou-se inteiramente à especulação metafísica, ao

ensino filosófico e à redação de suas obras, atividade que não foi interrompida a não ser

pela morte. Esta veio operar aquela libertação definitiva do cárcere do corpo, da qual a

filosofia – como lemos no Fédon – não é senão uma assídua preparação e realização no

tempo. Morreu grande Platão em 348 ou 347 a.C., com oitenta anos de idade.

Platão é o primeiro filósofo antigo de quem possuímos as obras completas. Dos 36

diálogos, porém, que correm sob o seu nome, muitos são apócrifos, outros de

autenticidade duvidosa.

As formas dos escritos platônicos é o diálogo, transição espontânea entre o

ensinamento oral e fragmentário de Sócrates e o método estritamente didático de

Aristóteles. No fundador da Academia, o mito e a poesia confundem-se muitas vezes com

os elementos puramente racionais do sistema. Faltam-lhe ainda o rigor, a precisão, o

método, a terminologia científica que tanto caracterizam os escritos do sábio estagirita.

A atividade literária de Platão abrange mais de cinqüenta anos da sua vida: desde

a morte de Sócrates, até a sua morte. A parte mais importante da atividade literária de

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Platão é representada pelos diálogos – em três grupos principais, segundo certas ordens

cronológicas, lógicas e formais, que representa a evolução do pensamento platônico, do

socratismo ao aristotelilimo.

A Gnosiologia (diálogo) para Platão tem uns fins práticos, morais; é a grande

ciência que resolve o problema da vida. Este fim prático realiza-se, no entanto,

intelectualmente, através da especulação, do conhecimento da ciência. Estende tal

indagação ao campo metafísico e cosmológico, isto é, a toda a realidade.

Este caráter íntimo, humano, religioso da filosofia, em Platão é tornado

especialmente vivo, angustioso, pela viva sensibilidade do filósofo em face do universal

vir-a-ser, nascer e perecer de todas as coisas; em face do mal, da desordem que se

nanifesta em especial no homem, onde o corpo é inimigo do espírito, o sentido se opõe ao

intelecto, a paixão contrasta com a razão. Assim, considera Platão o espírito humano

peregrino neste mundo e prisioneiro na caverna do corpo. Deve, pois, transpor este

mundo e libertar-se do corpo para realizar o seu fim, isto é, chegar à contemplação do

inteligível, para o qual é atraído por um amor nostálgico, pelo Eros platônico.

A gnosiologia platônica, porém, tem o caráter cientifico, filosófico. O conhecimento

sensível deve ser superado por um outro conhecimento, o conhecimento conceptual,

porquanto no conhecimento humano, como efetivamente, apresentam-se elementos que

não se podem explicar mediante a sensação. Os conhecimentos sensíveis, particulares,

mutáveis e relativos, não podem explicar os conhecimentos intelectuais, que tem por sua

característica a universalidade, a imutabilidade, o absoluto (do conceito); e ainda menos

pode o conhecimento sensível explicar o dever ser, os valores de beleza, verdade e

bondade, que estão efetivamente presentes no espírito humano, e se distinguem

diametralmente de seus opostos, fealdade, erro e mal-posição e distinção que o sentido

não pode operar por si mesmo.

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O conhecimento humano integral fica nitidamente dividido em dois graus: O sensível,

particular, mutável e relativo; e Intelectual, universal, imutáveis, absolutos, que ilumina o

primeiro conhecimento, mas que dele não se pode derivar.

Platão aprofunda-lhe a teoria e procura a relação entre o conceito e a realidade

fazendo deste problema o ponto de partida da sua filosofia.

A preocupação central de Platão consistia em perceber a relação entre aquilo que,

de um lado, é eterno e imutável, e aquilo que, de outro lado, flui, ou seja movimenta-se.

Conclui que aquilo que é eterno e imutável está no plano ideal, racional e espiritual. Já

aquilo que flui pertence ao mundo dos sentidos, dos acontecimentos, e é feita de um

material sujeito a corrosão do tempo.

Essa preocupação de Platão aparece porque ele queria provar a existência do

conhecimento verdadeiro. Partiu da constatação de que tudo aquilo que sabemos, temos

acesso pelos sentidos (visão, audição, paladar), e é feita de um material sujeito a

corrosão do tempo.

Porém ele chegou à conclusão de que o verdadeiro conhecimento é o das idéias, e

não dos sentidos, que são apenas aparências. Entretanto não se pode desprezar o

mundo dos sentidos, pois só com base nele é que podemos chegar nas idéias.

Essa divisão entre dois mundos é a marca da filosofia de Platão, para ele, o

espírito ou a alma é intelectivo (racional) e superior. O corpo é irracional (sensível) e

inferior. O corpo, com suas inclinações e paixões, contamina a pureza da alma racional,

impedindo-a de contemplar as idéias perfeitas e eternas.

Confiável é a alma imortal, onde existe a morada da razão.

Platão dava um papel importante aos exercícios físicos, atribuindo eles a qualidade de

vivificar a alma e permitir a sua concentração no contemplar das idéias, e acreditava que

a ginástica e a música permitem a superioridade do espírito sobre o corpo.

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Platão defendia a existência de um mundo ideal, perfeito e imutável.

Segundo ele, o corpo humano consistia em três partes, cabeça, peito e baixo ventre,

sendo que a razão pertence à cabeça, que inspira a sabedoria, a vontade pertence ao

peito, onde se deve mostrar a coragem, os desejos pertencem ao baixo ventre e devem

ser controlados.

Só podem governar a sociedade aqueles que tem a possibilidade de pleno uso da

razão, ou seja, o filósofo.

Platão inventou uma forma de fazer filosofia: pegou emprestado de Sócrates o

método do diálogo para expressar suas idéias, e se utilizou também da escrita onde

colocava vários personagens conversando e debatendo-se entre si.

Segundo Platão, a união da alma espiritual como os corpos são extrínsecos, até

violenta. A alma não encontra no corpo o seu complemento, o seu instrumento adequado.

Mas a alma está no corpo como num cárcere, o intelecto é impedido pelo sentido da visão

das idéias, que devem ser trabalhosamente relembradas. E diga-se o mesmo da vontade

a respeito das tendências. E, apenas mediante as mortes libertadoras, que desvencilha

para sempre a alma do corpo, o homem realiza a sua verdadeira natureza: a

contemplação intuitiva do mundo ideal.

O mundo material, o cosmos platônico, resulta da síntese de dois princípios

opostos, as idéias e a matéria. O Demiurgo plasma o caos da matéria no modelo das

idéias eternas, introduzindo no caos a alma, princípio de movimento e de ordem. O

mundo, pois, está entre o ser (idéia) e o não-ser (matéria), e é o devir ordenado, como o

adequado conhecimento sensível está entre o saber e não-saber, e é a opinião

verdadeira. Conforme a cosmologia pampsiquista platônica, haveria, antes de tudo, uma

alma do mundo e, depois, partes da alma, dependentes e inferiores, a saber, as almas

dos astros, dos homens etc.

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No seu conjunto, o mundo físico percorre uma grande evolução, um ciclo de dez

mil anos, não no sentido do progresso, mas no da decadência, terminados os quais,

chegado o grande ano do mundo, tudo recomeça de novo. É a clássica concepção grega

do eterno retorno, conexa ao clássico dualismo grego, que domina também a grande

concepção platônica.

Se analisarmos sua vida, pensamentos e obras, podemos concluir que, suas

principais contribuições para a humanidade, bem como, suas respectivas interpretações

no âmbito administrativo são:

• Separação das realidades: sensível (mundo dos reflexos, ou visível) e inteligível

(mundo das idéias, ou invisível);

• Criação de um sistema político, que adotava por base a justiça;

• Supressão da comunidade, para a criação de um Estado sem meios de

corrompê-lo;

• Planejamento e execução de um projeto;

• Normas e regimentos de uma corporação;

• Divisão de trabalho baseada na capacitação profissional e

• Dar condições favoráveis de trabalho, evitando desperdícios e possíveis frutos

nas corporações, garantindo assim, a funcionalidade das mesmas.

A aplicação da filosofia de Platão reflete sobre a educação. E nós, hoje, em nossa

reflexão, não podemos perder de vista esse legado. Sabemos que o pensamento se

desenvolveu no decorrer das diferentes épocas históricas, cada um correspondendo à

situação vivida, assim como hoje o pensamento reflete o momento presente. Na busca da

verdade não podemos prescindir da reflexão do passado, assim como no futuro não

poderão prescindir da reflexão feita no momento atual.

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Desconhecer o passado pode ter como consequência uma distorção da verdade.

E, tratando-se de Filosofia da Educação, esta seria uma atitude inadmissível. Pois é

exigência básica, para alguém se torna educador, procurar a verdade onde ela estiver.

Então, por aí, podemos dizer que a Filosofia de Platão é o mais útil de todos os

saberes de que os seres humanos são capazes. Pois, com ela, abandona-se à

ingenuidade e os preconceitos do senso comum. Busca-se compreender a significação do

mundo, da cultura, da história. Dá-se a cada um de nós e a nossa sociedade os meios

para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a

felicidade para todos. Com ela, fazemos juízos de valor. Indagamos. Questionamos.

Buscamos respostas em aberto. Apelamos à reflexão crítica. E produzimos um tipo de

saber, indo racionalmente às raízes das realidades. Por tudo isso é que fica definido que

a Filosofia de Platão é altamente benéfica para nosso curso de DIREITO que estamos

iniciando.

1.0 - Vida de Platão

Platão (428/7 - 348/7 a.C.) - Filósofo grego, um dos mais importantes pensadores

de todos os tempos. Nasceu em Atenas, no ano seguinte à morte de Péricles, filho de

Ariston e Perictione, ambos pertencentes à aristocracia ateniense. Seu verdadeiro nome

era Aristocles, sendo Platão (em grego Pláton) um apelido, significando de amplas

espaldas. Seu primeiro mestre em filosofia foi Crátilo, discípulo dos ensinamentos de

Heráclito , e propagador da tese que afirma impossível formar um conhecimento seguro

acerca da realidade. Em torno dos 20 anos, tornou-se discípulo de Sócrates. A

importância deste último para a formação do pensamento de Platão foi tão grande que

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este o incorporou como personagem central em quase todos os seus diálogos. Segundo

alguns autores, talvez Platão o tenha feito para fazer reconhecer seu ponto de partida;

isto é, para exprimir que as indagações socráticas constituem a origem de todas as

investigações platônicas.

Após a morte de Sócrates, em 399 a.C., Platão realizou inúmeras viagens,

travando contato com importantes filósofos e escolas de pensamento suas

contemporâneas. Em Megara, travou contato com Euclides e sua escola; no Egito, Sicília

e Magna Grécia, aprofundou seus conhecimentos através do contato com a sabedoria

egípcia e os ensinamentos eleáticos e pitagóricos, este último especialmente através do

encontro com Arquitas de Tarento. De passagem por Siracusa, ligou-se a Díon e Dionísio,

tirano de Siracusa; estas duas personagens desempenharam papel fundamental na

posterior vida política de Platão. De volta a Atenas, fundou, em 387, a Academia,

passando a dedicar-se ao ensino e à composição de sua obra filosófica.

Com a morte de Dionísio I, Díon teria chamado Platão de volta a Siracusa, para

aconselhar e encaminhar politicamente o novo tirano, Dinísio II, a quem Platão deixou sob

a tutela de Arquitas de Tarento. Posteriormente, o filósofo teria retornado ainda uma vez a

esta cidade, a pedido de Arquitas e do novo tirano. Ao que se sabe, Díon teria sido banido

de Siracusa, por opor-se ao governo de Dionísio. Esta última viagem veria malograr a

incursão platônica no campo da política. Além de não conseguir reaproximar Díon e o

tirano, nem fazer este último ingressar no estudo da filosofia, Platão ainda se veria retido

em Siracusa, só conseguindo deixar a cidade graças à interferência de seus amigos de

Tarento junto a Dionísio. Após seu regresso a Atenas, Platão dedicou-se exclusivamente

à Academia e à escrita de seus textos. Faleceu aos 80 anos, deixando a direção da

Academia a seu sobrinho Espeusipo.

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2.0 - Etapas de composição

Discípulo de Sócrates, aceitou sua filosofia e sua forma dialética de debate. Seus

escritos, em forma de diálogos, podem ser divididos em três etapas de composição. A

primeira representa o desejo de divulgar a filosofia e o estilo dialético de Sócrates. As

segunda e terceira, compostas pelos diálogos dos períodos intermediário e final de sua

vida, refletem sua própria evolução filosófica, expondo já suas próprias idéias.

O eixo de sua filosofia é sua teoria das formas ou das idéias. Sob esta perspectiva,

devem ser entendidas sua idéia do conhecimento, sua teoria ética, sua psicologia e seu

conceito de Estado. Platão, também, distingue entre dois níveis de saber: a opinião e o

conhecimento. O ponto alto do saber é o conhecimento, porque concerne à razão, e não à

experiência. A razão, utilizada de forma adequada, leva a idéias que são corretas, e os

objetos dessas idéias racionais são os universais verdadeiros, as formas eternas ou

substâncias que constituem o mundo real. Influenciado por Sócrates, estava persuadido

de que se pode chegar ao conhecimento, teoria que expõe em A República, mais

particularmente em sua discussão sobre a imagem da linha divisível e o mito da caverna.

Nesta obra, sua maior obra política, trata da questão da justiça. O Estado ideal se

compõe de três classes: os comerciantes, os militares e os reis-filósofos. Cada classe

está associada a uma das virtudes tradicionais gregas: a temperança, o valor e a

sabedoria. A justiça, que é a quarta virtude, caracteriza a sociedade como um todo. O

sistema educacional ideal de Platão está estruturado visando a produzir filósofos-reis.

Usou para a análise da alma humana um esquema semelhante: a racionalidade, a

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vontade e os apetites. Uma pessoa justa é aquela cujo elemento racional, com ajuda da

vontade, controla os desejos.

Sua teoria ética repousa na suposição de que a virtude é conhecimento e que este

pode ser aprendido. Esta doutrina também deve ser compreendida no âmbito de sua

teoria das idéias.

A influência de Platão através da história da filosofia foi enorme. O neoplatonismo

foi um importante desenvolvimento posterior de suas idéias, que tiveram papel

fundamental no desenvolvimento do cristianismo e no pensamento islâmico medieval.

Durante o Renascimento, o primeiro centro de influência platônica foi a Academia

Florentina, fundada no século XV, próximo a Florença. Sob a direção de Marsilio Ficino,

os membros da Academia estudaram Platão em grego antigo. Na Inglaterra, o platonismo

foi recuperado no século XVII, pela escola de Cambridge. Sua filosofia também

influenciou pensadores do século XX, como Alfred North Whitehead.

3.0 - Idealismo

Teoria da realidade e do conhecimento que, na estrutura do mundo percebido,

atribui um papel-chave à mente. Em sua forma mais radical e combatida, equivale ao

solipsismo, doutrina na qual a realidade é derivada da atividade da mente e nada existe

fora da própria pessoa. Os idealistas reconhecem o mundo externo e evitam afirmar que

este pode se reduzir ao mero fato de pensar. Para eles, a mente atua e é capaz de fazer

existir coisas que, de outro modo, não seriam possíveis, como a arte ou a matemática. Os

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idealistas são mais radicais, ao afirmarem que objetos percebidos por uma pessoa são

afetados, até certo ponto, pela atividade mental. Ao longo da história da filosofia podem-

se distinguir diferentes aplicações e definições idealistas formuladas, entre outros, por

Platão, George Berkeley, Immanuel Kant e Georg Wilhelm Friedrich Hegel.

4.0 - Obras

A obra de Platão foi escrita na forma de diálogos, com exceção da Apologia de

Sócrates. Um dos sinais do prestígio do filósofo é o fato de seus textos terem sido

conservados na totalidade. Entretanto, foram-lhe atribuídos diversos escritos que hoje são

considerados espúrios. Conquanto não exista unanimidade total entre os especialistas, o

emprego de critérios estilísticos e conceituais -- em particular os referentes à evolução do

pensamento platônico -- permitiu estabelecer, em linhas gerais, uma ordenação de seu

trabalho na seguinte ordem cronológica:

(1) Diálogos socráticos ou de juventude: nos quais a figura e a doutrina de Sócrates

ocupam lugar de destaque: Apologia de Sócrates, Protágoras, Trasímaco, Críton, Íon,

Laques, Lísis, Cármide, Eutífron e os dois Hípias, embora a autenticidade do Hípias maior

seja discutida por alguns autores.

(2) Diálogos construtivos ou da maturidade: Górgias, Ménon, Eutidemo, Crátilo,

Menéxeno (nem sempre aceito), O banquete, A república, Fédon e Fedro. Nos quatro

últimos, a teoria das idéias aparece exposta em sua forma mais característica.

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(3) Diálogos tardios: grupo que, iniciado com Teeteto, inclui os escritos elaborados

durante a velhice de Platão e nos quais ele faz a revisão crítica da teoria das idéias:

Parmênides, Sofista, Filebo, Político, Timeu, Crítias e as leis.

Além dos textos, há uma série de cartas, das quais duas são tidas como autênticas.

Seus livros mais conhecidos são Apologia de Sócrates, em que retoma as teorias do

mestre; O Banquete, em que expõe de forma poética a dialética do amor; e A República,

que sintetiza toda a sua filosofia sobre a organização da cidade, a política, a dialética e a

questão da imortalidade da alma.

As Idéias:

O sistema metafísico de Platão centraliza-se e culmina no mundo divino das idéias;

e estas contrapõe-se a matéria obscura e incriada. Entre as idéias e a matéria estão o

Demiurgo e as almas, através de que desce das idéias à matéria aquilo de racionalidade

que nesta matéria aparece.

O divino platônico é representado pelo mundo das idéias e especialmente pela

idéia do Bem, que está no vértice. A existência desse mundo ideal seria provada pela

necessidade de estabelecer uma base ontológica, um objeto adequado ao conhecimento

conceptual. Esse conhecimento, aliás, se impõe ao lado e acima do conhecimento

sensível, para poder explicar verdadeiramente o conhecimento humano na sua efetiva

realidade. E, em geral, o mundo ideal é provado pela necessidade de justificar os valores,

o dever ser, de que este nosso mundo imperfeito participa e a que aspira.

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Visto serem as idéias conceitos personalizados, transferidos da ordem lógica à

ontológica, terão conseqüentemente as características dos próprios conceitos:

transcenderão a experiência, serão universais, imutáveis. Além disso, as idéias terão

aquela mesma ordem lógica dos conceitos, que se obtém mediante a divisão e a

classificação, isto é, são ordenadas em sistema hierárquico, estando no vértice a idéia do

Bem, que é papel da dialética (lógica real, ontológica) esclarecer. Como a multiplicidade

dos indivíduos é unificada nas idéias respectivas, assim a multiplicidade das idéias é

unificada na idéia do Bem. Logo, a idéia do Bem, no sistema platônico, é a realidade

suprema, donde dependem todas as demais idéias, e todos os valores (éticos, lógicos e

estéticos) que se manifestam no mundo sensível; é o ser sem o qual não se explica o vir-

a-ser. Portanto, deveria representar o verdadeiro Deus platônico. No entanto, para ser

verdadeiramente tal, falta-lhe a personalidade e a atividade criadora. Desta personalidade

e atividade criadora - ou, melhor, ordenadora - é, pelo contrário, dotado o Demiurgo o

qual, embora superior à matéria, é inferior às idéias, de cujo modelo se serve para

ordenar a matéria e transformar o caos em cosmos.

1.0 - Teoria das idéias

Conhecimento e metafísica. Como primeiro passo para sua metafísica, Platão

julgou indispensável elaborar uma teoria do conhecimento. O problema com o qual ele se

defrontou foi o problema do ser. Uma vez que os sentidos nos revelam as coisas como

múltiplas e mutáveis, ao passo que a inteligência nos revela sua unidade e permanência,

procurou uma solução que conciliasse o testemunho dos sentidos e as exigências do

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conhecimento intelectual. Baseou-se nos conceitos matemáticos e nas noções éticas para

demonstrar que a essência real e eterna das coisas existe. Usou como argumento a

possibilidade de pensar figuras geométricas puras, que não existem no mundo físico. Da

mesma forma, todo homem tem as noções de bem e justiça, por exemplo, que não têm

correspondente no mundo sensível. Concluiu pela existência de um mundo de essências

imutáveis e perfeitas, as idéias arquetípicas. Estas constituiriam a realidade inteligível --

objeto de conhecimento científico ou epistemológico --, cujas leis o mundo sensível --

objeto de opinião -- reproduziria de forma imperfeita. O homem, por ter corpo e alma,

pertenceria simultaneamente a esses dois mundos.

Na hierarquia das idéias, situa-se no topo a idéia do bem, da qual participam as

demais. Logo abaixo estão as idéias de beleza, verdade e simetria e, em plano inferior, os

valores éticos e os conceitos matemáticos. Além disso, cada classe de ser existente no

mundo sensível possui sua forma ideal: homem, cachorro, casa etc. A relação entre os

diferentes seres que constituem uma classe e seu arquétipo, por exemplo, entre um

homem e a idéia de homem, se explica pelo fato de serem os objetos sensíveis cópias ou

imitações da idéia perfeita.

TEORIA DAS IDÉIAS

Sócrates mostrara no conceito o verdadeiro objeto da ciência. Platão aprofunda-lhe

a teoria e procura determinar a relação entre o conceito e a realidade fazendo deste

problema o ponto de partida da sua filosofia.

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A ciência é objetiva; ao conhecimento certo deve corresponder a realidade. Ora, de

um lado, os nossos conceitos são universais, necessários, imutáveis e eternos (Sócrates),

do outro, tudo no mundo é individual, contigente e transitório (Heráclito). Deve, logo,

existir, além do fenomenal, um outro mundo de realidades, objetivamente dotadas dos

mesmos atributos dos conceitos subjetivos que as representam. Estas realidades

chamam-seIdéias. As idéias não são, pois, no sentido platônico, representações

intelectuais, formas abstratas do pensamento, são realidades objetivas, modelos e

arquétipos eternos de que as coisas visíveis são cópias imperfeitas e fugazes. Assim a

idéia de homem é o homem abstrato perfeito e universal de que os indivíduos humanos

são imitações transitórias e defeituosas.

Todas as idéias existem num mundo separado, o mundo dos inteligíveis, situado na

esfera celeste. A certeza da sua existência funda-a Platão na necessidade de salvar o

valor objetivo dos nossos conhecimentos e na importância de explicar os atributos do ente

de Parmênides , sem, com ele, negar a existência do fieri. Tal a célebre teoria das idéias,

alma de toda filosofia platônica, centro em torno do qual gravita todo o seu sistema.

A realidade das idéias:

A realidade inteligível será perfeita, imutável, situada para além da mudança, da

decadência e da morte. Não é acessível a qualquer um, mas apenas àquele que estiver

disposto a se desligar dos sentidos, a cultivar a inteligência, e a ascender assim os

diversos graus da realidade até atingir a perfeição. Não é algo que esteja reservado a um

bruto qualquer. A alma humana, por oposição ao corpo, tem natureza inteligível, mas por

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isso mesmo são possíveis para o homem dois caminhos: um ascendente, quando é a

alma a dominar o corpo, e outro descendente, quando é o corpo que domina a alma. No

ponto mais alto da subida está o bem e o belo absolutos, a mais perfeita realidade; no

ponto mais baixo da descida está o nada (cf. A alegoria da caverna - vide abaixo -, onde

Platão retrata, de forma simbólica a existência dos dois mundos e a posição do filósofo e

do homem comum face aos mesmos).

A reflexão de Platão teve um alcance considerável. A distinção mundo sensível -

mundo inteligível está na base de outra distinção fundamental para a ciência ocidental: a

aparência ou fenômeno e a verdadeira realidade ou coisa em si: "só é possível fazer

ciência quando não nos contentarmos com as primeiras aparências que

freqüentemente nos enganam". Nesse sentido é verdade dizer-se, como já fizemos

notar, que a ciência procura sempre "essências": o que é a matéria, a luz, a vida, etc.?

Hoje, precisamente como no tempo de Platão e de Aristóteles, fazer ciência consiste em

inserir na maleável carne do dado sensível a armadura de ferro de um esquema

inteligível".

O platonismo tornou-se além disso o fundamento de todos os idealismos que

apareceram ao longo da história da civilização ocidental. É ainda Platão, com a sua

crença numa realidade superior, que continua a falar-nos pela voz do poeta: "Se não

encontras a alegria nesta terra, procura-a irmão para além das estrelas".

Aquilo que Platão nos legou tem sido objeto das mais variadas avaliações e

interpretações, mas por isso mesmo merece da parte de cada um de nós uma análise

cuidadosa. Um dos fatos essenciais, é que não existe propriamente uma doutrina

platônica definida em todos os seus pormenores. Aquilo que os livros escritos por Platão,

os diálogos, retratam, é antes uma procura constante da verdade, com avanços, mas

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também com retrocessos e oscilações. A sua chave é constituída pela chamada teoria

das idéias, mas Platão é o primeiro e talvez o mais eficaz crítico da mesma, não

escamoteando as suas dificuldades.

As Almas:

A alma, assim como o Demiurgo, desempenha papel de mediador entre as idéias e

a matéria, à qual comunica o movimento e a vida, a ordem e a harmonia, em dependência

de uma ação do Demiurgo sobre a alma. Assim, deveria ser, tanto no homem como nos

outros seres, porquanto Platão é um pampsiquista, quer dizer, anima toda a realidade.

Ele, todavia, dá à alma humana um lugar e um tratamento à parte, de superioridade, em

vista dos seus impelentes interesses morais e ascéticos, religiosos e místicos. Assim é

que considera ele a alma humana como um ser eterno (coeterno às idéias, ao Demiurgo e

à matéria), de natureza espiritual, inteligível, caído no mundo material como que por

Segundo Platão, a alma é anterior ao corpo, e antes de aprisionar-se nele, pertenceu ao

mundo das idéias. Sua natureza é tripartida: no nível inferior, está a alma sensível,

morada dos desejos e das paixões, à qual corresponde a virtude da moderação ou

temperança; vem em seguida a alma irascível, que impele à ação e ao valor; sobre elas

está a alma racional, que pertence à ordem inteligível e permite ao homem recordar sua

existência anterior (teoria da reminiscência) e aceder ao mundo das idéias, mediante o

cultivo da filosofia. A alma superior é imortal e retornará à esfera das idéias após a morte

do corpo. Tais faculdades ou capacidades da alma se relacionam harmoniosamente por

meio da virtude mais importante-- o sentimento de justiça -- e constituem aspectos de

uma única e mesma realidade.

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Duas interpretações:

A título de exemplo, e para motivar a reflexão, apresentaremos, para concluir, duas

interpretações de algum modo opostas do pensamento platônico:

a) - Uma delas deriva de Nietzsche: afirma que a filosofia platônica representa a negação

da vida e da diferença, que sob o reino igualitário da razão aquilo que ela visa impor é o

Nada.

b) - A outra torna Platão um dos últimos representante de uma forma de ser mais

autêntica, em que o viver e a percepção do homem não estavam limitados ao mundo

material, mas abarcavam a experiência de outras dimensões da realidade.

Na origem da filosofia, o problema da realidade foi colocado na forma de uma

oposição radical, que pode ser vista de duas perspectivas:

Tentando explicitar melhor, a experiência mostra-nos um mundo cheio de

realidades diferentes, em constante transformação, mas a razão exige uma certa

coerência para compreendê-lo, e para isso busca uma realidade una e permanente por

detrás da multiplicidade e do devir. O ser humano no seu esforço por compreender o

mundo vê-se confrontado por esta oposição entre a evidência da experiência e a

exigência da razão.

Ao longo da história da filosofia, as diversas teorias adotadas pelos filósofos irão

refletir esta dicotomia inicial, sendo que os pontos de referência básicos, ou paradigmas,

serão sempre as posições de Heraclito e Parménides: um, representando a valorização

26
do devir, da transformação das coisas umas nas outras; o outro, a defesa intransigente da

unidade e imutabilidade do ser.

O MUNDO INTELIGÍVEL:

Mais do que afirmar a existência de duas realidades separadas por um abismo

intransponível, Platão defende realmente uma realidade disposta em vários degraus,

desde o nada, ou não ser, até aquilo que está para além do ser, o Bem ou o Belo. O

Amor, ou Eros, seria aquela dinâmica capaz de levar o homem a subir a escala do ser,

como tão bem transmite os item a, b e c, a seguir:

a) - Da beleza física:

É, pois, necessário que aquele que empreende o reto caminho para este fim

comece desde a infância a procurar a beleza dos corpos; e, se o seu guia o orientar como

deve, há de primeiro amar a beleza de um único corpo, logo começando a gerar belos

discursos; em seguida, apercebendo-se de que a beleza deste e daquele corpo é irmã da

que reside em outros corpos, e dado que, através da forma física, é necessariamente o

Belo que persegue, muito insensato seria, se não julgasse uma e a mesma coisa a beleza

de todos os corpos! Convencido desta verdade, votar-se-á então ao amor de todos os

corpos belos e libertar-se-á do excesso que o prendia àquele único, relegando-o como

coisa de baixo valor; porém, logo em seguida há de considerar mais preciosa a beleza

das almas do que a beleza física, de tal sorte que uma alma dotada de qualidades,

mesmo num corpo sem atrativos, será suficiente para lhe inspirar amor e interesse, não

só gerando discursos de igual merecimento, mas também preocupando-se com aqueles

que tornam melhores os jovens e por onde eles possam ser levados a admirar a beleza

27
dos hábitos e das leis e a reconhecer em tudo isto a mesma origem; deste modo, pouco

crédito dará à beleza física.

b) - das ciências:

Depois dos hábitos, é para as ciências que importa ao jovem ser dirigido, a fim de

apreender, por sua vez, a beleza destas, contemplando o Belo na sua imensidade, não já

com os olhos do escravo que, preso a uma forma particular de beleza (...), se torna, em

sua servidão, mesquinho e aviltante; mas, pelo contrário, voltando-se e contemplando o

oceano sem fim do Belo, poderá dar à luz uma profusão de discursos belos e magníficos

e de pensamentos nascidos na sua profunda aspiração pelo saber, até que, já pleno de

força e grandeza, descubra, enfim, a existência de um conhecimento único, que vem a ser

o deste mesmo Belo.

c) – da beleza inteligível:

Tenta agora - prosseguiu - prestar a maior atenção que te for possível. Aquele que

até aqui foi orientado nos mistérios do Amor, contemplando as coisas belas na sua ordem

correta e progressiva, já quase no termo da iniciação amorosa, avistará de súbito um

espetáculo surpreendente - a natureza do Belo, desse mesmo Belo, ó Sócrates, que era o

alvo de todos os esforços passados!

Uma natureza eterna, antes de mais, que não nasce nem morre, não cresce nem

murcha; e, em segundo lugar, que não é bela neste ponto e feia naquele, ou bela num

momento e noutro já não, ou em determinada perspectiva, bela e feia noutra, nem bela

aqui, feia acolá, de modo que uns lhe achem beleza e outros não. Mais ainda, esse Belo

não se lhe representará sob forma de rosto, de mãos, do que quer que pertença a um

corpo, nem sob forma de palavra ou conhecimento, nem, por exemplo, em qualquer outro

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Ser vivo da terra ou do céu ou de qualquer outro sítio, mas, ao contrário, mostrar-se-lhe-á

por si e em si, como natureza simples e eterna, da qual participam todas as outras coisas

belas, por um processo tal que a geração e destruição dos outros seres em nada a

aumentam ou diminuem, e em nenhum aspecto a afetam.

FILOSOFIA MEDIEVAL

A figura de Agostinho de Hipona é apresentada como um dos últimos

representantes da Antigüidade e por outros como o primeiro representante da tradição

medieval.

Interessa-nos identificar que a obra de Santo Agostinho é o resultado de uma

sistematização que foi muito útil para a afirmação dos ensinamentos do Cristianismo,

combatendo os céticos, e retomando parte da elaboração platônica, sem contudo ser ele

mesmo um platônico.

O período da Filosofia medieval foi marcado pela instauração dos debates, as

disputas como o choque entre Nominalistas e Universalistas. Houve uma separação dos

saberes e dois campos de conhecimento: a Teologia, que investigava sobre as questões

relativas a Deus, vista como superior; e a filosofia, que abrangia todos os outros saberes,

inclusive, inclusive as investigações sobre natureza, fazendo com que a filosofia fosse

nome dado a um grande número de saberes.

Outro grande nome da Filosofia medieval foi o de Tomás de Aquino, um dos

responsáveis pela cristianização do pensamento aristotélico e pela modernização das

teorias do mundo cristão. A apropriação de conceitos como “motor primeiro imóvel” e a

clareza da demonstração tomista em que é exposta uma tese, seguida dos argumentos

favoráveis e contrários e a refutação desses últimos, indicava a capacidade do mestre em

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organizar os argumentos e realizar as sínteses da sua religião e também da obra de

Aristóteles.

A definição etimológica da palavra Filosofia (philo: amor; Sophia: sabedoria) remete

à idéia de amor ao saber, mas não explicita a complexidade deste conceito.

Ao longo dos tempos tivemos diversos significados sobre o que seria a filosofia.

Muitas vezes ela foi apresentada como o instrumento do conhecimento que superasse

explicações anteriores sobre a natureza, os homens, as sociedades, o conhecimento, a

moral, a beleza – enfim, sobre todas as atividades humanas.

Em outros instantes, sem que isso significasse uma sucessão temporal, ela foi

profundamente desprezada e posta à margem, por ser tida como especulativa e pouco

prática.

No entanto, qualquer que seja a visão que se tenha sobre a Filosofia, a noção de

racionalidade como instrumento do conhecimento sempre esteve relacionada a ela e o

“amor à sabedoria” dos primeiros filósofos tornou-se um campo de saber marcado por

elaborações conceituais rigorosas e sistemáticas, que impulsionaram e impulsionam

vários debates entre as diversas correntes e teorias filosóficas.

A proposta deste trabalho não é recuperar a história do conceito, mas realçar

alguns aspectos como temas, atitudes, características, periodizações da Filosofia e

oferecer algumas contribuições para o ensino de Filosofia.

Este trabalho tem como objetivo relatar e apresentar, em síntese, a vida e as obras

do filósofo estagirita – Platão - , cujos interesse pelos assuntos políticos decorria, em

parte, de circunstâncias de sua vida; mas era também uma atitude compreensível num

grego de seu tempo. Filho de Ariston e de Perictione, Platão pertencia a tradicionais

famílias de Atenas e estava ligado, sobretudo pelo lado materno, a figuras eminentes do

mundo político. Sua mãe descendia de Sólon, o grande legislador, e era irmã de

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Cármides e prima de Crítias, dois dos Trinta Tiranos que dominaram a cidade, Atenas,

durante algum tempo. A vida de Platão transcorreu entre a fase áurea da democracia

ateniense e o final do período helênico: sua obra filosófica representará, em vários

aspectos, a expansão de um pensamento alimentado pelo clima de liberdade e de apogeu

político.

350 - 900 DC. Agostinho foi a linha de separação entre a especulação patrística e

escolástica. Agostinho o maior de todos os pais latinos da igreja e não houve igual

filosofo, teólogo desde Paulo até Tomás de aquino. Além dele temos Boethius como um

dos principais filósofos deste período. Jonhn Scotus Erigena foi precursor do

escolasticismo. Entre 800 - 877 DC

Santo Agostinho (354-430). O cristianismo estava consolidado nessa época:

embora tivesse apenas quatrocentos anos, era considerado a verdade irrefutável. Apesar

disso, Santo Agostinho, que nasceu no norte da África, numa cidade chamada Tagarte,

nem sempre foi cristão. Fez os primeiros estudos na cidade natal e ,com a ajuda de um

amigo foi para Cartago, aos dezesseis anos, completar os estudos superiores. Não foi um

bom aluno. Na juventude, detestava estudar grego. Interessa-se pôr filosofia ao ler uma

obra de Cícero. Quando criança era cristão, mas depois interessou-se pôr outras

religiões, como a dos maniqueus, que formavam uma seita, e dividiam o mundo entre o

bem e o mal, trevas e luz, espírito e matéria.

Com o seu espírito o homem pode transcender a matéria, para os maniqueístas. O

maniqueísmo contém uma visão dualista radical, bem e mal são tomados como princípios

absolutos. Posteriormente, Agostinho combateu essa doutrina, que foi criada pôr Manes.

De início ele recusava a ler a Bíblia, pôr considerá-la vulgar. Teve um caso de amor,

interessava-se pôr questões mundanas e nasceu um filho, falecido ainda adolescente.

Com vinte anos, perdeu o pai e ficou sendo o responsável pelo sustento de duas famílias.

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Foi professor de retórica em Cartago, mas depois mudou-se para Roma. Sua mãe foi

contra a mudança e Agostinho teve de enganá-la na hora da viagem. De Roma foi para

Milão, onde foi novamente professor de retórica. Foi influenciado pelos estóicos, pôr

Platão e o neoplatonismo, também estava entre os adeptos do ceticismo. Abandonou o

maniqueísmo, que critica. Converteu-se então à fé cristã, depois de conhecer a palavra do

apóstolo Paulo, e batizou-se aos trinta e dois anos de idade. Desistiu do cargo de

professor. Voltou a Tagaste onde funda uma comunidade monástica, disposto a

fundamentar racionalmente a fé, como foi comum na Idade Média. Mostrou que sem a fé

a razão não é capaz de levar para a felicidade. A razão, para Agostinho serve de auxiliar

da fé, esclarecendo e tornando inteligível aquilo que intuímos. Ele tinha tomado contato

com o pensamento neoplatônico de que a natureza humano contém parte da essência

divina. Demonstra que há limites para a racionalidade, receberemos um saber que está

além do natural. Com o cristianismo uma luz inundou seu coração, sua alma encontrou a

paz. Virou vigário aos trinta e seis anos, praticando a vida ascética.

Santo Agostinho escreveu Contra os Acadêmicos e expôs a teoria de que os

sentidos dizem algo verdadeiro. O erro provém do juízo que fazemos das sensações, e

não delas próprias. A sensação não é falsa, o que é falso é querer ver nelas uma verdade

externa ao próprio sujeito. Virou Bispo de Hipona.

Agostinho ficou conhecido pôr "cristianizar" Platão, fazendo vários paralelos entre a

parte espiritualista dele (que diz existir um mundo transcendente) e as sagradas

escrituras. Faz a distinção entre o corpo, sujeito à sorte do mundo e a alma, que é

atemporal., com a qual se pode conhecer Deus. Antes de Deus ter criado o mundo a partir

do nada as Idéias eternas já existiam na sua mente. Deus é bondade pura. Ele já conhece

o que uma pessoa vai viver antes dela viver. Assim apesar da humanidade ter sido

amaldiçoada depois do pecado original, alguns alcançarão a verdade divina, a salvação.

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Isso depende do uso que fazemos do livre arbítrio, a faculdade que o indivíduo tem de

determinar de acordo com a sua própria consciência a sua conduta, livre da Divina

Providência enquanto está vivo. Seria o ato livre de decisão, de opção. Durante um

diálogo, Agostinho chega a conclusão que o mal não provém de Deus, mas sim do mau

uso do livre arbítrio. De fato ,para ele não existe mal, apenas a ausência de Deus. (com

isso ele refuta de vez a doutrina dos maniqueus) Essa teoria encontra-se no livro O livre

arbítrio.

Com uma vida errada, a alma fica presa ao corpo, porém a relação correta é a

inversa. Os órgãos sensoriais sentem a ação dos elementos exteriores, a alma não. Deus

é a fonte dos conhecimentos perfeitos e não o homem. A experiência mística leva à

iluminação divina. Assim se chega às verdades eternas, e o intelecto então é capaz de

pensar corretamente a ordem natural divina. A unidade divina é plena e viva, e guarda a

multiplicidade. O amor de Deus é infinito. A graça e a liberdade complementam-se.

Na obra a Cidade de Deus, Agostinho faz oposição entre sensível e inteligível,

alma e corpo, espírito e matéria, bem e mal e ser e não ser. Acrescenta a história à

filosofia, interpretando a história da humanidade como o conflito entre a Cidade de Deus,

inspirada no amor à Deus e nos valores que Cristo pregou, presentes na Igreja, e a

Cidade humana, baseada nos valores imediatos e mundanos. Essas cidades estariam

presentes na alma humana, e no final a Cidade de Deus triunfaria. Outra obra importante

são as Confissões, que é autobiográfica. Essa obra faz dele um precursor de Descartes,

Rousseau e o existencialismo. Acredita na verdade contida nos números, que fazem parte

da natureza.

Santo Anselmo- (1033-1109) nasceu em Aosta na Itália, filho de um nobre

Gondolfo, e de uma mãe rica, Ermenberga. Seguiu a carreira religiosa, fez estudos

clássicos e escreveu sempre em latim. Foi eleito prior em 1063, porque tinha muita

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inteligência e piedade. Sua biografia nos é contada pelo seu discípulo, Eadmero. Foi

comum na Idade Média os religiosos buscavam o apoio da fé na razão. Anselmo escreveu

uma obra sobre esse assunto. É considerado um dos iniciadores da tradição escolástica.

Buscava um argumento para provar a existência de Deus, e sua bondade suprema. Fala

que a crença e a fé correspondem à verdade, e que existe verdadeiramente um ser do

qual não é possível pensar nada maior. Ele não existe apenas na inteligência, mas

também na realidade. Anselmo desenvolveu uma linha de pensamento sobre essas

bases, chamados de argumento ontológico, que foi retomada por Descartes e criticada

por Kant, e ela estava numa obra chamada Proslógio. Parte do fato de que o homem

encontra no mundo muitas coisas, algumas boas, que procedem de um bem absoluto,

que é necessariamente existente. Todas as coisas tem uma causa, menos o ser incriado,

que é a causa de si mesmo e fundamenta todos os outros seres. Esse ser é Deus. Seus

argumentos não foram totalmente aceitos. Anselmo chegou a arcebispo da Cantuária em

1093. Escreveu outras obras importantes, Da Gramática e A Verdade, latim. Recebeu

doações de terras para a igreja, mas brigou com Guilherme, o ruivo, rei da Inglaterra pois

não queria fazer comércio com os bens da Igreja. Isso foi considerado um desrespeito ao

poder Real, e Guilherme impediu Anselmo de Viajar para Roma, desafiando o poder da

Igreja.

Num dos seus primeiros livros, Monológico, em que apresenta sua visão de Deus,

Anselmo fala que a essência suprema existe em todas as coisas e tudo depende dela.

Reconhece nela onipotência, onipresença, máxima sabedoria e bondade suprema. Ela

criou tudo a partir do nada. Anselmo procurava desenvolver um raciocínio evolutivo sobre

o que considerava ser a verdade, que estava contida na Bíblia. Para Anselmo, o

pensamento tem algo de divino, e Deus tem uma razão. Sua palavra é sua essência, e

Ele é pura essência (essa noção não é nova) infinito, sem começo nem fim, pois nada

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existiu antes da essência divina e nada existirá depois. Para ela o presente, o passado e

o futuro são juntos ao tempo, são uma coisa só. E Ela é imutável, uma substância,

embora seja diferente da substância das outras criaturas. Existe de uma maneira simples

e não pode ser comparado com a consciência das criaturas, pois é perfeito e maravilhoso

e tem todas as qualidades já citadas. O verbo e o espírito supremo são uma coisa só, pois

este usa o verbo consubstancial para expressar-se. Mas a maneira intrínseca que o

espírito supremo se expressa e conhece as coisas é incogniscível para nós. O verbo

procede de Deus por nascimento, e o pai passa a sua essência para o filho. O espírito

ama a si mesmo, e transmite esse amor.

Para Anselmo, a alma humana é imortal, e as criaturas seriam felizes e infelizes

eternamente. Mas nenhuma alma é privada do bem do Ser supremo, e deve buscá-lo,

através da fé. E Deus é uno. Para se contemplá-lo devemos nos afastar dos problemas e

preocupações cotidianos e buscá-lo. Ele é onipotente embora não possa coisas como

morrer ou mentir. É piedoso, em parte por ser impassível, o que não o impede de exercer

sua justiça, pois ele pensa e é vivo. Anselmo fala muito da crença divina do Pai, do filho e

do espírito humano. Grandes coisas esperam por aquele que aceitar Deus e buscá-lo.

Santo Anselmo influenciou muito o pensamento teológico posterior.

São Tomás de Aquino- (1227-1274) nasceu em um castelo próximo à cidade de

Aquino, Itália, de uma família nobre. Entrou cedo para a ordem Dominicana. Não se sabe

com precisão os acontecimentos da sua vida. As universidades surgem no século XII, e

elas começam a ter forte atuação e influência. Cria-se um ambiente cultural, nas capitais,

em que irão atuar Alberto Magno e seu discípulo, São Tomás de Aquino. Há uma

miscigenação cultural, pois os Sábios da Arábia vem para a Europa. São Tomás de

Aquino entrou para a universidade de Nápoles, onde estudou filosofia. Sabia, falava e

escrevia em latim fluentemente.

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Escreveu um opúsculo quando ainda era jovem, O ente e a Essência, entre os

anos de 1252 e 1253. Aborda questões metafísicas, explicando o percurso da consciência

humana entre a sensação e a concepção . Diz, o que cai imediatamente no alcance do

saber humano é composto. O homem se eleva do composto ao simples, do posterior ao

anterior. A essência existe no intelecto. A substância composta é matéria e forma. A

forma e matéria, quando tomadas em si, ou seja sem o aparato do entendimento racional

considerando-as, é incognoscível, mas existem caminhos para a investigação das

possibilidades. O intelecto quando está isento da materialidade, desvela que nada pode

ser mais perfeito do que aquilo que confere o ser. São Tomás é famoso por ter

cristianizado Aristóteles, à semelhança do que fez Agostinho com Platão, ele transformou

o pensamento desse sábio num padrão aceitável pela igreja católica, Apesar de

Aristóteles não ter conhecido a revelação cristã, como diz Tomás, e de sua obra ser

original, autônoma e independente de dogmas, ele está em harmonia com o saber contido

na Bíblia. E Tomás aplica o pensamento de Aristóteles na teologia. No Ente e a Essência,

ele comenta obras como a Física e a Metafísica. E as observações sobre Aristóteles vão

permanecer em todas as suas obras. Além dessa influência podemos citar os padres da

Igreja, o pseudo-dioníseo (mais cultura grega), Boécio e os árabes e judeus como

influência. Tomás de Aquino afirma que podemos conhecer Deus pelos seus efeitos, ele é

o último em uma escala evolutiva, a causa de todas as coisas. Antes de Deus vem os

anjos, e antes desses, os homens. Ele comenta o gênero e a espécie, que pertencem à

essência, pois o todo está no indivíduo.

A essência tem dois modos, um é dela própria, nada é verdadeiramente dela,

senão o que lhe cabe como ela própria. Por exemplo o homem, por ser homem, será

sempre racional. Mas o branco e o preto não são noções exclusivas da humanidade.

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No outro modo, algo se predica da essência, por acidente daquilo que é específico,

como o homem ser de cor branca. As formas são inteligidas na medida em que estão

separadas da matéria e suas condições. A diferença da essência da substância

compostas e simples é que a composta é forma e matéria, e a simples é apenas forma. A

inteligência possui potência e ato.

Santo Tomás de Aquino é mais um que fala (como o fez mais tarde Espinosa) que

a essência de Deus é o seu próprio ser.

Concluindo, ele diz que há essência nas substâncias e nos acidentes.

Então virou professor e foi para Paris, onde escreve comentários sobre a Bíblia.

Nessa cidade passa a vida, foi onde escreveu as duas Sumas que compõe a sua obra: A

Suma contra os gentios e a Suma teológica, mais diversos opúsculos. São obras

teológicas, com muitos aspectos filosóficos. Santo Tomás afirma que o homem possui

uma capacidade, passada por Deus, de distinguir naturalmente o certo e o errado. Ele

não tinha uma visão muito positiva da mulher, como Aristóteles, que dizia ser o homem

ativo ,criativo e doador de energia vital na concepção, enquanto a mulher é receptora e

passiva. Ele achava que isso estava de acordo com a afirmação da Bíblia que a mulher

deriva de uma costela do homem. Na Bíblia está escrito como viver segundo a vontade de

Deus, e daí Tomás tira seus argumentos sobre a vida moral. Ele demonstra que não há

conflito entre a fé e a razão. O conhecimneto verdadeiro é uma adição da inteligência

para o objeto a ser inteligido em si. Apesar de Deus ser a causa de tudo, ele não age

diretamente nos fatos de sua criação. Mas a providência existe e governa o mundo, pois

ele é abslouto e necessário. E a felicidade do homem só pode ser encontrada na

contemplação da verdade.

A obra de São Aquino é imensa, alguns de seus trabalhos foram escritos por ele

mesmo, outros ditados e outros ainda reportados. Aristóteles disse, e isso foi comentado

37
por São Tomás, que o homem tem a sensação em comum com os animais, que sentem

de maneira perfeita. A memória nasce pelo acúmulo de lembranças, e a lembrança nasce

da experiência. Mas o homem se eleva ao raciocínio e produz a arte. A filosofia é um

conhecimento das causas dos fenômenos. Assim a filosofia deve considerar o senso

comum e tem um aspecto coincidente com a teologia: seu saber provém da Sabedoria

divina. Então, em menor grau o saber popular também. Mas a sabedoria divina deve ser

procurada através da fé, dizia Tomás, e isso é comum entre os teólogos.

Ele distingue na natureza o ser real e o ser da razão (Espinoza nos Pensamentos

metafísicos também o faz, mais uma vez.). O ser real existe independente de qualquer

consideração da razão. O ser da razão é aquele que apesar de existir em representação,

não pode ser independente do pensamento de quem o concebe. Assim a lógica humana

só existiria no conceito, e não na realidade. Por outro lado, a alma é imortal, pois é

imaterial, e tudo que é imaterial é imortal. Esse argumento como outras verdades

teológicas pode ser agora combatido, mas durante séculos ele fundamentou o

pensamento em que a Igreja se apoia.

Para Tomás, o conhecimento passa por vários graus de abstração cujo objetivo é

conhecer a imaterialidade. O primeiro esforço da existência abstrativa consiste em

considerar as coisas independentemente dos sentidos e da noção que tiramos dele. O

segundo esforço consiste em considerar as coisas independentes das qualidades

sensíveis. No terceiro esforço tem que se consideraras coisas independentes do seu valor

material. Assim chega-se ao objeto metafísico, que é imaterial, espiritual.

Na Suma contra os Gentios faz uma exposição completa da religião católica,

identificando o que há de verdade nela. Gentios eram os pagãos e os maometanos. Essa

suma trata de Deus e suas obras, da fé no mistério da santíssima trindade, da

encarnação, dos sacramentos e da vida eterna. Deus é a verdade pura, sem falsidade

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vontade que existe em si e para si e neste processo estende sua vontade para o que não

é a sua essência. O que não é sua essência seriam só as coisas percebidas, pois Deus é

tudo. Não tem ódio, não quer o mal, sua potência indica-se com a sua ação, mas ele não

pode tudo. Santo Tomás de Aquino faz a distinção entre a filosofia e teologia. E as

criaturas não existem desde sempre. Ele descreve o momento em que se inicia uma vida,

quando mostra como a alma se junta ao corpo. É uma grande obra, que influenciou e

influencia até hoje todos os que se querem católicos, além de filósofos e outros

estudiosos.

O ESCOLASTICISMO

Alguns datam os primórdios deste movimento no século VII DC. Fazendo o

prolongar-se até o século XV DC. Seja como for, chegou a o seu ponto culminante nos

séculos XII e XIII. Esse nome alude aos homens de escola os mestres universitários,

filhos da igreja católica romana, que controlavam o sistema educacional da Europa,

durante a idade média. O sistema estava alicerçado sobre o manuseio filosófico da fé

cristã, destacando se as idéias filosóficas de Platão e Aristóteles mas, especialmente, a

lógica e a metafísica do último deles. O maior filosofo deste período foi Tomas de Aquino.

A filosofia dele continua sendo uma poderosa força tanto no seio da igreja católica

romana quanto no mundo filosófico.

Os principais teólogos filosóficos deste período foram.

• Anselmo 1033 - 1109

• Roscelino 1050 - 1122

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• Guilherme de Cjampeaux 1070 - 1121

• Pedro Abelardo 1079 - 1142

• Pedro Lombardo + - 1164

• Vernardo de Clairvaux 1091 - 1153

• João de Salisbury 1115 - 1180

• Alexandre de Hales falecido em 1245

• Alberto Magno 1193 - 1280

• Tomás de Aquino 1225 - 1274

• Boaventura 1121 - 1274

• Rogério Bacon 1214 - 1294

• João Duns Scotus 1226 - 1308

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Conclusão

Platão foi um dos filósofos mais influentes de todos os tempos. Seu pensamento

domina a filosofia cristã antiga e medieval. Os ideais estéticos e humanistas do

Renascimento constituíram também uma recuperação do platonismo. Há elementos

platônicos também em pensadores modernos, como Leibniz e Hegel. Um dos pensadores

mais importantes de todos os tempos. O platonismo concentra-se na distinção do mundo

entre o que é visível, sensível (o mundo das coisas e dos seres), e o que é invisível,

inteligível, ou seja, o mundo das idéias.

Platão morreu em Atenas, em 348 ou 347 a.C.

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