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Séries de Fourier

Victor Rios Silva

victorrios@live.com

Universidade Federal Fluminense (UFF)

Instituto de Matemática (IM) Departamento de Matemática Aplicada (GMA) Rua Mário Santos Braga, S/N Valonguinho 24020-14 - Niterói, Rio de Janeiro, Brasil

Outubro 2010

Todos os eventos da natureza podem ser equacionados, uns de maneira simples e outros de maneira

mais complexa. Uma das formas de equacionarmos os fenômenos naturais é através das Séries de Fourier.

Nosso estudo sobre as Séries de Fourier será uma análise sobre quais as circunstâncias é possível

escrever e como escrever uma função como uma Série de Fourier, análise da convergência e demonstração

da derivação e integração dessas séries.

Nas seções I e II é apresentado as funções periódicas e séries trigonométricas, como uma forma de

revisão de conceitos posteriormente essenciais para o entendimento das Séries de Fourier. Na seção III

apresenta-se as Condições de Dirichlet, na seção IV, as Integrais de Euler, na seção V, a maneira pela qual se

determinam os coeficientes de Fourier, na seção VI, funções pares e ímpares, na seção VII, funções com

períodos arbitrários, a fim de expandirmos o conceito de Séries de Fourier da maneira mais genérica possível;

na seção VIII, fala-se sobre séries em senos e cossenos e expansão par e ímpar, na seção IX, igualdade de

Parseval, na seção X, convergência das Séries de Fourier, na seção XI, derivação e integração das Séries de

Fourier, na seção XII, forma complexa das Séries de Fourier e na seção XIII, as aplicações das Séries de

Fourier. Durante o estudo são propostas diversas questões resolvidas como forma de exemplificação e

melhor entendimento do assunto.

I. Funções Periódicas

Uma função

é dita periódica com um período T se

para qualquer x. Do que

decorre que

para n inteiro

Exemplo 1:

, temos que

, logo

.

Exemplo 2: Achar o período da função

Se a função for periódica:

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Observação: Se duas funções

e

periódica com período T.

II. Série Trigonométrica

Logo

possuem período T então a função

é

É uma série de funções cujos termos são obtidos multiplicando-se os senos e os cossenos dos

múltiplos sucessivos da Variável independente x por coeficientes que não dependem da variável x e são

admitidos reais.

[

ou

]

(1)

Sendo esta uma série de funções, sua soma S (no caso de existir, ou seja, se a série for convergente)

será uma função da variável independente e como os termos da série são funções trigonométricas, funções

periódicas de período

, a soma

será uma função periódica de período

. De modo que precisamos

estudar a série trigonométrica em um intervalo de comprimento

, por exemplo:

As funções

trigonométrica.

periódicas de interesse

prático

podem

sempre ser representadas por uma série

Esta representação é possível se a

∑[

]

satisfaz as condições de suficiência de Dirichlet.

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III.

Condições de Dirichlet

Embora não sejam conhecidas as condições necessárias e suficientes para que uma função possa ser

representada por uma série trigonométrica; as condições de suficiência de Dirichlet, apesar de mais

restritivas, asseguram a convergência da série para a função.

1ª) A função

deve ser contínua e, portanto, limitada no intervalo

com exceção, talvez,

de um número finito de pontos de descontinuidade de primeira espécie (finitas).

Exemplo:

{

Esta função apresenta, num período, apenas um ponto de descontinuidade finita em

Contra-exemplo:

no intervalo

Apresenta um ponto de descontinuidade infinita no ponto

.

.

2ª) Efetuando-se uma partição no intervalo

f(x) em cada um deles é monótona. A função

em um período.

em um número finito de sub-intervalos, a função

tem somente um número finito de máximos e mínimos

Exemplo 1:

somente um número finito de máximos e mínimos Exemplo 1: Podemos considerar 3 subintervalos:  No

Podemos considerar 3 subintervalos:

No 1º

é crescente

No 2º

é decrescente

No 3º

é crescente

Apresenta no período um ponto de máximo e um

de mínimo.

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Contra-exemplo:

Contra-exemplo : Esta função apresenta um número infinito de vizinhança de máximos . e mínimos na

Esta função apresenta um número

infinito

de

vizinhança de

máximos

.

e

mínimos

na

Exemplo 2: Verificar se as funções abaixo satisfazem as condições de Dirichlet

a.

b.

c.

,

Sim, pois no ponto

onde temos uma indeterminação, a descontinuidade é de 1ª espécie.

uma indeterminação, a descontinuidade é de 1ª espécie. , Não, pois temos descontinuidade infinita para .

,

Não, pois temos descontinuidade infinita para

.

,

Não, descontinuidade infinita na vizinhança de

.

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d.

{

Sim, as duas condições de Dirichlet são satisfeitas.

e.

,

Não, pois na vizinhança de

temos um número infinito de máximos e mínimos.

IV.

Ortogonalidade Integrais de EULER

Os termos na série são ditos ortogonais com relação ao período

, isto é, a integral em um

período do produto de quaisquer dois termos diferentes é nula.

1)

De fato:

 

|

[

]

2)

De fato:

*

+|

[

]

3)

De fato:

(2)

(1)

Somando membro a membro (1) + (2):

[

∫[

]

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]

4)

De fato: (1) – (2) Fazendo (1) + (2) → ∫ ∫ ∫ ∫ [
De fato:
(1)
(2)
Fazendo (1) + (2) →
[
]
5)
(1)
(2)
(2) – (1):
[
]
[
]
6)
7)
)
(1)
(2)
(1) + (2):
[
]

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V.

Determinação dos Coeficientes de Fourier

Usando propriedades elementares das funções trigonométricas podemos facilmente determinar

e em termos de

isto é:

de maneira que no intervalo

∑[

Integramos os dois membros de (1) entre (-π,π)

a série trigonométrica (1) seja igual à função

]

∫ ∫

(

∫ ∫ ∑ ( ∫ ∫ )
∫ )
)

= 0

(1ª I.E.)

0 (2ª I.E.)

[

]

Cálculo de

:

Multiplicando (1) por

, sendo p, número fixo dado, integrando no intervalo (

∑ ∫p, número fixo dado, integrando no intervalo ( – ∫ )   = 0 (1ª I.E.)

fixo dado, integrando no intervalo ( – ∫ ∑ ∫ )   = 0 (1ª I.E.)
fixo dado, integrando no intervalo ( – ∫ ∑ ∫ )   = 0 (1ª I.E.)

)

 

= 0 (1ª I.E.)

= 0 se

(3ª I.E.)

= 0 (7ª I.E.)

Se

:

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Cálculo de

:

Multipliquemos (1) por

∫
e integremos entre ∫ ∑ ∫
e integremos entre
∑ ∫
∫

Se

:

Exemplo 1: Determinar a série de Fourier da função

gráfico de

e das primeiras três somas parciais.

que supomos possuir período

primeiras três somas parciais. que supomos possuir período ∫ [∫ ∫ ] [ ] *∫ ∫

[∫

]

[

]

*∫

+

[

]

,

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e fazer esboço

*∫

[

]

,

As somas parciais são:

+

[

 

(

;

;

]

(

)

)

parciais são: + [   ⁄ ( ; ; ] ( ) ) Vimos que para:
parciais são: + [   ⁄ ( ; ; ] ( ) ) Vimos que para:

Vimos que para:

,

A Série que Fourier representa é

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Vamos determinar a Série de Fourier para:

⁄ { ⁄
{

A função

é a

deslocada

unidade para baixo, logo:

{ ⁄ A função é a deslocada unidade para baixo, logo: , A função é a

,

A função

é a mesma

, exceto por uma alteração na escala do tempo:

(

)

Verificamos que alterar a escala tempo, altera as frequências angulares dos termos individuais, mas

não altera seus coeficientes. Assim, para calcular os coeficientes, o período pode ser arbitrariamente

mudado se isto parecer conveniente.

Exemplo 2: Desenvolver em série de Fourier as funções supostas periódicas de período

a.

,

A satisfaz as condições de Dirichlet.

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:

A satisfaz as condições de Dirichlet. Cálculo dos Coeficientes de Fourier:   ∫ ∫ ∫

A satisfaz as condições de Dirichlet.

Cálculo dos Coeficientes de Fourier:

 

|

|

Fazendo a integração por partes:

 

 

,

|

 

 

-

,

 

-

 

|

|

 
 

{

 

.∫

/

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,

|

 

 

-

,

-

   

{

|

}

 

{

 

|

}

 

Logo:

b.

A

satisfaz as condições de Dirichlet.

Cálculo

dos Coeficientes

*

+

 

*

+

 

Sabemos que

, então, faremos:

 

Fazendo integral por partes novamente para

temos:

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∫ . ∫ / . ∫ / ( ) ∫ ( ) ∫ ( )
.
/
.
/
(
)
(
) ∫
(
)
(
)
(
)
(
)
(
)
*(
)
(
)
(
)
+
c.
A
satisfaz as condições de Dirichlet. Vamos calcular os coeficientes:
|

Se fizermos a integração por partes, teremos:

;

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; ∫ [ ∫ ] ∫ ∫ ∫ ∫ ( ) ∫ Se multiplicarmos por
;
[
]
(
) ∫
Se multiplicarmos por n², teremos:
|
Mas, sabemos que: {
De modo análogo, calculamos
Logo:
∑ *
+
ou
[
]

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d.

{

A satisfaz as condições de Dirichlet.

Cálculo dos Coeficientes

Como a função é ímpar, então

 

.

[

]

[

]

[

]

{

 

(

)

VI. Funções Pares e Ímpares

Sejam g(x) e h(x) funções definidas no intervalo

. Diz-se que:

g(x) e h(x) funções definidas no intervalo . Diz-se que: Observação: O gráfico da função par
g(x) e h(x) funções definidas no intervalo . Diz-se que: Observação: O gráfico da função par
g(x) e h(x) funções definidas no intervalo . Diz-se que: Observação: O gráfico da função par

Observação: O gráfico da função par g(x) é simétrico em relação ao eixo das ordenadas.

O valor da função ímpar no ponto zero:

.

Para calcular os coeficientes de Fourier de uma função par e de uma função ímpar, verifiquemos

que:

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I)

 

∫ ∫

II)

 

∫ ∫

III) O produto de uma função par g(x) por uma função ímpar h(x), é ímpar:

IV) O produto de uma função par g(x) por uma função par é uma função par:

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V)

O produto de uma função ímpar h(x) por uma função ímpar é uma função par:

Conclusão: Se uma função

é uma função par,

é uma função ímpar e:

 

Por outro lado, se

é uma função ímpar,

é ímpar e:

 

Teorema I

A série de Fourier de uma função periódica par

em cossenos:

Com coeficientes:

A série de Fourier de uma função periódica ímpar

Fourier em senos:

Página 18 / 57

, que possui período

, é uma série de Fourier

, que possui período

,

é

uma série de

Com coeficientes:

∫ Consideremos par. ∑ (1) ∑ (2) Mas como f é par, ∑ Somando-se (1)
Consideremos
par.
(1)
(2)
Mas como f é par,
Somando-se (1) com (2):
Por outro lado,
Como
são funções pares, temos:
*∫
+
*∫
+
*∫
+
*
+

Página 19 / 57

Consideremos agora

ímpar:

∑ (1) ∑ Como é ímpar, , então: ∑ (2) Fazendo (1) – (2): ∑
(1)
Como
é ímpar,
, então:
(2)
Fazendo (1) – (2):
Por outro lado,
Como
são funções ímpares:
*∫
+
*∫
+
*∫
+
*∫
+

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Logo, ao calcular os coeficientes da Série de Fourier para uma função que tenham simetria, é

conveniente integrar de

a

, ao invés de

a

.

Algumas vezes é interessante deslocar temporariamente ou o eixo vertical ou o horizontal ou ambos,

de maneira a criar uma função par ou ímpar e usar as simplificações para formas de onda simétricas.

Exemplo 1: Verificar se as funções são pares, ímpares ou nem pares nem ímpares:

a.

Logo

não é nem par nem ímpar.

b.

Logo,

é par.

c.

|

|

 

|

|

Logo,

é ímpar.

d.

Logo,

não é uma função nem par, nem ímpar.

e.

Página 21 / 57

Logo,

é uma função par.

Exemplo 2: Determinar a Série de Fourier da função:

{
{

Como

é uma função que apresenta simetria, é conveniente integrá-la no intervalo

Cálculo dos Coeficientes:

Como

é par,

|

Como a integral já foi calculada, sabemos que:

Portanto:

{

Página 22 / 57

.

Exemplo 3: Determine a Série de Fourier para

:

Exemplo 3: Determine a Série de Fourier para : Embora pudéssemos determinar a série de diretamente,

Embora pudéssemos determinar a série de

diretamente, vamos relocalizar os eixos a fim de

usar as relações de simetria, pois a

não é par nem ímpar.

1º Caso: A subtração de uma constante de

produz uma função ímpar

Caso: A subtração de uma constante de produz uma função ímpar Logo: ∫ ∫ | Portanto:

Logo:

|

Portanto:

(

{

)

(

Página 23 / 57

)

:

2º Caso: Mudemos o eixo vertical para obter uma função par

Logo: ∫ ∫ ∫ ( ) ∫ ∫ | ( ) { ( ) Portanto:
Logo:
(
)
|
(
)
{
(
)
Portanto:
(
)
Mas como:
(
)
(
)
Podemos reescrever
:

(

), exatamente como obtido anteriormente.

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Exemplo 4: Desenvolver em Séries de Fourier as funções, supostas periódicas de período

:

a. Como é par, temos que ∫ | ∫ ( ) |
a.
Como
é par, temos que
|
(
) |

Se substituirmos

, teremos:

(

ou

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)

b.

{

b. { Como . é ímpar, ∫ ∫ ∫ ∫ | { ( ) c. Como

Como

.

é

ímpar,

∫ ∫ ∫ ∫ | { ( ) c. Como é par, temos que ∫
|
{
(
)
c.
Como
é par, temos que
(
|
)
=0 (1ª I.E.)
(∫
)

=0 (1ª I.E.)

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d.

{

|

|

A satisfaz as condições de Dirichlet.

Cálculo dos Coeficientes

Como

| | é uma função par, temos que

∫ ∫ * + ∫ ∫ Sabemos que ∫ ∫ ∫ | ∫ ∫ [
*
+
Sabemos que ∫
|
[
]
[
]
[
]
{
(
)

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Exemplo 5: Determinar a Série de Fourier das funções periódicas de período T:

a. {

 

e

  Como é ímpar, .
 

Como

é ímpar,

.

 

|

{

 

(

)

b.

{

Como é par, .

Como

é par,

.

Página 28 / 57

|

{

c.

,

e

(

)

c. , e ( ) ∫ (∫ ∫ ) ∫ (∫ ( )| { ∫ (∫

(∫

∫ )
)

(∫

(

)|

{

(∫

(

)|

 

(

Página 29 / 57

∫ )
)
∫ )
)

)

d.

,

e

Como a função não é nem par nem ímpar, teremos que calcular . ∫ ∫
Como a função não é nem par nem ímpar, teremos que
calcular
.
|
|
|
|
|
|
Logo:
(
)
e.
,
e
que calcular . ∫ ∫ ∫ ∫ ∫ | ∫ | | ∫ ∫ | ∫

Página 30 / 57

∫ (∫ ∫ ) | ( )| ∫ (∫ ∫ ) Resolvermos a integral da
(∫
)
|
(
)|
(∫
)
Resolvermos a integral da seguinte forma:
(
)|
(
)|
{
Resolvermos a integral da seguinte forma:

Página 31 / 57

(

)|

(

(

))|

{

 

(

)

(

)

f.

Como sabemos que

é uma função par, temos que

.

 

(

 
 

|

{

g.

,

 

(∫

)

[

(∫

{

 
∫ )
)
(∫ ∫
(∫

|

]

)

Página 32 / 57

)

 

(

 

)

(

 

)

 
   

h.

 

 

(

)

i.

 
Como sabemos que

Como sabemos que

 

é uma função par, temos que

   

|

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Resolvermos a integral da seguinte forma:

( ∫ )| [ ] [( ) ( ) ] j. Como é uma função
(
)|
[
]
[(
)
(
)
]
j.
Como
é uma função par, temos que
.
Mas temos que
(
)

,

∑ (

) (

)

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k.

k. Como é uma função par, temos que . ∫ ∫ Para calcular ∫ , aplicaremos

Como

é uma função par, temos que

.

Para calcular

, aplicaremos a solução por partes duas vezes:

(

)

(

) [

]

(

) [

]

Ao multiplicarmos o resultado por

(

) [

]

, teremos

∑ (

) [

valendo:

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]

VII.

Funções com Período Arbitrário

Até agora consideramos funções periódicas de período

. Por uma simples mudança de variável

podemos encontrar a Série de Fourier para uma função

de período T qualquer.

Esta mudança de variável é feita pela seguinte transformação linear.

Seja

definida no intervalo (

):

(1)

(2)

Somando membro a membro (1) e (2):

Assim:

Substituindo em (1):

Então:

Vamos, pois, trocar a variável t por x, onde

, logo a

Com coeficientes:

(

)

(

∫ (

∫ (

)

)

)

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(

)é definida no intervalo

.

Para facilitar os cálculos, façamos

Com coeficientes:

O intervalo de integração pode ser substituído por qualquer intervalo de comprimento T, por

exemplo,

O Teorema I se verifica para funções pares e ímpares, periódicas de período T qualquer.

Seja uma função

qualquer, definida num intervalo fechado [

].

uma função qualquer, definida num intervalo fechado [ ] . Podemos definir o intervalo T como

Podemos definir o intervalo T como sendo:

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Então, é possível generalizar a Série de Fourier descrita acima como:

∑ (

)

Exemplo 1: Determinar a Série de Fourier da função

, periódica de período

a Série de Fourier da função , periódica de período Temos que: ∫ { Como é

Temos que:

{

Como

é par:

Página 38 / 57

.

 

|

 

{

 

 

(

)

Exemplo 2: Determinar a Série de Fourier em

[

] da função

.

{

 

(

)

de Fourier em [ ] da função . ∫ ∫ ∫ ∫ ∫ {   (

Página 39 / 57

Exemplo 3: Determine a série de Fourier da função

, dada por:

3: Determine a série de Fourier da função , dada por: A função pode ser definida

A função

pode ser definida como:

 

,

(∫

)

(∫

)

Embora essas integrais possam ser calculadas diretamente, os cálculos podem ser simplificados

consideravelmente, mediante o seguinte raciocínio: Designemos por

a extensão periódica de

a todo o

eixo dos x. Então, as funções

e

são periódicas com período 2, e temos:

as funções e são periódicas com período 2, e temos: ∫ ∫ ∫ ∫ Para qualquer

Para qualquer número real a. Neste ponto, nos apoiamos no fato óbvio de

em

com período

. Então,

ser contínua por partes

Para qualquer par de números reais [

]. Faremos agora

Página 40 / 57

, para obtermos:

Mas, no intervalo [–

],

coincide com a função par | |, onde

para todo k, e:

 

{

VIII.

Séries em Senos e Séries em Cossenos

 
 

Desenvolvimento de meio período.

Se

for par, a série de Fourier fica:

 

(1)

 

Com coeficientes:

 

(2)

  ∑ (1)   Com coeficientes: ∫   ∫ (2) prolongada como função par. Página 41

prolongada como função par.

Página 41 / 57

Se

for ímpar, a série de Fourier fica:

Com coeficientes:

ímpar, a série de Fourier fica: ∑ Com coeficientes: ∫ Prolongamento periódico ímpar. Observação: Constatamos

Prolongamento periódico ímpar.

Observação: Constatamos que (2) e (4) empregam unicamente os valores de

do intervalo

.

Para uma função definida somente neste intervalo podemos formar as séries (1) e (3). Se a função

satisfaz as condições de Dirichlet, ambas as séries representam a função no intervalo

intervalo, a série (1) representará o prolongamento periódico par da

prolongamento periódico ímpar da

.

Página 42 / 57

, tendo período

. Fora deste

;

e

a

(3)

o

Exemplo 1: Encontrar a Série de Fourier em cossenos da função

definida no intervalo

gráfico do prolongamento periódico correspondente.

{

e fazer o

do prolongamento periódico correspondente. { e fazer o Logo: ∫ ∫ ( { (∫ (∫ ∫

Logo:

(

{

(∫

(∫

|

)

Página 43 / 57

|

)

)

Exemplo 2: Representar por meio da Série de Fourier em cossenos e fazer o prolongamento periódico

correspondente.

a.

,

e fazer o prolongamento periódico correspondente. a. , Prolongamento periódico par. ∫ ∫ ∫ ∫ (

Prolongamento periódico par.

∫ ∫ ∫ ∫ ( | * + ) ∫ ∫ (∫ ∫ ) Calculemos
(
|
*
+
)
(∫
)
Calculemos a integral:
;
(*
+
*
+
*
+
)
(
)
{
Seja:

Página 44 / 57

∑ (

)

Exemplo 3: Representar por meio da Série de Fourier em senos e fazer o prolongamento periódico

correspondente da seguinte função:

∫ ∫ ∫ Mas temos que: ∫ [ ] ( ) ( ) { (
Mas temos que:
[
]
(
)
(
)
{
(
)

Página 45 / 57

IX.

Igualdade de Parseval

Se

é uma função qualquer de

[

] então:

 

 
 

∑ *

 

   

 

〉〈

 

 
 

=

 

(

)

 
 

(∫

)

 

(∫

)

Onde

e

De fato:

 

 

são os coeficientes de Fourier.

+

Multiplicando (no sentido do produto interno) a equação(1) por

Tendo em vista que:

obtém-se:

〉〈

Conclui-se que:

Página 46 / 57

Observação: Em geral,

‖ ⃑‖

〈 ⃑

̂〉

onde ̂ ,

̂ ,

,

é um conjunto ortogonal de vetores de um espaço de dimensão infinita(espaço euclidiano)V.

Assim, é um vetor arbitrário de V. Além disso, ̂ , ̂

, é uma base de v se , e somente se :

‖ ⃑‖

〈 ⃑

̂〉

X. Convergência das Séries de Fourier

a. Convergência Pontual

Seja f(x) contínua por partes em

, com período

[

e suponhamos que:

]

para todo x. Então, a série de Fourier

em cada ponto

em que f tem derivadas à direita e à esquerda.

a série de Fourier em cada ponto em que f tem derivadas à direita e à

Quando f é continua

,

Página 47 / 57

b. Convergência em Média

[

]

Mais uma vez ressaltamos que a série converge em média para f, e não que converge pontualmente,

no

sentido

que

para

todo

em

[

]

A

convergência

pontual ocorre, surpreendentemente, quando f é razoavelmente bem comportada.

,

Neste caso a série converge também pontualmente para f nos pontos de [

] onde

está

definida. Além disso, quando

, a série converge para zero, embora

não esteja definida nesses

pontos.

Teorema

Seja

uma função continuamente diferenciável por partes em

[

], com o que entendemos

que f tem uma derivada primeira contínua por partes em [

]. Então, o desenvolvimento em série de

Fourier de

 

Observação:

(

)

converge pontualmente em [

] e tem o valor:

é a média dos limites à esquerda e a direita de

em

, e é igual a

quando

é um ponto de continuidade de

.

Página 48 / 57

Assim, podemos afirmar que a série ∑ converge pontualmente no intervalo [ ] para [

Assim, podemos afirmar que a série

converge pontualmente no intervalo [

] para

[

]]

c. Convergência Absoluta e uniforme

Teorema

Seja

uma função contínua em

, com período

, e suponhamos que

tenha derivada

primeira contínua por partes. Então, a série de Fourier de

converge uniforme e absolutamente para

em

todo intervalo fechado do eixo x.

Teorema

Seja

continuamente diferenciável por partes e periódica em

com período

.

Então a

série de Fourier de

converge uniformemente para

em qualquer intervalo fechado do eixo x que não

contenha ponto de descontinuidade de

.

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XI.

Derivação e Integração das Séries de Fourier

Teorema

Seja f uma função contínua em

, com período

primeira,

, contínua por partes. Então, a série de Fourier de

termo a termo, e a série derivada converge pontualmente para

, e suponhamos que

tenha derivada

pode ser obtida derivando a série de

se

existe:

Teorema

Seja

f

uma

função

contínua

por

partes

, a série de Fourier de

em

.Então:

com

período

,

e

seja

Em outras palavras, a integral definida de

Fourier de

termo a termo:

, de a até b, pode ser calculada integrando-se a série de

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Teorema da Integral

Seja uma função arbitrária de

[

] com Série de Fourier dada por:

Então, a função

relação a todo x do intervalo

tem uma série de Fourier que converge pontualmente com

e

[

]

Exemplo 1:

[

]

de Fourier que converge pontualmente com ∑ e ∑ [ ] Exemplo 1: [ ]  
 

{

(

)

{

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Exemplo 2:

0

a. , - ∫ ∫ b. ( ) { ∫ { ( ) XII. Forma
a.
, -
b.
(
)
{
{
(
)
XII.
Forma Complexa das Séries de Fourier
∑ (

Onde

pode ser escrito sob a forma complexa. Escreva:

)

E introduza estas expressões na Série de Fourier. É conveniente definir:

{

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Então, a Série de Fourier pode ser escrita, sua forma complexa, da seguinte maneira:

Observação:

,

Exemplo 1: Ache a Série Complexa de Fourier de:

,

maneira: Observação: ∫ ∑ ∫ , Exemplo 1: Ache a Série Complexa de Fourier de: ,

{

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XIII.

Aplicações das Séries de Fourier

a. Circuitos RLC

XIII. Aplicações das Séries de Fourier a. Circuitos RLC ∑ ∑ ∑ ∑ ∑ ( )

(

)

 

(

)

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b. Deflexão em Vigas

(

)

b. Deflexão em Vigas ∫ ( ) Onde é a rigidez da viga e é a

Onde

é a rigidez da viga e

é a carga por unidade de comprimento. Temos também que

.

 

(

)

∑ (

)

(

)

Mas temos que a Série de Fourier de

é:

 

(

)

 

(

)

{

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{

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(

)

Através desse estudo, pudemos entender um pouco mais sobre as Séries de Fourier, além de suas

peculiaridades abordadas de forma específica nas diversas seções. Foi possível também notar a grande

importância da mesma para a descrição de fenômenos naturais e a facilidade que ela propõe para tal estudo.

Com isso, pode-se afirmar que tal ferramenta é essencial para as sociedades poderem interagir com a

natureza de maneira cada vez mais eficaz.

Agradecimentos

Aos amigos Bruno César Gimenez, Pedro Gall Fernandes e Liziane Freitas Possmoser pelo empenho,

dedicação e auxílio na elaboração, desenvolvimento e conclusão deste estudo.

Ao professor Dr. Altair de Assis pelo material cedido para pesquisa e atenção assistida nos diversos

itens enunciados.

Referências

[1] Butkov, Eugene, Mathematical Physics, 1ª edição (1988)

[2] Assis, Altair S. de, Séries de Fourier 2010

[3] Assis, Altair S. de, Séries de Fourier: Mudança de Intervalo

[4] Assis, Altair S. de, Convergência das Séries de Fourier

[5] Assis, Altair S. de, Apêndice 1

[6] Assis, Altair S. de, Forma Complexa das Séries de Fourier

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