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1. INTRODUÇÃO

Para entender o processo de corrosão acelerada por escoamento, é necessário conhecer quais parâmetros relacionados a dinâmica do escoamento influenciam o processo corrosivo, basicamente os dois mais importantes são a transferência de

massa e tensão de cisalhamento na parede. Um ensaio muito utilizado neste estudo

é o impingimento a jato, o qual se apresenta como um método experimental para

medir o efeito desses parâmetros na corrosão de uma superfície, sendo também utilizado muitas vezes para avaliar a performance dos inibidores de corrosão.

Corrosão acelerada por escoamento é definida neste trabalho como “o resultado do efeito da turbulência devido ao escoamento de um fluido que não contém partículas sólidas em suficiente concentração e/ou tamanho para impingir a superfície do metal” (EFIRD, 2000, p. 2).

Na região viscosa da camada limite hidrodinâmica e na camada limite de difusão ocorrem os processos que controlam a corrosão e a formação de filme, nestas regiões as flutuações ocasionadas pela turbulência colocam em contato as espécies corrosivas com a superfície do metal e removem os produtos das reações de corrosão desta.

Entretanto as variáveis que caracterizam os processos corrosivos no interior destas camadas são extremamente difíceis de serem medidas na interface fluido-metal, por este motivo, baseados nos modelos físicos que governam os fenômenos envolvidos na corrosão acelerada por escoamento tais parâmetros podem ser estimados através de métodos numéricos que simulem o escoamento, como o Smoothed Particle Hydrodynamics - SPH.

O SPH é um método numérico no qual o estado de um sistema é representado por

um conjunto de partículas, que possui propriedades individuais e move-se de acordo

com as equações de conservação que governam o problema. Tal método tem sido muito empregado nos campos da astrofísica e meteorologia, por se tratar de um método lagrangeano, fato este que o torna apropriado para problemas que tratam do escoamento de fluidos onde há superfície livre, como ocorre no ensaio de

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impingimento a jato. Maiores detalhes sobre a teoria de corrosão e SPH serão apresentadas no Capítulo 4.

O método de Smoothed Particle Hydrodynamics, SPH, foi criado na década de 70 por Monaghan, Gingold e Lucy (apud Liu e Liu, 2003) para simular fenômenos envolvendo fluidos compressíveis em astrofísica, tais como colisão de estrelas, formação de galáxias e supernovas. Por ser um método de fácil implementação, este método vem se difundido no meio acadêmico no estudo de fluidos em geral.

1.1. MOTIVAÇÃO DO TRABALHO

Devido à importância de obter os parâmetros hidrodinâmicos relacionados à corrosão acelerada por escoamento, em testes de laboratório, com o intuito de encontrar correlações que possibilitem prever as taxas de corrosão em operações de campo, torna-se fundamental a aplicação de métodos numéricos capazes de simular com precisão o comportamento hidrodinâmico do escoamento, principalmente quando o escoamento possui fronteiras livres.

principalmente quando o escoamento possui fronteiras livres. Figura 1.1 - Processo para relacionar dados de laboratório
principalmente quando o escoamento possui fronteiras livres. Figura 1.1 - Processo para relacionar dados de laboratório
principalmente quando o escoamento possui fronteiras livres. Figura 1.1 - Processo para relacionar dados de laboratório

Figura 1.1 - Processo para relacionar dados de laboratório com sistemas de operação reais usando condições hidrodinâmicas (Efird, 2000).

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A Figura 1.1 mostra o processo proposto por Efird (2000), onde através do

conhecimento da vazão calcula-se a tensão de cisalhamento para uma aplicação de campo, e essa mesma tensão reproduzida em laboratório proporcionaria as mesmas taxas de corrosão que seriam encontradas na aplicação de campo.

de corrosão que seriam encontradas na aplicação de campo. Figura 1.2 - Comparação entre as taxas

Figura 1.2 - Comparação entre as taxas de corrosão obtidas no escoamento em tubos com experimentos de laboratório (Hailey, 1993).

Hailey (1993) mostra através de experimentos que as taxas de corrosão obtidas em aplicações de campo são muito próximas daquelas encontradas em laboratório para a mesma tensão de cisalhamento na superfície.

A Figura 1.2 mostra uma comparação entre as taxas de corrosão obtidas no

escoamento em tubos de 112,7 mm e 25,4 mm de diâmetro, com as taxas obtidas em dois experimentos de laboratório, eletrodo cilíndrico rotativo e impingimento a jato, mostrando que para uma mesma tensão de cisalhamento as taxas de corrosão encontradas em laboratório tendem a convergir para os valores encontrados no escoamento em tubos, fundamentando assim o processo proposto por Efird (2000) e motivando a elaboração deste trabalho.

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1.2. OBJETIVOS

Simular o escoamento de um fluido no ensaio de impingimento a jato utilizando o método de Smoothed Particle Hydrodynamics – SPH, bem como obter a distribuição da pressão e da tensão de cisalhamento ao longo da superfície impingida, bem como comparar esta ultima com o resultado obtido através da equação proposta por Giralt e Trass (apud EFIRD, 2000).

1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO

Para

referencias.

facilitar

a

compreensão,

este

trabalho

está

dividido

em

7

capítulos

e

No Capítulo 1, como já foi visto, são apresentados: uma introdução sobre o assunto abordado, a motivação que estimulou o desenvolvimento deste trabalho, além de seus objetivos e sua estrutura.

O Capítulo 2 apresenta uma revisão bibliográfica sobre a corrosão acelerada por

escoamento e o método de SPH.

No Capítulo 3 é apresentada uma descrição teórica de corrosão acelerada por escoamento.

O Capítulo 4 apresenta o desenvolvimento matemático básico utilizado na simulação

do escoamento, basicamente as equações de conservação de massa e de Navier- Stokes em sua forma Lagrangeana.

No Capítulo 5 traz todo o desenvolvimento do método de SPH.

O Capítulo 6 trata dos resultados obtidos, apresentando o resultado da simulação

numérica do escoamento, bem como a distribuição de pressão e da tensão de cisalhamento ao longo da superfície.

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O Capítulo 7 traz as diversas conclusões obtidas a partir deste trabalho, bem como um conjunto de sugestões para desenvolvimento de trabalhos futuros.

Por fim, o são apresentas as referências citadas ao longo do trabalho, nas quais é possível encontrar detalhes mais aprofundados sobre resultados, procedimentos e assuntos abordados nesse trabalho.

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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. SMOOTHED PARTICLE HYDRODYNAMICS

Em 1994, Monaghan estende o método de SPH para aplicações com escoamentos incompressíveis de superfície livre, neste trabalho apresenta alguns exemplos de aplicações do método, como na simulação de quebra de barragem e propagação de ondas em uma praia.

Em 1997, Morris, Fox e Zhu modelaram escoamentos incompressíveis para baixos números de Reynolds, neste trabalho foi realizada a comparação da solução obtida por séries para os escoamentos de Couette e Poiseuille com a solução obtida pelo método de SPH, obtendo bons resultados, porém com pequenas flutuações do campo de pressão próximos aos contornos, também foi realizada a comparação das soluções obtidas por SPH e por elementos finitos para o escoamento através de um cilindro, neste caso a comparação revelou um aumento no campo de velocidade e pressão do resultado do SPH em relação ao encontrado pelo método de elementos finitos.

Em 1998, Reichl et al. utilizaram o método de SPH bidimensional no estudo do processo de revestimento de uma superfície plana com a técnica de impingimento a jato, a simulação foi realizada para combinações entre números de Reynolds de 800, 4000 e 8000, número de Froude igual a 4, e com o ângulo do jato variando de 10º a 80º com incremento de 10º. Os resultados da simulação foram comparados com os resultados experimentais e os obtidos pelo SPH foram satisfatórios.

Em 2005, Monaghan, Huppert e Worster mostraram em seu trabalho que é possível aplicar o método de SPH para simular o processo de solidificação. Neste trabalho eles simularam o congelamento de um sistema monofásico e bifásico (Liga Bifásica) obtendo resultados satisfatórios quando comparados com os resultados experimentais.

Em 2007, Nobrega em seu artigo discute a implementação de um método para simulação de fluidos através de sistemas de partículas, no qual visa esclarecer

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pontos abstratos do método de SPH, como por exemplo, a evolução do tempo de simulação, detecções de colisão entre partículas e buscas rápida de vizinhança, bem como a definição dos parâmetros iniciais ideais, como velocidade, massa, pressão, etc.

Em 2007, Paiva Neto em seu trabalho representa um material viscoplástico como um fluido não-Newtoniano que varia entre o estado sólido e líquido, e de alta para baixa viscosidade dependendo de uma força externa aplicada ao material ou de sua própria temperatura, onde a simulação de fluidos multifásicos é realizada através de um método híbrido malha-partícula a fim de garantir a incompressibilidade no método de SPH.

Em 2007, Rudman et al. aplica o método de SPH na análise do impacto de ondas sobre estruturas marinhas e embarcações.

Em 2007, Bui, Sako e Fukagawa utilizaram o método de SPH para simular a interação ente solo-água, que ocorre no processo de escavação a jato d’água. Neste trabalho os autores diferenciam partículas de água e de solo arrastadas.

Em 2007, Violeau et al. utilizaram o método de SPH para estudar o mecanismo de derrame de petróleo por arrastamento devido à produção combinada de turbulência e flutuabilidade, simulando o escoamento bifásico com superfície livre na vizinhança de um corpo flutuante (barreira de contenção).

Em 2008, Ma, Bao e Guo utilizaram um código hibrido de elementos finitos e SPH para simular a erosão causada por um jato de água sobre uma superfície sólida. Foram utilizadas partículas para simular o jato de água e uma malha para simular o material sólido.

Em 2008, Romero, Paulino e Menezes aplicaram a técnica de SPH para estudar jatos que formam camadas sobre superfícies, como por exemplo, pinturas, revestimentos ou inibidores de corrosão.

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2.2. CORROSÃO ACELERADA POR ESCOAMENTO

Em 1977, Trass, Giralt e Chia apresentam um modelo conceitual para impingimento a jato turbulento, submerso e axisimétrico, que permite arrastamento fluido e portanto, condições variáveis de escoamento antes da deflecção. Desta forma, o escoamento na região de impingimento torna-se uma função da altura do bocal, e as medidas das velocidades axiais e distribuições de pressão podem ser generalizadas para perfis de jatos similares.

Em 1983, Poulson utiliza medidas eletroquímicas para avaliar o escoamento de soluções, no que tange taxas de corrosão, mecanismos de corrosão, características hidrodinâmicas e composição da solução.

Em 1993, Hailey et al. analisaram correlações envolvidas na corrosão de aços em tubulações com os testes de impingimento a jato e cilindro rotativo.

Em 1997, Ashforth-frost, Jambunathan e Whitney estudaram as caracteristicas da velocidade e turbulência de um impingimento a jato ortogonal semi-confinado.

Em 1997, Bouainhouche, Bourabaa e Desmet apresentam um estudo numérico da tensão de cisalhamento produzida por um jato turbulento impingindo uma superfície plana, utilizando um método de malha fixa. Neste trabalho, os resultados numéricos são validados através da comparação com dados experimentais.

Em 1997, Deslouis et al. utilizaram um malha sensora, ou seja, uma rede sensora em uma célula de impingimento a jato submerso para medir o pH interfacial durante a redução do oxigênio dissolvido na parede em condições controladas de escoamento. Foi confirmado que, na ausência de reações químicas e para um transporte de massa totalmente controlado pela reação de redução do oxigênio, o escoamento não tem influência sobre o pH interfacial.

Em 1998, Silverman apresenta uma revisão das correlações entre coeficiente de transferência de massa, velocidade do fluido, tensão de cisalhamento e propriedades do fluido em quatro geometrias. Além disso, são apresentadas

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equações que permitem que as velocidades do ensaio do eletrodo cilíndrico giratório sejam escolhidas, tal que, o coeficiente de transferência de massa seja igual àqueles obtidos em outros sistemas, como em tubos, anulares e jatos.

Em 1999, Yapici et al mediu a tensão de cisalhamento em um experimento com jato submerso, com escoamento completamente desenvolvido e turbulento, utilizando a técnica da corrente limite eletroquímica. Os resultados mostraram que a tensão de cisalhamento adimensional local decresce com o aumento do número de Reynolds e possui uma tendência a convergir para um único valor para altos números de Reynolds.

Em 2000, Efird estudou os efeitos do escoamento de um fluido em termos de corrosão, em seu trabalho é apresentada uma correlação entre a tensão de cisalhamento em uma superfície, obtida através de um ensaio de impingimento a jato utilizando uma solução de ferrocianeto de potássio, com aquela obtida pelo mesmo ensaio utilizando um fluido qualquer, submetido às mesmas condições.

Em 2001, Neville e Hu estudaram as interações mecânicas e eletroquímicas durante impingimento líquido-sólido sobre aços inoxidáveis de alta liga. Eles mostraram que a resistência a perda de massa para três materiais não segue a tendência de aumento com o aumento da dureza.

Em 2001, West et al. investigaram experimentalmente a transferência de massa limitada pela densidade de corrente limite em um ensaio de impingimento a jato, comparando os resultados obtidos com àqueles oriundos da simulação numérica.

Em 2003, Shrestha et al. estudou as interações galvânicas que ocorrem entre diferentes partes de um único material submetido a corrosão-erosão. O sistema considerado incluiu impingimento liquido (água salina), com ou sem a presença de sólidos, realizado em ligas a base de cobre e níquel, um aço inox, titânio e um cermet.

Em 2005, Liu, Lin e Li estudaram os mecanismos da corrosão induzida por escoamento para aços carbonos submetidos a altas velocidades de escoamento de

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água do mar, em um ensaio de impingimento realizado sobre um disco rotativo. Onde foi utilizado o algoritimo de Patankar e Spalding para calcular o campo de distribuição de velocidades e conseguentemente a distribuição da tensão de cisalhamento na superfície do disco, bem como a distribuição da concentração de oxigênio ao longo do raio do disco. Todos os resultados numéricos foram comparados com os experimentais obtendo-se grande precisão, tanto na região laminar como na turbulenta.

Em 2005, Bergthorson et al. realizaram um estudo experimental e numérico de impingimento a jato, incompressível, axisimétrico, laminar. Neste trabalho, eles utilizaram uma técnica invasiva, PSV – Particle Streak Velocimetry, para medir as velocidades axiais ao longo da linha de centro do campo de escoamento. Além disso, foram utilizadas três diferentes simulações numéricas variando os níveis de complexidade, a primeira foi uma simulação viscosa através das equações de Navier-Stokes, a segunda um calculo do potencial de escoamento e a terceira foi uma formulação unidimensional da função de corrente.

Em 2006, Schmitt e Bakalli apresentam em seu trabalho uma comparação entre as correlações dos principais parâmetros envolvidos no fenômeno de corrosão induzida por escoamento, como tensão de cisalhamento, corrente limite e número de Sherwood, para as diversas ferramentas de teste utilizadas no estudo deste fenômeno, como discos rotativos, cilindros rotativos, impingimento a jato e escoamento em tubos.

Em 2007, Hussain e Robinson estudaram a erosão-corrosão ocasionada em aços inoxidáveis duplex 2205, quando submetidos a um impingimento com água do mar contendo partículas sólidas.

Em 2007, Gulbrandsen e Graná realizaram testes de performance em inibidores de corrosão causada pelo dióxido de carbono, utilizando um ensaio de impingimento a jato para altas velocidades de escoamento.

Em 2008, Demoz e Dabros correlacionaram a corrosão controlada pela tensão de cisalhamento no ensaio de impingimento a jato com àquela na parede de um tubo.

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Neste trabalho, eles utilizaram microeletrodos para medir a tensão de cisalhamento na superfície do corpo de prova impingido.

Em 2008, Huang et al. desenvolveram um modelo para avaliar erosão, no qual levaram em conta, a velocidade do impingimento, ângulo, tamanho da partícula impingida. Além disso, foi incorporado ao modelo a remoção de material devido a deformação e corte. Neste trabalho eles utilizaram um modelo de CFD para prever o desgaste erosivo em diversos cenários de escoamento.

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3. CORROSÃO ACELERADA POR ESCOAMENTO

Um aumento no movimento relativo entre um metal corroendo e o ambiente pode aumentar as taxas de corrosão pela remoção de filmes protetores ou pelo aumento da difusão ou migração das espécies deletérias, mas também pode reduzir as taxas de corrosão pela eliminação da concentração de um íon agressivo ou pelo aumento da passivação ou da inibição pelo transporte de espécies protetoras até a interface fluido/metal.

de espécies protetoras até a interface fluido/metal. Figura 3.1 – Corrosão acelerada por escoamento em uma
de espécies protetoras até a interface fluido/metal. Figura 3.1 – Corrosão acelerada por escoamento em uma

Figura 3.1 – Corrosão acelerada por escoamento em uma tubulação de aço carbono (GENTIL, 2007)

É importante diferenciar erosão-corrosão e corrosão acelerada por escoamento, como o termo erosão-corrosão sugere, a ruptura do filme pode ocorrer parcialmente por mecanismos mecânicos e parcialmente por eletroquímicos. Entretanto, a erosão- corrosão pode também ocorrer apenas pela dissolução eletroquímica. Na ausência de uma contribuição mecânica para a ruptura do filme superficial protetor, ou seja, fluido desprovido de partículas sólidas, a erosão-corrosão é usualmente denominada corrosão acelerada pelo escoamento ou flow-accelerated corrosion (FAC).

Corrosão acelerada pelo escoamento, assim como a erosão-corrosão, é definida como uma reação de corrosão acelerada pelo movimento relativo de um fluido corrosivo e a superfície do metal. Entretanto, FAC tem uma definição mais limitada que a erosão-corrosão na qual a FAC ocorreria estritamente pela dissolução eletroquímica e não envolvendo a ruptura mecânica do filme superficial.

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Gentil (2007) define erosão como a deterioração de materiais metálicos ou não- metálicos pela ação abrasiva de fluidos em movimento, usualmente acelerada pela presença de partículas sólidas, sendo considerado um fenômeno puramente mecânico. Enquanto que na erosão-corrosão ocorrem fenômenos físicos e químicos, sendo caracterizada por sua aparência sob a forma de sulcos, crateras, ondulações, furos, arredondados e um sentido direcional de ataque. Em razão da própria ação de erosão, a superfície fica isenta de possíveis produtos de corrosão. No entanto a ação da turbulência, aliada aos choques que resultam do rompimento das bolhas, provoca um tipo de corrosão-erosão denominado impingimento.

Outra definição interessante é aquela dada por Efird (2000), segundo o qual, corrosão acelerada por escoamento é definida como a corrosão resultante do efeito da turbulência devido ao escoamento de fluido que não contem partículas sólidas em suficiente concentração e/ou tamanho para impingir a superfície do metal. Corrosão acelerada por escoamento por partículas sólidas é chamada erosão- corrosão.

Já Hailey (1993) define corrosão acelerada por escoamento como o aumento da corrosão devido ao aumento da intensidade de turbulência e transferência de massa como resultado do escoamento de um fluido sobre uma superfície. Já erosão- corrosão é definida como o aumento da corrosão como resultado do impingimento de partículas de segunda fase contidas no fluido.

Ainda de acordo com Roberge (2004) erosão-corrosão é uma forma de ataque localizado que ocorre em áreas onde a intensidade da turbulência na superfície do metal é elevada o suficiente para causar a ruptura do filme superficial protetor, a qual pode ocorrer parcialmente por mecanismos mecânicos e parcialmente por eletroquímicos. Ainda segundo este, existem vários mecanismos descritos pela ação conjunta de escoamento e corrosão que resultam na corrosão influenciada pelo escoamento:

1) Controle por transporte de Massa: Quando a corrosão é controlada por transporte de massa, isto implica que a taxa de corrosão é dependente de processos de transferência de massa convectivos na interface metal/fluido. Quando o aço é

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exposto à água contendo oxigênio, a taxa de corrosão inicial está relacionada primeiramente com o fluxo convectivo de oxigênio dissolvido em direção à superfície e após isto pela difusão de oxigênio através da camada de óxido de ferro.

2) Controle por transporte de fase: corrosão controlada por transporte de fase sugere que o molhamento da superfície do metal por uma fase corrosiva é dependente do escoamento. Isto pode ocorrer devido a uma fase líquida de separar de outra ou devido a uma segunda fase se formar a partir de um líquido. Um exemplo do segundo mecanismo é a formação de bolhas descontínuas ou de uma fase a vapor fase a partir da água de caldeira em tubos horizontais ou inclinados em área de alto fluxo de calor sob condições de baixo escoamento. Os locais corroídos irão frequentemente apresentar superfícies rugosas e irregulares e serão recobertos ou conterão espessos depósitos porosos de corrosão

3) Erosão-corrosão: Erosão-corrosão tem sido associada com a remoção mecânica do filme protetor superficial que resulta num aumento subseqüente da taxa de corrosão via processos eletroquímicos ou químicos. Muitas vezes é aceito que uma velocidade crítica do fluido deve ser ultrapassada para um dado material. O dano mecânico, causado pelo fluido que impacta, impõe tensões de cisalhamento ou

variações de pressão sobre a superfície do material e/ou no filme protetor superficial.

A erosão-corrosão pode ser aumentada por partículas (sólidos ou bolhas de gás) e

impactada por escoamentos multifásicos.

3.1. PRINCIPAIS PARÂMETROS ENVOLVIDOS NO PROCESSO CORROSIVO

3.1.1. Tensão de cisalhamento

A tensão de cisalhamento é uma medida direta da perda de energia viscosa no

interior da camada limite.

A tensão de cisalhamento (τ ) é definida como perda de pressão em um fluido se

movendo, devido ao atrito com a parede estacionária. A tensão de cisalhamento total sobre a parede é dada como a soma das tensões viscosas e das tensões de Reynolds, expressada como

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τ

= ν

U

y

u u

x

y

(3.1)

Onde, ν

escoamento.

representa a viscosidade cinemática e U

é a velocidade média do

A tensão de Reynolds (

u u

x

y

)

, ou seja, a média do produto das flutuações, é igual a

zero na parede, restando apenas as tensões viscosas. Logo quando y = 0

τ

=

ν

U

y

y =0

(3.2)

As equações 5.1 e 5.2 são de vital importância neste trabalho, tendo em vista sua

fácil implementação numérica.

3.1.2. Coeficiente de transferência de massa

Outro fator importante na análise dos fenômenos envolvidos no processo de

corrosão acelerada por escoamento é o coeficiente de transferência de massa, pois

de posse deste é possível calcular a taxa de corrosão, bem como a corrente limite.

A camada

aproximadamente definida pela densidade de fluxo de massa,

limite

de

difusão,

onde

ocorre

a

transferência

de

é

, conforme o

massa,

N

j

,

y

modelo de difusão de Nernst

N

j

= −

, y

D

j

 

 

j

dC

dy

y

= −

D

j

C

j ,0

C

j

,

y

δ

d

(3.3)

Onde,

δ

d

é a espessura da camada limite de difusão,

D

j

é o coeficiente de difusão

do espécime, e

C

j

, representa a concentração da espécime.

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O

proporcionalidade

concentração.

coeficiente

de

k

d

N j

,

y

= (

C

j

,0

C

j

,

y

)

transferência

de

entre

a

densidade

massa,

k

de

fluxo

d

,

é

definido

como

sendo

a

de

massa

e

o

gradiente

de

(3.4)

Substituindo a equação (5.3) em (5.4), pode-se definir o coeficiente de transferência

de massa como:

k

d

=

D

j

δ

d

(3.5)

3.1.3. Correlação entre o coeficiente de transferência de massa e a tensão de

cisalhamento na parede

O coeficiente de transferência de massa é relacionado a tensão de cisalhamento de

acordo com a analogia proposta por Chilton e Colburn (apud EFIRD, 2000)

k

d

τ

ρ

0,5

(3.6)

A qual pode ser descrita mais precisamente por:

k

d

=

17,24

τ

ρ

0,5

Sc

2

3

para Sc > 100

(3.7)

onde Sc é o número de Schmidt, definido como a relação da viscosidade com o

produto da densidade e do coeficiente de difusão dos espécies ativas.

Sc =

µ

D

ρ

j

(3.8)

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3.2. IMPINGIMENTO A JATO

O uso de um único jato colidindo com uma superfície, ou um conjunto de jatos, como

um método de obter de forma efetiva as taxas de transferência de massa convectiva tem um vasto campo de aplicações industriais e tecnológicas. Por exemplo, em jatos de aeronaves, misturas de combustíveis, combustores e ejetores, resfriamento, ou aplicação de inibidores de corrosão, pintura e tinturas, bem como ensaio de corrosão induzida por escoamento.

Tais jatos podem ser classificados dentro de grupos de acordo com suas características gerais, tais como forma do bocal, orientação do jato com relação à superfície com a qual colide, etc. Pekdemir (apud YAPICI et al., 1999, p. 185) os classifica de acordo com:

(i) o tipo, submerso e jato livre, (ii) orientação, jato normal ou obliquo, (iii) forma do bocal, redondo, ranhurado e jato elíptico, (iv) superfície impingida, tratada ou não, (v) restrição imposta ao jato, confinado, parcialmente confinado e não confinado, e (vi) número de jatos, único ou múltiplos jatos.

e (vi) número de jatos, único ou múltiplos jatos. Figura 3.2 – Tipos de ensaios de

Figura 3.2 – Tipos de ensaios de jato impingimeto: jato livre, jato submerso e jato confinado,

respectivamente.

O campo de escoamento estabelecido quando um jato circular colide com uma placa

plana com o eixo central do jato normal a esta é ilustrado na Figura 3.3. Um ponto

de estagnação é formado na interseção do eixo central do jato com a chapa, além disto o escoamento é simétrico a este mesmo eixo.

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Bocal do jato Distância Radial (r/r 0 )
Bocal do jato
Distância Radial (r/r 0 )

Figura 3.3 – Características hidrodinâmicas do impingimento a jato sobre uma placa plana, mostrando as quatro regiões do escoamento (HUSAIN e ROBINSON, 2007).

A

região A mostrada na Figura 3.3 é chamada de zona de estagnação, nessa região

o

escoamento é essencialmente laminar próximo a placa, e a componente principal

do vetor velocidade está mudando de axial para radial, com um ponto de estagnação no centro conforme já mencionado, a região A estende-se do eixo central do jato

para o ponto de máxima velocidade e mínima espessura em

r

r

0

2

.

A região B mostrada na Figura 3.3 é a região onde ocorre um rápido aumento na

turbulência, com o escoamento desenvolvendo um jato de parede, ou seja o vetor

velocidade paralelo a superfície sólida, essa região estende-se até

r

r

0

4

. O modelo

do escoamento é caracterizado por altas turbulências, um gradiente de velocidade acentuado na superfície, e alta tensão de cisalhamento.

Logo, a região B é de fundamental importância no estudo dos efeitos do escoamento na corrosão em áreas caracterizadas por altas turbulências. Giralt e Trass (apud

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EFIRD 2000) propuseram uma equação para tensão de cisalhamento na parede em

função da distância radial,

τ

w

=

0,179

V

ρ

2

Re

0,182

 

 

r

r

0

 

2,0

(3.9)

onde, r é a distância radial,

velocidade na saída do bocal.

r 0 , o raio do bocal, Re , o número de Reynolds e V

é a

É importante ressaltar que o número de Reynolds é dado pela expressão:

Re =

ρV

2

d

µ

(3.10)

A equação (5.9) também pode ser expressa em função do diâmetro do bocal, d , e

da distância em relação a eixo central, x .

τ

w

=

0,0447

V

ρ

2

Re

0,182

x

d

2,0

(3.11)

As equações (5.9) e (5.11) possuem faixa de aplicabilidade de aplicabilidade para a

relação 2

r

r

0

Efird (2000).

14 , ou 1

x

d

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de acordo com dados publicados recentemente por

Na região C (Figura 3.3), a turbulência decai rapidamente com o aumento da

espessura do jato, alguns autores tratam as regiões B e C como uma única região.

Além disso, a região D representa a camada limite hidrodinâmica.

A Figura 3.4 mostra o resultado de um experimento realizado por Hussain (2007) no

estudo de erosão-corrosão, onde um corpo de prova de aço inox duplex 2205 foi

submetido a um ensaio de impingimento a jato com água do mar contendo segunda

fase.

20

20 Figura 3.4 – Corrosão revelada por Interferência óptica de uma amostra do aço duplex 2205

Figura 3.4 – Corrosão revelada por Interferência óptica de uma amostra do aço duplex 2205 impingida com água do mar (HUSAIN e ROBINSON, 2007).

Em um ensaio de impingimento a jato normalmente são utilizados corpos de prova especiais, os quais possuem eletrodos em seu interior que possibilitam medir o potencial elétrico ou a corrente de corrosão em diversos pontos da superfície. De posse destes dados é possível por exemplo encontrar uma correlação envolvendo a corrente de corrosão e a tensão de cisalhamento, a qual por sua vez é de difícil medição em um experimento prático. A configuração de um corpo de prova típico de um ensaio de impingimento a jato é mostrada na Figura 3.5.

um ensaio de impingimento a jato é mostrada na Figura 3.5. Figura 3.5 – Amostra utilizada

Figura 3.5 – Amostra utilizada em um ensaio de impingimento a jato (EFIRD, 2000).

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4. MODELAGEM MATEMÁTICA

Para simular o comportamento dinâmico de um fluido newtoniano, é necessário

obter uma representação matemática do estado de um fluido num instante de tempo,

sendo a velocidade a grandeza física mais importante.

O modelo matemático que descreve o comportamento de um fluido é dado por um

conjunto de equações diferenciais parciais conhecidas como equações de Navier-

Stokes, podendo ser utilizadas tanto na forma euleriana como lagrangeana. Na

representação euleriana o elemento de fluido está fixo no espaço (Figura 4.1(a)),

enquanto na forma lagrangeana o elemento fluido se move junto com o escoamento

(Figura 4.1(b)).

fluido se move junto com o escoamento (Figura 4.1(b)). (a) Representação euleriana. Elemento fixo no espaço

(a) Representação euleriana. Elemento fixo no espaço com fluxo do fluido passando através dele.

(b) Representação lagrangeana. Elemento se

movendo ao longo do fluxo com velocidade u igual à velocidade local do fluxo naquele ponto.

Figura 4.1 – Modelos de fluxo de um elemento de fluido com volume dV .

Na forma euleriana as equações de Navier-Stokes podem ser escritas como:

∂ ρ = −∇ .( ∂ t ∂ u + u . ∇ u
ρ
= −∇ .(
∂ t
u +
u
.
u

t

ρ u)

= −

1

ρ

 

(4.1)

p

+

1 ∇ . S + g
1
.
S
+
g

(4.2)

ρ

22

Onde t é o tempo, u o vetor velocidade, ρ a massa específica, p a pressão, g o

vetor de aceleração da gravidade e

S

é um tensor determinado a partir do

coeficiente de viscosidade do fluido µ e pelo tensor de deformação D :

S =

 1  2µ  D − ∇.uI   3 
1
D −
∇.uI
3

sendo I o tensor identidade, e:

1 D = ( ∇u + ∇u 2
1
D =
(
∇u + ∇u
2

T

)

(4.3)

(4.4)

As equações de Navier-Stokes são deduzidas a partir de leis físicas de conservação.

A equação (4.2) é uma aplicação da segunda lei de Newton e diz respeito à

conservação de momento. Enquanto a equação (4.1) obedece a lei de conservação

de massa e é conhecida como equação da continuidade, a qual é deduzida a partir

do teorema de Gauss. Se o fluido possuir densidade constante, a equação (4.1)

pode se reduz há:

.u = 0

(4.5)

O fluido que possui o campo de velocidade com divergência livre é chamado de

fluido incompressível.

O termo viscoso .S pode ser reescrito na forma

fluido. Assim pode-se reescrever a equação (4.2) na forma usual:

µ

2

u , onde µ é a viscosidade do

∂ u + u . ∇ u ∂ t
u +
u
.
u
t

= −

1

p

+

µ 2 ∇ u + g
µ
2
u
+
g

ρ

ρ

(4.6)

23

A discretização numérica das equações de Navier-Stokes na sua forma Euleriana é

feita através de métodos numéricos que normalmente usam uma grade fixa no

espaço para estimar as derivadas espaciais, como método dos elementos finitos.

A formulação lagrangeana das equações de Navier-Stokes descreve o

comportamento de um fluido no ponto de vista de uma partícula que se move junto

com o fluxo do fluido. Sendo a derivada material como:

D (_)

(_)

≡ +

u .

Dt

t

(_)

(4.7)

Fisicamente a derivada material representa a variação instantânea de uma

quantidade física em relação ao tempo de um elemento de fluido que se move no

espaço. Substituindo no lado esquerdo das equações (4.1) e (4.2) pela derivada

material, as equações de Navier-Stokes na forma lagrangeana são dadas como:

D

ρ

Dt

= −ρ.

u

1 1 Du = − ∇ p + ∇. S + g Dt ρ ρ
1
1
Du = −
p
+
∇.
S
+
g
Dt ρ
ρ

(4.8)

(4.9)

Note que cada partícula possui uma advecção própria, logo a equação não requer

cálculo explícito do termo advectivo.

u.u

(4.10)

Além disso, as forças externas devido a aceleração da gravidade podem ser

desprezadas, logo, podemos também reescrever a equação (4.6) na sua forma

lagrangeana como:

Du

Dt

= −

1

ρ

p

+

µ 2 ∇ u
µ
2
u

ρ

(4.11)

24

Portanto, ao discretizar um fluido como um sistema de partículas a equação de momento na forma euleriana (4.2), que antes era descrita por uma equação diferencial parcial, se torna na forma lagrangeana um conjunto de equações diferenciais ordinárias as quais podem ser resolvidas via integração numérica em relação à variável temporal, de acordo com Romero, Paulino e Menezes (2008).

25

5. MODELAGEM NÚMERICA

Os problemas de hidrodinâmica são representados basicamente por equações

diferenciais parciais de variáveis de campo tal como, densidade, velocidade,

energia, etc. Obter soluções analíticas para este conjunto de equações não é

usualmente possível, exceto em casos muito especiais. Entretanto para a grande

maioria dos casos são obtidas aproximações numéricas.

Os métodos numéricos convencionais, tais como, elementos finitos, volumes finitos,

diferenças finitas, apesar de serem métodos muito robustos e bem conceituados não

são de fácil implementação para problemas de hidrodinâmica onde não haja

superfícies bem definidas, como verificadas, por exemplo, no escoamento de um

jato sobre uma chapa, nestes tipos de problemas onde há escoamento com

superfície livre. Para este tipo de problema o método de SPH torna-se uma

ferramenta fundamental, por ser um método baseado no modelo de descrição

lagrangeana do problema, ou seja, um método de malha livre. Baseado nisso o SPH

pode ser uma solução para análise do ensaio de impingimento a jato.

O método SPH consiste num método de interpolação das propriedades físicas de

um sistema hidrodinâmico e de aproximação das derivadas espaciais de campos

contínuos utilizando um conjunto discreto de partículas. A principal idéia do método

SPH é baseada no conceito da representação integral de uma função f (x) definida

num domínio que contém o vetor x através da convolução com a distribuição

delta de Dirac.

f (x) =

f (x')δ (x x')dx'

(5.1)

Sendo, a distribuição delta de Dirac é definida da seguinte forma:

δ x

(

x

')

=

1

0

x

x

=

x

'

x

'

26

Na prática não conseguimos definir uma função que satisfaça as propriedades da

distribuição delta de Dirac, mas por outro lado a análise funcional nos permite definir

a distribuição delta de Dirac como sendo o limite de funções suaves. Portanto

podemos definir o operador de aproximação SPH (denotado por < >) da função f (x)

simplesmente substituindo a distribuição delta de Dirac na equação (5.1) por uma

função suave W .

f (x) = ∫
f (x)
=

f (x')W (x x', h)dx'

(5.2)

Onde h é chamado de comprimento suavizador e que por sua vez define o raio de

influência kh da função W , sendo k o fator de escala de W . A função W é

conhecida como função núcleo suave ou simplesmente núcleo, sendo também

comumente chamada de Kernel de aproximação. O núcleo é geralmente escolhido

como sendo uma função par devido a sua forma simétrica e este deve satisfazer as

seguintes propriedades:

i. Não negativo: W (x, h) 0

ii.

Suavidade:

W

(

,

x h

)

C

k

()

, com k > 1

iii. Partição da unidade:

W (x, h)dx = 1

iv. Suporte compacto: W (x x', h) = 0 , quando

x − x '
x
x
'

kh

v. Convergência: W (x, h) δ , quando h 0

Há várias funções núcleo na literatura, as mais comuns são as funções Gaussianas

e as Splines. Neste trabalho, mas precisamente no algoritmo implementado, foi

utilizada uma Spline Cúbica (Monaghan, 1994), a qual é mostrada a seguir.

27

onde:

W =

a

a

0

2

R

2

+

d

3

1

(

d

6

R

2

R

>

2

)

R

3

2

3

1

<

R =

− x ' r x =
x
'
r x
=

h h

0

R

R

2

1

e o coeficiente

a

d

dependente da dimensão do problema analisado:

a d

=

1

7

2

h

15

h

π

3

2

h

π

2

1 D

2 D

3

D

O método SPH é um método puramente lagrangeano, logo todo sistema é

representado por um conjunto finito de partículas que possuem atributos individuais,

como mencionado anteriormente. Conseqüentemente, a representação integral

contínua da aproximação SPH pode ser convertida numa forma discreta através de

um somatório sobre todas as partículas que estão no interior de uma região

delimitada pelo comprimento suavizador. Assim, o elemento de volume infinitesimal

e que por

dx' na equação (5.2) é representado numa partícula

j pelo volume

V

j

sua vez é determinado através de atributos físicos da própria partícula como

mostrado na equação:

V

j

=

m

j

ρ

j

(5.3)

28

Sendo

m

j

a massa da partícula e

ρ

j

a massa específica da partícula, logo a forma

discreta da aproximação de SPH pode ser representada pela equação:

f

(

x

)

Onde

=

x

j

f

j

N

(

x

)

(

x

j

)

W

(

x

x

j

,

h

)

m

j

ρ

j

é a posição da partícula

(5.4)

j e o conjunto N (x) contém todas as partículas

cuja distância a partir de x é menor que o raio de influência do núcleo kh conforme ilustrado na Figura 5.1. A aproximação para uma função avaliada numa partícula i pode ser escrita diretamente de acordo com a equação:

f

(

x

i )

= f

j

N

(

x

)

com W

ij

= W (x

i

(

x

j

x

)

j

W

ij

, h)

m

j

ρ

j

(5.5)

W ( x i ( x j − x ) j W ij , h )

Figura 5.1 – Função núcleo: Partículas fora do raio de influência kh são descartadas (PAIVA NETTO, 2007).

A equação (5.5) indica que o valor de uma função f (x) na partícula i é aproximado

utilizando-se a média dos valores desta função em todas as partículas no domínio

29

de suporte da partícula i ponderada pela função suavizadora. Seguindo o mesmo raciocínio, as representações dos operadores diferenciais da função f (x) podem ser

obtidas. Segundo Paiva Neto (2007), o gradiente de uma função f (x) pode ser

representado pelo modelo de aproximação de partículas pela equação:

f

(

x

)

=

m

j

ρ

j

f

(

x

j

)

W

(

x

x

j

,

h

)

(5.6)

A aproximação de partícula para o gradiente de uma função na partícula i , pela equação (5.6) pode ser reescrita conforme a equação:

f

(

x

i )

onde,

i

W

ij

=

sendo,

=

m j

ρ

j

f

(

x

j

)

i

W

ij

x

i

x

j

W

ij

x

ij

W

ij

=

r

ij

r

ij

r

ij

r

ij

r ij

a distância entre as partículas i e j .

(5.7)

(5.8)

De acordo com Liu e Liu (2003) o divergente de uma função f (x) , pode ser

expresso na forma de aproximação de partícula conforme a equação:

.

f

(

x

)

= −

N

=

1

j

m j

ρ

j

f

(

x

j

).

i

W

ij

(5.9)

na equação (5.5),

obteremos a aproximação SPH para esta propriedade, a qual será de extrema importância no desenvolvimento da aproximação SPH das equações de Navier- Stokes.

Ainda pode-se notar que substituindo a massa específica

ρ

30

ρ

i

=

N

=

j

1

m W

j

ij

(5.10)

Para modelar numericamente a dinâmica do escoamento do fluido no ensaio de

impingimento a jato utilizando o método de SPH, é necessário obter a aproximação

de partícula das equações de conservação de massa e de Navier-Stokes. Liu e Liu

(2003, p. 103) apresentam o desenvolvimento matemático destas equações.

As equações para a aproximação de partícula das equações da conservação de

denotam as direções das

massa e de Navier-Stokes, onde os subscritos α

coordenadas, são respectivamente:

e

β

D

ρ

i

Dt

=

ρ

i

N

=

j

1

W

m

j

v

β

ij

ρ

j

ij

.

β

x

i

(5.11)

v

β

ij

Dv

=

α

i

Dt

(

v

β

i

v

β

j

N

=

j

=1

m

j

)

αβ

σ

i

+

αβ

σ

j

W

ij

ρ ρ

i

j

β

x

i

(5.12)

A equação 5.12 pode ser reescrita através da expansão do tensor de tensões σ ,

obtendo assim a equação:

Dv

α

i

Dt

= −

N

1

j =

m

j

p

i

+

p

j

W

ij

ρ ρ

i

j

x

α

i

+

N

=

j

1

m

j

αβ

µ ε

i

i

+

αβ

µ ε

j

j

W

ij

ρ ρ

i

j

β

x

i

(5.13)

onde, a taxa de deformação ε pode ser expressa para partícula i de acordo com a

equação:

αβ

ε

i

=

N

1

j =

W

m

j

v

β

ij

ρ

j

ji

x

α

i

+

N

=

j

1

m

j

v

α

W

ij

2

N

j

=

1

m

j

ρ

j

ji

x

β

i

3

ρ

j

v

ji

.

i

W

ij

αβ

δ

(5.14)

31

Na equação 5.14 o termo

δ αβ

representa a função delta de kronecker.

5.1. ASPECTOS NÚMERICOS

5.1.1. Compressibilidade artificial

No método SPH padrão aplicado a escoamentos compressíveis, o movimento é

acionado pelo gradiente de pressão, enquanto que, a pressão da partícula é

calculada pela sua densidade local e a energia interna por meio da equação de

estado. Entretanto, para escoamentos incompressíveis, a equação de estado

conduz a passos de tempo proibitivos, uma vez que são extremamente pequenos.

Apesar do método SPH ter sido criado para simular fluidos compressíveis, podemos

aproximar um fluido incompressível através de um fluido quasi-compressível

utilizando uma equação de estado. O propósito desta aproximação consiste na

obtenção da derivada da pressão ao longo do tempo. Assim a pressão pode ser

calculada por uma equação de estado proposta por Monahan (apud Liu e Liu, 2003,

p. 137) como a equação:

p

i

=

B

ρ

i

ρ

0

γ

1

(5.15)

Com γ = 7 e densidade (ou massa específica) de referência

O parâmetro B é o termo relacionado às flutuações de densidade do fluido e pode

ser estimado pela equação proposta por Morris e Schlatter (apud Liu e Liu, 2003, p.

137):

ρ

0

.

B =

c

2

ρ

0

γ

(5.16)

Onde, c é a velocidade do som e representa a velocidade mais rápida de

propagação de onda naquele meio.

32

5.1.2. Viscosidade Artificial

As primeiras implementações de SPH foram geralmente usadas para resolver as

equações de Euler, ou seja, a equação da conservação do momento que é limitada

a escoamentos invíscidos, pois não é fácil obter as expressões de aproximação de

SPH de derivadas de segunda ordem encontradas no termo viscoso para a forma

mais geral das equações de Navier-Stokes, logo se torna necessário a introduzir o

fator Π , o qual é chamado de viscosidade artificial.

A introdução da viscosidade artificial faz com que o método SPH seja capaz de

modelar ondas de choque ou evitar que ela desenvolva oscilações não físicas nos

resultados numéricos próximo da região do choque. A onda de choque não é uma

descontinuidade física real, e sim uma zona estreita cuja espessura usualmente é da

ordem do comprimento livre intermolecular.

O modelo

apresentado na equação:

mais

utilizado

0

u

ij

x

ij

0

α

π

c

ij

φ

ij

+

2

β φ

π

ij

ρ

ij

h u

ij

ij

x

ij

=

=

=

, 2 2 x + ϕ ij 1 ( 2 c + c ) i
,
2
2
x
+
ϕ
ij
1
(
2
c
+ c
)
i
j
1 (
2
ρ + ρ
)
i
j

ij

=

onde:

φ ij

c ij

ρ ij

u

ij

foi

desenvolvido

x

ij

< 0

por

Monaghan

(1994),

o

qual

é

(5.17)

33

h

ij

=

1

2

(

h + h

i

j

)

u

ij

=

u

i

u

j

x

ij

= x

i

x

j

Sendo

α

π

e β

π

constantes cujos valores típicos estão em torno de 1.00, o fator

ϕ = 0.1h

ij

é inserido para evitar divergências numéricas quando duas partículas

estão muito próximas uma da outra, isto é, evitar uma divisão por zero. Além disso c

representa a velocidade do som e u o vetor velocidade da partícula.

Logo a equação da conservação do momento linear pode ser reescrita conforme a

equação:

Dv

α

i

Dt

=

N

j

=1

m

j

αβ

σ

i

+

αβ

σ

j

ρ ρ

i

j

+ Π

ij

W

ij

β

x

i

(5.18)

LIU e LIU (2003, p. 125) apresentam diversas expressões para o cálculo da

viscosidade artificial.

5.1.3. Tratamento do contorno

O método de SPH fornece a maneira para representar e simular fluidos utilizando

partículas, mas não trata dos outros componentes que fazem parte de um sistema

de simulação física, como por exemplo, a interação do fluido com o seu ambiente.

Esta interação é essencial: na ausência de objetos no ambiente, o máximo que é

possível simular é um líquido em queda livre, ou um gás subindo na atmosfera. Na

maioria das aplicações o interesse é tanto pelo comportamento realista do fluido

quanto pela interação do mesmo com outros objetos, como no caso do ensaio de

impingimento a jato, onde é importante conhecer a tensão de cisalhamento na

interface fluido - superfície da amostra, bem como a pressão.

34

O tratamento de fronteiras sólidas no SPH foi proposto por Monaghan (1994), a sua

idéia era a de representar as fronteiras do domínio através de partículas virtuais

conhecidas como partículas fantasmas (Figura 5.2).

Partícula de

fluido

partículas fantasmas (Figura 5.2). Partícula de fluido Superfície livre Partícula virtual / Fantasma Figura 5.2
partículas fantasmas (Figura 5.2). Partícula de fluido Superfície livre Partícula virtual / Fantasma Figura 5.2

Superfície livre

(Figura 5.2). Partícula de fluido Superfície livre Partícula virtual / Fantasma Figura 5.2 – Disposição

Partícula virtual

/ Fantasma

Figura 5.2 – Disposição geral das partículas de fluido e virtuais, utilizada na simulação das condições de fronteira do ensaio de impingimento a jato

O objetivo das partículas fantasmas é gerar forças altamente repulsivas e assim

prevenir a interpenetração de partículas do fluido nas fronteiras sólidas do problema.

Essa força de repulsão é calculada usando uma expressão matemática semelhante

a do potencial de Lennard-Jones utilizado em dinâmica molecular. Portanto, a força

de repulsão sobre uma partícula de fluido i que colide com uma partícula virtual j é

dada pela expressão:

35

PB

ij

=

D

0

r

0

r

ij

12

r

0

r

ij

>

1

r

0

r

ij

4

 

r

0

r

ij

1

5.1.4. Integração numérica temporal

(5.19)

Após o cálculo da versão SPH das equações de Navier-Stokes, para atualizar a

posição, velocidade e outras propriedades das partículas num certo instante de

tempo, é necessário integrar a equação 5.13 em relação ao tempo. Existem vários

métodos de integração de equações diferenciais ordinárias. Dependendo de como

são calculadas as variáveis desconhecidas do problema, os esquemas de

integração podem ser classificados em métodos implícitos e métodos explícitos. Nos

métodos implícitos as variáveis desconhecidas são dadas implicitamente como a

solução de um sistema de equações envolvendo o estado atual e o desconhecido do

sistema, enquanto que nos métodos explícitos elas são calculadas considerando

apenas o estado atual.

As vantagens dos métodos explícitos são: podem ser implementados facilmente,

são calculados de maneira rápida e eficiente, porém a estabilidade do método

depende de como é feita a escolha do passo de tempo t . Já os métodos implícitos

são estáveis em passos de tempo arbitrários, mas para isso requer resolver

sistemas algébricos que são na sua maioria não-lineares.

O método explícito mais simples é conhecido como método de Euler. Nesse método,

a velocidade

v

i

e a posição

x i são atualizadas paralelamente da seguinte maneira:

v (t

i

+

1)

=

v (t)

i

+ ∆

ta (t)

i

x (t + 1) = x (t) + ∆tv (t + 1)

i

i

i

(5.20)

(5.21)

36

onde

método de Euler possui uma precisão de primeira ordem e pode se tornar bastante

instável em certas circunstâncias (uma propriedade indesejável) para qualquer

integrador. Essa instabilidade pode ser remediada tomando um passo de tempo t

muito pequeno.

a i é a aceleração da partícula num instante de tempo t . Infelizmente, o

Nesse trabalho, optou-se por usar o método do integrador leap-frog que possui

precisão de segunda ordem, nesse esquema de integração a velocidade de cada

partícula é calculada nos pontos médio dos intervalos de tempo. Assim, posição e

velocidade são avaliadas intercaladamente da seguinte forma:

v

i

t

x (t

i

+

+

1   =

2

v

i

1)

=

x (t)

i

t

1   + ∆

2

ta

i

( )

t

+ ∆

tv

i

 

t

1

+ 2

(5.22)

(5.23)

+ ∆ tv i    t 1    + 2 (5.22) (5.23)

Figura 5.3 - Esquema de integração leap-frog.

Note que a velocidade no tempo t não é dada de forma explícita, logo ela é

calculada através da média entre a velocidade anterior e posterior.

v

i

( ) =

t

v

i

t

+

1   +

2

v

i

t

1

2

2

(5.24)

Além disso, a inicialização do método requer uma etapa adicional no cálculo da

velocidade

v

i

2

1

através do método de Euler.

37

v

i

1   =

2

v

i

(0)

t

2

a

i

(0)

(5.25)

O integrador leap-frog é reversível no tempo devido à forma simétrica na qual ele é

definido. Métodos explícitos clássicos como o método Euler, método do ponto-médio

e os métodos de Runge-Kutta não possuem essa propriedade, pois todos eles

avaliam as derivadas de maneira assimétrica. A reversibilidade no tempo é uma

propriedade importante, pois ela garante conservação de energia, momento angular,

assim como outras quantidades físicas.

5.1.5. Busca por partículas vizinhas

No método SPH como todas as aproximações são realizadas através de

convoluções discretas com núcleos que possuem suporte compacto de raio kh ,

somente um número finito de partículas estarão dentro da área de influência de uma

partícula dada. Essas partículas são conhecidas como sendo partículas vizinhas de

uma determinada partícula. Ao contrário dos métodos Eulerianos, onde as posições

das células vizinhas do grid são bem definidas, no SPH as partículas vizinhas

podem variar com o tempo.

A busca de partículas vizinhas em SPH é uma tarefa árdua e requer estruturas de

dados eficientes que possam realizar consultas de partículas que distam entre si

uma distância menor do que o raio de influência do núcleo. Exemplos dessas

estruturas de dados são: grids uniformes, tabela hash, octrees, kd-trees e bsp-trees.

Essas estruturas de dados se diferem na complexidade computacional de sua

construção ou atualização, como também na consulta de vizinhança de uma

partícula e no consumo de memória. Estruturas de dados não hierárquicas tais como

grids podem ser construídas e atualizadas eficientemente, enquanto estruturas de

dados hierárquicas como octrees, são geralmente mais caras de construir e de

atualizar, mas podem ser bastante eficientes quando o comprimento suave do

núcleo é varíavel.

38

Neste trabalho foi utiizado um algoritmo baseado em grid, este algoritimo é

recomendado para casos em que o núcleo possui comprimento suave constante.

Nessa implementação um grid uniforme (células alinhadas com os eixos) é

construído sobre o domínio do problema.

com os eixos) é construído sobre o domínio do problema. Figura 5.4 - Busca das partículas

Figura 5.4 - Busca das partículas vizinhas utilizando um grid uniforme bidimensional com o

espaçamento sendo o raio de influência kh . A região amarela representa as células do grid onde seria realizada a busca.

Para núcleos que possuem raio de influência kh , o espaçamento do grid também

seria kh e uma célula pode ser identificada através do seu vértice mínimo, ou seja, o

vértice que possui os valores mínimos nas três coordenadas. Cada célula do grid

está associada a uma lista encadeada contendo todas as partículas que ocupam a

porção de espaço delimitada pela própria célula. Dado um grid 3D, um ponto

3 é mapeado numa célula do grid com índice (I , J , K ) da seguinte

maneira

(x, y, z) R

(I , J , K )

=

x

kh

,

y

kh

,

z

kh

(5.26)

39

Através do mapeamento (equação 5.26) podemos armazenar as partículas na listas associadas às células do grid. Perceba que a construção do grid é muito eficiente, pois as partículas são de construção e atualização de O(N ) sendo N o número de

partículas do sistema.

N ) sendo N o número de partículas do sistema. Figura 5.5 - Estrutura de árvore

Figura 5.5 - Estrutura de árvore utilizada no algoritmo de busca e a subdivisão hierárquica do espaço bidimensional. A busca é realizada através de um teste de interseção do cubo envolvente da partícula i (região em amarelo) com as células representadas pelos nós da árvore.

Após a construção do grid, dada uma partícula i as suas partículas vizinhas só podem estar na mesma célula ocupada pela partícula i ou em suas células adjacentes. Assim, a busca por partículas que possuem uma distância menor do que

d células, onde d é a dimensão do espaço. Se

a média de partículas por células for suficientemente pequena, a complexidade do algoritmo baseado em grid uniforme é O(N ) .

kh a partir da partícula i é restrita a

3

O algoritmo se torna menos eficiente quando o comprimento suave varia em relação

ao tempo, logo o espaçamento do grid pode não ser ótimo para todas as partículas.

40

5.2. IMPLEMENTAÇÃO COMPUTACIONAL DO MÉTODO SPH

5.2.1. Recursos computacionais

Para realizar a simulação numérica de SPH foi desenvolvido um algoritimo em

linguagem de Microsoft Fortran 90, em computador portátil do tipo lap top, provido

de 2 Gb de memória RAM e processador AMD Turion 64 Móbile, 1.8 GHz.

5.2.2. Descrição básica do algoritmo

Para inicializar as variáveis e efetuar a distribuição inicial das partículas de fluido no interior do bocal, bem como das partículas fantasmas sobre os contornos foi implementado um programa auxiliar denominado init_grid, e suas saídas são os dados de entrada do programa SPH.

O programa SPH possui oito subrotinas principais. A subrotina drive, é a rotina

principal, a partir da qual são acionadas as demais subrotinas, como a subrotina

init_table, onde é realizada a inicialização do kernel.

Após a inicialização do kernel o programa SPH entra num processo iterativo, onde para cada passo de tempo é definido um grid, conforme mencionado no capítulo 5, através da subrotina link, em seguida é realizado o cálculo da pressão para cada

partícula através da subrotina pressure, que utiliza a equação de estado mostrada

na equação 5.15, em seguida é realizada a busca por partículas vizinhas através da

subrotina link_list.

De posse da lista de partículas realmente vizinhas é então acionada a subrotina pforce, que realiza o cálculo das forças viscosas e que por sua vez retorna o resultado para a subrotina drive onde enfim são atualizadas a posição, velocidade e massa das partículas, ao final de cada iteração é gerado um arquivo de saída através da função print_out, é importante lembrar que para cada iteração é realizado o cálculo de um novo kernel através da subrotina kernel_init. A Figura 5.6 mostra o fluxograma básico do programa SPH

41

init_grid

drive Init_table link Processo iterativo pressure link_list pforce kernel_init Print_out Programa SPH Arquivos
drive
Init_table
link
Processo
iterativo
pressure
link_list
pforce
kernel_init
Print_out
Programa SPH
Arquivos c/ saídas:
velocidades,
posição, massa,
tempo, etc

Figura 5.6 – Fluxograma básico do programa de SPH implementado

42

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Conforme mencionado no Capítulo 3, um dos parâmetros de grande importância na análise do processo de corrosão acelerada por escoamento é a tensão de cisalhamento na superfície, porém não há um método específico para medi-la diretamente em um ensaio prático, normalmente é realizada uma estimativa através de correlações com outros parâmetros de fácil medição como, por exemplo, velocidade, corrente, potencial, etc. Logo, faz-se necessário a aplicação de métodos numéricos de forma a obter a distribuição da tensão de cisalhamento ao longo da superfície em função dos parâmetros hidrodinâmicos, como no método proposto neste trabalho.

6.1. CALIBRAÇÃO DO MÉTODO

Para garantir a qualidade e confiabilidade dos resultados obtidos pelo programa SPH faz-se necessário calibrar-lo, para isto foi realizada uma comparação dos valores da tensão de cisalhamento obtidos num escoamento clássico de mecânica dos fluidos, o escoamento de Couette, com àqueles obtidos através do método SPH, obtendo o comportamento do erro relativo (Equação 6.1) em relação ao número de partículas utilizadas na simulação.

40 30 20 10 0 0 1000 2000 3000 4000 5000 Erro percentual (%)
40
30
20
10
0
0
1000
2000
3000
4000
5000
Erro percentual (%)

Nº de partículas

Figura 6.1 – Variação do erro percentual em relação ao número de partículas utilizadas na simulação.

43

Pode-se notar através da Figura 6.1 que os resultados foram satisfatórios para quantidades superiores a 2000 partículas.

Erro

relativo

_

=

τ

SPH

τ

teórica

τ teórica

6.2. MODELAGEM DO PROBLEMA

(6.1)

A Figura 6.2 mostra a modelagem proposta para o ensaio de impingimento a jato,

que é baseada numa simulação bidimensional de um jato de água isento de qualquer tipo de partículas de sólidos ou de gases dissolvidos, impingindo a superfície de um corpo de prova de 60 milímetros de diâmetro, através de um bocal de 4 mm de diâmetro interno, localizado a uma distância de 7,5 mm da superfície, formando um ângulo de 90º entre o eixo central do jato e superfície.

ângulo de 90º entre o eixo central do jato e superfície. Figura 6.2 – Modelagem do
ângulo de 90º entre o eixo central do jato e superfície. Figura 6.2 – Modelagem do
ângulo de 90º entre o eixo central do jato e superfície. Figura 6.2 – Modelagem do

Figura 6.2 – Modelagem do impingimento a jato.

A simulação foi realizada aplicando-se um espaçamento entre partículas uniforme de

0,0002 milímetros, totalizando desta forma 6582 partículas, das quais 901 partículas

44

são fixas no espaço, ou seja, são partículas fantasmas ou virtuais e 5681 são partículas de fluido, ou seja, partículas móveis (Figura 6.2).

Vale ressaltar que a quantidade de partículas foi determinada pelo espaçamento adotado entre essas, a determinação do volume e da massa iniciais das partículas ainda é algo que precisa ser melhor explorado, pois atualmente estes são arbitrados de forma empírica.

Também foi imposta uma velocidade inicial para as partículas no interior do bocal igual 0,5 m/s, produzindo assim um baixo número de Reynolds, Re = 2000 , garantindo assim o escoamento laminar.

A organização básica do sistema numérico envolveu uma série de partículas de

fluido que no tempo zero, ou seja, no instante inicial, estão confinadas no interior do bocal (Figura 6.3), que possui 60 milímetros de comprimento. Neste momento, todas as partículas possuem velocidade inicial uniforme, conforme mencionado anteriormente, o número de partículas no contorno é constante, o que impede que

as partículas de fluido atravessem os contornos sólidos do bocal e da superfície.

No sistema proposto não há realimentação de partículas, logo, a quantidade de partículas no interior do bocal decresce com o passar do tempo.

Ainda com relação ao sistema proposto, é importante salientar que no método de SPH, a variável tempo não possui significado cronológico, e seu incremento varia a cada rodada de simulação.

A Figura 6.4 apresenta a interface do sistema, o qual indica a quantidade total de

partículas e os arquivos de dados gerados para cada passo de tempo, bem como

seus respectivos incrementos.

45

45 Figura 6.3 – Posicionamento inicial das partículas. Figura 6.4 – Interface do sistema. As Figuras

Figura 6.3 – Posicionamento inicial das partículas.

45 Figura 6.3 – Posicionamento inicial das partículas. Figura 6.4 – Interface do sistema. As Figuras

Figura 6.4 – Interface do sistema.

As Figuras de 6.5 a 6.9 ilustram o comportamento das partículas de fluido, ou seja, a simulação do escoamento para o ensaio de impingimento a jato relatado.

46

46 Figura 6.5 – Simulação no tempo 0 segundos. Figura 6.6 – Simulação no tempo 2,24983x10

Figura 6.5 – Simulação no tempo 0 segundos.

46 Figura 6.5 – Simulação no tempo 0 segundos. Figura 6.6 – Simulação no tempo 2,24983x10

Figura 6.6 – Simulação no tempo 2,24983x10 -3 segundos.

47

47 Figura 6.7 – Simulação no tempo de 4,73071x10 - 3 segundos. Figura 6.8 – Simulação

Figura 6.7 – Simulação no tempo de 4,73071x10 -3 segundos.

– Simulação no tempo de 4,73071x10 - 3 segundos. Figura 6.8 – Simulação no tempo de

Figura 6.8 – Simulação no tempo de 7,51601x10 -3 segundos.

48

48 Figura 6.9 – Simulação no tempo de 1,05458x10 - 2 segundos. Analisando a simulação em

Figura 6.9 – Simulação no tempo de 1,05458x10 -2 segundos.

Analisando a simulação em cada passo de tempo, pode-se notar que há uma dispersão de partículas muito acentuada em determinados instantes, fato que dificulta o levantamento dos perfis de velocidade, além disso, é notório que há determinados pontos com pequena quantidade de partículas o que pode gerar erros nas propriedades calculadas no local.

De posse dos dados dinâmicos das partículas, ou seja, posição e velocidade, foi possível calcular a distribuição da tensão de cisalhamento, bem como a distribuição de pressão sobre superfície impingida.

Entretanto o método de SPH permite calcular as propriedades hidrodinâmicas para as partículas e não para os contornos, logo se torna necessário aproximar a tensão e cisalhamento e a pressão na superfície, para valores iguais aos calculados para as partículas mais próximas, fato este que gera algumas oscilações nos resultados, uma vez que se admite uma tolerância de proximidade.

49

As Figuras 6.10 e 6.11 ilustram o comportamento das partículas próximas a

superfície no tempo de 7,51601 x 10 -3 segundos.

Partículas próximas a superfície
Partículas próximas a
superfície

Figura 6.10 – Partículas próximas a superfície no instante de 7,51601x10 -3 segundos.

Faixa de tolerância
Faixa de tolerância

Figura 6.11 – Ampliação das proximidades da superfície para um tempo de 7,51601x10 -3 segundos.

Após efetuar simulações variando o valor da tolerância de proximidade, chegou-se a

conclusão que o valor mais adequado é 0,0002 m, tendo em vista que houve uma

50

convergência nos valores da tensão de cisalhamento na faixa de tolerância compreendida entre 0,00015 e 0,0003, conforme mostrado na Figura 6.12.

400 350 300 250 200 150 100 50 0 0,03 0,035 0,04 0,045 0,05 -50
400
350
300
250
200
150
100
50
0
0,03
0,035
0,04
0,045
0,05
-50
ζ (Pa)

Tolerâncias de proximidade (m)

0,0001

0,00015

0,0002

0,00025

0,0003

0,00035

Figura 6.12 – Efeito dos valores da tolerância de proximidade sobre a tensão de cisalhamento.

Além da tolerância de proximidade à superfície é importante citar que o cálculo da tensão de cisalhamento na superfície está intimamente ligado a derivada do perfil de velocidade quando y = 0 , porém é possível que na posição da superfície em

questão não haja partículas suficientes para obter com exatidão o perfil de velocidade, logo foi utilizado um artifício de aproximação semelhante ao já citado, onde se estabeleceu uma faixa de tolerância utilizando partículas das proximidades no levantamento do perfil de velocidade da posição desejada, conforme ilustrado na Figura 6.13.

51

Faixa de

tolerância

51 Faixa de tolerância Posição exata Figura 6.13 – Ampliação da distribuição de partículas em x
51 Faixa de tolerância Posição exata Figura 6.13 – Ampliação da distribuição de partículas em x

Posição

exata

Figura 6.13 – Ampliação da distribuição de partículas em x = 0,035 m, onde se deseja levantar o perfil de velocidades

A Figura 6.14 mostra o perfil de velocidades levantado na posição da superfície

x = 0,037 m, onde foram utilizadas partículas que estivessem dentro da faixa de

tolerância: 0,0368 ≤ x ≤ 0,0372 , ou seja, tolerância de proximidade de 0,0002 m.
tolerância: 0,0368 ≤ x ≤ 0,0372 , ou seja, tolerância de proximidade de 0,0002 m.
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
y/r
u/U

Figura 6.14 – Perfil de velocidades em x = 0,037 m, com tolerância de proximidade de 0,0002 m

52

De posse do perfil de velocidades é possível aproximar uma curva utilizando algum método numérico como, por exemplo, o método dos mínimos quadrados. A Figura 6.15, mostra uma curva aproximada para o perfil de velocidades apresentado.

u/U

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0

u/U 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0,0 0,5 1,0 y/r 1,5 2,0
u/U 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0,0 0,5 1,0 y/r 1,5 2,0
u/U 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0,0 0,5 1,0 y/r 1,5 2,0
u/U 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0,0 0,5 1,0 y/r 1,5 2,0
u/U 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0,0 0,5 1,0 y/r 1,5 2,0

0,0

0,5

1,0

y/r

1,5

2,0

Figura 6.15 – Aproximação de curva para o perfil de velocidades em x = 0,037 m

Uma vez conhecido o perfil de velocidades interpolado é possível encontrar a distribuição da tensão de cisalhamento ao longo da superfície, através do cálculo de sua derivada de primeira ordem. A Figura 6.16 apresenta a distribuição da tensão de cisalhamento na superfície, resultado este que se encontra dentro do esperado, conforme verificado na literatura por Bouainouche, Bourabaa e Desmet (1997).

Como forma de validação dos resultados obtidos, foi realizada a comparação entre a distribuição da tensão de cisalhamento obtida pelo método de SPH, com àquela obtida pela equação de Giralt e Trass, equação 3.9, dentro de seu intervalo de validade, conforme mostrado na Figura 6.17. Após análise dos resultados pode-se notar que há muitas oscilações nos valores da tensão de cisalhamento obtidos pelo SPH, que provavelmente podem estar relacionados à faixa de tolerância de aproximação estabelecida para calcular a tensão na superfície, além disso, a partir de 0,037 metros (37 milímetros) os resultados do obtidos pelo método de SPH foram satisfatórios.

53

53 Figura 6.16 – Distribuição da tensão de cisalhamento ao longo da superfície para velocidade de

Figura 6.16 – Distribuição da tensão de cisalhamento ao longo da superfície

para velocidade de 0,5 m/s.

ao longo da superfície para velocidade de 0,5 m/s. Figura 6.17 – Comparação entre a tensão

Figura 6.17 – Comparação entre a tensão de cisalhamento obtida pelo SPH com a obtida pela equação de Giralt e Trass (EFIRD, 2000).

54

Também foi levantada a distribuição de pressão ao longo da superfície, conforme mostrado na Figura 6.18, porém por falta de dados semelhantes na literatura não foi possível validar os resultados, mas é possível notar que os resultados são fisicamente consistentes, apesar de apresentarem certa oscilação em torno do eixo x, ocasionando valores de pressão negativos.

torno do eixo x, ocasionando valores de pressão negativos. Figura 6.18 – Distribuição da pressão ao

Figura 6.18 – Distribuição da pressão ao longo da superfície para velocidade de 0,5 m/s.

55

7. CONCLUSÃO

Nesta dissertação foi apresentada uma metodologia de simulação física de um escoamento baseada na aproximação de SPH das equações de Navier-Stokes. O método mostrou-se muito robusto para a aplicação proposta, onde o escoamento não possui um formato bem definido da superfície livre.

Como resultados numéricos relevantes foram obtidos as distribuições da tensão de cisalhamento e da pressão ao longo da superfície impingida, parâmetros estes extremamente importantes no estudo da corrosão acelerada por escoamento, principalmente a tensão de cisalhamento, que quando comparada com os resultados obtidos através da já consolidada equação de Giralt e Trass (Efird, 2000), mostrou- se satisfatória. Vale ainda ressaltar que a distribuição de pressão, encontra-se próximo ao esperado, conforme relatado na literatura.

O método de SPH mostrou-se uma ferramenta muito apropriada para auxiliar os estudos de corrosão induzida por escoamento, principalmente nos casos onde haja fronteira livre como o ensaio de impingimento a jato, analisado neste trabalho. Porém, algumas melhorias ainda necessitam ser implementadas, como por exemplo, um procedimento para realimentação de partículas de fluido de forma otimizar o processo de simulação, a inserção de uma rotina capaz de calcular diretamente a derivada da velocidade u na superfície impingida, bem como incluir no algoritmo o cálculo da concentração de oxigênio através da equação da difusão mássica em termos da concentração molar, uma vez que este é um parâmetro de grande influência nas reações de oxidação desenvolvidas na superfície da amostra.

Além disso, este trabalho foi realizado baseado na premissa de que o fluido impingido sobre a superfície da amostra não possuía partículas sólidas em concentração suficiente para provocar erosão, ou seja, a perda de massa se daria unicamente devido a corrosão, mas em boa parte das aplicações práticas as duas formas de desgaste podem coexistir, logo, para simular o desgaste real da superfície seria necessário efetuar modificações consideráveis no algoritmo utilizado, pois além das partículas de fluido haveria partículas de sólido, o que afetaria as propriedades

56

do fluido e a própria dinâmica do escoamento. Bui et al. (2007), em seu trabalho sobre simulações numéricas da interação solo-água, no qual simula o processo de escavação do solo com jato d’água usando o conceito de um escoamento bifásico, apresenta alguns modelos que poderiam ser aplicados.

57

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