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Processos de Cura na Bíblia e na vida

Alexandre Rangel1

Apresentação

“ tendo dito isso, Jesus cuspiu na terra, fez lama


com saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe
disse: vai lavar-te na piscina de Siloé – que quer
dizer Enviado. O cego foi, lavou-se e voltou
vendo.” (Jo 9,6-7)

Esse artigo traz uma serie de reflexões sobre a minha


experiência e aprendizado com um grupo de portadores/as de HIV.
Em 2002 minha curiosidade e vontade de aprofundar sobre o tema da
morte me colocou em contato com um grupo de portadores/as que se
reuniam a cada 15 dias em Brasília. Nunca imaginei que iniciaria uma
profunda jornada de descoberta sobre a vida e seu sentido.
A experiência provocou uma mudança na minha visão sobre a
cura, doença e a saúde. Descobri com o grupo que existem doenças
que não serão curadas e que algumas doenças podem levar a muitas
outras curas, talvez mais profundas do que as visíveis. Comecei a me
perguntar ao longo da experiência: quais curas eu mesmo precisava
em minha vida e em minha ação pastoral? Parando um pouco para
pensar, consegui ver as diversas doenças presentes na vida das
pessoas e das realidades, a maioria das doenças são promovidas pelo
descaso, pela discriminação, pela indiferença e, sobretudo, pelas
desigualdades de um sistema injusto como vivemos em nosso
mundo.
No grupo de portadores/as percebi que a maior doença a ser
vencida/curada ainda é a discriminação ou como dir-se-ia no tempo
da Bíblia “esse é um dos maiores espíritos impuros” que existe
atrelado ao HIV. Um dia no grupo recebi uma pergunta anônima
“Alexandre você teria coragem de namorar com uma portadora de

1
Educador Popular, assessor do CEBI Planalto Central e assessor do Movimento
Sem Terra.
HIV?”, respondi de imediato que sim, mas depois fiquei pensando na
pergunta e no sentimento que passou por mim, e dei-me conta do
tamanho que é o abismo provocado pelo vírus chamado: medo e
discriminação.
Descobri diversos processos de cura nessa experiência, perdi
muitos dos preconceitos com rituais como: as missas de cura, cessões
mediúnicas, curandeirismo, macumbaria; mantenho minha visão
crítica, mas consigo perceber o valor de cada uma das experiências e
como elas podem gerar vida. Nesse contexto, a minha visão foi
definitivamente transformada com a experiência que fizemos
acompanhando a Afonso em sua fase terminal.
O Afonso era uma das pessoas mais materialistas do grupo, em
“nada” acreditava, tinha uma visão sobre a morte como fim e nada
mais; ele geralmente me afrontava nas reflexões que eu conduzia
sobre a morte e o sentido da vida. Ele entrou em um processo de fase
terminal, mas não morria, percebi em uma das minhas visitas que ele
estava com medo de morrer, pois queria viver ao máximo, já que a
morte é o fim. Um dia ele nos pediu para ir procurar um médium que
reside na cidade de Abadiânia – GO. Muitas pessoas vão procurar cura
com esse médium. Um casal que coordenava o grupo levou o Afonso.
Chegando lá ele falou “aqui sinto uma paz, e se alguém pode fazer
algo por mim é esse homem”, ele fez a consulta com o médium e
voltou. Na mesma semana ele chamou a ex-mulher e pediu para ela
escrever orientações, depois entrou em coma e, assim que os filhos
chegaram ao hospital, ele morreu. De alguma forma ele fez uma
experiência sagrada com o médium, e nem tanto pelo médium, mas
pelo espaço de experiência do sagrado. Acho que como Buda eu
descobriu uma nobre verdade: temos que procurar criar espaços de
cura, de experiências do sagrado, espaços terapêuticos. É nesse
sentido que as missas de cura, terreiros, centros mediúnicos “podem”
ser espaços de experiências do sagrado.
O caminho reflexivo que vou trilhar parte dessas experiências
que vivi com o tema da cura e saúde, é uma reflexão organizada
pelos/as mestres e doutores/as da vida, da resistência e da luta pela
“cura”, em busca do sentido e qualidade de vida. Entendo como
processo de cura 3 elementos: A Consciência das Doenças, A
Busca pela Cura e a Descoberta da Saúde. Uma profunda
vivencia desses elementos pode conduzir à experiência de superar a
fragmentação em direção à integração do ser.

A Consciência das Doenças

“...habitava no meio das tumbas e ninguém


podia dominá-lo, nem mesmo com correntes.
Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões
e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e
estraçalhava as correntes e ninguém conseguia
subjugá-lo. E sem descanso, noite e dia,
perambulava pelas tumbas e pelas montanhas,
dando gritos e ferindo-se com pedras.” (Mc 5,3-
5)

Na tradição judaica, no tempo de Jesus, as doenças eram vistas


como resultado da possessão por espíritos impuros ou demônios.
Geralmente as doenças que alteram a “sanidade” mental eram
consideradas “espírito impuro” e as demais como sendo ação do
demônio.
Uma visão religiosa mais ligada a uma teologia da retribuição
afirmava que se uma pessoa é pobre, doente e sem filhos é porque
pecou, ou se nasceu doente é porque seus pais pecaram, essa visão é
bem demonstrada no livro de Jó no debate entre ele e seus amigos (Jó
12 a 17). A pergunta dos discípulos a Jesus sobre o cego de nascença
deixa outro exemplo dessa visão teológica: “seus discípulos
perguntaram: Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse
cego?” (Jo 9,2), ou seja a doença provem do pecado, portando as
pessoas doentes são pecadoras e não podem freqüentar o templo.
Na própria Bíblia há resistência a esse tipo de teologia. Jó, por
exemplo, não aceita que uma pessoa é pobre e doente porque pecou
e por isso discute com seus “amigos” e em seqüência discute com o
próprio Deus (Jó 38 e 39). Na experiência de Jó ele descobre um Deus
de amor e ternura, ou seja, no mesmo livro temos duas visões
diferentes da relação com o sagrado e com o tema da doença: na
descoberta de Jó, não é Deus quem castiga as pessoas com doenças,
pois estas são resultados da ação humana, já na visão dos amigos é
castigo de Deus pelo pecado cometido.
A doença foi adquirindo uma visão que passou de pecado, para
manifestação do mal, do demônio, do espírito impuro, diferente da
maioria dos textos do AT que apresenta o mal/ doença (cólera), vindo
da mesma origem divina, muitas vezes é a ação divina de punição
pela quebra de aliança.
O personagem de Jó pode ser para nós uma imagem de alguém
que busca a vida para além da doença, para além da visão que
escraviza a pessoa na doença. Jó é a pessoa que tem coragem de
dizer que a doença não é simplesmente a ação de um pecado
individual como castigo de Deus, mais sim do modo de vida
destrutiva da humanidade. O passo dado por Jó pode ser uma luz no
caminho para o processo de cura, é preciso primeiro mergulhar fundo
para ter consciência das doenças, que dominam os corpos, isso Jó fez
questionando, desacreditando para acreditar, ele chega a raiz dos
problemas, ele descobre que os problemas não são as doenças e sim
o caminho escolhido pelo ser humano.
Outro exemplo forte na Bíblia é o da mulher com hemorragia
(hemorroísa), com uma doença de sangramento há 12 anos, ela se
lança em uma grande busca por cura, só quando ela descobre o
processo e o caminho que tem de passar, ela encontra a saúde
(salvação), e por conseguencia encontra a cura. Não sabemos neste
texto se a cura que ela encontrou foi do sangramento, mesmo que ela
tenha sentido no corpo que o fluxo de sangue parou, ela pode ter
encontrado outras curas para sua vida e através de seu testemunho
mais pessoas puderam ser curadas, ou melhor, aceitas na sociedade,
independente das doenças que possuíam. Em uma comunidade uma
vez uma senhora afirmou: “já sei porque essa mulher encontrou a
cura, porque ela saiu de casa, se ela ficasse só em casa, cuidado da
casa, de filho e de marido ela não tinha se curado”, Essa mulher, a
partir do estudo bíblico, encontrou um caminho de cura, de saúde,
muitas vezes é preciso SAIR para ter consciência.
Na experiência com grupo de portadores a descoberta da
doença é sempre muito sofrida e dolorida, em geral o primeiro
sentimento que as pessoas têm é de que vão morrer, depois vem o
medo de ser descoberta, das pessoas saberem, o medo da
discriminação, e mais a frente o medo do sofrimento e o medo da
morte.
São muitos os medos que passam pelo corpo das pessoas que
descobrem uma doença terminal. Esses medos, na maioria das vezes,
contribuem para o avanço da doença. Porém essas pessoas, através
da experiência da doença, podem encontrar a oportunidade de
superar o medo e achar um sentido ainda mais profundo para a vida,
eu testemunhei diversas experiências nesse sentido, em grupos com
doenças “incuráveis”.
Este processo nos demonstra que a consciência das doenças
pode ajudar a encontrar um caminho mais profundo para a vida, para
a superação do medo, mesmo que seja a descoberta de outros tipos
de doença. No mundo de hoje é difícil um corpo que não esteja
doente. Podemos dizer que hoje precisamos além de ter consciência
das doenças físicas (patológicas), precisamos também ter consciência
das doenças somatizadas (psicológicas), há muita depressão, apego,
fobias, falta de sentido na vida e assim por diante.
No humorado livro o médico e palhaço Path Adams (ADAMS,
1998: p. 3-8), sugere que um passo importante para a cura ou
convivência com a doença é conhecê-la bem. Ele sugere que a
pessoa a estude, saiba sua origem e brinque, trate a doença como
uma irmã passageira, repleta de dicas e caminhos.
Na tradição dos padres do deserto2, o primeiro passo do
caminho espiritual estava em ir para o deserto em busca de encontrar
2
Os Padres do Deserto eram monges que procuravam viver uma espiritualidade do
deserto, muitos deles, viviam enclausurados em mosteiros em regiões isoladas ou
ate mesmo no deserto. Alguns estudiosos afirmam que a origem desses
Padres(monges) do deserto são os Essênios.
com os demônios e só depois de superá-los se podia ouvir com mais
profundidade a voz divina, a voz da saúde (salvação). Esses demônios
são como as diversas doenças que habitam no corpo, doenças que
muitas vezes podem indicar o caminho da luz, da vida.
Em uma casa de um amigo no Piaui ouvi um visitante narrar a
história de luta da mulher dele pela superação de um câncer na
mama, ele narrou com detalhe os processos de quimioterapia e com
propriedade falou “quando ela faz quimioterapia o corpo reage com
febre, isso é bom, pois a febre indica que o corpo está reagindo a
doença”, ele tem uma forte consciência de que a febre não é um
problema e sim um indicativo de saúde, de resistência do corpo.
Por fim, a consciência das doenças pode estar profundamente
ligada a consciência social, muitas doenças tem em suas raízes
problemas sociais, os principais deles são: A fome; a pobreza, falta de
saneamento, falta de lazer etc. os problemas sociais causam mais
doença do que qualquer outro vírus, morre mais gente de fome,
pobreza e contaminação do que de AIDS e câncer juntos.
As doenças podem ser instrumentos de diagnósticos de
problemas sociais, para tanto é preciso ter consciência e se olhar
para além das doenças para ser diagnosticado tais problemas,
lembro-me que em uma cidade do interior do nordeste tinha um alto
índice de reprovação escolar, após muito estudo comprovou-se que a
dificuldade de aprendizado das crianças estava na fome, isso é um
exemplo de como se diagnosticar um problema raiz que gera doença.

Pontos para reflexão


a) Doença não é oposto á saúde, sendo assim é preciso ter
consciência dos motivos que deixam o corpo doente;
b) Ter consciência das doenças é ter consciência do próprio corpo
e dos caminhos de uma vida cada vez mais saudável.
c) Existem diversas doenças que não possuem curas, sendo assim
é preciso aprender a conviver com a mesma – isso também
significa ter saúde.
d) As doenças não são frutos do castigo de Deus, e sim do modo
de vida humano.
e) A Consciência das doenças ajuda na superação do medo, da
culpa.
f) Tratar as doenças com humor pode ajudar na superação ou
convivência com as mesmas.
g) Muitas doenças são provocadas por desigualdades e injustiças
sociais, é necessários diagnosticar tais problemas e combatê-
los o resultado será a promoção da saúde.

A Busca pela Cura


Nada a temer senão o
correr da luta
Nada a fazer senão
esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa
procura
Fugir às armadilhas da
mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim
(Milton Nascimento-
Caçador de mim)

A palavra cura já no latim primitivo significa: cuidado, atenção,


diligência, zelo. O verbo curo, curare, tinha o significado de: cuidar
de, olhar por, dar atenção a. A busca pela cura é a busca pelo
cuidado, pela atenção, ou seja, é mais do que se curar uma patologia,
uma ferida.
O cuidado é a dimensão mais profunda da ética, da compaixão
(BOFF, 2004: p. 31-33). Promovemos cura quando cuidamos, quando
damos atenção as pessoas, aos seres e as plantas, mesmo que esse
cuidado não resulte na eliminação da doença.
A busca pela cura/cuidado é um dos elementos mais fortes da
fé na vida das pessoas, pela cura as pessoas se movem em vários
sentidos, é pela cura que se explica o grande crescimento da
espiritualidade de tipo pentecostal. Infelizmente muitas instituições
se aproveitam da fragilidade das pessoas em busca da cura para
promover a manipulação.
Olhando do ponto de vista da pessoa, a busca pela cura, é um
passo importante no processo que pode conduzir as mais variadas
experiências. O significado da palavra “buscar” em português é:
descobrir, encontrar, procurar, conhecer, achar o significado,
esforçar-se. Com base no significado podemos dizer que a palavra
cura tem por sinônimo a palavra: movimento, não existe busca
parada, é preciso colocar-se em movimento, colocar-se no caminho.
Na Bíblia a pessoa que encontra a felicidade é a pessoa que se coloca
a caminhar, que se coloca em marcha3, em movimento, parado a
pessoa não encontra a cura/felicidade/salvação. Juntando os
significados buscar pela cura é: descobrir, encontrar e conhecer o
CUIDADO.
No processo de cura e a saúde é preciso haver movimento, na
tradição bíblica, sem movimento não há vida, nesse sentido podemos
entender o papel das figuras do “mal”, a palavra demônio quer dizer
pedra no caminho, ou seja, todas as coisas que atrapalham o
caminho, o movimento, podem ser consideradas como o demônio. As
doenças muitas vezes são como uma pedra no caminho que retira o
corpo da pessoa do caminho é nesse sentido que muitas doenças são
identificadas como possessões demoníacas.
É preciso ter consciência de que as coisas não são dualistas,
mesmo a doença sendo identificada como uma pedra que atrapalha o
caminho (demônio) é preciso não ver a doença como uma oposição a
saúde, as doenças muitas vezes são indicativos de caminho de saúde,
é aquela pedra no caminho que às vezes nos faz parar, porém cabe a
cada um(a) fazer da parada um momento de re-descoberta da saúde
e seguir adiante. Nessa lógica a doença pode ajudar em
redescobertas importantes do nosso corpo, de nosso ser. Um exemplo
concreto é uma pessoa que adoece facilmente, tendo gripes, febre

3
Vide sermão, das Bem Aventuranças, MT 5, 2-11
repentina, se tal pessoa se concentra apenas em tomar remédio para
retirar a pedra do caminho (doença), e não reflete sobre o motivo da
doença, essa pessoa pode não encontrar a cura. Muitas doenças são
as vozes do corpo gritando para dizer que existe alguma coisa errada
no modo de viver.
Na vida de curandeiro de Jesus, narrado nos evangelhos, a
penas uma cura foi feita com a pessoa parada, em que Jesus toma a
iniciativa, é o caso da cura do cego de nascença em João 9, como
esse texto é apenas uma narrativa feita no evangelho de João não é
possível averiguar a historicidade do mesmo, já as demais curas
aconteceram em um movimento de busca da pessoa doente/possuída
ou a busca feita por um dos familiares, veja alguns exemplos:

“22 E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas


regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de
mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. 23 Ele,
porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos,
aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando
atrás de nós. 24 Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão
às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25 Ela, porém, veio e o
adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! 26
Então, ele,
respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-
lo aos cachorrinhos. 27 Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor,
porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da
mesa dos seus donos. 28 Então, lhe disse Jesus: Ó mulher,
grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde
aquele momento, sua filha ficou sã.” (Mateus 15:22-28)

No texto a cima, temos o movimento da mulher Cananéia em


busca de cura para a filha possuída por um demônio (doença), a mãe
em muitas culturas é a figura que cuida da saúde das crianças,
geralmente a mãe faz todos os movimentos necessários, usa ervas,
chás, benzeção etc. nesse texto, temos mais uma mãe desesperada,
em busca, em movimento.
O encontro com Jesus não é agradável, Jesus ignora a mulher,
não quer atender-lhe, mesmo assim a mulher insiste, correndo atrás e
gritando, a ponto de incomodar os apóstolos, que de imediato
insistem para a intervenção de Jesus.
A resposta de Jesus é grosseira, ele compara a mulher com os
cachorinhos dizendo: Não é bom tomar pão dos filhos e dá-los aos
cachorinhos, a resposta da mulher é extraordinária: até os cachorros
merecem comer das migalhas que caem. Na atitude de busca da
mulher ela proporciona um espaço de cura, de cura de uma relação
prepotente do povo de Jesus que se julga mais sagrado que os
demais. Podemos dizer que essa mulher ensina a Jesus que diante da
fé todos temos a mesma origem.
É a atitude da mulher que cura a filha, essa atitude é a fé, e a fé
é a busca, o movimento, quantas mães promovem curas a seus filhos
diariamente, santa são as mãos que acolhem, os chás que acalentam
e o velar do sono que protege e assim muitos filhos e filhas seguem
com saúde.
Um fato neste texto é importante, não basta somente à fé da
mulher para curar a filha, é preciso existir relações, ela força um
espaço de relacionamento com Jesus, um espaço de descoberta e de
atenção. Na relação mulher-Jesus-Apostolos, muitas doenças são
vencidas, e a principal delas é a doença da divisão, da discriminação,
do fanatismo religioso e patriarcalismo.
No texto em que Jesus cura dez leprosos (Lc 17,11-19), os cegos
(Mc 10, 46-52), a mulher com hemorragia (Mc 5, 25-34), o empregado
do centurião (LC 7,1-10), a filha de Jairo (Mc 5,21-24.35-43), todos
esses textos tem em comum o movimento de busca, o colocar-se no
caminho com fé, e nesse caminho muitas coisas acontecem,
encontros e desencontros, alegrias e tristezas e no reencontro da vida
acontece o milagre do encontro da saúde e do sentido da vida.
Ultimo elemento importante no movimento da cura/cuidado é o
da prevenção, muitas doenças podem ser evitadas com uma re-
orientação da vida, já no livro do Eclesiastico há uma importante
orientação a esse respeito:
“Meu filho, experimenta tua alma durante tua vida; se o poder
lhe for nefasto, não lho dês, pois nem tudo é vantajoso para
todos, e todos não se comprazem nas mesmas coisas. Nunca
sejas guloso em banquete algum; não te lances sobre tudo o
que se serve, pois o excesso no alimento é causa de doença, e
a intemperança leva à cólica. Muitos morreram por causa de
sua intemperança, o homem sóbrio, porém, prolonga sua
vida.” (Eclo 37, 30-34).

Um dos primeiros elementos da prevenção é cuidar da


alimentação, pois no excesso ou falta de alimentos necessários
residem muitas doenças. Para acontecer a prevenção, a exemplo do
texto acima, é necessário haver orientação, processo educativo, para
que as pessoas modifiquem sua cultura alimentar, de limpeza e ate
de cuidado com o próprio corpo.

Pontos para reflexão

a) A Busca pela Cura é a descoberta do cuidado.


b) Sem movimento não há relação e sem relação não há cura e
nem cuidado.
c) O cuidado conduz pessoas para transformações concretas no
modo de viver.
d) Sempre existem curas, mesmo quando há doenças não
“curáveis”, pois é possível encontrar o cuidado em qualquer
condição.
e) Todas as pessoas podem promover cura, basta descobrir a
dimensão do cuidado e por meio dele o carinho, toque, alegria
contagiar vida.
f) A prevenção é também um importante elemento de cura, cuidar
da alimentação, do corpo, dos sentimentos é um caminho da
saúde plena.
g) No movimento de busca é preciso fomentar orientações de
cuidados e saúde para com o próprio corpo, alimentação e
higiene.

A Descoberta da Saúde

A saúde é o elemento fundamental para a vida, podemos


afirmar que dentro desta descoberta está tudo o que se relaciona ao
corpo e a qualidade de vida. Em suas origens gregas, o significado da
palavra saúde é, dentre outros, ser inteiro, integridade. A organização
Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “completo bem-estar
físico, mental, social e político”.

Uma palavra muito importante para o cristianismo é a palavra


salvação, essa palavra tem muito haver com o estudo da saúde, pois
o seu significado deriva de uma palavra que em seu radical (no
grego) significa: conservar são e salvo, preservar, curar, e no latim a
palavra salvação significa: saúde - o estado do qual a pessoa goza de
plena saúde.

Descobrir a saúde é mais de vivenciar uma cura (no sentido


tradicional4), muitas pessoas até se curam de muitas doenças, mas
não se pode dizer que são pessoas com saúde. O que significa mesmo
descobrir a saúde? A saúde é o equilíbrio, um corpo saudável é um
corpo equilibrado, o corpo que convive, resiste e supera as doenças
no devido momento, uma superação do próprio corpo ou com ajuda
externa. O médico Patch Adams define: “Saúde é uma vida vibrante e
feliz, na qual você utiliza ao máximo o que possui, com enorme
prazer”( ADAMS, 1998. p. 17).

Podemos afirmar também que saúde é quando se tem uma vida


com sentido, uma vida alegre mesmo diante do sofrimento e das
tristezas, é a integração entre doença e cura, morte e vida, para
quem não sabe, o corpo humano passa por mortes todos os dias, é a
morte desde as células como também dos neurônios celebrais e ainda
a morte no sentido psicológico, quando dizemos: é preciso deixar que
muitas coisas morram para que a vida continue.

A visão sobre saúde foi muito distorcida pela lógica ocidental e


suas políticas públicas, muitos sistemas de saúde funcionam apenas
como espaços de tratamento de doenças e não como promoção da
saúde e do cuidado (cura), é nesse sentido que muitos médicos que
trabalham em hospitais acreditam que sua função seja evitar a morte
4
Sentido tradicional ter saúde é está curado de doenças, é um corpo ausente de
doença.
prolongando a vida das pessoas o máximo possível. Na lógica da
promoção da saúde não se luta contra a morte e sim para se ter uma
vida com qualidade, com sentido e felicidade. A morte faz parte da
vida e do sentido, morrer com qualidade é também um indicativo de
qualidade e saúde.
No evangelho apócrifo de Maria Madalena, há uma profunda
clareza da origem de muitas doenças e o que é a saúde, vejamos:

Pedro lhe disse: " Já que nos explicaste tudo, dize-nos isso
também: o que é o pecado do mundo?"
Jesus disse: "Não há pecado ; sois vós que os criais, quando
fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é
chamado 'pecado'. Por isso a Saúde veio para o meio de vós,
para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua
origem."
Em seguida disse: "Por isso adoeceis e morreis [...]. Aquele
que compreende minhas palavras, que as coloque em prática.
A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de
algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se
desequilibra. Essa é a razão por que vos digo: tende coragem,
e se estiverdes desanimados, procurais força das diferentes
manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que
ouça." (LELOUP, ANO 1998: p.5-9)

Há nos textos uma ligação bem interessante entre doença e


pecados, de fato muitos doenças são criadas, pela ação humana e
não são da “natureza divina”, isso não quer dizer que nas origens não
existiam doenças, o que quer dizer é que não existiam doenças que
antecipava a morte.
As principais doenças que matam são frutos de um desequilíbrio
social, muitas têm origem na fome, na poluição, nas desigualdades
sócias, nas injustiças, ou até mesmo em doenças fabricadas em
laboratórios, na contaminação da comida e do solo pelos agrotóxicos,
nas sementes modificadas geneticamente. Esse texto apócrifo
continua sendo uma forte denuncia inclusive para o mundo de hoje,
estamos mais no caminho do pecado (produção de desequilíbrio) do
que no caminho da saúde (equilíbrio)
A partir dos desequilíbrios, segundo o texto, o corpo passa a
produzir uma paixão sem igual (ansiedade, insegurança, medo,
estresse) e com isso as doenças passar a ter mais força do que as
resistências em que o corpo pode superar.
A presença da Jesus é tida como a Saúde, o nome de Jesus em
hebraico Ieshua, significa Aquele que Salva ou salvação, mais pode
significar também Aquele que traz a Saúde (como já vista no
significado das palavras a cima). Jesus é o Deus que tenta conduzir a
humanidade para as origens, para o equilíbrio. Podemos dizer que
encontrar a saúde é nos encontrar com as origens do Ser (aquele que
é)5 e da vida.
Uns dos textos do NT que mais se apresenta essa consciência é o
texto da mulher com hemorragia, acompanhemos a experiência da mulher,
no evangelho de Marcos segundo a tradução João Ferreira de Almeida (Mc 5,
25-34).

“25
Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha
sofrendo de uma hemorragia 26 e muito padecera à mão de
vários médicos, tendo gastado tudo o que possuía, sem,
contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, ficando pior,”

A mulher com sangramento faz dois movimentos, tem


consciência de sua doença e o sofrimento que a mesma traz por 12
anos, esse sofrimento coloca a mulher no caminho de busca pela
cura, chegando a gastar tudo que tinha.

“27
tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre
a multidão, tocou-lhe a veste. 28 Porque, dizia consigo mesma:
Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei serei salva.”

A mulher pensa consigo mesma, toma consciência que busca


mais do que cura, agora ela quer ser salva (ter saúde), essa visão
passa pela relação com Jesus, pela dimensão da fé, de ampliar a visão
para além do tratamento da doença.

29
E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar
curada do seu flagelo. 30 Jesus, reconhecendo imediatamente
que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão,
perguntou: Quem me tocou nas vestes? 31 Responderam-lhe
seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem

5
IHWH – Javé – pode ser traduzido como EU SOU ou AQUELE QUE É.
me tocou? 32
Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera
isto.

O texto nos mostra que a promoção da saúde passa pelo


relacionamento, pelo toque. Quando existe relação existe cuidado e
conseqüentemente a cura. O toque é essencial para a saúde, a
humanidade não existiria sem ele, o texto mostra que o toque
promove a partilha de poder, de cura e saúde (salvação). O livro do
Eclesiástico já orientava sobre a necessidade de se estabelecer outro
tipo de relação com as pessoas doentes, em várias sentidos o texto
afirma:

“estende tua mão ao pobre para que tua benção seja


perfeita. Que tua generosidade atinja os viventes mesmo
aos mortos não recuses a tua piedade. Não fujas dos que
choram, aproxima-te dos que estão aflitos. Não temas
ocupar-te dos doentes, porque será amado por tudo isso.
Em tudo o que fazes, lembra-te do teu fim e jamais
pecará” Eclo 7, 32-36.

Esse texto apresenta diversos elementos para a promoção da


saúde e do cuidado, acolher os que choram, aproximar dos aflitos,
visitar os doentes e estender a mão aos pobres o resultado de tais
ação é o não pecar, ou seja, contribuir para o caminho do equilíbrio. O
texto propões que se tenha atitude em relação aos doentes, que se
faça o movimento de solidariedade, de ajuda, de ação concreta para
a promoção da saúde, isso é igual a evitar o pecado.

33
Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que
nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe
toda a verdade. 34 E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-
te em paz e fica livre do teu mal.

O resultado do caminho da mulher é declarar toda a verdade e


por conseqüência ser salva para gozar de plena saúde. É da boca
desta mulher, antes não ouvida e nem aceita, que sai toda a verdade,
suas buscas e descobertas a conduziram por caminhos que foi da
consciência das doenças a cura, da negação a aceitação.
Por fim, o livro do eclesiástico apresenta uma serie de caminhos
para uma vida intensa e saudável, vejamos:
“Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo
quem o criou.
(Toda a medicina provém de Deus), e ele recebe presentes do
rei:
a ciência do médico o eleva em honra; ele é admirado na
presença dos grandes.
O Senhor fez a terra produzir os medicamentos: o homem
sensato não os despreza. Uma espécie de madeira não adoçou
o amargor da água? Essa virtude chegou ao conhecimento dos
homens. O Altíssimo deu-lhes a ciência da medicina para ser
honrado em suas maravilhas; e dela se serve para acalmar as
dores e curá-las; o farmacêutico faz misturas agradáveis,
compõe ungüentos úteis à saúde, e seu trabalho não
terminará, até que a paz divina se estenda sobre a face da
terra. Meu filho, se estiveres doente não te descuides de ti,
mas ora ao Senhor, que te curará. Afasta-te do pecado,
reergue as mãos e purifica teu coração de todo o pecado.
Oferece um incenso suave e uma lembrança de flor de farinha;
faze a oblação de uma vítima gorda. Em seguida dá lugar ao
médico, pois ele foi criado por Deus; que ele não te deixe, pois
sua arte te é necessária. Virá um tempo em que cairás nas
mãos deles. E eles mesmos rogarão ao Senhor que mande por
meio deles o alívio e a saúde (ao doente) segundo a finalidade
de sua vida. Aquele que peca na presença daquele que o fez,
cairá nas mãos do médico. Meu filho, derrama lágrimas sobre
um morto, e chora como um homem que sofreu cruelmente.
Sepulta o seu corpo segundo o costume, e não descuides de
sua sepultura. Chora-o amargamente durante um dia, por
causa da opinião pública, e depois consola-te de tua tristeza;
toma luto segundo o merecimento da pessoa, um dia ou dois,
para evitar as más palavras. Pois a tristeza apressa a morte,
tira o vigor, e o desgosto do coração faz inclinar a cabeça. A
tristeza permanece quando (o corpo) é levado; e a vida do
pobre é o espelho de seu coração. Não entregues teu coração
à tristeza, mas afasta-a e lembra-te do teu fim. Não te
esqueças dele, porque não há retorno; de nada lhe servirás e
só causarás dano a ti mesmo. Lembra-te da sentença que me
foi dada: a tua será igual; ontem para mim, hoje para ti.” (Eclo
38,1-25)

O texto apresenta diversas orientações para que o “Filho” seja


sensível, que tenha compaixão para com os mortos, chorando e
sentindo como a própria pessoa que sofreu, depois o texto pede para
não se entregar a tristeza, pois a mesma antecipa o fim.
A tristeza é uma realidade na vida da humanidade, ela existe,
porém segundo o texto a questão central não é negá-la, mais sim em
não entregar o coração à tristeza. O texto nos diz que uma vida
saudável tem haver com atitude, em primeiro lugar com o exercício
da compaixão, seguida pela meditação e oração e a superação da
tristeza.
Podemos afirmar que diante do texto quem vive a vida na
alegria encontrou saúde, essa alegria parte das diversas relações de
cuidado, a consciência provém da meditação e da oração no caminho
concreto da solidariedade.
Percebi esse processo em muitas pessoas portadoras de HIV,
primeiro: a descoberta da doença, e no desespero fazer tudo para
buscar tratamento. Em seguida: os medos e ao mesmo tempo as
buscas pelo sagrado, pelo sentido da vida. E em muitos casos: o
aprendizado para com a convivência com HIV e o encontro da saúde,
da possibilidade de viver uma vida com cuidado, intensa, com alegria
e prazer. Hoje olho para muitas pessoas e me emociono vendo uma
vida profundamente solidarias com outras pessoas doentes, a ao
mesmo tempo cheia de sentido e feliz.

Pontos para reflexão

a) Descobrir a saúde é vivenciar o equilíbrio, viver a não dualidade


e a não fragmentação.
b) Um conceito mais amplo de saúde - uma vida vibrante, intensa
e feliz.
c) O toque é um elemento fundamental para as relações humanas
e a promoção da saúde.
d) A Palavra salvação no grego e no latim vem da raiz de uma
palavra, que entre outras coisas, significa saúde, quando
promovo saúde também promovo a salvação.
e) As doenças não são frutos da criação de Deus, mais resultado
da forma de vida humana.

Da fragmentação a integração

A consciência da doença, somado a uma re-significação da


palavra “cura”, pode levar a outras experiências com a saúde. Esse
processo ajuda a superar a antiga fragmentação na abordagem das
questões de “saúde”, onde as pessoas são pedaços de doenças a
serem tratadas. Em uma visão integralizadora torna-se fundamental
perceber a pessoa em sua inteireza, se uma parte do corpo fica
doente isso afeta todo o corpo e como um todo precisa haver
tratamento.
Na visão de integração, as doenças e curas são parte de um
mesmo processo de vida plena de saúde, a plenitude é o pano de
fundo do sentido da vida, como diz Jesus: eu vim para que todos(a)
tenham vida plenamente (Jo 10,10) é nesse contexto de totalidade
que se encontra a superação da fragmentação para a integração.
Nessa lógica de integração deve ser pensando o todo da saúde
articulado a tudo aquilo que pode gerar uma melhor qualidade de
vida, como por exemplo:
1 – Saneamento precisa ser pensando com o todo da casa, da
cidade, da terra. A água é fundamental para a vida e um saneamento
integrador sabe re-aproveitar as diversas águas devolvendo elas para
a terra menos poluída possível. Nessa visão o Ministério da Saúde
tem falado de Saneamento Ambiental, pois se trata de um
saneamento que pensa o todo da relação com os dejetos, tanto os
líquidos, como os lixos, quase tudo pode ser reaproveitado.

2 – Qualidade da moradia além de ser um direito é uma questão de


saúde e qualidade de vida.
Inúmeras matrizes religiosas e cosmologias encontram na casa (a oca
tupi, a oikos dos primeiros cristãos, a bet judaica, o terreiro afro-
brasileiro entre outros) o fundamento psíquico-social das relações dos
seres-humanos entre si e com as demais formas de vida e do
sagrado. Os Estados modernos, se querem realmente produzir
políticas públicas que produzam qualidade de vida e saúde para a
população necessariamente precisarão levar mais a sério o papel da
casa, do lar e da morada na vida das pessoas. Seguindo as intuições
religiosas, a casa deve estar no centro de políticas públicas que visem
de fato a democratização e melhoria da qualidade das relações
sociais.

3 – Sistema Único de Saúde (SUS) deve continuar sendo gratuito,


tendo de avançar ainda mais na qualidade, melhorando nos
tratamentos preventivos e também curativos, nas mais diversas
áreas existentes, cuidando para a não segmentação. Um sistema
pensado para todos (as) faz toda a diferença, sobretudo quando esse
sistema não é privado, baseado no lucro, a saúde não pode ser
tratada como lucro, mais sim como direito essencial.

4 – A qualidade da alimentação e seu caráter de “comida”


determina à saúde, no mundo capitalista a “necessidade” de se
produzir muito e com mais velocidade, criou um crescente processo
de desvinculamento do alimento como coisa social, como comida,
sendo que com a emergência das ciências nutricionais e
comida/alimento virou questão nutricional abstrata. É urgente
vincularmos novamente o alimento a todo processo de produção e
consumo de alimentos. Nesse sentido, por exemplo, não dá para falar
em direito a alimentação e a relação entre alimento e saúde sem
levar em conta as drásticas condições de produção atuais, como o
aumento crescente dos hormônios, uso de agrotóxicos, de uma
produção de monocultivadas.

5 – Meio ambiente – cuidado com as águas, terra, florestas e o ar é


essencial para a saúde dos seres vivos. É preciso ampliar a
consciência de que o ser humano é uma parte do todo de uma vida
chamada planeta terra, e como parte do todo, temos de cuidar da
saúde do planeta.

6 – Espiritualidade – no caminho de uma saúde integrada a


espiritualidades contribuir para a saúde mental e a felicidade das
pessoas. A vida está repleta de experiências, de emoções que
conduzem as pessoas a um sentido, a uma alegria de viver, essas
experiências poder ser cultivadas pelas religiões, pela relação com a
natureza, com o por do sol, com as danças e assim por diante. A uma
mística que envolve o todo da vida, um sentido para além do material
e da razão, no corpo, por exemplo existem um pulmão que respira
inconscientemente, um corpo que tem sede e fome, desejos e
movimentos essenciais para a vida, podemos dizer que uma força
divina age e movem em todos os seres vivos.

7 – O corpo e a sexualidade – não se pode falar em saúde,


plenitude, sem falar do corpo e da sexualidade. Ao longo dos anos o
corpo e a sexualidade foi sendo satanizada, principalmente o corpo
da mulher e dos/a homossexuais, o principal agente de
desvalorização do corpo foi a tradição cristã. O resultado desse
processo foi à criação de uma cultura de medo e castração com o
próprio corpo e a sexualidade. Para uma melhor saude é preciso um
trabalho forte de libertação do corpo de forma em que as pessoas
tenham consciência da importância do prazer, de uma vida sexual
sem culpa, da relação com o próprio corpo e a sexualidade.

8 - Um outro mundo é possível– o sistema capitalista é o maior


provocador de doenças e desequilíbrio em vários sentidos, afetando
as possibilidades de uma boa saúde do planeta e das pessoas,
transformando tudo em mercadoria e em lucro. Para a saúde do
planeta torna-se necessário a derrota desse mal chamado capitalismo
e assim anunciar, um outro mundo possível, tornando o centro da
vida - um mundo igualitário e justo no sentido financeiro, de gênero,
etnia, identidade sexual entre todos os seres vivos do planeta.
Os elementos citados a cima são os fundamentais para uma
visão integralizadora, cada um deles devem ser bandeira de luta para
que a vida seja melhor e plena, pois uma pessoal que tem boa
alimentação, políticas públicas de estímulos e cuidado com a saúde,
moradia, saneamento, cuidado com meio ambiente, está no caminho
da salvação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOFF, Leonardo – Saber Cuidar. Vozes. 2004


LELOUP, Jean Ives. O Evangelho de Maria – Míriam de Mágdala. Vozes.
1998
PATCH, Adams – O Amor é Contagioso. Sextante. 1998
VENDRAME, Calisto – A Cura dos Doentes na Bíblia. Edições Loyola,
São Camilo. 2001
SOCIEDADE DO BRASIL – Chave Bíblica. Edição na baseada na
tradução João Ferreira de Almeida.

Alexandre Rangel
perei@terra.com.br