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Cuidado ao analisar a margem operacional

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O Estrategista

22/02/2013 - 17:23 Postado por: André Rocha Seção: Análise de ações

Cuidado ao analisar a margem operacional

A margem operacional é uma das medidas mais importantes da análise

fundamentalista. O investidor deve estar atento especialmente a sua evolução ao longo do tempo. Quais as particularidades dessa importante métrica?

É racional que os investidores prefiram ações de companhias que apresentem

crescimento consistente da margem operacional, mas mesmo nessas situações há algumas armadilhas. O cultuado investidor Philip Fisher não gostava de companhias que mantinham a margem estável ou a otimizavam devido somente ao aumento de preços. Esta estratégia, em regra, tem uma eficácia temporária, pois é consequência de um desbalanceamento de curto prazo entre demanda e oferta. A partir do momento em que os concorrentes aumentam a capacidade produtiva, a vantagem competitiva se extingue. Fisher achava mais eficiente aplicar em empresas que buscavam expansão de margens por intermédio da introdução de novos produtos e controle de custos.

Além disso, a queda da margem operacional não deve ser vista necessariamente como negativa. No post “A queda da margem operacional é sempre uma má notícia?

(http://www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/989200/queda-da-margem-

operacional-e-sempre-uma-ma-noticia)”, de 26/08/11 mostrei que a redução da margem pode ser oriunda de diversos fatores, endógenos ou exógenos, como:

expansão em segmentos de menor margem operacional; direcionamento ao mercado externo em um momento de valorização cambial; estratégia de incremento de participação no mercado local (ganho de “market share”) e descasamento momentâneo entre aumento de custos e repasse de preços. Outro ponto que deve ser observado é que uma companhia com boa parte de seus custos variáveis, como empresas de serviços, tem mais dificuldades de expandir suas margens e nem por isso deixam de ser boas opções de investimento.

Fisher em seu livro “Ações comuns, lucros extraordinários” elenca outra razão. Algumas companhias, em determinados momentos, apresentam incrementos de despesas com pesquisa e desenvolvimento de produtos e promoção de vendas. Nesse caso, a margem pode estar temporariamente baixa, mas, se a companhia for bem sucedida em sua estratégia, ela deve apresentar forte crescimento nos anos seguintes.

http://www.valor.com.br/imprimir/post/3019116/valor-investe/o-estrategista/3019116/c

23/7/2013

Cuidado ao analisar a margem operacional

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Fisher chamava a atenção também para o fato de que companhias menores, em regra, tendem a apresentar expansão de margem superior a das companhias maiores em anos prósperos. Mas, por outro lado, em períodos recessivos, suas margens operacionais não se sustentam. Dessa forma, o investidor só deveria investir em empresas menores caso percebesse “fortes indícios de que uma mudança fundamental” estivesse a caminho como, por exemplo, maior eficiência operacional ou desenvolvimento de novos produtos. Com isso a margem operacional poderia se tornar mais consistente o que justificaria a compra das ações.

http://www.valor.com.br/imprimir/post/3019116/valor-investe/o-estrategista/3019116/c

23/7/2013