Você está na página 1de 48

Refração Óptica

Professor:
Alejandro Pedro Ayala

Departamento de Física 13-03-2008


Óptica Refração
Índice de Tópicos

Reflexão
Índice de Tópicos:

Leis da reflexão e da refração

Princípio de Fermat

Princípio de Huygens

Exemplos

Reflexão interna total

Equações de Fresnel

Tópicos Pág. 2
Óptica Refração
Leis da reflexão e da refração

Refração numa interface

Tópicos Pág. 3
Óptica Refração
Leis da reflexão e da refração

Freqüência entre meios


Quando a luz que viaja de um meio a outro a 
freqüência se mantém constante:
– Os frentes de onda não podem ser 
empilhados, nem criados ou 
destruídos, então f deve ser a mesma. 
– A velocidade e o comprimento de onda 
devem mudar. 

v1 v2
f1 = f 2 =
λ1 λ2
λ1 v1 c / n1 n2
= = =
λ2 v2 c / n2 n1

Tópicos Pág. 4
Óptica Refração
Leis da reflexão e da refração

Alguns índices de refração

Tópicos Pág. 5
Óptica Refração
Leis da reflexão e da refração

Raios refletidos e refratados

1 Raio incidente
2 Raio refletido
3 Raio refratado do ar para 
o vidro
4 Raio refletido 
internamente
5 Raio refratado do vidro 
para o ar.

Tópicos Pág. 6
Óptica Refração
Leis da reflexão e da refração

Leis da reflexão e da refração


As leis da reflexão e refração foram estabelecidas
empiricamente:

Leis da reflexão
1ª lei - os raios incidente e refletido e a normal à
superfície, estão no mesmo plano (plano de incidência)
2ª lei - os ângulos de incidência e reflexão são iguais

Leis da refração
1ª lei - os raios incidente, refratado e a normal à
superfície de separação dos meios, estão no mesmo
plano (plano de incidência)
2ª lei - os ângulos de incidência e de refração estão
relacionados por:

n1 ⋅ senθ 1 = n 2 ⋅ senθ 2
(Em que n1 e n2 são os índices de refração dos meios de
incidência e transmissão respectivamente)

Tópicos Pág. 7
Óptica Refração
Leis da reflexão e da refração

Tópicos Pág. 8
Óptica Refração
Princípio de Fermat

Refração e o princípio de Fermat


No caso da refração a velocidade, não é a mesma antes e depois da interface... o
“princípio de tempo mínimo” não leva ao “princípio de caminho geométrico mínimo”

Tópicos Pág. 9
Óptica Refração
Princípio de Fermat

Refração e o princípio de Fermat


O tempo de trânsito da luz de A para B é dado por :

d 2 + (b − x )
2
d +x
2 2
t AB = t AP + tPB = + =
vi vr

d + (b − x ) 2 2
d +x
2 2
= +
vi vr
pelo princípio de Fermat a distância x deverá ser tal que
o tempo entre A e B seja mínimo, ou seja :

∂t AB
=0
∂x
Tópicos Pág. 10
Óptica Refração UA 3

Princípio de Fermat

Assim:

∂t AB 1 x 1 − ( b − x)
= ⋅ + ⋅ =0
∂x vi d + x
2 2 vr d 2 + ( b − x ) 2

O termo entre parêntesis tem


de ser nulo…
… e pela definição de seno:

1 1
⋅ senθ i = ⋅ senθ r
vi vr
… multiplicando ambos lados por c obtemos a lei de Snell-Descartes

ni ⋅ senθ i = nr ⋅ senθ r

Tópicos Pág. 11
Óptica Refração
Princípio de Fermat

Caminho óptico

O conceito de caminho óptico, CO, é consequência do


princípio de Fermat:
O tempo total t, é o que a luz leva de O a I,
... atravessando os meios de índices de refracção ni,
... às velocidade vi
... percorrendo em cada meio no tempo ti
... e os espaços si

sm m s
s1 s 2
t, é t= + + ..... + =∑ i
v1 v 2 v m i =1 vi
1 m m
t = ∑ ni ⋅ si ⇒ CO = ∑ ni ⋅ si = t ⋅ c
c i =1 i =1

Tópicos Pág. 12
Óptica Refração
Princípio de Fermat

CO – Caminho Óptico, é o espaço que a luz percorreria


no vácuo, no tempo t, em que vai de O a I através
dos meios envolvidos

O princípio de Fermat pode enunciar-se agora, dizendo que a


luz no percurso entre dois pontos descreve o caminho que
minimiza o percurso óptico.

Se vários caminhos são possíveis no percurso entre dois


pontos então, eles têm o mesmo caminho óptico e levam no
percurso todos o mesmo tempo.

( na última expressão, tempo mínimo equivale a CO mínimo)

Tópicos Pág. 13
Óptica Refração
Princípio de Huygens

Princípio de Huygens

Tópicos Pág. 14
Óptica Refração
Princípio de Huygens

Princípio de Huygens
Num certo intervalo de tempo t, a onda se desloca de AQ até BO
O trecho AB é percorrido no meio b, com velocidade vb e o trecho QO é percorrido no meio 
a, com velocidade va. Então: 
AB = vbt QO va
=
QO = va t AB vb

Pela figura vemos que:
QO
sen θ a =
AO sen θ a QO va
= =
sen θb =
AB sen θb AB vb
AO

Como n1 = c / v1 e n2 = c / v2

n1 sen θ1 = n2 sen θ2

Tópicos Pág. 15
Óptica Refração
Exemplos

Tópicos Pág. 16
Óptica Refração
Exemplos

Quando um feixe de brilha na superfície 
do rio a 2.4 m do píer, ele está incidindo 
numa moeda que está a 5.5 m de 
profundidade. Sabendo que o laser está a 
1.8 m sob a superfície, ache a distância 
horizontal x. . 

Do triângulo superior temos:


2, 4
tan θ1 = ⇒ θ1 = 53,1D
1,8 Finalmente, considerando o
triângulo inferior temos que:
x
A partir da lei de Snell: tan θ 2 = ⇒ x = 4,14m
1 ⋅ sin θ1 = 1,33 ⋅ sin θ 2 ⇒ θ 2 = 37, 0D 5,5

Tópicos Pág. 17
Óptica Refração
Exemplos

Superfície refratora plana


A imagem formada por uma superfície refratora 
plana está do mesmo lado da superfície que o 
objeto
– A imagem é virtual
– A imagem se forma entre o objeto e a 
superfície
θ2 L
| p | tan θ1 = L ⎫ θ1
⎬ ⇒ p tan θ1 = q tan θ 2
| q | tan θ 2 = L ⎭

Na aproximação paraxial:
tan θ ≈ sin θ ≈ θ for θ << 1

n1 sin θ1 = n2 sin θ 2 ⇒ n1 θ1 = n2 θ 2
p tan θ1 = q tan θ 2 ⇒ p θ1 = q θ 2 n1 n2 n2
=− ⇒q=− p

n1 n2
=
p q n1
p q
Tópicos Pág. 18
Óptica Refração
Exemplos

Placa de faces paralelas


Quando a luz passa através de uma placa de 
faces paralelas é refratado duas vezes:
– Na direção da normal na primeira interface
t L
– Afastando‐se da normal na segunda interface
De acordo com a lei de Snell:
d
n1 sin θ1 = n2 sin θ 2 e n2 sin θ 2 = n1 sin θ3

Como conseqüência: θ1 = θ3

O deslocamento do feixe pode ser calculado 
considerando que:
t t sin(θ1 − θ 2 )
d = L sin(θ1 − θ 2 ) e L= ⇒ d=
cos θ 2 cos θ 2

Tópicos Pág. 19
Óptica Refração
Exemplos

O prisma da figura possui um índice de refração de 1,66, e os ângulos A são de 
25,0o . Dois feixes paralelos de luz m e n entram no prisma. Ache o ângulo entre 
os raios que emergem do prisma.

Comparando os triângulos: θi = α
α
θr
m
Pela a lei de Snell: n sin α = sin θ r
θi
δ
π = δ + 2 (π 2 − θ r ) + 2α
n
α
δ = 2 (θ r − α ) = 2 ( sin −1 ( n sin α ) − α )

( )
Usando os dados do problema: δ = 2sin −1 1.66sin 25.0D − 50D = 39.2D

Tópicos Pág. 20
Óptica Refração
Reflexão interna total

Tópicos Pág. 21
Óptica Refração UA 3

Reflexão interna total

Divisão da energia nas interfaces


Reflexão e refracção parciais da luz, numa reflexão
externa, em que n2> n1 e o raio transmitido se aproxima da Na superfície de separação
normal, pela aplicação da lei de Snell entre dois meios a radiação
... a fracção de energia transportada em cada uma das ondas pode ser reflectida, refractada
reflectida e refractada... é determinada pelas equações de ou sofrer ambos os processos
Fresnel

Tópicos Pág. 22
Óptica Refração
Reflexão interna total

Divisão da energia nas interfaces


Reflexão interna em que n1< n2 ... o ângulo de incidência correspondente à refracção
... Observa-se refracção parcial em que o raio de 90º , a partir do qual se extingue o raio refractado,
transmitido se afasta da normal chama-se ângulo crítico, θc
…quando o meio 1 é o ar:

n 2 ⋅ sen θ c = sen 90 º
A relação entre o índice de refracção do meio mais
denso e o ângulo crítico é:

1
n2 =
senθ c
... este fenómeno é importante em aplicações
como, guias de onda e fibras ópticas

Tópicos Pág. 23
Óptica Refração
Equações de Fresnel

Retrovisor de carro dia/noite

• Com a orientação para o dia, o raio mais intenso é refletido para os olhos do 
motorista.
• Na configuração da noite, o raio tênue (D) é refletido para os olhos do 
motorista, entanto que o raio intenso é refratado numa outra direção. 
Tópicos Pág. 24
Óptica Refração
Equações de Fresnel

As equações de Fresnel são deduzidas para os dois casos de


polarizações normal e paralela independentemente.

Tópicos Pág. 25
Óptica Refração
Equações de Fresnel

Refletância e Transmitância para uma interface Ar‐Vidro

Perpendicular polarization Parallel polarization


1.0 1.0
T
T

.5 .5

R R
0 0
0° 30° 60° 90° 0° 30° 60° 90°
Incidence angle, θi Incidence angle, θi

Note that    R + T  = 1

Tópicos Pág. 26
Óptica Refração
Equações de Fresnel

Refletância e Transmitância para uma interface Vidro‐Ar

Perpendicular polarization Parallel polarization


1.0 1.0
R R

.5 .5
T T
0 0
0° 30° 60° 90° 0° 30° 60° 90°
Incidence angle, θi Incidence angle, θi

Note that    R + T  = 1

Tópicos Pág. 27
Óptica Refração
Equações de Fresnel

Incidência normal à superfície


Para incidência normal  (θi = 0),                                            
2
⎛ nt − ni ⎞ T=
4 nt ni
R =⎜ ⎟
( nt + ni )
2
⎝ t
n + ni ⎠

No caso da interface ar‐vidro  (ni = 1 e nt = 1.5),

R = 4%    e    T = 96%

Os valores são os mesmos independentemente da direção na que a luz viaje , 
isto é, ar‐vidro ou vidro‐ar.

Tópicos Pág. 28
Óptica Refração
Equações de Fresnel

Ângulo de Brewster

A luz refletida está 
completamente polarizada 
quando o feixe refletido e o 
refratado são 
perpendiculares. A direção 
de polarização é paralela à 
superfície refletora. 

n1 sin θ B = n2 sin (π 2 − θ B )
n2
tan θ B =
n1

Ar/Vidro:  θB=  56,3o

Tópicos Pág. 29
Óptica Refração
Equações de Fresnel

Ângulo de Brewster

Sem polarizador Com polarizador
Ângulo de Brewster para a interface ar‐vidro:  56o
Tópicos Pág. 30
Óptica Refração
Equações de Fresnel

Um feixe de luz incide perpendicularmente num placa de diamante de faces 
paralelas rodeada de ar. Ache a fração de luz transmitida considerando a luz 
refletida nas paredes da placa para o interior da mesma. 
4 nt ni
A transmissão na primeira interface é T =
( nt + ni )
2

Considerando as sucessivas reflexões‐refrações:

Tt = T 2 + T 2 (1 − T ) + T 2 (1 − T ) + T 2 (1 − T ) +"
2 4 6

T2
Como T < 1:  Tt =
1 − (1 − T )
2

No caso da placa de diamante, n= 2,419 → T=0,828   e    Tt = 0,706    

Tópicos Pág. 31
Óptica Refração
Aplicações

Fibras ópticas

Tópicos Pág. 32
Óptica Refração
Aplicações

Prismas refletores

Na interface vidro‐ar : θc = 41.1o

Tópicos Pág. 33
Óptica Refração
Aplicações

Prismas refletores

Prisma de Porro‐Abbe Prisma de Abbe‐Koenig Prisma de Schmidt‐Pechan

Prisma de Topo Prisma de Amici Prisma de Dove

Tópicos Pág. 34
Óptica Refração
Aplicações

Prismas dispersivos

Tópicos Pág. 35
Óptica Refração
Aplicações

Birrefringência

Calcita entre dos polarizadores  Halita ‐ NaCl Calcita


perpendiculares.  (opticamente  (opticamente
isotrópico) anisotrópico)

Tópicos Pág. 36
Óptica Refração

Prismas dispersivos

B C D
n (λ ) = A + + + +"
λ 2
λ 4
λ 6

Tópicos
Óptica Refração
Aplicações

Prismas de desviação constante

Prisma de Abbe
Prisma de Pellin‐Broca

Tópicos Pág. 38
Óptica Refração
Aplicações

Ângulo de desvio mínima


• O ângulo de desvio está dado por:

• Note  que:

• Como conseqüência:

Tópicos Pág. 39
Óptica Refração
Aplicações

Ângulo de desvio mínima


• O ângulo de desvio está dado por:

• A condição para desvio mínimo é:

• Aplicando a lei de Snell:

Tópicos Pág. 40
Óptica Refração
Aplicações

Ângulo de desvio mínima


• A condição de desvio mínimo é:

• Devido a isto:

• Finalmente: 

Tópicos Pág. 41
Óptica Refração
Aplicações

Um raio luminoso incide sobre o plano equatorial de uma esfera transparente 
de raio R e índice de refração n com um ângulo de incidência i. Calcular a 
distancia d medida desde o centro da esfera até o ponto S onde o raio 
refratado corta ao eixo do sistema.

i P

Q
R
S
O

Tópicos Pág. 42
Óptica Refração

Dado o índice de refração n, o ângulo r se calcula 
pela lei de Snell:
i P sen i = n ⋅ sen r
r Q
⎛ sen i ⎞
R r i r = sen −1 ⎜ ⎟
θ0 180‐i ⎝ n ⎠
i α β S
O O triângulo OPQ é isósceles 
porque as distâncias OP y OQ são 
d
iguais ao raio R da esfera
θ 0 = 180 − 2r

α = 180 − θ 0 − i = 2r − i

β = 180 − (180 − i ) − α = 2(i − r )


Teorema do seno:

d R R R ⋅ sen i
= d= ⋅ sen(180 − i ) =
sen(180 − i ) sen β sen β sen 2(i − r )

Tópicos
Óptica Refração
Aplicações

Tópicos Pág. 44
Óptica Refração
Aplicações

Características de um diamante

Brilho Fogo

Clivagem

Tópicos Pág. 45
Óptica Refração
Aplicações

Clivagem

Tópicos Pág. 46
Óptica Refração
Aplicações

O brilho dos diamantes


Para um raio que incide perpendicular a uma interface:

Intensity of reflected beam (n1 − n 2 ) 2


R= =
Intensity of incident beam (n1 + n 2 ) 2

Se o meio de incidência for ar (n1=1) :

Vidro – n2 = 1.5,  R = 0.04

Diamante – n2 = 2.4,  R = 0.17

Tópicos Pág. 47
Óptica Refração
Aplicações

Tópicos Pág. 48