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ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

“POSSIBILIDADES NA PLATAFORMA MOODLE: OFICINAS COM ATIVIDADES PARA O ESTUDO DE FUNÇÕES”

Lúcia Helena da Cunha Ferreira 1 , Mara Lúcia Ramalho 2 , Eduardo Gomes Fernandes 3 , Thiago Freire Alves Ferreira 4

1 UFVJM / DEAD, luciahcferreira@yahoo.com.br 2 UFVJM / DEAD, mararamalho03@yahoo.com.br 3 UFVJM / DEAD, eduardo.fernandes@ufvjm.edu.br 4 UFVJM / ICT, thiago.freire@ufvjm.edu.br

Resumo – O presente artigo tem como objetivo relatar o processo vivenciado pela equipe de Educação a Distância da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (EAD/UFVJM) durante a elaboração de um material didático que visa o desenvolvimento de uma metodologia para o trabalho com funções, como pré-requisito para a disciplina Cálculo ofertada nos cursos de graduação, utilizando ferramentas da educação a distância (a plataforma Moodle 1 ) e do software GeoGebra. Para tal, apoiou-se em alguns postulados teóricos/metodológicos da pesquisa colaborativa para organização de “oficinas pedagógicas”, incluindo detalhamento das quatro ações básicas que fazem parte de um processo reflexivo: descrever, informar, confrontar e reconstruir. A opção pela utilização de ferramentas EAD se justifica no fato de partir do pressuposto de que essa ação pode favorecer a inter-relação e a construção do conhecimento. É notório que essa disciplina traz empiricamente um status de “vedete do currículo”, devido ao fato de na maioria das vezes os alunos que saem do Ensino Médio não possuem conhecimentos estruturais que favoreçam a aprendizagem dos conteúdos programáticos previstos nela. Tal dificuldade manifestada por grande contingente de alunos tem levado à desistência e a evasão. Nessa perspectiva é que se propõe esse curso a distância para que o aluno faça as atividades com a flexibilidade de horário, utilizando um ambiente virtual de aprendizagem. Desta forma os alunos poderão interagir com as atividades se tornando um gestor do seu conhecimento. Durante a oficina serão trabalhados: O papel dos coeficientes nos trinômio do 2º grau; Função par e ímpar; Translação, reflexão e dilatação de gráficos; Noções de derivadas e Introdução ao conceito de Integral.

Palavras-chave: Cálculo Diferencial e Integral, Plataforma Moodle, Educação à Distância.

Abstract – The present article aims at reporting the process by which the team of Education at distance have passed Federal University of Jequitinhonha and Mucuri

  • 1 Plataforma Moodle: O moodle é uma plataforma de aprendizagem a distância baseada em software livre, ou seja, é um ambiente modular de aprendizagem dinâmica orientada a objetos (Acrônico de Modular Object- Oriented Dynamic Learning Environment).

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Valleys while they were elaborating didatic materials for development of a methodology for working with functions, as a pre-requisit for the subject 'Calculus', which is offered in the graduation courses, by using tools for education at distance (Moodle platform) and GeoGebra software. So, we took some theoretical/methodological postulates of the collaborative research for organizing "pedagogical workshops" including the detailing of the four basic actions which are part of a reflexive process: describe, inform, confront and reconstruct. The option for using EAD tools is justified by the fact that we depart from the assumption that this action may help the inter-relation and the construction of knowledge. It is clear that this subject empirically carries a status of being the most charming, owing to the fact that the majority of students finishing high scholl do not have structural knowledge to help them learn the contents of its programme. The difficulty exposed by a great number of students, which leads them to give up nad leave. Based on these points we propose this course at distance, for so the students may work flexibility in their schedules and using a virtual environment for his learning. By doing so the students will be able to interact with the activities and become a manager of their learning. During the workshop we are going to work with: the role of coefficients in the 2nd grade triad; odd and even functions; translation, reflection and magnifying of graphics; notions of derivatives and introduction to the concept of integral ..

Keywords: Calculus DiIntegral, Moodle Learning Management System, distance education

Introdução

As dificuldades dos alunos na universidade em relação à aprendizagem de Cálculo Diferencial e Integral têm sido foco de diversas pesquisas nacionais e internacionais, investigando principalmente o domínio do conceito de derivada e da reta tangente ao gráfico de uma função (Baldino, 1995; Giraldo, 2004, Tall,1991). Tal disciplina tem sido apontada pelos alunos de forma empírica, como causadora de grande número de reprovação e evasão em diversos cursos, pois exige um índice significativo de compreensão e abstração de conceitos matemáticos, bem como uma familiarização de uma linguagem matemática. Assim, acredita- se que provavelmente a pouca atratividade exercida por algumas teorias matemáticas ou a falta de maturidade e aprendizagem em conceitos fundamentais, podem ser causadores da fragilidade no desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao aprendizado de conteúdos programáticos mais complexos, parte da estrutura curricular da disciplina cálculo.

No ensino superior essa dificuldade torna-se bastante visível na disciplina Cálculo Diferencial e Integral por ser uma disciplina que apresenta alto grau de abstração e conceitos como: limites, continuidade, diferencial e integral não são facilmente absorvidos por grande parte dos alunos.

Assim, os conhecimentos matemáticos necessários ao aprendizado de conteúdos comuns à disciplina cálculo são remetidos a reflexão do ponto de vista cognitivo, sobre o

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processo de metacognição realizado durante a aprendizagem de conteúdos matemáticos em duas características: a primeira diz respeito à importância das representações semióticas, ou seja, a possibilidade do tratamento matemático que depende do sistema de representação utilizado e que os objetos matemáticos não são diretamente perceptíveis ou observáveis com o a ajuda de instrumentos; e a segunda se refere à grande variedade de representação semiótica utilizadas na matemática, isto é, sistemas de numeração, figuras geométricas, escritas algébricas e formais, representações gráficas e a linguagem natural.

Para tal, na tentativa de entender os problemas remanescentes ao estudo da disciplina Cálculo Diferencial e Integral, estudos empíricos realizados na UFVJM pela pró-reitoria de graduação da UFVJM, apontam um grande número de reprovação na disciplina em questão. Esses dados conduziram a construção de alguns direcionamentos em relação ao alto índice de reprovação e evasão, dentre eles podem-se destacar:

• o aluno que chega a universidade sem o conhecimento mínimo que aqui se denomina de pré-requisitos necessário para a aprendizagem de conteúdos programáticos previstos na disciplina Cálculo, por trazer do ensino médio deficiências/defasagens que dificultam o trabalho na universidade;

exames

de

vestibulares

não

conseguem

detectar

o aluno que possui a

maturidade matemática para se ingressar em um curso de Cálculo; falta de curso de nivelamento que devem ser oferecidos constantemente pelas

universidades.

alunos que iniciam o curso e verificam posteriormente que têm outra vocação e abandonam o curso, muitas vezes em função da defasagem de conteúdos.

Observa-se que os alunos chegam a Universidade com muitas dificuldades, provenientes da falta de experiências prévias, tanto com raciocínio lógico quanto com o traçado e análise de gráficos e mostram que a maior parte dos universitários possui pouca ou nenhuma experiência anterior com atividades que propiciam a capacidade de expressar e comunicar idéias ou justificar procedimentos e estratégias usadas na resolução de tarefas. Partindo desse pressuposto, a utilização do software será um instrumento de auxílio da aprendizagem de conteúdos estruturantes da disciplina Cálculo.

O software como instrumento de auxílio da aprendizagem

A utilização de ferramentas computacionais favorece a manipulação da representação gráfica de maneira mais rápida que a utilização de lápis e papel, permitindo que o educando faça simulações em busca de um resultado que satisfaça o objetivo proposto, desenvolvendo a capacidade analítica de fazer previsões e questionar resultados. Os softwares de Geometria Dinâmica permitem agilidade na investigação, pois figuras que demorariam muito tempo para serem construídas no papel são criadas em segundos na tela do computador. Eles possibilitam que os alunos explorem os mesmos conteúdos da Geometria clássica, mas com software interativo ( Rodrigues, 2002).

Outra possível contribuição está relacionada com o enfoque dado à ideia da figura.

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Nas aulas tradicionais de Geometria, o papel de uma figura sempre foi de ilustrar fatos expressos em um texto ou ajudar a compreender uma demonstração. Com o software de Geometria Dinâmica, além da ideia de ilustração, é possível privilegiar propriedades geométricas.

O ensino

com o uso das tecnologias digitais no ambiente escolar é uma linha de

trabalho que precisa se fortalecer, na medida em que há uma distância evidente entre os

avanços tecnológicos na produção de softwares educacionais livres ou proprietários e a aceitação, compreensão e utilização desses recursos em aulas, pelos professores.

As ferramentas computacionais podem ser fundamentais na aprendizagem de conceitos abstratos, como são a maioria dos conceitos matemáticos e um grande número dos conceitos físicos. Neste sentido, a inserção de novas tecnologias aplicadas ao ensino torna-se uma aliada ao estudo da disciplina Cálculo, uma vez que existem diversos softwares geradores de gráficos que são capazes de fazer cálculos complexos, manipulação de dados numéricos, gráficos de funções e simulações. A aprendizagem é um processo ativo que exige esforço, reflexão, participação numa atividade investigativa.

Nesse sentido, segundo Benedetti (2003) a utilização de gráficos e/ou calculadoras gráficas no ensino e aprendizagem de funções enfatizando a ações dos estudantes tem apresentado resultados satisfatórios. Pode-se mencionar uma das pesquisas apontada pelo autor que privilegia a passagem pelas representações num ambiente computacional e para ele

[

]

pode-se dizer que a interligação dessas representações, feita de maneira quase

... instantânea, possibilita que as representações empregadas para analisar um determi- nado fenômeno sejam contrastadas uma com as outras, provocando ou um conheci- mento mais abrangente e flexível do que é estudado, ou uma dúvida do que parecia tão certo em uma dada representação olhada isoladamente(Borba, apud BENEDET- TI, 2003, p.42).

Esse mesmo autor Benedetti (2003) destaca que Borba indica o papel dos softwares gráficos como sendo mais do que um auxílio na construção de ideias matemáticas, em vista disso os estudantes podem utilizar os seus conhecimentos prévios enquanto trabalham com as representações de funções, ao mesmo tempo em que tem as suas ações condicionadas aos softwares.

“É possível entender que o aprender (memorização ou construção de conhecimento) não deve estar restrito ao software, mas à interação do aluno-software. Como foi mostrado por Piaget, o nível de compreensão está relacionado com o nível de intera- ção que o aprendiz tem com o objeto e não com o objeto em si.” (VALENTE, 1999, p. 71).

Assim nesse artigo propõem-se atividades no formato de oficinas na Plataforma Moodle, por entender que a interação entre uma atividade que suscita a autonomia e a construção do conhecimento atrelada às características do Ambiente Virtual da Aprendizagem (AVA) poderá contribuir para a reflexão do aluno sobre as diferentes estratégias que podem ser utilizadas no processo de ensino e aprendizagem da disciplina Cálculo. Assim, foram feitas opções em priorizar quatro ações básicas que fazem parte de um processo reflexivo,

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segundo postulados teóricos da pesquisa colaborativa: descrever, informar, confrontar e reconstruir (NININ,2002, p.45).E ainda desenvolver nos alunos a mentalidade de que “ o computador, a internet e o email podem ser entendidos como ferramentas indispensáveis para a aprendizagem colaborativa” (GRIEBLER, 2003, p.29)

O planejamento das aulas, a criação de novos paradigmas e posturas diferenciadas são ações primordiais em curso trabalhado a distância, pois é um desafio aos professores habituados às salas de aulas presenciais para salas de aulas virtuais. Trata-se de um problema cultural, difícil de ser modificado rapidamente, em função da trajetória de aprendizado e da vivência profissional do professor ter ocorrido no modelo tradicional. O professor pode ser resistente às interações virtuais, ao desenvolvimento de atividades assíncronas no tempo e no espaço. Assim a utilização do ambiente virtual e as reflexões decorrentes de todos esses trabalhos agem significativamente na postura dos professores e alunos, possibilitando-os terem um pensamento mais positivo em relação a disciplina tratada e ao uso do computador como recurso didático às aula

Partindo do entendimento mencionado anteriormente é que se situa a referida ação de ofertar uma oficina que contemple atividades para o estudo de funções em um ambiente computacional, utilizando ferramentas da Educação a Distância.

O que é o software GeoGebra

Existem muitos softwares disponíveis no mercado com recursos e características em comum. Foi escolhida para essa pesquisa o GeoGebra. Este é um software livre, desenvolvido por Markus Hohenwarter, da Universidade Salzburg, em 2001 que une Geometria, Álgebra e Cálculo, sendo uma ferramenta eficaz para o tratamento geométrico de forma interativa. De maneira bastante simples, é possível fazer construções incluindo pontos, vetores, segmentos, retas, seções cônicas e funções.

O GeoGebra possui várias possibilidades de customização da área de trabalho, sendo que podem ser destacadas duas janelas de trabalho: a janela geométrica e a janela da álgebra. A janela Geométrica, de cor branca, que pode mostrar os eixos cartesianos, é o local onde os objetos são construídos. Nela, é possível colorir os objetos, aumentar a espessura das linhas, fazer a medição de ângulos e distâncias, etc. Além disso, é possível habilitar as coordenadas cartesianas e polares que facilitam as construções.

Na janela de álgebra é possível visualizar a representação algébrica de todo objeto construído na janela geométrica. Essa dupla representação de objetos é a mais notável característica do GeoGebra.

O software apresenta ainda um campo de entrada de texto, onde é possível escrever coordenadas, equações, comandos e funções de tal forma que, pressionando a tecla “Enter”, eles são mostrados imediatamente na janela geométrica. O GeoGebra admite também expressões como: 5x + 4y = 6 e oferece uma variedade de comandos, incluindo cálculo de derivadas e integrais. A figura 1 mostra a área de trabalho do software. À esquerda encontramos a janela de álgebra, à direita temos a janela de geometria e abaixo temos o

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campo de entrada de texto.

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Figura 1 – Tela principal do GeoGebra

A figura 2 a seguir mostra, a função f(x) = x.sen(1/x) (gráfico à esquerda) no intervalo -0,4 e 0,4 e a aplicação da integral de Riemann no cálculo da área abaixo da função (x) = (1/x) (gráfico à direita). Esses dois gráficos foram construídos no GeoGebra.

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Figura 2 – Gráficos construídos no GeoGebra

Outra característica do GeoGebra que foi de encontro a pesquisa é que ele permite a realiza- ção de construções geométricas utilizando régua e compasso digitais mantendo porém passos e características fundamentais à construção convencional e ainda possui recursos de anima-

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ção. Mas a simples presença do software não garante o sucesso da aprendizagem. Ele deve ser acompanhado de uma sequência didática que viabilize a aprendizagem.

O desenho da oficina e as atividades

Será apresentada, a seguir, a descrição de cada sequência das atividades que foram elaboradas, subdivididas em cinco etapas. Procurou-se elaborar atividades voltadas para a construção do conceito relevante ao estudo da disciplina Cálculo Diferencial e Integral, focadas na investigação matemática. Assim, será imprescindível para a realização da oficina o uso da plataforma Moodle com o programa GeoGebra, pois este curso de nivelamento será oferecido por meio da Educação a Distância. Nesse ambiente serão disponibilizadas as atividades que permitirão a exploração de conceitos voltados para o reconhecimento e construção de concepções sobre funções, bem como outros conhecimentos que permitirão que os alunos superem as dificuldades relacionadas ao estudo do Cálculo.

Também serão disponibilizados na plataforma alguns conteúdos da disciplina Cálculo, para servir de apoio a resolução das atividades para que os alunos possam esclarecer eventuais dúvidas, resolver exercícios de fixação de conceitos, interagir e formar grupos de estudos dos tópicos mais complexos.

SEQUÊNCIA 1: Papel dos coeficientes nas expressões algébricas do trinômio do 2º grau;

O objetivo das atividades proposta nessa sequência é possibilitar aos educandos o descobrimento da forma canônica de uma função quadrática, sinalizando a interferência dos coeficientes da expressão analítica, de modo que percebam as modificações na representação gráfica e vice-versa. Assim os alunos poderão trabalhar com coeficientes reais sem que isso seja um empecilho para a sua aprendizagem, pois estes pensam que números fracionários ou irracionais não podem ser usados nos coeficientes de uma expressão algébrica. A visualização rápida facilitada pelo computador permite identificar a diferença existente no papel desempenhado pelos diferentes coeficientes. A ideia nessa seção é que o estudo dos coeficientes de uma função não seja um aprendizado com característica de pontos isolados, pois não se tem o objetivo de mecanizar a construção de um gráfico, mas sim levar os alunos a um aprendizado de modo global, onde esse possa perceber o gráfico como uma fonte de variáveis visuais que estão relacionados com os coeficientes da expressão algébrica e que a geração de uma tabela de valores não se faz necessária.

SEQUÊNCIA 2: Função par e ímpar através da simetria de gráficos

Nessa sequência será priorizado o significado gráfico /algébrico da simetria de pontos para que os alunos possam chegar à definição algébrica de função par e ímpar. Nesse sentido, será proposto atividades, no GeoGebra, para relacionar simetria de pontos do plano cartesiano, em relação à origem, aos eixos coordenados e às bissetrizes dos quadrantes, com base na investigação,

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SEQUÊNCIA 3: Translação, reflexão e dilatação de gráficos;

Essa sequência será trabalhado com uma “função básica” e outras que serão obtidas através de operações algébricas sobre a expressão da função básica, com o objetivo de capacitar os alunos a esboçar gráficos de famílias de funções a partir da função básica, recurso interessante no estudo de movimento de gráficos. Em uma família a "função básica" é a que tem a expressão analítica mais simples; as demais funções são obtidas a partir de operações algébricas sobre a "função básica", e seus gráficos são identificados a partir de movimentos aplicados ao gráfico da função básica (translação vertical ou horizontal, dilatação ou contração nas direções horizontais e verticais). Com a possibilidade de plotar diversos elementos da família, o aluno "enxerga" rapidamente o tipo de movimento aplicado aos gráficos.

Por exemplo, na família dos polinômios de grau dois a função básica é: y = x² e a família é constituída pelas funções y = a.(x+b)² + c, como podemos ver nos gráficos construídos no GeoGebra, apresentados na figura 3.

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Figura 3 – Gráficos construídos no GeoGebra de uma função básica e famílias de funções

O aluno faz variações nos parâmetros da família e investiga o efeito geométrico sobre o gráfico da função básica. Já na escolha de estratégia de exploração é exigido do aluno trabalho de reflexão.

Passo a passo, o aluno vai construindo as relações que vão permiti-lo concretizar

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mentalmente e traçar com segurança o gráfico de qualquer elemento da família, não dependendo de tabela numérica, mas somente de movimentos geométricos.

SEQUÊNCIA 4: Noção de derivadas

Os conceitos do Cálculo Diferencial e Integral, muitas vezes são introduzidos através de aula expositiva, em que o professor apresenta as definições, propriedades e exemplos e por sua vez, os alunos resolvem listas de exercícios. Desta forma, as “ obrigações contratuais” tanto do ponto de vista do professor quanto dos alunos parecem ter sido cumpridas. O que fica para os alunos é a derivada com processo mecânico, algoritmo de cálculo ou resultado de uma operação. Assim os alunos tendem a decorar regras de derivação e a derivada parece ter pouco significado. Ao resolverem questões que envolvem a aplicação desse conceito, eles recorrem a procedimentos padrões. No entanto, observa-se elevado índice de reprovação e de desistência nesta disciplina, sinalizando a existência de problema no processo de ensino e aprendizagem.

Nesse sentido, serão propostas atividades que trabalhem o conceito e propriedades de derivadas, bem como a sua aplicação, com o objetivo de o aluno obter o coeficiente angular de reta tangente como limite de coeficientes angulares de retas secantes e identificar a derivada com esse limite, levando-os a interpretar geometricamente a derivada de uma função e sanar a falta de domínio de conteúdos da educação básica.

SEQUÊNCIA 5: Introdução ao conceito de Integral

Em geral, livros-texto de Cálculo Diferencial e Integral (CDI) adotados no Brasil (Finney, 2004; Leithold, 1994) começam abordando a integral de uma função como uma anti-derivada. Logo em seguida, algumas técnicas de integração são consideradas.

No início do segundo ano, a representação que a maioria deles tem sobre a noção de integral está associada, em geral, ao cálculo da integral indefinida de um polinômio. Ou seja, a integral é reduzida a uma ferramenta para o cálculo de uma primitiva.

O objetivo deste trabalho é propor uma sequência de atividades para a introdução do conceito de integral, fundamentada em sua origem histórica, vinculada à busca de solução para a medida de regiões do plano. Questão esta, crucial e que está na base do Cálculo Integral. Pretende-se, desta maneira, associar o conceito de integral aos conhecimentos prévios dos alunos (adquiridos antes da chegada à universidade) sobre medidas de segmentos e de regiões planas.

Espera-se, assim, que os alunos adquiram conhecimentos mais significativos sobre o conceito de integral e não o reconheçam apenas como uma particularidade do Teorema Fundamental do Cálculo (TFC) que, na verdade, só se aplica a um número restrito de casos.

No caso específico do ensino e aprendizado do conceito de integral, o uso de uma ferramenta é extremamente adequado, pois, em geral, ao introduzir este conceito, o professor (e não o aluno) começa com quadro e pincel, sozinho, elaborando vários gráficos de uma mesma região limitada por curvas e subdividida em retângulos. Como na criação de um

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desenho animado, ele representa a mesma região preenchida por um maior número de retângulos e assim os gráficos vão se sucedendo, enquanto a classe apenas acompanha a passagem do filme em câmera muito lenta. Poder-se-ia propor ao professor fazer uma apresentação apenas por transparências para evitar este “desperdício” de tempo e de trabalho manual. Porém, além de, neste caso, ele já levar as construções prontas, tudo isso acontece tão rápido que o aluno não consegue acompanhar o desenrolar da aula. Usando o programa GeoGebra para resolver situações/problema propostas pelo professor para o aprendizado do conceito de integral, o próprio estudante elabora gráficos, partições, realiza cálculos de somas inferiores e de somas superiores, representa-as graficamente por meio do programa, enfim, experimenta, investiga. O processo é dinâmico e o estudante não espera, ele faz acontecer.

Para se trabalhar com a noção de Integral, o programa GeoGebra oferece a possibilidade de visualização dos retângulos relacionados com as somas superiores ou inferiores de uma função, além de efetuar o cálculo destas somas. Para isso, dada uma função f(x) e informado o intervalo [a, b] de integração, bem como o número n desejado de subdivisões deste intervalo, podem-se calcular a soma inferior e a soma superior desta partição a partir do uso dos comandos específicos no campo de entrada de dados: SomaInferior[f,a,b,n] e SomaSuperior[f,a,b,n]. Além disso, os retângulos relacionados são representados graficamente. Apresenta-se na figura 4 uma ilustração, feita no GeoGebra, dos conteúdos envolvidos no cálculo de uma soma inferior relativos à função f(x) = x²+1 no intervalo [0,4].

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Figura 4 – Gráficos construídos no GeoGebra da soma inferior relativa à função f(x)=

  • x 2 +1

Pode-se também utilizar o comando Integral[f,a,b] diretamente no campo de entrada de dados e visualizar os resultados algébricos e geométricos em suas respectivas janelas de

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apresentação.

Após cada sequência de atividades será feita um FORUM 2 com todos os estudantes para socialização dos resultados obtidos para reafirmação e formalização dos conceitos relativos ao ensino da disciplina Cálculo Diferencial e Integral. Ressalta-se que os conceitos matemáticos a serem adquiridos pelos sujeitos, com o auxílio do professor, bem como as representações destes conceitos não estão nos materiais didáticos, mas nas ações interiorizadas pelo sujeito, pelo significado que dão às suas ações, às formulações que enunciam, às verificações e relações que realizam, necessitando para isso o estabelecimento de abstrações e generalizações.

Considerações Finais

O presente estudo encontra-se em desenvolvimento e as atividades foram criadas a partir da atuação de um grupo interdisciplinar com profissionais das áreas de: matemática, pedagogia e informática. Ao final desse processo tais atividades serão disponibilizadas na plataforma Moodle por meio de um curso de nivelamento, para alunos dos primeiros períodos da graduação e um professor da EAD/UFVJM irá mediar e acompanhar o desenvolvimento dos alunos da graduação da instituição que se matricularem.

Sabe-se que a inserção da modalidade de um curso de nivelamento com o objetivo de trabalhar pré-requisitos da disciplina Cálculo a distância, tem o professor como um importante elemento, pois ao construir propostas de trabalho adequadas à realidade do aluno, estará inserindo-o em uma nova maneira de pensar em ser gestores de seu próprio conhecimento seja na Matemática ou em qualquer outra área de conhecimento. Talvez tudo que será desenvolvido, no modo proposto neste trabalho, possa ser feito sem o apoio de um ambiente virtual de aprendizagem. No entanto, há indicativos de que, com esse apoio, é possível a inclusão de recursos que possibilitem uma construção, cooperação e coautoria. Além disso, o registro dinâmico no fórum, podendo ser modificado, acrescentado, transformado ao longo do processo em produções coletivas, revela o texto dialógico, que de acordo com FREIRE (2001), constitui-se em fonte de aperfeiçoamento e desenvolvimentos contínuos. A expectativa é que as contribuições deste estudo sejam em vários níveis:

desenvolvimento do próprio software na plataforma Moodle, desenvolvimento de atividades para a EAD com um caráter investigativo e contribuir para reflexões sobre a postura do professor em Educação a Distância como um sujeito que propicia e media as ações dos alunos contribuindo para que eles possam ser agentes de seu aprendizado, não dependendo da tutela constante do professor.

  • 2 FORUM: é uma ferramenta para páginas de internet destinada a promover debates através de

mensagens publicadas abordando uma mesma questão.

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Referências

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