Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais

Regiane Dias Bertolini

Regiane Dias Bertolini

METODOLOGIA E PRÁTICA DO ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
Educação a Distância

2

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO 1
1.1 1.2

HISTÓRICO DO ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
O ENSINO DA HISTÓRIA O ENSINO DA GEOGRAFIA

2 3
3.1

PARA QUE ENSINAR/APRENDER CIÊNCIAS SOCIAIS? O QUE ENSINAR EM HISTÓRIA
CONTEXTO ÉTNICO-RACIAL

4 5
5.1

O QUE ENSINAR EM GEOGRAFIA COMO ENSINAR? ESCOLHAS METODOLÓGICAS
ANÁLISE DO MATERIAL DIDÁTICO

6 7

ORGANIZAÇÃO DO ENSINO PROCESSOS DE AVALIAÇÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS

3

APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno, esta apostila de Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltados ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos alunos uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outros meios de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidisciplinares como chats, fóruns, Aulas web, Material de Apoio e e-mail. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente com as bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo no seu estudo são o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

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ideia surgida por volta no século XIX. ou mesmo as formas de organizar tais conhecimentos. a cultura. enviado pela equipe pedagógica. onde seus resultados tornavam-se contestáveis e pouco científicos. por terem surgido no período em que prevalecia a concepção empirista e determinista da ciência. Deverá também explicitar a metodologia. atividades de avaliação. Pretendemos neste módulo. resgatando um breve histórico sobre elas no país. às disciplinas conhecidas como humanas e que têm como foco estudar seu objeto. discutir as ciências humanas na perspectiva do ensino da História e da Geografia. favorecendo a “leitura do mundo” por meio da percepção e da análise das próprias condições de vida e das famílias às quais pertencem. abordando-os interdisciplinarmente. partindo das vivências dos alunos. [U5] Comentário: Orientações para a introdução (Manual de Apostilas): •Texto elaborado e assinado pelo professor/autor da apostila.). Poderia reformulá-la? [U2] Comentário: Seria interessante dizer qual é o objeto. também procuraram tratar o objeto humano usando os mesmos modelos experimentais de estilo empirista. seus bens materiais e culturais. relacionados à diversidade de procedências culturais. o tempo e o espaço. ementa e elementos do processo de aprendizagem (apostila. que. [U3] Comentário: A frase está confusa. relacionando à sua formação cultural. Regiane Dias Bertolini . o contexto social. pois anteriormente tudo que se referia ao humano era estudado pela Filosofia. buscavam leis causais. Aparecem. estabelecendo um vínculo com os estudantes. plano de estudo. •A proposta desta apresentação é similar à que o professor costuma fazer no primeiro dia de aula com os alunos que estudam presencialmente. empregando conceitos. presentes no cotidiano. elaborações e compreensão dos diferentes elementos do mundo. social e científica. dessa forma.. Utilize na introdução uma linguagem informal e acessível. [U4] Comentário: Conforme orientação do manual de elaboração de apostilas. lugares e épocas. o objetivo geral da disciplina e uma síntese do que ele aprenderá em cada unidade de ensino e as conexões entre estas. percebendo que os conteúdos trazem questões próprias das vivências humanas e suas interações com a natureza. necessária e universal para os fenômenos humanos. Discorra sobre o que a disciplina tem a contribuir para a formação do aluno. aulas web. •A Introdução deve descrever sucintamente o que o aluno aprenderá ao longo da disciplina. articulando os conteúdos. A visão integradora das ações humanas e da natureza propõe eixos de estudo que podem organizar o trabalho pedagógico. historicamente. por meio do desenvolvimento da disciplina Metodologia de Ensino e Prática do Ensino de Ciências Sociais. visando problematizar a realidade e os principais conhecimentos dos distintos campos do saber ao mundo contemporâneo. deve ter como base a ementa (resumo sintético do conteúdo) e que está no plano de ensino.4 INTRODUÇÃO Entendendo as Ciências Humanas compostas por disciplinas que têm o ser humano como objeto de estudo e o homem como principal objeto científico. considerando o cotidiano. respeitando as especificidades de cada área de conhecimento e. então. métodos e técnicas propostas pelas Ciências Naturais. condições para indagações. oportunizando aos envolvidos. a introdução ficaria mais adequada se fosse iniciada por este parágrafo.. Incluir na introdução informações sobre conteúdo do material. Poderia reformulá-la? [U1] Comentário: A frase está confusa.

das escolhas. . ou seja. tudo aquilo que a nós mesmos projetamos como seres humanos. p. das decisões e das lutas” A. Neste caso. não sei se ficaria bem iniciando a Introdução da apostila.196 [U6] Comentário: Há um problema com a localização da epígrafe. Ela é colocada no início da obra ou do capítulo.5 “A realidade humana é. tudo aquilo em que ainda não nos tornamos. Schmidt 1971. além disso. por intermédio dos mitos.

O acesso da população ao conhecimento produzido por essas ciências vem sendo negligenciado por razões sociais e histórica. da realidade dos educandos. Embora essas duas ciências tenham grande importância na formação do educando. • as Ciências Humanas como instrumento de compreensão de organização social. a área de estudos denominada “Estudos Sociais” foi considerada disciplina. Economia e outras. sendo assim destacados três aspectos importantes: • as Ciências Humanas como instrumento necessário para a [U7] Comentário: O termo é “divisas”mesmo? Está correto? [U8] Comentário: Parece faltar uma palavra. Sociologia. esses conhecimentos científicos são desmistificadores pela própria natureza e modo de produção. em que o homem tenta compreender suas próprias características a serviço de seu viver e do seu bem-estar. As divisas de seu campo de constituem recursos didáticos que viabilizam a abordagem ou o tratamento da realidade. • a interdisciplinaridade das “Áreas de Estudos” como fator favorável ao trabalho integrado. as ciências humanas não se reduzem a elas. utilizando os conceitos da História e da Geografia como base e outras ciências. Durante muitos anos. tendo por objetivo a integração espaço-temporal do educando. já que propicia aos alunos a inquietação e a curiosidade. tornando ameaçador esse saber. conduzindo-os ao ato da indagação. pois é um todo que não se pode decompor. Campo de quê? compreensão da História e. consequentemente. Política. Tradicionalmente as disciplinas das ciências humanas são inseridas na educação através das disciplinas História e Geografia.6 1 HISTÓRICO DO ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS As ciências humanas formam uma teia de conhecimentos. de acordo com sua atuação social em consonância ao momento histórico por eles vivido. como Antropologia. . caracterizado por um processo contínuo de “açãoreação-transformação”.

os programas curriculares das escolas elementares foram sendo ampliadas com a incorporação das disciplinas de Ciências Físicas. duas linhas abaixo do parágrafo. estabelecia que “os professores ensinariam a ler. com a adoção dos preceitos metodológicos das chamadas “lições de coisas” e a inclusão de tópicos sobre História e Geografia Universal. a gramática da língua nacional. a História Sagrada também aparecia como matéria constitutiva do programa das escolas elementares. necessito dos dados do documento. Sendo assim.. editora. ao lado da História Nacional. de 1827. primeira lei sobre a instrução nacional do Império do Brasil. História do Brasil e História Regional.). Como aparece. instituíam “noções de geografia e de história. essa o utilizava para pretextos cívicos. de História Natural. cidade. A constituição da História como disciplina escolar autônoma ocorreu apenas em 1837. na maioria das vezes. deve-se marcar o tamanho da fonte em 11. entre aspas. é só retirar as aspas. A História a ser ensinada compreendia História Civil articulada à História Sagrada. logo após.. O Decreto das Escolas de Primeiras Letras. a História tem sido um conteúdo constante do currículo da escola elementar. proporcionadas à compreensão dos meninos. Por volta de 1870... preferindo. os princípios de moral cristã e de doutrina da religião católica e apostólica romana. principalmente a nacional” como disciplinas “permitidas” pelas autoridades e consideradas facultativas ao ensino elementar. a Constituição do Império e História do Brasil”. Caso seja uma citação indireta. foram desenvolvidos programas para as escolas elementares. nome do documento. para o ensino da leitura. indica ser uma citação direta.1 O ENSINO DA HISTÓRIA A partir da constituição do Estado brasileiro. recuado a 4cm da margem. Os planos de estudos das escolas elementares das províncias que as criaram. A História do Brasil foi introduzida no ensino secundário depois de 1855 e.7 1. pág. a escrever. priorizando a História Universal no currículo. as quatro operações de aritmética (. . Mas. autor. A História aparecia como disciplina optativa do currículo nos programas das escolas elementares. onde se manteve a História Sagrada. em um instrumento de aprender a moral cristã. como conteúdo integrante de educação moral e religiosa. O texto do decreto revelava que a escola elementar destinava-se a fornecer conhecimentos políticos rudimentares e uma formação moral cristã à população. enquanto esta se utilizava do conhecimento histórico como o da catequese. [U10] Comentário: Trata-se de outra citação? [U9] Comentário: Por ser uma citação.

eventos comemorativos. visando criar um programa de História Profana mais extenso. práticas e rituais como festas e desfiles cívicos. formando. a fim de eliminar a História Sagrada. a transformação do regime político do Império para a República e a retomada dos debates sobre o ensino laico. A História. foram feitas novas reformulações dos currículos das escolas primárias. celebrações de culto . buscava inserir a nação num espírito cívico. Em geral. as propostas que apontavam a educação como forma de realizar a transformação do país ganhou força. cuja missão na escola elementar seria a de modelar um novo tipo de trabalhador: o cidadão patriótico. A História da Civilização substituiu a História Universal. com a abolição da escravatura.8 No final dessa década. seus conteúdos deveriam enfatizar as tradições de um passado homogêneo. de tal forma que a história culminava com os “grandes eventos” da “Independência” e da “Constituição do Estado Nacional”. Os métodos de ensino então aplicados nas aulas de História eram baseados na memorização e na repetição oral dos textos escritos. com feitos gloriosos de célebres personagens históricos nas lutas pela defesa do território e da unidade nacional. a implantação da República. sob a égide de um nacionalismo patriótico. dentro do programa oficial. Desse modo. passou a ocupar no currículo um duplo papel: o civilizatório e o patriótico. onde a ordem dos acontecimentos era articulada pela sucessão de reis e pelas lutas contra os invasores estrangeiros. desenvolvendo nas escolas. as salas de aula eram palco de uma prática bastante simplificada. A moral religiosa foi substituída pelo civismo. e considerava-se que aprender História reduzia-se a saber repetir as lições recebidas. Tal fato traduzia a atmosfera das discussões sobre o fim da escravidão. o tripé da nacionalidade. ao mesmo tempo em que efetuaria a moralização do povo e a assimilação dos imigrantes estrangeiros no interior de uma ideologia nacionalista e elitista que apontava a cada segmento o seu lugar no contexto social. A escola elementar seria o agente da eliminação do analfabetismo. ensinar História era transmitir os pontos estabelecidos nos livros. então. O regime republicano. No final do século XIX. a busca da racionalização das relações de trabalho e do processo migratório. e a História Pátria era entendida como o alicerce da “pedagogia do cidadão”. ao lado da Geografia e da Língua Pátria. responsável pela condução do Brasil ao destino de ser uma “grande nação”.

o período constituiu-se num momento de fortalecimento do debate em torno dos problemas educacionais e surgiram propostas alternativas ao modelo oficial de ensino. a Comuna de Paris ou a Abolição. como as escolas anarquistas. como a Revolução Francesa. a História passou a ser considerada. outros apontavam a necessidade de se buscar conhecer a identidade nacional. por mestiços. cada qual colaborando com seu trabalho para a grandeza e riqueza do país. os governos republicanos realizaram sucessivas reformas. inspirado na pedagogia norteamericana. demarcando o ritmo do cotidiano escolar. Nessa perspectiva. com currículo e métodos próprios de ensino. compondo conjuntos harmônicos de convivência dentro de uma sociedade multirracial e sem conflitos. sendo o Brasil e a América apêndices da civilização ocidental. em substituição a História e Geografia. dando ênfase ao estudo de História Geral. O ensino de História era idêntico em todo o País. índios e negros. que propunha a introdução dos chamados Estudos Sociais.9 aos símbolos da pátria. e. refletia-se na educação a influência das propostas do movimento escolanovista. A partir de 1930. Ao mesmo tempo. Nas primeiras décadas do século XX. acentuou-se o fortalecimento do poder central do Estado e do controle sobre o ensino. tanto na organização curricular quanto na produção dos materiais didáticos. repensou-se sobre a inclusão do povo brasileiro na História. mas pouco fizeram para alterar a situação da escola pública. da ausência de preconceitos raciais e étnicos. merecendo cuidados especiais. no currículo escolar. Com o processo de industrialização e urbanização. onde nos programas e livros didáticos a História ensinada incorporou a tese da democracia racial. Mesmo assim. a partir dessa tríade. suas . especialmente para o ensino elementar. o povo brasileiro era formado por brancos descendentes de portugueses. Nos anos imediatos ao pós-guerra. Enquanto alguns identificavam as razões do atraso econômico do país no predomínio de uma população mestiça. logo reprimidas pelo governo republicano. que deveriam envolver o conjunto da escola. no qual a História identificasse com os principais momentos das lutas sociais. pela política internacional como uma disciplina significativa na formação de uma cidadania para a paz. com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública e a Reforma Francisco Campos.

como meio de assegurar condições de igualdade na integração da sociedade brasileira à civilização ocidental. configurando-se a necessidade da aquisição de noções e de conceitos relacionados às Ciências Humanas.692/71. devendo. café e industrialização. esvaziando e diluindo os conteúdos de História e Geografia. o mundo. que perdia o caráter do projeto nacionalista cívico e moralizante. Os Estudos Sociais constituíram-se ao lado da Educação Moral e Cívica em fundamentos dos estudos históricos. A História era entendida a partir da sucessão linear dos centros econômicos hegemônicos da cana-de-açúcar. mineração. A temática econômica ganhou espaço na disciplina com o estudo dos ciclos econômicos. Ao final da década de 70. pois. o ensino de História também voltou-se para o espaço americano. o estado. em princípio. mesclados por temas de Geografia centrados nos círculos concêntricos. marcando a penetração da visão norte-americana nos currículos brasileiros. a comunidade ou o bairro. Assim iniciava-se o estudo do mais próximo. A organização das propostas curriculares de Estudos Sociais em círculos concêntricos tinha como pressuposto que os estudos sobre a sociedade deveriam estar vinculados aos estágios de desenvolvimento psicológico do aluno. Essa visão da disciplina gerou os chamados pré-requisitos de aprendizagem. caracterizado por um período de lutas pela especificidade da História e pelo avanço dos Estudos Sociais no currículo escolar. 5. Para compreender a História. indo sucessivamente ao mais distante. o município. a noção de tempo histórico. identificam-se dois momentos significativos nesse processo: o primeiro ocorreu no contexto da democratização do país com o fim da ditadura Vargas e o segundo durante o governo militar. por ser considerada distante e abstrata. Os conteúdos ordenados hierarquicamente deveriam respeitar a faixa etária do aluno. durante o governo militar. o aluno deveria dominar. A denominação da disciplina Estudos Sociais.10 especificidades culturais em relação aos outros países. sob inspiração do nacionaldesenvolvimentismo e da presença americana na vida econômica brasileira. a tendência era substituir História e Geografia por Estudos Sociais. por exemplo. Ao longo das décadas de 50 e 60. o país. partir do concreto ao abstrato em etapas sucessivas. ocorreu a partir da Lei n. por isso a história do mundo não deveria ser ensinada na escola primária. onde a proposta renovava o enfoque da disciplina. em substituição a História e Geografia. . No plano da educação elementar.

Na proposta da LDB 9394/96. mas articulada à história da população brasileira. sensibilizados por questões ligadas à história social. através dos PCN 1 . ao mesmo tempo em que se assistia a uma expansão dos cursos de pósgraduação em História. a questão da identidade tem se tornado um tema de dimensões abrangentes uma vez que se vive um extenso processo migratório. que de fato retornou por volta de 1982. Os historiadores voltaram-se para a abordagem de novas problemáticas e temáticas de estudo. cultural e do cotidiano. com presença significativa de professores de primeiro e segundo graus. forçavam mudanças no espaço escolar. e entre os Estados. Nesse contexto. desafios para o trabalho histórico que visa à constituição de uma identidade social do estudante. a partir dessa dimensão. envolvendo as relações e o compromisso com o conhecimento histórico. fundada no passado comum do seu grupo de convívio. As propostas curriculares passaram a ser influenciadas pelo debate entre as diversas tendências historiográficas. As transformações da clientela escolar composta de vários grupos sociais que viviam um intenso processo de migração. possibilitando a análise das manipulações dos meios de comunicação de massas e da sociedade de consumo. reforçando os diálogos entre pesquisadores e docentes. Para a sociedade brasileira atual. do campo para as cidades. podendo desarticular as formas tradicionais de relações sociais e 1 Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC/SFE) . Introduziu-se a chamada História Crítica. iniciaram-se as discussões sobre o retorno da História e da Geografia ao currículo escolar a partir das séries iniciais de escolarização. com acentuado processo de diferenciação econômica e social. sugerindo possibilidades de rever no ensino fundamental o formalismo da abordagem histórica tradicional.11 No processo de democratização dos anos 80. de caráter científico. pois o conhecimento do outro possibilita aumentar o conhecimento de si mesmo à medida que conhecem outras formas de viver. as diferentes histórias vividas pelas diversas culturas. pretendendo desenvolver com os alunos atitudes intelectuais de desmistificação das ideologias. considera-se o ensino de História. cuja produção foi absorvida parcialmente pela expansão editorial na área do ensino de História e da historiografia. tempos e espaços diferentes. Surgem. os conhecimentos escolares passaram a ser questionados e redefinidos por reformas curriculares.

é a mim mesmo que examino. Se preferir. Dentro dessa perspectiva. pois sinaliza para uma instituição democrática e transformadora. Nesse processo migratório. a frase pode ser inserida como citação. Fedro [U11] Comentário: Veja o comentário 6. tratar a identidade racial. Essa tendência da Geografia e as correntes que dela se desdobraram foram chamadas de Geografia Tradicional. . que era marcada pela explicação objetiva e quantitativa da realidade que fundamentava a escola francesa de então.2 O ENSINO DA GEOGRAFIA As primeiras tendências da Geografia no Brasil nasceram com a fundação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo e do Departamento de Geografia. a exemplo de identidade racial. a perda da identidade tem apresentado situações alarmantes.” Platão. ancorado em práticas eurocêntricas. desestruturando relações historicamente estabelecidas. com forte influência da escola francesa de Vidal de La Blanche. buscando a formulação de leis gerais de interpretação.639/03. Essa aplicação interfere e depende do papel da escola. na análise da produção do espaço geográfico. É importante salientar que mais recentemente a Lei 10. suas afetividades e sua participação no coletivo. pois tinha como meta abordar as relações do homem com a natureza de forma objetiva. a partir da década de 40. “Não são as lendas que investigo. quando. foi essa escola que imprimiu ao pensamento geográfico o mito da ciência asséptica. não-politizada. o ensino de História tende a desempenhar um papel mais relevante na formação da cidadania.12 culturais. inaugura a possibilidade de desconstrução de um modelo educacional da história. envolvendo a reflexão sobre a atuação do indivíduo em suas relações pessoais com o grupo de convívio. com o argumento da neutralidade do discurso científico. de gênero e sexualidade. desagregando valores cujo alcance ainda não se pode avaliar. 1. excludentes e violentas. propunha-se. Apesar de valorizar o papel do homem como sujeito histórico. a disciplina Geografia passou a ser ensinada por professores licenciados. implica o respeito à diversidade cultural presente nas salas de aula e no cotidiano. portanto. a fim de contemplar discussões temáticas mais complexas.

para explicá-la. essa Geografia traduziu-se. do Estado e das classes sociais dominantes. Essa nova perspectiva considera que não basta explicar o mundo. cujo centro de preocupações passa a ser as relações entre a sociedade. propondo-se uma Geografia das lutas sociais. é preciso transformá-lo. pelo estudo descritivo das paisagens naturais e humanizadas. surge uma tendência crítica à Geografia Tradicional.13 estudar a relação homem-natureza sem priorizar as relações sociais. de forma significativa. contudo. Por outro lado. As transformações teóricas e metodológicas dessa Geografia tiveram grande influência na produção científica das últimas décadas. analogias ou generalizações. política e ideológica. Critica-se a Geografia Tradicional. o trabalho e a natureza na produção do espaço geográfico. Pretendia-se ensinar uma Geografia neutra. pois a nova legislação poderia transformar a Geografia e a História em disciplinas inexpressivas no interior do currículo e fragmentar ainda mais os respectivos conhecimentos. . esperar que os alunos estabelecessem relações. sob influência das teorias marxistas. articulada de forma fragmentada e com forte viés naturalizante. Nos anos 70. Num processo quase militante de importantes geógrafos brasileiros. principalmente. estruturando assim os “Estudos Sociais” para substituir a Geografia e a História inspirada em modelos americanos. No ensino. Os métodos e as teorias da Geografia Tradicional tornaram-se insuficientes para apreender essa complexidade e. Os procedimentos didáticos adotados promoviam principalmente a descrição e a memorização dos elementos que compõem as paisagens sem. A partir dos anos 60. Assim a Geografia ganha conteúdos políticos que são significativos na formação do cidadão. difunde-se a Geografia Marxista. Era preciso realizar estudos voltados para a análise das relações mundiais. social. o meio técnico e científico passou a exercer forte influência nas pesquisas realizadas no campo da Geografia. Os geógrafos procuraram estudar a sociedade por meio das relações de trabalho e da apropriação humana da natureza para produzir e distribuir os bens necessários às condições materiais que a garantem. em estudos empíricos. Era baseada. de forma dissociada do espaço vivido pela sociedade e das relações contraditórias de produção e organização do espaço. a escola pública de 1º e 2º graus enfrentava problemas. análises essas também de ordem econômica.

São Paulo. Nas décadas de 80 e 90. pondo em cheque como será esta realidade no futuro e refletindo sobre qual será o futuro que queremos? Através desse método não se transmite o conceito ao aluno. houve a chamada “democratização do ensino”. uma série de propostas curriculares. O planejamento das atividades curriculares da área de Estudos Sociais estava baseado no modelo: área-núcleo. Boletim. por negar ao homem a possibilidade de um conhecimento que passasse pela subjetividade do imaginário. 19-20) Dentro dessa perspectiva.14 Nas escolas. foi realizado o 1º “Encontro Nacional de Geografia”.19-20) . estabeleciam-se as programações das demais disciplinas. o conceito vai sendo construído. p. Para o ensino. 1987. o marxismo ortodoxo. Após vários estudos e avaliações conjuntas. deve aparecer apenas sobrenome do autor. (OLIVEIRA. em uma escola de 1º grau de 8 anos. Enfatizou-se a discussão sobre a metodologia de ensino onde: […] o professor deverá romper com o positivismo clássico. nessa época. [U12] Comentário: Todas estas informações devem aparecer no final da apostila. e influenciou. Neste lugar. propondo os conhecimentos essenciais sobre os vários campos da geografia física e humana e dos relacionamentos entre o homem e o meio. ano e página consultada (OLIVEIRA. A partir dela. O método dialético é inquietante e agitador. como o desenvolvimento à capacidade de compreensão da realidade social e histórica. A. essa perspectiva trouxe uma nova forma de se interpretar as categorias de espaço geográfico. entre outros. foram traçados os objetivos da área de Estudos Sociais. 1987. uma importante produção sobre a geografia no ensino foi colocada à disposição dos professores e dos formadores de professores do País e a década de 80 destacou-se pela produção de livros didáticos de melhor qualidade. AGB . quando o ginásio de quatro anos e o grupo escolar de mais quatro anos passaram a ser acoplados pela lei. o que se almejavam era um novo projeto do trabalho pedagógico em resposta à inadequação das metodologias tradicionais. a partir de então. círculos concêntricos e estudo da comunidade. U. em Brasília. mas a partir da realidade concreta de sua vida. não se limitando à descrição da realidade concreta ou romper com o idealismo teórico. Tanto a Geografia Tradicional quanto a Geografia Marxista ortodoxa negligenciaram a relação do homem e da sociedade com a natureza em sua dimensão sensível de percepção do mundo: o cientificismo positivista da Geografia Tradicional. território e paisagem. P.

como a Antropologia. a busca de explicações mais plurais. seja a tristeza ou a submissão. dominem categorias. (.. é preciso que eles adquiram conhecimentos. nem ‘é o espaço indiferente à afetividade. que promovam a interseção da Geografia com outros campos do saber. possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e propositiva. Nessa perspectiva. porém. Essas dimensões são socialmente elaboradas — fruto das experiências individuais marcadas pela cultura na qual se encontram inseridas — e resultam em diferentes percepções do espaço geográfico e sua construção.. conceitos e procedimentos básicos com os quais esse campo do conhecimento opera e constitui suas teorias e explicações. mas também conhecer e saber utilizar uma forma singular de pensar sobre a realidade: o conhecimento geográfico. Para tanto.15 por tachar de idealismo alienante qualquer explicação subjetiva e afetiva da relação da sociedade com a natureza. o ambiente efetivo não é exterior ao espaço. Uma das características fundamentais da produção acadêmica da Geografia dessa última década é justamente a definição de abordagens que considerem as dimensões subjetivas e. 1975. seja a alegria. por exemplo. É. (.. Lefèbre. as Ciências Políticas. os PCNs (1987) abordam o ensino de Geografia de forma a poder levar os alunos a compreenderem de forma mais ampla a realidade. enfim que o espaço seja vivido.) O espaço suscita ou cria alguma coisa. a Sociologia.157 [U13] Comentário: Ver comentário 06 ... a Biologia. de modo a poder não apenas compreender as relações socioculturais e o funcionamento da natureza às quais historicamente pertence.) a arquitetura do ambienete” H. p.. essencialmente. “. seja o recolhimento. singulares que os homens em sociedade estabelecem com a natureza. portanto.

bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações... articulando-os de acordo com seus objetivos e na sua relação com o saber histórico. de sexo. [U17] Comentário: Seria: “ Permite também perceber as características. de classe social. Seria: “O ensino de História permite ao aluno posicionar-se de maneira crítica. “. cooperação e repúdio às injustiças. adotando. de crenças. através de aproximações sucessivas. tanto na Educação Infantil como na Educação de Jovens e Adultos. podendo conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro. Compreendendo que a ação humana não deve ser separada de seu contexto social ou natural e que a cultura entendida como atribuição de valores às coisas que nos cercam somente pode ser interpretada pelos códigos dos grupos que a produzem. integrados aos conhecimentos das ciências naturais. responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. pretende-se garantir ao aluno a oportunidade de se apropriar do conhecimento de si mesmo e do grupo social em que está inserido.16 2 PARA QUE ENSINAR/APRENDER CIÊNCIAS SOCIAIS Considerando a História e a Geografia no currículo do Ensino Fundamental. Justifica-se o ensino de História para a compreensão da cidadania como participação social e política.. respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. ao longo dos anos de estudo. bem como do chamado eixo Natureza e Sociedade.. como ícones das Ciências Sócias. através dos conhecimentos histórico/geográfico. Falando especificamente do ensino da disciplina de História. assim como exercício de direitos e deveres políticos. no dia a dia.” ? [U15] Comentário: Ver comentário 14. além de desenvolver atitudes de solidariedade. de etnia ou outras características individuais e sociais. materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país. ou seja. pode. civis e sociais. Perceber as características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais.”? [U16] Comentário: A frase está confusa/incompleta/ sem sentido. considerase que o saber histórico escolar reelabora o conhecimento produzido no campo das pesquisas dos historiadores e especialistas do campo das Ciências Humanas... posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais. [U14] Comentário: A frase está confusa/incompleta/ sem sentido.pode” oquê? . Posicionar-se de maneira crítica. utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas.

comparando-as. compreendendo a relação sociedade-natureza. o estudo da sociedade e da natureza deve ser realizado de forma conjunta. Espera-se que. pois buscando práticas pedagógicas que permitam apresentar os diferentes aspectos de um mesmo fenômeno em diferentes momentos da escolaridade. conferindo-lhes significados. O ensino de Geografia deve intensificar ainda mais a compreensão.17 Podendo questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los. A compreensão de como a realidade local relaciona-se com o contexto global é um trabalho que deve ser desenvolvido durante toda a escolaridade. eles desenvolvam a capacidade de identificar e refletir sobre diferentes aspectos da realidade. a criatividade. Para tanto. desde as primeiras etapas da escolaridade. sobre os quais são capazes de pensar. pois são muitos e variados os lugares com os quais os alunos têm contato e. o espaço vivido pelos alunos deve ser o objeto de estudo ao longo dos anos: o espaço vivido pode não ser o real imediato. dessa forma. A [U19] Comentário: Frase confusa/incompleta. procurando entender que ambas — sociedade e natureza — constituem a base material ou física sobre a qual o espaço geográfico é construído. utilizando para isso o pensamento lógico. a capacidade de análise crítica. selecionando procedimentos e verificando sua adequação. compreendendo-as. O conceito de natureza deve ser compreendido tanto como o de primeira natureza . [U18] Comentário: Esta frase faz parte do parágrafo anterior? . situando-as em diferentes escalas espaciais e temporais.a natureza transformada pelo trabalho humano. Além disso. principalmente. o estudo da paisagem local não deve se restringir à mera constatação e descrição dos fenômenos que a constituem. A paisagem local. precisa reconhecer-se e sentir-se como membro participante. afetivamente ligado. por parte dos alunos.os elementos biofísicos de uma paisagem . portanto. de modo cada vez mais abrangente. dos processos envolvidos na construção do espaço geográfico. Poderia reelaborar? [U20] Comentário: A quem o termo “eles” está se referindo? A frase não deixa clara a informação. de modo que os alunos possam construir compreensões novas e mais complexas a seu respeito. objetivando concluir que a cidadania é também o sentimento de pertencer a uma realidade na qual a relação entre a sociedade e a natureza forma um todo integrado — constantemente em transformação — do qual o aluno faz parte e. a intuição. Considerando o ensino de Geografia.como o de segunda natureza . responsável e comprometido historicamente. buscando as relações entre a sociedade e a natureza que aí se encontram presentes.

no lugar no qual se encontram inseridos. contribuindo para a formação de uma consciência conservacionista e ambiental. mas também culturais. na qual se pensa sobre o ambiente não somente em seus aspectos naturais. por exemplo . a mobilidade social. a produção da paisagem. de que ele próprio é parte integrante do ambiente e também agente ativo e passivo das transformações das paisagens terrestres.como a degradação dos ecossistemas. a formação de grupos sociais e sua interação com processos da natureza são articulados a uma base conceitual da Geografia que dá sustentação para a interpretação do mundo vivido. O ensino visa favorecer também a compreensão. e o que acontece em outros lugares do mundo. .18 territorialidade e a temporalidade dos fenômenos estudados devem ser abordadas de forma mais aprofundada. políticas e ambientais relevantes na atualidade. sobre epígrafe. os vínculos espaciais. bem como das noções de especialidade e territorialidade intrínsecas a esse processo. a aprendizagem no campo da Geografia busca orientar o trabalho pedagógico para que o aluno adquira consciência espacial e capacidade de desenvolver raciocínios espaciais. A compreensão de diferentes territorialidades. econômicos e políticos. o crescimento das disparidades na distribuição da riqueza entre países e grupos sociais. Por fim. econômicas. “A cidade é o único lugar em que se pode contemplar o mundo com a esperança de produzir um futuro”. O próprio processo de globalização pelo qual o mundo de hoje passa demanda uma compreensão maior das relações de interdependência que existem entre os lugares. Milton Santos [U21] Comentário: Ver comentário 6. pois os alunos já podem construir compreensões e explicações mais complexas sobre as relações que existem entre aquilo que acontece no dia a dia.podem ser abordados a fim de promover um estudo mais amplo de questões sociais. Os problemas socioambientais e econômicos .

lutar contras discriminações e dar às crianças de famílias afro-descendentes muitos motivos para se orgulhar de sua origem. como em ciências naturais. em produtos artesanais. utilizando. de modo amplo. relatos de testemunhas. televisão. a delimitação de três conceitos fundamentais: o de fato histórico. O ensino de História compreende. do Egito ou dos índios no período colonial brasileiro.19 3 O QUE ENSINAR EM HISTÓRIA É importante que as crianças. como também sobre a história das nações africanas. cada uma delas rica em elementos simbólicos. de outra civilização. Com certeza. aprender sobre esses aspectos. Um exemplo disso é a cultura africana trazida para o Brasil pelos escravos e outros migrantes. etc. como sendo aqueles relacionados aos eventos políticos. na história. obras de literatura. fontes de diferentes tipos: livros. Assim. escolhidas para análises de determinados momentos . cinema. O mesmo pode ser dito sobre o conhecimento de outras culturas e tantas outras etnias. observar suas manifestações em nosso cotidiano e em outros contextos. Aprendendo que há múltiplas culturas feitas pelos homens. Hoje se busca não só conhecer mais sobre as manifestações dessa cultura em seus múltiplos e diversos aspectos. os fatos históricos podem ser entendidos. artísticos e técnicos. durante os anos que passam nos espaços de educação. como no caso dos estudos da Idade Média. fatos esses apresentados de modo isolado do contexto histórico em que viveram os personagens e dos movimentos de que participaram ou podem ser entendidos como ações humanas significativas. jornais e revistas. de sujeito histórico e de tempo histórico. Uma boa forma de ajudar os alunos a aprenderem sobre a história dos homens pode ser pesquisar modos de viver de personagens de um tempo passado. tenham acesso às informações fundamentais para a construção de conhecimentos sobre a história da cultura humana: a vida cotidiana dos homens em sociedade. poderá servir para combater preconceitos. vídeo. às festas cívicas e às ações de heróis nacionais. as formas como os homens vêm se organizando em espaços políticos e econômicos para viver e como os homens vêm contando sua história. podem aprender que. muitos povos foram dominados por outros e suas culturas foram praticamente destruídas ou desvalorizadas.

Os sujeitos históricos podem ser entendidos. comportamentos de crianças ou mulheres. das lutas por mudanças ou do poder exercido por grupos sociais em favor das permanências nos costumes ou nas divisões do trabalho. grupos ou classes sociais. O tempo histórico pode ser dimensionado diferentemente. considerado em toda sua complexidade. como sendo dependente do destino de poucos homens. de continuidade e de permanência. A transposição dos métodos de pesquisa da História para o ensino de História propicia situações pedagógicas privilegiadas para o desenvolvimento de capacidades intelectuais autônomas do estudante na leitura de obras humanas. Os diferentes conceitos de fato histórico. atos de governantes. sujeito histórico e tempo histórico refletem distintas concepções de História e de como ela é estruturada e constituída. dependendo das escolhas didáticas. para a constituição de sua identidade social. formas de desenho. do presente e do passado. podem se constituir como fatos históricos as ações realizadas pelos homens e pelas coletividades e que envolvem diferentes níveis da vida em sociedade: criações artísticas. repercutindo uma compreensão dos acontecimentos como sendo pontuais. O conceito de tempo histórico pode estar limitado ao estudo do tempo cronológico (calendários e datas). em que pouco se percebe a dimensão das ações coletivas. pela intuição. Podem ser eventos que pertencem ao passado mais próximo ou distante. quanto aluno podem desenvolver noções de diferença e de semelhança. no tempo e no espaço. de caráter material ou mental. sendo eles indivíduos. O tempo pode ser apreendido a partir de vivências pessoais. independências políticas de povos. . como sendo os agentes de ação social. de ações isoladas e de vontades individuais de poderosos. Tanto professor. sendo líderes de lutas para transformações (ou permanências) mais amplas ou de situações mais cotidianas. que destaquem mudanças ou permanências ocorridas na vida coletiva. que se tornam significativos para estudos históricos escolhidos com fins didáticos. por exemplo. A História pode ser estudada. ritos religiosos. técnicas de produção. de mudança) ou como no caso do tempo cronológico e astronômico (sucessão de dias e noites. envelhecimento) e do tempo psicológico interno dos indivíduos (idéia de sucessão. de meses e séculos). Assim. como no caso do tempo biológico (crescimento. assim. por sua vez.20 históricos.

há uma marcação específica e é necessário apresentar os dados do documento consultado. o da conjuntura e o da estrutura. o desenrolar de um movimento cultural. pois as mudanças que ocorrem na sua extensão são quase imperceptíveis nas vivências contemporâneas das pessoas. As diversas concepções de tempo são produtos culturais que só são compreendidas. Dependendo do ponto de vista de quem o concebe. É a duração de um regime de trabalho como a escravidão. um nascimento. a permanência de um regime político. Nesse [U22] Comentário: Todo o texto abaixo marcado está “ipsis litteris” ao dos PCNs. Quando a citação é direta. Conforme sugerem os PCNs. ao longo de uma variedade de estudos e acesso a conhecimentos pelos alunos durante sua escolaridade. o trecho citado é muito grande. a duração de uma guerra. em todas as suas complexidades. como o período de uma crise econômica. o início ou o fim de uma guerra. . a assinatura de um acordo. a fundação de uma cidade. O tempo da conjuntura é aquele que se prolonga e pode ser apreendido durante uma vida. no caso. de hábitos religiosos e de mentalidades que perduram. Pode ser. Assim. após as Referências. tanto no campo da realidade natural e física como nas criações culturais humanas. correspondendo a um momento preciso. uma greve. existe uma série de abrangências que são consideradas. O tempo da estrutura é aquele que parece imutável. podemos discriminar outros aspectos importantes e próprios da área em questão. a exposição de uma coleção artística. o tempo pode abarcar concepções múltiplas.21 Os ritmos da duração possibilitam identificar a velocidade com que as mudanças ocorrem. Neste caso. insira-o como anexo. escolhendo temas de estudos a serem trabalhados. não sendo pertinente colocálo no corpo da apostila. a independência política de um país. Para os estudiosos que se dedicam a entendê-lo. O tempo do acontecimento breve é aquele que representa a duração de um fato de dimensão breve. podem ser identificados três tempos: o tempo do acontecimento breve. Caso queira. o uso de moedas nos sistemas de trocas ou as convivências sociais em organizações como as cidades. relacionadas às possibilidades de contornos que assume. marcado por uma data. onde os conceitos abaixo estarão inseridos: O ENSINO DO TEMPO O tempo é um dos conceitos mais complexos de entendimento. os efeitos de uma epidemia ou a validade de uma lei.

distinguir periodicidades. Assim. econômicos e políticos vigentes. uma conceituação ou outra. que mantêm relações com os padrões culturais. O TEMPO DA DURAÇÃO . são uma construção que pode variar de uma cultura para outra. para que possam compartilhar as mesmas referências que localizam os acontecimentos no presente. a partir de predominâncias de ritmos de tempo. sociais. identificar os ritmos de ordenação temporal das atividades das pessoas e dos grupos. que o homem chegou à Lua no ano de 1969. mês e ano). não deve existir uma preocupação especial do professor em ensinar. por exemplo. ou seja. No estudo da História é preciso considerar. para possibilitar que diferentes pessoas possam compartilhar de uma mesma referência de localização dos acontecimentos no tempo. então.22 sentido. relacionar um acontecimento com outros acontecimentos de tempos distintos. Utilizam-se. por meio de calendários. O TEMPO CRONOLÓGICO No estudo da História. mudanças e permanências nos hábitos e costumes de sociedades estudadas. então. permitindo que se diga a ordem em que aconteceram. Assim como as idéias a ele associadas. mas trabalhar atividades didáticas que envolvam essas diferentes perspectivas de tempo. por receberem datações (dia. formalmente. tratando-o como um elemento que possibilita organizar os acontecimentos históricos no presente e no passado: estudar medições de tempo e calendários de diferentes culturas. no passado e no futuro. considera-se que o que existiu teve um lugar e um momento. como as de que os acontecimentos são diferentes entre si. que todas concordem. que as marcações e ordenações do tempo. e são irreversíveis no tempo. As datações utilizadas pela cultura ocidental cristã (o calendário gregoriano) são apenas uma possibilidade de referência para localização dos acontecimentos em relação uns aos outros. calendários. é importante que as crianças conheçam o calendário utilizado por sua cultura.

23 Considera-se. De um modo geral. . expondo suas complexidades e sua presença emaranhada na realidade e na História. extrapolando o tempo presente e revelando aspectos sociais e econômicos que perduram por décadas ou por séculos. auxilia a identificar a continuidade ou a descontinuidade da vida coletiva. também. O estudo dos acontecimentos. pensarem. que podem ser explicados em seus limites restritos na sua relação com alguns outros acontecimentos próximos de seu tempo. procurando distinguir a sua relação com inúmeros outros acontecimentos de muitos outros tempos. também. Nesse caso. pode-se compreender e tentar explicar quando e como um modelo de viver e de pensar sofreu grandes transformações. A divisão da História em períodos. ou ainda quando foram interrompidos. mas deve existir a intencionalidade didática de escolher temas de estudos que abarquem acontecimentos que possam ser dimensionados em diferentes durações. trabalharem e se organizarem politicamente. Pode-se escolher trabalhar. por exemplo. pode-se dividir o tempo histórico em períodos que englobem um modo particular e específico de os homens viverem. diferentes dimensões de tempo. principalmente. média ou longa duração. São essas mudanças que orientam a criação de periodizações. quando foram ocorrendo aos poucos. ou seja. o tipo de regime político vigente em diferentes épocas. que distinguem os períodos Colonial. as clássicas divisões da História do Brasil. Não deve existir a preocupação em ensinar. Imperial e República. que começam e terminam com mudanças nesse modo de viver. permite valorizar. é possível criar situações pedagógicas que permitam revelar as dimensões históricas dos acontecimentos passados e presentes. as conceituações de tempo histórico. com acontecimentos singulares. tendo-se como referência. como. quando permaneceu por longos períodos sem qualquer mudança. E pode-se trabalhar esse mesmo acontecimento em relação à sua inserção em uma estrutura histórica maior. do ponto de vista de suas durações. como o de curta. a partir da identificação de mudanças e de permanências no modo de vida das sociedades. também. a dimensão do tempo como duração. formalmente. dependendo das referências de estudo sobre uma dada sociedade. com base nas mudanças e nas permanências.

uma vez que o homem se faz pela afirmação de sua cultura.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT21-2372--Int. Nesse sentido. como é o caso. por outro lado. sujeito à pena de reclusão. Não deve existir a preocupação em ensinar formalmente aos alunos os ritmos de tempo que predominam em uma ou em outra sociedade histórica. [U23] Comentário: 3. é possível falar que os camponeses vivenciam. nos termos da lei”. por exemplo. http://www. onde os operários ganham pelas horas de trabalho. o ritmo de tempo é orientado. No caso.pdf A Constituição Federal de 1988. nos estudos realizados. as ações individuais e sociais. está mais relacionada aos ciclos naturais. considerando os homens livres e iguais. que pode ser chamado de “tempo da fábrica”. . aliadas à exclusão social impedem muitos brasileiros de viverem plenamente sua cidadania. pois ao perceber e revelar a própria cultura se faz pelo ato de conhecer e compreender o mundo e sobre o mundo. no seu trabalho. pela marcação mecânica das horas de um relógio. das rotinas de trabalho dos camponeses. de forma não excludente.org. “instituiu a discriminação racial como prática de crime inafiançável e imprescritível. Esse ritmo de tempo. cotidianamente. práticas pedagógicas discriminatórias. por exemplo. sobre a predominância de um ou outro ritmo nas atividades das pessoas e dos grupos sociais. ordenando e seqüenciado. por exemplo. é encontrado também em outras atividades sociais. o ritmo de vida. Na produção de uma fábrica. em seu artigo 5º.1 CONTEXTO ÉTNICO-RACIAL A diretriz pedagógica do contexto étnico-racial consiste em permitir que as diversas culturas que formam o homem sejam o eixo central do processo educacional. um “tempo de natureza”. dessa forma torna-se essencial na ação educativa o reconhecimento das diferenças.24 RITMOS DE TEMPO Outro fator a ser contemplado na dimensão do tempo que predomina como ritmo de organização da vida coletiva. mas de estabelecer comparações. que orienta suas atividades.anped. das rotinas escolares. que dependem da época do ano para plantar e colher.

A publicação da Lei 10. Os direitos culturais e a criminalização da discriminação atendem aspectos referentes à proteção de pessoas e grupos pertencentes às minorias étnicas e culturais. As indicações expressas nos PCN’s. estabelece em colaboração com estados. viabiliza a implantação das diretrizes Curriculares . o processo há de tratar do campo social. novos vínculos. referente ao estabelecimento pleno de uma educação democrática. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9. como meio ambiente. porém insuficientes. propondo uma postura laica das escolas.25 No que se refere especificamente à Educação. voltados para a formação de novos comportamentos. como pode ser observado pelo fragmento abaixo: A aplicação e o aperfeiçoamento da legislação são decisivos. da Constituição Federal atual destaca que os conteúdos curriculares da Educação Básica devem observar “a difusão de valores fundamentais no interesse social. que se manifestam no cotidiano (PCN 1997). De acordo com essas diretrizes. alguns conteúdos colocando em pauta a discussões das questões relativas à diversidade cultural e a pluralidade étnica.639 de 9 de janeiro de 2003. que altera a LDB “para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura afro-brasileira”. aos direitos e deveres dos cidadãos de respeito ao bem comum e a ordem democrática”. Para contribuir nesse processo de superação da discriminação e de construção de uma sociedade justa. voltada para o aprimoramento e a consolidação de liberdades e direitos fundamentais da pessoa humana. trazem à tona o debate sobre temas que afligem a sociedade atual. para se trabalhar nas escolas.394/96). livre e fraterna. que pretende gerir o modelo educacional brasileiro. distrito federal e municípios. valorizando a importância do compromisso político pedagógico do planejamento educacional /escolar neste sentido. indicando a necessidade de se conhecer e considerar a cultura dos diversos grupos étnicos. Torna-se então. a escola deve contribuir para que princípios constitucionais de igualdade sejam viabilizados. o artigo 27. mediante ações em que a escola trabalhe com questões da diversidade cultural. inciso I. em relação àqueles que historicamente foram alvos de injustiças. imprescindível trabalhar a formação docente na perspectiva do exercício da cidadania. sexualidade e pluralidade cultural. levantando questões para que os profissionais da educação possam se subsidiar e lidar com menos preconceito sobre esses assuntos.

(Silva. entre outras coisas. para todos. [U26] Comentário: Frase confusa. . a cultura e as experiências da maioria da clientela das escolas. político e de gênero. a história. étnico/racial. ações de oportunidades de sucesso escolar para todos os alunos. Para enfrentar esses desafios se apresentam formas de propor novas metodologias para o ensino de estudos étnicos. Entende-se que esta temática pode e deve ser trabalhada no contexto de todas as disciplinas. [U25] Comentário: A frase está confusa. o currículo é um texto racial. Quem sempre foi moldada pela instituição do escravismo? O campo curricular ou a imagem do negro? [U24] Comentário: Onde devem ser fechadas as aspas? Citações com mais de trás linhas devem ser separadas em parágrafo à parte. natureza. criando assim. fonte 11. para que possamos integrar em um único corpo. ensinar e aprender os conteúdos escolares devem estar conjugados ao aprender a pensar e a utilizar novas ferramentas como possibilidade do aprender a ser. espaço simples. independentemente de seu grupo social. sempre foi moldada pela instituição do escravismo no Brasil e pelo colonialismo português. Sendo assim. desempenho escolar e diversidade cultural. que não contempla. como alterar a forma de trabalhar o modelo monocultural de ensino. riqueza e dignidade das culturas pois. já que as [U28] Comentário: Relação sem conexão com oração posterior. cultura e identidade dos descendentes de africanos e outras etnias.26 Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o ensino de História e cultura afro-brasileira e africana. articulando cultura e identidade. traz em seus apontamentos referências “as condições materiais das escolas e de formação de professores sejam indispensáveis para uma educação de qualidade. pois todas as crianças brasileiras de todas as origens étnico-racias têm direito ao conhecimento da beleza. Considerando professores e alunos como produtores de cultura. em grande parte. como elaborar e propor procedimentos de ensinoaprendizagem. há a necessidade de adotar medidas que possibilitem o desenvolvimento do senso crítico do educador e a re elaboração do seu saber eurocêntrico. sem dúvida. No que se refere ao campo curricular acerca da imagem do negro. assim como o é o reconhecimento e valorização da história. Todo educador tem o desafio de lidar com questões de como lidar com a diversidade cultural em sala de aula. valorizando a importância da diversidade étnica e cultural na configuração dos modos de viver de cada um e de todos. Os negros foram transformados em mercadorias e bens. mas os conteúdos da área de história privilegiam os aspectos ligados à imagem da África e de outras etnias que compõem a formação do povo brasileiro. 2001). margem de 4 centímetros. religioso. cultura e conhecimento. reformulando os currículos e os ambientes escolares. por meio do trabalho com conteúdos que oportunizem aos alunos atuar em uma sociedade multicultural. [U27] Comentário: Frase confusa.

Assim. Dessa forma. a educação para essa modalidade de ensino deve se comprometer com o resgate da identidade do aluno.? [U29] Comentário: A ideia está incoerente. repararmos uma lacuna na história do Brasil e na história da educação brasileira por meio de pedagogias de matriz africana. indiscutivelmente. Não permitindo que cada sujeito se reconheça enquanto produtor de sua própria história e cultura.27 experiências cotidianas não são atos isolados em áreas afins. A educação brasileira. possibilitando aos educandos o conhecimento e a utilização de todas as formas da linguagem. pode considerar os valores afro-brasileiros como uma forte influência para a construção de uma escola dialógica. Permite ou não permite? Mapa dos valores civilizatórios (projeto a cor da cultura) www.. da solidariedade. mas são ações integradas e sempre articuladas.acoracultura.org. os conteúdos são considerados realmente significativos quando relacionados ao contexto sociocultural dos alunos. . potencializadora da vida. permitindo assim o conhecimento de todas as manifestações e representações culturais que compõem a cultura brasileira. O patrimônio africano e afro-brasileiro ou afro-descendente precisa sair da subalternidade para. para a construção de sujeitos reflexivos e críticos. assim. do coletivo. que possam lhe propiciar o domínio do conhecimento sistematizado. a horizontalização de saberes.br [U31] Comentário: O link não abre. da ética.. O trabalho pautado nas pedagogias de matriz africana apresenta grande possibilidade de trabalho dos conteúdos e saberes alicerçados nesse patrimônio da humanidade. exemplificada abaixo: [U30] Comentário: O que pode lhes propiciar.

ligada à formação econômica e social de uma nação. o território é o espaço nacional ou área controlada por um Estado Nacional: é um conceito político que serve como ponto de partida para explicar muitos fenômenos geográficos relacionados à organização da sociedade e suas interações com as paisagens. lugar. Nesse sentido. para animais e plantas. bem como as de relações sociais de trabalho e cultura. território. O conceito de território foi originalmente formulado nos estudos biológicos do final do século XVIII. Foi por meio dos estudos comportamentais que Augusto Comte incorporou o conceito de território aos estudos geográficos. tais como as categorias de nação. pois a Geografia estuda as relações entre o processo histórico que regula a formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza. . onde os conteúdos fundamentais da Geografia. paisagem e até mesmo de espaço geográfico. o território é o domínio que estes têm sobre porções da superfície terrestre. O território é uma categoria importante quando se estuda a sua conceitualização. Na geopolítica.28 4 O QUE ENSINAR EM GEOGRAFIA As experiências do cotidiano podem oferecer aos alunos a oportunidade de identificar diferentes aspectos das relações sociais que se estabelecem e o que lhes propicia condições de construir a visão da realidade. é importante explorar de modo integrado as categorias conceituais de tempo e espaço. Nessa definição inicial. é o trabalho social que qualifica o espaço. A divisão da Geografia em campos de conhecimento da sociedade e da natureza tem propiciado um aprofundamento temático de seus objetos de estudo. como categoria fundamental para as explicações geográficas. O conhecimento geográfico tem características e importância social. gerando o território. É dominado por uma comunidade ou por um Estado. Nesse sentido. mas sim o espaço construído pela formação social. por meio da leitura do espaço geográfico e da paisagem. Território não é apenas a configuração política de um Estado-Nação. onde ela desempenha todas as suas funções vitais ao longo do seu desenvolvimento. O território para as sociedades humanas representa uma parcela do espaço identificada pela posse. Portanto. além do estudo dos elementos físicos e biológicos que se encontram aí presentes. ele é a área de vida de uma espécie.

O conceito de espaço geográfico é historicamente produzido pelo homem enquanto organiza econômica e socialmente sua sociedade. Para tanto. permaneceu ou foi transformado. de existir e de perceber os diferentes espaços geográficos. buscam o reconhecimento de suas especificidades. múltiplas identidades coexistem e por vezes se influenciam reciprocamente. A percepção espacial de cada indivíduo ou sociedade é também marcada por laços afetivos e referências socioculturais. definindo e redefinindo aquilo que poderia ser chamado de uma identidade nacional. No caso específico do Brasil. inseridos em contextos particulares ou gerais. Nessa perspectiva. a historicidade enfoca o homem como sujeito construtor do espaço geográfico. buscar explicações para aquilo que. A análise da paisagem deve focar as dinâmicas de suas transformações e não a descrição e o estudo de um mundo estático. da diversidade de tendências. como os fenômenos que constituem as paisagens se relacionam com a vida que as anima. . isto é. isto é. o sentimento de pertinência ao território nacional envolve a compreensão da diversidade de culturas que aqui convivem e. idéias. Assim. A preocupação básica é abranger os modos de produzir. compreender o que é território implica também compreender a complexidade da convivência em um mesmo espaço. apesar de uma convivência comum. crenças. os elementos do passado e do presente que nela convivem e podem ser compreendida mediante a análise do processo de produção/ organização do espaço. o estudo de uma totalidade. que imprime seus valores no processo de construção de seu espaço. além disso. é preciso observar. mais do nunca. da paisagem como síntese de múltiplos espaços e tempos deve considerar o espaço topológico — o espaço vivido e o percebido — e o espaço produzido economicamente como algumas das noções de espaço dentre as tantas que povoam o discurso da Geografia. É reconhecer que. numa determinada paisagem. nem sempre harmônica.29 Para estudar essa categoria é necessário que os alunos compreendam que os limites territoriais são variáveis e dependem do fenômeno geográfico considerado. situado para além e através da perspectiva econômica e política. daquilo que lhes é próprio. A compreensão dessas dinâmicas requer movimentos constantes entre os processos sociais e os físicos e biológicos. um homem social e cultural. sistemas de pensamento e tradições de diferentes povos e etnias.

caracterizada por fatores de ordem social. É definida como sendo uma unidade visível. a orientação dos rios e córregos da região. portanto. elementos importantes na constituição do saber geográfico. paisagem. fazendo. distinto daquele utilizado pelo senso comum ou por outros campos do conhecimento. de onde se avista a cidade. as vivências e a memória dos indivíduos e dos grupos sociais são. Pela imagem. por sua vez. o conjunto de construções humanas. o alto de uma colina. território e lugar devem também ser abordada. espaço geográfico. na educação infantil e nos ciclos iniciais. onde se brinca desde menino. A categoria paisagem. É algo criado pelos homens. O lugar é onde estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o espaço geográfico. Pode até mesmo ser considerada como o conjunto de paisagens contido pelos limites políticos e administrativos de uma cidade. que possui uma identidade visual. território e lugar. da paisagem uma soma de tempos desiguais.30 As representações de imagens do mundo e do espaço geográfico. Nesse contexto. está relacionada à categoria de lugar. sucessos e fracassos da história dos indivíduos e grupos que nela se encontram. A paisagem é o velho no novo e o novo no velho! Quando se fala da paisagem de uma cidade. porém. é uma instituição. as categorias paisagem. dela fazem parte seu relevo. uma combinação de espaços geográficos. a . A categoria paisagem. a distribuição da população que nela vive o registro das tensões. É importante considerar quais são as categorias da Geografia mais adequadas para os alunos em relação à sua faixa etária. É nela que estão expressas as marcas da história de uma sociedade. sobre os quais se implantaram suas vias expressas. contendo espaços e tempos distintos. assim. o passado e o presente. Além disso. tem um caráter específico para a Geografia. cultural e natural. Embora o espaço geográfico deva ser o objeto central de estudo. Pertencer a um território e sua paisagem significam fazer deles o seu lugar de vida e estabelecer uma identidade com eles. tendo em vista suas características cognitivas e afetivas. atualmente. As percepções. estado ou país. a categoria lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça. tão explorada pela mídia. ao momento da escolaridade em que se encontram e às capacidades que se espera que eles desenvolvam. estão associados à força da imagem. a janela de onde se vê a rua. A categoria território possui uma relação bastante estreita com a de paisagem.

em meio ao processo de globalização e massificação. confundindo no imaginário aquela que é real e a que se deseja como ideal. Nessa abrangência. necessitam de um conhecimento geográfico bem estruturado. numa reflexão direta e imediata sobre o espaço geográfico e o lugar. Há uma multiplicidade de questões que. impressas e expressas nas paisagens e em suas representações. o meio técnico-científico informacional adquiriu um papel fundamental e. a formação de blocos comerciais. No mundo atual. a Geografia contribui para que se compreenda como se estabelecem as relações locais com as universais. como o contexto mais próximo contém e está contido em um contexto mais amplo e quais as possibilidades e implicações que essas dimensões possuem. por meio da paisagem. identificada como a ciência que busca decodificar as imagens presentes no cotidiano. tais como o declínio dos estados-nações. então. as novas políticas econômicas. toma para si a tarefa de impor e inculcar um modelo de mundo. o mundo convive com novos conflitos e tensões. A Geografia estaria. as contradições em que se vive. para serem entendidas.31 mídia traz à tona valores a serem incorporados e posturas a serem adotadas. sobrepondo-se às percepções e interpretações subjetivas e/ou singulares por outras padronizadas e pretensamente universais. de reproduzir o cotidiano por meio da imagem massificante repetida pelo bombardeamento publicitário. Retrata. . a desterritorialidade e outros temas que recuperam a importância do saber geográfico.

sobre fatos. algumas tentativas de formulação lógica. A partir de sua interação com objetos e mediada pelo convívio com outras pessoas. as crianças buscam entender e compreender o mundo que as cerca. apreendidas em sua interação cotidiana com diferentes parceiros. se forem criadas condições para tal. A maneira como o aluno explica os elementos de seu mundo demonstra a variedade e riqueza de inquietações e interpretações que ela produz. Vivendo em um meio repleto de produtos da ciência e da tecnologia. fenômenos e situações sociais observadas. buscam entender o “como” e o “por que” das coisas e dos fenômenos da natureza e da sociedade em que vivem. as escolas. criam oportunidades para ela construir e relacionar diferentes aspectos da natureza e da cultura. Quanto mais oportunidades as crianças tiverem para falar e ouvir opiniões de adultos. Os espaços de convivência social onde esse aluno se relaciona com adultos e com outras crianças. o comportamento humano e outros aspectos da cultura. a tecnologia. eles influenciam a apropriação que ela faz de saberes e representações do mundo que a cerca. transformando em conhecimento suas curiosidades sobre os animais. Neste sentido. Através delas e dos questionamentos que fazem aos adultos próximos. tanto o físico como o social. elabora noções onde se misturam à fantasia. por informações veiculadas através dos meios de comunicação e por imagens que capta visualmente.32 5 COMO ENSINAR? ESCOLHAS METODOLÓGICAS A curiosidade e a observação são características presentes nas crianças desde a mais tenra idade. elas manipulam objetos e experimentam ações na busca de explicações de seu funcionamento. de modo geral. as crianças vão resignificando suas hipóteses e se apropriando do conhecimento científico. quando ela é confrontada com explicações historicamente elaboradas sobre uma enorme quantidade de fenômenos naturais e uma variedade igualmente grande de fatos sociais. Se tais ambientes propiciam o contato da criança com diferentes fatos e a desafiam a pensar sobre o que ela observa. são importantes ambientes onde as crianças podem elaborar idéias acerca do mundo. . Desta forma. as plantas. mais elas poderão pensar e elaborar idéias sobre eles. na interação com as situações e com parceiros experientes que as façam refletir. ou de outras crianças. Da mesma forma.

Para conhecer e poder ajudar as crianças nessa construção. tais como: construir problemas de investigação. vão construindo observáveis e teorias que. considera seus argumentos e analisa suas experiências em relação aos contextos culturais. etc. Criar espaços onde as crianças possam falar. narrar. situação que se articula com todo o trabalho ocorrendo em relação ao domínio da linguagem verbal e escrita. quando ainda não souber escrever sozinho. é muito importante que o professor escute o que elas perguntam e conversam. divulgar conhecimentos. autônomo. fenômenos e leituras. torna-se importante para o professor ajudar as crianças a . correspondências. encontrar argumentos para defender as próprias idéias. manipular alguns instrumentos do processo de produção de conhecimentos. emitir opiniões e confrontar-se com outras opiniões. observar regularidades e discrepâncias. e passa a ser um investigador do que pensam elas. e procure entender os significados que elas constroem as relações que estabelecem as comparações que fazem. criar situações experimentais. na medida em que interpreta suas hipóteses. por mais elementar que sejam. Como a meta do trabalho pedagógico é o aprofundamento de um pensar crítico. escolher critérios de classificação. embora não necessariamente igual ao pensar de outras pessoas. tomar decisões. construir relações entre fatos. justificar. as crianças buscam estabelecer a relação do que já conhecem com os fragmentos de conhecimento que ainda não possuem. Desta forma. descrever fenômenos naturais. explicar torna-se assim requisito fundamental para a construção e ampliação de saberes novos e dos já estabelecidos. buscar informações adicionais através da pesquisa em outras fontes bibliográficas ou através da leitura de imagens e com a ajuda do professor. o professor deixa de ser um informante dos conhecimentos científicos. envolve relações. fazer previsões. Nesse contexto. etc. integrar diferentes informações. As instituições devem ser espaços onde os alunos possam. com a ajuda do professor. testar essas hipóteses. criar explicações hipotéticas.33 No intuito de apreender o contexto em que estão inseridas. aplicar novos conhecimentos a situações ou a problemas novos. supõem muito mais que um simples registro perceptivo. mas também solidário. construir ou completar modelos e esquemas explicativos utilizando desenhos ou tendo o professor como escriba. um transmissor de conteúdos para que as crianças aprendam. situar-se em relação a novas informações. descrever. implicações.

a função do professor é trazer para as crianças informações que as alimentem na construção de conhecimento. assim como a forma de sistematização e socialização dos conteúdos aprendidos. tipos diferentes de solo. Pode-se propor que os estudos realizados se materializem em produtos culturais. Os procedimentos de pesquisa devem ser ensinados pelo professor à medida que favoreçam a ampliação do conhecimento e das capacidades dos alunos: trocas de informações. etc. informando sobre dados desconhecidos e organizando pesquisas e investigações. registrar e armazenar. tratando o mundo na sua complexidade. inicialmente. identificando quais poderiam enriquecer seus repertórios e suas reflexões. É ele. conforme ele define o conteúdo. propõe-se valorizar.34 lidar com a heterogeneidade de explicações que constroem. quadros cronológicos. realiza o recorte temático e estabelece os objetivos específicos do trabalho que irá desenvolver com elas. os alunos aprenderão como proceder de modo autônomo no futuro. . como Livros. Nas dinâmicas das atividades. maquetes. promovendo visitas e pesquisas em locais ricos em informações. podendo organizar um mostruário coletivo ou individual. por exemplo. com suas próprias capacidades de conhecer e sintam interesse e paixão por essas atividades. pois é parte das situações de aprendizagem documentar o trabalho de exploração através de desenhos ou modelagens e armazenar o material colhido. Participando e opinando. também. os saberes que os alunos já possuem sobre o tema abordado. folhas secas. criando momentos de trocas de informações e opiniões. socialização de idéias. murais. exposições. propondo novos questionamentos. teatros. com a divergência de suas opiniões. mapas. o professor assume o papel de mediador das relações das crianças com os conhecimentos socialmente elaborados acerca da natureza e da sociedade para que desfrutem e se surpreendam com as descobertas que fazem. Selecionar materiais de fontes de informação diferentes para que sejam estudados em sala de aula. avaliando essas informações. Nesse contexto. quem realiza a escolha de fontes de informação e as formas de registro a serem utilizadas. Como mediador de cultura em situações de aprendizagem. aos poucos. etc.

dias de descanso. • conhecimento do funcionamento e das histórias que envolvem os calendários utilizados por alguns povos. registro com os alunos do dia da semana e do mês. . da posição do Sol no céu. o egípcio. • observação. que possibilitem às crianças se organizar de modo autônomo em relação aos acontecimentos e estudos de cada dia e da semana. acontecimentos do passado e do presente que estão estudando. na vegetação. construções de relações. iconográficos. nos ventos. festas. do mês e do ano. relógios de água (clepsidra). dos aniversários. • confecção de relógios de Sol. pode-se trabalhar uma série de atividades envolvendo calendários: • criação de rotinas diárias e semanais de atividades. o asteca. registro e levantamento de hipóteses sobre as repetições dos fenômenos naturais. • comparação entre os diferentes calendários e sua utilização para localização e comparação de acontecimentos no tempo. domínios lingüísticos. ATIVIDADES COM O TEMPO No trabalho com os alunos. como o cristão. percepção de contradições. no que se refere aos domínios em relação ao conhecimento cultural e social das medições de tempo. estabelecendo periodicidades de um mês para o outro. escritos. organizando-as em quadros de horário ou agendas. ampulhetas. mudanças das fases da Lua. cartográficos e pictóricos. mudanças na temperatura. • nas rotinas diárias. ou de ano para o outro. • criação de calendários sustentados nessas mudanças observadas em relação aos elementos naturais. orais. como dia e noite. feriados.35 autonomia de decisão. atitudes de confrontamento.

que se pode verificar in loco na paisagem humana ou geográfica. que envolve o contato direto com fontes de informação documental. fazer uma pesquisa no bairro. Tanto nas visitas. o estudante não depara com a composição dos conteúdos históricos em forma de enunciados ou já classificados a partir de conceituações. Essas situações são geralmente lúdicas e representam oportunidades especiais para todos se colocarem diante de situações didáticas diferentes. quando o professor quer caracterizar estas atividades como estudo do meio. visitar um fábrica. nas excursões. Ao contrário. relacionadas diretamente com a produção de novos conhecimentos. nos passeios. Nesse sentido. levantamento de questões a serem investigada. conhecer cidades históricas. O estudo do meio não se relaciona à simples obtenção de informações fora da sala de aula ou à simples constatação de conhecimentos já elaborados. enciclopédias ou jornais. que requerem tratamentos muito próximos ao que se denomina pesquisa científica. encontrados em livros didáticos. etc. organização de dados e conclusões. a parte e o todo. é uma atividade didática que permite que os alunos estabeleçam relações ativas e interpretativas. observações em campo. que requer atividades anteriores à visita.36 Estudos do Meio É gratificante e significativo. Em um estudo do meio. os alunos deparam com o todo cultural. ou mesmo nos estudos da organização do espaço interno à sala de aula ou à escola. encontradas em contextos cotidianos da vida social ou natural. comparações entre os dados levantados e os conhecimentos já organizados por outros pesquisadores. para o professor e para os seus alunos. trabalhos que envolvam saídas da sala de aula ou mesmo da escola: visitar uma exposição em um museu. o particular e o geral. envolvem uma metodologia de pesquisa e de organização de novos saberes. nas viagens. envolvendo pesquisas com documentos localizados em contextos vivos e dinâmicos da realidade. é necessário que considere uma metodologia específica de trabalho. a diversidade e as generalizações. que envolvam trabalhos especiais de acesso a outros tipos de informações e outros tratamentos metodológicos de pesquisa. as contradições e o que se pode . o presente e o passado. interpretação. seleção de informações. enfim.

recorre a diferentes linguagens na busca de informações e como forma de expressar suas interpretações. e através do ensino de História pode alcançar a vida. o professor não pode deixar de escrever suas reflexões sobre os procedimentos pedagógicos escolhidos. O estudo do meio é. progressivamente. o olhar indagador sobre o mundo de que fazem parte. um recurso pedagógico privilegiado. que faça da localização e da espacialização uma referência da leitura das paisagens e seus movimentos. modos de vida. Portanto recursos didáticos como fotos comuns. também. e transportar o conhecimento adquirido para fora da situação escolar. construir o currículo ao longo do processo. então. Os relatórios sobre as saídas podem ser socializados com outros professores. Como em outras atividades significativas que são desenvolvidas na escola. filmes. suscitadores de lembranças e problemáticas. que sensibiliza os estudantes sobre a participação dos antigos e modernos atores da História. construindo propostas e soluções para problemas de diferentes naturezas com os quais defronta na realidade. partindo de vivências do grupo (professor e alunos). hipóteses e conceitos. Neste caso o estudo do meio. A Geografia por sua vez trabalha com imagens. já que possibilita aos estudantes adquirirem. estilos de arte ou as formas de organização de trabalho. gravuras e vídeos também podem ser utilizados como fontes de informação e de leitura do espaço e da paisagem. Com a utilização de outras metodologias de ensino significa. para compreender de modo mais crítico a sua própria época e o espaço em seu entorno. apoiada numa fusão de múltiplos tempos e numa linguagem específica. o processo de trabalho e as produções dos estudantes. É preciso que o professor analise as imagens na . sem deixar de considerar o conhecimento historicamente constituído. habitações. acrescentando-lhes vivências e concretudes para a sua imaginação. É fundamental para o estudante que está começando a ler o mundo humano conhecer a diversidade de ambientes. aprofundando propostas educacionais e consolidando práticas bemsucedidas.37 estabelecer de comum no diferente. se torna uma paisagem histórica é um cenário composto por fragmentos. fotos aéreas. Pede uma cartografia conceitual. Podendo analisar as relações entre os homens na sociedade de hoje ou como são organizados os espaços urbanos ou rurais.

Por intermédio dessa linguagem é possível sintetizar informações. por sua vez. localizáveis no tempo e no espaço. como também para desenvolver capacidades relativas à representação do espaço. e tomar esses dados como referência na leitura de informações mais particularizadas. livros didáticos. estudar situações. A cartografia é um conhecimento que vem se desenvolvendo desde a préhistória até os dias de hoje. enciclopédias e meios de comunicação de massa) como sendo construções que contemplam escolhas feitas por seus autores (influenciados em parte pelas idéias de sua época): seleção de fatos históricos. entender o trajeto dos mananciais. entre outras coisas — sempre envolvendo a idéia da produção do espaço: sua organização e distribuição. por exemplo) às mais específicas (como delimitar áreas de plantio. ensinando aos alunos que as imagens são produtos do trabalho humano.. organização temporal das análises e das relações entre acontecimentos. O estudo da linguagem cartográfica. Também é uma forma de atender a diversas necessidades. os mapas. é importante que os alunos aprendam a identificar as obras de conteúdo histórico (textos feitos por especialistas. desde o início da escolaridade. compreender zonas de influência do clima). quando. tem cada vez mais reafirmada sua importância. . 5. Assim espera-se que a escola deva criar oportunidades para que os alunos construam conhecimentos sobre essa linguagem nos dois sentidos: como pessoas que representam e codificam o espaço e como leitor das informações expressa por ela. das mais cotidianas (chegar a um lugar que não se conhece. com que finalidade. A construção dos conhecimentos necessários. cujas intencionalidades podem ser encontradas de forma explícita ou implícita.1 ANÁLISE DE MATERIAL DIDÁTICO Didaticamente. Contribui não apenas para que os alunos venham a compreender e utilizar uma ferramenta básica da Geografia. etc. uso de signos ordenados e técnicas de projeção.38 sua totalidade e procure contextualizá-las em seu processo de produção: por quem foram feitas. destaque feito a determinados sujeitos histórico. expressar conhecimentos. tanto para ler mapas como para representar o espaço geográfico requer partir da idéia de que a linguagem cartográfica é um sistema de símbolos que envolvem proporcionalidade.

que contam sua história a partir da seleção de fatos diferentes (de dimensão política. trabalhos de pesquisa pelos alunos e a seleção. média ou longa duração). até que ponto coincide com os do professor ou da escola. necessariamente. mediante comparação e confrontação com outras obras que se distinguem por enfocarem abordagens diferenciadas. mas que se diferenciam como forma ou conteúdo (constroem argumentos de modo diferente e defendem idéias opostas). Observar os objetivos educacionais propostos.39 Os trabalhos desenvolvidos com Língua Portuguesa. . a identificação de contextos de autores. Nesse sentido. cultural). mas é importante determinar as diferenças para poder preencher as supostas carências. além de promover questionamentos coletivos e individuais sobre as obras e propor pesquisas. cabe ao professor selecionar algumas produções. como recursos didáticos. econômica. Assim. Para análise de um material didático pode-se elencar alguns itens que contribuam para sua seleção ou elaboração. dissertativo. referentes à mesma temática estudada. auxiliam os alunos no que se refere à leitura de textos de conteúdo histórico ou geográfico. como também promover momentos em que seus alunos possam lê-la mais criticamente. que fazem recortes de tempos diversos (numa dimensão de curta. de materiais complementares que auxiliem a identificação de contextos e discernimento dos pontos de vista dos autores. dificilmente contemplará na integra. Podem ser criadas situações em que os alunos aprendam a questionar e a dialogar com os textos: em que contexto foi produzido? Quais os fatos e os sujeitos que foram privilegiados? Existiria a possibilidade de privilegiar outros sujeitos e outros fatos? Como o tempo está organizado? Quais os argumentos defendidos pelo autor? Como está organizado o seu ponto de vista? Existem outras pessoas que defendem as mesmas idéias? Como pensam outras pessoas? Como se pode pensar de modo diferente do autor? Qual é a opinião pessoal sobre o que o autor defende? Os questionamentos sobre as obras disparam. por parte do professor. descritivo). que dão destaque para diferentes sujeitos históricos (para indivíduos ou para determinados grupos sociais). o discernimento de construção de argumentos e os modelos textuais usualmente privilegiados. cabe ao professor ensinar como questionar uma obra. principalmente os que privilegiam os diferentes estilos de textos (narrativo.

se necessário a adaptação. é preciso comprovar se existe correspondência entre objetivos e conteúdos. é importante também verificar de que forma as seqüências de atividades estão propostas para cada um dos conteúdos. devendo possibilitar. segundo César Coll . verificando se cumprem os requisitos de aprendizagem que queremos alcançar em relação aos conteúdos conceituais. procedimentais e atitudinais 2 antes estabelecidos. E por último estabelecer qual o grau de adaptação ao contexto possa permitir. eliminação ou elaboração de outros materiais complementares.40 Outro item a ser analisado diz respeito aos conteúdos. 2 Classificação. não garante a totalidade da abordagem de ensino que se pretende. o importante é saber utilizá-los de forma intencional e de acordo com o que se quer ensinar/aprender. Desta forma entende-se que um único material.

Que possibilite aprendizagens em diferentes domínios: da linguagem e comunicação (verbal. Que possa ser de interesse dos alunos e acessível a sua compreensão (faixa etária e domínios cognitivos). no mundo atual. social e científico-cultural. corporal. que promovam atitude favorável. Zabala. Sendo necessário estabelecer critérios para a seleção dos temas a serem trabalhados. A: Ed Artmed . considerando as dimensões de abrangência doméstica. o cotidiano e os contextos mais amplos onde se inserem o próximo e o distante. provocando um conflito cognitivo. na sua diversidade. da compreensão de conceitos. suas condições de vida e das famílias às quais pertencem historicamente. cooperação e repúdio a preconceitos e discriminações. os conteúdos e as expectativas de aprendizagem buscam respeitar. para que possa adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender. estimulante. que proponham um desafio alcançável. 3 Conjunto de atividades que garantam: Levantamento de conhecimentos prévios. favorecendo sua “leitura do mundo”: a cidade e o ambiente onde vivem. como integridade. In. gráfica. o presente e o passado. respeito. Que possa ter relevância científica e social. desenvolvimento de conteúdos significativos e funcionais.41 6 ORGANIZAÇÃO DO ENSINO As seqüências didáticas 3 . em extensão e profundidade. os bens materiais e culturais presentes em seu cotidiano. fenômenos e processos (acerca do mundo natural e social). responsabilidade. A pratica Educativa – Como Ensinar. e salientando relações múltiplas entre o individual e o social. procedimentos e atitudinais. artística). da ação em contexto e que promova a apropriação de conteúdos conceituais. escrita. adequadas ao desenvolvimento dos alunos. o desenvolvimento e os interesses dos alunos em suas respectivas faixas etárias. além de desenvolver valores humanos para a vida em sociedade. que integrem os principais conceitos de cada disciplina. no sentido de inclusão das crianças. como a possibilitar de abordagens interdisciplinares.

Este enfoque tem um princípio fundamental: deve-se avaliar o que se ensina. ao término de uma determinada unidade. adequando o processo de ensino aos alunos que apresentam dificuldades. suas técnicas de trabalho. Conhecer melhor o aluno: suas competências. tendo em vista os objetivos propostos. reconhece diversidades e aproximações de modo de vida. Acompanhando globalmente o processo de ensino-aprendizagem. o aluno se situa no tempo presente. por exemplo. Qual dever ser então o sentido e a finalidade da avaliação. de forma contínua e com diversos procedimentos metodológicos e julgando o grau de aprendizagem. ora em relação a todo grupo-classe. se faz uma análise e reflexão sobre o sucesso alcançado em função dos objetivos previstos e podendo revê-los de acordo com os resultados apresentados. Pois depois de terem vivenciado inúmeras situações de aprendizagem. os alunos podem dominar alguns conteúdos e procedimentos. encadeando a avaliação no mesmo processo de ensino-aprendizagem. A avaliação deve ser planejada. Podendo-se avaliar se. seu estilo de aprendizagem. fundamenta-se em aprendizagens significativas e funcionais que se aplicam em diversos contextos e se atualize o quanto for preciso para que se continue a aprender. pertencentes às . de forma que os alunos também façam parte do processo de avaliação. de culturas. A isso poderíamos chamar de avaliação inicial. econômicas e culturais. a partir dos estudos desenvolvidos. em seus aspectos cognitivos. de crenças e de relações sociais. ora em relação a um determinado aluno em particular como forma de constatar o que está sendo aprendido. relativamente aos conhecimentos que serão contextualizado e utilizados em estudos posteriores. O professor vai recolhendo informações. como: Reconhecer algumas semelhanças e diferenças no modo de viver dos indivíduos e dos grupos sociais que pertencem ao seu próprio tempo e ao seu espaço. Para isso é necessário estabelecer alguns critérios. afetivos e relacionais. se relacionarmos as suas conquistas numa perspectiva de continuidade de seus estudos.42 7 PROCESSOS DE AVALIAÇÃO Na perspectiva da avaliação formativa os processos de aprendizagem. seus interesses.

Reconhecer a presença de alguns elementos do passado no presente. relações de direção e orientação. interpretar e representar o espaço por meio de mapas simples. obras e acontecimentos. na dinâmica da vida atual Este critério pretende avaliar as conquistas do aluno no reconhecimento de que sua realidade estabelece laços de identidade histórica com outros tempos. outros sujeitos e outros contextos. função de representar o espaço e suas características. na família. alguns aspectos naturais e culturais da paisagem. delimitar as relações de vizinhança. percebendo nela elementos que expressam a multiplicidade de tempos e espaços que a compõe e se é capaz também de comparar algumas das diferenças e semelhanças existentes entre diferentes paisagens. símbolos. de outros tempos. Ler. Reconhecer e localizar as características da paisagem local e comparálas com as de outras paisagens Com este critério avalia-se se o aluno é capaz de distinguir. tais como cor. na coletividade e em uma comunidade). identificando a participação de diferentes sujeitos. por meio da observação e da descrição. com este critério avalia-se o quanto o aluno se apropriou da idéia de interdependência entre a sociedade e a natureza e se reconhece aspectos dessa relação na paisagem local e no lugar em que se encontra inserido. Reconhecer algumas das manifestações da relação entre sociedade e natureza presentes na sua vida cotidiana e na paisagem local. projetando a sua realidade numa dimensão histórica. assim avalia-se se o aluno sabe utilizar elementos da linguagem cartográfica como um sistema de representação que possui convenções e funções específicas.43 localidades de seu próprio tempo e localizadas no espaço mais próximo com que convive (na escola. Também se deve avaliar se conhecem alguns dos processos de transformação da natureza em seu contexto mais imediato. que envolvem outros modos de vida. .

é tempo de pensar nos desafios propostos para o ensino de Ciências Sociais. parece imprescindível que tome forma primeiramente. em nosso imaginário o fato de prepararmo-nos para começar a pensar tudo em termos dinâmicos e evolutivos. Temas amplos e de suma importância para o processo de formação do ser humano. onde esperamos contribuir para o avanço de tais reflexões por meio dos estudos da presente disciplina. Como estabelecer em nossas maneiras de ver e sentir o mundo a continuidade da vida e os processos ininterruptos de aprendizagem? Convém a cada um de nós considerarmos a oportunidade e o compromisso de ensinar/aprender o melhor e da melhor forma. mas é preferível estar aprendendo o tempo todo e com todos. principalmente no que diz respeito à educação para o ‘pensar’. . para isto. No contexto da atualidade. Ou precisamos ainda das garantias de conceber nossas experiências por etapas e ciclos definidos. na discussão da chamada Sociedade da Informação. podemos pensar nas possibilidades de literais mergulhos na “Máquina do Tempo” da Internet. o aluno é capaz de reconhecer-se como cidadão. tão subjetivas ligadas ao tempo. por meio da abordagem metodológica. a partir de contextos a serem estudos nas disciplinas História e Geografia. foram fortemente abordadas em nossos trabalhos. pois por meio do desenvolvimento dos conteúdos próprios das áreas das ciências humanas. onde vivemos da constante avanço científico-tecnológico. propõe-se chegar a uma visão complexa da vida e do conhecimento. na perspectiva da construção de uma sociedade onde caibam todos.44 CONSIDERAÇÕES FINAIS Já que as questões. não é preciso saber tudo. se for considerado sujeito do processo ensino/aprendizagem. principalmente. entendendo a educação como um processo de interação entre pessoas. onde a experiência dinâmica do movimento está posta.

1998. L. São Paulo: integral. A. 1999. São Paulo: Hucitec. São Paulo: Ática. M. L. RJ 1998 BRASIL. 1987 SANTOS. Ciências Sociais na Escola – São Paulo: Ed Brasiliense. S. . 1996 KRAMER. (et alli). São Paulo. Didática de História: O tempo vivido: uma outra história? São Paulo: FTD.45 REFERÊNCIAS ______. A. e TEBEROSKY. Versus. H. 1991. Com a Pré Escola nas mãos: uma alternativa curricular para a Educação Infantil. SP: Ed Ática.Ijuí. Reencantar a Educação. R. Pensando o espaço do Homem. NEMI. São Paulo: FTD. Didática da Geografia: memórias da terra: o espaço vivido. São Paulo: Ática. H. 2000. 1996 NIDELCOFF. RS: Ed Unijuí. S. Filosofia. São Paulo: Ática. O Ensino em Ciências Sociais . M. Rumo a Sociedade Aprendente: Petrópolis. MEC/ SEF. 1998 ASSMANN. C. 2001 COLL. 1991 CHAUI. C. HOLT. C. e Martins. e FILIZOLA. T. Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. J. MEC/ SEF. 1997 CALLAI. 2006. Aprendendo História e Geografia: Conteúdos essenciais para o Ensino Fundamental de 1ª à 4ª série. M. J Aprendendo o tempo – Como as crianças aprendem sem ser ensinadas. KOZEL. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental – História e Geografia.

Porto Alegre: Artmed. 19-20 . U. A prática Educativa – Como ensinar. 2001 ZABALA. 1987. AGB . Salvador: EDUFBA.1998. Ana Célia. A.46 SILVA. OLIVEIRA. p. A.São Paulo. Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático. Boletim.

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