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1. Conceito e Finalidade:

DIREITO PENAL I

Sob o aspecto formal, direito penal é um conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como infrações penais, define os seus agentes e fixa as sanções a serem aplicadas.

Já sob o aspecto sociológico, o direito penal é mais um instrumento (além dos

demais ramos do direito) do controle social de comportamentos desviados, visando

assegurar a necessária disciplina social, bem como a convivência harmônica dos seus membros.

A conseqüência jurídica do direito penal faz com que ele seja utilizado

minimamente; é o que tem a consequência mais drástica, por isso o Estado dá preferência aos demais ramos do direito, só usando o direito penal em última “ratio”.

2. Função:

Funcionalismo Teleológico Claus Roxin

Funcionalismo Sistêmico Jakobs

O fim do direito penal é assegurar bens jurídicos, valendo-se das medidas político- criminais. O direito penal só pode agir quando houver relevante direito atingido (alto grau de lesão a bem jurídico)

A finalidade do direito penal é resguardar a norma, o sistema, o direito posto atrelados aos fins da pena.

Teoria

do

direito penal do

 

inimigo: a pessoa que infringe a norma penal é inimiga do sistema.

Ex.: A subtração de uma caneta “bic” para Roxin é um indiferente penal, é um fato atípico. Já para Jakobs é o agente é um inimigo, não importa o grau de lesão ao bem jurídico.

3. Direito Penal Objetivo e Subjetivo:

Direito Penal Objetivo

Direito Penal Subjetivo

Conjunto de leis em vigor no país. É expressão do poder punitivo do Estado (direito penal subjetivo).

Direito de punir do Estado.

Um está atrelado ao outro.

O poder punitivo do Estado pode ser delegado a um particular? Não, pois o poder punitivo do Estado é monopólio do Estado. Legítima defesa não é um exemplo de delegação do poder punitivo do Estado ao particular. Na ação penal

privada o Estado não transfere o direito de punir ao particular e sim direito de perseguir a pena.

No TPI (Tribunal Penal Internacional) o Estado abre mão do seu direito de punir,

permitindo uma punição internacional.

a) Fonte de produção ou substancial ou material:

Quem tem legitimidade para produzir norma de direito penal? Em regra a União - art. 22 e § único da CF. Excepcionalmente os Estados podem legislar, desde que sobre questões específicas, de interesse local e autorizado por LC federal.

b) Fonte formal:

Formas de revelação, de conhecimento, de exteriorização das regras criadas pela

União. Doutrina clássica:

b.1) Imediatas lei em sentido amplo. Direito Penal Incriminador é o direito penal que cria crimes, penas e medidas de segurança está regido pelo o princípio da reserva legal (somente a lei, aprovada pelo parlamento, é que pode criar crimes, penas ou medidas de segurança). Nem a Constituição pode, só a lei. A Constituição pode sugerir que o legislador crie. Cabe Medida Provisória em Direito Penal?

R: Para criar crime, pena ou medida de segurança não cabe. MP pró-réu é possível

(jurisprudência do STF consolidada) art. 62, CF.

b.2) Mediatas Costumes, princípios gerais e jurisprudência. Costumes são normas de comportamento uniforme e constante que as pessoas a observam com a convicção de sua obrigatoriedade e necessidade jurídica.

O costume não pode criar crimes, nem cominar pena, pois vige no ordenamento

jurídico o princípio da reserva legal. A sua utilidade é a interpretação da lei, ex.: aclarar a expressão “repouso noturno” no crime de furto. * Costume pode revogar lei?

Correntes:

1ª corrente: não, pois o art. 2º da LICC diz que lei só pode ser revogada por outra lei. (majoritária). 2ª corrente: sim, nada impede que um costume não-incriminador revogue uma infração penal, ex.: jogo do bicho.

Princípios Gerais de Direito consiste no direito que vive na consciência de um povo (pode ser positivado ou não).

Jurisprudência: fruto das decisões reiteradas dos tribunais sobre determinada matéria.

O direito internacional, quando incorporado no Brasil, pode criar crime?

5. Posição dos Tratados Internacionais:

Os tratados internacionais após a EC 45/04, segundo Min. Gilmar Mendes, podem ter as seguintes posições:

1) Tratados de DH:

a) ratificado com quórum de EC → status constitucional b) ratificado com quórum comum → status supralegal (acima das LO e abaixo da

CF).

2) Tratados sem DH:

a) ratificado com quórum de EC ou não → status legal (LO)

6. Interpretação da lei penal

6.1. Quanto ao sujeito que interpreta (origem):

a) autêntica ou legislativa: a interpretação é dada pela própria lei, ex.: art. 327 do

CP conceito de funcionário público para fins penais.

b) doutrinária: a interpretação é feita pelos estudiosos.

c) jurisprudencial: os Tribunais.

Obs.: No CP a exposição de motivos não é lei, é uma mera exposição doutrinária, mas no CPP é lei.

6.2. Quanto ao modo:

a) literal ou gramatical: leva em conta o sentido literal das palavras, é a

interpretação mais pobre.

b) teleológica: procura-se identificar a vontade, a intenção do legislador. Os fins a

que se destina a lei.

c) histórica: procura-se a origem da lei e o momento histórico em que foi criada.

d) sistemática: a lei é interpretada com o conjunto da legislação. O ordenamento

é um sistema. É a interpretação mais rica e desejada por todos.

6.3. Quanto o resultado:

a) declarativa: a letra da lei corresponde exatamente àquilo que o legislador

queria dizer.

b) extensiva: amplia-se o alcance da palavra da lei para que corresponda a vontade

do texto.

c) restritiva: reduz o alcance da palavra da lei para que corresponda a vontade do

texto.

d) progressiva ou adaptativa: a interpretação acompanha o progresso, a evolução

da ciência. * É possível interpretação extensiva contra o réu? R.: A maioria da doutrina entende que sim, o que não pode é analogia in mala partem. A doutrina que entende que não é possível se ampara no princípio do in dubio pro reo, contudo, urge enfatizar que o princípio do in dubio pro reo é um princípio de provas.

Ex.: art. 157, §1º, CP: a palavra “arma” pode ter uma interpretação restritiva/própria significando instrumento com finalidade bélica ou interpretação extensiva/imprópria significando qualquer instrumento possível de ataque ou defesa.

Interpretação extensiva ≠ interpretação analógica ≠ analogia Interpretação analógica: o significado se busca extraído do próprio dispositivo (existe norma a ser aplicada ao caso concreto), levando-se em conta as expressões genéricas e abertas utilizadas pelo legislador depois de enunciar exemplos. Analogia: não há interpretação e sim integração, pois nesses casos, não existe lei a ser aplicada no caso concreto (lacuna), motivo pelo qual o legislador socorre-se daquilo que o legislador previu em hipótese semelhante. A analogia só pode ser utilizada no DP se for em favor do réu.