Você está na página 1de 230
Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes Caso de estudo: Molhe Norte do

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Caso de estudo: Molhe Norte do Porto da Figueira da Foz

NUNO FILIPE RIBEIRO CORREIA

Relatório de Projecto submetido para satisfação parcial dos requisitos do grau de

MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM HIDRÁULICA

Orientador: Professor Doutor Fernando F. M. Veloso Gomes

FEVEREIRO 2009

MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2007/2008

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Tel. +351-22-508 1901

Fax +351-22-508 1446

miec@fe.up.pt

Editado por

FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Rua Dr. Roberto Frias

4200-465 PORTO

Portugal

Tel. +351-22-508 1400

Fax +351-22-508 1440

feup@fe.up.pt

http://www.fe.up.pt

Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2008/2009 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2009.

As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respectivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir.

Este documento foi produzido a partir de versão electrónica fornecida pelo respectivo Autor.

Aos meus Pais

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

AGRADECIMENTOS

Este trabalho contou com a colaboração de algumas pessoas e entidades, às quais queria expressar os meus agradecimentos, em especial:

Ao Professor Fernando Veloso Gomes, como orientador deste trabalho, pela sua disponibilidade ilimitada e por todo o apoio prestado relativamente ao esclarecimento de dúvidas e à concretização deste estudo;

Ao Eng. Jorge Oliveira e ao Eng. Luis Ferreira da empresa CPTP – Companhia Portuguesa de Trabalhos Portuários, s.a. por toda a simpatia e disponibilidade que sempre demonstraram no apoio à recolha de dados fundamentais para a realização deste trabalho e esclarecimento de dúvidas da prática corrente da execução de obras de prolongamento de quebramares de taludes;

Ao Eng. Manuel Sousa Ribeiro pela ajuda no início deste projecto na definição do mesmo;

Aos meus pais, irmãs e amigos pelo apoio e incentivo para a concretização deste trabalho.

.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

RESUMO

O trabalho realizado foi proposto no âmbito da unidade curricular Projecto / Investigação da Opção

Condicionada de Hidráulica do 5º Ano do Mestrado Integrado em Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, no ano lectivo 2008/09, e refere-se ao estudo de soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes.

Numa fase inicial, efectuou-se uma recolha e análise de elementos referentes a quebramares já construídos. Os dados recolhidos foram agrupados em fichas individuais para cada quebramar. Cada

ficha contém informação sobre o perfil tipo, cotas de coroamento e de fundo, amplitude de maré, onda e período de projecto, constituição do quebramar bem como o ano de concepção. Esta recolha serviu

de apoio ao pré-dimensionamento das soluções do caso de estudo.

Numa segunda fase, foram descritas alternativas para a construção de quebramares de taludes. Foram considerados os quebramares de taludes convencionais, com várias alternativas para blocos constituintes do manto resistente nomeadamente: enrocamento, blocos cúbicos Antifer, Tetrápodes, blocos Accropode II, blocos Core-Loc e blocos Xbloc. Foram também apontadas alternativas em quebramar destacado, quebramar em berma, quebramar composto por um quebramar submerso associado a um quebramar de taludes e quebramar misto.

Posteriormente, foi estudado um caso actual, tendo-se procedido ao pré-dimensionamento de várias alternativas para o prolongamento do quebramar Norte do porto da Figueira da Foz. Esse estudo consistiu na geração de alternativas ao perfil transversal adoptado no projecto de execução da empreitada de prolongamento do quebramar Norte do porto da Figueira da Foz. Foram geradas alternativas relativamente aos blocos para o manto resistente anteriormente descritos, alternativa em quebramar em berma e alternativa em quebramar misto. Foram também apontadas alternativas à implantação (em planta).

Por último foi feita uma comparação económica das várias soluções de perfil transversal apresentadas.

PALAVRAS-CHAVE: quebramares, dimensionamento, comparação de soluções, perfis tipo,

porto da Figueira da Foz.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

ABSTRACT

This case study was proposed in the framework of the curricular unit Project / Research of the optional course on Hydraulics of the 5th Year of the Integrated Master in Civil Engineering of the School of Engineering of the University of Porto in the 2008/09 academic year. It consists of the examination of alternative solutions for the extension of rubble mound breakwaters.

The initial phase focused on the collection and analysis of data relating to diverse existent breakwaters. The data collected were organized in individual files for each breakwater. Each file contains information on the cross section, crown and bottom level, tide range, design wave and period, constitution of the several layers of the breakwater as well as the year of construction. The pre-design of the solutions put forward in the case study rested upon this database.

In a second phase, alternatives for the construction of rubble mound breakwaters were described. Several alternatives for the constituent blocks of the armor layer in conventional rubble mound breakwaters were considered: rock, cubic blocks Antifer, Tetrapods, Accropode II, Cole-Loc and Xbloc blocks. Possible alternatives in the case of detached breakwaters, berm breakwaters, tandem breakwaters and vertical composite breakwaters were also pointed out.

Subsequently, a present-day case was singled out for analysis and a pre-design of several alternatives for the extension of the Figueira da Foz harbor North breakwater was offered. The aim of this section of the case study was the generation of alternatives to the cross section adopted in the execution project of the extension of the Figueira da Foz harbor North breakwater. Alternatives were generated with regard to the previously described blocks for the armor layer, along with alternative solutions resorting to a berm breakwater and a vertical composite breakwater. Alternatives to the longitudinal profile were also described.

Finally, a comparison in economic terms of the several cross sections solutions presented was carried out.

KEYWORDS: breakwaters, design, solution comparison, cross-section, Figueira da Foz harbor.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

ÍNDICE

AGRADECIMENTOS

I

RESUMO

III

ABSTRACT

V

1 INTRODUÇÃO

1

2 QUEBRAMAR DE TALUDES (RUBBLE MOUND BREAKWATER)

3

2.1 INTRODUÇÃO

3

2.2 CLASSIFICAÇÃO

4

2.3 TIPO DE DISSIPAÇÃO

5

2.4 MODELO DE CÁLCULO

5

2.4.1 Manto constituído por duas camadas de enrocamento

6

2.4.2 Dimensionamento de quebramares galgáveis

9

2.4.3 Manto constituído por duas camadas de cubos de betão

10

2.4.4 Manto constituído por duas camadas de Tetrápodes

11

2.4.5 Manto constituído por uma camada blocos ACCROPODE™ II

13

2.4.6 Manto constituído por uma camada de blocos CORE-LOC

14

2.4.7 Manto constituído por uma camada de blocos XBLOC

16

2.5 ESTABILIDADE DO PÉ DE TALUDE

17

2.6 DIMENSIONAMENTO DA SECÇÃO TRANSVERSAL DA ESTRUTURA

18

2.6.1 Cota e Largura de coroamento

20

2.6.2 Espessura do manto resistente e das subcamadas

22

2.6.3 Cota de base do manto

23

2.6.4 Filtros

23

2.7 MODOS DE RUPTURA

23

2.8 FASEAMENTO CONSTRUTIVO

25

2.9 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR EM PORTUGAL

27

2.10 APLICAÇÕES DESTE TIPO QUEBRAMAR A NÍVEL INTERNACIONAL

27

2.11 POTENCIAIS PONTOS FORTES

28

2.12 POTENCIAIS PONTOS FRACOS

28

3 QUEBRAMAR DESTACADO (DETACHED OR OFFSHORE BREAKWATER)

29

3.1 PERFIL TIPO

29

3.2 INTRODUÇÃO

30

3.3 TIPO DE DISSIPAÇÃO

30

3.4 MODELO DE CÁLCULO

30

3.5 TIPOS DE MANTO RESISTENTE

30

3.6 MODOS DE RUPTURA

31

3.7 APLICAÇÕES DO TIPO DE QUEBRAMAR EM PORTUGAL

31

3.8 APLICAÇÕES DO TIPO DE QUEBRAMAR A NÍVEL INTERNACIONAL

31

3.9 POTENCIAIS PONTOS FORTES

31

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

3.10

POTENCIAIS PONTOS FRACOS

32

4 QUEBRAMAR EM BERMA (BERM BREAKWATER)

33

 

4.1 PERFIL TIPO

33

4.2 INTRODUÇÃO

34

4.3 TIPO DE DISSIPAÇÃO

36

4.4 MODELO DE CÁLCULO

37

4.4.1 Reperfilamento de quebramares em berma para ondas com incidência normal

39

4.4.2 Transporte longitudinal para ondas oblíquas

40

4.4.3 Estabilidade do talude de sotamar

41

4.4.4 Estabilidade da cabeça do quebramar

41

4.4.5 Protecção em relação às correntes marítimas

42

4.5 TIPOS DE MANTO RESISTENTE

43

4.6 MODOS DE RUPTURA

43

4.7 MÉTODOS CONSTRUTIVOS

43

4.8 EXPERIÊNCIA EM QUEBRAMARES EM BERMA

44

4.9 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR EM PORTUGAL

45

4.10 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR A NÍVEL INTERNACIONAL

45

4.11 POTENCIAIS PONTOS FORTES

45

4.12 POTENCIAIS PONTOS FRACOS

46

5 QUEBRAMAR DE TALUDES COM QUEBRAMAR SUBMERSO (TANDEM BREAKWATER)

47

 

5.1 PERFIL TIPO

47

5.2 INTRODUÇÃO

47

5.3 TIPO DE DISSIPAÇÃO

49

5.4 MODELO DE CÁLCULO

49

5.5 TIPOS DE MANTO RESISTENTE

49

5.6 MODOS DE RUPTURA

49

5.7 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR EM PORTUGAL

49

5.8 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR A NÍVEL INTERNACIONAL

50

5.9 POTENCIAIS PONTOS FORTES

50

5.10 POTENCIAIS PONTOS FRACOS

50

6 QUEBRAMAR VERTICAL OU MISTO (VERTICAL OR COMPOSITE BREAKWATER)

51

6.1 INTRODUÇÃO

51

 

6.2 PERFIL TIPO

51

6.3 TIPO DE DISSIPAÇÃO

52

6.4 MODELO DE CÁLCULO

52

6.4.1 Ondulação

52

6.4.2 Cálculo de forças e momentos

57

6.4.3 Verificação da estabilidade da estrutura

59

6.4.4 Dimensionamento do manto protector do quebramar de taludes de fundação como protecção

contra as correntes

60

6.5 TIPOS DE MANTO RESISTENTE

60

6.6 MODOS DE RUPTURA

61

6.7 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR EM PORTUGAL

62

6.8 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR A NÍVEL INTERNACIONAL

62

6.9 POTENCIAIS PONTOS FORTES

63

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

6.10

POTENCIAIS PONTOS FRACOS

63

7 CASO DE ESTUDO: PROLONGAMENTO DO QUEBRAMAR (MOLHE) NORTE DO PORTO DA FIGUEIRA DA FOZ

65

7.1 LOCALIZAÇÃO

65

7.2 DADOS DE PROJECTO

66

7.2.1

Estimativa da tempestade de projecto

66

7.3

ALTERNATIVAS À IMPLANTAÇÃO E AO PERFIL LONGITUDINAL

68

7.3.1 Dimensionamento do canal de navegação

69

7.3.2 Hipótese alternativa. Solução 0

71

7.3.3 Hipótese alternativa. Solução 1

72

7.3.4 Hipótese alternativa. Solução 2

73

7.3.5 Hipótese alternativa. Solução 3

75

7.4

P-DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO

76

7.4.1 Quebramar de taludes

76

7.4.2 Manto resistente constituído por uma só camada de blocos de betão

85

7.4.3 Intradorso

90

7.4.4 Comparação entre as várias alternativas de quebramares de taludes

90

7.4.5 Dimensionamento de um quebramar misto

91

7.4.6 Quebramar em berma tipo-S

95

7.4.7 Quebramar em berma tipo Islandês

99

8 COMPARAÇÃO ECONÓMICA DAS SOLUÇÕES

101

9 SÍNTESE E CONCLUSÕES

109

10 BIBLIOGRAFIA

111

11 ANEXOS

115

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1: “Partes constituintes do perfil corrente de um quebramar de taludes” (Taveira Pinto,

2000)

4

Figura 2: Quebramar de taludes sem superestrutura (Taveira Pinto, 2000)

4

Figura 3: Quebramar de taludes com superestrutura (Taveira Pinto, 2000)

5

Figura 4: Factor de permeabilidade, P proposto por van der Meer (1998) (Coastal Engineering Manual, 2006)

8

Figura 5: Características geométricas dos blocos cúbicos Antifer (Pita, 1985)

10

Figura 6: Características geométricas dos Tetrápodes (Shore Protection Manual, 1975)

11

Figura 7: Bloco tipo Accropode II (CLI - Concrete Layer Innovations, 2004)

13

Figura 8: Bloco tipo Core-Loc (CLI - Concrete Layer Innovations, 2004)

14

Figura 9: Bloco tipo Xbloc (Delta Marine Consultants, 2007)

16

Figura 10: Soluções típicas para a risberma em quebramares de taludes (Coastal Engineering Manual, 2006) Figura 11: Secção tipo recomendada para estruturas galgáveis (Coastal Engineering Manual,

17

2006)

19

Figura 12: Secção tipo recomendada para estruturas não galgáveis (Shore Protection Manual,

1975)

19

Figura 13: Largura de coroamento dependente do equipamento (citado por Taveira Pinto, 2000)

22

Figura 14: Modos de ruptura de um quebramar de taludes (Burcharth, 1992)

23

Figura 15: Perfil transversal (Veloso Gomes, 1986) Figura 16: Construção de um quebramar de taludes (frentes de trabalho 1 a 3) (Veloso Gomes,

26

1986)

26

Figura 17: Construção de um quebramar de taludes (frentes de trabalho 4 a 8) (Veloso Gomes,

1986)

27

Figura 18: Quebramar destacado emerso (Liberatore, 1992)

29

Figura 19: Quebramar destacado submerso (Liberatore, 1992)

29

Figura 20: Quebramar com berma estável (van der Meer, 1994)

33

Figura 21: Quebramar em berma tipo-S (van der Meer, 1994)

33

Figura 22: Quebramar em berma tipo Islandês (Sigurdarson, van der Meer, Burcharth, & Sørensen, 2007)

33

Figura 23: Quebramar de Arzew el Djedid - secção transversal inicial (Veloso Gomes, 1986)

35

Figura 24: Quebramar de Arzew el Djedid - primeiros danos (Veloso Gomes, 1986)

35

Figura 25: Quebramar de Arzew el Djedid - secção totalmente destruída (Veloso Gomes, 1986)

35

Figura 26: Efeito de várias alturas de onda num quebramar em berma (van der Meer, 1994)

36

Figura 27: Extensão da recessão da berma (PIANC, 2003)

39

Figura 28: Definição do parâmetro Rc (PIANC, 2003)

41

Figura 29: Características da risberma (PIANC, 2003)

42

Figura 30: Quebramar de taludes com quebramar submerso no porto de Leixões (Veloso Gomes et al. 2006)

47

Figura 31: Evolução de quebramar de taludes para quebramar de taludes com quebramar submerso

48

Figura 32: Quebramar misto - perfil tipo (Taveira Pinto, 2000)

51

Figura 33: Tipo de rebentação (Coastal Engineering Manual, 2006)

53

Figura 34: Descrição dos parâmetros de cálculo (Coastal Engineering Manual, 2006)

54

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Figura 35: Parâmetros de cálculo para um quebramar misto com paramento protector (Coastal Engineering Manual, 2006)

57

Figura 36: Forças actuantes no caixão (Coastal Engineering Manual, 2006)

59

Figura 37: Quebramar misto: modos de ruptura (Castillo et al., 2006)

61

Figura 38: Embocadura do rio Mondego (CPTP)

65

Figura 39: Variação do peso dos blocos cúbicos Antifer em função do número de ondas

67

Figura 40: Variação de K D em função do número de ondas

68

Figura 41: Configuração dos quebramares ou molhes da barra da Figueira da Foz antes da obra de prolongamento (Empreitada de Prolongamento do Molhe Norte do Porto da Figueira da Foz- Vol. III - Projecto de Execução, 2006)

71

Figura 42: Alternativa 1

72

Figura 43: Alternativa 2

73

Figura 44: Alternativa 3

75

Figura 45: Processo de fabrico dos blocos cúbicos Antifer (Eng. Luis Ferreira, 27-11-2008)

78

Figura 46: Pórtico para movimentação dos blocos (Eng. Luis Ferreira, 12-11-2008)

79

Figura 47: Armazenamento dos blocos cúbicos Antifer (Eng. Luis Ferreira, 27-11-2008)

79

Figura 48: Secção transversal adoptada na empreitada do prolongamento do quebramar Norte do porto da Figueira da Foz

81

Figura 49: Secção transversal variante com blocos Tetrápodes

84

Figura 50: Secção transversal variante com blocos Accropode II

87

Figura 51: Secção transversal variante com blocos Core-Loc

88

Figura 52: Secção transversal variante com blocos Xbloc

89

Figura 53: Secção transversal variante em quebramar misto

94

Figura 54: Secção transversal variante em quebramar em berma tipo S

97

Figura 55: Comparação económica das várias soluções alternativas (correspondendo a diferentes níveis de estabilidade com diferentes consequências a nível de manutenção)

103

Figura 56: Comparação dos vários cenários com variações de 10% dos preços iniciais

106

Figura 57: Comparação dos vários cenários com variações de 20% dos preços iniciais

108

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 1: Coeficiente K D da fórmula de Hudson (Shore Protection Manual, 1977)

7

Quadro 2: Coeficiente K D da fórmula de Hudson (Shore Protection Manual, 1984)

7

Quadro 3: valores do parâmetro S recomendáveis, para mantos resistentes constituídos por duas camadas de enrocamento, propostos por van der Meer (1998) (Coastal Engineering Manual, 2006)

9

Quadro 4: Valores de N s e K D para cubos de betão (Coastal Engineering Manual, 2006)

11

Quadro 5: Valores de K D para Tetrápodes (Shore Protection Manual, 1977)

12

Quadro 6: Descrição das camadas do quebramar (Coastal Engineering Manual, 2006)

19

Quadro 7: Valores de K e P (Coastal Engineering Manual, 2006)

21

Quadro 8: Exemplos de acidentes em quebramares de taludes (Pita, 1985)

25

Quadro 9: Experiência em quebramares em berma (PIANC, 2003)

44

Quadro 10: Valores médios dos factores de correcção dos erros sistemáticos e de incerteza (Coastal Engineering Manual, 2006)

58

Quadro 11: Características do quebramar com manto resistente em enrocamento

77

Quadro 12: Características do quebramar com manto resistente em blocos cúbicos do tipo Antifer

80

Quadro 13: Características do quebramar com manto resistente em Tetrápodes

82

Quadro 14: Características das camadas e respectivos blocos

86

Quadro 15: Comparação entre quebramares de taludes

90

Quadro 16: Pressões sobre o paramento vertical

92

Quadro 17: Valores de cálculo das forças e momentos

92

Quadro 18: Cálculo do maciço de fundação

93

Quadro 19: Valores de cálculo para o quebramar em berma

95

Quadro 20: Comparação dos preços das várias alternativas

102

Quadro 21: Comparação das várias soluções

103

Quadro 22: Comparação dos vários cenários com variações de 10% dos preços iniciais

105

Quadro 23: Comparação dos vários cenários com variações de 20% dos preços iniciais

107

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

SÍMBOLOS E ABREVIATURAS

B

B

C consumo de betão (m 3 /m 2 )

C

largura do coroamento do quebramar largura da berma do quebramar

m

k

definida como H k /H s = 1.55 para águas profundas quando as alturas de onda são caracterizadas pela distribuição de Rayleigh

d profundidade de água em frente ao pé do talude

d’ profundidade de coroamento da berma

D

D

D

D

f d

f g

f i

g aceleração da gravidade

H

calado do navio 15% de enrocamento tem um diâmetro inferior a D 15 diâmetro nominal 85% de enrocamento tem um diâmetro inferior a D 85 factor de profundidade factor de gradação (fg = D n85 /D n15 ) factor de redução da fórmula de van der Meer (estruturas galgáveis)

altura do bloco média do décimo superior das alturas de onda mais altas

n15

n50

n85

1/10

h’

h’ c

H 0 T 0

2%

h

profundidade de água a uma distância de 5H s a barlamar do quebramar distância entre o nível da água do mar de dimensionamento e a cota máxima do tardoz do caixão H d altura de onda de projecto

profundidade em que o talude reperfilado intersecta o talude original altura de onda característica, definida a partir da média da 1/50 ondas mais altas altura de onda máxima altura de onda significativa profundidade da risberma altura do caixão

H

H s = 1/3 h h

profundidade de fundação do caixotão altura da estrutura acima do nível do leito marinho número de estabilidade dinâmico média do segundo superior das alturas de onda mais altas

b

h

c

h f

1/50

max

t

w

k

número de onda = 2π/L

K

D

coeficiente empírico de estabilidade da fórmula de Hudson

K

coeficiente de forma dos blocos

L

comprimento de onda no pé do quebramar

largura do navio (boca)

L

0

comprimento de onda em grandes profundidades (gT 2 /2π)

b

L ff

comprimento do navio fora-a-fora

N

número de unidades/100m 2 de talude

n

número de blocos

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

N

N

N

a

od

s

N s *

s **

N

N

P

P o

r

R

R

c

Rec

S

s

s

s

s

op

s

T

T

T

U

z

m

Z

canal

m

m0

mk

p

FH

U

U

U

FU

MH

MU

número de unidades individuais do manto resistente por unidade de área, A nível de danos número de estabilidade

número de estabilidade espectral

número de estabilidade modificado

número de ondas

permeabilidade do manto porosidade do manto

espessura média da camada raio do canal de navegação altura de água acima do coroamento da estrutura, negativa se a estrutura for submersa

recessão da berma

nível de estragos declividade de onda (H s /L 0 )

= 2πH s /(gT z 2 )

declividade característica da onda declividade da onda em grandes profundidades para o período de pico declividade da onda para o período de pico

período de onda período de onda médio período dos zeros ascendentes

factor de correcção de erros sistemáticos e de erros de incerteza relacionados com a força horizontal

factor de correcção de erros sistemáticos e de erros de incerteza relacionados com a força vertical

factor de correcção de erros sistemáticos e de erros de incerteza relacionados com o momento das forças horizontais

factor de correcção de erros sistemáticos e de erros de incerteza relacionados com o momento das forças verticais

V volume do bloco

W peso de um bloco do manto resistente

w

w

w w Σ w i

largura mínima do rasto do canal folga até à margem verde (estibordo de entrada) largura básica da faixa de navegação folga até à margem vermelha (bombordo de entrada) larguras adicionais para levar em conta a velocidade do navio, o efeito adverso de ventos, correntes e ondas, a qualidade das ajudas à navegação, a profundidade e o tipo de fundo e o tipo de carga transportada

Bg

BM

Br

β ângulo de incidência das ondas no talude em relação à sua normal

ρ

ρ

ρ

c

s

w

massa volúmica do material constituinte da estrutura

massa volúmica do betão massa volúmica da água

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

γ

γ a

densidade relativa (ρ s /ρ w -1)

η ângulo de atrito caixão/fundação

θ ângulo que o talude faz com a horizontal

ξ

ξ

peso volúmico do material do bloco peso volúmico do enrocamento

m

mc

número de Iribarren (tan θ/s m 1/2 )

número de Iribarren crítico

BMAV

baixa-mar de águas vivas

FS

factor de segurança

NMAM

nível médio da água do mar

PMAV

preia-mar de águas vivas

T.O.T.

Enrocamento de todo-o-tamanho

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

1

1

INTRODUÇÃO

A engenharia costeira desenvolveu-se desde muito cedo na história da civilização humana, em

conjunto com o aparecimento do tráfego marítimo que sempre foi um factor chave no desenvolvimento da economia e da política das nações. De facto, as atenções deste ramo da engenharia estavam principalmente voltadas para as estruturas portuárias e de protecção de alguns locais onde o modo de vida estava dependente da linha de costa.

Os desenvolvimentos nos tempos ancestrais estavam relacionados com a cultura dos diferentes povos

dominantes que habitavam, principalmente, na bacia oriental e na bacia central do mar Mediterrâneo:

Egípcios, Minóicos, Fenícios, Cartagineses, Gregos, Etruscos e Romanos. Após a era romana quase não houve evolução até aos tempos Napoleónicos.

Na presente era, o aumento dos requisitos operacionais dos portos, o aumento da dimensão, tanto em calado como em tara e em largura, dos navios e da sua capacidade de transporte bem como as alterações climáticas levam a que haja uma necessidade do prolongamento dos quebramares existentes e da execução de raiz de novos quebramares.

“Um quebramar é, na sua concepção mais geral, qualquer obstáculo à propagação normal de ondas de gravidade geradas pelo vento sobre uma superfície de água” (Vera Cruz, 1969).

“Aos quebramares cuja existência se deve a condições naturais é atribuída a designação quebramares naturais. Se, pelo contrário, são resultado da acção do homem, chamam-se quebramares artificiais.

Tradicionalmente os quebramares eram constituídos por enrocamentos lançados de modo a criar um aglomerado de secção transversal trapezoidal, cujos lados tinham as inclinações do talude natural dos enrocamentos empregados” (Taveira Pinto, 2000). A este tipo de quebramar é dado o nome de quebramar de taludes.

O presente trabalho visa o estudo de soluções alternativas ao prolongamento de quebramares de

taludes.

Foi elaborada uma base de dados com a informação disponível de 66 quebramares que servirão de referência para alternativas possíveis.

Foi feita uma análise das secções transversais de quebramares de taludes convencionais com diversos tipos de mantos resistentes, quebramares composto por quebramar de taludes com quebramar submerso, quebramar misto e quebramar em berma.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

No caso de estudo, que consiste no estudo de soluções alternativas para o prolongamento do quebramar Norte do porto da Figueira da Foz, serão geradas alternativas à implantação do quebramar bem como alternativas ao perfil transversal definido no projecto de execução da empreitada de prolongamento do quebramar Norte do porto da Figueira da Foz.

Finalmente, as alternativas geradas, relativas à secção transversal do quebramar, serão comparadas com base no preço inicial dos materiais.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

2.1

INTRODUÇÃO

2

2 QUEBRAMAR DE TALUDES (RUBBLE MOUND BREAKWATER)

O quebramar de taludes simples é provavelmente o mais antigo tipo de quebramares, tendo sido usado para protecção de portos artificiais pelo menos desde o tempo dos romanos.

São estruturas marítimas maciças, de perfil transversal rectangular, trapezoidal ou misto, destinadas a proporcionar “abrigo em relação à agitação” no interior de uma área portuária ou num canal de acesso.

Em alguns casos proporcionam também condições de acostagem e amarração a navios, através de estruturas associadas ao talude ou ao paramento abrigado (interior).

Uma estrutura de quebramar de taludes é normalmente constituída por (Figura 1):

Talude anterior

Manto resistente

Filtros ou mantos intermédios

Núcleo

Risberma

Coroamento

Berma

Superestrutura

Muro-Cortina

Talude posterior

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes Figura 1: “Partes constituintes do perfil corrente de

Figura 1: “Partes constituintes do perfil corrente de um quebramar de taludes” (Taveira Pinto, 2000)

2.2

CLASSIFICAÇÃO

A construção de uma superestrutura poderá possibilitar a diminuição da ocorrência de galgamentos da agitação, particularmente se for dotada de um muro-cortina. A superestrutura pode ser usada para operações de carga e descarga de navios, movimentação de viaturas, operações de manutenção/reparação, deposição de mercadorias e inserção de redes de energia e de abastecimento de água.

Os quebramares de taludes podem ser classificados em duas categorias:

Quebramar sem superestrutura:

em duas categorias: Quebramar sem superestrutura: Figura 2: Quebramar de taludes sem superestrutura (Taveira

Figura 2: Quebramar de taludes sem superestrutura (Taveira Pinto, 2000)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Quebramar com superestrutura:

de quebramares de taludes Quebramar com superestrutura: Figura 3: Quebramar de taludes com superestrutura (Taveira

Figura 3: Quebramar de taludes com superestrutura (Taveira Pinto, 2000)

2.3 TIPO DE DISSIPAÇÃO

A dissipação de energia num quebramar de taludes ocorre por rebentação da agitação no talude, por

atrito, pela formação de uma emulsão ar-água, pela percolação no seu interior e pela reflexão para o largo da restante energia.

A porosidade do manto resistente e a permeabilidade do quebramar são factores que influenciam em

grande medida a dissipação de energia no quebramar.

2.4 MODELO DE CÁLCULO

Estas estruturas costeiras podem ser dimensionadas utilizando diversos métodos que incluem,

basicamente, o cálculo do peso dos blocos do manto resistente. Este peso terá de ser capaz de resistir

às diferentes solicitações na estrutura.

Existem vários factores que influenciam as solicitações. No entanto, no dimensionamento das várias alternativas para quebramares de taludes, o parâmetro fundamental será a altura de onda de projecto.

A agitação pode ser considerada como regular ou irregular. A primeira pressupõe que a agitação

incidente é constituída por ondas idênticas entre si (regulares) sendo esta a mais simples abordagem da agitação. A segunda procura descrever as “reais” características aleatórias tridimensionais da agitação, considerando a superfície livre como um conjunto de ondas de características aleatórias. A análise considerando a agitação irregular, embora seja mais realista, aumenta a complexidade do processo e só é possível realizar se existirem dados com qualidade e em quantidade suficientes.

As expressões existentes para o dimensionamento quanto à estabilidade hidráulica de mantos

resistentes são quase exclusivamente baseadas em ensaios de modelo reduzido. É importante conhecer

as condições de ensaio em que se baseiam essas formulações.

Neste estudo serão também equacionadas alternativas para os blocos do manto protector de um quebramar de taludes. Serão abordados os seguintes tipos de blocos para o manto resistente:

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Enrocamento;

Cubos Antifer;

Tetrápodes;

Accropod II;

Core-Loc;

Xbloc.

Estes seis tipos de blocos utilizados nos mantos resistentes, a par dos dolos, são os mais utilizados na construção de quebramar de taludes. Após vários acidentes em quebramares com o manto resistente constituído por dolos, nomeadamente o do quebramar Oeste do porto de Sines, o uso destes blocos de betão caiu em desuso. Actualmente, nomeadamente em alguns casos no Japão, como por exemplo no quebramar destacado Sul do porto de Hososhima, estes blocos estão novamente a ser usados reforçando os dolos com uma estrutura interna com armaduras metálicas. A nível internacional continua a sentir-se uma falta de confiança estrutural nestes blocos e por isso não vão ser alvo de estudo no presente trabalho.

2.4.1

MANTO CONSTITUÍDO POR DUAS CAMADAS DE ENROCAMENTO

2.4.1.1

Dimensionamento pela fórmula de Hudson

Hudson propõe a seguinte expressão para o cálculo do peso dos blocos do manto resistente (Coastal Engineering Manual, 2006):

. cot

ou

(1)

A expressão apresentada difere da proposta pelo Coastal Engineering Manual (2006) na altura de onda

indicada, sendo que no Coastal Engineering Manual (2006) o valor de H d está substituído por 1/10 .

O Shore Protection Manual (1977) propõe que o cálculo do peso dos blocos do manto resistente seja

feita com base na altura de onda significativa, H s . Considera, ainda, que na zona de rebentação as ondas são limitadas pela profundidade, ou seja, que a rebentação da agitação ocorre antes desta atingir o talude e que fora da zona de rebentação a agitação rebenta no talude.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Quadro 1: Coeficiente K D da fórmula de Hudson (Shore Protection Manual, 1977)

   

Perfil

Talude

Tipo de blocos

Colocação

 

Fora da

Zona de

rebentação

zona de

rebentação

Cotg θ

 

Liso e

       

arredondado

Aleatória

2.1

2.4

1.5

a 3.0

Superfície áspera

Aleatória

3.5

4.0

1.5

a 3.0

e

irregular

 

Superfície áspera

Especial (*)

4.8

5.5

1.5

a 3.0

e

irregular

 

(*) A colocação especial do enrocamento implica a colocação do eixo mais longo do enrocamento posicionado perpendicularmente ao talude

Na edição de 1984 o Shore Protection Manual adopta valores diferentes para o coeficiente K D , para mantos resistentes constituídos por blocos de enrocamento. Nesta edição é proposto que o cálculo do peso dos blocos do manto resistente não seja efectuado com base na altura de onda significativa, H s , mas sim na altura de onda correspondente à média do décimo superior das alturas de onda mais altas,

1/10 .

.

Quadro 2: Coeficiente K D da fórmula de Hudson (Shore Protection Manual, 1984)

   

Perfil

Talude

Tipo de blocos

Colocação

 

Fora da

Zona de

rebentação

zona de

rebentação

Cotg θ

 

Liso e

       

arredondado

Aleatória

1.2

2.4

1.5

a 3.0

Superfície áspera

Aleatória

2.0

4.0

1.5

a 3.0

e

irregular

 

Superfície áspera

Especial

5.0

7.0

1.5

a 3.0

e

irregular

 

Considerando que 1/10 = 1.275H s para alturas de onda que se caracterizam por uma distribuição de Rayleigh, ou seja, ondas não limitadas pela profundidade, pode constatar-se que as recomendações contidas na edição de 1984 do Shore Protection Manual introduzem um factor de segurança considerável comparativamente com a edição de 1977 do mesmo manual.

Melby e Mlaker (1997) sugerem a majoração do peso dos blocos calculado pela fórmula de Hudson em 25% (Coastal Engineering Manual, 2006)

Na análise feita aos quebramares construídos, o tamanho médio máximo encontrados para blocos de enrocamento constituintes do manto resistente é de 27.5t. O quebramar em causa é o quebramar do porto de Sirevåg, na Noruega.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

2.4.1.2 Dimensionamento do manto resistente pela fórmula de van der Meer

Para rebentação do tipo mergulhante , que é a mais gravosa para a estabilidade do manto, a expressão para o cálculo deste é a seguinte (Coastal Engineering Manual, 2006):

onde:

6.2 .

.

.

(2)

N s

número de estabilidade,

ξ m

número de Iribarren (tan θ/S m 1/2 ),

s m

declividade de onda (H s /L 0 ),

L 0

comprimento de onda em grandes profundidades (gT 2 /2π),

S

nível de estragos,

N Z

número de ondas.

A Figura 4 mostra a variação do factor de permeabilidade, P.

Figura 4 mostra a variação do factor de permeabilidade, P. Figura 4: Factor de permeabilidade, P

Figura 4: Factor de permeabilidade, P proposto por van der Meer (1998) (Coastal Engineering Manual, 2006)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

O Quadro 3 apresenta os valores recomendáveis para o nível de danos a admitir em projecto, para

mantos resistentes constituídos por duas camadas de enrocamento.

Quadro 3: valores do parâmetro S recomendáveis, para mantos resistentes constituídos por duas camadas de enrocamento, propostos por van der Meer (1998) (Coastal Engineering Manual, 2006)

Inclinação do talude

Estragos iniciais

Estragos intermédios

Ruína

1 / 1.5

2

3

– 5

8

1 / 2

2

4

– 6

8

1 / 3

2

6

– 9

12

1/4 – 1/6

3

8 – 12

17

O número de ondas, N z , depende da tempestade de projecto considerada. Como tal a análise de

sensibilidade deste parâmetro será efectuado no caso de estudo.

2.4.2 DIMENSIONAMENTO DE QUEBRAMARES GALGÁVEIS

Van der Meer (1991) recomenda, para o uso da fórmula de van der Meer para quebramares não galgáveis ser usada no dimensionamento de estruturas galgáveis, a multiplicação de D n50 por um factor redutivo f i (Coastal Engineering Manual, 2006):

onde:

1.25 4.8

(3)

R c

altura de água acima do coroamento da estrutura, negativa se a estrutura for submersa,

s m

declividade de onda.

Esta expressão é válida para:

0

0.052

2

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

2.4.3 MANTO CONSTITUÍDO POR DUAS CAMADAS DE CUBOS DE BETÃO

M ANTO CONSTITUÍDO POR DUAS CAMADAS DE CUBOS DE BETÃO Figura 5: Características geométricas dos blocos

Figura 5: Características geométricas dos blocos cúbicos Antifer (Pita, 1985)

Os blocos de betão são frequentemente usados no manto resistente de quebramares de taludes.

Os blocos são colocados individualmente no quebramar numa trama regular ou quase regular. Foram adoptadas várias formas e tamanhos para os blocos em betão e são recomendados vários tipos de colocação. Os blocos de betão são utilizados quando o enrocamento disponível não tem peso para resistir à acção das ondas, não está disponível ou não é uma alternativa económica.

Van der Meer (1988b) propõe a seguinte expressão para o cálculo do manto resistente constituído por blocos de betão (Coastal Engineering Manual, 2006):

onde:

6.7

.

.

1.0

.

(4)

N s

número de estabilidade,

s m

declividade de onda (H s /L 0 ),

L 0

comprimento de onda em grandes profundidades (gT 2 /2π),

S

nível de estragos,

N Z

número de ondas.

Esta expressão é válida para ondas irregulares não limitadas pela profundidade e para 3 < ξ m < 6

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Brorsen, Burcharth e Larsen (1974) propõe os seguintes valores para N s e os correspondentes valores para K D , sendo estes valores aplicáveis a mantos com duas camadas de cubos de betão com colocação aleatória, com taludes com 1.5 cot 2.0 e válidos para ondas irregulares não limitadas pela profundidade.

Quadro 4: Valores de N s e K D para cubos de betão (Coastal Engineering Manual, 2006)

Nível de danos

 

K

D

Talude 1:1.5

Talude 1:2

início

1.8-2.0

3.9

- 5.3

2.9

– 4.0

moderados

2.3-2.6

8.1

- 12

6.1

– 8.8

Na análise feita aos quebramares construídos, o tamanho máximo encontrados para blocos cúbicos Antifer constituintes do manto resistente é de 150t. O quebramar em causa é o quebramar de Punta Langosteira situado em La Coruña, Espanha.

2.4.4 MANTO CONSTITUÍDO POR DUAS CAMADAS DE TETRÁPODES

2.4.4 M ANTO CONSTITUÍDO POR DUAS CAMADAS DE T ETRÁPODES Figura 6: Características geométricas dos Tetrápodes

Figura 6: Características geométricas dos Tetrápodes (Shore Protection Manual, 1975)

Para o pré-dimensionamento do manto resistente constituído por duas camadas de Tetrápodes, van der Meer propõe a seguinte expressão (Coastal Engineering Manual, 2006):

3.75

.

.

0.85

.

(5)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Esta expressão é válida para ondas irregulares não limitadas pela profundidade, taludes com cot θ=1.5 com duas camadas de tetrápodes e 3.5 < ξ m < 6.

D’Angremond, van der Meer e van Nes (1994) propõem a seguinte expressão para ondas limitadas pela profundidade (Coastal Engineering Manual, 2006):

%

1.4 3.75

.

.

0.85

.

(6)

Em grandes profundidades verifica-se a relação H 2% /H s = 1.4 para ondas que sejam caracterizadas pela distribuição de Rayleigh. Em águas menos profundas esta relação diminui com a diminuição da profundidade relativa da água devido à rebentação da ondulação.

Para o uso da fórmula de Hudson, a edição de 1977 do Shore Protection Manual propõe os seguintes valores para K D :

Quadro 5: Valores de K D para Tetrápodes (Shore Protection Manual, 1977)

Perfil

Cabeça

Talude

cot θ

Zona de

Fora da Zona de Rebentação

Zona de

Fora da Zona de Rebentação

Rebentação

Rebentação

   

5.9

6.6

3:2

7.2

8.3

5.5

6.1

2:1

4.0

4.4

3:1

Na análise feita aos quebramares construídos, o tamanho máximo encontrados para Tetrápodes é de 48t. O quebramar em causa é o quebramar do Porto d'Arzew El Djedid, situado na Argélia.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

2.4.5 MANTO CONSTITUÍDO POR UMA CAMADA BLOCOS ACCROPODE™ II

M ANTO CONSTITUÍDO POR UMA CAMADA BLOCOS ACCROPODE™ II Figura 7: Bloco tipo Accropode II (CLI

Figura 7: Bloco tipo Accropode II (CLI - Concrete Layer Innovations, 2004)

O bloco Accropode foi o primeiro bloco de betão projectado para ser colocado numa única camada, ou

fiada, no manto resistente.

Em 1999 foi patenteada uma evolução deste bloco designando-se por Accropode II.

Nesta evolução foi melhorada a sua forma e rugosidade tendo sido evocadas as seguintes vantagens:

melhoria do imbricamento,

minimização dos deslocamentos e assentamentos,

maximização da dissipação de energia,

aumento da resistência estrutural,

diminuição do espraiamento e, consecutivamente, diminuição do galgamento.

O peso dos blocos pode ser calculado pela fórmula de Hudson usando os seguintes valores para K D

(CLI - Concrete Layer Innovations, 2004):

perfil corrente:

K D = 16

cabeça:

K D = 12.3

Estes valores de K D tão favoráveis poderão merecer reservas, sendo da responsabilidade dos seus proponentes associados à promoção comercial dos blocos.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

A dimensão nominal, D n50 , pode também ser dimensionada pela fórmula de van der Meer usando para

o número de estabilidade, N s , o valor de (CLI - Concrete Layer Innovations, 2004):

N s =2.8

A altura do bloco, H (m), pode ser relacionada com o volume do bloco através da expressão:

/0.2926

, sendo V o volume de cálculo do bloco

Largura da camada, r (m):

Consumo de betão (m 3 /m 2 ):

Nº de unidades/100m 2 :

r = 0.9 H

0.631

.

63.13 .

2.4.6 MANTO CONSTITUÍDO POR UMA CAMADA DE BLOCOS CORE-LOC

2.4.6 M ANTO CONSTITUÍDO POR UMA CAMADA DE BLOCOS CORE-LOC Figura 8: Bloco tipo Core-Loc (CLI

Figura 8: Bloco tipo Core-Loc (CLI - Concrete Layer Innovations, 2004)

Este tipo de blocos de betão foram desenvolvidos no sentido de responder às questões que se seguem. Segundo os seus promotores, alegadamente nenhum dos anteriores blocos de betão desenvolvidos respondia às seguintes características:

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Grande estabilidade hidráulica quando colocados numa única camada em qualquer ângulo do talude,

Reserva de estabilidade para quando as alturas de onda que atingem a estrutura fossem maiores que a altura de onda de projecto,

Não haver tendência para os blocos “escorregarem” no talude,

Manutenção de estabilidade mesmo quando partidos ou deslocados por acção da instabilidade local,

Combinação eficiente da porosidade e da rugosidade do talude para dissipar o máximo da energia da onda,

Máxima “performance” com um mínimo de quantidade de betão,

Pressões internas reduzidas,

Fácil transporte,

Uso mínimo de espaço de armazenamento em estaleiro,

Utilização de materiais e técnicas construtivas correntes.

Os blocos Core-Loc foram projectados para serem colocados numa única camada em taludes mais ou menos inclinados. Os taludes podem variar de 3:4 até 1:1.5. A forma destes blocos foi optimizada para maximizar a estabilidade hidráulica, a resistência interna do bloco e a estabilidade residual, minimizando o espaço necessário em estaleiro.

O peso dos blocos pode ser calculado pela fórmula de Hudson usando os seguintes valores para K D

(CLI - Concrete Layer Innovations, 2004):

perfil corrente:

K D = 16

cabeça:

K D = 13

Estes valores de K D tão favoráveis poderão merecer reservas, sendo da responsabilidade dos seus proponentes associados à promoção comercial dos blocos.

A dimensão nominal, D n50 , pode também ser dimensionada pela fórmula de van der Meer usando para

o número de estabilidade, N s , o valor de (CLI - Concrete Layer Innovations, 2004):

A

N s =2.8

altura do bloco, H (m), pode ser relacionada com o volume do bloco através da expressão:

/0.22105939

, sendo V o volume de cálculo do bloco

Largura da camada, r (m):

Consumo de betão (m 3 /m 2 ):

Nº de unidades/100m 2 :

r = 0.92 H

0.608 .

60.85 .

(7)

(8)

(9)

(10)

O

máxima de projecto igual a 8.2 m.

fabricante (CLI - Concrete Layer Innovations, 2004) indica nas suas tabelas de cálculo uma onda

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

2.4.7 MANTO CONSTITUÍDO POR UMA CAMADA DE BLOCOS XBLOC

2.4.7 M ANTO CONSTITUÍDO POR UMA CAMADA DE BLOCOS XBLOC Figura 9: Bloco tipo Xbloc (Delta

Figura 9: Bloco tipo Xbloc (Delta Marine Consultants, 2007)

Este tipo de bloco de betão foi um dos últimos a ser colocado no mercado, estando disponível desde 2004. Segundo o fabricante o consumo de betão é 15% menor se comparado com outros blocos de camada única.

Tal como nos anteriores blocos de camada única, o peso dos blocos pode ser calculado pela fórmula de Hudson usando os seguintes valores para K D (Delta Marine Consultants, 2007):

perfil corrente:

K D = 16

cabeça:

K D = 13

Estes valores de K D tão favoráveis poderão merecer reservas, sendo da responsabilidade dos seus proponentes associados à promoção comercial dos blocos.

A dimensão nominal, D n50 , pode também ser dimensionada pela fórmula de van der Meer usando para

o número de estabilidade, N s , o valor de (Delta Marine Consultants, 2007):

N s =2.8

O fabricante refere ainda que suporta ondas 20% superiores à onda de projecto.

A altura do bloco, H (m), pode ser relacionada com o volume do bloco através da expressão:

1.44 . , sendo V o volume de cálculo do bloco

(11)

Largura da camada, r (m):

r = 0.968 H

(12)

Consumo de betão (m 3 /m 2 ):

0.589 .

(13)

Nº de unidades/100m 2 :

58.95 .

(14)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

2.5 ESTABILIDADE DO PÉ DE TALUDE

A função de uma risberma é a de suportar o manto resistente e prevenir danos resultantes da acção das

correntes. As risbermas são normalmente construídas por enrocamento, embora o uso de blocos de

betão também seja possível.

Em locais onde a altura de onda seja limitada pela profundidade, a protecção do pé de talude pode ser assegurada pela colocação de uma ou duas camadas dos elementos do manto resistente.

A estabilidade do pé de talude é afectada pela altura de onda, profundidade de água no coroamento da

risberma, largura da risberma e densidade dos blocos.

A Figura 10 mostra as soluções típicas para a risberma.

A Figura 10 mostra as soluções típicas para a risberma. Figura 10: Soluções típicas para a

Figura 10: Soluções típicas para a risberma em quebramares de taludes (Coastal Engineering Manual, 2006)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Burcharth et al.(1995) propôs uma alteração à fórmula de van der Meer, d’Angremond e Gerding (1995) para que esta pudesse ser aplicada a outros materiais para além de enrocamento (Coastal Engineering Manual, 2006)

0.4

1.6

.

(15)

Para uma risberma tipo de tamanho igual a 3 a 5 vezes a largura do bloco e 2 a 3 vezes a altura do bloco os valores admissíveis para N od são:

0.5

2

4

ã ã

A largura da berma B m deverá ser, no mínimo, de 3D n50 .

O cálculo do peso dos blocos da risberma pode ser efectuado substituindo nas fórmulas de

dimensionamento, por exemplo na fórmula de Hudson, o parâmetro H por H’ calculado por (Bajpai,

1965):

onde

L 0

L

d’

(16)

comprimento de onda em grandes profundidades

comprimento de onda no pé do quebramar

profundidade a que se situam os blocos

2.6 DIMENSIONAMENTO DA SECÇÃO TRANSVERSAL DA ESTRUTURA

O Coastal

representada pela Figura 11.

Engineering

Manual

(2006)

recomenda

uma

secção

transversal

com

três

camadas

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes Figura 11: Secção tipo recomendada para estruturas

Figura 11: Secção tipo recomendada para estruturas galgáveis (Coastal Engineering Manual, 2006)

estruturas galgáveis (Coastal Engineering Manual, 2006) Figura 12: Secção tipo recomendada para estruturas não

Figura 12: Secção tipo recomendada para estruturas não galgáveis (Shore Protection Manual, 1975)

onde:

W

peso de um bloco do manto resistente

r

largura média da camada

São adoptadas as seguintes gradações para as várias camadas (Quadro 6):

Quadro 6: Descrição das camadas do quebramar (Coastal Engineering Manual, 2006)

Peso do bloco

Camada

Gradação do tamanho do enrocamento (%)

W

Manto resistente

125

a 75

W/10

Pé-de-talude e primeira subcamada

130

a 70

W/200

Segunda subcamada

150

a 50

W/4000

Núcleo e camada de fundação

170

a 30

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Para o estudo das subcamadas, realizadas em blocos naturais é necessário proceder à equivalência dos blocos de betão para os blocos naturais. Assim, o peso equivalente dos blocos do manto resistente relativamente aos blocos de enrocamento será (Coastal Engineering Manual, 2006):

.

(17)

O tamanho do enrocamento é dado, na Figura 11, pela seguinte expressão (Coastal Engineering

Manual, 2006):

onde

1.13 /

(18)

W

peso unitário do enrocamento

γ a

peso volúmico do enrocamento

A secção tipo proposta poderá constituir uma primeira aproximação no desenvolvimento de uma

solução de projecto, a aperfeiçoar nomeadamente com o recurso a ensaios em modelo físico.

2.6.1 COTA E LARGURA DE COROAMENTO

A cota de coroamento de um quebramar está intimamente relacionada com o grau de galgamento

admissível na estrutura.

O galgamento de um quebramar de taludes pode ser tolerado se a ondulação gerada por esse

galgamento não causar danos no lado de intradorso da estrutura. O galgamento irá ocorrer se a cota de coroamento for menor que a cora de espraiamento máximo. Quanto menos permeável e menos rugosa for a estrutura maior será o espraiamento.

A cota de coroamento deve ser a menor cota que forneça a protecção requerida. Se um quebramar for

galgado, a ocorrência de ondulação no lado de sotamar (protegido) da estrutura pode ser prejudicial às actividades que aí se pretendem executar. Num quebramar localizado num canal de navegação, o

galgamento é tolerável se não afectar a navegação no canal.

Para

experimentais.

É importante proceder a uma comparação com o funcionamento de estruturas existentes em ambientes

coroamento existem propostas formuladas com base em ensaios

o

cálculo

da

cota

de

energéticos (ondas, marés e fundos) similares. Para uma melhor aferição da cota de coroamento é necessário efectuar estudos em modelo reduzido.

A largura de coroamento depende em grande escala no grau de galgamento permitido. No entanto, esta

dependência ainda não foi quantificada. A regra geral para as condições de galgamento indica que a

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

largura mínima do coroamento deve ser igual à largura de uma camada com três blocos do manto resistente e é traduzida pela fórmula (Coastal Engineering Manual, 2006):

onde:

/

(19)

B

largura do coroamento,

n

número de blocos (n=3 é o mínimo recomendado),

K

coeficiente de forma (Quadro 7),

W

peso do enrocamento,

γ a

peso volúmico do enrocamento.

Quadro 7: Valores de K e P (Coastal Engineering Manual, 2006)

     

Coeficiente de forma

Porosidade P

Tipo de bloco

 

n

Colocação

(%)

Enrocamento

       

(liso)

 

2

aleatória

1.02

38

Enrocamento

       

(áspero)

 

2

Aleatória

1.00

37

Enrocamento

       

(áspero)

 

3

Aleatória

1.00

40

Cubos

       

modificados

 

2

Aleatória

1.10

47

Tetrápodes

 

2

Aleatória

1.04

50

   

Vol. < 5 m3

aleatória

 

60

Core-Loc

5

< Vol< 12 m3

1 Aleatória

1.51

63

12

< Vol < 22 m3

Aleatória

64

   

Vol. < 5 m3

Aleatória

 

57

Accropod

5

< Vol< 12 m3

1 Aleatória

1.51

59

12

< Vol < 22 m3

aleatória

62

Quando não existe galgamento, a largura do coroamento não é crítica. No entanto essa largura deve ser tal que permita a circulação de equipamento de construção e manutenção que possa operar sobre a estrutura. A Figura 13 ilustra as larguras mínimas para vários tipos de equipamentos circulantes.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes Figura 13: Largura de coroamento dependente do equipamento

Figura 13: Largura de coroamento dependente do equipamento (citado por Taveira Pinto, 2000)

Com o apoio da União Europeia, foi realizado um projecto internacional denominado “CLASH- Crest

Level Assessment of Coastal Structures by full scale monitoring, neural network prediction and Hazard analysis on permissible wave overtopping”. Um dos resultados deste projecto foi a elaboração

de

uma base de dados relacionada com o galgamento de estruturas.

A

inclusão de uma superestrutura no coroamento do quebramar pode ser determinante na diminuição

da

cota de coroamento da estrutura. Para avaliar a necessidade de uma superestrutura para aumentar a

estabilidade estrutural ao galgamento, deve fazer-se uma avaliação de custos entre a execução da superestrutura e o aumento da cota de coroamento da estrutura.

2.6.2 ESPESSURA DO MANTO RESISTENTE E DAS SUBCAMADAS

A espessura do manto resistente e das subcamadas é avaliada pela seguinte fórmula (Coastal

Engineering Manual, 2006):

/

(20)

e a densidade de colocação (número de unidades do manto resistente por unidade de área) pode ser estimada usando a equação (Coastal Engineering Manual, 2006):

onde

1

/

(21)

r

espessura média da camada,

n

número de unidades individuais na espessura da camada/camadas,

W

peso de cada unidade individual,

γ

peso volúmico do material do bloco,

N a

número de unidades individuais do manto resistente por unidade de área, A.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

A colocação

imbricamento e, portanto, estabilidade hidráulica, do manto resistente.

dos

blocos

deve

respeitar

escrupulosamente

N a

2.6.3 COTA DE BASE DO MANTO

para

se

garantir

um

correcto

Quando a profundidade de água é menor que 1.5 , sendo a altura de onda de projecto, o manto resistente deve ser prolongado até à base do talude, prolongando-se para a risberma. Quando, por outro lado, a profundidade é maior que 1.5 o manto resistente deve ser prolongado até à cota abaixo da PMAV igual -1.5 (Coastal Engineering Manual, 2006).

2.6.4 FILTROS

As camadas interiores do quebramar têm um papel fundamental na estabilidade do manto resistente.

Quanto maior for a permeabilidade dos filtros (e do núcleo), maior será a estabilidade do manto

resistente, embora possa aumentar a energia que atravessa o quebramar.

2.7 MODOS DE RUPTURA

A Figura 14 esquematiza os modos de ruptura possíveis num quebramar de taludes. A compreensão destes modos de ruptura contribui para a adopção, a nível dos projectos, de medidas tendentes a minimizar os riscos da ocorrência dessas rupturas.

a minimizar os riscos da ocorrência dessas rupturas. Figura 14: Modos de ruptura de um quebramar

Figura 14: Modos de ruptura de um quebramar de taludes (Burcharth, 1992)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

A

correcta selecção do material do núcleo e o correcto estudo do solo de fundação poderão minimizar

ou

antever os fenómenos de assentamento. Poderá ser adoptada uma ligeira sobreelevação da cota do

coroamento do núcleo de forma a antever esses fenómenos.

A erosão e ruptura do manto resistente irá ocorrer se houver um subdimensionamento dessa camada. O

projectista deve ser muito cuidadoso no dimensionamento dessa camada pois a ruptura do manto resistente é um dos modos de ruptura mais verificados.

A erosão da berma está relacionada com a acção provocada pelas correntes (agitação, hélices de

embarcações, marés) e o peso dos blocos do manto resistente. Assim sendo, para se evitar o fenómeno

de erosão da berma, deve aumentar-se a largura da berma e, se necessário, o peso dos blocos que a

constituem.

A erosão do pé de talude poderá também ocorrer devido às correntes de deriva. Estas retiram a areia

que aí se situa provocando a instabilidade do quebramar. É frequente, na cabeça do quebramar, haver a formação de vórtices que promovem essa mesma remoção de areia, sendo esta a zona mais sensível do quebramar. Para se evitar este fenómeno poder-se-ia dragar a areia que aí se encontra até se atingir ou um estrato mais estável ou até uma profundidade que se considere suficiente para garantir a segurança

do quebramar, substituindo a areia removida por enrocamento que, embora possa ser de pequeno tamanho, seja mais estável que a areia. O prolongamento das risbermas de fundação poderá ser outra alternativa já que estas poderão funcionar como uma “reserva” flexível (em termos da adaptação a fundos móveis.

Os fenómenos de “piping” consistem no atravessamento da estrutura por correntes de percolação sob a

superestrutura. Estas correntes podem lavar os finos que constituem o núcleo, provocando uma instabilização da superestrutura e a criação de círculos de ruptura no talude de intradorso. Para que tal não aconteça, o muro-cortina deve ser prolongado no sentido do interior do quebramar.

O galgamento de um quebramar pode causar danos no talude de intradorso. Este fenómeno está

intimamente relacionado com a porosidade do manto resistente e da cota de coroamento do quebramar. Deve limitar-se o galgamento aumentando a cota de coroamento e, embora seja mais difícil de executar, aumentar a porosidade e a capacidade de pré-rebentação do manto resistente. Se a estrutura for projectada para ser uma estrutura galgável devem dimensionar-se os blocos do talude de intradorso de modo a resistir a essas acções.

Os círculos de ruptura que podem ocorrer no talude de extradorso estão associados ao peso do enrocamento e dos filtros sobre o núcleo. Assim sendo, o núcleo deve ser dimensionado para resistir a tais esforços.

No Quadro 8 são apresentados alguns exemplos de acidentes ocorridos em quebramares de taludes com manto resistente constituído por blocos de betão.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Quadro 8: Exemplos de acidentes em quebramares de taludes (Pita, 1985)

     

Ano de

 

Local

Bloco

Peso

construção

Observações

Leixões

Tetrápodes

 

40

t

1966

Cabeça danificada em 1973 e

Portugal

 

1974

Sines

       

Portugal

Dolos

15

e 42 t

1973

– 1978

Destruído em 1978 e 1979

Baleeira

       

Portugal

Tetrápodes

 

16

t

 

-

Danificado

Kahului

Tetrápodes

 

33

t

1954

Danificado

Harbor

       

Hawaii

Tribars

 

35

t

1959

– 1963

Danificado

Crescent City

E.U.A.

Tetrápodes

 

25

t

1956

Danificado

Dolos

20

e 30 t

1973

Danificado. Recargas com dolos de betão armado

Humbolt Bay

 

36, 42 e

43

t

 

Danificado. Reconstrução com

dolos de betão armado

jetties

E.U.A.

Dolos

1971

Gansbaii Harbour África do Sul

 

17.1

 

e

   

Dolos

12.4

t

1967

– 1969

Danificado

Bilbao

Blocos

     

Espanha

paralelepipédicos

 

90

t

 

-

Danificado em 1977

San Ciprian

Dolos

 

50

 

1977

– 1979

Danificado em 1980 numa extensão de 200m

Espanha

t

Tripolo Harbour

Tetrápodes

 

19

 

1973

- 1980

Muito danificado em 1981

Líbia

t

Baie Comeau

       

Canadá

Dolos

4.5 e 7.1 t

1963

Danificado em 1976

Rivieré au

       

Renard

Canadá

Dolos

4.5 e

12.7

t

1971

- 1973

Danificado em Novembro de

1980

Port D’Arzew el Djedid Argélia

Tetrápodes

 

48

t

1976

– 1979

Destruído em 1980

2.8 FASEAMENTO CONSTRUTIVO

Apresenta-se, como exemplo a construção do quebramar de taludes principal do terminal petroleiro de Havre-Antifer, França, Figura 15, 16 e 17.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes Figura 15: Perfil transversal (Veloso Gomes, 1986) Estão

Figura 15: Perfil transversal (Veloso Gomes, 1986)

Estão presentes equipamentos terrestres e flutuantes.

Numa primeira fase, e, não considerando que os trabalhos se realizam “à maré”, até à cota -5mZH, os batelões de fundo móvel lançam enrocamento que irá preparar a fundação e formar o núcleo do quebramar e também o enrocamento com que se irá construir os filtros.

também o enrocamento com que se irá construir os filtros. Figura 16: Construção de um quebramar

Figura 16: Construção de um quebramar de taludes (frentes de trabalho 1 a 3) (Veloso Gomes, 1986)

1- Preparação da fundação; 2-Lançamento de enrocamento; 3-Lançamento de enrocamento T.O.T. constituinte do núcleo.

Numa segunda fase, os equipamentos terrestres irão completar, por basculamento, a restante parte do núcleo e dos filtros.

Antes de se executar a superestrutura, é necessário proceder à colocação dos blocos do manto resistente. Esta operação é de difícil execução e requer alguns cuidados. Se os blocos forem simplesmente “largados” desde o coroamento da estrutura, o mais provável é ocorrer a ruptura dos mesmos, além de que o manto ficará muito irregular. A execução do manto resistente é, normalmente, executada através da colocação de cada bloco com recurso a uma grua.

A capacidade de que a grua necessita para colocar os blocos depende fundamentalmente do peso dos blocos e da distância horizontal entre a grua e o local de posicionamento do bloco, ou seja, do braço. O momento criado pelo produto destas duas grandezas vai condicionar a capacidade da grua. Quanto maior for o peso dos blocos e/ou maior o braço, maior terá de ser a capacidade da grua. Por vezes, quando o momento necessário é muito elevado, recorre-se a equipamento flutuante para a colocação dos blocos.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes Figura 17: Construção de um quebramar de taludes

Figura 17: Construção de um quebramar de taludes (frentes de trabalho 4 a 8) (Veloso Gomes, 1986)

4- Colocação de Tout-Venant; 5- Camada de transição; 6-

Manto intermédio com enrocamento de betão;

7- Manto exterior em blocos de betão cúbicos de 12 a 24 t; 8- Coroamento em betão.

2.9 APLICAÇÕES DESTE TIPO DE QUEBRAMAR EM PORTUGAL

De seguida apresentam-se alguns exemplos da aplicação deste tipo de quebramar em Portugal.

Quebramar do porto do Funchal – Anexo 1 (ficha 1) Quebramar do porto da Figueira da Foz – Anexo 1 (fichas 5 e 6) Quebramar do porto de Leixões – Anexo 1 (ficha 48) Quebramar do porto do Porto Santo – Madeira – Anexo 1 (ficha 2) Quebramar do porto de Sines – Anexo 1 (ficha 3) Quebramar do portinho de Vila Praia de Âncora – Anexo 1 (ficha 47) Quebramares Sul do Porto da Praia da Vitória – Açores - Anexo 1 (fichas 65) Quebramar da Base da Lajes – Praia da Vitória, Ilha Terceira – Açores - Anexo 1 (fichas 26) Quebramar Sul dos Molhes do Douro - Anexo 1 (ficha 66)

2.10 APLICAÇÕES DESTE TIPO QUEBRAMAR A NÍVEL INTERNACIONAL

Passam a referenciar-se alguns exemplos da aplicação deste tipo de quebramar a nível internacional.

Quebramar de Bilbao – Anexo 1 (ficha 4) Quebramar de Bilbao – Dique de Punta Lucero – Anexo 1 (ficha 63)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

Quebramar de Punta Langosteira - La Coruña – Espanha – Anexo 1 (ficha 7)

Quebramar de Zeebrugge – Bruges – Bélgica – Anexo 1 (ficha 8)

Quebramar de Riviere-au-Renard – Quebec – Canada – Anexo 1 (ficha 9)

Quebramar do porto de St. Paul - Alaska – Anexo 1 (ficha 10)

Quebramar de Óstia – Itália – Anexo 1 (ficha 11)

Quebramar do Porto d'Arzew El Djedid – Argélia – Anexo 1 (ficha 13)

Quebramar de Ijmuidem – Amsterdam – Holanda – Anexo 1 (ficha 14)

Quebramar Sul do porto de Constantza – România – Mar Negro – Anexo 1 (ficha 15)

Quebramar do porto de Alicante – Espanha – Anexo 1 (ficha 16)

Quebramar do porto de Ferrol - Espanha – Anexo 1 (ficha 17)

Quebramar do porto de A Coruña - Espanha – Anexo 1 (fichas 18 e 19)

Quebramar da ilha de Tory – Irlanda – Anexo 1 (ficha 20)

Quebramar do porto de Oriel - Irlanda – Anexo 1 (ficha 21)

Quebramar do porto de Kaumalapau – Lanai - Hawaii – Anexo 1 (ficha 22)

Quebramar Ciervana – Bilbao – Espanha – Anexo 1 (ficha 23)

2.11 POTENCIAIS PONTOS FORTES

Construção relativamente fácil.

A superestrutura diminui o galgamento em relação aos quebramares de taludes simples.

Grande experiência internacional, a nível de projecto e execução.

2.12 POTENCIAIS PONTOS FRACOS

A

construção da super-estrutura envolve custos mais elevados.

A

instabilidade de alguns blocos do manto resistente pode levar a um aumento exponencial de danos.

O

aumento do tamanho de blocos de betão do manto resistente diminui a resistência estrutural dos

mesmos.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

3

3 QUEBRAMAR DESTACADO (DETACHED OR OFFSHORE BREAKWATER)

3.1 PERFIL TIPO

Ilustram-se dois perfis tipo, um correspondente a um quebramar destacado emerso e outro a um quebramar destacado submerso.

destacado emerso e outro a um quebramar destacado submerso. Figura 18: Quebramar destacado emerso (Liberatore, 1992)

Figura 18: Quebramar destacado emerso (Liberatore, 1992)

Figura 18: Quebramar destacado emerso (Liberatore, 1992) Figura 19: Quebramar destacado submerso (Liberatore, 1992) 29

Figura 19: Quebramar destacado submerso (Liberatore, 1992)

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

3.2 INTRODUÇÃO

Quebramares destacados poderão ser uma boa alternativa na protecção de praias e frentes edificadas, principalmente em zonas onde a amplitude de maré é menor. Podem ser do tipo emerso ou submerso. Os do tipo submerso são mais usados quando quase não existe amplitude de maré.

São normalmente formados por um ou mais segmentos, paralelos à costa e separados por aberturas.

A sua estrutura é do tipo “quebramar de taludes” onde se usa enrocamento para o manto protector para pequenas profundidades e blocos de betão para profundidades maiores.

Existem alguns exemplos de aplicação de quebramares destacados emersos em estruturas portuárias.

3.3 TIPO DE DISSIPAÇÃO

Nos quebramares destacados emersos a dissipação ocorre no manto, por difracção nas extremidades do quebramar e por espraiamento.

3.4 MODELO DE CÁLCULO

Van der Meer (1991) propõe a seguinte fórmula para o cálculo da dimensão característica dos blocos do manto resistente (Coastal Engineering Manual, 2006):

onde:

2.1 0.1 exp 0.14

d profundidade de água

altura da estrutura acima do nível do leito marinho

S percentagem de danos

número de estabilidade espectral:

/

3.5 TIPOS DE MANTO RESISTENTE

(22)

Utilizam-se habitualmente enrocamentos para baixas profundidades e blocos de betão para profundidades ou níveis energéticos mais elevados.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

3.6 MODOS DE RUPTURA

Idênticos aos modos de ruptura dos quebramares de taludes.

3.7 APLICAÇÕES DO TIPO DE QUEBRAMAR EM PORTUGAL

Não existe experiência neste tipo de quebramar no território português associados a estruturas portuárias. No entanto, os quebramares de Castelo de Neiva e da Aguda, constituídos por maciços prismáticos em betão, também proporcionam abrigo às pequenas embarcações de pesca, em relação à agitação, para além de terem funções de defesa costeira.

No anexo 1 (ficha 66) pode-se observar a secção transversal do quebramar destacado construído na margem Sul da embocadura do rio Douro.

3.8 APLICAÇÕES DO TIPO DE QUEBRAMAR A NÍVEL INTERNACIONAL

Referem-se exemplos da aplicação deste tipo de quebramar a nível internacional.

Fiorenzola dei Focara – Itália – Anexo 1 (ficha 51)

Emilia Romagna – Itália – Anexo 1 (ficha 50)

3.9 POTENCIAIS PONTOS FORTES

Um quebramar destacado diminui a capacidade de transporte de sedimentos das correntes paralelas à costa (deriva litoral), provocando a deposição dos mesmos. Possibilita a génese de correntes locais, de difracção, que provocam a deposição de sedimentos na zona mais abrigada, dando origem à formação de um tômbolo ou de uma “ponta” que se desenvolve enraizada na costa, na zona abrigada.

O uso de quebramares destacados submersos não altera o aspecto visual da praia, a sua influência nas ondas é mais selectiva comparada com os quebramares emersos, sendo que as ondas maiores estão mais sujeitas a uma mais forte redução percentual do que as mais pequenas melhorando a circulação de água durante a ocorrência de ondas menores.

Os quebramares destacados podem dar origem a um aumento significativo da extensão da linha de costa (sucessão de baías e tômbolos), com efeitos balneares positivos.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

3.10 POTENCIAIS PONTOS FRACOS

Possibilidade de degradação da qualidade da areia e da água nas áreas protegidas, particularmente quando há formação de tômbolos, devido à redução da capacidade de renovação das águas.

Desenvolvimento de uma batimetria irregular que se pode revelar perigosa para os banhistas.

Quando não submersos, o quebramar destacado constitui uma barreira visual paralela à praia.

Os quebramares submersos podem, se não forem devidamente sinalizados, ser obstáculos fatais para o tráfico marítimo.

Soluções alternativas para o prolongamento de quebramares de taludes

4.1 PERFIL TIPO

4

4 QUEBRAMAR EM BERMA (BERM BREAKWATER)

P ERFIL TIPO 4 4 Q UEBRAMAR EM BERMA ( BERM BREAKWATER ) Figura 20: Quebramar

Figura 20: Quebramar com berma estável (van der Meer, 1994)

Figura 20: Quebramar com berma estável (van der Meer, 1994) Figura 21: Quebramar em berma tipo-S

Figura 21: Quebramar em berma tipo-S (van der Meer, 1994)