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PODER JUDICIÁRIO

Tribunal de Justiça do Estado da Bahia


Gabinete do Desembargador José Olegário Monção Caldas

QUARTA CÂMARA CÍVEL


Agravo de Instrumento N.º1366-3/2009
Agravante: MUNICÍPIO DE SALVADOR
Procurador: RAFAEL OLIVEIRA E OUTROS
Agravado: CRISTIANE BARACHO DOS SANTOS
Advogado: ADHEMAR SANTOS XAVIER
Relator: DES. JOSE OLEGÁRIO MONÇÃO CALDAS

D E C I S Ã O

MUNICÍPIO DE SALVADOR interpõe Agravo


de Instrumento, da decisão proferida pelo MM.
Juiz de Direito da 5ª Vara da Fazenda Pública,
nos autos do Mandado de Segurança nº2032091-
9/2008, impetrado por CRISTIANE BARACHO DOS
SANTOS.
É que o ilustre julgador da
Instância, considerando relevante o fundamento
da demanda e justificado o receio de ineficácia
do provimento final, concedeu a tutela initio
litis, autorizando a manutenção da impetrante no
concurso para provimento de vagas no cargo de
Guarda Municipal, garantindo-lhe, ainda, a posse

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e a nomeação provisória, no aludido cargo


público.
Contrapondo-se, o MUNICÍPIO DE
SALVADOR requer, preliminarmente, a extinção do
feito, sem julgamento de mérito, à falta de
pressuposto de admissibilidade do writ, ademais
existindo vedação legal ao deferimento de
liminar que esgote, no todo ou em parte, o
objeto da ação (art. 1º, §3º, da Lei Federal,
8437/92).
No mérito, defende a licitude dos
critérios da avaliação psicológica que resultou
no ato administrativo de desclassificação da
candidata, à luz das normas expressamente
editadas na Lei Complementar nº01/91.
Pugna pelo acautelamento previsto no
art. 527, inciso III, do CPC e, a final, o
provimento do recurso.
O agravo vem no prazo e se faz
acompanhar das peças indispensáveis à sua
interposição.
É o breve relatório.
Decido.

O exame da questão preliminar deve-se


ao juízo a quo, pena de indevida supressão de

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instância, razão pela qual não conheço da


arguição.
Quanto ao mérito, à vista da natureza
satisfativa da liminar, cujos efeitos vão além
da tutela jurisdicional de manutenção da autora
na disputa do processo seletivo, incogitável
deferir-se a nomeação e posse da impetrante,
ainda que provisória.
Onde a garantia de que o objeto do
writ, no qual a impetrante obteve liminar, terá
julgamento de mérito favorável, para, desde
logo, afiançar-lhe o provimento do cargo
(nomeação) e investidura (posse)?
Advirta-se que “De decisões
judiciais de caráter precário, assegurando a
participação de candidato ao Curso de Formação
Profissional, não decorre o direito líquido e
certo à nomeação no cargo. Não se aplica a
teoria do fato consumado, com vistas ao
reconhecimento do direito à nomeação de
candidato aprovado sub judice.” Concurso público.
Direito à participação em curso de formação por força de
decisão judicial reformada. Nomeação. Impossibilidade.
Teoria do fato consumado. Inaplicabilidade. 1- (STJ; RMS
21.179/DF, Rel. Min. Paulo Medina, Sexta Turma, DJ,
2/10/2006, p. 314).”

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E mais ainda taxativo: “O candidato


que, mediante liminar, participou e obteve
aprovação no Curso de Formação, não tem
pretensão à nomeação e à posse visto que, na
melhor das hipóteses, sua situação equivale
àquela dos aprovados em qualquer concurso, que
só tem expectativa de nomeação, ressalva feita à
hipótese de preterição, aqui sequer alegada.
(Mandado de Segurança Nº 70016910903, Segundo Grupo de
Câmaras Cíveis, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Rogerio Gesta Leal, Julgado em 18/09/2006).”
Eis porque outorgo a suspensividade,
para assegurar à impetrante integral
participação nas etapas do certame, até o
julgamento do mandamus, sem que tal implique
nomeação ou posse no aludido cargo público.
Ciência imediata ao juízo,
requisitando-se informações.
Intime-se a agravada, para contra-
razões de estilo.
Publique-se. Intimem-se.
Salvador(BA), de fevereiro de 2009.

Des. JOSÉ OLEGÁRIO MONÇÃO CALDAS


Relator

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