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Alcançando Objetivos

Álvaro A. L. Domingues

O texto a seguir é um meio de você alcançar aquilo que você quer, de forma
realista e com os pés no chão, sem nenhum segredo oculto em pergaminhos
antigos.

Oi, eu sou a Princesa ____________________


(dê-lhe um nome!) e me proponho a ajudar você a
atingir seus objetivos.

Você pode me estranhar por não apresentar


pupilas nos olhos. É você que vai pintá-las!

Não faça isso agora! Espere um pouquinho até eu


lhe contar como você deve fazer isso.

Em primeiro lugar eu quero lhe ajudar a conseguir


o que quer. E é por isso que eu estou assim.

Para você conseguir o que quer, você deve pintar meus olhos assim:

• Leia até o final estas instruções, antes de executar qualquer ação;

• Escolha um objetivo importante para você (mas não agora! Tenha um


pouco de paciência);

• Pinte apenas uma das pupilas. Pode ser a esquerda ou a direita, desde
que seja apenas uma.

• Quando tiver atingido seu objetivo (mas somente quando o atingir!),


pinte a outra pupila.

Vamos treinar um pouquinho? Eu lhe proporei uma meta bem simples:

Ler as páginas seguintes até o final, entendendo os conceitos apresentados.

Por que eu lhe proponho isto? É simples: nas páginas seguintes eu vou lhe
contar algumas coisas interessantes, que a ajudarão a ter muitos momentos
agradáveis comigo.

Topa? Então pinte uma das minha pupilas. Lembre-se: a outra só quando
terminar de ler!
As historias da Princesa

Nas próximas páginas, contarei algumas histórias pequenas que encerram


alguns conceitos que a ajudarão a pintar as pupilas e tornar isto um hábito. A
primeira delas é uma história de amor...

O príncipe e sua grande busca

Num reino distante, há muito tempo atrás, vivia um jovem príncipe, herdeiro do
trono. Seu pai, preocupado com a manutenção da dinastia, desejava que seu
filho se casasse.

Conversou com seu filho, sobre muitas coisas, sobre negócios do Estado,
sobre a imagem do Rei perante o povo e da importância que o casamento
representava para a manutenção da dinastia.

O Príncipe ouviu com atenção e disse a seu pai:

- Eu já havia pensado sobre isso. Concordo que estas coisas são importantes,
mas só me casarei com uma mulher que eu amar. Por isso decidi percorrer
meu reino e os reinos vizinhos à procura de uma esposa que eu ame.

E o príncipe partiu em sua jornada. Incógnito, percorreu muitos reinos até que
se apaixonou por uma jovem muito bela. Tímido, por ter vivido anos no
palácio, sem contato com outras pessoas além da corte, não soube como se
aproximar dela e sentiu-se rejeitado.

Porém não desistiu. Voltou ao palácio, descreveu-a com muitos detalhes ao


artista da corte e recomendo-lhe que fizesse um quadro que a retratasse com
apenas uma das pupilas pintadas. Colocou o retrato num lugar de destaque,
onde podia vê-la todos os dias. Durante este tempo, buscou professores que o
ensinaram a se desinibir.

Quando se sentiu seguro, buscou novamente a sua escolhida. Não a


encontrou no local onde a tinha visto pela primeira vez. Com o auxílio do
quadro, investigou até finalmente encontrá-la.

Uma vez encontrada havia outra tarefa: fazê-la apaixonar-se por ele.
Perseverantemente, durante muitos meses ele a cortejou, sem resultado.

Um dia, ele, dirigindo-se mais uma vez até a casa da sua escolhida, ele a
encontrou destruída, como muitas outras casas da vila. Indagando entre os
sobreviventes, soube que ele havia sido seqüestrada por mercadores de
escravos. Iniciou então uma busca frenética até que encontrou o
acampamento dos salteadores. Lutou contra eles e libertou sua amada. Ela
então reconheceu o grande amor que o príncipe lhe dedicava.

Voltando ao palácio, mostrou-lhe o retrato e lhe disse:

- Amanhã nos casaremos e só então a segunda pupila será pintada.

Desde então o príncipe, sempre que tinha um objetivo importante, mandava


confeccionar uma boneca de porcelana com os olhos sem pupila. Então ele
enunciava o objetivo para si mesmo e pintava o primeiro olho. Somente ao
atingi-lo pintava o segundo. A tradição continuou até os dias de hoje e não só
entre a nobreza.

Gostou da primeira história? Agora você sabe de quem que eu descendo.. O


nome desta boneca é Daruma e foi criada por um samurai japonês. A história
da busca do príncipe, contudo é um mito. Mitos são histórias contadas para se
passar de forma agradável alguma verdade. E este está associado à busca de
objetivos.

Você deve ter percebido a importância de só pintar o segundo olho ao ter


atingido o objetivo escolhido. A pupila não pintada é um lembrete discreto, mas
persistente de que aquilo que você quer ainda não aconteceu. Pintar a
segunda pupila é um prêmio extra que a satisfará tanto quanto um elogio. Só
que este elogio tem um peso muito maior, pois vêm de você mesma!

A segunda história diz respeito a três conceitos: meta, objetivo e missão.

O arquiteto e os três pedreiros

Um arquiteto medieval acreditava que devia fortalecer a religião e escolheu por


isso construir catedrais. E assim foi. Reis, Imperadores e Papas o chamavam
freqüentemente para construir catedrais.

Certa vez, precisou contratar um pedreiro. Testou vários candidatos e escolheu


três, muito bons no ofício de assentar blocos de pedra. Como existia uma vaga
só ele precisava escolher um deles. Então ele fez uma pergunta:

- Qual é o seu trabalho?

O primeiro respondeu:

- Eu assento pedras.

O segundo respondeu:
- Eu sou um profissional no assentamento de pedras. Conheço tudo sobre
pedras e faço o melhor serviço.

E o terceiro respondeu, com muito orgulho na voz:

- Eu construo catedrais.

Quem você acha que foi contratado?

Missão, Meta e Objetivo

O que é uma missão, uma meta e um objetivo? Essas três palavras


normalmente geram confusão, algumas vezes chegam a ser apresentadas
como sinônimos.

Nesta história temos uma meta, um objetivo e uma missão.

Você pode identificá-las? Bom, aqui vão:

meta: levantar determinada parede

objetivo: construir uma determinada catedral

missão: fortalecer a religião construindo catedrais.

Observe que a meta é "um passo necessário para se atingir um objetivo". É


certo que para construir catedrais eu preciso de paredes e para construí-las,
eu preciso assentar pedras.

Um objetivo é algo definido que desejamos atingir. Ao se terminar uma catedral


temos uma obra de arquitetura bem definida.

Portanto "viver um grande amor" não é um objetivo. "Namorar com aquele


pessoa especial que conheci naquela festa", sim. Um objetivo tem que ser
enunciado de tal maneira que você saiba que chegou lá e possa pintar o
segundo olho.

E missão, o que é?

O arquiteto, ao terminar uma catedral atingiu um objetivo, mas não completou


sua missão. A missão é algo que ele sempre irá fazer. Certamente, ao terminar
uma catedral, a religião terá mais um templo e estará fortalecida. Mas sua
missão acabou? NÃO! Ele pode construir outra, mais outra e mais outra... Até
o final de seus dias.
Bom o que eu pretendo fazer é ajudá-la atingir seus objetivos e metas.
Aqueles que você escolher, que venham do seu íntimo.

E a missão? Ela tem um papel importante, pois os objetivos mais fáceis de


atingir são aqueles que estão alinhados com a mossa missão.

A escolha da missão é pessoal, pode já estar clara para você ou ainda não. Vá
com calma, pense bem, escolha criteriosamente, sem stress...

Quanto aos objetivos, vamos agora trabalhar juntos! (Este é o meu objetivo!)

Enunciando Objetivos

Escolha algo que você quer que aconteça enuncie seu objetivo de maneira
clara e simples e responda as seguintes perguntas:

1- O meu objetivo está enunciado de maneira positiva?

Ou seja, você deve enunciar seu objetivo de maneira que expresse o que você
quer que aconteça e não o que você quer evitar. Por exemplo, o príncipe
enunciou seu objetivo "Quero casar com a mulher que amo" e NÃO disse
"Quero deixar de ser solteiro".

2- Como saberei que atingi meu objetivo?

Não precisa ser uma catedral, mas deve ser algo que possa ser constatado
por você mesma. Por exemplo: Quero passar do vestibular na Faculdade XYZ.
Se seu nome sair na lista, você atingiu seu objetivo. Fácil, não?

3- Isso depende apenas de você?

Pode ser que o que você deseja dependa de ações de outras pessoas. Isso
não é um problema se estiver a seu alcance dialogar com elas e persuadi-las a
cooperar com você. (Lembre-se: Persuasão NÃO é manipulação).

Se depender de outras pessoas, mude o enunciado de modo que inclua a


ação de convencê-las. Por exemplo, se você deseja morar em outra cidade e
seus pais são contra, inclui a ação de persuadi-los a confiar em você,
descobrindo suas razões e mostrando capacidade de contornar as situações
que lhes causam temor.

4- Depende de situações externas?

Tempo bom é absolutamente necessário para um piquenique. Esteja ciente


das limitações externas ao enunciar seu objetivo.

Para cada situação externa que influencie a realização de seu objetivo,


verifique alternativas. Cuidado porém em não se posicionar de forma muito
pessimista!

Por exemplo: quebrar a perna no dia exato do piquenique é um acontecimento


possível, porém pouco provável! Se ocorrerem acontecimentos deste tipo, adie
a realização de seu objetivo!

5- É possível?

Responder a esta pergunta evita frustração. Tenha apenas o cuidado de não


confundir o impossível com o difícil.

Por exemplo: se estradas estiverem impedidas, você não poderá chegar ao


lugar programado para a sua viagem dos sonhos (isso é uma impossibilidade,
a menos que você conheça um piloto de helicóptero). Arranjar grana suficiente
pode ser difícil, mas não impossível.

6- Você tem os recursos suficientes (tempo, dinheiro, ferramentas,


conhecimento, etc..)?

Não ter os recursos pode ser uma dificuldade séria, mas não um empecilho
definitivo. Os recursos podem ser adquiridos.

Por exemplo: pode ser que você tenha dificuldades em passar no vestibular
por não ter feito um colegial numa boa escola (falta conhecimento). O
conhecimento faltante pode ser adquirido estudando-se num cursinho ou
estudando por conta própria.

7- O que aconteceria se você não o atingisse agora?

Pode ser que existam alternativas que você não viu. Uma outra escola tão boa
como a XYZ, um outro lugar agradável e interessante ou uma época mais
propícia para viajar ou fazer seu piqunique!

Dividindo os objetivos em Metas

Pode ser que você tenha estabelecido um grande objetivo para você. Atingi-lo
pode ser difícil.

Construir catedrais também é. Imagine agora o nosso arquiteto. Ele tem um


objetivo perfeitamente definido, mas levará tempo.
Para evitar sua desmotivação ele traçou metas intermediárias: construir a
parede X, a parede Y, cúpula, a pintura dos afrescos, etc.. Quando ele
terminar a última meta (colocar o tapete vermelho pro Papa passar) ele terá
atingido seu objetivo. A catedral estará pronta.

Suas metas intermediárias poderão ser ter uma boa nota num exame
simulado, arrumar uma parte definida (por exemplo, 30% do valor) do dinheiro
para a viagem ou comprar a cesta de piqueniques.

E... se algo der errado?

Por mais que planejemos um objetivo, por mais que tenhamos cuidado com
nossas metas, algo pode não sair como o esperado. O que fazer então?

Mas, o que poderia dar errado? Bom selecionamos as seguintes


possibilidades:

1- Aconteceu algo que você não previu?

Adie o objetivo e comece de novo! Este algo imprevisto pode ser acrescentado
no novo planejamento!

2- Você cometeu algum erro?

Se foi um erro que o afastou de seu objetivo é aí que você vai provar que é um
Vencedor!

Vencedores transformam seu fracasso em aprendizado e usam esse


aprendizado para que moldar seu sucesso futuro. Pergunte-se: O que você
faria de diferente agora? O que você ainda pode fazer? Pense!

3- Você pensou que tinha recursos, mas...

Pode ser que não tinha mesmo! E agora você terá que buscá-los e traçar
alternativas para esperar pelo momento adequado.

4 -Você não viu as alternativas e agora está sem eira nem beira...

Examine se a limitação do momento é exterior a você (acontecimentos sobre o


quais REALMENTE não tem controle) ou interna (você ACHA que as
limitações são externas, mas quem está segurando você é você!).

Verifique se realmente você não tem alternativas mesmo!


Cuidado aqui! Alternativa é um novo objetivo que lhe trará a mesma (ou talvez
maior) satisfação que o objetivo inicial. Ou ainda, se você perceber que o
objetivo é pouco realista, e desejar trocar por outro mais realista.

Se você adotar a posição de "eu-não-sou-suficientemente-bom-para-isso" e


escolher algo menor para compensar, isso não é um alternativa! Verifique o
que está faltando! Procure alternativas de fato!

5 - Sim, mas...

Esta é a posição que mais terá que combater em você. A busca de desculpas.
Para cada passo é sempre possível arrumar uma desculpa para não dá-lo.

Para eliminar uma desculpa pergunte-se:

"E se eu não tivesse tal limitação (desculpa) o que eu faria e como faria?"

Se você encontrar a resposta, você pode fazê-lo! Agora!

Parabéns você terminou a leitura! Agora já pode pintar a minha outra pupila!

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