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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS ESCOLA DE ENGENHARIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA LABORATÓRIO DE PROCESSOS DE

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA DE ENGENHARIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

LABORATÓRIO DE PROCESSOS DE FABRICAÇÃO

RELATÓRIO 1 SOLDAGEM COM ELETRODOS REVESTIDOS

Jefferson Fideles da Silva, 2010019010

Belo Horizonte, 26 de março de 2014

1.

INTRODUÇÃO

Este relatório aborda a utilização de diferentes tipos de eletrodos revestidos para soldagem ou revestimento. A soldagem com eletrodos revestidos, do inglês, SMAW (Shielded Metal Arc Welding) é o tipo mais comum de soldagem utilizado. É realizada com um arco elétrico que é formado pelo contato do eletrodo com a peça a ser soldada e que funde ambos ao mesmo tempo. O eletrodo vai sendo gasto à medida que se forma o cordão de solda e o processo é protegido do ar atmosférico pelos gases (O 2 e N 2 ) de combustão do revestimento e por uma escória.

O custo com equipamentos para a soldagem com eletrodo revestido é baixo, e o processo é versátil e largamente utilizado no mercado. Pode ser realizado em aços carbono, aços de baixa, média e alta liga, aços inoxidáveis, ferros fundidos, alumínio, cobre, níquel e ligas destes.

Utilizando-se a soldagem com eletrodo revestido é possível soldar locais de difícil acesso, mas o sucesso da operação depende também da habilidade do soldador. Devido a esse fato, apesar das facilidades do processo, ele apresenta uma baixa produtividade, precisa da remoção de escória e pode produzir fumos e respingos. O cordão formado também é inferior, em qualidade, ao que é produzido pelos processos TIG/MIG e plasma.

Os ingredientes que formam o revestimento são triturados, dosados e misturados até a obtenção de uma massa homogênea. A massa é conformada sobre as varetas metálicas, com comprimentos padrão a partir de 300mm . Em seguida o revestimento de uma das extremidades é removido para permitir o contato elétrico com o porta-eletrodo. A tomada de corrente, portanto, é feita numa extremidade, e o arco arde na outra. A escolha dos ingredientes do revestimento determina o resultado desejado , como eletrodos básicos, ácidos, etc.

  • 2. OBJETIVO

O objetivo da prática é testar e ver as vantagens e desvantagens de diferentes eletrodos revestidos, principalmente o de celulose, rutílico e básico.

Os revestimentos celulósicos são formados por substâncias orgânicas cuja queima no arco gera uma atmosfera redutora, constituída, principalmente por CO e H 2 , que protege o arco.

Os rutílicos são formados por dióxido de titânio e ele reduz a viscosidade da escória e o seu intervalo de solidificação, além de estabilizar o arco.

Os básicos, formados por carbonatos (particularmente CaCO 3 ) controlam a basicidade da escória e fornece atmosfera protetora a partir de sua decomposição.

No laboratório, foi feito em primeiro caso, testes de soldagem em corrente contínua com eletrodo no polo positivo (50A), testando os tipos de eletrodo revestidos citados. Foi necessário o uso de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual ). Para o executante da prática fez-se necessário a utilização de EPI, como máscara de proteção, luvas para evitar choques, além de roupas longas evitando o respingo da solda. Para os outros participantes utilizou-se de máscaras e uma distáncia de segurança do soldador evitando assim a queima devido aos respingos da solda.

Foi realizado soldagem manual com os três principais tipos de eletrodo revestido (básico, celulósico e rutílico). Com cada eletrodo foi possível perceber as dificuldades na soldagem, bem como a influência da velocidade, do comprimento do arco e também da inclinação de soldagem.

Com o eletrodo de celulose, durante a soldagem, foi possível perceber que o mesmo apresenta uma dificuldade maior na soldagem se comparado com os outros processos, além de que o grau de gases e ruídos gerados é maior, podendo também perceber um consumo maior do eletrodo com relação aos outros.

Utilizando-se do eletrodo rutílico percebeu-se uma boa soldabilidade comparado com o de celulósico, pois seu revestimento ajudou a estabilizar e abrir o arco com uma maior facilidade, tento uma quantidade de gotas menor que o celulósico, e um ruído mais brando.

Ao se usar os eletrodos básicos percebeu-se melhor soldabilidade em relação aos celulósicos e um pouco menos que o rutílico, porém com relação as gotas, não se via muitas, menor até do que o processo rutílico, porém foi percebido uma dificuldade de abrir o arco devido a ponta do eletrodo ficar um pouco pra dentro do revestimento.

Foi testado a soldagem com corrente contínua com eletrodo no polo negativo, geralmente, a soldagem por esse tipo de corrente se faz necessário para o processo de revestimento, visto que a poça de solda é mais branda, e para cada caso de eletrodo foi percebido suas particularidades.

Para o eletrodo celulósico, percebeu bastante ruído e espalhamento de gotas, além de um gasto exagerado do eletrodo, dependendo da situação pode ser utilizado para revestimento, devido não conseguir gerar uma solda de eficiência na peça.

Para o eletrodo rutílico percebeu-se uma boa soldabilidade, mostrando a eficiência nós dois tipos de corrente contínua(eletrodo no polo positivo e eletrodo no polo negativo), foi visto que o cordão de solda fica mais homogêneo em relação aos outros processos, porém tem um consumo elevado do mesmo.

Para o eletrodo básico percebeu-se também um espalhamento das gotas, dificultando a soldagem da peça, tendo escórias grossas e sem muita profundidade na soldagem. Em relação ao mesmo processo porém com corrente contínua e eletrodo no polo positivo, percebeu-se um aumento nos ruídos e no gasto do eletrodo.

4.

CONCLUSÃO

Na prática foi constatado a influência dos diferentes tipos de eletrodos no processo de soldagem, como já era previsto pela teoria do processo. Da pra inferir que os eletrodos rutílicos são os de melhores soldabilidades, tendo seu arco aberto com mais facilidade, mesmo com corrente em polaridades diferentes.

No começo da prática foi percebido que o módulo da corrente afeta as condições de soldagem, assim como o diâmetro do eletrodo. Deve-se fazer um estudo antecipado antes da soldagem para saber qual a melhor corrente pra utilização, geralmente se encontra esses tipos de especificações no manual do fabricante dos eletrodos.

Em conclusão, vários fatores podem interferir na soldagem, como a habilidade do soldador, pois será o mesmo que abrirá o arco e manterá o mesmo em um comprimento adequado para a soldagem em questão e também na velocidade de solda, pois não deve ser muito rápido e nem muito devagar, e pra isso é necessário muita prática. O revestimento do eletrodo influência bastante, pois como foi visto cada um tem sua partícularidade e dependendo do processo e finalidade, faz-se necessário a escolha de um em específico. As condições de uso da máquina são também de extrema importância, pois quem estiver utilizando a mesma deve ter o conhecimento de qual corrente será utilizada, qual será a polaridade e também a tensão que será utilizada.

  • 5. BIBLIOGRAFIA

MARQUEZ, P. Villani, MODENESI, P.J, BRACARENSE, A.Q – Soldagem: fundamentos e tecnologia – BH, Editora UFMG, 2007