Você está na página 1de 5

OS ORIXÁS

Bará

Bará é o dono das chaves, dos portais, das encru­ zilhadas, das aberturas de todos

Bará é o dono das chaves, dos portais, das encru­ zilhadas, das aberturas de todos os caminhos. Por isso é o primeiro orixá a ser servido em qualquer obrigação. Se ele não for homenageado em pri­ meiro lugar, os caminhos e os trabalhos permanecerão trancados. Ele tranca ou abre todas as portas, dependendo de nosso merecimento e do cumprimento das tarefas. Se apresenta como o orixá mais humano de todos e como o aspecto humano da personalidade. 17

Bará, também chamado Exu Iangi, o primeiro nasci­ do, tem como um de seus símbolos a pedra porosa chama­ da yangi, talvez porque um dos modos como ele aparece à paravisão humana é a de milhares de pontos cinzas, como um corpo poroso, com o formato do corpo humano.

Uma das lendas, contada por Nelson Pires Filho e Fábio Escada 18 relata que, no início do mundo, somente havia uma massa infinita de ar. Quando esta começou a se movimentar, movida pela respiração de Olorum (Deus), parte desse ar tornou­se água, e outra parte lama. Dessa lama formou­se uma bolha, a primeira matéria dotada de forma. Olorum soprou­a, dotando­a de vida individual, como um rochedo de lacterita. Estava criado Bará.

17 Pesquisado na Wikipédia, em 25/7/2008.

18 Pires Filho, Nelson e Escada, Fábio. Búzios – A Interpretação dos Segredos. São Paulo: Madras, 2001

Os Orixás e os Chacras

Os Orixás e os Chacras Outra lenda conta que Orumilaia 1 9 , que­ rendo um

Outra lenda conta que Orumilaia 19 , que­ rendo um filho, tanto incomodou Olorum que este, para se ver livre, lhe deu Exu. Este, no entan­ to, era dotado de uma fome insaciável, comendo

tudo o que via. Para pará­lo, Orumilaia cortou­o em peda­ ços, mas cada pedaço se reconstituía por inteiro. Assim foi até que dos pedaços cortados formaram­se nove céus que permitiram o povoamento do universo. Segundo os autores referidos, esse processo gerou um contrato entre Orumilaia e Exu, definindo­lhe o papel de executor dos projetos e controlador dos destinos, aquele que garante

o cumprimento das prescrições de Ifá. Assim, constitui

ele a menor unidade de informação do sistema e o fractal de tudo que se multiplica, o primeiro vórtice, o spin da energia.

Segundo Verger, o orixá Bará ou Exu Elégbara veio ao mundo com um porrete que teria a propriedade de trans­ portá­lo rapidamente a centenas de quilômetros e de atrair, magneticamente, objetos situados a grandes distâncias. 20

É o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. É também ele que serve de intermediário entre

os homens e os deuses. 21 Na mitologia grega é represen­ tado por Mercúrio, o mensageiro. É um orixá protetor

e é quem supervisiona as atividades do mercado do rei

em cada cidade. Bará é o princípio dinâmico que tem a função de ligação entre todas as existências. Faz parte da natureza do éter.

19 Sobre Orumilaia ver SCIPIONI, Silvia e CORREA, Daura Religião Nação – Uma visão das origens. Porto Alegre: Imprensa Livre, 2007.

20 Essa qualidade de transporte se ajusta à capacidade de estar, instantaneamente, em qualquer parte do universo.

21 VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Salvador: Currupio, 2002.

36

Os Orixás e os Chacras

Sua representação na humanidade é a da personalidade, que possui contraditórios aspectos de qualidades e defeitos em seus múltiplos esta­ dos. Se dividem em dois tipos: os de “dentro de casa”, mais calmos, e os “da rua”, mais inquietos, de temperamento instável. É o primeiro dos orixás a ser homenageado. Ritualizado nos cruzeiros, leva a força da alma para abrir e fechar os caminhos.

Como a primeira entidade na escala da evolução hu­ mana, Bará manifesta­se como síntese dos reinos mineral,

vegetal e animal, cuja estrutura material é bioplasmática. É

o governador do corpo etérico, a atividade inteligente e a

base da personalidade com seu raio particular, como todos os outros, agregados como sub­raios, fazem parte.

A hierarquia dos Barás tem também a função de vin­

cular os quatro reinos da natureza, sendo que transmutam

e transmitem o inferior para o superior e constroem, em

cada reino, a ponte que une a mente superior com a infe­ rior, o canal que a tudo comunica.

Cada individualidade ou ser tem seu Bará pessoal que está diretamente a serviço do orixá de “cabeça”, por isso é chamado de “mensageiro” entre o ser humano e seu orixá essencial. É a primeira essência assumida pela individualidade que se manifesta como átomo primário. Ao longo de sua evolução ele vai se relacionando com os outros fatores por meio do átomo primário de cada um deles, que se tornam secundários, formando o átomo permanente, conhecido como nous.

Cada chacra (spin) é governado por uma entidade da linha dos Barás que fazem a conexão das energias refe­ rentes à essência correspondente àquele chacra.

da linha dos Barás que fazem a conexão das energias refe­ rentes à essência correspondente àquele

37