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Dr.

Raphaël Nogier

O LEITE
QUE AMEAÇA
AS MULHERES

Um documento explosivo:
O consumo de derivados
Do leite teria uma influência
Preponderante sobre os
Cânceres de mama

Tradução
José Ricardoi Amaral de Souza Cruz

Revisão
Antonio Carlos Tosta

Ícone Editora
ÍCONE EDITORA LTDA
Rua das Palmeiras, 213 – Sta. Cecília
CEP 01226-010 – São Paulo – SP
Tels. /Fax; (011) 3666-3095

ÍNDICE
INTRODUÇÃO, 9

PRIMEIRA PARTE
AS DOENÇAS DO SÉCULO XX

Capítulo 1: Por uma visão atual do mundo, 13


1. Evolução da sociedade e surgimento de novas doenças, 13
2. O rastreamento das doenças, 16

Capítulo 2: Um caso específico: o câncer de mama, 21


1. Aparecimento e desenvolvimento, 21
2. Uma epidemia díspar segundo o país e a família, 21

Capítulo 3: A alimentação e as doenças, 27


1. Generalidades, 27
2. As intolerâncias alimentares, 29
3. Uma intolerância específica: os derivados do leite, 37

pág. 9
INTRODUÇÃO

Todo progressos traz consigo efeitos danosos. O progresso social não


escapa à regra. Por força de leis sociais, de solidariedade, os Estados
substituem os indivíduos e deles tomam conta do nascimento à morte.
Essa evolução da sociedade é acompanhada por uma mudança de
mentalidade, o cidadão se tornando uma criança crescida e o Estado
uma mãe. Essa nova geração tinha necessidade de um alimento novo a
seu modo: o leite. É a geração Yop.
Após a última guerra, a alimentação na Franca sofreu uma grande
mudança. Até 1950 ela era do tipo tradicional. O êxodo rural, a
urbanização, a influência anglo-saxônica, a televisão, mudaram por
completo os hábitos culturais, e vimos surgir um novo modo alimentar.
Desde a idade de 3 meses ou mesmo antes, a criança é entupida de
derivados do leite.
Mamadeira de leite pela manhã, iogurte às 10 horas, queijinho petit-
suisse ao meio-dia, petit-suisse às 16 horas, leite, flan, sêmola ao leite à
noite.
Sim, é a geração Yop.
Esse tipo de alimentação, uma vez que se acostuma, é mantida
durante a adolescência e a idade adulta, tal a imagem boa que o leite
passa:
“O leite é bom para a saúde... A manteiga contém vitaminas... O leite
é cálcio... É um alimento equilibrado.”
Idéias bastante corretas quando não se abusa desse alimento, falsas
quando o produto é consumido em excesso.
Pensando bem, o homem é de fato o único animal que consome leite
até a idade adulta, o mamífero, uma vez desmamado, muda de
alimentação, torna-se herbívoro, carnívoro, às vezes onívoro, mas deixa
de consumir todo tipo de leite que seja, desde que se afasta da mãe.
Essa atitude irracional acerca das virtudes do leite foi adotada não
somente pela comunidade científica ocidental, mas também pelo poder
político. Mendes-France impôs o copo de leite diário nas escolas
primárias em 1954. Sem dúvida partiu de uma boa intenção! Na época,
era preciso lutar contra a desnutrição.
Essa política francesa, foi mesmo exportada a países em vias de
desenvolvimento, a quem foram enviadas toneladas de leite em pó. Em
inúmeros países constatou-se que esses programas humanitários
surtiam o efeito de desencorajar o aleitamento materno e que por isso,
longe de diminuir a mortalidade infantil, eles contribuíam para aumentá-
la.
É tempo de fazer soar o alarme. Apesar de todas essas idéias que
recebemos, o leite não tem só virtudes. Ele pode se tornar um alimento
perigoso e desencadear a longo prazo, diversas doenças do sistema
nervoso, de pele, mas também no seio. Isso é o que iremos ver nas
páginas seguintes.

PRIMEIRA PARTE
AS DOENÇAS DO SÉCULO XX
PÁG. 13

Capítulo 1

Por uma visão do mundo atual

1. EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE E SURGIMENTO DE NOVAS


DOENÇAS

Foi sobretudo após a Segunda Guerra Mundial que a sociedade


ocidental passou por uma verdadeira mutação. As recentes descobertas
científicas e tecnológicas modificaram o modo de vida das populações,
engendrando por esse mesmo motivo, um número impressionante de
novas doenças, favorecendo a disseminação dos males já existentes.
Tomemos alguns elementos-chave do progresso da sociedade
moderna:
- a tecnologia com o desenvolvimento do automóvel, a generalização
dos cabos elétricos, o aparecimento do T.S.F., da televisão, o
desenvolvimento do telefone, da aviação, do computador, da robótica, do
faz;
- o nuclear com o surgimento das centrais atômicas;
- a medicina com novos medicamentos, antibióticos, cortisona, pílula
anticoncepcional e vacinas;
- por fim, a indústria em geral e em particular a agroalimentícia.
A maioria dessas descobertas deu surgimento a novas doenças, e a
multiplicação das redes de comunicação favoreceu sua propagação.
Quando iniciei meus estudos de medicina, há pouco mais de 20 anos,
a patologia clínica e cirúrgica diferiam muito das de hoje.
Os cursos de medicina eram voltados sobretudo para doenças que
hoje felizmente não são mais encontradas: a sífilis, herança dos
marinheiros de Cristóvão Colombo, cujo nome fazia tremer poetas como
Victor Hugo e morrer heroínas como Fantine; a osteomalacia, mal devido
à carência de cálcio e observado nas crianças pobres do século XIX.
Há somente 20 anos, o pesado passivo clínico do século XIX estava
enterrado, e os professores de medicina foram seus coveiros.
Esses patronos, excepcionais para alguns, acreditavam que na
segunda metade do século XX, tudo seria possível. Ainda ouço as
palavras de um professor de semiologia: “Senhores, graças à síntese da
vitamina D, não haverá mais raquitismo!”.
Cada qual imaginava que a técnica clínica, mantida por uma
economia florescente, iria erradicar antes do fim do século os grandes
flagelos, notadamente o câncer, que sucedia à tuberculose.

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É verdade que toda esperança era permitida. A chegada dos
antibióticos e da cortisona haviam modificado totalmente a terapêutica. A
tuberculose, a sífilis e inúmeras doenças infecciosas viraram mal do
passado. As novas moléculas químicas utilizadas em anestesia,
permitiam observar a arte operatória sob um prisma triunfal. Em muitos
domínios, a medicina e a cirurgia tinham avançado a passos de gigante.
Quem iria crer, no entanto, que apesar desses progressos, outros
males iriam aparecer, tão perniciosos quanto os de nossos pais? Quem
iria crer que nossa sociedade moderna iria engendrar patologias, das
quais, hoje em dia, ninguém consegue se livrar? Nosso fim de século é
de fato caracterizado por um retrocesso de doenças que se poderia
esquematicamente classificar em quatro categorias.

1) DOENÇAS VIRAIS

As mais virulentas hoje em dia são as hepatites B e C e a AIDS. Sua


transmissão é sobretudo por meio do sexo (exceto a C).
O grande público confunde com freqüência as doenças virais e
bacterianas. Os vírus e as bactérias são micróbios visíveis somente ao
microscópio; as bactérias, dez mil vezes maiores do que os vírus, podem
ser destruídas pelos antibióticos. Os vírus, estes sim, são muito difíceis
de atingir, e os antibióticos não exercem nenhuma ação sobre eles.
Desde o advento da medicina moderna, nenhum tratamento eficaz foi
descoberto contra os vírus. A única maneira conhecida de combatê-los é
a vacina, cujo uso é tecnicamente bastante delicado. Não foi senão
depois de décadas de pesquisas, que foi descoberta a vacina contra a
hepatite B e, ainda assim, graças a um gênio: o professor Maupas da
faculdade de Tours.
Nos países ocidentais, as doenças virais substituíram as doenças
bacterianas e hoje nos encontramos frente aos vírus, na mesma situação
que os médicos do século XVIII diante das bactérias.

2) OS MALES NEUROLÓGICOS

Ah! O stress!
Quando Hans Selye inventou esse termo, seguramente não pensou
que faria parte integrante da linguagem corrente universal e iria se tornar
um dos mais empregados nas conversas do dia-a-dia.
O século XX vai ser o dos deprimidos, dos ansiosos, e dos neuróticos.
Se a curva de progressão das doenças devidas ao sistema nervoso não
mudar de rumo, cedo ou tarde teremos uma sociedade de inválidos
mentais. Na França, o consumo de tranqüilizantes, neurolépticos e
antidepressivos, aumentou 44% em quatro anos.
Quem em sua família não tem um tio, uma tia, um irmão, uma irmã
que sofre dessa terrível doença, a depressão? Verdadeira ferida social,
fonte de ausência ao trabalho, suicidas entre os idosos bem como entre
os jovens, ela não poupa nenhuma classe social.
Quem teria pensado em 1969, quando o primeiro homem colocou os
pés na Lua, que a técnica médica, tão vaidosa, tão elogiada, sofreria
tantos revezes, tais malogros em matéria de doenças nervosas?

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Os males neurológicos não se resumem somente à angustia e à
depressão nervosa. Eles também podem dar lugar, por exemplo, à essa
doença cada vez mais conhecida e que se espalha: a esclerose em
placas, cuja origem é ignorada.
De uma maneira geral, a neurologia não conseguiu grandes
progressos terapêuticos após muitos anos, isso, se for dada atenção ao
número crescente de queixas que provêm dos doentes. Mas deixando de
lado os casos mais graves de psiquiatria, disfarçados pela máscara
química, as terapêuticas neurológicas continuam muito pobres.

3) MALES SISTÊMICOS CRÔNICOS

4) OS CÂNCERES

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