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Henry Sausse Biografia de Allan Kardec (Manuscrito Biográfico de Allan Kardec)
Conferência de Henri Sausse, quando da solenidade que os espíritas de Lyon (França) celebraram a 31 de Março de 1896, o 27.º aniversário do decesso de Allan Kardec.

Título Original em Francês Henri Sausse, Biographie d'Allan Kardec Paris (França)

www.autoresespiritasclassicos.com (2013)

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Sumário Apresentação por Léon Denis / 02 Introdução / 05 Biografia de Allan Kardec / 07

Apresentação por Léon Denis Eis cinquenta e oito anos (1) em que o Espírito de Allan Kardec voltou à vida livre dos Espaços e, durante esse tempo, sua doutrina penetrou até as regiões mais remotas do globo reunindo no conjunto os partidários, adeptos na casa dos milhões. Seria inútil enumerar todos os grupos, círculos, federações, institutos que foram fundados; inútil citar os jornais, revistas, publicações em todas as línguas que contribuem para a disseminação de nossas crenças. Vão e inútil, digamos, porque a lista não seria senão provisória, já que o número dessas organizações e de suas obras aumenta a cada dia. (1) Préfacio escrito em 1927. Hoje, a doutrina dos espíritos, condensada, coordenada pelo cérebro poderoso de Allan Kardec, é adotada por multidões de crentes e pensadores do centro e do sul da Europa, desde Portugal até a Romênia, bem como na América Central e América do Sul. Em muitos meios, Institutos, Universidades têm um lugar no seu programa para ela; não se pode prever, de acordo com a evolução geral da espiritualidade, o momento em que a doutrina de vidas sucessivas penetrou no ensinamento popular e idealista de todos os países. Já podemos supor o grande número de desesperados aos quais esta crença levou a força moral, a coragem de viver, a confiança no futuro preservando-os do suicídio; de todos aqueles que ajudaram a apoiar as provações, o grande peso das vidas obscuras e dolorosas. Eu mesmo tenho deles testemunhos emocionados na forma de cartas que enchem caixas inteiras, considerando-se que eu conservo apenas as mais importantes dentre elas.

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Eu tinha 18 anos quando li ”O Livro dos Espíritos", e foi uma súbita iluminação de todo o meu ser. Eu não precisava de provas para uma doutrina que respondia a todas as perguntas, resolvia todos os problemas de modo a satisfazer a razão e a consciência. Além disso, as provas estavam em mim mesmo. Era como vozes distantes que me falavam de vida dissipadas; o evocar de um passado esquecido, todo um mundo de memórias despertando com seu cortejo de males, sangue e lágrimas. Logo, as leituras complementares aconteceram, depois mais tarde, quando minha maturidade pareceu suficiente para melhor entender, vieram os fenômenos convincentes, decisivos. De minha parte, durante quase meio século, eu trabalhei para difundir nossas crenças pela tinta e pela palavra. Há uma ligação misteriosa entre O discípulo e O Mestre? Notemos que o meu nome está consagrado no de Allan Kardec que, na verdade, chamava-se: Hippolyte, Léon, Denizard Rivail. Os amantes de números e nomes fatídicos podem encontrar ali material a comentar. Encontrei várias vezes Allan Kardec no plano terrestre. Primeiro foi em Tours, quando ele esteve ali por volta de 1867, durante uma turnê de conferências. Alugamos um lugar para recebê-lo, mas a polícia imperial, desconfiada, proibiu-nos o uso. Tivemos que nos encontrar no jardim de um amigo, à luz das estrelas. Éramos uns 300 em pé, apertados, pisoteando os canteiros, mas felizes de ver e ouvir o Mestre, sentado no meio de nós, numa pequena mesa, falando sobre o fenômeno das obsessões. No dia seguinte, como eu tivesse ido até ele para apresentar meus préstimos, encontrei-o no mesmo jardim, montado em um banquinho e colhendo cerejas que ele jogava à senhora Allan Kardec. Esta cena bucólica cheia de charme contrastava com a gravidade dos personagens. Mais tarde, foi em Bonneval, Eure-et-Loir, onde ele tinha ido participar de um encontro espírita que reuniu todos os adeptos da região. Finalmente, em Paris, durante as minhas viagens, pude conversar com ele sobre a causa que nos era cara. Allan Kardec morreu em 1869; diz-se que reencarnou em Havre, em 1897. Isso é incorreto. De fato, como um espírito de seu valor teria esperado trinta anos para provar a extensão de seus poderes e sua missão providencial?! Apenas quando se aproximava o Congresso de 1925 que o

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grande iniciador começou a se manifestar em nosso grupo por meio de um médium em transe. Dada a minha idade e enfermidades, eu estava, então, hesitante em participar desses grandes assentamentos do Espiritismo Mundial. Ele me convenceu com seus argumentos e toda a força de sua vontade. Ao longo deste Congresso, eu senti o seu apoio fluido e a eficácia dos suas inspirações. Desde então, ele não tem deixado de intervir em todas as nossas reuniões, insistindo sobre a necessidade de escrever e publicar um livro sobre o Gênio Celta e o Mundo Invisível, a fim de demonstrar que o movimento espiritualista atual não é outra coisa que não um poderoso despertar das tradições de nossa raça. Não surpreenderia um druida reencarnado que desejou um dólmen por lápide em Père-Lachaise e tinha retomado o seu nome celta. Allan Kardec fez mais: ele ditou uma série de mensagens que estão no fim do meu livro e algumas das quais se elevam ao último limite da compreensão humana. Duas, sobretudo, revestem-se desse caráter e têm por título: Origem e evolução da vida universal; As forças radiantes do Espaço: o campo magnético vibratório. Nossos guias declaram que todo leitor poderá obter dessa obra uma orientação nova que ”no estado de evolução ao qual chegamos é apenas compatível com o grau de resistência do cérebro humano”. Por fim, acrescentemos que o Espírito de Allan Kardec, durante muitas entrevistas, me deu provas incontestáveis de sua identidade, entrando em detalhes específicos de sua herança e as dificuldades que ela trouxe, detalhes que o médium não podia saber, pois não passava de uma criança nascida de pais que ignoravam tudo do espiritismo. Estes fatos estavam apagados da minha própria memória e eu não pude reconstituí-los senão depois de algumas pesquisas e investigações. Mais uma vez, o discípulo se curvou à vontade imperiosa do Mestre. Apesar da minha idade e meu estado de cegueira, consegui terminar o Gênio Celta que tanto me era caro. Mais do que nunca, neste trabalho, meus amigos invisíveis me apoiaram, ajudaram, esclareceram; mais do que nunca, senti que minha última obra – demandada do alto - é realmente o resultado de uma estreita colaboração entre os dois servos de uma única causa. Que estou dizendo, colaboração? É ainda melhor. É mais a comunhão de duas almas perseguindo um objetivo comum: a expansão

como presidente. com nossos amigos da Federação Espírita Lionense. fiz este trabalho quase que exclusivamente do ponto de vista do público a que ele estava destinado. dirigi os trabalhos da Sociedade Fraternal. um renovador do pensamento moderno e lhe prestará as devidas homenagens a sua memória. é a indiferença dos espíritas quanto à . Tendo há muito esgotado a edição que. ou porque eles não tenham querido desenterrar as memórias antigas de quarenta anos. Nada vai parar o espiritismo porque ele é a verdade. Eu tive. a intenção de publicar esta discussão. além disso. por conseguinte. que não foi editada. em março 1896. formei o projeto de fazer uma nova tiragem. ano de 1927 Léon Denis Introdução Quando. no meu melhor. então. Eu não tinha. surgiu-me repentinamente a ideia de uma breve nota biográfica de Allan Kardec. mas seja porque suas memórias tenham sido infiéis. que solicitar a uma outra fonte os elementos dos quais eu precisava para fazer uma biografia menos superficial do que no primeiro ensaio. e dirigindo-me a um público lionense. durante os vinte e cinco anos em que eu.5 universal de uma crença chamada a adaptar-se rapidamente à mentalidade moderna. senão pelas vivas instâncias de meus amigos. todos os meus esforços nesse sentido não surtiram efeito. Lyon. Para chegar a esse resultado. em Allan Kardec. um precursor. mas completando. Não está longe o dia em que toda a humanidade verá. então. fiz. por adoção. dirigi-me aos raros sobreviventes que tinham estado na intimidade do Mestre. e depois de muitos pedidos. Uma coisa que sempre me doía e que constatei muitas vezes com pesar. Lionês. as lacunas na primeira edição. eu não tinha em mente mais que uma discussão a fazer. por ocasião do aniversário de 31 de março.

diminuí-lo. Que preceitos sábios. eles são. Para buscar informações sobre Allan Kardec. e sempre se esforçando para regrar sua . os diamantes que se encontram nesse rico material. ao contrário. generoso. respondendo com argumentos irrefutáveis aos ataques contra a doutrina espírita. o que quer dizer que acabo de reler essas páginas onde o Mestre traçou. Allan Kardec. leal. De 1858 a 1869. Acredita-se. que tendo a ideia caminhado a passos de gigante. tanto quanto lamentável. de alguma forma . todo o seu propósito. Allan Kardec iniciou as estruturas fundamentais da Doutrina Espírita. essa leitura hoje não oferece nenhum interesse. chegavam a seu endereço pessoal. e em sua clareza cristalina. no que se refere à doutrina espírita. eu acabo de refazer esta peregrinação reconfortante. por todos os lados. por extratos obtidos da vida. metódico. os escritos de Allan Kardec não envelheceram. gentil com todos. onde. sem sucesso. e é reproduzindo as pérolas. tão metódicos. a convicção profunda que o animava. caluniá-lo. É relendo essas páginas que eu pude melhor compreender e admirar Allan Kardec. instigado por eventos. afável e tolerante. A cada linha destas páginas sente-se vibrar a alma do autor e em uma clara irradiação. Erro profundo. mas parecendo ignorar os insultos e maldades.6 leitura dos primeiros anos da Revista Espírita. que. mais do que nunca. erramos ao negligenciar esta fonte de informações sobre todos os pontos que podem nos preocupar. que estes escritos envelheceram. tentaram atacá-lo. em minha opinião. espírito esclarecido tanto quanto confiante. suas reflexões tão criteriosas. Não. seus pensamentos íntimos. Allan Kardec mostra-se a si mesmo como sempre foi: bom. ele permanece tolerante e calmo. virá a pintar-se e a revelar-se como sempre foi: pensador profundo. diariamente. onde sempre sentimos correr abundantemente a fé ardente. tão precisos. não caducaram. esta biografia vai se tornar uma autobiografia. que será mais fácil fazer com que o conheçam melhor: assim. fé e convicção que ele sabia tornar tão comunicativas. atuais. que conselhos prudentes e esclarecedores. exemplos verdadeiros transbordam nesses doze primeiros anos da Revista Espírita e quanto. escritor alerta e preciso. até com seus inimigos. seus conselhos tão claros. mas de forma errada. as jóias. que já não são mais da atualidade. eles conservaram toda a sua força.

sobre aquele a quem chamamos Mestre. que ele ensina aos outros com a própria prática. a um trabalho de copista.7 conduta sob seus princípios. e seu único desejo é ver regrar também a conduta de todos aqueles que se dizem e se acreditam espíritas. Tendo sido seduzido pela verdade. a seu turno. as informações que desejariam conhecer. Meu único mérito neste novo estudo sobre Allan Kardec se reduz. e mesmo sentimento de veneração e de reconhecimento faz vibrar todos os corações. sem outra pretensão e sem outro desejo que não o de fazer com que eles os admirem. . pela beleza de alguns dos ensinamentos do Mestre. Lyon. no intuito de tentar corresponder a tão legítimo desejo. Pois é para honrar Allan Kardec e festejar a sua memória que nos achamos hoje reunidos. e cuja vida íntima e laboriosa existência são apenas conjeturadas. permiti-me. portanto. recordando o motivo que me havia guiado em meu primeiro trabalho. 31 de março de 1909 Henri Sausse Biografia de Allan Kardec (1) Minhas senhoras. entendi que eu poderia extrai-los dos doze volumes em que estão inseridos para submetê-los a meus irmãos e irmãs na fé. que vos entretenha alguns momentos com esse Mestre amado. e de não saberem onde encontrar. eu não creio dever modificar seu início. Embora este estudo não se dirija mais especialmente aos espíritas lionenses. meus senhores: Muitas pessoas que se interessam pelo Espiritismo manifestam muitas vezes o pesar de não possuírem senão muito imperfeito conhecimento da biografia de Allan Kardec. Em respeito ao fundador da filosofia espírita. Este é o homem que deu ao Espiritismo seu belo lema: Fora da caridade não há salvação! Este lema. cujos trabalhos são universalmente conhecidos e apreciados. ele não somente o proclama como o coloca em prática. pela grandeza.

rua Saint-Dominique n° 78. esse trabalhador obstinado cujo labor sacudiu o edifício religioso do Velho Mundo e preparou os novos fundamentos que deveriam servir de base à evolução e à renovação da nossa sociedade caduca. rua Sala n° 76. com luz mais verdadeira. conforme estudo de autoria de Zêus Wantuil. com o nome de Rivail. 95/6. esforçar-me por mostrar-vos. diretor do estabelecimento das águas minerais da rua Sala. Todos sabeis que a nossa cidade se pode honrar. magistrado. juiz. e Jean-François Targe.8 Se fácil foi a todos os investigadores conscienciosos inteirarem-se do alto valor e do grande alcance da obra de Allan Kardec pela leitura atenta das suas produções. as mais grosseiras e as mais impudentes calúnias. residentes em Lião. . em Lião. Não somente a biografia de Allan Kardec é pouco conhecida. senão que ainda está por ser escrita. pela ausência até hoje de elementos para isso. auto do nascimento de Denizard Hippolyte-Léon Rivail. de ter visto nascer entre seus muros esse pensador tão arrojado quão metódico. “Testemunhas maiores: “Syriaque-Frédéric Dittmar. com efeito. (1) Seu verdadeiro nome é Hippolyte Léon Denizard Rivail. penetrar na vida do homem íntimo e seguí-lo passo a passo no desempenho da sua tarefa.Nota da FEB. a justo título. que. mais elevado. sua esposa. ao nosso filial reconhecimento. filho de Jean Baptiste Antoine Rivail. nasceu de antiga família lionesa. mesma rua Sala. para um adiantamento intelectual e moral seguros. . tão gloriosa e tão bem preenchida. esse filósofo sábio. inserto em “Reformador” de abril de 1963. aquele que devia mais tarde ilustrar o nome de Allan Kardec e conquistar para ele tantos títulos à nossa profunda simpatia. a 3 de outubro de 1804. A inveja e o ciúme semearam sobre ela os mais evidentes erros. impelindo-a para um ideal mais são. e Jeanne Duhamel. Foi. intitulado “Kardec e seu nome civil”. clarividente e profundo. “O sexo da criança foi reconhecido como masculino. p. portanto. à requisição do médico Pierre Radamel. o grande iniciador de quem nos desvanecemos de ser discípulos.p. Vou. tão grande. bem poucos puderam. Eis aqui a esse respeito um documento positivo e oficial: “Aos 12 do vindemiário (2) do ano XIII. nascido ontem às 7 horas da noite.

com o célebre professor Pestalozzi. colaborador inteligente e dedicado. o italiano e o espanhol. além de tudo. também ele. um estabelecimento semelhante ao de (2) . de honra. O discípulo tornado mestre tinha. tendo feito todos os estudos médicos e defendido brilhantemente sua tese. (3) Lingüista insigne. Assim. grande número dos seus antepassados se tinham distinguido na advocacia e na magistratura. 67. com os mais legítimos direitos. assim como o Maire da região do Sul. o inglês. humor jovial na intimidade. à rua de Sèvres n° 35. Denizard Rivail era um alto e belo rapaz. pág. bom e obsequioso. “Feita a leitura. conhecia a fundo e falava corretamente o alemão. veio fundar em Paris. porque. um pouco de todos os lados.” O futuro fundador do Espiritismo recebeu desde o berço um nome querido e respeitado e todo um passado de virtudes. ele obteve isenção e. para fundar institutos semelhantes ao de Yverdun. Muitíssimas vezes. porém. Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar. de probidade. “O presidente do Tribunal. de maneiras distintas. ele se sentiu atraído para as ciências e para a filosofia. em Yverdun (Suíça). a capacidade requerida para dar boa conta da tarefa que lhe era confiada. com os louros e as glórias da sua família. à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. quando Pestalozzi era chamado pelos governos. Parecia que o jovem Rivail devia sonhar. dois anos depois. as testemunhas assinaram. Era bacharel em letras e em ciências e doutor em medicina. de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos. pág. e podia facilmente exprimir-se nesta língua. confiava a Denizard Rivail o encargo de o substituir na direção da sua escola. (3) Ver “Reformador” de março de 1958. 85. de todo o coração. Aplicou-se. conhecia também o holandês. Tendo-o a conscrição incluído para o serviço militar. não foi. desde o começo da sua juventude. por seu talento.9 Veja-se “Reformador” de abril de 1947. saber e escrupulosa probidade. (assinado): Mathiou.

O registro civil nos informa que: “Amélie Gabrielle Boudet. de cuja partilha couberam 45.” A senhorita Amélia Boudet tinha. se firmou em Paris o contrato de casamento de Hippolyte-Léon-Denizard Rivail. que aliava grande dignidade à mais esmerada urbanidade. perdendo grossas somas em Spa e em Aix-la-Chapelle. terminado o seu dia. esse trabalhador infatigável escrevia à noite. Jeanne Duhamel. quando. pois. arruinou o sobrinho. o Sr. em 6 de fevereiro de 1832. rica por seus pais e filha única. freqüentados por discípulos de ambos os sexos do Faubourg Saint-Germain. Organizou também em sua casa. filha de Julien-Louis Boudet. Pequena. residentes em Paris. Para essa empresa se associara a um dos seus tios. Ele encontrou e pôde encarregar-se da contabilidade de três casas. professora com diploma de 1ª classe. Longe de desanimar com esse duplo revés.000 francos por ano. Rivail. e Sra. mas na aparência dir-se-ia ter menos dez que ele. filha de Julien Louis e senhora Julie Louise Seigneat de Lacombe. proprietário e antigo tabelião. ela soube por seu sorriso e predicados fazer-se notar pelo Sr. o pensador sábio e profundo. aritméticas. que lhe produziam cerca de 7. Rivail. com Amélie Gabrielle Boudet. diretor do Instituto Técnico à rua de Sèvres (Método de Pestalozzi). gentil e graciosa.10 Yverdun. e. Denizard Rivail encontrou a senhorita Amélia Boudet. gramáticas. irmão de sua mãe. o qual era seu sócio capitalista. mas bem proporcionada. em quem adivinhou. nasceu em Thiais (Sena). Rival em casa de um dos seus amigos íntimos. que freqüentava em Paris. aos 2 do Frimário do ano IV (23 de novembro de 1795). Rivail tinha a paixão do jogo. traduzia obras inglesas e alemãs e preparava todos os cursos de Levy-Alvarès. Rivail lançaramse corajosamente ao trabalho. Rivail requereu a liquidação do Instituto. O Sr. inteligente e viva. Essa soma foi colocada pelo Sr. 35 rua de Sèvres.000 francos a cada um deles. que fez maus negócios e cuja falência nada deixou aos credores. residentes em Château-du-Loir. e de Julie Louise Seigneat de Lacombe. à rua de . livros para estudos pedagógicos superiores. filho de Jean-Baptiste Antoine e senhora. e Sra. No mundo das letras e do ensino. ao serão. sob a franca e comunicativa alegria do homem amável. mais nove anos que o Sr. negociante. O sócio do Sr.

finalmente. Membro de várias sociedades sábias. física. seus trabalhos justamente apreciados. para uso das mães de família e dos professores. como teremos muitas vezes ocasião de o evidenciar. mas a . notadamente da Academia Real d’Arras. (4) Houve engano dos biógrafos. (4) segundo o método de Pestalozzi. estando a sua fortuna reconstruída pelo trabalho perseverante e pelo brilhante êxito que lhe havia coroado os esforços. Em uma obra muito apreciada resume seus cursos. astronomia e anatomia comparada. em 1829. . Seus pendores. ele sempre se mostrou à altura da missão gloriosa que lhe estava reservada. ele publicou. honrado e tranqüilo. foi premiado. o Curso prático e teórico de aritmética. a uma obra maior. Ver “Reformador” de 1952. uma modesta abastança. em 1828. e depois publica: Ditados normais dos exames na Municipalidade e na Sorbona. em 1848 foi publicado o Catecismo gramatical da língua francesa. cursos gratuitos de química. de 1835 a 1840. mas a sua missão o chamava a uma tarefa mais onerosa. em 1831. Tendo sido essas diversas obras adotadas pela Universidade de França. Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas. e vendendo-se abundantemente. págs. em 1849. tê-lo-iam impelido para o misticismo. em 1831 fez aparecer a Gramática francesa clássica.11 Sèvres. o Sr. Prosseguindo em sua carreira pedagógica. Seu nome era conhecido e respeitado. Rivail estava admiravelmente preparado para a rude tarefa que ia ter que desempenhar e fazer triunfar. Química e Física. por concurso. Astronomia. Não foi em 1829.Nota da FEB. em 1846 o Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade. por ordem cronológica: Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública. Rivail poderia viver feliz. mas em 1824. soluções racionais das questões e problemas de aritmética e geometria. Rivail professor no Liceu Polimático. e. regendo as cadeiras de Fisiologia. encontramos o Sr. Rivail conseguir. muito antes que ele imortalizasse o nome de Allan Kardec. o Sr. suas aspirações. pela apresentação da sua notável memória: Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época? Dentre as suas numerosas obras convém citar. e que eram muito freqüentados. 77 e 79. Como se pode julgar por esta muito rápida exposição. pôde o Sr. graças a elas e ao seu assíduo trabalho.

Rivail. mas a idéia. mas também se pode fazê-la falar. de uma mesa falante. autor pedagógico de renome. não me entrava ainda no cérebro. e que se pode tornar sonâmbula. as experiências feitas em presença de pessoas honradas e dignas de fé me firmavam na possibilidade do efeito puramente material. eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar. que todos os ecos repetirão e que todos os nossos corações idolatram. de 1854 a 1856. a observação metódica. que a fama levará a todos os cantos do globo. a princípio do Sr.12 educação. Até agora. magnetizador. da sua vida. . Foi em 1854 que o Sr. é uma outra questão. Então o nome de Rivail se obumbra. professor emérito. nervos para sentir. tal o encontraremos muitas vezes. Interroga-se. mas pedindo provas e querendo ver e observar para crer. Eis aqui como Allan Kardec nos revela as suas dúvidas. com o qual mantinha relações. tais nos devemos mostrar sempre no estudo tão atraente das manifestações do Além. às leis da Natureza e que minha razão repelia. O Sr. Tal era a princípio o estado de espírito do Sr. Rivail ouviu pela primeira vez falar nas mesas girantes. para esse sagaz observador. um novo horizonte se rasga para esse pensador profundo. Fortier lhe disse um dia: “Eis aqui uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz girar uma mesa. Fortier. magnetizando-a. o juízo reto. não negando coisa alguma por parti pris. não vos falei senão do Sr. no ciclo de um fato inexplicado. em razão dos seus estudos sobre o Magnetismo. pois.” . as suas hesitações e também a sua primeira iniciação: “Eu me encontrava. para ceder o lugar ao de Allan Kardec. conservaram-no igualmente ao abrigo dos entusiasmos desarrazoados e das negações não justificadas. porém. replicou o Sr. e ela responde. permita-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono. contrário. Até lá. Nada tinha ainda visto nem observado.Isso. Rivail. Rivail. na aparência. Nessa época.

homem muito instruído. – Não digo que não. que discorreu acerca desses fenômenos durante mais de uma hora. Plainemaison. e contou-me tantas coisas surpreendentes que. Plainemaison. “Daí a algum tempo.Você um dia será dos nossos . fiz conhecimento com a família Baudin. respondi-lhe eu -. de caráter grave. rua Grange-Batelière n° 18. um amigo de há vinte e cinco anos. e isso em condições tais que a dúvida não era possível. “Aí vi também alguns ensaios muito imperfeitos de escrita mediúnica em uma ardósia com o auxílio de uma cesta. . às 8 horas da noite. sua linguagem pausada. O Sr. Lá encontrei o Sr. que a mim mesmo prometi aprofundar. Fortier. que saltavam e corriam. Entrevi. com o Sr. Carlotti. O Sr. que testemunhei o fenômeno das mesas girantes. sob essas aparentes futilidades e a espécie de divertimento que com esses fenômenos se fazia. frio e calmo. O Sr. Carlotti era corso de origem. Pâtier e a Sra. e às quais eu fui. . aumentaram as minhas dúvidas.encontrei o Sr. Pâtier era funcionário público. mas noutro tom. aceitei com solicitude. Roger. alguma coisa de sério e como que a revelação de uma nova lei. com o entusiasmo que ele punha em todas as idéias novas. Baudin fez-me oferecimento no sentido de assistir às sessões hebdomadárias que se efetuavam em sua casa. “A ocasião se me ofereceu e pude observar mais atentamente do que tinha podido fazer. em casa da sonâmbula Sra. (5) A Data ficou em branco no manuscrito de Allan Kardec. e. Plainemaison. que morava então à rua Rochechouart. longe de me convencerem. pela primeira vez. veremos isso mais tarde. “Foi aí. mas naquilo havia um fato que devia ter uma causa.disse-me ele. Minhas idéias estavam longe de se haver modificado. Ele foi o primeiro a falar-me da intervenção dos Espíritos. mas desconfiava da sua exaltação. de natureza ardente e enérgica. pelo mês de maio de 1855. seu magnetizador. que me falaram desses fenômenos no mesmo sentido que o Sr. isenta de todo entusiasmo. eu tinha sempre distinguido nele as qualidades que caracterizavam uma grande e bela alma. quando ele me convidou para assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. Em um dos serões da Sra.era no começo de 1855 .13 “No ano seguinte . de certa idade. produziu-me viva impressão. A entrevista foi marcada para a terça-feira (5) de maio. Carlotti. estive.

observei que cada Espírito. Compreendi. individualmente. senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão. o método da experimentação. muito assíduo. com o auxílio dos documentos recolhidos . era conhecer o estado desse mundo e seus costumes. “Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os Espíritos. O segundo ponto. o que quer que eles pudessem dizer. nunca formulei teorias preconcebidas. provava a existência de um mundo invisível ambiente. em uma palavra. “Só o fato da comunicação com os Espíritos. desde o princípio. não admitindo como válida uma explicação. pelo encadeamento lógico dos fatos. e que a sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião pessoal. era já um ponto capital. ser positivista e não idealista. ensinar-nos tudo. Cumpre ao observador formar o conjunto. uma completa revolução nas idéias e nas crenças. Esta verdade. deduzia as conseqüências. Entrevi nesses fenômenos a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro. um imenso campo franqueado às nossas explorações. nem a soberana ciência. a gravidade da exploração que ia empreender. para me não deixar arrastar pelas ilusões. desvendava-me uma fase desse mundo. que o seu saber era limitado ao grau do seu adiantamento. desde a idade de quinze a dezessete anos. a chave de uma multidão de fenômenos inexplicados. não sendo senão as almas dos homens. se assim nos podemos exprimir. não tinham nem a soberana sabedoria. Apliquei a essa nova ciência. reconhecida desde o começo. Foi assim que sempre procedi em meus trabalhos anteriores.14 desde esse momento. podendo cada qual nos ensinar alguma coisa e nenhum deles podendo. era. dos efeitos procurava remontar às causas pela dedução. como até então o tinha feito. evitou-me o grave escolho de crer na sua infalibilidade e preservou-me de formular teorias prematuras sobre a opinião de um só ou de alguns. comparava. Cedo. em razão de sua posição pessoal e de seus conhecimentos. “Foi aí que fiz os meus primeiros estudos sérios em Espiritismo. não menos importante. menos ainda por efeito de revelações que por observação. portanto. se fazia agir com circunspeção e não levianamente. observava atentamente. a solução do que havia procurado toda a minha vida. preciso. exatamente como se chega a conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e condições.

. cada relatório de sessão. meios de colher informações e não reveladores predestinados. esses senhores lhe enviaram os cadernos. lançou-se à obra. Conhecendo as vastas e raras aptidões de síntese do Sr. Após atenta leitura. Tiedeman-Manthèse. Uma noite. que não conseguiam pôr em ordem. da psicologia e da natureza do mundo invisível. Rivail. o que talvez tivesse feito se não fossem as instantes solicitações dos Srs. colecionados. uma comunicação toda pessoal. os arranjasse. como a amizade que lhe havia votado só fazia aumentar. Rivail. as obscuridades a aclarar. diz ele próprio. anotou-os com cuidado. Eu. então. e. O Sr. Ele se chamava.15 de diferentes lados. pai e filho. fazer resolver os problemas que me interessavam sob o ponto de vista da filosofia. aí. propus-me. René Taillandier. longe de ser um entusiasta dessas manifestações e absorvido por outras preocupações. as sessões em casa do Sr. colhidas nas Obras Póstumas de Allan Kardec. e o sábio enciclopedista recusava-se a essa tarefa enfadonha e absorvente. em virtude das lacunas e obscuridades dessas comunicações. tê-lo conhecido em uma precedente existência. Z. seu Espírito protetor. Carlotti. assinalou as lacunas a preencher. deu-lhe. e que facilmente levaria a termo. Rivail. Baudin não tinham nenhum fim determinado. entre outras coisas. . pois. prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chamado. e Diddier. viviam juntos nas Gálias. desde o menor até o mais elevado. ao tempo dos Druidas. para mim. pedindo-lhe que deles tomasse conhecimento e os pusesse em termos -. e preparou as perguntas necessárias para chegar a esse resultado. convém acrescentar que a princípio o Sr. agi com os Espíritos como teria feito com os homens: eles foram. suprimiu as repetições e pôs na respectiva ordem cada ditado. membro da Academia das Ciências. Allan Kardec. editor. que acompanhavam havia cinco anos o estudo desses fenômenos e tinham reunido cinqüenta cadernos de comunicações diversas. em razão de outros trabalhos. coordenados e confrontados entre si. “Até então. quando.” A estas informações. por um médium. Sardou. Este trabalho era árduo e exigia muito tempo. tomou os cadernos. esteve a ponto de as abandonar. na qual lhe dizia. pois.

Foi assim que mais de dez médiuns prestaram seu concurso a esse trabalho. que formei a primeira edição de O Livro dos Espíritos. in-4. coordenadas. eu a aproveitava para propor algumas das questões que me pareciam mais melindrosas. que obtinha como médium comunicações muito interessantes. classificadas e muitas vezes refeitas no silêncio da meditação. Foram essas mesmas questões que. a qual apareceu em 18 de abril de 1857. com o auxílio da cesta aguçada (6). diz ainda Allan Kardec. o Sr. . Se me acontecia faltar. E foi da comparação e da fusão de todas essas respostas. se com o seu nome . e para que fosse consagrado mais cuidado. encontravam-se pessoas sérias que tomaram vivo interesse pelo trabalho. sucessivamente desenvolvidas e completadas. o autor ficou muito embaraçado em resolver como o assinaria. e. tive o pensamento de o publicar.” Esse livro era em formato grande. uma para as perguntas e outra. A princípio eu não tinha vista senão a minha própria instrução.Denizard-Hippolyte-Léon Rivail.16 Comparecia a cada sessão com uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas: eram respondidas com precisão. Desde esse momento as reuniões tiveram caráter muito diferente. fez examinar por esse médium as comunicações obtidas e postas precedentemente em ordem. fizeram a base de O Livro dos Espíritos. nas sessões ordinárias. em frente. mais tarde. para as respostas. Roustan.” Em 1856. entre os assistentes. “Não me contentei com essa verificação. Tendo-me as circunstâncias posto em relação com outros médiuns. mais atenção a esse exame. em duas colunas. para instrução de todos. que os Espíritos me haviam recomendado. Sendo o seu nome muito conhecido do mundo científico. foi continuado em sessões particulares. Esse trabalho foi efetuado. toda vez que se oferecia ocasião. No momento de publicálo. em casa do Sr. profundeza e de modo lógico.Nota da FEB. Japhet. sonâmbula. em virtude dos . Rivail freqüentou as reuniões espíritas que se realizavam à rua Tiquetone. ficavam as sessões como que tolhidas. quando vi que tudo aquilo formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina. ou com um pseudônimo. com Mlle. a princípio. tendo as questões fúteis perdido o atrativo para o maior número. mas a pedido dos Espíritos. (6) Arranjada em forma de bico.

porque está aqui. no segundo andar. e todos os meses. à rua dos Mártires n° 8. P. segundo lhe revelara o guia. Allan Kardec reeditou-a em 1858 (7) sob a forma atual in-12. agradeço-vos terdes vindo visitar-me. correta e consideravelmente aumentada. então. e não 1858. No dia 25 de março de 1856 estava Allan Kardec em seu gabinete de trabalho.O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho que fazias. P. P.Poderei dizer-me o que queria ele? R. . quando ouviu ressoarem pancadas repetidas no tabique. à tua disposição. tínheis alguma coisa de particular a dizer-me? R. quando batestes. escreve Allan Kardec.Para ti chamar-me-ei a Verdade. procuraram. estarei aqui. vinha ele bater assim? R. Quereis ter a bondade de dizer-me quem sois? R. ou . .Podes perguntar a ele mesmo. mas sem resultado. em via de compulsar as comunicações e preparar o O Livro dos Espíritos.Ontem. . revista. .A vossa desaprovação versava sobre o capítulo que eu escrevia. Sua mulher. sendo dia de sessões em casa do Sr. ele adotou o alvitre de o assinar com o nome de Allan Kardec que.Com que fim. sem descobrir. talvez mesmo prejudicar o êxito do empreendimento.Ouvistes o fato que acabo de narrar. podereis dizer-me a causa dessas pancadas que se fizeram ouvir com tanta insistência? Resposta: . . ouviu os mesmos ruídos. contei o fato e pedi a explicação dele.O que eu escrevia era precisamente relativo aos estudos que fazia sobre os Espíritos e suas manifestações. A obra alcançou tal êxito que a primeira edição foi logo esgotada. e podendo originar uma confusão.Nota da FEB. quem quer que sejais. . Pergunta: . (7) A 2ª edição foi impressa em 1860. P.Meu Espírito familiar. NOTA . durante um quarto de hora. ao fundo. . e em seguida tornou a pôr mãos à obra. P. entrando cerca das dez horas. Baudim. de onde podiam eles provir.Queria comunicar-se contigo. enquanto eu trabalhava.Era o teu Espírito familiar.17 seus trabalhos anteriores. . o que escrevias me desagradava e eu queria fazer-te parar. . a causa disso. “No dia seguinte. procurou. Moravam. ele tivera ao tempo dos Druidas. .

.Está melhor. . fixada para cada comunicação do Espírito Verdade. mas não prometo senão uma vez por mês.Posso evocar-vos em minha casa? R.Podereis vir mais freqüentemente que todos os meses? R. mas. o que da tua parte devia importar discrição. por intermédio de Mlle. . que a isso se vinha opor. raramente foi observada. a Sra. . pela inspeção das linhas da mão de Allan Kardec.Sobre o capítulo de ontem: faço-te juiz dele. médium. em casa do Sr. até nova ordem. P. quanto a respostas escritas em tua casa. Roustan. P. Allan Kardec apressou-se a reler o que escrevera e pôde verificar o grave erro que com efeito havia cometido. que Allan Kardec recebeu a primeira revelação da missão que tinha a desempenhar. a princípio muito vago. mas não em sua casa. mas não muito bom. ou. Aline C. é um guia que te há de auxiliar e proteger. Está melhor? R. Ele se manifestou freqüentemente a Allan Kardec. . reconhecer-lhe-ás os erros e os corrigirás.Rasguei o que tinha feito ontem. A dilação de um mês.Eu mesmo não estava muito satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. P..O nome de Verdade que tomais é uma alusão à verdade que procuro? R. P.Não importa. Foi a 30 de abril de 1856. A 6 de maio de 1857.Talvez. pela médium Mlle. . R. . onde durante cerca de um ano não pôde este receber nenhuma comunicação por médium algum e. foi precisado no dia 12 de junho de 1856. Cardone.Sim. confirmou as duas comunicações precedentes. Relê e verás. Torna a lê-lo esta noite. não saberás mais que isto. .Animastes alguma personagem conhecida na Terra? R.Sim. P. Essa inutilização não impede que subsista o erro. . Lê da terceira à trigésima linha e reconhecerás um grave erro. Esse aviso. . Japhet. não será tão cedo que as poderás obter. . . P. pelo menos.” De volta a casa. para que eu te assista pelo pensamento. era obstado por uma causa qualquer e imprevista. cada vez que ele esperava obter alguma coisa. que ela .Disse-te que para ti eu era a Verdade. .18 sobre o conjunto do trabalho? R.

todos os ciúmes . porque o êxito ultrapassou a minha expectativa.19 ignorava. esse enérgico trabalhador se elevava. e não tive de que me arrepender. no dia 15 de novembro de 1857. todas as emulações. a 12 de abril de 1860. e o fiz aparecer no dia 1° de janeiro de 1858. nem sócio capitalista. Finalmente. em razão do êxito de O Livro dos Espíritos. sem nada dizer a pessoa alguma. Dehan. sendo intermediário o Sr. em lutas incessantes contra obstáculos. mais tarde. E. pois. porém. À medida. que a lide se tornava mais áspera. A partir de 1° de janeiro. à altura dos acontecimentos. “Apressei-me em redigir o primeiro número. procedentes dos mais diversos pontos. que era uma felicidade para mim não ter tido um sócio capitalista. eu não tinha que prestar contas a ninguém. também. que acabamos de ver como começou tão modestamente. essa missão foi novamente confirmada em uma comunicação espontânea. nessa Revista Espírita. Só. Croset. enquanto que um estranho interessado teria pretendido impor-me as suas idéias e a sua vontade e poderia embaraçar-me a marcha. Fi-lo. mas este não estava resolvido a tomar parte nessa empresa. Havia-se dirigido ao Sr. Reconheci. também. se deu a respeito do seu pseudônimo. esse jornal se me tornou em poderoso auxiliar. o projeto de criar um jornal espírita. o que deveria fazer. que nunca o surpreenderam. diz Allan Kardec. Allan Kardec formara. Não tinha um único assinante. inteiramente por minha conta e risco. os números se sucederam sem interrupção. em casa do Sr. Urgido pelos acontecimentos e pelos documentos que tinha em seu poder. por mais onerosa que. e durante onze anos. emboscadas. perigos de toda sorte. obtida na ausência de Allan Kardec. porque estava mais livre. por intermédio da Srta. ele afrontou todas as tempestades. como o previra o Espírito. fosse a minha tarefa. como trabalho. Foi-lhe respondido que pusesse a sua idéia em execução e que não se inquietasse com o resto. e. Numerosas comunicações. vieram reafirmar e corroborar a primeira comunicação obtida a esse respeito.” E essa tarefa devia ir sempre crescendo em labor e em responsabilidades. médium. Allan Kardec perguntou aos seus guias. Dufaux. Assim. para solicitar-lhe o concurso pecuniário. Tiedeman.

para agradar a Deus. é preciso te mostrares no conflito.Quais são as causas que me poderiam fazer fracassar? Seria a insuficiência das minhas aptidões? R. é uma luta quase constante que terás de sustentar com o sacrifício do teu repouso. Mlle. e ficares tranqüilamente em tua casa. Espírito Verdade. agudas pedras e serpentes. em lugar de uma vereda florida. . contra ti se açularão terríveis ódios. mas fazem também ressaltar o grande valor do fundador do Espiritismo e o seu mérito em ter sabido triunfar: Médium. enfim. da tua saúde e mesmo da tua vida. dois livros. abnegação. porque é ao mundo inteiro que se trata de agitar e de transformar. previno-te. . a tua é rude. sucumbirás mais de uma vez ao peso da fadiga. e estar pronto para todos os sacrifícios. ter prudência e tato para conduzir as coisas a propósito e não comprometer-lhes o êxito por medidas ou palavras intempestivas.20 que não lhe foram poupados. perseverança e firmeza inquebrantáveis. é preciso. não encontra sob seus passos senão espinhos. Essa comunicação e as reflexões de que as anotou Allan Kardec nos mostram. dez anos e meio depois que esta comunicação me foi dada. também. É preciso antes de tudo. como ele mesmo relata e como lhe fora anunciado ao ser-lhe revelada a sua missão. Mais de um recua quando. as tuas melhores instruções serão impugnadas e desnaturadas. humildade. porque abatem os orgulhosos e os presunçosos. devotamento.” NOTA . “Vês que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti. em uma palavra.Não. da tua tranqüilidade. Para lutar contra os homens. porque tu não viverás muito tempo.12 de junho de 1856: P. à traição. mesmo daqueles que te parecerão mais dedicados. é necessário coragem. a situação naquela época. Pois bem. modéstia. e verifico que ela se realizou em todos . não. implacáveis inimigos tramarão a tua perda. dez livros. . Não creias que te seja suficiente publicar um livro. é preciso. Para tais missões não basta a inteligência. sob um prisma pouco lisonjeiro. mas a missão dos reformadores é cheia de escolhos e perigos. estarás exposto à calúnia. Aline C.(É Allan Kardec que assim se exprime): “Escrevo esta nota no dia 1° de janeiro de 1867. desinteresse.

da inveja e do ciúme. as reuniões se realizavam em casa de Allan Kardec. quanto ele se engrandece aos nossos olhos e como o seu brilhante triunfo adquire mérito e esplendor! Que se tornaram esses invejosos. me detratavam na ausência. da calúnia. ou nenhuma recordação despertam mais: o esquecimento os retomou e sepultou para sempre em suas sombras. o pioneiro ousado. e que. urdidas por aqueles que se diziam a meu favor. Não mais tenho conhecido o repouso. o intrépido lutador. mais de uma vez. A Sociedade de Paris tem sido um contínuo foco de intrigas. A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas foi fundada a 1° de abril de 1858.21 os pontos. graças à proteção e à assistência dos bons Espíritos. mostrando-se amáveis em minha presença. “Entretanto. tenho sido traído por aqueles em quem depositara confiança. sem me preocupar com a malevolência de que era alvo. todas as torpezas de que Allan Kardec foi alvo. à . Até então. e que tenho constantemente prosseguido na minha tarefa com o mesmo ardor. e pago com a ingratidão por aqueles a quem tinha prestado serviços. sou feliz em reconhecer que não tenho experimentado um único instante de desfalecimento nem de desânimo. Segundo a comunicação do Espírito Verdade. esses pigmeus que procuravam obstruir-lhe o caminho? Na maior parte são desconhecidos os seus nomes. e tudo se verificou. sob o excesso do trabalho. eu devia contar com tudo isso. que sem cessar me têm dado provas manifestas de sua solicitude. porque experimentei todas as vicissitudes que nela me foram anunciadas. da injúria. sucumbi. Disseram que aqueles que adotavam o meu partido eram assalariados por mim com o dinheiro que eu arrecadava do Espiritismo. enquanto que o de Allan Kardec. tem-se-me alterado a saúde e comprometido a vida. as minhas melhores instruções têm sido desnaturadas.” Quando se conhecem todas essas lutas. Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos. têm sido publicados contra mim infames libelos. passará à posteridade com a sua auréola de glória tão legitimamente adquirida.

aí reuniu ele mais de trinta. que posso dizer laboriosas. de 1° de abril de 1859 a 1° de abril de 1860. preparo outros trabalhos mais consideráveis. pela extensão das minhas relações. com Mlle. “A Sociedade foi. graças ao ministro do Interior. que conhecia pessoalmente o prefeito de polícia de então. e. 1859. O motivo da minha determinação está na multiplicidade dos meus trabalhos. sem grande probabilidade de êxito. porque. a autorização foi obtida em quinze dias. então. Allan Kardec assim se exprime (Revista Espírita. Agora. Tornando-se. para se poderem reunir. toda a solicitude e toda a dedicação de que era capaz.. não ambiciono senão um título . como principal médium. que a minha tarefa está terminada e que o impulso está dado. galeria Valois. reunia-se todas as sextas-feiras em um dos salões do restaurante Douix. de 1° de abril de 1858 a 1° de abril de 1859. esforcei-me por manter nas sessões uma ordem rigorosa e por imprimir-lhe um caráter de gravidade. esse local muito acanhado e não querendo onerar Allan Kardec com todos os encargos. o seu salão poderia conter de quinze a vinte pessoas. com que me sentirei sempre feliz e honrado. Mas era preciso. Dufaux. à rua e passagem Sant’Ana n° 59. então. alguns dos assistentes se propuseram formar uma sociedade espírita e alugar um outro local em que se efetuassem as reuniões. época em que se instalou em sede própria. enquanto que pelo processo ordinário teria exigido meses. pág. além daqueles que conheceis.o de simples membro titular. no local que fora alugado no Palais-Royal. Não podendo lá permanecer por mais tempo. O Sr. do ponto de vista administrativo. devo inteirar-vos da resolução que tomei. que era favorável às novas idéias. de renunciar de futuro a toda espécie de função na Sociedade. E. Cedo. sem o qual o prestígio de assembléia séria teria cedo desaparecido. o general X. Dufaux.” Depois de haver dado conta das condições em que se formou a Sociedade e da tarefa que teve a desempenhar. encarregou-se de dar os passos para esse fim. Aí ficou durante um ano. que aumentam todos os dias. obter o reconhecimento e a autorização da Polícia. mesmo a de diretor dos estudos. galeria Montpensier. que exigem longos e laboriosos estudos e não absorverão . 169): “Empreguei em minhas funções. regularmente constituída e reunia-se todas as terças-feiras.22 rua dos Mártires. no Palais-Royal.

os trabalhos da Sociedade não deixam de tomar muito tempo. Allan Kardec dá conta do resultado da viagem que acaba de fazer. pois que se torna indispensável a iniciativa quase exclusiva que me tendes deixado. dela se ocupam de modo sério. portanto. sem dúvida. vendo que os seus . Mácon. muitos adversários. mas os motejadores diminuem sensivelmente. Há. especialmente em Sens. para não embaraçar a escolha que fareis. hoje. que esses motivos cessaram. É a esse motivo. que. ao contrário. é que em parte alguma viu que dela se fizesse um divertimento. no interesse do Espiritismo.” Apressemo-nos a acrescentar que essa demissão não foi aceita e que Allan Kardec foi reeleito por unanimidade. quer aqui. se não fora o temor de produzir uma perturbação na Sociedade. quer para a coordenação e a passagem a limpo. Retirando-me no meado do ano. apresso-me em vos dar parte da minha resolução. Tê-lo-ia feito mais cedo. quer para o preparo. Allan Kardec fez uma viagem de propaganda à nossa região. Desde muito tempo alimentava o desejo de demitir-me das minhas funções: manifesteio de modo muito explícito em diversas ocasiões. e felicita-se pela cordialidade do acolhimento que por toda parte encontrou. menos um voto e uma cédula em branco.23 menos de dez anos. porém. lamentando com freqüência que os membros eminentemente esclarecidos que possuímos nos privassem das suas luzes. Desempenhei. sendo os mais encarniçados os inimigos interessados. a minha tarefa até ao fim. mas o que sobretudo é digno de nota. ele se submeteu e se conservou em suas funções. Lião e Saint-Etienne. e que por toda parte lhe compreendem o alcance e as conseqüências futuras. meus senhores. e eis aqui como a ela fez referência na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas: “O Sr. Observou. Reclamam assiduidade muitas vezes prejudicial às minhas ocupações pessoais. que eu devo o ter tantas vezes tomado a palavra. quer em particular a muitos dos meus colegas. É justo que cada um tenha a sua parte nos encargos e nas honras. os progressos consideráveis da doutrina. Diante desse testemunho de simpatia. e especialmente ao Sr. e era preciso não dar esse prazer aos nossos adversários. mas. Em setembro de 1860. poderiam acreditar em uma deserção. ora. em todo lugar em que se demorou. Ledoyen.

mas estava longe de imaginar que o número fosse tão considerável. o que ainda vale mais. Há. eu sabia perfeitamente que Lião os contava em grande escala. Por toda parte não encontrei senão espíritas sinceros. meus senhores. numerosos em todas as classes. só por si desenha ela o estado das coisas. mas não a praticam. é sobretudo em Lião que são mais notáveis os resultados. o Espiritismo é simplesmente para eles uma série de fatos mais ou menos interessantes. antes de tudo. Uma frase muito característica parece ser em toda parte a ordem do dia. os fenômenos.24 sarcasmos não colocam do seu lado os gracejadores. a propagação do Espiritismo marcha com a mais animadora celeridade. Allan Kardec pronunciou um discurso magistral.eu o espero -. Lião se distingue pelo número. para marchar na senda do progresso que lhes traçam os Espíritos. porque é por centenas que eles se contam. e nada mais. no banquete realizado a 19 de setembro de 1860. a nós que aspiramos a substituir dignamente esses trabalhadores da primeira hora: “A primeira coisa que me impressionou foi o números de adeptos. e que auxiliam mais do que impedem o progresso das novas crenças. Os espíritas são. admiram a moral que deles decorre. as suas relações são sempre . Bem convencidos de que a existência terrestre é uma prova passageira. três categorias de adeptos: uns que se limitam a crer na realidade das manifestações e que procuram. A Doutrina Espírita tem exercido sobre os operários a mais salutar influência. finalmente. em pouco tempo . começam a compreender que nada ganham com isso e que consomem o seu espírito em pura perda. para eles. e assim se calam. já se não poderão contar mais. Os terceiros. sob o ponto de vista da ordem. emprenhando-se em fazer o bem e em reprimir as suas más inclinações. em resumo. Mas. aí. porém. não o faz menos pela qualidade. da moral e das idéias religiosas. compreendendo a doutrina sob seu verdadeiro ponto de vista. e é esta: o Espiritismo está no ar. a caridade cristã é uma bela máxima. não se contentam de admirar a moral: praticam na e aceitam-lhe as conseqüências. esforçam-se por aproveitar esses curtos instantes. e na classe operária contam-se por centenas. Os segundos vêem outra coisa nele além dos fatos. compreendem o seu alcance filosófico. próprias a nos interessar. e.” No decurso dessa viagem. do qual eis aqui algumas passagens. “Se.

racional. sobretudo. sobre os espíritas lioneses de sua época. e a esse respeito a questão de identidade é inteiramente secundária. e não é sem razão . eu vo-lo digo com satisfação: ainda não encontrei. por um dos vossos médiuns mais dedicados. por terem. que presidem aos seus trabalhos. melhor. há muitos da terceira categoria. a caridade é. os espíritas-cristãos. será. mas deve ser também uma regra de conduta. pois. é para nós grande honra.” Essa opinião de Allan Kardec. o ensino peca pelas qualidades essenciais. deveremos meditar. Lião será o coração. dá maior número de provas de superioridade. Se. as intenções são sérias. posto que dos mais obscuros. sob um nome respeitável. por nossa vez. ou os dirigem moralmente.eu o vejo . aos espíritas lioneses. aprofundando por nossa vez as lições do Mestre e. por toda parte o fim é grave. diz um adágio. quando eu lhes exprimia a minha surpresa: “Por que te admiras disso? Lião foi a cidade dos mártires. terá suas conseqüências. Honra. tantos como os indivíduos. em toda ocasião. Noblesse oblige. entrado largamente nessa senda progressista. assim. “Vindo dos Espíritos o ensino. aquele que. se acham sob a influência de certos Espíritos. sem a qual o Espiritismo não teria objetivo. evidentemente. aquele cuja teoria não pode provocar nenhuma objeção séria. saibamo-nos recordar sempre disso e conservar alto e firme o estandarte do Espiritismo. “Pois bem. sobretudo. em uma palavra. sábios conselhos. Se tudo nesse ensino é bom.25 seguras. Este exemplo não será perdido. aí. sobre os quais. Allan Kardec não se contentava em atirar flores sobre nossos companheiros. a fé aí é vivaz. Se Paris é a cabeça. dava-lhes. porque as suas convicções os afastam de todo pensamento do mal. com frívolos intuitos. em todos os pontos. nenhum adepto da primeira categoria. ou. meus senhores. .que os Espíritos me responderam noutro dia. pouco importa o nome que toma o Espírito. em parte alguma vi que se ocupassem do Espiritismo por mera curiosidade. a questão está em saber qual é o que merece maior confiança. a regra da sua conduta: são esses os verdadeiros espíritas. Se esses Espíritos não se acham de acordo. Devemos esforçar-nos por merecer esses elogios. e. Mas. conformando com elas o nosso proceder. os diferentes grupos. a crer no que me dizem. ela fornecerá apóstolos ao Espiritismo.

ao orgulho que leva certos médiuns a acreditarem-se os únicos intérpretes da verdade. quanto da dos homens. um místico. livreiros editores.. mas. Para escapar à cilada. Didier & Cia. pois. “Acontece muitas vezes que. é preciso recorrer a outras pessoas. antes de tudo. ora. um meio mais certo: é afetar as exterioridades da virtude. evitar o deixar-se seduzir pelas aparências. Regra geral: o nome nunca é uma garantia. e. e essa regra de conduta. confrontado. Eles têm. estabelecida no começo. que apareceu na primeira quinzena de janeiro de 1861. se desconfiamos do próprio julgamento. tanto da parte dos Espíritos. é sempre a vereda mais segura. em O Livro dos Médiuns.” Eis os conselhos tão sábios e tão práticos dados por aquele que quiseram fazer passar por um entusiasta. humildade . o que é muitas vezes mais prudente. fugir ao entusiasmo que cega. é preciso. é preciso que tudo seja friamente examinado. editado pelos Srs. ainda não foi invalidada. ainda. maduramente pesado.caridade. então. É preciso. na Revista Espírita: . com o auxílio das grandes palavras . tem seus escolhos que se não podem evitar senão pela experiência. um alucinado. mais prudente. O mestre expõe a sua razão de ser nos seguintes termos. tudo. segundo o provérbio: que quatro olhos vêem melhor do que dois. fraternidade. Só um falso amor próprio ou uma obsessão podem fazer persistir em uma idéia notoriamente falsa e que o bom-senso de cada um repele. a única. escolhendo no arsenal das palavras técnicas tudo o que pode fascinar aquele que é facilmente crédulo. Allan Kardec trabalhava. a verdadeira garantia de superioridade é o pensamento e a maneira porque é ele expresso. quando se não está precavido. para fazer adotar certas utopias. alguns Espíritos fazem alarde de um falso saber e pensam impô-las.esperam fazer passar os mais grosseiros absurdos e é o que acontece muitas vezes. nem pelos acontecimentos. aí está uma das maiores dificuldades. Os Espíritos enganadores tudo podem imitar. exceto o verdadeiro saber e o verdadeiro sentimento.26 podeis imediatamente concluir que é um nome apócrifo e que é um Espírito impostor ou galhofeiro. nunca se disse que o Espiritismo fosse uma ciência fácil. a única a seguir por aqueles que se querem ocupar do Espiritismo. nem pela observação. eu o confesso.

diz ele. fruto de longa experiência e de laboriosos estudos. como há um ano. e verificou que em nossa cidade o Espiritismo atingira a maioridade. e pode-se calcular que.” O Livro dos Médiuns é. É ainda o mais seguro guia de que nos podemos servir para explorar. é o que produz tanta decepção aos que dele se ocupam sem ter a experiência e os conhecimentos necessários. “O Espiritismo experimental está cercado de muito mais dificuldades do que se acredita geralmente. O Espiritismo. mas a parte concernente ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade foi. a explicação teórica dos diversos fenômenos e condições em que eles se podem produzir. de acordo com os Espíritos. Se aqueles que clamam contra o Espiritismo lhe oferecessem . que aí se contam os espíritas. sem perigo. tem feito adeptos em todas as classes. aí. dentro de um ano ou dois eles serão mais de trinta mil. O nosso fim foi acautelar os investigadores contra tais dificuldades. ou. Mácon e Lião. Allan Kardec fez uma nova viagem espírita a Sens. e os escolhos. e isso não é de admirar: sendo essa classe a que mais sofre. nem sempre isentas de inconvenientes para quem quer que se aventure. nada apareceu de melhor nem de mais completo nessa ordem de idéias. de nossa parte. para melhor dizer. esclarecer todas as questões que se prendem à prática das manifestações.27 “Procuramos neste trabalho. e o tratamos com cuidado igual à sua importância. “Com efeito. com imprudência. já se não contam. volta-se para o lado que lhe oferece maior consolação. o terreno da mediunidade. ainda. são numerosos. que aí se encontram. sobretudo. o vade-mécum de quantos se querem entregar com proveito à prática do Espiritismo experimental. mas é sobretudo na classe operária que se tem propagado com maior rapidez. ele contém. No ano de 1861. por esse novo terreno. objeto de atenção toda especial. Não podíamos desprezar um ponto tão capital. é por milhares. seguindo a mesma progressão. não é mais por centenas.

sob qualquer tempo. muitos chegam a galgar mais de uma légua. de agora em diante inabalável. em Perrache. depois. senhoras. querem tirar-lhe exatamente aquilo que a ajuda a carregar o seu fardo de miséria. dirigido por Dijoux. que lhes dão as comunicações espíritas. inverno ou verão. sem contar grande número de reuniões particulares. pareciam quase tão ávidas quanto seus pais. muitas vezes longas. reuniões espíritas mais edificantes do que as dos operários lioneses. ódios apaziguados. em Vaise. em um só grupo vimos cinco escreverem simultaneamente. essa classe se voltaria para eles. “Mas. cuja atitude respeitosa contrasta com a sua idade. é que neles não há a fé vulgar. é uma felicidade para eles assistirem a essas instruções. velhos. em uma palavra. mas o que mais vale ainda do que o número é a qualidade. em parte alguma. um rapaz muito bom médium vidente. o dos Brotteaux. que acreditamos dever consagrar aos operários a maior parte do nosso relatório. havia apenas dois ou três médiuns neófitos. tudo arrostando para não faltarem a uma sessão. as mais legítimas virtudes cristãs desenvolvidas.28 outro tanto. jovens. formaram-se outros em diferentes pontos da cidade: em Guillotière. “Sem dúvida. entre os operários. de que saem reconfortados contra a adversidade. jamais uma única criança perturbou por instantes o silêncio das nossas reuniões. chefe de oficina. paixões acalmadas. no futuro em que não acreditavam. mas a baseada . Vimos.. igualmente. em Croix-Rousse. crianças mesmo. quase tão grande quanto o dos adeptos: hábitos viciosos reformados. ao recolhimento e à atenção que prestam às instruções dos seus guias espirituais. etc. O que vimos com os nossos próprios olhos é de tal modo característico e encerra ensino tão grande. Então. em Saint-Just. mas. lares tornados tranqüilos. isto não é tudo: o número das metamorfoses morais é. “No ano passado. no qual pudemos verificar essa faculdade desenvolvida no mais alto grau. E isto tem sido o meio mais seguro de perderem as suas simpatias e fazêla engrossar as nossas fileiras. declaramo-lo bem alto: não vimos. em recolher as nossas palavras. há homens. quanto à ordem. hoje os há em todos os grupos e muitos são de primeira ordem. ao contrário. e isso pela confiança. só havia um único centro de reunião. e sua mulher. muito é para desejar que se multipliquem os adeptos. Pois bem.

o que . foram os direitos da alfândega cobrados ao destinatário e arrecadados pelos agentes do governo espanhol. de passagem. semeava a boa-nova e fazia germinar a fé no futuro. em Barcelona. temos. mas a entrega das caixas não se fez: o bispo de Barcelona. À sua chegada à Espanha. O Sr. Refiro-me ao auto-de-fé levado a efeito em Barcelona. erigindo-se em policiador da França. tendo julgado esses livros perniciosos à fé católica. onde. Assim. Uma vez que não queriam entregar essas obras ao destinatário. foram expedidas nas condições ordinárias. No dia 19 de setembro de 1860 os convivas eram apenas uns trinta. grande satisfação em registrar. como em todas as cidades por que passava. Maurício Lachâtre estava nessa época estabelecido como livreiro. esse ano de 1861 permanecerá memorável nos anais do Espiritismo por um fato de tal modo monstruoso que quase parece incrível.diz o Mestre -. raciocinada e não. que se consideram todos como membros de uma grande família. A maioria dos assistentes era composta de operários e toda gente notou a perfeita ordem que não cessou de reinar um só instante. cega.” A 14 de outubro do mesmo ano encontramos Allan Kardec em Bordéus. entre os quais não existe sombra de ciúme e de rivalidade. Allan Kardec reclamou a sua devolução. Além das viagens e dos trabalhos de Allan Kardec. pediu a este que lhe enviasse certo número de obras espíritas. e o bispo de Barcelona. um banquete novamente reuniu sob a presidência de Allan Kardec os membros da grande família espírita lionesa. É que os verdadeiros espíritas põem sua satisfação nas alegrias do coração e não nos prazeres ruidosos. Essas obras. fez confiscar a expedição pelo SantoOfício.” Por ocasião dessa viagem. fundamentou a sua recusa com a seguinte resposta: “A Igreja Católica é .29 sobre uma convicção profunda. “representando os diferentes grupos. e em que foram queimadas pela fogueira dos inquisidores trezentas obras espíritas. a 19 de setembro de 1861 o número era de cento e sessenta. em número de trezentas aproximadamente. mas a sua reclamação foi de nulo efeito. para as expor à venda e fazer propaganda da nova filosofia. em relações e em comunhão de idéias com Allan Kardec. com uma declaração em ordem do conteúdo das caixas.

por ordem do bispo desta cidade foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo. trazendo em uma das mãos a cruz e. Os Espíritos. o governo não pode consentir que eles passem a perverter a moral e a religião de outros países. porém. o bispo de Barcelona fez queimar em praça pública. por ela mesma ditada a Mlle. às dez horas e meia da manhã. Renovando os fastos e as fogueiras da idade Média. as obras incriminadas. “A Revista Espiritualista. “Fragmento de Sonata. “Um tabelião encarregado de redigir o processo verbal do auto-de-fé.” E não somente esses livros não foram restituídos. na esplanada da cidade de Barcelona. mas também os direitos aduaneiros ficaram em poder do fisco espanhol. Eis aqui. “O Livro dos Médiuns. “O Livro dos Espíritos.ditado pelo Espírito de Mozart. o dissuadiram disso. pela mão do carrasco.por Allan Kardec. pelo mesmo. Allan Kardec poderia promover uma ação diplomática e obrigar o governo espanhol a efetuar o retorno das obras. pelo Barão de Guldenstubbé. e sendo esses livros contrários à fé católica.pelo mesmo. “Carta de um católico sobre o Espiritismo. uma tocha. “A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta. “A História de Joanna d’Arc. Ernance Dufaux. . dizendo que era preferível para a propaganda do Espiritismo deixar essa ignomínia seguir o seu curso. o processo verbal dessa infâmia clerical: “Aos nove dias de outubro de mil oitocentos e sessenta e um. no lugar em que são executados os criminosos condenados à pena última. “O que é o Espiritismo. a saber: “A Revista Espírita. “O escrevente do tabelião. na outra.diretor Piérart. “Assistiram ao auto-de-fé: “Um padre revestido de hábitos sacerdotais. diretor Allan Kardec.30 universal. a título de documento histórico. pelo Doutor Grand.

pois.” Seria diminuir o horror de tais atos. acompanhá-los com a narrativa dos comentários. não façais violência à fé de ninguém. ele não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar as nossas. que gritavam: Abaixo a Inquisição! “Em seguida muitas pessoas se acercaram da fogueira e apanharam cinzas. porque semeareis em campos áridos. “Quando o fogo consumiu os trezentos volumes e brochuras espíritas. “Um agente da alfândega. encarregados de alimentar o fogo. Repetiremos. como o fez Allan Kardec. a todos os espíritas: acolhei com solicitude os homens de boavontade. Só podemos. como o haviam os Espíritos previsto. Por esse motivo não poderíamos aprovar as tentativas feitas por certas pessoas para converter às nossas idéias o clero. são claros. conquistou. simples e . pág. porém. constatemos somente que ao clarão dessa fogueira o Espiritismo tomou um incremento inesperado em toda a Espanha e. A propósito. alegrar-nos com o grande reclamo que esse ato odioso operou em favor do Espiritismo. nunca deveremos esquecer estes conselhos do Mestre (Revista Espírita.31 “Um empregado superior da administração das alfândegas. de qualquer comunhão que seja. “Uma multidão incalculável aglomerava-se nos passeios e cobria a esplanada em que ardia a fogueira. aí. o padre e os seus ajudantes se retiraram cobertos pelos apupos e as maldições dos numerosos assistentes. oferecei a luz aos que a procuram. e não aos que têm fé e a quem essa fé é suficiente.” Estes conselhos. 367): “O Espiritismo se dirige aos que não crêem ou que duvidam. porque com os que crêem não sereis bem sucedidos. mostrai os frutos da árvore e deles dai de comer aos que têm fome e não aos que se dizem saciados. e nisto é conseqüente com os princípios de tolerância e de liberdade de consciência que professa. da propaganda que nós mesmos devemos fazer da nossa filosofia. muito mais quanto ao clero que aos seculares. “Três mozos (serventes) da alfândega. para que a vejam os que quiserem ver.1863. um número incalculável de adeptos. como todos os de Allan Kardec. representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo. pois. ponde a luz em evidência.

representantes de quase todos os grupos. “O fim desta publicação. um histórico do Espiritismo e uma idéia suficiente da doutrina dos Espíritos. para permitir ser compreendido o seu fim moral e filosófico. porque a pequena brochura se espalhou em profusão. é apresentar. O ano de 1862 foi fértil em trabalhos favoráveis à difusão do Espiritismo. porque é um sinal da harmonia que reina entre eles. porque deve ser agora evidente para vós que uma sociedade única seria quase impossível. Sou feliz por ver que compreendestes perfeitamente o fim dessa organização. a expressão dos seus sentimentos de gratidão.Este apelo foi ouvido. Contamos com o zelo de todos os verdadeiros espíritas. produziu-me vivíssima satisfação. o que me causou maior prazer. cujos resultados desde já podeis apreciar.”. diz Allan Kardec. meus bons amigos. entre as numerosas assinaturas que nele figuram. porque Ele os ouve todos os dias. e são os que Deus atende. Pela clareza e simplicidade do estilo. mas. Ficai. para que lhe auxiliem a propagação. satisfeitos. Tendo os nossos predecessores no Espiritismo transmitido a Allan Kardec. “Agradeço. por ocasião do Ano-Novo. No dia 15 de janeiro apareceu a pequenina e excelente brochura de propaganda: O Espiritismo em sua mais simples expressão. . os votos que fazeis por mim.32 sobretudo práticos. eles me são tanto mais agradáveis quanto sei que partem do coração. cumpre que deles nos recordemos e os aproveitemos oportunamente. pois. em quadro muito resumido. eis aqui como respondeu o Mestre a esse testemunho de simpatia: “Meus caros irmãos e amigos de Lião: “A manifestação coletiva que tivestes a bondade de transmitir-me. nesse ato espontâneo de vossa parte. por ocasião do Ano-Novo. provando-me que conservastes de mim uma boa recordação. foi encontrar. devendo muitos a esse excelente trabalho o terem compreendido o fim e o alcance do Espiritismo. procuramos pô-lo ao alcance de todas as inteligências.

portanto. e é a de dar-me a força física necessária para ir até ao fim da minha tarefa. “No ponto a que hoje chegaram as coisas. de que recebo diariamente os mais tocantes testemunhos. é que a exigüidade dos meus recursos pessoais me não permita pôr em execução os planos que concebi para um avanço ainda mais rápido. considero um grande favor do céu ser testemunha do bem que ela já produz. ao começar. como quer que suceda. se Deus. crede. A despeito da escassez dos recursos materiais. não tiveram inimigos obstinados? Toda lei que reprime um abuso não tem contra si todos os que vivem dos abusos? Como quereríeis que uma doutrina que conduz ao reino da caridade . entendeu dispor de modo diferente. que nisso o vosso exemplo não terá sido sem influência. pode ter inimigos. não peço a Deus senão uma graça. que torna feliz e melhor. Não tem acontecido assim com todas as invenções e descobertas que têm revolucionado a indústria? As que hoje são consideradas como benefícios. serão mais felizes. de ver aquela a que me tenho dedicado engrandecer e prosperar. pela certeza de que a semente das idéias novas. porém. “Esta certeza. mas. sem dúvida. em minha vida. é natural. mais feliz que muitos outros. o estabelecimento das melhores coisas choca sempre interesses. me paga com usura todos os meus sofrimentos. meus irmãos. com uma rapidez maravilhosa. “Perguntam como uma doutrina. espalhada agora por toda parte. que não trabalharam senão para o futuro. todas as minhas fadigas. que. Recebei. “Se alguma coisa lamento. legarei esses planos aos nossos sucessores. as nossas felicitações pela maneira porque sabeis compreender e praticar a Doutrina. sem as quais não se poderia mais passar. pode dizerse que as principais dificuldades estão superadas. é-me permitido contemplar os primeiros frutos. ele conquistou o seu lugar e está assente sobre bases que de ora em diante desafiam os esforços dos seus adversários. em sua sabedoria. o movimento que se opera na opinião ultrapassou toda a expectativa. que longe se encontra de estar concluída. é imperecível. e tendo em vista a marcha do Espiritismo através dos obstáculos semeados em seu caminho. possuirei sempre a maior consolação.33 proporcionando-me a extraordinária satisfação no estabelecimento de uma nova doutrina.

para quebrar a boa harmonia. Não vos deixeis cair no laço. e com ela a dissolução. como no próprio interesse dos vossos labores. fui avisado de que eles vão tentar um supremo esforço. enquanto que outros. o interesse material é tenaz. ambiciosos e orgulhosos. “A natureza dos trabalhos espíritas exige calma e recolhimento. Não tenhais. hoje vêem que essa arma é impotente e que. que se suscetibilizam e ofendem por tudo. Não haverá sentimentos malévolos se houver fraternidade. egoístas que não pensam senão em si. mas que só servirão diretamente por palavras e atos. Ora. é tentar dividi-los criando sistemas divergentes e suscitando entre eles a desconfiança e o ciúme.34 efetiva não fosse combatida por todos os que vivem no egoísmo? E sabeis que são eles numerosos na Terra! “No começo contaram sepultá-la com a zombaria. secretamente e por caminhos disfarçados. a cizânia não pode tardar a introduzir-se. não pode. porque ela é a cabeça de Medusa para os egoístas. haver fraternidade em egoístas. não somente para vossa tranqüilidade. qualquer que seja. e tende como certo que quem quer que procure um meio. de tranqüilidade e de . que é a de todos os verdadeiros espíritas: Fora da caridade não há salvação. É por isso que vos recomendo useis da maior circunspeção na formação dos vossos grupos. ambiciosos que se sentirão mortificados se não tiverem a supremacia. na há recolhimento possível se se está preocupado com discussões e com a manifestação de sentimentos malévolos. porém. “A tática. “Ficai prevenidos de que a luta não está terminada. porém. Arvorai-a bem alto. posta já em prática pelos inimigos dos espíritas. Não acrediteis que se confessem vencidos. vão dirigir-lhe assaltos mais sérios. ela prosseguiu o seu caminho sem tropeçar. mas que eles vão empregar com novo ardor. receio: o penhor da vitória está nesta divisa. e a perseguirão até na pessoa dos seus adeptos. Reconhecendo que é uma potência com que é necessário de hoje em diante contar. sob o fogo dos sarcasmos. não. procurarão miná-la surdamente. É o que desejariam os nossos inimigos. não pode ter boa intenção. e é o que eles procuram fazer. “Se um grupo quer estar em condições de ordem. Entre orgulhosos. que eles se esforçarão por desalentar a poder de embaraços.

“O egoísmo e o orgulho matam as sociedades particulares. ela não poderia existir onde reina a verdadeira caridade.” Tudo mereceria citação nestes conselhos. durante a qual o Mestre presidiu a mais de cinqüenta reuniões em vinte cidades. sem ter caridade efetiva por base. moram em lugares diferentes. assim. não tem validade. de ódio. “Reconhecei. onde por toda parte foi alvo do mais cordial acolhimento e se sentiu feliz por verificar os imensos progressos do Espiritismo. essa falsidade: . mas é preciso que nos limitemos. tão justos quão práticos. Uma publicação especial deu conta dessa viagem de mais de seis semanas. de inveja ou de ciúme. o verdadeiro espírita na prática da caridade por pensamentos.. o Mestre rebateu. em setembro e outubro. mas somente aos que lhos pediam.35 estabilidade. sobre cujo orçamento igualmente ele sacava de antemão todos os seus gastos de correspondência e de manutenção. e persuadi-vos de quem quer que nutra em sua alma sentimentos de animosidade. o convite feito pelos grupos lioneses estava subscrito por quinhentas assinaturas. como certas influências hostis houvessem espalhado o boato de que eram feitas a expensas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Todo grupo ou sociedade que se formar. de rancor. em razão do tempo de que podemos dispor. A pedido dos espíritas de Lião e de Bordéus. é preciso que nele reine o sentimento fraternal. porque a caridade não se pode entender de duas maneiras. A rivalidade entre eles seria um contrasenso. pois. A respeito das viagens de Allan Kardec.. como matam os novos e a sociedade em geral. uma longa viagem de propaganda semeando por toda parte a boa-nova e prodigalizando conselhos. palavras e obras. Allan Kardec fez. não sendo possível habitarem todos sob o mesmo teto. enquanto que aqueles que forem fundados de acordo com o verdadeiro espírito da doutrina olhar-se-ão como membros de uma mesma família que. mente a si próprio se tem a pretensão de compreender e praticar o Espiritismo.

portanto. que a Sociedade se limita a prover às suas despesas correntes e não possui reservas.Nota da FEB. p. 1862. da ciência e da religião.36 “Muitas pessoas. ser-lhe-ia preciso que tivesse em mira o número. no ponto de vista do materialismo. (8) Allan Kardec. 64 p.. e para edificação daqueles aos quais se afigura que nós capitalizamos. recordaremos o que afirmamos noutra circunstância (número de junho de 1862. Sua influência é toda moral e está no caráter de suas reuniões. pois.). tivemos que desfazer esse erro quando se ofereceu a ocasião. sua aplicação e sua concordância com o Espiritismo. Ela. Os gastos de viagem. e é hoje O Evangelho segundo o Espiritismo. Aproveitando-se da época das férias. porque o seu fim não é a especulação e porque o número nada acrescenta à importância dos trabalhos. como todos os que as nossas relações reclamam para o Espiritismo. revela ter desistido da idéia de publicar o opúsculo que anunciara um ano antes (Revue Spirite. Paris. são tirados dos nossos recursos pessoais e das nossas economias. 371) e que seria intitulado “Réfutation des critiques contre le Spiritisme au point de vue matérialiste. scientifique et religieux”. aí está o seu mais poderoso meio de propaganda. em 1861: “Vale mais. página 167. sobretudo na província. Em abril de 1864 publicou a Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo. . com a explicação das máximas morais do Cristo. Isto é dito sem vaidade e unicamente para render homenagem à verdade. que dão aos estranhos a idéia de uma assembléia grave e séria. e isto é o que ela não faz nem quer fazer. Gr. aos que ainda o pudessem partilhar. no livro “Voyage Spirite en 1862” (Ledoyen. 1861. O título dessa obra foi depois modificado. Expondo aos espíritas belgas o seu modo de ver acerca dos grupos e sociedades espíritas.p. haver em uma . Allan Kardec fez em setembro de 1864 uma viagem a Antuérpia e a Bruxelas. não poderia prover tal despesa.” Em 1862 Allan Kardec fez também aparecer uma Refutação às críticas contra o Espiritismo (8) . aumentadas com o produto das nossas obras.in-8°. dez. Revista Espírita). sem o qual nos seria impossível prover a todos os encargos. pensaram que as despesas dessas viagens oneravam a Sociedade de Paris. para que pudesse acumular capital. recorda o que já havia dito em Lião. que são para nós a conseqüência da obra que empreendemos.

de pé. do que uma única sociedade que a todos reunisse. em qualquer estação. O Mestre possuía uma vontade de ferro. também. mas. porque constitui. É das mais importantes esta obra.37 cidade cem grupos de dez a vinte adeptos. atendia à direção da Revista Espírita e da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. sabe que não deve durar mais que uns dez anos ainda: numerosas comunicações o preveniram desse termo e lhe anunciaram mesmo que a sua tarefa não seria concluída senão em nova existência. porém. Esse fracionamento em nada pode prejudicar a unidade dos princípios. em seguida põe novamente mãos à obra. os milagres e as predições segundo o Espiritismo. que sucederia a breve trecho à sua próxima desencarnação. um poder de combatividade extraordinários. Esse excesso físico e intelectual esgotou-lhe o organismo. desde que a bandeira é uma só e que todos se dirigem para um mesmo fim. contra ele próprio. Os admiráveis êxitos do Espiritismo. e as razões que motivaram essa situação. aumentou. Ele. em que nenhum se arrogue a supremacia sobre os outros. para publicar. à proporção que ele se foi engrandecendo. desde às 4 horas e meia. e repetidas vezes os Espíritos precisam chamá-lo à ordem. a fim de obrigá-lo a poupar a saúde. às numerosas correspondências que lhe eram dirigidas. em janeiro de 1868. criaram-lhe inúmeros inimigos e. No dia 1° de agosto de 1865.” As sociedades numerosas têm sua razão de ser sob o ponto de vista da propaganda. era um trabalhador infatigável. seu desenvolvimento quase incrível. respondia a tudo. sob o ponto de vista científico. a síntese dos quatro primeiros volumes já publicados. Tours e Orleans. Allan Kardec fez aparecer uma nova obra O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo. no mundo espiritual e na Terra. a tarefa de Allan Kardec. . na qual são mencionados numerosos exemplos da situação dos Espíritos. é preferível constituírem se grupos íntimos. em força e vitalidade. às polêmicas veementes dirigidas contra o Espiritismo. quanto aos estudos sérios e continuados. à organização do Espiritismo e ao preparo das suas obras. por isso ele não quer perder ocasião alguma de dar ao Espiritismo tudo o que pode. Em 1867 faz uma curta viagem a Bordéus. A Gênese.

da Revista Espírita e das obras de Allan Kardec. dividido em quarenta ações. com o capital de 40. mais ação à filosofia de que se fez apóstolo. porque sente que o desenlace está próximo. e torná-la-ia depois da sua morte asilo a que se pudessem recolher na velhice os defensores indigentes do Espiritismo. por meio do qual espera imprimir mais vigor. Em 1869 a Sociedade Espírita era reconstituída e tornada sociedade anônima. a fim de trabalhar mais ativamente nas obras que lhe restava fazer e cujo plano e documentos se achavam já reunidos. com o produto das suas obras pedagógicas. na Vila Ségur. em seguida. procurando desenvolver-lhe o lado prático e fazer-lhe produzir seus frutos. contava retirar-se para a Vila Ségur. e numerosíssima .Allan Kardec . Unânimes sentimentos acolheram a dolorosa notícia. rua e passagem Sant’Ana. Tendo essa compra esgotado os seus recursos.000 francos para fazer construir nesse terreno seis pequenas casas. Desde os primeiros anos do Espiritismo. alimentava a doce esperança de recolher-se a uma delas. e a constituição que elabora tem precisamente por fim prover às necessidades futuras da Doutrina Espírita. 2ª circunscrição e mairie de la Banque. como um raio. A nova sociedade devia instalar-se no dia 1° de abril. o arrebatou à afeição dos seus discípulos.666 metros quadrados de terreno na avenida Ségur. O objeto constante das suas preocupações é saber quem o substituirá em sua obra.000 francos. Hippolyte-Léon-Denizard Rivail . Essa perda foi imensa para o Espiritismo. para a exploração da livraria. de um projeto de organização do Espiritismo. Allan Kardec. e lançou em profunda consternação todos os que o haviam conhecido e amado. que via desaparecer o seu fundador e mais poderoso propagandista. à rua de Lille n° 7. na idade de 65 anos. atrás dos Inválidos. Estava. sucumbindo da ruptura de um aneurisma.faleceu em Paris. em 31 de março de 1869. 2. Allan Kardec havia comprado. ele contraiu com o Crédit Foncier um empréstimo de 50. quando a 31 de março a doença de coração que o minava surdamente pôs termo à sua robusta constituição e. com jardim. em todos os preparativos de mudança de domicílio.38 Allan Kardec ocupa-se. 59. pois. cujo contrato de arrendamento na passagem Sant’Ana estava quase a terminar.

ano em que. Quatro orações foram proferidas à beira do túmulo do Mestre: a primeira. pelo Sr. . e. entretanto. a 21 de janeiro. em virtude dos seus trabalhos. Sobreviveu-lhe até 1883. se extinguiu. Muller. um exame da situação das ciências físicas. o que a esse respeito escrevia o Sr. Alexandre Delanne. brilhará como um meteoro fulgurante na aurora do Espiritismo. que não fez somente um esboço do caráter de Allan Kardec e do papel que cabe aos seus trabalhos no movimento contemporâneo. o Sr. largo e comunicativo. em nome da Sociedade Espírita de Paris. através dos tempos.39 concorrência acompanhou ao Père Lachaise (9) . Não era. Eis aqui. sua derradeira morada. Todos os jornais da época se ocuparam da morte de Allan Kardec e procuraram medir-lhe as conseqüências. sem herdeiros diretos. conservando-se sempre digno e sóbrio em suas expressões. no ponto de vista do mundo invisível. a título de lembrança. na idade de 89 anos. em nome dos espíritas dos centros afastados. E. depois. Gostava de rir com esse belo riso franco. Camilo Flammarion. mostrava-se expansivo. pelo Sr. Em seguida. Erraria quem acreditasse que. 93. depois de haver discutido pontos mais difíceis da psicologia e da metafísica transcendental. da existência da alma e da sua indestrutibilidade. Esse grave filósofo. e sobretudo. (9) Ver “Reformador” de abril de 1957. e possuía um talento todo particular em fazer os outros partilharem do seu bom-humor. assim. Pagès de Noyez. no Journal de Paris. em nome da família e dos seus amigos. A senhora Allan Kardec tinha 74 anos por ocasião da morte de seu esposo. mais ainda. Allá Kardec devia ser uma personagem sempre fria e austera. pág. os despojos mortais daquele que fora Allan Kardec. a segunda. sabia adubá-las com o nosso velho sal gaulês em rasgos de causticante e afetuosa bonomia. Levent. dirigiu ao morto querido os últimos adeuses. chamava-se Rivail e morreu na idade de 65 anos. de 3 de abril de 1869: “Aquele que por tão longo tempo ocupou o mundo científico e religioso sob o pseudônimo de Allan Kardec. das forças naturais desconhecidas. tomou a palavra o Sr. daquele que. esforçando-se por distrair os convidados que ele freqüentemente recebia na Vila Ségur.

cedo terá iluminado toda a Humanidade. preenchida a sua missão. e pela convicção da imortalidade da alma. No fim da última sessão. Com ele terminou o prólogo de uma religião vivaz. a paciência que educa com o correr do tempo. inúmeros discípulos tinham vindo lançar um derradeiro olhar àqueles lábios descorados que. aqueles que conheceram Allan Kardec em vida não podem deixar de ficar emocionados pela autenticidade dessa comunicação espírita. no meio da sala das sessões a que há tantos anos ele presidia. “Resignados pela fé em uma vida melhor.40 “Vimo-lo deitado num simples colchão. quais as suas primeiras impressões. para se consagrar inteiramente ao estudo da filosofia espiritualista. A Sociedade fundada por esse grande vulgarizador do Espiritismo acabava de desaparecer. mais jovens . nada mais restava de um passado que devia renascer sobre novas bases. Se “o estilo é o homem”. imprimem como que um reflexo da pureza de sua alma sobre o corpo que abandonaram. “A morte de Allan Kardec é notável por uma coincidência estranha. a abnegação que afronta a estultícia do presente. e por que consagrar uma linha a esses fragmentos de ora em diante mergulhados no turbilhão imenso das moléculas? Allan Kardec morreu na sua hora própria. quais. impor a verdade por sua convicção. retirava-se da luta cotidiana. retirados os móveis. vimo-lo com o semblante calmo como se extinguem aqueles a quem a morte não surpreende e que. . irradiando todos os dias. Abandonado o local. tinham vindo ajudar-lhe a alma a desprender-se da matéria. lhes falavam a linguagem da Terra. Mas eles recebiam já a consolação de além-túmulo: o Espírito de Allan Kardec veio dizer-lhes quais haviam sido as suas comoções. dos que o haviam precedido no além-túmulo. tranqüilos quanto ao resultado de uma vida honesta e laboriosamente preenchida. ainda na véspera. “Para que referir os detalhes da morte? Que importa o modo por que se partiu o instrumento. Ninguém melhor que ele podia conduzir a bom termo essa obra de propaganda. o presidente fizera as suas despedidas. fortes por sua virilidade. que. Outros.intrépidos deveriam continuar a obra e. à qual era necessário sacrificar as longas vigílias que alimentam o espírito. para não ver senão a irradiação do futuro.

“Esta morte. pág. e que esta ainda menos conheceu os botes que à outra atiravam aqueles para quem o reconhecimento é um fardo excessivamente pesado. Seu nome. Cartas anônimas. material. por assim dizer. difamações sistemáticas. por isso.” Um ponto sobre o qual não atraí a vossa atenção. em Paris. que ele sente existir além do túmulo. o pensador ergue a cabeça e através desse mundo invisível. a essa alma grande e varonil que penetrou integralmente na imortalidade. que já não existe. reanima muitas consciências doloridas. que o vulgo deixará passar indiferente. (10) Ver “Reformador” de abril de 1957. é a pedra tumular enchendo esse imenso vácuo que o materialismo cavara aos nossos pés e sobre o qual o Espiritismo esparge as flores da esperança. não se pode submeter a essa idéia de transição. desde 1869 (10). insultos. traições. Não é mais o sepulcro de um homem. O Espiritismo destrói muitos abusos. “O presidente da Sociedade Espírita de Paris está morto. por bem da grande causa. 93. um grande fato para a Humanidade. porém. sob modesta lápide erigida pela piedade dos seus discípulos. estende a mão ao amigo. É difícil praticar o bem sem chocar os interesses estabelecidos. dele se pode dizer que a mão esquerda ignorou sempre o bem que fazia a direita. mas o número de adeptos cresce todos os dias. o primeiro tributo a essa inferioridade do nosso organismo.41 “Allan Kardec terá. não hesitarão em se evidenciarem. é a caridade verdadeiramente cristã de Allan Kardec. mas que devo assinalar. apreciado como o de um homem de bem. pago. dando-lhes a certeza da prova e a consolação do futuro. não deixa de ser. fundado o dogma pressentido pelas mais antigas sociedades. com suas obras. porque o nosso entendimento. “Os espíritas choram hoje o amigo que os deixa. está há muito tempo vulgarizado pelos que crêem e pelos que receiam. convencido de que o seu Espírito nos protege sempre. O despojo mortal de Allan Kardec repousa no Père Lachaise. e os corajosos. . é aí que se reúnem todos os anos. nada foi poupado a esse intrépido lutador. os adeptos que têm guardado fidelidade à memória do Mestre e conservam preciosamente no coração o culto da saudade. os quais pelo respeito ao Mestre se deixavam ficar no segundo plano.

Nota da FEB. em três volumes. aos que o desejarem. de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen. minhas senhoras.42 E já que um sentimento análogo nos reúne hoje. meus senhores: Honra! Honra e glória a Allan Kardec! (11) Henri Sausse. a leitura da obra “ALLAN KARDEC” Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica e Ensaios de Interpretação). Recomendamos. . (11) . repitamos bem alto. na qual se encontram valiosos subsídios para o conhecimento da vida e obra do Mestre Allan Kardec.