Revista Quadrimestral | N.

º 5 | Junho 2008

DOSSIER

A JUSTIÇa EM PORTUGaL
De entrave a suporte: reformas da justiça promotoras do investimento em Portugal
Desde 1 de Janeiro de 2007 que foi eliminada a competência territorial das conservatórias de registo comercial.

A Justiça
em

Portugal

ARTIGOS

Why it’s Smart to Invest in America
Of the top ten world economies, the United States has the largest roadway system, railway network, number of airports, and quantity of Internet hosts.

Portugal/Estados Unidos da América: um espaço de oportunidades
Uma intensificação significativa da relação económica bilateral teve lugar no quadro do extraordinário incremento que, nos últimos anos, se verificou no espaço económico transatlântico.

Mediação nas Empresas: Uma Oportunidade de Redução de Custos
A Mediação Empresarial ainda está no início da sua implantação em Portugal.

Índice/Editorial
Carta 5

Editorial
Foram publicados pelo INE os primeiros números relativos aos indicadores macro-económicos e, tal como era esperado, não são brilhantes. Nos primeiros três meses do ano, a economia nacional cresceu 0,9% (metade dos 1,9% registados em 2007), tendo sido a quebra do investimento e das exportações os principais responsáveis pelo forte abrandamento da economia portuguesa neste trimestre (as exportações representaram 4,6% contra os 13,5% atingidos durante o 1.º trimestre de 2007). A procura interna dá também sinais claros de retracção, o que só virá agravar a situação. Trichet e Almunia vêem anunciando que o choque para a economia europeia da turbulência nos mercados financeiros e do aumento dos preços das matérias-primas e da comida ainda não terminou. Não sendo as expectativas animadoras, até porque devido à dimensão a nossa economia é muito dependente do clima internacional, há obviamente muita coisa que podemos e devemos fazer para melhorar a competitividade da nossa economia (lembramos que entre 2006 e 2007 o IDE caiu 55%, apesar da média europeia ter subido). Por isso, neste número da Meeting Point, decidimos abordar um tema que consideramos de extrema relevância para a competitividade das empresas e da economia Portuguesa e para a captação de investimento directo estrangeiro para Portugal – A JUSTIÇA. Mas fazemo-lo numa perspectiva construtiva, com o objectivo de ajudar a reflectir e de apontar caminhos que permitam uma melhoria numa área tão sensível. Temos a convicção de que se já se fez alguma coisa muito mais há a fazer se queremos melhorar a imagem e a reputação externa de um Portugal mais justo, solidário e competitivo. Temos o privilégio de contar com um artigo do Senhor Ministro da Justiça onde faz um balanço das reformas levadas a cabo, referindo o que já foi feito e o que se propõe fazer nos próximos anos, sendo sua pretensão que a justiça deixe de ser um factor de entrave para passar a ser um factor de suporte enquanto promotora do investimento em Portugal. O Banco Mundial publicou de novo este ano o seu estudo “Doing Business” e preparou para a Meeting Point uma pequena análise comparativa sobre a facilidade de fazer negócio em 178 economias mundiais. Podemos então constatar com agrado que Portugal subiu este ano 5 posições neste ranking. Publicamos ainda parte de um artigo do departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI sobre as linhas gerais do sistema judicial Português, onde se revela que se não fosse um incorrecto funcionamento no sistema judicial, o PIB per capita de Portugal poderia ser maior. Eurico Reis, da Associação Juízes para a Cidadania, lembra que um dos Direitos fundamentais consagrados é o “direito de obter em prazo razoável uma decisão judicial” sem o que haverá, entre outras, distorções à concorrência e uma preterição do nosso país a favor de outros. Nuno Fernandes Thomaz, assessor da CIP e Vice-presidente do Fórum da Competitividade faz uma análise muitíssimo interessante das ineficiências do sistema legislativo e do sistema judicial e respectivas repercussões, apontando pistas que considera necessárias para ultrapassar esta crise. Existem meios alternativos de resolução de conflitos, permitindo uma resolução rápida, eficaz e atempada dos mesmos, com ganhos claros para as partes envolvidas. Precisamente sobre estes meios alternativos e em particular sobre a mediação fala-nos José Vasconcelos-Sousa no seu artigo. Quisemos ouvir aqueles que têm um conhecimento directo da situação actual da justiça em Portugal, pois todos os dias são confrontados com a sua eficiência ou ineficiência. Assim publicamos a opinião de sete Sociedades de Advogados e a todos agradecemos a prestigiosa colaboração. E porque uma das missões da Câmara é permitir um melhor entendimento e aproximação ao mercado americano, contamos com dois artigos que, embora em perspectivas diferentes, nos falam das relações entre Portugal e os EUA. O Senhor Embaixador Português nos EUA, João de Vallera contribui com um interessantíssimo artigo sobre as relações bilaterais analisadas ainda na perspectiva de Portugal enquanto membro da União Europeia. Dillon Banerjee, Adido Comercial da Embaixada dos EUA, fala-nos das vantagens de investir nos EUA pois, sendo uma economia aberta às pessoas, produtos, ideias e investimento estrangeiro, é ainda um pais de imigração onde muitos estrangeiros vivem e investem. É muito oportuno o artigo de Pedro Penalva sobre a responsabilidade civil dos Administradores onde, não só levanta a questão nas suas múltiplas facetas num mundo em mudança e em mudança muito rápida, como aponta soluções que salvaguardam estas novas responsabilidades. Na sua carta habitual sobre temas da actualidade, José Joaquim Oliveira neste número falanos sobre a(s) crise(s), as nossas e as globais, destacando a necessidade urgente de que o desenvolvimento sustentável suba para a primeira linha da agenda de cada um de nós, individual e colectivamente. Resta-me desejar a todos umas óptimas férias.
Graça Didier

Carta do Presidente da CCAP
Artigo 6

Portugal/Estados Unidos da América: um espaço de oportunidades – João de Vallera
Artigo 8

A Responsabilidade Civil dos Administradores – Pedro Penalva
Análise 10

Why it’s Smart to Invest in America – Dillon Barnerjee
Dossier 12

A Justiça em Portugal De entrave a suporte: reformas
da justiça promotoras do investimento em Portugal – Alberto Bernardes Costa Doing Business 2008 by Banco Mundial – Rita Ramalho As linhas gerais do Sistema Judicial Português. Porque é urgente a reforma? – Susana Jesus Santos A Justiça em Portugal – Nuno Fernandes Thomaz Mediação nas Empresas: Uma Oportunidade de Redução de Custos – José Vasconcelos-Sousa Juízes pela Cidadania – Eurico Reis Justiça em Portugal, porquê a controvérsia – Natália Garcia Alves A Hidra da Justiça – João Correia (In) Justiça – Susana Proença Ineficiência da Justiça Portuguesa e as Empresas – Frederico Bettencourt Ferreira e Miguel Esperança Pina Justiça em Portugal 2008 – Maria de Lourdes Lopes Dias O Sistema de Justiça em Portugal – Problemas, Efeitos e Saídas – João Santos A Justiça dos Advogados – Nuno Líbano Monteiro Sobre a CCAP 33

Galeria de Fotos Novos Sócios Novidades sobre os Nossos Sócios
Ficha Técnica

Director: José Joaquim Oliveira - Editor: Graça Didier - Colaboraram neste número: Alberto Costa, Dillon Banerjee, Eurico Reis, Frederico Bettencourt Ferreira, João Correia, João de Vallera, João Santos, José Joaquim Oliveira, José Vasconcelos-Sousa, Maria de Lourdes Lopes Dias, Miguel Esperança Pina, Natália Garcia Alves, Nuno Fernandes Thomaz, Nuno Líbano Monteiro, Pedro Penalva, Rita Ramalho, Susana Jesus Santos, Susana Proença - Projecto gráfico e paginação: Add Solutions - Impressão: Europress - Propriedade: Câmara de Comércio Americana em Portugal, Rua D. Estefânia, 155, 5.º Esq. - 1000-154 Lisboa - Portugal - Telefone: 213 572 561 - Fax: 213 572 580 - Email: amchamportugal@mail.telepac.pt Website: www.amchamportugal.org - Contribuinte n.º: 500 912 467 - Tiragem: 1.500 exemplares - N.º de depósito legal: 250354/06 - Publicação: Quadrimestral de distribuição gratuita aos sócios - Isenta de registo ao abrigo do Decreto regulamentar n.º 8/99 de 9 de Junho art. 12º alínea a) do n.º 1.

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felizmente. visível na alta descontrolada dos preços do crude. Por esta razão. Importa afrontá-la e combate-la com determinação. a fuga aos impostos. dada a previsível escassez de água pura em certas regiões do globo. grave e de consequências imediatas. ou resistir e procurar em cada crise uma oportunidade. É uma tarefa simultaneamente árdua e empolgante. incluindo algumas regiões da Europa.e. A recente crise alimentar. Já só os ignorantes ou os que defendem cegamente os seus interesses particulares insistem em negá-los ou minimizam a sua gravidade. massificado.Carta Carta do Presidente da CCAP A recente crise energética. Às nossas. A chamada crise energética. Numa entrevista recente. Produzir e distribuir água potável (p. “crises” de origem diversa. uma grande oportunidade. afirmou que “nunca conseguiremos solucionar os problemas do mundo no actual contexto económico e social”. a precaridade da saúde pública. O futuro do mundo passa por grandes apostas nestas e noutras áreas de atenção emergente. José Joaquim Oliveira Presidente da IBM em Portugal Presidente da CCAP As crises esmagam-nos. criatividade e porque a dimensão do desafio só tem paralelo na enorme satisfação pelos resultados obtidos. Justamente porque a prazo não existe alternativa. as taxas de juro elevadas e as dificuldades na obtenção de financiamento bancário. é imperioso iniciar quanto antes este processo de transformação. de que é urgente iniciar um processo de transformação da sociedade. um segmento de forte investimento. por isso de precisar. Surpreendentemente. se não conseguirmos revertê-la. surge a situação mais ameaçadora para a nossa existência. A recente crise energética. a educação deve ter prioridade absoluta. de cá e do resto do mundo. compõem um cenário de précatástrofe. o tempo de uma geração. a turbulência nos mercados financeiros. a lentidão da Justiça. ou talvez não. mas que não deverá ser inferior à que esteve associada à revolução industrial. a falta de água em várias regiões do mundo. ruptura. mas a um ritmo demasiado lento face à gravidade já sentida em alguns domínios. Partilho inteiramente da ideia. a investigação científica. Produzir mais e sobretudo melhores alimentos é necessário. no aumento acelerado do consumo nos países em crescimento rápido e na ausência de alternativas que permitam reduzir a dependência das fontes fósseis. o insuficiente crescimento da economia e a mais um rosário de outros problemas. individual e colectivamente. pelo menos. As energias renováveis limpas como alternativa às de origem fóssil representam uma oportunidade imensurável e constituem já. não é inesperada e só o recente súbito agravamento comporta alguma surpresa. a pobreza extrema. temos duas hipóteses: desistir e ceder à depressão. a corrupção. são sinais do que pode acontecer com o agudizar dos problemas mais sérios. como o desemprego. a partir do mar) deverá tornar-se. difícil. O combate ao aquecimento global. Existe hoje uma muito maior consciência destes problemas. são sinais do que pode acontecer com o agudizar dos problemas mais sérios. numa área incontornável de interesse tecnológico e de investimento rentável. porque só pode ser conseguida com muito trabalho. sobretudo o melhor conhecimento das suas causas e consequências e a súbita falta de alimentos em algumas regiões. Directamente ligada a esta. o que implica romper com o actual sistema social e económico. e tudo o mais que está relacionado com a melhoria da nossa vida em sociedade. Sem isso estaremos condenados ao fracasso. deverão representar uma oportunidade de desenvolvimento gigantesca. hoje defendida por muitos. as novas tecnologias. persuasão. o déficit. E mudar mentalidades requer tempo. as emissões de CO2 e o aquecimento global cujos efeitos poderão ser devastadores para a humanidade e para a vida no planeta tal como a conhecemos. sobretudo o melhor conhecimento das suas causas e consequências e a súbita falta de alimentos em algumas regiões. do que está em jogo e das soluções possíveis. na medida em que só elevando o nível educacional das populações se consegue a sua importante contribuição na procura de novos caminhos e a sua adesão a um novo modelo de vida. acrescentando que “as motivações dos dirigentes deve ser canalizada para a responsabilidade e o sucesso em vez do poder e do estatuto”. dada a sua natureza. Aos poucos os agentes económicos viram-se para este lado. como a nanotecnologia da qual se espera impacto decisivo na resolução de muitos problemas até hoje insolúveis. urgente e naturalmente. o qual. Perante uma perspectiva tão negra. Simon Dolan da escola de negócios ESADE. provocada pela escassez de produtos e consequente subida dos preços. Mas não basta reconhecer a crise. Para tal é indispensável promover uma mudança de mentalidades. Estamos de acordo. o “subprime”. 5 . junta-se um conjunto de crises globais graves e de resolução complexa. requer conhecimento generalizado. a baixa qualificação da maioria dos portugueses. num sector tão essencial como o sector alimentar. a prazo. Sem excepção. Seria bom não precisarmos de sustos de consequências devastadores para que o desenvolvimento sustentável suba para a primeira linha da agenda de cada um de nós. desenvolvendo novos estilos de vida que proporcionem bem estar sem destruir o planeta. uniram-se para nos dar cabo da vida. Nisto e no que respeita às oportunidades que brotam da crise. perseverança.

passando ainda pelo desenvolvimento de acções de cooperação trilateral em áreas. naturalmente.E. Digno de nota é também o facto da estrutura das exportações portuguesas ter mudado significativamente. que facilitou o crescimento das exportações americanas com destino a Portugal. Depois da União Europeia. assim como proporcionou o ensejo para uma projecção acrescida de Portugal nos Estados Unidos da América. nos últimos anos. que queremos aprofundar. se verificou no espaço económico transatlântico. cada vez mais. a reunião das Grandes Economias que teve lugar em Washington. que alguns poderão considerar temerária. À relação de Portugal com os Estados Unidos da América. um novo e significativo instrumento operacional ao serviço da facilitação e promoção dos fluxos de comércio e investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos da América. da manutenção da paz e da segurança internacional. culturais e académicos. que não se contenta com o facto do espaço transatlântico constituir. Pela análise da balança comercial. inserida na vertente atlântica e marítima que constitui um dos pilares da política externa portuguesa. instrumentos e competências que visam habilitar a União Europeia a prosseguir de forma mais ágil e eficaz os seus fins. com um saldo favorável a Portugal nos últimos anos. embora atenuado em 2007 em virtude da depreciação do Dólar face ao Euro. os Estados Unidos da América constituem o principal mercado de destino das exportações portuguesas. do desenvolvimento sustentável e da democracia. se verificou no espaço económico transatlântico. no seu conjunto. que se realizou em Dezembro passado em Lisboa. Esta realidade esteve bem presente durante a III Presidência Portuguesa da União Europeia. Em resultado de um processo gradual de aprofundamento interno e de alargamento. que nos permitiu alargar horizontes e intensificar contactos em diferentes sectores dos seus meios políticos. é acompanhado por um simétrico movimento de reforço do relacionamento entre o Brasil e os EUA. económicos. podemos confirmar o aumento sustentado do volume de comércio entre os dois países. assume-se como uma realidade política. é consensualmente atribuída uma dimensão de natureza estratégica. fosse ainda na preparação da primeira reunião formal do Conselho Económico Transatlântico. E se a relação entre Portugal e os Estados Unidos da América sempre esteve ligada ao contexto mais vasto do elo transatlântico. Entre eles assumiu particular relevo. antes da Conferência de Bali. na área do ambiente e alterações climáticas. no âmbito económico. fosse na permanente consulta e articulação a respeito dos desafios globais e dos temas mais candentes da vida internacional.American Business Council e o Transatlantic Business Dialogue. como é também do seu interesse o Tratado de Lisboa. 6 . como um parceiro incontornável em áreas como as do comércio e investimento. numa partilha de princípios e valores comuns e é prosseguida em diversos planos – do bilateral aos espaços mais amplos onde confluem interesses globais e colectivos.Artigo Portugal/Estados Unidos da América: um espaço de oportunidades Uma intensificação significativa da relação económica bilateral teve lugar no quadro do extraordinário incremento que. como objectivos que mutuamente se reforçam. como a África. Esta afirmação. são de claro interesse para os nossos parceiros americanos. Enraíza-se ela. por exemplo. da energia e do ambiente. que terminou o seu mandato no final do ano passado./África. o European. económica e cultural em ascensão e. onde Portugal participa e para a qual contribui desde 1986. cada vez mais incorporam novas tecnologias e inovação. sendo natural reconhecer que as responsabilidades decorrentes do exercício da Presidência foram portadoras de uma dimensão mais substancial. de que a União Europeia e a NATO constituem os mais relevantes expoentes. ao consagrar novas estruturas. A agenda transatlântica ocupou nela um espaço de relevo. fosse na assunção das responsabilidades de coordenação e representação comunitária em momentos marcantes como foram. consagrado em Lisboa logo no início do semestre sob nossa responsabilidade. fundamenta-se na para nós óbvia convicção de que o desenvolvimento de uma parceria transatlântica sólida e amadurecida e a estruturação de uma União Europeia mais consistente e meEmbaixador de Portugal nos Estados Unidos da América João de Vallera lhor apetrechada constituem objectivos não só compatíveis. a colaboração estreita com a US Chamber of Commerce. menos ainda é hoje possível dissociá-la da fundamental parceria que se desenvolve entre os EUA e a União Europeia. O segundo semestre de 2008 serviu de palco para trocas de visitas de alto nível. a União Europeia. os objectivos de estabilização e desenvolvimento subjacentes à Estratégia Comum aprovada na Cimeira U. o maior – e ainda em expansão – bloco comercial e financeiro do mundo. Acresce que algumas das realizações mais marcantes da última Presidência Portuguesa não deixarão de ter repercussões de relevo na esfera transatlântica: o estabelecimento de uma relação estratégica entre a União Europeia e o Brasil. combinando a venda de bens tradicionais com produtos que. onde a convergência de interesses e a capacidade de materialização a tornam possível. naqueles como em outros sectores. Uma intensificação significativa da relação económica bilateral teve lugar no quadro do extraordinário incremento que. nos últimos anos.

nas infra-estruturas rodoviárias ou no sector vitivinícola. mas de tal movimento dependerá em muito decisiva medida. e as novas ofertas de produtos e serviços turísticos que o sector privado está a promover. sentimo-nos tentados a apelar às so- ciedades civis portuguesa e americana para que continuem a descobrir e a explorar os múltiplos caminhos que conduzam à sua concretização. Os acordos de cooperação recentemente celebrados com prestigiadas Universidades americanas abrem novos capítulos de relacionamento nos decisivos sectores da formação académica. Os fluxos turísticos entre os dois países recuperam finalmente do trauma causado pelos atentados do 11 de Setembro de 2001. por um lado. a qualidade e densidade do nosso relacionamento futuro. pelo distinto acervo de realizações que tem em carteira. em termos impensáveis há pouco tempo ainda. da língua e da cultura portuguesas nos EUA merecem destaque exposições realizadas nos últimos meses em Washington. num mundo globalizado em que a concorrência se intensificará a todos os níveis da actividade humana. fazendo investimentos. No capítulo da projecção da imagem. Esperamos que as amplas reformas estruturais que o Governo português prossegue em benefício do ambiente de investimento externo. como a denominada Encompassing the Globe. o muito que há ainda a fazer. A Câmara de Comércio Americana em Portugal. Em contrapartida. os desafios da globalização e as oportunidades oferecidas pelo mercado norte-americano contribuíram também para que os EUA fossem inseridos na rota da internacionalização da economia portuguesa. embora continue a ser o mais importante com origem no exterior da zona Euro. possam contribuir para um aumento significativo dos fluxos de investimento e de turismo dos Estados Unidos da América para Portugal. Cabe sublinhar que para a dinamização do nosso relacionamento económico e cultural muito têm contribuído as numerosas Comunidades de portugueses e de luso-descendentes que ao residir. talvez por efeito da corrente debilidade do dólar. por outro. pelo lugar único que ocupa na intersecção dos interesses económicos entre os dois países. A amizade e aliança entre os nossos países e povos permanecerá uma constante. o continuado investimento feito nos núcleos de língua e cultura portuguesa existentes em diversas universidades americanas.Artigo A depreciação do dólar. onde a vinhos portugueses são conferidas as mais altas classificações por prestigiadas revistas do sector. Estamos a falar de importantes intervenções nas energias renováveis. as diversas e empenhadas iniciativas promovidas pela Fundação Luso-Americana. o investimento americano em Portugal diminuiu. ganhando contratos ou recebendo prémios. em museus da Smithsonian Institution. nos equipamentos eléctricos. ou a retrospectiva de Paula Rego. estudar e trabalhar nos EUA. 7 . vêm cimentando de forma consistente os vínculos entre os dois países. Contemplando o vasto e evolutivo espaço de oportunidades que se oferece para a aproximação entre os dois países. no National Museum of Women in the Arts. a que se juntam novas acções de Fundações como a Calouste Gulbenkian. da investigação científica e tecnológica e do aproveitamento dos seus resultados pelo aparelho produtivo. está particularmente bem colocada para vencer este desafio. da história. Decisores de empresas nacionais optaram por entrar no mercado dos Estados Unidos da América e projectar-se para além das áreas tradicionais.

Este ambiente de crescente litigância. no qual a gestão se confundia com o capital. sendo a transferência deste risco para o mercado segurador universalmente encarada como uma best practice. enquanto componente de uma disciplina mais ampla. O mercado segurador tem vindo a apresentar um conjunto de soluções sendo que no caso particular da AIG. possibilitando que os Administradores e Directores continuassem a desenvolver e executar as suas estratégias sem constrangimentos. Propriedade (o terreno mais profíquo em termos de litigância em matéria de Responsabilidade dos Administradores). independentemente da dimensão da empresa. a Companhia foi pioneira do desenvolvimento deste produto segurador – D&O – tendo o mesmo evoluído ao longo dos anos para se adaptar. primeiramente no Reino Unido e posteriormente na Europa Continental. No âmbito do Governo das Sociedades. entre os quais Portugal. Nas últimas décadas temos assistido a uma importante evolução no mundo empresarial fruto. Realidade Portuguesa Em Portugal. Existe assim um sentimento cada vez mais generalizado no tecido empresarial que a adopção e cumprimento das regras e recomendações em linha com as melhores práticas de Governo da Sociedade irá. qualquer gestor. Colaboradores. que se iniciou nos Estados Unidos. como também dar aos actuais e futuros investidores um grau de confiança acrescido relativamente à rentabilização dos seus investimentos. São muitos os Países. na esmagadora maioria dos Países desenvolvidos. consubstanciada na implementação de um conjunto de leis e normativos que pretendiam dar corpo a um maior escrutínio às actividades desenvolvidas pela gestão em sede de Governo das Sociedades. As Empresas defrontavam-se assim com uma situação em que a crescente complexidade em matéria regulatória e o cada vez mais apertado escrutínio a que estavam sujeitos os Administradores e Directores das empresas. utilizando o termo anglo-saxónico.Artigo A Responsabilidade Civil dos Administradores Longe vão os tempos em que o objectivo único da gestão de uma empresa era a maximização do lucro. passamos a ter estruturas marcadas por uma dispersão de capital por conjuntos de accionistas muitas vezes com interesses e objectivos não concordantes. colaboradores e outros intervenientes no mundo corporativo. Concorrentes e até mesmo Gestão vs Meio Ambiente. Assim nasceu o seguro de D&O. está hoje em dia muito exposto. ao tradicional binómio Gestão vs. não só acrescentar valor ao projecto empresarial. temos hoje que acrescentar outros como sejam Gestão vs. como também à própria evolução do mercado. Gestão vs. Por isso. Neste quadro o tema da Responsabilidade Civil dos Administradores. e mesmo como um beneficio social que se atribui aos Administradores e Directores comparável a um seguro de vida ou de saúde. No essencial. Paralelamente assistimos também. Credores. o processo evolutivo que acima descrevemos conheceu desenvolvimentos importantes nos últimos três a quatro anos. Este crescente escrutínio. alteração de paradigma e também práticas de litigância em alguns Países conduziu a um recrudescimento das acções contra Administradores movidos por accionistas. ameaçava tornar difícil atrair para os Órgãos Sociais profissionais talentosos e capazes de assumir os riscos necessários para as organizações continuarem a progredir num ambiente altamente competitivo. e que incluiu as muito badaladas falências da Enron e da Worldcom. do fenómeno da globalização. entre outros. fundamentalmente os accionistas e colaboradores. passou a assumir uma especial relevância visto que as relações entre a gestão e os restantes stakeholders da organização. rapidamente passou para a Europa. que a responsabilidade pessoal dos Administradores se encontrasse devidamente garantida por um contrato de seguro. Clientes. o que conduz a uma maior dispersão do capital social das empresas. transparência e cumprimento de recomendações específicas. particularmente após a crise vivida nos mercados financeiros no início deste século. houver perdas financeiras e indemnizações delas decorrentes. garantindo assim. não só às alterações legislativas. que se destina a proteger o património pessoal destes últimos quando em virtude de um erro ou omissão por eles cometido(s). conheceram evoluções importantes e ocorreu claramente uma alteração de paradigma. dentro de determinados pressupostos. Gestão vs. a Responsabilidade Civil dos Administradores e titulares de cargos de gestão das Organizações assume assim um papel particularmente relevante. Governo das Sociedades ou Corporate Governance. As apólices de Responsabilidade Civil de Administradores e Directores (vulgo D&O) são hoje encaradas. Longe vão os tempos em que o objectivo único da gestão de uma empresa era a maximização do lucro. como uma componente natural do programa de seguros de uma organização. sendo que algumas destas acções conduziram a indemnizações milionárias e com grande exposição mediática. independentemente da sua dimensão. no sentido de se encontrar um instrumento que permitisse transferir este risco para uma Seguradora. que desenvolveram legislação e regulamentação específica que incorpora um conjunto de requisitos nomeadamente no que concerne ao dever de informação. a uma crescente pressão por parte das entidades de regulação. que pretende definir o conjunto das regras que caracterizam a forma como uma empresa é gerida e como são controlados os diferentes riscos a que está sujeita. de um modelo clássico. Este enquadramento mereceu uma resposta por parte do Mercado SeguDirector Geral da AIG Pedro Penalva rador. possibilitando um maior controlo interno dos riscos empresariais. abertura de mercados tradicionalmente marcados por uma atitude proteccionista face ao investimento estrangeiro e ainda em virtude do crescente recurso ao mercado de capitais enquanto fonte alternativa de capital para o desenvolvimento dos projectos empresariais das Organizações. fundamentalmente fruto da elaboração do livro branco de Corporate Governan- 8 . Assim. Gestão vs.

conforme definido na nova redacção do artigo 396º. sendo a forma adequada de se garantir uma efectiva transferência de risco nesta matéria. tal como definido na lei. espiríto empreendedor e olhando para o mercado de forma global. no caso particular da AIG. A Câmara de Comércio Americana em Portugal agradece a todos os Sócios Patrocinadores 9 A categoria de Sócio Patrocinador traz à sua Empresa grandes vantagens. visto que a redacção que o legislador decidiu implementar implicou a necessidade de um produto especifíco que respondesse a esta questão. sendo seguida pela generalidade das grandes Empresas Mundiais. eram seguidas internacionalmente e ainda a revisão do Código das Sociedades Comerciais ocorrida esse ano. com um produto especifíco desenvolvido à medida para o mercado Português e que responde aos requesitos impostos pelo Código das Sociedades Comerciais. que poderão assim concentrar-se a 100% no crescimento das suas organizações. visto que será possível às empresas nacionais atrair quadros de elevada qualidade. pois caso haja alguma alegação de que cometeram um erro ou omissão. Sobre este último ponto importa salientar a relevância que apresentam alterações como a inversão do ónus da prova (cabe ao Administrador provar que agiu sem culpa) e também a obrigatoriedade de caucionamento da responsabilidade dos Administradores e Membros do Conselho Fiscal. Este novo produto é sem dúvida um derivado do D&O e por isso ambos têm algumas características que se assemelham. é uma referência mundial. A contratação deste produto (para cumprir com a obrigatoriedade de caucionamento definida na lei). fundamentalmente no que respeita à obrigatoriedade de caucionamento da da responsabilidade dos administradores e fiscalizadores. No entanto. terão uma equipa que não só os ajudará a preparar a sua defesa. em virtude da crescente pressão para o cumprimento de regras e best practices internacionais de Governo das Sociedades e ultimamente pela ainda recente alteração ao Código das Sociedades Comerciais. ainda de dimensão reduzida mas com uma gestão moderna e dinâmica. possui também um conjunto de diferenças e limitações quando comparado com o tradicional D&O. Este instrumento funciona ainda como um instrumento de atracção de talento. por favor contacte-nos. as grandes cotadas portuguesas começaram também a comprar esta apólice. implicou a necessidade de desenvolvimento de soluções particulares. A Alteração ao Código das Sociedades Comerciais acima mencionado. fruto da nossa posição de clara dominância neste mercado. Assim. Importa salientar que. Por exemplo em termos de capitais seguros. sendo que hoje em dia PMEs. já dispõem deste instrumento de transferência de risco garantindo o acesso aos seus quadros a ferramentas comparáveis com as que estão à disposição dos seus concorrentes internacionais. tratando-se de um produto concebido exclusivamente com o intuito de substituir a obrigatoriedade de prestar caução. Se desejar tornar-se Sócio Patrocinador ou receber mais informação. se em meados dos anos 90 eram as empresas que tinham algum tipo de valores mobiliários cotados na Bolsa de Nova Iorque a preocuparem-se com este tema e a recorreram às soluções apresentadas pelo Mercado Segurador. a partir da viragem do século. como inclusivamente pagará uma possível indemnização que venha ser definida judicialmente. a crescente preocupação com o alinhamento das práticas empresariais com a best practices que. a solução que desenvolvemos e apresentámos ao mercado passa pela articulação entre uma apólice D&O que. a influência dos parceiros internacionais.Artigo ce numa iniciativa promovida pela CMVM. o D&O vai normalmente muito mais além dos montantes mínimos fixados na lei. ganha por isso uma outra dimensão quando feita em conjunto com a contratação de uma apólice de D&O em paralelo. fez com que o perfil se tenha heterogenizado de forma significativa. não resumindo a sua actividade às fronteiras Portuguesas. conforme disposto no Artº 396 do Código acima mencionado. . em termos de governo das sociedades. A partir de 2006.

Georgia in the southeast corner of the state. 2007. All of the above are positive indications that the U. Embassy Lisbon U.4 billion in 2006. almost double that of 10 years earlier). offers the largest and most technologically advanced economy in the world.79 trillion.” Companies in Portugal have recognized these advantages.Análise Why it’s Smart to Invest in America Of the top ten world economies. most productive. foreign firms account for 10 percent of U.S.S. Furthermore. EDP announced its acquisition of Horizon Wind Energy from Goldman Sachs for over $2 billion. Over Figure 1. the total stock of FDI in the United States in 2006 was equivalent to 13. Brisa signed a concession to develop and operate a highway extension around the city of Denver in Colorado.S. As Undersecretary Lavin indicated last year. U.S.S.. Commerce Under Secretary for International Trade Frank Lavin announced the creation of the Invest in America initiative to promote foreign direct investment (FDI) to the United States. In addition.S. For instance.S. Global companies invest in the United States to be closer to their suppliers and customers in a dynamic market. The United States. share of global FDI inflows has fallen since 1999 (Figure 1). with a per capita income of approximately $45. This program is focused on outreach to foreign governments and investors. Foreign firms currently employ more than 5 million U.S. The systems of regulation and taxation in the United States give foreign investors a high degree of operational freedom. most major indicators on business and investment climate quality (see Figure 2). both as a key driver of national income and as an important source of innovation. In March 2007.S. including the best workforce in the world. maintains free trade agreements with 15 partner countries. Siemens (a German company) employs through its U. the U. according to the Times Higher Education Supplement. subsidiaries more people in the United States than Microsoft and Nike combined. The American workforce ranks as one of the best educated. In August. With a population of more than 300 million people. Commercial Service Dillon Barnerjee does. 1994-2006 30% 25% 20% U. affiliates and have created more than 4. economy. Share (%) 15% 10% 5% 0% 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Source: United Nations Conference on Trade and Development. and jobs.S. U. in which he reaffirmed the commitment by the United States to promote open investment policies. In introducing the initiative. World Investment Report. On March 7. A few months later. In 2005. We are seeing increasing global competition for investment flows and we need to make sure that international investors understand the unique advantages of the United States.S. number of airports. six of the top ten universities in the world are in the U. Invest in America supports President Bush’s May 2007 statement on open economies. economy. and most innovative worldwide. with 66. railway network. This trend has reinforced the need for the United States to renew its commitment to open investment and to policies that make the United States attractive to FDI. offer many advantages. In addition. Share of Global FDI Inflows. foreign direct investment plays a major role in the U.S. or near the top of. market. However. Under Secretary Lavin said. is open to Portuguese investments. and over the past year there have been some notable Portuguese investments in the United States. There are more than 4. investing in the United States Senior Commercial Officer. and quantity of Internet hosts. Analysis of data provided in UNCTAD foreign direct investment database. the U. workers through their U. indeed. the U. giving foreign investors access to diverse markets around the world. U. capital investment. November 2007 10 .S. The United States is the world’s largest recipient of FDI ($175. 15 percent of annual research and development in the U.5 million indirect jobs. Indeed. At $1. the average compensation at foreign-owned firms in the United States was more than 30 percent higher than that at private sector firms in the remainder of the U. and almost 20 percent of American exports.000. exports. “The United States welcomes foreign investment and the jobs and prosperity it creates. the United States consistently ranks at.S.S.000 universities and colleges in the United States and. support for state governments’ investment promotion efforts.S.000 employees in the United States. the United States has the largest roadway system.5 percent of the U. Efacec announced plans to build a power substation plant near Rincon.S.S. and that Portuguese companies are finding it beneficial to establish a more direct presence in the U. gross domestic product. accounts for 42 percent of the global consumer goods market. and addressing business climate concerns by serving as ombudsman in Washington for the international investment community.S.

S. Where CFIUS reviews have been conducted. Embassy in Lisbon (21-770-2528).S.870 30 29 83 83 2.782 Note: Countries ordered by GDP . 3Doing Business 2008 . and remains committed to affording all foreign investors fair and equitable treatment. ideas. particularly those related to the level of scrutiny proposed investments must withstand as part of the Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS) mandate. Of the 173. Tthe United States does not in fact maintain a mandatory investment screening body. and Brazil may perceive difficulties in obtaining visas to the United States.The Times Higher Education Supplement. the substantial majority of visa applicants in those countries do receive visas.045 295 0 39.717 261 57 0 18.159 4 8 7 5 39. Current Prices” . 7Ibid. and investment. Over 1.UNCTAD.391 255 2 81.041 25 27 38 83 27. and quantity of Internet hosts.076 29 24 53 51 31. Although residents of some countries such as China. 56 million Americans have obtained a Bachelor’s degree or higher.013 786 889 3 69. provides a strong regime of intellectual property rights protection and enforcement. than in any other country in the G-7.807 1. the Department of State issued over 3. together with the other advantages outlined above. Commercial Service of the U.S.024 7. Other hesitations pertain to visa requirements and the perceived difficulties involved in attaining travel authorizations to conduct business and administer investments in the U. surpassing 2005 volumes. 4Ibid.394 24 4 12 12 34.433 1. The Invest in America program seeks to capitalize and build upon the United States’ reputation for being a friendly and hospitable country where many foreigners live and invest. Patent Office in 2006.The Economist.S. Five of the top ten airports by air cargo volume are in the United States.729 495 3 42. boasts some of the largest cultural diasporas in the world. 5World Economic Outlook Database “2006 GDP per Capita. products. the United States has been home to more Nobel Laureates in the sciences than all other countries. 2World Business/INSEAD 2007. almost 50 percent of the applications originated from a foreign country. In sum.523 37 175. the U.2 percent.506 6 2 20 83 35.Análise FDI Potencial Index (Rank)1 Global Innovation Index (Rank)2 Ease of Doing Business Index (Rank)3 Protecting Investors Index (Rank)4 Per Capita GDT (US$)5 Services Output (US$B)6 Manufacturing Output (US$B)7 Top 100 Universities8 FDI Inflows 2006 (US$M)9 1 1 3 5 44.1 million nonimmigrant visas were issued in 2006 for these three countries alone – almost 19 percent of all nonimmigrant visas issued worldwide last year. The world comes to the United States to invest in research and development and to commercialize the results of their creativity. risk mitigation assurances are requested for only a few transactions per year. Statistics from the first half of fiscal year 2007 indicated that volumes continued to grow. railway network. if any. the United States benefits from being an economy open to people. number of airports. economy also offers foreign investors a first-rate research and development climate. Since 2000.181 2. The U. make it a smart move to invest in America. feel free to contact the U. India.903 630 153 0 20. investment climate persist around the world.371 319 19 139. The overwhelming majority of FDI in the United States does not necessitate a CFIUS review. CFIUS has the authority under a voluntary review mechanism to review individual FDI transactions to determine their effects. In fact. These conditions. Some misperceptions about the U.S. Those who have visited the U. the U. 1 Inward FDI Potencial Index 2003 to 2005 .708 1.4 million tourist and business visas in fiscal year 2006. As a nation of immigrants.920 894 4 -6.S. 11 . and when these assurances are met the transaction is allowed to proceed.141 672 177 6 69. American labor productivity in manufacturing has grown faster in the U.016 70 40 122 64 5. can also attest to the outstanding infrastructure that the country offers to its residents and businesses. Of the top ten world economies.S. For more information on the Invest in America program.543 15 5 31 64 36.000 patents granted by the U.S. On average. including the busiest cargo airport in the world.S. In that regard.791 1. the United States has the largest roadway system.630 1.468 3 3 6 9 39. on national security. 6“Pocket World in Figures 2007” .S. 8The World’s Top 200 Universities .International Monetary Fund. between 1992 and 2006. the country’s highly trained and educated workforce has helped maintain an average annual business productivity rate of approximately 3. Since 2000. 9UNCTAD FDI Database 2006. The United States is also home to some of the world’s busiest international bulk cargo and container handling ports.The World Bank Group.

proteger o investidor. e uma justiça com uma gestão de meios mais racional. passando a ser publicados por forma electrónica e automática. proteger o investidor. no web site www. no projecto “Associação na Hora”. no projecto “Nascer Cidadão”. Até agora. Mas nem todas as reformas em matérias da competência exclusiva ou principal do Ministério da Justiça.º no relatório de 20084. “Doing Business in 2007 . passou a ser possível criar sociedades num único balcão nas conservatórias de registo comercial. Eliminou-se a obrigatoriedade de actos desnecessários (cerca de 500. A Empresa na Hora permitiu o reconhecimento de Portugal como o maior reformador nesta matéria1. o Governo elegeu como prioritária a preocupação em proporcionar. Estima-se que as empresas poupem 15 a 17M€/ano. Mundial. ao delinear a estratégia de reforma da justiça para os quatro anos seguintes.800 actos de registo comercial on-line. a simplificação de procedimentos e processos e a disponibilização de serviços de justiça através da Internet. “Doing Business in 2008” in http://www.A Justiça em Portugal De entrave a suporte: reformas da justiça promotoras do investimento em Portugal Desde 10 de Julho de 2007 que a generalidade dos actos de registo comercial passou a poder ser praticada e paga pela Internet (alterações de estatutos. No período 2006/2007 um número significativo das reformas lideradas pelo Ministério da Justiça viu o seu mérito reconhecido em 6 das 10 áreas fundamentais analisadas.mj. Em 30 de Junho de 2006 operou-se uma grande alteração no registo comercial. mostrar um pouco mais do que foi feito e do que se pensa fazer nessas áreas.org/documents/FullReport/2008/DB08_Full_Report. Eliminou-se a larga maioria dos livros da escrituração mercantil das empresas. 9. pag. pag. com redução de preços. pense-se. 82.pdf. em larga medida. No período 2005/2006. O tempo médio para a constituição de uma sociedade comercial através da “Empresa na Hora” é. ela própria geradora e promotora de eficiência económica. “Doing Business in 2007 . Iniciar uma empresa (Registo comercial) Desde 14 de Julho de 2005. Desde 1 de Janeiro de 2006 que os actos da vida das empresas deixaram de ser publicados na III série do Diário da República. 6. 2007. nomeadamente: iniciar uma empresa. nos seus relatórios anuais intitulados “Doing Business”.How to Reform” in http://www.doingbusiness. Importa. na nossa economia. preços de valor único e fixo. 12 . de 2005 a 2008 foram abordadas pelo Banco Mundial.pt/ publicacoes.). de 45. 2007. celeridade e diminuição de custos administrativos inerentes ao ciclo de vida das empresas e. Até Janeiro de 2008 foram solicitados mais de 6.doingbusiness. um dos quais por depósito. foi reconhecido o nosso esforço em acelerar e simplificar os procedimentos administrativos para iniciar uma empresa.gov.How to Reform” in http://www. contratar funBanco Banco Banco 4 Banco 1 2 3 Alberto Bernardes Costa Ministro da Justiça cionários. por exemplo. já foram publicados mais de 818. Apesar de muitas das reformas efectuadas terem como único destinatários as pessoas. cumprir contratos e encerrar empresas. As vias preferenciais do desenvolvimento dos objectivos desta reforma foram a disponibilização de serviços de justiça integrados em balcão único.org/documents/FullReport/2008/DB08_Full_Report. pag. pagar impostos. 2008. Em 2005.pdf. obter crédito.doingbusiness. Mundial. 6.org/documents/FullReport/2008/DB08_Full_Report. passando-se a prever. registo de propriedades. para 37. de pouco mais de 40 minutos e já cerca de 71% das sociedades criadas em Portugal são “Empresas na Hora”. em vez de um preço fixado ad hoc. pois. “Doing Business in 2008” in http://www. registo de propriedades.Dossier .pdf. Mundial. as certidões. bastando dois actos de registo. a actividade empresarial. e nos projectos “Balcão Divórcio com Partilha” e “Balcão das Heranças”. hoje. etc. pag. contribuindo para a simplificação. Esta prestação valeu a inclusão de Portugal no restrito grupo de 21 países elegíveis como “top reformers”. as publicações e as inscrições subsequentes no ficheiro central de pessoas colectivas. cumprir contratos e encerrar empresas. reduzindo significativamente os custos para os agentes económicos. simultaneamente. em papel. em muitas situações. que variava conforme os emolumentos pessoais. mais fácil. consequentemente.org/documents/FullReport/2008/DB08_Full_Report. As nossas reformas têm sido analisadas pelo Banco Mundial.000 actos por esta via. Tornaram-se as fusões e cisões mais fáceis e baratas.2 A posição de Portugal no ranking do Banco Mundial subiu. uma justiça mais útil a todos. no relatório de 20063.pdf. comércio internacional. melhorando as condições contextuais para um maior investimento. pagar impostos.000). Reduziu-se e clarificou-se muitos dos custos da prática dos actos da vida das empresas. um número considerável de reformas encetadas nestes já três anos de Governo visaram. obter alvarás. cidadãos e empresas. de forma mais rápida.doingbusiness. nacional ou estrangeiro. mais barata e mais segura (Empresa na Hora). 2008. o que custava cerca de 14€ por cada livro. e três publicações em site Mundial. entre muitos outros.º. por efeito destas reformas. pois todos os livros precisavam de ser legalizados. na perspectiva da sua utilidade em melhorar a actividade empresarial em 10 áreas fundamentais: iniciar uma empresa.

Como consequência. eliminou-se o duplo controlo da legalidade. dos notários e dos solicitadores. junto das conservatórias públicas. Assim. simultaneamente. pagar os emolumentos e proceder ao suprimento de deficiências do processo de registo através da Internet.pt para enviar por uma única vez a informação necessária ao exercício das preferências legais por diferentes entidades públicas. É agora possível. Desde 1 de Janeiro de 2007 que foi eliminada a competência territorial das conservatórias de registo comercial. independentemente da conservatória da sede da sociedade em causa. Passou. certidões de outras conservatórias e serviços da administração pública. em www. a eliminação da competência territorial das conservatórias do registo predial. de forma mais barata.inpi. Por fim. a todas as entidades públicas ou privadas que o recebam.empresaonline. estando vedado. A entrega do código de acesso à Certidão Permanente substitui. pedir a alteração da morada fiscal e pedir a isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis. a eliminação de documentos desnecessários.Dossier . a Informação Empresarial Simplificada (IES) constitui.800 actos de registo comercial on-line. a definição clara e transparente dos preços dos actos de registo. como. os advogados.pt. é possível.). exigir uma certidão de registo comercial em papel. igualmente. relacionados com heranças e renovação de registos de acções. qualquer pedido de registo relativo a uma marca. a ser disponibilizado on-line o serviço “Certidão Permanente” de registo comercial. nomeadamente. Desde 10 de Julho de 2007 que a generalidade dos actos de registo comercial passou a poder ser praticada e paga pela Internet (alterações de estatutos. Registo de propriedade (registo predial e de propriedade intelectual) Em 30 de Junho de 2006 passaram as conservatórias. Este projecto já está disponível em 19 conservatórias do País e será brevemente alargado ao restante território nacional.pt. celebrar o contrato de compra e venda ou de hipoteca de um imóvel. desde 2007. assim. nomeadamente. mediante a atribuição de um código de acesso.casapronta. etc. (em Abril de 2008. Qualquer cidadão ou empresa passou a poder praticar qualquer acto de registo comercial em qualquer conservatória do registo comercial do território nacional. Desde 24 de Julho de 2007 que é possível tratar de todas as formalidades relativas à compra de uma casa num único ponto de atendimento. Desde 20 de Dezembro de 2006 passou a ser possível solicitar e pagar actos de registo comercial de unificação e cessão de quotas e alterações de órgãos sociais através da Internet. no mesmo dia. a informação constante de uma certidão do registo comercial permanentemente actualizada passou a estar disponível para quem subscreva este serviço. permanentemente actualizada.A Justiça em Portugal web por via electrónica. Até Abril de 2008. com reduções de preço. Entre as mais importantes encontramse: a criação de balcões únicos em 5 entidades para a prática de actos relativos a imóveis junto das conservatórias/ serviços de registo. para fazer uma procuração para adquirir um imóvel ou reconhecer assinaturas num contratopromessa de compra e venda de um imóvel).inpi. mais de 65% dos pedidos de patente foram apresentados on-line.pt. Prestação de contas Embora não seja um serviço apenas do Ministério da Justiça.pt. a apresentação de uma certidão em papel. dos advogados. em especial. por fim. também. sem necessidade de deslocações físicas.empresaonline. a disponibilização do registo predial on-line passando a ser possível pedir o registo. os preços para a prática destes actos nas conservatórias desceram entre 28% e 60%. apresentar e pagar através da Internet pedidos de registo de invenções nacionais (patentes e modelos de utilidade).000 “Certidões Permanentes”. Até Janeiro de 2008 foram solicitados mais de 6. passou a ser possível solicitar e pagar através da Internet. por exemplo. em www. efectuado pelo notário e pelo conservador do registo (esta medida poupou aos agentes económicos o custo inerente a cerca de 65. entre outros actos. eliminando-se várias deslocações e emissão de certidões negativas do exercício do direito de preferência. pagar os impostos. foi criada. com o mesmo valor jurídico. E. Esta medida permite a criação imediata de representações permanentes em Portugal de entidades estrangeiras. foram já criadas por dia 6. em atendimento presencial único e sem deslocações a vários serviços de registo. fazer o registo da aquisição e de hipoteca. Eliminou-se a obrigatoriedade de celebração de escrituras públicas para a realização de actos da vida das empresas e. mais de 91% dos pedidos de registo de marca foram efectuados através da Internet. Em Abril de 2008. a criação da certidão on-line do registo predial. a eliminação de actos de registo desnecessários. a “Sucursal na Hora”.9 “Empresas on-line”). Basta aceder ao sítio www. desde 22 de Dezembro de 2006. uma nova forma de entrega electrónica e totalmente desmaterializada de informações de natureza contabilística. sem necessidade de deslocações físicas. a partir do dia 17 de Abril de 2008. os municípios. e. sem necessidade de deslocações físicas.000 escrituras por ano). No que concerne especificamente à pro-priedade intelectual. obrigando qualquer entidade pública ou privada a consultar o site em vez de solicitar uma certidão em papel. às Finanças e à Segurança Social. das câmaras de comércio e indústria. Já em 17 de Abril de 2008 este serviço passou a ser disponibilizado. no sítio www. em www. Outras alterações previstas para o registo predial e que vão ter também um impacto positivo para a vida das empresas são: a criação da obrigação directa de registo predial após a realização do negócio. igualmente. Este serviço funciona já em oito locais e vai ser gradualmente expandido a outras zonas do território nacional. No que concerne a alterações ao registo predial foram já aprovadas em Conselho de Ministros de 30 de Abril várias alterações que entrarão em vigor até 2009. designadamente. unificando num único preço todos os actos de registo necessários. os solicitadores e as câmaras de comércio e indústria a poder autenticar documentos e reconhecer presencialmente assinaturas (por exemplo. em inglês e em português. à Ad- 13 . de forma mais barata. Foi também prevista a criação do atendimento personalizado “Operações especiais de registos” destinado a utentes que dele necessitem devido ao volume e complexidade dos pedidos de registo e operações imobiliárias que pretendam realizar. Em 2007 foram emitidas mais de 594. Desde 24 de Setembro de 2007. no mesmo sítio. para todos os efeitos. fiscal e estatística pelas empresas ao Ministério da Justiça. passou a ser possível constituir sociedades através da Internet.

agora.000 IES. A política do Ministério desde 2005 tem sido a de concentrar e melhorar os serviços. não nos deixa totalmente satisfeitos.000 em 2006. Queremos que na vida das empresas se sinta a mudança de mentalidade que estas reformas trazem e que continuarão a promover. Com a IES o mercado português ficou mais transparente e competitivo pois o universo de empresas com contas anuais registadas cresceu quase quatro vezes (de 80. 14 . todo o processo. Também quanto aos recursos em processo civil foi implementada uma reforma em 2007 que visa a racionalização dos procedimentos de recurso. Também já em 2008 foram aprovadas pela Assembleia da República as propostas do Governo para tornar as execuções mais simples. cumulativamente. maior rapidez. Encerrar empresas Desde 30 de Junho de 2006. permitindo que o exequente possa substituir livremente o agente de execução. A injunção é um dos títulos executivos mais frequentemente utilizado. quer pelo Banco Mundial. e evitar acções judiciais desnecessárias. a sociedade não tenha procedido ao depósito dos documentos de prestação de contas e. assim. sendo criado um procedimento administrativo da competência das conservatórias que entrou em vigor também em 30 de Junho de 2006 (por exemplo. Estabeleceram-se. facilitando. promover a celeridade e eficácia das execuções. Em 2007 foram entregues cerca de 405. um título executivo.000. Iremos continuar a contribuir para diminuir o peso dos custos burocráticos da justiça no orçamento familiar e no orçamento das empresas. mais rápida. criando uma lista pública disponibilizada na Internet com dados sobre execuções frustradas. quase imediatamente disponíveis a todos em qualquer parte do mundo. se tenha verificado a omissão de entrega da declaração fiscal de rendimentos). causas de dissolução oficiosa de sociedades (por iniciativa do Estado). informatização e aceleração de todo o processo de cobrança judicial de dívidas. com eliminação de formalidades desnecessárias e reservando a intervenção do juiz para as situações em que exista efectivamente um conflito ou em que a relevância da questão o determine. Iremos continuar a melhorar a gestão electrónica de processos nas conservatórias e nos tribunais. igualmente. em 2007) e as contas anuais registadas pelas empresas. que demoravam meses a ser disponibilizadas aos investidores. Todo este esforço tem obtido resultados muito bons na redução de formalidades e dos custos administrativos indirectos e directos para as empresas. Iremos continuar a privilegiar a comunicação electrónica entre serviços da administração pública. foi disponibilizada uma modalidade de “dissolução e liquidação na hora” de sociedades. sem esquecer a necessária formação adequada de todos os operadores. em especial na área da justiça. A “Desmaterialização das Injun- ções” permite tornar mais simples. Foi neste sentido que se possibilitou a entrega. o lema das reformas na justiça ao serviço dos cidadãos e das empresas. através da Internet. passou a ser facultativa a celebração de escritura pública nos casos de dissolução da sociedade por deliberação dos sócios.A Justiça em Portugal ministração Fiscal. O nosso objectivo foi o de. ao Instituto Nacional de Estatística e ao Banco de Portugal. Este é o nosso lema. Mas o reconhecimento do sucesso. Com esta agilização da acção executiva prevê-se fechar o ciclo da simplificação. ficam. O futuro da Justiça e a promoção do investimento em Portugal A Justiça está a fazer a sua parte para promover o investimento em Portugal. quando. Já em Março de 2008 foi criado o Balcão Nacional de Injunções e foi totalmente informatizado o procedimento de injunção. Cumprir contratos Desde 16 de Outubro de 2006 existem quatro tribunais-piloto – dois perto de Lisboa e dois no Porto – que aplicam regras de processo civil simplificadas (Regime Processual Civil Experimental) seguindo um modelo de simplificação processual já testado em outros países com ganhos substanciais de rapidez na elaboração das decisões. alargando a possibilidade de desempenho dessas funções a advogados. o pagamento e a tramitação de forma electrónica do procedimento de injunção. sem necessidade de promover uma acção declarativa num tribunal. maior acesso. Em dois meses de funcionamento cerca de 94% das injunções foram iniciadas através da Internet sem qualquer envio de papel. cada vez que se cobra uma dívida utilizando o sistema judicial. A injunção é uma providência que permite que o credor de uma dívida obtenha. de forma célere e simplificada. diminuindo. por inexistência de bens penhoráveis. quer por outras instituições internacionais. mais barata e mais transparente a fase inicial da cobrança de dívidas (a obtenção de um título executivo). assim. simplificar procedimentos e disponibilizar serviços on-line. Também desde 30 de Junho de 2006. as empresas passaram a cumprir quatro obrigações perante quatro entidades públicas diferentes através da Internet. Maior simplicidade. Iremos continuar a consolidar os meios alternativos de resolução de litígios de modo a descongestionar os tribunais e a providenciar uma justiça mais próxima de todos e mais participada. significativamente o número de recursos intercalares interpostos e. para mais de 310. ou seja. aproveitando todas as potencialidades das tecnologias de informação e comunicação para a simplificação e a automatização dos processos. a diminuição da duração global do processo. desde que: se verifique deliberação unânime dos sócios e haja uma declaração dos sócios de que a sociedade não tem activo nem passivo a liquidar. durante dois anos consecutivos. e continuar a promover a disponibilização de informação às empresas e ao cidadão também por via electrónica. num só momento. Com a IES. sem prejuízo de formação adequada e introduzindo a possibilidade de utilização da arbitragem institucionalizada na acção executiva. menores custos.Dossier . que tenham terminado. possibilitar fazê-lo de uma forma mais célere e mais eficaz.

Macedónia. uma das autoras do relatório. a Europa de Leste e a Ásia Central ultrapassaram o Extremo Oriente na facilidade para se fazer negócios. reduziram a carga fiscal e aceleraram o comércio ao mesmo tempo que reduziram os custos. A Georgia e a Letónia também estão entre os 25 melhores. independentemente do seu ponto de partida”. conclui Doing Business 2008 – o quinto de uma série anual publicada pelo Banco Mundial e pela Corporação Financeira Internacional (IFC). Portugal também diminuiu a taxa municipal de imposto sobre as empresas. surgindo também como o país com mais reformas da região. Em África. Para além do Egipto. obrigando-as a enveredar pelo sector informal. regulações que podem pretender protegê-las mas que têm um efeito contraproducente. aumentaram o acesso ao crédito. foram introduzidas 200 reformas – em 98 economias – entre Abril de 2006 e Junho de 2007. “As mulheres enfrentam. Portugal subiu 5 posições no ranking de facilidade para fazer negócios. vice-presidente do desenvolvimento do sector financeiro e privado da IFC/Banco Mundial. Portugal. Arábia Saudita. Índia. “O relatório conclui que os dividendos do investimento são mais altos nos países que estão reformando. Moçambique. afirmou Simeon Djankov. Georgia. A China destacou-se no Extremo Oriente. as Ilhas Maurícias lideram as classificações de África no domínio da facilidade para fazer negócios. o país onde existe o clima mais favorável para negócios de todo o antigo bloco socialista. Houve ainda onze países que fizeram três ou mais reformas: Arménia. A América Latina e o Extremo Oriente estão no fim da lista dos reformadores. sem que quase metade dos países tivesse introduzido uma única reforma. “Uma reforma reguladora mais extensa traz grandes benefícios sobretudo para as mulheres”. Este processo reduziu o tempo para registro de propriedade de 81 para 42 dias. estão a ser lançados mais negócios. Ao todo. Gana. acrescentou o Sr. o aumento de juizes specializados em casos comerciais deverá melhorar o funcionamento dos tribunais. Entre os países que mais reformas fez está Portugal que estabeleceu um processo rápido de liquidação voluntária para empresas comerciais. as reformas foram desiguais no resto da região. com a execução de uma lei muito abrangente sobre direitos de propriedade privada e uma nova lei sobre falências. autor principal do relatório. Macedónia.A Justiça em Portugal Doing Business 2008 by Banco Mundial Rita Ramalho Economista co-autora do Estudo Doing Business 2008 publicado pelo Banco Mundial Entre os países que mais reformas fez está Portugal que estabeleceu um processo rápido de liquidação voluntária para empresas comerciais. Este ano. Moçambique substituiu o antigo código comercial de 1888 com um novo diploma que introduz novas regras de governancia corporativa e fortalece os direitos dos accionistas minoritários. República Checa. Como parte do processo de modernização da adminsitração do governo português. Os grandes mercados emergentes estão reformando com mais rapidez: China. à medida que os governos simplificaram as regulações para o exercício da actividade económica. Klein. Burkina Faso. Guatemala. com frequência. Portugal introduziu regras mais simples para a execução de dívidas de montantes pequenos. O tempo para criar uma empresa diminuiu em quase 3 meses. Egipto. Pelo segundo ano consecutivo. o registro predial em Lisboa tem vindo a ser computarizado. o Egipto está no topo da lista de reformadores tornando mais fácil fazer negócios. Os rankings mais altos na facilidade para fazer negócios estão associados com percentagens mais elevadas de mulheres entre empresários e empregados. Bulgária e Hungria estão entre os principais reformadores da região. com melhorias em 6 das 10 áreas estudadas por Doing Business. acrescentou. Ilhas Maurícias. reforçaram os direitos de propriedade. Em consequência destas reformas. ocupa a 17. A Estónia. O novo código comercial também moderniza o processo de registro de empresas. Adicionalmente. Turquia e Vietname.” afirmou Michael Klein. te cooperem e permitem a submissão de testemunhos por escrito. os outros principais 10 reformadores são (por ordem) a Croácia. Croácia.Dossier . As novas regras permitem que o tribunal decida sobre um número elevado de casos tendo por base um caso do mesmo género. Butão. “Os resultados demonstram que. Georgia. Arábia Saudita e Tunísia. China e Bulgária. todos eles fizeram melhorias na facilidade para fazer negócios. Quénia. Indonésia. Os reformadores tornaram mais fácil começar um negócio. onde gozam de pouca segurança de emprego e de reduzidos benefícios sociais”. “Os investidores procuram potencial para lucros e encontram-no em economias que estão reformando. afirmou Caralee McLiesh. Este ano. um empresário pode agora fechar a sua empresas no registro comercial. lideradas pelo Egipto. o Gana e o Quénia lideraram as reformas. Na República Democrática do Congo. reformando em cinco das 10 áreas estudadas pelo Doing Business. Reduzindo o onús administrativo. eliminam procedimentos desnecessários. incentivam a que as par- 15 . O Egipto melhorou muito a sua posição nos rankings. mais empresários se lançam em negócios”. Singapura comanda os rankings agregados relativamente à facilidade de negócios. alcançando a posição 37 entre 178 economias. “A Europa de Leste tem assistido a uma explosão na entrada de novos negócios. Tunísia e Uzbequistão. tornando o uso de notários facultativo. Reformas no Médio Oriente e no Norte de África estão ganhando impulso. intensificaram a protecção ao investidor. Vários países da região até ultrapassaram muitas economias da Europa Ocidental nesta classifição. incluindo a China e a Índia. Países da Europa de Leste e a antiga União Soviética foram os grandes reformadores em 2006/07 – a par de um grande grupo de mercados emergentes. Honduras. onde as mulheres precisam da autorização dos maridos Graças à reforma da regulação que rege a actividade económica. De uma forma geral. Na liderança das reformas no sul da África figuram também Madagáscar e Moçambique. Ocupando a 27ª posição no ranking global. Colómbia. competindo com o rápido crescimento da Ásia Oriental no passado”.ª posição no ranking dos países que oferecem a maior facilidade para negócios.

Estônia. Os 10 maiores reformadores em 2006/2007 Economia Egipto Croácia Gana Macedónia Geórgia Colômbia Arábia Saudita Quénia China Bulgária Abertura de empresas ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ Obtenção de alvarás ✓ Contatação de funcionários Registo de propriedades ✓ ✓ ✓ ✓ Obtenção de crédito ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ Protecção ao investidor Pagamento de impostos Comércio internacional ✓ ✓ ✓ ✓ Cumprimento de contratos Fechamento de empresas ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ Nota: As economias são classificadas pelo número de reformas e seu impacto.Dossier . China Botsuana Mongólia Itália São Vicente e Granadinas Eslovénia República Checa Turquia Peru Belize Maldivas Samoa Vanuatu Jamaica São Cristóvão e Névis Panamá Colômbia Trinidad e Tobago Emirados Árabes Unidos El salvador Granada Cazaquistão Quênia Kiribati Polónia Macedónia Paquistão Dominica Brunei Ilhas Salomão Jordânia Montenegro Palau China Papua Nova Guiné Líbano Sérvia Gana Tunísia Ilhas Marshall 2008 Classificação 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 Economia Seicheles Vietname Moldávia Nicarágua República Quirguistão Suazilândia Azerbeijão Croácia Uruguai República Dominicana Grécia Sri Lanka Etiópia Paraguai Guiana Bósnia-Herzegovina Rússia Bangladesh Nigéria Argentina Bielo-Rússia Nepal Micronésia Iêmen Guatemala Costa Rica Zâmbia Gaza e Cisjordânia Uganda Butão Índia Honduras Brasil Indónesia Lesoto Argélia Egipto Malauí Equador Marrocos Tanzânia Gâmbia Cabo Verde Filipinas Moçambique 2008 Classificação 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 Economia Irão Albânia Síria Uzbequistão Ucrânia Bolívia Iraque Suriname Sudão Gabão Camboja Dijibuti Comores Haiti Madagascar Ruanda Benin Zimbábue Tadjiquistão Camarões Costa do Marfim Togo Mauritânia Mali Afeganistão Serra Leoa Burkina Faso Senegal São Tomé e Princípe Laos Guiné Equatorial Guiné Angola Timor-Leste Níger Libéria Eritréia Venezuela Chade Burundi Congo Guiné-Bissau República Centro Africana República Democrática do Congo Nota: As classificações para todas as economias são medidas em relação a Junho de 2007 e registadas nas tabelas de Países. Dinamarca. Suíça. Noruega. Suécia. Doing Business 2008 faz o ranking de 178 economias no que toca à facilidade de fazer negócios. china Dinarmarca Reino Unido Canadá Irlanda Austrália Islândia Noruega Japão Finlândia Suécia Tailândia Suíça Estónia Geórgia Bélgica Alemanha Holanda Letónia Arábia Saudita Malásia Áustria Lituânia Maurícia Porto Rico Israel Coreia França Eslováquia Chile Santa Lúcia África do Sul Fiji Portugal Espanha Arménia Kuwait Antígua e Barbuda Luxemburgo Namíbia México Hungria 2008 Classificação 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 Economia Bulgária Tonga Roménia Omã Taiwan. Arábia Saudita. mais alta a classificação como reformadora. Irlanda. 16 . tributação e fechamento de negócios. Canadá. Segundo. No vizinho Ruanda. Primeiro Doing Business selecciona as economias que realizaram reformas em 3 ou mais dos seus tópicos. percepções dos investidores ou taxas de criminalidade. Geórgia. Reino Unido. Finlândia. Desde 2003 Doing Business inspirou ou informou mais de 113 reformas em âmbito mundial. onde não existem esses regulamentos. só detêm 18% das pequenas empresas. Tailândia. Letônia. Alemanha. As classificações não refletem áreas como política macroeconômica. Holanda. classifica essas economias pelo aumento na classificação em facilidade de fazer negócios em relação ao ano anterior. Fonte: Banco de dados Doing Business. Estados Unidos. As 25 melhores (em ordem) são Singapura. as mulheres controlam mais de 41% das pequenas empresas. Fonte: Banco de dados de Doing Business. As classificações baseiam-se em 10 indicadores de regulamentação de negócios que medem o tempo e custo para atender aos requisitos governamentais para início. Islândia.A Justiça em Portugal para começarem um negócio. operação. comercialização. Austrália. volatilidade da moeda. As classificações em facilidade para se fazer negócios são a média das classificações do país nos 10 tópicos cobertos por Doing Business 2008. Quanto maior a melhoria. Bélgica. Malásia e Áustria. Classificações em facilidade para se fazer negócios 2008 Classificação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 Economia Singapura Nova Zelândia Estados Unidos Hong Kong. qualidade da infra-estrutura. Fonte: The World Bank-IFC Doing Business Project Tabela 1. Nova Zelândia. Tabela 2. Veja detalhes para se fazer negócios. Japão. Hong Kong (China).

Porque é urgente a reforma? A consciência desta problemática tem levado ao surgimento de alguns estudos que pretendem fazer uma aproximação quantitativa ao problema. Embora os tribunais sejam considerados imparciais.2 13. Esses estudos revelam que esse impacto existe.8 35. porque é a garantia da não ingerência do poder público na actividade das empresas. atingido níveis de sofisticação elevados. Tabela 1: Sector informal em Portugal (2006) Sector informal (% do rendimento per capita oficial) Dinamarca Canadá Alemanha França EUA Bélgica Portugal Espanha Itália Argentina Brasil Perú Nigéria 9. que não têm encontrado resposta nas práticas ainda obsoletas do sistema judicial. em Portugal. 1 2 De que forma Portugal é afectado pelo seu sistema judicial? Em Portugal é relativamente consensual nos vários sectores da sociedade que o sistema judicial funciona de forma ineficiente. o sistema mantém-se globalmente obsoleto e incapaz de dar respostas às solicitações. que é um efeito vulgar quando na presença de um sistema que cria barreiras às decisões.0 60. Antunes.Dossier . Banco de Portugal.710 7. propiciase a proliferação da economia paralela. ainda que racionais do ponto de vista económico.3 22.390 310 Fonte: Antunes e Calvacanti (2006). António e Tiago Calvacanti. muito provavelmente irá introduzir enviesamentos na tomada de decisões. e que se não fosse por um incorrecto funcionamento do sistema.1 22. é importante para assegurar os direitos de propriedade e o cumprimento dos contractos efectuados. Esta instituição já reuniu um conjunto de evidências que demonstram que esse impacto é significativo. A qualidade do quadro legal. garantindo a possibilidade de existência de transacções. e em especial a garantia de que será aplicado. a complexidade processual. Boletim Económico do Banco de Portugal (Primavera 2006). ou que o foram em condições menos favoráveis.4 26. pré-requisitos para o correcto funcionamento do mercado. até ao próprio efeito de proliferação da corrupção. Nomeadamente.8 10. Sabe-se que esse impacto passa por investimentos que deixaram de ser feitos. O Banco Mundial tem desenvolvido um conjunto de projectos de investigação sobre o impacto do funcionamento da instituição judicial no nível de crescimento e desenvolvimento económico dos países. 17 .350 23.A Justiça em Portugal As linhas gerais do Sistema Judicial Português. a sua morosidade e complexidade está na origem de custos demasiado elevados. Em particular. Onde é difícil garantir o cumprimento da lei. dá-se espaço ao surgimento de comportamentos oportunistas e acordos pouco vantajosos entre as partes.600 24. e concretamente em Portugal. o PIB per capita de Portugal poderia ser maior.510 10.60 4.030 19.0 Rendimento per capita oficial (em USD de 1999) 32. A consciência desta problemática tem levado ao surgimento de alguns estudos que pretendem fazer uma aproximação quantitativa ao problema. e nesse sentido tem promovido o financiamento e desenvolvimento de sistemas judiciais eficientes por todo o mundo. Donde. Daqui decorre que a falta de confiança no sistema judicial será incorporada nas decisões dos agentes económicos e. Numa primeira fase. “Custos de legalização. onde a informação a este respeito é escassa. A eficiência do sistema judicial e os possíveis efeitos na actividade económica Está demonstrado que o funcionamento eficaz das instituições é condição necessária para a eficiência de uma economia de mercado. a economia informal representa perto de 20% do total produzido no país. A ciência económica já deu como provado que as falhas do sistema judicial contribuem para a inibição do crescimento económico de um país relativamente a outros. que serão diferentes das que seriam tomadas na presença de um sistema eficaz. (2002).8 13. o PIB per capita de Portugal poderia ser maior.0 15.480 30.0 21. a eficácia do sistema judicial é de especial relevância. Não estando em causa a existência de leis justas.000 19. Assim. Esses estudos revelam que esse impacto existe. “A justiça e o seu impacte sobre as empresas portuguesas”. Célia e Armando Pinheiro. tal como nos restantes países da Europa. evitam-se algumas áreas de negócio.600 14. um estudo de Costa e Pinheiro (2002)1 demonstra que os empresários portugueses são sensíveis a algumas falhas do funcionamento dos tribunais e isso afecta as suas decisões.320 25. Apesar de algumas medidas no sentido de desburocratizar e maior facilidade dos procedimentos. cumprimento de contratos e o sector informal”. Antunes e Calvacanti (2006)2 defendem que. fazendo surgir uma economia informal. porque promove o relacionamento seguro entre os agentes económicos. Não é fácil quantificar o impacto da ineficiência no sistema judicial no PIB de uma economia.0 76. Este é um valor elevado tendo em conta o observado nos restantes países desenvolvi- Costa. proliferando as práticas de aproveitamento das falhas do sistema. o custo de oportunidade da ilegalidade é relativamente baixo. em Portugal. De facto. importa analisar se as barreiras decorrentes de um sistema judicial ineficiente (também) são explicação para uma economia portuguesa com evolução mais lenta que as suas congéneres europeias.420 2. a realidade económica tem evoluído rapidamente. Numa segunda fase.4 14. a incapacidade de garantir correctamente o seu cumprimento compromete a sua eficácia. em tudo o resto semelhantes. e que se não fosse por um incorrecto funcionamento do sistema.

3 81. O Banco Mundial analisa anualmente em termos comparativos o desempenho institucional de várias economias.1 89. também de acordo com o Banco Mundial. José.6 85. Susana Jesus Santos in Análise Mensal editada pelo Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI em Maio de 2008. Concretamente.0 97.0 60. Deste estudo decorre que a área legal seria aquela onde. Em 2006 (Tabela 2).5 positivo tendo em consideração que não será uma reforma que exija um grande esforço.5 81. embora não se destaque no âmbito da Europa mediterrânea. Assim. Um outro estudo.9 73. há que tomar medidas que visem libertar o sistema desse excesso de processos. mas daria um contributo muito Qualidade das Leis 2002 Alemanha Espanha Finlândia França Holanda Hungria Irlanda Itália Polónia Portugal Rep.6 79.9 72. na sua perspectiva afectam a competitividade de um país e a sua capacidade de atracção de investimento.0 86.Dossier .8 73. Tavares (2004) defende que o funcionamento das instituições afecta a economia já que os custos decorrentes do funcionamento ineficaz são considerados como inputs nos custos de produção. IR HOL FI FR AL IR HOL AL FI 100 80 60 40 20 50.3 83. que tornam a estrutura pesada e lenta. World Bank. tendo perdido posição relativamente a 2004 e 2002. Daqui decorre que as possibilidades de produção são diferentes se os custos de produção forem diferentes.1 69. E. o mau funcionamento do sistema judicial constitui um factor de incerteza e risco. Portugal encontrase no percentil 82. Para além disso.7 71.1 60.0 79. pelo que são ponderados nas decisões dos investidores e empresários.0 90.6 94. tem a ver com a convicção de que o problema do sistema judicial é atribuído à escassez de recursos (financeiros. que é prioritária uma reforma do Sistema JudiCumprimento da Lei 2002 93. Finlândia. levaria a um aumento do PIB per capita entre 5% e 10%.1 72.0 100.0 Fonte: Eurostat. O Banco Mundial sintetizou vários tipos de reformas que podem ser implementadas. Uma segunda escola de pensamento. diminuição dos custos e que se garantam decisões justas.4 60.8 92.0 PL RCH HU IT ES PT Cumprimento da Lei 70.7 88.8 98. Tavares (2004)3 . punindo o incumprimento de forma eficaz. confirma a existência de uma correlação entre o nível de funcionamento do sistema judicial e o crescimento económico. Não será esta reforma a mais crucial para alterar alguns constrangimentos estruturais da economia. Checa 93. embora compare favoravelmente com a generalidade dos países de Leste. tecnológicos. a fraca qualidade de alguns parâmetros de funcionamento do sistema judicial contribuem para que seja penalizado nos rankings internacionais de competitividade.0 100.5 93. Importa pois olhar para o sistema judicial português para tentar perceber qual a melhor linha de abordagem que poderá promover a “eficiência judicial”.2 87.2 82.9 95. a reforma faz-se procedendo à alocação de mais recursos ao sistema.9 97.6 74. Nesse caso.2 82.9 92. Também um trabalho recente da OCDE aponta nesse sentido. entendese uma maior celeridade nas decisões. 3 Tavares. A necessidade da reforma do sistema judicial É consensual na opinião pública. avaliando um conjunto de parâmetros que. com um relativo pequeno esforço.8 100.0 100.0 2006 93. Portuguese Economic Journal (2004). HolanGráfico 1: PIB per capita vs Cumprimento da Lei (2006) PIB pc (PPP UE27=100) 160 Correl: 72% 140 120 100 80 60 40 20 50. 2002 e 2006.4 68. os autores concluem que uma eliminação destes custos para patamares típicos de países desenvolvidos. humanos.0 82.8 97.0 80.0 70. De acordo com esta ideia. %) sistema judicial.0 86. e dar-lhes incentivos.0 59. A quarta forma de encarar o problema.0 89.0 Tabela 2: Nível de eficácia das instituições (percentis.2 64.8 75. ou outros) afectos ao funcionamento do Gráfico 2: PIB per capita vs índice de Cont. Os mesmos autores demonstram no seu estudo que a dimensão do sector informal pode ser explicada por diferenças de custos de operação no sector formal e pela capacidade de as autoridades fazerem cumprir os contratos de crédito. No entanto.0 80. “Institutions and economic growth in Portugal: a quantitative exploration”.7 96.6 87. e da forma que o sistema condiciona negativamente a actividade económica.7 92.A Justiça em Portugal dos.0 91. impedindo um elevado grau de especialização e afectando negativamente a produtividade.1 82.2 86.0 cial que promova um maior nível de eficiência. se conseguiriam obter resultados positivos em termos de promoção do crescimento económico. de Corrupção (2006) PIB pc (PPP UE27=100) 160 Correl: 78% 140 120 IT ES RCH PT PL HU Controlo Corrupção 70.5 99.3 84. com base em análises comparativas internacinais.7 89. Apesar da alegada falta de recursos relativamente ao número de processos.8 92.0 FR 60.3 96. Uma terceira forma de encarar o problema. 18 . e leva a que se evitem colocar os investimentos todos no mesmo cesto.3 99. aproximando-se mais da referência dos países em desenvolvimento. revelam que dificilmente a primeira abordagem terá efeitos positivos. procurar-se-á aligeirar os procedimentos.7 67. Uma reforma possível. Portugal fica atrás de países como a Irlanda. já que o crescimento económico está fortemente correlacionado com alguns indicadores de funcionamento do sistema judicial.9.3 87.2 84. na rubrica de cumprimento da lei. é acreditar que o seu mau funcionamento tem a ver com a falta de empenhamento (de produtividade) dos profissionais envolvidos. há que entender as suas razões. nomeadamente no que respeita ao cumprimento da lei e ao nível de corrupção. tem a ver com o facto de poder haver uma excessiva complexidade nos procedimentos. não está provado que haja uma relação directa entre este facto e a eficiência judicial.3 Controlo de Corrupção 2002 93.0 Fonte: Eurostat. defende que a ineficiência do sistema judicial tem a ver com o recurso excessivo ao sistema. por eficiência judicial. da e Alemanha.0 90.1 69. World Bank. Fonte: Governance Matters. Neste caso.9 2006 91. dependendo do problema que afecta determinado sistema.5 66.0 2006 94.9 66.2 76. Assim. estudos feitos a este respeito.1 98. Os aspectos legais estão incluídos nesta ponderação. Nesse sentido.

chegou-se mesmo a instituir para certas leis a tolerância zero. a sugestão de que. a solução milagrosa para o desenvolvimento económico e social. regulamentos. e a que.A Justiça em Portugal A Justiça em Portugal Nuno Fernandes Thomaz Assessor da CIP (Conferência de Indústria Portuguesa) Vice-Presidente do Fórum para a Competitividade Há uns anos atrás. a falta de formação dos magistrados judiciais. a sugestão de que. essas sim. Se o sistema legislativo já oferece inúmeras deficiências. o sistema de saúde e. por não dar votos. das quais merecem destaque as seguintes: • o contraste na nossa sociedade de hoje entre a velocidade crescente das mudanças na economia e a lentidão exasperante das mudanças na sociedade. os políticos. Morosidade que reduz o valor dos direitos. o 25 de Abril revolucionou o sistema económico. causa acréscimo dos preços de bens e serviços para cobertura dos riscos inerentes. até sobre a formação dos preços dos bens e serviços. À conta dessa tendência o nosso sistema legislativo regista uma impressionante média anual de centenas de leis e decreto-leis – isto sem contar com uma incontinência de portarias. Ao contrário da justiça penal. embora não seja condição suficiente para esse desenvolvimento. por essas razões. E são várias e complexas as insuficiências do sistema judicial: a excessiva burocracia e o custo elevado dos procedimentos processuais. corre-se o risco de se generalizar o sentimento de que as leis não são para cumprir. é condição necessária para o funcionamento eficiente de uma economia de mercado. estão frequentemente sujeitas a rectificações e são quase sempre mal redigidas – afectando a segurança jurídica dos actos civis e das transacções comerciais.Dossier . Tal a importância que tem nas decisões que os agentes económicos tomam so- bre os seus investimentos. a falta de tribunais especializados com competência para lidar com os conflitos de interesses mais sofisticados. A preocupação com o funcionamento do sistema de justiça é ditada por várias razões. Para já não falar dos pesados custos económicos com o cumprimento dos excessos de exigências legais. Ora. com raras e honrosas excepções. mais preocupantes elas se tornam no sistema judicial. regulamentares e regulatórias – os chamados custos de contexto. o sistema de segurança social. afecta seriamente a competitividade das empresas. são as únicas leis a que tem de se obedecer. a implantação do Estado de Direito em Portugal e a adesão à Europa estiveram na origem do crescimento exponencial das solicitações ao sistema de justiça em Portugal. Com efeito. os sucessivos subterfúgios legais que convidam a toda a espécie de expedientes dilatórios. ou seja. diminui as garantias. Curiosamente. Desnecessário sublinhar que a justiça não é a panaceia única. chegou-se mesmo a instituir para certas leis a tolerância zero. que por ser mediática vende bem na comunicação social. No sistema legislativo manteve-se a histórica tendência dos governos para acreditar que não há problema que não se resolva com uma lei – a traduzir uma cultura política de que para governar bem basta legislar muito. com o excesso de leis. o processo legislativo tornou-se progressivamente mais complexo e demorado. Tudo isto tem contribuído para a reduzidíssima eficiência do sistema judicial e para uma morosidade de gravíssimas consequências. essas sim. 1. 3. não prestam muita atenção. Como se não bastasse. Há uns anos atrás. Mais grave ainda a situação do funcionamento do sistema da justiça económica. circulares. 2. de um modo geral. resoluções normativas. ou seja. a justiça económica está no lado que a comunicação social não compra. sobretudo quando comparada com a dos nossos concorrentes directos (vejam-se entre outros in- 19 . são as únicas leis a que tem de se obedecer. Acresce que a maioria das leis são por vezes contraditórias e falhas de rigor técnico. aumenta o risco nas transacções comerciais. despachos e outros normativos infra-legais. sobre o planeamento rigoroso dos seus negócios. sobre as garantias de cumprimento dos seus contratos. Morosidade que. para além de não se favorecer a segurança jurídica indispensável a cidadãos e empresas. nomeadamente os decorrentes da actividade económica dos tempos de hoje. resultando enorme o espaço de tempo que medeia entre o momento em que se decide legislar e o momento em que a lei se torna aplicável – quantas vezes para ser de imediato revogada pelo ministro que se segue. Mas ninguém terá hoje em dia quaisquer dúvidas de que o sistema de justiça. tanto do sistema legislativo como do sistema judicial. Em consequência. • a dificuldade de resposta do nosso sistema de justiça à explosão da procura ocorrida entre nós nos últimos trinta anos. todos os sistemas com excepção do sistema de justiça – onde as mudanças não foram fundas. não passando de meras sugestões de comportamento. com o acumular das solicitações cresceram as deficiências do sistema de justiça.

º juízes p/ tribunal n. 5. de modo a tornar as leis estáveis. 9. a base de partida para comparação (os mesmos estudos de 2002) é francamente preocupante: despesas em TI p/ tribunal p/ milhão de habitantes (em milhões de euros) Holanda 27.3 Outra causa residirá na menor utilização das tecnologias de informação investidas na modernização do sistema judicial. aliás. seguida as pistas que necessárias para ultra- Em primeiro lugar. a insuficiências dos recursos financeiros que têm sido destinados à área da justiça.8 milhões de euros por milhão de habitante.º funcionários p/ juiz 2. nomeadamente as leis fiscais.9 Polónia 0. onde existem menos de um terço dos tribunais que existem entre nós). e com respeito à estrutura judiciária. • a previsibilidade do quadro normativo.Dossier . no entanto. já que. por exemplo na Finlândia. Estudos fidedignos datados de 2002 afiançam que gastámos com o funcionamento só do sistema judicial cerca de 46 milhões de euros por milhão de habitantes. 4. desacredita o sistema judicial como mediador e solucionador de conflitos. importa: • combater a morosidade das decisões judiciais.9 n.3 A explicação para o deficiente funcionamento do sistema judicial tem. sintomaticamente.5 4. mormente do sistema judicial. na Alemanha ou na Polónia – neste último país. E não se pode dizer que as insuficiências no funcionamento do sistema de justiça se devam. • a obrigatoriedade do estudo prévio do impacto económico das principais leis. Depois. A par destas medidas. usando de coragem política na reestruturação do mapa judiciário. embora se tenha registado uma evolução positiva nos últimos anos. Os diagnósticos estão feitos. de ser encontrada noutros causas que não na insuficiência dos recursos financeiros alocados à justiça. tomando como base a última década. tendo Portugal mais tribunais de primeira instância que a larga maioria dos países da EU (toma-se outra vez como exemplo a Polónia. de forma a avaliar previamente o rácio custo/benefício da sua aplicação. menor – ao contrário do que.2 Itália 8. gritante mesmo face à evolução da sociedade. enquanto que. • implementar o recurso à arbitragem em matéria fiscal. Quantificando.9 3 6. Situação que. atinge 93%. tendo sido dispendidos no mesmo ano apenas 17. é bastante negativa. esta análise seja algo mais um diagnóstico. Uma causa que certamente explicará parte dessas deficiências reside no facto de a percentagem de juízes sujeitos a acções de formação anual ser de 12% em Portugal. por exemplo. os efeitos negativos desse fraco desempenho sobre o investimento e o emprego possam ter atingido um prejuízo para o crescimento do PIB de cerca de 11%. mesmo em parte. • desenvolver no mais curto espaço de tempo novos e mais expeditos sistemas de resolução de litígios. com eliminação da legislação obsoleta e por vezes contraditória (uma verdadeira tarefa de despoluição legislativa). e não subsistem dúvidas de que desse fraco desempenho resultam consequências graves para a saúde da economia e do próprio sistema democrático.3 Mas para que mais do que elencam-se de se consideram passar a crise. contribuindo assim para reduzir o impressionante valor global das pendências existentes nos tribunais tributários. impõe-se: • uma melhoria substancial da redacção das leis como condição de melhor qualidade substantiva e melhor interpretação (“better regulation”). que constituem um factor prejudicial ao investimento e à sã concorrência. • criar tribunais especializados. recomenda-se: • a consolidação das leis existentes. afectando seriamente tanto os tribunais cíveis como os tributários.9 14. etc…). não acontece com o número de funcionários por juiz. o número de juízes por tribunal é.º juízes p/ milhão de habitantes Alemanha Finlândia Portugal 25. Acresce que. em termos de recursos humanos nos tribunais o quadro é o seguinte: n. montante muito superior ao que foi gasto na Irlanda.3 16. de expropriações. Estudos recentes estimam. próprios para a resolução de litígios decorrentes das novas áreas de conflito de interesses (ambiente e áreas do direito económico. torna-se urgente: • acelerar a reorganização judiciária.4 Portugal 0. chegando a 100% em alguns dos países que aderiram recentemente à UE. na Finlândia. e que as deficiências de funcionamento do sistema de justiça não se podem fundamentar na falta de recursos financeiros. Bem pelo contrário. que. como a con- Vários outros indicadores ajudam a consolidar a tese de que os recursos humanos e financeiros alocados ao sistema de justiça estão a ser geridos de forma deficiente.A Justiça em Portugal dicadores. • a simplificação e encurtamento do processo legislativo como condição de maior eficácia na aplicação das leis. no tocante ao sistema legislativo. que se eleva a mais do dobro do registado noutros países. pois. a avaliação do desempenho do sistema de justiça.1 10. em sede de simplificação legislativa. os riscos de “enforcement” e incumprimento de contratos. de despejos. 20 . Já no que respeita ao sistema judicial. recomenda-se vivamente que se deve evitar deitar dinheiro bom para cima de um sistema mau.

Dossier . no domínio da simplificação administrativa.A Justiça em Portugal corrência. e as transacções transfronteiriças). designadamente no tocante à redução dos custos de contexto que afectam a competitividade dos agentes económicos. Nem é tarefa que possa ser desempenhada apenas pelo Estado – compete a todos os operadores judiciários e requer de todos os portugueses uma cultura de responsabilidade. competem obrigações especiais e. Finalmente. as operações financeiras. contudo. pela frequência com que usa posturas de força ou pela impunidade dos seus tradicionais incumprimentos (vide os atrasos nos pagamentos às empresas. empurra os cidadãos e as empresas para os tribunais. 6. 21 . incluindo em matérias que. interagem com domínios até há pouco reservados exclusivamente ao direito. de modo a retirar ganhos exponenciais de eficiência na gestão da administração da justiça. • incrementar a utilização intensiva das tecnologias de informação. onde o actual governo merece uma nota indiscutivelmente positiva. o dever de dar o exemplo.5 mil milhões de euros). antes do mais. deixar de sugerir: • que sejam definidos objectivos quantificados em termos dos benefícios a alcançar. e que o actual governo se empenhe na reforma do sistema de justiça – tendo a consciência de que os simulacros de reformas são o pior serviço que se pode prestar às reformas. Mas ao Estado. Esperemos que os tempos sejam de mudança. que é simultaneamente o responsável pelo sistema e o seu maior utente. A reforma de que o sistema de justiça carece com a maior urgência não se esgota seguramente nestas pistas que acima elencamos. • que seja instituído um regime especialmente rigoroso no controle dos recursos previstos no Programa Operacional Factores de Competitividade do QREN. • intensificar a formação contínua de todos os operadores judiciários. pois o Estado. não sendo jurídicas. maxime das empresas. estimados no ordem dos 3. colocando-se quantas vezes em situação de litigante de má fé. Ora. segundo o que está estabelecido. recursos esses que. nem sempre assim acontece. montarão a 979 milhões de euros. não se pode.

Mesmo em conflitos que foram “ganhos” a erosão no valor da empresa pode ser desproporcionado à própria ocorrência que se pretendeu resolver. fuga de bons elementos. TRADICIONAIS: .) Muitos outros custos estão também presentes: custos de oportunidade por actividade perdida e outras perturbações (perdas de segurança nas actividades. envolvendo a actividade actual e o futuro da empresa.REGULAÇÃO DO TRABALHO . As interacções negociais podem encontrar impasse ou evoluir para estados de conflito latente. Uma das dificuldades dos conflitos empresariais é que muitas vezes se torna difícil “a anteriori” prever os custos da sua resolução. tempo gasto a clarificar boatos. menor eficácia e menor eficiência. Confrontados com eventuais conflitos os intervenientes utilizam diversas formas de lidar com cada conflito processualmente muito diversas e com graus diferentes de custos e de eficácia. O conflito tem ainda custos directos importantes tais como: honorários e custas. as origens do conflito ou as suas consequências são escamoteadas. A reputação e imagem pública ou junto de parceiros (nomeadamente financeiros) pode ser afectada.A Justiça em Portugal Mediação nas Empresas: Uma Oportunidade de Redução de Custos A Mediação Empresarial ainda está no início da sua implantação em Portugal. Meios de Resolução de Conflitos Se reflectir sobre o impacto que o conflito tem na sua empresa ou organização. embrionário ou declarado. a reter. A cotação em bolsa desvirtuada (recentemente em Portugal existem diversos exemplos desta situação. Exemplos de custos indirectos do conflito são as perdas de produtividade (devidas a enganos e erros. é que os custos de resolução dependem da forma como um conflito é resolvido. Em todas essas interacções desenrolam-se negociações. As áreas de negociação a nível externo em torno da empresa podem ser agrupadas em oito grandes áreas (ver figura 1). Os custos em recursos humanos podem também ser elevados (reuniões. e todas as decisões nas quais se pretende uma execução sem interacção – soluções forçadas ou impostas. Claramente nestas circunstâncias poderá não haver a resolução do conflito e eventuais consequências negativas e custosas podem advir. tempo de espera e tempo em tribunal. e às respectivas receitas e custos inevitáveis. O conflito pode representar custos muito diferentes para a empresa – e também ganhos – se em cada situação as decisões sobre o meio de resolução do conflito a utilizar sejam reflectidas e ponderadas segundo critérios de custo/benefício. Muitas dessas decisões poderão também dar origem a conflitos. Tão elevados que certos COM DEPENDENTES HIERÁRQUICOS INTER FUNCIONAIS EM GRUPOS DE TRABALHO EM REUNIÕES. AS OITO DIMENSÕES CONFLITUAIS EXTERNAS A nível interno a problemática da relação entre os actores das actividades necessárias ao funcionamento da empresa criam um meio muito rico em decisões negociadas. perdas de investimentos em formação ou conhecimento).Dossier . a desmotivação). por exemplo). perda de vendas. COMISSÕES FIGURA 2. ASSEMBLEIAS. potenciais e declarados são claramente importantes para a satisfação da missão económica da empresa e para a satisfação dos “stakeholders” interessados no bom funcionamento. Muitas situações em que inicialmente se pensava “ganhar de certeza” 22 . As vantagens de resolução eficaz e atempada de conflitos. usada em certas empresas. da hierarquia (Ordem de Serviço.RESOLUÇÃO DE DISPUTAS INTER DEPARTAMENTAIS COM COLEGAS COM SUPERIORES HIERÁRQUICOS Presidente da MEDIARCOM European Mediation Association. Assim podemos considerar a nível interno outras tantas áreas potencialmente conflituais (ver figura 2). Decisão da Direcção. José Vasconcelos-Sousa tornam-se em sorvedouro de recursos. perda de clientes. Board Member da Americam Club of Lisbon. ou outra). de fornecedores e de fontes de financiamento. A dificuldade em definir os custos de conflitos. AS OITO DIMENSÕES CONFLITUAIS INTERNAS Uma outra hipótese. ser-lhe-à claro que o conflito mal gerido e mal resolvido poderá ter custos muito elevados. ACL Awards Director. Os Custos dos Conflitos nas Empresas FIGURA 1. Dentro das formas organizacionais de lidar com conflitos podemos incluir as chamadas decisões executivas dentro O importante. mesmo “a posteriori”. A forma como são ultrapassadas essas situações tem enorme impacto na actividade da empresa ou organização devido aos potenciais ganhos e perdas. compensações por despedimentos ou saídas. é o evitamento: o confronto é evitado. Assim muitas organizações aprendem duramente com a realidade dos conflitos com que se confrontam. dentro das empresas surge porque os conflitos afectam subtilmente muitos níveis das organizações: o “ambiente” é afectado implicando muitas vezes menor produtividade. a reclamações. A empresa como entidade jurídica e económica procura em todos os aspectos das suas relações a contratualização de obrigações.

Um conflito que demorará entre 3 a 5 anos a resolver em tribunal judicial pode ser resolvido num período de 3 a 5 meses por Mediação.termo jurídico que significa que as partes terão sempre a possibilidade de apresentarem os seus argumentos e se defenderem. de quebra de comunicação ou por dificuldades relacionais. Assim surpreende que muitas pessoas realizem a passagem rápida da constatação da ineficácia da abordagem negocial para uma abordagem litigiosa através do tribunal judicial! Muitas pessoas o fazem na ilusão de que o tribunal lhes irá “dar razão”. Porém as vantagens de uma rápida e eficaz re- 23 . A Mediação pode evitar alguns dos inconvenientes tanto da via judicial. com custos mais reduzidos do que através de outros meios. De facto todas as situações que podem ser decididas por negociação são potencialmente mediáveis – tudo dependerá do desejo das partes. acompanhadas pelo mediador. que através do tribunal irão provar o mérito da sua posição. O que a distingue de outros meios é o facto de o poder de decisão se manter nas mãos das partes em conflito (os mediados). a negociação directa entre as partes é o primeiro recurso mas. todas as situações em que a negociação se tornou difícil por razão de impasse. Estas expectativas não só são irrealistas como geralmente não se concretizam. A Mediação “ad hoc” por profissionais competentes ou o recurso a centros de Mediação privados são excelentes alternativas e oferecem serviços de apoio à resolução de todo o tipo de conflitos e de litígios de forma rápida. à simplicidade do processo. empresas e organizações. ou que o outro lado irá sofrer a “justa” punição. dentro do escopo da lei e enquadrado por aspectos processuais complexos. Haverá pessoas que considerarão vantajoso o período longo até à resolução de conflitos do tribunal judicial. Hoje em dia a grande maioria dos centros de arbitragem instituídos oferecerem serviços de Mediação prévia do conflito. O processo de Mediação procura um acordo eficiente economicamente em que ambos os lados vejam satisfeitos total ou parcialmente os seus interesses. Quando a negociação não resulta muitas vezes se ouve dizer: “Vamos para tribunal!” Porém é reconhecido que o juiz decidirá sobre matérias bem definidas. ou na resolução “ad hoc” de conflitos. Como qualquer outro processo a Mediação tem vantagens e desvantagens. não havendo resultados. internos ou externos. Procura-se preservar e melhorar as relações entre as partes sempre que for esse o caso. Em qualquer sistema formal de resolução de conflitos. – o facto de manter o conflito fora do sistema de justiça do Estado (evitando atrasos e decisões pouco previsíveis). confidencial e não-pública permitindo aos participantes a satisfação dos seus interesses. A Mediação Empresarial A Mediação é um processo voluntário em que ao longo de várias etapas as entidades ou pessoas em conflito procuram. – a sua confidencialidade: as divergências não passam para o foro público resguardando nome. – finalmente o resultado não depende de distribuição aleatória da situação . Os advogados das partes têm um papel importante na Mediação e mantêm as suas capacidades específicas e autonomia. Devido à privacidade. A Mediação Empresarial é porém um campo de aplicação muito vasto permitindo prevenir e resolver. como da via arbitral. A MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação oferece esses serviços que são conduzidos por profissionais especializados que são mediadores certificados.o conteúdo do acordo é decidido pelas partes e são também as partes que decidem sobre o âmbito e a contratualização do acordado que finalmente se consubstancia num acordo reduzido a contrato entre as partes. Este último ponto é também uma desvantagem pois em caso de litígio há limitações no recurso à força pública. Alguns exemplos: • Arbitragem (tribunal privado) • Mediação (negociação apoiada por mediador) Na Arbitragem (que também se designa por tribunal arbitral ou tribunal privado) as partes transferem por convenção prévia o poder de decisão para um tribunal constituído por um ou mais árbitros (geralmente três). Existem outros meios de resolução de conflitos à disposição das empresas e dos empresários e de todas as pessoas integradas em organizações. O inconveniente deste meio é o seu custo elevado. As vantagens incluem: – a eficácia na prevenção do conflito pois pode realizar-se uma Mediação mesmo que não haja um conflito declarado. A Mediação é uma forma privada e nãoconflitual de prevenção e de resolução de diferendos entre pessoas. Talvez o seja em algumas circunstâncias. à rapidez e ao reduzido custo a Mediação é claramente recomendável e muito interessante para as empresas. o tempo e recursos a investir são também elevados. Daí resulta que muitas decisões do tribunal judicial não agradam a nenhum dos lados no litígio. O potencial de insatisfação na resolução de conflitos por esta via é claramente muito elevado. Tanto na Arbitragem como na Mediação existem dois princípios fundamentais que árbitros e mediadores respeitam (ou respeitarão. um lugar muito relevante deverá ser assumido pelo processo “estrela” dos últimos anos: a Mediação.Dossier . mas o âmbito da Mediação ultrapassa a mera resolução de litígios. – o ser geralmente um processo rápido em que as partes ao fim de 3 a 5 sessões podem claramente decidir se vale ou não a pena avançar. e o princípio do “contraditório” . – a enorme flexibilidade das suas regras processuais dentro de uma sequência de fases definidas. – o custo inferior ao de outros meios institucionais de resolução de conflitos em que intervém um terceiro. as organizações ao desaparecimento. se forem profissionais idóneos com a formação específica adequada): o da igualdade absoluta das partes. porém as partes podem sempre voltar a mediar o seu acordo. marca e imagem. encontrar os pontos de acordo que permitam resolver total ou parcialmente o conflito que as separa.A Justiça em Portugal conflitos levam as empresas à falência. O tempo a dedicar a um processo de Mediação é também limitado. e muitas entidades colectivas à total ineficácia da sua acção.

os custos de arrastar um conflito largamente ultrapassam as vantagens do período longo até à resolução. O Estado poderá ter um papel relevante na exigência de formação específica dos mediadores (os cursos de mediadores aprovados pelo Ministério da Justiça. A activação dos procedimentos considerados numa cláusula de Mediação pode ser feita amiúde. é fundamental para a resolução de numerosos conflitos. abordagens preliminares e grelhas de decisão que permitem tomar decisões informadas antes de avançar. Em todas estas situações e para AMBOS os lados. – Definição de critérios para escolher a Mediação como meio de resolução de conflitos e quais as tipologias de conflitos que se prestam a serem tratados em sede de Mediação: esta será talvez a grande pergunta para os empresários. gestores e seus “stakeholders”. A equipa da MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação realiza este tipo de estudos e recomenda e estabelece todos os elementos adequados a cada tipo de organização. criando enquadramento digno para a actividade. com um processo de Mediação. entidade sem fins lucrativos. disponíveis sob consulta. 24 . – Utilização de mediadores internos ou externos à empresa: o mediador interno. Neste momento da introdução da Mediação Empresarial no maior número de empresas. como a MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação. desde a sua criação em 2005 que se tem empenhado na divulgação da Mediação tendo criado programas específicos. O mediador externo. devido ao seu baixo custo. mas o mais desejável para todos os intervenientes é que a Mediação seja independente e privada. A cláusula de Mediação é geralmente bem aceite pelas partes contratantes. depois de treino adequado. no meu entender deverão ser revistos e aumentados). em grandes projectos de construção e em grandes grupos económicos). A opção da Mediação pode ser tão importante para a satisfação dos clientes que em alguns Estados dos EUA as Ordens de Advogados consideram falta ética grave do advogado o não propor ao a introdução em todos os contratos de um primeiro recurso à Mediação antes de activação de qualquer outro procedimento pode melhorar o cumprimento do contrato e evitar procedimentos com custos muito mais elevados. A MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação irá continuar a contribuir para esse fim através da formação de mediadores profissionais e resolvendo por Mediação os conflitos que nos são referidos.A Justiça em Portugal solução de conflitos é particularmente aliciante sempre que existem relações continuadas de médio ou longo prazo ou quando não se quer. ou não se pode. Noutros países em que a Mediação já penetrou mais profundamente na cultura de resolução de conflitos os estudos demonstram o enorme sucesso deste meio de resolução de conflitos. A MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação. De facto nem todos os conflitos serão passíveis de resolução por via da Mediação. – Introdução de cláusulas de Mediação de conflitos nos contratos ou pedido de Mediação na eventualidade de conflito: a solicitação de Mediação pode ser efectivada em qualquer momento da execução de um contrato porém a MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação considera que A Mediação pode ainda ser efectivada na pendência de acção judiciária ou arbitral e a sua realização não impede o recurso a essas instâncias de resolução de conflitos. seguem requisitos mínimos que. A MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação desenvolveu processos de Avaliação de Conflito. quebrar totalmente um relacionamento. – Mediação Empresarial sob tutela do Estado ou de iniciativa privada: creio que a tutela ou iniciativa do estado poderá ser eficaz em áreas muito específicas (nomeadamente na Mediação laboral). e percepcionado como fazendo parte de entidade com prestígio. tem uma missão importante dentro da empresa nos sistemas de resolução de conflitos formais. o que permite a criação de uma verdadeira cultura de resolução amigável e rápida de diferendos ou conflitos. Na Mediação privada um papel fundamental é o dos Advogados – naturais prescritores de serviços de Mediação aos seus clientes utilizando entidades independentes dos próprios gabinetes de forma a garantirem a credibilidade e um serviço rápido. como é o caso de todos os cursos oferecidos pela MEDIARCOM Associação Europeia de Mediação. porém a sua neutralidade – mesmo que existindo – nunca será vista como tal pelos colegas. ou não. Estão neste caso mais de 80% das relações dentro das 18 dimensões de negociação/conflito referidas no início. Conclusão A Mediação Empresarial ainda está no início da sua implantação em Portugal. cliente a possibilidade de resolução do seu conflito pela via da Mediação. A sua divulgação e aplicação em Portugal está em curso e cada vez existem mais pessoas e organizações a experimentar e a adoptar a Mediação como recurso preferencial na resolução dos seus diferendos. em muitos outros casos o estudo da conflitualidade e dos seus custos para a organização ou empresa permitirá decidir a justeza do investimento face aos potenciais benefícios.Dossier . as grandes questões podem sintetizar-se da seguinte forma. para divulgar e implantar a Mediação junto de: – Advogados – Grandes e médias empresas – Público em geral (em parceria com entidades em todo o País e estrangeiro) – Organismos públicos A resolução rápida e atempada de conflitos contribui para a boa saúde das organizações e das pessoas. sem cair na tentação de regulamentação inibidora. – Criação de sistemas formais de resolução de conflitos na organização ou criar uma cultura de resolução amigável de diferendos: os sistemas formais têm claramente o favor em organizações e situações complexas com intervenientes muito diferentes (por exemplo em unidades de saúde. alinhado a regras deontológicas e éticas claras.

comércio. o direito a uma decisão – e à execução da mesma – em prazo razoável é assegurado a todas as entidades dotadas de personalidade jurídica ou personalidade judiciária (como é sabido. Os entraves ao funcionamento das empresas prejudicam a capacidade produtiva das mesmas. Vivemos numa época volátil – recorde-se que nas frenéticas bolsas de valores fortunas podem ser ganhas e perdidas em minutos. com o sentido amplo antes enunciado). a pretensão regularmente deduzida em juízo. como sabemos pelo menos desde a Grécia Antiga (Demócrito de Abdera ou Heráclito de Éfeso. essa mudança depende essencialmente de nós. traduzem-se. uma vez que as empresas internacionais podem escolher operar em vários mercados nacionais. o prazo razoável é mais curto do que nos demais casos – com a excepção. essa execução tem também que concretizar-se em prazo razoável). Zeus. com força de caso julgado. na maior parte dos casos. A nível interno. Nos dois casos. restando saber se para melhor ou para pior. a saber: em última análise. seja possível pôr cobro a este verdadeiro flagelo. todas as pessoas jurídicas dispõem de personalidade judiciária. por exemplo) e Luís Vaz de Camões tão brilhantemente sumariou. seja ela qual for. E. uma decisão judicial que aprecie. há um ramo do Direito em que a exigência de rapidez é ainda maior: o Direito Comercial e das Sociedades Comerciais (em sentido amplo. a meu ver. Essa diminuição de encargos permite-lhes ou oferecer ao consumidor preços mais baixos ou. Mas mesmo no que respeita à economia produtiva (criadora de verdadeira riqueza e não meramente distribuidora como acontece no âmbito do sistema financeiro). Lamentavelmente. a que o nosso país seja preterido a favor de outros em que esse lapso de tempo é muito mais curto. naturalmente. 1.º 1 do artigo 6º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem concluída em Roma em 4 de Novembro de 1950. os Tribunais e o sistema judiciário no seu todo. restando saber se para melhor ou para pior. essa mudança depende essencialmente de nós. Todavia. O que é extremamente perturbador. mais não seja por força dos artigos da Convenção e da Constituição atrás citados. como é óbvio (julga-se que o é). nem sequer ao nível das palavras um tal reconhecimento existe – e. acabando por obter mais receitas no exterior? 25 . sem criação de riqueza não é possível a subsistência quer dos indivíduos quer da Comunidade. que é atribuída por períodos de tempo limitados. Pondo de parte o muito significativo e simbólico mito grego de Cronos . Como se aprende no primeiro ano das Faculdades.º 1 do artigo 2º do Código de Processo Civil.que foi devorando os seus próprios filhos até que um deles. É duvidoso que esses dois direitos estejam em condições de ser plenamente exercidos no nosso país – o que é particularmente notório no que respeita ao segundo. sejam estas legais ou emitidas pelas entidades reguladoras competentes.Dossier . numa efectiva negação do Direito – e dos direitos individuais. embora isso pareça não ser evidente para a generalidade dos juristas. se não mesmo em segundos. por exemplo. O Mundo muda mesmo. em boa verdade. Não pode ser distribuído o que não existe. Sem querer ser pessimista. todo o Mundo é composto de mudança. As deficiências no funcionamento dos Tribunais e do sistema judiciário em geral. como o poderia ser nos actos? 3.A Justiça em Portugal Juízes pela Cidadania Eurico Reis Juiz Desembargador Membro da AJpC – Associação de Juízes pela Cidadania e da IPJA – Intelectual Property Judges Association O Mundo muda mesmo. e. este reconhecimento de algo que. Decorre do disposto no n. pois. e. a nível externo. garante às prevaricadoras uma margem de lucro superior. a possibilidade de o exercer coercivamente contra todos aqueles que não aceitam a sua existência. englobando todas as áreas da actividade económica .º 4 do artigo 20º da Constituição da República e no n. não vislumbro que. nos tempos mais próximos. não podem continuar totalmente alheados desta realidade. O que assume uma particular relevância no caso da protecção da propriedade industrial. em prazo razoável.recordo aqui o alerta de Joseph Rudyard Kipling para a necessidade de saber aproveitar bem cada um dos sessenta segundos que existem num minuto (“If”). Ora. uma vez que permite que certas empresas continuem a operar sem terem de suportar os encargos decorrentes do cumprimento das normas. 2. é tão evidente não pode servir de pretexto para um baixar de braços. provoca gravíssimas distorções à concorrência. da Sociedade no seu todo. nestas circunstâncias. isto é. Esta asserção resulta de algo radicalmente primordial. Porém. aliás em completa consonância com o previsto no n. que a todos é reconhecido o direito de obter. a ineficiência dos Tribunais e do sistema judiciário. o que se encontra estatuído nos artigos 6º e 7º do Código de Processo Civil). o destronou . a desproporcionada e injustificada dilação temporal entre o momento da infracção e aquele em que o prejudicado se vê ressarcido. o que acontece com maior frequência. é indispensável o reconhecimento que. leva. os exemplos são mais do que muitos. se as próprias empresas portuguesas já vão fazendo o mesmo. as janelas de oportunidade para um bom investimento não estão “abertas” muito tempo. indústria e serviços). Infelizmente. Efectivamente. não existe direito sem garantia. mas há alguns entes organizacionais a que apenas é atribuída esta última – veja-se. Este direito é colocado ao dispor de todas as entidades que interagem no comércio jurídico e não apenas das pessoas físicas. em que uma sistemática e não impedida violação desses direitos não só faz perder os investimentos já feitos como desincentiva a realização de novos investimentos. E o problema não é de hoje ou sequer dos últimos anos. entre outros males. logo. tomando sempre novas qualidades. mantendo os preços a que as empresas cumpridoras colocam os seus produtos e serviços no mercado. na maior parte dos casos. as infractoras acabam por eliminar quem compete obedecendo às regras – recorde-se a teoria da boa e da má moeda – sem quaisquer ganhos para os consumidores e para a economia. que regem e disciplinam a actividade económica. Até se admite que possa não ser universalmente aceite o princípio consubstanciado na conhecida expressão time is money. quando estão em causa relações jurídicas de natureza comercial (repete-se. Quem pode levar-lhes a mal. das situações respeitantes a menores. a ele estando indissoluvelmente ligado aquele outro que estipula que está igualmente salvaguardada a possibilidade de fazer executar essa decisão (e. Como já atrás ficou referido. mas ninguém poderá negar que o Tempo é um Valor.

E. Se tal não acontecer. a empresa poderá ter que encerrar com as inevitáveis e nefastas consequências que tal facto acarreta – despedimentos e consequente perda de postos de trabalho. A este aspecto juntamse “apertadas” regras de Direito do Trabalho. de fulcral importância. O melhor exemplo desta metodologia é o chamado caso da “Autoeuropa”. originadas por uma “Revolução”. poderá sobreviver. é a Justiça em Portugal! Nunca como agora se falou tanto da Justiça (em Portugal) e dos problemas com que se depara. as empresas têm um papel moralizador que não devem descurar. as críticas que lhe são dirigidas partem. entenda que os litígios devem ser resolvidos “na barra”. O que nos leva ao problema da superlotação dos tribunais: chegam a tribunal inúmeras questões jurídicas menos complexas. Se há uma questão controversa na actualidade portuguesa. deparam-se com um dilema: muitas vezes. juízes. honorários dos advogados a que têm forçosamente que recorrer. as empresas. devido ao aumento dos custos que lhe estão associados . é raro. os meios alternativos de resolução de conflitos como a mediação e a arbitragem poderão ser a solução para o contencioso mais frequente e menos complexo que se prende com a cobrança de dívidas. a Justiça tem um custo que tem vindo a aumentar e que as faz ponderar se e quando vale. Na verdade. mas que não há condições financeiras para celebrar. mas que nem por isso deixam de ocupar o tempo de toda a máquina judiciária com os custos que lhe são próprios. aos tribunais. é necessário que os utilizadores do sistema judicial mudem as suas mentalidades e aceitem. Os trabalhadores mantém-se apegados às regras da segurança no (e do) emprego que. Quiçá. O tempo de espera envolve a perda de milhares de euros e a eventual não realização de negócios que se poderiam revelar lucrativos. Na realidade. a menos que se opte por proceder à realização de um acordo. não permitindo que os tribunais se libertem para outras matérias e processos tecnicamente mais complexos que. não apenas. para citar apenas alguns. com diálogo construtivo e criativo e alguma transigência das partes envolvidas. com a mesma força vinculativa de uma decisão judicial. principalmente. muitas vezes por falta de tempo disponível. porém. e funcionários judiciais – como dos cidadãos e/ ou empresas que recorrem. materiais e financeiros. hodiernamente. hoje em dia. que gerou um processo democrático ainda não suficientemente consolidado. fornecedores. a pena recorrer aos tribunais. uma Justiça pouco célere é pouco eficaz. Com efeito. Na verdade. Ora.A Justiça em Portugal Justiça em Portugal. os investidores estrangeiros que optam por investir em Portugal têm que entender as regras laborais portuguesas. Começam. como eu. a surgir situações que demonstram que.Dossier . Analisemos um caso paradigmático: uma empresa em dificuldades económico-financeiras que tem dívidas para com trabalhadores. fornecedores que nunca serão pagos e impostos de diversa natureza que não serão liquidados. pelos valores em dívida não compensa. Esse é um facto que custa a qualquer advogado que. para que esses meios alternativos possam ser eficazes. Se o conseguir em tempo útil. mesmo para as empresas. horários e funcionamento das empresas. económico-financeiramente falando. recorrer ao tribunal com os custos que lhe são inerentes. recuperar e (re)ocupar o seu lugar no mercado. se arrastam nos tribunais por vários anos. não podendo criar a ideia de que quem não cumpre não será penalizado. ela tem-se tornado. satisfazendo os seus compromissos. É natural que este panorama seja um dos motivos que leva as empresas estrangeiras a não verem Portugal como um país a investir. no entanto. é cada vez mais a principal causa dificultadora da existência de empresas rentáveis. Mas a morosidade e ineficácia da Justiça tocam também aquelas empresas que só esporadicamente recorrem a tribunal e que acabam por aguardar Natália Garcia Alves Sociedade de Advogados Abreu Advogados longos e dispendiosos anos até ver solucionado o litígio apresentado. onde se têm conseguido entendimentos entre entidade patronal e trabalhadores que estão a permitir gerir de forma eficiente e rentável os recursos humanos. consiga cobrar as dívidas aos seus devedores. propiciando resultados apreciáveis. Porém. aquelas que vendem produtos ou serviços em massa.P . Todavia. magistrados do M. o resultado final é benéfico para todos. dos actores judiciários – advogados. necessitam de dinamizar através da flexibilização de tarefas. A consumação deste desiderato. mas não há dúvida que o brocado “mais vale um mau acordo do que uma boa demanda” continua perfeitamente actual. efectivamente. honorários e despesas dos solicitadores de execução. Com efeito. respeitem e cumpram as decisões tomadas por essas entidades.taxas de justiça e custas finais cada vez mais elevadas. a recuperação de crédito mal parado é vital para que a empresa volte a equilibrar as suas contas. a questão da morosidade da justiça em Portugal constitui um entrave à competitividade das empresas e à própria economia nacional. não é justo dizer que tudo é negativo no âmbito do Poder Judicial. ouvir “dizer bem” da Justiça em Portugal! Para uns. mais distante. pois há aspectos positivos e passos 26 . cada vez. ao fisco e à Segurança Social. Para a sua recuperação e viabilidade é necessário que. Mas. nomeadamente. ou pretendem recorrer. paralelamente à gestão do negócio. em situação de globalização e de transformação rápida do tecido empresarial. porquê a controvérsia? “Mais vale um mau acordo do que uma boa demanda” continua perfeitamente actual.

toda a sociedade sofrerá. ou seja. acima de tudo. Através dele devemos apurar quanto pagámos para aceder à justiça. a morosidade e ineficácia da Justiça a descredibiliza aos olhos de todos. a médio prazo. A Hidra da Justiça João Correia Sociedade de Avogados Correia. Precisamente para efectivação de tal objectivo. o objectivo maior do poder judicial – a Justiça. acima de tudo. na medida em que. Se bem que só aplicável aos processos que sejam apresentados em tribunal após 1 de Janeiro de 2008. a nossa Justiça tem normativamente consignado um dos sistemas tecnologicamente mais avançadas da União Europeia. Manter-me-ei (ainda que me apelidem de “ingénua”). em especial. incrementar esforços e reunir forças. assim. foram introduzidas recentes alterações ao Código do Processo Civil. nomeadamente as de investimento estrangeiro. nos últimos anos. Finalmente. e não começa nem acaba nos Tribunais.E. a sua absorção pela comunidade. aumentando as alçadas dos tribunais e introduzindo a regra da “dupla conforme”. na introdução recente da plataforma CITIUS nos tribunais cíveis que também permitirá que o tratamento dos processos seja feito. a sua adequação.Dossier . às gerações mais novas dos agentes judiciários. em tempo seja em dinheiro. cidadãos anónimos e empresas. única e exclusivamente. e. realizando-se. se faça uma melhor Justiça! Se tal não acontecer. Como se vê. na possibilidade de utilização de um processo totalmente virtual nos tribunais administrativos e fiscais. a sua adequação. há mais de 10 anos. beneficiando de redução de custas judiciais. A segunda – quem me dera que fosse possível executar – exige que se apure o valor das decisões injustas ou erradas e o valor dispendido por cada cidadão para assegurar o funcionamento do serviço da justiça. e. a “hidra da justiça” integra uma terceira vertente: a rapidez. Esta afirmação consubstancia-se no funcionamento de sistemas de vídeoconferência implementados em todos os tribunais. Seara e Associados Mas não ficamos por aqui. Mas não ficamos por aqui. o que só é possível com decisões rápidas. mas devidamente fundamentadas e profundamente responsáveis. e. e em que é necessário fazer um esforço acrescido para melhorar. a prontidão. pondo de lado as divergências acessórias para que. a sua absorção pela comunidade. se têm vindo a fazer para colocar Portugal como parceiro credível na U. Apesar das dificuldades que referimos. qualquer cidadão e qualquer empresa tem o direito e o dever de indagar se a nossa justiça é cara ou barata. Essa é a primeira análise. em primeiro lugar. Para além dos custos teremos de dissecar a eficácia do serviço da justiça. seja pelos incómodos a que nos tivemos de sujeitar para accionar os meios de efectivação dos meus direitos. a acreditar que é pos- sível continuar a melhorar o sistema judiciário. E esse cálculo começa curiosamente na feitura das leis. pela primeira vez. se é ineficaz e se é rápida ou lenta. rumando no mesmo sentido. que procurarão local mais rentável para nele se constituírem. a celeridade. colocando em crise o desenvolvimento do país e deitando por terra os esforços que. a responsabilidade deste e demais entidade públicas pelos danos decorrentes do exercício de actos da função jurisdicional (e da função político-legislativa). As novas medidas ainda não deram os seus frutos. Caberá a todos nós.A Justiça em Portugal importantes que têm sido dados no desenvolvimento da Justiça Portuguesa. seja 27 . na tentati- va de limitar o recurso para o Supremo Tribunal de Justiça. Acredito que. adoptando um regime monista de recursos cíveis. As funções do Estado podem e devem ser avaliadas sob um ponto de vista económico? Pode um cidadão perguntar quanto lhe custa o serviço da justiça? Pode uma empresa quantificar os danos emergentes e os lucros cessantes de uma decisão tardia ou errada? Deve um cidadão pedir ao Estado que lhe pague os danos patrimoniais e morais por um erro judiciário? Existem mecanismos legais para obter quaisquer dessas reparações? Convém recordar que a clássica imagem da “hidra da justiça” é composta por três elementos: o custo. temos de apreciar a sua clareza. Para além dos custos teremos de dissecar a eficácia do serviço da justiça. permitindo responsabilizá-lo pela “violação do direito a uma decisão judicial em prazo razoável” bem como pelo “erro judiciário”. foi alterado o “regime da responsabilidade extracontratual do Estado” que veio estabelecer. por meios informáticos. Ciente da (ainda actual) complexidade do processo civil. ou seja. creio que o novo regime dos recursos terá a virtude de agilizar a interposição dos mesmos permitindo igualmente uma mais rápida resolução dos diferendos. resolverão algumas das situações impeditivas da existência de um sistema jurisdicional eficiente e eficaz. temos de apreciar a sua clareza.

Esta nova figura veio “paralisar” a cobrança dos créditos em Portugal e onerar a Justiça a expensas dos exequentes.A. Os objectivos legislativos desde 2006. saboreada e experimentada. O principal erro identificado na (in) justiça encontra-se na imagem da torneira. conciliação da defesa do ordenamento do território com a criação de condições que promovam a produtividade e a competitividade das empresas. Desde sempre. a criação do Registo Comercial Bilingue . do I. Portugal. pausada. Actualmente não é necessário utilizar sistematicamente o tribunal para certificar a incobrabilidade das dívidas. como também em todas as formalidades da vida corrente das empresas que estão facilitadas e céleres. por via da desmaterialização do recibo. com as inerentes poupanças de meios e esforços em actividades poderá ser 28 . desde a constituição.A. já implementadas. optimização do trabalho e mais informação. A nível empresarial a cobrança de créditos pela via da acção executiva tornouse extremamente difícil e inaceitavelmente morosa (falamos em anos) com a atribuição aos solicitadores de execução. na presente data é dos Países mais avançados a nível de solicitações empresariais “na hora“. de relevo. mapa. a consulta do estado do processo através da Internet ou a tramitação electrónica dos processos. à liquidação. em frequência maior que a normal ou desejável. o que é manifestamente positivo para as empresas e para a recuperação do crédito malparado. alargada que está a possibilidade de utilização deste rápido mecanismo. gizados e implementados de descongestionar os tribunais. melhor gestão. O saldo não pode deixar de ser positivo. que também não deixa igualmente antever nada de positivo relativamente ao funcionamento da Justiça. senão inversos aos pretendidos.disponibilizar a informação do registo comercial em língua inglesa.A Justiça em Portugal (IN) JUSTIÇA Actualmente não é necessário utilizar sistematicamente o tribunal para certificar a incobrabilidade das dívidas. As reformas têm vindo a acontecer. Os resultados até à data são pouco eficazes a nível do Contencioso. as alterações qualitativas e quantitativas ao Código de processo civil. já implementadas. nos últimos anos. dos mesmos e de cada um a seu tempo. há que realçar as medidas de simplificação na recuperação fiscal. Impõe-se uma urgente cirurgia correctiva ás malformações do sistema. O que seria desejável. às medidas no domínio da injunção. o novo código dos contratos públicos. já na década de 70.V. suficiente e bom para a “colheita” e gerador de tranquilidade. o novo regime processual experimental. na sede reformadora do legislador que ao invés de uma paulatina. que carinhosamente apelidamos de “complex”. apenas. o que também acarreta riscos. Permitir que os operadores possam exercer o seu direito à dedução utilizando esta declaração desmaterializada. Susana Proença Gabinete F. Nem todos os ventos sopram do norte. sem necessidade de se deslocarem aos serviços aduaneiros. desbloquear a acção executiva. o saudoso Professor Antunes Varela alertava para o seu estado canceroso. para melhorar a resposta do sistema judicial quando tenha de ser utilizado para a cobrança de dívidas e criar condições para a desmaterialização de processos e para uma verdadeira utilização dos sistemas de informação e gestão nos tribunais. a Lei de acesso ao Direito. Lembro o Simplex. pelo jorrar desabrido e simultâneo de todas as intenções legislativas. Castelo Branco & Assoc. em Portugal.V. útil. ainda não foi atingida. e pugnava pela necessidade de uma ampla reforma neste sector. Passo a explicar. da sociedade. Toda esta situação terá consequências económicas e sociais a curto e médio prazo. A desmaterialização poderá trazer mais transparência. alterações ao Código Penal e ao Código de Processo Penal. aos recursos. as alterações aos actos notariais. há que realçar as medidas de simplificação na recuperação fiscal. de atribuições outrora pertencentes aos Juízes e aos funcionários judiciais. mais acessos. o novo modelo judicial. as medidas implementadas vieram permitir às empresas maior rapidez em todos os seus actos. A desmaterialização de processos com a entrega de peças processuais on-line. Simplificar o procedimento de pagamento de IVA nas importações. sente-se e vive-se uma maior morosidade nos Tribunais e uma crescente insegurança nos operadores judiciários face á sucessiva e imparável alteração legislativa em todas as matérias. pela inovação e modernismo. na sua maioria mal preparados a nível técnico e com falta de meios para o exercício das funções. rectius. do I. dado que estes para tentarem cobrar o seu crédito têm que pagar aos solicitadores de execução elevadas quantias a título de provisão para despesas e honorários. o que impediu a necessária maturidade de alguns projectos. a Justiça tem estado na ordem do dia. potenciar a melhoria da atractividade das áreas de localização empresarial (ALE). Cumpre ainda efectuar a devida vénia.Dossier . alteração legislativa trocou o necessário gotejar da água. Disponibilizar aos operadores económicos (contribuintes) a faculdade de emissão na Internet da declaração comprovativa do IVA pago em determinado período na Direcção-Geral das Alfândegas e Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC). No ano de 2008 pretende-se: dar continuidade à reforma e á simplificação e assim. Um sistema de cobrança de dívidas eficaz é um factor acrescido de confiança para o investimento. à prática dos actos processuais. mencionado como “a obra do regime”. a devida reflexão e experimentação. simplificar e reduzir encargos administrativos no processo de licenciamento das áreas de localização empresarial.

mormente as estrangeiras1 e em particular no que respeita a matérias que perturbam o seu normal funcionamento. como sejam o direito dos mercados de capitais. Mas.Dossier . vindo a ser alteradas em sede de recurso Esta realidade poderá ser explicada não só pela falta de tempo dos juízes como também pelo maior grau de especialização requerido em determinadas matérias. que a opinião generalizada de que os tribunais são ineficientes é. Estas preocupações têm conduzido a cautelas acrescidas na negociação e celebração de contratos. Castelo Branco & Associados. Pois. Os paliativos legais de combate à morosidade são em grande medida demagógicos.L. Embora seja necessário assegurar a possibilidade de correcção e evolução das decisões jurisprudenciais. a seu bel-prazer. mesmo que se trate de uma questão extremamente simples! Enquanto este problema não for “ceifado”. por exemplo. Apesar de não poderem superar todos os entraves estruturais do sistema. os magistrados podem incumprir os prazos 1 Frederico Bettencourt Ferreira Miguel Esperança Pina Soc. processos de insolvência. Este caso paradigmático de mau funcionamento do sistema afecta não só as partes directamente envolvidas. agravando-se assim o seu congestionamento e a consequente morosidade na aplicação da justiça. como contribui para criar e manter alguma descrença generalizada na Justiça em muitos outros agentes económicos. competentes na sua área territorial para julgar. embora segundo a nossa experiência raramente deixem de investir em Portugal exclusiva ou principalmente devido à ineficiência do sistema de justiça. colocando em causa que tivessem instaurado uma acção. não excluímos que empresas mais habituadas a lidar com o sistema judicial incorporem de forma consciente nos seus preços o custo de um potencial litígio. se mostram injustificadamente divergentes das orientações dominantes da doutrina e jurisprudência.ª Instância. especialização essa que muitos magistrados não possuem. que se encontram actualmente perto da ruptura e incapazes de dar resposta aos litígios que têm de dirimir.A Justiça em Portugal A Ineficiência da Justiça Portuguesa e as Empresas Enquanto este problema não for “ceifado”. Destaque-se aqui o caso dos Tribunais de Comércio. com as consequências nefastas para os cidadãos e para a economia… Outra preocupação frequentemente manifestada é a da falta de previsibilidade dos litígios submetidos aos Tribunais Judiciais. em especial dos Tribunais de 1. como técnicos e profissionais do Foro. os Advogados podem aqui desempenhar um papel importante na defesa dos interesses das empresas que representam. Paradoxalmente. R. Com efeito. malgrado as medidas legislativas tomadas recentemente. justificada. não tem impedido o recurso intensivo aos Tribunais Judiciais. julgamos. especialmente. Estes defeitos são particularmente difíceis de entender por clientes estrangeiros que. sendo de sublinhar a crescente importância atribuída à prestação de múltiplas garantias que dissuadam o incumprimento e/ou tornem menos necessário o recurso aos Tribunais em caso de incumprimento contratual. se feito de modo leviano. desconfiarem da seriedade dos advogados portugueses. mitigando assim os custos da ineficiência do sistema judicial português. a morosidade no andamento dos processos judiciais não é tolerada pelas empresas. a percepção negativa em relação ao sistema judicial. Entre os defeitos apontados à Justiça portuguesa pela maioria das empresas cumpre desde logo sublinhar a sua morosidade. cremos que também estas vêem com profundo cepticismo e desconfiança o funcionamento do sistema judicial português. a morosidade permanecerá. Embora seja um mal que afecte a generalidade do sistema. tal a demora no andamento do processo! 29 . Por outro lado. também é certo que muitas decisões dos Tribunais. Já se chegou ao ponto de empresas marroquinas. sem estarem sujeitos a qualquer sanção. propor meios alternativos de resolução de litígios. após o final do julgamento. suspensões e anulações de deliberações sociais e recursos de contra-ordenações em direito da concorrência. especialmente em pequenas e médias empresas constatamos uma menor propensão para negócios com novos parceiros ou em moldes diferentes dos habituais. a morosidade permanecerá. caso seja necessário. muitas vezes apertados e cominatórios. de Advogados Gonçalves Pereira. No que respeita especificamente às empresas. se os mesmos se adaptarem às partes e às questões concretamente em disputa. ao contrário dos advogados e das partes que estão sujeitos a prazos. a propriedade intelectual ou o direito comunitário. possa levar anos a ser proferida. inexistindo a coragem política de atacar uma das principais fontes desse mal: a impunidade dos magistrados. Advogados com a experiência profissional e académica adequadas e que compreendam a linguagem e a dinâmica empresariais podem aconselhar e acompanhar os seus clientes em negociações pré-contenciosas que permitam evitar litígios desnecessários e. Embora seja uma realidade difícil de determinar com certeza. sediadas num país dito terceiro-mundista. com as consequências nefastas para os cidadãos e para a economia… É tentador criticar e é-o. uma sentença. por exemplo. encontram aí dificuldades que acabam por tornar a sua actividade menos atraente e mais arriscada do que à partida esperariam numa economia da UE. Daí que. como sejam a mediação e a arbitragem.

Efeitos e Saídas A impunidade beneficia claramente os prevaricadores e perverte a lógica do mercado. A reacção nem sempre é boa e com frequência se ouve dizer que o investimento que os clientes haviam encarado não se concretizará. nacionais e internacionais. Sem dúvida que Portugal muito ganharia com uma justiça célere. a empresa contra a qual se pretendia fazer valer um direito requereu declaração de insolvência? São casos reais. quando esse processo apenas tem em vista confirmar uma sentença estrangeira? Não se discute o fundo de qualquer problema. muitos infelizmente derivados da conjuntura económica nacional e internacional. porque nunca se sabe o que pode acontecer. escassez de meios e falta de racionalização na organização e utilização dos mesmos caracterizam o sistema. que não deixe de acautelar as defesas necessárias a todos os cidadãos. Todos vivemos casos de inoperância do sistema judicial ou vemos relatos de situações dramáticas resultantes dos atrazos na decisão de processos judiciais. Com a implantação do Estado de Direito e a abertura de Portugal à Europa. têm vindo a analisar a situação. Como explicar a um cliente que um processo aguarde vários meses por uma decisão. que vivemos no nosso quotidiano. valha a verdade. Excesso de processos pendentes. outros fruto de “habilidades” que evitarão a necessidade de cumprimento de obrigações assumidas.Dossier . segundo um provérbio anglosaxónico “late justice is no justice”. Os poderes públicos têm-se preocupado mais com a justiça penal do que com qualquer outra – quem sabe por ser a mais mediatizada e a que mais dividendos políticos imediatos pode capitalizar. É que. os processos – a maioria dos processos de maior relevo económico ou mediático – arrasta-se incompreensivelmente por diversos anos. Várias organizações. as justiças civil. o sistema de justiça. É um lugar comum dizer-se que o sistema de justiça Português funciona mal. apesar de serem.A Justiça em Portugal Justiça em Portugal 2008 Como explicar a um cliente que um processo aguarde vários meses por uma decisão. da autoria do Forum para a Competitividade. Os códigos de processo continuam a dar inúmeras possibilidades aos advogados – e. se algum dia será necessário recorrer a tribunal e que o panorama acima descrito não Maria de Lourdes Lopes Dias Gabinete Lopes Dias & Associados gera confiança. apenas se pretende fazer executar sentença estrangeira. embora não seja condição suficiente para o desenvolvimento João Santos Sociedade de Advogados MIRANDA CORREIA AMENDOEIRA & ASSOCIADOS económico e social. Ao invés. aos seus clientes – de se socorrerem de expedientes vários que alargam o tempo razoável de pendência dos processos. um dos factores de desincentivo do investimento estrangeiro em Portugal. quando esse processo apenas tem em vista confirmar uma sentença estrangeira? Não ficamos surpreendidos quando ouvimos dizer que a Justiça portuguesa está em crise. em consequência. é verdade. Acrescem também os inúmeros pedidos de declaração de insolvência apresentados nos tribunais de comércio. É bem verdade! O Sistema de Justiça em Portugal – Problemas. mas que não pactue com habilidades e inércias. as solicitações sobre o sistema de justiça cresceram exponencialmente mas a máquina judicial não foi capaz de as acompanhar adequadamente. Facilmente têm concluído que o estado da justiça portuguesa constitui. aque- 30 . entre outros. Nem sempre por força da inoperância dos tribunais. Apesar das várias alterações introduzidas nas leis processuais. é condição necessária para o funcionamento eficiente de uma economia de mercado. E são clientes com capacidade financeira conhecida! Às situação mais frequentes como as que acima refiro acresce a conflitualidade política que se instalou e que leva a que os tribunais administrativos tenham sido inundados de requerimentos de providências cautelares em relação a diversos assuntos. comercial ou fiscal têm sido alvo de menor cuidado. entretanto. Infelizmente. processo que pressupõe uma confirmação prévia da referida sentença no que aos aspectos formais diz respeito e que se encontra legislado por Regulamento Comunitário que não oferece dúvidas? Como explicar a outro cliente que o processo iniciado há dez anos a seu pedido não será julgado porque. seguramente. Segundo o relatório “O Sistema de Justiça e a Competitividade da Economia Portuguesa”.

259. No entanto. em termos gerais. apesar de a sua maioria ter natureza urgente e. empresas de telemóveis. numa óptica de simplificação e. Cada um dos quatro juízos deste tribunal tem cerca de três mil processos distribuídos. Deste ponto de vista. Ademais. pois nele se apreciam e decidem os processos de insolvência. a simplificação das formalidades judiciais. de cartões de crédito. não tem condições de pagar e por aí em diante. Um estudo do Prof. em 2007 o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em Portugal aumentou. de propriedade industrial e os que respeitam à vida das sociedades comerciais . o número de acções civeis iniciadas em 2006 foi de 472. Em 31 de Dezembro de 2006 estavam pendentes nos tribunais portugueses 1. é correcto dizer-se que. a reforma – talvez. De acordo com o presidente do Forum para a Competitividade. de incremento da competitividade das empresas. em segundo lugar. será possível pensar que a Justiça já não será um projecto adiado. vive-se uma crise de confiança entre os agentes económicos quanto às garantias de cumprimentos e de “enforcement” dos contratos que celebram.Dossier . dever ser despachado com precedência sobre os demais processos e sem suspensão em tempo de férias judiciais. denegação de Justiça e factor de ineficiência micro e macro-económica. A partir daqui. Importa. Silva Lopes indica 7 anos de prazo médio de duração das execuções tributárias. por isso. Se do ponto de vista administrativo se têm conseguido progressos assinaláveis na melhoria da qualidade dos serviços públicos aos utentes.. da autoria da Associação Industrial Portuguesa aponta como obrigação das políticas públicas “Melhorar o funcionamento do Sistema da Justiça com o objectivo de assegurar na prática e em tempo útil o cumprimento dos contratos e a segurança da vida económica.. A um nível mais abrangente. em especial. Uma situação com estes contornos é geradora de graves injustiças e ineficácias. como todos sentimos.254. importa resolver dois aspectos que são responsáveis. ao nível do sistema judicial. contra 932.117 em 2004. em termos líquidos. e. publicados em Julho de 2007. conceitos como os do planeamento. contra 534. Justiça lenta é. O Relatório de Competitividade 2007. em especial nos casos em que os mesmos existem apenas para garantir o reembolso do IVA. bancos e seguradoras. de leasing e factoring. em prejuízo daqueles que se esforçam por cumprir pontualmente as suas obrigações. a previsibilidade das decisões e a acessibilidade – em todas as suas dimensões – à Justiça são imperativos da reforma. o sistema de justiça Português é comummente tido como incorrupto e a qualidade média das decisões que produz é bem apreciada. envolvendo. este cenário tem contribuído para descredibilizar a nossa economia além-fronteiras. A ideia disseminada de que a justiça é lenta constitui um estímulo ao incumpri- mento generalizado das obrigações. De acordo com a juíza-presidente do Tribunal do Comércio de Lisboa . 84% face ao ano anterior e 214% face a 2004. privados e públicos: quem não recebe. controlo e medição da eficiência sejam introduzidos. muitos dos quais se encontram “rigorosamente parados”.497 em 2005 e 516. resultantes da aplicação do programa “Simplex”. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao estado da justiça civil.5 mil milhões de euros. em última instância. à falta de outros meios alternativos. desde logo.um dos tribunais mais importantes para os agentes económicos.467 na mesma data do ano 2000. A impunidade beneficia claramente os prevaricadores e perverte a lógica do mercado. Em especial. 31 . a duração média dos processos declarativos findos em 2005 nos tribunais portugueses foi de 23 meses e a dos processos executivos foi de 32 meses – as piores médias desde 2000. o funcionamento da justiça portuguesa contribui também para um pior resultado da economia Portuguesa. importa que.371 acções civis. o que se traduz numa cifra a rondar 6. em larguíssima medida.A Justiça em Portugal las cujos resultados têm maior impacte directo na competitividade da economia e na captação de investimento estrangeiro. Por outro lado. De facto. aliviar os tribunais dos processos de cobrança de dívidas. agilizar os mecanismos de liquidação do património dos devedores. Com efeito. pelos diversos operadores. sejam eles executados ou insolventes. o sistema de justiça Português é recorrentemente apontado pelos potenciais investidores estrangeiros como um dos factores negativos a ter em conta no momento de tomas decisões de investimento. e de satisfação dos credores. com impacto directo na tesouraria dos agentes económicos. com a criação de novos tribunais especializados. revolução – do sistema de justiça não pode continuar a ser um projecto adiado. gera-se um clima de concorrência desleal entre os agentes do mercado. um sistema de justiça mais eficiente permitiria a Portugal captar mais cerca de 10% de investimento do que atrai até hoje. a atribuição de novos meios operacionais aos tribunais. das quais 83% ganhas pelos contribuintes.o “seu” tribunal está na completa ruptura. pela paralisação da máquina judicial em função do número de pendências que lhes estão associados: em primeiro lugar. além de tudo o resto. A implementação do novo mapa judiciário. não perder o que ainda temos de positivo – de acordo com dados da AICEP .” Chegados a este ponto.

A recente alteração do regime das custas judiciais que premeia e convida as pessoas . com a criação dos juízos de execução em algumas comarcas. os advogados e o ministério 32 . com grande destaque para a criação de tribunais de comércio. que verão a justiça realizada de forma mais justa e eficaz. Num universo de pouco mais de um milhão de processos pendentes. A justiça portuguesa especializada é qualitativamente boa. quer por força da entrega a um terceiro. Esta constatação tem de merecer a atenção do Estado. quer por via da especialização dos tribunais. da necessidade de adaptação do sistema à dinâmica das empresas e da vida moderna. o contencioso societário ou o direito da concorrência (pena é que cheguem sistematicamente tarde). apostando fortemente na especialização de competências. Estado a mais gera ineficácia. para se conseguir uma justiça melhor e mais célere. sendo logo no momento da celebração do contrato que – contactando sempre com o advogado . com a sua filosofia client oriented tudo fará. especialmente agora que a figura do agente de execução foi alargada ao advogado. desenvolvendo tribunais onde as empresas se encontram e especializando as suas competências. a propriedade intelectual. Portugal tem um processo por cada cinco habitantes activos. Numa primeira fase o regime quase colapsou. Pereira. Júdice e Associados público que por sua vez terão oportunidade de demonstrar o seu brilho na arena do julgamento e. Enquanto Advogado ligado à litigância comercial e empresarial e. obrigou a uma mudança de mentalidade que estou convencido que irá começar a dar frutos.as partes devem regular a forma de resolver os eventuais litígios. venda e pagamento ao exequente). frequentador assíduo dos tribunais de comércio. na medida em que verão o seu trabalho essencialmente virado para a nobre arte de julgar. Se atentarmos que em 2006 estavam pendentes mais de um milhão e cinquenta mil processos. medida que nos princípios me parece correcta. continuar a desburocratizar os procedimentos e a chegar rapidamente à fase do julgamento. penso que todos ganharão com isso. Portugal parece querer.A Justiça em Portugal A Justiça dos Advogados As empresas. o agente de execução. A iniciativa privada tem uma capacidade e um pragmatismo que.a optar pelos meios alternativos de resolução da justiça (ADR) é também uma medida que eu acredito que venha a fomentar uma mais célere realização da justiça. Esta realidade é espelho. É evidente que a especialização dos tribunais gera maior qualidade das decisões e sendo este o caminho que o Estado parece seguir é importante prosseguir ainda com a adaptação da organização dos tribunais à realidade social e sociológica do país. last but not least. Os juízes. de um sistema judicial declarativo que até há pouco associava as desvantagens do regime italiano com os inconvenientes do sistema norte-americano. onde os cidadãos e as empresas cada vez mais recorrem à justiça para fazer valer os seus direitos e. como tal. Para mais. Recentemente o governo anunciou a intenção de reorganizar o mapa judiciário português. deve ser aplicado na organização e funcionamento da justiça quando ligada à empresa. pendente nos tribunais! Porém. como se pode verificar pelos números que referi acima: alterar práticas centenárias de concentração de todos os serviços nos tribunais. Portugal está a evoluir para uma forma de processo em que a fase escrita tende a ser cada vez menor e a oralidade passa a reinar. M. É interessante verificar que a tensão entre a segurança e a justiça se mantém cada vez mais actual. tenho sido muitas vezes surpreendido com brilhantes decisões sobre complexas questões de natureza especializada em áreas como o direito das empresas. com os procedimentos para cobrança de créditos. Deixo para final a questão da acção executiva. O objectivo é proceder à apreensão de bens e seguidamente à venda no mais curto espaço de tempo para com o produto pagar ao credor exequente. o regime aplicável à acção executiva tem sido objecto de muitas alterações na última década. Nesta. se não houver oposição por parte do devedor. Em geral. dentro destas. a par da especialização. são também o principal utente dos serviços da justiça cível. Nuno Líbano Monteiro Sociedade de Advogados PLMJ – A. por outro. o novo mapa judiciário parecer querer estender à generalidade do país a criação de mais juízos de execução. Está criada a oportunidade para que as associações empresariais e outros grupos de interesses alertem os seus associados para as vantagens da justiça privada. conciliar os princípios da eficácia e especialização com os da justiça nas decisões e sua execução.e particularmente as empresas . Felizmente. verificamos que cerca de novecentos e cinquenta mil são execuções e que estas são maioritariamente instauradas por empresas. temos de considerar que. da operação logística inerente (apreensão. o serviço da justiça é essencialmente logístico. As empresas. a grande fatia da litigância cível em Portugal prende­‑se com as empresas e. nada melhor para falar da justiça portuguesa do que olhar um pouco para os grandes números. dos quais em fase activa encontramos apenas cerca de cinco milhões e meio de pessoas. passo a passo e através de medidas concretas. para além de serem o motor da economia. por causa disto. para assegurar que o crédito do exequente é pago da forma mais célere e eficaz possível. o mercado de capitais. pois conjugava uma fase escrita muito extensa do primeiro com uma audiência muito longa do segundo. Este. por um lado do desenvolvimento do país. Por outro lado. os restantes 90% sofrem as delongas. caso em que – como é evidente – devem ser assegurados todos os meios de defesa. desde que respeitando os princípios constitucionais do estado de direito. Sáragga Leal Oliveira Martins.Dossier . Estou certo que não serão mais de 10% os casos em que o devedor se vem opor ao exequente e. Certus an incertus quando! É difícil falar do sistema judicial português no espaço de uma folha A4! Com a falta de espaço que tenho. sem contar os processos de natureza criminal. as partes. Estou certo que a tormenta judicial é já parte do passado e que o futuro será o de uma justiça eficaz. para além de serem o motor da economia. dentro da legalidade. Portugal tem pouco mais de dez milhões de habitantes. são também o prin- cipal utente dos serviços da justiça cível. Se conseguirmos. Não fazendo uma revolução no sistema judiciário.

que decorreu no dia 26 de Fevereiro no auditório da IBM. Foi uma oportunidade para conhecer esta nova realidade. Thomas Stephenson .Fotos de J.SEPA: What Now and What Next? The view from a Pan-European Bank 33 . SEPA Programme Director. Facilitar o acesso à Justiça. EMEA Cash Management do Citi esteve em Portugal e preparou para os Associados da Câmara um workshop sobre o SEPA. não adversária e expedita. Thomas Stephenson concedeu-nos o privilégio de aceitar ser o orador convidado no almoço conjunto com o American Club. dois processos eficazes para resolver conflitos empresariais foi o tema proposto para ser discutido no pequeno-almoço organizado pela Câmara com o apoio da Mediarcom. que teve lugar no dia 13 de Fevereiro no Hotel Real Palácio. tornando-a mais simples e célere.Sobre a CCAP Galeria de Fotos Tendo apresentado as credenciais no início de Fevereiro. é o objectivo ao se divulgar e promover processos alternativos na prevenção e resolução de conflitos de forma privada. o novo Embaixador dos EUA em Portugal. Workshop . Almoço com orador convidado o Senhor Embaixador dos EUA em Portugal. subordinado ao tema Perspectives on US-Portuguese Relations and Global Challenges o qual foi muito concorrido.Marques Arbitragem e Mediação. que teve lugar no dia 15 de Fevereiro no Hotel Meridien. Breakfast about Conflict Resolution Peter Jameson.

Google adwords Com uma sala cheia. Raquel Sousa Leite e Pedro Penalva 2. Seminário .Sobre a CCAP Realizou-se no dia 10 e 11 de Abril uma acção de formação organizada pela Google sobre marketing online e muito particularmente sobre Google adwords.ª Sandra Marques Esteves e do Dr. A adesão foi muito grande testemunhando a importância destas novas ferramentas de marketing nos dias de hoje. Dr. Emmanuel Obiako. Foto de J. Teixeira dos Santos 1. Ministro das Finanças como orador num almoço que teve lugar no dia 16 de Abril no Hotel Sheraton. tivemos o privilégio de contar com o Sr. Contámos com as excelentes intervenções da Dr. Joseph Williams. Embaixador da Nigéria. Marketing online . Vasco Pinto Basto e Graça Didier Decorreu no dia 22 de Abril no auditório da FLAD um seminário sobre o novo regime fiscal relativo a pagamentos a não residentes e acordos prévios de preços de transferência. John Johnson. O tema abordado foi a situação económica mundial e as implicações da mesma em Portugal.Novo Regime Fiscal Relativo a Pagamentos a Não Residentes e Acordos Prévios de Preços de Transferência 1. Embaixador da Austrália. Teixeira dos Santos e José Joaquim Oliveira Realizámos no passado dia 15 de Abril a Assembleia-geral da Câmara do Comércio Americana em Portugal onde foram aprovados por unanimidade o Relatório de Gestão e as Contas de 2007. Teixeira dos Santos e Rui Machete 3. que de uma forma muito clara e esclarecedora nos puseram a par das últimas novidades sobre esta matéria.José Joaquim Oliveira. Assembleia-geral . Marques 1 1 1 2 3 Almoço com orador convidado o Senhor Ministro das Finanças. Charles Buchanan. Carlos Loureiro e Graça Didier 1 34 . Carlos Loureiro.

R. A Sociedade possui escritório Lisboa. consiste em acompanhar os nossos clientes particulares.1. O nosso negócio. Com a criação da CSA pretendeu-se assegurar uma Advocacia multidisciplinar. Direito da Energia e Direito das Novas Tecnologias.pt A Correia. atendendo às diversas questões da vida das empresas.L. América do Norte e Ásia/Pacífico.pt Website: www. Madeira e ainda correspondentes em todos os países da União Europeia. Estas soluções vão suportar a evolução das redes de clientes de todo o mundo. Gambôa.L. Galante. o primeiro laboratório de Genética Médica certificado pela norma ISO 9001:2000 e o primeiro com certificação CLIA (Clinical Laboratory Improvement Amendments). sendo constituída por uma linha de produtos sem glúten.geral@mail. líder mundial da Protecção Financeira. Direito Marítimo. colocam-no entre os players internacionais. a par do reconhecimento de Qualidade que o CGC tem. um volume de negócios de 94 mil milhões de euros. pelo que tem sido reconhecido através da atribuição de variadíssimos prémios. médias e grandes empresas.º. marca de referência de suplementos alimentares e de alimentação integral e biológica. Coutinho e Alexandre Lda Av. +351 21 350 61 82 / +351 96 159 18 32 Fax: +351 21 350 61 03 E-mail:. luis.. fundada em 1999. Sesimbra. A linha de “Suplementos Alimentares” foi desenvolvida de forma a dar uma solução saudável para os problemas com que todos nos deparamos no nosso dia-a-dia. a diferenciação e o desempe- 35 . Roque e Associados e a Seara.com César Pratas & Associados.filipe. Avenida 5 de Outubro. 34 – 3º. com especial relevo para as questões de Direito Ambiental.º andar 1050-056 Lisboa Telf. corresponde ao desenvolvimento do escritório de Advogados César Pratas Advogados que deu inicio á sua actividade em 1974.cesarpratas.pt A AXA Portugal pertence ao Grupo AXA. Vaz e Associados. Sociedade de Advogados. poupança e transmissão de património. E para quem faz do desporto um modo de vida foi criada uma marca específica.cgcgenetics. cada uma. uma linha de substitutos de refeição. geograficamente distribuída por Portugal e pelo mundo globalizado.com Website: www. entrada múltipla/saída múltipla (MIMO) e acesso múltiplo com divisão ortogonal de frequências (OFDMA). 211 .correiaseara. a execução dos projectos e a assistência dedicada aos seus clientes respectivos. Sociedade de Advogados. Seara e Associados foi criada em Agosto de 2007 e resultou da fusão de dois escritórios sediados em Lisboa: a Correia. que fornece os suplementos alimentares adequados. simultaneamente. as duas empresas vão fazer uso dos recursos de investigação e desenvolvimento que possuem e tirar partido da experiência comprovada que têm ao nível das tecnologias chave sobre as quais a próxima geração de acesso sem fios está alicerçada. O Grupo AXA apresentou. Vilamoura. A sua actividade é geograficamente diversificada. a Alcatel-Lucent e a NEC vão. Correia. o primeiro laboratório com Programa de Rastreio Pré-Natal. Tirando partido da estratégia e da plataforma comuns de LTE da joint venture. Coelho. a cada etapa da vida. Nesta joint venture. R.1. a Alcatel-Lucent e a NEC estão a afirmar o seu compromisso com o investimento em investigação e desenvolvimento e a combinar estes investimentos para acelerar a inovação.: +351 21 355 22 50 / +351 21 330 36 60 Fax: +351 21 355 22 68 / +351 21 314 43 47 Email: csa_lisboa@correiaseara. ou quase exclusiva.: +351 21 253 92 66 Fax: +351 21 255 31 84 E-mail: geral@naturplan. A linha de “Alimentação Saudável” vai de encontro às necessidades primárias e fundamentais. em 2007.: +351 223 389 900 / +351 217 820 600 Fax: +351 222 088 710 / +351 217 820 602 E-mail: dcc@cgcgenetics. 706 . Infante Santo. O CGC pertence à Rede COTEC Portugal e integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia da Saúde – Health Cluster Portugal.telepac. A Sociedade evoluiu e criou diversos departamentos de actuação dentro do Direito Societário e Comercial. 17. Costa.pt A Coutinho e Alexandre comercializam a Naturplan. 7 1050-047 Lisboa Tel. As preocupações do CGC tem sido o rigor e a qualidade dos serviços prestados. possuindo assim capacidade para litigar em qualquer dos países membros. A CGLR contava com a colaboração de 12 advogados e a SCNGV integrava 9 advogados. apresentando-se nos mais diversos formatos.patrocinio@axa-seguros. R. que inclui a participação nos mais conceituados esquemas internacionais de Avaliação Externa de Qualidade nas áreas de actuação. Novidades sobre os Nossos Sócios Alcatel-Lucent e NEC anunciam Joint Venture de Evolução de Longo Prazo (LTE) como primeiro passo de uma colaboração mais alargada Esta joint venture vai-se concentrar no desenvolvimento de soluções de acesso de banda larga sem fios LTE (Evolução de Longo Prazo). Lopes.naturplan. respondendo às suas necessidades em matéria de produtos e serviços de seguros. Seixas.pt Website: www. a Inovação de Produtos e a Gestão da Distribuição. 4000-432 Porto Av. O CGC segue uma rigorosa política de controlo de qualidade.A.pt Website: www. previdência. com maior concentração na Europa Ocidental. a Sport Plan. 5 de Outubro n.º 10-1. Praça Marquês Pombal Nº14 1250-162 Lisboa Telf:. tais como IP . César Pratas & Associados.Sobre a CCAP Novos Sócios AXA SEGUROS S. assegurando assim um acompanhamento personalizado e próximo dos seus clientes. para uma alimentação saudável e rica em nutrientes essenciais para o bem-estar e vida saudável. É desenvolvida em laboratório farmacêutico cumprindo todas as regras e boas práticas de fabrico exigidas pela lei. o CGC é o primeiro Laboratório privado de Genética Médica em Portugal. uma linha de alimentação com produtos de origem 100% biológica e uma linha de alimentação dietética e de chás. deontologicamente capaz de manter uma forte solidariedade com os seus clientes e.: +351 21 385 06 84 Fax: +351 21 388 79 26 Email: cesarpratas. gerir a entrega.com Presidente do Conselho de Administração: Prof. Rua Castilho. exercer uma Advocacia Livre e Independente. Seara e Associados Sociedade de Advogados. Através deste esforço conjunto. Neto. Doutora Purificação Tavares Desenvolvido em 1992. 1350-179 Lisboa Telf. pequenas. A estratégia de desenvolver testes de prestação exclusiva.L. Navega.º andar 1070-051 Lisboa Telf. a Protecção Financeira. O nosso caminho rumo à preferência está traçado e definido na nossa estratégia de diferenciação cujos pilares prioritários são a Qualidade de Serviço. CGC Centro de Genética Clínica Rua Sá da Bandeira.

Irlanda. Os perfis genéticos construídos com base neste conhecimento permitem o estabelecimento de uma medicina personalizada. esta colaboração deverá estender-se a soluções completas baseadas em CDMA de terceira geração (3G). inovadora e de acordo com as suas necessidades específicas. em Lisboa e no Porto dois seminários subordinados ao tema Lean Six Sigma: Qualidade. França. Algarve. Inglaterra onde foram discutidas e aprovadas medidas para continuar a promover o turismo cultural local e regional a um nível internacional. entre outros. Para mais informação por favor consultar www. recursos. Na abertura dos Seminários foi introduzida. Uma nota também para o reposicionamento do segmento Premier do Barclays. que nos desafiam todos os dias a apresentar as melhores soluções.Carlos Borges e Pedro Santos . Portugal. A importância e a actualidade do tema atraíram um elevado número de profissionais das mais variadas empresas a operar em Portugal.Sobre a CCAP nho dos produtos. Actualmente Historic Hotels of Europe é composta por 17 associações e cadeias hoteleiras situadas em 15 países da Europa: Alemanha. em muitas situações. Património e Cultura que os Historic Hotels of Europe pretendem preservar a nível europeu. O Barclays continua a apostar no crescimento da área de Corporate Banking. Áustria. Espanha.HistoricHotelsofEurope. e de testes farmacogenéticos aplicados a variadas doenças multifactoriais desde as cardiovasculares às oncológicas. Itália. seguindo a máxima ‘prevenir antes de tratar’.abordaram os fundamentos desta metodologia altamente eficaz na maximização da rentabilidade das organizações. Por outro lado a farmacogenética permite conhecer a reacção individual a um certo fármaco. A genética médica representa. Madeira. UNL. pt/premier. Suíça e País de Gales. e actuar de forma preventiva sobre essa mesma condição. Esta assembleia teve lugar em Abril. um serviço ímpar e regalias exclusivas para os Clientes deste segmento.barclays. em Ashford. de doença e preventivos. os aspectos ligados às condições. Barclays com aposta forte nas necessidades específicas dos seus clientes O Barclays Bank continua a intensificar a sua presença em Portugal e a servir os seus Clientes de forma diferenciada. servir uma base alargada de clientes globais e estabelecer uma posição de liderança na fase de desenvolvimento inicial do mercado LTE. com) foi fundada em 1997 com o objectivo de promover o património histórico e cultural e uma consciência global das tradições e costumes de cada país da Europa. Luxemburgo. Hungria. e a implementação no CGC de produtos e/ou serviços inovadores. A associação Historic Hotels of Europe (www. O principal objectivo da I&DT do CGC centra-se no desenvolvimento de novos diagnósticos. No futuro. Suécia. e a elaboração de uma terapêutica personalizada com ganho evidente na gestão dos recursos. A continuidade do crescimento da rede de agências a nível nacional (abertura de 65 novas agências em 2007) permite ao Barclays estar cada vez mais próximo dos seus Clientes. A integração nesta rede vem distinguir o carácter inovador do trabalho desenvolvido pelo CGC “na sequência da avaliação conjunta de diversos factores que ponderam. a medicina do século XXI: a medicina voltada para o individuo. que se reflecte na implementação das metodologias e recursos técnico-científicos mais recentes e na criação de novos serviços e/ou produtos. Tecido empresarial português cada vez mais permeável à melhoria do desempenho operacional e financeiro A CopiRisco promoveu. Para finalizar a sessão de continuidade alguns empresários convidados impressionaram a audiência testemunhando os resultados notáveis que as suas empresas tem alcançado por efeito da implementação do Lean Six Sigma. instituição com 16 anos. a equipa da CopiRisco orgulha-se de contribuir para a sensibilização da comunidade empresarial portuguesa no âmbito dos processos de melhoria contínua das organizações. tem-se distinguido não só pelo rigor e qualidade dos seus serviços. Bélgica. no sentido de promover a investigação em áreas de interesse comum. Hoteis Heritage Lisboa eleitos para a direcção dos Historic Hotels of Europe Foi na última Assembleia Geral dos Historic Hotels of Europe que os Hotéis Heritage Lisboa foram eleitos para fazer parte da direcção desta associação. sem qualquer dúvida. um dos campos científicos de maior crescimento. médicos e farmacológicos. No seguimento desta estratégia de desenvolvimento. ilustraram os seus benefícios e descreveram o respectivo processo de implementação. Health Cluster Portugal O CGC faz parte das instituições que promoveram a fundação de um Pólo de Competitividade e Tecnologia da Saúde. a convite da AESE e a APGEI respectivamente. As duas empresas vão disponibilizar as primeiras versões comerciais em 2009 e vão tirar partido da sua experiência comprovada em tecnologias sem fios para assegurar a integração sem problemas da tecnologia LTE nas redes W-CDMA/HSPA e CDMA/EV-DO actuais dos seus clientes respectivos. e constituído em Abril de 2008. Noruega. A sua participação nesta associação tem o objectivo de promover em Portugal os valores da Tradição. Esta oferta renovada inclui flagships e agências dedicadas. sofisticado e de alta qualidade. O objectivo das duas empresas é conseguir uma disponibilidade mais rápida de soluções LTE. entre outras) e com outras instituições ou associações. oferecendo novos produtos e serviços concebidos especificamente para satisfazer as exigências crescentes das empresas modernas. mas também pelo investimento em inovação. CGC Centro de Genética Clínica na COTEC e Health Cluster Portugal O CGC Centro de Genética Clínica. processos e resultados no âmbito da inovação”. 36 . Rapidez e Redução de Custos. o CGC tem privilegiado colaborações com Universidades nacionais (FMDUP . tornando possível a determinação de um risco individual de desenvolver determinada doença ou condição. Grã-Bretanha. Rede de PME Inovação da COTEC Portugal O CGC pertence à Rede de PME Inovação da COTEC Portugal desde Setembro de 2007. Grécia. actualmente. Minho. ou grupo de fármacos. no contexto do desempenho económico dos próprios países. Conhecem-se cada vez melhor os factores genéticos associados à maioria das doenças e condições clínicas humanas. Recentemente o CGC passou a integrar duas iniciativas do mais elevado prestígio: Rede de PME Inovação da COTEC Portugal e o Pólo de Competitividade e Tecnologia da Saúde Health Cluster Portugal. que lançou recentemente uma nova proposta de valor assente num conceito de “well designed banking”. Com os auditórios totalmente preenchidos e a satisfação manifestada pelos participantes. mais tarde designado por Health Cluster Portugal. apresentando um serviço diferenciador em que os Clientes são acompanhados por um Gestor dedicado que os apoia à medida das suas necessidades e preferências. bem como a uma vasta gama de soluções avançadas baseadas em IP e ainda a outras áreas. com o objectivo de promover a internacionalização da capacidade de desenvolvimento e investigação instalada em Portugal. a necessidade das empresas adoptarem processos profissionais de gestão que promovam a produtividade. Os partners da CopiRisco . Os membros Portugueses da associação Historic Hotels of Europe são as Pousadas de Portugal e os Hotéis Heritage Lisboa. que representa.

empresa Chinesa de química-farmacêutica sedeada em Zhejiang na República Popular da China.Sobre a CCAP Hovione compra fábrica na China A Hovione comprou 75% do capital da Zhejiang Hisyn Pharmaceutical Co. que nos permitirá consolidar a nossa posição no mercado. presente em Lisboa e no Funchal. que visa combater o desemprego e combater a info-exclusão através de iniciativas de desenvolvimento de competências nas TIC. Microsoft e CITEVE alargam programa de empregabilidade – para além do sector têxtil. A aquisição representa um importante aumento da capacidade de produção da Hovione. Índia. enquanto a grande produção de rotina terá tendência a deslocalizar-se para a China. A Portugal Telecom (PT) e a IBM Portugal anunciam a conclusão do projecto de migração da infra-estrutura de mainframe que suporta as áreas de facturação e Clientes da PT Comunicações. envio de ficheiros de pagamentos e download do 37 . bem como a possibilidade de actualização de dados online e redução de erro humano. quer pelo Banco. através da implementação de um plano de formação em TIC. em Xangai. lançado em Janeiro de 2006. inclui agora os sectores da Cortiça. Através do ERP . consolida a sua política de expansão para Angola e regista um crescimento global acumulado de cerca de 10%. este alargamento representa para a Microsoft um investimento inicial de mais de 180 mil euros. A Hisyn iniciou a sua relação com a Hovione através de fornecimentos de matérias-primas e agora passou a ser o local de produção dos 2 produtos de maior volume que a Hovione até agora produzia em Loures. um factor que lhe confere um carácter distintivo. A compra inclui um Centro de Investigação. bem como da demonstração do arranque industrial de novos processos. a empresa. a grupos desfavorecidas nos seus dois centros em Lisboa e no Porto. “Os resultados alcançados são um forte sinal de que o presente ano é bastante promissor para a mCorporate. Infra-estrutura Mainframe IBM optimiza serviço prestado aos clientes da Portugal Telecom IBM Portugal responsável pela migração de infra-estrutura mainframe da PTC para o sistema IBM Z/9. e a iniciativa Cais Digital. já se encontra devidamente aprovado pelas autoridades Chinesas. garantindo um maior e mais coordenado número de validações efectuadas. o Programa Escolhas que visa permitir aos Centros de Inclusão Digital do Programa em todo o país. o projecto garante a melhoria do desempenho da empresa de telecomunicações. em 2005. No primeiro trimestre de 2008. A implementação desta solução garante uma maior segurança dos fluxos de informação. A implementação desta iniciativa foi levada a cabo em parceria com a IBM Portugal. Brasil” – afirma Luís Gomes. uma fábrica com 22 mil m2. a Microsoft dispõe de outros dois projectos em Portugal. consulta de movimentos. Índia e Brasil. com o propósito de dotar de competências em Tecnologias de Informação e Empregabilidade a população desempregada das indústria têxtil já formou mais de 1700 pessoas. que pretende melhorar as condições de vida e a sua potencial empregabilidade e contacto com familiares. a empresa conseguiu já o mesmo número de contratos equivalentes ao total de contratos fechados no ano transacto. introduzi-los em novos países e tirar partido do forte crescimento que se vive na China. a empresa estima obter um crescimento da sua facturação na ordem dos 380 mil euros. através da utilização de certificados digitais emitidos por entidades externas credenciadas. os resultados operacionais do investimento em Angola representaram para a mCorporate um total de 15% da facturação global do Grupo. Em 2007. a utilização do curriculum Literacia Digital. e Metalomecânica Programa TII – Tecnologia. Para o ano corrente. Pelo facto da naioria dos seus clientes pertencerem ao ramo da indústria petrolífera. responsável da Hovione pelas negociações com a Hisyn. Chegado à fase de produção. a Hovione dá resposta numa visão de longo prazo à sua vocação industrial e resolve o problema do clima desfavorável que se vive na Europa relativamente à industria química – acrescenta aquele responsável. O investimento. revela Rui Gomes. de montante superior a US$ 20 m. 40% das quais já reingressaram no mercado de trabalho Com o objectivo de formar mais 1500 pessoas até Julho de 2009. os Clientes Empresa do Millennium bcp têm a possibilidade de realizar operações de consulta de saldos. o que significa. o que equivale a um total de 36 postos de formação e 42 computadores nos novos Centros de Formação. “A Hovione é líder nestes produtos mas vamos querer ganhar quota de mercado. Com uma experiência de mercado de cerca de nove anos. Ltd. O CFO da Hovione considera ainda que a indústria química europeia se vê constrangida a investir na aquisição de unidades de produção noutras localizações. “pois a Europa parece empenhada em multiplicar legislação que fere a nossa competitividade em termos de custos e de rapidez de execução”. “esta é uma aposta ganha uma vez que o sector petrolífero está a gerar grandes margens de lucro e a potenciar o investimento estrangeiro”. Segundo o responsável do Grupo. Actualmente. A empresa está a registar uma forte adesão por parte das empresas localizadas em território angolano e a política passa por conseguir alcançar o maior número de clientes de modo a consolidarmos a estrutura existente”. Portugal foi escolhido pela Microsoft Europa como um dos países piloto para o desenvolvimento desta iniciativa. através do qual se pretende promover a inclusão de populações mais vulneráveis. empresa especializada na prestação de serviços de Assessoria e Consultoria Empresarial nas áreas da Contabilidade. Com este investimento. o Millennium bcp disponibiliza um serviço que permite simplificar os mecanismos de reconciliação bancária na Empresa. e ainda num contexto angolano. Parceria Millennium bcp e Primavera BSS Novo serviço de Banca online para Empresas Com a implementação desta solução. onde o factor preço é decisivo” – afirma Miguel Calado. face a 2006. “Os 30 anos de relações comerciais que a Hovione mantém com a China e os mais de vinte da existência da fábrica da Hovione em Macau são um elemento chave que nos permite encarar este investimento na China com confiança. CFO da Hovione. Director Geral do Grupo. a empresa especializou-se neste sector de actividade. mCorporate afirma-se em Angola A presença efectiva e o crescente número de clientes asseguram o crescimento significativo da empresa numa perspectiva ‘além fronteiras’. “A Hisyn representa para a Hovione um aumento de capacidade importante e uma redução de custos muito significativa. aproximadamente. Este investimento tem como objectivo não só o acesso a uma estrutura de custos de produção e de contexto muito mais competitivos. decidiu investir na sua internacionalização. um aumento de 500%. quer pelo Enterprise Resource Planning (ERP) Primavera. mas também funcionar como uma plataforma para entrar em novos mercados emergentes. numa área de 10ha. Fiscalidade e Recursos Humanos. criando o projecto angolano onCorporate. A mCorporate. Vidro e Cerâmica. empregando 181 pessoas. Inovação e Iniciativa – lançado em Janeiro de 2006. O Programa TII. como a China. para o qual o futuro da Hovione em Portugal passará a ter uma predominância de actividades de investigação e desenvolvimento. com benefícios para o Cliente final. é um projecto pioneiro a nível europeu que representou o primeiro passo da Microsoft no sentido de apoiar o combate ao desemprego..

2005 e 2007) foi galardoada com o prémio “Lloyd’s Loading List Shipping Line”. opta pela estratégia de diversificação e entra no segmento do bacalhau demolhado ultracongelado. preparando neste momento um pacote de lançamento que irá complementar aquele e dar respostas ao que achamos serem as reais necessidades do mercado. 2002. Comer bacalhau é algo que os portugueses gostam. a IFLR . Bacalhau. de qualidade superior e. 2007 e 2008) o prémio “Law Firm of the Year” em Portugal.com Praia D´El Rey Marriott Golf & Beach Resort” Estão de volta à região Oeste os grandes espectáculos tauromáticos. em Portugal. desde os navios.International Financial Law Review. ter uma imagem verdadeiramente inovadora e diferenciadora face ao que existe no mercado. através do ERP . Já este ano a MLGTS viu o seu trabalho reconhecido por uma prestigiada revista internacional. Soares da Silva recebe “Chambers Europe Award for Excellence in Portugal” A Chambers and Partners. A marca Sr.A. América do Norte e América do Sul. Foram também tidas em consideração na avaliação que foi feita às diversas sociedades.www. apostando na eficiência e inovação industrial. foram premiadas as melhores sociedades de advogados europeias. escritórios até serviço ao cliente. Sem a sólida contribuição da sua equipa e a sua rede de agências. “Daring to be different” . A Recer reforça esta corrente lançando em porcelânico um conjunto de propostas que apelida de ARTS. sempre que se pretende expressar individualidade ou mesmo um certo “status”. documentação. verde e laranja) associa-se CRAFT e ASHLEY . Em 2007. assim como do pagamento de impostos. espalhados pelos quatro cantos do mundo aplicam na sua estrutura empresarial. 2000. construída de raiz. O investimento na tecnologia e design continuarão a constituir um forte argumento da marca. tem vindo a adoptar «uma estratégia de expansão sólida e progressiva». Lisboa. que todos os nossos agentes. Coimbra. Austrália. Elaboração de propostas em 3D. Às cores (bege.2007 A Mediterranean Shipping Company (Portugal) S. líder na transformação e comercialização de bacalhau. apostando na qualidade e na garantia que aplica nos seus produtos. O Praia D’El Rey Marriott Golf & Beach Resort disponibiliza um pacote especial de Tourada onde se incluem duas noites de alojamento com pequeno-almoço buffet incluído no restaurante Atlântico Grill. a Recer dispõe de um conjunto de serviços que se destacam das demais ofertas no mercado: Consultoria do Gabinete ECA – Estudos Cerâmicos de Arquitectura. O Lloyd’s Loading List Shipping Line é atribuído ao Armador que melhor preencha as seguintes categorias: cotações.A pensar nos hábitos de conveniência dos consumidores actuais. é. Projectos de decoração cerâmica. desde 1981. Auxílio no dimensionamento de fachadas e revestimentos/pavimentos de acordo com os formatos Recer. A iniciar a comercialização em Portugal e nos países onde já está presente com o bacalhau seco. por outro. nesta área dos produtos cerâmicos. o Grupo conta com três unidades industriais de bacalhau: Tondela. GPCB/Cuatrocasas e Uria Menéndez (escritório de Lisboa). realizou este ano. Galvão Teles. antracite. Serviço de Pintura Manual. Soluções cerâmicas para fachada ventilada. Estiveram presentes representantes das mais conhecidas e reputadas sociedades de advogados europeias. tem o prazer de anunciar. num futuro próximo. questões como o crescimento estratégico inovador ou excelência no serviço ao cliente.A. no sentido de melhorarmos a nossa parceria com os clientes de modo a que cada vez mais consigamos encontrar soluções que satisfaçam as suas necessidades. conjunto de peças decoradas. que lhe permite uma capacidade de processamento de cerca de 6250 toneladas/ano. 2003.. S. Este prémio também se baseia no tipo de serviço que a Companhia realize nos seguintes trades: Africa. Morais Leitão. Esta parceria surge após o Millennium bcp ter desenvolvido uma plataforma que permite receber dos Clientes instruções de consulta e de processamento de ordens de pagamento através de XML (web services). Mediterrâneo. A definição na nova marca obedeceu a dois critérios importantes: por um lado ter um nome de fácil percepção por parte dos consumidores. Mas. O “Chambers Europe Award for Excellence in Portugal” foi entregue à sociedade de advogados Morais Leitão. Para a prossecução do seu trabalho. Prevê-se também. Índia. Bacalhau apresenta-se em duas gamas: Qualidade e Excelência. um jantar no restaurante Atlântico Grill (excluindo bebidas) e um bilhete para assistir a uma das touradas que se realizam na zona. Galvão Teles. através da marca – O Sr. nacional e internacional. surge esta oferta que faz valer os argumentos de ser um produto pronto a cozinhar. Extremo Oriente. o mais prestigiado directório internacional na área da advocacia. Oliveira do Bairro e Porto) e Internacionais (Espanha e França). Alargando-se para o segmento de bacalhau demolhado. 38 . Estavam também nomeadas as sociedades PLMJ. castanho.Sobre a CCAP respectivo retorno e da listagem de ficheiros de retorno. recorrendo à respectiva identificação através da utilização de certificados digitais emitidos por entidades certificadoras credenciadas. bookings. que pela sexta vez (1996. Destacamos a série ARTS: o papel de parede retoma hoje o protagonismo na decoração de espaços. com um investimento na ordem dos dez milhões de euros. Este prémio é o testemunho do profissionalismo da MSC e do excelente serviço de atendimento ao cliente.A. Apoio na reprodução de peças antigas. em Novembro de 1981.mscportugal. Deslocação de técnicos à obra. logística. a MSC nunca teria ganho este prémio. a disponibilização do envio de ficheiros de transferências internacionais e de cobranças. Desde a sua constituição. e prometemos continuar a desenvolver o nosso profissionalismo. Serviço Personalizado nos Salões de Exposições Nacionais (Batalha. Gafanha da Nazaré e Gafanha da Nazaré.. Uma estratégia de expansão sólida e progressiva A Rui Costa e Sousa & Irmão. Agarraremos esta oportunidade para nos tornarmos mais competitivos e desafiadores. A cerimónia teve lugar em Barcelona no dia 8 de Maio. tendo constituído em 2002 uma empresa no Brasil iniciando assim o processo de internacionalização. a cerimónia de entrega dos prémios “Chambers Europe Awards for Excellence”. Soares da Silva & Associados. Nesta cerimónia. pelo que visamos oferecer o melhor produto. confiança e serviço ao cliente. pela primeira vez. relativamente ao trabalho desenvolvido no último ano e tendo por base uma pesquisa efectuada pela Chambers Europe a um universo alargado de empresas que exercem a sua actividade no mercado europeu. pois este deve-se ao excelente grupo de profissionais que a integram e que se estende. actualmente. Médio Oriente. RECER com novo investimento em tecnologia e design A Recer irá dar continuidade em 2008 ao projecto iniciado com o “Senses’ 07”. ao receber pela terceira vez em quatro anos (2005. S. a quem mais ficamos a dever este prémio é aos clientes que continuam a confiar-nos as suas cargas e que constituem o nosso suporte e mais-valia. “Lloyd’s Loading List Shipping Line” . Para além destas novas propostas. VDA. a Rui Costa e Sousa & Irmão. a empresa criou um conceito inovador que pretende valorizar esta categoria de produto. a empresa apostou numa unidade industrial moderna.

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