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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA


FUNDAMENTOS DE ENGENHARIA DE MATERIAIS 5
PROFESSOR: ORESTES ALARCON

Alumínio e Suas Ligas


Estrutura e Propriedades

Texto traduzido e adaptado de: SMITH, Willian F. Structure and


Properties of Enginnering Alloys, 2nd ed.: Capther 5: Aluminium
Alloys. New York: McGraw-Hill, Inc, s.d.

Autores:
Carlos Alberto B. Martins
Claudio A. Treml Junior
Fabiano Franquini
Lindomeilo José de Souza
Michel Marino Küchler

Florianópolis – SC
Abril 2003

1
CAPÍTULO 5 – LIGAS DE ALUMÍNIO

O alumínio aparece em segundo lugar no ranking atrás apenas do ferro e do aço no


mercado dos metais. Em 1989 os Estados Unidos produziram 4,03 milhões de toneladas, com
recipientes e embalagens abrangendo 26,6% do mercado e 19,1% para outros fins (Tabela 5.1). A
Figura 5.1 mostra como a produção de alumínio nos Estados Unidos cresceu rapidamente a partir
dos anos 70.
O rápido crescimento da indústria do alumínio está atribuído unicamente a combinação das
propriedades que fazem deste o mais versátil de engenharia e materiais de construção. O alumínio
tem peso leve, porém algumas de suas ligas têm resistência tão alta quanto o aço estrutural. Têm
boa condutibilidade elétrica e térmica e alta refletividade a luz e ao calor. Têm alta resistência à
corrosão sob as mais altas condições de trabalho e é não-tóxico. O alumínio pode ser fundido e
trabalhado em quase todas as formas e pode-se obter grande variedade de formas. Com todas
estas propriedades apresentadas, não é surpresa que as ligas de alumínio vêm sendo de
primordial importância para engenharia de materiais.

5-1 PRODUÇÃO DE ALUMÍNIO

Redução

O alumínio é um dos elementos metálicos mais abundantes na crosta terrestre, mas


sempre ocorre no estado combinado com outros elementos como o Fe, Si e O. A bauxita, hidróxido
de alumínio hidratado, é o principal minério utilizado pra a produção do alumínio. Sendo o óxido de
alumínio puro extraído da bauxita através do processo Bayer.

TABELA 5-1 - Consumo de alumínio recente por categoria de mercado*


1989 1988
% mudança
Categoria de mercado Milhões % de Milhões % de 1988 - 1989
de libra mercado de libra mercado
Edifício e construção 2,858 16,4 2,901 17,2 -1.5
Transporte 3,341 19,1 3,386 20,1 -1.3
Bens de consumo duráveis 1,222 7,0 1,296 7,7 -5.7
Elétricos 1,497 8,6 1,479 8,8 1.2
Maquinaria e equipamentos 976 5,6 959 5,7 1.8
Recipientes e embalagens 4,638 26,6 4,489 26,7 3.3
Outros 585 3,4 593 3,5 -1.3
Domésticos em geral 15,117 86,7 15,103 89,7 0.1
Exportação 2,336 13,4 1,734 10,3 34.7
Remessa líquida ajustada 17.453 100.0 16.837 100.0 3.7

2
Ajustamento estatístico -1,027 -413
Remessa líquida total 16,426 16,424
* Fonte “1989 Annual Statistical Review, “ The Aluminiun Association, Inc., Washington, D.C., 1990.

FIGURA 5-1
Histórico da produção da indústria
de alumínio nos Estados Unidos e
Canadá.

FIGURA 5-2
Célula eletrolítica usada para produção de alumínio. (Cortesia de Aluminiun Company of América)

O processo Bayer refina o grão e calcina a bauxita com o tratamento térmico de hidróxido
de sódio que converte o alumínio em minério de sódio conforme a reação:

Al2O3 +2NaOH → 2NaAlO2 + H2O (160 – 170ºC)

Após a separação do resíduo insolúvel, constituído principalmente de óxido de ferro e


sílica, a solução de alumínio é resfriada lentamente a 25 – 35ºC para precipitação do hidróxido de
alumínio [Al(OH)3] de acordo com a reação

NaAlO2 + 2H2O → Al(OH)3 + NaOH

3
O Al(OH)3 é então refinado, lavado e calcinado à 1100ºC para produção de óxido de
alumínio, Al2O3.
O óxido de alumínio é dissolvido em um banho de criolita fundida (Na3AlF6) e eletrolizado
em células eletrolíticas de carbono, usando como ânodo e cátodo o carbono. No processo de
eletrólise (processo Hall) o alumínio fundido é depositado no estado líquido no cátodo de carbono,
revestindo a parte inferior da soleira do lote eletrolítico, sendo que tenha maior densidade. Durante
a eletrólise, o oxigênio é liberado pelo ânodo, quando este ataca o carbono e forma CO e CO2. O
alumínio fundido é periodicamente liberado pelas células e tratado no estado fundido, o que
promove a remoção do excesso de óxido e de outros gases . A célula de liberação do alumínio
geralmente contém 99,5 a 99,9% de alumínio tendo, como impurezas, principalmente, ferro e
silício.

Fabricação primária

REFUSÃO E FUNDIÇÃO. O passo inicial para o processamento do alumínio é a operação de


refusão. Primeiro, as fornalhas são carregadas com alumínio liquido vindo das células de redução
ou com lingotes que são refundidos. Elementos de liga, lingotes de liga mestre e sucatas são
adicionados conforme necessidade. O metal fundido, refundido na fornalha é limpo com a retirada
da escória da superfície. No metal liquido retira-se também o fundente por escorificação ou com
gás a base de cloro para remover o gás de hidrogênio dissolvido. Quando o gás a base de cloro
forma bolha no metal líquido, o gás hidrogênio dissolvido é removido por ações químico-
mecânicas.
Após o metal estar limpo e desgaseificado é, então, separado e vazado. A forma do lingote
como lâminas ou tarugos extrudados são usualmente fundidos em métodos de fundição direta em
coquilha. Neste processo o metal fundido é liberado em um molde e solidificado, o fundo do molde
é enfraquecido para que o metal possa ser continuamente fundido em lingotes de
aproximadamente 14 pés de comprimento. O lingote possui seções de, aproximadamente, 18 por
64 polegadas.

TARUGOS. No caso de lâminas de lingote, quase metade do metal é removido da superfície do


lingote por estar em contato com rolos da conformação a quente. Este acabamento assegura a
limpeza, polindo a superfície para a fabricação de chapas finas.

PRÉ-AQUECIMENTO OU HOMOGENEIZAÇÃO. Os lingotes de liga laminados são aquecidos de


10 a 24h permitindo a difusão atômica para homogeneizar a estrutura vazada. Muitos constituintes
também são adicionadas na solução sólida, assim como a liga 3003 rica em manganês. A

4
temperatura de pré-aquecimento deve ser mantida abaixo do ponto de fusão dos constituintes com
menor ponto de fusão.

LAMINAÇÃO A QUENTE. Os lingotes pré-aquecidos são reaquecidos à temperatura de laminação


a quente e são laminados em quatro rolos de laminação reversos. As placas neste laminador são
deformadas com espessura de 3 polegadas, então, são reaquecidas e mais adiante reduzidas de
¾ de 1 polegada em uma laminação intermediária. A redução é usualmente conduzida fora do
processo de laminação a quente para produzir metal com 0,1 polegada de espessura.

LAMINAÇÃO A FRIO. Depois do recozimento intermediário, o metal é laminado a frio até a


espessura desejada. Tratamentos de recozimento intermediário podem ser requeridos. A
quantidade máxima de redução que pode ser adquirida no simples passe através do laminador
depende da liga e do tratamento da placa sendo laminada. A redução percentual pode variar entre
30 - 65%. O recozimento final das chapas finas pode ser necessário. Quando se deseja uma
camada de óxido muito pequena, utiliza-se fornos especiais de atmosfera inerte.

5-2 CLASSIFICAÇÃO E DESIGNAÇÃO DOS TRATAMENTOS DAS LIGAS DE ALUMÍNIO

Classificação

ALUMÍNIO E LIGAS DE ALUMÍNIO TRABALHADOS. O sistema de quatro dígitos numéricos é


usado para identificar alumínio e ligas de alumínio trabalhados. O primeiro dígito indica o grupo da
liga. O penúltimo dígito identifica a liga de alumínio ou a pureza do alumínio. O segundo dígito
indica a modificação da liga original ou limites de impureza. A tabela 5.2 lista os grupos de ligas de
alumínio trabalhadas.

5
TABELA 5.2 - Grupos de ligas de alumínio trabalhadas
A 1xxx
l
u
m
í
n
i
o
,
9
9
.
0
0
%

m
í
n
i
m
o
Grupos de ligas de alumínio por maior elemento de liga
Cobre 2xxx
Manganês 3xxx
Silício 4xxx
Magnésio 5xxx
Magnésio e silício 6xxx
Zinco 7xxx
Outros elementos 8xxx
Séries não usuais 9xxx

LIGAS FUNDIDAS. O sistema de designação de quatro dígitos numéricos é usado para identificar
o alumínio e suas ligas na forma fundida e lingotes fundidos. O primeiro dígito indica o grupo da
liga. Os dois seguintes dígitos identificam a liga de alumínio ou indicam a pureza do alumínio. O
último dígito, que é separado dos outros por um ponto decimal, indica a forma do produto, isto é,
fundidos ou em forma de lingote. A modificação da liga original ou dos limites de impureza é
indicado por uma letra antes da designação numérica. A letra “x” é usada por ligas experimentais.
Entretanto, as ligas de alumínio fundidas são identificadas mais freqüentemente por três
dígitos. A tabela 5.3 lista os grupos de ligas de alumínio fundidas.

TABELA 5-3 - Grupos de ligas de alumínio fundido


Alumínio, 99.00% mínimo 1xx.x
Grupos de ligas de alumínio por elemento de liga
Cobre 2xx.x
Silício, com adição de cobre e/ou magnésio 3xx.x
Silício 4xx.x

6
Magnésio 5xx.x
Zinco 7xx.x
Titânio 8xx.x
Outros elementos 9xx.x
Séries não usuais 6xx.x

Designação de Tratamento

A designação de tratamento segue a designação de ligas e são separadas por um hífen.


As subdivisões básicas do recozimento são representadas pela adição de um ou mais dígitos (Ex.:
3003-H14).

DESIGNAÇÃO BÁSICA DE TRATAMENTO

F. Como fabricado. Sem controle sobre a quantidade de endurecimento por deformação; não
limita as propriedades mecânicas.
O. Recozimento e recristalização. Tratamento com menor resistência e maior ductilidade.
H. Endurecimento por deformação (abaixo segue as subdivisões).
T. Tratamento térmico para obter estruturas estáveis além de F ou O (abaixo segue as
subdivisões).

SUBDIVISÕES DO ENDURECIMENTO POR DEFORMAÇÃO

H1 Apenas endurecido por deformação. O grau de encruamento é indicado pelo segundo


dígito e varia de 1/4 de dureza (H12) até a dureza total (H18), que é produzida com a
redução de 75% de área.
H2 Endurecimento por deformação e recozimento parcial. Percorrendo de H12 até H18
obtidos por recozimento parcial de materiais trabalhados a frio com resistência inicialmente
mais alta que a desejada. A denominação das ligas é H22, H24, H26 e H28.
H3 Endurecido por deformação e estabilizado. Tratadas por um superenvelhecimento, as ligas
de alumínio-magnésio que são, encruadas e então aquecidas a baixa temperatura,
aumentam a ductilidade e estabilizam as propriedades mecânicas. A denominação das
ligas é H32, H34, H36 e H38.

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SUBDIVISÕES DE TRATAMENTO TÉRMICO

W Tratamento de solubilização
T Endurecido por envelhecimento
T1 - resfriamento a partir da temperatura de fabricação e naturalmente envelhecido
T2 - resfriamento a partir da temperatura de fabricação, deformação a frio e naturalmente
envelhecido
T3 – tratamento de solubilização, deformação a frio e envelhecimento natural
T4 – tratamento de solubilização e envelhecimento natural
T5 - resfriamento na temperatura de fabricação e envelhecimento artificial
T6 – solubilização e envelhecimento artificial
T7 – solubilização e estabilizado por superenvelhecimento
T8 – solubilização, deformação a frio e envelhecimento artificial
T9 – solubilização, envelhecimento artificial e deformação a frio
T10 - resfriado a partir da temperatura de fabricação, deformação a frio e envelhecimento
artificial

TABELA 5-4 - Composições químicas e aplicações de ligas de alumínio puras comerciais.


Ligas % de pureza % de Silício % de Ferro % de Cobre Aplicações
1050 99.50 0.25 0.40 0.05 Tubo bobinado, extrudado
Equipamento químico, tanques
1060 99.60 0.25 0.35 0.05
de carros ferroviários
1100 99.00 1.0 Si + Fe 0.12 nom. Chapa fina de metal trabalhada
1145 99.45 0.55 Si + Fe 0.05 Lâminas para capacitores
1175 99.75 0.15 Si +Fe 0.10 Chapas finas refletoras
Tubo bobinado, extrudado;
1200 99.00 1.0 Si + Fe 0.05
chapa de metal trabalhada
Revestimento de chapas fina e
1230 99.30 0.7 Si + Fe 0.10
chapas grossas
Lâminas para capacitores;
1235 99.35 0.65 Si + Fe 0.05
tubos
1345 99.45 0.30 0.40 0.10
1350 99.50 0.10 0.40 0.05 Condutores elétricos

5.3 ALUMÍNIO COMERCIALMENTE PURO

Composição Química e Aplicações Típicas

A pureza do alumínio comercial varia de 99,3% à 99,7% de Al. O alumínio de alta pureza é
utilizado para aplicações como ligas condutoras elétricas e placas refletoras. O metal de baixa

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pureza, adicionado de ferro e cobre, se necessário, é utilizado para produzir ligas da série 1100, a
qual, no modelo comercial, é a liga base de alumínio puro. Ela é relativamente tenaz e dúctil, com
excelente trabalhabilidade e soldabilidade. O alumínio comercial puro responde bem a finalidades
decorativas e apresenta excelente resistência a corrosão. A Tabela 5.4 lista a composição química
e aplicação para os vários tipos de alumínio puro comercial.

Estrutura
A estrutura do alumínio puro (série 1xxx) é caracterizada por uma matriz relativamente
pura de alumínio. Os constituintes insolúveis no alumínio comercial puro são principalmente ferro e
silício, como apresentados nas figuras 5.3 e 5.4. A quantidade de constituintes é uma função da
pureza da liga e distribuição deles (dos constituintes) é função do tipo e da extensão de fabricação
da liga. Uma vez que todas as ligas comercial de alumínio contêm ferro e silício como impurezas, a
insolubilidade dos constituintes ferro e silício são comuns nas ligas, variando na concentração.

FIGURA 5-3
Lâmina metálica 1100-H18, laminada a frio.
Apresenta uma estrutura metálica fluida ao redor de
partículas insolúveis de FeAl3 (escuro. Partículas
remanescentes de constituintes do lingote são
fragmentadas devido ao trabalho. Ataque: 0,5 HF
a
hidratado. (After Metals Handbook, 8 ed., vol. 7,
American Society for Metals, 1972, pág. 242).

9
FIGURA 5-4
Lâmina metálica da liga 1100-0, laminada a
frio e recozida. Recristralizada, grãos
equiaxiais e partículas insolúveis de FeAl3
(preto). Tamanho e distribuição de FeAl3 na
estrutura trabalhada não são afetados pelo
recozimento. (0.5% ácido fluorídrico
hidratado; 500X). (After Metals Handbook, 8
ed., vol. 7 Americam Society for Metals, 1972,
p. 242.)

Propriedades Mecânicas

As propriedades mecânicas para o alumínio comercial puro estão listados na Tabela 5.5. O
limite de resistência a tração para 99,99% Al recozido é de, aproximadamente, 6,5 Ksi, com um
limite elástico de 1,5 Ksi e uma elongação de 50%. Este alumínio super puro não retém a dureza
por deformação a temperatura ambiente, e provavelmente recristalizará. Conforme o nível de
impureza é aumentado, a resistência do alumínio comercial puro aumenta também, alcançando um
máximo da série 1xxx, na liga 1100. A liga 1100 com dureza máxima tem um limite de escoamento
de aproximadamente 24 Ksi, com um limite elástico de 22 Ksi e uma elongação de apenas 5%.

TABELA 5.5 - Propriedades mecânicas típicas do alumínio puro comercial


limite de limite de tensão de
Elongação, Dureza, resistência à
Liga Recozimento resistência à resistência cisalhamento,
% Bhn fadiga, psi
tração, psi elástica, psi psi
O 6.500 1.500 50
1199
H18 17.000 160.000 5
O 9.000 3.000 45
1180
H18 18.000 17.000 5
O 10.000 4.000 43 19 7.000 3.000
1060 H14 14.000 13.000 12 26 9.000 5.000
H18 19.000 18.000 6 35 11.000 6.500
O 12.000 4.000 23 8.000
EC H14 16.000 14.000 10.000
H19 27.000 24.000 2,5
O 11.000 5.000 40 8.000
1145
H18 21.000 17.000 5 12.000
1100 O 13.000 5.000 35 23 9.000 5.000
H14 18.000 17.000 9 32 11.000 7.000

10
H18 24.000 22.000 5 44 13.000 9.000

5-4. LIGA DE ALUMÍNIO – MANGANÊS

Composição Química e Aplicações Típicas

A adição de 1,2% Mn no alumínio comercial puro (0,6% Fe e 0,2% Si) produz uma
moderada resistência a liga de alumínio não tratada termicamente. A adição de manganês
aumenta a resistência da liga por solução sólida e pela fina dispersão de precipitados. Esta
resistência pode ser aumentada pela adição de aproximadamente 1% de magnésio. Estas ligas
são geralmente utilizadas quando moderada resistência e boa trabalhabilidade são necessárias. A
Tabela 5.6 lista a composição química e aplicações para as ligas de alumínio-manganês-
magnésio.

FIGURA 5-5
Liga recozida 3003 (1,2% Mn); a estrutura consiste em
uma fina dispersão de (Mn, Fe)Al6 e α(Al-Fe-Mn-Si)
precipitados. (0.5% ácido fluorídrico hidratado; 500x.)
(After F. Keller in “Physical Metallurgy of Aluminum
Alloys”, American Society of Metals, 1949, pág. 106.)

Tabela 5.6 - Composição química e aplicações da liga alumínio-manganês


Ligas % Mn % Mg % Cu Aplicações
Utensílios de cozinha, equipamentos químicos, cilindros de
3003 1,2 0,12
pressão, folhas serradas, ferramentas para construção
3004 1,2 1,0 Folhas serradas, tanques de estocagem, cilindros de pressão
3005 1,2 0,4 Produtos de construção civil, calhas
3105 0,5 0,5 Produtos de construção civil, calhas

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FIGURA 5.6
Liga 3003 (1,2% Mn) pré aquecida a 540oC,
o
laminada a frio (80%), recozido a 343 C por 250
segundos. A estrutura mostra constituintes
precipitados ricos em manganês nas
discordâncias durante o recozimento. A
recristalização da liga é inibida pelo acúmulo
das discordâncias nos precipitados.

Estrutura
A microestrutura de chapas da liga 3003 (1,2% Mn) na condição recozida é mostrada na
figura 5.5. Embora esta liga seja aquecida a uma alta temperatura (homogeneização), com
o
tratamento por volta de 600 C para dissolver muitos constituintes contendo manganês, depois ela
é trabalhada a frio e posteriormente recozida a 340oC, formando uma fina dispersão de (Mn, Fe)Al6
e α(Al-Fe-Mn-Si) constituintes (Fig. 5.5).
A microestrutura desta liga após o pré-aquecimento a 593oC, trabalhada a frio (80%), e
recozida a 343oC foi estudada por Morris usando microscópio eletrônico de transmissão. Ele
demonstrou que aqueles precipitados ricos em manganês nucleiam preferencialmente no trabalho
a frio deslocando as estruturas durante o recozimento (Fig. 5.6). Estes precipitados inibem o
movimento das discordâncias e, conseqüentemente, formação de contorno de grão de baixo
ângulo (poligonizados). Os precipitados por esse motivo inibem a recristalização e elevam a
temperatura de recristalização da liga.

Propriedades Mecânicas

A tabela 5.7 lista as propriedades mecânicas das ligas de alumínio-manganês-magnésio. A


resistência da liga 3003 é de aproximadamente 3 a 4 Ksi maior que da liga 1100 (isto é, 3003-O
tem um limite de resistência a tração de 16 Ksi comparado a 13 Ksi do 1100-O). A liga 3004 é
reforçada pelo efeito do magnésio no endurecimento por solução sólida, então, este, na condição
recozida, tem um limite de resistência a tração de 26 Ksi. Diversas ligas de baixa resistência, como
3005 e 3105, foram introduzidas em 1953 e 1960, respectivamente. Estas ligas têm desejáveis
combinações de resistência, plasticidade e resistência a corrosão para aplicações na construção
de produtos especiais.

5-5. LIGA DE ALUMÍNIO MAGNÉSIO:

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Composição Química e Aplicações Típicas

As ligas binárias de alumínio-magnésio servem de base para a série 5xxx das ligas de
alumínio não tratadas termicamente. Todavia o magnésio produz substancial solubilidade no
o
alumínio e uma grande diminuição da solubilidade do sólido (14,9% em peso a 451 C) com a
diminuição da temperatura (figura 5.7), as ligas de alumínio-magnésio não apresentam sensível
endurecimento por precipitação com concentrações abaixo de 7% Mg. Entretanto, uma substancial
resistência do alumínio ocorre por endurecimento por solução sólida e causando encruamento.
A tabela 5.8 lista composição química e aplicações das ligas de alumínio-magnésio. Para
propósitos gerais e estruturais, as ligas de Al-Mg contém de 1 a pouco mais de 5% Mg e é muito
difundida na indústria. Estas são apenas poucas ligas binárias de alumínio-magnésio trabalháveis,
como as séries 5005 e 5050. Para aumentar esta resistência, a maioria das ligas de alumínio-
magnésio contém um pouco de manganês (0,1 a 1,0%) e/ou cromo (0,1 a 0,2%). Exemplos de
ligas Al-Mg com adição de cromo são 5052 e 5154. Enquanto que a liga 5056 é um exemplo que
contém manganês e cromo.
Muitas ligas de alumínio-magnésio têm sido desenvolvidas para acabamentos e
decorações. Na redução da quantidade de ferro, silício e outras impurezas, uma série de ligas
decorativas1 foram criadas. Como exemplos temos 5053 e 5252 e as ligas 5x57 como 5357, 5457
e 5657.
As ligas alumínio-magnésio têm uma ampla faixa de resistência, boa plasticidade e
soldabilidade e alta resistência a corrosão. Uma propriedade proeminente das ligas de alumínio-
magnésio é a boa soldabilidade quando, no processo, o arco de solda é protegido por uma
atmosfera de argônio, formando uma liga de alta resistência.

TABELA 5.7 - Propriedades mecânicas típicas de ligas de alumínio-manganês e alumínio-


manganês-magnésio sem tratamento térmico
Limite de tensão de
Resistência elongação Dureza resistência
Liga Têmpera resistência cisalhamento
à tração psi % em 2 in Bhn à fadiga psi
elástica psi psi
3003 O 16.000 6.000 30 28 11.000 7.000
H14 22.000 21.000 8 40 14.000 9.000
H18 29.000 27.000 4 55 16.000 10.000
3004 O 26.000 10.000 20 45 16.000 14.000
H34 35.000 29.000 9 63 18.000 16.000
H38 41.000 36.000 5 77 21.000 18.000
3005 O 19.000 8.000 25 12.000
H18 35.000 33.000 4 18.000
3105 H25 26.000 24.000 8 16.000

1
Impurezas como ferro e silício são especialmente requeridas para promover o brilho caracteríestico das ligas
de alumínio para acabamento.

13
FIGURA 5-7
Diagrama de fases alumínio-
magnésio. [After K. R. Van Horn
(ed.), “Aluminum”, vol. 1 , American
Society for Metals, 1967, pág. 375.]

TABELA 5.8 - Composição química e aplicações da liga alumínio-magnésio


Liga % Composição Aplicações
5005 0,8 Mg Peças, utensílios, enfeites arquitetônicos, condutores elétricos
5050 1,4 Mg Ferramentas para construção, enfeites de refrigeradores, tubos
em espiral
5052 2,5 Mg, 0,25 Cr Chapas serradas, tubos hidráulicos, peças
5056 0,12 Mn, 5,1 Mg, 0,12 Cr Cabos revestidos, rebites para magnésio, telas metálicas
5083 0,7 Mn, 4,45 Mg, 0,15 Cr Impróprio para cilindro de pressão; utilização marinha,
5086 0,45 Mn, 4,0 Mg, 0,15 Cr automotiva, partes de aeronaves, criogênica, torre de TV,
aparelhos de perfuração, componentes de mísseis, capas para
couraças
5154 3,5 Mg, 0,25 Cr Estruturas soldadas, tanques para armazenamento, cilindros de
pressão, serviços em água salgada
5252 2,5 Mg Automobilístico e peças de enfeite
5254 3,5 Mg, 0,25 Cr Peróxido de hidrogênio e tanques de estoque químico
5356 0,12 Mn, 5,0 Mg, 0,12 Cr Eletrodo de solda, arame e eletrodos
5454 0,8 Mn, 2,7 Mg, 0,12 Cr Estruturas soldadas, cilindros de pressão, serviços marinhos,
tubos
5456 0,8 Mn, 5,1 Mg, 0,12 Cr Estruturas soldadas de alta resistência, tanques de estocagem,
cilindros de pressão, serviços marinhos
5457 0,3 Mn, 1,0 Mg Peças de enfeite (boa plasticidade em recozimento)
5652 2,5 Mg, 0,25 Cr Peróxido de hidrogênio e tanques de estocagem química
5657 0,8 Mg Peças de enfeite (bom brilho)

Estrutura
O magnésio, na maioria das ligas alumínio-magnésio está presente em solução sólida.
Entretanto, quando a concentração de magnésio nas ligas de Al-Mg excede, aproximadamente,
3,5%, Mg2Al3 pode precipitar a temperaturas baixas no tratamento térmico ou no resfriamento lento
a partir de elevadas temperaturas. Como exemplo, temos a liga 5086, que contém 4% Mg é
o
trabalhada a frio e aquecida em torno de 120 a 180 C. Nesta liga uma contínua rede de Mg2Al3
pode precipitar nos contornos de grão (Fig. 5.8). Esta estrutura é indesejável uma vez que pode
tornar a liga susceptível a trinca por corrosão sob tensão em condições adversas. É então mais

14
desejado, neste tipo de liga, um alívio de tensões em altas temperaturas (i.e. 245oC) e com
processo cuidadoso origina uma dispersão de precipitados finos de Mg2Al3 na matriz da liga,
mostrado na Fig. 5-9.
Partículas de Mg2Si podem também estar presentes nas ligas Al-Mg comerciais
proporcional a quantidade de silício na liga, devido a baixa solubilidade do Mg2Si na presença de
excesso de magnésio. No caso das ligas de Al-Mg contendo cromo e manganês, outras fases
também são presentes, devido ao alto teor de ferro presente em todas as ligas comerciais de
alumínio puro.

FIGURA 5-8.
Liga 5086-H43, laminada a frio e estabilizada
de 120 a 177oC. Partículas indesejáveis de
Mg2Al3 formam uma rede de precipitados nos
contornos de grão; partículas grandes são
fases insolúveis. Este tipo de estrutura é
indesejável por ser susceptível, em algumas
condições, a trincas de corrosão sob tensão.
(After Metals Handbook, 8a ed., vol. 7,
American Society for Metals, 1972, pág. 244.)

FIGURA 5-9
Liga 5456, laminada a frio e com alivio de
tensões a 246ºC. O Mg2Al3 neste caso é
finamente distribuído sobre a matriz, e não
sendo contínuos pela rede de precipitados
nos contornos de grão. Este tipo de
estrutura é mais desejável e menos
susceptível a corrosão. Grandes partículas
são insolúveis na fase como Mg2Si
(escuro) e (Fe, Mn)Al6 (cinza). (After
Metals Handbook, 8a ed., vol. 7, American
Society for Metals, 1972, pág. 244.)

15
Propriedades Mecânicas

As propriedades mecânicas das ligas de alumínio-magnésio trabalhadas e não tratáveis


termicamente estão listadas na tabela 5.9. O limite de resistência à tração das ligas comerciais
alumínio-magnésio, recozidas, varia de 18 ksi, para liga 5005-O, e 45 ksi, para liga 5456-O. As
ligas 5083-O e 5086-O têm uma leve redução na resistência (42 e 38 ksi, respectivamente) quando
comparado a 5456-O. Produtos conformados da liga alumínio-magnésio estão sempre disponíveis
no tratamento de recozimento do tipo O, e usualmente no tratamento H3. O tratamento H3 é
geralmente usado em produtos endurecidos por deformação, uma vez que o tratamento H1
usualmente não é estável a temperatura ambiente. O tratamento H3 produz propriedades estáveis
com altos níveis de elongação e melhores características plásticas.
Embora as ligas de alumínio-magnésio sejam classificadas em não tratáveis termicamente,
a quantidade de magnésio solúvel nas temperaturas de recozimento para as ligas Al-Mg, com mais
que 4% Mg (como a 5083, 5086, 5056 e 5456), é maior que a retida em solução-sólida na
temperatura ambiente. Como resultado, se estas ligas são severamente encruadas e mantidas por
um longo tempo a temperatura ambiente, ocorrerá a precipitação de Mg2Al3 ao longo de bandas de
deslizamento. Também, se estas ligas são expostas a altas temperaturas em condições de
recozimento, a precipitação ocorrerá ao longo de contornos de grãos. Esta precipitação torna
essas ligas susceptíveis a corrosão intergranular em ambiente corrosivo. Por esta razão, o
tratamento H3xx tem sido desenvolvido para eliminar ou minimizar esta instabilidade, então essas
ligas possuem alta resistência.

TABELA 5.9 - Propriedades Mecânicas das ligas de alumínio-magnésio trabalhadas e não


tratáveis termicamente
limite de limite de
elongação tensão de resistência
Trat. resistência resistênci Dureza
Liga % em 2 cisalhamento, à fadiga,
térmico à tração, elástica, , Bhn
polegadas psi psi
psi psi
5005 O 18.000 6.000 30 30 11.000
H14 23.000 22.000 6 41 14.000
H34 23.000 20.000 8 41 14.000
H18 29.000 28.000 4 51 16.000
H38 29.000 27.000 5 51 16.000
5050 O 21.000 8.000 24 36 15.000 12.000
H34 28.000 24.000 8 53 18.000 13.000
H38 32.000 29.000 6 63 20.000 14.000
5052 O 28.000 13.000 25 47 18.000 16.000
H34 38.000 31.000 10 68 21.000 18.000

16
H38 42.000 37.000 7 77 24.000 20.000
5056 O 42.000 22.000 35 65 26.000 20.000
H18 63.000 59.000 10 105 34.000 22.000
H38 60.000 50.000 15 100 32.000 22.000
5082 H19 57.000 54.000 4
5083 O 42.000 21.000 22 67 25.000 22.000
H112 43.000 23.000 20 70 25.000 22.000
H321 46.000 33.000 16 82 28.000 22.000
H323 47.000 36.000 10 84 27.000
H343 52.000 41.000 8 92 30.000
5086 O 38.000 17.000 22 60 23.000 21.000
H32 42.000 30.000 12
H34 47.000 37.000 10 82 28.000 23.000
H112 39.000 19.000 14 64 23.000 21.000
5154 O 35.000 17.000 27 58 22.000 17.000
H34 42.000 33.000 13 73 24.000 19.000
H38 48.000 39.000 10 80 28.000 21.000
H112 35.000 17.000 25 63 22.000 17.000
5454 O 36.000 17.000 22 60 23.000 19.000
H34 44.000 35.000 10 81 26.000 21.000
H112 36.000 18.000 18 62 23.000
H311 38.000 26.000 14 70 23.000
5456 O 45.000 23.000 24 70 27.000 22.000
H24 54.000 41.000 12 31.000
H112 45.000 24.000 22 70 27.000
H311 47.000 33.000 18 75 27.000 24.000
H321 51.000 37.000 16 90 30.000 23.000
H323 51.000 38.000 10 90 30.000
H343 56.000 43.000 8 94 33.000

5.6- LIGAS COBRE-ALUMÍNIO

Composições Químicas e Aplicações

O primeiro trabalho desenvolvido em liga binária Alumínio-Cobre foi nos Estados Unidos
sobre a liga 2025, a qual contém aproximadamente 5,5% de Cu. Entretanto a liga 2025, introduzida
em 1926, está limitada ao uso para materiais forjados. A liga 2219, que contém 6,3% Cu e foi
desenvolvida em 1954, tem substituído em muitos casos a liga 2025. A liga 2219 apresenta maior
e mais alto campo de resistência, assim como uma boa soldabilidade, superior resistência a tensão
de corrosão e melhores propriedades a elevadas temperaturas.
A liga 2011 com 5,5% Cu, 0,4% Bi e 0,4% de Pb é usada quando boas características de
corte e de cavacos são necessárias para produção em altas velocidades nas máquinas de torno.
Esta liga é a liga básica de alumínio para máquinas de tornos e é usada como referência padrão
para a usinabilidade destas ligas de alumínio. A tabela 5.10 lista a composição química de ligas
cobre-alumínio trabalhadas e suas aplicações.

17
Ligas Binárias Alumínio-Cobre

DIAGRAMA DE FASE. O Cobre é um dos mais importantes elementos de liga do alumínio e


produz considerável resistência em solução sólida e com apropriado tratamento térmico pode
formar um grande aumento da resistência pela formação de precipitados. A máxima solubilidade
do cobre no alumínio ocorre com 5,65% Cu à temperatura eutética de 548oC (Fig. 5.10). A
solubilidade do cobre no alumínio diminui rapidamente com a diminuição da temperatura de 5,65%
Cu para menos de 0,1% Cu à temperatura ambiente.

TABELA 5.10 - Composições químicas e aplicações das ligas alumínio-cobre*


Liga % Cu % Mn % Outros Aplicações
2011 5,5 0,4 Bi; 0,4 Pb Produtos torneados
2025 4,5 0,8 0,8 Si Forjados e produtos aeroespaciais
0,06 Ti; 0,10 V; Uso em estruturas em 660oF, alta resistência a
2219 6,3 0,3 0,18 Zr soldagem para aplicações criogênicas e para
partes de aeronaves
0,06 Ti; 0,10 V; 0,18 Zr Uso em estruturas em 660oF, alta resistência a
2419** 6,3 0,3 soldagem para aplicações criogênicas e para
partes de aeronaves e alta tenacidade à fratura
*Depois “ASTM Databook,”publicado em Met. Prog., vol.116, no. 1, mid-June 1979.
**Liga 2419 tem menor nível de ferro e silício do que a liga 2219.

ENDURECIMENTO POR PRECIPITAÇÃO DA LIGA ALUMÍNIO-COBRE TRATADA


TERMICAMENTE. Para alcançar o máximo efeito de endurecimento por precipitação (sem
deformação a frio), a liga alumínio-cobre precisa ser:

o
1. Solução tratada termicamente no campo da fase da solução sólida-α (aprox. 515 C)
2. Temperada até temperatura ambiente ou abaixo desta
o
3. Envelhecida artificialmente entre as temperatura de 130 à 190 C

Considere o endurecimento por precipitação da liga Al-4% Cu:

1.Tratamento térmico da solução. A liga Al-4%Cu deve ser primeiramente aquecida até
aproximadamente 515oC para permitir que os átomos de cobre e de alumínio difundam-se
aleatoriamente em uma solução sólida uniforme. A liga neste estágio consiste em uma solução
sólida α. Esta primeira fase do tratamento térmico para endurecimento por precipitação é
algumas vezes chamada de solubilização.

18
2.Têmpera. Depois de a solução estar tratada termicamente a liga é temperada (resfriamento
rápido) em água para a temperatura ambiente. Este tratamento produz uma solução sólida
supersaturada de cobre no alumínio. A liga Al-4%Cu, nestas condições, não é estável e tende a
formar fases metaestáveis de mais baixa energia do sistema. A força motriz para a precipitação
da fase metaestável é o estado de alta energia da solução sólida supersaturada instável do
cobre no alumínio.

3.Envelhecimento. Se uma precipitação substancial da fase metaestável ocorrer à temperatura


ambiente, é chamado envelhecimento natural. Entretanto, algumas ligas serão endurecidas por
envelhecimento natural com uma resistência satisfatória a temperatura ambiente, enquanto a
maioria das ligas devem ser endurecidas por envelhecimento a elevadas temperaturas, também
chamado de envelhecimento artificial. No caso da liga Al-4%Cu a temperatura para
endurecimento por envelhecimento artificial está geralmente entre 130 e 190oC.

FIGURA 5.10
Diagrama de fase Al-Cu com final
rico em alumínio. [After K. R. Van
Horn (ed.), “Aluminium,”vol. 1,
Americam Societ for Metals, 1967, p.
372.]

ESTRUTURA FORMADA DURANTE O ENVELHECIMENTO DAS LIGAS ALUMÍNIO-COBRE. No


endurecimento por precipitação das ligas alumínio-cobre, cinco seqüências de estruturas podem
ser identificadas: (1) solução sólidas supersaturada, (2) Zona GP1, (3) zona GP2, também
chamada de fase θ”, (4) fase θ' e (5) fase θ, CuAl2. Nem todas estas fases ocorrem em todas as
temperaturas de envelhecimento. As zonas GP1 e GP2 não existem logo acima de suas
temperaturas solvus, e as fases θ’ e θ requerem uma temperatura de envelhecimento
suficientemente alta para sua formação.

Zona GP1. A Zona GP1 é formada a mais baixas temperaturas (i.e.,abaixo de 130oC) e são
criadas pela segregação de átomos de cobre em solução sólida supersaturada na liga Al-Cu. A
Zona GP1 consiste em discos de uns poucos átomos finos (4 a 6 Å de espessura) e com
aproximadamente 80 a 100 Å de diâmetro, formando planos cúbicos {100} na matriz. Até o

19
momento não se sabe sobre a estrutura verdadeira da zona GP1, mas análises recentes de
Dalgren indicam que a zona GP1 contém baixo percentual em cobre.
Uma vez que o cobre tem o diâmetro, aproximadamente 11% menor do que os átomos de
alumínio, o parâmetro de rede cúbica da zona é menor do que da matriz, havendo então uma
estrutura tetragonalmente tensionada. A zona GP1 pode ser detectada por microscopia eletrônica
por causa da associação entre os campos tensionados, como mostra a figura 5.11a. Estas zonas
impedem o movimento das discordâncias, gerando aumento da dureza e diminuição da ductilidade
da liga Al-4%Cu, como indicado na figura 5.12.

θ”). Como no caso da zona GP1, a zona GP2 tem uma estrutura tetragonal e são
Zona GP2 (θ
coerentes com os planos da matriz {100} na liga Al-4%Cu ou tipos similares. Nos primeiros
estágios de sua formação, acredita-se que as zonas GP2 contêm baixo percentual de cobre
(menos que 17% Cu). Com o aumento do tempo de envelhecimento na temperatura de 130ºC, o
conteúdo de cobre aumenta, assim como seu tamanho. O tamanho do campo da zona GP2 está
entre 10 e 40 Å de espessura e entre 100 e 1000 Å de diâmetro. A figura 5.11b mostra as zonas
GP2 coerentes na liga Al-4%Cu. O parâmetro de rede “c” nos primeiros estágios de
envelhecimento é 8,08 Å e diminui para 7,65 Å a medida em que as zonas vão crescendo em
estágios posteriores de envelhecimento. Dahlgren acredita que ocorrem estas mudanças porque
as zonas tornam-se ricas em cobre. A zona GP2 adiciona um aumento na dureza da liga Al-4%Cu
quando envelhecida em temperaturas entre 130ºC e 190ºC, como mostrado na figura 5.12.

Fase θ'. O superenvelhecimento da liga Al-4%Cu ocorre quando forma-se uma fase
completamente incoerente e metaestável em significantes quantidades, fase θ’. Esta fase nucleia
heterogeneamente, especialmente nas discordâncias. O tamanho da fase θ’ depende do tempo e
da temperatura de envelhecimento e alcança um tamanho entre 100 a 6000 Å ou mais no diâmetro
e com espessura de 100 a 150 Å. Esta fase tem estrutura tetragonal, mas com uma redução do
parâmetro “c” para 5,80 Å. A figura 5.11c mostra os precipitados θ’ na liga Al-4%Cu depois de três
dias de envelhecimento a 200ºC. Quando esta fase aparece sozinha, a liga está em condições de
superenvelhecimento, como indicado na figura 5.12.

Fase θ. Envelhecendo em temperaturas de aproximadamente 190ºC ou acima desta, por longos


períodos, produzirá uma fase θ incoerente em equilíbrio, CuAl2. Esta fase tem uma estrutura
tetragonal de corpo centrado, TCC, com a = 6,07 Å e c = 4.87 Å. A fase θ pode formar-se da fase
θ” ou diretamente da matriz. A fase θ forma-se no excesso da fase θ’ e está presente quando a liga
está em condições extremas de superevelhecimento, como indicado na figura 5.12.
A seqüência geral da precipitação da liga binária Al-Cu pode ser representada por:

20
Solução sólida supersaturada → zona GP1 → zona GP2 (fase θ”) → θ’ → θ (CuAl2)

FIGURA 5.11
Liga Al-4%Cu com microestrutura
envelhecida. (a) Al-4%Cu, aquecida em
540ºC, resfriada em água e envelhecida 16
hs a 130ºC. As zonas GP têm se formado
como planos paralelos no plano {100} numa
matriz cúbica de face centrada e sendo neste
estágio átomos finos de aproximadamente
100 Å de diâmetro. Somente planos
dispostos horizontalmente em uma
orientação cristalográfica são visíveis.
(Micrografia eletrônica de 1.000.000 X.) (b)
Al-4% Cu, solução tratada termicamente a
540ºC, resfriada em água e envelhecida por
um dia a 130ºC. Nesta micrografia de finas
lâminas de metal mostram-se campos de
deformação impostos pela zona GP2,
coerente. As regiões escuras que circundam
as zonas mais claras são causadas por

(a) campos de deformação. (Micrografia


Eletrônica de 800.000 X.) (c) Solução da liga
Al-4% Cu tratada termicamente em 540ºC,
resfriada em água e envelhecida por três dias
a 200ºC. Esta micrografia da fina lâmina de
metal mostra a fase θ, incoerente e meta-

(b)

(c)

estável, a qual se forma por nucleação heterogênea e crescente. (Micrografia eletrônica com 25.000 X.)
(After J. Nutting and R. G. Baker, “The Microestruture of Metals” Institute of Metals, 1965, pp. 695 e 67.)

21
FIGURA 5.12
Correlação estrutura e dureza da liga Al-4%
o o
Cu envelhecida em 130 C e 190 C. [After J.
M. Silcock, T. J. Heal, e H. K. Hary, J.
Inst.Met. 82 (1953-54):239, como
apresentado em K. R. Van Horn (ed.),
“Aluminium,” vol. 1, American society for
Metals, 1967, p. 123.]

FIGURA 5.13
Micrografia por transmissão eletrônica da liga
2219 em solução tratada termicamente e em
condições de envelhecimento artificial. A
estrutura mostra precipitados relativamente
grosseiros. (Cortesia da Aluminium Company
of América Resech Laboratóries)

Liga Comercial Alumínio-Cobre Trabalhável

Importantes ligas trabalháveis alumínio-cobre, em uso atualmente, são as ligas 2025, 2219
e 2011. A primeira liga binária alumínio-cobre trabalhável desenvolvida foi a liga 2025 nos Estados
Unidos, que contém 4,5% Cu, 0,7% Mn e 0,8% Si. A liga 2025 está sendo usada ativamente até
hoje para uma extensão limitada de forjados, mas tem sido substituída em muitas aplicações pela
liga 2219.
A liga 2219, introduzida em 1954, contém 6,3% Cu, 0,3% Mn, 0,25% Zr, 0,1% V e 0,06%
Ti. Esta liga tem um grande alcance de resistência (25 a 69 ksi), boa soldabilidade, boa resistência
a corrosão sob tensão e excelentes propriedades a elevadas temperaturas para uma liga de
alumínio. A estrutura da liga 2219 nas condições de endurecimento por envelhecimento é

22
mostrada na figura 5.13 e consiste essencialmente de precipitados θ”. O excesso de CuAl2, θ, que
não é dissolvido durante o tratamento térmico de solução (máxima solubilidade do Cu no Al é
5,65%) se mantém essencialmente, sem mudanças durante o aquecimento e resfriamento e é
esperado um aumento na resistência da liga.
As propriedades mecânicas das ligas 2025 e 2219 são listadas na tabela 5.11. Pelo
tratamento termomecânico apropriado, o limite de resistência a tração da liga 2219 pode ser
aumentada para 69 ksi. O aumento da precipitação na liga pode ser produzido por endurecimento
por deformação depois do tratamento térmico e antes do envelhecimento artificial. O aumento da
densidade de precipitado causado por endurecimento por deformação é refletido no aumento de
resistência obtida no tratamento T8 da liga 2219.

TABELA 5.11 - Propriedades Mecânicas típicas da liga alumínio-cobre tratada termicamente

Resistência à Resistência ao Elongação Tensão de Limite de


Dureza,
Liga Tratamento tração, Escoamento % em 2 Cisalhamento, Fadiga,
Bhn**
psi sob tração* polegadas psi psi***

2011 T3 55.000 43.000 15 95 32.000 18.000


T6 57.000 39.000 17 97 34.000 18.000
T8 59.000 45.000 12 100 35.000 18.000
2025 T6 58.000 370.000 19 110 35.000 18.000
2219 O 25.000 10.000 20
T31, T351 54.000 36.000 17 100 33.000
T37 57.000 46.000 11 117 37.000
T62 60.000 42.000 10 115 37.000 15.000
T81, T851 66.000 51.000 10 130 41.000 15.000
T87 69.000 57.000 10 130 41.000 15.000
1 ksi = 6,89 Mpa
*rendimento de deformação equivalente a 2%
**500-Kg de carga, 10mm diámetro
***Base de 500 milhões de ciclos usando máquina com eixo de rotação tipo R. R. Moore.

A presença de Mn, Zr, V e Ti na liga 2219 elevam a temperatura de recristalização que


atribuirá maior resistência a elevadas temperaturas. A figura 5.14 mostra o comportamento da
tensão de ruptura da liga 2219 depois de 100 e 1000 horas em 200 e 315ºC. Uma modificação
base de alta pureza da liga 2219, que a liga 2419 foi introduzido em 1972. A liga 2419, com mais
baixos níveis de ferro (0,18 % no máximo) e silício (0,15% no máximo.), tem maior tenacidade à
fratura para aplicações estruturais de aeronaves.
A liga trabalhada alumínio-cobre 2011 com 6.5% Cu, 0,04% Bi e 0,04% Pb têm sido a liga
básica de alumínio para tornos, desde que foi introduzida em 1934. Ela tem boas características de
corte e produtos de boa qualidade, cavacos facilmente quebradiços durante a usinagem. O
chumbo e o bismuto, entretanto, diminuem a resistência à corrosão na liga Al-Cu para algumas
extensões.

23
FIGURA 5.14
Comportamento da tensão de ruptura
o
da liga trabalhada de alumínio a 400 F
o o o
(204 C) e 600 F (315 C). (After W. A.
Anderson in “Precipitation from Solid
Solution,” American Society for Metals,
1959, p. 199)

5-7 LIGAS DE ALUMÍNIO – COBRE – MAGNÉSIO

Composições químicas e aplicações típicas

As ligas de alumínio – cobre – magnésio endurecidas por precipitação foram as primeiras a


serem descobertas. A primeira liga endurecida por precipitação foi uma modificação da liga 2017, a
qual possui agora composição 4,0% Cu, 0,6% Mg e 0,7% Mn. A liga 2014 com 4,4% Cu, 0,5% Mg,
0,8% Mn e 0,8% Si, foi desenvolvida mais tarde para ser mais sensível ao envelhecimento artificial
que a liga 2017, e esta liga é a mais empregada atualmente. A liga 2024, com 4,5% Cu, 1,5% Mg e
0,6% Mn, foi originalmente desenvolvida como uma liga envelhecida naturalmente, com alta
resistência, usada em estruturas de aeronaves substituindo a liga 2017. O aumento da resistência
foi obtido pelo acréscimo de Mg contendo de 0,5 a 1,5% desta liga. As tabela 5.12 lista as
composições químicas e aplicações típicas para as mais importantes ligas de Al-Cu-Mg.

TABELA 5-12 - Composição Química e aplicações da liga de alumínio- cobre- magnésio


Liga %Cu %Mg %Mn %Si %Ni % outros aplicações
2014 4,4 0,5 0,8 0,8 Carenagem de caminhões,
Estruturas aeronáuticas
2017 4,0 0,6 0,7 0,5 Produtos torneados, acessórios
2018 4,0 0,7 2,0 Cabeças e pistões de cilindros de
mecanismos de aeronaves
2024 4,4 1,5 0,6 Roda de caminhão, produtos
torneados, estruturas aeronáuticas
2218 4,0 1,5 2,0 Anéis de compressores, rotor de
motor a jato, Cabeças e pistões de
cilindros de mecanismos de

24
aeronaves
2618 2,3 1,6 0,18 Si - 1,0Ni Mecanismos de aeronaves,
- 1,1Fe - 0,07Ti temperaturas a 238ºC

Estrutura
A adição de Mg para as ligas de Al-Cu acelera e intensifica o endurecimento por
precipitação na liga de Al-Cu. Apesar de ter sido uma das primeiras ligas a ser descoberta, os
detalhes dos processos de precipitação das ligas Al-Cu-Mg não são completamente entendidos. A
seqüência de precipitação geral para essas ligas acredita-se ser:

Solução sólida supersaturada → zonas GP → S` (Al2CuMg) → S (Al2CuMg)

(b)
(a)

(C)
FIGURA 5-15
Micrografia eletrônica de transmissão da liga 2024. (50.000 X). (a) liga 2024-T6 foi solubilizada, temperada e
envelhecida por 12 horas a 190°C. A estrutura consiste de zonas GP e placas grosseiras de S’. (b) a liga
2024-T81 foi solubilizada, temperada, deformada 1,5% e envelhecida durante 12 horas a 190°C. A estrutura
consiste de zonas GP e placas S’ na qual são menores e mais numerosas que em a. (c) a liga 2024-T86 foi
solubilizada, resfriada, laminada a frio 6%, envelhecida por 12 horas a 190°C. A estrutura consiste de zonas
GP e pequenas placas de S’. As placas são mais finas e numerosas que em b {After H. Y. Hunsicker in K. R.
Van Horn (ed.), “aluminium”, vol.1, American Society for Metals, 1967, p.150}

25
Acredita-se que as zonas GP são formadas em estágios anteriores ao envelhecimento a
baixas temperaturas, porém sua forma e tamanho não são firmemente estabelecidos. As zonas
consistem de átomos de Cu e Mg coletados nos planos {110}Al . A aceleração do processo de
envelhecimento natural nas ligas de Al-Cu, pela adição de Mg, pode ser feito em parte com um
acréscimo na taxa de difusão feito possivelmente pela compensação dos maiores átomos de Mg
em relação aos menores átomos de Cu. Os átomos de Mg também poderiam aliviar algumas
tensões associadas com os átomos de Cu no Al (fig. 5.11). O efeito dos átomos de Mg, entretanto,
podem ser acelerados nas zonas de crescimento.
O mecanismo da precipitação de S` é firmemente estabelecido, uma vez que, a fase
metaestável S`é incoerente e pode ser facilmente detectada por microscopia eletrônica. Wilson e
Partridge tem mostrado que S´ é nucleado heterogeneamente nas discordâncias e cresce como
ripas nos planos {210}Al na direção <001>. O precipitado S`, formado por tratamento térmico de
solubilização de uma chapa da liga 2024 a 493°C resfriada em água a temperatura ambiente,
envelhecida durante 12 horas a 190°C como mostra a figura 5.15a. Uma vez que a fase S` é
nucleada heterogeneamente nas discordâncias, aumentando o número de discordâncias pelo
trabalho a frio, conseqüentemente, aumentará a densidade das ripas S´. Pela introdução de 1,5%
de trabalho a frio, após tratamento de solubilização e antes do envelhecimento a 190°C, a
densidade de precipitados S´ neste caso foi acrescida (fig. 5.15b) . Com maior trabalho a frio (6%)
entre tratamento de solubilização e envelhecimento a 190°C, o precipitado S` é mais refinado e a
densidade aumenta (fig. 5.15c) .

TABELA 5-13 - Propriedades mecânicas típicas das ligas alumínio-cobre-magnésio


trabalhadas tratáveis termicamente
Tensão de Tensão de
Resistência Elongação, Dureza, Limite de
Liga Tratamento escoamento, cisalhamento,
a tensão, psi % Bhn fadiga, psi
psi psi
2014 O 27,000 14,000 18 45 18,000 13,000
T4, T451 62,000 42,000 20 105 38,000 20,000
T6, T651 70,000 60,000 13 135 42,000 18,000
2017 O 26,000 10,000 22 45 18,000 13,000
T4, T451 62,000 40,000 22 105 38,000 18,000
2024 O 27,000 11,000 20 47 18,000 13,000
T3 70,000 50,000 18 120 41,000 20,000
T36 72,000 57,000 13 130 42,000 18,000
T4, T351 68,000 47,000 20 120 41,000 20,000
T6 69,000 57,000 10 125 41,000 18,000
T81, T851 70,000 65,000 6 128 43,000 18,000
T86 75,000 71,000 6 135 45,000 18,000
2117 T4 43,000 24,000 27 70 28,000 14,000

Propriedades mecânicas
As propriedades mecânicas das ligas Al-Cu-Mg trabalhadas mais comuns são listadas na
tabela 5.13. A tensão de resistência da liga 2014 varia de 27 ksi, na condição recozida, à 70 ksi no

26
tratamento T6. A liga 2024 pode ser endurecida por envelhecimento para 75 ksi se um
endurecimento por deformação for introduzido entre o tratamento de solubilização e o
envelhecimento.
As propriedades das ligas Al-Cu-Mg trabalhadas e tratadas termicamente são grandemente
afetadas pela temperatura de solubilização, como ilustrado pelas propriedades de resistência de
endurecimento por precipitação da liga 2014 no tratamento T4 e T6, conforme figura 5.16. Se a
temperatura de solubilização é baixa, as fases de endurecimento não são completamente
dissolvidas antes do resfriamento e, entretanto, mais baixas tensões de resistência serão obtidas,
uma vez que a densidade de precipitados será mais baixa. Se a temperatura de solubilização é
muito alta, a fusão de algumas das fases com baixas temperaturas de fusão irá ocorrer, resultando
no decréscimo de resistência e ductilidade. Para as ligas Al-Cu-Mg, o tratamento térmico
normalmente praticado a nível comercial é solubilização a uma temperatura 5°C mais baixo que o
menor ponto de fusão eutético.

FIGURA 5.16
Efeitos da temperatura de solubilização das propriedades de resistência sob tensão de uma chapa das ligas
2014-T4 e 2014-T6. (After W. A. Anderson in “Precipitation from Solid Solution”, American Society for Metals,
1959, p. 166.)

27
FIGURA 5-17
Características de envelhecimento de uma chapa de alumínio de liga 2014. Dados do eixo horizontal: Tempo
de envelhecimento em horas. Todos têm a mesma escala. {After H. Y. Hunsicker in K. R. Van Horn (ed.),
“aluminium”, vol.1, American Society for Metals, 1967, p.147}

2024 – não trabalhada a frio 2024-T36 5 a 6%


2024-T3 1 a 2% encruada
após têmpera encruada
Resistência
à Tração
1000 psi
escoamento 1000
Resistência ao

psi
Alongamento
% em 2 pol.

Tempo de envelhecimento, h
FIGURA 5-18
Características de envelhecimento a temperaturas elevadas de uma chapa de liga 2024. {After H. Y.
Hunsicker in K. R. Van Horn (ed.), “aluminium”, vol.1, American Society for Metals, 1967, p.149}

28
O efeito do envelhecimento na temperatura 120 a 205°C, nas propriedades de resistência
sob tensão da liga 2014 solubilizada e resfriada, são mostradas na figura 5.17. Percebe-se que
para cada temperatura o endurecimento por precipitação é muito rápido, e a temperaturas acima
de 120°C ocorrerá rapidamente um superenvelhecimento. O ótimo desempenho para
envelhecimento industrial da liga 2014 é alcançado entre 8 e 12 horas a 170°C.
A taxa e quantidade de endurecimento por precipitação pode ser significantemente acrescido
em algumas ligas pelo trabalho a frio após resfriado, ao passo que, em algumas outras ligas pouco
ou nenhum endurecimento é notado. A liga 2024 é particularmente sensível ao trabalho a frio entre
o resfriamento e o envelhecimento, como é mostrado pelo acréscimo da densidade de precipitação
da fase S`, conforme figura 5.15. O efeito do trabalho a frio entre resfriamento e envelhecimento
das propriedades de resistência sob tensão da liga 2024 é mostrado na figura 5.18. A liga 2024-T6
tem tensão de escoamento de 57 ksi, mas com 6% de trabalho a frio introduzido entre resfriamento
e envelhecimento a tensão de escoamento será elevada a 71 ksi.

5-8 LIGAS DE ALUMÍNIO MAGNÉSIO E SILÍCIO

Composições químicas e aplicações típicas

A combinação de Mg (0,6 a 1,2%) e Si (0,4 a 1,3%) no Al forma as bases para as séries


6xxx das ligas trabalhadas e endurecidas por precipitação de Al-Mg-Si. Na maioria dos casos o Mg
e Si estão presentes nas ligas em quantidades combinadas para formar fases metaestáveis de
compostos intermetálicos de Mg2Si, mas o excesso de Si maior que o requerido para Mg2Si pode
também ser usado. Mn ou Cr são adicionados na maioria das ligas da série 6xxx para aumentar a
resistência e o controle do tamanho de grão. Cobre também aumenta a resistência dessas ligas,
mas se presente em quantidades acima de 0,5% reduz sua resistência a corrosão. A tabela 5.14
lista a composição química e aplicações de algumas das mais importantes ligas Al-Mg-Si
trabalhadas.

TABELA 5.14 - Composição química e aplicações das ligas alumínio-magnésio-silício


Liga %Mg %Si %Mn %Cr %Cu % outros Aplicações
6003 1,2 0,7 Recobrimento de lâminas e chapas
6005 0,5 0,8 Estruturas marítimas
6009 0,6 0,8 0,5 0,38 Corpos de lâminas metálicas
6010 0,8 1,0 0,5 0,38 Corpos de lâminas metálicas
6053 1,3 0,7 0,25 Arames para rebites
6061 1,0 0,6 0,2 0,27 Estruturas de dutos onde a
resistência a corrosão é necessária
6063 0,7 0,4 Canos, móveis
6066 1,1 1,3 0,8 0,9 Forjamento e extrusão para
estruturas soldadas
6070 0,8 1,4 0,7 0,3 Estruturas soldadas de dutos,

29
tubulações
6101 0,6 0,5 Condutores de alta resistência
6151 0,6 0,9 0,25 Moderada resistência de forjamentos
para máquinas automotivas
6162 0,9 0,6 Estruturas que necessitam moderada
resistência

6201 0,8 0,7 Condutores elétricos de alta tensão


6253 1,2 0,7 0,25 2,0 Zn Componentes de arames e barras
revestidas
6262 1,0 0,6 0,09 0,27 0,55 Pb; 0,55 Produtos torneados (melhor
Bi resistência a corrosão que 2021)
6463 0,7 0,4 Baixo Fe Arquiteturas e extrusões
(0,15máx.)

A primeira liga de Al com constituintes de Mg2Si balanceados, foi a 6053, a qual foi
desenvolvida na década de 30 e contém 2% Mg2Si e 0,25% Cr. Esta liga foi seguida pela 6061 a
qual é também uma liga com conteúdo balanceado de 1,5% Mg2Si e 0,25% de Cr, e 0,27% de Cu.
A liga 6061 é uma liga estrutural com resistência intermediária. Usada em grande parte hoje, é uma
das mais importantes ligas de alumínio. As ligas de Al-Mg-Si de alta resistência tal como a 6066 e
a 6070 com mais alto conteúdo de Si foram introduzidas em 1960.
Para facilitar a extrudabilidade de vários formatos, a liga 6066 com mais baixa resistência, foi
desenvolvida, a qual contém em torno de 1% de Mg2Si. Esta liga pode ser resfriada durante ou
depois da operação de extrusão, evitando assim, a expansão do tratamento de solubilização. As
variações da liga 6063 tal como 6463 tem sido desenvolvidas para melhores características de
acabamento. Na liga 6463 o nível de Fe é mantido tão baixo que o brilho do Al será melhorado
após a anodização.

Estrutura
O sistema de endurecimento por precipitação na liga de Al-Mg-Si é possível pelo decréscimo
na solubilidade sólida dos compostos intermetálicos Mg2Si conforme a temperatura diminui. A
figura 5.19 mostra uma seção vertical binária do sistema ternário Al-Mg-Si na composição Mg2Si.
Como visto na figura 5.19, uma liga ternária pseudobinária eutética é formada entre a solução
sólida de Al e Mg2Si. A solubilidade de Mg2Si no Al decresce de 1,85% a temperatura eutética
para, aproximadamente, 0,1% a temperatura ambiente. As ligas que contém aproximadamente
0,6% ou mais de Mg2Si mostram um acentuado endurecimento por precipitação.

30
FIGURA 5.19
Seção binária, diagrama de fase
Al-Mg2Si. {After “Physical
Metallurgy of Aluminium Alloys”,
Amerivan Society for Metals,
1949, p. 78.}

FIGURA 5.20
A liga de Al-1,3%Mg2Si solubilizada a
565°C, resfriada e envelhecida por 24
horas a 160°C para produzir uma condição
de endurecimento por precipitação; a
estrutura consiste de zonas GP e
precipitados β’. {After W. F. Smith, Metall.
Trans. 4 (1973):2435.}

Se uma liga de Al-Mg-Si contendo 1,3% em peso de Mg2Si é solubilizada a 565°C, resfriada
em água, envelhecido a 160°C, formam as zona GP que possuem formato acicular que são
orientadas nas direções <001> da matriz. Quando o máximo de resistência é alcançado durante o
envelhecimento a 160°C por 24 horas, uma alta densidade de precipitado ß’ é formado, com
algumas agulhas curtas sendo observadas. (figura 5.20). Reaquecendo a liga endurecida ao
máximo de Al-Mg-Si por 15 min a 275°C, é observado um crescimento das agulhas ß’, como é
observado na figura 5.21.

31
FIGURA 5.21
A liga de Al-1,3% Mg2Si endurecida por
precipitação pelo envelhecimento a 24 horas
a 160°C. Reaquecida 15 minutos a 275°C;
estrutura mostra agulhas grosseiras dos
precipitados ß’. {After W. F. Smith, Metall.
Trans. 4 (1973):2435.}

A seqüência geral de precipitação no sistema Al-Mg-Si é representada por:

Solução sólida supersaturada → zona GP (agulhas?) → ß’ (Mg2Si) → ß (Mg2Si)

Uma vez que uma coerência na deformação não é observada nas zonas GP ou nos
estágios de precipitação da transição ß’, têm sido constatado que o acréscimo na resistência da
liga Al-Mg-Si é atribuída ao aumento da energia requerida para as discordâncias quebrarem as
ligações Si-Mg quando elas passam através dos precipitados.

TABELA 5.15 - Propriedades mecânicas típicas das ligas alumínio-magnésio-silício


trabalhadas tratáveis termicamente
Tensão de Elongação, Tensão de
Resistência Dureza, Limite de
Liga Tratamento escoamento, % em 2 cisalhamento,
à tração, psi Bhn fadiga, psi
psi polegadas psi
O 16,000 8,000 35 26 11,000 8,000
6063
T6 37,000 32,000 13 80 23,000 13,000
O 18,000 8,000 25 30 12,000 9,000
T4, T451 35,000 21,000 22 65 24,000 13,000
T6, T651 45,000 40,000 12 95 30,000 14,000
6061
T81 55,000 52,000 15 32,000
T91 59,000 57,000 12 33,000 14,000
T913 67,000 66,000 10 35,000
O 22,000 12,000 18 43 14,000
6066 T4, T451 52,000 30,000 18 90 29,000
T6, T651 57,000 52,000 12 120 34,000 16,000
6070 O 21,000 10,000 20 35 14,000 9,000
T6 57,000 52,000 12 120 34,000 14,000
T6 32,000 28,000 15 71 20,000
T6 48,000 43,000 17 100 32,000 12,000
T81 48,000 6 15,000

32
T9 58,000 55,000 10 120 35,000 13,000
T4, T451 42,000 27,000 20 60 22,000 13,000
T6, T651 49,000 43,000 13 95 29,000 13,000
O 16,000 6,000 30 28 11,000
T6 39,000 33,000 13 82 26,000

Propriedades Mecânicas

As propriedades mecânicas das selecionadas ligas Al-Mg-Si tratadas termicamente estão


listadas na tabela 5.15. As ligas Al-Mg-Si são somente de resistência intermediária (45 a 57 ksi no
tratamento T6) uma vez que somente pequenas quantidades de Mg2Si (1 a 2% em peso) podem
estar inclusas na liga por endurecimento por precipitação. As ligas de mais alta resistência dessa
classe são a 6066 e a 6070, no qual tem um excesso de Si próximo do necessário para formar de
1 a 2% de Mg2Si. A liga 6061 tem uma resistência sob tensão de 45 ksi no tratamento T6 e contém
1,6% de Mg2Si. Pela redução da quantidade de Mg2Si para 1,1%, a resistência da liga 6063 é
reduzida para 35 ksi no tratamento T6. A resistência mais baixa da liga 6063 é necessária para
uma fácil extrudabilidade.
As ligas de Al-Mg-Si são usualmente solubilizadas em torno de 520°C. Uma vez que esta
temperatura está bem abaixo da temperatura eutética de fusão destas ligas, existe uma pequena
chance de fusão pelo leve superaquecimento. A liga 6061 pode ser solubilizada a temperaturas
mais altas que 520°C com algum acréscimo na resistência sendo obtido, uma vez que, nem todo o
Mg2Si presente é solúvel nesta temperatura. Como no caso das ligas Al-Cu-Mg, um resfriamento
rápido é requerido para obter resistência máxima. As características no envelhecimento artificial da
liga 6061 são mostradas na figura 5.22. Deve ser notado que as mais altas resistências são
obtidas nas temperaturas mais baixas por longos períodos (135°C por 500 horas). Industrialmente
com propósitos econômicos esta liga é envelhecida de 16 a 20 horas a 160°C.
As mais altas resistências das ligas de Al-Mg-Si são obtidas quando o envelhecimento
artificial é iniciado imediatamente após resfriamento. Perdas de 3 a 4 ksi na resistência ocorre se
estas ligas são envelhecidas a temperatura ambiente de 1 a 7 dias. Contudo existe alguma
recuperação da resistência com um mês ou mais de envelhecimento a temperatura ambiente, a
resistência máxima nunca alcança aquela obtida pelo envelhecimento imediatamente após
resfriamento.

33
( a)

FIGURA 5.22
(b)
Características de envelhecimento de uma chapa
de alumínio da liga 6061 {After H. Y. Hunsicker in
K. R. Van Horn (ed.), “aluminium”, vol.1, American
Society for Metals, 1967, p.147}

(c)

Resistência à corrosão

As ligas de Al-Mg-Si têm excelente resistência a corrosão em toda a atmosfera natural e na


maioria das artificiais. A resistência à corrosão dessas ligas é melhor nos materiais o qual são
rapidamente resfriados e artificialmente envelhecidos para o resfriamento desejado.

5.9 LIGA ALUMÍNIO-ZINCO-MAGNÉSIO E ALUMÍNIO-ZINCO-MAGNÉSIO-COBRE

Composições químicas e aplicações típicas


Combinações de 4 a 8% de Zn e 1 a 3% de Mg no alumínio são usados para produzir a série 7xxx
das ligas alumínio-cobre trabalhadas tratáveis termicamente. Algumas dessas ligas desenvolvem
propriedades de mais alta resistência que qualquer liga base de alumínio comercial.
Zinco e magnésio têm alta solubilidade no alumínio e desenvolve, não usualmente,
características de precipitação de dureza. Adição de cobre de 1 a 2% aumenta as propriedades de
resistência da liga Al-Zn-Mg dando alta resistência a liga de alumínio para aeronaves.
Depois de extensivas pesquisas, ligas 7075 foram introduzidas em 1943. O sucesso do
desenvolvimento do membro proeminente da série 7xxx era possivelmente feita através do

34
benefício do efeito do cromo, ele acrescentou grande melhora na resistência a corrosão sob tensão
da lâmina feita dessa liga. Liga 7075 contém 5,6% Zn, 2,5% Mg, 1,6% Cu e 0,30% Cr. A
modificação da mais alta resistência da 7075, foi desenvolvida a liga 7178 em 1951 e contém mais
altos níveis de Zn, Mg e Cu. A mais alta resistência da liga na produção comercial, 7001, era
introduzida em 1960 e contém 7,4% Zn, 3,0% Mg e 2,1% Cu.
Ligas Alumínio-zinco-magnésio, sem cobre (menos que 0,1%), têm sido desenvolvidas
com resistência intermediária e são soldáveis. Ligas como 7004 e 7005 são usados em estruturas
de caminhões, carro reboque, pontes portáteis e carros ferroviários. A tabela 5.16 lista as
composições químicas e aplicações típicas das ligas Al-Zn-Mg e Al-Zn-Mg-Cu.

TABELA 5.16 - Composição química e aplicações das ligas alumínio-zinco-magnésio e


alumínio-zinco-magnésio-cobre
Ligas alumínio-zinco-magnésio
Liga % Zn % Mg %Cr %Mn %Zr Aplicações
7004 4,2 1,5 0,45 0,15 Estrutura de caminhões e de carro
reboque; carros ferroviários;
7005 4,5 1,4 0,13 0,40 0,14
produtos extrudados.
Ligas alumínio-zinco-magnésio-cobre
Liga % Zn % Mg % Cu % Cr Aplicações
7001 7,4 3,0 2,1 0,30 Estruturas de mísseis
Estruturas de aeronaves e outras, adaptações
7049 7,7 2,5 1,6 0,15
hidráulicas
Estruturas de aeronaves e outras, adaptações
7075 5,6 2,5 1,6 0,30
hidráulicas
Limites de mais baixa impureza que Estruturas de aeronaves e outros (boa
7475
7075 resistência a fratura)
7178 6,8 2,7 2,0 0,30 Estruturas de aeronaves e outras

Estrutura

LIGAS Al-Zn-Mg. Ligas Al-Zn-Mg trabalhadas são reforçadas por reações de precipitação durante
o envelhecimento depois do tratamento térmico e resfriamento. A seqüência de precipitação no
envelhecimento da solução sólida supersaturada é geralmente reconhecido por ser:

Solução sólida supersaturada → zona GP → η’ (MgZn2) → η (MgZn2)

As zonas GP são incoerentes com a matriz e têm forma esférica. A energia interfacial da
zona GP no sistema Al-Zn-Mg é tão baixa que uma alta densidade de pequenas zonas (~30 Å)
pode ser produzido a baixas temperaturas (e.g., 20 a 120oC). A fase intermediária metaestável
semicoerente η’ tem sido descrita como célula unitária monocíclica, enquanto que a fase de
equilíbrio incoerente, MgZn2, η’, é hexagonal.

35
A mais alta resistência obtida da liga Al - 5% Zn - 2% Mg é encontrada por estar associada
com alta densidade de pequenas zonas GP, como é produzida por envelhecimento duplex primeiro
o o
por 5 dias a 20 C e então por 48 h a mais alta temperatura de 120 C. A estrutura da matriz
formada por este tratamento consiste na mais alta densidade de pequenas zonas GP e não mostra
evidências de precipitados da fase semicoerente intermediária (Fig. 5.23a). O primeiro estágio do
envelhecimento duplex cria uma alta densidade das pequenas zonas GP estáveis com pequena
distribuição de tamanho. O envelhecimento a altas temperaturas do segundo estágio dissolve
algumas das pequenas zonas, mas muitos outros crescem largamente da mais extensa a menor
zona (Ostwald ripening). Neste caminho, a mais alta densidade da pequena zona GP é formada a
altas temperaturas.
o
Por envelhecimento duplex a liga Al – 5% Zn – 2% Mg a altas temperaturas (16h a 80 C
o
mais 24 h a 150 C), uma estrutura de precipitados grosseiros é produzida, como pode ser vista no
tamanho do precipitado no contorno de grão na Fig. 5.23b. Único estágio de envelhecimento desta
liga por 24h a 150oC produz uma fina dispersão dos precipitados intermediários η’ com largas
zonas livre de precipitados (Fig.23c). A liga nesta condição tem uma baixa resistência de 40 ksi
quando comparado a 51 ksi de 20oC mais 120oC do material envelhecido por envelhecimento
duplex. O aumento da resistência dessas ligas com maior densidade das zonas GP é atribuído ao
acréscimo da resistência ao movimento das discordâncias aumentado pela alta força de ligações
atômicas existentes nestas zonas. O movimento das discordâncias é mais fácil através dos
espaçamentos entre os precipitados semicoerentes intermediários, η’.

LIGAS Al-Zn-Mg-Cu. A adição acima de 2% de Cu para as ligas Al-Zn-Mg não parecem mudar
seus mecanismos de precipitação. Durante a formação da zona, o cobre nas ligas Al-Zn-Mg-Cu
aparecem uniformemente distribuídos. Cobre na zona GP, entretanto, aumenta sua estabilidade,
assim como fazendo com que estas zonas existam a altas temperaturas quando comparadas a liga
Al-Zn-Mg. O cobre reforça a liga Al-Zn-Mg primariamente por solução sólida, mas também fazendo
algumas contribuições no reforço por precipitação.
Microestruturas das ligas 7075 (uma das mais importantes da série 7xxx) completamente
endurecidas e em condições de superenvelhecimento são mostrados na Fig. 5.24. Nas condições
de completo endurecimento por envelhecimento (T651), as zonas GP são menores ou iguais a 75
Å com alguns η’ (~150 Å) também presentes (Fig. 5-24 a). As partículas mais escuras são
precipitados ricos em cromo que são encontrados em muitas ligas Al-Zn-Mg-Cu. Depois do
o
superenvelhecimento do material T651 a 170 C por 9 h para produzir o T7351, a microestrutura
consiste em η’ (100 a 300 Å) e η (400 a 800 Å) (Fig. 5-24b).
Como no caso da liga Al-Zn-Mg, superenvelhecimento e precipitados grosseiros resultam
em mais baixa resistência. Por exemplo, o material 7075-T651 tem tensão de resistência

36
resultando a 76,7 ksi e escoamento (0,2%) de 66,4 ksi, enquanto o 7075-T7351 possui
precipitados η + η’ resulta em tensão de 63,7 ksi e uma resistência ao escoamento 54,3 ksi.

FIGURA 5.23
Microestruturas das ligas Al – 5% Zn – 2% Mg
envelhecidas por diferentes tratamentos térmicos
para produzir diferentes estruturas de precipitados.
(a) Liga envelhecida por 5 dias a 20oC ksi mais 48 h
o
a 120 C (UTS = 51 ksi). Estrutura consiste em
apenas zonas GP. (b) Liga envelhecida por 16 h a
o o
80 C mais 24 h a 150 C (UTS = 49 ksi). Estrutura
consiste em zonas GP e possivelmente algumas η’.
o
(c) Liga envelhecida por 24 h a 150 C (UTS = 40
ksi). Estrutura consiste em η’. (micrografias de
transmissão por elétron). [After W. F. Smith and N.
J. Grant, Metall. Trans. L (1970):979.]

Propriedades Mecânicas

As propriedades mecânicas das ligas Al-Zn-Mg e Al-Zn-Mg-Cu trabalhadas tratadas


termicamente são listadas na tabela 5.17. A maior resistência a temperatura ambiente de todas as
ligas de alumínio são desenvolvidas nas ligas Al-Zn-Cu-Mg.
Liga 7001, com 7,4% Zn, 3,0% Mg e 2,1% Cu, resulta em uma resistência sob tensão de
98 ksi com uma elongação de 9% quando é tratado termicamente para o T651. Esta é uma liga da

37
série 7xxx de alta resistência. Liga 7075, como é uma das mais comumente usadas na série 7xxx,
tem mais baixos níveis de zinco, magnésio e cobre (5,6% Zn, 2,5% Mg e 1,6% Cu) e tem tensão de
resistência máxima de 83 ksi com 11% de elongação quando tratado termicamente para o T651.
Essas altas resistências são atribuídas a altas densidades da zona GP e precipitados η’ que
podem ser desenvolvidos nestas ligas por tratamentos de envelhecimento duplex.
As características de envelhecimento artificial das lâminas de 7075 são mostradas na Fig.
5.25. Para a redução do tempo de forno do envelhecimento artificial, tem sido desenvolvido
tratamento de envelhecimento duplex por tempo mais curto. Em um envelhecimento prático, lâmina
7075 é envelhecida por 4 h a 100oC mais 8 h a 157oC, enquanto outros são usados em 3 horas a
120oC mais 3 horas a 175oC. Nesse tratamento de envelhecimento, uma alta densidade das
pequenas zonas GP são nucleadas e crescem tanto que em uma alta temperatura de
envelhecimento, a densidade aumenta ao ponto de ficar retida.
Em contraste com a liga Al-Cu-Mg, trabalhadas a frio, as ligas Al-Zn-Mg e Al-Zn-Mg-Cu
entre resfriamento e envelhecimento não tem significativo endurecimento. A liga da série 7xxx não
responde favoravelmente a tratamentos de trabalho a frio e envelhecimento desde que elas sejam
endurecidas quase exclusivamente por formação de zonas e precipitados que nucleiam das zonas.
Assim, introduzindo grande quantidade de novas discordâncias por trabalho a frio depois de
tratamento térmico de solubilização e resfriamento, não são grandemente aceleradas na
precipitação da fase metaestável intermediária como é o caso das ligas Al-Cu-Mg.

38
FIGURA 5.24
Microestruturas da liga 7075 em (a) a T651
completamente endurecida e (b) a T7351 em
condições de superenvelhecimento. (a) 7075 – T651
em comdições de completo envelhecimento a
estrutura mostrada (menor 75 Å)e η’ (~15 Å) na
matriz e 700 Å zona livre de precipitado no contorno
de grão; partículas maiores são precipitados ricos em
cromo. (b) 7075 – T651 envelhecidas a 175oC por 9 h
para superenvelhecimento da têmpera T7351, com η’
(100 a 300 Å) e η (400 a 800 Å) na matrix e 900 Å
zona livre de precipitado no contorno de grão.
(Micrografia por transmissão de elétrons). [ After P.N.
Adler et al., Metall Trans. 3(1972): 319.]

(b)

TABELA 5.17 - Propriedades mecânicas típicas das ligas alumínio-zinco-magnésio e


alumínio-zinco-magnésio-cobre trabalhadas tratáveis termicamente.
Tensão de Tensão de Limite de
Resistência à Elongação, Dureza **,
Liga Tratamento escoamento*, cisalhamentlo, fadiga***,
tração, psi % em 2 pol Bhn
psi psi psi
7001 O 37,000 22,000 14 60
T6 98,000 91,000 9 160 .. 22,000
T651 98,000 91,000 9 160 ... 22,000
T75 84,000 72,000 12
7005 O 28,000 12,000 20
W 50,000 30,000 20
T6 51,000 42,000 13 ... 31,000 22,000
7075 O 33,000 15,000 17 60 22,000 17,000
T651 83,000 73,000 11 150 48,000 23,000
T 73 73,000 63,000 13
7178 O 33,000 15,000 15 60 22,000
T6 88,000 78,000 10 160 52,000 22,000
T651 88,000 78,000 10 160 52,000 22,000
1 ksi = 6,89 Mpa
* tensão de escoamento, 0,2%
** carga 500 Kg, diâmetro10 mm
*** baseado em 500 milhões de ciclos usando máquina de rotação R.R. Moore

39
FIGURA 5-25
Envelhecimento de lâmina fina da liga de
alumínio a 120 a 150oC. [After J. A. Nock, Jr.
In K. R Van Horn (ed.), “Aluminiun”, vol 1,
American Society for Metals, 1967, p. 153.]

5.10 LIGAS FUNDIDAS DE ALUMÍNIO

As ligas fundidas de alumínio tem sido desenvolvidas visando a qualidade de fundição,


fluidez e molhabilidade, assim como, as propriedades de resistência mecânica, corrosão e
ductilidade. Assim, devido a diferença das características requeridas, as ligas de alumínio para
fundição vão ter composições químicas diferentes das ligas trabalhadas.
Na tabela 5.18 são listadas as composições químicas, bem como suas aplicações.
Conforme pode ser observado na tabela, os três processamentos a partir dos quais são obtidas as
peças fundidas são: fundição em areia, em molde permanente (coquilha) e sob-pressão (injeção).
As ligas são classificadas de acordo com o sistema numérico da Aluminion Association, sendo os
elementos principais da liga fundida, o que determinam o primeiro algarismo (tabela 5.2).

TABELA 5.18 - Composição química e aplicação de ligas de alumínio para fundição

Fundição em Areia ou Coquilha


Ligas Al-Cu para Fundição
Liga %Cu %Si %Mg %outro
208 4,0 3,0 Componentes de uso geral produzidos por fundição em areia,
tubos e válvulas de distribuição
213 7,0 2,0 Agitadores em máquinas de lavar, cilindros automotivos,
pequenas engrenagens
222 10,0 – 0,25 Pistões, cilindros de refrigeradores de ar
242 4,0 – 2 Ni Cilindros de refrigeradores de ar, engrenagens de alta
resistência
295 4,5 1,1 Componentes fundidos com alta resistência mecânica e ao
impacto
B295 4,5 2,5 Componentes para indústria aeronáutica
Ligas Al-Si-Cu para Fundição
%Si %Cu %Mg
308 5,5 4,5 Componentes de uso geral produzidos por fundição em

40
coquilha
319 6,3 3,5 0,25 Componentes de uso geral produzidos por fundição em
coquilha, engrenagens e cilindros automotivos
333 9,0 3,5 0,5 Componentes de uso geral produzidos por fundição em
coquilha, engrenagens e construção civil
354 9,0 1,8 Componentes para indústria aeronáutica e fundidos com alta
resistência mecânica
Ligas Al-Si-Mg para Fundição
%Si %Cu %Mg %outro
F332 9,5 3,0 1,0 Pistões automotivos, componentes com resistência mecânica
a altas temperaturas
335 5,0 1,2 0,5 Componentes utilizados em altas pressões, quando é exigida
alta resistência mecânica, acessórios para construção civil e
acessório para fixação de aeronaves
C355 5,0 1,2 0,5 Fe<0,20 Similar a liga 355, porém mais dúctil e mais forte. Mesmas
aplicações e também na indústria aeroespacial.
356 7,0 0,3 Componentes com boa resistência e ductilidade, aplicações
na indústria automotiva em componentes estruturais de
caminhões como bloco cilíndricos e rodas. Componentes
estruturais para navios (aplicações em ambientes marítimos),
motor de popa, corpo de bombas e cilindros de
refrigeradoras, corpos de bombas e grades de sustentações
usadas em pontes, motor de popa.
A356 7,0 0,3 Similar a liga 356, porém mais dúctil e mais forte. Melhor
resistência a corrosão
357 7,0 0,5 Componentes para mísseis e projéteis, aeronaves, máquinas
e ventoinhas de alto desempenho para altas velocidades
A357 7,0 0,5 Be 0,05 Componentes para aeronaves, míssies e projéteis.
359 9,0 0,6 Componentes para aeronaves, míssies e projéteis, além de
outras aplicações estruturais
Ligas Al-Cu-Mg-Ni para Fundição
%Si %Cu %Mg %Ni
A332 12 1,0 1,0 2,5 Pistões para automóveis, pistões para uso em óleo diesel,
polias, roldanas e engrenagens para operações em elevadas
temperaturas
Fundição Sob-Pressão
Liga %Si %Fe4 %Mg %Cu
413 12,0 2,0 Componentes de fina espessura, como caixas e sustentação
do arame para máquina de escrever
A413 12,0 1,3 0,5 Idem a liga 413
C443 5,3 2,0 0,5 Componentes injetados com alta resistência a corrosão e
impacto
360 9,5 2,0 Uso geral. Peças para tampas e caixas.
A360 9,5 1,3 Uso geral (desde linha branca e decoração até indústria
380 8,5 2,0 3,5 aeroespacial)
A380 8,5 1,3 3,5
383 10,5 1,3 2,5
384 11,3 1,3 3,8

41
Ligas de alumínio-silício para fundição
As ligas de alumínio para fundição que tem como elemento de liga mais importante o
silício, tem uma grande aplicação industrial devido às superiores características de fundição. Estas
ligas apresentam, comparativamente, alta fluidez no estado líquido, excelente molhamento durante
a solidificação, boa resistência à fragilização à quente e, conseqüentemente, boa resistência a
formação de trincas a quente. O silício também tem a vantagem de não reduzir a boa resistência à
corrosão apresentada pelo alumínio, aumentando inclusive a resistência a corrosão em ambientes
mediamente ácidos.
As ligas de Al-Si não são consideradas como tratáveis termicamente devido à baixa
quantidade de silício que é solúvel em alumínio (no máximo 1,65% em peso) e, uma vez que o
silício vai reprecipitar a partir da solução sólida causando pequena dureza.
No diagrama de fases da liga Al-Si, apresentado na figura 5.26, pode-se observar que a
composição eutética forma-se com 12,6% Si.

FIGURA 5.26
Diagrama de Fase da Liga
Alumínio-Silício.

As mais importantes ligas binárias de alumínio e silício para fundição são a 443 (5,3% Si)
e a 413 (12% Si). A primeira pode ser processada em fundição em molde de areia ou em coquilha
e a segunda por fundição sobre pressão. Durante a solidificação da liga 443 (Al-5%Si) inicialmente
formam-se as dendritas, que são constituídas de alumínio quase puro. Os espaços entre estas
estruturas são então preenchidos com alumínio - silício eutético. Quando ocorre o resfriamento ela

42
se decompõe em alumínio quase puro e silício. Quando a taxa de solidificação é aumentada as
células dendríticas se tornarão menor. Esta relação é ilustrada na figura 5.27, que mostra
diferentes regimes de solidificação para a liga 443. Na figura 5.27a, a liga 443-F foi produzida por
fundição em areia com rápido resfriamento, o que resultou numa estrutura com células dendríticas
bastante extensas. A figura 5.27b a liga B443-F foi produzida por fundição em coquilha, com mais
rápido resfriamento, e obteve-se um menor tamanho da célula dendrítica. Utilizando-se a mesma
liga e taxa de resfriamento ainda maior, em fundição sob-pressão, observa-se um ainda menor
tamanho da célula dendrítica (Figura 5.27c).

(a) (b)

(c)
FIGURA 5.27
Liga para fundição 443 com diferentes regimes de solidificação. Note que o tamanho das células dendríticas
diminui conforme a aumenta da taxa de resfriamento. (a) Liga 443-F, produzida por fundição em areia com
rápido resfriamento, numa estrutura com células dendríticas bastante extensas. Estruturas interdendríticas:
silício (cinza escuro), Fe3SiAl12 (cinza médio) e Fe2Si2Al9 (formas agulhares cinza claro). (b) Liga B443-F,
produzida por fundição em coquilha com mais rápido resfriamento. Obteve-se um menor tamanho da célula
dendrítica. (c) Mesma liga e taxa de resfriamento ainda maior, fundição sob-pressão. Microestrutura com o
menor tamanho da célula dendrítica.

43
FIGURA 5.28
Microestrutura da liga Al-7%Si fundida em areia (a) sem a modificação e (b) com a modificação do
sódio. Note o refinamento na estrutura estética modificada. [After B. Chamber – lain and V. J. Zambek,
AFS Trans. 81 (1973): 322.]

FIGURA 5.29
Resistência à tração das ligas de Al-Si. (a) Resultados de ensaios com corpo de prova em formato de barras
com 0,5 polegadas de diâmetro fundido em areia com e sem modificação e (b) Corpos de prova em formato
de barras e fundidos em coquilha sob as mesmas condições. [After Metals Handbook, 1948 edition, American
Society for Metals, 1948, p. 805.]

44
FIGURA 5.30
Estrutura das fibras de silício em ligas modificadas observadas em microscopia eletrônica de varredura. (a)
2500x e (b) 12000x. [After M. G. day and A. Hellawell, J. Inst. Met. 95 (1967): 377.]

Um recurso bastante utilizado para refinar a estrutura eutética da ligas Al-Si fundidas em
areia é a adição pequenas quantidades de Sódio (0,025%). O sódio pode ser adicionado tanto na
forma metálica como na forma salina após a fundição, e aumenta consideravelmente a estrutura
eutética como demonstrado na figura 5.28 (Al-7%Si). A adição de 0,025% de sódio também
promove na liga o aumento da resistência a tração (observe a figura 5-29), formando
irregularidades nas fibras de silício eutético, conforme pode ser observado na figura 5.30.

Ligas de Alumínio Silício Magnésio para Fundição

As propriedades de resistência da liga fundidas de Al-Si são melhoradas pela adição de


pequenas quantidades de Mg (em torno de 0,35%). A liga fundida de Al mais importante desse tipo
é 356, que contem 7% de Si, que aumenta a capacidade de fundição, e 0,35% Mg para fazer o
tratamento térmico da liga. O endurecimento se dá por precipitação e é atribuído pela fase
metaestável Mg2Si (seção 5.8) o conteúdo de Mg2Si está entre 0.5% e 0.6%.

45
FIGURA 5.31
Microestrutura da liga 356 (Al-7% Si
0,3% Mg) fundida e tratada termicamente
em diferentes condições. Ataque com HF
hidratado 0,5%. (a) Liga 356-T51,
fundida em areia e envelhecida
artificialmente. Os compostos angulares
em cinza escuro são silício, os
compostos pretos são Mg2Si, matriz de
alumínio com Si e Cu em solução sólida.

(b) Liga 356-F, modificada com 0,025 Na e fundida a areia. Dendritas e silício eutético nos interstícios. (c) Liga
356-T7 modificada com sódio na fundição em areia. Partículas globulares de Si e placas de Fe2Si2Al9.
(Cortesia de F. Krill, Kaiser Aluminium Co., and as in Metal Handbook, 8th ed. vol. 7, American Society para
Metals, 1972, p. 258)
A microestrutura da liga 356 em condições severas de fundição e tratamento térmico é
mostrada na figura 5.31. A taxa lenta de solidificação induz ao avanço das partículas de silício em
fundição em areia nos espaços interdendríticos na liga eutética Al-Si (figura 5.31a). Esta liga
envelhecida artificialmente em condições fundidas não mudam a microestrutura óptica, mas
produzem dispersões finas de precipitados metaestáveis que endurecem a liga.

Se a liga 356 é modificada pela adição de 0,025% Na no metal fundido, a estrutura eutética
fundida em areia é refinada e as partículas de silício no eutético são menores e com ângulos
menores. Este refinamento melhora as propriedades mecânicas e solidificam vagarosamente a liga
fundida em areia, mas o principal benefício está em melhorar as características de molhabilidade
nos moldes em areia e permanentes. Esta pequenas partículas de silício produzem baixa
interfência no fluxo do metal líquido durante a solidificação. Como resultado, a liga modificada por
sódio produz um acabamento superior e menos contração microestrutural entre as dendritas
quando comparado aos metais não modificados.

46
A figura 5.31b mostra a estrutura da liga 356 fundida em areia depois da modificação.
Quando a estrutura modificada é tratada termicamente, resfriada e superenvelhecida no tratamento
T7, partículas de silício aglomeram produzindo maiores partículas esferoidizadas (figura 5.31c).
Sabe-se que desde 1920, as placas e as agulhas constituintes de Al-Fe-Si reduzem a
resistência de ligas alumínio-silício fundidas (tabela 5-19). Reduzindo o nível de ferro da liga 356
para aproximadamente 0,10%, consideráveis aumentos na resistência pode ser alcançados.

TABELA 5.19 – Efeito da adição de ferro como impureza nas propriedades mecânicas da liga
Al-10%Si para fundição
Resistência à % Elongamento,
%Si %Fe Dureza, Bhn
Tração, psi em 2 polegadas
10,8 0,29 31.100 14,0 62
10,8 0,79 30.900 9,8 65
10,3 0,90 30.000 6,0 65
10,1 1,13 24.500 2,5 66
10,4 1,60 18.000 1,5 68
10,2 2,08 11.200 1,0 70

Ligas alumínio-cobre para fundição

As ligas de alumínio e cobre de fundição têm sido quase totalmente substituídas por ligas
de Al-Si-Mg. As principais razões para esta substituição é que esta ligas têm propriedades
mecânicas pobres, menor resistência à corrosão e densidade específica mais alta que as ligas de
alumínio-silício.

FIGURA 5.32
Liga 242-T571, fundida em coquilha e envelhecida
artificialmente. A estrutura mostra lâminas espessas de
NiAl3 (cinza escuro) no meio do grão de Cu3NiAl6.
Partículas claras inseridas no grão são compostos de
CuAl2. Também presente Mg2Si em preto. (Cortesia de F.
Krill, Kaiser Aluminium Co., and as in Metal Handbook, 8th
ed. vol. 7, American Society para Metals, 1972, p. 258).

47
FIGURA 5.33
Liga 242-T77, fundida em areia e termicamente tratada.
Os constituintes são os mesmos da microestrutura
apresentada na figura 5.32, mas as partículas de NiAl3 e
Cu3NiAl5 apresentam-se mais globulares. A precipitação
é causada pelo superenvelhecimento. (Cortesia de F.
Krill, Kaiser Aluminium Co., and as in Metal Handbook,
8th ed. vol. 7, American Society para Metals, 1972, p.
258).

Propriedades mecânicas

As propriedades mecânicas de ligas de Al fundidas selecionadas são listadas na Tabela 5-


20. A resistência a tensão das ligas fundidas Al usualmente estão em torno de 18 a 48 Ksi. Ligas
de Al fundidas em areia, por causa de seu grande tamanho relativo de célula dendrítica no que
implica em taxas de solidifiação mais lenta, tem resistência a tensão mais baixa do que ligas de Al
fundida em molde permanente ou injeção sob pressão. Resistências maiores são obtidas nos dois
últimos métodos por uma taxa de solidificação alta e menor porosidade de gás por utilizar moldes
de metal. Na injeção sob pressão a porosidade de gás é reduzida pela ação da pressão. Como
exemplo a liga 356 tem uma tesão de resistência mínima de 30 Ksi. Quando fundido em areia e
envelhecido para o pico de resistência (tratamento T6), mas quando é fundido em molde
permanente, tem-se um pico de resistência de 33 Ksi.

Tabela 5.20 – Propriedades Mecânicas de ligas de alumínio para fundição em areia, em


coquilha e sob-pressão*

Liga e Tipo de Resistência à Resistência ao


Alongamento %
Tratamento Fundição** tração, ksi escoamento, ksi
208 A 21 14 2,5
213 A 24 15 1,5
213 C 28 19 2,0
222-T551 C 37 35 <0,5
242-T571 C 40 34 1,0
295-T6 A 36 24 5,0
B295-T6 C 40 26 5,0
308 C 28 16 2
319-F C 34 19 2,5

48
319-T6 C 40 27 3,0
F332-T5 C 36 28 1,0
355-T6 C 42 27 4,0
C335-T61 C 44 34 3,0
356-T51 A 25 20 2,0
356-T6 A 37 24 3,5
356-T6 C 52 27 5,0
357-T6 C 47 43 5,0
359-T61 C 36 37 7,0
A332-T551 C 43 28 0,5
413 S 33 21 2,5
443 S 47 16 9,0
360 S 46 25 3,0
A360 S 48 24 5,0
380 S 48 24 3,0
A380 S 48 25 4,0
1 ksi = 6,89 Mpa
* After “ASM Databook” publicado em Met. Prog., vol.112, no. 01, mid June 1977; and “ASM
Databook,” publicado em Met. Prog., vol 114, no. 1, mid June 1978.
**A: fundição em areia; C: fundição em coquilha; S: fundição sob pressão.

5.11 LIGAS DE ALUMÍNI0-LÍTIO

Ligas de alumínio foram desenvolvidas na década de 80 primeiramente para reduzir o peso


de aviões e estruturas aeroespaciais. Elas foram investigadas também para o uso em aplicações
criogênicas, como tanques de combustível com oxigênio e hidrogênio líquido em veículos
aeroespaciais. Contudo, o custo da liga Al-Li é tipicamente três à cinco vezes mais que o das ligas
convencionais de Al, isso devido à necessidade de equipamento especial para o processamento e
ao alto custo do Li. Deste modo, a aplicação destas ligas é limitada para programas onde a
redução de peso é a primeira preocupação.

Ligas Al – Li Comerciais

Visto que as ligas binárias de Al – Li tendem a ter baixas ductilidade e tenacidade a fratura,
foram produzidas ligas de Al – Li contendo Cu ou Cu e Mg, que fornecem precipitados finos e
homogêneos que aumentam a resistência da liga.
A tabela 5.21 lista a composição química de algumas ligas de Al – Li.

TABELA 5.21 - Composição química nominal de algumas ligas Al – Li comerciais


Liga %Li %Cu %Mg %Zr Aplicação
2090 2.2 2.7 - 0.12 Estruturas de aviões; tanques criogênicos
2091 2.0 2.1 - 0.10 Estruturas de aviões
8090 2.45 1.3 0.95 0.12 Estrutura de aviões

49
A liga 2090 foi desenvolvida para ser uma liga de alta resistência, com 8% mais baixa
densidade e 10% de aumento no módulo de elasticidade que a liga 7075 – T6, que é a liga de Al
com maior resistência, usada frequentemente em estruturas de aviões. A liga 2090 possui também
excelente soldabilidade e propriedades criogênicas e é própria para aplicações de formas
superplásticas. A liga 2091 foi desenvolvida para ser uma liga com tolerância de perdas, com 8%
de mais baixa densidade e 7% de maior módulo que a liga 2024 – T3. A resistência da liga 2091
não é tão alta que a da liga 2090 e, deste modo, é mais apropriado para estruturas secundárias. A
liga 8090 foi desenvolvida para ser uma liga com resistência média e tolerância de perdas, com
redução de aproximadamente 10% na densidade e aumento em 11% de módulo que as ligas 2024
e 2014.

Estrutura

A seqüência comum da transformação estrutural na decomposição da liga binária Al – Li


com 1% em peso de Li é

Solução Sólida Supersaturada → δ’ (Al3Li) → δ (AlLi)

Esta sequência apresenta-se por ter pouca ou nenhuma evidência para a formação de
zonas GP nos primeiros estágios da decomposição da solução sólida supersaturada das ligas Al–
Li. A fase primária metaestável delta (Al3Li) se forma rapidamente como um precipitado esférico
coerente na matriz da liga binária Al–Li. O reticulado constante do precipitado Al3Li está bem
combinado na matriz. Como resultado, a microestrutura de uma liga Al–Li depois de solubilizada
termicamente, resfriada e envelhecida por curtos tempos, abaixo da linha solvus δ´, é caracterizado
por uma distribuição homogênea de precipitados δ’ esféricos e coerentes. Estes precipitados
impedem a movimentação das discordâncias durante a deformação plástica, elevando com isso a
resistência da liga Al–Li. Precipitados homogêneos δ’ se mantêm coerentes após extensivo
envelhecimento. A baixa ductilidade e dureza da liga Al–Li, pode em parte, seguir por um
deslizamento não-homogêneo com as partículas esféricas Al3Li.
Durante o envelhecimento das ligas Al–Li, precipitações heterogêneas das fases de
equilíbrio delta (AlLi) também ocorrem, frequentemente nos contornos de grãos. As ligas Al–Li
consomem o Li da vizinhança das regiões dos contornos de grão e produzem zonas livres de
precipitados de Li em suas zonas adjacentes (ZLPs). As zonas ZLPs são mais frágeis do que a
matriz e podem promover a fratura intergranular.
Nas ligas comerciais de Al–Li, Cu ou Cu e Mg adicionados produzem precipitados semi-
incoerentes ou incoerentes tal como T1 (Al2CuLi), θ´ (CuAl2) ou S (Al2LiMg) para deslizamento

50
homogêneo. A presença de pequenas quantidades de zircônio (~0,1%) pára a precipitação
intergranular e inibe a recristalização.

EFEITO TERMOMECÂNICO. As ligas a base de Al–Li atingem o aumento de resistência e


tenacidade pela deformação depois de solubilizado e antes do envelhecimento. A deformação
antes do envelhecimento produz uma alta densidade de discordâncias que resultam em
precipitados finos e densos, formando locais de nucleação heterogênea. Estas discordâncias são
necessárias para a nucleação da fase T1 na liga 2090 e a fase S’ na liga 8090. A deformação é
usualmente aplicada por uma tensão de deformação para placas, chapas e extrusões e por
compressão para forjados.

Propriedades mecânicas
Ligas comerciais de Al – Li possuem baixa densidade, alto módulo específico e excelentes
propriedades de fadiga e criogênicas. A resistência a fadiga superior da ligas Al–Li em comparação
as ligas aeronáuticas 2xxx e 7xxx é devido ao alto nível de proteção de pontas de trinca em
trajetórias curvas induzidas pela rugosidade, fechando as trincas. Porém, ligas de Al–Li perdem
sua vantagem na fadiga por ligas de Al com alta resistência tratadas termicamente quando sob
compressão e amplitudes variáveis de tensão.
Algumas das principais desvantagens do pico de envelhecimento das ligas Al–Li é a
reduzida ductilidade e tenacidade a fratura em uma curta direção transversal da placa e da chapa.
As ligas Al–Li também mostram extensas taxas aceleradas de fratura sob fadiga quando há
pequenas trincas na microestrutura. Estas desvantagens têm retardado seu uso para substituição
direta das ligas Al–Li para repor ligas convencionais. Apesar das desvantagens, muitas toneladas
dessa liga leve de Al-Li serão usadas na estrutura do novo transporte C-17. A tabela 5.22 lista
algumas propriedades mecânicas das ligas Al–Li 2090 e 8090 tratadas termicamente.

TABELA 5.22 - Propriedades de Tensão Mecânica de algumas ligas Al – Li


Tensão de
UTS KIC
Liga e Têmpera Escoamento Elong.
1/2
ksi MPa ksi MPa Ksi . in Mpa . m1/2
2090 – T83 (L)* 80 550 75 517 6 40 44
8090 – T81 (L)
60 413 47 323 10- 12 86 – 150 94 – 165
(sub envelhecida)
8090 – T84 (L)
70 482 58 400 4–5 68 75
(pico de envelhecimento)

Nota-se que a resistência da liga 2090–T83 é similar ao da liga 7075–T6. Porém, a resistência da
liga 8090–T84 é consideravelmente menor se comparada a liga 7075–T6.

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Exemplo-Problema 5.1. Uma chapa de uma liga de Al é laminada a frio 20% para uma espessura de
2,75mm. A chapa, é em seguida novamente laminada a frio para 2,00mm. Qual é a porcentagem de trabalho
a frio?

Solução:

Espessurainicial − espessurafinal
%reduçãoàfrio =
espessurainicial

Primeiramente determinamos a espessura inicial da chapa pela consideração da primeira redução à


frio de 20%. Considerando X para a espessura inicial da chapa, então:

x − 2,75mm
= 0,20
x
x − 2,75mm = 0,20 x
x = 3,44mm

Podemos agora determinar a porcentagem total de trabalho a frio da espessura inicial para a
espessura final pela relação:

3,44mm − 2,00mm 1,44mm


= = 41,9%
3,44mm 3,44mm

Exemplo-Problema 5.2. Se 0,500h são necessárias para uma liga 7075–T6 alcançar uma resistência de 172
Mpa à 230ºC e 100h à 190ºC para alcançar a mesma resistência, qual é a energia de ativação do processo

Q
em KJ/mol? Assuma que o processo obedece a equação de Arrhenius, Tempo = C exp , onde R =
RT
8.314 J/(mol.K) e T é em Kelvin.

Solução:

Q
exp
t1 RT 1
=
t2 Q
exp
RT 2
onde
t1 = 6000min
t2 = 30min
T1 = 190ºC = 463K
T3 = 230ºC = 503K

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600  Q  1 1 
= exp   − 
30  8,314  463 503 
ou

Q
ln(200) = (0,0021598 − 0,001988) = 5,298
8,314
Q = 256,400 J / mol = 256,4 KJ / mol

SAIBA MAIS: Outras Bibliografias Indicadas

ALUMINIUN Association. Aluminium: Properties and Physical Metallurgy. Ohio: American


Society for Metals, 1984.

METALS Handbook Committee. Metals handbook Atlas of Microstructures of Industrial


Alloys, v. 7, 8a. ed. Aluminium Alloys. Ohio: American Society for Metals, 1984.

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