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Capítulo 5 Antenas e linhas de transmissão

Como já abordado anteriormente, boa parte do desempenho de um sistema celular depende de todos os elementos que operam com RF, incluindo as antenas, filtros e linhas de transmissão (cabos e conectores de antenas). Desde o a instalação até a manutenção corretiva e preventiva deve-se ter conhecimentos no mínimo básicos e ferramental adequado para manter o bom desempenho de todo o sistema. Isso sem contar o projeto, que deve ser cuidadosamente elaborado.

Para minimizar estas lacunas, este capitulo aborda, além da antenas e linhas de transmissão propriamente ditas, as várias situações onde são aplicadas técnicas de reforço e/ou repetição de sinais para estender com qualidade a cobertura de um sistema celular.

Tipos de antenas

Sabemos que a antena é o elemento que transforma energia eletromagnética confinada em energia eletromagnética irradiada, posibilitando a propagação das ondas eletromagnéticas geradas por transmissores. A antena é muito importante para determinar a forma com que o sinal irá ser disponibilizado. Quanto a esta questão, funciona mais ou menos como um suporte de uma lâmpada, que deixa a energia luminosa ir para todos os lados, ou fecha o foco para uma direção específica.

Vale dizer que, em telefonia celular, é muito comum a utilização de conjuntos de antenas para modificar as características elétricas das mesmas, o que será abordado mais adiante.

Antes de qualquer consideração, vale lembrar que tudo o que for dito para antenas que estão transmitindo vale de forma inversa para a recepção.

Fig. 5.1 – Tipos de antenas

Características principais das antenas

As antenas utilizadas em telefonia celular apresentam características específicas que as tornam aplicáveis apenas a este tipo de comunicação. A seguir algumas caracteristicas das antenas que irão diferenciar um modelo de antena de outro:

Diretividade

Exprime a forma com que o sinal de uma antena é dirigido para uma determinada direção, ou seja, como a potência da mesma é concentrada, como em uma lanterna ou farol de um carro.

Assim como uma lâmpada pode ter sua luminosidade direcionada, uma antena também pode direcionar a sua onda eletromagnética.

Isotrópica: Uma antena utilizada como modelo para outras é a isotrópica. Ela, na verdade, não existe. A antena isotrópica irradia suas ondas em todas as direções em todos os planos.

Omnidirecional: A antena que mais se aproxima da isotrópica é a omnidirecional. Esta transmite em todas as direções, porém somente em um plano. É muito utilizada em carros, radiotransmissores portáteis e equipamentos que necessitam de transmissão e/ou recepção de sinais de todas as direções com a mesma intensidade.

Diretiva: As antenas diretivas concentram o feixe de ondas eletromagnéticas em uma ou mais direções. Devido a esta concentração o sinal deste tipo de antena pode ir mais distante. No caso de uma antena receptora, ela poderá receber um sinal fraco com maior facilidade se ele vier exatamente na direção onde a antena tem maior concentração.

Um exemplo de antena diretiva é a Yagi, muito utilizada nos televisores como antena externa. Outro tipo de antena diretiva é a parabólica, que possui uma diretividade muito grande e um feixe bastante concentrado.

Ganho

Um antena é um elemento passivo e que portanto não possui amplificação. No entanto, quanto mais uma antena concentra seu feixe, mais longe vai o seu sinal. Baseado nisso se diz que uma antena possui ganho. Na verdade, o ganho exprime o quanto o sinal é mais forte em um determinado local recebido quando se substitui uma antena de referência transmitindo uma determinada potência pela antena em questão. Deve ser considerado o ponto onde a antena dirige sua potência com maior intensidade ao fazer esta comparação. Normalmente a antena de referência é uma isotrópica ou dipolo.

Impedância

De uma maneira geral as antenas são concebidas para trabalho em 50 ou 75Ω, dependendo da aplicação. Normalmente as antenas que operam com potência, portanto antenas de transmissão, possuem impedância nominal de 50 Ω.

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Polarização

As ondas eletromagnéticas são compostas por uma combinação de variações de ondas elétricas e magnéticas. Ao sair de uma antena elas se propagam de maneira oscilatória e periódica. Se o campo elétrico varia sempre no mesmo plano para cima e para baixo dizemos que a antena utiliza polarização vertical. Por um outro lado, se o campo elétrico se manifesta de um lado para outro em um plano horizontal, dizemos que a antena opera com polarização horizontal.

Em situação de visada direta e sem reflexões, para duas antenas se comunicarem adequadamente elas precisam estar operando com a mesma polarização, caso contrário haverá uma atenuação muito maior do que a esperada no sinal recebido.

Tilt elétrico

Em telefonia celular são muito utilizadas antenas que irradiam a radiofreqüência ligeiramente para baixo levando em consideração o plano horizontal. Esta inclinação em inglês é chamada de tilt.

Diagrama de radiação

Através de um diagrama de radiação é possível verificar em quais direções a antena transmite com maior ou menor intensidade. Normalmente são considerados dois diagramas de radiação: vertical e horizontal.

As linhas concêntricas definem a intensidade de sinal que está sendo transmitida em referência ao ponto de 0 dB, ou seja, no eixo principal (0º).

Uma outra localização importante é o ponto de meia potência, definido como o ângulo onde a antena transmite com a metade da potência (-3dB). Na figura acima é possível observar que este ângulo está em –90º e +90º.

observar que este ângulo está em –90º e +90º. Fig. 5.2 – Diagrama de radiação horizontal

Fig. 5.2 – Diagrama de radiação horizontal de uma antena

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Linhas de transmissão

Exceto pelos equipamentos portáteis, as antenas de transmissão e/ou recepção não ficam junto do equipamento transmissor/receptor, por isso é necessário um elemento que faça a interligação do equipamento e da antena. No caso da telefonia celular, são utilizados os cabos coaxiais.

Fig. 5.3 – Cabo coaxial

Um cabo coaxial é formado por um núcleo, que pode ser maciço ou vazado, por um elemento isolante, uma malha e finalmente por uma capa isolante. Algumas das características principais destes cabos são:

- Impedância

- Atenuação

- Freqüência de trabalho

Impedância

Assim como as antenas, os cabos e todo o sistema precisa ter a mesma impedância de trabalho para que haja perfeita transferência de potência do transmissor para a antena. Em telefonia celular é utilizada a impeância de 50Ω.

Atenuação

O sinal, ao sair do transmissor, percorre um caminho até chegar à antena. Quanto mais distante esta antena estiver do transmissor, maior o comprimento do cabo e cabos mais compridos possuem, maiores as atenuações. Em sistemas onde o cabo precisa ser muito longo devido ao fato das antenas estarem bastante distantes do transmissor, a potência que chega nas antenas será bem menor que a que sai do transmissor. Para minimizar este problema adotam-se, nestas instalações, cabos de menor atenuação.

As atenuações dos cabos encontradas nos manuais são expressas em dB/100m. Nesta avaliação, quanto menor este valor, melhor, porém cabos com menores atenuações são mais pesados e mais caros, portanto estes fatores também devem ser levados em consideração na escolha de um cabo.

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Freqüência de trabalho

Os cabos coaxiais de uma maneira geral operam em freqüências bastante distintas, por isso, na hora de escolher, é necessário verificar também se a freqüência de trabalho do cabo está de acordo com a freqüência de operação do sistema.

No caso dos sistemas de telefonia celular as principais faixas de freqüências são 850, 900, 1800 ou 1900 MHz e há cabos específicos para cada uma destas faixas de freqüências.

Os cabos de antenas têm sido alvo de constantes furtos, pois possuem cobre em seu interior, por isso, muitas vezes, em condições emergenciais, são utilizados cabos de menor bitola para substituirem provisoriamente os cabos originais até que sejam providenciadas condições de passagem com maior segurança em relação a furtos dos cabos originais. Como cabos de menor bitola possuem maior atenuação, a área de cobertura da BTS é afetada. A colocação provisória de uma cabo de menor bitola deve-se ao fato de ser mais fácil para instalar.

Casamento de impedâncias e VSWR

Em eletrônica aprendemos que, para uma perfeita transferência de energia, é necessário que haja um perfeito casamento de impedâncias entre o gerador de energia e a carga. Em telecomunicações ocorre a mesma coisa. Para o perfeito desempenho de um sistema de RF é necessário o adequado casamento de impedância entre o transmissor, a linha de transmissão e a antena. Caso este casamento não seja adequado, ocorrerão ondas estacionárias, fazendo com que parte do sinal transmitido retorne. Dependendo da quantidade de sinal retornado, pode haver até a queima do transmissor.

Quando o casamento de impedâncias em uma linha de alimentação, no nosso caso o cabo coaxial, está perfeito, a tensão e a corrente será constante em toda a extensão do cabo. Se este casamento não estiver perfeito, ocorrerá uma onda estacionária de tensão e corrente em determinados pontos do cabo e não ocorrerá a máxima transferência de energia do transmissor até a antena.

Existem várias formas de quantificar, medir e descrever o retorno do sinal emitido pelo transmissor. Termos como coeficiente de reflexão, perda de retorno, potência refletida e perda de potência transmitida são comumente utilizados. Todas eles referem-se a apenas um fenômeno, o da reflexão da onda.

Quando uma onda sai do transmissor em direção à antena através do cabo coaxial e sofre reflexão ao chegar na antena, parte desta onda retorna pelo mesmo cabo, produzindo uma nova onda que caminha em direção oposta à original. Isto causa um padrão de interferência chamado de onda estacionária. Em determinados pontos do cabo o resultado da soma vetorial destas duas ondas será uma maior intensidade, enquanto em outros locais haverá uma resultante menor que a original. Se estivéssemos falando de fios paralelos, seria possível medir estes pontos de máximos e mínimos deslocando o ponto de observação e medida, mas os cabos coaxiais, como sabemos, são isolados, não permitindo que se faça a medida desta forma. Assim, outros métodos são empregados para se fazer estas medições.

A diferença entre os níveis mínimos de máximos dão os valores do VSWR (Voltage Standing Wave Ratio – Razão de Tensão de Onda Estacionária) para um determinado sistema. Um VSWR de

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Fig. 5.4 – Ondas estacionárias A medida utilizada para avaliar a quantidade de sinal retornado

Fig. 5.4 – Ondas estacionárias

A medida utilizada para avaliar a quantidade de sinal retornado é o VSWR (Voltage Stand Wave Ratio – Razão de Tensão de Onda Estacionária).

Exercícios

1. Uma BTS será implementada para atendimento exclusivo a uma estrada. Existem outras construções próximas, mas elas não devem receber sinal desta BTS. Considerando o mapa da figura abaixo, verifique qual o melhor tipo de antena a ser utilizado para atingir a maior extensão possível da rodovia e desenhe um exemplo de área de cobertura.

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2. O estádio Mário Filho é apresentado na figura abaixo. No ponto em vermelho, em

2. O estádio Mário Filho é apresentado na figura abaixo. No ponto em vermelho, em cima do arco, deve ser instalada uma antena para servir apenas ao estádio, já que, em dias de jogo, há muitas pessoas utilizando o serviço celular e as BTSs que estão ao redor do estádio não dão vazão ao tráfego tão intenso. Considerando que o sinal da BTS não deve sair do estádio e que ela deve atender a área interna, qual o modelo de antena mais adequado?

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3.

Qual modelo de antena você utilizaria para receber um sinal de uma emissora distante de TV? Por que?

4. Considerando o diagrama abaixo, qual a potência, em W, encontrada em cada um dois locais indicados? Qual foi a perda no cabo, em dB?

39 dBm BT S 42 dBm
39 dBm
BT
S
42 dBm

5. Um amplificador possui ganho de 10 dB. Considerando que a potência na entrada é de 10W, qual a potência na saída?

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ADENDO – DIAGRAMAS DE RADIAÇÃO

ANTENA PARA BTS – MODELO AA7 - Âgulo de abertura de 36º

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ANTENA PARA BTS – MODELO AC2 - Âgulo de abertura de 65º

ANTENA PARA BTS – MODELO AC2 - Âgulo de abertura de 65º Rua Morais e Silva,
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ANTENA PARA BTS – MODELO AE2 – Ângulo de abertura de 90º

PARA BTS – MODELO AE2 – Ângulo de abertura de 90º ANTENA PARA BTS – MODELO
PARA BTS – MODELO AE2 – Ângulo de abertura de 90º ANTENA PARA BTS – MODELO

ANTENA PARA BTS – MODELO AE3 – Âgulo de abertura de 105º

PARA BTS – MODELO AE3 – Âgulo de abertura de 105º Rua Morais e Silva, 94
PARA BTS – MODELO AE3 – Âgulo de abertura de 105º Rua Morais e Silva, 94

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MODELO DE FERRAGENS PARA DOWN TILT

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