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ISSN: 0873-2019

ESTUDOS

L%ò%\ji%x\j\

INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE E ADMINISTRAÇÃO

1995

ESTUDOS DO I.S.C.A.A. il SÉRIE

N°l

1995

REVISTA DE PUBLICAÇÃO ANUAL

DIRECÇÃO: Joaquim José da Cunha

COORDENAÇÃO: José Fernandes de Sousa Virgínia Maria Granate Costa e Sousa

CONSELHO CONSULTIVO:»Comissão Científica das Comemorações •Professores Coordenadores das Áreas

ou domínios científicos do

I.S.C.A.A.

EDIÇÃO E PROPRIEDADE: Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro

APOIO ADMINISTRATIVO E ASSINATURAS: Biblioteca do I.S.C A A. R. Associação Humanitária dos Bombeiros Velhos de Aveiro Apart. 58 - 3800 - Aveiro

Preço deste N°: 3 000$00

ISSN: 0873-2019

Tel.:034)381977«381911;Fax.:28975

Depósito legal n°: 922 54/95 Capa: Design. Francisco Espíndola Composição/impressão: Tipografia Minerva Central, Lda./1995

ESTATUTO EDITORIAL

1. Carácter da Revista

1.1. A Revista Estudos do I.S.C.A.A. será publicada anualmente, pre- vendo-se a sua distribuição para o mês de Outubro.

1.2. Objectivos

1.2.1. Reforçar a identidade do I.S.C.A.A. no espaço técnico, cien- tífico e cultural das Escolas de Ensino Superior.

1.2.2. Criar um espaço de reflexão interdisciplinar de acordo com as exigências de uma abordagem científica da complexa realidade empresarial e seus enquadramentos.

1.2.3. Dinamizar a análise crítica de experiências concretas no in- terior das empresas com base na observação, em estudos empíricos e em dados estatísticos.

1.2.4. Acompanhar, na medida do possível, os resultados da pes- quisa e da reflexão científica no interior da Escola - e, quanto possível, no país e no estrangeiro - nos domínios relevantes para a actualização dos profissionais diplomados e formados no I.S.CA.A.

1.2.5. Promover a criação de um Centro do Património Contabilís- tico Português que permita enraizar as soluções criativas para os desafios actuais na tradição técnico científica e cultural dos estudiosos portugueses da Contabilidade e conexas Ciências empresariais.

2. Colaboradores

2.1. A revista Estudos está aberta a todos os estudiosos e profissionais dispostos a reflectir sobre quaisquer questões e experiências que reforcem os valores humanos, aprofundem conhecimentos e promovam a eficácia no desempenho das múltiplas tarefas

exigidas ao profissional saído do I.S.C.A.A., sem discriminação de paradigmas teóricos ou de correntes de pensamento.

2.2. Os colaboradores naturais da Revista Estudos do I.S.C.A.A. são os Docentes da Escola e seus diplomados, cujas páginas se podem constituir em espaço privilegiado de divulgação dos seus trabalhos académicos, após adaptação ao seu modelo editorial.

2.3. Não sendo uma revista para consagrados acolherá, com gosto, trabalhos de personalidades com prestígio no mundo da contabilidade e vizinhos domínios científicos - podendo mesmo solicitar a sua colaboração.

2.4. Toda a colaboração não solicitada deverá ser acompanhada de uma síntese do curriculum vitae.

2.5. A colaboração dá direito a seis exemplares de Estudos do I.S.C.A.A, podendo o autor solicitar algumas separatas, sem qualquer encargo adicional para a Revista, cujo número não poderá ultrapassar 10% da edição.

3. Responsabilidade dos artigos

3.1. Os textos publicados são da total responsabilidade dos seus auto- res.

3.2. A Revista não se responsabiliza pela devolução do material do para publicação.

4. Reprodução dos artigos

envia-

4.1. A reprodução integral ou parcial dos textos publicados fica depen- dente de autorização da Revista, sendo sempre exigida a indicação da origem.

4.2. Esta limitação não abrange a pequena citação indispensável ao comentário crítico.

Comemorações do Centenário do Nascimento do Professor

Jaime Lopes Amorim

(1891-1991)

Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro

1992

INDICE

I Parte

Objectivos e Organização

 

13

Patrocinadores

19

Participantes

21

Sessão de Abertura

 

29

• Prof.

Dr. Joaquim José da Cunha

31

• Prof. a Dr a Virgínia Maria Granate

Costa e Sousa

33

• Prof. a Doutora Graça Fialho

37

• Prof. Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira

39

• Dr. José Ribeiro Pereira

 

45

• Dr a Maria Luísa Amorim Braun

47

Comunicações

53

Carlos Moreira da Silva

 

O

Cientista Português da Contabilidade

55

Rogério Fernandes Ferreira Lopes de Amorim — Um Grande Mestre da Contabilidade 59

A. Lopes de Sá

A Essência Filosófica da Doutrina Contabil de

Lopes de Amorim e sua Influência Científica

63

Enrique Fernandez Pena Actualidad de los Estúdios de Historia de la Contabilidad en el Mundo — Referencia Especial a Espana 91

Fernando Martin Lamouroux La Inversion de Signos D y H en el Libro de Cuentas del Colégio de los PP. Jesuitas de Villagarcia de Campos

105

Hernâni Olímpio Carqueja Lopes Amorim e a Escola do Porto

135

Victor Dordio José Ribeiro O Ensino da Contabilidade para não Contabilistas

143

Antonio M. Lopez Hernandez La Contabilidade Publica en la Administracion Espanola. Situacion Actual

149

Sessão de Encerramento Moção — Aprovada por

Aclamação

171

II Parte

José Fernandes de Sousa

Jaime Lopes Amorim — Contributo para uma Biobibliografia. 175

Textos escolhidos publicados na Revista de Contabilidade e Comércio

189

Fim da Contabilidade

191

Aparências e Realidades

195

Palavras e Ideias

 

199

Um Programa

211

Cousas e Lousas

215

Tentativas Novas por Caminhos Velhos

217

Est Modus in Rebus

 

221

Est Modus

in Rebus

Ill

225

Est Modus

in Rebus

IV

227

Est Modus in Rebus

X

229

A Contabilidade como Base de Sustentação e Propulsão

da Actividade Económica

 

233

Progresso ou Retrocesso

 

1

237

Progresso ou Retrocesso

II

241

Uma Obra Que se Impõe pelos Seus Próprios Méritos

245

Jaime Lopes Amorim e Eu: a Nossa Polémica

251

Dumarchey e a Sua Obra

 

297

Metodologia Geral da Contabilidade

305

Nunca é Demasiado Tarde Para Desfazer Enganos

337

Amortizar ou Reintegrar?

 

339

Amortizar ou Reintegrar?

345

Prof. Doutor José António Sarmento

351

Os Números

Que

Governam o Mundo Económico

353

Teoria Dinamista

357

Teoria Reditualista

361

As Mais Valias e as Reavaliações

367

Considerações Acerca do Plano Geral de Contabilidade

371

De Minimis Non Curat Praetor

377

Sugestões para apresentação dos originais

381

I Parte

Objectivos

e

Organização

1. Objectivos

Compreender a multifacetada personalidade de Jaime Lopes Amorim Dar a conhecer a produção científica do mestre Aprofundar temas específicos da sua obra Avaliar a actualidade dos temas em estudo

2. Organização

Comissão de Honra

• Ministro da Educação

• Reitor da Universidade de Aveiro

• Governador Civil

• Presidente da Câmara

• Presidentes dos Conselhos Directivos dos Institutos Superiores de Contabilidade e Administração

Comissão Científica

• Professor Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira

• Professor Doutor Rogério Fernandes Ferreira

• Professor Doutor Enrique Fernandez Pena

Comissão Executiva Constituída por três grupos dinamizadores liderados, em Aveiro, pela Prof. Virgínia Maria Granate Costa e Sousa; em Lisboa, pela Prof. Maria Adelaide Lopes Moreira; e, no Porto, pelo Prof. A. Silva Carvalho.

3. Programa —10/10/1992

10.30

h. — Sessão de Abertura

11.00

-12.30 h. — I a Sessão de Trabalho

Prof. Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira

• Aspectos da Personalidade de Jaime Lopes Amorim Dr. José Ribeiro Pereira

• Dr.

Jaime

Lopes

Contabilidades

Amorim

Para

Aquém

e

Para

Além

das

Dr a Maria Luísa Amorim Braun, filha do homenageado

• Testemunho familiar

Carlos Moreira da Silva

• O Cientista Português da Contabilidade

Visita à Exposição Biobliográfica (Biblioteca do I.S.C.A. de Aveiro)

13.00

h. — Almoço no Hotel Imperial

15.00

-16.20 h. — 2 a Sessão de Trabalho

(I a Parte)

Prof. Doutor Rogério Fernandes Ferreira

• Lopes Amorim — Um Grande Mestre da Contabilidade

Prof. Doutor A. Lopes de Sá

• A Essência Filosófica da Doutrina Contabil de Lopes Amorim e a sua Influência Científica Prof. Doutor Enrique Fernandez Pena

16.20

Actualidad de los Estúdios de Historia de la Contabilidade en el Mundo — Referencia Especial a Espana

h. — Pausa para Café

16.40-18.20 h. — T Sessão de Trabalho (2 a Parte )

Prof. Doutor Fernando Martin Lamouroux

• La Inversion de Signos D Y H en el Libro de Cuentas del Colégio de Los Jesuitas de Villagarcia de Campos desde 1742 a 1757. Prof. Dr. Hernâni Olímpio Carqueja

• Jaime Lopes Amorim e a Escola do Porto

Prof. Dr. Victor Dordio e Prof. Dr. José Ribeiro

• O Ensino da Contabilidade para não Contabilistas

Dr. Antonio M. López Hernandez

• La Contabilidad Publica en la Administracion Espanola: Situacion Actual.

18.30 h.— Sessão de Encerramento

PATROCINADORES

Alves, Costa e Comercial Associados

Caixa Geral de Depósitos

Câmara Municipal de Aveiro

Comissão Regional de Turismo da Rota da Luz

Extrusal - Companhia Portuguesa de Extrusão, SA.

Lacticoop - União de Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Mondego, U.C.R.L.

Participantes

Inscritos

Abel Folhas Lúcio Adélio de Oliveira Macedo Aldina Maria Matos Cirne Ramos Alfredo do Carmo Gomes Alice Carla Freitas Nogueira Silva Campos Alzira Estima da Silva Santos Neto Amândio Costa Santos Ana Maria Barradas Serrano Laranjo António Afonso da Silva Carvalho António Alberto Andrade Santos António Augusto dos Santos Carvalho António Braz da Silva Mendes Campos António Carlos Nunes Teixeira António Joaquim Ferreira Lorvão António José Miranda Poças Pereira António Leite da Silva Ribeirinho António Lopes de Sá António M. Lopez Hernandez António Manuel Azevedo de Oliveira António Manuel Fernandez Ramos António Rocha Dias de Andrade António Rodrigues Neto António Victor de Almeida Campos Arlindo Baltazar Montai Armanda Augusta Ferreira de Oliveira Armando Rui Torres Baptista Avelino Azevedo Antão Camilo Cimourdain de Oliveira Carlos Alberto Afonso Rebelo Carlos Alberto Baptista da Costa Carlos Alberto da Rocha Moreira da Silva Casimiro da Costa Ferreira Domingos José da Silva Cravo Edgar Nuno Bernardo Elísio Maia Oliveira Emanuel Vinagre da Naia Sardo

Emídio Rodrigues Lima Enrique Fernandez Pena Fausto Luís Gomes do Carmo Rocha Fernando Augusto Cardoso Fernando Manuel Domingues Pedrosa Fernando Manuel Faria Varelas Graça Fernando Martin Lamouroux Francisco José Ramalho de Melo Albino Gladys da Cruz Nascimento Henrique Simões de Figueiredo Hernâni Olímpio Carqueja Horácio Afonso Rebelo Jaime Abrantes da Silva Matos Joaquim Ferreira Ribeiro Joaquim José da Cunha João Correia Colaço João Manuel Batista Martins João Marcos da Silva Cravo João Martins Viana João Serrana da Naia Fortes José Alberto da Silva Oliveira José António de Almeida Marques Sobreiro José Eduardo Castro Ferreira José Fernandes de Sousa José Fernando Nogueira da Costa José Luís Arsénio Rochinha José Luís Gaspar de Melo Albino José Manuel Matos de Carvalho José Maria Albuquerque Lopes Antunes José Maria Simões Ribeiro José Pedro Oliveira Coelho José Ribeiro Ferreira José Rodrigues de Jesus Leopoldina Maria Andrade Serôdio e Silva Leopoldo de Assunção Alves Luís Alberto Calado Simões Luís Manuel Pereira Lima Luís Manuel Santiago da Silva

Luís Manuel Susana e Maia Manuel Ferreira das Neves Manuel Jacinto de Abreu Serrano Manuel Pereira Pacheco Manuel Santos Martins Marco Paulo Barroso Ferreira da Silva Maria Adelaide Lopes Moreira Maria Armanda Teixeira Simões Dias Maria da Conceição da Costa Tavares Maria Elisabete da Silva Pereira Maria Fernanda Barata Marques Fardilha Maria Fernanda Duarte Ramalho Cravo Maria Helena de Almeida Campos Maria João Dias de Almeida Maria José Resende de Almeida Lopes Maria Luísa Bastos da Silva Maria Manuela de Jesus Pereira Duarte Mário de Oliveira Queiroz Nelson Manuel Machado Rebelo Noémia Augusta de Araújo Alves Portugal Guichard Paulo Alexandre Gamboa Monteiro Paulo Roberto de Sousa Mathias Lima Rogério Fernandes Ferreira Sérgio Ferrão Fernandes de Oliveira Sílvio Carvalho de Oliveira Telmo Manuel Rebola Pascoal Tiago da Costa Mendes Victor Manuel Candeias Dordio Victor Manuel Conceição Campos Virgínia Maria Granate Costa e Sousa

Familiares

Eva Castália Rego Amorim Henrique da Silva Amorim

Joaquim Manuel da Rocha Amorim João de Araújo Correia José Amorim Lopes Martins Júlio Dinis Freitas Coelho Manuel Mendes Simões Maria Augusta Amorim de Araújo Simões Maria Eduarda Mota Leal de Araújo Maria Fernanda da Rocha Amorim Maria Luísa Amorim Braun Maria Teresa Lima Lobo Lopes Amorim Teresa Amorim Lopes Martins

Entidades Públicas ou Privadas

Administrador da Extrusal Associação Portuguesa de Contabilistas — Z. Norte Bispo de Aveiro Comandante da G.N.R. de Aveiro Comandante da Guarda Fiscal de Aveiro Comandante da P.S.P. de Aveiro Comandante do Batalhão de Infantaria de Aveiro Comandante do D.R.M. de Aveiro Comandante do Porto de Aveiro Director da Delegação da Alfândega em Aveiro Director da Polícia Judiciária de Aveiro Director de Finanças do Distrito de Aveiro Director do Diário de Aveiro Director do Instituto da Juventude em Aveiro Gerente da Caixa Geral de Depósitos em Aveiro Gerente do Banco E. S. e C. Lisboa em Aveiro Governador Civil de Aveiro Juiz Presidente do Círculo Judicial de Aveiro Juiz Presidente do Tribunal da Comarca de Aveiro Presidente da Assembleia Municipal de Aveiro Presidente da Associação Comercial de Aveiro Presidente da Associação de Estudantes do I.S.C A A .

Presidente da Associação Industrial de Aveiro Presidente da Câmara Municipal de Aveiro Presidente da Comissão da Rota da Luz de Aveiro Presidente da Junta de Freguesia da Glória Procurador Geral da República em Aveiro Reitor da Universidade de Aveiro Secretário do Governo Civil de Aveiro Secretário do I.S.C.I.A. de Aveiro Vice-Presidente dos Serviços Sociais de Aveiro

Sessão de Abertura

PALAVRAS PROFERIDAS pelo PROF. DR. JOAQUIM JOSÉ DA CUNHA Presidente do Conselho Directivo do I.S.C.A.A.

(Texto Indisponível)

O Prof. Cunha começa por saudar as numerosas entidades presentes, cuja honrosa participação agradece. Saúda especialmente as representações dos I.S.C.A/s, nomeadamente o Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, cidade onde o homenageado exerceu a sua actividade, o Exm° Sr. Governador Civil de Aveiro, que a política roubou ao I.S.C.A.A., mas que esta Escola não terá desistido de o recuperar; a Exm a Sr. a Directora Geral do Ensino Superior que, em representação do Sr. Ministro, ouve algumas preocupações da Escola e o pedido de uma venera para o homenageado - enquanto aos I.S.C.A.'s é proposto a criação em todos eles, de uma sala com o nome do Prof. Jaime Lopes Amorim; a Comunicação Social e a filha e familiares do Professor. Reitera os mais sinceros agradecimentos a todos os presentes, não deixando de assinalar que a ideia de homenagear a figura do Prof. Jaime Lopes Amorim nasce no I.S.C.A.A., nesta sala - o auditório - por sugestão do Prof. Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira. Seguidamente realça que a melhor homenagem que se pode prestar a quem tanto dignificou a Contabilidade passa pela valorização e afirmação dos C.E.S.E. e pela criação do Mestrado em contabilidade - tarefa em que estão empenhados os Professores Doutor Rogério Fernandes Ferreira e Doutor Amílcar Gonçalves - seja nos Politécnicos ou em ligação com a Universidade. Terminou o Prof, com uma agradecida saudação a todos os presentes, deixando à Comunicação Social u m cumprimento especial com votos de que os problemas da Escola nela conquistem espaço crescente.

PALAVRAS PROFERIDAS pela PROF. a DR. a VIRGÍNIA MARIA GRANATE COSTA E SOUSA, em representação da Comissão Executiva

Ex.ma Senhora Directora Geral do Ensino Superior Ex.mo Senhor Governador Civil Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal Ex.ma Senhora Vice Reitora da Universidade de Aveiro Ex.mo Senhor Presidente do Conselho Directivo do I.S.C.A. de Aveiro Ex.mo Senhor Prof. Cimourdin de Oliveira Ex.ma Senhora Dr.a Luísa Amorim-Braun e Ex.mos Familiares do Prof. J. L. Amorim

Senhores Convidados Senhores Palestrantes Minhas Senhoras e meus Senhores

Nas passadas Jornadas de Contabilidade, realizadas em Aveiro, em Novembro de 1991, o Senhor Professor Doutor Camilo Cimourdin de Oliveira lembrou — sempre oportuno — a passagem dos 100 anos do nascimento do Prof. Jaime Lopes Amorim. Os I.S.C.A.'s, alertados para o facto e conscientes da importância da obra do Mestre no mundo científico da Contabilidade, decidem, finalmente, empreender esta homenagem que, para corresponder à dimensão do Prof. Amorim, não deverá, de forma alguma, parar hoje e aqui. Coube-me a grata tarefa de integrar um grupo de trabalho que me deu oportunidade de conviver com actuais mestres e de regressar, com outras perspectivas, à obra do nosso homenageado. Conheci-a, pela primeira

vez, nos bancos das Escolas do Porto, reli-a e divulguei-a, mais tarde, como Professora e estudiosa das problemáticas da Contabilidade e da Economia. O vasto labor intelectual de Lopes Amorim abarca o domínio económico — estudos publicados em separatas dos Anais do Instituto do Vinho do Porto —, o domínio da Contabilidade — coberto por trabalhos de carácter científico, pedagógico-didáctico, teórico-metodológico, crítico, polémico, histórico — e, ainda, outros que abordam problemas relacionados com a gestão empresarial.

As obras de Contabilidade permanecem autênticos pilares do saber contabilístico português. Gostaria de realçar a "Digressão Através do Vetusto Mundo da Contabilidade", aquela que, penso, melhor traduz o brilho das suas reflexões, o vigor do seu pensamento, a clareza da sua exposição e a sua vasta cultura. Jaime Lopes Amorim, acérrimo defensor da Contabilidade como ciência — a do equilíbrio patrimonial —, realça o papel fundamental da observação: vê o património — objecto da Contabilidade — como um cosmos em movimento contínuo e observável através do método contabilístico. Destaca a importância da classificação — "processo de raciocínio indutivo que consiste em agrupar os objectos ou fenómenos segundo determinados

e que tem o "mérito de contribuir para introduzir a

ordem no conhecimento do património e para unificar a verdade"— ordem

e verdade, conceitos tão queridos do Mestre. E que, segundo Lopes Amorim

— em perfeita consonância com a actualidade — , o método é sinónimo de ordem — aquela que nos permite chegar à verdade com maior segurança e rapidez; e, sendo a ciência um sistema de verdades dependentes de um princípio único, a ciência contabilística depende de um princípio — o princípio básico do equilíbrio patrimonial. A eficácia pedagógica das "Lições" do Prof. Amorim radica na defesa intransigente do método positivo que assenta numa inteligente e escrupulosa observação dos factos. A sua confiança no rigor e na ordem transmitidos pela Contabilidade à observação leva-o a perfilhar a tese de Ehrenberg centrada na importância do método logismológico para a ciência económica. Lopes Amorim defende a aplicação dos processos de análise contabilística à investigação económica, considerando que eles podem prestar valiosos serviços ao ensino da ciência económica sob o ponto de vista nacional. Apoiado em valores que considera fundamentais — agora de regresso

pontos

de vista(

)

à nossa sociedade trazidos por um certo revivalismo neoliberal — Lopes Amorim considera a concorrência, baseado em princípios morais e

económicos, um poderoso estímulo ao progresso económico da humanidade e uma forma de aperfeiçoar a eficiência das organizações. Avança que o contributo decisivo para o progresso económico de uma Nação não deriva da quantidade mas da qualidade dos concorrentes — qualidade, esse "somatório de conhecimentos teóricos e técnicos e de predicados morais". Não se esquece do consumidor: condena a fraude como um processo de concorrência desleal. Consciente da importância do comércio verbera — em defesa da livre circulação de pessoas, mercadorias e capitais — as altas tarifas aduaneiras, as restrições às importações, às exportações e ao movimento de capitais e a manipulação artificial dos câmbios, — tudo "fruto de um vesgo nacionalismo económico". Contudo, não se esquece de lembrar que o livre cambismo só é possível através da existência de um equilíbrio de meios e recursos conseguido através de uma cooperação económica e financeira entre os povos. Lopes Amorim condena a irregular distribuição de recursos económicos e financeiros entre os vários países — autêntico obstáculo a uma política económica baseada na iniciativa individual. Adepto da liberdade económica, condição indispensável para a liberdade dos povos, confia no futuro da Europa ao afirmar: "A Europa sempre se refez de todos os reveses que sofreu no passado, e que não foram poucos, e nada nos indica que ela se mostre incapaz de vencer as enormíssimas dificuldades em que agora se debate porque o seu passado nos leva a crer no seu futuro". Esta rápida e incompletíssima passagem por sobre a obra do Prof. J. Lopes Amorim vai, hoje, ser completada, ao longo do dia, por vários palestrantes que nos vão ajudar a atingir os objectivos que estas Comemorações se propuseram.

O Programa destas jornadas de trabalho integram uma Exposição bibliográfica, patente na Biblioteca do I.S.C.A.A., que resulta de um Projecto inacabado, concebido para reunir as obras da Biblioteca do Prof. Amorim, os Trabalhos por ele publicados e os Estudos a que a sua vida e obra deram origem.

Pretendemos continuar a homenagear o Prof. Jaime Lopes Amorim:

iniciaremos com a edição do Livro das Comemorações — que integrará as diferentes intervenções de hoje, outras que, ainda, nos possam chegar e uma pequena selecta de textos do homenageado — e sonhamos com a publicação de algumas obras suas e de outros ilustres mestres da

Contabilidade. Não quero terminar sem agradecer a todos aqueles que ajudaram — e vão, certamente, continuar a ajudar — a Comissão executiva, muito especialmente à Comissão Científica, por intermédio do Prof. Cimourdin de Oliveira, e ao C. Directivo do I.S.C.A.A., por via do seu Presidente, Prof. Joaquim José da Cunha. A todos os presentes, em especial à família — cuja presença nos honra e apraz registar — e aos palestrantes, o nosso muito obrigado.

PALAVRAS PROFERIDAS pela Directora Geral do Ensino Superior, PROF. a DOUTORA GRAÇA FIALHO, em representação de S/ Ex a o Ministro da Educação

(Texto indisponível)

A Ex.ma Senhora Doutora Graça Fialho começou por afirmar sentir-

se muito honrada com a possibilidade de estar presente nesta homenagem ao Prof. Jaime Lopes Amorim, cuja personalidade ficou a conhecer melhor após ter recebido a síntese biobibliográfica. Que a ausência de Sua Ex a o Ministro da Educação — que gostaria de estar presente — se devia à coincidência de um importante Conselho de Reitores, já que o Ministério da Educação considera importante que os profissionais que dignificam o ensino e a investigação sejam homenageados.

A Ex.ma Senhora Directora Geral do Ensino Superior, após ter realçado

alguns aspectos que considera relevantes na personalidade do homenageado,

mostrou-se receptiva à ideia de propor superiormente a concessão de uma "Venera" a tão ilustre cientista e pedagogo.

PALAVRAS PROFERIDAS pelo PROF. DOUTOR CAMILO CIMOURDAIN DE OLIVEIRA Comissão Científica, discípulo e colega do homenageado

Vou ter uma intervenção muito mais ligeira do que esperava, dando assim o exemplo, pedindo àqueles oradores que terão de falar nesta Sessão da manhã que, tanto quanto possível, reduzam também a sua intervenção, sem prejuízo da finalidade que aqui nos traz, que é prestar homenagem a esse grande mestre da Contabilidade que se chamou Jaime Lopes Amorim. Jaime Lopes Amorim foi, como todos sabem, um grande mestre da Contabilidade em Portugal, e foi, para a época, o maior dos mestres da Contabilidade em Portugal, e nunca haverá mais nenhum que consiga dar o salto, no ensino da Contabilidade, que deu o Prof. Jaime Lopes Amorim; e não haverá mais nenhum, por esta razão: é que ele partiu de muito baixo. O ensino da Contabilidade, mesmo a nível superior, em Portugal, era muito elementar, e Jaime Lopes Amorim, com a sua docência no velho Instituto Superior de Comércio do Porto, com as suas "Lições de Contabilidade Geral", publicadas em 1929, deu um salto enorme; e, daqui por diante, os saltos que se dão são todos muito pequeninos, em relação ao salto anterior. Todos nós temos procurado contribuir para a melhoria do estudo científico da Contabilidade em Portugal, mas nenhum de nós poderá dar nunca, o salto que ele deu, porque ele partiu exactamente, praticamente, digamos, do zero, do "quase" nada, e portanto, deu um salto enorme Agora, os saltinhos são mais pequenos. Foi, portanto, um homem extraordinário, e que, por isso mesmo, estamos aqui a homenagear.

Eu conheci-o muito bem porque fui aluno dele em duas cadeiras, Contabilidade Geral e Contabilidade Industrial, que era como se chamava então, a depois chamada Contabilidade de Exploração, ou Contabilidade Analítica, simplesmente, ou Contabilidade de Custos, que não são expressões

exactamente sinónimas, mas enfim, os entendidos percebem o que quero dizer; fui aluno dele nessas duas cadeiras e, depois, por força duma injustiça legislativa que foi praticada, fui colega dele no Instituto Comercial do Porto,

e digo que fui colega, porque ele, tendo a categoria de assistente no Instituto

Superior de Comércio do Porto, mas regendo as cadeiras, tal e qual como outros professores, como por exemplo Jacinto Moniz Travassos, nas Matemáticas, o Eduardo Severo Maia de Medina e o Marques Dias, nas Químicas — e não sei se me esqueço de mais algum —, eram assistentes que regiam cadeiras num estabelecimento de ensino superior e foram levados a assistentes duma Escola que era médio-superior — era o antigo Instituto Comercial do Porto, portanto; e, como eu também fui convidado para assistente, passámos a ser colegas, por virtude dessa circunstância. Contactei, portanto, com ele como aluno, e contactei com ele como colega no Instituto Comercial do Porto, e tive muitos outros contactos porque se criou entre nós, também, uma certa amizade.

Não vou falar agora — não vale a pena, porque outros o irão fazer ou já o fizeram — do que foi o Prof. Jaime Lopes Amorim para a evolução dos estudos universitários da Contabilidade em Portugal; vou apenas referir, muito ligeiramente, alguns aspectos que me levaram a reflectir sobre a sua vida profissional, e um deles já o referi. A Contabilidade era ensinada a nível superior, nessa altura — quando ele publicou as suas "Lições" —, nos Institutos Superiores de Comércio do Porto e de Lisboa; era aí que se ministravam os conhecimentos de matéria económica e financeira.

Tinham um regulamento comum — Regulamento dos Institutos Superiores de Comércio de Lisboa e Porto — aprovado pelo Dec.-Lei n° 14 291, de 14 de setembro de 1927 e, portanto, os estudos de matéria económica

e de matéria financeira obedeciam a um plano exactissimamente igual para os dois Institutos. Em 29 publicou Jaime Lopes Amorim a sua principal obra; são dessa época as "Lições de Contabilidade Geral", e são elas que representam exactamente a entrada da Contabilidade a um nível verdadeiramente científico, no ensino universitário português, sem sombra de dúvida.

Depois, em 1933, é extinto o Instituto Superior de Comércio do Porto;

melhor, são extintos os dois Institutos Superiores de Comércio, de Lisboa e do Porto, e é criado então o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, em Lisboa, portanto, ficando o Porto sem escola nenhuma que

a nível universitário ensinasse as ciências económicas e financeiras.

É nesta altura então que o Prof. Jaime Lopes Amorim passa a assistente do Instituto Comercial, como já disse. Publicou muitos trabalhos, que V. Exas conhecem todos tão bem como eu; e publicou — e isto é que acho que tem de referir-se — quando já tinha quase 80 anos de idade, publicou um

da

Contabilidade", que também todos conhecem e também já hoje aqui foi

referido. É u m livro

matéria realmente muito interessante, e em que ele dá a medida — como aliás já tinha dado muitos anos antes, com a publicação das "Lições de Contabilidade Geral" —, em que ele dá a medida da sua extraordinária cultura, não apenas económica, não apenas contabilística, mas sobretudo uma cultura filosófica e histórica, que é notável. Aliás, vamos ter o prazer de ouvir aqui, na sessão da tarde, o Prof. Lopes de Sá, que tem um trabalho também notabilíssimo sobre a obra do Prof. Jaime Lopes Amorim.

qu e vale a pena 1er d e ve z em quando , porqu e te m

livro notável que é a "Digressão através do vetusto mundo

Eu queria, ainda falando do Prof. Jaime Lopes Amorim, dizer o seguinte: o Prof. Jaime Lopes Amorim está claro que foi vítima dessa ex- tinção do Instituto Superior de Comércio do Porto, ou melhor, de, nessa altura, não se ter criado, a par do Instituto Superior de Ciências Económicas

e

Financeiras de Lisboa, também o Instituto Superior de Ciências Económicas

e

Financeiras do Porto, onde ele teria continuado a sua vida de prof,

catedrático, que afinal eram as funções que ele desempenhava na altura da

extinção do Instituto Superior de Comércio do Porto. A vida é assim mesmo;

e, portanto, ele passou a ser, no Instituto Comercial do Porto, assistente de

professores que estavam longe de ter a sua cultura na área da Contabilidade; para passar de assistente a professor teve de aceitar a regência de cadeira da

área das ciências económicas, pois creio que foi professor de Geografia, área em que foi também u m grande professor, pois sê-lo-ia em qualquer ramo a que se dedicasse.

Foi, também, ilustre colaborador do Instituto do Vinho do Porto, dessa qualidade nos indo hoje falar o senhor Dr. José Ribeiro Pereira que ali muito contactou com o prof. Jaime Lopes Amorim, que, também nessas funções, publicou interessantes trabalhos de natureza económica, que muito o notabilizam. Foi, portanto, u m tratadista emérito, foi u m grande publicista

de matérias económicas e contabilísticas, principalmente, e foi um grande polemista — e é aqui que o Prof. Jaime Lopes Amorim tem, porventura, uma faceta menos agradável —, porque o Prof. Jaime Lopes Amorim, que era encantador no trato, falava com as pessoas e nós sentíamo-nos muito bem, nada agressivo — nunca o ouvi levantar a voz —, falava sempre muito calmamente, mas a escrever, fazia-o, como eu já escrevi noutro lugar, não com uma caneta, mas com um varapau. Ele escrevia com um varapau

Eu tive uma polémica com ele, a propósito da posição das reintegrações no mapa analítico de balanço, porque ele metia nessa altura as reintegrações numa massa da situação líquida (rectificativa) e eu dizia que não, as reintegrações não podem fazer parte da situação líquida, porque então situação líquida deixaria de ser equivalente a capital próprio. Enfim, a polémica durou uns dois anos, na Revista de Contabilidade e Comércio. Ele, finalmente, alterou aquilo que havia escrito até à 3 a edição dos seus "Elementos de Contabilidade" e, na 4 a , adaptou-se à minha posição. Mas, quero dizer que o Prof. Jaime Lopes Amorim não me tratou tão

mal como a outros; mas, também não me tratou lá muito bem

Apesar

disso, e apesar de ter depois adaptado os seus livros à minha teoria, e abandonado a dele, apesar disso, depois, quando me oferecia os seus livros, as dedicatórias eram as mais amigas e as mais encomiásticas. Quer dizer, ele não ficou com o mínimo ressentimento da circunstância de o aluno que

se tinha licenciado poucos anos antes — eu não tinha nessa altura trinta anos, escrevia ainda a minha idade com o algarismo 2 na casa das dezenas —, se "meter" com o grande mestre que era, já nessa altura, e muito considerado, Lopes Amorim; mas não reteve disso o mínimo ressentimento e continuou a dedicar-me palavras muito elogiosas e amigas. Foi um homem extraordinário. Como homem, como elemento da sociedade, era uma pessoa a quem todos nós reconhecíamos apenas

qualidades; não dizíamos, nas nossas conversas sobre Jaime Lopes Amorim, que ele tinha este ou aquele defeito, porque não lhe conhecíamos defeito

apenas o de bater muito forte, naqueles com quem tinha de

nenhum

discutir, em polémica, as suas ideias. Eu quero, ao deixar este apontamento, que é um depoimento sobre o meu pensamento a respeito de Jaime Lopes Amorim, agradecer aos Institutos Superiores de Contabilidade e Administração do País, especialmente ao de Aveiro, o terem pegado numa afirmação que eu fiz neste lugar, aqui há onze meses, nas 4 a s Jornadas de Contabilidade de Aveiro, quando ainda estávamos no ano em que se deveria ter festejado o nascimento do grande

mestre que foi Lopes Amorim, porque ele nasceu em 15 de Janeiro de 1891.

Não foi possível, nessa altura, fazê-lo em 91; mas, antes fazê-lo agora,

em 92, do que deixar de o fazer

Quero agradecer, portanto, aos I.S.C.A.'s que colaboraram nesta homenagem, e especialmente àquele que tomou a seu cargo a execução desta sessão de trabalhos, deste dia; e agradecer também a todos a vossa presença, mas especialmente — e vão perdoar-me que eu distinga três

pessoas: distinguir o Prof. Lopes de Sá, grande mestre do nosso grandíssimo país amigo, que é o Brasil; e agradecer também a presença aqui dos professores Fernando Martin Lamouroux e Enrique Fernandez Pena, os quais

na I a

Reunião Científica do ITECA, em Léon, em Espanha, onde tive o prazer de conhecer dezenas de colegas espanhóis e, entre os quais, os Professores Enrique Pena e Fernando Lamouroux. Muito gosto em voltar a vê-los aqui.

Não estive estes trinta e dois anos sem os ver; nós temo-nos encontrado já mais algumas vezes, muito mais com o Prof. Fernandez Pena, porque é meu colega aqui, neste Instituto, como professor orientador dos cursos de licenciatura, deste Instituto. Minhas senhoras e meus senhores: devo ter cometido algumas faltas, deixando de fazer alguma referência, mas peço que me perdoem. Por outro lado, quero dirigir, finalmente, os meus cumprimentos à família de Lopes Amorim e dizer-lhes o quanto realmente estimo a memória do vosso pai e do vosso parente. Meus senhores, acabei.

não o fazer.

eu tenho o prazer de

conhecer já há 32 anos, quando estivemos juntos

PALAVRAS PROFERIDAS pelo DR. JOSÉ RIBEIRO PEREIRA, Colaborador do homenageado no Instituto do Vinho do Porto

Prof.

Contabilidades

Dr. Jaime

Resumo*

Lopes

Amorim

Para

Aquém

e

Para

Além

das

— Agradecimento pela honrosa lembrança deste modesto mas sincero

amigo do Dr. Lopes Amorim para dar o seu depoimento e enaltecer a vigorosa personalidade de tão ilustre Homem.

— Seria "ensinar o Padre-Nosso ao Vigário" falar a tão ilustre auditório e em tão solene ocasião nos méritos e nas virtudes do cabouqueiro da

Contabilidade em Portugal, impondo-a como uma Ciência; é, com efeito, a área em que com menos autoridade do homenageado poderia falar mas há

tanto

para aquém e para além disso que não mingua pano para mangas. — Assim, ocupar-me-ei do trabalhador indefesso, do intelectual

polivalente e versátil, profissional competente, do escritor da linguagem

clara, tersa, do mestre e colega simples, generoso

em suma, do Homem.

— Elementos biográficos.

Professor de Geografia,

depois de uma longa vida distante de tal matéria.

— O funcionário do Instituto do Vinho do Porto, de Chefe de Secção a Director de Serviços.

— O brio na recolha de elementos para ser

* A doença impediu que nds fizesse chegar o seu "Depoimento" na versão

definitiva.

— O seu dia a dia a mostrar, a cada passo, que a economia, o direito e a política económica eram campos onde se sentia como peixe na água.

— Os livros que escreveu; melhor o que foi publicado em livro, da

sua autoria. O muitíssimo que deixou disperso por dossiers, por revistas e

periódicos e que daria bem mais livros.

— Muito lhe deve o Vinho do Porto, sobretudo no domínio do comércio externo e da política de qualidade.

— A sua real ou aparente timidez nas possíveis reacções que, diz-se, são próprias dos tímidos.

— Neste capítulo um exame, superficial mas com algum pormenor

do autor de uma "Lição a um Mestre de Ideias bailarinas, revolucionárias e destruidoras".

— Procurarei desfazer a ideia que, julgo, necessariamente fará do Dr. Lopes Amorim quem o conheça, apenas, por esta publicação.

— Embora eu próprio não seja capaz de o demonstrar, tentarei

convencer de que ele foi um Homem superior e, nem de perto nem de

longe, corresponde ao que ele próprio diz de si, escrevendo

só escrevendo.

PALAVRAS PROFERIDAS pela DR. a MARIA LUÍSA AMORIM BRAUN, "filha do homenageado"

Ex.mos Membros da Comissão Organizadora desta homenagem Ex.mos Professores Minhas Senhoras Meus Senhores

Eu não vou fazer um discurso. Vários foram já feitos e, considerando a densidade do programa desta sessão de trabalhos, deve o tempo ser bem aproveitado. Mas há necessidade — para mim uma obrigação moral — de dizer algumas palavras singelas, muito breves, também em nome da minha irmã, a agradecer esta homenagem prestada ao nosso pai. Sinto-me muito inibida por vários motivos: primeiro, por o homenageado ser o nosso pai e, portanto, não ter eu o distanciamento necessário para poder falar sobre ele como os outros; em segundo lugar, porque, afastada há meia vida deste país, já não consigo falar aquele português escorreito doutros tempos. Por isso, peço desculpa a todos os presentes, invocando, ao mesmo tempo, a benevolência do meu pai. Eu penso que, se esta homenagem tivesse sido feita pouco depois de ele ter falecido, seria, por assim dizer, a última pàzada: um modo de encerrar uma biografia e abrir caminho ao esquecimento, em boa consciência. Uma vez que, porém, se passaram já quase 20 anos sobre o seu falecimento, penso que esta homenagem tem, realmente, uma importância e um significado maiores. E o certo é que já os oradores que me precederam deram relevo e reconheceram o valor da pessoa do meu pai e da sua obra.

Eu pergunto a mim própria qual teria sido a sua reacção, se lhe fosse proposta uma homenagem enquanto vivo. Suponho que ele teria ficado embaraçadíssimo e tudo teria feito para impedir tal iniciativa. Porque as pessoas que o conheciam melhor — algumas disso deram já testemunho — sabem que o nosso pai era uma pessoa muito modesta e, para além disso, tímida. Felizmente — ou infelizmente porque ele já não se encontra entre nós, — não é capaz de impedir a sessão solene de hoje em sua memória; e imagino que se ele, por hipótese, tivesse a possibilidade de estar aqui a ver- nos e a ouvir-nos, estaria muito contente pelo facto em si, mas, não menos, por se achar impedido de comparecer fisicamente. Eu não tenho habilitações, capacidade ou competência para me referir ao meu pai como homem de ciência, como intelectual. Essas referências foram aqui feitas. O nosso pai teve a pouca sorte de ter duas filhas que não percebem nada de Economia e, mais especificamente, de Contabilidade. Além disso, o nosso pai era uma pessoa que, em casa, pouco falava, minimamente aludia às suas tarefas profissionais; trabalhava intensamente, quase com devoção, mas em recato. Às vezes, é certo, assistíamos a uma conferência sua, ou éramos testemunhas casuais de conversas tidas com colegas, amigos ou discípulos e relacionadas com trabalhos ou livros seus; mas saber, em profundidade, as matérias a que ele se dedicava não sabíamos — aqui, eu pecadora me confesso. Em resumo, não me cabe a mim emitir juízos de valor sobre o profissional, homem de Ciência ou professor, outros o fizeram já ou farão ainda. Eu vim aqui aprender novos aspectos do meu pai e, até, só por isso, teria de estar muito obrigada a V. Excelências. Aquilo a que me posso e quero essencialmente referir, para além das qualidades do homem intelectual, é, dito por simplificação, a dimensão moral do meu pai; uma dimensão a que só talvez posteriormente tenha dado o devido valor, depois de ter vivido tanto tempo fora de casa e da família, ter contactado com tanta gente de vários falares e nações. Quem o conhecia sabia que ele era um indivíduo recto, isento de carácter, com grande sentido de responsabilidade e do cumprimento do dever e de uma modéstia que, se já no seu tempo era invulgar, hoje em dia passou totalmente de moda. Pela minha parte posso afirmar que ainda não encontrei em parte alguma, nem dentro nem fora do país, alguém que se lhe assemelhe, que congregue essas várias facetas da sua personalidade.

O que se pede a uma filha, na situação presente, é, sobretudo, um testemunho familiar. Falar da relação pai/filha é possível, mas não é fácil.

As impressões são subjectivas e grande é o receio de esgravatar emoções, de tocar e reavivar a esfera íntima que pertence ao passado. É com esse receio que eu digo que, em criança, via o meu pai como uma pessoa bastante distante, extremamente séria, com uma grande autoridade natural — sem ser autoritário — mas que, de certo modo, me inspirava medo. Lembro-me de, ainda muito pequenita, querer quebrar essa distância, tentar fazê-lo rir por meio de cócegas e diabruras, tentativas essas que pouco frequentemente eram coroadas de êxito. Mas, se ele achava mesmo graça e se ria, tinha umas gargalhadas tão sonoras e um brilho tão travesso nos olhos, que não se me esbatem na memória. Talvez por serem momentos raros.

Antes de mim houve já quem, tendo privado de mais perto com ele, relatasse pormenores e reacções típicas, um tanto inesperadas para os que conheciam o nosso pai só de nome ou "por fora". Eu poderia aqui citar, por exemplo, muitas saudosas e santas tardes de domingo, em que ele nos levava ao cinema — à mãe, às filhas e às amigas das filhas — para ter toda a gente satisfeita. A família estava entretida e ele, refastelado numa cadeira do camarote, na sua santa paz. Se o filme não lhe interessava — e a nossa escolha devia, em muitos casos, parecer-lhe execrável —, dormitava, sendo preciso, às vezes, dar-lhe uma cotovelada para anunciar o fim da sessão! O curioso é que, precisamente em determinados filmes de cowboys ou em cenas de pancadaria, o pai estava bem acordado, gozava a cena, esfregando as mãos e chegando mesmo a exprimir-se em voz alta, adepto cem por cento do bom ou do vilão da fita! Tudo menos "lamechices", como ele dizia. Assim também, na vida real, detestava sentimentalismos bacocos; mas creio que o que mais lhe custava suportar era a estupidez humana. Ele que era uma pessoa tão comedida, avesso a exuberâncias temperamentais, chegava a exaltar-se, a barafustar, a romper intempestivamente os muros do seu autodomínio ante um dito ou uma atitude estúpida. Bem me lembro do medo que também nós, filhas, tínhamos de lhe mostrar, nos tempos da escola, os erros "estúpidos" produzidos em exercícios ou deveres de casa. Por isso é que só muito raramente o consultávamos ou lhe pedíamos ajuda; nenhuma professora era tão severa como ele nas suas avaliações. Outra faceta muito típica do nosso pai, a que ainda ninguém aludiu até ao momento, era a sua enorme capacidade de distracção, correlativa da sua enorme capacidade de concentração — a famosa distracção dos concentrados. Ele era capaz de, em sociedade, se o tema da conversa ou as pessoas não lhe interessavam sobremaneira, alhear-se, ausentar-se, fugir em

espírito. Como nós dizíamos, quando éramos miúdas: lá está o pai na lua, é

preciso puxá-lo para a terra pelos pés

superficialmente distraído; o jogo mímico, os trejeitos do rosto traíam uma funda concentração, o seu cérebro trabalhava febrilmente sobre algo a que não tínhamos acesso.

Essa extrema distracção deu origem a muitas anedotas que circulavam

Mas era visível que não estava

a respeito do nosso pai. Não vou entrar em pormenores, mas posso afirmar

que ele conseguia bater todos os recordes, tratando-se de trocar quaisquer objectos que não trouxesse bem agarrados ao corpo. As gabardines, os chapéus, os guarda-chuvas que ele levava para casa nunca eram os dele e, depois, era o eterno problema de descobrir a quem pertenciam e proceder à destroca.

Recordações da infância, quase remotas, estas. As de pessoa adulta são outras. E, em ambos os casos, falei e falo mais por mim própria, porque

a relação da minha irmã com o nosso pai era, por certo, diferente. Uma vez

que não há relações idênticas entre pais e filhos, ela deve tê-lo visto com

outros olhos e estará mesmo surpreendida com o teor destas minhas recordações. Pelo que me toca, devo dizer que o tal medo que confessei ter tido em relação ao pai se transformou, ao tornar-me adulta, ou pelo menos menos criança, numa grande admiração e num carinho muito especial, que dispensava os gestos repetidos ou espectaculares. Se eu tivesse de sintetizar numa palavra aquilo que mais me impressionava no meu pai era, sem dúvida, a sensação de grande dignidade humana que dele emanava. Sensação de verticalidade, no amplo sentido da palavra. Para ilustrar este vocábulo, que se me impõe sem substituto, vou citar um pequeno episódio que, oxalá, não lhes pareça absurdo. Uma vez, numa noite de Inverno, no passeio em frente ao Instituto do Vinho do Porto, na Praça do Infante, o meu pai escorregou e caiu, ficando estendido no chão a todo o comprimento. O facto de ele ter caído — e acrescento que ele não se magoou, foi, felizmente, uma queda sem consequências — de ter perdido, assim, por um momento, a "verticalidade física" impressionou-me tanto, que ainda hoje sonho com este episódio. Claro que não foi a queda em si, mas a "vulgaridade" da queda, que se me apresentou como um vexame por ele sofrido e que eu, por pudor, não devia ter presenciado. Reconsiderando, a toda esta distância, talvez fosse já e também o medo inconfessado da horizontalidade última da condição humana. Não posso nem quero alongar-me — o tempo é escasso —, mas não

devo calar-me sem agradecer, mais uma vez, a todos os organizadores desta homenagem o empenho que nela puseram e a todos os presentes o terem vindo aqui e se terem a ela associado. Para nós, filhas, é motivo de regozijo e até — pondo de parte falsas modéstias — de orgulho e vaidade pelo pai que nos foi dado ter. Aqui se prova que, afinal, sempre é possível ultrapassar a morte física, ir protelando a morte cabal, terminal, na medida em que se conservam vivos na memória aqueles que estimamos ou admiramos. Também e, sobretudo, por este motivo, quero ainda agradecer a todos o facto de terem ajudado a prolongar a vida do nosso pai.

Muito obrigada.

J^&Ù?^^

Comunicações

O CIENTISTA PORTUGUÊS DA CONTABILIDADE

CARLOS MOREIRA

DA SILVA

O primeiro livro de contabilidade que me foi dado para os meus estudos escolares tinha como título "Compêndio de Contabilidade"; não era da autoria do Professor Jaime Lopes de Amorim, e entre muitas afirmações que se me apresentavam como inconsequentes, ilógicas ou sem significância, referia como "o mais próximo de uma definição de Contabilidade" (de que aliás noutros livros, o mesmo autor, até contestava a existência) que a contabilidade "ensina a representar, interpretar e seguir na sua evolução todas as transformações por que passa o património de modo a poder conhecer-se, em qualquer época, a sua composição e o seu valor".

Referia-se pois só à Escrituração onde se representavam, interpretavam e seguiam as transformações do património, não referindo nunca "causas" nem "consequências" das transformações, nem sequer a natureza das transformações, nem os objectivos com tal trabalho. Até o valor que refere, não seria o de cada componente do património, mas o valor do património global. Nem comparava valores de épocas diferentes, pois referia simplesmente "uma época". O fim seria singelamente conhecer-se, pois excluía-se quaisquer espécie de raciocínio, quaisquer conclusões sobre tais conhecimentos.

Mas

Enfim, uma contabilidade talvez do século XVIII! ou anterior?

não era

Isto passava-se em 1944 num a escola portuguesa

oficial.

*

Contabilista ICP — aluno do homenageado.

Eis senão quando, me chega às mãos o livro "Elementos de Contabilidade" do já muito conhecido Professor Jaime Lopes de Amorim, livro como o anterior destinado aos alunos das Escolas Comerciais. Apresentava já uma definição de Contabilidade, em que distinguia "Ciência" e "Arte":

"Ciência que se ocupa do património das empresas, encarando-o sob os pontos de vista qualitativo e quantitativo num dado instante e na sucessão dos instantes".

Era realmente outra Disciplina, detentora de uma Utilidade, de uma Finalidade humana regida por uma Lógica, dava conhecimento da existência de um ponto de vista "Quantitativo", não se limitando ao monetário. Transmitia realmente já uma Ciência aos alunos, não a parte mais diminuta dessa ciência, que nem Arte chegava a ser, era mais um amontoado de conhecimentos para formar seres ignorantes, sem pensamento, amorfos. Não devemos esquecer-nos de que o Porto já detinha Tradição nestes conhecimentos, como nos mostrou Júlio Diniz, na sua publicação "Uma Família Inglesa" em primorosa apresentação de um Guarda-Livros no tempo retratado pelo Escritor. Mas, continuemos. Outros livros que iam aparecendo fui lendo, que eram infelizmente quase sempre do mesmo autor inicial, e onde o meu interesse pela contabilidade ia quebrando pelas irracionalidades que detectava, pelos

facciosismos, pelas confusões que apresentava, pelas indefinições sucessivas

ou definições sem orientação de Objectivos, etc

As maledicências todavia

não tinham fim, os portugueses com provas dadas ficavam no olvido quando não eram desancados, mas apareciam referências a nomes desconhecidos, e que quando se vinham a conhecer decepcionavam. A Ciência já tinha dois séculos de existência em diversos países estrangeiros, mas aqui estávamos voltando à estaca zero.

Um dos livros verdadeiramente tristes, tinha o pomposo título de "Doutrinas Contabilísticas", mas não apresentava senão defeitos dos respectivos autores e estendia-se a mostrar que afinal não eram também doutrinas. Em "Definições de Contas" ia buscar os maiores disparates para

apresentar, mas esquecia-se dos escritores mais aceites. Em "Definições de Contabilidade" encontrava maneira de negar até definições que ele próprio

Enfim vangloriava-se do seu saber que não apresentava, e

construía,

também mesmo quando o fazia era uma decepção total. Foi no meio desta irracionalidade barulhenta e zaragateira, que tive a

sorte de ouvir referir amiúde o Grande professor de contabilidade que dava

aulas no Porto, e se dedicava mais a estudar e ensinar os seus alunos, que a

buscar favores indevidos e a arengar aos ignorantes correspondeu a sorte maior de vir a tornar-me seu aluno.

Conheci, então, o entusiasmo que pode haver em ensinar a Contabilidade, e em a aprender, onde à irracionalidade de outros se apresenta uma racionalidade total avassaladora, onde tudo tem um Objectivo orientador útil e digno, pois o que não o tenha deve ser abandonado por homens racionais. Ensinar desta maneira, requer uma vontade, um esforço, um estudo, uma inteligência, uma dedicação que só os predestinados possuem.

Afinal, se não conhecem a

Ciência Contabilística, nem a definição do que é a Contabilidade, nem as Correntes Doutrinárias, nem as Causas nem os Objectivos Contabilísticos

Talvez só em utilizarem o

termo de contabilidade, enganando os que acreditem de que vão aprender isso. Trata-se de publicidade enganadora A diferença destes para o superior saber do Professor Jaime Lopes de Amorim, poderá sugerir que os outros autores eram anteriores, mas na verdade é o contrário, são posteriores. Poderia então supor-se que seriam

desconhecidos os trabalhos do Professor, o que já não abonaria a competência

parece mais um "complot" ou

pelo menos uma intenção amesquinhadora que nada justificaria. E representa

a diferença entre uma "corrente obscurantista" e a "corrente progressista e científica" da Contabilidade. Os discípulos do Professor Jaime Lopes de Amorim beneficiando dos seus ensinamentos, além de um desenvolvimento generalizado de conhecimentos contabilísticos, podem apresentar Ciência Original Portuguesa que amplia até ao infinito o Campo de utilização da Contabilidade, como:

dos outros, mas como evitam citá-lo até

qual a culpa em apregoarem a sua ignorância?!

E a essa sorte,

Temos pois que desculpar os ignorantes

1)

A Contabilidade Transgráfica, sua criação, que utiliza como "meio de aplicação" a Multigrafia também de sua criação, e que também

só eles dominam. Os outros confinam-se à Digrafia

como há

2)

séculos. A Contabilidade de Actividade, isto é, aplicável a toda e qualquer Actividade, Causas e Efeitos, e não em exclusividade à Economia e ao Património, é mais um Desenvolvimento obtido pelos contabilistas portugueses. A Contabilidade pode aplicar-se por exemplo, e só como exemplo, às actividades: Estatal, Social, Bancária, Seguradora, Transportadora, Exportadora, Autárquica,

Empreendimentos, Campanhas, Económica, Jurídica, Hospitalar e Médica, Engenharia, etc.

3) A Contabilidade Científica (já hoje é relativamente fácil d e observar na sua multifacetada actuação, orientação e vastos Objectivos, pelo

que penso terem desaparecido os seus velhos do Restelo

todo e qualquer sistema de medida necessário aos Objectivos Contabilísticos, quebrando o ainda recente monolitísmo do Sistema Monetário (que os incompetentes agoirentos ainda defendem).

abarca

)

A Contabilidade é detentora de mentalidade própria que nenhuma outra Ciência pode substituir, sem perder a sua própria, a sua unidade, a sua dinâmica, a sua lógica, os seus objectivos. Mas poucos conhecem esta

Contabilidade

As Associações dos Técnicos de Contas já falaram em interesses obscuros e inconfessáveis, de grandes grupos de poder que lutam contra a aprovação do seu Código Deontológico! Quem sabe? Cingi-me exclusiva e ligeiramente ao livro do Professor Jaime Lopes de Amorim para o ensino comercial, que é suficiente, a meu ver, para mostrar a sua superioridade com os de outros autores universitários, mesmo os destinados até a especialistas. Mas também "As Lições de Contabilidade" do Professor são demasiado suculentas para eu ter a estultícia de as abordar com tão pouco tempo. Iria certamente transmitir a quem as não tenha seguido, uma ideia que não poderia corresponder, nem proximamente, à extensão da sua influência no conhecimento actual da Contabilidade.

e não são os seus "paraquedistas".

E terminei. Disse tanta coisa

e tão pouco.

LOPES AMORIM — UM GRANDE MESTRE DA CONTABILIDADE

ROGÉRIO FERNANDES FERREIRA

Devem homenagear-se aqueles que na sua vida iluminam, norteiam, dão exemplos, trabalham, deixam obra. Será lugar comum, mas é verdade,que todos temos de realçar que o homenageado, o falecido Professor Lopes Amorim, foi o grande pedagogo da contabilidade do seu tempo. Renovou e racionalizou métodos de ensino e com as suas obras a Contabilidade adquiriu no nosso País um estatuto de ciência que antes dificilmente se lhe poderia atribuir. Há questões de então que hoje se encontram perfeitamente clarificadas, mas, na época, envolveram acesas polémicas. E o Professor Lopes Amorim também foi um brilhante polemista. As Lições de Contabilidade Geral do Professor tiveram a primeira edição impressa no ano de 1929. Foram uma verdadeira revolução para a época, pelo conhecimento que propiciaram de contributos de autores estrangeiros de nomeada da época, tendo o Mestre exercido grande influência na abolição de receitas empíricas para uso de práticos que era então a forma corrente de ensinar e aprender a Contabilidade. Através do Professor Lopes Amorim os estudiosos do nosso País viram relatadas e algo vulgarizadas as mais significativas teorias contabilísticas que nesse tempo foram aparecendo, procurando o Mestre cotejá-las, tecendo- lhes juízos sobre o seu mérito, não lhes dando crédito quando o não merecessem ou quando fossem ideias bailarinas, como uma vez o disse, na sua muito expressiva linguagem. Além das citadas Lições de Contabilidade Geral para os alunos dos cursos de contabilidade avançada preocupou-se também o Mestre em

publicar para os estudantes do então ensino técnico secundário, obra mais acessível e a que deu o nome de Elementos de Contabilidade, para, mais tarde, converter em Noções Básicas de Contabilidade, livros estes pelos quais se passou, nas então chamadas escolas técnicas, a substituir velhos apontamentos que apenas traziam puros receituários ou exemplificações práticas sobre "Deve" e "Haver". Colaborou o Professor Lopes Amorim intensamente com a prestigiosa Revista de Contabilidade e Comércio. Aí deixou escritos demonstrativos da sua grande cultura e do seu poder crítico. Foi polemista vigoroso, criou prosélitos e admiradores que o respeitavam muito, até à veneração. Isto derivava da sua grande capacidade de comunicação e do vigor dos seus escritos. Muitos discípulos do Mestre foram e são ainda, felizmente, profissionais de excepção ou professores ilustres, seguidores das suas obras e teorias. Foram diversos os prestigiosos discípulos do Mestre. Nestes se contam o também falecido e saudoso Mestre José António Sarmento e o distinto colaborador dos ISCA's de Aveiro e do Porto o Professor Cimourdain de Oliveira, professor catedrático jubilado da Faculdade de Economia do Porto.

Durante muito tempo se falou e se fala ainda de "Escola do Porto" como alfobre de pensadores e escritores de contabilidade, de profissionais competentes, de professores de excepção.

O Mestre Lopes Amorim, por razões de má memória, que foram as

da anterior extinção do ensino superior de comércio em 1933, a que acresceram insuficiências no número de lugares de professor de contabilidade no Quadro do Instituto Comercial do Porto então criado, não ficou a ensinar contabilidade. Foi lamentável que tal sucedesse. Mas um Grande Homem sê-lo-à sempre. Lopes Amorim, como é confirmado por colaboradores e alunos, teve acção meritória no exercício de funções profissionais no Instituto do Vinho do Porto e foi também um grande professor de outras matérias — ensinou Geografia, disciplina de que ficou encarregado quando deixou de dar aulas de Contabilidade.

O seu prestígio conduzia cultores da contabilidade e os seus antigos

discípulos a procurarem nele a palavra de encorajamento ou a crítica severa, conforme o Mestre julgava adequado. Era afável, por via de regra, mas não perdoava o que ele entendesse de atrevimentos ou de percepções erradas sobre a Contabilidade.

Frequentemente instado para conferências e comentários a livros e

de

para colaborar com artigos em revistas, privilegiou sempre a Revista

Contabilidade e Comércio onde, em muitos artigos, se pode ver a sua garra, as suas qualidades de polemista e de crítico, com vasto saber da ciência contabilística. O Professor Lopes Amorim veio a surpreender, já quase no fim da sua vida, com um vastíssimo e notável volume de 670 páginas em que faz a História da Contabilidade. Começa o seu trabalho com referências aos primórdios, na Antiguidade, faz um desenvolvido exame do Tratactus de Fr. Luca Paciolo, prosseguindo com a apreciação de períodos seguintes. Culmina as suas análises com a crítica das principais teorias contabilísticas que desde o século passado e até à década de 1970 (morreu em Julho de 1973) foram aparecendo nos diversos países. Este seu trabalho é repositório notável, completo e indispensável para quem procure conhecer as bases de inspiração de actuais posições sobre problemas essenciais de contabilidade, como sejam, os dos seus objectivos,

o problema do valor e das avaliações, o papel do balanço e da demonstração

de resultados, as ligações da contabilidade com outras disciplinas, o relevo

da contabilidade como predecessora da ciência da Administração. Como História de Contabilidade o trabalho também é notável e tem-

se

esperado que outros autores portugueses continuem este tipo de pesquisas,

o

que se lamenta não suceder, considerando que a Ciência se constrói por

adição, parte-se do empreendido pelos antecessores para novas elaborações científicas. Sobre outras matérias administrativas, designadamente planeamento da gestão, seu controlo e gestão financeira encontram-se nos trabalhos do Mestre sábias análises, demonstrativas da sua competência nas diversas matérias de gestão e que também mostram a sua grande e diversificada cultura, as suas invulgares qualidades de simultaneamente pesquisador, historiador, comentarista, tratadista. Curioso observar que a propósito da gestão das empresas já então referia Lopes Amorim que "o problema" reside menos no movimento dos capitais e na condução das máquinas e mais nos recursos humanos, na direcção dos homens, sendo portanto às ciências sociais e à psicologia que se deverá recorrer para a sua adequada solução. E sublinhava em conformidade que a tarefa de quem administra consiste essencialmente em conjugar os esforços de cada um para que o trabalho de conjunto resulte muito mais produtivo do que o somatório de trabalhos individuais. Era o sublinhar do que mais tarde se chamou efeitos sinérgicos. Também o Mestre sublinhava que a qualidade primordial de um dirigente não será saber

executar com perfeição mas sim saber delimitar as atribuições de cada um e estabelecer tipos de gestão em que o controlo surja com naturalidade e conduzindo cada qual a fazer o seu serviço, detectando-se as falhas cometidas, responsabilizando quem tiver de o ser e corrigindo de modo a evitar ou reduzir erros.

Estas ideias que constam da sua obra "O Mundo da Contabilidade", pág. 607/608, hoje são axiomáticas, quase entendimentos comuns, mas na época representaram não só sabedoria mas visão futura, visão do que veio a consignar-se mais tarde como regras de gestão e de seu controlo. Em particular, as importantes teorias que estão no cerne do desenvolvimento da actual ciência contabilística e da teoria da administração encontraram no Mestre estudo exaustivo e importante comentário, em sucessivos capítulos daquele seu importante livro. Por tudo quanto se aponta os trabalhos do Mestre devem ser lembrados aos actuais estudiosos da contabilidade, em particular dos mais novos. É que, para além de encontrarem aí ainda matéria com actualidade, podem verificar que os pensamentos do Autor não eram conjunturais e também que certas matérias, hoje assentes e pacíficas, antes não o eram, gerando então interessantes e acérrimas controvérsias. Em toda a sua obra se denota o carácter polemista do Mestre. É a obra fonte proveitosa de ensinamentos, farol que iluminou caminhos que a ciência contabilística foi depois percorrendo.

O grande livro de História e de Teoria da Contabilidade que é o

Mundo da Contabilidade, de autoria do Mestre, contém contributos significativos e do melhor que há para se conhecer a progressão da ciência, vincando os árduos esforços dos cientistas, as achegas que cada um foi dando para a construção científica.

Parafraseando um distinto orador que é o nosso amigo Prof. Lopes de Sá direi, como ele, que a obra de Lopes Amorim não se pode confinar a simples exame através de uma Comunicação — é demasiado abrangente, vasta, tecnológica, científica, filosófica, direi, sábia.

O Professor Lopes Amorim foi, na verdade, luz inapagável. Esta

homenagem, no ano centenário do seu nascimento, tinha de fazer-se. É uma

mostra de gratidão para com esse grande Mestre e homem de cultura.

A ESSÊNCIA FILOSÓFICA DA DOUTRINA CONTABIL DE LOPES AMORIM E SUA INFLUÊNCIA CIENTÍFICA

PROF.

DR.

A.

LOPES

DE

SÁ*

"Igitur, quod temperamentum omnes in illo subito pietatis calore servamus, hoc singuli quoque meditatique teneamus sciamusque nullum esse neque sincerius neque acceptius genus gratiarum, quam quod illas acclamationes aemulemur, quae fingendi non habent tempus."

Precursores de um a ciência contabil Luso

Plini Caecili Secundi Panegyricus

Brasileira

A história das doutrinas contábeis, no campo do conhecimento

racional, científico, possue limites nítidos na literatura específica em língua portuguesa.

E possível distinguir entre os que se postaram como "seguidores" e aqueles que buscaram "novas áreas conceituais", entre os que apenas difundiram e os que se embrenharam pela filosofia de nosso conhecimento.

* Presidente do IPAT-UNA e Vice-Presidente da Academia Brasileira de

Ciências contábeis — Presidente da ACICE — Associação Científica Internacional de

Contabilidade e Economia — Director Geral do Centro de Estudos Superiores de Contabilidade do Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais (Órgão Público Federal), Brasil.

A década de 20, desse século XX em meu modo de entender, ofereceu

no seu final, obras de dois grandes luminares: Francisco d'Auria no Brasil e

Jaime Lopes Amorim em Portugal, ambos criadores de ideias no campo superior da contabilidade. D'Auria ensaiou um Positivismo Contabil (cuja tese apresentou ao Congresso Internacional de Contabilidade, em Barcelona) e Lopes Amorim brindou-nos com uma obra de grande envergadura na qual enunciava a sua Teoria do Equilíbrio Patrimonial. Ambos seguiam a trilha de Masi, patrimonialista, mas cada um com o seu peculiar toque de genialidade.

É sobre a grandeza do pensamento do emérito mestre lusitano que

pretendemos desenvolver o presente trabalho, como homenagem ao seu Centenário, como reconhecimento que pretende fazer justiça a um egrégio mestre; ou ainda como transcrevemos como exórdio utilizando as expressões de Plinio o Jovem, em seu Panegirico a Trajano sem deixar-nos perturbar por um afeto que poderia perturbar a medida de uma justa referência, sem qualquer sombra de fingimento que possa empanar o brilho de quem já tem luz própria e da nossa não carece. Como escreveu Homero, "A todos Deus não dá a mesma grandeza de valor (Odisseia VIII, 141-178"); a nós nos cabe, todavia, reconhecer a diferenciação, mensurar a magnitude atribuída pela divindade, sob, a ótica de nossos próprios ângulos, buscando destacar as diferenças qualitativas, a partir da essência de sua utilidade, no campo que militamos; assim se justificam, perante a história, trabalhos da natureza deste agora apresentado.

Pensamento e razões lógicas essenciais de Lopes Amorim

Dentre as diversas funções patrimoniais, a de equilíbrio foi a principal preocupação de Lopes Amorim, a ponto de considerá-la como finalidade central nos estudos da contabilidade, inserida, mesmo, como complemento de objecto científico. Ele a visualizou como uma "posição do património", basilar e relevante.

aprofundar

Para assimilar, entretanto, o conceito do mestre é preciso

em sua obra e buscar a interpretação de suas "razões lógicas essenciais". Entendeu ele que o movimento que gera o fenómeno patrimonial nasce da "acção administrativa" e que a finalidade do mesmo é a preservação de um estado de equilíbrio . A base lógica, essencial, sequencial, de seu pensamento, estribou-se, por conseguinte, em um complexo natural de relações: a administração (Ad), implica em uma acção patrimonial (Ap) que implica logicamente no fenómeno patrimonial (Fp) e, esse, para ser eficaz (Ea) deve equivaler a um estado de equilíbrio (Eq):

(Ad->Ap) => (Fp s Ea) <—> Eq

Ou, ainda, a acção administrativa implicará em eficácia, se e somente se, o equilíbrio patrimonial produzir-se:

Ad <=> Ea <—> Eq

Excluiu, o "auto-movimento" no Património (P), ou seja, não concebeu o fenómeno patrimonial (Fp) por si só:

P^>F p

Logo:

F p <—> ApA A p <—> A d

Ou ainda: o património, por si só, não implica em fenómeno e a acção patrimonial que promove tal fenómeno só pode existir se a administração accionar a substância ou massa patrimonial. Buscou a mais pura acepção, afirmando que:

"O património é um todo material, e, como tal, insusceptível de se movimentar ou modificar por si próprio. (1) "

(1)

Jaime Lopes Amorim — Lições de Contabilidade Geral, vol. I pág. 335, Edição E.I.G., Porto, 1929.

Fundamentos e relações lógicas básicas derivavam-se, para ele dos conceitos de que:

A

— O património é matéria:

B

— O estado patrimonial natural é inercial.

E

prosseguiu, afirmando que:

"

qualquer

modificação que nele se opere terá necessariamente

de emanar de um agente ou duma entidade moral com a

capacidade e a autoridade suficientes para decidir da melhor

oportunidade para a realização de certos actos

<2> "

Logo, o movimento patrimonial, no entender do mestre, depende de um "causa agente", sem o que o seu estado será sempre o inercial.

das

aziendas, ou seja, em geral, a administração. O mestre seguia os pensamentos de Villa e de Rossi, mas, com o seu próprio modo de enfocar. Rossi afirmara:

Essa "causa agente" ele bem a define, atribuindo-a

ao pessoal

"La matéria amministrabile, durante la vita, sociale dell'ente, va soggetta a continue metamorfosi che provengono dall'esercizio délie funzioni amministrative. Tra le funzioni ed il loro effetti stano i fatti amministrativi che sono corne le funzioni in atto <3) ".

Se Giovanni Rossi, o genial personalista (que Masi entendia mais profundo intelectualmente que o próprio Cerboni, chefe da escola) afirmava que a função administrativa era a causa agente de todas as metamorfoses, Lopes Amorim, não só consagrava e homologava tal lógica, mas, atribuía- lhe uma responsabilidade objectiva maior e que era a do equilíbrio. Não há duvida, todavia, que o mestre lusitano seguia a tendência mais pura e elevada de sua época (aquela na qual formara sua cultura),

<2>

(3 >

Idem, idem, pág. 335.

Giovanni Rossi — L'ente económico-administrativo, vol.II, pág. 388, Edição

STL degli Artigianelli, Reggio Emilia, 1882.

mas,

entendimento geral. Embora Rossi não figurasse na bibliografia do livro maior do mestre lusitano (de 1929), existem citações ao mesmo no texto, assim como dos grandes vultos da época como Zappa, Masi, Schmalenbach, Dumarchey, Alfieri, Besta, Bellini, Quesnot e outros; Lopes Amorim manteve-se em uma linha invejável de coerência e respeito a cultura contabil superior do tempo que editou sua obra maiúscula sobre contabilidade geral.

Repetimos, todavia, que Lopes Amorim não foi um compilador, um mero reprodutor de ideias, mas um inquieto pensador que trazia contribuições importantes; tinha uma convicção inabalável em seus pontos de vista (o que é próprio dos génios) o que nos valeu, a mim e a ele, tertúlias através das páginas da Revista de Contabilidade e Comércio, do Porto (na década de 50).

Se discordamos em alguns poucos pontos, estávamos de acordo na

maioria deles e nossas discussões jamais extrapolaram o imenso respeito que sempre nos dedicamos.

Se hoje entendemos que o património pode por si, gerar seus próprios

fenómenos (assim tratamos em nossa Teoria Geral do Conhecimento Contabil) não podemos negar que só à custa de muitos esforços e como fruto do ocorrido nessa segunda metad e do século XX, foi-nos possível tal admitir (pelos efeitos da robótica, da informática etc.).

Sabemos, na actualidade, que o património, em muitos casos, já não mais depende de actos administrativos e nem do próprio homem, como, também, os efeitos do ambiente exógeno tende hoje a provocar sérias mudanças na expressão quantitativa e qualitativa da riqueza, no tempo e no espaço.

O curso de nossas atuais ideias, todavia tiveram lastro inequívoco

nos pontos de vista lógicos de Lopes Amorim, principalmente no que tange aos aspectos filosóficos e metodológicos (como se apoiaram, também, em Masi, Giannessi, D'Auria e outros mestres). Comungamos com o mestre em pontos deveras básicos que formaram desenvolvimentos de ideias nossas, na década de 60 e só a partir do fim da década de 70 enveredamos para um campo de maior amplitude que fez gerar a nossa Teoria Geral (que em muitos pontos conserva o sabor da filosofia de Lopes Amorim).

do

sua inquietude

intelectual

o levava

a ampliar

as bases lógicas

O objecto científico na doutrina do equilíbrio

Que o mestre pretendeu dar destaque ao equilíbrio patrimonial, como algo relevante e fundamental, não há duvida. Em várias correspondências que me dirigiu destacava sempre tal ponto central de sua ideia. A base conceituai já havia claramente expressa em seu texto:

"Por fenómenos patrimoniais devemos, pois entender as repercussões dos movimentos patrimoniais sobre o equilíbrio geral do património das empresas (4)

Como patrimonialista, distinguiu a fixação do objecto de seus estudos de forma peculiar: enquanto Masi atribuía ao objecto uma generalidade, Lopes Amorim condicionava tudo ao equilíbrio.

Para que o fenómeno, pois, ocorresse, era preciso que se chegasse ao equilíbrio, sem o que não se poderia considerar exercida a finalidade. O mestre prendia-se ao conceito hegeliano (muito influente no início do século) de que o fenómeno é o exercício da essência' 5 ' e não podia aceitar, pois, como fenómeno patrimonial o que não modificasse o estado inercial. Nisto existia uma coerência lógica sobre os aspectos da natureza na riqueza e de sua incapacidade para o "automovimento". É obvio que o equilíbrio, no entender do mestre, era buscado, analogicamente, nos domínios da física, pois, é claro o posicionamento que nos dá de suas razões:

"A administração da empresa, apresenta-se como um sistema de forças em atitude de actuação permanente, (6)

Quando tal "sistema de forças" é harmónico a eficácia se produz através do equilíbrio, segundo o mestre, em sua forma de conceber as relações

<4) Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 340.

<5) G.W.F. Hegel — Enciclopédia das Ciências Filosóficas, vol I, pág. 140, ed. Athena, Rio de Janeiro 1938.

<6) Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 341.

lógicas essenciais em sua doutrina' 7 ' A mente filosófica de Lopes Amorim, a sua ambição intelectual, seu espírito epistemológico invulgar, fizeram dele um dos grandes mestres de nosso século, e seus fundamentos teóricos representaram, inequivocamente, um avanço; isso é ainda mais notável se compreendermos que na primeira metade deste século XX, como seus coevos, tivemos expoentes máximos de nossa doutrina e revoluções profundas na sociedade, na ciência e no comportamento humano.

Lei da conservação patrimonial

Em sua abstracção científica, Lopes Amorim edificou uma lei, a partir de razões lógicas que desenvolvera em seu trabalho. Sua pretensão era a de nivelar a Contabilidade aos demais ramos superiores do conhecimento humano, notadamente aqueles tradicionais, como bem se referiu (Física, Química etc.) em sua Contabilidade Geral (1929). Nesse seu esforço aceitou como verdade basilar a "lei da conservação" do equilíbrio, fiel ao raciocínio filosófico no mais alto e tradicional nível. Confessa, expressamente, a analogia contabil com as leis da mecânica e apoia-se nas bases dos "contrários" que movera desde o berço da filosofia, os filósofos jónicos (notadamente Heraclito, de Efeso) e, enunciou:

"Toda alteração de valor, ocorrida em qualquer elemento no património, provoca invariavelmente uma alteração igual noutro ou noutros elementos, destinada a neutralizar o equilíbrio da primeira <8) ."

Sua aceitação ao princípio do filósofo Rosmini, como se refere, é um modelo, ou seja, um paradigma da situação que admitiu como de "conservação", pois, a anulação de um desequilíbrio representa, inequivocamente, a promoção de equilíbrio, por influência lógica.

(7) Idem, idem, pág. 342. (8 > Idem, idem, pág. 343

Ao inspirar-se no pensador italiano* 9 ', Lopes Amorim aceitou a generalidade de um conceito de verdade que elegeu como paradigma; admito que o mestre tomou por base as razões do filósofo referido no que tange ao modelo eleito, para orientar a sua metodologia (ele não se refere, ao texto e nem a obra, mas, podemos admitir que seja o que também Masi seleccionou e estampou à pág. 11 de sua "La Ragioneria come Scienza dei Património"), ou seja:

"II vero e il falso é una qualité di giudizi e degli assensi dei

uomo. Se 1'uomo assente a cio che é, il suo assenso e verace; se

assente a cio che non e, il suo assenso e mennace

aderisce a molti errori, crede di sapere molto: perció volgarmente si appella sapere anche quello che non e altro se non una falsa persuasione che 1'errante ha di sapere." (9)

colui che

Isto porque o mestre lusitano afirma:

"Esta lei constitui aquele princípio único, de que nos fala Rosmini, que nos vai servir de base à dedução de todo um sistema de verdades — e

que, como tal, deverá

estar sempre presente na nossa memória." (10)

Portanto, para a fixação de um objecto científico, que ele sempre proclamou como "orientador nas metodologias", necessário se fazia deixar bem claro que o equilíbrio, na sua forma de observar, fazia parte na própria essência do entendimento, ou, ainda, era condição natural, vinculada à natureza na matéria. É nesse sentido que admitimos possa justificar-se uma "lei de conservação", como fundamento da preservação do conceito de um objecto racional.

Teve ele o zelo de dar à terminologia que utilizava o sentido profundo sob o qual deveria ser entendida.

(9) A. Rosmini — Introduzione alia filosofia, Bolonha, 1924.

<10) Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 343.

A associação entre o "termo científico" e o "pensamento científico"

deve dar teor específico à ideia, de modo que ela possa transcender ao uso comum, como bem advertiu Einstein (11) e como Lopes Amorim teve o zelo de efetivar, para bem caracterizar sob que sentido o "equilíbrio patrimonial" deveria ser entendido.

Foi um conciliador de verdades científicas, sem, contudo, ser um imitador vulgar . Não era dos que repetiam para difundir, mas, mantinha a inquietude de acrescentar ao conhecimento contábil, sempre, novos horizontes. Suas hipóteses sobre o equilíbrio, pois, podem parecer ter um sabor daquelas da Teoria Positivista do escritor francês Dumarchey, mas, no âmago, guardam as razões lógicas essenciais do desenvolvimento próprio do mestre lusitano. Hoje, em minha Teoria Geral do Conhecimento, é óbvio, não me preocupam o Activo, o passivo e nem a situação dita Liquida, como bases de raciocínio, mas, sim "Sistemas de Funções" dos elementos patrimoniais, porque nossa metodologia se direcciona para a eficácia, como anulação da necessidade aziendal, mas, não posso considerar como inaceitáveis ou inaproveitáveis os raciocínios passados de Lopes Amorim: é natural a evolução dos métodos e a mudança de posicionamento de pontos de vista no campo da ciência, mas, é anti-natural o abandono e o repúdio ao que serviu de base ao conhecimento (assim também entende Einstein quando discorreu sobre a Evolução da Física).

As

mudanças conceituais não invalidam os esforços precedentes.

Se

Lopes Amorim criou suas hipóteses de equilíbrio e de desequilíbrio

a partir de volumes quantitativos e qualitativos de Activo, Passivo e Situação Liquida, não fez, senão, aceitar o que era tido como válido e mais importante, sendo coerente com o ambiente intelectual de seu tempo.

Os casos e as hipóteses que formulou, sobre efeitos "aumentativos" e "diminuitivos" de agregados de bens, centravam-se, de forma lógica, nos

(11) Albert Einstein — A Evolução da Física, pág. 21, edição Zahar, Rio de Janeiro, 1980 (4 a ed.).

conceitos de "massa em movimento constante", sob um só aspecto "o da manutenção do equilíbrio patrimonial" que em minha teoria denominei como Função de estabilidade (e que compõe o conjunto de sete funções: liquidez, resultabilidade, estabilidade, economicidade, produtividade, invulnerabilidade e elasticidade).

Assim, por exemplo, em sua primeira hipótese leciona que:

"O desequilíbrio ocorrido no património quando a variação aumentativa for superior à variação aumentativa do passivo, será neutralizado por uma correlativa variação da situação líquida, igual à diferença entre as variações daqueles componentes patrimoniais." (12)

Fez o mestre questão de deixar claro que a lei da Conservação Patrimonial estava além de um simples jogo gráfico de contas, da informação apenas, porque os reconhecia como "instrumentos" e não como a própria matéria de estudo de uma ciência.

O património como matéria, como substância, era a forma como

deveria ser observado, cientificamente e por isto uma lei que analogicamente

se conectava com a Física mecaniscista, parecia-lhe principal.

A preocupação do mestre era a de dar conotação superior aos estudos

e de buscar, em seu método de desenvolvimento, apoio em outros conhecimentos consagrados, quer na ciência, quer na filosofia.

Se hoje, também por analogia, buscamos outros posicionamentos, eles

em nada desmerecem os alicerces do pensamento do grande mestre lusitano, muito opostamente, nossas posições atuais foram prodigiosamente enriquecidas com as bases do pensamento de Lopes Amorim.

Hipóteses de equilíbrio — avanços terminológicos e metodológicos

O desenvolvimento teórico do mestre levou-o à formulação de

hipóteses combinatórias entre as variações ocorridas em Activo, Passivo e Situação Liquida (esta recebendo os reflexos).

A visão do eminente cientista sempre nos pareceu ampla, bastando

<12> Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 347.

lembrar os conceitos "ferrenhos" que debateu em tomo da reintegração e da amortização' 13 ' tais debates dimensionam bem a sua intransigência intelectual dentro da verdade científica, dentro da realidade patrimonial essencial.

A ótica sob a qual observava era coerente com os mais elevados

conceitos de nossa doutrina, de cunho nitidamente patrimoniatista (e Masi muito o louvou por isto), mantinha-se fiel ao que elegera, como razão lógica essencial de sua directriz no campo da ciência. Preocupava-se com a posição de Dumarchey (em sua Teoria Positiva) porque eram muito evidentes na época, ele as respeitava, em vários pontos

a endossava, mas, mantinha-se fiel aos princípios da alta doutrina italiana e àqueles que ele acrescentara e valorizara em seus trabalhos.

O mestre preocupou-se em evidenciar uma educação (que é uma

relação), ou seja, uma posição de igualdade, mantida mesmo quando diferente é o comportamento entre Activo e Passivo. As demais hipóteses, nos demais casos, seguem sempre a mesma linha

filosófica.

Apezar do rigor matemático demonstrado pelas hipóteses, entendo que ele não se prendeu exclusivamente a eles (sua doutrina era profundamente epistemológica).

razão, ao partir para as suas conclusões <14) fala-nos de

"avigoramento" e de "afrouxamento" do equilíbrio, sob certas circunstâncias, nas quais reconhece perda ou acréscimo do poder patrimonial."

Por esta

Assim, por exemplo, na I a conclusão, estabelece com clareza:

"Que as variações aumentativas do Activo, isoladamente

consideradas, avigoram o equilíbrio patrimonial, porque aumentam a Situação Liquida, enquanto que as variações aumentativas do Passivo afrouxam o equilíbrio patrimonial, porque diminuem a

situação líquida (14)

"

A situação Liquida, pois, fica claro nas expressões do mestre, é a

indicadora das variações do equilíbrio, funcionando como uma "base de aferição; tal raciocínio era predominante no início do século XX e o mestre o absorveu para os fins de seus aspectos de convicção doutrinária.

(i3) Revista de Contabilidade e Comércio, pág. 107 e seg., n" 105, Jan"-Março de 1959. (14) Idem, idem, pág. 355.

O que difere, entretanto, em sua maneira de enfocar a questão, é a

metodologia científica que emprega, fruto de um aspecto particular de apresentação do objecto que admitia para a disciplina. Para a doutrina que defendia, o relevante estava na "diferença" ou "adição" da riqueza líquida (haveres menos obrigações). Sabemos o quanto custou à teoria contabil, e, ainda custa, a libertação desses conceitos eminentes ligados à "propriedade". Não se poderia, pois, admitir que o grande mestre abandonasse a linha predominante de seu tempo, mas, é inequívoca a sua rebeldia intelectual (e é ela que faz evoluir o conhecimento) quando busca a analogia em outras metodologias cientificas (como a Física), basta um exame ligeiro de suas ideias para que se perceba esse desejo de uma passagem para outros cursos de raciocínios, como, por exemplo, em sua frase, seguinte:

do Activo e Passivo têm

precisamente o mesmo volume e que, como tais, se mantêm num equilíbrio que a menor oscilação destruirá num instante." (15)

"E

a

posição

em

que

as

massas

Os termos por nós grifados (massa,equilíbrio, volume, oscilação) são

típicos da terminologia da física, mas, logo, e a seguir, no parágrafo imediato,

o mestre já indica o condicionamento jurídico (de propriedades e obrigações) predominante na época em que produz sua Contabilidade Geral:

"É, por conseguinte, uma posição crítica ou equivoca de equilíbrio, susceptível de produzir o maior desequilíbrio ou perturbação moral no proprietário da empresa, cujo património se apresenta em tais condições, e que tenha na devida conta a honra na satisfação de seus compromissos. <16)

As figuras do dono, no compromisso e da obrigação, destacam bem a orientação personalista, vizinha do Direito. O que é extraordinário, entretanto, em sua obra é essa ruptura de compromissos teóricos de sua formação cultural (que ele faz sem ferir as conquistas já havidas), para acenar os aspectos mais elevados e a introdução de novas terminologias como as que emprega ao falar em "zona de

(15 > Idem, idem, pág. 357. (16) Idem, idem, pág. 357/8.

estabilidade", "zona da instabilidade" 07 ', "equilíbrio quantitativo integral"

e "equilíbrio serial".™

Influências, pontos convergentes e variações em torno de uma teoria do equilíbrio

A preocupação que no fim da década de 20, deste século XX, orientou

o rumo das doutrinas de Lopes Amorim, criaram fortes raízes.

Não posso afirmar que elas tenham sido a inspiração de Ceccherelli, Riparbelli e Amaduzzi f 19 - 20 - 21 », nas décadas de 40 a 60, mas é inequívoco que os estudos desses eminentes mestres também se direccionaram em sentido análogo. Quanto a nós, sim, podemos afirmar que os postulados de Lopes Amorim, somados aos aludidos mestres italianos, muito nos inspiraram em nossa teoria do equilíbrio' 22 ' e que foi apresentada à Universidade do Brasil. Buscávamos conhecer "em que proporções" o equilíbrio se verificava

e, nisto, muito nos ajudavam as zonas de estabilidade de Lopes Amorim e

os estudos de balanços-tipos, de Ceccherelli.

Correspondências que troquei com o mestre lusitano despertaram-me

a atenção para importantes pontos de vista, e muito nos estimulariam a uma busca de "limites de equilíbrio".

(17) Idem, idem, pág. 360. <18) Idem, idem, pág. 361. (19 > Alberto Ceccherelli — II linguggio dei bilanci, edição Felice Le Monier, Florença, 1950. (20) Alberto Riparelli — II contributo delia Ragioneira nella analisi dei dissesti aziendal, ed. Valechi, Florença 1950. (21) Aldo Amaduzzi — Indagini sull'efficienza, teoria dell'equilibrio nella dinâmica aziendale, pianificazione intégrale dell'azienda, ed. Cupsi, Pisa, 1960. < 22 > António Lopes de Sá — Teoria do Capital das Empresas, ed. FGV, Rio de Janeiro, 1964.

Uma intensa pesquisa empírica foi por nós desenvolvida até que pudéssemos observar que não eram, apenas, as expressões dimensionais quantitativas e qualitativas que influiam, mas, especialmente, o processo circulatório ou de giro, tão como a natureza dos ciclos operacionais.

O conceito de equilíbrio passava, então para nós, por algumas

correcções, onde predominavam as relações lógicas dimensionais de Tempo

e Espaço. Desequilíbrios em certas épocas poderiam ser o caminho do equilíbrio em outras, tudo dependendo dos ciclos e das funções.

Amorim,

como o modelo daquele "Integral", para a nossa Teoria passava a ter importância relativa e restrita, embora continuasse a ser importante.

O equilíbrio da Situação Líquida, considerado por Lopes

O mestre enunciava:

"Ao equilíbrio patrimonial expresso na Situação líquida, poder- se-à dar o nome de equilíbrio quantitativo integral, visto que é o somatório de todas as posições de equilíbrio quantitativo elementar ou parcial, isto é, dos diferentes elementos patrimoniais. (23) "

Para nós, entretanto, o equilíbrio dependia não só da harmonia estática da "massa patrimonial", mas, de uma "dinâmica" competente para manter a vitalidade aziendal.

Não podemos, todavia, negar que a metodologia doutrinária de Lopes Amorim tivesse influenciado a nossa Teoria.

Se apresentávamos alguns enfoques diferentes, mantinhamos, todavia,

o escopo.

O mestre buscava na situação líquida a posição de estabilidade, e,

nós, as proporções definidas competentes para exprimirem o equilíbrio. Mais tarde, e, quase 20 anos mais tarde, é que a posição de equilíbrio, tão importante para nós, passaria a se inserir como apenas uma "função patrimonial", em meio de outras seis; nesse caso a Teoria do Equilíbrio situava-se como uma Teoria Derivada em um conjunto de outras Teorias Derivadas de uma grande Teoria Geral das Funções Sistemáticas do Património Aziendal (como apresentamos em nossa obra Introdução à Ciência da Contabilidade).

Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 361.

O caminho das ciências está cheio de exemplos similares, ou seja, a

construção de teorias que emergem de outras, antes tidas como exclusivas formas de observação. Para nós, hoje, a Eficácia Global não se traduz apenas pelo equilíbrio, mas, pela somatória da eficácia das seguintes funções sistemáticas:

Liquidez ; Resultabilidade ; Estabilidade ; Economicidade; Produtividade ; Invulnerabilidade e Elasticidade.

A Estabilidade e que é a que desempenha a capacidade de equilíbrio,

apresenta, apenas, a "harmonia estrutural" , sendo, apenas, uma das funções que o património precisa exercer para que seja plenamente eficaz. Talvez, todavia, também aí, exista, apenas, uma questão de terminologia, mas, a estrutura de nossas relações lógicas abrangem três grandes grupos (Essenciais, Dimensionais e Ambientais). Admito, sem forçar intelectualmente os conceitos, que Lopes Amorim quisesse observar no Equilíbrio o que apresentamos como "Eficácia" (até certo ponto, apenas). Isto porque o mestre abrangia "todas as variações", de todos os fatos, para a projecção de um Equilíbrio Integral. Não posso afirmar que o mestre aceitasse nosso posicionamento interpretativo, mas, ouso admitir essa correlação de ideias. Minha teoria admite uma "independência sistemática", ou seja, uma azienda pode ter produtividade e não ter resultabilidade; pode ter liquidez e não ter produtividade; pode ter equilíbrio e não ter resultabilidade; pode ter liquidez e não ter invulnerabilidade e, assim, por diante. Isolamos as funções em sistemas e dimensionamos desempenhos (em Tempo, Espaço, Qualidade, Quantidade, causa e efeito). Para nós existem "meios" e "necessidades" inseridas no património e cada Sistema exige, de cada componente, um comportamento específico. Os estoques, para a liquidez, são meios de pagamentos, mas, para a resultabilidade são "meios de lucros" (e nele se inserem como necessidades que conduzem à conversão do lucro, através das receitas e que são os meios genuínos).

O tempo do estoque pode satisfazer a liquidez (entre investir e desinvestir), mas, pode não satisfazer a resultabilidade, por isto, o mesmo estoque pode ser eficaz como meio de pagamento e ineficaz como necessidade que conduz ao lucro.

Basta que um estoque se venda, com facilidade em uma liquidação, para que se transforme em dinheiro e satisfação a liquidez, mas, pode não satisfazer à margem de lucros necessária e que seria alcançada em uma venda normal, a maior tempo. O que é bom para a produtividade pode não ser para a liquidez. Em suma, hoje entendemos que a eficácia como meta, deve ser integral e que cada sistema de funções tem a sua própria. Em nossa Teoria, onde muitas são as proposições lógicas, admitimos, como uma das básicas que:

A eficácia tende a ser constante se a função patrimonial é eficaz constantemente.

E, entendemos por eficácia

(Ea), a anulação da necessidade (n), em

conceito restrito e relativo a cada tempo, ou seja:

Ea<=> (n = O)

Para nós o património inerte não exerce função (máxima absorvida de Lopes Amorim) e esta só é competente se anula a necessidade. A necessidade aziendal (que não se confunde com a do indivíduo) é a fonte da finalidade aziendal e os meios patrimoniais existem para suprir as necessidades e tornarem a finalidade eficaz (essa a base filosófica de nossa Teoria).

Nas relações de essência, com as quais construímos nossa Teoria, buscamos muito na lógica de Lopes Amorim, e, embora, hoje, os aspectos metodológicos sejam diferentes, em muitos ângulos, não deixam de conservar as raízes do grande mestre lusitano.

Intuição científica do aspecto social do património

Preservando os conceitos básicos que formam sua linha de grande coerência lógica, o mestre Lopes Amorim brindou-nos com as suas "Noções Básicas de Contabilidade", em dois volumes, no início da década de 60. Enviou-nos o livro com uma preciosa dedicatória que conservamos

como rara jóia de amizade e consideração: "Ao meu mui prezado amigo e colega Prof. Dr. A. Lopes de Sá, em testemunho de muita consideração e apreço pela sua inteligência e pelo seu saber, oferece, Jaime Lopes Amorim, porto, 17-VI-1966".

O mestre dos mestres, o mestre de um emérito como Camilo Cimour-

dain de Oliveira, outra grande luz no cenário intelectual lusitano, tinha, de minha parte, recíproca consideração, acrescida de um enorme respeito.

Se algumas vezes tertuliamos, foi pelo excessivo amor na ciência que

ambos predilecionávamos, mais que por qualquer outro motivo. Em verdade, minha imensa admiração pelo mestre, era a mesma que dedicava a D'Auria, Masi, Onida, Melis, Giannessi, Fernandez Pirla, Fernandez Pena, Gonçalves da Silva, Fernandes Ferreira, Lamouroux, Ortigueira Bouzada, Schneider, Garner, e, tantos outros com os quais mantinhamos correspondência firme e troca de ideias permanente.

nosso

permanente progresso intelectual. Sempre admirei em Lopes Amorim as suas sinceridade e intransi- gência com os postulados de sua doutrina e que defendia ferrenhamente. Nada mais justo, pois, que hoje render-lhe a minha expressa homenagem, discorrendo sobre os seus pontos de vista científicos e filosóficos, com o colorido e calor humano de uma amizade sólida que sempre lhe dediquei.

Esse exórdio fazia-se necessário para enforcar uma "semente de ideia" que o mestre deixou em nossos trabalhos e que frutificou em várias outras.

O Objecto de nossa disciplina Lopes Amorim bem o reconheceu no

campo social. Entendo que tal convicção não se lastreou apenas no fato de ter sido esta a tendência que já se prenunciara desde 1836, quando a Academia de Ciências de Paris assim a reconheceu (através da obra de Coffy e da proposição de Costay).

Nesse particular é preciso absorver as entrelinhas e bem penetrar no espírito do mestre. Assim, por exemplo, em sua frase seguinte, muito se pode sentir do que imaginava:

Essa

irmandade

intelectual

contribuiu,

em

muito,

para

o

"A enorme importância social que nos tempos atuais desempenha a prática dessas operações faz com que seja o património das entidades (empresas) que se dedicam à especulação económica o

que vai constituir objecto exclusivo de nosso estudo' 25 '.

estavam

tomando no ambiente social e tinha consciência de que tal efeito teria destaque sobre os demais estudos. Tal a influência crescente dessas aziendas que visam ao lucro (empresas) que o mestre antevia a própria análise do mundo social, através da pressão que poderiam exercer. As "Operações" a que se referia no texto citado eram exactamente dessas células sociais. No momento em que escreveu essa obra referida, começava a formar- se uma consciência da economia através dos balanços das sociedades e não estavam maduras, ainda, as tecnologias do Balanço Social ou do Valor Acrescentado ou Adicionado. Em verdade a Bélgica, desde 1948 instalara uma Central de Balanços, o Banco da Alemanha em 1967 já informatizava balanços e em 1968, na França, também se constituía uma central similar. Em 1960, também nós, reunindo grande número de balanços partíamos para uma pesquisa empírica que fez gerar parte do material de nossa Teoria do Equilíbrio. As ligações entre a Contabilidade e mundo social e a posição inversa, eram condições irreversíveis de nossa tecnologia, mas, Lopes Amorim a tudo pressentiu, mesmo sem dedicar-se a uma análise ou estudo específico; se o tivesse feito, possuímos certeza, produziria algo compatível com a sua genialidade. Sabemos que ele ao tomar a contabilidade como ciência social, citou Charpentier, em quem parece ter-se apoiado e do qual com maior convicção absorvera tal posicionamento' 26 '- mas o desenvolvimento que dá ao assunto nos convence de que Lopes Amorim mais por visão própria que por concordância com terceiros possuía tal convicção; e é aí que seu pensamento se amplia e faz inequívocas conjecturas sobre um futuro (que já estamos vivendo).

Previa ele o gigantismo e a importância

que as empresas

< 25) Jaime Lopes Amorim — Lições (26) Idem, idem pág. 87

pág. 199.

A ciência contabil e Lopes Amorim

O ponto alto da obra de Lopes Amorim, todavia, para nós, está na sua

firmeza científica e na sua postura filosófica com inequívocas ambições de evolução.

Dono de um conhecimento amplo das obras clássicas de nossa

disciplina não só europeias mas americanas ele traça um quadro de tal

seriedade e profundidade respeito.

São dignos de um especial louvor, para mim, os conceitos que emite e as críticas que faz, do capítulo X ao capítulo XIV de sua magistral "Lições de Contabilidade Geral" (1929), percorrendo o curso no pensamento contabil no tempo.

A contestação que o mestre lusitano faz à Terranova e a defesa que

empreende sobre as razões lógicas e científicas da Contabilidade não é apenas um monumento literário, mas, algo filosófico de altíssimo jaez <27) .

O paragrafo "A Contabilidade é uma ciência e como tal, reúne todos

os atributos", do capítulo XIV, evidencia toda a força de convicção do grande mestre e seu verdadeiro espírito epistemológico. Ao adoptar a máxima do filósofo Rosmini (9), assume uma inarredavel posição de reconhecimento científico à Contabilidade, por entendê-la como

"um sistema de verdades

Do filósofo italiano absorve as condições essenciais do enquadramento de uma ciência, ou sejam:

que só podemos reverenciar com entusiasmo e

dependentes de um princípio único" (28) .

Fixação e delimitação de seu posto dentro do grande corpo das ciências,

2 o — Determinação do seu objecto,

3 o

4 o — Formulação da definição. Os capítulos XV, XVI e XVII de sua obra de 1929 são verdadeiros

de

I e

Escolha do método de investigação adequado,

doutrinários

e da página

monumentos

197 à 310, pulveriza

as teses

(27) p

J erravov a — u vero posto delia ragioneria di fronte alia scienzomania

moderna, ed. Hoepli, 1924. (28) Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 193.

Terranova e ergue um monumento de rara dignidade ao nosso conhecimento. Em nossa obra actual conservamos ainda as mesmas convicções, embora que ampliando os limites de Rosmini que o mestre lusitano absorveu, por isto, em nosso livro "Introdução à Ciência da Contabilidade" inserimos um longo elenco de razões que nos levam a considerar como ciência a Contabilidade e cujo texto é o seguinte (29):

A Contabilidade insere-se dentro de todos os requisitos modernos das ciências factuais, pois:

Tem objecto próprio, o património das aziendas, e estuda

1

os seus Factos ou ocorrências, é, pois factual.

2 — estuda os factos com rigor analítico, os dissocia, remonta, reunindo um conjunto prodigioso de acontecimentos de forma metódica, com metodologia própria;

3 — as verdades que enuncia sobre as relações entre os factos que estuda são de valor geral e válidas em todas as partes;

4 — tem observações, teorias, hipóteses, leis, fontes de informações e demonstrações, tudo organizado Sistema- ticamente;

tem uma história de mais de 8.000 anos e seus conhecimen- tos se acumularam sempre no sentido de um aper- feiçoamento e utilizando-se das conquistas do passado;

6 — não enuncia teorias em carácter absoluto, mas, ao contrário, acolhe correntes de doutrinas; 7— tudo se enuncia como verdade é verificável, sendo, nitidamente experimental; 8— seu conhecimento baseia-se em factores de prova, devidamente explicativos;

9 — enseja previsão do futuro através de um sistema próprio orçamentário; 10 — seu conhecimento produz uso prático e útil como protecção da riqueza humana, equilíbrio e bem estar social; 11 — tem correlação com os demais ramos do conhecimento humano.

5 —

(29) António Lopes de Sá — Introdução à Ciência da Contabilidade, pág. 29 e seg., Edição Tecnoprint, Rio de Janeiro I a edição, 1987.

A Contabilidade é ciência porque reúne todas as condições necessárias a tal classificação, no mesmo nível dos demais ramos do saber humano.

A citação de nosso livro amplia, bastante, os ângulos de Rosmini,

enquadrando-se dentro das convenções actuais, mas, chega ao mesmo fim, à mesma conclusão de Lopes Amorim. Podemos ter desenvolvido aspectos que o grande mestre não enfocou, mas, isto, em nada deslustra a conclusão a que ele chegou e com a qual, de forma absoluta, nos identificamos em sentido amplo e irrestrito. Lopes Amorim atribue a Besta o grande destaque do património como objecto da Contabilidade' 30 '.

Pode parecer, à primeira vista, conflitante atribuir-se ao chefe da escola do Controlismo um cunho de Patrimonialista; Masi, o criador da escola, entretanto, é da mesma opinião de Lopes Amorim e acha que Besta, mesmo atribuindo como objecto de estudos o "controle económico da riqueza", desenvolveu suas teses todas dentro de um autêntico patrimonialismo.

A obra de Besta a que Lopes Amorim se refere não se encontra em

sua bibliografia, mas, admitimos que seja "La Ragioneria", produzida em 1891 e com segunda edição em 1922 (edição Vallardi).

A percepção do mestre lusitano é justa e com ela concordamos sempre.

Ele reconhecia o Património como objecto, mas, não se alardeava em um criador de escola de pensamento, embora, de facto, o tenha sido, pelos aspectos peculiares que enfocou (e como o eminente Prof. Camilo Cimourdain de Oliveira escreveria quando escreveu sobre a Escola do porto). Lopes Amorim tinha uma cultura muito actualizada de Masi, Schmalenbach, Zappa, Dumarchey, Paton, Quesnot, em suma, dos luminares seus coevos e por irto, com seu espírito de analista, podia distinguir os diversos ângulos doutrinários e lecionar com autoridade. Segundo o que o saudoso mestre Vincenzo Masi revelou-me, pessoalmente, quando de nosso encontro em Bolonha, em 1974, a ideia de atribuir ao património o objecto da ciência contabil, ocorreu-lhe em Dezembro de 1926; na Revista Italiana de Contabilidade, publicaria artigo a respeito, a primeira obra do grande mestre italiano, a respeito, sairia em 1927 — La Ragioneria Come Scienza dei Património, e Lopes Amorim já citava em sua

(30) Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 303/4.

obra de 1929 mostrando a grande actualização que mantinha.

O que nos impressiona, todavia, em tudo isto, é que a intuição de

Lopes Amorim desde a década de 20, confirmada nas edições de 1960, se dirigisse em um sentido de "maior amplitude" da metodologia (não se contentou em fixar o património mas vinculou-lhe a posição de equilíbrio).

O mestre, todavia, não só identifica as condições básicas científicas,

mas, preocupa-se com a defesa delas.

A diferenciação que traça entre o "registrar" e o "interpretar" o que

se registrou, oferece um argumento lógico tão irrefutável que fecha todo o circuito das muitas outras alegações que produz.

Leciona:

"Escrever números uns por baixo dos outros é, sem dúvida, uma arte, e uma arte das mais simples, que se aprende com um pouco de prática, mas a sua conveniente interpretação é alguma coisa de mais trascendente que ultrapassa as forças da prática* 31 '"

"A dificuldade, diz Yves Guyot, não está em alinhar números, mas, surge nitidamente, quando se trata de saber o que é que esses números compreendem* 31 '"

E, enfaticamente concluí:

"E, para isto, a prática só não basta, será preciso alguma coisa mais que a prática, será necessário uma teoria, e não uma teoria superficial, mas, sim, uma teoria profunda' 31 '"

A frase do ilustre chefe na Escola do Porto, tinha, nesse particulars

mesma estrutura conceituai daquela de um dos maiores génios da

Humanidade, o iluminado Leonardo Da Vinci:

"Quelli che s'innamorano di pratica senza scienza, son come l'nocchiere, ch'entra in naviglio senza timone o bússola, che mai ha certezza dove si vada. Sempre la pratica deve essere edificata sopra la bona teórica."

(31) Idem, idem pág. 305.

Lopes Amorim, todavia, além de sua intransigente e justa defesa do campo científico, conjugava-se, uma vez mais com Masi, para condenar a subordinação da contabilidade a uma "Economia de Empresa" que vicejava nas escolas na Alemanha, da Itália (com Zappa e sua escola) e entre escritores belgas, franceses Anglo-saxões.

O mestre fez a defesa enérgica da "autonomia" de nosso campo, sem

aceitar (com muita justiça) qualquer subordinação; ainda aí mostrou toda a sua grande visão de um futuro, pois, a dita Economia Aziendal terminou por não resistir ao tempo e até hoje não justificou logicamente a sua existência.

(na

Enfaticamente

o mestre evidenciou

que aquele "modernismo",

época) não o impressionava e que não abandonaria as suas convicções de autonomia científica na Contabilidade, para filiar-se a ideias nas quais não acreditava, pela debilidade conceituai e confusão que se estabelecia' 32 '.

O que o tempo veio demonstrar, foi o que o mestre havia previsto; a

partir da década de 60 a Contabilidade enveredou-se por fortes teorias novas que, cada vez mais, garantiam a sua autonomia. Entendemos, como o mestre, que os conhecimentos se entrelaçam,

mas, que nada justifica a mescla de aspectos de observação.

A mim me parece absurdo admitir que a Contabilidade se subordine

a uma "Economia de Empresas", primeiro porque a Economia tem seu objecto amplo no social e segundo porque a Contabilidade não se aplica só à empresa, mas, também as instituições.

Além do mais, não há vantagem nenhuma em mesclar-se diferentes metodologias e interesses, uma coisa é estudar a riqueza aziendal e outra o pessoal de uma empresa. Absurdo semelhante seria afirmar que a Economia subordina-se à Astronomia, porque o facto económico se produz na sociedade, a sociedade está inserida no planeta e o planeta está inserido no Cosmos Não é o lugar onde o objecto se situa, mas o método de estudá-lo que caracteriza uma ciência, um mesmo objecto pode (e é) ser visto de várias formas, segundo o método científico que é analisado.

à Psicologia ou à

se

Administração porque alguns corpos se movem ou alguns fenómenos

Seria ridículo afirmar

que a Física se subordina

(32) Idem, idem pág. 308.

produzem porque o homem os comanda ou provoca. Quando Galileu estudava a velocidade (do som e da luz), tomando por base um disparo de canhão, a ele pouco importava quem era o "proprietário" do canhão, que General comandava o ataque, que estratégias moviam o disparo, quem era o dono do terreno onde se achava o canhão etc., etc

Não era "onde estava o produtor do fenómeno", mas, a propagação do som e da luz que o interessavam; como observa o eminente mestre do I.S.C.A.-Aveiro, Prof. Amilcar Amorim, foi a impossibilidade de abarcar com eficácia a totalidade de factos ou fenómenos que ensejou a divisão científica' 33 ', essa a tendência moderna, ou seja, a de dar autonomia a várias ciências e não o inverso. O fenómeno patrimonial, como situamos em nossa Teoria Geral do Conhecimento Contabil, produz-se por efeitos diversos e que podem ser os do próprio património, das administrações, do pessoal da azienda, políticos, ecológicos, científicos e tecnológicos, legais, sociais, económicos, jurídicos etc.

Próprias, por exemplo, como ocorre com a robotização, onde o trabalho se executa pelo património mesmo, pela informática (que emite ordens de compras automaticamente, por exemplo). Das administrações, que se processam pelas decisões, do pessoal, pelas iniciativas de actos mesmo sem a acção administrativa, políticos, quando mudam condições operacionais que afectam a riqueza, ecológicos quando os agentes naturais alteram os elementos do património, científicos e tecnológicos quando os bens se superam e se tornam obsoletos, por acção externa, legais quando as leis tornam inválidas as funções de bens (confiscos, restrições de operação etc.) ou alteram comportamentos da riqueza, dos custos, das vendas etc., sociais quando a massa atinge o património (quebradeiras, greves, revoluções etc,), económicos, pelas alterações do mercado, modificações de políticas cambiais e financeiras etc., jurídicos, por acção de decisões judiciais que invalidam actos, estabelecem sansões etc. É inequívoca a produção de fenómenos patrimoniais por acção múltipla, de variadíssimos factores, mas é igualmente inequívoco que tais factos são peculiares e não se confundem com os demais que ocorrem na vida das empresas ou das aziendas em geral.

(33) Amílcar Amorim — Introdução às Ciências Sociais, vol. I pág. 9, Aveiro,

1987.

Tal posição conceituai

Lopes Amorim

assumiu

com convicção e o

tempo se incumbiu de provar todo o acerto com que se houve.

Aspectos filosófico-contábeis na doutrina de Lopes Amorim

Muito difícil é, em doutrina superior, dissociar -se o aspecto filosófico daquele científico. Em verdade a ciência, tão como a intuição científica, nascem, na História, agasalhadas pela Filosofia; se depois se separaram, por longo tempo, a tendência desse século foi a de novamente reuni-las. As obras filosóficas, no campo contábil, não são muitas, mas, encontramos em Giovanni Rossi, Vincenzo Masi e Jaime Lopes Amorim (para citarmos apenas três nomes) reflexões nitidamente desse género. É digno de citação e de análise o texto do grande mestre lusitano que passamos a transcrever:

tomarmos para princípio fundamental da construção

logismológica a lei do equilíbrio da variação das contas, não podemos logicamente considerar o sistema unigráfico, na sua fase inicial, como a primeira tentativa feita no sentido de demonstrar a Ciência da Contabilidade, por quanto nessa altura ainda não existiam as contas do património, e, no entretanto, Dumarchey é o primeiro a reconhecer que o sistema em questão representa o primeiro passo dado para uma demonstração científica. Nestas condições, não podemos tomar para a base da construção logismológica um princípio ou uma lei em que se fala de materiais já manipulados dessa mesma construção e que, por conseguinte, é posterior ao próprio início da Contabilidade. Assim, por exemplo, quando em Química se diz que o peso do composto é igual à soma dos componentes, enuncia-se uma verdade eterna, absoluta e constante que já se verificava mesmo antes de o homem dela se ter apercebido. Neste caso, pois, não foi o homem que forjou esta verdade, porque ela existiu, existe e existira sempre, somente as manifestações dessa verdade serviram ao homem como que directriz invisível para

se "

que ele, numa dada altura, se apercebesse de sua existência. No nosso caso, porém, as coisas passam-se duma maneira completamente diferente, porque o princípio do equilíbrio das variações das contas é uma verdade resultante de um arranjo ou duma construção prévia e que, como tal, só daí para cá terá consistência possível' 34 '."

O mestre, em sua dissertação, nitidamente filosófica, buscava, no

âmago, na essência, encontrar a verdade sobre os eventos, ou sejam, as razões lógicas fundamentais no fenómeno patrimonial, em face de outros. Buscava o caminho do "fenómeno construído" e a distinção com o "fenómeno natural" que não depende da existência da acção humana; diferenciava os efeitos das leis cósmicas naquelas que advêm da acção do homem. Na realidade, como bem situou o mestre do I.S.C.A.-Aveiro, Prof. Amílcar Amorim, os modelos, os eventos, tudo o que ocorre pelo efeito do homem, ou naquilo que directamente ao mesmo se vincula, ou sobre ele influe, promove uma classe especial de fenómenos* 35 '.

Os fenómenos contábeis, em nosso modo de entender (na teoria que edificamos), nascem da necessidade aziendal (n), transforma-se na finalidade aziendal (Fi) e, então, gerando meios (m) patrimoniais, pelo exercício na capacidade desses mesmos meios, ou, funções, (f), suprem as necessidades e

a finalidade torna-se eficaz (Ea).

n

—> Fi => m

—> f

f

—> (n=o) = Ea

O que entendemos, pois, como essencial, é o desempenho da função

do património no sentido de obter a satisfação das necessidades aziendais.

Lopes Amorim, por conseguinte, em sua concepção filosófica, ao falar do "fenómeno produzido", não se distância muito do que entendemos, ou

melhor, nós não muito dele distanciamos, pois, a necessidade patrimonial é

a génese de tudo.

O grande mestre, com a sua genialidade peculiar, de titã da nossa

doutrina, não confundiu "mecânica de contas", nem "expressões escriturais",

<34) Jaime Lopes Amorim — Lições (35) Amílcar Amorim — Introdução

pág. 455. pág. 36 e seg.

com a "essência do fenómeno" e lecionou:

"Parece-nos, portanto, que nos colocamos dentro da boa lógica, fazendo assentar o edifício logismológico, não sobre o princípio das varia- ções das contas, mas, sim sobre o princípio do equilíbrio da variação dos elementos "

<36>

A obra de Lopes Amorim não se pode confinar em uma comunicação, nem em uma monografia, dada a sua grandeza e profundidade de seus pensamentos, mas, podemos sumarizar afirmando que ela foi plena, abrangente, atingindo vastíssima área no nosso conhecimento em todas as suas hierarquias: tecnológica, científica e filosófica.

(36) Jaime Lopes Amorim — Lições

pág. 459.

ACTUALIDAD DE LOS ESTÚDIOS DE HISTORIA DE LA CONTABILIDAD EN EL MUNDO Referencia especial a Espana.

Excmos. Senores, senoras y senores:

ENRIQUE FERNANDEZ PENA*

Es para mi una alta distinción estar de nuevo en Aveiro en un acto académico en su Instituto Superior de Contabilidad y Administración, que tantas y bien organizadas reuniones celebra. Y en esta ocasión lo es para conmemorar el centenário dei nacimiento dei que fue experto destacadísimo de la disciplina de la contabilidad en Portugal, profesor Jaime Lopes Amorim, ampliamente conocido en Espana, como lo prueba que en libros espanoles publicados en las décadas de los anos cuarenta y cincuenta se le cita con frases de encómio a su obra. Así, el profesor Antonio Lasheras Sanz, catedrático de la Escuela de Altos Estúdios Mercantiles de Madrid, y para la cátedra de Contabilidad Superior de dicho centro, publico un libro en 1948 en el que se lee en su página 14: Y es así, como dice el célebre y culto tratadista português Doctor Lopes Amorim que en tanto los expertos alemanes iban diseccionando el balance en todas direcciones y penetrando en la propia medula de sus células, para así enfocar la complicada circulación de la caprichosa savia dei valor, sus colegas ingleses iban elaborando las bases del control de la Contabilidad; los americanos, verificando en bases doctrinales su "ciência de los costes"; los italianos, conversando con sus clásicos, sondando sus actitudes,

* Catedrático de la Escuela de Estúdios Empresariales de la Universidad

Complutense de Madrid; Profesor Extraordinário de la Universidad de Navarra.

engarzando sus conceptos y procurando nuevos caminos que les permitiesen alcanzar lo más rapidamente posible la meta que sus predecesores habian querido lograr, pero de la cual habian quedado bastante distantes; y, finalmente, los franceses, cuyos clásicos, en el periodo anterior, habian dado pruebas de gran actividad, iban procurando asentar, ahora sobre nuevas bases, más sólidas, los materiales mal estructurados de esos clásicos, a fin de construir un nuevo edificio con las necesarias condiciones de equilibrio y resistência.

Como anticipaba el profesor Lasheras, solo con una cultura générales

y específica muy grandes en su tiempo, se podia saber y escribir lo que

hemos leido. En el libro Ciência de la Contabilidad, volumen I, del profesor Emigdio Rodriguez Pita, publicado en Barcelona en 1956, páginas 18 a la 36, clasifica

las definiciones de contabilidad y sus autores en a) rutinarias; b) registrales

c)

comercialistas; d) contistas; e) matemáticas; f) mecânicas; g) controlistas;

h)

administrativistas; e i) científicas. Pues bien, en este último grupo cita al

profesor Jaime Lopes Amorim y reproduce su definición de contabilidad como "ciência del equilibrio patrimonial". Por último menciono que el profesor José M a Fernandez Pirla, autor

de la obra que más influjo ha tenido en Espana desde su aparición en 1957, Teoria Económica de la Contabilidad, en su página 11 expone literalmente:

El profesor português J. Lopes Amorim, que ha reelaborado y expuesto con

gran brillantez la nueva metodologia contable según las directrices de la doctrina italiana, dice que la Contabilidad puede conceptuarse bajo su doble aspecto: como Ciência y como Arte. De la Contabilidad como Ciência dice: "Ciência que se ocupa do património das empresas, encarando — os pontos de vista qualitativo, quantitativo e valorativo num dado instante e na sucessão dos instantes". Y como Arte: "Arte de relevar as modificações ocorridas na composição qualitativa, quantitativa e valorativa de património de qualquier empresa o de determinar periodicamente os aumentos ou disminuições que elas imprimen ao valor desse património". Estar presente — repito — en un acto académico como este, en el que

se conmemora el centenário del nacimiento dei profesor Lopes Amorim, es

para mi una alta distinción y un alto honor, ai que deseo corresponder no solo con mi presencia sino también con algunas informaciones sobre un aspecto correlativo ai acto que se celebra, sin duda relacionado con la historia de nuestra disciplina en la península ibérica; por ello a continuación voy a

exponer algunos aspectos del desarrollo de los estúdios de la Historia de la Contabilidad en Espana, precedidos de unas breves consideraciones de la cuestión a nivel mundial. Los estúdios históricos en el âmbito de la economia en general y de la

contabilidad y las empresas en particular ha tenido un considerable desarrollo en el siglo XX y en especial en su segunda mitad, lo que ha dado lugar al nacimiento de instituciones académicas y de publicaciones periódicas, como

el Journal of Economie History, el Journal of Economic and Business History,

el Bulletin of the Business Historical Society, etc. En la disciplina de la contabilidad, su historia comprende, según ha sido definido recientemente por la American Accounting Association, "el

estúdio de la evolución dei pensamiento contable, así como de sus prácticas

e

instituciones, producida como respuesta ai proceso cambiante dei entorno

y

de las necesidades sociales". El desarrollo de estos estúdios ha sido — reitero — extraordinário en

esta segunda mitad dei siglo XX y buena prueba de ello son los

Congresos Internacionales de Historia de la Contabilidad que se han celebrado desde 1970 hasta 1992. El primero tuvo lugar en Bruselas en 1970, el segundo en Atlanta, Estados Unidos de Norteamérica en 1976, el tercero en Londres en 1980, el cuarto en Pisa en 1984, el quinto en Sidney, Australia, en 1988, y el sexto acaba de celebrarse el pasado mes de agosto en Kioto, Japon. El proximo se celebrará en 1996 en Canada y para el aho 2000 esta previsto que se celebre en Madrid. Otra prueba del desarrollo a nivel mundial de los estúdios sobre historia de la contabilidad son la constitución y funcionamiento de la Academy of Accounting Historians, de los Estados Unidos de Norteamérica, la Accounting History Association del Japon, el Comité International des Historiens de la Comptabilité, de Bélgica, el Institut Français des Historiens Comptables, la Accounting History Society de la Gran Bretana y la Societi Italiana di Storia délia Ragioneria. Y según informaciones que he recibido recientemente se está gestionando la creación de la Asociación Europea de Historia de la Contabilidad. Concretándonos a Espana, fue a comienzos del siglo XX, Alicante 1902, cuando apareció un primer trabajo sobre Historia de la Contabilidad. Fernando López y López, profesor que fue de la Escuela de Comercio de Alicante, tradujo y publico uno de los estúdios del checo Karl Peter Kheil, gran historiador de la contabilidad, que hacía referencia a un aspecto parcial de la misma.

seis

Terciado el siglo, en 1933 se publico en Málaga por otro profesor, esta vez José M a Canizares Zurdo, de la Escuela de Comercio de Málaga, un Ensayo Histórico sobre Contabilidad. Ha de esperarse ai comienzo de la segunda mitad de nuestro siglo para ver una cierta continuidad, continuidad que la da, sobre todo, la publicación de artículos de autores nacionales y extranjeros, entre los que recuerdo ai profesor Gonçalves da Silva, en la Revista Técnica Contable. En el análisis que de esta publicación ha realizado el prof. Martin Lamouroux, y referido a sus primeros cuarenta anos de ediciõn, ha encontrado cuatro periodos claramente definidos:

— de 1949 a 1956, período de aportaciones esporádicas,

— de 1957 a 1965, periodo en el que Vincenzo Masi acapara todo el tema histórico contable,

— de 1966 a 1980 periodo sin publicaciones sobre esta materia,

— de 1980 a 1987, periodo de importantes publicaciones nacionales y extranjeras.

Otra revista que tambien contribuyó a la publicación de trabajos sobre Historia de la Contabilidad, fue la Revista Técnica Económica, que dirigi durante diez anos, desde 1956 a 1965 en su etapa de cobertura nacional.

que encontraba el investigador José M a

Gonzalez Ferrando para dar a la luz sus trabajos, desde el primer momento le ofrecí las páginas de la Revista. En el ano 1956 apareció "Gaspar de Texeda precursor de la Teneduría de Libros en Espana"; en 1958 publico "Antich Rocha y la primera obra impresa en Espana sobre Contabilidad por partida doble, primera parte", mientras que la segunda parte lo fue en el ano 1960. A finales de 1957 y al mandarme la primera parte de su trabajo sobre Antich Rocha me incluyó el índice dei libro Historia y Doctrinas de la Contabilidad de J. H. Vlaemminck, que algunas editoriales de campanillas de la época habían rechazado. En 1961 la version espahola revisada y ampliada sustancialmente por José M a Gonzalez Ferrando era una realidad. Como asesor de la Editorial Estúdios Jurídicos, Económicos y Sociales, EJES, propuse y defendi la edición, que acaba de cumplir treinta anos; su cita por parte de estudiosos ha sido y es constante e ineludible. En 1959 se publico en Barcelona la obra del prof. Boter Mauri, Las Doctrinas Contables; aunque se trata de un libro de tipo divulgador, valora correctamente las contribuciones de Antich Rocha y de Bartolomé Salvador de Solórzano.

Conocedor de las dificultades

Diversas investigaciones han sido publicadas en el Anuário de Historia dei Derecho Espanol (1965), Hispânia (volumen 26, n° 101) y Cuadernos de Historia de Espana. Tambien pueden mencionarse diversas investigaciones realizadas por profesores franceses, como son Henry Lapeyre y Pierre Jouanique, en nuestros archivos, y posteriormente presentadas en diversos congresos y publicaciones. Con referencias a trabaios de profesores de Escuelas y Facultades de Ciências Empresariales recordamos que en 1974 el prof. Antonio Goxens Duch présenté en la Facultad de Ciências Empresariales de la Universidad de Barcelona su tesis doctoral sobre "Evolución de la Contabilidad en Barcelona entre 1795 y 1901. Aportación a la historia de la contabilidad en Espana en su relación con la historia mundial de las doctrinas contables". Y en el mismo ano el prof. Francisco Javier Luna Luque, présenté otra tesis doctoral de carcater histórico, "Salvador de Solórzano: Teoria y práctica contable en Espana durante el siglo XVI. Actividad comercial y dineraria de los mercaderes".

En 1984 es el prof. Fernando Martin Lamouroux el que présenta su tesis doctoral en la Facultad de Ciências Empresariales de la Universidad

Complutense con el título "La revelación contable en la Salamanca Histórica".

A finales de 1985, la profesora Maria del Pilar Pérez Garcia, présenta su

tesina de licenciatura en la Facultad de Ciências Empresariales de Valladolid, con el título, "La Real Fábrica de Moneda de Valladolid a través de los registros contables." Posteriormente ha publicado "La bancarrota de un banco emisor: El Banco de Valladolid".

Pirla, que solo habia hecho breves

referencias históricas en su Teoria Económica de la Contabilidad, se incorpora

En 1983 el prof. José M a Fernandez

al

conjunto de investigadores y desde su cargo de Presidente del Tribunal

de

Cuentas de Espana publica el trabajo "Las cuentas del Gran Capitan"; en

1985 da a la imprenta un nuevo trabajo "Las Ordenanzas contables de Juan II de Castilla" y en 1986, "El Tribunal Mayor de Cuentas de Fernando VII".

En el ano 1988 las publicaciones espanolas sobre historia de la

contabilidad adquirieron un caracter extraordinário. La Revista Espahola

de Financiación y Contabilidad dedico dos números monográficos a esta

materia; los coordinó el Doctor Esteban Hernandez Esteve, al que me referiré más adelante. Como en ese aho se conmemoraba el cuarenta aniversario de

la Revista Técnica Contable tuve la satisfaccién de dirigir un volumen

extraordinário con el título de "La Contabilidad en Espana en la segunda mitad del siglo XX"; en el que entre otros colaboro el profesor Martin

Lamouroux, aqui presente. Otros muchos estúdios y publicaciones se han hecho, pêro no me es posible citarlos; ahora solo voy a hacer referencia a un autor que por si solo ha hecho casi tanto como todos los demás investigadores juntos. Me refiero ai Doctor Esteban Hernandez Esteve. Desde que comenzó sus publicaciones en 1981 no cesa de dar a la luz nuevos trabajos, de intervenir en congresos, de recibir nombramientos y designaciones de revistas y asociaciones dedicadas ai estúdio de la historia de la contabilidad en el más amplio sentido. En 1980 conocí ai Dortor Esteban Hernandez. Me llamó para ver si colaboraba en un trabajo que le habían encargado sobre Spanish Accounting — from past to present. É1 iba a escribir sobre el pasado, yo me encargaria del presente, según sugerencia que le había formulado en Londres el prof. Forrester, de Glasgow, que me había conocido en Berlin en 1977 con motivo del IV Congreso Internacional sobre Educación en Contabilidad. Teniendo en cuenta la extraordinária capacidad de trabajo del Doctor Esteban Hernandez y el interés que nacional e internacionalmente adquirían durante la década de los anos ochenta las investigaciones sobre historia de la contabilidad, a mediados de la década de los ochenta propuse en AECA, Asociación Espanola de Contabilidad y Administración de Empresas, la constitución de una Comisión de Estúdio sobre Historia de la Contabilidad. La propuesta no obtuvo éxito, pero no la eché en olvido; una nueva propuesta a comienzos de 1992 si ha tenido éxito y por ello tan solo hace quince dias que ha quedado constituida en AECA una Comisión de Estúdio sobre Historia de la Contabilidad bajo la presidência del Doctor Esteban Hernandez. La constitución de la Comisión ha tenido lugar dentro de un Encuentro de Trabajo sobre Historia de la Contabilidad organizado por el Colégio Oficial de Titulados Mercantiles y Empresariales de Madrid, en colaboración con AECA y la Universidad Autónoma de Madrid. Durante três dias, dei 24 ai 26 de septiembre se han celebrado sesiones en las que se han presentado y comentado ponencias de los profesores Yamey, de la Escuela de Economia de Londres; Pierre Jouanique, de Paris; Forrester, de Glasgow; y de los espanoles Rafael Conde, José M a Passola, José M a Gonzalez Ferrando, Antonio Miguel Bernai, Rafael Ramos Cerveró, Fernando Martin Lamouroux, Salvador Carmona y del que os habla. La conferencia de clausura la desarrolló el conocido historiador económico Doctor Felipe Ruiz Martin, y estuvo presidida por Ricardo Bolufer, Presidente

del Instituto de Contabilidad y Auditoria de Cuentas. Hizo presentation de la Comisión de Estúdio de Historia de la Contabilidad de AECA el prof. Leandro Canibano Calvo, vicepresidente primero de AECA y actual presidente de la European Accounting Association. Por lo que de forma esquemática he expuesto puede deducirse que Espana se ha incorporado al movimiento mundial que sobre Historia de la Contabilidad se está produciendo. Yo me permito animar a los estudiosos portugueses a unirse a este movimiento. Este acto y el homenaje al profesor Gonçalves da Silva que se desarrolla en Lisboa, son prueba de la sensibilidad de los profesores y centros universitários portugueses a recordar a quienes se han destacado en el estúdio de la amplia panorâmica de la Contabilidad.

La Historia de Portugal es riquisima en descubrimientos y gestas asombrosos; su império colonial y las relaciones comerciales de gran magnitud, tanto entre la metrópoli y las colónias, como entre la metrópoli y el resto de los paises de Europa occidental, por lo que estoy seguro y espero se conservarán en sus archivos una riquisima documentation que los estudiosos de la contabilidad pueden hacer asequibles al resto de sus compatriotas y de la comunidad internacional en la década final del siglo

XX.

Para AECA y para la Comisión de Estúdio de Historia de la Contabilidad de AECA seria muy satisfactorio que con motivo de este acto académico, algun investigador português formase parte de dicha Comisión de Estúdio y que las investigaciones sobre Historia de la Contabilidad alcancen en Portugal el lugar que merecen, en parangon con el de paises que se encuentran a la cabeza de la civilization mundial. Por mi parte, despues de agradecer su atención, nada mas. Muchas

gracias.

Anexo 1

Version espanola del índice que, para una posible historia de la contabilidad en Espana en el siglo XX, incluí en el trabajo Developments in Accounting Research in Spain. Este trabajo forma parte del volumen European Contributions to Accounting Research. The Achievements of the last Decade, editado por VU Uitgeverij/Free University Press de Amsterdam en 1984.

1. Aspectos fundamentales de Contabilidad.

1.1 Regulaciones générales y aplicaciones. Código de Comercio. Ley de Sociedades Anónimas. Ley de Socedades de Responsabilidad Limitada. Legislación fiscal. Regularización de Balances de Situación. Regulaciones del Banco de Espana. Regulaciones de la Dirección General de Política. Financiera. Regulaciones bursátiles. Plan General de Contabilidad. Planes Sectoriales de Contabilidad. Contabilidad de Costes.

Contabilidad de Grupos de Sociedades. Análisis financiero. Organización de la Contabilidad:Mecanización. Auditoria. Contabilidad de Recursos Humanos.

1.2 Aplicacione s prácticas . Contabilidad de Grandes Compartias. Banco de Espana. Bancos en general. Cajas de Ahorros. Seguros. Telefónica de Espana. Campsa.

2.

1.3

Tabacalera. Renfe. Grandes Almacenes. INI. Cooperativas. Agricultura.

Educación ,

publicaciones. Ensenanza de la Contabilidad. Profesionales y organizaciones profesionales. Influencia de los exámenes para oposiciones. Profesores destacados. Congresos Internacionales celebrados en Espana. Conferencias nacionales. Instituto de Contabilidad y Auditoria de Cuentas. AECA. Real Academia de Ciências Económicas y Financieras. Archivos economico-contables. Regulación contable en el período 1936/1939. Revistas. Editoriales y publicaciones. Traducciones.

profesionales ,

asociaciones ,

investigación ,

Contabilidad Pública. Contabilidad de la Administración Central. Contabilidad local y provincial. Seguridad Social. Mutualismo. Fuerzas Armadas. Prisiones. Câmaras de Comercio. Puertos. Iglesia. Asociaciones. Partidos políticos. Tribunal de Cuentas.

3. Contabilidad Nacional. Contabilidad Nacional. Input-Output. Balanza de Pagos. Flujos monetários y financieros.

4. Contenido de cada capítulo. Líneas générales para adecuar en cada uno de ellos.

— Concepto, descripción o definición.

— Antecedentes.

— Evolución de las regulaciones légales.

— Evolución de la realidad práctica.

— Situación actual.

— Perspectivas.

— Bibliografia.

Anexo II

Recopilación cronológica de trabajos en los que recojo aspectos diversos dei estúdio, conocimentos y aplicación de la contabilidad en Espana en el siglo XX. Ano 1960

— Studi e tendenza delia moderne ragioneria nella Spagna. Rivista Italiana di Ragioneria, julio-agosto. Ano 1969

— Primer catálogo de publicaciones y otros trabajos de Censores Jurados de Cuentas.Editorial ICJC. Ano 1973

— Hacia un ano espanol de la Contabilidad. Cataluna Económica, septiembre. Ano 1975

— Vida, Obra y Ejemplo. Sección de la Revista Técnica Contable que ha recogido desde su iniciación en 1975 hasta mediados de 1992, cincuenta y seis biobibliografías de expertos en contabilidad; de ellos veintitrés de expertos espanoles. Ano 1977

— XXV aniversario de la Ley d e Regimen Jurídico de la Ley de Sociedades Anónimas. Revista Técnica Contable.

Ano 1981

— Spanish Accounting — from past to present. La parte referida al presente con la colaboración de Jose Miguel Prado Caballero y Francisco Esteo Sanchez. La parte referica ai pasado la redactó el doctor Hernandez Esteve.

— La contabilidad en Espana en el Siglo XX. Revista Técnica Contable, octubre.

— La ensehanza de la contabilidad en Espana en 1980. Revista de Contabilidade e Comercio, febrero. Oporto. Ano 1983

— Código de Leyes Contables. Editorial SEMSA.

Ano 1984

— European Contributions to Accounting Research. The Achievements of the last decade. VU Uitgeverij/Free University Press.

— Código de Leyes Contables, volumen III. Editorial SEMSA.

Ano 1985

— Antigùedad de la profesión de auditoria en Espana: Referencias diversas sobre ella y la contabilidad. Revista Técnica Contable.

— Código de Leyes Contables, volumen II. Editorial SEMSA.

Ano 1988

— La Revista Técnica Contable de 1949 a 1952 con algunas notas a su entorno, enero.

— La Revista Técnica Contable de 1953 a 1956 con algunas notas de su entorno, febrero.

— La Revista Técnica Contable de 1957 a 1960 con algunas notas a su entorno, marzo.

— Revista Técnica Contable de 1961 a 1964 con algunas notas su entorno, abril.

— Revista Técnica Contable de 1965 a 1968 con algunas notas su entorno, mayo.

— Revista Técnica Contable de 1969 a 1972 con algunas notas su entorno, junio.

— Revista Técnica Contable de 1973 a 1976 con algunas notas su entorno, julio.

— Revista Técnica Contable de 1977 a 1980 con algunas notas su entorno, agosto-septiembre.

— Revista Técnica Contable de 1981 a 1984 con algunas notas su entorno, octubre.

— Revista Técnica Contable de 1985 a 1988 con algunas notas su entorno, noviembre. Ano 1989

La

Contabilidad en Espana en la segunda mitad dei siglo XX.

Publicación de la Revista Técnica Contable al cumplir su XL Aniversario.

La

auditoria legal en Espana. Trabajo incluido en el volumen La

Contabilidad en Iberoamérica, coordinado por el prof. Jorge Tua

Pereda. Editado por el Instituto de Contabilidad y Auditoria de Cuentas .

La

Contabilidad y la Auditoria en el VI Congreso Internacional de

Contabilidad de la AIC. Revista Técnica Contable, noviembre.

Ano 1991

— Código de Leyes de Contabilidad. Editorial Pirâmide.

— contabilidad y sus profesionales en la Espana d e los siglos XIX

La

y

XX. Cuadernos de Estúdios Empresariales. Editorial

Complutense.

Traducido ai inglês con firma de Franscisco J. Martinez Pérez se

ha incluido, sin cita de su autor, en el libro The

Accounting Guide, editado en 1992, en Europa, por Academic Press Limited, y en Estados Unidos de América y el Canadá, por

European

HBJ Miller Accounting Publications Inc. Afio 1992

Código de Leyes de Auditoria. Editorial Pirâmide.

La

contabilidad en Espana en el siglo XX, trabajo incluido en el

volumen Contabilidad en Espana 1992 coordinado por el prof. José Antonio Gonzalo Angulo. Hay version inglesa en el volumen Accounting in Spain 1992, editada por Arthur Andersen. La edición espanola se ha realizado por el Instituto de Contabilidad y Auditoria de Cuentas.

Prólogo al volumen Plan de Contabilidad para la Administración Local. Nuevo sistema de información contable local e instrucciones

de

contabilidad. Editorial Lex Nova. Valladolid.

Leandro Cahibano presidente de la European Accounting Association, en el Boletin AECA del primer cuatrimestre de 1992 y: en la Revista Técnica Contable del mes de junio.

LA INVERSION DE SIGNOS D Y H EN EL LIBRO DE CUENTAS DEL COLÉGIO DE LOS PP. JESUÍTAS DE VILLAGARCIA DE CAMPOS

desde 1742 a 1757

En homenaje a la dimension histórica del Profesor Jaime Lopes Amorim en el centenário de su nacimiento.

por

Fernando Martin Lamouroux Universidad de Salamanca

Introducción

El primer estúdio que hicimos en torno a la forma invertida de los signos o secciones Debe y Haber lo fué tomando como punto de partida un pasaje citado por Vlaemmimck al analizar la actividad bancaria dei Egipto Helénico en la localidad de Fayum y en concordância con el critério generalizado de la época en la que el Debe significa Salidas y el Haber Entradas' 1 '. Con posterioridad descubrimos en los expositores de la Sacristia de la Colegiata de San Luis de Villagarcia de Campos, en la provincia de Valladolid, entre los documentos más antiguos dei Colégio fundado en 1576, un libro de cuentas desde 1741 a 1757 con la particularidad de usar las secciones D y H invertidas, esto es, Debe como Salidas ai lado derecho dei

(1) F. Martin Lamouroux La Revelación Contable en la Salamanca Histórica. Tésis Doctoral leída en la FCEE de la Universidad Complutense en 1985. Fue premiada por el Centro de Estúdios Salmantinos y editada en 1988 por la Diputacion de Salamanca.

folio y Haber como entradas en la parte izquierda del folio. Libro sorprendente por cuanto plantea la cuestión de como era posible que en pleno siglo XVIII (1747) cuando la Partida Doble está claramente implantada y las secciones o signos con su funcionamiento actual, aparece de nuevo esta forma invertida que ya se creia definitivamente desaparecida desde la Edad Media. Este libro es una prueba irrefutable de su empleo . Adernas, tiene garantizada su relevância histórica cualquiera que sea la interpretación que queramos hacer de él:

— Tanto si por su medio se prueba la Continuidad en el tiempo de esta forma invertida, lo cual seria una evidencia histórica importante; ahora con la certidumbre de su contenido puntual sin vacilaciones interpretativas,

— Como si un contable o administrador singular lo aplica sin vacilaciones en un momento en que la Partida Doble está claramente asentada. Con el atractivo ahadido de que si se da unicamente esta segunda posibilidad, seria tan interesante como la primera por el juicio de valor que implica, si un intérprete de la realidad económica que tiene a su disposición un método tradicional en uso perfectamente conocido, decide no obstante utilizar otro — la forma invertida — aparentemente desaparecido 12 '.

No obstante manteníamos cierta insatisfacción ai constatar que la investigación no habia agotado el análisis documental, sobre todo en el supuesto de tratarse de un administrador aislado, en cuyo caso ^quién era este? y ^por qué en pleno siglo XVIII no duda en aplicarlo? Este último aspecto ya forma parte dei presente estúdio.

Conenido Empírico: razonabilidad de esta forma.

(2) De su análisis surgió un nuevo trabajo que aportamos ai Fifth World Congress & Exhibition of accounting Historians celebrado en Sidney (Australia) en 1988 con el titulo The Reversal of the Accounting Symobols D (Debit) and H (Credit) and Their Correct Interpretation, cuya traducción al castellano fue publicada por Técnica Contable, Madrid Julio de 1990 n° 499.

Este interesantísimo manuscrito, existente en la Colegiata de San Luis de Villagarcia de Campos, villa situada en el corazón de Castilla, corresponde al Colégio fundado en 1576 por Dona Magdalena de Ulloa, a expensas de sus propios bienes, al mismo tiempo que, en cumplimiento dei testamento de su esposo, Don Luis de Quijada, Senor de Villagarcia, Mayorodomo del Emperador Carlos V y Ayo y Tutor de Don Juan de Austria, procedia a hacer en la parroquia de San Pedro una Capilla (hoy Colegiata) que sirviera de Panteón para toda la familia <3) . Se trata de un libro encuadernado en pergamino, con tejuelos de badana y lazos de sujeción, en tamano de 21 x 31. En portada figura:

"Borrador de Estudiantes y algunos Particulares Mayo 1742 Capellanes y Músicos Caj 3°, N° 5

< 3) Debido a que la Iglesia de San Pedro era muy pequena, el propio Don Luis ofrece a sus testamentários otras soluciones alternativas, a saber :

Cláusula 41: Adosarla a la Iglesia de San Pedro, tomando casa de Juan Calleja Cláusula 46 : Si no fuere prosible adosarla, se haga separada de ella, pero al lado de ella, mediante la compra de una casa o corrales que son de Juan Bermejo Zapatero y de Felipe, que confinan con el Cláusula 57: Da opción a su mujer Dona Magdalena para hacer una capilla, o si no, un monasterio de frailes o monjas excepto de Descalzas, que por ser la Tierra de Campos muy fria, no podrían vivir allí. Dona Magdalena resolvió hacer las dos cosas: una Iglesia más suntuosa y adosado a ella un Colégio Noviciado para los jesuítas. Lo cual no fue tampoco fácil, pues se adujo no solo que no era esa la voluntad de Don Luis, por no estar situada en la Parroquia de San Pedro, sino adernas, que los jesuítas no eran "frailes". Dona Magdalena, consulto ai respecto con su hermano Fray Domingo de Ulloa Dominico; este la remitió ai Padre Baltasar Alvarez, jesuíta; trato luego con un seglar que no conocía a los jesuítas y finalmente acudió a los teólogos de la Universidad de Alcalá de Henares y de Salamanca, que aclararon que bajo el nombre de "frailes" se comprendía toda clase de religiosos. Por fin la Colegiata se llevó a cabo a partir de los planos de Rodrigo Gil de Hontanón, si bien con numerosas modificaciones posteriores, y el Colégio con los dei napolitano Giuseppe Valeriano que había entrado en la Cumpanía de Jesus en 1574.

V. C Perez Picon S.J. Villagarcia de Campos. Estúdio Histórico Artístico. Institucíon Cultural de Simancas. Dipucatión de Valladolid. 1982 pág. 69 y ss.

En el interior hay una hoja suelta que dice :

"Caj 3 N° 5 Libro de Quentas con Estudtes Partres y con Capps y músicos desde as de 1742 asta 1757" (4)

Lleva incorporado un ABCdario con el título:

"Libro de Particulares, para Capellanes, Músicos y mas dela Igsa. desde 1° de En° 1749. Q comienzan de folio 102 Cuentas de Estudiantes <4) .

Está dividido en dos bloques, el primero comprende 61 folios desde 1742 a 1752 y el segundo de 1751 a 1757 empieza en el folio 61 y termina en el 253. La numeración es sin embargo correlativa.

Su contenido llama inmediatamente nuestra atención:

I o .

La numeración es la típica de los Libros Mayores. El número dei folio es el mismo para la página de la izquierda que para la pagina de la derecha, ambas contrapuestas.

2 o . Sin embargo, todas las páginas tienen dos columnas, una para el Haber a la izquierda y otra para el Debe a la derecha,precisamente en este orden. 3 o . El lenguaje empleado atribuye a los signos contables el sentido de

Haber = Entradas

Debe

= Salidas

4 o . El contenido está limitado ai control de cuentas de tipo personal. Alguna de ellas cruzadas, por transferencia de

(4) Estudtes — Estudiantes. Partres — Padres. Capps — Capellanes as — agosto. Igsa — Iglesia. En° — Enero.

cuenta a cuenta, y más de una, colectiva. Los movimientos son tanto en dinero como en espécie, y en su caso, cuando la cuenta tiene ambos datos, en reaies y trigo p.e., los posiciona en columnas separadas, tanto en el haber como en el debe.

5°. Las cuentas se cierran por anos, fijando el Alcance de las Mismas, esto es, el Saldo o diferencia entre el haber y debe y este Alcance, con su correcto sentido activo o pasivo, es la primera partida dei ano siguiente, por cuenta nueva.

6°. No hay referencia alguna ai manual o diário, ni tampoco a la Cajá. Unicamente en el folio 243 apunta la existência de un "borradorcillo". Si en cambio está claro que hay libros de igual contenido de anos anteriores, por la referencia: "Del libro viejo" o "traspaso ai libro nuevo".

iQue interés tiene este libro, que recoge la vida cotidiana de la administración de caudales con destino a la educación de estudiantes y al mantenimiento de padres, músicos y capellanes para que liame nuestra atención? Fundamentalmente, por el hecho de utilizar, en el ano 1742, en pleno Siglo XVIII, los signos contables D y H invertidos es decir, Haber/Entradas, y Debe/Salidas, ai igual que lo hacían griegos y romanos, antes de que esta "forma" desapareciera a finales de la Edad Media. Lo cual nos plantea dos temas relevantes:

Uno sobre la Causalidad de la Inversion de Signos Debe y Haber y el juicio histórico que ello merece. Para entenderlo en su trayectoria histórica es preciso destacar unos hechos suficientemente documentados, que nos permitan centrar el conocimiento "global" de los contables antiguos y que en buena medida los determinan en su propio contexto histórico. Nos situamos en Babilónia, en los anos 2002 a 1960 Ac. Primero los sumerios y después Babilónia concebían ai Universo como nacido de la evolución de la materia. La divinidad no era otra cosa que la fuerza que gobernaba o dirigia esta evolución y tanto los dioses como los hombres actuaban en obediência a las leyes dei Universo. El poder emanaba dei dios Mardouk y el Rey era el representante de

la autoridad y de la propia Ley entre los hombres. Venía a ser expresión, a

la

En este tiempo, Hammourabi sexto, rey de la dinastia de Babilónia, sin duda el más importante de los monarcas amorreos contemporâneo de Abraham, realiza una obra inmensa de unificación política, dotando a sus estados de un mismo código que lleva su nombre y que constituye la colección legislativa más antigua que conocemos, mezcla de Código Civil, de Comercio y Marítimo, Penal y Procesal, de incalculable trascendencia, que inmediatamente se convirtió en la Costumbre internacional del comercio de toda el Asia Anterior, llegando enseguida, transportado por medio de los mercaderes hasta Siria. Pêro lo mas importante es que en él estaban reglamentadas todas las manifestaciones de la vida económico-jurídica de la monarquia, tales como la venta divisa e indivisa, ai contado y a término, condicional o no, el préstamo, la prenda, la caución, la anticresis. Anticipa ya nuestro moderno concepto de hipoteca y ensancha el campo dei crédito como base dei comercio. Por su medio, el propio contrato de préstamo motiva la aparición de la sociedad comercial, bien que ai principio lo fuera por medio de la asociación y la comandita y al reglamentar la cláusula de reembolso ai portador, hace aparecer el pagaré a la orden. A su vez, el depósito irregular créa la banca, por transformación natural de los cambistas y la cuenta corriente y combinada con el mandato, introduce el uso ordenado dei cheque que, endosado a un tercero, da lugar al nacimiento de la letra de cambio.

vez divina y humana, de la Ley Universal' 5 '.

al

esplendor de esa época y fue tal su importância, que ha sobrevivido a la ruina de varias civilizaciones y sutilmente persiste en el trasfondo del lenguaje jurídico moderno.

Templos y Banqueros se normalizan por su medio y contribuye

jRecordemos que estamos en el ano 2000 antes de Cristo,!

Y lo que es aún más importante, conocen y usan la moneda escriturai, la cancelación de un débito y de un crédito sin desplazamiento de moneda,

(5) V. J.Pirenne Les Grands Courrants de l'Histoire Universelle Tomo. I. Ed. Elbin Michel, Paris 1950 pág. 34/.

a través de los asientos, lo que implica una innovación financiera de enorme relevância, puesto que la transferencia de cuenta ha hecho franquear la frontera de la mera cuenta corriente. En esta, el efecto era simplemente entre las dos partes de la cuenta. En la transferencia de cuenta por el contrario, hace pasar a un tercero la propiedad de un valor. Fusionando el pago con el asiento contable, la orden de transferencia ejecutada confiere a un asiento contable el poder jurídico de transmitir un valor de un património a otro por medio de una escritura abstracta <6) .

Se ofrece asi un mecanismo tremendamente versátil a nivel financiero,

pêro sobre todo, reveladoramente contable. La Contabilidad posibilita este

mecanismo por medio de sus cuentas permitiendo la regularización crediticia, dicotómica, de derechos y obligaciones, con la máxima perfección jurídica.

Y si este perfeccionamiento es tan grande ^Cómo es posible que el

Debe y el Haber jueguen un papel tan contradictorio, unas veces entradas, otras salidas, unas veces a la izquierda, otras a la derecha? No es aceptable una interpretación casual de la inversion de signos, y menos aún, contradictoria. Ello no concuerda con la realidad histórica:

I o . Por el conocimiento jurídico

de la época.

2°. Los comerciantes, pêro sobre todo los Banqueros, conocían muy bien los contratos y sabian redactarlos con toda perfección. Si esto es así, es lógico pensar que sus anotaciones contables no les plantearian dudas en cuanto ai sentido deudor o acreedor de una operación cualquiera.

3 o . Luego, si ponen el Debe como Salida y el Haber como entrada, no es posible imaginar una confusion, ni del sentido jurídico, ni del contable del hecho empírico, sino que lo hacen con pleno conocimiento, ai ejecutar una instrumentación contable diferente. Una inversion equívoca, seria una pura contradicción (7) .

(6) V.R. Savatier El Derecho Contable ai Servicio del Hombre. Version espanola de F.M.Lamouroux. ICE. Madrid 1972. (7) El carácter dicotómico de los signos contables aparece en otros testimonios curiosos. Así Pierre Villar cita un pasaje dei Poema dei mio Cid cantando la toma de Valencia en 1094:

"Todos eran ricos — cuantos alli ha Mio Cid don Rodrigo — la quinta mando tomar

— Otro sobre la Persistência en el tiempo de esta "forma", cuando la Partida Doble está difundida y aplicada. Debemos insistir en que es preciso aprender a distinguir entre los conocimientos contables de los administradores antiguos y lo que luego explicitan en sus cuentas. Sobre este punto podemos aportar una prueba ampliamente documentada en nuestra Tesis Doctoral sobre las cuentas de la Universidad de Salamanca que con una antigùedad que va desde el siglo XV (1403) hasta el siglo XIX, se llevan por el arcaico método de Cargo y Data y convive, por tanto, con épocas en las que la Partida Doble ya está totalmente implantada

(!)

Dos razones son esenciales para comprender

el argumento:

1 — Los administradores han de someterse a los procesos de rendición de cuentas impuestos por los destinatários de la información, que la regulan dentro de un método arcaico y rudimentario, pêro que entienden. 2 — Esto conviene al Admnistrador, pues hace de la rendición de cuentas un proceso simple, pêro está claro que él necesita un sistema mas perfecto de contabilidad, teniendo en cuenta adernas que los propios Administradores, dado el retraso en cancelar sus deudas, no tendrían interés en dejar trás de si pruebas tan completas como sus propios libros contables y aún dejandolos, posiblemente sus herederos no apreciarían su importância ni el interés de su conservación. En cambio, si los trendría bien ordenados y con buenas anotaciones frente a la definitiva rendición de cuentas. El interés de una buena Contabilidad juega a favor dei propio administrador y no para otras personas. Este aspecto hay que entenderlo muy claramente para juzgar la escasez de documentos y para no sacar

en el aver amonedado — treynta mil marcos le caen e los otros avères — i quien los podrie contar ?

y el estancamiento en la Edad media no fué invetablemente "

causado por su "débil haber" en metales

Es curioso que esta expresión no recoge una idea acreedora, ai estilo contable sino especificamente deudora. Aqui el "haber" se traduce por existências. Decir el escaso haber de oro equivale a decir escaso capital en oro, en donde capital — haber, es un concepto de fuente, mientras que el oro es precisamente su existência real, su materialización. Hace referencia a la cantidad de oro en el mercado. V. F.Martin Lamouroux, Técnica Contable op. cit.

El débil haber de oro en la Edad Media.

Keynes escribió "

conclusiones falsas sobre los conocimientos contables de los administradores. Y no es casualidad que los archivos encontrados, los mas importantes como son los de Simon Ruiz Embito, los de Miguel y Garcia de Salamanca, Bernardino Vallejo, Diego de Bernuy, lo son por Partida Doble. Y qué diremos entonces de los Banqueros de Corte dei estilo de Ochoa Perez de Salinas* 8 ' y de los judios, genoveses, florentinos, milaneses etc., que traficando por toda la geografia espanola, contribuyen a la internacionalización dei Comercio. La ausência de pruebas concretas no implica la continência de ignorância, siendo como es un hecho el progreso económico que no hubiera sido posible sin la Contabilidad. Lo que nos lleva a una reflexion interesante como una primera hipótesis:

Que el empleo invertido de signos, a saber, Debe/salidas Haber/ entradas, Persiste a lo largo dei tiempo y aqui el manuscrito lo emplea como normalmente sabido. Este libro hace viable por si mismo esta hipótesis. Como adernas el Colégio fue fundado en 1576 y dada la especialización de profesores y alumnos, puede ser razonable una herencia contable de este tipo perdurando en el tiempo, aunque a ello se opone, en gran medida, el propio proceso de normalización en el uso actual de los signos, que ha sido radical.

Por eso es importante preguntarse de nuevo por qué el manuscrito que estamos estudiando emplea la inversion de signos. Los redactores de las cuentas dei Colégio de Villagarcía de Campos, por la via de inversion de signos, hacen uso dei principio de unidad de inscripción, igual que modernamente lo hace el Decalco, con una metodolgía que les permite ponerse en el lugar dei tercero y explicitar, ai mismo tiempo, su propia posición en la relación causal, que los une con el hecho contable, sin modificar el contenido doctrinal del fenómeno patrimonial que es su substrato. Unicamente lo ha hecho en la Forma Externa. Por otra parte, poner el Haber, como primera partida, es esencialmente más perfecto que ai contrario, puesto que está claro que sin financiación no hay inversion, y si esto es asi, es condición necesaria el Haber de una cuenta.

(8) y. Fernando Martin Lamouroux. El Libro mayor del Banquero de Corte Ochoa Pérez de Salinas (1498 -1500). Revista Espanola de Financiación y Contabilidad. XVII. Número 56. Madrid 1988.

Adernas, la concepción jurídica de la propiedad está tan fuertemente arraigada en el intérprete que, unido a su responsabilidad en el cargo, hace que prime el critério de rendición de cuentas por encima de otro cualquiera y es por ello que toda la prueba contable la pone, como los banqueros de la antiguedad, en función de un tercero, como depositário de los caudales recibidos. Y lo curioso dei caso es que esta forma le permite explicitar, sin hacerlo, la materialización dei ingreso, dado que el Haber de la cuenta de un tercero como entrada, consagra y confirma la propia entrada, sin que ambos aspectos se contradigan, pues esta claro que son Irrtagen una de la otra. Imagen dicotómica, bilateral que luego se escinde en dos partidas o dimensiones, una en términos reaies, otra, en términos imaginados, imputada, monetariamente hablando. Es por esto que los contabilitarios como el de nuestro estúdio no precisan dei Debe de sus cuentas, les basta con controlar el Haber/entradas, pues este, siendo la imagen monetária del Debe real, con su sola lectura tiene ambas cosas. Han llevado a la práctica la idea unitária dei fenómeno patrimonial. El procedimiento contable seguido por el intérprete, es un alarde de economia de procedimiento, un refinamiento reflexivo en la manifestación patrimonial, que explicita ai mismo tiempo, simultaneamente, los dos términos de la relación causal de la transación, un sutil e ingenioso proceso de reflexion contable, fruto de la relación económico-financiera que le permite, de una sola vez, hacer dos interpreteciones diferentes de una misma manifestación registrai, es decir, un doble proceso de revelación contable, esto es, con una sola anotación tiene todos los datos que le interesan, a saber:

El Haber reconoce ai titular su derecho por la entrega

efectuada.

Pêro está claro que lo que aqui apunta no es el dinero recibido, sino, la obligación contraida, la deuda a favor dei Titular de la cuenta, y lo es en su más puro sentido jurídico.

El Haber tiene una segunda lectura como Debe de su propia

contabilidad. EL significado es ahora dinero real recibido que el

administrador incorpora a sus arcas.

De este modo el administrador tiene una doble información:

— Informa ai titular de su Haber, el importe de la deuda.

— Se informa a si mismo de su propio Debe, dinero real recibido.

Lo que explica la redacción de los asientos. El administrador ha disenado un control de las cuentas, facil para el Titular. Asi, cuando este quiere saber el estado de su cuenta, el administrador le ensena los libros y le informa:

— He apuntado a tu favor

en el Haber

lo que

me has

entregado/

Entradas.

— He apuntado en el Debe, los Pagos/Salidas que yo he efectuado

por tu cuenta. La Partida Doble como método, no es más que un camino para llegar ai conocimiento interno dei hecho empírico, capaz de ilustrar ai intérprete en el mejor sentido de la Gestion. Ese carácter dicotómico proviene por la mutación, primero dei concepto de utilidad ai concepto de valor y finalmente ai valor de cambio, que como ya sabemos, es el resultado de la comparación de las utilidades respectivas de dos bienes.

Descendamos ahora a lo cotidiano de las cuentas. <<,Qué anota en ellas?

La moneda que emplea son los Reaies de vellón (Rs) con una equivalência de 34 maravedis (mrs. ms. o m) cada real. Para separar las unidades de miliar emplea el Calderón = U En el "Hauer" colocado a la Izquierda de cada folio figuran los siguientes conceptos:

1. Apertura de cuenta y cuenta nueva:

Folio 12. Cuenta del P. Prior

Hauer

Deue

2 U 484.28

Prosigue la quenta dei P. Prior

U 687

Folio 12 Cuenta del P. Prior. Cuenta nueva

Hauer

Primeramente Hauer

los 1 U 279 rs.17 m. dei

Deue

1 U 279

alcance de arriva que se avonan por principio desta

Hauer

U600

Hauer

U259.30

Hauer

U006

Hauer

U600

Folio 25 Cuenta de Fermin Musico

Livro 4° en 19 de julio 1746

Folio 253 Cuenta de Bernardo del Valle Bernardo del Valle deve y haver como parece al folio 239 en este (9)

Folio 1. Cuenta de Manuel Corral Pago otros 6 reales

Deue

Deue

U 253.37

Deue

Folio 12 Cuenta de b. Sanz con Joseph Bailado Dicho dia entrego D. Antonio 600 rs. vellón Deue para quenta de gastos

2. Dinero recebido dei Titular de la cuenta:

3. Dinero recibido de terceros a favor dei Titular de la Cuenta.

Hauer

U040

Hauer

U300

Hauer

U 500

Folio 12 Cuenta dei Prior Hauer 40 rs. por la limosna de 20 misas de Deue que dio un vezino

Folio 253 Cuenta de Bernardo Valle Hauer 300 rs. que me remitio el P. R°

4. Letras y libranzas a su favor:

Folio 83 Cuenta de B. Sanz en folio 132 Hauer 500 rs. de letra recibida a 8 enero dada

Y la

endosé a Altolaguirre.V.Lámina n°2

en Villar de Rena por

q a Dn. Juan

de?

Deue

Deue

< 9 > Llama la atención que al hacer el traspaso de los totales desde el folio 239 dice textualmente "Bernardo dei Valle deve y haver (!) cuando en buena lógica debería haber puesto "Bernardo dei Valle haver y deve que seria lo mormal, para ser consequente con la inversion de signos que está empleando.

5.

Por venta de mercancias:

Hauer

U 086

Folio 12 Cuenta dei Prior Hauer 86 rs. de 10 cantaras de vino maleado

que vendio a Joseph Carriedo

Deue

6. Cantidades devengadas por servicios prestados por el Titular.

Hauer

U 040

Hauer

U 050

Hauer

Hauer

Folio 12 Cuenta dei Prior Item otros 40 rs. de 40 misas que le encargue Deue

en Diciembre de 1756

7. Traspasos de cuenta:

Folio 167 Cuenta de Iturrioz Item. 50 rs. que dicho dia dijo se le cargasen p a Francisco Rauanillo vezino de Cabrerizos a quien se le auonan en su quenta.

Deue

En cuanto ai "Deue" colocado a la Derecha de cada página los siguientes conceptos:

1. Cantidades pagadas por cuenta dei Titular:

Folio 1 Cuenta de Manuel Corral

figuran

Deue

6 1/2 de

una montera

Deue

4 3/4 de

hilo, seda y botones p a chupa

Deue

U 006 1/2

U

004 3/4

Cuenta de los dos Portugueses Posada un mes a 16 junio (1747) (10>

U012

Folio 25 Cuenta de Fermin Musico

 

Deue

Posada un mes (1746) 6 rs.

U006

(10) En menos de un ano el precio de la posada ha pasado de 6 reaies al mes a 12 reales. El Doble. Seria curioso averiguar el IPC ligado a este hecho inflacionário.

Folio 32 Cuenta de los Zorrilla

Hauer

Posada de 2 meses (1747) 12 rs.

Hauer

2 pares de zapatos

Folio 95 Cuenta de Iturrioz

Deue

U012

U 023 1/2

Deue

U373

11 corderos a 11 rs. y 70 de lana a 36 rs.

Hauer

Folio 96 Cuenta de Dosai, Coronel y 2 Herrada

Los 3 Virgilios,3 Concilios, 3 Valerios

3 Cicerones, 3 San Geronimo a 4 rs.

Deue

U060

2. Cantidades con destino a si mismo o a un tercero:

Hauer

Hauer

Folio 12 Cuenta del Padre Prior

Deue 798 rs. 33 ms. que en 30 de 8° de 1756 entregue al P. Prior.(V. Lamina n° 4)

Deue

U 798.33

3. Compensación de pagos efectuados:

Folio 25 Cuenta de Fermin Musico

Deue al Pasante Palomino del mes de mayo e junio n

U008

Folio 95 Cuenta de J. Iturrioz febrero 1753

Hauer

Se le cargan 159 1/2 rs. de un vestido para el

Estudiante Serrano de Villa Oxante. En nota aparte T j i cq 1/2

figura el detalle de dicho vestido. (V.L.n°3)

^

4.

Cantidades por mercancias diversas:

Folio 32 Cuenta de Rueda presente ano 1747

Hauer

 

Hauer 24 3/4 que el Sr. Tomas de Rueda dio de quenta dei H° Emetherio ai Prior de San Ambrósio a quien los cargo

 

5.

Cargos para cerrar la cuenta:

 

Folio 12 Cuenta dei Prior

Hauer

It (tem) se cargan 13279 rs. 17 m para cerrar igual esta quenta y se avonan por principio a la nueva de acuerdo con el Prior en 1 de enero de 1757 Traspaso de folio a folio:

Folio 12 Rua ai folio 145 dei libro nuevo Folio 16 Al folio 200 Folio 32 Pasa ai folio 38 Folio 95 Prosigue la quenta y sumas a la vuelta.

Deue U 024 3/4

Deue 1 U 279.17

Rendicion de cuentas:

Algunas cuentas como la de Los Arredondos se remitían todos los anos, tal vez con la misma "forma" ai Obispo de Salamanca enfonces Don José Zorrilla, para su aprobación.

Precios y otras particularidades

Del folio

224 cuyo

siguientes datos:

facsímil

damos

en

Lamina

n° 5 tomamos

los

"Gabriel Hernandez del Corral llegó a esta villa para aprender a leer y escrivir en 20 de Nov (iembre) de 1754: Está en Casa de Cathalina Bustino: se le da de Pátria 8 Rea (les) y la I a se le dió en 23 dei referido mes, con cinco panes cada semana. Sus asistencias corren de qta de Dn Alonso Hernandez del Corral Secret (ario) del S (enor) Ob (ispo) de Salamanca. Dasele 4 q (uartos) cada semana p (ara) olgarse."

Cada cuarto equivale a 4 maravedis. Por tanto 4 x 4 = 16 maravedis a la semana para divertirse (olgarse = holgarse). Es la paga semanal de este estudiante en 1754. Compárese, a efectos de incremento de precios y nivel de vida, con lo que dispone cualquier estudiante en 1992. En lo tocante a la posada, el Colégio no disponía de internado por lo que los estudiantes se repartian por las casas del pueblo convertidas en posadas, en grupos de 8 o 10 en cada una. Había posadas de três categorias, cobrándose 80, 70 y 50 reaies al mes respectivamente, incluyéndose en el precio, adernas del almuerzo, comida y cena, el lavado y arreglo de la ropa (11> . Los precios que por estudiante figuran en este manuscrito son de 6 reaies en 1746 y de 12 reaies en 1747. Como en cada posada se albergan de 8 a 10 estudiantes, tendriamos los siguientes importes:

1746 6 reaies

x

8 estudiantes

= 48 reaies al mes

x

10 estudiantes

=

60 reaies al mes

1747 12 reaies x 8 estudiantes

=

96 reaies al mes

 

x 10 estudiantes

= 120 reaies al mes

cifras que conciliarian la información global.

Las familias ricas enviaban con sus hijos un ayo o criado que cuidaba de ellos. Para el resto existian los llamados páuperes o pobres, mantenidos por los propios estudiantes, aunque muy en precário, a cambio de su servicio. Ello motivo después, la aparición de una cierta picaresca en aquellos que, por este medio, comían a costa dei prójimo (11) . Las atenciones de los estudiantes enfermos dependían de un médico no siempre residente en la Villa y a menudo quejoso del poço salário que recibía, a pesar de que, tanto el pueblo como los estudiantes, contribuían ai estipendio, y con frecuencia cobraba consultas particulares. En el folio 224: Cuenta dei estudiante Gabriel Hernandez, consta que cuando estuvo enfermo, se le anotaron en el deue (cargados en ella) los siguientes conceptos: V. Lâmina n° 5

(11) V. Conrado Perez Picon S.J. Villagarcía de Campos. Estúdio Histórico artístico. Institución Cultural Simancas. Diputación Provincial de Valladolid. 1982.

1

barra de chocolate

6Rs

17 mrs

Bizcochos y Camuesas

l R s

6

mrs

Botica

4Rs

11 Rs

23 mrs

x 34 mrs. un Rs

374 mrs

Total

397 mrs

Cifra muy elevada, teniendo en cuenta los precios que regian entonces. He aqui alguno de ellos

1

fanega de trigo

12Rs. 1/2

==

425 mrs

Unos zapatos nuevos

 

13 Rs.

=

442

mrs

1 Sombrero

6Rs.

204 mrs

1 Corder o

11 Rs.

=

374 mrs

1 Gallina

3Rs.

=

102 mrs

1 Colchón

35 Rs.

=

1190 mrs

1 Jergón

9Rs.

=

306 mrs

1 vara de lienzo

3

Rs. 1/2

119 mrs

1

Libra de tocino

1 Rs. 1/2

 

51 mrs

Cortar el pelo

1/2 Rs.

17 mrs

La Dimension Humana

El redactor de las cuentas: Herencia conservada a lo largo del tiempo o descubrimiento de esta forma por un administrador singular. Una segunda hipótesis es que se trata de un administrador cualificado, conocedor dei latin y del griego que toma contacto con los discursos de los clásicos, tal vez con Cicerón (pro Roscio, II, 5; pro Fonteius, 23; Verrine II, 76, 187; OR. 47), Catón (De re Rústica), o el alegato contra Calipso de Demóstenes, todos ellos de contenido contable, llega al convencimiento de que de esa "forma" es mas operativa y sin vacilación la emplea, y la ensena, dejando un testimonio histórico de inapreciable valor para la Contabilidad. Tarea nada fácil, que hemos intentado resolver tratando de localizar activamente ai administrador en cuestión, próximo o remoto, por persistência en la forma. Para ello hemos investigado de nuevo "in situ" sin êxito. La expulsion de los jesuitas del Colégio de Villagarcía de Campos, que tuvo lugar el dia 3 de Abril de 1767 a las 5 de la mahana, previa lectura

del Decreto Real de Carlos III de fecha 27 de Febrero de 1767 <12) , ordenando

su expulsion' 13 ', hizo desaparecer

o al menos desperdigarse con el êxodo. El propio libro de cuentas que estamos comentando, según consta en una nota suelta, Uegó en 1906 a Villagarcia, traído desde Valladolid. No obstante, en ese período 1742-1757, algunos datos personales pueden permitimos formular una primera aproximación sobre el Administrador de esa época, y con el hecho significativo de en su caso, entender el mecanismo invertido.

la mayoria de la documentación existente,

Ante todo, la instalación de una imprenta privada, cuyo fin era surtir

ai Colégio de ediciones de autores clásicos bien corregidos para sus escolares.

Para ello, se designa un equipo selecto de profesores a las ordenes dei Padre

Idiaquez, que es nombrado Rector dei Colégio el 10 de Mayo de 1755. Al

ano siguiente, ya tiene montada la imprenta' 14 '. Está claro que este hecho es

posterior a las fechas dei manuscrito, pêro pone de relieve dos cosas:

a) La selección dei profesorado, y

b) Amplio conocimiento exigido dei latin y del griego para ediciones

de autores clásicos bien corregidas. El Padre Provincial de Castilla, Pedro

Solis, queria que se mantuvieran los clásicos griegos y latinos en el estado

floreciente en que los habia conocido siendo

El Padre Idiaquez puso ai frente de la imprenta ai Hermano Juan José Palácios, nacido en Tudela de Navarra el dia 12 de Febrero de 1712. Entro en el Noviciado de Villagarcia el 6 de Octubre de 1738 a los 26 anos de edad. Habia trabajado en Madrid y Salamanca como tipógrafo en la composición griega y latina, antes de entrar en la Companía. En 1742 tendría 30 anos. Desde el primer ano figura como Oeconomus Typographiae, Admistrador de la imprenta.

Hasta aqui nada de particular. Sin embargo, en la cuenta abierta a Antolin Garcia, Entonador, folio 148, aparece una nota curiosa que dice:

novicio en Villagarcia' 15 '.

(12) V. Novíssima Recopilación. I XXVI, 3 El encargado de llevarlo a efecto, con poderes ilimitados, fue el Conde de Arana. (i3) y_ Conrado Perez Picon S.J. op. cit.

Conrado Perez Picon S.J. Un Colégio ejemplar de letras humanas en

Villagarcia de Campos (1576 - 1767 ) Ed. Sal Terrae pag. 102 y ss.

< 14 ' V.

< 15 > V. Conrado Perez Picon op.cit. pag.42.

P a Juan Palazios dará uste(?) 100 Reales Antolin Garcia Villagarcia y noviembre 20/1753(?) Manuel Corral* 16 » V.Lámina n° 1.

El Padre Juan Palácios, que no tieno abierta cuenta alguna a su nombre es experto en griego y latin, que conoce no solo como novicio, sino que le viene de más atrás como tipógrafo en Madrid y Salamanca, aparece como destinatário de una orden, que en buena lógica, solo puede cumprimentar si fuese el Administrador, y de ser así, estaríamos a un paso de identificarlo como uno de los redactores de las cuentas, a titulo de tal. Pêro ello no nos autoriza a considerarlo como adoptando coscientemente la forma invertida de los signos. Todo lo más heredero formal.

Juicio Crítico

Este manuscrito tiene a nuestro entender gran importância, no solo desde el punto de vista de la Historia de la Contabilidad, sino desde el punto de vista Doctrinal, puesto que, tanto si el procedimento o "forma" persiste hasta el siglo XVIII, como si un Administrador aislado lo emplea con tal perfección, en competência con otros procedimientos más modernos, que sin duda conoce pêro, que no emplea, en cualquier caso es una prueba de la eficácia de esta "forma" como procedimiento contable y lo conveniente de su actual validación.

Iindice de Laminas

Lâmina n° 1, Facsimil orden de pago J. Palácios.

Lâmina n° 2, Facsimil dei folio 83.

Lâmina n° 3, Facsimil nota dei vestido dei estudiante Serrano.

Lâmina n° 4, Facsimil dei folio 12.

Lâmina n° 5, Facsimil dei folio 224.

< 16 > Este Manuel Corral era el Mozo de la Huerta. Tiene, a su vez, abierta.

cuenta

Lâmina n° 1

Facsímil orden de pago Juan Palácios

Lâmina n° 2

Facsímil folio n° 83

Lâmina n° 3

Facsímil nota dei vestido dei estudiante Serrano

Lâmina n° 4

Facsímil dei folio n° 12

Lâmina n° 5

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Facsímil folio n° 224

LOPES AMORIM E A ESCOLA DO PORTO

Justificando a Ousadia

H.

0.

CARQUEJA*

Faz parte da Comissão Científica desta jornada de homenagem o Prof. Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira que, num trabalho publicado na Revista de Contabilidade e Comércio, n.° 187/192, pág. 515 e seguintes, "Lopes Amorim e a Escola do Porto", esclarece que não foi ele quem tomou a decisão sobre o seu trabalho. Aqui e agora faço vénia ao pudor que o impediu de dizer claramente que o movimento iniciado por Lopes Amorim causou adesões, reacções e esclarecimentos como é natural quando se propõe uma "Teoria" e que o Senhor Professor é boa testemunha porque estava lá e não só entrou no jogo como, felizmente, o continua. Invoco o trabalho do meu ilustre Professor como o melhor dos apoios para a minha ousadia ao defender que Lopes Amorim deve ser creditado não só pelo que directamente nos deu mas ainda por ter despoletado o interesse que legitima o falar na Escola do Porto.

* Ex-encarregado de curso e equiparado a professor auxiliar da Faculdade

de Economia da Universidade do Porto, foi Revisor Oficial de Contas e sócio da extinta Cooper's & Lybrand & Carqueja, SROC, actualmente é administrador de empresas e recentemente retomou a direcção interina da Revista de Contabilidade e Comércio que vai voltar a ser distribuída.

Questões de Ontem ou de Hoje?

Não fiquei surpreendido quando, ao folhear o último número distribuído (Setembro de 1992) da "Revue belge de la Comptabilité", deparei com o texto, em abertura de assunto, sob o título "Mécanique comptable", que equivale em português a:

"A definição de contabilidade

Técnica auxiliar das disciplinas de Direito e Economia, a contabilidade é uma técnica de registo e classificação dos fenómenos que constituem o seu campo de observação". (1)

As questões de ontem são ainda de hoje, mas estou certo que Lopes Amorim não concordaria nem com a opinião nem com o realce que a ideia tem como primeiro parágrafo do primeiro artigo publicado na citada revista. Na "Digressão através do vetusto Mundo da Contabilidade" já Lopes Amorim afirmava, relativamente à classificação da contabilidade como ciência ou técnica

o "ser" ou "não ser" não se apresenta ao meu espírito como uma

questão apaixonante

(2)

depois de notar que a aprendizagem e ensino da Contabilidade tinham o seu lugar nas preocupações do ensino superior e universitário. Seja ciência ou técnica a Contabilidade pode ser abordada como teoria,. e essa abordagem é um legado recebido de Lopes Amorim e que dá substância à Escola do Porto. Ouso prestar aqui o meu testemunho sobre a obra de Lopes Amorim porque, ao que ainda hoje se lê ou se ouve, sinto-me herdeiro do trabalho

(1)

Joseph Colleye, pág. 3:

"La definition de la comptabilité Technique auxiliaire des disciplines Droit et Economique, la comptabilité est une technique d'enregistrement et de classement des phénomènes qui entrent dans les limites de son champ d'observation."

(2)

Pág. 554 da obra citada.

feito ao deixar nos seus alunos ou leitores a convicção de que a necessidade de coerência entre as soluções contabilísticas implica apoio numa teoria articulada racionalmente,, cuja compreensão exige trabalho e suor. Quando numa universidade, instituto, localidade ou grupo social se mantém acesa a chama do interesse por um tema de estudo que é abordado com metodologia semelhante por vários professores e estudiosos pode falar- se numa Escola. Em tal sentido, penso que existiu uma escola no Porto:

Lopes Amorim acendeu a chama com as suas lições em 1929, o Prof. Doutor Camilo Comourdain de Oliveira e o saudoso Doutor José António Sarmento alimentaram o fogo, interventores de ocasião avivaram as chamas e José Henrique Garcia deu valioso contributo propagando-as. Ainda existem focos desse incêndio feito de interesse pela teoria da contabilidade. Mas a Escola do Porto não existiu isolada nem ignorada. Um mestre a que espero prestar pequena homenagem concluindo escrito iniciado há alguns meses, Vicente Gonçalves da Silva, em cujos livros, no meu tempo de estudante, se buscaram as respostas concretas aos problemas que a Escola do Porto tendia a deixar na sombra, em correspondência particular escrevia sobre Lopes Amorim:

"Concordo in