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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Novembro de 2009


Ano XXX - No. 1074 Modesto, California
$1.50 / $40.00 Anual

A magia de Fátima em Thornton

www.portuguesetribune.com www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


2 SEGUNDA PÁGINA 1 de Novembro de 2009

Ideiafix
Miguel Valle Ávila
EDITORIAL miguelvalleavila@tribunaportuguesa.com

Um atentado à imaginação
A Geração “On-Demand”

M
Se esta notícia abaixo descrita enviada pelo Governo Re-
gional dos Açores tivesse sido recebida no dia 1 de Abril,
não haja dúvida que seria uma boa anedota e nós até nos uito tem sido dito e es-
sentíriamos invejosos de não a ter inventado. A realidade crito sobre as diferen-
é que esta notícia é verdadeira. Esta é uma das tais notícias ças das gerações – des-
que são um atentado à pobreza dos Açores, onde ainda de os ‘Baby Boomers’
existem 23 mil pessoas (famílias) a receber o subsídio de (nascidos após a Segunda Guerra
pobreza, que até tem um nome muito airoso. Mundial até aos inícios dos anos
Sejamos justos. Os Açores estão lindos, os Açores evo- 60), a Geração X (1960s a 1980s) e a
luíram imenso em muitos e diversos aspectos, mas ainda Geração Y ou Milénio (após 1980s).
existem bolsas enormes de pobreza e necessidades de ou- Acontece que embora hajam dife-
tro género, caso ainda haja dinheiro da Europa para gastar. renças significativas entre elas, há
Será que não há crise nas Ilhas? Onde está o bom senso! também semelhanças. Na maneira
Estragar ainda mais a bonita Baía de Angra, quando a de abordar a leitura, as diferenças
Praia possui uma doca atlântica, e que continua quase to- são óbvias. Os ‘Boomers’ gostam do
dos os dias vazia e que está à distância de 20 quilómetros, papel (até imprimem as mensagens
não faz nenhum sentido. Esperemos que o povo de Angra de correio electrónico) enquanto os
não aceite tal esmola envenenada, como fez as Velas. X sobrevivem em email mas os Y
já o ultrapassaram; é tudo instânta-
“O presidente do Governo dos Açores disse que a decisão neo para eles – SMS, chat, Twitter,
sobre a construção do cais de cruzeiros de Angra do Hero- Facebook – e procuram gratificação
ísmo está tomada e anunciada há já algum tempo, pelo que rápida ou instantanea. Uma das se-
estranha o teor de notícias vindas a público recentemente.
melhanças é a habilidade de usar
“Não há qualquer dúvida sobre essa matéria, nem há qual-
tecnologia e procurar a informação
quer fundamento num orçamento de 40 milhões, como já cia de esperar no sofá vai acabando. ao ambiente deitar tanto papel fora
ouvi falar”, acrescentou Carlos César, para logo sublinhar a qualquer hora.
E que têm estas diferenças e seme- Hoje em dia temos mais opções que (mesmo que uma percentagem seja
que os estudos encomendados foram-no, exclusivamente, nunca. Quantas vezes passamos pe- reciclada).
na perspectiva de o cais de cruzeiros ser construído na lhanças a ver com a comunicação
social? TUDO! Os jornais, a rádio los 500 canais de TV que subscreve- Quando a revista Time escolheu
baía de Angra do Heroísmo, conforme, de resto, promessa
e a TV ainda não perceberam isso. mos na parabólica ou TV cabo e não como Pessoa do Ano – Você – em
eleitoral do partido que suporta o Governo.
Garantindo que não haverá qualquer alteração da decisão, Usam o mesmo modelo de há 50 ou encontramos nada para ver e dirigi- 2006, já antevia este percurso. Por-
especificou que “a nossa opção é feita pelo ajustamento de mesmo 100 anos em que o/a leitor/a mo-nos ao nosso portátil e passamos que a pessoa mais importante é mes-
um cais de cruzeiros à baía de Angra do Heroísmo, sobre- vinha à sua procura porque eram as horas na Net? E a rádio? Ouvimos mo você, não o director de informa-
tudo na perspectiva da sua comunicação e proximidade únicas alternativas. E acham que es- alguma, no carro, se não tivermos o ção ou programação de uma estação
com a malha urbana, como, aliás, tem sido característica peram sentadinhos na sala para co- iPod ligado porque em casa a iTunes de TV, de rádio ou de um jornal.
das infra-estruturas deste tipo que construímos nos Aço- meçar o seu programa? À excepção já controla o nosso computador e a Você mesmo é que sabe que conte-
res, já no caso de Ponta Delgada, e que estamos, neste mo- dos programas ao vivo – os jogos TV. E os jornais? Quando as notí- údo gosta e prefere e quando o que
mento, a construir, no caso da Horta.” do nosso clube de peito ou da nossa cias chegam ao papel já andaram na ver ou ouvir. São estas as gerações
jose avila Selecção – mas de resto essa paciên- Internet há horas e dias. E faz mal ‘on-demand’.

Year XXX, Number 1074, Nov 1, 2009


COLABORAÇÃO 3

Tribuna da Saudade
Na companhia das pedras
Ferreira Moreno

E
mbora ligeiramente, tenciono domésticos, foi e era tida como sagrada a como Senhora do Pilar, da Penha, da Lapa, III, pg. 32, ed. 1998).
discorrer àcerca da presença da pedra do lar sobre a qual se acendia o lume de Monserrate, etc., não esquecendo o Se- No que diz respeito à Ladeira da Velha,
pedra nas nossas ilhas, revelan- p’ra aquecer e proteger a casa e p’ra cozer nhor Bom Jesus da Pedra, que a gente das em S. Miguel, Frutuoso limitou-se a trans-
do-se-nos através de expressões os alimentos. Com sentido religioso mere- ilhas venera com muita devoção. crever as informações que, ao tempo, lhe
populares, desabrochando em resquícios ce referência a chamada pedra de ara, ou Em S. Miguel, p’ràs bandas do Nordeste, foram fornecidas: “Segundo alguns, foi
supersticiosos e aspectos toponímicos e, seja, a pedra benzida e colocada no altar avista-se a freguesia da Pedreira, e aden- assim chamada porque é tão comprida
cativando-nos com amostras dispersas no p’rà celebração da missa. A este respeito, tro do concelho ribeiragrandense abraça- eíngreme que, se alguma velha a subia ou
adagiário e do cancioneiro. P’rà consecu- e em associação com práticas supersticio- nos a freguesia do Pico da Pedra. À espera descia, fazia muitos pousos. Mas outros
ção deste objectivo vou recorrer, particu- sas, Carreiro da Costa subscreveu: da nossa visita encontram-se as Pedras do afirmam ter este nome porque, no tempo
larmente, aos ensinamentos do saudoso Galego numa das encostas do Vale das antigo, ali morou uma velha viúva, a qual
“Mestre” Carreiro da Costa (Etnologia dos Furnas, e a Rua das vendeu depois aquela fazenda, ficando
Açores, Volume I, páginas 64-70, Edição Pedras na Matriz da a velha o nome dela sem a propriedade”.
1989), a que ajuntarei elementos da minha Ribeira Grande. Na (Saudades, Livro IV, pg. 185, ed. 1998).
lavra. Terceira, além da Rua
Visto que a aparência da pedra é geral- das Pedras na fregue- No entanto, anuindo ao que eu aprendi
mente disforme e dura, deu azo ao uso das sia do Cabo da Praia, quando era miúdo, Carreiro da Costa ob-
expressões pedra dum corisco, pedra de situam-se a freguesia servou: “O povo pretende explicar o caso
lume, dum fogo e dum raio. As pedras nos e o aeroporto das La- da Ladeira da Velha como tendo a sua ori-
bofes assinalam tormento mral, enquanto jes, bem como a Ri- gem no facto duma velha, que ali morava,
pedras no fígado, nos rins e na bexiga in- beira dos Pães, cujo haver morto alguns soldados com o auxí-
dicam enfermidade física. Com pedras na nome, aparentemen- lio de pedras, que fizera rolar por aquela
mão denota atitude agressiva, mau modo, te, provém de várias ladeira, no momento em que eles avança-
falta de respeito e de compreensão. Dar pedras ali espalhadas vam”.
por paus e por pedras é zangar-se descon- que, de longe, asse- Na próxima crónica apresentarei o caso do
troladamente. De fazer chorar as pedras melham-se a pães. frade e o caldo de pedra, de parceria com
aplica-se a uma cena muito comovente. A Graciosa mira-se uma colectânea de provérbios e cantigas.
Estar com a pedra no sapato é andar des- no lugar das Pedras Até lá:
confiado. “O menino que tocar a pedra de ara terá, Brancas, enquanto S. Jorge adorna-se com
Atirar a pedra e esconder a mão evidencia pela vida fora, virtudes especiais, ao passo Pedras Brancas, Pedras Ruivas e uma Pe- Esta rua tem pedrinhas,
dissimular um mal que se frez. que a mulher que a tocar ficará p’ra sempre dreira. Esta rua pedras tem;
Expressões, igualmente curiosas, temo-las estéril. Nas Constituições dos Bispados há No Pico, a Vila das Lajes orgulha-se em Das pedras não quero nada,
em dormir como uma pedra e cair como referências e bruxarias em que entrava a ter sido a primeira povoação da ilha, a pri- Mas da rua quero alguém.
pedras num poço, ser surdo ou mudo como pedra de ara”. meira paróquia e o primeiro concelho. Nas
uma pedra, e ter um coração de pedra. Le- Flores salientam-se a Vila das Lajes e a Meu amor, se tu te fores,
vantar as pedras da calçada é fazer qual- A tradição conhecida pelo nome de Fiéis freguesia Fazenda das Lajes. No Corvo al- Como dizem que te vais,
quer coisa fora do comum. de Deus evoluiu da prática antiga em fazer berga-se a Ponta do Marco, nome dum pe- Deixa-me teu nome escrito
Estar a pedra e cal significa mostrar-se montículos de pedras junto a determina- nhasco em forma de cavaleiro, e em Santa Numa pedrinha do cais.
inquebrável. Andar na pedra-mestra é en- das cruzes, como prova de oração pelos Maria aguarda-nos a Lagem do Barbeiro,
contrar-se bem posto na vida. mortos. Figurativamente a pedra está li- um dos pesqueiros registados por Gaspar
Antes do advento dos modernos electro- gada a diversas invocações marianas, tais Frutuoso nas Saudades da Terra. (Livro
4 COLABORAÇÃO 1 de Novembro de 2009

Da Música e dos Sons


Apontamento
Nelson Ponta-Garça Serafim Cunha
npgproductions@gmail.com scunha98@aol.com

As mais ouvidas A Graciosa em Fase de Mudança

A
pós vários mandatos à abertura à mudança acontecerá a todos os residentes na ilha onde
direita e algum mais à quando a presidência da câma- exerce a função política e admi-
Na lista de músicas mais ouvidas em Portugal este mês, constam esquerda acabou por ra souber compreender e aceitar nistrativa.
muito poucos artistas Portugueses. se dar uma mudança a opinião pública e partidária, e Tal como no resto do país os gra-
governamental na Graciosa o que não se basear somente na opinião ciosenses desgostaram-se da po-
Os Portugueses, em Portugal, estão a par do que se faz nos Estados pode vir a beneficiar a mesma. dos comodistas retrógrados que litica não exercendo o seu direito
Unidos, será que os Portugueses e Americanos fora de Portugal es- A falta de diálogo com a presi- até hoje tem sido pouco constru- de voto, porque os políticos estão
tão a par do que se faz em Portugal? dência do Governo Regional dos tiva ou benéfica para o progresso mais interessados nos seus cargos
Açores e restantes partidos po-
Top “Hit List Portugal” líticos contribuiu para o estran-
gulamento do desenvolvimento
# 1. Britney Spears - Radar
da ilha. Numa ilha de quatro mil
habitantes, com uma população
# 2. Shakira - She Wolf
bastante idosa em que a criação
# 3. Tokio Hotel - Automatic de emprego é mínima só um go-
verno local empreendedor, criati-
# 4. Paramore - Ignorance vo e conhecedor dos seus direi-
tos, aberto a um diálogo honesto,
# 5. Jonas Brothers - Fly With Me construtivo e constate com todos
os partidos políticos na ilha e go-
# 6. Ana Free - Keep On Walking verno regional, pode fazer algo
de produtivo para bem da terra e
# 7. Madonna - Celebration sua população. local. e nas políticas de bastidor que de-
Com um número de votantes tão Quando a ilha era auto-suficien- fendem os interesses dos mais fa-
# 8. Black Eyed Peas - I Gotta Feeling pequeno o consenso político- te, a maioria dos produtos básicos vorecidos/endinheirados do que a
partidário tem sempre que ser era produzida localmente, e até o do povo que ganha o pão de sol
# 9. Angry Odd Kids - Até Morrer feito para bem do progresso da/ transporte (todas as famílias ti- a sol. Mas, o povo está errado.
na ilha, sendo esse o modelo nham um burro) era garantido, Quanto menos votarem mais
# 10. Lady Gaga - Love Game administrativo mais apropriado importava-se somente petróleo e perdem, porque a sua influência
para uma ilha com necessidades derivados, álcool, azeite, sabão no processo político diluiu-se e
# 11. Mika - We Are Golden de desenvolvimento prementes. É e açúcar, mas exportava-se o ex- o poder legislativo será na sua
fundamental que o governo local cedente dos produtos agrícolas, totalidade controlado pelos que
# 12. Beyonce - Sweet Dreams esteja sempre pronto para dialo- gado bovino e vinho o que hoje têm voz. Não podemos perder os
gar com o governo regional ou não é possível. Nessa época a po- direitos que adquirimos em 1974,
# 13. Hannah Montana - Supergirl nacional. Fechar-se ao diálogo, lítica da presidência da câmara vitória de uma luta longa onde
ou não comparecer para dialogar era mínima, só havia um partido muito sangue foi derramado (não
# 14. TT - Não Há Mais Nada é asfixiar o processo democráti- político com voz, pelo que o go- pode ser esquecida a guerra co-
co. Qualquer governo local que verno local tinha que seguir úni- lonial), muita gente foi encarce-
# 15. Arctic Monkeys - Crying Lightning não participa no processo políti- ca e exclusivamente a filosofia da rada nos melhores anos da vida
co regional, só perde, assim per- ditadura salazarista. Hoje vive-se para defender esse direito. Não o
# 16. Coldplay - Strawberry Swing dendo também o povo da ilha e o numa democracia em que todos podemos perder. Os graciosenses
progresso da mesma. têm voz activa, o que, obriga o têm que voltar a ser participató-
# 17. Jay-Z FT Rihanna and Kanye West - Run This Town Não é só com a mudança de par- presidente da câmara a saber dia- rios e activos no processo político
tido na presidência da câmara logar, persuadir, moderar e criar e governamental para que a sua
# 18. João Só e Abandonados - Meu Bem que algo de imediato vá mudar consenso e protocolos com todos voz não desapareça para sempre
a dinâmica da ilha, já que a re- os partidos, empresas e organi- na Graciosa, nos Açores ou no
# 19. Bob Da Rage Sense FT New Max - Conheço-te De Algum sistência à mudança pelos seus zações privadas para consolidar País.
Lado? defensores não vai ser fácil. A um mandato que seja proveitoso

# 20. Flo-Rida Ft Nelly Furtado – Jump

A nível de projectos em Portugal, há que destacar o projecto “Ama-


lia Hoje” e o tema “Gaivota”, o Grupo “João Só e Abandonados”. E
para aqueles mais distraidos, a MTV já chegou a Portugal com um
Agradecimento
canal de TV “MTV Portugal”.

Nascimento
A Mia Ashley
Teixeira Silva,
nasceu no dia 9 de
Outubro de 2009

Seus orgulhosos
pais são a Paula
e o Marc Silva,
residentes em Fre-
mont, California.

Os felizes avós são:

Fatima e Duarte
Teixeira, de Newa- Honorino e Rosinda Andrade, do ram, mas por razões diversas se dao da California.
rk, CA e Adelina Faial, vem por este meio agra- tornou impossível estar com eles Quando chegar o inverno aos
da Silva, de San decer todas as gentilezas que os todos. Açores e as noites mais longas,
José, CA. seus amigos e familiares tiveram Prometem regressar um dia com sentar-se-ão a ver as muitas fo-
com eles, aquando da sua curta mais tempo, afim de poderem sa- tografias que tiraram, revendo
Tribuna Portugue- estadia na California neste verão tisfazer tantas amizades. amigos e lugares, que nunca mais
sa congratula todas de 2009. Levam o coração cheio de ami- se esquecerão.
as famílias. Também gostariam de agradecer zades e os olhos cansados de ver Um grande abraço de saudade
a todos aqueles que os convida- tanta beleza neste Estado Doura- dos amigos Andrades.
COLABORAÇÃO 5

Muito Bons Somos Nós Abram alas para o Noddy


Joel Neto Hoje em dia, há muito mais emoção numa só corrida de Daytona, disputada numa
pista oval apenas com curvas à esquerda, do que numa época inteira de fórmula 1.
neto.joel@gmail.com Para se sentir a verdadeira emoção de uma corrida de fórmula 1, aliás, o melhor é ir
à PlayStation.

C
hamem-me bárbaro, semana de 1994, e que tanto pre- aos nove anos e, aos 20, já com quando bate na parede. Levanta- dois fora da corrida. Alain Prost,
se quiserem: também judicou a modalidade na relação as diuturnidades todas, está na se, sacode-se e pronto.” Resulta- que no meu tempo era um chato,
eu, para ser honesto, com os patrocinadores, exigia a fórmula 1. Basta haver, lá no país do: este longo bocejo em que se hoje seria um maluco. Em vez
acho que a melhor coi- tomada de medidas de segurança. dela, uma gasolineira disposta a tornou o campeonato do mundo, dele, temos estes manguinhas de
sa que aconteceu à fórmula 1, nos Mas não era preciso, depois dis- comprar o lugar. de resto com metade das audiên- alpaca, com esposas na banca-
últimos anos, foram estes dois so, ter aproveitado cada acidente Nem sequer sou eu que o digo: cias de TV que tinha, por exem- da e conta poupança reforma no
acidentes de Filipe Massa e Tim para assemelhar um pouco mais plo, nos anos 80. banco. Já nem sequer há estrelas,
Glock. Furioso comigo (e com os carros a tanques do exército. Que o português com pretendentes espalhadas
os que, antes de mim, já haviam Schumacher bateu em 1999 – e aí Álvaro Parente pelos quatro cantos da pista e
celebrado ambos os despistes, vieram mais uma série de protec- esteja a caminho paparazzi comprados para calar
embora igualmente contentes por ções, de limites, de conselhos. Ir- da modalidade, a boca. Que diabo: nem sequer
não ter havido vítimas), o anti- vine e Burti bateram em 2001 – e portanto, é coi- com Lewis Hamilton, que é mes-
go campeão Nelson Piquet iro- de novo surgiram mais barreiras, sa que não atra- tiço como Barack Obama e Tiger
nizou: “É sempre assim. O que amortecedores e isolantes. sa nem adianta. Woods, a fórmula 1 conseguiu
este povo quer é acidentes.” Está Hoje em dia, há muito mais emo- Mais valia ir jo- criar uma verdadeira estrela.
certo e está errado. Certo porque, ção numa só corrida de Daytona, gar à bola, onde Ainda bem que Filipe Massa e
muito de vez em quando, nós pre- disputada numa pista oval apenas ao menos há Tim Glock estão bem e não tar-
cisamos efectivamente de ver um com curvas à esquerda, do que gente que parte dam em pista de novo. Eles são
acidente. Errado porque não é do numa época inteira de fórmula 1. pernas – onde há os heróis possíveis do tempo
acidente propriamente dito que Para se sentir a verdadeira emo- risco e há heróis, mais penoso daquele que já foi
nós, meninos da mamã, precisa- ção de uma corrida de fórmula 1, é Niki Lauda, que venceu três onde há glória e há lenda. um desporto apaixonante. Já ago-
mos: é de uma prova cabal de que aliás, o melhor é ir à PlayStation. campeonatos do mundo nos bons Quer dizer: Jenson Button? Se- ra, no entanto, bem podíamos ter
a fórmula 1 ainda é um desporto Na vida real, só há aquilo: carri- tempos. “A fórmula 1, antigamen- bastian Vettel? São esses os no- poupado a irradiação a Briatore,
arriscado. nhos atrás uns dos outros durante te, era para homens. Nós saíamos vos ícones do automóvel? Pelas o mandante do tal crime de lesa-
O próprio nome o indica: “fór- duas horas, com um nadinha de do hotel e deixávamos instruções almas: eu sou do tempo de Ayrton burocracia. Ele era Dick Dastar-
mula 1” é a primeira de todas as vertigem na partida, um ligeirís- sobre quem deveria ir buscar as Senna e de Nigel Mansell. Sou do dly, o patife que, com ou sem o
fórmulas, a maior de todas as ca- simo frisson nas boxes – e depois nossas coisas no caso de não vol- tempo em que os campeonatos seu infiel cão Mutley, ainda ia
tegorias de corridas de automó- tudo ali em fila indiana de novo, tarmos”, disse há uns meses, ao se decidiam na primeira curva transformando a fórmula 1 num
veis. Deve ser arriscada, perigo- sem ultrapassagens, sem despis- comentar um acidente provocado do último grande prémio, com o desporto minimamente imprevi-
sa e aspiracional, se não não é a tes, sem abismo. Basicamente, por Nelsinho Piquet a pedido do líder da classificação a atirar-se sível. Agora, e em vez das “Cor-
primeira coisa nenhuma. Sim, é ser piloto de fórmula 1, agora, é anti-Cristo Flavio Briatore. “Hoje impune para cima do segundo ridas Loucas”, temos uma série
verdade: a morte de Senna e Rat- como ser funcionário público. em dia, os carros são demasiado classificado (como fizeram Sen- de “Noddys” ao volante dos seus
zenberger num mesmo fim-de- Uma pessoa começa nos karts seguros. Já ninguém se assusta na ou Schumacher), colocando os táxis amarelos.

No Monte da Ajuda Crónicas Terceirenses


Victor Rui Dores
com a lua em directo victor.dores@sapo.pt

Q
uando vi televisão pela primei- em voga: Pardal da banda desenhada, tipificava isso alguma curiosidade. Não o li até ao fim
ra vez foi logo para assistir à Lua, ó lua, querem-te passar p´ra trás mesmo. porque, entretanto, enveredara pela Via-
chegada do primeiro homem à Lua, ó lua, querem-te roubar a paz O Arcelindo, nobre vagabundo, é que não gem ao Centro da Terra, cuja leitura se me
Lua. Lua que no céu flutua acreditava na alunagem e ia resmungan- tornara mais apetecível, pois imaginava-
Graças ao engenho técnico do sr. Ramos Lua que nos dá luar do: me a descer à Furna do Enxofre da minha
(que do alto do Monte da Ajuda, na vila de Lua, ó lua, não deixa ninguém te pisar. -Qual lua, qual carapuça! Aquilo é tudo Graciosa ilha. E, deste modo, percebi mui-
Santa Cruz da ilha Graciosa, sintonizava a to melhor o que estava a ler.
“Base dos Americanos” e as Canárias), vi, Naquele tempo eu desconhecia que o espa-
a preto e branco, aquelas imagens irreais e ço estava a ser disputado pela União Sovi-
etéreas: Neil Armstrong a sair do módulo ética e pelos Estados Unidos da América.
lunar da Apolo XI, descendo por uma es- Eu sabia o que era a América porque era
cada, a inscrever a marca da bota esquer- de lá que vinham as encomendas bem per-
da sobre a superfície lunar, e a pronunciar fumadas que a minha tia Alda enviava a
a frase que ficaria célebre: “Um pequeno partir de Boston. Mas desconhecia de todo
passo para um homem, um salto gigantes- a realidade da União Soviética. O sr. Ra-
co para a Humanidade”. mos é que nos explicou que o sucesso da
O astronauta (após espetar, no solo lunar, missão Apolo XI era o culminar de todo
a estaca com a bandeira norte-americana) um trabalho que havia sido iniciado pelos
parecia-me uma criança em dia de festa, russos. E falou da cadela Laika que viajara
caminhando aos saltos, naquele mar de a bordo da nave espacial “Sputnik” e do
tranquilidade. astronauta soviético Yuri Gagarin, o pri-
Estava eu longe de imaginar que aquele meiro homem a ser lançado no espaço...
dia, 20 de Julho de 1969, assinalava a con- ………………………………………………
cretização de uma quimera e de um velho ………………………………………………
sonho de séculos. Nem pensava sequer ………………………………………………
que, naquele momento, pelo menos 600 …………
milhões de pessoas em todo o mundo se- Passaram-se 40 anos. E a Lua continua a
guiam, com o coração nas mãos, os movi- atrair a atenção do homem, mas já não é
mentos de Neil Armstrong, Edwin Aldrin mentira dos americanos! assunto para a poesia e muito menos para
e Mike Collins. Mas agora a Lua era pisada pela primeira -Vê se te calas, Arcelindo! – dizia, com be- a ficção científica. (Recorde-se que o fran-
Ali, numa das casas de veraneio do Monte vez e, no pequeno écran, surgia-nos despi- nevolência, o sr. Ramos. cês George Meliés, pioneiro do cinema, ao
da Ajuda, sentados no chão, nós assistía- da de véus românticos. O pior era quando a Estávamos a ver a Lua em directo, a rodar, em 1902, o filme “Le voyage dans la
mos, atentos e incrédulos, àquele aconte- imagem saltava e se transformava em arre- 384.405 km do nosso planeta. Eu assistia, Lune”, já demonstrara que não eram mui-
cimento universal. liadora “chuva”, o que causava o desagra- sem saber, a uma das maiores realizações to precisas as fronteiras entre o real e a
De resto o Monte da Ajuda sempre fora do e o descontentamento da assistência… da humanidade, a partir do Monte da Aju- ficção).
um local de iniciação, por excelência. Era Mas lá estava o sr. Ramos, com laboriosos da. Nos dias que correm, a NASA (National
lá que, às escondidas, trocávamos os pri- cálculos e gestos precisos e preciosos, a Da Lua eu sabia apenas os nomes das suas Aeronautics and Space Administration)
meiros beijos e fumávamos os primeiros rodar a enorme antena, direccionando-a fases que o professor Louro nos ensinara prevê instalar bases permanentes na Lua.
cigarros… Era lá que punhetávamos as para a linha do horizonte. E os aplausos na escola: Lua Cheia, Quarto Minguante, E, num futuro próximo, serão efectuadas
urgências do desejo… Nas noites quentes rompiam quando, por momentos fugazes, Lua Nova, Quarto Crescente. viagens turísticas àquele astro.
de lua cheia, íamos para lá namorar. Con- a imagem ficava nítida… Meu pai possuía toda a colecção No dia em que o homem chegou à Lua, eu
templávamos a vila e escutávamos o mar e Duas décadas antes do aparecimento da dos livros de Júlio Verne, autor que ele me estava no Monte da Ajuda a ver televisão
o canto das cagarras. Volta e meia cantá- televisão nos Açores, aquele era um tempo incitava a ler. O título de uma dessas obras pela primeira vez.
vamos uma canção brasileira, então muito de experimentações e de experimentalis- era precisamente Da Terra à Lua (escrito A caixa mágica dos sonhos que mudou o
mos… E o sr. Ramos, qual outro professor em 1865) e que havia despertado em mim mundo, mudou também a minha vida.
6 PATROCINADORES 1 de Novembro de 2009

Quem é
quem na
NOPA is a national non-profit organiza- Santa Clara Council of Luso American
tion that was recently established to serve Fraternal Federation, Member of Santa
the Portuguese-American community. Clara County Association of Realtors, Ca-
lifornia Association of Realtors, and the
Chairman: Dr. Arcindo B. Santos National Association of Realtors.
After working as an engineer for the Ca-
lifornia Public Utilities Commission in Treasurer: Antonio Ferreira
1983, Arcindo received his PhD in Mecha- Tony manages vital operations that sup-
nical and Environmental Engineering in port Freddie Mac’s investment portfolio,
1988 from the University of California at transactional accounting across all busi-
Santa Barbara, California. He went on to ness units and cash management functions
become Assistant Professor at the Royal and control. He is responsible for the pro-
Institute of Technology in Stockholm, cessing of all Trading Transactions and the
Sweden, until 1993. Besides teaching and Middle Office groups that controls trade
publishing he was a leader in the areas of confirmations and position blotters. He is
R&D in waste incineration, energy pro- also responsible for clearing and custody
duction from renewable fuels and pollu- functions, treasury management, single
tion control. During part of that period he family loans and securitization, Transac-
also worked as Technical Director of the tion Accounting for Investment and the
Center of Biomass for Energy in Coim- month-end operations close. Tony joined
bra, Portugal, serving as a liaison for Freddie Mac in 2006, bringing over 25
public-private bioenergy projects within years of experience gained from opera-
and between Portugal and other Europe- tions leadership roles in middle and back-
an countries. Since 1993 he has worked office functions supporting all aspects of
at the Inter-American Development Bank Capital Markets activity. He has extensive
in Washington, DC as an environmental knowledge of mortgage and asset-backed
protection specialist and as task manager securities, debt and derivatives services,
CASAL OFERECE-SE PARA TRABALHAR for urban and municipal development pro- transactional accounting and banking ser-
em limpesas, quer em casas particulares jects in Latin America and the Caribbean. vices.
He has served the Portuguese-American
ou em escritórios. community during his tenure at PALCUS They also have some volunteers who will
Contactar 209-664-0352 as one of the organization’s original board be providing services and well-known in-
members. Arcindo became a citizen of the dividuals from our US-wide Portuguese-
United States in 1991; he speaks English, American community who have expressed
LÍDER DO FUTEBOL Portuguese, Spanish, French and Swe-
dish.
interest in supporting the organization.
Francisco Semião will be serving as
Executive Director and bringing years of
Vice-Chair: Jason Moreira experience in non-profit management and
AGORA PODE VER A LIGA Jason is the Legislative Assistant for Le- fundraising to oversee operations.
ESPANHOLA NO ESPN gislative Affairs, National Policy at The
LIGA PORTUGUESA Center on Budget and Policy Priorities, Francisco Semião is the son of a Portugue-
one of the nation’s premier policy orga- se immigrant and was born and raised in
NA RTP E SPT NO PACOTE nizations working at the federal and state the Washington, DC area. He is a health-
LUSO $24.99 levels on fiscal policy and public programs care and public health professional having
that affect low- and moderate-income fa- graduated from Marymount University’s
RTP $4.00+100 CANAIS TURBO BRONZE $19.99 AO MÊS milies and individuals. At the Center he is School of Business Management and the
Especial válido por 12 meses responsible for monitoring bills and floor/
committee actions in the House and Sena-
George Washington University Scho-
ol of Public Health and Health Services.
Instalamos de 1 a 4 Tv’s com contrato de 2 anos te, conducts lobbying visits with members Francisco has over ten years experience
ANTENA ESPECIAL SÓ PARA A RTP E RADIO E and staff, preparing Hill related charts and working in non-profit healthcare manage-
target lists, drafts communications to the ment through his tenures with The Natio-
CANÇÃO NOVA Hill, responds to Hill requests for infor- nal Council of La Raza, DC Department of
COMPRE A ANTENA E NÃO PAGA NADA POR MÊS mation, covers congressional hearings and Health, Inova Health System, and The Ge-
LIGUE AGORA MESMO PARA LUCIANO COSTA meetings, prepares daily Congressional orge Washington University Medical Cen-
Record summaries and semi annual lo- ter where he is currently a Director of De-
1-559-435-1276 CELL 1-559-347-8257 bbying disclosure reports, and distributes velopment. He has also served on several
policy analyses to Congressional and Ad- non-profit boards and has the distinction
Falamos Português ministrative contacts. Jason has served the of founding the DC Cancer Control Coali-

COSTA ELECTRONICS Portuguese-American community during


his tenure at PALCUS as the organization’s
tion, which is now an independent 501 (c)
(3), with funding he sought from the CDC,
DEALER AUTORIZADO DO DISH NETWORK first Associate Director. He holds a B.A. in and he was awarded $3 million to establish
English from the University of Maryland DC’s first city-wide patient navigation pro-
at College Park. gram and over $20 million in Federal and
foundation grants since 2002. His honors
Secretary: Mary Jo Rodrigues include being inducted into the Upsilon
Mary Jo was born in Pico, Azores and im- Phi Delta Honor Society in Health Care
migrated to San Jose, California at the age Administration, the Delta Omega Honora-
of 12. She graduated from Peter Burnet- ry Society in Public Health, the Delta Ep-
te and San Jose High School with honors, silon Sigma National Honor Society, and
graduated from Mission College with an he is also the recipient of the George Wa-
Associate of Arts, on the Dean’s List, and shington Alumni Association Award. In
graduated from San Jose State University, 2007, Francisco received the royal order of
with a Bachelors of Science in Business knighthood from HRH Dom Duarte, Duke
Management in the Marketing Field. Mary of Bragança, for his work and service with
Jo had an extensive career with Hewlett the Portuguese-American community.
Packard with a total of 21 years of servi-
ce in Human Resources and has been the For more informations about NOPA please
Director of Sales (West Coast) at the Luso call 703-389-3512.
American Life Insurance Society since
April of 2009 after serving as Executive

Assine o Tribune e fique informado Director of the Portuguese Organization


for Social Services and Opportunities for
three years. She has also served on the
do que se passa na Comunidade Board of Directors of Santa Clara Sister
Cities as Secretary of the Mountain View/
COLABORAÇÃO 7

Rasgos d’Alma
Luciano Cardoso
Lágrimas verdes
lucianoac@comcast.net

D
e conversa pegada corrigido e pronto a enviar para peca quando passa dos limites.
há dias com o meu já daqui a pouco – vou ter que Estou-me a referir – tá claro – à
compadre de oficio recorrer ao meu futebólico ins- desesperada tentativa de recrutar
cá das nossas migra- tinto, que não me deixa ignorar adeptos a torto e a direito.
das páginas, confessava-me ele o que acabo de ver e me força a Ora, digam-me lá se tenho ou
todo bem disposto ácerca do seu comentar de ânimo leve. não razão?
apreciável grupo de conterrâne- Não se trata de politica nem de Chegou-me há dias aos ouvidos
os que se reunem regularmente religião. Embora ambas me ofe- o ridiculo zunzum de que estas
pelo simples prazer de convive- recam motivos de sobra para me adoráveis criancinhas aqui foto- Reacções dos miudos quando descobriram que os pais os tinham inscrito
rem a recordar os bons velhos fazerem chorar. grafadas, habitualmente porta- como sócios do Sporting

tempos. O certo é que as profusas lágri-


“Regra sagrada nestes informais mas destas mimosas crianças
convivios só há verdadeiramen- retratadas aqui nas fotos até aca-
te uma que todos normalmente bam por me darem vontade de
respeitam e ninguem se atreve a rir.
transgredir”, diz-me ele. “Nin- E vou ser breve.
guem está autorizado a falar so- Toda a gente sabe que a minha doras de encantadores sorrisos,
bre religião, politica ou futebol”. côr futebolistica em Portugal é a desataram todas a chorar mal
Convidou-me para o próximo do Benfica, o maior clube nacio- souberam que os seus fanáticos
mas, para falar verdade, não sei nal em termos de titulos, adeptos papás as tinham inscrito uma
se me conseguiria aguentar sem, e não sei que mais. a uma como infantis sócias do
indevidamente, “meter a pata na O magnânimo esforço do seu Sporting Club de Portugal.
poça”. Não é por mal, só que são rival histórico, o Sporting (por Se isto é verdade…é mesmo de
já muitos anos de maus hábitos. acaso, a passar por um mau bo- fazer chorar. Mas, se não é, por
Tenho a certeza de que se tivesse cado…ora devido aos árbitros, á favor, mandem-me dizer.
de me abster de uma, ou mesmo relva ou ao azar, que não o deixa
de duas…ainda vai que não vai. ganhar…) para lhe “chegar aos
Das três, porem, não posso pro- calcanhares”, tem sido notório
metê-lo a ninguem. ao longo dos anos. Em titulos,
Nem mesmo a escrever, me atre- não vai ser fácil. Em adeptos,
vo a fazer a promessa. tambem duvido muito que che-
Hoje, por exemplo, porque ainda gue lá. Mas, em todo o caso,
não tenho tema e o José Avila será sempre de louvar essa ingló-
precisa que eu o tenha – escrito, ria persistência que, de facto, só
8 PATROCINADORES 1 de Novembro de 2009
COMUNIDADE 9

Presença Portuguesa no Homecoming


da Escola Tulare-Union
É
uma tradição nas escolas secun-
dárias no estado da Califónria,
ter-se a semana do Homeco-
ming. É um evento em que cada
clube estudantil é convidado a apresentar
uma candidata a qual concorre, através de
várias actividades realizadas ao longo da
semana, para o título de “Homecoming
Queen”.
Tal como nos anos transactos a associa-
ção estudantil SOPAS apresentou a sua
candidata, a aluna Vanessa Gomes. O
tema eram culturas do mundo, focando
nas culturas grega, chinesa, irlandesa e
jamaicana.
É cada vez mais importante que nestes
eventos escolares, lá estejam os nossos
alunos e as organizações estudantis luso-
americanas. É mais um passo na nossa
presença no mundo norte-americano.

Oxalá que estas manifestações sejam se-


guidas por todas as escolas onde se ensina
Português.

Esquerda: Vanessa Gomes e os seus amigos de Tulare

COMUNICADO
O Consulado-Geral de Portugal em entidades, que apresentem projectos Para quaisquer informacões sobre 3298 Washington Street - San Francis-
San Francisco apresenta os seus me- relevantes e de interesse para a nossa estes apoios, os interessados podem co California 94115 -
lhores cumprimentos e tem a honra Comunidade. entrar em contacto com o Consulado- Tel (415) 346 3400
de comunicar, a pedido da Direcção As candidaturas devem ser apresenta- Geral de Portugal em San Francisco, Fax (415) 346 1440
Regional - Açores, que à semelhança das à Direcção Regional dos Açores pelo telefone 415-346-3400.
do sucedido em anos anteriores aquela no período compreendido entre 15 de O Cônsul-Geral
Direcção Regional promove em 2010 Outubro e 15 de Dezembro do ano an- San Francisco, 13 de Outubro
apoios a organizações / associações / terior à execucão do projecto. de 2009. António da Costa Moura
10 COLABORAÇÃO 1 de Novembro de 2009

Reflexos do Dia–a–Dia
Saudar a Tulare-Angra
Diniz Borges
d.borges@comcast.net
Sister City Foundation

H
á cerca de 125 anos que os aço- as outras culturas que compõem este mag- Como se sabe, temos 9 unidades do ensino as nossas organizações culturais, recrea-
rianos, e seus descendentes, nífico mosaico humano que é o estado da secundário no estado da Califórnia com tivas e sociais junto dos jovens e junto do
fazem a sua casa na zona de Califórnia. cursos de língua e cultura portuguesas. corpo docente das escolas, todas elas com
Tulare, no centro-sul do Vale No momento em que a Tulare-Angra Sis- São poucas, bem o sabemos. Porém esses centenas de professores, administradores
de São Joaquim. São várias as cidades, ter City Foundation está realizar mais uma são outros reflexos. O que é certo é que, na e pessoal de apoio.
pequenas e médias que compõem esta das suas reuniões anuais, que também é Califórnia, temos 9 localidades do mundo Tudo isto e fazível, e com a colaboração de
zona de luso-descendentes. De todas es- uma celebração cultural, a qual acontece norte-americano com milhares de alunos, todos não é assim tão difícil como se pos-
sas cidades, e pequenas povoações, como a 12 de Novembro, há que saudar esta or- professores e pessoal de apoio onde lá está sa pensar. Na pequena e pacata cidade de
Tipton, Laton, Riverdale, etc. A cidade ganização pelo seu empenho e pelo seu di- a nossa língua e a nossa cultura. São lo- Tulare, algumas destas iniciativas já são
que tem maior número de organizações namismo na promoção do identidade lusa cais previlegiados para se expor e viver o parte integrante do ano escolar. São feitas
e eventos conotados com a cultura por- além das paredes comunitárias. Há ain- nosso legado cultural. É que não se pode com muito trabalho, particularmente nos
tuguesa, é, indubitavelmente, a cidade de da que saudar a Tulare-Angra Sister City ficar apenas pelos alunos que aprendem a primeiros anos, porque, aqui também te-
Tulare. Foundation por, num momento em que ou- nossa língua e a nossa cultura, o que já aí mos os “ Velhos do Restelo”. Alguns até
Esta é também a cidade irmã de Angra tras organizações em Tulare desprezaram seria bastante saudável. Há que investir nem são assim tão velhos em idade, mas
do Heroísmo, uma geminação com mais a cultura mais erudita, ter tido a audácia numa almalgama de actividades que aca- em pensamento são, infelizmente, mais
de 40 anos de existência, quase 43 anos. de a receber, de a promover, trazendo à bem por ir além das aulas de língua e cul- velhos que a salve-rainha. O que temos
Uma geminação que tem durado porque comunidade, e ao mundo americano em tura portuguesas e façam das associações feito tem sido pouco, e por vezes muito
foi criada com base no indiscutível facto geral, um outro conhecimento sobre a cul- de estudantes lusos, que existem nessas mais doloroso do que arrancar um den-
da cidade de Tulare (e zonas circumvi- tura portuguesa. Cultura que não pode mesmas escolas, verdadeiros centros de te. Mas pouco a pouco as organizações
zinhas) ser uma das zonas da Califórnia ficar circunscrita à festa do santo popular promoção cultural. Chegou o momento começam a entender que estes protocolos
com grande número de emigrantes e luso- ou ao ocasinal jantar-dançante. Um termo de “aproveitarmos” este mancial de gen- são feitos apenas com uma intenção: pro-
descendentes com raízes na ilha Terceira tão absurdo que ainda gostava de saber te nova: os alunos, e de gente de todas as mover a nossa cultura, toda a nossa cultu-
ou na vizinha ilha de São Jorge. E esta quem o inventou. idades: os corpos docentes e o pessoal de ra, junto das populações mais novas e jun-
não foi uma geminação de ocasião, nem É que, nem só de torremos e sopas vive apoio, para expandirmos a nossa presença to do mundo americano. As organizações
de qualquer oportunismo ou exibicionis- uma comunidade. portuguesa no mundo americano. que ainda não compreenderam, e talvez
mo individualista. Foi criada uma fun- Acho que as forças vivas (ou moribundas, jamais compreenderão, é, simples e unica-
dação, que com os altos e baixos próprios Porque estes reflexos são hoje virados para consoante a perspectiva) das nossas co- mente, porque estão mais ao servico dos
de qualquer organização desta natureza, as nossas comunidades, mais directamen- munidades ainda não compreenderam o egoísmos pessoais dos seus inábeis corpos
tem sido uma força viva na presença e na te para a comunidade onde vivo e trabalho, tesouro que é termos, na cidade onde vi- directivos do que dos seus objectivos ou
promoção da cultura portuguesa no cen- gostaria de incidir um pouco mais sobre vemos e trabalhamos, escolas secundárias dos seus estatutos. Aliás, como hoje é tão
tro da Califórnia. A Tulare-Angra Sister a relevância da nossa presença no mundo do ensino oficial americano com cursos comum perguntar-se aos legisladores se já
City Foundation, este ano sob a hábil pre- que nos rodeia. É que tantas vezes, nós de língua e cultura portuguesas. É que à leram a lei que vão debater ou votar nos
sidência da dinâmica Carmen Pinheiro, é imigrantes, ou luso-descendentes, somos volta dessas escolas, em torno dessas au- seus respectivos hemiciclos, não seria má
a única organização ligada à comunidade conhecidos, na sociedade em que vivemos, las, em colaboração com esses professores ideia perguntar-se aos responsáveis das
portuguesa, que em Tulare, ainda pro- nas nossas pequenas ou grandes cidades, de português, e as respectivas associa- nossas organizações se já leram os estatu-
move lançamentos de livros, exposições, pelo grupo étnico que faz uma, ou várias, ções de alunos, poder-se-á criar um con- tos das organizações que dirigem.
sessões de poesia, palestras sobre a nossa grandes festas em cada ano, nos nossos junto de actividades que ao interligarem Há que admitir-se que com esses não vale
cultura e organiza a visita da vasta maio- salões e nas nossas paróquias. Porém, a comunidade à escola, fazem com que a a pena gastar-se muito tempo. Até já se
ria das entidades públicas vindas de Por- salvando-se raras excepções, não fazemos comunidade esteja no cerne da sociedade gastou mais linhas do se deveria nestes
tugal, aquelas que desejam conhecer um parte da grande sociedade americana. E que a rodeia. Chegou o momento de se reflexos. É que, diga-se o que se disser,
pouco do estado da Califórnia e das várias isso acontece, variadíssimas vezes, porque criar eventos culturais nessas escolas que esses vão sempre estar ao serviço dos seus
comunidades que aqui existem. não temos veículos para o fazer, outras, tenham uma forte componente da nossa interesses pessoais, usando as suas posi-
A Tulare-Angra Sister City Foundation porque gostamos que as nossas “coisas”, comunidade. Temos que promover mais ções para se promoverem ou desenvolve-
é, em Tulare, uma organização activa e sejam, somente nossas. Entretanto, com a acontecimenots culturais nessas escolas, rem as suas iniciativas privadas em detri-
vai muito além dos periódicos intercâm- americanização das nossas comunidades, mais sessões de esclarecimento para os mento do bem comum.
bios usuais neste tipo de movimento. A algo que mais cedo ou mais tarde teremos pais, serões de poesia, de teatro, de cine- Há sim que trabalhar com quem compre-
Tulare-Angra Sister City Foundation tem que aceitar, é imperatico que tenhamos a ma e de literatura. ende que as comunidades de hoje não são
tido sido uma força relevante na promoção afoiteza de tomar o próximo passo: tor- Temos que fazer protocolos com as nos- as mesmas de ontem, o que felizmente se
da identidade e cultura portuguesas além nar as nossas celebrações culturais parte sas associações, algumas das quais estão começa a compreender um pouco por todo
do nosso pequeno mundo comunitário. integrante do mundo norte-americano e em situação financeira que lhes permite o lado. Há que, acima de tudo, não estra-
Aliás, os estatutos da própria organiza- utilizar os mecanismos do mesmo mundo apoiar estas actividades únicas. Há que gar este momento da nossa história. É um
ção exigem que as sucessivas direcções para promover o nosso legado cultural. E trazer as bandas de música, o Carnaval momento único e se o negligenciarmos,
se esforcem para que a cultura portuguesa é nesse sentido que gostaria de reflectir (quando este não está cheio de palavras ficará tudo perdido.
esteja presente no mundo que nos rodeia, sobre um dos veículos mais fáceis, e mais inadequadas e estereótipos desnecessá-
para que a cultura portuguesa seja reco- eficazes, para se promover o nosso legado rios), os nossos empresários, as nossas
nhecida e esteja em pé de igualdade com cultural: as escolas do ensino secundário. publicações, a nossa comunicação social,

Memorandum
João-Luís de Medeiros
Breve Conversa Política(*)
jlmedeiros@aol.com

(*) O eleitorado açoriano já recolheu a Mas deixemos tal análise para quem vive apóstolo ao serviço político do futuro dos .../.../....
quartéis. Parabéns. Missão cumprida! perto dos acontecimentos. Para nós, imi- Açores, em quem se aposta confiadamen-
Incumbe-me o indeclinável dever de pre- grantes, geograficamente arredados das te... Mas, afinal, há boa gente nos Açores? Cla-
venir o estimado leitor de que os excertos escaramuças psico-políticas do quotidiano ro que sim... e da boa cepa portuguesa.
abaixo transcritos foram extraídos ipsis do governamentalismo açoriano, resta-nos .../.../... Mas um governo não é uma” ultreia” de
verbis do Memorandumpublicado nas uma breve palavra de solidariedade face à crentes, tal como a Assembleia Regional
páginas de opinião do “Açoriano Orien- renovação lenta mas irreversível que acre- O PSD/A está para Autonomia como o ca- não é um clube de amigos! Aliás, uma das
tal”, de 12 de Junho de 1987. ditamos estar em curso nas ilhas. tolicismo está para o Cristianismo – isto tarefas do parlamento regional deveria ser
Resta-me agora confiar na capacidade de No próximo dia 19, compatriotas nossos é, o PSD/A é cada vez mais aquela insti- a de inaugurar jornadas pedagógicas anti-
quem queira extrair comparações curio- irão eleger os novos deputados à Assem- tuição preocupada com os seus rituais go- medo... face à atmosfera jesuitocrática que
sasentre as exiguidades do menu cívico bleia da República. Sem o menor laivo de vernamentalistas, suas inaugurações paro- parece reinar nos Açores (.../...) estar na
da minha geração e o “rancho-geral” paternalismo, seja-nos porém permitido quiais, suas ceias, seus judas (que nunca Oposição não é um modo de vida – é um
partidário generosamente servido aos re- concorrer com alguma reflexões concer- chegam a valer os clássicos 30 dinheiros) compasso de espera!
crutas democráticos da actualidade... nentes ao momento político em curso. – esquecendo o aspecto essencial da Auto- Ninguém duvida que a Administração
Obrigado. Como nem todos somos iluminados para nomia Democrática... regional fez coisas, algumas bem feitas.
dar respostas às questões do momento, ( ...) por outro lado, e no âmbito açoriano, Em politica, o que interessa frizar é o ba-
.../.../... tenhamos ao menos a coragem necessária o Partido Socialista é uma saudade! lanço final duma obra. Na última década
para aprender a fazer perguntas. Um luto! É evidente que não desejamos (1977/87) foram largos os milhões de con-
As próximas eleições de 19 de Julho (1987) Afinal, quem merece ser eleito deputado? escorregar na gratuitidade de inventariar tos usados pelos responsáveis do PSD/A.
irão funcionar como uma espécie de ple- Que garantias de seriedade política, de grosseiramente os responsáveis próximos De facto, se não houve nos Açores a repe-
biscito ao governo há pouco censurado na resistência às múltiplas solicitções do car- e remotos por tal crise. Manda a verdade tição das excentricidades de um Dom João
Assembleia da República. A nível Açores, go nos oferece este ou aquele candidato? dizer que a emoção militante de muitos V, isso não ficou a dever-se nem aos cuida-
os eleitores tradicionais do PSD irão en- (.../...) caros companheiros das ilhas atlân- dos seus dirigentes experimenta enormes dos da Oposição nem sequer à Delegação
frentar um significativo dilema: contribuir ticas: não é um tenor que se envia ao Par- dificuldades em aceitar as normas da pra- Regional do Tribunal de Contas...
ou não para o reforço da política do pro- lamento – é um cérebro democraticamente xis política de teor inter-classista. O Parti-
fessor Aníbal Cavaco Silva. A não ser que educado; não é uma presença fotogénica do Socialista é um fenómeno que será... (*) Fall River, Massachusetts
prefiram engrossar o rol dos abstencionistas... (ou telegénica) que se encomenda – é um Junho, 1987.
COLABORAÇÃO 11

Temas de Agropecuária
Agropecuária - como é que esta
Egídio Almeida
egidioisilda@charter.net indústria está a andar para trás

E
ste vai ser um ano inesquecível
para “Minnesota” e “Wiscon-
sin”. Os dois Estados vão atingir
números quase históricos nos ga-
nhos da produção devido aos aumentos no
número de vacas e produção por vaca, de-
vido em parte às quase perfeitas condições
atmosféricas durante este Verão. Enquanto
que a indústria no “Upper Midwest” pa-
rece decidida a um contínuo crescimento,
os seus parceiros na California e Arizona
estão em estado de declínio devido à falta
de lucros nas operações em geral.
Durante a maior parte das últimas três
décadas a produção no Oeste dos Estados
Unidos guiada por enormes ganhos na seus parceiros a Este das Montanhas Ro- deral (MILC) entre Fevereiro e Setembro Um grande número de medidas de emer-
California elevaram toda a produção na- chosas. em média $1.50 por cada 100 libras de leite gência financeira estão a ser propostas e
cional para números recorde. Preços favo- Esta última descida de preços tem sido produzido. Isto foi um beneficio significa- legisladas, a nível Federal e Estadual, mas
ráveis pelas forragens e cereais, contínuos mais longa e profunda do que se esperava, tivo para esses que têm a produção 100% o produto final, como sempre, leva muito
aumentos nos bens de raíz e o contínuo e acentuou mais que nunca no passado, as coberta. tempo a chegar.
crescimento da capacidade de processo do diferenças entre grandes e pequenas ope-
leite, estimularam o crescimento da produ- rações, e ainda o nível de compromissos
ção na California. financeiros de cada operação.
Agora o Oeste está sangrando, o novo mi- Muitos produtores de leite através dos Es-
lénio trouxe mudanças para o panorama tados Unidos, que compram a maioria dos
da agropecuária, nomeadamente no siste- produtos alimentares das suas manadas,
ma dos mercados dos produtos fabricados pagaram substancialmente mais por estes
do leite, a legislação de “Biofuels”, multi- produtos em 2008-2009 quando os merca-
anos de seca, altos custo de transporte, dos dos cereais subiram considerávelmen-
que dificultaram os transportes de queijo e te, outros que produzem esses produtos,
outros produtos do leite para os mercados em parte ou no total, foram parcialmente
do Este. protegidos desses altos custos, mas não
Estes são claramente dias financeiramente totalmente porque os custos de produção
difíceis para os produtores da California. de cereais e forragens também sofreram
Não obstante os preços excepcionais pelo aumentos durante este período.
leite durante 2007-2008, os contínuos au- Talvez os maiores beneficiados durante
mentos nos custos de produção deixaram este ano de crise geral foram os produto-
os produtores do Oeste numa posição fi- res com manadas de 150 vacas leiteiras,
nanceira relativamente mais fraca que os ou menos, que receberam do programa Fe-

SJGI tem o prazer


de apresentar

Eduardo da
Silveira, M.D.
Diplomado em
Gastroenterologia.
Especialista em Doenças
do Fígado e do Aparelho
Digestivo.

O Dr. Eduardo da Silveira


fala múltiplas línguas
incluindo o Português,
Inglês, Espanhol e Francês.

Bem-vindos a San Jose Gastroenterology (SJGI)


Agradecemos a oportunidade de
oferecer os melhores cuidados médicos em
Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva.

Dois escritórios para o servir em San Jose


MONTPELIER OFFICE: 2340 Montpelier Dr., Suite A
O'CONNOR OFFICE: 231 O'Connor Dr.

Telefone: (408) 347-9001


12 COLABORAÇÃO 1 de Novembro de 2009

Perspectivas
Fernando M. Soares Silva Lazer e Lazeira
fmssilva@yahoo.com

A
necessidade de periódico lazer, menos prolongada, não pode chamar-se la- ***** perda frequente de sono podem acarretar
isto é, de repouso, descanso ou zer. Este citado hábito de lazeirar, e outros consequências muito sérias. Apontam os
pausa no trabalho tem sempre similares, só podem resultar em eventual Embora o “recreio” e o “entretenimento” especialistas que tais indivíduos sofrem,
acompanhado a Humanidade dilatação estomacal ou abdominal, entor- sejam elementos integrais do moderno eventualmente, de lapsos de atenção, per-
desde a sua aurora neste mundo. Todo o pecimento muscular, possível cirrose, e conceito de repouso no contexto do lazer da de memória, e outras dificuldades que
ser humano, por mais dinâmico, entusias- maior indolência física, mental ou intelec- contemporâneo, na realidade o “lazer” é afectam negativamente o desempenho das
mado e dedicado que seja, não pode pres- tual... Na realidade, o verdadeiro lazer não muito mais que gozo ou prática de activi- suas obrigações no emprego e no trabalho,
cindir em absoluto do sono e do repouso significa “deitar-se e criar barriga”, e ócio dades fisico-desportivas, ou de outros pas- como afirma o Dr. James Walsh, director
físico e mental que, por sua vez, lhe res- ou paragem da racionalidade humana... satempos recreativos, bem como de oca- executivo do Centro de Medicina para In-
tauram as forças e a energia, e lhe permi- Os vários tipos de “lazer” podem ser sinte- sionais interacções artísticas ou culturais. vestigação e Estudo do Sono no Hospital
tizados em Activos ou Passivos. Os modos O lazer sensato inclui, sim, uma pausa de São Lucas, em St. Louis, E.U.A.
tem continuar ou finalizar o seu trabalho e
“activos” de lazer são as actividades que no trabalho e um repouso físico, mas este A privação do sono é ainda causadora de
as suas obrigações laborais.
requerem significativo esforço ou energia repouso deve ser não só potencialmen- outros graves problemas de saúde, tais
A relativa simplicidade das sociedades
física ou mental. Entre os modos de menor te regenerativo das forças e das energias como a obesidade, fadiga habitual, e mar-
humanas de outrora evoluiu em sentido de
impacto físico temos, por exemplo, ioga, despendidas, como também possivelmen- cante stress. O Dr. Walsh afirma, em con-
maior complexidade, e ao rolar dos anos e
e passear ao ar livre, num jardim, num te conducente a uma ainda mais positiva junção com outros especialistas, que “if
dos séculos, a necessidade de sistemático
parque, pelas vizinhanças ou ao redor atitude que se traduza em crescente deter- you are only sleeping five hours a night,
laser tornou-se mais evidente e imperiosa,
do quarteirão residencial. Estes e outros minação de melhor qualidade de vida no you’re at risk of falling asleep at the whe-
sobretudo nos países industrializados dos
modos de exercício físico não são com- meio-ambiente onde se labuta e vive. el.” A National Sleep Foundation calcula
nossos tempos, onde nem a vigência legal
petitivos. Actividades de alto impacto fí- Por muito estranho que isto possa parecer que motoristas com crónica privação de
de direitos humanos consegue suavizar
sico tais como futebol ou basquetebol são a alguns, o lazer regenerador necessita de sono ocasionam mais de 100.000 acidentes
o frenético passo e o febril ritmo laboral
usualmente competitivas e exigem maior sistemáticos momentos de “meditação” e de viação com fatalidades que excedem
requerido em quase todas as profissões e
energia física. de “reflexão” que incluam, por exemplo, a 1.500 mortes nos E.U.A. Verdadeiramente
ocupações contemporâneas.
É importante salientar aqui que algumas leitura de um bom jornal, ou de uma in- trágico!
actividades de natureza recreativa usa- formativa revista, ou, ainda, de livros que
*****
das no lazer não envolvem considerável recreiem, instruam e ajudem a manter ou a ******
actividade física, mas demandam grande enriquecer a bagagem cultural individual,
Mas, como se define o “lazer”, perguntará
concentração e esforço mental. Entre estas e que sirvam para aprofundar o seu pensa- Afinal, o contemporâneo conceito de “la-
o leitor. “Lazer” não é “lazeira” cujo signi-
realçam-se o xadrez e diversos modos de mento e os seus conhecimentos. zer” pouco difere da clássico conselho
ficado é preguiça, indolência, ou tendência
pintura artística. . Convém também realçar que o “sono” é o “mens sana in corpore sano” que, através
para inactividade ou inacção, ou para pou-
As actividades dos modos passivos de la- elemento fundamental, primário e essen- dos séculos, preconizava a importância e
co ou nada fazer. Lazeira, na realidade,
zer não importam energia física ou mental. cial no imprescindível esquema de repou- o dever de se manter “mente sã num cor-
não proporciona os tipos de “lazer”, isto
Entre estas incluem-se ver televisão, assis- so do lazer que todos deveriam manter. É po são”. Mudaram os tempos e evoluíram
é, a pausa, o adequado repouso, e o rege-
tir à exibição de um filmes no cinema, ou aconselhável dormir regularmente 7 ou 8 os modos e os meios de repouso, recreio e
nerador recreio que restauram as forças e
divertir-se em jogos de casino. Embora horas em cada 24 horas; uma ocasional entretenimento, mas, fundamentalmente a
a energia física e mental despendidas nas
modos passivos de lazer sejam aprecia- soneca poderá até ser benéfica, desde que ideia central continua a ser idêntica”: pro-
aspereza do trabalho, e favorecem positi-
dos modos de relaxar para muitas pessoas, não seja longa e não interfira com o sono curar estabelecer e manter um equilíbrio
vas atitudes de progressão no labor e na
saliente-se que vários peritos em matérias noturno, o mais salutar. positivo, sensato e dinâmico na totalidade
vida. Por exemplo, chegar a casa exausto,
de “laser” não recomendam estes tipos de Muitas pessoas descuram o sono por vários do ser humano na sua progressão em rumo
comer à pressa e engolir 3 ou mais copos
recreio ou divertimento, e consideram os r diferentes motivos, quase sempre contra- a uma melhor existência.
de vinho, e, seguidamente, estirar-se num
modos “activos” mais benéficos no con- producentes. Frise-se aqui, com a devida
sofá sob o pretexto de uma soneca mais ou
texto de lazer interactivo e regenerativo. ênfase, que a privação, a carência ou a

National Fraternal Congress


Re pre se nt at ive s guese Miracle” was made to the portuguese traditional foods such the United States... you can visit
from the Portugue- delegates in regards to the recent as sweet bread, linguica, roscas, their website for additional info
se Fraternal Bene- favorable vote of the merger be- St. Jorge’s cheese as well as port http://www.nfcanet.org/
fit Societies of Ca- tween I.D.E.S., S.E.S., U.P.E.C. wine.
lifornia attended and U.P.P.E.C. Over 300 delegates from across Photo: DES Secretary-Treasurer
on September 17, The Portuguese Fraternal So- the United States of America at- Liliana Ornelas Lourenco, spou-
18, and 19 in San cieties of California I.D.E.S., tended the 2009 National Frater- se Joe, and their daughters
Antonio Texas the S.E.S., U.P.E.C., U.P.P.E.C. Lu- nal Congress Convention. Princess Briana Lourenco, IDES
National Fraternal so-American Insurance Society The NFCA assists and promotes Queen Vanessa Lourenco and
Congress of Ame- and the League of Portuguese the fraternal organizations across Princess Alize
rica Annual Con- Fraternal Societies of California

Pomar das Castanhas


vention. co-sponsored a social hour with
At this Conven- the theme “Portuguese Night” on
tion a presentation September 17, 2009 where NFCA

Amaral Chestnut Orchard


entitled “Portu- delegates enjoyed fado music and

Serafim (Sam) & Maria


(Zita) Amaral
1009 Timbell Road,
P.O.Box 1248
Waterford, CA 95386
Phone 209-874-3237
pomardascastanhas.com
info@pomardascastanhas.com
A venda começou na primeira semana
de Setembro
Sales began the first week of September

WE SHIP ANYWHERE IN THE USA


COLABORAÇÃO 13

Agua Viva
Filomena Rocha
Carta ao Editor
filomenarocha@sbcglobal.net
Health Care debate

T
his is in response to an article th care plan I believe our families or perfect, including our presi-

Vozes de burro não in the October 1st edition of the


Portuguese Tribune. The article,
“Sera que aquela gente sabe pen-
will not be protected as they are
now with your private insuran-
ce plan. We should know better
dent, even though some liberals
believe that he is. Because taking
on this huge health care reform

chegam aos céus sar?” written by Diniz Borges, stated his


opinions on our country’s current health
care debate. Though I understand that
as Portuguese Americans how
a Universal Health Care System
works (which is what I believe
bill within seven months of his
presidency, after spending nine
TRILLION dollars of taxpayer


this may be an opinionated piece, I wanted our “Health Care Reform” plan money on a stimulus package,
Logo que Outubro venha, procure a lenha”. Mas to share the concerns of those that oppose would end up being). Some of then wanting to add on another
se já estamos em Novembro… E nem da lenha me this health care plan and act in response our immediate and extended fa- $850 billion for health care. It’s
lembro! Agora inventei este… Gosto imenso de to some of the statements made by Mr. mily is still in Portugal receiving not just unusual or fishy (for lack
provérbios, não só porque são pequenas máximas Borges. this type of health care. Our re- of a better word) that he wants to
com muito conteúdo de verdadeira moral, mas e também In this article, Mr. Borges stated that those latives in Portugal wait three to place trillions of dollars of debt
porque curiosamente na maioria das vezes rimam de uma who oppose this health care plan ran an six months just to see a doctor. on the taxpayers and this coun-
forma quase ingénua e divertida. “embarrassing campaign” fueled by right A person who is sick could die try; it’s that he wanted to push
Mesmo no contar de uma história, um acontecimento por wing activists showing up at town hall in three months. That is why the this reform bill through congress
mais pequeno que seja, existe sempre a tendência de se lhe meetings and events. I am sorry to say emergency room or banco de so quickly without anyone rea-
aumentar o percurso e por isso é comum dizer-se “quem though, that these people were not all acti- emergencia is always full. They ding the 1,000 page bill. This is
conta um conto acrescenta-lhe um ponto”. vists or republicans or conservatives, the- have to go to the emergency room the reason why I personally and
Diz-se por aí que os Portugueses deliram por dar uma boa se people were mothers and fathers, vete- to see a doctor when they need to! others had concerns on these is-
novidade. E quem é que não gosta de ser portador de tal rans and elderly and just average everyday If this system doesn’t work in the sues.
novidade? Sobretudo se se trata de uma boa notícia? E até people who are concerned in the way our small country of Portugal how In conclusion, A campaign ran on
acusam de bocas grandes os que as dão, se por desgraça a country is headed. These people, inclu- is it going to work in the United change doesn’t give a person free
novidade não for do seu total agrado. Mas se for para cor- ding I, have the right to exercise our First States of America? Mr. Borges reign to transform our country’s
tar na casaca do seu inimigo, aí já não há perigo. Temos Amendment Right in voicing our opinions seemed to forget to add that as- entire system in just eight mon-
muito este defeito entre nós. Falamos mal de nós mesmos. not letting our government carry out such pect in his article. ths. It is our jobs as citizens to
Talvez porque “Santos de casa não fazem milagres”. Mui- preposterous plans than will beyond doubt So, I wanted to ask Mr. Bor- protect our constitution and to
tas vezes tenho ouvido este provérbio e outros como “Fia- bankrupt like other government systems ges if he had taken any of these be informed of what our govern-
te na Virgem e não corras ”. Também há quem afirme que we have now like Medicare and Social Se- points in consideration before ment does and make sure our po-
“Vozes de burro não chegam ao céu”. E não vale a pena de curity. so boldly positioning himself on liticians know they are supposed
facto pedir a Deus coisa nenhuma se as pessoas não têm In voicing opinions and exercising the this issue and writing this arti- to be representing us American
vontade que as coisas mudem. amendment that our founding fathers cle and saying that the people in citizens in Washington.
Por falar em Deus, outra polémica anda no ar com as thought that was so important that it had opposition to him and to the Pre- I would like to thank you for your
ideias escritas de José Saramago, o Nobel da Literatura to be first in the Bill of Rights, I find Bor- sident simply do not know how time in reading this and hope in
Portuguesa. Se antes criou celeuma com o Evangelho de ges’ statements very crude in calling the- to think. Because this is not the the future you could publish sto-
Jesus Cristo, que esgotou 26 edições, agora tráz outro as- se people “ignorante” and “racista”. The case, the beauty of our country is ries on both sides of the political
sunto: Caím, que é capaz de vir a render muito mais que a only people that can’t seem to get past the that everyone is different, thinks spectrum. Again, I do understand
Bíblia, até porque agora todos quererão saber mais sobre race issue is the group of people that keep differently, and has different opi- that this was an opinionated
o personagem bíblico mauzinho e invejoso que foi capaz bringing the subject of racism up in de- nions. Just because we have a piece.
de matar o irmão Abel, por este possuir melhores quali- bate. Though I cannot speak for everyone certain president, does not mean
dades que lhe deram mais honras e sucesso na vida, o que that shares these opinions that I have, but I we have to agree and follow with Thank You Again,
nem sempre é assim na vida real. Eram outros tempos, do not believe myself to be ignorant or ra- everything he or she does. This
pois por mim tenho tido a desgraça de ver muito Caím que cist against our president, just against his is not a dictatorship and we are Melinda Lourenço, 21
a fazer coisas más vai tendo mais sorte do que eu… “Big Government” policies. Just because allowed to say and express what
Na vida real já a Igreja Católica, Judaica e outras se reve- you do not agree with something or some- we believe. I am not stupid or First Generation
laram indignadas com o “atrevimento e a ignorância” do one does NOT automatically label you a ignorant for believing in my opi- Portuguese-American
escritor. Será este o princípio de outra Guerra aberta que racist, which is a very bold choice of wor- nions as Mr. Borges and the Oba- Fresno, CA
servirá para unir os Deuses? Com tantos pontos contro- ds against these people who are trying to ma administration would like to
versos existentes entre a Bíblia e o Corão, se isto servir protect their families and their country. think or declare to others. I am an
para acabar com a poçonha de cada um, valeu a pena. Eles And protect their families is definitely American citizen who is questio-
que se entendam, como se entendiam antes os habitantes something all of us want to do, including ning what our administration is
de S. Mateus da Terceira. Quando tinham um problema Mr. Borges. Under this new “better” heal- doing because no one is faultless
com o “Caím”, iam logo para as barbas dele e diziam-lhe
tudo o que pensavam. Rica e santa terra…Onde ninguém
percebia de política e ao fim do dia se sabia dar graças a
Deus pelo pouco que havia.
Neste mês de Novembro podemos dar graças, celebrando
os parentes e amigos, os que vivem connosco e os que já
partiram, e os Santos da nossa devoção. Que o São Mar-
tinho possa aquecer o corpo e a alma de todos, porque lá
diz o provérbio: “No dia de São Martinho, lume, casta-
nhas e vinho”. “No dia de São Martinho, mata teu porco e
prova teu vinho”, “ No dia do São Martinho, vai à adega e
prova o teu vinho” Ou ainda, “Pelo São Martinho deixa a
água pró moinho”. Até á festa!

Oração
Espírito Santo, Vós que me esclareceis tudo, Vós que
me iluminais todos os caminhos para que eu atinja o
meu ideal, Vós que me dais o Dom Divino de perdoar
e esquecer o mal que me fazem, e que em todos os
instantes da minha vida estás comigo, eu quero, neste
curto diálogo, agradecer-vos por tudo, e, confirmar
mais uma vez, que nunca me quero separar de Vós, por
maior que seja a ilusão material, não haverá o míni-
mo de um dia sem estar convosco e todos os os meus
irmãos na glória perpétua.
Obrigado mais uma vez.

A pessoa deve fazer esta Oração três dias seguidos sem


dizer o pedido. 1600 Colorado Avenue
Dentro de três dias será alcançada a graça por mais
difícil que seja.
Turlock, CA 95382
Publicar assim que receber a graça. FR Telefone 209-634-9069
14 FESTAS 1 de Novembro de 2009

Thornton - a festa continua Fotos de Jorge


Ávila “Yaúca”

Juventude alegre na distribuição do pão de leite

Uvas e bonitas mulheres dão sempre bom vinho

Quadro simbolizando o 13 de Maio de 1917


As avózinhas também não quiseram perder o Bodo de Leite

Madeirenses sempre presentes em Thornton

Tascas e cantadores são sempre uma presença constante no Bodo de Leite


Estes jovens nem sonham o trabalho que dava para fazer uma burra de milho

Rainhas de 2009/2010
PATROCINADORES 15
16 FESTAS 1 de Novembro de 2009

Vacas registadas das melhores do nosso Vale também podem ser sempre apreciadas em Thornton

Presidente João e Hermínia Inácio, Marshall Maria José Meirinho, Padre Francisco Dinis,
Vice-Presidente João e Fátima Lopes, Blanca e Richard Edwards, Past President

José Fernandes, Manuel dos Santos, José Ribeiro, João Pinheiro, José Borges, José Plácido
e o Luís Nunes, o “Felipão” dos improvisadores.

Dois grandes vencedores: Labita e a Cozinha da Festa

Mesmo com muitas lavagens o vermelho do Benfica nunca se tornará verde


FESTA EM THORNTON 17

Rainha Grande Katelyne Bettencourt beija a pomba antes de a deixar voar


Direita: Rainha Junior Lucy Saiz ajudada pelo Presidente João Inácio e enfeitando Nossa
Senhora
Embaixo: Rainha Pequena Brooke Rocha

Marshall Orlando Toste, Maria José Meirinho, Manuel Meirinho e


Alex Serpa
18 FESTAS 1 de Novembro de 2009

Quinta de Castanhas

Rainha Grande Katelynne Bettencourt e aias Marissa Aguiar e Deena Aguiar

Embaixo: Coroação do Presidente João e Hermínia Inácio

Também têm abóboras para venda.


Boas para sopas, doces, paios ou mesmo para
assar no forno.
FESTAS 19

Festa de Nª Senhora de Fátima em Thornton

Rainha Junior Lucy Saiz e aias Hadley Rast e Miranda Gonzalez Rainha Pequena Brooke Rocha e aias Gianna Vasconcelos e Marina Bettencourt

Padre Francisco Dinis coroando a Rainha Grande Katelynne Bettencourt e esta por sua
vez coroando a Imagem de Nossa Senhora de Fátima (à direita)
Embaixo - Rainha Pequena Brooke Rocha enfeitando a Imagem de Fátima e a Rainha
Junior Lucy Saiz a ser coroada

Embaixo - Direcção e Rainhas durante a Missa da Festa


20 COLABORAÇÃO 1 de Novembro de 2009

Ao Sabor do Vento
José Raposo A mulher ficou furiosa
raposo5@comcast.net

E
u nunca me considerei perito em para começar alguma coisa. no pescoço e estava a comentar com um boa e fui aos correios, na Ajuda, para man-
línguas e muito menos na nossa. Quando eu era criança, e isso já lá vão uns amigo e ele diz: dar um postal para meus pais nos Açores.
A arte de falar bem ou de bem tantos anos, se eu estava a aborrecer mi- - Havias de ir ao “cara de prata” porque se Dei o postal à menina dos correios. E ela
falar, é uma coisa complicada e nha mãe por qualquer razão ela dizia: não fores isso ainda pode ser coisa ruim e diz:

D
eu já disse várias vezes que Deus perdoe -Tu vais me levar um “larigô”. Ora isso só vamos ter que chamar o “anateca”. - São dois mil e quinhentos. Eu nunca tal
a meu pai por não me ter metido no semi- poderá vir do “let’s go”. epois de ter escrito o meu úl- tinha ouvido na minha vida e disse: - A
nário. Havia na minha freguesia um indivíduo timo artigo em que usava uma senhora poderia me dizer quanto é isso em
Não! Vocês nem pensem que eu quereria chamado Eduardo Moreira, cujas irmãs quantidade enorme de XXX, escudos?
ser padre, nem mesmo que fosse num con- tinham vindo para a América e quando lá lembrei-me que na nossa casa, A mulher ficou furiosa...
vento de freiras. É que sinto mesmo inve- foram de visita claro que usavam algumas em São Miguel, tínhamos um alguidari-
ja, claro que no bom sentido da palavra, palavras inglesas de mistura com o Portu- nho pequeno ao qual minha mãe chama-
por esses indivíduos que foram ao seminá- guês. Por qualquer razão devem ter usado a va o “lavamancho”. Só depois de muito
rio, mesmo os que não chegaram a padres, frase “what is the matter with you?” Como tempo é que compreendi que era o “lava
porque tiveram uma instrução esmerada o homem não sabia Inglês algum e não sa- mãos”. A minha avó que tinha um catálo-
em Português e isso por terem cursado uns bia pronunciar o que as irmãs diziam, ele go de doenças como o Raúl Solnado, dizia
quantos anos de Latim. Se bem que seja retorquia “Smardiô” e daí por diante ficou que não podia andar por causa das “armo-
considerada uma língua morta, as suas ra- conhecido pelo “Smardiô”. Lembro-me ninas” e que o Dr. Rosa lhe tinha tirado
ízes estão bem vivas em todos os idiomas que nos “Arrifes” havia um cantador ao um “Cristo” de cima dos rins. Claro que
dela derivados. desafio que chamavam o Jaime “Chemé- Cristo nunca esteve em cima de minha avó
Claro que a língua Portuguesa tem influ- ca”. Ora está mais que visto que isso só e o que o Dr. Rosa tirou foi um “quisto”.
ência de outras e com a emigração come- poderá vir de “shoemaker”. Está mais que visto que no caso da mi-
çaram a aparecer palavras que só depois Durante a década de 60 os filmes de cow- nha avó era nem mais nem
de eu ter aprendido o Inglês, esse pouco boys estavam muito em voga nos Açores. menos do que falta de co-
que sei, é que comecei a compreender a E quando começaram a aparecer os filmes nhecimento e instrução.
origem delas, o que para mim, se bem que do John Wayne em que muitas vezes ele Ela corria o seu negócio
eu soubesse a razão por quê eram empre- dizia: e fazia contas de cabeça
gues, fazia-me certa impressão. “What do you want?”, a rapaziada inven- melhor do que eu fazia
Estava eu em conversa com uma amiga tou um jogo de escondidas com duas equi- com o lápis. Outros casos
quando ela me disse: pas e fugiam de uma lado para o outro. em que aparecem essas
Ó José, José! O Ávila quer o artigo até ao Se um indivíduo da equipa contrária via palavras na língua são
dia 20. o adversário, saltava e dizia: “Uárione?” devido a usos e costumes
Eu como não fazias ideia sobre o que es- Esse indivíduo ficava de fora e a equipa e influência de estrangei-
crever, disse para ela: que ficasse com mais indivíduos dentro, rismos. Outras, devido ao
- Ó mulé, dá-me um “lamiré”. Ela não co- ganhava o jogo. isolamento.
nhecia a palavra, que significa um sinal Há tempos acordei com uma dor enorme Estava eu chegando a Lis-

Vende- se Leitaria de Cabras


8.9 acres com irrigação própria
Casa com 3700 pés quadrados, 5 quartos de cama, 3 quar-
tos de banho, toda remodulada.
Perto da auto-estrada e Shopping Center
Fica situada a 1 milha do novo Hospital do Kaiser
Permanente, em Dale Road, Modesto, California
Perto do novo Liceu
Extraordinário investimento de $990K dolares
Os animais existentes não estão incluídos
Contactar AHMAD SHAMA (209) 505-5268
COLABORAÇÃO 21

Sabor Tropical
Intolerância
Elen de Moraes
elendemoraes_rj@globo.com

A
e aos bons costumes? É possível ânimos: os portugueses alegam plantado a escravidão, de terem que todo americano é racista, que
través da história ve- tolerar a livre expressão de cunho que “a emenda foi pior que o so- trazido os negros da África e hoje todo italiano é mafioso, que todo
mos que a intolerân- racista e preconceituoso? Aceitar neto”, pois que no vídeo onde a em dia chamar o povo brasileiro alemão é nazista e por aí afora.
cia sempre existiu na o escárnio ao que é sagrado para atriz se desculpa, mostra-se irô- de “macacos”, pela cor da pele. Finalmente, o preconceito e a in-
esfera das relações alguns, mesmo que não o seja nica e ainda acrescenta que falta E a troca de desaforos continua transigência não são privilégios
entre os seres humanos, baseada para outros? É possível ser indul- aos portugueses um pouco mais entre os intransigentes de ambos de um só povo. Normalmente
em sentimentos, culturas e cren- gente com os ataques sistemáti- de humor. os lados. Agora foi esse o motivo. se baseiam na ignorância e, tal
ças religiosas. Talvez, tenha nas- cos contra a moral de um povo? E aí acontece a intolerância: Daqui a pouco surge outro. como a sabedoria, não tem nacio-
cido com o homem. É possível tolerar zombaria e me- Do lado dos portugueses, a gran- Temos que dar um basta ao pre- nalidade.
Segundo Paulo Rouanet ela é nosprezo contra uma raça ou toda de maioria que deixou comentá- conceito e acabar com a intole-
“uma atitude de ódio sistemáti- uma nação? rios nos sites de jornais, revistas rância de se dizer que
co e de agressividade irracional Devemos ter em mente que tam- e dos vídeos, ao invés de direcio- todo brasileiro é índio,
com relação a indivíduos e gru- bém para a tolerância há limites! narem sua raiva contra a atriz e que todo índio é indo-
pos específicos, à sua maneira de Sem entrar no mérito da questão seu ato inconseqüente e desele- lente, que todo negro é
ser, ao seu estilo de vida e às suas e sem tomar partido, os últimos gante, voltaram-se contra todas bandido, que todo por-
crenças e convicções”. acontecimentos que envolveram as mulheres brasileiras, o povo tuguês é burro frontal e
Os intolerantes têm total dificul- a atriz brasileira Maitê Proença e em geral, contra o Presidente e mal educado, que toda
dade em concordar com idéias e o os portugueses, por causa de um até denegrindo o nome do Brasil. brasileira é puta, que
modo de agir que não coadunem vídeo gravado por ela em Portu- Do lado dos brasileiros, a velha todo Frances não toma
com os seus, porque a dificuldade gal, há dois anos e que só agora cantilena de querer o ouro e as banho, que todo sul-
de auto aceitar-se como diferente, veio à baila por ter sido passado pedras preciosas de volta, de acu- americano é ladrão, que
segundo alguns psicólogos, cria num canal fechado de TV, acirra- sar os portugueses de terem im- todo árabe é terrorista,
dificuldade de também aceitar o ram os ânimos entre portugueses
outro em sua diferença. e brasileiros.
Só nos conscientizamos do quan- Os lusitanos, magoados, dizem
to a intolerância é maléfica quan- não aceitar que ela tenha feito
do a ultima gota do “cálice” o zombaria com sua terra e seus
faz transbordar e, ao entornar, os costumes e que tenha cuspido ao
resíduos que estavam assentado lado de uma fonte, situada num
vêm à tona, manchando tudo à local sagrado e histórico para
sua volta. eles. Fizeram um abaixo-assi-
Deve-se tolerar a intolerância? nado pedindo ao governo que a
É certo – e ainda bem - que há considerasse pessoa não grata a
leis que protegem a liberdade de Portugal e que lá jamais ela pos-
expressão, o direito de perten- sa voltar. Se foi adiante não sei
cer a esta ou aquela sociedade, informar.
a um clube, a uma determinada Por seu lado, a atriz reclama que
religião, a ter diferentes idéias só quis fazer piadas com um ví-
políticas, etc., e nenhum direito deo caseiro e que os portugueses
deve ser cerceado, como também que se irritaram não têm senso
limites não devem ser impostos à de humor e que por ela ser neta
liberdade. de portugueses não iria que-
No entanto, como saber onde o rer ofendê-los, etc., mas acabou
elo deve ser rompido para que vindo a público pedir desculpas.
se respeite o limite do outro? É Porém, as mesmas não foram
possível tolerar ataques à religião aceitas e exacerbaram mais os

Custo: $150,000.00 dolares.


Aceitam-se ofertas
22 DESPORTO 1 de Novembro de 2009

Mundial 2018 - 2022


Candidatura Ibérica

o carácter do ‘homo ibericus’”, refere a no Euro’2004, que, de acordo com o pre-


missiva. sidente da FIFA, correu de forma “magis-
Com esta candidatura, quer-se reforçar “a tral”.
unidade de dois povos que querem com- “Podemos dizer que os dois países têm
petir e trabalhar em conjunto, conseguir uma grande experiência na organização
a organização do Campeonato do Mundo de competições. Porque em 1982 tivemos
FIFA 2018/2022 e proporcionar ao Mundo o primeiro mundial com 24 equipas em
e à FIFA o melhor e mais alegre Mundial Espanha. Em 2004 tivemos o Europeu em
que alguma vez se realizou”. Portugal”, afirmou Blatter.
“Porque os nossos povos são sinónimo O presidente da FIFA esclareceu ainda as
de trabalho, alegria, empenho, emoção, fases do processo de seleção de candidatu-
fraternidade, amizade e, acima de tudo, ras, revelando que “todos os documentos,
puro futebol, o desporto rei de hispânicos todas as garantias e o caderno de encar-
e lusos, sejam homens ou mulheres”, lê-se gos” terão de ser entregues na FIFA até
ainda. final de maio:
Nesta carta, os líderes federativos garan- “Na outra metade do ano, vamos ter as
tem que “os governos, os povos, estão inspeções técnicas. Esse processo estará
Desporto, Laurentino Dias e Jaime Lissa- também empenhados neste projeto”. finalizado no início de dezembro de 2010,
A candidatura ibérica ao Mundial 2018 “Sabemos que não é fácil, mas temos a aqui em Zurique.”
ou 2022 apresentou-se como a unidade de vetsky.
No mesmo documento, a candidatura ibé- certeza de que unidos somos mais fortes e A candidatura ibérica é uma das 11 aceites
dois povos, juntos num só objetivo, de or- que podemos levar esta grandiosa compe- pela FIFA para concorrer à organização do
ganizar o melhor e mais alegre campeona- rica lembra que “Espanha e Portugal são
dois países que partilham uma fronteira tição da FIFA a um nível organizativo e de Mundial’2018 ou 2022, juntamente com
to de sempre. êxito jamais alcançados”, garantem. Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, In-
Na carta de apresentação surge ainda o territorial, mas não conhecem fronteiras
no seu dia-a-dia”. donésia, Japão, México, Qatar, Coreia do
logo da candidatura, uma bola decorada Sul e Rússia e com a proposta conjunta de
com as cores das bandeiras dos dois países “Dois países que possuem uma só histó- Blatter agradece
ria, a da Península Ibérica, onde se agre- Holanda e Bélgica.
sobrepostas, com 2018/2022 a meio. As sedes dos Mundiais de 2018 e de 2022
“Dois povos, um só objetivo”, este é o lema garam diferentes povos provenientes de Joseph Blatter agradeceu o interesse de
horizontes geográficos, culturais e religio- “dois grandes países” nesta cqandidatura, serão anunciadas em dezembro de 2010.
apresentado na carta entregue ao presiden-
te da FIFA, Joseph Blatter, pelos presiden- sos distintos. Dois povos que partilham e lembrando o bom trabalho desempenhado
partilharam o mesmo destino, a mesma fé em organizações passadas, como a que Es- In Record
tes das federações portuguesa e espanho-
la, Gilberto Madail e Angel Villar, e pelos no futuro, o mesmo desejo de progresso panha levou a cabo no Mundial de 1982, o
respectivos secretários de Estado do numa terra bonita, dura e rica que formou primeiro com 24 equipas, e a de Portugal

4 anos no FIFA/Coca Cola


Sporting Desde a última edição da FIFA/Coca-Cola
World Ranking jogaram-se 192 partidos, dos
quais 147 foram para a qualificação do Campe-
onato do Mundo na Africa do Sul 2010, embo-
O actual técnico leonino assumiu a
ra o topo se tenha mantido inalte-rado, com o
equipa principal a 21 de Outubro de
2005. Apesar de um início de época Brasil a manter uma pequena vantagem sobre a
menos positiva e alguma contestação, Espanha, Holanda e Italia.
Paulo Bento é o segundo treinador do É porém sem nenhuma surpresa que no resto da
Sporting com mais épocas consecu- tabela se registaram surpreedentemento grandes
tivas. mudanças.
Em Maio de 2005 deixava a equipa A Inglaterra segue em sétimo lugar, enquanto
de juniores do Sporting para assumir que a Alemanha (5°,-1) e Russia (12°,-6) perde-
a equipa principal, depois da saída de ram terreno. Além da Argentina (6°,+2), Croácia
José Peseiro, que não resistiu à elimi- (8°,+1) e Franca (9°,+1), o grande ganhador do
nação da Taça UEFA frente ao Hal- mês foi Portugal (10°,+7), que regressou aos 10
mstad e à derrota ante a Académica primeiros depois do sucesso na última campa-
(0-1), à sétima jornada. Nesta altura, nha de qualificação para o Mundial.
Filipe Soares Franco assumia fun- Entre os primeiros 50, 5 equipas subiram mais
ções como Presidente, já que Dias da que dez lugares, cabendo aqui realçar os Leões
Cunha tinha deixado o clube. meiro encontro, nesse ano, lutou com
Indomáveis dos Camarões, que subiram 15 lu-
Desde ai, Paulo Bento já venceu duas o FC Porto pelo título.
gares, ocupando agora o 14°, convertendo-se na
Taças de Portugal, duas Supertaças, No entanto, é o segundo técnico com
mais anos consecutivos, atrás do equipa Africana mais bem posicionada.
duas vezes finalista vencido da Taça Actualmente 23 equipas já obteram o passe para
da Liga, conseguiu estar na Liga dos húngaro Joseph Szabo (nove tempo-
radas) o que faz com que, desde já, o Mundial, 13 das quais se encontram entre as
Campeões por três vezes, com entra- 20 me-lhores da tabela. Cinco outras equipas
da directa, e foi quatro vezes segundo tenha garantido um lugar na história
do Sporting. entre as 20 melhores terão que jogar um play-
no campeonato. A Bento falta mesmo
A equipa leonina, que é líder do Gru- off para um lugar na Africa do Sul, enquanto
o título de campeão.
po D da Liga Europa, joga, quinta- que a Croácia e a República Checa são as únicas
O primeiro jogo não correu da me-
lhor forma: empatou a dois golos, em feira, frente ao Ventspils. Com um equipas deste grupo que não conseguiram qua-
Barcelos, com o Gil Vicente. Esse dia pé na próxima fase da competição, lificação para o Mundial.
ficou marcado, também, pela estreia Paulo Bento tem mais uma hipótese O próximo FIFA/Coca-Cola World Ranking
de Nani com a camisola do Sporting. da dar uma “reviravolta” na crise que será publicado a 20 de Novembro de 2009.
Mas apesar do resultado desse pri- se ins-talou em Alvalade. fifa.com
In Sapo Desporto
PATROCINADORES 23
24 TAUROMAQUIA 1 de Novembro de 2009

Fernando Machado e Alberto Quarto Tércio


José Ávila
Conde triunfam em Thornton josebavila@gmail.com
1ª Corrida da Feira de Thornton apercebido que seria muito difícil a cravação do par de
17 de Outubro de 2009 bandarilhas, no seu último toiro, porque o toiro não que-
ria, nem o cavalo. É preciso compreender-se esses sinais Tiro o meu
Praça de São João, em Thornton para não desperdiçarmos tempo. chapéu a todo
o povo que quase
Cavaleiros - Rui Fernandes, Alberto Conde Foi uma corrida muito vagarosa, com pouco ritmo. Levou encheu a Praça de
Matador - José Ignácio Ramos 1 hora e vinte minutos até ao intervalo. No terceiro toiro Thornton.
Grupos de Forcados Amadores do Aposento de Turlock mais de cem pessoas abandonaram a praça tal era o pouco
rendimento da corrida.
e Forcados Amadores de Merced Enfio o meu
Toiros da Ganadaria Açoriana
Director - Joe Sózinho, coadjuvado pelo veterinário José Ignácio Ramos é um matador de todo o tipo de toiros. chapéu até ao na-
Ele até faz com que um toiro manso possa parecer interes- riz para não ver três
Sérgio Pereira
sante para muita boa gente. Os dois toiros que lhe saíram toiros que nunca deve-
Banda Açoriana de Escalon
é que nunca deveriam ter pisado aquele arena pela falta de riam ter entrado naquela arena de Thornton. Uma feira
3/4 de praça forte é a amostra do que melhor temos. Por favor, tenhamos
qualidade morfológica. Deixaram, aqui e ali, o pouco que
tinham dentro de si. Mesmo assim, Ramos sempre bata- orgulho na nossa melhor Feira.
Curro muito abaixo das expectativas, com três toiros
lhador, sempre profissional, lá foi tirando passes forçados,
impróprios para uma Feira desta categoria. Tiro o chapéu a Thornton, por ter entregue

N
alguns até bonitos, a arrepiar caminho, que não encheram
o que por lei nos é devido - o bilhete, que nos custou
ão precisamos ser bruxo para nos aperceber as medidas a ninguém.
$30.00. Estamos a entrar no bom caminho. A Festa só
que Rui Fernandes não estava confortável ganha com isso.
com o piso da arena. Viu-se no princípio, meio Afinal para que é que serve um Director de
e fim da sua actuação. Rui Fernandes é um Corridas? Tiro o meu chapéu a todos aqueles que se des-
cavaleiro alegre, que enche uma praça com o seu toureio, locaram a Thornton, a pé, nos seus carros, nas suas lin-
mas nesta corrida muitas coisas lhe correram mal. Esta- Esta corrida teve um veterinário, que pela primeira vez das “casas ambulantes” e que trouxeram mais e melhor
va apático, receoso, e com tantos cuidados que tinha em coadjuvou o Director da Corrida. Infelizmente o Director comida do que todos os Safeways nas redondezas e que
relação ao piso, deixou que o toiro batesse no cavalo, não da Corrida esteve muito mal em duas ocasiões - primeira, quase encheram por completo a bonita Praça de São
transmitindo nenhuma emoção. Não será por esta actua- ao permitir que o cabo de Forcados do Grupo de Merced João. Assim se vive a nossa religiosidade e o gosto pela
ção que o Rui não continue a ser um grande cavaleiro, mas estivesse quase um quarto de hora a chamar pelo toiro e festa brava. Quem não aprecia a maneira de ser da nossa
foi pena que as três mil pessoas presentes na bonita praça a nunca se decidir avançar para ele. Deveria ter-lhe dado comunidade, então pode ir pregar para outros lados. De
de São João não pudessem apreciar o seu toureio de classe um sinal de aviso porque o tempo já tinha expirado há recados estamos a ficar fartos.
e de muito valor. Talvez na corrida da Segunda-feira ele muitos minutos.
irá vingar-se deste mau dia. A seguir, o sexto toiro entrou com um corno partido e o
NOTA: E vingou-se mesmo, toureando muito bem. Director não seguiu as recomendações do veterinário e
Dar voltas à praça depois destas actuações não fez muito deixou prosseguir a corrida. Mau, muito mau mesmo. na boca do lobo é a ganadaria.
sentido, pois não? Qualquer dia qualquer organização poderá apresentar um O primeiro era um novilho com pouco peso, o terceiro ti-
toiro sem cornos e o director nem se importará com isso. nha uma cornamenta feia e defeituosa, e o sexto já vinha
Alberto Conde, já o disse várias vezes, é um cavaleiro Meu caro amigo Joe Sózinho - há certas regras que temos da ganadaria com um corno partido.
abençoado em Thornton. Alberto tem feito das suas me- que cumprir. É verdade que não usamos nenhum regula- 3. Contratar um bom matador espanhol para tourear toiros
lhores actuações na Califórnia nesta nossa praça mais ao mento, mas podermos usar a nossa cabecinha e resolver com estes defeitos não lembra ao diabo. Estes toiros não
problemas com senso comum. Prestou um criam emoção, só desacreditam a festa brava e não ajuda a
mau serviço às três mil pessoas que pagaram cativar mais aficionados. A organização beneficiou o ma-
$30.00 para verem um espectáculo decente. tador, por razões que desconhecemos, quando lhe está a
pagar milhares de dólares por 30 minutos de trabalho.
Todos aqueles que me lêem, sabem do ca- 4. Para vos ser muito sincero, tudo ainda me custa mais
rinho e do respeito que tenho pela Feira de porque a organização é constituída por amigos meus e
Thornton. Foi um trabalho de muita gente grandes aficionados. O que é que aconteceu?
que beneficiou todos os aficionados da Cali- 5. O importante agora é pensar no que correu mal e para o
fórnia, mas infelizmente nesta corrida acon- ano mudar para melhor, pensando em todos os pormeno-
teceram muitas coisas que nunca deveriam res, para que Thornton possa oferecer grandes espectácu-
ter acontecido: los como já tem acontecido tantas vezes.
1. O bilhete da Corrida (que foi devolvido às 6. As organizações devem exigir que o toiro sobrero tenha
pessoas, como é de lei, o que me apraz regis- a mesma categoria dos outros toiros. E mais não digo.
tar com muita alegria) trazia uma fotografia
de uma pega (por sinal a fotografia foi tirada Fernando Machado Junior o melhor da tarde
por mim em Lisboa ao Michael Lopes) que
não condizia com os Grupos que iam pegar A primeira pega dos Forcados do Aposento de Turlock não
nesta corrida, Foi uma falta de consideração, correu bem, o forcado magoou-se, por isso o Michael Me-
Alberto Conde - mais uma boa actuação em Thornton em especial para o Grupo de Forcados Ama- nezes teve de substituir o seu colega e fez uma pega carre-
dores do Aposento de Turlock. Tenho muitas boas foto- gada, com o Michael a ajudar bem. Porquê carregada?
Norte da Califórnia. Mais uma vez esteve muito bem nos grafias deles que a organização podia ter solicitado. O melhor da tarde estava para vir no quinto toiro (ver foto-
seus dois toiros. É verdade que apanhou dois toiros muito 2. A apresentação do primeiro, terceiro e sexto não são grafia), quando o Fernando Machado Júnior fez um exce-
lidáveis, mas é verdade que se entregou de alma e coração compatíveis com a importância da Feira de Thornton. A lente pega, levando muita gente a exigir segunda volta de
e assim triunfou. O cavalo esteve quase a cair, devido ao organização é que escolheu, mas também a ganadaria agradecimentos. Foi uma lufada de ar fesco numa corrida
piso, mas Alberto lutou sempre. Só foi pena não se ter nunca deveria ter vendido aqueles toiros. Quem vai ficar a precisar de muita adrenalina. Grande momento da festa
muito merecido pelo Fernando.

Os Forcados de Merced, por muito respeito que lhes tenho,


ainda não têm o nível técnico e artístico para estarem nesta
feira. Precisam de tourear mais, ganhar calo, ganhar técni-
ca, para assim poderem competir com os outros. Um gru-
po de forcados não são apenas 10 ou 15 rapazes irmanados
pela sua aficion - são um grupo especial de jovens que têm
um espírito de camaradagem diferente de outros. Têm um
espírito de entre ajuda que só advêm dos muitos anos de
convívio taurino. O grupo de Merced precisa tourear mais
para chegar ao ponto de se tornar um verdadeiro grupo de
forcadagem, o que será bom para a nossa festa.
A primeira pega deles foi conseguida à quarta tentativa,
porque o jovem forcado não tinha muita experiência e no
quinto toiro, Café não teve sorte ao lutar com um toiro
malcriado e que derrotava muito. Café tem que rever o
tempo da pega. Não pode demorar o tempo todo, como o
fez, com a anuência do Director.
Ao sair da praca ouvi duas perguntas dirigidas a mim:
Oh Sr. José, como é que viu a Banda de Escalon?
Oh Sr. José, as bandarilhas tinham ou não tinham?

Eu fingi não ouvir, apressei mais o passo e comecei a api-


tar o hino do Sporting, clube das minhas tristezas.
PATROCINADORES 25
26 ARTES & LETRAS 1 de Novembro de 2009

António Lobo Antunes Apenas


Duas
ou a saturação das palavras Palavras

mes… Onésimo Teotónio Almeida, que se


esmerara como anfitrião, ficara indisposto
Parece querer seguir aquela máxima do
“quanto menos legível, melhor”… Eis um
Diniz Borges
com os escritores e jornalistas continen- autor que inventa obscuridades porque
tais e, entre muitas outras coisas, haveria d.borges@comcast.net
não necessita de saber nada sobre si, não
de denunciar a pose blasé e ennui que An- tem histórias a contar. Niilista, homem do
tónio Lobo Antunes assumira no decorrer sardónico ascetismo, escritor do absurdo Ao entrarmos em pleno Outono de
do referido evento. (mas Ionesco não é para aqui chamado), 2009, apresentamos um texto do nosso
Passaram-se 22 anos. Ainda saboreei os Lobo Antunes procura os seus recursos amigo e colaborador, o poeta Victor
seis romances que aquele autor escreveu literários no vazio do sentido e da signi- Rui Dores. Desta feita uma análise/me-
mória aos romances do célebre escritor
português António Lobo Antunes. Tal
como nos diz Victor Rui Dores, as cró-
Victor Rui Dores nicas que Lobo Antunes escreve para
a revista Visão, têm sido, quase todas

C
verdadeiros tesouros. Em relação ao
onheci-o pessoalmente em No- seus romances, aí é outra história. Que
vembro de 1987, aquando da Lobo Antunes vende livros em Portugal
realização de umas Jornadas Li- ninguém o nega. Se são todos lidos,
terárias de má memória. Foi em deverá ser segredos dos deuses. Po-
Ponta Delgada e eu estava por perto quan- rém, o que Victor Rui Dores fala nesse
do ele, por nada saber sobre a tradição li-
seu texto é de algo que desde sempre
terária açoriana e lançando um olhar cúm-
aconteceu nas relações entre Portugal e
plice à Clara Ferreira Alves, resmungou:
as suas ilhas. Ninguém põe em causa a
- Porra que o Mau Tempo no Canal é a Bí-
blia dos gajos! criatividade dos açorianos, e das nossas
ilhas têm saído ficção, poesia e crónicas
de grande qualidade. São vários os
escritores residentes nos Açores que
não são grandes nomes nacionais, única
e simplesmente porque não vivem nem
têm um lobby no continente português.
Mais, acredito que o imaginário portu-
guês, apesar das barreiras que têm sido
destruídas não tem tido espaço para
incluir os Açores.
Abraços
diniz

logo a seguir aos acima enunciados. Mas a ficação.


partir de Exortação aos crocodilos (1999) E que dizer das suas personagens, seres Acho tudo aquilo uma fraude, a começar
enjoei… Fartei-me de tanta narrativa sem desvinculados de toda a contingência ex- pela disposição gráfica do texto. E não me
sequência nem consequência. Cansei-me terior? O autor esvazia-as num débito ver- venham com as tretas da estética – aquilo
de uma escrita despojada, minimalis- bal sem fim. São personagens que não têm não é estética nenhuma: é pura aldrabice
ta, ácida e árida; uma escrita no osso, no nada de naturalista, não estão ao serviço para que os romances tenham muitas pági-
gume da faca… de uma realidade a descrever. São figuras nas… E ninguém diz nada?
Os temas até que não são desinteressantes: irrisórias que se movem sem uma finalida- Diz alguma crítica que considera obras-
o vazio, a solidão, a agonia do real, a in- de perceptível. primas os trambolhos acima referidos.
comunicabilidade irremediável, o vácuo, a Nada se passa nestes últimos romances Seguem-se as edições ne varietur da sua
angústia do quotidiano, a fragilidade hu- deste autor. Eu não consegui passar da obra. (Há quem, nas universidades, ganhe
Os “gajos” éramos nós, suaves escritores mana, a perda da ilusão, a frustração de vi-
açorianos, na altura bem mais jovens, me- página 30 de Eu hei-de amar uma pedra, currículo com isso). Outros consideram
ver e não ser amado, o amor ou a ausência nem da página 20 de Ontem não te vi em Lobo Antunes um grande escritor, can-
nos vividos e mais magros… E ele era o dele, a morte… Mas há aquela chateza dos
aclamado escritor António Lobo Antunes, Babilónia e fiquei-me pela página 10 de O didato ao Nobel da Literatura (a come-
monólogos e aquela desagregação narrati- Meu Nome é Legião, pela página 13 de O çar pelo próprio…). Atrás dele soam as
então com os seguintes romances publica- va… Acho até muito bem que o autor opte
dos: Memória de elefante (1979), Os cus Arquipélago da Insóni e, vá lá, pela página trombetas ruidosas da propaganda e do
por uma prosa virada do avesso, que limpe 50 de Que Cavalos São aqueles Que fazem marketing… Lobo Antunes está na moda,
de Judas (1979), Conhecimento do Infer- da escrita tudo o que é acessório, reduzin-
no (1980), Explicação dos Pássaros (1981), Sombra no Mar?. A culpa será só minha? vende. Mas pergunto: quem compra Lobo
do-a ao essencial. Calha sempre bem ser-se Antunes lerá, na íntegra, Lobo Antunes?
Fado Alexandrino (1983) e Auto dos Dana- moderno e modernista… Só que António
dos (1985) – livros que eu havia lido com E o que será de Lobo Antunes quando o
Lobo Antunes não é Samuel Beckett. Nem inexprimível passar de moda?
muito gosto e interesse. Kafka. Nem Joyce. Mas teima em escrever
Autor e narrador são entidades distintas, já Fique bem claro que nada tenho contra
como eles. E o resultado está à vista: o es- este escritor, eu que sou admirador incon-
se sabe. O António Lobo Antunes decep- critor português cria, nos seus romances,
cionara-me dicional das belíssimas crónicas que ele
tensão dramática com a inacção e faz do vem publicando na revista “Visão”. Agora
como pes- aborrecimento um tema… Investindo na
soa, mas que fique ele sabendo, ou alguém lhe diga
opacidade, enche páginas e páginas de pa- por mim, o seguinte: no meio do Atlântico,
continuei a lavras gritadas, exasperadas, extenuadas,
apreciar os há um homem de letras (há mais de trinta
vazias… anos no activo) que não se deixa enganar,
seus livros. Acho sinceramente que, nos seus últimos
Até porque nem confunde literatura com vontade de
oito romances – Não entres tão depressa gastar papel.
as ditas nessa noite escura (2000), Que farei quan-
Jor nadas do tudo arde? (2001), Boa tarde às coisas
haviam de- aqui em baixo (2003), Eu hei-de amar uma
corrido sob Horta, ilha do Faial, Açores,
pedra (2004), Ontem não te vi em Babiló- 14 de Setembro de 2009
o signo de nia (2006), O Meu Nome é Legião (2007),
equívocos, O Arquipélago da Insónia (2008) e Que
mal enten- Cavalos são Aqueles Que fazem Sombra
didos e ou- no Mar? (2009) – António Lobo Antunes
tros azedu- escreve muito para não dizer nada…
COMUNIDADE 27

Semana de Cultura Açoriana


Passando o nosso legado cultural

A
cidade de Tulare, to teve o patrocínio da Direcção
através das suas esco- Regional das Comunidades, do
las do ensino secun- casal Frank e Fernanda Serpa
dário acaba de cele- de Visalia, do Beachcomber Ho-
brar a Nona Semana de Cultura tel na cidade do Pismo Beach e
Açoriana. De 4 a 9 de Outubro da Família Simões de Tipton.
as escolas secundárias de Tulare Cerca de 350 pessoas estiveram
celebraram as ilhas dos Açores presentes neste acontecimento
com notas explicativas sobre a que ocorreu no auditório e no re-
geografia e a história dos Aço- feitório da escola Tulare Union
res nos boletins que se publicam High School.
diariamente nas três respectivas Na sexta-feira, 9 de Outubro
escolas. Cada dia foi dedicado a aconteceu o nono Festival de
uma ilha diferente com os alunos Cultura Açoriana para a Juven-
a trajarem com a cor da mesma. tude. Das 9 da manhã até às 3
Nas aulas de língua e cultura por- da tarde, os alunos estiveram no
tuguesas houve várias activida- salão português TDES. Aí cer-
des ligadas à geografia, história, ca de 210 alunos participaram
costumes e tradições dos Açores. numa amalgama de actividades
A semana teve como ponto alto ligadas à nossa cultura. A ma-
dois eventos. Na quinta-feira dia nhã começou com a apresen-
8 de Outubro, realizou-se uma tação dos hinos nacionais que
noite cultural intitulada “Voices, foram tocados por alunos que
Music and traditional Dances são membros da Filarmónica
of the Azores” Vozes, Musica e Portuguesa de Tulare. Hou-
Modas Tradicionais dos Açores. ve dois oradores: Lucy Ferreira breve explanação sobre as suas
Sob a orientação do poeta e dra- VanSyoc, directora da escola Tu- organizações, como forma de
maturgo Álamo Oliveira um gru- lare Western High School e Da- aliciar os mais novos. Tivemos
po de alunos de Português apre- vid Macedo, vereador da Câma- a presença do Clube Cabrillo do
sentou uma leitura dramática de ra Municipal de Tulare. Ambos Condado de Tulare, da Filarmó-
textos do poeta Pedro da Silvei- falaram das suas experiências, a nica Portuguesa de Tulare e do
ra. De seguida a aluna Jennifer Directora VanSyoc como emi- TDES. Houve música, os alunos
Bettencourt leu um poema de Art grante dos Açores e o Vereador aprenderam modas tradicionais
Coelho e por último os alunos de Macedo como luso-descendente dos Açores e o dia terminou com
Português IV-H apresentaram al- de terceira geração. Houve ain- a actuação da cantora Emily.
gumas modas do folclore açoria- da apresentações sobre as várias Foi mais uma semana dedicada
no. A noite terminou com um organizações da comunidade lo- à cultura açoriana na cidade de
“Azorean Sweet Tooth”, uma pro- cal. Todas as organizações locais Tulare. Um evento que envolve
va de doces açorianos. Este even- foram convidadas a fazer uma protocolos de cooperação en-
tre as associações de estudantes
das escolas, as
nossas organi-
zações, e os pais
dos alunos.

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28 ENGLISH SECTION 1 de Novembro de 2009
serving the portuguese–american communities since 1979 • ENG L ISH SECTION

Ideiafix
portuguese
Miguel Valle Ávila
miguelvalleavila@tribunaportuguesa.com

Five Wounds Portuguese National Parish - 95 years


T
he Portuguese National Parish of etc. We just can’t find, if only in a finite
the Five Wounds in San Jose will number, priests of the Holy Religion of the
be shortly celebrating 95 years of Divine Jesus.
service to Bay Area Catholics.
The parish was approved by the Archdio- The sons of the Portuguese attend with
cese of San Francisco on November 8, distinction universities, all primary and
1914, the land for the church had been secondary schools, but they don’t attend
bought the previous year on November 16, the seminary of Menlo Park. Currently,
1913 with the great assistance of Mr. Ma- only two are there, one who came from the
nuel Teixeira de Freitas of San Rafael, CA. Azores Islands.
On November 15, 1914, Monsignor Henri- The Portuguese of California don’t let any
que A. Ribeiro celebrated the first Mass as others be better at work ethic, honoring
Pastor of the new parish in the Holy Spirit contracts, in community movements. They
chapel. are almost always the first in several bran-
ches of industry, the first in benevolent so-
cieties.
They appear with honor in parades, in
civic parades, in floats, in national cele-
brations, in annual conventions, but in de-
monstrations of their creed they are last,
exception made to the Holy Spirit festa.
You go to any Catholic church in this state,
except for five or six, and the Portuguese
are found in numbers very limited and in
the last pews, almost always next to the en-
trance door, standing, as being afraid of
being seen or for being expelled from the
house of God.
Portuguese people! The time of slavery is
gone and we were never slaves of anyone.
For sixty years, we were under the rule of
Spain, but as a free and independent na-
tion.
We are in a country of freedom, where
the rights and privileges are equal for all.
On October 1, 1916, Archbishop Edward You have demonstrated in California your
Hanna of San Francisco blessed the first worth and power with relation to the be-
stone. On Assumption Day 1917, there was nevolent societies; why not show also your
an “abundant” lunch served to celebrate worth and power in relation to your reli-
the first shingles in the church’s roof. gious beliefs.
On June 29, 1918, the first Mass was cele- The Irish have their churches; the Italians
brated in the new church. The official de- have their churches; the Spanish, the Ger-
dication would take place on July 13, 1919 man, the Polish, all have their churches;
of the new Church of the Five Wounds of the Protestants, Lutherans, Episcopalians,
Our Lord Jesus Christ (as described in the Presbyterians, Methodists, Baptists, Ad-
official booklet). ventists, all, all have their temples; the If in California we had, from the begin- foreign priests who not knowing our noble
In the souvenir booklet of the church’s de- Chinese, the Japanese, and the Indians ning, converted for the benefit of the Ca- traditions and the religious customs of our
dication entitled “Lembrança do Dia da have their pagodas; the Jews their syna- tholic Religion just the profits from the dear nation, many times belittle us and ins-
Dedicação da Igreja Portuguesa das Cinco gogues; the Masons their lodges and even Holy Spirit festa, today we would have tead of attracting us really move us away
had in many places churches, schools, and from the Church with great detriment to
even Holy Houses of Mercy for poor sick the spiritual well-being of our souls.
patients and indigents of our nationality. In the East [Coast], the Portuguese have
What a shame! progressed admirably in the religious-
So much money has been spent throughout socio-catholic field. Just among the three
this state, thousands and thousands of dioceses of Boston, Fall River, and Pro-
dollars without much benefit for the Portu- vidence, there are almost 30 churches ge-
guese colony and for the Catholic Religion nuinely Portuguese.
that is the most precious heritage that the We should only hope to imitate those bro-
Portuguese should leave for their children thers of ours, always giving fame as good
in this adopted nation. Catholics to all the world. […]
Just see what we have done in
such a short period of time in San

T
Jose!
he Church of the Five
Wounds honors the Por-
tuguese colony of Ca-
lifornia and brilliantly
demonstrates how big is the faith
and piety of the Lusitanian people
in these remote passages.
If from the beginning, there was
better guidance in this respect, if
some of the sons of the Portugue-
Chagas” (date July 13, 1919, Sousa Print), Satan his fearing deeds and only the Por- se born in this state had attended
Monsignor Ribeiro wrote: tuguese in this country will not have their the archdiocesan seminary, as

I
churches to adore God in spirit and truth many have attended universities,
t’s sad to say this; but it is forceful to and to preserve our saintly religious tradi- high schools, today in California
confess it. tions in our dear Nation!? we’d be so well represented reli-
In this country, we see Portuguese, Let’s remember that we belong to a noble giously as we have socially, and
sons of Portuguese, doctors, bankers, and combative nation that took our Catho- we would have been emancipated
capitalists, physicians, lawyers, pharma- lic faith from Lisbon to Malacca and from little by little, with the obvious
cists, businessmen, industrialists, ran- the ends of the Atlantic to the ends of the allegiance to the hierarchical
chers, factory workers, public servants, Pacific. superiors, from the oversight of
ENGLISH SECTION 29

Paradise discovered by Five Educators


A
s we were landing in the island
of Terceira, I stared at the mi-
niature patchwork-like fields
spotted by white-washed ho-
mes with red roofs and at a landing strip
barely long enough to accommodate the
planes landing there. From that moment of
our arrival to our departure 15 days later,
it was the first of many surprises that en-
chanted us, five widely-traveled educators
on their first trip to the Pearls of the Atlan-
tic. At first glance, I thought that this was
Hawaii or a Caribbean island without the
negative aspects of poverty, homelessness,
crime, tourists, and traffic. But that would
be far too simplistic a description.
To quote the poet Emanuel Jorge Botelho,
the Azores comprise “the sea (which is)
still an enormous blue fish, nine scales ca-
ressed by the water…”
Imagine a group of nine islands of stun-
ning beauty: the magnificent beauty of the
sea, at times wild and at others placid, the
beauty of the people open and welcoming
of strangers to their islands, the green and
purple beauty of the fields and roads lined
by magnificent hedges of hydrangeas, the
simple beauty of village churches and mi-
niscule cemeteries. This is the Azores, a
land of enchantment.
The Azoreans live daily with this beauty.
They accept it as part of their heritage. But
for first-time visitors, this was a voyage of But it was on São Jorge Island that we
discovery. We really didn’t realize that we found our home away from home. We shared conversation, even when we other islands we visited.
were en route to a semi-tropical region, Our friend and colleague, Duarte Silva, had to navigate our communication ex- My thought, as we boarded our Sata flight
and this lack of knowledge led to many who served as both our host and tour guide changes via English, Portuguese, Spanish for our return home, was that the Azores
surprises. throughout our journey, had often spoken and French. NOT be discovered by the hordes of tou-
On the island of Terceira, we marveled at about the beauty of his island, but we never São Jorge will remain in our memories: rists who have made Hawaii such a tourist
the variety of Impérios, dedicated to the realized that what he really meant was that from the priest who served us his home- destination.
Holy Spirit, and a church where Sephardic the people of São Jorge are the beauty of made anjelica and banana bread (made
Jews are buried under the current church. that island. from Azorean bananas, of course), to I would like to return to this undiscovered
We also watched a “tourada à corda” whe- The inhabitants of Fajã do Ouvidor welco- Master Chef, Armando, who impressed us corner of paradise, to find it as unspoiled
re two of the men in our party participa- med us as family. No sooner had we arri- each day with his culinary delights, to the as it was the first time I went there.
ted. ved there, my travel companions, Simone beautiful Nair, her daughter Lucia and her
On Pico, we saw a former whale proces- Lewis, Pat Nakashima, Ken Yamamoto husband Jorge, who gifted us each with Lorraine D’Ambruoso
sing plant and vineyards formed in lava and David Hernandez and I were invited a book featuring the beautiful District of Executive Director
fields. to a sardinhada at the port and this was one Velas so that we could remember their is- California Language
On the island of Faial, we visited Caldeira, of the many culinary delights that we ex- land. But we could never forget it, nor the Teachers’ Association
where we hiked to an enormous volcanic perienced throughout our journey. San Jose, California
crater and learned about the Capelinhos We shared meals: queijo de São Jorge, as
volcano that shaped the immigration pat- well as de São João, from Pico, bacalhau,
terns of Azoreans to California and other torresmos, inhames, lulas, lapas (gathered
states for the decades that followed its by a young soldier just hours before we ate
eruption. them), polvo, alcatra, caldo de peixe, and
caldeirada de congro e mero, and so much
On San Miguel Island, we visited the be- more….
autiful Furnas Valley, the only tea planta- We toasted our Azorean journey in every
tion in the Western Hemisphere — Chá possible way with a variety of wines
Porto Formoso, and savored the delicious —white, red, verde, Porto, as well as with
pineapples. aguardente.

Do Pacifíco ao Atlântico

Rufino Vargas

The Olympic’s Fiasco

T
he failed mission of our President pic Games. This was not a mission for
Barack Obama and first lady Mi- the Commander-in-Chief. He should have
chelle, to Copenhagen, Denma- delegated that task to someone knowled-
rk, to persuade the International geable enough to deal with these intricate
Olympic Committee to award the games matters. First, it was his unwise pronou-
to his hometown – Chicago, was in my ncement regarding the arrest of a black
perspective wasteful, misguided, unwise Harvard professor by a white policeman.
and embarrassing. With trillion dollar de- The incident, notwithstanding lawful was
ficit and two troublesome wars with un- plagued with racial overtones. The Presi-
predictable outcome , burning $100,219 dent came out in public and declared on
an hour to ride on Air Force One, plus a national television that the Cambridge,
fleet of cargo planes to carry his armored Massachusetts Police had behaved stupi-
limousines , helicopters, staff and other dly. After recognizing his mistake, he tried
equipment, as well as a detachment o to correct it by inviting the policeman, the
Secret Service, was a gross waste of our professor along with the Vice President
resources. The mission was doomed from Joe Biden for an Oktoberfest in the White
the beginning owing to the bad relations House lawn. I voted for Obama, but now
between the US Olympic Committee and after these gaffes I am somewhat troubled
the IOC. The competition was stiff invol- by his misguided and poor judgment. Now
ving other cities, offering more attractive I am wondering how he would answer that
options, ending with Rio de Janeiro as dreadful 3:00 AM phone call.
the final winner to host the 2016 Olym- All photos are from Fajã do Ouvidor, São Jorge Island, Azores
30 ENGLISH SECTION 1 de Novembro de 2009

California Chronicles
The running of the bulls
Ferreira Moreno

O
nce again, the Spanish red as patron saint of both cities,
city of Pamplona held and his patronage is invoked by
its centuries-old fes- bathers, coopers, bakers and wi-
tival called Encierro, ne-merchants. Furthermore, he
better known in English as the is considered to be the protector
Running of the Bulls. The page- against scurvy and shingles.
antry evolves annually from July St. Firminus’ silver bedecked and
6 to July 14, with a day set aside dark—faced statue is on display
to honor St. Firminus, Pamplona’s on a chapel at the San Lorenzo
patron saint, equally esteemed as parish church, from where it is
San Firmin or San Fermin by the taken outdoors every year for a
Spaniards. colorful procession on the streets
The succession of events achieved of Pamplona.
great notoriety after the 1927 pu- The nine-day, round-the-clock
blication of Ernest Hemingway’s festivities (singing, dancing and
novel The Sun Also Rises. The drinking), also called Los San
book was originally published Firminos, start at noon on July 6
in Britain under the title FIES- with the sounds of church bells,
TA, by which it is still known in and wind down with a candleli-
Spain. It became a major movie ght parade on the night of July
in 1957, followed by another mo- 14. Besides spectacular fireworks
vie made for television in 1984. and carnival features, there are
Presumably, the city of Pamplona builfights every afternoon and, of The encierro lasts only a few year in advance, but ten percent bullfighting in the town’s arena,
derived its name from Pompey, a course, the encierro or running of minutes. Despite all the fun, one are reserved and sold at the bull- displays of the region’s lively folk
famous Roman general and sta- the bulls each morning. must not forget the risk of getting ring each evening for the next dancing, and outdoor snacking
tesman, who established an out- The encierro begins at 7 AM caught and gored by the bulls. In day’s fights. on sardinhadas (grilled sardines),
post in Spain in the year 75 BC, with the launching of a chupiza- fact, serious injuries and even fa- The Running of the Bulls, which pork steaks and chicken.
and named it Pompeiopolis. no (signal rocket) as a warning talities are not uncommon. in Portuguese takes the name of
Regarding 4th century St. Firmi- to all participants. Seconds later, Hundreds of brave and/or fo- Espera do Gado, is also an annu- Wearing a wide scarlet sash,
nus, it is alleged that he was a na- another rocket is launched signa- olhardy men run ahead of the al tradition observed in Portugal, Tight breeches and white sto-
tive of Pamplona, who converted ling the release of the bulls. If the bulls. The runners sport the tra- namely at Vila Franca de Xira, a ckings,
to the Catholic faith and went as a bulls (six in number) are not in a ditional costume of white shirt town situated on the west bank of The campino enters the fray
missionary to Gaul, where he be- tight herd, a third rocket is fired, and pants, red beret, bandana and the River Tagus, 20 miles northe- On the fields of Vila Franca
came bishop of Amiens and was as a warning of the danger posed sash. Women are prohibited from ast of Lisbon.
martyred there. According to one by a stray bull on a rampage. participation, and those who at- During the first weekend of July When at a gallop he goes,
legend, he was killed by a bull, Those bulls are accompanied by tempt it are physically prevented. visitors flock to the site for the His whole being full of pride,
but another legend states he was a small herd of calves and ste- The Estafeta street leading to the Festival do Colete Encarnado, He is not troubled or tired
decapitated. ers to help keep them bunched bullring is appropriately dubbed named after the scarlet waistcoat By the hottest sun in July
There are claims that his re- up and therefore less dangerous. Suicide Alley. worn by the mounted herdsmen
mains are kept at the Cathedral Once the bulls reach the Plaza de At 6:30 PM the bullfights are held called the Campinos. The festivi-
of Amiens, and that his relics can Toros (bullring), they are quickly in the Plaza de Toros. Tickets for ties include bull running and her-
be found at Pamplona. He is reve- penned. the bullfights are sold almost a ding competitions in the streets,

Ao grande amigo Quatro gaivotas cinzentas,


sentinelas macabras,
que foi Pe. Carlos testemunhas de Geová,
imoveis, frustradas,
Macedo sombra denegrida
austera e sem pejo, Actividades para os mês
tentaram, inultilmente,
Estavas sozinho no teu quarto,
impedir
de ver-te subir
de Novembro 2009
aproximei-me de ti,
à sala privada,
olhos cerrados,
solitária,
falei-te, não respondeste,
ao lado to teu maior amigo,
toquei-te, não reagiste,
onde, um dia,
estavas inerte, moribundo.
só Deus o sabe,
O manto da morte pairava sobre ti,
habitarei também o mesmo apartamento,
e o desejo de derramares o que te ia na
mesmo a teu lado,
alma,
e, então, tenho a certeza
era já morto.
me contarás a tragédia da tua desventura,
Foi tarde demais...
os últimos dias que vagueaste iludido,
desilusão.
indefeso,
Partiste, sem dizer ADEUS.
na orla das mortais impúdicas.
Não fora o sonho,
Que Deus te tenha no Seu Santo Reino
a luz Divina da verdade e do caminho,
que me levára à tua derradeira morada,
jamais saberia da tua secreta viagem. M.R.

COMUNICADO
A Fundação Portuguesa de Educação para o Centro da California leva a efeito o seu
Banquete Anual no Salão Paroquial de Nossa Senhora da Assunção dos Portugueses o State Youth President Ashley da Silva, Supreme President Marie Kelly and Next
dia 20 de Novembro de 2009 com o seguite programa: Generation President Monique Vallance

18 horas – Hora Social (No-host Cocktails)


19 horas – Jantar
20 hors – Apresentação das Bosas de Estudo e Reconhecimentos November 7 - Council #110 Visalia
22 horas – Sarau Dançante
1 hora – Encerramento
November 15 - Council #94 Tulare
Além da apresentação das bolsas de estudo, serão reconhecidos o estudande, empresá-
rio, professor e cidadão do ano 2009.
November 21 - Council 8 Pleasanton
O custo do bilhete é de $35.00 por pessoa e os mesmos encontram-se à venda com to-
dos os membros desta Fundação. Reservas poderão ser feitas até ao dia 6 de Novem- November 22 - Council #21 Selma
bro de 2009. Para mais informações poderão ligar para Sergio Pereira (209) 564 6863
ou John Dias (209) 668-9468.

Não haverá venda de bilhetes à porta.


COMUNIDADE 31

CONNECTICUT ACOLHEU GALA ANUAL PELA PRIMEIRA VEZ

PA L C U S re c o n h e c e u e m H a r t f o rd
figuras da vida luso-americana
Henrique Mano
Cortesia do
Luso-Americano

O estado de Connecticut acolheu pela


primeira vez a reunião anual do Por-
tuguese-
American Leadership Council of the
United States (PALCUS), que decorreu
sexta-feira ultima numa unidade de hotelaria
na cidade-capital de Hartford.
No sábado, o salão nobre do Clube Português,
em Newington, era palco da 13ª Gala desta en-
tidadede de cariz nacional, que há duas déca-
das se bate pelos interesses das comunidades
luso-americanas e de Portugal.
Na noite de Sábado, ao congressista John Lar-
son (que representa o Distrito Eleitoral de Con-
necticut), juntou-se o Senador Estatal Marc
Pacheco, a deputada estatal Rosa Rebimbas,
o embaixador de Portugal nos EUA, João de
Vallera, e o cônsul honorário no “Estado Cons-
tituição”, Abílio Gouveia.
O serão de gala teve como ponto alto a atri-
buição dos Prémios de Liderança do PALCUS,
que este ano voltaram a evidenciar o que de
melhor as comunidades lusas tem para ofere-
cer, nas mais diversas áreas.
Foram, assim, distinguidos, por ordem de en- Manuel Eduardo Vieira, João de Vallera, Pilar Coelho, José Covas, Paulo J. Tavares e David Leite
trega, Pilar Coelho (“Young Promessa”, pre-
sidente da Comissão Organizadora do Dia
de Portugal em Rhode Island), o empresário
Manuel Eduardo Vieira, produtor agrícola na
California (“Business”), José Covas, líder co-
munitário e figura filantrópica na área de Long
Island (“Community Service”), o antigo tesou-
reiro do estado de Rhode Island, Paul Tavares
(“Public Service”) e o jornalista de culinária
David Leite, que acaba de publicar o seu pri-
meiro livro de gastronomia - “The New Por-
tuguese
Table” - pela editora Clarkson Potter, de Nova
Iorque (“National Award”).
“Para mim foi uma grande honra receber este
prémio”, confidenciou David Leite ao LUSO-
AMERlCANO, sobretudo por- que depois de
ter renegado, em jovem, as minhas origens
portuguesas, agora tenho um orgulho profun-
do em fazer parte desta imensa familia luso-

Membros do direcção do PALCUS com os homenageados da Gala de 2009 em Hartford e convidados


de honra

Esquerda - Angela Simões entrega o Prémio a Manuel Eduardo Vieira

americana”. mensagem, sublinhando que o a Washington, DC com a gala


O antigo tesoureiro do estado de PALCUS “tem que chegar cada anual - enquanto que a de 2010
Rhode Island, Paul Tavares, re- vez mais ao maior número possí- vai ter lugar no estado de Massa-
cipiente do Prémio de Liderança vel de comunidades, para marcar chusetts, possívelmente em Dart-
no campo do Serviço Público, a diferença de forma vincada”. mouth.
também se mostrou “muito hon- O senador estatal Marc Pacheco
rado” pelo reconhecimento do concorda e incentiva a organi-
PALCUS, “sobretudo por se tra- zação a prosseguir no seu papel
tar de uma organização a nivel de promotora dos valores luso-
nacional”. americanos.
Para a deputada estatal Rosa Re- Do program a da noite de sábado
bimbas, de Connecticut, a men- fez parte a apresentação, por par-
sagem de união e cada vez mais te de dois elementos da FLAD,
importante no seio do PALCUS do livro “Dabney - Uma Familia
- “por forma a avançarmos a to- Americana nos Açores”, de Ma-
dos os níveis sem nos esquecer- ria Filomena Mónica.
mos das nossas origens”. Em 2011 o PALCUS assinala o
Fernando G. Rosa, presidente da seu 20° aniversário, regressando
gala de 2009, faz eco da mesma
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