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O que diz a lei - direito previdenciário - Caderno de Direito & Justiça

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O que diz a lei - direito previdenciário

Clara Lucia Campos Siqueira - Advogada, pós-graduada em Direito Previdenciário

Publicação: 13/12/2013 04:00

INSS

Direito à certidão do tempo de serviço

Consegui provar para o INSS que fui trabalhador rural. Atualmente, sou servidor público estatutário e não consigo que o INSS me dê a certidão de contagem de tempo para fins de aposentadoria. O regime de previdência ao qual sou vinculado é próprio e o INSS diz que preciso recolher o tempo rural, que hoje está avaliado em R$ 36 mil. O pagamento é legal? Como posso conseguir a referida certidão provando que trabalhei como lavrador antes de 1991 sem recolhimento para o INSS?

• Antônio Melo de Oliveira, Belo Horizonte

Tendo o servidor público laborado, antes de 1991, como trabalhador rural, tem ele direito à certidão do tempo de serviço correspondente. Entretanto, a indenização das contribuições não realizadas, já que antes da filiação obrigatória, só é necessária na hipótese de referido tempo ser utilizado para aposentadoria em regime diverso, conforme dispõem os artigos 94 e 96 da Lei 8.213/91.

Aliás, o Supremo Tribunal Federal já firmou o entendimento de que a contagem de tempo de serviço rural para aposentadoria em regime próprio dos servidores do estado, sem o recolhimento das contribuições previdenciárias, afronta o §9º do artigo 201 da Constituição da República.

Corolário lógico é que, se o referido tempo for utilizado para aposentadoria perante o próprio Regime Geral de Previdência Social, não há que se falar em indenização ou recolhimento. Portanto, se houve pedido e negativa formal da referida certidão é viável que o pedido seja ratificado por vias judiciais.

Abaixo está colacionado recente e pertinente julgado prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região:

AÇÃO RESCISÓRIA – PREVIDENCIÁRIO – CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO – ATIVIDADE RURAL – SERVIDOR PÚBLICO – CONTAGEM RECÍPROCA – INDENIZAÇÃO – NECESSIDADE – COMPENSAÇÃO FINANCEIRA DE REGIMES – VIOLAÇÃO À LITERAL DISPOSIÇÃO DE LEI – PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. I – O direito à expedição de certidão tem assento na Carta Política e é assegurado a todos, nos termos do artigo 5º, XXXIV, b, já que se destina à defesa de interesses pessoais, estando, na espécie, diretamente relacionado à obtenção de contagem recíproca de tempo de serviço. II – Tendo o servidor público laborado no campo em época pretérita, pode exercer o direito que lhe é assegurado pela Constituição Federal (§ 9º – artigo 201) da contagem recíproca. III – O trabalhador poderá valer-se da contagem recíproca, sem qualquer condicionante, e os empregadores, do regime originário e do regime instituidor, procederão à compensação financeira de regimes, prevista no artigo 4º da L. 9.796/1999. IV – O artigo 94 e seguintes da Lei 8.213/1991 dispõem sobre a contagem recíproca de tempo de serviço e o inciso IV do artigo 96 exige a indenização para a contagem do tempo correspondente, para efeito de compensação financeira entre os regimes, mas no momento oportuno. V – A exigência da indenização será do regime instituidor do benefício – do regime próprio do servidor – não se legitimando o INSS para exigi-la, no momento em que apenas é reconhecido o tempo de serviço rural, até porque, nessa oportunidade, que é também a da expedição da certidão, não se consumaram as condições exigidas para a aposentadoria do servidor, que, a seu critério, terá a opção de nem mesmo fazer uso dessa certidão de contagem do tempo de rurícola. VI – Embora o segurado especial, enquanto filiado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), não esteja obrigado ao recolhimento das contribuições para aposentar-se, como nesse caso, o afastamento dar-se-á em regime diverso, nada obsta

que o INSS faça constar da certidão que a utilização do tempo certificado, para fins de contagem

recíproca, poderá gerar indenização das contribuições previdenciárias correspondentes ao período trabalhado. VII – Tendo o Acórdão rescindendo acolhido a tese de que era, de fato, dispensável a indenização, violou literal disposição do parágrafo 2º do artigo 202 da Constituição Federal (redação

original do artigo 201, § 9º, da CF), caput do artigo 94 e inciso IV do artigo 96, ambos da Lei 8.213/1991.

VIII – Procedência do pedido formulado na ação rescisória. Pleito formulado na ação originária acolhido

parcialmente.(TRF-3 – AR: 40187 SP 0040187-31.2000.4.03.0000, Relator: JUIZ CONVOCADO CARLOS FRANCISCO, Data de Julgamento: 11/4/2013, TERCEIRA SEÇÃO)

Pensão

Incapacitada faz jus ao benefício

Prezada Clara, meu pai morreu em outubro, aos 91 anos, e era aposentado no serviço público. Como tenho uma irmã de 28 anos com problemas mentais, podemos requerer o benefício da pensão para ela, já que

não tenho mãe viva? Qual o procedimento necessário para fazer essa solicitação no INSS?

• Paula Fernandes, por e-mail

Sim. Se ficar comprovado que sua irmã vivia sob os auspícios econômicos de seu pai falecido, sendo, portanto, incapacitada para o trabalho, fará jus ao recebimento da pensão previdenciária. A pensão deverá ser requerida perante uma das agências do INSS, onde será agendada perícia médica para fins de avaliar a incapacidade da requerente. O pedido poderá ser formulado perante o 135 ou pelo site da Previdência – www.inss.gov.br.

É necessário apresentar os documentos pessoais: carteira de identidade, CPF, comprovante de endereço e documentação médica, como exames, relatórios e prontuários. Apresente também a certidão de óbito do instituidor falecido e o Número de Identificação do Trabalhador (NIT). Se sua irmã for interditada, apresente o respectivo termo de interdição judicial. Somente em caso de negativa é viável o pedido judicial.

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