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Prof. Jalles Pires

Prezado aluno,

jallespires@hotmail.com

O presente trabalho tem a finalidade de colaborar com os seus estudos para cargos efetivos no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, principalmente para o cargo de Técnico de Atividade Judiciária.

Este material deve ser utilizado em conjunto com o CODJERJ e com a Constituição Federal, pois ele não traz os artigos da lei, apenas traça comentários sobre os artigos elencados no último edital para o concurso de Técnico de Atividade Judiciária.

Sinta-se à vontade para enviar quaisquer sugestões, dúvidas ou esclarecimentos a respeito desta apostila para o e-mail citado no cabeçalho destas páginas.

 

Desejo

a

todos

muito

boa

sorte

e

perseverança na busca de seus objetivos.

 
 

Paz e bem.

 

Jalles Pires

τ

CODJERJ

 

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jallespires@hotmail.com

ÍÍNDICENDICE

Assunto

 

Página

-

Introdução

 
 

04

-

Disposições

Preliminares

(arts.

1º/4º)

05/06

-

Divisão

Territorial

(arts.

5º/9º)

06/07

-

Criação

e

Classificação

das

Comarcas

(arts.

10/16)

07/09

-

Órgãos

de

Segunda

Instância

(arts.

17/48)

09/21

-

Tribunais

de

Alçada

21

-

Órgãos

de

Primeira

Instância

(arts.

68/83)

21/29

-

Magistratura

(arts.

161)

29/32

-

Disposições

Gerais

e

Transitórias

(arts.

226/269)

 

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Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado do Rio de Janeiro

Resolução 01, de 21 de março de 1975

O art. 125 da CF determina que os Estados organizarão sua Justiça, observando os princípios da Constituição, sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça (§ 1º), assim como as suas alterações (art. 96, II, “d”, CF).

Nosso campo de estudo é a divisão e a organização do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro de maneira geral, sendo de forma específica a 1ª instância.

Além do CODJERJ dois outros “códigos” regulam o funcionamento do Poder Judiciário do Estado, são eles a Consolidação Normativa da Corregedoria-Geral da Justiça, regulando a vida funcional e a organização e funcionamento da Corregedoria e o Regimento Interno do Tribunal de Justiça que regula a competência e funcionamento dos Órgãos do Tribunal de justiça do Estado do Rio de Janeiro.

É igualmente importante destacar que o CODJERJ é uma lei estadual e, assim sendo, somente poderá ser alterada por outra lei estadual. Como disposto no art. 125, § 1º, CF, a lei de organização e divisão judiciárias é de iniciativa exclusiva do Tribunal de Justiça. Portanto, qualquer modificação neste código, como criação e elevação de comarcas, aumento do número de desembargadores etc., somente será possível por lei estadual que tenha sido proposta pelo Tribunal de Justiça.

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Concluímos, então, que o chefe do Poder Executivo (Governador), não poderá intervir na organização do Poder Judiciário.

Cabe ressaltar, que apesar de ser esta uma lei estadual, e como já falamos, só pode ser alterada por lei estadual, há previsão no art. 68, § único do CODJERJ, da possibilidade de alteração da nomenclatura das varas e de suas competências por mera resolução do Órgão Especial.

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Disposições Preliminares – arts. 1º ao 4º

Já aqui nas disposições preliminares, podemos verificar alguns pontos de muita relevância para nosso estudo. Por exemplo, no que se refere à utilidade deste código. Por ele serão regulados o Funcionamento, a Administração, a Divisão e a Organização da Justiça Estadual, ou seja, o código regula o FADO.

A seguir vamos encontrar uma repetição do art. 151 da Constituição Estadual, que nos informa sobre os órgãos que formam o Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. Então, são órgãos do Judiciário no Estado do Rio: o Tribunal de Justiça, os Juízes de Direito, o Tribunal do Júri, os Conselhos da Justiça Militar e os Juizados Especiais e suas Turmas Recursais.

Neste ponto devemos esclarecer a diferença entre instância e entrância. Dos órgãos enumerados no art. 2º do CODJERJ somente o Tribunal de Justiça é órgão de 2ª instância, os demais são todos órgãos de 1ª instância. O que é instância? Instância é grau de julgamento. Fica mais fácil entendermos com um exemplo. Quando você inicia uma ação na justiça, você terá uma sentença, que é o primeiro julgamento do seu processo. Então, quando se obtém um primeiro julgamento estamos na 1ª instância, ou ainda, julgamento de 1º grau. Se você, insatisfeito da decisão de 1ª instância, resolve recorrer, você está buscando um segundo julgamento, para obter um segundo julgamento você estará indo à 2ª instância. Na 2ª instância você irá obter um acórdão.

Decisão de 1ª instância, que é proferida por um juiz de direito, denomina- se sentença e decisão de 2ª instância, que é proferida por desembargador (este é o cargo mais elevado na carreira da magistratura), denomina-se acórdão.

Concluímos, então, que instância é grau de julgamento, existindo, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro duas instâncias. A 1ª instância formada pelos Juízes de Direito, Tribunal do Júri, Conselhos da Justiça Militar e Juizados Especiais e Turmas Recursais; e a 2ª instância formada apenas pelo Tribunal de Justiça.

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Mas o que é entrância? Apesar da semelhança no nome, nada tem haver com a instância. Enquanto a segunda, como estudamos, é grau de julgamento, esta está relacionada com o tamanho da comarca. Comarca? Comarca é uma forma de determinar o espaço em que o juiz poderá estar atuando. Com a determinação da comarca será possível saber onde o seu processo será julgado, por exemplo. Temos no Estado várias comarcas de vários tamanhos, como estudaremos a seguir. O termo entrância serve, então, para definir o tamanho da comarca, que poderá ser comarca de 1ª entrância, comarca de 2ª entrância ou comarca de entrância especial.

Verificamos ainda que o Tribunal de Justiça, que é órgão da 2ª instância, tem competência para julgar processos de qualquer parte do Estado. Por exemplo, se você está em Rio das Ostras e resolve recorrer da sentença que aquele juiz proferiu, o seu recurso será julgado no Tribunal de Justiça que está situado na Comarca da Capital, ou seja, na Comarca da Cidade do Rio de Janeiro. No entanto, a 1ª instância tem sua competência limitada à comarca a que pertence. Nós vimos que comarca limita o espaço de atuação do juiz, assim a 1ª instância tem sua competência limitada pelo CODJERJ, pois dependerá de cada comarca.

Da Divisão Judiciária e dos Órgãos Judiciários

Da Divisão Judiciária

Da Divisão Territorial – arts. 5º ao 9º

Neste ponto veremos a divisão do Estado para sua melhor administração judiciária. Vamos, aqui, analisar estas unidades de divisão do território. Iniciaremos nosso estudo pelas comarcas e em seguida passaremos às regiões judiciárias, pois desta forma fica mais fácil a compreensão.

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Comarca é sede de juízo. É a área em que o juiz estará exercendo a sua função julgadora. A comarca delimita a chamada competência territorial do juiz. Este espaço é definido pelo CODJERJ, podendo compor-se de um ou mais municípios, desde que contíguos. Por exemplo, a Comarca de Niterói, que é composta apenas pelo município de Niterói, e a Comarca de Italva, que engloba os municípios de Italva e Cardoso Moreira. A cidade que dá nome à comarca é aquela que abriga a sede da mesma, entendendo-se por sede da comarca o fórum. As comarcas são classificadas de acordo com o número de habitantes ou eleitores, movimento forense, receita tributária e extensão territorial, em 1ª e 2ª entrâncias e entrância especial.

O CODJERJ nos fala sobre a instalação da comarca, que é o início de seu funcionamento. A Instalação se difere da criação, sendo esta segunda a sua previsão legal, ou seja, está criada a comarca a partir do momento em que a lei que a cria entra em vigor.

Em caso de necessidade a sede da comarca poderá ser alterada, provisoriamente, por ato do Presidente, com aprovação do Tribunal de Justiça. Ou seja, não é o Presidente do Tribunal que autoriza a sua transferência, mas este apenas pratica o ato da transferência que foi autorizada pelo Tribunal de Justiça. Observe-se que somente ocorrerá a transferência por relevante interesse público.

Após termos aprendido o que é comarca, passaremos à segunda forma de divisão do território do Estado pelo Poder Judiciário, que são as regiões judiciárias. Por esta divisão as comarcas são agrupadas de acordo com a sua categoria (1ª e 2ª entrâncias e entrância especial). A finalidade desta divisão é a movimentação dos magistrados, pois os juízes que pertencem à essas regiões não são titulares de nenhuma vara, funcionam em substituição e auxílio dos titulares. Por exemplo, os 123 juízes que integram a região judiciária especial, relativa às comarcas de entrância especial, estarão, quando necessário, atuando em substituição ou auxílio dos juízes destas comarcas. São, ao todo, quatorze regiões judiciárias divididas da seguinte forma: região judiciária especial e mais treze regiões judiciárias numeradas de 1ª até 13ª.

Somente estas duas divisões (regiões judiciárias e comarcas) estão relacionadas com a função jurisdicional, com a função julgadora do Poder Judiciário, as demais são divisões para efeitos administrativos, estão relacionadas aos serviços extrajudiciais, que são aqueles que não guardam relação com julgamento.

Encontramos, então, os distritos e subdistritos. Estes são divisões que definem a área de atuação do juiz de paz. Os juízes de paz não são magistrados, não prestam concurso público, não integram a carreira da magistratura, não

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exercem funções jurisdicionais, apenas funções administrativas de celebração de casamento. A instalação do distrito, que é o início da prestação dos serviços da justiça de paz, se dá com a posse do juiz de paz perante o juiz de direito responsável pela matéria do Registro Civil das Pessoas Naturais. Os subdistritos são divisões dos distritos.

As circunscrições e zonas judiciárias são divisões do território para delimitar as áreas dos serviços extrajudiciais. As circunscrições se referem aos Registros Civis das Pessoas Naturais, onde são registrados o nascimento, falecimento, casamento, etc, e as zonas judiciárias delimitam as áreas dos Registros de Imóveis, Ofícios de Notas, etc.

Da Criação e Classificação das Comarcas – arts. 10 ao 16

Neste capítulo do CODJERJ encontramos os requisitos necessários para a criação das comarcas ou sua elevação. Como se verifica, a comarca pode ser criada na condição de 1ª entrância e depois ser elevada à 2ª entrância, ou ser criada já na condição de 2ª entrância, como ocorreu com a comarca de Queimados.

Os requisitos a serem preenchidos são:

- número de habitantes ou de eleitores, observe-se que neste requisito há uma alternatividade, pois o código assevera que será necessário determinado número de habitantes ou de eleitores, ou seja, uma coisa ou outra. Nos arts. 11, I, e 12, I, ele diz o mínimo de habitantes ou o mínimo de eleitores. Por exemplo, se determinada comarca vai ser criada, basta que ela tenha 15.000 habitantes, não necessitando ter os 8.000 eleitores. Se ela tem 15.000 habitantes e 6.000 eleitores, poderá ser criada;

- movimento forense, sendo que só tem validade para este cálculo os

processos que resultam coisa julgada, ou seja, aqueles processos em que não há mais possibilidade de recurso, é quando a decisão proferida se torna imutável;

- receita tributária, que é o valor que o município ou municípios que

formam a comarca arrecadam em forma de tributos próprios, por exemplo, o IPTU, somado às cotas de participação, que são os valores repassados pela União e Estado aos Municípios;

- extensão territorial, que é aplicada no caso de criação de comarca. Pode a comarca ter um ou mais municípios, então, se a sede da comarca, que é o fórum,

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ficar distante da sede de um dos municípios, que é a prefeitura, que comporão a comarca, mais de 100 km, serão os requisitos reduzidos em ¼ (25%) para que seja possível a criação de uma comarca naquele município mais distante.

Vimos os critérios para criação e classificação das comarcas, que serão classificadas em comarcas de 1ª entrância, que são as menores comarcas do Estado, possuindo uma única vara; comarcas de 2ª entrância, que são comarcas com duas ou mais varas; e, comarcas de entrância especial, que são as nove maiores comarcas do Estado.

É necessário que estudemos os artigos 13, 14 e 15, onde encontramos

relacionadas as comarcas de entrância especial, 1ª e 2ª entrâncias, respectivamente. É bom lembrar que existem alguns municípios que não são comarcas, mas que integram alguma comarca, pois como sabemos, a comarca pode ser formada por um ou mais municípios. Por exemplo, o município de Varre- Sai integra a comarca de Natividade e o município de Cardoso Moreira integra a comarca de Italva.

Vimos os critérios e requisitos para criação e classificação das comarcas, agora estudaremos os critérios para a criação de varas. Mas o que são varas? Vara é a menor divisão da Justiça Estadual para efeitos de julgamento de processos. É na vara que o juiz atua, é onde o juiz desempenha as suas funções julgadoras. É através das varas que saberemos se o juiz tem competência para julgar processos cíveis, de família, de órfãos e secessões, da infância, juventude e idoso, dentre outras especialidades. Mas o art. 16 não fala apenas em varas, se refere também aos fóruns regionais. São estes nada mais do que o resultado da descentralização das varas, como veremos a seguir.

O primeiro critério de criação de vara é o chamado desdobramento. Por ele

será criada uma nova vara com a mesma competência da vara que lhe deu origem. Por exemplo, temos uma vara cível em determinada comarca, o número de processos distribuídos a esta vara passou dos mil que o art. 16, “a” prevê. A partir daí poderá ser criada uma nova vara cível para que os processos sejam julgados com mais rapidez e a população possa ser atendida melhor.

O segundo critério é o da especialização. Por este critério será criada uma

nova vara com mais especialidade do que a que lhe deu origem. Sabemos que nas comarcas de 2ª entrância temos duas ou mais varas. Se tivermos duas varas é porque elas julgam todos os tipos de processo (cível, família, órfãos e sucessões etc.). Uma dessas varas julga processos de família e órfãos e sucessões. Ocorre que o número dos processos de órfãos e sucessões aumentou muito, dificultando o julgamento dos processos desta vara. Então, com o objetivo de tornar a vara mais

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eficiente, cria-se uma nova vara para julgar apenas processos de órfãos e sucessões. Desta forma, temos uma vara com uma especialidade maior.

O terceiro critério é o da descentralização. É através deste critério que criamos as varas regionais e, conseqüentemente, os fóruns regionais. Quando você cria uma vara regional você precisa instalá-la em um prédio, este prédio é chamado fórum. Fórum é o local onde funciona a justiça. Então, criação de vara regional implica em criação de fórum regional.

Neste critério de criação de varas você estará criando uma vara em local onde há grande concentração populacional. Tem por objetivo atender às pessoas que residem distante do fórum central, facilitando o acesso à justiça. Tomemos por exemplo a comarca da Capital. O fórum central da comarca da Capital fica na Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro da cidade. No entanto, para atender melhor à concentrações populacionais distantes do fórum central, foram criados fóruns regionais em Jacarepaguá, Méier, Pavuna, Leopoldina, Campo Grande, Ilha do Governador, Santa Cruz, Madureira, Barra da Tijuca e Bangu. A comarca da Capital tem ao todo dez fóruns regionais. Temos ainda fóruns regionais em Niterói (Região Oceânica), Magé (Inhomirim), Petrópolis (Itaipava) e São Gonçalo (Alcântara).

Dos Órgãos Judiciários de Segunda Instância

Do Tribunal de Justiça – art. 17 ao 29

No início de nosso estudo constatamos que o único órgão de 2ª instância

no Estado do Rio de Janeiro é o Tribunal de Justiça. Aqui vamos estudar melhor este órgão e poderemos verificar que ele é formado por outros órgãos que irão constituir

a 2ª instância.

O primeiro ponto a se observar é a formação do Tribunal de Justiça. A carreira da magistratura, como estudaremos em momento mais oportuno, é formada pelos cargos de juiz substituto, juiz de entrância do interior, juiz de

entrância especial e desembargador. Os três primeiros cargos estão na estrutura da 1ª instância. Já o desembargador é integrante da 2ª instância, ou seja, é o juiz da 2ª instância. É formado o Tribunal de Justiça por 170 desembargadores, que estão divididos pelos cinco órgãos que o compõem. A reunião dos 170 desembargadores

é

denominada de Tribunal Pleno.

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Todos os órgãos da 2ª instância têm suas competências definidas no Regimento Interno do Tribunal de Justiça (RITJ), que é o regimento que regula o funcionamento da 2ª instância do judiciário estadual.

Os órgãos com competência para julgar, integrantes do Tribunal de Justiça,

são:

- as Câmaras Isoladas: estes órgãos se dividem em Câmaras Cíveis e Câmaras Criminais, julgando, cada uma delas, recursos de natureza cível ou criminal, respectivamente, dentre outras competências enumeradas nos arts. 6º e 8º do RITJ. Ao todo são 28 Câmaras, divididas em 20 Cíveis e 8 Criminais. Em cada uma dessas Câmaras atuarão 5 desembargadores com funções distintas, ou seja, são órgãos colegiados. Na 1ª instância o processo será julgado por apenas um único juiz, o chamado juízo singular. Já na 2ª instância o recurso será julgado por um colegiado, será julgado pelos 5 desembargadores que integram as Câmaras Isoladas;

- a Seção Criminal: este órgão tem sua competência definida no art. 7º do RITJ, sendo constituído pelos 2 desembargadores mais antigos de cada Câmara Criminal (8 x 2 = 16) mais o 2º vice-presidente, que é o responsável pela presidência das sessões deste órgão, totalizando uma composição de 17 desembargadores em suas sessões;

- o Conselho da Magistratura: é órgão de fiscalização e disciplina, exercendo funções censórias contra os juízes de primeira instância. É competente para aplicar penalidades de advertência e censura aos juízes. O Conselho da Magistratura (CM) é composto por 10 desembargadores, sendo cinco os integrantes da direção do Tribunal de Justiça (o Presidente do Tribunal de Justiça, os três Vice- Presidentes e o Corregedor-Geral da Justiça) mais cinco desembargadores eleitos pelos integrantes do Órgão Especial, entre os desembargadores que não o componham. Ou seja, serão leitos entre os 145 (170 – 25 = 145) desembargadores que não compõem o Órgão Especial, já que 25 dos 170 integrantes do Tribunal de Justiça neste órgão.

Qualquer pessoa poderá representar contra juízes de 1ª instância. Então, após receber reclamação contra magistrado da primeira instância, o Conselho da Magistratura encaminha pedido de instauração de inquérito ao Corregedor-Geral, que o presidirá, funcionando como escrivão o Diretor Geral da Secretaria da Corregedoria. Ao final do procedimento, o Corregedor-Geral encaminha-o ao Conselho da Magistratura para que este decida pela aplicação, ou não, de penalidade ao juiz.

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Pode o Conselho receber reclamações contra servidores da 1ª instância, que estão submetidos à Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), encaminhando à esta a reclamação para que se instaure o devido Processo Administrativo Disciplinar, cabendo à própria Corregedoria decidir pela aplicação, ou não, de penalidade ao servidor.

No Conselho a regra de substituição de seus membros é simples, seguindo- se a ordem dos cargos, ou seja, o presidente do Tribunal de Justiça (que é o presidente nato do Conselho) será substituído pelo 1º vice, que será pelo 2º vice, que será pelo 3º vice, que será pelo corregedor, que será pelo mais antigo dos 5 integrantes restantes e assim sucessivamente.

O Conselho é revisor das decisões dos cinco membros da administração do

Tribunal de Justiça. O Órgão Especial é revisor das decisões do Conselho.

O Procurador-Geral da Justiça poderá participar das sessões do CM, mas

sem direito a voto;

- o Órgão Especial: é o órgão máximo da estrutura do Tribunal de Justiça, exercendo as funções de maior relevância, que seriam da competência do Tribunal Pleno. A criação de um Órgão Especial nos Tribunais de Justiça dos Estados é autorizada pela Constituição Federal, em seu art. 93, XI. No Tribunal de Justiça onde existirem mais de 25 desembargadores, fica este autorizado a criar um Órgão Especial com no mínimo 11 e no máximo 25 desembargadores, objetivando facilitar as decisões que deveriam ser tomadas pelo Tribunal Pleno, evitando a reunião dos 170 desembargadores, no caso do Rio de Janeiro.

Compõem a formação do Órgão Especial os cinco desembargadores eleitos para a administração do TJ (presidente, 3 vices e corregedor-geral) mais os 10 desembargadores mais antigos do TJ e 10 desembargadores eleitos. As sessões do Órgão Especial são presididas pelo presidente do TJ.

Devemos atentar para o fato de ter passado a Constituição por recente alteração em relação ao Poder Judiciário através da Emenda Constitucional nº 45/04, a chamada Reforma do Poder Judiciário. Inclusive foi feita alteração em relação à composição do Órgão Especial, pois agora a Constituição determina que

metade dos membros serão eleitos e a outra metade por antiguidade. Sendo assim,

o

CODJERJ precisa ser alterado para atender à determinação constitucional, mas até

o

presente momento isto não foi feito. Temos que ter atenção à esta questão nos

concursos.

Os integrantes da administração do TJ ficarão afastados de suas atividades jurisdicionais, ou seja, ficarão afastados de suas respectivas câmaras. No entanto,

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os outros 20 desembargadores em exercício no Órgão Especial terão sua distribuição reduzida em 50% a título de compensação. O mesmo não acontece no Conselho da Magistratura, onde os integrantes permanecem exercendo suas funções julgadoras normalmente.

Diferentemente do que determina o CODJERJ para o Conselho da Magistratura, a substituição no Órgão Especial funciona de outra forma. Aqui o presidente será substituído pelo 1º vice, que será pelo 2º vice. Em caso de impossibilidade de ambos, substitui o presidente o corregedor-geral, e a este o 3º vice. Como se pôde verificar, não há previsão de substitutos para os 2º e 3º vices.

Os órgãos a que nos referimos acima, como já foi asseverado, têm funções julgadoras, ou seja, têm funções relacionadas com julgamento de processos. O único órgão do Tribunal de Justiça que não exerce funções julgadoras é a Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), desempenhando funções administrativas. As suas atribuições se limitam à formação e ao aperfeiçoamento dos magistrados. Como veremos, os juízes substitutos, assim que ingressam na carreira da magistratura, realizam cursos na EMERJ pelo período de 4 meses.

Existe ainda mais um órgão da estrutura do Tribunal de Justiça, que é a Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ). Este é órgão de disciplina e correição dos serviços judiciais e extrajudiciais da 1ª instância. À disposição da CGJ ficarão até 5 juízes de direito, designados pelo presidente do TJ, por indicação do Corregedor- Geral da Justiça. As funções da CGJ são exercidas pelo Corregedor-Geral ou por quem este determinar. A substituição do CGJ incumbe ao 3º vice, no Órgão Especial, já no Conselho da Magistratura esta incumbência recai sobre o mais antigo dos cinco desembargadores que integram a estrutura do Conselho, como já foi estudado. A estrutura orgânica da CGJ é regulada pela Consolidação Normativa da Corregedoria-geral da Justiça.

Citamos diversas vezes o Presidente do Tribunal de Justiça, os 3 Vice- Presidentes e o Corregedor-Geral da Justiça, iremos agora tratar da forma que eles são escolhidos.

O chefe do Poder Judiciário estadual é o Presidente do Tribunal de Justiça, que é eleito pela maioria dos membros do Tribunal, o que denominamos de Tribunal Pleno, juntamente com os três vices e o Corregedor-Geral, para um mandato de dois anos.

Esta questão também irá passar por alterações já que a Emenda Constitucional nº 45/04 veda o gozo de férias coletivas nos Tribunais Estaduais. O CODJERJ nos informa que o mandato terá início no primeiro dia útil após o primeiro

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dia anual das férias coletivas. Como não há mais férias coletivas, devemos aguardar a alteração do CODJERJ para sabermos a partir de quando se iniciará o mandato.

Devemos neste ponto fazer uma observação no que se refere à possibilidade de reeleição destes membros. O CODJERJ diz que é permitida a reeleição por um período. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a expressão “permitida a reeleição por um período” do § 1º do art. 18, além de seu § 2º, do CODJERJ.

A expressão citada estava em dissonância com o Estatuto da Magistratura,

que não permite a reeleição. Além disso, o § 2º do art. 18 foi considerado inconstitucional por também contrariar o art. 102 do Estatuto da Magistratura. No § 2º encontramos a informação de que só os membros efetivos do Órgão Especial poderiam ser eleitos para os cargos de direção do Tribunal de Justiça. Ocorre que o Estatuto da Magistratura determina que os membros mais antigos do Tribunal poderão ser eleitos para os cargos da administração, não apenas aqueles que integram o Órgão Especial.

Estes cinco membros da administração do Tribunal de Justiça também farão parte da composição do Órgão Especial. Além deles, o Órgão é composto de mais 20 desembargadores, sendo os 10 mais antigos do TJ e 10 eleitos, como já dissemos. Não podendo esquecer da disposição constitucional sobre esta questão, como já observado anteriormente (art. 93, XI, CF).

O que vamos trazer de novo aos nossos comentários é o fato de o Órgão

Especial respeitar a representatividade de membros do Ministério Público e de

advogados.

Antes disto, no entanto, cabe-nos explicar o que vem a ser a participação das pessoas acima citadas no Tribunal de Justiça.

A Constituição Federal, em seu art. 94, determina que 1/5 dos lugares dos

Tribunais Estaduais e dos Tribunais Regionais Federais será ocupado por membros oriundos da classe dos advogados e da carreira do Ministério Público. É o chamado quinto constitucional.

No caso do Estado do Rio de Janeiro isso significa um total de 34 desembargadores. Eles são escolhidos em lista tríplice, que é elaborada pelo Tribunal, encaminhada ao Governador do Estado, que nomeia um daqueles nomes da lista.

O art. 19 do CODJERJ ao afirmar que esta representação será mantida no

Órgão Especial, significa que dos 25 lugares do Órgão, 5 serão preenchidos por desembargadores ingressos pelo quinto. Isso objetiva garantir a isonomia, pois um

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Tribunal que é composto por 170 desembargadores, sendo 34 deles ingressos pelo quinto, deve ter estes membros compondo o seu órgão mais importante, que vai desempenhar as atividades de maior relevância para o Poder Judiciário Estadual.

Do Presidente – art. 30

O Presidente do Tribunal de Justiça é o chefe do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. São muitas as suas atribuições, sendo assim, vamos destacar as que têm maior importância.

A primeira de suas atribuições está relacionada com o Órgão Especial e com o Conselho da Magistratura. Na condição de Presidente do Tribunal, será ele, também, presidente destes dois órgãos. Sendo assim, será de sua competência dirigir as sessões dos mesmos, além de poder convocá-los extraordinariamente, além de organizar suas pautas para julgamento.

Quando o inciso II do art. 30 diz superintender, quer dizer que ele próprio, o Presidente do TJ, irá exercer as atividades jurisdicionais e administrativas do Tribunal.

Em seguida temos as suas atribuições relacionadas diretamente com os juízes de direito. Terá ele que designar juízes para substituição e auxílio na primeira instância; juízes para as atribuições do serviço de distribuição; até 5 juízes de entrância especial para ficarem à disposição da Corregedoria-Geral da Justiça, por indicação do Corregedor-Geral da Justiça; até 5 juízes para ficarem à disposição da Presidência; até 5 juízes para ficarem à disposição do 3º vice, por indicação deste; os juízes dos Núcleos regionais da Corregedoria, com anuência do Corregedor, nenhum deles por prazo superior a 4 anos; e o juiz diretor do foro.

Outra de suas atribuições está ligada ao pessoal da justiça. Será sua a competência para contratar pessoal auxiliar (terceirizados), conforme autorizado pelo Órgão Especial; além de ser competente para praticar todos os atos de provimento e vacância dos cargos efetivos dos quadros de pessoal auxiliar da Secretaria do Tribunal e da Corregedoria. Provimento é ato de preenchimento de cargo, sendo eles: nomeação, promoção, acesso, transferência, readmissão, reintegração, aproveitamento e reversão; tudo de acordo com o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado do Rio de Janeiro, Decreto-Lei 220/75 e seu Regulamento, Decreto 2.479/79.

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Já os atos de vacância são aqueles que deixam o cargo vago. São atos de vacância de competência do Presidente do TJ: exoneração, demissão, acesso e aposentadoria; também de acordo com o Decreto-Lei 220/75 e com o Decreto

2.479/79.

Esta competência de declarar o provimento e a vacância dos cargos, também se estende aos cargos em comissão e às funções gratificadas (funções de

confiança) da Secretaria do Tribunal. No entanto, não poderá prover nem declarar vagos estes tipos de cargos e funções na Secretaria da Corregedoria, já que estes possuem como elemento determinante a relação de confiança entre quem nomeia

e quem é nomeado. Sendo assim, na Secretaria da Corregedoria estes atos ficarão

a cargo do Corregedor-Geral da Justiça.

No que se refere à concessão de licença aos servidores teremos três situações distintas. A primeira delas é a que se encontra no inciso XXIII do art. 30 do CODJERJ. Por ele, é da competência do Presidente do TJ concedê-la quando por prazo superior a 60 dias. Quando a licença for para tratamento de saúde de até 60 dias a competência será do Corregedor-Geral da Justiça na Comarca da Capital, mas nas comarcas do interior será dos juízes de direito. Ou seja, se você deseja licenciar-se por 45 dias e está lotado na Comarca de Niterói, sua licença será concedida pelo juiz a quem você está subordinado. Mas se você desejasse a mesma licença e estivesse lotado na Comarca da Capital, seria sua licença concedida pelo Corregedor-Geral da Justiça. Já, independente de estar ou não na Capital, sendo a licença superior aos 60 dias, será sempre concedida pelo Presidente do Tribunal de Justiça. Além desta repartição de competência em relação à licença, as férias na Capital serão concedidas pelo Corregedor e nas demais comarcas serão concedidas pelos Juízes.

É, ainda, da competência do Presidente do TJ, deferir, ou seja, dar

despacho favorável ao que se pede, ou indeferir, o seguimento do Recurso Extraordinário. Este recurso é julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja,

é ele quem decide se o recurso chegará ou não do STF, pois é dele a competência

para analisar se os requisitos para que o recurso seja julgado estão presentes.

O CODJERJ não trata da questão, mas além do Recurso Extraordinário para

o STF, será, igualmente competente, o Presidente do TJ, para decidir o mesmo

sobre o Recurso Especial, que é julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No entanto, como verificaremos, a atribuição para decidir sobre o prosseguimento destes recursos é do 3º vice-presidente. Isto ocorre com base no próprio inciso XXXI do art. 30, pois ele prevê a possibilidade desta competência ser atribuída ao 3º vice, como de fato acontece.

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No inciso seguinte, verificamos a competência para decidir sobre um possível recurso que questione o indeferimento do seguimento dos recursos supra citados. O que isso quer dizer? Se, por não preencher determinado requisito, o 3º vice indefere o seguimento do Recurso Extraordinário ao STF, por exemplo, há a possibilidade de se questionar esta decisão. A possibilidade é justamente a de recorrer, através do denominado Agravo de Instrumento, desta decisão ao Presidente do TJ, para que ele mantenha ou não a decisão do 3º vice. Há a previsão desta competência ser atribuída ao 2º vice, mas ela é desempenhada pelo próprio Presidente.

Dos Vice-Presidentes – arts. 31 ao 33

Com relação aos três vices não há muitos comentários a se fazer, pois suas competências são poucas e bastante objetivas.

Com relação ao 1º vice-presidente destacaremos sua competência para substituir o presidente do TJ cumulativamente com suas atribuições. Ou seja, ao substituir o presidente do TJ o 1º vice continuará exercendo suas funções de vice- presidente. Ele atuará como vice e como presidente ao mesmo tempo.

Não podemos deixar de atentar para o fato dele integrar o Conselho da Magistratura e tomar parte nos julgamentos do Órgão Especial. No caso do Órgão Especial fica claro que se ele pode tomar parte nos julgamentos deste órgão, é porque o integra. Como já foi estudado por nós, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro compõem-se de 25 membros da seguinte forma:

os cinco membros da direção do TJ, ou seja, o Presidente, os três vices e o Corregedor-Geral, mais os vinte desembargadores mais antigos do Tribunal.

No inciso XIII do art. 31, verificamos duas expressões que podem nos causar dúvida, são elas deserção e preparo. Vamos explicá-las iniciando pelo preparo. O preparo é o ato de pagamento da custas judiciais que são devidas no processo. A todo processo corresponde um determinado valor de custas judiciais. O pagamento deste valor é o preparo.

Já a deserção é a falta de pagamento das custas judiciais. A deserção ocasiona a extinção do recurso. Não apenas a falta de pagamento das custas, mas também o seu pagamento errado. Assim, incumbe ao 1º vice declarar a deserção, ou seja, a extinção do recurso por falta de preparo, por falta de pagamento das custas, ou seu pagamento errado.

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Seguiremos tratando, agora, das competências do 2º vice. A esta compete substituir o 1º vice, também cumulativamente, ou seja, exercerá as atribuições de

2º vice, que é o seu cargo, ao mesmo tempo com as atribuições de 1º vice.

Neste ponto faremos uma relação das atribuições dos 1º e 2º vices. Ao 1º vice incumbe fazer a distribuição dos recursos de natureza cível. Ou seja, os recursos que não sejam oriundos das varas criminais serão distribuídos por ele, o 1º vice. O ato de distribuição é encaminhar às câmaras os recursos para serem julgados. Já o 2º vice tem a incumbência de distribuir os recursos que tenham natureza criminal. Assim, temos que ao 1º vice foram atribuídas competências na área cível e ao 2º vice competências na área criminal.

Encontramos entre as competências do 2º vice a de presidir as sessões da Seção Criminal. Até há pouco tempo existia a Seção Cível, que era presidida pelo 1º vice. Esta competência do 1º vice figurava no inciso II do art. 31, que se encontra revogado.

Devemos esclarecer que na 2ª instância temos apenas duas competências,

a cível e a criminal. Enquanto na 1ª instância temos juízes competentes nas

matérias cível, família, órfãos e sucessões, criminal, etc, na 2ª instância isto não acontece. Aqui tudo que não for criminal será de competência das Câmaras Cíveis. Isto será melhor compreendido mais adiante, quando tratarmos das competências dos juízes de direito.

O 2º vice integrará, ainda, o Órgão Especial e o Conselho da Magistratura. Observe-se que o CODJERJ dispôs de maneira diferente para o 2º vice do que para o 1º. Para o 1º vice asseverou que este integraria o Conselho e tomaria parte nos julgamentos do Órgão Especial. Já para o 2º afirmou que integraria os dois, sem fazer referência se este tomaria parte ou não dos julgamentos do Órgão Especial.

Chegamos, então, ao 3º vice-presidente. Sua primeira atribuição é a de

substituir o Corregedor-Geral da Justiça, cumulativamente com suas atribuições de

3º vice. Seríamos levados a pensar que ao 3º vice seria incumbida a substituição do

2º vice, mas devemos atentar que será ele o substituto do Corregedor-Geral da Justiça na estrutura administrativa do Tribunal de Justiça e no Órgão Especial, pois a regra de substituição no Conselho da Magistratura é diferente, como verificaremos em momento mais oportuno.

Neste ponto vemos que é atribuição do 3º vice o deferimento ou indeferimento do seguimento dos Recursos Extraordinários. Quando estudamos as competências do presidente, vimos que era da sua competência a decisão sobre estes recursos, mas que poderia ser delegado ao 3º vice. Aqui constatamos a

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delegação da competência. Citamos, também, que além da competência para decidir sobre o seguimento do Recurso Extraordinário, que é julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), seria competente para decidir o seguimento do Recurso Especial, que é julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Soma-se aqui a competência para integrar o Órgão Especial e o Conselho da Magistratura, sendo que de forma diferente do que foi estabelecido para os 1º e 2º vices. O 3º vice tomará parte nos julgamentos do Órgão Especial, mas sem as funções de relator ou revisor. Ou seja, atuará com vogal. Já se este estiver vinculado por visto anterior, ou seja, se de alguma maneira já tiver atuado no julgamento deste processo poderá desempenhar as funções de relator ou revisor.

Do Conselho da Magistratura – art. 34

Já fizemos alguns poucos comentários sobre o Conselho da Magistratura, restando-nos, neste ponto do estudo, observarmos alguns detalhes deste órgão. No entanto, vale relembrar, que será este órgão composto pelo presidente, pelos três vices e pelo corregedor-geral, além de outros cinco desembargadores eleitos pelo Órgão Especial, dentre desembargadores que não integram o Órgão Especial.

Dissemos que o Conselho da Magistratura é órgão responsável pela vida disciplinar dos juízes. Qualquer pessoa poderá representar contra juízes de 1ª instância. Então, após receber reclamação contra magistrado da primeira instância, o Conselho da Magistratura encaminha pedido de instauração de inquérito ao Corregedor-Geral, que o presidirá, funcionando como escrivão o Diretor Geral da Secretaria da Corregedoria. Ao final do procedimento, o Corregedor-Geral encaminha-o ao Conselho da Magistratura para que este decida pela aplicação, ou não, de penalidade ao juiz.

Pode o Conselho receber reclamações contra servidores da 1ª instância, que estão submetidos à Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), encaminhando à esta a reclamação para que se instaure o devido Processo Administrativo Disciplinar, cabendo à própria Corregedoria decidir pela aplicação, ou não, de penalidade ao servidor.

No Conselho a regra de substituição de seus membros é simples, seguindo- se a ordem dos cargos, ou seja, o presidente do Tribunal de Justiça (que é o presidente nato do Conselho) será substituído pelo 1º vice, que será pelo 2º vice,

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que será pelo 3º vice, que será pelo corregedor, que será pelo mais antigo dos 5 integrantes restantes e assim sucessivamente. Como já estudamos, esta regra de substituição é diferente da regra de substituição dos mesmos cinco membros da administração do Tribunal de Justiça no Órgão Especial (OE).

Lá no OE a substituição segue a seguinte ordem: o presidente é substituído

pelo 1º vice, que será substituído pelo 2º vice. O 3º vice substitui o corregedor-

geral, que substituirá o presidente quando impossibilitados o 1º e 2º vices.

O Conselho é revisor das decisões dos cinco membros da administração do

Tribunal de Justiça. O Órgão Especial é revisor das decisões do Conselho.

O Procurador-Geral da Justiça poderá participar das sessões do Conselho da

Magistratura, mas sem direito a voto.

Da Corregedoria-Geral da Justiça – arts. 40 ao 44

A Corregedoria-Geral da justiça é órgão de disciplina e correição dos

serviços judiciais e extrajudiciais da 1ª instância. Ou seja, é este o órgão do Poder Judiciário estadual, que irá disciplinar a vida dos servidores da 1ª instância, além de organizar os serviços judiciais e extrajudiciais, também, da 1ª instância.

É necessário que façamos uma observação com relação ao que está

disposto no art. 41. Neste artigo encontramos a informação de que o corregedor- geral seria substituído pelo 1º ou pelo 2º vice, conforme o caso. Ocorre que estudamos no art. 33, I, que a substituição do corregedor-geral será da competência do 3º vice. Nesta situação prevalece o disposto no art. 33, I, ou seja, a regra disposta no art. 41 não tem validade face ao colocado no art. 31, I. O motivo é muito simples. O art. 41 teve sua redação dada pela Lei 272/79. Já a redação do art. 33, I foi dada pela Lei 606/82. Ou seja, a lei que deu a redação do art. 33 é posterior, é mais recente que a lei que deu a redação do art. 41, assim, prevalece a lei mais nova sobre a mais velha. Ou seja, terá validade o disposto pela lei mais recente, que é a que deu a redação do art. 33.

Como já dissemos, os até 5 juízes que ficarão à disposição da Corregedoria, desempenharão as funções de presidir inquéritos, sindicâncias e correições extraordinárias, bem como outras atividades que lhes forem delegadas. São estes juízes indicados pelo Corregedor, mas suas designações são de competência do presidente do Tribunal de Justiça.

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Agora faremos alguns comentários sobre as competências do corregedor- geral, iniciando pela sua competência, já citada anteriormente, de substituir o presidente na impossibilidade da substituição ser feita pelos 1º e 2º vices.

Além disso, será da competência do corregedor-geral processar as representações contra os juízes. Isso significa que será da responsabilidade dele instruir, ou seja, “fabricar” o processo administrativo instaurado contra um juiz. Não é da competência do corregedor-geral julgar os juízes. Como já estudamos, a competência para julgamento de magistrados de 1ª instância é do Conselho da Magistratura. O corregedor apenas prepara este processo.

Já com relação aos serventuários da 1ª instância a atuação da corregedoria não se resume ao simples preparo do processo administrativo. Nestas situações, de infração disciplinar de servidor da 1ª instância do judiciário, a corregedoria, através de uma suas comissões permanentes de inquérito administrativo, que é presidida por juiz de direito que se encontra à disposição da corregedoria, terá competência não só para instruir o processo, ou seja, fabricá-lo, produzi-lo, terá competência, também, para decidir pela aplicação, ou não, de penalidade administrativa ao servidor.

Em resumo, quando se tratar de juiz, será competente o corregedor para instruir o processo administrativo, encaminhando-o ao Conselho da Magistratura, que tem competência para decidir pela aplicação, ou não, de penalidade ao magistrado da 1ª instância. Quando for infração de servidor da 1ª instância, a competência para processar, ou seja, instruir o processo, e para ao seu final julgar o servidor, será da corregedoria.

Quando o CODJERJ disse “processar representação contra magistrado”, disse que deve o corregedor instruir, fabricar, produzir, a representação contra os magistrados. Quando asseverou que o corregedor deveria “conhecer de representação contra serventuários”, determinou que a instrução do processo e seu julgamento, ou seja, a produção e decisão, cabem ao corregedor. Na verdade não ao corregedor em pessoa, mas às comissões de inquérito. Em seguida diz o art. 44, XIX, que será da competência do corregedor aplicar penalidades aos servidores da 1ª instância e da secretaria da corregedoria. Concluímos então que a apuração das faltas administrativas é da competência das comissões de inquérito, e com base no que for por elas apurado o corregedor-geral aplicará as penas que julgar cabíveis.

Alguns atos relacionados com a vida funcional dos servidores da 1ª instância e da secretaria da corregedoria-geral como a posse, que não deve ser confundida com a nomeação, que é ato de provimento e só o presidente do Tribunal de Justiça pratica os atos de provimento. Além da posse, o corregedor-geral deve

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praticar os atos de matrícula, concessão de férias e licença e substituição dos destes servidores. Com relação à concessão de férias e de licença devemos relembrar algumas observações que foram feitas. As férias e licença por motivo de saúde até 60 dias serão concedidas pelos juízes das comarcas onde estão lotados os servidores que as requererem. Ou seja, são três as situações da concessão de licença: acima de 60 dias serão sempre concedidas pelo presidente do Tribunal de Justiça; por motivo de saúde até 60 dias, na comarca da Capital, serão concedidas pelo corregedor-geral e nas comarcas do interior serão concedidas pelos juízes. As férias serão concedidas pelo corregedor-geral na Capital e no interior pelos juízes.

Das Correições – arts. 45 ao 48

Dentre as funções da corregedoria encontram-se as correições, que são a inspeção dos serviços judiciários, com o objetivo de que sejam executados com regularidade, apurar denúncias e atender a pedidos de providências.

São quatro os tipos de correição:

- ordinária: que é realizada anualmente pelo Corregedor-Geral da Justiça,

em pelo menos 3 comarcas, observando-se o calendário anual, ou seja, o próprio

corregedor visita no mínimo três comarcas em data previamente estipulada;

- extraordinária: é a realizada pelo Corregedor-Geral da Justiça, ou por

autoridade judiciária por ele designada, a qualquer título, sendo realizada a qualquer tempo, não havendo calendário prévio;

- permanente: é a atividade correicional exercida de forma permanente e

difusa, cabendo a todos os juízes verificar a regularidade com que os autos, livros e atos são praticados, tomando providências para sanar irregularidades e responsabilizar os servidores faltosos. Nas serventias judiciais é realizada pelo Juiz de Direito. Nas serventias extrajudiciais é realizada pelo Juiz que tiver a atribuição definida pelo CODJERJ. Ou seja, esta é a correição realizada no dia-a-dia;

- geral: é realizada anualmente, atendendo ao calendário estabelecido pela

Corregedoria. Será realizada pelo Juiz de Direito Titular da serventia judicial (vara) ou pelo Juiz Diretor do Foro para os serviços comuns a todas as Varas (p.ex.:

distribuidores, contadores etc) e para os Cartórios extrajudiciais (p.ex.: registro de imóveis).

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Dos Tribunais de Alçada

Os Tribunais de Alçada foram extintos em 1997. No Estado do Rio de Janeiro tínhamos dois Tribunais de Alçada, um com competência na matéria cível e outro com competência na matéria criminal. Hoje, atuando como órgão da 2ª instância temos apenas o Tribunal de Justiça.

Dos Tribunais e Juízes de Primeira Instância

Da Composição da Justiça de Primeira Instância – art. 68

Neste ponto de nosso estudo verificamos os órgãos que integram a estrutura da 1ª instância do Poder Judiciário Estadual. São eles:

- Tribunais do Júri;

- Juízes de Direito;

- Conselhos da Justiça Militar;

- Juizados Especiais e suas Turmas recursais.

É importante destacar que o CODJERJ é uma lei estadual e, assim sendo, somente poderá ser alterada por outra lei estadual. Como disposto no art. 125, § 1º da Constituição Federal, a lei de organização e divisão judiciárias é de iniciativa exclusiva do Tribunal de Justiça. Portanto, qualquer modificação neste código, como criação de comarcas e sua elevação de entrância, o aumento do número de desembargadores etc, somente será possível por lei estadual que tenha sido proposta pelo Tribunal de Justiça.

Cabe ressaltar, que apesar de ser esta uma lei estadual, e como já falamos, só pode ser alterada por lei estadual, há previsão no art. 68, parágrafo único do CODJERJ, da possibilidade de alteração da nomenclatura das varas e de suas competências por mera resolução do Órgão Especial. A seguir poderemos verificar como isto ocorre na prática.

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Aproveitaremos esta oportunidade, antes de falarmos dos Tribunais do Júri

e

dos Juízes de Direito, para falar dos Conselhos da Justiça Militar, dos juízes de paz

e

dos Juizados Especiais e Turmas Recursais.

A Constituição no art. 125, §§ 3º e 4º, prevê a criação de Justiça Militar Estadual, competente para julgar policiais militares (PM) e bombeiros militares (BM) pela prática de crimes propriamente militares conforme definidos no Código Penal Militar (art. 9º do Código Penal Militar, p.ex., crimes de militar contra militar, militar contra a instituição militar, militar contra bens e serviços militares, em razão do exercício irregular de suas atribuições), formada por juízes de direito e por Conselhos da Justiça Militar, funcionando em primeira instância.

No Estado do Rio de Janeiro foi criada a Justiça Militar com a criação de seus Conselhos e da Auditoria Militar. O CODJERJ dispõe sobre a Justiça Militar do art. 152 ao 157, no entanto estes artigos foram excluídos pelo último edital para Técnico do TJ. Devemos nos preocupar com o que está disposto sobre o assunto na Constituição, em seu art. 125.

Prevê a Constituição que poderá ser criado um Tribunal de Justiça Militar

(TJM) para funcionar como segunda instância da Justiça Militar Estadual, desde que

o Estado possua um efetivo superior a 20.000 integrantes, somados os PM’s e os

BM’s. O Estado do Rio de Janeiro possui tal quantitativo, no entanto, não teve interesse em criar um TJM. Sendo assim, funciona com segunda instância dos Conselhos da Justiça Militar no Estado o próprio Tribunal de Justiça.

Excluem-se do julgamento pela Justiça Militar Estadual os oficiais e praças do Exército, Marinha e Aeronáutica, sendo os mesmos julgados pela Justiça Militar Federal.

Trataremos ainda, neste momento, sobre os juízes de paz. No início de nosso trabalho, ao estudarmos o art. 2º do CODJERJ, não encontramos o juiz de paz incluído como órgão do Poder Judiciário. Não obstante, encontramos o juiz de paz incluído na estrutura de 1ª instância, no entanto, ele não exerce funções julgadoras, mas participa como órgão administrativo.

A Constituição, em seu art. 98, II, determina que os juízes de paz serão

remunerados e eleitos pelo voto direto, secreto e universal para mandato de quatro

e terão atribuições de “celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de

impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas na legislação”.

No entanto, os arts. 158, 159 e 160 do CODJERJ vão dispor sobre o juiz de paz, asseverando que os mesmo serão nomeados pelo Presidente do TJ, através de

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lista tríplice elaborada por juiz de direito competente para a matéria do Registro Civil das Pessoas Naturais (RCPN). Um será nomeado e os outros dois serão suplentes.

Sendo que os artigos do CODJERJ supramencionados ficaram de fora do último edital para Técnico do TJ. Desta maneira, nos ateremos às informações constantes do art. 98, II, CF.

Por último, antes de passarmos ao Tribunal do Júri e Juízes de Direito, trataremos dos Juizados Especiais e suas Turmas Recursais. Sobre os Juizados Especiais não temos nenhuma informação no CODJERJ, ficando esta matéria limitada aos termos da Constituição, em seu art. 98, I, para o edital de Técnico do TJ.

A Constituição determina que os Estados criarão Juizados Especiais para cuidarem de causas cíveis de menor complexidade, ou seja, aquelas ações, que segundo a Lei 9.099/95, não ultrapassem o valor da causa em 40 vezes o salário mínimo, dentre outras; e as infrações penais de menor potencial ofensivo, que nos termos da mesma lei são os crimes e contravenções com pena máxima prevista de um ano.

Estes Juizados Especiais serão formados por juízes togados, que são os juízes de carreira, os concursados, e por juízes leigos, que são aqueles não concursados, mas que desempenham funções de conciliação nos juizados.

Os Juizados têm a finalidade de buscar a celeridade e simplicidade dos processos, por isso temos citados pela Constituição os procedimentos oral, ou seja, nos juizados devemos primar pela simplicidade, e sumaríssimo, pois neles os processos devem ser rápidos, céleres.

As suas decisões podem ser recorridas, no entanto esses recursos serão julgados não pelo Tribunal de Justiça, mas sim pelas Turmas Recursais. As Turmas Recursais são a segunda instância dos juizados especiais, apesar de integrarem a primeira instância do Poder Judiciário Estadual, tanto que a Constituição afirma que estas turmas serão formadas por juízes de primeiro grau, ou seja, de primeira instância. As decisões ali proferidas são sentenças, pois são proferidas por Juízes de Direito e não por Desembargadores.

Passaremos agora ao estudo do Tribunal do Júri e dos Juízes de Direito.

Dos Tribunais do Júri – arts. 69 ao 71

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Os Tribunais do Júri tem a sua competência material, ou seja, que tipo de processo é julgado por estes órgãos, definida pela Constituição Federal. É nela que encontramos a informação de que os Tribunais do Júri irão julgar os chamados crimes dolosos contra a vida. Os crimes dolosos contra a vida são aqueles em que o autor do crime atua com a intenção de causar a morte da vítima.

Dolo é quando o autor age com a intenção de alcançar aquele resultado pretendido. Já a culpa é quando o autor age sem a intenção de alcançar aquele resultado, mas ele acaba ocorrendo. De maneira simples podemos dar o seguinte exemplo, sem querermos nos aprofundar em questões de Direito Penal: um devedor vê seu agiota atravessando a rua e pensa: “vou atropelá-lo para causar-lhe um prejuízo”. Acelera o carro, atropela o sujeito e ele morre. Agiu com culpa, pois não tinha a intenção de alcançar aquele resultado morte, mas ele acabou ocorrendo. Se ele pensa: “vou extinguir a minha dívida”. Acelera o carro, atropela e mata. Ele agiu com dolo, pois a intenção que tinha era a de matar e foi este o resultado alcançado.

Sendo assim, é crime doloso contra a vida quando há a intenção de matar. Mesmo que a pessoa não morra, pois o que define como doloso ou culposo é a intenção do autor.

Desta maneira, se o autor age com a intenção de matar, mesmo que a pessoa não morra, responde no Tribunal do Júri. Se ele age sem a intenção de matar, mas mesmo assim a vítima morre, ele responde numa vara criminal comum.

Sua organização, o seu funcionamento interno, estará no Código de Processo Penal, já a sua competência territorial, ou seja, sobre que área terá competência determinado Tribunal do Júri, é determinada pelo CODJERJ.

Quando o CODJERJ afirma que na comarca da Capital existem quatro Tribunais do Júri, ele se refere apenas ao foro central da Comarca.

Dos Juízes de Direito – arts. 72 ao 74

Com a leitura do art. 72 podemos verificar as competências de todos os juízes de direito, independentemente da sua matéria (cível, penal, família etc.). Ou seja, estas competências são comuns aos juízes de todas as áreas, seja ele juiz de vara cível, vara criminal, vara de órfãos e sucessões, ou qualquer outra vara.

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O termo ad hoc não é só encontrado neste artigo, mas é comum em todo o CODJERJ. O termo significa que alguém foi nomeado para cumprir determinado ato. Quando o código diz que será nomeado ad hoc, por exemplo, o serventuário, significa que a pessoa nomeada apenas exercerá as atribuições de serventuário na prática do ato específico, ou seja, será serventuário para praticar aquele ato. Depois de praticado o ato, deixa a pessoa de ser serventuário da justiça.

Em seguida encontramos que nas comarcas de um só juízo, ou seja, nas comarcas em que há uma única vara, terão os juízes destas varas outras competências além daquelas comuns a todos os juízes. Dentre uma dessas atribuições está a de exercer a direção do foro. O juiz diretor do foro tem suas competências elencadas no art. 73. O juiz diretor do foro tem a competência principal, dentre outras, de administrar as partes comuns do foro. Ou seja, é o diretor do foro que irá cuidar do estacionamento, da portaria do foro, do almoxarifado, providenciará a manutenção do prédio etc. O juiz diretor do foro é designado pelo presidente do Tribunal de Justiça, juntamente com um substituto.

Já que as varas e foros regionais também funcionam em prédio da justiça, será necessário que existam juízes com as atribuições de diretor do foro. Então, no foro regional de Jacarepaguá, por exemplo, teremos juiz exercendo as funções de diretor do foro, assim como em todas os outros foros regionais, não só da comarca da Capital, mas de todas as comarcas onde existirem foros regionais.

Encerrando este tópico de nosso estudo trataremos da questão da substituição dos juízes nos casos de férias, licenças, afastamentos e vacância, nas comarcas de um só juízo, e impedimentos, suspeição e faltas ocasionais em todas as comarcas.

Iniciamos falando dos juízes das comarcas de um só juízo, uma só vara, que tem regra bastante simples para sua substituição nos casos de férias, licenças, afastamentos e vacância. Buscar-se-á sua substituição utilizando os juízes das regiões judiciárias. Assim, por exemplo, quando o juiz da comarca de Italva, que é comarca de juízo único, ou seja, só possui uma vara, ausentar-se por férias, um dos três juízes que integram a 11ª região judiciária, da qual faz parte Italva, irá substituir o juiz desta comarca. Na impossibilidade desta substituição ocorrer da forma exemplificada, ela será feita por outro juiz da mesma comarca ou de comarca vizinha.

Como podemos verificar, a regra citada é bem simples. Vamos agora estudar a regra para substituição de juízes por motivo de impedimento, suspeição ou falta ocasional.

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Antes, porém, devemos saber o que são impedimento e suspeição. A figura do impedimento surge quando, por exemplo, o advogado de uma das partes daquele processo for seu cônjuge (marido ou esposa). Já a figura da suspeição surge quando uma das partes for credora ou devedora do juiz. São apenas dois

exemplos, mas as possibilidades de impedimento e suspeição são em número maior, como podemos verificar no Código de Processo Civil, em seus artigos 134 e

135.

A regra para substituição nos três casos do parágrafo único do art.74 são tratados de uma forma para a comarca da Capital e de outra forma paras as demais comarcas.

Para a substituição dos juízes da comarca da Capital, nos casos de impedimento, suspeição e faltas ocasionais, a regra inicia-se pela substituição do juiz por um auxiliar da sua vara, desde que esta possua juiz auxiliar.

Não havendo juiz auxiliar, ou não sendo possível a substituição por ele, recorre-se aos juízes da mesma competência daqueles que deve ser substituído, em ordem crescente de vara. Ou seja, se o juiz a ser substituído é de vara de família, por exemplo, o juiz da 3ª vara de família, e não sendo possível sua substituição por juiz auxiliar, ou até mesmo se não houver auxiliar, a substituição recairá sobre o juiz da 4ª vara de família. Se não for possível pelo da 4ª vara de família, partiremos para o da 5ª vara de família e assim sucessivamente. Chegando na 18ª vara de família, e também não sendo possível a substituição por este juiz, seguiremos para a 1ª vara de família, seguindo, se necessário, até a 3ª vara. É isso que se denomina de juiz tabelar, quer dizer que o juiz tabelar da 5ª vara de família é o 6ª vara de família. O da 6ª vara é o da 7ª vara, e assim por diante.

Se não for possível a substituição por juiz de mesma competência, no nosso exemplo por juiz de vara de família, segue-se a ordem estabelecida na alínea “b” do inciso I do parágrafo único do art. 74. Depois de ter-se tentado a substituição por juiz de mesma competência, segue para os de vara cível, depois para os de vara de órfãos e sucessões, depois para vara de família, mas nosso exemplo a competência original era desta matéria, então pulamos e vamos para a vara de fazenda pública.

A regra acima não vale para três varas. Primeiro a vara de registros públicos, pois o juiz desta vara será substituído pelo juiz da 1ª vara cível. Na verdade não era preciso dizer isto, pois pela regra de juiz tabelar, sendo a vara de registros públicos vara única na Capital, a substituição recairia sobre o juiz da 1ª vara cível.

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A segunda exceção é da vara de execuções penais, que também é vara única, mas é vara única para todo o Estado. A substituição do juiz desta vara recairá sobre o juiz da 1ª vara criminal.

A terceira vara que é tratada separada pelo código para regra de substituição é a vara de menores, hoje denominada vara da infância, juventude e idoso. São duas varas da infância e juventude na Capital, então, a substituição dos juízes destas varas será feita primeiro entre eles e seus auxiliares. Não sendo possível a substituição desta maneira, o próximo a substituí-los será o juiz da 1ª vara de família. Ou seja, a substituição dos juízes das varas da infância e juventude não segue a regra de não sendo possível a substituição por juiz de mesma competência, recair sobre juiz de vara cível. Nesta situação, recairá sobre o juiz da 1ª vara de família.

Nas varas regionais a regra é a substituição, primeiro, ser realizada por juiz auxiliar, caso exista, não existindo ou não sendo possível a substituição por este, recairá sobre juiz da mesma sede, ou seja, do mesmo foro regional. Mas se ainda assim não for possível, recairá sobre juiz da sede de foro regional mais próxima daquela onde se necessita realizar a substituição. Por exemplo, se o juiz da 1ª vara cível do foro regional de Jacarepaguá precisa ser substituído, tentar-se-á substituí-lo por seu auxiliar, se existir. Digamos que não tenha auxiliar, então se busca a substituição por juiz de mesma competência, no próprio foro regional, ou, se não for possível, por juiz de outra competência. Caso não se consiga substituí-lo, recorre-se ao foro regional mais próximo, que é o da Barra da Tijuca.

Estas regras que analisamos se referem aos juízes da comarca da Capital. Nas comarcas de 1ª e 2ª entrâncias a substituição se dará de acordo com a tabela expedida pelo presidente do Tribunal de Justiça. Aqui é preciso fazer uma observação, pois quando o CODJERJ, no art. 74, § único, II, se refere às comarcas de 2ª entrância, estão aqui incluídas as oito comarcas que foram elevadas à condição de entrância especial. Ou seja, para efeitos deste artigo, entenderemos como comarcas de 2ª entrância as comarcas de Niterói, São Gonçalo, Campos, Duque de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Petrópolis e Volta Redonda.

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Dos Juízes da Região Judiciária Especial – arts. 75 ao 79

Quando estudamos regiões judiciárias, verificamos que são ao todo 14 regiões, sendo que elas estão numeradas de 1ª a 13ª regiões, sendo que a região judiciária especial não recebe numeração. Esta região tem por finalidade distribuir os juízes que exercerão substituição e auxílio nas comarcas de entrância especial, que são as maiores comarcas do Estado. Para tanto, ficam à disposição desta região 123 juízes regionais de entrância do interior. Devemos atentar para o cargo dos juízes desta região judiciária, pois eles são juízes de entrância do interior.

No momento oportuno estudaremos a carreira da magistratura e verificaremos que ela se divide em juiz substituto, juiz de entrância do interior, juiz de entrância especial e desembargador. Para ser juiz titular de vara de qualquer comarca de entrância especial, deve o juiz ter alcançado o cargo de juiz de entrância especial, que é a promoção seguinte à do cargo de juiz de entrância do interior. Mas para exercer funções de substituição e auxílio nas comarcas de entrância especial, basta que o juiz seja juiz de entrância do interior. Então, titulares de varas de entrância especial serão os juízes de entrância especial, mas os juízes da região judiciária especial são juízes regionais, porque pertencem à região judiciária, de entrância do interior.

Havendo juiz auxiliar na vara cível ou criminal, caberá ao titular adotar critério para distribuição dos processos entre ele e seu auxiliar, podendo: delegar distribuição no próprio despacho da inicial ou flagrante, ou seja, ao analisar pela primeira vez o processo o titular dirá se ele próprio decidirá o processo ou se o encaminhará ao seu auxiliar; adotar critério objetivo para a distribuição, através de portaria, seja em razão da matéria do feito ou valor da causa. Significa dizer que o juiz titular, por exemplo, pode determinar que os processos com valor da causa acima de 100 salários mínimos serão julgados por ele, e os que tiverem valor inferior ao estipulado serão julgados pelo seu auxiliar. O destinatário da portaria é o escrivão, pois no momento da autuação, no momento em que for colocar o processo na capa, deverá ele escrever o nome do juiz competente.

Não sendo adotado critério objetivo, serão os feitos de numeração ímpar remetidos ao titular e os de numeração par ao auxiliar.

Não se admite em qualquer hipótese que haja delegação de mais da metade dos processos. Quer dizer, o juiz titular pode julgar 70% dos processos, deixando 30% para o auxiliar. O que não pode é o contrário, o juiz titular julgar 30% e o auxiliar 70%. No máximo o auxiliar julgará metade dos processos da vara.

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Já com relação aos juízes auxiliares das varas de fazenda pública o próprio código diz quais processos serão por eles julgados. Afirma que os auxiliares destas varas julgarão as execuções fiscais, desde que o juiz titular não lhes determine outra competência. Execução fiscal é o processo, em que, por exemplo, o Estado ou o Município cobram os contribuintes devedores.

Dos Juízes das Regiões Judiciárias do Interior – arts. 80 ao 83

Na região judiciária especial temos 123 juízes à disposição das comarcas que integrarão esta região. Já as demais treze regiões judiciárias têm 46 juízes, que estarão exercendo função de substituição e auxílio nas comarcas vinculadas às suas respectivas regiões. Temos ao todo 169 juízes em regiões judiciárias.

Como já estudamos, os juízes das regiões judiciárias estão disponíveis para substituição e auxílio nas comarcas que integram sua região. Por exemplo, a 9ª região judiciária tem à sua disposição um juiz, que poderá desempenhar funções de auxílio e substituição nas comarcas de Itaboraí, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu e Tanguá, que são as comarcas que formam esta região. No entanto o mesmo não se aplica aos juízes da 1ª região judiciária, também denominada região judiciária geral, pois seus 19 juízes ficam à disposição da presidência para funções de auxílio e substituição em qualquer comarca.

Da Magistratura

Dos Magistrados – art. 161

Juízes substitutos, juízes de direito e desembargadores, são cargos integrantes da carreira da magistratura.

Esta é toda a informação contida no art. 161, no entanto não podemos nos ater a ela, pois a Constituição, em seus arts. 93, 94 e 95, vai dispor sobre os magistrados. Devemos então estudar a carreira da magistratura com base nas informações traçadas pela Constituição.

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Temos na 1ª instância dos juízes substitutos e juízes de direito e na 2ª instância os desembargadores. Sendo que este último cargo, o desembargador, é o cargo mais elevado da carreira.

Como foi dito anteriormente, 1/5 dos lugares do TJ é composto por advogados e por membros do MP, sendo os mesmos nomeados pelo governador. Os demais desembargadores são juízes de carreira que após diversas promoções chegam ao cargo de desembargador.

A carreira da magistratura é formada da seguinte maneira:

- Juiz Substituto, sendo este o cargo inicial. O bacharel em direito que

possuir pelo menos três anos de atividade jurídica, após concurso de provas e títulos, que em todas as suas fases é acompanhado pela OAB, sendo aprovado, inicia sua carreira como juiz substituto, devendo cumprir um estágio de vitaliciamento, ou confirmatório, de 24 (vinte e quatro meses). Nos primeiros quatro meses estará fazendo cursos na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro – EMERJ, nos demais vinte meses, já no desempenho de suas funções, estará sendo acompanhado pelo Conselho de Vitaliciamento. Os juízes substitutos terão exercício nas regiões judiciárias, exceto na região judiciária especial, onde exercerão apenas funções de auxílio.

- Juiz de Direito de Entrância do Interior. Neste cargo o juiz

desempenhará suas atribuições como juiz de direito de 1ª entrância, onde atuará como titular, juiz de direito de 2ª entrância, onde atuará como titular, e juiz de direito regional, atuando em funções de substituição e auxílio nas regiões judiciárias.

- Juiz de Direito de Entrância Especial, último cargo na 1ª instância. Atuará como titular das comarcas de entrância especial.

-

Desembargador,

cargo

máximo

na

carreira

da

desembargador é juiz de 2ª instância.

magistratura.

O

As promoções dos juízes ocorrem alternadamente por antiguidade, onde se observará um período mínimo de 2 anos na entrância em que se encontra. Por exemplo, o juiz de direito de 1ª entrância ficará dois anos, no mínimo, neste cargo para poder ser promovido ao cargo de juiz de direito de 2ª entrância. É possível que seja negada a promoção por antiguidade se 2/3 dos membros do Órgão Especial recusar a mesma (caso seja negada a promoção por antiguidade terá o juiz direito à ampla defesa, e o Tribunal repetirá a votação até que seja aquele cargo preenchido); e merecimento, sendo que neste caso também devem ser obedecidos os 2 anos na entrância. Pelo merecimento, além do juiz que integrar

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a quinta parte da lista de antiguidade, serão avaliadas a presteza e a segurança no

desempenho de suas atribuições, além de freqüência e aproveitamento em cursos de aperfeiçoamento. Fica obrigatória a promoção do juiz que figurar por três vezes consecutivas ou cinco alternadas na lista de merecimento.

Para promoção ao cargo de desembargador, também serão utilizados os critérios de antiguidade e merecimento, alternadamente. No critério de

antiguidade, esta será apurada na última entrância, ou seja, durante o período que

o juiz exerceu o cargo de juiz de entrância especial, podendo ser recusado, por voto

de 2/3 dos desembargadores do OE, o mais antigo. No caso de promoção por merecimento, aquele que figurar por três vezes consecutivas ou cinco alternadas, deverá ser promovido, sendo utilizados os mesmo critérios citados acima.

A remoção voluntária e a permuta também observarão os critérios de merecimento e antiguidade, como citado acima. Devendo o juiz residir na sua comarca, salvo autorização do tribunal.

A aposentadoria dos magistrados e suas pensões seguirão as regras traçadas pelo art. 40, CF.

As únicas prerrogativas dos magistrados, previstas constitucionalmente (art. 95), são:

- vitaliciedade: direito que adquire o juiz de não perder o cargo, salvo por decisão judicial transitada em julgado, proferida em ação civil própria. Cabe ao Conselho da Magistratura, através do Conselho de Vitaliciamento, optar pela concessão ou não da vitaliciedade, cabendo ao OE a decisão final;

- inamovibilidade: o magistrado não poderá ser removido contra a sua vontade, salvo por deliberação do OE e o voto da maioria dos seus membros, impondo a remoção compulsória. É penalidade administrativa a remoção compulsória conforme previsto no art. 93, VIII, CF: “Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: VIII - o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por interesse público, fundar-se-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal, ou Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa ”;

- irredutibilidade de subsídios, somente nos casos previstos na CF (arts. 37, X e XI; 39, §4º; 150, II; 153, III, e 153, § 2º, I).

Já foi possível perceber que a garantia da irredutibilidade de subsídios não

é absoluta, pois, de acordo com a própria Constituição Federal, que criou a regra,

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há exceções à garantia, nos casos previstos na Constituição Federal poderão os magistrados sofrer redução dos subsídios. Assim como não são absolutas as garantias da vitaliciedade e da inamovibilidade.

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS - arts. 226 ao 269

Por questão de prevenção, incluímos alguns pontos das disposições finais neste resumo, já que não estão citados expressamente pelo último edital de Técnico do TJ.

O expediente forense será das 11 às 18 h, para atendimento ao público, no entanto, os serventuários prestarão suas oito horas diárias de trabalho

das 08 às 20 h. Os juizados da infância e da juventude e os JEC’s funcionarão das 09 às 18 h, com uma hora a mais de expediente interno, a critério do juiz, com anuência do CGJ. As serventias extrajudiciais funcionarão diariamente das 09 às 18

h.

Não haverá expediente:

- aos sábados, salvo nos Cartórios de Registro Civil que poderão abrir aos sábados de 09 às 12 horas;

- no dia 08 de dezembro (Dia da Justiça);

- nos dias declarados como de ponto facultativo nas repartições estaduais;

- 2ª e 3ª da semana do Carnaval;

- 5ª e 6ª da Semana Santa;

- nos feriados nacionais, estaduais e nos municipais (sede das respectivas Comarcas).

No período de 20 de dezembro a 06 de janeiro, inclusive, ficam os prazos processuais suspensos.

Por motivo de ordem pública o presidente do Tribunal de Justiça poderá decretar o fechamento do foro ou de qualquer dependência do serviço judiciário, bem como encerrar o expediente antes do horário normal.

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