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CARREIRAS JURÍDICAS 2012 – MÓDULO I DIREITO TRIBUTÁRIO JOSIANE MINARDI Aula 04
CARREIRAS JURÍDICAS 2012 – MÓDULO I
DIREITO TRIBUTÁRIO
JOSIANE MINARDI
Aula 04

IMUNIDADES DOS TEMPLOS DE QUALQUER

CULTO

O art. 150, VI, “b” da CF veda aos Entes

Federativos instituírem IMPOSTOS sobre os

templos de qualquer culto.

§ 4º - As vedações expressas no inciso VI,

alíneas "b" e "c", compreendem somente o

patrimônio, a renda e os serviços,

relacionados com as finalidades essenciais

das entidades nelas mencionadas.

Recentemente, o STF decidiu que não incide A expressão “templos de qualquer IPTU sobre os
Recentemente, o STF decidiu que não incide
A
expressão
“templos
de
qualquer
IPTU sobre os cemitérios que sejam extensão
culto” deve ser interpretada de forma ampla,
da entidade religiosa:
abrangendo todas as formas de expressão de
religiosidade. Só não irá abranger os templos
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
de inspiração demoníaca, nem cultos
CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
satânicos, nem suas instituições, por
IPTU. ARTIGO 150, VI, "B", CB/88. CEMITÉRIO.
contrariar a teleologia do texto constitucional.
EXTENSÃO DE ENTIDADE DE CUNHO
Portanto, deve haver valores morais e
RELIGIOSO.
religiosos.
1.
Os
cemitérios
que
consubstanciam
A imunidade dos templos de qualquer
extensões de entidades de cunho religioso
culto visa tutelar a liberdade religiosa, e por
estão abrangidos pela garantia contemplada
essa razão tudo, exatamente tudo, que estiver
no
artigo
150
da
Constituição
do
Brasil.
em nome da instituição religiosa e cumprir
Impossibilidade
da
incidência
de
IPTU
em
sua finalidade essencial terá imunidade, ou
relação a eles. 2. A imunidade aos tributos de
seja, não terá que pagar impostos.
que gozam os templos de qualquer culto é
projetada a partir da interpretação da
Art.
150. Sem prejuízo de outras
totalidade que o texto da Constituição é,
garantias asseguradas ao contribuinte, é
sobretudo do disposto nos artigos 5º, VI, 19, I
vedado à União, aos Estados, ao Distrito
e
150, VI, "b". 3. As áreas da incidência e da
Federal e aos Municípios
imunidade tributária são antípodas. Recurso
) (
extraordinário provido.
VI - instituir impostos sobre:
(RE 578562, Min. Rel. Eros Grau, D.J. 21-05-

) (

b) templos de qualquer culto

) (

2008)

A imunidade do art. 150, VI, “c” da CF

visa tutelar a liberdade política, a liberdade

sindical e estimular colaboradores do Estado

na prestação de serviços de assistência

social, desde que sem finalidade lucrativa. Tal

colaboradores do Estado na prestação de serviços de assistência social, desde que sem finalidade lucrativa. Tal

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CARREIRAS JURÍDICAS 2012 – MÓDULO I
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imunidade refere-se a certas pessoas, razão

porque é chamada de imunidade subjetiva.

São 4 pessoas que nos termos desse

dispositivo constitucional não irão pagar

impostos sobre suas rendas, patrimônio e

serviços:

Nesse sentido, o artigo 14 do Código

Tributário Nacional prevê três requisitos que

devem ser cumpridos pelas 4 pessoas

jurídicas acima para poderem gozar da

imunidade aludida. São eles:

a) Não distribuírem qualquer parcela de

seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer

a) Entidades de Assistência Social Sem

Fins Lucrativos;

b)

Lucrativos;

c) Partidos Políticos e Suas Fundações;

d) Sindicato dos Trabalhadores.

A parte final do art. 150, VI, “c” da CF

estabelece que essas pessoas somente terão

direito à imunidade tributária se atenderem

requisitos estabelecidos em lei.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias

asseguradas ao contribuinte, é vedado à

União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos

Municípios:

) (

VI - instituir impostos sobre:

) (

título; b) objetivos institucionais; c) exatidão. quaisquer um desses requisitos. CTN devem cumprir mais dois:
título;
b)
objetivos institucionais;
c)
exatidão.
quaisquer um desses requisitos.
CTN devem cumprir mais dois:
a)
b)
princípios do Estado brasileiro.

Entidade de Educação Sem fins

Aplicarem integralmente, no País, os

seus recursos na manutenção dos seus

Manterem escrituração de suas

receitas e despesas em livros revestidos de

formalidades capazes de assegurar sua

O § 1º do art. 14 do CTN estabelece que

a Autoridade competente poderá suspender a

imunidade da pessoa que não cumprir

Ressalta-se, ainda, que os Partidos Políticos,

além de cumprirem os requisitos do art. 14 do

estarem devidamente registrados no

Tribunal Superior Eleitoral (art. 17, § 2º, CF), e;

não atentarem contra os costumes e

c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos

políticos, inclusive suas fundações, das

entidades sindicais dos trabalhadores, das

instituições de educação e de assistência

social, sem fins lucrativos, atendidos os

requisitos da lei.

Nos termos da Súmula 724 do STF

todas pessoas do art. 150, VI, “c” da CF

(entidade de assistência social sem fins

lucrativos, entidades de educação sem fins

lucrativos, partidos políticos e suas

fundações e sindicato dos trabalhadores)

entidades de educação sem fins lucrativos, partidos políticos e suas fundações e sindicato dos trabalhadores) 2

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ainda que tenham imóveis locados para

terceiros não irão pagar IPTU desses imóveis,

desde que utilizem o valor dos aluguéis para

cumprimento de suas finalidades essenciais.

Súmula 724 STF - AINDA QUANDO ALUGADO

A TERCEIROS, PERMANECE IMUNE AO IPTU

O IMÓVEL PERTENCENTE A QUALQUER DAS

ENTIDADES REFERIDAS PELO ART. 150, VI,

"C", DA CONSTITUIÇÃO, DESDE QUE O

VALOR DOS ALUGUÉIS SEJA APLICADO NAS

ATIVIDADES ESSENCIAIS DE TAIS

ENTIDADES.

(Súmula 724, SESSÃO PLENÁRIA, julgado em

26/11/2003, DJ de 9/12/2003, p. 1; DJ de

10/12/2003, p. 1; DJ de 11/12/2003, p. 1)

integração do mercado de trabalho.

Imunidade reconhecida pelo STF, RE 235.737.

Recentemente o STF reconheceu que

as entidades fechadas de previdência privada

que NÃO exigirem de seus associados

contribuições para custeio do benefício,

também têm direito à imunidade que se refere

o art. 150, VI, “c” da CF.
o art. 150, VI, “c” da CF.

Quanto às Entidades de Assistência

Súmula 730 STF - A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA

CONFERIDA A INSTITUIÇÕES DE

ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS

LUCRATIVOS PELO ART. 150, VI, "C", DA

CONSTITUIÇÃO, SOMENTE ALCANÇA ÀS

ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA

SOCIAL PRIVADA SE NÃO HOUVER

CONTRIBUIÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS.

(Súmula 730, SESSÃO PLENÁRIA, julgado em

26/11/2003, DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de

10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2)

Ressalta-se, ainda, que as entidades

de assistência social sem fins lucrativos, além

de serem imunes ao pagamento de impostos,

também gozam de imunidade das

contribuições sociais, nos termos do artigo

195, § 7º da Constituição Federal. Assim, a

única pessoa do artigo 150, VI da CF que além

Social, é oportuno salientar que são aquelas

que auxiliam o Estado no atendimento dos

direitos sociais, tais como, saúde, segurança,

maternidade, trabalho, etc. Por essa razão,

afirma-se que cumprir assistência social é

respeitar o artigo 203 da CF. As entidades que

cumprirem o art. 203 da CF e não visarem

lucro, assim como as entidades beneficentes,

as Organizações não Governamentais (ONGs),

dentre outras, terão a imunidade tributária

prevista no art. 150, VI, “c” da CF.

Outro exemplo de entidades que

gozam de imunidade tributária são aquelas

que compõem o Sistema “S” (SESI, SENAI,

SENAC, SEBRAE), que promovem a

de possuir o benefício de não pagar impostos,

também não irá pagar contribuição social, é a

Entidade de Assistência Social sem fins

lucrativos.

IMUNIDADE OBJETIVA (ART. 150, VI, “d” CF)

social, é a Entidade de Assistência Social sem fins lucrativos. IMUNIDADE OBJETIVA (ART. 150, VI, “d”

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O art. 150, VI, “d” da CF trata sobre a

imunidade objetiva, que proíbe a União,

Estados, Distrito Federal e Municípios de

instituírem impostos sobre alguns objetos,

tais como livros, jornais, periódicos e o papel

destinado à sua impressão. Sobre estes

objetos não irão incidir o ICMS - quando saem

do estabelecimento comercial, IPI - quando

divulgadas ou à qualidade cultural de uma

da

norma constitucional em tela afastar este

benefício fiscal instituído para proteger direito

tão importante ao exercício da democracia,

por força de um juízo subjetivo acerca da

qualidade cultural ou do valor pedagógico de

publicação.

3.

Não

cabe

ao

aplicador

A imunidade acima referida visa DJ 06-08-2004). Terão imunidade os livros que
A imunidade acima referida visa
DJ 06-08-2004).
Terão imunidade os livros que

uma publicação destinada ao público infanto-

saem da indústria e II - se houver a

juvenil. 4. Recurso extraordinário conhecido e

importação.

provido. (RE 221.239, Rel. Min. Ellen Gracie,

possibilitar o acesso à cultura e à informação,

e sua finalidade é baratear o custo dos livros,

EMENTA Álbum de figurinha. Imunidade

jornais, periódicos e papéis destinados a

tributária. art. 150, VI, "d", da Constituição

impressão.

Federal. Precedentes da Suprema Corte. 1. Os

álbuns de figurinhas e os respectivos cromos

transmitirem pensamentos e idéias

adesivos estão alcançados pela imunidade

formalmente orientadas, independentemente

tributária prevista no artigo 150, VI, "d", da

do conteúdo. Nesse sentido, segue-se o

Constituição Federal. 2. Recurso

julgado do STF:

extraordinário desprovido. (RE nº 179893, Min.

Rel. Menezes Direito, DJ 15-04-2008).

CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE.

ART. 150, VI, "D" DA CF/88. "ÁLBUM DE

Com relação aos periódicos e jornais,

FIGURINHAS". ADMISSIBILIDADE.

somente perderão a imunidade se

apresentarem cunho eminentemente

1. A imunidade tributária sobre livros, jornais,

publicitário, sem qualquer destinação à

periódicos e o papel destinado à sua

cultura e à educação, como os encartes. No

impressão tem por escopo evitar embaraços

entanto, a presença de propaganda no corpo

ao exercício da liberdade de expressão

do próprio periódico ou jornal que apresente

intelectual, artística, científica e de

comunicação, bem como facilitar o acesso da

população à cultura, à informação e à

educação.

2. O Constituinte, ao instituir esta benesse,

não fez ressalvas quanto ao valor artístico ou

didático,

informações

à

relevância

das

informações à cultura e à educação não afasta

a imunidade.

Nesse sentido, o STF, no RE nº

199.183 reconheceu a imunidade da lista

telefônica por ter utilidade pública, ainda que

veicule anúncios e publicidade.

reconheceu a imunidade da lista telefônica por ter utilidade pública, ainda que veicule anúncios e publicidade.

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Observa-se que a norma

constitucional imuniza apenas o papel

destinado à impressão dos livros, jornais e

periódicos, abrangendo apenas os materiais

similares ao papel, como os filmes e papéis

fotográficos, sem trazer a imunidade para os

demais insumos como as tintas, cola e linha.

Súmula 657 STF - A IMUNIDADE PREVISTA

NO ART. 150, VI, "D", DA CONSTITUIÇÃO

FEDERAL ABRANGE OS FILMES E PAPÉIS

FOTOGRÁFICOS NECESSÁRIOS À

PUBLICAÇÃO DE JORNAIS E PERIÓDICOS.

(Súmula 657, SESSÃO PLENÁRIA, julgado em

24/09/2003, DJ de 9/10/2003, p. 3; DJ de

10/10/2003, p. 3; DJ de 13/10/2003, p. 3)

LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA

(art. 195, § 4º CF); empréstimo Compulsório

(art. 148 CF); IGF (art. 153, VII CF); imposto

Residual (art. 154, I CF).

Além desses 4 tributos que só podem

ser instituídos por meio de lei complementar,

a Constituição Federal determina que algumas

matérias também só podem ser tratadas por

meio de lei complementar, nesse sentido, temos o art. 146 da CF: Art. 146. Cabe
meio de lei complementar, nesse sentido,
temos o art. 146 da CF:
Art. 146. Cabe à lei complementar:
I - dispor sobre conflitos de competência, em
matéria tributária, entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios;
II - regular as limitações constitucionais ao
poder de tributar;
III - estabelecer normas gerais em matéria de
legislação tributária, especialmente sobre:
Nos termos do artigo 96 do CTN, a
a)
definição de tributos e de suas espécies,
bem como dos impostos discriminados nesta
Constituição, e dos respectivos fatos
geradores, bases de cálculo e contribuintes;
b)
obrigação, lançamento, crédito, prescrição
e
decadência tributárias;
c)
adequado tratamento tributário ao ato
cooperativo praticado pelas sociedades
cooperativas.

d) definição de tratamento diferenciado e

favorecido para as microempresas e para as

empresas de pequeno porte, inclusive

regimes especiais ou simplificados no caso

do imposto previsto no art. 155, II, das

legislação tributária compreende: Leis,

Tratados e Convenções Internacionais,

Decretos e Normas Complementares.

Lei Ordinária: A lei ordinária é o veículo, por

excelência, da matéria tributária, pois é o

instrumento de instituição, modificação e

extinção dos tributos. Os tributos irão

ingressar no sistema jurídico pátrio, via de

regra, por meio de lei ordinária.

Lei Complementar

Existem quatro tributos que só podem

ser instituídos e majorados por meio de lei

complementar: contribuição Social Residual

quatro tributos que só podem ser instituídos e majorados por meio de lei complementar: contribuição Social

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contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e

13, e da contribuição a que se refere o art. 239

Parágrafo único. A lei complementar de que

trata o inciso III, d, também poderá instituir

um regime único de arrecadação dos

impostos e contribuições da União, dos

Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: ( ) Art. 146-A. Lei complementar
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
observado que:
(
)
Art. 146-A. Lei complementar poderá
estabelecer critérios especiais de tributação,
com o objetivo de prevenir desequilíbrios da
concorrência, sem prejuízo da competência
de a União, por lei, estabelecer normas de
igual objetivo
O
art. 156, § 3º da CF, ao tratar sobre o
Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
– ISS, estabelece que há necessidade de lei
complementar para:
I - fixar as suas alíquotas máximas e mínimas;
II - excluir da sua incidência exportações de
serviços para o exterior;
III
- regular a forma e as condições como
isenções, incentivos e benefícios fiscais serão

concedidos e revogados.

- regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e

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